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Numero do processo: 11080.013637/95-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 203-00.578
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para suprir a omissão no Acórdão na 203-06.040 de 18 de setembro de 2001, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para suprir a omissão no Acórdão na 203-06.040 de 18 de setembro de 2001, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em Dl de dezembro de 2004 ~L.f~CJ Leonardo de Andrade Couto Presidente Maria T ~ax::z López Relatorrsa Ml Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente), Cesar Piantavigna, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Valdemar Ludvig e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. EaalImdc I Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ~bJ Processo n° Recurso n° Embargante 11080.013637/95-47 107.550 PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO • Trata-se de EMBARGOS interpostos pela Fazenda Nacional, por meio da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Retomando no tempo tem-se que por meio do Acórdão nO 203-06.040, os Membros da 3" Câmara deste Eg. Conselho decidiram, em 09/11/99, com relação à exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados: 1) não conhecer na parte de ação judicial e lI) negar provimento ao recurso na parte não alcançada pela ação judicial. O relator desse Acórdão foi o Conselheiro Sergio Nalini. O contribuinte opôs Embargos de Declaração. Alegou fato superveniente - a edição da IN 67/98, de modo a reconhecer a perda do objeto da ação fiscal em relação de açúcares abrangidos pelo ato administrativo em questão. Em 18 de set/200I, os Membros deste Eg. Conselho, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, acataram os embargos declaratórios. Consta da conclusão do voto do então relator, o Conselheiro Renato Scalco Isquierdo o que a seguir transcrevo: "voto no sentido de dar provimento aos embargos interpostos para considerar que o processo administrativo perdeu seu objeto, devendo o lançamento ser cancelado pela autoridade preparadora, em cumprimento à Instrução Normativa." Em 20/06/2002, (fls. 264/265) a Fazenda Nacional por meio de seu representante legal requereu acolhimento dos embargos declaratórios, para que o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo se manifestasse sobre a matéria em que foi vencido, e desta forma "seja sanada a exigência processual omitida". Em 30/05/2003, por meio do Despacho n° 203-089 (fl. 266) foram prestados esclarecimentos pelo Conselheiro vencido, Otacílio Dantas Cartaxo. Consta dos dois últimos parágrafos das informações prestadas: Inicialmente, registre-se que os Embargos de Declaração, em seu acatamento, têm o condão de clarificar as obscuridades, dúvidas ou contradições presentes entre as decisões e os seus fundamentos. Apesar de constar registro deste colegiado de que os embargos declaratórios foram acatados no sentido de esclarecer obscuridade contida no Acórdão nO203-06.040, na verdade o que ocorreu foi o seu acolhimento com efeitos infringentes, vez que modificou totalmente o citado acórdão o que, s.m}. só poderia ocorrer por meio de Recurso, o que ensejou o voto em contrário deste Conselheiro. • 2 .'.... • I j Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11080.013637/95-47 107.550 I "çCW IFI. • • Em 31/07/2003 (fi. 268) o Procurador José Ribamar Alves Soares foi cientificado das informações solicitadas. Em 07 de agosto de 2003, a solicitação de encaminhamento dos autos à DRJ em Porto Alegre, para as providências cabíveis. Em 19/09/2003, (fi. 272) solicitação pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, de encaminhamento do processo para a DRFIPORTO ALEGRE/SECAT, para as providências de sua alçada. Em 13/11/2003 (fi. 273) a DRF em Porto Alegre/RS/SECAT em INFORMAÇÃO FISCAL, assim se posicionaao final (sic) "Diante do exposto e tendo em vista o despacho da DRJ à FI. 272, PROPONHO o encaminhamento do presente processo à DRJ/POA, para análise e providencias cabíveis, inclusive com esclarecimentos do acórdão final a ser cumprido e atos a serem praticados por esta DRF. " Em 23/01/2004, (fi. 274) a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre assim se manifesta: Tendo em vista a solicitação de esclarecimento da DRF Porto Alegre/Secat, sobre qual dos Acórdãos, de j1.238 ou de j1.258, a ser cumprido, proponho que se encaminhe o processo ao 2 ° Conselho de Contribuintes, para que se manifeste a respeito. " Por ordem do Sr. Presidente da Terceira Câmara deste Conselho o processo foi redistribuído: em maio/2004, me-lo foi encaminhado por meio de sorteio. Volta, pois, o litígio à Câmara, para que se manifeste sobre a omissão do relator vencido. É o relatório f 3 ..' ,} Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 11080.013637/95-47 107.550 ~bJ VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Tendo em vista o julgamento ocorrido em 18 de setembro de 2001, (acórdão de fls. 258/261) acolhendo os embargos da interessada, face a fato superveniente, dúvidas não há quanto a execução do acórdão, conforme voto do relator a seguir novamente transcrito: "voto no sentido de dar provimento aos embargos interpostos para considerar que o processo administrativo perdeu seu objeto, devendo o lançamento ser cancelado pela autoridade preparadora, em cumprimento à Instrução Normativa. " No entanto, em razão dos embargos propostos pela Fazenda Nacional, retoma o processo à pauta da sessão de julgamento da 3" Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para que seja mencionada expressamente a matéria na qual o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo foi vencido, ou seja, mencionado "Vencido o Conselheiro GtadUo Dantas Cartaxo, quanto ao acolhimento dos embargos ". Enfim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de acolher os embargos para que fique registrado, "Vencido o Conselheiro Gtacílio Dantas Cartaxo, quanto ao acolhimento dos embargos". Sala das Sessões, em OI de dezembro de 2004 • • MARIA TERES ARTÍNEZ LÓPEZ 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004270/2003-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1101-000.039
Decisão: Por unanimidade de votos, em RESOLUÇÃO, foi declinada a competência em favor da 3a Seção de Julgamento.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.724393/2019-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2015, 2016, 2017
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. FUNRURAL. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE.
No período posterior à Lei nº 10.256/2001, são devidas pelo produtor rural pessoa física e segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista em lei.
Conforme orientação da Súmula CARF nº 150, a inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos que tenham como fundamento a Lei nº 10.256/2001.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. POSSIBILIDADE APENAS A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.606/2018. PARECER SEI 19443/2021/ME. LISTA DE DISPENSA DE CONTESTAÇÃO E RECURSOS DA PGFN.
Conforme reiteradas decisões do STJ, apesar de o art. 11, §5º, “a”, do Decreto nº 566, de 1992, prever a obrigação de retenção do SENAR pelo adquirente da produção rural, o dispositivo não encontrava amparo legal, violando as disposições do art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN, obstáculo que foi superado a partir da Lei nº 13.606, de 2018.
Numero da decisão: 2003-006.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e no mérito, dar-lhe parcial provimento apenas para cancelar o lançamento da contribuição ao SENAR.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator
Assinado Digitalmente
Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Leonardo Nunez Campos (substituto integral), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2015, 2016, 2017 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. FUNRURAL. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. No período posterior à Lei nº 10.256/2001, são devidas pelo produtor rural pessoa física e segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista em lei. Conforme orientação da Súmula CARF nº 150, a inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos que tenham como fundamento a Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. POSSIBILIDADE APENAS A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.606/2018. PARECER SEI 19443/2021/ME. LISTA DE DISPENSA DE CONTESTAÇÃO E RECURSOS DA PGFN. Conforme reiteradas decisões do STJ, apesar de o art. 11, §5º, “a”, do Decreto nº 566, de 1992, prever a obrigação de retenção do SENAR pelo adquirente da produção rural, o dispositivo não encontrava amparo legal, violando as disposições do art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN, obstáculo que foi superado a partir da Lei nº 13.606, de 2018.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e no mérito, dar-lhe parcial provimento apenas para cancelar o lançamento da contribuição ao SENAR. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Leonardo Nunez Campos (substituto integral), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. FUNRURAL. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE. No período posterior à Lei nº 10.256/2001, são devidas pelo produtor rural pessoa física e segurado especial as contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural, ficando a pessoa jurídica adquirente responsável pela retenção e recolhimento dessas contribuições em virtude da sub-rogação prevista em lei. Conforme orientação da Súmula CARF nº 150, a inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos que tenham como fundamento a Lei nº 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. POSSIBILIDADE APENAS A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.606/2018. PARECER SEI 19443/2021/ME. LISTA DE DISPENSA DE CONTESTAÇÃO E RECURSOS DA PGFN. Conforme reiteradas decisões do STJ, apesar de o art. 11, §5º, “a”, do Decreto nº 566, de 1992, prever a obrigação de retenção do SENAR pelo adquirente da produção rural, o dispositivo não encontrava amparo legal, violando as disposições do art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN, obstáculo que foi superado a partir da Lei nº 13.606, de 2018. ACÓRDÃO Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e no mérito, dar-lhe parcial provimento apenas para cancelar o lançamento da contribuição ao SENAR. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Leonardo Nunez Campos (substituto integral), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 197/203, interposto contra decisão da DRJ em Belém/PA de fls. 171/185, a qual julgou procedente o lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, relativas ao FUNRURAL e SAT/RAT, além da contribuição ao SENAR, devidas por produtores rurais pessoas físicas, cujo recolhimento estava a cargo da RECORRENTE, por sub- rogação, em razão da aquisição de produtos rurais, conforme descrito nos autos de infração de fls. 02/10 e fls. 11/16, lavrados em 25/06/2019, referentes ao período de 01/2015 a 08/2017, com ciência da RECORRENTE em 03/07/2019, conforme AR de fl. 140. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo se encontra no valor histórico de R$ 877.960,01, já acrescido de juros de mora e multa de ofício. De acordo com o relatório fiscal acostado às fls. 48/52: 2. A empresa, denominada Lavoura, adquiriu de produtores rurais pessoas físicas produtos como milho, feijão, trigo, sementes de milho, sementes de soja, lenha, etc., sem, contudo, reter dos respectivos produtores rurais pessoas físicas vendedores dessa produção, na condição de sub-rogada (adquirente), a contribuição previdenciária incidente sobre a compra de produção rural, conforme determinado pela legislação de regência. (...) Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 3 5. A empresa LAVOURA, mesmo não tendo descontado do montante pago ao produtor rural pessoa física o valor das respectivas contribuições sociais, na condição de émpresa adquirente, por expressa disposição legal, é a responsável pelo pagamento desses tributos, na condição de sub-rogada pelas obrigações do produtor rural, conforme definido na Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei 10.256/2001: (...) 6. Ainda, de acordo com a Solução de consulta DISIT/SRRF01 n° 1.018, de 11 de outubro de 2018, "a suspensão promovida pela Resolução do Senado Federal n° 15, de 2017, da legislação declarada inconstitucional pelo Recurso Extraordinário n° 363.852/MG não afeta a contribuição do empregador rural pessoa física reinstituída pela Lei n° 10.256, de 2001, que teve a sua constitucionalidade confirmada nº julgamento do Recurso Extraordinário n° 718.874/RS, pelo que são válidos os incisos do art. 25 e a subrogação prevista no inciso IV do art. 30, ambos da Lei n.° 8.212, de 1991". (...) 17. Assim sendo, considerando todos os esclarecimentos prestados pela empresa no decorrer do procedimento fiscal, reproduzimos de forma resumida as informações contidas na mencionada PLANILHA A. listando, mensalmente, a base de cálculo e o montante da contribuições sociais devidas e lançadas na ação fiscal: [vide tabela de fls. 50/51] Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 144/168 em 24/07/2019. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ de origem, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Ausência de Fundamentação Quanto ao Suposto Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária Solicita o cancelamento da Representação Fiscal para Fins Penais sob o argumento de que os fatos do ordenamento civil e tributário que inicialmente estariam sendo infringidos restaram dúbios e conflitantes, não lhe podendo ser exigida conduta diversa da que foi praticada, no caso concreto. A Preexistência de Discussão do Tema, em Sede de Repercussão Geral(Tema 669 do STF) Frisa que o mérito da presente discussão já havia sendo debatido nº cenário jurídico, tanto que foi afetado pela sistemática da repercussão geral conforme Tema 669. Transcreve seu enunciado. Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 4 Transcreve o voto do relator Ministro Edson Fachin, para concluir que o tema possuía relevância e interesse de toda a sociedade, inclusive do SENAR, de tal forma que a discussão passa longe de poder ser tratada como uma mera negligência sua, em não reter e repassar os valores de tal ônus tributário. Considerando um cenário de (quase) certeza de que as contribuições previdenciárias não viriam a ser cobradas dos produtores rurais pessoas físicas, até porque a contribuição anterior - o antigo FUNRURAL - já tinha sido declarada inconstitucional, faz a seguinte indagação: que força teria a Impugnante para exigir e compelir, perante seus clientes(produtores rurais pessoas físicas) que parte dos valores que lhes seriam pagos deveria ficar retido, a este título??? Diante da discussão em questão, entende que é inafastável o reconhecimento de que a exigência fiscal recaia sobre si, uma vez que o sujeito passivo a quem se destinaria tal imputação fiscal deveria ser o contribuinte de fato - o produtor pessoa física -que em momento algum foi mencionado pelo Fisco por ocasião da emissão dos Autos de Infração. Pelas questões expostas, consigna a evidente necessidade de se corrigir o rumo da obrigação fiscal - direcionando-a a quem quer que seja, menos à Impugnante, que nada deve - cancelando-se integralmente a exigência objeto do presente auto de infração. A Asquiescência Fazendária, sobre a Suspensão de Execução do art. 25, IV, da Lei 8.212/91, Relativa ao FUNRURAL Ressalta que o entendimento quase certo de que a contribuição ao FUNRURAL não seria devida, ou pelo menos exigível, não se deu apenas no meio empresarial ou perante os produtores rurais pessoas físicas, que na época dos fatos já não admitia tal desconto de valores, da produção vendida à Postulante. Explica que tal fato advém das publicações oficiais dos repositórios legais, no caso, os sítios de internet do Poder Executivo Federal e da Câmara dos Deputados, que divulgaram, por anos que duraram a discussão, que o disposto no inciso IV, do art. 25, da Lei 8.212/91 estava com sua exigibilidade suspensa, tamanha que foi a adesão da anterior declaração de inconstitucionalidade do FUNRURAL ao Tema 669, do STF. Esclarece que a celeuma em questão foi tamanha que, mesmo após o julgamento definitivo da demanda, o STF foi instado a se pronunciar sobre tal equívoco de publicação, por meio da Petição 8184, na qual foi parte demandante a Fazenda Nacional. Destaca que, tamanha era a certeza dos Entes Tributantes de que a contribuição previdenciária em questão não seria mais exigida, que o STF precisou esclarecer que a Resolução 15/2017, do Senado Federal, não se aplicaria ao tema sob análise e que os dispositivos legais em questão não deveriam mais ser divulgados como suspensos de execução (e eficácia normativa). Informa que o conteúdo integral da Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 5 decisão proferida em 03/04/2019, ou seja, praticamente na véspera do início da presente fiscalização, encontra-se reproduzido nº site do STF. Evidencia que, embora esteja ciente de que o repositório legislativo oficial seja o Diário Oficial da União, não há como se desprezar a força cogente que as publicações legais do site Poder Executivo da União incita perante os contribuintes - fato que também se aplica no seu caso. Transcreve trechos da Decisão proferida pelo STF. Considerando toda a circunstância exposta, entende que se criou um senso comum de interpretação que, na prática, acabou impondo uma forte limitação ao dever da Impugnante de reter os valores pagos aos produtores rurais pessoas físicas, a qual uma vez descumprida (sic) poderia, inclusive, inviabilizar suas atividades. Por tudo que foi exposto, solicita o cancelamento dos Autos de infração. Sobre a Necessidade de Imediata Atribuição do Suspensivo ao Presente Feito, na forma do art. 151, CTN Solicita que seja aplicada, desde o primeiro momento, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, na forma prevista pelo art. 151, III, do CTN. Pedido Além das solicitações constantes no decorrer do que foi relatado nos itens anteriores, a Litigante pede a preservação de seu direito a apresentar provas, documentos e demais informações necessárias à comprovação dos fatos e fundamentos de sua defesa. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em Belém/PA julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 171/185): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/08/2017 RECLAMAÇÕES E RECURSOS. EFEITO SUSPENSIVO. As reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. REPRESENTAÇÃO FISCAL A Representação Fiscal para Fins Penais é formalizada na presença de fato que possa configurar crime em tese, no dever de ofício da fiscalização, não sendo da competência da autoridade julgadora administrativa a análise do seu mérito. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 6 A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. No Processo Administrativo Fiscal, somente é permitida a juntada posterior de provas caso haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 07/07/2020, conforme termo de fl. 194, apresentou o recurso voluntário de fls. 197/203 em 30/09/2020. Em suas razões, inicia defendendo a tempestividade de seu recurso ao alegar que os prazos para interposição de recursos estavam suspensos até 31/08/2020, “de acordo com o art. 6º da Portaria RFB nº 543, de 20/03/2020, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 4105, de 30.07.2020” No mais, volta a defender a inconstitucionalidade do art. 30, VI, da Lei nº 8.212/91 (sub-rogação). Afirma que o Supremo Tribunal Federal “julgou por vício de inconstitucionalidade formal e material, por seu pleno, sem modulação, o art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com as alterações dadas pelas Leis n. 8.540/92 e 8.528/97” (fl. 199). Quanto à contribuição devida ao SENAR, afirma que há ausência de previsão legal acerca da sub-rogação até o advento da lei nº 13.606/2018 Este processo compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 7 MÉRITO Das Alegações Acerca do Lançamento da Contribuição para o FUNRURAL. Inconstitucionalidade da Sub-rogação. Conforme exposto, o presente lançamento versa sobre a contribuição ao FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos do empregador rural pessoa física, prevista nos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e no art. 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação da Lei nº 10.256/2001. O argumento central da defesa da RECORRENTE é no sentido de que, quando do julgamento do RE 363.852, o STF teria declarado a inconstitucionalidade, formal e material, do art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91, que trata da sub-rogação da empresa adquirente de produtos do empregador rural pessoa física. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20/1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). É que antes da EC 20/1998, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com o advento da referida emenda, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: "(...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional - inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para ter-se novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição - a folha de salários - a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Fl. 220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 8 Seguridade Social - COFINS e da prevista - tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado - no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, tem-se, ainda, a quebra da isonomia. "(...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar." "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Após a EC 20/98, foi editada a Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a referida Lei nº 10.256/2001 foi editada quando já estava em vigor a nova redação do art. 195, I, da Constituição, dada pela EC 20/98, que passou a prever nova fonte de custeio da seguridade social, qual seja, a receita dos empregadores. Sendo assim, é evidente que o RE 363.852/MG dispõe somente acerca do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 (atualizada até a Lei nº 9.528/97), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2015 a 2017, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256/2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, exclui-se da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 9 III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256/2001. Para evitar confusão do contribuinte, importante destacar que, caso o presente lançamento se referisse a fatos anteriores à Lei nº 10.256/2001, é evidente que o RE 363.852/MG seria aplicável ao caso. No entanto, os fatos geradores ocorridos em 2015 a 2017 já estavam totalmente acobertados pela Lei nº 10.256/2001, o que afasta o caso concreto do alcance da decisão proferida no RE 363.852/MG. Ademais, cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, na medida que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, § 8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, § 8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91, e que, portanto, encontra-se sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, na decisão proferida quando do julgamento do RE 363.852, o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256/2001 e, consequentemente, também afastou a sub-rogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a sub-rogação do tributo reconhecidamente inconstitucional. Portanto, evidente que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral dos arts. 25, I e II, e 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que tais dispositivos eram (e ainda são) fundamentos para a sub-rogação da empresa adquirente nas obrigações dos segurados especiais (referido no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91) pelo recolhimento da contribuição sobre resultado da comercialização da produção. Apenas a título de esclarecimento, pondero que este tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, nos termos do art. 62, I, do RICARF. No entanto, é preciso fazer sempre uma distinção dos dispositivos tidos por inconstitucionais e aqueles que serviram de fundamentação para o lançamento. Digo isso porque, no presente caso, a RECORRENTE afirma obstinadamente que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da regra que determina a sub-rogação insculpida ano art. 30, IV, da Lei n 8.212/91. No entanto, conforme já exposto com detalhes acima, o julgamento do RE 363.852 não socorre o pleito da RECORRENTE, haja vista que tal decisão diz respeito à inconstitucionalidade do “artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, Fl. 222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 10 incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, ao passo que o lançamento deste processo foi realizado com fundamento no art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Necessário trazer nos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: “O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Neste sentido, por meio da recente apreciação pela Corte Suprema do RE 718.874, restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Esta é justamente a orientação da Súmula CARF nº 150, cujo teor aplica-se ao caso concreto: Súmula CARF nº 150 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de subrogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Outrossim, a RECORRENTE afirma que o art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91 permanece suspenso por força da Resolução nº 15/2017 do Senado Federal. Contudo, referida questão foi objeto de petição incidental nº 8.140 apresentada pela Fazenda Nacional, justamente com o propósito de apontar que “foi, indevidamente, inserida a informação nos aludidos sítios de que o inciso II do art. 25 e o inciso IV do art. 30, ambos da Lei 8.212/91, estariam com execução suspensa em razão da referida Resolução Senatorial (...)”. Quando da apreciação do feito, o STF observou que as informações postas nas páginas de legislação dos sítios do Palácio do Planalto e da Câmara dos Deputados efetivamente Fl. 223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 11 não condizem com o que foi decidido a respeito do tema pelo STF. Assim, deferiu o pedido da União nos seguintes termos: Diante de todo o exposto, DEFIRO O PEDIDO, para que se notifiquem a Presidência da Câmara dos Deputados e a Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil da Presidência da República para retificarem, imediatamente, as informações constantes nos sítios eletrônicos da Câmara dos Deputados e da Presidência da República(www.camara.leg.br e www.planalto.gov.br), excluindo- se a referência à suspensão do art. 25, II, e art. 30, IV, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. Ademais, importante esclarecer à RECORRENTE que, não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. O STF não confirmou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001 continuam contrarias ao texto constitucional, pois, conforme acima exposto, essa questão foi objeto de recente apreciação pela Corte Suprema (RE 718.874), quando restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Por fim, esclareça-se que a apreciação de inconstitucionalidade é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Neste sentido, entendo que não devem prosperar as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e da sub-rogação em relação às suas contribuições, haja vista que: (i) o presente lançamento é posterior à Lei nº 10.256/2001 (que não foi objeto de análise pelo STF no RE 363.852/MG); e (ii) não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sem razão o contribuinte em seu pleito quanto ao lançamento da FUNRURAL. Do Lançamento da Contribuição ao SENAR Por outro lado, entendo não merecer prosperar o lançamento da contribuição ao SENAR. Fl. 224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 12 Sobre o tema, o RECORRENTE afirma que “a Lei 9.528/97 reiterou o SENAR dos empregadores rurais pessoas físicas, estendendo-o agora aos chamados segurados especiais (produtores rurais pessoas físicas sem empregados), mas sem nada dizer sobre sub-rogação (artigo 6º). Mais tarde, a Lei 10.256/2001, também silente em matéria de sub-rogação, modificou o dispositivo acima referido, dobrando a alíquota do Senar das pessoas físicas em geral, que então passou a ser de 0,2%”. Alega que apenas em 2018, com a Lei nº 13.606/2018, foi instituída de forma válida a sub-rogação dos adquirentes no pagamento do Senar. Assim, como o presente caso envolve fatos ocorridos em 2015 a 2017, não havia previsão legal para respaldar a sub-rogação da empresa adquirente para retenção e recolhimento da contribuição ao SENAR. Desta feita, sem maiores digressões, cito o teor do Parecer SEI nº 19443/2021/ME, por meio do qual a Fazenda Nacional analisou a possibilidade de inclusão na lista de dispensa de contestação e recursos da PGFN, do tema referente à substituição tributária da contribuição ao SENAR prevista no art. 6º, da Lei nº 9.528/97, ante a impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212/91 e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.315/91, como fundamento para a substituição tributária. Na ocasião, a Procuradora-Geral da Fazenda Nacional concluiu o seguinte: DESPACHO Nº 66/2023/PGFN-MF Processo nº 10951.106426/2021-13 APROVO, para os fins do art. 19-A, caput e inciso III, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, o PARECER SEI Nº 19443/2021/ME (SEI nº 0839085), o qual, considerando o entendimento consolidado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, propõe a seguinte inclusão na lista de temas com dispensa de contestação e recursos da PGFN: 1.45 – Substituição tributária a) Contribuição ao SENAR. Art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997. Contribuinte pessoa física ou segurado especial. Resumo: Impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, e do 3º, §3º da Lei nº 8.315, de 1991, como fundamento para a substituição tributária. A substituição tributária é válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. Precedentes: REsp 1839986/AL, REsp 1723555/SC, AgInt no REsp 1910506/RS, AgInt no REsp 1923191/RS, REsp 1651654/RS. Referência: Parecer SEI nº 19443/2021/ME Cientifique-se a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, bem como restitua-se o expediente à Procuradoria-Geral Adjunta de Representação Judicial para as providências cabíveis. Brasília, 19 de abril de 2023. Portanto, conforme reiteradas decisões do STJ, apesar de o art. 11, §5º, “a”, do Decreto nº 566, de 1992, prever a obrigação de retenção do SENAR pelo adquirente da produção Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.815 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.724393/2019-26 13 rural, o dispositivo não encontrava amparo legal, violando as disposições do art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN. Este obstáculo apenas foi superado a partir da Lei nº 13.606, de 2018. O tema não é novo neste CARF, conforme acórdão nº 9202-010.585, de 20/12/2022, da 2ª Turma da CSRF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. PARECER PGFN 19443/2021 Substituição Tributária. Contribuição para o SENAR. Pessoa física e segurado especial. Lei 9.528, de 1997, art. 6º. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). Inclusão em lista: art. 2º, VII e § 4º, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, e art. 19, VI, b, c/c art. 19-A, III, da Lei nº 10.522, de 2002. Processo Sei nº 10951.106426/2021-13. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Tendo em vista que o caso concreto se refere ao período de 2015 a 2017, anterior, portanto, à Lei nº 13.606/2018, entendo por cancelar o lançamento da contribuição ao SENAR objeto do auto de infração de fls. 11/16. CONCLUSÃO Em razão do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para cancelar o lançamento da contribuição ao SENAR, nos termos das razões acima. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 226DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18186.721274/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3101-000.590
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.574, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 18186.721241/2014-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.574, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 18186.721241/2014-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de PIS/PASEP. Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.590 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.721274/2014-84 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO DE COMPRA/VENDA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves/suínos poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se da Cofins e da Contribuição ao PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação das aves e animais que lhe foram entregues. O retorno das aves e animais ao contratante não caracterização operação de compra. CRÉDITO PRESUMIDO. PARCERIA RURAL. PESSOA FÍSICA. Os valores pagos pela pessoa jurídica ao produtor rural integrado em decorrência da prestação de serviços de engorda de aves para abate correspondem à remuneração paga à pessoa física, não gerando o direito a crédito presumido no sistema da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inexiste recurso de ofício, guardando devolução da matéria ao juízo de segunda instância, mediante recurso voluntário, temas afetos a(o): III – DO DIREITO IV.1 – Preliminarmente: Do Evidente Cerceamento de Defesa no Caso Concreto – Incontroverso Prejuízo ao Direito de Defesa da Recorrente IV.2 – Do Direito à Apuração do Crédito Presumido sobre a Aquisição da Produção dos Produtores Rurais nos Contratos de Integração IV.3 – Do Correto Percentual de 60% para Apuração do Crédito Presumido de PIS e COFINS – Súmula CARF nº 157 IV.4 – Da Necessária Incidência da Taxa SELIC sobre os Créditos no Caso Concreto A recorrente trouxe como pedidos: V – DO PEDIDO Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.590 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.721274/2014-84 3 Diante de todo o exposto, a Recorrente requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformando-se o v. acórdão proferido pela DRJ08, para que seja: (I) declarado nulo o r. despacho decisório, tendo em vista a ausência de documentação suporte à glosa efetuada; ou (II) ao menos, subsidiariamente, determinada a baixa do processo à primeira instância, para que seja juntadas as planilhas ausentes, possibilitando a manifestação da Recorrente; ou, então (III) reconhecidos os créditos presumidos em favor da Recorrente, homologando- se integralmente as compensações vinculadas, devidamente atualizado pela Taxa SELIC. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Cumpridos os requisitos formais necessários de validade do recurso voluntário interposto pela recorrente, decido pelo seu conhecimento e processamento. Antes de enfrentar qualquer glosa incorrida no procedimento fiscal, de já, entendo que o processo não está maduro para julgamento pelas seguintes razões: 1. A recorrente formalizou em 06/02/2014 pedido de ressarcimento no valor de R$ 707.162,89 relativo a crédito presumido da COFINS para o 1º trimestre de 2009 (fl. 2); 2. O despacho decisório decide sobre o referido pedido e, também, sobre a declaração de compensação nº 29471.20154.300414.1.3.09-4622, cuja ciência da recorrente se deu em 20/03/2019; 3. O despacho ainda menciona como origem da decisão o resultado do despacho decisório e dos documentos extraídos no PAF nº 10880.938931/2013-09 que estariam anexados ao presente; 4. O pedido de ressarcimento está instruído com os seguintes elementos do retro citado PAF, despacho decisório; contratos com parceiros datados de 2003, 2006, 2008 e meses 03, 07 e 08 de 2009; notas fiscais emitidas em 2010; planilha com explicação dos contratos das aves e suínos; relação das notas fiscais das aves e suínos (período diverso); e relação dos insumos ração. Considerando tais dados, entendo imprescindível para melhor juízo o apensamento pela Unidade de Origem dos elementos que não foram encontrados nos autos e que compreendem justamente o período em análise no presente processo, quais seja, todos os contratos de parceria firmados com a recorrente e Fl. 725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.590 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.721274/2014-84 4 correspondentes notas fiscais; notas fiscais de aquisição dos insumos glosados pela fiscalização; notas fiscais de venda; e notas fiscais de remessa e retorno das aves e suíços remetidos para beneficiamento. Entendendo necessário, intime a recorrente para prestar esclarecimentos e/ou fornecer provas contábeis-fiscais complementares. Ao depois, sejam os autos devolvidos ao Colegiado para que seja dado andamento ao julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 726DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721823/2012-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007
LANÇAMENTO. NULIDADE.
Lançamento realizado com base em informações prestadas pelo contribuinte em sua contabilidade e registros fiscais não é nulo.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
O prazo decadencial para o lançamento tributário das contribuições sociais declaradas e recolhidas como declaradas é de cinco anos contados da declaração do contribuinte, nos termos do artigo 150, §4º do CTN.
CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE CREDITAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Os acórdãos proferidos pelo E. STJ na sistemática de Recurso Repetitivo vinculam ao CARF e seus Conselheiros.
O E. STJ firmou entendimento em sede de recurso repetitivo (Tema 779), segundo o qual o critério jurídico adequado para a caracterização do direito à tomada de créditos é a necessidade e essencialidade do item em relação à atividade econômica do contribuinte.
Numero da decisão: 3001-003.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e das preliminares de mérito para, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ, acolhendo parcialmente a preliminar de decadência (01/2007 a 06/2007). No mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas no que toca à decadência do período entre 01/2007 e 06/2007. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.553, de 28 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 19515.721824/2012-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LUIZ CARLOS DE BARROS PEREIRA
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NULIDADE. Lançamento realizado com base em informações prestadas pelo contribuinte em sua contabilidade e registros fiscais não é nulo. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O prazo decadencial para o lançamento tributário das contribuições sociais declaradas e recolhidas como declaradas é de cinco anos contados da declaração do contribuinte, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE CREDITAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Os acórdãos proferidos pelo E. STJ na sistemática de Recurso Repetitivo vinculam ao CARF e seus Conselheiros. O E. STJ firmou entendimento em sede de recurso repetitivo (Tema 779), segundo o qual o critério jurídico adequado para a caracterização do direito à tomada de créditos é a necessidade e essencialidade do item em relação à atividade econômica do contribuinte. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e das preliminares de mérito para, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ, acolhendo parcialmente a preliminar de decadência (01/2007 a 06/2007). No mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas no que toca à decadência do período entre 01/2007 e 06/2007. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.553, de 28 de agosto de 2025, prolatado no Fl. 1983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 2 julgamento do processo 19515.721824/2012-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Wilson Antonio de Souza Correa, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente em parte o lançamento, sendo mantido em parte o crédito tributário trazido a litígio - Auto de Infração para exigência da Contribuição para o PIS, no ano-calendário de 2007. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito a créditos os custos com bens e serviços tidos como insumos aplicados na produção de bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 1984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 3 AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência de intimação prévia não é causa de nulidade do Auto de Infração, sobretudo quando este, emitido por autoridade competente, foi regularmente cientificado ao interessado com concessão do prazo legal para apresentação de impugnação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência/perícia quando, além de não serem observados os requisitos para sua realização, trata-se de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, bem como quando estão presentes elementos suficientes para formar a convicção para julgamento. O contribuinte, em sede de recurso voluntário, expressa seu inconformismo, basicamente, em dois sentidos: (a) a impossibilidade da glosa por amostragem, ou seja, de modo “genérico” pela Autoridade Fiscalizadora-Julgadora, a qual deveria, data máxima vênia, debruçar- se sobre os documentos instruídos na defesa do contribuinte e; (b) a impossibilidade da aplicação do repetitivo do REsp 1.221.170-PR que restringiu o conceito de insumo e determinou acerca da essencialidade e relevância, uma vez que o referido julgado é de 2018 e os fatos geradores aconteceram entre 2007 e 2012. Logo, uma vez que não se demonstrou eventual desvio de finalidade nos insumos adquiridos e, também, não se demonstrou serem “ilegítimas” as operações realizadas, é certo que não subsiste a autuação e a glosa realizada. Por fim, solicita: “Diante do acima exposto, requer seja recebido e processado o presente recurso voluntário para se determinar a reforma do julgado, declarando ilegítima a glosa realizada pela Autoridade Fiscalizadora-Julgadora, declarando-se, também, a insubsistência da ação fiscal.” É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tempestividade. O presente recurso é tempestivo, sendo a matéria do mesmo de competência para essa Turma Extraordinária apreciar, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Fl. 1985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 4 Conhecimento. Lançamento. Nulidade. Lançamento realizado com base em informações prestadas pelo contribuinte em sua contabilidade e registros fiscais não é nulo. No caso concreto o contribuinte recorrente argui que o lançamento se deu por amostragem, apontando que a nulidade decorreria do fato de a Fiscalização ter se valido apenas das classificações do CFOP, sem o cotejo da realidade material. Segundo o contribuinte recorrente, teria ocorrido uma espécie de “presunção” por parte a decisão objurgada, uma vez que a mesma teria considerado todas as notas fiscais como sendo merecedoras de glosa, “ao invés de separar quais são legítimas e quais não os são”, nas suas palavras. Nesse ponto, não entendo que assista razão ao recorrente, uma vez que, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, todos os atos administrativos (lançamento e acórdão da DRJ) foram lavrados e proferidos por pessoa competente, ao ponto em que não foi observada nem o cerceamento de defesa, nem a preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por outro lado, o argumento de classificação por atacado não se sustenta, uma vez que a classificação dos lançamentos nos CFOP 1556 e 2556 - Compra De Material Para Uso Ou Consumo (Interna/Interestadual, respectivamente). E aqui não se está fazendo juízo acerca da correção, ou não, dessa classificação, mas apenas para que fique evidente que a Fazenda glosou com base na classificação própria do contribuinte, aplicando o mesmo racional (certo ou errado) ao mesmo conjunto de CFOP. Nesse sentido, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Decadência. O contribuinte recorrente alega que no caso concreto teria ocorrido a decadência do direito de lançar os valores entre 01/2007 a 07/2007, haja vista o transcurso de mais de cinco anos desde a ocorrência dos fatos geradores, dada ciência do auto em 31/07/2012 (fato – e-fl. 196). O acórdão da DRJ O prazo decadencial para o lançamento tributário das contribuições sociais declaradas e recolhidas como declaradas é de cinco anos contados da declaração do contribuinte, nos termos do artigo 150, §4º do CTN, caso o mesmo tenha procedido com o recolhimento, ainda que parcial, do tributo como declarado. No Fl. 1986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 5 caso, faz crer que o acórdão guerreado de fato aplicou a regra de decadência de forma equivocada. O contribuinte de fato declarou todas as operações e as classificou, para efeitos de repercussão das contribuições sociais, em conta de operações que suscitariam o direito a creditamento de COFINS. Da mesma forma, como inclusive vem destacado no bojo do próprio acórdão, houve pagamentos vinculados às declarações. No entanto, assiste razão ao contribuinte, na medida em que todos os lançamentos tributários ocorridos há mais de cinco anos contados da sua declaração com pagamento devem ser invalidados. O fato de a Fazenda ter interpretado a declaração do contribuinte de forma diversa em relação à classificação desse, constituindo crédito contra o mesmo, não implica em ausência de pagamento para a aplicação do artigo 173 do CTN. As operações foram declaradas da forma que o contribuinte entendia adequado, tendo ocorrido, apenas, uma divergência de interpretação sobre matéria que, de fato, sempre foi controvertida, não uma inadimplência propriamente dita. O contribuinte pagou o que entendia ser devido, de acordo com a sua apuração, havendo recolhimento. Acolho, nessa ordem, a preliminar de decadência em parte relação a fatos ocorridos entre janeiro de 2007 e junho de 2007. Para o mês de julho de 2007, bem como os demais constantes no lançamento, em respeito ao §4º do artigo 150 do CTN, mantenho-os. Conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições sociais. A contribuinte é empresa dedicada ao ramo de vidraçaria e busca o reconhecimento do direito a créditos decorrentes de aquisições de materiais que julga ser insumo, dada a relevância do custo associado e essencialidade para o desempenho regular da sua atividade econômica. Cumpre o destaque que os acórdãos proferidos pelo E. STJ na sistemática de Recurso Repetitivo vinculam ao CARF e seus Conselheiros, nos termos do RICARF e força dos precedentes estatuída a princípio pelo Código de Processo Civil de 2015 (arts. 926 e seguintes). O E. STJ firmou entendimento em sede de recurso repetitivo (Tema 779), segundo o qual o critério jurídico adequado para a caracterização do direito à tomada de créditos é a necessidade e essencialidade do item em relação à atividade econômica do contribuinte. Vejamos o teor da decisão qualificada: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a Fl. 1987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 6 imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” (destaques adicionados) De fato, diferentemente do regime não cumulativo do IPI e ICMS, de fato e direito a metodologia da não cumulatividade das contribuições sociais exige uma aplicação mais ampla de bases, seja de incidência, seja em relação ao creditamento, ainda que esse possua algumas restrições. Faz crer que a motivação dessa aplicação distinta esteja relacionada diretamente à própria base das contribuições, mas ampla e associada às atividades econômicas e suas mais variadas receitas, e não operações estanques, ainda que encadeadas (plurifasia). O conceito de insumo passou a não demandar a integração ou o contato direto com o produto final. Da mesma forma, contrariamente à indução do acórdão da DRJ, o consumo direito ou afetação estrita em determinado processo produtivo não é compatível, em extensão, ao conceito de atividade econômica, que é muito mais amplo, e serve de balizador para a aplicação do que pode ser insumo. Referidos balizadores (integração; consumo imediato; contato direito) estão associados e podem eventualmente ser aplicados sobre processos da atividade econômica, não a ela mesma, composta que é de diferentes atividades e obrigações, inclusive legais. No entanto, é preciso que o contribuinte produza a prova de maneira a deixar evidente ao julgador, que os bens e serviços, no caso concreto (manutenção, partes e peças) envolvidos no lançamento são, e em que grau, essenciais para a atividade econômica da empresa. Isso não foi realizado no caso concreto. O contribuinte limitou-se a apresentar as notas fiscais, os registros e a alegação geral de que nenhum dos lançamentos seriam válidos, dado o fato de que todos seriam insumos essenciais. Não era de perícia contábil que o processo precisava, mas de uma prova mais robusta no que toca ao cotejo específico dos itens lançados e a sua relação específica com a atividade econômica e essencialidade para que essa não seja afetada. Isso não ocorreu nos autos. Percebe-se que não se trata nem de impugnação ao momento de juntada das provas, se ocorrida na manifestação de inconformidade ou até em sede de recurso voluntário, o que atrai os artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/72 ao caso em voga e sua determinação em relação ao momento e a forma de produzir as provas. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] I - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Fl. 1988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 7 IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A juntada da documentação e demais provas carreadas aos autos, incluídas as declarações em obrigações acessórias, e as manifestações, informam que o contribuinte não requereu a produção de provas relacionadas ao estabelecimento da essencialidade, mas apenas prova relacionada à higidez contábil. A questão do ônus da prova pode ser reduzida, na sua aplicação ao caso, à necessidade de demonstrar o fato impeditivo ao lançamento, que no caso seria justamente o cotejo dos itens destacados pela Fazenda, em relação à fase/etapa produtiva, local, afetação e essencialidade ou indispensabilidade, principalmente esses dois últimos. É o que pode ser extraído, por exemplo e subsidiariamente, do artigo 373 do Código de Processo Civil. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Fazenda imputou aos itens classificação de não creditáveis (não insumos), com base em classificação do próprio contribuinte, quem sabe justamente por não conhecer todos os processos existentes e sua essencialidade em relação às mais variadas atividades econômicas, incluído o da recorrente. Cabia à mesma provar a essencialidade, refutando o argumento da Fazenda, e não apenas a declarar formalmente, como fez, principalmente por se tratar de uma miríade de lançamentos com grande variação de itens, o que dificulta a classificação dos mesmos como inerentes à atividade econômica do contribuinte, o que dispensaria a prova. Planilhas com os processos, fluxos, descrições e afetações relevantes à atividade econômica em caso de supressão do item (bem/serviço) essencial. Nessa longarina, conheço do Recurso Voluntário rejeitando a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ, acolhendo parcialmente a preliminar de decadência (01/2007 a 06/2007). No mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas no que toca à decadência do período entre 01/2007 e 06/2007. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 1989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.554 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.721823/2012-42 8 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e das preliminares de mérito para, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ, acolhendo parcialmente a preliminar de decadência (01/2007 a 06/2007). No mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas no que toca à decadência do período entre 01/2007 e 06/2007. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Fl. 1990DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11080.907195/2015-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3402-004.190
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) dê cumprimento ao ITEM 3 da Resolução anterior no sentido de elaborar relatório conclusivo acerca da questão da duplicidade de glosa supostamente efetuada pela Fiscalização, levando em consideração a planilha anexa em arquivo não paginável ao recurso voluntário com o detalhamento a respeito das notas fiscais e sua escrituração, bem como quaisquer outros documentos que a autoridade fiscal entenda necessários requerer à Recorrente para a complementação dessas informações; (ii) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (iii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iv) se manifeste sobre os argumentos trazidos pela Recorrente no item II.4 da manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; e (v) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-004.186, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 11080.907186/2015-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausentes a conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e o conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves.
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) dê cumprimento ao ITEM 3 da Resolução anterior no sentido de elaborar relatório conclusivo acerca da questão da duplicidade de glosa supostamente efetuada pela Fiscalização, levando em consideração a planilha anexa em arquivo não paginável ao recurso voluntário com o detalhamento a respeito das notas fiscais e sua escrituração, bem como quaisquer outros documentos que a autoridade fiscal entenda necessários requerer à Recorrente para a complementação dessas informações; (ii) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (iii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iv) se manifeste sobre os argumentos trazidos pela Recorrente no item II.4 da manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; e (v) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-004.186, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 11080.907186/2015-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausentes a conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e o conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves.
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Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 004.186, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 11080.907186/2015-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausentes a conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e o conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves. Fl. 810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que indeferiu parcialmente pedido de ressarcimento/compensação (PER/Dcomp), relativo ao saldo credor de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS não cumulativo, oriundo de operações receitas não tributadas no Mercado interno (art. 16 da Lei 11.116/2005), analisado no período de 01/01/2014 a 31/03/2014. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade. FRETES. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins não-cumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO DE MERCADORIAS. Não é toda e qualquer operação que gerará direito a crédito em um regime não-cumulativo das contribuições sociais, o que não puder ser definido categoricamente como sendo despesa de armazenagem, não será capaz de produzir os créditos a serem abatidos da contribuição para o financiamento da seguridade social - Cofins. CRÉDITO. SERVIÇOS ADUANEIROS. Não se tratando de insumos utilizados na produção, nem de valores que componham a base de cálculo(valor aduaneiro) das contribuições PIS e Cofins incidentes na importação que, prevista em lei, geraria crédito, não se reconhece o direito em relação às demais despesas relativas aos serviços aduaneiros, despesas com transportes, apoio logístico e afins, como armazenagem, transbordo, transporte de graneis, com uso de terminal portuário, com despachantes aduaneiros, taxas e despesas conexas, os quais revestem-se da natureza de despesas administrativas inerentes às operações de importação de mercadorias. O mesmo se aplica às despesas com frete e armazenagem conexas à estas operações, que também não compuseram a mesma base de cálculo. Fl. 811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 3 INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO de CRÉDITOS. Inexiste autorização legal expressa que autorize o ressarcimento de créditos oriundos da incorporação de outra pessoa jurídica, a legislação permite apenas que tais créditos possam ser descontados do valor apurado da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A Contribuinte foi intimada da decisão pela via eletrônica e apresentou seu Recurso Voluntário, pelo qual reiterou os argumentos da peça de manifestação de inconformidade e fez os seguintes pedidos: Diante do exposto, requer seja provida a manifestação de inconformidade para: a) que seja reconhecida a nulidade dos lançamentos, considerando-se que houve vício de fundamentação, tendo em vista que não foram apreciados argumentos suficientes e autônomos para alterar o resultado do julgamento, nos termos da fundamentação retro; b) reitera o pedido de que seja convertido o feito em diligência, para fins de realização de Perícia Técnica, bem como seja oportunizada a visita da Fiscalização às instalações da empresa, para que não pairem dúvidas acercas da essencialidade dos itens cujos créditos foram glosados para a atividade da Recorrente. Sendo deferida a perícia, desde já, indica o seu Perito e seus Quesitos, em anexo, nos termos do art. 16, IV do Dec. nº 70235/72; c) finalmente, reformar integralmente o acórdão recorrido para reconhecer a legalidade dos créditos de PIS/COFINS apurados pela contribuinte e, em consequência, deferir as compensações realizadas; d) e, ainda, caso haja saldo não compensado a ser restituído, requer seja aplicada a correção monetária pela Taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até a efetiva restituição dos créditos à Recorrente. Conjuntamente com o recurso voluntário, foi juntado laudo técnico formulado por auditoria independente, com “comentários com o posicionamento da jurisprudência dos órgãos julgadores, na esfera administrativa, acerca dos créditos de PIS e COFINS glosados pela RFB”. Também planilhas tratando das glosas contestadas vieram anexas ao recurso voluntário. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade Fl. 812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 4 Conforme relatório, o recurso é tempestivo, bem como preenche os requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Necessidade de nova conversão do julgamento do recurso em diligência A controvérsia objeto deste litígio versa sobre quatro os pontos principais a serem avaliados por este colegiado: (i) O conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS; (ii) A alegada duplicidade da glosa de créditos efetuada pela Fiscalização; (iii) A possibilidade ressarcimento de créditos oriundos de empresa incorporada; (iv) Possibilidade de correção monetária dos créditos pela Taxa Selic. Ocorre que, inicialmente o processo foi convertido em diligência através da Resolução nº 3402-003.341, proferida nos seguintes termos: Por tudo quanto exposto, no intuito de analisar a validade dos atos administrativos e das informações indicadas pela Recorrente, entendo - com base no artigo 18, §3º do Decreto 70.235/72 - necessária a conversão do julgamento em diligência para esclarecimento da controvérsia atinente aos créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS. Assim, deve a autoridade fiscal de origem: 1. Intimar a Recorrente a apresentar laudo técnico com a demonstração detalhada da utilização de cada um dos bens e serviços entendidos como insumos no processo produtivo desenvolvido pela empresa, nos termos do REsp nº 1.221.170/PR. Nesse item, a Recorrente deverá seguir a mesma ordem de glosas posta no Relatório Fiscal acostado ao Despacho Decisório, justificando porque considera que cada um dos bens ou serviços são essenciais ou relevantes ao seu processo produtivo, em conformidade com os critérios delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR; 2. Elaborar relatório conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestando-se sobre dos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente, inclusive sobre o enquadramento de cada bem e serviço no conceito de insumo delimitado nº Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 e Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR, de aplicação obrigatória no âmbito da RFB (Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF); 3. Elaborar relatório conclusivo acerca da questão da duplicidade de glosa supostamente efetuada pela Fiscalização, levando em consideração a planilha anexa em arquivo não paginável ao recurso voluntário com o detalhamento a respeito das notas fiscais e sua escrituração, bem como quaisquer outros documentos que a autoridade fiscal entenda necessários requerer ao Contribuinte para a complementação dessas informações. Analisando a Informação Fiscal de fls. 477-480, constata-se que a Unidade Preparadora não atendeu a diligência, em especial com relação à determinação de Item 3, para que fosse elaborado relatório conclusivo acerca da questão da duplicidade de glosa supostamente efetuada pela Fiscalização, levando em Fl. 813DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 5 consideração a planilha anexa em arquivo não paginável ao recurso voluntário com o detalhamento a respeito das notas fiscais e sua escrituração, bem como quaisquer outros documentos que a autoridade fiscal entenda necessários requerer ao Contribuinte para a complementação dessas informações. Com isso, é importante que a Fiscalização esclareça sobre este questionamento da Resolução. Por outro lado, com relação aos fretes de produtos acabados, a Recorrente expressamente reconhece a aplicabilidade da Súmula 217 do CARF. Contudo, aponta que, nos relatórios de composição do crédito e nas glosas realizadas, a Fiscalização classificou como produto acabado itens que, embora possam ser comercializados, também são utilizados como insumos na produção de outros bens pela empresa. Diante do questionamento sobre a natureza das operações e da efetiva destinação dos produtos envolvidos, entendo pertinente devolver à análise da Autoridade Fiscal para os esclarecimentos solicitados. Igualmente são necessários esclarecimentos da Unidade Preparadora com relação ao direito creditório sobre aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero. Em impugnação ao resultado da diligência, argumenta a Recorrente que o Auditor Fiscal classificou as aquisições como sendo alíquota zero, em completa dissonância com a situação fática, já que itens glosados possuem tributação normal por serem destinados ao uso no segmento químico/soluções ambientais, que também é um segmento com incidência de PIS/COFINS sem nenhum benefício fiscal. Assim sustentou a defesa no ITEM 2.4 da Manifestação de fls. 488-511: Partindo da análise das notas fiscais glosadas, verifica-se que o Fiscal classificou as aquisições como sendo alíquota zero, em completa dissonância com a situação fática, já que itens glosados pela fiscalização possuem tributação normal por serem destinados ao uso no segmento químico/soluções ambientais, que conforme exposto, também é um segmento da Impugnante, com incidência de PIS/COFINS sem nenhum benefício fiscal. Vale ressaltar, como já exposto anteriormente que a Impugnante possui relevante operação no segmento químico, atuando na produção de ácido nítrico, nitrato de amônia e outros e para isso, adquire insumos que não são submetidos a alíquota zero e, portanto, sofre tributação pelo PIS/COFINS permitindo a apropriação do crédito, como é o caso da Amônia. Alguns desses insumos são os mesmos da produção de fertilizantes e por esse motivo dependendo do destino tem alíquota zero ou são tributados na entrada. A amônia é um importante produto para várias indústrias e a Yara abastece com qualidade para as mais diversas aplicações. Alguns setores dependem da amônia Fl. 814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 6 como substância química, como é o caso do automotivo, têxtil, ração animal, plásticos e resinas, eletrônicos e outros. As principais plantas da Empresa atuante no segmento químico são as unidades de Cubatão, que compõem um complexo industrial, parto do fluxograma de produção pode ser visto abaixo, produzindo os mais variados produtos, dos quais podemos destacar o nitrato de amônia. Desta forma, considerando que a Impugnante possui relevante operação no segmento químico adquire insumos tributados pelo PIS/COFINS e que, portanto, geram crédito de PIS/COFINS, como é o caso da Amônia. Perceba-se que o fiscal além de não realizar uma análise das operações da Impugnante, partindo do pressuposto que a Empresa produz apenas fertilizantes, sequer percebeu que as notas fiscais as quais ele glosou o crédito de PIS/COFINS sob argumento de que estavam sujeitas a alíquota zero de PIS/COFINS, na verdade sofreram sim a incidência das contribuições na origem. Para demonstrar que tanto o despacho decisório quanto a Informação Fiscal possuem vícios, a título de exemplo, a Impugnante traz abaixo imagem de nota fiscal (Doc. 06) do período que foi objeto de glosa pelo fiscal e que está listada no demonstrativo “glosa alíquota zero”, para comprovar que não se tratam de aquisições com alíquota zero, mas sim aquisições tributadas na origem de insumos utilizadas como insumo no processo produtivo, ou seja, não é matéria prima de sujeita à alíquota zero: Note-se dos exemplos acima, que fica evidente que a análise feita pelo fiscal foi superficial e se baseou e suposições e desconhecimento acerca dos diversos segmentos em que a Impugnante atua, pois de uma simples análise é fácil perceber que o produto não foi adquirido com alíquota zero, pelo contrário, além de ter sido tributado em sua origem, se trata se matéria prima para a produção fertilizantes ou Fl. 815DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 7 produtos do portfólio de químicos, portanto, não há dúvidas mais uma vez sobre a nulidade da glosa, bem como da legitimidade do crédito. Os laudos anexados a este feito comprovam a essencialidade dos insumos adquiridos. Diante de toda argumentação trazida deve ser declarada a nulidade do despacho decisório e das razões da Informação Fiscal que mantiveram a glosa sobre estes créditos, considerando que a fundamentação legal é elemento substancial, os equívocos na sua determinação ensejam o reconhecimento do seu direito de crédito integral. Com isso, igualmente submeto aos esclarecimentos da Unidade Preparadora os questionamentos da defesa acima reproduzidos. Para tanto, proponho nova conversão do julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade Preparadora: (i) dê cumprimento ao ITEM 3 da Resolução anterior no sentido de elaborar relatório conclusivo acerca da questão da duplicidade de glosa supostamente efetuada pela Fiscalização, levando em consideração a planilha anexa em arquivo não paginável ao recurso voluntário com o detalhamento a respeito das notas fiscais e sua escrituração, bem como quaisquer outros documentos que a autoridade fiscal entenda necessários requerer à Recorrente para a complementação dessas informações; (ii) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (iii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iv) se manifeste sobre os argumentos trazidos pela Recorrente no item II.4 da manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; e (v) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) dê cumprimento ao ITEM 3 da Resolução anterior no sentido de elaborar relatório conclusivo acerca da questão da duplicidade de glosa supostamente Fl. 816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.190 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.907195/2015-89 8 efetuada pela Fiscalização, levando em consideração a planilha anexa em arquivo não paginável ao recurso voluntário com o detalhamento a respeito das notas fiscais e sua escrituração, bem como quaisquer outros documentos que a autoridade fiscal entenda necessários requerer à Recorrente para a complementação dessas informações; (ii) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (iii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iv) se manifeste sobre os argumentos trazidos pela Recorrente no item II.4 da manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; e (v) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Fl. 817DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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Numero do processo: 18186.000806/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA CONFIGURADA.
Configura-se nulidade do despacho decisório que deixa de analisar a situação do crédito alegadamente detido pelo contribuinte após comprovação de que este retificou as suas obrigações acessórias por preterição de direito de defesa, nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972. Disso, justifica-se a prolação de novo despacho decisório que analise efetivamente a situação e permita a defesa efetiva do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-011.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do despacho decisório, determinando que seja proferido um novo despacho que analise efetivamente a situação creditória da Recorrente, dando provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Henrique Perlatto Moura – Relator
Assinado Digitalmente
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Marcelo de Sousa Sateles (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA CONFIGURADA. Configura-se nulidade do despacho decisório que deixa de analisar a situação do crédito alegadamente detido pelo contribuinte após comprovação de que este retificou as suas obrigações acessórias por preterição de direito de defesa, nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972. Disso, justifica-se a prolação de novo despacho decisório que analise efetivamente a situação e permita a defesa efetiva do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do despacho decisório, determinando que seja proferido um novo despacho que analise efetivamente a situação creditória da Recorrente, dando provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Marcelo de Sousa Sateles (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-10-09T09:51:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-10-09T09:51:24Z; Last-Modified: 2025-10-09T09:51:24Z; dcterms:modified: 2025-10-09T09:51:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-10-09T09:51:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-10-09T09:51:24Z; meta:save-date: 2025-10-09T09:51:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-10-09T09:51:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-10-09T09:51:24Z; created: 2025-10-09T09:51:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2025-10-09T09:51:24Z; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-10-09T09:51:24Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 18186.000806/2009-89 ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de setembro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE INSTITUTO DE CARDIOLOGIA POMPEIA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DE DIREITO DE DEFESA CONFIGURADA. Configura-se nulidade do despacho decisório que deixa de analisar a situação do crédito alegadamente detido pelo contribuinte após comprovação de que este retificou as suas obrigações acessórias por preterição de direito de defesa, nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972. Disso, justifica-se a prolação de novo despacho decisório que analise efetivamente a situação e permita a defesa efetiva do contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do despacho decisório, determinando que seja proferido um novo despacho que analise efetivamente a situação creditória da Recorrente, dando provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Fl. 3485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 2 Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Marcelo de Sousa Sateles (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, colaciono o relatório do acórdão recorrido: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente, fls. 2123/2331, contra Despacho Decisório nº 555/2013 proferido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária - DERAT, fls. 1835, que, com base na informação fiscal de fls. 1830/1833, indeferiu pedido de restituição de contribuições previdenciárias referentes às competências de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, no valor originário de R$ 1.043.846,99 (um milhão, quarenta e três mil, oitocentos e quarenta e seis reais e noventa e nove centavos). O Requerimento de Restituição da Retenção – RRR, protocolizado em 18 de fevereiro de 2009, consta das fls 03/04, e foi analisado em cumprimento a Liminar em Mandado de Segurança, fls. 357/358. Em razão da ausência de informações no processo, para dar prosseguimento à análise do pedido, foi solicitado ao contribuinte (Intimação nº 144/2013, fls. 371/372), dentre outros documentos, a apresentação do Demonstrativo de Notas Fiscais/Faturas/Recibos de Serviços Prestados, de cada competência, assinados pelo sócio ou representante legal, com declaração da veracidade das informações prestadas, conforme anexo IV da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, e justificativas às divergências entre os valores constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Em resposta, fls. 375/1678, o contribuinte apresenta novo Requerimento de Restituição da Retenção (fls. 1296/1297), cópias de documentos e presta esclarecimentos sobre as divergências apontadas. Conforme parecer anexo ao despacho decisório, fls. 1830/1833, ao analisar o novo RRR apresentado pelo interessado, em confronto com os dados extraídos das Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIPS de fls. 1768 a 1806, foram encontradas divergências entre os valores devidos à Previdência Social informados nas GFIPs e os valores devidos à Previdência Social informados no RRR que impossibilitaram a determinação do real montante devido Fl. 3486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 3 pela empresa, concluindo a fiscalização pelo indeferimento do pedido de restituição, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que foi acatado pela decisão da autoridade competente. O contribuinte, na sua inconformidade, após relato dos fatos, alega que "a divergência apontada pelo nobre auditor inexiste, pois o valor informado por este último como devido na coluna GFIP DA EMPRESA é o valor compensado e não o valor devido”. Afirma que "os valores apontados pelo nobre auditor estão totalmente equivocados, pois fez comparativo entre o valor efetivamente devido pela Recorrente informado no RRR com o valor compensado de parte das retenções sofridas e informadas em GFIPs. É o que demonstrou o quadro utilizado pelo auditor para indeferir o pedido de restituição formulado pela Recorrente". Diz que restou nítido o equívoco cometido pelo auditor, uma vez que o valor lançado no campo GFIP DA EMPRESA é exatamente a compensação de parte dos valores retidos em notas fiscais, conforme se infere do quadro demonstrativo apresentado. Transcreve parte do RRR, para visualização de que o valor informado como devido na competência de 01/2006 (R$ 7.977,48) está correto, bem como o valor imputado como divergente (R$ 6.820,24) é exatamente o valor compensado e informado em GFIPs. Anexa aos autos resumos de folhas de pagamento, comprovantes de pagamento, cópias das notas fiscais. Elabora novo quadro demonstrativo. Aduz, a título de argumentação, que "bastava que o nobre auditor fizesse um confronto entre as notas fiscais onde ocorreram as retenções, o valor devido apurado nº resumo da folha de pagamento, o valor utilizado a título de compensação informado em GFIP e o valor pago em GPS, ou seja, seria plenamente possível apurar a suposta divergência, embora esta nunca tenha existido". Ao final, requer o deferimento do pedido, e, na remota possibilidade a determinação de diligência ou perícia para suprir eventuais deficiências de instrução do processo. É o relatório. Sobreveio o acórdão nº 10-53.899, proferido pela 7ª Turma da DRJ/POA, que entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade (fls. 3231-3234), nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Fl. 3487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 4 RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DIVERGÊNCIAS. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. INDEFERIMENTO Os créditos do contribuinte sujeitam-se à comprovação da sua liquidez e certeza. As divergências encontradas entre os valores devidos Previdência Social informados em GFIPs, em confronto com os valores informados nº requerimento de restituição da retenção, constituem óbice ao deferimento do pedido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão é bem sucinto e tem como fundamento para a negativa do pedido de restituição o seguinte trecho: De acordo com o Pedido de Restituição de Retenção Relativa à Contribuição Previdenciária, fls. 1296/1297, em cotejo com os valores informados nas GFIPs de fls. 1768 a 1806, verifico que todos os valores informados no campo 3 "valor da contribuição devida à previdência social" estão divergentes dos valores devidos à previdência social informados nas GFIPs. Registre-se que o Requerimento de Restituição de Retenção é elemento processual que legitima o pedido de restituição perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podendo, pois, apresentar divergência em relação às informações declaradas nas Gfips. Nos termos do art. 170 do CTN, o direito à compensação do crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (extensivo aos créditos objeto de restituição)pressupõe a sua certeza e liquidez. A certeza diz respeito à existência do direito creditório, enquanto a liquidez corresponde ao quantum do indébito. Sendo assim, dado que as divergências que constituíram motivo para indeferimento do pedido permaneceram inalteradas, concluo que não se apresenta nos autos a certeza da liquidez dos créditos pleiteados pelo requerente. A impossibilidade de se apurar a exatidão desses créditos, por sua vez, constitui obstáculo ao deferimento do pedido. (fl. 3234) Fl. 3488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 5 Cientificada em 18/05/2015 (fl. 3237), a parte Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/06/2015 (fl. 3240-3258), em que alega que todas as notas fiscais das prestações de serviço foram apresentadas e que não há divergência, além de ter ocorrido inovação com relação ao fundamento da autuação, que se deu em razão de o valor informado na GFIP como compensação ser o valor informado como devido para a previdência social, enquanto o acórdão recorrido afirma que a divergência é o campo 3 do requerimento de restituição, além de afirmar que há possibilidade de conversão do julgamento em diligência para apurar a existência do direito creditório em questão. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Entendo, porém, que a legislação imputa ao sujeito passivo a apresentação de provas que deem lastro ao seu direito, sobretudo pela consideração de que o pedido de restituição é inaugurado por iniciativa do contribuinte, razão pela qual o ônus probatório que recai sobre este é ainda maior. Dessa forma, entendo que é desnecessária a perícia ou diligência, pois caberia à Recorrente produzir toda a prova necessária do direito e apresentá-la em conjunto com a impugnação, como apregoa o artigo 16, do Decreto 70.235, de 1972. Assim, a lide reside sobre a regularidade das compensações realizadas pela Recorrente eis que, no curso do processo de fiscalização, houve dúvidas com relação às retenções de contribuições previdenciárias nas Notas Fiscais que a Recorrente objetivava compensar – não obstante, o despacho decisório entendeu haver divergências nas GFIPS apresentadas após retificação (fl. 1830-1836). A Recorrente, por sua vez, alega que o fundamento da negativa do pedido pela fiscalização e DRJ foram diversos, que inexiste a mencionada divergência das informações em GFIP e que eventual retenção não recolhida não é de sua responsabilidade. Destaco que, antes da prolação do despacho decisório, a Recorrente apresentou resposta à intimação nº 144/2013 (fls. 375-380) em que justifica que as divergências imputadas decorreram de compensação das contribuições de terceiros de forma equivocada, eis realizada com base no valor retido nas notas fiscais, o que seria vedado pelo artigo 60, inciso II, § 1º, da Instrução Normativa nº 1.300, de 2012. Assim, optou por recolher o valor por ela devido com juros e retificar as GFIPs para se restituir com base na diferença apurada. Fl. 3489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 6 O despacho decisório indica que da análise das GFIPs apresentadas às fls. 1768- 1806 e do novo Requerimento de Restituição apresentado, houve dúvida com relação à liquidez e certeza eis que os valores informados nos dois documentos apresentavam divergências, nos termos abaixo: Trata-se de pedido de restituição previdenciária retida à alíquota de 11% sobre o valor das Notas Fiscais referentes ao período de 01/2006 a 12/2008, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212 de 1991, conforme consta no Requerimento de Restituição da Retenção – RRR com origem em meio papel, conforme fls. 3 a 4(e que não continha informações no item 3 do RRR, ou seja no DISCRIMINATIVO DOS DOCUMENTOS (VALOR ORIGINÁRIO) e suas colunas: de COMPETÊNCIA sem informações; de CNPJ/CEI CONTRATADA (MATRIZ / FILIAL) sem informações; de VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA À PREVIDENCIA SOCIAL sem informações; de VALOR RETIDO sem informações; de VALOR COMPENSADO NA GFIP sem informações; de VALOR DA RESTITUIÇÃO sem informações), e o novo RRR de fls. 1296 a 1297 que foi apresentado após a Intimação 144/2013 de 18/06/2013. 1. O pedido foi distribuído para análise devido a Liminar em Mandado de Segurança nº 0010399-48.2013.403.6100, conforme fls. 357 a 358. 2. Informamos que o Requerimento de Restituição de Retenção – RRR originais de fls. 3 a 4 (e que não continha informações no item 3 do RRR, ou seja no DISCRIMINATIVO DOS DOCUMENTOS (VALOR ORIGINÁRIO) e suas colunas: de COMPETÊNCIA sem informações; de CNPJ/CEI CONTRATADA (MATRIZ / FILIAL) sem informações; de VALOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA À PREVIDENCIA SOCIAL sem informações; de VALOR RETIDO sem informações; de VALOR COMPENSADO NA GFIP sem informações; de VALOR DA RESTITUIÇÃO sem informações) e que nos leva duvida na análise do processo, e que foi substituídos pela empresa conforme constam em fls. 1296 a 1297 somente após a intimação 144/2013. 3. A empresa havia sido intimada através da Intimação 144/2013 de 18/06/2013 a apresentar entre outros documentos, o Anexo IV da Instrução Normativa nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, assinado pelo sócio ou representante legal com declaração da veracidade das informações prestadas, sob as penas da lei, e apresentou conforme informado no item anterior, mas que apresentou as divergências apontadas no item seguinte. 4. Informamos que da análise aos dados extraídos das GFIPs de fls. 1768 a 1806, e do RRR novo, encontramos divergências que trazem dúvidas quanto a liquidez do crédito e que estão informadas na planilha abaixo, entre o valor devido á Previdência Social na GFIP (coluna GFIP DA EMPRESA) e o valor devido à Previdência Social apresentados no novo RRR (coluna RRR DA EMPRESA): (...) Fl. 3490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 7 5. Com a divergência apontada na planilha acima fica impossível determinar o real montante devido pela empresa. (fl. 1830-1831) Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente esclareceu que a divergência imputada pela fiscalização não dizia respeito ao valor devido à previdência social declarado, mas sim ao valor compensado pela Recorrente em patamar inferior ao devido na competência, pois não poderia ter aproveitado a integralidade das retenções em razão do dever de recolhimento das contribuições devidas a terceiros, nos termos do artigo 31, §1º, da Lei nº 8.212, de 1991. Após a apresentação de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu que não havia certeza e liquidez ao cotejar o pedido de restituição (fls. 1296-1297) em contraposição às GFIPs de fls. 1768 a 1806, o que ficaria evidente pela informação prevista no campo 3 "valor da contribuição devida à previdência social", nos termos abaixo: De acordo com o Pedido de Restituição de Retenção Relativa à Contribuição Previdenciária, fls. 1296/1297, em cotejo com os valores informados nas GFIPs de fls. 1768 a 1806, verifico que todos os valores informados no campo 3 "valor da contribuição devida à previdência social" estão divergentes dos valores devidos à previdência social informados nas GFIPs. Registre-se que o Requerimento de Restituição de Retenção é elemento processual que legitima o pedido de restituição perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, não podendo, pois, apresentar divergência em relação às informações declaradas nas Gfips. Nos termos do art. 170 do CTN, o direito à compensação do crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (extensivo aos créditos objeto de restituição) pressupõe a sua certeza e liquidez. A certeza diz respeito à existência do direito creditório, enquanto a liquidez corresponde ao quantum do indébito. Sendo assim, dado que as divergências que constituíram motivo para indeferimento do pedido permaneceram inalteradas, concluo que não se apresenta nos autos a certeza da liquidez dos créditos pleiteados pelo requerente. A impossibilidade de se apurar a exatidão desses créditos, por sua vez, constitui obstáculo ao deferimento do pedido. O fundamento do indeferimento pela fiscalização e pela DRJ foi o mesmo, e consiste em uma suposta divergência de informações do pedido e GFIP no tocante ao valor da contribuição previdenciária informada como devida para a competência. Assim, não existe nulidade do acórdão por inovação do fundamento. De acordo com o despacho decisório, o valor informado na GFIP da empresa, coluna A, teria sido menor do que os informado no requerimento de restituição, questão que foi reiterada pela DRJ. Fl. 3491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 8 Para melhor elucidar este ponto, veja-se as competências 01/2006 a 03/2006 com as divergências indicadas abaixo: Comp GFIP empresa (Coluna A) RRR empresa 01/2006 R$ 6.820,24 R$ 7.977,48 02/2006 R$ 6.816,58 R$ 7.968,86 03/2006 R$ 6.643,62 R$ 7.765,34 Primeiro, destaca-se que o valor devido à previdência social informado no Pedido de Restituição é de R$ 7.977,48, tendo sido indicado como valor retido o importe de R$ 18.986,89 e compensado apenas o importe de R$ 6.820,24 (fl. 1296). Isso, pois consta à fl. 1768 a informação de que o “Valor devido à Previdência” em 01/2006 seria de R$ 7.977,42, o mesmo valor declarado no pedido de restituição. A mesma situação se repete nos meses subsequentes, de modo que não se verificam divergências quanto ao valor devido à previdência, mas sim com relação ao valor compensado pela Recorrente. Dito em outras palavras, a divergência apontada não é o valor devido à previdência informado na GFIP, mas sim o “Valor compensado/abatido” com relação às retenções sobre nota fiscal. Ademais, a Recorrente se vale do exemplo desta competência para justificar a divergência imputada com relação à compensação apenas parcial dos valores retidos e informa que do valor devido à previdência social, apenas o valor devido a outras entidades e fundos teria sido pago por GPS no importe de R$ 1.157,18, tendo sido o importe de R$ 6.820,24 compensado, resultando um saldo credor na competência de R$ 12.166,65. Importa esclarecer que a Recorrente apresenta diversos documentos, dentre eles algumas GPS que teriam sido recolhidas no ano de 2009, com juros e multa, com relação a outras entidades e fundos. Isso se verifica nas competências 02/2006 e seguintes (fls. 415-419), nos termos abaixo: Comp GFIP empresa (Coluna A) GPS RRR empresa 02/2006 R$ 6.816,58 R$ 1.152,23 R$ 7.968,86 03/2006 R$ 6.643,62 R$ 1.121,68 R$ 7.765,34 Fl. 3492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.492 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18186.000806/2009-89 9 Com isso, entendo que a Recorrente comprovou que não houve divergência nas GFIPs indicadas pelo despacho decisório e tampouco deixou de recolher os valores devidos, eis que foram recolhidos por GPS em momento posterior, com fito de regularizar a situação fiscal pela realização de compensação indevida com relação aos valores devidos a título de contribuições de terceiros. Veja-se que, uma vez que a fiscalização, ao emitir o despacho decisório, sequer cotejou o crédito que a Recorrente alegava ter e afirmou que a GFIP não teria sido retificada, há nulidade insanável por preterição de direito de defesa, como reza o artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972, o que justifica a prolação de novo despacho decisório que analise efetivamente a materialidade do pedido de compensação da Recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo a preliminar de nulidade do despacho decisório, determinando que seja proferido um novo despacho que analise efetivamente a situação creditória da Recorrente. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 3493DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11080.002480/2009-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda.
PIS/COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIAS-PRIMAS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes no transporte de insumos e matérias-primas, dentro dos estabelecimentos do contribuinte, são consideradas insumos do processo produtivo, nos termos do inc. II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
EMENTAS APLICADAS À COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIAS APRECIADAS.
Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, por se tratar de idêntica matéria apreciada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. OPOSIÇÃO A SÚMULA. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, art. 118, § 3o, aprovado pela Portaria MF no 1.634/2023).
Numero da decisão: 9303-016.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
Assinado Digitalmente
Vinicius Guimaraes – Relator
Assinado Digitalmente
Regis Xavier Holanda – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. PIS/COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIAS-PRIMAS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes no transporte de insumos e matérias-primas, dentro dos estabelecimentos do contribuinte, são consideradas insumos do processo produtivo, nos termos do inc. II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EMENTAS APLICADAS À COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIAS APRECIADAS. Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, por se tratar de idêntica matéria apreciada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. OPOSIÇÃO A SÚMULA. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, art. 118, § 3o, aprovado pela Portaria MF no 1.634/2023).
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Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO- CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. PIS/COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIAS-PRIMAS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes no transporte de insumos e matérias-primas, dentro dos estabelecimentos do contribuinte, são consideradas insumos do processo produtivo, nos termos do inc. II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 EMENTAS APLICADAS À COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIAS APRECIADAS. Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, por se tratar de idêntica matéria apreciada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. OPOSIÇÃO A SÚMULA. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 9303-016.821 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11080.002480/2009-63 2 Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, art. 118, § 3o, aprovado pela Portaria MF no 1.634/2023). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Assinado Digitalmente Vinicius Guimaraes – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recursos especiais de divergência, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3302-013.438, de 25/07/2023. Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional suscitou divergência quanto à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com fretes para transferência de matérias-primas entre estabelecimentos da mesma firma. Indicou, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3801-002.668 e 3401-001.692. Em exame de admissibilidade, deu-se seguimento ao recurso fazendário, apenas com relação ao paradigma nº 3401-001.692. Intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, sustentando, em síntese: (i) em preliminar, que o recurso não deve ser conhecido, por ausência de demonstração, na peça recursal, de prequestionamento da matéria suscitada; e, ainda, por falta de similitude fática entre os arestos contrastados; Fl. 865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 9303-016.821 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11080.002480/2009-63 3 (ii) no mérito, que o recurso deve ser improvido, pelos fundamentos consignados na decisão recorrida e pelos argumentos que traz em suas contrarrazões. O sujeito passivo interpôs, ainda, recurso especial, suscitando divergência de interpretação quanto à tomada de créditos, no âmbito do PIS/COFINS não cumulativos, sobre as despesas com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Indicou, como paradigmas, os Acórdãos nºs 9303-007.070 e nº 3301-011.097. Em exame de admissibilidade, deu-se seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, postulando, no mérito, pela negativa de provimento ao recurso. VOTO Conselheiro Vinícius Guimarães – Relator Recurso Especial da Fazenda Nacional Do conhecimento O recurso especial da Fazenda Nacional deve ser conhecido, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. Diversamente daquilo que defende o sujeito passivo, em contrarrazões, a divergência restou bem caracterizada na peça recursal, tendo a Fazenda Nacional identificado, de forma clara e precisa, a matéria objeto de dissenso, seu questionamento na decisão recorrida, assim como o cerne do litígio interpretativo, através do contraste realizado com o Acórdão paradigma nº 3401-001.692: no recurso especial, restou demonstrado que, enquanto o acórdão recorrido admite o creditamento, no âmbito das contribuições não cumulativas, das despesas com fretes de insumos ou matérias-primas entre os estabelecimentos da mesma empresa, o paradigma adota posição contrária, firmada em suposto entendimento do STJ, admitindo o crédito sobre as despesas com fretes apenas nas operações de vendas – sendo inadmitido em quaisquer outras transferências. Observe-se que a tese firmada no paradigma é bastante ampla, sem qualquer discriminação com relação a processo produtivo, tipo de produto ou natureza das transferências internas: as despesas com fretes são apenas creditáveis quando relacionadas a operações de vendas. Tal tese, quando aplicada ao caso julgado no acórdão recorrido, leva a conclusão diversa daquela encontrada pelo colegiado a quo. Não há que se falar, portanto, em dissimilitude fática entre os arestos contrapostos, uma vez que as distinções apontadas em contrarrazões não são relevantes para a aplicação das teses firmadas naquelas decisões. Diante do exposto, o recurso especial deve ser conhecido, pois presentes os pressupostos para sua admissibilidade. Fl. 866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 9303-016.821 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11080.002480/2009-63 4 Do mérito No mérito, o recurso especial da Fazenda Nacional cinge-se à questão de saber se é possível o aproveitamento de créditos relativos a despesas com fretes no transporte de insumos entre estabelecimentos da recorrente. Nesse ponto, enquanto o aresto paradigma não admite o crédito das contribuições não cumulativas sobre o frete de insumos entre os estabelecimentos da mesma empresa, o acórdão recorrido entende pela possibilidade de creditamento, tendo trazido as seguintes considerações: (...) Ainda, remanesce a controvérsia em torno dos gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa. Nesse ponto, visando demonstrar seu direito, a recorrente tese as seguintes considerações: Como se vê das planilhas anexadas com a impugnação, 99,5% da base de cálculo para apropriação dos créditos autuados referem-se a custos com fretes de matéria prima. Embora o despacho decisório nada refira sobre a distinção entre transporte de matéria prima e de produtos acabados, impõe-se observar que a matéria prima é, de per se, insumo. E o mesmo vale sobre o transporte respectivo, não só porque ele é acessório (que segue a sorte do principal), mas também porque ele integra o processo industrial e constitui despesa indispensável à manutenção da empresa, como já se viu. Ao conceituar insumo, a própria Receita Federal do Brasil explicita incluir-se nesse conceito "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto". Embora se trate de conceito excessivamente restrito e que abaixo será analisado por ocasião dos transportes de mercadoria acabada, impõe-se reconhecer que o frete da matéria prima se encaixa perfeitamente no conceito acima: serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto. Claramente pode-se perceber que a remessa de matéria prima, por exemplo da unidade de Porto Alegre-RS para a unidade de Olinda-PE, gera despesa que se agrega ao custo da produção, porque o produto transportado está em fase de industrialização. Da análise do inciso II, do artigo 3º da Lei n° 10.833, constatamos que o frete para transporte de insumos (produtos semielaborados) é um serviço com a mesma natureza destes insumos, visando à elaboração do produto final para venda. Considerando as afirmações da contribuinte anteriormente transcritas acima e que essas informações não foram infirmadas em nenhum momento, evidentemente as despesas com fretes que foram glosadas pela autoridade fiscal deveriam ser admitidas para formação dos créditos pleiteados. Esse entendimento foi igualmente consagrado nesta 3ª Turma, em 15/08/2018, Acórdão n.º 9303-007.285, da relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, com a seguinte ementa no tocante a essa matéria: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Fl. 867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 9303-016.821 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11080.002480/2009-63 5 A recorrente juntou aos autos planilha demonstrativa de quais insumos foram adquiridos às fls.88/95. Nesse aspecto, deve ser dado provimento ao recurso, revertendo-se a glosa dos dispêndios com frete de matéria-prima entre estabelecimentos, com base no inciso II do seu art. 3º, das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Como se vê, o acórdão recorrido admitiu o creditamento das despesas com fretes de matérias-primas entre estabelecimentos do sujeito passivo. Nesse caso, entendo que o acórdão recorrido foi preciso ao reconhecer a natureza de insumos de referidos dispêndios. Na linha de tal entendimento, veja-se, por exemplo, o Acórdão nº. 9303-012.685, julgado em 8/12/2021, Rel. Jorge Olmiro Lock Freire, e o Acórdão nº. 9303-012.996, julgado em 17/03/2022, Rel. Vanessa Marini Cecconello, os quais reconhecem, por unanimidade, que o frete de produtos em elaboração, dentro dos estabelecimentos da empresa, subsome-se ao conceito de insumos no âmbito das contribuições sociais não cumulativas. No mesmo sentido, veja-se o Acórdão nº 9303-014.427, de minha relatoria, julgado, por unanimidade de votos, em 19/10/2023, cuja ementa segue transcrita: PIS/COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. O frete atinente ao transporte de insumos e produtos em elaboração dentro dos estabelecimentos do contribuinte são considerados insumos do processo produtivo, nos termos do inc. II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Cite-se, ainda, na mesma linha, o Acórdão nº 9303-016.313, julgado em 10/12/2024, por unanimidade de votos quanto à presente matéria. Diante do exposto, é de se negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 9303-016.821 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11080.002480/2009-63 6 Recurso Especial do Sujeito Passivo Do conhecimento A questão sobre os créditos das despesas com frete de produtos acabados está absolutamente resolvida na esfera administrativa, tendo a Súmula CARF nº 217 afastado a possibilidade de crédito sobre tais despesas: Súmula CARF nº 217 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Veja-se que o pleito da recorrente, buscando o creditamento sobre as despesas com fretes de produtos acabados, representa afronta ao teor da Súmula CARF acima reproduzida. Tal situação enseja o não conhecimento do recurso quanto à presente matéria, por força do art. 118, §3º do atual Regimento Interno do CARF (RICARF): Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (grifo nosso) Desse modo, o recurso especial do sujeito passivo não deve ser conhecido quanto à presente matéria. Conclusão Diante do acima exposto, voto por: (i) conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, negando-lhe provimento; (ii) não conhecer do recurso especial do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 869DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000365/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3402-004.199
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (ii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iii) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402-004.197, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 11686.000366/2008-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausentes a conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e o conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves.
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES
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Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3402- 004.197, de 24 de julho de 2025, prolatada no julgamento do processo 11686.000366/2008-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausentes a conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e o conselheiro Anselmo Messias Ferraz Alves. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Fl. 607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.199 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11686.000365/2008-54 2 Trata-se de Pedido de Ressarcimento de crédito de COFINS, cumulado com declaração de compensação. A Unidade de Origem, embasada em Relatório Fiscal proferiu Despacho Decisório, no qual foi concedido parcialmente o crédito solicitado e homologada parcialmente a declaração de compensação. O indeferimento parcial decorreu da constatação de supostas irregularidades, como a conclusão da Autoridade Fiscal pela não tributação sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros, bem como a apuração de créditos sobre fretes de transferências e fretes de devoluções, por não serem permitidos pela legislação. Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Os argumentos de defesa estão resumidos no respectivo relatório do acórdão recorrido e, na ementa, sumariados os fundamentos da decisão, devidamente detalhados no voto condutor. A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância, apresentando o recurso voluntário, pelo qual reiterou os argumentos da peça de manifestação de inconformidade, e pediu o provimento para que seja reconhecido o direito de constituir e descontar créditos de PIS e COFINS referente aos fretes de transferência de mercadorias entre suas unidades, seja de produto acabado, seja de matéria prima, bem como para excluir os créditos de ICMS da base de cálculo das contribuições. Como resultado foi proposta a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrem a origem dos valores considerados pela Fiscalização para tributação das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS a título de cessão onerosa de ICMS ou, ainda, comprovar que tais valores se referem especificamente ao crédito presumido de ICMS, na forma alegada; b) Intimar a Contribuinte para demonstrar, de forma detalhada e individualizada, a natureza de cada frete que deu origem aos créditos solicitados, considerando o conceito de insumos segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; c) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para constatação especificada nesta Resolução; Fl. 608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.199 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11686.000365/2008-54 3 d) Elaborar Relatório Conclusivo esclarecendo de forma conclusivas sobre as glosas e apurações efetuadas, constantes da Informação Fiscal e, sendo o caso, recalculando os valores apurados com o resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. A partir de pedido de conversão do feito em diligência, da 3ª Seção de Julgamento da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF, o recorrente alega apresentar a documentação contábil solicitada, demonstrando e comprovando de forma detalhada o direito creditório pleiteado inicialmente no PER objeto deste litígio. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade Conforme relatório, o recurso é tempestivo, bem como preenche os requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Necessidade de nova conversão do julgamento do recurso em diligência A controvérsia objeto deste litígio versa sobre quatro os pontos principais a serem avaliados por este colegiado: (i) O conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS; (ii) Não tributação sobre a cessão de créditos de ICMS para terceiros; (iii) Apuração indevida de créditos sobre fretes de transferências e fretes de devoluções; Ocorre que, inicialmente o processo foi convertido em diligência através da Resolução nº 3402-002.954, proferida nos seguintes termos: Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Intimar a Contribuinte para apresentar documentos contábeis e fiscais que demonstrem a origem dos valores considerados pela Fiscalização para tributação das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS a título de cessão onerosa de ICMS ou, ainda, comprovar que tais valores se referem especificamente ao crédito presumido de ICMS, na forma alegada; Fl. 609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.199 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11686.000365/2008-54 4 b) Intimar a Contribuinte para demonstrar, de forma detalhada e individualizada, a natureza de cada frete que deu origem aos créditos solicitados, considerando o conceito de insumos segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; c) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para constatação especificada nesta Resolução; d) Elaborar Relatório Conclusivo esclarecendo de forma conclusivas sobre as glosas e apurações efetuadas, constantes da Informação Fiscal e, sendo o caso, recalculando os valores apurados com o resultado da diligência; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. Analisando a Informação Fiscal de fls. 2012-2013, constata-se que a Unidade Preparadora não atendeu a diligência por completo, uma vez que não identificou, de forma clara, os insumos e serviços que compõem os créditos complementares reconhecidos, limitando-se a mencionar as glosas mantidas sob o argumento de que tais itens não seriam essenciais ao processo produtivo. Por outro lado, com relação aos fretes de produtos acabados, a Recorrente expressamente reconhece a aplicabilidade da Súmula 217 do CARF. Contudo, aponta que, nos relatórios de composição do crédito e nas glosas realizadas, a Fiscalização classificou como produto acabado itens que, embora possam ser comercializados, também são utilizados como insumos na produção de outros bens pela empresa. Diante do questionamento sobre a natureza das operações e da efetiva destinação dos produtos envolvidos, entendo pertinente devolver à análise da Autoridade Fiscal para os esclarecimentos solicitados. Para tanto, proponho nova conversão do julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade Preparadora: (i) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (ii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iii) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Fl. 610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.199 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11686.000365/2008-54 5 Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: (i) esclareça sobre os itens considerados como produtos acabados, na forma questionada pela Recorrente na manifestação apresentada em razão da diligência realizada pela unidade de origem; (ii) esclareça quais são os insumos (bens e serviços) que compõem os créditos reconhecidos; (iii) dê ciência à Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, o processo deverá retornar para este CARF para que o julgamento seja concluído. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Fl. 611DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720492/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 02. NÃO CONHECIMENTO.
Os percentuais aplicáveis à multa de ofício foram estabelecidos no arts. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e a discussão sobre o caráter confiscatório passa por uma necessária aferição da validade do disposto no artigo frente à Constituição Federal, o que é vedado de ser realizado no âmbito Administrativo. (Súmula Carf nº 02).
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento só será declarada quando não forem atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário contidas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório.
LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. MÉTODO DA AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE.
Não havendo documentos dignos de confiabilidade ou em desconformidade com as regras fiscais, civis ou contábeis exigidas em lei, ou ainda no caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou sua apresentação deficiente, o Fiscal pode realizar o lançamento, por aferição indireta, da importância que reputar devida, nos termos do art. 33 da Lei nº. 8.212, de 1991. A utilização do método da aferição indireta inverte o ônus da prova, que passa a ser do contribuinte.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL RESIDENCIAL. NÃO ENQUADRAMENTO NAS EXCEÇÕES DO ART. 28, I E §9º DA LEI Nº 8.212, DE 1991. INCIDÊNCIA.
Os valores dependidos com moradia ou pagos a título de auxílio-moradia, à exceção de valores referentes à habitação fornecida por empresa a empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, nos termos da Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, I e §9º, alínea m, integram o conceito de salário-de-contribuição. Também integra o salário-de-contribuição os valores pagos para cobrir custos com a mudança, a exceção da parcela única prevista na alínea g do mesmo artigo.
GILRAT/SAT. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA FAP. CONTRIBUIÇÃO DO ART. 22, II, DA LEI 8.212, de 1991. VIGÊNCIA A PARTIR DE JANEIRO DE 2010.
A redução da alíquota da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212, de 1991, na forma da Lei nº 10.666, de 2003, art. 10, regulamentada pelo art. 202-A do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, que trata do financiamento dos benefícios em razão da incidência de incapacidade laborativa, somente se iniciou com a publicação dos róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por meio de Portaria dos Ministérios da Previdência Social e da Fazenda. A primeira publicação desses róis se deu em 25/09/2009, com eficácia somente a partir de janeiro de 2010.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PRÓPRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA TOMADORA DO SERVIÇO. PRESUNÇÃO ABSOLUTA.
Quando o segurado contribuinte individual presta serviços à empresa, esta tem a obrigação de reter e recolher a sua contribuição. O desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento (Art. 33, §5º da Lei nº 8.212, de 1991).
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO PARA 100%.
A multa qualificada lançada em dobro (150%), nos termos do art. 44, I e §1º, na redação anterior à Lei nº 14.689, de 2023, deverá ser reduzida para o percentual (100%) que trata o inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em obediência à aplicação da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN.
INTIMAÇÃO DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula Carf nº 110, no processo Administrativo Fiscal é incabível a intimação dirigida ao endereço do advogado do contribuinte.
Numero da decisão: 2301-011.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar parcial provimento para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%.
Assinado Digitalmente
Flavia Lilian Selmer Dias – Relatora
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogenes de Sousa Ferreira, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA LILIAN SELMER DIAS
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INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N° 02. NÃO CONHECIMENTO. Os percentuais aplicáveis à multa de ofício foram estabelecidos no arts. 35- A da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e a discussão sobre o caráter confiscatório passa por uma necessária aferição da validade do disposto no artigo frente à Constituição Federal, o que é vedado de ser realizado no âmbito Administrativo. (Súmula Carf nº 02). NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento só será declarada quando não forem atendidos os preceitos do CTN e da legislação que rege o processo administrativo tributário contidas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, no tocante à incompetência do agente emissor dos atos, termos, despachos e decisões ou no caso de preterição do direito de defesa e do contraditório. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. MÉTODO DA AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE. Não havendo documentos dignos de confiabilidade ou em desconformidade com as regras fiscais, civis ou contábeis exigidas em lei, ou ainda no caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou sua apresentação deficiente, o Fiscal pode realizar o lançamento, por aferição indireta, da importância que reputar devida, nos termos do art. 33 da Lei nº. 8.212, de 1991. A utilização do método da aferição indireta inverte o ônus da prova, que passa a ser do contribuinte. Fl. 2733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 2 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALUGUEL RESIDENCIAL. NÃO ENQUADRAMENTO NAS EXCEÇÕES DO ART. 28, I E §9º DA LEI Nº 8.212, DE 1991. INCIDÊNCIA. Os valores dependidos com moradia ou pagos a título de auxílio-moradia, à exceção de valores referentes à habitação fornecida por empresa a empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, nos termos da Lei n° 8.212, de 1991, art. 28, I e §9º, alínea "m", integram o conceito de salário-de-contribuição. Também integra o salário-de-contribuição os valores pagos para cobrir custos com a mudança, a exceção da parcela única prevista na alínea "g" do mesmo artigo. GILRAT/SAT. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA FAP. CONTRIBUIÇÃO DO ART. 22, II, DA LEI 8.212, de 1991. VIGÊNCIA A PARTIR DE JANEIRO DE 2010. A redução da alíquota da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212, de 1991, na forma da Lei nº 10.666, de 2003, art. 10, regulamentada pelo art. 202-A do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, que trata do financiamento dos benefícios em razão da incidência de incapacidade laborativa, somente se iniciou com a publicação dos róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por meio de Portaria dos Ministérios da Previdência Social e da Fazenda. A primeira publicação desses róis se deu em 25/09/2009, com eficácia somente a partir de janeiro de 2010. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO PRÓPRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA TOMADORA DO SERVIÇO. PRESUNÇÃO ABSOLUTA. Quando o segurado contribuinte individual presta serviços à empresa, esta tem a obrigação de reter e recolher a sua contribuição. O desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento (Art. 33, §5º da Lei nº 8.212, de 1991). RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO PARA 100%. Fl. 2734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 3 A multa qualificada lançada em dobro (150%), nos termos do art. 44, I e §1º, na redação anterior à Lei nº 14.689, de 2023, deverá ser reduzida para o percentual (100%) que trata o inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em obediência à aplicação da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula Carf nº 110, no processo Administrativo Fiscal é incabível a intimação dirigida ao endereço do advogado do contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e dar parcial provimento para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%. Assinado Digitalmente Flavia Lilian Selmer Dias – Relatora Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogenes de Sousa Ferreira, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 08-31.614, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ. A decisão de piso julgou parcialmente Fl. 2735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 4 procedente a Impugnação apresentada contra o AUTO DE INFRAÇÃO da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA – relativo ao ano calendário 2011: No curso da Ação Fiscal foram feitos os seguintes lançamentos: Processo 14751.720493/2013-42 – com responsabilidade solidária 51.045.173-0 – Obrigação Principal - Contribuições patronais incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e as remunerações de segurados contribuintes individuais – levantamentos E1, E2, E3, E4, E5, E6 e E7 – REMUNERAÇÕES EMPREGADOS e I1 e I2, - REMUNERAÇÕES C INDIVIDUAL; S1 – DIFERENÇA ALÍQUOTA /SAT 51.045.174-8 – Obrigação Principal - Contribuições dos segurados empregados, que a empresa tem obrigação de arrecadar e recolher e contribuintes individuais – levantamentos E1, E2, E3, E4, E5 e E6 – REMUNERAÇÕES EMPREGADOS; I1 - REMUNERAÇÕES C INDIVIDUAL. Processo 14751.720493/2013-42 51.045.175-6 Obrigação Principal - Contribuições destinadas aos terceiros (outras entidades) – levantamentos E1, E2, E3, E4, E5, E6 e E7 – REMUNERAÇÕES EMPREGADOS 51.045.176-4 – Obrigação Acessória – Deixar a empresa de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, já que não incluiu nesses documentos os segurados contribuintes individuais – fundamento 30. 51.045.177-2 – Obrigação Acessória – Apresentar à fiscalização a contabilidade de forma deficiente – fundamento 38 51.045.178-0 – Obrigação Acessória – Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais – fundamentação 59. No presente processo, houve a lavratura de termo de solidariedade passiva das seguintes pessoas jurídicas: CAPITAL DISTRIBUIDORA E LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA - CNPJ 07.432.849/0001-83 PROSERV SERVIÇO PEÇAS E VEÍCULOS LTDA – CNPJ 09.143.025/0001-19 SINAL MOTORS LTDA – CNPJ 04.804.884/0001-98 MAIS CAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS PEÇAS E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 08.111.613/0001-08 Fl. 2736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 5 A contribuinte e as empresas solidárias foram notificadas do lançamento e, tempestivamente, somente a contribuinte apresentou impugnação que, segundo o relatório da decisão recorrida, assim argumentou: EMPREGADOS VINCULADOS A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS I. Há vício material por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que diversos empregados listados no Anexo I.b não são vinculados ao CNPJ da autuada, mas sim às empresas Proserv e Mais Car, conforme listagem que apresenta. Esse fato pode ser conferido no registro no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED no Ministério do Trabalho e Emprego, facilmente acessado pelo auditor ou pelo julgador. II. Ademais, a ação civil pública nº 0053000-75.2011.5.13.0022 sequer transitou em julgado e não teve o condão de tornar incontroversos os documentos com os quais foi iniciada. III. Outros nomes simplesmente não foram localizados nos registros da empresa autuada ou de quaisquer empresas arroladas como solidárias, inclusive por estarem descritos de forma sucinta: Ana Karla, Davi, Elder, Junior e Sueli. IV. Não sendo empregados ou prestadores de serviços autônomos, tais pessoas jamais poderiam gerar obrigações previdenciárias para a empresa. V. Não houve qualquer verificação em relação às contribuições previdenciárias das empresas Proserv e Mais Car, entretanto todas foram consideradas como formadoras de grupo econômico, tendo se olvidado a autoridade fiscal de que, em se tratando de grupo econômico, o vínculo empregatício não se desdobra em mais de um contrato de trabalho, a teor da súmula 129 do TST. Não podem, pois tais empregados ser vinculados à autuada. DA JUSTIÇA DO TRABALHO E DO NÚCLEO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA VI. Nas ações trabalhistas das quais resultar pagamento de verbas sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, o Juiz, sob pena de responsabilidade, determina o imediato recolhimento das importâncias devidas. De acordo com as orientações jurisprudenciais 32 e 141 da SBDI-1/TST, a Justiça do Trabalho é competente para proceder a cobrança dessas contribuições. VII. Foi constatado que na relação de funcionários dos Anexos I.b, I.c e I.d há vários que moveram reclamações trabalhistas, cujas contribuições já estão sendo cobradas nas respectivas ações. Não podem, pois, constar no lançamento, sob pena de bis in idem. VIII. Quanto ao lançamento dos valores contidos no acordo do NINTER, também não assiste melhor sorte ao Auditor Fiscal, já que no acordo foi estabelecido limite máximo sobre o qual a Receita Federal do Brasil pode calcular as contribuições previdenciárias. Fl. 2737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 6 IX. De outra banda, conforme OJ 363 do TST, a responsabilidade da empresa pelo recolhimento da contribuição patronal não exime a responsabilidade do segurado empregado quanto à sua contribuição. DO DESCANSO SEMANAL REMUNERADO X. De acordo com a redação do art. 22, I, e art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991, todo o valor pago pela empresa a seus empregados e colaboradores que não digam respeito às horas trabalhadas ficam excluídas da incidência de contribuição previdenciária. Por ser uma verba que é percebida pelo empregado ou colaborador quando se encontra afastado do trabalho, o repouso semanal remunerado não é base de cálculo da contribuição previdenciária. XI. Ademais, na planilha Anexo II.b resta indicado somente o cálculo da contribuição do segurado, enquanto que a jurisprudência vem reconhecendo que a União não pode cobrar contribuição do segurado quando não se incorpora à sua remuneração para fins de aposentadoria. Obviamente, a Previdência Social não paga Descanso Semanal Remunerado em suas aposentadorias. XII. Mesmo que fosse devida a contribuição previdenciária sobre o Descanso Semanal Remunerado, ter-se-ia que retirar das planilhas Anexo II.a e Anexo II.b os segurados que não estão vinculados à autuada por ajuizarem demanda contra ela ou por terem acordo homologados no NINTER. ALUGUEL DE JACIARA DIAS FERNANDES XIII. O aluguel do apartamento onde residia a funcionária Jaciara Dias Fernandes era pago diretamente ao proprietário do imóvel e era indispensável à realização do seu trabalho, que exercia função de gerência. A funcionária não tinha endereço no qual pudesse se fixar em João Pessoa, tendo sido proporcionada habitação para que desenvolvesse melhor sua função. É verba paga para o trabalho e não pelo trabalho. Ademais, o art. 458, §3º, da CLT limita em 25% do salário contratual o valor do aluguel para habitação, não podendo o montante que ultrapassa esse limite se considerado salário in natura. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO DO SAT XIV. O CNAE da empresa autuada é 4511-1/01 e 4511-1/03, com a alíquota fixada em 2%. Todavia, tendo em vista a permissão da redução de até 50% dessa alíquota para empresas com histórico positivo no que diz respeito à redução de afastamentos e acidentes de trabalho, mesmo no período anterior à nova regulamentação do FAP (Decreto nº 6.957, de 10/09/2009), ou seja, até dezembro/2009, a empresa poderia se valer do disposto no art. 10 da Lei nº 10.666/2003 para recolher o RAT com a alíquota de 1%, em razão do seu bom histórico. XV. A nova regulamentação do FAP deveria permitir a redução dos recolhimentos para quem investiu mais em prevenção nos anos de 2007 e 2008. O Decreto nº 6.957 prevê, ainda, que o FAP será aplicado com redução de 25% no ano de 2010. Fl. 2738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 7 Portanto, para esse período, já com a nova regulamentação, a alíquota manteve- se em 2% e considerando-se a redução permitida pelo art. 10 da Lei nº 10.666/2003, estaria correta a aplicação da alíquota de 1%. DIFERENÇAS DE PRÓ-LABORE DOS SÓCIOS XVI. Em decorrência do cruzamento da DIPJ, DIRF, folhas de pagamento e GFIPs, foram constatados pelo Auditor Fiscal recolhimentos a menor sobre o pró-labore do sócio José Roberto Sobrinho nos meses 01/2009, 01/2010, 02/2010 e 12/2010. XVII. Em relação aos meses 01/2009, 01/2010 e 02/2010, a informação correta é a da folha de pagamento, tendo sido preenchidas as DIPJs e DIRFs incorretamente, conforme SPED Contábil da empresa autuada. XVIII. Quanto ao mês de 12/2010, o sócio não recebeu qualquer valor a título de pró-labore, conforme SPED Contábil à disposição no sistema da Receita Federal do Brasil. CONTRIBUIÇÕES DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS XIX. Apesar de a autuada concordar com o fato de que a empresa não procedeu as retenções das contribuições previdenciárias dos contribuintes individuais, entende que não lhe cabe recolher aquilo que não reteve. A Receita Federal deve cobrar diretamente dos prestadores de serviços, como previsto no art. 30, II, da Lei nº 8.212/1991. MULTA DE 150% XX. De acordo com jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a proibição ao confisco se aplica também às multas, as quais estão limitadas a 100% (cem por cento) para que não se configurem em confiscatórias. Assim, mesmo que prevaleçam alguns dos lançamentos efetuados, não deve ser mantida a multa aplicada. O colegiado da primeira instância, por unanimidade de votos, manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário: Julgar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário, nos seguintes termos: i. De ofício, exonerar os valores lançados sob os levantamentos “E3 – REMUNERAÇÕES EMPREGADOS” e E4 – “REMUNERAÇÕES EMPREGADOS” (contribuições incidentes sobre o Descanso Semanal Remunerado) dos Autos de Infração nos 51.045.173-0 e 51.045.174-8, por motivo de nulidade de natureza material, conforme discriminado nos Anexos I-A e I- B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.173-0) e II-A e II-B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.174-8), bem como os acréscimos legais incidentes (juros e multa); ii. Exonerar os valores lançados sob o levantamento “I2 – REMUNERAÇÕES C INDIVIDUAL” do Auto de Infração 51.045.173-0, competências 01/2009, Fl. 2739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 8 01/2010 e 02/2010, em decorrência de nulidade por vício formal, conforme discriminado nos Anexos I-A e I-B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.173-0), bem como os acréscimos legais incidentes (juros e multa); iii. Manter os demais valores lançados, no montante principal de R$.379.473,52 referentes ao Auto de Infração 51.045.173-0 e R$ 176.272,60 referente ao Auto de Infração 51.045.174-8, mais acréscimos legais incidentes sobre esses valores (juros e multa), conforme discriminado nos Anexos I-A e I-B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.173-0) e II-A e II-B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.174-8). O Acordão está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação principal de pagar tributo diz-se contribuinte quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador (Código Tributário Nacional, art. 121, I). O contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de segurados empregados é o empregador, assim entendido aquele que toma os seus serviços e lhe deve, paga ou credita essa remuneração, prevalecendo a situação concreta ocorrida. PROVAS COLHIDAS EM INQUÉRITO CIVIL ANTERIOR A AÇÃO CIVIL PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO. É possível a utilização de material colhido em inquérito civil instaurado previamente a ação civil pública, que consistem em provas relativas e podem ser contestadas pela empresa em sede do contencioso administrativo fiscal. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ACORDOS CELEBRADOS ENTRE EMPRESA E EMPREGADOS. A base de cálculo da contribuição previdenciária é estabelecida por lei e não pode ser limitada ou modificada por acordos celebrados entre empresas e empregados. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. O erro no elemento temporal fato gerador e substancial e enseja a declaração de nulidade do lançamento por vício de natureza material. SEGURADO EMPREGADO. FORNECIMENTO DE MORADIA PELO EMPREGADOR. HABITUALIDADE. A moradia fornecida gratuitamente ao segurado empregado, caracterizada a habitualidade, somente deixa de constituir remuneração se o trabalhador for Fl. 2740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 9 contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, que exija deslocamento e estada (Lei nº 8.212/91, art. 22, I e §2º, c/c art. 28, §9º). CONTRIBUIÇÃO DO ART. 22, II, DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. A redução da alíquota da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei nº 8.212/1991 na forma da Lei nº 10.666/2003, art. 10, regulamentada pelo art. 202-A do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 somente se dá mediante a publicação dos róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por meio de Portaria dos Ministérios da Previdência Social e da Fazenda. A primeira publicação desses róis se deu em 25/09/2009, com eficácia somente a partir de janeiro de 2010. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA TOMADORA DO SERVIÇO. Quando o segurado contribuinte individual presta serviços a empresa, esta tem a obrigação de reter e recolher a sua contribuição. Ademais, o desconto dessa contribuição se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento. PRÓ-LABORE DOS SÓCIOS. APURAÇÃO NA DIPJ E NA DIRF. MOTIVAÇÃO. A apuração do pró-labore dos sócios não pode ser efetuada de forma direta na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ ou na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - DIRF, depois de constatada diferença destas com a GFIP ou folha de pagamento. Deve ser justificado o motivo dessa apuração, após investigação da causa da divergência junto ao contribuinte, e, se for o caso, ser mencionada a aplicação da aferição indireta. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. De acordo com o art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A impugnante e todos os solidários tomaram ciência do Acordão de julgamento de primeira instância em 29/01/2015. Em 26/02/2015 a contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo os mesmos motivos e fatos alegados anteriormente, exceto quanto à parte que a DRJ exonerou de ofício por erro material (repouso semanal remunerado) acrescida de uma preliminar de nulidade por falta de intimação das empresas solidárias sobre o resultado da diligência fiscal solicitada pela DRJ. É o relatório. Fl. 2741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 10 VOTO Conselheira FLAVIA LILIAN SELMER DIAS, Relatora ADMISSÃO DO RECURSO Considerando que o Recurso Voluntário foi tempestivamente apresentado, será conhecido, contudo, de forma parcial. Inconstitucionalidade de Lei Federal e o caráter “confiscatório” da multa de ofício Os percentuais da multa de ofício aplicáveis ao lançamento do crédito tributário estão definidos no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e, no caso das contribuições previdenciárias, por determinação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e sua obrigatória aplicação, sempre que verificada as condições previstas em lei para a autuação, decorre da determinação do art. 142 do CTN. A vedação constitucional ao confisco é uma diretiva dirigida ao legislador, orientando-o para a elaboração da lei, e passa por necessária análise de constitucionalidade da legislação tributária que define os percentuais aplicáveis, atividade que foge à competência deste Conselho, nos termos da Súmula Carf nº 02. PRELIMINAR – PREJUDICIAL DE MÉRITO Nulidade processual – falta de intimação dos solidários do resultado da diligência Aduz a recorrente que haveria nulidade do processo por falta de intimação dos solidários quanto ao resultado da diligência solicitada antes do julgamento da instância de piso. Ressalta que a própria DRJ reconhece isso quando determina a intimação do solidários do resultado do julgamento. As causas de nulidade do lançamento estão inseridas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal - PAF: Art. 59. São nulos: I - os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. Fl. 2742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 11 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Nos termos do art. 14, também do PAF, somente a apresentação da impugnação tempestiva é que oportuniza discutir administrativamente as razões e fatos do lançamento do crédito tributário com vistas a reformá-lo ou cancelá-lo. As demais partes interessadas no resultado, mas que não tenham apresentarem a defesa tempestiva, perdem o direito de se manifestarem em outro momento processual. No presente caso, somente a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, iniciando a discussão administrativa dos débitos. Os responsáveis solidários, que também tomaram ciência da lavratura do Termo de Responsabilidade, não apresentaram a defesa, ou seja, para eles não houve a instauração do contencioso. O inciso II do art. 59 do Decreto é claro ao expressar que somente as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa é que constituem causa para nulidade do processo. Nestes termos, a falta da intimação do resultado da Diligência para os solidários, que não são partes na discussão administrativa do crédito, não resulta em qualquer cerceamento do direito defesa, logo não pode conduzir a nulidade da decisão. Somente a falha na intimação regular da contribuinte é que poderia ensejar a nulidade, o que não foi o caso. Ademais, o fato de a decisão de primeira instância, por padrão, determinar a ciência do resultado do julgamento de primeira instância para a contribuinte impugnante, parte do processo administrativo, e dos demais interessados, que não fazem parte do processo, em nada altera situação deles no processo. MÉRITO Sujeito passivo da obrigação tributária No mérito discute sobre a inexistência de provas que tenha feito pagamento, por serviços prestados, às pessoas listadas pela Fiscalização. Doutra banda, o que restou demonstrado pela defendente e não refutado pelo julgador a quo foi que as pessoas listadas mais acima não estariam vinculadas à empresa autuada, pelo que caberia ao fisco e ao relator indicar os fundamentos e provas que serviram de base à interpretação de que tais pessoas prestaram serviço para esta pessoa jurídica. Fl. 2743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 12 Do contrário, estar-se-ia diante de prova impossível para o contribuinte, ou também conhecida como prova diabólica, que é a obrigação do acusado comprovar algo que não aconteceu. Daí, não ser admissível a inversão do ônus da prova em desfavor da autuada a fim de que esta seja obrigada a comprovar que os segurados, acima relacionados e vinculados a outras empresas, não lhe teriam prestado serviços. Ainda mais, quando sequer se vê nestes autos qualquer indício de que tal fato teria ocorrido. (grifei) No curso da ação fiscal foi constatada a existência de grupo econômico, entre outros fatos, pela confusão aparente no gerenciamento dos funcionários e negócios pertencentes as empresas familiares, o que resultou da lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária: 1.14 Na conta 06.01.01.02.05.01 - INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS COM PESSOAL, contabilidade da CAPITAL DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA, empresa fiscalizada, foram encontrados lançamentos de valores em favor de Daniel Gomes da Silva, Ailton Serafim dos Santos e Ariosvaldo Belarmino da Silva. Como esses nomes não constam das folhas de pagamento, foram solicitados os documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis. 1.15 Em resposta à intimação feita através do Termo de Intimação Fiscal n°07 (item 2) foi informado que teria havido um equívoco nos lançamentos; que Daniel Gomes da Silva, Ailton Serafim dos Anjos e Ariosvaldo Belarmino seriam funcionários de "outra empresa do grupo" e que "o valor pago deveria constar da rubrica de mútuo com a empresa Proserv". 1.16 Nos documentos apresentados constam: acordo trabalhista firmado no NINTER entre Daniel Gomes da Silva e a PROSERV no valor de R$ 3.200,00; recibo de adiantamento por conta de rescisão no valor de R$ 4.500,00, com timbre da CAPITAL DISTRIBUIDORA DE VEICULOS em nome da SINAL MOTOS em favor de Ailton Serafim dos Anjos; e termo de rescisão de contrato de trabalho de Ariosvaldo Belarmino da Silva em nome da PROSERV. 1.17 Na conta 06.02.02.02.02.01 — DESPESAS INDEDUTÍVEIS, contabilidade da CAPITAL DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA, foi lançado em 17/03/2009 o recibo no valor de R$ 655,18 em favor de José Nivaldo Eloy de Brito. O recibo, apresentado à fiscalização em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 7, foi emitido pela empresa MAIS CAR COMERCIO DE VEICULOS E PEÇAS LTDA e é alusivo ao pagamento de taxas da Junta Comercial do Estado da Paraíba das empresas CAPITAL DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA, CAPITAL DISTRIBUIDORA E LOCADORA DE VEICULOS LTDA e PROSERV SERVICO PECAS E VEICULOS LTDA. (...) .21 Em suma, restou caracterizada à existência de fato de um grupo econômico de cunho familiar cujos sócios são pais e filhos. O grupo econômico formado por Fl. 2744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 13 essas empresas atua na comercialização de veículos novos e usados e motocicletas, bem como, na prestação de serviços de assistência técnica e de consertos (oficina: mecânica, elétrica, funilaria e pintura). Na verdade, os negócios da família em vez de estarem concentrados em uma "empresa maior" foram fatiados em empresas menores, independentes e com personalidades jurídicas próprias. (...) 1.23 Por constituírem com a CAPITAL DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA, empresa fiscalizada, um grupo econômico de fato, as empresas CAPITAL DISTRIBUIDORA E LOCADORA DE VEICULOS LTDA, CNPJ 07.432.849/0001-83, PROSERV SERVIÇO PEÇAS E VEICULOS LTDA, CNPJ 09.143.025/0001-19, SINAL MOTOS LTDA, CNPJ 04.804.884/0001-98 e MAIS CAR COMERCIO DE VEICULOS PECAS E SERVICOS LTDA, CNPJ 08.111.613/0001-08, foram arroladas como responsáveis tributários solidários perante os créditos previdenciários lançados nos Autos de Infração 51.045.173- O e 51.045.174-8, de acordo com o art. 124, I e II, do Código Tributário Nacional — CTN, art.30, IX, da lei 8.212/91 e art. 222, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. (grifei) Como não houve apresentação de impugnação pelos solidários, tal responsabilidade não foi questionada administrativamente. A relação das pessoas citadas no Anexo I, b do Relatório Fiscal está lastreada nos documentos obtidos na Ação Civil Pública nº 0053000-75.2011.5.13.0022, movida pelo Ministério Público do Trabalho contra a contribuinte pela constatação de ocorrência de “pagamento por fora a seus empregados. Os nomes constam dos recibos de pagamentos “extraoficiais”. A decisão da DRJ sobre o tema é que a prova trazida da ação penal em curso é válida e o ônus probatório de fazer prova em contrário é da contribuinte: Destarte, sendo o material colhido prova de que ocorreram pagamentos “por fora” pela empresa autuada aos seus empregados, constando no inquérito documentos que citam aqueles agora contestados, pode o Auditor Fiscal se basear em tal documentação para efetuar o lançamento. Da mesma forma que na ação civil pública, agora no contencioso administrativo pode a empresa, se valendo do seu direito ao contraditório e à ampla defesa, apresentar provas em contrário aos fatos que sobressaíram do inquérito civil perpetrado pelo Ministério Público do Trabalho. Não cabe, pois, a alegação genérica de que a ação civil pública não transitou em julgado ou de que os fatos não têm o condão de tornar incontroversos os documentos que se prestaram a iniciar a ação civil pública. (grifei) Fl. 2745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 14 O recurso contradiz essa motivação com o argumento que o auto de infração não faz prova de que tais pessoas eram de fato funcionários da contribuinte. A apuração da base de cálculo dos salários destes empregados foi feita por arbitramento com base na presunção legal inserida no art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e do Departamento da Receita Federal-DRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal-DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 2746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 15 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. § 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8º Aplicam-se às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifei) Segundo o relatório fiscal 3.1 Analisando-se os documentos apresentados pelo sujeito passivo, os dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, os documentos enviados pelo Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Federal e os documentos coletados nos autos da ação civil pública n° 0053000-75.2011.5.13.0022, foram feitas as seguintes constatações: 3.1.1 Pagamentos de remunerações "extraoficiais": a) Com base em reclamações trabalhistas e depoimentos de ex-empregados da empresa fiscalizada o Ministério Público do Trabalho ingressou com a ação civil pública n° 0053000-75.2011.5.13.0022 em face da empresa CAPITAL DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA, por danos que teriam sido causados à sociedade em razão da falta de recolhimento de imposto de renda e contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações "extraoficiais" pagas a empregados. (...) d) Além dos recibos de pagamentos "por fora" citados na petição inicial do Ministério Público do Trabalho, foram localizados nos autos da Ação Civil Pública n° 0053000- 75.2011.5.13.0022 os seguintes documentos: folhas de pagamento "extraoficiais" dos meses 03/2009, 07/2009 e 08/2009; folha de "adiantamento extraoficial" de 08/2009; relações de valores "pagos por fora" para fins de cálculo do 13° salário. Os valores desses documentos foram compilados na Planilha — Anexo I."b" e foram juntados por cópia no ANEXO I deste Relatório Fiscal. e) Os valores "oficiais" das comissões sobre vendas são pagos na folha de pagamento através da rubrica 0222 — COMISSÕES. f) Através do Termo de Intimação Fiscal n° 3 (item 02) e do Termo de Intimação Fiscal n° 5 (item 3), o sujeito passivo foi intimado a demonstrar como foram Fl. 2747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 16 calculados individualmente (valor de cada empregado) os valores pagos a título de comissão de vendas, pagos através da rubrica - 0222 COMISSÃO nas folhas de pagamento do período 01/2009 a 12/2010. g) Em resposta às intimações foram apresentadas planilhas com bases de cálculo, percentuais aplicados e relatórios gerenciais com os valores que teriam dado origem às bases de cálculo, conforme cópias juntadas no ANEXO I. h) Na comparação entre as planilhas apresentadas e a folha de pagamento, conforme demonstrado na Planilha — Anexo I.a verificou-se que: i. As planilhas não contemplam todos os empregados listados na rubrica 0222 — COMISSÕES da folha de pagamento; ii. Os valores das planilhas equivalem aos valores da folha de pagamento no período 01/2009 a 07/2010; iii. Os valores das planilhas são superiores aos da folha de pagamento no período 08/2010 a 12/2010. iv. A partir de 08/2010 os percentuais aplicados para apuração das comissões foram elevados significativamente, a exemplo dos cargos demonstrados no Quadro IV. (...) k) Através do termo de Intimação Fiscal n° 7, o sujeito passivo foi intimado a manifestar-se sobre: os documentos apreendidos pelo Ministério Público do Trabalho (item 11) e sobre o aumento dos valores das comissões a partir de 08/2010 e a constatação de que a própria empresa já havia reconhecido a existência de pagamentos "extraoficiais", nos autos na reclamação trabalhista n° 00773.2012.005.13.00-9, até 07/2010 (item 10) e apresentar TODAS as folhas de pagamentos "extraoficiais" com TODOS os pagamentos "por fora" a TODOS os empregados no período fiscalizado - 01/2009 a 12/2010. I) Em resposta ao Termo de Intimação fiscal n° 7, cópia juntada no ANEXO I, foi dito que "toda a documentação referente a comissões já foi disponibilizada à fiscalização não temos mais nada a acrescentar" e "não dispomos de tais documentos". (grifei) O parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, autoriza a utilização do arbitramento no caso de “recusa ou sonegação “de documentos ou informação ou de apresentação deficiente, o que foi o caso. Ademais, o §6º do art. 33, também autoriza a utilização da aferição indireta por arbitramento nos casos de verificação de escrituração contábil ou outro documento que não registre o real movimento da remuneração dos segurados, o que é facilmente verificado pelo motivo da interposição da Ação Civil promovida pelo Ministério Público do Trabalho. Fl. 2748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 17 Nestes casos, por disposição da presunção legal, é invertido o ônus da prova, cabendo à recorrente a prova contrária. Está, portanto, correto o arbitramento dos valores que o Fiscal reputou devidos e cabia a contribuinte, juntamente com a apresentação da impugnação, trazer as provas que demonstrem erro no lançamento realizado. Não cumprido seu ônus probatório, não há de se falar em reforma da decisão de piso. Possibilidade de cobrança em duplicidade com os processos na justiça do trabalho e submetidos à conciliação Antes do julgamento, a DRJ solicitou diligência a fim de verificar a possibilidade de existência de cobrança em duplicidade das contribuições previdenciárias lançadas de ofício e as que poderiam ser decididas nas ações judiciais em curso na Justiça Trabalhista, movidas por empregados ou ex-empregados da contribuinte. Como resultado, o relatório informou que as demandas na justiça trabalhista se referem a valores que não pagos pela empresa, cujo valor se busca na esfera judiciária, ao passo que o lançamento se refere a valores pagos aos empregados, mas “por fora”, por isso ainda não tributado pela contribuição previdenciária. O agente fiscal solicitou à Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, por meio do Ofício nº 2.028/2014-SAFIS-AML/DRF/JPA a mídia digital dos processos relacionados pelo impugnante. Em informação de 02/09/2014, ele esclarece: ... 10. As remunerações “extraoficiais”, pagamentos feitos à margem da folha de pagamento, contabilidade ou GFIP, sobre as quais incidiram as contribuições lançadas nos levantamentos E1 e E2, não foram e nem poderiam ser objeto de reclamações trabalhistas. Tais valores já foram recebidos pelos ex-empregados, de forma clandestina, na vigência do contrato de trabalho. As ações trabalhistas, em sua imensa maioria, decorrem justamente desses pagamentos “por fora”. Em suma, as contribuições lançadas são incidentes sobre as remunerações pagas “por fora”, nas reclamações trabalhistas foram pleiteados os reflexos de tais pagamentos sobre aviso prévio, 13º salário, férias, repouso semanal remunerado e FGTS. ... 14. As bases de cálculo alusivas ao pagamento de repouso semanal remunerado, no período 08/2010 a 12/2010, sobre as quais incidiram as contribuições lançadas nos levantamentos E3 e E4 não foram incluídas em reclamações trabalhistas. Fl. 2749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 18 (grifei) A contribuinte apresenta no recurso alguns exemplos de ex-funcionários que possuem ação judicial trabalhista que, supostamente, poderiam demonstrar a ocorrência de duplicidade de cobrança: Allayanny Melo Toscano Lins, no período de 05 de 2010 a 3/2011, pagamento dos efeitos sobre rescisão, FGTS, Repouso semanal, férias e 13º. Artur Felipe da Silva, pagamento dos efeitos sobre rescisão e FGTS, Cintia Rodrigues de Lima, no período de 05 de 2009 a 7 de 2010, pagamentos dos efeitos sobre verbas rescisórias, férias, 13º e FGTS. Analisando as planilhas que serviram de base para o lançamento verificou-se: Nome Levantamento Período Allayanny Melo Toscano Lins E3 E4 8 a 12 de 2010 Artur Felipe da Silva E3 E4 10 a 12 de 2010 Cintia Rodrigues de Lima E1 01 de 2010 Os levantamentos E3 e E4 correspondem os valores de descanso semanal remunerado, e foram cancelados pela DRJ: i. De ofício, exonerar os valores lançados sob os levantamentos “E3 – REMUNERAÇÕES EMPREGADOS” e E4 – “REMUNERAÇÕES EMPREGADOS” (contribuições incidentes sobre o Descanso Semanal Remunerado) dos Autos de Infração nos 51.045.173-0 e 51.045.174-8, por motivo de nulidade de natureza material, conforme discriminado nos Anexos I-A e I-B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.173-0) e II-A e II-B (analítico e resumo por código de pagamento do DEBCAD 51.045.174-8), bem como os acréscimos legais incidentes (juros e multa); O levantamento E1 corresponde ao pagamento de remunerações lançadas com base nos documentos da Ação Civil Pública, e se referem às comissões pagas “por fora”, que não é o objeto da ação judicial citada pelo contribuinte, que contempla os efeitos dos pagamentos das verbas rescisórias. Portanto, para os casos apontados, conforme já afirmado no Relatório da diligência, as bases de cálculo do lançamento são distintas das requeridas nas ações trabalhistas. É importante reforçar que o ônus probatório neste caso é da recorrente, que, para além de apresentar alguns exemplos que, em tese, demonstrariam a possibilidade da cobrança em duplicidade, deveria demonstrar inequivocamente o alegado. Salário Indireto - Pagamento de Aluguel A fiscalização constatou que havia pagamento de aluguel para moradia da funcionária Jacira Dias Fernandes, gerente comercial, no período de 01/2009 a 06/2010. Fl. 2750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 19 Considerou o pagamento habitual e salário indireto, nos termos do art. 28, I da Lei nº 8,212, de 1991. A DRJ manteve o lançamento: De acordo com o art. 28, §9º, “m”, da Lei nº 8.212/1991, os valores correspondentes a habitação somente não integra o salário de contribuição quando fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. Assim, apenas quando não há habitação disponível que viabilize o retorno diário do empregado para a sua residência, o valor correspondente à habitação não integra a remuneração do trabalhador. No caso, ao contrário do alegado, a habitação não é fornecida para o trabalho, já que o seu fornecimento não é imprescindível para o seu desenvolvimento. O fato de a empregada ter mudado de cidade não é suficiente para caracterizar a inviabilidade de ela conseguir por si moradia. Tanto assim que a própria impugnante se contradiz quando diz que lhe forneceu moradia para que “desenvolvesse melhor sua função”. Na verdade, trata-se de uma vantagem fornecida à trabalhadora, tendo em vista o seu interesse. (grifei) Como bem salientado na decisão de piso, em regra, o fornecimento de moradia possui natureza remuneratória, constituindo uma verba pelo trabalho e não para o trabalho. Tal natureza só é afastada se comprovado que o fornecimento era indispensável para a execução do trabalho, o que não restou demonstrado no caso em análise. Também não cabe tratar o pagamento como ajusta de custo, visto que era fornecido mensalmente e não em parcela única, tal qual requerido no art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Cito algumas decisões deste Conselho no mesmo sentido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 01/06/2006 (...) ALUGUEL. NATUREZA SALARIAL. CONDIÇÕES NÃO ATENDIDAS. De acordo com a alínea 'm' do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não integram o salário-de-contribuição os valores correspondentes a habitação, desde que fornecidos pela empresa a empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho. ÔNUS DA PROVA. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. Fl. 2751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 20 O ônus da prova é uma consequência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. (...) (Acórdão nº 2201-011.495, de 06/03/2024 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 (...) SALÁRIO INDIRETO. ALUGUEL RESIDENCIAL. Integram o conceito de salário-de-contribuição valores dependidos com moradia ou pagos a título de auxílio-moradia, à exceção de valores referentes à habitação fornecida por empresa a empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, nos termos da Lei n° 8.212/91, art. 28, inciso I e § 9º, alínea "m". (...) Acórdão 2401-011.532, de 02/02/2024. Redução da alíquota do Sat em razão da aplicação do FAP O enquadramento da empresa é o CNAE 45.11-1/01, que corresponde a um percentual de Seguro de Acidente de Trabalho - SAT de 2%. No período de 01 a 04 e 13 de 2009 foi informado SAT de 1% e a fiscalização afirmou que o correto era 2%, No período de 01 a 08 de 2010 foi informado FAP de 0,5 e a fiscalização afirma que o correto era FAP de 0,9092. Alíquota do SAT A fiscalizada e o autuado concordam que o valor do SAT no período era de 2%. A divergência apontada pela recorrente é a previsão da redução do percentual, em até 50%, no caso de bom desempenho em relação à prevenção do risco de acidente de trabalho. Pois bem, o CNAE da empresa autuada é o 4511-1/01 e 4511-1/03 que manteve a alíquota fixada em 2%, de modo que no período anterior a nova regulamentação do FAP (Decreto n°. 6.957, de 10/09/2009), ou seja, até dezembro de 2009, ela poderia sim se valer do disposto no artigo 10 da Lei 10.666/2003 para recolher o RAT com carga de 1%, em razão do seu bom histórico. Fl. 2752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 21 (grifei) A legislação citada pela recorrente prevê a redução, mas condicionada, o regulamento deve determinar as regras para aplicação deste mecanismo: Lei nº 10.666, de 2003 (...) Art. 10. A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinquenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de frequência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. (grifei) A regulamentação requerida na Lei só foi implementada através do Decreto nº 6.042, de 2007, que incluiu o artigo 202-A no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, passando a existir regras para mensuração do desempenho pelo Fator Acidentário de Prevenção – FAP. “Art. 202-A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção - FAP. § 5º O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, no Diário Oficial da União, sempre no mesmo mês, os índices de freqüência, gravidade e custo, por atividade econômica, e disponibilizará, na Internet, o FAP por empresa, com as informações que possibilitem a esta verificar a correção dos dados utilizados na apuração do seu desempenho. § 6º O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua divulgação. (...) (grifei) O FAP deveria valer a partir de 09/2007, todavia, foi prorrogado duas vezes o início: Decretos nº 6.257, de 2007 Art. 1º Os arts. 4º e 5º do Decreto no 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Fl. 2753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 22 “Art. 5º ................................................................... ............................................................................... III - do mês de setembro de 2008 quanto à aplicação do art. 202-A do Regulamento da Previdência Social, observado, ainda, o disposto no § 6º do mencionado artigo. ................................................................... ” (NR) Decreto nº 6.577, de 2008 Art. 1º O inciso III do art. 5º do Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "III - do mês de setembro de 2009 quanto à aplicação do art. 202-A do Regulamento da Previdência Social, observado, ainda, o disposto no § 6º do mencionado artigo." (NR) (grifei) A primeira publicação dos percentis previsto no § 5º do art. 202- A do RPS ocorreu em 25/09/2009. Neste período havia sido publicado o Decreto nº 6.957, de 2009, alterando a redação do artigo. Art. 1º Os arts. 202-A, 303, 305 e 337 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, passam a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 202-A. ............................................. § 1º O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. § 2º Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, proceder-se-á à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. ......................................................................................... § 4º ..................................................... I - para o índice de frequência, os registros de acidentes e doenças do trabalho informados ao INSS por meio de Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT e de benefícios acidentários estabelecidos por nexos técnicos pela perícia médica do INSS, ainda que sem CAT a eles vinculados; Fl. 2754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 23 II - para o índice de gravidade, todos os casos de auxílio-doença, auxílio- acidente, aposentadoria por invalidez e pensão por morte, todos de natureza acidentária, aos quais são atribuídos pesos diferentes em razão da gravidade da ocorrência, como segue: a) pensão por morte: peso de cinquenta por cento; b) aposentadoria por invalidez: peso de trinta por cento; e c) auxílio-doença e auxílio-acidente: peso de dez por cento para cada um; e III - para o índice de custo, os valores dos benefícios de natureza acidentária pagos ou devidos pela Previdência Social, apurados da seguinte forma: a) nos casos de auxílio-doença, com base no tempo de afastamento do trabalhador, em meses e fração de mês; e b) nos casos de morte ou de invalidez, parcial ou total, mediante projeção da expectativa de sobrevida do segurado, na data de início do benefício, a partir da tábua de mortalidade construída pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE para toda a população brasileira, considerando-se a média nacional única para ambos os sexos. § 5º O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de frequência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAE- ......................................................................................... § 7º Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. § 8º Para a empresa constituída após janeiro de 2007, o FAP será calculado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. § 9º Excepcionalmente, no primeiro processamento do FAP serão utilizados os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008. § 10. A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP.” (NR) (grifei) Fl. 2755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 24 A regra previa que, para poder usar da redução, era necessária a contagem no período de 2 anos, a primeira contagem foi realizada com os dados de 04/2007 a 12/2008 e a segunda com os dados de 2009, assim do início do uso dos percentis ocorreu só a partir de 01/2010. Portanto, para o ano de 2009 era devido o SAT no valor de 2%, sem qualquer ajuste pelo FAP. FAP em 2010 Quanto ao valor de ajuste do SAT no ano de 2010 pelo FAP pare reduzir a 0,5000, temos que considerar a Resolução nº 1.316, de 05/2010, que determinou as regras de início da possiblidade de aplicação da redução: A Lei Nº 10.666, de 8 de maio de 2003, possibilitou a redução ou majoração da contribuição, recolhida pelas empresas, destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. A referida Lei, em seu art. 10, prescreve que as alíquotas de 1%, 2% ou 3%, por empresa, poderão variar entre a metade e o dobro, de acordo com a metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social - CNPS. Trata-se, portanto, da instituição de um fator Fator Acidentário de Prevenção- FAP, que é um multiplicador sobre a alíquota de 1%, 2% ou 3% correspondente ao enquadramento da empresa segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE preponderante, nos termos do Anexo V do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Esse multiplicador deve variar em um intervalo fechado contínuo de 0,5 a 2,0. O objetivo do FAP é incentivar a melhoria das condições de trabalho e da saúde do trabalhador estimulando as empresas a implementarem políticas mais efetivas de saúde e segurança no trabalho para reduzir a acidentalidade. Assim, o FAP, que será recalculado periodicamente, individualizará a alíquota de 1%, 2% ou 3% prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social-RPS, majorando ou reduzindo o valor da alíquota conforme a quantidade, a gravidade e o custo das ocorrências acidentárias em cada empresa. Portanto, com o FAP, as empresas com mais acidentes e acidentes mais graves em uma subclasse CNAE passarão a contribuir com um valor maior, enquanto as empresas com menor acidentalidade terão uma redução no valor de contribuição. (...) Regra - Quando a empresa não apresentar, no Período-base de cálculo do FAP, registro de acidente ou doença do trabalho, benefício acidentário concedido sem CAT vinculada e qualquer benefício acidentário concedido (B91, B92, B93 e B94) com DDB no Período-base de cálculo, seus índices de frequência, gravidade e custo serão nulos e assim o FAP será igual a 0,5000, por definição. Nestes casos, ficando comprovado a partir de fiscalização que a empresa não apresentou Fl. 2756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 25 notificação de acidente ou doença do trabalho, nos termos do artigo 22 da Lei Nº 8.213/1991, mediante protocolo de CAT, o FAP da empresa será, por definição, igual a 2,0000 independentemente do valor do IC calculado. Esta regra será aplicada aos valores FAP divulgados em setembro de 2009 (vigência 2010) a partir de 1º de setembro de 2010 e nos processamentos seguintes do FAP (vigências a partir de 2011). (grifei) Portanto, até 08/2010, o FAP era devido pelo valor cheio de 0,9092. Retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por Contribuinte individual a seu serviço A alegação da recorrente é que como não fez a retenção de forma oportuna, não estaria obrigada ao recolhimento pelo texto da Lei, que fala em “contribuições arrecadadas”: Ademais, o art. 216 do RPS além de acrescentar o contribuinte individual dentro das obrigações da empresa ainda criou uma ressalva para beneficiar este mesmo contribuinte individual quando no inciso II limita sua obrigação a quando prestar serviços para pessoas físicas. Doutra banda, cumpre evidenciar que a obrigação do recolhimento definido na alínea 'b' do inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91 é para as contribuições arrecadadas pela empresa segundo a outra obrigação descrita na alínea 'a' do mesmo inciso. Ou seja, são obrigações distintas, porém a segunda, do recolhimento, depende da primeira, de arrecadar, no que se não ocorrer à arrecadação não haverá o que ser recolhido. Portanto, caso houvesse o descumprimento da obrigação pela não arrecadação de contribuições devidas pelos empregados ou trabalhadores avulsos, ainda assim não seria devido o recolhimento por parte da empresa. Logo, diante da forma legal detida pelo art. 30 da Lei 8.212/91, a empresa não está obrigada a arrecadar contribuições de contribuintes individuais e tampouco a recolhê-las aos cofres da fazenda pública. (grifei) A questão é facilmente resolvida pelo texto do art. 33, §5º, da Lei nº 8.212, de 1991, destacado pela decisão de piso e que traz uma presunção absoluta, que sempre se presume feita a retenção das contribuições previdenciárias definidas em Lei, o que leva à uma consequência, a obrigação de fazer o recolhimento. E não poderia ser de outra forma, em razão do princípio do direito que “ninguém pode se beneficiar da própria torpeza”. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de Fl. 2757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 26 substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifei) Pró-labore dos sócios O lançamento ocorreu pelo cruzamento das informações da DIPJ, DIRPF, folhas de pagamento e GFIP do período de 01/2009 e 01, 02 e 12 de 2010 A decisão de piso considerou os documentos apresentados pelo contribuinte como aptos a comprovar erro material no lançamento das competências de 01/2009 e 01 e 02 de 2010, permanecendo a competência de 12/2010, que não foi exonerada por falta de prova do erro alegado. Portanto, com relação aos valores lançados para as competências 01/2009, 01/2010 e 02/2010, entendo que há vício formal no lançamento, pôr o procedimento de apuração dos valores não ter obedecido às formalidades necessárias, mormente investigação que a fundamentasse, como a constatação de que a contabilidade não registrava os reais valores (Lei nº 8.212/1991, art.33, §6º) ou a apresentação deficiente de documento (Lei nº 8.212/1991, art.33, §3º). Por outro lado, o valor lançado relativo à competência 12/2010 foi extraído da folha de pagamento exibida à empresa pela fiscalização. Apesar de alegar que o valor está errado e que a contabilidade comprova essa afirmação, a impugnante não apresentou a prova, o que era perfeitamente possível, deixando de atender ao disposto nos arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo prova de fácil exibição, a simples afirmação de que a contabilidade está à disposição do Fisco, sem a sua efetiva apresentação, ainda que parcial, não é justificativa para essa omissão. Logo, as contribuições relativas às competências 01/2009, 01/2010 e 02/2010 devem ser excluídas em face do vício formal e a contribuição da competência 12/2010 deve ser mantida. (grifei) No recurso é reafirmado que a contabilidade da empresa está à disposição do Fisco e na sua posse. Fl. 2758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 27 Se o relator do acórdão não quis se dar ao trabalho de acessar a prova que já estava em poder da Receita Federal, deveria ele ter determinado que o auditor autuante cumprisse diligência neste sentido, afinal é verdade material que, segundo as palavras do próprio auditor, se busca no processo administrativo. Não houve omissão alguma da empresa em não juntar algo que já é de conhecimento do fisco e que pode e deve ser por este acessado. Ademais, qual sentido faria anexar centenas de páginas a este processo tão somente para proceder com uma comprovação que já seria de conhecimento da Receita, portanto notória. Neste sentido é que se persegue também a anulação da decisão de primeira instância administrativa, a fim de que os autos retornem para verificação do SPED Contábil da empresa e confirmação de que não houve pagamento de pró- labore no mês de dezembro de 2010. (grifei) Embora a Receita Federal administre o SPED, que contém a ECF – contabilidade digital, o seu acesso não pode ser livremente feito pelos Auditores da Receita Federal, nos termos da IN 1.420, de 2013, que trata do assunto: IN 1420, de 2013 (...) Art. 7º As informações relativas à ECD, disponíveis no ambiente nacional do Sped, serão compartilhadas com os órgãos e entidades de que tratam os incisos II e III do art. 3º do Decreto nº 6.022, de 2007, no limite de suas respectivas competências e sem prejuízo da observância à legislação referente aos sigilos comercial, fiscal e bancário, nas seguintes modalidades de acesso: I - integral, para cópia do arquivo da escrituração; II - parcial, para cópia e consulta à base de dados agregados, que consiste na consolidação mensal de informações de saldos contábeis e nas demonstrações contábeis. Parágrafo único. Para o acesso previsto no inciso I do caput, o órgão ou a entidade deverá ter iniciado procedimento fiscal ou equivalente, junto à pessoa jurídica titular da ECD. (grifei) O ônus probatório é de quem alega o erro e deve ser feita no momento da apresentação da impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Este Conselho não tem acesso ao SPED fiscal e não cabe ao julgador, através da propositura de diligência, substituir a parte na produção da prova, não havendo motivo de anulação da decisão da DRJ. Fl. 2759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 28 Multa mais benéfica - Percentual da multa de ofício qualificada Apesar da improcedência dos argumentos levantados, tem-que se considerar a alteração legislativa realizada pela Lei nº 14.689, de 2023 na redação do art. art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que passou a ser: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (...) (grifei) A nova redação do artigo estabelece um percentual de multa qualificada inferior à redação anterior. Nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN a lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Deste modo, deve-se aplicar o instituto da retroatividade da penalidade mais benéfica, reduzindo-o percentual da multa qualificada para 100%, conforme art. 44, § 1º, VI da Lei nº 9.430, de 1996, para a multa de ofício lançada no levantamento EI, cujas bases de cálculo foram extraídas dos documentos apreendidos pelo Ministério do Trabalho. Intimação do Advogado Quanto ao pedido de remeter às intimações ao advogado, aplica-se a Súmula CARF nº 110. Súmula CARF nº 110 Fl. 2760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.692 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720492/2013-06 29 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por CONHECER em parte o recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar e DAR PARCIAL PROVIMENTO para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%. Assinado Digitalmente Flavia Lilian Selmer Dias Fl. 2761DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Admissão do Recurso Inconstitucionalidade de Lei Federal e o caráter “confiscatório” da multa de ofício Preliminar – prejudicial de mérito Nulidade processual – falta de intimação dos solidários do resultado da diligência Mérito Sujeito passivo da obrigação tributária Possibilidade de cobrança em duplicidade com os processos na justiça do trabalho e submetidos à conciliação Salário Indireto - Pagamento de Aluguel Redução da alíquota do Sat em razão da aplicação do FAP Retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas por Contribuinte individual a seu serviço Pró-labore dos sócios Multa mais benéfica - Percentual da multa de ofício qualificada Intimação do Advogado Conclusão
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