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Numero do processo: 10640.002144/2009-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 21 44 /2 00 9- 65 Fl. 106DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, do anocalendário de 2005. A seguir indicamos páginas de peças importantes no presente processo: Acórdão de Impugnação (fl. 80 e seg.); Recurso Voluntário (fl. 95 e seg.); Documentos declarações dos profissionais confirmando recibos (fl. 58 e seg.); Fundamentos do lançamento (fl. 7). A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Valor glosado após revisão: R$26.000,00, relativo aos pagamentos declarados para SIMONE OLIVEIRA COSTA (R$3.000,00), ANA CLAUDIA CHAIM (R$4.800,00), HÉRCULES LIMA LOPES (R$5.000,00), CARMEM LUCIA DA CUNHA (R$5.200,00) e JOELMA MAGALHÃES GOMES (R$8.000,00), por falta de comprovação do efetivo desembolso de tais quantias. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2006/606116868531057 o contribuinte apresentou os seguintes recibos, para comprovação dos valores questionados: 1 SIMONE OLIVEIRA COSTA: R$1.000,00 (13/07/2005) + R$1.000,00 (20/09/2005) + R$500,00 (19/10/2005) + R$500,00 (10/11/2005), referentes a tratamento odontológico . • 2 ANA CLAUDIA CHAIM: 12 (doze) recibos no valor de R$400,00 cada, emitidos mensalmente da janeiro a dezembro de 2005, referentes a tratamento fisioterápico domiciliar . 3 HERCULES LIMA LOPES: 05 (cinco) recibos no valor de R$1.000,00 cada, emitidos em 24/05, 27/06, 18/07, 22/08 e 26/09/2005, referentes a tratamento odontológico . 4 CARMEM LUCIA DA CUNHA: 10 (dez) recibos no valor de R$450,00 cada, emitidos em 27/01, 28/02, 30/03, 28/04, 27/05, 29/06, 30/08, 29/09, 27/10 e 28/11/2005, mais 02 (dois) recibos no valor de R$350,00 cada, emitidos em 27/07/2005 e 23/12/2005, referentes a tratamento fisioterápico . 5 JOELMA MAGALHÃES GOMES: 10 (dez) recibos no valor de R$800,00 cada, emitidos mensalmente de fevereiro a Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10640.002144/200965 Acórdão n.º 2001000.041 S2C0T1 Fl. 3 3 novembro de 2005, referentes a tratamento fisioterápico domiciliar . Tais recibos não foram considerados suficientes para comprovação dos pagamentos neles especificados tendo em vista que o total de despesas médicas foi considerado exagerado em relação aos rendimentos declarados. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 297/2009, onde foram solicitadas a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e a efetividade da entrega dos recursos, o contribuinte informa: 1 quanto ao efetivo recebimento dos serviços: apresenta declarações firmadas pelos profissionais Ana Claudia Chaim, Hercules Lima Lopes, Carmem Lucia da Cunha e Joelma Magalhães Gomes, confirmando a prestação.de serviços ao contribuinte. Apresenta ainda 02 (dois) laudos emitidos por médicos especialistas em ortopedia e psiquiatria, atestando a necessidade de tratamentos fisioterápicos e psicológicos para o contribuinte. 2 quanto a efetividade dos pagamentos: não informa o meio utilizado para efetuar os pagamentos (cheque, dinheiro, transferência bancária, etc.), nem apresenta nenhum tipo de comprovação do efetivo desembolso das quantias questionadas, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. Alega que, com a comprovação da efetiva prestação dos serviços, efetuada através dos laudos acima citados, presume se _o pagamento das remunerações pelos serviços pertinentes. Tal alegação não pode ser aceita pela fiscalização tendo em vista quê a presunção dos pagamentos não comprova o valor efetivamente pago. Cabe esclarecer que, existindo dúvida quanto à efetividade dos gastos médicos declarados, especialmente quando se mostrarem exagerados, a legislação tributária permite que a autoridade tributária não acate simples recibos como provas suficientes para evidenciar as efetivas realizações de tais gastos podendo solicitar elementos adicionais que demonstrem de modo absoluto a veracidade das deduções pleiteadas. Assim, para se gozar de deduções referentes a despesas médicas, não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação do pagamento e da efetiva prestação dos serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando os pagamentos forem questionados pela fiscalização. Diante do exposto, foi efetuada a glosa do valor de R$26.000,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Voto Fl. 108DF CARF MF 4 Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais: Psicóloga: João Carlos chegou à clínica com sintomas de ansiedade generalizada e momentos de profunda angústia. Por esta razão estes atendimentos se fizeram necessários tendo em vista que o quadro apresentado nestes períodos específicos influenciava diretamente não somente sua vida pessoal como também sua prática profissional. Psiquiatra: DECLARO, para os fins que se fizerem necessário que JOÃO CARLOS ARANTES, desde o ano de 2003, após problemas de ordem familiar com repercussão na sua vida econômica e social, vem apresentando distúrbios severos de ansiedade e de humo; que tornaram imperativo que se submetesse a psicoterapias tais como :intervenções cognitivas, comportamentais e outras com psicólogo(a)s, intervenções essas que são por sua natureza prolongadas. Embora apresente i ;atualmente melhora significativa que acompanho, a necessidade ainda permanece. É o que me cumpre declarar Dentista descreve os serviços pormenorizadamente na fl. 60. Fisio: Declaro para os devidos fins que João Carlos Arantes, CPF 003 591 596 53, foi atendido por mim no ano de 2005, com HD: op Síndrome do Impacto em ombros D e E, conforme estudo por Ressonância Magnética. O mesmo apresentava dor e incapacidade funcional necessitando atendimento 3 vezes por semana. Foi atendido em seu domicilio e as sessões foram pagas em espécie e a cada sessão realizada, perfazendo um total de 4.800,00 ( quatro mil e oitocentos reais). As ordens para esclarecimento'. Fisio 2 Declaro para os devidos fins que João Carlos Arantes, com diagnóstico médico de hérnia discal lombar e síndrome do impacto nos ombros, confirmados após uma avaliação cinesio lombar, esteve em tratamento fisioterápico em seu domicílio, realizado por mim, no período de fevereiro à novembro de 2005. Durante as sessões foram realizadas condutas fisioterapêuticas, como termoterapia, massoterapia, exercïcios de alongamento e fortalecimento com o objetivo de aliviar o quadro álgico, aumentar a amplitude de movimento e melhorar a postura. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10640.002144/200965 Acórdão n.º 2001000.041 S2C0T1 Fl. 4 5 No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: Fl. 110DF CARF MF 6 “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10640.002144/200965 Acórdão n.º 2001000.041 S2C0T1 Fl. 5 7 incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 112DF CARF MF 8 Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910706/2011-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 30/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.570
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910706/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.570 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 06 /2 01 1- 08 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910706/201108 Acórdão n.º 3402004.570 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.143, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910706/201108 Acórdão n.º 3402004.570 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910706/201108 Acórdão n.º 3402004.570 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910706/201108 Acórdão n.º 3402004.570 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000336/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE CRÉDITO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
É insubsistente o lançamento fiscal quando o conjunto probatório evidencia que os pagamentos da fatura de cartão de crédito empresarial utilizado por empregado ou sócio da pessoa jurídica não se destinam a retribuir o trabalho, o que afasta a natureza remuneratória.
Numero da decisão: 2401-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, declarar a decadência das competências até 07/2001, inclusive, e, no mérito, dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE CRÉDITO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO. É insubsistente o lançamento fiscal quando o conjunto probatório evidencia que os pagamentos da fatura de cartão de crédito empresarial utilizado por empregado ou sócio da pessoa jurídica não se destinam a retribuir o trabalho, o que afasta a natureza remuneratória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, declarar a decadência das competências até 07/2001, inclusive, e, no mérito, dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
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PAGAMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO Recorrente MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE CRÉDITO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO. É insubsistente o lançamento fiscal quando o conjunto probatório evidencia que os pagamentos da fatura de cartão de crédito empresarial utilizado por empregado ou sócio da pessoa jurídica não se destinam a retribuir o trabalho, o que afasta a natureza remuneratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 36 /2 00 8- 96 Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.379 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, declarar a decadência das competências até 07/2001, inclusive, e, no mérito, darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.380 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão monocrática proferida pelo Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro Centro, por meio da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0823/2006, de 10/11/2006, cujo dispositivo declarou procedente em parte o lançamento fiscal, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 712/725). Transcrevo a ementa do julgado: SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE CRÉDITO O saláriodecontribuição é a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, como dispõe o art. 28, inciso I, da Lei 8212/91. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou mesmo a apresentação deficiente, o agente fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, nos termos do Art. 33, § 3°, da Lei 8212/91. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo 6 retificado em virtude de elementos novos não conhecidos por ocasião do lançamento, nos termos do art. 145, inciso I c/c art. 149, VIII, do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 257/266, que o processo administrativo é composto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.004.7109, relativa à contribuição previdenciária correspondente à parte da empresa, no percentual de 20%, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados no período de 01/2001 a 05/2005. 2.1 De acordo com o agente tributário, o lançamento de ofício tem origem na remuneração aos segurados empregados na forma de salário indireto, consistente nos pagamentos de faturas de cartão de crédito empresarial American Express (AMEX) utilizado pelos segurados empregados, com registro na conta contábil 2.1.200.20234, para os quais a empresa fiscalizada, devidamente intimada, deixou de apresentar os documentos comprobatórios da natureza não remuneratória. 3. Cientificado por via postal, em 31/08/2006, segundo fls. 435, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 438/460). Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.381 4 4. Intimada em 29/11/2006 por via postal da decisão de primeira instância, conforme fls. 726, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 21/12/2006 (fls. 750/768). Em síntese, o apelo recursal contém os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve parte do crédito tributário: (i) os fatos geradores anteriores a julho/2001 foram alcançados pela decadência, segundo a contagem do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada de Código Tributário Nacional (CTN); (ii) em nenhum momento a recorrente se furtou à apresentação dos documentos solicitados pela autoridade fazendária, os quais não foram analisados corretamente à época própria pela fiscalização; (iii) os valores lançados a título de pagamento de cartão de crédito não constituem base de incidência da contribuição previdenciária, conforme comprovam os documentos acostados ao recurso voluntário; (iv) o cartão de crédito é utilizado apenas pelo presidente, vicepresidente e sócios administradores da empresa para pagamentos de passagens aéreas, despesas de representação e softwares vendidos pela Internet, relacionados ao custeio da atividade empresarial; e (v) em prol da verdade material, pugna pela juntada da documentação que acompanha a peça recursal. 5. Ressalto que à época, sob o amparo de decisão judicial em ação de segurança, foi dispensado o depósito recursal de 30% da exigência fiscal, substituído pelo arrolamento de bens (fls. 729/740 e 770/774). 6. Na sequência da instrução processual, e previamente ao envio à instância recursal, o Serviço de Contencioso Administrativo da extinta Delegacia da Receita Previdenciária determinou a baixa dos autos à autoridade lançadora para exame da documentação juntada no apelo recursal, especialmente as cópias das faturas de cartão de crédito em nome dos sócios (fls. 1.337). 6.1 A diligência foi cumprida nos termos propostos pela unidade preparadora, manifestandose o agente fazendário pela retificação parcial do crédito tributário lançado, tendo em conta a utilização do cartão de crédito por sócios da empresa, caracterizando importâncias vinculadas a pagamentos a contribuintes individuais, e não a segurados empregados (fls. 1.349/1.351). É o relatório. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.382 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Decadência 8. Para fins de contagem do prazo decadencial nos lançamentos dos tributos submetidos ao "regime de homologação", como é a hipótese das contribuições previdenciárias, devese aplicar o que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 9. A regra dos 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, acima reproduzida, é excetuada quando ausente o pagamento parcial da contribuição previdenciária ou na hipótese de comprovação de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, em que incidirá o prazo decadencial do inciso I do art. 173 do CTN. 10. Não há alusão pelo agente fazendário de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada praticada pela pessoa jurídica. 11. Por outro lado, há prova da existência de antecipação mensal pelo sujeito passivo do pagamento das contribuições previdenciárias, por meio de Guia da Previdência Social (GPS), código 2100, conforme indicado pela autoridade fiscal na relação de recolhimentos da Planilha do Anexo 321 ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 18, de 23/05/2006 (fls. 240/242). Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.383 6 12. Com efeito, o lançamento de ofício efetuado pela autoridade fiscal referese às remunerações pagas aos segurados empregados na condição de salário indireto, na forma de utilidade (cartão de crédito), cuja empresa deixou de incluir a parcela controvertida na base de cálculo da contribuição previdenciária. 13. É o caso típico de aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 99, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigido: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 14. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse no dia 31/08/2006 (fls. 435). Desse modo, segundo a contagem do § 4º do art. 150 do CTN, estão fulminadas pela decadência as competências até 07/2001, inclusive. Mérito 15. Na fase recursal, a recorrente juntou cópias da documentação relacionada à comprovação dos gastos com o cartão de crédito AMEX, tais como faturas e descrição da natureza das despesas realizadas (fls. 775/1.329). 15.1 Desse arcabouço probatório, observo que parte significativa dos valores pagos são referentes a despesas realizadas pelos sócios da empresa fiscalizada: Paulo Assumpção, Marcos de Abreu Coutinho e Júlio Henrique Asensi Marques (41ª Alteração do Contrato Social, às fls. 271/281). 15.2 A parcela restante dos pagamentos diz respeito a despesas em nome do funcionário Augusto José Macambira Borborema. 16. O agente fazendário responsável pela diligência fiscal, conforme Informação Fiscal de fls. 1.349/1.351, manifestouse pela exclusão de todos os valores associados aos sócios da empresa, porquanto quantias pagas a segurados contribuintes individuais, e não a empregados. 17. Pois bem. Segundo a autuação, a fiscalização considerou com salário indireto os valores correspondentes aos pagamentos de fatura de cartão de crédito, identificados a partir de conta contábil específica, levandose em consideração a falta de apresentação pela empresa dos respectivos documentos comprobatórios da natureza desses pagamentos realizados aos trabalhadores. Para fins da motivação do lançamento, o agente fiscal qualificou os pagamentos efetuados pela empresa como utilidades pagas a segurados empregados. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.384 7 17.1 Ante a recusa da empresa, conforme explicado pela fiscalização, de fornecer as informações e os documentos que lastreavam os lançamentos na sua escrituração contábil, o agente fazendário, com fulcro no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, apurou o crédito previdenciário utilizandose da técnica do arbitramento, por intermédio de aferição indireta. 18. Porém, a previsão da lei ordinária não implica a concessão de uma "carta em branco" para a autoridade tributária proceder ao lançamento de ofício, exigindose, pelo menos, a narrativa de indícios sérios e convergentes da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, o que demanda do Fisco, muitas vezes, a necessidade de aprofundamento das investigações. 19. Se o agente lançador, como consta no Relatório Fiscal, nem mesmo tomou conhecimento da qualificação dos usuários do cartão de crédito AMEX, tendo em conta a postura omissiva da empresa sob fiscalização, pareceme precipitada a suposição da fiscalização que o cartão era utilizado em benefício de segurados empregados, por falta de elementos de convicção a respeito desse assunto. 20. Haja vista os documentos anexados aos autos, a opção empreendida pelo agente fazendário de considerar os pagamentos como hipótese de remuneração indireta a segurado empregado revelouse prematura e resulta na própria improcedência do crédito tributário lançado de ofício, na parte concernente aos segurados contribuintes individuais (sócios), diante da imperfeita descrição dos fatos. 21. Avanço na questão controvertida. Na verdade, a documentação acostada pela recorrente não confirma, pelo contrário afasta, que os valores pagos são decorrentes da contraprestação de serviços, hipótese em que os cartões de crédito AMEX estariam sendo utilizados como parcela adicional ou substitutiva da remuneração do trabalhador, segurado empregado ou contribuinte individual. 22. No caso do uso dos cartões pelos sócios, as compras realizadas estão concentradas ao longo dos meses, na quase totalidade, em passagens aéreas, gastos em restaurantes e aquisições de softwares vendidos pela Internet, o que é plenamente compatível com a atividade econômica da sociedade limitada, voltada à área de informática e tecnologia da informação, e que mantém filiais e possui clientes localizados em diferentes pontos do território nacional (fls. 271/281). 23. Já quanto ao cartão vinculado ao funcionário Augusto José Macambira Borborema, cujos desembolsos realizados são residuais, o uso do plástico é intermitente, direcionado a compras de software de uso empresarial, além de pagamentos a título de cobrança de renovação de anuidade (fls. 862, 872, 900, 972, 988 e 1.066, por exemplo). Não há sinais, portanto, da disponibilização do cartão de crédito com o propósito de concessão de vantagens pessoais, estipuladas para a retribuição do trabalho. 24. Logo, os pagamentos das faturas de cartão de crédito não representam remuneração destinada a retribuir o trabalho, o que afasta a natureza remuneratória para fins da contribuição previdenciária e torna insubsistente o lançamento fiscal (art. 22, inciso I, ou art. 22, inciso III). Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 12267.000336/200896 Acórdão n.º 2401005.187 S2C4T1 Fl. 1.385 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, RECONHEÇO a decadência das competências até 07/2001, inclusive, e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO ao apelo recursal. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1385DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.000931/2010-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007, 2008
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. EXCLUSÃO.
Devem ser excluídas do Simples Nacional as empresas optantes que possuam débitos para com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1801-000.784
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. EXCLUSÃO. Devem ser excluídas do Simples Nacional as empresas optantes que possuam débitos para com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 51DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Ato Declaratório que excluiu a empresa interessada do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, tratamento diferenciado e favorecido dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no regime único de apuração, arrecadação e recolhimento de impostos e contribuições da União – Simples Nacional. Consta dos autos que a empresa interessada foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir 01/01/2011, pelo Ato Declaratório Executivo da DRF em Campos de Goitacazes DRF/CGZ n º 431181/2010 (fl. 15), por possuir os débitos do próprio regime unificado, nele relacionados, não pagos e com exigibilidade não suspensa. O ADE encontrase fundamentado no artigo 17, V da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 e na alínea "d" do inciso II do art. 3°, combinada com o inciso I do art. 5°, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007. Irresignada a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 14, alegando, em síntese, que: são inaplicáveis as normas tributárias constantes do ADE, considerando a interpretação restritiva e o principio da legalidade, já que a norma instituidora do regime unificado se reporta, unicamente, às vedações para ingresso no sistema, nada dispondo sobre a exclusão de empresas que já se encontram na sistemática, que por qualquer motivo possuem obrigações tributárias pendentes; o ato de exclusão implica em violação ao devido processo legal, posto que a determinação de regularização dos débitos pendentes no prazo de 30 dias para afastar a exclusão, constituiria nada menos do que uma forma de o Fisco autoexecutar o crédito que possui, o que seria inconcebível em nosso ordenamento jurídico; devem ser respeitados os princípios constitucionais do tratamento diferenciado às empresas de pequeno porte e da capacidade contributiva; ademais, os débitos tributários já teriam sido incluídos no parcelamento da Lei n º 11.941/2009, como comprovaria o recibo anexado; inexistiria vedação legal à inclusão dos débitos no parcelamento da Lei 11.941/2009, já requerido. Apreciando o litígio a DRJ no Rio de Janeiro/RJI proferiu o Acórdão 12 34.684 (fls. 31/34) e julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente observou que o ato de exclusão respeitou o devido processo legal. No mérito consignou que a Lei Complementar 123/2006, no inciso V do artigo 17 estipulou as hipóteses de vedação ao ingresso no regime tributário do Simples Nacional, não permitindo o ingresso ou a manutenção na sistemática de empresas devedoras de tributos. Assinalou que a regularização dos débitos no Fl. 52DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.000931/201076 Acórdão n.º 180100.784 S1TE01 Fl. 45 3 prazo de apresentação da manifestação de inconformidade tornaria sem efeito a exclusão mas que, no presente caso, a irregularidade persistiria, como comprovaria a pesquisa realizada junto aos sistemas internos da RFB, cujas telas foram anexadas às fls. 29/30. Observou, ainda, a ausência de competência da autoridade julgadora administrativa para apreciação de questões relacionadas à constitucionalidade e legalidade de leis. Notificada da decisão, em 22/12/2010, como demonstra a cópia do AR à fl. 36, apresentou a empresa, em 21/01/2011, o recurso voluntário de fls. 38/41, argüindo, inicialmente, que a proposição lançada não implicaria qualquer tipo de elucubração sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis, mas ressaltar que o agente público estaria sujeito ao basilar princípio da legalidade. Nesse contexto, ao analisar as hipóteses de exclusão do Simples Nacional tipificadas na LC 123/06, conclui que não teria incidido em qualquer uma delas, dai porque não haveria base legal para a manutenção do ADE que, extrapolando a competência do órgão do Poder Executivo, determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional. Registrou que, “quanto aos débitos que geraram o ADE (competências de 08/2007 a 12/2008), a Recorrente obteve novação de dívida de todas as competências até 11/2008, restando apenas uma única parcela em aberto, ou seja, a de 12/2008, o que inclusive demonstra a sua boafé e intenção de saldar o débito”. Assim, “considerando que a Lei Complementar 123/06 em suas hipóteses de exclusão não tipifica a existência de débito, notadamente em se tratando de uma única parcela, temse a que o acórdão guerreado merece reforma, dada a sua ilegalidade”. Ao final pede reforma do acórdão e desconstituição do ato de exclusão. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Consta dos autos que a empresa recorrente foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, por possuir débitos do próprio sistema não quitados e com exigibilidade não suspensa. Fl. 53DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 A seu turno a recorrente não nega inteiramente estar em débito com os pagamentos. Apenas alega que a Lei Complementar n º 123, de 2006, que instituiu o Simples Nacional se refere, unicamente, sobre vedações ao ingresso na sistemática, nada dispondo a respeito de exclusões da sistemática por empresas que já tenham adentrado ao sistema estejam desfrutando dos benefícios desse regime. Assim, cumpre fazer remissão aos dispositivos do ato mencionado, pertinentes ao caso: Lei Complementar n º 123, de 2006 Art. 1º Esta Lei Complementar estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, especialmente no que se refere: I à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; ... Art. 2º O tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte de que trata o art. 1º desta Lei Complementar será gerido pelas instâncias a seguir especificadas: I Comitê Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda, composto por 4 (quatro) representantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como representantes da União, 2 (dois) dos Estados e do Distrito Federal e 2 (dois) dos Municípios, para tratar dos aspectos tributários; e ... § 6º Ao Comitê de que trata o inciso I do caput deste artigo compete regulamentar a opção, exclusão, tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, dívida ativa, recolhimento e demais itens relativos ao regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, observadas as demais disposições desta Lei Complementar. ... Art. 12. Fica instituído o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: ... Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de Fl. 54DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.000931/201076 Acórdão n.º 180100.784 S1TE01 Fl. 46 5 pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. ... Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I desta Lei Complementar. ... Art. 21. Os tributos devidos, apurados na forma dos arts. 18 a 20 desta Lei Complementar, deverão ser pagos: I por meio de documento único de arrecadação, instituído pelo Comitê Gestor; ... Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verif icada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; ... 3º A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. ... § 5º A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu a exclusão. Fl. 55DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das si tuações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou ... § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: I na hipótese do inciso I do caput deste artigo, até o último dia útil do mês de janeiro; II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; ... § 2º A comunicação de que trata o caput deste artigo darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor. Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1º de janeiro do anocalendário subseqüente, ressalvado o disposto no § 4º deste artigo; II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; ... IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. § 2º Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. ... (destaques acrescidos) Em que pese os protestos da defesa a Lei Complementar n º 123, de 2006, é de clareza cristalina: não podem recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional (art. 17) as micro e pequenas empresas que estejam em débito com o INSS ou Fazenda Pública Federal (inciso V), cuja exigibilidade não esteja suspensa. Fl. 56DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.000931/201076 Acórdão n.º 180100.784 S1TE01 Fl. 47 7 De acordo com o Dicionário “Novo” Aurélio, o vocábulo Poder, significa, (1) ter a faculdade de, (2) ter possibilidade de; ou autorização para; (8) ter o direito, de [...]. Obviamente que, a contrário sensu, aquele que não pode fazer “algo” é porque está impedido, vedado, não tem possibilidade, autorização ou direito de fazer esse “algo”. Portanto, as micro e pequenas empresas que possuam débitos com o INSS, ou Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal, que não estejam com sua exigibilidade suspensa, não podem continuar a recolher na sistemática do Simples Nacional. O art. 28. determina que a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes e o artigo 29, I, determina que seja feita a exclusão de ofício nos casos em que a empresa optante não faça voluntariamente a comunicação de sua exclusão obrigatória. Já, o inciso II do artigo 30 dispõe que a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar. Ora, a situação prevista no inciso V do artigo 17 é uma vedação, pois impede, veda o pagamento no regime do Simples Nacional pelas empresa que estejam em débito com o INSS, ou Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal, que não estejam com sua exigibilidade suspensa. Dessa forma, cabia a empresa recorrente, obrigatoriamente, comunicar a sua exclusão pela situação de vedação imposta pela Lei. Como não o fez, a Lei determina que a exclusão seja feita de ofício (art. 29, I). O inciso V do art. 31 determina textualmente que a exclusão, na hipótese do inciso V do caput do art. 17 da Lei Complementar, produzirá efeitos a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. Portanto, não há qualquer ilegalidade ou irregularidade no ato declaratório que excluiu a empresa do regime do Simples Nacional. Pelo contrário. Haveria ilegalidade se a empresa, mesmo possuindo débitos junto à Fazenda Federal, sem suspensão de exigibilidade, permanecesse no regime único desfrutando de tratamento diferenciado e favorecido. É verdade que o § 2o. do artigo 30 possibilita a permanência, no regime, da pessoa jurídica como optante do Simples Nacional, quando, no prazo de até 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência da comunicação da exclusão, a empresa comprove a regularização do débito. No presente caso, entretanto, verificase que não foram regularizados os pagamentos de todos os débitos no prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência da comunicação, o que foi admitido pela própria defesa, como se verifica do seguinte trecho do recurso voluntário, à fl. 41: Registrese que quanto aos débitos que geraram o ADE (competências de 08/2007 a 12/2008), a Recorrente obteve novação de divida de todas as competências até 11/2008, restando apenas uma única parcela em aberto, ou seja, a de 12/2008, o que inclusive demonstra a sua boafé e intenção de saldar o débito. (destaques acrescidos). Fl. 57DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 58DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0118.09432.UI6T. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA DE LOURDES RAMIREZ em 05/12/2011 15:47:39. Documento autenticado digitalmente por MARIA DE LOURDES RAMIREZ em 05/12/2011. Documento assinado digitalmente por: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 08/12/2011 e MARIA DE LOURDES RAMIREZ em 05/12/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/01/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0118.09432.UI6T Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: E3036B8D928BDA480C5EBD0C31FD0F4C62D70339 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10725.000931/2010-76. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18470.724592/2015-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em face de intempestividade.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 19/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em face de intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 19/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 45 92 /2 01 5- 72 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 18470.724592/201572 Acórdão n.º 2201003.992 S2C2T1 Fl. 43 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 8 a 12, lavrada em nome da contribuinte acima identificada, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2014, anocalendário 2013, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$2.087,28. O lançamento decorreu da glosa de dedução de despesa médica, no valor de R$12.000,00. Segundo a autoridade fiscal, o recibo apresentado da referida despesa, declarada como paga à fisioterapeuta Alessandra R. L. Jardim Gonçalves, é genérico, não identifica o paciente beneficiário do serviço prestado e não se encontra revestido das formalidades legais necessárias, exigidas pela legislação tributária. Cientificada em 29/04/2015 (fl. 13), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 e 3 em 27/05/2015 (fl. 2). Alega que o valor glosado refere se à despesa efetuada com o próprio tratamento, conforme recibo juntado contendo todos os requisitos previstos na legislação tributária. Informa ainda a juntada de receita médica e histórico de tratamento médico fornecidos pela Policlínica de Botafogo, Rio de Janeiro/RJ. A DRJ julgou improcedente a impugnação da contribuinte sob o argumento principal de que: O comprovante apresentado pela contribuinte é genérico, uma vez que engloba todos os valores pagos durante o ano, sem comprovar o efetivo repasse do montante previsto no recibo, além de não identificar o paciente que recebeu os serviços. O histórico médico apresentado não se refere ao anocalendário analisado. Cientificada do acórdão da DRJ em 22/10/2015, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26/11/2015, alegando em síntese que: Os documentos apresentados encontramse em conformidade com a legislação, não existindo qualquer barreira legal que obste a apresentação de recibo único no valor total pago. Juntou novo recibo mais claro quanto ao beneficiário do tratamento. Ao fim, pediu a improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito ora contestado. É o relatório. Voto Fl. 43DF CARF MF Processo nº 18470.724592/201572 Acórdão n.º 2201003.992 S2C2T1 Fl. 44 3 Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade De acordo com o relatado, o Recurso Voluntário fora interposto após os 30 (trinta) dias previstos na legislação, sem qualquer justificativa plausível que leve a relativização do referido prazo. Preceitua o artigo 33 do Decreto 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Acerca do tema, trago à baila o acórdão 1202000.298, desse CARF, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário em face de sua intempestividade. Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721188/2013-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Precedentes recentes na 1ª Turma da CSRF. Acórdãos nº 9101-002.180, 9101-002.181, 9101-002.182, 9101-003.064, 9101-003.065, 9101-003.066 e 9101-003.067.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Demetrius Nichele Macei (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Precedentes recentes na 1ª Turma da CSRF. Acórdãos nº 9101-002.180, 9101-002.181, 9101-002.182, 9101-003.064, 9101-003.065, 9101-003.066 e 9101-003.067. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Precedentes recentes na 1ª Turma da CSRF. Acórdãos nº 9101 002.180, 9101002.181, 9101002.182, 9101003.064, 9101003.065, 9101 003.066 e 9101003.067. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 88 /2 01 3- 64 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 989 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Demetrius Nichele Macei (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 830/873) interposto por CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402002.341 (efls. 790/797), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 05/10/2016, no qual foi dado provimento ao recurso de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 573/598), relativa ao anocalendário de 2008, discorre sobre glosa de despesas decorrentes do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP). Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 653/686), que foi julgada procedente (efls. 724/751) pela primeira instância (DRJ). Em razão do valor de crédito tributário exonerado, foi efetuada remessa necessária. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) deu provimento ao recurso de ofício (efls. 790/797) e restabeleceu a autuação fiscal. A Contribuinte opôs embargos de declaração (efls. 806/812) que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 821/822). Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 830/873), que foi admitido pelo despacho de exame de admissibilidade de efl. 939/961, para devolver as matérias (1) glosa de despesas relativas a pagamento de juros sobre capital próprio e (2) incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") às efls. 963/961. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 990 3 A contribuinte apresentou impugnação que foi julgada procedente pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, nos termos do Acórdão nº 1448.759, da sessão de 26/02/2014, conforme ementa a seguir. Anocalendário: 2008 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, respeitandose os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. PAGAMENTO ACUMULADO. CALCULO DO VALOR E LIMITES. Nada obsta a dedutibilidade do JCP pago acumuladamente, aplicandose a taxa de juros do período a que corresponder o encargo, desde que provado, ano a ano, ter esse passível de distribuição e dedução, respeitado o limite de cinqüenta por cento do lucro líquido correspondente ao períodobase do efetivo pagamento ou crédito, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, o que for maior. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Em razão da exoneração do crédito tributário ultrapassar o limite de alçada, foi efetuada remessa necessária. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 05/10/2016, decidiu no sentido de dar provimento ao recurso de ofício, por meio do Acórdão nº 1402002.341, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal Fl. 990DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 991 4 procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Foram opostos pela Contribuinte embargos de declaração (efls. 806/812) que foram rejeitados por despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 821/822). Na sequência, a Contribuinte interpôs recurso especial. Discorre sobre a legalidade do procedimento adotado pela empresa, amparado pelo art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (1ª Turma, Resp nº 1.086.752PR) e dos TRF da 3ª, 4ª e 5º Regiões. Entende que o dispositivo legal e os artigos 347, 668 e 691, §9º do RIR/99 predicam que (a) o pagamento dos juros é opção da empresa; (b) dessa opção, a pessoa jurídica poderá deduzir, para efeito de IRPJ e CSLL, os juros pagos ou creditados, calculados sobre as contas de patrimônio líquido, limitados à variação prorata dia da TJLP; (c) o efetivo pagamento ou crédito está condicionado à existência de lucros do exercício ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes o valor dos juros a serem pagos ou creditados; (d) o IRF de 15% é devido na data do pagamento ou crédito sendo considerado tributação exclusiva no caso beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica isenta, e a antecipação do devido na declaração no caso de beneficiários pessoa jurídica tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado; poderá ser compensado com o retido na fonte por empresa tributada com base no lucro real que pagar ou creditar JCP a seu titular, sócios ou acionistas; os juros pagos ou creditados poderão ser imputados ao valor de dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 1976 sem prejuízo da tributação de 15% e para o cálculo dos juros não será considerado o valor da reserva de reavaliação de bens e direitos da pessoa jurídica salvo se for adicionada na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse contexto, aduz que a legislação teria previsto apenas as consequência fiscais do pagamento ou crédito de JCP (tributação na fonte de 15% na data do pagamento ou crédito e dedução da despesa respectiva da base de cálculo do IRPJ e CSLL), não tendo cuidado de permissões ou vedações desse pagamento, tampouco da época em que deveriam ou poderiam ser deliberados, creditados ou pagos. Ou seja, tratarseia de critério da empresa decidir sobre o momento. Por isso, teria a empresa a liberdade para deliberar, no futuro, sobre o pagamento de valores relativos a juros sobre o capital que poderia ter deliberado em exercícios passados. No que diz respeito ao regime de competência, encontrase ligado ao conceito de despesa incorrida. E, no caso em tela, a pessoa jurídica se torna devedora do sócio ou acionista somente após a deliberação da sociedade decidindo efetuar o pagamento. Assim, o momento em que o valor dos juros deve ser registrado como despesa financeira é justamente aquele em que há a deliberação determinando do pagamento do JCP, no caso dos autos, em 2008. Assim, tendo a Contribuinte deliberado, em 2008, efetuar o pagamento dos JCP tomando por base os patrimônios líquidos de 2005, 2006 e 2007, dentro das condições exigidas pela Lei nº 9.249, de 1995, a despesa correspondente ao pagamento desses juros somente surgiu no anocalendário de 2008. Por isso a previsão da IN SRF nº 11, de 1996, no sentido de que a despesa relativa ao Fl. 991DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 992 5 JCP deve ser reconhecida no período em que for deliberado o seu crédito ou pagamento, pois apenas nesse momento é que nasce a obrigação a eles relativa. Menciona jurisprudência administrativa para ratificar seu entendimento e discorre que precedente da 1ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9101002.180) teria incorrido em equívocos, e convida a uma reflexão do art. 73 da Lei nº 12.973, de 2014. Protesta sobre a incidência de juros moratórios sobre o valor da multa de ofício. Requer pela admissibilidade e provimento do recurso para reforma do acórdão recorrido ou, pelo menos, pelo afastamento da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade (efls. 939/961). A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 963/986), no qual requer pela manutenção da decisão recorrida. Discorre que a não deliberação, no momento oportuno, sobre o pagamento dos JCP nos limites autorizados pela lei implicam em renúncia ao direito da Contribuinte. Discorre que os limites a serem observados para o pagamento do JCP (50% do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros ou 50% do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros) dizem respeito a cada exercício financeiro isoladamente. Assim, sendo aplicada a TJLP sobre o PL de determinado ano, a parcela dedutível deverá observar a existência de lucro líquido ou de lucros acumulados e reservas de lucros do mesmo ano, não havendo de se falar em retroatividade. Entende que a conduta da empresa teria revelado um descumprimento aos requisitos legais, vez que ela aplicou a TJLP sobre exercícios passados (2005, 2006 e 2007), mas observou tãosomente o lucro do exercício de 2008, ano de deliberação e pagamento do JCP, para verificar o limite dedutível. Cita exemplo no qual, para o ano 2003, a aplicação da TJLP sobre o PL atingiria o montante fictício de R$100,00, mas como o lucro líquido no exercício foi de R$140,00, e não havendo lucro acumulado ou reserva de lucro, poderia ser utilizado penas R$70,00 para fins de dedução, vez que a lei limita o montante dedutível a 50% do lucro líquido do exercício. Assim, diante de tal situação, deixaria a empresa de deliberar sobre o assunto. Posteriormente, em um ano em que auferisse um lucro elevado, passaria a deliberar sobre exercícios pretéritos, vez que o limite da lei levaria em consideração uma base de cálculo maior e permitira a dedução de períodos anteriores. Discorre que não se pode admitir tal manipulação, razão pela qual os limites de dedução devem ser observados a cada exercício social. Aduz que se a assembléia de acionistas, em determinado ano, resolveu não remunerar os sócios por meio de juros sobre o capital próprio ou determinou o pagamento abaixo do limite dedutível, significa dizer que a própria empresa renunciou a tal direito. Menciona jurisprudência administrativa para ratificar seu entendimento. Sobre a matéria juros de mora sobre multa de ofício, entende que sua supressão incorreria em expressa afronta ao § 1º do art. 161 do CTN e à finalidade do ordenamento tributário. Requer que o recurso especial da Contribuinte tenha o provimento negado. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 993 6 Sobre a admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 939/961, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. As matérias devolvidas para o Colegiado consistem (1) na possibilidade de se deduzir pagamentos de juros sobre capital próprio decorrentes de exercícios anteriores ao ano em que realizada a deliberação, e (2) incidência de juros de mora sobre multa de ofício, cada qual tratada em tópico específico. I. Juros sobre Capital Próprio Dedutibilidade de Pagamento/Creditamento O assunto já foi enfrentado pelo Colegiado, em recentes julgamentos. Vale citar os Acórdãos nº 9101002.180, 9101002.181, 9101002.182, 9101003.064, 9101 003.065, 9101003.066 e 9101003.067 (os últimos quatro na sessão de setembro de 2017). Transcrevo o voto da Conselheira Adriana Gomes Rego, proferido no Acórdão nº 9101003.066, cujos fundamentos adoto como razões para decidir. Juros sobre Capital Próprio Períodos Anteriores A discussão cingese à possibilidade de a pessoa jurídica deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado anocalendário, tão somente os juros sobre o capital próprio (JCP) calculados sobre os valores das contas do patrimônio líquido no exercício social correspondente ao anocalendário em questão (entendimento da Fiscalização) ou também em relação a exercícios sociais anteriores (entendimento da Contribuinte). (...) Como resta evidente pelos próprios precedentes trazidos pela Fazenda e pela Contribuinte, a matéria não se encontra pacificada no âmbito do CARF. As decisões mais recentes desta 1ª Turma da CSRF, no entanto, vão no sentido da indedutibilidade dos JCP em relação a períodos pretéritos. Com efeito, na sessão de 20 de janeiro de 2016, foram prolatados três acórdãos (de nºs 9101 002.180, 9101002.181 e 9101002.182), todos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo nessa linha. Em todas essas votações, meu voto acompanhou o Relator, por entender que: a) os Juros sobre o Capital Próprio representam uma remuneração dos sócios pelo capital investido; 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 994 7 b) por serem juros pagos pelas pessoas jurídicas a seus sócios, têm a natureza contábil de despesas (contrapartida das receitas advindas do uso desse capital); c) por serem uma despesa, transitam pelo resultado; e d) por transitarem pelo resultado, não podem ser pagos ou creditados após o encerramento do período. Já na sessão de 1º de março de 2016, um processo de minha relatoria foi a julgamento, tendo esta Turma decidido que não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores (acórdão nº 9101002.248). Nesse contexto, trazse para o presente caso os argumentos expendidos na decisão em questão, dirimidas eventuais diferenças. Em primeiro lugar, registrese presente o fato de que a Lei nº 9.249/1995 visou estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais, mediante empréstimos, que caracterizavam uma subcapitalização. Constatase, também, que a lei não mencionou o momento em que tais juros devem ser pagos. Contudo, vislumbrase isso desnecessário, porque se a norma estabelece limites para fins de dedução do lucro real, é porque estamos falando de uma despesa contábil, que tem limites de dedutibilidade para fins de lucro real. Por oportuno, transcrevese trecho do acórdão nº 1102000.934, de 8 de outubro de 2013, da lavra do exConselheiro José Evande Carvalho Araújo: Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, está se limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao ano calendário anterior. (Grifei) Antes da deliberação para o pagamento dos JCP não há que se falar em direito subjetivo dos sócios ao seu recebimento, nem em despesa incorrida. De Fl. 994DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 995 8 fato, a despesa só surge após deliberação acerca do pagamento ou do creditamento dos juros e da sua correspondente contabilização. Correto o Ilustre relator do acórdão recorrido quando afirma que para os exercícios pretéritos, não tendo havido pagamento da despesa ou apropriação da obrigação para pagar aos sócios em conta de passivo, não há que se falar em despesa incorrida. Todavia, resta equivocado quando declara ser descabida menção à inobservância do regime de competência, posto que não houve despesa incorrida. Há inobservância ao regime de competência quando em 2010, a contribuinte apropria uma despesa, cujos fatos geradores ocorreram entre 1998 a 2009. Neste sentido, trago à colação a lição de Hiromi Higuchi (HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. p. 127.): Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no período base correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (Grifei) E também os ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho 2: Se em determinado exercício social passado não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas é lícito inferir que eles deliberaram pelo não pagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas são consideradas "ato jurídico 2 (Disponível em <http://www.fiscosoft.com.br/a/2fac/irpjecslljurossobreocapitalpropriocalculadosobrea movimentacaodopatrimonioliquidoosfatoseaconsultaedmaroliveiraandradefilho>, acesso em 10/07/2017, às 15h58min ) Fl. 995DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 996 9 perfeito", impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. E é aqui que reside a questão: o momento que em o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício. Como após a apuração do lucro, não há que se falar mais em pagamento ou reconhecimento da obrigação referentes às despesas de juros sobre o capital próprio, relativamente aos anoscalendário de 1998 a 2009, não se poderia mais pagar juros sobre capital próprio; daí porque o “períodobase correspondente”, como dito, necessariamente precisa ser o de apuração do lucro. No presente processo, em relação aos anoscalendário 1998 a 2009, para os quais a deliberação para pagamento de JCP só ocorreu em dezembro de 2010, e não foi constituída a obrigação de pagar os JCP correspondentes nos AC 1998 a 2009, não há que se falar em dessas despesas incorridas. Poderseia argumentar que a lei autoriza o cálculo de JCP sobre os lucros acumulados de anos anteriores; contudo, a menção aos lucros acumulados trazida pela Lei nº 9.249, de 1995, diz respeito tão somente a um dos limites para fins de dedutibilidade do lucro real, senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Grifei) Neste sentido também entendeu a Conselheira Edeli Pereira Bessa, por meio do Acórdão nº 1101000.904, de 12 de junho de 2013: Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração Fl. 996DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 997 10 anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no anocalendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. (Grifei) Além disso, o fato de o Conselho de Administração deliberar em dezembro/2010 acerca do pagamento de juros sobre o capital, que poderia ter sido deliberado em exercícios passados, não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzi la na apuração do lucro real de exercício posterior. A imputação dessa despesa só poderia ser efetivada com retificação do balanço, e esta retificação só tem previsão nas hipóteses de ocorrência de erro, dolo ou simulação, o que não é o caso. Para se considerar a despesa como efetivamente incorrida, são necessários dois requisitos: i) a deliberação acerca do pagamento ou creditamento dos JCP e ii) a devida contabilização do pagamento da despesa ou da apropriação da obrigação em conta de passivo. Dessa forma, a deliberação em reunião do Conselho de Administração para creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores (1998 a 2009) não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. Não se discute que a deliberação, nos termos do art. 37 do Estatuto Social da autuada, é uma faculdade. O ponto é que essa faculdade precisa ser exercida no momento da apuração do lucro, por se estar tratando de uma despesa da pessoa jurídica. É uma faculdade do Conselho de Administração deliberar sobre pagamento de JCP em 2010, poderia não têlo feito. Mas ao decidir fazer uso desta faculdade, a deliberação só pode abranger o pagamento de JCP sobre o patrimônio líquido existente ao final do anocalendário de 2010, não podendo criar despesas para períodos de apuração já encerrados. De fato, a análise dos requisitos de dedutibilidade não pode ficar restrita à possibilidade de pagamento posterior dos juros do capital próprio, sob pena de se concluir, equivocadamente, que a legislação estipulou o regime de caixa para seu reconhecimento. Se a lei silencia, o regime a ser adotado é o de competência, estabelecido no art.177 da Lei nº 6.404/76 como regra geral, verbis: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis Fl. 997DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 998 11 uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. (Grifei) Ou seja, a Lei nº 6.404/76 adotou o regime de competência como regra geral, devendo o regime de caixa ser aplicado excepcionalmente, para isso, deve estar previsto expressamente em lei. Nesse mesmo sentido, a citada lei, em seu art.187, que trata da demonstração do Resultado do Exercício, vincula as despesas, custos e encargos às receitas correspondentes do mesmo exercício, verbis: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Temse ainda a Instrução Normativa SRF nº 11/96, que em seu artigo 29 disciplina a possibilidade de dedução de juros sobre capital próprio, e ratifica a interpretação da Lei nº 6.404/76, verbis: Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pró rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (Grifei) A contribuinte invoca o mesmo normativo (art.29 da IN SRF nº 11/96) para declarar que respeitou o regime de competência, na medida em que só se pode cogitar da existência da despesa relativa ao JCP no momento em que o pagamento se torna obrigatório para a pessoa jurídica, e que essa obrigatoriedade só surgiu após a deliberação do Conselho de Administração em dezembro de 2010. Conforme já mencionado, tal entendimento não tem cabimento, uma vez que a inobservância ao regime de competência decorre do fato de a contribuinte tentar apropriar despesas, em descompasso com as receitas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram. A matéria também se encontra regulamentada na IN SRF nº 41/98, nos seguintes termos: Fl. 998DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 999 12 Art. 1º Para efeito do disposto no art. 9º da Lei Nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. (Grifei) O normativo acima esclarece que é possível o pagamento posterior de juros sobre capital próprio, mas desde que a despesa tenha sido reconhecida e devidamente registrada no anocalendário correspondente ao que foi utilizado para cômputo do JCP, em contrapartida à conta do passivo, que represente a obrigação perante os sócios para pagamento futuro. No caso em tela, a contribuinte manteve uma planilha de JCP acumulados à margem da contabilidade da empresa. (...) Resta claro, assim, que a legislação adota como regra geral o regime de competência para o registro das mutações patrimoniais e das receitas e despesas. As exceções devem vir explícitas na lei. Contudo, a Lei nº 9.249/95 não tratou de excepcionar a regra geral, razão pela qual seria um contrassenso, calcular os JCP com base no patrimônio líquido de um determinado anocalendário, e apropriar essa despesa em um anocalendário distinto daquele que serviu como parâmetro para o cálculo dos JCP. Antes, é preciso compreender os juros sobre capital próprio como destinação do lucro formado a partir da aplicação do capital dos sócios, e uma destinação opcional, em substituição à distribuição de lucros, consoante expressa o art. 9º, §7º da Lei nº 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP seja "imputado ao valor dos dividendos" obrigatórios, "de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo" da retenção na fonte prevista no §2º daquele dispositivo. Ressaltese que o caput do art. 9º permite a dedução, para efeitos da apuração do lucro real, dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio. Por óbvio que o capital próprio a ser remunerado por juros ao final de cada ano é o capital dos sócios ou acionistas naquele anocalendário. Esse aspecto da legislação precisa ser observado, porque leva ao seguinte questionamento: ocorrendo a deliberação acerca do pagamento de JCP em 2010, referente a anoscalendários anteriores (1998 a 2009), os sócios/acionistas que receberam a remuneração dos juros foram individualizadamente aqueles constantes do quadro societário/acionistas de 1998 a 2009? Ou foram os sócios/acionistas existentes em 2010? Poderia a Conselho de Administração em 2010 rever as decisões tomadas pelos sócios/acionistas anteriores? Observese, portanto, que se a contribuinte delibera em 2010 o pagamento de JCP dos anoscalendários 1998 a 2009, os sócios a serem remunerados deveriam ser aqueles constantes do quadro societário nos respectivos anoscalendários sobre o qual se calcula os JCP, não os sócios existentes em 2010, sob pena de não se estar a remunerar o capital próprio, mas o capital de outrem. Certamente não é isso o que acontece. O Conselho de Administração não ia decidir, Fl. 999DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 1000 13 no presente, remunerar sócios/acionistas que não mais fazem parte da sociedade, quando poderia remunerar os sócios/acionistas atuais através de dividendos. Remunerar os sócios atuais com juros sobre um capital de anos calendários pretéritos, seria desvirtuar completamente o instituto do juros sobre capital próprio, pois estarseia a remunerar um capital que pertencia a outrem, logo, não haveria remuneração de capital próprio dos sócios. Por todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Ressalto que despesas incorridas são aquelas efetivamente pagas ou apropriadas contabilmente como obrigação em conta de passivo. Não tendo incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzilas na apuração do lucro real de exercício posterior. É dizer, não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Em relação ao decidido pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, também se manifestou com clareza o Acórdão nº 9101003.066: Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ trazido pela Contribuinte em contrarrazões [REsp nº 1.086.752PR (2008/01933882), 1ª Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 11/03/2009], observase que não se trata de decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 CPC). Não se aplica, portanto, o comando de vinculação de decisões veiculado no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Acrescentese que este REsp nº 1.086.752 do STJ é um precedente isolado, não havendo outros no mesmo sentido. Além do que, seu entendimento contraria frontalmente o art.177 da Lei nº 6.404/76, que estabelece a regra geral do regime de competência. Colacionase um excerto do RESP, que demonstra tal contradição: II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. (Grifei) Logo, data venia, resta equivocado o entendimento consignado neste RESP, e talvez por esta razão, não se encontrem outros julgados neste sentido. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 1001 14 Resta evidente, portanto, a impossibilidade de, no anocalendário de 2008, deduzirse de despesas relativas a pagamentos de JCP atinentes aos anoscalendário de 2005 a 2007. Cabe, assim, ser negado provimento ao recurso. II. Juros de Mora sobre Multa de Ofício. Sobre o assunto, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16682.721188/201364 Acórdão n.º 9101003.214 CSRFT1 Fl. 1002 15 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Portanto, cabe ser negado provimento ao recurso. III. Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1002DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.001325/2008-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 26/03/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 13 25 /2 00 8- 96 Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10675.001325/200896 Acórdão n.º 9202005.800 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910709/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 09/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 09 /2 01 1- 33 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910709/201133 Acórdão n.º 3402004.572 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.144, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910709/201133 Acórdão n.º 3402004.572 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910709/201133 Acórdão n.º 3402004.572 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910709/201133 Acórdão n.º 3402004.572 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900085/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ • Ano-calendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida
Numero da decisão: 1401-000.550
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/2006-65, Fl. 343 DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/2006-25 Acórdão n.º 1401-000.550 S1-C4T1 Fl. 2
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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NÃO VINCULAÇÃO. APRECIAÇÃO DA NORMA Apesar de a solução de consulta somente constituir norma aplicável ao consulente, temse que a mesma pode ser considerada como princípio informativo para aplicação do direito à parte não consulente. De toda forma, nada impede que o julgador, ao conhecer da matéria posta em julgamento, dê solução equivalente ao posicionamento reiteradamente aceito no âmbito de soluções de consulta respondidas pela RFB. TRANSPORTE. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. ATIVIDADE ACESSÓRIA. A atividade de carga e descarga de mercadorias como acessória de um serviço de transporte de mercadorias, sujeitase a mesma tributação aplicada ao serviço de transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem um contrato de transporte. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. Julgamento conjunto dos processos nº 10510.900063/200665, Fl. 343DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 2 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, nos termos do disposto no § 7º do art. 58 do RICARF. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Ausente momentaneamente o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Relatório A Recorrente é uma empresa privada cujo objeto social consiste na prestação de “serviço de LOCAÇÃO DE GUINDASTES LEVES E PESADOS”, conforme se extrai de seu contrato social em vigor. Nos anoscalendário 2000 e 2001, a Recorrente apurou o imposto de renda pela sistemática de lucro presumido, tendo aplicado o percentual de 32% sobre a totalidade de sua receita bruta para fixação do lucro tributável. Ainda, a Recorrente aderiu a um parcelamento, objetivando pagar débitos de imposto de renda relativos a referidos anoscalendário, consolidado no processo nº 10510.003859/200163, em que indicou, como imposto de renda em débito, aquele apurado pela composição do percentual de 32% sobre o total da sua receita bruta. Referido parcelamento foi encerrado em 31 de julho de 2003 com o pagamento da última parcela. No entanto, o contribuinte, acreditando ter recolhido imposto de renda a maior durante referidos anoscalendário e no respectivo parcelamento, promoveu a retificação de suas DIPJ’s 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, assim como as respectivas DCTF’s, para fazer constar parte de suas receitas como sujeitas ao percentual de 8% para definição do lucro tributável, e não de 32% como havia sido originalmente declarado. Assim, após as retificações, a Recorrente apurou um crédito de imposto de renda decorrente de pagamento indevido. Segundo a Recorrente, o erro incorrido nas declarações originais referese ao percentual de lucro presumido incidente sobre parte dos serviços prestados. Isso porque, segundo defende, quando o serviço de guindastes estiver atrelado a um serviço de transporte, deve a respectiva receita estar sujeita ao percentual de 8% para definição do lucro tributável. Desta feita, a Recorrente promoveu a segregação dos valores oferecidos à tributação, para sujeitar aqueles decorrentes de serviços de transporte ao percentual reduzido, mantendo os demais serviços no percentual de 32% para determinação da base de incidência do imposto. Fl. 344DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 3 Identificado o recolhimento indevido e a maior, a Recorrente apresentou as DCOMP’s consolidadas nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/200647, 10510.900082/2006 91, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/200627, 10510.900093/2006 71 e 10510.900094/200616. Como crédito, em todas elas foi apontado a diferença pela revisão do percentual do lucro presumido de 32% para 8% em parte das receitas oferecidas à tributação pelo imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 e no já citado parcelamento. O primeiro processo posto em julgamento foi o de nº 10510.900081/200647. Neste feito, após analise das notas fiscais emitidas pelas Recorrente nos anoscalendário 2000 e 2001, a Autoridade Fiscal, assim como a DRJ que analisou a manifestação de inconformidade, entendeu por afastar as declarações retificadoras, ao argumento de que as notas fiscais apresentadas pela Recorrente como respaldo à aplicação do percentual de 8% para o lucro presumido não seriam de transporte, pelo que não teria ocorrido o suposto pagamento indevido viabilizador do crédito objeto de restituição. A decisão restou assim ementada: Acórdão _ 1519.4682ªTurma da DRJ/SDR Sessão de 29 de maio de 2009 Processo 10510.900081/200647 Interessado ETINHO GUINDASTES LTDA CNPJ/CPF 01.323.131/000172 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Anocalendário: 2002 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUINDASTES, GUINCHOS E ASSEMELHADOS. EQUIPARAÇÃO A TRANSPORTE DE CARGAS. EXIGÊNCIA DE CONTRATO DE TRANSPORTE. A prestação de serviços de guindaste somente se equipara ao serviço de transporte de cargas, para efeito de determinação de base de cálculo do imposto de renda, quando for parte integrante de um contrato de transporte, com remuneração exclusivamente do serviço contratado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de direito creditório, incabível a homologação da declaração de compensação. Solicitação Indeferida Por conseqüência, todas as demais DCOMP’s que apontaram o mesmo direito de crédito, após análise da manifestação de inconformidade, tiveram sua solicitação indeferida sob o mesmo fundamento. Inconformada, a Recorrente aviou recurso voluntário em referidos processos, objetivando revisão do julgamento, sob os seguintes argumentos: Fl. 345DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 4 1) Nos processo nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, que a decisão do processo nº 10510.900081/200647 não pode servir de fundamento para o indeferimento dos respectivos pedidos de compensação, para os quais sequer foi solicitada a apresentação da documentação da Recorrente; 2) Em todos os processos, no mérito, que a Recorrente exerce duas atividades, quais sejam, (i) locação de guindastes e (ii) serviço de guidastes com transporte de cargas, devendo este sujeitarse à tributação à base de 8%, e não de 32%, pelo que os valores recolhidos a maior caracterizamse como pagamento indevido. Dada a identidade material dos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, 10510.900081/2006 47, 10510.900082/200691, 10510.900085/200625, 10510.900086/200670, 10510.900087/200614, 10510.900088/200669, 10510.900090/200638, 10510.900092/2006 27, 10510.900093/200671 e 10510.900094/200616, promovo, com base no disposto no § 7º do art. 58 do RICARF, o julgamento conjunto dos processos. É este, em suma, o relatório Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator Os recursos são tempestivos e, atendidos os demais requisitos legais, deles conheço. PRELIMINAR. NULIDADE DOS JULGAMENTOS. Nos processos nº 10510.900063/200665, 10510.900070/200667, 10510.900074/200645, 10510.900075/200690, a Recorrente argüiu a nulidade dos julgamentos posto que a decisão que indeferiu o direito de crédito tomou como base o julgamento realizado no processo nº 10510.900081/200647. Sem razão a Recorrente. Os processo ora em julgamento, em especial os supra indigitados, referemse a pedidos de compensação em que se aponta como objeto de restituição o mesmo direito creditório, qual seja, o recolhimento indevido a maior de imposto de renda apurado pela sistemática de lucro presumido nos anoscalendário 2000 e 2001, cujos pagamentos foram consolidados por meio do parcelamento decorrente do processo nº 10510.003859/200163. Desta feita, a solução dada em um dos processos deverá ser a mesma para todos os demais. Isso porque, caso seja reconhecido, total ou parcialmente, o direito creditório Fl. 346DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 5 postulado pela Recorrente, a homologação das respectivas DCOMP’s deverá ser promovida no limite do direito de crédito reconhecido. Não existem outras questões em litígio que não sejam relacionadas ao reconhecimento do direito creditório, que é comum a todos os processos. Desta feita, não reconhecido o direito creditório em um processo, a mesma solução deve ser dada a todos os demais. No caso em apreço, a inexistência do direito creditório decorrente de suposto recolhimento indevido a maior do imposto de renda nos anoscalendário 2000 e 2001 foi reconhecida no processo nº 10510.900081/200647, devendo a mesma solução alcançar os demais processos em que se pleiteia a restituição do mesmo direito creditório. Pelo exposto, afasto a preliminar invocada. MÉRITO. DEFINIÇÃO DO DIREITO APLICÁVEL. No mérito, aduz a Recorrente que parte de seu faturamento não se refere à prestação de serviços de guindastes, mas sim a serviços de transporte que envolvem a utilização de caminhões munck, responsáveis por içar as mercadorias que serão transportadas nos respectivos caminhões, pelo que a receita decorrente deste serviço de transporte estaria sujeita ao percentual de 8% para fins de identificação do lucro tributável no sistema de apuração pelo lucro presumido. Segundo seu alega: A base legal, desse entendimento encontrase respaldada na Lei n° 8.981/95, art. 44, Lei n° 9.249/95, arts. 15 e 29, Lei n° 9430/96, arts. l, 25 e 26, Processo de Consulta n° 007/99. 4ª Região Fiscal e Decisão n° 99/98 da 8ª Região Fiscal. Albergadas na jurisprudência da Receita Federal, transmitida mediante a Decisão—N° 99/98, da oitava Região Fiscal, as pessoas jurídicas prestadoras de serviço com guindaste, acompanharam corretamente esse entendimento, e assim, passaram a tributar as receitas relativas a referida atividade com o percentual de 8% (oito por cento) e 32% a atividade e locação de guindaste. Foi o que fez o recorrente. O que torna ineficaz a Decisão da Delegacia de Julgamento de Salvador (Ba)., aqui combatida. Da legislação invocada pela Recorrente, inferese que as empresas prestadoras de serviço em geral submetemse ao percentual de lucro presumido de 32%, sendo que as empresas de transportes de carga sujeitamse ao percentual de lucro presumido de 8%. Já das soluções de consulta tomadas como fundamento para as retificações realizadas pela Recorrente, extraise o seguinte: LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS E GUINDASTES Fl. 347DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 6 O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8% (oito por cento),para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido.Dispositivos Legais: Lei n° 8.981/95, art. 44; n° 9.249/95, arts. 15 e 29 e n° 9.430/96, arts. 1º, 25 e 26. Processo de Consulta n° 007/99. Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 4a. Região Fiscal. Publicação no DOU: 01.07.1999. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECISÃO Nº 99 de 25 de Maio de 1998 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, relativa a prestação de serviço de guindaste, é de 8%, para fins de determinar a base de cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido. Para serviços de locação de guindaste este percentual será de 32%. A decisão recorrida afastou a aplicação de referidas soluções de consulta, ao entendimento de que a Recorrente não foi a consulente nessa consulta, pelo que a decisão ali prolatada à ela não se aplicam. Da análise do bojo normativo em análise, identifico que, de fato, a Recorrente não foi parte das soluções de consulta por ela invocadas, pelo que, apesar de as soluções de referidas consultas poderem ser invocadas como princípio informativo para interpretação das normas aplicáveis ao caso, as mesmas não possuem efeito vinculante para fins de se encontrar o direito aplicável à espécie. Nesse contexto, as soluções de consulta invocadas não formam direito subjetivo à parte que não participou do respectivo processo, podendo o referido entendimento ser, ou não aplicado, conforme a análise o caso concreto. Restanos, então, definir o direito aplicável à espécie. Segundo se extrai do disposto no art. 15, inciso, II, alínea ‘a’ a lei nº 9.249/95, o serviço de transporte de carga está sujeito ao percentual de lucro presumido de 8% (oito por cento) sobre a receita auferida. Já os demais serviços em geral, dentre os quais se enquadram os serviços de guindastes, içamento, e recolocação mecânica de produtos e mercadorias, sujeitamse ao percentual de 32% aplicável sobre a receita decorrente da prestação de serviço. A dúvida surge quando, para que o serviço de transporte seja realizado, seja necessário o içamento da mercadoria por meio de guindastes. Com mais precisão ainda surge a dúvida quando referida composição de serviços “içamento+transporte” é feito por meio de caminhão conhecido como munck. Isso porque o munck é um caminhão que tem, atrelado à sua carroceria, um guindaste que possibilita o levantamento de produtos. Vejamos. Fl. 348DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 7 De início, registro que a identificação da norma aplicável para caracterizar a hipótese de aplicação do percentual de 8% não é o instrumento utilizado para a prestação, mas sim a natureza do próprio serviço. De fato, conforme alega a Recorrente, o caminhão munck é um “caminhão com guincho ou guindaste acoplado, para o carregamento, transporte e descarregamento de cargas em geral”. No entanto, não é todo serviço executado com um caminhão munck que estará sujeito à aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Isso porque o caminhão munck pode ser utilizado para içar a mercadoria e colocála a bordo do caminhão, para o respectivo transporte e posterior desembarque, como também pode ser utilizado apenas para que o serviço de guindastes seja realizado em local facilmente acessível por meio do caminhão. Assim, se o guincho ou guindaste do caminhão munck é utilizado como serviço acessório ao de transporte, aplicase à respectiva receita o percentual de 8% para identificação do lucro presumido. No entanto, se o guincho ou guindaste do caminhão munck for utilizado para movimentação de mercadorias, e não para o seu transporte, aplicase o percentual de 32% para a definição do lucro tributável. Essa mesma lógica deve ser aplicada aos serviços de içamento, guinchamento ou correlatos: se a atividade é acessória e diretamente relacionada ao serviço de transporte contratado, o total da receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido. Se, por sua vez, o serviço de içamento, guinchamento ou correlato tiver sido contratado separadamente, ou não estiver diretamente atrelado ao serviço de transporte de mercadorias, deverá ser aplicado o percentual de 32%. Neste sentido, existem inúmeras soluções de consulta da RFB, valendo ressaltar o seguinte entendimento: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 306 de 26 de Novembro de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. A atividade de carga e descarga de mercadorias no pátio do estabelecimento não é propriamente caracterizada como transporte de mercadorias, mas atividade que normalmente acompanha o transporte. Para a apuração da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, somente será aplicável o percentual de 8% quando a prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, integrarem obrigatoriamente um contrato de transporte, e a receita for auferida exclusivamente em função do serviço de transporte contratado. Por outro lado, será aplicável o percentual de 32%, quando a receita decorrer da prestação de serviços de guindastes, esteiras, guinchos, empilhadeiras e assemelhados, que não integrem um contrato de transporte. Pelo exposto, entendo que somente quando o serviço de guindastes, içamentos e correlatos forem arte de um contrato de serviço de transporte é que a sua receita estará sujeita ao percentual reduzido do lucro presumido, para fins de incidência do imposto de renda. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 8 MÉRITO. SUBSUNÇÃO DA NORMA AO FATO. Diante do exposto acima, temse que os serviços de transporte estarão sujeitos ao percentual de 8% incidente sobre a receita bruta auferida, sendo que todos os demais sujeitamse ao percentual de 32%. Da análise da documentação acostada pela Recorrente, identifico que a maioria dos serviços descritos nas notas fiscais estão sujeitos ao percentual de 32%, por se referirem a serviços de munck, em que não está especificada a existência de transporte de mercadorias, locação demunck, locação de guindastes e serviços de içamento não diretamente relacionados a serviços de transporte. No entanto, nas seguintes notas fiscais, estão especificados serviços de transporte, a saber: Fls. Nota fiscal nº Serviço Valor (R$) 55 1132 Serviço de munck para transporte de 01 arco cirúrgico do Hospital João Alves Filho para o Hospital Ciurgica 150,00 59 1090 Serviço de carreta de feiradesom para Aracajú 2.000,00 62 1122 Serviço de carreta para transporte de peças e de um chaminé 900,00 74 1087 Serviço de munck para transporte de caixas de Aracajú para 600,00 76 1083 Serviço de munck – 120 km rodados 520,00 89 1449 Serviço de munck para transporte de materiais 9.920,00 93 1461 Serviço de munck para transporte 150,00 123 1386 Serviço de munck – 140 km rodados 290,00 129 1374 Serviço munck para transporte de uma máquina de coco 210,00 167 1170 Serviço de munck para levar uma estátua na cidade de Tobias Barreto – SE 310,00 177 1140 Serviço de munck para transportar um misturador de Pedra Branca – SE para Renascença – SE e viceversa 1000,00 178 1137 Serviço de munck – 138 km rodados 288,00 Fl. 350DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR Processo nº 10510.900085/200625 Acórdão n.º 1401000.550 S1C4T1 Fl. 9 179 1182 Serviço de munck para transportar um arco cirúrgico de um hospital a outro 150,00 Os serviços descritos nas notas fiscais supra elencadas tratam nitidamente de serviços de transporte, estando os mesmos sujeitos ao percentual de 8% para fins de apuração do lucro presumido. Quanto aos serviços descritos nas demais notas fiscais juntadas aos autos, entendo não estar configurado o serviço de transporte, pelo que a eles se aplica o percentual de 32%. Diante do exposto, tendo o recolhimento do imposto de renda sido promovido totalmente com base no lucro presumido apurado pelo percentual de 32%, entendo que parte dos valores recolhidos pela Recorrente tratase de pagamento indevido a maior, passível de restituição. Deve, assim, a autoridade preparadora, considerandose os períodos trimestrais de formação do lucro presumido, acatar as retificações promovidas nas DCOMP’s e DIPJ’s com relação às receitas acima discriminadas, calculandose o lucro presumido sobre referidas bases no percentual de 8%. Feita essa composição, e apurado o pagamento a maior, devem ser homologadas as DCOMP’s no limite do direito creditório ora reconhecido, levandose em consideração, por período, o crédito apontado em cada uma das DCOMP’s. Voto, assim, pelo provimento parcial dos recursos para homologar as DCOMP’s até o limite do direito creditório reconhecido quanto às receitas dos serviços de transporte comprovados, cujos recolhimentos pelo lucro presumido superaram a alíquota de oito por cento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 351DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/08/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720101/2014-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. DECLARAÇÃO DE REVELIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Voluntário de contribuinte declarado revel por não apresentação de impugnação ao lançamento. Art. 21 do Decreto nº 70.235.
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS.
Não ocorre nulidade quando o Auto de Infração descreve adequadamente os fatos e os dispositivos legais que suportam a autuação.
SUBVENÇÃO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.
Não se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS o crédito de ICMS recebido como subvenção.
VALIDADE DA TAXA SELIC.
É válida a utilização da Taxa SELIC. Súmula CARF.
RESPONSABILIDADE DE SÓCIO ADMINISTRADOR.
A Responsabilidade do sócio administrador por atos com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social se verifica apenas quando esta se dá no momento da ocorrência do fato gerados do tributo, o que não se verificou na hipótese dos autos.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Verificada a sucessão das empresas por aquisição do fundo de comércio e continuidade das atividades, atrai-se a sucessão. A sucessão será solidária quando a empresa sucedida não permanece exercendo atividade econômica.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. DECLARAÇÃO DE REVELIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Voluntário de contribuinte declarado revel por não apresentação de impugnação ao lançamento. Art. 21 do Decreto nº 70.235.
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS.
Não ocorre nulidade quando o Auto de Infração descreve adequadamente os fatos e os dispositivos legais que suportam a autuação.
SUBVENÇÃO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.
Não se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS o crédito de ICMS recebido como subvenção.
VALIDADE DA TAXA SELIC.
É válida a utilização da Taxa SELIC. Súmula CARF.
RESPONSABILIDADE DE SÓCIO ADMINISTRADOR.
A Responsabilidade do sócio administrador por atos com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social se verifica apenas quando esta se dá no momento da ocorrência do fato gerados do tributo, o que não se verificou na hipótese dos autos.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Verificada a sucessão das empresas por aquisição do fundo de comércio e continuidade das atividades, atrai-se a sucessão. A sucessão será solidária quando a empresa sucedida não permanece exercendo atividade econômica.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento para excluir o crédito presumido referente ao ICMS da base de cálculo das contribuições. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira.
Por maioria de votos deu-se provimento para excluír a responsabilidade solidária de Ivana Carnelos Birtche e Wesley Mendonça Batista. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
Por voto de qualidade negou-se provimento quanto a decadência e juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Designado para o voto vencedor quanto a decadência e juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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DECLARAÇÃO DE REVELIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário de contribuinte declarado revel por não apresentação de impugnação ao lançamento. Art. 21 do Decreto nº 70.235. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não ocorre nulidade quando o Auto de Infração descreve adequadamente os fatos e os dispositivos legais que suportam a autuação. SUBVENÇÃO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Não se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS o crédito de ICMS recebido como subvenção. VALIDADE DA TAXA SELIC. É válida a utilização da Taxa SELIC. Súmula CARF. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO ADMINISTRADOR. A Responsabilidade do sócio administrador por atos com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social se verifica apenas quando esta se dá no momento da ocorrência do fato gerados do tributo, o que não se verificou na hipótese dos autos. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 01 01 /2 01 4- 87 Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.880 2 Verificada a sucessão das empresas por aquisição do fundo de comércio e continuidade das atividades, atraise a sucessão. A sucessão será solidária quando a empresa sucedida não permanece exercendo atividade econômica. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. DECLARAÇÃO DE REVELIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário de contribuinte declarado revel por não apresentação de impugnação ao lançamento. Art. 21 do Decreto nº 70.235. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não ocorre nulidade quando o Auto de Infração descreve adequadamente os fatos e os dispositivos legais que suportam a autuação. SUBVENÇÃO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Não se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS o crédito de ICMS recebido como subvenção. VALIDADE DA TAXA SELIC. É válida a utilização da Taxa SELIC. Súmula CARF. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO ADMINISTRADOR. A Responsabilidade do sócio administrador por atos com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social se verifica apenas quando esta se dá no momento da ocorrência do fato gerados do tributo, o que não se verificou na hipótese dos autos. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Verificada a sucessão das empresas por aquisição do fundo de comércio e continuidade das atividades, atraise a sucessão. A sucessão será solidária quando a empresa sucedida não permanece exercendo atividade econômica. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.881 3 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o qual inexistiu o pagamento antecipado é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inteligência do REsp nº 973.733/SC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária. Assim, quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não sendo pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculados na forma da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento para excluir o crédito presumido referente ao ICMS da base de cálculo das contribuições. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Por maioria de votos deuse provimento para excluír a responsabilidade solidária de Ivana Carnelos Birtche e Wesley Mendonça Batista. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. Por voto de qualidade negouse provimento quanto a decadência e juros sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Designado para o voto vencedor quanto a decadência e juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.882 4 Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Os interessados acima identificados recorrem a este Conselho em face do Acórdão nº 0130.969, de 23 de dezembro de 2014, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) (fls. 2216/2256) O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Autos de Infração com exigência tributária da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor R$ 16.434.491,64, incluindo principal, multa e juros de mora, e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep no valor de R$ 3.568.014,62, incluindo o principal, multa e juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 20.002.506,26, conforme demonstrativo de fl. 2, lavrados em decorrência de insuficiência de recolhimento das contribuições. Consta do Relatório Fiscal que a empresa GUAPORÉ CARNE S/A não incluiu na base de cálculo do PIS e nem da Cofins os ganhos com incentivos fiscais do ICMS concedido pelo Governo do Estado de Rondônia no valor de R$ 11.224.633,77, e calculou créditos das Contribuições, relativas às aquisições de insumos (gados) de pessoas físicas com alíquota cheia, não respeitando o limite de crédito presumido de 60%. Foi constatado que durante o período em que se deu a infração o estabelecimento pertencia à empresa GUAPORÉ CARNE S/A, sendo que o mesmo foi posteriormente alienado à empresa JBS S/A (CNPJ nº 02.916.265/000160). Reflexo das apurações fiscais e dos lançamentos na contribuinte, foram imputados como responsáveis tributáveis: JBS S/A (CNPJ nº 02.916.265/000160), com fundamento nos arts. 133, inciso I, combinado com os arts. 124 e 129 do CTN; Diosmirso Ferreira (CPF nº 327.635.73991) e Ivana Carnelos Birtche (CPF nº 513.851.71120) sócios da empresa Guaporé Carnes Ltda, com fundamento no art. 135, incisos II e III, do CTN; e Wesley Mendonça Batista (CPF nº 364.873.92120) presidente da JBS, com fundamento no art. 135, incisos II e III, do CTN. Consta do Termo Fiscal de Caracterização de Sucessão (fls. 46/60), que a fiscalização efetuou diligência no local onde deveria estar instalada a firma Guaporé Carnes Ltda, conforme cadastro da RFB (Município de ColiderMT, Av. Ulisses Guimarães, 889, Pólo Industrial III), mas foi encontrada e em pleno funcionamento utilizando todas as instalações da firma Guaporé, a firma JBS S/A. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.883 5 No local, conforme Termo de Constatação, encontravase o Sr. Klebston Ferreira Barros, que se identificou, como Coordenador de RH da JBS, o qual esclareceu, dentre outros: a) que o Gerente Administrativo estava viajando, b) a JBS arrendou todos os estabelecimentos da Guaporé Carnes c) a JBS entrou em atividade em 01/03/2012, d) que a arrendatária além de alugar todos os imóveis e instalações, assumiu todos os empregados da arrendante, fazendo as devidas anotação nas respectivas Carteira de Trabalhos e Previdência Social dos empregados e, apresentou uma cópia do Contrato de Locação, firmado entre a JBS e a FR Participações Ltda, CNPJ n°. 13.608.635/000118, esclarecendo, ainda que o Contrato de Arrendamento firmado com a Guaporé Carnes S/A, encontrase em poder da Matriz. A fiscalização, solicitou extensão de Mandado de Procedimentos Fiscais, para fins de diligência, em relação às firmas FR Participações e JBS S/A e, inda, solicitou ao Serviço de Programação da Delegacia da Receita Federal em CuiabáMT levantamento, em relação às alterações de cadastros, imóveis e movimentações de empregados, em especial esta através da DIRF e aquela pela GFIP, além de outras base de informações da SRFB. O Serviço de Programação da Delegacia da Receita Federal em CuiabáMT, após seus levantamentos apresentou Relatório de Cruzamentos de Informações, dando ênfase ao ano de 2012, em que foram noticiados a transferência dos parques industriais: No cruzamento foram constatados, em síntese: 1 que a firma JBS constituiu cinco filiais, na data de 17/02/2012, todos nos mesmos endereços dos estabelecimentos da Guaporé Carnes Ltda, anexando a relação comparativa. 2 que os estabelecimentos da Guaporé Carnes apresentaram GFIP com os trabalhadores até fevereiro de 2012 e, as filiais da JBS S/A, das localidades em que ocorreram as transações de transferências apresentaram as GFIP dos mesmos empregados, a partir de março/2012, o que caracteriza ter assumido os empregados a partir da sucessão e, ainda, confirma as informações prestadas pelo Sr. Klebston Ferreira Barros. 3 que dos 2.017 trabalhadores ativos da Guaporé Carnes, na data da transação, 1.998 trabalhadores foram transferidos para firma JBS e passaram a constar da GFIP desta, a partir de março de 2012. 4 que também foi comparada a relação dos beneficiários pessoas físicas do código 0561 rendimento de trabalho assalariado da DIRF de 2012 das duas empresas, quando se verificou que dos 2.228 trabalhadores, pessoas física, constantes da DIRF da Guaporé, 2014 trabalhadores também estão relacionadas na DIRF da JBS. Os Fatos identificados, nos item 2, 3 e 4 confirmam as informações do Sr. Klebston Ferreira Barros, Coordenador de RH. 5 que através da DOI, foram registrados as seguintes transações: a) em 30/03/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou um imóvel localizado em ConfresaMT para a FR Participações Ltda e o mesmo imóvel foi alienado para a JBS em 11/04/2012 pelo mesmo valor de compra, b) em 20/07/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou um imóvel localizado em JuínaMT para a FR Participações Ltda e o mesmo imóvel foi alienado para a JBS no mesmo dia e pelo mesmo valor de compra, c) em 11/04/2012, a Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.884 6 empresa CICC Participações S/A alienou dois imóveis localizado em Porto Velho RO para a JBS, d) em 29/05/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou um imóvel localizado em São Miguel do guaporéRO para a FR Participações Ltda e o mesmo imóvel foi alienado no mesmo dia para a JBS pelo mesmo valor de compra, e) que existem duas DOI informando que os imóveis localizados, no Município de São Miguel do Guaporé, já descrito, foram adquiridos pela empresa Guaporé Carnes, em 28/03/2008, f) que a empresa CICC Participações S/A , CNPJ n°. 10.524.693/000175 tinha como razão social anterior Nova Guaporé Participações S/A, é uma holding com endereço em Colider e tem como dirigentes as mesmas pessoas constantes do cadastro da Guaporé Carnes Ltda, ou seja , os membros da família Birtche, g) conclui a programação que a firma FR Participações Ltda foi colocada no negócio apenas com a tentativa de camuflar a transação, o negócio foi efetivamente realizado entre a Guaporé Carnes Ltda e a JBS S/A. Foi intimada a firma FR Participações Ltda, para esclarecer a transação e a locação dos parques industriais a empresa JBS e comprovar a propriedade dos imóveis alocados. Esta apresentou balanço patrimonial, balancetes de verificações mensais, relativos aos anos calendários 2011 e 2012, contrato de locação de imóvel e instalações industriais, contratos de compromisso de venda e compra de unidades industriais firmado com a JBS S/A e Escritura de Venda e Compra de Imóvel. Analisando os documentos apresentados individualmente, em especial, aos contratos, escrituras e demonstrativos financeiros, a fiscalização fez a seguinte síntese: 1 Contrato Particular de Compromisso de Venda e Compra de unidade Industrial Frigorífica e Outras Avenças, ambos datados 11/04/2012. Um referente a Unidade Frigorífica de ConfresaMT e Outro relativo a Unidade Frigorífica de São Miguel do GuaporéRO. a) Quanto a Unidade de Confresa, extraise do contrato como vendedora da unidade a FR Participações Ltda e compradora a JBS S/A., por outro lado, a ora vendedora afirma ser a legitima proprietária do imóveis e instalações, tendo adquirido em 03/02/2012, através de contrato de compromisso firmado com a Industria Frigorífica Confresa Importações e Exportações, CNPJ n°. 08.779.949/000143. Preço ajustado foi de R$ 44.000.000,00, parcelados em quatro parcelas iguais. b) Quanto a Unidade de São Miguel do Guaporé, extraise do contrato como vendedora da unidade a FR Participações Ltda e compradora a JBS S/A., por outro lado, a ora vendedora afirma ser a legitima proprietária do imóveis e instalações, tendo adquirido em 03/02/2012, através de contrato de compromisso firmado com a Guaporé Carnes S/A. Preço ajustado foi de R$ 48.000.000,00, deste deverá ser deduzidos os aluguéis pagos e a diferença se houver, pagamento em 60 dias. 2 Escritura de Venda e Compra de Bens Imóveis e Instalações Industriais: a) Transcrito pelo Cartório Pirapora Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas de Pirapora do Bom Jesus, Comarca de BarueriSP. Neles foram lavradas as escrituras dos seguintes imóveis: a) Área de Terra Rural, medindo 29,7375 ha, localizado no município de ConfresaMT e instalações frigoríficas, ao preço de R$ 44.000.000,00, b) Área de Terra Rural, medindo 21,4678 ha, localizado no município de São Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.885 7 Miguel do Guaporé RO e instalações frigorífica, ao preço de R$ 48.000.000,00. d) Área de Terra Rural, medindo 19,4041 ha, localizado no município de JuinaMT e instalações frigorífica, ao preço de R$ 75.000.000,00, sendo esta retificada em 20/07/2012. Registrase que a escrituras dos imóveis correspondem às informações das DOIs listadas pelo Serviço de Programação da DRFCuiabá. b) Transcrito pelo 1º. Serviço Registrai Estado de Mato Grosso Comarca de Porto Alegue do Norte. Nele foi lavrada a escritura do imóvel, composto de Área de Terra Rural, medindo 29,7375 ha, localizado no município de ConfresaMT, que segundo, Certidão de inteiro Teor, pertencia à firma Industria Frigorífica Confresa Importação e Exportação Ltda, até o dia 13/03/2012, data em que foi vendido para a Nova Guaporé Participações S/A, CNPJ n°. 10.524.693/000175, por R$ 500.000,00 e esta vendeu para FR Participações Ltda, em 30/03/2012 por R$ 44.000.000,00 (diferença gritante entre os valores de compra e venda), por fim o imóvel foi vendido para a JBS pelo mesmo valor de R$ 44.000.000,00. Registrase que neste caso, o imóvel e suas instalações, embora tenham sido locados para JBS pela FR Participações Ltda, ele sequer pertencia ao locador, na data da assinatura do contrato de locação, que ocorreu em 10/02/2012 e sua suposta compra ocorreu um mês após a assinatura do contrato de locação. Na data da locação o imóvel pertencia a Nova Guaporé Participações S/A. A fiscalização verificou os Balanços Patrimoniais e Balancetes do Razão, anos calendários 2011 e 2012 elaborados para atender a intimação fiscal, e destacou “o que mais chama atenção é a insuficiência de lastros patrimoniais, seja financeiros, seja faturamento e seja imobilizações.” Consignou a fiscalização: Podem ser sintetizadas nas transações firmadas entre a firma Guaporé Carnes, FR Participações e a JBS, dentre outros devidamente relatados e comprovados, em termos cronológicos e fatos relevantes: a) que a FR Participações adquiriu as Unidades Industriais em 03/02/2012 da Guaporé Carnes e as alocou para JBS em 10/02/2012, por R$2.000.000,00 mensal e vendeuas em 11/04/2012 pelo mesmo valor por que foi adquirido: b) o imóvel, composto de Área de Terra Rural, medindo 29,7375 ha, localizado no município de ConfresaMT, na data da assinatura do contrato de locação não pertencia a FR Participações, mas sim, a Nova Guaporé Participações S/A. Como a Nova Guaporé Participações S/A, por transformação resultou na CICC Participações S/A e esta pertence a mesmos sócios da Guaporé Carnes S/A. Ainda, como já relatado, a Industria Frigorífica Confresa, Importação e Exportações Ltda, tem como sócios, a Sra Ivana Camelos Birtche e a sua Filha Carolina Camelos Birtche, elas são os mesmos sócios da firma Guaporé Carnes S/A. Asseverou a Fiscalização “Não paira dúvida de que todos os imóveis e instalações objetos dos contratos de locação, são de fato e de direito de propriedade da firma Guaporé Carnes S/A e, todos por conveniência das partes foram alocados e posteriormente alienados, por intermédio da FR Participações, para a JBS, para atender aos interesses da Guaporé Carne S/A e JBS S/A.” A fiscalização realizou circularização de informações, intimando os Cartórios de Registros de Imóveis, localizados em todas as circunscrições de localizações dos Imóveis supostamente locados, posteriormente vendidos, pelos mesmos valores de compras, buscando saber perante aos registrais, as existências de imóveis, Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.886 8 escriturados e registrados, em nome das empresas Guaporé Carnes, FR Participações e seus sócios, e sintetizou os resultados, a seguir: 1 Cartório, 2º. Tabelionato de Notas e Registros Civil de Confresa, informa que nada foi encontrado. 2 Cartório Oficio de Registro Civil das pessoas Naturais, Tabelionato de Notas e Anexos, São Miguel do Guaporé, foi informado apenas, dois Imóveis em nome da Guaporé Carnes, o primeiro matricula 186, área de 7,4999 ha, averbação de alteração contratual efetuada em 14/10/2010, sendo também averbada a estrutura da industria frigorífica na mesma data, esta com área construída de 18.667,34 m2. O segundo imóvel matricula n°. 176, com 21,4678 ha, havido por doação da Prefeitura Municipal de São Miguel do Guaporé, em favor da Industria Frigorífica São Miguel do Guaporé Importação e Exportação Ltda. 3 Cartório, 2º. Serviço Notarial e Registrais de Juina, foi localizado apenas dois Imóveis, um Escriturado no Livro 34R, às folhas. 126 e V, com 19, 4041 ha, havido em 23/12/2009, em nome de Juina Frigorífico Ltda, representada pela sócia Ivana Camelos Birtche, nele estão averbadas as instalações do Frigorífico. Outros imóveis, Escritura Livro 35R, às folhas 117 e V, com, com área de 12,1264 ha, resultante da unificação de 04 Lotes, os de n°. 231, 232,233 e 2334, localizados no Núcleo Pioneiro Projeto Juina. 5 Cartório, 2º. Serviço de Registro de Imóveis e Títulos e Documentos de Juina, informa que não foram localizados nenhum imóveis escriturados ou registrados, em nome dos signatários. 6 Cartório do 1º. Oficio de Colider, foram localizados 04 Imóveis urbanos, em nome de Ivana Camelos Birtche e seis em nome de Deosmirso Ferreira, a primeira é sócia da Guaporé Carnes S/A e o segundo sócio da FR participações Ltda. As matriculas dos imóveis em nome de Ivana, são M341, M 1052, M17.301, todos foram unificados na Matricula n°. 10.698, originando a matricula n°. 21.828 e os imóveis em nome de Deosmirso são M6.535, M6.975, M 9.046,M9.047, M10.169 e M10.442, localizados no Município de Nova Canaã doNorte, sendo acostadas as respectivas escrituras de ambos. 7 Cartório do 2º Oficio de Colider, foram localizados imóveis apenas em nome de Ivana Camelos Birtche , somando dois urbanos, imóveis, lotes 15 e 16 da quadra 16, Gleba Cafezal. Perfazendo os dois imóveis, uma área de 983,95 m2. Diz a fiscalização, em consultando, a JUCEMAT Sistema Consulta SIARCO, constatase dois fatos importante, conforme documentos acostados, o primeiro, a Ata de Assembléia extraordinária realizada, em 15/03/2012, cadastrada na JUCEMAT em 23/03/212, na qual esta consignada de forma clara a aprovação da dissolução da Sociedade, a indicação de liquidante, a transferência e o encerramento das atividade. O segundo, a Ata da Assembléia Extraordinária, realizada em 21/05/2013, onde se encontra registrada a autorização para venda de ativos, instalações, bem como a transferência de colaboradores, obviamente, esses colaboradores, são os funcionários transferidos para a JBS na data da negociação, sua indicação na Ata foi apenas próforma. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.887 9 Acrescenta a fiscalização, registrase ainda, que a assembléia de extinção da firma, ocorreu apenas 15 dias após a JBS S/A ter assumido as operações de todos os estabelecimento da firma Guaporé Carnes S/A, que ocorreu na data de 01/03/2012. Destaca a fiscalização, por fim, não menos relevante para caracterizar, que houve as efetivas operações de compra e venda dos estabelecimentos em comento, atendendo intimação, a fiscalizada, ou seja, a Guaporé Carnes Ltda, apresentou, Diário Oficial do Estado de Rondônia, no qual estão registrados os Atos Concessórios n°. 005/08CONDER e 006/08CONDER e o Parecer n°.008/CONSIT/SEFIN e 001/2012/SECRETÁRIO EXECUTIVO DO CONDER, naqueles foram concedidos os benefícios fiscais de titularidade da sucedida Guaporé Carnes Ltda para a JBS S/A, conforme expresso no item 01, verbis. 1) "Fica aprovada “Ad Referendum" a solicitação de transferência de titularidade da Empresa Guaporé Carnes S/A para a empresa JBS S/A, CNPJ n°. 02.916.265/000126, Inscrição Estadual n°. 3493121, no Município de São Miguel do Guaporé, a partir de 1º de março de 2012." Diz ainda a fiscalização “Registramos que a data de 1º, de março de 2012 é a data da sucessão, inicio das atividades da sucessora nos parques industriais em comento.” No Termo de fls. 46/60, concluiu a fiscalização: Com base nos fatos e documentos acostados e acima listados, esta fiscalização conclui pela: a) Sucessão da Firma Guaporé S/A pela JBS S/A mediante compra, dos estabelecimentos da sucedida, portanto, é sucessora tributária, nos termos, do art. 133, inciso I, combinados com os arts. 124 e 129, ambos da Lei n°. 5.172, de 1996CTN (Verbis), respondendo pelas obrigações tributárias da sucedida, uma vez que a alienante encerrou as atividades. ... Ficou demonstrado por esta fiscalização, a utilização de meios artificioso, ou seja, utilizou de uma Terceira Empresa, sem lastro para realizar uma suposta alienação ou arrendamento, no caso a FR Participações Ltda, com tentativa de mascarar a operação de uma compra e venda efetuada com o fito de afastar a aplicação do art. 133, inciso I, do CTN. Os Fatos caracterizam a hipótese legal para enquadrar a JBS como adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento, portanto, responsável único, pelas obrigações tributárias da sucedida, até a data da realização do negócio. Registrase por derradeiro, a firma JBS S/A, encontrase instalada no mesmo endereço da sucedida, utilizando mesmo espaço territorial, construções, instalações e os mesmos funcionárias, continuando as atividades da Guaporé Carnes S/A. b) Manter no pólo passivo da obrigação tributária, a firma A Guaporé Carnes S/A, CNPJ n°. 08.872.390/0001 00, nos termos, do art. 133, inciso I, combinados com os art. 124, 129 e 134, inciso VII, da Lei n°. 5.172, de 1996 CTN (Verbis), por responsabilidade inversa. ... c) Incluir no Pólo Passivo da obrigação Tributária, os Acionistas Administradores, na qualidade de Responsáveis Solidários, os Acionistas Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.888 10 administradores, das firma Guaporé Carnes S/A, CNPJ n°. 08.872.390/0001 00 e JBS S/A, CNPJ n°. 13.608.635/0 00118, da primeira a Sra. Ivana Camelos Birtche, CPF: 513.851.71120, Rua Cuiabá, 805, Setor Leste, Centro, ColiderMT e o Sr. Diosmirso Ferreira, CPF n°. 327.635.73991, Rua Xingu, 93, Centro, ColiderMT e da segunda, o SR. Wesley Mendonça Batista, CPF n°. 364.873.92120, Av . Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaraguá, São PauloSP, por infração aos dispostos nos incisos, II e III, do art. 135, combinado com o art. 124, inciso VII, todos da Lei n°. 5.172, de 1966 ( CTN)Verbis por realizarem negócios que afronta a lei e ao arrepio dos Estatutos Sociais. ... Verificase, pelos relatos e documentos carreados, que os Acionistas Administradores, foram os legítimos responsáveis pela emaranhado negocial, caracterizado, pela inclusão de terceiros sem lastros patrimoniais e financeiros e a tentativa de fazer passar uma alienação como se arrendamento fosse, tudo com o fito de camuflar o verdadeiro negócio, ou seja, a venda dos estabelecimentos industriais. Da Impugnação da Guaporé Carne S/A Cientificada da autuação em 11/07/2014, a empresa controverteu a exação através da impugnação de fls. 1934/1967, apresentada em 11/08/2014, em que protesta, em síntese: Preliminarmente, pugna pela nulidade do auto de infração, sob a alegação de que há cerceamento ao direito de defesa, por entender que há ausência de fundamento legal, tanto para a afirmação de que a empresa “não fez passar pelo resultado do exercício os ganhos com incentivos fiscais do ICMS", quanto para a acusação de ter usado fora dos limites créditos relativos a aquisições de pessoas físicas. No mérito: Quanto a acusação de ter deixado de incluir na base da Cofins e do PIS os ganhos com incentivos fiscais do ICMS concedido pelo Governo do Estado de Rondônia, reportase da seguinte forma: Diz que, sob o conceito de receita bruta ou faturamento não parece possível acomodar um tributo que mais propriamente pode ser classificado como ônus do contribuinte, pois, afinal, o ICMS é uma fonte de receita do Erário Estadual, expressamente prevista no art. 155, inciso II, CF. Entende que, para a conceituação do vocábulo "faturamento" é necessário aterse ao seu sentido etimológico, o qual aponta para um negócio jurídico advindo de operação mercantil na qual se percebe valores que ingressarão nos cofres daqueles que vendam mercadorias ou prestam serviços a terceiros. Alega que, se o ICMS não constitui ingresso patrimonial pela circunstância de simplesmente transitar pelo caixa do contribuinte, tido como mero agente repassador dos mencionados tributos, não há como admitilo na base de cálculo das contribuições previstas no art. 195, inciso I, "b", CF, posto que estes incidem sobre a receita ou faturamento. Diz mais, se o ICMS é despesa do sujeito passivo da COFINS e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência desta exação. A Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.889 11 inclusão do ICMS, AINDA QUE NA PARTE PRESUMIDA, na base de cálculo da COFINS resulta em tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte. Acrescenta, em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS/COFINS na sistemática cumulativa. Argui que, o crédito de ICMS não constitui em entrada de recursos, não podendo ser assim avaliado. Portanto, os valores escriturados a título de crédito de ICMS não compõem a base de cálculo da COFINS/PIS nãocumulativo, ainda que subvencionado. Cita decisões judiciais e soluções de consultas. Diz que, não obstante o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido que não se integra à base de cálculo do IRPJ e CSLL a parcela decorrente de incentivos fiscais, a repercussão também se estende aos tributos PIS e COFINS em virtude de serem consideradas sinônimas as expressões receitas brutas e faturamento. Entende que deve ser considerado ainda a aplicabilidade do artigo 112, II do CTN ao caso em tela, já que houve investimentos em ativos, empregabilidade e produção, atendendo aos fins da subvenção. Alega que, o Fisco Federal não reconheceu a espontaneidade da prestação das informações levadas através de DCTF's retificadoras/Dacon's, não as admitindo e favor da empresa autuada, e requerse um expresso pronunciamento sobre tal contrariedade, valendo o destaque que ao sujeito passivo é dado o direito de pleitear a alteração do valor objeto do lançamento em sede de impugnação, mediante provas idôneas, consoante preconizado pelo Art. 145,1 do CTN. Acrescenta que, as declarações ainda que prestadas após o início da ação fiscal, efetuadas pelo sujeito passivo merecem ser validadas, visto que diante da exaustiva explanação de que não há fato gerador de tributo federal a englobar subvenções de investimentos, não houve a intenção por parte da Impugnante em omitirse de recolhimento dos tributos. Insurgese contra a cobrança de juros, com os seguintes argumentos: a) A cobrança de juros acima do que estatui o artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN, especialmente quanto a SELIC, não pode prevalecer diante da imprevisão legal nela averiguada. b) A impropriedade da Taxa SELIC para fins tributários é que a aludida taxa não foi criada por lei, ou seja, a SELIC é instrumento hábil para o mercado financeiro, mas não para matéria tributária, em face do princípio da legalidade (art. 150 da CF). Concluiu, caso persista a obrigação principal, o que se admite apenas a título de argumentação, sejam os juros de mora reduzidos ao percentual legal de 1% (um por Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.890 12 cento) ao mês, nos moldes do §1º do art. 161 do Código Tributário Nacional CTN, sem a capitalização, ou seja, incidência de juros sobre juros. Por fim, requer que: a) Sejam acolhidas as preliminares para reconhecer a nulidade do lançamento; b) Quanto ao mérito, seja julgado improcedente o lançamento efetuado quanto ao PIS e COFINS incidente sobre a parcela de subvenção de investimento (crédito presumido de ICMS); c) A produção de prova pericial, caso haja dúvidas sobre as declarações, registros e demonstrações financeiras; d) A juntada de novos documentos a serem carreados aos autos, em denodo ao princípio da verdade material, aplicável ao processo administrativo fiscal. Em 12/08/2014, através documento de fls. 1970/1974, a empresa Guaporé Carne S/A aditou sua impugnação, no qual traz argumentos contra a caracterização de sucessão, onde diz, que: a) O exercício autuado referese exclusivamente a 2009, ano em que a Impugnante encontravase em total atividade empresarial para todos os efeitos legais, diferindo completamente da época apresentada pela fiscalização para justificar a sucessão. c) Afirmou a autoridade fiscal que recebeu, em 2012 a notícia que a empresa JBS havia arrendado comercialmente o imóvel em 01 de março daquele ano passando a executar novas atividades. d) Entretanto, a própria autoridade fiscal afirma também e corroborado através de documentos já constantes dos autos, que referida locação do parque industrial se deu através de negociação havida entre as empresas FR PARTICIPAÇÕES LTDA e JBS SA, ocorrida em 11 de abril de 2012. e) Ao que se vê, todos esses fatos, contemporâneos em mais de três anos ao exercício de 2009 são afirmados pela autoridade fiscal e documentados nos autos, porém, em nada alteram os atos jurídicos perfeitos e acabados referente ao exercício de 2009, tornandose indevida e improcedente a caracterização da sucessão. f) O ato de sucessão prescinde de uma empresa suceder a outra na atividade, o que nunca existiu, pois, a uma que a Impugnante nunca deixou de existir para justificar ter sido sucedida por outra. g) A duas que conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal, não existe vínculo jurídico, documental e sequer de fato entre as empresas arroladas no pólo passivo da sujeição tributária, mormente porque todas as operações e transações comerciais, a partir de 2012, foram consolidadas entre as empresas JBS e FR PARTICIPAÇÕES, nunca participando a aqui Impugnante. h) A Impugnante nunca deixou de existir, logo, sendo incabível a conclusão fiscal de ter sido sucedida, é que quando do início da presente ação fiscal, tão logo fora intimada, bem como em inúmeros atos posteriores, apresentouse ao Fisco com Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.891 13 legítimo interesse em responder pelas obrigações tributárias, prova maior é que no final do ano de 2013, nos dias 23 e 30 de dezembro, transmitiu ao Fisco Federal as DACONs retificadoras, e DCTF’s em 23 de dezembro de 2013, buscando o reconhecimento da confissão do débito, apuração de PIS e COFINS. i) Uma empresa que continua realizando atos de defesa de seus interesses, inclusive confessando débitos em DACON's, sendo titular não só de direitos, mas também de obrigações, não pode ser considerada sucedida por outra, principalmente em exercício que sequer há comprovação de qualquer liame que seja, de qualquer natureza, entre as empresas arroladas passivamente. Por fim, requer que seja julgado improcedente a caracterização da sucessão. Da Impugnação da JBS S/A Cientificada da autuação em 17/07/2012, a empresa JBS S/A, apresenta impugnação tempestiva, por meio dos arrazoados de fls. 2130/2188, cujos argumentos, após relato dos fatos, estão a seguir sintetizados. DA RESPONSABILIDADE DIRETA E EXCLUSIVA DOS ADMINISTRADORES DA GUAPORÉ CARNE S/A (ART. 135, CTN) As supostas infrações apontadas à "GUAPORÉ CARNES" revelam atos praticados com excesso de poder pelos administradores daquela empresa, razão pela qual aplicase o artigo 135, III, CTN, em relação aos dirigentes daquela empresa. Há, ainda, clara infração ao estatuto social da "GUAPORÉ CARNES", o qual previa expressamente a necessidade da orientação, controle e fiscalização dos negócios da companhia pelo conselho de administração e da diretoria. Logo, por expressa disposição legal a Impugnante jamais poderia compor o pólo passivo da presente autuação, justamente porque a responsabilidade dos dirigentes à época dos fatos geradores pela norma tributária é exclusiva, originária e pessoal, nos termos do artigo 135, III do CTN. Tanto a doutrina, como a recente jurisprudência do STJ apontam a responsabilização exclusiva dos administradores decorrente da prática de atos com infração de lei, contrato social ou estatutos da sociedade que tenham desencadeado uma relação jurídica obrigacional stricto sensu entre Fisco e a pessoa jurídica por ele administrada. In casu, restou evidenciada a prática de infração à Lei pelos dirigentes daquela empresa à época dos fatos, ensejando sua responsabilidade pessoal e exclusiva. Logo, se a responsabilidade pessoal não alcança sequer o contribuinte (pessoa jurídica), não há que se falar em responsabilidade do suposto sucessor ou dirigentes deste, seja ela solidária e/ou subsidiária. Dessa forma, fazse inafastável a exclusão da Impugnante da presente autuação em razão da responsabilidade pessoal e exclusiva dos dirigentes da Guaporé Carne S/A. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.892 14 Inclusive, notese que os administradores da Guaporé Carne já se encontram no pólo passivo do presente auto de infração, conforme consta do Demonstrativo de Responsáveis Tributários anexo a presente autuação. Segundo a fiscalização, a suposta responsabilidade da Impugnante teria se iniciado em 1º de março de 2012, conforme se depreende do Termo Fiscal de Caracterização de Sucessão anexo ao presente Auto de Infração. Portanto, o ônus tributário foi atribuído originariamente a Guaporé Carnes S/A e somente em um segundo momento é que foi transmitido para a Impugnante, justamente em razão do supracitado Termo de Caracterização de Sucessão. Ora, se estamos falando de supostas infrações ocorridas anteriormente ao fato gerador da suposta responsabilidade por sucessão (Termo Fiscal de Caracterização de sucessão), não há porque desviar tal ônus de quem por lei deve assumilo. Se o CTN prevê expressamente os fundamentos de responsabilidade e se, no caso em análise, as supostas infrações foram cometidas antes que nascesse a supostaresponsabilidade da Impugnante e se não há qualquer dificuldade em subsumir os atos pretensamente infracionais aos seus responsáveis, quais sejam os administradores da Guaporé Carnes S/A, não existe respaldo legal para transferir tal obrigação à Impugnante. No caso em tela, ainda mais razão existe para que não se admita o compartilhamento de responsabilidade entre os administradores e a Impugnante, vez que o que fundamenta a responsabilidade dos primeiros é a prática de atos ilícitos e o nosso ordenamento não autoriza que a pena ultrapasse o limite do infrator. Tratase do princípio alçado ao nível constitucional da individualização da pena, ínsito no art. 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal, o qual estabelece, em linhas gerais, que as sanções impostas aos infratores devem ser personalizadas e particularizadas de acordo com a natureza e as circunstâncias dos delitos e à luz das características pessoais do infrator. Contrariamente, a responsabilidade por sucessão não se fundamenta na ilicitude, não sendo justo, nem razoável, que tal sujeito passivo indireto pague por um "crime" que não cometeu. Em outras palavras, deve ser anulado o lançamento fiscal em relação à Impugnante, uma vez que os administradores à época somente eles são os legitimados para figurar no pólo passivo do Auto de Infração ora rechaçado. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU ESTABELECIMENTO A ENSEJAR A SUBSUNÇÃO AO ART 133 DO CTN Não houve aquisição nem de estabelecimento tampouco de fundo de comércio a ensejar a subsunção ao disposto no art. 133, inciso I, CTN. Cumpre, nesse sentido, ressaltar que cingiuse o relatório fiscal a mencionar que demais estabelecimentos que um dia pertenceram àquela empresa tiveram sua propriedade transferida à Impugnante (tais como Confresa/MT e São Miguel do Guaporé/RO). Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.893 15 Todavia, nada foi comprovado em relação à aquisição da sede em COLÍDER/MT. Estamos aqui a tratar da acusação de aquisição de estabelecimento, para a qual, portanto, não há comprovação. Corrobora, nesse sentido, afirmação contida no "Termo fiscal de caracterização de sucessão", que afirma que acusação é fundada no fato de que a Impugnante está instalada no local um dia funcionou Guaporé Carnes. Isto é, não há afirmação, nem comprovação de que a unidade de COLÍDER/MT (matriz da Guaporé Carnes) foi adquirida. Além disso, na página 15 do "Relatório Fiscal Caracterização dos Fatos Autos de Infração PIS e COFINS", há afirmação de que a sócia de GUAPORÉ CARNES S/A declara que não houve venda daquela Companhia. Assim, não houve aquisição do estabelecimento autuado, de COLÍDER/MT, pois se tivesse havido, a DRF autuante o teria comprovado. Cumpre reiterar que a comprovação de compra transferência de propriedade foi comprovada somente no tocante a outros estabelecimentos, mas não em relação à unidade de COLÍDER/MT AUTUADA. De fato, o imóvel situado em Colider é de propriedade da Prefeitura Municipal de Colider e será doado para a JBS S/A. Porém, tal procedimento depende de formalização perante o INCRA, cujo processo administrativo se encontra atualmente em trâmite. Para a aquisição de fundo de comércio, seria necessário que houvesse a comprovação de aquisição do ponto, cliente, nome, marcas, patentes, máquinas, mercadorias, etc. Não há que se falar em aquisição de ponto, pois a Impugnante tem vários estabelecimentos no Estado do Mato Grosso, de forma que o "ponto" da empresa autuada não é determinante para a atividade da empresa, que precisava tão somente das instalações, da estrutura do imóvel. De fato, a Impugnante tem inúmeras filiais no Estado do Mato Grosso, além do estabelecimento de COLÍDER/MT, onde um dia funcionara GUAPORÉ CARNES, o que comprova que não há que se falar em relevância do "ponto". No tocante aos clientes, também não há caracterização de aquisição de tal elemento, pois, conforme visto, a Impugnante tem grande atuação no Estado do Mato Grosso, de forma que tem clientela própria não só no próprio Estado, como no país inteiro, que digase de passagem, é muito mais ampla e relevante que a clientela de GUAPORÉ CARNES S/A. No atinente às marcas e patentes, que são, notadamente, os maiores ativos de uma empresa, a Impugnante também não as adquiriu de GUAPORÉ CARNES S/A. De fato, a Impugnante tem marcas e patentes próprias de envergadura nacional e não adquiriu nem, se utiliza das marcas daquela empresa. Assim, data vênia, não há caracterização de sucessão tributária. Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.894 16 Sucessão trabalhista tem requisitos distintos da sucessão tributária. Diz que houve menção a processos trabalhistas, e assevera que a sucessão trabalhista tem requisitos distintos da sucessão tributária (art. 133, CTN, utilizado in casu). Assim, para a sucessão trabalhista, basta que haja a posse da empresa para caracterização do vínculo, ao passo que, para a sucessão tributária, conforme exaustivamente exposto, é necessária a aquisição do estabelecimento ou do fundo de comércio, que são figuras juridicamente distintas da mera posse. Argumento subsidiário. A imputação de responsabilidade prevista no art.133, CTN, tem condicionante: saber se houve continuidade (ou não) das atividades pelo alienante. Quanto a este tópico, diz: Para a aplicação da responsabilidade prevista no art. 133, CTN, deve haver a comprovação de cessação (ou não) das atividades do alienante. No caso de cessação das atividades do alienante, aplicarseá o previsto no inciso I, que prevê que a responsabilidade do adquirente será "integral" (inciso I). Por sua vez, se houver continuidade das atividades, isto é, se o alienante "prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo" aplicarseá a responsabilidade subsidiária (inciso II). Assim, necessária a realização de diligência fiscal para averiguar perante os cadastros da JUCEMAT ou mesmo da RFB, se os sócios da GUAPORÉ CARNES S/A prosseguiram na mesma ou em outra atividade. Tal diligência é necessária, pois a depender da continuidade (ou não), a responsabilidade da Impugnante caso os argumentos anteriores sejam afastados e seja reconhecida a aplicação do art. 133, CTN será "integral" (inciso I) ou "subsidiária" (inciso II), esta última com benefício de ordem. Nesse último caso responsabilidade subsidiária (art. 133, II, CTN) , há benefício de ordem, de forma que, primeiramente, devem ser esgotados os meios de cobrança do débito do devedor principal e se e somente se não houver êxito, pode a cobrança ser direcionada ao responsável subsidiário. Não pode a Autoridade Fiscal ignorar que o dispositivo art. 133, II, CTN comporta um mandamento: o de que se deve, primeiramente, buscar o crédito tributário perante o alienante e somente em caso de insucesso poderá imputar responsabilidade à "JBS". Assim, de rigor o reconhecimento de nulidade do Termo Fiscal de Caracterização de Sucessão. Caso assim não se entenda, no mínimo, merece ser o julgamento convertido em diligência fiscal para averiguar perante a JUCEMAT ou RFB se os sócios da GUAPORÉ CARNES S/A prosseguiram na mesma ou em outra atividade. Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.895 17 Inexistência de elementos para atribuir responsabilidade solidária com fulcro do art. 124, CTN Quanto a este tópico, diz: O art. 124, CTN, prevê responsabilidade solidária das pessoas que tenham "interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo": Todavia, não há qualquer "interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo", pois não houve participação da Impugnante JBS S/A no fato gerador do tributo, que foi praticado unicamente pela GUAPORÉ CARNES S/A. O fato gerador deve revelar que os solidários "sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídico tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação", como indica o Superior Tribunal de Justiça. Transcreve ementa. DA AUSÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO NO PRAZO LEGAL E DA DECADÊNCIA (ART. 150, §4º, CTN) – PA JUNHO/2009. Alega que não há como subsistir a pretensão do Fisco em relação ao mês de JUN/2009, pois o Impugnante foi intimado do Auto de Infração somente em 17/7/2014, e, portanto, tais créditos já tinham sido devidamente homologados tacitamente, a teor do §4° do art. 150, CTN. Diz, partindose da conjugação dos artigos 150, parágrafo 1o e 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso dos tributos cujo lançamento se dá por homologação, operase com o pagamento "antecipado" realizado pelo sujeito passivo. Conclui, de rigor, portanto, o reconhecimento da ausência da homologação e consequente decadência do direito de constituir o crédito tributário atinente ao mês de JUN/2009. DO MÉRITO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. Transcreve arts. das Leis n° 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003, e o artigo 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, e acrescenta, como demonstramos citados dispositivos, somente pode ser admitida a cobrança da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre uma quantia que possua a natureza de faturamento e de receita do seu contribuinte. Alega que o ICMS incidente nas operações de venda de bens e serviços, cujo vendedor figure na condição de contribuinte, não engloba o faturamento desta pessoa e muito menos possui a natureza de receita passível de fazer parte da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Entende que os valores relativos ao ICMS somente poderiam fazer parte da base de cálculo das contribuições em apreço se fossem riqueza do contribuinte, ou seja, se passasse a figurar no seu patrimônio sem a necessidade e obrigação de repassálo a terceiro. Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.896 18 Diz, na realidade, faturamento e receita do contribuinte englobam as quantias recebidas que passam a integrar em definitivo o seu patrimônio, sem a obrigação de repassálas a terceiros. Não é possível, assim, admitir a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela, sob pena de estarem sendo cobradas sobre quantum que não corresponde ao faturamento e receitas do contribuinte. Assevera, a ilegalidade, no caso em tela, decorre da ofensa ao art. 110 do Código Tributário Nacional. Acrescenta, como visto, ao não observar o conceito de faturamento e receita próprios do direito privado, o v. acórdão incorreu em ilegalidade que merecerá ser sanada. MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DA SUBVENÇÃO DE ICMS NA B.C. DO PIS E DA COFINS Alega que a pretensão não merece guarida, pois se trata de subvenção que passa ao largo da tributação, uma vez tais valores não se enquadram no conceito de receita, como tem decidido o C. CARF. Transcreve ementa. Diz, além do exposto, ainda sob outro ponto de vista subvenção para investimentos , merece guarida a pretensão da Impugnante. Por meio das subvenções o Poder Público incentiva determinadas atividades que tem interesse em fomentar. Apesar de ser uma liberalidade, sua outorga se dá em vista do cumprimento de uma finalidade que é de interesse geral. Entende que embora se cuide claramente de subvenção para investimento, independentemente da classificação da subvenção (para custeio ou para investimento), tais valores não podem compor a base de cálculo das exações em tela, pois, conforme anteriormente visto, tratase de recuperação de custo, que não é "receita". Necessidade de diligência para que possa exercer amplamente sua ampla defesa e contraditório. Necessidade de acesso a livros contábeis e fiscais, bem como obrigações acessórias de GUAPORÉ CARNES S/A. Diz, importa ressaltar que, no mérito relacionado aos débitos que são relativos a COFINS e PIS apurados por GUAPORÉ CARNES S/A , por não se tratar de fatos imponíveis praticados pela Impugnante, haverá necessidade de baixa em diligência para que tenha acesso a todos os livros fiscais, contábeis, bem como obrigações acessórias para verificar se as contribuições em tela foram corretamente apuradas Alega que, embora o Auto de Infração em tela tenha sido instruído com planilhas, a Impugnante não tem acesso às suas bases, o que tem o condão de cercear seu direito à ampla defesa e contraditório. Entende que, se está sendo responsabilizada pelo crédito tributário em tela e sua íntegra, nada mais justo que tenha acesso a todos os documentos daquela Companhia (de quem jamais foi dirigente) para verificar se a forma de apuração obedeceu aos ditames legais. Por fim, requer e espera o deferimento de diligência para perícia relacionada aos documentos fiscais e contábeis de GUAPORÉ CARNES S/A. Da impossibilidade de sucessão da multa e Juros Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.897 19 Quanto a este tópico, diz: Não há dúvida quanto a campo de aplicação do artigo 132 do CTN, o qual se refere expressamente à responsabilização do sucessor pelos "tributos" relativos ao estabelecimento empresarial, os quais não se confundem, em hipótese alguma com imposições de natureza sancionatória. Isto porque a pena não pode ultrapassar o infrator. Se houve alguém que praticou supostos atos ilícitos, estes foram os administradores da Guaporé Carnes S/A, não podendo a suposta sucessora ser responsabilizada pelas multas decorrentes e infrações à legislação tributária e criminal sem ter agido ilicitamente. A doutrina e jurisprudência majoritária reconhecem que a definição de tributo trazida no art. 3º do CTN exclui expressamente do campo de significação as obrigações de natureza de sanção. Não é diferente o posicionamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, vejamos: "os sucessores só respondem pelos tributos, e não pelas multas, já que o CTN, ao cuidar da responsabilidade dos sucessores, fala apenas em tributo. O STF tem decidido que as multas punitivas só podem ser irrogadas ao infrator". No plano jurisprudencial o Conselho de Contribuintes já apreciou a questão da responsabilidade do sucessor pelas multas tributárias, não sendo o tema controvertido, prevalecendo a posição desde os precedentes mais antigos até os mais novos. Verificase que em nenhuma hipótese poderia o eventual "sucessor" responder pelos juros de mora e pela multa, posto que não concorreu de nenhuma forma à infração cometida. A Impugnante, no caso em tela, foi responsabilizada indevidamente pelos tributos devidos pela Guaporé Carnes S/A, de modo que não possui conhecimento algum sobre as infrações por ela cometidas, circunstância que não pode qualificála como sucessora integral de todos os débitos porventura existentes. Por fim, relevante esclarecer que a citada jurisprudência do E. STF, no sentido de afastar a multa do sucessor, continua válida, pois a Primeira Seção do E. STJ deixou claramente assentado um marco temporal para a responsabilidade do sucessor por multa da sucedida, qual seja: a multa "transferível" é somente aquela lavrada anteriormente ao momento da sucessão. Por todos os motivos expostos, sendo a Impugnante adquirente de boafé deve ser afastada a responsabilidade da Impugnante pela multa e juros no caso em tela. Da Impugnação da Sra. Ivana Carnelos Birtche Cientificada da autuação, a Sra. Ivana Carnelos Birtche, apresenta impugnação tempestiva, por meio dos arrazoados de fls. 2044/2050, onde alega: a) O Auto de Infração encontrase equivocado ao arrolar como responsável solidário a sócia, aqui Impugnante, eis que não houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa Impugnante, assim como não consta de qualquer fase do procedimento fiscal a comprovação que tenha a sócia obrado com omissão Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.898 20 ou praticado qualquer ato interveniente de má gestão, excesso de poderes ou infração de lei. b) Requer, desta forma, a aplicação da legislação em vigor, respeitandose os regramentos contidos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, excluindose do polo passivo a sócia aqui Impugnante, mediante o evidente erro na identificação do sujeito passivo. c) Para responder pelo crédito fazendário, deveria estar acompanhada da comprovação de que tenha agido com excesso de poderes ou de forma fraudulenta ou prejudicial à sociedade, ou, ainda, ao arrepio da lei comercial, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo, o que jamais ocorreu ou foi provado no Trabalho Fiscal do referido AIIM. d) Há de se salientar ainda, que o Auditor Fiscal da Receita Federal, utilizou como motivação para incluir a Impugnante, digase de passagem de forma indevida conforme já demonstrado acima, a realização de uma "ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL", fato este que jamais ocorreu. e) Não há em momento algum, prova de alienação, como tenta descrever o Auditor Fiscal. Fica claro no próprio relatório que informa os documentos juntados no Processo Administrativo Fiscal, que a natureza jurídica do negócio efetuado jamais foi de alienação, e sim de LOCAÇÃO / ARRENDAMENTO, conforme já transcrito no parágrafo anterior. f) Diante disto, não restam dúvidas que a inclusão da Impugnante como solidária da obrigação Tributária do presente AIIM é totalmente descabida, pois não atende aos requisitos legais dos artigos 134 e 135 do CTN, e está em desacordo com a jurisprudência Pátria do Supremo Tribunal Federal, devendo esta ser imediatamente excluída do Polo Passivo do presente Auto ao qual se impugna. g) Quanto ao mais, a Impugnante reitera todos os argumentos escandidos na peça de defesa da empresa Guaporé Carne SA (Impugnação e Termo Aditivo), impugnando na íntegra toda a autuação efetuada, pugnando, ao final, pela total improcedência dos lançamentos efetuados. Da Impugnação do Sr. Wesley Mendonça Batista Cientificado da autuação, o Sr. Wesley Mendonça Batista, apresenta impugnação tempestiva, por meio dos arrazoados de fls. 2076/2127, onde, após relato dos fatos, diz que: a) Não é e nunca foi dirigente de "GUAPORÉ CARNES"; (ii) e tampouco à época dos fatos (2009). b) O fato de que o Impugnante nunca foi dirigente de "GUAPORÉ CARNES" é evidenciado pelo que consta do próprio relatório fiscal, que indica como dirigentes daquela empresa: IVANA CARNELOS BIRTCHE e DIOSMIRO FERREIRA. c) Ainda que prospere a tese de que teria havido sucessão – o que não se admite , um detalhe deve ser ressaltado: o Impugnante sequer teria como ser dirigente à época dos fatos (2009), posto que a própria acusação fiscal é de que a sucessão teria ocorrido em 2012. Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.899 21 d) Dessa forma, há falta de subsunção do caso concreto ao preceito do art. 135, CTN, a lhe ensejar o redirecionamento. e) Ainda que seja reconhecida a sucessão o que em hipótese nenhuma se admite não há sequer como alegar que o Impugnante era dirigente à época, já que a acusação é de que a sucessão teria ocorrido em 2012 e os fatos imponíveis aqui tratados são de 2009. f) A jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o dirigente que não ocupava o cargo à época dos fatos imponíveis não pode ser responsabilizado. g) Dessa forma, de rigor o provimento da presente Impugnação para excluir o Impugnante da presente autuação. h) Em seguida apresenta os mesmos argumentos que constam da impugnação da empresa JBS S/A, em relação a: sucessão (aquisição de estabelecimento), responsabilidade solidária, decadência, inclusão da subvenção de ICMS na B.C. do PIS e da Cofins, cerceamento ao direito de defesa, impossibilidade de sucessão da multa e Juros. Cientificado através do Edital de Intimação DRFCuiabá nº 0001/14 de 15/08/2014, o Sr. Diosmirso Ferreira não apresentou impugnação. A DRF de BelémPA julgou improcedentes as Impugnações apresentadas, considerando, ainda, revel o autuado Diosmirso Ferreira, face à ausência de impugnação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 Ementa: PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.900 22 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. SUCESSÃO EMPRESARIAL DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE INTEGRAL. Presentes os elementos fáticos caracterizadores da sucessão empresarial, ainda que não formalizada, o sucessor responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário que não tenha sido recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE A possibilidade de excluir o crédito presumido de ICMS (subvenções para investimentos) da base de cálculo da Cofins, apurada pelo regime não cumulativo, passou a existir somente com a edição da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013 (convertida na Lei nº 12.973/2014), que alterou as Leis 10.673/2002 e 10.833/2003, não alcançando o período objeto do auto de infração. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.901 23 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. É revel o sujeito passivo que não se apresentou tempestivamente ao processo e não impugnou sua nomeação como responsável tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 Ementa: PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. SUCESSÃO EMPRESARIAL DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. CONTINUAÇÃO DA ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE INTEGRAL. Presentes os elementos fáticos caracterizadores da sucessão empresarial, ainda que não formalizada, o sucessor responde integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, no caso de o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário que não tenha sido recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.902 24 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE A possibilidade de excluir o crédito presumido de ICMS (subvenções para investimentos) da base de cálculo do PIS, apurado pelo regime não cumulativo, passou a existir somente com a edição da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013 (convertida na Lei nº 12.973/2014), que alterou as Leis 10.673/2002 e 10.833/2003, não alcançando o período objeto do auto de infração. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. REVELIA. OCORRÊNCIA. É revel o sujeito passivo que não se apresentou tempestivamente ao processo e não impugnou sua nomeação como responsável tributário. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face da referida decisão, foram interpostos os seguintes Recursos Voluntários, reiterando os mesmos argumentos das Impugnações apresentadas: (i) IVANA CARNELOS BIRTCHE, às fls. 2267/2307; (ii) DIOSMIRSO FERREIRA, às fls. 2308/2315; (iii) GUAPORÉ CARNE S/A, às fls. 2316/2348; (iv) JBS S/A, às fls. 2361/2403; e (v) WESLEY MENDONÇA BATISTA, às fls. 2415/2460 Em primeira análise dos Recursos apresentados, esta Turma Julgadora deliberou pela conversão do feito em diligência, para que a Autoridade Preparadora esclarecesse "quanto à continuidade ou encerramento das atividades pela empresa Guaporé Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.903 25 Carnes S/A, devendo fazêlo com base nos (i) atos registrados na JUCEPA e também perante o (ii) Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, administrado pela própria RFB e, ainda, por meio da (iii) verificação de eventuais declarações prestadas pelo contribuinte." Determinouse, ainda, que fosse dada vista aos Recorrentes acerca do resultado da Diligência fiscal. Tendo em vista que a determinação de intimação dos contribuintes não foi realizada a contento pela Autoridade Preparadora, fezse necessária uma segunda diligência fiscal para a intimação de todos os coobrigados pelo crédito tributário. A Diligência em questão apresentou as seguintes conclusões: (...) (...) Não obstante a intimação de todos os contribuintes, apenas os solidários JBS S/A, às fls. 2588/2599 e WESLEY MENDONÇA BATISTA, às fls. 2689/2700 manifestaram se quanto à diligência, aduzindo: Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.904 26 Assim, os autos retornam para julgamento desta Turma. É o relatório. Voto Vencido VOTO PARCIALMENTE VENCIDO Como mencionado acima, foram apresentados 5 (cinco) Recursos Voluntários no presente feito, todos eles tempestivos, que passam a ser examinados. 1. Diosmirso Ferreira (fls. 2308/2315). Inicialmente cumpre observar, quanto ao Recurso Voluntário apresentado pelo coobrigado Diosmirso Ferreira (fls. 2308/2315), que este não merece ser conhecido. Com efeito, depreendese do acórdão recorrido que o referido autuado foi considerado revel por não ter impugnado a responsabilidade a ele atribuída pelo crédito tributário. A revelia declarada, a seu turno, não foi impugnada em sede de Recurso Voluntário. Assim, considerando o disposto no art. 21 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não tendo sido impugnada a exigência, da qual o contribuinte foi devidamente intimado, o lançamento tornase definitivo quanto a este. Não tendo sido a declaração de revelia questionada em sede de Recurso Voluntário, não é cabível o seu exame nesta seara recursal. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto por Diosmirso Ferreira (fls. 2308/2315). Os demais Recursos Voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos, pelo que deles tomo conhecimento. 2. Guaporé Carne S/A (fls. 2316/2348) e Ivana Carnelos Birtche 2267/2307 2.1. Preliminar de nulidade do auto de infração por insegurança na determinação da infração. Os Recursos Voluntários apresentados por Guaporé Carnes S/A e Ivana Carnelos Birtche alegam a ocorrência de nulidade do auto de infração por ausência de fundamento legal para a autuação, uma vez que não teria indicação do dispositivo legal que impediria a não inclusão de benefícios fiscais do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.905 27 Não vislumbro, contudo, a nulidade aventada. O Relatório Fiscal elaborado (fls. 61 e seguintes) parte integrante do Auto de Infração discorre de maneira clara acerca da composição da base de cálculo considerada pela Fiscalização e o enquadramento legal está devidamente fundamentado com os dispositivos legais que lastrearam o trabalho fiscal. Ademais, o cerceamento de defesa alegado pelas Recorrentes não subsiste face às próprias peças de impugnação e recursos apresentadas, que abordaram amplamente a questão de direito referida (inclusão / exclusão das subvenções de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS). Logo, não se verifica qualquer irregularidade na descrição dos fatos e indicação de dispositivos legais que fundamentam o Auto de Infração. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. 2.2. Insubsistência de fato gerador para as subvenções fiscais de ICMS para o PIS e a COFINS Quanto ao mérito, os Recorrentes Guaporé Carnes S/A e Ivana Carnelos Birtche discorrem acerca da impossibilidade de inclusão de parcelas relativas a benefício fiscal de ICMS no conceito de receita ou faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS. Pois bem. O acórdão recorrido defendeu a natureza de receita das subvenções com base no conceito trazido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, sob o ângulo da legislação do IRPJ. Confirase As subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (art. 335 do RIR, de 1994 ou art. 392 do RIR, de 1999), ou como "Resultados não Operacionais", na modalidade subvenção para investimento, de que trata o art. 391 do RIR, de 1994 ou art. 443 do RIR, de 1999. Do ponto de vista do IRPJ, as primeiras são sempre tributáveis, as segundas também são tributáveis, mas poderão não o ser, desde que atendidas certas condições impostas pela lei. Embora as subvenções para investimentos possam em alguns casos não ser computada na determinação do lucro real da pessoa jurídica (a exemplo de subvenções para integralização de capital), para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas pelo regime não cumulativo, a possibilidade de excluílas veio somente com a edição da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013 (convertida na Lei nº 12.973/2014), que alterou as Leis 10.673/2002 e 10.833/2003. Portanto, o valor apurado do crédito presumido do ICMS, foi corretamente oferecido à tributação, pois nos períodos objeto dos autos de infração, não havia previsão legal para sua exclusão da base de cálculo das citadas contribuições apuradas pelo regime não cumulativo. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.906 28 Todavia, entendo que a argumentação supra não subiste na hipótese dos autos, uma vez que a regulamentação legal do PIS e da COFINS é absolutamente distinta daquela relativa ao IRPJ. Nesse sentido, cito precedente deste CARF, que utilizo como razões de decidir: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DOS PIS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. (...) (Acórdão nº 3402002.904, Processo nº 19515.721790/201311; Relator CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, por maioria) O entendimento supra já se encontra chancelado, inclusive, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme acórdão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. Os créditos incentivados de ICMS, concedidos pelos Estados a setores econômicos ou regiões em que haja interesse especial, não se encartam no conceito e natureza de “receita” para fins de incidência das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, pois não constituem entrada de recursos que refletem aumento de riqueza em seu patrimônio, não podendo, serem assim considerados e, por conseguinte, não compõem a base de cálculo do PIS. Ademais, é de se trazer que, caso não se observe somente a discussão acerca do conceito e essência de receita para fins de afastálos da tributação das contribuições, temse que, como tais incentivos se enquadram como subvenções para investimento, vez que, por óbvio, são concedidos para se estimular a expansão de empreendimentos econômicos, as r. subvenções não devem ser tributadas pelo PIS, em respeito às mudanças normativas que Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.907 29 envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST 112/78, ICVM 59/86, DecretoLei 1.598/77, PN 2/78, Lei 11.941/09 e Lei 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devendo sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2003 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS INCENTIVADOS DE ICMS. (...) Recurso Especial do Contribuinte Provido. (Acórdão nº 9303004.674, CSRF, Sessão de 16/02/2017) Desse modo, voto pela procedência do pedido de exclusão das parcelas relativas às subvenções fiscais de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. 2.3. Afastamento da Taxa SELIC A Recorrente postula pelo afastamento da Taxa SELIC por entender ser inviável a cobrança de juros em patamar superior ao previsto no artigo 161 do CTN. A matéria já está, há muito, sedimentada no âmbito do CARF, sendo imperativa a aplicação da Súmula CARF nº 4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desse modo, é improcedente o pedido de exclusão da taxa SELIC. 2.4. Responsabilidade solidária de Ivana Carnelos Birtche arts. 134 e 135 do CTN Em aditamento ao seu Recurso Voluntário, tempestivamente apresentado, a Recorrente Ivana Carnelos Birtche requer a exclusão da sua coresponsabilidade por não ter sido comprovado que agiu com excesso de poderes ou de forma fraudulenta. Afirma que o trabalho fiscal não logrou demonstrar a incidência dos artigos 134 e 135 do CTN. Pois bem. A questão é sensível e merece cuidadosa análise. De acordo com o processo fiscal ora examinado, a responsabilidade da Recorrente Ivana Carnelos Birtche decorre da sua (i) condição de sócia gerente da devedora Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.908 30 principal (Guaporé Carnes S/A) e do fato desta ter (ii) praticado ato com violação à lei e ao contrato social. O ato em questão seria a alienação de estabelecimento industrial de forma fraudulenta. A Fiscalização ainda lavrou "Termo de Caracterização de Sucessão" (fl. 46 e seguintes), onde aborda a questão relativa à atribuição de responsabilidade aos sócios administradores da Pessoa Jurídica autuada. Inicialmente, o Auditor Fiscal discorre longamente acerca da sucessão verificada entre o contribuinte Guaporé Carnes S/A (sucedida) e JBS S/A (sucessora), aspecto que será abordado no tópico subsequente, concluindo que foram realizadas operações fraudulentas entre as referidas Pessoas Jurídicas com o intuito de encobrir uma verdadeira sucessão empresarial. Inicialmente, mister se faz distinguir que, na hipótese ora examinada, estáse diante de duas formas distintas responsabilidade tributária. A primeira delas diz respeito à responsabilidade por sucessão e, a segunda, à responsabilidade de terceiros. A responsabilidade por sucessão é aquela regulada pelos artigos 129 a 133 do CTN e, como dito, será detidamente analisada em tópico subsequente. Já a responsabilidade de terceiros, a qual se examina neste tópico, é aquela regulada pelos artigos 134 e 135 do CTN e diz respeito à participação de terceiros no fato gerador da obrigação tributária. Importanos, essencialmente, a disposição contida no citado artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Reconhece a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que a responsabilidade solidária do sócio administrador estabelecida pelo art. 135 do CTN é aquela decorrente de fraude ou excesso de poderes no tocante ao fato gerador da obrigação tributária ou ao recolhimento dos tributos devidos. Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.909 31 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO. AUSÊNCIA DAS CONDIÇÕES DO ART. 135, III, DO CTN. 1. Há responsabilidade solidária, como previsto no art. 13 da Lei nº 8.620/93, desde que o sócio, exercendo a gerência da empresa tenha agido com dolo, fraude ou em desacordo com os estatutos sociais no tocante ao recolhimento de tributos, tudo em combinação com os ditames do art. 135, III, do CTN. 2. Recurso especial não provido. (REsp 626.518/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/10/2005, DJ 01/02/2006, p. 439) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURADA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO DE AUTOFALÊNCIA. INFRAÇÃO À LEI. NÃOCONFIGURAÇÃO, POR SI SÓ, NEM EM TESE, DE SITUAÇÃO QUE ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DOS SÓCIOS. (...) 3. Segundo a jurisprudência do STJ, a simples falta de pagamento do tributo e a inexistência de bens penhoráveis no patrimônio da devedora não configuram, por si sós, nem em tese, situações que acarretam a responsabilidade subsidiária dos representantes da sociedade. 4. A ofensa à lei, que pode ensejar a responsabilidade do sócio, nos termos do art. 135, III, do CTN, é a que tem relação direta com a obrigação tributária objeto da execução. Não se enquadra nessa hipótese o descumprimento do dever legal do administrador de requerer a autofalência (art. 8º do Decretolei nº 7661/45). 5. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 856.266/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/09/2006, DJ 02/10/2006, p. 247) Ou seja, para que seja atribuída a responsabilidade de terceiros prevista no art. 135 do CTN, é imprescindível que esta responsabilidade seja verificada no momento do nascimento da obrigação tributária. No caso concreto, é possível verificar que a fraude / excesso de poderes a que alude o agente fiscal diz respeito à sucessão empresarial havia entre a Guaporé e a JBS. Não há nos autos qualquer menção ou mesmo qualquer indício que leve a crer ter ocorrido qualquer fraude, simulação ou excesso de poderes no que tange ao fato gerador da obrigação tributária ou mesmo quanto ao não recolhimento dos tributos. Logo, não vislumbro, na hipótese, qualquer fato capaz de atrair a aplicação do art. 135 do CTN. Pelo exposto, deve ser acolhido o pedido de exclusão da responsabilidade tributária atribuída à Recorrente Ivana Carnelos Birtche por ausência de suporte legal. 3. JBS S/A fls. 2361/2403 e Wesley Mendonça Batista fls. 2415/2460 Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.910 32 3.1. Decadência art. 150, §4º do CTN. Entendo que, como ocorreu a declaração, pelo contribuinte indicando a apuração do tributo, ainda que não recolhido por inexistência de saldo devedor, deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN. Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). Explicase. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.911 33 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art. 173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Estas duas últimas situações estão condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula/STJ nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Com efeito, é cediço que o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para exigir os tributos devidos é de 5 (cinco) anos. O que o legislador ordinário diferencia é, apenas, o termo inicial para a contagem do referido prazo. O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.912 34 a competente declaração do tributo apurado. Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Desse modo, acolho a preliminar de decadência para excluir os lançamentos efetuados em prazo superior à 5 anos transcorridos entre o fato gerador da obrigação tributária e a intimação do contribuinte acerca do Auto de Infração. 3.2. Responsabilidade tributária por sucessão (JBS) Nesse aspecto se analisa a questão relativa à atribuição de responsabilidade tributária por sucessão, prevista no art. 133 do CTN: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Com efeito, entendeu a Fiscalização que a empresa JBS teria sucedido a Guaporé Carnes, com extenso material de constatação fiscal nesse sentido, sendo clara a aquisição "por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual". Inicialmente, tenho que os elementos constantes dos autos demonstram, de modo inconteste, a ocorrência da sucessão entre as empresas Guaporé e JBS, uma vez que esta passou a exercer as mesmas atividades da primeira, no mesmo local, com as mesmas instalações e com os mesmos empregados. A existência de contratos de locação ou arrendamento entre as partes não justifica a alegação de que não houve aquisição formal da Guaporé pela JBS. A questão que se coloca e sobre a qual se dedicou a diligência é definir se esta responsabilidade se dá de modo integral (cessação das atividades) ou subsidiário (continuidade das atividades). Entendo que a diligência realizada, bem como os documentos apresentados pela JBS (tais como ações judiciais) não foram capazes de demonstrar a continuidade das Fl. 2912DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.913 35 atividades econômicas pela Guaporé, mas, tãosomente, a continuidade da existência de direito da empresa. E, como se verifica pela redação do dispositivo legal, o que afasta a responsabilidade integral é a continuidade do exercício da atividade econômica. Ademais, como salientou a diligência fiscal, as únicas atividades econômicas exercidas pela Guaporé após à sucessão consistem na emissão de apenas 5 notas fiscais relacionadas ao próprio evento de sucessão, e não à atividade econômica outrora exercida. Desse modo, mantenho a responsabilidade solidária da sucessora JBS. 3.3. Responsabilidade tributária de terceiros (Wesley Mendonça Batista) A matéria já foi examinada no tópico "2.4. Responsabilidade solidária de Ivana Carnelos Birtche arts. 134 e 135 do CTN", à qual referencio para acolhimento do pedido de exclusão da responsabilidade tributária atribuída ao Recorrente Wesley Mendonça Batista por ausência de suporte legal. 3.4. ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS arguição de inconstitucionalidade e afronta ao art. 110 do CTN JBS comprovou que a Guaporé tem ação judicial discutindo essa questão. De qualquer modo, a questão pode ser solucionada sem se adentrar a este mérito, uma vez que se trata de subvenção. 3.5. Impossibilidade de inclusão da subvenção de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS A matéria já foi examinada no tópico "2.2. Insubsistência de fato gerador para as subvenções fiscais de ICMS para o PIS e a COFINS", à qual referencio para reconhecimento da procedência do pedido de exclusão das parcelas relativas às subvenções fiscais de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS 3.6. Impossibilidade sucessão de multa e juros A Questão não merece maiores digressões, posto que objeto de Súmula do Superior Tribunal de Justiça, de aplicação obrigatória por este CARF, nos termos do art. 62 do RICARF. Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.914 36 (Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Desse modo, uma vez caracterizada a sucessão, a responsabilidade da sucessora alcança também a multa e os juros. 3.7. Juros de mora sobre a multa Conforme posicionamento já exposto nesta Turma, entendo pela impossibilidade de se fazer incidir juros sobre a parcela correspondente aos juros de mora, uma vez que esta não detêm natureza de tributo e, portanto, inexiste previsão legal que autorize tal incidência. Por todo o exposto, voto por: (i) NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto por Diosmirso Ferreira; (ii) CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por Guaporé Carnes S/A para excluir do lançamento fiscal as parcelas relativas à inclusão da subvenção fiscal de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. (iii) CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por Ivana Carnelos Birtche para excluir a responsabilidade tributária indevidamente atribuída com fulcro no art. 135 do CTN; (iv) CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por JBS S/A para manter a responsabilidade solidária por sucessão, mas reformar o crédito tributário constituído de modo excluir do lançamento fiscal as parcelas relativas à inclusão da subvenção fiscal de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; reconhecer a decadência nos termos do art. 150, §º do CTN e excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa. (v) CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto por Wesley Mendonça Batista para excluir a responsabilidade tributária indevidamente atribuída com fulcro no art. 135 do CTN; É como voto. Conselheira Relatora TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Fl. 2914DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.915 37 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Inaugurei a divergência ao bem fundamento voto da Relatora quanto à exclusão do lançamento referente ao mês junho /2009 em razão da decadência e à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, coubeme a designação para redigir este voto vencedor. Decadência A alegação de decadência recai sobre o crédito tributário lançado no mês de junho/2009, com ciência no auto de infração em 17/07/2014 que, segundo a recorrente, a regra de contagem do prazo decadencial seria nos termos do art. 150, § 4º do CTN. A matéria encontrase pacificada com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733), como transcrita alhures no voto vencido. A questão é, portanto, de interpretação do r. acórdão. Perfilo o entendimento de que o requisito para a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN é a antecipação do pagamento nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Não basta a declaração do débito fiscal, ou sua apuração, na escrita contábil. A expressão "inexistindo declaração prévia do débito", a meu juízo, explicita as declarações formalmente instituídas para consignação e informação de valores de tributos devidos pelo contribuinte (DIPJ, DCTF). No caso dos autos, não houve apuração de débito das contribuições na escrita contábil, tampouco ocorreu a declaração e a comprovação de pagamento referente a junho/2009; ao contrário, o débito foi apurado e lançado pelo Fisco, que não detinha conhecimento prévio acerca da falta. Destarte, aplicável a regra do art. 173, inciso I, do CTN para a contagem do prazo decadencial que leva à conclusão de que não houve a decadência do crédito tributário lançado a título de PIS e COFINS, referente aos mês de junho de 2009. Juros de Mora sobre Multa de Ofício No tocante à alegação referente incidência a juros de mora sobre o valor lançado de multa de ofício, o entendimento majoritário do CARF é de que é cabível. Cobramse juros de mora sobre a multa de ofício equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, Selic, por expressa previsão legal. Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.916 38 O art. 161 do Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Além destes dispositivos, destacase ainda o artigo 43 da Lei n° 9.430/96, que assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da análise dos dispositivos citados, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de oficio, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, de um por cento no mês de pagamento. Assim, os juros de mora devem incidir também sobre a multa de ofício, que integra o crédito tributário constituído de ofício. Conclusão Desta forma, com base nos fundamentos expostos, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto à decadência do lançamento relativo ao mês de junho de 2009 e à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, Ressaltase que acompanhei o voto da relatora nas demais matérias decididas. Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado. Fl. 2916DF CARF MF Processo nº 14098.720101/201487 Acórdão n.º 3201003.134 S3C2T1 Fl. 2.917 39 Fl. 2917DF CARF MF
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