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11397129 #
Numero do processo: 10480.721156/2011-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEPENDENTE. COMPANHEIRA. ENTEADA. Nos termos da legislação tributária, a companheira pode ser informada como dependente desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. As provas carreadas aos autos não são hábeis a comprovar a coabitação pelo prazo legal exigido de 5 (cinco) anos, nem a existência de filho em comum. A condição de dependentes como enteadas decorrem da comprovação de dependência entre o recorrente e sua companheira. Não houve comprovação da relação de dependência com a companheira e, consequentemente, não restou configurada a relação de dependência com os enteados.
Numero da decisão: 2002-010.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: ANDRE BARROS DE MOURA

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COMPANHEIRA. ENTEADA. Nos termos da legislação tributária, a companheira pode ser informada como dependente desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. As provas carreadas aos autos não são hábeis a comprovar a coabitação pelo prazo legal exigido de 5 (cinco) anos, nem a existência de filho em comum. A condição de dependentes como enteadas decorrem da comprovação de dependência entre o recorrente e sua companheira. Não houve comprovação da relação de dependência com a companheira e, consequentemente, não restou configurada a relação de dependência com os enteados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Fl. 78DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.267 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.721156/2011-97 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). RELATÓRIO Por meio da Notificação de Lançamento nº 2009/046587464520494, fls.15 a 19, exige-se do contribuinte R$ 2.435,46 de imposto suplementar, R$ 1.826,59 de multa de ofício e acréscimos legais pertinentes, concernente ao ano-base de 2008, ano-exercício de 2009 (DIRPF 2009), em face das glosas das deduções com dependentes e instrução, tendo em vista que a relação de dependência não restou comprovada, após o rompimento do vínculo da relação conjugal. Cientificado do lançamento, em 30/10/2010, o contribuinte apresentou a impugnação em 18/02/2011, tempestiva segundo a unidade de origem (fl. 39), às fls. 1 a 4, por meio da qual alega que a pensão alimentícia foi concedida somente a seu ex-cônjuge, Jacira Gadelha da Silva, portanto, a relação de dependência se mantém com o filho Fabio Nogueira e com os enteados Renata Rodrigues do Nascimento e Roberto Rodrigues do Nascimento. A 6ª Turma da DRJ/CTA por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA. COMPROVAÇÃO APÓS A SEPARAÇÃO CONJUGAL. Extinto o vínculo conjugal, a relação de dependência dos filhos e enteados com o contribuinte deve ser mantida se comprovada a guarda judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 08/08/2016 (fls. 50), o sujeito passivo interpôs, em31/08/2016 (fls. 52), Recurso Voluntário, onde concordou com a glosa do dependente Fabio Nogueira e alegou que em relação aos enteados Renata e Roberto a dedução estariam corretas por se tratar de seus enteados, filhos de sua companheira com em vivia em união estável. É o relatório VOTO Fl. 79DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.267 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.721156/2011-97 3 Conselheiro André Barros de Moura, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Como colocado acima o recorrente concordou com a glosa relativa ao dependente Fabio Nogueira. Assim, o litígio versa sobre a dedução indevida dos enteados Renata e Roberto. O artigo 77 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 aprovado pelo Decreto n.º 3.000/99 assim dispõe sobre as pessoas que podem ser consideradas dependentes na Declaração Anual de Ajuste: Art.77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I O cônjuge; II O companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III A filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Sobre a matéria em análise, assim dispõe o Manual Perguntas e Respostas no exercício fiscalizado, disponibilizado pela Receita Federal do Brasil para orientação dos contribuintes: DOCUMENTAÇÃO PARA COMPROVAR A DEPENDÊNCIA 316 Qual é o documento hábil para comprovar a relação de dependência? Para o cônjuge e filhos, a prova desta relação é feita por meio de certidão de casamento e de nascimento. No que concerne a menor pobre que o contribuinte crie e eduque, esse somente é considerado dependente, para os efeitos do imposto de renda, se obedecidos os procedimentos estatuídos na Lei nº 8.069, de 1990 Estatuto da Criança e do Adolescente quanto à guarda, tutela ou adoção. Em relação ao companheiro, é necessária a prova de coabitação e, a irmãos, netos e bisnetos, o termo de guarda judicial e a prova de incapacidade física ou mental para o 7 trabalho, se for o caso. A legislação do Imposto de Renda admite que o companheiro ou companheira sejam considerados dependentes, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos ou por período menor, se houver filhos da união (art. 77, § 1º, inciso II do RIR/1999). Para a comprovação da relação de dependência o interessado deve anexar aos autos cópias de contas de luz, água, energia elétrica, telefone etc. em nome de sua companheira Fl. 80DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.267 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10480.721156/2011-97 4 comprovando a residência desta no mesmo domicílio fiscal do notificado, ou mesmo certidão de nascimento de filho fruto da união dos dois. Sobre o assunto já se manifestou a segunda turma extraordinária da segunda seção deste conselho, acórdão 2002000.210 de 24 de julho de 2018, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2013 DEPENDENTE. COMPANHEIRA. ENTEADA. Nos termos da legislação tributária, a companheira pode ser informada como dependente desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis as despesas próprias do contribuinte e as dos dependentes informados na Declaração de Ajuste. Não comprovada a relação de dependência, as despesas realizadas com os dependentes glosados não podem ser acatadas. Neste sentido, as provas carreadas aos autos não são hábeis a comprovar a coabitação pelo prazo legal exigido de 5 (cinco) anos. A Escritura Pública de fls. 10/11 foi lavrada em 28/10/2010, após a notificação do lançamento que se deu em setembro de 2010, conforme AR de fls. 28, tratando-se de uma declaração do próprio recorrente e de sua companheira, desacompanhada de qualquer prova que sustenta a informação de existência da união estável há 6 anos. Tendo em vista a não comprovação da relação de dependência entre a companheira (coabitação por 5 anos), e que a condição de dependentes dos enteados decorre desta relação, deve ser mantida a glosa da forma como realizada pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente André Barros de Moura Fl. 81DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.958374/2018-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando as motivações das glosas foram devidamente descritas e enfrentadas pela decisão de primeira instância. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo. CRÉDITO DE IPI. MATERIAIS EXPLOSIVOS. EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E ARGILA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE CIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PARECER NORMATIVO CST Nº 65, DE 1979. Os materiais explosivos utilizados na extração do calcário e argila não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização de cimento, passíveis de creditamento de IPI, uma vez que não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PN CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3003-002.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade arguida, e no mérito negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3003-002.654, de 6 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.917329/2018-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando as motivações das glosas foram devidamente descritas e enfrentadas pela decisão de primeira instância. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo. CRÉDITO DE IPI. MATERIAIS EXPLOSIVOS. EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E ARGILA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE CIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PARECER NORMATIVO CST Nº 65, DE 1979. Os materiais explosivos utilizados na extração do calcário e argila não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização de cimento, passíveis de creditamento de IPI, uma vez que não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PN CST nº 65, de 1979.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando as motivações das glosas foram devidamente descritas e enfrentadas pela decisão de primeira instância. COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo. CRÉDITO DE IPI. MATERIAIS EXPLOSIVOS. EXTRAÇÃO DE CALCÁRIO E ARGILA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE CIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PARECER NORMATIVO CST Nº 65, DE 1979. Os materiais explosivos utilizados na extração do calcário e argila não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização de cimento, passíveis de creditamento de IPI, uma vez que não sofrem alterações, tais Fl. 781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 2 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. PN CST nº 65, de 1979. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade arguida, e no mérito negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3003-002.654, de 6 de fevereiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.917329/2018-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimaraes, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de IPI. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO. IPI Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, Fl. 782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 3 tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. O crédito de IPI está ligado diretamente ao fato de o insumo participar intrinsecamente do processo produtivo. Como isso não ocorre com as máquinas, equipamentos e instalações, suas partes e peças, não cabe crédito de IPI relativo à aquisição destes materiais. CRÉDITO DE IPI. MATERIAL EXPLOSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Os materiais explosivos não são insumos usados na industrialização do cimento e sim na mineração de produtos não tributados e, portanto, fora do conceito de industrialização. Somente se pode considerar industrialização aquilo que está disposto no artigo 4º do RIPI/2010, ou seja, transformação, acondicionamento, beneficiamento, montagem e renovação. Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual, em sede de preliminar, pugna pela nulidade do Acórdão recorrido e, consequentemente, do Despacho Decisório originário, em face da inobservância ao princípio da verdade material e, também, da ampla defesa e do contraditório. No mérito, traz longo arrazoado acerca da possibilidade de creditamento de IPI sobre os seguintes dispêndios abaixo relacionados: (i) coque de petróleo: inserido no interior dos fornos juntamente com os demais componentes, consumindo-se integralmente no processo produtivo, a ponto de seus componentes químicos passarem a ser identificados no cimento; (ii) materiais refratários consumidos, desgastados e/ou alterados: utilizados no revestimento dos fornos e moinhos, como tijolos, concreto, aditivos para concreto, chapas, placas etc., e têm como objetivo manter a alta temperatura necessária para a produção do cimento. Necessitam de reposição constante, vez que são diretamente consumidos no processo produtivo de cimento; e (iii) materiais explosivos consumidos no processo produtivo: utilizados na extração de argila e calcário de minas e que, uma vez detonados, as suas particular são integrantes definitivamente ao calcário e à argila, que comporão o cimento; É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 4 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da admissibilidade: A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05/04/2023 (fl.406) e protocolou Recurso Voluntário em 05/05/2023 (fl.408) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da nulidade da decisão de primeira instância: A recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeira instância, sob argumento de que não foram devidamente analisados elementos essenciais à elucidação dos fatos, o que teria comprometido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. As nulidades são tratadas nos arts. 59 e 60 do Decreto no 70.235/72, segundo os quais somente serão declarados nulos os atos na ocorrência de decisões ou despachos lavrados ou proferidos por pessoa incompetente ou dos quais resulte inequívoco cerceamento do direito de defesa à parte. Ressalta-se, que a nulidade do ato deve ser vista como impossibilidade do contribuinte se manifestar no processo administrativo fiscal em tempo hábil bem como a impossibilidade de acesso aos motivos pelos quais obteve determinada decisão. De outro lado, a decretação de nulidade é medida extrema que somente deve ser considerada em efetivo e prejuízo ao contribuinte ou à legislação fiscal, fato que não ocorreu no processo em epígrafe. Pela eventualidade, recordo o princípio Pas nullité sans grief, que defende a nulidade somente em efetivo prejuízo e amolda- se à organização da Administração Pública, razão pela qual trago como fundamentação para minhas razões de decidir. In casu, diversamente do alegado pela recorrente, da leitura das 26 páginas do acórdão recorrido é possível identificar, ainda que contrárias aos interesses da recorrente, as motivações das glosas, as quais foram devidamente descritas e fundamentadas, dando a oportunidade de efetuar a sua plena defesa por meio do Recurso Voluntário. Por outro lado, pela defesa apresentada revela conhecer 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 5 plenamente os motivos que levaram as glosas efetuadas, rebatendo-as uma a uma, portanto não há que se falar em cerceamento do direito de defesa como exporto no recurso. Ainda, “o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis”, inteligência da Súmula CARF nº 163. Diante do exposto, por total inexistência de vício de forma ou qualquer violação à Lei e princípios que regem o Direito Administrativo, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e passo a análise dos demais argumentos da defesa. Do mérito: Coque verde de petróleo: Cinge-se a primeira controvérsia em analisar se o “coque verde de petróleo” constitui produto intermediário na fabricação do cimento, cujo IPI incidente na aquisição é passível de apropriação na escrita fiscal. Para a presente análise, o que importa é saber se este combustível (coque) entra em contato direto com a matéria prima é consumido em razão deste contato, alterando-se os componentes. O crédito básico do IPI decorre diretamente do princípio constitucional da não cumulatividade (art. 153, § 3º, II, da CF), permitindo ao contribuinte compensar o IPI devido nas saídas tributadas com o IPI incidente nas aquisições de insumos, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente empregados no processo industrial. O RIPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, assim dispõe, sobre créditos básicos: Dos Créditos Básicos Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Bens de Produção Art. 610. Consideram-se bens de produção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decreto-Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I - as matérias-primas; Fl. 785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 6 II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III - os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV - as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e V - as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial. (grifou-se) Note-se que o dispositivo regulador do crédito básico a que o estabelecimento industrial tem direito define que o direito ao crédito de IPI se dá em relação a matérias-primas e produtos intermediários que passam a compor o produto final, garantindo-se, também, ao industrial, o direito de se creditar do imposto relativo a produtos que, sem compor a mercadoria final, sejam consumidos durante o processo produtivo e não se classifiquem contabilmente no ativo permanente. In casu, a empresa recorrida formulou pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Na origem, o ressarcimento pretendido foi homologado parcialmente, considerando prejudicado parte do valor requerido (glosa parcial), por entender que “o estabelecimento industrial incorre no erro de considerar como insumo na fabricação do cimento produtos que – ainda que não sejam incorporados ao ativo imobilizado e se desgastem no processo de industrialização – não se enquadram no conceito de matéria-prima e produto intermediário estabelecido pela legislação de regência do IPI, tanto em seu sentido restrito quanto em seu sentido amplo, tais como: materiais refratários utilizados para manutenção do forno; partes e peças de máquinas destinadas à manutenção do parque produtivo; material utilizado como combustível, material empregado como explosivo para desmonte de rocha”. A DRJ manteve a glosa, visto que “o coque de petróleo não pode ser considerado como matéria-prima stricto sensu, porque não é adicionado ou agregado às outras matérias primas, nem matéria prima latu sensu, porque não entra em contato direto com os produtos industrializados consumindo-se em razão deste contato”. Nesse sentido tece as seguintes conclusões: Fl. 786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 7 Apesar de a queima do combustível e de o tipo deste poder interferir na qualidade do produto fabricado, por seus resíduos entrarem em contado com a matéria prima, deve-se ter em mente que não é o coque que entra em contato com o produto fabricado, e seu consumo (queima para gerar calor) não se dá em ação direta com a matéria prima. O fato de os resíduos da queima do coque entrar em contato com o produto fabricado não lhe descaracteriza a classificação de combustível, não lhe cabendo o conceito de matéria-prima. Observa-se que o coque não se mistura com a matéria prima como fez crer a manifestante, o que entra em contato com a matéria prima é a chama (queima) do coque. No Recurso Voluntário, a interessada defende “que o coque de petróleo é um insumo imprescindível ao processo produtivo do cimento, tendo em vista que as propriedades do coque de petróleo integram o produto final comercializado pela Recorrente”. Consta do recurso, os seguintes apontamentos a respeito da utilização do coque de petróleo em seu processo produtivo: 21. Essa matéria-prima é inserida no interior dos fornos juntamente com os demais componentes, consumindo-se integralmente no processo produtivo, a ponto de seus componentes químicos passarem a ser identificados no cimento. De maneira sintetizada, o processo produtivo do cimento, pode ser descrito em 7 (sete) etapas, quais sejam: 1. Extração de calcário e argila: o calcário, principal matéria-prima para fabricação do cimento, é retirado da mina; 2. Britagem: o calcário é transportado da mina até um britador, equipamento cuja finalidade é reduzir o tamanho da rocha. 3. Moagem: o calcário, juntamente com os demais materiais, passa por um sistema de dosagem controlada, e é introduzido no moinho. 4. Homogeneização: a farinha produzida pelos moinhos é estocada em silos dotados de um sistema de homogeneização. 5. Fabricação de clinquer: a farinha sofre um processo térmico controlado para obtenção de um subproduto denominado clinquer. 6. Moagem de cimento: o clinquer, juntamente com o gesso e outros aditivos, são moídos finamente para obtenção do cimento. O principal componente do cimento é o clinquer, responsável pelas características de resistência. Após ser moído, o cimento é estocado em silos. 7. Ensaque e expedição: O cimento é extraído dos silos de estocagem e introduzido na ensacadeira, onde é acondicionado em sacos de 50kg, e carregado em caminhões para ser expedido ao mercado. 22. Ademais, diante da complexidade desse processo produtivo, que envolve diversas etapas, a Recorrente apresenta o fluxograma abaixo para facilitar a visualização: Fl. 787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 8 23. Nesse sentido, os Pareceres Técnicos apresentados nos autos não deixam dúvida no sentido de que o coque de petróleo é utilizado diretamente no processo produtivo do cimento, bem como que esse material entra em contato físico com o produto final. 24. Assim, além da função de combustível para os fornos que promovem o processamento da mistura de materiais extraídos da mineração (calcário e argila), seus componentes passam a compor também o ‘clínquer’, que é o resultado da queima da mistura dos materiais extraídos da mineração. 25. Pelo exposto, pode-se afirmar que NÃO EXISTE CLÍNQUER SEM COQUE; e NÃO HÁ CIMENTO SEM CLÍNQUER → LOGO, NÃO HÁ CIMENTO SEM COQUE! A princípio, oportuno ressaltar, que com o objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que qualquer elemento consumido nas instalações da empresa, certamente necessário ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, seja considerado matéria-prima ou produto intermediário com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito, sobreveio o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, que interpretou os dispositivos legais aplicáveis. Vejamos o que dispõe o citado parecer, a seguir transcrito em parte: 11. Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final, (matérias-primas e produtos intermediários, ‘stricto-sensu’, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 - Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79. (grifou-se) Fl. 788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 9 Resta evidente que, para fins de aproveitamento do crédito básico do IPI, autorizado nos termos do art. 226, I, do RIPI/10, o contribuinte poderá se creditar em relação a produtos intermediários que venham a incorporar o produto final (PI, em sentido estrito) ou que, não incorporando o produto final, sejam consumidos na industrialização, ou seja, deve ser estritamente relacionado com o processo indispensável à obtenção de um novo produto. A esse respeito, assim dispõe a Solução de Consulta nº 135 – Cosit, de 14/09/2021 e Solução de Consulta Cosit nº 99008, de 14/11/2025, in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ELEMENTOS QUE SE INCORPORAM AO PRODUTO FINAL OU QUE SE CONSOMEM NA INDUSTRIALIZAÇÃO. Considera-se produto intermediário (PI), para efeitos de apuração de créditos do IPI, quando não se enquadre como matéria-prima ou material de embalagem: a) o bem que se incorpora ao produto final, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), dele resultando diretamente um novo produto (PI strictu sensu); ou b) o bem que se consome no processo de industrialização em decorrência de contato físico com o produto final, embora a esse não se incorpore, por ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida (PI lato sensu). Para reconhecimento do direito ao crédito básico do IPI, não se considera consumido no processo de industrialização o produto que, embora em contato com o produto final, sofra mero desgaste, tal como pode ocorrer com máquinas, equipamentos ou outros bens utilizados no processo de fabricação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº4.502, de 1964, art.25; Decreto nº 7.212, de 2010, art.226, I; PN/CST nº 65, de 1964. No presente caso, é incontroverso que a utilização do coque de petróleo na indústria cimenteira, por possuir alto poder calorífico, se dá como principal fonte de combustível para geração de energia térmica para os fornos na etapa intermediária de produção que resulta no clínquer2 (principal insumo na produção do cimento), que após ser resfriado e passar pelo processo de moagem juntamente com outros materiais origina o cimento Portland. Observa-se que o laudo técnico anexado pela empresa nos presentes autos às fls.674/816, realmente não gera dúvida quanto à natureza de combustível do coque de petróleo no processo de produção do cimento da pessoa jurídica. A 2 Produto intermediário do cimento, elaborado pelo processamento térmico em alta temperatura da farinha (mistura mineral constituída de calcário, argila, areia e, eventualmente, corretivos minerais - matérias-primas para a fabricação do cimento), que após o aquecimento e as reações que ocorrem no forno resulta no clínquer. Fl. 789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 10 natureza técnica de combustível é reiteradamente confirmada no laudo técnico do Instituto de Pesquisa Tecnológicas, no qual afirma: 3.4.3 Forno O clínquer nada mais é que a farinha tratada termicamente a altas temperaturas. Para tanto, utilizam-se fornos rotativos (3.5, QUADRO 11) de grandes dimensões, aquecidos a maçarico. Os insumos industriais energéticos para este fim são coque de petróleo, carvão mineral e outros materiais como raspas de pneu. O perfil térmico do forno varia ao longo de sua extensão, dependendo da temperatura e das reações químicas envolvidas durante o processo. • Zona de descarbonatação: de 300ºC a 1000°C (+) Esta etapa ocorre nos pré-calcinadores, conjunto de vários ciclones em que os gases quentes do forno rotativo fluem em contrafluxo com a farinha, e se constitui de duas etapas: a primeira, entre 300°C e 650°C, em que acontece o aquecimento da farinha acompanhado por uma reação de desidratação; e a segunda, entre 650°C e 1000°C, quando começa o processo de descarbonatação do calcário em CO2 e CaO. Para evitar a dispersão de finos no ambiente, um filtro de ar está instalado na saída do “off gas”. • Zona de transição superior: de 1000ºC a 1238°C (+) É a zona mais instável e são frequentes as incidências de sobrecargas térmicas. Tal fato é ligado à forma da chama, ao tipo de insumo energético e ao desenho do queimador do forno. Portanto, é nesta região onde começa a aparecer a colagem ou anel, afetando a estabilidade operacional do forno. • Zona de sinterização: de 1338ºC a 1450°C (+) Região em que ocorre a clinquerização e onde são alcançadas as temperaturas mais elevadas. Nesta etapa, a reação da CaO livre com o C2S ((CaO)2SiO2) gera o C3S ((CaO)3SiO2). A fase líquida alcança seu ponto mais elevado a 1450°C. • Zona de transição inferior: de 1400ºC a 1200°C (+) Nesta região, que geralmente opera entre 1400°C e 1200°C, a temperatura começa a cristalizar as fases minerais do clínquer, mas não totalmente. Embora ainda possa ocorrer a presença de fase líquida, é uma etapa de baixa atividade química, considerando que a maior parte de C3S já deve ter sido formada. Apesar disso, é uma zona submetida a intensas variações de temperatura, pois está sob a influência do fluxo de ar secundário do resfriador. • Zona de pré-resfriamento: de 1200ºC a 1000°C (+), tem a finalidade de promover o resfriamento das fases de clínquer mineral recém-formadas nas regiões anteriores e depende do tipo do resfriador projetado para este forno. Está situada em uma faixa de temperatura que vai de 1150°C até 1100°C. Na maioria dos fornos modernos equipados com resfriadores de alta eficiência, esta zona não se encontra mais dentro do forno, mas sim no primeiro compartimento de resfriamento. No forno rotativo, a farinha é alimentada pelo lado oposto ao maçarico de aquecimento, portanto em contra fluxo. O clínquer, ainda quente, é descarregado no resfriador de grelha que pode possuir algumas partes com proteção térmica, antiabrasão em concreto refratário. Fl. 790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 11 FIGURA 15 - DIAGRAMA DO RESFRIADOR DE GRELHA DO CLÍNQUER O resfriador de clínquer possui redutor de potência para a movimentação das grelhas. Ele precisa estar operacional para o bom funcionamento do resfriador. FIGURA 16 - MANUTENÇÃO DO SISTEMA DE RESFRIAMENTO DO CLÍNQUER. A FIGURA 17 mostra a torre pré-calcinador (torre de ciclones) constituído de vários ciclones que ficam logo acima do forno. Ela aproveita os gases quentes de saída do forno rotativo para pré-aquecimento da farinha, em contracorrente. A temperatura de saída da farinha é da ordem de 850°C. E a temperatura dos gases de saída do último ciclone é da ordem de 360°C. A descarbonatação da farinha começa a ocorrer nesta torre pré-calcinador (torre de ciclones) e termina dentro do forno rotativo (a quase metade do seu comprimento). FIGURA 17 - TORRE DE CICLONES PARA PRÉ-CALCINAÇÃO DA MISTURA. A mistura cai no forno rotativo (FIGURA 18) cuja temperatura interna é da ordem de 1.450°C. A farinha caminha em contra fluxo com os gases quentes de combustão do maçarico. O ar primário do maçarico está à temperatura ambiente, contudo o seu ar secundário vem da primeira câmara de resfriamento do clínquer, portanto preaquecido a 900 a 950°C. As FIGURAS 19 E 20 mostram respectivamente a manutenção de um forno de clínquer e a manutenção do maçarico de um dos fornos de clínquer. FIGURA 18 - FORNO ROTATIVO PARA PRODUÇÃO DO CLÍNQUER FIGURA 19 - MANUTENÇÃO DE UM FORNO DE CLÍNQUER FIGURA 20 - MANUTENÇÃO DO MAÇARICO DE UM DOS FORNOS DE CLÍNQUER Uma leve inclinação do forno (apenas 3%), associado à sua lenta rotação (em torno de duas rotações por minuto) permite que o material percorra o forno à medida que desliza pelas paredes. Internamente, há um revestimento de material refratário e isolante térmico que protege a carcaça metálica do forno das altas temperaturas e conserva o calor no seu interior. O deslizamento do composto pelas paredes provoca o desgaste do material refratário e isolante térmico (revestimento) que protege a carcaça metálica do forno. Na descarga do forno, o produto já está na forma de clínquer. As condições de operação destes fornos permitem a utilização de diferentes insumos industriais energéticos como coque de petróleo, óleo combustível, raspas de pneu, restos de madeira e outros resíduos industriais contendo carbono. O coque de petróleo utilizado pode ser importado dos EUA (alto teor de enxofre, da ordem de 6,5%) e da Venezuela (médio teor de enxofre), ou nacional, da Petrobrás (baixo teor de enxofre, da ordem de 0,7%). Coque com elevado teor de enxofre pode acarretar a “colagem” na entrada do forno rotativo, reduzindo a sua produtividade. Há monitoramento de SOx e NOx (gases poluentes) na chaminé dos fornos rotativos. O coque recebido é armazenado em silos (FIGURA 21), onde é homogeneizado. Fl. 791DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 12 Este insumo industrial é posteriormente moído em moinho de bolas. A granulometria do material moído é 3 a 4% de material retido na peneira 170 mesh (0,090 mm). Portanto, suficientemente fino para a sua ignição e combustão completa. Por fim, vale ressaltar que estes equipamentos e máquinas precisam estar em condições de funcionamento contínuo para a produção de clínquer, por isso peças e componentes são comprados e trocados quando necessários. Em resumo, da análise do laudo contido nos autos, resta evidente que o “coque de petróleo”, sendo um subproduto da destilação do petróleo cru num processo denominado craking ou coqueificação, é utilizado como combustível para a produção do clinquer, e seu uso, é uma escolha da empresa e relacionado com o custo de produção e qualidade do clínquer. Aliás, conforme informação contida no próprio laudo, “as condições de operação destes fornos permitem a utilização de diferentes insumos industriais energéticos como coque de petróleo, óleo combustível, raspas de pneu, restos de madeira e outros resíduos industriais contendo carbono”. Entretanto, por razões de viabilidade econômica, essa opção não é praticada em escala industrial, limitando-se à aplicação em estudos de clinquerização em escala laboral. Ressalta-se, por oportuno, que apesar de a queima do combustível e de o tipo deste poder interferir na qualidade do produto fabricado, o fato de os resíduos da queima do coque entrar em contato com o produto fabricado não lhe descaracteriza seu uso como combustível, tampouco lhe confere o conceito de matéria-prima, pois este contato resultante da queima do coque com o clinquer, produto intermediário, é apenas incidental, como já se disse, e tal fato não lhe descaracteriza a ação de combustível, fonte de energia térmica, não lhe cabendo o conceito de MP ou PI. Aliás, apenas para contextualizar, o clínquer que é o principal componente do cimento, é formado por silicatos de cálcio (Alita e Belita), aluminatos de cálcio (C₃A) e ferro-aluminatos de cálcio (C₄AF), resultantes da queima de calcário e argila em altas temperaturas, sendo a Alita (silicato tricálcico) o componente mais abundante e responsável pela resistência inicial, que compõem cerca de 50% a 70% do clínquer. Esses minerais se formam pela fusão de calcário (carbonato de cálcio) e argila em altas temperaturas, resultando nos grânulos do clínquer que são moídos para fazer o cimento. Em suma, os combustíveis, em si, são itens que não guardam semelhança alguma com as matérias primas e os produtos intermediários “stricto sensu”, ou seja, exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, entrarem em “contato físico” com o produto em fabricação ou com a matéria prima e serem consumidos nesse processo. Além disto, esse consumo/desgaste deve ser estritamente relacionado com os processos indispensáveis à obtenção do produto e não, mero reflexo deste processo, isto é, não como circunstância acidental, ou, Fl. 792DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 13 mais apropriadamente, incidental, condições essas para admitir o crédito do IPI, segundo a análise efetuada pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e esclarecimentos trazidos nas Soluções de Consultas Cosit 135 e 99008, acima transcritas. Essa compreensão encontra respaldo na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), como exemplo cito o Acórdão nº 9303- 016.700, julgado em 28 de março de 2025, in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, TAMPOUCO CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Afasta-se o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme o Recurso Especial n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009, proferido pelo STJ, em regime de recurso repetitivo. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda, e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que lhe negou provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que lhe deu provimento. (Acórdão nº 9303-016.700, Processo nº 10880.923998/2012-50, Rel. Conselheiro Alexandre Freitas Costa, Sessão de 28 de março de 2025). No mesmo sentido, em processo envolvendo o mesmo contribuinte: PROCESSO 10855.902174/2012-53 ACÓRDÃO 3002-003.731 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 31 de julho de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE VOTORANTIM CIMENTOS BRASIL S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Fl. 793DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 14 Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. (Acórdão nº 3002-003.731, Processo nº 10855.902174/2012-53, Redator designado Conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, 31 de julho de 2025). Há inúmeras decisões do CARF que seguem tal entendimento: Acórdão nº 3003-000.244 – Turma Extraordinária / 3ª Turma (julgado em 17 de abril de 2019); Acórdão nº 3301-012.496 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (julgado em 26 de abril de 2023); Acórdão nº 3002-003.731 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária (julgado em 31 de julho de 2025). Compulsando os julgados do STJ sobre o tema, em 22 de março de 2022, a Segunda Turma, enfrentou questão semelhante a tratada nos autos: "possibilidade de aproveitamento dos créditos de IPI em decorrência da aquisição de insumos consumidos de forma imediata e integral no processo de industrialização, em especial no que diz respeito ao piche e ao coque calcinado de petróleo". Naquela oportunidade, a Turma Julgadora soberana na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, concluiu que os insumos – "coque calcinado de petróleo" e "piche" – não integram o produto final (fabricação de alumínio) nem são consumidos por meio de contato direto, sendo descabido o aproveitamento dos créditos de IPI. Consta da ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE ALUMÍNIO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. INSUMOS QUE NÃO INTEGRAM O PRODUTO FINAL NEM SÃO CONSUMIDOS POR MEIO DE CONTATO DIRETO. REVISÃO DE PREMISSAS FÁTICAS ESTABELECIDAS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ANÁLISE DA DIVERGÊNCIA PREJUDICADA. 1. A parte agravante reitera a tese de violação do art. 1.022 do CPC, afirmando que houve omissão no julgado, porquanto os insumos gerariam créditos de IPI, "uma vez que são consumidos no processo de industrialização, em contato direto com o alumínio produzido" (fl.1339, e-STJ), não tendo a Corte de origem analisado a legislação de regência. Além disso, afirma ser contraditório o acórdão recorrido, porquanto o entendimento por ele adotado contraria a conclusão do laudo pericial, o qual supostamente "comprova que o coque calcinado e o piche são consumidos em razão do contato direto com o alumínio produzido" (fl. 1340, e-STJ). 2. Por outro lado, na hipótese dos autos, o acórdão recorrido consignou expressamente que "a prova pericial também esclareceu que esses insumos (coque calcinado de petróleo e o piche) não se incorporam ao produto em fabricação" (fl. 1145, e-STJ), estando a decisão devidamente embasada na legislação aplicável e no Fl. 794DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 15 entendimento do STJ, motivo pelo qual não há falar em negativa de prestação jurisdicional. 3. Assim, não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 4. Consoante a jurisprudência do STJ, os produtos consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de "matérias-primas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1° da Lei 9.363/1996. Nesse sentido: AgInt no AREsp 908.161/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 4/11/2016; REsp 816.496/AL, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 19/6/2012. 5. O Tribunal de origem, soberano na análise das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, concluiu que os insumos – "coque calcinado de petróleo" e "piche" – não integram o produto final nem são consumidos por meio de contato direto, sendo descabido o aproveitamento dos créditos de IPI. Para tanto, adotou- se, inclusive, o entendimento do STJ no REsp 1.049.305/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 22/3/2011. 6. É evidente que a revisão desse posicionamento, in casu, demanda revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, inadmissível na via especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 7. Ressalte-se que, consoante a jurisprudência do STJ, a análise do dissídio jurisprudencial está prejudicada, porquanto "aplicada a Súmula 7/STJ quanto à alínea 'a' fica prejudicada a divergência jurisprudencial, pois as conclusões divergentes decorreriam das circunstâncias específicas de cada processo e não do entendimento diverso sobre uma mesma questão legal" (AgInt no AREsp 1.651.863/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 2/9/2021). 8. Agravo Interno não provido. (AgInt nos EDcl no Agravo em REsp nº 1.904.015-PA (2021/0157385-0), Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/03/2022). (grifou-se) No mesmo sentido, trago a colação jurisprudência proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região: TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. COFINS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE IPI. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. PERÍCIA CONTÁBIL INDEFERIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INDUSTRIALIZAÇÃO DO CIMENTO. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS SEGUNDO A LEGISLAÇÃO DO IPI. 1. O juiz julgou antecipadamente os embargos à execução, indeferindo o pedido de realização de prova pericial, por entender ser a matéria questionada de direito e de Fl. 795DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 16 fato comprovada de plano, portanto, correta a aplicação do parágrafo único do art. 17 da Lei 6.830/80, que dispõe sobre o julgamento antecipado da lide. 2. O Código de processo Civil consagra o juiz como condutor do processo, cabendo a ele analisar a necessidade da dilação probatória, conforme os artigos 139, 370 e 371. Desta forma, o magistrado, considerando a matéria impugnada, pode indeferir a realização da prova, através de decisão fundamentada, por entendê-la inútil ou meramente protelatória. 3. Especificamente no caso em questão, o MM juiz a quo indeferiu fundamentadamente o pedido de produção de prova pericial, pois considerou que os fatos e fundamentos jurídicos do pedido independem de conhecimento técnico para serem comprovados, além de que as respostas aos quesitos apresentados não auxiliariam na formação de seu convencimento. 4. Cumpre ressaltar que não se tratam os presentes embargos de pedido de deferimento de compensação tributária no bojo dos próprios autos, o que expressamente é vedado pelo disposto no art. 16, § 3º da Lei n.º 6.830/80. 5. In casu, o embargante formulou pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de IPI, PERD/Comp´s nºs 42834.25249.221010.1.1.01-7604, 01570.7139.221010.1.3.01-6824, 02811.01870.200111.1.1.01-0751 e 37195.82312.210111.1.3.01-6858, para a compensação com débitos de Cofins, 3º e 4º trimestres de 2010, nos termos do art. 226, I, do Regulamento do IPI, Decreto nº 7.212/10 e art. 11 da Lei nº 9.779/99. 6. Conforme despachos decisórios acostados aos autos (fls. 64/65, 77/78), as compensações foram parcialmente homologadas, pois os créditos foram insuficientes para extinguir integralmente os débitos informados. Isso porque, após procedimento fiscal realizado pela Delegacia da Receita Federal de João Pessoa/PB, concluiu-se que nem todas as compras efetuadas pelo estabelecimento para a utilização em suas operações industriais se referem a insumos, conforme conceito estabelecido pela legislação do IPI. 7. Após a apresentação dos livros e documentos requisitados pela autoridade administrativa para a análise do pedido de ressarcimento de IPI, visando entender melhor o processo produtivo do contribuinte, foi realizada visita em suas instalações industriais, os quais resultaram na desconsideração dos créditos de IPI na aquisição dos seguintes produtos, por não se enquadrarem no conceito de insumo: dinamite e matinel (detonador); tijolos e concreto refratários, corpo moedor e coque de petróleo. 8. Como bem elucidado nas informações fiscais (fls. 66/75 e 79/88), tais produtos não podem ser considerados insumos no processo de industrialização do cimento, nos termos da legislação do IPI, pois, enquanto o dinamite e o matinel são utilizados para a extração de calcário, esse sim matéria-prima; os tijolos e concreto refratários são utilizados no revestimento do forno de clinquerização e o corpo moedor (bola) é utilizado nos moinhos para moagem de farinha e cimento, tratando-se, portanto de maquinários, ou seja, ativo permanente; já o coque de petróleo é combustível no processo produtivo. Fl. 796DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 17 9. Desta feita, considerando que tais produtos não podem ser classificados como insumos segundo a legislação do IPI, não possuem o condão de gerar crédito pela aquisição para fins de compensação com débitos de Cofins. 10. Precedentes jurisprudenciais. 11. Apelação improvida. (TRF3, 6ª Turma, AC nº 0065922-22.2015.4.03.6182/SP, Rel. Desembargadora Federal Consuelo Yoshida, DJF 09/10/2017). (grifou-se) Dessa forma, a documentação técnica anexada pelo contribuinte aos presentes autos não afasta a premissa da qual partiu a fiscalização para a glosa do crédito, no sentido de que o coque de petróleo é utilizado como combustível no processo produtivo da empresa, não se enquadrando no conceito de matéria-prima ou produto intermediário por não integrar diretamente o produto em produção (cimento). Diante do exposto, negro provimento a este capítulo recursal. Materiais refratários (tijolos, concreto, argamassa): A recorrente esclarece que “os MATERIAIS REFRATÁRIOS são utilizados no revestimento dos fornos e possuem a função de manter a alta temperatura que se faz necessária para a produção do cimento, onde há necessidade de reposições constantes, pois são diretamente (e de forma essencial) consumidos no processo produtivo do cimento”. No recurso, tece as seguintes considerações acerca da utilização desse materiais no processo produtivo: Fl. 797DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 18 47. Por outro lado, cumpre esclarecer que da natureza e destinação dos materiais refratários (tijolos, concreto, argamassa, etc.) é possível asseverar que tais bens são aplicados internamente nos fornos, como medida destinada a proteger as partes metálicas, o que proporciona o contato direto com as matérias-primas utilizadas na fabricação do cimento. (...) 48. Diante disso, resta demonstrada a natureza e a destinação dos materiais refratários (tijolos, concreto, argamassa, etc.), sendo possível concluir que tais bens são insumos que possibilitam a tomada de crédito de IPI. A decisão recorrida enfrentou o tema sob os seguintes fundamento: DOS MATERIAIS REFRATÁRIOS Os materiais refratários (concreto, tijolos e massa) também estão compreendidos na categoria de “máquinas, equipamentos e instalações, suas partes, peças e acessórios”. Os fornos (equipamentos), que terão contato direto com os insumos na fabricação do cimento, já são construídos com a cobertura refratária, e não podem (e nem são) serem usados em separado. Ou seja, os refratários aqui tratados são empregados nas indústrias de cimento para o isolamento térmico dos fornos industriais, com a finalidade de evitar-se a perda de calor para o ambiente externo, possibilitando, assim, a manutenção das temperaturas internas destes, necessárias ao processo de transformação dos insumos para obtenção do cimento. A substituição do material refratário danificado é um custo de manutenção no equipamento, não aumenta sua vida útil, apenas o mantém em funcionamento. Portanto, embora sejam repostos com frequência devido às altíssimas temperaturas a que são submetidos, os refratários guardam similaridade não com matéria-prima e produto intermediário, mas sim com os bens do ativo imobilizado, pois apenas recondicionam os equipamentos ao seu estado funcional, restabelecendo a sua condição de uso. Fl. 798DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 19 Os materiais refratários agregam características ao equipamento - proteção a altas temperaturas e resistência à abrasão e isolamento térmico e não ao produto em transformação. Portanto, não se questiona se o material refratário tem contato com o produto, nem mesmo se há o desgaste destes materiais. Porém, este contato\desgaste não tem o objetivo de agregar nada ao produto, nem mesmo alterar sua característica especial. Vide figura abaixo: Resumindo, os produtos refratários adquiridos pelas indústrias e destinados à construção ou reparo (manutenção) dos fornos e demais instalações não são produtos intermediários. As reposições causadas pelos desgastes pelo uso são decorrentes da própria atividade industrial (submetida a alta temperatura), sendo uma decorrência natural desta atividade, estes produtos se consomem sem haver uma interação com o produto final. Constituem um desgaste ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento (substituição e conserto de peças e outros reparos mais ou menos constantes e previsíveis), constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos financeiros das indústrias. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Por outro lado, não podem ser dissociados do conceito de “máquinas, equipamentos e instalações, suas partes, peças e acessórios” que, como dito anteriormente, não são produtos intermediários. Para complementar o embasamento aqui exposto cito o Parecer Normativo Cosit nº 260, de 1971, que integra o rol das normas complementares a serem adotadas pelas DRJ: 1.1 - CRÉDITO (exclusive exportação) Substâncias refratárias adquiridas por usinas siderúrgicas e destinadas à construção ou reparo (manutenção) do fornos e demais instalações. Não constituindo matéria prima ou produto intermediário, estão excluídas do direito ao crédito previsto no inciso I, do Art. 30, do RIPI (Decreto n° 61.514/67). (...) 5 - (...). Pretendeu-se, em alguns setores desta importante indústria (siderúrgica), emprestar ao termo 'consumidos no processo de industrialização' um sentido literal, isolado do texto, o que, entretanto, de Fl. 799DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 20 nenhuma firma é cabível. Tratando-se 'in casu' de direito de caráter tributário, deve a interpretação, 'ex vi' do art. 111 do CTN, ser restrita. 6 - Donde necessário se faz esclarecer de vez as dúvidas levantadas. Ainda na existência do extinto Departamento de Rendas Internas, já se firmara o entendimento de que 'quando o Regulamento ampliou o pensamento do legislador (lei n° 4.502/64, citada) foi somente para deixar bem compreendido que "as matérias-primas, produtos intermediários e embalagens' gerariam direitos de crédito, quer quando fossem empregados diretamente no produto, de modo intrínseco, quer quando se consumissem no processo de industrialização, isto querendo significar uma implicação direta dos ingredientes empregados, mesmo que alguns destes sejam volatilizados, constituam veículo de reação, surjam em fases intermediárias do método ou processo industrial, mas, sempre, consumo estritamente relacionado com os componentes indispensáveis à obtenção do produto. As reposições causadas pelos desgastes, pelo uso e decorrentes da própria atividade industrial têm, evidentemente, peculiaridades diversas 7 - É sabido, inclusive através de pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia, que os materiais refratários usados nas operações metalúrgicos se perdem sem haver incorporação ao produto. Entretanto, essa perda não é necessariamente destinada ao processo de industrialização, mas, isto sim, dele é decorrência natural, constituindo um desgaste ligado as despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento (substituição e conserto de peças e outros reparos mais ou menos constantes e previsíveis) 8 - Isto posto, não se aplica à hipótese em epígrafe o direito previsto no art. 30, inciso I, do Regulamento aprovado com o Decreto n° 61.514/67, por não atenderem ao conceito nele especificado os produtos refratários e ignífugos adquiridos por indústrias siderúrgicas, vez que não se compreendem como matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem, destinados que são ao emprego na construção ou reparo (manutenção ou recondicionamento) de seus fornos e demais instalações, tais como, caçambas, lingoteiras etc, citando-se como exemplo as argamassas retratarias; os refratários pré-moldados, apresentando-se em tijolos, cunhas, suportes, placas, muflas etc, os materiais pulverulentos, tais como a magnesita, a diatomita (Kieselgur), a lã de rocha ou de vidro, etc, isolantes térmicos empregados para evitar a fuga do calor, nas corridas do forno, bem como as demais misturas destinadas a reparar as partes do revestimento e condutos sujeitos à ação agressiva do banho ígneo, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos financeiros das indústrias. 9 - Cumpre ter em vista que os materiais refratários submetidos à ação do metal em estado de fusão e as elevadíssimas temperaturas reinantes no interior dos fornos, lingoteiras, caçambas etc., perdem a resistência que lhes é característica e se desgastam, (...). O desgaste observado, é certo, é o fator que determina a oportunidade de substituição dos refratários, visando à melhor proteção dos revestimentos das instalações. Mas isto nada tem a ver com o direito ao crédito do tributo incidente sobre as matérias-primas e produtos intermediários consumidos nos artigos objeto da elaboração. Não se entende por consumo, para os efeitos da legislação fiscal pertinente, a Fl. 800DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 21 destruição ou perda do produto pelo uso, não componente do processo de fabricação. Haja vista, pura simples ilustração teórica, que se chegaria ao mesmo resultado se se empregasse (no caso em foco) um refratário imune ao desgaste. Trata se, não cabe a menor dúvida, de circunstância acidental e não de um requisito essencial ao processo de industrialização. Referido Parecer pode sim ser aplicado ao caso concreto, pois apesar de se referir à empresas siderúrgicas, diz respeito a material refratária usado em forno, caso análogo ao da manifestante. Portanto, correta a glosa. Sem reparos a serem feitos da conclusão da decisão recorrida. Como pontuado acima, a legislação do IPI (art. 226 do RIPI/2010) limita o creditamento aos produtos intermediários "stricto sensu” utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que “embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente”. Dessume-se da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito do IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Os materiais refratários se desgastam por conta de sua aplicação direta na linha produtiva principal. No entanto, não é o suficiente para se enquadrar na categoria de “produtos intermediários”. Ademais, o refratário não agrega qualquer característica ao produto, mas sim ao equipamento: proteção das altas temperaturas, resistência à abrasão e isolamento térmico. Assim, são acessórios ao forno industrial e aos demais equipamentos, todos integrantes do ativo imobilizado, razão pela qual não geram direito ao crédito de IPI. Os refratários terão sempre a função de proteger a parede metálica do forno, evitando o seu derretimento, ataque químico e perda de calor. E a função dos fornos será sempre a mesma: a queima de combustível gerando calor, que se pretende transferir a uma substância que se quer aquecer. Não se questiona que o refratário tem contato com o produto. Mas este contato não tem o objetivo de agregar ao produto alguma característica especial. Em pesquisa realizada no site do Superior Tribunal de Justiça, é pacífica a jurisprudência quanto à tomada de crédito, como produto intermediário dos materiais refratários, tal pleito deve ser afastado diante da consolidada jurisprudência do STJ, no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização. Fl. 801DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 22 Nesse sentido, cito um trecho contido no REsp nº 1.075.508-SC, julgado em 23/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, in verbis: Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". Dessume-se da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. No mesmo diapasão, confiram-se as ementas dos seguintes julgados das Turmas de Direito Público: "TRIBUTÁRIO - IPI - CREDITAMENTO - PRODUTO ADQUIRIDO E UTILIZADO DE FORMA IMEDIATA E INTEGRALMENTE. 1. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a dedução do IPI somente se aplica aos casos em que os produtos intermediários, matérias-primas e embalagens adquiridos pela empresa destinem-se à fabricação do produto final.2. No caso em análise, merece reparo a decisão do Tribunal de origem que deferiu a apropriação de créditos de IPI decorrentes da aquisição de bens que não se consomem imediata e integralmente no processo produtivo. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CREDITAMENTO DO IPI DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS AO ATIVO PERMANENTE. IMPOSSIBILIDADE. I - Os materiais destinados ao ativo permanente da empresa não se integram no preço do produto final para efeito de tributação do IPI em operações posteriores ou anteriores ao processo de industrialização, não gerando o creditamento do tributo, diante do fenômeno da não cumulatividade e da substituição tributária. II - Considerando que somente há o direito de creditamento do IPI pago anteriormente quando se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou que são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral, não há que se falar em crédito no caso em exame. Precedentes: AgRg no Ag nº 940.241/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/03/08; REsp nº 886.249/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 15/10/07 e REsp nº 608.181/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 27/03/06. Fl. 802DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 23 III - Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008) "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. DECRETO 2.637/98. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 49, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. 1. É vedada a utilização de créditos do IPI, oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, consoante a ratio essendi do artigo 147, inciso I, do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que estabelecia que, entre as matérias-primas e produtos intermediários, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluíam-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 2. In casu, pretende a recorrente o creditamento de IPI relativo à aquisição de bens de uso e consumo, tais como material de expediente, uniformes e alimentação, conservação e manutenção, bens duráveis de pequeno valor etc, além das máquinas e equipamentos que serão incorporados ao seu ativo permanente , que, segundo incontroversa inferência da instância ordinária, apesar de não integrarem fisicamente o produto final, nem se desgastarem por ação direta (física ou química), sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrando-se financeiramente ao produto final. 3. Precedentes desta Corte: REsp 608181 / SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ de 27/03/2006; RESP 500076/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 15.03.2004; RESP 497187/SC, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 08.09.2003). 4. Recurso especial desprovido." (REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007) "TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO DE VALORES PAGOS NA AQUISIÇÃO DE BENS DE USO E CONSUMO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. DESGASTE INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. 1. "A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral". (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de 07.03.1994; RESP 500.076/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, DJ de 15.03.2004). 2. No caso dos autos, ficou assentado que os bens de uso e consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição. 3. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006) Fl. 803DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 24 "RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL - ALÍNEAS "A" E "C" - IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO - CRÉDITO - COMPENSAÇÃO - ART. 166 DO CTN - INAPLICABILIDADE À HIPÓTESE - AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. (...) Não prospera a alegação de que restou malferido o comando do artigo 49 do CTN, pois, consoante asseverou o nobre relator do v. acórdão objurgado, o Regulamento do IPI (art. 147, do Decreto n. 2.637/98) veda expressamente o aproveitamento dos bens do ativo permanente da empresa, mesmo se houver seu natural desgaste no curso do processo de industrialização. (...)" (REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003) In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Com essas considerações, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL Consta da ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no Fl. 804DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 25 processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo sentido posto acima, cito a jurisprudência deste CARF: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 IPI. CREDITAMENTO. MATERIAIS NÃO INTEGRADOS AO PRODUTO FINAL, NEM CONSUMIDOS IMEDIATA E INTEGRALMENTE. DESGASTE INDIRETO NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. INVIABILIDADE DO CREDITAMENTO. Consolidada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de afastar o direito ao creditamento de IPI de bens de uso e consumo que não se incorporam ao produto final e que não são consumidos de forma imediata e integral, sofrendo apenas desgaste indireto no processo de industrialização, conforme acórdão proferido pelo regime de recurso repetitivo (REsp n° 1.075.508/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 13/10/2009). (Acórdão nº 9303-016.321 – CSRF / 3ª Turma, Processo nº 11080.732116/2013-16, Rel. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Sessão de 10 de dezembro de 2024) Com estes fundamentos, voto por negar provimento a este capítulo recursal. Materiais explosivos: Sobre o tema, defende a recorrente “que os materiais explosivos são necessários para permitir a extração de calcário e argila, os quais são matérias-primas do cimento. Ao ponto que, uma vez detonado, terá suas partículas definitivamente integradas ao calcário e à argila, motivo pelo qual os pareceres técnicos concluíram que a aquisição desses materiais deve gerar direito ao crédito do IPI”. Traz as seguintes considerações sobre o tema: Fl. 805DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 26 A matéria não é nova perante este CARF, em processo envolvendo a mesma contribuinte, no Acórdão nº 3402-012.512, da 4ª Câmara, da 2º Turma Ordinária, desta 3ª Seção, julgado em 18/03/2025, de relatoria da Ilustre Conselheira Cynthia Elena de Campos, e por entender que a decisão proferida é irretocável e seguiu o rumo correto, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse para fundamentar a decisão, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e do art. 2º, § 3º do Decreto nº 9.830, de 10 de junho de 2019 e do § 12 do art. 114 do RICARF, in verbis: 3. Dos materiais explosivos Entende a Recorrente que os materiais explosivos são aplicados diretamente no processo produtivo do cimento, especialmente na fragmentação do calcário, nos fornos de clínquer e moinhos, sendo materiais consumidos/alterados/desgastados no processo produtivo do cimento, e, portanto, caracterizam-se como produtos intermediários, sendo legítima a apropriação dos respectivos créditos de IPI. A DRJ de origem concluiu que a extração das matérias primas (calcário, argila e gipsita) e a britagem estão em uma etapa anterior à industrialização. Com isso, “os explosivos e os outros materiais usados na extração do calcário não tiveram contato direto com o produto em fabricação (cimento) nem sofreram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (cimento); ou, vice-versa.” Para justificar o direito creditório, sustenta a defesa que os materiais explosivos são necessários para permitir a extração de calcário e argila, os quais são matérias- Fl. 806DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 27 primas do cimento. Explica que, uma vez detonados, as suas partículas são integradas definitivamente ao calcário e à argila, que comporão o cimento. Com isso, considerando que não constituem itens do ativo imobilizado e são consumidos/alterados/desgastados no processo produtivo do cimento, os materiais acima mencionados caracterizam-se como produtos intermediários na industrialização do cimento. Da análise dos autos, consta às fls. 113 a 171 um Relatório Técnico emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no qual foi analisada a produção de clínquer de cimento Portland da empresa CIPLAN Cimentos Planalto S/A. O Laudo Pericial investigou a incorporação de constituintes do coque de petróleo como combustível no clínquer produzido nas instalações da fábrica CIPLAN, indicando o calcário e argila como principais matérias-primas utilizadas para obtenção da farinha. Todavia, não está confirmada a informação da Recorrente de que os materiais explosivos utilizados têm suas partículas integradas ao calcário e à argila que comporão o cimento. (...) Com relação aos materiais explosivos utilizados na extração de calcário e argila, assim constou na decisão da DRJ: A fabricação do cimento Portland baseia-se, de modo geral, em quatro etapas fundamentais: 1. Mistura e moagem da matéria-prima (calcários, margas e brita de rochas). 2. Produção do clínquer (forno rotativo a 1400ºC + arrefecimento rápido). 3. Moagem do clínquer e mistura com gesso. 4. Ensacamento Como se vê, a extração das matérias primas (calcário, argila e gipsita) e a britagem, estão em uma etapa anterior à que chamamos de industrialização - A atividade econômica de mineração. A mineração pode até, num sentido mais amplo, participar do processo de fabricação do calcário, mas não é industrialização em seu sentido estrito, pois somente se pode considerar industrialização aquilo que está disposto no artigo 4º do RIPI/2010 3 . 3 RIPI/2010: Da Industrialização Características e Modalidades (...) Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como(Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova(transformação); II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 807DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 28 Isto porque o produto da mineração (no caso o calcário, a brita, a argila e magas ou até o gesso) não são tributados pelo IPI (ou seja, constam da TIPI como NT). Com efeito, o conceito de industrialização, à luz da legislação do IPI, abrange apenas os produtos tributados ainda que isentos ou tributados à alíquota zero. Nesse passo, os produtos não tributados (NT), por se situarem fora do campo de incidência do imposto, não se inserem no conceito anteriormente exposto, não sendo considerados, para os efeitos do IPI, como produtos industrializados. Mesmo que se considerasse a mineração como processo industrial, os produtos e materiais usados na extração do calcário, fugiriam ao conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário latu sensu, pois, diferentemente do que alegado pela manifestante, tais conceitos (produtos intermediários e de matérias-primas) deve obedecer estritamente ao estipulado pela legislação do IPI (Lei nº 5.172 de 1996, Decretos, Regulamentos, Instruções Normativas e Pareceres). Assim, os produtos e materiais usados na extração do calcário são custos da mineração, mas na industrialização o insumo é o calcário (que já possui o custo de extração embutido). A não-cumulatividade do IPI não permite o uso de créditos de cadeia não industrial, pois estes não são contribuintes do IPI. Ademais, os explosivos e os outros materiais usados na extração do calcário não tiveram contato direto com o produto em fabricação (cimento) nem sofreram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação (cimento); ou, vice-versa. O princípio da não-cumulatividade tem origem constitucional, entretanto, o direito dele decorrente não é irrestrito, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais e atos infralegais, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Assim, nos termos do PN CST nº 65, de 1979, os materiais ora impugnados não podem estar compreendidos no ativo permanente e, muito menos, se referir a materiais aplicados na extração de minerais (materiais utilizados no processo de detonação do calcário(cordel detonante, dinamite, estopim e III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria(acondicionamento ou reacondicionamento); ou V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Fl. 808DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 29 linha silenciosa), pois além dessa atividade(mineração) não se incluir no conceito de operação de industrialização, os produtos usados na mineração não são matéria-prima ou produto intermediário na industrialização do cimento, ou seja, não entram em contato direto com o produto industrializado. Assim não se pode pretender que tais gastos sejam considerados como insumos no processo industrial. Disso decorre que não há nenhuma norma que desabone o entendimento usado para a fundamentação dos autos. (sem destaques no texto original) Concordo com o ilustre julgador a quo ao afirmar que os produtos e materiais usados na extração do calcário são custos da mineração, sendo que, na industrialização, o insumo é o calcário (que já possui o custo de extração embutido). Com isso, tais produtos não entram em contato direto com o cimento industrializado. Assim dispõe o RIPI/2010, aprovado pelo Decreto n.º 7.212/2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; E o Parecer Normativo CST n° 65/79, expedido por autoridade administrativa nos termos do art. 100, I, do CTN, tem como função orientar a interpretação e aplicação do art. 226, I, do RIPI/2010, no que diz respeito à definição dos insumos que geram direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Destaco o que prevê o Parecer Normativo CST n° 65/79: (...) 4.2. Assim, somente geram o direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5. No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias- primas e produtos intermediários stricto sensu, ou seja, bens dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificativamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6. Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, Fl. 809DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 30 ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude de contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1. Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito a crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2. Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, de vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não gerarem o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7. Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógico-formal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias-primas nem produtos intermediários stricto sensu, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estar-se-ia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse "...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente", para que se obtivesse o mesmo resultado. 7.1. Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual "a lei não deve conter palavras inúteis", o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões presumidas inúteis. 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matérias-primas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o Fl. 810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 31 consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindo-se entre as matérias-primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levando-se em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). 10.4. Note-se, ainda, que a expressão "compreendidos no ativo permanente" deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser juris tantum aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. 11. Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em Fl. 811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 32 fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1. Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do art. 66 do RIPI/79. (sem destaques no texto original) Constata-se que a decisão da DRJ corrobora a conclusão do Parecer Normativo CST n° 65/79, uma vez que – reitero - os produtos usados na mineração não entram em contato direto com o cimento industrializado e, portanto, não são matéria-prima ou produto intermediário passíveis de permitir o creditamento de IPI. Por tais razões, deve ser mantida a glosa e a decisão recorrida igualmente neste ponto. Com base nos argumentos supra, nego provimento ao apelo recursal. Por fim, rejeita-se também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destaca-se o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade arguida, e no mérito negar provimento ao recurso. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, para afastar a preliminar de nulidade arguida, e no mérito negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3003-002.657 – 3ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.958374/2018-49 33 Fl. 813DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.724465/2011-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PRECLUSÃO E VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos mínimos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, demonstrando irresignação específica com a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o error in procedendo ou o error in iudicando nas conclusões do julgamento de primeira instância, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, tem-se preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redundando no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer. A só juntada de documentos não é suficiente para atender ao requisito formal, ainda que seja mínimo o exigido no processo administrativo fiscal a esse título. O mínimo argumentativo não deve ser entendido como sinônimo de completa ausência de motivação, não sendo superado o requisito formal por mero protocolo de documentos.
Numero da decisão: 2002-010.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ausência de dialeticidade. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: ANDRE BARROS DE MOURA

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NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos mínimos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, demonstrando irresignação específica com a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o error in procedendo ou o error in iudicando nas conclusões do julgamento de primeira instância, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, tem-se preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redundando no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer. A só juntada de documentos não é suficiente para atender ao requisito formal, ainda que seja mínimo o exigido no processo administrativo fiscal a esse título. O mínimo argumentativo não deve ser entendido como sinônimo de completa ausência de motivação, não sendo superado o requisito formal por mero protocolo de documentos. Fl. 159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.266 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.724465/2011-94 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ausência de dialeticidade. Assinado Digitalmente André Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). RELATÓRIO O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento em que foi lhe exigido o imposto suplementar no valor de R$ 10.338,76 – código 0211, relativo ao ano- calendário 2007, em virtude da apuração de compensação indevida de imposto de renda na fonte, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 06 a 09). O contribuinte, às fls. 02 e 03, impugna tempestivamente o lançamento. Em vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o impugnante que seja cancelado o débito fiscal reclamado. A 4ª Turma da DRJ/POA por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. O imposto de renda na fonte passível de ser compensado na declaração é o relativo aos rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.266 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.724465/2011-94 3 Cientificado da decisão de primeira instância em 21/01/2014 (fls. 115), o sujeito passivo, em 20/02/2014 juntou aos autos os documentos de fls. 118/141. Em 01/09/2023 foi exarado o despacho de fls. 143 com o seguinte teor: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 06 a 08, na qual é exigido imposto de renda pessoa física- no valor de R$ 10.838,76 acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao ano-calendário 2007, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Em síntese, o Acórdão nº 10-48.504 – 4ª Turma da DRJ/POA, de 16/01/2014, (e fls. 109/111) decidiu pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Consta dos autos despacho de encaminhamento (e-fls. 141), promovido pela Unidade de Origem, asseverando que o interessado apresentou recurso voluntário (e-fls. 110/112). Contudo as páginas citadas referem-se ao acórdão de primeira instância. Notamos, ainda, que a peça intitulada como recurso voluntário (e-fls. 118/141), juntada aos autos em 20/02/2014, não apresenta nenhuma petição contendo os motivos da irresignação do contribuinte. Tal ausência impede este relator de dar continuidade na apreciação desta lide administrativa. Isto posto e, em observação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, proponho o encaminhamento dos autos à Unidade de Origem para que providencie o saneamento e proceda adequadamente a instrução do presente processo administrativo. Notoriamente que o sujeito passivo deve ser cientificado de todos os procedimentos adotados pela Unidade Preparadora e, se assim desejar, apresentar suas contrarrazões dentro do prazo estabelecido. Após sua conclusão, que seja o mesmo retornado ao CARF para continuidade na apreciação do recurso voluntário. Em atendimento ao Despacho de Devolução da 2ª Seção de Julgamento/1ª Turma Extraordinária, fls. 143/144, o contribuinte foi intimado a apresentar petição apontando seus pontos de discordância em relação ao Acórdão nº 10-48.504 da DRJ/POA, recebendo a correspondência em 08/12/2023. Tendo se mantido inerte, foi providenciada nova intimação, a qual foi recebida em 03/12/2024, em relação à qual também permaneceu inerte. É o relatório VOTO Fl. 161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.266 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.724465/2011-94 4 Conselheiro André Barros de Moura, Relator Admissibilidade O que se concebeu como Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e, igualmente, não atende a todos os pressupostos de admissibilidade extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, não devendo ser conhecido. Na análise dos documentos juntados observa-se que não foi atendido o adequado e mínimo necessário ao manejo recursal, não estando atendido o pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a "regularidade formal", ainda que esta seja bastante relativizada no processo administrativo fiscal por se aplicar o princípio do formalismo moderado. O ponto é que este não é sinônimo de desnecessidade de ser apresentar o mínimo necessário ao estabelecimento de arrazoado dialético para combater as razões de decidir da decisão recorrida. Consta dos autos despacho de encaminhamento (e-fls. 141), promovido pela Unidade de Origem, asseverando que o interessado apresentou recurso voluntário (e-fls. 110/112). Contudo as páginas citadas referem-se ao acórdão de primeira instância. Notamos, ainda, que a peça intitulada como recurso voluntário (e-fls. 118/141), juntada aos autos em 20/02/2014, não apresenta nenhuma petição contendo os motivos da irresignação do contribuinte. Intimado por duas vezes a suprir tal deficiência o contribuinte permanecer inerte. Não se observa uma só linha impugnando especificamente o conteúdo decisório da decisão de primeira instância, para apontar o error in procedendo ou o error in iudicando nas conclusões da decisão atacada e, então, fundamentar, o mínimo que fosse, o motivo para reforma ou nulidade da decisão proferida pela DRJ. Sequer há pedido de reforma ou cancelamento do acórdão da DRJ. Não consta onde estaria o equívoco no julgamento proferido pela decisão de piso para autorizar o conhecimento, ocasião em que se analisaria se foi acertada, ou errada, a decisão de primeira instância sob a ótica da irresignação que estabeleceria o contorno do objeto recursal. O mero protocolo de documentos pelo contribuinte não autoriza o conhecimento. É preciso que o recurso voluntário apresente fundamentos mínimos para infirmar a ratio decidendi da decisão hostilizada, de modo que sem elementos inteligíveis para obviar o contraditório em relação ao quanto decidido na forma das razões da primeira instância, não permite conhecer o que seria o recurso voluntário do contribuinte. Deveria o contribuinte explicar, ainda que de forma muito breve, simples e resumida, com suas próprias palavras, ao menos alguma razão, expondo o motivo pelo qual entende que a decisão adotada em primeira instância é equivocada. Ou, então, que fizesse uma Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.266 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.724465/2011-94 5 mínima adaptação da impugnação, transformando-a em recurso voluntário, mas sequer isso foi feito. Não o fazendo, torna-se impossível conhecer como recurso voluntário. Afinal, por regra, o recorrente tem o ônus da impugnação específica, devendo apresentar seus pontos de discordância e os motivos de fato e de direito, considerando não infirmada a matéria não expressamente tratada, conforme dispõe o inciso III do art. 16 e o art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que regem a impugnação, mas que também são aplicados ao recurso voluntário, na fase recursal, por serem os dispositivos indicados normas gerais do processo administrativo fiscal. As razões recursais precisam conter os pontos mínimos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, demonstrando irresignação específica com a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o error in procedendo ou o error in iudicando nas conclusões do julgamento de primeira instância, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, tem-se preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redundando no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer. Portanto, não foi atendido o pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a "regularidade formal". Aliás, a premissa tem por base o princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. De mais a mais, observo, ainda, agora sob a ótica dos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, que há fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer, o que, de igual sorte, resulta no não conhecimento do Recurso Voluntário. É que verifico "preclusão", que se pode caracterizar como fato impeditivo e extintivo do direito de recorrer. Ora, não tendo sido impugnada a razão de decidir da decisão vergastada ocorre a preclusão. Decorre daí que, não tendo sido objeto de irresignação específica, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento. Assim, não é possível à instância superior conhecer o recurso quando não há tratativa contra o entendimento e argumentos da própria decisão para rebatê-los e confrontá-los. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por ausência de dialeticidade. Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.266 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11080.724465/2011-94 6 Assinado Digitalmente André Barros de Moura Fl. 164DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11393278 #
Numero do processo: 10880.947422/2020-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3301-002.191
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor, vencida a Conselheira Rachel Freixo Chaves, que dava provimento parcial ao recurso voluntário, declarando a nulidade do Despacho Decisório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3301-002.178, de 30 de janeiro de 2026, prolatada no julgamento do processo 10880.942852/2020-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bruno Minoru Takii, Keli Campos de Lima, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-19T12:07:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-19T12:07:27Z; Last-Modified: 2026-06-19T12:07:27Z; dcterms:modified: 2026-06-19T12:07:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-19T12:07:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-19T12:07:27Z; meta:save-date: 2026-06-19T12:07:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-19T12:07:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-19T12:07:27Z; created: 2026-06-19T12:07:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2026-06-19T12:07:27Z; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-19T12:07:27Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10880.947422/2020-98 RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 19 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE BARRY CALLEBAUT BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor, vencida a Conselheira Rachel Freixo Chaves, que dava provimento parcial ao recurso voluntário, declarando a nulidade do Despacho Decisório. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3301-002.178, de 30 de janeiro de 2026, prolatada no julgamento do processo 10880.942852/2020-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bruno Minoru Takii, Keli Campos de Lima, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Rachel Freixo Chaves, Rodrigo Kendi Hiramuki, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de homologação da Declaração de Compensação (Dcomp) apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE PROVAS. A retificação de declaração apresentada à RFB, que vise a reduzir tributo, somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147 § 1º, do CTN). PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da análise de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o ônus da prova incumbe à contribuinte, o qual deve demonstrar, por meio de documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a efetiva existência do direito creditório. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. INDEFERIMENTO. Por falta de previsão legal, não é possível sobrestar o julgamento do processo até que se conclua a análise de DCTF retificadora. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de diligência quando se revelar prescindível para a formação da convicção da autoridade julgadora. Em seu recurso voluntário, a empresa repisa os assuntos da impugnação. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 3 relator, que pode ser consultada na resolução paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto ao conhecimento, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator da resolução paradigma: De antemão, observo que o presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, tanto extrínsecos quanto intrínsecos, sendo inclusive tempestivo. Dessa forma, conheço do recurso voluntário. Quanto ao acolhimento das preliminares de nulidade, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado da resolução paradigma: Com as devidas vênias, divirjo da relatora quanto ao acolhimento das preliminares de nulidade. Os dados dos DACON e DCTF, informados nos autos, são os seguintes: Dacon original – Cofins devida de 1.015.997,23; Dacon retificador entregue em 29/12/2015 – Cofins devida = ZERO; DCTF original – Cofins de DCTF retificadora entregue em 29/12/2015 – Cofins ZERO; DCOMP entregue em 20/01/2016, após as retificações do DACON e da DCTF; Despacho decisório emitido em 11/06/2020. Por sua vez, o Parecer RFB nº 2/2015 dispôs sobre a necessidade e os efeitos da retificação de DCTF nos seguintes termos: “DCTF 10. A princípio, não há razão para estipular vedações se a legislação tributária não o fez. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, em consonância com o disposto no art. 18 da MP nº 2.189, de 23 de agosto de 2001: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 4 Da Retificação de Declarações Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN)para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...)§ 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (grifou-se) [...] 10.7. Entretanto, o sujeito passivo diligente deverá retificar a DCTF previamente à apresentação do PER ou da DCOMP, caso não queira se sujeitar à situação aqui relatada, gerando idas e vindas em um procedimento que poderia ter sido mais célere. Mas tal retificação tem o condão de alterar a decisão da autoridade administrativa que indeferiu o PER ou não homologou a DCOMP antes de a DCTF ser retificada? [...] 12. Cabe esclarecer que esse problema somente ocorre na hipótese de a autoridade administrativa já ter analisado o PER/DCOMP antes de a DCTF retificadora ter sido apresentada (ressalte-se: situação que não teria acontecido se o sujeito passivo que apura os créditos contra a Fazenda Nacional tivesse diligentemente providenciado a retificação da DCTF previamente à apresentação do PER/DCOMP). Fl. 211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 5 [...] 13. Ressalte-se, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF [...] 17. A disponibilização desse serviço apenas confirma a possibilidade de retificação da DCTF após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora nem todos os créditos passíveis de restituição, de ressarcimento ou de compensação estejam contemplados pela autorregularização. [...] Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: [...] d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP.” A recorrente foi diligente, cumprindo tudo o que o Parecer orientou acerca da retificação prévia ao PERDCOMP, ou seja, retificou a DCTF e o DACON previamente à entrega da DCOMP. A DCTF retificadora substitui a original e pode ser analisada, podendo ser homologada ou não, nos termos dos artigos 9º e 10 da IN RFB 1599/2015, que revogou a IN RFB 1.110/2010. Fl. 212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 6 CAPÍTULO VIII DA RETIFICAÇÃO DA DCTF Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II - alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5º O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória Fl. 213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 7 sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. § 4º Não produzirão efeitos as informações retificadas: I - enquanto pendentes de análise; e II - não homologadas. § 5º É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias contado da data da ciência da decisão que não homologou a DCTF retificadora, apresentar impugnação dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de sua jurisdição, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Todavia, o artigo 10 prevê a hipótese de não produção de efeitos da DCTF retificadora, enquanto pendente de análise ou não homologada, o que, em princípio, seria a razão para o Despacho Decisório não ter utilizado os dados da DCTF retificadora, uma vez que fora entregue em dezembro/2015, ao passo que o referido despacho foi emitido em junho/2020, praticamente, 4,5 anos depois da retificadora. Não é plausível que o Despacho Decisório simplesmente não tenha utilizado os dados da retificadora, se ela não foi indeferida. Por outro lado, em recurso voluntário, a recorrente faz algumas afirmações para as quais não há documentos nos autos que as demonstrem. Inicialmente, afirma que não foi realizada a análise preliminar da autorregularização ou que se foi, não fora intimada do resultado. Referida análise foi objeto da Nota Corec nº 30/2013, e consiste na possibilidade de os contribuintes tomarem conhecimento antes da emissão do despacho decisório. A análise preliminar é objeto de comunicado de sua disponibilização na caixa postal do contribuinte ou pode ser tomada conhecimento pelo acompanhamento do processamento do PERDCOMP, por consulta ao sítio da RFB, pelo E-CaC, pelo próprio contribuinte. A autorregularização consiste na entrega de documentos retificadores de modo a validar as informações prestadas no PERDCOMP. Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 8 De plano, já se pode observar que, no presente caso, a autorregularização simplesmente não surtiria efeito, porque a recorrente já havia entregado as declarações retificadoras que suportariam o PERDCOMP. Por outro lado, a própria Nota Corec informa que a análise preliminar não gera efeitos jurídicos e que nem todo PERDCOMP será objeto de análise preliminar: Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 9 Neste ponto, divirjo da relatora quanto à anulação do Despacho Decisório. A uma, porque não se sabe, efetivamente, se houve a análise preliminar (que é um procedimento dentro da análise automática do PERDCOMP) ou não, se foi comunicada ou não, pois não há qualquer documento que demonstre isso (extrato da consulta ao processamento do PERDCOMP, por exemplo). A duas, porque o procedimento de análise preliminar não é obrigatório para todos os PERDCOMPs. Nesta alegação, a recorrente faz um pedido subsidiário quanto ao sobrestamento até que a autoridade fiscal informe sobre a situação da DCTF-retificadora. E aqui, entendo ser o ponto crucial, a DCTF retificadora e o DACON retificadores suportam o PERDCOMP entregue, não produzindo efeitos se não homologada ou pendente de análise. A recorrente possui razão quanto à necessidade de definição da DCTF- retificadora, inclusive para a confirmação do vício de motivação, pois se, de fato, a DCTF retificadora foi homologada antes da emissão do Despacho Decisório, Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3301-002.191 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.947422/2020-98 10 haveria um vício em sua motivação por ter utilizado informações de uma declaração, em tese, cancelada. Contudo, essa informação não consta nos autos e é imprescindível para a análise das alegações de nulidade. Destarte, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: 1. Informe se a análise preliminar fora realizada no PERDCOMP e se foi comunicada ao contribuinte, juntando documentação probatória; 2. Se a DCTF retificadora foi homologada, ou não, informando todo o andamento processual relativo a tal análise, se realizada, inclusive informando o PAF e suas decisões; Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Fl. 217DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.729801/2015-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, hipótese presente no caso concreto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE TRADING COMPANIES. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 759.244/STF E ADI Nº 4735/STF. A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de trading companies, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção.
Numero da decisão: 2201-012.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no acórdão nº 2201-012.091, de 23/09/2025, manter a decisão original de dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Thiago Alvares Feital - Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-12T15:01:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-12T15:01:59Z; Last-Modified: 2026-06-12T15:01:59Z; dcterms:modified: 2026-06-12T15:01:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-12T15:01:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-12T15:01:59Z; meta:save-date: 2026-06-12T15:01:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-12T15:01:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-12T15:01:59Z; created: 2026-06-12T15:01:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-06-12T15:01:59Z; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-12T15:01:59Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10120.729801/2015-32 ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 15 de maio de 2026 RECURSO EMBARGOS EMBARGANTE FAZENDA NACIONAL INTERESSADO VALE DO VERDAO S/A - ACUCAR E ALCOOL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, hipótese presente no caso concreto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE “TRADING COMPANIES”. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 759.244/STF E ADI Nº 4735/STF. A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de “trading companies”, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no acórdão nº 2201-012.091, de 23/09/2025, manter a decisão original de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 2 Assinado Digitalmente Thiago Alvares Feital – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração apresentados pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (fls. 865-868), tempestivamente em 05/09/2025, os quais foram admitidos, conforme despacho às fls. 872-875: a) Da contradição quanto à concomitância entre processo administrativo e fiscal A Fazenda Nacional alega que o acórdão incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos em relação à concomitância entre o processo administrativo e o judicial. Apresenta os seguintes argumentos: Na hipótese, o voto condutor do julgado afastou a concomitância invocada pela DRJ em sede do não conhecimento da impugnação, todavia, fundamentou o provimento recursal no desfecho da própria ação judicial que afirmou não ser concomitante. Confiram-se trechos da decisão: […] Se o julgamento de mérito do processo judicial é fundamento determinante para o resultado meritório do processo administrativo, o afastamento da concomitância se revela contraditório, à medida em que a identidade de objeto se mostra irrepreensível. A contradição é realçada quando o julgado é categórico em afirmar que “há decisão judicial em definitivo em favor do contribuinte”. Veja-se: […] Fl. 878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 3 Além disso, o voto condutor do acórdão, de forma explícita, invocou a Súmula CARF nº 1 destacando (vide letras em itálico) que a renúncia à discussão administrativa deve ser reconhecida na hipótese de processo judicial com o mesmo objeto do processo administrativo: […] O voto condutor ainda consignou expressamente o acerto da decisão da DRJ em relação à concomitância, visto que “não cabe a apreciação pelo CARF de matéria que está sendo discutida judicialmente”: […] A contradição é reforçada pelo teor da ementa do julgado, que, de modo incontestável, informa que “(a) propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, implica em renúncia ao contencioso administrativo fiscal”. […] Se a decisão judicial vincula integralmente o desfecho do processo administrativo, sendo, inclusive, invocada como razão de decidir, o afastamento da concomitância constitui nítida contradição, que deve ser corrigida. Ou a concomitância é afastada e julga-se a questão diversa da decidida judicialmente; ou a concomitância é mantida e não se admite a julgamento a questão discutida no processo judicial. Agora, concebe clara hipótese de contradição afastar a concomitância e, simultaneamente, decidir o processo administrativo com base no resultado do julgamento judicial. Nesse cenário, tem-se por demonstrada a contradição no julgado, pelo que deve ser integrado o aresto ora embargado com vistas à sua correção. Da leitura do inteiro teor do acórdão verifica-se que assiste razão à embargante quanto à contradição entre a ementa e a conclusão do acórdão, somente. Não há contradição entre a decisão e seus fundamentos. O voto condutor do acórdão assentou seu posicionamento no sentido de que a impetração de mandado de segurança por substituto processual não se considera a concomitância entre processo administrativo e judicial. Por esse motivo, o voto considerou a inexistência de concomitância, afastando a aplicação da Súmula CARF nº 1. Todavia, tendo em vista o trânsito em julgado da ação judicial, necessário adequar o entendimento judicial ao lançamento sob análise. Nesse sentido, concluiu o voto condutor do acórdão pela inexigibilidade da autuação. Assim, a turma julgadora entendeu que não se trata de concomitância de discussão acerca da mesma matéria entre as esferas administrativa e judicial, mas sim de aplicação da coisa julgada judicial ao caso concreto. Todavia, na ementa constou a aplicação da Súmula CARF nº 1, em contradição com as conclusões do julgado, devendo ser sanado tal vício no acórdão. Conclusão Fl. 879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 4 Pelo exposto, com fundamento nos arts. 116 e 117, do Anexo, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023, dou seguimento aos Embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em relação às alegações de contradição quanto à concomitância entre processo administrativo e fiscal. Tendo em vista que o relator original não compõe mais este colegiado, o processo foi distribuído para minha relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Álvares Feital, Relator Os Embargos são tempestivos, motivo pelo qual deles conheço. O despacho de admissibilidade (fls. 872-875) foi motivado pelo reconhecimento de contradição entre a ementa e a conclusão do julgado. A decisão embargada reconheceu, em síntese, que a impetração de mandado de segurança coletivo não configura hipótese de concomitância impeditiva; e, ao mesmo tempo, que há decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte, bem como entendimento firmado pelo STF no RE nº 759.244 e na ADI nº 4735, no sentido da imunidade das exportações indiretas. A Fazenda Nacional sustenta a existência de contradição, argumentando que o acórdão afastou a concomitância entre processo administrativo e judicial, mas utilizou o resultado da ação judicial como fundamento determinante para o provimento do recurso. Da comparação entre a ementa e o voto condutor, verifica-se a existência de proposições inconciliáveis: i. A ementa afirma que a propositura de ação judicial com o mesmo objeto implica renúncia ao contencioso administrativo, com base na Súmula CARF nº 1; ii. O voto condutor, por sua vez, expressamente afasta a concomitância, ao consignar que a impetração de mandado de segurança coletivo por substituto processual não configura renúncia à via administrativa. Há, portanto, contradição no julgado, mas apenas entre a ementa e a fundamentação como, aliás, apontado pelo despacho de admissibilidade. Por outro lado, não procede a alegação de contradição entre fundamentação e conclusão. O voto é coerente ao afastar a concomitância, mas aplicar os efeitos de decisão judicial transitada em julgado ao caso concreto. Tal entendimento funda-se na distinção entre ações individuais e coletivas e seus efeitos em relação à concomitância. As ações individuais propostas Fl. 880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 5 pelo próprio sujeito passivo, podem caracterizar renúncia ao contencioso administrativo quando presentes identidade de partes e de objeto, de um lado, e ações ajuizadas por entidades representativas, nas quais o contribuinte figura como substituído processual, hipótese em que não há manifestação inequívoca de vontade de renunciar à esfera administrativa e inexiste concomitância. Este posicionamento, inclusive, é uníssono na jurisprudência de todas as três Seções deste CARF: Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DEJURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Número da decisão: 1402-001.629 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Número da decisão: 9303-005.057 Fl. 881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 6 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano- calendário: 2009 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RRA. REGIME DE COMPETÊNCIA. APLICABILIDADE. Conforme tese fixada pelo STF em sede de repercussão geral (tema nº 368), o Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez. Número da decisão: 2003-005.332 Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. CARÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. O interesse recursal repousa no binômio necessidade e utilidade. Não pretendendo a produção de provas extemporâneas, carece de utilidade a tentativa de reforma da decisão que reforça a necessidade de apresentação documental em conformidade ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 28. NÃO CONHECIMENTO. A Súmula CARF de nº 28, cuja observância é obrigatória, estabelece a carência de competência do CARF para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MONOPÓLIO DE JURISDIÇÃO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2. NÃO CONHECIMENTO. A Súmula CARF nº 2, cuja observância é obrigatória, dispõe que o Conselho não ostenta competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o sujeito passivo associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que ausente tanto a litispendência quanto a produção da coisa julgada em desfavor do sujeito passivo, nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. TEMA Nº 554 DO STF. TRÂNSITO EM JULGADO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. ART. Fl. 882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 7 99 DO RICARF. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. DESNECESSIDADE DE DECRETAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Por força do disposto no art. 99 do Regimento Interno do CARF e em atenção ao princípio da eficiência, norteador da atuação administrativa, há de ser aplicada a tese firmada no Tema de nº 554 do STF, sem a decretação da nulidade da decisão de primeira instância. Número da decisão: 2004-000.232 Superada a questão da concomitância, o voto condutor reconhece que, no curso do processo, sobreveio decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte, com trânsito em julgado, reconhecendo a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre receitas de exportação indireta. Nessa linha, o acórdão limita-se a aplicar os efeitos da coisa julgada ao caso concreto, em observância a princípios estruturantes do ordenamento jurídico, como a autoridade da coisa julgada, a vinculação da Administração Pública às decisões judiciais definitivas e a segurança jurídica e a coerência sistêmica das decisões estatais. A utilização da decisão judicial como razão de decidir e mesmo a transposição de parte de seu texto no acórdão administrativo é irrelevante para a caracterização de concomitância. Assim, para sanar a contradição, é suficiente excluir da ementa o excerto que faz referência à Súmula CARF n. 1. Deste modo, fica a ementa do julgado redigida como se segue: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DE “TRADING COMPANIES”. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 759.244/STF E ADI Nº 4735/STF. A receita decorrente da venda de produtos ao exterior, por meio de “trading companies”, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando o vício apontado no acórdão nº 2201-012.091, de 23/09/2025, manter a decisão original de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.766 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.729801/2015-32 8 Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital Fl. 884DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10835.720307/2011-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que comprovada mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2001-008.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL visando ao restabelecimento dos valores que foram glosados a título de Despesas Médicas no importe de R$ 218,87, e com Pensão Alimentícia Judicial no importe de R$ 12.946,04. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente).
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-15T16:23:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-15T16:23:18Z; Last-Modified: 2026-06-15T16:23:18Z; dcterms:modified: 2026-06-15T16:23:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-15T16:23:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-15T16:23:18Z; meta:save-date: 2026-06-15T16:23:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-15T16:23:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-15T16:23:18Z; created: 2026-06-15T16:23:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-06-15T16:23:18Z; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-15T16:23:18Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L I D A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10835.720307/2011-22 ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 22 DE MAIO DE 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE GENESIO DE SOUZA FORTUNA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que comprovada mediante documentação hábil e idônea. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL visando ao restabelecimento dos valores que foram glosados a título de Despesas Médicas no importe de R$ 218,87, e com Pensão Alimentícia Judicial no importe de R$ 12.946,04. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Lilian Claudia de Souza, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). Fl. 74DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento por meio da Notificação de Lançamento de fls. 10/17, até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: “(...) Contra o (a) contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 10/17), na qual cobra-se o total do crédito tributário no valor de R$ 13.982,76 atualizado até 31/05/2011. O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Dedução Indevida de Previdência Oficial – glosa de dedução de previdência oficial o, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 2.935,00. Motivo da glosa: Falta de comprovação. Dedução Indevida com Dependentes – glosa de dedução com dependentes, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 3.169,20. Motivo da glosa: Falta de comprovação. Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 8.548,00. Motivo da glosa: Falta de comprovação. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública - glosa de dedução de despesas de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 13.621,0. Motivo da glosa: : Falta de comprovação. A fundamentação legal das infrações encontra-se descritas às fls. 12/15 e 17. O (A) contribuinte, cientificado(a) apresentou defesa (fls. 05/09) tempestiva, alegando em breve síntese que: - que anexa documentos os quais comprovam as despesas médicas e pensão alimentícia; - vive em união estável há vários anos com Ivanete Maria Balista, sendo esta sua dependente direta, portanto, deve ser considerada esta dependente em sua DIRPF; - quitou as parcelas do imposto auferido na entrega de sua declaração 2007/2008, conforme comprovante de DARF em anexo, e na glosa do imposto pelo ente Fl. 75DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 3 Federal, não foi considerado o pagamento efetuado, sendo assim realizada a cobrança bis in idem; -requer por fim a improcedência total ou parcial do lançamento. (...).” Decisão proferida pela DRJ/BSB, acórdão nº 03-71.400 da 7ª Turma, fls. 41/49, manteve o lançamento tributário com relação às rubricas Pensão Alimentícia, Previdência, Despesas Médicas e Dependentes. O Acórdão ora sendo vergastado ficou devidamente ementado como segue: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas até o valor comprovado. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe restabelecer a dedução de dependentes quando a relação de dependência restar devidamente comprovada nos autos. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. São passíveis de dedução da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando devidamente comprovadas. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que comprovada mediante documentação hábil e idônea Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instância em 12/07/2016, fls. 53, o sujeito passivo interpôs, em 10/08/2016, fls. 54, Recurso Voluntário, fls. 54/57, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) as despesas médicas estão comprovadas nos autos b) a dedução de pensão alimentícia está comprovada nos autos c) os documentos apresentados comprovam a obrigação de pagamento de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial Os autos foram encaminhados para o CARF. Fl. 76DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 4 Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, Relator 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço 2. Delimitação da lide O litígio recai sobre o objeto de irresignação do ora recorrente com relação às glosas que foram mantidas pela autoridade de piso com relação ao dispêndio com Despesas Médicas (R$ 218,87) e Pensão Alimentícia Judicial (R$ 13.621,00). 3. Mérito 3.1. Despesas Médicas Ao arrostar a temática quando da análise por parte da autoridade de piso, o voto condutor do julgado assim deixou devidamente plasmado os motivos da manutenção da glosa levada a efeito pela autoridade lançadora consignada na Notificação de Lançamento de fls. 10/17: “(...) DESPESAS MÉDICAS Antes de se passar à análise dos documentos referentes a despesas médicas anexados à defesa, veja-se o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas de despesas médicas: DEDUÇÕES Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).(Grifos Acrescidos) Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): Fl. 77DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 5 I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. A comprovação a ser feita compreende basicamente o pagamento do serviço médico, a ser feito pelas formas indicadas no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999 e o beneficiário ser o contribuinte ou seus dependentes. Os documentos anexados aos autos (fls. 27/32) comprovam despesas médicas no valor de R$ 5.180,00, logo devem ser elas restabelecidas. (...) Sempre entendi que as provas necessárias à instrução do procedimento, a teor do que se encontra devidamente insculpido nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, pelo princípio da concentração dos atos, que todos os documentos deverão ser anexados na fase própria da impugnação, como transcrevo a seguir: Decreto nº 70.235/72 (...) Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...)Art. 16 (omisses) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a)Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; b)Refira-se a fato ou a direito superveniente; Fl. 78DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 6 c)Destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (...).” Não obstante ao meu entendimento que se encontra devidamente amparado pela longa manus do comando normativo adredemente transcrito, contudo, curvo-me diante do princípio da verdade material a que pretende realizar o processo administrativo fiscal, acolhendo como prova suficiente à restauração da dedução glosada pela autoridade lançadora e mantida pela autoridade de piso no tocante à materialidade Despesas Médicas, à vista do documento trazido em sede recursal e que se encontra devidamente acostado às fls. 67 , no montante de R$ 218,87. 3.2. Pensão Alimentícia Judicial Ao arrostar a temática quando da análise por parte da autoridade de piso, o voto condutor do julgado assim deixou devidamente plasmado os motivos da manutenção da glosa levada a efeito pela autoridade lançadora consignada na Notificação de Lançamento de fls. 10/17: “(...) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial O art. 78, do Decreto nº 3.000, de 29/03/1999 – RIR/99, estabelece critérios para dedução de pensão alimentícia judicial: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na Fl. 79DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 7 declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). Trata-se de dedução de pensão alimentícia glosada por falta de comprovação. Depreende-se da legislação tributária que somente a pensão alimentícia paga em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente pode ser dedutível. Deve ser comprovado, também, o valor pago a este título. Qualquer valor pago a terceiro, para o qual não haja uma determinação judicial é considerado como pago por mera liberalidade e, portanto, não dedutível. O impugnante não junta aos autos nenhuma decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, onde ficou determinado a ele o pagamento de pensão alimentícia. Apenas seus Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte não são suficientes para demonstrar o direito que o impugnante tenha de deduzir pensão alimentícia, pois como vimos são dois os requisitos necessários: (i) decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (ii) deve ser comprovado, também, o valor pago a este título. Os comprovantes de Rendimentos apenas comprovam o pagamento, portanto não foi atendido o primeiro requisito legal. Portanto, deve ser mantida integralmente a glosa de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 13.621,00. (...).” Sempre entendi que as provas necessárias à instrução do procedimento, a teor do que se encontra devidamente insculpido nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, pelo princípio da concentração dos atos, que todos os documentos deverão ser anexados na fase própria da impugnação, como transcrevo a seguir: Decreto nº 70.235/72 (...) Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16 (omisses) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: Fl. 80DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2001-008.400 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10835.720307/2011-22 8 a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; b) Refira-se a fato ou a direito superveniente; c) Destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (...) Não obstante ao meu entendimento que se encontra devidamente amparado pela longa manus do comando normativo adredemente transcrito, contudo, curvo-me diante do princípio da verdade material a que pretende realizar o processo administrativo fiscal, acolhendo como prova suficiente à restauração da dedução glosada pela autoridade lançadora e mantida pela autoridade de piso no tocante à materialidade Pensão Alimentícia Judicial, à vista dos documentos trazidos em sede recursal e que se encontram devidamente acostado às fls. 58-64, 65, 67, no montante de R$ 12.946,04. 4. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL visando ao restabelecimento dos valores que foram glosados a título de Despesas Médicas no importe de R$ 218,87, e com Pensão Alimentícia Judicial no importe de R$ 12.946,04. É o meu voto. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima Fl. 81DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16327.721334/2024-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2019, 2020 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. Restou evidenciado no caso concreto a existência razões extra tributárias relevantes e propósito negocial. Não se verifica atipicidade da forma jurídica adotada em relação ao fim, ao intenso prático visado, tampouco adoção de forma jurídica anormal, atípica e inadequada. INVESTIMENTO. ÁGIO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. LEGÍTIMAS. PROPÓSITO NEGOCIAL. Constatado que as operações societárias envolvendo o(s) ativo(s) adquirido(s) com pagamento de ágio legítimo, então surgidos de transações entre partes independentes, revelaram-se necessárias e ao abrigo de verdadeiro propósito negocial, torna-se perfeitamente legal a amortização fiscal do ágio, nos termos do disposto no art. 386 do RIR/99 (art.7º da Lei 9.532/97). AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido trazida pelo fisco qualquer irregularidade na formação dos ágios em questão, o contribuinte faz jus à dedutibilidade de acordo com a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE ALEGADA EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago entre partes independentes. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. UTILIZAÇÃO DE ALEGADA EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. O ágio fundamentado em rentabilidade futura, à luz dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, pode ser deduzido por ocasião da absorção do patrimônio da empresa que detém o investimento pela empresa investida (incorporação reversa). O uso de holding (ou empresa veículo), constituída no Brasil com recursos provenientes do exterior, para adquirir a participação societária com ágio e, em seguida, ser incorporada pela investida, reunindo, assim, as condições para o aproveitamento fiscal do ágio, não caracteriza simulação, de modo que é indevida a tentativa do fisco de requalificar a operação tal como foi formalizada e declarada pelas partes. No caso concreto, as holdings caracterizadas como empresas-veículo possuíam cerca de 16 anos de existência, cujas finalidades empresariais eram aquisição de participação societárias, e efetivamente exerceram sua atividade.
Numero da decisão: 1302-007.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo Izaguirre da Silva - Relator Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima - Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ailton Neves da Silva (substituto[a] integral),Miriam Costa Faccin, Natalia Uchoa Brandao, Sergio Magalhaes Lima (Presidente).
Nome do relator: MARCELO IZAGUIRRE DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-19T13:02:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-19T13:02:07Z; Last-Modified: 2026-06-19T13:02:07Z; dcterms:modified: 2026-06-19T13:02:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-19T13:02:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-19T13:02:07Z; meta:save-date: 2026-06-19T13:02:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-19T13:02:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-19T13:02:07Z; created: 2026-06-19T13:02:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; Creation-Date: 2026-06-19T13:02:07Z; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-19T13:02:07Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16327.721334/2024-53 ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 25 de maio de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES BRADESCO SAÚDE S/A FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2019, 2020 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. Restou evidenciado no caso concreto a existência razões extra tributárias relevantes e propósito negocial. Não se verifica atipicidade da forma jurídica adotada em relação ao fim, ao intenso prático visado, tampouco adoção de forma jurídica anormal, atípica e inadequada. INVESTIMENTO. ÁGIO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. LEGÍTIMAS. PROPÓSITO NEGOCIAL. Constatado que as operações societárias envolvendo o(s) ativo(s) adquirido(s) com pagamento de ágio legítimo, então surgidos de transações entre partes independentes, revelaram-se necessárias e ao abrigo de verdadeiro propósito negocial, torna-se perfeitamente legal a amortização fiscal do ágio, nos termos do disposto no art. 386 do RIR/99 (art.7º da Lei 9.532/97). AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. Não tendo sido trazida pelo fisco qualquer irregularidade na formação dos ágios em questão, o contribuinte faz jus à dedutibilidade de acordo com a combinação do art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE ALEGADA EMPRESA VEÍCULO. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago entre partes independentes. A circunstância de a reorganização societária de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, ter sido realizada por meio de empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, ante o fato incontroverso de que Fl. 2844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 2 dessa reorganização não surgiu novo ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. UTILIZAÇÃO DE ALEGADA EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. O ágio fundamentado em rentabilidade futura, à luz dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, pode ser deduzido por ocasião da absorção do patrimônio da empresa que detém o investimento pela empresa investida (incorporação reversa). O uso de holding (ou empresa veículo), constituída no Brasil com recursos provenientes do exterior, para adquirir a participação societária com ágio e, em seguida, ser incorporada pela investida, reunindo, assim, as condições para o aproveitamento fiscal do ágio, não caracteriza simulação, de modo que é indevida a tentativa do fisco de requalificar a operação tal como foi formalizada e declarada pelas partes. No caso concreto, as holdings caracterizadas como empresas- veículo possuíam cerca de 16 anos de existência, cujas finalidades empresariais eram aquisição de participação societárias, e efetivamente exerceram sua atividade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo Izaguirre da Silva – Relator Assinado Digitalmente Sérgio Magalhães Lima – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Ailton Neves da Silva (substituto[a] integral),Miriam Costa Faccin, Natalia Uchoa Brandao, Sergio Magalhaes Lima (Presidente). Fl. 2845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 3 RELATÓRIO CONSTITUIÇÃO COMPLEMENTAR DE CRÉDITO INFORMAÇÕES ESSENCIAIS Processos Anteriores 1. Há dois processos anteriores de mesmo objeto relacionados ao processo ora analisado. Tais processos foram assim informados pela Recorrente na folha 2827: 2. Conforme indicado, no processo original (10166.720845/2022-08) a Turma 1401 da Primeira Sessão do Carf cancelou integramente o crédito constituído. Em tal processo houve Recurso Especial da PGFN, que foi negado, conforme Despacho de Admissibilidade constante a partir da folha 2212 do referido processo. Irresignada, a PGFN impetrou Agravo, o qual também foi rejeitado conforme texto contante a partir da folha 2236 do mencionado processo. 3. Seguindo a mesma lógica do processo original citado no parágrafo anterior, no processo complementar 16327.720920/2023-08 a Turma 1402 da Primeira Sessão do Carf cancelou integramente o crédito constituído. Em tal processo também houve Recurso Especial da PGFN, o qual está em fase de exame de análise de admissibilidade conforme despacho contante a partir da folha 2356 do mencionado processo. Composição do Crédito Complementar 4. O processo trata de constituição complementar de crédito tributário de IRPJ e CSLL (Reflexo) decorrente de Ágio por Expectativa de Rentabilidade Futura. O fisco glosou tal ágio nos anos de 2019 e 2020 concluindo que houve falta de adições na apuração do Lucro Real. Em paralelo, aplicou multa isolada por falta de recolhimento de base estimada. 5. O valor atualizado do presente processo é de aproximadamente R$ 98 milhões. Na origem os valores foram assim constituídos: Fl. 2846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 4 FUNDAMENTOS DO RELATÓRIO FISCAL 6. O Fisco detalhou (folhas 2107 a 2135) a constituição de crédito informando que a Recorrente é sociedade seguradora de seguros saúde e tem como objeto social o desenvolvimento e a exploração de operações de seguros privados, exclusivamente no ramo de assistência à saúde. Nos próximos parágrafos transcrevo o Relatório relacionado a informações do Fisco contido na decisão de primeira instância. 7. Em agosto de 1998, a empresa OdontoPrev Ltda. , administrada por seu sócio controlador Sr. Randal Luiz Zanetti, atuava no ramo de seguro-saúde odontológico e foi transformada em S.A. fechada. 8. Em 28 de julho de 1998, o Sr. Randal e sua esposa receberam a cessão das quotas da empresa Santa Rita de Cássia Empreendimentos Ltda. e transferiram para ela a participação que possuía na OdontoPrev, passando a ser proprietário de 99,98% de seu capital. 9. Em junho do mesmo ano, também constituíram a ZNT Empreendimentos Ltda., cujo capital social era 100% subscrito e integralizado pela Santa Rita, mediante a versão da totalidade das ações que esta passou a deter da OdontoPrev, num montante de R$ 31.705.040,00 que representavam 175.409 ações ordinárias da Odontoprev, totalizando 7,54% de seu capital social (1ª alteração contratual ZNT – 01/02/2004). 10. Ressalta a Autoridade Fiscal que desde a constituição da Santa Rita e da ZNT até a extinção de ambas, ocorrida simultaneamente em 30/12/2014, estas jamais exerceram quaisquer atividades operacionais ou mercantis. 11. Em 2006, a OdontoPrev S.A. realizou a abertura de seu capital em oferta pública primária de ações (IPO), na bolsa de valores de São Paulo – Bovespa. 12. Em 2009, o Sr. Randal e a Bradesco Saúde, respectivos acionistas controladores da OdontoPrev e Bradesco Dental (concorrentes no mercado de seguro-saúde odontológico), celebraram contratos intitulados "Acordo de Associação" e "Acordo de Acionistas da OdontoPrev", nos quais era prevista a integração das atividades das duas companhias mediante (i) a incorporação pela OdontoPrev da totalidade das ações da Bradesco Dental, com o recebimento, em contrapartida, pela Bradesco Saúde (então controladora da Bradesco Dental), das ações emitidas no processo pela OdontoPrev, e, em seguida, (ii) a incorporação da Bradesco Dental pela OdontoPrev. Com a concretização do negócio, o quadro societário da OdontoPrev passou a ter a seguinte configuração: 43,5% do capital social passou a pertencer à Bradesco Saúde; 7,54% ao Sr. Randal; e 48,96% continuaram a ser negociados no mercado de bolsa da Bovespa. 13. No mesmo ato, a Bradesco Saúde e Sr. Randal formalizaram "Contrato de gestão da OdontoPrev", no qual estava disposto que a pessoa física continuaria a ser o responsável pela administração da empresa. Em meados de 2013, a Bradesco Saúde e o Sr. Randal iniciaram Fl. 2847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 5 tratativas para a compra, pela companhia, de 34.535.165 ações ordinárias representativas de 6,50% do capital social de OdontoPrev, pertencentes ao Sr. Randal. 14. A participação do Sr. Randal na OdontoPrev se dava através de sua participação acionária de 99,98% na empresa veículo Santa Rita, que possuía 100% do capital social da ZNT. Essa, por sua vez, era a efetiva proprietária de ações representativas de 7,54% do capital de OdontoPrev (figura 3 – fl. 2112). 15. Em 30/09/2013, o Sr. Randal reduziu o capital social da ZNT de modo que ela passou a ser proprietário da exata quantidade das ações de OdontoPrev que seriam vendidas à Bradesco Saúde (34.535.165 ações ordinárias). Para tanto, a ZNT cancelou parte de suas ações, reduziu seu ativo e transferiu a titularidade de 5.518.543 ações ordinárias possuídas de OdontoPrev S.A. para sua controladora Santa Rita. Ato contínuo, Santa Rita também cancelou parte de suas ações, reduziu seu ativo e repassou a titularidade das ações recebidas da OdontoPrev ao Sr. Randal, que passou a controlar diretamente 1,04% das ações de OdontoPrev, enquanto a ZNT passou a deter a propriedade de 6,50% de seu capital social total (34.535.165 ações ordinárias). Os outros 48,96% do capital da OdontoPrev continuaram a ser negociados no mercado de bolsa da Bovespa (figura 4 – fl. 2113). 16. Em 14/10/2013, a Bradesco Saúde e o Sr. Randal celebraram compromisso de compra e venda da totalidade das ações da Santa Rita, pelo valor de R$ 345.351.650,00 reais (R$ 10,00 por ação, das ações ordinárias da OdontoPrev possuídas pela ZNT), com possíveis ajustes a depender da apuração futura de outros ativos ou passivos líquidos por ventura existentes em nome da Santa Rita ou da ZNT. Entre as condições para o negócio, estabeleceu-se que a Bradesco Saúde deveria aportar, no capital da ZNT, a totalidade das ações que possuía da OdontoPrev (231.113.232 ações, representativas de 43,5% do seu Capital Social). 17. Em 27/12/2013, a consultoria Ernst & Young emitiu laudo de avaliação econômico financeira da empresa Santa Rita, estimando seu valor em R$ 376 milhões de reais, explicando que o objetivo único e final da Bradesco Saúde era a simples aquisição de 6,50% de participação acionária na empresa OdontoPrev, elevando seu total para 50,01%, obtendo o controle acionário da empresa. 18. A Autoridade Fiscal informou, considerando que a Santa Rita e a ZNT eram empresas sem efetiva operação mercantil, com existência apenas formal, que os cálculos do estudo eram realizados com base unicamente em projeções do mercado de seguro-saúde odontológico e no fluxo de caixa futuro descontado das operações da OdontoPrev e suas controladas. À exceção das 34.535.165 ações ordinárias da OdontoPrev, os demais ativos e passivos da Santa Rita e da ZNT foram avaliados como sem valor financeiro. 19. Em 02/01/2014, concretizou-se a compra, pela Bradesco Saúde, de 100% das ações da Santa Rita, que detinha 100% do capital de ZNT, que, por sua vez, possuía 6,5% do capital social da OdontoPrev. No mesmo dia, a Bradesco Saúde realizou o pagamento de R$ 343.989.561,29 ao Sr. Randal pela compra das ações, e integralizou, no capital da ZNT, 231.113.232 ações da Fl. 2848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 6 OdontoPrev. Assim, a ZNT passou a deter 50,01% das ações de OdontoPrev (figura 5 – fl. 2114). 20. Em 13/01/2014, o Sr. Randal deixou a presidência da OdontoPrev e tornou-se diretor-geral da Bradesco Seguros S.A., ocupando o segundo cargo na hierarquia da organização, conforme anunciado ao mercado em 14/10/2013, cujo referido cargo foi criado em 13/01/2014. 21. Em 31/01/2014, a Bradesco Saúde registrou, em sua contabilidade, a aquisição da Santa Rita, pelo valor de R$ 343.989.561,29, classificando, como patrimônio líquido do investimento, o valor de R$ 50.404.058,75. A diferença, de R$ 293.585.502,54, foi registrada como ágio baseado em rentabilidade futura. 22. Em 30/12/2014, a Bradesco Saúde realizou um novo pagamento ao Sr. Randal, no valor de R$ 4.075.324,92, como restante do preço de compra de 100% das ações da Santa Rita, totalizando o montante pago de R$ 348.064.886,21. No mesmo dia, a empresa Santa Rita incorporou a ZNT, e foi incorporada pela Bradesco Saúde. Em virtude do novo pagamento realizado ao Sr. Randal, a Bradesco Saúde elevou o valor do ágio pago com base na rentabilidade futura da Santa Rita para o total de R$ 297.660.827,46. 23. Em novembro de 2015, o Sr. Randal assumiu a presidência da Bradesco Seguros. A partir de janeiro de 2016, a Bradesco Saúde passou a amortizar fiscalmente (até dezembro de 2020), o ágio pago de R$ 297.660.827,46 na aquisição da empresa Santa Rita, no montante de R$ 59.532.165,48 por ano (R$ 4.961.013,79 por mês), através de exclusões nos livros de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 24. Em 31 de maio de 2017 o Sr. Randal renuncia ao seu cargo de Diretor-Presidente na Bradesco Seguros. 25. A fiscalização concluiu que a contribuinte deduziu indevidamente, na apuração de seu lucro real e base de cálculo da CSLL, no ano-calendário de 2019 o valor de R$ 89.298.248,22, e em 2020 o valor de R$ 59.532.165,48, a título de amortização do ágio proveniente da compra e posterior incorporação de Sta. Rita de Cássia Empreendimentos S/A. 26. Relata que a Bradesco Saúde S/A foi a investidora da operação, e quem adquiriu as ações da Odontoprev S/A, elevando sua participação societária na empresa. Já a investida material, cujas exclusivas operações justificaram o ágio escriturado, foi a empresa operacional Odontoprev, a qual, em momento algum, teve seu patrimônio absorvido por qualquer outra pessoa jurídica. 27. Conclui que o evento de incorporação não contou com a participação da real investida (Odontoprev S/A), mas ocorreu apenas entre Bradesco Saúde e as empresas veículo Sta. Rita e ZNT, restando claro que a operação retratada não atendeu aos preceitos dos arts. 7º e 8º da lei nº 9.532/98, pois não houve a unificação num mesmo patrimônio, em uma mesma universalidade, do ágio nascido da aplicação de capital realizada pela Bradesco Saúde na Fl. 2849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 7 expectativa de lucros futuros da investida Odontoprev e estes mesmos lucros, pois se consumou a confusão patrimonial entre o investidor e o real investimento. 28. Acrescenta que não houve propósito negocial ou empresarial relativo à constituição e manutenção das empresas veículo Sta. Rita e ZNT, pois o único objetivo destas empresas desde sua aquisição até a extinção pela Bradesco Saúde era tributário, ou seja, amortizar a despesa de ágio. 29. Pontua que a Sta. Rita e ZNT, durante sua existência, jamais realizaram qualquer atividade operacional ou mercantil, nunca apresentaram quadro de funcionários ou estrutura física, mas possuíram única e exclusivamente as pretendidas ações da Odontoprev. Em meio às negociações, no momento em que se acertou que Sta. Rita e ZNT possuíam mais ações da Odontoprev S/A do que era necessário para a Bradesco Saúde na transação, seus ativos foram prontamente reduzidos e este “excesso” de ações da Odontoprev foi retornado ao seu proprietário original, Sr. Randal. 30. Tais empresas tiveram como único papel, em toda a sequência dos atos descritos nesse processo, permitir a execução de um planejamento tributário abusivo e a obtenção de uma vantagem fiscal indevida, figurando como meras investidas formais, para na sequência, serem incorporadas pela investidora, e permitirem de maneira oblíqua a pretendida amortização de ágio. 31. O ágio é indedutível, pois não foi configurada a criação de uma universalidade de patrimônio entre a real investida e a investidora, que utilizando-se de empresa veículo, sem qualquer propósito negocial, o fez apenas para utilizar os benefícios previstos nos artigos 7º e 8º da lei 9.532/97. 32. Acrescentou que o terceiro requisito que também não foi respeitado pela Bradesco Saúde refere-se às operações terem sido efetuadas entre partes relacionadas e dependentes, pois a Bradesco Saúde e o alienante da empresa Sta. Rita, o Sr. Randal, eram, desde o ano de 2009, sócios na empresa Odontoprev, além de manterem uma relação contratual na prestação de serviços de administração da companhia. 33. Explica que em 2009, os dois, na condição de acionistas controladores respectivos de Bradesco Dental e Odontoprev, foram os responsáveis, por negociar a fusão societária e operacional das duas concorrentes e estabelecer, em contrato, que o Sr. Randal seria o principal gestor executivo na nova companhia. Ou seja, à época da venda da Sta. Rita, 14/10/2013, o seu alienante era ao mesmo tempo sócio da adquirente (principal acionista) na Odontoprev, e administrador dessa empresa. 34. Cita o fato de, em 13/10/2013 (dia da celebração do contrato de promessa de aquisição das ações de Sta. Rita), o sr. Randal foi anunciado como o novo diretor-geral de Bradesco Seguros S/A, único acionista de Bradesco Saúde, ocupando o segundo cargo na hierarquia dessa organização, cargo este que foi criado naquele mesmo dia - (em 13/01/2014, onze dias após a concretização da compra de Sta. Rita, a nomeação foi formalmente confirmada). Fl. 2850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 8 35. Defende que não houve motivação econômica ou negocial na utilização das empresas veículo Santa Rita e ZNT na aquisição pela Bradesco Saúde das ações da empresa operacional Odontoprev S/A, pois verificou-se, na verdade, que a utilização de tais empresas no rearranjo societário utilizado, distante de se enquadrar nos conceitos de necessidade, normalidade ou tipicidade de uma operação, serviu única e exclusivamente para dar a impressão de licitude a uma tentativa irregular de pagar menos imposto. 36. Conclui que não restariam dúvidas que o ordenamento jurídico expressamente veda a dedutibilidade de despesas criadas de forma artificial, e que as ações praticadas pelo contribuinte se revestem dessa condição não sendo compatíveis com operações econômicas ou financeiras regulares, resta claro que são indedutíveis para fins fiscais os valores declarados como amortização de ágio baseado na expectativa de rentabilidade futura da companhia Santa Rita. Multa Isolada 37. Em virtude das exclusões mensais realizadas indevidamente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a contribuinte deixou também de confessar e recolher valores devidos de antecipações mensais de IRPJ e CSLL, calculados com base em balancetes de suspensão e redução, de acordo com o artigo 6º da Lei 9.430/96. 38. Nos termos do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, foi aplicada a multa isolada correspondente. PRIMEIRA INSTÂNCIA 39. Discordando do Fisco, a Recorrente apresentou Impugnação em desfavor de argumentos explicitados no Relatório Fiscal. Em acórdão de primeira instância houve a seguinte decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 2ª TURMA/DRJ01 de Julgamento, por maioria de votos, acatar a preliminar de nulidade com relação aos fatos geradores ocorridos em 2019, e, no mérito, julgar improcedente a impugnação em relação aos fatos geradores ocorridos em 2020, mantendo em parte o crédito tributário em litígio, nos termos do relatório e voto. Vencido o julgador Joao Marcos Mendes, o qual entendeu pela total procedência da impugnação e apresentou declaração de voto. Fl. 2851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 9 SEGUNDA INSTÂNCIA RECURSO DE OFÍCIO 40. O Fisco impetrou Recurso de Ofício contra a exoneração parcial efetuada na primeira instância: Submeta-se à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 2, de 17 de janeiro de 2023, por força de recurso necessário. Deve-se ressaltar que houve constituição de crédito em duplicidade em 2019 e este é o motivo do referido Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO 41. Discordando da Decisão de Primeira Instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em desfavor de argumentos explicitados naquela decisão. 42. Antes de qualquer consideração, é importante fixar premissas a respeito das amortizações de ágio em geral, a fim de subsidiar os argumentos que serão expostos adiante. 43. Vale repisar que as questões ora em análise levam em consideração a sistemática legal anterior à Lei n. 12973, que alterou o regime de formação e amortização do ágio, de forma que a legislação analisada será aquela que precede as referidas alterações. 44. De rigor, por conseguinte, que se compreenda que qualquer interpretação relacionada aos termos da Lei n. 12973 na parte em que disciplinou a amortização de ágio apurado em operações similares à presente é absolutamente inaplicável ao presente feito, elemento este que será mais bem abordado em tópico posterior. 45. Segundo o art. 20 do Decreto-lei n. 1598, em sua redação vigente à época dos fatos, “O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (I) valor de patrimônio líquido na época da aquisição [...]; e (II) ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I.” 46. O parágrafo 2° do referido artigo determinava que a sociedade que apurasse ágio ou deságio na aquisição de participação societária deveria, obrigatoriamente, indicar o fundamento econômico dessa diferença dentre três hipóteses legais, quais sejam: (i) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua Fl. 2852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 10 contabilidade; (ii) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; e (iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Por sua vez, o parágrafo 3° dispunha que “o lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” 47. A lei previa, portanto, que o lançamento contábil do referido ágio fosse baseado em demonstração que deveria ser arquivada, sem prever qualquer requisito especial que devesse ser observado relativamente a tal demonstração. 48. Desse modo, ao adquirir participação em sociedade controlada ou coligada, a pessoa jurídica deveria avaliar o investimento com base no patrimônio líquido da sociedade adquirida, metodologia da equivalência patrimonial – MEP, desdobrando o respectivo custo de aquisição entre o valor do patrimônio líquido da investida e a eventual diferença (a maior ou a menor) entre o patrimônio líquido da investida e o valor pago, devidamente fundamentada na forma da lei, como ágio ou deságio. 49. Para a pessoa jurídica investidora, a amortização contábil dos ágios ou deságios não integrava o lucro tributável (art. 25 do mesmo decreto-lei), devendo ser adicionada ao lucro líquido, somente vindo a ser prevista a sua consideração nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL se ocorresse um dos fatos descritos nos art. 7º e 8° da Lei n. 9532. Nos termos do art. 7º, da Lei n. 9532, a “pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio” poderá amortizar o ágio cujo fundamento está pautado pela expectativa de rentabilidade futura na forma e prazo definidos pela legislação. 50. Como se vê, o dispositivo supramencionado prescreve de forma estrita os requisitos para amortização do ágio, quais sejam, (i) a absorção, mediante (ii) incorporação, fusão ou cisão de (iii) patrimônio de pessoa jurídica na qual a participação societária tenha sido adquirida com ágio. Tendo a pessoa jurídica realizado negócio jurídico que resulte na aquisição de participação societária e tendo havido o registro de ágio, com o cumprimento dos demais requisitos do art. 20 do Decreto-lei n. 1598, e tendo afinal havido a posterior absorção do patrimônio, via incorporação, fusão ou cisão, como requer o art. 7º da Lei n. 9532, é permitida a sua amortização fiscal. 51. Estes são os requisitos legais cujo cumprimento autoriza a dedução fiscal do ágio, não sendo cabível qualquer outra investigação ou avaliação por parte da fiscalização, a qual, como é cediço, deve se pautar na estrita legalidade ao proceder ao lançamento de ofício, nos termos dos art. 97, 113, 114 e 142 do Código Tributário Nacional e dos art. 5, inciso II, e 150, inciso I, da Constituição Federal. Neste caso, como visto, a lei é clara e não dá margem a dúvidas. Não há comando legal que autorize a amortização fiscal do ágio, por exemplo, somente se adquirida participação nas investidas da holding, ou se incorporadas as holdings e também as Fl. 2853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 11 investidas, de modo que basta a aquisição de participação societária com ágio e a confusão patrimonial entre adquirente e investida. 52. Desta forma, inexiste na lei qualquer comando estabelecendo que a confusão patrimonial prescrita pela Lei n. 9532 deve ocorrer entre o adquirente e o que a AFRFB convencionou chamar de “real investida”, assim entendido como a sociedade que teria sido, a partir de uma análise subjetiva da operação, o investimento cuja aquisição se pretendia, de modo que esses comentários já seriam suficientes para demonstrar a invalidade da autuação em comento. 53. No presente caso, tem-se que: (i) (ii) a adquirente foi a recorrente, fato que é incontroverso; e a adquirida, por sua vez, foi a Santa Rita, uma holding existente há mais de 15 anos, como atestam indubitavelmente seus atos constitutivos (fls. 2252/2300). Tanto que o laudo que retrata o fundamento econômico do ágio indica de forma clara que a rentabilidade esperada é fruto dos dividendos que a Santa Rita poderia gerar. 54. Tendo havido a reunião, em um mesmo patrimônio (confusão patrimonial), entre adquirente (recorrente) e adquirida (Santa Rita) e não tendo havido qualquer questionamento quanto à validade jurídica da operação ou quanto aos demais requisitos do art. 20 do Decreto-lei n. 1598, é cabível a amortização fiscal do ágio apurado. 55. Conforme supramencionado, a fiscalização fundamentou a acusação fiscal na impossibilidade de amortização fiscal do ágio em virtude da suposta ausência de um dos pressupostos exigidos nos arts. 7º e 8º da Lei n. 9532, qual seja, a união do patrimônio da sociedade investida com o ágio gerado em sua aquisição. Isso porque, no entendimento da fiscalização, apesar de inexistirem dúvidas acerca da qualidade de adquirente da recorrente, a “real empresa investida” teria sido a Odontoprev, cuja participação societária era detida pela ZNT e, por conseguinte, pela Santa Rita. 56. O raciocínio da fiscalização parte da premissa de que a Santa Rita e a ZNT seriam empresas meramente intermediárias, desprovidas de qualquer outro propósito negocial, tratando-se de empresas veículo utilizadas para aquisição do respectivo investimento. 57. Confira-se, nesse sentido, os trechos do relatório fiscal: “3.15 No caso concreto, não há discussão que Bradesco Saúde S/A foi a investidora da operação, e quem adquiriu as ações da Odontoprev S/A, elevando sua participação societária na empresa. 58. Já a investida material, cujas exclusivas operações justificaram o ágio escriturado, foi a empresa operacional Odontoprev, a qual, em momento algum, teve seu patrimônio absorvido por qualquer outra pessoa jurídica.” (fls. 2120) Assim, a AFRFB conclui que não teria restado cumprido um requisito intrínseco da legislação de regência, notadamente os art. 7° e 8° da Lei n. 9532, qual seja, a necessária “confusão patrimonial” entre a investidora e a suposta real investida, visto que, ao final, o investimento pretendido seria a aquisição das ações da Odontoprev. Fl. 2854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 12 59. Para tanto, são listados pela AFRFB alguns supostos indícios que comprovariam a suposta ausência de interesse na aquisição direta da Santa Rita de modo a justificar que a real investida, a despeito da ausência de previsão legal para tanto, fosse a Odontoprev, quais sejam: (i) (ii) (iii) (iv) a Santa Rita e a ZNT, até suas respectivas extinções, apenas atuaram com participação societária, possuída pelo Sr. Randal na Odontoprev; o laudo da Ernst & Young teria indicado que o único objetivo da recorrente era a aquisição de 6,50% da participação acionária da Odontoprev; as estruturas careceriam de propósito negocial uma vez que visavam a “permitir a execução de um planejamento tributário abusivo e a obtenção de uma vantagem fiscal indevida, figurando como meras investidas formais, para na sequência, serem incorporadas pela investidora, e permitirem de maneira oblíqua a pretendida amortização de ágio”; e ambas as empresas não teriam funcionários ou atividades comerciais, dentre outras questões. 60. O voto vencedor do v. acórdão ora recorrido, em detrimento aos elementos de fato e de direito demonstrados pela ora recorrente em sua impugnação, houve por bem replicar o raciocínio da d. AFRFB, alegando que estaria correto o raciocínio fiscal, na medida em que, sob seu entendimento, Santa Rita e ZNT seriam empresas veículo utilizadas para “aparentar o implemento das condições objetivas ao exercício do direito de deduzir o ágio amortizado” (fl. 2651). 61. Para sustentar as afirmações constantes do voto vencedor, houve por bem o relator replicar os supostos indícios arguidos da AFRFB, reputando-os corretos. O entendimento, no entanto, não pode prevalecer, pois: (i) (ii) (iii) (iv) Tanto a Santa Rita quanto a ZNT desde suas criações tinham como atividade prevista em seus respectivos objetos a possibilidade de participação em outras sociedades, como atestam os atos societários das sociedades (fls. 2252/2300 e fls. 2301/2385); tais sociedades efetivamente exerceram tal atividade; O desenvolvimento da atividade típica de holding era (e é) plenamente regular, tanto que o art. 1º, parágrafo 3º, da Lei n. 6404, de 15.12.1976, dispõe que “a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”11; Tanto a Santa Rita quanto a ZNT cumpriram à risca seus objetos sociais, quer porque geriram, por anos, a participação societária que detinham, quer porque remuneraram seus acionistas, realizando pagamento de JCP, como se verifica das atas de assembleias gerais extraordinárias de fl. 2284 e fl. 2365, informações estas desconsideradas pela fiscalização e cuja relevância foi desconsiderada pelo voto vencedor do v. acórdão ora recorrido; O compromisso de compra e venda de ações indica expressamente que a intenção da recorrente era a aquisição do capital social da Santa Rita. 62. Inclusive, o laudo da Ernst & Young mencionado pela AFRFB avaliou a respectiva empresa com base no fluxo de caixa de dividendos futuros/rentabilidade futura esperada para a Santa Rita, corroborando sua qualidade de investida (adquirida) no negócio em questão; e (v) O mesmo compromisso de compra e venda de ações, em sua cláusula 4.6, estabeleceu que ambas as Fl. 2855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 13 sociedades, Santa Rita e ZNT, entre o período de assinatura do contrato e a data de fechamento da operação, não poderiam alterar suas atividades de forma significativa, sob pena de comprometer os valores a serem transacionados. 63. Percebe-se que as constatações feitas pela fiscalização e reputadas corretas pelo voto vencedor do v. acórdão ora recorrido, que comprovariam a condição de empresa veículo das sociedades, na acepção de não serem as reais investidas, servem para atestar justamente o contrário, ou seja, que as empresas efetivamente existiam e desempenhavam suas respectivas funções relacionadas à gestão patrimonial dos Srs. Zanetti, inexistindo qualquer vínculo entre estas e a recorrente até o momento da efetiva aquisição da participação societária, afastando qualquer possibilidade de se coadunar com a afirmação de que seriam estruturas artificiais, criadas com o intuito exclusivo de viabilizar a operação em comento. 64. Tanto é verdade que, apesar de a AFRFB se valer de expressões como “planejamento tributário abusivo” e “obtenção de uma vantagem fiscal indevida”, o que sugeririam indícios de fraude ou simulação, não foi imputada multa de ofício qualificada nos termos do art. 44, parágrafo 1º, da Lei n. 943012. E nem poderia ser diferente, uma vez que a operação foi amplamente divulgada ao mercado (vide fls. 303/306, fls. 380/382, fls. 2391/2396 e fls. 2402/2405) e realizada com dispêndio de valores, entre partes independentes, respaldada por laudo de avaliação hígido, e a partir de imposição pelo Banco Central do Brasil (“BACEN”), refutando qualquer possibilidade de ser considerada irregular. 65. É interessante notar que a maioria das alegações da fiscalização, as quais, erroneamente repetidas pelo voto vencedor v. acórdão, diz respeito à interpretação equivocada e enviesada da documentação apresentada pela recorrente e da função exercida por sociedades holdings. Como se verifica do TVF, a AFRFB afirma que as duas empresas “jamais exerceram quaisquer atividades operacionais ou mercantis; jamais admitiram quaisquer funcionários; jamais adquiriram quaisquer ativos imobilizados; existindo apenas formalmente, bem como limitando-se a figurar única e exclusivamente como as pessoas jurídicas titulares da participação societária anteriormente possuída pelo Sr. Randal na Odontoprev”, declarando ser isso aparente indicativo da intenção única das empresas em apenas intermediar o investimento do Sr. Randal na Odontoprev, sem o interesse de participar em outras empresas. 66. O voto vencedor do acórdão recorrido, em diversas passagens, reutiliza das conclusões da AFRFB: – fl. 2651: “Embora a empresa alegue inexistência de base legal de que a confusão patrimonial deva ocorrer entre e adquirente e a suposta “real adquirida” e de que bastaria a absorção do patrimônio pela adquirente da sociedade na qual a participação societária foi adquirida com ágio, a incorporação sem substância econômica que une em uma única sociedade uma pessoa jurídica existente no mundo dos negócios e outra sem existência econômica não é bastante para configurar o requisito legal que autoriza a amortização fiscal do ágio, já que se trata de incorporação ficta, cujo negócio jurídico não é oponível ao Fisco, uma vez que as operações foram realizadas e especialmente construídas para gerar a possibilidade de dedução da amortização de ágio, mediante utilização de empresa sem Fl. 2856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 14 substância econômica, sem funcionários registrados, constituída unicamente com a participação societária correspondente ao ágio gerado.” (destaques da recorrente) – fl. 2657: “Alega ainda a impugnante que a sociedade investida é a Santa Rita, controladora da ZNT, ambas holdings patrimoniais existentes há mais de 16 anos, utilizadas pelo Sr. Randal (alienante) para gestão de seu patrimônio (suposto propósito negocial das empresas), tendo a Santa Rita e a ZNT, inclusive, distribuído JCP em períodos anteriores. 67. Além disso, que mesmo que Santa Rita e ZNT fossem empresas veículos, não haveria vedação na utilização dessas estruturas. Nesse sentido, é fato que as duas empresas, apontadas pela fiscalização como empresas veículos, embora existentes havia mais de 16 anos, não possuíam qualquer função além de controlar a Odontoprev, sem funcionários ou instalação física.” (destaques da recorrente) No entanto, as afirmações da d. AFRFB e do d. relator do voto vencedor do acórdão recorrido, notadamente quando fazem referência às empresas não possuírem quadro de funcionários ou ativo imobilizado, revelam precária compreensão quanto à efetiva função das sociedades holdings e da natureza do instituto. 68. Inicialmente, cumpre ressalvar que os objetos sociais de ambas as sociedades em comento previam, desde suas respectivas constituições, a atividade típica de holdings (fl. 2253 e fl. 2303). 69. Em linha com os ensinamentos de Modesto Carvalhosa13, “o objeto social da holding é sempre o de participar do capital de outra sociedade, como controladora ou investida”, não tendo que se falar de qualquer aparente indicativo da intenção das empresas. Repita-se que o desenvolvimento da atividade típica de holding está expressamente previsto no art. 1º, parágrafo 3º, da Lei n. 6404, sendo que a própria RFB reconhece a regularidade de uma empresa cuja atividade seja a participação no capital social de outras. Nesse sentido, na Solução de Consulta COSIT n. 84, de 8.6.2016, restou consignado que “A receita bruta sujeita à Cofins compreende as receitas oriundas do exercício de todas as atividades empresariais da pessoa jurídica, e não apenas aquelas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. 70. As receitas decorrentes do recebimento de juros sobre o capital próprio auferidas por pessoa jurídica cujo objeto social seja a participação no capital social de outras sociedades compõem sua receita bruta para fins de apuração da Cofins devidas no regime de apuração cumulativa.” Registra-se, ademais, que no momento da associação entre a recorrente e a Odontoprev, em 2009, o acordo de acionistas (fls. 389/480) foi firmado com a ZNT e o Sr. Randal, o que é mais uma comprovação da existência dessa sociedade e de sua atuação como holding. 71. Outrossim, foi ignorado pela AFRFB e teve sua relevância minada pelo voto vencedor do acórdão recorrido o fato de que a Santa Rita e a ZNT pagaram JCP aos seus acionistas em momentos anteriores, a exemplo do montante de R$ 486.000,00, aprovado em 28.3.2013, no caso da Santa Rita, e de R$ 649.868,01, aprovado em 31.10.2013, no caso da ZNT, devidamente registrado na contabilidade da empresa, conforme atestam os documentos de Fl. 2857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 15 fl. 2284 e fl. 2365, bem como que, por expressa determinação entre a recorrente e o Sr. Randal, entre 14.10.2013 e a efetiva aquisição da participação societária da Santa Rita pela recorrente, que ocorreu em 2014, a Santa Rita e a ZNT não poderiam alterar suas atividades, isto é, objeto social e respectiva consecução (fls. 313/379). 72. Evidente a necessidade de estipulação da respectiva cláusula uma vez que, tratando-se de holdings destinadas à gestão patrimonial dos Srs. Zanetti, poderiam ser realizadas movimentações que impactassem sua situação patrimonial de modo a inviabilizar a aquisição da participação societária da Santa Rita, nos termos em que pactuada. 73. Adicionalmente, quanto à alegação de que a Santa Rita e a ZNT não possuíam quadro de funcionários ou ativo imobilizado, o CARF já se posicionou de forma a reconhecer a impertinência da aferição de sede física ou quantidade de funcionários para sociedade holding em situação análoga à presente, tal como se extrai do acórdão n. 1402003.978, de 17.7.2019, cujo desfecho favorável foi mantido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) que não conheceu do recurso especial do Fisco quando do acórdão n. 9101-006.285, de 13.9.2022. Naquela oportunidade, o voto vencedor de lavra do ex-Conselheiro Caio César Nader Quintella refutou a alegação de artificialidade de sociedades holdings em razão da ausência de funcionários sob o fundamento de que “houve uma má interpretação do conceito de Direito Comercial de empresas holdings, de forma que suas características próprias e plenamente lícitas foram utilizadas como argumento para constatação de sua suposta ‘inexistência’”. 74. Prosseguiu reconhecendo que “dentro de sua condição de companhias não operacionais, sem caráter comercial, mercante, a acusação de possuírem as holdings mesma sede ou de não terem funcionários, nada mais faz do que confirmar sua correta classificação societária e natureza jurídica”. O Conselheiro ainda foi além ao reconhecer que, naquele caso, a ausência de remessa de dividendos aos acionistas ilustraria mera decisão financeira do grupo, e não indício da artificialidade da estrutura. No presente caso, mostra-se ainda mais relevante tal assertiva na medida em que a Santa Rita e a ZNT efetivamente pagaram JCP aos seus acionistas. Tal entendimento tem sido esposado, inclusive, pela CSRF, a exemplo dos acórdãos ns. 9101-005.876, de 11.11.2021; 9101-005.872, de 11.11.2021, dentre outros, revelando-se a insubsistência da acusação fiscal. 75. Ora, não há nenhum comando legal no sentido de que sociedades holdings são obrigadas a adotar estrutura de pessoal e sede física para consecução de suas atividades, ou mesmo que a efetividade de uma empresa seja avaliada a partir da diversidade de participações societárias por ela detidas, de modo que a participação em apenas uma sociedade revelaria sua suposta artificialidade, tal como pretende ver reconhecido a AFRFB e subscrito no voto vencedor do v. acórdão recorrido. 76. Registre-se que a própria Instrução Normativa (“IN”) RFB n. 1037, de 4.6.2010, ao tratar da efetividade de sociedade holding, afirma que esse conceito deve ser aferido com base nas Fl. 2858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 16 atividades desempenhadas por ela. No caso, as atividades de controle e administração do patrimônio do Sr. Randal não necessitavam de funcionários ou estrutura física, de modo que o raciocínio da fiscalização não pode prevalecer. Não suficiente, de modo a amparar seu entendimento equivocado no sentido de que a real investida não teria sido a Santa Rita, mas sim, a Odontoprev, vale-se a AFRFB do laudo elaborado pela Ernst & Young (fls. 105/157), o qual teria sido baseado unicamente em projeções do mercado de seguro-saúde odontológico e no fluxo de caixa futuro descontado das operações da Odontoprev e suas controladas, de modo que indicaria que a intenção da recorrente teria sido a aquisição de participação societária da Odontoprev. Em que pese os elementos demonstrados pela recorrente em sua impugnação, essa conclusão fiscal não foi expressamente enfrentada pelo voto vencedor do acórdão ora recorrido. 77. Todavia, tendo-se em conta a manutenção da autuação, no que referente aos fatos geradores ocorridos em 2020, cumpre à recorrente demonstrar novamente os equívocos em que recaiu a d. AFRFB. Primeiramente, não há qualquer indicativo no respectivo documento no sentido de que a recorrente pretendia a aquisição direta da participação societária da Odontoprev. O que há é um mero descritivo da operação pormenorizada em tópicos anteriores, para fins exclusivos de definição do escopo do laudo uma vez que auditores externos não possuem o condão de suprimir a vontade das partes declaradas em instrumento próprio, no caso, o compromisso de compra e venda de ações e outras avenças, nos quais há menção expressa de que a participação societária a ser adquirida é aquela referente à Santa Rita, e não à Odontoprev. 78. Tanto é verdade que o laudo de avaliação, valendo-se da metodologia de fluxo de caixa descontado, diferentemente do que expôs a fiscalização, manifestamente indica que se pautou pelo fluxo de dividendos esperados para a Santa Rita, considerando seus investimentos nas empresas ZNT, Odontoprev e BB Dental, uma vez ser essa a métrica adequada à Santa Rita, enquanto holding patrimonial, nos termos acima expostos (fl. 111). 79. Não bastasse, ainda que o laudo tivesse base no resultado da empresa operacional coligada, tal elemento é irrelevante para fins de avaliação da higidez do ágio apurado, em linha com os precedentes do CARF, a exemplo do acórdão n. 1201-001.897, de 20.9.2017: “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA HOLDING. LAUDO COM BASE NO RESULTADO DA EMPRESA OPERACIONAL COLIGADA. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado. Se a empresa holding detém participação na empresa operacional com base na qual foi elaborado o laudo de avaliação, o resultado dessa última se refletirá naquela na mesma proporção.” 80. Nesse caso, o Fisco havia justificado a glosa da despesa sob o fundamento de que o laudo de avaliação da incorporada teria como base os lucros futuros que seriam gerados, essencialmente, por meio de empresa na qual a incorporada detinha 100% de participação. Fl. 2859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 17 81. O tribunal afastou a alegação sob o entendimento de que a situação pretendida pelo Fisco apenas se sustentaria caso inexistisse qualquer relação entre a incorporada e a empresa que, a princípio, geraria os lucros futuros. Contudo, como a incorporada detinha 100% da participação acionária, à semelhança do que se verifica no presente caso, “os resultados dessa última se refletirão naquela na mesma proporção”. Desta forma, “quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, não faz qualquer distinção quanto à origem desse resultado”. 82. Para afastar qualquer dúvida, no acórdão n. 9101-006.837, de 7.2.2024, a 1ª Turma da CSRF confirmou a possibilidade da aquisição de uma holding, com apuração e amortização do respectivo ágio: “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTADO EM RENTABILIDADE FUTURA. LAUDO QUE LEVA EM CONTA OS FLUXOS DE CAIXA DE EMPRESAS OPERACIONAIS CONTROLADAS PELA HOLDING ADQUIRIDA. LEGITIMIDADE. 83. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da expectativa de rentabilidade futura da investida (no caso, uma holding), sem qualquer distinção quanto à origem desse resultado, é plenamente possível, e até natural, que o resultado das indiretas reflitam na sua avaliação, de modo que o dito ágio indireto não contamina a fundamentação do ágio na rentabilidade futura da investida.” O mesmo entendimento pode ser verificado em decisão recente, proferida também pela c. 1ª Turma da CSRF. 84. Trata-se do acórdão n. 9101-007.299, de 12.3.2025: “DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTADO EM RENTABILIDADE FUTURA. LAUDO QUE LEVA EM CONTA OS FLUXOS DE CAIXA DE EMPRESAS OPERACIONAIS CONTROLADAS PELA HOLDING ADQUIRIDA. LEGITIMIDADE. Quando a norma estabelece como fundamento econômico do ágio o valor da expectativa de rentabilidade futura da investida (no caso, uma holding), sem qualquer distinção quanto à origem desse resultado, é plenamente possível, e até natural, que o resultado das indiretas reflita na sua avaliação, de modo que o dito ágio indireto não contamina a fundamentação do ágio na rentabilidade futura da investida.” Ou seja, ainda que o efeito da operação ao final tenha garantido à recorrente a participação complementar de 6,50% na Odontoprev, mediante a aquisição da participação societária da Santa Rita e posterior incorporação, fato é que não há como se negar, a partir da documentação apresentada pela recorrente, bem como da operação em comento, que a real adquirida, para fins de averiguação do ágio, era a Santa Rita, e não a Odontoprev. 85. Além dos elementos utilizados pela AFRFB para tentar invalidar a higidez das holdings em questão, este também conclui que não haveria qualquer razão para constituição da Santa Rita e da ZNT, as quais visavam a “permitir a execução de um planejamento tributário abusivo e a obtenção de uma vantagem fiscal indevida, figurando como meras investidas formais, para na sequência, serem incorporadas pela investidora, e permitirem de maneira oblíqua a pretendida amortização de ágio.” Fl. 2860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 18 86. Tal entendimento, uma vez mais, não deve prosperar. Em primeiro lugar, porque o ordenamento jurídico não permite a desconsideração de atos ou negócios jurídicos com base em ausência de propósito negocial. Destaque-se que regras gerais antielisivas, baseadas em propósito negocial ou em interpretações econômicas, foram repelidas pelo Congresso Nacional em pelo menos quatro oportunidades: (i) em 1966, quando o art. 74 do projeto do CTN tentou introduzir a interpretação econômica no sistema tributário brasileiro; (ii) em 2001, quando o projeto da Lei Complementar n. 104/2001 tentou introduzir uma regra geral antielisiva ampla no art. 116, parágrafo único, do CTN, cuja redação foi alterada e restringida pelos congressistas brasileiros para alcançar apenas negócios dissimulados; (iii) em 2002, quando a Medida Provisória n. 66/2002 foi aprovada sem as disposições antielisivas originalmente previstas; e (iv) em 2015, quando a Medida Provisória n. 685/2015 tentou introduzir a obrigatoriedade de divulgação de planejamento tributário no Brasil, mas foi rejeitada pelo Congresso nacional14. 87. A decisão do STF na ADI n. 2446 apenas confirma esse contexto. Ainda, conforme exposto neste recurso, a estrutura de controle da Odontoprev por meio de holdings foi constituída pelos Srs. Zanetti em 1998, ou seja, mais de 16 anos antes da aquisição e incorporação dessa empresa. Esse aspecto, por si só, rechaça qualquer alegação de ausência de propósito negocial, seja porque a constituição da estrutura foi realizada por terceiros, seja porque o lapso temporal evidencia que não houve intenção de obtenção de vantagem tributária, por parte dos envolvidos. Trata-se, na verdade, de estrutura societária lícita e comumente utilizada por pessoas naturais na gestão de patrimônio, notadamente para a gestão de investimentos operacionais, como no caso vertente. 88. Ademais, a ZNT, também constituída em 1998 pelos Srs. Zanetti, recebeu as ações da Odontoprev antes de titularidade da Santa Rita apenas em 2004, cerca de seis anos após a sua criação, demonstrando que as sociedades não surgiram com o único intuito tido como forjado pela AFRFB e pelo voto vencedor do acórdão recorrido de alocação exclusiva da participação societária detida pelo Sr. Randal na Odontoprev ou de veículo para a operação em questão. 89. O que se verifica, no caso concreto, é a existência de estrutura criada, pelo alienante, Sr. Randal, que perdurou por mais de 16 anos, para gestão de seu patrimônio relacionado às ações da Odontoprev, inexistindo qualquer relação desta estrutura com a recorrente até 2013, momento da celebração do compromisso de compra e venda de ações. Nota-se que não é crível a narrativa fiscal no sentido de que não havia propósito negocial na criação e utilização da ZNT e da Santa Rita, visto que, tal como já demonstrado, as sociedades desempenhavam suas funções de holdings, ou seja, administração de ações societárias (tal como indicado pela própria d. AFRFB e pelo voto vencedor), bem como que não há como se admitir que, em 1998, no momento no qual a Odontoprev sequer havia aberto seu capital para mercado, o Sr. Randal já havia definido os termos de utilização de tais estruturas em suposto planejamento tributário de empresa a qual, até o momento, era controladora de concorrente no mercado, a Bradesco Dental. Fl. 2861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 19 90. A CSRF já se debruçou sobre situação similar na qual foi avaliada a regularidade da amortização do ágio envolvendo empresa veículo, cuja constituição se deu por terceiros, que não o adquirente da participação societária. É o caso do acórdão n. 9101-003.208, de 8.11.2017. Naquela oportunidade, especificamente em relação a um dos ágios apurados pelo sujeito passivo (Ágio Cajati), a CSRF reconheceu que a estrutura societária que envolvia o controle da investida existia antes da aquisição e pelo grupo da alienante: “Vê-se que a DIJON/CAJATI também teve existência efêmera, de apenas 1 (um) ano, não registrou funcionários, não exerceu qualquer atividade operacional ou empresarial geradora de receitas. Mas aqui há uma questão que diferencia este negócio dos outros. A empresa-veículo DIJO/CAJATI não foi criada pelo Grupo Bunge. A DIJON/CAJATI foi criada pelo grupo VALE que depois subscreveu seu capital com as ações da FOSFÉRTIL”. 91. Por essa razão, a despeito de a aquisição da participação societária pelo sujeito passivo através da empresa veículo ter sido vantajosa, dada a possibilidade de amortização do ágio em momento subsequente, “de fato o ágio foi adquirido e pago por partes independentes que, depois, incorporaram a PJ investida”. Veja-se que o fato de a estrutura da empresa veículo ser anterior à aquisição perpetrada e constituída por terceiro que não o adquirente, ainda que com duração efêmera, a CSRF afastou a alegação de ausência de propósito negocial e invalidade da empresa veículo. O mesmo racional deve ser transposto ao presente caso, dado que a Santa Rita e a ZNT foram adquiridas e criadas pelo Sr. Randal em 1998, tendo apenas em 2013 sido objeto de negociação entre as partes para viabilizar a aquisição da participação societária pretendida pela recorrente na Santa Rita. Não havia, portanto, qualquer relação com a recorrente, sendo indevida a afirmação de que tais sociedades foram utilizadas com o único propósito de viabilizar a operação vergastada. 92. Chama-se a atenção, também, para o acórdão n. 1402-003.978, de 19.7.2019, no qual, apesar de não ter sido mais discutida a questão relacionada à amortização do ágio, a Turma Ordinária decidiu pela redução da multa qualificada motivada, dentre outros elementos, pelo lapso temporal entre o início das operações das empresas e a posterior incorporação. Nos termos do voto vencedor, tal como no presente caso, a fiscalização indicou que as “operações societárias estariam maculadas pelo ‘vácuo negocial’ e na suposta ausência de motivação extra tributária”. Contudo, “entre o início das operações e a sua efetivação com concretização com a absorção do patrimônio das companhias investidas, houve um intervalo total de mais de 12 (doze) anos, não se tratando da constituição de empresas efêmeras e de utilização instantânea”. Da mesma forma, no acórdão n. 1402-001.409, de 10.7.2013, as acusações fiscais semelhantes àquelas promovidas no presente processo foram rechaçadas também em razão do lapso temporal das operações: “O primeiro aspecto digno de nota é o lapso temporal de sete (7) anos entre a criação da empresa e a incorporação pela controlada. Na prevalência da tese do planejamento fiscal orquestrado ter-se-ia quase um exercício de futurologia.” 93. Tal como no caso anterior, o entendimento deve ser transposto ao presente feito, já que a existência da Santa Rita e da ZNT por mais de 16 anos até a aquisição e ocorrência de Fl. 2862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 20 confusão patrimonial revela a inexistência de intuito tributário na criação destas como estruturas destinadas exclusivamente à operação vergastada. Por fim, tivessem a AFRFB ou o voto vencedor do acórdão recorrido analisado a documentação apresentada com mais vagar, teriam chegado à conclusão dos motivos pelos quais a recorrente procedeu à incorporação da Santa Rita. Isso porque a incorporação da ZNT pela Santa Rita, bem como da Santa Rita pela recorrente decorreu de imposição regulatória do Banco Central. Confira-se o trecho dos respectivos instrumentos de protocolo e justificação de incorporação de fls. 383/385 e fls. 386/388. 94. Ora, não tivesse a recorrente cumprido as diretrizes impostas pelo BACEN pela eliminação tanto da ZNT quanto da Santa Rita da estrutura de controle da Odontoprev, a operação restaria inviabilizada. De fato, as operações realizadas foram essenciais e suas motivações extrafiscais são evidentes, uma vez que, não tivesse a recorrente cumprido as diretrizes impostas pelo BACEN pela eliminação tanto da ZNT quanto da Santa Rita da estrutura de controle da Odontoprev, a operação restaria inviabilizada. Sob qualquer enfoque que se analise a questão, é clara a presença de propósito negocial na criação e manutenção da Santa Rita e da ZNT no contexto de gerenciamento do patrimônio do Sr. Randal e a posterior incorporação pela recorrente, diante, também, da imposição pelo BACEN. 95. Finalmente, ainda que se admita que a Santa Rita seria empresa veículo utilizada com o único intuito de viabilizar a aquisição da participação societária na Odontoprev e permitir a amortização do ágio, o que se cogita em caráter meramente argumentativo, tem-se que, ainda assim, não haveria razão para a glosa fiscal das amortizações15. 96. Destaque-se que o Fisco nunca emitiu qualquer instrução ou orientação a respeito da legislação do ágio, sendo que, quando o fez, nas Soluções de Consulta COSIT n. 3/2016, n. 13/2020 e n. 39/2020, não tratou da tese da “confusão patrimonial”, tampouco da “real adquirida” ou da alegada irregularidade da utilização de “empresa veículo” nessas operações. Esse inclusive tem sido o entendimento manifestado pela 1ª Turma da CSRF, o que se pode notar a partir das ementas colacionadas a seguir: – acórdão n. 9101-007.285, de 4.2.202516: “UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. 97. O ágio fundamentado em rentabilidade futura, à luz dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, pode ser deduzido por ocasião da absorção do patrimônio da empresa que detém o investimento pela empresa investida (incorporação reversa). O uso de holding para adquirir participação societária com ágio e, posteriormente, ser incorporada pela investida, reunindo, assim, as condições para o seu aproveitamento fiscal, não caracteriza simulação, de modo que resta indevida a tentativa do fisco de requalificar a operação tal como foi formalizada e declarada pelas partes, ainda que sob a motivação de ausência de propósito negocial, figura esta que, na verdade, não foi incorporada ou recepcionada pelo Direito Tributário Brasileiro. Fl. 2863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 21 98. A tese fazendária do “real adquirente”, que busca limitar o direito à dedução fiscal do ágio apenas na hipótese de existir confusão patrimonial entre a pessoa jurídica que disponibilizou os recursos necessários à aquisição do investimento e a investida, não possui fundamento legal.” – – – acórdão n. 9101-007.244, de 4.12.2024: “AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TESE DO “REAL ADQUIRENTE” COM USO DE “EMPRESA VEÍCULO”. SIMULAÇÃO NÃO CARACTERIZADA. DEDUTIBILIDADE. A tese do “real adquirente”, com uso de “empresa veículo” na estruturação do negócio realizado, que busca limitar o direito à dedução fiscal do ágio apenas na hipótese de existir confusão patrimonial entre a pessoa jurídica que disponibilizou os recursos necessários à aquisição do investimento e a investida, não possui fundamento legal, salvo quando caracterizada hipótese de simulação, fraude ou conluio. 99. No presente caso, em sentido oposto à pretensão fiscal, a contribuinte demonstrou que não apenas existiam outros propósitos negociais na criação da empresa-veículo, além da questão meramente fiscal, como também que se tivesse estruturado o negócio sem a criação da nova empresa o resultado fiscal que seria obtido seria o mesmo.” acórdão n. 9101-007.053, de 9.7.2024: “AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA-VEÍCULO. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE INVESTIDORA E INVESTIDA. TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA A INVESTIDORA VIA INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. POSSIBILIDADE. No que se refere à confusão patrimonial entre investida e investidora, o art. 7º da Lei nº 9.532/1997 se limita a exigir que uma empresa absorva patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio. Portanto, não se exige que a confusão patrimonial se realize entre a investida e a “investidora original”, isto é, aquela que, em um primeiro momento, detinha o capital posteriormente integralizado ou transferido a qualquer título para a investidora que realizou a aquisição da participação societária com ágio. 100. E nem poderia ser diferente, pois a integralização de capital é a operação por meio da qual o sócio transfere bens ou direitos, suscetíveis de avaliação em dinheiro, ao patrimônio da sociedade em troca de participação societária. Após a integralização, o capital integralizado deixa de pertencer ao sócio, podendo dele dispor a sociedade. Isso significa que a integralização de capital em empresa dita “veículo” faz com que os valores integralizados passem a pertencer a tal empresa, que, caso os utilize para a aquisição de participação societária com ágio, será considerada a adquirente nos termos da legislação.” acórdão n. 9101-006.486, de 7.3.2023: “UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGALIDADE. MANUTENÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. 101. O ágio fundamentado em rentabilidade futura, à luz dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, pode ser deduzido por ocasião da absorção do patrimônio da empresa que detém o investimento pela empresa investida (incorporação reversa). O uso de holding (ou empresa veículo), constituída no Brasil com recursos provenientes do exterior, para adquirir a participação societária com ágio e, em seguida, ser incorporada pela investida, reunindo, assim, as condições para o aproveitamento fiscal do ágio, não caracteriza simulação, de modo que é indevida a tentativa do fisco de requalificar a operação tal como foi formalizada e Fl. 2864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 22 declarada pelas partes.” – – – acórdão n. 9101-006.287, de 13.9.2022: “GLOSA DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. REAL ADQUIRENTE. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. IMPOSSIBILIDADE. 102. Não encontra respaldo na legislação a tese de que, em qualquer circunstância, deve ser considerada ‘real investidora’ a pessoa jurídica do grupo de quem se originaram os recursos financeiros utilizados na aquisição. Não havendo norma dispondo de forma diferente, é de se considerar como ‘real adquirente’, em um negócio de compra e venda, a pessoa que recebe o bem em troca do pagamento do preço. A requalificação dos negócios jurídicos sem vícios ou patologias, exclusivamente sob acusação de ‘planejamento abusivo’, baseada em ausência ‘razões não tributárias’ para a escolha de uma estrutura em lugar de outra que resultaria em maior tributação, não encontra respaldo quer na base legal indicada no auto de infração em questão, quer no próprio ordenamento jurídico tributário brasileiro atualmente em vigor.” acórdãos ns. 9101-006.240 e 9101-006.241, de 9.8.2022: “ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. CONFUSÃO PATRIMONIAL. REAL ADQUIRENTE. 103. Para fins de registro e amortização fiscal do ágio, a princípio, deve-se considerar como real adquirente a pessoa jurídica que figura como compradora no negócio de compra e venda e recebe a participação societária em troca do pagamento do preço, mesmo que os recursos utilizados em tal aquisição tenham sido viabilizados por outra pessoa do grupo. Se o Fisco não questiona a efetividade da operação ou da participação da pessoa jurídica dita ‘veículo’, não há base para que se trate o negócio, para fins tributários, diferente de como ele efetivamente foi praticado”. acórdão n. 9101-006.049, de 4.4.2022: “ÁGIO. AMORTIZAÇÃO FISCAL. EMPRESA VEÍCULO. REAL ADQUIRENTE. A simples acusação de que se interpôs uma ‘empresa- veículo’ na operação, divorciada da imputação de atos que caracterizem fraude ou prática de atos não verdadeiros, não é suficiente para dar ensejo à requalificação dos atos para fins tributários (ementa produzida nos termos do artigo 63, § 8º do Anexo II ao RICARF).” 104. Da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 2.026.473/SC (Caso Cremer – 1ª Turma), em 5.9.2023, consignou que inexistem fundamentos para que se aplique a tese do “real adquirente” no contexto da dedução de ágio, tratando-se de alegação fiscal que carece de base legal. 105. Na visão do Tribunal Superior, a utilização de “empresas veículo” quando o investimento é originalmente aportado por sociedade estrangeira reforçaria ainda mais a motivação de constituição de holdings para atuação no mercado nacional, inclusive para assegurar um tratamento isonômico entre o investidor nacional e o estrangeiro no que tange ao aproveitamento do ágio. Nesse contexto, é o seguinte trecho do voto, citando patrono constituído nos autos: “[...] quando a investidora é empresa estrangeira, é ainda mais justificável a constituição de uma “empresa-veículo”, por algumas razões práticas: confere mais segurança quanto à possibilidade de se valer da norma interna de dedução do ágio (o que não aconteceria se a incorporação fosse internacional); permite a negociação com base na moeda local; pode facilitar a realização de operações locais (por exemplo, dispensar Fl. 2865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 23 garantias que seriam exigidas do investidor internacional) etc. Assim, filio-me à orientação de que: ‘A Lei n. 9.532/1997 e a Lei n. 12.973/2014 apenas exigem a confusão patrimonial entre a pessoa jurídica que detém participação societária e a sociedade adquirida, não fazendo qualquer alusão, ainda que implícita, ao suposto “real adquirente”, que segundo a tese do Fisco, teria fornecido os recursos financeiros ou ofertado garantia para aquisição do investimento. (SANTOS, Ramon Tomazela. Ágio na Lei 12.973/2014: aspectos tributários e contábeis. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2022)’” Em complemento, o acórdão concluiu que a mera utilização de “empresas veículo” em um contexto negocial legítimo e duradouro não é hábil para desconsideração, pelo Fisco, das operações praticadas pelo contribuinte no âmbito de sua autonomia privada, conforme se extrai do seguinte trecho: “Não há proibição legal para que uma sociedade empresária seja criada como "veículo" para facilitar a realização de um negócio jurídico; inclusive há razões reais ("propósito negocial") para tanto, pois é possível que as pessoas jurídicas originais queiram manter sua segregação por diversas razões (estratégicas, econômicas, operacionais...). [...] O mais importante, nessas situações, é investigar se: ‘Houve efetiva aquisição de participação societária? Há efetivo custo (sacrifício) de aquisição? Resta demonstrado que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento está fundamentado na expectativa de rentabilidade futura? Houve absorção do patrimônio da investida ou da investidora por meio de incorporação, fusão ou cisão? [...] Há efetiva aquisição/alienação de participação societária? (DIAS, Karem Jureidini; LAVEZ, Raphael Assef. “Ágio interno” e “empresa veículo” na jurisprudência do CARF: um estudo acerca da importância dos padrões legais na realização da igualdade tributária In: Análise de casos sobre aproveitamento de ágio: IRPJ e CSLL à luz da jurisprudência do CARF. PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Maurício Pereira (coord). São Paulo: MP Editora, 2016)’”. 106. Mais recentemente, o STJ se manifestou novamente acerca do emprego de “sociedade- veículo” em operação de aquisição societária. No julgamento do Agravo Interno em Recurso Especial n. 2.083.418/PE, de 18.8.2025 (Caso CELPE), o Superior Tribunal autorizou o emprego de empresa veículo no contexto de “transferência de ágio”. Conforme consta do voto: “Do que se colhe, a legislação autoriza expressamente a possibilidade de amortização do ágio gerado na aquisição de participação societária, cujo fundamento econômico tiver sido a expectativa de rentabilidade futura (art. 20, §2º, “b”, do Decreto-Lei n. 1.598/1977). Cumpre assinalar que os dispositivos em testilha não estabelecem restrições à utilização de "sociedades-veículo – cuja criação encontra respaldo no art. 2º, §3º, da Lei das S.A (Lei n º 6.404/76)-, nem exigem que a empresa que realiza a incorporação (ou é incorporada) seja a adquirente original da participação societária que gerou o ágio. A legislação permite a amortização do ágio pela pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, inclusive na hipótese de "incorporação às avessas" (art. 8º, "b", da Lei nº 9.532/1997), como ocorreu no caso. 107. A utilização de uma "sociedade-veículo" (Leicester) para concentrar o investimento e o ágio, e posteriormente ser incorporada pela sociedade operacional (CELPE), é uma estrutura Fl. 2866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 24 societária que, por si só, não configura ilegalidade, desde que observados os demais requisitos legais e que a operação possua substância econômica e propósito negocial, como reconhecido pelas instâncias de origem. Logo, à míngua de proibição legal, a utilização transferência de ágio a partir da utilização de empresa-veículo, por si só, não incorre em elusão fiscal, afastando-se a norma geral antielisiva insculpida no art. 116, parágrafo único, do CTN, à míngua de demonstração, pelo Fisco, da ocorrência de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência desse fato gerador. 108. Outrossim, a teoria do propósito negocial, embora relevante para coibir planejamentos tributários abusivos, não pode ser invocada para desconsiderar operações societárias que, além de buscarem a eficiência fiscal, também atendam a finalidades empresariais legítimas, como a reorganização de ativos, a segregação de riscos, a otimização da gestão ou o cumprimento de exigências regulatórias.” (destaques da recorrente) Como se identifica, o STJ, uma vez mais, atestou que não há óbice legal ao emprego de empresa veículo, reconhecendo, inclusive, que, por oportunidades, o uso destas é acompanhado de necessidades empresariais legítimas ou o cumprimento de exigências regulatórias, tal qual ocorre no presente feito. 109. Ademais, apesar de os posicionamentos supramencionados se referirem à tese encampada pelo Fisco acerca do “real adquirente”, o mesmo racional se aplica ao presente caso pela tese da “real adquirida” dado que o fundamento é o mesmo: ausência de previsão legal que determine, no caso do real adquirente, que o suposto titular dos recursos possa vir a amortizar o ágio; e, no caso da real adquirida, que o ágio torna-se amortizável apenas se verificada a confusão patrimonial com a pessoa jurídica que se pretenderia adquirir, independentemente de a aquisição da participação societária com ágio ter se dado em relação à pessoa jurídica diversa. Percebe-se, desse modo, que não há suporte legal para o entendimento defendido pelo fisco, impondo-se o cancelamento integral da autuação. 110. Os fundamentos expostos nos itens anteriores já são suficientes para demonstrar a invalidade da exigência fiscal objeto deste processo. Contudo, tendo em vista as diversas ilações infundadas do relatório fiscal, as quais, acampadas pelo voto vencedor do acórdão ora recorrido, a recorrente pede vênia para rebatê-las, o que auxiliará na demonstração da fragilidade do trabalho ora guerreado. 111. Afirma a AFRFB que os negócios efetuados no presente caso foram realizados entre partes relacionadas e dependentes. Isso porque, desde 2009, o Sr. Randal e a recorrente eram sócios na empresa Odontoprev, além de possuírem vínculo contratual, ao passo que o Sr. Randal seria acionista controlador da Odontoprev e da Bradesco Dental. 112. “3.24 Conforme os atos narrados anteriormente, é possível observar que a Bradesco Saúde e o alienante da empresa Sta. Rita, o Sr. Randal, eram, desde o ano de 2009, sócios na empresa Odontoprev, além de manterem uma relação contratual na prestação de serviços de administração da companhia. 3.25 Explique-se que, já no referido ano de 2009, os dois, na condição de acionistas controladores respectivos de Bradesco Dental e Odontoprev, foram os Fl. 2867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 25 responsáveis, por negociar a fusão societária e operacional das duas concorrentes e estabelecer, em contrato, que o Sr. Randal seria o principal gestor executivo na nova companhia. 3.26 Ou seja, à época da venda da Sta. Rita, 14/10/2013, o seu alienante era ao mesmo tempo sócio da adquirente (principal acionista) na Odontoprev, e também administrador dessa empresa.” 113. Desta forma, ao tempo do compromisso de compra e venda de ações, de 2013, o Sr. Randal seria (i) sócio da adquirente, no caso, a recorrente, e (ii) administrador da Odontoprev, tida como a pretensa “real adquirida”. Veja-se, portanto, que a AFRFB indica a existência de ágio interno, o qual teria sido gerado entre partes relacionadas, entendimento este reprisado pelo voto vencedor do acórdão ora recorrido. Cumpre destacar, de início, que a vedação legal à realização de operação ente partes relacionadas surgiu apenas quando do art. 22 da Lei n. 12973, o qual é posterior aos fatos ora analisados. Assim, inexistia, no regramento anterior, qualquer vedação legal à realização de operação ente partes relacionadas, sendo este “regramento anterior” o aplicável ao caso em comento. Esse entendimento foi confirmado pelo STJ, no julgamento do Recurso Especial n. 2.026.473/SC, em 5.9.2023, quando aquele Tribunal Superior asseverou que “Quando desejou excluir, de plano, o ágio interno, o legislador o fez expressamente (com a inclusão do art. 22 da Lei n. 12.973/2014), a evidenciar que, anteriormente, não havia vedação a ele”. 114. Nesse contexto, de acordo com a 1ª Turma do STJ, o ágio gerado sob a égide da Lei n. 9532, ainda que entre partes relacionadas, é passível de amortização, ante a inexistência de proibição legal. Dessarte, vê-se a causa de ser inaplicável o entendimento demonstrado pelo d. relator do voto vencedor do acórdão recorrido, no sentido de que haveria óbice à amortização do “ágio interno” desde antes da Lei n. 12973, mediante disposições infralegais. 115. Veja-se, portanto, que a acusação fiscal deve ser de plano afastada, dado que referente à alteração legislativa inaplicável ao presente caso. Ademais, a afirmação da fiscalização, a qual, reafirmada pelo voto vencedor do acórdão recorrido, é irrelevante quando se percebe o erro de premissa no sentido de que o Sr. Randal e a recorrente seriam sócios da Odontoprev quando, na verdade, a avaliação quanto a eventual parte relacionada deveria ser auferida em relação à Santa Rita, cuja participação societária foi adquirida, o que não subsiste a uma análise do caso uma vez que a recorrente e o alienante nunca foram sócios da investida. 116. Registra-se que o CARF analisou situação semelhante. No caso, houve uma operação em que empresa do Grupo Itaú adquiriu ações da Redecard em negociação no mercado, sendo que parte delas estava sob controle de outras empresas do Grupo Itaú. Os acórdãos n. 1301- 006.744 e n. 1301-006.745, de 20.2.2024 (Casos Redecard), reconheceram corretamente que o ágio relativo às ações adquiridas entre partes independentes era perfeitamente válido, não configurando ágio interno. Confira-se o seguinte trecho da decisão: “Observe-se que, em 17.12.2012, a participação final do Banestado na Redecard passou a ser de 80,9762%. Por conseguinte, a operação resultou para o Banestado na aquisição de 57,7655% novas ações da Fl. 2868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 26 Redecard (Mercado - 49,9697%, Itaú Unibanco - 7,7609%, Itaú Holding - 0,0349%), das quais 86,5044% foram adquiridas de terceiros independentes, via OPA. 117. O raciocínio de glosa de ágio passível de amortização é válido exclusivamente para o ágio cuja origem se deu pela “aquisição” de participações societárias intragrupo, isto é, aquelas que anteriormente já pertenciam ao Grupo Itaú, mais precisamente as que eram detidas pelo Itaú Unibanco (7,7609%) e pela Itaú Holding (0,0349%). Em suma, deve ser glosado, por ter sido gerado internamente no grupo econômico, 13,4956% do ágio registrado na operação, visto que o restante, por consectário da OPA, ter sido adquirido de partes independentes, no mercado. Definido que apenas 13,4956% do ágio registrado se refere à ágio interno, portanto não passível de amortização, passa-se a análise do parcela restante, isto é, a aquisição das ações de terceiros e não controladores da Redecard. 118. No caso presente, deve ser cancelada a exigência em relação a parcela que representa 86,5044% do montante do ágio registrado pelo Banestado por ocasião das ações de terceiros”. (destaques da recorrente) Similarmente ao caso em tela, a aquisição de participações societárias entre sócios não vinculados não configura ágio interno. Assim como no caso comentado acima, o ágio objeto de amortização surgiu de negociação entre partes independentes, as quais detinham, apenas, acordo para administração dado o know how do Sr. Randal para o desenvolvimento do negócio. Evidente, portanto, que o efeito fiscal ora em discussão não decorre de operação entre partes ligadas, o que é suficiente para demonstrar a fragilidade da constatação fiscal. 119. Prova cabal da independência é que houve pagamento de cerca de R$ 350 milhões. Veja-se como a fiscalização, corroborada pelo voto vencedor do acórdão recorrido, procurou identificar os possíveis pontos de questionamento para validar sua pretensão, indisfarçada, de questionar o ágio em questão, negando-se a verificar que a principal operação realizada, a qual deu origem à amortização, foi implementada junto a terceiros. Vale registrar, por fim, que, ainda que fosse considerado que houve aquisição da Odontoprev, real adquirida na visão da fiscalização, a situação não se amoldaria ao conceito de partes relacionadas constante da atual Lei n. 12973, visto que, nesse caso, tratar-se-ia de aquisição em etapas, sendo que, nos termos do parágrafo único do art. 25 da Lei n. 12973, “No caso de participação societária adquirida em estágios, a relação de dependência entre o(s) alienante(s) e o(s) adquirente(s) de que trata este artigo deve ser verificada no ato da primeira aquisição, desde que as condições do negócio estejam previstas no instrumento negocial.” 120. Como demonstrado acima, segundo a fiscalização e o voto vencedor do acórdão recorrido, a amortização do ágio não seria válida porque a Santa Rita não seria a real adquirida. De fato, segundo a fiscalização e a DRJ/01, a real adquirida teria sido a Odontoprev, de modo que tanto a ZNT quanto a Santa Rita figurariam como estruturas artificiais. 121. Conforme exposto nos tópicos anteriores, o referido raciocínio não possui condições de prosperar, eis que ambas as empresas eram efetivas, foram criadas e mantidas pelo alienante, Fl. 2869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 27 sem qualquer participação da recorrente, e a empresa adquirida foi a Santa Rita, posteriormente incorporada pela recorrente. A maior prova da regularidade dos atos está na ausência de imputação, pela fiscalização, de qualquer vício nos negócios jurídicos praticados. De fato, é incontroverso que os atos são perfeitos, tanto que a fiscalização não imputou a prática de qualquer vício do negócio jurídico (simulação, abuso de direito ou fraude à lei)17. 122. Dessa forma, a desconsideração da Santa Rita e da ZNT não pode prevalecer, pois carente de respaldo legal. Registre-se que, recentemente, o STF apreciou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 116 do CTN, a qual foi desafiada na ADI n. 2446, sob o fundamento de ofensa aos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada e da separação de poderes, bem como por permitir a exigência de tributo com base em analogia e por inserir a interpretação econômica no Direito Tributário brasileiro. O julgamento foi iniciado em junho de 2020 e concluído em 8.4.2022, com o Tribunal, por maioria de votos, julgando improcedente o pedido formulado na ação direta de inconstitucionalidade, a partir dos fundamentos contidos no voto apresentado pela Relatora Ministra Carmen Lúcia. Ou seja, o Tribunal reconheceu a constitucionalidade do dispositivo. 123. Todavia, em seu voto a Ministra Carmen Lúcia consignou que: − − inexiste no ordenamento brasileiro norma que possibilite que as autoridades fiscais desconsiderem atos ou negócios jurídicos válidos e não simulados, mesmo que tenham por objetivo a obtenção de economia tributária: “a desconsideração autorizada pelo dispositivo está limitada aos atos ou negócios jurídicos praticados com intenção de dissimulação ou ocultação desse fato gerador”; desde que os atos e negócios sejam lícitos e não simulados, o contribuinte é livre para definir a melhor alternativa para seus negócios, ainda que seu intuito seja obter economia tributária: “A norma não proíbe o contribuinte de buscar, pelas vias legítimas e comportamentos coerentes com a ordem jurídica, economia fiscal, realizando suas atividades de forma menos onerosa, e, assim, deixando de pagar tributos quando não configurado fato gerador cuja ocorrência tenha sido licitamente evitada”; não há autorização para a utilização de analogia para a exigência de tributos: “o art. 108 do Código Tributário Nacional não foi alterado pela Lei Complementar n. 104/2001, não estando autorizado o agente fiscal a valer-se de analogia para definir fato gerador e, tornando-se legislador, aplicar tributo sem previsão legal”; o art. 116, parágrafo único, do CTN não autoriza a utilização de interpretação econômica para a exigência de tributos: “a norma do parágrafo único do art. 116 não dispõe, ao contrário do pretendido pela autora, de espaço autorizado de interpretação econômica”; e o parágrafo único do art. 116 do CTN não visa combater a elisão fiscal, ou seja, a economia de tributos obtida por meios lícitos. Seu objeto é única e exclusivamente evitar a evasão fiscal: “De se anotar que elisão fiscal difere da evasão fiscal. Enquanto na primeira há diminuição lícita dos valores tributários devidos pois o contribuinte evita relação jurídica que faria nascer obrigação tributária, na segunda, o contribuinte atua de forma a ocultar fato gerador materializado para omitir-se ao pagamento da obrigação tributária devida. A despeito dos alegados motivos que resultaram na inclusão do parágrafo único ao art. 116 do CTN, a denominação ‘norma Fl. 2870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 28 antielisão’ é de ser tida como inapropriada, cuidando o dispositivo de questão de norma de combate à evasão fiscal”. 124. As observações contidas no voto vencedor da Ministra Carmen Lúcia são importantes por reconhecer, como já alertado nesta defesa, que os atos e negócios jurídicos somente podem ser desconsiderados pelas autoridades fiscais caso tenham o objetivo de dissimular o negócio jurídico. Por outro lado, caso os atos ou negócios jurídicos sejam válidos, não existe autorização no ordenamento jurídico para desconsideração de seus efeitos fiscais. Note-se, então, que, apesar de ter reconhecido a constitucionalidade do dispositivo em comento, o STF não deixou margem para que o Fisco desconsidere atos ou negócios em situações em que não se esteja diante de condutas ilícitas, conforme também restou consignado no voto-vista do Ministro Dias Toffoli: “o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional não busca impedir, ainda que por vias transversas, o planejamento tributário lícito, mas sim inibir condutas ilícitas. [...] A administração tributária, ao invocar o parágrafo único em questão, [...] tem de demonstrar a ocorrência de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência desse fato gerador ou a natureza dos citados elementos.” 125. Esse entendimento foi repetido pelo STJ, no julgamento do Recurso Especial n. 2.026.473/SC, em 5.9.2023, em que foi afirmado que “O Código Tributário Nacional autoriza que a autoridade administrativa promova o lançamento de ofício quando ‘se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação’ (art. 149, VII)”. No presente caso, ao desconsiderar ambas as empresas, a fiscalização, acompanhada pelo voto vencedor do v. acórdão recorrido, insinua que os negócios jurídicos praticados são viciados. Diz-se “insinua”, pois a fiscalização ou o voto não apresentam qualquer evidência nesse sentido, a despeito dos diversos supostos indícios levantados. Pelo contrário: reconhecem a inexistência de qualquer patologia nos negócios praticados ao não imputar acusações de simulação, abuso de direito e afins. 126. Verifica-se a mácula que acompanha todo o trabalho fiscal. A fiscalização desconsidera atos formalmente realizados e aperfeiçoados, mas reconhece que não houve nenhuma patologia nos negócios praticados. Realmente, não há qualquer acusação de dolo, fraude ou simulação por parte das autoridades fiscais, o que inviabiliza, portanto, a utilização desse comando legal como fundamento para a desconsideração pretendida pela fiscalização. Ressalte-se que o dispositivo em comento não foi expressamente utilizado como fundamento legal para o lançamento, de modo que não poderia ser utilizado como fundamento para a desconsideração pretendida. No mais, é importante trazer à colação o entendimento que vem sendo manifestado nos Tribunais, no sentido de que, inexistindo eventual fraude, dolo ou simulação, ou seja, quando lícitas as operações, aspecto inconteste na presente situação, visto que não foi questionado pela fiscalização, não há de ser desconsiderado o ato ou negócio jurídico. 127. Nesse sentido, veja-se que o acórdão n. 1402-001.669, de 6.5.2014, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que reconheceu que a autoridade fiscal admite a licitude das Fl. 2871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 29 operações quando não configura a existência de qualquer vício do negócio jurídico. Em decorrência da licitude das operações, aquela turma cancelou o lançamento lavrado pela fiscalização, por considerar que os atos e negócios examinados foram reputados perfeitamente válidos pela fiscalização18: “GLOSA DE DESPESA COM REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. ACUSAÇÃO FISCAL INSUFICIENTE. IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA. Não restando comprovado nos autos que o negócio jurídico (subscrição privada de debêntures) foi simulado ou engendrado com fraude à lei e, principalmente, não restando comprovado tratar-se de operações simuladas, as participações de debêntures, regularmente registradas e emitidas, comprovado que se tratam de operações normais, reduzem o lucro líquido do exercício, por expressa previsão legal.” 128. Assim, tendo em vista a regularidade da operação de aquisição da Santa Rita pela recorrente, admitida pela própria fiscalização e pelo v. acórdão recorrido, não é possível desconsiderar os negócios jurídicos realizados segundo a lei, em razão da ausência de regulamentação do art. 116, parágrafo único, do CTN, ressaltando-se, inclusive, que tal dispositivo legal sequer foi mencionado nos autos de infração e no relatório fiscal, tampouco suscitado como fundamento no acórdão de impugnação ora combatido. Nota-se, portanto, que não há como subsistir a exigência fiscal consubstanciada no presente processo administrativo, eis que as operações realizadas são legítimas, aspecto reconhecido pela própria fiscalização, não podendo ser desconsideradas sob o pretexto de se exigir tributos. Impõe-se, consequentemente, a reforma da decisão recorrida, com o consequente cancelamento da exigência fiscal. 129. Como consequência da narrativa fiscal, a AFRFB sustenta que a amortização fiscal do ágio seria indevida uma vez que não teriam sido preenchidos os requisitos do art. 299, do RIR/99, dispositivo que já não estava vigente à época dos fatos, tendo sido substituído pelo art. 311 do RIR/18, pelos quais são dedutíveis na apuração do imposto de renda as despesas consideradas como usuais, normais e necessárias às atividades de uma empresa. 130. A razão pela qual a despesa seria indevida, na visão da AFRFB, remonta, exclusivamente, à suposta artificialidade da operação mediante utilização da Santa Rita e da ZNT, as quais seriam, a seu ver, desprovidas de substância. No entendimento do voto vencedor do acórdão recorrido, as despesas em comento teriam sido criadas artificialmente, não sendo possível atribuir a elas normalidade ou usualidade, pois, supostamente, não seriam “compatíveis com uma regular operação econômica e financeira de uma empresa”. 131. O entendimento, novamente, não merece prevalecer. No que tange ao art. 299 do RIR/99 e ao art. 311 do RIR/18, a amortização fiscal do ágio não se submetia a esse dispositivo. O tema era tratado por norma especial, qual seja, os arts. 7º e 8º da Lei n. 9532. Ocorre que, pelas razões já expostas, e de forma a evitar repetições desnecessárias, a recorrente faz referência às razões constantes dos itens 4.2, 4.3 e 4.4 no qual foi demonstrada, com clareza hialina, a regularidade da operação e consequente possibilidade de dedução da despesa. Fl. 2872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 30 132. Registre-se que a dedutibilidade da despesa decorre justamente da aquisição do investimento realizada pela ora recorrente, com o objetivo de aumentar a sua participação na Odontoprev e, assim, aumentar seus próprios lucros. Não há evidência maior da necessidade dos gastos, pelo que, mesmo que fosse admitida a aplicabilidade do art. 299 do RIR/99 ou do art. 311 do RIR/18 à amortização fiscal de ágio, dúvidas não haveria quanto ao cumprimento das normas. 133. Subsidiariamente, caso assim não se entenda, deve-se cancelar a autuação relativa à CSLL19. Como se sabe, a base de cálculo da CSLL é o resultado do período apurado com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica, assim entendidos como aqueles expressamente previstos na legislação da CSLL. Pois bem. No que se refere à CSLL, a presente autuação está fundamentada nos seguintes dispositivos legais: nos arts. 7º e 8º, da Lei n. 9532; arts. 299, 391 e 426 do RIR/99; art. 6º, do Decreto-lei n. 1598, art. 2º, da Lei n. 7689, de 15.12.1988; art. 28, da Lei n. 9430 e art. 57, da Lei n. 8981, de 20.1.1995. Ocorre, no entanto, que nenhum dos dispositivos acima citados diz respeito especificamente à indedutibilidade da amortização do ágio da base de cálculo da CSLL. Isto porque, diferentemente da legislação do IRPJ, a legislação que rege a CSLL não possui nenhuma norma expressa referente à indedutibilidade da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL. 134. Sendo assim, na remota hipótese de ser mantida a presente autuação especificamente quanto ao IRPJ, o que se admite a título meramente argumentativo, não há razões para a manutenção da exigência fiscal relativa à CSLL. Cumpre ressaltar que a inexistência de norma expressa a respeito da indedutibilidade da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL já foi objeto de análise pela jurisprudência administrativa. É o caso dos acórdãos n. 9101- 002.310, de 3.5.2016, n. 9101-005.773, de 9.9.2021, e n. 9101005.865, de 10.11.202120, do qual se transcreve a ementa. 135. De modo que, na remota hipótese de ser mantida a exigência para o IRPJ, deve ser integralmente cancelada a exigência para a CSLL. Nada obstante às disposições anteriores, não seria possível a exigência em comento, conforme se passa a expor. Segundo o art. 2° da Lei n. 9430, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real anual deverá recolher mensalmente a parcela de antecipação do imposto devido ao final do período, a qual é denominada “estimativa mensal”. Essa parcela, segundo o mencionado art. 2°, deverá ser calculada mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n. 9249, de 26.12.1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do Decreto-Lei n. 1598, de 26.12.1977, auferida mensalmente. 136. Opcionalmente, o contribuinte poderá suspender ou reduzir o recolhimento mensal por meio do levantamento de balanço ou balancete de suspensão, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto sobre a renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele. O art. 44, inciso II, da Lei n. 9430 prevê uma multa de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado nos moldes do art. 2° da mesma lei, o qual foi comentado acima. Deve-se chamar atenção a que a própria lei, na parte final da alínea “b” Fl. 2873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 31 acima destacada, afirma que a multa é aplicável ainda que a pessoa jurídica apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do período. Ocorre que a multa não é aplicável no presente caso, visto que a multa isolada sobre estimativas mensais não pode ser exigida de forma cumulativa à multa de ofício, como já reconhecido em diversas oportunidades pela CSRF. 137. No mesmo sentido foram os acórdãos n. 9101-007.294, de 6.2.2025, n. 9101007.324, de 2.4.2025, n. 9101-007.317, de 2.4.2025, n. 9101-007.325, de 3.4.2025, n. 9101-006.885, de 2.4.2024, n. 9101-006.954, de 8.5.2024, n. 9101-006.971, de 9.5.2024, n. 9101-006.973, de 10.5.2024, n. 9101-006.993 e n. 9101-006.992, ambos de 4.6.2024, n. 9101-007.043, de 7.6.2024, n. 9101-007.050, de 9.7.2024, n. 9101-007.069, de 11.7.2024, dentre outros. Registre-se que esse entendimento se encontra pacificado no âmbito do STJ. Realmente, no REsp 1496354/PR, de 17.3.2015, aquela Corte Superior consignou que “as multas isoladas limitam-se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 138. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção.” 139. No mesmo sentido, importa ressaltar que o STJ já se posicionou contra a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, no julgamento do AgRg no Resp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, e do AgRg no REsp 1.576.289/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.5.2016. 140. Ademais, também merece destaque a decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa, da 1ª Turma do STJ, no Recurso Especial n. 1583275/SC, na qual restou consignado estar pacificada a jurisprudência naquele Tribunal a respeito. 141. Portanto, na hipótese de manutenção do lançamento, o que se admite apenas em caráter argumentativo, deve ser cancelada a aplicação da multa isolada, com a consequente reforma do acórdão recorrido. É O RELATÓRIO. VOTO Conselheiro Marcelo Izaguirre da Silva - Relator RECURSO DE OFÍCIO Fl. 2874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 32 142. Conforme indicado no Relatório, o Fisco impetrou Recurso de Ofício contra a exoneração parcial efetuada na primeira instância. Analisando os elementos probatórios instruídos nos autos concluo que, de fato, houve constituição de crédito em duplicidade em 2019 e este é único motivo do referido Recurso de Ofício. 143. Portanto, voto por considerar improcedente o referido Recurso de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO 144. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às condições de admissibilidade da legislação aplicável. Assim, conheço-o e passo a analisá-lo. Tomo como minhas razões de decidir o voto contido no processo original (10166.720845/2022-08): Para balizar a decisão, de início vale lembrar que nessa discussão não estão presentes discussões sobre o pagamento do ágio (feito em dinheiro, tendo havido o necessário sacrifício financeiro) nem sobre a validade, contemporaneidade e metodologia do laudo de rentabilidade futura. Antes de adentrar a análise do caso, friso que os fatos tratados no presente processo são anteriores à Lei nº 12.973/2014, incidindo, portanto, o art. 20 do Decreto-lei n. 1598/77, bem como os art. 7º e 8 da Lei n. 9532/97 e art. 386 com o art. 250, I, todos do RIR/99. Primeiramente, enfrento o ponto da acusação relacionado à efetiva existência das empresas envolvidas, bem como da presença de propósito negocial nas operações societárias que deram origem às deduções indevidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL referentes à amortização de ágio por rentabilidade futura pago na aquisição de investimentos. A Fiscalização alega e a DRJ concorda que o Recorrente teria utilizado, sem qualquer propósito negocial, de duas empresas ‘de prateleira’ como intermediárias de referida compra, as quais, desde sua constituição, nunca haviam praticado qualquer ato operacional ou mercantil, nunca haviam possuído estrutura física ou empregado, quaisquer funcionários, mas que detinham, como único ativo relevante e exclusiva participação societária, as pretendidas ações ordinárias da companhia OdontoPrev S/A. Essas duas empresas são: SANTA RITA DE CÁSSIA EMPREENDIMENTOS S/A e ZNT EMPREENDIMENTOS S/A. Isto é, segundo a visão fiscal e a DRJ, por se tratar de pessoas jurídicas sem atividade operacional, seriam ‘empresas de prateleira’ desprovidas de qualquer outro propósito negocial, tratando-se de empresas- veículo utilizadas para aquisição do respectivo investimento. Analisando o processo, porém, não vislumbro artificialismos na constituição e no funcionamento dessas pessoas jurídicas. Tal como foi demonstrado pelo Recorrente em seu Fl. 2875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 33 recurso, tratava-se de duas empresas regulares e ativas, cujo objeto social era principalmente a participação societária em outras sociedades, ou seja, holdings: Contrato social de e-fls: 444: Contrato social de e-fls 493: Na 1ª alteração do contrato social da ZNT em 2004, nota-se que essa empresa recebeu da Santa Rita as ações da OdontoPrev por meio de aumento de capital. Assim, o Sr. Randal Luiz Zanetti passou a ser o proprietário de 99,98% do capital social de Santa Rita, que, por sua vez, passou a deter 100% do capital de ZNT, a qual se tornou então a nova proprietária da participação do Sr. Randal na OdontoPrev (e-fls. 401/401). Portanto, as empresas desenvolviam atividades tipicamente de holdings, por meio das quais o Sr. Randal Luiz Zanetti administrava e controlava suas participações societárias na Odontoprev e cuja existência tinha cerca de 16 anos de trajetória empresarial no momento da operação. É, a propósito, o que destaca o Recorrente em seu recurso (e-fls. 1970/1971) e que abaixo reproduzo ipsis litteris: “Conforme exposto, a estrutura de controle da Odontoprev por meio de holdings foi constituída pelos Srs. Zanetti em 1998, ou seja, mais de 16 anos antes da aquisição e incorporação dessa empresa, elemento este também desconsiderado pela DRJ. Esse aspecto, por si só, rechaça qualquer alegação de ausência de propósito negocial, seja porque a constituição da estrutura foi realizada por terceiros, seja porque o lapso temporal evidencia que não houve intenção de obtenção de vantagem tributária, por parte dos envolvidos. Trata-se, na verdade, de estrutura societária lícita e comumente utilizada por pessoas naturais na gestão de patrimônio, notadamente para a gestão de investimentos operacionais, como no caso vertente. Ademais, a ZNT, também constituída em 1998 pelos Srs. Zanetti, recebeu as ações da Odontoprev antes de titularidade da Santa Rita apenas em 2004, cerca de seis anos após a sua criação, demonstrando Fl. 2876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 34 que as sociedades não surgiram com o único intuito tido como forjado pelo AFRFB de alocação exclusiva da participação societária detida pelo Sr. Randal na Odontoprev ou de veículo para a operação em questão. O que se verifica, no caso concreto, é a existência de estrutura criada, pelo alienante, Sr. Randal, que perdurou por mais de 16 anos, para gestão de seu patrimônio relacionado às ações da Odontoprev, inexistindo qualquer relação desta estrutura com a recorrente até 2013, momento da celebração do compromisso de compra e venda de ações.” Verdade seja dita que analisando as DIPJ de 2004-2013 (e-fls 617/1025), relativamente à empresa Santa Rita, nota-se na Ficha 05A - Despesas Operacionais - PJ em Geral que não há funcionários e os encargos em geral decorrentes dos vínculos com empregados (salários, ordenados, provisão com férias e 13º salário, assistência médica, etc), e na Ficha 37A - Passivo - Balanço Patrimonial não há salários a serem pagos. Da mesma forma acontece com a empresa ZNT (e-fls. 1050/1455). No entanto, esse fato, visto isoladamente, não é determinante no contexto das operações ora analisadas. É de se estranhar que uma empresa não tenha nem mesmo um ou outro empregado em se tratando de uma comercial ou um industrial, mas isso é muito factível e verossímil em se tratando de holdings, cuja missão é apenas participar de outras sociedades, e não circular bens ou prestar serviços. Nessa linha, lembro os ensinamentos de Modesto Carvalhosa, demonstrando que as funções e as atividades das holdings são diversas das empresas que praticam operações comerciais, pois no caso daquelas, diferente destas, só há administração do patrimônio que consiste em ações de outras companhias: “A entidade econômica concentracionista, que surge das coligações e do controle de outras sociedades, encontram na holding o instrumento fundamental de sua organização. As holdings são sociedades não operacionais que têm seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando, nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. (...) Tem assim a sociedade holding como característica diferencial e objetivo principal a participação relevante em uma atividade econômica de terceiros, em vez do exercício de atividade produtiva ou comercial. Possui como características principais: ter seu patrimônio formado de ações emitidas por outras companhias, exercer o controle sobre elas ou delas participar em caráter permanente, com investimento relevante no seu capital. Assim, o objeto social da holding é sempre o de participar do capital de outra sociedade, como controladora ou investidora (coligação)”. Fl. 2877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 35 Assim, considerando que o escopo social das duas pessoas jurídicas – Santa Rita e ZNT - era a participação societária em outras empresas desde 1998, e que a concretização dessa atividade é fato incontroverso, pode-se concluir que ambas perseguiam seus objetivos negociais e empresariais muitos anos antes das aquisições e incorporações em 2014 que culminaram no ágio amortizado no ano-calendário de 2017. Em resumo: eram holdings válidas, estando regularmente constituídas e operando dentro de seus propósitos institucionais, controlando a Odontoprev muitos anos antes e por longo período de tempo contínuo. Por todo esse contexto, é difícil compreender com base em que a D. Fiscalização teria concluído serem Santa Rita e ZNT “empresas de prateleiras”, como se fossem apenas pessoas jurídicas esvaziadas e desprovidas de qualquer atividade efetiva, criadas apenas para gerar as supostas “despesas criadas de forma artificial”, não havendo, assim, propósito negocial nas operações em questão. Perfeitamente cabível tal raciocínio quando a empresa teve duração efêmera, ou quando há empresas criadas imediatamente antes das operações que geram o ágio, ou ainda quando nada parece ligar, do ponto de vista contextual e negocial, as pessoas jurídicas envolvidas na reestruturação. Essas situações, porém, não estão presentes nesse caso, pois a estrutura com as holdings durou bastante tempo - aproximadamente 16 anos - até a aquisição e a incorporação da Odontoprev. Outros fatores a confirmar que as empresas não eram de “prateleira” ou meras intermediárias/veículos são: a) em 2009, no momento em que a ora Recorrente se associa à Odontoprev, o acordo de acionistas foi firmado com a ZNT e o Sr. Randal (e-fls. 202/221), mostrando a existência da holding; b) e o fato de que a Santa Rita e a ZNT remuneram seus acionistas com pagamento de JCP em momentos anteriores (e-fls. 491 e 555) às operações ora analisadas. Ademais, é sempre importante reafirmar que o fato de serem holdings, por si só, não invalida a estrutura do investimento. Isso porque (i) a uma, a lei das S.A legitima esse perfil societário, pois o art. 1º, parágrafo 3º, da Lei n. 6404/76, dispõe que “a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiar-se de incentivos fiscais”; e (ii) como se observa no TVF, não há no caso nenhuma acusação nem prova de dolo, fraude ou simulação; tanto que não se impôs multa qualificada. Sobre esse ponto, há posicionamentos neste C. CARF no sentido de que a se a holding desempenha a função a que se destina – de administrar participações societárias – não pode, apenas e tão-somente em função de ser holding, ser tida como empresa inexistente ou empresa casca (Acórdão nº 1402-003.978 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 17 de julho de 2019, Rel. Caio Cesar Nader Quintella). E também neste C. Colegiado: Fl. 2878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 36 HOLDING. EMPRESA VEÍCULO. PROPÓSITO NEGOCIAL. AQUISIÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. RECURSOS DE TERCEIROS. O Fundo de Investimento em Participação (FIP) não pode contrair empréstimos, de forma que a utilização de sua controlada (empresa holding)para aquisição de participação societária, com grande parte dos recursos serem provenientes de terceiros (financiamento bancário do exterior e emissão de debentures) revela um propósito negocial específico e dentro de um amplo contexto operacional/societário de um grupo econômico. Incabível, no caso dos autos, de se atribuir à holding a pecha de empresa veículo e/ou falsa adquirente, uma vez que o ágio surgido na operação de aquisição foi legítimo, assim como foram os atos posteriores que resultaram na sua dedutibilidade fiscal. DOCUMENTO VALIDADO Constatada a legitimidade das operações de aquisição e incorporação, restam canceladas as demais infrações apontadas nos autos de infração de IRPJ e de CSLL.” (Acórdão 1401-006.922 – Sessão de 09/04/2024 - Rel. Cons. Cláudio Camerano) Não bastasse isso, em termos de ônus probatório, para caracterizar empresa de prateleira / empresa-veículo, a Fiscalização precisaria ter provado que as pessoas jurídicas existiam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações (ou de que apenas assim atuaram com relação à operação societária que se pretende descaracterizar, no caso, a aquisições que deram origem aos ágios). Isto é, para que esse tipo de acusação prevalecesse, seria necessário que o auto de infração provasse a existência meramente formal das holdings em questão no momento da geração do ágio, o que não houve nesse caso. Aliás, como se vê no TVF, não houve sequer investigação aprofundada sobre a materialidade das pessoas jurídicas ditas "veículo" e de “prateleira”, apenas afirmando superficialmente que não havia funcionários nem sede bem como atividade operacional nas holdings. Trata-se de uma premissa de abertura do TVF, desacompanhada de demonstrações e evidências probatórias. Ademais, as holdings estavam muito pautadas e ordenadas pela expertise e a atuação do Sr. Randal na gestão patrimonial. Esse é um dos aspectos que parece evidenciar, além do pleno e consolidado desempenho das holdings, a presença de propósito negocial que foi considerado ausente pela DRJ. Tanto havia um projeto empresarial que, como se observa nos autos, mesmo quando, em 2009, o Sr. Randal passou a ser um sócio minoritário da Odontoprev (detendo apenas a participação de 7,56% após o IPO de 2006) continuou a exercer a administração das empresas em função justamente de seu know-how na área, conforme mostra o contrato de gestão às e-fls. 434/441. Avançando na análise, também é possível observar uma concatenação dos acontecimentos e eventos societários que tudo levam a crer que as operações tinham um sentido empresarial e uma lógica negocial. Fl. 2879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 37 Lembro que, em sentido oposto, do ponto de vista da D. Autoridade e da DRJ, as estruturas careceriam de propósito negocial uma vez que tiveram “como único papel, em toda a DOCUMENTO VALIDADO sequência dos atos descritos nesse processo, permitir a execução de um planejamento tributário abusivo e a obtenção de uma vantagem fiscal indevida”. Contudo, o que se observa é que a constituição e a manutenção das empresas Santa Rita e da ZNT estão plenamente inseridas no contexto de gerenciamento do patrimônio do Sr. Randal Luiz Zanetti desde 1998 e que apenas em 2013 foi entabulada a negociação para viabilizar a aquisição da participação societária pretendida pela Recorrente na Santa Rita. Anteriormente a isso, não havia relação da Recorrente com as demais empresas, as quais desempenhavam seus próprios papeis e objetivos empresariais, por isso sendo descabido o entendimento da DRJ e da Fiscalização de que tais sociedades foram utilizadas apenas com o único propósito de viabilizar a operação que deu origem ao ágio. Some-se ainda que nesse caso a incorporação da ZNT pela Santa Rita, bem como da Santa Rita pela Recorrente decorre de imposição regulatória do Banco Central (conforme justificativas da incorporação de e-fls. 406/408 e 423/42). Isso mostra que havia muitas outras motivações em cada perna da operação (regulatórias, negociais, etc), além das tributárias. Portanto, na visão desta Relatora, as razões da sequência de operações passam longe de ser de natureza exclusivamente fiscal visando tão só à economia de tributos, o que repele a configuração de planejamento tributário abusivo. Um outro ponto controvertido é que o ágio supostamente não seria derivado de uma aquisição entre terceiros independentes, havendo transação intragrupo. Acerca disso, importa notar que foi somente com a Lei 12.973/14, que passou a definir como "partes vinculadas", o que não existia a época dos fatos – as aquisições datam de 2013, não podendo haver nesse caso aplicação retroativa. Além de que, no fundo, as partes não eram ligadas, e a Fiscalização só concluiu que o eram, pois se equivocou fazendo essa análise entre a Recorrente e a Odontoprev, em vez de fazê-la entre a Recorrente e a Santa Rita. Por fim, outro fundamento controvertido é no sentido de que a real investida não teria sido a Santa Rita, mas sim, a Odontoprev, entendimento que se amparou de certa forma no laudo elaborado pela Ernst & Young (e-fls. 333/385) no qual haveria menção no sentido de que a intenção da Recorrente teria sido a aquisição de participação societária da Odontoprev. O primeiro ponto é que as teses do real adquirente ou real investida e afins, que buscam limitar o direito à dedução fiscal do ágio, não tem base legal e não podem ser aplicadas como se figurassem entre os requisitos legítimos e válidos que devem ser preenchidos, especialmente antes da Lei 12.973/14. De todo modo, ainda que assim não fosse, neste caso a adquirida foi a Santa Rita, holding constituída, como já o mencionamos, desde o final da década de 90. O próprio laudo da EY, a propósito, atesta que a rentabilidade esperada é fruto dos dividendos que a Santa Rita poderia Fl. 2880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 38 gerar. É o que se extrai das considerações gerais no sumário executivo do laudo EY às e-fls 288: “Conforme solicitação da Bradesco Saúde, a EY elaborou uma avaliação econômico-financeira de 100% das ações da Holding Santa Rita, na data-base de 30 de junho de 2013, a qual foi baseada na metodologia do Fluxo de Caixa Descontado (FCD), ajustado por ativos e passivos não operacionais da Santa Rita e de suas controladas na data-base, levando em consideração o fluxo de dividendos futuro/rentabilidade futura esperada para a Holding Santa Rita em relação aos investimentos que a mesma possui nas empresas ZNT, Odontoprev e BB Dental.” (destacamos) Também o compromisso de compra e venda às e-fls 216/217 demonstra o interesse do Recorrente na empresa Santa Rita: Logo, tendo havido a unificação patrimonial entre a Recorrente e a adquirida Santa Rita nos termos do art. 386 do RIR/99, não há anormalidades na amortização fiscal do ágio apurado, inclusive porque as operações societárias foram todas consideradas lícitas, não tendo nenhuma delas sido desconsideradas ou invalidadas juridicamente. Assim, a amortização fiscal do ágio, em todo esse contexto, está acertada e dentro das normas aplicáveis, respeitando aos artigos 385 e 250, I do RIR/99 aplicáveis aos fatos, o que é mais uma razão para reformar o acórdão recorrido. Consigno, para ultimar a análise, que, diferentemente da D. Fiscalização, não me parece que o art. 299 do RIR/99 (dedutibilidade de despesas) seria aplicável à espécie. Porém, ainda que se aplicasse, considero que teriam sido preenchidos os requisitos estabelecidos naquela norma, atendendo-se à característica de despesas usuais, normais e necessárias às atividades de uma empresa para que sejam dedutíveis. A despesa seria consubstanciada na aquisição do investimento pela Recorrente com o objetivo de aumentar a sua participação na Odontoprev e, assim, aumentar seus próprios lucros, não tendo sido identificada, na avaliação feita por essa Relatora, qualquer irregularidade ou invalidade nas operações. Fl. 2881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.968 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721334/2024-53 39 Ressalvo, ainda, o julgador não é obrigado a discorrer sobre todos os argumentos levantados pelas partes, mas sim decidir a contento, nos limites da lide que lhe foi proposta, fundamentando o seu entendimento de acordo com o seu livre convencimento, baseado na legislação que entender aplicável ao caso concreto. Aliás essa é a posição predominante no STJ: “O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.” STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento de IRPJ. CONCLUSÃO 145. Considerando o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e por dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando, assim, a íntegra da constituição de crédito complementar. É O VOTO. Marcelo Izaguirre da Silva – Relator documento assinado digitalmente Fl. 2882DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11040.901725/2018-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2020 RESSARCIMENTO. PIS/COFINS. DIVERGÊNCIA ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A divergência entre as informações constantes da EFD-Contribuições e do PER/DCOMP, decorrente de erro na indicação de código de apuração do crédito, não impede o reconhecimento do direito creditório quando os elementos constantes dos autos demonstram a existência e a regular apuração do crédito pleiteado. Reconhecido pela própria autoridade fiscal o valor integral declarado, impõe-se o provimento do recurso voluntário para homologar o crédito solicitado.
Numero da decisão: 3201-013.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.324, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis(Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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PIS/COFINS. DIVERGÊNCIA ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A divergência entre as informações constantes da EFD-Contribuições e do PER/DCOMP, decorrente de erro na indicação de código de apuração do crédito, não impede o reconhecimento do direito creditório quando os elementos constantes dos autos demonstram a existência e a regular apuração do crédito pleiteado. Reconhecido pela própria autoridade fiscal o valor integral declarado, impõe-se o provimento do recurso voluntário para homologar o crédito solicitado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.324, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis(Presidente). Fl. 451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.326 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11040.901725/2018-02 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação, de crédito de Contribuição ao PIS-PASEP/COFINS Não Cumulativa, o qual fora indeferido pela autoridade competente, sendo as compensações não homologadas. Consta dos autos que o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) questionado foi fundamentado em análise eletrônica realizada com base nos dados constantes das declarações e documentos fiscais regularmente processados. Em sua Manifestação de Inconformidade, a interessada sustenta, em preliminar, que a situação trataria de divergência de informação, e não de inexistência de crédito. No mérito, aponta divergência no código de apuração do crédito informado na EFD-Contribuições (201 e 101), afirmando que aguardava notificação para apresentação de documentos comprobatórios e registrando a impossibilidade de proceder à retificação necessária. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que o reconhecimento do crédito pleiteado deve observar as informações constantes da Escrituração Fiscal Digital – Contribuições (EFD-Contribuições), instrumento por meio do qual o contribuinte demonstra os créditos apurados. Nesse contexto, entendeu que não cabe à autoridade julgadora admitir crédito diverso daquele informado na escrituração nem promover alterações na EFD em razão de alegações de erro nos códigos utilizados. Ressaltou, ainda, que, em pedidos de ressarcimento, restituição ou compensação, compete ao contribuinte demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório, mediante apresentação de documentação hábil a comprovar os registros efetuados na escrituração, ônus que não teria sido cumprido no caso concreto. Diante da ausência de comprovação documental suficiente do direito creditório alegado, concluiu-se pela manutenção do Despacho Decisório que não reconheceu o crédito, julgando-se improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, sustentando, em síntese, que a divergência entre a EFD-Contribuições e o PER/DCOMP decorreria de equívoco na indicação dos Fl. 452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.326 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11040.901725/2018-02 3 códigos em que foram consolidados os créditos apurados no regime da não cumulatividade das contribuições sociais. Submetido o recurso a julgamento por este Colegiado, deliberou-se pela conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora adotasse as seguintes providências: i) intimar o contribuinte para, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresentar os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entendesse necessários à análise do PER/DCOMP; ii) proceder à análise do pedido com base nos elementos apresentados pelo contribuinte e nas demais informações disponíveis ou colhidas pela autoridade fiscal, elaborando parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; e iii) dar ciência ao contribuinte, mediante entrega de cópia do parecer/relatório e dos documentos juntados aos autos, para exercício do contraditório no prazo de 30 (trinta) dias. Atendido ao solicitado, mediante a emissão do Despacho decisório, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A admissibilidade do recurso já foi apreciada por ocasião do primeiro julgamento por este Colegiado, motivo pelo qual não cabe nova análise neste momento. Conforme relatado, trata-se de Pedido de Ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação, de crédito de Contribuição ao PIS Não Cumulativa referente ao 2º Trimestre de 2014, no valor de R$ 83.646,79, o qual fora indeferido pela autoridade competente, sendo as compensações não homologadas. A recorrente alega, em sede preliminar, que a situação em exame decorreria apenas de inconsistência informativa entre a EFD-Contribuições e o PER/DCOMP, e não da inexistência do crédito pleiteado pelo contribuinte. Esclarece que, na EFD-Contribuições, o crédito foi informado sob o código 201 (crédito vinculado à receita não tributada no mercado Fl. 453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.326 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11040.901725/2018-02 4 interno), ao passo que, no PER/DCOMP de ressarcimento, teria sido indicado o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno), circunstância que, segundo afirma, teria levado a autoridade julgadora a concluir pela impossibilidade de reconhecimento do crédito. Contesta a afirmação de que não teria respondido à intimação expedida em novembro de 2017, sustentando que apresentou manifestação em 22/12/2017, dentro do prazo concedido. Afirma, ainda, que as informações constantes da EFD-Contribuições foram regularmente transmitidas e evidenciariam o direito ao crédito, ressaltando que, desde julho de 2011, apresenta EFDs e pedidos de ressarcimento utilizando o código 201, sem restrições ao reconhecimento dos créditos. Por fim, justifica a ausência de notas fiscais pelo elevado volume de documentos, alegando que a veracidade das informações pode ser verificada nos arquivos digitais transmitidos à Receita Federal. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao entender que o reconhecimento do crédito deve observar as informações constantes da EFD-Contribuições, não sendo possível admitir crédito diverso do ali declarado nem alterar a escrituração com base em alegação de erro de código. Ressaltou, ainda, que cabe ao contribuinte comprovar documentalmente a certeza e liquidez do direito creditório, o que não teria ocorrido no caso, motivo pelo qual foi mantido o Despacho Decisório que não reconheceu o crédito pleiteado. Em atendimento à diligência determinada pela Resolução nº 3201-003.136, a autoridade fiscal emitiu o Despacho Decisório EQAUD2/DEVAT/SRRF10/RFB nº 3.109/2022, de 02 de junho de 2022, no qual apresentou detalhada análise acerca dos créditos passíveis de ressarcimento, concluindo, ao final, pelas seguintes constatações: [...] V. CONCLUSÃO 64. Diante do exposto, as informações prestadas pelo contribuinte em sua escrituração fiscal digital, DCTF e demais informações prestadas a Secretaria da Receita Federal são aqui admitidas como a expressão da verdade sob as penas da lei. 65. Informa-se que o trabalho apresentado está em observância com o que dispõe os Art. 100º e 142º do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 25 de Outubro de 1966 e não afasta o direito que tem a Fazenda Pública de realizar verificações adicionais, sem embargos de procedimento fiscal “a posteriori” para verificação de sua autenticidade/legitimidade e, se for o Fl. 454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.326 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11040.901725/2018-02 5 caso, aplicação das penalidades administrativas, civis e criminais, tendo em vista o disposto nos incisos I e II, do art. 1º e inciso I do art. 2º da Lei nº 8.137, de 1990, que define os Crimes Contra a Ordem Tributária, econômica e contra as relações de consumo. 66. Concluída, portanto, a análise fiscal dos pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS, e não encontradas demais inconsistências nas verificações realizadas, nos termos das orientações administrativas pertinentes, e com base no relatório apresentado, em face ao disposto na Portaria RFB nº 1453, de 29 de dezembro de 2016, reconheço o crédito e homologo as declarações de compensações até o limite do direito creditório reconhecido, conforme Anexo demonstrativo, que é parte integrante e inseparável da presente decisão administrativa, nos valores abaixo discriminados: Considerando que a própria autoridade fiscal reconheceu e homologou as declarações na integralidade do valor solicitado, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 455DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10882.901971/2013-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.O Despacho Decisório foi realizado por autoridade competente, contendo todos os requisitos legais e foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão nele contida. O processo administrativo foi instaurado proporcionando à contribuinte o contraditório e a ampla defesa em todas as fases e instâncias de julgamento. Não há que se falar em nulidade. SALDO NEGATIVO. IRPJ. GLOSA DE ESTIMATIVAS DECORRENTES DE COMPENSAÇÃO SOLICITADA EM PROCESSO DISTINTO. POSSIBILIDADE. Para fins de apuração de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL, admite-se o cômputo de estimativas compensadas anteriormente em processo distinto, ainda que homologadas parcialmente, não homologadas ou pendentes de homologação, nos termos da Súmula CARF nº 177: Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1002-004.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito das estimativas referentes a março e julho de 2008, homologando as compensações até o limite de crédito reconhecido. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Fernando Beltcher da Silva (substituto integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andréa Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O Despacho Decisório foi realizado por autoridade competente, contendo todos os requisitos legais e foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão nele contida. O processo administrativo foi instaurado proporcionando à contribuinte o contraditório e a ampla defesa em todas as fases e instâncias de julgamento. Não há que se falar em nulidade. SALDO NEGATIVO. IRPJ. GLOSA DE ESTIMATIVAS DECORRENTES DE COMPENSAÇÃO SOLICITADA EM PROCESSO DISTINTO. POSSIBILIDADE. Para fins de apuração de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL, admite-se o cômputo de estimativas compensadas anteriormente em processo distinto, ainda que homologadas parcialmente, não homologadas ou pendentes de homologação, nos termos da Súmula CARF nº 177: Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito das estimativas referentes a março e julho de 2008, homologando as compensações até o limite de crédito reconhecido. Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.305 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901971/2013-77 2 Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Fernando Beltcher da Silva (substituto integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andréa Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. O presente processo, na origem, versa sobre a análise do PER/DCOMP nº 25511.10335.151209.1.7.02-8201, onde a Recorrente indica crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano calendário de 2008, com valor original com demonstrativo de crédito de R$ 1.311.114,09. O Despacho Decisório nº 056417968 (fls. 32), com data de emissão em 03/07/2013, homologou parcialmente a compensação declarada, sob o fundamento de que o valor disponível para o ano-calendário de 2008 não foi suficiente para compensar integralmente os débitos informados. A autoridade administrativa confirmou apenas parcialmente as estimativas pagas e o IRRF, informados pela contribuinte na composição do saldo negativo. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde faz um breve relato dos fatos, alega nulidade do despacho e pleiteia o reconhecimento do direito creditório com a homologação da compensação declarada. A 1ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, conforme Acórdão nº 09-57.088 (fls. 176/183), cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.305 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901971/2013-77 3 Deve(m) ser homologada(s) a(s) compensação(ões) declarada(s) até o limite do crédito reconhecido, o qual corresponde ao valor do saldo negativo decorrente do ajuste efetuado ao final do período de apuração, com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Sendo a decisão proferida efetuada com plena observância dos pressupostos legais, mormente ter sido a contribuinte regularmente cientificada do Despacho Decisório - devidamente lavrado por autoridade competente - , sendo-lhe concedida o prazo legal para apresentação de manifestação de inconformidade, direito que exerceu plenamente mediante apresentação de suas razões de defesa - o que demonstra total conhecimento da motivação e dos fatos que suscitaram a decisão - , não há que se falar em violação das disposições contidas na legislação, o que nos leva a afastar de forma inconteste o pedido de nulidade efetuado. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ, por meio de sua Caixa Postal na data de 17/03/2015, (fl. 186) e, inconformada com a decisão prolatada, e em 15/04/2015 apresentou Recurso Voluntário (fls. 188/202), onde faz um breve relato dos fatos e, em síntese, argumenta o seguinte:  Nulidade do Despacho Decisório por ter procedido sem a devida diligência na busca da verdade material;  A parcela de Saldo Negativo de IRPJ não confirmada pelo Despacho Decisório advém de estimativas mensais de IRPJ dos meses de março e julho de 2008, cuja quitação se deu por meio de transmissão de DCOMP pela recorrente e a não homologação dessas parcelas gerou uma dupla cobrança dos débitos que se pretendeu compensar;  A empresa tem direito dessas estimativas compensadas, para formar o seu Saldo Negativo de 2008;  Comprovação das Retenções na Fonte. Com relação ao valor não confirmado de R$ 315,91 (retenção da Ipiranga Petroquímica SA) deve ser reconhecido. É o Relatório. Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.305 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901971/2013-77 4 VOTO Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar – Nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega a nulidade do Despacho decisório por não ter sido intimada a apresentar documentos comprobatórios de seu crédito, o que cerceou o seu direito de defesa. Nesse ponto, é importante esclarecer que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, estabelece as causas da nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso, o Despacho Decisório foi realizado por autoridade competente, contendo todos os requisitos legais e foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão nele contida. A partir de então, nasceu para a contribuinte o direito ao pleno exercício para a sua defesa, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, sem qualquer prejuízo em suas alegações ou juntada de documentos. O processo administrativo foi instaurado, com ampla cognição, proporcionando à contribuinte o contraditório e a ampla defesa em todas as fases e instâncias de julgamento, e lhe foi oportunizado a apresentação de documentos e esclarecimentos que entendesse pertinentes. Conforme bem destacou a decisão de piso: Neste caso específico, como se trata de pedido de restituição e compensação, o ônus da prova cabe a quem alega, no caso, à suposta detentora do crédito, a contribuinte, ou seja, a quem pede cumpre a prova da existência do direito creditório alegado, e não o contrário. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.305 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901971/2013-77 5 Dessa forma, a manifestante não tem razão em sua alegação, pois a motivação para o indeferimento do Pedido de Restituição está expressa no Despacho Decisório e o princípio constitucional da ampla defesa foi observado, possibilitando a apresentação da Manifestação de Inconformidade ora analisada, nos termos dos §§ 7º e 9º do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996 (e alterações posteriores), momento propício para a apresentação da documentação a comprovar suas alegações. No caso, o Decreto n.º 7.574 de 29/09/2011 estabelece em seu artigo 12, que os despachos e as decisões administrativas em âmbito federal somente serão nulos, se lavrados por autoridade incompetente, ou com preterição do direito de defesa. (...) Nota-se, no presente caso, que não é possível reconhecer nenhuma dessas hipóteses. O Despacho Decisório foi proferido por autoridade competente, e o direto de defesa foi exercido com a regular apresentação da Manifestação de Inconformidade ora analisada, na qual, segundo inclusive salientado pela defesa, foram juntadas cópias da documentação comprobatória de parte de seu direito creditório. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada. Mérito A principal questão colocada no Recurso Voluntário diz respeito a possibilidade de reconhecimento de direito creditório, com origem em saldo negativo de IRPJ composto de estimativas indicadas em PER/DCOMP, compensadas anteriormente em processo distinto, ainda que homologadas parcialmente, ou não homologadas. A DRJ firmou o seguinte entendimento: Com efeito, o direito creditório neste processo analisado, saldo negativo de IRPJ, na parte que diz respeito aos débitos de estimativas ref. a março e julho de 2008 (que integraram a sua composição), objetos de outro(s) processo(s) administrativo(s) fiscal(is), com recurso apresentado ainda pendente de análise, não estava e nem poderia estar disponível na data de transmissão da(s) respectiva (s) Dcomp(s), porquanto, o valor do crédito aqui discutido correspondente aos valores dos débitos das referidas estimativas, não é líquido, nem certo, e assim, não atende os requisitos previstos no art. 170 do CTN. Assim, não há como acatar o pedido de cancelamento da cobrança dos débitos não homologados no Despacho Decisório. Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.305 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.901971/2013-77 6 Nesse contexto, verifica-se que referida matéria encontra-se hoje sumulada no âmbito do CARF, conforme se constata do teor da Súmula CARF nº 177: Súmula CARF nº 177 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: 9101-004.841, 1201-003.026, 1201-003.432, 1302- 004.400, 1401-004.156, 1401-004.216, 1402-004.226, 1402-004.337, 1401- 004.371 e 1302- 003.890. Dessa forma, cabe o reconhecimento do direito creditório composto de estimativas compensadas em processo anterior. Quanto ao montante de R$ 315,9 de IRRF, a empresa apenas reclama da sua existência e diz que referido valor deve ser reconhecido, mas não conseguiu comprovar a efetiva retenção na fonte e o oferecimento dos rendimentos à tributação. Portanto, não há que se falar em composição de crédito para efeito de compensação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer o crédito das estimativas referente a março e julho de 2008, objeto de compensação com processos anteriores. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 285DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.912990/2015-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 11/10/2011 a 31/12/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IRRF. PROVA DA RETENÇÃO E CÔMPUTO DA RECEITA NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. SÚMULA CARF Nº 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (SÚMULA CARF Nº 80). IRRF. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. ADMISSIBILIDADE. PROVA DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 143. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (SÚMULA CARF Nº 143). Tampouco é suficiente a apresentação isolada de notas fiscais e DIPJ. A inexistência de outros elementos probatórios, aptos a comprovar o recebimento dos valores líquidos, a efetiva retenção e o oferecimento da receita à tributação, inviabiliza o reconhecimento crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-008.250
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-008.249, de 20 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 10880.912989/2015-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luís Ângelo Carneiro Baptista, José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL TARANTO MALHEIROS

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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 11/10/2011 a 31/12/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IRRF. PROVA DA RETENÇÃO E CÔMPUTO DA RECEITA NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. SÚMULA CARF Nº 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (SÚMULA CARF Nº 80). IRRF. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. ADMISSIBILIDADE. PROVA DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 143. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (SÚMULA CARF Nº 143). Tampouco é suficiente a apresentação isolada de notas fiscais e DIPJ. A inexistência de outros elementos probatórios, aptos a comprovar o recebimento dos valores líquidos, a efetiva retenção e o oferecimento da receita à tributação, inviabiliza o reconhecimento crédito pleiteado.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-14T13:40:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-14T13:40:30Z; Last-Modified: 2026-06-14T13:40:30Z; dcterms:modified: 2026-06-14T13:40:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-14T13:40:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-14T13:40:30Z; meta:save-date: 2026-06-14T13:40:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-14T13:40:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-14T13:40:30Z; created: 2026-06-14T13:40:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2026-06-14T13:40:30Z; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-14T13:40:30Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10880.912990/2015-19 ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 20 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SUCEA PARTICIPACOES S A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 11/10/2011 a 31/12/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IRRF. PROVA DA RETENÇÃO E CÔMPUTO DA RECEITA NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. SÚMULA CARF Nº 80. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (SÚMULA CARF Nº 80). IRRF. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO IRPJ. COMPROVAÇÃO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. ADMISSIBILIDADE. PROVA DA RETENÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 143. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (SÚMULA CARF Nº 143). Tampouco é suficiente a apresentação isolada de notas fiscais e DIPJ. A inexistência de outros elementos probatórios, aptos a comprovar o recebimento dos valores líquidos, a efetiva retenção e o oferecimento da receita à tributação, inviabiliza o reconhecimento crédito pleiteado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1301-008.249, de 20 de maio de 2026, prolatado no Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 2 julgamento do processo 10880.912989/2015-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luís Ângelo Carneiro Baptista, José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto por CAMARGO CORRÊA INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA S.A. em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório exarado nos autos. DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo teve origem em PER/DCOMP transmitido, por meio do qual a Contribuinte pleiteou o reconhecimento de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. O crédito informado foi vinculado à Declaração de Compensação transmitida, por meio da qual a Contribuinte buscou compensar débito próprio administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme extrato do sistema de controle de créditos, o crédito reconhecido foi utilizado parcialmente na compensação declarada, restando saldo devedor no processo de cobrança. Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 3 Ao apreciar o PER/DCOMP, a Autoridade Fiscal emitiu o Despacho Decisório, reconhecendo apenas parcialmente o direito creditório informado. Segundo o despacho, o saldo negativo informado no PER/DCOMP era inferior às retenções na fonte. Por essa razão, a compensação vinculada foi homologada parcialmente, no limite do crédito reconhecido. O fundamento central da glosa consistiu na não confirmação, pela Autoridade Fiscal, de parcela de CSLL retida na fonte informada no PER/DCOMP, atribuída à Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão e a homologação integral da compensação vinculada ao saldo negativo de CSLL. Em síntese, sustentou que integrava o consórcio denominado COPER – Consórcio Operador da Rodovia Presidente Dutra, constituído para a operação da Rodovia Presidente Dutra BR-116/RJ/SP, em conjunto com Construtora Andrade Gutierrez S.A., Andrade Gutierrez Concessões S.A., Serveng-Civilsan S.A. – Empresas Associadas de Engenharia, Brisa Participações e Empreendimentos Ltda. e Companhia Operadora de Rodovias, A Contribuinte alegou deter participação de 24,5% no referido consórcio, conforme a Cláusula Terceira do Contrato de Constituição do COPER, sendo que as demais participações seriam de 24,5% para Serveng-Civilsan, 24,5% para Brisa, 19,6% para Andrade Gutierrez, 4,9% para Andrade Gutierrez Concessões e 2,0% para Companhia Operadora de Rodovias. Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 4 Segundo a Contribuinte, a Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A. realizou pagamentos em favor do Consórcio COPER, os quais sofreram retenção de CSLL, PIS e Cofins. A Contribuinte sustentou que tais retenções foram consideradas proporcionalmente à sua participação no COPER, por ocasião da apuração da CSLL, resultando na formação do saldo negativo objeto do PER/DCOMP. Afirmou, ainda, que os valores foram declarados, relativa a retenções na fonte e relativa a participações em consórcios de empresas. Defendeu, nesse contexto, que o fato de a retenção e o informe de rendimentos terem sido emitidos em nome do Consórcio COPER não impediria a apropriação proporcional do crédito pelas consorciadas, uma vez que o consórcio não possui personalidade jurídica própria e as receitas auferidas em seu âmbito devem ser tributadas pelas consorciadas na proporção de suas respectivas participações. A Contribuinte juntou, entre outros documentos, o contrato de constituição do Consórcio COPER, fichas cadastrais da JUCESP relativas ao consórcio e à própria Contribuinte, informe de rendimentos, consultas a sistemas fiscais e cópias da DIPJ original e retificadora. DO ACÓRDÃO DA DRJ A 1ª Turma da DRJ/SPO, por meio de Acórdão, julgou procedente em parte a Manifestação. Fl. 313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 5 Ao apreciar a controvérsia, a Autoridade Julgadora reconheceu, inicialmente, que os documentos dos autos comprovavam a participação da Contribuinte no Consórcio COPER, na proporção de 24,5%. Para tanto, considerou o contrato consolidado de constituição do consórcio, protocolizado na JUCESP, bem como as fichas cadastrais completas do Consórcio COPER e da Contribuinte, as quais confirmavam a sucessão de denominação da empresa e sua participação no empreendimento. A DRJ também reconheceu que, à luz da disciplina aplicável aos consórcios, cada pessoa jurídica participante deve apropriar receitas, custos, despesas e tributos retidos proporcionalmente à sua participação no empreendimento, inclusive para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. No entanto, a Autoridade Julgadora entendeu que a Contribuinte não teria comprovado o oferecimento integral à tributação das receitas correlatas às retenções que pretendia deduzir. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta, em síntese, que o Acórdão recorrido reconheceu a legitimidade da apropriação proporcional das retenções sofridas pelo Consórcio COPER, bem como a sua participação de 24,5% no empreendimento, mas teria limitado indevidamente o direito creditório sob o fundamento de que apenas parte das receitas correlatas teria sido oferecida à tributação. A Recorrente afirma que a divergência apontada pela DRJ entre a receita total afeta ao Consórcio COPER e a receita informada na DIPJ não autorizaria a glosa proporcional do crédito. Sustenta que o direito à dedução da CSLL retida na fonte decorreria da efetiva retenção e da vinculação das receitas ao consórcio, nos termos da legislação aplicável. Sustenta, ainda, que a apropriação do crédito deve observar a verdade material e a documentação comprobatória produzida nos autos, e que eventual diferença formal na Fl. 314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 6 declaração não afastaria o direito à dedução integral da retenção correspondente à sua participação no Consórcio COPER. Ao final, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reformar parcialmente o Acórdão e reconhecer integralmente o crédito pleiteado. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi intimada do v. Acórdão Recorrido em 05/04/2018 (e-fls. 258), vindo a apresentar o presente Recurso Voluntário em 07/05/2021 (e- fls. 264), cumprindo, portanto, o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Outrossim, verifico que o Recurso Voluntário foi protocolado por procuradores regularmente constituídos nos autos, conforme procuração acostada às e-fls. 280/296. Preenchidos os pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, conheço do presente recurso, e passo a apreciá-lo. DO MÉRITO A controvérsia remanescente cinge-se a verificar se a Recorrente comprovou o oferecimento à tributação da totalidade das receitas vinculadas à CSLL retida na fonte pela Concessionária da Rodovia Fl. 315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 7 Presidente Dutra S.A., apropriada proporcionalmente à sua participação no COPER — Consórcio Operador da Rodovia Presidente Dutra. A Recorrente sustenta que a DRJ reconheceu corretamente sua participação de 24,5% no Consórcio COPER, bem como a possibilidade de, em tese, deduzir a CSLL retida na fonte pela Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A., no valor de R$ 786.825,15. Insurge-se, contudo, contra a limitação do crédito ao percentual de 88,4%, sob o fundamento de que a totalidade das receitas correlatas teria sido oferecida à tributação, parte no ano-calendário de 2009 e parte no ano- calendário de 2010, em observância ao regime de competência. A insurgência não procede. Conforme se extrai do Acórdão nº 16-81.292 (e-fls. 246/254), a Autoridade Julgadora reconheceu que a Recorrente integrava o Consórcio COPER, na proporção de 24,5%, e que, em tese, poderia deduzir o montante de R$ 786.825,15 a título de CSLL retida na fonte pela Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A. O indeferimento parcial não decorreu, portanto, da ausência de comprovação da retenção ou da participação da Recorrente no consórcio, mas da conclusão de que a receita declarada na Ficha 64 da DIPJ 2011 seria inferior à receita total vinculada à retenção. Veja-se: “(...) Segundo a disciplina normativa relembrada acima, vê-se que a aventada retenção de CSLL em nome do Consórcio COPER não seguiu os procedimentos normativos estabelecidos, vez que pretensamente realizada em nome do próprio consórcio COPER (pela disciplina estabelecida na IN RFB nº. 1.119/2011, as retenções deveriam ser efetuadas em nome de cada consorciada, na exata proporção de cada qual no empreendimento). Contudo, entendo que tal equívoco procedimental cometido pela fonte pagadora não pode afastar o direito das consorciadas deduzirem os Fl. 316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 8 impostos retidos na fonte, desde que as respectivas receitas tenham sido oferecidas à tributação. Consta dos autos, às fls. 48, o informe de rendimentos fornecido pela Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A., emitido com a identificação do Consórcio COPER como beneficiário, apontando as seguintes informações: Tal informe de rendimentos guarda consonância com as informações constantes do Sistema DIRF, conforme comprova a consulta a tal sistema a seguir colacionada: (...) Detendo a Manifestante 24,5% do empreendimento executado no âmbito Consórcio COPER, e sendo certo que a retenção realizada pela Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A. engloba parcelas de PIS (0,65%), COFINS (3,0%) e CSLL (1,0%), entende-se que a Manifestante poderia ter deduzido na DIPJ/2011 o importe máximo de R$ 786.825,15 a título de CSLL retida na fonte por esta fonte pagadora, conforme quadro a seguir: (...) Em decorrência da dedução da CSLL retida na fonte mencionada acima condicionar-se ao regular oferecimento das respectivas receitas à tributação, passa-se à análise da DIPJ 2011. Conforme consulta acostada às fls. 165, consta dos sistemas da Receita Federal a informação de que a Manifestante apresentou a DIPJ Original 2011 em 29/06/2011(ND nº. 1164927). Tal DIPJ foi retificada em 03/04/2012 (ND nº. 1493694). Nos quadros abaixo, detalha-se as informações relevantes de tais DIPJ para quantificação das receitas oferecidas à tributação (DIPJ acostadas aos autos às fls. 166 / 245). (...) Fl. 317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 9 Em decorrência da receita de prestação de serviços declarada na ativa DIPJ 2011 auferida a título da participação no Consórcio COPER remontar a apenas a R$ 69.538.526,98, entende-se que inexiste prova nos autos de que as receitas auferidas pela Manifestante, no curso do ano-calendário de 2010, a tal título tenham sido integralmente ofertadas à tributação, vez que na própria manifestação de inconformidade se indica que tal receita remontaria a R$ 78.682.515,25. O oferecimento parcial de receitas à tributação acarreta a impossibilidade de dedução integral dos correlatos tributos retidos na fonte. De fato, havendo o oferecimento parcial de receitas à tributação, somente pode ser reconhecido o direto parcial (na mesma proporção) de deduzir os tributos retidos na fonte. Destarte, o saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2010 passível de ser reconhecido à Manifestante remonta a R$ 697.016,83, conforme exposto nos quadros abaixo expostos: (...).” No Recurso Voluntário (e-fls. 297/316), a Recorrente alega que a totalidade das receitas vinculadas às retenções teria sido oferecida à tributação, sustentando que a diferença apontada pela DRJ decorreria do fato de parte Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 10 das receitas ter sido contabilizada no ano-calendário de 2009, por força do regime de competência, ao passo que as retenções teriam ocorrido em 2010. Ocorre que a documentação apresentada para comprovar tal alegação, constante das e-fls. 266/279, em especial a planilha de e-fl. 279, não se reveste de força probatória suficiente para comprovar o efetivo oferecimento das receitas à tributação. Trata-se de demonstrativo elaborado unilateralmente pela própria Recorrente, sem as características formais de Livro Razão, escrituração contábil regular, ECD, ECF ou outro documento contábil hábil e idôneo. Com efeito, a planilha pode ter utilidade meramente informativa, na medida em que corrobora com a tese da Recorrente sobre a distribuição das receitas entre 2009 e 2010. Contudo, não comprova, por si só, que os valores nela indicados foram, de fato, submetidos à tributação nos períodos correspondentes. Em matéria de restituição e compensação, compete ao Contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito que pretende utilizar e, em se tratando de dedução de IRPJ e CSLL retidos na fonte, exige-se não apenas a comprovação da retenção, mas também do oferecimento das receitas correspondentes à tributação. Ressalte-se que a própria DRJ reconheceu parcialmente o direito creditório, na exata proporção das receitas cuja tributação entendeu comprovada a partir da DIPJ 2011. A glosa remanescente decorreu da ausência de prova do oferecimento à tributação da diferença entre a receita total vinculada à retenção e aquela efetivamente declarada na Ficha 64 da DIPJ. Também não se justifica a conversão do julgamento em diligência. A Recorrente teve oportunidade de apresentar, em sede recursal, Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-008.250 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.912990/2015-19 11 documentos aptos a demonstrar o oferecimento integral das receitas à tributação, mas não o fez. A busca da verdade material não afasta o ônus probatório do Contribuinte quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, sobretudo quando a matéria controvertida depende de prova contábil específica e estava integralmente ao alcance da própria Recorrente. Dessa forma, deve ser mantido o acórdão por seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Redator Fl. 320DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto DA ADMISSIBILIDADE DO MÉRITO

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