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Numero do processo: 10880.941514/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.706
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza
Nome do relator: José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc".
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc". (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior (suplente convocado) e Raphael Abad. Relatório Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 2 2 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Trata-se de recurso voluntário, que adveio de acórdão de manifestação de inconformidade, nos procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade dos valores constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, vinculados às vendas efetuadas no mercado interno, formalizados por intermédio dos PER (pedidos de ressarcimento) dos meses de julho de 2010 a setembro de 2011, com declarações de compensação DCOMP a ele vinculadas, neste processo especificamente, créditos da COFINS não-cumulativa do terceiro trimestre de 2010. A contribuinte, retrata a fiscalização, fls. 18/19 da informação fiscal 1 , possui uma ampla gama de atividades, in litteris: Comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos de limpeza e higiene doméstica; A exploração da indústria e do comércio de produtos alimentícios e bebidas em geral (laticínios, cereais, adoçantes etc.); a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de medicamentos, de produtos para saúde e de produtos farmacêuticos alopáticos, fitoterápicos e homeopáticos para uso humano; a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de produtos de higiene pessoal, toucador, cosméticos e perfumes; a fabricação, o comércio por atacado, a importação e a exportação de lubrificantes; o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos desinfetantes para controle de insetos e roedores, inseticidas e defensivos agrícolas; a confecção, comercialização, importação e exportação de fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, absorventes hospitalares e hastes flexíveis com algodão nas extremidades. Do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 3/5 do acórdão, extraem-se trechos que explicam como ocorre o sistema de tributação da Recorrente: Em razão da multiplicidade de atividades desenvolvidas pela Hypermarcas, parte de suas receitas (oriunda do seguimento de cosméticos e medicamentos) é tributada de forma concentrada. Ou seja, quando a Hypermarcas vende cosméticos e medicamentos 1 Os números correspondem ao número no documento físico. Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 3 3 fabricados por ela, está obrigada a tributar essas vendas com alíquotas diferenciadas do PIS e da Cofins, tendo em vista que a tributação é concentrada no fabricante. A sistemática de tributação do regime não-cumulativo, bem como da tributação diferenciada (também conhecida como incidência monofásica ou concentrada), possui diversas especificidades em razão do produto produzido (Cosméticos, Medicamentos, Alimentos etc.), destinação das vendas (Mercado Interno, Zona Franca de Manaus, Exportação, etc.), característica da contribuinte (Fabricante, Importadora, Atacadista/Varejista etc.), dentre outras, que tornam o sistema de apuração dos créditos e débitos uma tarefa muito complexa.. Ou seja, os fabricantes de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas também poderão descontar créditos em relação às aquisições de produtos de outra pessoa jurídica, produtora ou importadora, para revenda no mercado interno, desde que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833 (produtos relacionados no inciso I, do art. 1° da lei n° 10.147/00). No caso citado acima, a Hypermarcas adquire produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal de outro fabricante para revenda. Como ela também fabrica produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, ela tem o direito de se creditar do PIS e da Cofins. Por outro lado, nesse tipo de operação (aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal para revenda), as vendas (revendas) efetuadas pela Hypermarcas são tributadas pelo PIS e Cofins com alíquotas diferenciadas, pois conforme visto, a regra geral (art. 2° da Lei n° 10.147/2000) determina que se a pessoa jurídica não for fabricante a venda deverá ser feita com alíquota zero. (...) Entretanto, verificamos que a Hypermarcas, nas operações de aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica, está apropriando créditos, sem, contudo, apurar os débitos nas revendas destes produtos (está aplicando a alíquota zero nessas revendas). Isso ocorreu em virtude de a Hypermarcas ter se considerado fabricante no momento da aquisição para revenda (para ter direito ao crédito) e atacadista no momento da revenda (para revender com alíquota zero), fato que é inadmissível, pois ela só teve direito ao crédito porque também é fabricante dos produtos dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833. Portanto, restou comprovado que nas aquisições de produtos submetidos à tributação monofásica, a Hypermarcas poderá se creditar dos bens adquiridos, e DEVERÁ oferecer à tributação do PIS/COFINS as receitas oriundas das revendas destes produtos. (...) Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 4 4 Cumpre esclarecer que o artigo 3°, da Lei n° 10.147/2000, concedeu um crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS não cumulativos. O crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea “a”, do inciso I, do art. 1º da Lei 10.147/2000, sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo. (...) Posteriormente, há informações sobre as glosas. Observa-se que a fiscalização realizou uma apuração minuciosa em linha por linha da DACON, sendo transcrito abaixo tão somente as glosas efetuadas, que serão mais detalhadamente analisadas no transcorrer do voto: Linha 01-DACON- NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda. (...) COMPRA DE MATERIAL DE CONSUMO FABRIL – CFOP n°s 1.556 e 2.556 (VALOR TOTAL IGUAL A R$21.448.823,74) Os créditos relativos às compras de materiais de consumo fabril foram apropriados pela fiscalizada nas linhas 01 e 02 do DACON Analisando o arquivo entregue, percebemos que a maioria dos produtos adquiridos é utilizada em centros de custos que não fazem parte do processo de fabricação da empresa. Que dizer, estas aquisições não são utilizadas como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Com efeito, serão glosados os créditos relativos às aquisições de bens de uso e consumo que não foram empregados nos setores de produção da Hypermarcas. (...) LINHA 02 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens utilizados como insumos. (...) Portanto, os produtos tributados com alíquota reduzida a 0 (zero), adquiridos pela Hypermarcas, não podem gerar crédito em razão da vedação imposta pelo art. 3°, §2°, da Lei n° 10.833/2003. (...) – BRINDES AO CONSUMIDOR FINAL (VALOR TOTAL IGUAL A R$ 6.298.618,72) (...) Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 5 5 - MATERIAIS PROMOCIONAIS (VALOR TOTAL IGUAL A R$19.706.386,92) (...) - CAMPANHAS PRÊMIOS - CONSUMIDOR (VALOR TOTAL IGUAL A R$747.676,20) (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NO ITEM 2 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO N° 03) - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.334.086,54) (...) LINHA 03 – DACON – NACIONAIS (...) – ANÁLISE LABORATORIAL - (VALOR TOTAL IGUAL A R$7.844.419,50) (...) - ANÚNCIOS E PUBLICAÇÕES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$69.922,18) (...) - COMISSÃO PAGA A PESSOA JURÍDICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$6.092.625,17) (...) -CONSULTORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.049.825,67) (...) – ESTADIA – TRANSPORTADORA DE MERCADORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$352.557,12) (...) – FEIRAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$556.485,88) (...) -INFORMÁTICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.313.948,44) (...) - MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$2.028.382,62) (...) – OUTROS GASTOS COM PROPAGANDA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.187.854,88) (...) Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 6 6 – PATROCÍNIO DE EVENTOS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$41.555,72) (...) -PESQUISA DE MERCADO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$9.502.440,11) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$308.381,33) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGEM - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.847.501,95) (...) – PROMOÇÕES DE VENDAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$32.945,36) (...) – PROMOÇÕES E EVENTOS DE MARKETING - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.151.777,22) (...) – PROMOTORES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.500,00) (...) – PUBLICIDADE PRODUÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$27.877.706,47) (...) – PUBLICIDADE VEICULAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$174.050.987,06) (...) - SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS - (VALORES TOTAIS IGUAIS A R$4.125.357,26 E 2.500,00) (...) – SERVIÇO DE PALETIZAÇÃO/REACONDICIONAMENTO DE PRODUTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$487.583,58) (...) – SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$150,00) (...) Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 7 7 LINHA 06 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. (...) Em razão da não apresentação do demonstrativo de composição da base de cálculo, estes créditos relativos aos dispêndios de locação estão sendo glosados pela fiscalização. LINHA 07 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (base de cálculo igual a R$196.726.177,27) - 1.185/1.694 e 499: (...) Destarte, não bastasse a Hypermarcas não ter direito ao crédito extemporâneo não restou outra alternativa à fiscalização em também não aceitar o crédito em função da não vinculação das despesas com as operações de venda, já que somente geram direito ao crédito as despesas de armazenagem nas operações de venda. Pelo exposto, os créditos extemporâneos, cuja base de cálculo soma R$13.716.997,66 também serão glosados. LINHA 08 – DACON – NACIONAIS (...) Quanto aos créditos extemporâneos apropriados no mês de outubro de 2010 (R$508.418,54), estes serão glosados em razão da falta de retificação das declarações entregues (DACON, DIPJ e DCTF). (...) LINHAS 09, 10 E 11 – DACON – NACIONAIS (...) Destarte, os encargos de depreciação e/ou aquisição de bens, aplicados nos centros de custo cujos bens, integrantes do ativo imobilizado, não são utilizados na produção não geram créditos relativos às contribuições PIS/COFINS por expressa vedação legal. Por fim, também constatamos que a Hypermarcas está se creditando de encargos de depreciação relativo a bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Estas aquisições também não geram direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativas. (...) LINHA 13 – DACON – NACIONAIS (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NOS ITENS 2 E 8 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO 03) – VALOR TOTAL IGUAL A R$172.502.051,77. (...) Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 8 8 LINHA 26 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos calculados sobre insumos de origem vegetal. (...) Verificamos que a fiscalizada, à época que produzia gêneros alimentícios, no período de março de 2006 a dezembro de 2011, utilizou o disposto no artigo citado acima, adquirindo tomate in natura (NCM 0702.00.00) e milho verde in natura (NCM 0709.90.19) e industrializando produtos como, por exemplo, molhos de tomate e extrato de tomate (ambos com NCM 2103.20.10: Ketchup e outros molhos d/tom.inf. a 1kg Inc.). Todavia, produtos da Posição 2103 – preparações para molhos e molhos preparados; condimentos e temperos, do Capítulo 21 – preparações alimentícias diversas, não estão citados no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, razão pela qual não há previsão legal para o crédito presumido pretendido pelo contribuinte, sendo, portanto, glosado na sua totalidade. (...) Da manifestação de inconformidade, extrai-se em síntese: - Preliminarmente: i) Solicita, primeiramente, o sobrestamento do feito, a fim de ser verificada a decisão no processo administrativo sob número 16004.720187/2014-75, no qual foram lançados os créditos de contribuição ao PIS e à COFINS, que foram consideradas insuficientes para compensação; ii) Pleiteia pela legitimidade dos créditos, aproveitados pela Recorrente nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica para revenda; iii) Não aproveitamento de determinados créditos mencionados na Informação Fiscal no Período do despacho decisório – 3º trimestre de 2010; iv) Violação ao contraditório e à ampla defesa, pois embora os agentes fiscais tenham segregado a análise da legitimidade dos créditos, levando em consideração a sua origem (e analisado item por item das linhas da DACON da requerente) deferindo ou indeferindo o aproveitamento, esquivaram-se de trazer uma discriminação precisa dos valores e da natureza dos créditos glosados originários do Pedido de Ressarcimento para indeferir as compensações. Os agentes deveriam ter realizado uma análise estritamente do período objeto do Pedido de Ressarcimento em análise e feito uma recomposição dos créditos, listando os valores deferidos e indeferidos, a respectiva origem, dentro do período pertinente. - No mérito: i) Indevida glosa de créditos na apuração do PIS/COFINS. Defende que o saldo credor pode ser apurado nos meses subsequentes. Ademais, que os créditos extemporâneos Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 9 9 aproveitados pela requerente referem-se a operações com produtos submetidos à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. O pedido de ressarcimento foi uma forma da requerente exercer o seu direito constitucional e legal de reaver os créditos não aproveitados anteriormente. ii) Realiza considerações sobre o regime da não-cumulatividade no sistema da contribuição ao PIS e à COFINS; iii) Argumenta que o conceito de insumo das instruções normativas é mais restrito que o da lei e, assim, não pode ser lido; iv) Defende a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas de publicidade e propaganda/marketing; v) Argumenta o direito ao crédito no que concerne ao frete, a transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; a entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes, e a retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da impugnante são despesas intrínsecas à geração de receitas da impugnante; vi) Pleiteia pelo direito ao crédito na estocagem e armazenagem; v) No que concerne aos créditos relativos a encargos de depreciação, defende que além da industrialização possui forte atuação nas operações de revenda de mercadorias produzidas por terceiros, as quais incorreram em diversos custos com esforço de vendas, tais como pesquisas de mercado, ações de publicidade, estoque, logística e toda uma complexa estrutura administrativa para que seus produtos sejam disponibilizados e vendidos em todo Brasil. Toda essa complexa estrutura demanda aquisições de ativos imobilizados necessários ao desenvolvimento de sua atividade empresarial, tais como empilhadeiras utilizadas nos centros de distribuição para movimentação de estoque, plataformas hidráulicas, equipamentos utilizados na análise de qualidade de produto, entre outros. vi) Quanto à glosa de aluguel de máquinas e equipamentos, que a fiscalização fundamentou que não foi apresentado o demonstrativo da base de cálculo e o centro de custos, encontra-se anexo à impugnação os contratos de aluguel e a base de cálculo, que poderia ser obtida do SPED; vii) Quanto à manutenção de máquinas e equipamentos, a fiscalização glosou o crédito sob alegação de que não houve esclarecimento quanto à divergência na base de cálculo. Ocorre que a interessada alega que os dados foram disponibilizados conforme IN SRF 86/01 dos pedidos de ressarcimento; viii) No que se refere à compra de consumo fabril, a contribuinte alega que os produtos glosados são exigências da ANVISA, tratando-se de equipamentos de segurança dos profissionais que atuam nos setores fabris e laboratoriais; Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 10 10 ix) Pleiteia pela concessão de créditos junto a serviços de análise laboratorial, consultoria, produção e desenvolvimento de embalagem e informática, bem como nas comissões pagas às pessoas jurídicas e a mão-de-obra temporária; x) Solicita pela concessão de créditos na compra de insumos agrícolas, que adquire o produto in natura de pessoa física ou cooperado pessoa física e procede a industrialização o que reforça a possibilidade de tomada de crédito presumido pela impugnante; xi) Alega que os produtos adquiridos à alíquota zero se sujeitaram à incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO . A apuração não cumulativa implica em diferença entre débitos da contribuição e créditos da não-cumulatividade. Assim sendo, a alteração na base de cálculo da contribuição, com a consequente apuração de maior valor de débito acarretará em uma redução dos créditos disponíveis. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação o crédito de não-cumulatividade relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno. Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 11 11 RESSARCIMENTO. ÚNICO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO. Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre- calendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. A Recorrente interpôs recurso voluntário, onde reafirmou as considerações da manifestação de inconformidade, com a apresentação de algumas novas preliminares que serão analisadas no transcorrer do voto. Estão apensos ao presente processo administrativo, os seguintes processos: 10120.727124/2014-37 e 10880.723365/2014-13. É o relatório." Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Dentre as diversas matérias à serem apreciadas nestes processo, restou duvidoso, na sessão de julgamento, duas questões no processo que merecem esclarecimentos. A primeira sobre os débitos apurados pela fiscalização com base nos fatos e fundamentos apresentados nos itens 4.2 e 4.3 do Termo de Descrição dos Fatos carreados aos autos. Isto porque, de um lado, a fiscalização afirma categoricamente que a Recorrente não teria direito à aplicação da alíquota zero do PIS e da COFINS na revenda dos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador, por entender que a sua atuação também como fabricante de outros produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador afastaria o regime monofásico na revenda de mercadorias, a saber: Conforme relatado, para alguns seguimentos da economia, dentre os quais destacamos o de cosméticos e medicamentos, que fazem parte do objeto social da fiscalizada, o legislador deu um tratamento fiscal diferenciado em relação à sistemática da não-cumulatividade, de forma à obtenção de uma praticidade na tributação. Para estes seguimentos foi estabelecida a tributação diferenciada, também conhecida por incidência monofásica ou concentrada, uma vez que neste regime o ônus tributário de toda a cadeia de comercialização de um determinado produto recai em seu fabricante ou importador. Justamente por esta concentração da tributação no fabricante ou importador, esses contribuintes aplicam sobre as receitas auferidas na venda de tais produtos alíquotas maiores que as usuais. Vejamos a redação da Lei 10.147/2000, com as alterações das Leis 10.548/2002 e 10.865/2004: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 12 12 Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I - incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); Em contrapartida, os demais contribuintes da cadeia de comercialização (atacadistas e varejistas) são beneficiados com redução a zero das alíquotas conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000: Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. (grifei) (...) Nesse caso, a Hypermarcas fabrica os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos à tributação monofásica/concentrada, motivo pelo qual está obrigada ao pagamento do PIS e da Cofins com as alíquotas diferenciadas. Ou seja, toda a tributação do PIS e da Cofins está concentrada na venda efetuada pela Hypermarcas. A partir daí, as operações subsequentes (vendas efetuadas pelos atacadistas e varejistas) estão sujeitas à alíquota zero. Por outro lado, a Recorrente alega que todas as operações nas quais houve o afastamento da alíquota zero, a Recorrente procedeu à mera revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica, inexistindo, qualquer processo de industrialização, nos moldes do artigo 4º, do Regulamento do IPI. Segundo a Recorrrente,"...a Autoridade Fiscal elaborou, com base em todas as notas fiscais eletrônicas e no Sped Fiscal da Requerente (fls. 17 e 18 do TVF/1.731 e 1.732 dos autos), 16 planilhas (fls. 27 do TVF/1.741 dos autos e fls. 1.167 a 1.182 dos autos), as quais contêm a relação de todos os produtos de perfumaria e farmacêuticos sujeitos ao regime monofásico vendidos no período objeto deste processo (07/2010 a 09/2011)". E, afirma:"...que as referidas planilhas reproduzem todas as informações das notas fiscais da Requerente e são, portanto, extremamente detalhadas, contendo, dentre outras informações, descrição individualizando cada um dos produtos, bem como seu valor de venda e a identificação se estes foram objeto de (a) produção própria1 ou (b) adquiridos de terceiros (revenda)2. Cumpre mencionar ainda que as referidas planilhas foram utilizadas pela Autoridade Fiscal para quantificar o crédito tributário objeto deste processo administrativo." Analisando o processo, não há como auferir corretamente - entenda-se, com base em todo suporte documental carreado aos autos- , se nas referidas planilhas que deram suporte ao cálculo do montante exigido, há apenas produtos que foram objeto de produção Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 10880.941514/2012-54 Resolução nº 3302-000.706 S3-C3T2 Fl. 13 13 própria ou produtos adquiridos de terceiros para revenda que são também fabricados pela recorrente (produtos coincidentes) ou produtos que foram revendidos e que não são fabricados pela recorrente. Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, posto que, partindo da premissa de que a Recorrente não industrializa os produtos que ela revende, fica afastado seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, do contrário, correto o lançamento fiscal. Neste ponto, entendo que há necessidade de converter o processo em diligência, para que seja comprovado/esclarecido pelas partes, se os produtos revendidos indicados na planilha foram também objeto de produção própria ou não. A segunda questão diz respeito ao fato de que na primeira autuação, objeto do processo administrativo nº 16004.7220544/2013-14, a fiscalização glosou créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero, ao passo que neste processo, os mesmos fiscais acolheram expressamente o aproveitamento de créditos e tributaram a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Ou seja, há dúvidas quanto aos critérios jurídicos adotados e quanto à situação fática considerada pela fiscalização em ambos processos, merecendo, assim, esclarecimentos quanto a diferença de tratamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para: i) À recorrente: - Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; ii) À autoridade fiscal: - esclarecer a distinção entre a situação fática autuada no processo 16004.720544/2013-14, no qual houve glosa de créditos e não cobrança de débitos, e este processo, já que tratam de períodos imediatamente subsequentes, tendo a recorrente afirmado em ambas fiscalizações que atuava na fabricação e revenda de produtos mencionados no artigo 1º da Lei 10.147/2000. Após, intime-se a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2841DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000015/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO
Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento.
MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS À TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO.
O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
Numero da decisão: 2202-004.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Auto de Infração lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 00 15 /2 01 0- 72 Fl. 1441DF CARF MF 2 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0264.196, proferido pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Foi lançado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao ano calendário 2008, no Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.442 3 montante de R$ 3.725.684,71 (três milhões, setecentos e vinte cinco mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e setenta e um centavos), incluídos multa de ofício e juros de mora. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte relativa ao procedimento fiscal: Do Procedimento Fiscal De acordo com o TVF a ação fiscal teve origem depois de analisada a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, na qual o contribuinte informou ter recebido no ano calendário 2008 como rendimentos isentos e não tributáveis a importância de R$15.469.046,77. Procedeuse então à intimação do contribuinte em 28/10/2009, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 446 e 447, para apresentar diversos documentos relacionados aos rendimentos declarados. Em 16/11/2009 o fiscalizado protocolou na DRF/Jundiaí o documento de fl. 448 a 462 no qual esclarece que os rendimentos declarados como isentos na DAA/2009 são originários da venda de participações societárias nas sociedades Comercial Guilherme Mamprim Ltda (posteriormente denominada Comercial Frango Assado), Centro de Serviços Frango Assado Norte Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Suleste Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Sudoeste Ltda e Carvalho Pinto Automotivos e Conveniências Ltda. Para fins de melhor entendimento as referidas empresas serão aqui tratadas respectivamente como: “COMERCIAL”, “FRANGO ASSADO NORTE”, “FRANGO ASSADO SUDOESTE”, “FRANGO ASSADO SULESTE” e “CARVALHO PINTO”. Na resposta discorreu sobre o histórico da participação na COMERCIAL e sua cisão parcial, com reversão de parte do capital social para criação da Frango Assado Empreendimentos e Participações S/A (FASPAR), do ingresso nas outras quatro sociedades e da alienação das participações nas empresas. Juntou contratos, alterações contratuais e asseverou que o ganho de capital obtido na alienação está protegido pelo manto da isenção prevista no artigo 4º, alínea “d” do DecretoLei 1510/76 e nem mesmo com a revogação do dispositivo pela Lei 7.713/88 ele teria perdido o direito alegado. No item 3.2 e subitens do TVF a autoridade lançadora tece considerações acerca da inexistência de direito adquirido e conclui que o ganho de capital auferido corresponde a rendimento que deveria ter sido oferecido à tributação. Fl. 1443DF CARF MF 4 Informa a fiscalização que buscou identificar qual parcela e quantidade do montante total de cotas possuía o contribuinte no momento da alienação e que havia cumpridoa condição do artigo 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76, durante sua vigência. Esta apuração consta da Tabela 1 Evolução do Capital Social da COMERCIAL, fl. 1.163. Da análise dos dados examinados conclui que a grande maioria do capital social da COMERCIAL é composta por quotas que não compunham o patrimônio do fiscalizado na vigência do citado dispositivo legal, uma vez que foram subscritas e integralizadas posteriormente revogação daquele normativo. As sociedades FRANGO ASSADO NORTE, FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE foram constituídas em 09/10/1998, com capital vertido da COMERCIAL (conforme 32a alteração contratual da COMERCIAL, de 09/10/1998,e contratos sociais de constituição das pessoas jurídicas). A CARVALHO PINTO foi constituída em 01/02/1999, conforme contrato social de constituição da pessoa jurídica. Os sócios fundadores da pessoa jurídica são Gabriel Alfio Tomaselli, CPF 365.992.55868, e Márcia Galucci Tomaselli, CPF 258.301.71826, e seu capital social, de R$12.000,00, foi integralizado em moeda corrente por tais sócios. Apenas em 29/11/2005 a empresa foi adquirida pela FASPAR. A autoridade lançadora refutou a tese apresentada, segundo a qual, apesar de constituídas após a revogação do DecretoLei 1.510/76, as participações nas empresas mencionadas anteriormente também estariam abrangidas pela isenção daquele dispositivo legal, uma vez que a FASPAR originouse de cisão parcial da COMERCIAL e que as outras sociedades empresárias possuíam como sócio principal a FASPAR, tendo sido mantida a mesma proporção de participação de cada sócio. A não aceitação desse argumento reside no fato de que no universo de cotas da COMERCIAL, somente pequena parcela enquadravase no dispositivo citado, pois de acordo com a Tabela 1, as cotas cindidas para a formação do capital social da FASPAR não gozavam da isenção. Ressalta a autoridade fiscal que do total de cotas alienadas, 15.770.000, apenas 436 cumpriam o prazo de cinco anos descrito no citado DecretoLei. Ainda que o contribuinte possuísse as ações por mais de 5 (cinco) anos no inicio da vigência da Lei 7.713, de 1988, se ele não alienou a participação societária até esse momento, não ocorreu o fato gerador do IRPF. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.443 5 Conforme documentação apresentada pelo fiscalizado verificou a autoridade autuante que a planilha de fl. 458 contém a correta apuração do ganho de capital obtido por ele na operação objeto do procedimento fiscal com base no Contrato de Compra e Venda de Quotas e outras Avenças, firmado em 23 de setembro de 2008 entre o contribuinte e os demais sócios, de um lado, e Yami Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 07.757.091/000153, de outro, onde constam os valores da operação, a corretagem paga pela intermediação do negócio e o montante recebido pelo fiscalizada, na proporção de sua participação societária. Sociedade Empresária Preço de Alienação (RS) Custo de Aquisição (RS) Comissão (RS) Ganho de Capital (RS) Comercial Frango Assado 11.612.595,60 1.275.834,00 198.595,27 10.138.166,33 Frango Assado Norte 994.246,20 13.197,00 17.490,86 962.838,34 Frango Assado Sudoeste 976.744,80 9.9/7,00 17.535,96 949.291,84 Frango Assado Suleste 570.879,00 13.500,00 7.928,69 549.450,31 Carvalho Pinto 721.724,40 1.000,00 12.553,22 708.171,18 Total 14.876.190,00 1.314.168,00 254.104,00 13.307.918,00 Cientificado da autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 1171/1333), que foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, cuja decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE SER ACOMPANHADA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO. O instituto da denúncia espontânea está previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional e exige que esta seja acompanhada, se for o caso, do pagamento devido e dos juros de mora. Na ausência do pagamento do tributo devido fica descaracterizada a denúncia espontânea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 Fl. 1445DF CARF MF 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo. 4o do Decreto lei nº 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CUSTO DE AQUISIÇÃO. QUOTAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. No caso de quotas distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão da DRJ/BHE, cuja ciência se deu em 27/03/2015, o recorrente apresentou Recurso Voluntário em 10/04/2015, repisando os argumentos da impugnação, que são por ele resumidos nos seguintes trechos: Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.444 7 2.1. A nulidade "ab initio" do Auto de Infração, via acolhimento das seguintes preliminares arguidas: a) Cerceamento do direito de defesa em face da impossibilidade de compreensão e entendimento da metodologia e critérios técnicos utilizados na elaboração da Tabela 1 anexa ao Termo de Verificação Fiscal, intitulada "Evolução do Capital Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda", devendo o Auto de Infração ser cancelado em sua totalidade pela cominação de nulidade; b) Ilegitimidade da aplicação das multas moratórias e das multas punitivas, correspondentes à multa de ofício de 75% e aos juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC, mormente por estarem presentes os pressupostos necessários para acionamento do benefício fiscal emergente do instituto jurídico da denúncia espontânea, devendo o Auto de Infração ser cancelado ou refeito, para exclusão de tais valores do crédito tributário reclamado no referido Auto de Infração; c) Anulação integral do lançamento fiscal em caso de reconhecimento do "direito adquirido" ao não pagamento do IRPF, restando (i) afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial do lançamento; e (íi) prejudicada qualquer análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. 2.2. Caso não seja esse o entendimento dos E. Julgadores, o que nos afigura improvável "venia máxima rogata", quanto ao mérito, via acolhimento das razões de reforma articuladas, requer seja decretada a nulidade ou a extinção do Auto de Infração ora inquinado, com o conseqüente cancelamento do débito fiscal reclamado. 2.3. Com base no instituto jurídico da preclusão, requer seja reconhecida a perda do direito da Fazenda Nacional em realizar qualquer exame ou questionamento quanto (i) à eventual existência de novas subscrições ou aquisições ocorridas a partir de 25/09/1996 e suas respectivas bonificações, tratandose de período não considerado no Auto de Infração ora inquinado;(ii) à qualquer outro ato, evento ou operação ocorrido a partir de 25/09/1996, que implique na eventual descaracterização dos requisitos exigidos para enquadramento na condição insculpida no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/76, ensejando a perda do benefício fiscal previsto naquele diploma legal. Em relação ao mérito, em apertada síntese, os argumentos do recorrente foram desenvolvidos nos seguintes tópicos: · Do direito adquirido à isenção (ou não pagamento) do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido na alienação das "participações societárias" Fl. 1447DF CARF MF 8 · Da aplicação do disposto no art. 178 do CTN, visto tratarse "in casu" de isenção onerosa. concedida por prazo certo e em função de determinadas condições · Das bonificações e filhotes adquiridas a custo zero. e que se referem às aquisições e subscrições originariamente havidas em agosto de 1983 · Da preclusão quanto ao direito da fazenda nacional examinar e/ou questionar as aquisições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 · Dos aumentos de capital e das aquisições e subscrições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 · Das mutações ocorridas no quinhão societário do contribuinte no período de 08/08/1983 a 25/09/1996 · Das bonificações adquiridas a custo zero e que são decorrentes das mesmas aquisições e subscrições ordinariamente havidas em agosto de 1983. Dos pedidos O recorrente requer reforma da decisão recorrida; nulidade do auto de infração e cancelamento do débito fiscal; caso prevaleça o lançamento, que seja refeito o cálculo para incluir o valor de R$ 2.128.926,12, corrigido e atualizado até 09/2008, no custo de aquisição das quotas alienadas; intimação no endereço do advogado; consideração dos argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares. Nulidade. Inocorrência Cerceamento do direito de defesa. Preterição do direito de defesa Aduz o recorrente que a decisão da DRJ/BHE concordou que a Tabela 01 “Evolução do Capital Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda.” foi elaborada de forma equivocada. Diz que nem o julgador conseguiu entender e explicar a metodologia e os critérios técnicos utilizados pelo Auditor Fiscal na elaboração da Planilha, e mesmo assim faz ilações para disfarçar sua incompreensão, ignorando que essa confusa e inexplicável tabela impossibilitou seu direito de defesa e contraditório. Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.445 9 Acrescenta que ficou sem saber como o autuante chegou à conclusão de que apenas 436 quotas estavam enquadradas nas regras de isenção, e que o valor do capital inicial considerado em um período não coincide com o valor do capital social final do período anterior, mesmo após a conversão da moeda, havendo dificuldade em reconstituir os quantitativos de quotas, inclusive para apurar a ocorrência de novas subscrições ou aquisições. Assevera que o Auditor Fiscal utilizou critério subjetivo inservível como elemento de prova. Infirma que se uma quota cumpriu os requisitos de isenção, por lógica todas cumpriram. Aduz que aparentemente o autuante dividiu quantitativos de quotas por índices de conversão da moeda vigente no país, o que é inadmissível, e que não sabe porque ele utilizou como fator de redução o índice de 2,75, para chegar às 436 quotas, que nada mais é que um fator de conversão da moeda, decorrente dos diversos planos econômicos. Faz algumas indagações: Porque adotou como ponto de partida o capital social vigente em 01/10/1993, e não o capital social existente em 1983, quando originariamente as quotas foram havidas pelo Contribuinte? Porque não aplicou este fator sobre o capital social de CR$ 300.000.000,00, existente em 1983? Ou então, porque não retroagiu à data de aquisição ou subscrição das quotas para fins de demonstrar fundamentadamente a evolução do capital social e as mutações patrimoniais ocorridas nas quotas detidas pelo Contribuinte? Qual o embasamento técnicojurídico e legal para se aplicar índices de conversão da moeda sobre quantidades de quotas? Como pôde afirmar, com tão mínima e ilegítima fundamentação, que as restantes 3.839.564 quotas (considerando o montante de 3.840.000 quotas existente em 25/09/1996) não estariam legalmente referenciadas às quotas havidas originariamente pelo Contribuinte em agosto de 1983? Afirma que a quantidade de quotas foi obtida, pelo Auditor Fiscal, por simples cálculo matemático, e que a tentativa para apurar o enquadramento das quotas na condição prevista no art. 4º, alínea “b”, do Decretolei nº 1.510/76 deveria levar em conta a data em que as quotas foram originariamente adquiridas ou subscritas (08/08/1983), para verificar a sua permanência no patrimônio do contribuinte pelo período condicional de 5 (cinco) anos. Ressalta que o desconhecimento do contribuinte sobre a razão de as únicas quotas por ele subscritas ou adquiridas de 08/1983 a 09/2008 não estarem enquadradas na condição de isenção do imposto de renda, pela forma de elaboração da tabela, prejudicou seu exercício ao contraditório e ampla defesa, sendo nulo Auto de Infração por ter sido lavrado sem clareza a matéria fática que o ensejou. Nesse sentido cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Sem razão o recorrente. Percebese que o cerceamento de defesa alegado por ele, está baseado na tabela 1 (fls. 1163), ao afirmar que esta é incompreensível, não demonstrando de onde o Auditor Fiscal tirou os valores, para fins de lançamento fiscal. Pois bem, então vamos à análise da tabela, motivo de insatisfação do recorrente. Fl. 1449DF CARF MF 10 Analisando os documentos apresentados pelo recorrente durante a fiscalização, às fls. 463/1142, percebese que a tabela a que ele se refere apenas resume as alterações contratuais desses documentos, com os exatos números e valores das quotas pertencentes aos sócios da empresa, de acordo com cada mutação contratual, pois a primeira parte da tabela repete os valores constantes às fls. 467/473: SITUAÇÃO EM 08/08/1983 COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA. COTAS VALOR (CR$) PARTICIPAÇÃO CAPITAL TOTAL 30.000.000 300.000.000,00 ANA THOMÉ MAMPRIM 3.750.000 37.500.000,00 12,50% ARNALDO MAMPRIM 7.500.000 75.000.000,00 25,00% JOSE CESAR TRIVELATO 5.000.000 50.000.000,00 16,67% SIMONE ROSA TRIVELATO 2.500.000 25.000.000,00 8,33% ANTONIO ROMILDO ROVERE 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IVONE ROVERE 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IVETE ROVERE CHIQUETTO 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IZILDINHA ROVERE CHIQUETTO 1.500.000 15.000.000,00 5,00% IVANA ROSA ROVERE ZILLETI 1.500.000 15.000.000,00 5,00% EDNA MARIA MAMPRIM BRUNELLO 937.500 9.375.000,00 3,13% ELINOR CELIA MAMPRIM MARINI 937.500 9.375.000,00 3,13% MARLENE MAMPRIM FORATO 937.500 9.375.000,00 3,13% VALMIK ANTONIO MAMPRIM 937.500 9.375.000,00 EUNICE ROSA MAMPRIM MIRIAM THIVELATO VALOR UNITÁRIO DA COTA CR$ 10,00 A tabela discrimina por sócio, a quantidade de quotas, o valor delas e o percentual de cada sócio no patrimônio da sociedade. Além disso, o Auditor Fiscal esclarece na própria tabela que essa era a situação em 08/08/1983. Assim, para a determinação do custo de aquisição o autuante considerou as quotas desde a aquisição (08/08/1983), ao contrário do que afirma o recorrente. A tabela é bem didática, pois separa as quotas que o recorrente tinha antes da revogação do Decretolei, e na sequência as compara de acordo com os aumentos de capital ocorridos em 01/10/1993 e 25/09/1996. Pela tabela vêse que o capital social da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, em 08/08/1983 era constituído por 30 (trinta) milhões de quotas, no valor de 10,00 cada uma. Continuemos a análise pela segunda parte da tabela: AUMENTO DE CAPITAL OCORRIDO EM 01/10/1993 AUMENTO DO CAPITAL CAPITAL APOS AUMENTO VALOR ORIGINAL EM CRUZEIROS VL. CONVERTIDO P/ CRUZEIRO REAL COTAS ORIGINAIS ISENTAS VALOR COTAS VALOR COTAS PART. 1.200.000.000,00 1.200.000,00 120.000 46.800.000,00 4.680.000 48.000.000,00 4.800.000 150.000.000,00 150.000,00 15.000 5.850.000,00 585.000 6.000.000,00 600.000 12,50% 300.000.000,00 300.000,00 30.000 5.700.000,00 570.000 6.000.000,00 600.000 12,50% 200.000.000,00 200.000,00 20.000 3.800.000,00 380.000 4.000.000,00 400.000 8,33% 100.000.000,00 100.000,00 10.000 3.900.000,00 390.000 4.000.000,00 400.000 8,33% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.446 11 60.000.000,00 60.000,00 6.000 2.340.000,00 234.000 2.400.000,00 240.000 5,00% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 37.500.000,00 37.500,00 3.750 1.462.500,00 146.250 1.500.000,00 150.000 3,13% 6.000.000,00 600.000 6.000.000,00 600.000 12,50% 4.000.000,00 400.000 4.000.000,00 400.000 8,33% CR$ 10,00 Neste ponto, cabe abrir um parêntese para observar que na primeira parte da tabela o capital social era de Cr$ 300.000.000,00, e na segunda parte da tabela, aparece no valor de Cr$ 1.200.000.000,00. Isso ocorreu em função da alteração contratual de 06/10/1992 (fls. 374), na qual o capital social foi elevado a esse patamar. Aliás, às fls. 436/442, é possível ver os aumentos de capital social, desde 08/06/1970, partindo de NCr$ 280.000,00, em sequência 5.600.000,00 (18/03/1976), 14.000.000 (13/04/78), 41.400.000,00 (28/09/79), 60.000.000,00 (23/10/80), 76.000.000,00 (02/10/81), 150.000.000,00 (01/09/1982), 300.000.000,00 (06/06/1983), 600.000.000,00 (30/07/1984), 1.200.000.000 (20/06/1985), NCZ$ 480.000,00 (15/08/1989), CR$ 120.000.000,00 (24/09/91). Essa informação é importante porque o recorrente alega que o Auditor Fiscal deveria levar em conta a data em que as quotas foram originariamente adquiridas ou subscritas (08/08/1983). E o pequeno histórico demonstra que isso foi considerado pela fiscalização. A segunda parte da tabela resume o aumento do capital social (fls. 481) de Cr$ 1.200.000.000,00 (um bilhão e duzentos milhões de cruzeiros) para CR$ 48.000.000 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais), decorrente do aproveitamento das cotas de lucros acumulados representadas por 4.800.000 cotas ao valor de 10,00, conforme trecho abaixo, fls. 481: 1) O capital social inteiramente realizado fica aumentado de Cr$ 1.200.000,000,00 (hum bilhão e duzentos milhões de cruzeiros) para CR$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais) com aproveitamento das cotas de lucros acumulados representadas por 4.800.000 de cotas no valor de CR$ 10,00 cada uma, distribuídas na proporção de suas cotas a saber: Como se vê, o Auditor Fiscal converteu as quotas antigas que valiam Cr$ 1.200.000,000,00 (um bilhão e duzentos milhões de cruzeiros) para cruzeiros reais (CR$) que resultou no valor de CR$ 1.200.000,00 (um milhão de duzentos cruzeiros reais), conforme consta na tabela. Fl. 1451DF CARF MF 12 Veja que o Auditor é didático ao apresentar que 1.200.000.000,00 cruzeiros era o valor original, e na coluna ao lado ele coloca esse mesmo valor só que convertido para 1.200.000,00 cruzeiros reais, ou seja, para que não reste dúvidas: Cr$ 1.200.000.000,00 = CR$ 1.200.000,00. Na coluna seguinte ele conclui que o número de quotas isentas era 120.000, POR QUE? Porque a empresa estipulou, conforme trecho acima transcrito, que o valor de cada quota era CR$ 10,00, e para que não reste dúvidas 1.200.000,00/10,00 = 120.000. Assim, se CR$ 1.200.000,00 era o valor das quotas antigas, então 120.000 era o número de quotas antigas, existentes ANTES do aumento de capital social para CR$ 48.000.000,00, proveniente dos lucros acumulados. Veja que se a empresa tem CR$ 1.200.000,00 de capital social e o aumenta para CR$ 48.000.000,00, o valor acrescido ao capital existente é CR$ 48.000.000,00 1.200.000,00 = 46.800.000,00, conforme demonstrado na tabela. Aliás o Auditor Fiscal separa muito bem esses valores, ao apresentar na tabela o VALOR DO AUMENTO DO CAPITAL e o VALOR DO CAPITAL APÓS O AUMENTO: E dessa forma ele discrimina as QUOTAS ISENTAS, que correspondiam aos CR$ 1.200.000,00 existentes antes da capitalização, e QUOTAS NÃO ISENTAS, decorrentes da capitalização de 46.800.000,00, que somadas dá o valor do capital social da empresa em 01/10/1993: 48.000.000,00. E, por que o Auditor Fiscal chamou de isentas as 120.000 quotas? Porque elas representavam os Cr$ 1.200.000.000,00 (um bilhão e duzentos milhões de reais) existentes antes de 01/10/1993. Veja que o DecretoLei nº 1.510/76 foi revogado em 22/12/1988, então se a empresa tinha as quotas desde 08/08/1983 ela permaneceu com elas por mais de 5 anos que era a condição para a isenção. Como o aumento decorreu de lucros acumulados é certo que houve aumento do valor de quotas. Se antes existiam 120.000 quotas, depois da distribuição de lucros acumulados passou a existir 4.800.000, dentro das quais 4.680.000 foram consideradas pela fiscalização como quotas não isentas, porque emitidas após a revogação do DecretoLei de isenção. Agora vamos para a terceira parte da Tabela: AUMENTO DO CAPITAL OCORRIDO EM 25/09/1996 COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA. VALOR CONVER TIDO PARA REAL AUMENTO DE CAPITAL CAPITAL TOTAL VALOR COTAS ISENTA S VALOR DEMAIS COTAS COTAS ISENT AS DEMAIS COTAS CAPITAL TOTAL 17.454,55 3.822.545,45 3.840.000,00 436,36 3.839.563,63 436 3.839.564 ANA THOMÉ MAMPRIM 2.181,82 477.818,18 480.000,00 54,55 479.945,45 55 479.945 ARNALDO MAMPRIM 2.181,82 477.818,18 480.000,00 109,09 479.890,91 109 479.891 JOSE CESAR TRIVELATO 1.454,55 318.545,45 320.000,00 72,73 319.927,27 73 319.927 Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.447 13 SIMONE ROSA TRIVELATO 1.454,55 318.545,45 320.000,00 36,36 319.963,64 36 319.964 ANTONIO ROMILDO ROVERE 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 IVONE ROVERE 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 IVETE ROVERE CHIQUETTO 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 ZILDINHA ROVERE CHIQUETTO 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 IVANA ROSA ROVERE ZILLETI 872,73 191.127,27 192.000,00 21,82 191.978,18 22 191.978 EDNA MARIA MAMPRIM BRUNELLO 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 ELINOR CELIA MAMPRIM MARINI 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 MARLENE MAMPRIM FORATO 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 VALMIK ANTONIO MAMPRIM 545,45 119.454,55 120.000,00 13,64 119.986,36 14 119.986 EUNICE ROSA MAMPRIM 2.181,82 477.818,18 480.000,00 0,00 480.000,00 0 480.000 MIRIAM THIVELATO 1.454,55 318.545,45 320.000,00 0,00 320.000,00 0 320.000 VALOR UNITÁRIO DA COTA 1,00 Veja que ela apresenta o aumento de capital ocorrido em 25/09/1996. Lembro que a unidade monetária dessa época era o Real. Por consequência, os CR$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais) quando convertidos para reais, resultaram em R$ 17.454,55 (dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos), que é o mesmo valor que aparece na tabela, e consta na 26ª alteração contratual (fls. 496/497): "CLÁUSULA PRIMEIRA" DO AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL (I) Resolvem os atuais sóciosquotistas, por unanimidade, aumentar o Capital Social da Sociedade, que é atualmente de R$ 17.454,55 (dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos) para R$ 3.840.000,00 (três milhões, oitocentos e quarenta mil reais), ou seja, um aumento de R$3.822.545,45 (três milhões, oitocentos e vinte e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos) totalmente integralizado neste ato mediante o aproveitamento e capitalização dos recursos e reservas abaixo identificados, apurados de conformidade com o Balanço Patrimonial e demais Demonstrações Financeiras encerrado em 31/08/96, a saber: (a) R$ 1.693.619,33 (um milhão, seiscentos e noventa e três mil, seiscentos e dezenove reais e trinta e três centavos) do saldo existente na conta de "Reservas de Capital C. Monetária do Capital Social". (b) R$ 352,10 (trezentos e cinquenta e dois reais e dez centavos) do saldo existente na conta de "Lucros Acumulados" de exercícios anteriores a 1989; e (c) R$ 2.128.574,02 (dois milhões, cento e vinte e oito mil, quinhentos e setenta e quatro reais e dois centavos) de parte do saldo existente na conta de "Lucros Acumulados" de exercícios posteriores a 1.989. (grifei) Pelo trecho acima transcrito, a própria empresa converteu o valor de CR$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de cruzeiros reais) para R$ 17.454,55 (dezessete mil, quatrocentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos). Portanto, O Auditor Fl. 1453DF CARF MF 14 Fiscal procedeu da mesma forma que a empresa, converteu os valores de cruzeiros reais para reais, mantendo o custo originário, tanto é que o valor das quotas isentas que era de CR$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil cruzeiros de reais) virou R$ 436,36 (quatrocentos e trinta e seis reais, e trinta e seis centavos), que é o valor que o recorrente diz não saber de onde veio. Veja ainda que, o aumento de capital ocorrido em 25/09/1996, no valor de R$ 3.822.545,45 (três milhões, oitocentos e vinte e dois mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e quarenta e cinco centavos) foi posterior à revogação do Decretolei de isenção, por isso, o Auditor Fiscal não considerou que as quotas emitidas em decorrência desse aumento estavam amparadas pela isenção, razão pela qual as QUOTAS ISENTAS aparecem separadas das DEMAIS QUOTAS (quotas não isentas), cujo somatório resulta no valor do capital total da empresa. Portanto, como se vê a tabela que o recorrente diz ser incompreensível, só contém valores constantes, nos próprios arquivos societários da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda. Reproduzindo os exatos termos do Contrato e Alterações Contratuais. Além disso, a metodologia utilizada pela fiscalização para determinação do custo de aquisição das quotas, foi o mesmo utilizado pela empresa, qual seja, converteu o valor do capital social à unidade monetária vigente à época dos aumentos de capital. E mais, o recorrente diz não saber de onde o autuante tirou o índice de 2,75, para chegar às 436 quotas. Ora, a resposta está contida na própria 26ª Alteração do Contrato Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, fls. 497: (II) Em face do aumento do Capital Social efetivado na forma do TÍTULO (I) desta "CLÁUSULA PRIMEIRA", e, considerando se ainda as alterações havidas na política econômicamonetária do país, a qual Implementou o "Programa de Estabilização Econômica" alterandose a Unidade do Sistema Monetário Nacional, a qual passou a denominarse o "REAL R$" a partir de 1º de Julho de 1.994, observada a paridade de CR$ 2.750,00 (dois mil, setecentos e cinquenta cruzeiros reais) para cada "UM REAL" (ou) para cada uma URV), o Capital Social de RS 3.840.000,00 (três milhões, oitocentos e quarenta mil reais), totalmente integralizado, representado por 3.840.000 (três milhões, oitocentas e quarenta mil) quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, fica distribuído e detido pela própria Sociedade (quotas mantidas em tesouraria) e pelos atuais SÓCIOSQUOTISTAS componentes de cada "GRUPO FAMILIAR", da seguinte forma: (Grifei). Aqui, retomando os questionamentos do recorrente no início deste tópico, entendo que a fiscalização adotou como ponto de partida o capital vigente em 1983. Verificase do histórico de aumentos de capital que a própria empresa já aplicava o fator de conversão das moedas a cada alteração contratual, até chegar ao valor de Cr$ 1.200.000.000,00 (06/10/1992) apresentado na tabela, e utilizado pelo Auditor Fiscal para demonstração das parcelas que estavam inclusas na isenção. Não foi utilizado o índice de conversão sobre o número de quotas, mas sobre o valor das quotas, e a partir dele, encontrado o número de quotas pela divisão do valor total delas, pelo valor unitário atribuído pela própria empresa. Por fim, a demonstração de Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.448 15 que as 3.839.564 quotas não estavam abrangidas pela isenção, está apresentada na tabela, conforme exposto ao longo deste tópico. Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, disposto no inciso LV do art. 5º, da Constituição Federal de 1988, tem por finalidade possibilitar aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa e ao contraditório. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, em hipótese alguma, pode ser acusada de negar ao contribuinte o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, concluise que não houve qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa, pois os Autos de Infração foram lavrados em obediência ao princípio da estrita legalidade, expondo com objetividade e clareza a origem do lançamento de crédito, sua composição, bem como os dispositivos legais e os documentos que o fundamentaram, atendendo a todos os dispositivos normativos sobre a matéria, permitindo assim, o exercício do direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte. Anulação integral do lançamento fiscal em face do reconhecimento do "direito adquirido" ao não pagamento do IRPF. Inocorrência O recorrente pugna pela nulidade total do lançamento, e diz que o Auditor Fiscal se limitou a: [...] analisar a evolução do capital social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, apenas no período de 08/08/1983 a 25/09/1996, deixando de examinar e/ou de questionar as alterações contratuais e/ou as mutações patrimoniais ocorridas nas participações societárias do Contribuinte posteriormente à 25/09/1996, ou seja, desde 25/09/1996 até setembro de 2008 (data de alienação das quotas). Portanto, está precluso o direito da Fazenda Nacional questionar eventual descumprimento da condição prevista no art. 4º. alínea "d", do DecretoLei 1.510/76, em relação às mutações patrimoniais ocorridas nas participações societárias a partir de 25/09/1996, isto é, a partir do quantitativo equivalente a 3.840.000 quotas. Acrescenta que se reconhecido o direito adquirido ao não pagamento de IRPF, fica prejudicado o questionamento sobre existência de novas subscrições, aquisições ou eventos ocorridos a partir de 25/09/1996, que levem à perda do benefício fiscal da isenção. Cita jurisprudência do STJ sobre a impossibilidade de nulidade parcial quando o vício compromete todo o lançamento, e diz que se reconhecido direito adquirido nulo estará todo o lançamento. Requer sejam considerados os argumento constantes no item 3.1, subitem 3.1.1 da impugnação (3.1.1. DA CONFUSA E FANTASIOSA TABELA 1 ANEXA AO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL:), fls. 1209/1211. Fl. 1455DF CARF MF 16 Ora, a alegação do recorrente não tem qualquer fundamento, dado que o Auditor Fiscal apresentou a evolução do capital da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, para demonstrar quais quotas estavam albergadas pela isenção e quais as que não estavam. E, a partir dela efetuou o lançamento de acordo com o custo de aquisição declarado pelo recorrente. Ademais, qualquer análise posterior para verificação da isenção arguida pelo recorrente, não pode deixar de considerar o histórico de evolução das quotas da empresa, a fim de apurar o custo de aquisição das cotas e do respectivo ganho de capital na alienação delas. Ressalto que, o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente às contribuições previdenciárias é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse aspecto, o Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172/66, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. A questão do direito adquirido, por se referir ao próprio mérito, será analisada, em momento oportuno. Denúncia espontânea. Multa de ofício. Juros à taxa Selic O recorrente arrazoa que, antes do início do procedimento fiscal declarou expressamente a alienação da totalidade das quotas e participações societárias que detinha nas sociedades do Grupo “Frango Assado”, e a comissão paga à “IGC Partners”, tendo apurado e informado corretamente o ganho de capital decorrente da operação, que foi lançado como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário de 2008, e não agiu com máfé, por entender que tinha direito adquirido à isenção do imposto de renda, nos termos do art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 27/12/1976, e ainda com a existência de decisões administrativas e judiciais reconhecendo seu direito adquirido ao benefício fiscal decorrente desse dispositivo legal, não podendo ser penalizada com aplicação de multas confiscatórias e juros de mora. Cita o art. 138 do CTN, e interpreta que não há obrigatoriedade de pagar o tributo declarado para que reste caracterizada a denúncia espontânea, e a expressão "se for o caso", não tem o significado dado pelo julgador a quo, nem concorda com a afirmação deste de que teria efetuado a classificação indevida de rendimentos, e diz não se aplicar ao caso a norma do art. 841 do RIR, porque não fez declaração inexata, nem omitiu qualquer elemento sobre a alienação de quotas e participações societárias, e deixou de efetuar o recolhimento porque baseado em dispositivo legal, doutrina e jurisprudência. Cita jurisprudência e doutrina sobre denúncia espontânea e inexigibilidade de multa punitiva, e sobre o entendimento de que a multa moratória tem natureza punitiva. Arrazoa ser ilegítima a aplicação da multa de ofício de 75% e aos juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. Não assiste razão à defendente, a perda da espontaneidade se deu em 22/10/2009, data em que o recorrente tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 448), nos termos do parágrafo único do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.449 17 de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972: Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Grifouse) Decreto nº 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:(Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Grifouse) Portanto, conforme dispositivos acima transcritos, enquanto estiver abrigado sob o manto da espontaneidade, o sujeito passivo poderá confessar débitos não declarados, retificar declarações e formular consultas, ficando a salvo da imposição de multa de ofício desde que efetue o recolhimento dos tributos devidos com os acréscimos moratórios cabíveis. Excluída, por outro lado, a espontaneidade do interessado, ele ficará sujeito à imposição de multa de ofício, ainda que reconheça a procedência do lançamento. Da mesma forma, não serão acolhidas como eficazes as declarações entregues após o início da ação fiscal, conforme art. 147, § 1º do CTN: “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. Portanto, o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade em denunciar irregularidades para os fins de declarar e retificar declarações referentes aos tributos objeto do procedimento fiscal a que está submetido. O recorrente, ao informar em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), como isento rendimento que não estava alcançado pelo instituto da isenção, deixou de oferecêlo à Fl. 1457DF CARF MF 18 tributação, e, consequentemente, não houve o recolhimento do imposto devido, portanto, não se trata de caso de denúncia espontânea. Esclarecese ainda ao recorrente que, a responsabilidade por infrações fiscais independe da intenção do agente, conforme art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em relação ao argumento do recorrente de que é ilegal a multa de ofício, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do mérito Da aplicação do disposto no art. 178 do CTN, visto tratarse "in casu" de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições O recorrente argumenta que quando da publicação da Lei nº 7.713/88, já possuía as participações societárias por mais de 5 anos, tendo direito adquirido ao benefício fiscal conferido pelo Decretolei nº 1.510/76, independente da data de alienação das participações societárias. Assevera que se implementada a condição à isenção antes da revogação da lei, a isenção se mantém mesmo se a alienação ocorrer na vigência da lei revogadora, pois no caso se trata de isenção concedida sob condição onerosa. Cita Súmula nº 544/STF, e diz que o caso se amolda a ela, sendo vedada a revogação dessa isenção, acrescenta jurisprudência do STJ sobre cumulação dos requisitos previstos no art. 178 do CTN para se considerar a isenção irrevogável, e julgados do CSRF sobre direito adquirido à isenção em decorrência do Decreto Lei nº 1.510/76 (102134080, CSRF/0400.215, CSRF/0103.266, CSRF/0102.973, CSRF/01 02.974, CSRF/01 03.349 e CSRF/0103.725). Discorre sobre o caráter de onerosidade da isenção pleiteada, acrescentando julgados do Superior Tribunal de Justiça, Tribunais Regionais Federais, e CARF (acórdãos 2102002.966, 2102002.967, 2202002.468, 9202003.542, 9202002.805). Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.450 19 A controvérsia cingese à extensão da isenção concedida pelo Decretolei nº 1.510/76, revogada pela Lei nº 7.713/88, quanto às quotas alienadas em períodos em que vigia a lei revogadora, sendo esse o objeto do lançamento fiscal. Então vamos analisar essa isenção: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A Lei nº 7.713/88 revogou expressamente os dispositivos acima transcritos: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. [...] § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. [...] Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65e66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do DecretoLei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12e13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15e100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. (Grifei) Fl. 1459DF CARF MF 20 O art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), dispõe sobre a possibilidade da revogação da isenção nos seguintes termos: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104.(Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) Como o recorrente se firma no direito adquirido à isenção, entendo que o art. 178 do CTN claramente derruba essa tese, à exceção de a isenção ter sido por prazo certo E sob determinadas condições. Em função da exceção disposta no CTN, é oportuno analisar se a isenção de que tratava a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 atendia aos requisitos para que essa isenção não fosse revogada a qualquer tempo. Ora, não vejo no trecho do Decretolei qualquer dispositivo que diga por quanto tempo essa isenção se estenderá, o que diz o Decreto lei é que as quotas tinham que ficar em poder dos sócios por 5 anos, para que tivessem direito à isenção, mas não diz, por exemplo, que a isenção albergada em função desse dispositivo vigorará por 5, 10 ou 20 anos, assim, não havia um tempo estimado para que a pessoa física gozasse dela. De outro lado, vejo apenas presente o segundo trecho do CTN, sob "determinadas condições", sendo esse, de caráter oneroso, porque, se quisesse gozar da isenção, a pessoa física ficaria impedida de alienar as participações por um determinado prazo, ou seja, ela não teria as participações disponíveis para venda. Assim, não estando presentes todos os elementos para impedir que a isenção pudesse ser revogada ou modificada a qualquer tempo, entendo que não há direito adquirido a essa isenção. Aliás esse foi o entendimento dos acórdãos 9202004.507 e 9202004.506, ambos de 25/10/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4o do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei n° 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1o de janeiro de 1989 (vigência da Lei n° 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Recurso Especial Negado. Acrescento que, a lei vigente à data da alienação das participações societárias era a Lei nº 7.713/88, e, portanto, nos termos do art. 144 do CTN, era ela que deveria ser aplicada. Em relação à Súmula nº 544/STF, citada pelo recorrente, ela foi aprovada na Sessão Plenária de 03/12/1969, portanto, anterior à nova redação do art. 178 do CTN, dada pela Lei Complementar nº 24, de 07 de janeiro de 1975. Dessa forma, só pode ser interpretada diante do novo texto, pois Súmula do STF não pode vir em contrariedade à Lei. Aliás, uma simples leitura ao art. 178 do CTN antes e depois da Lei Complementar 24/75 já demonstra a nova interpretação que deve ser feita à Súmula citada pelo recorrente: Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.451 21 Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo ou em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do artigo 104. (Ressaltei) Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) (Ressaltei) Neste ponto, esclareço que a auditoria considerou que as quotas isentas, conforme demonstrado nas tabelas acima, por terem sido alienadas após a revogação da Lei de isenção não gozavam do instituto do direito adquirido. Portanto, o lançamento fiscal se refere ao imposto sobre ganho de capital na alienação das participações societárias adquiridas: 1) após a revogação da Lei de isenção, 2) antes da revogação da Lei de isenção; nos dois casos alienadas após essa revogação, pois como visto acima é perfeitamente possível a revogação de isenção que não seja concedida por prazo certo E sob determinadas condições. Portanto, não cabe a aplicação da referida Súmula ao presente caso. Das bonificações e filhotes adquiridos a custo zero, e que se referem às aquisições e subscrições originariamente havidas em agosto de 1983 O recorrente arrazoa não proceder o argumento do julgador a quo "que as disposições do Parecer Normativo CST nº 68/77 não se aplicam às bonificações emergentes das aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983, mesmo que se tratem de bonificações decorrentes de aumento de capital ocorrido após a vigência da Lei revogadora, ou seja, após a vigência da Lei nº 7.713/88". Diz que o parecer teve por objetivo esclarecer as questões sobre as bonificações decorrentes das participações societárias enquadradas na isenção aqui discutida, acrescentando que o parecer: é absolutamente claro quanto à definição para efeitos da tributação do Art. 1º do referido DecretoLei, que as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, estendendose tal definição para todas e quaisquer bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, mesmo aquelas havidas após a sua revogação, mas originárias das participações societárias mantidas pelo Contribuinte desde 1983. Com efeito, se o recebimento das bonificações relativas às aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 está isento do imposto nada mais racional tenha o DecretoLei nº 1.510/76 disposto que elas só podem ser computadas a custo zero, ou seja, tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. Por sua vez, não se aplica ao presente caso, a alegação do D. Julgador "a quo" de que, em face do disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95, no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de Fl. 1461DF CARF MF 22 aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Sem razão o recorrente. A meu ver correto o entendimento do julgador a quo, o Parecer Normativo CST nº 68/77, que tinha caráter interpretativo, considerou as regras vigentes à época de sua emissão. Não se pode esquecer que a cada alteração da legislação há necessidade de nova interpretação à luz dos dispositivos então vigentes. E nesse aspecto, estou de acordo com os argumentos esboçados no acórdão recorrido, por isso, adotoos como razões de decidir: Verificase que a autuada considerou que as bonificações, mesmo que distribuídas posteriormente a 31/12/1983, estariam isentas por terem origem daquelas que supostamente gozavam de isenção. De fato, o artigo 5o do Decretolei nº 1.510/1976 trazia regramento para apuração do ganho de capital, especialmente sobre o rateio das bonificações, tanto que remetia ao artigo 1o, ambos revogados pela Lei nº 7.713/1988. Já o Parecer Normativo CST nº 68/1977, ato normativo de caráter interpretativo, tinha o propósito de esclarecer o tratamento a ser dado às bonificações recebidas e a forma de cômputo delas na apuração de eventuais ganhos de capital. Referido artigo definia que para efeitos da tributação do artigo 1o do mesmo DecretoLei, as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, mas a validade do dispositivo perdurou até a vigência da lei revogadora, Lei nº 7.713/1988. Portanto, desde 1º de janeiro de 1989 o tratamento tributário a ser considerado em relação às bonificações possui regramento nos §§ 3o e 4o do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: (...) § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Por sua vez, o parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 estabelecia a forma de cálculo do custo de aquisição das ações distribuídas em decorrência do aumento do capital por incorporação do lucro e de reservas, como segue: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.452 23 real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Disto depreendese que não há qualquer razão legal para ratear as bonificações adquiridas posteriormente a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decretolei nº 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas cujo custo de aquisição é dado em função da origem das reservas que resultaram na distribuição das ações a titulo de bonificação. (grifei) Acrescento que, se compararmos os trechos do revogado art. 5º do Decreto lei nº 1.510/76, e os parágrafos 3º e 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, iremos ver que a troca da palavra "bonificações" por "participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação", nos dará a certeza de que esses aumentos de capital originam novas participações, e não são filhotes, como entende o recorrente. Decretolei nº 1.510/76 Lei nº 7.713/1988 Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art. 16 [...] § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. O argumento do recorrente, de que as bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, eram computadas a custo zero, e que isso se estenderia às bonificações decorrentes daquelas participações, mesmo após a revogação do DecretoLei de isenção, fazme relembrar o histórico da legislação sobre a tributação dos lucros distribuídos, brilhantemente narrado pelo ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202 003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, e que aqui é trazido para esclarecer ao recorrente da razão de àquela época as bonificações serem computadas a custo zero, e porque, posteriormente, passaram a compor o custo das participações pelo valor da capitalização decorrente dos lucros acumulados: Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações Fl. 1463DF CARF MF 24 bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 — lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de periodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no Pais, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1o, 2.065/83, art. 1o, 1, a, e 2.303/86, art. 7oparágrafo único): ... (b) Art. 810 — o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital... § 2o O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, §4e): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.453 25 distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. [...] Reparase. da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Como se percebe, as bonificações tinham um motivo para serem computadas a custo zero, que era permitir a tributação dos lucros quando as participações societárias fossem alienadas; posteriormente quando o lucro distribuído passou a ser isento, o custo de aquisição das participações decorrentes dos aumentos de capital por incorporação de lucros passou a ser a parcela do lucro capitalizado, ou seja elas deixaram de ser computadas a custo zero. Essa disposição também constava nos revogados arts. 1º e 5º do DecretoLei nº 1.510/76: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Veja que, o custo zero a que se refere o art. 5º é aplicável para os efeitos do art. 1º, que tratava da tributação do lucro auferido pelas pessoas físicas, e não à alínea "d" do art. 4º desse Decretolei. Portanto, não vejo fundamento na afirmação do recorrente de que o DecretoLei tenha estabelecido que as bonificações decorrentes de aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 devem ser computadas com custo zero e por isso não poderiam ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. O que entendo é que, a lei revogadora trouxe uma nova sistemática para a apuração do custo de aquisição das participações societárias e respectivo ganho de capital quando da alienação dessas participações, e foi justamente a legislação vigente à época dos fatos geradores que o Auditor Fiscal corretamente aplicou, qual seja, o § 3º do Art. 16 da Lei nº 7.713/1988, que também está disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95. Da preclusão quanto ao direito da Fazenda Nacional examinar e/ou questionar as aquisições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 Fl. 1465DF CARF MF 26 O recorrente arrazoa que, como o Auditor Fiscal se limitou a analisar a evolução do capital social do período de 08/08/1983 a 25/09/1996, estaria precluso o direito de o julgador a quo realizar qualquer exame quanto às eventuais novas subscrições ou aquisições a partir de 25/09/1996, que implicasse em descaracterizar os requisitos para gozo da isenção do art. 4º, alínea "d", do Decretolei nº 1.510/76. Sem razão o recorrente, conforme debatido quando da análise das preliminares, o Auditor Fiscal apenas discriminou na tabela 1, a evolução do capital social, de acordo com as alterações contratuais, como forma de demonstrar as quotas que estavam amparadas pela isenção pleiteada pelo recorrente, não estabelecendo qualquer limite ao julgador a quo, para analisar se as quotas adquiridas após 25/09/1996 estavam ou não isentas, e o custo de aquisição considerado pela fiscalização, de acordo com o que estabelece a legislação vigente a respeito. Aliás, insta lembrar que o lançamento teve como partida, o custo de aquisição informado pelo próprio recorrente, e constante nos arquivos societários da Comercial Guilherme Mamprim Ltda. Dos aumentos de capital e das aquisições e subscrições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 O recorrente aduz ter se retirado da Comercial Guilherme Mamprim Ltda. em 30/12/1996, e a partir dessa data não recebeu bonificação nos aumentos de capital dessa empresa, não fez subscrição, aquisição de novas quotas, aporte ou injeção de recursos, e não possui créditos ou adiantamento para aumento de capital nessa empresa, e considera que os eventos ocorridos a partir dessa data são de exclusiva titularidade da controladora FASCAR, que não se confundem com as mutações ocorridas no patrimônio do recorrente. Acrescenta que: [...] no período de 25/09/1996 a 11/08/2008, as únicas quotas recebidas em bonificação pelo Contribuinte, oriundas da capitalização de lucros acumulados, foram decorrentes do aumento de capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM ocorrido conforme 26a. Alteração Contratual, firmada aos 25/09/1996, o que nos leva à inevitável conclusão de que: • O valor de R$ 2.128.926,12, oriundo da capitalização de lucros acumulados não representa, em hipótese alguma, quaisquer outras subscrições ou aquisições de novas quotas, tratandose "in casu" de filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero. • As referidas quotas recebidas em bonificação, em virtude da capitalização de lucros, adquiridas a custo zero, são decorrentes de aumento de capital, não por subscrição pública ou particular de quotas, mas por força de simples capitalização de lucros e/ou reservas, com aumento ou ajuste nos quantitativos de quotas, as quais foram atribuídas ao Contribuinte sem a necessidade de aportes de capital e na mesma proporção do número de quotas que possuía (art. 169 da Lei das Sociedades Anônimas). Assevera que se o valor de R$ 2.128.926,12 for considerado como subscrição e aquisição de novas quotas, ele deverá ser computado no custo de aquisição das participações/quotas alienadas e deduzido do ganho de capital auferido pelo contribuinte. Sem razão o recorrente, observase que, o lançamento fiscal foi efetuado com as informações prestadas pelo próprio recorrente durante a ação fiscal, onde ela aponta qual o Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 19311.000015/201072 Acórdão n.º 2202004.356 S2C2T2 Fl. 1.454 27 valor do ganho de capital obtido com a alienação de suas participações societárias, conforme fls. 1162. O aumento de capital de R$ 2.128.926,12 já está incluso no custo de aquisição apurado pelo recorrente, pois, conforme se verifica às fls. 496/497, pela 26ª Alteração Contratual da Comercial Guilherme (25/09/1996), houve um aumento no capital social para R$ 3.840.000,00. Ocorre que, em 11/08/2008 houve outro aumento de capital de 14.740.000,00 para 15.310.000,00 (fls. 724), sendo que desse valor, R$ 1.275.834,00 é o valor das quotas do recorrente, que foi utilizado por ele para apuração do custo de aquisição, e também da fiscalização (fls. 1162). Portanto, nenhum recálculo tem que ser feito no lançamento fiscal, visto que o custo de aquisição está de acordo com o declarado pelo recorrente e de acordo com os contratos sociais e alterações contratuais. Demais argumentos · Das mutações ocorridas no quinhão societário do contribuinte no período de 08/08/1983 a 25/09/1996: Aduz que em relação aos 8,334% de participação societária que tinha no Grupo Frango Assado, em 08/08/1983, equivalente às 5.000.000 quotas, entre essa data e 25/09/1996 não ocorreram quaisquer atos ou eventos que implicassem na mutação desse percentual, sendo que as havidas decorreram de adequação do capital social à unidade monetário vigente no país e/ou são filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero, face a capitalização de lucros e ou reservas. Todas as participações societárias alienadas em 2008 (1.314.168) já faziam parte de seu patrimônio em 08/1983, e eram isentas pelo Decretolei nº 1.510/76, e referemse às mesmas 320.000 quotas que ele detinha em 25/09/1996, que por sua vez são as 5.000.000 quotas que tinha em 08/1983. · Das bonificações adquiridas a custo zero, e que são decorrentes das mesmas aquisições e subscrições originariamente havidas em agosto de 1983: Cita Parecer Normativo CST nº 68. de 23/09/1977 e Parecer Normativo CST n° 39, de 19/10/1981, e diz que eles deixam claro que as bonificações decorrentes de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou reservas constituídas com esses lucros não são consideradas nova aquisição ou subscrição de quotas, para que fossem deveria haver dupla transferência, das reservas da sociedade para os sócios, a título de dividendos e destes para a sociedade a título de novos aportes. Os aumentos de capital corridos na Comercial Guilherme decorreram de incorporação de Reserva de Correção Monetária do Capital Social e de Reservas de Lucros. Cita art. 2º da Lei nº 9.064/95, que alterou a Lei nº 8.849/94. Requer consideração do item 3.1, subitem 3.1.2 da Impugnação (3.1.2. DAS BONIFICAÇÕES E FILHORES (sic) ADQUIRIDAS A CUSTO ZERO, E QUE SE REFEREM ÀS AQUISIÇÕES E SUBSCRIÇÕES ORIGINALMENTE HAVIDAS EM AGOSTO DE 1983:), fls. 1211/1216. Os argumentos já foram analisados ao longo deste voto, de onde se conclui que a isenção pleiteada pelo recorrente não se aplica à alienação de participações societárias adquiridas após a revogação da alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76. Fl. 1467DF CARF MF 28 Intimação no endereço do advogado Por fim, o recorrente requereu que todas as intimações atinentes ao recurso voluntário fossem realizadas em nome de seu advogado no endereço lá constante. O artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 disciplina integralmente a matéria. Seus incisos I, II e III configuram as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do artigo 23 não estão sujeitos a ordem de preferência. O inciso II considera que a intimação via postal deve acontecer no domicílio tributário apenas do sujeito passivo. Já o § 4º dispõe que, para fins de intimação, o domicílio tributário do contribuinte pode ser apenas em dois locais: no endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. De tais regras, concluise pela inexistência de intimação postal na figura do procurador do sujeito passivo. Assim, a intimação via postal, no endereço dos procuradores, não acarretaria qualquer efeito jurídico de intimação, pois estaria em desconformidade com o artigo 23, inciso II e §§ 3º e 4º, do Decreto n° 70.235/72. Sendo assim, é de indeferir o pleito do recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para, rejeitar as preliminares, e no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 1468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000555/2010-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DE TODOS OS TITULARES DA CONTA.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29).
Numero da decisão: 2402-006.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTA CONJUNTA. Recorrente DALMO DE SOUZA LIMA ESPÓLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DE TODOS OS TITULARES DA CONTA. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF nº 29). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 05 55 /2 01 0- 00 Fl. 1648DF CARF MF 2 Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 21ª Tuma da DRJ/RJ1, consubstanciada no Acórdão nº 12.72525 (fls. 1.540/1.555), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Auto de Infração, de fls. 06/11, de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física, realizado em 16/11/2010, relativo ao ano calendário 2007, exercício 2008, em face do contribuinte acima identificado, sendo apurado imposto suplementar de R$ 595.997,82 a ser acrescido dos juros de mora e da multa proporcional de 75%. Conforme Descrição de Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08/09, foi verificada “Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada” por ter deixado o contribuinte, regularmente intimado, de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo o valor tributável de R$ 2.168.308,04. No Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 12/17, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB responsável pela autuação prestou os seguintes esclarecimentos: A ação fiscal foi iniciada em 09/03/2010, sendo cientificado, via postal, o contribuinte, em 15/03/2010, fl. 34, do Termo de Início de Procedimento, requerendo, entre outros elementos, a apresentação dos extratos bancários de todas suas contas correntes, de poupança e de investimentos, do anocalendário 2007, mantidas em seu nome, de seu cônjuge e dependentes junto às instituições financeiras em que tinha titularidade no Brasil e no exterior. Em resposta, de 05/04/2010, o contribuinte apresentou os extratos da conta corrente nº 10029441, do Banco Real, e nº 00081760, do Banco Bradesco, MPF assinado, cópias dos contratos sociais das empresas DDD Comercial de Bebidas Ltda e DS Lima e Cia Ltda, das quais é sócio. Em 04/05/2010, a fiscalização enviou Termo de Intimação Fiscal, requerendo ao interessado extratos da poupança mantida em seu nome junto ao Banco Real no período em referência, no que foi atendida. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 3 3 De posse dos extratos bancários, o auditor fiscal responsável pelo procedimento elaborou planilha de lançamentos a crédito efetivados na conta corrente nº 00081760 do Banco Bradesco e na conta poupança do Banco Real nº 0402001002944. O contribuinte foi intimado a comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos referentes a estes valores creditados/depositados em suas contas bancárias. Depois de pedido de prorrogação de prazo, concedido, em 23/08/2010, o fiscalizado apresentou relação de cheques devolvidos na conta corrente do Banco Bradesco. Esclareceu, ainda, que os recursos depositados nessas contas têm origem na atividade principal da empresa DDD Comercial de Bebidas LtdaMe, que é comercio varejista de bebidas e da qual o contribuinte possui 98% do capital social. Em atendimento ao Termo de Intimação, em 09/09/2010, o interessado afirma que uma das peculiaridades desse tipo de comércio é um elevado número de transações comerciais, com recebimento de um número elevado de cheques de terceiros, que são repassados pelos comerciantes que recebem de seus clientes. Acrescenta que é difícil vincular os recebimentos para demonstrar a origem de tais valores. Anexa cópias dos cheques emitidos nas contas bancárias analisadas, cujos beneficiários são pessoas jurídicas, com a finalidade de comprovar que suas contas bancárias eram usadas tanto para pessoa física quanto para jurídica. Relaciona cheques emitidos onde o favorecido é o próprio titular da conta corrente, configurando transferência entre contas de mesma titularidade. Por fim, esclarece que há uma verdadeira confusão entre as contas bancárias da pessoa jurídica e de seu titular pessoa física, uma vez que os créditos nas contas correntes são receitas auferidas com a venda de bebidas no atacado e varejo da firma DDD Comercial LtdaMe. Em 16/11/2010, apresentou o fiscalizado relação de treze cheques emitidos na conta bancária 0402001002944, do Banco Real, nos quais constam como beneficiárias diversas pessoas jurídicas. A fiscalização, após análise dos documentos, excluiu os cheques devolvidos relacionados pelo contribuinte e comprovados por meio dos extratos bancários no valor total de R$ 83.227,18; subtraiu os valores mensais declarados pelo contribuinte em sua DIRPF/08 (Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica e de Pessoa Física e Rendimentos Isentos e Não Tributáveis) e excluiu os valores referentes à transferência entre contas da mesma titularidade, conforme relação apresentada pelo contribuinte e cópias dos cheques emitidos. Todos os valores excluídos do lançamento foram demonstrados no Termo de Verificação Fiscal, no qual se observa ainda que restaram como não comprovados R$ 2.168.308,04 de créditos/depósitos que compõem o Auto de Infração. Fl. 1650DF CARF MF 4 Informa a fiscalização que, apesar de o contribuinte afirmar que esses recursos advêm da atividade da empresa DDD Comercial de Bebidas Varejista Ltda, CNPJ 07.073.022/000120, este fato não foi comprovado através de documentos hábeis. Relaciona as receitas brutas mensais informadas pela mencionada empresa na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica 2008 – Simples. Por não ter sido justificada a origem e a natureza dos valores indicados pela fiscalização na planilha enviada ao contribuinte, foi lavrado o presente Auto de Infração, com base no art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99 – RIR/99 e art. 42 da Lei 9.430/96. Cientificado do lançamento, em 19/11/2010, fl. 1501, o sujeito passivo apresentou impugnação, em 15/12/2010, fls. 1505/1523, por meio de procurador, devidamente habilitado, fl. 1531, trazendo os seguintes argumentos, em síntese: Lançamento mal elaborado e cerceamento do direito de defesa O procedimento fiscal encontrase inquinado de vício de nulidade, o que, por si só, é suficiente para cancelar o lançamento. Sempre prestou todos os esclarecimentos necessários a demonstrar o cumprimento de suas obrigações fiscais. A sociedade DDD Comercial de Bebidas Ltda Me é pessoa jurídica de pequeno porte, de comercio varejista de bebidas que, apesar de cumprir com suas obrigações fiscais, pela informalidade e por se tratar de empresa familiar, no período fiscalizado, encontravase desorganizada em relação à utilização de suas contas bancárias. Em vários momentos, houve confusão entre as contas bancárias do impugnante e da pessoa jurídica da qual faz parte. Os depósitos encontrados referemse a valores recebidos pela pessoa jurídica decorrentes da venda de bebidas, sendo a margem de lucro muito pequena, o que se comprova pelo fato de naquele ano a empresa ter tido prejuízo. Muitas vezes, as transações comerciais são realizadas com cheques de terceiros, que são repassados por pequenos comerciantes, que recebem de seus clientes, tudo com objetivo de dinamizar a atividade comercial. Apesar da enorme dificuldade de identificar cada depósito, apresentou diversos esclarecimentos e detalhamentos, inclusive cópia de cheques recebidos de sua pessoa jurídica em sua conta bancária pessoa física para comprovar a correção de seu procedimento no que se refere aos tributos devidos. Apresentou detalhamento de cheques recebidos; comprovou transferências entre suas contas bancárias e a devolução de cheques, no entanto a fiscalização presumiu a omissão de rendimentos e desconsiderou inclusive que a conta corrente do impugnante é conjunta com a sua esposa. Por não ter sido intimado o cotitular da conta corrente a comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, resta absoluta a improcedência da glosa fiscal, conforme Súmula 29 do Carf, que possui efeito vinculante. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 4 5 Deve ser declarado nulo o lançamento e se assim não fosse, tratase de premissa equivocada afirmar que o impugnante teria omitido receitas de depósitos bancários por não ter escriturado e declarado as receitas omitidas. Os documentos e esclarecimentos apresentados foram ignorados pelo fiscal, pautando seu procedimento em meras presunções. Conforme regras que regem o processo administrativo fiscal, o ônus da prova é do Fisco e, no caso, a fiscalização simplesmente acusou o impugnante de certos fatos e nada logrou comprovar acerca de suas alegações. Foram feridos os direitos constitucionalmente assegurados da ampla defesa e do devido processo legal. O impugnante reproduz o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e prossegue afirmando que: A descrição dos fatos com as provas obtidas no processo de fiscalização constitui elemento essencial do Auto de Infração. A jurisprudência administrativa é pacífica sobre a necessidade de aprofundamento fiscal para levantamento de provas sobre as infrações imputadas ao contribuinte. (Reproduz jurisprudência). Um dos princípios norteadores da atividade administrativa de lançamento é a busca da verdade material, que foi inobservada pelo fiscal que acabou por utilizar presunções ilegais e não contempladas pelo ordenamento jurídico vigente. Admitindose em matéria tributária a prova da ocorrência do fato gerador por meio de presunções, não se pode perder de vista que elas implicam certo tipo de correlação que se instaura entre o plano da existência dos fatos e o plano dos meio de prova dos fatos. O que se fez na autuação não foi propriamente a aplicação de uma presunção, mas a utilização de mero indício como meio de prova da ocorrência do fato gerador, procedimento inadmissível conforme jurisprudência e doutrina, uma vez que os indícios são fatos conhecidos e comprovados que se prestam como ponto de partida para as presunções. A fiscalização praticamente ignorou os esclarecimentos prestados pelo impugnante, que demonstrou que os valores decorrem de devolução de cheques, transferências bancárias, entre tantos outros. O lançamento teve como base o fato de que toda a movimentação bancária do impugnante consistiria em ingresso de receita, o que não corresponde à realidade, pois conforme visto, apesar da confusão existente entre as contas bancárias do impugnante e da pessoa jurídica da qual é sócio, não houve falta de recolhimento do tributo. Fl. 1652DF CARF MF 6 Houve sim diversos depósitos entre as contas que não podem ensejar tributação, na medida em que não configuram acréscimo patrimonial. A análise conjunta do art. 153, III, da CRFB/88 e do art. 43 do CTN denota que o aspecto material de incidência tributária no presente caso é o acréscimo patrimonial. Meros ingressos ou receitas não traduzem acréscimo patrimonial, não havendo autorização constitucional e legal para a cobrança decorrente de simples transferência bancária. Além disso, a fiscalização sequer intimou a esposa do contribuinte, cotitular de conta bancária, o que configura nulidade. Devido à atividade jurídica que a empresa desenvolve, mister se faz manter várias contas em diferentes instituições financeiras para obter o crédito necessário para desenvolvimento da atividade. Muitas vezes, precisa transferir os valores de uma conta para outra a fim de manter os créditos e cobrir eventuais saldos devedores. A obrigação nasce com o fato gerador e se o evento escolhido não for suficientemente relevante para implicar a ocorrência do fato presumido, qualquer pretensão de imputar ao evento o efeito tipicamente previsto para o fato gerador não será aplicação de presunção, mas sim tentativa de operar verdadeira ficção e, como tal, inadmissível em matéria tributária. Após reproduzir doutrina e jurisprudência, conclui ser o Auto de Infração insubsistente, na medida em que foi mal elaborado e baseado em presunção não admitida no Direito Tributário, devendo ser afastada pela Turma Julgadora. Da indevida apuração da taxa Selic A Taxa Selic, estabelecida na Lei 9.065/95, é imprestável como base para efeitos de cálculo dos juros de mora. Tratase de taxa que corresponde à média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação – Selic para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Não existe definição quanto à composição dessa taxa que varia mensalmente. A legislação atual elegeu a Selic para substituir verbas que no passado eram devidas sob pelo menos três títulos diversos: juros moratórios, correção monetária e acréscimo financeiro. Essa taxa não corresponde exclusivamente a juros moratórios em matéria tributária, pois incide também quando do exercício do direito legalmente assegurado de pagar parceladamente o tributo. Não se justifica a equiparação da taxa de juros sobre quotas do imposto, pagas de acordo com a lei de regência, com aquela decorrente da captação de recursos pela União através de títulos lançados no mercado financeiro, como é a taxa Selic. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 5 7 Vários dispositivos legais, inclusive a Instrução Normativa 11/96, indicam ser a taxa Selic adotada como verdadeiro substituto da correção monetária. Se a inflação ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. O que ocorre é a substituição de um indexador por outro de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O próprio Banco Central do Brasil , que apura a taxa Selic, reconheceu em sua Circular 2.672/96, ser a taxa Selic diferenciada dos juros. De tudo exposto, concluise que estão sendo impostos ao contribuinte juros moratórios que compreendem além da taxa prevista no art. 161, §1º, do CTN, a inflação oficial e, ainda, rendimentos de investidores no mercado capital, o que não se harmoniza com o sistema jurídico vigente. Do Código Tributário Nacional, se extrai que são integrantes do crédito tributário o principal, a multa e os juros moratórios, o que resulta da dicção do art. 161. A correção monetária, embora atuante sobre o referido crédito, é mero instrumento de atualização e não seu componente, não servindo para espelhar a taxa de juros, estes sim integrantes do crédito tributário. Os juros moratórios têm seu teto fixado em 1% ao mês, conforme art. 161 §1º do CTN e, embora este artigo faça referência a outra eventual disposição legal fixando a taxa desses juros, não significa que possa superar esse mesmo teto. Milita em favor dessa interpretação a tradição do direito brasileiro em não ultrapassar esse teto tanto no direito privado quanto no direito público, bem assim a desnecessidade de se fixar um piso para juros, que são sempre limitados para maior e não para menor. Ao determinar a correspondência dos juros moratórios à taxa Selic, alberga a lei verdadeira delegação de competência. Os juros moratórios, como acessório do crédito tributário, somente podem ter sua taxa fixada por lei, nos termos do art. 161 do CTN. Se a lei outorga a uma taxa apurada administrativamente a função de referencial da taxa de juros moratórios está indiretamente atribuindo à autoridade administrativa, no caso o Banco Central, o poder de fixar a taxa de tais juros. A presente questão pode perfeitamente ser decidida na esfera administrativa na medida em que a legitimidade da aplicação da taxa Selic comporta solução na esfera infraconstitucional, pela antinomia das normas legais instituidoras da mencionada taxa com as normas de lei complementar do CTN, como ficou expresso em Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes. (Reproduz parte do Acórdão). Fl. 1654DF CARF MF 8 Ainda que devidos fossem os juros moratórios, o que se admite apenas para argumentar, jamais o seriam na dimensão pretendida, posto que a taxa Selic não pode ser tomada como base para seu cômputo. Por fim, requer o sujeito passivo que seja julgada inteiramente procedente a impugnação, sendo cancelado o lançamento, se antes não for anulado pela aplicação da Súmula nº 29 do Carf, de aplicação vinculante em virtude da Portaria MF nº 383/2010. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, nos seguintes termos, em síntese: · O lançamento fiscal tem por objeto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurados com base no art. 42 da Lei 9.430/96, nas seguintes contas bancárias do sujeito passivo: Banco Agência Conta Tipo Real 402 001002944 Poupança Bradesco 2055 00081760 Corrente · Em preliminar, a defesa suscita a nulidade do Auto de Infração, sob alegação de que, no lançamento, não teria sido observado o disposto na Súmula nº 29 do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; · No Termo de Intimação e Início da Ação Fiscal, de fl. 33, a auditoria fiscal responsável intimou o contribuinte a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, de poupança e de investimento, mantidas em seu nome, do cônjuge e de seus dependentes no Brasil e exterior durante o anocalendário 2007; · Em resposta à solicitação fiscal, o interessado disponibilizou os extratos bancários das contas correntes, do Banco Real, nº 1.0029441, de fls. 71/104, e do Banco Bradesco, nº 00081760, de fls. 105/143, e, posteriormente, atendendo a novo pedido da fiscalização, apresentou os extratos da conta poupança do Banco Real, nº 001002944, fls. 149/210 e 214/243; · Nos extratos mencionados do Banco Real, tanto aqueles relativos à conta corrente, quanto aqueles da conta poupança, está registrado que os titulares da conta são “Dalmo Souza Lima e/ou Dylma Darleth de Ol.”; · Assim, a conta de poupança do Banco Real, na qual foi apurada a infração, é conta conjunta, tendo por segundo titular a cônjuge do contribuinte autuado, Dylma Darleth de Oliveira Lima; · Apesar de constar tal informação nos referidos extratos, a fiscalização não adotou os procedimentos pertinentes, tendo em vista que a intimação, de fl. 246, para comprovação da origem dos valores apurados foi direcionada apenas ao impugnante, desconsiderando o outro titular da conta poupança do Banco Real; Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 6 9 · Em relação a essa questão, conforme citado na impugnação, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf aprovou a Súmula nº 29, a qual a Portaria Ministério da Fazenda nº 383, de 12 de julho de 2010, atribuiu efeito vinculante para a administração tributária, e que dispõe: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. · A falta de intimação da segunda titular da conta de poupança do Banco Real para justificar a origem dos depósitos bancários implica a não caracterização da omissão de rendimentos em relação aos depósitos apurados nessa conta específica, haja vista que a autoridade lançadora deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, condição indispensável para que se materializasse a presunção legal; · Dessa forma, cabe a exclusão da infração em relação à conta poupança nº 001002944, da agência 402, do Banco Real, cujo valor dos rendimentos apurados foi de R$ 626.298,22, conforme tabela de fls. 1.548 (página 09 do acórdão da DRJ); · Demonstrase, também, o valor mensal dos depósitos/créditos bancários apurados na conta nº00081760, agência 2055, do Banco Bradesco, cuja titularidade é apenas do contribuinte, conforme se verifica dos extratos examinados, fls. 105/143. Os valores das exclusões consideradas constam no Termo de Verificação Fiscal e nas planilhas, apresentadas pelo sujeito passivo, de cheques devolvidos e cheques decorrentes de transferência entre contas do mesmo titular, que foram acatados pela fiscalização; · Assim, as demais razões de defesa apresentadas pelo contribuinte serão analisadas em relação ao lançamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 1.542.009,82 na conta corrente do Banco Bradesco. Da formalização do lançamento fiscal · Rechaçamse as alegações do contribuinte de que a fiscalização fez acusações de fatos, que não logrou comprovar; que foram desrespeitados os princípios do devido processo legal e da ampla defesa constitucionalmente assegurados; que deveria ter havido um aprofundamento fiscal para levantamento das provas sobre as infrações que lhe foram imputadas; Fl. 1656DF CARF MF 10 · Foram cumpridas todas as etapas necessárias à caracterização da presunção legal da omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de investimento ou depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações; · A tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada está prevista no art. 42 da Lei 9.430/96; · Para que fique caracterizada a presunção legal da omissão de rendimentos, definida no artigo acima transcrito, é necessário o cumprimento dos seguintes requisitos: identificação pela fiscalização dos depósitos bancários a serem comprovados; regular intimação do titular da conta bancária para que comprove a origem especificamente destes; relação daqueles depósitos os quais o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem; · No caso em exame, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB intimou, inicialmente, o contribuinte a apresentar os extratos de toda sua movimentação bancária. De posse desses documentos, a fiscalização relacionou os depósitos/créditos a serem comprovados e intimou o fiscalizado a comprovar a origem destes em relação à conta corrente do Banco Bradesco, valores devidamente identificados nas planilhas que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal, de fl. 246; Dos depósitos bancários de origem não comprovada · O contribuinte, em sua peça impugnatória, alega que nem toda sua movimentação bancária caracteriza ingresso de receita; que apesar da confusão de contas, houve recolhimento do tributo; que o lançamento foi feito a partir de meros indícios como prova da ocorrência do fato gerador, que os depósitos em conta não traduzem acréscimo patrimonial e que não ocorreu a hipótese de incidência tributária. Tais argumentos não merecem guarida; · Os cheques devolvidos e decorrentes de transferência bancárias entre contas do mesmo titular, que foram relacionados pelo contribuinte, em sua resposta à fiscalização, fls. 267/279 e 347, foram considerados e abatidos do valor dos depósitos/créditos identificados pela fiscalização como de origem não comprovada; · Para se admitir que a conta do contribuinte foi utilizada pela pessoa jurídica DDD Comercial de Bebidas Varejista Ltda, CNPJ 07.073.022/000120, deve haver comprovação de cada um dos depósitos e créditos, o que não ocorreu; Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 7 11 Dos juros de mora taxa Selic · No âmbito do ordenamento infraconstitucional, temse que a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumuladas mensalmente, foi fixada pela Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 13, para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1995; portanto, sua cobrança tem o amparo legal. De sorte que, permanecendo válida a norma que ampara a cobrança em questão, não é lícito à autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada e obrigatória, absterse de cumprila, visto que lhe resta apenas seguir o que determina a legislação em vigor, constituindo o crédito tributário conforme prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional; Da Retificação do Lançamento · Considerando a exclusão da infração de R$ 626.298,22, o lançamento passa a ser o seguinte: 1) Base de Cálculo Considerada R$ 29.206,32 2) Infrações Apuradas R$ 2.168.308,04 3) Infração Excluída R$ 626.298,22 4) Base de Cálculo após exclusão (1+23) R$ 1.571.216,14 5) Imposto Devido R$ 425.782,12 6) Imposto Pago R$ 2.016,30 7) Imposto Apurado (56) R$ 423.765,82 Cientificado da decisão da DRJ, o apresentou recurso voluntário (de fls 1563/1574), por meio do qual, reiterando os argumentos da impugnação apresentada, alega ofensa à ampla defesa, ao contraditório e a verdade material, considerando que a fiscalização ignorou os esclarecimentos prestados pelo Recorrente no sentido de que os depósitos bancários decorrem da atividade desenvolvida e da confusão havida em razão disso com a utilização de suas contas bancárias e da sociedade D.D.D. Comercial de Bebidas LTDAME. Ao final, requer a reforma a decisão recorrida na parte que lhe foi desfavorável, julgandose totalmente improcedente o auto de infração. Às fls. 1.578/1584, foi apresentada petição, em nome do “ESPÓLIO DE DALMO DE SOUZA LIMA”, representado por sua inventariante DENISE LUCIENE DE SOUZA LIMA, expondo e esclarecendo que: Ø Três meses após a apresentação da impugnação (o que ocorreu em 15/12/2010), o Autuado, Sr. Dalmo de Souza Lima, faleceu (em 14/02/2011, conforme Certidão de Óbito anexa); Fl. 1658DF CARF MF 12 Ø Em relação ao mérito, chama a atenção para os seguintes pontos, que, segundo afirma, são de crucial importância para a análise do Recurso Voluntário, sendo que o segundo é matéria de ordem pública, podendo ser reconhecido até mesmo de ofício. São eles: (i) falta de intimação de todos os cotitulares da conta bancária conjunta mantida no Banco Bradesco, conforme entendimento esposado no enunciado da Súmula CARF nº 29; e (ii) erro na identificação do sujeito passivo. Ø No que tange ao item (i) supra, esclarece que, diligenciando perante o Banco Bradesco obteve, enfim, documento do qual se extrai que a conta corrente nº 00081760, da agência 2055, do Banco Bradesco era mantida em conjunto com Dylma Darleth de Oliveira Lima (esposa do Autuado). Em razão disso, nos termos da Súmula CARF nº 29, ambos os titulares deveriam ter sido intimados a prestar informações acerca da origem dos recursos creditados nesta conta. Uma vez que não ocorreu a dupla intimação, o lançamento se encontra eivado de vício, não podendo ser mantido, conforme já julgou diversas vezes este Egrégio Conselho (cita jurisprudência). Ø No que se refere ao argumento de “erro na identificação do sujeito passivo”, ressalta que, conforme aduzido desde o início da ação fiscal, a movimentação financeira ocorrida em suas contas de pessoa física era decorrente da atividade de comércio exercida pela empresa familiar de pequeno porte da qual detinha quase a totalidade do capital social. Assim, o que de fato ocorreu foi uma confusão entre as contas bancárias da pessoa física e da pessoa jurídica. Neste contexto, entende que seria o caso de anulação do lançamento do crédito tributário por omissão de rendimentos, por erro na identificação do sujeito passivo, justamente por ter sido efetuada a tributação em face da pessoa física, em cuja conta corrente os valores foram creditados ao entendimento de que se referiam a valores decorrentes de atividade da pessoa jurídica, da qual a pessoa física era sócio. Cita e transcreve trechos de decisão proferida por esse Egrégio Conselho (Acórdão nº 2202003.296, Processo nº 16327.004438/200294, 2ª Câmara /2ª Turma Ordinária, Sessão de 10 de março de 2016) Ø Requer, ao final, (i) a juntada aos autos da documentação apresentada, em atendimento ao princípio da verdade material; (ii) a distribuição do processo a um relator, considerando o tempo decorrido desde o recebimento dos autos neste Conselho; e (iii) seja o recurso incluído em pauta para que seja julgado inteiramente procedente o Recurso Voluntário interposto. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 8 13 Às fls. 1.626/1.627, o Recorrente (espólio) atravessa nova petição, sinalizando que, se ainda estivesse vivo, o Sr. Dalmo estaria com 82 anos (cf.fls. 1.532destes autos), o que lhe garantiria o direito à preferência no julgamento do presente processo, como determina o art. 69A da Lei nº 9.784/99. Assim, requer a imediata distribuição destes autos a uma das Turmas Julgadoras com competência para tanto, para que, em seguida, seja o mesmo distribuído a um relator designado, para que seja aplicado aqui o enunciado n° 29 da Súmula deste Tribunal Administrativo. Por fim, às 1633/1635, encontrase anexada aos presentes autos decisão proferida pelo Dr. ROLANDO VALCIR SPANHOLO, Juiz Federal Substituto da 21ª Vara Federal/DF, proferida no Mandado de Segurança nº 101739512.2017.4.01.3400, impetrado pelo ESPÓLIODE DALMO DE SOUZA LIMA, determinando a distribuição do Recurso Voluntário interposto nos autos do Processo Administrativo n° 15540.000555/201000 a uma das Turmas competentes, a fim de que seja julgado no prazo de 60 (sessenta) dias. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme sinalizado no relatório supra, o lançamento fiscal tem por objeto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurados com base no art. 42 da Lei 9.430/96, nas seguintes contas bancárias do sujeito passivo: Banco Agência Conta Tipo Real 402 001002944 Poupança Bradesco 2055 00081760 Corrente A DRJ, por meio do Acórdão nº 12.72525 (fls. 1.540/1.555), julgou o lançamento procedente em parte, afastando a exigência fiscal referente à conta do Banco Real nº 1.0029441, considerando que a falta de intimação da segunda titular da referida conta para justificar a origem dos depósitos bancários implica a não caracterização da omissão de rendimentos em relação aos depósitos apurados nessa conta específica, haja vista que a autoridade lançadora deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, condição indispensável para que se materializasse a presunção legal, nos termos da Súmula CARF nº 29. Assim, a apresente análise, objeto do recurso voluntário, restringese ao lançamento fiscal referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurados, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, na conta corrente do sujeito passivo do Bradesco, número 81760, agência 2055. Fl. 1660DF CARF MF 14 Em 22 de setembro de 2016, cerca de um ano e seis meses após o protocolo do recurso voluntário (o que ocorreu em 08/04/2015), o Recorrente (espólio) peticionou nos presentes autos informando, dentre outras coisas, que a conta corrente do Bradesco em questão se trata de conta corrente mantida em conjunto com Dylma Darleth de Oliveira Lima (esposa do autuado), requerendo, assim, o cancelamento desta parcela da exigência fiscal com base no mesmo fundamento que motivou a extinção do crédito tributário referente à conta do Banco Real: aplicação da Súmula CARF nº 29. Com vistas a comprovar o quanto alegado, trouxe aos autos documento de fls. 1.613 e 1.614 – Formulário / Ficha de Abertura de Conta – Cadastro de Clientes, no qual consta expressa a informação de que a Sra. Dylma Darleth de Oliveira Lima é uma das titulares da conta do Bradesco nº 81760. Registrese, pela sua importância, que esta informação – de que a conta Bradesco nº 81760 é uma conta conjunta mantida pelo Autuado com a sua esposa, Sra. Dylma Darleth de Oliveira Lima, não se trata de uma notícia nova. Ao contrário, consta do processo desde da fiscalização. A DRJ, com base, apenas, nos extratos que foram apresentados pelo Autuado, de fls. 71 a 104 do Banco Real e 105 a 143 do Bradesco, concluiu que somente a conta referente ao Banco Real se tratava de conta conjunta, pelo que, em razão da falta de intimação da segunda titular para justificar a origem dos depósitos bancários, não restou caracterizada a omissão de rendimentos em relação aos depósitos apurados nessa conta específica, haja vista que a autoridade lançadora deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, condição indispensável para que se materializasse a presunção legal, nos termos da Súmula CARF nº 29. Ocorre que, embora tal informação não esteja evidenciada nos respectivos extratos, a conta corrente do Bradesco nº 81760 também se trata de conta conjunta. E tal informação pode ser facilmente identificada a partir da análise das cópias do cheques apresentadas pelo Autuado ainda na fase de fiscalização. De fato, em 09 de setembro de 2010, em reposta a uma das intimações da autoridade administrativa fiscal, o Autuado protocolizou petição, de fls. 318 a 348, por meio da qual apresentou para o preposto fiscal cópias da algumas centenas de cheques tanto da conta referente ao Banco Real (fls. 349 a 495), quanto daquela do Bradesco (fls. 496 a 1.477). Analisandose as cópias dos cheques do Banco Real (fls. 349 a 495), verificase que nestes constam os nomes dos dois titulares da conta: Dalmo de Souza Lima e Dylma Darleth. Da mesma forma, nos cheques do Banco Bradesco referente à conta 81760 (fls. 496 a 1.477) constam os nomes dos dois titulares Dalmo de Souza Lima e Dylma Darleth de Oliveira Lima e respectivos CPFs. Não fosse isso o suficiente para evidenciar a natureza da conta conjunta, verifica se diversos cheques, inclusive, foram assinados pela titular Dylma Darleth de Oliveira Lima, conforme se infere, por exemplo, daqueles que constam às fls, 935 a 953, 959, 961, 969, 973, 977, 979, 985 a 993 e 997 a 1001. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 15540.000555/201000 Acórdão n.º 2402006.067 S2C4T2 Fl. 9 15 Neste contexto, é correta, pois, a alegação do Recorrente (espólio). No caso em análise, a cotitularidade da conta encontrase comprovada não apenas pelo documento trazido aos autos por meio da petição apresentada em setembro/2016, mas, sobretudo, pela cópia dos cheques constantes às fls 496 a 1.477, conforme acima demonstrado. A necessidade de intimação dos cotitulares das contas bancárias é matéria sumulada neste Conselho, conforme se verifica pela Súmula nº 29 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 1662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10305.002039/96-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, de modo que devem ser aplicadas as regras de decadência previstas no Código Tributário Nacional - CTN
MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O lançamento é feito sem multa de ofício sobre a parcela do crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
A correção monetária e outros reajustes incidentes sobre o preço dos serviços prestados é apropriada aos respectivos meses de prestação dos serviços, conforme conceitos contábeis aplicáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para, cancelar o lançamento sobre os períodos decaídos (fatos geradores anteriores a 19/08/1991) e a exigência de multa de ofício sobre a parcela de Finsocial relativa a alíquotas superiores a 0,5%, bem como a incidente sobre os valores depositados judicialmente.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, de modo que devem ser aplicadas as regras de decadência previstas no Código Tributário Nacional - CTN MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento é feito sem multa de ofício sobre a parcela do crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária e outros reajustes incidentes sobre o preço dos serviços prestados é apropriada aos respectivos meses de prestação dos serviços, conforme conceitos contábeis aplicáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, de modo que devem ser aplicadas as regras de decadência previstas no Código Tributário Nacional CTN MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O lançamento é feito sem multa de ofício sobre a parcela do crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN e artigo 63 da Lei 9.430/96. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. BASE DE CÁLCULO. CORREÇÃO MONETÁRIA. A correção monetária e outros reajustes incidentes sobre o preço dos serviços prestados é apropriada aos respectivos meses de prestação dos serviços, conforme conceitos contábeis aplicáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso para, cancelar o lançamento sobre os períodos decaídos (fatos geradores anteriores a 19/08/1991) e a exigência de multa de ofício sobre a parcela de Finsocial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 30 5. 00 20 39 /9 6- 51 Fl. 426DF CARF MF 2 relativa a alíquotas superiores a 0,5%, bem como a incidente sobre os valores depositados judicialmente. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório da primeira instância: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Fundo de Investimento Social – Finsocial, abrangendo os períodos de apuração (PA) 09/89 a 03/92 (fls. 01 a 14), no valor (principal) de 360.634,95 Unidades Fiscais de Referência (Ufir), com multa de ofício no valor de 311.594,11 Ufir, e juros de mora, calculados até 31/07/1996, no valor de 574.791,69 Ufir, totalizando um crédito tributário apurado de 1.247.020,75 Ufir, em decorência de ação fiscal efetuada pela então Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro – Centro Norte. 2. Na descrição dos fatos de fls. 02/03, a autoridade autuante registra que apurou falta de recolhimento da contribuição para o Finsocial sobre o faturamento, e ainda que: os valores lançados referemse ao Finsocial concernente aos meses de setembro/1989 a março/1992, lançados à alíquota utilizada para empresas prestadoras de serviço exclusivo, tendo sido deduzido como valor recolhido o valor correspondente aos depósitos efetuados em juízo junto à 2ª. Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, processo nº 89.00075012, também lançado pela fiscalização, em auto de infração datado de 31/07/1996; o presente lançamento deverá ter a sua exigibilidade suspensa, até a decisão final da lide estabelecida junto ao Poder Judiciário. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal do Finsocial (fls. 02/03), cientificado ao contribuinte em 19/08/196, conforme se observa à fl. 01, consistiu no art. 1º, parágrafo 1º, do Decretolei nº 1.940/82; artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto nº 92.698/86; artigo 28 da Lei nº 7.738/89. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10305.002039/9651 Acórdão n.º 3201003.752 S3C2T1 Fl. 3 3 4. No que se refere à multa de ofício e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fl. 12/13. 5. após tomar ciência da autuação, a empresa fiscalizada, inconformada, apresentou, em 16/09/1996, a impugnação juntada às fls. 17/21, e documentos anexos de fls. 22/145 – ata e procuração, fls. 22/24; cópia do Contrato Petrobrás DEPER 107/84 e aditivos, fls. 25/145 – com as alegações a seguir resumidas: 5.1. Preliminarmente, a impugnante requer seja declarada a decadência do direito da Fazenda Pública efetuar quaisquer lançamentos relativamente às contribuições cujos fatos geradores ocorreram anteriormente a 31 de dezembro de 1990, conforme preceitua o art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN); 5.2. a impugnante é uma empresa que tem por objeto a armação de embarcações, próprias ou de terceiros, especializadas em atividades de apoio marítimo às plataformas de petróleo localizadas na costa brasileira, e, neste mister, mantém com a Petróleo Brasileiro SA (Petrobrás) diversos contratos de afretamento de embarcações, todos do mesmo teor, os quais contém em suas Claúsulas Sétima e Oitava os critérios para pagamento das faturas dos serviços e dos reajustes respectivos; 5.3. em decorrência das diversas medidas econômicas tomadas pelo Governo Federal para dominar a inflação, as cláusulas acima sofreram inúmeras alteraç~çoes mediante aditivos aos contratos (documentos anexos), sendo que, cumprindo a com a legislação em vigor, a impugnante sempre recolheu o Finsocial, nas datas aprazadas, utilizandose dos valores efetivamente faturados no mês como base de cálculo da exação; 5.4. assim é que, todo o recolhimento da contribuição para o Finsocial efetuado pela impugnante teve por base de cálculo o faturamento dos serviços propriamente dito (Boletim de Medição/Fatura de Serviços) e o reajustamento da medição efetuada no mês anterior (Boletim de Reajuste/Fatura de Reajuste); 5.5. em que pese o auto de infração ora impugnado encontrase com a sua exigibilidade suspensa, face decisão favorável à impugnante, pedese vênia para impugnálo, vez que, caso venha a ser revertida a decisão antes referida, os critérios utilizados pela autoridade lançadora para a formação da base de cálculo da exigência fiscal encontrase frontalmente contrário à legislação em vigor; 5.6. improcede a exigência fiscal, posto que ao apurar a base de cálculo utilizada no auto de infração, a autoridade lançadora, raciocinando de forma equivocada, entendeu que aos valores utilizados pela impugnante como base de cálculo do Finsocial recolhido (faturamento do mês), deveriam ser agregados os Fl. 428DF CARF MF 4 valores relativos ao reajustamento do preço do serviço, ainda não faturado; 5.7. assim é que, mês a mês, a fiscalização acresceu ao faturamento efetivamente realizado pela impugnante os valores correspondentes ao reajustamento não faturado, procedimento esse não autorizado pela legislação, como deixa patente o §1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940/82 e o art. 16 do Regulamento do Finsocial (Decreto nº 92.698/86), que prevêem que o Finsocial incidirá sobre a receita bruta do contribuinte, a qual corresponderá ao faturamento da pessoa jurídica menos as deduções permitidas pela legislação; 5.8. não fosse o acima suficiente para afastar a exigência fiscal, temse que, com o advento da Lei nº 8.218/91, ficou expressamente reconhecido que a contribuição para o Finsocial, incidente sobre a parcela relativa à atualização de receita, passou a ter como data limite de recolhimento o 5º dia útil do segundo mês subsequente ao da ocorrência do respectivo fato gerador, o que representa o reconhecimento da legalidade da prática adotada pela impugnante, vez que a legislação pretérita não continha nenhuma norma determinando o procedimento preconizado pela autoridade lançadora; 5.9. mais não fosse, fato é que nunca se deixou de recolher a contribuição sobre as parcelas relativas ao faturamento de reajustes, sendo que, quando muito, o que ocorreu foi o recolhimento da contribuição em atraso até o advento da Lei 8.218/91, o que não autoriza a recomposição da base de cálculo, mas, de outro modo, a aplicação, isto sim, das sanções previstas na legislação para os casos de recolhimento fora dos prazos legais, cabendo à fiscalização apurar o tributo pago com atraso e fazer incidir sobre tal quantia os juros moratórios, a correção monetária decorrente do atraso e a multa respectiva, conforme art. 161, do CTN; 5.10. há de ser registrado ainda que todos os valores recolhidos através de depósitos judiciais foram realizados tendo como alíquota de cálculo os percentuais determinados pela legislação questionada em juízo, o que signfica dizer que, acatada a improcedência da base de cálculo adotada, objeto da presente impugnação, mesmo na hipótese de perda da demanda judicial, inexiste penalidade a ser aplicada, vez que houve o depósito intergral do crédito exigido; 5.11. acrescentese também que inúmeros dos cálculos realizados pela autoridade autuante contém erros como, por exemplo, aqueles efetuados para o mês dezembro de 1991, que inclui o reajustamento constante do mês de novembro; 5.12. por derradeiro, temse que o Supremo Tribunal Federal (STF), através de jurisprudência pacífica, já reconheceu a ilegalidade da majoração das alíquotas do Finsocial que excederam a 0,5% (meio por cento); 5.13. isto posto, a impugnante requer que, sucessivamente: i) seja declarada a decadência no lançamento das contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes de 01/01/1991; ii) caso prevaleça o entendimento da autoridade autuante de que os Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10305.002039/9651 Acórdão n.º 3201003.752 S3C2T1 Fl. 4 5 reajustes, mesmo que faturados posteriormente, devem integrar a base de cálculo do Finsocial do mês do faturamento do serviço, seja julgada procedente em parte a presente impugnação e excluídos do lançamento todos os valores vencidos após a edição da Lei nº 8.218/91, posto que, pela mesma, o prazo de recolhimento da contribuição devida passou a ser superior àquele adotado para os recolhimentos a que estava obrigada a impugnante; iii) ainda na hipótese de prevalecer o entendimento da autoridade autuante, que seja julgado improcedente o lançamento do tributo, exigindose do contriuinte apenas o pagamento das penalidades cabíveis, conforme previsto no art. 161 do CTN, uma vez que houve, até o advento da Lei nº 8.218/91, tãosomente atraso no pagamento do Finsocial sobre as parcelas de reajustamento; iv) sejam declaradas insubsistentes as penalidades aplicadas, uma vez que os depósitos realizados em juízo o foram pelo seu montante integral; v) requerse, ainda, dado o expressivo número de documentos necessários à comprovação do alegado, seja deferida a produção de diligência fiscal, ou, caso contrário, a outorga de prazo para a juntada dos mesmos. 6. Às fls. 259/260, Despacho DRJ/RJ/SERCO/Nº 310/98 pronunciandose acerca da identidade de objeto entre o procedimento administrativo de que trata o presente Auto de Infração do Finsocial e o assunto tratado no Mandado de Segurança (MS) nº 89.00075012/RJ (fls. 150/257). 7. Às fls. 266/267, recurso interposto pela interessada ao Conselho de Contribuintes, requerendo seja determinada à autoridade recorrida (Delegacia de Julgamento) a apreciação da impugnação apresentada às fls. 17/21, no que se refere aos aspectos nela contidos, atinentes à composição da base de cálculo do tributo considerada no lançamento e ao prazo para recolhimento do tributo porventura incidente sobre as parcelas de reajustamento do preço, o que não teria sido levado a efeito pelo Despacho DRJ/RJ/SERCO/Nº 310/98 de fls. 259/260. A DRJ/Rio de Janeiro II/RJ – 5ª Turma, por meio do Acórdão 1318.754, de 30/01/2008, decide pela procedência parcial da Impugnação. Transcrevo a ementa: “FINSOCIAL. DECADÊNCIA. Tendo sido constituído o crédito tributário dentro prazo de dez anos previsto na respectiva legislação de regência, não se caracteriza a decadência. IMPUGNAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. Fl. 430DF CARF MF 6 A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. CONVERSÃO EM RENDA. A conversão em renda da União dos valores depositado em juízo extingue parcialmente o crédito tributário lançado, até o limite das quantias efetivamente convertidas. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 44, I, LEI Nº 9.430/96. Na dicção do art. 106, II, “c”, do Codex, aplicase ao fato não definitivamente julgado a lei nova que lhe comine penalidade menos severa. O provimento parcial foi para reduzir a multa de ofício, de 100%, para 75%, pelo advento da penalidade mais benéfica prevista na Lei 9.430/96, e para exonerar do lançamento a parcela coberta por depósitos judiciais. A empresa apresentou então o Recurso Voluntário, onde sustenta: a decadência parcial do lançamento, por ultrapassagem do prazo de 5 anos contados do fato gerador; a base de cálculo do Finsocial, relativa aos pagamentos de reajustes dos contratos, segue competência própria, conforme previsão dos contratos de serviços prestados; reforça a sustentação, aduzindo que não se poderia tributar, em determinado mês, a correção monetária que ainda não havia sido faturada, porque depende de “boletim de reajustamento”, entendendo aplicarse aí a condição jurídica necessária à incidência da contribuição, nos termos do artigo 1161, II do CTN, e artigo 332 do Código Civil2. que a multa de ofício deve ser afastada, em face do artigo 63 da Lei 9.430/96. O processo veio a julgamento no Carf em 18/06/2009. Por meio do Acórdão 320100.064, a Turma decidiu converter o julgamento em diligência. O referido acórdão assenta ainda que houve trânsito em julgado do MS 89.0007501, e que, após acerto entre os depósitos relaizados, convertidos em renda da União, e os débitos em aberto, subsistiram os valores parciais dos débitos referentes a 10/91, 12/91, 01/92 e 02/92. Após expressar opinião sobre a decadência e sobre o cabimento da multa de ofício, o voto condutor da Resolução define assim a diligência requerida (fl. 402): “Pelas razões expostas anteriormente, entendo que o Auto de Infração deverá ser retificado, a fim de que os débitos, referentes 1 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. 2 Art. 332. As obrigações condicionais cumpremse na data do implemento da condição, cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10305.002039/9651 Acórdão n.º 3201003.752 S3C2T1 Fl. 5 7 aos períodos de setembro de 1989 a julho de 1991, sejam excluídos, haja vista que o direito da fiscalização para a constituição do crédito decaiu, bem como não poderá incidir a multa de ofício sobre os períodos restantes. Logo, só após as alterações mencionadas é que se poderá realizar o encontro de contas entre os depósitos judiciais e os débitos do contribuinte, decorrentes da falta de recolhimento do Finsocial e verificar se o valor depositado é suficiente. Na hipótese do valor depositado ser insuficiente, deverá [sic] os respectivos débitos ser cobrados e sobre estes sim poderá incorrer a multa de ofício. Diante do exposto, em atendimento ao princípio da verdade material, sendo este um dos princípios norteadores do processo administrativo fiscal, converto o presente julgamento em diligência para que os autos retornem ao órgão competente, a fim de que o Auto de Infração seja retificado, de forma que sejam excluídos deste os períodos de apuração de setembro de 1989 a julho de 1991, bem como a multa de ofício em após estas alterações, seja realizado um novo encontro dos débitos do contribuinte com os depósitos judiciais convertidos em renda da União. Cumprida a diligência o contribuinte deverá ser intimado para que, se assim entender, se manifeste sobre a planilha elaborada pela fiscalização, bem como apresente planilha demonstrando seus cálculos.” Depois de idas e vindas, consta o despacho de fl. 423, onde se aduz a desnecessidade da diligência, uma vez que as alocações dos depósitos judiciais aos débitos já havia sido feita e já considerada pelo acórdão de primeira instância, conforme fls. 335/337. O processo então retornou ao Carf para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo e, não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Considerações preliminares Em que pesem as opiniões de mérito expressadas na Resolução 320100.064, toda a matéria litigiosa é devolvida a esta Turma para julgamento, conforme estabelece o Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, artigo 63, §5º: Fl. 432DF CARF MF 8 § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. Em relação à diligência requerida, concordo com a manifestação fiscal quanto à sua desnecessidade, pois a liquidação do acórdão se dará após a decisão de mérito, quando serão alocados, período a período, os depósitos judiciais a respectivos créditos tributários confessados ou lançados e mantidos, aferindose, conforme o julgamento, se restarão saldos remanescentes ou não. Decadência A Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabelecia a decadência em 10 anos, para contribuções sociais tais como o Finsocial. Resulta, desse modo, que o prazo decadencial é aquele previsto no Código Tributário Nacional. O art. 150, §4º, prevê o prazo de 5 anos contados do fato gerador, enquanto o art. 173, I, estabelece o prazo de 5 anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Superior Tribunal de Justiça, no Resp 973.733/SC, sob o regime dos recursos repetitivos, decidiu que “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Portanto, considerando que os depósitos judiciais foram anteriores ao lançamento, restam decaídos os fatos geradores anteriores a 19/08/1991, posto que a ciência do lançamento se deu em 19/08/1996. Base de Cálculo do Finsocial – correção monetária A questão é decidir acerca do mês de competência a que se aplicam os reajustamentos dos serviços prestados pela recorrente. Tratase de questão da seara contábil, sem tratamento direto pelo Direito. O princípio contábil da competência é definido, na Resolução 750/93 do Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. A atual redação, dada pela Resolução CFC 1.282/2010 é mais clara: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10305.002039/9651 Acórdão n.º 3201003.752 S3C2T1 Fl. 6 9 Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. Certamente que as boas e corretas práticas contábeis se inserem no conceito de “normas complementares” do Direito Tributário, conforme artigo 100, III do CTN. Em vista destes conceitos, verificamos que as receitas relativas aos serviços prestados devem acompanhar os meses em que foram prestados, por corresponderem às despesas da prestadora, sem embargo do prazo de pagamento, ou mesmo de eventual atraso de pagamento. Portanto, os reajustes indexados devem ser apropriados aos próprios meses de prestação dos serviços, ainda que por estimativa, conforme a correta prática contábil. Nego provimento nesta matéria. Multa de Ofício A recorrente invoca aplicação do artigo 63 da Lei 9.430/96, por retroação benéfica, a fim de afastar a multa de ofício. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. O artigo 151 do CTN prescreve: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da Fl. 434DF CARF MF 10 obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Portanto, para que se aplique o artigo 63 da Lei 9.430/96, deve existir alguma causa de suspensão da exigibilidade, conforme listado no artigo 151 do CTN. Conforme se infere da sentença judicial, no MS 89.0007501, fl. 233, houve concessão parcial da segurança, para afastar a exigência de Finsocial em alíquota superior a 0,5%. Tal decisão vigorava quando do lançamento. Tal sentença foi reformada pelo Tribunal em 19/02/1997, posterior ao lançamento. Portanto, na data do lançamento, somente a parcela do Finsocial superior a 0,5% do faturamento, lançada no presente processo, permanecia com exigibilidade suspensa na ocasião do lançamento. A parcela relativa a 0,5% era exigível, salvo se depositada judicialmente. Portanto, nesta matéria, voto por parcial provimento, para afastar a multa de ofício que incidiu sobre a parcela de Finsocial superior a 0,5% da base de cálculo. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento sobre os períodos decaídos (fatos geradores anteriores 19/08/1991), e cancelar a exigência de multa de ofício sobre a parcela de Finsocial relativa a alíquotas superiores a 0,5%, bem como a multa de oficio incidente sobre valores depositados judicialmente. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 435DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002112/2005-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PRECISA RENÚNCIA DO OBJETO ADMITIDO DOS DECLARATÓRIOS. DÉBITO EXCLUÍDO DO LITÍGIO DOS AUTOS. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Embargos de Declaração opostos e admitidos em relação específica ao julgamento de parcela crédito tributário que foi objeto de inclusão em programa de parcelamento, dando margem a desistência e renúncia do questionamento de tal matéria, por parte da própria Embargante, bem como a segregação desse débito da demanda pela Unidade Local.
Numero da decisão: 1402-002.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração em face da perda de objeto em razão da desistência recursal.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PRECISA RENÚNCIA DO OBJETO ADMITIDO DOS DECLARATÓRIOS. DÉBITO EXCLUÍDO DO LITÍGIO DOS AUTOS. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Embargos de Declaração opostos e admitidos em relação específica ao julgamento de parcela crédito tributário que foi objeto de inclusão em programa de parcelamento, dando margem a desistência e renúncia do questionamento de tal matéria, por parte da própria Embargante, bem como a segregação desse débito da demanda pela Unidade Local.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração em face da perda de objeto em razão da desistência recursal. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PRECISA RENÚNCIA DO OBJETO ADMITIDO DOS DECLARATÓRIOS. DÉBITO EXCLUÍDO DO LITÍGIO DOS AUTOS. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Embargos de Declaração opostos e admitidos em relação específica ao julgamento de parcela crédito tributário que foi objeto de inclusão em programa de parcelamento, dando margem a desistência e renúncia do questionamento de tal matéria, por parte da própria Embargante, bem como a segregação desse débito da demanda pela Unidade Local. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração em face da perda de objeto em razão da desistência recursal. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 12 /2 00 5- 75 Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.695 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.696 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 2229 a 2261) opostos pela Contribuinte, em face do v. Acórdão nº 10197.083, de 17/12/2008 (fls. 2157 a 2201), proferida pela extinta C. 1ª Câmara do 1º E. Conselho de Contribuintes, o qual deu provimento parcial ao Recurso Voluntário oposto, visando sanar erro, contradição e obscuridade em tal r. decisum, referente ao julgamento dos Itens 1 e 7 do Auto de Infração combatido. Processado o feito, os Embargos foram objeto de r. Despacho de Admissibilidade (fls. 2640 a 2653), subscrito pelo I. Presidente da C. 1ª Câmara dessa mesma 1ª Seção de Julgamento, cujo profundo relatório e conclusão, que admitiu parcialmente os Declaratórios (apenas em relação à decisão sobre o Item 7 das Autuações), reproduzse a seguir, evitandose repetições: A Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, dispõe: (...) Considerando o dispositivo acima transcrito, passase a análise dos embargos de declaração interpostos pelo Sujeito Passivo, em face do Acórdão nº 10197.083, de 17.12.2008, (Turma extinta), efls. 21572201, em cuja ementa consta: IRPJ DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO HOMOLOGAÇÃO. De acordo com as normas contidas no CTN, nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, o que pressupõe 0 seu pagamento antecipado. VARIAÇÃO CAMBIAL DE INVESTIMENTO NO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE. Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. PARTICIPAÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS ATRIBUÍDAS A DEBÊNTURES. A remuneração das debêntures sob forma exclusiva de participação nos lucros, comprometendo 50% ou 80% dos mesmos, foge ao padrão de normalidade. Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.697 4 Evidenciado que o objetivo e conseqüência única da operação foi a redução substancial da carga tributária, fica o fisco autorizado a considerar a operação como planejamento a ele inoponível, requalificar os fatos e glosar as despesas deduzidas a título de remuneração de debêntures. GLOSA DE PREJUÍZOS F1SCAIS ANOSCALENDÁRIO 2001 E 2003. Provada a existência de saldos compensáveis de prejuízos fiscais, deve ser cancelada a exigência fiscal que exigiu indevidamente o tributo desconsiderando o saldo de prejuízo passível de compensação. AMORTIZAÇÃO SOBRE PREMIO DE DEBÊNTURES GLOSA. O valor de face das debêntures deve ser classificado em conta do Ativo Circulante ou do Realizável a Longo Prazo ou em conta do Ativo Permanente Subgrupo Investimentos, enquanto que o valor do prêmio pago na sua aquisição deverá ser classificado no Ativo Permanente da Debenturista, Subgrupo Ativo Diferido, sendo dedutível a amortização dos valores correspondentes, por se tratarem de gastos necessários ao investimento. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS USUFRUTO DE AÇÕES. Não sofrem a incidência do IRPJ e da CSLL os ganhos decorrente do recebimento de lucros e dividendos na condição de usufrutuário, eis que não é alterado o instituto jurídico previsto no artigo 10 da Lei n° 9.249/95 que exclui da base de cálculo dos tributos do beneficiário referidas rubricas. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS EXCLUSÕES INDEVIDAS RECEITAS DECORRENTES DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE USUFRUTO DE AÇÕES/QUOTAS DE CAPITAL ALIENADAS. A autuada, quando vendeu sua participação no capital social da investida para o adquirente, desfezse da condição de sócio/acionista em relação às ações/quotas de capital alienadas, recebendo, em contrapartida, o valor de venda, mais o direito de usufruto temporário, como forma de integral pagamento equivalente ao valor econômico das quotas/ações vendidas. Isto significa que os rendimentos recebidos pela autuada (usufrutuária), em suma, constituem contrapartida pela alienação de sua participação no capital social. Sendo assim, tais valores auferidos são receitas de venda de sua participação até então no capital social e devem ser adicionadas para efeito de apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL PIS COFINS. Em se tratando de exigências fundamentadas nas irregularidades apuradas em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento e' aplicável, no que couber, aos Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.698 5 lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. [...] ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: i) item 1 do auto de infração: por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação a parcela referente a variação cambial; ii) item 2 do auto de infração: por maioria de votos manter a glosa da remuneração de debêntures, [...]. iii) Item 3 do auto de infração: por unanimidade de votos cancelar a glosa da compensação de prejuízos, em face da decisão desta Câmara no Recurso 155817, Processo: 16327.002113/200510, cujo lançamento foi cancelado; iv) No que tange ao itens 4 e 8 do auto de infração: por unanimidade de votos, cancelar a matéria tributada; v) No item 5 do auto de infração: por maioria de votos, cancelar a matéria tributada glosa de despesas debêntures [...]. vi) Quanto ao item 6 do Auto de Infração: por unanimidade de votos, excluir a matéria da tributação. vii) No que tange ao item 7 do auto de infração, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nesta parte, para excluir da tributação a exigência do anocalendário de 1999, em face da decadência e, nos demais períodos, a) manter a exigência do IRPJ, b) cancelar a exigência da CSLL no ano de 2000 e, nos demais excluir da tributação da CSLL a variação cambial; c) cancelar as exigências da COFINS, d) cancelar as exigências do PIS até o mês de novembro de 2002. viii) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto as demais alegações da peça recursal. Tendo em vista os embargos de declaração opostos pela ProcuradoriaGeral (PGFN) foi proferido o Acórdão nº 1101 001.285, de 05.03.2015, (Turma extinta), efls. 20932097, em cuja ementa consta: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. Não há omissão no acórdão quanto aos itens 5 e 6 do Auto de Infração, pois a decisão embargada demonstrou as razões que a fundamentam, inclusive em declaração de voto. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.699 6 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE. NÃO CABIMENTO. Não cabem embargos de declaração, relativamente à apreciação do item 7 do Auto de Infração pela decisão recorrida, pois se trata de mero inconformismo da parte, a qual busca a rediscussão da matéria envolvida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Notificado da referida decisão em 11.09.2015 (sextafeira), efl. 2206, o Sujeito Passivo opôs embargos de declaração em 17.09.2015, efls. 22292261, suscitando que: Demonstração Dos Erros Nesse contexto, apenas por cautela, passa a Embargante a demonstrar o "erro" cometido na parte descritiva do Acórdão, mais precisamente no que diz respeito aos itens (i) e (vii), que estão assim grafados: fls. 2 do Acórdão [...] i) Item 1 do auto de infração: por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação a parcela referente a variação cambial. [...] vii) No que tange ao item 7 do auto de infração, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nesta parte, para excluir da tributação a exigência do anocalendário de 1999, em face da decadência e, nos demais períodos, a) manter a exigência do IRPf, b) cancelar a exigência da CSLL no ano de 2000 e, nos demais excluir da tributação da CSLL a variação cambial; c) cancelar as exigências da COFINS, d) cancelar as exigências do PIS até o mês de novembro de 2002. Pois bem, basta um singelo exame do conteúdo do voto para se verificar que não se coaduna a parte descritiva acima citada do Acórdão com o resultado do julgamento, isto pelos seguintes motivos: Sobre o item 1 do Auto de Infração, que trata de "Equivalência Patrimonial Investimentos no Exterior", temos que: A exigência se deu apenas por força da "Variação Cambial" taxa de conversão de euros , como deixa claro o Termo de Verificação Fiscal (fls. 01521), que diz: "Como o patrimônio liquido em 31/12/2003 é de Euros 50.733.803,90 (fl. 836 a 864), a taxa de conversão de euros em 2003 é de 3,65059, o patrimônio liquido em reais totaliza R$ 185.208.317,20 ( a participação da PSCIR na Village, neste Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.700 7 momento reflete 82,678132% = R$153.126.777,09) contra saldo contábil de 12/11/03. > Vejamos agora o que foi decidido no Acórdão embargado no que diz respeito ao item 1 do Auto de Infração (fls. 20), onde: Nessas condições, sou pela exclusão da variação cambial ativa de investimento no exterior. > Portanto, quando afastada, por unanimidade, o impacto da Variação Cambial Ativa no cálculo da "Equivalência Patrimonial Investimentos no Exterior", claro está que deixou de existir a "Base de Cálculo" da exigência, de modo que o item 1 do Auto de Infração foi integralmente provido e não "Parcialmente" como constou da parte descritiva do Acórdão, e mais, sem Embargos e / ou Recurso Especial da Fazenda, também já transitou em julgado. Sobre o item 7 do Auto de Infração, que trata de "Adições Preço de Transferência Juros e Variações Cambiais pagos a Controladas no Exterior Pais c/Tributação Favorecida", temos que: > O item 7 foi, por unanimidade, integralmente provido (fls. 28 a 32 do voto). > O item 7 não foi alcançado pelo Voto Vencedor, que apenas cuidou do item 2 do Auto de Infração (fls. 33). > O item 7 não foi abordado na Declaração de Voto, que apenas tratou do item 5 do Auto de Infração (fls. 43). > O item 7 foi objeto de Embargos de Declaração pela Fazenda, rejeitados através do Acórdão nº 1101001.285 (fls. 5). > O item 7 não foi objeto de Recurso Especial por parte da Fazenda. > Portanto, o item 7 transitou em julgado, integralmente, em favor da Embargante. Sobre a tributação reflexa (CSLL PIS COFINS) constante dos respectivos autos de infração, temos que: > A CSLL, o Pis e a Cofins foram tratadas, pura e simplesmente, como decorrência e mereceram no voto do Relator apenas um parágrafo (fls. 32): TRIBUTAÇÃO DECORRENTE / CSLLPISCOFINS. Em se tratando de exigências fundamentadas nas irregularidades apuradas em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos consequentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.701 8 > Portanto, inadequadas e não verdadeiras as menções alocadas na parte descritiva do Acórdão, quando fazem referência à CSLL, ao Pis e a Cofins. Avançando, eis o que registra o ilustre Relator na conclusão do voto condutor do Acórdão (fls. 32), acerca do tema em apreço: > Conclusão: Pelas razões expostas voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. > Portanto, é de se concluir que apenas foi mantido o item 2 do Auto de Infração, que trata de "Participações Não Dedutíveis Debêntures", inexistindo a inadequada e/ou errada menção à eventual "Provimento Parcial", hipótese não contemplada quando do julgamento do Recurso Voluntário. [...] Analisados em conjunto todos os eventos retrocitados, notadamente porque o ilustre Conselheiro Relator deu integral provimento ao Recurso Voluntário, restando vencido apenas quanto ao item 2 do Auto de Infração, como faz certo o Voto Vencedor que envolve apenas esse tópico, forçoso concluir que o Acórdão, em sua parte descritiva, deveria fazer constar o que foi efetivamente julgado, ou seja (traduzindo o julgado): Acordam os membros da PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: i) Por unanimidade de votos DAR provimento ao Recurso quanto aos itens 134 67e 8 do Auto de Infração; ii) Por maioria de votos DAR provimento ao Recurso quanto ao item 5 do Auto de Infração, [...]; iii) Por maioria de votos NEGAR provimento ao Recurso quanto ao item 2 do Auto de Infração, [...]. Significa dizer que, de todo o lançamento, a única exigência que, de fato foi mantida, diz respeito ao item 2 do Auto de Infração "Participações Não Dedutíveis Debêntures", envolvendo as exações relativas ao IRPJ (principal) e a CSLL (decorrente) pertinentes a esse único item. Nada mais. Pedido Assim, com as presentes considerações e diante do que ficou cabalmente demonstrado evidenciando que o Acórdão, apenas em sua parte descritiva, carrega máculas que estão a merecer o devido reparo, confia e espera a Embargante pelo acolhimento de seu pleito para que, sanados os erros e, consequentemente, corrigindo o que ficou obscuro e contraditório, permita a exata compreensão do que foi efetivamente decidido, além de permitir a correta execução do julgado. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios de obscuridade ou contradição no julgado ou omissão de algum ponto sobre o qual deveria pronunciarse o colegiado não se prestando, Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.702 9 portanto, ao rejulgamento da matéria posta nos autos. Eles estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 1 e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. b) Contradição O Sujeito Passivo procura demonstrar que de todo o lançamento, a única exigência que, de fato foi mantida, diz respeito ao item 2 do Auto de Infração "Participações Não Dedutíveis Debêntures", envolvendo as exações relativas ao IRPJ (principal) e a CSLL (decorrente) pertinentes a esse único item e nada mais. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: ITEM 1 RENDIMENTOS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL INVESTIMENTO PERMANENTE NO EXTERIOR (VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA) A acusação fiscal diz respeito ao ganho com equivalência patrimonial, nos anoscalendário 2002 e 2003, decorrente de participação no capital da PSI e da VILLAGE, apurados conforme demonstrativo constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 1521/1522. A contribuinte teria deixado de oferecer à tributação na apuração do lucro real dos anoscalendário 2002 e 2003 o resultado positivo de equivalência patrimonial dos anos calendário 2002 e 2003, decorrente de ajuste de investimento no exterior avaliado pelo método da equivalência patrimonial, infringido o disposto no art. 7o , §1°, da IN SRF n° 213/2002. Na peça recursal a contribuinte argumenta que inexiste base legal para a incidência de IRPJ sobre os rendimentos de equivalência patrimonial em investimentos permanentes no exterior (participações societárias em controladas e coligadas no exterior), mormente quando esses ganhos decorrem exclusivamente de ajuste de variação cambial positiva. No voto condutor da decisão recorrida, consta que inexiste a possibilidade de afastamento da aplicação da IN SRF n° 213/2002, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (CTN art. 142, parágrafo único). [...] Como efeito, tendo em vista que a variação cambial corresponde ao diferencial do montante investido inicialmente, representado em moeda estrangeira, além de não possuir qualquer relação e também não deve ser confundida com os lucros gerados no exterior, pois corresponde simplesmente a uma atualização do valor inicialmente investido pela incorporadora, o capital deve Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.703 10 ser representado na contabilidade da empresa brasileira, como um investimento em moeda estrangeira. A própria Secretaria da Receita Federal já se pronunciou a respeito, por intermédio da Superintendência da 9ª Região Fiscal, na solução das Consultas n° 54 e 55, tendo restado devidamente esclarecido a contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real. [...] Nessas condições, sou pela exclusão da variação cambial ativa de investimentos no exterior. ITEM 2 PARTICIPAÇÕES NÃO DEDUTÍVEIS ATRIBUÍDAS A DEBÊNTURES INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. [...] [VOTO VENCEDOR] Item 2 Foram glosadas despesas de participações nos lucros debêntures registradas em 31/12/2003, nos valores de R$ 2.422.095,21 e R$ 17.897.495,47, em favor dos debenturistas Credit Lyonnais e FORCINT, empresas do mesmo grupo da PSICR O autuante glosou as despesas, considerando que os títulos emitidos têm as características de "partes beneficiárias". "Partes beneficiárias" são títulos negociáveis, criados pela companhia, sem valor nominal e estranhos ao capital social, e que conferem aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, consistente na participação nos lucros anuais. Há uma diferença fundamental entre a parte beneficiária e as debêntures, porque o titular de "parte beneficiária" não é credor da sociedade, como é o debenturista, que tem uma relação de mutuante frente à companhia. [...] A hipótese concreta que agora se põe é que a Recorrente emitiu debêntures que foram subscritas por coligadas ( controladas do mesmo grupo controlador), que asseguram aos subscritores exclusivamente a participação em 50% dos lucros. [...] A apreciação da questão da dedutibilidade das despesas deve ser feita mediante confronto da operação praticada com os cânones de usualidade e normalidade, condições para análise da qualidade de "necessárias" das despesas. É inegável que a lei faculta a remuneração das debêntures mediante forma de participação nos lucros. Tal consta de disposição literal da lei. Também não há vedação expressa na lei a que essa forma de remuneração seja a única atribuída. Comentando a Lei das Sociedades por Ações, Roberto Barcellos de Magalhães, ao mencionar que as debêntures podem ter remuneração sob a forma de juros, participação nos lucros, prêmios de reembolso ou até correção monetária, registra que " são vantagens que poderão ser deferidas ao debenturista isolada Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.704 11 ou cumulativamente, conforme estipulação constante da escritura de emissão e do certificado. [...] E não se pode aferir o cânone de usualidade pela freqüência com que esse expediente tem sido utilizado, ultimamente, como planejamento tributário. Vejase que em todos os casos de que se tem notícia, de debêntures assegurando como remuneração um elevado percentual dos lucros da companhia, os debenturistas são, sempre, pessoas ligadas ao emitente dos títulos. Não se conhece um só caso de debêntures nessas condições subscritas por pessoas totalmente estranhas à companhia. Ou seja, tratase de operação que tem se tornado freqüente, como instrumento de planejamento tributário, mas que não pode ser tida inquestionavelmente como "normal". [...] No presente caso a fiscalização apontou um emaranhado de negociações com debêntures, sempre dentro do mesmo grupo, valendo destacar : a) Aquisição pela PSICR, em 30/06/97, de debêntures emitidas pela SEISA com valor de face de R$50.000.000,00 e prêmio de R$ 250.000.000,00 (Conforme item 11.1 às fls. 62, a SEISA remunerava as debêntures com 80% dos seus lucros); a.1) Em 30/01/1998 parte das debêntures adquiridas em 30/06/97 foram usadas para integralizar capital da PSI. a.2) Em 12/11/2003 a PSI transferiu as debêntures para a PSICR b) venda, pela PSICR para a FORSINT, em 08/02/2002, de debêntures de sua emissão, com valor de face de R$13.000.000,00 e prêmio de R$ 117.000.000,00; c) venda, pela PSICR para a Crédit Lyonnais Uruguai, em 20/08/2002, de debêntures de sua emissão, com valor de face de R$ 3.100.000,00 e prêmio de R$ 27.900.000,00 d) venda, pela PSICR para a FORSINT, em 30/12/2002, de debêntures de sua emissão, com valor de face de R$9.900.000,00 e prêmio de R$ 89.100.000,00. e) Outras informações relevantes para compreensão: e.1) Conforme esclareceu a PSICR para fazer frente à compra das debêntures, a Forcint emitiu debêntures nos mesmos padrões e as vendeu para a Primo Schicariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro e.2) A Forcint tem o mesmo endereço da PSICR iniciou suas atividades em 12/11/1999 e suas demonstrações financeiras revelam resultado sempre igual a zero. Ou seja, em toda sua existência, sua única atividade foi comprar debêntures emitidas pela PSICR e vender debêntures de sua própria emissão a outra empresa do Grupo Schincariol (a PSICR do Rio de Janeiro). [...] Amoldase a essa figura a criação Forcint (indústria de bebidas), cujo endereço é o mesmo da PSICR e que desde sua Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.705 12 criação até a data da fiscalização outra atividade não teve senão adquirir debêntures da PSICR e emitir debêntures nas mesmas condições para vendêlas à PSICR do Rio de Janeiro. No presente caso, a circularização das debêntures dentro do Grupo Schicariol deixa entrever: (a) As operações com debêntures realizadas (as emitidas e as adquiridas pela Recorrente), como se disse em momento anterior desse voto, estão fora do padrão com que seriam celebradas com terceiros, pois é notório que nenhuma empresa que não estivesse em situação quase falimentar comprometeria 50% (debêntures de emissão da PSICR) ou 80% (debêntures emitidas pela SEISA) dos seus lucros para remunerar terceiros. E se estivesse em situação préfalimentar, nenhum terceiro investiria em aquisição das debêntures com um prêmio tão elevado, sem qualquer garantia de remuneração. (b) Que o grupo permaneceu inalterado jurídica e patrimonialmente. Resta examinar se a conseqüência jurídica foi unicamente a redução substancial da carga tributária, a fim de, nesse caso, considerar o planejamento inoponível ao Fisco e requalificar os fatos. Se os adquirentes das debêntures fossem pessoas físicas, a redução da carga tributária seria evidente: haveria um tributação exclusiva na fonte à alíquota de 20%, contra uma redução de carga tributária , no caso da PSICR, de 25% de IR (15% de alíquota normal + 10% de adicional) e 9% de CSLL. Como os adquirentes são pessoas jurídicas, e a remuneração recebida integra o resultado tributável, a verificação de ocorrência de efetiva redução da carga tributária dependeria da demonstração de o beneficiário não estar sujeito ao adicional, ou de se tratar de pessoa jurídica sistematicamente com prejuízo (que absorva a receita de debêntures). No presente caso, um dos debenturistas (Crédit Lyonnais) é empresa domiciliada no Uruguai, e o outro (Forcint), em toda sua existência não apurou resultado operacional, e sua única atividade foi comprar debêntures emitidas pela PSICR e vender debêntures de sua própria emissão a outra empresa do Grupo Schincariol. Assim, no presente caso entendo evidenciado nos autos que a remuneração das debêntures teve como objetivo e conseqüência única a redução substancial da carga tributária, e mantenho a glosa. [...] ITEM 3 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE NOS ANOSCALENDÁRIO 2001 E 2003. PELA INEXISTÊNCIA PREJUÍZOS A COMPENSAR Trata o presente item da glosa de prejuízos que, no entender do Fisco, teriam sido compensados indevidamente nos anos Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.706 13 calendário 2001 e 2003, pela inexistência prejuízos a compensar ou saldo insuficiente, em decorrência de ajustes infrações lançadas quanto aos períodosbase 1999 a 2003. As irregularidades (infrações) apontadas, objeto do lançamento destes autos, implicaram em compensação nos anoscalendário 1999 e 2000 de todos os prejuízos fiscais acumulados até 1999 (fls. 1192/1445) que, por conseguinte, as compensações de prejuízos fiscais efetuadas nos anoscalendário 2001 e 2002 que já haviam sido informadas nas DIPJ dos exercícios 2002 e 2003 e Lalur (fls. 353/424), foram consideradas indevidas, por falta de prejuízo fiscal a compensar. Porém, a glosa de compensação dos prejuízos deve ser totalmente cancelada em face da decisão proferida por esta Colenda Câmara no recurso n° 155.817, Processo Administrativo Fiscal n° 16327.002113/200510, cujo lançamento foi cancelado. Assim, o presente item deve ser cancelado, pois os prejuízos fiscais anteriormente glosados foram recompostos, devendo ser cancelada a exigência. ITENS 4 E 8 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. ANOSCALENDÁRIO 2000 E 2002 Consta do auto de infração que o sujeito passivo deixou de adicionar na apuração do lucro real os lucros auferidos no exterior por controlada ou coligada. No entendimento do Fisco, houve a transferência de titularidade de quotas de capital da investida PSI (situada na Ilha da Madeira/Portugal), pela investidora aqui no Brasil (autuada), para SPR em 2000, e para GEOFINANCE, em 2002, implicando disponibilização dos lucros acumulados da investida para a autuada (investidora), em face do disposto no art. Io, § 2o , alínea "b", item 4, da Lei n° 9.532/97 (ainda, art. 2º , § 9º , da IN SRF n° 38/1996 , quanto ao fato gerador do anocalendário 2000, e do art. 2º , § 6º , da IN SRF n° 213/2002, quanto ao fato gerador do anocalendário 2002). A autoridade autuante considerou, conforme subitem 2.1 do Termo de Verificação Fiscal, que a cessão gratuita de quotas (da autuada para a SPR outra sócia da PSI, em 16/02/2000), configurou disponibilização parcial de lucros dos períodos de 1996 a 1999 da investida no exterior para a investidora no Brasil. Com relação ao anocalendário de 2002, de acordo com o subitem 2.3.2 do mesmo Termo de Verificação Fiscal, o Fisco considerou que a venda de 54% das quotas da PSI, da autuada para a empresa GEOFINANCE, implicou disponibilização de lucros da investida no exterior para a investidora no Brasil. Da documentação anexada aos autos, contatase que a recorrente efetivamente teve a propriedade de 13,784% das quotas da PSI, porém no instrumento de aumento de capital da Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.707 14 PSI acabou por constar que a recorrente teria um percentual de 82,216% das quotas da PSI. Contudo, após constatado o erro, a correção foi efetivada por meio do instrumento de cessão, considerando que a retificação não seria possível da mesma forma pela qual se deu a constituição, com efeito retroativo. Ou seja, efetivamente não ocorreu a disponibilização pois o lucro não pertencia a autuada. Referida matéria, anteriormente a edição da MP n° 2.15834/2001, era regulada pela Lei n° 9.532/97 (art. 1º), o qual, em especial, definia o critério de disponibilização dos lucros auferidos no exterior como fato gerador do tributo, posteriormente sofreu alterações com a edição da Lei n° 9.959/2000. Importa observar que as regras da Lei n° 9.532/97 estão incorporadas ao art. 394 do RIR/99 (§§ 2º e 4º ) e o Fisco cita, expressamente, este dispositivo do RIR/99 em sua fundamentação; que, não obstante, o Fisco adota critério não previsto na lei para considerar disponibilizado o lucro, qual seja, o da transferência de quotas de capital, e o faz, levando em conta dispositivo ilegal de Instrução Normativa SRF n° 38/1996 (art. 2º , § 9º), quanto ao fato gerador do anocalendário 2000, e a IN SRF n° 213/2002 (art. 2º , § 6º), quanto ao fato gerador do anocalendário 2002. Assim, conforme já mencionado, os eventos legalmente definidos como disponibilização de lucros auferidos 1º), com alterações da Lei n° 9.959/2000 e estão incorporados ao art. 394 do RIR/99. Porém, entre os diplomas legais mencionados, não existe qualquer citação a respeito da figura jurídica relativa a transferência de quotas. Nessas condições, as exigências com base nessas instruções normativas são ilegais, uma vez que extrapolam os termos definidos na lei, criando, sem autorização legal, hipótese que desta não consta. Farta é a jurisprudência deste Colegiado contra a aplicação do artigo 2º , § 9º da Instrução Normativa SRF n° 38/96, visto que esta não possui qualquer amparo legal, além disso, não poderia ser utilizada como fundamento para a autuação relativa ao fato gerador 31/12/2002, porque fora revogada, a partir de 08/10/2002, pela IN SRF n° 213, de 07/10/2002. Em conclusão, voto pelo provimento dos itens 4 e 8 do auto de infração. ITEM 5 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL AMORTIZAÇÃO DE PRÊMIO DE DEBÊNTURES A autoridade fiscal procedeu a glosa da despesa com amortização de prêmio de debêntures por considerála sem fundamentação legal, além de inusual, anormal e desnecessária. Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.708 15 Referidas amortizações constaram da declaração de rendimentos da recorrente nos anoscalendário de 1999 a 2003, cujo prazo de resgate das debêntures é de dez anos, sendo que o valor amortizado anualmente corresponde a 1/10 do prêmio pago, na proporção dos vencimentos dos títulos. [...] Com efeito, qualquer espécie de aplicação por parte da empresa, em despesas que deverão influir nos resultados de mais de um exercício social, serão registradas no Ativo Diferido, incluindo se, nesse caso, também os prêmios de debêntures. [...] Fica, assim, evidenciado que a interpretação da autoridade autuante não corresponde a realidade dos fatos, devendo ser reconhecido a correta classificação por parte da recorrente, do valor do prêmio em conta do Ativo Diferido. Aliás, a esse respeito, cabe destacar que o direito a amortização do prêmio de emissão de debêntures não fica sujeito unicamente ao registro em conta do ativo diferido. Mesmo que estivesse registrado em outro grupo contábil do ativo, referido prêmio tem como forma de transferência para conta de resultado o instituto da amortização. Como é sabido, o prêmio pago por parte de uma pessoa jurídica para a emitente de debêntures, efetivamente tratase de uma despesa necessária, visto que se trata de uma exigência da empresa emitente para que possa ocorrer a negociação de compra e venda dessas debêntures. Referido prêmio possui como contrapartida a expectativa de obtenção de receitas que resultarão em lucros futuros, devendo, portanto, ser considerado como uma despesa normal a amortização do prêmio pago. Portanto, não há que se falar na inexistência de autorização legal para dedução dessa despesa, tampouco ser desnecessária ou inusual, pois o art. 179,V, da Lei n° 6.404/76, prevê a forma de escrituração contábil no Ativo Diferido, e os arts. 324 e 325 do RIR/99, estabelecem a dedutibilidade da despesa decorrente da sua amortização. [...] Consta do lançamento de oficio que, no ano calendário de 2001, foi excluída na apuração do lucro real, a importância de R$ 38.258.184,69, correspondente a lucros distribuídos pela Schincariol Administração Patrimonial, e que foram recebidos pela recorrente, mediante instrumento particular de compra e venda de quotas e outras avenças, datado de 29/08/1996 (fls 164 a 173), cujo montante foi integralmente incluído no auto de infração. A decisão recorrida manteve a exação sob o entendimento que o usufrutuário de quota de capital ou ação, embora não sendo sócio ou acionista da empresa, tem direito a receber o rendimento da quota de capital ou ação, uma vez que o nu proprietário alienara, temporariamente, o direito de fruir dos rendimentos gerados pelas quotas de capital/ação de sua propriedade. Considerou que a autuada (usufrutuária), no caso, quando vendeu sua participação no capital para o adquirente (nuproprietário) desfezse da condição de sócio/acionista, Fl. 2708DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.709 16 recebendo, em contrapartida, o valor de venda, mais o direito de usufruto temporário, como forma de integral pagamento equivalente ao valor das quotas/ações vendidas. A recorrente efetuou a venda para a empresa PSI, estabelecida em Portugal (Ilha da Madeira), a sua participação societária no capital da SAP situada no País, tendo reservado de forma temporária, o direito de usufruto dos lucros futuros que fossem gerados pela segunda. [...] Na negociação levada a efeito, o objeto da prestação a que tem direito a recorrente, corresponde aos dividendos dos lucros produtos pela empresa SAP, com sede no País, sendo irrelevante para o caso, a forma utilizada para a escrituração contábil utilizada, tanto na empresa investida, quanto na investidora, pois os valores por esta recebidos terão sempre a natureza de lucros. O imposto de renda das pessoas jurídicas, por definição, busca atingir os resultados positivos apurados pela pessoa jurídica, após o confronto entre receitas, custos e despesas, dentro de um determinado período, assumido como referencial para a sua aferição. O resultado tributável, por conseguinte, corresponde ao saldo positivo, ao acréscimo patrimonial apurado. Tratase de um fato econômico que o imposto busca alcançar, dentro da feição que a legislação estabelece. O fato concreto atingido pelo imposto corresponde a um resultado, porém, nas operações sob exame, as importâncias recebidas pela fiscalizada deverão receber o tratamento de distribuição de lucros, devendo ter exatamente esse tratamento para fins tributários, ou seja, da não incidência, pois efetivamente, os resultados são tributados na empresa que gerou os lucros e os distribuiu e não naquela que os recebeu. Assim, os valores percebidos pela recorrente correspondem a participação nos lucros da investida, no caso, a empresa SAP, e como tal deverão ser tratados para efeito tributário, ou seja, não estão sujeitos à incidência seja do imposto de renda, seja de qualquer outra contribuição. Cabe ressaltar que, em relação aos rendimentos auferidos pelo exercício do usufruto de participações societárias, para efeitos de tributação, a cessão do direito de usufruto, que se trata de direito real, tem tratamento diferenciado do caso relativo a cessão do exercício do direito de usufruto, que se trata de direito obrigacional. [...] O usufruto, por transferir os mesmos direitos ao usufrutuário que o proprietário tinha quanto aos dividendos, não descaracteriza a natureza do rendimento. Assim, o dividendo recebido pelo usufrutuário não perde a sua característica porque não pago ao nuproprietário. Tratavase efetivamente de dividendos distribuídos e continua nessa mesma situação, pois continua sendo dividendo e recebendo o mesmo tratamento tributário. A esse respeito, a Fl. 2709DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.710 17 determinação prevista no art. 10 da Lei n° 9.249/95 não deixa dúvida sobre o direito à não tributação dos dividendos recebidos. Sou pelo provimento do presente item. ITEM 7 ADIÇÕES PREÇO DE TRANSFERÊNCIA JUROS E VARIAÇÕES CAMBIAIS PAGOS A CONTROLADAS NO EXTERIOR PAÍS C/TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA [...] Devese ressaltar que a jurisprudência deste Colegiado é pacífica no sentido de que a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN pressupõe o lançamento por homologação. Assim, tal qual o IRPJ, o lançamento da CSLL é por homologação e tem prazo decadencial de cinco anos. Concluise, portanto, que já extinguira o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1999. Acolho a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999. Quanto ao mérito, estão sendo exigidos no auto de infração os valores correspondentes a juros e também a variação monetária, decorrente de contrato de mútuo firmado com empresa controlada, sediada no exterior. Em sua defesa, a recorrente apresenta a tabela abaixo reproduzida, os quais, no seu dizer, referemse as parcelas efetivamente incidentes sobre a tributação, que já foram adicionadas nas épocas próprias, conforme o LALUR [...]. Outro aspecto que não foi esclarecido e que a decisão de primeiro grau não fez qualquer manifestação diz respeito ao anocalendário de 2003, em que a recorrente afirma não ter adicionado qualquer parcela a título dos juros pela ocorrência de prejuízo na empresa PSI Primo Schincariol Internacional, conforme o balanço juntado aos autos (doc. 6), fato este não levado em conta pela fiscalização, conforme o Quadro XXIX do Termo de Verificação. A apuração de prejuízo por parte da empresa controlada no exterior afasta a necessidade de adição dos respectivos valores na empresa controladora, pois a determinação legal prevê a adição somente no caso de existência de lucros não disponibilizados por coligadas ou controladas. Com relação a variação cambial, referida matéria já foi objeto de apreciação no presente voto, mais precisamente no item 01, razão pela qual deixo de fazer qualquer manifestação a respeito, devendo a mesma ser excluída da exigência. Voltando a exigência relativa a glosa dos juros moratórios, discordo da decisão proferida pela turma julgadora de primeira Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.711 18 instância, pois, não obstante a acusação fiscal não ter apreciado a fundo os documentos apresentados pela contribuinte, também deixou de observar os valores que foram incluídos nos autos de infração estão incorretos, referentes aos anos de 2001, 2002 e 2003, conforme bem demonstram os documentos juntados aos autos. Assim, entendo não há evidências suficientes da pretensa irregularidade fiscal praticada pela contribuinte para ensejar a manutenção do auto de infração. [...] No entanto, a verdade é que se deixou de aprofundar a investigação e a coleta de provas concretas e seguras capazes de autorizar a convicção de que o contribuinte agiu de forma a subtrair receitas da tributação. Entendo que os argumentos apresentados pela recorrente procedem. O lançamento não tem a necessária consistência para justificar a acusação de desvio de receitas da fiscalizada. Como é sabido, o lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. art. 3º), não pode ser usado como sanção. Nessas condições sou pelo provimento integral do presente item. Em relação ao Item 1 do Auto de Infração temse que: ITEM 1 RENDIMENTOS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL INVESTIMENTO PERMANENTE NO EXTERIOR (VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA) [...] Na peça recursal a contribuinte argumenta que inexiste base legal para a incidência de IRPJ sobre os rendimentos de equivalência patrimonial em investimentos permanentes no exterior (participações societárias em controladas e coligadas no exterior), mormente quando esses ganhos decorrem exclusivamente de ajuste de variação cambial positiva. [...] Nessas condições, sou pela exclusão da variação cambial ativa de investimentos no exterior. [...] No Item 1 houve somente a exclusão da parcela tão somente relativa exclusão da variação cambial ativa de investimentos no exterior: ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.712 19 i) item 1 do auto de infração: por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação a parcela referente a variação cambial; Nessa questão a motivação do tema está explícita, clara e congruente no acórdão embargado, conforme determina o § 3º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No que se refere ao Item 7 do Auto de Infração temse que: ITEM 7 ADIÇÕES PREÇO DE TRANSFERÊNCIA JUROS E VARIAÇÕES CAMBIAIS PAGOS A CONTROLADAS NO EXTERIOR PAÍS C/TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA [...] Acolho a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999. [...] Com relação a variação cambial, referida matéria já foi objeto de apreciação no presente voto, mais precisamente no item 01, razão pela qual deixo de fazer qualquer manifestação a respeito, devendo a mesma ser excluída da exigência. [...] Voltando a exigência relativa a glosa dos juros moratórios, discordo da decisão proferida pela turma julgadora de primeira instância, pois, não obstante a acusação fiscal não ter apreciado a fundo os documentos apresentados pela contribuinte, também deixou de observar os valores que foram incluídos nos autos de infração estão incorretos, referentes aos anos de 2001, 2002 e 2003, conforme bem demonstram os documentos juntados aos autos. Assim, entendo não há evidências suficientes da pretensa irregularidade fiscal praticada pela contribuinte para ensejar a manutenção do auto de infração.[...] Entendo que os argumentos apresentados pela recorrente procedem. O lançamento não tem a necessária consistência para justificar a acusação de desvio de receitas da fiscalizada. [...] Nessas condições sou pelo provimento integral do presente item. No interior da decisão pertinente ao Item 7 houve provimento total e contudo esse ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: [...] vii) No que tange ao item 7 do auto de infração, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nesta parte, para excluir da tributação a exigência do ano calendário de 1999, em face da decadência e, nos demais períodos, a) manter a exigência do IRPJ, b) cancelar a exigência da CSLL no ano de 2000 e, nos demais excluir da tributação da CSLL a variação cambial; c) cancelar as exigências da COFINS, d) cancelar as exigências do PIS até o mês de novembro de 2002. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.713 20 A situação de contradição está apontada objetivamente em parte. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício tão somente ao Item 7 ficando evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional atinente a esta matéria. Ainda situação de obscuridade está apontada objetivamente em parte. Verificase que não há clareza na redação do julgado, tornando difícil dele terse a verdadeira inteligência ou exata interpretação tão somente ao Item 7. Conclusão Por todo o exposto, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos, quanto ao Item 7 e não admito as demais alegações quanto ao Item 1. Relativamente à matéria não admitidas, o presente despacho é DEFINITIVO, nos termos do art. 65, § 3º, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RI/CARF). Encaminhese o presente processo à Secretaria da 1ª SEÇÃO CARFMFDF com a finalidade de: em relação à matéria não admitida, Item 1 do Auto de Infração, dar ciência a Embargante e demais providências e posterior retorno ao CARF para prosseguimento do julgamento do recurso especial da PGFN já admitido (efls. 21502152). pertinente ao tema admitido, qual seja, Item 7 do Auto de Infração, incluir em lote de sorteio no âmbito da 1ª SEÇÃO/CARF/MF/DF, nos termos do art. 49, § 5º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Posteriormente, após petitórios requerendo e reiterando celeridade no julgamento dos Embargos de Declaração opostos, a Contribuinte apresentou Petição informando a desistência parcial quanto ao recurso administrativo interposto e renunciar as alegações de direito que o fundamentaram (fls. 2670 e 2671). Mais adiante, nessa mesma peça, afirma e esclarece que em 11/09/2015, a contribuinte foi intimada da decisão proferida no Acórdão nº. 10197.083, onde obteve provimento parcial do recurso administrativo interposto. Desta decisão, a contribuinte opôs Embargos de Declaração que foi acolhido parcialmente. Aguardase, portanto, julgamento da parte que foi acolhida dos embargos, mais precisamente em relação ao item 07 do Auto de Infração. Com a publicação da Medida Provisória nº. 766/2017, instituindo o Programa de Regularização Tributária junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o PRT, surgiu à oportunidade de a contribuinte realizar adesão ao referido programa. Neste sentido a contribuinte informa a desistência quanto ao recurso administrativo interposto, especificamente em relação ao item 07 do Auto de Infração, bem como, renuncia as alegações de direito que o fundamentaram, com base no art. 5º da MP nº. 766/2017, tendo em vista que Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.714 21 realizará adesão ao Programa de Regularização Tributária junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o PRT, no prazo de sua vigência (destacamos). Diante de tal desistência parcial, o então I. Presidente deste E. CARF prolatou r. despacho (fls. 2674) determinando a remessa dos autos à Unidade Local para o prosseguimento da exigência do crédito tributário objeto da renúncia (o Item 7 do lançamento de ofício), bem como o retorno do feito para o prosseguimento em relação à parte litigiosa remanescente. Dando cumprimento a tal determinação, a Fiscalização acabou por apartar tais débitos, conforme se infere do Relatório acostado (fls. 2675 e 2676), devolvendo os autos a este E. CARF para a resolução definitiva da contenda. Na sequência, os autos foram novamente sorteados (fls. 2693) e encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.715 22 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como já analisado no r. Despacho a quo, os Embargos Declaratórios são tempestivos, devendo prosseguir com a sua análise e julgamento. Observase do relato do feito no r. Despacho de Admissibilidade colacionado que a única matéria admitida é a contradição e a obscuridade entre o teor do Voto que restou vencedor e o dispositivo decisório do v. Acórdão. Confirase: No que se refere ao Item 7 do Auto de Infração temse que: ITEM 7 ADIÇÕES PREÇO DE TRANSFERÊNCIA JUROS E VARIAÇÕES CAMBIAIS PAGOS A CONTROLADAS NO EXTERIOR PAÍS C/TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA [...] Acolho a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999. [...] Com relação a variação cambial, referida matéria já foi objeto de apreciação no presente voto, mais precisamente no item 01, razão pela qual deixo de fazer qualquer manifestação a respeito, devendo a mesma ser excluída da exigência. [...] Voltando a exigência relativa a glosa dos juros moratórios, discordo da decisão proferida pela turma julgadora de primeira instância, pois, não obstante a acusação fiscal não ter apreciado a fundo os documentos apresentados pela contribuinte, também deixou de observar os valores que foram incluídos nos autos de infração estão incorretos, referentes aos anos de 2001, 2002 e 2003, conforme bem demonstram os documentos juntados aos autos. Assim, entendo não há evidências suficientes da pretensa irregularidade fiscal praticada pela contribuinte para ensejar a manutenção do auto de infração.[...] Entendo que os argumentos apresentados pela recorrente procedem. O lançamento não tem a necessária consistência para justificar a acusação de desvio de receitas da fiscalizada. [...] Nessas condições sou pelo provimento integral do presente item. Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.716 23 No interior da decisão pertinente ao Item 7 houve provimento total e contudo esse (SIC) ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: [...] vii) No que tange ao item 7 do auto de infração, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nesta parte, para excluir da tributação a exigência do ano calendário de 1999, em face da decadência e, nos demais períodos, a) manter a exigência do IRPJ, b) cancelar a exigência da CSLL no ano de 2000 e, nos demais excluir da tributação da CSLL a variação cambial; c) cancelar as exigências da COFINS, d) cancelar as exigências do PIS até o mês de novembro de 2002. A situação de contradição está apontada objetivamente em parte. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício tão somente ao Item 7 ficando evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional atinente a esta matéria. Ainda situação de obscuridade está apontada objetivamente em parte. Verificase que não há clareza na redação do julgado, tornando difícil dele terse a verdadeira inteligência ou exata interpretação tão somente ao Item 7. Conclusão Por todo o exposto, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos, quanto ao Item 7 e não admito as demais alegações quanto ao Item 1. (destaques parcialmente nossos) E, por sua vez, depreendese da leitura desse claro trecho explicativo e conclusivo, que foram admitidos os Embargos de Declaração em relação ao resultado de julgamento quanto ao Item 7 da Autuação, no sentido de corrigir o resultado de parcialmente provido, para integralmente provido (cancelandose tal item) evitandose a contradição e a obscuridade presentes quando do confronto entre o conteúdo decisório do Voto e os termos dispositivos do v. Acórdão. Contudo, ainda que procedente tal alegação, a qual denota a necessidade de tal reparo, como relatado às fls. 2670 e 2671, a própria Embargante promoveu a renúncia de seu direito recursal, precisamente em relação ao Item 7, por ter aderido a Programa de Regularização Tributária. Inclusive, tais débitos foram apartados do atual objeto do presente Processo Administrativo, como se verifica às fls. 2675 e 2676, revelandose, agora, de forma superveniente, elemento alheio à contenda remanescente. Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.717 24 A renúncia e a desistência, ainda que parciais, promovidas pela Parte interessada no julgamento dos Declaratórios atrai a incidência e aplicação do art. 78 do RICARF vigente: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fazendo a devida interpretação do teor de tal dispositivo, conclui este Conselheiro ter havido a perda do objeto dos Embargos de Declaração, ainda que anterior e corretamente admitidos (fato este que, inclusive, justifica o presente julgamento em sessão, além de expressamente determinado pelo I. Presidente da 1ª Câmara). Mesmo que seu objeto trate apenas de correção do resultado do v. Acórdão questionado, é fato inquestionável que o objeto da insurgência da Embargante exclusivamente admitido era o Item 7 da exação combatida. Ainda que o julgamento do Recurso Voluntário tenha ocorrido antes da desistência e renúncia processual do questionamento de procedência do Item 7, entendese que restou insubsistente tal decisão, que inclusive lhe fora favorável nessa Instância administrativa. Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1402002.981 S1C4T2 Fl. 2.718 25 E uma vez agora estranho tal débito em relação a este feito, o objeto admitido dos Embargos de Declaração resta complemente esvaziado. Nesse sentido, não devem ser conhecidos os Embargos Declaratórios opostos, pela perda superveniente de seu objeto. Diante do exposto, não conheço dos Embargos de Declaração oposto, em face da perda de seu objeto, ocasionada pela desistência e renúncia sobre a matéria questionada e admitida. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2718DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720397/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO.
A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluí-la do pólo passivo da responsabilidade solidária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1401-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusandose de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios, de fato e de direito, do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra para não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Se o fisco não logrou comprovar o interesse comum jurídico de determinada pessoa física, tampouco ela figurou como sócia (de direito e de fato) da recorrente, forçoso excluíla do pólo passivo da responsabilidade solidária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 97 /2 01 4- 88 Fl. 3039DF CARF MF 2 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplicase também à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.040 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1458.569, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 228.845,67, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 134.067,84, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 372.410,67 e Contribuição para o PIS no valor de R$ 80.688,98, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.255.592,21 (fl. 02), em virtude de omissão de receita da atividade (revenda de mercadorias), conforme detalhadamente relatado no Relatório Fiscal – Grupo Restum e no Termo de Verificação Fiscal nº 0001 que fazem parte dos autos de infração lavrados. Para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi o lucro arbitrado com fulcro no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram relacionados como responsáveis solidários pelo crédito tributário as seguintes pessoas jurídicas e físicas: EMPRESA CNPJ/CPF TOPREADY COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA 01.921.290/000179 SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA 02.067.055/000144 PLANETGIRLS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 04.740.881/000138 TRADE SPORT COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ME 05.096.118/000189 HOTMAXI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.515.378/000141 HOTONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.524.336/000177 COMPANYFASHION CONFECÇÕES LTDA – EPP 07.251.783/000125 HOT BARÃO COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP 08.691.953/000155 PORT COMPANY PARTIC. E EMPREENDIMENTOS LTDA ME 10.528.300/000100 J. E. LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA 10.692.696/000118 PLANET COSMETICS COMERCIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA 11.769.712/000196 POLO WEAR COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 11.774.839/000101 FASHIONROUPAS COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 PLANET GIRLS COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.154.102/000140 PLANETBARUERI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.234.601/000148 HOTMAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇOES LTDA 12.484.212/000170 PLANETOUT LET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 POLO WEAR OUTLET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.506/000164 BARÃOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 ROBERTO RESTUM 043.261.15840 ADRIANA RESTUM 120.853.19807 VANESSA RESTUM 215.012.64869 FELIPE ROBERTO RESTUM 215.012.76875 DANIELE RESTUM TRALDI 215.012.73850 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 Fl. 3041DF CARF MF 4 PLANETJUNDI MAX COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 Foram ainda lavrados autos de infração contra as empresas abaixo relacionadas, integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 525/571), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. EMPRESA CNPJ Processo nº INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 19311.720395/201499 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 19311.720365/201482 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 19311.720362/201449 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.506/000164 19311.720363/201493 BARAOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 19311.720364/201438 FASHIONROUPAS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 19311.720361/201402 POLO WEAR OUTLET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 19311.720368/201416 PLANETOUT LET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 19311.720366/201427 HOTMAXI SHOPPING COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.484.212/000170 19311.720397/201488 PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 19311.720398/201422 1 – SÍNTESE DO RELATÓRIO FISCAL – GRUPO RESTUM Para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 128/174), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” (fls. 128/174) o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas relacionadas no Anexo I) que atuam nos ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. No cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.041 5 num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/0001 44; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que Fl. 3043DF CARF MF 6 tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. 1.1 Do Grupo Restum e Suas Operações Comerciais Segundo a fiscalização, o Grupo utilizavase de pessoas ligadas para a constituição de novas empresas, destacandose o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF 247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques Nehme Rostom e Daniele Restum. Em setembro de 2013 o Sr. Milson era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete) empresas do Grupo e após um determinado período o controle destas sociedades foi transferido para os sócios de fato e em agosto de 2014 o Sr. Milson passou a constar como sócio de novas empresas do Grupo, conforme mostra os Anexo II e III. O Sr. Nivaldo Sancana Rocha, CPF 120.702.06807, é outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo, o qual se apresenta como “Controller” do Grupo, informação esta, que estaria corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo seria o responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP. Rastreando este endereço IP foram encontradas outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). Visando melhor esclarecer como operou o Grupo no ano de 2011 a fiscalização elaborou o diagrama abaixo (Figura 1), no qual as empresas com a inscrição “Própria” têm em seu quadro societário o Sr. Roberto Restum e/ou a Sra. Adriana Restum, já aquelas com a inscrição “Laranjas” tem o quadro societário composto por interpostas pessoas. Os valores sobre as setas representam as vendas realizadas em milhões de Reais e os números abaixo dos nomes das empresas são os CNPJ´s básicos. Segundo a fiscalização, naquele ano a empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (anteriormente chamada Telesa Importação e Exportação Ltda.) era responsável pelas importações do Grupo, bem como pela compra de produtos no mercado interno, seja de matérias primas para Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.042 7 industrialização (própria ou por conta e ordem), seja de produtos acabados para revenda. Já as empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118 e Jos COMÉRCIO de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, ambas constituídas em nome de interpostas pessoas, compravam tanto de terceiros no mercado interno como da Invictus, revendendo diretamente para lojas do grupo ou para a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 e para a ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185, as quais por sua vez vendiam seus produtos para as lojas do grupo. A Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, naquele ano, apesar de estar registrada como comércio, não efetuou nenhuma compra, vendendo, entretanto, vultosas quantias para as lojas do grupo. Essas vendas decorrem de produtos oriundos de industrialização própria efetuada à margem da formalidade. Fl. 3045DF CARF MF 8 Destacou a autoridade fiscal o fato de que coube às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” a apropriação da mais valia da operação comercial, conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$ 83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com um custo de R$ 317.000.000,00 (trezentos e dezessete milhões de reais). Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo a somente R$ 83.000.000,00, havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari) nunca recolheu os tributos devidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado, as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo teria permanecido o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores, como mostra a Figura 3 abaixo reproduzida. Assim à Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/0001 44 coube basicamente lidar com as importações enquanto que à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube o mercado interno. A fiscalização chamou atenção para o fato que houve uma reestruturação gerencial inclusive, já que em 2011, com exceção da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 que operou somente no mercado interno, todas as outras empresas do núcleo negociaram com produtos importados e oriundos do mercado nacional, já em 2012, coube à Invictus importar e revender à ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. (atualmente denominada AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda.) CNPJ: 12.595.364/000140, Jos Comércio e Jurecê, às quais recaiu o lucro da operação, e à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube gerenciar as operações de mercado interno. Ocorreu uma departamentalização. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.043 9 No tocante aos tributos federais, até 2011 a prática era da não transmissão de declarações ou quando havia transmissão estas declarações eram “zeradas”. Após 2012, como já dito anteriormente, algumas das lojas passaram a transmitir declarações, porém classificando sua receita bruta no coeficiente de 1,6% (destinado a comerciantes de combustível – Lucro Presumido). A fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsecamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do Grupo utilizarse de abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, ainda utilizase de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, assim descritas pela autoridade fiscal: A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária, ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora. Desta feita, estas operações culminam com o Fl. 3047DF CARF MF 10 desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontrase ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (...) Em pesquisas nos sistemas da RFB constatouse que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (...) Informação adicional considerável é o fato de a empresa Planet Girls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/0001 38 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número com o intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanqueidade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Adiante, na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. A Sra. Paula Cristina Alves Einchenberger – CPF 215.807.088 97 foi funcionária de duas empresas do Grupo entre 1999 e 2004 e constou como sócia da empresa PlanetPink Comércio de Confecções Ltda. de 29/10/2003 a 21/06/2004, sem, contudo, haver recebido qualquer quantia, seja a título de prólabore, seja a título de dividendos da empresa onde pretensamente era sócia. Esta empresa está bloqueada judicialmente, conforme breve relato da JUCESP (Anexo IX), tendo em vista que a Sra. Paula ingressou em juízo a fim de ver seu nome afastado da sociedade, alegando que o sócio de fato é o Sr. Roberto Restum. Atualmente consta no quadro societário a Sra. Daniele Restum Traldi. Tal esquema pode ser observado na Figura 4 abaixo. Em remate, o Grupo Restum utilizase das mais variadas maneiras com um único propósito: eximirse do pagamento de tributos. 1.2 Dos Procedimentos Fiscais Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.044 11 Segundo a fiscalização, apurouse do procedimento fiscal junto às empresas do chamado núcleo do esquema, bem como das lojas circunscritas pela DRF/JUN, em suma, o que se segue: Primeiramente, há que se dizer que não restou qualquer dúvida de que as empresas constituídas em nome de interpostas pessoas foram assim criadas a mando dos administradores do Grupo. Seria bastante para manter tal afirmação o fato de que estas empresas têm a integralidade de suas operações relacionadas com o Grupo, seja vendendo produtos de suas marcas, seja mandando matéria prima para que terceiros realizassem a industrialização, porém mais provas desta relação foram coletadas. Da análise dos documentos arquivados na JUCESP referentes às empresas do núcleo (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre tais empresas, desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios, que se alternam entre as empresas. Curioso notar também que quando há troca de sócios, o sócio dissidente e o sócio ingressante, em muitas vezes, possuem o mesmo endereço, endereços esses que foram visitados pelos AuditoresFiscais e se mostraram inservíveis para localizar tais pessoas. Verificouse inclusive que alguns deles sequer são residenciais. Ainda analisando esses documentos, notase que as assinaturas destas pessoas, por vezes, não são iguais, demonstrando que sequer assinaram tais documentos, muito menos geriram efetivamente as empresas. Esta conclusão decorre também da análise subjetiva dos sócios, que são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a conclusão de serem tão somente pessoas interpostas, conforme se verifica na Tabela 6 abaixo que mostra a movimentação financeira das interpostas pessoas constantes nos quadros societários das empresas fictas do núcleo. DIMOF Valores a crédito Pessoa 2010 2011 2012 2013 ANTONIO MARIANO R$ 15.470,81 R$ 133.869,43 ISABELA LIMA FAGUNDES JOÃO SILVA DE MORAES R$ 30.387,00 R$ 0,00 JOELITON ALVES DOS SANTOS R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 LEILA MARIA BISPO R$ 8.377,00 R$ 60.584,93 R$ 31.386,95 ROGERIO DA SILVA R$ 7.120,03 R$ 18.240,90 R$ 65.085,45 R$ 2.300,00 Outra semelhança está na pessoa do advogado que assina tais documentos, que na maioria das vezes é o Sr. José Ricardo Clerice, CPF 082.586.44882, OAB 170.855/SP. Notese que este advogado assina tanto os documentos das empresas em nome de “laranjas” como das empresas em nome dos administradores do Grupo. Aliás, essa não é a única semelhança entre tais documentos, visto que muitas das testemunhas também permeiam entre eles, bem como o fato de que suas assinaturas se alterem de documento para documento. Fl. 3049DF CARF MF 12 Os primeiros procedimentos fiscais iniciados foram aqueles referentes às lojas varejistas do Grupo. Em todos os casos o Sr. Roberto Restum estabeleceu procuração ao Sr. Nivaldo Sancana Rocha para atender às demandas fiscais. Quando do início da fiscalização das empresas do núcleo, não tendo os AFRFB logrado êxito na localização dessas pessoas jurídicas “laranjas”, inquiriuse o Sr. Nivaldo quanto a tais empresas com quem o Grupo mantinha relação tão estreita: como era de se esperar, o Sr. Nivaldo negou qualquer responsabilidade sobre elas, declarando apenas que quaisquer informações sobre tais contribuintes deveriam ser buscadas com o Sr. Nelson Oliveira dos Santos – CPF 007.260.04898, o qual, segundo o Sr. Nivaldo, seria o contabilista responsável por todas as procuradas. O Sr. Nelson foi convidado a prestar esclarecimentos, havendo comparecido às dependências da Superintendência da Receita Federal na cidade de São Paulo–SP. Suas alegações foram tomadas a termo (Anexo XI). Em resumo, disse que prestava serviços ao Grupo Restum, realizando os trâmites burocráticos de abertura de empresas, atuando junto à JUCESP, Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e Unidades da RFB. Afirmou que quando iniciou seus trabalhos junto ao Grupo a maioria das empresas do núcleo já estava “aberta”, tendo participado da abertura tão somente da Jos Comércio de Confecções Ltda. e/ou JosConf Comércio de Confecções Ltda. Disse ainda que não foi responsável pela emissão de Notas Fiscais de quaisquer dessas empresas, nem foi detentor de seus certificados digitais (o que possibilitaria a entrega de declarações e emissão de documentos fiscais). Afirmou que os serviços lhe eram passados no escritório do Grupo situado à Rua do Consórcio, São Paulo – SP, que tinha contato com vários funcionários do Grupo e que era remunerado sempre em dinheiro recebido das mãos do Sr. Nivaldo ou do Sr. Paulo Fagundes. Ademais relatou que também prestou serviços de encerramento de empresas, as quais eram encerradas para evitar problemas trabalhistas, sendo que em seus lugares eram abertas novas empresas. Quando confrontado com os nomes dos sócios das empresas do núcleo, o Sr. Nelson reconheceu alguns, entre eles o do Sr. Joeliton Alves dos Santos, João Silva de Moraes, Antônio Mariano e Rubens Barros Marinho. Disse que os via eventualmente no escritório do Grupo, em períodos de 30 ou 40 dias, que estes não desenvolviam atividades profissionais e que todos possuíam problemas de alcoolismo. Ao final, reforçou que desconhecia os montantes negociados pelo Grupo, seus fornecedores, clientes, etc. já que não tinha qualquer papel administrativo dentro do Grupo, limitandose a serviços burocráticos de formalização e encerramento de empresas. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.045 13 De tais afirmações, concluise que estas pessoas periodicamente recebiam do Grupo quantia em dinheiro em troca da utilização de seus nomes. Outras informações relevantes apuradas no curso dos procedimentos fiscais são os montantes de movimentação financeira de cada uma das empresas do núcleo, como se vê na Tabela 7 abaixo. CNPJ Razão Social Situação Mov. Fin. 2010 Mov. Fin. 2011 Mov. Fin. 2012 Mov. Fin. 2013 12.165.435/000256 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 0,00 114.117,66 6.426.538,89 5.768.716,97 12.165.435/000175 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 277.058,96 6.136.221,13 4.220.867,82 4.298.960,53 12.595.364/000140 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECCÇÕES LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 17.755.478/000100 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.674/000120 SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.673/000185 IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.374.212/000118 JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 13.385.771/000196 JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000306 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000225 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000144 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 52.365.830,18 30.239.404,58 25.758.022,85 31.519.478,07 Percebese que somente as empresas próprias possuem movimentação financeira. Quando comparamos a movimentação financeira com a emissão de notas fiscais, notase uma proporção inversa. Do somatório de informações até aqui apresentadas, chegase à conclusão de que as empresas fictas do Grupo simplesmente não existiam fisicamente, sendo meras emissoras de notas fiscais, documentos esses que serviam para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelo Grupo (empresas próprias). 1.3 Breve descrição do que foi apurado nas empresas do grupo. 1.3.1 Invictus Importação e Exportação Ltda / Telesa Importação e Exportação Ltda CNPJ: 07.693.822/000144 ; Período fiscalizado: 2011, 2012 Endereço: Rua Professor João Brito, 105, 2º andar, sala 02, Vila Nova Conceição, São PauloSP, CEP: 04535080 Fl. 3051DF CARF MF 14 Constam no quadro societário o Sr. Roberto Restum e Felipe Roberto Restum. O AFRFB responsável pelo procedimento compareceu ao endereço acima e foi informado pelos funcionários da loja Pólo Wear, localizada nesse endereço, que a Invictus ficava no nº 150, para onde se dirigiu e foi atendido pela advogada Giselle Ap. Gennari Palumbo, que representa as marcas Planet Girls, Pólo Wear, Venom, Hot Point, SMK Rio de Janeiro, Planet Star e AR Adriana Restum. No citado nº 150, situase a loja da Planet Girls Comércio de Roupas Ltda., CNPJ 12.154.102/000140. Apresentou DIPJ do anocalendário 2011 pelo Lucro Presumido com informações nulas. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos (Receita Bruta de R$ 317.664,67), esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. A DCTF de 2011 consta com informações nulas. Quanto à DCTF de 2012, foi enviada retificadora após início do procedimento fiscal informando pagamentos mediante DARF, os quais não constam dos sistemas da RFB. No curso do procedimento apresentou Livros Registro de Entradas (LRE), de Saídas (LRS) e de Apuração do ICMS, relativos ao anocalendário 2012, de uma das filiais (CNPJ 07.693.822/000225). Nenhum outro livro da escrituração contábil e fiscal foi apresentada até a presente data. Destes livros, das informações prestadas pelo sujeito passivo à SEFAZ/SP, no preenchimento da GIAICMS, e dos dados constantes nos sistemas internos da RFB, extraíramse os seguintes valores: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 23.341.988,76 6.212.097,70 10.560.793,90 24.003.343,18 2012 24.369.199,08 4.948.653,23 6.140.092,40 633.173,27 20.827.654,65 26.173.799,52 Analisandose as NFe percebese que as vendas para PJ do grupo correspondem a 85% do total de vendas (Jos Comércio de Confecções – CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, Água Mista Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.595.364/000140, Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100). Os 15% restantes foram para o Grupo Walmart. O Grupo Walmart (Walmart, Lojas Leader, WMS Supermercados, Bom Preço Supermercados) comprou anualmente em torno de R$ 3.500.000,00 em mercadorias (calças jeans, bermudas, camisetas) da Invictus/Telesa em 2011 e 2012, tendo sido intimada a prestar esclarecimentos quanto a essas compras. Em resposta, informou que não tem informações sobre as marcas constantes na etiqueta, pois as compras foram para revenda, que os pagamentos eram efetuados mediante transferências bancárias (TED) na conta da Invictus (Banco Itaú, Ag. 0350, CC 797825 – Rua Joaquim Floriano, 736, Itaim Bibi, São Paulo/SP) e que as mercadorias eram transportadas pelo fornecedor. Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.046 15 Apresentou cópia de acordo comercial assinado em 22/02/2011. Neste documento, aparecem como contatos financeiro e comercial da Invictus a Sra. Paula Serra – Av. Benedita Quina da Silva, 586, Jundiaí/SP, CEP 13.212141 (ana.serra@hotpoint.com.br) e o Sr. Valter Pereira – Rua Mendes Junior, 474, São Paulo/SP, CEP 03013011 (phs@venom.com.br), respectivamente. Importante notar que o endereço da Sra. Paula é o mesmo de uma das filias da SPR Import (empresa em nome de “laranjas”) e o do Sr. Valter é o mesmo de uma das filiais da Import Dalamari (outra empresa em nome de “laranjas”). Atentar também para os emails (Hot Point e Venom). No mesmo endereço cadastral da Invictus, foi aberta na JUCESP a empresa Planet Girls Itaim Comércio de Roupas Ltda. (Constituição 07/11/2012; Ativa; NIRE 35225056142), no entanto, a mesma não foi cadastrada no CNPJ. Também se diligenciou à empresa Terra do Sol Manufatura e Confecção de Roupas Eireli – ME, CNPJ: 01.054.356/000170, já que houve remessas para industrialização em 2011 de aproximadamente R$ 1.200.000,00. Em resposta à intimação, informou que beneficiou e industrializou peças jeans, que tais as peças retornavam ao encomendante sem finalização de acabamento, portanto, sem etiquetas, que os tecidos eram enviados pela Invictus e retornavam para Av. Gerônimo Monteiro, 1000, Centro, Vitória/ES, que o transporte era por conta do remetente. Alegou não ser possível informar nomes de pessoas com os quais tratava na Invictus pois contatavam muitas do departamento comercial. Afirmou não possuir contrato de prestação de serviço. Reintimada a prestar informações quanto à etiqueta dos produtos industrializados, com fulcro no que estabelece o art. 213 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2002), respondeu ter cometido erro na resposta anterior e anexou cópia de modelo de etiqueta onde consta o CNPJ 07.693.822/000144 da Invictus. Como em outras diligências realizadas nas empresas terceirizadas, notase que suas respostas foram extremamente cuidadosas no sentido de não implicar seu cliente, indicando inclusive que o Grupo Restum teve conhecimento de tais diligências e orquestrou as respostas. Contudo, registrese que, segundo o portador que trouxe a documentação, Sr. Célio Fernandes Santos, a empresa localizavase inicialmente em Jundiaí e atualmente está em Indaiatuba e presta serviços exclusivamente para o Grupo Planet Girl e Hot Point. Afirmou que como é motorista da diligenciada, ele próprio retira os tecidos em Jundiaí, em São Paulo e municípios vizinhos, os leva a Indaiatuba para Fl. 3053DF CARF MF 16 industrialização e posteriormente entrega os produtos acabados na Planet Girl que se localiza no Distrito Industrial de Jundiaí. Diligências efetuadas pelos AFRFB comprovam que o centro de distribuição do Grupo localizase no Distrito Industrial de Jundiaí, situado à Av. Benedita Quina da Silva, 586, endereço este que aparece em várias empresas do Grupo, sejam próprias, sejam de “laranjas”, o que nos leva a dar crédito às afirmações do Sr. Célio Fernandes Santos. 1.3.2 Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196; Período Fiscalizado: Anoscalendários 2011 e 2012. Endereço: Av. Benedito Quina da Silva, 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, Jundiaí – SP. Quadro societário composto por Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, sócia administradora com 50% das cotas de capital, endereço cadastral junto à RFB à Alameda Dino Bueno, Apto. 4, Campos Elísios, CEP 01217 000 São PauloSP, e Leila Maria Bispo, CPF 406.612.67822, sócia com 50% das cotas de capital, endereço cadastral à Rua Madalena de Madureira, nº 306, Sítio do Morro, CEP 02551040, São Paulo SP. Consta como ATIVA no CNPJ, porém na JUCESP está conforme distrato social registro nº 176.771/128, de 07/05/2012. Com o distrato social, a sócia administradora Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890 ficou responsável pela guarda dos documentos da empresa. No SINTEGRA tem o status de Inapta. No mesmo local funciona a empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.31568. Veja que a Net Planet é a loja virtual do Grupo (www.planetgirlsstore.com.br). Para o período fiscalizado, anoscalendário 2011 e 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 118.000.000,00, sendo R$ 88.000.000,00 em 2011 e R$ 30.000.000,00 em 2012 tendo vendido somente para empresas do Grupo Restum, segundo suas NFe. Não apresentou DIPJ e DCTF para os anoscalendários 2011 e 2012, não tendo efetuado nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período fiscalizado. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212 141, JundiaíSP, não se encontrou a empresa JOS Comércio de Confecções Ltda., porém constatouse que se trata de um galpão industrial, localizado em condomínio comercial fechado, com intenso movimento de pessoas e mercadorias. No local funciona a expedição de produtos comercializados pela Água Mista para as demais empresas do grupo Restum. Na ocasião da diligência, o AFRFB fora recebido pela Sra. Adriana Restum – CPF 120.853.19807, a qual informou à Fiscalização que trabalha como “designer” do Grupo, Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.047 17 desenvolvendo os modelos das coleções lançadas periodicamente. Disse também que o seu escritório funciona naquele local, tendo recebido a fiscalização diretamente em sua sala de trabalho. Disse ainda não ter informações sobre a empresa JOS Confecções, colocando o AFRFB em contato com o advogado, Sr. Gelson, que ficou de retornar a ligação com informações sobre a empresa, fato que não ocorreu. Como a empresa não foi localizada no domicílio tributário cadastrado, os termos e intimações do procedimento fiscal foram enviados para o endereço da sócia administradora, responsável pela guarda de documentos, Sra. Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, com domicílio à Alameda Dino Bueno, nº 568, Apto. 4, Campos Elíseos, CEP 01217000 – São PauloSP, sendo que tais correspondências foram devidamente entregues pelos Correios, mas as intimações não foram atendidas, bem como não houve nenhum contato da Sra. Alyne com a Fiscalização. As sócias Alyne Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo não possuem capacidade patrimonial para figurarem no quadro societário de empresa com o movimento da JOS Comércio, tampouco receberam dividendos e/ou tiveram movimentação financeira compatível. 1.3.3 JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/0001 18; Período Fiscalizado: Anocalendário 2011. Endereço: Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo – SP. Empresa constituída em 11/08/2010 e dissolvida na JUCESP em 13/05/2011. Baixa do CNPJ na RFB datada de 26/05/2011. Todavia, o contribuinte se encontra como Não Habilitado no cadastro Sintegra/ICMS desde sua inscrição em 13/08/2010. Expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$65,8 milhões, com entradas de R$29,5 milhões; não entregou declarações (DIPJ, DACON e DCTF) para o ano fiscalizado. O Sócio Administrador da empresa à época e atual Responsável pela guarda de seus livros e documentos, João Silva de Moraes CPF 733.595.21820, não pôde ser encontrado pelos Correios em seu endereço cadastral, na Rua Maria de Paula, nº 122 Apto. 609, na Bela Vista São Paulo SP. Este responsável foi então cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal e Termo de Reintimação mediante edital, porém não atendeu à fiscalização até agora. Os indícios apurados quanto a sua falta de capacidade econômica, inatividade profissional e múltiplos endereços configuram hipótese de interposição de pessoa, isto é, mero “laranja” para ocultar os reais beneficiários. O outro Sócio Administrador à época, Rogério da Silva CPF 093.656.18827, foi alternativamente intimado em seu respectivo domicílio tributário, na Av. São João, nº. 1740 Apto. 33, em Santa Cecília São Paulo SP, porém também não foi Fl. 3055DF CARF MF 18 localizado, restando ainda indícios similares de se tratar de interposta pessoa. Em pesquisa ao banco de dados creditício da Serasa Experian, esta pessoa física já assumiu 7 (sete) outros endereços posteriores àquele informado à Receita Federal do Brasil. Diligenciamos ainda até o último endereço oficial da pessoa jurídica, localizado na Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo SP, onde se encontra o prédio da Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104, cujos funcionários afirmaram desconhecer a procurada Jos Conf, ressaltando que aquele ponto é reconhecido há muito tempo como uma das sedes do Grupo Hot Point (o piso térreo de nº 57 ora comporta a loja Venom e uma porta contígua de nº 55 dá acesso aos escritórios operacionais do grupo nos dois andares superiores). Vale frisar que um folder promocional ali coletado indica dois locais de showroom da marca Venom: um neste próprio endereço visitado e o outro na Rua Mendes Júnior, nº 472 (logradouro também tido como showroom da marca Hot Point no supracitado site www.hotpoint.com.br). Quando questionado por esta fiscalização, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse não representar a JosConf, recomendandonos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, que seria o efetivo contador das seguintes empresas: Import Dalamari Lojística e Comércio Ltda., Jos Comércio de Confecções Ltda., JosConf Comércio de Confecções Ltda., SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. O Sr. Nelson foi diligenciado e suas alegações já constam deste relatório. No intuito de se obter adicionais informações, diligenciouse às empresas Lantana Comércio, Confecções e Presentes Ltda. CNPJ 08.251.691/000108, identificada mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901, emitidas pela JosConf. Através deste procedimento verificouse que os Romaneios para Saída de Tecido emitidos pela JosConf com destino à Lantana eram registrados em formulário com cabeçalho em nome de “Planet Girls A grife das estrelas”, sendo ainda a maioria deles carimbados e assinados por “William Hoffman Gerente Planet Girls RG 32.534.8546”. As notas fiscais de Retorno de Mercadoria CFOP 5902 emitidas pela Lantana tendo como destinatário a JosConf, supostamente sediada na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, muitas vezes trazem a seguinte especificação no campo Informações Complementares: “Endereço de Entrega: Av. Benedita Quina da Silva, 586 Jd. Ermida Jundiaí” (local do supracitado centro de distribuição do grupo). Bem assim, detectamos vários canhotos de recebimento dessas mercadorias pela JosConf sendo de fato assinados por Letícia Cristina de Souza Pinto (funcionária registrada à época na Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. CNPJ 12.772.739/000109), Dircélio Timoteo dos Santos (também da Planet Controle) e ainda Maria Cristina da Silva Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.048 19 (vinculada à J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118. Quando questionado sobre as pessoas habitualmente contatadas na JosConf, o prestador de serviços declarou que: “Não havia uma pessoa específica. Na época, os contatos eram feitos com o departamento de estilo/comercial, pelo telefone +55 (11) 4525 6800.” (central telefônica também apontada pelas empresas Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda., Havan Lojas de Departamentos Ltda. e Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. como pertencente à HotBrás, empresas estas diligenciadas no curso do procedimento fiscal na própria HotBrás,conforme relatado no item 2.8 deste relatório). Importante informar que, durante busca à JosConf, caminhando pela Rua do Consórcio e também no lado oposto dessa quadra pela Rua João Brito, encontrouse estabelecimentos de várias marcas adotadas pelo Grupo Restum, a saber: Planet Girls, Venom, Polo Wear e AR Adriana Restum, verificandose ainda os logotipos de todas essas marcas e ainda da SMK, Glamour Rock e HotPoint estampados na fachada da Invictus Importação e Exportação Ltda. (principal importadora do grupo). O endereço de abertura da JosConf na JUCESP, situado na Avenida Professor Alcebíades Delamare, nº 301, em São Paulo SP, é o mesmo adotado por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225056797, em nome de Roberto e Adriana Restum; • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35224611151, em nome de Isabella Lima Fagundes, João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • ImportDalamari Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.673/000185, em nome de Antonio Mariano, Joeliton Alves dos Santos, Rogério da Silva, João Silva de Moraes e Maria do Socorro Bispo; • SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, em nome de Isabella Lima Fagundes, Rogério da Silva e João Silva de Moraes (destacase que, além do endereço idêntico, o CNPJ da SPR tem número imediatamente sucessor ao da ImportDalamari, indicando que ambas foram abertas simultaneamente); • R. Preto Comércio e Confecções Ltda. NIRE 35213165014, em nome de Márcia Estela Freitas da Costa, Sidnei Piva de Jesus e Alves Roque da Silva. Outro endereço adotado pela JosConf foi na Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, em Jundiaí, onde também são encontradas as seguintes pessoas jurídicas: Fl. 3057DF CARF MF 20 • NetPlanet Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, em nome de Milson César da Silva, Paulo José Pinto, Roberto Restum e Adriana Restum; • NetPlanet Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35225231661, em nome de Letícia Cristina de Souza Pinto e Paulo José Pinto; • J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, em nome de Daniele Restum e Jacques Nehme Rostom; • ÁguaAzul Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113810, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum; • JOS Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/0001 96, em nome de Aline Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo; • Balfa Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35226553735, em nome de João Guilherme Balota e Ronaldo José Faga. No último endereço da JosConf, na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, encontramse também as seguintes empresas: • Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. CNPJ 12.696.628/000132, em nome de João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224809660, em nome de Cleusson Faria da Silva, Rodrigo Lourençon, Pierre Nehmi Rostom e Nivaldo Sancana Rocha; • Planet RH Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224913637, em nome de Cilene Regina Grossi Teixeira e Milson César da Silva; • Consorte Importação e Exportação Ltda. NIRE 35225143592, em nome de Adilson Bernardo Dias, Mariane de Souza Gomes e Roberto Restum; • Telesa Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (registrada inicialmente no nº 54), em nome de Fábio Pontes, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum; • Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum; • Venom Itaim Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113755 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum. Nota: Na Rua do Consórcio, encontramos ainda no nº 86 a Planet Girls Comércio de Confecções CNPJ 04.740.881/0001 38 (em nome de Adriana Restum, Ataíde Quaresma dos Santos Júnior e Eduardo Bueno) e a Planet Shoes Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.154.257/000187 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum), e no nº 169 outras 3 empresas: Station Sports Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 09.124.696/000132 (em nome de Adriana Restum, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum), VNPS Serviços de Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.049 21 Confecções Ltda. NIRE 35225057203 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum) e Glamour Rock. • Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35227113828 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum). Além dos mesmos endereços compartilhados entre diversas empresas estreitamente ligadas ao Grupo Restum, detectamos ainda que os sócios “laranjas” da JosConf também figuram no quadro societário de diversas outras empresas, conforme resumo abaixo: • Antonio Mariano: consta também da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 (detalhada mais abaixo), da HOP Jabaquara Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.862.039/000105 e da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Joeliton Alves dos Santos: consta também da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Rogério da Silva: consta também da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185; • João Silva de Moraes: consta também da Caparão Lojística e Distribuição Ltda. CNPJ 12.431.686/000154, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132, da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/0001 00, da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. – CNPJ 12.431.674/000120 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185. O Contador Responsável (Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834) e o correio eletrônico (rubenscontdata@hotmail.com) cadastrados no CNPJ da Jos Conf são os mesmos indicados pelas já citadas empresas Hot Brás, PlanetBarueri e Silva & Silva Lojística. Tal contador também aparece no cadastro da Polo Wear Net, porém neste caso o correio eletrônico indicado é o de nivaldo.rocha@planetgirls.com.br. Assim, percebese mais uma vez a confusão entre empresas representadas por Roberto Restum, Adriana Restum e o preposto Nivaldo Sancana Rocha e aquelas outras em nome de “laranjas”. 1.3.4 ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda CNPJ: 12.431.673/000185; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, nº 301, Conjunto 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: Situase no mesmo endereço da SPR Import e de diversas outras empresas associadas ao Grupo Restum, conforme relatado acima. Fl. 3059DF CARF MF 22 Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 19/12/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de Maria do Socorro Bispo CPF 257.482.34866, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase ainda Ativa no cadastro CNPJ. Não entregou DIPJ, DACON e DCTF e não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. No intuito de dar início ao procedimento fiscal, enviouse primeiramente o TIPF à Maria do Socorro (Rua Madalena Madureira, 306, casa, Sítio do Morro, São Paulo/SP), porém correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Intentouse então a ciência no endereço do outro sócio, Sr. João Silva de Moraes (Rua Maria Paula, 122, cj. 609, Bela Vista, São Paulo/SP), havendo a correspondência retornado com a informação “Desconhecido”. Finalmente encaminhouse correspondência ao sócio Rogério da Silva (Av. São João, 1740, ap. 33, Santa Cecília, São Paulo/SP), sendo que esta retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, foi dada a ciência do início do procedimento fiscal à Maria do Socorro Bispo mediante edital. Vêse que os sócios da referida empresa são pessoas recorrentemente utilizadas pelo Grupo, já que atualmente, apesar da dissolução na JUCESP, constam como sócios no CNPJ o Srs. Rogério da Silva CPF 093.656.18827, João Silva de Moraes CPF 733.595.2182 e Maria do Socorro Bispo, CPF 257.482.34866. Já à época da constituição da PJ constavam Joeliton Alves dos Santos CPF 456.307.04591 e Antonio Mariano CPF 766.489.82853, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001 (notar que este endereço é utilizado por vários “laranjas”). Verificouse que não apresentou declarações e tampouco teve movimentação financeira, porém emitiu notas fiscais no montante de R$ 115.514.947,47, como se vê na tabela abaixo. AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 115.514.947,47 Curial informar que as NFe apontam vendas somente para PJ´s do Grupo (lojas varejistas). No mesmo endereço constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto tais empresas não constam do CNPJ: • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/08/2010 (Ativa); NIRE: 35224611151; no endereço foi informado como cj.18; Sócios: Rogério da Silva, CPF 093.656.18827 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001. Em 25/02/2011 houve a inclusão de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 (Residente na Rua Maria Paula, Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.050 23 122, apto. 609, Bela Vista, São Paulo/SP) e a exclusão da sócia Isabella Lima Fagundes; • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056797; no endereço foi informado como cj.18; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Em diligência ao endereço, verificouse tratar de imóvel residencial. O vigia da rua ao lado, Sr. Antonio, que há 30 anos trabalha no local, informou que há aproximadamente 1 (um) ano o imóvel está fechado e que a empresa que ali estava permaneceu por um período aproximado de 8 meses. Não soube dizer ao certo qual era a atividade da empresa. Informou que a proprietária do imóvel, Sra. Cecília não recebia os aluguéis em dia e que o fornecimento de água e luz já foi cortado. A vizinha do imóvel, que reside no local há 40 anos também confirmou que a empresa ficara por 7/8 meses, mas não soube dizer a sua atividade. Outra empresa fictícia do Grupo, a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda, também está cadastrada neste endereço. Há diversas PJ do grupo cadastradas neste endereço, mas supostamente em conjuntos diferentes, contudo o endereço referese a um único imóvel aparentemente residencial. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Prof. João Brito, 85, Vila Nova Conceição, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as empresas abaixo, no entanto estas não foram cadastradas no CNPJ: • SMK Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056207; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • SMK Itaim Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113836; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta constante do CNPJ: • SMK Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.154.256/0001 32; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204814; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. No mesmo endereço da filial que fica na Rua dos Italianos, 55, Bom Retiro, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto não há cadastro no CNPJ: • Bom Retiro Planet Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 12/01/2011 (Ativa); Fl. 3061DF CARF MF 24 NIRE: 35225057181; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Planet Girls Bom Retiro Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113852; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta cadastrada no CNPJ: • Planet Bom Retiro Confecções Ltda. CNPJ: 12.167.004/0001 48; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204881; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Finalmente, constam no mesmo endereço da filial que fica na Rua Mendes Junior, 474, Brás, São Paulo/SP as seguintes empresas sem cadastro no CNPJ: • Brás Hot Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 13/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057882; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113887; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.5 SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda CNPJ: 12.431.674/000120; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, 301, cj. 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: situase no mesmo endereço da Import Dalamari. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 22/08/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase Ativa no cadastro CNPJ. Não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. Na tentativa de se iniciar o procedimento de fiscalização, encaminhouse o TIPF ao Sr. Rogério da Silva (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP), porém a correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, o Sr. Rogério da Silva foi cientificado do início do procedimento fiscal através de edital. Atualmente constam como sócios no CNPJ os Srs. Rogério da Silva, CPF 093.656.188 27, João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, entretanto, à época da constituição da pessoa jurídica constavam somente Rogério da Silva e Isabella Lima Fagundes, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01317001. Importante informar que em 07/10/2010 foram abertas filiais na Rua Benedita Quina da Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.051 25 Silva, 586 A, Jd. Ermida, Jundiaí/SP (não tem CNPJ) e na Rua Barão de Jundiaí, 844 A, Centro, Jundiaí/SP (não tem CNPJ), ambos endereços utilizados fisicamente pelo Grupo. Não apresentou declarações (DIPJ, DACON, DCTF) e tampouco teve movimentação financeira, entretanto expediu notas fiscais no valor de R$ 55.120.419,56, conforme tabela abaixo: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 55.120.419,56 Curial informar que as NFe de vendas foram emitidas exclusivamente para as lojas varejistas do Grupo, havendo também simples remessas para tais lojas no montante total de R$ 14.035.160,34. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Barão de Jundiaí, 844, Centro, Jundiaí/SP, consta aberta na JUCESP a PJ abaixo, com CNPJ: • BarãoPlanet Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: 12.523.522/000157; JUCESP: Constituição 09/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224205241; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.6 Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100; Período fiscalizado: 2011 e 2012 Endereço: Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) CEP 04.080012. Empresa constituída na JUCESP em 07/07/2010, em nome de Antonio Mariano e José Balbo Júnior, sendo este último substituído em 18/10/2010 por João Silva de Moraes. Omissão na apresentação de declarações, expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$48 milhões em 2011 e R$40 milhões em 2012, com entradas correspondentes de zero e R$1 milhão, respectivamente. Efetuouse diligência ao endereço da empresa oficialmente cadastrado na RFB, qual seja, Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) – CEP 04.080 012, porém a mesma não foi localizada naquele local, ora completamente ocupado por um prédio residencial em construção identificado como Cyrela Essenza Moema, e não obtivemos quaisquer informações quanto a seu atual paradeiro em consulta à vizinhança. Em buscas pela Internet, encontramos apenas que o número 667 daquela rua anteriormente pertenceu a uma lavanderia da rede DryClean USA International. Nessas circunstâncias, as ciências do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do posterior Termo de Reintimação Fiscal foram Fl. 3063DF CARF MF 26 concretizadas mediante Edital, sem qualquer manifestação do sujeito passivo até o momento. Alternativamente, emitimos um Termo de Ciência e de Reintimação Fiscal e outro Termo de Reintimação, com ciência postal do seu sócio administrador Antonio Mariano – CPF 766.489.82853 em seu domicílio tributário, na Rua Wetecindo Garcia de Freitas, nº 300, em Franco da Rocha, porém também não fomos atendidos dessa forma. Todos os administradores encontrados nos quadros societários da Jurecê apresentam indícios de interpostas pessoas sem efetiva capacidade econômica nem profissional, conforme análises anteriores, configurando hipótese de meros “laranjas” para ocultar os reais beneficiários das operações. Corroborando com a tese de empresa inexistente de fato, constatamos que a Jurecê não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados nos cadastros do Ministério do Trabalho e Emprego, da Previdência Social nem tampouco da Receita Federal do Brasil, segundo consulta aos bancos de dados do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). De modo análogo ao caso da JosConf, quando questionado, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse também não representar a Jurecê, recomendando nos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, valendo aqui todas aquelas considerações e declarações anteriores. O endereço cadastral da pessoa jurídica Jurecê Comércio, situado na Avenida Jurecê, nº 667, em Indianópolis São Paulo, é o mesmo adotado na JUCESP por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.066.160/000150, citada inicialmente pelo fato de ter incorporado a Box Fashion e dezenas de outras empresas do mesmo grupo econômico em diferentes Estados e ser então subitamente dissolvida, não antes de substituir seus sócios originais, Roberto e Adriana Restum, pelos supostos “laranjas” César Augusto Costa, Célio Martins de Oliveira, Allan Borges de Melo e Rodrigo Vieira Rezende, além da indicação do endereço fictício em tela para a guarda dos documentos de seu Distrato Social; • Planet Plaza Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 10.766.191/000150, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, substituídos pelos pretensos “laranjas” Célio Martins de Oliveira e César Augusto da Costa antes de formalizar evento de incorporação (sem as devidas justificativas e competente laudo de avaliação) e transferir seu domicílio para o aludido endereço fictício; Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.052 27 • Ibirá Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.650/0001 70, em nome de Isabella Lima Fagundes e João Batista de Araújo Brito, tendo ainda três filiais na conhecida Rua do Consórcio, nos números 57A, 86A e 169ª. Destacase que o suposto “laranja” Célio Martins de Oliveira CPF 218.260.75879 figura ainda como responsável na JUCESP pelos livros e documentos de duas empresas com significativas transações dentro do Grupo Restum: a Hot Bob Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 69.149.862/000187 e a Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 08.691.953/000155, ambas abruptamente dissolvidas para abrigar novas pessoas jurídicas do grupo em seus respectivos endereços. Por sua vez, o supracitado Milson César da Silva CPF 247.107.34844 é mero empregado da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, admitido com vínculo de CLT desde 01/10/2012 até hoje, ao mesmo tempo em que passou a figurar como sócio administrador de dezenas de empresas do Grupo Restum. 1.3.7 AGR Importação e Comércio De Confecções Ltda CNPJ: 12.595.364/000140; Período fiscalizado: Anocalendário 2012 Endereço: Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Galpão A1, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Empresa constituída na JUCESP em 16/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Antes do início do procedimento fiscal, a referida empresa chamavase ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda, tendo com endereço cadastral Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP. Neste mesmo endereço funciona a empresa Água Mista Serviços de Confecções Ltda., com objeto social de confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, com capital social integralizado de R$ 30.000,00, e quadro societário composto por Roberto Restum CPF 043.261.15840 – Sócio Administrador (participação: 50% capital) e Adriana Restum CPF 120.853.19807 (participação: 50% capital), registrada na JUCESP em 11/01/2011 NIRE: 35225056789, porém não cadastrada no CNPJ. Para o período fiscalizado, anocalendário 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 131.652.969,57, sendo R$ 92.874.249,34 para o estado de SP, e R$ 38.778.720,23 para outros estados, conforme se apura da análise de suas NFe. Vendeu somente para empresas do Grupo Restum, tendo entradas de mercadorias no valor aproximado de R$ 21.000.000,00. Apresentou DIPJ com valores zerados, optando pelo Regime do Lucro Presumido, não havendo apresentado DCTF para o período, por conseguinte não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período. Fl. 3065DF CARF MF 28 Para a Fiscalização, apresentou tão somente os Livros Fiscais de Entrada, Saída e Apuração do ICMS. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado à época (Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3 A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP) constatouse que se tratava de um galpão industrial, com pouco movimento de pessoas e mercadorias. No local funcionava a expedição de produtos negociados através de comércio eletrônico, bem como a emissão das notas fiscais para transporte dos produtos vendidos pela então Água Mista para as demais empresas do grupo. Obtevese a informação que apenas a emissão das notas era feita naquele local, visto que os produtos eram expedidos/distribuídos através do depósito localizado em condomínio comercial fechado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Informações prestadas pelo funcionário, Sr. Wallace Wantuel Garcia CPF 332.020.21893 dão conta de que no local funciona “apenas a logística do papel”, e que os produtos são efetivamente distribuídos pelo outro depósito. No curso do procedimento fiscal houve a alteração do endereço para a citada Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, bem como a alteração da razão social, ratificando, assim, à informação acima colhida. Consulta aos sistemas de informação da RFB demonstram que, no anocalendário 2013 o Sr. Wallace Wantuel Garcia recebeu pagamentos através da empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, com domicílio tributário à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.315 68. Observese que o endereço de localização da NETPLANET é o mesmo onde funcionava a empresa JOS Comércio de Confecções, e onde funciona hoje a Transportadora do grupo, e de onde são distribuídos os produtos com notas fiscais emitidas pela Água Mista. 1.3.8 HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/0001 75; Períodos fiscalizados: Anoscalendário 2011 e 2012. Endereço: Rua Mendes Jr., 474, Brás, São Paulo – SP. Empresa constituída na JUCESP em 07/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Não apresentou declarações em 2011. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos, esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. O sócio administrador Roberto Restum nomeou como seus prepostos o contador Nivaldo Sancana Rocha, com escritório na Rua Senador Fonseca, nº 535 sala 11 em Jundiaí e o advogado Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.053 29 Gelson de Stefano, com escritório na Praça Tomás Morus, nº 81 11º andar, em São Paulo. Em diligência inicial ao escritório do contador Nivaldo, constatamos que ele não podia ser localizado no aludido endereço. Após tentativas de contato via telefone, obtivemos então o endereço correto no nº 1035 da mesma rua. O Livro Registro de Saídas apresentado converge, em 2011, para os valores declarados em GIAICMS, no montante de R$4,9 milhões. Em 2012, o Livro Registro de Saídas indica vendas de R$1,18 bilhão, porém com devoluções de R$1,06 bilhão, resultando numa Receita Tributável de R$122 milhões. As NFe’s constantes do SPED ratificam as vendas e as devoluções mencionadas. O contribuinte não forneceu à Fiscalização sua escrituração contábil. Procedeuse circularizações perante alguns prestadores de serviços, identificados mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901 emitidas pela Hot Brás, ou ainda clientes de operações de Venda de Mercadoria, destacandose que: • Addobbo Indústria e Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. – CNPJ 07.655.684/000109: este fornecedor declarou textualmente que a natureza dos serviços prestados era: “corte, costura e bordado de artigos do vestuário” e ainda que a marca de fantasia estampada nos produtos era: “POLO WEAR”. As notas fiscais apresentadas de “Industrialização Efetuada para Outra Empresa”, emitidas pela Addobbo com destino à Hot Brás (em São Paulo), tiveram seus canhotos de recebimento assinados por Adriano Aparecido da Silva – RG 41.577.2850, oficialmente registrado à época como Almoxarife CBO 4141 na J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118 (em endereço tido como o centro de distribuição do grupo em Jundiaí). As remessas de itens para industrialização e os correspondentes retornos nunca têm a devida especificação do veículo de transporte (somente a indicação de frete por conta do emitente da NF) e na maioria das vezes não existe nem a declaração do peso bruto da carga; • Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda. CNPJ 64.781.073/000140: o prestador de serviços declarou que seu contato habitual com a Hot Brás era feito através da Sra. Ana Paula Serra Fone (11) 45256801 e email: ana.serra@hotpoint.com.br, a qual de fato era empregada da HotOne Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 05.524.336/000177 (também em Jundiaí) naquele período; • Havan Lojas de Departamentos Ltda. CNPJ 79.379.491/002399: o cliente consignou que adquiria “calças e bermudas jeans masculinas; (...) marca: HOT POINT”, tendo como contatos comerciais “Juliana ou Vitória (11) 45256801” (telefone em Jundiaí também citado pela Aquarela); • Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. CNPJ 03.729.837/000245: o cliente atesta que a natureza de suas operações com a Hot Brás era compra de mercadorias (calças e Fl. 3067DF CARF MF 30 camisetas polo) para comercialização, sendo a “marca de fantasia estampada nos produtos: HOT POINT”, com indicação dos seguintes fabricantes nas etiquetas internas de industrialização: o “Camisas Pólo: Importado por Telesa Importação e Exp. Ltda., CNPJ 07.693.822/000144, Produzido na China” (a principal importadora do grupo, rebatizada como Invictus); o “Calças: Hot Point, Fabricado no Brasil, CNPJ 13.385.771/000196” (não por coincidência, este CNPJ pertence oficialmente à ficta Jos Comércio de Confecções Ltda.); • Dentre os contatos comerciais apresentados, encontramse novamente os telefones (11) 45256801 e 45256830 (em Jundiaí) e também os seguintes endereços eletrônicos: mônica.silva@planetgirls.com.br, ivanice.silva@hotpoint.com.br, valterpereira.hot@terra.com.br, monica.souza@hotpoint.com.br e erica.cavalcanti@planetgirls.com.br, evidenciando mais uma vez a integração entre as diferentes marcas. Em adição, os comprovantes de pagamento fornecidos pela Dimalkon em favor da Hot Brás indicam o endereço desta como sendo na Rua do Rosário, nº 519 em Jundiaí (sede da antiga HotWay Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 69.049.617/000106). Em novas consultas aos bancos de dados da JUCESP, nesse caso encontramos 5 (cinco) contribuintes pretensamente diferentes no endereço cadastral da Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo SP, novamente com atividades em períodos concomitantes, conforme quadro abaixo: Empresa NIRE CNPJ Constituição Encerramento Sócios HotWorld Comércio de Confecções Ltda 35217728463 05.277.729/000123 10/09/2002 30/06/2010 Roberto e Adriana Restum HotBrás Comércio de Confecções Ltda 35224204920 12.165.435/000175 07/04/2010 Roberto e Adriana Restum Brás Hot Serviços de Confecções Ltda 35225057882 não aberto 13/01/2011 Roberto e Adriana Restum Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda 35227113887 não aberto 07/11/2011 Roberto e Adriana Restum Venom Brás Comércio de Confecções Ltda 35227737317 18.785.616/000180 30/08/2013 Felipe e Vanessa Restum Em diligência ao endereço da matriz da empresa fiscalizada, a mesma não foi localizada na Rua Mendes Júnior, nº 474, São Paulo, tampouco no mais recente, nº 466, constante na JUCESP. Neste endereço, funciona desde 30/08/2013 a Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, pertencente ao mesmo grupo econômico (foi encontrado um carimbo da antiga HotBrás na atual loja Venom). O cadastro do Sintegra/ICMS indica o CNPJ 12.165.435/000175 como Não Habilitado desde 15/01/2014 para a Secretaria da Fazenda Estadual. A ciência do TIPF foi então dada à advogada do Grupo Planet Girls, Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.128 27, encontrada na sede da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (principal Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.054 31 importadora do grupo), situada na Rua Professor João Brito, nº 150, em São Paulo. O site da Hot Point na Internet, www.hotpoint.com.br, indica que o showroom da marca se localiza na Rua Mendes Júnior, nº 466F/472, em São Paulo (SP). Constatouse a indicação do CNPJ 12.165.435/000175 como fabricante em inúmeras etiquetas internas de industrialização de roupas de diferentes marcas do grupo (camisetas Hot Point, jaquetas Venom, etc.); O Contador Responsável pela HotBrás, Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834, é o mesmo cadastrado para a Polo Wear Net Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. – CNPJ 15.399.036/000167 e também para a JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118. Neste ponto, destacase que tanto a HotBrás quanto a Polo Wear Net estão em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, enquanto a Jos Conf está em nome de “laranjas”. A filial de CNPJ 000256, situada na Rua Antonio Perutti (ou Peruche), nº 111, no Bairro Honório Fraga em Colatina (ES), encontrase muito próxima a 5 (cinco) significativos fornecedores de remessas para industrialização: Mandin S Indústria de Comércio e Conf Ltda. – CNPJ 05.801.793/000161, Pubi Ind e Com de Confecções Ltda.EPP CNPJ 04.572.052/000193, Dian Confecções Ltda.EPP CNPJ 39.378.989/000107, Tutti Fruti Indústria de Confecções Ltda. ME CNPJ 14.954.020/000106 e Palare Ind. de Confecções LtdaME CNPJ 07.729.721/000186. 1.3.9 Lojas Varejistas Além das empresas do núcleo, o SEFIS/DRF/JUN também fiscalizou as lojas varejistas circunscricionadas, a saber: Hot Maxi Shopping Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.484.212/000170, PlanetJundi Max Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.372.145/000100, HotNumberOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.506/000164, Barão Planet Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.523.522/000157, Planet Out Let Comércio de Confecções Ltda., Polo Wear Outlet Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.484/000132 e FashionRoupas Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.113.554/000184. Nos mesmos endereços das sociedades acima havia empresas baixadas pertencentes ao Grupo, motivo pelo qual foram abertas, simultaneamente, diligências nas seguintes: HotMaxi Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.515.378/000141, PlanetMaxi Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.325.725/000161, HotOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.524.336/000177, Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.691.953/000155, Planet Outlet Comércio de Confecções Ltda. – ME – CNPJ 10.666.719/0001 10 e Venom Outlet Comércio de Confecções Ltda. Fl. 3069DF CARF MF 32 Em todos os procedimentos, o sócio administrador Roberto Restum nomeou como seu preposto o contador Nivaldo Sancana Rocha para atender as demandas fiscais. De um modo geral, o que se apurou nesses procedimentos é que os contribuintes não entregaram DIPJ ou as entregaram “zeradas”, entretanto apresentaram GIA à SEFAZ/SP indicando receitas de vendas. No curso do procedimento entregaram DCTF´s retificadores não espontâneas, consignando valores de tributos e indicando que os mesmos foram recolhidos através de DARF, entretanto não constam registro dos referidos pagamentos nos sistemas internos da RFB. Apresentaram Livros Registro de Saída cujos valores estão idênticos ou muito próximo das GIA´s. Não apresentaram escrituração contábil (Livro Caixa e/ou Diário e Razão). 1.4 Da Conclusão da Fiscalização Em síntese, assim concluiu a fiscalização: Assim, considerando a extensa dilação probatória supra postada, convicto se queda de que efetivamente existe o nomeado Grupo Restum, grupo este comandado por Roberto Restum CPF 043.261.15840 e Adriana Restum CPF 120.853.19807, porém composto por toda a família Restum, o qual se utiliza de diversos artifícios com o fulcro de suprimir o pagamento de tributos, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio que poderia servir para satisfazer o crédito tributário. Abaixo vemos diagrama dos titulares do Grupo. (...) Em resumo, verificouse que o referido Grupo, ao invés de constituirse formalmente como uma unidade (matriz e filiais), optou por individualizar cada uma de suas parcelas operacionais. É bem verdade que esta opção, por si só, não configura nenhuma ilegalidade, apesar de não constituir a praxe administrativa, motivo pelo qual deve o Órgão Tributante respeitar tal opção no momento da tributação, entretanto, vai além o contribuinte, utilizase dessa fragmentação para enganar o Fisco, ou ao menos tenta. Valese da formalidade, dos diversos órgãos e cadastros existentes para criar confusão e impedir ou retardar que o Fisco tenha conhecimento do fato gerador do tributo, assim, constitui incontáveis empresas, parte cadastra em todos os órgãos (JUCESP, RFB, SEFAZ, etc.), parte não, da mesma forma age na dissolução, desta feita o órgão tributante é levado a erro, seja na análise da capacidade contributiva do contribuinte, seja no conhecimento do fato gerador antes de decorrida a decadência, seja na identificação correta do sujeito passivo. Mas não se limita a este ardil, utilizase também de interpostas pessoas que constituem empresas a serem empregadas pelo Grupo. Variedade também se verifica no que tange às interpostas pessoas, já que estas por vezes têm seus nomes utilizados sem consentimento e/ou sem participação administrativa (“laranjas”) e em outros casos são pessoas ligadas que emprestam seus nomes (“testas de ferro”). Neste Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.055 33 relatório limitamonos a analisar as interpostas pessoas ligadas às chamadas empresas do núcleo, entretanto há uma infinidade de nomes e empresas utilizada pelo Grupo (Anexo VIII). Esta, aliás, é uma constatação que não deve ser esquecida, tudo o que se apurou e consta deste relatório, é apenas uma parte, estática, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, das ações do Grupo. Concentrouse no núcleo do esquema, mas há indícios de outras práticas ilícitas, da existência de outras empresas, outros “laranjas”. Como se viu, a prática engendrosa e ilícita do contribuinte é sobremaneira dinâmica, havendo constante alteração nos atores e ações. Retomando a questão das interpostas pessoas, verificouse que estas são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. Parte existe fisicamente, parte inexiste, constituise mera formalidade que acoberta operações comerciais reais. É o que se verificou nas empresas fictícias do núcleo. No anocalendário de 2011, percebese claramente que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 compuseramse de puro anteparo, estratagema, avatar para as operações da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, já que aquelas adquiriram quase que a integralidade das vendas desta e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo. Assim, toda a mais valia, bem como o ônus tributário, recaíram sobre as fictas, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Corrobora ainda com tal afirmação o fato que as empresas fictas não possuíram movimentação financeira, não contrataram funcionários, seus sócios não possuem capacidade patrimonial, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo, seus fornecedores indicam que negociaram efetivamente com o Grupo (diligências), seus sócios constam também do quadro societários de outras empresas do Grupo, algumas delas inclusive registradas utilizando como razão social as marcas do Grupo. Coube a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 comercializar os produtos produzidos pelo próprio Grupo através de remessas para industrialização a terceiros. Verificouse claramente no procedimento fiscal que estas operações se deram com a organização administrativa do Grupo Restum. Da mesma forma, os clientes da Jurecê não integrantes do Grupo, minoria das comercializações, já que a grande maioria das vendas foram realizadas para lojas do Grupo, textualmente afirmaram que compraram produtos com as marcas do Grupo, havendo negociado diretamente com este. Fl. 3071DF CARF MF 34 De fato, o que se verifica é que também a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100 é anteparo da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, não tendo havido a formalização de compras/vendas entre as empresas, porém a Jurecê era o braço nacional da Invictus, tanto é assim que no anocalendário de 2012 já houve o registro de várias operações comerciais entre ambas, colocandose a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 claramente na posição de empresa ficta interposta da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144. Então, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, a quem se atribuiu o ônus da quitação do crédito tributário. No anocalendário de 2012, mantevese o modus operandi do Grupo, entretanto, houve a mudança de alguns atores. Destarte, pelos mesmos motivos já apontados para o anocalendário anterior, é seguro e certo afirmar que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 13.385.771/000196 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 constituíramse de meros avatares da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, sendo, portanto, esta última aquela que efetivamente praticou o fato gerador dos tributos. Já as empresas ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição, respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seus decorrentes créditos tributários. Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo, ademais de os bens estarem abrigados por empresas que não praticam corriqueiramente atos de comércio. Viuse que tal situação nada mais é que ardil no sentido de intentar impedir que se alcance o patrimônio do Grupo para satisfazer o crédito tributário, muito embora tais bens estejam diretamente ligados às operações comerciais do Grupo, já que são, em suma, imóveis, veículos e as marcas utilizadas por este; assim, as empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144 devem também responder pelos créditos tributários vencidos e vincendos do Grupo com base no art. 124, I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada. Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.056 35 Posto isto, concluise o presente relatório com a certeza da vontade sonegadora do Grupo, fato que levou a sua autuação fiscal com a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1° da Lei 9.430/96. Esta é a síntese do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. 2 Do Procedimento Fiscal junto à Empresa HOTMAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA (CNPJ 12.484.212/000170) Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 2452 em diante), a empresa foi constituída em 19 de abril de 2010, tendo como objeto social o comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios, cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal, consoante registros na JUCESP, tendo o quadro societário composto por Roberto Restum, inscrito no CPF sob nº 043.261.15840, como sócioadministrador e Adriana Restum, inscrita no CPF sob nº 120.853.19807, como sócia. No CNPJ consta “Ativa” desde sua constituição. No mesmo domicílio tributário onde funciona atualmente a HotMaxi Shopping Comércio de Confecções Ltda funcionou a empresa HotMaxi Comércio de Confecções Ltda., CNPJ 05.515.378/000141, cujo quadro societário era composto pelo Sr. Roberto Restum, CPF 043.261.15840, sócioadministrador e pela Sra. Adriana Restum, CPF 120.853.19807. A atividade econômica também era a mesma, CNAE 4781400 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios. O início de suas atividades consta registrado na JUCESP no dia 10/03/2003, e a dissolução em junho de 2010, ficando a guarda dos documentos sob a responsabilidade do Sr.Roberto Restum. Entretanto, o CNPJ da empresa junto à Receita Federal do Brasil consta como “Ativa”. O procedimento fiscal teve início em 01/10/2013 com a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal pela gerente da loja, Sra. Viviane Marques da Rosa, inscrita no CPF sob nº 217.163.36899, no dia 01 de outubro de 2013, por meio do qual foi o sujeito passivo foi intimado a apresentar: 1) Livros Diário e Razão, ou LivroCaixa; 2) Livro Registro de Entradas; 3) Livro Registro de Saídas; 4) Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; 5) Livro Registro de Apuração do ICMS; 6) Contrato Social e suas alterações; 7) Indicação da pessoa habilitada a atender o procedimento fiscal ora demandado, com discriminação do nome, CPF, cargo e instrumento de procuração. Em 17/10/2013 compareceram à Delegacia os prepostos, Sr. Nivaldo Sançana Rocha, contador, inscrito no CPF sob nº 120.702.06807, e o Sr. Gelson de Stefano, advogado, inscrito no CPF sob nº 063.301.70860, para entrega da seguinte documentação: Documento de representação; Cópia do contrato social; Livro Registro de Entradas nº 02, relativo ao anocalendário 2011, contendo 15 (quinze) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Saídas nº 02, relativo ao anocalendário 2011, contendo 44 (quarenta e quatro) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Apuração do ICMS nº 02, relativo ao anocalendário 2011, contendo 26 (vinte e seis) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Entradas nº 03, relativo ao anocalendário 2012, contendo 15 (quinze) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Saídas nº 03, relativo ao anocalendário 2012, contendo 44 ( quarenta e quatro) folhas numeradas sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Apuração do ICMS nº 03, relativo ao anocalendário 2012, contendo 26 (vinte e seis) folhas numeradas Fl. 3073DF CARF MF 36 sequencialmente, incluindo os Termos de Abertura e de Encerramento; Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências. Tendo em vista que os Livros Diário e Razão ou o Livro Caixa não foram apresentados, o sujeito passivo foi reintimado a apresentálos mediante o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal nº 0001, cuja ciência pessoal foi dada ao contador Sr. Nivaldo, na data de 30 de outubro de 2013. Não havendo qualquer manifestação, o sujeito passivo foi novamente reintimado pessoalmente na data de 04 de dezembro de 2013, através do Termo de Reintimação Fiscal nº 0002. No dia 09 de dezembro de 2013 foi requerida prorrogação de prazo por 30 ( trinta ) dias dias, o que foi deferida, e não tendo sido atendida à intimação, foi o sujeito passivo cientificado de sua mora aos 13/02/2014, à gerente da loja, Sra. Viviane Marques, através do Termo de Intimação Fiscal nº 0004. Não havendo qualquer resposta do sujeito passivo, o gerente da loja, Sr. Valter Alexandre Junior, na data de 07 de abril de 2014 e mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 0005, foi cientificado da falta de atendimento às intimações para apresentação da escrituração contábil exigida. O sujeito passivo, mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 0006, foi novamente intimado, cuja ciência foi dada à gerente da loja, Sra. Viviane Marques da Rosa. Em 16/07/2014 foi dada ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 0007, de acordo com o AR dos Correios, para apresentar a escrituração contábil ou o livrocaixa.. Através do Termo de Intimação Fiscal nº 0009 o contribuinte foi novamente intimado a apresentar a escrituração contábil ou o livrocaixa, cuja ciência se deu via postal em 21/08/2014, conforme Aviso de Recebimento AR. Em 25/09/2014 o sujeito passivo foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal nº 0009 para apresentar a escrituração contábil ou do livrocaixa, no prazo improrrogável de 05 (cinco) dias, com o alerta de que a falta de atendimento implicaria em lançamento de ofício com as informações de que se dispuser (artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda). Não tendo a empresa apresentado a escrituração contábil ou o livrocaixa, foi lavrado em 18/11/2014 do Termo de Constatação Fiscal nº 0002, cientificando o contribuinte que a falta da apresentação da escrituração contábil implicaria no arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base no art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995. Não tendo o Sujeito Passivo apresentado outro documento, elemento ou esclarecimento com o objetivo de atender às Intimações Fiscais, foi encerrado o Procedimento Fiscal, utilizandose como base os dados e informações disponíveis para a Fiscalização nos sistemas de informação da RFB. 2.1 Da Constituição do Crédito Tributário Omissão de Receitas de Vendas. Constatouse que a contribuinte é omissa de apresentação de DACON para os anos de 2011 e 2012 e com relação à DCTF, no curso do procedimento fiscal, apesar da espontaneidade estar prejudicada, sujeito passivo apresentou DCTFs originais para todos os meses dos anoscalendário 2011 e 2012, em maio e em junho de 2014, sendo que no mês de junho de 2014 apresentou retificadoras para ambos os períodos. O sujeito passivo optou pela tributação com base no lucro presumido para as DIPJ 2012 e DIPJ 2013, porém todos os valores informados constam zerados. Constatouse que a contribuinte omitiu as receitas auferidas, não recolheu os tributos devidos, não manteve escrituração contábil nos termos da legislação Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.057 37 comercial, descumprindo as obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário 2011 e 2012. O lançamento do IRPJ foi pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado tendo em vista que o sujeito passivo não apresentou sua escrituração contábil nos termos da legislação comercial (Livro Diário e Razão), nem alternativamente seu Livro Caixa, inviabilizando a perfeita a verificação das receitas tributáveis, dos custos incorridos e das despesas dedutíveis. Nessas circunstâncias, considerou completamente prejudicada a apuração tributária tanto no regime do Lucro Presumido quanto no Lucro Real, assim como a averiguação de sua regularidade fiscal, e aplicouse o arbitramento do lucro com fulcro no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. As receitas brutas omitidas nos anoscalendário de 2011 e 2012, que serviram de base para apuração dos tributos federais a serem constituídos através de autos de infração, foram extraídas dos Livros Fiscais de Saídas apresentados pelo sujeito, sendo que tais valores também foram informados pelo sujeito passivo à SEFAZ SP, no preenchimento da GIAICMS. Abaixo as receitas brutas omitidas extraídas dos livros fiscais apresentados e das informações prestadas pelo Sujeito Passivo à SEFAZ SP, no preenchimento da GIAICMS: Sucedida: HotMaxi Comércio de Confecções Ltda. AC 2010 1º Trim/2010 2º Trim/2010 3º Trim/2010 4º Trim/2010 Total 2010 Livro Reg. Saída GIASaída 454.983,69 624.546,92 509.613,91 1.589.144,52 Sucessora: HotMaxi Shopping Comércio de Confecções Ltda. AC 2010 1º Trim/2010 2º Trim/2010 3º Trim/2010 4º Trim/2010 Total 2010 Livro Reg. Saída GIASaída 1.112.318,45 1.112.318,45 AC 2011 1º Trim/2011 2º Trim/2011 3º Trim/2011 4º Trim/2011 Total 2011 Livro Reg. Saída 606.985,45 987.377,95 841.158,35 1.561.420,11 3.996.941,86 GIASaída 1.026.942,96 1.160.732,22 841.158,35 1.561.420,11 3.996.941,86 AC 2012 1º Trim/2012 2º Trim/2012 3º Trim/2012 4º Trim/2012 Total 2012 Livro Reg. Saída 799.524,34 1.713.194,19 1.265.593,53 1.936.971,19 5.715.283,25 GIASaída 799.524,34 1.713.194,19 1.265.593,53 1.936.971,19 5.715.283,25 As supracitadas receitas estão demonstradas mensalmente no anexo ao presente Termo denominado “HOTMAXI SHOPPING COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. – CNPJ 12.484.212/000170/OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA/LUCRO ARBITRADO/AC 2010 A 2012”. Na apuração do IRPJ, sobre a receita omitida foi aplicado o coeficiente de 9,6% para determinação do lucro arbitrado, sobre o qual foi aplicada a alíquota básica do Imposto de 15% e adicional de 10% sobre a parcela do lucro arbitrado que exceder ao valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração. Fl. 3075DF CARF MF 38 Na apuração da infração reflexa da CSLL, sobre a receita omitida foi aplicado o percentual do lucro arbitrado de 12% na determinação da base de cálculo da Contribuição, sobre a qual será aplicada a alíquota de 9%. Na apuração das infrações reflexas da Contribuição para o PIS e da COFINS, sobre a receita omitida foram aplicadas as alíquotas do regime cumulativo de 0,65% e de 3%, respectivamente. Sobre os tributos e contribuições devidos foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por entender a fiscalização que, conforme circunstanciadamente relatado no Relatório Fiscal Grupo Restum anexo, teria restado caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei 8.137 de 27 de dezembro de 1990, o que exigiu a Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. Considerando os fatos apurados e minuciosamente detalhados no Relatório Fiscal Grupo Restum foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário entre as empresas do Grupo Restum em consonância com o art. 124, I do CTN, outrossim dos sócios gerentes com base no art. 135, III do mesmo diploma legal. 3 Da Impugnação. Inconformados, tanto o sujeito passivo quanto os responsáveis solidários, todos intermediados por seu procurador (doc. 01), apresentaram impugnação aduzindo como razões de defesa o seguinte: I – Imputações Alegou que a fiscalização partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações fundadas apenas nos dispositivos legais, sem que tenha havido a necessária descrição da conduta de cada contribuinte solidarizado, simplesmente ignorando as disposições legais aplicáveis à espécie e as autônomas personalidades jurídicas. Acrescentou que a Fiscalização não demonstrou, ao menos concretamente em cada auto de infração, quer a viabilidade do arbitramento, quer a possibilidade de solidarização das demais Impugnantes. II – Impossibilidade e inaplicabilidade do arbitramento do lucro Alegou que não havia motivo para o arbitramento do lucro, pois não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração e a fiscalização teve inegável acesso a parte da documentação fiscal e contábil, de sorte que nada há que justifique a excepcional medida de arbitramento do lucro, pois era plenamente possível aferir a correta base tributável. Ademais, a desconsideração da opção pela forma de apuração adotada pelo contribuinte esbarrou na legislação de regência e nos precedentes administrativos, que condicionam a adoção do lucro arbitrado quando, devidamente comprovado pela Fiscalização, a impossibilidade de apuração pelo regime indicado pelo contribuinte. Acrescentou que: Observese assim, qualquer qualquer que seja o caso que queira analisar, ainda que se esteja diante de indícios de eventual omissão de receitas, é que: i) o arbitramento é medida excepcional; ii) é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Solicitou “que seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.058 39 contribuinte apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado.” III Solidarização e responsabilização Alegou que a fiscalização arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional, e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários, sem qualquer imputação especificada, em relação a qualquer dos solidarizados. No entender da impugnante não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. Deveria a Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Alegou que em relação ao Impugnante “Roberto” fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, e neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade. Solicitou que, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, que sejam excluídos do polo passivo da presente obrigação tributária todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade. IV Inaplicabilidade da multa qualificada. Alegou que a multa de 150% revelase confiscatória e desproporcional, visto que não apresenta característica de razoabilidade e Justiça e revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica e viola expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal V Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alegou que ainda que se considerasse procedente a autuação, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa, a que alude o art. 84 da Lei nº 8.981/1995, de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais (art. 84 da Lei nº 8.981/1995) Argumentou que deve se ter clara a distinção entre multa e tributo, eis que a primeira é sinônimo de sanção imposta por descumprimento da obrigação tributária, enquanto o segundo se refere a toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (artigo 3º do Código Tributário Nacional). A multa, assim, é a sanção que decorre, por exemplo, do não pagamento do tributo, com este não se confundindo. Este é o motivo de os juros incidirem apenas sobre o Fl. 3077DF CARF MF 40 principal, pois a previsão legal estende a sua aplicação somente aos tributos e contribuições sociais, excluindo de sua abrangência a multa. Por derradeiro, alegou que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos, evidenciado, portanto, não haver base legal para a aplicação de juros sobre a multa, tal como lançados nos autos de infração, sendo forçoso o seu cancelamento. VI – Julgamento conjunto Requereu a reunião dos 10 (dez) processos cujos autos foram lavrados sob o amparo do mencionado “Relatório Fiscal Grupo Restum”, tratandose, portanto, dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos, a fim de que tramitem conjuntamente e sejam conjuntamente julgados, homenageandose, desta forma, o princípio constitucional da razoável duração do processo e evitandose a prolação de decisões conflitantes VII – Dos pedidos Requereu que seja conhecida a impugnação para os fins de julgar insubsistente o Auto de Infração reconhecendo a inaplicabilidade do arbitramento do lucro e, ainda, em pleito alternativo e em caso de prevalência das imputações lançadas acima, que sejam os contribuintes solidarizados devidamente excluídos do polo passivo da obrigação tributária aqui constituída e, de forma igualmente alternativa, requereu a redução da multa aplicada ao patamar mínimo regulamentar, afastandose a multa qualificada; É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1458.577, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. Comprovado a omissão de receita mediante o confronto entre a DIPJ e as informações extraídas dos Livros Fiscais Registro de Saídas e Apuração do ICMS, combinada com registros das notas fiscais eletrônicas constantes no SPED Sistema Público de Escrituração Digital , e não havendo qualquer contestação quanto à omissão apurada, mantémse o lançamento. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, mesmo intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, nem mesmo o livro Caixa contendo sua movimentação financeira e bancária, cabível o arbitramento do lucro. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.059 41 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 153 e 124, I, do CTN). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 15/06/2015 e, não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 29/06/2015, juntamente com os responsáveis solidários, todos em uma só peça recursal, os quais repetiram basicamente os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Delimitação da Lide Fl. 3079DF CARF MF 42 Analisando as razões de recurso voluntário, percebo que a recorrente não "gastou muitas tintas" para combater os fundamentos da DRJ, limitandose apenas em reproduzir os argumentos já apresentados em sede de impugnação, quais sejam: 1) o arbitramento do lucro; 2) a responsabilidade solidária; 3) a multa qualificada de 150%; e 4) a cobrança de juros sobre a multa. MÉRITO Preliminarmente, convém rebater os argumentos iniciais da recorrente de que "os fatos, descritos de forma tendenciosa e complexa pela fiscalização, terminam por impressionar e podem redundar em uma conclusão equivocada". Ora, o método dialético tem como desígnio estabelecer a verdade por meios de argumentos fundamentados, atestados de lógica e razão. Assim, devemse apartar os argumentos apenas emocionais, que somente servem para hesitar o avaliador. A partir dessa premissa, deve o julgador formar sua convicção por meio dos elementos de fato e de direito constantes no processo, corroborados por prova inequívoca de suas ocorrências. Não obstante, o espectro que se extrai de um lado e de outro da dialética inevitavelmente é imbuído do emocional: no debate tributárioprocessual, por exemplo, o fisco afirma que o sujeito passivo deve pagar tributo e tenta convencer o avaliador disso; o sujeito passivo, em antítese, entende que a forma escolhida para pagar menos tributo, ou não pagar, é legal e também se serve de seu domínio de convencimento. Deste preceito de cada um entender que está na razão é que surge a dialética processual. Assim, cabe ao avaliador extrair dos argumentos de ambas as partes aquilo que mais se encaixa como verdade, cuja avaliação principia, mesmo que involuntariamente, alicerçada neste trecho musical1: "Há tantos quadros na parede Há tantas formas de se ver o mesmo quadro" E, para se alcançar a verdade, impõese interpretarmos a dialética como aferiu Aristóteles, ao afirmar que ela é a lógica do provável, daquilo que parece ser aceitável a todos ou à maioria, mesmo quando não se pode demonstrar, já que exige apenas que não seja possível eliminar o candidato à verdade. Desta forma, independentemente das acusações impostas pela fiscalização, o que deve prevalecer no caso é um julgamento baseado nas provas acostadas ao processo, que 1 Música de Humberto Gessinger: NinguéM = NinguéM Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.060 43 dão suporte à descrição das razões de fato e de direito que induziram a fiscalização a efetuar o lançamento fiscal e ao sujeito passivo a contraargumentar as acusações lhe impostas. II.1 IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente alega que o arbitramento é medida excepcional e de que é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Não entendo ter razão a recorrente. O arbitramento é uma das formas de apuração do IRPJ e da CSLL, e não se trata de punição ao sujeito passivo; é apenas uma forma de apuração do lucro fiscal quando não há elementos suficientes para apurar o lucro de acordo com a configuração escolhida pela empresa. E foi o que ocorreu no caso concreto. A recorrente optou pela forma de tributação pelo lucro presumido. A lei do presumido obriga a manutenção, pelo sujeito passivo, dos livros comerciais, ou, opcionalmente, do livro caixa (Lei 8.981/1995): “Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” Conforme divulgado no Termo de Verificação Fiscal, embora regularmente intimada pela fiscalização, a empresa autuada não apresentou livro diário e/ou razão nem no meio papel, tampouco no formato do SPED nem livro caixa. Assim, não há como verificar a apuração correta da movimentação contábil e fiscal da recorrente. Fl. 3081DF CARF MF 44 Como não apresentou os livros, restou aplicar o arbitramento do lucro conforme Lei nº 8.981/1995, que é a base legal do art. 530, III, do RIR/99: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; A base de presunção do IRPJ de 9,6% (20% sobre a base de 8%) foi aplicada corretamente pela fiscalização, conforme teor dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. A base de presunção da CSLL (12%) foi efetuada corretamente com fundamento no art. 20 da Lei nº 9.249/1995 c/c art. 27 da Lei nº 9.430/1996, in verbis, respectivamente: Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (...) Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: A imputação da contribuição para o PIS e da COFINS seguiu rigorosamente o mandamento legal que dispõe sobre a tributação pelo regime cumulativo, nos termos dos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 (Pis) e 10 da Lei 10.833/2003 (Cofins), reproduzidos abaixo: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (VideMedida Provisória nº 497, de 2010).” Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.061 45 ____ Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010). Desta forma, correta a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, e do Pis e da Cofins, por conseguinte, pelo regime cumulativo. III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Os recorrentes alegam que ".... as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação ....”; que a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu os artigos 124 e 135 do CTN". Aduz que não foi realizada uma única imputação e/ou descrição das condutas e que a fiscalização ignorou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. Nessa linha, constrói raciocínio de que o que interessa é analisar a modalidade de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte. Invocando o art. 121 do CTN, argumenta que há necessidade de demonstração de que a pessoa tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, conforme regra do art. 124, I, do CTN. Antes de adentrar no ponto central aqui ventilado a individualização das condutas , mister observar que a recorrente preparou um única peça recursal para todos os lançamentos tributários lavrados em desfavor de todas as empresas do grupo, alterando apenas o nome das recorrentes. Essa constatação é percebida quando se lê a peça recursal. Ou seja, a recorrente replica seus argumentos para todos os fatos imputados em relação a todos os lançamentos tributários aplicados em relação ao Grupo Restum. Pois bem. Como se viu, a fiscalização apurou a responsabilidade solidária com base no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do CTN. Veja a redação legal de ambos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 3083DF CARF MF 46 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, pressupõe a comprovação do interesse comum em praticar a conduta tipificada com crime. Há muito se discute sobre a interpretação da terminologia "interesse comum", pois sua exegese pode desencadear a atribuição de responsabilidade solidária a determinada personalidade. Muitos entendem que o interesse ali descrito é o interesse jurídico, daquele que tenha participado da ocorrência do fato gerador, o que muitos interpretam como aqueles que estejam em um mesmo lado da cadeia da prática do fato gerador, excluindose, por exemplo, empresas que adquirem bens e mercadorias mesmo que sejam daqueles que efetivamente omitiram fato gerador de tributo. Dessa interpretação, mesmo que determinado sujeito passivo tenha se beneficiado economicamente, este fato, por si só, não é capaz de concretizar o interesse comum tratado no art. 124, I, do CTN, e a ele ser imputada a responsabilidade solidária. O tributarista Marcos Vinicius Neder de Lima, em obra que versa sobre o critério de aplicação do art. 124, I, do CTN, interpretou o interesse comum inerente à solidariedade de fato: “Solidariedade de Fato (...) 6.2. Conceito de interesse comum O termo “interesse” contém, vários significados, o que dificulta sua exata delimitação semântica na seara jurídica. Um dos desafios mais importantes para todo o desenvolvimento deste ensaio é solucionar a seguinte questão: “Qual significado deveríamos atribuir à expressão ‘interesse comum’ utilizada no art. 124 do CTN?” (...) A palavra interesse, segundo Alf Ross, pode ser tomada em sentido amplo e em sentido estrito. O sentido amplo abrange todo o estado de consciência que encerra uma atitude. Nesse sentido, estamos interessados em tudo aquilo a respeito do que experimentamos; uma atitude positiva ou negativa. Por outro lado, quando dizemos que uma ação nasce dos interesses de uma pessoa, a palavra é tomada em sentido estrito. E prossegue o mestre dinamarquês, os interesses são atitudes baseadas em necessidades, que geram um impulso no sentido de seu atendimento, ao contrário das atitudes morais, que são baseadas em necessidades (desinteressadas). No campo processual, interesse, observa Cândido Dinamarco, associase à idéia de utilidade, de modo que o provimento jurisprudencial postulado pela parte deve ser efetivamente útil ao demandante, operando uma melhora em sua vida comum. O interesse processual, é por essência instrumental. Como o que nos inquieta é o interesse na situação jurídica subjacente ao fato gerador, cumpre examinar o seu significado à luz de uma relação jurídica privada (...). Recorremos, então, aos ensinamentos de Pontes de Miranda para quem os direitos subjetivos surgem apenas a partir da incidência de regras jurídicas que são os veículos aptos a distribuir bens da vida, ou alterar sua distribuição. Se há interesse subjacente a tal distribuição, não pertencem à dimensão jurídica, mas à dimensão política, salvo onde esse interesse á regra jurídica entendeu caber proteção. Assim, Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.062 47 ensina o Mestre, os direitos subjetivos como produto da incidência de regra jurídica, protegem determinados interesses. Nos direitos de crédito particular, um dos interesses tutelados, tanto do lado do credor como do lado do devedor, é extinção regular da relação jurídica pelo adimplemento da obrigação pactuada. A partir dessas várias acepções para o vocábulo “interesse”, é possível extrair um elemento significante comum, qual seja: interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral e social) e, no campo obrigacional, estruturamse direitos subjetivos que tutelam tais interesses. (destacouse) Resta, ainda, discorrer a respeito da qualificação “comum” conferida pela lei, ou seja, examinaremos quais as hipóteses em que o “interesse” será considerado “comum” na situação jurídica privada que constitua o fato gerador. No plano das situações jurídicas, defrontamonos com relações em que participam pluralidade de sujeitos e, por conseguinte, surge uma pluralidade de titulares de direitos (...). Nessas situações, para que se verifique interesses comuns que se irradiam dessa relação jurídica. Alf Ross, com muita habilidade, faz a distinção entre os interesses comuns e coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa). Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (...) Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (Neder, Marcos Vinícius, in Responsabilidade Tributária / Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007, p. 39/42). (sublinhei) Fl. 3085DF CARF MF 48 Na mesma linha aqui trazida, o STJ, no julgamento do REsp 884.845SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, entendeu que há necessidade de que as pessoas solidariamente responsabilizadas devem ter dado ensejo à ocorrência do fato imponível: 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. E assim, firmou sua posição ao concluir o seguinte: 9. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." Aplicando tais interpretações ao caso concreto, vêse que o interesse comum jurídico entre as empresas do Grupo Restum, as pessoas físicas e a ora recorrente restou caracterizado, com exceção da responsável solidária Isabelle Restum, sobre a qual tratarei mais adiante. Como amplamente tratado no relatório fiscal preparado pela fiscalização, ficou comprovada a participação de todos os envolvidos, tanto nos fatos geradores dos tributos aqui discutidos, como no deslocamento de faturamento e do lucro a serem tributados, com o nítido intento de transferir para empresas de terceiros ("laranjas) nomeados pelos tutores do Grupo Restum, para que o patrimônio dos solidários pessoas físicas (Família Restum) não fosse alcançado. A confusão patrimonial entre todas as empresas também serve como prova do interesse comum jurídico passível de responsabilização solidária. Outro ponto, é que muitas empresas estavam localizadas em um mesmo endereço perante a Junta Comercial e à Receita Federal. Este fato, por si só, não é capaz de formular prova contundente da caracterização de grupo econômico. Mas, quando converge com outros indícios trazidos ao processo, tornase prova relevante da modelagem de grupo econômico. A recorrente alega falta de demonstração, na espécie, dos motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim na legalidade. Não entendo que tal raciocínio se deve aplicar ao caso concreto. Como bem trazido pela DRJ em seu voto, a delegacia de piso apresentou a conduta dos responsáveis tributários, servindose corretamente do relatório fiscal elaborado pela fiscalização, que, digase, está rico de provas contundentes da conduta praticada pelas pessoas físicas e jurídicas do Grupo Econômico nominado "Grupo Restum". Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.063 49 Como se vê do teor do recurso voluntário, a recorrente replicou todos os argumentos já ventilados em sede de impugnação. Desta forma, não restando configurada a dialética processual, proponho também reproduzir a decisão constante no acórdão da DRJ no que se refere à imputação da responsabilidade solidária, exceto quanto a Isabelle Restum, por bem elaborado e por concordar com seus fundamentos, tudo isso suportado pelo dispositivo legal constante no Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzido abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (negritei) Em relação ao interesse comum, cuja base legal é o art. 124, I, do CTN, assim consignou a delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Em síntese, o que a fiscalização apurou foi que o Grupo denominado Restum (composto por Roberto Restum, Adriana Restum e família) é constituído por centenas de empresas autônomas, algumas tendo membros da família Restum no quadro social (empresas próprias) e outras constituídas por pessoas interpostas (empresas fictas) as quais são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. As empresas próprias, entre elas a INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, revendem as mercadorias a empresas fictas por valores que praticamente correspondem aos custos de importação e/ou produção e, assim, as empresas próprias não apuram lucro e apuram o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas, entre elas a JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA, compram tanto de terceiros no mercado interno como da “Invictus” e revendem diretamente Fl. 3087DF CARF MF 50 para lojas do grupo (lojas que pertencem ao Grupo Restum) ou para a SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA e para a IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, as quais por sua vez vendem seus produtos para as lojas varejistas do grupo por valores que se aproximam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaem sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas (próprias) possam se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente o ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaem sobre as empresas próprias do Grupo, mas sim sobre as empresas fictas. Mas estas, além de mudarem constantemente de “laranjas” e/ou “testa de ferro”, também não cumprem com suas obrigações tributárias, nem mesmo acessórias, não tem movimentação financeira e algumas sequer possuem espaço físico. Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não são registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais não praticam fatos geradores tributários. Os imóveis utilizados como sede das diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade são, em parte, registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144. Diante do que foi apurado, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária às empresas próprias do grupo, relacionadas no Auto de Infração, além dos dirigentes Roberto Restum, esposa e filhos, pelo crédito tributário apurado em cada uma das empresas do grupo. Os impugnantes não contestaram objetivamente qualquer dos fatos acima mencionados, limitandose a alegar, com relação à solidarização atribuída às pessoas físicas e jurídicas, que o argumento da fiscalização de que todas participaram de um “grupo econômico” não é suficiente para atribuir a solidarização, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação, e que deveria a fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e que todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação. Ao analisar o processo de interesse INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA este Relator chegou à seguinte conclusão em relação às empresas fictas: Da análise dos autos e especial dos documentos arquivados na JUCESP (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre as empresas do núcleo (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari), desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios que se alternam, nunca recolheram os tributos devidos, sequer possuíam espaço físico, não possuíam qualquer patrimônio, não contrataram funcionários, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo Restum, omitiram suas operações do conhecimento da RFB, não tiveram movimentação financeira (Anexo VII) embora emitiram milhões em notas fiscais, os sócios das empresas fictas do núcleo são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a convicção de que são interpostas pessoas. As empresas fictas adquiriam quase que a integralidade das vendas da INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo, de modo que o ônus tributário recaíam sobre as fictas e que nada recolhiam, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.064 51 decorrente. Tal modo de proceder, não deixa dúvida de que essas empresas fictas serviram para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelas empresas próprias do Grupo, ou seja, as empresas próprias do Grupo são as reais operadoras comerciais. Não há dúvida de que todas as empresas do Grupo se beneficiavam do artifício doloso na medida não recolhiam os tributos devidos. Do conjunto de provas trazidas aos autos chego à conclusão de que, de fato, tratase de um grupo empresarial, comandado por Roberto Restum e Adriana Restum, porém composto por toda a família Restum, e todas as empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária foram formalmente constituídas pelo Grupo mas, na verdade, é uma só, e os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circularam indistintamente entre elas, e todas elas se beneficiaram do esquema montado com o objetivo de não pagar tributo, ou seja, todas têm ou tiveram interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por essa razão, elas devem ser igualmente responsáveis solidariamente pelo crédito tributário, com fulcro no art. 124, I, do CTN, inclusive as pessoas físicas relacionadas (Roberto Restum; Adriana Restum; Vanessa Restum; Felipe Roberto Restum; Daniele Restum Traldi e Isabelle Restum), pois estas tinham interesse comum nos negócios e deles se beneficiaram. As empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144, também participantes do mesmo Grupo empresarial, praticamente não executaram atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), no entanto, foi em nome destas registrado o patrimônio do Grupo (bens necessários à percepção das receitas das empresas operacionais, bem assim os imóveis e veículos), ficando as empresas operacionais sem nenhum ou o mínimo de patrimônio. Esse modo de proceder é, sem dúvida, uma tentativa de manter essas empresas distante dos fatos geradores tributários. No entanto, pela mesma razão que as demais, devem responder solidariamente pelo crédito tributário. Da análise de todos os elementos constantes dos autos chego à conclusão que de fato ficou caracterizado o grupo empresarial e também ficou evidenciado a utilização de empresas fictas, abertas em nome de “laranjas”, cujo esquema foi montado dolosamente com o fim de não pagar tributo, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio. Chego à essa conclusão independentemente da declaração prestada por Nelson Oliveira dos Santos, o qual atuou como contabilista na abertura de várias empresas, tais como JOS Comércio De Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, e também no enceramento de várias outras, o qual confirmou, em declaração tomada a termo (fl. 1067), que as empresas JOS Comércio de Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, Jurece Comércio de Confecções Ltda, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda são do Grupo Restum e que estas são distribuidoras do grupo, responsáveis por aquisições de mercadorias para revenda para lojas do grupo, e que o escritório em Itaim tinha o total controle sobre estas empresas e confirmou que parte do quadro societário destas empresas era composta por laranjas que freqüentavam, esporadicamente, o escritório do Itaim. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, proponho manter a responsabilidade solidária, que teve como base o 124, I, do CTN, de todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas, exceto de Isabelle Restum. Fl. 3089DF CARF MF 52 Isto porque não há prova material da participação de Isabelle Restum na prática dos fatos geradores que decorreram de fraude perpetrada pelo Grupo Restum. No relatório fiscal do Grupo Restum, ela somente é citada por ser filha de Roberto Restum, mas não há indicativo algum de que tenha participado do esquema ou tenha se beneficiado dele. E isto tem uma razão de ser: Isabelle Restum é menor de idade data de nascimento de 29/04/2005. Como a responsabilidade solidária depende de atos intencionais de fraudar o fisco, tornase complexa a prova de que ela tenha praticado algum ato fraudulento. No Acórdão 1302001.962, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, de 11 de agosto de 2016, que julgou o processo lavrado em desfavor da empresa HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES, também pertencente ao grupo econômico Restum, convém reproduzir os motivos que levaram também à exoneração da responsabilidade Isabelle Restum, os quais passo a adotar como razões de decidir: Da responsabilização solidária, contudo, deve ser retirada apenas a pessoa física Isabelle Restum, CPF 417.896.25823, tendo em vista que a sua condição de menor de idade na época dos fatos que levaram a cabo a presente autuação. Explico. Em que pese a patente diferença entre a capacidade tributária independer da capacidade civil das pessoas físicas para sua imposição, isto é, mesmo sendo possível que o menor incapaz seja enquadrado como contribuinte para fins tributários, no caso em espeque, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo reclama a celebração de negócios jurídicos que importem no intuito de fraudar o erário. Destarte, verificase que Isabelle Restum, nascida em 24/09/2005, à época dos fatos sob análise tinha menos de dezesseis anos, o que lhe caracteriza como absolutamente incapaz (art. 3º, I, Código Civil). Sendo assim, a incapacidade civil, embora seja dispensável para a imposição tributária, é causa suficiente para a nulidade do negócio jurídico pactuado pela incapaz, não havendo que se falar em obrigação tributária. Portanto, apenas em relação a responsabilidade solidária das pessoas físicas, divirjo da Relatora por entender que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes para imputar a responsabilidade às pessoas físicas relacionadas, à exceção de Isabelle Restum, pois sendo o nulo o negócio jurídico por si pactuado, não há que se falar em obrigação tributária. Assim, voto pela manutenção das pessoas físicas como responsáveis solidárias perante a obrigação tributária em comento, excluindo da lide, unicamente a menor Isabelle Restum, CPF 417.896.25823. Desta feita, proponho dar provimento quanto ao recurso de Isabelle Restum (CPF 417.896.25823). Quanto à responsabilidade solidária com relação ao art. 135, III, do CTN, convém destacar a participação das pessoas físicas na prática das condutas apresentadas pela fiscalização: Como visto, tratase de pessoas ligadas a Roberto Restum, que, pela descrição dos fatos apontados pela fiscalização, juntamente com Adriana Restum, é o mentor de toda a fraude cometida aos cofres públicos. Não obstante sua liderança, seus familiares também participaram do arquétipo perpetrado pelo Grupo Restum, mesmo não pertencendo aos quadros societários de Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.065 53 algumas empresas, não cabendo a eles alegarem negligência ou imperícia na condução dos negócios, mormente por se tratarem de pessoas entendedoras do ramo de confecções e do empresariado, o que denota que eram sabedores de suas obrigações. O art. 135, III, do CTN, trata da responsabilidade solidária decorrente da prática de conduta excessiva: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A DRJ também manteve a responsabilidade solidária com base no art. 135, III, em relação a todas as pessoas físicas. Como já dito alhures, permitome apenas não concordar com a responsabilidade tributária atribuída a Isabelle Restum, pelos motivos acima já expostos. Entretanto, com relação aos demais, adoto também o que foi deliberado pela delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Também não resta dúvida quanto a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois ficou comprovado que a pessoa jurídica, na pessoa de seus sóciosadministradores omitiu receita, com evidente intuito de fraude, com o fim de não pagar ou pagar menos tributo. Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo devida à constatação de omissão de receitas constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, fato agravado pelas circunstâncias que levaram à qualificação da multa e à formalização do processo de representação fiscal para fins penais. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, não há dúvidas de que as pessoas físicas Roberto Restum (CPF 043.261.15840), Adriana Restum (CPF 120.853.19807), Vanessa Restum (CPF 215.012.648 69), Felipe Roberto Restum (CPF 215.012.76875) e Daniele Restum Traldi (CPF 215.012.73850) praticaram condutas com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, devendo ser mantidas as responsabilidades solidárias a elas imputadas. Assim, proponho dar provimento ao recurso de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente e de todos os demais responsáveis solidários pessoas físicas e jurídicas, as quais estão relacionadas no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. Fl. 3091DF CARF MF 54 IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que a multa se aplica somente quando se comprova fraude. Assim, como a fiscalização imputou genericamente a conduta à recorrente, a multa é desproporcional e confiscatória, violando expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Convém destacar, de plano, que a Súmula nº 2 do CARF decreta que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, não entendo que toda falta de pagamento de tributo deve ser avaliada como fraude. Ao contrário, há que se diferenciar, nesse emaranhado de interpretações, o inadimplente do sonegador. Prefiro devanear que o inadimplente compõe a regra. É aquele sujeito passivo que cumpre suas obrigações fiscais, mesmo que somente as obrigações acessórias de apresentar livros e de declarar tributos. Penso que o contribuinte se torna inadimplente por carecer de maiores recursos para manter "de pé" sua atividade. Sabese que as obrigações de um empresário são tamanhas (funcionários, estoques, liquidez) que por vezes se vê obrigado a deixar de recolher os tributos que lhe seriam devidos para deslocar os recursos para a manutenção da sua atividade empresarial. Todavia, como se trata de pessoas de boa índole e cumpridoras de suas obrigações, declaram seus tributos mesmo que não tenham condições momentâneas de recolhêlos. Já o sonegador não se importa com os malefícios que traz para a sociedade. Este, em sua visão deturpada do capitalismo, apenas e tão somente busca pelo bem que mais lhe traz prazer, o dinheiro. Para tanto, cria todo tipo de ardil capaz de gerar riqueza, mesmo que sua conduta esteja inserida na legislação penal tributária. Este sonegador, em uma das acepções do verbete romano de "dar a César o que é de César", deve ser punido veementemente com todos os rigores da Lei. E a lei tributária, ciente deste imperativo, demarcou que a multa qualificada deve ser imputada em decorrência da prática das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme ditado pelo inciso § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.066 55 Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Sempre digo em meus votos que é difícil adentrar à mente do praticante da conduta para saber efetivamente se restou caracterizado o elemento subjetivo do núcleo do crime de sonegação fiscal (em sentido amplo), que é o dolo. Isto se deve principalmente porque estamos sempre a avaliar as condutas praticadas no passado; às vezes, um passado bem remoto. Maria Rita Ferragut muito bem define o poderdever de investigar da administração e de angariar provas da veracidade dos fatos: Assim, tem a Administração Pública o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do ponto de vista jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível2. Assim, há que se investigar, com as ferramentas que instrumentalizam o processo administrativo fiscal, se os atos praticados e os resultados auferidos subsumem à prática delituosa de crime contra a ordem tributária. 2 Presunções no Direito Tributário, 2ª Edição, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005, página 193. Fl. 3093DF CARF MF 56 Como se vê do Relatório Fiscal Grupo Restum, anexado a este processo, o grupo econômico planejou e executou formas de ludibiriar o fisco e recolher menos tributos em relação aos que deveria recolher caso suas declarações condizessem com o que ocorrera no mundo fenomênico. A maneira pela qual foi arquitetado todo o arquétipo empresarial com criação de inúmeras empresas em nome de "laranjas", algumas com endereços diversos, com fornecedores e clientes pertencentes, direta ou indiretamente, aos mesmos donos evidencia a máfé patente no caso aqui a ser julgado. No caso concreto, vêse que a empresa, e todo o Grupo Restum, apresentavam declarações com valores zerados ou valores reduzidos, digase, bem inferiores aos efetivamente praticados (como o valor do faturamento, por exemplo). A quantidade de empresas, com intuito de repartição das receitas auferidas pelo Grupo Restum denota a intenção dolosa em se omitir a grandeza do Grupo, a fim de não chamar a atenção do fisco. Tanto é que, somente após o início dos procedimentos fiscais imputados às empresas do grupo, é que algumas empresas entregaram DIPJ retificadora e, mesmo assim, os valores estavam bem aquém daqueles apurados efetivamente por elas, conforme se depreende do cotejo entre a informação contida nas notas fiscais eletrônicas extraídas do SPED e os valores informados nas DIPJs retificadoras. Outro ponto a se destacar é que as empresas do grupo Restum eram constituídas e encerradas com o intuito de obstar o conhecimento do fisco quanto aos fatos geradores praticados, ou, também, a impedir que fossem responsabilizados os verdadeiros arquitetos da fraude fiscal, quais sejam, seus sócios de fato, quando delegavam a "laranjas" a atribuição de figurarem como sócios de direito nas empresas de "fachada". Vejase nos trechos do Relatório Fiscal que a empresa praticou várias condutas que se subsumem ao conceito de sonegação, fraude e conluio (efl. 129): Mas não é só aí que reside a fraude. Além de possuir um grande número de empresas ativas, o Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas (usamos o verbo no passado já que os fatos apurados correspondem aos períodos de 2010, 2011 e 2012, se bem que há fortes indícios que o modus operandi perdure hodiernamente). Desse modo, quando determinada empresa começava a “interessar” ao Fisco, esta era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar. Para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade. Em conclusão, no caso dos autos, todas as provas acostadas ao processo, seguidas de descrição detalhada sobre o modus operandi desenvolvido e praticado por todo o grupo econômico Restum, em relevo por seus sócios de fato, levamnos a concluir pela procedência da imputação perpetrada pela autoridade fiscal.. Dessa forma, mister se faz necessária a manutenção da multa qualificada. V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 19311.720397/201488 Acórdão n.º 1401002.316 S1C4T1 Fl. 3.067 57 Alega que não há previsão legal de incidência de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício, mas tão somente em relação a tributos e contribuições sociais. Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da intersecção dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. VI – JULGAMENTO CONJUNTO A recorrente pede pelo julgamento em conjunto de dez processos lavrados em desfavor do "Grupo Restum", por tratarem dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos. Fl. 3095DF CARF MF 58 Com relação a este pedido, convém ressaltar que a recorrente não logrou comprovar que os processos em questão tratam da exigência de mesmo crédito tributário, ou que seja o seu pedido fundamentado em fato idênticos, razão pela qual o pedido da recorrente tornase insubsistente. Não obstante, informo que 9 (nove), dos 10 (dez) processos do Grupo Restum, serão julgados em conjunto, já que 1 (um) deles já havia sido julgado pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão de 11/08/2016 processo nº 19311.720362/201449, empresa HotBrás Comércio de Confecções Ltda. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e NEGAR provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3096DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000063/00-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/1990 a 11/05/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A OMISSÃO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. POSSIBILIDADE.
Não demonstrada a existência de vícios de omissão, rejeita-se os embargos de declaração e ratifica-se o julgado embargado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-005.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/1990 a 11/05/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A OMISSÃO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. POSSIBILIDADE. Não demonstrada a existência de vícios de omissão, rejeita-se os embargos de declaração e ratifica-se o julgado embargado. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
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score : 1.0
Numero do processo: 17437.720388/2012-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA.
Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
Numero da decisão: 3002-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO BÁSICO. IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO POR AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA. Em uma situação em que é exigida a diferença de IPI vinculado à importação mediante lançamento do crédito tributário por auto de infração, decorrente de reclassificação fiscal em revisão aduaneira, a confirmação da existência do auto, combinada com a prova de sua quitação, seja pela apresentação do Darf do pagamento, seja pela homologação expressa da compensação, configura prova suficiente do direito ao crédito básico previsto no inciso V do art. 226 do Decreto nº 7.212, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 43 7. 72 03 88 /2 01 2- 83 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 17437.720388/201283 Acórdão n.º 3002000.095 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de IPI vinculado à importação no valor de R$ 1.005,00, relativo ao imposto devido em importações realizadas no 3º trimestre/2007 e lançado por meio de auto de infração em 2010. O pedido foi formalizado em novembro/2012 (fl. 2). Ao invés de utilizar o programa Per/Dcomp, o contribuinte apresentou um formulário, sob a alegação de que os valores a compensar não constavam de notas fiscais, mas haviam sido identificados em procedimento fiscal, que constatou erro na classificação da mercadoria, e foram exigidos mediante auto de infração, situação essa que gerou erro impeditivo de transmissão do PER. O pedido foi instruído com documentos de identificação/procuração e contrato social (fls. 3 a 14), Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 15), Auto de Infração/Processo nº 11041.000869/201074 – juntado na parte que relativa ao montante deste processo (fls. 16 a 20), tela de Aviso de Erro do Per/Dcomp (fl. 21). Por meio do Relatório de Verificações Fiscais e do Despacho Decisório IRF/BG nº 11/2013 (fls. 31 a 36), a Delegacia da Receita Federal em Bagé decidiu pela denegação do pedido de ressarcimento, por entender tratarse de uma solicitação de restituição de valores já utilizados em compensação, o que significaria utilização em duplicidade dos créditos, não prevista em legislação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que o ressarcimento que solicitava era relativo à diferença de IPI exigida por meio de auto de infração e “paga” com créditos de IPI que havia pedido anteriormente. Uma vez que essa diferença era relativa a importações de folhas para a fabricação de latas, e que o produto acabado era vendido com suspensão de IPI para uma empresa exportadora, entendia que tinha direito ao ressarcimento do IPI (fl. 42). Instruiu sua manifestação de inconformidade com identificação e contrato social (fls. 43 a 53). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 48.829 (fls. 61 a 64), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a recorrente falhou em provar que não estava requerendo ressarcimento em duplicidade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 74DF CARF MF Processo nº 17437.720388/201283 Acórdão n.º 3002000.095 S3C0T2 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 14/03/2014, conforme ciência pessoal na Comunicação nº 2/037/2014 constante à fl. 71, e protocolizou seu recurso voluntário em 15/04/2014, conforme carimbo do protocolo no Recurso à fl. 72. Em seu recurso voluntário a recorrente repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade (fl. 72). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O cerne deste julgamento consiste em definir se o contribuinte solicitou ressarcimento de um crédito que já havia utilizado em uma compensação, ou seja, se ele tenta usar o mesmo crédito uma segunda vez e, para tanto, fazse necessário recompor a cronologia dos eventos a partir das informações de que se dispõe neste processo. O contribuinte realizou diversas importações de tampas de folha de flandres para a fabricação de latas de conserva para o acondicionamento de alimentos com alíquota menor do que a devida, acarretando um recolhimento a menor de IPI, PIS e Cofins. Para fins de lançamento no auto de infração, foram consideradas as importações realizadas entre 01/01/2007 e 31/07/2009. O valor do IPI devido para todo o período, sem considerar juros e multa, foi de R$ 126.752,58. O procedimento de revisão aduaneira iniciouse em outubro/2010, com a devida ciência do contribuinte. Entretanto, anteriormente ao início dessa revisão, no ano de 2009, o contribuinte entrou com um pedido de ressarcimento de IPI (PER nº 34797.31655.090609 1.1.016094). Não se sabe a data de registro desse PER6094, sabese apenas que foi em 2009 pelo número do processo ao qual está vinculado (processo nº 11041.000306/200942). Do Despacho Decisório DRF/PEL Saort nº 313/2012 (fl. 15), proferido em resposta ao PER6094, destacamos: (...) RECONHEÇO o direito creditório no valor de R$ 223.516,65 (duzentos e vinte e três mil, quinhentos e dezesseis reais e sessenta e cinco centavos) a título de ressarcimento de IPI referente ao 1º trimestre de 2009, solicitado através do Pedido de Ressarcimento nº 34797.31655.090609.1.1.016094, havendo uma glosa de R$ 319,83 (trezentos e dezenove reais e oitenta e três centavos) do valor solicitado e HOMOLOGO a compensação de débitos constantes das Declarações de Compensação nº 31986.51404.210111.1.3.010991 e 18048.9833.210111.1.3.010316, conforme demonstrativo abaixo, restando após compensação das declarações saldo Fl. 75DF CARF MF Processo nº 17437.720388/201283 Acórdão n.º 3002000.095 S3C0T2 Fl. 5 4 credor de R$ 41.557,66 (quarenta e um mil, quinhentos e cinquenta e sete reais e sessenta e seis centavos): (grifado) Desse parágrafo extraemse informações que nos permitem fazer algumas inferências sobre o caso. Primeiro, o PER6094, que já sabemos ter sido registrado antes do início da revisão aduaneira, referiase exclusivamente a um crédito do 1º trimestre/2009, confirmando que não guardava, portanto, relação com o que se apurou no auto de infração. Segundo, foi solicitada a compensação do débito exigido por auto de infração com o crédito de IPI reconhecido no PER6094 – naturalmente que essa solicitação foi posterior à ciência do auto de infração, por uma questão de lógica. Essa compensação foi declarada por meio da DCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.010991. Assim, temos o PER 6094 registrado em 2009 e a DCOMP0991 registrada em algum momento após a ciência do auto de infração e o ano de 2012, quando é proferida decisão sobre os pedidos. Partindo agora para o Relatório de Verificações Fiscais que embasou o Despacho Decisório IRF/BG nº 11/2013 (fls. 31 a 36), que denegou o PER s/nº que inaugura o presente processo, vemos que a Delegacia reconheceu a procedência da alegação de que foi lançada a diferença de IPI vinculado à importação e de que tal débito foi extinto com créditos do PER6094, sendo tal compensação expressamente homologada pela Delegacia em Pelotas: De fato, analisandose o auto de infração do processo nº 11041.00869/201074 anexado aos autos, verificase que o contribuinte à época beneficiouse da alíquota de 5% de IPI até 12/05/2008 e de 0% a partir de 13/05/2008, tendo em vista erro de classificação fiscal das mercadorias importadas. Através deste auto de infração, foi feito o lançamento dos valores devidos após as autoridades fiscais constatarem que a alíquota correta seria a de 10%. Não tendo sido apresentado o correspondente recurso, tal lançamento foi definitivamente constituído na esfera da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Estes valores inicialmente lançados no processo nº 11041.00869/201074 foram compensados na PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 0991 sendo tal compensação homologada pelo Despacho Decisório DRF/PEL SAORT nº 31, de 28 de maio de 2012, todos anexados aos autos. (grifado) Estes valores pleiteados pelo contribuinte foram compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, conforme consta neste documento. (grifado) Todavia, a partir desse ponto, percebese um equívoco no raciocínio desenvolvido. Apontase para a exata correspondência entre os débitos compensados na DCOMP0991 e os créditos para os quais se solicita ressarcimento no presente processo, concluindo que seriam pedidos em duplicidade: Em anexo a este relatório consta um resumo deste PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991 onde verificase a exata correspondência dos valores trimestrais declarados com aqueles da tabela constante no item 1 deste relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 17437.720388/201283 Acórdão n.º 3002000.095 S3C0T2 Fl. 6 5 Logo, concluise que todos os pedidos de ressarcimento tratados são na realidade solicitações de restituição de valores compensados. E estas solicitações não se enquadram em nenhuma hipótese previstas no art. 165 da Lei nº 5.172/66 (CTN) repetidas no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 900/08, em vigor à época do protocolo destes pedidos: (...) Em outras palavras, o contribuinte solicita “ressarcimento” de valores provenientes de auto de infração compensados com o IPI do 1º Trimestre de 2009, resultando na duplicidade deste crédito já usado, caso isto fosse possível. Ademais, não se pode esquecer que a declaração de compensação, e aqui referese a PERDCOMP nº 31986.51404.210111.1.3.01 – 0991, constituise confissão de dívida, conforme § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei 10.833/03:(...) Entendo que não há duplicidade. Em um primeiro momento, esses valores aparecem como débitos na DCOMP0991, a serem compensados com os créditos do PER 6094. Em um segundo momento, após a homologação da compensação, tais valores passam a representar IPI pago e, por esse motivo, são informados como créditos no PER s/nº que inaugura o presente processo. É claro que são os mesmos valores, mas com uma natureza diferente: o débito de IPI transformase em crédito após a compensação – e ele foi compensado com um crédito que não guarda relação com o auto de infração. Vejamos o Demonstrativo de Apuração do auto de infração (fl. 19). Há 3 colunas: imposto devido (calculado com a alíquota correta, após a reclassificação fiscal), imposto recolhido (imposto pago no momento do registro da declaração de importação) e diferença apurada (valor de IPI lançado pela fiscalização e que foi compensado por meio da DCOMP0991, homologada expressamente). Seguem os valores totais do período: Imposto Devido Imposto Recolhido Diferença Apurada 2.010,00 1.005,00 1.005,00 Em suma, o que o contribuinte pleiteia é que se reconheça o direito ao crédito da “diferença apurada”, no que, entendo, lhe cabe razão. A Delegacia de Julgamento tomou a mesma direção da unidade de origem, acrescentando como motivação a falta de prova, como se vê no trecho a seguir do Acórdão DRJ: Destarte, se a fiscalização, após exame da documentação apresentada pelo contribuinte conclui que o pedido de ressarcimento foi feito em duplicidade, caberia a defesa contrapor provas contra tal conclusão, a simples alegação de que o IPI pago na importação confere direito ao crédito não é suficiente para afastar o fundamento do Despacho Denegatório. (grifado) Em relação ao ônus da prova, entendo ter o contribuinte se desincumbido de sua tarefa, pois juntou à manifestação de inconformidade cópia do auto de infração, que é a Fl. 77DF CARF MF Processo nº 17437.720388/201283 Acórdão n.º 3002000.095 S3C0T2 Fl. 7 6 origem do imposto, e a homologação expressa da compensação, que é a prova da quitação do débito. Tais documentos, considerados conjuntamente, demonstram que o IPI decorria da importação de matériaprima para industrialização e que o crédito tributário exigido foi extinto por meio de compensação, configurando hipótese para creditamento prevista no RIPI/2010: Art.226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: (...) V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; É certo que a diferença apurada em revisão aduaneira não foi paga no desembaraço aduaneiro, mas incorporase ao que foi pago originalmente, é a diferença que faltou pagar quando do desembaraço e foi exigida em procedimento de revisão aduaneira. Neste caso, dadas as suas particularidades, não há que se falar na exigência de nota fiscal ou de livro contábil para demonstração do direito creditório. Concluise que a recorrente demonstrou o seu direito ao crédito relativo à diferença de IPI exigida em auto de infração, excluídos a multa e os juros de mora, condicionado o ressarcimento à verificação pela unidade de origem da quitação de impostos e contribuições federais do interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13312.000366/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA.
Incide a PIS/Pasep na importação de serviço, quando há pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior: 1) como contraprestação por um serviço; 2) se este serviço é importado ou seja, proveniente do exterior, no sentido de que seja prestado por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; e 3) se foi executado no Brasil ou no exterior com resultado no Brasil, sendo, nesse caso, o resultado aquilo que resulta para quem é prestado o serviço, ou ainda, para quem contrata o serviço e remete valores correspondentes.
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS E LICENÇA DE USO DE MARCAS, SOFTWARES E DE DIREITOS AUTORAIS. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem as contribuições sobre a locação de bens móveis, como também sobre licenças de uso marcas e patentes, de software e de direitos autorais. É que tratam de obrigação de entregar coisa e não de obrigação de fazer, característica da prestação de serviço.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento da Cofins-Importação as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep-Importação, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. Incide a PIS/Pasep na importação de serviço, quando há pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior: 1) como contraprestação por um serviço; 2) se este serviço é importado ou seja, proveniente do exterior, no sentido de que seja prestado por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; e 3) se foi executado no Brasil ou no exterior com resultado no Brasil, sendo, nesse caso, o resultado aquilo que resulta para quem é prestado o serviço, ou ainda, para quem contrata o serviço e remete valores correspondentes. PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS E LICENÇA DE USO DE MARCAS, SOFTWARES E DE DIREITOS AUTORAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem as contribuições sobre a locação de bens móveis, como também sobre licenças de uso marcas e patentes, de software e de direitos autorais. É que tratam de obrigação de entregar coisa e não de obrigação de fazer, característica da prestação de serviço. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento da Cofins-Importação as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep-Importação, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INCIDÊNCIA. Incide a PIS/Pasep na importação de serviço, quando há pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior: 1) como contraprestação por um serviço; 2) se este serviço é importado ou seja, proveniente do exterior, no sentido de que seja prestado por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; e 3) se foi executado no Brasil ou no exterior com resultado no Brasil, sendo, nesse caso, o resultado aquilo que resulta para quem é prestado o serviço, ou ainda, para quem contrata o serviço e remete valores correspondentes. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS E LICENÇA DE USO DE MARCAS, SOFTWARES E DE DIREITOS AUTORAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem as contribuições sobre a locação de bens móveis, como também sobre licenças de uso marcas e patentes, de software e de direitos autorais. É que tratam de obrigação de entregar coisa e não de obrigação de fazer, característica da prestação de serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 03 66 /2 00 9- 53 Fl. 4509DF CARF MF 2 Aplicamse ao lançamento da CofinsImportação as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/PasepImportação, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0824.927, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza. O presente processo administrativo traz lançamento de CofinsImportação e de PIS/PasepImportação, na importação de serviços. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: 2. No Termo de Verificação Fiscal que compõe os autos de infração acima, a autoridade fazendária assim fundamentou a pretensão fiscal: DA AÇÃO FISCAL Fl. 4510DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.510 3 A presente Ação Fiscal foi baseada em uma Representação Fiscal formulada pela Alfândega do Porto de Fortaleza/CE que, através de um Dossiê protocolizado com o n° 03176.000.014/200603, informou a esta Delegacia da Receita Federal de Sobral sobre os indícios de falta de recolhimento, por parte da fiscalizada, das contribuições do PIS e COFINS incidentes sobre a importação de Serviços no período de 2004 a 2006. Durante a análise do referido Dossiê esta fiscalização constatou que a Grendene, atendendo ao Termo de Intimação Fiscal (doc. de fls. 31), apresentou cópias de contratos de câmbio e comprovantes de pagamentos referentes as remessas feitas ao exterior a título de importação de serviços. Sobre essas remessas constatamos que a (sic) ela recolheu o Imposto de Renda na Fonte, código da receita 0473 (Rendimentos de Residentes ou Domiciliados no Exterior Renda e Proventos de Qualquer Natureza). Porém, ao analisarmos o Sistema SINAL, constatamos que a fiscalizada havia realizado, no período de 2004 a 2006, outros recolhimentos no código da receita 0473, como também outros recolhimentos no código da receita 0422 (Rendimentos de Residentes ou Domiciliados no Exterior Royalties e pagamento de assistência técnica), discriminados na planilha de fls. 09/19. Portanto, esses recolhimentos indicavam a existência de outros contratos de câmbio referentes a remessas feitas ao exterior a título de importação de serviços que ainda faltavam ser apresentados pela Grendene. Assim, o primeiro passo adotado por esta Delegacia foi a abertura de um Mandado de Procedimento Fiscal Diligência de n° 0310300 2006 000593 (doc. de fls. 07) e a solicitação, através do um Termo de Intimação Fiscal (doc. de fls. 08/22), de cópias de todos os pagamento dos serviços provenientes do exterior e os seus respectivos contratos de câmbio, dos quais originaram os recolhimentos dos IRRF discriminados às fls. 09/19. Através do Documento de fls. 26, a Grendene apresentou a documentação solicitada. Porém, através do Termo de Intimação Fiscal (doc. de fls. 29) esta fiscalização solicitou outros documentos/esclarecimentos, abaixo discriminados: 1. Contratos de serviços, traduzidos para a língua portuguesa por tradutor público legalmente habilitado; 2. Comprovantes dos recolhimentos do ISS, PIS/PASEP e da COFINS relativos à importação dos serviços relacionados às fls. 30/67; 3. Esclarecimentos e comprovantes de quais estabelecimentos da Grendene realmente utilizaramse desses serviços. Fl. 4511DF CARF MF 4 Conforme documento de fls. 72, a Grendene: Em atenção ao item n° 1: apresentou alguns contratos traduzidos para a língua portuguesa. Porém, deixou de apresentar outros que, segundo ela, foram remessas amparadas somente por invoices ou faturas; Em atenção ao item n° 2: informou que não recolheu o ISS por serem serviços prestados no exterior. Com relação a essa resposta, queremos ressaltar que, segundo a Lei Complementar n° 116, de 31 de julho de 2003, o ISS incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. Também em atenção ao item n° 2 ela apresentou alguns recolhimentos de PISImportação e de COFINSImportação, que estão anexos às fls. 105/121. Em atenção ao item n° 3: ela informou que todos os serviços contratados no exterior foram por intermédio da sua Matriz. DA ANÁLISE DE TODA A DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELA GRENDENE Da analise de toda a Documentação apresentada constamos que, no período de 1° de maio de 2004 a 30 de junho de 2006, a fiscalizada efetuou diversos pagamentos a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviços prestados (doc. de fls. 277/4107) e não recolheu, conforme extrato do SINAL de fls. 4129/4130 e documentos de fls. 105/121, o PISImportação e a COFINSImportação devidos sobre esses pagamentos, conforme estabelece a Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. DOS VALORES AUTUADOS Estamos autuando, através do presente Auto de Infração, a empresa Grendene S/A, CNPJ 89.850.341/000160 pelo não recolhimento do PISimportação e da COFINSimportação devidos sobre os diversos pagamentos realizados pela Fiscalizada, no período de 1° de maio de 2004 a 30 de junho de 2006 a residentes ou domiciliados no exterior, como contraprestação por serviços prestados. Cabe ressaltar que, no Demonstrativo de fls. 4131/4149, esta fiscalização discrimina os serviços que foram prestados, os valores que foram pagos por esses serviços, como também demonstra o valor do PISImportação e da COFINSImportação devidos sobre esses serviços. OBSERVAÇÕES 1. O Termo de Início de Fiscalização encontrase anexado às fls. 02 a 06; Fl. 4512DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.511 5 2. Todas as folhas citadas no presente Termo de Verificação Fiscal referemse ao processo administrativo 13312.000366/200953, através do qual foi protocolizado o presente Auto de Infração. 3. Inconformado com os lançamentos tributários, o contribuinte apresentou impugnação, com os seguintes argumentos em síntese: DAS PRELIMINARES DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO DA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DA SUPOSTA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA a) No caso concreto, especificamente, era necessário demonstrar que as contribuições PIS/COFINSImportação eram efetivamente devidas pela ora impugnante e que esta agiu em desconformidade à legislação ao deixar de recolhêlas ou recolhêlas a menor, na forma do art. 1°, § l°, incs. I e II da Lei n° 10.865/2004. Ora, a realização de ‘pagamentos a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviços prestados’, isoladamente, não é bastante à caracterização do fato gerador do PIS/COFINS Importação; é necessário que esses mesmos serviços tenham sido ‘executados no País’ ou ‘executados no exterior, cujo resultado se verifique no País’, mas sobre isso não trazem os autos de infração uma única palavra. Assim sendo, com fulcro no art. 10, inc. III e no art. 59, inc. II, in fine do Decreto n° 70.235/72, espera, preliminarmente, seja decretada a nulidade dos presentes autos de infração. DAS IRREGULARIDADES DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL b) Verificase que, na espécie, o MPF foi expedido de forma irregular, não trazendo adequada descrição do objeto do procedimento fiscal. Efetivamente, do referido documento consta, apenas a seguinte referência: ‘PROCEDIMENTO FISCAL: DILIGÊNCIA DESCRIÇÃO SUMÁRIA: VERIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS RELATIVOS A OPERAÇÕES COM TERCEIROS.’ (fl. 07). Data venia, não há mínima delimitação da matéria a ser perquirida no curso do procedimento fiscal, o que é essencial a assegurar os direitos do contribuinte, em especial o direito ao devido processo legal, que pressupõe o ‘pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação’. Assim sendo, caracterizado prejuízo para a defesa do contribuinte, é de rigor a anulação do procedimento fiscal ab initio. Ainda, verificase do extrato anexo (doc. anexo), que o prazo de validade do MPF, computadas já as prorrogações, encerrouse em 24/02/2008, sendo que os autos de infração em questão foram lavrados muito após, em 11/05/2009. Logo, considerandose que no caso concreto não fora emitido novo MPF, são nulos os autos de infração lavrados sem o MPF válido. Fl. 4513DF CARF MF 6 DAS RAZÕES DE IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO A INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES c) Por força do disposto nos arts. 195, §4º, 154, inc. I, 149, caput, 149, §2°, inc. II e 146, inc. III da CF, tais contribuições ‘sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços’ somente poderiam ser instituídas mediante a edição de lei complementar, de modo que, introduzidas no ordenamento jurídico através de lei ordinária, sua exigência revelase inconstitucional. DA AUSÊNCIA DA ELEMENTAR ‘SERVIÇOS' d) Das rubricas relacionadas no Demonstrativo de fls. 4.1314.149, pelo menos três delas não se caracterizam como serviços, escapando, pois, à hipótese de incidência das contribuições em referência, provindo ou não do exterior: ‘direitos autorais’, ‘marcas e patentes’ e ‘software’. e) A douta fiscalização relacionou como contraprestação por serviços de ‘publicidade’ as remessas efetuadas pela peticionária em nome de ‘Rosa Cha International’ (fls. 2.8112.822). Verificase, todavia, do contrato que deu base a essa remessa tratar se, em realidade, de ‘patrocínio’, hipótese que evidentemente não se amolda ao conceito de ‘serviços’. Destarte, à falta de configuração de elementar da hipótese de incidência, não procede o lançamento relativamente às remessas efetuadas pela peticionária em nome de ‘Rosa Cha International’ (fls. 2.8112.822). DA AUSÊNCIA DA ELEMENTAR EXECUTADOS NO PAÍS OU EXECUTADOS NO EXTERIOR COM RESULTADO NO PAÍS’ f) Não se sujeitam à incidência das contribuições em referência ‘as importâncias pagas, creditadas, empregadas, entregues ou remetidas ao exterior com a finalidade de cobrir pagamentos de despesas decorrentes de serviços prestados no exterior cujos resultados se verificam no próprio país onde são contratados’. No caso concreto, verificase que nenhuma das rubricas relacionadas no Demonstrativo de fls. 4.1314.149 corresponde a serviços ‘executados no País’ ou ‘executados no exterior, cujo resultado se verifique no País’. g) Considerese ainda, o seguinte exemplo, referente à rubrica ‘consultoria’. O contrato de fls. 1.1691.170 dispõe o seguinte em sua cláusula primeira: ‘PRIMEIRA As partes tem justo e contratado, que o CONTRATADO prestará para a Empresa CONTRATANTE, os serviços de consultoria para a área de pesquisa de mercado em todo continente europeu para a introdução dos produtos da marca Melissa (...).’ (fl. 1.169). É claro, portanto, o local onde tiveram lugar a execução e o resultado do serviço: ‘todo continente europeu’. É dizer, no ‘continente europeu’, e não no Brasil, é que fora implementada ‘pesquisa de mercado (...) para a introdução dos produtos da marca Melissa’. Verificase a mesma situação no contrato de fls.102103: ‘PRIMEIRA As partes tem justo e contratado, que a CONTRATADA Fl. 4514DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.512 7 prestará para a Empresa CONTRATANTE, os serviços de consultoria para a realização de atividades estratégicas de promoção e colocação da marca Melissa no mercado mexicano.’ (fl. 102). Ora, no México foram prestados ‘os serviços de consultoria’ e no México tiveram os mesmos seu resultado, consistente na colocação da marca Melissa no mercado mexicano’. DA AUSÊNCIA DA ELEMENTAR ‘PRESTADOS POR PESSOA FÍSICA OU PESSOA JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR’ h) Não fosse bastante o quanto exposto nos capítulos anteriores, verificase, ainda, terem sido relacionados nos autos de infração pagamentos efetuados a pessoas residentes no Brasil, hipótese que, evidentemente, não se amolda ao previsto no art. 1°, §1° da Lei n° 10.865/2004. Esse é o caso, por exemplo, dos pagamentos efetuados em favor da ‘Sanrio do Brasil’ (fls. 2.8302.867). Com efeito, conforme o instrumento de fls. 2.850, a cedente dos ‘direitos autorais’ que constituem seu objeto é a empresa ‘Sanrio do Brasil Comércio e Representações Ltda.’, com sede no Brasil, mais especificamente na cidade de São PauloSP. O citado acórdão decidiu pela procedência em parte da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005, 2006 COFINSIMPORTAÇÃO. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. SERVIÇO. LICENÇA DE USO DE MARCAS, SOFTWARES E DE DIREITOS AUTORAIS. Negócios jurídicos efetuados a título de licença de uso de marcas, softwares e de direitos autorais não caracterizam modalidades de serviço para fins incidência do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Quando os contratos, além da licença de uso, englobarem também a prestação de algum serviço cujo valor não seja discriminado, haverá a incidência do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação sobre o valor global pago ou remetido ao exterior. COFINSIMPORTAÇÃO. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. LOCAL DO RESULTADO. RESULTADOUTILIDADE. O resultado a que alude o artigo 1º, § 1º, inciso II, da Lei nº 10.865, de 2004 ocorre no local onde o serviço pode ser fruído ou aproveitado, direta e imediatamente, pelo beneficiário efetivo, se tal lugar puder ser determinado Fl. 4515DF CARF MF 8 (critério objetivo); se indeterminável, o local do resultado será o domicílio do beneficiário efetivo (critério subjetivo). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não incide em nulidade o lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa consistente em falha na acusação fiscal quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para impugnála. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O instrumento do MPF regularmente disponibilizado na Internet e contendo os tributos e períodos a serem fiscalizados encontrase de acordo com a legislação vigente, de modo a afastar a pretensão de nulidade do procedimento fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com decisão de primeira instância, no que mantido do auto de infração em pauta, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, basicamente a inconstitucionalidade das contribuições em tela e a não ocorrência do fato gerador das contribuições, conforme detalhado no voto. Em função do valor exonerado, registrouse, no acórdão recorrido, encaminhamento pelo recurso de ofício. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 4516DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.513 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Incidência O auto de infração versa sobre a incidência da PIS/PasepImportação e da Cofins Importação, na importação de serviços executados no País ou executados no exterior, cujo resultado se verifique no País, devidas pelo importador de serviços no exterior, com base no art. 1°, caput e § l°, I e II, da Lei n° 10.865/2004: Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. A fiscalização constatou que a autuada "apresentou cópias de contratos de câmbio e comprovantes de pagamentos referentes as remessas feitas ao exterior a título de importação de serviços". Reproduzo então planilha com as rubricas que a fiscalização considera prestação de serviço: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 4517DF CARF MF 10 O acórdão recorrido, em estudo detalhado, busca definir "serviço" e seu "resultado". Amparase, no mais das vezes, em normas e doutrina relativas ao imposto sobre Fl. 4518DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.514 11 serviços (ISS). Afastome da comparação com tal imposto, concentrandome em elementos da regra matriz de incidência tributária das contribuições sob análise. O critério material da hipótese da norma jurídicotributária em questão é "importar serviço do exterior" (art. 1° , caput, da Lei 10.865/2004). Tais serviços "são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior [...]" (§ 1° do mesmo artigo). Seu critério espacial determina que a execução do serviço importado se dê "no País" ou "no exterior, cujo resultado se verifique no País (incisos I e II, do referido parágrafo). No conseqüente da norma, é contribuinte a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior" (art. 5, II, da mesma Lei). O fato gerador esculpido na lei é "o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço" (art. 5°, II, do dito diploma). Assim, o "resultado" é o que resulta para quem importa o serviço, ou seja, para quem é prestado o serviço proveniente do exterior, ou ainda, para quem contrata o serviço e remete os valores correspondentes. Observese que a prestação de serviço tem a natureza de obrigação de fazer. Nesse ponto, reproduzo trecho da fundamentação do acórdão: 28. A prestação de serviço caracterizase por uma obrigação de fazer. Assim, elaborar programa de informática, transportar carga/pessoas, consertar motor, prestar consultoria e realizar cirurgia médica são exemplos de serviço, no qual há sempre algo de imaterial (o ato de fazer) necessário para sua ocorrência, apesar de também poder haver consumo de produtos (matéria) para sua prestação. Assim, não se pode confundir tal instituto com outras relações negociais cuja essência se reveste em uma locação de bens móveis, tais como licença de uso de marca ou software ou pagamento por direitos autorais (tais temas serão analisados adiante). O resultado não tem relação com a consumação, como bem demonstra o acórdão recorrido: 36. [...] a Lei n° 10.865, de 2004, menciona que os serviços “executados” no exterior, cujo resultado se verifique no Brasil são tributados por essas contribuições. Ora, “executado” significa cumprido, realizado e, portanto, já consumado. Nesse passo, aqui o significado de “resultado” não pode se referir à consumação do serviço, pois resultaria em evidente absurdo: um serviço executado (ou seja, consumado) no exterior não poderia ter seu resultadoconsumação no Brasil. Como é cediço, devese evitar a interpretação de vocábulos que leve ao entendimento absurdo do texto legal. Fl. 4519DF CARF MF 12 Assim, incide a PIS/Pasep na importação de serviço, quando há pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior: 1) como contraprestação por um serviço; 2) se este serviço é importado ou seja, proveniente do exterior, no sentido de que seja prestado por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior; e 3) se foi executado no Brasil ou no exterior com resultado no Brasil, sendo, nesse caso, o resultado aquilo que resulta para quem é prestado o serviço, ou ainda, para quem contrata o serviço e remete valores correspondentes. A recorrente argumenta, inicialmente, pela inconstitucionalidade das contribuições PIS/PasepImportação e CofinsImportação, discussão que foge à competência deste Conselho, conforme Súmula CARF nº 2. Alega também a recorrente não ocorrência do fato gerador das contribuições, nos casos em discussão. Afirma que, pelo art. 1°, § l°, I e II, da Lei n° 10.865/2004, além dos serviços serem provenientes do exterior, prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, devem ou serem "'executados no País" ou "executados no exterior, cujo resultado se verifique no País". Ora, estes são justamente os critérios nos quais se baseia o presente voto. Coloca ainda que "local de serviço" seria uma elementar da hipótese de incidência, devendo constar da autuação, por força do art. 142 do CTN, e 9° e 10, III, do Decreto n° 70.235/72, o que, segundo a recorrente, não teria ocorrido nos casos em que a autuação fora mantida. Discordo da recorrente, o local do serviço é indicado, quando não no termo de verificação, nos documentos que instruem e compõem a peça autuatória. Aduz a recorrente que o entendimento do acórdão recorrido esculpido no seu item 45, exposto abaixo, diverge de jurisprudência do STJ e de Soluções de Consulta do Fisco Federal: 45. Resumindo, o resultado a que alude a norma do PIS/Cofins Importação é a utilidade conferida pelo serviço ao seu beneficiário efetivo e, portanto, ocorre no local onde o serviço pode ser fruído ou aproveitado, direta e imediatamente, se tal lugar puder ser determinado (critério objetivo); se indeterminável, o local do resultado será o domicílio do beneficiário efetivo (critério subjetivo). Portanto, na primeira hipótese, há dois requisitos para a incidência das citadas contribuições: beneficiário efetivo residente no Brasil e fruição do resultado também no País. Na segunda hipótese, basta verificar se o beneficiário efetivo reside no Brasil. (Grifos do original). Traz decisão do STJ, sobre o ISS, no RE 831.124, que decide pelo critério do "local do resultado do serviço" aquele onde for "verificada a consumação ou conclusão especificamente do objeto da requisição do serviço" (grifos do original). Insurgese contra tomar o local do serviço "à base de sua eventual utilidade", por excesso de subjetivismo, no seu entender, a macular a segurança jurídica. Fl. 4520DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.515 13 As fontes referidas pela recorrente, além de tratarem de situações bem particulares e diversas das aqui dispostas, não vinculam este CARF. Ademais, não se utilizou este relator do tese do resultadoutilidade; eventualmente aplicável ao ISS, na qual se ampara o acórdão de piso, conforme exposto na respectiva ementa; mas sim na análise de elementos da regra matriz de incidência tributária da contribuições em pauta. Além disso, demonstrouse que o resultado não tem relação com a consumação. Serviços autuados Apenas para contextualização, visita à site institucional da Grendene, direcionado a “Relação com investidores” ( http://ri.grendene.com.br/PT/AEmpresa/Perfil ), revela que a empresa somente possui fábricas no Brasil, exportando seus produtos de forma direta ao através de sua subsidiária norteamericana: A Grendene foi fundada em 1971 e é uma das maiores produtoras mundiais de calçados. Possui tecnologia proprietária e exclusiva na produção de calçados para os públicos feminino, masculino e infantil. A Companhia é detentora de marcas reconhecidas e de sucesso, como Melissa, Grendha, Zaxy, Rider, Cartago, Ipanema, Pega Forte, Grendene Kids e Zizou. Além disso, atua também através de licenciamentos de celebridades e personagens do universo infantojuvenil. A Grendene é totalmente integrada, com capacidade instalada de 250 milhões de pares/ano em suas cinco unidades industriais, compostas por 11 fábricas de calçados, matrizaria e fábrica de PVC para consumo próprio na produção de calçados; com uma logística de distribuição que atinge desde distribuidores a varejistas tradicionais e não tradicionais em todo o território nacional e no exterior. As unidades industriais estão distribuídas: (i) Estado do Ceará, nas cidades de Sobral (1993), matriz (sede social) e maior planta, com seis fábricas de calçados, uma fábrica de PVC e um CD (Centro de distribuição); Fortaleza (1990), duas fábricas de calçados e componentes de PVC; Crato (1997) uma fábrica de calçados e de componentes em EVA; (ii) Estado do Rio Grande do Sul, na cidade de Farroupilha (1971) uma fábrica de calçados, matrizaria e sede administrativa; e (iii) Estado da Bahia, uma unidade na cidade de Teixeira de Freitas (2007). A empresa vende seus produtos por meio de representantes comerciais, distribuidores, exportações diretas e através da subsidiária Grendene USA, Inc. (EUA), atingindo cerca de 20 mil pontos de venda fora do País e 65 mil no mercado brasileiro, além de uma área de vendas separada e distribuição seletiva para a marca Melissa, um Showroom Melissa em Milão e 4 lojas conceito: três “Galeria Melissa” (São Paulo, Nova York e Londres), e uma “Casa Ipanema” (Rio de Janeiro). Fl. 4521DF CARF MF 14 Sobre marcas, softwares e direitos autorais, o acórdão tece raciocínio a dar lhes natureza de locação de bens móveis, com base na Lei nº 4.506, de 1964, artigos 21 e 22: Art. 21. Serão classificados como aluguéis os rendimentos de qualquer espécie oriundos da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como: (Vide DecretoLei nº 1.642, de 1978) (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) I Aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; [...] IV Direito de uso ou exploração de películas cinematográficas; Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (Vide DecretoLei nº 1.642, de 1978) (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) [...] c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. [...] Depois, fundamenta no sentido de concluir que o "pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de licença de uso de marcas, softwares e direitos autorais" não está associado a uma prestação de serviços: 49. A questão é pois identificar se a locação de bens móveis pode ser considerada modalidade de prestação de serviço. 50. No REsp 63.847, de 03/04/1997, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça entendeu que sim, tendo como principal fundamento o fato de figurarem os contratos de licença para uso de marca na tabela anexa ao DecretoLei nº 406, de 1968, que na época era a norma geral do ISS. 51. Mais recentemente, em 04/02/2010, o Supremo Tribunal Federal aprovou a Súmula Vinculante nº 31, com o seguinte teor: “É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis”. 52. Todavia, em 22/02/2011, no Agravo Regimento na Reclamação nº 8.623, a 2ª Turma do STF decidiu aplicar o anexo da Lei Complementar (LC) nº 116, de 2003, nos termos do artigo 156, inciso III, da Constituição da República de 1988, que prevê a definição dos serviços tributáveis pelo ISS em lei complementar federal, com a seguinte ementa: “(...) 4. ISS. Incidência sobre contratos de cessão de direito de uso de marca. Possibilidade. Lei Complementar 116/2003. Item 3.02 do Anexo. (...)”. Nesse caso, portanto, afastouse o efeito da Súmula Vinculante nº 31. 53. Os dispositivos das decisões judiciais acima (REsp 63.847 e Ag.Reg. na Recl. 8623) não se prestam para persuadir o destino dos lançamentos de PIS/CofinsImportação ora em debate, já que trazem como fundamento o Fl. 4522DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.516 15 fato de a locação de direito imaterial constar na lei do ISS como serviço. Isso porque a LC nº 116, de 2003, e sua antecessora não se caracterizam como norma geral de direito tributário, a ponto de definir os serviços a serem exigíveis para toda e qualquer espécie tributária. Tratase, pois, de lei aplicável somente ao ISS. 54. No voto do Min. Celso de Mello lavrado dentro do RE 116.121 (Trib. Pleno, DJ 25.05.2001, p. 70810) extraemse fundamentos seguros para decidir: Cabe advertir, neste ponto, que a locação de bens móveis não se identifica e nem se qualifica, para efeitos constitucionais, como serviço, pois esse negócio jurídico, considerados os elementos essenciais que lhe compõem a estrutura material – não envolve a prática de atos que substanciam um praestare ou um facere. Na realidade, a locação de bens móveis configura verdadeira obrigação de dar, como resultado do art. 1.188 do Código Civil: “Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado, ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição.” Esse entendimento – que identifica, na figura contratual da locação de bens móveis, a presença de uma típica obrigação de dar, fundada na cessão de coisa não fungível – encontra apoio em autorizado magistério doutrinário (SILVIO RODRIGUES, “Direito Civil”, vol. 3/209211, itens ns. 88/90, 23ª ed., 1995, Saraiva; CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, “Instituições de Direito Civil”, vol. III/250254, item n. 238, 5ª ed., 1981, Forense; ORLANDO GOMES, “Contratos”, p. 328, 330/332 e 335, itens ns. 209/210 e 214, 7ª ed., 1979, Forense, v.g.). Insistase, portanto, na asserção de que, para efeito de configuração do contrato de locação de coisas (locatio rerum, que se distingue, juridicamente, da locatio operis faciendi), a entrega de coisa não fungível constitui, nos termos de nosso estatuto civil (art. 1.188 c/c art. 1.189, I), um dos essencialia negotii, como acentua MARIA HELENA DINIZ (“Curso de Direito Civil Brasileiro”, vol. 3/194, 6ª ed., 1989, Saraiva): A entrega da coisa locada é o principal dever do locador, por ser ela um meio indispensável para a fruição do uso e gozo do bem, o que constitui elemento essencial do contrato de locação. Sem tal entrega, a locação não se efetiva. (grifos nossos) 55. Logo, por ser a locação de bens típica obrigação de dar, tem natureza jurídica diversa da prestação de serviços, típica obrigação de fazer. Como resultado dessa natureza jurídica diversa, a locação de bens não se caracteriza como prestação de serviços. Fl. 4523DF CARF MF 16 56. Já em relação à licença para uso de direitos imateriais, não é possível vislumbrar a ocorrência de obrigação de fazer. Seu objeto tratase de pura obrigação de dar (licença de uso de marcas, softwares e direitos autorais). Como se está falando de bens incorpóreos, sequer há, como no caso da locação, a obrigação de manter a coisa (bem locado) em condições para o uso. Não se relacionam, assim, a serviços. Obviamente houve um fazer (esforço), consistente na elaboração/consolidação da marca, criação do software e do objeto correspondente ao direito autoral, mas todos realizados antes do contrato de licenciamento de uso, pelo que inexiste obrigação de fazer neste momento. Diferentemente, na prestação de serviço, o fazer será realizado após a contratação. 57. Concluise, pois, que o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior, a título de licença de uso de marcas, softwares e direitos autorais, sem a prestação de serviços vinculados a essa cessão, não caracterizam contraprestação por serviço, descabendo a incidência do PIS/Pasep e da Cofins na importação. (Grifos do original). Concordo com a fundamentação e a conclusão do acórdão de piso, no sentido da não incidência das contribuições sobre a locação de bens móveis, como também sobre licenças de uso marcas e patentes, de software e de direitos autorais. É que tratam de obrigação de entregar coisa e não de obrigação de fazer, característica da prestação de serviço, contrariamente ao recurso de ofício. Este Conselho já decidiu no mesmo sentido do dito acórdão: CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE 'SOFTWARE'. SUPOSTA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE SUPORTE TÉCNICO. REMUNERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INCIDÊNCIA DE COFINS. O valor pago a título de licença de uso de 'software' não está sujeito a incidência de COFINS, uma vez que não configura um serviço (obrigação de fazer) e sim uma obrigação de dar. [...] CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E ASSISTÊNCIA TÉCNICA. REMUNERAÇÃO DE 'ROYALTIES'. INEXISTÊNCIA DE INCIDÊNCIA DE COFINS. O valor pago a título de 'royalties' em razão de contrato de transferência de tecnologia não está sujeito a incidência de COFINS, uma vez que não configura um serviço (obrigação de fazer) e sim uma obrigação de dar. A previsão contratual hipotética de serviço de assistência técnica não altera esse quadro quando o acervo probatório produzido nos autos é no sentido de que não houve pagamento por prestação de serviço, mas sim por cessão de tecnologia ('royalties'). [...] CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE 'SOFTWARE'. SUPOSTA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE SUPORTE TÉCNICO. REMUNERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INCIDÊNCIA DE COFINS. Fl. 4524DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.517 17 O valor pago a título de licença de uso de 'software' não está sujeito a incidência de COFINS, uma vez que não configura um serviço (obrigação de fazer) e sim uma obrigação de dar. [...] (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402003.821, de 23/01/2017, rel. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro). Foram autuadas rubricas remessas relativas a consultoria. Sobre o tema, a recorrente apresenta contratos e manifesta que o "objeto da requisição do serviço esgotase no exterior", trazendo trechos destes: Não cabe razão à recorrente. São “serviços de consultoria para a realização de atividades estratégicas de promoção e colocação da marca Melissa” no México e “serviços de consultoria para a área de pesquisa de mercado [...] para a introdução da marca Melissa” na Europa. Os contratados apresentam endereço comercial no México, Portugal e Inglaterra. São serviços, houve remessas aos prestadores estrangeiros, com resultado para a remetente contratante, a GRENDENE, brasileira. É o que basta para que incidam as contribuições. A execução pode até se esgotar no exterior, mas o resultado é percebido no Brasil, pela Grendene. Sobre os itens publicidade, software e pesquisa e desenvolvimento a recorrente reproduz decisão do acórdão: Fl. 4525DF CARF MF 18 Em seguida, argumenta pela falta de tais elementos expressamente na autuação. No caso da Turner Broadcasting System, constam dos autos documentos a demonstrarem o serviço por ela prestado (inclusive com data, horário e duração da veiculação), ás fls 31393140. São "veiculações de comerciais no canal CARTOON BRASIL", executados no Brasil: Fl. 4526DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.518 19 [...] O pagamento à Construct Data Verlag é relativo à propaganda em um guia internacional de feiras, conforme consta à fl. 500 dos autos, Advertisement entry "FAIR Guide" (http://www.fairguide.com/"), como esclarece, com resultado para a contratante remetente, a GRENDENE, brasileira. Sobre a Procam Software há fatura a referirse a taxa de manutenção, mas apenas no valor de 1.500 euros, havendo na fatura fornecimento de conversor no valor de 3.150 euros que escapa a tributação sobre importação de serviços (fl. 2784). Apenas sobre tal equipamento não incidem as contribuições: Sobre a Global Reporting Iniciative, o serviço documentado está às fls 1699 e seguintes. É projeto de cunho estratégico para a contratante, para melhorar sua comunicação de desempenho de sustentabilidade: Tratase de remessa a prestador estrangeiro, relativa prestação de serviço, com resultado para a remetentecontratante, a GRENDENE, brasileira. Fl. 4527DF CARF MF 20 Assim, sobre tais itens, descabe razão à impugnante, salvo pelo fornecimento de conversor, pela Procam Software. A recorrente ainda se insurge contra a manutenção da incidência das contribuições sobre a os serviços de inspeção de produtos exportados para a Ásia, prestados pela Interkek Testing Services HongKong Ltd. Também aqui há prestação de serviço, remessa a prestador estrangeiro, com resultado para a remetentecontratante, a GRENDENE, brasileira., descabendo razão à recorrente Por fim, reproduzo tabela colocada ao final do acórdão recorrido, com a incidência ou não das contribuições, para cada rubrica, conforme lá decidido: Fl. 4528DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.519 21 Fl. 4529DF CARF MF 22 Em todos os casos em que o relator do acórdão recorrido observou não haverem elementos, nos autos, a bem determinarem a natureza do serviço, decidiu por exonerar o lançamento respectivo, a exemplo da rubrica SERV DIV – EXP/IMP, com o que concordo, contrariando o recurso de ofício. Entendeu o acórdão de piso pela não incidência das contribuições no caso das rubricas MANUTENÇÃO DE AERONAVE, SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS e SERVIÇOS TÉCNICOSPROFISSIONAIS (nessa rubrica, tão somente os serviços prestados pela Combine Will Industrial Co), com base no critério do resultadoutilidade para a determinação do local da prestação, conforme descrito na tabela acima. Discordo. Não abraço o critério do resultadoutilidade construído no acórdão de piso. O resultado foi percebido pela contratanteremetente, a GRENDENE, em solo brasileiro. É o bastante. Dou razão, pois, ao recurso de ofício. Fl. 4530DF CARF MF Processo nº 13312.000366/200953 Acórdão n.º 3301004.585 S3C3T1 Fl. 4.520 23 Com relação aos demais serviços da rubrica SERVIÇOS TÉCNICOS PROFISSIONAIS, que não os referentes a Combine Will Industrial Co e a Turner Broadcasting Systems, o acórdão de piso entendeu que "inexiste demonstração clara da natureza do serviço", com o que concordo, contrariando o recurso de ofício. É o caso apenas da caso da remessa à Tuv Produkt Und Unwelt Gmbh, sobre o qual consta apenas "fechamento de operação de câmbio". Com relação aos demais serviços da rubrica PUBLICIDADE (exceto prestados pela Turner Broadcasting System e Construct Verlag) para os quais não fora identificado “articulação/prova” de qualquer utilidade no Brasil, no entendimento do acórdão recorrido. Discordo. Novamente. Não abraço o critério do resultadoutilidade. O resultado alcançou a contratanteremetente, a GRENDENE, brasileira.. Tem razão o recurso de ofício. Para a rubrica FEIRAS E EXPOSIÇÕES; e FEIRAS EXTERIOR; decidiu o acórdão sob exame também pela não incidência, tanto pelo critério do resultadoutilidade no paíssede, no caso dos ditos serviços (a exemplo citado, da montagem de stands), como também pela característica de locação de bem móvel, no caso dos valores relativos à locação de stands. Discordo do acórdão de piso, nos caso dos valores relativos a serviços, por ter seu resultado alcançado a contratanteremetente brasileira, dando razão ao recurso de ofício. Concordo com a decisão de piso, no caso da locação de stands pela sua referida natureza. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por: 1) Dar parcial provimento ao recurso de ofício, a) no caso das rubricas MANUTENÇÃO DE AERONAVE, SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS e SERVIÇOS TÉCNICOSPROFISSIONAIS (nessa rubrica, tão somente os prestados pela Combine Will Industrial Co); b) relativamente aos demais serviços da rubrica PUBLICIDADE (exceto prestados pela Turner Broadcasting System e Construct Verlag); e c) na rubrica FEIRAS E EXPOSIÇÕES; e FEIRAS EXTERIOR, no caso dos valores relacionados a serviços; 2) Dar parcial provimento ao recurso voluntário, com relação às remessas à Procam Software, quanto ao fornecimento de conversor no valor de 3.150 euros. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 4531DF CARF MF 24 Fl. 4532DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911736/2011-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/02/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente BPR NATAÇÃO E WELLNESS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/02/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 17 36 /2 01 1- 33 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.911736/201133 Acórdão n.º 3002000.134 S3C0T2 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 38005.03446.270907.1.3.040463 (fl. 08/13), transmitido em 27/09/2007, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 04), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 19/07/2011, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 15/08/2011 (fl. 24/30), na qual informou que não apurou débito de PIS no 1º trimestre de 2004, conforme a Dacon, portanto, não deveria ter pago o DARF no valor de R$ 1.241,51. Informa, também, que se utilizou desse crédito para compensar outros débitos através de três PER/DCOMP´s. A recorrente prossegue discorrendo sobre a legislação e a jurisprudência, que embasariam seu direito à compensação. Por fim, pede a reforma da decisão e a homologação da compensação realizada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia da Dacon, referente ao 1º trimestre de 2004, transmitida em 18/09/2007. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/02/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de Compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.911736/201133 Acórdão n.º 3002000.134 S3C0T2 Fl. 70 3 Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 56/63), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que ocorreu a homologação tácita dos créditos declarados na Dacon. Não juntou mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.911736/201133 Acórdão n.º 3002000.134 S3C0T2 Fl. 71 4 § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.911736/201133 Acórdão n.º 3002000.134 S3C0T2 Fl. 72 5 para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia da Dacon, referente ao 1º trimestre de 2004, transmitida em 18/09/2007. Se, por um lado, é certo que a Dacon faz prova em favor do contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Quanto à alegação da recorrente de que haveria ocorrido a homologação tácita dos créditos declarados na Dacon, tal fato não procede. A Dacon tem cunho meramente informativo, portanto, não constitui documento hábil para a confissão de dívida, nem para a constituição de crédito e, ademais, não está sujeita à homologação. A necessidade de comprovação dos créditos a compensar por parte do contribuinte é imperiosa, como já mencionado, e não encontra respaldo legal a afirmação da recorrente de que a Administração Pública não pode deixar de aceitar um suposto crédito, mesmo que este não tenha liquidez e certeza. Reproduzse trecho do recuso da recorrente: "Não pode a recorrida (Administração Pública), por falta de certeza do crédito da recorrente ignorar tal crédito e não deixar que a recorrente o utilize." Do excerto acima, percebese que a própria recorrente tinha conhecimento de que o crédito, que intentava utilizar, não gozava de liquidez e certeza. Dessa forma, entendo Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.911736/201133 Acórdão n.º 3002000.134 S3C0T2 Fl. 73 6 que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.911736/201133 Acórdão n.º 3002000.134 S3C0T2 Fl. 74 7 Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Portanto, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 74DF CARF MF
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