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4822531 #
Numero do processo: 10805.003272/89-82
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 1993
Ementa: PIS-FATURAMENTO - NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não cabe nulidade de lançamento efetuado após a cassação da liminar em Mandado de Segurança. ICM NA BASE DE CÁLCULO - existe pacífica jurisprudência administrativa e judicial (Súmula TRF nº 258) admitindo a inclusão do ICM na base de cálculo do PIS. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 203-00.170
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro SERGIO AFANASIEFF.
Nome do relator: RICARDO LEITE RODRIGUES

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O. U. MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMÉNTO c .2412.4/f. / 1. 'k4i-tão SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBU De. INTES .... ......... C .. Rubrica Processo no 10.005-003.272/89-82 --------- Sessão de 06 de janeiro de 1993 ACORDnO No. 203-00.170. • Recurso no:: 89.989 Recorrente:: VOLKSWAGEN DO BRASIL S/A Recorrida DRF EM SANTO ANDRE SP PIS-FATURAMENTO - NULIDADE DO LANÇAMENTO. M.Ko cabe nulidade de lançamento efetuado após a CW.55 .EÇO0 da liminar em Mandado de Segurança. ICM NA BASE DE CALCULO - existe pacífica jurisprudencia administrativa e judicial (SUmula TRF n2 258) admitindo inclu~ do ICH na base de cálculo do PIS. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VOLKSWAGEN DO BRASIL S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Wffiara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro R (31: 0 Sala das Sessffes, em 06 de janeiro de 1993. - ROSALW. VITAL GCUAGA SANTOS - Presidente p • f , ; RIGAPDu L. RODVIGUES Relator DA_ DM MIFANDA - Procu~lor-Representante da Fazenda Nacional - VISTA EM SE:S3g0 DE: 2 6 MAR 1093 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMFTDA, MAURO WASILEWSKI, TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS e SEBASTI g0 BORGES TAPUARY. cf/fclb/ 1 . . ,, . L d, .0eNtt- An*Ni,/, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO '4,64dWo, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES....., , .00 Processo no 10.005-003.272/09-62 Recurso No: 09.969 Acórdão Np: 203-00.170 Recorrente: VOLKSWAGEN DO BRASIL S/A RELATORIO A Autoridade Julgadora de Primeira Instãncia assim relatou o feito do Fisco 'A empresa suso indicada, em ação fiscal direta, foi autuada na esfera do PIS FATURAMENTO, . conforme doc. fls. 32, nos termos dos arts. 6 e 8 do Decreto-lei n2 2.052/83 c/c o art. 3, alínea art. 6 e seu Parágrafo Unice' , da Lei Complementar 7/70N art. 4, alínea "b" e ar t. 7 e seus Parágrafos, do Regulamento anexo á Resolução no 174/71 do BACENN item 3 e subitens da Norma de Serviços CEF/PIS n2 02/71N art. 1, Parágrafo Unico da Lei Complementar n2 17/73 e itens I e II da Resolução ng 482/78 do BACEN, onde é exigido o montante de NCz$ 144.5A9,79, incluindo a contribuição e seus consectários. A autuação imposta decorreu, segundo os documentos de fls. 27 e 32, em razão da denegação de segurança ao Mandado Preventivo impetrado pela Impugnante na Justiça Federal, onde a autoridade Judiciária "a quo", ao decidir ao mérito da ação tornou insubsistente a liminar anteriormente col~ida. Inconformada com a autuação imposta pelo . Fisco, apresenta impugnação de fls. 35/A2, em 21.(Y9.89, protocolada na ARF/S.B.Campo, argumentando, em síntese, o seguinteN a) Através do Mandado de Segurança impetrado perante a 9a Vara da justiça Federal . em São Paulo - Processo n2. 750283A, pleiteou proteger seu direito líquido e certo de recolher a contribuição mensal relativa a dezembro de 1985 (m0s base junho/85), para o Programa de Integração Social - PIS, sem a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadoria (I('M), em sua base de c::4 l. b) o pedido foi processado com liminar concedido mediante gaEaa .1¡ (g.o) (não anexou nenhum documento a respei(o)N Ql\R" ...) . . / .„N ffil-21R MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO44!'kb0g , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-:..0 Processo no 10.805-003.272/89-82 Acórdão n2 203-00.170 c) Tendo recorrido em grau de apelação contra a sentença a matéria encontra-se sub-judice, pendente de decisão finalg cp Diz, ainda, como preliminar de defesa, que o referido débito encontra-se sob apreciação judicial dos Tribunais Superiores, com integral garantia da instância judicial (sic). E mais, que neste caso, estando a União devidamente garantida em juízo, do valor questionado, não pode ela cobrar administrativamente, pois a sua exigibilidade ainda está sub-judice (sic)g e) Relativamente à multa imposta à autuada, é totalmente indevida, pois ainda está sendo questionado em juízo o seu direito de não recolher o tributo e portanto não pode ser considerada em mora. A esse respeito, reproduzindo excerto do art. 960 do Código Civil, justifica que a multa imposta só poderia ser exigida após a decisão judicial e depois que a autoridade tivesse apurado o valor do tributo e tivesse dele notificado a Impugnante e que esta não efetuasse o recolhimento dentro do prazo que viesse a ser fixadog , f) Quanto ao mérito, mwIcionwIck a Lei Complementar n2 7/70, a Resolução . n2 174/71 de BACEN, a- Instrução Normativa - SRF n2 51, de 31.11.78, e a Constituição Federal de 1967, tonta demonstrar o direito de incluir o ICN da base de cálculo do FIS/Faturamento. g) Finalmente arremata a impugnação pedindo, preliminarmente, a decretação da nulidade da exigOncia e quanto ao mérito a sua integral improcedencia. Ouvindo o autor do procedimento administrativo fiscal, acerca da impugnação oferecida, o mesmo, em síntese, assim se pronunciou, ás fls. 46/48N • - que embora a matéria esteja sub-judice, não elide a União de efetuar o lançamento de ofício com o fim de constituir o crédito tributário, com os respectivos acréscimos legais, uma vez que eventual recurso interposto à instância superior a esfera Judiciária não tem efeito suspensivo, nos W ,..) . ._ C) É._ .... .W.AN MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO '450,WW.F '4.44UWWV SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Pr:ocesso no 10.805-003.272/89-82 AcórdWo no 203-00.170 termos do CPC.. E, ainda, pelo Código Tributário Nacional, a exigibilidade so é suspensa pelos motivos elencados nos incisos 1 a IV, do art. 151, dentre os quais se destacam o depósito em seu montante integral (inciso II) e a concessão de liminar em mandado de segurança (inciso IV)p - O contribuinte alega em sua impugnação que a Uniab está devidamente garantida em juizo do valor questionado. Entretanto, através da análise do processo n2 10805.003650/35-02, que acompanha a tramitaçao do Proc. judicial, constatou-se que o deposito não foi efetuadog Com a denegação da segurança pleiteada e consequente cassaçao da liminar anteriormente concedida (fls. 07/14) fez cessar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, IV do CTN)g - quanto a multa lançada e juros de mora, uma vez cessados os impedimentos legais, o débito tributário passou a ser devido a partir de seu vencimento, e como o contribuinte nao depositou em dinheiro a quantia questionada, o débito tributário foi cobrado com multa, juros e correção monetária previstos na legislação vigente à época do vencimento da cwitril~)g - a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, da diferença não recolhida aos cofres Oblicos é prerrogativa da União e foi necessária em virtude do instituto da decadOncia para salvaguardar os interesses da Fazenda , Nacionalg - quanto a questa° de mérito, da exclusao ou n2ío do TCM da base de cálculo do PIS/FATURAMENTO„ tendo sido objeto de ampla apreciação pelo Poder Judiciário na sentença denegatória, dispensa maiores comentários a respeito!: - finaliza a informaçao propondo a manutençao integral do crédito tributário exigido." A Decisão Singular, às fls. 50/54, julgou procedente a ação fiscal e manteve, no todo, a exigencia aos fundamentos constantes desta ementa:: 4 .. . . ... . . C), • •••: . -, • offifik :. o MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO OR* '0,41440/ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . Processo no 10.805-003.272/89-82 Acórd'So n2 203-00.170 "PIS FATURAMENTO - ICM NA BASE DE CALCULO Nao cabe apreciaçao do mérito, no CSO em questao, matéria devidamente discutida em Processo Judicial, que decidiu pela incluso do ICM na base de cálculo desta contribuiçao. NULIDADE DO LANÇAMENTO COM A RESPECTIVA MULTA . Cessado os efeitos da medida judicial, pela cassaçao da liminar em Mandado de Segurança, nao tendo sido recolhido o crédito tributário no seu vencimento e nem efetuado o depósito do montante integral, para garantia de inst~d.a, cabe o lançamento, com ,:k 1.,,2spectiva multa prevista em lei," Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, interpOs Recurso Voluntário, às fls. 59/78, reeditando as raz'des expendidas em impugnaçao. RÁ/1/ E: o rc.::,:i.,•,xt.C.:irio., .. • , .. 5 9, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ,4.6~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo no 10.805-003.272/89-82 AcórdWo no 203-00.170 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RICARDO LEITE RODRIGUES Rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração, visto que tal alegação não se justifica porque o mesmo foi lavrado após a cassação da liminar e depois da confirmação da sentença pelo Tribunal Federal de Recursos, deixando de existir efeito suspensivo em favor da Autuada, mesmo porque esta não comprovou haver depositado em juízo o montante do cre.~ em quest'âo por ter interposto qualquer outra medida judicial. Relativamente â multa aplicada, os autuantes não fizeram nada mais do que cumprir com o exigido pela legislação vigente à época. Finalmente, no que tange ao mérito da questão não cabe razo Recorrente, pois existe pacífica jurisprudOncia administrativa e judicial (Wmula TRF 258) com rela0o aceita0o da inclus'ão do TCM na base de cálculo do PIS. Isto posto e considerando tudo mais que do processo consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Se.:Zes, em 06 de janeiro de 1993. • 00/ 4 0 RICARDO LEITE RODW.GUES / •

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11367869 #
Numero do processo: 13005.720355/2016-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3002-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente)
Nome do relator: RENATA CASORLA MASCARENAS

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Jose de Assis Ferraz Neto (substituto[a] integral), Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (Presidente) RELATÓRIO Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº 02895.99643.140511.1.1.10-8001, no valor de R$ 17.553,67, referente a créditos da não cumulatividade do PIS, auferidos no 3º trimestre/2010. A Interessada também transmitiu a Declaração de Compensação nº 36843.98273.310511.1.3.10-2831, utilizando o referido crédito. Fl. 303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 2 As informações prestadas no PER nº 02895.99643.140511.1.1.10-8001 foram confrontadas com os valores informados nos arquivos digitais que compõem a escrituração fiscal digital (EFD - Contribuições) da pessoa jurídica, e o Auditor-Fiscal responsável pelas verificações identificou irregularidades na apuração de créditos do PIS e Cofins na sistemática de apuração não cumulativa. O Auditor-Fiscal concluiu que os valores informados nos Dacon decorrem da aquisição, no mercado interno ou mediante importação, de matérias-primas aplicadas na produção de adubos ou fertilizantes, principalmente turfa (código NCM 2703.00.00), conforme seguinte excerto do Relatório Fiscal: “Os valores informados nos DACON decorrem da aquisição de matérias-primas aplicadas na produção de adubos ou fertilizantes, principalmente turfa (código NCM 2703.00.00), o que se verifica pela compatibilidade entre o volume das aquisições destas matérias-primas registradas na escrituração fiscal do contribuinte e os respectivos valores informados em Dacon. Registre-se que o contribuinte não identificou, no campo próprio (“CST - Código de Situação Tributária”) da sua escrituração fiscal digital transmitida, em quais operações apurou os referidos créditos de PIS e de COFINS. O art. 1º, inc. I da Lei nº 10.925/2004 reduz a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS e para a COFINS, incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda do mercado interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias- primas, conforme abaixo transcrito: (...) Desta forma, serão glosados os créditos de PIS e de COFINS apurados pelo contribuinte nas operações de aquisições tributadas à alíquota 0 (zero), de matérias-primas de adubos ou fertilizantes, especialmente turfa, no período ora fiscalizado.” Desta forma, por força do art. 3º, §2°, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, combinado com o art. 1º, I, da Lei nº 10.925/2004, o Auditor-Fiscal concluiu que essas aquisições não geram créditos de Pis/Cofins, por não estarem sujeitas ao pagamento destas contribuições. A Autoridade Fiscal afirmou também que os gastos com serviços de fretes, relacionados a essas aquisições, não geram crédito, uma vez que os valores relativos aos mesmos compõem o custo de aquisição dos produtos adquiridos, assim, essas despesas somente gerariam crédito de Pis/Cofins se os produtos transportados fossem passíveis de gerar crédito da não- cumulatividade. Além disso, esclareceu que as despesas relacionadas ao frete de transporte de produtos importados não geram crédito, face a inexistência de previsão legal. Dessa forma, os créditos do Pis/Cofins apurados pela Interessada nas operações de aquisições de matérias-primas de adubos ou fertilizantes, tributadas à alíquota zero, especialmente turfa, foram glosados na apuração calculada pelo Auditor-Fiscal. Fl. 304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 3 Com fundamento no Relatório Fiscal DRF/SCS/SAFIS nº 033/2016 foi proferido despacho decisório (fls. 103-106), que aprovou e adotou como fundamento o referido relatório fiscal, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento apresentado através do PER nº 02895.99643.140511.1.1.10-8001 e homologou parcialmente a compensação declarada na Dcomp nº 36843.98273.310511.1.3.10-2831, até o limite do crédito reconhecido. Inconformada com a decisão, a Interessada interpôs Manifestação de Inconformidade de fls. 118-144, argumentando que: O Despacho Decisório é nulo, por ausência de motivação, por não descrever suficientemente as operações originárias do crédito, por fazer referência a créditos relativos a despesas com fretes na aquisição no mercado interno de insumos e com fretes pagos para transportar bens importados, sobre os quais não foram solicitados créditos, evidenciando que o Auditor-Fiscal não analisou os créditos postulados. O Despacho Decisório é nulo pelo fato de não ter sido intimada para apresentar documentos e demonstrar as operações que deram origem ao crédito pleiteado. A autoridade fiscal limitou sua análise aos arquivos digitais que compõem a escrituração fiscal digital, e a Interessada não teve a oportunidade de demonstrar as operações que deram origem ao crédito; a maioria dos produtos que elabora possui alíquota zero, mas para a produção dos mesmos utiliza matérias-primas importadas, como por exemplo o Wetting e a turfa, sendo que na entrada destas no território nacional recolheu Pis/Cofins; o argumento de que não faz jus ao crédito porque a legislação dispõe que as contribuições não são devidas nas operações praticadas pela Interessada não poderia prevalecer ante o efetivo recolhimento das contribuições. Embora o preenchimento da Declaração de Importação seja de sua responsabilidade, não poderia desembaraçar as matérias-primas importadas sem o pagamento das contribuições; se os valores pagos a título de Pis/Cofins sobre as matérias-primas importadas são indevidos, é injustificável não deferir o pedido de ressarcimento e não homologar a compensação por considerar que os valores deveriam ser recuperados por pedido de restituição; aduz que mesmo que tenha ocorrido em erro de forma, por não fazer uso do pedido de restituição, existe crédito por pagamento indevido e este não pode ser ignorado. No processo administrativo vige o princípio da informalidade ou do formalismo moderado, sendo assim a Interessada não pode ter seu direito negado. Segundo a autoridade fiscal, a despesa com frete capaz de gerar crédito corresponde ao frete pago nas aquisições de insumos e de mercadorias passíveis também de creditamento, o que não seria o caso da matéria-prima transportada pela requerente, pois está sujeita a alíquota zero. Alega, no entanto, que não houve qualquer creditamento sobre o valor do frete na compra da matéria-prima no mercado interno. Segundo a autoridade fiscal, o frete no transporte de produtos importados não gera crédito em nenhuma hipótese, haja vista a falta de previsão legal que autorize o creditamento na Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 4 sistemática de apuração não-cumulativa de Pis/Cofins para estas operações, entretanto, tal frete não foi objeto de tomada de crédito. A Interessada faz jus aos créditos apurados nas operações de aquisição de materiais de embalagem, sendo utilizadas para apresentação ou transporte, devem ser consideradas para o cálculo do crédito. A Interessada instruiu a Manifestação de Inconformidade com os seguintes documentos (fls. 156-200): Anexo I – termo de intimação no MPF 10.1.11.00-2015-00175, mencionado na manifestação; Anexo II – Declarações de Importação, Comprovantes de Importação, Notas Fiscais de Importação, Comprovantes de Arrecadação das contribuições Pis/Cofins- Importação; Anexo III – Insumos constantes nas Fichas 6A e 16A dos DACON; Apreciando tais argumentos, a DRJ/RPO assim ementou seu Acórdão nº 14-105.698: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DESNECESSIDADE. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo interessado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. No processo administrativo fiscal de restituição, ressarcimento e compensação a legislação não impõe intimação prévia ao contribuinte para manifestação na fase instrutória, que se encerra com o Despacho Decisório. A partir de então, a ampla defesa e o contraditório são assegurados no contencioso administrativo. ACÓRDÃOS PROFERIDOS PELO CARF. EFEITOS E ABRANGÊNCIA. Os Acórdãos do CARF, por não constituírem normas complementares à legislação tributária, não possuem caráter normativo nem vinculante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 AQUISIÇÃO. PRODUTO SUJEITO A ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. VEDAÇÃO. É vedado o aproveitamento de crédito relativo à aquisição de produto sujeito à alíquota zero, nos termos do § 2º, inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei n° 10.637/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA. Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 5 No âmbito dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte a comprovação da existência do direito creditório pleiteado, o qual deve ser indeferido se não comprovada sua liquidez e certeza. É igualmente do contribuinte o ônus da prova dos créditos da não cumulatividade, que servem para reduzir o valor do tributo a ser pago e podem ainda, nos casos previstos em lei, ser objeto de pedido de ressarcimento ou ser utilizados em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Interessada apresentou Recurso Voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos para defender seu direito ao ressarcimento de créditos referentes aos insumos importados, e às aquisições de materiais de embalagem. Além de repisar os mesmos argumentos, desafia os fundamentos da decisão recorrida nos termos seguintes: 4.4 - Dos créditos na aquisição de matérias-primas de adubos e fertilizantes: Para que seja possível a produção das mercadorias comercializadas pela Recorrente torna-se imprescindível a aquisição de matéria-prima importada, como, por exemplo, a Turfa e o Wetting agente, o que é corroborado pela própria descrição feita no Relatório Fiscal DRF/SCS/SAFIS nº 033/2016 (fls. 05), através de tabela inserida pela Autoridade Fiscal. Ocorre que não é permitida a entrada destas matérias-primas importadas no território nacional sem que haja na Declaração de Importação o destaque e o recolhimento do PIS e da COFINS. Desse modo foi exigido seu pagamento sobre as matérias-primas importadas, conforme se vê nitidamente pelos documentos que instruíram a Manifestação de Inconformidade (Declarações de Importação (Dl); Notas Fiscais de Importação e comprovantes de pagamentos do PIS e da COFINS — Anexo II). (...) Assim, embora a confecção da Dl seja de responsabilidade da Recorrente, ressalta se que o fiscal responsável pelo despacho aduaneiro de importação não permite o desembaraço da mercadoria sem o pagamento das contribuições do PIS e da COFINS, ou seja, o pagamento é compulsório, em dinheiro, na data do registro da Declaração de Importação. (...) Portanto, embora a Delegacia da RFB em Santa Cruz do Sul entenda que as matérias-primas importadas pela Recorrente deveriam ser de alíquota zero, o Auditor-Fiscal da RFB em Rio Grande, e também o Auditor-Fiscal da RFB do Porto de Santos, em São Paulo, nos termos dos seguintes dispositivos do Regulamento Aduaneiro, exigiram tal pagamento. (...) Assim, se a Recorrente fez o pagamento do tributo que lhe foi exigido, não pode ser penalizada pelo fato de a Autoridade Fiscal não o reconhecer. Não tem a Fl. 307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 6 Recorrente responsabilidade pelos tratamentos diferenciados dispensados pelos agentes da Receita Federal, embora de órgãos diferentes. (...) Ocorre que mesmo se hipoteticamente, no caso concreto, a Relatora tenha o entendimento de que o crédito foi realizado de forma equivocada pela Recorrente, não há qualquer dúvida de que se trataria de um mero erro formal e que os valores pagos pela Recorrente a título do PIS e da COFINS sobre as matérias-primas importadas são passíveis de compensação. Nesse sentido, pode-se afirmar que é injustificável indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar a compensação. Com efeito, se assim entendesse a Relatora (pelo indeferimento do direito ao creditamento) deveria ela então deferir o direito ao crédito pelo reconhecimento do pagamento indevido, sob pena de fazer valer o extremo rigorismo formal. (...) Veja-se que o processo administrativo fiscal deve ser simples, despido de exigências formais excessivas. Assim, a Recorrente não pode ter seu direito negado pelo entendimento da autoridade fiscal autuante de que não pode haver o crédito sobre a aquisição de matérias-primas importadas sujeitas à alíquota zero (do PIS e da Cofins), já que robustamente comprovado que houve o pagamento dessas contribuições na aquisição de matérias-primas importadas, cabendo a Autoridade Fiscal, em homenagem aos princípios da verdade material e da informalidade, proceder à análise e deferir o pedido formulado. (...) 4.5 - Da suposta divergência de valores — Verdade material diante dos documentos apresentados — Disparidade de armas: Consoante exposto no acórdão recorrido, a Recorrente solicitou o ressarcimento de créditos apurados no 3º trimestre de 2010, referentes a aquisição de materiais de embalagem. O acórdão chega a reconhecer que há previsão legal para apuração dos créditos mencionados acima. Porém, a Autoridade Fiscal entendeu que os valores glosados nas DACONs não coincidem com os valores informados e demonstrados pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, através do Anexo III. Assim, entendeu a Autoridade Fiscal existirem divergências de informações, tendo em vista que a Recorrente não teria demonstrado o crédito alegado através de documento hábil, consistente na escrituração fiscal e outros documentos, a fim de conferir liquidez e certeza do direito creditório, sendo que isto seria ônus da Recorrente. Contudo, ainda que possa ser reconhecida a existência de supostas divergências — que foi o único aspecto a que a Autoridade Fiscal se limitou a analisar, a Recorrente, através do Anexo III da Manifestação de Inconformidade, demonstrou, por meio de documentos hábeis e consistentes da escrituração contábil/fiscal, a constituição dos créditos. Fl. 308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 7 O que se configurou, no presente caso, foi a total desconsideração, por parte da Relatora, da aplicação do princípio da verdade material ao feito. (...) Veja-se o entendimento doutrinário acima muito assemelha-se ao caso concreto da Recorrente, pois a Autoridade Fiscal justificou o indeferimento do ressarcimento dos créditos em razão de divergências entre algo que a Recorrente informou (DACONs nº 0000200201105994495, n° 0000200201105994496 e nº 0000200201105994557) e o que foi efetivamente comprovado, através dos documentos hábeis juntados no Anexo III da Manifestação de Inconformidade. Assim, a Relatora considerou tão somente a informação da Recorrente nas DACONs, desconsiderando por completo os documentos juntados, sendo que estes comprovam o direito aos créditos alegados. (...) A existência de divergências, equívocos de preenchimentos, etc., não afasta o fato de que a Recorrente, através dos documentos acostados, provou o direito ao ressarcimento dos créditos. (...) Ao final, requer o reconhecimento e declaração da nulidade do despacho decisório, e, em consequência, que seja determinada sua intimação para demonstrar as operações que deram origem ao crédito pleiteado; alternativamente, caso não acolhida a preliminar de nulidade do despacho decisório, requer o reconhecimento do direito creditório, o deferimento do pedido de ressarcimento/restituição apresentado e a homologação da compensação efetuada mediante a Declaração da Compensação. É o relatório. VOTO Conselheira Renata Casorla Mascareñas – Relatora Da Admissibilidade do Recurso A Recorrente tomou ciência do Acórdão combatido mediante acesso à sua Caixa Postal no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte em 11/05/2020 (fl. 220), tendo protocolizado o Recurso Voluntário em 22/09/2020 (fl. 223). Embora se observe que a Portaria CARF nº 8.112/2020 (com a redação da Portaria CARF nº 10.199/2020), em virtude da pandemia do Coronavírus, tenha estabelecido a suspensão dos prazos processuais no âmbito deste colegiado até 29/05/2020, tal norma deve ser interpretada em conjunto com a realidade operacional das unidades de origem da Receita Federal do Brasil. Nesse contexto, a Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, considerando o cenário excepcional de pandemia e as restrições de funcionamento, estendeu a suspensão dos Fl. 309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 8 prazos para a prática de atos processuais perante aquele órgão até 31/08/2020. É relevante destacar que os atos preparatórios e o próprio protocolo do recurso ocorrem perante a RFB, que se encontrava com atendimento limitado e procedimentos suspensos durante todo esse período. Há que se considerar, portanto, que a suspensão vigente na unidade de recepção do recurso criou uma legítima expectativa no contribuinte quanto ao prazo para a prática do ato. A aplicação exclusiva da norma do CARF, em detrimento da suspensão mais ampla da RFB, imporia um ônus desproporcional ao Recorrente, especialmente quando os canais de atendimento e processamento seguiam as diretrizes da Portaria RFB nº 543/2020. Nessa linha de raciocínio, existem precedentes neste Conselho que acolhem a tese de que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário deve considerar o período de suspensão da RFB, que findou em 31/08/2020. Assim, o protocolo efetuado em 22/09/2020 revela-se tempestivo, uma vez que respeita o interstício legal iniciado após o término da referida suspensão administrativa. Do Mérito Conforme supra relatado, na análise empreendida no Relatório Fiscal DRF/SCS/SAFIS nº 033/2016, que tratou do pedido de ressarcimento de Pis relativo ao 3º Trimestre/2010 da Interessada, as informações prestadas no pedido de ressarcimento foram confrontadas com os valores informados nos arquivos digitais que compõem a escrituração fiscal digital (EFD - Contribuições) da pessoa jurídica, e o Auditor-Fiscal responsável pelas verificações concluiu que os valores informados nos Dacon decorriam da aquisição, no mercado interno ou mediante importação, de matérias-primas aplicadas na produção de adubos ou fertilizantes, principalmente turfa (código NCM 2703.00.00): “Os valores informados nos DACON decorrem da aquisição de matérias-primas aplicadas na produção de adubos ou fertilizantes, principalmente turfa (código NCM 2703.00.00), o que se verifica pela compatibilidade entre o volume das aquisições destas matérias-primas registradas na escrituração fiscal do contribuinte e os respectivos valores informados em Dacon. Registre-se que o contribuinte não identificou, no campo próprio (“CST - Código de Situação Tributária”) da sua escrituração fiscal digital transmitida, em quais operações apurou os referidos créditos de PIS e de COFINS. (...) Desta forma, serão glosados os créditos de PIS e de COFINS apurados pelo contribuinte nas operações de aquisições tributadas à alíquota 0 (zero), de matérias-primas de adubos ou fertilizantes, especialmente turfa, no período ora fiscalizado.” (destaquei) Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 9 Por força do art. 3º, §2°, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, combinado com o art. 1º, I, da Lei nº 10.925/2004, o Auditor-Fiscal entendeu que a essas aquisições não geram créditos de Pis/Cofins, pois não estão sujeitas ao pagamento das contribuições: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.925/2004 Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (Vide Decreto nº 5.630, de 22/12/2005) I - adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias-primas; A Autoridade Fiscal afirmou também que os gastos com serviços de fretes, relacionados a estas aquisições, não geram crédito, uma vez que os valores relativos aos mesmos compõem o custo de aquisição dos produtos adquiridos, assim, essas despesas somente gerariam crédito de Pis/Cofins se os produtos transportados fossem passíveis de gerar crédito da não- cumulatividade. Além disso, esclareceu que as despesas relacionadas ao frete de transporte de produtos importados não geram crédito, face a inexistência de previsão legal. Dessa forma, os créditos de Pis/Cofins apurados pela Interessada nas operações de aquisições de matérias-primas de adubos ou fertilizantes, tributadas à alíquota zero, especialmente turfa, foram glosados na apuração calculada pelo Auditor-fiscal. As glosas foram fundamentadas nos dispositivos legais supracitados, ao passo que a Recorrente identificou os gastos negados como sendo relativos aos insumos importados com pagamento de Pis/Cofins-Importação, e às aquisições de materiais de embalagem. A Recorrnete negou ter apurado créditos sobre despesas de frete na aquisição de matérias-primas, procedentes do exterior ou do mercado interno. Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 10 A Recorrente destaca que apesar da instrução probatória acostada à Manifestação de Inconformidade ter demonstrado a origem dos créditos, a decisão recorrida manteve integralmente o despacho decisório. A Recorrente contesta o Acórdão recorrido, por reconhecer a existência de “previsão legal para apuração de créditos relativos à embalagem de apresentação”, mas, pelo fato de os valores glosados (Dacon) não coincidirem com o informado pela Interessada no Anexo III da Manifestação de Inconformidade (insumos constantes nas Fichas 6A e 16A dos Dacon), ter decidido pela manutenção da glosa porque não foi apresentada documentação hábil, consistente na escrituração contábil/fiscal e outros documentos, para o fim de se conferir a liquidez e certeza do direito creditório, sendo que isso era ônus da Recorrente. A Recorrente argui que “ainda que possa ser reconhecida a existência de supostas divergências”, demonstrou a constituição dos créditos por meio de documentos hábeis e consistentes com a escrituração contábil/fiscal no Anexo III, instruído com demonstrativos (planilhas listando os insumos constantes nas Fichas 6A e 16A dos Dacon), acompanhados de notas fiscais de aquisição de embalagens. Nesse sentido, alega que a decisão recorrida negou a prevalência da verdade material sobre a verdade formal. Não obstante os valores glosados (Dacon) não coincidirem com o informado pela Interessada nos demonstrativos de cálculo do Anexo III, é inegável que os argumentos e provas juntados com a Manifestação de Inconformidade, no mínimo, configuram indícios da existência do direito creditório nas aquisições de materiais de embalagem1. Julgar o processo sem sanar essa lacuna pode ser interpretado como uma omissão injustificada diante das teses defensivas e da probabilidade do direito da parte. Com relação aos fretes, em não havendo apuração de créditos sobre fretes no transporte de insumos importados e de insumos adquiridos no mercado interno, parece não ter havido glosa pela autoridade fiscal, a despeito dos comentários tecidos no Relatório Fiscal DRF/SCS/SAFIS nº 033/2016. Entretanto, é pertinente que seja esclarecido se a autoridade fiscal teceu comentários sobre tais créditos apenas a título de informação ou se realmente houve glosas das despesas com frete nas aquisições de insumos no mercado interno e nas aquisições de produtos importados. Nesse contexto, considerando que este Colegiado se orienta pelo princípio da verdade material — que impõe a busca pela realidade efetiva dos fatos no processo administrativo, entendo que o deslinde da controvérsia exige a manifestação técnica da fiscalização sobre a identificação, pela Recorrente, dos créditos que foram pleiteados, na perspectiva do processo produtivo e das atividades por ela desempenhadas. 1 Independentemente da subsistência do direito ao crédito, não está esclarecido no processo se a inclusão desses custos na base de cálculo foi objeto de análise pela autoridade fiscal, se eventualmente houve erro de classificação em rubrica ou campo da EFD-Contribuições/Dacon. Fl. 312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.607 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13005.720355/2016-96 11 É que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR (Tema Repetitivo nº 779), fixou entendimento no sentido de que o conceito de insumo para fins de apuração do PIS e da Cofins deve pautar-se pelos critérios de essencialidade e relevância, considerando a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte. O STJ decidiu que a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004 era ilegal, determinando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz da importância do bem ou serviço para o processo produtivo. Entendo que a manifestação técnica é imperativa, tendo em vista a fundamentação das glosas e considerando que a análise do direito creditório prescindiu da intimação da contribuinte, em razão da iminente homologação tácita da DCOMP, o que impediu o pleno cotejo entre as aquisições (especialmente de embalagens, não mencionadas no Relatório Fiscal) e o processo produtivo da Recorrente. Assim, visando a evitar prejuízos e garantir o correto saneamento do processo, entendo necessário oportunizar a manifestação da autoridade fiscal sobre os elementos probatórios ainda não apreciados sob esta ótica. Pelo exposto, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, para que se adotem as seguintes providências: 1) Análise. Examinar os gastos negados identificados pela Recorrente, bem como os documentos anexos da Manifestação de Inconformidade a fim de verificar a existência ou não do direito creditório pleiteado, intimando a Recorrente para apresentar eventual documentação distinta que julgue necessária para evidenciar a existência do direito creditório, se assim entender pertinente; 2) Relatório e Recálculo. Instruir o feito com relatório da diligência solicitada, avaliando a revisão das glosas à luz dos novos esclarecimentos. Na eventualidade de alteração no entendimento, deverá ser realizado o recálculo das apurações, discriminando os valores passíveis de aproveitamento, as glosas mantidas e suas respectivas motivações; 3) Manifestação da Recorrente. Encerrada a instrução processual, intimar a Recorrente para, caso deseje, manifeste-se no prazo de 10 (dez) dias úteis, conforme art. 5º-B do Decreto nº 70.235/72, antes do retorno dos autos para este Colegiado, para prosseguimento do feito. É como voto. Assinado Digitalmente Renata Casorla Mascareñas Fl. 313DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 13855.722545/2019-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 DESPESA. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. A determinação do lucro real efetuada por contribuintes está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo, impõe-se a manutenção do lançamento fiscal. DESPESAS NECESSÁRIAS. DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS Notas fiscais de prestação de serviços, em face de demonstração de nexo causal na relação da prestação de serviços, servem para comprovar a efetiva prestação dos serviços contratados.
Numero da decisão: 1402-007.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e a ele dar provimento, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa– Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Gustavo de Oliveira Machado (substituto integral e Sandro de Vargas Serpa (Presidente).
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-05-29T23:33:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-05-29T23:33:15Z; Last-Modified: 2026-05-29T23:33:15Z; dcterms:modified: 2026-05-29T23:33:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-05-29T23:33:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-05-29T23:33:15Z; meta:save-date: 2026-05-29T23:33:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-05-29T23:33:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-05-29T23:33:15Z; created: 2026-05-29T23:33:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2026-05-29T23:33:15Z; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-05-29T23:33:15Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13855.722545/2019-80 ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 22 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ENERGISA TOCANTINS DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 DESPESA. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. A determinação do lucro real efetuada por contribuintes está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo, impõe-se a manutenção do lançamento fiscal. DESPESAS NECESSÁRIAS. DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS Notas fiscais de prestação de serviços, em face de demonstração de nexo causal na relação da prestação de serviços, servem para comprovar a efetiva prestação dos serviços contratados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 2 Acordam os membros do colegiado, colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e a ele dar provimento, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa– Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Gustavo de Oliveira Machado (substituto integral e Sandro de Vargas Serpa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se, na origem, de Autos de Infração por entender a fiscalização que alguns pagamentos efetuados pela Recorrente, no ano calendário de 2014, carecem de prova da efetiva prestação de serviço, falta de recolhimento de tributo sobre base de cálculo estimada e pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, sendo que foram lavrados autos de infração, com exigência de IRPJ e a multa exigida isoladamente, no valor de R$ 1.380.597,32; CSLL no valor de R$ 427.886,55, fls. 010; Multa exigida isoladamente da CSLL, no valor de R$ 96.051,84; Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 2.601.278,05. Uma vez que a decisão da DRJ já afastou a exigência o IRRF, o debate no presente caso ser aceitar ou não como comprovantes de despesa de serviço jurídico a emissão de notas fiscais e comprovantes de pagamentos, com ausência de contratos de honorários. O Termo de Verificação Fiscal (TVF) foi juntado às fls. 022/054. A fiscalização analisou os pagamentos efetuados a Nóbrega Farias Advogados Associados, sendo que foram apresentados, além de outros documentos, relação de notas fiscais, assim como comprovantes de pagamentos. Relatou a fiscalização que após solicitar comprovação da efetividade na prestação de serviços, a contribuinte nada apresentou, justificando sua inércia devido a Ofício nº 691 do Conselho Federal da OAB que dispõe que não deve ser exigido de escritório ou de clientes dados que violem o sigilo profissional e que as intimações estão em desacordo com a disposição do Ofício. Fl. 1698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 3 Ato contínuo, a fiscalização realizou diligência na prestadora de serviços, intimou-a a apresentar documentação e não foi atendida. O Fisco relata que recebeu resposta genérica sobre a prestação de serviços para a contribuinte, bem como informa que em 26/03/2019 recebeu o Ofício nº 266/2019 – GPR, de 20/03/2019, da Ordem dos Advogados do Brasil – Conselho Federal, que contém manifestação sobre a tramitação da diligência fiscal referente à prestadora (Nóbrega Farias Advogados Associados). Nesse ofício, segundo a OAB, as solicitações tratariam de detalhes da relação jurídica da sociedade de advogados com seus clientes e diziam respeito ao conteúdo de sua atuação, sendo, portanto, descabido e sem amparo jurídico. Já em 26/06/2019 a fiscalização recebeu outro ofício, o 689/2019 - GPR, OAB, com as mesmas argumentações sobre a não apresentação de documentos. Devido ao todo exposto, a fiscalização concluiu que não foi comprovada a efetividade dos serviços prestados, tanto pela contribuinte como pela prestadora de serviços. A Impugnação apontou a ausência de verificação da efetiva ocorrência do fato gerador (artigo 142 do CTN), pois o lançamento teria sido pautado em mera presunção e por não ter sido dada a devida valoração das provas apresentadas, que comprovariam a efetiva prestação dos serviços; existência da efetiva comprovação dos serviços, que comprovariam causa para os pagamentos, impossibilitando a glosa de despesas e exigência de IRRF; impossibilidade de aplicação de dupla tributação sobre a mesma base de cálculo (IRRF e IRPJ/CSLL). Argumentou a Impugnante sobre a impossibilidade de se aplicar a multa isolada de 50% imposta em razão do não pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, pois essa pena só poderia ser imposta durante o ano calendário, bem como por que a imposição da multa isolada, concomitantemente com a multa de ofício no percentual importa em bis in idem. Defendeu ainda a impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício qualificada imposta. Defendeu a impugnante que as provas apresentadas à fiscalização comprovariam a efetividade dos serviços prestados, pois apresentou os contratos e as notas fiscais e que o CARF possui jurisprudência de que esses documentos seriam suficientes para comprovar a efetiva prestação de serviços. A impugnação afirma que a fiscalização ignorou documentação apresentada (contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, comprovantes de emissão de debêntures), que comprovaria a efetividade na prestação dos serviços, na ânsia de autuar a contribuinte. Além do mais, os ofícios do CF/OAB demonstrariam que a relação de documentos solicitada pela fiscalização esbarrava no sigilo profissional, contrariando e deixando de observar, o artigo 133 da Constituição Federal, artigos 7º, II, e o artigo 34, VII, da Lei 8.906/94, artigo 25 do Fl. 1699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 4 Código de Ética da OAB, comandos legais que protegem não só a advocacia em particular, mas a sociedade brasileira como um todo, bem como a democracia como fim a ser mantido. Por fim, alega que como a fiscalização não analisou corretamente as provas apresentadas durante o procedimento fiscal não se apurou a ocorrência do fato gerador, violando o princípio da verdade material e o disposto no artigo 142, do CTN, restando caracterizada a existência de vício material insanável, motivo de nulidade. Para a Impugnante a fiscalização não teria comprovado que a prestação dos serviços não teria ocorrido e/ou não teria sido comprovada efetivamente, baseando-se, somente, em indícios, alegando que a presunção só poderia ter sido utilizada se fosse prevista em lei, citando acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que estaria de acordo com seu argumento. Defendeu a Impugnante que o lançamento foi baseado em presunções não previstas em lei, o qual afronta o princípio da verdade material e o artigo 142, do CTN, em razão da ausência de verificação da efetiva ocorrência do fato gerador, motivo pelo qual deverá ser julgado nulo, por vício material. A Impugnação defendeu a inaplicabilidade da glosa de despesas e do artigo 61, da Lei nº 8.981/1995, bem como a Incompatibilidade da exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa com a exigência de IRPJ em decorrência da glosa desses pagamentos. Alegou que alega que por ter caráter de penalidade não se pode admitir a concomitância da aplicação da multa de ofício (75%) sobre o IRRF e da penalidade de 35% do IRRF, sob pena de se punir duplamente a contribuinte por uma mesma conduta, motivo pelo qual deverá ser julgado procedente a presente impugnação nesse ponto. A Impugnante alega que quando o imposto é mera antecipação do imposto de renda devido, não se pode exigir referido tributo da fonte pagadora depois de encerrado o ano- calendário, já que por mais que a fonte seja responsável pela retenção e recolhimento, o contribuinte do imposto continua sendo o beneficiário dos rendimentos. Para a impugnação, o Parecer Normativo nº 01/2002 teria formalizado o entendimento no sentido de que a fonte pagadora é responsável pelo recolhimento de tal IRRF até a data de entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (“IRPJ”) pelo contribuinte beneficiário dos rendimentos, sendo certo que, após tal data, o tributo deve ser cobrado do efetivo contribuinte. A fiscalização deixou de informar se a prestadora tributou tais valores. Defendeu que o CARF reconheceu a necessidade de realização de diligência para que se verifique se os valores com relação aos quais foi exigido o IRRF com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 foram efetivamente tributados pelos beneficiários de tais pagamentos. Segundo a Recorrente, a exigência da multa isolada de 50% após o encerramento do período de apuração mostra-se incompatível com o lançamento de ofício realizado pela Fl. 1700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 5 fiscalização, sendo esse, inclusive, o posicionamento que vem sendo adotado pelo CARF acerca do assunto. Argumenta que a exigência de multa isolada com a multa de ofício pune a Impugnante com a imposição de dupla penalidade pela mesma infração, verificando-se de forma cristalina o tão repudiado bis in idem. A Impugnante alega que deve ser cancelada a multa isolada aplicada em razão da suposta falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, durante o ano-calendário de 2014, (i) por impossibilidade de aplicação de tal penalidade depois de encerrado o ano- calendário a que se refere a autuação e (ii) sob pena de incorrer em bis in idem ou, ao menos, em razão de afronta ao princípio consunção, conforme vem sendo decidido pelo CARF e pelo Superior Tribunal de Justiça. A DRJ julgou PROCEDENTE EM PARTE a impugnação apresentada, a fim de, tão- somente, cancelar a exigência do IRRF, mantendo-se em parte o crédito tributário lançado. A DRJ não apresentou Recurso de Ofício. O Recurso Voluntário manteve os argumentos da Impugnação, exceto com relação a exigência de IRRF e seus reflexos em face do julgamento favorável em Primeira Instância. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo conhecido. Trata-se de Autos de Infração por entender a fiscalização que alguns pagamentos efetuados pela Recorrente, no ano calendário de 2014, carecem de prova da efetiva prestação de serviço, falta de recolhimento de tributo sobre base de cálculo estimada e pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, sendo que foram lavrados autos de infração, com exigência de IRPJ e a multa exigida isoladamente, no valor de R$ 1.380.597,32; CSLL no valor de R$ 427.886,55; Multa exigida isoladamente da CSLL, no valor de R$ 96.051,84; Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 2.601.278,05. A fiscalização analisou os pagamentos efetuados a Nóbrega Farias Advogados Associados, sendo que foram apresentados, além de outros documentos, relação de notas fiscais, assim como comprovantes de pagamentos. O Auto de Infração e o acórdão recorrido sustentam que o escritório advogacia Nóbrega, que foi contratado pela Recorrente para prestar assessoria e serviços jurídicos, não teria comprovado a sua efetiva prestação dos serviços. Consequentemente, segundo a fiscalização, Fl. 1701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 6 mesmo tendo sido apresentadas as notas fiscais relacionadas ao escritório Nóbrega e os seus respectivos comprovantes de pagamentos, isto não seria suficiente para comprovar a despesa. Por outro lado, no curso da fiscalização, a Recorrente recebeu Ofícios expedidos pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (“CFOAB”) à RFB e encaminhados pelo escritório Nóbrega, no sentido de que não deveriam ser exigidos documentos sobre a prestação de serviço, dentre eles, contrato de honorários, cópia de relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagem, comprovantes de viagens, pareceres, dentre outros, ante a impossibilidade de violação ao sigilo profissional, conforme ofício abaixo colacionado: A DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada, mantendo em parte os lançamentos, cancelando tão somente a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRRF”). Não foi apresentado Recurso de Ofício com relação a esse ponto. Portanto, trata-se o presente caso de questão de prova com relação à prestação de serviços jurídicos. PRELIMINARES Preliminarmente, alega a Recorrente Nulidade da Autuação Fiscal em razão dos supostos equívocos cometidos pela fiscalização na análise dos documentos e informações apresentadas. Diferentemente do que aduz a decisão recorrida, a Recorrente entende que a autoridade fiscal conferiu indevida valoração às provas apresentadas pela então Impugnante durante o procedimento fiscal, as quais seriam capazes de comprovar a efetiva prestação de serviços jurídicos pelo escritório Nóbrega, deixando de apurar a efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, em violação ao princípio da verdade material e ao artigo 142, do Código Tributário Nacional. Ocorre que a preliminar de não análise de documentos confunde-se com o mérito, e por esse motivo será com ele analisado. Afasto a preliminar. Fl. 1702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 7 MÉRITO A decisão da DRJ reconheceu que foram apresentadas notas fiscais e comprovantes de pagamentos, mas entendeu que esses comprovantes não seriam suficientes, conforme decisão abaixo transcrita: (...) Como se denota, foram apresentados notas fiscais, comprovantes de pagamentos. (...) Nessa espécie de contrato temos, por exemplo, emissões de pareceres, comparecimento em reuniões, procurações em ações judiciais, registros de serviços prestados e de custos arcados, troca de correspondências eletrônicas, solicitações de ambas as partes, registro de visitas devido a sedes serem em localidades distintas, documento com demonstração de correlação entre pagamentos e serviços prestados, etc. Esses são exemplos de documentos que comprovariam que serviços foram efetivamente prestados, pois contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento nada demonstram quanto à realização de serviços. Portanto, o que deveria ter sido provado à fiscalização, e que até nesse momento não foi, refere-se à prestação dos serviços que foram motivadores dos pagamentos elencados pela fiscalização, com a correlação entre eles. Ressalte-se que não é minimamente crível que prestação de serviços de assessoria jurídica, com vultosos valores envolvidos, não produza alguma prova material de que os serviços ocorreram. Portanto, a DRJ entendeu que apesar de serem apresentadas notas fiscais e comprovantes de pagamentos, a prestação de serviços não estaria efetivamente comprovada. O aparente ponto frágil do contribuinte no presente caso seria a ausência de apresentação de contrato de honorários advocatícios. Contudo, por outros meios, a Recorrente, de fato, apresentou, esclarecimentos e documentos aptos a comprovar a efetiva prestação dos serviços jurídicos e a regularidade dos pagamentos efetuados à Nobrega. Logo, foi demonstrado o nexo causal entre a Recorrente e os serviços jurídicos prestados. Ora, a Recorrente demonstrou que a relação entre ambos teve início em novembro de 2000, com a aquisição da Saelpa (Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba) e que, portanto, já existia confiança mútua que justificava a ausência de respectivo contrato de honorários advocatícios por escrito, postura esta temerária, porém usual em relações de confiança, principalmente na relação com advogado, cuja essência da profissão é a busca da Justiça, baseada na ética e na boa fé e na confiança. Fl. 1703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 8 Portanto, de fato, presume-se a existência da contratação dos serviços advocatícios de maneira informal em face da existência de comprovantes de pagamento e emissão de notas fiscais, até que se prove o contrário, prova que essa que não foi apresentada no auto de Infração. Por sua vez, a Recorrente, com base na sua boa-fé em dar cumprimento à intimação fiscal apresentou as notas fiscais referente aos serviços prestados e os seus respectivos comprovantes de pagamento, quando da resposta ao Termo de Intimação Fiscal (“TIF”) nº 02. Ocorre que posteriormente, por meio dos TIFs nº 03 e 04, a fiscalização solicitou que a Recorrente apresentasse outros documentos para comprovar a efetiva prestação de serviços, como por exemplo, “cópias dos relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagens, comprovantes de viagens efetuadas pelos prestadores e demais documentos que se prestem a comprovar de forma cabal a efetiva prestação dos serviços. Se não houver contrato de prestação de serviços apresentar declaração esclarecendo a falta do documento e detalhando quais foram os serviços prestados.” Ocorre que em resposta ao referido TIF nº 02, a Recorrente já havia apresentado a relação de notas fiscais, bem como os comprovantes de pagamentos, como por exemplo as Notas Fiscais nºs 1000440, 1000444, 1000447, 1000464 (fls.1290/1293), nas quais constam as respectivas prestações de serviços de (i) assessoria jurídica na emissão de debentures; (ii) assessoria jurídica referente à recuperação de créditos; (iii) assessoria jurídica na habilitação aos benefícios da SUDAM, e (iv) assessoria jurídica na emissão de FIDC, sendo certo que a prestação dos serviços ocorreu por meio de participação em reuniões, análises e aconselhamento jurídicos. Quando dos recebimentos dos TIF nºs 02 e 04, a Recorrente também recebeu Ofícios expedidos pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (“CFOAB”) à RFB e encaminhados pelo escritório Nóbrega, no sentido de que não deveriam ser exigidos documentos sobre a prestação de serviço, dentre eles, contrato de honorários, cópia de relatórios técnicos, estudos, memoriais, planilhas, pareceres, atas de reunião, relatórios de viagem, comprovantes de viagens, pareceres, dentre outros, ante a impossibilidade de violação ao sigilo profissional. Em função disso, a Recorrente apresentou respostas aos TIF nºs 02 e 04 no sentido de que aguardaria o deslinde dos referidos ofícios, para evitar qualquer violação profissional. Importante destacar que a então Impugnante elaborou um rol de documentos apresentados para tanto e os cita em sua defesa, o que faz merecer sua transcrição, fls. 01387: 75. Como já apontado, a Impugnante apresentou a relação de notas fiscais, por exemplo as Notas Fiscais nºs 1000440, 1000444, 1000447, 1000464 (fls.1290/1293), nas quais constam as respectivas prestações de serviços de (i) assessoria jurídica na emissão de debêntures; (ii) assessoria jurídica referente à recuperação de créditos; (iii) assessoria jurídica na habilitação aos benefícios da SUDAM, e (iv) assessoria jurídica na emissão de FIDC, sendo certo que a prestação dos serviços ocorreu por meio de participação em reuniões, análises e aconselhamento jurídicos. Fl. 1704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 9 Como se denota, foram apresentadas notas fiscais, comprovantes de pagamentos, fato reconhecido pela decisão da DRJ. Conceito importante para o presente caso refere-se à necessidade da despesa seja usual para o ramo de atividade. Conforme é cediço, são operacionais as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, o que leva a consequência lógica de que essa despesa tem que ter existido, era necessária e foi oriunda de necessidade da empresa para sua atividade, para manutenção de sua atividade produtora. Ocorre que as despesas com advogados na prestação de serviços em defesa dos interesses de uma empresa são essenciais qualquer que seja a atividade dessa empresa. De qualquer forma, o importante no presente caso seria valorar as provas apresentadas e com base nos documentos apresentados pela Recorrente, ao contrário do que entendeu o v. acórdão recorrido, é possível comprovar que todos os pagamentos efetuados a título de honorários foram quitados, existindo a correta relação do pagamento, com as notas fiscais e os contratos de honorários. Conforme mencionado, a Recorrente apresentou a relação de notas fiscais, por exemplo as Notas Fiscais nºs 1000440, 1000444, 1000447, 1000464 (fls.1290/1293), nas quais constam as respectivas prestações de serviços de (i) assessoria jurídica na emissão de debêntures; (ii) assessoria jurídica referente à recuperação de créditos; (iii) assessoria jurídica na habilitação aos benefícios da SUDAM, e (iv) assessoria jurídica na emissão de FIDC, sendo certo que a prestação dos serviços ocorreu por meio de participação em reuniões, análises e aconselhamento jurídico. Nesse sentido para cada prestação de serviço, foram apresentadas a relação das Notas Fiscais e os respectivos comprovantes de pagamentos, sendo inclusive a comprovação dos serviços constantes nas descrições das Notas Fiscais abaixo apontadas (fls. 1290/1293), conforme abaixo colacionado: (i) Nota Fiscal 1000440: (ii) Nota Fiscal nº 1000444: (iii) Nota Fiscal nº 1000447: (iv) Nota Fiscal nº 1000464: Fl. 1705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 10 Portanto, uma vez comprovada a causa dos pagamentos realizados pela Recorrente ao escritório Nóbrega, e afastado o argumento da não comprovação efetiva da prestação de serviços por estar pautada em presunções, deve ser dado provimento ao presente Recurso Voluntário para afastar a glosa das despesas realizadas. Note-se que o Auto de Infração não mencionou que o valor de honorários é expressivo, mas tão somente apontou que não foram provados. Ora, se houve pagamento de valores razoáveis, se houve emissão de nota fiscal, se a relação entre advogado e cliente não foi afastada, o Auto de Infração partiu de uma presunção que no pode ser mantida. O artigo 142, do Código Tributário Nacional, determina que o lançamento é ato vinculado e privativo da autoridade fiscal, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, a matéria tributável, o valor do tributo devido, o sujeito passivo da obrigação e, se for o caso, propor a penalidade cabível, nos seguintes termos: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O artigo 142 do CTN determina que o lançamento tributário seja realizado quando houver a perfeita subsunção do fato à norma de incidência prevista na legislação, devendo ser verificada a efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, e mais, sendo comprovado pela fiscalização a efetiva ocorrência do fato gerador sendo vedado fazer o acertamento do tributo com base em fatos inverídicos ou arbitrariamente presumidos e sim com base em provas diretas ou indiretas, sendo que nesta última hipótese, deverá apurar indícios concretos e reais, que indiquem com bastante certeza jurídica os fatos relevantes para o acertamento e liquidação do tributo. Nesse cenário, nos termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional, a competência para apurar, constituir e calcular o crédito tributário é da autoridade administrativa quando é promovida a constituição de ofício do crédito tributário. Assim, salvo naqueles casos em que há uma presunção relativa de determinadas condutas é dever da administração tributária comprovar as suas alegações. Portanto, o dever de comprovar despesa inexistente, visto que a Recorrente apresentou documentação suspostamente idônea à autoridade fiscalizadora, sendo que não há nos autos justificativa específica para fundamentar a alegação de inidoneidade dos documentos. Fl. 1706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.690 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.722545/2019-80 11 Diante do exposto, conheço o Recurso Voluntário, afasto a preliminar e a ele DOU provimento. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 1707DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10925.900010/2017-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE E OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula Carf nº 2. CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL DO CRÉDITO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA A resistência injustificada da autoridade tributária em processos de ressarcimento caracteriza-se pelo decurso de prazo superior a 360 dias, contado da data de formalização do pedido. Aplicação da Lei nº 11.457/2007. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS UTILIZADAS NA PRODUÇÃO. CUSTOS E DESPESAS DE MANUTENÇÃO. As despesas de aquisição de itens que atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção compõem os créditos admissíveis pela aquisição de insumos, assim como os itens, partes e peças, e despesas necessárias à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens ou serviços, desde que atendam ao critério de item de consumo e não devam ser depreciados por força da normativa contábil e fiscal correspondente. CONCEITO DE INSUMO. MANUTENÇÃO PREDIAL. INAPLICABILIDADE. Os gastos e despesas necessários à manutenção predial de instalações do contribuinte não podem ser classificados como insumos, mesmo que na instalação em questão ocorra a produção de bens ou serviços para a venda. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os gastos e despesas com serviços somente podem gerar créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS caso atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção. CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. EMBALAGENS. As embalagens necessárias apenas ao transporte de produtos acabados não dão direito ao crédito no regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS, por serem custos após o término do processo produtivo, por outro lado, o conceito de embalagem como parte do processo produtivo e sua caracterização como insumo deverá ser avaliado casuisticamente conforme o ponto de vista do estabelecimento produtor e a forma de apresentação do produto final, conforme seja destinado ao atacado ou ao varejo. Neste caso deve-se considerar a embalagem como insumos mesmo que não seja destinada ao consumidor final. INSUMOS UTILIZADOS EM BENS VENDIDOS COM SUSPENSÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. INAPLICABILIDADE. Apenas os créditos relacionados às operações que atendam aos requisitos do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, devem ser estornados, e assim deve-se aplicar o disposto no § 1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. Há direito ao crédito para a apuração não cumulativa de PIS/COFINS, referente às despesas de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições do PIS/COFINS, nos termos da Súmula CARF nº 188. FRETES DE RETORNO DE ARMAZENAGEM. ATIVIDADE DE COOPERATIVA AGRÍCOLA. A atividade de cooperativa agrícola envolve o recebimento de diversos bens de cooperados, e outros, que podem ser armazenados para posterior processamento, mesmo quando esta armazenagem dá-se em estabelecimentos de terceiros, como é o caso de silos de estocagem de grãos, de forma que consideram-se os gastos de fretes como essenciais ao processo produtivo do contribuinte. ALOCAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS E CUSTOS COMUNS A OPERAÇÕES SUJEITAS OU NÃO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. É livre a determinação do critério de rateio dentro do regime não cumulativo para apropriar créditos comuns a operações que resultem em possibilidade de ressarcimento e nas que não o permitam, desde que atendam aos princípios de razoabilidade contábil. Não se confunde com as hipóteses de alocação de créditos entre o regime não cumulativo e cumulativo, estes previstos em lei. FRETE SOBRE PRODUTOS ACABADOS. MOVIMENTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As previsões de possibilidade de auferimento de créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS, determinadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a despesas de frete e armazenamento referem-se exclusivamente às operações de vendas ou ao custo de aquisição de insumos e bens para a revenda. Gastos com produtos acabados não podem ser classificados como insumos, e gastos na movimentação e armazenagem de produtos acabados que ainda não foram vendidos não podem ser considerados como operações de vendas que pressupõe comprador certo e ponto de entrega contratado. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais.
Numero da decisão: 3102-003.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: a) aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo; b) refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001; c) afastar a glosa de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; d)afastar a glosa de embalagens de transporte; e) afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; f) afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS; g) afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem; h)Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360(trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito; h) despesas com coleta e tratamento de resíduos industriais; e i) serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: a) frete de mercadorias para revenda; e b) insumos de serviços de recargas de extintores na unidade produtiva. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.520, de 20 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10925.900008/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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As despesas de aquisição de itens que atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção compõem os créditos admissíveis pela aquisição de insumos, assim como os itens, partes e peças, e despesas necessárias à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens ou serviços, desde que atendam ao critério de item de consumo e não devam ser depreciados por força da normativa contábil e fiscal correspondente. CONCEITO DE INSUMO. MANUTENÇÃO PREDIAL. INAPLICABILIDADE. Os gastos e despesas necessários à manutenção predial de instalações do contribuinte não podem ser classificados como insumos, mesmo que na instalação em questão ocorra a produção de bens ou serviços para a venda. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os gastos e despesas com serviços somente podem gerar créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS caso atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção. CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. EMBALAGENS. As embalagens necessárias apenas ao transporte de produtos acabados não dão direito ao crédito no regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS, por serem custos após o término do processo produtivo, por outro lado, o conceito de embalagem como parte do processo produtivo e sua caracterização como insumo deverá ser avaliado casuisticamente conforme o ponto de vista do estabelecimento produtor e a forma de apresentação do produto final, conforme seja destinado ao atacado ou ao varejo. Neste caso deve-se considerar a embalagem como insumos mesmo que não seja destinada ao consumidor final. INSUMOS UTILIZADOS EM BENS VENDIDOS COM SUSPENSÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. INAPLICABILIDADE. Apenas os créditos relacionados às operações que atendam aos requisitos do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, devem ser estornados, e assim deve-se aplicar o disposto no § 1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. Há direito ao crédito para a apuração não cumulativa de PIS/COFINS, referente às despesas de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições do PIS/COFINS, nos termos da Súmula CARF nº 188. FRETES DE RETORNO DE ARMAZENAGEM. ATIVIDADE DE COOPERATIVA AGRÍCOLA. A atividade de cooperativa agrícola envolve o recebimento de diversos bens de cooperados, e outros, que podem ser armazenados para posterior processamento, mesmo quando esta armazenagem dá-se em estabelecimentos de terceiros, como é o caso de silos de estocagem de grãos, de forma que consideram-se os gastos de fretes como essenciais ao processo produtivo do contribuinte. ALOCAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS E CUSTOS COMUNS A OPERAÇÕES SUJEITAS OU NÃO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. É livre a determinação do critério de rateio dentro do regime não cumulativo para apropriar créditos comuns a operações que resultem em possibilidade de ressarcimento e nas que não o permitam, desde que atendam aos princípios de razoabilidade contábil. Não se confunde com as hipóteses de alocação de créditos entre o regime não cumulativo e cumulativo, estes previstos em lei. FRETE SOBRE PRODUTOS ACABADOS. MOVIMENTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As previsões de possibilidade de auferimento de créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS, determinadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a despesas de frete e armazenamento referem-se exclusivamente às operações de vendas ou ao custo de aquisição de insumos e bens para a revenda. Gastos com produtos acabados não podem ser classificados como insumos, e gastos na movimentação e armazenagem de produtos acabados que ainda não foram vendidos não podem ser considerados como operações de vendas que pressupõe comprador certo e ponto de entrega contratado. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais.

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SÚMULA CARF Nº 2. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula Carf nº 2. CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL DO CRÉDITO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA A resistência injustificada da autoridade tributária em processos de ressarcimento caracteriza-se pelo decurso de prazo superior a 360 dias, contado da data de formalização do pedido. Aplicação da Lei nº 11.457/2007. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS UTILIZADAS NA PRODUÇÃO. CUSTOS E DESPESAS DE MANUTENÇÃO. As despesas de aquisição de itens que atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção compõem os créditos admissíveis pela aquisição de insumos, assim como os itens, partes e peças, e despesas necessárias à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens ou serviços, desde que atendam ao critério de item de consumo e não devam ser depreciados por força da normativa contábil e fiscal correspondente. Fl. 6061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 2 CONCEITO DE INSUMO. MANUTENÇÃO PREDIAL. INAPLICABILIDADE. Os gastos e despesas necessários à manutenção predial de instalações do contribuinte não podem ser classificados como insumos, mesmo que na instalação em questão ocorra a produção de bens ou serviços para a venda. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os gastos e despesas com serviços somente podem gerar créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS caso atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção. CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. EMBALAGENS. As embalagens necessárias apenas ao transporte de produtos acabados não dão direito ao crédito no regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS, por serem custos após o término do processo produtivo, por outro lado, o conceito de embalagem como parte do processo produtivo e sua caracterização como insumo deverá ser avaliado casuisticamente conforme o ponto de vista do estabelecimento produtor e a forma de apresentação do produto final, conforme seja destinado ao atacado ou ao varejo. Neste caso deve-se considerar a embalagem como insumos mesmo que não seja destinada ao consumidor final. INSUMOS UTILIZADOS EM BENS VENDIDOS COM SUSPENSÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. INAPLICABILIDADE. Apenas os créditos relacionados às operações que atendam aos requisitos do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, devem ser estornados, e assim deve-se aplicar o disposto no § 1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. Há direito ao crédito para a apuração não cumulativa de PIS/COFINS, referente às despesas de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições do PIS/COFINS, nos termos da Súmula CARF nº 188. FRETES DE RETORNO DE ARMAZENAGEM. ATIVIDADE DE COOPERATIVA AGRÍCOLA. A atividade de cooperativa agrícola envolve o recebimento de diversos bens de cooperados, e outros, que podem ser armazenados para posterior processamento, mesmo quando esta armazenagem dá-se em estabelecimentos de terceiros, como é o caso de silos de estocagem de Fl. 6062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 3 grãos, de forma que consideram-se os gastos de fretes como essenciais ao processo produtivo do contribuinte. ALOCAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS E CUSTOS COMUNS A OPERAÇÕES SUJEITAS OU NÃO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. É livre a determinação do critério de rateio dentro do regime não cumulativo para apropriar créditos comuns a operações que resultem em possibilidade de ressarcimento e nas que não o permitam, desde que atendam aos princípios de razoabilidade contábil. Não se confunde com as hipóteses de alocação de créditos entre o regime não cumulativo e cumulativo, estes previstos em lei. FRETE SOBRE PRODUTOS ACABADOS. MOVIMENTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As previsões de possibilidade de auferimento de créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS, determinadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a despesas de frete e armazenamento referem-se exclusivamente às operações de vendas ou ao custo de aquisição de insumos e bens para a revenda. Gastos com produtos acabados não podem ser classificados como insumos, e gastos na movimentação e armazenagem de produtos acabados que ainda não foram vendidos não podem ser considerados como operações de vendas que pressupõe comprador certo e ponto de entrega contratado. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: a) aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo; b) refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001; c) afastar a glosa de partes e peças Fl. 6063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 4 utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; d)afastar a glosa de embalagens de transporte; e) afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; f) afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS; g) afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem; h)Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360(trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito; h) despesas com coleta e tratamento de resíduos industriais; e i) serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: a) frete de mercadorias para revenda; e b) insumos de serviços de recargas de extintores na unidade produtiva. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.520, de 20 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10925.900008/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A Recorrente tomou ciência do Acórdão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário solicitando, em síntese: Fl. 6064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 5 a) Reformar a decisão da DRJ09, que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade e, por conseguinte, deferir o ressarcimento do crédito pleiteado; e b) Atualizar o crédito, pela taxa Selic, desde o 361º dia a partir do protocolo até o efetivo ressarcimento. Este é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, tomo conhecimento dele, apenas parcialmente em razão do que passarei a expor. Há no Recurso Voluntário irresignação da Recorrente contra glosa realizada pela Autoridade Tributária, a respeito de créditos decorrentes da aquisição de bens para a revenda de cooperados, e que a fundamentação normativa para a glosa teria sido os incisos I e II, do art. 23, da IN SRF nº 635, de 24 de março de 2006. Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Alega a Recorrente que utilizar a referida Instrução Normativa feriria o Princípio da Legalidade pois tal restrição não existiria nas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o que importa alegar ilegalidade da referida normativa, ou mesmo sua inconstitucionalidade por descumprimento da hierarquia das leis. O art. 26-A, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, veda a apreciação de constitucionalidade ou ilegalidade de Lei ou de Ato Normativo no curso do processo administrativo fiscal. Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, Fl. 6065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 6 lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Este tema também já se encontra sumulado, e a Súmula CARF nº 2, afasta a apreciação destas alegações no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. “Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005” Não havendo outras argumentações da Recorrente sobre este tema, não conheço do Recurso Voluntário as alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativas e, consequentemente, das alegações contra a glosa de gastos com aquisições de bens de cooperados para revenda. Mérito Bens que não se enquadram no conceito de insumo A Recorrente insurge-se contra as glosas de créditos referentes às aquisições dos seguintes bens, por considera-los enquadrados no conceito de insumos: i. Material utilizado na manutenção de edificações e construções industriais ii. Peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos. iii. Materiais de embalagem – filme strech e pallets. iv. Gás GLP utilizado como combustível no processo industrial. A Autoridade Tributária utilizou-se dos critérios das IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 e 404, de 12 de março de 2004. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância já atendeu em seu julgamento ao determinado no RESP 1.221.170/PR, onde o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o conceito de insumo deveria ser avaliado segundo os critérios de essencialidade e relevância, mas manteve as glosas em relação a gastos com aquisição de peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos, por entender que não estava demonstrado nos autos que estas Fl. 6066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 7 peças seriam destinadas a máquinas ou equipamentos que estivessem envolvidos no processo produtivo, como podemos constatar pelo trecho a seguir reproduzido do Acórdão Recorrido: Em relação à glosa de aquisições de peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos, observe-se que não há que se perquirir sobre a existência do direito ao crédito em função do julgado do STJ. Note-se que desde há muito a Secretaria da Receita Federal do Brasil tem considerado que os bens e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado diretamente responsáveis pelo processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros podem ser considerados insumos, mesmo enquanto vigentes as disposições restritivas ao conceito de insumos da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, e da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. Desta feita, no caso em tela, admissível seria o aproveitamento de crédito em relação à aquisição de peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos da produção, desde que tal manutenção não resultasse em acréscimo da vida útil do bem em mais de um ano (caso em que o valor do custo da peça utilizada deve ser capitalizado no valor do bem manutenido e incorporado ao ativo imobilizado). Todavia, a partir do que consta dos autos, não é possível determinar que as peças cujas aquisições foram glosadas foram efetivamente utilizadas na manutenção de bens do ativo imobilizado diretamente responsáveis pelo processo de produção de bens destinados à venda. Note-se que as descrições dos itens glosados são imprecisas e genéricas (do tipo: “MANGUEIRA”; “ROLAMENTO”; “DOBRADICA VAI VEM 4"”; “ELEMENTO FILTRANTE NORGEN 4344-01”; “MATERIAL METAL MECÂNICO”) e, de outra banda, nada trouxe a interessada em sua manifestação de inconformidade a fim de demonstrar e especificar suas utilizações. Por sua vez, a Recorrente assim argumenta em seu Recurso Voluntário: É que, contrariamente do que ela afirma, a recorrente acostou nos autos elementos que comprovam a utilização das referidas peças em seu processo produtivo. Inicialmente, há de se observar os documentos relacionados no Anexo IV-B da Manifestação de Inconformidade. No referido anexo, a recorrente tratou de juntar todos os documentos que comprovam a aquisição dos bens e sua respectiva escrituração contábil. São eles: i) notas fiscais relativas às aquisições dos bens; ii) razão contábil que consigna o registro desses bens em contas de estoque ou diretamente em contas de custo da produção; iii) em relação aos produtos que por ocasião da aquisição transitam por contas de estoque, o “boletim de produção”, que demonstra a baixa do bem da conta de estoque para contas de custo de produção; e iv) razão contábil que consigna o registro do “boletim de produção”. Assim, pelos documentos acima listados, é possível identificar que os itens em tela integram o custo da produção, uma vez que foram contabilizados em contas de resultado, pertencentes ao grupo do custeio da produção, sendo que na contabilidade toda e qualquer operação realizada (compra, venda, despesa, receita etc.) é registrada de acordo com a sua natureza e seus respectivos valores. Se não bastasse isso, como se verifica no Anexo A da Manifestação de Inconformidade, no qual foram acostados os descritivos técnicos das atividades desenvolvidas pela recorrente, para a consecução dos processos produtivos, são necessárias inúmeras máquinas e equipamentos, os quais, sem dúvidas, necessitam de manutenções periódicas, a fim de constarem em boas condições de funcionamento para o desenvolvimento das operações. Nesse cenário, dentre as manutenções realizadas nas máquinas e equipamentos fabris da recorrente, está a troca de peças que compõem os referidos bens. Fl. 6067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 8 Portanto, é por demais claro que, as peças utilizadas nas manutenções de máquinas e equipamentos são caracterizadas como insumos essenciais ao processo produtivo da recorrente, as quais, havendo a subtração, se inviabiliza a realização das atividades produtivas. De fato, nos anexos à Manifestação de Inconformidade, encontramos um laudo descritivo do processo produtivo, de e-fls. 123 a 260, e nas folhas de 527 a 547, uma planilha relacionando os documentos fiscais de aquisição às diversas etapas do processo produtivo, e ainda a sua contabilização nos custos de produção e os documentos fiscais associados por amostragem, conforme as e-fls. 558 a 566. Entendo que a demonstração da aplicação das peças relacionadas à manutenção de máquinas no processo produtivo da Recorrente foi corretamente cumprida pela ela e, tendo em vista que a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de peças para manutenção de máquinas utilizadas na produção é matéria incontroversa, tendo sido expressamente reconhecida no Acórdão Recorrido, dou razão a Recorrente neste ponto. Com relação à manutenção predial de edifícios utilizados no processo industrial, os créditos pleiteados são indevidos, pois estes bens teriam de ser reconhecidos no valor do ativo imobilizado e serem depreciados conforme as regras próprias a este tipo de crédito, e jamais como insumos no mesmo exercício em que foram adquiridos ou consumidos, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Com relação aos materiais de embalagem (filme strech e palletes), a Autoridade Julgadora de Primeira Instância não os considerou como essenciais ou relevantes ao processo produtivo, por estes serem necessários ao transporte dos produtos já acabados e, por outro lado, a Recorrente limita-se a reproduzir jurisprudência administrativa favorável deste CARF. A lista de glosas nesta rubrica refere-se a itens que são utilizados no transporte de produtos acabados, o que poderia justificar as glosas por serem aplicados ao final do processo produtivo, como de fato ocorreu. No entanto, entendo que a atividade produtiva do contribuinte e o conceito de embalagem de apresentação final do produto para a venda deve ser avaliado dentro do mesmo nível de mercado que o contribuinte atua. Explico. Um produtor que envia seus produtos diretamente para venda a varejo, usualmente são pequenas empresas, ou mesmo artesanais, encerra sua produção com a colocação do produto na embalagem para o seu cliente final, no caso o consumidor de varejo, no entanto, grandes produtores, ou indústria, têm como seu cliente específico grandes atacadistas, que não estão interessados em receber os produtos individualmente, ou os recebem a granel, e não em sacos de um quilo individualmente, neste caso, querem receber o produto em pallets ou em outra forma agregada que atenda a suas exigências logísticas e de armazenagem. Fl. 6068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 9 Assim, entendo que a conclusão do processo produtivo com a colocação da embalagem de venda deve ser analisada segundo a perspectiva do cliente consumidor daquele produto, no nível comercial em que a transação está se desenrolando, de forma que a utilização de pallets, big bags e outros itens necessários à embalagem de venda nestas condições não podem ser vistas como mera embalagens de transporte, mas como exigências da própria venda ao cliente de destino, de forma que considero com razão à Recorrente neste ponto e reverto estas glosas. Com razão à Recorrente, neste ponto. Com relação ao uso do GLP, este é destinado a empilhadeiras que participam da movimentação interna dos processos de padronização e de processamento da matéria prima, dentro das instalações da própria Recorrente. Apesar de estas atividades poderem ser consideradas como necessárias à armazenagem de produtos intermediários, ou produtos inacabados, não se pode negar que são plenamente compatíveis com a atividade produtiva da Recorrente, conforme bem demonstrado no laudo de e.fls- 123 a 260, e são essenciais e relevantes à movimentação destes produtos em diversas fases do processo produtivo, de forma que considero que estes gastos sejam reconhecidos como insumos. Com razão à Recorrente, neste ponto. Serviços que não se enquadram no conceito de insumo Os serviços glosados pela Autoridade Tributária e que foram mantidas pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, são as seguintes: i. Serviços de recarga de extintores, ii. Serviços de confecção de placas e painéis identificativos e indicativos, iii. Locação de software, iv. Serviço de coleta e tratamento de resíduos industriais. v. Serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo. Inicialmente o conceito de insumo, para fins de aplicação do inciso II, do artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002 era aquele definido nas IN SRF 247/2002 e 404/2004, onde este conceito era restrito apenas ao que fosse consumido no processo de produção do bem ou mercadoria, que seria vendido pela empresa, ou Fl. 6069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 10 tivesse um vínculo direto com o resultado da produção, como podemos atestar pela transcrição abaixo: “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I - das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003)”. IN RFB nº 247/2002 Ou seja, a premissa básica para a aceitação de um item como insumo era que, ao final do processo produtivo, e estando totalmente integrada ao produto, ambos, matéria prima/insumo e produto final, tornassem-se indiferenciados em detrimento das características necessárias à identificação da matéria prima/insumo como um item diferenciável, quer por ter sido consumida no processo, quer por ser parte integral indissociável do produto. Esta abordagem era coincidente com o conceito adotado para o IPI, mais restrito e compatível com o fato gerador deste tributo que restringe-se à produção industrial. A decisão proferida no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, além de considerar as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004 ilegais, também estabeleceu as bases para se determinar o conceito de insumo, para fins de aplicação do inciso II, dos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e teve seu conteúdo adotado pela Administração Tributária, através da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, onde encontramos que o conceito de insumo deve atender às condições de essencialidade ou de relevância do bem sob análise, conforme podemos ver na reprodução do § 10, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, abaixo, e que destaca o esclarecedor texto da Ministra Regina Helena Costa: Fl. 6070DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485332 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485332 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485342 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485342 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485343 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485343 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485344 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485344 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485345 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485345 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 11 “Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão)”(grifo nosso) Se por um lado a adoção dos critérios de essencialidade e relevância apresentou- se como um afastamento dos conceitos admitidos pelo IPI, por outro lado, não ampliou tanto o conceito de insumos a ponto de transformá-lo num tipo de despesa dedutível típica da legislação do IRPJ, o que representaria equiparar o regime não cumulativo do PIS/COFINS a tipo de apuração sobre o lucro. A base de cálculo destas contribuições está claramente definida nos art. 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, de redação semelhante, e que reproduzo abaixo. Art. 1º A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Vemos que a referida base de cálculo abarca todas as receitas auferidas pelo contribuinte, no entanto, os créditos possíveis de serem descontados na apuração não cumulativa são mais restritos, pois são os presentes na lista exaustiva dos art. 3º, das referidas Leis destas contribuições. Assim, ainda que a definição do conceito de insumos tenha ampliado o escopo, a ponto de flexibilizar o critério adotado pelo IPI e considerar outros gastos relacionados à produção, de forma alguma estes gastos podem avançar sobre outros descritos nos art. 3º, de ambas as Leis, ou introduzir novos grupos de despesas que já não estejam previstas no artigo que estabelece os créditos que possam ser utilizados na apuração não cumulativa do PIS/COFINS. Fl. 6071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 12 Desta forma, insumos são todos os gastos relacionados à produção de bens ou serviços, que atendam aos critérios de essencialidade e relevância, desde que estes gastos não tenham um tratamento próprio determinado na legislação de PIS/COFINS, ou refiram-se a outros grupos de despesas que não estejam expressamente previstos como passíveis de creditamento no regime não cumulativo, sob pena de se inaugurar na apuração do PIS/COFINS o estabelecimento de uma apuração sobre o lucro. Entendo que os serviços que tiveram a sua glosa mantida pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância possuem uma relação de essencialidade ou relevância para o processo produtivo, exceto a coleta de resíduos industriais e o transporte de peças do processo produtivo para reparo, sendo referentes a uma atuação menos específica da atividade empresarial, notadamente relacionadas com segurança das instalações, organização administrativa e outras estranhas a produção de bens e serviços. Sendo assim, considero sem razão à Recorrente. Insumos utilizados em bens vendidos com suspensão A Autoridade Tributária aplicou glosas sobre os créditos decorrentes da aquisição de insumos relacionados à produção de produtos com a tributação suspensa por força da alínea b, do inciso I, do art. 54, da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010. Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I – insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos: (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) a) para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; b) para pessoas jurídicas que produzam preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; e c) para pessoas físicas; II – preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III – animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I – não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II – aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o Fl. 6072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 13 PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4º do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4º O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 5º É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1º deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo, exceto em relação às receitas auferidas com vendas dos produtos classificados nas posições 23.04 e 23.06 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). A referida suspensão foi regulamentada pela IN RFB nº 1.157, de 16 de maio de 2011, nos termos dos seus art. 2º e 3º. Art. 2º Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I - insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II - preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III - animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM; e IV - produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM. § 1º A aplicação da suspensão de que trata o caput observará as disposições dos arts. 3º e 4º desta Instrução Normativa. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Fl. 6073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 14 § 3º Aplica-se o disposto neste artigo, também, à receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, dos bens referidos nos incisos do caput, quando estes tiverem sido importados, observado o disposto no art. 18. Seção II Das Pessoas Jurídicas que Efetuam Vendas com Suspensão Art. 3º A suspensão do pagamento das contribuições, na forma dos arts. 2º e 4º, alcança as vendas: I - dos produtos referidos no inciso I do art. 2º, somente quando efetuadas por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, para as pessoas referidas no inciso I do art. 4º; II - dos produtos referidos no inciso III do art. 2º, somente quando efetuadas por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, para as pessoas jurídicas referidas no inciso II do art. 4º; e III - dos produtos referidos no inciso IV do art. 2º, somente quando efetuadas por pessoa jurídica revendedora ou que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM. § 1º Conforme determinação do inciso II do § 5º do art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, a pessoa jurídica vendedora dos produtos de que tratam os incisos I a III do art. 2º, deverá estornar os créditos referentes à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição de insumos vinculados a produtos vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma dos referidos incisos do art. 2º. (...) A Autoridade Tributária assim descreveu a glosa e a metodologia utilizada: Conforme laudo técnico do processo produtivo apresentado, arquivo “Indústria de Rações_2011.pdf”, verifica-se que a interessada fabrica e vende rações classificadas no código 2309.09 da NCM, para alimentação de aves, bovinos e suínos. Ressalte- se, no entanto, que apenas as vendas de rações para alimentação de aves e suínos são efetuadas com a suspensão do pagamento das contribuições, nos termos do art. 54, II, da Lei nº 12.350/2010, e art. 2º, II, da IN RFB nº 1.157/2011. Tendo em vista que a interessada vende com suspensão rações para aves e suínos, impõe-se a ela o dever de estornar os créditos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados na fabricação dessas rações vendidas com suspensão, conforme determina o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157/2011. Considerando que os insumos utilizados para a fabricação de rações para aves, bovinos e suínos são comuns, e que a interessada não dispõe de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessária para segregar os custos (insumos) vinculados às rações vendidas com ou sem suspensão, o estorno de que trata o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157/2011 foi realizado mediante rateio, excluindo-se os créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na fábrica de rações proporcionalmente às vendas de rações com suspensão. Apresenta uma tabela com a demonstração do referido rateio que sustentou a glosa. Fl. 6074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 15 Já no Recurso Voluntário, alega-se que a Decisão de Primeira Instância teria deixado claro que a glosa foi baseada unicamente na previsão da Instrução Normativa, e também que a manutenção da referida glosa implicaria em se impedir a recuperação de todos os créditos envolvidos na cadeia negocial de produtos importados. Além disto, também alega o seguinte: E, ao que indica os dispositivos legais, o estorno do crédito somente é devido sobre a ração utilizada na alimentação de suínos e aves, em relação às vendas desses produtos para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam as mercadorias classificadas nos códigos 02.03 (carcaças e cortes de suínos), 0206.30.00 (miudezas de suínos), 0206.4 (outras miudezas de suínos), 02.07 (carnes e miudezas de aves) e 0210.1 (carnes e miudezas de suínos salgadas), destinadas à exportação. Dito de outro modo, a lei exige o estorno somente em relação às receitas de vendas de produção efetuadas com suspensão para a indústria frigorífica de suínos e aves, que exporte os produtos adquiridos. Quando o adquirente das mercadorias for pessoa jurídica ou cooperativa, com ramo diverso, ou seja, que não frigorífico de suínos e aves, e para pessoa física, não se exige o estorno do crédito em relação a essas vendas. Pois bem. Via de regra, é possível manter os créditos decorrentes da aquisição de insumos para a produção de bens que serão vendidos na próxima etapa da cadeia produtiva sob regime suspensivo, por força da aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por óbvio que a Instrução Normativa utilizada para fundamentar a glosa não seria suficiente para sobrepor a determinação legislativa acima reproduzida, mas não é o caso, pois o §1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011, tem como fundamento legal o inciso II, do § 5º, do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, já reproduzido acima, do qual destaco que trata-se de uma Lei Ordinária, de mesma hierarquia da Lei nº 11.033/2004, posterior e mais específica do que esta, de forma que este dispositivo poderia suplantar o comando legal anterior. Mas veremos que não é o caso da Recorrente. A repetição de um texto legal numa Instrução Normativa que regulamenta uma Lei sem detalhá-lo, e inserido num contexto não muito claro, é o responsável pela divergência de interpretação entre o Fisco e o contribuinte. O art. 54, da Lei nº 12.350/2010, de fato, institui a suspensão do PIS/COFINS a que temos nos referido, mas o art. 55, não é a sua continuação. Na verdade, trata de assunto diverso, pois estabelece procedimentos para determinadas situações específicas que seriam a venda a empresas exportadoras, que produzam mercadorias destinadas à exportação, das seguintes classificações fiscais: Fl. 6075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 16 02.03 – Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas. 0206.30.00 -Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas. - Da espécie suína, frescas ou refrigeradas 0206.4 - Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas. Da espécie suína, congeladas 02.07 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. 0210.1 - Carnes e miudezas, comestíveis, salgadas ou em salmoura, secas ou defumadas; farinhas e pós, comestíveis, de carnes ou de miudezas. Carnes da espécie suína: Ou seja, produtos de carnes de animais já abatidos para a exportação. Assim, a única leitura que permitiria à IN RFB nº 1.157/2011 afastar a possibilidade de manutenção de créditos na aquisição de insumos para a produção de bens que serão vendidos com suspensão, seria ater-se exclusivamente à limitação do dispositivo utilizado como sua fundamentação legal, e que estabelece apenas alguns casos específicos de vendas no mercado interno às quais se aplica. Desta forma, tanto a fundamentação da glosa, como o critério de rateio, adotado para afastar os créditos referentes a este tipo de insumo, deveria considerar apenas as vendas identificáveis a empresas exportadoras de produtos a serem exportados, e que atendam à classificação fiscal presente na Lei. Assim, errou a Autoridade Tributária ao considerar a totalidade das vendas no mercado interno para estabelecer a proporção de créditos admissíveis, de maneira que dou razão à Recorrente para afastar esta glosa. Fretes Vinculados a aquisições de cooperados e a aquisições de bens de pessoas físicas São duas situações diferentes, a primeira referente aos fretes de aquisições de mercadorias para a revenda, cujos fornecedores são pessoas físicas, temos uma operação não tributada pelo PIS/COFINS, típica das cooperativas agropecuárias que adquirem bens de produtores rurais para a revenda, e que apesar de não ser tributada pelas contribuições, a operação de frete compõe o esforço da Recorrente de assumir a posse e direito sobre os respectivos bens para que estes estejam disponíveis para serem integrados à sua atividade negocial. As glosas referentes aos créditos sobre fretes para o transporte de mercadorias e produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições do PIS/COFINS, resolve-se pela aplicação da Súmula CARF nº 188: Fl. 6076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 17 Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348 Assim, as glosas referentes a este item devem ser revertidas nos termos da Súmula CARF nº 188. Quanto ao segundo ponto que é a aquisição de bens de cooperados, sendo a Recorrente cooperativa agrícola, submete-se ao previsto no § único, do art. 79, da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RE 1.164.716/MG, julgado em sede de Recursos Repetitivos, nos termos do art. 543-C, do CPC, e transitado em julgado em 22 de junho de 2016, definiu que sobre o ato cooperativo não incidem as contribuições do PIS/COFINS. O art. 8º, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2024, estabelece o crédito presumido para as cooperativas agrícolas: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 14.943, de 2024) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 6077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 18 II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Então temos a norma geral sobre a tributação de PIS/COFINS de cooperativas, que possuem suas operações de atos cooperados sujeitos à não incidência, de forma mantenho a glosa referente a créditos devidos a aquisição de cooperados e, da mesma forma, aplica-se a Súmula CARF, acima já referida, para o frete. Fretes de remessa e retorno para armazenagem Neste ponto, assim explica a Autoridade Tributária a motivação para a glosa: Em análise da memória de cálculo apresentada, arquivo “Linha 7 – Despesas de Armazenagem e Fretes s Vendas.xlsx”, verificou-se que foram considerados como despesas de armazenagem os fretes para remessa e retorno de mercadoria para armazenagem. No entanto, tais fretes para remessa e retorno não se confundem com despesas de armazenagem. Consistem, na realidade, em despesas gerais de transporte entre as unidades da cooperativa, não gerando direito a crédito por ausência de previsão legal, conforme exposto no tópico 2.3.2 deste despacho. Dessa forma, foram glosados todos os fretes para remessa e retorno discriminados na aba “Despesas_Armazenagem_07” da memória de cálculo apresentada. O total subtraído, pelo critério exposto, do valor da Linha 07, fichas 06A e 16A do Dacon(despesas de armazenagem e fretes na operação de venda), foi, no trimestre, de R$ 313.627,06 . A Recorrente alega o seguinte: Nesse ponto, argumenta a fiscalização que “embora o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permita o desconto de créditos sobre a armazenagem de mercadoria, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos aos fretes para a remessa e o retorno. Tais fretes consistem em despesas gerais de transporte, não se confundindo com despesas de armazenagem”. Ao analisar a questão, a DRJ09 manteve a glosa efetuada por entender que tal serviço de frete “não consiste de serviço utilizado como insumo, haja vista não integrar ou ocorrer durante o processo produtivo da empresa; e, como afirma a autoridade fiscal, não se confundem com as despesas de armazenagem de mercadorias, ou seja, com os custos de manutenção e permanência das mercadorias em armazéns e depósitos, antes ou depois de finalizado o processo de produção do bem destinado à venda”. Data vênia, não assiste razão a turma julgadora. Do contrário do que afirma a DRJ recorrida, tais gastos ocorre sim durante o processo produtivo da recorrente, sendo, portanto, passíveis de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, seja pelo inciso II, seja pelo inciso IX, do art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 6078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 19 Como se explicou em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente, na condição de cooperativa de produção agropecuária, exerce, dentre outras, a atividade econômica de recebimento, armazenamento, beneficiamento e comercialização de grãos (produção agrícola - milho, soja, trigo, feijão, etc.). É sabido que a produção agrícola (grãos em geral) é sazonal, sendo que nos períodos de safra o volume de grãos recebidos pela cooperativa aumenta substancialmente e, por vezes, a estrutura de armazenagem instalada não é suficiente para a estocagem da produção recebida. Há que se considerar, ainda, que a conservação dos cereais e a manutenção de sua qualidade depende, essencialmente, das condições de armazenamento. Para garantir um armazenamento adequado dos produtos recebidos dos seus cooperados, principalmente nos períodos em que a produção colhida excede a capacidade de armazenagem instalada, a COOPERALFA se utiliza de armazéns de terceiros para estocar parte dos produtos. Os cereais (milho, soja e trigo) estocados em armazéns de terceiros, posteriormente, retornam para a cooperativa, que os industrializa, ou seja, são utilizados como matéria-prima na fábrica de rações, na fábrica de farelo e óleo de soja, no moinho de trigo e no empacotamento de feijão, etc. Nesse contexto, a remessa dos grãos para estocagem em armazéns de terceiros e o posterior retorno para a cooperativa, demanda de serviços de transporte, que são contratados junto a pessoas jurídicas e o seu ônus é suportado pela COOPERALFA. Neste ponto, entendo que a Autoridade Tributária classificou erradamente o crédito pleiteado, em razão de sua designação ser expressamente citada no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Digo isto porque, no caso específico, este serviço de frete, na forma como explicado no Recurso Voluntário, deve ser considerado como insumo no processo produtivo da Recorrente e classifica-se o crédito no inciso II, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Dou razão à Recorrente, para reverter a glosa. Frete de Produtos Acabados e de Mercadoria para Revenda entre unidades da Recorrente Com relação às glosas sobre fretes referentes a transferência de produtos acabados para centros de distribuição, precisamos nos socorrer novamente ao Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, onde encontramos no seu parágrafo 56, o seguinte texto: “56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras.(grifo nosso)” Vemos que estes fretes não podem ser abarcados pelo conceito de insumo, mesmo quando consideramos uma interpretação mais ampla da atividade Fl. 6079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 20 produtiva da empresa, nos termos dos conceitos de essencialidade e de relevância. Mas a alegação da Recorrente é de que estes fretes são parte do valor do frete para a venda, conforme disposto no inciso IX, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2004. O artigo 3º, da Lei nº 10.833/2004, em seu inciso IX, assim trata a apuração de créditos nas operações de vendas: “Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)” Vemos que a Lei refere-se especificamente à venda, que é uma relação jurídica específica onde se procede à transferência onerosa da propriedade de alguma coisa a terceiro, como podemos verificar no artigo 481, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil. “Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.” Sendo assim, a única forma possível de se apropriar dos créditos previstos no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2004, seria a partir de despesas de frete relacionadas à transição do bem. “Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda.(Código Civil)” Como podemos ver no artigo 493, transcrito acima, o frete na operação de venda envolve o contrato que prevê local de entrega diverso da situação do bem no momento da venda, não havendo nenhum destes requisitos, não há porque estender o alcance da previsão legal a algo além do que já foi exposto. A propósito, o julgamento do REsp 1.221.170/PR, apesar de ter objeto diverso, por tratar-se apenas do conceito de insumos, aborda a similaridade entre os conceitos contábeis relativos à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, e entendeu-se por não ampliar o alcance desta definição pois implicaria em equiparar um regime de apuração não cumulativo de tributo a uma apuração sobre o lucro, em claro desconcerto com o objetivo de se amainar os impactos de uma tributação naturalmente regressiva, enquanto na tributação sobre o lucro, a sua natureza é ser ela progressiva. Vemos este ponto claramente no Voto Vogal do Ministro Mauro Campbel Marques, no mesmo REsp 1.221.170/PR. Fl. 6080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 21 “No caso concreto, a recorrente pretende deduzir créditos a título de insumos os "Custo Gerais de Fabricação" (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção de EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e as "Despesas Gerais Comerciais" (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões). Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, materiais de proteção de EPI, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" não são essenciais ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto. Pelas considerações expostas, com todas as vênias do Min. Relator, que adotou a posição mais ampla de creditamento associada aos custos para efeito de IRPJ a qual foi rechaçada na Segunda Turma, dele DIVIRJO PARCIALMENTE PARA CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para determinar o retorno dos autos à origem para que a Corte a quo analise a possibilidade de dedução de créditos em relação aos custos e despesas com água, combustível, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza conforme o conceito de insumos definido acima. É como voto.”(grifo nosso) Assim, o alcance dos créditos referentes às despesas e custos relacionados ao processo produtivo, ou negocial da empresa precisam ater-se apenas à previsão legal, sob pena de mudarem a natureza da apuração tributária não cumulativa, para uma apuração alterada sobre o lucro, visto que implicaria também na apropriação de todos as receitas reduzidas de todas as despesas e custos necessários, mas desta vez ao invés de formarem a base de cálculo sobre a qual a alíquota do tributo incide, criaria uma tributação sobre o lucro pelos descontos de incidências tarifárias sobre todas as operações da empresa isolada e de forma individual, um ineditismo do Direito Tributário. Ademais, o tema já é objeto da Súmula CARF nº 217. Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Desta forma, considero sem razão à Recorrente. Fl. 6081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 22 Devolução de Vendas atribuídas erroneamente apenas às operações tributadas no mercado interno Assim motivou as glosas a Autoridade Tributária: Em análise dos valores informados na Linha 12, fichas 06A e 16A do Dacon, constatou-se que o valor total do crédito apurado relativo a devoluções de vendas foi rateado de acordo com as receitas tributadas no mercado interno, receitas não- tributadas no mercado interno e receitas de exportação, nos termos do art. 3º, § 8º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. No entanto, tendo em vista que o inciso VIII do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto naquelas leis, conclui- se que todo o crédito em questão vincula-se necessariamente a receitas tributadas no mercado interno, não havendo possibilidade de apuração de créditos dessa natureza vinculados a receitas não-tributadas no mercado interno ou a exportação. Dessa forma, procedeu-se à realocação de todo o crédito apurado relativo a devolução de vendas para o mercado interno tributado. A Recorrente argumenta que não poderia ter se adotado a apropriação direta conforme procedeu a Autoridade Tributária, pois a legislação determinaria que o método a ser adotado seja uniforme em relação aos períodos de apuração registrados no SPED e, tendo adotado a fiscalização o método de rateio proporcional, não poderia, para este tópico específico, inovar na metodologia. A consequência disto é a diminuição proporcional de créditos que seriam ressarcíeis, posto que na forma procedida pela fiscalização, o peso seria maior para os créditos que são compensáveis. Segue em seu Recurso Voluntário, com a mesma argumentação: Data máxima vênia, o critério adotado pela autoridade fiscal, e entendido como correto pela DRJ recorrida, contraria frontalmente as disposições legais as quais determinam que, sem exceções, a apropriação dos créditos do PIS/Pasep e da Cofins deve se dar pelo método da apropriação direta ou pelo rateio proporcional. Esses são, pois, os métodos previstos na lei, um dos quais, à escolha do contribuinte, deve ser aplicado uniformemente em relação a todos os créditos informados no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) – EFD Contribuições – antigamente no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Com efeito, os §§ 7º, 8º e 9º, do art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, preveem que a evidenciação dos créditos vinculados à parcela da receita submetida à incidência não cumulativa e àquelas submetidas ao regime cumulativo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins deve se dar, a critério da pessoa jurídica, com base no método da apropriação direta OU do rateio proporcional. O resultado deste tópico abrange todas as realocações de créditos para fins de aplicação dos critérios de rateio proporcional, de forma a apurar o valor do crédito passível de ressarcimento. Fl. 6082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 23 A Recorrente é uma cooperativa que aufere receitas que são classificáveis em três grupos: tributado no mercado interno, não tributado no mercado interno e de exportações. Vemos que o pedido inicial se refere ao ressarcimento de créditos que por não poderem ser compensados com os débitos referentes às contribuições do PIS/COFINS, na apuração do regime não cumulativo, são passíveis de serem pleiteados nesta modalidade. Assim, o art. 16, da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, combinado com o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, fundamentam o pedido de ressarcimento de créditos que não seriam compensáveis, no regime não cumulativo de PIS/COFINS, em decorrência da natureza da incidência destas contribuições nas operações relacionadas ao faturamento e receita bruta delas decorrentes. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei nº 11.033/2004) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Lei nº 11.116/2005) O que significa dizer que havendo diversas naturezas de tributação nas operações que gerem receitas, haverá créditos que podem ser ressarcíveis e outros que não podem. Os créditos que contribuírem para o faturamento de transações que são tributadas no mercado interno somente podem ser utilizados na compensação de débitos no regime de apuração não cumulativo de PIS/COFINS, e os que não possuírem débitos a serem compensados, na apuração não cumulativa, podem ser ressarcidos. Ocorre que há créditos que são comuns a ambas as situações, e a prática da administração tributária é a de proceder ao rateio proporcional dos créditos que são comuns a transações de saída tributáveis e não tributáveis, e a apropriação direta, nos casos em que os créditos referirem-se exclusivamente a operações de saídas tributadas. Não podemos confundir esta modalidade de apropriação de créditos com aquela prevista nas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de Fl. 6083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 24 dezembro de 2003. Reproduzimos abaixo o texto da Lei nº 10.833/2003, de mesmo teor do mesmo artigo, da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não- cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. A Recorrente insurge-se contra a possibilidade de alteração do método de apropriação de créditos ressarcíveis entre as diversas possibilidades de tributação do PIS/COFINS, já mencionadas acima. Vemos que não cabe razão à Recorrente, pois a previsão legal por ela invocada diz respeito a diferentes modalidades de regime de apuração do PIS/COFINS, cumulativo ou não cumulativo, quando estes convivem dentro da atividade negocial do contribuinte, e no caso concreto, trata-se de uma tentativa da auditoria em adequar proporcionalmente o direito do contribuinte a ser ressarcido dos créditos pleiteados na ausência de um sistema integrado de controle de custos, que apontasse precisamente o quanto de cada insumo, ou bem para a revenda, depreciação de bens do ativo imobilizado, ou outras modalidades de gastos e despesas que dão direito ao crédito na apuração do regime não cumulativo e que a Lei exige que sejam relacionados às atividades produtivas ou negociais do contribuinte, geram créditos efetivamente ressarcíveis. Assim, não tem por que aplicar rateio proporcional a situações em que o crédito pode ser apropriado diretamente a uma determinada operação e forma de tributação, tendo em vista que aquele é uma forma mais imprecisa de superar a ausência de uma contabilidade detalhada de custos que permitisse alocar cada Fl. 6084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 25 crédito referente ao regime não cumulativo aos seus respectivos débitos decorrentes da incidência do PIS/COFINS. Considero correta e legítima a metodologia aplicada pela Autoridade Tributária na busca pela certeza e liquidez dos créditos pleiteados pela Recorrente como ressarcíveis. Digo isto por entender que a determinação constante dos §§ 7º a 9º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, refere-se às situações de convivência do regime cumulativo e não cumulativo do PIS/COFINS, e não em relação aos métodos de atribuição de créditos que são ressarcíveis ou não, de forma que a Autoridade Tributária procedeu corretamente ao adotar uma metodologia válida para este fim, cabendo eventualmente à Recorrente a prova de que o correto seria outra metodologia, o que não fez. Crédito Extemporâneo, insumos importados Trata-se da seguinte questão, conforme descrito em Recurso Voluntário: Conforme o relatório fiscal, a fiscalização constatou que a recorrente apropriou na competência de fevereiro/2011, crédito extemporâneo referente à Declaração de Importação nº 06/14401118-0, com data de registro em 28/11/2006, e data de entrada em 01/02/2007. Informa a fiscalização que “o art. 3º, § 1º, inciso I, das Lei nº 10.833/2003, estabelece que o crédito relativo a bens para venda e bens utilizados como insumo será apropriado no mês da aquisição”. Em vista disso, a fiscalização optou por glosar, sob o fundamento de “ausência de permissão legal”, o crédito extemporâneo relativo a DI nº 06/1440118-0, com data de registro em 28/11/2006, apropriado na competência de fevereiro/2011. A turma julgadora concluiu pela manutenção da glosa, sob o fundamento de que “o §2º do art. 15, [...] determina que o aproveitamento de “crédito” de um mês pode ser utilizado em outro; mas não o aproveitamento de despesa ou gasto de outro mês” e, por isso, “a apuração do crédito em determinado mês deve ser realizada a partir das receitas e despesas ocorridas no próprio mês de apuração do crédito, não podendo uma despesa ser levada a compor a apuração do crédito de outros períodos”. Não há menção de que se tenha trazido aos autos qualquer tentativa de se reconstituir a escrita fiscal para a apuração do PIS/COFINS no regime não cumulativo de forma a se comprovar que o referido crédito não foi utilizado em duplicidade. O regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS exige que, num mesmo período de apuração, os créditos referentes às possibilidades elencadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sejam confrontados com os débitos decorrentes da base de cálculo destas contribuições com base nos art. 2º, destas mesmas Leis, e daí se determine o valor a recolher, ou o saldo a ser aproveitado em períodos futuros, nos termos dos § 4º, dos art. 3º, das Leis de regência do PIS/COFINS. Fl. 6085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 26 Então, há na legislação uma apuração que envolve débitos e créditos que são reconhecidos nos períodos de apuração, conforme o regime de competência, e os saldos remanescentes de créditos de períodos anteriores, que podem ser sempre compensados em qualquer caso, ou ressarcíveis conforme previsões legais específicas. Por ocasião do aproveitamento destes saldos em qualquer modalidade, eles devem ser atualizados conforme o valor utilizado em compensações ou ressarcimentos. Quando por qualquer razão o contribuinte não utiliza um crédito disponível no período de apuração ao qual este diz respeito, seu valor não se transfere de forma direta para o período de apuração de eleição do contribuinte, porque o que se tem disponível para compensação ou ressarcimento não são os créditos propriamente, mas sim os saldos disponíveis. Então se, desde o período de competência, quando este crédito não foi utilizado, houve saldos credores ou devedores, indicando a necessidade de pagamentos ou de acúmulo de saldos de créditos para serem utilizados, o valor deste crédito virá ao momento do PER/DCOMP pela resultante de sua contribuição no saldo de créditos disponíveis, e não pelo seu valor de face. As dinâmicas de apuração das memórias de cálculo representadas pelo DACON e, posteriormente, pela ECF-Contribuições, possibilita a reconstrução do histórico dos saldos disponíveis, que precisam ser líquidos e certos. A ausência da demonstração desta liquidez impede que os créditos sejam aceitos para compensação ou ressarcimento. O Tema já vem sendo discutido neste Conselho, e já apresenta a devida jurisprudência, ainda que apresente discordâncias ainda não totalmente vencidas. Reproduzo recente Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de número 9303-015.663, julgado em 15 de agosto de 2024, e que teve o resultado a seguir, a respeito deste tema, por maioria de votos, o qual acompanho e peço venha para adotá-lo como parte de minhas razões de decidir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Especial não deve ser conhecido, quando, do confronto da decisão recorrida com os paradigmas indicados, não restar configurada divergência interpretativa: para a caracterização de controvérsia jurisprudencial, é necessário que haja similitude fático-normativa entre as situações analisadas pelos paradigmas e aresto recorrido. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 Fl. 6086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 27 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que votou pela negativa de provimento. Acordaram ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial oposto pelo Contribuinte. (...) A controvérsia restringe-se à questão de saber se é necessária a retificação do DACON e da DCTF para o aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não-cumulativos. A decisão recorrida assinalou que o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas não exige a retificação de Dacon/DCTF, conforme excertos, extraídos de seu voto condutor, a seguir transcritos: Decisão recorrida --- voto vencido (condutor para a matéria) 3.2.2.1. Quanto aos Itens 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 (A): Diferença entre as receitas de exportação declaradas no DACON e contabilizadas pela empresa com relação ao ano calendário de 2007. A Fiscalização glosou os seguintes créditos apropriados pela Contribuinte: i) Parte dos créditos extemporâneos de PIS e COFINS apropriados pela Recorrente diretamente em DACON referente ao ano de 2007, pois o artigo 8º, inciso I, alínea "a" da IN 404/2003 dispõe que os créditos somente poderiam ser apurados no mesmo mês das aquisições efetuadas. A DRJ manteve a autuação por considerar que: i) A legislação apenas admitiria a apropriação dos créditos extemporâneos na DACON mediante a retificação das declarações (DACON e DCTF) do período relativo ao respectivo crédito, sendo que deveria ter ocorrido sobre as aquisições, custos ou despesas incorridos no mesmo mês; ii) Após as retificações, o crédito remanescente de PIS e COFINS poderia ser utilizado para dedução das contribuições em períodos posteriores. A Recorrente argumenta que: i) A forma de apropriação dos créditos extemporâneos por ela realizada está correta, uma vez que a legislação permite a apropriação direta dos créditos nos meses subsequentes na própria DACON, sendo que não há um procedimento obrigatório que deve ser adotado pelo contribuinte; ii) O artigo 3º, § 4º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/2002 não prevê que o contribuinte está obrigado a aproveitar o crédito no mesmo mês em que foi gerado, mas sim que a apuração do crédito de um determinado mês deve se relacionar aos custos, despesas e aquisições do mesmo mês, não trazendo obrigatoriedade de o contribuinte se utilizar desse crédito no mesmo mês; iii) Ao adotar a forma considerada pela DRJ com a retificação da DACON e a inclusão do valor do crédito que não foi considerado anteriormente, resultaria em recolhimento de PIS e COFINS no período posterior passaria a ser maior do que novo valor das contribuições apurado; iv) Com a retificação da DCTF, o valor do DARF recolhido é superior ao devido, reconhecendo-se, assim, a existência de um valor a maior a título de PIS e COFINS, ensejando em indébito tributário que poderá ser compensado por meio de PER/DCOMP com a devida correção monetária; v) A utilização do saldo remanescente do crédito de PIS e COFINS em períodos subsequentes se dá mediante a apropriação direta na DACON dos créditos extemporâneos, como fez a Recorrente. Fl. 6087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 28 Observo que, em resposta à Resolução nº 3402000.791 foi lavrado o Termo de Diligência de fls. 57805789, pelo qual o I. Auditor Fiscal assim esclareceu sobre os créditos extemporâneos: Realizadas as análises individualizadas dos créditos, confirmados os recolhimentos das contribuições incidentes nas importações de bens e serviços, e confrontados os assentamentos contábeis com os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON apresentadas à Receita Federal do Brasil, conforme Anexo II deste Termo, e demais elementos juntados neste processo administrativo, concluo que não houve aproveitamento pretérito dos créditos extemporâneos apropriados pelo contribuinte no ano-calendário de 2007, o quais foram objeto da constituição do crédito tributário, conforme Quadros Demonstrativos de nº 06 a 13 deste processo administrativo. Destaco que Recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais determinam que a incidência independe da denominação ou classificação fiscal. Por fundamentação, cito o v. Acórdão nº 9303-006.247, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Em suma, destaco que inexiste previsão legal que imponha a retificação das obrigações acessórias para o aproveitamento extemporâneo dos créditos de PIS/Pasep e COFINS. Com razão, o art. 3º, § 4º, das Leis nº(s) 10.637/02 e 10.833/03 dispõe apenas que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes”. Portanto, deve ser reformada a decisão recorrida neste ponto, para admitir o creditamento extemporâneo, com o correspondente cancelamento da exigência quanto aos itens 2.1, 2.2, 2.3, 2.4 (a). A questão atinente à necessidade de retificação de DACON/DCTF, com vistas ao aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não cumulativos, tem sido enfrentada em diversos julgamentos desta Câmara Superior, tendo este colegiado julgado que é necessária a retificação de DACON/DCTF. Nesse sentido, veja-se, por exemplo, o Acórdão nº 9303-014.842, de 14/03/2024, de minha relatoria. Assinale-se, ainda, o Acórdão nº. 9303-014.684, de 22/02/2024, no qual restou decidido, por voto de qualidade, a impossibilidade de aproveitamento de créditos extemporâneos sem a retificação dos DACONs respectivos. Nessa linha, trago, como razões de decidir no presente voto, os fundamentos consignados no voto vencedor – Redator Designado Gilson Macedo Rosenburg Filho – do mencionado acórdão, abaixo transcritos: Essa matéria foi enfrentada com maestria pelo Acórdão nº 9303-010.080, de 23 de janeiro de 2020, e reflete, mutatis mutandis, o posicionamento Fl. 6088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 29 vencedor do Colegiado, de forma que trago à baila sua ratio decidendi para fundamentar e decisão, verbis: “(...) Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões apenas, quanto ao aproveitamento de créditos extemporâneos, sem a devia retificação dos respectivos DACON e DCTF. O direito de se aproveitar créditos da COFINS sobre os custos/despesas com insumos utilizados na produção de bens e/ ou na prestação de serviços está previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...). § 1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art.2º desta Lei sobre o valor: (...); II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; (...). § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes. (...). Já o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, assim dispõe quanto ao ressarcimento/compensação dos créditos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (...). Por sua vez a IN SRF nº 600, de 28/12/2005, que disciplinou o ressarcimento/ compensação do saldo credor das contribuições do PIS e da COFINS, ambas com incidência não cumulativa, assim dispõe: Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...). Fl. 6089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 30 § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sê- lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I - custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II - custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência; ou(...). Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre-calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. (...). § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário. II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Ora, segundo essas normas legais, os créditos da COFINS devem ser apurados mensalmente e deduzidos do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Já o crédito não aproveitado no mês, poderá sê-lo nos meses seguintes, sendo que o saldo credor trimestral poderá ser objeto de ressarcimento/compensação, mediante a transmissão de PER/DCOMP. O instrumento legal para se apuara os créditos da contribuição é o Dacon mensal que deve ser preenchido e transmitido a RFB pelo contribuinte. Já a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, assim dispõe: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindo-o integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (...). Assim, nos casos em que se deixa de apurar créditos relativos a determinados meses, ou seja, deixa de apropriá-los, é necessário retificar o Dacon relativo ao período em que o crédito não foi apropriado, a fim de incluí-lo na apuração. A apuração extemporânea de créditos só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. O ressarcimento/compensação de créditos extemporâneos da COFINS é possível, desde que retificados os respectivos Dacon e as DCTF. No presente Fl. 6090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 31 caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não transmitiu os Dacon retificadores nem as DCTF. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recursos especial da Fazenda, quanto ao aproveitamento de créditos extemporâneos, sem a devida retificação dos Dacon e DCTF”. Em resumo, temos que a verificação dos valores a ser apurados se dá por meio dos DACONs apresentados pelo Contribuinte, conforme definido pela IN SRF 384, de 2004. Isto porque no regime da não-cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração - confronto entre créditos e débitos - do período a que pertencem tais créditos. Os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem. Assim, a utilização do crédito pressupõe primeiro a sua apuração, com o registro apropriado no DACON, sendo necessário ainda compensar o crédito com débitos do próprio mês, e havendo saldo remanescente, compensá-lo sucessivamente nos meses subseqüentes. Desta forma, não se constatando a prévia apuração do montante a ser aproveitado, mediante a devida retificação dos DACON (e da DCTF), não se pode ter como certa a dedução de tais créditos extemporâneos e, portanto, a glosa de tais créditos deve ser mantida por absoluta falta de liquidez e certeza”. Acrescento ainda que, os arts. 3º, § 4º, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, permitem que um crédito já apurado em um determinado mês, e não utilizado, possa ser aproveitado em meses posteriores. Porém não permite que se aproveite um crédito não apurado no mês incorrido seja efetuado diretamente em outro período de apuração. Portanto para esse aproveitamento seria necessário uma apuração prévia relativa aos períodos de apuração correspondentes. Situação que demanda no mínimo a retificação dos DACON dos períodos anteriores. As exigências impostas pelas IN SRF utilizadas pela Fiscalização têm suporte no art. 92 da Lei nº 10.833, de 2003 que delegou a SRF a regulamentação da operacionalização dos aproveitamentos desses créditos. Penso que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro do período específico de geração do crédito. Como os créditos referem-se a 4 ou 5 anos antes do seu efetivo aproveitamento, há que se perquirir, se naquela data, eram créditos apropriáveis segundo a legislação de regência da época. Entendo ser injustificável a negativa do contribuinte de fazer os ajustes relativos a cada período de apuração, conforme recomendado pela Fiscalização. Correto o entendimento exarado pelo ilustre ex-conselheiro Waldir Navarro Bezerra, ao transcrever o seguinte trecho da decisão da DRJ no Acórdão nº 3402-003.148, de 20/07/2016: "(...) É que a razão de ser da necessidade de segregação dos créditos por períodos de apuração, no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, se deve ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de utilização segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de utilização por qualquer uma das formas previstas (desconto, compensação ou ressarcimento)”. Relevante também transcrever trecho do voto proferido pelo ilustre ex- conselheiro e ex-presidente da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Henrique Fl. 6091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 32 Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303-003.478, de 25/02/2016, acerca do mesmo tema: (...) É inegável que, como bem apontou o acórdão recorrido, nos termos do § 4º do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que disciplina a utilização do crédito, o montante não aproveitado em um mês poderá sê-lo em períodos superiores, mas tal comando, com o devido respeito, não possui o alcance defendido. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que o dispositivo, como já antecipado, trata da utilização do crédito apurado, de modo que sequer se poderia cogitar antinomia entre os dispositivos. Em outras palavras, nos termos dos comandos legais, o crédito apurado sob a égide do § 1º (circunstância logicamente antecedente) poderá ser aproveitado nos termos do § 4º. Admitir que a forma de utilização influencie a de apuração, com a devida licença, é inverter a lógica estabelecida pelo legislador. E não se alegue que a aplicação da restrição em comento decorre de mero formalismo. Trata-se de norma instrumental que visa ao controle do correto emprego dos créditos. Sem tal distinção, esse controle restaria extremamente dificultado (e porque não dizer inviabilizado). Apenas para ilustrar alguma dessas dificuldade, há que relembrar que, dependendo da destinação dos produtos, os créditos terão aplicação diversa (dedução da contribuição, compensação ou ressarcimento), apurados com base em parâmetros diversos (mensal ou trimestral)”. Por fim, também registro o raciocínio empreendido pelo ilustre ex- conselheiro José Fernandes do Nascimento proferido no Acórdão nº 3302- 004.156, de 22/05/2017: “(...) Não se pode olvidar, ademais, que o registro extemporâneo de créditos, se permitido fosse, além do descumprimento do disposto no art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, impossibilitaria ou dificultaria em muito o controle das operações com direito a crédito. Se houvesse tal permissão, como saber se as operações registradas extemporaneamente não foram registradas anteriormente no mês correspondente e nos seguintes? Somente mediante a realização de auditoria em todos os meses anteriores ao registro extemporâneo do crédito seria possível confirmar ou não essa informação. Ademais, tendo em conta que a autoridade fiscal não é autorizada a fiscalizar/auditar os períodos pretéritos não alcançados pelo procedimento fiscal em curso, o registro de operações de créditos extemporâneas, por certo, oportunizaria e facilitaria a prática de fraudes, mediante a apropriação, por mais de uma vez, de crédito de uma mesma operação”. Registro que este também é o entendimento prevalente nos últimos julgados desta 3ª Turma da CSRF, como pode ser verificado no Acórdão nº 9303- 011.780, de 18/08/2021, de minha relatoria, Acórdão nº 9303-009.738, de 11/11/2019 de relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire e Acórdão nº 9303-009.660, de 16/10/2019 de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Ressalto, apenas, que no julgamento só se discutiu a obrigatoriedade de retificação do DACON e não da DCTF. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Acórdão nº 9303-015.663, Conselheiro Relator Vinícius Guimarães, 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 15/08/2024) Fl. 6092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 33 De forma que entendo que seja pré-requisito para que se demonstre a liquidez do crédito extemporâneo a retificação das obrigações acessórias, demonstrando o efetivo valor disponível para a operação pretendida pelo contribuinte. Ademais, o tema já foi objeto da Súmula CARF nº 231. SÚMULA CARF Nº 231 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Acórdãos Precedentes: 9303-011.780, 9303-013.263, 9303-014.081. Sem razão à Recorrente. Recalculo do Rateio entre Receitas Tributadas e Não Tributadas em razão das exclusões da base de cálculo Uma das questões que são contestadas em Recurso Voluntário é que as exclusões de receitas decorrentes de atos cooperativos, art. 15, da Medida Provisória nº 2.158, de 24 de agosto de 2001, foram desconsideradas do percentual de rateio para aproveitamento de créditos comuns a operações que dão direito ao ressarcimento e àquelas que não dão direito. Argumenta a Recorrente que o art. 17, da Lei nº 11.033/2004, permite que os contribuintes mantenham os créditos decorrentes de despesas associadas a venda futura de bens isentos, com alíquota zero, ou com a tributação suspensa, ou sujeitos a não incidência, equiparando a exclusão das transações típicas de cooperativas, entre estas e seus cooperados a um destes institutos do direito tributário. A Recorrente é cooperativa agrícola, e nesta condição submete-se ao previsto no § único, do art. 79, da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RE 1.164.716/MG, julgado em sede de Recursos Repetitivos, nos termos do art. 543-C, do CPC, e transitado em julgado em 22 de junho de 2016, definiu que sobre o ato cooperativo não incidem as contribuições do PIS/COFINS. O art. 8º, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2024, estabelece o crédito presumido para as cooperativas agrícolas: Fl. 6093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 34 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 14.943, de 2024) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A jurisprudência do CARF já se debruçou sobre este tema, conforme os Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004 COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667. Precedentes STJ. (...) O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303005.043, de minha Relatoria, pronunciada na sessão de julgamento de 17 de Fl. 6094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 35 abril de 2017, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: (...) Quanto esta matéria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da 1ª Seção da Corte entenderam que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. O entendimento foi tomado de forma unânime nos julgamentos dos Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667, na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 - MG (2009/0210718-5) VOTOVOGAL MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES: O presente Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, trata da incidência de PIS e COFINS sobre atos cooperativos típicos, definidos no art. 79 da Lei 5.764/71, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". A não incidência dos citados tributos sobre os atos cooperativos típicos tem por fundamento o supratranscrito parágrafo único do art. 79 da Lei 5.764/71. Explica-se: se tais atos não implicam operação de mercado, ou contrato de compra e venda, não geram receita ou lucro, situação que impossibilita a incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Quanto ao tema, é certo que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que sobre atos cooperativos típicos não incidem as contribuições ao PIS e COFINS: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COOPERATIVA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA. PIS E COFINS. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. No caso sub judice, o Tribunal de origem, soberano na análise dos fatos e das provas, concluiu que os atos praticados pela cooperativa constituem atos não cooperados, decorrentes de contratos de prestação de serviços firmados com terceiros a serem realizados pelos seus médicos cooperados. Rever tal entendimento encontra óbice na Súmula 7/STJ. (...) Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é de observância obrigatória dos Conselheiros as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferidas em sede de julgamento realizado nos termos dos artigos 543B e 543C. (...) (Brasil. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 9303-005.786, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Brasília, DF, 20 de setembro de 2017.) Fl. 6095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 36 Neste sentido, entendo que os créditos que contribuíram para receitas da cooperativa em transações com os seus cooperados podem ser mantidos pela Recorrente, por força da aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033/2004, em face destas operações configurarem-se como hipótese de não incidência do PIS/COFINS. Então temos a norma geral sobre a tributação de PIS/COFINS de cooperativas, que possuem suas operações de atos cooperados sujeitos à não incidência e, paralelamente, com direito ao crédito presumido dos insumos adquiridos de cooperados pessoas físicas e pessoas jurídicas que exerçam atividade agropecuária. Desta forma, o cálculo do rateio precisa reconhecer as receitas que seriam excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001, tendo em vista que a alocação do percentual que definirá o valor dos créditos comuns às operações que podem gerar valores ressarcíveis e aquelas que são apenas compensáveis, precisa refletir a participação de créditos que são admissíveis pela aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033/2004 na formação das receitas totais, dado que parte delas são classificáveis na hipótese de não incidência sobre o ato cooperativo. Dou razão à Recorrente neste ponto. Apropriação para o Mercado Interno Tributado da totalidade dos créditos de bens para a revenda Neste tópico, assim manifestou-se a Autoridade Tributária no Relatório Fiscal: Também não se aplica o critério do rateio proporcional às aquisições de bens para revenda informadas na Linha 01, fichas 06A e 16A do Dacon. Isso porque, consoante o disposto no art. 3º, I, e art. 3º, § 2º, II, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as aquisições de bens para revenda somente darão direito a crédito se forem tributadas e não sujeitas à tributação monofásica e à alíquota zero. Por conseguinte, em regra, as aquisições de bens para revenda com direito a crédito, tributadas, serão necessariamente vinculadas a receitas tributadas no mercado interno ou a receitas de exportação. No caso em análise, entretanto, verificou-se que toda a base de cálculo deferida refere-se a bens tributados que são revendidos exclusivamente no mercado interno tributado, pelas unidades que realizam atividades de supermercado. Ou seja, dos bens adquiridos para revenda, cujo direito creditório foi deferido, nenhum tem como destino a exportação, podendo somente estar vinculados a receitas tributadas no mercado interno. Dessa forma, na apropriação dos créditos relativos a aquisições de bens para revenda todo o crédito apurado foi realocado para o mercado interno tributado, uma vez que não é possível vincular o crédito deferido a receitas não tributadas no mercado interno ou a exportações. Ressalvado o exposto quanto às Linhas 01 e 12 das fichas 06A e 16A do Dacon, os créditos à alíquota básica demonstrados nas demais linhas do Dacon foram apropriados pelo critério do rateio proporcional, conforme os percentuais calculados acima. Fl. 6096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 37 Já a Recorrente insurge-se contra a apropriação direta destes alegando que não haveria previsão legal para tanto. Trata-se da mesma discussão do item VII deste voto, de forma que repito a conclusão já alcançada a este respeito, e considero sem razão à Recorrente. Atualização do Crédito pela Taxa SELIC O Recurso Voluntário traz a seguinte consideração a respeito deste ponto: No caso presente, é notória a inércia da Administração Tributária. Com efeito, o pedido de ressarcimento foi protocolado em 30/09/2015. Em 08/03/2017 foi proferido o Relatório de Auditoria Fiscal, do qual a recorrente foi cientificada em 21/06/2017. Em 20/07/2017 foi protocolada a Manifestação de Inconformidade, que veio a ser julgada pela DRJ apenas em 27/01/2021, cuja cientificação ocorreu em 26/01/2022. Como se vê, até aqui já são 7 (sete) longos anos de tramitação do processo. Não bastasse, não é possível sequer estimar o tempo que ainda será necessário para o desfecho do processo. Tal quadro, implica em flagrante descumprimento do disposto no art. 24, da Lei n' 11.457/200712 e viola o princípio constitucional da razoável duração do processo, sendo evidente a necessidade de atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em favor da recorrente. Com efeito, a demora na apreciação do pleito da recorrente acarretou enorme perda financeira em face da evidente corrosão da moeda desde 30/09/2015. Nesse contexto, exsurge a necessidade de se reconhecer o direito da recorrente de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, a partir do 361' dia do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Assim, em vista de todo o exposto, requer-se a reforma da decisão recorrida também na parte que indeferiu o pedido da recorrente de atualização do crédito pela taxa Selic. O artigo 24, da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 determina que: Art.24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Em atendimento à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.767.945/PR; REsp 1.768.060/RS, REsp 1.768.415/SC, submetidos à sistemática do art. 1.036 e seguintes do Código de Processo Civil, que determina que considera-se resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito emitir decisão, após o prazo estipulado no artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer SEI nº 3.686/2021/ME, acompanhado pela Nota Técnica CODAR nº 22/2021, que trata da aplicação da taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento e outros, dando cumprimento à decisão do STJ, já referida. A decisão do STJ reconhece que os créditos do regime não cumulativo são de natureza escritural e, portanto, não devem ser submetidos à correção monetária Fl. 6097DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 38 por ocasião do seu aproveitamento, mas também indica que a resistência injustificada à utilização do crédito pela Fazenda Pública configura exceção a esta regra, pelo que resta claro da leitura do voto do eminente relator, o Ministro Sérgio Kukina: “Ratificando essa previsão legal, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF editou o Enunciado sumular n. 125, o qual dispõe que, "No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003." Veja-se o conteúdo de mencionados dispositivos legais: Lei 10.833/2003 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI - no art. 13 desta Lei. A leitura do teor desses artigos deixa transparecer, isso sim, a existência de vedação legal à atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes do referido aproveitamento de crédito - seja qual for a modalidade escolhida pelo contribuinte: dedução, compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. (...) A doutrina especializada não diverge dessa constatação, consoante leciona André Mendes Moreira em sua obra "A não cumulatividade dos tributos" (2. ed. São Paulo: Noeses, 2012, p. 435): A não cumulatividade do PIS/COFINS parte da mesma premissa: os créditos das referidas contribuições são meramente escriturais, e, portanto, não geram dívida do Poder Público para com o contribuinte. Seu fim é puramente contábil, para nada mais se prestando além do cálculo do valor devido, salvo se a lei dispuser em contrário [...]. A legislação, confirmando o que se está a expor, predica que o montante dos créditos de PIS/COFINS 'não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição'. Dessa forma, na falta de autorização legal específica, a regra é a impossibilidade de correção monetária do crédito escritural. (...) Além disso, apenas como exceção, a jurisprudência deste STJ compreende pela desnaturação do crédito escritural e, consequentemente, pela possibilidade de sua atualização monetária, se ficar comprovada a resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito, como, por exemplo, se houve necessidade de o contribuinte ingressar em juízo para ser reconhecido o seu direito ao creditamento (o que acontecia com certa frequência nos casos de IPI); ou o transcurso do prazo de 360 dias de que dispõe o fisco para responder ao contribuinte sem qualquer manifestação fazendária. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente quando caracterizado o ato fazendário de resistência ilegítima, no caso, o transcurso do prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo sem apreciação pelo Fisco.” Fl. 6098DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 39 A atualização pela taxa SELIC dos créditos de PIS/COFINS, sujeitos a ressarcimento, resulta apenas da imposição de resistência indevida da Fazenda Pública à sua utilização pelo detentor do direito, sendo indevida nos demais casos. Reconheço que o caso concreto enquadra-se na situação de imposição de resistência indevida pela administração, nos termos das decisão do STJ e demais disposições normativas já citadas acima. Dou razão parcial à Recorrente, no sentido prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito. Diante de todo o exposto, voto por tomar conhecimento do Recurso Voluntário apenas parcialmente, afastando as alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: i) Aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo. ii) Refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001. iii) Afastar a glosa de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; iv) Afastar a glosa de embalagens de transporte; v) Afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; vi) Afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS. vii) Afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem. viii) Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito. ix) Serviço de coleta e tratamento de resíduos industriais. x) Serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 6099DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.522 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.900010/2017-25 40 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: a) aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo; b) refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001; c) afastar a glosa de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; d)afastar a glosa de embalagens de transporte; e) afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; f) afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS; g) afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem; h)Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360(trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito; i) despesas com coleta e tratamento de resíduos industriais; e j) serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 6100DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.720786/2017-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 ARBITRAMENTO - DESQUALIFICAÇÃO DA ESCRITA Uma vez comprovado pela autoridade fiscal que a Escrituração Contábil Digital (ECD) possui incongruências tais que impedem a segura aferição do lucro real, impõe-se o arbitramento. ARBITRAMENTO - PERCENTUAL O percentual aplicado sobre a receita conhecida para calcular o lucro arbitrado é estabelecido objetivamente, isto é, para cada atividade praticada pelo contribuinte. Uma vez que a autoridade fiscal comprovou que parte das receitas advieram da prestação de serviço, deve ser aplicado o percentual de 38,4% para o IRPJ e de 32% para a CSLL sobre essa parcela. FATURAMENTO PARA ENTREGA FUTURA O faturamento para entrega futura difere-se do faturamento antecipado. No primeiro caso, a mercadoria é vendida, o preço é pago e, apenas por comodidade do comprador, a mercadoria continua na posse do vendedor. No segundo, o valor é recebido pelo vendedor, mas a mercadoria nem sequer foi produzida. No faturamento para entrega futura, os valores recebidos correspondem a efetiva receita e, como tais, devem integrar a base de cálculo do lucro presumido. Já no faturamento antecipado, não há o registro de receita, mas apenas registros em contas patrimoniais e, portanto, não integra a base de cálculo do lucro presumido enquanto não houver a produção da mercadoria. Uma vez que a autoridade lançadora comprovou, por meio de notas fiscais com código específico, a ocorrência de faturamento para entrega futura, a autuação deve ser mantida quanto a essa parte, pois, no caso de faturamento antecipado, nem sequer teria havido a emissão das notas fiscais.
Numero da decisão: 1201-007.516
Decisão: Vistos, relatados e debatidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Lucas Issa Halah – Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Marcelo Antonio Biancardi, Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Nilton Costa Simoes (Presidente).
Nome do relator: LUCAS ISSA HALAH

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ARBITRAMENTO - PERCENTUAL O percentual aplicado sobre a receita conhecida para calcular o lucro arbitrado é estabelecido objetivamente, isto é, para cada atividade praticada pelo contribuinte. Uma vez que a autoridade fiscal comprovou que parte das receitas advieram da prestação de serviço, deve ser aplicado o percentual de 38,4% para o IRPJ e de 32% para a CSLL sobre essa parcela. FATURAMENTO PARA ENTREGA FUTURA O faturamento para entrega futura difere-se do faturamento antecipado. No primeiro caso, a mercadoria é vendida, o preço é pago e, apenas por comodidade do comprador, a mercadoria continua na posse do vendedor. No segundo, o valor é recebido pelo vendedor, mas a mercadoria nem sequer foi produzida. No faturamento para entrega futura, os valores recebidos correspondem a efetiva receita e, como tais, devem integrar a base de cálculo do lucro presumido. Já no faturamento antecipado, não há o registro de receita, mas apenas registros em contas patrimoniais e, portanto, não integra a base de cálculo do lucro presumido enquanto não houver a produção da mercadoria. Uma vez que a autoridade lançadora comprovou, por meio de notas fiscais com código específico, a ocorrência de faturamento para entrega futura, a autuação deve ser mantida quanto a essa parte, pois, no caso de faturamento antecipado, nem sequer teria havido a emissão das notas fiscais. Fl. 17173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e debatidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Lucas Issa Halah – Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simões – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Marcelo Antonio Biancardi, Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Nilton Costa Simoes (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de lançamento de ofício lavrado contra o contribuinte IBEP GRÁFICA LTDA, referente ao ano-calendário de 2013, exigindo-se crédito tributário a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e, por reflexo, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A autoridade fiscal efetuou o lançamento com base na apuração pelo Lucro Arbitrado, após desclassificar a escrituração contábil da empresa por considerá-la imprestável. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a fiscalização identificou graves irregularidades que comprometeram a confiabilidade da escrita, tais como:  Inconsistências entre versões da ECD: O contribuinte apresentou uma primeira Escrituração Contábil Digital (ECD) e, posteriormente, uma terceira versão retificadora. A fiscalização notou que "as contas contábeis analíticas possuem numeração, nome, e saldos iniciais e finais diferentes", indicando que a contabilidade foi "totalmente refeita". Fl. 17174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 3  Omissão de Receitas e Movimentação Bancária: Foram detectadas operações bancárias não contabilizadas e divergências de saldos em contas do Banco do Brasil, Santander e HSBC na primeira ECD, bem como notas fiscais de venda não registradas como receita na terceira ECD.  Duplicidade de Despesas: A fiscalização identificou despesas lançadas em duplicidade na terceira ECD, registradas tanto na conta "Material de Consumo" quanto na conta "Refeições e Lanches".  Irregularidades no Inventário e Custos: Houve baixa de estoque de matéria- prima em valor superior ao saldo existente, resultando em saldos credores na conta de estoque (o que é fisicamente impossível), além de livros de inventário com valores unitários incompatíveis.  Em virtude das evidências de fraude e da imprestabilidade da escrita, a autoridade aplicou a multa qualificada de 150%. Inconformado, o Contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos, sumarizados no relatório da decisão recorrida, defende, em síntese:  O Impugnante alegou que a primeira ECD continha erros de processamento da antiga contabilidade, razão pela qual contratou nova empresa para refazê-la. Argumentou que a terceira ECD refletiria a realidade dos fatos e deveria ser aceita para a apuração do Lucro Real.  Sustentou que as divergências apontadas pela fiscalização decorriam justamente da correção dos erros da contabilidade anterior e da falta de acesso ao banco de dados antigo.  Contestou a tributação sobre valores referentes a faturamento para entrega futura, alegando que não deveriam compor a base de cálculo no momento da emissão da nota.  Subsidiariamente, questionou o coeficiente de presunção adotado, alegando que ser indústria, de maneira que o coeficiente correto seria o de 8%, que agravado sob o regime do arbitramento, resultaria em um coeficiente de 9,6%.  Requereu o afastamento da qualificadora da multa de 150%, alegando ausência de dolo ou fraude comprovada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) julgou parcialmente procedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: "ARBITRAMENTO - DESQUALIFICAÇÃO DA ESCRITA Uma vez comprovado pela autoridade fiscal que a Escrituração Contábil Digital (ECD) possui incongruências tais que impedem a segura aferição do lucro real, impõe-se o arbitramento. Fl. 17175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 4 ARBITRAMENTO - PERCENTUAL O percentual aplicado sobre a receita conhecida para calcular o lucro arbitrado é estabelecido objetivamente, isto é, para cada atividade praticada pelo contribuinte. Uma vez que a autoridade fiscal comprovou que parte das receitas advieram da prestação de serviço, deve ser aplicado o percentual de 38,4% para o IRPJ e de 32% para a CSLL sobre essa parcela. FATURAMENTO PARA ENTREGA FUTURA O faturamento para entrega futura difere-se do faturamento antecipado. No primeiro caso, a mercadoria é vendida, o preço é pago e, apenas por comodidade do comprador, a mercadoria continua na posse do vendedor. No segundo, o valor é recebido pelo vendedor, mas a mercadoria nem sequer foi produzida. No faturamento para entrega futura, os valores recebidos correspondem a efetiva receita e, como tais, devem integrar a base de cálculo do lucro presumido. Já no faturamento antecipado, não há o registro de receita, mas apenas registros em contas patrimoniais e, portanto, não integra a base de cálculo do lucro presumido enquanto não houver a produção da mercadoria. Uma vez que a autoridade lançadora comprovou, por meio de notas fiscais com código específico, a ocorrência de faturamento para entrega futura, a autuação deve ser mantida quanto a essa parte, pois, no caso de faturamento antecipado, nem sequer teria havido a emissão das notas fiscais. MULTA QUALIFICADA Para qualificar a multa no seu patamar de 150%, é necessário que a autoridade lançadora aponte condutas, mesmo omissivas, que confira certeza do caráter intencional da conduta. Do contrário, isto é, no caso de dúvida, o percentual sancionatório deve se limitar a 75%." Quanto às infrações específicas:  Arbitramento do Lucro: A DRJ manteve o arbitramento, concordando com a fiscalização que a escrita contábil (tanto a original quanto a retificadora) continha vícios insanáveis, que impediam a determinação do Lucro Real, e que a despeito das diversas intimações para que o Contribuinte sanasse as dúvidas da autoridade fiscal, este quedou-se silente na grande maioria das intimações.  Faturamento para Entrega Futura: A decisão manteve a inclusão destas receitas na base de cálculo do lucro arbitrado, entendendo que, comprovada a emissão das notas fiscais com código específico, os valores devem integrar a receita bruta conhecida.  Coeficiente de presunção: O Acórdão Recorrido também entendeu acertado o uso do coeficiente de presunção de 32%, agravado para 36,4%, dado que a defesa genérica não informou as diversas notas fiscais de prestação de serviços identificadas pela fiscalização como receita omitida. Fl. 17176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 5  Multa Qualificada: O colegiado decidiu pela redução da multa de 150% para 75%. O Relator fundamentou que, embora existam erros graves na escrita, não restou comprovada de forma inequívoca a intenção dolosa (fraude ou sonegação) necessária para a qualificação da penalidade, aplicando-se o princípio in dubio pro reo (art. 112 do CTN). Foi declarado o Recurso de Ofício pela autoridade julgadora de primeira instância, tendo em vista que a exoneração do crédito tributário (redução da multa) superou o limite de alçada. O Contribuinte, por sua vez, interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos já postos em sua Impugnação. Em suas razões, sustenta que a fiscalização errou ao comparar a primeira ECD (que a própria empresa admitiu estar errada) com a terceira ECD, em vez de validar a terceira ECD com a documentação suporte. Alega que a terceira ECD sanou as irregularidades, como a falta de registro de folha de pagamentos e provisões. Requer, preliminarmente, a conversão do julgamento em diligência para que seja periciada a terceira ECD em confronto com a documentação física, e, no mérito, o cancelamento do lançamento fiscal com o reconhecimento do prejuízo fiscal apurado na escrita retificadora. É o relatório. VOTO Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE 1.1 RECURSO DE OFÍCIO NECESSÁRIO O Recurso de Ofício necessário foi declarado no próprio Acórdão Recorrido. Vejamos: “Dessa decisão, em face de a exoneração superar o limite de alçada de R$ 2.500.000,00, recorre-se de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Na forma da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso necessário, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, estando, atualmente, fixado o teto mínimo para conhecimento em R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais), na forma da Portaria MF n.º 2, de 17 de janeiro de 2022, que reza: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Fl. 17177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 6 Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Fica revogada a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Art. 3º Esta Portaria entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2023.” Concretamente, observo que o Acórdão Recorrido exonerou o lançamento apenas quanto à qualificação da multa de ofício. Considerando que a multa originalmente lançada sobre o débito de IRPJ foi de 8.571.994,14, e a de CSLL de 2.968.578,98, e que com o Acórdão ambas foram reduzidas à metade, a exoneração não atinge o valor de alçada. Portanto, o Recurso de Ofício necessário não merece ser conhecido. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 ADMISSIBILIDADE O Contribuinte foi cientificado do Acórdão Recebido em 06/08/2018, interpondo o Recurso Voluntário em 05/09/2018, que por isso é tempestivo, além de preencher aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. 2.2 DIREITO No mérito, o Recurso nada traz de inovador e sequer dialoga com a bem fundamentada decisão da DRJ, relatada pelo Professor Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que adoto e reproduzo a seguir, nos termos do art. 114, §12, I do RICARF. 52. Iniciamos o voto pela questão preliminar acerca dos documentos apresentados na impugnação. O impugnante foi intimado para sanear o feito nos termos do despacho de fl. 17.008, cujo teor abaixo reproduzo: “A fim de dar prosseguimento ao processo de auto de infração de nº 19515.720.786/2017-60, fica o contribuinte acima identificado intimado a anexar ao processo os documentos comprobatórios (Anexos V a XIX) informados na impugnação, apresentada em 11 de setembro de 2017, na forma disciplinada na Instrução Normativa RF13 nº 1.412 de 2013, alterada pela Instrução Normativa RF13 nº 1.608 de 2016. Note-se que na solicitação de juntada realizada em 11 de setembro de 2017 pelo contribuinte foram anexados documentos como arquivo não paginável, sendo esse Fl. 17178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 7 formato somente permitido para arquivos que não podem ser convertidos para PDF sem perda de informação, tais como planilhas eletrônicas de cálculo etc. Além disso, os arquivos foram digitalizados na configuração colorida ou tons de cinza, em desacordo com as normas citadas, que determinam a resolução de imagem de 300 dpi e nas cores preta e branca. Por último, a norma para entrega de documentos digitais prevê que os documentos comprobatórios devem ser agrupados em um único arquivo PDF nomeado Doc_Comprobatorios.pdf com tamanho máximo de 15 megabytes (15.360 kilobytes), devendo ser fracionado em tantos arquivos quantos forem necessários caso seja ultrapassado esse limite, mesmo observando os outros critérios de configuração estabelecidos pela legislação. Pode-se ainda obter mais informação no sitio da Receita Federal do Brasil http://idg.receita.fazenda.gov.br/interface/entrega-de-documentosdigitais/ solicitar- ajuntada-de-documentos-digitais-ao-dossie-de-atendimento ou através dos Centros de Atendimento ao Contribuinte. Informamos que o prazo para atendimento é de 10 (dez) dias contados a partir da ciência desta. Transcorrido o prazo acima sem que ocorra manifestação, o processo terá os trâmites legais previstos nas leis processuais fiscais.” 53. De fato, a referida instrução normativa - hoje revogada pela IN RFB nº 1782, de 11 de janeiro de 2018, que a substituiu - impunha tal exigência para o recebimento de documentos. 54. A autoridade preparadora intimou o impugnante para apresentar novamente os documentos na forma regulamentar com o fito de serem anexados ao processo eletrônico. O impugnante, porém, não atendeu. 55. Nesse momento, fico a me questionar se, pela terceira vez, o contribuinte está com problemas com a sua equipe contábil. Afinal, a sua escrituração original era, conforme atestado pela própria contribuinte, imprestável por culpa da sua antiga equipe. Depois, a equipe sucessora não atendeu a contento a fiscalização. Por fim, a equipe atual não respondeu à intimação para sanear o processo. 56. Seja como for, não há providências a serem tomadas pelo julgador para sanear o feito, pois estas já foram adotadas pela autoridade preparadora. 57. Cumpre apenas atestar nesse voto a não apresentação de provas indicadas na peça impugnatória, que, na lavra da impugnante, seriam: 5.Balancete Consolidado (ANEXO V); 6.Razão Contábil (ANEXO VI); 7.Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur (ANEXO VII); 8.Nota Fiscais de Saídas por amostragem das operações; 5.116 (ANEXO VIII); 9.Notas Fiscais de Saídas por amostragem das operações; 5.922 (ANEXO IX); 10.Livros Registro de Entradas (ANEXO X); Fl. 17179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 8 11.Livros Registro de Saídas (ANEXO XI); 12.Livros Registro de Apuração do ICMS (ANEXO XII); 13.Guia de Informação e Apuração do ICMS- GIA (ANEXO XIII)14.Fo lha de Pagamentos (ANEXO XIV); 15.Ex trato Bancário Mensal (ANEXO XV); 16.Ex trato Bancário Anual 2 (ANEXO XVI); 17.Contratos de Mutuo (ANEXO XVII); 18.Contrato de Locação (ANEXO XVIII); 19.Notificação de Rescisão Contratual (ANEXO XIX); 58. Tecidas essas considerações preliminares acerca da questão probatória, passamos à análise do mérito. Desqualificação da escrita e arbitramento 59. A autuação é relativa ao arbitramento e o seu cerne está na razão para tal providência, isto é, a desqualificação da escrita. 60. Para infirmar as análises empreendidas pela autoridade fiscal, a estratégia de defesa se calcou basicamente em deturpar parte da acusação fiscal (ao dizer que a autoridade desqualificou a terceira ECD em razão de ser divergente da primeira ECD) e em praticamente ignorar a outra parte (aquela em que a autoridade consigna de forma minuciosa as inúmeras inconsistências encontradas na terceira ECD). 61. Vejamos trecho da peça impugnatória em que a defesa alega ter a autoridade contestado a validade da terceira ECD com base na primeira: Diante do não cumprimento destas intimações, e das diferenças apontadas entre a primeira ECD e a terceira ECD, que a própria Fiscal constatou no relatório que a primeira estava totalmente inconsistente e por obvio que compará-las haveriam divergências em todos os lançamentos, entendeu a nobre Auditora Fiscal de Rendas (AFR) pelo arbitramento do lucro, alegando que a escrituração mantida pela empresa contribuinte era imprestável em virtude dos erros e falhas apurados. 62. Todavia, não procede tal tipo de alegação. As inconsistências da terceira ECD não foram apreciadas pela autoridade com base na primeira ECD. 63. A comparação entre as duas ECD, quando ocorreu, foi de forma colateral e subsidiária. Em algumas passagens, a autoridade fiscal analisa um determinado tema(movimentação financeira, por exemplo) em face das duas ECD, mas por meio de documentos(extratos bancários, em relação ao exemplo dos parênteses anteriores) e não pelo cotejo das ECD entre si. 64. Só numa única passagem a autoridade faz, de fato, esse cotejo, mas apenas como argumento de reforço. Isso ocorre ao verificar que diversas notas fiscais, com informações obtidas pelo "SPED notas fiscais", não foram registradas em Fl. 17180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 9 contrapartida de receita na terceira ECD, apesar de terem sido assim lançadas na primeira ECD. 65. A peça de defesa foi elaborada esquivando-se das várias inconsistências apontadas pela autoridade fiscal relativamente à terceira ECD, como se todas essas inconsistências decorressem de simples cotejo com a primeira ECD, aduzida como inconsistente pela fiscalizada e atestada pela autoridade. 66. No entanto, as inconsistências identificadas pela autoridade foram identificadas a partir de incongruências internas da própria terceira ECD e pelo cotejo com elementos externos que não a primeira ECD. 67. Do primeiro tipo de inconsistências, podemos citar: (i) diversos lançamentos, minuciosamente detalhados pela autoridade fiscal, entre contas patrimoniais, cujo histórico indica a necessidade de registro em conta de resultado, mas que não ocorreu; (ii) vários registros em duplicidade de despesas identificados a partir do seu histórico; (iii) a apropriação de custo da venda de mercadorias em montante superior ao próprio estoque, resultando em saldo credor dessa conta. 68. Do segundo tipo, vale destacar: (i) a falta de registro de notas fiscais, cuja existência foi identificada por meio do "SPED notas fiscais" e de informações do Município de São Paulo; e (ii) a divergência entre os saldos finais das contas patrimoniais do ano de 2012 com o inicial de 2013. 69. Vale notar também que, numa passagem da impugnação, a defesa aduz ter juntados todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Abaixo, transcrevo o trecho específico da impugnação: Apesar de ter juntado todos os documentos solicitados pela Ilustre Fiscal e explanado o ocorrido desde o início da fiscalização, sempre demonstrando sua boa-fé, a Sra. Fiscal persiste em comparar a primeira ECD e a terceira ECD alegando estarem divergentes. 70. Todavia, tal afirmação de caráter genérico é inverídica e contraditória com outro trecho da peça de defesa. 71. Conforme relatamos, a autoridade descreve de forma minuciosa as inúmeras intimações e reintimações para a fiscalizada apresentar vários documentos (dentre os quais, as notas fiscais) e esclarecimentos, os quais não foram atendidas. 72. Noutra parte, em contrariedade com a afirmação de ter apresentado todos os documentos requisitados pela autoridade e de ter prestado todos os esclarecimentos, a defesa reproduz várias questões não respondidas e justifica com o fato de ter havido transição da sua equipe contábil no curso da fiscalização. 73. Aliás, ao reproduzir tais questões afirma que irá respondê-las na seqüência da peça impugnatória. Todavia, praticamente nada a seguir tem tal escopo, exceto talvez um singelo trecho, que faço questão de reproduzir na íntegra: O resultado da apuração do Lucro Real informado na DIPJ/2014 foram todos extraídos da movimentação contábil ajustada, não havendo razão da Ilustre Fiscal arbitrar o lucro e Fl. 17181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 10 sim, determinar ou glosar qual despesas e receitas apuradas em desacordo com a escrituração fiscal e contábil apresentadas. A formação da base de cálculo do IRPJ/CSLL foram extraídas a partir das demonstrações contábeis e fiscais abaixo e acostados na presente defesa: 1.Ba lancete Mensais; 2.Razão Contábil (contas de despesas); 3.Contratos de Mútuos; 4.Demonstrativo de Resultado do Exercícios; 5.Livros Registro de Entradas e Saídas; 6.Livros Registro de Apuração do ICMS (LRAICMS); 74. Não podemos perder de vista que tais documentos não constam como prova nº presente feito. Todavia, mesmo que constassem, não seria suficientes, pois o que se espera é que a defesa enfrentasse cada um dos fundamentos específicos e minuciosos apontados pela autoridade fiscal. 75. No entanto, como já adverti no início desse voto, a impugnante os ignora e busca tecer a sua defesa com argumentos genéricos, como o acima estampado de que tudo pode ser aferido com base em documentos juntados (que na verdade não foram juntados por omissão sua) e de que a autoridade deveria ter mantido o seu regime de tributação (lucro real) e apenas glosado as despesas que considerasse divergentes e não comprovadas. 76. Ora, os problemas na escrituração (terceira ECD) não se resumem a algumas contas de despesas, mas sim a um montante substancial destas, de outras tantas e de lançamentos inconsistentes em contas patrimoniais em razão do histórico incoerente registrado e não justificado, seja no curso da ação fiscal, seja na impugnação. 77. A autoridade fiscal, num longo e minucioso trabalho consubstanciado no termo de verificação, demonstrou cada uma das inconsistências e o seu imenso volume que abarca as várias dimensões dos registros contábeis, o que desqualifica a terceira ECD como instrumento apto para aferir o lucro real da contribuinte, exigindo-se a sua aferição pelo regime arbitrado, como foi feito. Percentual do lucro arbitrado 78. O percentual do lucro arbitrado, para o IRPJ, corresponde ao do lucro presumido acrescido de 20% (art. 532 do RIR/99). 79. Como regra geral, o lucro presumido é determinado pela aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta (art. 518 do RIR/99). Logo, o percentual do lucro arbitrado, como regra geral, é de 9,6%. 80. No entanto, no caso de prestação de serviço, o percentual aplicável é de 32% para o lucro presumido (art. 519, § 1º, inciso III, alínea "a", do RIR/99) e de 38,4% para o lucro arbitrado. Fl. 17182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 11 81. No caso da CSLL, de forma similar apesar de não há a majoração de 20%, aplica-se o mesmo percentual do lucro presumido para a aferição do arbitrado. Como regra geral, tal percentual é de 12%, enquanto aplica-se 32% para as atividades de prestação de serviço (art. 20 da Lei nº 9.249/95). 82. Ademais, conforme o disposto no § 3º, art. 519 do RIR/99, "No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade". 83. Pois bem, foi exatamente esse o proceder da autoridade fiscal. Aplicou percentuais específicos para cada uma das atividades do contribuinte. 84. Destaque-se mais uma vez que o percentual é definido de forma objetiva, é por atividade, e não subjetiva em razão do tipo de empresa. Não importa que possua um parque industrial grande com centenas de empregados. Se prestou serviços, ainda que correspondessem a uma parcela diminuta do seu faturamento, o percentual aplicado para o IRPJ deve ser de 38,4% sobre essa fração e não de 9,6%. 85. Note-se que a prova da prestação de serviços foi feita pela autoridade de forma específica por meio de notas fiscais obtidas junto à autoridade municipal, enquanto a defesa contradita tais provas com argumentos genéricos de que transforma produtos e que os gastos com mão de obra não correspondem à maior parte das suas despesas. 86. Não procedem, desse modo, seus argumentos também quanto a esse ponto. Faturamento para entrega futura 87. A defesa alega que parte da base de cálculo adotada pela autoridade fiscal e identificada como "faturamento decorrente de venda para entrega futura", na verdade, corresponderia a "faturamento antecipado", isto é, o recebimento de valores de forma antecipada para posterior produção. 88. De fato, se fosse esse o caso, tais valores não deveriam corresponder a receitas. Quanto ao direito aplicado, a defesa está correta, mas em nada se opõe à acusação fiscal, pois esta foi de "faturamento para entrega futura", ou seja, a venda com o recebimento do valor, mas a manutenção da mercadoria na posse provisória do vendedor. Na verdade, a própria autoridade tece as mesmas considerações no seu arrazoado acusatório. 89. A divergência, portanto, é apenas quanto ao fato, ou seja, se houve a produção com o recebimento e postergação apenas da entrega, ou se houve o pagamento antecipado sem ter ainda ocorrido sequer a produção. 90. Pois bem, na análise da questão probatória, a razão mais uma vez é da Fazenda Nacional. Fl. 17183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 12 91. A prova juntada pela autoridade é robusta e coerente ao identificar notas fiscais registradas com o código específico de "faturamento para entrega futura", enquanto a prova de "faturamento antecipado" alegada pelo contribuinte (data de controle de entrega), além de não se basear em documentos validamente juntados é incoerente; afinal, no caso de faturamento antecipado, isto é, quando não há mercadoria capaz de ser entregue, mas apenas o recebimento de valores financeiros, não faz o menor sentido a emissão de nota fiscal. As notas fiscais seriam comuns e emitidas apenas por ocasião da efetiva entrega. O lançamento contábil seria apenas financeiro e não haveria qualquer obrigação acessória de controle de mercadoria. 92. A defesa, portanto, não só deixou de comprovar o que alega. Na verdade, sua alegação é incoerente com o fato de terem sido emitidas notas fiscais de saída no curso do período auditado. Soma-se à fundamentação acima, o entendimento sumulado de que o arbitramento não é invalidado pela superveniente apresentação dos documentos que permitiriam a apuração do crédito tributário, mas que não foram fornecidos durante a fiscalização, o que também afasta o pleito de conversão em diligência no presente caso. Súmula CARF nº 59 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 29/11/2010 A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 3 DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, e por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Lucas Issa Halah Fl. 17184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 1201-007.516 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720786/2017-60 13 Fl. 17185DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Admissibilidade 1.1 Recurso de Ofício Necessário 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 Admissibilidade 2.2 DIREITO 3 DISPOSITIVO

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Numero do processo: 11080.738405/2018-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2019 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Conforme decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), prolatada sob a sistemática da repercussão geral, é inconstitucional a multa exigida por compensação não homologada, decisão essa que, por força regimental, deve ser reproduzida pelos conselheiros do CARF.
Numero da decisão: 3201-013.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.254, de 14 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 11080.735732/2018-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-03T17:40:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-03T17:40:59Z; Last-Modified: 2026-06-03T17:40:59Z; dcterms:modified: 2026-06-03T17:40:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-03T17:40:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-03T17:40:59Z; meta:save-date: 2026-06-03T17:40:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-03T17:40:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-03T17:40:59Z; created: 2026-06-03T17:40:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2026-06-03T17:40:59Z; pdf:charsPerPage: 1516; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-03T17:40:59Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.738405/2018-25 ACÓRDÃO 3201-013.256 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 14 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ALIBEM ALIMENTOS S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2019 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Conforme decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF), prolatada sob a sistemática da repercussão geral, é inconstitucional a multa exigida por compensação não homologada, decisão essa que, por força regimental, deve ser reproduzida pelos conselheiros do CARF. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.254, de 14 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 11080.735732/2018-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Fl. 117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.256 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738405/2018-25 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado, recurso esse manejado em razão da Notificação de Lançamento em que se exigiu a multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, decorrente da homologação apenas parcial da compensação de créditos da Cofins não cumulativa declarada em outro processo administrativo. Na Impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento integral do auto de infração, aduzindo (i) inexistência de má-fé, (ii) pendência de julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), do Recurso Extraordinário nº 796.939, cuja repercussão geral foi reconhecida, com prolação do Parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) em prol da inconstitucionalidade da multa isolada, (iii) ocorrência de bis in idem na exigência da multa isolada cumulada com a multa de mora e (iv) caráter confiscatório da multa de 50%, considerando-se a prévia multa de 20% aplicada. A DRJ julgou improcedente a Impugnação, argumentado que a não homologação da compensação havia sido mantida no julgamento de primeira instância no outro processo administrativo, encontrando-se suspensa a exigibilidade da multa destes autos, penalidade essa aplicada com base em dispositivo legal vigente, não passível de afastamento com base em jurisprudência sem efeitos erga omnes ou por ofensa a princípios, cuja análise vai além da competência do julgador administrativo. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. A par do recurso interposto, este colegiado resolveu sobrestar o julgamento do presente feito até o julgamento definitivo do processo vinculado relativo à compensação, quando seu valor deveria ser reapurado de acordo com o decidido em tal processo, sem prejuízo da observância do que viesse a ser decidido definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 796.939. Efetivada a condição, os presentes autos retornaram ao colegiado para prosseguimento. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.256 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738405/2018-25 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de notificação de lançamento lavrada para se exigir a multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em razão do fato de que a compensação declarada no processo administrativo nº 11080.906093/2013-84 havia sido homologada apenas em parte pela repartição de origem. O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário nº 796.939 (Tema 736), submetido à sistemática da repercussão geral e já transitado em julgado, decidiu pela inconstitucionalidade da multa sob comento, conforme se verifica da seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Fl. 119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.256 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738405/2018-25 4 Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. (g.n.) Por força do comando constante do art. 99 do Regimento Interno do CARF (RICARF), referida decisão do STF deve ser reproduzida pelos conselheiros Fl. 120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.256 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738405/2018-25 5 do CARF,1 razão pela qual vota-se por dar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator 1 Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 121DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15540.720026/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que serão aplicadas as seguintes multas. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 1102-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, (ii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário - vencidos os Conselheiros Gustavo Schneider Fossati (Relator), Cristiane Pires McNaughton e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cassiano Romulo Soares. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati – Relator Assinado Digitalmente Cassiano Romulo Soares – Redator designado Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gabriel Campelo de Carvalho, Gustavo Schneider Fossati, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO SCHNEIDER FOSSATI

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CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, (ii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário - vencidos os Conselheiros Gustavo Schneider Fossati (Relator), Cristiane Pires McNaughton e Gabriel Campelo de Carvalho, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cassiano Romulo Soares. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati – Relator Fl. 735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 2 Assinado Digitalmente Cassiano Romulo Soares – Redator designado Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gabriel Campelo de Carvalho, Gustavo Schneider Fossati, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Transcrevo o relatório da DRJ, para fins de economia processual e melhor compreensão do caso: Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ relativo ao ano calendário de 2009. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 04/07 e 14/17) exige o recolhimento de R$ 6.808.115,63 de imposto, R$ 5.106.086,72 de multa de lançamento de ofício, e R$ 2.197.605,25 de multa exigida isoladamente, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 08/13: Ajustes do Lucro Líquido do Exercício. Adições não computadas na apuração do lucro real: no período de 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 3° e 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; arts. 247 e 249 do RIR/1999. Multa de 75%; Regime Tributário de Transição – RTT. Ajuste do RTT efetuado indevidamente: no período de 31/12/2009. Enquadramento legal nos art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Multa de 75%; Multa ou juros isolados. Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada: no período de 12/2009. Enquadramento legal no art. 44 Fl. 736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 3 inciso II “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 222 e 843 do RIR/1999. 3. Cientificada em 29/01/2014, conforme assinatura na fl. 05, em 28/02/2014, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 136/165, acompanhada dos documentos de fls. 166/319, que se resume a seguir: OS FATOS a. A Impugnante é uma pessoa jurídica que recolhe o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL") pela sistemática do lucro real anual. b. No entanto, em estrito cumprimento à legislação fiscal, a Impugnante efetua pagamentos antecipados desses tributos, segundo estimativas calculadas com base na receita bruta auferida mensalmente. c. Ocorre que a D. Fiscalização da Receita Federal do Brasil ("RFB") atribuiu à Impugnante, no exercício de 2009, a prática das seguintes infrações à legislação tributária: (i) ausência de adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL do valor de R$12.670.493,74, escriturado na sua Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") no campo "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade". Segundo a D. Fiscalização, esse lançamento na DIPJ, na verdade, corresponderia a um ajuste relativo ao Regime Tributário de Transição ("RTT"), de que trata a Lei n° 11.941/2009, e deveria ter sido adicionado ao lucro real da Impugnante, pelo que a autuação exige o IRPJ, a CSLL, multa de ofício de 75% e juros moratórios (Partes I e IV do Termo de Constatação Fiscal); (ii) ausência de adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL do lucro no valor de R$14.561.968,80, auferido no exterior e registrado em balanço pela Subsea 7 Marine LLC, empresa controlada pela Impugnante, domiciliada nos Estados Unidos da América, embora não distribuído à Impugnante, nos termos do artigo 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 ("Lucro Auferido por Controlada no Exterior"). Nesse ponto, a autuação adicionou esse valor ao lucro real e exige o IRPJ, a CSLL, multa de ofício de 75% e juros moratórios (Partes II e V do Termo de Constatação Fiscal); e (iii) como os valores mencionados nos itens (i) e (ii) acima foram adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL no mês de dezembro de 2009, a D. Fiscalização da RFB entendeu que o valor do recolhimento da Fl. 737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 4 estimativa mensal desses tributos referente a esse mês estaria equivocado ("Não Recolhimento de Parte das Estimativas") e, além das exigências fiscais mencionadas acima, exige multa isolada de 50% do valor do tributo, por erro no recolhimento de parte da estimativa referente a esse mês (Partes III e VI do Termo de Constatação Fiscal). d. Embora discorde de todas as exigências fiscais em comento, por questões de conveniência e oportunidade, a Impugnante irá contestar, de forma integral, apenas as supostas infrações mencionadas nos itens (i) e (iü) acima ("Ajuste às Normas Internacionais de Contabilidade" e "Não Recolhimento de Parte das Estimativas"). e. No que se refere à suposta infração mencionada no item (ii) acima ("Lucro Auferido por Controlada no Exterior"), a Impugnante esclarece que já quitou a 3 DRJ/CTA Processo 15540.720026/2014-41 Acórdão n.º 06- 58.938 Fls. 5 maior parte do débito relativo a essa infração mediante compensação tributária (doe. n° 5). A única irresignação da Impugnante nesse ponto, a justificar a quitação apenas parcial, consoante será demonstrado adiante, diz respeito à forma de cálculo do débito, que não levou em consideração os reflexos derivados da utilização dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL e das demais exclusões legais, após a adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do valor exigido pela D. Fiscalização da RFB. A ILEGALIDADE DA TRIBUTAÇÃO DO VALOR ESCRITURADO NO CAMPO "AJUSTES ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE" DA DIPJ. A Nulidade do Auto de Infração - Lavratura com Base em Meros Indícios e Presunções f. Consoante demonstrado no item 5(i) acima, pela análise das partes I e IV do Termo de Constatação Fiscal do referido auto de infração, verifica-se que a D. Fiscalização da RFB pretende tributar pelo IRPJ e pela CSLL, por meio da adição à base de cálculo desses tributos, o valor do lançamento contábil mencionado pela Impugnante nas suas demonstrações fiscais e contábeis e indicado na linha 38 da Ficha 37A da DIPJ, sob a rubrica "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade". g. De acordo com o auto de infração, o valor de R$12.670.493,74 teria a natureza de um ajuste relativo ao RTT de que trata a Lei n° 11.941/2009, servindo para expurgar, para fins fiscais, os efeitos das alterações das normas contábeis e societárias promovidos pela Lei n° 11.638/2007, de forma a se manter a neutralidade tributária. h. O auto de infração relata que a Impugnante optou por aderir ao RTT para o ano-calendário de 2009, devendo, por isso, adicionar ao seu lucro Fl. 738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 5 tributável eventuais rendimentos que fossem auferidos com base nas regras contábeis previstas antes da edição da Lei n° 11.638/2007, conforme determina o artigo 16 da Lei n° 11.941/2009, de modo a anular quaisquer despesas ou receitas decorrentes das novas regras i. Logo, por ter aderido ao RTT, bem como ter lançado R$12.670.493,74, a título de "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade" em sua DIPJ, a D. Fiscalização acabou por entender que seria correta a inclusão desse montante nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referentes ao ano- calendário de 2009. j. Ocorre que, com a devida vénia, a exigência fiscal em referência é nula nesse ponto, na medida em que partiu de meros indícios e presunções para sustentar a cobrança do IRPJ e da CSLL sobre os valores indicados na linha 38 da Ficha 37A de sua DIPJ do ano-calendário de 2009. k. Em momento algum, a D. Fiscalização demonstrou que o valor em questão corresponderia a uma receita tributável, ou, mais precisamente, a um valor que deveria ser objeto de adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. l. Na verdade, a D. Fiscalização da RFB simplesmente presumiu tudo isso, com base apenas e tão somente em inferências feitas a partir da denominação da rubrica em que esses valores estavam escriturados: "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade", o que, data vénia, não é determinante para a definição da verdadeira natureza dos valores em questão. Vale ressaltar, como mencionado no Termo de Constatação Fiscal do auto de infração, que, em resposta apresentada pela Impugnante durante o processo de fiscalização, foi consignado expressamente que os valores discriminados sob essa rubrica teriam a natureza de "ajuste de avaliação patrimonial", nos termos da legislação contábil e fiscal, e que, portanto, não deveriam ser objeto de tributação. n. Mesmo assim, a D. Fiscalização da RFB não procedeu a um exame mais detido da natureza desses valores, analisando minimamente a documentação fiscal e contábil apresentada pela Impugnante. o. Mas, muito pelo contrário, a D. Fiscalização simplesmente presumiu que os valores indicados na linha 38 da Ficha 37A da DIPJ do ano-calendário de 2009 da Impugnante deveriam ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sem mesmo efetuar maiores investigações a respeito da real natureza desses valores. p. Como se sabe, nos termos do artigo 142 do CTN e do artigo 10, incisos III e IV do Decreto n° 70.235/1972, a D. Fiscalização apenas tem competência Fl. 739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 6 para lavrar autos de infração quando verificar de fato a ocorrência de infração à legislação tributária, apontando de forma precisa e pontual a materialidade tributável. Não se pode, em hipótese alguma, desvirtuar a utilização do auto de infração, que é a penalização do contribuinte pelo descumprimento da legislação tributária. Como consequência lógica, na hipótese em que não ocorre uma infração, certamente não há que se falar em lavratura de auto de infração. q. No caso em questão, não há a caracterização de qualquer infração à legislação tributária por parte da Impugnante, pois, conforme já demonstrado, a D. Fiscalização entendeu, sem qualquer prova ou base legal, que um determinado valor, que consta na DIPJ como "ajuste de avaliação patrimonial", mais precisamente no campo "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade", deveria ser adicionado às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. r. Resta claro, portanto, que o auto de infração lavrado pela D. Fiscalização Federal é nulo de pleno direito por total ausência da demonstração da prática da infração pela Impugnante, simplesmente em razão da falta de esclarecimentos acerca da natureza dos valores que deveriam ser computados nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. s. Não se pode lavrar autos de infração com base em meras presunções e indícios, transferindo-se ao contribuinte o ônus da prova da não ocorrência do fato gerador, consoante os ensinamentos de Samuel Monteiro: "O grande pecado do Fisco foi e continua sendo o de querer cobrar tributos, partindo de presunção fiscal, que inverte e subverte o ordenamento jurídico do País, na medida em que primeiro se considera o contribuinte culpado, para que este prove a sua inocência depois." t. O princípio do contraditório e a presunção de inocência até prova em contrário seriam desprezados, se fosse admitida como legítima a aceitação da presunção como meio de prova de acusação. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, para poder penalizar o contribuinte, deve se basear na realidade concreta dos fatos ocorridos para verificar a regularidade ou não da sua conduta. u. Daí se depreende, portanto, que o auto de infração lavrado nessas bases sequer deve ter seu mérito examinado. Afinal, não há o que se examinar na ausência de menção aos elementos fáticos que deveriam fundamentar a autuação, bem como na falta de indicação de uma justificativa plausível para lavratura do auto de infração. A Natureza Jurídica do Valor Discriminado nos "Ajustes às Normas Internacionais De Contabilidade" - A Fl. 740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 7 Receita de Variação Cambial do Investimento em Controlada no Exterior e sua Não Tributação pelo IRPJ e pela CSLL v. Mas, ainda que se pudesse desconsiderar a preliminar de nulidade acima e se passasse ao exame da natureza jurídica do valor mencionado na referida rubrica de "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade", percorrendo-se o caminho que deveria ter sido trilhado no curso da ação fiscal, chega-se à constatação muito evidente de que o auto de infração não tem como prosperar também no mérito, com relação a essa infração. w. O valor de R$12.670.493,74, escriturado sob a rubrica em referência, não deve ser incluído nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na medida em que não se trata de qualquer receita tributável, mas de mero ajuste de variação cambial do valor do investimento detido pela Impugnante em controlada localizada no exterior. x. Como se trata de investimento feito no exterior, contabilizado em dólares americanos (US$), eventual apreciação ou depreciação dessa moeda em relação ao real (R$) gera efeitos positivos ou negativos no valor contábil do investimento que, todavia, para fins fiscais são neutros e não devem gerar quer receita tributável quer despesa dedutível, ao menos até a alienação, a liquidação ou a baixa do investimento, sendo contabilizados no patrimônio líquido da Impugnante como ajustes de avaliação patrimonial, em conta específica. y. Para se chegar à constatação da natureza dessa rubrica, bastaria à D. Fiscalização da RFB fazer um exame mínimo e até superficial dos documentos fiscais e contábeis da Impugnante do exercício de 2009. z. Na página 1 de 34 das demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2010 e de 2009 e do relatório dos auditores independentes (doe. n° 6) da Impugnante, auditadas por firma de auditoria independente de renome internacional, onde consta o balanço patrimonial, há a clara indicação, na parte relativa ao Patrimônio Líquido da Impugnante, da rubrica de "Ajuste de avaliação patrimonial", no valor arredondado de R$12.671 milhões. aa. Uma simples leitura das notas explicativas do balanço da Impugnante, que merecem ser observadas por serem parte integrante de suas demonstrações financeiras, elucida a natureza do ajuste em questão, mais precisamente no item (f) da Nota Explicativa 2.2 (Resumo das principais políticas contábeis): "Investimentos em controlada. Os investimentos em sociedade controlada são registrados e avaliados pelo método de equivalência patrimonial, reconhecida no resultado do exercício como receita (ou despesa) operacional. No caso de variação cambial de Fl. 741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 8 investimento em controlada no exterior, que apresenta moeda funcional diferente da Empresa, as variações no valor do investimento decorrentes exclusivamente de variação cambial são registradas na conta 'Ajuste de avaliação patrimonial', no Patrimônio líquido, e somente são registrados ao resultado do exercício quando o investimento for vendido ou baixado para perda. Para efeitos do cálculo de equivalência patrimonial, ganho ou transações a realizar entre a Empresa e sua controlada são eliminados na medida da participação da empresa; perdas não realizadas também são eliminadas, a menos que a transação forneça evidências de perda permanente Oimpairment') do ativo transferido." (original não grifado) bb. Isto é, o montante de R$12.671 milhões contabilizado pela Impugnante tem natureza "de variação cambial de investimento em controlada no exterior, que apresenta moeda funcional diferente da Empresa". cc. Ora, analisando o valor lançado pela Impugnante na linha 38 da Ficha 37A da DIPJ do ano-calendário de 2009 verifica-se que o lançamento contábil indicado pelo auto de infração é precisamente esse lançamento descrito no item (f) da Nota Explicativa 2.2 das demonstrações financeiras da Impugnante. Esse lançamento que consta do patrimônio líquido da Impugnante, na conta "ajustes de avaliação patrimonial", está escriturado com o seu valor preciso de R$12.670.493,74 na DIPJ, que corresponde ao valor arredondado de R$12.671 milhões, discriminado nas demonstrações financeiras. dd. Como se não bastasse, a natureza de resultado de variação cambial de investimento no exterior também pode ser inferida do plano de contas da Impugnante. Isto porque o ajuste no valor de R$12.670.493,74 é equivalente ao saldo, em 31.12.2009, da Conta "B381000 - Conversión Accumulated Adjustments" (doe. n° 7), isto é, uma conta de ajustes de conversão acumulada, onde são contabilizados os ajustes de variação cambial do referido investimento da Impugnante na Subsea 7 Marine LLC. ee. Assinale-se que no "Balanço Patrimonial Encerrado em 31 de Dezembro de 2009" da "SUBSEA 7 DO BRASIL SERVIÇOS LTDA E CONTROLADA" o referido ajuste de R$12.670.493,64 é indicado novamente no patrimônio líquido como "Ajustes Acumulados de Conversão". ff. Frise-se que o valor em questão foi informado, como ressaltado anteriormente, na Ficha 37A da DIPJ, na Parte denominada "Patrimônio Líquido - Ajustes de Avaliação Patrimonial", linha 38, no campo relativo à "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade". Fl. 742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 9 gg. O próprio programa da Receita Federal que trata da DIPJ de 2010 menciona, com relação à referida linha, que ela deve ser utilizada para indicação de contrapartidas de ativos ou passivos contabilizados como ajustes de avaliação patrimonial, que não integram o resultado da empresa. Confira-se abaixo a orientação fornecida pela própria Receita Federal do Brasil para a escrituração nesse campo: "Informar, nesta linha, o saldo das contrapartidas de aumento de valor atribuídos a elementos do ativo ou de diminuições de valor atribuídos a elementos do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos na Lei n° 6.404, de 1976, ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta mesma Lei." hh. Como sabido, por força das alterações promovidas na Lei n° 6.404/1976, pelas Leis n°s 11.638/2007 e 11.941/2009, os ajustes de avaliação patrimonial compõem o patrimônio líquido das sociedades, abrangendo valores que não devem ser computados no resultado. Na forma do artigo 182, § 3o, da Lei n° 6.404/1976, nessa conta são incluídos os seguintes valores: "Art. 182 (...) Serão classificadas como aiustes de avaliação patrimonial. enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3a do art. 177 desta Lei." (original não grifado) ii. Como se depreende da própria natureza da conta em que o lançamento mencionado no auto de infração foi escriturado, o "ajuste de avaliação patrimonial" é uma conta relativa à contrapartida de aumentos ou diminuições de ativos ou passivos "não computadas no resultado do exercício". Ou seja, pela própria natureza desse registro na DIPJ não haveria que se falar em adição do valor de R$12.670.493,74 às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na medida em que esse montante não deveria compor o resultado do exercício. jj. Como as variações cambiais no caso concreto representam a contrapartida de aumentos ou reduções do valor do investimento da Impugnante em controlada localizada no exterior, no caso na Subsea 7 Marine LLC - elemento do ativo -, esses valores foram registrados como "ajuste de avaliação patrimonial", na forma da lei societária e contábil, não Fl. 743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 10 havendo que se falar em sua adição ao lucro líquido do exercício, para fins tributários. kk. As próprias normas editadas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis ("CPC"), que, na forma do artigo 182, § 3o c/c artigo 177, § 3o da Lei n° 6.404/1976, podem tratar dos valores a serem classificados como "ajustes de avaliação patrimonial", dispõem sobre a classificação das variações cambiais nessa conta do patrimônio líquido. ll. Com efeito, o Pronunciamento CPC n° 26, que regula a apresentação das demonstrações contábeis, em suas definições preliminares, trata dos "Outros resultados abrangentes", que compreendem "os itens de receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração do resultado como requerido ou permitido pelos Pronunciamentos, Interpretações e Orientações emitidos pelo CPC". E a definição em questão inclui como um dos itens a ser classificado nessa categoria, justamente, "os ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior (ver Pronunciamento Técnico CPC 02 - Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis)". mm. Em suma, analisando-se conjuntamente, as demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2010 e de 2009, o relatório dos auditores independentes, o plano de contas da Impugnante, o seu balanço contábil e a própria DIPJ de 2010, referente ao exercício de 2009, conclui- se que o valor de R$12.670.493,74 corresponde ao ajuste da variação cambial do investimento da Impugnante em sua controlada, que não deveria ser adicionado às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. nn. A tributação da variação cambial em questão antes da alienação, liquidação ou baixa do investimento em questão é manifestamente ilegal, pelos motivos que a Impugnante passa a expor. oo. De plano, inexiste base legal para se tributar a variação cambial positiva do valor do investimento da Impugnante, antes de sua alienação, liquidação ou baixa, até porque não há a realização de qualquer ganho que possa ser considerado para fins de disponibilização jurídica ou econômica da renda. pp. Mesmo que se admitisse, ad argumentandum tantum, uma repudiável aplicação analógica em matéria tributária do artigo 30, caput, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 ao caso concreto, seria inadmissível a exigência fiscal em questão. Isso porque, o artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001 regula apenas e tão somente os efeitos fiscais da Fl. 744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 11 variação cambial de "direitos de crédito" e das "obrigações" da Impugnante, o que não alcança o investimento em controlada no exterior. rr. Cumpre observar que, mesmo nos casos da variação cambial atrelada a direitos de crédito e a obrigações, o citado dispositivo somente determina a consideração dos efeitos tributários, salvo opção em contrário dos contribuintes, quando da liquidação da operação. ss. Ou seja, há clara demonstração de que as receitas auferidas com variações cambiais devem ser tratadas por meio do regime de caixa em detrimento do regime de competência, salvo quando o contribuinte manifestar-se pela adoção deste último regime, o que não ocorreu no caso concreto. tt. Transportando esse entendimento para a hipótese dos autos, foi exatamente esse o tratamento dado pela Impugnante, que manteve a variação cambial do investimento em sua controlada registrada em conta específica do seu patrimônio líquido, segregada do resultado, para fins de tributação apenas quando da alienação, da liquidação ou da baixa do investimento. uu. Logo, não há que se falar em adição do montante de R$12.670.493,74 às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na medida em que se trata de variação cambial de investimento em controlada estrangeira, passível de tributação apenas quando da alienação, da liquidação ou da baixa do investimento na Subsea 7 Marine LLC. vv. Para se evitar qualquer tipo de questionamento sobre essa metodologia de tributação da variação cambial de investimento em controlada estrangeira, cumpre ressaltar que esse montante não poderia ser tributado em razão do disposto no artigo 7o da Instrução Normativa n° 213, de 7.10.2002 ("IN n° 213/2002"). ww. Isto porque o mencionado dispositivo legal prevê que a "contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil". xx. Ora, como a IN n° 213/2002 é um ato normativo secundário, que deve observar a lei comercial e fiscal, essa variação cambial não pode ser objeto de tributação se a própria "legislação comercial e fiscal" a que ela alude, determina que essa variação cambial do investimento não seja computada no resultado da Impugnante, consoante demonstrado acima. Fl. 745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 12 yy. Não obstante, admitindo-se que o artigo 7o da IN n° 213/2002 determinasse a tributação imediata dessa variação cambial, é de se notar que o dispositivo em questão extrapolaria em muito o artigo 74 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 que ele visa regulamentar. Isso porque este último dispositivo trata apenas da tributação dos "lucros auferidos pela controlada", não trazendo qualquer menção ao resultado positivo de equivalência patrimonial e muito menos a eventual efeito da variação cambial. Ressalta-se que essa matéria já tem sido debatida há muito tempo no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), estando a questão solucionada até mesmo na Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido da impossibilidade de cobrança do IRPJ e da CSLL sobre o saldo positivo decorrente de variações cambiais de investimento em controlada estrangeira, confira-se: aaa. Merece destaque o trecho do Acórdão n° 9101-001.638, de lavra da Conselheira Relatora Karem Jureidini Dias, que afasta por completo a aplicação do artigo 7o da IN n° 213/2002 ao caso concreto, tendo em vista que este extrapolou a previsão legal sobre a matéria: "Com efeito, ao pretender alcançar todo e qualquer ganho de MEP contabilizado pela pessoa jurídica brasileira titular de participações em controladas e coligadas no exterior, o artigo 7° da IN SRF n° 213/02 acaba por tributar resultados que não são lucros, em patente violação da legislação que rege a matéria, incluindo-se o próprio artigo 74 da MP n° 2.158-35/01, sendo justamente o dispositivo legal que referida Instrução Normativa pretende regulamentar." bbb. Com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre a impossibilidade de tributação da variação cambial positiva de investimento realizado em controlada localizada no exterior, a Impugnante apresenta outros julgados do CARF que também tratam do tema, confira-se: ccc. A matéria já é de tal maneira consolidada que as próprias Delegacias de Revisão e Julgamento da Receita Federal entendem pela impossibilidade de tributação dessas parcelas positivas de variação cambial, confira-se: ddd. Demonstração ainda mais clara de que a matéria é pacífica, está no fato de que o próprio Superior Tribunal de Justiça ("STJ") já afastou a tentativa de tributação do resultado positivo de variação cambial de investimento em controlada e coligada decorrente do método de equivalência patrimonial, confira-se: eee. Assim, tendo em vista que os valores tributados nesse ponto do auto de infração têm inequívoca natureza de ajuste de variação cambial de Fl. 746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 13 investimento detido pela Impugnante em controlada localizada no exterior, resta mais do que demonstrada a impossibilidade de inclusão do valor de R$12.670.493,74 nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, como pretendido na autuação. A NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL DA IMPUGNANTE PARA FINS DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL fff. Nesse ponto, a Impugnante irá demonstrar que houve erro na exigência fiscal em comento, notadamente no cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos pela D. Fiscalização da RFB. Isso porque, apesar de terem sido adicionados vultosos valores ao resultado da Impugnante, não foram recompostos os montantes dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL. ggg. Explica-se melhor. De acordo com os artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981, de 20.1.1995 ("Lei 8.981/1995"), as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL poderão ser reduzidas pelos prejuízos fiscais e pelas bases de cálculo negativas de CSLL apurados em períodos anteriores até o máximo de 30%. hhh. Fls. 12 No presente caso, a Impugnante possuía, e ainda possui, prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL acumulados, conforme depreende-se da análise da Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real ("LALUR") e de sua DIPJ (doe. n° 8 ). iii. Logo, como ocorreu o aumento do lucro tributável da Impugnante para o ano de 2009, em razão da adição do lucro auferido por sua controlada estrangeira, o montante compensável pelos prejuízos fiscais e pelas bases de cálculo negativas de CSLL acumulados pela Impugnante também deveria ter sido aumentado. jjj. Isto é, uma vez majoradas as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL também devem ser aumentados os montantes máximos dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL acumulados que são compensáveis para fins de determinação do IRPJ e da CSLL devidos no ano- base. kkk. Entretanto, esse ajuste no lucro tributável da Impugnante não foi feito quando da lavratura do auto de infração. Ou seja, houve a cobrança do IRPJ e da CSLL sem antes ocorrer a redução de suas bases de cálculo pela compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL acumulados pela Impugnante. lll. Além disso, cabe destacar que essa majoração do lucro tributável também tem efeitos na determinação da dedução do valor relativo ao Fl. 747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 14 Programa de Alimentação do Trabalhador ("PAT"), que também deve ser considerado para fins de apuração do débito final de IRPJ e CSLL a pagar. mmm. Desse modo, ainda que se entenda pela manutenção da adição do valor de R$12.670.493,74 mencionada no tópico acima e nas Partes I e III do Termo de Constatação Fiscal, deve ser corrigido o percentual dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL passíveis de compensação e do PAT, com a redução dos tributos exigidos. nnn. Aliás, mesmo na parte da autuação fiscal que a Impugnante ora deixa de impugnar, referente à adição de R$14.561.968,80, mencionada nas Partes II e V do Termo de Constatação Fiscal, relativa aos lucros auferidos no exterior por sua controlada, deve ser refeito o cálculo para se considerar os ajustes mencionados acima. ooo. Na oportunidade, a Impugnante esclarece que só realizou a compensação da parcela do débito relativa a esse ponto considerando os valores de IRPJ e de CSLL devidos a partir do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL já recompostos, conforme anexo quadro analítico (doe. n° 9). ppp. Cumpre ressaltar que a jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que deve haver o reajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de modo a se considerar o aumento do valor dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL que poderiam ser compensados pelo contribuinte, consoante se verifica do seguinte precedente: qqq. Assim, diante do reajuste do seu lucro tributável, a Impugnante requer o reajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL indicados no auto de infração em referência, de modo que seja computado no valor devido pela Impugnante o aumento proporcional dos prejuízos fiscais, das bases de cálculo negativas da CSLL e da dedução do PAT. 11 DRJ/CTA Processo 15540.720026/2014-41 Acórdão n.º 06-58.938 rrr. Fls. 13 Por ser pertinente, a Impugnante esclarece que os tributos, multas e juros pagos, via compensação, levaram em consideração as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidamente ajustadas, conforme anexo quadro analítico (vide doe. n° 9). A IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DE MULTA POR FALTA DE ADIÇÃO DE VALORES ÀS ESTIMATIVAS DO IRPJ E DA CSLL RECOLHIDAS PELA IMPUGNANTE sss. Como visto acima, em especial no item 5 (iii) da impugnação, nas Partes III e VI do Termo de Constatação Fiscal, a D. Fiscalização da RFB Fl. 748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 15 exige também a multa isolada por suposta falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL no pagamento correspondente à estimativa de dezembro de 2009. ttt. Data máxima vénia, a Impugnante não pode admitir a exigência dessa penalidade de forma concomitante à exigência dos valores de IRPJ e de CSLL calculados sobre o lucro, acrescidos de multa de ofício de 75% e de juros de mora. uuu. Ora, o IRPJ e a CSLL tem fato gerador anual, que se aperfeiçoa no dia 31 de dezembro do respectivo ano. Dessa forma, os pagamentos mensais feitos pela Impugnante referentes às estimativas, são meras antecipações dos tributos efetivamente devidos no ano. Assim, a cobrança do valor dessas estimativas e eventuais multas a elas correspondente não tem mais razão de ser uma vez encerrado o período de apuração anual, e apurado o débito de IRPJ e de CSLL definitivo relativo ao exercício. vvv. Assim, encerrado o período de apuração anual do IRPJ e da CSLL, não pode ser imposta a multa isolada de 50% do imposto devido, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27.12.1996 ("Lei n° 9.430/1996"), mesmo que sejam verificadas incorreções nas estimativas mensais apuradas e pagas pelo contribuinte. www. Essa multa só é cabível no caso de se apurar erros nas estimativas em ação fiscal realizada no curso do ano em que é lavrada a autuação pela RFB. xxx. Ou seja, encerrado o exercício fiscal, eventual falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL definitivamente apurados deve ser exigida em conjunto da multa de ofício de 75% do imposto devido, conforme previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, consoante ocorrido no caso concreto. yyy. Não é possível cumular a multa de ofício de 75% com a multa isolada de 50%, sob pena de se punir duas vezes um mesmo fato, o não recolhimento de tributo, em um bis in idem repudiável. zzz. Cumpre ressaltar que esse tema já foi, inclusive, pacificado na jurisprudência administrativa, com decisão proferida pela Câmara Superior do CARF no sentindo de impossibilidade de aplicação da multa de 50% pela falta de recolhimento de valores a título de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL, quando já encerrado o período de apuração, confira-se: aaaa. Desse modo, a Impugnante requer, desde já, o cancelamento da multa isolada imposta pelo auto de infração em referência, de modo que a exigência fiscal formulada esteja alinhada ao entendimento pacificado na esfera administrativa. Fl. 749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 16 bbbb. A CONCLUSÃO - O PEDIDO Por todo o exposto, a Impugnante tem por demonstrado que: (i) a exigência da adição do valor de R$12.670.493,74, discriminado no campo "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade" às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, formulada nos itens I e IV do Termo de Constatação Fiscal do auto de infração, é nula de pleno direito, tendo em vista que o auto de infração está baseado em meros indícios e presunções, na medida em que em momento algum demonstra a natureza da adição; (ii)o valor discriminado no campo "Ajustes às Normas Internacionais de Contabilidade" encontra-se registrado em uma conta de ajuste de avaliação patrimonial, sem transitar pelo resultado. Ele tem a natureza de uma contrapartida da variação cambial do investimento da Impugnante em controlada localizada no exterior, não devendo ser tributado até a alienação, a baixa ou a liquidação desse investimento, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF e pelo STJ; (iü) a adição dos valores indicados no auto de infração às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dá ensejo à necessidade de elevação do montante dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL passíveis de compensação no período, bem como à majoração da dedução do PAT. Tudo isso deve ser levado em consideração quando do cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos, diferentemente do que consta na autuação fiscal; (iv) a Impugnante quitou a parte do auto de infração relativa à adição dos lucros auferidos no exterior pela sua controlada Subsea 7 Marine LLC, formulada nos itens II e V do Termo de Constatação Fiscal do auto de infração, mediante compensação tributária. No entanto, o cálculo da Impugnante apura os valores de IRPJ e de CSLL devidos já refletindo os ajustes descritos no item (iü) acima; (v) é inaplicável a multa isolada de 50% exigida nos itens III e VI do Termo de Constatação Fiscal do auto de infração, pelo recolhimento a menor das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, de forma cumulativa com a multa de 75% aplicada no caso concreto, consoante precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. cccc. Por todo o exposto, a Impugnante respeitosamente requer, preliminarmente, o acolhimento da presente impugnação, para se declarar a nulidade das exigências descritas nas Partes I e IV do Termo de Constatação Fiscal do auto de infração em referência. Fl. 750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 17 dddd. Caso seja superada essa arguição de nulidade, o que se admite somente por amor ao debate, a Impugnante requer que Vossa Senhoria acolha a presente impugnação, de modo a julgar improcedentes as exigências descritas nas Partes I, III, IV e VI do Termo de Constatação Fiscal do auto de infração em referência, bem como a ajustar os valores cobrados nas Partes II e V do Termo de Constatação Fiscal do auto de infração em referência, tendo em vista o aumento dos prejuízos fiscais, das bases de cálculo negativas da CSLL e da dedução do PAT, que devem ser considerados para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL exigidos. eeee. A Impugnante protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, notadamente por meio de juntada de prova documental suplementar e da realização de diligência, ocasião em que desde já nomeia como sua assistente técnica a Sra. Vanessa Aparecida Correa de Pinho, brasileira, contadora, portadora da carteira de identidade n° 091729/O-6, expedida pelo CRC/RJ em 13.6.2006, inscrita no CPF sob o n° 092313727-00, com escritório na Rua Engenheiro Fábio Goulart, n° 155 - parte, Ilha da Conceição, no Município de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, telefones (21) 2621-9013 e 979134445, e-mail: vanessa.pinho@subsea7.com, juntando a anexa lista de quesitos, protestando ainda pela apresentação de quesitos suplementares ou elucidativos. LISTA DE QUESITOS 1. Queiram os Srs. Perito e Assistente Técnico descrever quais foram os motivos adotados pelo Ilustre Auditor Fiscal da RFB para lavrar o auto de infração discutido no presente feito. gggg. 2. Queiram os Srs. Perito e Assistente Técnico informar se as demonstrações financeiras da Impugnante merecem fé ou possuem quaisquer vícios ou incorreções que comprometam a sua conferência. hhhh. 3. Queiram os Srs. Perito e Assistente Técnico informar se é possível identificar a natureza do valor declarado pela Impugnante na linha 38 da Ficha 37A de sua DIPJ do ano-calendário de 2009, especialmente com base nas informações contidas em seus documentos financeiros, contábeis e fiscais. Em caso positivo, queiram os Srs. Perito e Assistente Técnico informar qual a natureza desse valor. iiii. 3. Queiram os Srs. Perito e Assistente Técnico proceder ao recalculo dos débitos de IRPJ e de CSLL considerando os reajustes dos prejuízos fiscais, das bases de cálculo negativas da CSLL e da dedução do PAT que devem ser feitos em função das adições realizadas na autuação fiscal. jjjj. 4. Queiram os Srs. Perito e Assistente Técnico tecer quaisquer comentários adicionais relevante ao caso e que porventura não estejam mencionados nos quesitos acima formulados. Fl. 751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 18 4. Parte do crédito tributário foi transferido para o processo n° 15536.720.013/2014-31, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário de fl. 332, datado de 11/04/2014. 5. Às fls. 348/349 consta despacho proferido pela 2ª Turma da DRJ/Curitiba, solicitando diligência junto à DRF/Niterói, a fim de que o auditor fiscal se manifestasse quanto às alegações e documentos juntados na impugnação. 6. A DRF/Niterói cumpriu a solicitação, conforme Termo de Verificação e Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 562/565. O contribuinte apresentou as razões de fls. 569/662. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte. A ementa consignou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. RTT. NEUTRALIDADE TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. O regime tributário de transição (RTT), que visou promover a neutralidade tributária nos períodos 2008 e 2009, previa ajustes, positivos ou negativos, em caso de o resultado ser afetado pela incidência das novas regras contábeis introduzidas pela Lei n° 11.638/2007, sendo ônus da fiscalização provar eventual diferença de resultado. IMPOSTO DE RENDA. INVESTIMENTO EM CONTROLADA NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. AJUSTE. A parcela do ajuste do valor do investimento em controlada, direta ou indireta, domiciliada no exterior, relativa à variação cambial, não deve ser computada na determinação do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada pode ser cumulada com multa de ofício, eis que não há coincidência de base de cálculo, pois esta incide sobre a parcela do IRPJ ou CSLL, apurados ao final do período, que deixou de ser paga ou declarada, e aquela incide sobre a estimativa mensal que deixou de ser recolhida. MULTA ISOLADA. EXIGIBILIDADE APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO SEM APURAÇÃO DO IMPOSTO. Fl. 752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 19 Não cabe alegar impossibilidade de exigência da multa isolada após encerrado o ano base sem falta de pagamento de tributo, já que a lei dispõe expressamente que a penalidade incide ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No presente Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta:  A exclusão do débito de IRPJ do presente processo, visto que já foi objeto de extinção via compensação (PER/DCOMP);  O cancelamento da multa isolada, ante a impossibilidade de sua cumulação com a multa de ofício sobre o ajuste anual, invocando a Súmula CARF nº 105. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Gustavo Schneider Fossati, Relator. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão, pela qual, dele conheço. Do acórdão da DRJ se recorreu de ofício ao CARF, em conformidade com o art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/1972. No entanto, a Portaria MF nº 2/2023 prevê que se recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (art. 1º). A Súmula CARF nº 103 estatui que, “para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica- se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância”. O presente processo possui por objeto a cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 16.619.917,40, conforme indicado no auto de infração (fl. 4). A decisão da DRJ julgou parcialmente procedentes os lançamentos, para reduzir a exigência de IRPJ para R$ 2.487.184,27, com multa de ofício de R$ 1.865.388,20, e a multa Fl. 753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 20 isolada para R$ 37.139,58, totalizando R$ 4.389.712,05. Assim, a DRJ exonerou o sujeito passivo do pagamento de R$ 12.230.205,35. Este valor de exoneração é inferior a R$ 15.000.000,00. Portanto, o recurso de ofício não deve ser conhecido. Da Impossibilidade de Cumulação das Multas A DRJ decidiu por cancelar a exigência referente à infração vinculada ao RTT, que era a discussão principal trazida na impugnação do contribuinte. Além de cancelar a parcela desse débito, acolheu o pleito da Recorrente quanto aos necessários ajustes na base de cálculo do IRPJ exigido pela fiscalização – aumento do limite de prejuízo fiscal compensável e da dedução do PAT – resultando no cancelamento praticamente integral da parcela remanescente da autuação fiscal. Na prática, manteve apenas a cobrança da multa isolada de 50% sobre a estimativa mensal, considerando que a parcela do crédito tributário relativa aos lucros no exterior não foi impugnada, tendo sido quitada de imediato, mediante compensação. Subsiste, portanto, a análise da multa isolada de 50% sobre as estimativas. Pelo princípio da consunção, a infração relativa ao não recolhimento das estimativas mensais (infração-meio) é absorvida pela infração relativa à falta de pagamento do imposto apurado no ajuste anual (infração-fim). Portanto, a manutenção concomitante da multa isolada e da multa de ofício configuraria bis in idem, devendo a penalidade isolada ser integralmente exonerada. DISPOSITIVO Isso posto, voto por não conhecer o Recurso de Ofício e por conhecer o Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, unicamente para exonerar a multa isolada. Assinado Digitalmente Gustavo Schneider Fossati VOTO VENCEDOR Conselheiro Cassiano Romulo Soares, redator designado. Fl. 754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 21 Em primeiro lugar, destaque-se que o presente voto vencedor se restringe à exigência de multas isoladas, por inadimplemento de estimativas mensais, concomitantemente com a de multa de ofício. É bem verdade que diversas decisões do CARF caminhavam no sentido pretendido pelo contribuinte, a ponto de a compreensão resultar na edição da Súmula CARF n° 105. Ocorre que a base legal das penalidades (de ofício e isolada) sofreu sensível alteração, passando a ser contundente quanto à determinação das exigências (grifos nossos): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. O Ilustre Relator entende que o racional da Súmula CARF n° 105 deve prevalecer, independentemente da redação acima descrita promovida pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante de projeto de conversão da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007. Respeitosamente, discordo. O contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ. Tal escolha traz consigo a obrigação de antecipar mensalmente a exação, sob o rótulo de estimativa. O não cumprimento deste dever carrega consigo uma sanção legalmente prevista, ainda que a pessoa jurídica apure base de cálculo negativa da contribuição no encerramento do exercício (Súmula CARF n° 178). Verificada a transgressão, incumbe à autoridade fiscal a aplicação da penalidade, pois a atividade administrativa de lançamento é plenamente vinculada, sob pena de responsabilização funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional). As multas de ofício e isolada incidem em circunstâncias completamente distintas, ocorridas em momentos distintos, e são calculadas de modos diversos. Não há identidade de hipótese de incidência, de temporalidade, de base imponível, nem mesmo de alíquota. Considerada a alteração promovida no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, sobrevieram incontáveis julgados deste Conselho em sentido contrário ao almejado pela Recorrente. Trago exemplos: Fl. 755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 22 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)Ano-calendário: 2008 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A PARTIR DE 2007. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". [Acórdão n° 9101-006.602, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A PARTIR DE 2007. EXIGÊNCIA DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano- calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. [Acórdão n° 9101-006.543, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais] ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 [...] IRPJ E CSLL. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO ENCERRADO. POSSIBILIDADE. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o ano-calendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO. POSSIBILIDADE. Fl. 756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 23 A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, no regime do lucro real anual. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória no 351/2007 (posteriormente convertida na Lei no 11.488/2007) no art. 44 da Lei no 9.430/1996 deixa clara a possibilidade de aplicação de ambas as penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. No caso em análise, não se aplica a Súmula CARF no 105, pois a multa isolada foi exigida após as alterações promovidas pela referida Medida Provisória no 351/2007. [Acórdão n° 9303-014.450, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE, PARA FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. O disposto na Súmula nº 105 do CARF, que diz que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício, aplica-se somente aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que foi alterada pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua nova redação, de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente. [Acórdão n° 9303-010.833, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)Ano-calendário: 2007 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. No caso de falta de recolhimento de estimativa mensal, o art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, com alterações promovidas pela Lei nº 11.488 de 2007, prevê a imposição de multa de 50%, mesmo no caso de apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, sendo exigida isoladamente, de modo que pode ser exigida mesmo após o encerramento do exercício. Tal entendimento está expresso na súmula CARF n° 178. Fl. 757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.865 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720026/2014-41 24 [...] MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A partir do ano-calendário 2007, a alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano- calendário correspondente, não havendo falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário. [Acórdão n° 1001-002.943, da 1ª Turma Extraordinária/1ª Seção de Julgamento, relatoria do Conselheiro Sidnei de Sousa Pereira] Assim, descabida a alegação de indevida concomitância, bem como da aplicação do princípio penal da consunção. Mantêm-se, com isso, as multas isoladas exigidas. É como voto. Assinado Digitalmente Cassiano Romulo Soares Fl. 758DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 19515.720010/2021-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.A alteração do limite de alçada para interposição de recurso de ofício, por se tratar de norma processual, deve ser aplicada imediatamente, conforme súmula CARF nº103. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF 2/2023, R$ 15.000.000,00, não se conhece do recurso de ofício em razão da perda de objeto. NULIDADE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO. Nos termos do inciso I, do art. 373, da Lei nº 13.115/2015, o CPC, o ônus da prova é do autor da ação, sendo esta a Autoridade Tributária quando da autuação para lançamento de crédito tributário. Cabe à autuante a apresentação clara de sua motivação e de prova mínima do direito constituído, sem o que prejudica a defesa e cerceia o direito do contribuinte, nos termos do inciso I, do art. 59, do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3102-003.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da autuação. Vencidos os conselheiros Pedro Sousa Bispo e Sabrina Coutinho Barbosa que não identificaram nulidade na autuação. A conselheira Sabrina Coutinho Barbosa dava provimento ao recurso no mérito por entender que restou comprovado nos autos que não houve transferência de tecnologia nas operações autuadas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral. Sala de Sessões, em 23 de abril de 2026. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente e Relator Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Winderley Morais Pereira (substituto integral), Sabrina Coutinho Barbosa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Fabio Kirzner Ejchel, substituído pelo conselheiro Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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VALOR ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A alteração do limite de alçada para interposição de recurso de ofício, por se tratar de norma processual, deve ser aplicada imediatamente, conforme súmula CARF nº103. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite estabelecido pelo art. 1º da Portaria MF 2/2023, R$ 15.000.000,00, não se conhece do recurso de ofício em razão da perda de objeto. NULIDADE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA AUTUAÇÃO. Nos termos do inciso I, do art. 373, da Lei nº 13.115/2015, o CPC, o ônus da prova é do autor da ação, sendo esta a Autoridade Tributária quando da autuação para lançamento de crédito tributário. Cabe à autuante a apresentação clara de sua motivação e de prova mínima do direito constituído, sem o que prejudica a defesa e cerceia o direito do contribuinte, nos termos do inciso I, do art. 59, do Decreto nº 70.235/1972. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da autuação. Fl. 1274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 2 Vencidos os conselheiros Pedro Sousa Bispo e Sabrina Coutinho Barbosa que não identificaram nulidade na autuação. A conselheira Sabrina Coutinho Barbosa dava provimento ao recurso no mérito por entender que restou comprovado nos autos que não houve transferência de tecnologia nas operações autuadas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral. Sala de Sessões, em 23 de abril de 2026. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Winderley Morais Pereira (substituto integral), Sabrina Coutinho Barbosa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Fabio Kirzner Ejchel, substituído pelo conselheiro Winderley Morais Pereira. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante no acórdão recorrido, com os devidos acréscimos: Trata-se de lançamento de ofício relativo a CIDE, de valor principal total: R$ 12.289.861,91, fls. 258 e ss, referente à infração insuficiência de recolhimento da CIDE incidente sobre remessas de valores ao exterior, relativo ao ano-calendário 2017, lavrada com multa de ofício de 75%. Termo de verificação fiscal (fls. 264/277) 2.Em síntese, consta daquele termo o seguinte: •A Interessada, instada a apresentar os contratos firmados com as empresas (no exterior) que forneceram produtos ou serviços, no ano-calendário fiscalizado, teria apresentado ao fisco apenas uma relação de pagamentos DARF 0422 (IRRF - ROYALTIES E ASSISTÊNCIA TÉCNICA - RESIDENTES EXTERIOR) e comprovantes de remessas de valores ao exterior contendo as descrições da natureza do fato da seguinte forma: Fl. 1275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 3 o Digital River Collection (domiciliada nos EUA) - 'licença para cópias e distrib de prog de comp', 'cessão ou uso de programas de comp'; o Kaspersky Lab UK Limited (domiciliada no Reino Unido) - 'serviços de computação', 'dir.autorais- cessão', 'uso de prog. De computador', 'dir.autorais-lic.para c/e dist. De prog. De comput', 'cessão ou uso de programas de comp'; o Adobe Systems Software Ireland Ltd (domiciliada na Irlanda) - 'cessão ou uso de programas de comp', 'dir. autorais-cessão de uso de prog. De computador'. o Avast Software S.R.O. (domiciliada na República Theca) - 'dir.autorais-cessão ou uso de prog.de computador', 'cessão ou uso de programas de comp'; •As informações prestadas foram no sentido de afirmar que as remessas identificadas não estariam sujeitas a incidência da CIDE, conforme art.2°, §1°-A da Lei 10.168/2000, por se tratarem de pagamentos pela licença de direitos de comercialização de programas de computador desenvolvidos por terceiros sem transferência de tecnologia; •Como a Interessada não apresentou os contratos com as empresas (no exterior), o fisco entendeu estarem ausentes os elementos probatórios para concluir que as remessas se referiram, de fato, a licença de direitos de comercialização de programas de computador desenvolvidos por terceiros; e, ainda, que os fatos se refiram à licença de computador, não havendo prova documental probatória da não ocorrência de transferência de tecnologia; •Entendeu o fisco, assim, que as remessas estariam sujeitas à incidência da CIDE, na forma dos arts. 2°, §4°, e art. 3°, ambos da Lei n° 10.168/00. Da Impugnação (fls. 293/316 e anexos) 3.Cientificada do 'AI' em 12/02/2021 (fl. 287), e apresentando Impugnação em 12/03/2021, a Interessada aduziu, em síntese, o seguinte (com trechos sublinhados não originais): •Efetuou remessas ao exterior, pois comercializa e distribui a consumidores no Brasil licenças de uso de software desenvolvidos por terceiros (quase a totalidade pela Adobe Systems Ireland Limited-'Adobe', Avast Software s.r.o.-'Avast', e Kaspersky Lab UK Limited-'Kaspersky'; •Apresentou à fiscalização os comprovantes de recolhimentos do IRRF, as faturas (invoices) emitidas pelas desenvolvedoras (cobrando pela disponibilização dos programas) e os contratos de câmbio, que formalizaram as remessas; •Como informou inexistirem contratos específicos entre Impugnante e desenvolvedoras de software, a fiscalização entendeu inexistir prova de que as remessas se refeririam a licença de direitos de comercialização dos programas, e de que, ainda que houvesse tais contratos, não provaria a não ocorrência de transferência de tecnologia; Fl. 1276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 4 •Todavia, as remessas apresentam inequívoca natureza de remuneração pela licença de comercialização e de distribuição de programa de computador sem transferência de tecnologia; •Da Preliminar de nulidade por falta de motivação: o 'AI' padece de vício insanável por absoluta ausência de motivação, por sua brevidade e superficialidade, já que a autoridade fiscal sequer mencionou em seu TVF considerações sobre as faturas apresentadas (nas quais há informações sobre a cobrança pela disponibilização de softwares), nem quanto aos contratos de câmbio, que suportaram as remessas (onde constam explicitamente as naturezas das operações); •A Impugnante reproduz trechos de uma das invoices (fl. 297), n° 17-08513, de 22.09.2017, da empresa Kaspersky Lab: • Trata-se de fatura emitida para exigência de remuneração pela Impugnante sobre produtos vendidos no mês de julho de 2017; e a remessa respectiva foi formalizada pelo contrato de câmbio parcialmente reproduzido abaixo (que reuniu também pagamentos a beneficiárias de outras faturas) - fl. 298: Fl. 1277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 5 De acordo com este contrato de câmbio, celebrado em 2017, em data posterior à invoice apresentada, a natureza da operação corresponde a remessa a titulo de direitos autorais sobre licenças para comercialização e distribuição de programas de computador. A combinação dos dois documentos fornece elemento robusto da consistência das informações prestadas pela Impugnante à autoridade fiscal; • Se a autoridade não estivesse convencida das alegações, deveria, no mínimo, aprofundar a investigação diante da evidência e da verossimilhança das alegações prestadas até então, o que não o fez, renunciando a possibilidade de examinar os elementos de forma razoável, para perseguir os motivos adequados capazes de justificar o lançamento, afigurando-se concebido o vício material na constituição do crédito tributário, porquanto decorrente de ato administrativo sem amparo jurídico; • Apresenta jurisprudência administrativa sobre o tema ‘vício quanto à motivação do ato’ (fl. 299/300); • Do Contexto legislativo, normativo e jurisprudencial envolvendo a Cide- remessas: a Lei nº 10.168/2000 instituiu CIDE destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para apoio à inovação; e, de acordo com seu art. 2º, a Contribuição é devida pela PJ detentora de licença ou uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior; • Com a redação do § 2º do mencionado art. 2º incluída pela Lei nº 10.332/2001, a partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas PJ’s signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados Fl. 1278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 6 no exterior, bem como pelas PJ’s que remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior; • Algum tempo depois, em 2007, a Lei nº 11.452, cujo art. 20 teve por objetivo esclarecer questões a respeito da Cide sobre a remessa ao exterior de valores em contraprestação ao direito de uso e de distribuição de software, incluiu na Lei nº 10.168/2000 o § 1º-A no art. 2º, que dispõe o seguinte: § 1º-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente do § 1º-A no art. 2º da Lei nº 10.168/2000, ficou claro que Cide deve incidir sobre a remuneração pela licença de distribuição ou comercialização de software exclusivamente nos casos envolvendo a transferência da correspondente tecnologia; com efeito, às remessas ao exterior em contraprestação à licença de comercialização e distribuição de software sem a transferência de tecnologia, não há incidência da Cide; • A própria COSIT confirma a aplicação da regra em tela, consoante as seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta Cosit nº 99.004/2019 Assunto: CIDE - CIDE LICENÇA DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE SOFTWARE. PAGAMENTO, CRÉDITO, ENTREGA, EMPREGO OU REMESSA PARA O EXTERIOR. ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO. A remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador não sofre a incidência da Cide, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Solução de Consulta Cosit nº 146/2019 ASSUNTO: CIDE - CIDE LICENCIAMENTO PARA COMERCIALIZAÇÃO DE SOFTWARE. CONTRATO CELEBRADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO, SEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. REMUNERAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. O licenciamento para a comercialização de software por uma empresa do grupo às demais empresas do seu grupo econômico para uso direto em sua atividade econômica principal não se caracteriza como contrato de compartilhamento de custos. A remuneração pela licença de comercialização ou distribuição de programa de computador, sem transferência de tecnologia, não está sujeita à incidência da CIDE. Dispositivos Legais: Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, art. 2º, caput e § 1º-A. Fl. 1279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 7 da Lei nº 10.168/2000 contém o seguinte enunciado: § 1º Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. • No tocante ao emprego do comando acima às operações de remessa de valores ao exterior em contraprestação à licença de comercialização e distribuição de programas de computador, o fornecimento de tecnologia corresponde à disponibilização pela detentora do software do seu código-fonte, representado pelo conjunto de informações técnicas que permite desenvolver o produto; • Apresenta jurisprudência do CARF (fls. 304/306); • Em sentido complementar à posição acima, o TRF 3ª Região manifestou seu entendimento sobre a matéria, pontuando que, por natureza, o software acabado (software de prateleira) não implica transferência de tecnologia e, assim, a respectiva remessa não se sujeita à Cide; • Eis abaixo excertos relevantes extraídos da ementa de aludido julgado nesse sentido: 9. Pela lei, a aquisição e a detenção de licença de uso se referem especificamente ao conhecimento tecnológico, ou seja, quando se adquire um software acabado, fechado, não há essa transferência de conhecimento tecnológico, mas apenas a aquisição de um produto final, uma mercadoria. 10. Neste aspecto, a Lei n' 11.452/2007, reconhecendo a existência de possíveis dúvidas quanto à interpretação do alcance da CIDE-Tecnologia, fez incluir o § 1º-A ao art. 2º, com o seguinte teor: "§ 1'-A. A contribuição de que trata este art. não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia". (TRF da 3ª Região - Agravo em Apelação n° 0005929-13.2009.4.03.6100, 3ª -se das premissas acima, pertinente abordar os elementos do caso concreto e examinar suas aplicações às normas gerais previstas pela legislação; • Elementos fáticos e jurídicos das operações autuadas: as remessas de valores efetivadas pela Impugnante no ano de 2017 corresponderam a contraprestação ao seu direito de comercializar e de distribuir a consumidores no Brasil as licenças de uso de software desenvolvidos pelos terceiros beneficiários; e, grande parte dos valores foi remetida às internacionalmente reconhecidas empresas desenvolvedoras de programas de computador Adobe, Avast e Kaspersky; os software licenciados por referidas empresas e distribuídos pela Impugnante correspondem a programas de computador padronizados (também denominados "software de prateleira"). Ou seja, não se tratam de software customizado ou Fl. 1280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 8 personalizado, tendo sido os programas distribuídos indistintamente a centenas de consumidores no País; • Vale registrar também que os programas de computador foram disponibilizados aos consumidores finais via baixa (download) por meio da Internet; • Nesse aspecto, embora não exista contrato específico entre Impugnante e entidades detentoras dos programas, as operações se sustentam em contratos globais de licenciamento de software celebrados entre aludidas empresas fornecedoras e a Digital River Ireland Limited (Digital River Irlanda), sociedade com sede da Irlanda que detém quotas de participação no capital social da Impugnante (Doc. 02). Como tais contratos foram firmados no exterior e, assim, foram redigidos no idioma inglês, a Impugnante providenciou suas traduções para o português, que acompanham as vias originais acostadas nos autos; • Nos termos desses contratos, a Digital River Irlanda pactua a revenda dos programas de computador no papel de vendedor de tais produtos; • Utilizando como exemplo o contrato global celebrado entre a Digital River Irlanda e a Adobe System Incorporated (EUA) no dia 11 de agosto de 2006, consta no cabeçalho do documento que a primeira atuará como revendedora dos produtos desenvolvidos pela segunda, nos termos abaixo: • Tal previsão é detalhada no item 3 do contrato, conforme reprodução a seguir: • O item 1 da Seção B do contrato trata especificamente da licença de comercialização e distribuição de seus programas de computador concedida pela Adobe para a Digital River Irlanda, nos seguintes termos: Fl. 1281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 9 • Como se verifica das disposições contratuais, a Adobe concede a licença de comercialização e distribuição à Digital River Irlanda para que ela promova a revenda dos seus programas de computador em territórios localizados fora dos Estados Unidos da América; • Importa registrar que, por meio de emendas aos contratos globais de licença de distribuição de software, a Impugnante foi incluída como parte nos contratos, passando, a partir de então, a deter a licença para comercializar a distribuir os programas de computador no Brasil (Doc. 03); • Retornando ao exemplo do pacto firmado com a Adobe, no dia 1º/07/2017, por meio da 24ª emenda ao contrato de distribuição de software, a Impugnante foi formalmente incluída nas disposições do contrato, conforme demonstram as disposições reproduzidas abaixo: • Os contratos e respectivas emendas demonstram de forma cristalina que a natureza das remessas questionadas pelo fisco é de remuneração às beneficiárias no exterior pela licença de comercialização e de distribuição de programas de computador; o que fulmina a única circunstância oferecida pela autoridade fiscal para fundamentar a lavratura do auto de infração, qual seja, a ausência de apresentação de contratos com as empresas que forneceram os produtos comercializados pela Impugnante; Tais documentos já se revelam, por si só, suficientes para provocar o cancelamento do lançamento fiscal combatido; Fl. 1282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 10 • Combinados com as faturas (invoices) e com os contratos de câmbio apresentados na fase de fiscalização e acostados aos autos, então, afastam todo e qualquer resquício de possibilidade de questionamento sobre a natureza das operações que poderia ter remanescido; • A Impugnante, contudo, vai além e anexa aos autos documentos adicionais para reforçar ainda mais a demonstração da efetividade e a natureza jurídica das operações. Apresenta as NFs de importação dos programas de computador no ano de 2017 emitidas para formalizar as operações de aquisição dos produtos das detentoras no exterior para posterior venda ao consumidor final no Brasil (Doc. 04). Referidas NFs registram as entradas virtuais dos programas de computador em seu estabelecimento, indicando os dados do remetente (Adobe, Avast e Kaspersky) e, mais importante, relacionando os programas de computador importados para revenda; • A análise das vertentes NFs permite identificar precisamente quais software foram disponibilizados pelas detentoras para comercialização e distribuição pela Impugnante, representando prova cabal de que esta, nos termos dos contratos anexados, recebeu referida licença; • Tomando por exemplo, novamente, a desenvolvedora Adobe, a Impugnante reproduz na sequência trechos de uma NF de entrada com as principais informações a respeito da natureza da operação e dos programas de computador licenciados para distribuição: • Com efeito, as entradas de todos os programas de computador distribuídos no ano de 2017 foram devidamente registradas pela Impugnante; Fl. 1283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 11 • Os documentos até aqui oferecidos constituem evidência sólida da natureza das remessas efetivadas pela Impugnante ao exterior no ano de 2017. Os contratos estabelecem os direitos e deveres das partes (conceder licença de distribuição de software em contraprestação a uma remuneração). As faturas (invoices) formalizam a cobrança desta contraprestação, o que conduz à única conclusão de que as licenças para comercialização foram efetivamente concedidas. Os contratos de câmbio comprovam que os valores para remuneração da concessão da licenças foram de fato remetidos às beneficiárias no exterior. E as NFs de entrada registram individualmente quais foram os programas de computador licenciados para comercialização; • Sem prejuízo, além de registrar as entradas, a Impugnante registrou também as saídas dos programas de computador em decorrência de sua comercialização ao consumidor final, mediante a emissão das respectivas NFs de saída (Doc. 05), sendo esta a última etapa da sequência de transações cujo início repousa nas disposições contratuais de concessão de licença de distribuição dos programas de computador em escala global firmadas pelas partes no exterior; • Seguindo a linha argumentativa empregada, a Impugnante reproduz abaixo trechos de uma NF de venda a consumidor final no Brasil de um software desenvolvido pela Adobe, nos seguintes termos: • Referidas NFs de venda demonstram a ocorrência da operação que encerra a atividade da Impugnante elucidada nesta ocasião, qual seja, a efetiva comercialização e a distribuição do programa de computador licenciado pela desenvolvedora no exterior a consumidor final no Brasil; Fl. 1284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 12 • Para o fim de tornar mais visual as transações que possuem suporte nos documentos acostados aos autos, a Impugnante apresenta o quadro abaixo com um resumo cronológico delas: • Como se verifica, os documentos dos autos, relacionados acima, demonstram a ocorrência de todas as etapas da cadeia de distribuição dos programas de computador no Brasil pela Impugnante, do início ao fim, e não deixam dúvida de que as remessas questionadas pela autoridade fiscal de fato se referem a remuneração pela licença de comercialização e distribuição de programas de computador no Brasil; • Cumpre acentuar que nenhuma das transações relativas às licenças de distribuição de software envolveu transferência de tecnologia; o exame dos contratos de distribuição juntados aos autos (acompanhados de suas traduções) conduz à conclusão de que as operações não comportam a transferência dos seus respectivos códigos-fonte; • De acordo com referidos contratos, a atividade de licença de comercialização e de distribuição dos programas de computador não envolve a prestação de serviços de assistência técnica; • Por fim, convém enfatizar que os programas de computador licenciados à Impugnante e vendidos aos consumidores finais no Brasil são, todos eles, instalados nos computadores dos usuários; portanto, não se tratam de programas hospedados em servidores das empresas desenvolvedoras. Ou seja, não configuram software armazenados na nuvem, afastando-se por completo, nessa circunstância, do modelo de negócio que se convencionou denominar "software as a service"; • Os manuais técnicos dos programas disponibilizados pelas desenvolvedoras, também anexados (Doc. 06), demonstram de forma inequívoca que os programas devem ser instalados nas máquinas dos seus consumidores para funcionar; • Dessa forma, constata-se que as remessas realizadas pela Impugnante no ano de 2017 ostentam nítida natureza de remuneração de beneficiário no exterior em contraprestação à licença de comercialização e de distribuição de programas de Fl. 1285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 13 computador sem transferência de tecnologia, fora do campo de incidência da Cide, nos estritos termos do § 1ª -A do art. 2º da Lei n' 10.168/2000, impondo-se, assim, o cancelamento de plano do lançamento fiscal; • Pedido: Requer seja reconhecida a nulidade por vício material de falta de motivação; e, sucessiva e alternativamente, no mérito, requer seja determinado o cancelamento do ‘AI’ com base no §1º-A do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, pela comprovação de que a natureza das remessas questionadas corresponde a remuneração pela licença de distribuição de programa de computador sem transferência de tecnologia. Ato contínuo, a DRJ-07 julgou a impugnação do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE ANO-CALENDÁRIO: 2017 SOFTWARE DE PRATELEIRA. REMESSA AO EXTERIOR. Afasta-se a incidência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE sobre valores remetidos ao exterior como remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia pelo fornecimento do código-fonte. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANO-CALENDÁRIO: 2017 PROVA DOCUMENTAL NECESSÁRIA PARA COMPROVAÇÃO DA NÃO TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INVOICES. CONTRATOS DE CÂMBIO. CONTRATOS INTERNACIONAIS DE CESSÃO DE USO E DISTRIBUIÇÃO DE SOFTWARE. Ainda que as invoices contenham exigência de remuneração sobre produtos vendidos, e, ainda que tais documentos possam ser relacionados com a remessa a titulo de direitos autorais sobre licenças para comercialização e distribuição de programas de computador, consubstanciados em contrato de câmbio, a combinação destes documentos não é suficiente para comprovar de forma cabal a ausência de transferência de tecnologia, de modo a afastar a incidência da CIDE, isto porque, o §1° do art. 2° da Lei n° 10.168/2000 considera que a prova da ausência da transferência de tecnologia deve estar nos contratos específicos ali discriminados, como contratos referentes a exploração de patentes ou uso de marcas, ou de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Estes seriam os documentos que podem carregar a prova da transferência, ou não, de tecnologia, não podendo os contratos de câmbio ou as invoices os substituírem sem previsão legal. CIDE. CONTRATOS DE CÂMBIO. NECESSIDADE DO CORRETO REGISTRO DA NATUREZA DA OPERAÇÃO. UTILIZAÇÃO COMO ELEMENTO INDICIÁRIO PARA A Fl. 1286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 14 ANÁLISE DA OCORRÊNCIA DA CESSÃO OU USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. Conforme o art. 23 da Lei n° 4.131/1962 as operações cambiais no mercado de taxa livre serão efetuadas através de estabelecimentos autorizados a operar em câmbio, com a intervenção de corretor oficial quando previsto em lei ou regulamento, respondendo ambos pela identidade do cliente, assim como pela correta classificação das informações por este prestadas, segundo normas fixadas pela Superintendência da Moeda e do Crédito. E, consoante, os arts. 1° a 3° da Circular Bacen n° 3.690/2013, as codificações relativas à natureza das operações constituem o Código de Classificação a que se refere o § 1° do art. 23 da Lei n° 4.131, de 3 de setembro de 1962, sendo que a classificação incorreta sujeita as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, autorizadas a operar no mercado de câmbio, às penalidades previstas na legislação e a outras sanções administrativas por parte do BACEN. Deste modo, é relevante, de acordo com a legislação acima transcrita, que a classificação das operações seja realizada de forma escorreita, de modo a refletir a real natureza da operação. Desta forma, ainda que o conteúdo de tais documentos não reflita de forma cabal, a prova da transferência ou não de tecnologia, sobre licenças para comercialização e distribuição de programas de computador, servem de elemento indiciário positivo a ser analisado em conjunto com as demais provas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito alegadas na impugnação, repetindo as mesmas argumentações, quanto o valor remanescente da autuação. É o relatório. VOTO VENCIDO Recurso de Ofício Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O recurso de ofício não deve ser conhecido, visto que a decisão recorrida exonerou tributo e encargos de multa em valor inferior a R$ 15.000.000,00, abaixo do limite de alçada. Fl. 1287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 15 Nesse sentido, eis o teor do art. 1º da Portaria MF 2/2023: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Como se sabe, a Súmula CARF nº 103 preceitua que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de auto de infração referente a insuficiência de recolhimento da CIDE incidente sobre remessas de valores ao exterior, relativa ao ano-calendário 2017. Em suma, com base no artigo 20 da Lei nº 11.452 acrescido do parágrafo ao art. 2º da Lei 10.168/2000, entendeu a auditoria que, pelos documentos apresentados, a empresa não teria comprovado que, na remessa para o exterior a título de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, não teria sido envolvida nas operações a transferência da correspondente tecnologia. Tal fato ensejou a cobrança de CIDE sobre tais remessas. A controvérsia envolvida nos autos então se resume a comprovação de que as referidas remessas se referiram a contraprestação pela licença de comercialização ou distribuição de software para revenda a consumidor final, bem como se restou comprovado a não transferência de tecnologia. No entanto, em julgamento na instância a quo, considerou-se que, relativamente aos fornecedores abaixo identificados, conforme contratos celebrados e as alterações pertinentes apresentadas, entendeu-se serem plausíveis as alegações da Interessada de que os documentos verificados pelo fisco (invoices e contratos de câmbio) podem ser a eles relacionados; desta forma, não havendo prova em contrário por parte da fiscalização, firmou-se a convicção por meio dos referidos elementos probatórios de que estão afastados os motivos autorizativos do lançamento de forma parcial. Fl. 1288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 16 Dessa forma, parte do lançamento foi considerado insubsistente. Por fim, cumpre lembrar que a alteração do limite de alçada para interposição de recurso de ofício, por se tratar de norma processual, deve ser aplicada imediatamente ao caso. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se depreende da leitura dos autos, a lide trata de auto de infração referente a insuficiência de recolhimento da CIDE incidente sobre remessas de valores ao exterior, relativa ao ano-calendário 2017. Em suma, com base no artigo 20 da Lei nº 11.452 acrescido do parágrafo ao art. 2º da Lei 10.168/2000, entendeu a auditoria que, pelos documentos apresentados, a empresa não teria comprovado que, na remessa para o exterior a título de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, não teria sido envolvida nas operações a transferência da correspondente tecnologia. Tal fato ensejou a cobrança de CIDE sobre tais remessas. A controvérsia envolvida nos autos então se resume a comprovação de que as referidas remessas se referiram a contraprestação pela licença de comercialização ou distribuição de software para revenda a consumidor final, bem como se restou comprovado a não transferência de tecnologia. A CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) foi criada pela Lei nº 10.168/2000 com o objetivo de financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade- Empresa para apoio à inovação. Nos termos do art.2º, a Contribuição é devida pela pessoa jurídica detentora de licença ou uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 1289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 17 Posteriormente, com a redação do parágrafo 2º do citado art.2º, incluída pela Lei nº 10.332/2001, a partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem como pelas pessoas jurídicas que remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. No julgamento da instância a quo, os julgadores cancelaram parcialmente a autuação, por entenderam que a documentação apresentada das empresas a seguir listadas se coadunavam com a afirmação de que, nos contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, não teria sido envolvida nas operações a transferência da correspondente tecnologia: Contrato Com Adobe Systems Incorporated (fls. 351 e ss) e Contrato com Kaspersky LAB UK Limited (fls. 388 e ss). Restaram controversos, por insuficiência probatória, os lançamentos que envolveram os contratos das seguintes empresas: • 1 remessa no valor de R$ 2.717.616,47 realizada em novembro de 2017 e que teve como destinatária a Kaspersky. De acordo com as autoridades julgadoras, a referida remessa foi mantida em razão do código de serviço utilizado no contrato de câmbio não ser compatível com o licenciamento de softwares não customizáveis, conforme já endereçado anteriormente. • 2 remessas nos valores de R$ 13.256.454,73 e R$ 17.722.586,00 realizadas, respectivamente, em julho e agosto de 2017 e que tiveram como destinatária a Digital River Collection. • 2 remessas nos valores de R$ 25.429.841,00 e R$ 4.205.623,67 realizadas, respectivamente, em novembro e dezembro de 2017 e que tiveram como destinatária a Avast Software S.R.O. De acordo com as autoridades julgadoras, as 4 remessas acima foram mantidas em razão da denominação da ora Recorrente como fornecedora no contrato que regeu as referidas operações. Passa-se então à análise das pretensões da recorrente em suas preliminares e mérito. Preliminar de nulidade por falta de motivação da autuação Inicialmente, alega a recorrente que o auto de infração padece de nítido vício material insanável, em face da absoluta ausência de motivação capaz de sustentar o lançamento, fato que enseja que o auto seja considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 1290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 18 Segundo alega, a análise dos autos revela que, após pouco investigar, a autoridade fiscal reputou, com base exclusivamente na ausência de contratos específicos firmados entre a Recorrente e as empresas detentoras dos programas de computador distribuídos - os quais, reitere-se, não possuem exigência legal -, que não teria sido demonstrada a natureza de pagamento pela contraprestação de licença de distribuição de softwares desenvolvidos por terceiros. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos e provas pelos quais teria apurado a infração, limitando-se a tecer alegações genéricas, o que, inclusive, teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Não vislumbro assistir razão às alegações do recurso quanto à deficiência na motivação no Termo de Verificação Fiscal e nas provas apresentadas. Entendo que o auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde constam a motivação e fundamentação jurídica para o lançamento, bem como as provas que conduziram a autoridade fiscal à lavratura do auto de infração. O que se observa na descrição dos fatos é que a fiscalização fundamentou suficientemente a infração lançada por falta de apresentação de documentos hábeis para comprovar dos valores remetidos ao exterior, sobretudo os contratos relacionados com as remessas não envolviam a transferência de tecnologia, isto porque o §1º do art. 2º da Lei nº 10.168/20001 considera que a natureza dos valores remetidos ao exterior deve ser lastreada em contratos específicos. Reproduz-se o trecho do Termo de Verificação Fiscal: Para confirmação da natureza desses pagamentos, intimamos o contribuinte a apresentar os contratos com as empresas que forneceram os produtos ou serviços da empresa fiscalizada. Os documentos não foram apresentados pela fiscalizada que alegou que não existem contratos específicos para o Brasil. Diante dos fatos narrados, não há elementos comprobatórios para se concluir que os pagamentos remetidos realmente se referem à licença de direitos de comercialização de programas de computador desenvolvidos por terceiros. E, ainda que os fatos se refiram à licença de computador, não há documentos que comprovem a não ocorrência de transferência de tecnologia. 1 Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1º Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1º-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Fl. 1291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 19 Portanto, inexiste falta de motivação na autuação, uma vez que a fiscalização fundamentou detalhadamente a infração lançada, o contribuinte teve ciência dos motivos que levaram à autuação e dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Se a prova sobre a qual se baseou a fiscalização é insuficiente, como aduz a recorrente, não se deve seguir na direção da nulidade, mas da eventual insubsistência da autuação na análise do mérito. Em consequência, o caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade presentes no art.59 do Dec. nº70.235/72, devendo ser afastada a preliminar alegada. Mérito Como já relatado, restaram controversos, por insuficiência probatória, os lançamentos que envolveram os contratos com as empresas: 1 remessa no valor de R$ 2.717.616,47 que teve como destinatária a Kaspersky, 2 remessas no valor de R$ 13.256.454,73 e R$ 17.722.586,00 realizadas que tiveram como destinatária a Digital River Collection (Contrato com Digital River Collection, fls. 459 e ss) e 2 remessas no valor de R$ 25.429.841,00 e R$ 4.205.623,67 realizadas que tiveram como destinatária a Avast Software S.R.O (Contrato com Avast Software S.R.O, fls. 459 e ss). O julgador da DRJ fundamentou a manutenção do lançamento com relação a essas empresas, nos seguintes termos: Serviços Técnicos e Profissionais: 47025: Serviços de computação: Pagamento ou recebimento por serviço relacionado a tecnologia da informação inclui, entre outros: * desenvolvimento, produção, documentação, venda ou licenciamento de software customizado; * consultoria em hardware e software, incluindo a gestão terceirizada de serviços de computação; * instalação, manutenção e reparo de sistema de software e hardware; * serviço de armazenamento e processamento de dados; * serviço de hospedagem de aplicação, inclusive web page; e * fornecimento de aplicação on-line. Não inclui: * software pronto para uso, não customizado e adquirido em meio físico (ver Comércio Exterior); * software pronto para uso, não customizado e entregue digitalmente (ver Direitos autorais); Fl. 1292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 20 *renovação periódica de licença de uso de software; *curso e treinamento em tecnologia da informação não desenvolvido especificamente para a empresa; e * serviço de acesso a banco de dados 33. Notei que existe apenas uma (única) remessa com o presente código, e que pelo que consta das informações da aludida circular Bacen, não encontra respaldo nas afirmações da Interessada de que não se referem a softwares customizados, visto que expressamente não incluem software pronto para uso, ou seja, não customizados e entregues digitalmente como afirma a interessada; dessa forma, não podem tais documentos ser vinculados aos mencionados contratos globais, que indicariam a não transferência de tecnologia por tudo o que já afirmei neste tópico. 34. Portanto, o único contrato de câmbio com este código (47025-09-0-25-90), datado de 23/11/2017, referente a empresa Kaspersky, cuja BC utilizada no lançamento foi de R$ 2.717.617,81, deve ser mantido para fins de exação da CIDE. Contrato com Digital River Collection (fls. 459 e ss): 58. Da mesma forma ocorrida com a documentação referente a empresa Kaspersky LAB UK Limited (do tópico anterior deste voto), a Interessada não mencionou em sua defesa a exata localização dos contratos respectivos, fazendo com que este relator tivesse que buscar nos autos os documentos contratuais relativos a estas empresas; ocorre que, no que se refere a Digital River Collection (destinatária das duas primeiras remessas identificadas pelo fisco, constantes da tabela do item 28 deste voto – vide fl. 35, BC R$ 13.256.454,70 – em 26/07/2017; e fl. 60, BC R$ 17.722.589,02 – em 28/08/2017), o que identifiquei foi a ‘segunda alteração ao contrato e ordem de serviço 3’, datada de 29/04/2016, que até indica a existência de Contrato principal anterior, denominado ‘contrato de prestação de serviço padrão’, celebrado entre em 04/11/2015 (fls. 459 e ss), porém, não localizei nos autos referido contrato. 59. No documento encontrado (alteração contratual) consta como empresas fornecedoras a Digital River In. e Digital River Ireland Ltd, e como cliente a AVG Ecommerce CY Ltd, consoante o seguinte trecho (fl. 459): SEGUNDA ALTERAÇÃO AO CONTRATO E ORDEM DE SERVIÇO 3 A Digital River Inc. (“DR-Inc.”) e Digital River Ireland Ltd. (“DR-Ireland” e, em conjunto com a DR Inc., “Fornecedora”) e a AVG Ecommerce CY Ltd. (“Cliente”), na data na qual esta Alteração se torna pela primeira vez plenamente firmada por todas as Partes contratantes (“Data de Alteração”), neste ato alteram sua Ordem de Serviço nº 3, datada de 29 de abril de 2016, (“WO3”) firmada entre a Fornecedora e a Cliente, de acordo com os termos do Contrato de Prestação de Serviços Padrão entre a Fornecedora e a AVG Netherlands B.V., datado de 4 de novembro de 2015 (“Contrato”), conforme previsto nesta Segunda Alteração (“Alteração”). Os termos grafados com a primeira letra em maiúscula não definidos de outra forma nesta Alteração têm o significado dado pela WO3 ou pelo Contrato. Esta Alteração Fl. 1293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 21 se refere à Cliente e à Fornecedora individualmente como uma “parte” e em conjunto como as “partes”. 60. Ocorre que, pelo que consta do referido documento, a Interessada ingressou na relação contratual na condição também de fornecedora, e não de cliente, ou revendedora (como constou dos contratos já analisados), nos termos do que abaixo colaciono, extraído de fl. 459, verbis: ISTO POSTO, por contraprestação válida e suficiente, cujo recebimento e suficiência são neste ato reconhecidos, e com a intenção de estarem legalmente vinculadas, as partes concordam com o que segue: 1. DR-Brasil. A Digital River Do Brasil Importação e Comercio De Produtos De Informática Ltda, uma sociedade brasileira, com sua sede social localizada em Sala Piso G5 - cj 905Av. Roque Petroni Jr 1089 Centro Profissional Morumbi Shopping São Paulo-SP 04707-900 Brasil (“DR-Brasil”), é incluída como parte do Contrato e desta Ordem de Serviço nº 3 com o propósito limitado de prover serviços de comércio eletrônico, incluindo Transações e atendimento completo de pedidos perante Usuários Finais no Brasil. No que diz respeito ao cumprimento das obrigações previstas neste instrumento relativas ao processamento de Transações realizadas com Usuários Finais localizados no Brasil, conforme determinado pela DR (“Obrigações de Transações da DR-Brasil"), a DR Brasil, e não a DR-Inc., deverá processar Transações com Usuários Finais através das Obrigações de Transações da DR-Brasil, sendo que quaisquer referências à“Fornecedora” no Contrato e na WO3 relacionadas a tais Transações e relatórios e pagamentos a este respeito deverão ser interpretados como referências à DR-Brasil e não à DR-Inc. A Fornecedora declara que o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não aumentará os Encargos a pagar pela Cliente acima daqueles aplicáveis antes desta Alteração. A DR declara, ainda, que, conforme é de seu conhecimento na data desta Alteração, o desempenho da DR- Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não afetará negativamente os Impostos pagos pela, ou retidos da, Cliente ou Avast, independentemente de quaisquer alterações feitas na tabela de impostos, no cronograma de impostos ou nos regimes fiscais estabelecidos por qualquer Autoridade Governamental do Brasil 61. Ao que consta então, os clientes são as empresas AVG, que teria sido adquirida pela Avast Software s.r.o., conforme preâmbulo da referida alteração contratual, a saber: Preâmbulo A Cliente e a Avast Software s.r.o., uma sociedade constituída conforme as leis da República Tcheca e com sede social localizada em Pikrtova 1737/1a, 140 00 Praga, República Tcheca (“Avast”), antes da Avast adquirir a Cliente e suas Afiliadas em setembro de 2016, celebraram um contrato separadamente com a Fornecedora para fins de comércio eletrônico,processamento de pagamentos e serviços relacionados. A Cliente e a Avast desejam que, a partir da Data de Alteração, a Avast contrate com a Fornecedora nos termos da WO3 e do Contrato,e, consequentemente, a Fl. 1294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 22 Fornecedora e a Cliente neste ato concordam com os termos previstos nesta Alteração. A Cliente e a Fornecedora neste ato reconhecem e concordam que a Avast e a Fornecedora celebrarão em um Contrato de Adesão separado (que também entrará em vigor a partir da Data de Alteração) para registrar seu acordo em estarem vinculadas aos termos daWO3, ao Contrato e a esta Alteração. 62. À fl. 498 consta também ‘contrato de adesão’, com a mesma datação constante da alteração contratual acima mencionada, contendo as mesmas partes (incluindo a Interessada), e fazendo a mesma referência ao ‘contrato de prestação de serviços padrão’ datado de 04/11/2015 (não localizado), com o fito de incluir no polo da relação jurídica estabelecida a empresa Avast Software (imagino ser por conta de que seria esta a empresa sucessora da Avast). Segue parte extraída de fl. 498: CONTRATO DE ADESÃO Este Contrato de Adesão (“Contrato de Adesão”) entra em vigor na data em que este Contrato de Adesão for plenamente assinado por todas as Partes contratantes (“Data de Adesão”) e adota os termos da Ordem de Serviço nº 3 datada de 29 de abril de 2016 (“WO3”) entre a Digital River Inc. (“DR-Inc.”), a Digital River Ireland Ltd. (“DR-Ireland”) e a Digital River Do Brasil Importação e Comércio de Produtos De Informática Ltda (“DR-Brasil” e, em conjunto com a DR Inc. e DR-Ireland, “Fornecedora”) e a AVG Ecommerce CY Ltd. (“AVG”), e o Contrato de Prestação de Serviços Padrão datado de 4 de novembro de 2015 (“Contrato”) entre a Fornecedora e a AVG Netherlands B.V. (“AVG”), para adicionar a Avast Software s.r.o., uma sociedade constituída de acordo com as leis da República Tcheca e com sede social localizada em Pikrtova 1737/1a, 140 00 Praga, República Tcheca (“Sociedade”). Este Contrato de Adesão se refere à Sociedade e à Fornecedora individualmente como uma “Parte” e em conjunto como as “Par 63. A Interessada, por sua vez, nada mencionou em sua defesa a respeito do fato de, mesmo na condição de fornecedora, ter efetuado remessas a Digital River Colletion, já que todas as justificativas apresentadas davam consta de que a Interessada atuaria como revendedora e não como fornecedora, e no caso da DR Colletion, a Interessada consta contratualmente como fornecedora, de modo que, para estas remessas não vislumbro elementos documentais suficientes para afastar o lançamento visto não haver prova de que a remuneração tenha sido sobre a licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador; para tanto, utilizo como razão de decidir a análise referente à preliminar de nulidade onde menciono acerca do limite probatório das invoices e dos contratos de câmbio, mantendo, assim, na BC os valores abaixo: Contrato com Avast Software S.R.O. (fls. 459 e ss): Fl. 1295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 23 64. Relativamente às remessas destinadas a AVAST SOFTWARE S.R.O, os únicos documentos que logrei identificar, já que a Interessada também não fez qualquer menção específica a contratos com esta empresa, são aqueles mencionados no tópico anterior (relativo a DR Colletion), e nos quais a empresa Avast figura na condição de cliente e a Interessada, na condição de fornecedora. 65. Assim, da mesma forma, não vislumbro elementos documentais suficientes para afastar o lançamento, utilizando, também, como razão de decidir para o presente tópico, a análise referente à preliminar de nulidade. Mantenho para fins de cálculo da exação, portanto, os seguintes valores de base de cálculo: AVAST SOFTWARE S.R.O 25.429.841,00 – nov/2017 – fl. 121 AVAST SOFTWARE S.R.O 4.205.623,67 – dez/2017 - fl. 138 Em sentido contrário, a recorrente sustenta que trouxe aos autos provas consistentes para comprovar que as remessas efetuadas tiveram natureza de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, sem a transferência da correspondente tecnologia. No contencioso administrativo, a recorrente afirma que trouxe aos autos os seguintes documentos, visando demonstrar a natureza das contrapartidas das remessas enviadas ao exterior: - Contratos globais de licenciamento de software celebrados entre aludidas empresas fornecedoras e a Digital River Ireland Limited (Digital River Irlanda), sociedade com sede da Irlanda que detém quotas de participação no capital social da Recorrente (Doc. 02 da Impugnação); - Emendas aos contratos globais de licença de distribuição de software, nas quais a recorrente foi incluída como parte nos contratos, passando, a partir de então, a deter a licença para comercializar a distribuir os programas de computador no Brasil (Doc. 03 da Impugnação); - Invoices e contratos de câmbio; - Notas fiscais de entrada de importação dos programas de computador no ano de 2017 emitidas para formalizar as operações de aquisição dos produtos das detentoras no exterior para posterior venda ao consumidor final no Brasil (Doc. 04 da Impugnação); e - Notas fiscais de saídas dos programas de computador em decorrência de sua comercialização ao consumidor final, mediante a emissão das respectivas notas fiscais de saída (Doc. 05 da Impugnação). Passa-se à análise das pretensões da recorrente no mérito. Remessa no valor de R$ 2.717.616,47 que teve como destinatária a Kaspersky Conforme transcrito, a DRJ reverteu todos os lançamentos que envolveram remessas para a empresa Kaspersky, a exceção da remessa de R$ 2.717.616,47, visto que este Fl. 1296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 24 valor foi remetido sob o código no contrato de câmbio de 47025 que indica a remessa por contrapartida a serviços técnicos e profissionais (47025: Serviços de computação: pagamento ou recebimento por serviço relacionado a tecnologia da informação2) sujeitos à incidência da CIDE. A recorrente contesta a manutenção do lançamento afirmando que, ao revisar o contrato de câmbio n.º 47025-09-0-25-90 (fls. 25 do e-Processo), verificou que realmente o código do serviço, por um lapso, foi indicado de forma incorreta. Afirma ainda que revisou o seu histórico de contratos de câmbio e informa que o código n.º 47025 jamais foi utilizado em outra operação em todo o período subsequente ao do contrato de câmbio em referência. Por fim, aduz que a referida informação jamais poderia ser utilizada isoladamente para definir a característica dos softwares para fins de incidência ou não da CIDE na remessa dos respectivos valores ao exterior. Nesse sentido, destaca que foram apresentadas as notas fiscais de importação dos programas de computador no ano de 2017, inclusive aquelas objeto do referido contrato de câmbio (Doc. 04 da Impugnação - fls. 516-629 do e-Processo). Sem razão à recorrente. Conforme explicitado no acórdão recorrido e de acordo com a legislação que regula a matéria, abaixo transcrita, esta legislação indica que a classificação das operações nos contratos de câmbio seja realizada de forma escorreita, de modo a refletir a real natureza da operação (ainda que o conteúdo de tais documentos não reflita a questão da transferência ou não de tecnologia). Inclusive, são previstas penalidades às instituições envolvidas no caso de classificação incorreta dos códigos das remessas: Lei nº 4.131/1962 Art. 23. As operações cambiais no mercado de taxa livre serão efetuadas através de estabelecimentos autorizados a operar em câmbio, com a intervenção de corretor oficial quando previsto em lei ou regulamento, respondendo ambos pela identidade do cliente, assim como pela correta classificação das informações por este prestadas, segundo normas fixadas pela Superintendência da Moeda e do Crédito Circular Bacen º3.690/2013 Art. 1º As codificações relativas à natureza das operações constantes das tabelas anexas a esta Circular constituem o Código de Classificação a que se refere o § 1º do art. 23 da Lei n° 4.131, de 3 de setembro de 1962. Art. 2º A classificação incorreta sujeita as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, autorizadas a 2 Dados extraídos do site do BACEN5, sobre a natureza jurídica do código dos serviços (Circular BACEN nº 3.690/2013). Fl. 1297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 25 operar no mercado de câmbio, às penalidades previstas na legislação e a outras sanções administrativas por parte do Banco Central do Brasil. Art. 3º A existência de códigos para classificação de operações e a possibilidade de efetuar registros no Sistema Câmbio não elidem a responsabilidade das partes envolvidas quanto à observância de disposições legais, bem com o de normas e procedimentos específicos definidos pelo Banco Central do Brasil ou outros órgãos/entidades governamentais. [grifos não originais] Conforme se depreende da legislação transcrita, a indicação da classificação correta da operação de câmbio exige atenção especial dos agentes envolvidos na classificação da operação de câmbio, isso porque em caso de erro há inclusive a aplicação de penalidades previstas na legislação. No caso em apreço, a empresa alega que houve equívoco na aplicação do referido código, porém, não trouxe aos autos elementos que comprovem o erro cometido. Não há qualquer comprovação de que tenha solicitado a retificação do erro alegado, junto ao BACEN (Banco Central do Brasil), tampouco os documentos juntados são suficientes para infirmar que a remessa não se deu sob o código 47025: Serviços de computação: pagamento ou recebimento por serviço relacionado a tecnologia da informação. Nas invoices constantes nos autos, consta uma descrição genérica (Kaspersky Product sales for September'2017), na qual não há a discriminação dos produtos ou serviços adquiridos pela recorrente, não sendo possível fazer uma correlação com aquisições de produtos de outra natureza diferente daquela constante no contrato de câmbio. Da mesma forma, não prospera a alegação da recorrente de que nas descrições das notas fiscais de entradas dos softwares constam que não se trata de softwares não customizáveis, isso porque não foi trazido pela defesa qualquer correlação ou indicação entre os produtos que deram origem ao contrato de câmbio e os números das notas fiscais listadas no Doc. 04 da Impugnação – e-fls. 516-629. A defesa, quanto ao referido Doc. 04 da Impugnação, apenas indica o trecho do processo no qual constam as notas ficais que comprova o alegado constante do referido documento, mas não houve a preocupação de se indicar quais foram as notas fiscais que se relacionam com o referido contrato de câmbio, dentre as tantas que lá constam, que demonstrassem pelo menos a identidade de datas e valores com a operação em comento. Portanto, ao contrário do alegado, não é possível se identificar precisamente quais são as notas fiscais que dizem respeito ao contrato de câmbio referido, e, consequentemente, não se identifica nos autos qualquer outro documento que infirme que as remessas foram feitas com a natureza daquela constante no contrato de câmbio (código 47025: Serviços de computação: pagamento ou recebimento por serviço relacionado a tecnologia da informação). Fl. 1298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 26 Como se sabe, se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao autuado, no seu recurso, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Assim, entendo que tais documentos juntados não são hábeis para infirmar o lançamento. Em vista do exposto, deve ser mantido o lançamento nessa parte. Contrato com Digital River Collection (fls. 459 e ss) Conforme consignado no acórdão recorrido, no que se refere a Digital River Collection (destinatária das duas primeiras remessas identificadas pelo fisco, constantes da tabela do item 28 deste voto - vide fl. 35, BC R$ 13.256.454,70 - em 26/07/2017; e fl. 60, BC R$ 17.722.589,02 -em 28/08/2017) foi encontrado nos autos apenas um documento denominado como a “segunda alteração ao contrato e ordem de serviço 3”, datada de 29/04/2016, que até indica a existência de Contrato principal anterior, denominado 'contrato de prestação de serviço padrão', celebrado entre em 04/11/2015 (fls. 459 e ss), porém, não foi localizado nos autos referido contrato. Atesta a autoridade julgadora que no documento encontrado (alteração contratual) consta como empresas fornecedoras a Digital River In. e Digital River Ireland Ltd, e como cliente a AVG Ecommerce CY Ltd, consoante o seguinte trecho (fl. 459): SEGUNDA ALTERAÇÃO AO CONTRATO E ORDEM DE SERVIÇO 3 A Digital River Inc. ("DR-Inc.") e Digital River Ireland Ltd. ("DR-Ireland" e, em conjunto com a DR Inc., "Fornecedora") e a AVG Ecommerce CY Ltd. ("Cliente"), na data na qual esta Alteração se torna pela primeira vez plenamente firmada por todas as Partes contratantes ("Data de Alteração"), neste ato alteram sua Ordem de Serviço n° 3, datada de 29 de abril de 2016, ("WO3") firmada entre a Fornecedora e a Cliente, de acordo com os termos do Contrato de Prestação de Serviços Padrão entre a Fornecedora e a AVG Netherlands B.V., datado de 4 de novembro de 2015 ("Contrato"), conforme previsto nesta Segunda Alteração ("Alteração"). Os termos grafados com a primeira letra em maiúscula não definidos de outra forma nesta Alteração têm o significado dado pela WO3 ou pelo Contrato. Esta Alteração se refere à Cliente e à Fornecedora individualmente como uma "parte" e em conjunto como as "partes". Constatou ainda o julgador a quo que a empresa brasileira, ora recorrente, ingressou na relação contratual na condição também de fornecedora, e não de cliente, ou revendedora (como constou dos contratos já analisados), nos termos do que abaixo colaciono, extraído de fl. 459, verbis: Fl. 1299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 27 ISTO POSTO, por contraprestação válida e suficiente, cujo recebimento e suficiência são neste ato reconhecidos, e com a intenção de estarem legalmente vinculadas, as partes concordam com o que segue: 1. DR-Brasil. A Digital River Do Brasil Importação e Comercio De Produtos De Informática Ltda, uma sociedade brasileira, com sua sede social localizada em Sala Piso G5 - cj 905Av. Roque Petroni Jr 1089 Centro Profissional Morumbi Shopping São Paulo-SP 04707-900 Brasil ("DR-Brasil"), é incluída como parte do Contrato e desta Ordem de Serviço n° 3 com o propósito limitado de prover serviços de comércio eletrônico, incluindo Transações e atendimento completo de pedidos perante Usuários Finais no Brasil. No que diz respeito ao cumprimento das obrigações previstas neste instrumento relativas ao processamento de Transações realizadas com Usuários Finais localizados no Brasil, conforme determinado pela DR ("Obrigações de Transações da DR-Brasil"), a DR Brasil, e não a DR-Inc., deverá processar Transações com Usuários Finais através das Obrigações de Transações da DR-Brasil, sendo que quaisquer referências à"Fornecedora" no Contrato e na WO3 relacionadas a tais Transações e relatórios e pagamentos a este respeito deverão ser interpretados como referências à DR-Brasil e não à DR-Inc. A Fornecedora declara que o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não aumentará os Encargos a pagar pela Cliente acima daqueles aplicáveis antes desta Alteração. A DR declara, ainda, que, conforme é de seu conhecimento na data desta Alteração, o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não afetará negativamente os Impostos pagos pela, ou retidos da, Cliente ou Avast, independentemente de quaisquer alterações feitas na tabela de impostos, no cronograma de impostos ou nos regimes fiscais estabelecidos por qualquer Autoridade Governamental do Brasil No seu voto, o julgador a quo afirma que os documentos analisados não comprovam que, nas remessas a Digital River Collection, a recorrente teria atuado como operadora no Brasil da licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador da Avast, posto que esta consta contratualmente como fornecedora nos documentos citados. Nesse contexto, a instância a quo entendeu que não constava nos autos elementos documentais suficientes para afastar o lançamento, visto não haver prova de que a remuneração tenha sido sobre a licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador. A Recorrente, por sua vez, sobre o contrato sob análise, diz que é denominada fornecedora nos referidos contratos, justamente, por ser responsável pelo fornecimento de serviços de e-commerce e meios de pagamento diretamente para os consumidores finais que pretendem adquirir os softwares em questão. Para comprovar o acima alegado, a Recorrente apresentou o contrato denominado Ordem de Serviço 3 ("Work Order 3"), bem como o Acordo de Adoção com a Avast em relação ao Fl. 1300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 28 referido contrato ("Adoption Agreement"), devidamente acompanhados das respectivas traduções (Docs. 01 a 04 do presente recurso) 3. Confira-se trecho do referido contrato: Analisando-se os contratos presentes nos autos, de fato, confirma-se que os referidos contratos tratam de formalização de negócio entre a recorrente e a empresa Avast visando estabelecer os termos sob os quais a Fornecedora (Digital River Brasil) fornecerá e a Cliente receberá e pagará pelos serviços de comércio eletrônico e processamento de pagamentos em apoio ao negócio de produtos de consumo e ao negócio de SMB da Cliente. Embora não tenha sido juntado os termos do Contrato de Prestação de Serviços Padrão entre a Fornecedora (Digital River) e a AVG Netherlands B.V. (Avast), datado de 4 de novembro de 2015 (“Contrato”), depreende-se da “Segunda Alteração ao Contrato e Ordem de Serviço 3” que o objeto do negócio é celebrar um contrato separadamente com a Fornecedora para fins de comércio eletrônico, processamento de pagamentos e serviços relacionados com os usuários finais dos programas da Avast. Ou seja, a fornecedora (Digital River Brasil) seria responsável pela prestação desses serviços à cliente (Avast), tendo como contraprestação o recebimento de remuneração fixada sobre cada operação. Veja-se os seguintes trechos traduzidos extraídos das alterações contratuais, que atestam o objeto envolvido no negócio (e-fls.459 a ): SEGUNDA ALTERAÇÃO AO CONTRATO E ORDEM DE SERVIÇO 3 3 Tradução para o português: "(D) A Fornecedora e a Cliente, na mesma data desta Ordem de Serviço nº 3, celebraram a Ordem de Serviço nº 2 que rege a implementação dos Serviços de comércio eletrônico e processamento de pagamentos da Fornecedora em apoio ao Negócio de Produtos de Consumo e ao Negócio de SMB da Cliente, e a Fornecedora e a Cliente pretendem celebrar a Ordem de Serviço nº 4 que rege o fornecimento pela Fornecedora de serviços de comércio eletrônico e processamento de pagamentos para renovação automática de assinaturas de Produtos para clientes que haviam originalmente assinado por meio da Cliente e expressaram seu consentimento com a renovação automática. (E) A Fornecedora e a Cliente estão celebrando esta Ordem de Serviço nº 3 para estabelecer os termos sob os quais a Fornecedora fornecerá e a Cliente receberá e pagará pelos Serviços de comércio eletrônico e processamento de pagamentos em apoio ao Negócio de Produtos de Consumo e ao Negócio de SMB da Cliente, incluindo Transações processadas durante (i) a prova de conceito de acordo com a Ordem de Serviço nº 1; e (ii) o trabalho de implementação de acordo com a Ordem de Serviço nº 2". Fl. 1301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 29 A Digital River Inc. (“DR-Inc.”) e Digital River Ireland Ltd. (“DR-Ireland” e, em conjunto com a DRInc., “Fornecedora”) e a AVG Ecommerce CY Ltd. (“Cliente”), na data na qual esta Alteração se torna pela primeira vez plenamente firmada por todas as Partes contratantes (“Data de Alteração”), neste ato alteram sua Ordem de Serviço nº 3, datada de 29 de abril de 2016,(“WO3”) firmada entre a Fornecedora e a Cliente, de acordo com os termos do Contrato de Prestação de Serviços Padrão entre a Fornecedora e a AVG Netherlands B.V., datado de 4 de novembro de 2015 (“Contrato”), conforme previsto nesta Segunda Alteração (“Alteração”). Os termos grafados com a primeira letra em maiúscula não definidos de outra forma nesta Alteração têm o significado dado pela WO3 ou pelo Contrato. Esta Alteração se refere à Cliente e à Fornecedora individualmente como uma “parte” e em conjunto como as “partes”. Preâmbulo A Cliente e a Avast Software s.r.o., uma sociedade constituída conforme as leis da República Tcheca e com sede social localizada em Pikrtova 1737/1a, 140 00 Praga, República Tcheca(“Avast”), antes da Avast adquirir a Cliente e suas Afiliadas em setembro de 2016, celebraram um contrato separadamente com a Fornecedora para fins de comércio eletrônico, processamento de pagamentos e serviços relacionados. A Cliente e a Avast desejam que, a partir da Data de Alteração, a Avast contrate com a Fornecedora nos termos da WO3 e do Contrato, e, consequentemente, a Fornecedora e a Cliente neste ato concordam com os termos previstos nesta Alteração. A Cliente e a Fornecedora neste ato reconhecem e concordam que a Avast e a Fornecedora celebrarão em um Contrato de Adesão separado (que também entrará em vigor a partir da Data de Alteração) para registrar seu acordo em estarem vinculadas aos termos da WO3, ao Contrato e a esta Alteração. ISTO POSTO, por contraprestação válida e suficiente, cujo recebimento e suficiência são neste ato reconhecidos, e com a intenção de estarem legalmente vinculadas, as partes concordam com o que segue: 1. DR-Brasil. A Digital River Do Brasil Importação e Comercio De Produtos De Informatica Ltda, uma sociedade brasileira, com sua sede social localizada em Sala Piso G5 - cj 905 Av. Roque Petroni Jr 1089 Centro Profissional Morumbi Shopping São Paulo-SP 04707-900 Brasil (“DR-Brasil”), é incluída como parte do Contrato e desta Ordem de Serviço nº 3 com o propósito limitado de prover serviços de comércio eletrônico, incluindo Transações e atendimento completo de pedidos perante Usuários Finais no Brasil. No que diz respeito ao cumprimento das obrigações previstas neste instrumento relativas ao processamento de Transações realizadas com Usuários Finais localizados no Brasil, conforme determinado pela DR (“Obrigações de Transações da DR-Brasil"), a DRBrasil, e não a DR-Inc., deverá processar Transações com Usuários Finais através das Obrigações de Transações da DR-Brasil, sendo que quaisquer referências à “Fornecedora” no Contrato e na WO3 relacionadas a tais Transações Fl. 1302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 30 e relatórios e pagamentos a este respeito deverão ser interpretados como referências à DR-Brasil e não à DR-Inc. A Fornecedora declara que o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não aumentará os Encargos a pagar pela Cliente acima daqueles aplicáveis antes desta Alteração. A DR declara, ainda, que, conforme é de seu conhecimento na data desta Alteração, o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não afetará negativamente os Impostos pagos pela, ou retidos da, Cliente ou Avast, independentemente de quaisquer alterações feitas na tabela de impostos, no cronograma de impostos ou nos regimes fiscais estabelecidos por qualquer Autoridade Governamental do Brasil. Depreende-se dos trechos reproduzidos da alteração contratual e pelas afirmações da própria recorrente, que esta foi contratada no referido instrumento tão somente para fornecer seus serviços de e-commerce e meios de pagamento aos seus "clientes", não havendo qualquer relação entre o termo "fornecedora" com o desenvolvimento e entrega de softwares, tampouco o referido contrato apresentado dispõe sobre licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador da Avast. Ocorre que a autuação foi mantida com relação às remessas à Digital River Colletion, porque a instância a quo entendeu que a defesa não explica e não trouxe qualquer comprovação de que atuaria como operadora no Brasil de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador da Avast, sem a transferência de tecnologia. Embora reste evidente que o contrato ora analisado não tem relação com o caso sob análise., em sede de recurso voluntário, a empresa insiste em toda sua defesa em descaracterizar que a “Segunda Alteração ao Contrato e Ordem de Serviço 3” não envolvem fornecimento de software, mas deixa de apresentar os contrato global e suas alterações que poderiam comprovar a natureza das remessas. Ao contrário dos casos das Adobe Systems Incorporated e Kaspersky LAB UK Limited, com relação às quais a empresa trouxe os contratos globais e emendas lavrados com as empresas de tecnologia e aditivos com denominação traduzida de “Contrato com o Revendedor Hospedado”, com a comprovação de que nos negócios envolvidos com essas empresas tratavam apenas de revenda e distribuição de aplicativos, sem a transferência de tecnologia, no caso em apreço, no entanto, a recorrente não trouxe o contrato global e emendas do “Contrato com o Revendedor Hospedado” que seria o instrumento hábil para confirmar que as remessas à empresa Digital River Collection, se deram à título de contrapartida pela sua atuação como operadora no Brasil de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador da Avast, sem a transferência de tecnologia. Como se sabe, se o Fisco efetua o lançamento fiscal fundado nos elementos apurados no procedimento fiscal, cabe ao autuado, no seu recurso, apresentar provas inequívocas de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de tal direito do Fisco. Assim, entendo que tais Fl. 1303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 31 documentos juntados não são hábeis para comprovar que as remessas à empresa Digital River Colletion se deram em função da recorrente atuar na revenda ou distribuição dos aplicativos fornecidos pela empresa de tecnologia Avast, sem a transferência de tecnologia. Dessa forma, mantém-se o lançamento. Contrato com Avast Software S.R.O. (fls. 459 e ss) Com relação às remessas destinadas a AVAST SOFTWARE S.R.O, os únicos documentos e esclarecimentos constantes nos autos são os mesmos citados no tópico anterior. A fim de evitar repetição, vale aqui a mesma fundamentação do tópico anterior. Assim, em vista da evidente insuficiência probatória da defesa, deve-se manter o lançamento fiscal. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar alegada e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo VOTO VENCEDOR Conselheiro Jorge Luís Cabral, redator designado Trata-se de lançamento de ofício referente à CIDE, ano calendário 2017, e como bem representa a natureza do contencioso, reproduzo abaixo parte do Voto do Ilustre Relator: Como já relatado, restaram controversos, por insuficiência probatória, os lançamentos que envolveram os contratos com as empresas: 1 remessa no valor de R$ 2.717.616,47 que teve como destinatária a Kaspersky, 2 remessas no valor de R$ 13.256.454,73 e R$ 17.722.586,00 realizadas que tiveram como destinatária a Digital River Collection (Contrato com Digital River Collection, fls. 459 e ss) e 2 remessas no valor de R$ 25.429.841,00 e R$ 4.205.623,67 realizadas que tiveram como destinatária a Avast Software S.R.O (Contrato com Avast Software S.R.O, fls. 459 e ss). Temos então, três situações a nos debruçar, que envolvem remessas às destinatárias KASPERSKY, DIGITAL RIVER COLLECTION e AVAST. As motivações para a autuação seriam: Fl. 1304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 32 I. KASPERSKY – código da transação informado em contrato de câmbio incompatível com a operação, a Recorrente alega que apresentou as faturas processo que demonstram que tratar-se-ia de compra de software. II. DIGITAL RIVER COLLECTION – a Recorrente constaria como fornecedora e não cliente, ou revendedora, nas alterações contratuais trazidas aos autos. III. AVAST – Não teria havido prova por parte da Recorrente da não transferência de tecnologia nestes contratos. Ônus da Prova O ônus da prova é matéria tratada no artigo 373, da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, o novo Código de Processo Civil. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo.A questão fundamental para se determinar o ônus da prova é a autoria da proposição da ação. É comum a afirmação de que à parte que acusa cabe a incumbência de provar suas alegações. De fato, é o que ocorre no lançamento tributário, quando a autoridade tributária, quer por notificação de lançamento, quer por auto de infração, figura como autor da pretensão de direito e, portanto, precisa incumbir-se do ônus probatório. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, é bem claro neste sentido, na medida em que expressa este conceito no seu artigo 9º, como podemos ver reproduzido a seguir: “Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.” O mesmo encontramos no Decreto nº 7.574, de 29 de dezembro de 2011, que regula a determinação e exigência de créditos tributários da União, nos seus artigos 25 e 26. “Art. 25. Os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito ( Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º , com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais ( Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º , § 1º ) Fl. 1305DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art9.. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art9%C2%A71 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 33 Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º , § 2º )” Vemos ainda que a escrituração regular faz prova a favor do sujeito passivo, desde que os fatos nela registrados sejam comprovados por documentos hábeis, conforme o caput do artigo 26, acima, e novamente a responsabilidade de provar cabe ao autor da ação, conforme previsto no seu parágrafo único, neste caso a autoridade fiscal, quando assim se configurar. A Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que trata do Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e é de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, reproduz o mesmo conceito, como podemos notar pela reprodução dos seus artigos 36 e 37, a seguir: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. É necessário também ressaltar que, no que diz respeito a prova a favor do contribuinte, em razão da manutenção de contabilidade regular, seus registros precisam estar de acordo com os documentos fiscais comprobatórios, o que vale dizer que cabe a autoridade tributária verificar se os registros escriturais refletem adequadamente notas fiscais e outros documentos ficais, especialmente em relação aos seus montantes, aspectos formais e natureza das operações a que se refiram. Vemos que a base de boa parte da autuação fundamenta-se sobre o § 1-A, do art. 2º, da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000. Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1º Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1º-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) (...) A leitura do art. 373, incisos I e II, do CPC, utilizado de forma subsidiária ao PAF, indica que cabe ao detentor do direito o ônus da prova, e ao réu cabe apontar e provar fato impeditivo ou modificativo do direito do autor. Não se pode considerar que ao autor basta a mera alegação do direito pretendido, este precisa demonstrar minimamente que seu direito exista. No caso, a Autoridade Tributária alega que a Recorrente é pessoa jurídica detentora de licença de uso, ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, ou signatária de contratos que impliquem em transferência de tecnologia. Fl. 1306DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art9%C2%A72 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6233.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Mpv/510.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11452.htm#art20 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11452.htm#art20 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 34 Em todos os casos autuados, verifica-se que tratam-se de operações que envolvem a entrada de softwares de segurança, do tipo antivírus e afins, de empresas renomadas no mercado que, a princípio, não permitem uma customização que ficasse a cargo da Recorrente, e sem que a Autoridade Tributária tenha feito prova da existência de transferência de tecnologia, limitando-se a alegar que a Recorrente não consegui demonstrar que não houve a dita transferência. Analisemos, então as três alegações que persistem neste contencioso. Contrato de Câmbio para a KAPERSKY O contrato de câmbio autuado traz a seguinte codificação da operação a qual está vinculada a remessa ao exterior: código 47025: Serviços de computação: pagamento ou recebimento por serviço relacionado a tecnologia da informação. A Recorrente alega que esta classificação decorre de erro de preenchimento das informações do contrato de câmbio e que, na verdade trata-se da entrada virtual de softwares de preteleira sem transferência de tecnologia”, e ainda, traz aos autos, às e.fls. 516 a 720, notas fiscais de entrada referentes aos softwares comercializados, e que o relator a estas notas fiscais, assim se refere: Conforme se depreende da legislação transcrita, a indicação da classificação correta da operação de câmbio exige atenção especial dos agentes envolvidos na classificação da operação de câmbio, isso porque em caso de erro há inclusive a aplicação de penalidades previstas na legislação. No caso em apreço, a empresa alega que houve equívoco na aplicação do referido código, porém, não trouxe aos autos elementos que comprovem o erro cometido. Não há qualquer comprovação de que tenha solicitado a retificação do erro alegado, junto ao BACEN (Banco Central do Brasil), tampouco os documentos juntados são suficientes para infirmar que a remessa não se deu sob o código 47025: Serviços de computação: pagamento ou recebimento por serviço relacionado a tecnologia da informação. Nas invoices constantes nos autos, consta uma descrição genérica (Kaspersky Product sales for September'2017), na qual não há a discriminação dos produtos ou serviços adquiridos pela recorrente, não sendo possível fazer uma correlação com aquisições de produtos de outra natureza diferente daquela constante no contrato de câmbio. Conforme se pode facilmente constatar, as notas referem-se a diversos softwares de segurança, os quais cito exemplificativamente a seguir: KASPERSKY TOTAL SECURITY MULTIDISPOSIT KASPERSKY ANTIVIRUS 1 PC 1 ANO KASPERSKY SMALL OFFICE SECURITY 5 PCS KASPERSKY ENDPOINT SECURITY CLOUD 1 ANO KASPERSKY SECURE CONNECTION 1 ANO 5 AVAST SECURELINE VPN STANDALONE TRIAL AVAST FILE SERVER SECURITY - 1 YEAR Fl. 1307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 35 Estes são apenas parte dos inúmeros produtos presentes nesta documentação. Tenho de divergir do Ilustre Relator, no sentido que estas qualificações são suficientes para determinar a natureza dos produtos adquiridos, e tendo em vista que estas notas fiscais foram reconhecidas como representativas da operação de câmbio que foram autuadas, entendo que resta demonstrado, pelos menos para efeitos tributários, o erro material no preenchimento dos códigos utilizados no contrato de câmbio, ainda que tal constatação, dentro deste contencioso, não tenha efeitos em relação à legislação aplicável ao caso, conforme citado pelo Relator em seu Voto. Para concluir, a discussão sobre o erro de indicação da natureza do contrato de câmbio não consta como motivação nem no Auto de Infração, nem do Termo de Verificação Fiscal, ou anexos, mas surge como argumentação da Decisão de Primeira Instância para justiçar a manutenção parcial da autuação. Neste aspecto, o Auto de Infração carece de dialeticidade e de motivação, e como agravante, ocorre inovação de motivação pela DRJ. Com razão à Recorrente. Contrato de Câmbio para a DIGITAL RIVER COLLECTION Socorro-me novamente ao voto do Ilustre Relator para determinar o objeto da lide neste ponto e as alegações envolvidas: Constatou ainda o julgador a quo que a empresa brasileira, ora recorrente, ingressou na relação contratual na condição também de fornecedora, e não de cliente, ou revendedora (como constou dos contratos já analisados), nos termos do que abaixo colaciono, extraído de fl. 459, verbis: ISTO POSTO, por contraprestação válida e suficiente, cujo recebimento e suficiência são neste ato reconhecidos, e com a intenção de estarem legalmente vinculadas, as partes concordam com o que segue: 1. DR-Brasil. A Digital River Do Brasil Importação e Comercio De Produtos De Informática Ltda, uma sociedade brasileira, com sua sede social localizada em Sala Piso G5 - cj 905Av. Roque Petroni Jr 1089 Centro Profissional Morumbi Shopping São Paulo-SP 04707-900 Brasil ("DR-Brasil"), é incluída como parte do Contrato e desta Ordem de Serviço n° 3 com o propósito limitado de prover serviços de comércio eletrônico, incluindo Transações e atendimento completo de pedidos perante Usuários Finais no Brasil. No que diz respeito ao cumprimento das obrigações previstas neste instrumento relativas ao processamento de Transações realizadas com Usuários Finais localizados no Brasil, conforme determinado pela DR ("Obrigações de Transações da DR-Brasil"), a DR Brasil, e não a DR-Inc., deverá processar Transações com Usuários Finais através das Obrigações de Transações da DR-Brasil, sendo que quaisquer referências à"Fornecedora" no Contrato e na WO3 relacionadas a tais Transações e relatórios e pagamentos a este respeito deverão ser interpretados como referências à DR-Brasil e não à DR-Inc. A Fornecedora declara que o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não aumentará os Encargos a pagar pela Cliente acima daqueles aplicáveis antes desta Alteração. A DR declara, ainda, que, conforme é de seu conhecimento na data desta Alteração, o desempenho da DR-Brasil no que se refere às Obrigações de Transações da DR-Brasil não afetará negativamente os Impostos pagos pela, ou retidos da, Cliente ou Avast, independentemente de quaisquer alterações feitas na tabela de impostos, no cronograma de impostos ou nos regimes fiscais estabelecidos por qualquer Autoridade Governamental do Brasil No seu voto, o julgador a quo afirma que os documentos analisados não comprovam que, nas remessas a Digital River Collection, a recorrente teria atuado como operadora no Brasil da licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador da Avast, posto que esta consta contratualmente como fornecedora nos documentos citados. Fl. 1308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 36 Nesse contexto, a instância a quo entendeu que não constava nos autos elementos documentais suficientes para afastar o lançamento, visto não haver prova de que a remuneração tenha sido sobre a licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador. A Recorrente, por sua vez, sobre o contrato sob análise, diz que é denominada fornecedora nos referidos contratos, justamente, por ser responsável pelo fornecimento de serviços de e-commerce e meios de pagamento diretamente para os consumidores finais que pretendem adquirir os softwares em questão. Para comprovar o acima alegado, a Recorrente apresentou o contrato denominado Ordem de Serviço 3 ("Work Order 3"), bem como o Acordo de Adoção com a Avast em relação ao referido contrato ("Adoption Agreement"), devidamente acompanhados das respectivas traduções (Docs. 01 a 04 do presente recurso). Confira-se trecho do referido contrato: (...) Abstenho-me de reproduzir novamente o trecho do contrato que levou à Autoridade Julgadora de Primeira Instância à conclusão acima referida, por já constar do Voto do Relator. O Termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração, e este próprio, pouco tem a nos oferecer. O TVF é lacônico e, em pouquíssimas folhas, limita-se a afirmar que a Recorrente respondeu ao pedido de informações alegando que não haveria contratos específicos para o Brasil, e que não teria demonstrado a não transferência de tecnologia. A discussão sobre se a Recorrente é ou não fornecedora, novamente surge na Decisão de Primeira Instância, quando a Autoridade Julgadora de Primeira Instância supre a ausência de dialeticidade do Auto de Infração, e acrescenta motivação diversa da inicial, que seria tão somente a falta de prestação de informações que afastassem a transferência de tecnologia. Quanto ao texto em inglês, referir-se à Recorrente como “supplier”, a motivação da DRJ de que isto seria suficiente para as conclusões aplicadas, em contraponto à alegação da Recorrente de que ela presta serviços não procede, dado que o termo em inglês é igualmente utilizado para designar prestadores de serviços “service suppliers”, amplamente simplificado para apenas “supplier”. Por outro lado, o conjunto fático e probatório apresentado pela Recorrente não permitem a tradução utilizada pela DRJ, ou suas conclusões. Vejamos o texto da Convenção Modelo para Evitar a Dupla Tributação da OCDE, onde transcrevemos o parágrafo 11.3, dos comentários ao artigo 12, da Convenção Modelo – Royalties. 11.3 The need to distinguish these two types of payments, i.e. payments for the supply of know-how and payments for the provision of services, sometimes gives rise to practical difficulties. The following criteria are relevant for the purpose of making that distinction: (…) — In the case of contracts for the provision of services, the supplier undertakes to perform services which may require the use, by that supplier, of special knowledge, skill and expertise but not the transfer of such special knowledge, skill or expertise to the other party. Em uma tradução livre, seria: 11.3. A necessidade de distinguir estes dois tipos de pagamentos, i.e. pagamentos pelo fornecimento de know-how e pagamentos pela prestação de serviços, algumas vezes dão origem a dificuldades práticas. Os seguintes critérios são relevantes para o propósito de fazer esta distinção: (...) Fl. 1309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.657 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720010/2021-26 37 - Nos casos de contratos de prestação de serviços, o fornecedor (prestador)compromete-se à prestação de serviços os quais podem requerer o uso, por aquele fornecedor (prestador), de conhecimento especial, habilidades e expertise mas não a transferência de tais conhecimento, habilidade ou expertise para a outra parte. (...) Com razão à Recorrente. Contrato de Câmbio para a AVAST Neste ponto a DRJ repete a única motivação do TVF, e reforça a necessidade da Recorrente produzir uma prova negativa. A produção de prova negativa em um contexto em que os produtos transacionados são notoriamente de prateleira, e com nenhuma prova indiciária apresentada pela Autoridade Tributária que pudessem sugerir a transferência de tecnologia, necessária para atrair a incidência da CIDE, fica prejudicada a desincumbência do ônus probatório do autor da ação, ou do detentor do direito, no caso, a Autoridade Tributária. Tanto é assim que no julgamento de Primeira Instância foi necessário que a DRJ inovasse nas motivações para manter a autuação. Tendo em vista que é necessário que a autuação determine a sua motivação, e que esta motivação seja compatível com o dispositivo legal infringido, têm-se que o Termo de Verificação Fiscal peca contra o Princípio da Dialeticidade e falha ao demonstrar que as operações autuadas referem-se a transação com transferência de tecnologia. Com razão à Recorrente. Conclusão Desta forma, acompanho o relator pelo mesmo entendimento em relação ao Recurso de Ofício, e quanto ao Recurso Voluntário, entendo que a Recorrente teve cerceado o seu direito de defesa diante da fundamentação inadequada do auto de infração, e voto por declarar a sua nulidade, nos termos do inciso I, do art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral Fl. 1310DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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4832801 #
Numero do processo: 13056.000033/91-76
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 1993
Ementa: DCTF - Apresentação espontânea, embora vencido o prazo para entrega. Exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. nº 138, do CTN). Recurso provido.
Numero da decisão: 203-00.176
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro SERGIO AFANASIEFF.
Nome do relator: ROSALVO VITAL GONZAGA SANTOS

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Numero do processo: 16692.721015/2017-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2016 a 30/03/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. DILIGÊNCIA FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por deficiência de fundamentação quando o despacho decisório e o relatório de diligência apresentam, ainda que de forma complementar, os fundamentos das glosas efetuadas, com indicação da legislação aplicável e dos elementos constantes das planilhas e documentos fiscais. Atendidos os requisitos de motivação previstos no art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e assegurado o pleno exercício do direito de defesa, rejeita-se a preliminar de nulidade. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 30/03/2016 PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. TEMA 779/STJ. No regime não cumulativo do PIS e da Cofins, o direito ao creditamento pressupõe a demonstração da essencialidade ou relevância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte, nos termos da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR (Tema 779). A caracterização do insumo deve ser realizada caso a caso, considerando as especificidades da atividade exercida, o emprego concreto no processo produtivo ou na prestação de serviços e a comprovação objetiva de sua indispensabilidade ou relevância. A mera alegação genérica não é suficiente para o reconhecimento do crédito, sendo indispensável a apresentação de prova idônea quanto à efetiva utilização do dispêndio e sua vinculação com a atividade empresarial. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA. SÚMULA CARF Nº 224. Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a demanda contratada. FRETES. SUBCONTRATAÇÃO. CT-e. FRETE TRIBUTADO. SÚMULA CARF Nº 188. Mantém-se a glosa dos créditos das contribuições relativos a fretes cuja prestação do serviço não restou comprovada por documentação idônea, especialmente pela ausência dos correspondentes Conhecimentos de Transporte. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELAS CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF Nº 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. INSUMO. LENHA. AQUISIÇÃO. Não é permitido o creditamento de insumos adquiridos sem a comprovação do pagamento das contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO AGROPECUÁRIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CONTROLE CONTÁBIL APARTADO. METODOLOGIA DE RATEIO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. O crédito presumido pressupõe a aquisição de insumos sob regime de suspensão do PIS e da Cofins, bem como a manutenção de controles contábeis apartados e documentação idônea que permitam a verificação da origem, destinação e correta apuração dos valores creditados. A ausência de registros segregados e de prova suficiente quanto à parcela dos produtos adquiridos ao amparo da suspensão e destinação dos insumos bem como, à metodologia de rateio adotada compromete a rastreabilidade e a liquidez do crédito, inviabilizando seu reconhecimento. BENS PARA REVENDA. AUSÊNCIA DE GLOSA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há controvérsia quanto ao mérito do creditamento de bens para revenda quando ausente impugnação específica a rubrica. O pedido de nulidade do Despacho Decisório por suposta falta de esclarecimento na apuração final quando demonstrado que a fiscalização trabalhou exclusivamente com os valores glosados que refletem com os valores exibidos nas planilhas de controle do crédito, afasta-se a alegação de omissão ou erro material.
Numero da decisão: 3102-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em votar da seguinte forma: i ) por unanimidade de votos,para rejeitar as preliminares arguidas pela Recorrente, inclusive a alegação de nulidade do Despacho Decisório quanto aos créditos relativos a bens para revenda, e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas relativas ao frete incidente na aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições, quando o serviço de transporte for operação tributada; ii) por maioria de votos, para manter as glosas sobre: a) frete vinculado à transferência de produtos acabados para centros de distribuição;; b) energia contratada; e c) aquisição do insumo lenha. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor; e; iii) por voto de qualidade, para manter a glosa sobre o frete subcontratado decorrente de serviço de transporte prestado pela própria Recorrente. Vencidos os conselheiros Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Joana Maria de Oliveira Guimarães que entendiam pelo provimento neste ponto. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. Com relação aos créditos extemporâneos, os conselheiros Pedro Sousa Bispo, Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel votaram pelas conclusões, por entenderem que a súmula 231 se aplica ao caso. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Luís Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Fábio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA

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PRELIMINAR DE NULIDADE. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. DILIGÊNCIA FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por deficiência de fundamentação quando o despacho decisório e o relatório de diligência apresentam, ainda que de forma complementar, os fundamentos das glosas efetuadas, com indicação da legislação aplicável e dos elementos constantes das planilhas e documentos fiscais. Atendidos os requisitos de motivação previstos no art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e assegurado o pleno exercício do direito de defesa, rejeita-se a preliminar de nulidade. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 30/03/2016 PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. TEMA 779/STJ. No regime não cumulativo do PIS e da Cofins, o direito ao creditamento pressupõe a demonstração da essencialidade ou relevância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte, nos termos da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR (Tema 779). A caracterização do insumo deve ser realizada caso a caso, considerando as especificidades da atividade exercida, o emprego concreto no processo produtivo ou na prestação de serviços e a comprovação objetiva de sua indispensabilidade ou relevância. A mera alegação genérica não é suficiente para o reconhecimento do crédito, sendo indispensável a Fl. 1106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 2 apresentação de prova idônea quanto à efetiva utilização do dispêndio e sua vinculação com a atividade empresarial. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA. SÚMULA CARF Nº 224. Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a demanda contratada. FRETES. SUBCONTRATAÇÃO. CT-e. FRETE TRIBUTADO. SÚMULA CARF Nº 188. Mantém-se a glosa dos créditos das contribuições relativos a fretes cuja prestação do serviço não restou comprovada por documentação idônea, especialmente pela ausência dos correspondentes Conhecimentos de Transporte. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELAS CONTRIBUIÇÕES. SÚMULA CARF Nº 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. INSUMO. LENHA. AQUISIÇÃO. Não é permitido o creditamento de insumos adquiridos sem a comprovação do pagamento das contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO AGROPECUÁRIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CONTROLE CONTÁBIL APARTADO. METODOLOGIA DE RATEIO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. O crédito presumido pressupõe a aquisição de insumos sob regime de suspensão do PIS e da Cofins, bem como a manutenção de controles contábeis apartados e documentação idônea que permitam a verificação da origem, destinação e correta apuração dos valores creditados. Fl. 1107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 3 A ausência de registros segregados e de prova suficiente quanto à parcela dos produtos adquiridos ao amparo da suspensão e destinação dos insumos bem como, à metodologia de rateio adotada compromete a rastreabilidade e a liquidez do crédito, inviabilizando seu reconhecimento. BENS PARA REVENDA. AUSÊNCIA DE GLOSA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há controvérsia quanto ao mérito do creditamento de bens para revenda quando ausente impugnação específica a rubrica. O pedido de nulidade do Despacho Decisório por suposta falta de esclarecimento na apuração final quando demonstrado que a fiscalização trabalhou exclusivamente com os valores glosados que refletem com os valores exibidos nas planilhas de controle do crédito, afasta-se a alegação de omissão ou erro material. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em votar da seguinte forma: i ) por unanimidade de votos, para rejeitar as preliminares arguidas pela Recorrente, inclusive a alegação de nulidade do Despacho Decisório quanto aos créditos relativos a bens para revenda, e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas relativas ao frete incidente na aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições, quando o serviço de transporte for operação tributada; ii) por maioria de votos, para manter as glosas sobre: a) frete vinculado à transferência de produtos acabados para centros de distribuição;; b) energia contratada; e c) aquisição do insumo lenha. Vencida a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor; e; iii) por voto de qualidade, para manter a glosa sobre o frete subcontratado decorrente de serviço de transporte prestado pela própria Recorrente. Vencidos os conselheiros Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Joana Maria de Oliveira Guimarães que entendiam pelo provimento neste ponto. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. Com relação aos créditos extemporâneos, os conselheiros Pedro Sousa Bispo, Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel votaram pelas conclusões, por entenderem que a súmula 231 se aplica ao caso. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Fl. 1108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 4 Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Luís Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Fábio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Adoto o relatório constante da Resolução nº 3101-000.517, por meio da qual o julgamento foi convertido em diligência, com o objetivo de apurar o crédito registrado extemporaneamente pela Recorrente, nos termos a seguir transcritos: Em defesa da economia processual, adoto o relatório do Acórdão Recorrido para retratar os fatos desencadeados no litígio, a seguir reproduzido: 1. Seara Comércio de Alimentos Ltda, pessoa jurídica acima identificada, transmitiu Pedido de Ressarcimento nº 32863.17617.120517.1.5.19-8804 , no valor de R$ 7.547.688,24, decorrente de créditos de COFINS, apurados no 1º trimestre de 2016. 2. A DERAT-SP proferiu Despacho Decisório, de fls. 188/202 no qual indeferiu o Pedido, sem análise do mérito, pois o interessado possuía ação judicial que poderia impactar o valor a ser ressarcido. 3. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual suscitou, entre outros, a nulidade do Despacho Decisório, pois ausente a motivação das glosas, e incorreta a qualificação do interessado. 4. Em 31/05/2019, o juiz da 13ª Vara Cível Federal de São Paulo, nos autos do Mandado de Segurança nº 5006427-72.2019.4.03.6100, determinou que a DERATSP proferisse novo Despacho Decisório, agora, com a análise do mérito. 5. Em atenção ao que foi determinado pelo Poder Judiciário, a Unidade de Origem proferiu Despacho Decisório, de fls. 305/324, cientificado ao contribuinte em 14/08/2019 (fl. 326), na qual reconheceu parte do crédito pleiteado. Estes foram os fundamentos para o reconhecimento parcial dos créditos: IV-1 Dos créditos já utilizados 19. Conforme constatado no item 4, foram apurados descontos da contribuição devida de créditos apurados em períodos de apuração de meses anteriores ao do trimestre sob análise, já utilizados por Pedido de Ressarcimento, os Fl. 1109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 5 quais devem ser glosados (ver planilha Controle de Crédito descontado_deduzido 1T16 - item 1-Controle de Crédito Descontado fl.187 ñ pag). (....)IV-3 Das glosas por falta de pagamento da contribuição 24. O art. 3º, § 2º, inc. II da Lei nº 10.833, de 2003, estabelece a vedação geral ao creditamento, nos casos de aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição: (....)25. Tal vedação é cabível, também no caso da apuração de crédito de frete na aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento da contribuição, tendo em vista os arts.289 e 290, inc. I, todos do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR 1999), que considera que o custo da mercadoria ou matéria-prima, compreenderá os de transporte: (....)26. Logo, no caso de compra de mercadoria para revenda ou matériaprima para fabricação não sujeitas ao pagamento da contribuição, a vedação do art. 3°, § 2º, inc.II da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se de forma conjunta ao frete. Adicionalmente, no caso de frete por transferência entre estabelecimentos ou que não seja por compra ou venda, não existe previsão legal para tal creditamento. IV-4 Das glosas por falta de suspensão do pagamento da contribuição na aquisição, nos casos de vedação ao aproveitamento de crédito presumido agropecuário pelo fornecedor pessoa jurídica. 27. O crédito presumido do art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, possui vedação expressa ao fornecedor pessoa jurídica de aproveitamento do mesmo crédito, sendo necessária a suspensão do art. 54 da mesma lei para que não ocorra tal tipo de duplicidade de usufruto de crédito, ainda mais de cunho presumido: (....) 28. Nas planilhas de glosa e apuração das bases de cálculo dos créditos dos créditos, foram citadas as fundamentações legais apresentadas nos itens 25 a 28, sendo que a glosa dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 e art.56 da Lei n° 12.350, de 2010, foram motivados pelo fato das receitas das vendas do produtos processados serem idênticas, com divergências motivadas apenas por lançamentos subjetivos de devoluções. Para fins de certeza e liquidez, foram considerados os créditos por aquisição com desconto do ICMS destacado, para os débitos a exclusão do ICMS a recolher e para rateio proporcional dos tipos de crédito, os menores percentuais, para que não haja simples deslocamento de um tipo de crédito para outro. O saldo final de crédito deferido para ressarcimento consta na planilha Controle de Créditos descontados/deduzidos de fl.304 ñ pag, Linha 155, no valor de R$ 2.722.450,11. Fl. 1110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 6 6. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, de fls. 337/389, em 12/09/2019 (fl. 335), onde alega: Equivocou-se ao apontar os respectivos períodos objetos de Ressarcimento na EFD Contribuições vinculada ao processo em debate. Porém, seu direito creditório existe, tendo em vista que a Autoridade Fiscal poderia ter intimado a Manifestante a retificar as informações acessórias apresentadas em respeito ao princípio da verdade material, de forma a corrigir a utilização dos referidos créditos. Procedeu a retificação das EFD’s Contribuições relativas aos Pedidos de Ressarcimento de PIS/COFINS, respeitando o prazo de 30 dias disposto na legislação, para a apresentação da competente Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que possui acumulado outros créditos de PIS/COFINS não passíveis de ressarcimento, considerados não prescritos pela legislação tampouco não utilizados por ressarcimento, que são suficientes para abatimento do débito apurado no período, sem necessidade de utilização do crédito passível de ressarcimento apurado no trimestre. Energia Elétrica, a Autoridade Fiscal glosou os créditos sob o pressuposto de que não gera direito ao crédito os valores pagos por demanda contratada, gerando crédito tão somente o gasto com energia elétrica consumida. O demonstrativo apresentado pela Autoridade Fiscal não identifica a materialidade quanto ao pretenso crédito aproveitado, razão pela qual deve ser considerado hígido o crédito aproveitado. A fiscalização acabou por verificar, apenas, em relação aos montantes relativos as despesas de frete relacionadas no bloco D do EFD Contribuições, mesmo havendo lançamentos registrados no bloco F (registro F-100) do EFD Contribuições. Este fato é uma flagrante violação ao princípio da verdade material, bem como ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que a manifestação do contribuinte acaba por não atacar pontualmente as rubricas glosadas pela fiscalização. A equivocada interpretação literal, no sentido de ser vedado o desconto/abatimento de créditos de PIS e COFINS na aquisição de insumos tributados à alíquota “zero”, isentos ou não tributados, vai de encontro ao objetivo finalístico do Governo Federal, que visa desonerar a carga tributária, possibilitando que ao final da cadeia, o consumidor final tenha melhor qualidade do produto, com o menor preço. A glosa relativa ao frete de aquisição de insumos destoa da previsão legal e deve ser revertida, principalmente porque o crédito aproveitado decorre de uma operação de transporte tributada. Fl. 1111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 7 O crédito sobre frete não está limitado às operações de venda, uma vez que o próprio dispositivo legal (artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003) ao mencionar "(...) nos casos do inciso I e II (...)" admite claramente o crédito do frete para o transporte de insumos; assim, igualmente se é possível o crédito de frete sobre transferências. No tocante a classificação pela Autoridade Fiscal das despesas de fretes como decorrentes de aquisição e não de venda, resta improcedente esta informação, uma vez que decorrem da contratação de terceiro para prestação de serviços de frete de venda, tendo o transportador (Seara Alimentos Ltda. – CNPJ sob nº 02.914.460) subcontratado outro transportador para realização do serviço. Quanto as despesas de armazenagem dispostas no bloco A, a Autoridade Fiscal realizou o exame, mas glosou simplesmente pela falta de descrição complementar da despesa e não pelo mérito de se tratar ou não de despesa com armazenagem. A leitura do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/03 nos leva claramente ao entendimento de que tanto o frete sobre as vendas, cujo ônus seja do vendedor, quanto as despesas com armazenagem admitem apropriação de créditos de PIS e de COFINS. Na natureza 03 do Bloco F-100 da EFD Contribuições, promove o registro de montantes relativos aos fretes, neste caso os valores registados referem-se a receitas decorrentes da prestação do serviço de frete. Tem por objeto social o comercio atacadista de produtos alimentícios em geral, o comércio atacadista de alimentos para animais, o comercio atacadista de matérias-primas e insumos agrícolas, a comercialização de ovos e pintos de um dia, entreposto de compra, armazenamento e comercialização de grãos, a exportação e importação de produtos alimentícios, matérias-primas, insumos agropecuários, implementos e equipamentos, a prestação de serviços de transporte; o escritório administrativo, a participação societária em outras empresas e o depósito de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis. Em razão de realizar a prestação de serviços de transporte subcontrata pessoas jurídicas para realização dos serviços de frete, recolhendo PIS/COFINS sobre estas receitas, e portanto, constituindo o direito de descontar créditos de PIS/COFINS sob estas subcontratações, lançadas nesta natureza, tendo em vista se tratar de um serviço utilizado como insumo. Neste sentido temos posicionamento favorável, emitido pela Receita Federal do Brasil, através da Solução de Consulta nº 148, de 07 de maio de 2019, que parcialmente está vinculada ao parecer normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018. Fl. 1112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 8 Serviços utilizados como insumos vinculados a natureza 14 da EFD Contribuições – Prestação de Serviço de Transporte - Subcontratação de Pessoas Físicas. Quanto aos créditos de PIS/COFINS constantes nesta natureza, esclarecemos que tratamse também da prestação de serviços de transporte que a Manifestante subcontrata. No entanto, ao invés da subcontratação de pessoas jurídicas em geral, são contratadas pessoas físicas e pessoas jurídicas do simples nacional, que realizam os serviços de frete, recolhendo PIS/COFINS sobre estas despesas, e portanto, constituindo o direito da Manifestante descontar créditos de PIS/COFINS sob estas subcontratações. O termo “insumo” utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas para a consecução da atividade empresarial da pessoa jurídica. A Autoridade Fiscal promoveu a glosa dos montantes relativos a aquisição de lenha utilizados em seu processo produtivo.Quanto aos combustíveis, como é o caso da lenha, o CARF, vem adotando posicionamento favorável, em especial, no PAF nº 10925.907013/2011-02.Diante do exposto, deve ser reconhecido o montante integral dos créditos pleiteados, em virtude da essencialidade dos bens (lenha) para o processo produtivo da empresa. Cumpre destacar que a apuração dos créditos de PIS e COFINS decorrentes de despesas de aquisição de insumos, energia elétrica e fretes, toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicado no art. 3º da Lei nº 10.637/02. Tanto o que se afirma é verdade que no parágrafo 4° do artigo 3° está expresso que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes”. O parágrafo 2º, artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/02 e o parágrafo 2º do artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/04 contém idêntica redação aos dispositivos legais antes citados, evidenciando que no âmbito da RFB também está autorizada a prática adotada. Tanto a utilização de crédito extemporâneo é autorizada, que no Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital (EFD) de PIS e COFINS, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 91/2013, há um bloco específico para sua escrituração. Segundo o guia prático da Escrituração Fiscal Digital, o ”Bloco 1” serve para fins de: complemento da escrituração, controle de saldos de créditos e de retenções, operações extemporâneas (apuração de crédito extemporâneo, detalhamento do crédito extemporâneo) e outras informações. Ademais, ao contrário do entendimento esposado pela DRJ, o CARF, na medida em que foi provocado a se manifestar sobre a matéria, reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito extemporâneo. Fl. 1113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 9 Não existe qualquer dispositivo, na legislação do PIS/COFINS não- cumulativos, que obriguem o contribuinte a proceder à retificação de documentos para o aproveitamento extemporâneos de créditos. Alternativamente, requer-se que o crédito extemporaneamente aproveitado seja realocado no mês de origem, ou que se autorize a retificação pela ora Manifestante. Quanto ao crédito presumido agropecuário, segundo a fiscalização, o contribuinte deveria manter controle segregado de Notas Fiscais/Contas Analíticas especificas, pelo menos as relativas ao art. 56 da Lei nº 12.350, de 2010 ou possuir planilhas auxiliares que permitissem controlar as receitas de produtos vendidos obtidos de insumos de carnes/miudezas de aves adquiridos com alíquota zero. Tem por objeto social o abate de aves e suínos e produz mercadorias classificadas não só no código 02, mas também no código 16 da NCM (carne processada, exemplo: linguiça). Assim, para análise dos créditos presumidos a Autoridade Fiscal tem o dever, de analisar o crédito presumido previsto nos artigos 55 e 56 da Lei nº 12.350/2010, e o crédito presumido concedido pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, uma vez que a produz mercadorias classificadas no código 16 da NCM. No entanto, ao analisar os pedidos de ressarcimento, a Autoridade Fiscal examinou como crédito mínimo apenas a parcela relativa ao art. 55 da Lei 12.350/2010, sob a alegação de que a receita de produtos processados do art. 8º da Lei 10.925/2004 e do art.56 da Lei 12.350/2010 são idênticas, salvo os lançamentos discricionários de devoluções. Justamente a fim de evitar o motivo da glosa acima disposto e com intuito segregar os créditos presumidos, a adotou o método de rateio pela proporção da Receita auferida no mês da aquisição. Inicialmente, identifica os insumos e fornecedores que se enquadram nas disposições dos artigos 55 da Lei 12.350/2010 e 8º da Lei 10.925/2004. Na sequência, realiza o rateio da receita de venda dos produtos industrializados para identificar o percentual de receita de carne in natura vendida no mercado externo e o percentual de receita de processados vendidos tanto no mercado interno, quanto no mercado externo. Por fim, calcula o valor do crédito presumido relacionado à receita de exportação (Art.55 da Lei 12.350/2010) e à receita de venda de processados (art. 8º da Lei 10.925/2004). Dessa forma, sobre o percentual de insumos vinculado a receita de Carnes in Natura vendidas no Mercado Externo, apura crédito presumido amparado pelo art. 55 da Lei 12.350/2010. Já sobre o percentual vinculado a receita de Carnes Processadas, apropria crédito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/2004. Para o cálculo do crédito presumido disciplinado pelo art. 56 da lei 12.350/2010, identifica as aquisições de insumos que serão utilizadas na Fl. 1114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 10 fabricação de produtos fomentados pela alíquota zero do PIS e Cofins. Na sequência, realiza o cálculo do percentual de rateio dentre os produtos nos quais os insumos são utilizados para industrialização, apropriando crédito presumido somente sobre a receita de venda de Carnes Processadas. Requer a realização de diligência. 7. Esta turma de julgamento houve por bem converter o julgamento em diligência, para que os seguintes questionamentos fossem esclarecidos: a- Com relação às despesas com frete o contribuinte pondera que as informou também no bloco F da EFD Contribuições. A autoridade fazendária deverá analisar as despesas contidas no bloco F e verificar se podem gerar créditos de PIS/COFINS. Nestes caso discriminar os valores; b- O interessado alega que despesas com armazenagem foram desconsideradas por ausência de descrição complementar. A autoridade fiscal deverá intimar o contribuinte a comprovar tais despesas e em seguida informar se as glosas devem ser mantidas; c- Caso o contribuinte se enquadre na figura de transportadora de cargas, informar os montantes glosados por conta da subcontratação de outra pessoa jurídica transportadora para realizar parcela de sua prestação de serviços. No caso de subcontratação de pessoa física, observar o disposto na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 19 e 20, para fins de apuração de crédito presumido; d- O manifestante pondera que despesas com fretes foram desconsideradas por conta da contratação de terceiros para a execução do serviço de transporte. Caso esta seja a única razão para a glosa, a fiscalização deverá discriminar os valores; e- O interessado argumenta que os créditos vinculados a aquisição de bens para revenda foram reconhecidos, porém, não compuseram o montante a ser ressarcido. Caberá à fiscalização informar se os valores foram de fato ressarcidos; f- a aquisição de lenha foi desconsiderada pela autoridade fiscal. Caso esta lenha seja utilizada na atividade produtiva da empresa, por exemplo na alimentação de caldeiras, caberá ao auditor-fiscal informar o respectivo crédito; g- Segundo o contribuinte, para fins de apuração do crédito presumido previsto nos artigos 55 e 56 da Lei nº 12.350/2010 e no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, a fiscalização não observou que a pessoa jurídica também produz mercadorias classificadas no código 16 da NCM. A autoridade fiscal deverá manifestar-se sobre esta argumentação, retificando a apuração do direito creditório se for o caso; h- Caso os questionamentos contidos nas letras a, b, c, d, e, f, g, sejam favoráveis ao contribuinte, caberá à fiscalização reapurar o crédito a ser ressarcido; Fl. 1115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 11 8. Ao final da diligência fiscal, foi lavrada Informação Fiscal, de fls. 825/849 do qual se extrai: 22. Em relação aos quesitos desta diligência, concluo que: a) Com relação às despesas com frete, o contribuinte pondera que as informou também no bloco F da EFD Contribuições. A autoridade fazendária deverá analisar as despesas contidas no bloco F e verificar se podem gerar créditos de PIS/Cofins. Nestes casos, discriminar os valores – o contribuinte apresentou em sua Manifestação de Inconformidade Fretes F100 – Natureza 02, 03 e 07 (fl.408/410 ñ pag), com os Conhecimentos de Transporte eletrônicos, todos emitidos pelo estabelecimento 0007- 19. Houve a intimação e reintimação para a apresentação dos Conhecimentos de Transporte (eletrônicos, se existentes) dos transportadores subcontratados, tendo o contribuinte alegado estar dispensado desta obrigação pelo art.68, § 4º do RICMS/SC e Solução de Consulta Cosit nº 148, de 2019, o que foi contestado por este auditor no item 20, mantendo-se o indeferimento dos fretes informados no bloco F. b) O interessado alega que despesas com armazenagem foram desconsideradas por ausência de descrição complementar. A autoridade fiscal deverá intimar o contribuinte a comprovar tais despesas e, em seguida, informar se as glosas devem ser mantidas – o contribuinte respondeu à intimação informando tratar-se de armazenagem em depósitos de Armazéns Gerais, cujos valores foram quase todos confirmados, conforme EFD Contr bl.A 1T16 (fl.821 ñ pag). c) Caso o contribuinte se enquadre na figura de transportadora de cargas, informar os montantes glosados por conta da subcontratação de outra pessoa jurídica transportadora para realizar parcela de sua prestação de serviços. No caso de subcontratação de pessoa física, observar o disposto na lei nº 10.833/2003, art. 3}, §§ 19 e 20, para fins de apuração de crédito presumido – o estabelecimento 0007-19, a princípio, enquadra-se com transportador de carga em relação aos fretes do bl.F100 de Natureza 03 e 14 – Intercompany. Porém, como visto na alínea “a”, o contribuinte não apresentou os Conhecimentos de Transporte (eletrônicos, se existentes) dos subcontratados, todos Pessoas Jurídicas, mantendo-se a totalidade das glosas do bloco F; d) O manifestante pondera que despesas com fretes foram desconsideradas por conta da contratação de terceiros para a execução do serviço de transporte. Caso esta seja a única razão para a glosa, a fiscalização deverá discriminar os valores – a glosa Fl. 1116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 12 no Despacho Decisório ocorreu, no caso de fretes do bloco F, por falta de discriminação dos Conhecimentos de Transporte, eletrônicos ou em formulário, que deveriam ter sido feitos nos blocos D 101 e 105 (ver EFD Contr Créd 2 3 7 Pres 2 14 bl.F100 fl.301 ñ pag). Nesta diligência, devido à alínea “a”, manteve-se a totalidade das glosas do bloco F; e) O interessado argumenta que os créditos vinculados à aquisição de bens para revenda foram reconhecidos, porém, não compuseram o montante a ser ressarcido. Caberá à fiscalização informar se os valores foram de fato ressarcidos – na planilha Apropriação de Crédito 1T16 cód 201 301 306 (fl.304 ñ pag), no caso de créditos à alíquota básica 101, 201 e 301, pela diversidade de códigos de crédito, optou-se por trabalhar apenas com os valores glosados, que são transferidos para a planilha Controle de Crédito descontado_deduzido 1T16 / 2- DESCONTOS DE OFÍCIO créd. cód. 101,201 e 301 / Valor do Créd. Apur. Fiscaliz.(fl.304 ñ pag). Apenas em fev/2016 o crédito por aquisição de mercadorias para revenda, cód.01, não consta na planilha Apropriação de Crédito; f) a aquisição de lenha foi desconsiderada pela autoridade fiscal. Caso esta lenha seja utilizada na atividade produtiva da empresa, por exemplo na alimentação de caldeiras, caberá ao auditorfiscal informar o respectivo crédito – apenas a lenha sem confirmação de pagamento da contribuição foi glosada em EFD Contr Créd 1_4 12 bl.C 16 01 a 03 (fls.287/289 ñ pag) / Bens MI para Fabricação – GLOSAS 2- Crédito apurado na aquisição de insumos sem o pagamento da contribuição. Ressalto que a lenha NCM 4401 não consta no rol dos insumos, que permitem a apuração de crédito presumido, previstos no art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010; g) Segundo o contribuinte, para fins de apuração do crédito presumido previsto nos artigos 55 e 56 da Lei nº 12.350/2010 e no art. 8º da lei nº 10.925/2004, a fiscalização não observou que a pessoa jurídica também produz mercadorias classificadas no código 16 da NCM. A autoridade fiscal deverá manifestar-se sobre esta argumentação, retificando a apuração do direito creditório, se for o caso – Nas planilhas 178 CRED PRES AVES SUÍNOS CARNE NAT 1T16 (fl.296 ñ pag ), no caso do art. 56 da Lei nº 12.350, de 2010, alíquotas de 0,1985 PIS e 0,912% Cofins, foi indicada na planilha Apropriação de Crédito 1T16 cód 201 301 306 (fl.304 ñ pag), a informação de Créd.Pres.Agrop. Vendas Carne Analítico – B.C.Fiscaliz L nº da linha onde na planilha 178 CRED PRES CARNE IN NATURA / VENDAS ANALÍTICO foi constatada a igualdade das vendas de processados do Grupo 80 com as vendas do Grupo 05 (da Fl. 1117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 13 planilha 178 CRED PRES AVES SUÍNOS). Da mesma forma, no caso do art.8º da Lei nº 10.925, de 2004, alíquotas 0,99% PIS e 4,56% Cofins, a informação de Vendas Aves Suíno Analítico – B.C.Fiscaliz L nº da linha onde na planilha 178 CRED PRES AVES SUÍNOS / VENDAS ANALÍTICO foi constatada a igualdade das vendas de processados do Grupo 05 com as vendas do Grupo 80 (da planilha 178 CRED PRES CARNE IN NATURA). Tal situação permaneceu nesta diligência, sem que o contribuinte apresentasse controles de produção que permitissem diferenciá-las. Na planilha revisada de Apropriação de Crédito introduzi mais informações sobre estas glosas; 9. Em face dos trabalhos de diligência, o contribuinte manifestou-se nos seguintes termos: Da análise de todo o processo e da informação fiscal, não é possível entender qual glosa foi revertida/mantida com clareza, já que o fiscal não explica na informação fiscal, bem como apresenta apenas planilhas ‘revisadas’, que constam informações superficiais e genéricas, com cores e informações diversas, como se o contribuinte fosse obrigado a compreender o que significa dentro do contexto da análise, já que não se apresenta na informação fiscal ou no despacho decisório os devidos esclarecimentos. Tais fatos demonstram afronta ao artigo 50, parágrafo 1º, da Lei 9.784/1999, que determina que a motivação deve ser explícita, clara e congruente, há um vício material, que enseja a nulidade do despacho decisório, por carência de fundamentação válida. Considerando que da análise do despacho decisório e da informação fiscal ainda não se permite a compreensão da matéria sob análise, houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, impondo-se, por consequência, o reconhecimento da sua nulidade nos moldes do que preconiza o art. 59, inc. II, do Decreto nº 70.235/1972. O auditor manteve o indeferimento dos créditos apurados sobre os dispêndios com fretes, informados no bloco F, ao argumento de que não houve a apresentação dos conhecimentos de transportes emitidos pelos subcontratados, alegando-se que o termo “poderá” do art.68, § 4º do RICMS/SC, apenas permite que no caso de o subcontratado executar mais de um transporte com o mesmo contratante, emita um único CTE, com a indicação do número dos conhecimentos de transporte emitidos no período pelo transportador contratante para acobertar as prestações realizadas pelo subcontratado. A redação do artigo 68, §4º, do RICMS/SC é clara ao expressar que “a empresa subcontratada poderá emitir, ao final de cada período de apuração do imposto, no mínimo 1 (um) conhecimento de transporte para documentar as prestações realizadas no período para cada contratante”. Fl. 1118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 14 Isto é, a questão foi tratada de forma opcional pelo legislador, portanto, não há obrigatoriedade de a empresa subcontratada emitir o Conhecimento de Transporte. Segundo o § 3º do art. 68 do RICMS/SC a prestação de serviço de transporte poderá ser acobertada somente pelo conhecimento de transporte que trata o “caput” do referido artigo, ou seja, a prestação de serviço de transporte, no caso de subcontratação, poderá ser acobertada somente com o conhecimento de transporte emitido pelo transportador contratante, não havendo obrigatoriedade do transportador subcontratado emitir conhecimento de transporte. A Solução de Consulta -COSIT nº 148/2019 concluiu que é possível a subcontratante apropriar-se de créditos de PIS e COFINS, mesmo na hipótese de não haver a emissão do CT-e pela pessoa jurídica transportadora subcontratada. A referida SC COSIT completa que a veracidade do direito creditório pode ser atestada com documentos hábeis e idôneos, com conteúdo esclarecedor em relação às operações a que se refiram, observando-se eventuais regramentos fixados pelas legislações tributárias estaduais e demais normas que regulam o transporte de cargas. A manifestante já apresentou nos autos os arquivos “FRETE_F100_Natureza_02_Aquisicao_Bens_Utilizados_Insumo” e “FRETE_F100_Natureza_07_Armazenagem_Frete_Venda” o nº da chave eletrônica dos CTe emitidos pela Seara Comércio (CNPJ 83.044.016/0007- 19), dos quais, por meio de consulta a base de dados do Sistema Sped, é possível validar, no campo dados adicionais, informações relativas à subcontratação. Ainda que fosse o caso de obrigatoriedade de emissão dos conhecimentos de transportes pelos subcontratados trata-se de documento de responsabilidade de terceiro, sobre o qual a manifestante não tem qualquer responsabilidade ou ingerência. A fiscalização salienta que Frete de aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições foi afetado pela IN RFB nº 2.212/2022, logo, com base no art. 176, inc. XVIII, as glosas de fretes de insumos adquiridos com suspensão, alíquota 0% (zero por cento) ou não incidência devem ser revertidos. Os fretes de transferência de produtos acabados são essenciais para o seu processo produtivo. Salienta a necessidade de transferência do estoque de produtos acabados aos Centros de Distribuição. Requer a reversão das glosas de fretes, vez que demonstradas as regularidades das operações. Fl. 1119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 15 A respeito do Frete Intercompany, faz se necessário novamente esclarecer a tributação, pelo PIS e COFINS, da receita com prestação de serviço de transporte realizado pelas unidades transportadoras da manifestante. O “Frete Intercompany é o frete contratado por empresas do grupo. Isto é, não se trata de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, mas sim entre empresas do grupo (CNPJ distintos). Internamente é chamado de frete receita, uma vez que as unidades transportadoras da manifestante prestam o serviço de transporte, por meio da subcontratação de outros prestadores, e, para tanto, recolhem PIS e COFINS. Nesse sentido, verifica-se a conciliação dos valores e, por consequência, a validade das operações tributadas, bem como a legitimidade dos créditos pleiteados. Como é realizada a subcontratação de prestadores de serviço optantes pelo simples nacional, a Seara Comércio tem direito a descontar crédito presumido de PIS e Cofins, de acordo com o que determina a Lei nº 10.833/2003, art. 3º, §§ 19 e 20, e art. 15, II. A subcontratação de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional deve estar amparada por Conhecimento de Transporte emitido pelo estabelecimento responsável pela subcontratação, nesse caso o CNPJ 83.044.016/0007-19, e o transporte pode fazer-se acompanhar somente por este CTRC. 10. É o relatório Travada a lide sobre o conceito de insumos e sua implicação na atividade operacional da recorrente, restou decidido pelo juízo a quo a parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente sendo mantidas as glosas atinentes aos insumos sem comprovação da essencialidade e/ou relevância, decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/03/2016 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A apresentação de Manifestação de Inconformidade tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. O Despacho Decisório deve ser claro e bem fundamentado com vistas a evitar prejuízo ao direito de defesa. DESPESAS COM TRANSPORTE. CRÉDITO Podem compor a base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS as despesas com frete na venda de bens e os gastos com transporte de insumos e Fl. 1120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 16 produtos em elaboração, inciso VIII do § 1º do art. 176 da IN-RFB nº 2.121/2022. A despesa com frete na aquisição de bens por integrar o custo da mercadoria revendida e do bem utilizado como insumo acaba por originar crédito de PIS/COFINS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de não haverem sido apurados nas épocas próprias, os créditos da não cumulatividade poderão ser apurados extemporaneamente, cabendo efetivar os necessários registros e retificações de declarações e demonstrativos, como DCTF, Dacon/EFD- Contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. Lei nº 12.350/2010. O aproveitamento do crédito presumido previsto na Lei nº 12.350/2010 pressupõe a aquisição de produtos com a suspensão do pagamento das contribuições. ICMS. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. Até a vigência da Lei nº 14.592, de 2023 o ICMS compunha a base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS. ICMS. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. Em atenção ao pedido do contribuinte e para se evitar uma decisão ultra petita, o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do tributo devido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A matéria submetida a este juízo, mediante recurso voluntário, possui relação com os seguintes temas: 3. FUNDAMENTOS 3.1. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO, OFENSA AO DIREITO DE DEFESA 3.2. DOS CRÉDITOS ANTERIORMENTE UTILIZADOS 3.3. ENERGIA ÉLETRICA 3.4. FRETES 3.4.1. FRETES - TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS 3.4.2 FRETE DE AQUISIÇÃO DE PRODUTOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES 3.4.3. DA GLOSA POR AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE CT-E DAS SUBCONTRATADAS Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 17 3.4.4. DOS FRETES DE EMPRESAS DO SIMPLES NACIONAL 3.5. BENS E SERVIÇOS INSUMOS 3.5.1. AQUISIÇÃO SEM O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO 3.6. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO DE DESPESAS COM FRETES, INSUMOS E SERVIÇOS a) DAS GLOSAS REALIZADAS PELA FALTA DO PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NA AQUISIÇÃO – CRÉDITO PRESUMIDO AGROPECUÁRIO PELO FORNECEDOR PESSOA JURÍDICA B) DA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO 3.8. BENS PARA REVENDA 4. NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA A recorrente encerra sua peça recursal requerendo: 5. DO REQUERIMENTO Por todo o exposto, requer dignem-se Vossas Senhorias em acolher e julgar totalmente procedente este Recurso Voluntário, para: a) Decretar a nulidade do Despacho Decisório e Acórdão de Manifestação de Inconformidade ora combatidos, por ofensa ao direito de defesa da recorrente e diante da deficiência da fundamentação do ato exarado pela administração tributária nos autos; b) Caso não seja reconhecida a nulidade das decisões, requer-se que sejam acolhidas as fundamentações exaradas ao longo deste recurso, e, consequentemente que seja deferido o direito creditório em sua totalidade; c) Por fim, caso seja entenda-se necessários, requer-se a conversão do julgamento em diligência para análise dos novos documentos acostados nos autos e para saneamento das nulidades apontadas. É o relatório. A diligência foi determinada com seguintes fins: Nesse sentido, afastada a justificativa inaugural e sendo necessário a investigação do nascedouro do crédito objeto do presente auto de infração em especial, com fins de preservar a segurança jurídica e o contraditório e a ampla defesa, que voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: a) Indique a origem e natureza dos créditos apurados em período anterior ao ora analisado, informe a data de origem e confirme se foram aproveitados em outros períodos; b) Elabore planilha com indicação da origem (data de emissão da nota fiscal e data da efetiva aplicação/uso dos serviços adquiridos), e da natureza do crédito Fl. 1122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 18 extemporâneo levando-se em conta os registros nos campos 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (COFINS) da EFD-Contribuições; c) Informe se houve retificação das obrigações acessórias pela recorrente; d) Confirme se os créditos foram apropriados em outros períodos e se foi escriturado no prazo de 05 anos; e) Indique se os serviços são essenciais ou necessários ao processo produtivo da recorrente, de acordo com o teste de subtração e da IN RFB nº 2.121/22; f) Intime a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos relativos aos insumos registrados extemporaneamente bem como, apurados em períodos anteriores de modo que possibilite os trabalhos da fiscalização; g) Finalizado o trabalho, elabore relatório fiscal conclusivo com a recomposição da base de cálculo do PIS e da COFINS e indique os ajustes nos valores autuados, sendo o caso; h) Cientifique a recorrente do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para que, a depender, apresente manifestação ou impugnação (art. 15 do Decreto nº 70.235/72; i) Após, sejam os autos devolvidos a esta Relatora para que seja dado prosseguimento ao julgamento. Encerrados os trabalhos, a Unidade de Origem expediu o Relatório Conclusivo de Diligência (e-fls. 1070/1085), do qual foi dada vista à Recorrente, que apresentou manifestação às e-fls. 1091/1100. É o relatório, considerando que todos os elementos constantes do resultado da diligência, bem como a manifestação complementar da Recorrente, serão analisados no corpo do voto. VOTO VENCIDO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. O exame de admissibilidade do recurso voluntário foi realizado por ocasião do julgamento da proposta de diligência no Colegiado nº 3101. Em razão da alteração da composição da Turma, submeto novamente à apreciação o exame dos requisitos de admissibilidade do recurso, bem como da preliminar de nulidade, igualmente analisada naquela oportunidade. EXAME DE ADMISSIBILIDADE. Fl. 1123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 19 Cumpridos os requisitos formais necessários à validade do recurso voluntário interposto pela Recorrente, decido pelo seu conhecimento e regular processamento. RECAPITULAÇÃO DOS FATOS E DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. Em síntese, a fiscalização instaurou procedimento administrativo fiscal com o objetivo de apurar créditos das contribuições ao PIS e a COFINS, no regime não cumulativo, vinculados a receitas não tributadas (código 201), receitas de exportação (código 301) e crédito presumido da atividade agropecuária (código 306), relativos aos anos-calendário de 2015 e 2016, circunscrevendo-se o presente litígio, no que tange ao COFINS, ao crédito referente ao 1º trimestre de 2016. A controvérsia recai, portanto, sobre crédito tributário apurado pela Recorrente e formalizado por meio de PER/DCOMP, no âmbito da sistemática não cumulativa do PIS. Submetido o pleito à apreciação da autoridade fiscal competente, em sede de despacho decisório, a base de cálculo do crédito foi objeto de deduções em razão da glosa de determinados insumos considerados não essenciais ou não relevantes, à luz dos critérios firmados pelo Superior Tribunal de Justiça e dos atos normativos infralegais expedidos pela Receita Federal do Brasil. Nesse contexto, os créditos glosados pela fiscalização e mantidos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por ocasião da apreciação da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente — e que constituem o objeto do Recurso Voluntário (e-fls. 954 e ss.) — são os seguintes: 3.3. Energia elétrica 3.4. Fretes e Armazenagem 3.4.1. Fretes – transferência de produtos acabados 3.4.2. Frete de aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições 3.4.3. Glosa por ausência de apresentação de CT-e das subcontratadas 3.4.4. Fretes de empresas optantes pelo Simples Nacional 3.5. Bens e serviços insumos 3.5.1. Aquisição sem o pagamento de contribuição a) Insumo isento possibilita a tomada de crédito; b) Insumo tributado a alíquota zero não gera direito a crédito; 3.6. Crédito extemporâneo de despesas com fretes, insumos e serviços 3.7. Glosas de crédito presumido Fl. 1124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 20 a) Glosas decorrentes da ausência de pagamento de contribuição na aquisição – crédito presumido agropecuário pelo fornecedor pessoa jurídica b) Metodologia de apuração do crédito presumido Além do mérito recursal, foram igualmente devolvidas a este Colegiado as seguintes matérias para apreciação: 3. Fundamentos 3.1. Nulidade por deficiência de fundamentação e ofensa ao direito de defesa 3.2. Créditos anteriormente utilizados A empresa, que exerce atividades de comércio atacadista de produtos alimentícios em geral; comércio atacadista de alimentos para animais (rações, medicamentos e suplementos); comércio atacadista de matérias-primas e insumos agrícolas; comercialização de ovos e pintos de um dia; entreposto de compra, armazenamento e comercialização de grãos; exportação e importação de produtos alimentícios, matérias-primas, insumos agropecuários, implementos e equipamentos; prestação de serviços de transporte; atividades administrativas; participação societária em outras empresas; e depósito de mercadorias para terceiros (exceto armazéns gerais e guarda-móveis), desenvolve complexo processo produtivo envolvendo aves, suínos e seus derivados, conforme descrito no Laudo Técnico acostado aos autos. Delimitada a controvérsia, passo ao exame da matéria. PRELIMINARES DE NULIDADE. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO E DO DESPACHO DECISÓRIO. Em apertada síntese, sustenta a Recorrente que a DRJ determinou à Unidade de Origem que, por meio de diligência fiscal, esclarecesse e detalhasse os fundamentos de cada glosa constante das planilhas anexas. Argumenta, porém, que a fiscalização teria se limitado a descrever e mapear documentos, sem apresentar a fundamentação legal e a justificativa individualizada das glosas efetuadas. Acrescenta que mesmo as planilhas posteriormente “revisadas” mantiveram glosas desprovidas de explicação, seja no despacho decisório, seja na informação fiscal. Tal metodologia, segundo afirma, teria resultado na manutenção de glosas sem motivação clara, configurando cerceamento do seu direito à defesa. Com a devida vênia, ouso discordar da Recorrente. O despacho decisório, bem como o Relatório de Diligência elaborado em cumprimento à determinação proferida ainda na primeira instância, apresenta — ainda que de forma complementar — as razões que embasaram as glosas e/ou o reconhecimento dos créditos Fl. 1125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 21 relativos aos bens e serviços adquiridos para a consecução da atividade societária da Recorrente. As informações constantes das planilhas elaboradas incluem dados das notas fiscais, a natureza das operações e demais elementos aptos a demonstrar a composição da base de cálculo dos créditos e das correspondentes glosas. Além disso, a legislação aplicável aos critérios de fruição do crédito presumido — modalidade adotada pela Recorrente — foi devidamente indicada e explicitada pela autoridade fiscal. Eventual deficiência na motivação do despacho decisório revela-se, portanto, sanável no caso concreto, não ensejando a nulidade pretendida. No mesmo sentido, verifica-se que a decisão recorrida se encontra suficientemente motivada, enfrentando de modo adequado os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, em estrito atendimento aos requisitos previstos no art. 31 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 50 da Lei nº 9.784/99. Tanto é assim que a Recorrente pôde apresentar de forma plena e detalhada sua tese de defesa, a qual foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora, inclusive resultando em êxito parcial quando da realização da diligência determinada pela DRJ. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS. A fiscalização glosou parte dos créditos pleiteados (códigos 106, 208 e 308) sob dois fundamentos: (i) ocorrência de prescrição em determinados períodos, com base no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932; e (ii) utilização de créditos já objeto de distintos Pedidos de Ressarcimento. Quanto à prescrição, a Recorrente sustenta a inaplicabilidade do art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 aos créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo, ao argumento de que tais créditos permanecem registrados em conta gráfica e somente podem ser utilizados para compensação ou ressarcimento das próprias contribuições, inexistindo, assim, exercício de direito sujeito a prazo prescricional. No tocante à alegada duplicidade de utilização, a Recorrente reconhece equívoco na indicação dos períodos informados no pedido sob exame, afirmando, contudo, que tal falha formal não afasta a existência do direito creditório. Esclarece que, em razão de suas atividades, mantém saldo credor contínuo de PIS/COFINS nos anos-calendário de 2015 e 2016, decorrente da sistemática mensal de apuração e acumulação de créditos. Sustenta, ainda, que o indeferimento desconsiderou o princípio da verdade material, ao deixar de recompor o controle de utilização dos créditos, requerendo, por isso, a reconsideração do Pedido de Ressarcimento. Em tese, não assiste razão à Recorrente. Fl. 1126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 22 O crédito pleiteado está sujeito ao prazo prescricional previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional, não prosperando a alegação de inaplicabilidade da prescrição aos créditos de PIS/COFINS mantidos em conta gráfica. Do mesmo modo, reconhecida a duplicidade pela própria Recorrente, incumbia-lhe adotar as providências cabíveis — como a retificação, reapresentação ou cancelamento do PER/DCOMP — a fim de possibilitar a verificação da certeza e liquidez do crédito, nos termos dos arts. 165, 168 e 170 do CTN e do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Todavia, no caso concreto, a diligência realizada pela Unidade de Origem confirmou que o contribuinte apurou saldo credor de PIS/COFINS em todos os períodos examinados, inexistindo débito a pagar, bem como que não houve duplicidade de lançamentos entre os anos de 2014 e 2017. Diante desse contexto fático apurado em diligência, o indeferimento promovido pela autoridade fiscal deve ser revisto, com o cancelamento das glosas efetuadas sob tais fundamentos, ressalvados os créditos lançados de forma extemporânea, os quais serão examinados em tópico próprio, à luz dos elementos apurados na diligência. DILIGÊNCIA PROPOSTA E SEU RESULTADO. Consoante narrado, a primeira diligência realizada foi determinada ainda pela DRJ. Posteriormente, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário, o Colegiado, antes mesmo da apreciação do mérito recursal, converteu o julgamento em diligência. Sintetizo, a seguir, o resultado da diligência fiscal realizada pela Unidade de Origem, em cumprimento à resolução proferida pela DRJ, cujas conclusões refletem o reconhecimento parcial de créditos e a manutenção de determinadas glosas, conforme detalhado no relatório fiscal. CONCLUSÃO 22. Em relação aos quesitos desta diligência, concluo que: a) Com relação às despesas com frete, o contribuinte pondera que as informou também no bloco F da EFD Contribuições. A autoridade fazendária deverá analisar as despesas contidas no bloco F e verificar se podem gerar créditos de PIS/Cofins. Nestes casos, discriminar os valores – o contribuinte apresentou em sua Manifestação de Inconformidade Fretes F100 – Natureza 02, 03 e 07 (fl.408/410 i! pag), com os Conhecimentos de Transporte eletrônicos, todos emitidos pelo estabelecimento 0007-19. Houve a intimação e reintimação para a apresentação dos Conhecimentos de Transporte (eletrônicos, se existentes) dos transportadores subcontratados, tendo o contribuinte alegado estar dispensado desta obrigação pelo art.68, § 4" do RICMS/SC e Solução de Consulta Cosit n" 148, de 2019, o que foi contestado por este auditor no item 20, mantendo-se o indeferimento dos fretes informados no bloco F. Fl. 1127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 23 b) O interessado alega que despesas com armazenagem foram desconsideradas por ausência de descrição complementar. A autoridade fiscal deverá intimar o contribuinte a comprovar tais despesas e, em seguida, informar se as glosas devem ser mantidas – o contribuinte respondeu à intimação informando tratar-se de armazenagem em depósitos de Armazéns Gerais, cujos valores foram quase todos confirmados, conforme EFD Contr bl.A 1T16 (fl.821 i! pag). c) Caso o contribuinte se enquadre na figura de transportadora de cargas, informar os montantes glosados por conta da subcontratação de outra pessoa jurídica transportadora para realizar parcela de sua prestação de serviços. No caso de subcontratação de pessoa física, observar o disposto na lei n' 10.833/2003, art. 3}, §§ 19 e 20, para fins de apuração de crédito presumido – o estabelecimento 0007-19, a princípio, enquadra-se com transportador de carga em relação aos fretes do bl.F100 de Natureza 03 e 14 – Intercompany. Porém, como visto na alínea “a”, o contribuinte não apresentou os Conhecimentos de Transporte (eletrônicos, se existentes) dos subcontratados, todos Pessoas Jurídicas, mantendo-se a totalidade das glosas do bloco F; d) O manifestante pondera que despesas com fretes foram desconsideradas por conta da contratação de terceiros para a execução do serviço de transporte. Caso esta seja a única razão para a glosa, a fiscalização deverá discriminar os valores – a glosa no Despacho Decisório ocorreu, no caso de fretes do bloco F, por falta de discriminação dos Conhecimentos de Transporte, eletrônicos ou em formulário, que deveriam ter sido feitos nos blocos D 101 e 105 (ver EFD Contr Créd 2 3 7 Pres 2 14 bl.F100 fl.301 ñ pag). Nesta diligência, devido à alínea “a”, manteve-se a totalidade das glosas do bloco F; e) O interessado argumenta que os créditos vinculados à aquisição de bens para revenda foram reconhecidos, porém, não compuseram o montante a ser ressarcido. Caberá à fiscalização informar se os valores foram de fato ressarcidos – na planilha Apropriação de Crédito 1T16 cód 201 301 306 (fl.304 ñ pag), no caso de créditos à alíquota básica 101, 201 e 301, pela diversidade de códigos de crédito, optou-se por trabalhar apenas com os valores glosados, que são transferidos para a planilha Controle de Crédito descontado_deduzido 1T16 / 2 DESCONTOS DE OFÍCIO créd. cód. 101,201 e 301 / Valor do Créd. Apur. Fiscaliz. (fl.304 ñ pag). Apenas em fev/2016 o crédito por aquisição de mercadorias para revenda, cód.01, não consta na planilha Apropriação de Crédito; f) a aquisição de lenha foi desconsiderada pela autoridade fiscal. Caso esta lenha seja utilizada na atividade produtiva da empresa, por exemplo na alimentação de caldeiras, caberá ao auditor fiscal informar o respectivo crédito – apenas a lenha sem confirmação de pagamento da contribuição foi glosada em EFD Contr Créd 1_4 12 bl.C 16 01 a 03 (fls.287/289 ñ pag) / Bens MI para Fabricação – GLOSAS 2- Crédito apurado na aquisição de insumos sem o pagamento da contribuição. Ressalto que a lenha NCM 4401 não consta no rol dos insumos, que permitem a apuração de crédito presumido, previstos no art. 55 da Lei n" 12.350, de 2010; Fl. 1128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 24 g) Segundo o contribuinte, para fins de apuração do crédito presumido previsto nos artigos 55 e 56 da Lei n' 12.350/2010 e no art. 8' da lei n' 10.925/2004, a fiscalização não observou que a pessoa jurídica também produz mercadorias classificadas no código 16 da NCM. A autoridade fiscal deverá manifestar-se sobre esta argumentação, retificando a apuração do direito creditório, se for o caso – aso do art. 56 da Lei n" 12.350, de 2010, alíquotas de 0,1985 PIS e 0,912% Cofins, foi indicada na planilha Apropriação de Crédito 1T16 cód 201 301 306 (fl.304 ñ pag), a informação de Créd.Pres.Agrop. Vendas Carne Analítico – B.C.Fiscaliz L n" da linha onde na planilha 178 CRED PRES CARNE IN NATURA / VENDAS ANALÍTICO foi constatada a igualdade das vendas de processados do Grupo 80 com as vendas do Grupo 05 (da planilha 178 CRED PRES AVES SUÍNOS). Da mesma forma, no caso do art.8" da Lei n" 10.925, de 2004, alíquotas 0,99% PIS e 4,56% Cofins, a informação de Vendas Aves Suíno Analítico – B.C.Fiscaliz L n" da linha onde na planilha 178 CRED PRES AVES SUÍNOS / VENDAS ANALÍTICO foi constatada a igualdade das vendas de processados do Grupo 05 com as vendas do Grupo 80 (da planilha 178 CRED PRES CARNE IN NATURA). Tal situação permaneceu nesta diligência, sem que o contribuinte apresentasse controles de produção que permitissem diferenciá-las. Na planilha revisada de Apropriação de Crédito introduzi mais informações sobre estas glosas; 23. Tendo em vista a Diligência requerida pela DRJ no item 1, nos termos dos arts.6' da Lei n' 10.593, de 2002 e art. 36, § 1' do Decreto n' 7.574, de 2011, proponho o reconhecimento parcial dos créditos de Cofins não cumulativos vinculados a receitas não tributadas (201), de exportação (301) e de crédito presumido agropecuário (306) do 1° trim/2016, no valor total de R$ 3.642.561,62, ou reconhecimento da manifestação de inconformidade apresentada de R$ 920.111,51. As conclusões da diligência resultaram na manutenção de diversas glosas, bem como no reconhecimento parcial de direito creditório, cujos motivos e fundamentos são sintetizados abaixo, conforme itens da decisão recorrida: a) Energia elétrica: Foram mantidas as glosas relativas à energia elétrica contratada, uma vez que somente a energia efetivamente consumida gera direito a crédito de PIS/COFINS; b) Fretes – subcontratação: Foram mantidas as glosas das despesas de frete por ausência dos Conhecimentos de Transporte (CT) emitidos pelas transportadoras subcontratadas. A ausência dessa documentação não foi suprida por outros documentos, e o fato de a emissão do CT ser realizada por terceiros não exime o contribuinte do dever de obtê-lo. As glosas alcançam, inclusive, operações intercompany e subcontratações de transportadores optantes pelo Simples Nacional; c) Fretes vinculados a mercadorias não tributadas: Foram mantidas as glosas por ausência de previsão legal. A legislação prevê crédito de frete apenas em Fl. 1129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 25 hipóteses específicas — venda de bens e transporte de insumos ou produtos em elaboração — desde que vinculadas a operações sujeitas ao PIS/COFINS; d) Frete como custo de aquisição: Entendeu a DRJ que o frete na aquisição de bens não gera crédito de forma autônoma, mas apenas por integrar o custo da mercadoria destinada à revenda ou ao uso como insumo. Quando o bem transportado não gera crédito de PIS/COFINS, o frete a ele vinculado também não gera. As despesas de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa não geram crédito por ausência de previsão legal. Já os fretes de insumos e produtos em elaboração poderiam ser considerados insumos, desde que comprovados, o que não ocorreu no caso analisado; e) Armazenagem: Após a realização de diligência fiscal, foi reconhecida a maior parte do direito creditório relativo às despesas com armazenagem, com fundamento na documentação apresentada pelo contribuinte, conforme os valores discriminados nas planilhas constantes da Informação Fiscal; f) Bens para revenda: No período de fevereiro de 2016, não houve glosa de créditos relativos a bens destinados à revenda, razão pela qual os respectivos créditos foram integralmente ressarcidos. Já nos períodos de janeiro e março de 2016, verificou-se a glosa parcial dos créditos vinculados a tais aquisições. g) Bens utilizados como insumos (lenha): Foi glosada exclusivamente a lenha adquirida sem o pagamento das contribuições. Ademais, a lenha classificada na NCM 4401 não integra o rol de insumos aptos à geração de crédito presumido, nos termos da Lei nº 12.350/2010. O contribuinte não apresentou elementos probatórios capazes de demonstrar que as glosas incidiram sobre operações tributadas. h) Crédito extemporâneo: O reconhecimento de créditos fora do período de apuração, sem a devida retificação do DACON, da EFD-Contribuições e da DCTF, com vistas ao ajuste no período correto, desvirtua o regime de apuração e pode resultar na constituição de créditos indevidos. i) Crédito presumido: A fiscalização procedeu à glosa parcial do crédito presumido em razão da ausência de suspensão do pagamento das contribuições nas aquisições e da inexistência de controles de produção adequados. O contribuinte alegou a utilização de insumos tanto na produção de carne in natura quanto de carnes processadas, afirmando ter adotado critério de rateio proporcional. Contudo, não foram apresentados controles de produção capazes de distinguir as operações, tampouco o método de rateio adotado permitiu identificar a origem legal dos créditos presumidos. Diante da ausência de comprovação e da coincidência dos valores apurados, a glosa foi mantida. Fl. 1130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 26 Das rubricas revertidas, a DRJ afastou as glosas relativas às despesas de armazenagem (nas parcelas devidamente comprovadas) e determinou a inclusão do ICMS na base de cálculo dos créditos. A decisão, contudo, reconhece crédito em montante inferior ao sugerido pela fiscalização em sede de diligência, especialmente no tocante aos fretes sobre mercadorias não tributadas. Isso porque, segundo a DRJ, a revogação do inciso XVIII do art. 176 da IN RFB nº 2.121/2022 pela IN RFB nº 2.152/2023 restabeleceu o cenário original de ausência de fundamento legal para a concessão de tais créditos. Posteriormente, o CARF determinou a baixa dos autos em diligência, com vistas ao aprofundamento da instrução processual em relação ao crédito extemporâneo, incumbindo à Unidade de Origem a realização das seguintes providências: (i) indicar a origem e a natureza dos créditos apurados em período anterior ao ora analisado, informando a data de sua constituição e confirmando eventual aproveitamento em outros períodos; (ii) elaborar planilha contendo a origem dos créditos extemporâneos, com a indicação da data de emissão das notas fiscais, da data da efetiva aplicação ou uso dos serviços adquiridos e da respectiva natureza, considerando os registros dos campos 1100 e 1101 (PIS) e 1500 e 1501 (Cofins) da EFD-Contribuições; (iii) informar acerca da existência de retificação das obrigações acessórias; (iv) confirmar se os créditos foram apropriados em outros períodos e se a escrituração ocorreu dentro do prazo decadencial de cinco anos; (v) indicar se os serviços relacionados aos créditos atendem aos critérios de essencialidade ou necessidade ao processo produtivo da recorrente, à luz do teste de subtração e da Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022; e, (vi) bem como intimar a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentação relativa aos insumos registrados extemporaneamente e àqueles apurados em períodos anteriores, de modo a viabilizar os trabalhos de fiscalização. Após o cumprimento da diligência determinada, a Unidade de Origem concluiu que os créditos lançados de forma extemporânea não foram devidamente comprovados pelo contribuinte, uma vez que não foi apresentada documentação hábil e idônea apta a demonstrar a data da efetiva aquisição das Notas Fiscais e dos Conhecimentos de Transporte a eles vinculados. Em razão disso, considerou-se não atendidos os itens “b” e “f” da diligência, referentes à apresentação das planilhas com a origem e a natureza dos créditos extemporâneos, bem como à respectiva comprovação documental. A fiscalização destacou, ainda, que, desde agosto de 2013, a Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012 veda o preenchimento do Registro 1101 da EFD-Contribuições para fins de apropriação de créditos extemporâneos. Diante dessas constatações, concluiu-se pelo indeferimento integral dos créditos lançados fora do período de apuração. No que concerne às obrigações acessórias, verificou-se que não houve retificação da DCTF, tendo em vista que o contribuinte apurou saldo credor no período compreendido entre janeiro de 2014 e junho de 2017. Da mesma forma, não foram identificadas retificações da EFD- Contribuições relativas aos períodos situados entre a data de emissão dos documentos fiscais e o respectivo lançamento extemporâneo dos créditos. Fl. 1131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 27 Quanto à eventual duplicidade de aproveitamento, apurou-se que os créditos lançados extemporaneamente não foram apropriados em duplicidade no período compreendido entre janeiro de 2014 e setembro de 2017. No tocante à análise da essencialidade e da relevância dos serviços, com base no teste de subtração, concluiu-se, em exame sumário, que determinados créditos não atendem a tais critérios em relação ao processo produtivo da recorrente. Nessa situação enquadram-se os créditos relativos a fretes escriturados no Bloco D da EFD-Contribuições, conforme planilha específica, tendo sido identificados, inclusive, Conhecimentos de Transporte Eletrônicos referentes a transferências entre estabelecimentos comerciais. Foram igualmente examinados os fundamentos legais aplicáveis aos créditos vinculados a receitas não tributadas, a receitas de exportação e aos créditos presumidos agropecuários, considerando-se as hipóteses de suspensão das contribuições, as vedações ao aproveitamento pelo fornecedor e os limites legais aplicáveis ao ressarcimento ou ao desconto. Nessa análise, observou-se a distinção entre créditos passíveis de ressarcimento e aqueles passíveis apenas de desconto. Ao final, a Unidade de Origem propôs o reconhecimento parcial dos créditos de PIS não cumulativos vinculados a receitas não tributadas (código 201), a receitas de exportação (código 301) e a crédito presumido agropecuário (código 306), relativos ao primeiro trimestre de 2016, no montante total de R$ 3.642.561,62, ou o não reconhecimento do Recurso Voluntário no que se refere aos créditos lançados de forma extemporânea. A recorrente, intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, sustentou, em síntese, o direito à apropriação de créditos extemporâneos de PIS e COFINS, com fundamento no art. 3º, § 4º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês pode sê-lo nos meses subsequentes. Argumentou que a legislação não condiciona o aproveitamento extemporâneo à retificação de obrigações acessórias, entendimento que também estaria amparado por instruções normativas então vigentes, soluções de consulta da Receita Federal e pelo respeito ao prazo prescricional de cinco anos. Afirmou que, em atendimento à diligência, apresentou os arquivos da EFD- Contribuições (memórias de cálculo do PIS e da COFINS) referentes aos períodos anteriores, com o objetivo de demonstrar a inexistência de aproveitamento em duplicidade dos créditos pleiteados como extemporâneos. Sustentou que a conferência da não duplicidade poderia ser realizada por meio da verificação dos documentos fiscais lançados de forma extemporânea nos arquivos disponibilizados. Esclareceu que os créditos extemporâneos decorrem de aquisições de bens e serviços utilizados em diversas etapas do processo produtivo, abrangendo, entre outros, insumos, embalagens para industrialização, devoluções de vendas, fretes nas operações de venda e de Fl. 1132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 28 compra, bem como transferências de produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica, necessárias ao adequado armazenamento e à logística do processo produtivo. A recorrente afirmou ter apresentado planilhas contendo a identificação dos créditos glosados por extemporaneidade, com indicação da data de emissão das notas fiscais, da data da efetiva aplicação ou uso dos serviços e da natureza dos créditos, além de informações complementares sobre a utilização dos bens e serviços. Aduziu, ainda, ter juntado laudos dos processos produtivos, com o intuito de demonstrar tecnicamente a utilização dos insumos e serviços. Sustentou que os documentos e informações apresentados seriam suficientes para comprovar a essencialidade e a necessidade dos serviços ao processo produtivo, atendendo aos requisitos da diligência. Não obstante, afirmou que a fiscalização considerou insuficientes os esclarecimentos e manteve o indeferimento dos créditos, reiterando exigências que, a seu ver, não encontram respaldo na legislação aplicável. A recorrente destacou que a própria fiscalização reconheceu a inexistência de duplicidade na apropriação dos créditos extemporâneos no período de janeiro de 2014 a setembro de 2017. Contestou, contudo, a conclusão fiscal quanto à ausência de essencialidade dos créditos de frete, sustentando que as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos seriam indispensáveis à sua atividade, notadamente em razão da natureza perecível dos produtos comercializados. Por fim, afirmou que a diligência teria por objetivo apenas a verificação da origem, da natureza dos créditos e da inexistência de duplicidade, aspectos que, segundo a Recorrente, foram devidamente demonstrados, defendendo, assim, o reconhecimento do direito à apropriação dos créditos extemporâneos pleiteados. Destacados os principais pontos do trabalho fiscal e da manifestação da Recorrente, passo à apreciação das glosas efetuadas pela autoridade fiscal, mantidas pela DRJ e objeto do Recurso Voluntário. MÉRITO RECURSAL. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA, PILARES DO REGIME NÃO CUMULATIVO DOS CRÉDITOS. É consabido que a essencialidade e a relevância constituem os pilares do regime não cumulativo de apuração dos créditos, na medida em que delimitam o conceito de insumo para fins de creditamento. Tal entendimento decorre da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos, cuja observância é obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 98, inciso II, alínea “b”, e do art. 99 da Portaria MF nº 1.634/2023. Fl. 1133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 29 Esses critérios orientam a identificação dos bens e serviços cuja subtração comprometeria o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte ou afetaria a qualidade, a viabilidade ou a regularidade do produto final ou da prestação do serviço, de modo a assegurar que o direito ao crédito esteja efetivamente vinculado à participação do dispêndio no processo produtivo ou na atividade empresarial desempenhada. Nesse sentido, o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018 passou a orientar a atuação fiscal quanto à interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, consolidando o entendimento jurisprudencial então firmado. Posteriormente, a Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022 regulamentou de forma sistematizada as regras de apuração e fiscalização da não cumulatividade, incorporando o entendimento técnico e jurisprudencial já consolidado. À luz da legislação de regência e dos atos normativos mencionados, a análise do conceito de insumo deve ser realizada caso a caso, considerando-se, cumulativamente: (i) as especificidades da atividade econômica efetivamente desempenhada pelo contribuinte; (ii) o emprego concreto do bem ou serviço nas etapas do processo produtivo ou da prestação de serviços; e (iii) a comprovação de sua indispensabilidade ou relevância para o resultado da produção ou da atividade exercida. Nessa linha, a essencialidade refere-se ao bem ou serviço cuja retirada interfere diretamente na execução da atividade empresarial ou inviabiliza o resultado pretendido, enquanto a relevância está associada à utilização do bem ou serviço por imposição legal, normativa ou regulatória, ou ainda quando, embora não essencial, seja determinante para a conformidade, a segurança ou a qualidade do produto ou serviço. Assim, não basta a mera alegação genérica de imprescindibilidade do bem ou serviço. Exige-se a demonstração concreta de como o insumo é consumido, aplicado ou utilizado no processo produtivo ou na prestação do serviço, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, que disciplinam a necessidade de prova adequada no âmbito do processo administrativo fiscal. Tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência deste Tribunal Administrativo, bem como em seus enunciados sumulares, os quais reiteram a necessidade de comprovação objetiva da essencialidade ou relevância do dispêndio para fins de reconhecimento do direito ao crédito no regime da não cumulatividade. No caso em tela, a Recorrente exerce, de forma integrada, as seguintes atividades econômicas: comércio atacadista de produtos alimentícios em geral; comércio atacadista de alimentos destinados à nutrição animal, abrangendo rações, medicamentos e suplementos; comércio atacadista de matérias-primas e insumos agrícolas; comercialização de ovos e pintos de Fl. 1134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 30 um dia; atuação como entreposto de compra, armazenamento e comercialização de grãos; operações de exportação e importação de produtos alimentícios, matérias-primas, insumos agropecuários, bem como de implementos e equipamentos; prestação de serviços de transporte; manutenção de escritório administrativo; participação societária em outras pessoas jurídicas; e depósito de mercadorias de terceiros, excetuadas as atividades próprias de armazéns gerais e de guarda-móveis. Dada a natureza das atividades exercidas, a empresa encontra-se obrigada a observar diversos critérios técnicos e rigorosos controles impostos por órgãos reguladores competentes, a exemplo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, dentre outros. Com o objetivo de comprovar suas alegações, a Recorrente acostou aos autos laudo técnico referente às suas atividades, além de outros documentos que foram devidamente examinados pela fiscalização quando da emissão do despacho decisório. Feito o introito, passo à análise das rubricas glosadas e objeto do Recurso Voluntário. ENERGIA ELÉTRICA Embora a Recorrente sustente a imprescindibilidade dos contratos de demanda de energia elétrica para o regular funcionamento de suas atividades, cumpre inicialmente esclarecer que tais instrumentos — destinados a assegurar, pelas concessionárias, a disponibilização de potência elétrica compatível com a carga instalada, prevenindo sobrecargas e falhas no fornecimento — não se confundem, em sentido estrito, com o efetivo consumo de energia elétrica. Nesse ponto, assiste razão à DRJ ao consignar que a legislação de regência do regime não cumulativo do PIS e da Cofins, em especial o art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, autoriza o creditamento relativamente à energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não prevendo, de forma expressa, a apropriação de créditos sobre as parcelas relativas à demanda contratada. Tal compreensão encontra respaldo na jurisprudência administrativa consolidada deste Conselho e reflete o entendimento tradicional adotado por esta Relatoria. Todavia, o caso concreto demanda análise distinta, por força das próprias exigências legais e regulatórias que condicionam o exercício da atividade econômica da Recorrente. À luz dos critérios de essencialidade e relevância, conforme delineados pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, a análise do direito ao crédito deve considerar não apenas a literalidade do dispositivo legal, mas também a realidade fática, técnica e normativa que rege a atividade desempenhada pelo contribuinte. Fl. 1135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 31 Consoante demonstrado nos autos, a Recorrente desenvolve atividades que envolvem a produção de pintos de um dia, a incubação de ovos e a produção de carne in natura, operações que dependem de equipamentos e instalações de alta potência, cujo funcionamento exige fornecimento contínuo e estável de energia elétrica. Ademais, tais atividades encontram-se sujeitas a rigorosos padrões sanitários e operacionais estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, especialmente no que se refere às condições de conservação, refrigeração, climatização, biossegurança e controle ambiental, indispensáveis à garantia da qualidade sanitária dos produtos de origem animal. Nesse contexto regulatório, a manutenção ininterrupta das condições ambientais exigidas — como temperatura, ventilação e refrigeração adequadas — constitui requisito legal para o exercício regular da atividade, não se tratando de opção empresarial discricionária. A contratação de demanda mínima de energia elétrica, portanto, revela-se condição técnica indispensável para assegurar a estabilidade do fornecimento energético necessário ao atendimento dessas exigências normativas, sob pena de inviabilização da atividade produtiva e de descumprimento das obrigações impostas pela autoridade sanitária competente. Dessa forma, a despesa com demanda contratada não se apresenta como custo acessório, eventual ou desvinculado da atividade-fim, mas como elemento estrutural indispensável ao funcionamento contínuo das instalações industriais e ao cumprimento dos padrões legais aplicáveis à produção, incubação, armazenamento e conservação dos produtos. Trata-se, assim, de dispêndio intrinsecamente vinculado ao processo produtivo, sem o qual a atividade econômica da Recorrente não poderia ser exercida de forma regular. Nessas circunstâncias, a própria legislação instituidora do regime não cumulativo, interpretada em consonância com os critérios de essencialidade e relevância associados ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, impõe o reconhecimento do direito ao crédito. Não se cuida de ampliação indevida do rol legal de créditos, mas da aplicação do entendimento vinculante firmado pelo STJ, que harmoniza a norma tributária com a realidade técnica e regulatória da atividade econômica desenvolvida. Assim, ainda que exista orientação administrativa de caráter restritivo quanto à demanda contratada de energia elétrica, no caso concreto, consideradas as características específicas da operação da Recorrente, as exigências regulatórias impostas pelo MAPA e a necessidade de assegurar condições mínimas e obrigatórias de produção, a despesa com demanda contratada assume natureza de insumo relevante. Por essas razões, e à luz da legislação aplicável ao regime não cumulativo do PIS e da Cofins, entendo ser devido o reconhecimento do crédito correspondente. FRETES. Fl. 1136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 32 Consoante observado no trabalho fiscal, foram mantidas as glosas relativas às despesas com fretes por subcontratação, em razão da ausência dos correspondentes Conhecimentos de Transporte (CT-e). Tais glosas alcançaram, inclusive, operações intercompany e subcontratações de transportadores optantes pelo Simples Nacional, sendo mantidas, nesses casos, por insuficiência de prova documental. Do mesmo modo, foram glosados os fretes vinculados a mercadorias não tributadas e os fretes classificados como custo de aquisição, sob o fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em sua defesa, a Recorrente sustenta a legitimidade do aproveitamento dos créditos relativos a fretes na transferência de produtos acabados entre filiais, argumentando que tais despesas são essenciais à sua atividade econômica. Para tanto, destacou a necessidade de transferência dos estoques de produtos acabados para os Centros de Distribuição, apresentando o documento denominado “Operações com Centros de Distribuição” (fls. 902), no qual descreve sua logística operacional, a estratégia adotada e os cuidados empregados no transporte e armazenamento dos produtos. Segundo demonstrado, a Recorrente atua no ramo alimentício, produzindo alimentos perecíveis, como carnes resfriadas, o que exige a transferência dos produtos acabados para centros de distribuição dotados de câmaras frigoríficas, com monitoramento contínuo de temperatura, controle de validade, acondicionamento adequado e demais procedimentos necessários à preservação da qualidade sanitária até a entrega aos clientes. Assim, o transporte dos produtos acabados demanda cuidados específicos de logística e armazenamento, não apenas para viabilizar a comercialização, mas, sobretudo, para assegurar o padrão de qualidade exigido para esse tipo de mercadoria. No tocante ao frete na aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições, a Recorrente ressalta que, em suas operações, o bem ou insumo adquirido e o serviço de transporte submetem-se a regimes de incidência distintos. Enquanto o produto pode não se sujeitar ao pagamento das contribuições, o serviço de transporte configura operação tributada, razão pela qual sustenta a inaplicabilidade da vedação prevista no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, uma vez que a não tributação da mercadoria não afasta, por si só, a tributação dos serviços a ela vinculados. Quanto à glosa decorrente da ausência de apresentação de CT-e das subcontratadas, a Recorrente esclarece que o frete próprio, lançado no Bloco F da EFD- Contribuições e vinculado às Naturezas 02 e 07, refere-se a fretes contratados para acobertar operações de compra de insumos (aves para abate) e de transferência de insumos (ração, ovos incubáveis e miúdos), realizados por meio de subcontratação. Esclarece, ainda, que o denominado frete intercompany, igualmente lançado no Bloco F e vinculado à Natureza 03, corresponde a operações em que a própria empresa presta Fl. 1137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 33 serviços de transporte, auferindo receita de prestação de serviços e recolhendo PIS e Cofins, caracterizando-se, portanto, como operação tributada. Nessas hipóteses, ao subcontratar pessoas jurídicas ou físicas para a execução do transporte, a Recorrente entende fazer jus ao desconto de créditos de PIS e Cofins sobre os valores pagos, seja pela sistemática das alíquotas básicas, no caso de subcontratação de pessoa jurídica, seja por meio de crédito presumido, quando se tratar de pessoa física. No âmbito do frete intercompany, há situações em que a subcontratação envolve pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional ou pessoas físicas. A Recorrente sustenta que, para fins de documentação do transporte, a legislação aplicável autoriza que a subcontratada faça- se acompanhar exclusivamente do Conhecimento de Transporte emitido pela transportadora contratante, sendo possível, inclusive, que, em caso de prestações reiteradas ao longo do mês para o mesmo contratante, seja emitido um único conhecimento de transporte mensal para documentar os serviços prestados. Diante dos argumentos e elementos apresentados, assiste razão em parte à Recorrente, notadamente no que se refere às despesas de frete vinculadas à transferência de produtos acabados e às operações de transporte efetivamente tributadas, desde que demonstrada sua essencialidade à atividade econômica e observadas as regras de documentação aplicáveis. No caso específico da transferência de produtos acabados para centros de distribuição, conforme já exposto, a atividade desenvolvida pela Recorrente exige acondicionamento adequado da mercadoria até a sua efetiva venda, sob pena de perdas relevantes e de violação das normas sanitárias aplicáveis, inclusive aquelas impostas pelo órgão regulador competente. Nessa medida, o transporte dos produtos acabados até os centros de distribuição revela-se etapa relevante da operação, integrando a cadeia necessária à comercialização dos bens, enquadrando-se no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. No que se refere ao frete na aquisição de produtos não tributados, a matéria já foi enfrentada no âmbito deste Conselho e consolidada por meio da Súmula CARF nº 188, segundo a qual o frete tributado confere direito ao crédito de PIS/COFINS ainda que a mercadoria adquirida não se sujeite à incidência das contribuições. Assim, não subsiste a glosa nessa hipótese. Afasta-se, igualmente, a glosa relativa ao frete decorrente de serviço prestado pela própria Recorrente, uma vez que se trata de operação enquadrável como prestação de serviços, hipótese expressamente contemplada pelo inciso II do art. 3º das Leis de regência. Por outro lado, quanto aos demais fretes, as glosas mantidas decorrem da ausência de comprovação documental, uma vez que a legislação exige a apresentação do respectivo Conhecimento de Transporte para a comprovação da efetiva prestação do serviço. A falta desse documento impede a verificação da materialidade da operação e, por conseguinte, inviabiliza o reconhecimento do direito ao crédito. Fl. 1138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 34 Assim, subsistem as glosas nos casos em que não restou comprovada a prestação do serviço por meio de documentação idônea, especialmente diante da ausência dos correspondentes Conhecimentos de Transporte, bem como nas hipóteses em que o creditamento encontra óbice expresso na legislação de regência. Reverte-se, assim, a glosa relativa ao frete vinculado à transferência de produtos acabados para os centros de distribuição, ao frete na aquisição de produtos não tributados e ao frete decorrente de serviço prestado pela própria Recorrente. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. Neste tópico, a DRJ manteve a glosa ao fundamento de que, independentemente da relevância ou essencialidade do gasto, a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições não gera direito ao crédito, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Destacou, ainda, que a Recorrente se limitou a alegar a tributação da lenha, sem comprovar que as glosas incidiram sobre operações efetivamente tributadas, razão pela qual considerou correta a atuação fiscal. Em contraponto, a Recorrente sustenta a improcedência das glosas efetuadas sobre créditos apurados na aquisição de bens e serviços adquiridos com suspensão ou alíquota zero de PIS e Cofins, com destaque para o insumo lenha. Argumenta que, conforme demonstrado no laudo do processo produtivo, as caldeiras e os geradores de vapor constituem equipamentos essenciais à sua atividade, sendo a lenha um dos principais combustíveis utilizados no processo industrial. Alega, ainda, que a suposta ausência de tributação da lenha não foi expressamente indicada no despacho decisório como fundamento da glosa, tampouco foi objeto de questionamento específico na decisão da DRJ. Sustenta que a lenha classificada na NCM 4401 se submete à regra geral de incidência das contribuições, motivo pelo qual teria sido legítima a apropriação dos créditos, não havendo, segundo afirma, necessidade de produção de prova adicional quanto à tributação. De forma subsidiária, a Recorrente defende que a vedação ao creditamento de insumos adquiridos com suspensão, isenção ou alíquota zero contraria a finalidade do regime não cumulativo do PIS e da Cofins, instituído pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujo objetivo é reduzir a carga tributária ao longo da cadeia produtiva. Argumenta que a interpretação literal do art. 3º, § 2º, inciso II, dessas leis desnatura o princípio da não cumulatividade e gera efeitos contrários à política de desoneração, invocando, ainda, o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que asseguram a manutenção de créditos em operações realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Ainda que se reconheça a correção do entendimento da DRJ quanto à impossibilidade de aproveitamento do crédito nas hipóteses em que não houve tributação na Fl. 1139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 35 etapa anterior, observa-se que, no caso concreto, não consta do despacho decisório motivação específica que indique a razão fática e jurídica da glosa relativa à aquisição de lenha. O fundamento invocado — consistente na aplicação do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 — somente foi desenvolvido de forma detalhada quando da diligência fiscal realizada pela DRJ. Com efeito, conforme se extrai do item “V-3 – Das glosas por falta de pagamento da contribuição”, a motivação apresentada limita-se a transcrever o dispositivo legal que veda o creditamento de aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição, bem como a estender tal vedação ao frete vinculado ao custo de aquisição, à luz dos arts. 289 e 290 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999). Todavia, não houve, no despacho decisório originário, a individualização das operações glosadas nem a demonstração concreta de que as aquisições de lenha ocorreram, efetivamente, sem o pagamento das contribuições. Ressalte-se que a motivação constitui elemento essencial de validade do ato administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972 e da Lei nº 9.784/1999. A ausência ou insuficiência de motivação compromete o exercício do contraditório e da ampla defesa, na medida em que impede o contribuinte de conhecer, desde a origem, os fundamentos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal. No caso, os motivos determinantes da glosa somente foram explicitados em momento posterior, por ocasião da diligência realizada pela DRJ, o que não supre a deficiência de fundamentação do ato administrativo originário. Diante disso, e em razão da ausência de motivação adequada no despacho decisório quanto à glosa relativa à aquisição de lenha, impõe-se a reversão da exigência nesse ponto. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. Como visto no tópico “Diligência proposta e seu resultado”, diante do posicionamento reiterado da Turma Julgadora 3101 quanto à inexistência de obrigação legal automática de retificação das obrigações acessórias para fins de aproveitamento de crédito extemporâneo, o julgamento foi convertido em diligência para melhor esclarecimento da matéria. No retorno, a fiscalização concluiu pela impossibilidade de aproveitamento dos créditos lançados de forma extemporânea, embora tenha reconhecido expressamente a existência de saldo credor, a observância do prazo decadencial e a inexistência de aproveitamento em duplicidade. O indeferimento baseou-se na alegada ausência de documentação hábil e idônea capaz de comprovar a data da efetiva aquisição das Notas Fiscais e dos Conhecimentos de Transporte, bem como no não atendimento aos itens “b” e “f” da diligência, relativos à apresentação de planilhas com a origem, natureza dos créditos e respectiva comprovação documental. Destacou-se, ainda, que desde agosto de 2013 a IN RFB nº 1.252/2012 veda a Fl. 1140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 36 utilização do Registro 1101 da EFD-Contribuições para fins de apropriação de créditos extemporâneos. A fiscalização também consignou que não houve retificação da DCTF, em razão de o contribuinte ter apurado saldo credor entre janeiro de 2014 e junho de 2017, tampouco foram identificadas retificações da EFD-Contribuições entre a data de emissão dos documentos fiscais e o lançamento extemporâneo dos créditos, confirmando, por outro lado, a inexistência de duplicidade de aproveitamento. Em síntese, a diligência fiscal concluiu — além da alegada ausência de previsão legal — que a Recorrente não teria apresentado documentação hábil e idônea suficiente à comprovação da efetiva ocorrência das operações e da data das aquisições, utilizando tal fundamento para sustentar a necessidade de prévia retificação das obrigações acessórias, sob o argumento de que a escrituração não refletiria adequadamente os fatos geradores dos créditos. Compete, portanto, a este Colegiado 3102 examinar a viabilidade do reconhecimento do crédito extemporâneo à luz das normas de regência, da documentação efetivamente apresentada e, sobretudo, dos limites jurídicos impostos ao regime de retificação das obrigações acessórias durante procedimento fiscal. A legislação do PIS e da Cofins (Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003) admite expressamente, em seu art. 3º, § 4º, o aproveitamento de créditos não utilizados no mês de apuração em períodos subsequentes. Embora a lei não dispense a observância dos requisitos formais de comprovação e escrituração, tampouco impõe, como condição absoluta, a retificação automática das obrigações acessórias em todos os casos de crédito extemporâneo. De fato, a orientação administrativa da Receita Federal passou a privilegiar a regularização dos créditos mediante retificação da EFD-Contribuições, especialmente após a ampliação do prazo de retificação para cinco anos, promovida pela IN RFB nº 1.387/2013. Contudo, a própria norma estabelece limites claros à eficácia da retificação, notadamente quando iniciado procedimento fiscal ou quando os créditos estiverem sob exame, hipóteses em que a retificação fica condicionada à prévia intimação da autoridade fiscal, nos termos do art. 11, §§ 2º e 3º, da IN RFB nº 1.252/2012. Esse regime revela opção normativa coerente com os princípios do contraditório, da ampla defesa, da boa-fé objetiva e da cooperação administrativa, impondo à fiscalização o dever de intimar o contribuinte para saneamento de erros de fato na escrituração, quando identificados, antes de simplesmente indeferir o crédito. Trata-se de lógica já consagrada em outros institutos do direito tributário federal, como ocorre, por analogia, nas hipóteses de compensação de ofício, em que a Administração deve oportunizar prévia ciência e manifestação do sujeito passivo antes da adoção de medidas restritivas. No caso concreto, embora a DRJ tenha condicionado o reconhecimento do crédito à prévia retificação das obrigações acessórias, verifica-se que, com a formalização do Pedido de Ressarcimento, a escrituração encontrava-se abrangida pelas hipóteses normativas de bloqueio à Fl. 1141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 37 retificação previstas no art. 11 da IN RFB nº 1.252/2012. Nessas circunstâncias, a retificação não poderia ser exigida de forma automática, sem prévia e específica intimação fiscal para saneamento dos supostos erros — providência que não foi adotada. Ressalte-se, ademais, que a diligência confirmou aspectos relevantes à boa-fé da Recorrente: (i) os créditos foram apropriados dentro do prazo decadencial; (ii) não houve duplicidade de aproveitamento; e (iii) não se apontou simulação, fraude ou inexistência material das operações. O indeferimento decorreu exclusivamente da ausência de retificação e da alegada insuficiência documental, sem que tivesse sido oportunizada a regularização formal exigida pela própria norma administrativa. Diante desse quadro, conclui-se que a legislação não veda o reconhecimento do crédito extemporâneo, mas condiciona sua regularização, quando necessária, à observância de procedimento específico, que inclui o dever de intimação fiscal para correção de erros de fato. A ausência dessa providência inviabiliza o indeferimento fundado exclusivamente na falta de retificação. Registre-se que esse posicionamento não há afronta à Súmula CARF nº 231, cujos precedentes tratam de retificação de DACON, obrigação acessória extinta desde 2013 e juridicamente distinta da EFD-Contribuições, aplicável aos períodos posteriores. Os créditos ora discutidos referem-se a períodos já submetidos à EFD-Contribuições, razão pela qual não se lhes aplica, por distinção, o entendimento sumulado. Retomando a análise do caso concreto, embora se afaste a exigência formulada pela autoridade fiscal quanto à obrigatoriedade de retificação das obrigações acessórias, bem como se reconheça que a Recorrente atendeu aos requisitos objetivos relativos ao prazo decadencial e à inexistência de aproveitamento em duplicidade, subsiste óbice intransponível ao reconhecimento do crédito. Com efeito, o direito creditório, para fins de ressarcimento ou compensação, deve revestir-se dos atributos de certeza e liquidez, o que pressupõe a efetiva comprovação da ocorrência das operações e da vinculação dos dispêndios às hipóteses legais de creditamento. No presente caso, tal comprovação não se mostrou suficiente, na medida em que a documentação apresentada não permitiu demonstrar, de forma inequívoca, a data da efetiva aquisição das Notas Fiscais e dos Conhecimentos de Transporte, nem a materialidade completa dos créditos pleiteados. Assim, ainda que se reconheça o descumprimento, pela fiscalização, do dever normativo de oportunizar a regularização da escrituração, e se afaste a imposição automática de retificação das obrigações acessórias como condição ao exercício do direito creditório, a ausência de provas hábeis e idôneas impede o reconhecimento do crédito no caso concreto. Fl. 1142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 38 Diante disso, impõe-se a manutenção da glosa, não por vício formal relacionado à escrituração, mas pela insuficiência probatória, que obsta a caracterização do crédito como certo e líquido. CRÉDITO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Em apertada síntese, a DRJ manteve a glosa do crédito presumido sob o fundamento de que o benefício previsto no art. 55 da Lei nº 12.350/2010 pressupõe a aquisição de insumos com suspensão do pagamento do PIS e da Cofins, devidamente comprovada por meio de Notas Fiscais e da manutenção de controle contábil apartado, nos termos das exigências estabelecidas pela IN RFB nº 1.157/2011. Diante da ausência desses requisitos formais, entendeu correta a glosa integral do crédito presumido. A Recorrente, por sua vez, sustenta que os insumos adquiridos se enquadram nos NCMs previstos no art. 54 da Lei nº 12.350/2010, razão pela qual a suspensão das contribuições seria obrigatória por força de lei, não dependendo de menção expressa na nota fiscal. Argumenta que a ausência da expressão “venda com suspensão” configuraria mera falha no cumprimento de obrigação acessória, incapaz de afastar o direito ao crédito presumido, sobretudo quando demonstrado que não houve destaque nem recolhimento das contribuições pelos fornecedores e que as aquisições foram utilizadas na produção de bens classificados no NCM 02 (carnes e miudezas). Alega, ainda, que seu entendimento encontra respaldo em Soluções de Consulta da COSIT, em precedentes do CARF e em recente julgado do STJ (REsp nº 1.436.544/RS, 2023). Não assiste razão à Recorrente. A controvérsia não se limita à ausência de indicação formal da suspensão nas Notas Fiscais. Conforme corretamente assinalado pela DRJ, a glosa decorreu, sobretudo, da falta de comprovação do controle contábil apartado exigido pela legislação infralegal, bem como da ausência de documentação fiscal suficiente a demonstrar, de forma segura, as aquisições realizadas sob o regime de suspensão. Com efeito, a legislação de regência impõe que os bens adquiridos com suspensão sejam apurados e registrados de forma segregada, exigindo-se a manutenção de controles específicos que permitam identificar, mês a mês, a parcela dos produtos adquiridos ao amparo da suspensão, bem como o acompanhamento dos respectivos saldos durante todo o período de sua utilização. Tais controles devem discriminar os créditos em função de sua natureza, origem e vinculação, abrangendo tanto os créditos ordinários previstos no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, quanto os créditos presumidos disciplinados na legislação específica. Fl. 1143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 39 A ausência desses elementos compromete a verificabilidade, a rastreabilidade e a liquidez do crédito presumido, inviabilizando o controle fiscal e a aferição do correto atendimento aos requisitos legais. Assim, ainda que se reconheça que a suspensão das contribuições decorra diretamente da lei e não da anotação na nota fiscal, a falta de controles contábeis apartados e de documentação idônea impede o reconhecimento do crédito presumido no caso concreto. Diante disso, mantém-se a glosa efetuada, não por descumprimento meramente formal, mas pela insuficiência probatória quanto à correta apuração e segregação do crédito presumido, nos termos da legislação aplicável. METODOLOGIA. A DRJ manteve o indeferimento dos créditos presumidos previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e nos arts. 55 e 56 da Lei nº 12.350/2010, sob o fundamento de que não restou comprovada a destinação dos insumos adquiridos, em especial quanto à proporção efetivamente utilizada na produção de carne in natura destinada à exportação, carne in natura comercializada no mercado interno e carnes processadas, circunstância que, segundo a autoridade julgadora, inviabilizaria a correta apuração dos créditos. A Recorrente sustenta que sua atividade industrial pressupõe a utilização dos mesmos insumos — animais vivos e carne in natura — para múltiplas finalidades produtivas, situação que não encontra disciplina específica na legislação de regência. Diante dessa lacuna normativa, afirma ter adotado metodologia de rateio proporcional com base na receita auferida no mês, com o objetivo de evitar duplicidade de creditamento e possibilitar a segregação entre: (i) o crédito do art. 55 da Lei nº 12.350/2010, relativo à exportação de carne in natura; (ii) o crédito do art. 56 da Lei nº 12.350/2010, referente à industrialização de carnes adquiridas com alíquota zero; e (iii) o crédito do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, decorrente da industrialização a partir da aquisição de animais vivos. Segundo a Recorrente, o procedimento adotado compreende: 1. a identificação das aquisições enquadradas nos NCMs beneficiados; 2. a apuração dos percentuais das receitas de exportação e das vendas de produtos processados; e 3. a aplicação desses percentuais às aquisições de insumos, para fins de cálculo dos créditos presumidos correspondentes a cada fundamento legal. Alega, ainda, que a própria fiscalização não teria impugnado o método de rateio adotado, limitando-se a indeferir os créditos com base em exigências de natureza formal — como a anotação da suspensão nas Notas Fiscais e a alegada impossibilidade de segregação absoluta das receitas —, não obstante a utilização da mesma metodologia em períodos anteriores sem objeção por parte da autoridade fiscal. Todavia, assim como no tópico precedente, a controvérsia não se restringe à validade abstrata da metodologia de rateio, mas guarda relação direta com a ausência de Fl. 1144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 40 comprovação do controle contábil apartado exigido pela legislação infralegal, bem como com a insuficiência de documentação fiscal idônea capaz de demonstrar, de forma segura e rastreável, as aquisições realizadas sob o regime de suspensão e sua efetiva destinação. Com efeito, a falta de registro segregado e de controles específicos impede a verificação da correta vinculação dos insumos às diferentes modalidades de crédito presumido, comprometendo a apuração individualizada exigida pela legislação. Tal deficiência probatória inviabiliza o controle fiscal e a aferição da correção dos valores apurados, razão pela qual se mostra legítima a manutenção do indeferimento dos créditos presumidos agropecuários no caso concreto. REVENDA. No que se refere aos bens destinados à revenda, a Recorrente sustenta que a autoridade fiscal teria homologado a integralidade dos créditos apropriados, mas deixado de considerar tais valores na apuração final do montante passível de ressarcimento, o que, em seu entendimento, acarretaria nulidade do Despacho Decisório. Aduz, ainda, que, mesmo após a realização da diligência fiscal, não teria restado esclarecido se o montante homologado foi efetivamente ressarcido, razão pela qual requer a retificação da apuração final, com a inclusão dos valores constantes do arquivo disponibilizado pela fiscalização. De início, cumpre consignar que não há propriamente lide quanto ao mérito do creditamento, uma vez que a Recorrente não impugna glosa específica de créditos de bens para revenda, limitando-se a alegar suposta nulidade do Despacho Decisório por falta de esclarecimentos quanto à apuração final. No retorno da diligência realizada pela DRJ, contudo, restou claro que houve glosa de créditos no primeiro trimestre de 2016, tendo a fiscalização adotado metodologia consistente em trabalhar exclusivamente com os valores glosados, e não com a totalidade dos créditos informados pelo contribuinte. Por essa razão, na planilha denominada “Apropriação de Crédito 1T16”, constam apenas os créditos objeto de glosa, os quais foram posteriormente transportados para a planilha de controle intitulada “Controle de Crédito descontado/deduzido”. Nesse contexto, esclareceu-se que somente no mês de fevereiro de 2016 não houve glosa de créditos relativos à aquisição de mercadorias para revenda, motivo pelo qual tais créditos não figuram na referida planilha de glosas. Nos demais meses do trimestre, ao contrário, houve glosas parciais, devidamente refletidas nas planilhas de controle elaboradas pela fiscalização. Assim, não se verifica omissão ou erro material na apuração realizada, tampouco nulidade do Despacho Decisório. Eventuais ajustes quanto aos valores efetivamente ressarcíveis deverão ser realizados em sede de liquidação, conforme os parâmetros já definidos nos autos, não havendo, neste ponto, providência a ser adotada por este Colegiado. Fl. 1145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 41 DISTINGUISH No presente voto, foram apreciadas três matérias objeto de súmula neste Tribunal: (i) Crédito extemporâneo (SÚMULA CARF Nº 231); (ii) Fretes entre estabelecimentos (SÚMULA CARF Nº 217); e, (iii) Demanda contratada (SÚMULA CARF Nº 224). Em relação ao crédito extemporâneo (i), foi esclarecido no corpo do voto a inaplicabilidade da Súmula CARF nº 231 ao caso concreto uma vez que os precedentes que amparam o sumulado versam sobre retificação do Dacon enquanto, in casu, estar-se diante de retificação de EFD-Contribuições. Nesse sentido, descabida a sua aplicação ao caso concreto. Igualmente observa-se acerca da Súmula CARF nº 217 que veda o aproveitamento de crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativas sobre os gastos com fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa (ii). Isso porque os precedentes que fundamentam o enunciado analisam casos sob o viés estritamente logístico, ou seja, como estratégia voltada à otimização da comercialização e da distribuição no país. O Acordão nº 9303-014.190 aprecia a possibilidade de crédito sobre o óleo diesel como insumo utilizado no transporte do produto acabado, como extraído do trecho do voto: No mérito, discute-se o direito ao crédito de PIS/Cofins relativo aos gastos com o transporte nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, no caso, o óleo diesel utilizado nos caminhões para o transporte do caulim “da produção para a distribuição”, conforme se extrai do Recurso Voluntário (fls. 138 e 139): O Acordão nº 9303-014.428, analisou o frete intercompany, também sob o ponto de vista logístico meramente: No caso de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da própria recorrente, não há que se falar em operação de venda – não há o aperfeiçoamento da tradição, elemento caraterístico da compra e venda -, não resultando, portanto, em hipótese de creditamento das contribuições não cumulativas. Sublinhe-se, ademais, que o transporte de produtos acabados não pode ser entendido como serviço caracterizado como insumo no contexto do processo produtivo. Isso se explica pelo fato de que tal transporte se realiza em fase posterior à etapa produtiva, quando já encerrado o ciclo de produção, de maneira que tal serviço não guarda pertinência espácio temporal com o processo produtivo: não há que se falar, assim, em essencialidade e relevância para a produção, uma vez que se realiza em etapa posterior. Fl. 1146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 42 Por fim, caminhou no mesmo sentido o Acordão nº 9303-015.015, sendo este o único precedente que alcança atividades similares ao presente: Pelo exposto, ao examinar atentamente os textos legais e os precedentes do STJ aqui colacionados, que refletem o entendimento vinculante daquela corte superior em relação ao inciso II do art. 3º das leis de regência das contribuições não cumulativas, que não incluem os fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, e o entendimento pacifico, assentado e fundamentado, em relação ao inciso IX do art. 3º da Lei no 10.833/2003 (também aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep, conforme art. 15, II), é de se concluir que não há amparo legal para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos de uma mesma empresa, por nenhum desses incisos, o que implica o não reconhecimento do crédito, no caso em análise. Com todas as vênias, entendo que a Súmula não se aplica ao caso concreto que diz respeito ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos (produção x armazenagem) em cumprimento a normas regulatórias que exigem armazenamento especializado: INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 81/2018. Art. 7º O estabelecimento gerador de resíduos sólidos da indústria da alimentação humana deve: II- dispor de local para armazenamento dos resíduos sólidos, limpo e separado da área de produção e da área suja, sem possibilidade de contato com outros materiais que possam comprometer a sua inocuidade; INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39/2017. Art. 4º São objetivos do Vigiagro: IX - garantir que produtos de interesse agropecuário destinados à exportação atendam às exigências sanitárias, zoossanitárias, fitossanitárias, de origem, de identidade e de qualidade, estabelecidas pelos países importadores em acordos internacionais. Art. 30. São critérios a serem avaliados no gerenciamento de risco agropecuário: XII - condições de armazenamento, embalagem e transporte; ANEXO XLIX - DA IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL 1. Considerações Gerais: 1.6. As despesas decorrentes de armazenagem de mercadorias nos pontos de ingresso ou despacho e de envio de amostras serão de responsabilidade do importador. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 4/2007. Fl. 1147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 43 4.3.2. A empresa deve dispor de espaço adequado para produção, armazenamento de ingredientes, sacaria vazia e produtos acabados obedecendo ao fluxograma de forma a possibilitar a separação entre área de produção e área de armazenamento de produto acabado e evitar as operações suscetíveis de causar contaminação cruzada. 6.8. Armazenamento, conservação e transporte: 6.8.1. As matérias-primas, ingredientes e os produtos acabados devem ser armazenados e transportados devidamente rotulados com todas as informações obrigatórias e em condições que garantam a integridade das embalagens. 6.8.2. As matérias-primas, ingredientes e os produtos acabados devem ser conservados de forma a garantir a sua inocuidade e integridade, sempre respeitando a temperatura e umidade adequadas para conservação e a data de validade Por se tratar de alimentação humana e animal, há rigoroso controle de rastreabilidade e de recolhimento dos produtos nas fases pré e pós-mercado, bem como da gestão e destinação de resíduos sólidos, sob pena de sanções ao contribuinte (Lei nº 6.437/77). Nesse sentido, é de suma importância examinar as especificidades da atividade econômica efetivamente desempenhada por cada contribuinte para a aplicação do teste de subtração fixado pelo STJ, sendo possível flexibilizar a restrição à apuração de créditos em fase posterior à produção de bens, em casos justificados, como esclarece o Min. Mauro Campbell Marques no REsp no 1.221.170/PR: “(...) 5. GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo- se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, SALVO EXCEÇÕES JUSTIFICADAS. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (...)” (destaques nossos) No caso concreto, qualquer irregularidade na conservação, refrigeração, climatização, biossegurança e controle ambiental, acarretam, não só em aplicação de multa como, Fl. 1148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 44 também, no encerramento das atividades da Recorrente mostrando-se, portanto, despesa obrigatória (relevante). Retira-se, as regras de armazenamento dos produtos acabados no centro de distribuição equipados de forma adequada em estrita observância as regras sanitárias dos órgãos reguladores (ANVISA, MAPA) não podem ser ignoradas pela Recorrente e se enquadra na acepção ‘relevante’. Nesses casos a Receita Federal já se manifestou favorável a apuração de crédito sobre os custos incorridos por imposição legal na IN RFB nº 2.121/22, abaixo reproduzida: Art. 176. Para efeito do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos, os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes para o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). § 1º Consideram-se insumos, inclusive: II - bens ou serviços que, mesmo utilizados após a finalização do processo de produção, de fabricação ou de prestação de serviços, tenham sua utilização decorrente de imposição legal; Assim, salvo melhor juízo, o custo com o frete intercompany mostra-se relevante, considerando a atividade da Recorrente, não se restringindo a aspectos meramente logísticos – tese da súmula objeto do distinguish -, mas perpassando imposições legais. Por fim, quanto a demanda contratada (iii), entendo relevante para a atividade da Recorrente. Os precedentes que subsidiam o sumulada versaram sobre valores pagos a título de demanda contratada (Acórdãos nsº 9303-014.155, 9303-015.234 e 9303-015.264) e de COSIP (Acórdãos nsº 9303-006.627, 9303-014.981 e 9303-015.151). Nos precedentes a demanda contratada foi considerada discricionariedade do contribuinte. Ocorre que, como dito anteriormente, existente justificativa capaz de excetuar a regra prevista na legislação (art. 3º das Leis nºs 10.833/03 e 10.637/02), o posicionamento firmado no REsp no 1.221.170/PR permite apuração de créditos na sistemática não cumulativa. No caso em tela, dada a peculiaridade da atividade da Recorrente (produtos refrigerados e vivos), sua conformidade legal (MAPA, EMBRAPA, ANVISA), e a previsão legal expressa do art. 176 da IN RFB nº 2.121/22 - que considera essencial ou relevante a aquisição de bens e/ou serviços decorrente de imposição legal -, a Súmula não se aplica ao presente caso diante da patente exigência dos órgãos reguladores da contínua geração de energia contínua para conservação dos produtos (insumos e acabados), alcançando desde a etapa anterior a industrialização (criação e conserva de vacinas, por exemplo), até as etapas de industrialização Fl. 1149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 45 (refrigeração de carnes frescas) e pós industrialização (acabados que precisam de armazenamento e refrigeração próprios). A interrupção de energia pode ocasionar, perda de pintos, vacinas, carnes frescas, e insumos e demais produtos perecíveis, além de sanções a Recorrente incluindo, até mesmo, o fechamento do estabelecimento comercial. Com isso, resta demonstrado que esta Relatora não descumpriu as normas regimentais. CONCLUSÃO. Ante todo o exposto, rejeito as preliminares arguidas pela Recorrente, inclusive a alegação de nulidade do Despacho Decisório quanto aos créditos relativos a bens para revenda, e, no mérito, dou PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para REVERTER as glosas relativas: (i) ao frete vinculado à transferência de produtos acabados para centros de distribuição; (ii) ao frete incidente na aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições, quando o serviço de transporte for operação tributada; (iii) ao frete decorrente de serviço de transporte prestado pela própria Recorrente; (iv) à aquisição do insumo lenha, em razão da ausência de motivação adequada no despacho decisório quanto à glosa específica e; (v) à energia elétrica contratada. É como voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa VOTO VENCEDOR Conselheiro Fábio Kirzner Ejchel, redator designado Superadas as questões decididas por unanimidade nos termos do voto da i. Relatora, o Colegiado entendeu por bem, em que pesem os argumentos trazidos no voto vencido, manter, por maioria de votos, as glosas sobre: a) frete vinculado à transferência de produtos acabados para centros de distribuição; b) energia contratada; e c) aquisição do insumo lenha e, Fl. 1150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 46 por voto de qualidade, manter a glosa sobre o frete subcontratado decorrente de serviço de transporte prestado pela própria recorrente. Como Conselheiro designado para redigir o voto vencedor, passo a esclarecer as razões de decidir abordadas pelo Colegiado. Com relação ao frete vinculado à transferência de produtos acabados para centros de distribuição, o entendimento é que cabe, sim, ao caso, a Súmula CARF nº 217, de aplicação obrigatória: Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Saliente-se que a própria recorrente trata, no recurso voluntário, esses serviços de frete como de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa: Portanto, com fundamento na legislação em regência e na jurisprudência, merece reforma o despacho decisório para autorizar a tomada de crédito de PIS e de Cofins sobre os serviços de frete sobre transferência entre o mesmo estabelecimento do contribuinte de produtos acabados. Assim, a aplicação da súmula é direta e inquestionável, aplicando-se literalmente ao caso, e as glosas devem, então, ser mantidas. Com relação à energia contratada, a conclusão é semelhante. A Súmula CARF nº 224 estabelece que: SÚMULA CARF Nº 224 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/08/2025 – vigência em 01/09/2025 Para efeito de apuração de crédito no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, somente será considerada a energia elétrica efetivamente consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não se enquadrando nesse conceito outras despesas como a Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP) ou a demanda contratada. Acórdãos Precedentes: 9303-014.155, 9303-015.234, 9303-015.264, 9303- 006.627, 9303-014.981, 9303-015.151. O recurso voluntário é explícito ao esclarecer que trata-se, efetivamente, de créditos sobre demanda contratada: Fl. 1151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 47 Com o devido respeito, o demonstrativo apresentado pela Autoridade Fiscal não identifica a materialidade quanto ao pretenso crédito aproveitado pela Recorrente, razão pela qual deve ser considerado hígido o crédito aproveitado. Neste cenário, não há como reconhecer a glosa, ao menos no que diz respeito a “demanda contratada” apenas pela interpretação fazendária, sem, contudo, ter a certeza e liquidez que a Recorrente não utilizou a referida demanda, isto porque a conferência cingiu-se apenas as faturas de energia elétrica. Com o devido respeito, o que fora apresentado pela i. Autoridade Fiscal não identifica a irregularidade do crédito aproveitado pela Recorrente, razão pela qual deve ser considerado hígido o crédito aproveitado. Outrossim, cumpre explicitar que a demanda contratada surgiu para suprir as necessidades dos chamados consumidores intensivos, indústrias, “shopping centers” e outras pessoas jurídicas que, por sua atividade, necessitam de uma alta tensão, como no caso da Recorrente. (negritos nossos) Nesse contexto, mais uma vez, a aplicação da súmula é literal e obrigatória, não cabendo mais discussões sobre o tema. Relativamente à aquisição do insumo lenha, a glosa porque teria ocorrido inobservância do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que veda o creditamento de produtos adquiridos sem o pagamento das contribuições: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) I - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição A recorrente limita-se a afirmar que o insumo foi tributado pela alíquota básica do PIS e da Cofins: Contudo, em que pese na diligência fiscal tenha sido informado que se trata de glosa por ausência de pagamento da tributação, cumpre salientar que a lenha é tributada pela alíquota básica do PIS/COFINS. Sobre este ponto, a prova da tributação decorre da própria Lei, visto que a tributação da NCM 44013900 advém da regra geral, de modo que a Recorrente corretamente tomou crédito quando da aquisição do referido insumo, não havendo outras provas a serem produzidas neste sentido, conforme argumentado pelo acordão recorrido. Fl. 1152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 48 Portanto, não prospera a alegação da fiscalização e do acordão recorrido, de glosa destas aquisições, por suposta ausência de tributação, quanto ao insumo “Lenha” A relatora argumenta que, do despacho decisório, não houve a comprovação de que a aquisição de lenha se deu sem o pagamento de contribuições: Todavia, não houve, no despacho decisório originário, a individualização das operações glosadas nem a demonstração concreta de que as aquisições de lenha ocorreram, efetivamente, sem o pagamento das contribuições. A questão, então, é a definição sobre se o insumo foi ou não tributado quando de sua aquisição. O Colegiado entendeu, em sua maioria, que, diferentemente de ações de fiscalização de iniciativa do Fisco, em pedidos de restituição, ressarcimento e compensação o ônus da prova do direito é do contribuinte. Assim, caberia à empresa, sabendo do motivo da glosa, demonstrar que o insumo foi devidamente tributado quando de sua aquisição – o que não foi feito em nenhuma das oportunidades que o contencioso administrativo oferece. Nesse contexto, as glosas devem ser mantidas. Por fim, quanto à glosa sobre o frete subcontratado decorrente de serviço de transporte prestado pela própria recorrente, ela ocorreu por falta de apresentação de conhecimentos de transporte. Tal motivo inquestionavelmente justifica a manutenção da glosa, conforme descrito pela própria Relatora: Por outro lado, quanto aos demais fretes, as glosas mantidas decorrem da ausência de comprovação documental, uma vez que a legislação exige a apresentação do respectivo Conhecimento de Transporte para a comprovação da efetiva prestação do serviço. A falta desse documento impede a verificação da materialidade da operação e, por conseguinte, inviabiliza o reconhecimento do direito ao crédito. Assim, subsistem as glosas nos casos em que não restou comprovada a prestação do serviço por meio de documentação idônea, especialmente diante da ausência dos correspondentes Conhecimentos de Transporte, bem como nas hipóteses em que o creditamento encontra óbice expresso na legislação de regência. A empresa alega, no recurso voluntário, que sua filial 0007-19 emitiu CT-e com informações relativas à subcontratação e, com isso, não precisaria apresentar os CT-e dos subcontratados. Argumenta que a emissão de CT-e pelos subcontratados seria “mera obrigação acessória”: Ou seja, descabida a alegação de que não há direito ao crédito pelo fato de não se anexar aos autos os Conhecimentos de Transporte emitidos pelos subcontratados, conforme entendimento da fiscalização, corroborado pelo acordão recorrido. Fl. 1153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 49 Ademais, verifica-se que a emissão de CT-e pelo subcontratado é mera obrigação acessória, visto que as informações contidas nos CT-es emitidos pelo estabelecimento contratante são suficientes para legitimar as operações, bem como a apuração dos créditos pleiteados. Julgadores, os CT-es emitidos pela Recorrente são documentos fiscais que acobertam as operações de transportes, sobre os quais foram recolhidas as contribuições sociais do PIS/COFINS. E para comprovar a efetividade e regularidade das operações, a Recorrente anexou aos autos, à época da diligência, arquivos “FRETE_F100_Natureza_02_Aquisicao_Bens_Utilizados_Insumo”, “FRETE_F100_Natureza_07_Armazenagem_Frete_Venda”, “FRETE_F100_Natureza_03_Servicos_Utilizados_Insumo” e “FRETE_F100_Natureza_14_Credito_Presumido” onde constam o nº da chave eletrônica dos CT-e emitidos pela Seara Comércio (CNPJ 83.044.016/0007-19), pelos quais, por meio de consulta a base de dados do Sistema Sped, é possível validar, no campo dados adicionais, informações relativas à subcontratação. (negritos nossos) A argumentação não se sustenta por si. Como o próprio nome diz, uma obrigação acessória é uma obrigação – e não uma opção. Ainda que a empresa entenda que se trata de uma “mera” obrigação, não significa que a emissão de CT-e deixa de ser uma obrigação. A recorrente utiliza um trecho da Consulta nº 03, de 2005, da Fazenda de Santa Catarina, que cita o art.68, § 4º do RICMS/SC , para tentar justificar que o subcontratado não precisa emitir conhecimento de transporte CONSULTA N°: 03/05 (sef.sc.gob.br) “Art. 68. O transportador que subcontratar outro transportador para dar início à execução do serviço emitirá Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, fazendo constar no campo Observações deste ou, se for o caso, do Manifesto de Carga a expressão “Transporte subcontratado com ___, proprietário do veículo Marca ____, Placa nº ____, UF __. (...) § 2º A empresa subcontratada deverá emitir o conhecimento de transporte indicando, no campo Observações, a informação de que se trata de serviço de subcontratação, bem como a razão social e os números de inscrição na unidade federada e no CNPJ do transportador contratante (Ajuste SINIEF 03/02). § 3º A prestação de serviço de transporte poderá ser acobertada somente pelo conhecimento de transporte que trata o “caput” (Ajuste SINIEF 03/02). § 4º Na hipótese de repetidas prestações para um mesmo transportador contratante, a empresa subcontratada poderá emitir, ao final de cada período de apuração do imposto, no mínimo 1 (um) conhecimento de transporte para documentar as prestações realizadas no período para cada contratante, caso em Fl. 1154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 50 que, além das demais indicações exigidas pela legislação, deverá indicar no documento emitido: I – o número dos conhecimentos de transporte emitidos no período pelo transportador contratante, para acobertar as prestações realizadas pelo subcontratado; II – o valor total recebido pela empresa subcontratada pelos serviços prestados no período. A recorrente alega que como a legislação dispõe que o subcontratado poderá emitir no mínimo 01 conhecimento de transporte, tal emissão não seria obrigatória. Não é isso que a norma diz. O que está escrito é que a subcontratada poderá emitir apenas 1 conhecimento de transporte quando tiver várias prestações efetuadas no período para o mesmo contratante (ao invés de emitir 1 CT-e para cada operação) e não que está simplesmente dispensada de emitir CT-e (como se isso fosse uma opção e não uma obrigação). Esse entendimento foi colocado na Informação Fiscal de fls. 825/849: O contribuinte apresentou, ainda, como justificativa para a desnecessidade para a sua apresentação (ver item 5 / resposta 2.3) a Solução 03, de 2005 da Fazenda de Santa Catarina, que cita o art.68, § 4º do RICMS/SC ao expressar que “a empresa subcontratada poderá emitir, ao final de cada período de apuração do imposto, no mínimo1 (um) conhecimento de transporte para documentar as prestações realizadas no período para cada contratante” implica, portanto, que não há obrigatoriedade de a empresa subcontratada emitir Conhecimento de Transporte. Tal conclusão é descabida, sendo evidente que o sentido do termo “poderá”, apenas permite que no caso do subcontratado executar mais de um transporte com o mesmo contratante, a emissão de um único Conhecimento de Transporte, mas com indicação dos números dos conhecimentos de transporte emitidos no período pelo transportador contratante para acobertar as prestações realizadas pelo subcontratado e o valor total recebido: E foi ratificado na decisão de primeira instância: 61. A respeito do frete Intercompany diz a defesa que não se trata de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, mas sim entre empresas do grupo, sendo as unidades transportadoras da manifestante responsáveis pelo serviço de transporte, por meio da subcontratação de outros prestadores. 62. Por se tratar de subcontratação de transportadora sem a comprovação por intermédio de conhecimentos de transporte, a glosa deve ser mantida, como explicado anteriormente e nos exatos termos da diligência fiscal: – o estabelecimento 0007-19, a princípio, enquadra-se com transportador de carga em relação aos fretes do bl.F100 de Natureza 03 e 14 – Intercompany. Porém, como visto na alínea “a”, o contribuinte não apresentou os Conhecimentos de Transporte(eletrônicos, se existentes) dos Fl. 1155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.437 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721015/2017-51 51 subcontratados, todos Pessoas Jurídicas, mantendo-se a totalidade das glosas do bloco F; Assim, a exemplo de outras glosas mantidas nos termos do voto da i. Relatora, as glosas sobre o frete subcontratado decorrente de serviço de transporte prestado pela própria recorrente também devem ser mantidas por ausência de comprovação documental. Conclusão Por todo o exposto, as glosas relativas ao frete vinculado à transferência de produtos acabados para centros de distribuição; energia contratada; aquisição do insumo lenha e sobre o frete subcontratado decorrente de serviço de transporte prestado pela própria recorrente devem ser mantidas. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel Fl. 1156DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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