Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11968.001032/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 11/06/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a reclassificação decorre da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizando-se, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH).
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR INDEFERIR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA.
Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em nulidade em razão de não haver deferido o pedido de perícia formulado pela então impugnante, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal.
CONSULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA.
A consulta que vincula a Administração é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO.
De acordo com os laudos constantes dos autos, o porcelanato é revestimento cerâmico, devendo ser classificado no código 6908.90.00, se vidrado ou esmaltado, ou no código 6907.90.00, não sendo vidrado nem esmaltado.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL.
Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo.
Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, na parte conhecida, recurso negado.
Numero da decisão: 3202-001.158
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; no mérito, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Frederico C. dos Santos, OAB/PE nº. 20.653.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 11/06/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a reclassificação decorre da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizando-se, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH). NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR INDEFERIR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em nulidade em razão de não haver deferido o pedido de perícia formulado pela então impugnante, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal. CONSULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA. A consulta que vincula a Administração é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO. De acordo com os laudos constantes dos autos, o porcelanato é revestimento cerâmico, devendo ser classificado no código 6908.90.00, se vidrado ou esmaltado, ou no código 6907.90.00, não sendo vidrado nem esmaltado. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, na parte conhecida, recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11968.001032/2008-86
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351470
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.158
nome_arquivo_s : Decisao_11968001032200886.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11968001032200886_5351470.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; no mérito, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Frederico C. dos Santos, OAB/PE nº. 20.653. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5475843
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046816464830464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 505 1 504 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11968.001032/200886 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.158 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria II. IPI. PIS. COFINS. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Recorrente SUAPE PORCELANATO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/06/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a reclassificação decorre da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizandose, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH). NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR INDEFERIR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. Restando a decisão de primeira instância bem fundamentada e alicerçada nos elementos probatórios carreados aos autos, não há que se falar em nulidade em razão de não haver deferido o pedido de perícia formulado pela então impugnante, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal. CONSULTA SOBRE A CLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA. A consulta que vincula a Administração é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PORCELANATO. De acordo com os laudos constantes dos autos, o porcelanato é revestimento cerâmico, devendo ser classificado no código 6908.90.00, se vidrado ou esmaltado, ou no código 6907.90.00, não sendo vidrado nem esmaltado. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 10 32 /2 00 8- 86 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 506 2 Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recurso voluntário conhecido em parte, na parte conhecida, recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas; no mérito, conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Carlos Frederico C. dos Santos, OAB/PE nº. 20.653. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (5) lavrados para a desclassificação fiscal de produto importado pela empresa autuada, através das Declarações de Importação registradas em abril e maio de 2008 (nove DIs, ao todo, relacionadas às fls. 07 e 08 do Auto de Infração relativo ao Imposto de Importação e repetidas nos demais Autos, correspondentes ao IPI, ao PIS/PASEP, à Cofins e à multa regulamentar sobre o valor aduaneiro da mercadoria). Fl. 506DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 507 3 Os cinco Autos de Infração lavrados dizem respeito aos seguintes lançamentos: 1° Auto de Infração: para cobrança da diferença do Imposto de Importação (II), no valor original de R$ 12.186,32 (doze mil, cento e oitenta e seis reais e trinta e dois centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 457,85 (quatrocentos e cinqüenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto o valor de R$ 12.644,17 (doze mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e dezessete centavos). 2° Auto de Infração: para cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (1PI), no valor original de R$ 17.060,89 (dezessete mil, sessenta reais e oitenta e nove centavos), acrescido de juros de mora, no montante de R$ 571,76 (quinhentos e setenta e um reais e setenta e seis centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este Auto R$17.632,65 (dezessete mil, seiscentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos), 3° Auto de Infração: para a cobrança da diferença do PIS/PASEP Importação, no valor original de R$ 108,95 (cento e oito reais e noventa e cinco centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 4,04 (quatro reais e quatro centavos). Totalizou o crédito tributário objeto deste Auto R$112,99 (cento e doze reais e noventa e nove centavos). 4º Auto de Infração: para cobrança da diferença da Cofins, no valor original de R$ 501,72 (quinhentos e um reais e setenta e dois centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 18,82 (dezoito reais e oitenta e dois centavos). Totalizou o crédito tributário correspondente a este AutoR$520,54 (quinhentos e vinte reais e cinquenta e quatro centavos). 5º Auto de Infração: para a cobrança da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) n°2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003, no valor de R$ 4.539,37 (quatro mil, quinhentos e trinta e nove reais e trinta e sete centavos). O valor total do crédito tributário, considerados os cinco Autos de Infração, perfaz R$ 5.449,72 (trinta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e setenta e dois centavos). A descrição dos fatos, às fls.04 a 08 do Auto de Infração relativo ao II, repetida nos demais AI, será, a seguir, resumida: a) O importador, através das Declarações de Importação enumeradas às fls. 07 e 08 do AI referente ao II (repetidas nos demais Autos), submeteu a Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 508 4 despacho mercadoria descrita como: "ladrilhos de granito artificial para uso exclusivo cai revestimento de pisos, na construção em geral”, classificando a na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), então vigentes, no código 6810.19.00, como: "Outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas", com alíquotas de 8% de II, 0% de 1,65% de PIS/PASEP, e 7,60% de COFINS. b) Tendo em vista o exame da mercadoria, objeto de diversos laudos e análises, e considerando as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado n's 1 e 6, incorporadas pela Nomenclatura Comum do Mercosul(NCM) e pela Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) (entendimento corroborado pela Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007 (Anexo 01), a mercadoria foi reclassificada para o código 6907.90.00 da NCM/TEC e da NBM/TIPI, como "Placas (lages) de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento". c) A alteração na classificação do produto importado gerou diferenças a recolher relativamente ao II, ao PIS/PASEP e à COFINS, e imposto a pagar no que toca ao IPI, além da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por classificação incorreta da mesma na NCM/TEC, tudo conforme Demonstrativos de Apuração desses impostos, contribuições e multa. Fazem parte dos Autos de Infração, a cópia da Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 6.08.2007, as fls. 104 a 107 (Anexo 01), e a cópia da Decisão prolatada no Mandado de Segurança n° 2008.83.00.0066185, impetrado pela empresa contra o Inspetor da ALF/SPE, às fls. 65 a 69 (Anexo 02), Extratos do Processo, As fls.71 a 77, Relação de Processos e Telas, obtidas no Sistema COMPROT, As fls.78 a 82, além do despacho de fl.83. DA IMPUGNAÇÃO Intimado nos respectivos Autos de Infração, em 06.11.2008, a empresa apresentou, tempestivamente a sua impugnação, às fls. 85 a 99 do Volume I, a ela anexando os documentos de fls. 100 a 249 do mesmo Volume, além dos de fls. 252 a 264 do Volume II. A defendente alega que importou matériaprima, classificandoa no código NCM/TEC 6810.19.00, classificação essa consolidada pela RFB em diversas importações e fundamentada em Laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, emitido em agosto de 2002, por solicitação da própria ALF/SPE. Diz que foi surpreendida pela alteração da classificação, sem direito à ampla defesa, o que ensejou a impetração de Mandado de Segurança n°2008.83.00.0066185, com o objetivo exclusivo de desembaraçar as Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 509 5 mercadorias importadas mediante o depósito das diferenças de tributos porventura devidas, enquanto não regularmente intimada do processo administrativo que determinou a nova e equivocada interpretação quanto à classificação do produto importado. Na Preliminar, argüiu: 1) Ausência de Concomitância: O MS impetrado teve apenas o fito de discutir a liberação das mercadorias mediante depósito prévio dos valores exigidos. Em nenhum momento pretendeu discutir no Mandamus a classificação fiscal do produto importado ou qualquer outra matéria de direito. 2) Nulidade da autuação afronta ao Principio da Verdade Material: A autoridade lançadora não apresentou classificação fiscal válida para embasar o lançamento e fundamentou a autuação em Nota Coana/Cotac/Dinon n° 0319, de 2007, que se pronunciou sobre o produto ao desamparo de qualquer análise de amostra do mesmo, o que vai de encontro ao principio da verdade material. E no Mérito: 3) Mudança de Critério Jurídico: A mudança de critério jurídico foi fruto da insistência da Secretaria da Fazenda do Estado de PE que, baseada em questionável laudo e informações de concorrentes que produzem produtos diversos do importado e industrializado pela impugnante, pretendem alterar a classificação fiscal do produto por ela importado há anos, tendo sido, inclusive, objeto de previa e regular Consulta, conforme provam os documentos anexos. (Grifei) 4) Inadequação da Classificação imposta: Na realidade, "...tratase de importação de produto comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura cientifica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente "novo", surgiram divergências quando à classificação fiscal a ser adotada (item 25 da defesa). O porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral findente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que é diversa da cerâmica e se assemelha mais ao granito, consoante laudo técnico do 1PT, de São Paulo (item 26 da defesa). Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 510 6 O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1.400°C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210° C a 1.2500 C, de sorte que os seus elementos não atingem o ponto de fusão, sendo apenas aglutinados. Não alcançando o ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão. A cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1.150° C, podendo ser fundida a temperatura de 1.000° C, donde se conclui, quanto à cozedura e ponto de fusão, que há uma substancial diferença entre porcelanato e cerâmica. "Em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam os referidos produtos, tanto que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. ...quando se fala de revestimento de pisos ou paredes, tem se como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato. Inexiste confusão ou dúvidas quanto às característica de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata maior similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica." 5) Multa regulamentar incabível: A imposição da multa regulamentar decorreria do suposto erro quanto à classificação da mercadoria importada. Contudo, não se trata de erro, mas de divergência de interpretação. "... há uma divergência de interpretação das regras de classificação fiscal”. 6) Pedido de Perícia: A defendente requer a realização de perícia, de acordo com o artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, tendo em vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado (apresenta alguns quesitos a serem respondidos, ás fls.97 e 98). Corroborando o seu pedido, transcreve Ementa de Acórdão do então Conselho de Contribuintes do MF, que diz respeito à dúvida de classificação de determinado produto estar pautada exclusivamente na sua composição química, tornandose, nesse caso, indispensável a produção de perícia. Anexa, além dos documentos de constituição e de representação da empresa, o Parecer Técnico n° 8.202, de agosto de 2002, do IPT, de São Paulo, do Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 511 7 qual fazem parte o Relatório Técnico n° 58.258, Relatórios de Ensaio n's 888 054 e 882052, além de outras análises. Por todo o exposto, requer seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração. Caso assim não entenda a autoridade julgadora, pede que seja a ação fiscal julgada improcedente pelas razões de mérito apresentadas, protestado pelo deferimento do pedido de perícia formulado.” A DRJ Recife/PE julgou improcedente a impugnação (fls. 262/280), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 CLASSIFICAÇÃO INCORRETA DE MERCADORIAS NA NCM/TEC E NBM/TIPI. MULTA. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Lajes de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento classificamse no código 6907.90.00 da NCM/TEC e NBM/TIPI, aprovadas pela Resolução Camex n° 43, de 2006, e pelo Decreto n° 6.006, de 2006, respectivamente. À mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre o valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com a Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. RECOLHIMENTO A MENOR. Constatado o recolhimento a menor do imposto no registro da Declaração de Importação, em função da classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe o lançamento da sua diferença, nos termos do Decreto n° 4.543, de 2002, Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, e Lei e 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 512 8 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatado o não recolhimento do imposto sobre a mercadoria importada objeto de nova classificação tarifária, cabe o lançamento desse imposto,nos termos do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIM/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. RECOLHIMENTO A MENOR. Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004 c/c Decreto n° 4.543, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 DESCLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Em razão da diferença das alíquotas do II e do IPI, em decorrência da desclassificação fiscal efetivada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição e recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei n° 10.865, de 2004, c/c Decreto n°4.543, de 2002. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/04/2008, 25/04/2008, 05/05/2008 REVISÃO DE OFICIO Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da Declaração de Importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de mais um laudo técnico sobre as características da mercadoria quando os laudos e documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 513 9 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO CONHECIDA. Tomase conhecimento da impugnação, no tocante à matéria (classificação tarifária) que não faz parte da discussão judicial. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 301/316), alegando, em síntese: a) Preliminarmente: nulidade da decisão de primeira instância, por não ter determinado necessária realização de perícia. Alega que em outro processo administrativo, o qual versa sobre o mesmo tema, de nº. 19647.013825/200882, foi determinada a produção de prova pericial. Aduz, ainda, que os pareceres e laudos constantes deste processo não levaram em consideração a real composição do produto comercializado pela recorrente; e nulidade do auto de infração, vez que, ao se fundamentar na Nota COANA/COTAC/DINON nº.2007/0319, a Fiscalização não adotou qualquer procedimento para apurar a composição das mercadorias importadas, pois não solicitou a retirada de amostras. Afirma que a autoridade fiscal baseouse em presunções, dados subjetivos e informações de empresas concorrentes. b) No mérito: que está sendo prejudicada por força de abrupta mudança de entendimento da Receita Federal do Brasil quanto à classificação fiscal que deve adotar. Afirma que tal mudança é fruto de insistência da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco que, baseada em laudo e informações sobre concorrentes que produzem mercadorias diversas daqueles importadas e industrializadas pela recorrente, pretende alterar a classificação fiscal que há anos tem sido aceita no âmbito da Receita Federal; que o porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e argila em quantidade inferior a 15%. Afirma que tal composição é diversa da cerâmica e mais se assemelha a um granito, consoante laudo técnico emitido pelo ITP (doc. 06 da impugnação); que, para proceder à classificação fiscal da mercadoria, não é o processo produtivo o elemento determinante, mas sim as matériasprimas que compõem o produto, daí a necessidade de análise específica do produto importado pela recorrente; que o produto importado pela recorrente foi submetido a 1 laudo técnico, emitido pelo IPT (doc. 04), não tendo havido posterior análise de composição do produto a permitir uma alteração de classificação; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 514 10 que, enquanto o porcelanato importado utiliza até 15% de argila em sua composição, a cerâmica é composta basicamente por argila. Aduz que as características técnicas do porcelanato são muito diferentes da cerâmica: 75% do porcelanato são compostos por matérias duras, tratandose de um produto estável e mais resistente a temperaturas baixas, enquanto que a cerâmica, com a oscilação do tempo, sofre mais retração e expansão. Afirma que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, daí ser compatível com a classificação fiscal costumeiramente adotada; alega que, quanto à cozedura e o ponto de fusão, há substancial diferença entre o porcelanato e a cerâmica, o que demonstra incorrer em grave equívoco a Nota COANA/COTAC/DINON nº. 2007/0319. Afirma que o ponto de fusão do porcelanato é acima de 1.400ºC, enquanto que o da cerâmica é de 1.000ºC; que é incabível a multa por erro na classificação fiscal, vez que não houve erro, mas sim divergência de interpretação das regras de classificação fiscal; e que, uma vez efetuado o depósito judicial do montante integral correspondente aos tributos entendidos pela Receita Federal como devidos, deve ser cancelada a exigência de juros. Ao final, requer a nulidade do auto de infração ou, ainda, a nulidade da decisão recorrida. No mérito, requer a improcedência da autuação. Através da Resolução nº 3202000.087, de 19 de março de 2013, que através do voto vencedor desta relatoria converteu o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal da DRF competente intimasse a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação (UNICAMP, INT ou alguma Universidade Federal que se destaque no tema aqui discutido) para realização do Laudo Técnico. Em resposta à intimação da autoridade fiscal, a Recorrente alegou que nova perícia era desnecessária, em razão dos laudos já apresentados no processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Através de sustentação oral, a Recorrente apresentou a notícia de que em outro processo da mesma contribuinte, a DRJ teria solicitado novo laudo técnico de avaliação da mercadoria e, a partir deste, julgado procedente a impugnação apresentada pela recorrente. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 515 11 Diante dessas informações e das divergências apresentadas nos laudos constantes no presente PAF, foi proposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, que houvesse a apresentação de novo laudo, para atendimento a novos questionamentos deste Conselho sobre os fatos. Ocorre que, a Recorrente, ao invés de atender à intimação deste Conselho, alegou que tal laudo não seria necessário, em razão dos outros já apresentados no processo, especialmente aquele juntado em outro processo e produzido pela UFSCAR, ignorando as divergências apontadas entre eles e os novos questionamentos apresentados. Como dormientibus non sucurrit jus (“O direito não socorre os que dormem”), adoto o voto vencido da ilustre Presidente desta 2a Turma lido em plenário, verbis: Da Nulidade do Auto de Infração Preliminarmente, aduz a querelante a nulidade do Auto de Infração em razão deste fundamentarse na Nota COANA/COTAC/DINON nº. 2007/0319, sem lhe haver sido solicitado qualquer retirada de amostra para apurar a composição das mercadorias importadas. De plano, há que se notar que a referida Nota foi elaborada pela autoridade administrativa para dirimir divergência de classificação que havia exatamente em relação ao porcelanato importado pela Suape Porcelanatos. Demais disso, a reclassificação decorreu da aplicação das regras legais de classificação de mercadorias, e foi efetuada com estrita observância das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (SH), utilizando se, subsidiariamente, as Notas Explicativas (NESH). Por fim, temse que não há, nos autos, qualquer discordância em relação aos elementos que compõem o produto importado, mas apenas em relação à sua classificação fiscal. É de se salientar, ainda, que a própria recorrente reconhece que o laudo elaborado pelo IPT analisou a mercadoria que efetivamente foi importada (efl. 311). Desta forma, temse incabível a nulidade suscitada. Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância Ainda em preliminar, alega a contribuinte nulidade da decisão de primeira instância, por esta não haver determinado realização de perícia. Aduz que, em outro processo administrativo, o qual versa sobre o mesmo tema, de nº. 19647.013825/200882, foi determinada a produção de prova pericial. Quanto à realização de perícia, estatui o caput do art. 18 do Decreto nº. 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal: Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 516 12 Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine Assim, conforme previsto em lei, é perfeitamente admissível, no processo administrativo fiscal, o indeferimento do pedido de perícia pela autoridade julgadora a quo, uma vez que a esta cabe avaliar os elementos constantes dos autos capazes de firmar a sua convicção. In casu, concluiu a autoridade julgadora ser prescindível a realização de perícia, por entender que os elementos constantes dos autos se mostravam suficientes para dirimir o cerne da questão litigiosa, utilizandose, portanto, da faculdade que a lei lhe assegura, não merecendo, pois qualquer reparo referida decisão. Da Alegada Consulta Quanto à Classificação da Mercadoria Informa a recorrente que já havia procedido outras importações das mesmas mercadorias utilizando o código 6810.19.00, sem que a Receita Federal houvesse manifestado qualquer óbice, e que a matéria foi objeto de regular e prévia consulta. O fato de a contribuinte haver adotado, em outras importações, outro código de classificação fiscal que não 6907.90.00 ou 6908.90.00, tal fato não vincula a Administração, o que somente ocorreria se tivesse havido algum processo de consulta formal, efetuada pela contribuinte, e a Administração, neste processo, indicasse aquela classificação 6810.19.00 como a correta. Esclareçase que, diferentemente do que afirma a interessada, não há qualquer consulta formulada, pela querelante, quanto à classificação fiscal da mercadoria, que confira efeito vinculante à Administração Pública. Isto porque a consulta vinculante é somente aquela formalizada em processo de consulta, sob a égide do Capítulo II do Decreto no 70.235/72, que rege o processo de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal, com a complementação que lhe foi dada pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430/96. Deste modo, não tendo sido atendidos os requisitos legais, o documento às fls. 226/227 não se constitui em processo de consulta capaz de vincular a Administração. Da Classificação Fiscal das Mercadorias Importadas A mercadorias importadas foram reclassificadas, pela autoridade aututante, do código NCM 6810.19.00 para os códigos NCM 6907.90.00 e 6908. 90.00. Vejamos os textos das descrições de cada um dos códigos pretendidos para a mercadoria denominada “porcelanato”: Código pretendido pela contribuinte: SEÇÃO XII – OBRAS DE PEDRA, GESSO, CIMENTO, AMIANTO, MICA OU DE MATÉRIAS SEMELHANTES; PRODUTOS CERÂMICOS; VIDRO E SUAS OBRAS Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 517 13 CAPÍTULO 68 – OBRAS DE PEDRA, GESSO, CIMENTO, AMIANTO, MICA OU MATÉRIAS SEMELHANTES 6810.19.00 – outras obras de cimento, de concreto (Betão) ou de pedra artificial, mesmo armadas. Códigos pretendidos pela Fiscalização: CAPITULO 69 PRODUTOS CERÂMICOS 6907.90.00 – outros ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica 6908.90.00 – outros ladrilhos e placas (lajes), para pavimentação ou revestimento, vidrados ou esmaltados, de cerâmica. A contribuinte, ao classificar o produto no código 6810.19.00, pretende que a mercadoria conhecida como “porcelanato” seja identificada como “outras obras de pedra artificial”. Para tanto, alega em seu recurso voluntário que o porcelanato é feito de pó de pedra, mais especificamente de feldspato, e que, por conter somente até 15% de argila, não poderia ser considerado um material cerâmico. O Laudo Técnico elaborado pelo IPT(fls. 108/119) colide com as pretensões da recorrente, pois afirma que a argila é o principal componente, sim, das cerâmicas tradicionais, podendo, entretanto, as cerâmicas técnicas e avançadas ser constituídas por feldspato, dependendo do tipo e da classe do produto cerâmico. Vejase: “2.1. Definir o que é uma cerâmica. (...) Constatase pelas definições acima que existem dois níveis de definição de cerâmica: um de âmbito geral (...), que abarca desde artigos domésticos (por ex.,vaso de plantas), passando por biomateriais, e indo até componentes sofisticados de engenharia (por ex., material para espelho espacial), e outro de aplicação restrita (...), envolvendo principalmente materiais tradicionais de uso cotidiano de natureza argilosa (por ex., telhas e pisos), que neste texto serão denominados de cerâmica "tradicional". É importante salientar que todas as definições gerais de cerâmica incluem tanto as cerâmicas tradicionais, como as cerâmicas técnicas e avançadas (por ex., alumina, zircônia, carbeto de silício, e nitreto de silício). Algumas também incluem os vidros, as vitrocerâmicas e os semicondutores 2.2 Quais são as matériasprimas básicas (naturais e sintéticas) utilizadas para a produção de um produto cerâmico? Considerando um produto de cerâmica tradicional, como definida na questão 2.1, a matériaprima básica para a sua produção é a argila, que é natural. Considerando um produto de cerâmica no âmbito geral, definida na questão 2.1, existem diversas matériasprimas naturais e sintéticas empregadas na sua produção. As matériasprimas básicas são definidas para cada tipo ou classe de produto cerâmico. Alguns exemplos de matériaprima sintética são alumina, Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 518 14 carbeto de silício, nitrato de alumínio, e zircônia, e de matériaprima natural são quartzo, feldspato e talco.” (grifos não constantes do original) Assim, diferentemente do que alega a recorrente, o fato de o porcelanato possuir baixo percentual de argila em sua composição, bem como de ser constituído por pó de feldspato, não é suficiente para descaracterizálo como revestimento cerâmico. Por outro lado, temse que o laudo trazido pela contribuinte, em sede de recurso, não pode ser considerado, pois faz a análise do produto somente em relação ao produto cerâmico comum, feito exclusivamente de argila (cerâmicas tradicionais), e leva em consideração a similitude estética do porcelanato com a pedra natural, o que não é critério a ser levado em conta para fins de classificação merceológica, como a seguir restará demonstrado. De outro giro, em relação à classificação pretendida pela querelante, temse que as NESH, ao trazerem esclarecimentos sobre a posição 6810, manifestam o entendimento que se deve ter por “pedra artificial”. Vejase: “A presente posição engloba as obras de cimento, concreto (betão) ou pedra artificial, obtidas por moldagem, extrusão ou centrifugação (...) Por “pedra artificial” designamse as imitações de pedra natural que se obtêm aglomerandose com cimento, cal ou outros aglutinantes (plásticos, por exemplo), fragmentos, grânulos ou pó, de pedra natural (mármore e outras pedras calcárias, granito, pórfiro, serpentina, por exemplo). Os artefatos em granito ou em terrazzo também são variedades de pedra artificIal.” Assim, para que seja admitido o porcelanato na posição 6810, como outras obras de pedra artificial, necessário se faz que ele seja obtido aglomerando se fragmentos, grânulos ou pó de pedra natural com cimento, cal ou outros aglutinantes. Quanto a tal questão, temse que o Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco ITEP assim informa (fls. 236/249): “7.6 Está correto afirmar que as mercadorias importadas e comercializadas por SUAPE PORCELANATO são obtidas aglomerando fragmentos, grânulos ou pó de pedra natural com cimento, cal ou outros aglutinantes, e por moldagem, extrusão ou centrifugação? RESPOSTA: Não.” Deste modo, não é possível o enquadramento na posição 6810, conforme pretende a recorrente. O ponto crucial para a classificação do porcelanato pode ser extraído das Considerações Gerais relativas às Notas Explicativas do Capítulo 68, abaixo transcritas, verbis: “SEÇÃO XIII Capítulo 68 CONSIDERAÇÕES GERAIS Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 519 15 As obras obtidas por cozedura de terras previamente enformadas pertencem à indústria cerâmica, estão na maior parte dos casos incluídas no Capítulo 69 (com exceção de certas obras da posição 68.04) enquanto que as fibras de vidro e as obras de vidro vidrocerâmica, quartzo e outras sílicas fundidos se incluem no Capítulo 70.” Assim, resta claro que, não fazendo parte da exceção prevista na NESH, referente à posição 6804, nem se enquadrando como aquelas mercadorias pertencentes ao capítulo 70, o porcelanato, para enquadrarse no capítulo 69, deve ser obtido por cozedura e deve ser previamente enformado, conforme claramente posto na Nota 1 do Capítulo 69 e nas Considerações Gerais abaixo transcritas: “Capítulo 69 – Produtos Cerâmicos Notas 1. O presente Capítulo apenas compreende os produtos cerâmicos obtidos por cozedura depois de previamente enformados ou trabalhados. As posições 69.04 a 69.14 abrangem unicamente os produtos não suscetíveis de serem classificados nas posições 69.01 a 69.03. Considerações Gerais: A expressão “produtos cerâmicos” designa os produtos obtidos: A) Por cozedura de matérias nãometálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas, em geral à temperatura ambiente. As matérias primas utilizadas são, entre outras, argilas, matérias siliciosas, matérias com elevado ponto de fusão, tais como óxidos, os carbonetos, os nitratos, a grafita ou outro carbono e, em certos casos, aglutinantes tais como argilas refratárias e os fosfatos. B) A partir de rochas (por exemplo, esteatita) que, depois de moldadas, são submetidas à ação do calor. A fabricação dos produtos cerâmicos por cozedura de matérias não metálicas inorgânicas (alínea a) compreende, essencialmente, seja qual for a natureza da matéria constitutiva, as seguintes operações: Preparação da pasta: Em certos casos (por exemplo, na fabricação de artefatos de alumina sinterizada), a matéria utilizase diretamente, em pó, adicionada de uma pequena quantidade de lubrificante. No entanto, na maior parte das vezes, é transformada em pasta. A preparação da pasta efetuase por dosagem e mistura dos diversos constituintes e, conforme o caso, por trituração, peneiração, filtragem sob pressão, amassadura, maturação e desaeração (extração do ar). Certos produtos refratários são igualmente obtidos a partir de uma mistura doseada de elementos grosseiros e mais finos, à qual se adiciona urna pequena quantidade de aglutinante, sob forma aquosa ou não (alcatrão, matérias resinosas, ácido fosfórico, licor de lignina, por exemplo). Enformação: Esta operação tem por fim dar ao pó ou à pasta assim preparada urna forma tão aproximada quanto possível da forma pretendida. A enformação efetuase por estiragem ou extrusão (passagem à fieira), prensagem, moldagem, vazamento, modelagem, operações que, em certos casos, são seguidas de um tratamento mais ou menos adiantado. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 520 16 Secagem dos artefatos obtidos. Cozedura: Esta operação consiste em submeter os artefatos "crus" a uma temperatura de 800°C ou mais, consoante a natureza dos produtos. Esta cozedura permite obter uma ligação intima dos grãos quer por difusão, quer por transformação química, quer ainda por fusão parcial. Não são considerados cozidos, no sentido da Nota I do presente capítulo, os produtos que tenham sido aquecidos em temperaturas inferiores a 800°C para provocar o endurecimento das resinas que eles contêm, a aceleração das reações de hidratação ou eliminação da água ou de outras substâncias voláteis eventualmente presentes. Estes produtos estão excluídos do Capitulo 69. Acabamento: As operações de acabamento variam em função da utilização do artefato acabado. Podem consistir, quando necessário, num trabalho suscetível de atingir elevado grau de precisão ou em algumas operações tais como a aposição de marcas, a metalização ou a impregnação. Muitas vezes, na fabricação de produtos cerâmicos entram cores e opacificantes especialmente preparados, composições vitrificáveis chamadas "vernizes" ou "esmaltes", engobos, lustres e outras composições análogas, para neles serem incorporados ou lhes darem aspecto envernizado, vidrado ou ainda constituírem motivos decorativos.” O Laudo do IPT, às fls. 111/112, esclarece as etapas do processo produtivo do porcelanato. Vejase: 2.5. Em termos Gerais, o processo produtivo do porcelanato envolve as seguintes operações seqüenciais descritas abaixo? a) Preparação da pasta (massa) — Dosagem e mistura dos diversos constituintes e/ou trituração, peneiração, filtragem sob pressão, amassadura, maturação e desaeração. b) Enformação (conformação) — Dar ao pó ou à pasta assim preparada seu formato aproximado quando possível da forma pretendida. Efetuase por estiragem ou extrssão, prensagem, moldagem, vazamento ou modelagem. c) Secagem. d) Cozedura — Submeter os artefatos "crus'? a uma temperatura de 800 °C ou maior, permitindose obter uma ligação íntima dos grãos quer por difusão, transformação química ou ainda fusão parcial. e) Acabamento — Operações variadas em função da utilização do artefato acabado (aposição de marcas, materialização, impregnação, vernizes, esmaltes, engobes, lustres, "polimentos"). O processo produtivo do porcelanato envolve algumas operações descritas acima, assim como outras operações. O processo produtivo básico do porcelanato pode ser melhor apresentado como sendo constituído de: a) Moagem; intensa moagem das matériasprimas para diminuição do tamanho da partícula; etapa necessária em decorrência da alta quantidade de minerais duros (rochas) utilizados na formulação dos porcelanatos; b) Atomização: etapa de secagem da barbotina para produção do pó granulado ou grânulo; Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 521 17 c) Regranulação: etapa inovadora para se obter grânulos grandes, milimétricos, para se alcançar aspectos visuais ("design") de algumas pedras naturais; d) Prensagem: prensagem uniaxial ou isostática com elevada pressão, com sistema sofisticado de alimentação dos grânulos para se alcançar aspectos visuais ("design") de algumas pedras naturais; e) Sinterização ou queima: etapa em que o corpo verde é exposto a altas temperaturas e ocorre o processo de sinterização; no porcelanato o grau de densificação que se alcança nesta etapa é muito superior aos níveis alcançados por produtos convencionais baseados em argilas; f) Polimento: etapa inovadora no processo produtivo de revestimentos e tem a função de dar brilho superficial no porcelanato, similar ao processamento final de rocha ornamental, como granito e mármore.” Ressaltese que, segundo afirma a querelante, à efl.312, o porcelanato, no seu processo produtivo, sofre cozimento na temperatura entre 1.210 a 1.250ºC, a saber: “Podese dizer sem dúvidas que o porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1400ºC, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210ºC a 1.250ºC, de sorte que seus elementos não chegam ao ponto de fusão, são apenas aglutinados.” O laudo do ITEP informa, ainda, o seguinte: “7.2. As mercadorias importadas e comercializadas pela SUAPE PORCELANATO são obtidas por cozedura de matérias não metálicas inorgânicas previamente preparadas e moldadas ou a partir de rochas que, depois de moldadas, soa submetidas à ação do calor? RESPOSTA: (...) são obtidos pela monoqueima de uma massa cerâmica refratária de alta tecnologia composta basicamente de um blende de argilas, feldspato e aditivos.” Ao final, temse que ambos os laudos oficiais concluem que o porcelanato caracterizase como produto cerâmico. Vejase: Laudo do ITEP: “Embasado nas considerações e nos resultados dos ensaios executados, a comissão responsável pela elaboração do presente parecer conclui que, as amostras dos produtos coletados pelo ITEP na SUAPE PORCELANATO S/A caracterizase[sic] como produto cerâmico”. Laudo do IPT: “2.4. O porcelanato é, em termos gerais, um produto cerâmico obtido por cozedura (cozedura conforme definida no item "2.5d" abaixo) da massa (pasta) básica depois de previamente enformado ou trabalhado? No âmbito geral, sendo constituído de materiais inorgânicos não metálicos, o porcelanato pode ser classificado como um produto cerâmico. Entretanto não pode ser confundido com uma cerâmica tradicional de natureza argilosa, apesar de ser submetido a tratamento térmico, pois não é Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 522 18 produzido majoritariamente a partir de argila, e tem distintas propriedades físicas e comportamento mecânico. Não se pode dizer que, pelo simples fato de o porcelanato, muitas vezes, imitar uma pedra natural, como o granito, tal característica faça dele uma pedra artificial, constituindose tal semelhança em mero fator decorativo. É o que se infere da resposta ao item 2.9 do laudo do IPT. “2.9. Explanar sobre todo o processo produtivo do grés porcelanato, comparandoo com o processo produtivo das outras cerâmicas comuns. O processo produtivo do (grés) porcelanato pode ser considerado uma nova tecnologia, pois apresenta uma combinação única de etapas de processamento que garantem a produção de um material de elevada performance, ao mesmo tempo que resultam em decorações sofisticadas com excelentes imitações de rochas ornamentais naturais, cujo processo produtivo das cerâmicas tradicionais (comuns) não é capaz de realizar. (...)” Assim, entendo restar cabalmente comprovado nos autos que o porcelanato é um produto cerâmico, e, como tal, por aplicação da RG/SHI nº. 01, deve ser classificado no capítulo 69, na posição 6907(se não vidrado nem esmaltado) ou na posição 6908 (se vidrado ou esmaltado), razão pela qual mostrase correta a reclassificação procedida pelo Fisco. Da Multa por Errônea Classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM No tocante à manutenção da exigência fiscal pertinente à multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria, por erro na classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, também não merece reprimenda o acórdão vergastado, vez que a imposição dessa penalidade decorre de texto literal de lei, mais precisamente, do disposto no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, o qual assim dispõe: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis." As condições para aplicação dessa multa são objetivas, não figurando, portanto, no campo discricionário da autoridade administrativa decidir por sua aplicação ou não. Ao contrário, presentes as hipóteses tipificadas na lei, o agente do fisco está vinculado e obrigado a infligir a sanção cominada, sob pena de responsabilidade funcional e, também, da seara penal. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 523 19 In casu, a reclamante, de fato, praticou a conduta proibida pela norma, qual seja, proceder à classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul; por conseguinte, tornouse paciente da sanção cominada: multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. Se a causa da classificação incorreta foi a divergência de entendimento, tal questão não se mostra relevante para a caracterização da conduta sancionada pela norma. Da aplicação dos Juros de Mora Por último, afirma a recorrente que seria indevida a exigência dos juros de mora, tendo em vista ter realizado, em juízo, o depósito do montante integral do valor dos tributos e contribuições exigidos pela Receita Federal. Acontece que tal alegação não foi deduzida quando da apresentação da impugnação, sendo defeso à querelante alargar os limites do litígio, já instaurado por meio da impugnação. Não é lícito ao querelante inovar na postulação recursal, incluindo questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da apresentação da impugnação perante a instância julgadora a quo, pois o duplo grau de jurisdição assegura a devolução à autoridade ad quem apenas da matéria impugnada, vez que, em relação à matéria não impugnada, não se tem por instaurado o litígio. Isto porque as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazêlo posteriormente, pois, nesta hipótese, operase o fenômeno denominado de preclusão, não se admitindo, em regra, ressuscitarse questões já ultrapassadas em fases anteriores. Daí que , não tendo sido deduzida a tempo a razão apresentada somente na fase recursal, não se pode dela conhecer. Assinalese, por último, que, consultandose o site da Justiça Federal em Pernambuco, inferese, pelo teor da sentença proferida nos autos judiciais, que sequer houve o alegado depósito. Vejase: “(...) A uma, a sentença ressalvou expressamente que "as decisões de fls. 530/531 e 622, deferindo o pedido de desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, restaram inúteis, visto que sua eficácia estava condicionada ao depósito judicial de valores exigidos pela Receita Federal a título de IPI, II Imposto de Importação, Pis Importação e Cofins Importação, o que não foi comprovado até o momento da prolação desta sentença terminativa, sendo, portanto, desnecessária a revogação dessas decisões". (sublinhado não constante do original) Ressaltese, entretanto, que, por óbvio, a repartição de origem, na execução do Acórdão proferido por este CARF, irá verificar a conversão em renda de depósito judicial porventura existente nos autos da medida cautelar inominada 2008.83.00.0134489, e efetuará a devida atualização do crédito tributário pertinente. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11968.001032/200886 Acórdão n.º 3202001.158 S3C2T2 Fl. 524 20 Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas; no mérito, conheço em parte do recurso e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntario interposto pela Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.903241/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
Imposto sobre Produtos Industrializados. Aquisições de Empresa Optante pelo Simples. Inexistência do Direito de Crédito.
As aquisições de insumos adquiridos de empresas que optaram pelo SIMPLES não gera direito ao aproveitamento de crédito do IPI, uma vez que já usufruem de outros benefícios tributários.
Recurso Voluntário Negado
Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Incompetência.
Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo, portanto, conhecer as argumentações do recorrente.
Numero da decisão: 3102-001.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 Imposto sobre Produtos Industrializados. Aquisições de Empresa Optante pelo Simples. Inexistência do Direito de Crédito. As aquisições de insumos adquiridos de empresas que optaram pelo SIMPLES não gera direito ao aproveitamento de crédito do IPI, uma vez que já usufruem de outros benefícios tributários. Recurso Voluntário Negado Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Incompetência. Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo, portanto, conhecer as argumentações do recorrente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.903241/2008-92
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316923
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-001.448
nome_arquivo_s : Decisao_10950903241200892.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10950903241200892_5316923.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
id : 5250807
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046365910597632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 248 1 247 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.903241/200892 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.448 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2012 Matéria IPI Restituição Recorrente HIDRO METALÚRGICA ZM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 NULIDADE. HIPÓTESES. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo, portanto, conhecer as argumentações do recorrente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. AQUISIÇÕES DE EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. INEXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO. As aquisições de insumos adquiridos de empresas que optaram pelo SIMPLES não gera direito ao aproveitamento de crédito do IPI, uma vez que já usufruem de outros benefícios tributários. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 32 41 /2 00 8- 92 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 249 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1426.729 (fls. 236239), da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de fls. 187/194, que diante do valor do crédito solicitado/utilizado de R$ 5.827,16, reconheceu o valor de R$ 3.327,84 e, consequentemente, homologou a compensação vinculada ao presente processo até o limite do crédito deferido. O pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa, sendo que a parcela glosada se refere a créditos relativos a aquisições de estabelecimentos optantes do SIMPLES. Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 196/223,, alegando, em síntese, que: 1. A glosa realizada padece de apontamento ao preceito legal ofendido, em desrespeito ao princípio da legalidade, motivo pelo qual deve ser procedente a preliminar, anulando o ato administrativo em questão, e, consequentemente, homologando integralmente a compensação; 2. Devese reconhecer a ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa, constituindose tal em cerceamento do direito de defesa; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 250 3 3. A legislação ordinária restringiu o alcance do princípio constitucional da nãocumulatividade ao vedar a geração e a utilização de créditos por empresas optantes do Simples, o que configura um verdadeiro disparate e ofensa direta ao texto constitucional. É o relatório”. Após delimitar a matéria impugnada, a 2a. Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, através do acórdão já referenciado, manteve parcialmente a linha do Despacho Decisório, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos (insumos) de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa quando os autos demonstrarem inequivocamente que foram preservados a ampla defesa e o contraditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) à existência de seus créditos frente à garantia constitucional fornecida pelo princípio da nãocumulatividade, de forma a caracterizarse como inconstitucional qualquer lei que o venha a limitar; (ii) à violação ao princípio da isonomia, uma vez que ao obstar que os adquirentes de produtos de empresas optantes pelo SIMPLES façam uso dos créditos de IPI das operações anteriores, estarseia a prejudicar os aderentes dessa sistemática tributária, causandolhes prejuízos, o que seria contrário à intenção do constituinte ao prevêla. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 251 4 Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1Preliminarmente Antes de adentrar no mérito, há que se enfrentar duas preliminares de nulidade. 1.1 Nulidade por ausência de intimação prévia Sabidamente, o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia inerente ao processo administrativo, isto é, à fase litigiosa do procedimento fiscal, que se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a apresentação da manifestação de inconformidade. Nesse momento, é concedida oportunidade para que o sujeito passivo questione as conclusões do Fisco, apresente sua discordância e os elementos em que ela se fundamenta ou requeira a realização de diligência ou perícia, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 19721. Antes dessa etapa, a investigação se situa no plano do procedimento administrativo, na qual legislação que disciplina o processo administrativo fiscal silencia a respeito da possibilidade de manifestação do interessado. Consequentemente, não há que se falar em violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório simplesmente porque a Lei não previu seu exercício naquela etapa preliminar. Vejase, a respeito, a remansosa jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes: ACÓRDÃO nº 20181498, julgado em 10/10/2008: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. ACÓRDÃO nº 10517234, julgado em 18/09/2008: 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 252 5 Trecho da Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Não há cerceamento do direito de defesa do contribuinte em lançamento originado de auditoria interna de DCTF, situação em que todas as informações necessárias já se encontram em poder do Fisco e se faz prescindível o procedimento de fiscalização externa, preparatório do lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento. Inexiste, assim, causa de nulidade. ACÓRDÃO nº 30133707, julgado em 27/03/2007: Trecho da Ementa: ADMISSÃO TEMPORÁRIA. DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se alegar cerceamento ao amplo direito de defesa, quando nos autos se comprova que foi assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa no curso do processo, a partir da instauração da fase litigiosa através da impugnação tempestivamente apresentada e obedecido o devido processo legal, nos termos da lei processual vigente (Decreto 70.235/72). ACÓRDÃO nº 10615779, julgado em 17/08/2006: FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA – Garantia constitucional que opera a partir da inauguração do litígio, com a apresentação da impugnação tempestiva, não sendo pertinente pretender que desdobramentos dessa garantia, como o direito de oferecer e produzir provas, atue na fase averiguatória do procedimento, submetida ao princípio da inquisitoriedade. ACÓRDÃO nº 10195473, julgado em 26/04/2006: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – FALTA DE INTIMAÇÃO – IMPROCEDÊNCIA – Não é causa de nulidade do lançamento de ofício, a falta de intimação do sujeito passivo sobre as irregularidades apuradas durante a ação fiscal, caso a autoridade autuante entender desnecessário tal procedimento. ACÓRDÃO nº 10421003, julgado em 13/09/2005: PROCEDIMENTO FISCAL CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Por ter o procedimento fiscal natureza inquisitória, não se aplica nessa fase o direito ao contraditório e à ampla defesa. Somente após cientificado da exigência e dos elementos em que se funda, pode o contribuinte impugnar a exigência, devendo para tanto serlhe franqueadas amplas condições para o exercício do direito de defesa. Verificandose que o auto de infração e seus anexos permitem ao autuado amplas condições de conhecer os fundamentos da exigência e, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 253 6 portanto, exercer o amplo direito ao contraditório, não há falar se em cerceamento do direito de defesa. 1.2 – Nulidade por Ausência de Indicação do Dispositivo Violado Tal e qual o i item precedente, não há espaço para que se reconheça a nulidade em razão de falha na fundamentação legal do despacho decisório. Quando se trata de discutir nulidade procedimental, entendo salutar tomar como referência a lição de Bedaque2: “...De fato, a observância da técnica é fundamental para que o método estatal de solução de controvérsias cumpra com êxito sua função. O problema está nos exageros. Tudo que é levado às últimas conseqüências acaba produzido efeitos perversos. A técnica processual deixa de ser fator de segurança e se transforma em fim, adorando a sua própria imagem. Necessário evitar que isso ocorra, pois ela está prestes a cair no lago. É preciso considerar, portanto, as situações em que a falta de um pressuposto do processo não afeta os valores a serem assegura dos por ele, nem impede a solução adequada no âmbito material. Nem sempre a ausência de requisito de admissibilidade do exame de mérito compromete a segurança e a ordem, devendo essas situações ser solucionadas à luz dos objetivos visados pelo instrumento, não em função da forma em si mesma considerada. Cabe ao processualista dizer em que medida a violação da técnica pode ser relevada, porque não afetados os valores assegurados pelo processo.” É preciso firmar, ainda, que essa abordagem, encontrase dogmatizada nos artigos 60, do Decreto nº 70.235, de 19723 e 55, da Lei nº 9.784, de 19994, este último aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Ou seja, tratandose de ato administrativo, a regra é a convalidação ou saneamento, a exceção, a nulidade. Trazendo tal discussão ao âmbito do Processo Administrativo Fiscal, indiscutivelmente, situações há em que tal prejuízo (ou ameaça) presumese jure et de jure, taxativamente elencadas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto 70.235/725. 2 Bedaque, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. São Paulo. Malheiros, 2006, pp 82 e 83. 3 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 4 Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 254 7 Sendo certo que não se discute a competência do agente, hipótese tratada no inciso I, caberia investigar se o alegado descumprimento da forma prescrita em lei efetivamente cerceara o direito de defesa dos sujeitos passivos, hipótese do inciso II. Com efeito, conforme se observa da leitura desse inciso II, em conjunto com o art. 60 do Decreto nº 70.235/72, mesmo quando a lei é taxativa quanto à forma por meio da qual determinado ato processual deve ser executado, o saneamento ou a nulidade só tem vez quando caracterizada prejuízo a interesse processual. Ou seja, mesmo quando a lei estabelece a presunção, transfere ao julgador a análise da validade do ato sob um prisma teleológico, que direciona tal avaliação para o atingimento do resultado, sem a prévia definição da forma. Se, e somente se, caracterizado prejuízo, conforme o caso, tornarseá nulo o procedimento ou ato, ou exigirseá seu saneamento. Caso contrário, não se fala em nulidade ou saneamento. Registro aqui, por outro lado, a felicidade com que Tércio Sampaio Ferraz Jr6 esclarece os contornos da técnica de avaliação finalística do ato administrativo, em comparação com o que denomina validade condicional7: 16. Distinto é o caso da validação finalista. Aqui não é possível desvincular meios e fins, pois a prefixação dos fins exige que eles sejam atingidos. Para isto a autoridade tem de encontrar os meios adequados, sendo pois, responsável pela própria adequação, ou seja, não só pelos fins, mas pelos meios também. Neste caso, o efeito imunizador da fixação exige da autoridade um comportamento nãoautomático, mas participante, pois de mera utilização de um meio qualquer não segue necessariamente o fim. Neste sentido, para controlar se uma norma é válida não basta regredir no processo hierárquico, mas é preciso verificar, de caso para caso, se a adequação foi obtida. Se o controle da validade condicional é generalizante, o da finalista é casuístico. Feita tal delimitação, restaria, ainda, explorar o significado da expressão “prejuízo” no âmbito processual, elencada no já mencionado art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Para tanto, recorro à lição de Teresa Arruda Alvim Wambier8 A existência de prejuízo está correlacionada com o princípio do contraditório, no sentido de que, não ensejado o contraditório, por ausência de comunicação, configurase, processualmente, prejuízo. Dizse configurarse processualmente prejuízo, já que, em nível do processo, haverseá de ensejar a oportunidade sonegada à parte; no entanto, ainda que proporcionada tal oportunidade, isto não significa que, necessariamente, fique 6 A relação meio/fim na Teoria Geral do Direito Administrativo. texto extraído de http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoescientificas/111. Consulta realizada em 21/11/2008 7 Considera unicamente o meio de execução, ou seja, a norma que o instituiu. 8 Nulidades do Processo e da Sentença. São Paulo, RT, 2007, 6ª ed, p. 169. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 255 8 demonstrado um efetivo prejuízo, agora aferido em nível do direito material. Ou seja, nem pelo fato de renovarse ou repetir se o ato decorrerá necessariamente a demonstração de um direito. Partindo dessas referências, não vejo como afirmar que a prática dos atos segundo a forma adotada pelo Fisco prejudicara o contraditório ou o pleno exercício do direito de defesa. De fato, apesar do despacho decisório indicar, no “motivo 7”, que as glosas decorreriam da aquisição de mercadorias a pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES, não enumera, dentre os dispositivos que respaldariam o não reconhecimento do crédito, o § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996 ou o art. 149 do RIPI aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 19989. Ocorre que, a partir da análise da manifestação de inconformidade, mais precisamente dos trechos às fls. 214 a 215, concluise que a recorrente tinha pleno conhecimento de quais seriam os fundamentos para o indeferimento. Aliás, como se verá a seguir, um dos fundamentos de defesa é justamente a inconstitucionalidade desses dispositivos. 2 Mérito No mérito, a recorrente produz sua argumentação no tocante à existência de direito de crédito de IPI na aquisição de bens de produtores optantes pelo SIMPLES Nacional, e que, portanto, estaria a legislação infraconstitucional marcada por vício de inconstitucionalidade, já que contrariaria o principio da nãocumulatividade previsto na Constituição de 1988. Inicia a construção de seu primeiro argumento partindo da premissa de que a legislação infraconstitucional que regulamenta o IPI seria inconstitucional pela não observância do princípio da nãocumulatividade, o que proviria da inadmissão do aproveitamento de crédito de IPI, pelas empresas adquirentes, decorrentes aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, de empresas optantes pelo SIMPLES Nacional. Destacase, também, que o recorrente argumenta pela existência de vício de inconstitucionalidade como derivado de infração ao princípio da isonomia, uma vez que ao vedar o creditamento nas operações posteriores, estaria o legislador infraconstitucional a criar sistemática prejudicial aos aderentes pelo SIMPLES Nacional, o que seria contrário ao aludido princípio, bem como à intenção do constituinte ao instituir o regime diferenciado para as micro e pequenas empresas. Com relação a estes argumentos, todavia, há de se frisar que este Conselho não é competente para conhecer ou afastar normas jurídicas tributárias em face da alegação de inconstitucionalidade. Nesse sentido, manifestase a súmula CARF número 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 9 Redação idêntica à do art. 166 do Regulamento do IPI de 2002. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 256 9 Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em seu artigo 72 prescreve que: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” (grifos nossos) Impossibilitase, portanto, por violação direta de súmula deste Conselho, o conhecimento do presente argumento da inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional do IPI. Outrossim, a jurisprudência deste Conselho já consolidou o seu entendimento no tocante à impossibilidade de reconhecimento do direito do contribuinte de fazer uso de créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos produzidos por optantes pelo SIMPLES. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÃO DE EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. As aquisições de insumos adquiridos de empresas que optaram pelo SIMPLES não gera direito ao aproveitamento de crédito do IPI. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. (CARF. Processo nº: 13971.000669/002. Recurso nº: 136.422. Acórdão nº : 20402.333. Recorrente : KYLY INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA. Quarta Câmara. Segundo Conselho de Contribuintes. Relator(a): Nayra Bastos Manatta. Data da Sessão: 29/03/2007.) Reproduzo, por resumir a questão debatida nos autos do acórdão colacionado, trechos do voto da ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta, integrando as minhas motivações de decidir. Observese que neste sistema simplificado de tributação, como já se falou anteriormente, a sistemática do TP1 não obedece ao sistema de débitos e créditos, mas sim a um acréscimo de percentual na alíquota aplicada à receita bruta mensal auferida. Ressaltese, ainda, que no SIMPLES a empresa recolhe um único Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 257 10 tributo unificado calculado na forma do art. 5° da Lei n° 9317/96, incidente sobre a receita bruta mensal apurada, em substituição ao RN, PIS/PASEP, CSLL, COFINS, IPI e contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam o art. 22 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991,0 art. 25 da Lei n°8.870, de 15 de abril de 1994, e a Lei Complementar n° 84, de 18 de janeiro de 1996, ao passo que as empresas não optantes por este sistema de tributação devem recolher todos os impostos e contribuições federais instituídos por leis específicas acima mencionados, o que torna a tributação mais gravosa. Quisesse a recorrente utilizarse do sistema de débitos e créditos do IPI deveria ter adquirido seus insumos de empresas que não optaram pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições SIMPLES, e recolheram todos os tributos federais instituídos por lei.” Entretanto, assim não procedeu. Optou por adquirir insumos de empresas beneficiadas por um regime de tributação simplificado e mais benéfico e posteriormente insurgese contra as regras estabelecidas neste sistema de tributação. Assim, tanto no tocante ao reconhecimento da inconstitucionalidade das restrições legais impostas aos princípios da nãocumulatividade e isonomia, quanto sobre a própria possibilidade de utilização dos créditos obtidos nas operações de aquisições de matériasprimas e produtos adquiridos de produtores optantes pelo SIMPLES Nacional, tornase impossível o reconhecimento da pretensão do recorrente. De fato, o § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, dispõe: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Se houvesse dúvida acerca do alcance do dispositivo, tal dúvida seria saneada a partir da sua regulamentação pelo art. 149 do Regulamento do IPI vigente à época, aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 1998: Art. 149. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 105, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.903241/200892 Acórdão n.º 3102001.448 S3C1T2 Fl. 258 11 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.916652/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
Ementa:
CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 Ementa: CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.916652/2009-11
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320977
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.185
nome_arquivo_s : Decisao_10480916652200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480916652200911_5320977.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5276155
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046365981900800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.916652/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.185 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria COFINS Recorrente COMPANHIA HIDROELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 Ementa: CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 66 52 /2 00 9- 11 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de simples Declaração de Compensação de COFINS com débito de IRPJ (fls. 01/05), transmitida em 26/09/2006, indeferida em razão da suposta insuficiência de créditos. A questão é confusa e para evitar erros, é preciso analisar todo o histórico ocorrido. Segundo informações da Recorrente (fls. 11/13), o crédito utilizado nesta compensação originouse de DARF recolhido indevidamente, explica: com a entrada em vigor do regime da não cumulatividade, a Recorrente passou a sujeitarse à nova sistemática de cálculo do PIS/COFINS. No entanto, por exceção legal, as receitas da empresa decorrentes dos contratos firmados antes de 31/10/2003, permaneceram tributadas pela forma cumulativa, isto é, com alíquota reduzida. Registrase que os requisitos para que tais contratos permanecessem sob este regime era que fosse longevo e que tivesse preço prédeterminado. No ano de 2005, a Recorrente analisou a legislação e verificou que a correção monetária dos contratos poderia ser interpretada como componente descaracterizador do conceito de “prédeterminado”, na dúvida, em razão de ter promovido a atualização dos preços de alguns dos contratos que estavam sob a sistemática cumulativa, migrou a tributação de tais receitas para o regime não cumulativo, que possui alíquota superior às do regime cumulativo. Em relação ao período passado, a Recorrente entendeu por bem recalcular os valores e recolher a diferença entre os regimes, como se a receita daqueles contratos estivesse no regime não cumulativo. Para quitar este valor em aberto, a Recorrente promoveu com atraso o recolhimento da COFINS relativa a receitas auferidas na competência de 07/2004, tendo para tanto utilizado o meio da denúncia espontânea, ou seja, com a inclusão de juros de mora mas sem recolhimento da multa moratória. O crédito referese a pagamento efetuado – via DARF em 29/04/2005 relativo à competência 07/2004, e decorre de pagamento a maior da contribuição em virtude de diferenças na aplicação de regime cumulativo e não cumulativo na apuração da contribuição. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916652/200911 Acórdão n.º 3302002.185 S3C3T2 Fl. 11 3 Informa ainda a Recorrente que, posteriormente, com a edição da Lei n° 11.196/06, esclareceuse que mero reajuste de preços não alteraria o regime de apuração das contribuições, isto é, esclareceuse que os valores relacionados a contratos firmados antes de 31/10/2003, ainda que atualizados, permaneceriam sujeitos à sistemática da cumulatividade. Neste momento, a Recorrente percebeu que havia recolhido a COFINS da competência 07/2004 sob o regime de apuração errado – não cumulativo ao invés do cumulativo. Ao confrontar os valores devidos por uma e por outra sistemática de apuração, a Recorrente verificou que havia recolhido tributo a maior, sendo que é este o crédito que está sendo utilizado na compensação sob análise. O Despacho Decisório (fls. 06/08) homologou parcialmente a compensação, sob o fundamento de que o crédito apresentado pela Recorrente era insuficiente para quitar o débito que se pretendeu extinguir, sem muitas explicações indicou que o crédito existente era R$ 899.625,43 (valor original) e glosou o adicional compensado. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/13) por meio da qual esclarece que após buscar e refazer cálculos, descobriu que a suposta inexistência de crédito ocorreu em razão de o Fisco entender que, no pagamento da COFINS realizado em 2005 na forma não cumulativa, a contribuinte deveria ter recolhido multa moratória, posto tratarse de pagamento em atraso. Em virtude deste fato, a fiscalização promoveu a imputação do valor recolhido da forma como entendia estar correta, concluindo pela inexistência de saldo/crédito suficiente à quitação da totalidade do débito objeto da compensação. Após esclarecer a glosa imputada pelo Despacho Decisório, a Recorrente passou a defender a não inclusão da multa moratória no recolhimento em atraso, posto que ocorrida a denúncia espontânea. Informa, ainda, que o procedimento de denúncia espontânea está em análise pela Receita Federal (Processo Administrativo nº 19647.004378/200528). Ainda, em sua defesa, a Recorrente apresentou a segunda DCTF retificadora, que foi transmitida em 24/08/2006 (fls. 21/23), na qual constituiu o crédito em discussão ao declarar o débito de COFINS Não Cumulativo (código 5856) para a competência de 07/2004 como sendo de R$ 2.340.180,56. De acordo com a DCTF, este valor foi quitado por meio de duas guias DARFs, sendo que a primeira foi recolhida tempestivamente – no vencimento do tributo no valor de R$1.070.053,98 e a segunda foi paga em atraso (pelo que consta dos autos, assumese que em 29/04/2005), sendo o total da guia recolhida R$ 2.315.857,85 e o total indicado como relativo ao pagamento do débito R$ 1.270.126,58. A declaração em DCTF restou consignada da seguinte forma, a saber: PA: 31/07/2004 Código Ref.: 5856 DARF 1 Vcto: 13/08/2004 Valor do Principal 1.070.053,98 Valor da Multa 0,00 Valor dos Juros 0,00 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Valor Total do DARF 1.070.053,98 Valor Pago do Débito 1.070.053,98 PA: 31/07/2004 Código Ref.: 5856 DARF 2 Vcto: 13/08/2004 Valor do Principal 2.315.857,85 Valor da Multa 0,00 Valor dos Juros 238.996,53 Valor Total do DARF 2.554.854,38 Valor Pago do Débito 1.270.126,58 Por fim, a Recorrente registra que o fato de o processo de compensação ainda estar em andamento, impede a cobrança da multa, razão pela qual a cobrança do valor glosado na compensação deve ser cancelada. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente e manteve a homologação parcial da compensação, por entender que a multa moratória é devida em pagamentos atrasados, ainda que na forma de denúncia espontânea (fls. 55/60), verbis: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 Ementa: PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denúncia seja espontânea, antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. COBRANÇA DA PARCELA NÃO HOMOLOGADA. Constatada insuficiência de crédito para fazer frente aos débitos declarados em DCOMP, cabe a cobrança da parcela não homologada, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2° e 7° do art. 74 da Lei n° 9.430/96).” Assim como a Recorrente, os julgadores administrativos foram em busca da origem da causa da glosa, valendose de pesquisas, simulações e análises do sistema da Receita Federal. Inicialmente consignaram a ocorrência do pagamento declarado pela contribuinte anexando para tanto o extrato do SINAL (fls. 55), onde consta que em 29/04/2005, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916652/200911 Acórdão n.º 3302002.185 S3C3T2 Fl. 12 5 foi recolhido o valor de R$ 2.554.854,38 (sendo R$ 2.315.857,85 a título de principal e R$ 238.996,53 de multa). Na seqüência a decisão indicou como devido, em 29/04/2005, apenas o valor de R$ 1.270.053,58 e adotou como premissa que a questão referese ao pagamento em atraso deste valor apurado, verbis: “Para tal, consideremos que esta parcela, relativa a Cofins apurada em julho de 2004, cujo vencimento se deu em 13/08/2004, foi paga com atraso, em 29/04/2005. Qual seria o valor necessário para a sua quitação ???” Ainda, apresentou a simulação do pagamento, concluindo que o valor de R$1.270.053,58 em verdade seria R$ 1.655.228,95, sendo que esta constatação é que gerou a insuficiência do crédito. Com estas considerações, os julgadores administrativos de primeira instância mantiveram o Despacho Decisório. Para finalizar, a decisão recorrida discorre acerca da manutenção da multa de mora no caso de denúncia espontânea e afasta a alegação de que a matéria estaria vinculada ao processo de denúncia espontânea por entender que independente da denúncia espontânea, o a multa de mora se mantém, já que este tipo de penalidade não se extingue com a denúncia espontânea. Diz a decisão que “toda a discussão restringese a multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo, mas sim sobre a parcela do débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 64/70), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, além de trazer jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça favorável a seu entendimento. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Após extenso relatório, necessário para a compreensão dos fatos ocorridos, percebese que a questão em discussão referese (i) à possibilidade de a autoridade administrativa exigir, em sede de procedimento de compensação, multa moratória que em etapa anterior reduziria o crédito tributário e (ii) incidência de multa de mora no caso de denúncia espontânea. Algumas premissas fáticas devem ser consideradas. Primeiro, nestes autos não se discute a origem do crédito, ou seja, não se questiona se a contribuinte poderia voltar ao regime cumulativo do PIS e COFINS ou se teria direito ao crédito a maior. Em segundo lugar, não há dúvida quanto ao valor do débito principal devido pela Recorrente, ao contrário, pois as Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 autoridades administrativas assumiram o valor indicado na DCTF retificadora (R$ 2.340.180,56). Vale dizer, tanto Fisco como o contribuinte concordam que o valor de principal devido a título de COFINS neste caso representa a soma dos valores declarados R$ 1.070.053,98 + R$ 1.270.126,58, somando R$ 2.340.180,56. Neste sentido, destaco trecho do acórdão da DRJ, verbis: “Na discriminação das vinculações da Cofins relativa a julho de 2004 (fls. 023, 053 e 054), podese observar que o débito declarado, no valor de R$ 2.340.180,56, foi extinto não só pelo pagamento em atraso informado na DCOMP, mas também por outro DARF, recolhido no vencimento, ou seja, em 13/08/2004, no valor de R$ 1.070.053,98, que também encontramos no SINAL (fls. 056). Em termos absolutos, o valor total do DARF recolhido em atraso é superior ao da parcela do débito que deveria cobrir (R$ 2.340.180,56 — R$ 1.070.053,98 = R$ 1.270.126,58), mas resta saber se, feitas as devidas imputações, ainda restaria alguma diferença, e o quantum.” (destaquei) Logo, como esclarecido, in casu a contribuinte procedeu à duas retificações de DCTF, consolidando três vezes o quantum debitório da Cofins referente ao período de 07/2004. Do que se depreende dos autos, em relação ao valor principal, as alterações restaram da seguinte forma consignadas: DCTF 1 DCTF 2 DCTF 3 1.070.053,98 – pago em 13/08/04 2.315.857,85 – pago em 29/04/05 Retificação do valor pago em 29/04/2005 1.070.053,98 + 2.315.857,85 1.070.053,98 + 1.270.126,58 1.070.053,98 3.385.911,83 2.315.857,85 Consolidado o valor principal em R$ 2.315.857,85, o que se discute nos autos é a possibilidade da cobrança de multa de mora em relação ao valor R$ 1.270.126,58 indicado na DCTF 3, que foi pago por meio da guia DARF em 29/04/05, que recolheu R$ 2.315.857,85. Especificamente, a Recorrente entende que possui um determinado saldo credor (R$ 1.153.657,74), enquanto as autoridades administrativas entendem que o valor é outro (R$ 899.625,43), a saber: (A) DARF PAGO (B) VALOR DEVIDO (C=AB) SALDO DE CRÉDITO O que pensa Principal Multa Juros Contribuinte 2.554.854,38 1.270.126,58 X 131.070,06 1.153.657,74 DRF/ DRJ 2.554.854,38 1.270.126,58 254.025,31 131.070,06 899.625,43 O valor entendido por devido pelas autoridades administrativas está demonstrado na Guia DARF simulada (fls. 57). Neste aspecto alcançamos a primeira questão a ser analisada. É possível, por meio da análise da presente compensação, avaliar o crédito indicado para compensação? A Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916652/200911 Acórdão n.º 3302002.185 S3C3T2 Fl. 13 7 resposta é afirmativa. Todavia, esta revisão não permite a constituição, via transversa, de débito tributário até então não constituído. Conforme constatado dos documentos dos autos, a constituição do débito tributário foi realizada pela contribuinte quando da apresentação da segunda DCTF retificadora, quando a Recorrente confessou o débito em atraso mas não constituiu a multa. Nesta oportunidade a Recorrente declarou como devido o principal e os respectivos juros, uma vez que pretendeu a realização de denúncia espontânea. O presente processo não é o meio hábil para lançar a multa que não foi constituída pela contribuinte ou fiscalização. A próxima questão a ser avaliada referese à denúncia espontânea. Inicialmente cumpre registrar que o processo administrativo nº 19647.004378/200528, no qual, de acordo com informações contidas nos autos, a questão da denúncia espontânea estaria sendo discutida, não tratou do procedimento espontâneo adotado pelo Contribuinte, conforme se atesta dos documentos trazidos aos autos. Assim, não há concomitância no julgamento da questão, razão pela qual adentro ao mérito da questão. Nos termos relatados, a insuficiência do crédito se deu em razão de a fiscalização entender que a denúncia espontânea realizada pelo contribuinte em 29/04/05 não afastar a multa incidência de moratória de 20%. Ocorre que tal interpretação não se coaduna com a jurisprudência majoritária, menos ainda com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça proferido em sede de recurso repetitivo1: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), 1 As decisões proferidas em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça são de observação obrigatória pelos julgadores administrativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme artigo 62A do Regimento Interno: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916652/200911 Acórdão n.º 3302002.185 S3C3T2 Fl. 14 9 (Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424) – Ministro Luix Fux – destaquei) Inaplicável, portanto o entendimento do v. acórdão no sentido de impossibilidade de se eximir a multa de mora com a denúncia espontânea,o que faz com que o crédito pleiteado pela Recorrente seja suficiente à satisfação da compensação pretendida. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a compensação nos termos como realizados. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Inicialmente, acato a decisão da DRJ de não analisar a legitimidade dos débitos declarados ou pagos pela Recorrente, isto é, se o valor devido de Cofins do PA 07/04 está correto ou não (tanto no regime cumulativo como no regime não cumulativo). A minha análise se restringirá ao objeto da lide estabelecida (ocorreu ou não denúncia espontânea com direito ao pagamento da Cofins sem a multa de mora) pelo fato da Recorrente (i) ter efetuado o pagamento de um débito de Cofins em atraso e sem multa de mora (que julgava devido); (ii) ter comunicado o fato à RFB para caracterizar a denúncia espontânea; (iii) não ter efetuado a retificação da DCTF quando do pagamento; (iv) e posteriormente (dois anos depois) apresenta DCTF retificadora declarando um débito de valor diferente do constante da comunicação feita à RFB via processo (do mesmo PA) e vinculandoo ao mesmo DARF constante da referida comunicação à RFB (para liquidar débito). Há que se decidir se o débito de Cofins declarado na DCTF retificadora, do mesmo PA, mas com valor diferente do débito constante da “denúncia espontânea” e do DARF pago dois anos antes é o mesmo débito (como defende a Recorrente) ou é um débito “novo” que o contribuinte pretende quitar com aquele DARF, como entendeu a DRJ. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Também é necessário decidir se esta situação estar albergada pela decisão proferida pelo STJ (REsp nº 1.149.022 – SP rito RR) sobre a incidência da multa de mora nos pagamentos espontâneos, posto que não houve a retificação do valor declarado anteriormente (DCTF) quando do pagamento, vindo o contribuintes a fazêlo dois anos depois, mudando para menos o valor do débito que entende devido. Tudo isto sem que houvesse procedimentos fiscalizatório prévio. Passo à análise das questões de mérito da lide. A comunicação da “denuncia espontânea” feita pela Recorrente em maio/05 é inócua e em anda afeta meu entendimento sobre a lide. Portanto, não a levarei em consideração. Conforme abaixo se vê, a decisão do STJ (REsp nº 1.149.022 – SP) trata do caso em que o contribuinte retifica declaração de débito para incluir diferença e, concomitantemente, efetua o pagamento da diferença, tudo isto antes de qualquer procedimento fiscalizatório. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. [...] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. No caso dos autos, previamente a qualquer procedimentos fiscalizatório, o contribuinte, antes de efetuar a retificação da declaração, efetuou o pagamento de Cofins e, muito tempo depois, é que procedeu a retificação da declaração (DCTF) para incluir uma diferença menor do que a que tinha pago anteriormente (vinculou na DCTF o débito ao DARF pago anteriormente) e, por entender indevido parte do pagamento efetuado, está pleiteando a restituição do indébito. A DRJ entende que discussão restringese à multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo (o DARF), mas sim sobre o débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF. Muito bem. Fiquemos com o entendimento da DRJ de que aqui não se discute se sobre o débito de Cofins pago no dia 29/04/2005 incidia ou não a multa de mora. Mas sim se sobre o débito que a Recorrente pretende quitar com aquele pagamento incide ou não multa de mora. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.916652/200911 Acórdão n.º 3302002.185 S3C3T2 Fl. 15 11 Lembro que, como bem disse a decisão recorrida, o aproveitamento do pagamento na DCTF é feito pelo total do DARF recolhido e não pelo valor de cada uma das parcelas pagas. Também é importante lembrar que aqui não se está tratando de compensação de débitos de Cofins com créditos de Cofins. Isto porque o DARF utilizado para quitar o débito declarado também é de Cofins e do mesmo período de apuração do DARF pago. Portanto, tratase aqui de simples alocação de pagamento de Cofins a débito declarado de Cofins do mesmo PA. O detalhe é que o pagamento ocorreu após o vencimento do débito. No DARF pode ter sido destacado, ou não, multa e juros de mora. Não faz diferença porque a alocação é feita pelo total pago e não parcela por parcela, como se disse. Outro detalhe fundamental é que o débito se refere a diferença, ou seja, é um complemento do valor regularmente declarado em DCTF e esta diferença só foi declarada em DCTF muito tempo após a realização do pagamento. Pagamento e retificação da declaração não foram concomitantes. E este detalhe – pagamento e retificação da declaração não são concomitantes – faz toda a diferença para a decisão recorrida. A decisão do STJ no REsp acima citado se refere a retificação de declaração e pagamento concomitantes. No meu entendimento, SMJ, se o pagamento e a retificação da declaração ocorreram antes de qualquer procedimento de ofício, e o pagamento antecedeu à retificação da declaração, aplicase a decisão do STJ sobre a matéria. Se entre o pagamento e retificação da DCTF tivesse o Fisco iniciado procedimento de fiscalização, não se caracterizaria a denúncia espontânea (mesmo com a comunicação do contribuinte via processo) porque a condição estabelecida pelo STJ é que ocorra a retificação da declaração (que impede o lançamento de ofício) e o pagamento. Sem um ou sem o outro, é devido a multa de mora ou de ofício, conforme o caso. Por isto é que a decisão do STJ é no sentido de que a multa de mora é devida no caso de débito declarado e não pago. No caso dos autos, pagamento e retificação da declaração não ocorreram simultaneamente. No entanto, o pagamento ocorreu antes da retificação da DCTF e não houve procedimento fiscalizatório antes da retificação da DCTF. Por esta razão, entendo que ao caso aplicase a decisão do STJ no Recurso Repetitivo acima referido para declarar indevida a multa de mora no pagamento em tela. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digiltalmente) Walber José da Silva Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007538/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006,2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU
Não constando dos autos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, em decorrência de diligência efetuada por determinação da Delegacia de Julgamento, nula se torna à decisão proferida que não teve oportunidade de examinar a manifestação tempestivamente apresentada. Declarada a nulidade da decisão de primeiro grau.
Numero da decisão: 2202-002.502
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, determinando a realização de nova decisão. Fez sustentação oral Jefferson Ferreira Antunes de Souza, OAB/SP nº 325703.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006,2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Não constando dos autos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, em decorrência de diligência efetuada por determinação da Delegacia de Julgamento, nula se torna à decisão proferida que não teve oportunidade de examinar a manifestação tempestivamente apresentada. Declarada a nulidade da decisão de primeiro grau.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.007538/2008-39
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5327064
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.502
nome_arquivo_s : Decisao_19515007538200839.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515007538200839_5327064.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, determinando a realização de nova decisão. Fez sustentação oral Jefferson Ferreira Antunes de Souza, OAB/SP nº 325703. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5316120
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366040621056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.130 1 1.129 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.007538/200839 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202002.502 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria Cruzamento DIRF x DCTF Recorrentes Sky Brasil Serviços Ltda. Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006,2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Não constando dos autos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, em decorrência de diligência efetuada por determinação da Delegacia de Julgamento, nula se torna à decisão proferida que não teve oportunidade de examinar a manifestação tempestivamente apresentada. Declarada a nulidade da decisão de primeiro grau. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, determinando a realização de nova decisão. Fez sustentação oral Jefferson Ferreira Antunes de Souza, OAB/SP nº 325703. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 75 38 /2 00 8- 39 Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.007538/200839 Acórdão n.º 2202002.502 S2C2T2 Fl. 1.131 3 Relatório 1. Trata o processo de autodeinfração de IRRF decorrente de verificações obrigatórias, apurado pelo confronto entre as informações declaradas pelo contribuinte em DCTF, as guias de recolhimento insertas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e os lançamentos contábeis pertinentes. 1.1. A fiscalização relata que intimou o contribuinte para identificar quais as contas contábeis que registravam os fatos geradores dos tributos confessados em DCTF (Termo de Intimação emitido em 16/06/2008). Em decorrência de sucessivos pedidos de prorrogação de prazo para o atendimento desta intimação, a fiscalização emitiu, em 20/06/2008, novo Termo de Intimação para a apresentação da escrituração contábil e fiscal do contribuinte em meio magnético, do período de 2005 a 2008, através da utilização do Programa Gerador Sinco Arquivos Contábeis. Esta intimação visava a realização das verificações pela própria fiscalização mediante o cotejo da contabilidade a ser fornecida com as DCTF e os recolhimentos empreendidos pelo sujeito passivo em comento. 1.2. Em 27/06/2008, o contribuinte pleiteou a dilação em 30 (trinta) dias do prazo para o atendimento da solicitação mencionada no final do parágrafo anterior, sendo a mesma deferida. Na data de 18/07/2008, a empresa apresentou a escrituração contábil em meio magnético do anocalendário de 2005, e requereu nova dilação de prazo para apresentar os arquivos magnéticos remanescentes. 1.3. Findo o prazo relembrado acima, a fiscalização intimou o contribuinte a esclarecer a origem dos valores declarados no Demonstrativo dos Tributos Devidos e atualizar as planilhas até setembro de 2008. Em 07/10/2008, o sujeito passivo e estão requereu a prorrogação do prazo estabelecido em 20 (vinte) dias. 1.4. Em 23/10/2008, em função da dificuldade do contribuinte em atender às constantes intimações em relação as verificações obrigatórias, com constantes pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, e considerando que a empresa atendeu à intimação relativa à disponibilização da escrituração comercial e fiscal em meio magnético do período de 2005 a 2007, a fiscalização resolveu comparar os valores insertos na contabilidade do sujeito passivo com os declarados em DCTF e com os recolhimentos. 1.5. O produto do confronto relatado no item precedente acarretou nova intimação (Termo de Intimação emitido em 12/11/2008), sendo o sujeito passivo instado a justificar as diferenças apuradas pela fiscalização, sob pena de lançamento de oficio. Em decorrência da inércia do contribuinte em empreender a integral justificativa objeto da intimação, a fiscalização lavrou o lançamento em foco, relativa a diferenças apuradas de_IRRF incidente sobre a remuneração paga a empregados da empresa e de IRRF relativo à prestação de serviços por terceiros, abaixo resumidas. 1.5.1. No tocante ao IRRF Assalariado, o cotejamento foi efetuado entre os valores declarados em DCTF com o código de recolhimento 0561 e os lançamentos insertos na conta contábil 2.1.2.0001, sendo apuradas as diferenças insertas no quadro As fls. 150; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 1.5.2. Em relação ao IRRF Terceiros, as diferenças apontadas em 2006 não foram justificadas. No anocalendário de 2007, as diferenças também não foram explicadas pelo contribuinte, ensejando o competente lançamento. Entretanto, como a diferença apontada em 10/2007 era bastante expressiva e maior que nos outros meses deste ano, a fiscalização analisou os lançamento na conta contábil no. 2.1.1.1.002 IRRF sobre Serviços Prestados, tendo encontrado dois estornos de valores creditados, o que reduziu o valor creditado contabilizado de R$ 8.131.232,78 (oito milhões, cento e trinta e um mil, duzentos e trinta e dois Reais e setenta e oito centavos) para R$ 1.640.378,17 (um milhão, seiscentos e quarenta mil, trezentos e setenta e oito reais e dezessete centavos). 2. Em decorrência de todo o acima exposto, foi lavrado, em 26/11/2008, o auto de infração relativos ao IRRF, com os seguintes fundamentos legais: art. 77, inciso III, do DecretoLei n°. 5.844/43; art. 149 da Lei n°. 5.172/66; art. 841 do RIR199. 3. Inconformado com a autuação, da qual tomou ciência em 26/11/2008 (fls. 153), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 173/184), em 23/12/2008, alegando que os IRRF constituídos não merecem prosperar, vez que as divergências apontadas pela fiscalização seriam insubsistentes 4. Na data de 16/02/2009, em decorrência do contribuinte ter anexado à peça defensiva alguns elementos de prova não apresentados oportunamente à fiscalização, que poderiam ensejar a retificação da autuação, os autos foram convertidos em diligência fiscal para prestar esclarecimentos (fls. 370/375): 5. Em 17/07/2009, o contribuinte foi cientificado do teor da resposta à diligência fiscal retromencionada pelo competente Termo de Ciência de Encerramento de Diligência e Notificação Fiscal (fls. 661), com a abertura do prazo legal de 10 (dez) dias para manifestação (AR SO 705195427 BR — fls. 662). 6. O contribuinte apresentou resposta a intimação em 29 de julho de 2009. 7. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SPOII, ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos em manter o lançamento parcialmente procedente conforme ementa abaixo transcrita: FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. IRRF. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO IMPOSTO DE RENDA EFETIVAMENTE RETIDO NA FONTE. IRRELEVÃNCIA DO TRANSCURSO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DIRPF (PESSOA FÍSICA) OU DO PERÍODO DE APURAÇÃO (PESSOA JURÍDICA). O imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora deve ser por ela recolhido, sendo irrelevante, para fins de determinação da responsabilidade pelo recolhimento deste IRRF, tanto o fato do mesmo se configurar como mera antecipação compensável quanto o transcurso do prazo para apresentação da Declaração de Ajuste Anual (pessoa física) ou do período de apuração (pessoa jurídica). Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.007538/200839 Acórdão n.º 2202002.502 S2C2T2 Fl. 1.132 5 LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE NOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONSIDERAÇÃO DAS IMPROPRIEDADES COMPROVADAS PELO CONTRIBUINTE EM SUA ESCRITURAÇÃO. REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO. A escrituração contábil do contribuinte deve ser necessariamente adotada como base do lançamento calcado no confronto entre os tributos devidos registrados contabilmente e os montantes declarados a tal titulo na DCTF ("verificações obrigatórias"). Ademais, a consideração das incorreções comprovadas pelo contribuinte nestes lançamentos contábeis diligência fiscal, evidencia a higidez debeatur remanescente na lavratura. ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS. RETIFICAÇÃO DA AUTUAÇÃO. Tendo a fiscalização reconhecido, em resposta diligência fiscal, que foram considerados lançamentos contábeis de IRPJ, PIS e COFINS, na apuração do valor devido a titulo de IRRF Terceiros, é imperiosa a retificação da autuação, com a exclusão destes montantes do crédito tributário constituído. Evidenciado que a fiscalização desconsiderou parte dos IRRF Terceiros confessados em DCTF ao efetuar o procedimento de "verificações obrigatórias",conforme consta expressamente da resposta a diligência fiscal, tornase necessária a reapuração dos IRRF nãoconfessados espontaneamente pelo contribuinte. Na apuração do IRRF Assalariados empreendida em "verificações obrigatórias", os montantes devidos devem ser apurados unicamente com base nos lançamentos credores registrados em conta do passivo representativa de tal obrigação. Logo, se a própria fiscalização reconhece que descurou de tal procedimento em alguns períodos de apuração, é necessária a retificação dos montantes constituídos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Evidenciado, na impugnação, que o contribuinte identificou o motivo exato da autuação e se defendeu tempestiva e plenamente do teor da mesma, descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde alega em síntese: Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 a) primeiramente, seja decretada a nulidade do lançamento objeto deste processo administrativo, pois a metodologia empregada para a apuração do imposto não está clara no auto de infração e não leva em consideração os diversos ajustes efetuados com a finalidade de retratar a efetiva realidade econômica e jurídica da Recorrente; b) caso não declarado nulo o auto de infração, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, seja o processo devolvido para o órgão julgador de Primeira instância, para que seja analisada a manifestação apresentada pelo Recorrente ao Relatório Fiscal dos Procedimentos Efetuados; c) caso esta Colenda Turma entenda por oportuno analisar o mérito, requerse seja o presente recurso integralmente provido nos termos expostos anteriormente, requerendo, ainda, que, caso restem dúvidas quanto ao direito alegado, seja determinada nova diligência para que a Recorrente possa demonstrar diretamente para d. fiscalização, com a apresentação de toda a documentação necessária, o procedimento que utiliza para registrar o IRFonte incidente sobre as férias dos funcionários e os diversos ajustes efetuados na conta de IRFonte de terceiros; d) por fim, requerse que, caso parte da autuação seja julgada procedente, seja afastada a incidência dos juros SELIC sobre a respectiva multa de oficio, que não compõe o crédito tributário sujeito a juros. É o relatório. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 19515.007538/200839 Acórdão n.º 2202002.502 S2C2T2 Fl. 1.133 7 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Antes de mais nada devemos analisar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, no que tange ao cerceamento de direito de defesa. Conforme descrito no relatório, trata o processo de auto de infração de IRRF decorrente de verificações obrigatórias, apurado pelo confronto entre as informações declaradas pelo contribuinte em DCTF, as guias de recolhimento insertas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e os lançamentos contábeis pertinentes pela Recorrente. O contribuinte durante a fiscalização apresentou diversos documentos e informações para demonstrar que não havia divergências entre as informações prestadas a Receita Federal do Brasil. Na data de 16/02/2009, em decorrência do contribuinte ter anexado à peça defensiva alguns elementos de prova não apresentados oportunamente à fiscalização, que poderiam ensejar a retificação da autuação, os autos foram convertidos em diligência fiscal para prestar esclarecimentos (fls. 370/375): Em 17/07/2009, o contribuinte foi cientificado do teor da resposta à diligência fiscal retromencionada pelo competente Termo de Ciência de Encerramento de Diligência e Notificação Fiscal (fls. 661), com a abertura do prazo legal de 10 (dez) dias para manifestação (AR SO 705195427 BR — fls. 662). Tendo em vista que a resposta do contribuinte foi protocolada em 29 de julho de 2009, onde procura constestar as argumentações da fiscalização, para tanto junta diversos documentos para provar o seu alegado, e a mesma não foi analisada pela DRJ. Podemos verificar que a intimação da Recorrente ocorreu no dia 17 de julho de 2009 (sextafeira) e o protocolo da sua manifestação ocorreu em 29 de julho de 2009, portanto dentro do prazo de 10 (dez) dias concedido pela autoridade julgadora. Sendo que tal manifestação e os documentos apresentados não foi levada em consideração pela DRJ em sua decisão. Diante dos fatos, entendo que assiste razão a Recorrente, pois a autoridade julgadora de primeira instância deveria levar em consideração essa manifestação e documentos em sua decisão, sob pena de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Desta forma, conheço do recurso e no mérito dou provimento para anular a decisão de DRJ, de sorte que os autos retornem a primeira instância para análise da manifestação de documentos apresentados em resposta a diligência por ela mesmo suscitada. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Tendo em vista a decisão acima, fica prejudicada a análise do recurso de ofício apresentado pela DRJ. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902206/2008-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2002 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10783.902206/2008-25
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5312472
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9303-002.589
nome_arquivo_s : Decisao_10783902206200825.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10783902206200825_5312472.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5204620
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366272356352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 232 1 231 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10783.902206/200825 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.589 – 3ª Turma Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria COFINS Base de Cálculo Desconto Padrão Agência de Publicidade Veículo de divulgação Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 22 06 /2 00 8- 25 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 9303002.589 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 9303002.589 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.292, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 9303002.589 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 9303002.589 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 9303002.589 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902080/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 06/02/1999
IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 06/02/1999 IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.902080/2008-92
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313073
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.270
nome_arquivo_s : Decisao_10120902080200892.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE VALDEMIR DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10120902080200892_5313073.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5215075
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366309056512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 100 1 99 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902080/200892 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.270 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRRF Recorrente EMSA EMPRESA SUL AMERICANA DE MONTAGENS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/02/1999 IMPOSTO RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO COM IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal efetuado pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de declaração de compensação (DCOMP), está condicionada a certeza e liquidez do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Márcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 20 80 /2 00 8- 92 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902080/200892 Acórdão n.º 2801003.270 S2TE01 Fl. 101 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 09575.91055.190504.1.3.049338, transmitida eletronicamente em 19/05/2004, com base créditos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Entretanto, o Darf que teria dado origem ao crédito pleiteado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Assim, em 18/07/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório( fl.9 ), cuja decisão homologou parcialmente a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor atualizado do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 12.263,57. Cientificado, via postal, dessa decisão em 30/07/2008 ( fl. 11 ), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 28/08/2008, manifestação de inconformidade ás fls. 11 a 17, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria cometido equivoco quando preencheu o campo referente ao período de apuração do Darf informado como origem do crédito no PER/DCOMP. Esclarece que essas informações estariam corretamente na DCTF do período. Acrescenta que teria tomado conhecimento do erro cometido apenas quando teve necessidade de expedir uma Certidão Negativa de Débitos / Certidão Positiva com Efeito de Negativa em meados de 2004. Nessa ocasião, verificou que débitos que acreditava estarem quitados, encontravamse em processo de cobrança pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, para obter a referido certidão, teria quitado, em duplicidade, débitos que considerava extintos, o que teria dado origem ao crédito pleiteado no presente Per/DCOMP. Adicionalmente, afirma que também teria detectado equívocos no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos e da DCTF do período, ou seja, ao invés de informar os dados do Darf do segundo recolhimento efetuado por ela em 31/03/2004, teria informado erroneamente os dados daquele primeiro Darf, que teria originalmente quitado os débitos do período. Ao final, requer que seja conhecida a Manifestação de Inconformidade e declarada extinta a obrigação tributária que se pretendia ver compensada. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902080/200892 Acórdão n.º 2801003.270 S2TE01 Fl. 102 3 A Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo descrita: . ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/02/1999 INEXATIDÃO MATERIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que comprovassem a ocorrência de inexatidão material nas informações contidas na DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A contribuinte não possui crédito disponível para compensar os débitos informados no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de 1a instância em 04.02.2011 ( fl. 48 ), a contribuinte apresentou recurso em 03.03.2011 (fls. 49/64 ). Na peça recursal, argumentou em síntese o seguinte: ● A contribunte, supra qualificada, apresentou via eletronica a Declaração de Compensação n. ( 09575.91055.190504.1.3.04 9338), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor de R$ 10.566,29 relativo a data de arrecadação em 06.02.1999. ● A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 30.07.2008(fl.9), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi localizado o pagamento,mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte do período do 1o.trimestre.1999, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. ● Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada. ● Irresignado, a contribuinte apresentou em 28.08.2011. Manifestação de Inconformidade de ( fls. 11/16 ), alegando, em síntese, que: a) Incorreu em erro ao preencher a DCTF, sendo que havia apurado IRRF no montante de R$10.566,29, do período de 06.02.1999, ao invés de informar o darf no valor de R$ 185.588,16 com vencimento em 31.03.2004. b) No entanto a recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito no prazo legal, o que acabou gerando a Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902080/200892 Acórdão n.º 2801003.270 S2TE01 Fl. 103 4 inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. ● Alega que o preenchimento do PER/COMP e da DCTF configuram erro de fato ou material, por desatenção da contabilidade da Recorrente. ● Anexou o livro razão para demonstrar o debito real de IRPJ. ● Transcreveu longos trechos da legislação e decisões do CARF; ● Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada e conseqüentemente a homologação do pedido de compensação total. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recursos é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese à existência de direito creditório suficiente para validar a compensação pretendida pela Recorrente. De início é importante mencionar que, a Recorrente pretendeu se utilizar de pagamento indevido de IRRF no valor de R$.10.566,29, com data de arrecadação em 06.02.1999, quando o correto seria o darf no valor de R$ 185.588,16 com pagamento em 31.03.2004, (fl.27). Tal erro teria levado à não localização do crédito pleiteado. Observase que, o crédito informado pela contribuinte na PER/DCOMP no valor de R$ 10.566,29, referente à IRRF com data de arrecadação em 19.05.2004 não foi localizado na base de dados da RFB,tendo em vista que o vencimento correto do darf era 06.02.1999, por esse motivo foi indeferido o pedido de compensação do IRRF com IRPJ no valor de R$ 11.538,94. Como se vê, o principal fundamento da improcedência da Manifestação de Inconformidade tenha sido a inexatidão material no preenchimento da PEDCOMP e da DCTF do período. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperando, a contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado. Releva notar que, a contribuinte apurou e declarou ao Fisco débito de IRPJ confessando a dívida detida para com o Fisco de forma a constituir o crédito tributário, natureza jurídica esta reservada à DCTF. Ou seja, para fins de constituição do crédito tributário exigível, o que valem são as informações transmitidas através da DCTF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10120.902080/200892 Acórdão n.º 2801003.270 S2TE01 Fl. 104 5 Portanto, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, sujeito passivo tem a possibilidade de retificála antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Assim sendo, diante da inexistência de crédito a compensar,deve ser indeferido o pedido de compensação. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35301.013533/2006-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 25/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 35301.013533/2006-45
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322273
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-002.953
nome_arquivo_s : Decisao_35301013533200645.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 35301013533200645_5322273.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5284872
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366413914112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1520; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 7 1 6 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35301.013533/200645 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.953 – 2ª Turma Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MI MONTREAL E INFORMÁTICA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 35 33 /2 00 6- 45 Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 205 01.400, proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 02 de dezembro de 2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo a sua ementa: “DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicílio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicílio eleito. Processo Anulado.” Segundo a Fazenda Nacional, o aresto recorrido merece ser reformado por ter contrariado a prova dos autos e a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2º do CTN; arts. 9, §2º, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto 70.235/72, e, ainda, arts. 2º, IX e 22, da Lei n.º 9.784/99. Na parte em que entende ter havido violação à prova dos autos, observa que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do lançamento sob a argumentação de que a decisão final do Tribunal Regional Federal determina a anulação dos atos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.013533/200645 Acórdão n.º 9202002.953 CSRFT2 Fl. 8 3 Diz que o equívoco do julgado recorrido foi reputar que a decisão final do TRF da 2 Região, proferida em 15 de agosto de 2007, de natureza eminente declaratória, poderia anular atos então praticados validamente. Argumenta que, como o pedido formulado na ação judicial foi exclusivamente declaratório, dele não se pode extrair nenhuma consequência de invalidação, já que os provimentos declaratórios apenas ocasionam a certificação. Quanto à violação aos art. 127, §2º do CTN e art. 9, §2º do PAF, considera que os elementos constantes do caderno processual evidenciam que existiram motivos suficientes e legítimos para a recusa do domicílio fiscal da contribuinte. Sustenta que, à luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da NFLD, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Registra que o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, se posicionou no sentido que a recusa do domicílio ou lavratura de auto de infração por autoridade diversa do domicilio tributário eleito não constitui hipótese para declarar a nulidade do lançamento. Sobre a violação dos arts. 11,59 c/c 60,61, do Decreto n.s 70.235/72, considera que, ainda que se possa cogitar de eventual vício na autuação, esse não se mostra apto a determinar a nulidade da NFLD. Entende que a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Frisa que todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Ressalta que o contribuinte demonstrou ter pleno conhecimento da origem do débito, tanto que o rebate de forma bem minuciosa, detalhando, inclusive, ponto a ponto suposto erro existente na base de cálculo do tributo. Observa que a jurisprudência do CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, como ocorre no caso presente, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos da Informação de fls. 1773/1779, foi negado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou agravo às fls. 1783/1788. Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos do Despacho n.º 2401154/2009, foi acolhido o pedido de reexame do recurso em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Preliminarmente afirma que, nos termos do art. 67, §2° do Anexo II do Regimento, o recurso da Fazenda deve ser inadmitido, uma vez que o acórdão recorrido, proferido pela C. Quinta Câmara, apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo do procedimento fiscal. Em seguida frisa que, em que pese a tentativa insistente do Recorrente em afirmar que a sede da Recorrida é no Centro do Rio onde funciona uma de suas mais antigas filiais, o próprio Contrato Social devidamente registrado atesta sua sede em Rio das Flores, Volta Redonda, sendo lá seu domicílio fiscal. Destaca que o CARF chancelou, em seus vários julgamentos, que a aferição indireta, instrumento do qual se valeu a Recorrente no caso, só tem sede e razão de existir se houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o que, decididamente, não ocorreu, pois a Recorrida disponibilizou, sim, todos os dados necessários em seu domicílio fiscal em Rio das Flores, insistindo a Fiscalização em identificálos na filial do Rio de Janeiro. Diz que toda a temática envolvendo o efetivo domicílio da empresa foi levada ao crivo do Poder Judiciário nos autos da ação ordinária n.º 2003.51.01.0224300, declarandose a sede como domicílio fiscal por decisão judicial já transitada em julgado, sendo na oportunidade a Fiscalização devidamente informada pela empresa do seu domicílio. Afirma que não há como a Recorrente atacar os fundamentos adotados pelo acórdão em relação à aplicação do art. 127, §2º do CTN, porque a decisão judicial colegiada já dispôs definitivamente sobre a matéria. Aponta que o erro no procedimento não se deu simplesmente porque a autoridade não era competente, mas porque a dita autoridade (in)competente se dirigiu a outro endereço que não o do domicílio fiscal da empresa. Argumenta que o aresto do E. STJ citado pela Recorrente em suas razões recursais (RESP 893616) não se aplica ao presente caso. Naquele julgamento, a empresa interessada pretendia anular o procedimento fiscal por ter tramitado processo perante a autoridade incompetente. No presente caso, por outro lado, a Recorrida não foi fiscalizada em seu domicílio fiscal, por isso a fiscalização não encontrou a documentação que sempre lhe esteve à disposição, e por isso procedeu irregularmente à aferição indireta. Entende que a nulidade arguida e reconhecida no julgamento da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes está embasada exatamente no texto legal, ou seja, não houve qualquer infração aos dispositivos legais suscitados pela Fazenda, sendo o prejuízo arcado somente pela Recorrida que se submeteu a flagrante cerceamento de defesa. Frisa que a Fiscalização tinha conhecimento do domicílio da empresa, assim como do fato de que todos os documentos estavam em sua sede em Rio das Flores. Ao final, requer o não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.013533/200645 Acórdão n.º 9202002.953 CSRFT2 Fl. 9 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso nãó encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7o e do art. 9o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à Io de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7 o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. O recurso é tempestivo e examinandose o recurso especial apresentado verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.0224300 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Tratase de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juízo da 19* Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: "MJ. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 Rio da Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicílio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizála na sua filial, situada na Rua São José, n" 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindolhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Daí o pedido. (...) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, §2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercido da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude dc mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III— Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera adrriinistrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilibrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.013533/200645 Acórdão n.º 9202002.953 CSRFT2 Fl. 10 7 atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÂJUO CUSTEIO NFLD DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado " (Acórdão CARF n° 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Memteiro e Silva Vieira) Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720024/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/02/2009, 02/03/2009, 05/10/2010
II, IPI, PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
É sujeito passivo dos tributos aduaneiros a pessoa jurídica que efetivou a importação dos produtos sob regime especial de suspensão (REPETRO), pois que o lançamento deve se reportar ao fato gerador, nos termos do art. 144, do CTN.
II, IPI, PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. REVISÃO ADUANEIRA. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO BEM IMPORTADO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA.
Estando os bens identificados quanto à peça, composta de diversas partes, tem-se por identificados os bens importados sob regime de suspensão dos tributos aduaneiros (Repetro), não sendo exigível que se identifique cada parte de uma mesma peça, mormente quando os referidos bens foram desembaraçados pela Autoridade mediante verificação documental pela qual autorizou a nacionalização temporária dos bens sob o regime especial.
II, IPI, PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Havendo lançamento tributário por ocasião do desembaraço aduaneiro, cua exigência tributária fica suspensa por força de obtenção de Regime Especial pelo sujeito passivo, cujo descumprimento importa em execução do respectivo Termo de Responsabilidade, é descabido um segundo lançamento tributário para constituição de crédito tributário já constituído, incorrendo em nulidade o segundo lançamento, no tocante aos tributos suspensos, sendo apenas cabível com relação à imposição das penalidades. Entretanto, provido o recurso do contribuinte, descabe acolher a nulidade, nos termos do §3º, do art. 59, do Decreto-lei nº 70.235/72.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral dr Daniel Lima OAB/RJ 159708.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 27/02/2009, 02/03/2009, 05/10/2010 II, IPI, PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É sujeito passivo dos tributos aduaneiros a pessoa jurídica que efetivou a importação dos produtos sob regime especial de suspensão (REPETRO), pois que o lançamento deve se reportar ao fato gerador, nos termos do art. 144, do CTN. II, IPI, PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. REVISÃO ADUANEIRA. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO BEM IMPORTADO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Estando os bens identificados quanto à peça, composta de diversas partes, tem-se por identificados os bens importados sob regime de suspensão dos tributos aduaneiros (Repetro), não sendo exigível que se identifique cada parte de uma mesma peça, mormente quando os referidos bens foram desembaraçados pela Autoridade mediante verificação documental pela qual autorizou a nacionalização temporária dos bens sob o regime especial. II, IPI, PIS-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. TERMO DE RESPONSABILIDADE. Havendo lançamento tributário por ocasião do desembaraço aduaneiro, cua exigência tributária fica suspensa por força de obtenção de Regime Especial pelo sujeito passivo, cujo descumprimento importa em execução do respectivo Termo de Responsabilidade, é descabido um segundo lançamento tributário para constituição de crédito tributário já constituído, incorrendo em nulidade o segundo lançamento, no tocante aos tributos suspensos, sendo apenas cabível com relação à imposição das penalidades. Entretanto, provido o recurso do contribuinte, descabe acolher a nulidade, nos termos do §3º, do art. 59, do Decreto-lei nº 70.235/72. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11762.720024/2012-25
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5310424
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.228
nome_arquivo_s : Decisao_11762720024201225.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11762720024201225_5310424.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral dr Daniel Lima OAB/RJ 159708. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5194975
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366921424896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 6.202 1 6.201 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11762.720024/201225 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402002.228 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria REGIMES ADUANEIROS Recorrente DRJ/FLORIANÓPOLIS Recorrida RAIZEN COMBUSTÍVEIS S.A ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/02/2009, 02/03/2009, 05/10/2010 II, IPI, PISIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É sujeito passivo dos tributos aduaneiros a pessoa jurídica que efetivou a importação dos produtos sob regime especial de suspensão (REPETRO), pois que o lançamento deve se reportar ao fato gerador, nos termos do art. 144, do CTN. II, IPI, PISIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. REVISÃO ADUANEIRA. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DO BEM IMPORTADO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Estando os bens identificados quanto à peça, composta de diversas partes, temse por identificados os bens importados sob regime de suspensão dos tributos aduaneiros (Repetro), não sendo exigível que se identifique cada parte de uma mesma peça, mormente quando os referidos bens foram desembaraçados pela Autoridade mediante verificação documental pela qual autorizou a nacionalização temporária dos bens sob o regime especial. II, IPI, PISIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DE TRIBUTOS ADUANEIROS. REGIME ESPECIAL REPETRO. TERMO DE RESPONSABILIDADE. Havendo lançamento tributário por ocasião do desembaraço aduaneiro, cua exigência tributária fica suspensa por força de obtenção de Regime Especial pelo sujeito passivo, cujo descumprimento importa em execução do respectivo Termo de Responsabilidade, é descabido um segundo lançamento tributário para constituição de crédito tributário já constituído, incorrendo em nulidade o segundo lançamento, no tocante aos tributos suspensos, sendo apenas cabível com relação à imposição das penalidades. Entretanto, provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 24 /2 01 2- 25 Fl. 6202DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 o recurso do contribuinte, descabe acolher a nulidade, nos termos do §3º, do art. 59, do Decretolei nº 70.235/72. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral dr Daniel Lima OAB/RJ 159708. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 6203DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.203 3 Relatório Trata esse processo administrativo fiscal de autos de infração relativos ao recolhimento em atraso de II – Imposto de Importação, IPI – Importo sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEP Importação, COFINSImportação, no valor total de R$ 36.417.506,38 (trinta e seis milhões quatrocentos e dezessete mil quinhentos e seis reais e trinta e oito centavos), incluindo principal, multa e juros, referentes à importação de bens destinados à atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural abrangidos pelo Regime Aduaneiro Especial REPETRO, no período entre maio de 2008 a dezembro 2010. De acordo com o conteúdo da autuação, o lançamento tem como causa o descumprimento das obrigações necessárias à concessão e permanência da Impugnante/Recorrida no Regime Aduaneiro Especial de Exportação e de Importação de Bens destinados às atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO. Segundo a fiscalização, a empresa Recorrida/Impugnante não identificou os bens importados de forma unívoca. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 27.02.2012, o contribuinte apresentou em 27.03.2012, as fls. 811 e ss. (numeração eletrônica) sua Impugnação Administrativa, alegando o seguinte: Em preliminar, a Recorrida/Impugnante, arguiu a sua ilegitimidade, uma vez que a Shell Brasil Petróleo Ltda passou a ser a beneficiária do Regime de Admissão Temporária (REPETRO) cedido pela Shell Brasil Ltda (atual Raizen Combustíveis S/A), em função de uma operação societária. No mérito, arguiu que, considerando que a autuação decorre de ausência de identificação individualizada dos bens importados, não pode o fisco rever o procedimento, uma vez que, no desembaraço dos bens importados, a autoridade aduaneira entendeu que os mesmos atendiam a legislação de Regime Aduaneiro Especial, no caso o REPETRO, permitindo o ingresso dos bens em território nacional. Alega ainda que providenciou, em duas oportunidades (2008 e 2010), pedidos de consulta ao COANA, ocasião em que questionou sobre a importação dos risers e flowlines sob o regime do REPETRO, tendo o órgão, nesta oportunidade, concordado com a importação dos bens sob o regime especial, motivo pelo qual, o fisco não pode alterar seu entendimento e aplicálo a fato pretérito, ou seja, se manifestar no momento do desembaraço aduaneiro, concordando que os bens estavam identificados de forma individualizada e em data posterior, alterar este entendimento e afirmar que os bens importados não estão identificados conforme prevê a legislação. Fl. 6204DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Alega que, embora a autoridade fiscal afirme não ser possível a identificação unívoca dos bens importados, objetos das DI´s 09/02479835, 09/2572231 e 10/17567610, devido ao fato das peças não estarem identificadas com números de série, tal afirmação não procede, pois os números de série e números de parte são idênticos por serem partes de um única peça que mede quase 04 quilômetros. Afirma que a legislação obriga a identificação individualizada dos bens importados e não a identificação dos bens por números de série e de partes, sendo esta uma das formas de identificação, ressaltando que no caso em comento, a identificação individualizada dos bens não precisa se dar por números de série. Arguiu a impossibilidade de aplicação cumulativas das multas previstas pela lei 10.833/03 (art. 72,I) e decretolei 37/66 (art. 107,VII), sob pena de se estar incorrendo em bis in idem pois ambas as multas estão sendo cobradas pelo descumprimento do Regime Especial do REPETRO. Alega que no caso de cobrança de multa cumulativa e dúvidas sobre qual deve ser aplicada, deve prevalecer a que for mais favorável ao contribuinte, ou seja, a do art. 107, VII do declei 37/66. Por fim, contesta o cálculo da multa, afirmando que o fiscal contabilizou os dias de atraso de cada uma das 03 DI´s, e depois somou o número de dias, ato este que precisa ser revisto, sob pena de se estar exigindo a multa por até 03 vezes no mesmo dia. A multa aplicada, segundo a impugnação, não pode ser contabilizada por número de DI´s. Requereu, ao final, fosse julgada procedente a impugnação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), houve por bem considerar procedente a Impugnação apresentada, tendo proferido Acórdão nº. 0731.349, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/02/2009, 02/03/2009, 05/10/2010 REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. TERMO DE RESPONSABILIDADE. O termo de responsabilidade é título representativo de direito líquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas, sendo passível de cobrança e execução sem a necessidade da constituição do lançamento fiscal para os mesmos tributos. REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 6205DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.204 5 O lançamento da multa prevista no inciso I do artigo 725, do Regulamento Aduaneiro de 2009, para os beneficiários do regime de admissão temporária, somente é devido após o transcurso do prazo de trinta dias após as providências previstas no §1º do artigo 761, sem que a importadora tenha cumprido as exigências determinadas no artigo 370 do citado Regulamento. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. REPETRO. O Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural Repetro aplicase, também, às máquinas e equipamentos sobressalentes, às ferramentas e aparelhos e a outras partes e peças destinadas a garantir a operacionalidade dos bens empregados na atividade de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo. Na ausência de elementos de prova, bem como diante da insuficiente motivação, não poderão ser excluídos do Repetro os bens formalmente importados no regime de admissão temporária. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” Em apertada síntese, a DRJ/FNS, nos termos do voto do Relator, houve por bem cancelar a autuação discutida, por entender que a exigência dos tributos lançados é improcedente. Em sede de preliminar foi indeferido o pedido da Impugnante/Recorrida, para a realização de perícia por entender o órgão julgador ser desnecessária à formação da sua convicção. Com relação a alegação da ilegitimidade, o órgão entendeu que deve ser observada a data do fato gerador das obrigações discutidas. Considerando que na data do registro das DI´s era a Impugnante/Recorrida a importadora dos bens, concluise que a mesma é o sujeito passivo das obrigações tributárias suspensas. Com relação aos argumentos do contribuinte, destaca ser improcedente a exigência de tributos lançados pelo fato de esse crédito já estar constituído em Termo de Responsabilidade, e mesmo que assim não o fosse, a multa de ofício não é aplicável, haja vista que nenhuma das providências previstas nos arts. 370, 760 a 765 do Regulamento Aduaneiro foram adotadas pela Administração antes de proceder ao lançamento. Com relação a argumentação de que as multas não poderiam ser aplicadas de forma cumulativa, o órgão julgador entende que as mesmas possuem natureza jurídica diversa, motivo pelo qual podem ser aplicadas cumulativamente. Com relação a concessão do regime especial pela autoridade aduaneira, no momento da entrada dos bens, indica que os bens ingressaram no país de acordo com a finalidade para a qual foram importados. O processo de transferência da titularidade do benefício, por sua vez, também confirma a regularidade das operações, eis que está condicionada ao efetivo atendimento dos requisitos para aplicação do regime REPETRO. Se a empresa não estivesse operando de acordo com a legislação do regime especial, a mudança de beneficiário do regime não seria concedida. Afirma que a Impugnante/Recorrida apresentou provas de que os bens importados são perfeitamente identificáveis quando da extinção do regime, ao termo final das operações e que, portanto, cumprem a legislação de concessão do regime especial, não constando nenhuma outra informação de que os bens admitidos no REPETRO tenham permanecido no país em prazo além daquele fixado pela Secretaria da RFB, Fl. 6206DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 ou qualquer outra comprovação que poderiam ser enquadrados nas causas impeditivas ao gozo do benefício. DO RECURSO DE OFÍCIO Por ter sido atingida a alçada prevista na Portaria Ministerial da Fazenda nº. 03/2008 houve recurso de ofício pela DRJ/FNS. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado – eletronicamente até a folha 6.201 (seis mil duzentas e uma), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 6207DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.205 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Considerando que os valores exonerados superam a alçada, atualmente fixada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conheço do Recurso do Ofício. Havendo diversas questões sob julgamento, passo a abordagem daquelas que interferem no deslinde da matéria, tanto com relação à preliminares, como também em relação ao mérito da exigência, e seu cancelamento pela Delegacia Regional. LEGITIMIDADE DA RECORRIDA RAIZEN COMBUSTÍVEIS S/A A Impugnante/Recorrida alega em sua Impugnação não ser o sujeito passivo da obrigação tributária que lhe foi imputada, sob o argumento de que houve transferência de beneficiário do Regime Especial, que antes era a Raizen Combustíveis S/A (que na época dos fatos atuava sob a denominação de Shell Brasil Ltda) e passou a ser a Shell Brasil Petróleo Ltda. De acordo com a Recorrida, os bens importados estavam sob posse de outra pessoa jurídica, qual seja, a Shell Brasil Ltda., entretanto, foram transferidos para a Shell Brasil Petróleo Ltda., operação esta devidamente autorizada pelo órgão governamental competente. Foram juntadas provas da mudança de beneficiário do regime e transferência dos bens importados. Alega ainda que, o benefício concedido à Shell Brasil Ltda (atual Raizen Combustíveis S/A) foi baixado e concedido um novo benefício à Shell Brasil e Petróleo Ltda., sendo que esta sociedade detém a posse dos bens importados e é a atual responsável pelos tributos suspensos e nova beneficiária dos bens importados. A decisão proferida pela DRJ indeferiu a preliminar de ilegitimidade arguida pela Impugante/Recorrida, ressaltando a aplicabilidade do art. 144 do CTN, que em suma, prevê a obrigação de se observar a data da ocorrência do fato gerador no lançamento do crédito tributário, decisão esta cujo trecho referente ao não deferimento do pedido de ilegitimidade transcrevese abaixo: “Em sede de preliminar, a impugnante alega que com a transferência de beneficiário do Repetro a responsabilidade tributária se extingue para o cedente, nos termos da própria regulamentação da Receita Federal do Brasil, ficando apenas o cessionário como o responsável pelos tributos suspensos. Deste modo, a transferência da responsabilidade pelo pagamento dos tributos suspensos pelo Repetro é confirmada pelos Termos de Responsabilidade n° 6276/2010 (DI 10/17568610), nº 4722/2011 (DI 09/0247983¬5), nº 5026/2011 (DI 09/02572231), segundo os Fl. 6208DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 quais a Shell Brasil Petróleo Ltda. e a Repsol Brasil S/A, são as novas beneficiárias dos bens importados. Porém, o que deve ser verificado é em que data ocorreu o fato gerador das obrigações discutidas no presente processo, detalhe não observado pela interessada. O motivo do lançamento foi o descumprimento de regime especial por importação de bens em desacordo com as normas do regime, descumprimento este ocorrido na data do registro da DI. Os fatos geradores ocorreram em data que a interessada era o sujeito passivo das obrigações tributárias, portanto, o lançamento deve ser feito de acordo com a legislação então vigente e reportase à data da ocorrência do fato gerador. O CTN é claro nesta questão conforme trecho transcrito abaixo: Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Dessa forma, concluise que a Raízen Combustíveis Ltda. (atual denominação da Shell Brasil Ltda) é o sujeito passivo dos tributos aduaneiros suspensos.” Neste sentido, entendese acertada a decisão recorrida, que concluiu que a Raizen Combustíveis Ltda. é o sujeito passivo dos tributos aduaneiros suspensos, partindose da premissa de que o lançamento deve se reportar ao fato gerador. Considerando que o fato gerador (importação) ocorreu na época em que a Impugnante/Recorrida era a importadora dos bens e beneficiária do REPETRO. Os bens, objeto da autuação, foram importados em 2009 e 2010, época em que a Shell Brasil Ltda (atualmente Raizen Combustíveis S/A) era a beneficiária do regime especial e importadora dos bens descritos nas DI´s 10/17568610 (juntada às fls. 534/540), DI 09/02572231 (juntada às fls. 279/324) e 09/02479835 (juntada às fls. 223/237), de modo que a Recorrida é parte legítima para responder pelo não cumprimento da obrigação tributária que lhe é imputada. Dessa forma, com base nos argumentos apresentados, entendese que a autuada possui legitimidade para responder a autuação, devendo ser mantida a decisão da DRJ neste sentido. DO TERMO DE RESPONSABILIDADE E A DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento tributário é, segundo palavras do Prof. Paulo de Barros “ato jurídico administrativo, constitutivo e vinculados, mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira uma norma individual e concreta, que tem como antecedente o fato jurídico tributário e como consequente, a formalização do vinculo obrigacional pela individualização dos sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação, formado pela base de cálculo e correspondente alíquota, bem como pelo estabelecimento dos termos espaço temporais em que o crédito há de ser exigido”. (CARVALHO, Paulo de Barros, 2011. pg. 464). Fl. 6209DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.206 9 Ocorrido o fato gerador descrito na hipótese de incidência, temos surgimento, automático e infalível (segundo as lições de BECKER), da obrigação tributária. Nascida a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de apurar o montante do tributo e da penalidade, mediante procedimento previsto na lei. Apurado o tributo devido, compete a mesma autoridade constituir o crédito, mediante o ato de lançamento, segundo dispõe o art. 142 do CTN. Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Importante ressalta que o CTN não regula claramente a formalização do crédito, o que, muitas vezes, geram dúvidas, como no caso em comento, em que a autoridade fiscal fica na dúvida em se deve seguir os ditames da lei 5.172/66 (CTN) ou da lei especial (declei 37/66, decreto 6.759/09 (RA/09) e IN RFB 844/08). No caso em questão, optou o fiscal, “em nome da segurança jurídica e para dirimir eventuais dúvidas quanto ao conceito de obrigações fiscais em face do conceito de crédito tributário, sendo certo que este é constituído por meio do lançamento, e pelo cumprimento do dever funcional” (fls. 785) pelo lançamento, de acordo com o que preconiza o CTN. A DRJ, no entanto, ao julgar o caso, entendeu que mesmo aceitandose a hipótese de que o entendimento adotado pela fiscalização possa ser válido, a exigência do crédito correspondente deveria ser feita conforme os procedimentos pertinentes ao não cumprimento do respectivo Regime, porque as obrigações fiscais a que se refere já foram anteriormente constituídas por meio de Termo de Responsabilidade, como é o caso relativo a todos os Regimes Aduaneiros Especiais, nos quais essas obrigações fiscais ficam suspensas mediante assinatura de referido Termo, de acordo com o que dispõe o art. 72 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988. (fls. 6194), decidindo, consequentemente, que o fisco deveria ter seguido o procedimento previsto no RA/09. Observese que a lei especial estabelece um procedimento de apuração do crédito tributário constituído em Termo de Responsabilidade, respeitando os direitos do sujeito passivo, do contraditório e da ampla defesa, quando o RA/09, em seu art. 761, estabelece que: Art. 761 A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. Fl. 6210DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 § 1º A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da União, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2º Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 1º, será intimado também o fiador ou a seguradora. Só depois disso é que, de acordo com o art. 762 do RA/09, o crédito será exigido. Neste mesmo sentido são os art. 18 a 21 da IN RFB 844/09. É de se observar que os dispositivos legais que tratam da constituição do crédito tributário por meio de Termo de Responsabilidade não contrariam o disposto no art. 142 do CTN, uma vez que o lançamento é uma das formas de constituição do crédito, mas que também pode se dar através do chamado “autolançamento” ou ainda pelo pedido de parcelamento. Ao Termo de Responsabilidade, que reportase aos fatos geradores já “autolançados” e constituídos através do registro da Declaração de Importação DI, atribuise os atributos de confissão de dívida, cuja exigibilidade fica inicialmente suspensa, mas que pode ser efetivamente “extinta” diante do cumprimento do Regime Especial de admissñao temporária obtido. Assim sendo, em se tratando de importação de bens pelo regime de admissão temporária, o sujeito passivo assume a responsabilidade de pagar os tributos suspensos no caso de não cumprimento das regras para concessão e fruição do regime. Neste sentido, inclusive, segue o entendimento do STJ: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. BENS IMPORTADOS. REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA ESGOTADO. TERMOS DE RESPONSABILIDADE. PRAZO. MULTAS. 1. O Termo de Responsabilidade firmado, quando da admissão temporária de bens importados, faz as vezes de um reconhecimento explícito do débito acaso não seja engendrada a prorrogação prevista. 2. Superado o prazo sem prorrogação tempestiva, incidem os consectários previstos no Termo de Responsabilidade passível de ensejar o lançamento e consequente execução fiscal, excluídas as multas não contempladas, porquanto do contrário haveria infração ao due process of law. 3. In casu, os tributos exigidos no executivo fiscal são previstos em lei, cujo conhecimento não é dado ao contribuinte (nemo ius ignorare censetur) excusarse sob a alegação de ignorância, mercê de contemplados no Termo de Responsabilidade insindicável por esta Corte Superior, na via especial (Súmulas 05 e 07 do STJ), mas aferido na instância a quo, tanto que nesta foram excluídas as sanções não previstas. 4. O ônus do excesso de execução é da parte embargante executada, pelo que ilegítimo exigirse da Fazenda, que obedece o princípio da legalidade o qual vale pro et e contra o contribuinte, manifestação acerca do porquê de cada débito Fl. 6211DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.207 11 consagrado na lei e no Termo de Responsabilidade. 5. O v. aresto recorrido fundase na suficiência do Termo de Responsabilidade, respondendo à indagação da parte acerca do rito seguido para alcançarse o quantum debeatur exigido. 6. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 7. Recurso especial desprovido.” (REsp 750142/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2007, DJ 31/05/2007, p. 337) – grifei. Dessa forma, havendo o “autolançamento” no momento do registro da DI, que por si só já constitui o crédito tributário pelo lançamento, em se verificando o descumprimento do Regime Especial, desnecessário um novo lançamento dos tributos suspensos, até porque somente se pode “suspender” o que já está constituído. Desta forma, acertada a conclusão da DRJ em entender improcedente o lançamento tributário, ao menos com relação aos tributos (ou seja, quanto ao principal). Quando à multa de ofício, aí sim, poderseia cogitar na possibilidade de lançamento isolado. De todo modo, este entendimento constante do julgado da DRJ apenas levaria à “nulidade” do lançamento, o que, penso, apenas deverseia pronunciála, se no mérito não se pudesse dar guarida ao próprio recurso do contribuinte (art. 59, §3, do Decreto nº 70.235/72), de modo que embora constante da fundamentação do v. Acórdão revisado de ofício, não deve ser tido com a razão do cancelamento da exigência, como passa a expor. DO MÉRITO: NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS DE FORMA INDIVIDUALIZADA De acordo com os autos de infração lavrados contra a Recorrida, a mesma teria deixado de atender a legislação que dispõe sobre o regime de admissão temporária e sobre o regime especial REPETRO, ao deixar de identificar perfeita e individualizadamente os bens importados na vigência e extinção do regime. A fiscalização chegou a esta conclusão depois de analisar as notas fiscais e DI´s dos bens importados e verificar que os mesmos estão identificados pelo que seria o número parte (part number) e não por números de série (serial number). Considerando, segundo a fiscalização, que o “número parte” identifica o produto de uma forma geral e o “número de série” identifica o produto de forma individualizada, concluiu a mesma que os referidos bens não estão perfeitamente individualizados, impossibilitando a sua identificação unívoca. Neste sentido transcrevese texto extraído do Relatório de Fiscalização Anexo ao Auto de Infração (fls. 783/808): “Relacionando os números de série das partes e peças importadas (válvulas, cabos umbilicais, reguladores hidráulicos, ente outras), verificamos que, na verdade, muitos dados Fl. 6212DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 informados referemse a números de parte (part numbers).(fls.800) (...) Conforme visto acima, havia exemplos de mercadorias cuja numeração referiase ao código de produto, não ao número de série ou a qualquer outra forma de identificação única. Como em sua ratificação, RAÍZEN não trouxe fatos novos que pudessem mudar a análise dos dados, a planilha abaixo elenca os itens que não possuem identificação unívoca, comprovandose este fato por terem sido trazidos mais de um sob o mesmo código de produto. Recordase que a clara possibilidade de se importar mais de um item para cada código (part number) comprova a falta de identificação unívoca de cada um deles, o que contraria a IN RFB n.º 844/08, art. 2.º, §2.º, III. Como foi visto, part numbers não identificam cada um dos bens, mas um tipo de bem. Resta, então, relativamente aos itens descritos na planilha, que RAÍZEN não comprovou a identificação unívoca de cada parte e de cada peça ali descritos (...) Assim, esta Fiscalização constatou que RAÍZEN não cumpriu uma das condições que poderiam garantir a suspensão dos tributos, no âmbito do Repetro: não identificou os bens de forma unívoca, ou melhor, não trouxe bens que pudessem ser assim identificados. (fls. 802/803) Sobre a necessidade de identificação dos bens importados sob regime de admissão temporária, o Decretolei 37/66, que trata do Imposto de Importação e dos serviços aduaneiros, dispõe no seu art. 75, § 1º, III, o seguinte: “Art. 75. Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidem sobre a importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado. §1º. A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: (...) III identificação dos bens.” Temos ainda o Regulamento Aduaneiro, previsto pela Lei nº 6.759/09 (RA/09), cujo art. 353 dispõe que: “Art. 363. A aplicação do regime de admissão temporária ficará condicionada à: (...) III identificação dos bens.” Fl. 6213DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.208 13 Sobre o REPETRO, regime especial que beneficia a Impugnante/Recorrida, dispõe o inciso III do § 2º do art. 2º da IN RFB 844/08, que a ausência da perfeita identificação dos bens implica na exclusão do beneficiário do regime especial: “Art. 2º O Repetro aplicase aos bens constantes do Anexo Único a esta Instrução Normativa: (...) § 2º Excluemse da aplicação do Repetro os bens, ainda que atendam ao estabelecido no caput e no § 1º: (...) III que não permitam a sua perfeita identificação na vigência e extinção do regime;” Denotase que o texto legal exige a identificação do bem importado, pois como bem ressalta a autoridade autuante, em função da temporariedade da permanência deriva a necessidade de se identificar, de forma unívoca, o bem que está sendo admitido, de forma que outro não possa figurar em seu lugar no curso e por ocasião da extinção do regime. Se isto acontecesse, significaria ter aquele bem ingressado definitivamente sem o pagamento dos tributos. Portanto, é requisito obrigatório da admissão temporária que o bem temporariamente admitido com suspensão do pagamento dos tributos possa ser identificado como único, de forma que nenhum outro possa substituílo (fls. 790). Ainda, segundo a autoridade fiscal, analisando as DI´s 09/02479835, 09/02572231 e 10/17568610, bem como os documentos que as acompanham, juntadas respectivamente às fls. 223/237, 279/324 e 534/540, os bens estão identificados apenas com os part numbers e não com serial numbers, fato este que, do ponto do vista o agente fiscal que analisou a documentação, comprovaria que os bens não estariam identificados. Por sua vez, a Recorrida justifica que há a anotação apenas de um número nas notas fiscais, part number/serial number eis que o que foi importado não foram peças, mas partes de uma peça maior. De qualquer forma, em que pese as argumentações trazidas por ambas as partes, temse que a lei prevê a obrigação da importadora, beneficiária do regime especial de admissão temporária, de identificar, de forma detalhada, o bem importado. Acontece que existem inúmeras formas de identificação do bem. O fiscal, analisando as DI´s, notas fiscais e documentos anexos, de fato não conseguiu individualizar os bens importados, tarefa esta que, de fato, se mostra bastante desafiadora se a análise se ativer tão somente a verificação das DI´s e documentos em anexo. Entretanto devidamente intimada para prestar esclarecimentos, a Impugnante/Recorrida juntou uma série e documentos, além de laudos técnicos (fls. 1217/1230 e fls. 5364/5393), que elucidam os fatos e permitem compreender o processo de lavra e pesquisa de petróleo, bem como comprova a importância da identificação individualizada de cada parte que compõe o flowline ou o riser, permitindo concluir que a empresa tem como identificar cada uma das partes do bem importado. Fl. 6214DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 Dessa forma, sobre a suposta não identificação dos bens importados sob o regime aduaneiro especial (REPETRO), temse que a decisão da DRJ merece ser mantida, uma vez que restou provada pela impugnante a possibilidade desses bens importados serem perfeitamente identificados e de forma individualizada. Quando da exportação desses bens, motivado pelo fim do prazo de admissão temporária, encerramento da finalidade para a qual foram importados, ou qualquer outro motivo, os mesmos, por imposição legal, deverão ser identificados e caberá à Impugnante/Recorrida comprovar que são, exatamente, àqueles importados anteriormente. Não pode a autoridade fiscal, baseada na presunção de que a Impugnante/Recorrida, futuramente não irá cumprir esta obrigação, obrigála a pagar todos os impostos suspensos e excluíla do regime, mesmo depois dessa mesma autoridade ter autorizado o desembaraço aduaneiro dos bens sob o regime especial. Consta nas DI´s objeto da autuação, que os bens ingressaram no país pelo chamado “Canal Amarelo”. Isso significa dizer que as DI´s e os documentos que as instruíram (notas fiscais, das quais constava os números de identificação, por exemplo) foram analisados e não foram encontradas irregularidades. A autoridade Aduaneira, na ocasião, teve a oportunidade de averiguar que os bens estavam sendo importados pelo regime do REPETRO, e portanto, com a suspensão dos impostos incidentes sobre a operação, e para autorizar o desembaraço teve de verificar se atendiam as exigências do regime especial, bem como de verificar se os bens podiam ser identificados, de forma individualizada. Se a Recorrida estivesse importando os bens em desacordo com a legislação do REPETRO, os bens não teriam sido desembaraçados e o seu ingresso em território brasileiro não teria sido permitido. Posteriormente, a autoridade competente teve uma segunda oportunidade de se manifestar quanto a uma eventual irregularidade e descumprimento da legislação do Regime Especial, por parte da Recorrida, quando foi solicitada e deferida a “mudança” de beneficiário do REPETRO. Considerando que a nova beneficiária teve o pedido de admissão temporária sob o regime do REPETRO concedido, concluise que os requisitos para fruição das benesses do regime especial foram atendidos, dentre as quais, àquelas previstas no art. 2º da IN RFB 844/08. Além do mais, se um bem foi considerado perfeitamente identificável no momento do despacho aduaneiro, é pouco provável que esta situação tenha se alterado no decorrer do regime, ou seja, deixasse de ser identificável. Assim sendo, tratandose de partes de uma peça maior (cerca de 4 km), estando cada uma delas identificada com o mesmo número que, juntas, comporiam a peça, não procede a acusação de falta de identificação. Por certo que por ocasião do desembaraço aduaneiro se aquilatou que a peça estava dividida em partes, e mesmo assim se deferiu o desembaraço, após análise documental. Desta forma, entendese que no mérito não procede a acusação fiscal em si, sendo o apontamento do número de série em cada parte, componente da peça como um todo, suficiente para que se tenha por atendido o requisito legal da “identificação do bem”, de modo que, competiria à Administração demonstrar trataremse de outras peças, fundamentando eventual lançamento em outra razão, e não simplesmente na falta de identificação. Fl. 6215DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 11762.720024/201225 Acórdão n.º 3402002.228 S3C4T2 Fl. 6.209 15 Por isso entendese que a decisão da DRJ deve ser preservada quanto ao entendimento de mérito da exigência. DA MULTA DE OFÍCIO Diante do cancelamento total da exigência, temse por prejudicada a análise desta questão constante dos autos. DISPOSITIVO: Na esteira das considerações acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 6216DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.906758/2011-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10845.906758/2011-36
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320850
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.586
nome_arquivo_s : Decisao_10845906758201136.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10845906758201136_5320850.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5276028
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046366982242304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 379 1 378 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.906758/201136 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.586 – 1ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CARAVEL SERVICOS DE CONTAINERS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 06 75 8/ 20 11 -3 6 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906758/201136 Resolução nº 3801000.586 S3TE01 Fl. 380 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 381DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906758/201136 Resolução nº 3801000.586 S3TE01 Fl. 381 3 Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906758/201136 Resolução nº 3801000.586 S3TE01 Fl. 382 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906758/201136 Resolução nº 3801000.586 S3TE01 Fl. 383 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.906758/201136 Resolução nº 3801000.586 S3TE01 Fl. 384 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.722166/2011-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2011
COMPENSAÇÃO. GLOSA. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIAS INVIABILIZADAS À SEARA ADMINISTRATIVA. REPERCUSÃO GERAL, SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO DE SOBRETAMENTO E AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE AS MATÉRIAS VEICULADAS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIAS INVIABILIZADAS À SEARA ADMINISTRATIVA. REPERCUSÃO GERAL, SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO DE SOBRETAMENTO E AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE AS MATÉRIAS VEICULADAS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10860.722166/2011-75
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313170
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.797
nome_arquivo_s : Decisao_10860722166201175.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10860722166201175_5313170.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5216670
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367026282496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 890 1 889 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.722166/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.797 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria CP: COMPENSAÇÃO GLOSA. Recorrente MUNICÍPIO DE SILVEIRAS PREFEITURA MUNICIPAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/08/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIAS INVIABILIZADAS À SEARA ADMINISTRATIVA. REPERCUSÃO GERAL, SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE EXPRESSA DETERMINAÇÃO DE SOBRETAMENTO E AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE AS MATÉRIAS VEICULADAS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 21 66 /2 01 1- 75 Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 891 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF contempla o Auto de Infração – AI DEBCAD 51.008.1320, que objetiva a glosa de compensação realizada de forma indevida, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal PAF, e seus anexos, de fls. 23 a 44, com período de apuração de 01/2008 a 0/2011, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 45 e 46. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 20/12/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 165 a 168, remetida via postal, em 17/01/2012, conforme envelope, de fls. 164, estando acompanhada dos documentos, de fls. 169 a 1.387. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 1.388. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0539.186 7ª Turma da DRJ/CPS, em 18/10/2012, fls. 1.389 a 1.408, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 29/11/2012, Intimação e AR, de fls. 1.412 e 1.413, respectivamente. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 1.414 a 1.432, remetido via postal, em 20/12/2012, conforme envelope, de fls. 1.462, acompanhado dos documentos, de fls. 1.433 a 1.461. As teses recursais sumariadas estão a seguir expostas. · que as verbas de horas extras, adicional noturno e de insalubridade, bem como o terço constitucional de férias, não são base de cálculo de contribuição previdenciária e com apoio na jurisprudência do STF e STJ a municipalidade apurou os valores pagos indevidamente e promoveu sua compensação; · que o STF reconheceu a repercussão geral e sobrestou diversos julgados e com base nessas decisões do STF, que entendem que a contribuição não repercutirá na aposentadoria do servidor, artigo 40, caput, da CF/88 a municipalidade apurou os créditos e compensou com dívidas vincendas; · que a repercussão geral foi introduzida pela EC 45/2004 e o CARF com base na Portaria Nº 001/2012 regulou o sobrestamento dos recursos administrativos para aplicação da repercussão, cita decisões do CARF; Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 892 3 · que as verbas que o município utilizou para as compensações e que o fisco glosou, são as que o STF sobrestou o andamento dos processos, assim sendo este recurso deverá ser sobrestado; · A recorrente ao final espera e requer: a) acolhimento do recurso; b) com o cancelamento do débitos fiscal; c) sobrestandose o julgamento do presente processo. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 1.466. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 1.466. É o Relatório. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 893 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cabe esclarecer que parte da matéria versada nos autos foi objeto de ação judicial junto ao judiciário federal de São Paulo, porém a decisão de primeira instância encontrase no TRF3 em razão de Apelação em Mandado de Segurança que em verdade são dois como consta no final deste acórdão. A decisão de primeiro grau já enfrentou as situações postas na sentença de primeira instância da justiça federal. As verbas das quais o contribuinte se utilizou para apurar pretensos valores para compensação, não são créditos reconhecidos ao contribuinte. Logo, as compensações são indevidas, pois o direito creditório não está reconhecido nem em juízo e nem na via administrativa, na via judicial aplicase o artigo 170A, da Lei 5.172/66. A repercussão geral suscitada pela recorrente para sobrestar o andamento do presente recurso não se amolda ao caso e duas são suas razões. A uma, o Ministro Relator do STF ao reconhecer a repercussão geral no caso do RE 593.063 não determinou expressamente o sobrestamento dos processos. Assim, nos termos do artigo 62A e seus parágrafos, do Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF c/c a Portaria 001/2012 o sobrestamento só será aplicado no CARF se este for expresso no RE, observe a decisão do STF. MANIFESTAÇÃO O EXMO. SR. MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (RELATOR): Tratase de recurso extraordinário (art. 102, III, a da Constituição Federal) interposto de acórdão prolatado pela Segunda Turma Recursal da Seção Judiciária do Estado de Santa Catarina assim ementado: “TRIBUTÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PSS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. OUTRAS VERBAS. NATUREZA. LEI 9.783/99 E 10.887/2004. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. CONSECTÁRIOS LEGAIS. HONORÁRIOS. PRESCRIÇÃO. 1. As verbas recebidas a título de terço constitucional de férias, assim outras como gratificação natalina e horas extras, por Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 894 5 exemplo, possuem natureza remuneratória, sendo, portanto, passíveis de contribuição previdenciária. 2. A Previdência Social é instrumento de política social do governo, sendo certo que sua finalidade primeira é a manutenção do nível de renda do trabalhador em casos de infortúnios ou de aposentadoria, abrangendo atividades de seguro social definidas como aquelas destinadas a amparar o trabalhador nos eventos previsíveis ou não, como velhice, doença, invalidez: aposentadorias, pensões, auxíliodoença e auxílioacidente do trabalho, além de outros benefícios ao trabalhador. 3. No regime previsto no art. 1º e seu parágrafo da Lei 9.783/99 (hoje revogado pela Lei 10.887/2004), a contribuição social do servidor público para a manutenção do seu regime de previdência era "a totalidade da sua remuneração", na qual se compreendiam, para esse efeito, "o vencimento do cargo efetivo, acrescido de vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei, os adicionais de caráter individual, ou quaisquer vantagens, (...) excluídas: I as diárias para viagens, desde que não excedam a cinqüenta por cento da remuneração mensal; II a ajuda de custo em razão de mudança de sede; III a indenização de transporte; IV o salário família". 4. A gratificação natalina (13º salário), o acréscimo de 1/3 sobre a remuneração de férias e o pagamento de horas extraordinárias, direitos assegurados pela Constituição aos empregados (CF, art. 7º, incisos VIII, XVII e XVI) e aos servidores públicos (CF, art. 39, § 3º), e os adicionais de caráter permanente (Lei 8.112/91, art. 41 e 49) integram o conceito de remuneração, sujeitandose, conseqüentemente, à contribuição previdenciária. 5. O regime previdenciário do servidor público hoje consagrado na Constituição está expressamente fundado no princípio da solidariedade (art. 40 da CF), por força do qual o financiamento da previdência não tem como contrapartida necessária a previsão de prestações específicas ou proporcionais em favor do contribuinte. A manifestação mais evidente desse princípio é a sujeição à contribuição dos próprios inativos e pensionistas. Precedentes STJ: REsp 805.072/PE, T1, Rel. Min. Luiz Fux, j. 12.12.2006, DJ 15.02.2007 p. 219; REsp 512848 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, T1, DJ 28.09.2006. 6. Decidiu a Corte Especial do STJ no ERESP 644736, em 27.06.2007, através do voto condutor do Ministro Zavascki, que, “a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco [anos] a contar da data do pagamento; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a conta da vigência da lei nova”. Caso em que os pagamentos supostamente indevidos ocorreram antes de 9.6.2005. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 895 6 7. Vencedora, a recorrente ré não responde por verba honorária na inteligência do art. 55 da Lei 9.099/95. 8. Recurso provido.” O acórdão recorrido assentou duas conclusões relevantes. Registrou, inicialmente, que os valores recebidos a título de gratificação natalina (13º salário), acréscimo de 1/3 sobre a remuneração de férias e o pagamento de horas extraordinárias e os adicionais de caráter permanente constituem remuneração e, portanto, fazem parte da base de cálculo da contribuição destinada ao custeio do sistema de previdência do servidor público. Em segundo lugar, o acórdão assentou que a ausência de contraprestações específicas ou proporcionais em favor do contribuinte não tornava inválida a tributação, dado o caráter solidário do sistema previdenciário do servidor público (art. 40 da Constituição). Narra o recorrente ser servidor público lotado na Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, com vínculo regido pela Lei 8.112/1990. Com a ação, objetiva a declaração de: “inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre adicionais e/ou gratificações temporárias, tais como ´terço de férias´, ´serviços extraordinários´, ´adicional noturno´, ´adicional de insalubridade´ entre outras bem como a condenação da ré em restituir as quantias indevidamente descontadas, desde maio de 1999 até o trânsito em julgado desta ação” (Fls. 106v). Sustentase, em síntese, violação do art. 195, § 5º da Constituição, na medida em que o tributo é calculado sobre valores que não integrarão os proventos que serão devidos ao recorrente durante sua inatividade. Segundo argumenta, se a validade da concessão de novos benefícios está vinculada a existência de correspondente fonte de custeio, não faria sentido criar fonte de custeio sem correspondente benefício. Apontase, ainda, que a tributação pretendida redundaria no uso de tributo com efeito de confisco (art. 150, IV da Constituição Federal), pois é vedada a “percepção de proventos superiores ao do cargo efetivo, quando da inatividade” (Fls. 108). Contrarazões à fls. 120125, em que se articula prescrição do alegado direito contra a Fazenda Pública (Decreto 20.910/1932), correta aplicação de juros (art. 1ºF da Lei 9.494/1997) e a amplitude do sistema previdenciário, à luz do equilíbrio financeiro e atuarial previsto no art. 40 da Constituição Federal. Considero preenchido o requisito da repercussão geral da questão constitucional posta sob o crivo da Corte. Caracteriza se a ampla latitude quantitativa, na medida em que há setenta e oitos recursos registrados na Corte com o mesmo código de assunto e submetidos ao exame da repercussão geral cód. 10289 (DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Servidor Público Civil | Sistema Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 896 7 Remuneratório e Benefícios | Gratificações da Lei 8.112/1990). A Corte prolatou, ainda, alguns precedentes que tangenciam, direta ou indiretamente, a matéria (cf., e.g., o AI 547.383, rel. min. Ricardo Lewandowski, DJ de 17.05.2007; o AI 729.219 AgR, rel. min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJ de 06.03.2009; o RE 434.754, rel. min. Cezar Peluso, Segunda Turma, DJ de 14.11.2008; o RE 545.317AgR, rel. min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJ de 14.03.2008; o AI 603.537AgR, rel. min. Eros Grau, Segunda Turma, DJ de 30.03.2007; o AI 740.356, rel. min. Carlos Britto, DJ de 12.03.2009; o AI 741.883, rel. min. Cármen Lúcia, DJ 30.03.2009; o AI 724.653, rel. min. Menezes Direito, DJ de 25.11.2008; o AI 705.663, rel. min. Ellen Gracie, DJ de 13.11.2008). Também está caracterizada a relevância constitucional da discussão sobre o alcance das normas constitucionais que estabelecem a base de cálculo do tributo (“conceito de remuneração”) e os limites para formação de regime previdenciário regido pelo princípio da solidariedade e pela correspondência atuarial entre o custeio e os benefícios concedidos (reconhecimento ou não do propósito atuarial da exação, no contexto de sistema caracterizado pela solidariedade, isto é, a circunstância de os valores recolhidos não reverterem direta e necessariamente em benefício do contribuinte). Pelo exposto, entendo presente o requisito da repercussão geral a que fazem alusão os arts. 102, § 3º da Constituição Federal, 543A, § 1º do Código de Processo Civil e 323 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator A duas, porque como diz a municipalidade recorrente e como se verifica do manifestação acima transcrita a situação da repercussão não é idêntica ao caso do lançamento guerreado, o lançamento cuida de verbas pagas aos segurados do Regime Geral de Previdência Social – RGPS e a manifestação da repercussão cuida de Regime Próprio de Previdência Social – RPPS, pois cuida do artigo 40, da CRFB/88 e da Lei 8.112/91 Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 897 8 Destarte, não há motivos para aplicar o sobrestamento ao presente caso em razão da repercussão geral. Assim sendo, deve o presente feito prosseguir seu curso natural. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. PESQUISA EFETUADA EM 15/09/2013 NO SITE DO TRF3. ANEXO AO ACÓRDÃO DO CRÉDITO 51.008.1320. Obs: existem dois agravos prejudicados pela sentença de primeiro grau. Consulta Processual Visualizar Processo Momento da consulta: domingo, 15 de setembro de 2013 às 22:45 Número (CNJ, 20 dígitos) 000389128.2010.4.03.6121 Processo 2010.61.21.0038919 Número de origem 000389128.2010.4.03.6121 Classe 336077 AMS SP Vara 1 TAUBATE SP Data de autuação 09/03/2012 Partes Nome Apelante PREFEITURA MUNICIPAL DE SILVEIRAS SP Advogado ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO Apelado OS MESMOS Relator DES.FED. NELTON DOS SANTOS Assuntos Descrição Assunto Contribuição sobre a folha de salários Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 1 Suspensão da Exigibilidade Crédito Tributário Direito Tributário Detalhe 2 MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 898 9 Órgão julgador SEGUNDA TURMA Localização GAB.DES.FED. NELTON DOS SANTOS (213) Endereço AV. PAULISTA, 1842 20º ANDAR TORRE SUL Número de volumes 2 Número de páginas 412 Número de caixa 0 Fases Data Descrição Documentos 02/04/2012 CONCLUSOS AO RELATOR P/DESPACHO 30/03/2012 RECEBIDO(A) DO MPF COM PARECER. 16/03/2012 REMESSA GUIA NR.: 2012064196 DESTINO: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 09/03/2012 DISTR. POR DEPENDÊNCIA/PREVENÇÃO Distribuição por dependência por processo 2011.03.00.0020316MPF do dia 09.03.2012 21:11:13 Consulta Processual Visualizar Processo Momento da consulta: domingo, 15 de setembro de 2013 às 22:54 Número (CNJ, 20 dígitos) 000104504.2011.4.03.6121 Processo 2011.61.21.0010458 Número de origem 000104504.2011.4.03.6121 Classe 337263 AMS (AMS) SP Vara 2 TAUBATE SP Data de autuação 02/05/2012 Partes Nome Apelante PREFEITURA MUNICIPAL DE SILVEIRAS SP Advogado ALECIO CASTELLUCCI FIGUEIREDO Apelado Uniao Federal (FAZENDA NACIONAL) Advogado MARLY MILOCA DA CAMARA GOUVEIA E AFONSO GRISI NETO Relator DES.FED. LUIZ STEFANINI Assuntos Descrição Assunto Indenização Trabalhista Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 1 Contribuição sobre a folha de salários Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe 2 1/3 de férias Contribuições Previdenciárias Contribuições Direito Tributário Detalhe Conversão em Agravo Retido Direito Processual Civil Direito Processual Civil e do Trabalho Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10860.722166/201175 Acórdão n.º 2803002.797 S2TE03 Fl. 899 10 3 Detalhe 4 Suspensão da Exigibilidade Crédito Tributário Direito Tributário Detalhe 5 Extinção do Processo sem Resolução de Mérito Formação, Suspensão e Extinção do Processo Direito Processual Civil e do Trabalho Detalhe 6 Antecipação de Tutela/Tutela Específica Processo e Procedimento Direito Processual Civil e do Trabalho Detalhe 7 MANDADO DE SEGURANÇA Órgão julgador QUINTA TURMA Localização GAB.DES.FED. LUIZ STEFANINI (CONTRIB14) Endereço AV. PAULISTA, 1842 9º ANDAR TORRE SUL Número de volumes 3 Número de páginas 605 Número de caixa 0 Apensos Data de apensamento Número de registro Descrição 02/05/2012 201103000193880 ai Fases Data Descrição Documentos 15/08/2012 CONCLUSOS AO RELATOR APÓS CÓPIAS 13/08/2012 RECEBIDO DO GABINETE PARA COPIAS 17/05/2012 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2012120460 DESTINO: GAB.DES.FED. LUIZ STEFANINI 16/05/2012 RECEBIDO(A) ORIGEM MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 09/05/2012 REMESSA GUIA NR.: 2012111442 DESTINO: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 02/05/2012 DISTR. POR DEPENDÊNCIA/PREVENÇÃO Distribuição por dependência por processo 2011.03.00.0193880MPF do dia 02.05.2012 18:21:06 Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 10/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
