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Numero do processo: 10280.720724/2010-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Nulidade. Lançamento Tributário.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material.
Súmulas. Observância Obrigatória.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 Nulidade. Lançamento Tributário. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. Súmulas. Observância Obrigatória. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula Carf no. 49). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula Carf nº 2) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 24 /2 01 0- 16 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0639.262/13 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 63 a 69, que decidiu julgar procedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por atraso na entrega da DCTF – Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais, relativa ao mês de agosto de 2006. O aresto restou assim ementado: NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720724/201016 Acórdão n.º 1801001.999 S1TE01 Fl. 3 3 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 75 a 110, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese (transcrito do acórdão guerreado): “Após um breve relato dos fatos, a interessada alega, preliminarmente, a nulidade do auto de infração em face da inexistência dos Termos de Início e de Encerramento de Fiscalização. Sustenta que os referidos termos são essenciais e obrigatórios, sendo a existência dos mesmos formalmente exigida pelo art. 196 do Código Tributário Nacional para a validade do procedimento fiscal. Diz que o inciso IV, art. 11, da Portaria 3.007/2001, o qual possibilita a não emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nos casos de tratamento automático das declarações, é ilegal e afronta o princípio da legalidade. Pugna pela aplicação da hierarquia das leis e do princípio da legalidade, sustentando que a citada Portaria deve se subordinar aos preceitos da Lei Complementar, qual seja, o CTN . No mérito a contribuinte reclama, primeiramente, pela aplicação do instituto da denúncia espontânea. Sustenta que realizou a apresentação da declaração antes de qualquer medida de fiscalização e que, portanto, a aplicação da penalidade pecuniária, de acordo com a disposição contida no artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66), deve ser afastada. Alega, também, que multa aplicada tem caráter punitivo e não ressarcitório, e que a mesma não encontra amparo legal no ordenamento jurídico, nem, tampouco, na interpretação doutrinária e na jurisprudência. Em outro tópico a interessada alega a ilegalidade de multa aplicada. Diz que o Estado não pode cobrar a Multa em qualquer percentual e de forma isolada; que a ele não é permitido cobrar a multa violando o direito de propriedade e inviabilizando a livre iniciativa e a atividade econômica da contribuinte; e que o mesmo deve aplicar as multas respeitando o princípio da razoabilidade. (...) Sustenta, também, a interessada a insubsistência da obrigação acessória frente ao cumprimento da obrigação principal. Alega que a obrigação acessória está vinculada à obrigação principal e que o desaparecimento dessa importa no desaparecimento daquela que lhe é relativa. E conclui que, no presente caso, a cobrança da multa é insubsistente, uma vez que os tributos declarados em DCTF foram devidamente recolhidos e extintos antes da entrega da declaração. Por fim, em outros três tópicos separados, a contribuinte discursa sobre princípios constitucionais que entende que foram frontalmente atingidos pela pretensão fiscal. Discorre primeiramente sobre a afronta ao princípio da razoabilidade, na seqüência sobre o efeito confiscatório da multa exigida e por último sobre a lesão aos princípios da proporcionalidade e da ordem econômica.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 14/03/13, efls. 74; Recurso – 03/04/13, efls. 75 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Com relação às demais argüições da recorrente, de igual forma os argumentos veiculados no recurso voluntário não merecem melhor sorte. Equivocase a recorrente ao entender serem documentos fundamentais para a presente autuação os Termos de Início e/ou Encerramento de Fiscalização, bem como a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. O espírito da norma que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal é coibir abusos em procedimentos de fiscalização e conceder segurança aos contribuintes de que o procedimento realizado em sua pessoa (física/jurídica) é de natureza institucional. No presente caso, observase que a fiscalização pautouse pela observância das normas tributárias, materiais e procedimentais, ao se deparar com a situação fática revelada em revisão interna das declarações entregues pela contribuinte. Assim é que acolho a jurisprudência dominante deste CARF ao entender que o Mandado de Procedimento Fiscal é norma de natureza interna corporis e não possui o condão de levar à nulidade o lançamento fiscal pautado na norma tributária vigente, sendo suprido pelos outros termos lavrados pela autoridade fiscal revestida da competência natural de sua função. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720724/201016 Acórdão n.º 1801001.999 S1TE01 Fl. 4 5 Quando mais em relação ao presente processo, em que se trata de procedimento restrito à revisão de entrega de declaração, nos quais a própria Portaria SRF nº 6.087/05 citada pela recorrente, em seu artigo 11, dispensa a emissão de MPF: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). Incabível, portanto, no presente caso a arguição da recorrente no sentido de ser exigível a emissão do MPF. De idêntica forma quanto à exigibilidade de lavratura de Termo de Início ou Encerramento de fiscalização, precipuamente nos casos de lavratura de Autos de Infração, emitidos eletronicamente, que se restringem à verificação sumária de entrega de declarações (obrigações acessórias) a que se sujeita os contribuintes e cominação de penalidade correspondente. A ausência de tais termos fiscais não ferem as disposições inseridas no Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), quanto à formalização dos Autos de Infração e/ou Notificações de Lançamento. As nulidades admitidas no PAF impõe a flagrante ocorrência de cerceamento de defesa do contribuinte ou a prática do ato administrativo por autoridade incompetente. Esta é a inteligência do artigo 59, incisos I e II, combinado com a redação do artigo 60: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Nenhuma das hipóteses elencadas nos dispositivos acima reproduzidos ocorreram no presente lançamento fiscal, razão pela qual afasto as nulidades suscitadas pela recorrente. A recorrente argúi que o cumprimento da obrigação acessória vinculase ao cumprimento da obrigação principal, sendo que, se cumprida a principal, não se pode exigir o cumprimento da acessória, ou cominarse penalidade pelo não cumprimento. Não há base normativa para sustentar a alegação da recorrente. Cediço é o teor do artigo 113 do CTN, que define as obrigações: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O parágrafo 3º acima transcrito deixa claro que o não cumprimento da obrigação acessória convertea em obrigação principal quanto à penalidade correspondente (multa pela falta/atraso na entrega de declaração, i.e) mas de forma alguma vincula a obrigação acessória ao pagamento de tributo devido. Por derradeiro, no que respeita às invocações da recorrente sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade de normas tributárias vigentes, e quanto ao que discorre sobre a ofensa destas normas aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, confisco tributário, capacidade contributiva e outros princípios constitucionais, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15504.725891/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LANÇAMENTO - NULIDADE. - DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo a autoridade julgadora esclarecido o erro material constante do relatório fiscal, e que a verba abono sindical não estaria contida no presente AI, não há qualquer nulidade na ausência de apreciação dos argumento sobre tal verba.
Recurso Voluntário Negado.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - GANHOS EVENTUAIS - NATUREZA SALARIAL
Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
CORRESPONSABILIDADE - INDICAÇÃO DOS SÓCIOS NOS RELATÓRIOS CONSTANTES DO AI (CORRESP E VÍNCULOS) - AUSÊNCIA DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL AOS SÓCIOS.
Nos termos da súmula n. 88 do CARF a Relação de Co-Responsáveis - CORRESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Numero da decisão: 2401-003.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO - NULIDADE. - DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo a autoridade julgadora esclarecido o erro material constante do relatório fiscal, e que a verba abono sindical não estaria contida no presente AI, não há qualquer nulidade na ausência de apreciação dos argumento sobre tal verba. Recurso Voluntário Negado. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - GANHOS EVENTUAIS - NATUREZA SALARIAL Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. CORRESPONSABILIDADE - INDICAÇÃO DOS SÓCIOS NOS RELATÓRIOS CONSTANTES DO AI (CORRESP E VÍNCULOS) - AUSÊNCIA DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL AOS SÓCIOS. Nos termos da súmula n. 88 do CARF a Relação de Co-Responsáveis - CORRESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Os ganhos recebidos pelo empregado como retribuição pelo serviço prestado nada mais são do que verbas salariais que compõem o conceito de salário de contribuição. O fato da verba “ganhos” ser paga apenas alguns meses no ano, não lhe afasta a natureza de parcela paga em retribuição ao serviço prestado, consistindo, no mês em que for paga base de cálculo de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS GANHOS EVENTUAIS NATUREZA SALARIAL Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. CORRESPONSABILIDADE INDICAÇÃO DOS SÓCIOS NOS RELATÓRIOS CONSTANTES DO AI (CORRESP E VÍNCULOS) AUSÊNCIA DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PESSOAL AOS SÓCIOS. Nos termos da súmula n. 88 do CARF a Relação de CoResponsáveis CORRESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 58 91 /2 01 1- 78 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo a autoridade julgadora esclarecido o erro material constante do relatório fiscal, e que a verba abono sindical não estaria contida no presente AI, não há qualquer nulidade na ausência de apreciação dos argumento sobre tal verba. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal AIOP, lavrado sob o n. 37.343.5746 em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, tendo o crédito sido constituído sobre salários indireto pagos no período de 01/2008 a 12/2008, sob a rubrica “ganho eventual” Conforme relatório fiscal de fls. 14/22 e Relatórios Discriminativo do Débito – DD (fls. 4/8) e de Lançamentos – RL (fls. 34/36), os valores lançados são incidentes sobre importâncias pagas a empregados denominadas Ganho eventual. Consta no relatório fiscal de fls. 14/22 conforme segue: PAGAMENTOS EFETUADOS SOB A DENOMINAÇÃO DE GANHO EVENTUAL E ABONO ACORDO SINDICAL Pela análise das folhas de pagamento de 01/2008 a 12/2008 foram identificados pagamentos efetuados com a rubrica “28140 – Ganho eventual” e “21405 –Abono Acordo Sindical”. Tais pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tais valores também não foram declarados como tal em GFIP. Por meio do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 002, o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação às competências de 01/2008 a 13/2008, os documentos relativos ao dissídio coletivo da categoria que trata dos pagamentos efetuados a título de Abono acordo sindical (rubrica 21405), bem como, outros dissídios ou regulamento da empresa que tratem de benefícios concedidos a empregados ou de pagamentos efetuados, como no caso da rubrica Ganho eventual (código 28140). A empresa não apresentou convenção coletiva, regulamento ou qualquer outro documentos que contivessem as regras relativas aos valores pagos a título de Ganho eventual e Abono acordo sindical. Considerandose o que dispõe, acerca do conceito de salário de contribuição, a Lei nº 8.212/1991, artigo 28 e o Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto n 3.048/1999, artigo 214, tais importâncias foram consideradas fatos geradores de contribuição previdenciária. Foram elaborados os demonstrativos Anexos II e III (fls. 24/33) que discriminam os pagamentos efetuados sob essas rubricas, por código do trabalhador, totalizando por competência. Esses fatos geradores foram identificados nos autos com o código de levantamento E1, E11, E12, GE, GE1,GE2. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 12/12/2011. Não conformada com a autuação a recorrente S/A ESTADO DE MINAS apresentou impugnação, fls. 126 a 144. Também apresentaram impugnações as empresas indicadas como solidárias SOCIEDADE RADIO E TELEVISÃO ALTEROSA LTDA, e S/A GUARANI. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 257 a 263 . ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2008 REPRESENTANTES LEGAIS DA EMPRESA. As informações acerca dos administradores e representantes legais do sujeito passivo inseridas nos anexos “REPLEG” e “VÍNCULOS” não constitui imputação de responsabilidade tributária aos mesmos. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para Outras Entidades e Fundos a seu cargo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentou recurso, fls. 448 a 485, onde argumenta em síntese: 1. Diz que não assiste razão ao fisco no que toca a procedência dos lançamentos realizados, porque a autoridade fiscal fez incidir contribuições previdenciárias sobre parcelas que não compõem o saláriodecontribuição dos empregados. 2. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES Alega ser impossível a imputação de responsabilidade solidária aos administradores sem que tenha ocorrido a prática de atos ilícitos ou que tenha havido atuação com excesso de poderes. Cita o artigo 135 do CTN. Aduz que a infração da lei a que se refere esse artigo do CTN não se refere ao mero pagamento do tributo conforme caracterizado pela fiscalização. Cita doutrina e jurisprudência. 3. Acrescenta que a própria controvérsia acerca da legitimidade do entendimento destacado no lançamento impugnado desfaz qualquer dúvida quanto ao comportamento excessivo em face das normas aplicáveis, inexistindo qualquer atitude dolosa capaz de permitir a solidariedade cogitada. 4. VALORES PAGOS A TÍTULO DE GANHO EVENTUAL (RUBRICA 28140 e 29135) 5. Afirma que os valores pagos a título de ganho eventual, rubricas 28140 e 29135, não possuem natureza salarial e por isso sob elas não deve incidir contribuição para a previdência social. Aduz que pela leitura do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 214, apenas os benefícios financeiros que integrem a remuneração devem ser entendidos como saláriodecontribuição. 6. Disserta sobre remuneração e contrato de trabalho e conclui que remuneração se configura por um conjunto de prestações recebida habitualmente pelo empregado em decorrência da prestação de serviços decorrente do contrato de trabalho. Aduz que quando for verificado o pagamento recorrente de determinada verba é que se poderá entender que estas estão pactuadas ainda que tacitamente. Diz que a jurisprudência corrobora esse entendimento. Cita Súmula do STF. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 4 5 7. Afirma que é pressuposto constitucional que os ganhos que sofrerão incidência de contribuição previdenciária são apenas aqueles habituais, sendo que a Lei nº 8.212/1991 exclui as verbas eventuais da hipótese de incidência. 8. Conclui que, como o pagamento do bônus não se deu com habitualidade tal pagamento amoldase exatamente nas disposições do RPS, artigo 214, § 9º. 9. Diz que o prêmio somente integra o salário e se torna passível de incidência de contribuição previdenciária a partir do momento em que se caracteriza a habitualidade do seu pagamento porque, senão, tornase verba eventual e, conseqüentemente, não sujeita à tributação previdenciária. Cita doutrina de DELGADO, Maurício Godinho, Curso de Direito de Trabalho que ratificaria esse entendimento. 10. Acrescenta que o próprio parecer CJMPS nº 1.797/1999 exige, para caracterizar o prêmio como verba passível de incidência da contribuição previdenciária o requisito essencial da habitualidade. 11. Cita jurisprudência que trata de bonificação por assiduidade/produtividade e de premiação e conclui que a habitualidade corresponde à idéia de repetição uniforme, em certo contexto temporal, em relação a determinado beneficiário e que descaracterizada essa hipótese, não há se falar em incidência de contribuição previdenciária. 12. VALORES PAGOS A TÍTULO DE ABONO ACORDO SINDICAL PARA EMPREGADOS Em relação aos valores pagos a título de abono acordo sindical foram objeto de autuação somente os valores pagos a dois empregados conforme se extrai do Anexo I do auto de infração. 13. Aduz que, no que diz respeito à empregada cujo “Cód. Trabalhador” é o de nº 021010920, tratase de Tatiana Hoelze Martins Morais, que, até 2/6/2006 prestou serviços para a Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda, conforme documento juntado aos autos. Diz que a partir dessa data o empregado teve seu contrato de trabalho transferido para ela. 14. Acrescenta que, apesar de ter pago o abono ao empregado, tal abono se refere ao período que essa empregada esteve a serviço da Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda, sendo que para essa empresa existe Convenção Coletiva de Trabalho com cópia juntada aos autos. 15. Diz que nos termos da legislação em vigor não integram o saláriodecontribuição os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei, e não os abonos pagos em virtude de lei. 16. Acrescenta que no caso em análise o Abono Acordo Sindical foi pago em cumprimento às Convenções Coletivas de Trabalho – CCT, 2008/2009 (juntada aos autos) e nada mais é do que um abono único no valor de R$ 1.400,00 dividido em três parcelas para não onerar, a um só tempo, o caixa da empresa. Portanto, por determinação legal contida na CLT, artigo 144, tal pagamento é desvinculado do salário. Explica que o artigo 144 da CLT consignou que os abonos concedidos em virtude de convenção coletiva não integrarão a remuneração do empregado. Cita jurisprudência do STJ que corrobora esse entendimento. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 17. Afirma que ademais o abono pago por força da Convenção Coletiva de Trabalho não condiciona o segurado empregado ao cumprimento de qualquer exigência, tratandose, portanto, de verba indenizatória, não integrando o saláriodecontribuição. Cita jurisprudência nesse sentido. 18. Conclui ser inconteste a existência de expressa disposição legal que desvincula da remuneração o abono pago em cumprimento às Convenções Coletivas de Trabalho 2008/2009 da Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda. 19. Diz que o pagamento não decorreu de mera liberalidade do empregador mas por força de determinação de CCT de 2008/2009 e, portanto, não há habitualidade. Aduz que ausente a certeza de sua ocorrência para todos os anos o pagamento do abono é ganho eventual. 20. Assevera que a natureza do abono é indenizatória pois que visa à indenização dos empregados pela demora no término da negociação coletiva. 21. Aduz que o mesmo se aplica à empregada com “Cód. Trabalhador” nº 021010799, Marina Assis Chaves que recebeu abono em função do período que esteve a serviço da Sociedade Rádio e Televisão Alterosa Ltda. 22. PEDIDOS Requer seja reconhecida a impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária a seus administradores. Requer seja declarada a improcedência/cancelamento do lançamento fiscal relativamente aos valores pagos a título de ganho eventual, de abono pago a título de Abono Acordo Sindical. 23. O contribuinte juntou cópia de documentos A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 448 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA DECISÃO PROFERIDA PELO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Em seu recurso, descreve o recorrente que a decisão de primeira instância não analisou as alegações do recorrente sobre o abono acordo sindical (rubrica 21405), senão vejamos trecho do recurso: Analisando a referida decisão, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente, sendo que os mesmos são fundamentais para determinação da procedência do lançamento. Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, ao observarmos os termos da decisão de primeira instância, a autoridade julgadora já enfatizou que, apesar de constar do relatório fiscal, a verba abono sindical, não encontrase lançada no presente AIOP (bastando confrontar essa informação com a do relatório Discriminativo analítico de débito – DAD). Também não haveria de se decretar a nulidade do lançamento, face a falta cometida pelo julgador, nem tampouco, poderíamos falar que o mesmo tacitamente concordou com os argumentos trazidos pelo autuado em sua defesa, tendo em vista que o julgador não abordou de forma aprofundada as questões trazidas quanto ao referido abono, já que o mesmo não consta da autuação e que o AI encontrase devidamente fundamentado. Vícios materiais, que não interfiram no débito lançado, e que restaram apreciados pela autoridade julgadora (justamente indicando a falta cometida pelo relatório fiscal) não nulidificam o lançamento ou a decisão proferida. DO MÉRITO Tendo a autoridade julgadora, afastado a existência de abono no presente lançamento, restanos apreciar a questão dos ganhos eventuais. Antes de apreciar esse argumento, entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 6 9 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, avaliando o dispositivo legal, acima transcrito, não se encontram dentro do rol de exclusão, os valores de ganhos eventuais. Considerando a amplitude do conceito de remuneração, e que nenhum dos dispositivos do art. 28, § 9º da lei 821291, foi revogado ou alterado, não pode o recorrente atriubuir verba “ganhos eventuais”. Outra natureza que não a salarial. Para que possamos, definir a natureza salarial de uma verba paga ao empregado, devese, primeiramente identificar se a verba agregará valor ao ganho recebido pelo empregado, ou simplesmente transitará em sua contabilidade pessoal, porém já nasce em sua essência com destinação específica. Podemos, claramente identificar essa diferença no pagamento de um adicional, uma gratificação em relação a uma diária paga pelo empregador para o exercício de uma viagem a serviço (POR EXEMPLO). Nos dois primeiros casos, embora os fundamentos para os pagamentos sejam distinto, não há como afastar o fato que ao receber os valores do empregador poderá o empregado dele dispor da maneira que bem entender. Diferente das diárias, cuja vinculação encontrese adstrita a pagamento de alimentação, estada e transporte quando da execução da atividade em cidade diversa da contratação de serviços. DA HABITUALIDADE NO PAGAMENTO Argumentar que a verba não era paga com habitualidade, mas apenas eventualmente, também não demonstra equivoco no lançamento realizado. Aliás, o conceito de habitual, no presente caso, não se reporta a idéia de pagamentos constantes (continuados), porque se assim o fosse, de pronto já constituiriam salário de contribuição. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário, ou mesmo quando buscase definir uma parcela in natura (utilidades)como integrante do conceito de Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.725891/201178 Acórdão n.º 2401003.503 S2C4T1 Fl. 7 11 remuneração. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fator determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória. Aliás, muito se observa a preocupação exacerbada quanto a nomenclatura adotada pelas empresas, quando fornecem benefícios indiretos ao seus trabalhadores. É fato que muitas se utilizam de nomes que transmitem, em uma primeira visão aspectos de que se trata de verba indenizatória, apenas no intuito de mascarar uma verba salarial. Isto posto, entendo que o GANHO tido pelo empregado, mesmo que ententual, no mês em que for pago nada mais é do que uma remuneração indireta, para que naquela competência (mês), haja incidência de contribuição previdenciária. CORRESPONSÁVEIS Aliás, apenas para esclarecer o papel do relatório de vínculos, sem adentrar aos aspectos questionados pelo recorrente, posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 88 aprovada em sessão plenária de 10/12/2012: Assim, não há discussão acerca das atribuições dos administradores, mas a descrição dos mesmos no relatório de vínculos ou corresponsáveis, por serem perante o ente público os responsáveis pela PJ autuada. Não se atribui responsabilidade pessoal, mas indicação dos responsáveis pela pessoa jurídica. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Assim, no entender dessa relatora, o lançamento seguiu os ditames previstos, estando correta a posição da autoridade julgadora de manter o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto POR CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a nulidade da decisão de primeira instância e no mérito por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.001045/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 01/12/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário.
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos que lhe foram requeridos em sede de ação fiscal, sem qualquer prova que justificasse sua omissão, é de ser mantida a multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares- Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ALTERAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Eventual alteração ou vícios no mandado de procedimento fiscal não possuem o condão de justificar a nulidade do lançamento (Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sobretudo nos casos em que o Mandado fora devidamente emitido e engloba a fiscalização de contribuições previdenciárias no período lançado, ao revés do alegado em sede de recurso voluntário. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE PRESTAR ESCLARECIMENTOS. MULTA. CABIMENTO. Tendo em vista que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos que lhe foram requeridos em sede de ação fiscal, sem qualquer prova que justificasse sua omissão, é de ser mantida a multa aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 45 /2 01 0- 18 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001045/201018 Acórdão n.º 2401003.598 S2C4T1 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por VIAÇÃO BRISTOL LTDA., em face do acórdão de fls. 76/85, por meio do qual foi mantida a integralidade o crédito tributário constituído no Auto de Infração n. 37.233.1793, por ter a recorrente deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal esclarecimentos necessários à fiscalização infringindo o Regulamento da Previdência Social. Consta do relatório fiscal de fls. 09 que a empresa atendeu parcialmente à intimação para explicar os seguintes questionamentos: (i) códigos utilizados na folha de pagamento, entregando somente uma relação que esta anexada aos autos de fls 7/8, em que se constata estarem presentes apenas os descontos e não os proventos e a respectiva tabela de incidência gerada pelo sistema da folha de pagamento; (ii) Não entregou nem justificou por escrito o regulamento da participação nos Lucros ou resultados, Regulamento dos Benefícios concedidos ao Trabalhador, Cópia de comprovante de residência atualizada de Vicente dos A D Ferraz, Cópias de Escritura de imóveis e de certidões de registro de veículos e relação dos mesmos, Livro de Inspeção do Trabalho; e (iii) não prestou informações sobre compensações efetuadas na GFIP competência de 13/2007. O lançamento compreende as competências de 07/2006 a 13/2007, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 17/09/2009 (fls. 29). Do acórdão de primeira instância depreendese que a multa aplicada foi mantida visto que não preencheu todos os requisitos necessários para seja relevada. Em seu recurso preliminarmente sustenta a nulidade do presente Auto de Infração em razão de que o MPF inicial que previa a fiscalização dirigida ao Imposto de Renda do ano de 2005 foi alterado sem a sua ciência para a inclusão de fiscalização de contribuições previdenciárias no período de 07/2006 a 12/2007, situação que configurou o cerceamento de seu direito de defesa. Acrescenta que já havia sido anteriormente fiscalizado no período em questão, de forma que segundo sua tese não seria justificável novas intimações para se apresentar novos documentos. Aduz, por fim, que não existe previsão legal para que o contribuinte seja penalizado por não apresentar copias de escrituras de imóveis, copia de registro de veículos ou Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 comprovante de residência de sócios conforme consta no relatório de procedimento fiscal e aplicação da multa. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001045/201018 Acórdão n.º 2401003.598 S2C4T1 Fl. 116 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES na modificação do objeto do Mandado de Procedimento Fiscal originalmente emitido. Alega que a alteração do objeto da fiscalização inicialmente dirigida ao Imposto de Renda do ano de 2005 para a verificação das contribuições previdenciárias dos anos de 2006 e 2007. Todavia, os documentos integrantes dos autos comprovam que o procedimento realizado pelo Auditor Fiscal, além de estar em conformidade com as normas em vigor, previa inicialmente que a fiscalização darseia inclusive no tocante a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, conforme bem apontou a DRJ no seguinte excerto do voto condutor: a ação fiscal foi instaurada mediante o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.90.002008022126, emitido em 27/03/2008, com as devidas prorrogações, sendo a última com validade até 16/05/2010, cópias às fls. 01/02 e fls. 10/11; conforme se verifica às fls. 01, o MPF inicial, emitido em 27/03/2008, já autorizava a fiscalização dc contribuições previdenciárias c para Outras Entidades c Fundos referente ao período de 07/2006 a 12/2007: Assim, rejeito a preliminar. MÉRITO No tocante ao mérito, a omissão em prestar os esclarecimentos fora contestada apenas no sentido de que os documentos estavam disponíveis à fiscalização, no entanto, não trouxe o contribuinte qualquer prova de tais alegações, tendo, inclusive efetuado pedido de relevação da multa em primeira instância, o que demonstra que de fato não havia qualquer disponibilidade dos documentos ou mesmo que tais esclarecimentos tenham sido efetivamente prestados. Ademais, os documentos nem mesmo foram apresentados quando de sua impugnação, o que motivou a rejeição do pedido de relevação da multa formulado em primeira instancia e não repetido em sede de recurso voluntário. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Muito menos trouxe prova aos autos no sentido de que já fora objeto de fiscalização anterior das mesmas contribuições objeto de lançamento nos autos do presente processo, sobretudo a demonstrar que, mesmo novamente fiscalizado, não houvesse qualquer justificativa para que a auditoria viesse a lhe requerer os esclarecimentos não prestados indicados no relatório fiscal do presente Auto de Infração. No entanto, em que pese este relator reconhecer que os esclarecimentos não tenham sido prestados, ou mesmo que não haja qualquer prova em sentido contrário, tenho que uma das alegações de recurso merece a atenção desta Eg. Turma, qual seja a de que não pode a parte ser penalizada pela totalidade dos fundamentos elencados no relatório fiscal do presente Auto de Infração. Explico. In casu, a empresa foi autuada por infração ao art. 32, inciso III, §11 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/09, e art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, abaixo transcritos, tendo em vista que deixou de apresentar ou apresentou parcialmente os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização discriminados no Relatório Fiscal da Infração: Lei n° 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Ou seja, a falta imputada no presente Auto de Infração com base no fundamento legal supra é a conduta da parte de deixar de prestar à fiscalização esclarecimentos que lhe foram solicitados e não simplesmente de deixar de apresentar documentos, situação esta que também é positivada como infração à legislação previdenciária, no entanto, que possui outro fundamento legal, que não aquele que se refere à conduta de não prestar esclarecimentos. E atento a tal diferenciação, vi que o auditor justificou a penalização da parte com a multa ora combatida pela não apenas por ter deixado de prestar os esclarecimentos solicitados, mas também pelo simples fato de ter deixado de apresentar uma série dos documentos a seguir listados: (i) o regulamento da participação nos Lucros ou resultados; (ii) Regulamento dos Benefícios concedidos ao Trabalhador; (iii) Cópia de comprovante de residência atualizada de Vicente dos A D Ferraz; (iv) Cópias de Escritura de imóveis; (v) certidões de registro de veículos e relação dos mesmos; (vi) Livro de Inspeção do Trabalho Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001045/201018 Acórdão n.º 2401003.598 S2C4T1 Fl. 117 7 Assim, tenho para mim que o fato de simplesmente não terem sido apresentados os documentos supra, não é conduta que se amolda ao lançamento da multa objeto do presente Auto de Infração, mas que deveriam ser condutas consideradas para aplicação da multa prevista no art. 283, II ," j " Decreto 3.048/99, específico para apenar tal conduta. E tanto é assim que o mesmo contribuinte teve contra si lavrado um Auto de Infração exclusivamente pela não apresentação de documentação solicitada (AI 37.233.1815 3), que acabamos de julgar. Logo, entendo que assiste razão ao recorrente quando se insurge contra o fato de que a multa objeto do presente processo poderia ser lançada com fundamento na mera não apresentação dos documentos listados acima . Todavia, conforme já explicitado, a multa objeto do presente Auto de Infração não fora lançada, simplesmente pelo fato de que não foram apresentados documentos, mas também em razão de não terem sido prestados os esclarecimentos solicitados sobre os códigos utilizados nas folhas de pagamento, bem como do procedimento de compensação levado a efeito na competência de 13/2007. O não atendimento de tais solicitações, por si só, o que está comprovado nos autos, já é motivo suficiente para a manutenção da multa lançada, por ser de valor único independentemente do número de motivos que justificaram o seu lançamento. Assim, mesmo em se reconhecendo que parte dos fundamentos constantes no relatório não são aptos a justificar o lançamento, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do lançamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito em NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918339/2012-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 39 /2 01 2- 80 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918339/201280 Acórdão n.º 3801003.486 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720910/2010-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2173; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 608 1 607 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720910/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.272 – 3ª Turma Especial Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria LUCRO PRESUMIDO Recorrente BIRIBÁ PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 10 /2 01 0- 17 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 609 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 304308, com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.939,39 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2007. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração de ISS, (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas AIDDP's nºs 79, 121, 116, 146, 171 e 193 de 2007), fl. 301 e no Livro Caixa, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 296303. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 518, art. 519 e art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 610 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 309314 com a exigência do crédito tributário no valor de R$4.520,19 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 29 de dezembro de 1995 e alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 315319 com a exigência do crédito tributário no valor de R$20 862,66 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 320325 a exigência do crédito tributário no valor de R$19 985,3 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 22 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 349383, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: 2. Dos Fatos A impugnante se dedica à produção, organização e promoção de espetáculos artísticos e eventos culturais, conforme cópia de seu Contrato Social [...]. Para tanto, realizou diversos eventos nos anos de 2007 e 2008, submetendo se, conseqüentemente, ao recolhimento dos Impostos Sobre Serviços à Prefeitura do Município de Manaus, tendo em vista que, em referida municipalidade, é a empresa cadastrada e responsável pela organização desses eventos. [...] Embora a Fiscalização tenha fundamentado suas premissas neste particular, demonstrarseá, ao final, o seguinte: 1. Os incorretos critérios utilizados para apuração da base de cálculo da suposta receita omitida; 2. Desconsideração de instrumentos jurídicos realizados pela Impugnante; 3. Ausência de busca da verdade material por parte da Fiscalização; e 4. A existência de lançamento realizado exclusivamente em instrumentos que conduzem a meros indícios. [...] 3. Do Mérito 3.1 Da Prova da Efetiva Ocorrência do Crédito Tributário. Inexistência. [...] Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 611 4 Não houve qualquer intimação sobre o pedido de prazo para a entrega dos demais documentos desta Impugnante resumindose apenas a solicitar "esclarecimentos" de fatos jurídicos que não dizem respeito aos Impostos de competência Federal, mas sim apenas relativos ao ISS, de nítida competência municipal. Transferir o ônus de prova à Impugnante e sem, posteriormente, ter sido realizada qualquer intimação do contribuinte para contrapor ou mesmo para esclarecer fatos que demonstrassem a busca da verdade material por parte da Fiscalização, só reforçam a nulidade instransponível havida com o lançamento ora Impugnado. [...] 3.2. Da Omissão de Receitas: A simples responsabilidade legal quanto a r : : s obtenção das [Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas] AIDDP's não implica em inversão do ônus da prova, cabendo à Fiscalização comprovar a sua relação com qualquer omissão de receitas [...] A Fiscalização não soube diferenciar a presunção legal onde o ônus em se provar a ocorrência da hipótese de incidência passa a ser do contribuinte por força de Lei da relativa, situação na qual este ônus permanece com a Fiscalização; ou seja, o simples fato da Impugnante não ter apresentado todos os documentos solicitados não cria situação jurídica suficiente a justificar a inversão do ônus da prova por um único fato relevante: não há qualquer previsão legal que autorize às Autoridades para tanto. E não há de se olvidar que os documentos de que se ressentem as Autoridades que presidiram esta fiscalização não foram entregues porque a Impugnante, a despeito de ter solicitado mais tempo, não teve seu pedido sequer, analisado. [...] Após os esclarecimentos prestados no Termo de intimação, a Fiscalização simplesmente ignorou todos os argumentos relativos à inexistência de parte das receitas por parte da Impugnante e, simplesmente, lançou todos os impostos com fundamento apenas e exclusivamente no total das AIDDP'S, ignorando totalmente as alegações da Impugnante quanto ao fato concreto [...] de que estas não representavam a integralidade das receitas da impugnante, já que outros parceiros tinham participação na receita bruta do evento. Todos estes esclarecimentos foram ignorados e sequer a Fiscalização empreendeu novas diligências para apurar o quanto esclarecido pela empresa! E não se pode perder de vista, ao contrário do quanto realizado no auto, o simples cotejo realizado pela Fiscalização entre os valores declarados pela Impugnante em seus livros Fiscais e os valores apurados por meio das AIDDP'S sejam hipóteses previstas na Legislação e tidas como aptas a impor o ônus da prova. [...] É importante que se frise novamente que a única fundamentação do Lançamento ora impugnado tratase do fato de a [...] Impugnante ter figurado como solicitante perante a Prefeitura de Manaus, no que concerne à obtenção das AIDDP's., No entanto, com a mesma ênfase, é necessário reconhecer que jamais restou provado pela Fiscalização que a totalidade dos recursos advindos com a venda de ingressos efetivamente representou integralidade de receitas à Impugnante, como bem faz crer em seu lançamento. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 612 5 Ao contrário, a Impugnante, durante a fiscalização fez prova de que grande do faturamento refletido nas AIDDP'as não lhes pertencia, informação que foi totalmente ignorada pela Fiscalização. Uma premissa é importante que fique desde já consolidada: os valores declarados ao Fisco pela Impugnante existem, porém, em proporção diferente do quanto apurado em cotejo com as AIDDP's, pois, para fins de apuração da base cálculo para o ISS sempre se terá o valor integral da venda de ingressos; todavia, para fins da base de cálculo do IRPJ e demais tributos federais, deve ser verificado apenas o valor que concerne efetivamente ao seu faturamento, ou seja, a parcela pertencente à Impugnante na totalidade dos ingressos, após a divisão das verdadeiras sociedades que são constituídas para a realização de cada um dos eventos. Ou seja, jamais se tratou de hipótese de pagamento de serviços de terceiros, o que necessariamente induziria à conclusão de que todo o faturamento advindo com a venda das AIDDP'S pertenceu e ingressou no [seu] caixa; ao contrário, sempre os eventos foram realizados em parceria, as quais tinham como origem o total de ingressos vendidos, justificandose assim o fato destes recursos não terem ingressado em sua totalidade para a Impugnante. [...] No entanto, embora a Fiscalização tenha sido advertida tempestivamente destes fatos, resolveu por ignorálos totalmente, sendo este o motivo de alegação da presente nulidade. Logo, há de ser declarado nulo o Auto, tendo em vista a incorreta apuração da base imponível dos tributos lançados, especialmente não observação a todos os documentos apresentados quando no momento da apresentação do termo de intimação. 3.2.1 Insuficiência das AIDDP's como base imponível à tributação Federal: análise da legislação municipal [...] A Legislação do Município de Manaus em pouco se difere das demais do Brasil. Embora seja totalmente discutível a "venda de ingressos" como base imponível para o imposto sobre serviços, é importante se destacar esta foi a única forma que as municipalidades encontraram para controlar estes eventos, a partir da eleição de apenas um contribuinte que, em via de regra, é aquele Agente organizador, o qual geralmente tem sede na cidade e local do evento. Todavia, a praxe deste mercado é muito peculiar, de forma que a Organização do evento nunca aufere para si a integralidade das receitas auferidas com a venda de seus ingressos. [...] Da mesma forma, assim como a simples informação relativa aos contratos não pode servir como fato imponível para os tributos federais, a simples informação de venda de ingressos por meio da Municipalidade de Manaus também não o serve, posto que jamais a totalidade destes recursos se reverteram em receitas próprias da Impugnante, conforme bem comprovam os contratos de parceria que seguem anexos a presente. 3.2.2 Das relevantes parcerias para a divulgação dos eventos: percentual de cortesias superior aos 5% admitidos pelas AIDDP's Ausência de limitação legal para apuração receita tributável. Quando da realização de cada evento, é notório que se faça necessário que os mesmos sejam divulgados em variados meios de mídia. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 613 6 Em contrapartida, este mesmo "patrocínio para divulgação" não necessariamente se converte em aporte financeiro para os eventos, de forma que ingressos de cortesia são amplamente fornecidos e entregues gratuitamente à sociedade para que, assim, se angarie um maior número de participantes. Dada esta prática de mercado, comumente se percebe sorteios de ingressos para shows em jornais, rádios e demais meios de comunicação, os quais em uma via dupla auxiliam na publicidade de seus programas, na mesma medida em que permutam ingressos a serem distribuídos, sem que, para isso haja qualquer cessão de créditos ou fato imponível tributável. No entanto, conforme já destacado em tópico anterior, quando se esclareceu a forma de emissão das AIDDP's, a Municipalidade somente admite que apenas 5% dos ingressos sejam desonerados do ISS a título de cortesia. Porém, embora para fins deste Imposto Municipal haja um limitador legal, o mesmo não ocorre para com a Legislação Federal. [...] É importante também se ressaltar que esta divulgação que também não representa receita para a Impugnante acaba sempre representando um custo na produção do evento que não necessariamente se reverte em uma fonte tributável. [...] Novamente fixadas estas premissas, temos que as AIDDP's em primeiro: i) não refletem a efetiva prestação dos serviços prestados pela Impugnante; ii) não indicam as exclusões legalmente permitidas por força de Lei e, especialmente; iii) não consideraram as saídas que aqui se equivalem às cortesias uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a sua efetiva venda [...] Logo, como a base de cálculo para IRPJ/CSLL/PIS/COFINS das empresas optantes do regime do lucro presumido é o faturamento bruto/receita de vendas, tudo o que não for enquadrado como receita/faturamento deve ser excluído da base de cálculo destes impostos, sendo certo que os valores apurados a partir das AIDDP's não representa a verdadeira receita desta Impugnante. [...] Nesse sentido, se comprova [...] a incoerência relacionada à omissão de receitas descritas no auto, impondose, mais uma vez e por estes fundamentos, o reconhecimento da nulidade do lançamento. 3.3. Da constituição de Parcerias com Terceiros e com as Bandas apresentantes para a realização dos Eventos Divisão da Receita Bruta Praxe de Mercado Praticada [...] [As] parcerias, que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP's, representam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada um daqueles que as percebeu, tudo de forma a refletir a "verdade material" dos fatos imponíveis, relativos às contribuições e Impostos Federais, condições estas tão essenciais à comprovação da omissão de receitas diante da legislação aplicável. [...] Ainda que depois de instalado o processo administrativotributário venham a ser colacionadas provas capazes de constituir o fato jurídico ou o ilícito tributário, tal procedimento não supre a invalidade que afeta o ato, pois, como anotamos, trata Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 614 7 se de vício na estrutura interna, de natureza não convalidável. A instrução, realizada no corpo do processo instaurado por ocasião da impugnação do contribuinte, volta se tãosomente ao convencimento do julgador sobre pontos contraditados pelo particular, não servindo para preencher eventual ausência de comprovação do fato que serve de suporte à exigência ou autuação fiscal. Como inexiste a comprovação da verdade material concernente à omissão de receitas, inconsistente o Lançamento por expressa violação aos artigos 112, 142 todos do CTN, e quanto ao artigo 10°, do Decreto n° 70.235/72. 3.4 Dos valores Recolhido ao ECAD [Escritório Central de Arrecadação e Distribuição dos direitos autorais de execução pública musical] como comprovação dos argumentos Sabese que o ECAD calcula os valores que devem ser pagos pelos usuários de música de acordo com os critérios do Regulamento de Arrecadação desenvolvido pelos próprios titulares, através de suas associações musicais. O valor a ser pago é calculado sempre em função do parâmetro físico ou de percentual incidente sobre a receita bruta. [...] Notase que a legislação relativa aos direitos autorais traz duas informações importantes: admite um percentual de 10% de ingressos de cortesia; e, também cobra seus direitos sobre percentual da receita bruta dos eventos. Logo, se o objetivo do lançamento tinha como premissa uma apuração indireta por meio das AIDDP’s no mínimo um cotejo com os valores recolhidos ao ECAD deveriam ter sido feito, o que não o ocorreu no caso concreto. Desta sorte, ratificase a necessidade do reconhecimento de nulidade do auto em face da incorreta apuração de sua base de cálculo. 4. Da existência de duplo lançamento quanto ao período de apuração setembro/08 e outubro/2008. [...] Para comprovar a inexistência de nenhum outro evento no mesmo período, seguem anexas todas as AIDDP's, emitidas entre os anos de 2007 e 2008, tudo para que se ateste a existência deste único evento. Sendo assim, embora não concordando com o lançamento realizado, devese, no mínimo, retificálo para excluir de sua base de cálculo a duplicidade de crédito tributário relativo ao período de setembro/08, tendo em vista que este foi declarado no outubro seguinte, tendo havido inclusive o recolhimento de todos os impostos. 5. Dos Princípios da Administração Pública A solução do caso demanda, ainda, aplicar princípios próprios à Administração Pública, em especial os da razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e capacidade contributiva. [...] 6. Da necessidade de interpretação das razões seguindo aos termos do quanto exposto no Art. 112. CTN Os elementos colacionados apontam para ilegalidade do auto de infração, baseado apenas em informações de AIDDP's, já que isoladamente não comprova a omissão de receita alegada no Lançamento e, especialmente por não se ter Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 615 8 demonstrado nos autos os mesmos limites relativos a um acréscimo e disponibilidade patrimonial equivalente. Corroborando este entendimento, o art. 112, do CTN, determina o emprego de uma interpretação benéfica ao contribuinte, se houver dúvidas quanto às circunstâncias de fato, a extensão dos efeitos derivados de sua infração e a penalidade cabível diante dessas circunstâncias. 7. Realização de diligências [...] Tal pedido consiste em se determinar a baixa do processo para a realização de diligências, com o fim da Fiscalização de avaliar cada evento mencionado no auto de infração, no sentido de apurar a real receita da Impugnante em cada um daqueles, e assim formar a base de cálculo que de fato se adeque à realidade dos fatos e ao objeto da fiscalização, sob pena de ser mantida ao contribuinte uma receita fictícia e, por isso, uma tributação irreal, capaz de promover a falência da Impugnante. Aqui, cabe destacar que tal medida não poderá ser indeferida, sob a justificativa do contribuinte impugnar especificamente o lançamento na presente defesa, vez que o caso não comporta a inversão do ônus da prova, que cabe especificamente á fiscalização, como já abordado nos tópicos anteriores. Na mesma oportunidade, poderá ser analisada a movimentação financeira, expressa nos extratos bancários anexos, seja para evidenciar a razoabilidade da receita já declarada pela Impugnante, seja para demonstrar a desproporcionalidade do montante considerado pela fiscalização como omisso e expresso no auto aqui combatido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto requerse que se digne a: 1) Reconhecer a improcedência do auto de infração, baseado apenas nas informações dos AIDDP's, relativamente aos exercícios de 2007 e 20086, vez que desacompanhados da efetiva comprovação da relação destas com a alegada omissão de receitas e, especialmente, por não ter sido evidenciado qualquer acréscimo de patrimônio à disponibilidade econômica ou jurídica da Impugnante, não restando comprovada as hipóteses de incidência do IRP3 e adicionais, CSLL, PIS e COFINS, tudo nos termos da presente Impugnação. 2) Caso não haja reconhecimento do pedido anterior, o que se pondera por respeito ao debate, requerse, de forma alternativa, a baixa do processo para a realização de diligências de natureza fáticocontábil, com o propósito de se apurar a verdadeira base de cálculo dos tributos lançados, aplicandose, assim, os princípios mencionados na presente defesa, sob pena de imputar uma tributação excessiva, capaz de configurar a prática de excesso de exação, tipificada, inclusive, como crime rio ordenamento brasileiro. 3) Na hipótese de não haver acolhimento das presentes razões, requerse a redução da majoração da multa aplicada, tudo nos termos da fundamentação. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 616 9 Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 25.166, de 16.12.2011, fls. 519531: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. PROVA. As declarações oferecidas pelo sujeito passivo ao ente tributante gozam de presunção de veracidade, podendo serem utilizadas na apuração da obrigação tributária de competência de outro ente, salvo se restar comprovada sua inveracidade. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 Ementa: BASE DE CÁLCULO. O PIS tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A Cofins tem como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 03.07.2012, fl. 535, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.08.2012, fls. 536577, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 617 10 Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e acrescenta que: III DO MÉRITO III. 1.1 DA NÃO COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Conforme podemos observar pelo exame dos autos, a Receita Federal, motivada pela declaração da Recorrente feita na Prefeitura de Manaus para fins de recolhimento do ISS, a intimou para que explicasse o motivo de não ter submetido a totalidade das receitas obtidas pela venda de ingressos de seus eventos relativos ao primeiro semestre de 2007. Importante lembrar que, além do lapso de 2 anos entre os eventos e a requisição da Receita, estamos tratando de 6 meses de comprovantes e diversas atividades realizadas, sendo assim, o prazo dado para a juntada da documentação se mostrou extremamente curto, o que motivou a Recorrente a pedir sua prorrogação por 20 dias, havendo o deferimento pela Receita de 15 dias. Desta forma, a juntada da documentação contábil foi prestada tempestivamente em 19/06/2009. No entanto, após este fato, não houve qualquer intimação requisitando a entrega de outro documentos, resumindose apenas a solicitar "esclarecimentos" de fatos jurídicos relativos ao ISS, de competência municipal, e não aos impostos de competência federal. Em seguida, a Recorrente foi surpreendida com a lavratura do Auto de Infração sem que a Fazenda tivesse todos os elementos necessários para tal, havendo tão somente indícios auferidos junto à Prefeitura, que possui seu procedimento próprio para a cobrança do ISS. Lamentavelmente o que ocorreu foi uma transferência do ônus da prova à Recorrente, sendo que a Receita deveria se diligenciar para verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, e não presumir que o contribuinte é devedor. No presente caso, não pode a Administração Pública se omitir em buscar a verdade dos fatos, também conhecida pela terminologia verdade material. [...] Toda esta sistemática [...], especialmente quanto à comprovação dos atos de "investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária" não se encontram presentes neste lançamento, o que necessariamente conduz à sua nítida nulidade, já que não houve a busca da "verdade material" ou mesmo de quaisquer outros sinais tão 3cessários à comprovação de qualquer omissão de receitas. Não há como haver um lançamento tributário por mera suposição de que houve fato gerador. Os elementos comprobatórios devem ser apurados e juntado aos autos. Conforme diz [os arts. 112 e 116] Código Tributário Nacional, somente se verifica a ocorrência do fato gerador quando esta for comprovada pela Fazenda [...]. Assim, a interpretação benéfica será matéria que a própria lei impõe à solução do processo administrativo, devendose aplicála ao caso concreto, tendo em vista, especialmente, a ausência de elementos suficientemente robustos e necessários à Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 618 11 comprovação do lançamento nos moldes como foi realizado, já que as informações contidas nas AIDDP's não comprovam, isoladamente, a omissão de receita alegada. Conforme dito na Impugnação, o fisco sequer se diligenciou junto ao ECAD (Escritório Central de Distribuição e Arrecadação), que é uma sociedade instituída pela Lei 5.988/73 para realizar a arrecadação e a distribuição de direitos autorais decorrentes da execução pública de músicas nacionais e estrangeiras. Sabese que o ECAD calcula os valores que devem ser pagos pelos usuários de música de acordo com os critérios do Regulamento de Arrecadação desenvolvido pelos próprios titulares, através de suas associações musicais. O valor a ser pago é calculado sempre em função do parâmetro físico ou de percentual incidente sobre a receita bruta. Vemos que o seu procedimento de apuração leva em consideração inclusive as cortesias, limitado ao percentual de 10% [...]. Logo, se o objetivo do lançamento tinha como premissa uma apuração indireta por meio das AIDDP's, no mínimo um cotejo com os valores recolhidos ao ECAD deveria ter sido feito, o que não ocorreu no caso concreto. Desta sorte, ratificase a necessidade do reconhecimento de nulidade do auto em face da incorreta apuração de sua base de cálculo. Portanto, o que se pretende demonstrar nos argumentos acima, é a omissão da fiscalização quanto às suas obrigações legais, o que determina, imediatamente, a nulidade do auto, daí, porque, se requer a anulação do lançamento realizado. III.2 DA NÃO VINCULAÇÃO DAS AIDDPs PARA COBRANÇA DE IMPOSTOS FEDERAIS Vemos pela decisão recorrida que a suposta omissão de receitas foi aferida com base nos documentos sujeitos ao controle do Município de Manaus, no caso, as AIDDP's [...]. Concluímos que a fiscalização de eventos de diversão pública passa por três momentos distintos: 1 Prévia Autorização de Impressão de Documento de Diversões Públicas AIDDP, fornecida pela Divisão de Fiscalização da SEMEF mediante cumprimento da legislação municipal, na forma do art. 35 do Decreto do Estado do Amazonas n° 7.007/03, que disciplina matérias relativas a documentos fiscais e ao Regulamento do ISS. 2 Em seguida, é feito o recolhimento do ISS correspondente à 60% do total dos documentos que foram objeto de autorização. 3 Realizado o evento e apurado o valor correto de vendas, subtraídas as cortesias com limite máximo de 5%, é feito o recolhimento restante do imposto, caso ainda falte. Quando da análise dos documentos enviados pela Prefeitura do Município, em 2007, o sr. Auditor Fiscal constatou, no Livro de Registro de Apuração do ISS, uma suposta inexatidão entre as informações prestadas à Prefeitura para fins de recolhimento do ISS e a prestada junto à Receita Federal. Ocorre que ele se ateve ao primeiro passo, que leva em consideração o total de ingressos a serem vendidos, como determina a legislação em vigor. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 619 12 Como bem sabemos, a legislação federal determina um outro procedimento para aferição de seus próprios débitos. Quanto aos tributos em questão devemos considerar o valor do faturamento da empresa, e não o valor total de ingressos incluindo os que não foram vendidos. Essa dita incongruência de informações alegada pela Receita é fruto de tratamentos tributários diferentes. Ora, não se pode receber admitir que um procedimento singular se mostre como prova suficiente de que o contribuinte é devedor. O procedimento municipal para cobrança do ISS não leva em consideração o valor para a expedição das AIDDP's, mas tão somente uma estimativa, já que o evento sequer aconteceu. III.2.1 DA LEGISLAÇÃO QUE FUNDAMENTA O AUTO DE INFRAÇÃO [...] Veremos [...] que a lei é clara em determinar o fato gerador e a base de cálculo dos tributos em questão, todas elas dizem respeito ao faturamento da empresa [Lei Complementar n° 70, de 30 de Dezembro de 1991, Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 224 e 1rt. 518 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002...]. Conforme demonstrado, tratase de tributos sobre o faturamento da empresa, portanto, encontramse excluídas transações correspondentes a saída de caixa, estando incluídas apenas as operações de entrada permanente. Vemos inclusive que a exclusão das vendas canceladas e dos descontos se encontra expresso no texto legal. Se um desconto não integra a base de cálculo, com muito mais propriedade as cortesias também não integrarão. A Legislação do Município de Manaus, vista anteriormente, em pouco se difere das demais do Brasil. Embora seja totalmente discutível a "venda de ingressos" como base imponível para o imposto sobre serviços, é importante se destacar esta foi a única forma que as municipalidades encontraram para controlar estes eventos, a partir da eleição de apenas um contribuinte que, em via de regra, é aquele Agente organizador, o qual geralmente tem sede na cidade e local do evento. Todavia, a praxe deste mercado é muito peculiar, de forma que a organização do evento nunca aufere para si a integralidade das receitas auferidas com a venda de seus ingressos, portanto, essa suposta "renda" não pode ser considerada como faturamento. [...] Da mesma forma, assim como a simples informação relativa aos contratos não pode servir como fato imponível para os tributos federais, a simples informação de venda de ingressos por meio da Municipalidade de Manaus também não o serve, posto que jamais a totalidade destes recursos se reverteram em receitas próprias da Recorrente, conforme comprovam os contratos de parceria já anexados aos autos. [...] Porém, este Conceito de receita bruta e exclusões são definidos geralmente e, portanto, em Lei são estabelecidos os critérios para que cada um destes institutos possam ser determinados, posto que a receita bruta das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, sobre a qual se aplicam os percentuais de presunção de lucro é constituída pelo: a. Produto de venda de bens e serviços (mercadorias ou produtos) nas operações de conta própria; b. Preço dos serviços prestados; Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 620 13 c. Resultados auferidos nas operações de conta alheia(comissões auferidas na venda de bens ou serviços por conta de terceiros, por exemplo); Desses valores, devem ser excluídos (ou neles devem ser computados) os valores relativos: a. Às vendas canceladas e as devoluções de vendas; b. Aos descontos incondicionais concedidos, constantes da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependentes de evento posterior à emissão desses documentos(IN SRF n° 51/1978); c. Ao IPI incidente sobre as vendas; d. Ao ICMS, ao PIS e à COFINS, quando devidos pelo contribuinte substituto no regime de substituição tributária; e. Às saídas que não decorrem das vendas, a exemplo das transferências de mercadorias para outros estabelecimentos da mesma empresa [...] Novamente fixadas estas premissas, temos que as AIDDP's em primeiro: i) não refletem a efetiva prestação dos serviços prestados pela Impugnante; ii) não indicam as exclusões legalmente permitidas por força de Lei e, especialmente; iii) não consideraram as saídas que aqui se equivalem às cortesias uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a sua efetiva venda. [...] Caminha na mesma linha a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo, aplicável à Recorrente. A base de cálculo destas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (inclusive as variações monetárias ativas), sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. [...] Desta base de cálculo devem ser excluídas: a. IPI, nas empresas contribuintes deste imposto; b. As vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos em NF; c. ICMS no regime de substituição tributária; d. As reversões de provisões e recuperação de créditos baixados como perda representem ingresso de novas receitas; e. .A receita decorrente da venda de bem de ativo imobilizado; f. As receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota zero. [...] As contribuições para o PIS e à COFINS, têm como fato gerador o faturamento , assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 621 14 Notase, assim, que há uma remissão ao conceito de receita bruta, permanecendo aqui como sendo aquele equivalente ao total das receitas (serviços) advindos das operações conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica [Lei nº 10.637/2001 e Lei nº 10.684/2003] [...]. Nesse sentido, se comprova [...] a incoerência relacionada à omissão de receitas descritas no auto, impondose, mais uma vez e por estes fundamentos, o reconhecimento da nulidade do lançamento. III.2.2.1 DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃO TRIBUTÁVEIS: CORTESIAS [...] A Municipalidade somente admite que apenas 5% dos ingressos sejam desonerados do ISS a título de cortesia. Já a legislação federal, porém, não possui essa limitação o que nos leva a concluir que a forma de cálculo é diferente, o que já demonstra a iliquidez da autuação. [...] Há de se ter em conta que, para o tipo de eventos referidos no caso concreto, fazse necessário que sejam distribuídos, através de parcerias com os meios de comunicação, percentuais muito superiores aos 5% definidos pela legislação municipal. [...] É importante também se ressaltar que esta divulgação acaba representando mais uma despesa na produção do evento que não se reverterá em uma fonte tributável, situação esta que deveria ser levada em conta pela Receita Federal, pois seu procedimento é distinto da cobrança do ISS, conforme estamos chamando atenção no presente recurso. Veremos [...] que a legislação federal dispõe como base de cálculo tão somente o faturamento da empresa. Por conclusão óbvia, não devemos levar em consideração cortesias concedidas, pois eles não correspondem à entrada de dinheiro em caixa, afinal, foram distribuídos gratuitamente, sem qualquer contrapartida. Desta forma, devemos concluir que não haveria como o fisco obter todos os elementos necessários para a lavratura do Auto de Infração, pois a documentação analisada, no caso a declaração feita junto ao Município de Manaus, é válida apenas para fins de cobrança do ISS. [...] A declaração junto ao Município não foi em consonância com a da Receita Federal porque são tratamentos tributários distintos, devendose, para este último, considerar receitas que não fizeram parte do faturamento, como cortesias e repasses feitos. [...] No entanto, embora a Fiscalização tenha sido advertida tempestivamente destes fatos, resolveu por ignorálos totalmente, sendo este o motivo de alegação da presente nulidade. III.2.2.2 DA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS NÃOTRIBUTÁVEIS: REPASSE DA RECEITA À TERCEIROS [...] Estas parcerias, que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP's, apresentam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada um daqueles que as percebeu, tudo de forma a refletir a "verdade material" dos fatos imponíveis, relativos às contribuições e Impostos Federais, condições estas tão essenciais à comprovação da omissão de receitas diante da legislação aplicável. [...] Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 622 15 O só fato de ser a Impugnante optante do lucro presumido não faz com que o lançamento seja com base no informado nas AIDDP's. A verdade retratada pela AIDDP é que a Impugnante solicitou a impressão dos ingressos,e ficou responsável pelo pagamento destes perante a Prefeitura de Manaus, sendo os valores informados nas AIDDP' mera presunção e como visto o lançamento por omissão de receita não admite presunções. [...] Logo, vêse, nitidamente, que a base cálculo para IRPJ e dos demais impostos e contribuições federais jamais poderia ter sido o faturamento informado pela Prefeitura de Manaus, mas sim terem sido empreendidas diligências suficientes a se apurar a real receita obtida pela Recorrente em cada evento, apuração esta que não foi realizada em nenhum momento pela Fiscalização. [...] Consciente da imprescindibilidade do fato constituído pautarse em provas, o legislador federal dispôs, expressamente, sobre sua necessidade por ocasião da lavratura de exigência fiscal, prescrevendo no art. 9o, caput, do Decreto n° 70.235/72, [...] devese entender, por ordem de interpretação sistemática, que a atitude descritiva há de concretizarse com fundamento nas provas produzidas no curso da fiscalização. [...] Do exposto, decorre a conclusão de que,sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas estão, portanto, viciados na motivação, sendo imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. III DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA FEITA PELA RECEITA FEDERAL Como vimos no capítulo anterior, a lavratura do Auto de Infração foi feita com base em declarações feitas pelo contribuinte junto ao Município de Manaus. Apenas essa afirmativa já seria suficiente para provar o motivo da inexatidão entre as informações contidas no Município de Manaus e a Receita Federal, já que estamos falando de procedimentos tributários distintos. Sendo assim, o exame do fato gerador, bem como a fiscalização para apuração de débitos supostamente devidos, continua sendo atribuição da [RFB]. Além de estamos lidando com iliquidez da autuação, há imprecisão quanto à ocorrência do fato gerador, tendo em vista que os documentos que fundamentaram o Auto de Infração revelam tão somente a incidência do ISS, que é imposto de competência municipal. Sendo assim, não deveria implicar em inversão do ônus da prova, como aconteceu, cabendo ainda à Fiscalização o ônus de comprovar a suposta omissão de receitas, conforme vimos no capítulo anterior em diversas decisões e dispositivos legais. [...] No entanto, como podemos ver pelos dispositivos abaixo, não há qualquer previsão legal que autorize as Autoridades a procederem com a lavratura do Auto de Infração baseadose em meros indícios, atribuindo ao contribuinte o encargo de provar o contrário. [...] A Fiscalização ignorou todos os argumentos relativos à inexistência de parte das receitas por parte da Recorrente e simplesmente, lançou todos os impostos com fundamento apenas e exclusivamente no total das AIDDP'S, ignorando totalmente as alegações quanto ao fato concreto de que estas não deveriam servir de base para a Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 623 16 apuração de impostos federais, pois se encontram em um regime tributário singular e bem específico [...] Ademais, é importante lembrar que nos eventos promovidos pela Recorrente há a participação de outros parceiros, havendo, após a realização do evento, o repasse da receita bruta de acordo com a quota parte de cada um. No entanto, todos estes esclarecimentos foram desconsiderados e sequer a Fiscalização empreendeu novas diligências para apurar o quanto esclarecido pela empresa, simplesmente atribuindo ao Recorrente o condão de provar o contrário. E não se pode perder de vista, ao contrário do quanto realizado no auto, o simples cotejo realizado pela Fiscalização entre os valores declarados pela Recorrente em seus livros Fiscais e os valores apurados por meio das AIDDP's sejam hipóteses previstas na Legislação e tidas como aptas a impor o ônus da prova por se tratarem de procedimentos diferenciados, inclusive quanto ao fato gerador e forma de composição da base de cálculo. [...] Ao contrário, a Recorrente fez prova de que grande parte do faturamento refletido nas AIDDP's não lhes pertencia, sendo parte integrante dele, por exemplo, as cortesias e o repasse do lucro a outras empresas participantes dos eventos artísticos. Esta informação, lamentavelmente, foi totalmente ignorada pelo órgão fazendário. Embora possa não parecer, este fato é fundamental para concluirmos pela improcedência da autuação, pois diz respeito diretamente ao fato gerador dos tributos relacionados. A Recorrente não nega a existência dos valores alegados pelo Auditor Fiscal [autuante], no entanto, esclarece que não se trata de omissão de receitas, pois eles foram declarados ao Município de Manaus apenas para fins de expedição das AIDDP's e o consequente recolhimento do imposto de sua competência. Frisese que as AIDDP's não refletem a efetiva prestação dos serviços prestados pela Recorrente, não indicam as parcerias realizadas nos eventos e, especialmente; não consideram as saídas que aqui se equivalem às cortesias uma vez que, embora tenha havido a emissão dos ingressos, não houve a sua efetiva venda. Daí decorre a sua inexatidão para fins de cálculo dos tributos federais. [...] V DOS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A solução do caso demanda, ainda, aplicar princípios próprios à Administração Pública, em especial os da razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e capacidade contributiva. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto requerse que se digne a: 1) Reconhecer a improcedência do Auto de Infração decorrente do MPF n° 0220100.30708/2009, baseado apenas nas informações dos AIDDP's, relativamente ao primeiro semestre de 2007, vez que desacompanhados da efetiva comprovação da ilação destas com a alegada omissão de receitas e, especialmente, por não ter sido Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 624 17 evidenciado qualquer acréscimo de patrimônio à disponibilidade econômica ou jurídica da Recorrente, não restando comprovada as hipóteses de incidência do IRPJ e adicionais, CSLL, PIS e COFINS. 2) Caso não haja reconhecimento do pedido anterior, requerse, de forma alternativa, o recalculo do débito, com o propósito de se apurar a verdadeira base de cálculo dos tributos lançados. Neste caso, requer seja observada a incoerência da base de cálculo usada, já que as informações constantes nas AIDDP's não configuram necessariamente que será o mesmo valor nos tributos federais, sob pena de imputar uma tributação excessiva, capaz de configurar a prática de excesso de exação, tipificada, inclusive, como crime no ordenamento brasileiro. 3) Na hipótese de não haver o acolhimento das presentes razões, requerse a redução da majoração da multa aplicada, tudo nos termos da fundamentação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Cabe ressaltar que a matéria litigiosa nos presentes autos restringese aos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2007. Como não alcançou o anocalendário de 2008, os argumentos pertinentes não podem ser examinados nessa instância de julgamento por falta de objeto. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, uma vez que o prazo para cumprimento das intimações fiscais foi exíguo. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 625 18 intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ainda sobre o prazo para cumprimento das intimações fiscais, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, prevê: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 626 19 operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 304325 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0125.166, de 16.12.2011, fls. 519531, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 0203, Termo de Reintimação Fiscal, fls. 0605, Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, fls. 4344, Termo de Solicitação de Esclarecimentos, fls. 4649 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 532535) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A própria Recorrente poderia ter juntados aos autos os documentos produzidos pelo ECAD (Escritório Central de Distribuição e Arrecadação) em relação a si mesma. Ao contrário, procura demonstrar que caberia ao Erário produzir prova em seu favor. A realização desses meios probantes é 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 627 20 prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente7. 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 628 21 Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e aqueles escriturados no Livro Registro de Apuração de ISS (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas AIDDP's nºs 79, 121, 116, 146, 171 e 193 de 2007), fl. 301 e no Livro Caixa, em conformidade com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2007 Períodos (A) Valores Informados nas AIDDP R$ (B) Valores Informados nas DIPJ R$ (C) Valores de Omissão de Receita R$ D = (B C) 1º Trimestre de 2007 100.690,00 26.630,00 74.060,00 2º Trimestre de 2007 321.182,50 64.500,00 256.682,50 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 296303, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: II) Infrações Apuradas II.1) Omissão de Receitas II.1.1) Apuração das Receitas Omitidas O contribuinte optou pelo regime de tributação do Lucro Presumido, no ano calendário de 2007. A partir de 01/07/2007, optou pelo regime simplificado "Simples Nacional".[...] O contribuinte explora atividades de serviços em geral vinculadas a shows musicais e outros espetáculos, inclusive venda de ingressos. [...] Concernente aos eventos de diversões públicas, os documentos fiscais sujeitos ao controle do órgão público municipal por meio das AIDDP, não são as notas fiscais mas sim os "Documentos Fiscais de Diversões Públicas", ou ingressos filigranados. Procedemos ao cotejo entre os valores constantes nas planilhas encaminhadas à DRFB/Manaus pela Prefeitura Municipal de Manaus, citadas no item " I " acima, e os valores registrados no Livro Registro de Apuração de ISS e no Livro Caixa, [...]: a) No Livro Registro de Apuração de ISS estão registradas as diversas notas fiscais emitidas, que não estão relacionadas a vendas de ingressos; b) No Livro Caixa estão registrados os recebimentos vinculados às notas fiscais emitidas e registradas no Livro Registro de Apuração do ISS. Não há outros registros no Livro Caixa, que correspondam, em data e valor, aos montantes Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 629 22 demonstrados nas Planilhas de AIDDPS Autorização de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas encaminhadas à DRFB/Manaus pela PMM/SEMEF. Na resposta apresentada à fiscalização em 08/03/2010, o sujeito passivo alega que as AIDDP não evidenciam as parcerias realizadas nos eventos e não consideram as saídas que não representam venda efetiva mas somente entrega de ingressos à título de cortesia. A seguir, apresenta, [...], demonstrativos dos valores repassados aos denominados "parceiros" e anexa cópias de contratos celebrados com os mesmos e de notas fiscais emitidas referentes aos valores pactuados e repassados. [...]: 1) Quanto às "parcerias" citadas no texto, o contribuinte argumenta que estas parcerias, "que geralmente tiveram a mesma base de cálculo das AIDDP'S, representam verdadeira partilha de receitas, que devem ser confrontadas isoladamente para cada uma daqueles que as percebeu...". [...] A base de cálculo do imposto de renda e da CSLL é o total da receita bruta apurado pelo sujeito passivo, sobre a qual, para o caso de prestação de serviços em geral, no qual está enquadrado o contribuinte sob fiscalização, aplicase o coeficiente de 32% para apuração do lucro presumido, que corresponde à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto às demais contribuições (PIS e COFINS), de acordo com o art. 10 do Decreto n° 4524/02: [...]. Portanto, tanto na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL no regime do lucro presumido, [...], quanto na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, [...], não se consideram quaisquer valores repassados a terceiros, não importa a que título, quer sejam pagamentos de custos, despesas, locação ou repartição de ingressos financeiros pactuados por meio de instrumento particular. [...]. Não há controvérsia sobre essa matéria, mas podemos citar, para corroborar essa afirmação, a seguinte decisão em processo de consulta: Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DISIT N° 68, de 07 de maio de 2001. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: ATIVIDADE NÃO ROTINEIRA. REPASSE A OUTRA PESSOA JURÍDICA. O total dos recursos arrecadados pela consulente com a venda de ingressos ao público, para o parque de exposições, compõe sua base de cálculo da Cofins, nos termos do art. 2º da LC n° 70, de 1991, mesmo que se trate de atividade não rotineira no faturamento da empresa, ou que parte das receitas seja posteriormente repassada a outra pessoa jurídica. No mesmo processo de consulta acima citado, o órgão consultado apresentou a seguinte fundamentação: "4. Configurada a receita de vendas dos ingressos pela consulente, a possibilidade de exclusão deve aterse à existência ou não de autorização na legislação. Por sua vez, o parágrafo único do art. 2º da LC n° 70, de 1991, discrimina as parcelas que não integram a receita bruta. Entre as possibilidades discriminadas, não se encontra o repasse ou transferência a outras pessoas jurídicas, nem qualquer outra possibilidade de despesas, tais como as "de operacionalização" nomeadas pela interessada." O mesmo argumento aplicase aos demais tributos, uma vez que não há, tanto para o PIS quanto para o IRPJ e CSLL apurados segundo o regime do lucro Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 630 23 presumido, previsão legal de exclusão de exclusão de repasses ou transferências a outras pessoas jurídicas, ou de custos e despesas incorridos. [...] 2) Quanto aos chamados ingressos de cortesia, entendemos que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a efetiva saída de ingressos à título de cortesia: O livro caixa, [...], somente estão registrados os ingressos de recursos correspondentes às notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo, as quais [...] não guarda relação com a atividade principal da empresa a qual, em termos financeiros, decorre preponderantemente da venda de ingressos nos eventos de diversões públicas; Nos Demonstrativos das AIDDP estão discriminados os ingressos por tipo. Os ingressos do tipo "cortesia" estão claramente identificados na coluna "Preço Unitário (R$)", na qual estão indicados valores "0,00". Portanto, o "Demonstrativo de Receita Bruta Apurada" anexo ao presente termo, baseado nas informações das AIDDP encaminhadas pela PMM/SEMEF, já contempla a exclusão dos ingressos ditos "de cortesia". Cabe ao contribuinte demonstrar que a saída de ingressos do tipo "cortesia" é superior às quantidades que constam nos demonstrativos oficiais das AIDDP, emitidos pela PMM/SEMEF. Ao contribuinte não basta alegar. O mesmo deve comprovar suas afirmações com documentos hábeis e idôneos. Não foram apresentados tais documentos à fiscalização. II. 1.2) Do cálculo dos valores a lançar de ofício A) LUCRO PRESUMIDO As receitas omitidas foram apuradas a partir dos "Demonstrativos das AIDDP (Autorizações de Impressão de Documentos Fiscais de Diversões Públicas)", autenticados pela PMM/SEMEF e encaminhados à DRFB/Manaus, cujos valores estão resumidos nas planilhas também encaminhadas pelo referido órgão municipal. As receitas omitidas, decorrente das vendas de ingressos dos eventos acima referidos estão demonstradas no "DEMONSTRATIVO DE RECEITA BRUTA APURADA", anexo ao presente termo. Os débitos apurados, decorrentes dessas receitas omitidas, estão demonstrados no Demonstrativo de Apuração do IRPJ (Auto de Infração), com base nos valores informados no campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal". Temse que “as declarações constantes de documentos assinados presumem se verdadeiras em relação aos signatários” 8. Por essa razão, os Demonstrativos das AIDDP’s, fls. 81110, apresentados pela Recorrente, são documentos hábeis como evidência dos fatos imponíveis. Esses relatórios contêm dados sobre a receita auferida pela venda de ingressos, que demonstra a diferença entre o quantitativo de ingressos impressos e aqueles devolvidos e objeto de cortesias. Ressaltese que o valor referente aos ingressos de cortesia foi efetivamente deduzido na quantia exata registrada no Livro de Registro de Apuração de ISS. Por essa razão não há que se falar em erro na apuração da base tributável. Em relação ao argumento da defesa de que não é sujeito passivo da obrigação integral apurada nos autos, uma vez que parte da receita já foi oferecida à tributação pelos demais integrantes de cada evento, temse que cabe à defesa a prova dos fatos que tenha 8 Fundamentação legal: art. 219 do Código Civil. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 631 24 alegado e ainda mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir9. As provas foram obtidas por meios lícitos dentro do regular exercício de atividade de fiscalização fazendária o Livro Registro de Apuração de ISS e as AIDDP’s foram apresentado pela Recorrente, o que reforça o exame fiscal aprofundado para fins de apuração do ilícito tributário e a sua justa causa. Não se caracterizou, portanto, a prova emprestada, porque o referido Livro Registro de Apuração de ISS é de pleno conhecimento da Recorrente, que aliás, o escriturou com base nas informações contidas em seus documentos contábeis e fiscais. A Recorrente não indica pormenorizadamente eventuais erros materiais nos seus assentos contábeis e nem junta os documentos pertinentes, para fins de fundamentar sua alegação. No que se refere ao argumento da defesa de que a totalidade da receita apurada pela venda de ingressos não corresponde à receita auferida, tendo em vista os contratos de parceria. Nos autos não consta comprovação de sua movimentação financeira que possa fundamentar sua tese. Além disso, não se pode esquecer que no regime de tributação com base no lucro presumido, somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante. Nos Contratos de Cessão de Pauta, celebrado entre Estúdio Amazônico de Radiodifusão Ltda. Studio 5 Centro de Convenções e Biribá Produções Artísticas Ltda, fls. 146147 e 173174, não são documentos hábeis para que se proceda deduções na receita bruta apurada de ofício, mas tãosomente para demonstrar a existência de despesas vinculadas à receita auferida pela Recorrente. Os Contratos de fls. 187189 e 193196, não podem ser considerados como prova nos presentes autos, haja vista que não foram avençados no período objeto do lançamento. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente suscita que o PIS e a Cofins têm como base de cálculo o faturamento e por essa razão devem ser deduzidos os valores relativos aos ingressos de cortesia. Sobre esses tributos a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, prevê: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] 9 Findamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 333 do Código de Processo Civil e art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 632 25 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Analisando a legislação de regência inferese que, a despeito da atividade econômica exercida pela Recorrente, o seu faturamento está sujeito à incidência de PIS e de Cofins. Reiterese que Demonstrativos das AIDDP’s, fls. 81110, apresentados pela Recorrente, são documentos hábeis como evidência dos fatos imponíveis. Esses relatórios contêm dados sobre a receita auferida pela venda de ingressos, que demonstra a diferença entre o quantitativo de ingressos impressos e aqueles devolvidos e objeto de cortesias. Reiterese que o valor referente aos ingressos de cortesia foi efetivamente deduzido na quantia exata registrada no Livro Registro de Apuração de ISS. Por essa razão não há que se falar em erro na apuração da base tributável. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos10. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; 10 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 633 26 – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância11. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 14. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a 11 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 14 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10283.720910/201017 Acórdão n.º 1803002.272 S1TE03 Fl. 634 27 que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720775/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 27/01/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 30004.36159.270106.1.1.089375, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 75 /2 00 9- 14 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 de créditos da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep exportação no valor de R$ 40.383,64, referente ao quarto trimestre de 2005. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 235 a 268, inicialmente, explicita os critérios adotados ante as discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base sobre a qual efetuou as glosas pelas notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação e o valor do LRE foi adotado como base paras as glosas, e (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas: se o valor resultante foi superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise se o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, apuraramse os valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. A partir dessa sistemática, apurouse glosa no valor total de R$ 8.956,94 em razão das seguintes irregularidades: 1Bens utilizados como insumos: glosas relativas a aquisições de pinus em toros a pessoas físicas; glosas correspondentes as mercadorias recebidas em consignação, constatadas através do CFOP 1917 e 2917, que registra mercadorias recebidas em consignação mercantil ou industrial. 2Serviços utilizados co o insumos, relativo extração de madeira; 3Despesas de energia elétrica: glosas relativas a valores não relacionados ao consumo, tais como despesas relacionadas à doação, Cosip, devolução de juros; 4Despesas de armazenagem e frete na operação de venda: glosas relativas a serviços de fumigação, remoção de contêineres, desunitização, unitização, uso de pátio e posicionamento. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório de fls. 271 e 272, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 31.426,70. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 287 a 292), o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que se fez uma interpretação equivocada do Dacon, o que teria comprometido a correta fixação das receitas relacionadas aos mercados interno e externo, pois teria incluído, para fins de cálculo da proporção, receitas não tributadas no mercado interno, tais como receita tributada à alíquota zero e receita de vendas de bens do ativo permanente. Alega também que a autoridade fazendária considerou o valor das receitas auferidas informadas na coluna "receita", mas que deveria ter considerado os valores da coluna "base de calculo"; que, assim procedendo acabou por considerar em duplicidade os valores de Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720775/200914 Acórdão n.º 3403003.071 S3C4T3 Fl. 339 3 receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Sob o item "Das mercadorias recebidas em consignação" alega que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos, restando claro que a recorrente efetivou a aquisição das mercadorias consignadas. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, apenas para acatar os percentuais do mercado externo e interno propostos pelo contribuinte. O Acórdão nº 07025.518, de 5 de agosto de 2011, fls. 315 a 321, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS, NO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito das contribuições nãocumulativas para o PIS/Pasep/Cofins, na "receita bruta total" devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas de vendas do ativo permanente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é anus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 330 a 334, após síntese dos fatos relacionados com a lide, recorre da manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação – CFOP 1917 e 2917, alegando ter comprovado, por intermédio de nota fiscal, que a compra das mercadorias em comento efetivamente ocorreu, motivo pelo qual entende que não há razão para que seu crédito seja glosado, uma vez que a compra é o fato necessário para caracterizar o direito ao crédito. Entretanto, se houve um equívoco na forma de utilização dos valores, essa consignação converteuse em compra, conforme comprovado pela nota fiscal de aquisição de mercadorias. Aduz que os documentos que instruem o presente processo administrativo demonstram claramente que a recorrente não fez créditos das referidas Fl. 340DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 aquisições por duas vezes. Como mencionado anteriormente, as remessas em consignação converteramse posteriormente em venda, operação esta que foi devidamente registrada uma única vez. Entende que a Fiscalização tem o dever de diligenciar a busca da verdade real. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 330 a 334 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07025.518, de 5 de agosto de 2011. Conforme relatado, controvertese a manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação (CFOP 1917 e 2917). A alegação recursal é de que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos. Com efeito, enquanto manifestante, o contribuinte aportou aos autos cópia das notas de saída de venda (CFOP 5111 vendas efetivas de produtos industrializados no estabelecimento remetidos anteriormente a titulo de consignação industrial ou 6112 vendas efetivas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, remetidas anteriormente a titulo de consignação industrial). Nada obstante, a decisão recorrida manteve a glosa sob a consideração de que o interessado não fez prova de que não tomou crédito o mesmo crédito novamente, por ocasião da compra das mercadorias antes recebidas em consignação. O caveat erigido pela decisão recorrida, a meu ver, é procedente. Levando em conta a sistemática adotada na auditoria fiscal de apuração do montante dos créditos por CFOP, com a emissão por National Starch & Chemical Industrial Ltda das notas fiscais nºs 3.773 (CFOP 2.111), 56.400 (CFOP 1.111), 56.547 (CFOP 1.111) e 56.672 (CFOP 1.111) cópias às fls. 305 a 310, 312 e 313 – para documentar a aquisição das mercadorias antes recebidas em consignação, o valor das mesmas passou a ser considerado na base de cálculo dos créditos. Assim, à toda prova, o mesmo valor serviu para a tomada de crédito por duas vezes. Se, excepcionalmente, o contribuinte retirou as referidas notas da base de cálculo, como alega ter feito, tocaria proválo, pois alegar e não comprovar o alegado equivale a nada alegar allegare nihil et allegatum non probare paria sunt. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720775/200914 Acórdão n.º 3403003.071 S3C4T3 Fl. 340 5 Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – Fl. 342DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de Fl. 343DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720775/200914 Acórdão n.º 3403003.071 S3C4T3 Fl. 341 7 prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.000958/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.097
Decisão: Resolução
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Carlos Mozart Barreto Vianna, Rafael Correia Fuso, Marco Antonio Pires, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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decisao_txt : Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Carlos Mozart Barreto Vianna, Rafael Correia Fuso, Marco Antonio Pires, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Carlos Mozart Barreto Vianna, Rafael Correia Fuso, Marco Antonio Pires, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em face da contribuinte, em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, na qual apontase, sob o critério de presunção, supostas receitas omitidas no ano calendário de 2005, tributandose, portanto, os valores pelo IRPJ, CSLL, Pis e Cofins. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e em decurso dos trabalhos de fiscalização determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal 0819000 2009 02394 7, examinamos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 95 8/ 20 10 -1 7 Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 3 2 os extratos bancários de 2005 apresentados pelas instituições financeiras administradoras das contas correntes bancárias do contribuinte e VERIFICAMOS o seguinte: 1. DO CONTRIBUINTE FISCALIZADO Tratase de ação fiscal realizada no contribuinte VICTRIX ASSESSORIA COMERCIAL LTDA. sociedade limitada regida pelo contrato social e que tem por objeto social a assessoria comercial, cartorária de negócios, vedada a prática de atos que dependa de autorização ou registro especial (conforme cópia da 9a alteração contratual registrado no 4° Registro Civil de Pessoa Jurídica da Capital/SP). O serviço preponderante prestado pela empresa é o de resgatar títulos em protesto nos cartórios das empresas contratantes de seu serviço. A fiscalizada apresentou DIPJ de 2006 (ano calendário de 2005) com a opção de Lucro Presumido, optando pela presunção da base de cálculo para o IRPJ no percentual de 16%, e de 32% para a CSLL. 2. DA AÇÃO FISCAL No exercício regular das funções inerentes ao cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal de numeração em epígrafe, iniciamos os trabalhos de fiscalização do contribuinte acima identificado, com o recebimento no endereço da rua Silveira Martins, n° 37, 6o andar, conjunto 62, São Paulo/SP, de correspondência contendo o Termo de Início de Ação Fiscal, em 16/04/2008. Tendo em vista o não atendimento à Intimação, procedi à Intimação, via postal, dos sócios da empresa: Alberto José França Montenegro, CFP n° 002.956.47434, e Tirso Alcazar Júnior, CPF n° 064.620.548 08. A correspondência enviada ao Alberto retornou com a informação de "mudouse". Duas correspondências foram enviadas ao Tirso, uma erroneamente no endereço da empresa, a qual retomou com a informação "recusado", e a outra, no endereço correto, retornou com a informação "desconhecido". No dia 17/06/2008, compareci no endereço da rua Silveira Martins, n° 37, 6° andar, conjunto 62, e constatei que no citado endereço está em funcionamento a empresa Victrix Informações e Publicações Mercantis Ltda, CNPJ n° 08.636.492/000118, sendo atendido pelo Sr. Elielton de Souza Ribeiro, CPF n° 164.675.55880, sócio desta empresa. Foi lavrado Termo de Constatação Fiscal, sendo assinado por mim e pelo sr. Elielton. A fim de se constatar quais são os sócios da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda. presentes no contrato social, foi enviado o ofício n° 75 ao Oficial do 4o Cartório de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de São Paulo Capital, requerendo cópia do contrato social e última alteração. Na última alteração contratual, registrada em 20/05/2003, constam como sócios: Tirso Alcazar Júnior, residente e domiciliado na Av. São João, n° 1833, apto 1001, CEP 01211100 São Paulo/SP, sócio administrador; e Alberto José França Montenegro, residente e domiciliado na Av. Nove de Julho, n° 1021, apto 76, CEP 01312000, São Paulo/SP, sócio. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 4 3 Em 25/06/2008 foi protocolizado a Representação Fiscal Pessoa Jurídica Inapta, comprot n° 19515.002568/200859. Foi publicado o Ato Declaratório n° 135 de 25/08/2008 no Diário Oficial da União n° 164, Seção 1, página 38 de 26/08/2008, declarando inapta a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda, com efeitos da inaptidão a partir de 17/06/2008. Utilizandose da hipótese de inaptidão do CNPJ da Pessoa Jurídica (art. 81 da Lei n° 9.430/1996), foi feita a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) para as seguintes instituições financeiras: Banco ABN AMRO Real S/A, Banco Bradesco S/A, Banco do Brasil S/A, BANESPA, Banco Itaú S/A e Unibanco; requerendo os extratos bancários das contas correntes e de poupança da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda. Em 17/12/2008, o contribuinte protocolizou no CAC/Lapa o processo n° 13804.005338/200818, em que solicitava o restabelecimento da inscrição da empresa junto ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ. Por conta deste processo, foram enviados os dois processos (o de inaptidão e o do restabelecimento) para mim, em forma de diligência, com o intuito de se verificar se a empresa Victrix Assessoria Comecial Ltda encontravase em atividade no endereço da rua Silveira Martins, n° 37, 6o andar, conjunto 62. Para fazer esta diligência, foi necessária a abertura de uma outra diligência na empresa Victrix Informações e Publicações Mercantis Ltda, para se subsidiar a diligência na Victrix Assessoria Comercial Ltda. Os sócios da Victrix Informações e Publicações Mercantis Ltda foram convocados, e prestaram esclarescimentos, informando que lhes foram cedidos o espaço e alguns clientes para pagamento de um acordo financeiro, e que somente a empresa deles estava em atividade naquele endereço. O sócio da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda, Sr. Tirso Alcazar Júnior, compareceu, entregou comprovantes de endereço de sua residência, e trouxe cópia da 10° alteração contratual mudando o endereço da empresa para a avenida Elisio Teixeira Leite, n° 768, Vila Brasilandia, São Paulo/SP. No dia 23/09/2009, foi publicado no Diário Oficial da União, Seção 1, página 645, o Ato Declaratório n° 236, de 21/09/2009, o qual declarava regular a situação cadastral da pessoa jurídica inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda. No dia 27/03/2009, a empresa, efetivamente, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização, através do sócio administrador Tirso Alcazar Júnior. No termo foi requerida a comprovação da origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes (extratos bancários enviados pelas instituições financeiras através da RMF), além de apresentar os Livros Diários e Razão. No dia 17/08/2009, o procurador da empresa Mauro Rinaldi tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal, em que novamente era requerido a comprovação da origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes da empresa. No dia 09/11/2009, a empresa tomou ciência do Termo de Ciência e de Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 5 4 Continuação de Procedimento Fiscal por via postal, com Aviso de RecebimentoAR. No final do mês de outubro de 2009, a empresa entregou alguns controles (e cópias de extratos bancários) de valores depositados em sua conta no Unibanco e no Bradesco para alguns dias. Nesses controles aparecem os valores efetivamente gasto para o resgate de títulos protestados em cartório dos clientes da empresa. No confronto dos valores depositados/creditados pelos clientes para o resgate dos títulos protestados há diferenças, em que a Victrix Assessoria Comercial Ltda. ganhava pelo volume de cheques administrativos emitidos aos cartórios com o desconta da tarifa bancária da emissão desses cheques. Portanto, além da receita estipulada em contrato com os clientes, a Victrix Assessoria Comercial Ltda possuía a receita pela economia conseguida com o volume de emissão de cheques administrativos e o correspondente desconto na tarifa de emissão desses cheques. 3. DOS VALORES DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. No período de janeiro a dezembro de 2005, foram apurados valores creditados/depositados nas contas correntes bancárias da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda não sendo comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. E conforme o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, tais valores creditados/depositados são caracterizados como omissão de receita. (...) Os valores totais mensais por conta corrente da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda. foram apurados através das planilhas com as operações de crédito/débito em que não foram comprovadas as origens dos recursos. Tais planilhas estão anexadas ao presente Termo de Constatação Fiscal. Alguns valores de crédito/depósito nas contas bancárias da empresa no UNIBANCO e no BRADESCO foram comprovados suas origens, e para tais valores foram encontrados diferenças entre os valores depositados pelos clientes da Victrix e pelo valor efetivamente gasto para o resgate dos títulos em protesto. Tais valores de diferença são receitas da Victrix. Abaixo consta a tabela com os valores de receita apurados por estas diferenças: (...) 4. OMISSÃO DE RECEITA E BASES DE CÁLCULO No período de janeiro de 2005 a dezembro de 2005, caracterizada a omissão de receita pela empresa dos valores creditados/depositados em suas contas correntes bancárias sem comprovação das origens dos recursos utilizados nessas operações, através de documentação hábil e idônea, ficará a empresa sujeita à multa de ofício de setenta e cinco por cento dos valores dos tributos e contribuições não declarados pela omissão de receita, conforme disposto na redação original do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 6 5 Os tributos e contribuições não declarados no ano calendário de 2005, são os seguintes: Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ (com a forma de tributação, apuração da base de cálculo, alíquota e adicional definidos pelas Leis n° 8.981/1995, n° 9.249/1995 e n° 9.430/1996 e pelo RIR/99 Decreto 3.000/1999), Contribuição Social Sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas CSLL (instituída pela Lei n° 7.689/1988, com a alíquota da contribuição definida para o período de 2005 pelo art. 37 da Lei n° 10.637/2002), Programa de Integração Social PIS (instituída pela Lei Complementar n° 07/1970, sendo que o art. 8° da Lei n° 9.715/1998 fixou a alíquota da contribuição), Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS (instituída pela Lei Complementar n° 70/1991, e a alíquota do período fixada pelo art. 8° da Lei n° 9.718/1998). O valor da receita omitida será considerado na apuração da base de cálculo do PIS, COFINS e da CSLL, bem como para a apuração do IRPJ e do adicional, conforme o texto original do caput do art. 24 e do seu § 2° da Lei n° 9.249/1995. A base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta conforme os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998, e o período de apuração dessas contribuições é mensal, sendo que para os meses do ano de 2005, será caracterizado como receita bruta os valores creditados/depositados nas contas correntes bancárias da empresa que não foram comprovados as origens dessas operações através de documentação hábil e idônea. Tanto o PIS, como a COFINS, serão calculados no critério da cumulatividade, pois, o Lucro da empresa será presumido. O período de apuração do IRPJ e do adicional, bem como da CSLL, é trimestral, conforme os artigos 1o e 28 da Lei n° 9.430/1996. A base de cálculo do IRPJ e do adicional, e da CSLL, será feito pela presunção do Lucro, e será da seguinte forma: para o IRPJ e adicional, para os trimestres do ano calendário de 2005, o lucro presumido será de 32% da Receita Bruta trimestral, pois a receita bruta considerada foi através dos créditos/débitos de origem não comprovada que possivelmente foram recebidos através da sua atividade principal, que é a assessoria comercial, cartorária de negócios, vedada a prática de atos que dependa de autorização ou registro especial. Esse percentual está fixado na alínea "d", do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei n° 9.249/1995, para a CSLL, para os trimestres do ano calendário de 2005, o lucro presumido será de 32% da Receita Bruta trimestral, pois a receita bruta considerada foi através dos créditos/débitos não comprovada que possivelmente foram recebidos através da sua atividade principal, que é que é a assessoria comercial, cartorária de negócios, vedada a prática de atos que dependa de autorização ou registro especial. Esse percentual está fixado no caput do art. 20 da Lei n° 9.249/1995, combinado com o inciso III do § 1° do art. 15 da mesma Lei. 4. CONCLUSÕES Diante destes fatos e das irregularidades fiscais constatadas no curso da ação fiscal, fica a empresa INTIMADA, a apresentar a documentação hábil e idônea (no mínimo nos mesmos moldes dos controles apresentados anteriormente, para todos os dias Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 7 6 que faltam a comprovação) para comprovação da origem dos recursos dos valores creditados/depositados nas contas correntes bancárias da empresa do ano calendário de 2005 (relação dos valores creditados/depositados em planilhas anexas conforme conta bancária), bem como INTIMADA, a apresentar a composição da Receita Bruta Mensal da empresa em uma planilha Excell/97 (gravado em CD), demonstrando a receita advinda dos valores contratuais com os clientes e da receita advinda das diferenças entre os valores depositados pelos clientes e os valores efetivamente gasto no resgate dos títulos protestados, NO PRAZO de dez dias a contar do recebimento desse Termo de Constatação Fiscal e intimação através de correspondência enviada com Aviso de Recebimento AR, e tais documentos deverão ser apresentados na DEFIS/SPO Divisão de Serviços na Avenida Pacaembu, n° 715, 1° andar, São Paulo/SP ao Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela fiscalização. O não atendimento pelo contribuinte de forma satisfatória e no prazo estipulado dessa intimação descrita acima, ensejará a lavratura do competente Auto de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no ano calendário de 2005, referente à omissão de receita e de falta de recolhimento de tributos e de contribuições incidentes sobre a Receita Bruta caracterizada (dos valores creditados/debitados nas contas correntes bancárias da empresa sem comprovação da origem) e a conhecida (dos valores de diferença entre os valores depositados pelos clientes e os valores efetivamente gasto para o resgate dos títulos protestados), e incidentes sobre o lucro presumido, em conformidade com o disposto na legislação tributária, em específico nas seguintes leis: redação original do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, Lei Complementar n° 07/1970 combinado com o art. 8o da Lei n° 9.715/1998, Lei complementar n° 70/1991 combinado com o art. 8o da Lei n° 9.718/1998, Lei n° 7.689/1988 combinado com o art. 37 da Lei n° 10.637/2002, Lei n° 9.249/1995, Lei n° 9.430/1996, Decreto n° 3.000/1999, Arts. 15, § 1o inciso III, e 20 da Lei n° 9.249/1995, Arts. 1 ° e 28 da Lei n° 9.430/1996 Arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998, Arts. 15 e 16 da Lei n° 9.249/1995, Caput do art. 20 da Lei n° 9.249/1995, Art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos as descrições dos fatos através do Relatório da decisão da DRJ, que traz os detalhes das intimações e apresentações de documentos: 1. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, em 15/04/2010, com ciência dada, através de Edital afixado nas dependências da RFB, em 15/04/2010, e desafixado em 03/05/2010, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ (fl. 225) = R$ 8.175.127,96; CSLL (fl. 248) = R$ 2.961.163,99; PIS (fl. 233) = R$ 673.891,75 e COFINS (fl. 241) = R$ 3.110.270,29 2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$ 14.920.453,99, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 8 7 e dos juros de mora (estes calculados até 31/03/2010). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. 3. A fiscalização apresenta através do "Termo de Verificação Fiscal" TVF (fls. 254 a 258), resumidamente, o seguinte. 3.1. A fiscalizada é uma sociedade limitada e que tem por objeto social a assessoria comercial cartorária de negócio, sendo o serviço preponderante prestado o de resgatar títulos em protesto nos cartórios das empresas contratantes de seu serviço. A empresa apurou seus resultados no anocalendário de 2005 pela sistemática do Lucro Presumido. 3.2. Foram iniciados os trabalhos de fiscalização com o recebimento, em 16/04/2008, do Termo de Início da Ação Fiscal e Intimação, enviado para rua Silveira Martins, n° 37, 6o andar, conjunto 62, São Paulo/SP. 3.3. Tendo em vista o não atendimento à intimação inicial foram intimados via postal, os dois sócios da empresa: Alberto José França Montenegro, CPF n° 002.956.47434 e Tirso Alcazar Júnior, CPF n° 064.620.54808. Conforme informação dos correios estas correspondências não foram recebidas em decorrência das razões: "mudança de endereço" e "desconhecido". 3.4. No dia 17/06/2008 o Auditor visitou o endereço da empresa e constatou que no local funcionava outra empresa, a Victrix Informações e Publicações Mercantis Ltda., CNPJ n° 08.636.492/000118. 3.5. Em 25/06/2008 foi protocolizado a Representação Fiscal – Pessoa Jurídica Inapta, processo n° 19515.002568/200859 e publicado o Ato Declaratório n° 135 de 25/08/2008 no Diário Oficial da União n° 164, Seção 1, página 38 de 26/08/2008, declarando inapta a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda., com efeitos da inaptidão a partir de 17/06/2008. 3.6. Utilizandose da hipótese de inaptidão do CNPJ (artigo 81 da Lei n° 9.430/1996), foi feita a Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), requerendo os extratos bancários das contas correntes, para os seguintes bancos: Banco ABN AMRO Real S/A; Banco Bradesco S/A; Banco do Brasil S/A; BANESPA S/A; Banco Itaú S/A e Unibaneo S/A. 3.7. Em 17/12/2008, o contribuinte protocolizou o processo n° 13804.005338/200818, solicitando o restabelecimento do CNPJ. Foi realizada diligência e foi apurado, através de contato com o sócio Sr. Tirso, que a empresa tinha mudado para Avenida Elisio Teixeira Leite, n° 768, Vila Brasilândia, São Paulo, SP. 3.8. Em decorrência da diligência realizada foi publicado no DOU, o Ato Declaratório n° 236, de 21/09/2009, declarando regular a situação do CNPJ. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 9 8 3.9. No dia 27/03/2009 a empresa, efetivamente, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização, através do sócio Sr. Tirso. No termo foi requerida a comprovação da origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes bancárias, além da apresentação dos Livros Diário e Razão. 3.10. Em 17/08/2009, o procurador da empresa Sr. Mauro Rinaldi tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal, em que novamente era requerida a comprovação da origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes. 3.11. No final do mês de outubro/2009, a empresa entregou controles e algumas cópias de extratos bancários com alguns valores depositados em suas contas correntes no Unibanco e Bradesco. 3.12. A fiscalização declara que "Nesses controles apareceram os valores efetivamente gastos para o resgate de títulos protestados em cartório dos clientes da empresa. No confronto dos valores depositados/creditados pelos clientes para o resgate dos títulos protestados há diferenças, em que a Victrix Assessoria Comercial Ltda., ganhava pelo volume de cheques administrativos emitidos em cartórios com o desconto da tarifa bancária de emissão desses cheques. Porte além da receita estipulada em contrato com os clientes, a Victrix Assessoria Comercial Ltda. possuía a receita pela economia conseguida com o volume de emissão de cheques administrativos e o correspondente desconto na tarifa de emissão desses cheques". 3.13. No dia 26/02/2010 foi emitido Termo de Constatação Fiscal e Intimação TCFI, e enviada via postal, sendo devolvida após três tentativas de entrega nos dias: 03/03; 04/03; e 05/03/2010. No dia 15/03/2010, foi afixado na DEFIS/SPO edital para que a empresa, no prazo de 15 dias, tomasse ciência do TCFL. 3.14. A fiscalização declara que, "No período de janeiro a dezembro de 2005, foram apurados valores creditados/depositados nas contas correntes bancárias da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda não sendo comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. E conforme o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, tais valores creditados/depositados são caracterizados como omissão de receita". O valor total no AC 2005 oferecido à tributação foi de R$ 34.728.798,94. 3.15. Declara ainda que, "Os valores totais mensais por conta corrente da empresa Victrix Assessoria Comercial Ltda foram apurados através das planilhas com as operações de crédito/débito em que não foram comprovadas as origens dos recursos. Tais planilhas estão anexadas ao presente Termo de Constatação Fiscal. 3.16. Continuando diz, "Alguns valores de crédito/depósito nas contas bancárias da empresa no UNIBANCO e no BRADESCO foram comprovados suas origens, e para tais valores foram encontrados diferenças entre os valores depositados pelos clientes da Victrix e pelo valor efetivamente gasto para o resgate dos títulos em protesto. Tais valores de diferença são receitas da Victrix". O total destas diferenças consideradas como receitas no AC 2005 foi de R$ 19.411,29. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 10 9 3.17. No dia 09/04/2010, foi emitido o auto de infração IRPJ e reflexos, bem como o Termo de Verificação Fiscal TVF, e enviados, via postal, ao endereço do contribuinte. Após três tentativas de entrega, a correspondência retornou à DEFIS com a informação: "ausente". 3.18. Em 15/04/2010 foi afixado, nas dependências da RFB, o Edital n° 37/2010, para que o contribuinte tivesse dado ciência do Termo de Verificação Fiscal e dos Autos de Infração no prazo de até 15 dias. O Edital foi desafixado em 03/05/2010, data considerada com cientificado o contribuinte. Em 31 de maio de 2010, a empresa protocolou impugnação, afirmando que tomou ciência do lançamento fiscal por edital afixado até 3 de maio de 2010, portanto, considera sua defesa tempestiva. Alegou em síntese que: 1 – DA PRESCRIÇÃO Preliminarmente aduz a prescrição tributária referentes aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2005, referente ao auto de infração, pois se encontram prescritos conforme artigo 174 do Código Tributário Nacional, que a cobrança cabe a receita federal no prazo de 05 anos, conforme verificamos passou este prazo". 2. Informa que "a empresa Victrix presta serviços relacionados aos títulos de créditos, que eventualmente, seus clientes, tiverem junto aos Cartórios de Protestos, os quais efetuam os pagamentos diretamente aos respectivos cartórios de protestos, em nome de cada cliente". 4.3. Reproduz o previsto na cláusula V, dos contratos firmados compus clientes, sic: A Contratada poderá receber dos Contratantes, em seu escritório, à Rua Silveira Martins, 37—6. andar — conjunto 62, chegues administrativos à favor do portador dos títulos dos Contratantes que estiver em cartórios para pagamentos, no valor liquido do titulo e efetuar junto aos cartórios o seu resgate, desde que, tal cheque, juntamente com a ultima importância relativa às despesas de cartório e, em cheque administrativos, lhe sejam entregues no máximo até as 15 horas do dia concedido, PODENDO TAMBÉM DEPOSITAR A IMPORTÂNCIA DOS TÍTULOS, EMOLUMENTOS E CHEQUES ADMINISTRATIVOS, UM DIA ANTES EM CONTA CORRENTE PARA EFETUAR OS PAGAMENTOS DOS TÍTULOS EM CARTÓRIOS DE PROTESTOS. 4.4. Diz, ainda, "Vale ressaltar que a Autuada recebeu de cada cliente os valores ora expressos nos extratos bancários para que sua prestação de serviços fosse exercida, ou seja, a empresa, cliente da Requerente, efetuava os depósitos em conta corrente, nos valores de cada titulo ora protestado, além das custas com emolumentos cartorários". 4.5. Alega que para a prestação dos serviços a Impugnante apenas recebia às mensalidades estipuladas para cada cliente em torno de R$ 250,00, portanto, os valores movimentados nos bancos Bradesco e Unibanco, referemse aos títulos que foram resgatados em nome de seus clientes. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 11 10 4.6. Informa que "não é possuidora de todos os títulos de créditos em nome de seus clientes, pois após cada resgate de título, o mesmo é entregue à empresa/cliente". Apresenta junto à impugnação as cópias dos contratos de prestação de serviços com os clientes e alega: "que comprovam que a movimentação financeira referese ao seu objeto social, ou seja, a intermediação de pagamento dos títulos em cartórios de protestos”. 4.7. Finalizando requer que: "a fim de comprovar suas alegações, requer que sejam oficiados os Cartórios de Protestos da Capital ou ainda, intimadas as empresas clientes no sentido de fornecerem as informações sobre cada deposito efetuado comprovando através de cada título dos valores lançados em sua conta corrente". A DRJ manteve integralmente o lançamento fiscal, conforme decisão abaixo transcrita: Voto 6. A Impugnante na preliminar menciona prescrição; porém, deve estar alegando a decadência. Afirma que os lançamentos referentes aos meses de: janeiro, fevereiro, março e abri de 2005 estariam decaídos. 7. Com relação a tal alegação, reproduzo o Despacho exarado, em 18/08/2008, pelo Ministro de Estado da Fazenda, Sr. Guido Mantega, que declara o seguinte: Aprovo o PARECER/PGFN/CAT/n° 1.617/2008, o qual estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante n° 8". 8. O Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Ministro da Fazenda traz a seguinte ementa: "Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante n° 8. Alcance. Contribuições Previdenciárias. Forma de contagem de prazos. Fixação do termo a quo de prazos de decadência e de prescrição. Art. 150, § 4°, do CTN. Art. 173, 1, do CTN. Inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e do parágrafo único do art. 5o do DecretoLei n° 1.569, de 8 de agosto de 1977. " 9. Eis a conclusão do citado Parecer. Destaco que, no item 40 do Parecer está declarado que "Tal concepção, em princípio, pode ser aplicada para todos os tributos federais, e não somente, para as contribuições previdenciárias” (g.m.). (...) 10. Aqui cabe destacar, que o pagamento se refere ao antecipado (parcial), ainda que a menor do que o devido em relação a fato gerador declarada. No presente caso estamos tratando de depósitos em que não foram comprovadas suas origens caracterizando como presunção de receitas omitidas, logo, fatos geradores não declarados, devendo ser aplicado a regra prevista no artigo 173, inciso, I do CTN. 11. Os autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados em 15/04/2010, e a data da ciência corresponde à data em Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 12 11 que o Edital n° 37/2010 foi desafixado, em 03/05/2010, portanto, antes da ocorrência da decadência. 12. Ressalto que o exercício seguinte se refere ao exercício financeiro posterior àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, em consonância com o art. 9°, II do CTN ("... com base em lei posterior à data inicial do exercício financeiro...") e com a CF/88, art. 150, lll, "b" ("cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou majorou"). 13. Com relação aos depósitos, a Impugnante intimada, através de edital, pois não foi possível intimála através de via postal, não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos utilizados nessas operações. 14. Também, com a sua impugnação não traz os documentos que comprovassem o que alegado quanto à origem dos depósitos. Apresenta somente cópias de contratos firmados com seus clientes e, "requer que sejam oficiados os Cartórios de Protestos da Capital ou ainda, intimadas as empresas clientes no sentido de fornecerem as informações sobre cada depósito efetuado comprovando através de cada título os valores lançados em sua conta corrente". Atitude que cabe a Impugnante adotar para fazer prova do que alega. 15. Como a Impugnante não comprovou a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes bancárias, a fiscalização aplicou corretamente o previsto artigo 42, da Lei n° 9.430/1996. in verbis: 16. Com relação ao lançamento como receitas não declaradas, no total do AC 2005 de R$ 19.411,29, relativas à diferença entre alguns depósitos comprovados e os valores efetivamente gastos para resgate dos títulos a Impugnante não apresentou contestação, devendo ser mantido o lançamento realizado. 17. Com referência aos Autos Reflexos, o decidido no mérito do IRPJ repercute na tributação reflexa. A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 29 de outubro de 2010. Inconformada, apresentou Recurso em 30 de novembro de 2010, alegando os mesmos fundamentos trazidos na impugnação, que tinha poderes para receber valores e efetuar pagamento de títulos de créditos de seus clientes. Informa que recebeu os valores dos seus clientes e pagou os títulos em cartório de protestos. Afirma que diante do fato dos títulos não serem da recorrente, que as informações sejam obtidas nos cartórios de protestos. Com isso, solicitou a reforma da decisão da DRJ. Este é o relatório! Voto Inicialmente, antes de iniciar o julgamento, cumpre a esse Relator tratar de questão preliminar que envolve o julgamento ou o sobrestamento do presente processo, visto Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 13 12 que a matéria sobre a quebra de sigilo bancário encontrase pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Muito se discute se seria o caso de sobrestar o julgamento, considerando o disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste E. Tribunal, ou se seria o caso de julgar o Recurso Voluntário do contribuinte atendendo o disposto na Portaria n° 1/2012, do Ministro da Fazenda, que traz os seguintes enunciados sobre o tema: Art. 1º(...) Parágrafo único – O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos a matéria recorrida, independente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Entendo, na minha modesta opinião, que a Portaria do Ministro da Fazenda interpreta a questão da repercussão geral de forma parcial, analisando apenas os primeiros casos em que o Supremo Tribunal Federal procedeu com o sobrestamento dos processos, quando estava demonstrando a forma de se realizar o sobrestamento aos Tribunais de Justiça e aos Tribunais Regionais Federais, considerando ainda os casos que já haviam sido enviados àquele Tribunal. Tanto foi assim que os procedimentos de sobrestamento, conforme dispõe o artigo 543 – B, § 1°, do Código de Processo Civil, é uma norma dirigida aos Presidentes dos Tribunais de origem, ou seja, a norma não determina o sobrestamento ao STF: § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (destaquei) Desta forma, considerar como sobrestado para fins de aplicação do disposto no artigo 62A, § 1°, do Regimento Interno do Carf apenas os processos em que o STF sobrestou por decisão expressa a matéria de forma ampla é um exagero, pois limita inclusive o próprio procedimento de processamento trazido no artigo 543B do CPC, sendo muito aquém do anseio do legislador quando dispõe: Art. 62A As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 14 13 Desta feita, o entendimento desse Relator é pelo sobrestamento do presente processo, visto que a matéria que fundou o lançamento fiscal está sob repercussão geral do STF, a despeito de não existir uma decisão do próprio STF sobrestando expressamente todos os demais processos, o que vem sendo feito pelos Presidentes dos Tribunais de origem. Foi feito despacho no sentido de sobrestar por esse Relator, sendo rejeitado pelo Presidente dessa Colenda Câmara que colocou em votação o processo, se julga ou não pelo colegiado, atendendo o disposto na Portaria CARF n° 1 de 3 de janeiro de 2012. Vencido o relator, curvome ao entendimento dos meus pares, visto que estamos num Estado Democrático de Direito, fundado no princípio da legalidade, e passo ao julgamento. Quanto à questão da decadência, a mesma deve ser acolhida, não porque o contribuinte alegou em seu Recurso, o que não aconteceu, mas porque se trata de matéria de ordem pública e a decisão da DRJ está equivocada. Isso porque, considerando o fato de não existir no relatório fiscal nenhuma imputação de dolo, fraude ou simulação, e considerando o fato da multa ter sido lançada em 75%, ou seja, sem qualificação, constatando que houve recolhimento a menor dos tributos nos meses em que houve a decadência, bem como em razão do lançamento ter ocorrido em 03/05/2010, entendo pelo reconhecimento da existência da decadência nos meses de janeiro a abril de 2005, diante da aplicação do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, em relação o seguintes tributos: a) IRPJ 1° trimestre de 2005 b) CSLL 1° trimestre de 2005 c) Pis – 01, 02, 03 e 04 de 2005 d) Cofins – 01, 02, 03 e 04 de 2005. Devemos aplicar no caso em questão a jurisprudência do STJ, que firmou em sede de Recurso Repetitivo o entendimento ora exposto, em atendimento ao disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Vejamos o acórdão da Corte Superior quanto à matéria: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 15 14 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( REsp 973733 / SC, RECURSO ESPECIAL nº 2007/01769940, Min. Relator Luiz Fux, S1 – Primeira Seção, Julgado em 12/08/2009, Dje de 18/09/2009, RDTAPET vol. 24, p. 184)” Nestes termos, acolho de ofício a questão da decadência em razão da jurisprudência firmada do STJ. Quanto ao mérito, o fato de trazer contratos com clientes e demonstrar liquidação de valores em cartório de protestos não implica em comprovar que todos os valores recebidos e pagos demonstram que os valores que deram saída das contas correntes da empresa foram para pagamentos de títulos dos clientes. Há a necessidade de se fazer uma perícia, demonstrando o contribuinte por meio de um laudo todas essas operações, com o casamento do recebimento com o pagamento do título. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19515.000958/201017 Resolução nº 1201000.097 S1C2T1 Fl. 16 15 Se não houver a demonstração dessas operações, a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 correrá em desfavor do contribuinte. Nestes termos, entendo pela baixa dos autos em diligência, para que o contribuinte apresente laudo com todas as demonstrações dos recebimentos de valores em seu extrato bancário e os pagamentos feitos dos títulos dos seus clientes, ficando consigo apenas a receita própria decorrente da prestação do serviço, que aparentemente fora tributada, mas que deverá ser checada pela Receita Federal. Caso haja a demonstração da operação de recebimento e pagamento de valores, de forma parcial, deverá a Receita expedir relatório apontando o valor dos tributos em análise sobre o montante que não for comprovado, intimando o contribuinte ainda para no prazo de 30 dias possa se manifestar sobre a diligência e relatório conclusivo da fiscalização. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 16004.000248/2007-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2002
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Correto é o lançamento que se fundamenta na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), nos recolhimentos e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício:2002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Correto é o lançamento que se fundamenta na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), nos recolhimentos e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício:2002 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 02 48 /2 00 7- 55 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 104 2 tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 3338, com a exigência do crédito tributário no valor de R$36.989,31, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos quatro trimestres do anocalendário de 2002 e no primeiro trimestre do ano calendário de 2003. Consta na Descrição dos Fatos: 001 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO A empresa foi selecionada pelas Malhas PJ dos exercícios de 2003 e 2004, anoscalendário de 2002 e 2003, sendo revisadas suas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, apurandose insuficiência de recolhimento do IRPJ devido, pelo cotejo dos dados constantes nas DIPJ (fls. 6/7 e 13/16), os recolhimentos efetuados (fl. 19) e os declarados em DCTF(fls. 23 a 30) [...] Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 105 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 516, art. 541, e art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). II O Auto de Infração às fls. 3944, com a exigência do crédito tributário no valor de R$27.154,88, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos quatro trimestres do anocalendário de 2002 e nos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2003. Consta na Descrição dos Fatos: FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CSLL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO A empresa foi selecionada pelas Malhas PJ dos exercícios de 2003 e 2004, anoscalendário de 2002 e 2003, sendo revisadas suas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ, apurandose insuficiência de recolhimento da CSLL devida, pelo confronto dos dados constantes nas DIPJ (fls. 8/9 e 17/18), os recolhimentos efetuados(fls. 20/22) e os declarados em DCTF (fls. 23 a 30), [...] Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0520, nos recolhimentos identificados às fls. 2124 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 2532. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 4840, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando: O caso em analogia é um erro evidente, uma vez que a declaração de D1PJ/2003 ano calendário 2002, foi elaborada erroneamente, sendo que constou débitos de IRPJ e CSLL , e m valor superior ao realmente devido, conforme tabela abaixo, sendo que em anexo apresento, copia dos darf’s de pagamento, com os valores realmente devidos, juntamente com o recibo de entrega das DCTF’s dos respectivos trimestres. [...] Verificase que o erro de preenchimento é evidente. Isto posto, requer que a notificação seja arquivada, uma vez que devidamente comprovado pelos argumentos acima bem como documentos ora juntados, onde se demonstra que apenas ocorreu erros na elaboração da DIPJ/2003 ano base 2002. Assim requer o cancelamento da multa constante neste processo n° 16004.000.248/200755. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1434.413, de 28.06.2011, fls. 329344: “Impugnação Improcedente”. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 106 4 Restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase o lançamento em relação à matéria não expressamente contestada nos presentes autos, nos termos do art. 17 do PAF. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Notificada em 19.09.2011, fl. 91, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.10.2011, fls. 95101, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: Para rejeitar a impugnação, o acórdão objeto deste recurso pontuou que, não obstante a defesa tivesse invocado erro no preenchimento da DIPJ do ano calendário de 2.002 erro esse decorrente do fato de haver constatado débitos de IRPJ e CSLL em valores superiores aos efetivamente devidos , a recorrente não teria exibido, neste procedimento, as provas de tal erro. circunstância que levaria ao insucesso da objeção. Razões há. no entanto, para que o acórdão ora mencionado seja cassado, dado o desacerto por ele dispensado no exame da questão posta. Resulta indiscutível, no caso ora em tela. que a recorrente promoveu apuração equivocada em sua D1P.I/2003. ano calendário 2002. Tal equívoco, conforme anotado em sede de impugnação, fora corrigido através das DCTF’s dos trimestres do ano calendário 2.002, juntamente com o DARF’s. Ou seja: basta a comparação entre a DIPJ e as DCTF’s e DARF’s, todos em poder da Secretaria da Receita Federal, para que se constate o erro evidente instalado em D1P.I. cujo teor implicou na apuração equivocada de IRPJ e CSLL, exatamente por terse feito constar, equivocadamente, em DIPJ/2003, os valores de alienação de ativo imobilizados sem o devido abatimento da depreciação. Forçoso resulta reconhecer, diante disso, a impropriedade do acórdão ora guerreado, no que tange à alegação segundo a qual. se os valores informados pela recorrente a Receita Federal continham erro. deveria ela. recorrente "ter juntado ao processo as provas de tal ocorrência", porquanto tais documentos já foram, há tempos, examinados e validados pela própria Secretaria da Receita Federal, que os CONTRASTOU com as declarações prestadas pela recorrente, em especial a DIPJ/2003. com as DCTF’s e DARF’s dos trimestres de 2.002. Colocado frente ao fundamento em relação ao qual deixou de se manifestar — o de que a equivocada DIPJ/2003 fora retificada pelas DCTF’s dos trimestres de Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 107 5 2.002. nas quais os valores devidos a título de tributos foram devidamente apurados e recolhidos pela ora recorrente, conforme DARF’s anexados o acórdão objeto deste recurso revela toda a sua fragilidade, deixando ali orar. irretorquível. a necessidade de sua reforma Ou seja. na busca do princípio da Verdade Material, se o Julgador de primeiro grau julgou insuficiente, para a validação do ERRO EVIDENTE instalado na DIPJ/2003. deveria, no mínimo, ter convertido o julgamento em diligência, solicitando junto a recorrente a documentação que. sob sua ótica, ratificaria o erro material contido na DIPJ de 2.003. qual seja, a inclusão, inadvertida, na base de cálculo do IRPJ e CSLL. de valores decorrentes da alienação de ativo imobilizado, sem o expurgo da depreciação. Como assim não fez. padece o acórdão recorrido de vício insanável, a recomendar a sua anulação, convertendose o julgamento em diligência, para o fim de ser examinada a documentação que escora a correção de erro anotada neste processo. Assim, resta à recorrente requerer seja decretada a anulação do acórdão, por manifesto cerceamento de defesa, convertendose o julgamento em diligência, para o fim de ser examinada a documentação cujo teor valida a correção da D1PJ/2003. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto, é a presente para. respeitosamente, requerer a este Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o conhecimento e provimento do recurso voluntário, para o fim de decretar i) a procedência da impugnação veiculada pela recorrente, desconstituindo o lançamento efetuado pela autoridade fiscal; ou ainda, ii) a anulação do acórdão recorrido, convertendo o julgamento em diligência, para que os documentos que validam a correção da DIPJ/2003 possam ser examinados, ratificandose o crédito objeto deste processo, cancelada, consequentemente, a autuação ora impugnada, por ser medida de justiça. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 108 6 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) A Recorrente discorda do lançamento de ofício e apresenta argumentos de que houve equívoco. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária1. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0520, nos recolhimentos identificados às fls. 2124 e 1 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 109 7 aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 2532. O crédito tributário está regularmente constituído com base em provas diretas e não há comprovação robusta de quaisquer equívocos perpetrados pela Recorrente. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) A Recorrente discorda do lançamento de ofício e apresenta argumentos de que houve equívoco. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 110 8 contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária2. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de tributos apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 0520, nos recolhimentos identificados às fls. 2124 e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), fls. 2532. O crédito tributário está regularmente constituído com base em provas diretas e não há comprovação robusta de quaisquer equívocos perpetrados pela Recorrente. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Argumentos Congruentes A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que os lançamentos não poderiam ter sido formalizados. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, 2 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 111 9 aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos4. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 4 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16004.000248/200755 Acórdão n.º 1803002.199 S1TE03 Fl. 112 10 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10882.000091/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE.
A intimação por Edital, na forma do art. 23 do Decreto n2 70.235, de 1972 , será cabível quando restarem improfícuas as tentativas de intimação de forma pessoal, por via postal ou meio eletrônico com prova de recebimento. Considerando, que o procedimento de cientificação aqui adotado se apresentou imperfeito é de se reconhecer a nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2302-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento , por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício que anulou o lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente.
LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE. A intimação por Edital, na forma do art. 23 do Decreto n2 70.235, de 1972 , será cabível quando restarem improfícuas as tentativas de intimação de forma pessoal, por via postal ou meio eletrônico com prova de recebimento. Considerando, que o procedimento de cientificação aqui adotado se apresentou imperfeito é de se reconhecer a nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento , por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício que anulou o lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado LIEGE LACROIX THOMASI Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 00 91 /2 00 8- 14 Fl. 624DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.129.4649, consolidado em 09/10/2007, em face de ITD TRANSPORTES LTDA, no valor de R$ 3.850.424,34 (três milhões, oitocentos e cinqüenta mil e quatrocentos e vinte e quatro reais e trinta e quatro centavos) referente às contribuições previdenciárias parte patronal, as relativas ao financiamento de beneficio concedido em decorrência dos riscos ambientais do trabalho e às contribuições destinadas a terceiros no período de 02/2002 a 07/2003. Segundo relatório fiscal, o contribuinte, declarou em Guia Recolhimento do FGTS e em GFIP tais contribuições, contudo não as recolheu em época própria. Importa ressaltar que essa Notificação Fiscal de Lançamento de débito se deu em substituição à outra (Debcad n° 35.698.2955), que restou anulada face a vício insanável. Em que pese esse seja um segundo lançamento, não logrou êxito a tentativa, via postal, de comunicálo aos sócios e às empresas integrantes do grupo econômico, seguindose a intimação por edital. Não tendo sido apresentada impugnação, foram emitidos termos de revelia, os quais foram encaminhados a endereços diferentes daqueles constantes do Relatório de Corresponsáveis e daqueles informados pelo Auditor Fiscal no Relatório Fiscal. Esses foram recebidos pelos Sr. Carlos Alberto Devisate, Ricardo Orando Costa, Thiers Fattori Costa e FASTER ROAD EXPRESS LTDA que em nome das empresas FASTER BRASEX TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA, FASTER EXPRESS CARGA AÉREA E RODOVIÁRIA LTDA E FASTER BRASEX LOCAÇÃO E SERVIÇOS LTDA, que interpuseram impugnação (entendida pela Receita como mero requerimento), datado de 24/06/2008. Observadas as razões do requerimento e tendo em vista as manifestações de órgãos internos da própria Receita, a impugnação foi conhecida e levada a julgamento para análise da pertinência da intimação por edital, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP entendido por anular o lançamento, tendo em vista a ausência de intimação válida. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 30/07/2003 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. NULIDADE. A intimação válida na forma do art. 23 do Decreto n2 70.235, de 1972 ,a condição para a constituição regular do crédito tributário por intermédio do lançamento. Na ausência de intimação o lançamento deverá ser anulado. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Considerase domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo o endereço por ele fornecido Secretaria da Receita Federal, para fins cadastrais. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso de Ofício. É o relatório Fl. 625DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10882.000091/200814 Acórdão n.º 2302003.183 S2C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito – Pois bem, em conformidade com princípio do devido processo legal, o § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Nesse sentido, temse que a intimação por edital será cabível quando restarem improfícuas as tentativas de intimação de forma pessoal, por via postal ou meio eletrônico com prova de recebimento. Desta feita, devem se esgotar as tentativas por outros meios, para que se proceda a intimação por edital. No presente caso, a intimação por edital se deu com a alegação de não terem sido bem sucedidas as tentativas de contatar, por outra via, o contribuinte e os responsáveis solidários, para informar o lançamento de débito tributário substitutivo. Em sendo assim, não foram apresentadas as devidas impugnações, e esses foram considerados revéis. Ocorre que após a constatação da revelia, foi realizada uma intimação, via postal, para conhecimento dos termos de revelia elaborados, onde se obteve sucesso no envio. Compulsando os autos, verificase que os ARs Avisos de Recebimentos da primeira tentativa de comunicar a ITD da nulidade do primeiro lançamento e, por conseguinte, Fl. 626DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 do lançamento substitutivo, retornaram com a expressão “Mudouse”. Todavia, em consulta aos próprios Sistemas da Receita Federal do Brasil verificouse um outro endereço, que não aquele do envio da primeira intimação. Mais ainda, restou claro que a atualização do endereço se deu em tempo anterior à intimação infrutífera, ou seja, o endereço da ITD Transportes Ltda e das demais empresas, tidas pela fiscalização como integrantes do grupo econômico de fato, estavam atualizados a época do lançamento e não correspondiam aos endereços constantes da notificação que acarretou na revelia. Disto se constata que, quando da postagem dos referidos Avisos de Recebimento, os contribuintes, tanto as pessoas fisicas quanto as jurídicas tinham domicílios tributários diversos daqueles utilizados pela Delegacia da Receita Federal de Osasco. Porquanto, se infere que a empresa ITD Transportes Ltda e as responsáveis solidárias não estavam em local ignorado ou com a sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, conforme autorizaria o § 1º do artigo 23 do Decreto 70/235/72 para a emissão do edital. Porquanto, é de se admitir que a intimação realizada pelos mencionados Editais, não estava em conformidade com a legislação. Conforme exarado por Hely Lopes Meirelles: "a legalidade, como princípio de administração, significa que o administrador público está, em toda sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso" Assim sendo, a falta de intimação pessoal, ou mesmo via postal, do sujeito passivo e dos responsáveis tributários, quando estes mantém seus dados atualizados junto à Receita, provoca, em última análise, a violação ao devido processo legal, o cerceamento do direito de defesa, e, por conseguinte, a nulidade dos atos processuais praticados em seguida. Nesse sentido segue julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRAZO RECURSAL. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. EDITAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. NECESSIDADE DE PRÉVIO ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE LOCALIZAÇÃO DO DEVEDOR. 1. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, consagra no seu artigo 23, II, que a intimação do sujeito passivo pode ser feita por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo mesmo. 2. Declaração de imposto de renda da impetrante referente ao exercício 2004 traz o novo endereço (fls. 73/76), sendo certo que a emissão da notificação foi feita posteriormente (fls. 55). 3. Citação por edital. Situação excepcional após esgotadas todas as tentativas de localizar o devedor. Cerceamento do direito de defesa. 4. Apelação provida. Sem honorários, conforme verbetes das Súmulas nº 512 do Supremo Tribunal Federal e nº 105 do Superior Tribunal de Justiça (TRF2 AMS: 66256 ES 2005.50.01.0050352, Relator: Desembargador Federal PAULO BARATA, Data de Julgamento: 15/01/2008, TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA, Data de Publicação: DJU Data::29/01/2008 Página::398) Assim tmbém, já se posicionou esta corte: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005 INTIMAÇÃO FEITA UNICAMENTE POR EDITAL. INVALIDADE. A intimação das exigências fiscais do sujeito passivo e dos responsáveis tributários, bem assim da sujeição passiva desses últimos, deve Fl. 627DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10882.000091/200814 Acórdão n.º 2302003.183 S2C3T2 Fl. 4 5 ocorrer, preferencialmente, de modo pessoal, por via postal ou por meio eletrônico. Somente se improfícuos esses meios, a intimação poderá ser feita por Edital. É nula a intimação feita primeira e unicamente por Edital. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. OCORRÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Padece de vício o acórdão de primeira instância que deixou de apreciar o cumprimento dos pressupostos processuais de desenvolvimento regular do processo relativo às intimações regulares dos responsáveis tributários, bem como ao cumprimento do prazo de interposição das impugnações. Verificase, na hipótese, violação ao devido processo legal e, por consequência, do cerceamento do direito de defesa. O acórdão recorrido deve ser considerado nulo e proferido outro, com manifestação a respeito do atendimento do pressuposto processual relativo ao prazo de apresentação das impugnações e, da regular intimação do sujeito passivo e dos responsáveis tributários e, por conseqüência, do conhecimento ou não das impugnações apresentadas. (CARF –PROCESSO:19515005571/200913, Relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Sessão em 07/11/2013, Segunda Câmara, Segunda Turma Ordinária). Destarte, cabe ao órgão julgador se pronunciar sobre os vícios dos quais podem padecer os atos processuais, velando pelas exigências processuais essenciais para que se alcance o devido processo legal. Esse é o posicionamento do STF: STF Súmula nº 473 Administração Pública Anulação ou Revogação dos Seus Próprios Atos A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Por todo exposto até aqui, e considerando, que o procedimento de cientificação adotado se apresentou imperfeito é de se reconhecer a nulidade do lançamento. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso de ofício, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, mantendo a nulidade do lançamento por vício formal. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes relator Fl. 628DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI 6 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000562/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA.
Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação. O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. AFASTAMENTO.
Deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício quando não restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto.
Numero da decisão: 2201-002.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Flavio de Souza Valentim, OAB/MG 96.489.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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PERÍCIA. Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação. O pedido de produção de prova pericial pelo contribuinte deve atender aos requisitos constantes no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estar amparada por isenção. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. AFASTAMENTO. Deve ser afastada a qualificadora da multa de ofício quando não restar comprovado que o contribuinte dolosamente concorreu para supressão ou redução do pagamento de imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 05 62 /2 00 9- 30 Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Flavio de Souza Valentim, OAB/MG 96.489. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 494 a 504, lavrado em 20/04/2009, exigese da Contribuinte – GLAUCIANE MARIA DE SOUSA, o montante de R$ 1.576.726,83 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 814.633,69 de juros de mora e R$ 2.365.090,24 de multa de ofício qualificada, totalizando R$ 4.756.450,76 (atualizados até a data da autuação) referente aos anoscalendário de 2004 e 2005. O lançamento decorreu em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 505 a 542), a fiscalização solicitou esclarecimentos quanto à origem dos depósitos efetuados na conta bancária de titularidade da Contribuinte. A Contribuinte não apresentou os extratos bancários espontaneamente, tendo a fiscalização os obtido diretamente junto às instituições bancárias. Aplicação de multa qualificada. Em face da incipiência dos esclarecimentos da Contribuinte em face dos questionamentos da fiscalização, foi lavrado o referido Auto de Infração com qualificação da multa de ofício, por entender a autoridade fiscal que o volume movimentado em conta bancária em contrapartida com a declaração de isenção de Imposto de Renda revelam o intuito da Contribuinte em suprimir ou reduzir o pagamento de tributo dolosamente. A Contribuinte foi cientificada do lançamento em 06/05/2009 (fls. 1325) e apresentou Impugnação (fls. 1326 a 1365) em 05/06/2009, com as seguintes alegações: Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10665.000562/200930 Acórdão n.º 2201002.414 S2C2T1 Fl. 3 3 · Impossibilidade de aplicação do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Alega a Contribuinte que os depósitos são referente a mútuos que a mesma operacionaliza da forma mais simples possível, sem contrato ou formalidades. A Contribuinte empresta o dinheiro e mantém cheque em caução do mutuário. · Da Correta Forma de Tributação dos Ganhos da Contribuinte. Entende a Contribuinte que deve ser tributada apenas com base em 1% que é a margem que cobra pelos empréstimos que efetua. Apresenta forma de tributação do lucro auferido com os mútuos e não o arbitramento dos valores. · Solicita perícia técnica para apurar o lucro obtido com os mútuos. Entende que o arbitramento do valor com base nos depósitos bancários é incorreto e defende que um técnico pode apurar o resultado positivo obtido na operação corretamente. · Falta de previsão legal para aplicação da multa de ofício qualificada em 150%. · Inconstitucionalidade da multa qualificada de 150% em face de seu efeito confiscatório. · Inexistência de conduta típica que justifique a qualificação da multa. Alega que apresentou as informações que foram solicitadas pela fiscalização. A 5ª Turma da DRJ/BHE, em 18/09/2009, em decisão de fls. 1449 a 1467, julgou o lançamento procedente, conforme ementa destacada a seguir: PRELIMINAR DE NULIDADE. Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, e a autuada, devidamente cientificada, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM .NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada no percentual de 150% será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A Contribuinte foi notificada da decisão em 20/11/2009 (fls. 1470), tendo apresentado Recurso Voluntário (fls. 797 a 825) em 22/12/2009, com os mesmos argumentos apresentados na peça impugnatória. Pela Resolução nº 2202000.423 de 23/01/2013, às fls. 1817, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há preliminares a serem enfrentadas, então passemos a análise do mérito. 1 – Impossibilidade de aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 A Contribuinte alega a impossibilidade de aplicação do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Defende que os depósitos são referentes a mútuos que a mesma operacionaliza da forma mais simples possível, sem contrato ou formalidades. A Contribuinte empresta o dinheiro e mantém cheque em caução do mutuário. Em que pese a argumentação da Contribuinte, não basta alegações para afastar a incidência tributária, é necessário que reste comprovado aquilo que se alega. Desta feita, como a Contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos depósitos bancário em conta bancária, conforme preconiza o art. 42 da Lei nº 9.430/96, os mesmos são presumidos como renda e sujeitos à tributação. 2 – Correta Forma de Tributação x Arbitramento A Contribuinte argumenta que deve ser observada a correta forma de tributação dos ganhos com os contratos de mútuo que executa ao invés do arbitramento com base no art. 42 da Lei nº 9.4309/96. Entende a Contribuinte que deve ser tributada apenas com base em 1% que é a margem que cobra pelos empréstimos que efetua. Apresenta forma de tributação do lucro auferido com os mútuos e não o arbitramento dos valores. Conforme já destacado em item anterior dessa análise, a Contribuinte não conseguiu comprovar os valores, mutuários, margem e demais elementos necessários para efetuar o lançamento tributário como se mútuo fossem. A alegação que os operacionaliza da Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10665.000562/200930 Acórdão n.º 2201002.414 S2C2T1 Fl. 4 5 “forma mais simples possível” não pode ser oposto ao Fisco que necessita de provas contundentes para efetuar o lançamento correto. Na ausência desses elementos de prova, o lançamento é efetuado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, considerando todos os depósitos bancários sem origem comprovada como renda. 3 – Solicitação de Perícia A Contribuinte solicita perícia técnica para apurar o lucro obtido com os mútuos. Entende que o arbitramento do valor com base nos depósitos bancários é incorreto e defende que um técnico pode apurar o resultado positivo obtido na operação corretamente. Em que pese a legislação autorizar a produção de prova pericial, entendo que este não é o caso. Isso porque a prova alegada poderia ter sido feita pela Contribuinte para validação das autoridades julgadoras, não sendo necessária requisição de prova pericial. Ademais, conforme disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, o pedido de perícia deve constar da Impugnação, com a exposição dos motivos que a justifiquem, a formulação de quesitos referentes aos exames desejados e o nome, endereço e qualificação profissional do perito. O parágrafo 1º desse dispositivo, acrescentado pelo art. 1º da Lei nº 8748/1993, dispõe que “considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Desta feita por entender desnecessária a produção de prova pericial em razão das provas produzidas no processo já serem suficientes para formar a convicção, bem como pelo fato de o pedido de prova pericial feito pela Contribuinte não se adequar aos requisitos legais, afasto o pedido de produção de prova pericial. 4 – Inaplicabilidade da Multa de Ofício Qualificada A Contribuinte pugna pelo afastamento da multa de ofício pelos seguintes argumentos: (i) falta de previsão legal para aplicação da multa de ofício qualificada em 150%, (ii) inconstitucionalidade da multa qualificada de 150% em face de seu efeito confiscatório, (iii) inexistência de conduta típica que justifique a qualificação da multa. Alega que apresentou as informações que foram solicitadas pela fiscalização. A fiscalização qualificou a multa de ofício por entender que o volume movimentado em conta bancária em contrapartida com a declaração de isenção de Imposto de Renda revelam o intuito da Contribuinte em suprimir ou reduzir o pagamento de tributo dolosamente. Não obstante o entendimento da fiscalização, entendo que a conduta da Contribuinte não resta como bastante para qualificação da multa. A mesma contribuiu com a apresentação de informações no curso do processo fiscalizatório e o fato de a renda declarada não ser compatível com os depósitos bancários caracteriza não pagamento de imposto que já está sendo autuado e exigido com multa de ofício pelo seu nãopagamento. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Desta feita, entendo que no caso em questão resta incabível a aplicação da multa qualificada por não entender que restou configurada conduta dolosa da Contribuinte para suprimir ou reduzir pagamento de tributo. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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