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Numero do processo: 10920.723534/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2011
CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSO JUDICIAL EM FASE DE LIQUIDAÇÃO DO JULGADO.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, merecendo acolhimento o recurso do contribuinte apenas na parte em que pede seja suspensa a exigibilidade até que seja proferida decisão judicial definitiva em sede de liquidação do julgado.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o Recurso de Voluntário. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octavio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2011 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSO JUDICIAL EM FASE DE LIQUIDAÇÃO DO JULGADO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, merecendo acolhimento o recurso do contribuinte apenas na parte em que pede seja suspensa a exigibilidade até que seja proferida decisão judicial definitiva em sede de liquidação do julgado. Recurso voluntário não conhecido.
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SÚMULA CARF Nº 1. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. PROCESSO JUDICIAL EM FASE DE LIQUIDAÇÃO DO JULGADO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente, merecendo acolhimento o recurso do contribuinte apenas na parte em que pede seja suspensa a exigibilidade até que seja proferida decisão judicial definitiva em sede de liquidação do julgado. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o Recurso de Voluntário. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 35 34 /2 01 2- 21 Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Octavio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos da controvérsia, transcrevo o relatório da DRJ: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, e no RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, consoante capitulação legal indicada na descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 480/482, foi lavrado o auto de infração de fl. 479, em 21/09/2011, para exigir R$ 711.178.978,13 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e R$ 183.773.298,49 de juros de mora calculados até 30/09/2011, o que representa o crédito tributário total consolidado de R$ 894.952.276,62. Consoante o termo de verificação fiscal de fls. 465/477 houve a glosa de créditos escriturados sob a rubrica “Outros Créditos – Crédito Prêmio DL 491/69 – BEFIEX” no período de setembro de 2007 a dezembro de 2011, com supedâneo na Ação Ordinária nº 92.00.166610. O Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do RE 577348/RS, estabeleceu que o créditoprêmio de IPI fora extinto em 05/10/1990, em julgado com repercussão geral de 13/08/2009. No andamento da ação nº 92.00.166610, houve, já na liquidação de sentença, o ajuizamento do Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0176473/DF pela União Federal, sendo que o respectivo não provimento e a rejeição de embargos de declaração deram azo à interposição de recursos especial e extraordinário, pendentes de exame de admissibilidade no TRF da 1ª Região. A constituição do crédito tributário foi efetuada com a exigibilidade suspensa e sem aplicação da multa de ofício, nos termos da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 63. A empresa tomou ciência da exação em 24/09/2012, por meio do respectivo preposto. Insubmissa, a contribuinte apresentou em 17/10/2012 a impugnação de fls. 497/514, subscrita pelos patronos da pessoa jurídica devidamente constituídos (fls. 520/522), em que protesta, em síntese, que a defesa foi apresentada tempestivamente; na constituição do crédito tributário, realizada para prevenir os efeitos da decadência e com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial transitada em julgado, Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10920.723534/201221 Acórdão n.º 3202000.760 S3C2T2 Fl. 1.058 3 houve ofensa à coisa julgada; o processo administrativo deve ser sobrestado até o trânsito em julgado da discussão travada nos autos da Ação Ordinária nº 92.00.166610 e deve ser julgado improcedente o auto de infração; resumo histórico do crédito prêmio de IPI e do programa BEFIEX e evolução da demanda judicial. Por fim, requer, em preliminar, o sobrestamento do auto de infração até o trânsito em julgado da demanda judicial da Ação Ordinária 92.00.166610, ou então, que seja reconhecida a improcedência do auto de infração, pois houve a glosa de créditos reconhecidos judicialmente, em ofensa ao direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada. Apreciando a impugnação da empresa, a DRJ negou provimento a impugnação, por haver concomitância de discussão judicial. Cientificada da decisão da DRJ, a interessada interpôs o presente recurso voluntário, alegando, em síntese, que o procedimento administrativo deveria ser sobrestado, enquanto persiste a lide judicial, travada no o Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.017647 3/DF, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (sendo a Seção Judiciária originária do Distrito Federal): O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O auto de infração sob julgamento foi lavrado para prevenir a decadência do tributo, na forma do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, tendo glosado compensação efetuada pela empresa ora recorrente com créditoprêmio de IPI, durante o período em que vigeram os contratos firmados pelas partes referentes ao Programa Especial de Exportação – BEFIEX. Como constatou a DRJ, a existência do créditoprêmio foi discutida no âmbito do Processo Judicial nº 92.00.166610, transitado em julgado favorável à empresa e, atualmente, em fase de liquidação do julgado, pendente de julgamento no Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0176473/DF, em trâmite no TRF da 1ª Região. A DRJ julgou procedente o lançamento, assentando que a matéria (vigência ou não do créditoprêmio) está submetida ao Judiciário, de modo a obstarlhe sua apreciação. Em seu recurso voluntário, a recorrente reconhece a existência de concomitância de discussão administrativa e judicial, pedindo apenas que seja suspensa a cobrança, até o trânsito em julgado do Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0176473/DF. O mencionado agravo de instrumento foi interposto contra decisão em liquidação de julgado favorável à recorrente, tendo sido desprovido esse recurso da Fazenda Nacional pelo TRF da 1ª Região, como pode se observar de sua ementa: Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. LIQUIDAÇÃO POR ARTIGOS. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA (IMPOSSIBILIDADE). BENEFIX. RESOLUÇÃO CIEX 02/79. 1. Publicada a decisão de liquidação quando já estava em vigor a Lei 11.232, de 22.12.05, que inseriu o art. 475H no CPC, o recurso cabível é o agravo de instrumento. Havendo previsão expressa na lei, a utilização do recurso de apelação configura erro grosseiro, sendo inadmissível a aplicação do princípio da fungibilidade recursal (AI 946.131AgRg, Ministro Ari Pargendler, DJ de 05.05.2008). 2. Seguindo essa linha de raciocínio, o agravo interposto pela Fazenda Nacional não pode ser recebido com a amplitude requerida para rediscutir toda a questão de mérito, rejeitada em ação rescisória que transitou em julgado no ano de 2005. 3. A condenação da Fazenda em ressarcir à autora o valor do créditoprêmio IPI, durante o período em que vigeram os contratos firmados pelas partes referentes ao Programa Especial de Exportação – BEFIEX, não se submete à tese da relativização da coisa julgada visto não estar configurada, no caso, aplicação de lei ou norma declarada inconstitucional pelo STF. 4. O créditoprêmio do IPI, ao contrário da tese defendida pela União, pode ser aproveitado pelas empresas incluídas no BEFIEX, a despeito do quanto disposto no art. 15 do Decreto lei 1.219/72. 5. Com relação às exportações realizadas sob o amparo do Programa Especial de Exportação (BEFIEX), o direito da agravada ao créditoprêmio do IPI fica comprovado à face da documentação apurada pelo Juízo da liquidação, conforme consignado na decisão que indeferiu o efeito suspensivo, transcrita em fls. 8.632/8.633 e CONFIRMADA pela própria agravante que afirma (fl. 8.640) “No Relatório de Diligência Fiscal ficou constatado o cumprimento das metas referentes às exportações FOB, investimento em ativo fixo, compra de bens de capital no mercado nacional”. 6. Não procede a pretensão de não aplicação da alíquota prevista na Resolução CIEX 2/79, tendo em vista que o título judicial transitado em julgado expressamente determinou a sua aplicação. 7. Não merece acolhida a alegação de que há erro na metodologia aplicada quanto aos códigos dos produtos. Em resposta aos quesitos complementares da União, relativos a esses códigos (fls. 923/935), o perito afirma a correspondência dos utilizados com aqueles do Decreto 73.340/73 e a Resolução CIEX n. 02/79. 8. Agravo de instrumento desprovido. Verificando o andamento atual do Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0176473/DF, no site do TRF/1, constatei que esse recurso continua com o mesmo andamento verificado pela DRJ, estando concluso ao Desembargador Relator, desde Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10920.723534/201221 Acórdão n.º 3202000.760 S3C2T2 Fl. 1.059 5 19/11/2012, para apreciar o recurso especial e o recurso extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional. Desse modo, percebese que o debate judicial ainda está em curso, sendo incontroverso que seu deslinde repercute na procedência ou não do lançamento tributário ora julgado. Nesse contexto, entendo por NÃO CONHECER o recurso voluntário, destacando que está suspensa a exigibilidade do lançamento, em função do Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0176473/DF, em trâmite no TRF/1ª Região, devendo ser respeitado o que vier a ser decidido definitivamente pelo Judiciário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904056/2010-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 56 /2 01 0- 80 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A lide versa sobre a não homologação de compensação transmitida por meio de Per/Dcomp em 20/04/2007, pela via de despacho decisório eletrônico nº 880563039(fl. 4), exarado em 06/09/2010, cuja autoridade administrativa emitente analisando o limite de crédito originalmente informado (DARF), constatou não restar saldo credor disponível à satisfação da compensação intentada, posto que utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do próprio contribuinte. Manifestando a sua inconformidade em face do referido despacho a contribuinte argüiu sucintamente, que do referido crédito informado através de DARF foi detectado um pagamento indevido ou a maior, sendo tais valores compensados com débito de Cofins, apurado em março/2007. Conclusos foram os autos para apreciação pela 9a Turma de Julgamento da DRJ/CPS, que em sessão realizada em 07/12/2011, por meio do Acórdão nº 0536.233, proferiu decisão cuja síntese do entendimento vazado na ementa, adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito credit6rio, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito credit6rio aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.904056/201080 Acórdão n.º 3803004.468 S3TE03 Fl. 6 3 Resumiu a decisão acima ementada que tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas, destarte faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A interessada faz o registro em peça apartada a título de pedido de correção de erro material, esclarecendo que foi notificada por documento de nº 125/2012, que destoa do conteúdo do acórdão ora recorrido, ocasião em que requer o refazimento da mesma, com a devida reabertura de prazo para a interposição do recurso voluntário (protocolada em 07/03/2012). Cientificada da decisão de primeira instância por meio de AR em 13/02/2012, em face da mesma interpôs recurso voluntário em 14/03/2012, conforme registro em protocolo do órgão preparador estampado nos autos, para aduzir sucintamente: A recorrente identificou recolhimentos a maior ou indevidos de tributos federais e quantificou no DAR o seu respectivos valor, sendo que, a fundamentação jurídica desse indébito fiscal é: 1) o alargamento indevido da base de cálculo do PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento (art. 154, I e art. 195, I, § 4o; CF/88; art. 110, CTN; art. 2o, LC 70/91; e declaração de inconstitucionalidade pelo STF do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); 2) exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis (art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parág. Único, Lei 9.718/98; MP 1.99115/00, extinguiu a substituição tributária e instituiu o regime de incidência monofásica, posteriormente convertida na Lei 9.990/00; Lei 10.865/04, deu nova redação ao art. 4o da Lei 9.718/98, alterando as alíquotas antes previstas); e 3) exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Compulsando os autos verificouse que a recorrente no momento de protocolização de sua manifestação de inconformidade não aduziu acerca das razões de direito que consubstanciaram à formação do crédito decorrente de pagamento indevido, nem tampouco juntou elementos de prova material com a finalidade de demonstrar a existência de saldo credor no montante correspondente aos débitos já informados à Receita Federal do Brasil, sendo esta a razão da não homologação da compensação declarada. Portanto as questões atinentes ao alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, da exclusão de valores da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, bem assim da exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, que se constituíram nas razões de defesa, somente vieram a lume por ocasião do apelo apresentado e, certamente, não foram objeto de apreciação pelo juízo da instância a quo. Por conseguinte não obstante tenha a recorrente trazido ao debate nesta Corte matérias de direito a título de composição do indébito utilizado na compensação não homologada, a meu ver tais temas não podem ser objeto de pronunciamento por este colegiado, sob risco de dar azo a supressão de instância, eis que tais matérias são estranhas à decisão de piso, uma vez que não foram objeto de apreciação pelo juízo da instância a quo. Por tal razão deixo de conhecer o recurso nesta parte. Assim o debate a ser realizado no âmbito deste colegiado não comporta discussão sobre matéria de direito, circunscrevendose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada, portanto a matéria de prova. A recorrente em nenhum momento carreou aos autos elementos materiais de prova, com robustez o suficiente a sustentar às suas razões de defesa, como também não logrou apontar em que tipo de irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Ante todo o exposto, em sede de preliminar, deixo de conhecer o recurso por inovação dos argumentos de defesa. É como voto. Sala de sessões, em 21 de agosto de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.904056/201080 Acórdão n.º 3803004.468 S3TE03 Fl. 7 5 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15375.000606/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA COM O PRESTADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI 8.212/1991 COM A REDAÇÃO DA LEI 9.528/1997.
O art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação inicial, impunha ao tomador de serviços a obrigação solidária de recolher as contribuições devidas em razão dos serviços prestados, não comportando benefício de ordem.
Não comprovado o recolhimento prévio pela prestadora de serviços, não pode ser elidida a responsabilidade do tomador dos serviços.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS DIRETORES.
Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ.
A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
É flagrante o prejuízo aos diretores com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, razão pela qual o rol de corresponsáveis somente pode ser mantido pelo sua finalidade meramente informativa.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de Co-Responsáveis (CORESP), o "Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a ¿Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA RITA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA COM O PRESTADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI 8.212/1991 COM A REDAÇÃO DA LEI 9.528/1997. O art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação inicial, impunha ao tomador de serviços a obrigação solidária de recolher as contribuições devidas em razão dos serviços prestados, não comportando benefício de ordem. Não comprovado o recolhimento prévio pela prestadora de serviços, não pode ser elidida a responsabilidade do tomador dos serviços. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. 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A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. É flagrante o prejuízo aos diretores com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 06 06 /2 00 9- 19 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 3 2 art.135 do CTN, razão pela qual o rol de corresponsáveis somente pode ser mantido pelo sua finalidade meramente informativa. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete e Marcelo, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a Relação de CoResponsáveis (CORESP), o "Relatório de Representantes Legais (RepLeg) e a ¿Relação de Vínculos (VÍNCULOS), anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrado em face do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA RITA S/A, pertinente às contribuições Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 4 3 previdenciárias pertinentes a parte do segurado, a cota patronal, bem como as designadas para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, devidas pela empresa em epígrafe, na qualidade de responsável solidário, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 48/60. O relatório narra, ainda, que o crédito em comento é oriundo da responsabilidade solidária da ora Recorrente devido aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa HG Participações e Empreendimento Ltda., tendo sido, o referido crédito, apurado através da análise de notas fiscais/faturas devidamente lançadas na contabilidade. Em virtude de tal conduta, foi lançado o crédito no montante de R$ 2.649,19 (dois mil seiscentos e quarenta e nove reais e dezenove centavos). O contribuinte ofereceu impugnação tempestiva às fls. 78/105, bem como a HG Participações e Empreendimento Ltda. também o fez, às fls. 106/110. Às fls. 121, foi solicitado que a auditora notificante se pronunciasse quanto aos contratos juntados ao relatório fiscal e guia apresentada. Esta, por sua vez, informou que os serviços foram prestados no ambiente hospitalar e constituíam rotina administrativa. Outrossim, foi apresentado apenas o contrato de prestação de serviço firmado entre as empresas citadas em 01/08/1999, servindo de base para o presente levantamento. Contudo, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Diretoria da Receita Previdenciária em Contagem/MG, às fls. 125/133, cuja ementa assim dispôs: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃODEOBRA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados. Nos termos do artigo 31, da Lei 8.212/91. As contribuições sociais em atraso, arrecadas pelo INSS, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação (artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91 e alterações). Lançamento Procedente Irresignada, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 139/153, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) O relacionamento da recorrente com sua respectiva prestadora de serviços não caracteriza cessão de mãodeobra, invalidando a responsabilização solidária. 2) A responsabilidade solidaria atribuída pela Lei nº 8.212/1991, só deve ser considerada quando devidamente comprovada a impossibilidade do Fl. 196DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 5 4 cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte originário. Dessa forma, certificase que a notificação fundamentouse em presunção fiscal. 3) Inexistência de comprovação do fato gerador de tributo praticado com excesso de poder, infração da lei ou violação do contrato social, por parte dos diretores da ora Recorrente, configurando ilegitimidade da inclusão dos referidos diretores como corresponsáveis. 4) É imprescindível que a situação completa da empresa prestadora de serviço seja examinada no Banco de Dados do INSS, pois, caso a dívida já tenha sido paga ou assumida pelo devedor principal, sejam os valores retirados do processo administrativo em comento, para que não sofra a base de cálculo a tributação. 5) Requer a nulidade do emprego da taxa Selic para correção dos débitos, haja vista as vicissitudes que lhe tiram qualquer legalidade. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da configuração da cessão de mãodeobra Os fatos geradores objeto da presente autuação ocorreram quando ainda estava em vigor o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991 com a redação dada pela Lei 9.528/1997, segundo o qual: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 6 5 § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. A configuração da cessão de mãodeobra depende, conforme dispositivo lega, da configuração dos seguintes requisitos: 1) Serviço colocado à disposição do contratante; 2) Realização dos serviços nas dependências do contratante ou de terceiros; 3) Serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade da empresa. Ora, o contrato de cessão de mãodeobra tem por objeto a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade. Em outras palavras, a mão deobra contratada é a razão nuclear da conclusão do contrato, ao contrário das relações de empreitada, nas quais a mãodeobra é meio para a concretização de obra ou tarefa desejada pelo contratante. Sabese que a empreitada é “o contrato em que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar certo trabalho para a outra (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado.” (PEREIRA, 2006). Tratase, portanto, de contrato oneroso e bilateral, e que, ainda, possui a característica de ser limitado no tempo, pois a empreitada deve ter início, meio e fim. É contratação que já nasce destinada a morrer, quando atinge o fim pactuado pelas partes. O contrato de cessão de mãodeobra, por sua vez, tem objeto diferente, o qual, conforme já afirmado, consiste na disponibilização contínua da própria mãodeobra, em sentido amplo, contratada para realização de um determinado serviço necessário ao salutar e adequado funcionamento da empresa contratante. A título de exemplo, destacase a seguinte situação: uma empresa terceiriza seu serviço de limpeza predial, e, para tal, contrata determinada prestadora de serviço. A prestadora, por sua vez, irá disponibilizar, para a contratante, certo número de pessoas, com o Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 7 6 objetivo de realizar o serviço de limpeza, de maneira que o objeto do contrato é a força de trabalho, isto é, a própria mão deobra para que esta fique à disposição da contratante, ou seja, sob o seu poder de comando. Nesse contexto, é valente destacar que a determinação da disponibilidade como requisito para a caracterização do conceito de cessão de mãodeobra demonstra a atenção do legislador para a lógica que rege a relação contratual em comento. Ora, como o objeto do contrato de cessão consiste na obtenção da própria mãodeobra pelo contratante, é mais do que esperado, para não dizer óbvio, que deverá aquela ficar à disposição deste para a realização do serviço contratado. Também é necessário, para que seja considerada cessão de mãodeobra, que a prestação dos serviços seja realizada de forma contínua, nas dependências da contratante ou nas de terceiros, relacionada ou não a sua atividade fim. A caracterização da continuidade dos serviços deve ser analisada sob a ótica da empresa, isto é, a partir da consideração de se os serviços prestados importam, ou não, para o desenvolvimento da sua atividade. Dizse contínuo o serviço de que a empresa depende constantemente, de modo que a mãodeobra empregada não será utilizada apenas um vez ou por um período determinado de tempo. Dessa forma, inexiste continuidade quando o serviço contratado destinase ao atendimento de uma necessidade específica da empresa para determinado momento, não restando configurado, portanto, nestes casos, o conceito de cessão de mãodeobra previsto §2º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Se o caráter contínuo na prestação relacionase com a essencialidade do serviço contratado para o andamento regular das atividades da empresa, podese afirmar que a continuidade do serviço é uma consequência lógica da colocação da mãodeobra contratada à disposição do contratante. Todavia, a verificação da efetiva prestação continuada do serviço contratado demanda uma análise meticulosa a partir das peculiaridades do caso concreto, uma vez que, embora seja pressuposto da caracterização da continuidade prevista no §2º do artigo 31 da Lei 8.212/91, a não utilização única, eventual ou por um determinado período de tempo da mão obra contratada, não se pode olvidar que o negócio jurídico contratual realizado entre as partes poderá ser extinto pelas várias formas de extinção de contratos previstas em nosso ordenamento jurídico, por exemplo, o advento do termo final do prazo entre elas convencionado. Ora, o contrato movimentase na direção indicada por seu fim, ou seja, a satisfação do interesse do contratante. No caso da cessão de mãodeobra, considerada dentro da ótica do direito previdenciário, essa faceta teleológica é verificada na colocação da mãode obra contratada à disposição do contratante para a execução de um serviço essencial à empresa de forma não eventual. Assim, não resta caracterizada a continuidade, para fins de cessão de mãode obra, à luz da legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores quando, por exemplo, em um contrato de prestação de serviços com prazo de duração de 12 meses, o obreiro responsável pela manutenção das instalações elétricas da empresa contratante apenas Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 8 7 procede com a execução do serviço diante de um problema pontual nas referidas instalações ou limitase a ir às dependências da contratante uma única vez no mês. Nesse contexto, portanto, não há que se falar em dever de retenção, uma vez que a prestação do serviço pela mãodeobra contratada se deu, neste caso, de maneira preponderantemente eventual, o que contraria a melhor interpretação do conceito de continuidade previsto no §2º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Reiterese que a verificação da continuidade, ou não, na prestação do serviço pela mãodeobra contratada não pode se dar, unicamente, à luz do prazo de duração do contrato firmado entre as partes, visto que o estabelecimento de um termo final é uma característica comum à celebração de grande parte dos negócios jurídicos, em especial, as relações contratuais. Assim, deve o caráter contínuo do serviço contratado ser analisado a partir de considerações fáticas, dentro da perspectiva pragmática, considerandose, sobretudo, a sua maneira de execução, no mundo fenomênico, pela mãodeobra contratada, isto é, de forma contínua e nãoeventual. Destarte, para efeitos previdenciários, a expressão “serviços contínuos”, relacionase, intrinsecamente, com a realização de atividades consideradas de necessidade contínua pela empresa contratante, razão pela qual carecem de mãodeobra que fique a sua disposição para a execução do serviço tido como necessário. Todavia, não é requisito para a configuração da continuidade legalmente exigida a contratação constante de uma determinada empresa, como também não é necessário que sejam sempre os mesmos funcionários os responsáveis pela prestação dos serviços contratados. O que se exige, portanto, é a disponibilização contínua da própria mãode obra, em sentido amplo, contratada para realização de um serviço, e não a do prestador ou de determinado trabalhador, razão pela qual podem ser, por exemplo, efetuadas trocas do próprio prestador ou dos trabalhadores envolvidos, desde que seja mantido, na essência, o serviço anteriormente prestado, restando caracterizada, portanto, a continuidade legalmente exigida. Do pressuposto acima destacado, podese afirmar, ainda, que existe outro requisito, não expressamente previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, necessário à configuração do conceito previdenciário de cessão de mãodeobra, qual seja, a impessoalidade na execução do serviço contratado, uma vez que a realização deste não leva em conta a pessoa do responsável pela sua execução, como é típico nas relações empregatícias. E diferente não poderia ser, pois, consoante o já afirmado, a cessão de mão deobra tem por objeto apenas a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade, não se considerando, portanto, as qualificações pessoais do prestador de serviços, o qual pode, por uma série de razões, ser intermitentemente substituído por outro trabalhador ao longo da concretização dos serviços pactuados. Destarte, podese afirmar que o contrato de cessão de mãodeobra tem por característica a fungibilidade pessoal dos responsáveis pela concretização dos serviços contratados, uma vez que não se leva em consideração a pessoa do obreiro, tendo por conteúdo Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 9 8 exclusivo a colocação de prestadores de serviços sob o poder de comando da pessoa contratante para a execução, em suas dependências ou nas de terceiros, de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa. Quanto ao local de execução, o art. 31 da Lei 8.212/91 deixa claro que os serviços contratados devem ser prestados nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, compreendendo estas os locais indicados pela contratante, que não sejam seus próprios e que, também, não pertençam à empresa contratada. Pois bem. No caso dos autos, a autuação decorreu do não recolhimento da contribuição devida pela tomadora de serviços médicos prestados através de cessão de mãodeobra, que eram realizados na própria empresa tomadora, configurandose, portanto, a exigência quanto ao local da prestação. Quanto à continuidade na prestação dos serviços, verificase que os serviços de exames de cateterismo cardíaco são intimamente relacionados à atividade da empresa. Embora os serviços prestados não precisem ter vinculação à atividade fim, os serviços prestados por um Hospital dependem constantemente da realização desses serviços, tanto que a empresa HG Participações e Empreendimentos foi contratada por diversos períodos. Se não bastassem tais elementos suficientes para configurar a cessão de mão deobra, a própria empresa tomadora dos serviços efetuou a retenção nos meses subsequentes, quando foi alterado art. 31 da Lei nº 8.212/1991 pela Lei nº 9.711/1998, que passou a exigir a retenção de 11% do valor da nota fiscal ou recibo de prestação de serviços nas hipóteses de cessão de mãodeobra, o que representa reconhecimento pela própria empresa da natureza dos serviços prestados. Assim, verificada a ocorrência da cessão de mãodeobra no período autuado, fica a tomadora dos serviços responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias em relação aos serviços que lhe foram prestados, somente se eximindo da obrigação caso comprovasse que o prestador recolheu previamente as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura (art. 31, §3º da Lei nº 8.212/1991). Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 10 9 b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão dos diretores, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 11 10 III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 12 11 Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Por esta razão é que o rol constante do auto de infração tem finalidade meramente informativa, não atribuindo qualquer responsabilidade às pessoas ali arroladas. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 13 12 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 14 13 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 15 14 Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000606/200919 Acórdão n.º 2301003.270 S2C3T1 Fl. 16 15 afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, bem como para que seja esclarecido que o rol de corresponsáveis constante do auto de infração tem finalidade meramente informativa, não atribuindo responsabilidade às pessoas lá indicadas. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de janeiro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11686.000397/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir.
Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio..
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 97 /2 00 8- 50 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Trata o presente processo de Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Perdcomp) referentes a Cofins não cumulativa de exportação correspondente ao quarto trimestre de 2006. Em 30/01/2007, foi transmitido pedido de ressarcimento (PER — n° 18332.86079.300107.1.1.093045) informando crédito no valor de R$ 6.898.164,13 para o período, sendo o valor passível de ressarcimento e objeto da solicitação R$ 5.057.085,47. Transmitida também declaração de compensação (Dcomp n° 36624.11679.300107.1.3.090718) na qual utiliza parte do valor, R$ 4.700.000,00, para a compensação de débito. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 4 3 Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto à interessada pela DRF em Porto Alegre, originando o Despacho Decisório n° 212/2009 (fl. 40) que reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 2.025.094,15, homologando a compensação até este valor. O Despacho Decisório foi emitido com base na Informação Fiscal das fls. 29 a 33. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveuse aos seguintes fatores. Em primeiro lugar, a interessada não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos presumidos de ICMS e cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros. Em segundo, por ter incluído no valor passível de ressarcimento o crédito presumido das atividades de agroindústria. Cita ainda, a Informação Fiscal, que a empresa aplicou alíquota indevida para o crédito de atividades agroindustriais, sendo, na compra de suínos vivos e de milho, aplicável a alíquota de 35%, e não 60%. Por fim, por ter calculado crédito indevidamente sobre despesas de capatazia, movimentação de carga e descarga e outras relacionadas, no item correspondente às "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda". A empresa foi cientificada do Despacho Decisório, Informação Fiscal e cobrança dos valores indevidamente compensados em 06/07/2009 (fi. 45). A empresa apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade em 22/07/2009 (fls. 46 a 109), contestando todas as glosas efetuadas. Relativamente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação, e sendo a empresa beneficiária de crédito presumido de ICMS sobre a comercialização de produtos alimentícios em operações interestaduais, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Argumenta que a RFB amplia o conceito legal e transcreve decisão do Conselho de Contribuintes favorável a sua tese. Com o mesmo raciocínio, analisa a transferência de créditos do ICMS para terceiros, alegando que as quantias recebidas seriam na verdade redução de despesa, e no balanço passam da conta "tributos recuperáveis" para "caixa", ambas do ativo da empresa. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do benefício para as agroindústrias, conforme previsto na Lei n° 10.925/2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n° 11.116/2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n° 636/2006, revogada pela IN SRF n° 660/2006. As restrições de disposições Fl. 239DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 5 4 de Lei, assim implementadas via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa, afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. No que se refere à alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, entende que a Instrução Normativa SRF n° 660/06 modificou o estabelecido pela Lei n° 10.925/2004. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a alíquota estabelecida por Lei, direcionada às empresas produtoras dos produtos especificados (de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM), e não às que adquirem os produtos em questão como insumos. Contesta também a glosa de créditos referentes ao item correspondente às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Descreve todas as atividades referentes aos valores glosados, em particular a capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco, correspondentes as mercadorias destinadas à exportação. Argumenta que são custos indispensáveis, sem os quais não há venda ou exportação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. Os valores recebidos em decorrência de transferência onerosa de créditos de ICMS devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 1° de janeiro de 2009. COFINS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos ou o seu ressarcimento. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 6 5 PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. Voto Vencido Quanto aos créditos das despesas pós produção. Voto Vencedor Quanto às demais matérias. Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima são três os tópicos a serem analisados no presente processo: (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS; (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco; e, (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 7 6 Para melhor entendimento trato pontualmente cada um dos itens acima listados. (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS A Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar parte dos créditos pleiteados sob o argumentos que a Recorrente deixou de incluir na base de cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos aos créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus bem como sobre as transferências para terceiros de seus saldos credores de ICMS. Independente da questão de se tratarem ou não de novas receitas nos termos da Lei 10.637/02, há tema de fundo que merece análise preliminar, qual seja, a modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação. A matéria tratada é de ordem publica, podendo ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo, pois claramente ofende o principio da legalidade, afrontando o disposto nos 13, § I; 114, 115, 116, incisos te II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais tem reiteradamente se manifestado a respeito do tema, como na ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE, COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 8 7 Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de decidir o seguinte trecho: “Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de 1CMS, a Fiscalização utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização. No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente (b) ou um saldo devedor —que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)" (art. 3º da Lei n" 10,637/2002 e da Lei nº 10833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "irregularidade", reduzindo o saldo de créditos — como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO Fl. 243DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 9 8 DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência tias Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio.. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não .se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO . ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA . .1NCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) No mesmo sentido cito ainda: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep . LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida Fl. 244DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 10 9 do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO • CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento Recurso provido em parte (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devido no mês é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não sendolhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação. Diante dos precedentes citados, entendo que as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS bem como as transferências para terceiros de saldos credores do ICMS devem ser canceladas, e eventual discussão a cerca da incidência sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de infração. (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes, nos seguintes termos: Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas glosadas (referentes a: estivas e capatazia, movimentação de carga e descarga e taxas vinculadas, de risco, braçagem e despesas relacionadas) não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Também não podem ser caracterizados como despesas com armazenagem, que é, no sentido dicionarizado da palavra, a ação de armazenar ou recolher mercadoria em um armazém. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 11 10 A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (..) § 3 O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliado no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Ressalto que a chamada “não cumulatividade” do PIS e da COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 12 11 Assim, a primeira diferença que destaco é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Porém a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema vale trago à baila recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres transcrevo, pela relevância para o aqui discutido, o seguinte trecho: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 13 12 A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim concluiu o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como se vê, a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 14 13 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (...) Recurso Voluntário provido em Parte. No judiciário a matéria também vem sendo amplamente discutida, merecendo destaque a posição firmada pela 1ª Turma do TRF 4ª Região, que por meio do acórdão de lavra do eminente Relator Leandro Paulsen, assim passou a decidir: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTINÇÃO. CONTEÚDO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. LISTA EXEMPLIFICATIVA. 1. A técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá por meio da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte, para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. 2. A coerência de um sistema de não cumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. 3. Tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, os créditos devem ser apurados relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. 4. O crédito, em matéria de PIS e COFINS, não é um crédito meramente físico, que pressuponha, como no IPI, a integração do insumo ao produto final ou seu uso ou exaurimento no processo produtivo. 5. O rol de despesas que enseja creditamento, nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, possui caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. 6. O art. 111 do CTN não se aplica no caso, porquanto não se trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias Fl. 249DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 15 14 acessórias. (TRF4, AC 000000725.2010.404.7200, Primeira Turma, Relator Leandro Paulsen, D.E. 04/07/2012) Do corpo do acórdão, vale destacar os seguintes trechos: As contribuições PIS e COFINS não incidem sobre operações; incidem sobre a receita, que é apurada mês a mês. Não há destaque a transferência jurídica a cada operação. A solução legislativa adotada para consagrar a não cumulatividade, conforme mencionado anteriormente, é o estabelecimento da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. Mas o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade. Seja com suporte direto na lei ordinária (não havia vedação a isso) ou no texto constitucional (passou a haver autorização expressa), certo é que a instituição de um sistema de nãocumulatividade deve guardar atenção a parâmetros mínimos de caráter conceitual. A nãocumulatividade pressupõe uma realidade de cumulação sobre a qual se aplica sistemática voltada a afastar os seus efeitos. Lembrese que, forte na não cumulatividade, as alíquotas das contribuições foram mais do que dobradas (de 0,65% para 1,65%, de 3% para 7,6%), de modo que os mecanismos compensatórios tem de ser efetivos. (...) Pois bem, para que se possa falar em nãocumulatividade, temos de pressupor mais de uma incidência. Apenas quando tivermos múltiplas incidências é que se justifica a técnica destinada a evitar que elas se sobreponham pura e simplesmente, onerando em cascata as atividades econômicas. Efetivamente, só se pode assegurar a apuração de créditos relativamente a despesas que, configurando receitas de outras empresas, tenham implicado pagamento de PIS e de COFINS anteriormente. E só podem apurar créditos aqueles que estão sujeitos ao pagamento das contribuições PIS e COFINS não cumulativas. De outro lado, contudo, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, configurem ou não faturamento, ou seja, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em matéria de PIS e de COFINS sobre a receita, com suporte na ampliação da base econômica ditada pela EC 20/98, não se pode trabalhar limitado à idéia de crédito físico. (...) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 16 15 A coerência de um sistema de nãocumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. (…) Tenho que a solução está em atribuir ao rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 8.833/03 e da respectiva regulamentação (e.g., IN 404/04) caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. Como se vê do bem estruturado e fundamentado voto acima transcrito, a primeira turma do TRF da 4ª Região passou a entender que o direito ao crédito tem intima relação com a base de calculo adotada (Receita Bruta), e que para garantia da não cumulatividade preconizada na Constituição Federal, estes deveriam ser calculados sobre todas as despesas necessárias para a obtenção da Receita Bruta. Esta interpretação contudo, ainda não pode prevalecer no âmbito administrativo pois envolve a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos das leis e decretos que passaram a reger o PIS e COFINS não cumulativos, sendo tal prerrogativa vedada ao julgador administrativo nos termos do art. 26 A do Decreto 70.235/72. Seguindo o raciocínio ditado pelas decisões já citadas, o direito ao crédito de PIS e COFINS relacionados aos custos e despesas incorridos pelas empresas, deverá sempre respeitar sua indispensabilidade ao processo produtivo em seu conceito mais amplo, devendo tal característica ser verificada caso a caso. Neste contexto, aplicando a interpretação que entendo mais adequada, verifico que assiste razão em parte a recorrente. Passo então a analisar cada um dos itens glosados para melhor enquadralos dentro da atividade desenvolvida e de sua essencialidade para a produção dos bens da Recorrente. Os serviços de capatazia e de movimentação de carga e descarga estão assim definidos pela Recorrente: A Recorrente utilizase dos serviços de capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições uma vez que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF no 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. (...) Na mesma linha que o serviço de capatazia, a Recorrente utiliza o serviço de carga e descarga nas suas operações portuárias de Fl. 251DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 17 16 vendas das suas mercadorias para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF n o 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. Já no tocante as despesas de monitoramento e taxas de risco, a Recorrente assim as conceituou: Imperioso neste momento, tratar do serviço de monitoramento que ocorre no armazém localizado dentro do porto. Ao chegar na área portuária, a mercadoria é depositada nas câmaras frigoríficas localizadas no interior dos armazéns. Antes de proceder o transporte da mercadoria para dentro do navio, o produto é transferido para containeres refrigerados. (...) Quanto à taxa de risco, tratase de serviço que se encontra também vinculado à armazenagem, pois, o pagamento efetuado pela Recorrente se refere a um "seguro" que é exigido para o caso extremo de perda ou roubo da mercadoria ou ainda o seu perecimento enquanto esta estiver armazenada dentro do armazém. Como se depreende da leitura dos conceitos acima transcritos, as glosas de despesas analisadas e expressamente impugnadas dizem respeito a despesas incorridas na fase de armazenamento e transporte para a exportação das mercadorias produzidas pela Recorrente. O art. 3 das Lei 10.637/02 e 10.833/03 expressamente permitiu o creditamento das despesas relacionadas ao armazenamento de mercadorias e do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação ao ônus não há lide, uma vez que induvidoso que este recaiu sobre a Recorrente. A celeuma instaurada exige que se é decida sobre qual a amplitude que se pode conferir a determinação que autoriza o creditamento das despesas de armazenagens de mercadorias nas operações de venda. Temse de defendido exaustivamente que somente seria possível o creditamento de despesas relacionadas ao processo produtivo. E os argumentos são os mais diversos. Contudo, a própria legislação tratou de conferir algumas exceções como no caso do armazenamento de mercadorias para a venda, que inquestionavelmente não esta relacionado diretamente a produção da mercadoria. Diante deste impasse, deve o interprete procurar identificar na norma qual o seu melhor enquadramento, e no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 18 17 sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária. Dentro deste contexto me parece correto afirmar que todas as despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda podem gerar direito a crédito, motivo pelo qual reconheço tal possibilidade em relação aos serviços de capatazia, movimentação de carga e descarga e os serviços de monitoramente das mercadorias.. Já em relação as despesas de taxa de risco, que segundo a Recorrente se enquadra na categoria de seguro, entendo que não há direito ao credito posto que sua essencialidade, no ponto de vista deste relator, bem como sua relação com a armazenagem dos produtos é bastante relativa. (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 19 18 A leitura da legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Assim, me parece correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 20 19 ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 21 20 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, entendo que em relação a este item está correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Quanto aos créditos das despesas pós produção. Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor relativo às glosas de créditos das despesas pós produção que não se enquadram no conceito de custo de produção e não são despesas de armazenagem de mercadoria e de frete na operação de venda, para as quais existe autorização legal para a utilização de crédito. No presente processos tratase das despesas com serviços de capatazia, monitoramente de mercadorias e movimentação de carga e descarga, que o Ilustre Conselheiro Relator considera “despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda”, com direito a crédito. As despesas com “taxa de risco” o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que não geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Neste particular não há reparos a fazer no seu voto. Aqui acompanho o Ilustre Conselheiro Relator. No entanto, e com toda a vênia, sou obrigado a discordar do Ilustre Conselheiro Relator quando equipara à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação citada no acórdão recorrido, as despesas com capatazia, movimentação de cargas e descarga e monitoramento de mercadorias, para fins de reconhecer o direito ao crédito de PIS e de Cofins. Como bem disse a decisão recorrida, o direito ao crédito relativo à despesa com armazenagem de mercadorias está previsto no artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 22 21 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso sob exame, tratase de despesas portuárias incorridas pela Recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, tais despesas não se confundem com despesas de armazenagem de mercadorias. Pelas informações prestadas pela Recorrente, não é possível sequer afirmarse que as mercadorias manipuladas (serviços de capatazia e de movimentação de cargas e descarga) ou monitoradas estavam (ou foram) armazenadas ou não em depósitos dentro do porto de embarque. Mesmo que estivessem armazenadas, o serviço de armazenagem é distinto dos demais serviços prestados dentro do recinto alfandegado do porto de embarque das mercadorias. Diz o Ilustre Conselheiro Relator, no que concordo, que “deve o interprete procurar identificar norma sob análise qual o seu melhor enquadramento” para concluir, no que não concordo, que “no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária”. Não concordo com essa conclusão por vários motivos. Primeiro, ao instituir a exceção à regra geral, criando o direito ao crédito de despesa pós produção de “armazenagem de mercadorias”, o legislador não se referiu unicamente à armazenagem de mercadorias destinadas à exportação. Segundo, além do serviço de armazenagem de mercadorias, existem vários outros serviços (e conseqüente despesas) vinculados à operação de exportação de mercadorias, que são genericamente conhecidos como serviços portuários, e são, obrigatoriamente, utilizados pelos exportadores, acarretando várias despesas para o exportador. São despesas incorridas dentro da zona primária. Quisesse o legislador conceder crédito para esses outros serviços portuários, teria feito alguma referência a eles; Terceiro, o legislador não fez nenhuma referência ao crédito de outros serviços empregados em mercadorias prontas e armazenadas. O fato das mercadorias estarem armazenadas não implica que os serviços necessários, por exemplo, à manutenção de sua integridade ou de suas qualidades intrínsecas, gerem direito a crédito. Tais serviços existem também quando as mercadorias prontas estão estocadas dentro do estabelecimento produtor e, nem por isto, gera direito a crédito. Não vejo como equiparar as despesas acima referidas à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação do PIS e da Cofins. Por fim, acompanho o Ilustre Conselheiro Relator quanto às demais matérias de mérito, cujos fundamentos do voto ratifico e adoto integralmente como se aqui estivessem escrito. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 23 22 Lembro que fui vencido quanto à preliminar levantada pelo Relator. Sobre este ponto, fiz declaração de voto. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Quanto à preliminar de modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação, suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, não o acompanho pelas razões que passo a discorrer. Os valores de natureza tributária a restituir ou a ressarcir pela Fazenda Nacional são espécies de despesa pública. E o pagamento de despesa pública somente pode ser realizado após a sua regular liquidação, por expressa determinação do art. 62 da Lei nº 4.320/64. E o disposto nos art. 165 e 170 do CTN é compatível com essa regra. E a liquidação da despesa pública está definida no art. 63 da Lei nº 4.320/64, ou seja, é o procedimento tendente a verificar a existência do direito do credor e a apuração da origem e objeto do que se deve pagar e da importância exata a pagar, bem como a identificação da pessoa a quem se deve pagar. A primeira conclusão que se tira desses dispositivos legais é que a atividade de liquidação da despesa é uma atividade privativa da administração pública. A segunda conclusão que se tira é que somente despesas líquidas podem ser pagas. Uma terceira constatação óbvia é que a legislação tributária que trata da restituição, do ressarcimento e da compensação não se contrapõe e nem altera os arts. 62 e 63 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 24 23 da Lei nº 4.320/64. Ao contrário, a eles se integra na medida em que estabelece regras para o credor contestar tanto a existência do direito pleiteado como “o exato valor” da despesa de restituição e de ressarcimento apurado pela autoridade administrativa competente. Dito isto, passemos à apreciação das razões da preliminar levantada pelo Ilustre Conselheiro Relator. O Ilustre Conselheiro Relator entende que a autoridade administrativa incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado não pode proceder “modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação”. Para ele, constatando erro de apuração da base de cálculo, deve a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, não lhes sendo permitido, em substituição ao lançamento, “promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação”. Com as devidas vênias, ouso discordar desse entendimento porque, em primeiro lugar, há sim permissão legal (arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64) para a autoridade administrativa incumbida de efetuar o pagamento da despesa publica, de restituição ou de ressarcimento, apurar, reconhecer e pagar valor diferente do pleiteado pelo credor, sem nenhuma restrição legal à forma de proceder a apuração do exato valor a restituir. Antes de avançar na discussão, é necessário deixar claro, mesmo sendo repetitivo, que a lei permite o pagamento e a compensação exclusivamente de créditos líquidos e certos de terceiros contra a Fazenda Nacional. Os crédito incertos ou ilíquidos contra a Fazenda Nacional não podem ser objeto de extinção por pagamento ou por compensação com débito do credor. Em conseqüência das disposições legais acima, qualquer que seja o motivo que levou a autoridade administrativa a reconhecer o crédito do contribuinte em valor inferior ao pleiteado, ela não pode efetuar o seu pagamento, ou a sua compensação, no valor pleiteado pelo contribuinte, sob pena de violenta agressão ao art. 62 da Lei nº 4.320/64, devendo responder administrativamente pelo delito cometido. No caso de despesa relativa a ressarcimento ou restituição de créditos de natureza tributária, ou relativo a incentivos fiscais de natureza financeira, todo o procedimento administrativo é passível de contestação, como acima se disse. Aqui chegamos em uma “encruzilhada” jurídica: o que fazer quando no procedimento de liquidação do crédito pleiteado a autoridade administrativa fazendária entende que o contribuinte apurou a menor a base de cálculo do tributo envolvido no seu pedido, com reflexos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar? Deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação? Quais são os efeitos no valor total objeto de pedido de restituição, de ressarcimento ou de compensação, havendo ou não lançamento? Quais são os efeitos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar não afetado pela diferença de base de cálculo, se a autoridade efetuar ou deixar de efetuar o lançamento? Começando a responder pela última questão acima, entendo que o fato de existir parcela controversa no valor ou no direito objeto do pedido do contribuinte em nada afeta o direito ao crédito e o valor reconhecidamente líquido pela administração, podendo este ser pago regularmente. É que aconteceu no caso dos autos, onde a parcela incontroversa já foi paga via compensação. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 25 24 Quanto aos efeitos no valor total objeto de PER/DCOMP, havendo ou não lançamento de diferença apurada e decorrente de majoração da base de cálculo ou da alíquota aplicada, entendo que também em nada afeta o direito ao crédito e o valor pleiteado. E não tem nenhum efeito porque, imediatamente, a autoridade administrativa só está autorizado a pagar o valor líquido da dívida da Fazenda Nacional. A parte litigiosa a lei não permite o seu pagamento, como acima se viu. Se não houver o lançamento, a parcela controversa do pedido do contribuinte será decidida pelo rito do PAF no próprio processo do PER/DCOMP. Havendo o lançamento, a parcela controversa será discutido ou no processo do PER/DCOMP ou no processo do auto de infração ou notificação de lançamento ou, ainda, em ambos, simultaneamente (o que não é, tecnicamente, correto). Em qualquer caso, reconhecendo a administração a improcedência do lançamento ou da glosa (no PER/DCOMP) a parcela reconhecida será paga ao contribuinte. A segunda questão (deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação) é deveras controversa. Pela Nota Técnica nº 9 Cosit, de 15/02/2012, a RFB analisou a matéria para concluir, de forma dúbia, pela necessidade do lançamento, dentro do prazo decadencial, e pela dispensa do lançamento, após o prazo decadencial. É verdade que não existe norma legal tratando, objetivamente, desta matéria. No entanto, pelas razões acima exposta e tendo em mira a objetividade e a efetividade do processo administrativo, especialmente o fiscal, devese trilhar pelo caminho mais célere e mais vantajoso para o contribuinte. Na situação sob exame, a lavratura do auto de infração, ou da notificação de lançamento, me parece um procedimento estéril, servindo, no máximo, para criar constrangimentos e despesas para contribuinte. Para ilustrar nosso entendimento, partimos de um caso bem simples: um pedido de restituição de PIS pago a maior que, no curso da diligência fiscal, foi constatado que a empresa não incluiu na base de cálculo o valor de uma receita de venda de serviços e que, após a inclusão dessa receita na base de cálculo do PIS, ainda resultou em pagamento indevido a ser restituído ao contribuinte. Para uma maior clareza, vamos supor que o valor da restituição pedida pelo contribuinte foi de R$ 1.000,00 e, após a inclusão da receita de venda de serviços na base de cálculo do PIS, a RFB apurou um valor a restituir de R$ 700,00. Lavrando ou não auto de infração ou notificação de lançamento, e independente de manifestação de inconformidade do contribuinte, inicialmente a RFB só pode efetuar o pagamento da restituição de R$ 700,00 e, de fato, efetua o pagamento desse valor. O contribuinte entende, por qualquer razão, que sua receita de prestação de serviço não integra a base de cálculo do PIS e contesta a decisão do Delegado da RFB. Supondo que a RFB efetuou o lançamento do crédito tributário, no valor original de R$ 300,00 e com multa de ofício e juros de mora, e o contribuinte contestou o lançamento e o despacho decisório que deferiu, em parte, o seu pedido de restituição. As duas contestações têm o mesmo objeto. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000397/200850 Acórdão n.º 3302001.738 S3C3T2 Fl. 26 25 As contestações do contribuinte (impugnação e manifestação de inconformidade) podem ser consideradas procedentes ou não (para simplificar o raciocínio). Sendo procedentes as contestações, o lançamento será cancelado e a restituição do valor original de R$ 300,00 será efetuada. Sendo improcedentes as contestações, não há crédito adicional a restituir e, também, não há como exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário lançado, inclusive a multa de ofício, em face da existência de pagamento anterior à efetivação do lançamento. O crédito lançado está extinto por pagamento anterior ao lançamento. Num caso e no outro, o lançamento efetuado não se presta para exigir o pagamento de crédito tributário, que é a sua finalidade precípua. Para que serve o ato administrativo que não se presta a cumprir a sua finalidade? Respondo: não serve para nada! É inútil! Portanto, absolutamente desnecessário. O mesmo raciocínio acima aplicase no caso de ressarcimento de créditos do IPI, do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa, onde os valores glosados são abatidos dos créditos legítimos do contribuinte. Com estes fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 261DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.908088/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digiltamente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digiltamente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 80 88 /2 00 9- 11 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908088/200911 Acórdão n.º 3802001.842 S3TE02 Fl. 98 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. Tratase de Despacho Decisório Eletrônico – DDE que não homologou a Declaração de Compensação – DCOMP. Na fundamentação do ato, consta: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DECOMP: 77.178,48 A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...). Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 19/10/2009, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/11/2009, onde alega que utilizou pagamento a maior para recolhimento de impostos e contribuições administradas pela SRF. Continua seu arrazoado: A empresa prova a través da cópia do DARF (Anexo I) extraída da página da Receita Federal através de Certificação Digital, o qual foi utilizado no preenchimento de PER/DCOMP, que é infundada a alegação da Receita federal do Brasil, de que na resta crédito disponível para compensação. A confirmação do crédito é constatada na DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) retificadora referente ao 4º trimestre de 2005 (Anexo II), pg. 17, ficha 17b, linha 33, recibo nº 22.71.07.99.74.06 e na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais)retificadora referente ao 2º semestre de 2005(Anexo III), pg.17, cuja entrega não foi encontrada pela Receia Federal cf. Anexo IV., apesar de constar a retificação cf. Anexo V (anexos IV e V emitidos do site da Receita Federal através de Certificação Digital). Por fim, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a homologação de sua compensação. A DRJ de Campinas decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908088/200911 Acórdão n.º 3802001.842 S3TE02 Fl. 99 3 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, cuja única alegação é a seguinte: “A empresa prova através da cópia do DARF extraída da página da Receita Federal do Brasil, através de Certificado Digital o qual foi utilizado no preenchimento do PER/DCOMP, que é infundada a alegações [sic] da RFB, de que não resta crédito disponível para compensação.” É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908088/200911 Acórdão n.º 3802001.842 S3TE02 Fl. 100 4 pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF e o DACON, nem sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Concluise que a recorrente concorda com as seguintes assertivas da DRJ: i) A retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) A alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; iii) É necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restanos, apenas, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. O despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. No caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, logo, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908088/200911 Acórdão n.º 3802001.842 S3TE02 Fl. 101 5 Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. No Acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes, a 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também entendeu ser admissível a DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório, desde que mediante demonstração e comprovação do erro. Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.720011/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
CANCELAMENTO DE MATRICULA DE IMÓVEL- EFEITOS
A decisão judicial retroage os efeitos do cancelamento da matricula- do Imóvel Rural a época do lançamento. Nesse contexto não há como manter a exigência, relativos a imóvel inexistente.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Nesse contexto não há como manter a exigência, relativos a imóvel inexistente. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 00 11 /2 00 9- 90 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, RESIBRIL TRANSPORTES S/A, foi lavrada a Notificação de Lançamento, mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2006, no valor total de R$ 6.693.052,20, A exigência se refere ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 2006, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Campina, com área total de 6131,4 ha., Número de Inscrição – NIRF 63508125, localizado no município de VentaniaPR. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR em relação aos seguintes fatos tributários: Área de Preservação Permanente: foi glosada a área de 3.610,0 hectares, declarada a este titulo, por falta de comprovação. Área de Reserva Legal: foi glosada a área de 1.220,0 hectares, declarada a este titulo, por falta de comprovação. Valor da Terra Nua VTN: o valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, apurado pela Secretaria Estadual de Agricultura. Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros moratórios e multa de ofício. O sujeito passivo foi cientificado por aviso de recebimento postal em 25/02/2009. Em 27/03/2009 a interessada, por meio de advogado qualificado nos autos, apresentou impugnação, f. 1632, e após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Afirma, em síntese, que o imóvel objeto da notificação de lançamento não existe. Alega que o imóvel fora adquirido pelo sócio José Pereira Duda, falecido no ano de 2005, o qual administrava isoladamente a empresa. Após seu falecimento, os demais sócios passaram a gerir a empresa, quando então tomaram conhecimento da aquisição deste imóvel. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 Entretanto, apesar de várias tentativas, os atuais sócios não lograram êxito em localizar o imóvel. Esclarece que, enquanto permanecia a dúvida quanto à existência do imóvel, a impugnante decidiu continuar entregando a DITR. Esclarece que em 30 de julho de 2007 foram alterados a razão social da empresa, cuja denominação passou para Resibril Transportes S.A., e o objeto social, que passou a ser atividades de transporte rodoviário de carga, inclusive de produtos perigosos. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10940.720011/200990 Acórdão n.º 2202002.421 S2C2T2 Fl. 3 3 Informa que tomou conhecimento da abertura de procedimento administrativo judicial (autos no 504/07), presidido pelo juiz corregedor do foro extrajudicial da comarca de TibagiPR, no qual se investiga possíveis fraudes no registro de imóveis, dentre eles, o do imóvel em questão, matriculado sob no 6.157, bem como da abertura de inquérito policial para investigar os suspeitos autores dos atos investigados. Informa que, na via do procedimento administrativo judicial, o juiz determinou o bloqueio cautelar da matrícula no 6.157, com base no art. 14 da LRP, conforme ofício em anexo. Noticia, ainda, que se manifestou naquela via no sentido de confirmar a inexistência do imóvel e que ingressou com ação judicial requerendo o cancelamento do registro da escritura pública de aquisição do imóvel pela impugnante, pleiteando, em face dos transmitentes, as indenizações que entende cabíveis. Pede, a critério da autoridade julgadora, pela realização de perícia a fim de comprovar a inexistência do imóvel e pela realização de diligência junto à Comarca de Tibagi PR, acerca do procedimento administrativo 504/07. Requer o cancelamento do crédito tributário lançado, que seja cancelado o NIRF 6.350.8125 e que a Receita Federal se abstenha de efetuar lançamento de ITR em relação aos exercícios posteriores a 2006. Em 14/12/2011 a autoridade julgadora solicitou a juntada da certidão atualizada da matrícula no 6.157 (f. 220). A matrícula atualizada até 25/01/2012 foi juntada às f. 224225. Após ter sido cientificada do resultado da diligência, a impugnante manifestouse pela juntada das certidões explicativas (objeto e pé), datadas de 23/03/2012, fls. 236237, referentes ao Processo Administrativo Judicial no 504/2007 e ao Processo relativo à Ação Ordinária de anulação de negócio jurídico cumulada com indenização por perdas e danos no 54/2009, ambos citados na impugnação. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 NIRF: 63508125 Fazenda Campina PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É indeferido o pedido de diligência para produção de documentos já juntados aos autos. Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos. IMÓVEL RURAL INEXISTENTE. REGISTRO. PROVA INEFICAZ. O registro do imóvel no Cartório de Registro Imobiliário enquanto não cancelado produz todos os efeitos legais. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. VALOR DA TERRA NUA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Considerase incontroversa a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Em janeiro de 2013, o processo foi convertido em diligência para que a repartição de origem trouxesse ao processo os extratos de SIPT a que faz referência na Notificação de Lançamento, fls 01 e 04. Após ter sido anexado os referidos documentos pela autoridade preparadora, o recorrente em vista dos referidos extratos, trouxe ao autos elementos novos relativos ao processo de cancelamento da matricula do imóvel 6157. Conforme relatado, em novembro de 2012, por decisão do poder judiciário do estado do Paraná, para a matricula do imóvel 6157, foi declarada a nulidade e integral cancelamento. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10940.720011/200990 Acórdão n.º 2202002.421 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão central a ser definida é a existência ou não do imóvel. Segundo os novos fatos trazidos aos autos, o imóvel de registro 6157, teria tido sua matricula cancelada, o qual, nessas circunstâncias não se justificaria a incidência do ITR. O cancelamento da matrícula é questão que influencia na solução do presente processo. Neste sentido, considerando a decisão trazida ao processo pelo recorrente no que toca ao imóvel n° 6.157 (f. 71), não há como prosperar o lançamento. A decisão judicial retroage os efeitos do cancelamento da matricula do Imóvel Rural a época do lançamento. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 431DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001798/2004-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ÁREA DE ENGENHARIA CIVIL. SOCIEDADE LTDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA DIVERSAS PESSOAS JURÍDICAS. DESCLASSIFICAÇÃO DAS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO SÓCIO.
As receitas auferidas em decorrência da prestação de serviços pela pessoa jurídica para diversas empresas, não podem ser desclassificadas para rendimentos auferidos pela pessoa física do sócio, sob o fundamento de se tratar de serviços personalíssimos. A legislação admite a tributação na pessoa jurídica.
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. RENDIMENTOS DO TRABALHO NÃO ASSALARIADO. RENDIMENTOS DA LOCAÇÃO DE BENS.
Consiste de hipótese de incidência do imposto a percepção pela pessoa física de rendimentos e proventos diversos, inclusive os decorrentes do trabalho não-assalariado e da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, decorrentes da prestação individual de serviços de engenharia. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam integralmente o recurso voluntário e a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso em menor extensão para, tão somente, excluir da base de cálculo da exigência os valores recebidos a título de locação de equipamentos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Nelson Mallmann. Designado o Conselheiro Nelson Mallmann, para redigir o voto vencedor no que se refere a omissão de rendimentos em razão da locação de equipamentos. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: Odmir Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ÁREA DE ENGENHARIA CIVIL. SOCIEDADE LTDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA DIVERSAS PESSOAS JURÍDICAS. DESCLASSIFICAÇÃO DAS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. As receitas auferidas em decorrência da prestação de serviços pela pessoa jurídica para diversas empresas, não podem ser desclassificadas para rendimentos auferidos pela pessoa física do sócio, sob o fundamento de se tratar de serviços personalíssimos. A legislação admite a tributação na pessoa jurídica. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. RENDIMENTOS DO TRABALHO NÃO ASSALARIADO. RENDIMENTOS DA LOCAÇÃO DE BENS. Consiste de hipótese de incidência do imposto a percepção pela pessoa física de rendimentos e proventos diversos, inclusive os decorrentes do trabalho não-assalariado e da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, decorrentes da prestação individual de serviços de engenharia. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam integralmente o recurso voluntário e a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso em menor extensão para, tão somente, excluir da base de cálculo da exigência os valores recebidos a título de locação de equipamentos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Nelson Mallmann. Designado o Conselheiro Nelson Mallmann, para redigir o voto vencedor no que se refere a omissão de rendimentos em razão da locação de equipamentos. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Nelson Mallmann.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001798/200455 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220201.426 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente LUIZ CARLOS FERRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 EMPRESA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ÁREA DE ENGENHARIA CIVIL. SOCIEDADE LTDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA DIVERSAS PESSOAS JURÍDICAS. DESCLASSIFICAÇÃO DAS RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. As receitas auferidas em decorrência da prestação de serviços pela pessoa jurídica para diversas empresas, não podem ser desclassificadas para rendimentos auferidos pela pessoa física do sócio, sob o fundamento de se tratar de serviços personalíssimos. A legislação admite a tributação na pessoa jurídica. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. RENDIMENTOS DO TRABALHO NÃO ASSALARIADO. RENDIMENTOS DA LOCAÇÃO DE BENS. Consiste de hipótese de incidência do imposto a percepção pela pessoa física de rendimentos e proventos diversos, inclusive os decorrentes do trabalho nãoassalariado e da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, decorrentes da prestação individual de serviços de engenharia. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Rafael Pandolfo, que proviam integralmente o recurso voluntário e a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso em menor extensão para, tão somente, excluir da base de cálculo da exigência os valores recebidos a título de locação de equipamentos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Nelson Mallmann. Designado o Conselheiro Nelson Mallmann, para redigir o voto vencedor no que se refere a omissão de rendimentos em razão da locação de equipamentos. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Designado. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRF de Julgamento II de Florianópolis/SC que manteve a exigência do Auto de Infração fls. 475 a 479, com as seguintes acusações: “001 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício: foram omitidos pela pessoa física do contribuinte os rendimentos decorrentes da prestação individual de serviços de engenharia e da locação de equipamentos de sua propriedade. 002 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física: foram omitidos em DIRPF os rendimentos de aluguéis informados pelo próprio contribuinte; 003 — Dedução indevida de despesas médicas: o contribuinte deduziu despesas médicas com cônjuge e sogra, que não constam como suas dependentes em DIRPF; 004 — Dedução indevida de despesas com instrução: as despesas com instrução deduzidas não foram realizadas, conforme informou o próprio contribuinte.” Termo de verificação fiscal a fls. 462 a 470. Nas razões de recurso sustenta em relação ao item 1 da exigência: (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício) que não houve essa omissão. Aduz que esses rendimentos referemse a alugueis de equipamentos e a prestação de serviços de engenharia recebidos e tributados na pessoa jurídica LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda. Referidos rendimentos/receitas, acrescenta, foram indevidamente desconsiderados na sociedade, de titularidade do autuado, onde houve a devida tributação para exigência e tributação na pessoa física do sócio. Em relação esse item 1 do auto de infração a autoridade fiscal relata: “ os rendimentos omitidos pelo contribuinte foram oferecidos à tributação pela empresa LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda., doravante apenas LCF, da qual são sócios somente o contribuinte e sua esposa; os serviços por ele prestados, decorrentes de contratos firmados pela empresa LCF, consistem, conforme objetivo social da empresa de "prestação de serviços na área de engenharia civil, tais como: projeto e consultoria rodoviária e imobiliária, avaliação de imóveis, perícias de engenharia bem como a prática de quaisquer outros atos congêneres definidos no conceito geral de serviços de engenharia"; a esposa do contribuinte não é profissional da área de engenharia e que não houve a contratação pela empresa de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 4 outros profissionais habilitados nesta área; O auditor relata ainda que como parte das notas fiscais emitidas pela LCF refere se à locação de equipamentos, foram então solicitadas as notas fiscais de aquisição dos equipamentos locados. Conforme suas palavras "verificamos que o laboratório foi adquirido pela pessoa física (fls. 437), razão pela qual os rendimentos de aluguel também estão sendo considerados como rendimentos da pessoa física". A decisão recorrida manteve a autuação ao desconsiderar a tributação da receita da prestação dos serviços de engenharia na sociedade de titularidade do autuado, sob o entendimento de tais serviços, por se tratar de serviços personalíssimos, não podem ser tributados pela sociedade. Anoto que, na decisão manteve a autuação por maioria de votos. Os julgadores Gilson Wessler Michels e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, da DRJ, vencidos, cancelavam a exigência sobre os rendimentos da locação de equipamentos, por falta de comprovação de serem os mesmos adquiridos pela pessoa física. O julgador Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, com declaração de voto vencido, cancelava também a desconsideração da receita tributada pela pessoa jurídica para tributação dos rendimentos na pessoa física do sócio, por entender indevido o “deslocamento” das receitas recebidas do seu legitimo titular que não é o sujeito passivo da obrigação e de o art. 129, da Lei n. 11.196/05 possuir caráter interpretativo (fls. 690). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Vencido Voto vencido em parte. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Nas razões de recurso o recorrente insurgese apenas contra o item 1 da peça acusatória omissão de rendimentos recebidos da prestação de serviços de engenharia e do recebimento de alugueis de equipamentos. Com isso, admite a omissão do recebimento de alugueis de imóveis (item 2); a glosa das despesas médicas (item 3); e as despesas com instrução (item 4). Aprecio o item 1 da exigência, que compreende duas espécies de omissão de rendimentos: prestação de serviços de engenharia e aluguel de equipamentos. A fiscalização desconsiderou as receitas sobre a receita rendimentos da locação de equipamentos na pessoa jurídica por entender que os equipamentos foram adquiridos pela pessoa física (fls. 437). A decisão recorrida manteve a autuação com votos vencidos dos julgadores Gilson Wessler Michels e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, que cancelavam esses rendimentos da locação de equipamentos por falta de comprovação de serem os mesmo adquiridos pela pessoa física. Sustenta o Recorrente que os equipamentos locados foram adquiridos em 25.09.1987 e não são mais utilizados, e essas receitas/rendimentos foram tributados na pessoa jurídica (fls. 717). Não há nos autos provas firmes e extremes de dúvidas, conforme ressaltado pelos julgadores da DRJ vencidos, no sentido de que os equipamentos locados pela sociedade sejam os mesmos adquiridos pela pessoa física. Sem essa comprovação, extreme de dúvidas, a exigência sobre os rendimentos da locação – com a receita tributada pela sociedade deve ser cancela na forma dos votos vencidos. Na matéria de fundo o exame do recurso envolve a desconsideração dos recebimentos/receitas da prestação de serviços realizados pela sociedade de que o autuado recorrente é titular para a tributação na pessoa física, sob o fundamento de se tratar de serviços personalíssimos e a tributação dessa espécie de receita/rendimento somente ser possível na pessoa física, nunca na sociedade Assim, a fiscalização desconsiderou e reclassificou os rendimentos recebidos e tributados pela sociedade de engenharia LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda de titularidade do Recorrente e de sua mulher para tributação na pessoa física. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 6 O julgador Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, da DRJ, com declaração de voto vencido, cancelava essa exigência por entender correta a tributação dos rendimentos/receitas na pessoa jurídica. No seu entender a autuação faz exigência indevida por “deslocar” as receitas recebidas por seu titular que não o sujeito passivo da obrigação, e de o art. 129, da Lei o ar. 129, da Lei 11.196/05 possuir caráter interpretativo (fls. 690). A decisão recorrida vem assim fundamentada: A fiscalização entendeu incabível a tributação na sociedade em razão do objeto social: a) de o objeto social ser a "prestação de serviços na área de engenharia civil, tais como: projeto e consultoria rodoviária e imobiliária, avaliação de imóveis, perícias de engenharia bem como a prática de quaisquer outros atos congêneres definidos no conceito geral de serviços de engenharia"; b) de a composição da sociedade do o autuado e ser sua esposa que não é profissional da área de engenharia; c) não haver a contratação pela empresa de outros profissionais habilitados nesta área. Houve ainda descontos do imposto pago no pro labore da sociedade, mas não se admitiu a dedução dos tributos pagos na pessoa jurídica, conforme consta do relatório de fiscalização: Cabe destacar ainda que na apuração dos rendimentos omitidos – relatório "Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Omitidos" (fls. 459 a 461) descontamos os valores que foram tributados pelo contribuinte a título de pro labore recebido de LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda. O pro labore de fevereiro de 1999 foi descontado da receita de março deste ano. Não estamos compensando os tributos pagos pela empresa LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda, pois esta empresa tem personalidade jurídica distinta do contribuinte e conforme determina o artigo 30 da IN SRF n 2 210, de 30 de setembro de 2002, "é vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros". A sociedade de engenharia de que o autuado recorrente é titular foi constituída e teve inicio de atividade em 02.02.1998 e é composta pelo Recorrente, engenheiro civil, sócio majoritário e por sua mulher, assistente social (fls. 319). Para desconsiderar os rendimentos e consideralos de natureza pessoalíssima, a fiscalização baseouse nas declarações do autuado de possuir responsabilidade pessoal pelos serviços profissionais prestados pela sociedade de que é titular. Sustenta o Recorrente que os contratos de prestação de serviços foram celebrados pela sociedade, onde os impostos foram pagos e não há vedação para constituição e tributação pela sociedade, e o art. 129, da Lei n° 11.196/05, de caráter interpretativo, admite a constituição de sociedade para efeito da tributação dos referidos serviços, ainda que personalíssimos. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 4 7 Temos posição fixada sobre a matéria. Diferente do poder público que só pode fazer o que e a lei permite, o particular pode fazer tudo que a lei não lhe proíba. Não vemos proibição ao particular para a constituição de sociedade ou para contratar e receber rendimentos e receitas por intermédio da pessoa jurídica, mesmo ao sócio majoritário e de a prestação decorrer do trabalho pessoal realizado em caráter personalíssimo. Em nosso sentir, os dispositivos ditos por violados pela autuação não admitem extrair a dedução de a lei não permitir o recebimento do trabalho pessoal de caráter personalíssimo por intermédio da sociedade. O direito tributário repousa no principio da legalidade; para qualquer exigência é necessária a previsão em lei. Para desconsiderar o ato ou negócio realizado pela sociedade, estruturada de forma lícita e não proibida em lei, é necessário existir fraude, dolo, simulação, violação ou abuso da lei ou do direito, e a fiscalização demonstrar e comprovar sua existência, situação que não corre na hipótese dos autos. A sociedade é licita, o objeto social, os contratos, o sujeito, o negócio são todos lícitos. A exigência decorre única e exclusivamente da presunção de os serviços por terem caráter personalíssimo – e assim somente podem ser tributados pela pessoa física. A sociedade é abstrata, mera criação do direito para agrupar pessoas e capitais, desenvolver suas atividades e permanecer no tempo, independente das pessoas que as instituíram. No momento em que a sociedade se estrutura de forma licita, o direito tributário não pode desconsiderar essa estruturação dos negócios e atos, sem proibição em lei, sob pena de afronta aos arts. 109 e 110, do CTN e a garantia constitucional da livre iniciativa, do trabalho e da profissão, prevista no art. 5°, XIII e XVII, da CF, 1988. Não se cuida aqui da velha discussão acadêmica sobre a tributação das atividades ilícitas. Nestas não se tributa a atividade, mas a receita ou o rendimento. Qualquer empresa que tivesse, por hipótese, a atividade do jogo do bicho seria desconsiderada pela ilicitude do objeto, mas a receita seria licitamente tributada na pessoa natural. Não vemos na atividade desenvolvida pela sociedade do autuado qualquer ilicitude, evasão ou fraude, seja da lei ou do direito, mas conduta lícita, própria da elisão fiscal, do planejamento tributário organizado para a menor incidência tributária da atividade desenvolvida. Nestes autos, o Recorrente constituiu a sociedade de engenharia, por intermédio da sociedade firmou vários contratos de prestação de serviços de engenharia, recebeu as receitas e as tributou na sociedade assim constituída. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 8 Para prestar tais serviços de engenharia e de construção civil a sociedade precisa se valer, cremos, de trabalhadores, máquinas, equipamento com diversas despesas na atividade desenvolvida. Impossível se mostra que todos os serviços de engenharia tenham sido prestados pessoalmente pelo Recorrente. Isso, por certo, é praticamente impossível na sua atividade de construção civil. O fato e notório, daqueles que independem de prova. Não vemos assim, seja pelo sistema normativo vigente, seja na situação especifica destes autos, qualquer possibilidade da existência da prestação de serviços em caráter personalíssimo na sociedade de engenharia. Notese que a decisão recorrida admitiu o caráter personalíssimo da prestação pelo fato de o Recorrente ter responsabilidade pessoal pelos serviços engenharia, por isso e só por isso, cuidavase, no entender da decisão recorrida da prestação personalíssima, sem possibilidade da tributação das receitas pela sociedade. Não pensamos assim, a responsabilidade técnica e pessoal se faz a qualquer empresa de engenharia, grande, média ou pequena. A responsabilidade pessoal é exigência dos conselhos profissionais da categoria, assim como é ao médio, dentista, arquiteto, advogado. Todos têm responsabilidade pessoal pelo que realizam e isso decorre da natureza técnica do trabalho, da atuação e conhecimento de cada profissional. A sociedade de engenharia poderia funcionar independente da existência do sócio autuado Recorrente. Ele poderia contratar profissional para a função de responsável técnico à sociedade, sem que isso desnaturasse a prestação. Nas empresas sempre há um responsável técnico e este não necessita ser sócio ou acionista da sociedade, por ser contratado, ter vinculo de emprego ou não. Não vemos assim como desconsiderar os serviços prestados pela sociedade, onde os tributos foram pagos. Para desconsiderar o recebimento da receita pela pessoa jurídica, poderia se cogitar na aplicação do Parágrafo único, art. 116, do CTN, na redação da LC 104/2001. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Não foi essa a acusação e nem temos a lei regulamentação dessa disposição normativa para aplicação, daí impossível qualquer cogitação nesse sentido. Norma interpretativa Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 5 9 Não admitimos a desconsideração das receitas, e mesmos que assim não fosse, o art. 129, da Lei n.° 11.196/05, objeto da conversão da Medida Provisória n. 252, de 2005, conhecida como MP do Bem, permite a tributação na pessoa jurídica. Referido dispositivo gerou e vem gerando acaloradas discussão sobre seu caráter interpretativo ao direito tributário, ante o disposto no art. 106, do CTN. Pois bem, o dispositivo em comento permite, de forma expressa, a constituição de sociedade para a prestação de serviços profissionais personalíssimos. Vejamos: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Qual seria o sentido e o alcance dessa disposição normativa? Cuida, pensamos, de norma interpretativa, com alcance ao art. 106, do CTN, tendo por objeto disciplinar e pacificar os conflitos e trazer segurança jurídica no sentido de a pessoa física poder organizar e estruturar seus negócios por meio de sociedade para a prestação de serviços profissionais de caráter personalíssimos. A norma interpretativa no direito tributário possui regra própria e se aplica a fato pretérito, dai a importância no exame da matéria, como podemos ver no art. 106, do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A justificativa da exposição de motivo do projeto da inclusão do art. 129, na Medida Provisória n° 252 de 2005 (PVL 23/05), que se converteu na Lei 11.196, de 2005, deixa claro o caráter interpretativo, conforme vemos da seguinte mensagem legislativa: "Os princípios da valorização do trabalho humano e da livre iniciativa previstos no art. 170 da Constituição Federal asseguram a todos os cidadãos o poder de empreender e organizar seus próprios negócios. O crescimento da demanda por serviços de natureza intelectual em nossa economia requer a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 10 edição de norma interpretativa que norteie a atuação dos agentes da Administração e as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, esclarecendo eventuais controvérsias sobre a matéria." (cf., PVL 23/05). Essa mensagem foi reiterada na justificativa da emenda da MP 436, de 2008: Inclua se onde couber na Medida Provisória 436 de 26 de junho de 2008 o seguinte artigo: Art.. “O art.129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, tem natureza interpretativa, com efeitos exnunc e extunc.” Justificativa: O art.129 da Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005, em nada inovou em relação ao tratamento tributário e previdenciário dispensado à prestação de serviços intelectuais por uma pessoa jurídica a outra. Teve tão somente o propósito de esclarecer a matéria, ante as controvérsias geradas por procedimentos fiscais fundados em premissas insubsistentes. Na justificação de emenda parlamentar da qual resultou o mencionado art. 129 se faz alusão expressa ao caráter interpretativo da norma. Malgrado isso, algumas instâncias de julgamento administrativo teimam em não reconhecer esse caráter interpretativo, na errônea presunção de que os efeitos da norma seriam exclusivamente exnunc, como se decorresse de um regime tributário especial. Esta emenda tem propósito de por fim aos equívocos na aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, e desse modo remover circunstâncias que, lamentavelmente, promovem insegurança jurídice custos para a administração fiscal e para o contribuinte. (cf., O artigo 129 da Lei 11.196/05 e a tributação das pessoas jurídicas, PEDRO ANAN JR., JULIANA GRANDINO LATORRE e THAIS ABREU DE AZEVEDO SILVA, em estudo específico sobre o tema entendem que o artigo 129 é norma interpretativa, in Fiscosoft). No mesmo sentido, dos mesmos autores, PEDRO ANAN JR., JULIANA GRANDINO LATORRE e THAIS ABREU DE AZEVEDO SILVA (cf., Principais aspetos da Lei 11.196/05, a “MP do Bem”: Considerações a respeito do art. 129, da Lei n° 11.196/05, Cood. Ives Gandra da Silva Martin, Marcelo Magalhães Peixoto e André Elai, Ed.. ApetMP, SP, 2006. p.155/165). PEDRO ANAN JR., em outro trabalho sobre o tema, conclui pela natureza interpretativa do art. 129, da Lei 11.196/05 ao examinar o veto à emenda 3, feita ao art. 6° da Lei 10.593/02 (cf., Prestação de serviços intelectuais por pessoa jurídica Aspectos legais, econômicos e tributários: Comentários sobre o veto a emenda 3, que alterava o art. 6° da Lei 10.593/02, e as autuações fiscais das sociedades prestadoras de serviços. Cood. Pedro Anan Jr. e Marcelo Magalhães Peixoto, coEd. Apet – MP, SP. 2008, p.517/530). EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO, ao comentar o artigo 129, da Lei 11196, de 2005, entende tratarse de disposição processual e como tal de aplicação imediata o dispositivo ao fazer remissão ao art. 50 do Código Civil. Com isso, sustenta, a lei veda a autoridade administrativa, sem autuação do Judiciário, desconsiderar, ainda que indireta, a atividade da pessoa jurídica. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 6 11 O art. 129 da Lei nº. 11.196/2005 mudou completamente o quadro normativo a respeito da sujeição passiva do imposto de renda para certas empresas prestadoras de serviço. O referido preceito determina que, para fins fiscais e previdenciário, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza cientifica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigação a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, ficará sujeita tãosomente a legislação aplicável as pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do dispositivo no art. 50 do CC.. Ao fazer menção ao “caráter personalíssimo” ou não dos serviços intelectuais a norma do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 indica que para sua aplicação basta a existência da sociedade legalmente constituída. Portanto, o preceito sob analise acaba por permitir, para fins fiscais, a existência de uma sociedade (a lei menciona “sociedade prestadora”) sem empresa, e, neste ponto, adota o mesmo tratamento que o ordenamento jurídico dispensava as “sociedades civis de profissão legalmente regulamentada” (§ 3º do art. 146 do RIR/99), para as quais não é exigida a existência de uma empresa para tomar valida a sua constituição e a forma de tributação com base no lucro presumido. Assim sendo, a exploração econômica de atividade de natureza cientifica, artística ou cultural, pode ser feita por intermédio de uma pessoa jurídica sem que as autoridade possam contestar a natureza pessoal dos trabalhos que geram as receitas, em cada caso. O referido art. 129, ao fazer menção expressa ao art. 50 do CC., interfere nos poderes da administração para resolver a questão acerca da validade dos atos firmados entre particulares e os respectivos efeitos tributários decorrentes. A rigor, o referido preceito retira temporariamente da administração, em relação a esta matéria, o poder de autotutela que a Administração Publica possui e que lhe da direito de executar os seus próprios atos até onde esse direito não conflite com a prerrogativa que a Constituição Federal outorga ao Poder Judiciário para dizer qual o direito a ser aplicado aos casos submetidos ao seu conhecimento, na forma das Leis processuais. A interferência nos poderes da Administração decorre da natureza de norma de competência do referido preceito que prescreve – por via de menção ao art. 50 do CC – que todas as questões relacionadas com os efeitos tributários do “trabalho personalíssimo” por intermédio de uma pessoa jurídica legalmente constituída sejam submetidas a um magistrado. A esse magistrado caberia dizer se houve ou não o “abuso do direto” que é fundamental axiológico do mencionado art. 50. A determinação de que a matéria esta sob reserva de jurisdição traduz norma de direito processual que tem efeito imediato, e, portanto, atinge todos os casos já em andamento e que não foram definitivamente julgados. Em outras palavras, a norma tem nítido efeito retroativo para atingir todas as situações que Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 12 ainda não estejam definitivamente julgadas na esfera judicial. Disto decorre que às autoridades fiscais cabe adotar as medidas necessárias a submeter a matéria ao crivo do Poder Judiciário antes de adotar qualquer medida de cobrança extrajudicial ou execução judicial do suposto débito, ou do seguimento do processo administrativo, se for o caso. (op.cit., Planejamento tributário, Ed. Saraiva, 2009, SP, p. 307/308). EVERARDO MACIEL, exSecretario da Receita Federal, em prefácio a trabalho de renomados autores sobre o tema destaca com autoridade: “Quando considerado, no curso do processo administrativo fiscal, o artigo 129 da Lei 11.196, de 21.11.2005, foi tido como norma que instituiu novo regime fiscal, ainda que não se saiba o que venha a ser tal regime. Os autores deste livro que abordaram especificamente a questão são unânimes em estender o efeito retroativo da norma. Quase todos a vêem como de caráter interpretativo, tese que também perfilho. Ninguém a compreende como marco de um novo regime fiscal, com efeitos a partir de sua vigência. A insistência da administração fiscal em perceber de forma restritiva o comando do referido artigo 129 e o disfarçado recurso ao disposto no artigo 116, parágrafo único, do CTN, já dito como carente de norma que lhe de concretude, é que certamente inspirou o legislador a introduzir o que veio a ser chamado de Emenda 3 no projeto de Lei, do qual resultou a Lei 11.457, de 16.03.2007, que instituiu a Receita Federal do Brasil. Tal Emenda nada mais é que uma nova ordem de serviço. Pois tãosomente lembra a autoridade administrativa que, ressalvadas as hipóteses de simulação, a desconsideração de ato ou negocio jurídico, sem autorização judicial, só poderia ocorrer com a aprovação, por lei ordinária, dos procedimentos especiais reclamados pela parte final do parágrafo único do artigo 116 do CTN. A Emenda 3 foi vedada pelo Poder Executivo, por pressões políticas de natureza corporativa. Surpreendentemente, logo após vetar, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional projeto de lei com o propósito de permitir a desconsideração de atos ou de negócios jurídicos pela autoridade administrativa, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. Se necessário o projeto de lei, porque vetar a Emenda Três que justamente dizia, por via oblíqua, que a desconsideração demandaria com a mais trivial lógica. A prestação de serviços intelectuais, na forma aqui tratada, ainda suscita outras indagações. Se a autoridade fiscal entende ilícita essa pratica, por que, desde sempre, não esclareceu seu entendimento, mediante a edição de atos interpretativos? O contribuinte se inscreve no cadastro fiscal, pratica os atos contratuais pactuados com o contratante, recolhe com regularidade os tributos devidos pela pessoa jurídica, por que, então, se vê inopinadamente surpreendido com uma interpretação diversa do que sempre julgou licito? Seria o caso de se falar em deslealdade institucional?” (Prestação de Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 7 13 serviços intelectuais por pessoa jurídica Aspectos legais, econômicos e tributário: Comentários sobre o veto a emenda 3, que alterava o art. 6° da Lei 10.593/02, e as autuações fiscais das sociedade prestadoras de serviços. (op.cit., Cood. Pedro Anan Jr. e Marcelo Magalhães Peixoto, coEd. Apet – MP, SP. 2008, p.517/530, ressaltamos e grifamos, para destacar). Com essas autorizadas explicações da origem do art. 129, da Lei 11.196, de 2005, não nos parece haver dúvida de se tratar de norma meramente interpretativa, com aplicação conforme o artigo 106, do CTN. Cremos que ao art. 129, deixou claro que as pessoas naturais podem se utilizar da pessoa jurídica para a prestação de serviços personalíssimos, contrair diretos e obrigações tributárias em nome da sociedade. Nesse pensar, nos parece que com a edição da Lei n. 12.441, de 11.07.2011, permitindo a constituição de sociedade unipessoal “para a prestação de serviços de qualquer natureza” ficou afastada qualquer dúvida sobre da possibilidade da tributação das receitas dos serviços personalíssimos por intermédio das sociedades. Confirase: na redação do parágrafo 5º: “§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional.’’ (destacamos) Outro aspecto. Caso mantida a exigência, deve haver compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica dos valores aqui exigidos. Não houve esse pedido, mas deve ser admitido de oficio. Não será possível relegar essa matéria para eventual pedido de restituição/compensação do tributo pago na pessoa jurídica. Se o tributo foi pago na pessoa jurídica, logicamente cabe deduzir essas parcelas, na mesma época e proporção da exigência na pessoa física. Desconsiderados os atos praticados na sociedade eles são tidos por inexistentes, na ótica da fiscalização; se não existem, o tributo pago não pode ser relegado a segundo o plano, deve compor o conjunto da desconsideração do tributo pago na jurídica para a compensação com a exigência feita na autuação. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou provimento ao recurso para reforma a decisão recorrida e cancelar autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 14 Voto Vencedor Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Odmir Fernandes, permitome divergir de seu voto no que diz respeito a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, relativo a locação de equipamento de propriedade do contribuinte autuado, acompanhando o voto do relator, pelas conclusões, no que diz respeito a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, relativo aos rendimentos decorrentes da prestação individual de serviços de engenharia. Na Declaração de Voto justifico as razões pela qual votei com o relator pelas conclusões. Entende o nobre relator, que é legítima a solicitação do recorrente, já que o no seu entendimento não cabe a tributação na pessoa física, tem do em vista que os equipamentos pertenceriam a pessoa jurídica. Posição que discordo. Da análise dos autos, verificase que a autoridade fiscal lançadora ao verificar que parte das notas fiscais emitidas pela LCF referiase à locação de equipamentos intimou o fiscalizado a apresentar as notas fiscais de aquisição dos equipamentos locados. Dentre as notas fiscais trazidas, há a nota n° 250, à folha 437, da qual consta que o contribuinte, em 25/09/87, adquiriu um "Conjunto Laboratório usado" pelo valor de CZ$ 15.000,00. As demais notas fiscais de aquisição apresentadas pelo intimado dão conta da aquisição de outros equipamentos e outros materiais necessários à manutenção do laboratório, tais como balanças, termômetros, provetas, bandejas, espátulas, etc. Por outro lado, verificase nas notas fiscais emitidas pela LCF referentes à locação de equipamentos constam no campo Discriminação dos Serviços informações do tipo locação de instrumental de laboratório de solos, asfalto e concreto, Locação de Equipamentos s/ mão de obra p/ Ensaios de Laboratório, Aluguel de Equipamentos de Laboratório. Ora, as próprias anotações nas notas fiscais remetem a locação, não de qualquer outro equipamento para a realização do objeto social da sociedade adquiridos exclusivamente por esta, como alega o recorrente, mas especificamente de equipamentos de laboratório, este que como restou demonstrado, não foi adquirido pela sociedade mas pelo recorrente. Assim é que, à luz do que dos autos consta, entendo que resta comprovado que de fato os equipamentos locados consistem do laboratório pertencente ao autuado. Desta feita, os rendimentos decorrentes da locação destes equipamentos pertencem à pessoa física do autuado e como tal devem ser tributados, nos termos da legislação do IRPF, sendo improcedente, portanto a alegação de defesa de insubsistência dos fatos para configurar a real subsunção destes à hipótese de incidência. Concluise então, que, desacompanhados de quaisquer elementos de prova em contrário, os argumentos de defesa não são capazes de infirmar a situação que se afigura dos autos, cabendo ainda salientar que o auferimento de valores decorrentes da locação do equipamento mencionado está comprovado por meio das próprias notas fiscais apresentadas pelo recorrente. Por fim, se faz necessários tecer algumas considerações sobre a penalidade aplicada. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 8 15 Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 16 (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 9 17 lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo Fl. 17DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 18 afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, acompanhando o voto do relator pelas conclusões na questão da desclassificação das receitas auferidas pela pessoa jurídica para rendimentos auferidos pela pessoa física do sócio. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 18DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 10 19 Declaração de Voto Diante dos fatos ocorridos neste processo, vejo a necessidade de esclarecer alguns pontos de vista quanto aos votos proferidos em matéria com certa semelhança com a do presente processo, tendo em vista o fato de ter acompanhado o relator no provimento quanto as receitas recebidas pela pessoa jurídica e desclassificada de ofício pela autoridade fiscal lançadora e considerada como sendo rendimentos recebidos pela pessoa física do sócio. De acordo com a documentação acostada nos autos a empresa LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda., possui dois sócios (o recorrente e sua esposa) e tem por objetivo a prestação de serviços na área de engenharia civil. Antes de adentrar no mérito propriamente dito se faz necessário algumas considerações a respeito do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, abaixo transcrito: Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. Dispõe o artigo 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 o Código Civil: Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Não há dúvidas, que o artigo 129 foi editado para resolver problemas relacionados à tributação dos rendimentos produzidos em decorrência da prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica (“empresas unipessoais”). Entretanto, no caso em discussão, o crédito tributário constituído se reporta a fato gerador ocorrido antes da vigência da mencionada lei, razão pela qual se faz necessária a verificação se o referido dispositivo legal faz inovação ou criação de regime jurídico novo, ou apenas expressa entendimento sobre legislação já existente, ou seja, é esta norma meramente interpretativa? Indiscutivelmente a lei interpretativa não pode inovar, limitase a esclarecer dúvida a respeito de dispositivo de lei anterior. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 20 No meu entendimento o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 traz inovação e cria as “empresas unipessoais” para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária. Entretanto, a norma acima não possui caráter interpretativo, sendo incorreto alegar aplicação retroativa com base no art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional. O art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Segundo Eduardo Espinola e Eduardo Espinola Filho, “denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas” (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, atualizado por Silva Pacheco, 3ª ed., Ed. Renovar, 1999, vol. 1, p.294). Portanto, para que uma lei seja considerada interpretativa, são necessários os seguintes requisitos: o caráter interpretativo tem que ser expresso; indicação da lei anterior que está sendo interpretada; existência de lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e existência de dúvida quanto ao sentido de uma lei anterior. Diz o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999: TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS CONTRIBUINTES Art. 146. São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I – as pessoas jurídicas (Capítulo I); II – as empresas individuais (Capitulo II). § 1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, § 2º). § 2º As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência do imposto aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 60). § 3º As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 55). Fl. 20DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 11 21 § 4º As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes nas mesmas condições das demais pessoas jurídicas (CF, art. 173, § 1º, e Lei nº 6.264, de 18 de novembro de 1975, arts. 1º a 3º § 5º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.532, de 1997, art. 69). § 6º Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no § 2º do art. 752 (Lei nº 9.779, art. 2º). § 7º Salvo disposição em contrário, a expressão pessoa jurídica, quando empregada neste Decreto, compreende todos os contribuintes a que se refere este artigo. CAPITULO I PESSOAS JURÍDICAS Art. 147. Consideramse pessoas jurídicas, para efeito do disposto no inciso I do artigo anterior: I – as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, sejam quais forem seus fins, nacionalidade ou participantes no capital (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, art. 42, e Lei nº 6.264, de 1975, art. 1º); II – as filiais, sucursais, agências ou representações no País das pessoas jurídicas como sede no exterior (Lei nº 3.470, de 1958, art. 76, Lei nº 4.131, de 1962, art. 42, e Lei nº 6.264, de 1975, art. 1º); III – os comitentes domiciliados no exterior, quanto aos resultados das operações realizadas por seus mandatários ou comissários no País (Lei nº 3.470, de 1958, art. 76). Art. 148. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas (decretoLei nº 2.303, de 21 de novembro de 1986, art. 7º, e DecretoLei nº 2.308, de 19 de dezembro de 1986, art. 3º). Art. 149. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e o disposto no art. 254, II (DecretoLei nº 2.303, de 1986, art. 7º, parágrafo único). CAPITULO II EMPRESAS INDIVIDUAIS Fl. 21DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 22 Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “a”); II – as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”); III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capitulo (DecretoLei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I – médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “a”, e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II – profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “b”); III – agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “c”); IV – serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “d” V – corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “e”); VI – exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “f”); VII – exploração de obras artísticas, didáticas, cientificas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea “g”).” Fl. 22DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 12 23 Do texto acima transcrito é possível se concluir, que as atividades exercidas por pessoas físicas abaixo relacionadas não se caracterizam como empresa individual, ainda que, por exigência legal ou contratual, encontremse cadastradas no CNPJ ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (1) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mãodeobra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, MegaSena etc) credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. 1º da Lei nº 4.886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; (5) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que quando os valores recebidos são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal e notadamente recebidos de uma única pessoa jurídica, resta claro que se trata de uma prestação de serviços de pessoa física. Indiscutivelmente, no meu entendimento, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que não o titular contratado são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa física do efetivo prestador de serviços. Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou Fl. 23DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES 24 prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Em tese até poderia ser o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante. Entretanto, o que me chama atenção neste caso é que a pessoa jurídica presta serviços para várias outras pessoas jurídicas. Este é o diferencial dos outros casos já julgados em que tive a honra de participar e ser o relator de alguns. Lá estava caracterizado que a pessoa física do sócio desempenhava uma função de empregado pessoa física, tais como: atleta, treinador de atividades esportivas, apresentador de televisão, artista, etc. Naqueles casos, sempre estava caracterizado a prestação de serviços, exclusivamente, para uma determinada pessoa jurídica e somente a pessoa física do sócio e que poderia desempenhar a função. Assim, nunca tive dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo como única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. É nítido que o referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então, a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou dúvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um artista, atleta, apresentador de televisão, etc., ou seja, serviço personalíssimo seria tributado na pessoa física prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica, pois se verifica que, na realidade, o que foi contratado foi um serviço individual. Tenho para mim, que a referida norma tem por objetivo maior esclarecer e orientar os agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas para prestação de serviços intelectuais, com a finalidade de tributar os sócios. Assim, as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais (sociedades de engenheiros, arquitetos, advogados, médicos etc) não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Em conclusão, o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é lei inovadora, portanto, inaplicável a regra contida no art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, aos serviços prestados por “empresas unipessoais” (caráter personalíssimo) antes da publicação da referida lei, já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como de pessoa jurídica. Quanto ao mérito em si, verificase que em sua peça recursal, o suplicante questionou a totalidade do lançamento do crédito tributário oriundo da desclassificação da receita da pessoa jurídica e tributado como rendimentos de pessoa física do sócio da empresa (recorrente), oferecendo seus esclarecimentos, pontos de vista, considerações, argumentos, etc. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.001798/200455 Acórdão n.º 220201.426 S2C2T2 Fl. 13 25 Assim, após a síntese da peça acusatória, não vejo necessidade de tecer comentários quanto à extensa peça defensória, já exposta no Relatório. Com relação à empresa LCF Consultoria e Serviços de Engenharia Ltda., têmse que no que se refere às alegações da existência formal da pessoa jurídica, cabe reforçar que a fiscalização não negou tal existência, bem como não houve a sua desconstituição, como se pode constatar no Termo de Verificação Fiscal. O que houve foi a desclassificação das receitas auferidas pela pessoa jurídica e reclassificado na pessoa física do sócio. Neste caso específico, analisando as peças contidas nos autos e, principalmente, levando em consideração que a pessoa jurídica em questão prestou serviços para diversas pessoas jurídicas, sem nenhum vínculo de exclusividade, me parece que este caso não pode ser tratado da mesma forma como se fosse uma “pessoa jurídica” que presta serviços para uma única pessoa jurídica e que esta última tenha o total controle sobre a pessoa física do sócio, ou seja, prestação de serviço do sócio em caráter pessoal exclusivo (personalíssimo), onde somente ele pode prestar o serviço contratado, não podendo repassar o serviço para mais ninguém, nem mesmo para o outro sócio, em razão do nome e função do sócio, a exemplo de apresentador, locutor, artista, atleta, treinador, etc. Pois, nestes casos há a caracterização de um trabalho pessoal, ou seja, prestação de serviços de natureza pessoal, prestados pelo próprio sócio, na geração dos rendimentos em causa, pois sem ele, com absoluta certeza que o faturamento da empresa ficaria em torno de receita bruta “quase zero”. No caso em questão, a empresa não está impedida de contratar outros engenheiros para realizar os serviços, sem nenhum obstáculo ou prejuízo na qualidade do serviço a ser prestado, o mesmo não acontece nos casos de caráter “personalíssimos” onde somente a figura do sócio (atleta, apresentador, locutor, artista, treinador) poderá realizar o trabalho contrato, ou seja, a figura do sócio “personalíssimo” é insubstituível, em razão de sua característica pessoal. Ora, nestes outros casos, indiscutivelmente, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que não o titular contratado são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa física do efetivo prestador de serviços. Nestes casos, autoridade lançadora procede à desconsideração dos atos jurídicos aparentes (contratos de prestação de serviços, contratos de cessão do direito de imagem e do uso do nome profissional), entendendo que o objeto de tais contratos são direitos personalíssimos, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. Quero deixar claro que não acompanho o relator pelas suas argumentações e sim pela sua conclusão, pois se fosse designado o relator da matéria votaria pelo provimento do recurso, sob o argumento de que a atividade exercida pela pessoa jurídica em questão não caracteriza atividade personalíssima e não foi prestada em caráter personalíssimo. Estas são as razões pelo qual votei com relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 25DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10882.902860/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
Numero da decisão: 3802-001.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado.
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DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 60 /2 00 8- 11 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte SPS SUPRIMENTOS PARA INDUSTRIA LTDA. se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0532.849, proferido em primeira instância pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS – DRJ/CPS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do credito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CAMPINAS – DRJ/CPS, toma se de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do credito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP , não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da existência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que houve equivoco no preenchimento do campo relativo ao documento Fl. 76DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10882.902860/200811 Acórdão n.º 3802001.783 S3TE02 Fl. 112 3 de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do credito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim requer a homologação da compensação por força da existência do credito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o credito requerido.” Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maior o valor do tributo compensado. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. De acordo com o sujeito passivo, o montante realmente devido a título de Cofins foi consignado na DCTF retificadora. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em que pese a referência do dispositivo legal citado à declaração de prestação de informações indispensáveis ao lançamento, admitese, por analogia, sua aplicação quanto à retificação de débitos apurados pelo sujeito passivo e confessados em DCTF, como assevera LEANDRO PAULSEN, que assim leciona: “Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendose em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o §1º do art. 147, tem sido bastante invocado e aplicado para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata e. a contratrio sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações” (...) (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 12ª edição, Livraria do Advogado, ESMARFE, Porto Alegre, 2010, p. 1026) Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já iteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Todavia, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente juntou aos autos apenas, à época de sua manifestação de inconformidade, a DCTF retificadora e o DARF quitando o valor originalmente indicado na DCTF retificada. No entanto, carece de demonstração efetiva da materialidade do crédito. Insta salientar que a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor da Cofins era efetivamente devido. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10882.902860/200811 Acórdão n.º 3802001.783 S3TE02 Fl. 113 5 Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – as vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo da Cofins declarada na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF retificadora. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11610.006913/2003-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva..
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva..
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 06 91 3/ 20 03 -2 9 Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.259 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1616.110, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) de valores decorrentes de saldo negativo apurado na DIPJ dos anoscalendário 1999, 2001 e 2002, com débitos de PIS e Cofins período de apuração de abril/2003. 2.Por meio de Despacho Decisorio (fls. 47 a 50), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo reconheceu o direito creditório da requerente contra a Fazenda nacional no montante de R$ 11.707.135,76 e, em conseqüência, homologou as compensações declaradas no formulário de fl. 01 e na DCOMP de fls. 42 e 43, até o limite do crédito reconhecido. 3.Em 12/03/2004, a contribuinte, por seu procurador, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 64 a 68), alegando, basicamente: 3.1que, com efeito, na DIPJ 2000, anocalendário 1999, segundo resultado da fiscalização referente ao presente processo, chegouse à conclusão de que não havia sido apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999 pela Aventis Pharma Ltda; todavia, não foram considerados os saldos negativos de IRPJ, anocalendário 1999, apurados pelas empresas Hoechst Marion Rousell S/A, CNPJ 00.773.091/000106, e Rhodia Farma Ltda, CNPJ 60.633.328/000177, que passaram ambas a constituir a Aventis Pharma Ltda; 3.2que o crédito tributário total apurado em 1999 é de R$ 8.616.681,79, parte (R$ 5.865.951,43) decorrente da Hoechst Marion Rousell S/A, e parte (R$ 2.750.730,36) proveniente da Rhodia Farma Ltda; 3.3que da mesma forma, na DIPJ 2002, anocalendário 2001, a fiscalização aponta um direito creditório de IRPJ da Aventis Pharma Ltda, no montante de R$ 393.167,18, porém, o IR Fonte retido durante o ano de 2001 totaliza R$ 2.469.713,74 do qual, deduzindose o IR devido no ano (R$ 827.246,73), chegase a conclusão de que a Aventis Pharma dispõe de um crédito tributário no montante de R$ 1.642.287,01; 3.4que na DIPJ 2001, anocalendário 2001 (Declaração da sucedida), a fiscalização aponta um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 3.721.093,44, contudo, verificandose a DIPJ 2001/2001 em anexo, concluise que a Aventis Pharma Ltda dispõe de um direito creditório de IRPJ no valor de R$ 4.528.551,53, provenientes do IR Fonte retido durante o ano e do IRRF Órgão público remanescentes após a dedução do IRPJ apurado em 2001 no valor de R$ 5.176.890,66; 3.5que na DIPJ 2003, anocalendário 2002, a fiscalização aponta um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 7.592.875,14, entretanto, o montante total retido a título Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.260 3 de IR Fonte constante da Ficha 43 é de R$ 7.980.514,70, que somado ao total de IRRF Órgão público (R$ 56.301,10) totaliza um saldo negativo de IRPJ de R$ 8.036.815,80 no ano calendário de 2002, visto que foi apurado um prejuízo fiscal no anocalendário de 2002, o montante do direito creditório da Aventis Pharma Ltda passa a ser exatamente o total de IR Fonte retido durante o ano, ou seja, R$ 8.036.815,80. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o deferimento parcial da DRF, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2001, 2002 Ementa: RESTITUIÇÃO COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Nacional. RESTITUIÇÃO COMPROVANTES A comprovação do imposto retido na fonte incidente sobre rendimentos incluídos na declaração de IRPJ deve ser efetuada pela apresentação do comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Ficam inalterados o valor do direito creditório reconhecido e, conseqüentemente, as compensações homologadas pela autoridade administrativa. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando apenas parcialmente os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, nos seguintes termos: Alega cerceamento do direito de defesa, uma vez que em 05/05/2004 a Recorrente protocolizou pedido de retificação do pedido original, excluindo os créditos dos valores dos períodosbase de 1999 e 2001, mantendose apenas os créditos referentes ao ano calendário de 2002 (DIPJ 2003) no valor total RETIFICADO de R$ 8.036.815,80. Essa informação encontrase apensa ao processo (folhas 435 a 437), valor esse que já havia sido objeto da Manifestação de Inconformidade. Informa também que os valores dos débitos compensados foram objeto de outra retificação posterior também apensa ao processo (folhas 574 e 575) perfazendo o novo total de R$ 4.159.778,77 para PIS e COFINS. Após os dados relatados imaginase quão surpresa fica a Recorrente ao receber o acórdão que ratifica o despacho decisório, contrário em parte ao pedido original, sob os seguintes argumentos: a.A ilustre turma baseouse em pura análise das declarações suporte do período base de 1999 (DIPJ 2000), exclusivamente da Aventis Pharma Ltda. e não das sucedidas por falta de menção no pedido original; b.Para o anobase 2001 (DIPJ 2002), que desconsiderou o imposto de renda na fonte por falta de comprovação documental por parte do contribuinte; c.Para o anobase 2000 (DIPJ 2001 Declaração de incorporação), embora confirmado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, na referida declaração não constaria Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.261 4 o valor da compensação ocorrida do imposto retido com a estimativa apurada em junho daquele ano, motivo suficiente, segundo os julgadores, para desconsiderálo; d.Para o anobase de 2002 (DIPJ 2003), o valor constante nos sistemas da Secretaria da Receita Federal não coincide com aquele questionado pela Recorrente e, conforme alegam os julgadores, também não foram acostados os documentos que comprovassem a diferença a favor do contribuinte. 8.Com base nos argumentos acima descritos, a Recorrida manteve a glosa parcial dos créditos do pedido original, admitindo os créditos no valor total de R$ 11.707.135,76 conforme descrito abaixo. DIPJ Saldo Negativo Em Valor em Reais Ano Calendário 1999 31/12/1999 Ano Calendário 2001 (Declaração normal) 31/12/2001 393.167,18 Ano Calendário 2001 (Declaração de Incorporação) 31/12/2001 3.721.093,44 Ano Calendário 2002 31/12/2002 7.592.875,14 TOTAL 11.707.135,76 DO MÉRITO Considerando que constam apensos ao processo, os pedidos de retificação descritos nos itens 5 e 6 anteriores, comprovase flagrante incorreção no Acórdão contra o qual insurgese a Recorrente . Tanto a fiscalização que deu vistas ao processo quanto a Recorrente não conseguem entender o motivo de douta turma ter desconsiderado os pedidos de retificação já que estes se encontravam apensos ao processo. Em momento algum o referido Acórdão comenta a retificação efetuada. Não faz sentido algum prosseguir qualquer discussão sobre a matéria referente aos itens a, b e c do item 7 pois a Recorrente JÁ RETIFICOU A REFERIDA DECLARAÇÃO EXCLUINDO TAIS DÉBITOS DO PEDIDO ORIGINAL PARA OS PERÍODOSBASE E DE 1999 (DIPJ 2000) e 2001 (DIPJ 2002 e 2001Incorporadora), restando apenas a discussão do crédito relativo aos valores do periodobase de 2002 (DIPJ 2003). Destacamos ainda, que a Recorrente não desistiu dos créditos, apenas redirecionouos para utilização de modo diverso ao declarado originalmente. Ou seja, os mesmos serão objeto de validação pelas autoridades fiscais em outros processos conforme instrução própria. Com efeito, a discussão sobre o crédito do períodobase de 2002 (DIPJ 2003) nos coloca na seguinte situação: Créditos Recorrente Fisco Diferença IR Fonte 7.980.514,70 7.536.574,04 443.940,66 IR Fonte órgãos públicos 56.301,10 56.301,10 TOTAIS 8.036.815,80 7.592.875,14 443.940,66 São diversas as naturezas do IR Fonte, sendo que a título exemplificativo e comprobatório, juntamos ao presente recurso a quase totalidade dos documentos que comprovam a legitimidade dos créditos de IR Fonte declarados (Docs. Anexos), restando pendente de comprovação, exclusivamente, os montantes de R$ 9.050,50 referente a IR Fonte sobre Serviços e aproximadamente R$ 13.000,00, referente a IR Fonte sobre rendimentos, protestando pela posterior juntada dos ditos documentos. . Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.262 5 Destacamos que para a documentação ainda não juntada, apresentamos os registros contábeis correspondentes, para comprovação de que tratase de despesa incorrida, paga e usual (imposta por lei), sendo portanto, fruto de ato legalmente praticado pela Recorrente. Prolatouse o Acórdão nº 1401.00.345 desta Turma (fls. 898 a 901) anulandose o processo a partir da decisão recorrida, inclusive, por cerceamento do direito de defesa. Foi determinada pela presidente da Primeira Seção da Quarta Câmara do CARF a apensação do processo de n° 11831.002406/200150 ao presente processo. A DRJ prolatou nova decisão. Em função da complexidade da controvérsia e para que não paire dúvidas sobre o Relato, excepcionalmente tomo a liberdade de reproduzir o novo Recurso Voluntário na íntegra: 4.Desta decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, tendo os autos do processo administrativo em referência sido inicialmente distribuídos para a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da Ia Seção do CARF e, posteriormente, apensados aos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 em trâmite na Ia Turma Ordinária da 4a Câmara da Ia Seção do CARF. 5.Tendo em vista os argumentos de defesa da Recorrente, inclusive informação de que crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 havia sido pleiteado e compensado, em primeiro lugar, nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, a Ia Turma Ordinária da 4a Câmara da Ia Seção do CARF anulou a decisão da DRJ/SP. II.l DA NULIDADE POR PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA II.l.l Ausência de apreciação de direito creditório informado especificamente em PER/DCOMPS anexados ao presente feito 8.Nos autos do processo administrativo em referência, foram anexados os PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (retificado pelos PER/DCOMPs n°s 06536.58776.221104.1.7.023560 e 42432.69644.221104.1.3.029002, fls. 487/493) e 35468.48788.221104.1.7.020295 (fls. 630/632). 9. Por intermédio dos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, a Recorrente formalizou a compensação do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152) com os seguintes débitos: DÉBITOCÓDIGOAPURAÇÃOVENCIMENTOVALOR (R$) COFINS217205/200313/06/2003609.166,76 PIS810911/200315/12/2003730.428,03 PIS691211/200315/12/2003157.931,33 Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.263 6 COFINS217211/200315/12/20033.333.948,51 PIS810912/200315/01/2004632.127,91 PIS691212/200315/01/200452.171,53 10. Notese que todos os débitos indicados no quadro acima, objeto dos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, foram cadastrados pelo sistema "PROFISC" vinculados ao processo administrativo em referência, conforme se verifica do "extrato de processo" emitido pela própria Receita Federal do Brasil (fls. 856/860). 11.Entretanto, estranhamente, o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), no valor original de RS 3.337.566,00, não foi analisado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 12.Conforme se verifica claramente do r. despacho decisório de fls. 47/50, foi objeto de análise apenas a DIPJ 2000 transmitida eletronicamente pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 (fl. 30), não havendo análise da DIPJ 2000/1999 transmitida eletronicamente pelo CNPJ/MF n° 02.605.224/000152 (incorporado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 em 30/10/2003). 13.Em outras palavras, o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152) na DIPJ 2000/1999, no valor original de R$ 3.337.566,00, utilizado para liquidar, por compensação, os débitos objeto dos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, decididamente, não foi analisado pelo r. despacho decisorio de fls. 47/50. 14.Tendo em vista que as compensações em questão foram regularmente formalizadas de acordo com a legislação de regência, não há qualquer dúvida quanto ao efetivo direito da Recorrente de ter analisado o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152) na DIPJ 2000/1999, no valor original de R$ 3.337.566,00, utilizado para liquidar, por compensação, os débitos objeto dos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295. 15.Diante do exposto, o presente recurso voluntário, independentemente de outras questões, deve ser provido para: (I)anular a decisão recorrida e o despacho decisório de fls. 47/50, determinando se que o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152) na DIPJ 2000/1999, no valor original de R$ 3.337.566,00, seja devidamente apreciado pela autoridade administrativa competente; ou, quando menos, (II)determinar a formalização de processo administrativo específico para apreciação do crédito em questão, excluindose dos presentes autos os PER/DCOMPs n°s Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.264 7 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, bem como os respectivos débitos compensados, que deverão ser, necessariamente, vinculados apenas ao novo processo. II.1.2 Ausência de apreciação de provas juntadas aos autos do processo administrativo 16.No r. despacho decisório de fls. 47/50, foi glosada parte do IRRF computado na formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, de modo que foi reconhecido direito creditório no valor inferior (R$ 7.592.875,14) ao inicialmente pleiteado pela Recorrente (R$ 8.069.310,15). 17.Por sua vez, a Ia decisão da DRJ/SP manteve a glosa parcial do IRRF em questão (fls. 666/671), sob o seguinte fundamento: Também, no presente item, a impugnante deixou de juntar os comprovantes da retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras com a finalidade de demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário que pretende compensar. Portanto, com relação à DIPJ 2003, anocalendário 2002, devese reconhecer como saldo negativo o montante de R$ 7.592.875,14. (...)" 18.Contudo, no 1º recurso voluntário interposto pela Recorrente, essa parte da decisão da DRJ/SP foi especificamente impugnada, tendo sido juntado aos autos acervo probatório do IRRF glosado pelo r. despacho de fls. 47/50. 19.Conforme se verifica dos documentos juntados às fls. 748/843, a Recorrente apresentou: (I) planilha demonstrativa da composição do IRRF incidente sobre as operações de mútuo; (II) cópia dos comprovantes de recolhimento do Imposto de Renda pelas fontes pagadoras (DARFs); (III) cópia de informes de rendimentos emitidos por fontes pagadoras; e (IV) cópia das páginas do "Livro Razão", comprovando o registro contábil das retenções do Imposto de Renda. 20.Ocorre, porém, que a 2a decisão da DRJ/SP simplesmente ignorou a existência dos documentos juntados às fls. 748/843 do presente processo administrativo, mantendo a glosa do IRRF efetuada pelo r. despacho decisório de fls. 47/50, inclusive, pelos mesmos fundamentos da decisão anterior. 21.Aliás, nessa parte, a 2a decisão da DRJ/SP é cópia idêntica da Ia decisão da DRJ/SP, muito embora já constassem dos autos os documentos (fls. 748/843) comprobatórios do IRRF glosado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 22.Entretanto, anulada a Ia decisão da DRJ/SP, é evidente que a "nova" decisão deveria ter apreciado todos os elementos de prova existentes nos autos do processo administrativo, sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrente, garantido no inciso LV do artigo 5o da Constituição Federal de 1988 e artigo 2o da Lei n° 9.784/99. 23.De fato, o que deveria ter sido objeto de análise pela 2a decisão da DRJ/SP era o processo administrativo como um "todo", o que evidentemente compreende todos os argumentos de defesa da Recorrente e, notadamente, todos os documentos juntados aos autos. Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.265 8 24.Dessa forma, a 2a decisão da DRJ/SP deveria ter se pronunciado expressamente sobre os documentos juntados às fls. 748/843, ainda que fosse apenas para afastálos como elemento de prova do IRRF glosado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50, o que decididamente não foi feito, cerceando o direito de defesa da Recorrente. 25.Nesse sentido, vale destacar o seguinte Acórdão da 8a Turma do antigo Io Conselho de Contribuintes: "CRÉDITO TRIBUTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NORMAS PROCESSUAIS Fere os princípios do contraditório e da ampla defesa, o indeferimento do pedido de restituição, sem a análise de todos os elementos que compõem o crédito tributário pretendido." (Processo Administrativo n° 10768.013487/9803, Recurso n° 151.442, Acórdão n° 10809.841, Relator Conselheiro Irineu Bianchi, 8a Turma do antigo Io Conselho de Contribuintes, sessão de julgamentos de 06/02/2009, destaques da Recorrente) 26.Assim, deve ser decretada a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, e determinado que seja proferida nova decisão, apreciando os documentos juntados às íls. 748/843, bem como os documentos que instruem o presente recurso. 27.A despeito da nulidade da decisão recorrida e do r. despacho decisório de fls. 47/50, e tendo em vista o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, a Recorrente demonstrará a existência do direito creditório em discussão nos presentes autos. II.2 DO DIREITO CREDITÓRIO EM DISCUSSÃO NOS PRESENTES AUTOS II.2.1 Do crédito relativo ao anocalendário de 1999 II.2.1.1 Do crédito apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 na DIPJ 2000 SanofiAventis Farmacêutica Ltda. 28.Na Declaração de Compensação Original protocolizada em 13/05/2003 (fls. 01/02), a Recorrente informou, inadvertidamente, que estaria a pleitear crédito, no valor original de R$ 4.251.392,18, relativamente ao anocalendário de 1999. 29.Contudo, no momento do protocolo da Declaração de Compensação (13/05/2003) e da prolação do r. despacho decisório de fls. 47/50 (25/11/2003), a Recorrente não poderia pleitear o crédito, no valor original de R$ 4.251.392,18, relativamente ao ano calendário de 1999, o que evidencia o erro de fato cometido no preenchimento da Declaração de Compensação em questão. 30.De fato, no momento do protocolo da Declaração de Compensação (13/05/2003) e da prolação do r. despacho decisório de fls. 47/50 (25/11/2003), o valor de R$ 4.251.392,18 estava depositado judicialmente nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0412542 (doe. 01) e, portanto, não constituía crédito a favor da Recorrente. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.266 9 31.Em 20/08/1999, a empresa "Rhodia Farma Ltda.", sucedida pela Recorrente, impetrou o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0412542, objetivando afastar a retenção na fonte do Imposto de Renda supostamente incidente sobre o resultado positivo obtido em operações de "hedge" (doe. 01). 32.Nos autos daquele Mandado de Segurança, foi concedida Medida Liminar suspendendo a exigibilidade do IRRF, mas condicionando a sua eficácia ao depósito judicial do montante integral do tributo discutido. 33.Em estrito cumprimento a esta determinação judicial, em 1709/1999 (antes do encerramento do anocalendário de 1999), a Recorrente efetuou depósito judicial do montante total do IRRF em discussão, no valor histórico de R$ 4.251.392,18 (doe. 01). 34.Tendo em vista a suspensão da exigibilidade do IRRF, no valor original de R$ 4.251.392,18, bem como o entendimento da própria Receita Federal do Brasil de que somente as antecipações (estimativas e IRRF) efetivamente liquidadas podem ser computadas na formação do saldo negativo de IRPJ, tal valor não foi informado na DIPJ 2000 (CNPJ/MF n° 02.685.377/000157) como crédito da Recorrente. 35.Comprovado, portanto, que o valor de R$ 4.251.392,18 não foi informado na DIPJ 2000 (CNPJ/MF n° 02.685.377/000157) como crédito da Recorrente, é evidente que a análise efetuada em 25/11/2003 pelo r. despacho decisório de fls. 47/50 não compreendeu o crédito em questão. 36.Posteriormente à data do protocolo da Declaração de Compensação de fls. 01/02 e da prolação do r. despacho decisório de fls. 47/50, exatamente em 06/09/2004, o depósito judicial realizado no valor de R$ 4.251.392,18 foi convertido em renda da União, tendo em vista que a Recorrente desistiu do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0412542 (doe. 01). 37.Diante do exposto, e considerando que a DIPJ 2000 transmitida pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 (fl. 30) não abrangia e não poderia abranger o crédito de IRRF, no valor original de R$ 4.251.392,18, o r. despacho decisório de fls. 47/50, de fato, não apreciou o direito creditório em questão. 38.Portanto, o crédito de IRRF, no valor original de R$ 4.251.392,18, não é objeto dos presentes autos, estando atualmente em discussão nos autos do Processo Administrativo n° 13811.004382/200722 (doe. 01). II.2.1.2 Do crédito apurado pelo CNPJ/MF n° 02.605.224/000152 na DIPJ 2000 MTN do Brasil Ltda. 39.Como já destacado, nos autos do processo administrativo em referência, foram anexados os PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações, fls. 487/493) e 35468.48788.221104.1.7.020295 (fls. 630/632). 40.Por intermédio dos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, a Recorrente formalizou a compensação do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.267 10 anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152). 41.Entretanto, o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), no valor original de R$ 3.337.566,00, não foi apreciado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 42.Conforme se verifica claramente do r. despacho decisório de fls. 47/50, foi objeto de análise apenas a DIPJ 2000 transmitida eletronicamente pelo CNP J/M F n° 02.685.377/000157 (fl. 30), não havendo análise da DIPJ 2000/1999 transmitida eletronicamente pelo CNPJ/MF n° 02.605.224/000152 (incorporado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 em 30/10/2003). 43.Diante desse cenário, e considerando que foram anexados aos presentes autos PER/DCOMPs que formalizaram compensações com crédito jamais analisado, restam as seguintes alternativas: (I)ou bem se reconhece que o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), no valor original de R$ 3.337.566,00, deve estar vinculado aos presentes autos e, portanto, deve ser anulada a decisão recorrida e o r. despacho decisório de fls. 47/50, determinandose a sua apreciação; ou, então, (II)deve ser determinada a formalização de processo administrativo específico, em separado, para apreciação do crédito em questão, excluindose dos presentes autos os PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, bem como os respectivos débitos compensados. 44.Pelo princípio da eventualidade, e considerando que o crédito em questão seja examinado nos presentes autos, a Recorrente passa a demonstrar: (I) a ocorrência da homologação tácita das compensações formalizadas; e (II) a existência do direito creditório pleiteado. II.2.1.2.1 Da Homologação Tácita das Compensações 45.Nos termos do §2° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96: "A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutoria de sua ulterior homologação." (destaques da Recorrente) 46.Por sua vez, o §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, dispõe que: "O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação." 47.A luz do disposto nos §§ 2o e 5o do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, dispõe a Autoridade Administrativa do prazo de 5 (cinco) anos contado a partir da entrega da declaração de compensação para analisar a compensação declarada e intimar o Contribuinte do seu resultado. Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.268 11 48.Não havendo qualquer manifestação expressa da Autoridade Administrativa no prazo de 5 (cinco) anos contado a partir da entrega da declaração de compensação, ocorrerá a sua homologação tácita e, por decorrência, a extinção do crédito tributário, nos termos do inciso VII do artigo 156 do Código Tributário Nacional. 49.Conforme se verifica claramente das fls. 487/493 e 630/632, bem como dos PER/DCOMPs anexos (doe. 02), as compensações com o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), no valor original de R$ 3.337.566,00, foram formalizadas em 05/05/2004 e 22/11/2004, ou seja, já na vigência da Lei n° 10.833/2003, de modo que não há qualquer discussão quanto à efetiva aplicação do prazo previsto no §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 ao caso concreto. 50.Dessa forma, nos termos do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, a Autoridade Administrativa deveria ter analisado os PER/DCOMPs em questão e intimado a Recorrente do seu resultado até os dias 05/05/2009 e 22/11/2009, respectivamente. 51.Ocorre, porém, que, até o momento, o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), no valor original de R$ 3.337.566,00, bem como as respectivas compensações formalizadas, não foram sequer analisadas pela autoridade administrativa competente. 52.Portanto, demonstrado o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, contado a partir da formalização das compensações em questão, sem qualquer manifestação expressa da Autoridade Administrativa, deve ser reconhecida a ocorrência da homologação tácita e, por decorrência, a extinção do crédito tributário, nos termos do inciso VII do artigo 156 do Código Tributário Nacional. 53.Nesse sentido, é o entendimento do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, como se verifica dos acórdãos abaixo: "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Decorridos cinco anos do Pedido de Compensação formalizado pelo contribuinte, nos termos dos §§ 4o e 5" do art. 74 da Lei n" 9.430/96 com as alterações introduzidas pelos art. 49 da Lei n° 10.637/02 e artigo 17 da Lei n° 10.833/03, consideramse homologados os créditos compensados e extinto o crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTNLei n° 5.172/66. 1RPJ. CSLL. COMPENSAÇÃO. Acolhida a preliminar de decadência. Extinto está o crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN, Lei n° 5.172/66" (Processo Administrativo n° 10855.003321/9963, Recurso n° 160.855, Acórdão n° 120100.077, Relator Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe, Ia Turma Ordinária da 2a Câmara da Ia Seção do CARP, sessão de julgamentos de 14/05/2009). "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, sem qualquer manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário." Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.269 12 (Processo Administrativo n° 11831.000219/0016, Recurso n° 163.197, Acórdão n° 1803 00.146, Relator Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, 3a Turma Especial da Ia Seção do CARF, sessão de julgamentos de 25/08/2009). 54. Dessa forma, deve ser reconhecida a homologação tácita das compensações realizadas com o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), no valor original de R$ 3.337.566,00, e, por decorrência, a extinção dos créditos tributários apontados no quadro abaixo: DEBITOCÓDIGOAPURAÇÃOVENCIMENTOVALOR (R$) COFINS217205/200313/06/2003609.166,76 PIS810911/200315/12/2003730.428,03 PIS691211/200315/12/2003157.931,33 COFINS217211/200315/12/20033.333.948,51 PIS810912/200315/01/2004632.127,91 PIS691212/200315/01/200452.171,53 55.Na remota hipótese de não ser reconhecida a homologação tácita das compensações em questão – o que se admite apenas para argumentar porém, deverá, então, ser reconhecida a existência do direito creditório, conforme se passa a demonstrar. II.2.1.2.2 Da existência do crédito apurado na DIPJ 2000 pelo CNPJ/MF n° 02.605.224/000152 MTN do Brasil Ltda. 56.No encerramento do anocalendário de 1999, a "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), incorporada pela Recorrente em 30/10/2003, apurou saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 3.337.566,00, conforme Ficha 13A da DIPJ 2000 (doe. 03). 57.O crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999, no valor original de R$ 3.337.566,00, é composto pelo Imposto de Renda Retido na Fonte e pelas estimativas de IRPJ. 58.Conforme se verifica dos informes de rendimentos anexos (doe. 03), o Imposto de Renda Retido na Fonte no curso do anocalendário de 1999 totalizou R$ 3.272.718,33, sendo que, deste valor, R$ 483.790,49 foram utilizados para liquidar as estimativas de IRPJ do próprio anocalendário em questão. 59.Dessa forma, na Linha 13 da Ficha 13A da DIPJ 2000 foi informado como crédito do Imposto de Renda apenas a diferença entre o valor total das retenções na fonte sofridas no anocalendário de 1999 (R$ 3.272.718,33) e o valor utilizado para liquidar as estimativas de IRPJ (R$ 483.790,49), correspondente a R$ 2.788.927,84. 60.Por sua vez, na Linha 16 da Ficha 13A da DIPJ 2000 foi informado como crédito o valor das estimativas de IRPJ liquidadas no curso do anocalendário de 1999, no Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.270 13 montante total de R$ 548.638,16, sendo que, deste valor, R$ 483.790,49 foram compensados com o IRRF do próprio anocalendário, e o saldo remanescente, correspondente a R$ 64.847,67, foi pago via DARF (doe. 03). 61.Diante do exposto, e considerando os documentos juntados aos autos (doe. 03), está comprovada a existência do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 apurado pela "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), incorporada pela Recorrente em 30/10/2003, no valor original de R$ 3.337.566,00. II.2.2 Do crédito relativo ao anocalendário de 2001 11.2.2.1 Do crédito apurado pelo CNPJ/MF n° 00.773.091/000106 na DIPJ 2001/2001 (Evento Especial) Aventis Pharma Ltda. 62.Em 11/10/2001, a "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/0001 06) protocolizou os Pedidos de Restituição e Compensação que deram origem ao Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 (apensado aos presentes autos), formalizando, especificamente, a restituição e a compensação do crédito apurado na DIPJ 2001/2001 (evento especial). 63.Em outras palavras, o crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) foi pleiteado e compensado, em primeiro lugar, nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/2001 50 que, inclusive, está apensado ao presente feito. 64.Dessa forma, o crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) é objeto do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e, portanto, deveria ter sido analisado e reconhecido nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150. 65.E não é só isso. O crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) deve ser alocado para liquidar, por compensação, os débitos objeto do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, pois, repitase, foi formalizado em primeiro lugar, antes mesmo de iniciado este Processo Administrativo n° 11610.006913/200329. 66.Entretanto, o crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) foi indevidamente vinculado ao presente processo administrativo (formalizado apenas em 13/05/2003, quase 2 anos após a formalização do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150) e, também, indevidamente analisado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50 e utilizado para liquidar, por compensação, débitos objeto dos presentes autos. 67.Com efeito, os pedidos de restituição e compensação do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) foram formalizados em 11/10/2001 nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, de modo que qualquer outro pedido posterior que eventualmente tivesse por objeto o crédito em questão, deveria prontamente não ser nem mesmo conhecido de ofício pela autoridade administrativa competente. Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.271 14 68.De fato, tendo sido formalizado processo administrativo específico para a restituição e a compensação do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) naDIPJ 2001/2001 (evento especial), bem como para a sua análise pela autoridade administrativa competente, o crédito em questão não poderia ser pleiteado e compensado em processo administrativo posterior e, da mesma forma, não poderia ser analisado e reconhecido em outro processo. 69.Aliás, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil possui mecanismos de controle que permitem (ou deveriam permitir) à autoridade administrativa competente verificar se determinado crédito pleiteado/compensado pelo contribuinte eventualmente foi utilizado em compensações anteriores. 70.Por essas razões, e considerando a formalização do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 para tratar especificamente do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial), o r. despacho decisório de fls. 47/50, em qualquer hipótese, não deveria ter analisado o crédito em questão, notadamente porque não era passível de restituição/compensação nos presentes autos. 71.Além disso, a Declaração de Compensação Original protocolizada em 13/05/2003 não fez referência expressa ao crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial). 72.Na Declaração de Compensação Original protocolizada em 13/05/2003 foi apontado o CNPJ da Recorrente (02.685.377/000157) e o valor do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (R$ 5.650.150,78), não havendo qualquer indicação de que estaria sendo pleiteado o crédito apurado pela empresa incorporada na DIPJ de evento especial. 73.Muito embora tenha sido juntada aos autos a cópia da DIPJ de evento especial transmitida pela empresa incorporada, não poderia o r. despacho decisório de fls. 47/50 simplesmente presumir que o crédito apurado por aquela empresa integraria o crédito informado na Declaração de Compensação Original protocolizada em 15/05/2003, ignorando, por completo, a existência do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150. 74.A autoridade administrativa prolatora do r. despacho decisório de fls. 47/50 deveria, até mesmo de ofício, ter identificado a existência do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e, por decorrência, não analisado o crédito apurado na DIPJ de evento especial. 75.E o fato de o CNPJ/MF n° 00.773.091/000106 ter sido incorporado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 também não seria argumento para justificar a apreciação do crédito apurado na DIPJ de evento especial nos presentes autos. 76.Com efeito, o crédito apurado pela empresa incorporada na DIPJ de evento especial é absolutamente diverso do crédito apurado pela empresa incorporadora no encerramento do anocalendário, de modo que não há qualquer vedação legal para que o crédito da incorporada seja pleiteado em um processo administrativo e o crédito da incorporadora seja pleiteado em outro processo administrativo, tal como ocorreu no caso concreto. Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.272 15 77.Inclusive, por se tratarem de créditos distintos, é aconselhável a formalização de processos administrativos também distintos para otimizar a apreciação da composição dos saldos negativos e evitar o conflito de informações. 78.Cumpre destacar, ademais, que, tratandose de compensação tributária e existindo dois ou mais débitos, a regra é de que no procedimento de compensação deverá ser observada a ordem dos débitos indicados pela Recorrente e também a ordem crescente dos prazos de prescrição, como se verifica das Instruções Normativas SRF que tratam da matéria (21/1997, 210/2002, 460/2004, 600/2005 e 900/2008). 79.E, no caso, os débitos (todos de 2001) compensados nos Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 são anteriores aos débitos (todos de 2003) informados na DCOMP que deu origem ao Processo Administrativo n° 11610.006913/200329, de modo que o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2001/2001 (evento especial) deve ser utilizado, em primeiro lugar, para compensação dos débitos objeto do PA n° 11831.002406/200150. 80.Por qualquer ângulo que se analise a questão, concluise pela impossibilidade jurídica de manutenção do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) vinculado aos presentes autos, notadamente porque foi pleiteado e efetivamente compensado, em primeiro lugar, nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150. 81.Neste específico caso, não se trata, portanto, de pura e simples retificação da Declaração de Compensação Original protocolizada em 13/05/2003 (As. 01/02), conforme entendeu a r. decisão recorrida, mas sim de reconhecimento da impossibilidade jurídica de crédito pleiteado e compensado nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/2001 50 ser analisado, reconhecido e utilizado em processo administrativo posterior. 82.A rigor, não seria necessária a retificação da Declaração de Compensação protocolizada em 13/05/2003 (fls. 01/02) para a exclusão do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) dos presentes autos, bastando, apenas, o reconhecimento de que foi pleiteado e compensado, em primeiro lugar, nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e, portanto, não poderia ter sido analisado, reconhecido e utilizado em outro processo administrativo. 83.E para corroborar tudo o que foi dito até agora, é importante destacar que a composição do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/0001 06) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) é absolutamente diversa da analisada pelo r. despacho decisório de fls. 47/50, justificando, por mais esse motivo, a sua análise nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150. 84.Na DIPJ de Evento Especial, a "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106), incorporada pela Recorrente em 1709/2001, apurou saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 5.611.714,31, conforme Ficha 12A da DIPJ 2001/2001 (doe. 04), valor superior ao crédito (R$ 4.799.207,19) analisado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 85.O crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 5.611.714,31, é composto pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como pelas estimativas de IRPJ relativas aos períodos de apuração de 01/2001 a 08/2001. Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.273 16 86.No período em questão, a "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) sofreu retenção na fonte de Imposto de Renda no valor total de R$ 10.788.604,97, sendo certo que, deste valor, R$ 330.980,61 correspondem ao Imposto de Renda retido por Órgãos Públicos. 87.As cópias dos documentos juntados às fls. 33/38 pela própria Receita Federal do Brasil (telas impressas do sistema SRF SIEF) comprovam o IRRF informado nas DIRFs transmitidas eletronicamente pelas fontes pagadoras, no valor total de R$ 8.862.809,89. 88.A diferença entre o valor total do IRRF do período de 1701/2001 a 31/08/2001 (R$ 10.788.604,97) e o valor total do IRRF informado em DIRFs (R$ 8.862.809,89), correspondente a R$ 1.925.795,08, está comprovada pela documentação ora juntada aos autos (doe. 04). 89.De fato, a Recorrente está apresentando cópia de informes de rendimentos, cópia de comprovantes de liquidação do Imposto de Renda Retido na Fonte em operações de "hedge" e cópia de comprovantes de pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte em operações de mútuo (doe. 04), não considerados pelos documentos juntados às fls. 33/38 e pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 90.Além disso, a Recorrente está apresentando cópia de páginas do "Livro Razão" (doe. 04), demonstrando o registro contábil da retenção e o oferecimento à tributação das respectivas receitas, o que também não foi analisado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 91.Diante de todos esses elementos apresentados pela Recorrente, está confirmado o Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor total de R$ 10.788.604,97, superior ao valor considerado na análise feito pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 92.Por sua vez, dos R$ 10.788.604,97 retidos na fonte a título de Imposto de Renda, R$ 6.877.651,02 foram utilizados para liquidar estimativas de IRPJ do próprio ano calendário, inclusive, a estimativa do mês de junho/2001, sendo certo que a diferença, correspondente a R$ 3.910.953,95, equivale ao somatório dos valores informados na Linha 13 da Ficha 12A da DIPJ 2001 (R$ 3.894.167,60) e na Linha 14 da Ficha 12A da DIPJ 2001 (R$ 16.786,35). 93.Dessa forma, diferentemente do alegado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50 e pela decisão recorrida, a estimativa de IRPJ do mês de junho/2001 foi liquidada mediante a utilização de saldo disponível de IRRF do próprio período de apuração. 94.Assim, e considerando a documentação juntada aos autos, está comprovada a existência do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2001 de Evento Especial transmitida pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106), incorporada pela Recorrente em 1709/2001, no valor original de R$ 5.611.714,31, absolutamente diverso do crédito analisado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 95.Diante do exposto, está suficientemente demonstrado que o crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) é objeto do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e, portanto, deve ser analisado, reconhecido e utilizados nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, e não nos presentes autos. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.274 17 II.2.2.2 Do crédito apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 na DIPJ 2002/2001 SanofíAventis Farmacêutica Ltda. 96.Conforme amplamente demonstrado, nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 foi pleiteado e compensado especificamente o crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial). 97.O crédito apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 no encerramento do anocalendário de 2001 (DIPJ 2002) não foi pleiteado nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e, portanto, é objeto dos presentes autos. 98.No encerramento do anocalendário de 2001, a Recorrente (CNPJ/MF n° 02.685.377/000157) apurou saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 2.089.913,51, conforme Ficha 12A da DIPJ 2002 (doe. 05). 99.O crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 2.089.913,51, é composto pelo Imposto de Renda Retido na Fonte, bem como pelas estimativas de IRPJ relativas aos períodos de apuração de 01/2001 a 12/2001. 100.No período em questão, a Recorrente sofreu retenção na fonte de Imposto de Renda no valor total de R$ 2.917.160,24, e não de R$ 1.220.413,91, conforme apontado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 101.As cópias dos documentos juntados às fls. 33/38 pela própria Receita Federal do Brasil (telas impressas do sistema SRF SIEF) comprovam o IRRF informado nas DIRFs transmitidas eletronicamente pelas fontes pagadoras, no valor total de R$ 1.731.555,88. 102.A diferença entre o valor total do IRRF no anocalendário de 2001 (R$ 2.917.160,24) e o valor total do IRRF informado em DIRFs (R$ 1.731.555,88), correspondente a R$ 1.185.604,36, está comprovada pela documentação ora juntada aos autos (doe. 05). 103.De fato, a Recorrente está apresentando cópia de informes de rendimentos e cópia de comprovantes de pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte em operações de mútuo (doe. 05), não considerados pelos documentos juntados às fls. 33/38 e pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 104.Além disso, a Recorrente está apresentando cópia de páginas do "Livro Razão" (doe. 05), demonstrando o registro contábil da retenção e o oferecimento à tributação das respectivas receitas, o que também não foi analisado pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 105.Diante de todos esses elementos apresentados pela Recorrente, está confirmado o Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor total de R$ 2.917.160,24, superior ao valor considerado na análise feito pelo r. despacho decisório de fls. 47/50. 106.Por sua vez, dos R$ 2.917.160,24 retidos na fonte a título de Imposto de Renda, R$ 827.246,73 foram utilizados para liquidar estimativas de IRPJ do próprio ano calendário, como, aliás, reconheceu expressamente o r. despacho decisório de fls. 47/50, sendo certo que a diferença, correspondente a R$ 2.089.913,51, equivale ao somatório dos valores Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.275 18 informados na Linha 13 da Ficha 12A da DIPJ 2002 (R$ 2.064.246,95) e na Linha 14 da Ficha 12A da DIPJ 2002 (R$25.666,56). 107.Diante do exposto, e considerando a documentação juntada aos autos, está comprovada a existência do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 2001 (DIPJ 2002) pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157, no valor original de R$ 2.089.913,51, de modo que deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado nos presentes autos. II.2.3 Do crédito relativo ao anocalendário de 2002 108.Neste caso, está em discussão nos presentes autos o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 2002 (DIPJ 2003) pela Recorrente (CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 SanofiAventis Farmacêutica Ltda.), no valor original de R$ 8.036.815,80. 109.No r. despacho decisório de fls. 47/50 foi deferida parcela significativa do crédito pleiteado pela Recorrente, não tendo sido confirmada parte do IRRF computado na formação do direito creditório pleiteado. 110.0 que permanece em discussão nos presentes autos é o Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos rendimentos creditados no anocalendário de 2002 pelas seguintes fontes pagadoras: Fonte PagadoraCNPJIRRF não confirmado (R$) UclafLtda.00.585.663/00011526.564,40 Aventis Animal Nutritio Brasil Ltda.13.094.578/000104460.960,24 Aventis Behring Ltda.62.969.589/0001981.152,63 111. Nestes casos, todos os rendimentos creditados a favor da Recorrente se referem aos mútuos firmados com as pessoas jurídicas indicadas no quadro acima, não tendo sido localizadas as respectivas DIRFs e os informes de rendimentos. 112.De toda forma, a retenção na fonte do Imposto de Renda pode ser provada por meio dos Informes de Rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras e, também, por outros documentos hábeis e idôneos, conforme, aliás, reconhece a própria jurisprudência administrativa. Confirase: "IRRF COMPROVAÇÃO É certo que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Mas tendo o contribuinte apresentado outros elementos, em consonância com a escrituração, que provam ter a pessoa jurídica sofrido o ônus do imposto é de se reconhecer do direito creditório, ainda que parcialmente. " (Io CC, 7a Câmara, PA n° 10768.025483/9922, Rei. Luiz Valero, j. em 14/11/2008 destaques da Recorrente) Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.276 19 "IRFONTE SALDO NEGATIVO IRPJ COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO O saldo negativo de IRPJ representado em sua maioria por IR Retido na Fonte pela prestação de serviços, pode ser comprovado por documentos hábeis e idôneos não se limitando aos comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras." (Io CC, 5a Turma Especial, PA n° 11065.001527/200374, Rei. Walter Adolfo Maresch, j. em 10/12/2008 destaques da Recorrente) 113.E isso foi exatamente o que a Recorrente procurou realizar no presente caso. 114. Conforme se verifica dos documentos juntados às fis. 748/843, a Recorrente apresentou: (I) planilha demonstrativa da composição do IRRF incidente sobre as operações de mútuo; (II) cópia dos comprovantes de recolhimento do Imposto de Renda pelas fontes pagadoras (DARFs); (III) cópia de informes de rendimentos emitidos por fontes pagadoras; e (IV) cópia das páginas do "Livro Razão", comprovando o registro contábil das retenções do Imposto de Renda. 115.E mais, as cópias das páginas do "Livro Razão" juntada aos autos (doe. 06) comprovam: (I) a contabilização das receitas dos mútuos; e (II) o oferecimento das receitas à tributação no anocalendário de 2002. 116.Comprovado, portanto, por meio de documentação hábil e idônea, a contabilização das receitas de mútuos e o seu oferecimento à tributação, bem como a retenção na fonte do Imposto de Renda, o recurso voluntário da Recorrente deve ser provido, reconhecendose a integralidade do crédito apurado no encerramento do anocalendário de 2002 (DIPJ 2003). III DAS CONCLUSÕES 117.Pelo exposto, concluise que: (I) o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152 MTN do Brasil Ltda.) na DIPJ 2000, no valor original de R$ 3.337.566,00, utilizado para liquidar, por compensação, os débitos objeto dos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, não foi analisado; (II)a decisão recorrida não se pronunciou expressamente sobre os documentos juntados às fls. 748/843 dos presentes autos, comprobatórios do IRRF glosado pelo r. despacho de fls. 47/50, cerceando o direito de defesa da Recorrente; (III)o crédito relativo ao anocalendário de 1999, no valor original de R$ 4.251.392,18, apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 (SanofiAventis Farmacêutica Ltda.), é objeto do Processo Administrativo n° 13811.004382/200722; (IV)ocorreu a homologação tácita das compensações formalizadas pelos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações, fls. 487/493) e 35468.48788.221104.1.7.020295 (fls. 630/632); (V)foi efetivamente comprovada a existência do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.277 20 02.605.224/000152 MTN do Brasil Ltda.) na DIPJ 2000, no valor original de R$ 3.337.566,00; (VI)o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pelo CNPJ/MF n° 00.773.091/000106 (Aventis Pharma Ltda.) na DIPJ 2001 (Evento Especial) foi pleiteado e compensado, em primeiro lugar, nos autos do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, e, portanto, não poderia ter sido analisado, reconhecido e utilizado nos presentes autos; (VII)foi efetivamente comprovada a existência do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 apurado pela Recorrente (CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 SanofíAventis Farmacêutica Ltda.) na DIPJ 2002, no valor original de R$ 2.089.913,51; e (VIII)foi efetivamente comprovada a existência do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 apurado pela Recorrente (CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 Sanofi Aventis Farmacêutica Ltda.) na DIPJ 2003, no valor original de R$ 8.036.815,80. IVDO PEDIDO 118. Diante de todo o exposto, é o presente para requerer o provimento integral do recurso voluntário para: (I)anular a decisão recorrida e o despacho decisório de fls. 47/50, determinando se que o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152) na DIPJ 2000/1999, no valor original de R$ 3.337.566,00, seja devidamente apreciado pela autoridade administrativa competente; ou, quando menos, (1.1) determinar a formalização de processo administrativo específico para apreciação do crédito em questão, excluindose dos presentes autos os PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações) e 35468.48788.221104.1.7.020295, bem como os respectivos débitos compensados; e (II)anular a decisão recorrida, determinandose a prolação de nova decisão, apreciando os documentos juntados às fls. 748/843, bem como os documentos que instruem o presente recurso; ou, caso não se entenda pela nulidade; (III)no mérito: (III. 1) ser reconhecido que o crédito relativo ao anocalendário de 1999, no valor original de R$ 4.251.392,18, apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157, é objeto do Processo Administrativo n° 13811.004382/200722; (111.2)ser reconhecida a homologação tácita das compensações formalizadas pelos PER/DCOMPs n°s 06150.57240.050504.1.7.021912 (e posteriores retificações, fls. 487/493) e 35468.48788.221104.1.7.020295 (fls. 630/632); (111.3)ser reconhecido o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela empresa incorporada (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152) na DIPJ 2000, no valor original de R$ 3.337.566,00; Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.278 21 (111.4)ser reconhecido que o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ apurado pelo CNPJ/MF n° 00.773.091/000106 na DIPJ 2001 (Evento Especial) é objeto do Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e, portanto, não poderia ter sido analisado, reconhecido e utilizado nos presentes autos; (111.5)ser reconhecido o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 na DIPJ 2002,no valor original de R$ 2.089.913,51; e (III.6) ser reconhecido o direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 apurado pelo CNPJ/MF n° 02.685.377/000157 na DIPJ 2003,no valor original de R$ 8.036.815,80. É o relatório. Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.279 22 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega cerceamento do direito de defesa, uma vez que em 05/05/2004 a Recorrente protocolizou pedido de retificação do pedido original, excluindo os créditos dos valores dos períodosbase de 1999 e 2001, mantendose apenas os créditos referentes ao ano calendário de 2002 (DIPJ 2003) no valor total RETIFICADO de R$ 8.036.815,80. Essa informação encontrase apensa ao processo (folhas 435 a 437). De fato, às fls. 435 a 437, encontrase o pedido de retificação referido pela Recorrente, alterando os créditos envolvidos: ALTERAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO REF. A PROCESSO N° 11610.006913/200329 AVENTIS PHARMA LTDA., pessoa jurídica de direito privado, com sede à Av. Marginal do Rio Pinheiros, 5.200 Edifício Atlanta Morumbi São Paulo/SP, inscrita no CNPJMF sob o n° 02.685.377/000157, vem respeitosamente a presença de V. Exa., requerer a substituição da Declaração de Compensação entregue em 13 de maio de 2003 (processo n° 11610.006913/200329), pela Declaração de Compensação anexa. A retificação fazse necessária devido à alteração do crédito tributário utilizado para efetuar as compensações dos débitos de PIS e COFINS apurados no mês de abril de 2003. Anexamos ainda, para sua apreciação, cópia da Declaração de Compensação original, entregue em 13 de maio de 2003. Termos em que, pede deferimento. ....................................................................................................................... IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA ANOCALENDÁRIO VALOR DO SALDO NEGATIVO 2002 8.036.815,80 Compulsandose os autos, não se verificou em momento algum que a DRF tenha respondido a essa solicitação. Às fls. 574, consta o 2º pedido de Retificação relacionado apenas aos débitos, ora retificando o 1º pedido de retificação que se reportava a alterações nos créditos: AVENTIS PH ARMA LTDA., já qualificada no processo em epígrafe, vem respeitosamente à presença de V. Exa, requerer a substituição da Declaração de Compensação entregue em 05.05.2004 (processo n° 11610.006913/200329), pela Declaração de Compensação anexa. A retificação se faz necessária pois na Declaração de Compensação entregue em 05.05.2004, o valor devido a título de PIS foi integralmente declarado sob o código 8109, quando parte do valor Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.280 23 referese ao PIS nãocumulativo (código 6912). Esclarece outrossim, que a compensação do débito de PIS nãocumulativo foi devidamente formalizada através da entrega da DCOMP eletrônica n° 08013.16845.221104.1.3.021600. Às fls. 601, consta o seguinte despacho da DRF: Tendo em vista a petição de fls. 574, que solicita a substituição da Dcomp entregue em 05.05.2004, pela de fls. 575, encaminhese o presente processo à ECRER/DIORT/DERAT, para proceder os devidos ajustes, se for o caso. ... Às fls. 607, consta deferimento da petição de fls. 574 (2a retificação): Considerando que a petição de fls. 574 enquadrase no art. 57 da IN/SRF n° 460/2004 e considerando que verificamos incorreção na data de valoração das compensações efetuadas, proponho o encaminhamento do presente processo a SAARF/DICAT/DEINF/SPO (0117290.5) para que sejam cancelados os DARF's de fls. 602 a 606 com posterior retorno a esta ECRER para conclusão dos trabalhos de compensação. Cabe salientar que todos esses fatos aconteceram antes do encaminhamento do processo para que a DRJ analisasse a manifestação de inconformidade, mas não foram relatados no seu Acórdão. Cabe salientar que esse fato é deveras relevante, pois repercute em outros processos, tais como o processo nº 11831.002406/200150, onde a recorrente solicita restituição do saldo negativo do IRPJ e CSLL de 2001, alegando nesses autos que “Não poderia a autoridade fiscal deixar de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no processo de nº 11610.006913/200329.” Em resumo, pleiteiou a recorrente a nulidade do feito naquele processo, uma vez que a autoridade fiscal deixou de se manifestar quanto ao direito creditório de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, tendo em vista que apresentou pedido de retificação no presente processo ( 11610.006913/200329). Outrossim, a falta dessa análise gerou as seguintes dúvidas. A DRF ao referendar o segundo pedido de retificação amparou implicitamente o primeiro? Mas, se esse é o caso a Decisão DRJ foi de encontro a essa retificação, pois tratou justamente de analisar aquilo que deveria ter sido excluído da análise (períodos de 1999 a 2001). Se não referendou, então deixou de se pronunciar sobre o primeiro pedido de retificação gerando cerceamento do direito de defesa e a DRJ amparou esse estado de coisas. Esta Câmara tem se pautado, sempre, na esteira da ampla possibilidade de defesa, que confere maior força ao julgamento proferido. Foi nesse contexto, para que se evitasse o cerceamento do direito de defesa, é que esta turma entendeu ANULAR o processo a partir da decisão recorrida para que nova fosse prolatada, sanando a omissão. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.281 24 A DRJ, então, proferiu nova Decisão através do Acórdão nº 1630.542, em 30 de março de 2011, reiterando os mesmos termos da decisão anterior e aduzindo em complemento no que tange ao motivo principal da anulação o seguinte: A interessada requer a retificação da Declaração de Compensação após decisão administrativa. Ocorre que tal procedimento não é permitido e, portanto, as referidas retificações não produzem efeito. Para maiores esclarecimentos convém reproduzir a legislação que regulamentou a compensação de tributos. Oartigo 74 da Lei n° 9.430/1996 com as alterações introduzidas pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõe "in verbis”: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo nu compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (...) Da norma acima reproduzida é possível aferir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Com efeito, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do conteúdo Assim, os pedidos apresentados pela contribuinte para alteração da Declaração de Compensação não podem ser admitidos, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Ademais, deve ser observado o disposto no artigo 56 da IN SRF n° 460 de ] 8/10/2004 (cujas disposições foram seguidas pelo artigo 57 da IN SRF n° 600 de 28/12/2005 e pelo artigo 77 da IN SRF n° 900 de 30/12/2008 atualmente em vigor), que admite a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. Por relevância, cabe ressaltar que o descabimento da retificação da DCOMP após a decisão administrativa também é reconhecida na jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF), conforme explicitam, a título ilustrativo, os seguintes arestos: "DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO É inadmissível a Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.282 25 retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRP.J informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. "(Grifei). Acórdão 10517130, Processo 13807.003132/200491, Rei. Waldir Veiga Rocha, sessão de 13/08/2008 "IRPJCOMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Incabível a retificação da Declaração de Compensação, Dcomp, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado. "(Grifei). Acórdão 10809604, Processo 10675.000103/200180. Rei. Karem Jureidini Dias, sessão de 17/04/2008 Quanto à análise dos pedidos de retificação realizados pela DRF, conforme exposto no relatório, estes foram indeferidos, conforme verificase da Intimação n° 2.153 da DERAT/DIORT/ECRER/SP (fl. 654) que dá ciência a contribuinte do demonstrativo das compensações efetivadas e da não admissão das requeridas retificações: "No termos dos artigos 56, 57 e 58 da IN/SRF n° 460/2004, fica o contribuinte ciente de que não mais serão admitidas retificações das Declarações de Compensação vinculadas ao crédito discutido no processo em epígrafe. " Não há dúvidas de que quando a intimação afirma não serem admitidas retificações ela se refere a todos os pedidos formulados nesse sentido, mesmo porque o pedido de fl.574 se refere explicitamente ao de fl. 435, pois requer sua substituição. Em que pese o merecido respeito a que faz jus o ilustre conselheiro relator do acórdão 140100.345 (fls. 898 a 901), peço vénia para dele discordar quanto à afirmação de que a DRF referendou o segundo pedido de retificação. Todo o equívoco partiu do despacho de fl. 607 que aduz: "Considerando que a petição de fls. 574 enquadrase no art. 57 da IN/SRF^i" 460/2004 e considerando que verificamos incorreção na data de valoração das compensações efetuadas, proponho o encaminhamento do presente processo a SAARF/DICA T/DEINF/SPO (0117290.5) para que sejam cancelados os DARl7's de fls. 602 a 606 com posterior retorno a esta ECRER para conclusão dos trabalhos de compensação. " (Grifei). O referido despacho interno (sem ciência para o contribuinte) apenas propõe que o processo seja encaminhado para análise, ou seja, não houve deferimento algum à contribuinte. Contudo, este despacho está claramente errado no que tange a considerar que a referida petição se enquadra no artigo 57 da IN SRF n° 460/2004, primeiro porque não c hipótese de inexatidão material e, depois, como já exposto, porque o artigo 56 da mesma instrução normativa só permite a retificação de DCOMP que se encontre pendente de decisão administrativa. A contribuinte não se encontrava pendente de decisão administrativa, cujo conceito é determinado pelo disposto no artigo 73 da IN SRF n° 460/2004, in verbis: Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.283 26 "Ari. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Deinfi IRFClasse Especial ou ÁLF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. " Em prosseguimento ao despacho de fl. 607, verificase que a DRF, tendo efetuado todas as providências a ela cabíveis, concluiu pela improcedência dos pedidos de retificação e cientificou a contribuinte por meio da já citada intimação n° 2.153 de fl. 654, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Em que pese da DRJ ter esclarecido o ocorrido, em nome do princípio da verdade material e para que não se dê azo a enriquecimento ilícito do Estado, aceito o pedido de retificação, pois como se verifica por todo o contexto das provas e defesas produzidas pela Recorrente tratouse de erro material na indicação dos Perdcomps. Ademais os pedidos de retificação não foram claramente produzidos. Tanto houve obscuridade e falta de clareza que nem mesmo este Julgador conseguiu entender o ocorrido, motivando inclusive a anulação da decisão da DRJ para que a matéria fosse enfrentada a contento e não cerceasse o direito de defesa do Contribuinte. Outrossim, as decisões da DRJ, tanto a primeira quanto a segunda, não analisaram a existência dos documentos juntados às fls. 748/843 do presente processo administrativo, que segundo a Recorrente daria conta de desfazer a glosa do IRRF efetuada pelo despacho decisório de fls. 47/50, impactando no saldo negativo do anocalendário de 2002 Outro grande problema apontado pela Recorrente, também produto de erro de fato no preenchimento das Declarações de Compensações, foi a não consideração no saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 1999 pela empresa incorporada denominada "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/0001 52), no valor original, segundo a Recorrente, de R$ 3.337.566,00 em que a ela estariam vinculadas várias Dcomps. Dessa forma, em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Considerar retificada a Declaração de Compensação protocolizada em 13/05/2003 (fls. 01/02) para a exclusão do crédito apurado pela "Aventis Pharma Ltda." (CNPJ/MF n° 00.773.091/000106) na DIPJ 2001/2001 (evento especial) dos presentes autos, transferindo a análise do crédito para o Processo Administrativo n° 11831.002406/200150, ora apensado a este. Considerar, portanto, que no presente processo só trata do Saldo negativo do anocalendário de 2002 e suas compensações. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11610.006913/200329 Resolução nº 1401000.167 S1C4T1 Fl. 2.284 27 Averiguar a certeza e liquidez do crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 apurado pela "MTN do Brasil Ltda." (CNPJ/MF n° 02.605.224/000152), incorporada pela Recorrente em 30/10/2003, no valor original de R$ 3.337.566,00. Isso deve ser feito nos autos do processo n° 11831.002406/200150, ora apensado a este. Tratandose de compensação tributária e existindo dois ou mais débitos, a regra é de que no procedimento de compensação deverá ser observada a ordem dos débitos indicados pela Recorrente e também a ordem crescente dos prazos de prescrição.Portanto, para os débitos de 2001 que foram compensados nos Processo Administrativo n° 11831.002406/200150 e como são anteriores aos débitos (todos de 2003) informados na DCOMP que deu origem ao Processo Administrativo n° 11610.006913/200329, de modo que o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2001/2001 (evento especial) deve ser utilizado, em primeiro lugar, para compensação dos débitos objeto do Processo n° 11831.002406/200150. Prosseguir na validação do saldo negativo do anocalendário de 2002, dessa feita analisando os documentos de fls. 748/843 não analisados pela DRJ. Conforme consta do seu Recurso, a Recorrente afirma que nos documentos de fls. 748/843, apresentou: (I) planilha demonstrativa da composição do IRRF incidente sobre as operações de mútuo; (II) cópia dos comprovantes de recolhimento do Imposto de Renda pelas fontes pagadoras (DARFs); (III) cópia de informes de rendimentos emitidos por fontes pagadoras; e (IV) cópia das páginas do "Livro Razão", comprovando o registro contábil das retenções do Imposto de Renda. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, não se apegando única e exclusivamente na existência de informes de rendimentos, uma vez que esta Câmara entende que existem outros meios de se provar também as retenções. Após as verificações acima e apurar a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Para efeito de controle da autoridade executora, o presente processo foi julgado em conjunto com o processo n. 11831.002406/200150, também baixado em diligência, ora apensado ao presente processo. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10865.004062/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO.
Para fins do disposto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, consideram-se serviços hospitalares os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Todavia, não são
considerados serviços hospitalares as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de hospitais.
Numero da decisão: 1201-000.807
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir da tributação o valor dos demais procedimentos médicos hospitalares, sendo que os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e André Almeida Blanco
excluíam também o valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas, assim como, juntamente com o Conselheiro Rafael Correia Fuso, os juros de mora sobre a multa de ofício. Fará declaração de voto o Conselheiro André Almeida Blanco.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. Para fins do disposto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, consideram se serviços hospitalares os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Todavia, não são considerados serviços hospitalares as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de hospitais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir da tributação o valor dos demais procedimentos médicos hospitalares, sendo que os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e André Almeida Blanco excluíam também o valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas, assim como, juntamente com o Conselheiro Rafael Correia Fuso, os juros de mora sobre a multa de ofício. Fará declaração de voto o Conselheiro André Almeida Blanco. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme descrito no termo de verificação de irregularidade fiscal (fl. 8), a autoridade acusa a contribuinte, optante pela apuração do IRPJ do ano de 2005 com base no lucro presumido, de não haver comprovado a prestação de serviços hospitalares que justificasse a adoção do coeficiente de presunção de 8%, razão pela qual lavrou auto de infração (fls. 2/7) mediante utilização do coeficiente de 32%, a teor do disposto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95. Impugnada a exigência (fls. 39/61), a DRJ de origem decidiu pela procedência do lançamento (fls. 114/123). Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 209/218) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeiro grau, sob as seguintes alegações, em síntese: a) nulidade do lançamento, por ausência de motivação; b) nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, pois a autoridade não expôs as razões pelas quais desconsiderou os documentos e esclarecimentos apresentados pela empresa durante a fiscalização; c) a autoridade não se desincumbiu do ônus de comprovar a acusação por ela perpetrada, tendo sido o lançamento realizado em curto espaço de tempo e com base em mera presunção de que a empresa não prestava serviços hospitalares; d) a empresa presta serviços de medicina auxiliar de diagnóstico, atividade que se enquadra no conceito de “serviços hospitalares” de que cuida o art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, fazendo jus, portanto, à adoção do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido; e) incabível a exigência de juros de mora calculados com base da taxa Selic; f) a multa aplicada, de 75%, possui efeito confiscatório; g) não procede a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Apreciadas as razões de defesa, esta Turma, em atenção à decisão do STJ proferida nos autos do REsp nº 1.116.399/BA, que estabeleceu o alcance da expressão “serviços hospitalares” contida no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Por todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que o autor do feito, ou outro AuditorFiscal designado para tanto, intime a contribuinte para que esta: a) esclareça o significado de cada um dos códigos de serviços constantes das planilhas juntadas ao feito e comprove este Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 4 3 significado por meio, por exemplo, de documentação fornecida pelo agente emissor das planilhas; b) destaque os códigos atinentes ao serviço de consulta médica daqueles atinentes aos serviços tipicamente hospitalares segundo o entendimento fixado nesta resolução; e c) elabore demonstrativo trimestral, por médico prestador, em que se discriminem os valores relativos aos serviços tipicamente hospitalares daqueles de consulta médica. Por fim, solicitase à autoridade fiscal que verifique se os valores constantes dos esclarecimentos e demonstrativos apresentados pelo contribuinte correspondem àqueles que serviram de base à presente autuação e, ao final, elabore relatório circunstanciado do resultado da diligência em que deve constar a discriminação de eventuais divergências. Encerrada a instrução processual, deverá ser novamente intimada a recorrente para que, se assim lhe convier, apresentar contrarazões ao relatório de diligência no prazo de trinta dias de sua ciência. Cumprida a diligência, a autoridade fiscal elaborou relatório a partir das informações prestadas pela contribuinte. Intimada a se manifestar sobre o relatório de diligência no prazo de 30 dias, a interessada solicitou prorrogação do prazo, não tendo sido atendida. Os autos, então, retornaram a esta Turma para julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Das Alegações de Nulidade do Lançamento Não assiste razão à recorrente quando aponta ausência de motivação do ato de lançamento. De fato, como se verifica no auto de infração, a exigência foi motivada por força da “[a]plicação incorreta do coeficiente de 8% sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando o correto seria 32% (...)”. Quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, é de se dizer que a auditoria fiscal regese pelo princípio inquisitório, não possuindo o sujeito passivo, naquela fase do procedimento, direito à defesa, motivo pelo qual é incabível falarse em seu cerceamento. O direito à ampla defesa e ao contraditório surge apenas com a fase de impugnação ao lançamento, quando o procedimento passa a ser regido pelo princípio Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 5 4 dispositivo. Somente os atos processuais praticados a partir de então podem propriamente ser declarados nulos por cerceamento do direito de defesa, a teor dos arts. 14 e 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72. 3) Da Atividade de Prestação de Serviços Hospitalares Sobre a determinação da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, o art. 15 da Lei nº 9.249/95 e o art. 25 da Lei nº 9.430/96 assim estabelecem: Lei nº 9.249/95 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...) Lei nº 9.430/96 Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Isso posto, não há dúvida de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares que optarem pelo lucro presumido deverão adotar o coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do IRPJ, enquanto as pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral ficam obrigadas a empregar o coeficiente de 32%. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 6 5 A questão, entretanto, é identificar o significado e o alcance da expressão “serviços hospitalares”, contida no citado art. 15 da Lei nº 9.249/95. Ao se debruçar sobre o problema a Primeira Seção do STJ, no âmbito do Resp nº 1.116.399/BA, o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), assim estabeleceu: 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que Fl. 281DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 7 6 demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Em síntese, segundo o STJ, qualificamse como hospitalares, para fins do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249/95, os serviços vinculados às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltadas diretamente à promoção da saúde, ainda que a pessoa jurídica prestadora não se constitua em hospital. Não se caracterizam como serviços hospitalares, todavia, as simples consultas médicas, ainda que realizadas no interior de estabelecimentos hospitalares. Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Em assim sendo, estabelecida pelo STJ, em sede de recurso especial submetido ao regime de que trata o art. 543C do CPC, a interpretação que se deve emprestar ao art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95, deverá este órgão administrativo adotála em seus julgados. No presente feito foram apresentadas junto à peça impugnatória planilhas relativas a valores supostamente recebidos pela pessoa jurídica em razão de serviços prestados por seus sócios atinentes ao período objeto do lançamento. No entanto, uma vez que nas referidas planilhas não há uma clara distinção entre as receitas oriundas de consultas médicas e as receitas provenientes da prestação de “serviços hospitalares”, o processo foi baixado em diligência a fim de que fosse elucidada essa questão. No relatório de diligência constam os seguintes demonstrativos, elaborados a partir das informações prestadas pela própria contribuinte em resposta a intimação fiscal a ela dirigida: 1° Trimestre/2005 ValorR$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 143.015,95 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 72.891,93 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 35.131,20 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 34.992,82 2 TOTAL: (a + b + c) 143.015,95 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 8 7 2o Trimestre/2005 Valor R$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 158.555,51 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 91.392,68 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 31.920,20 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 35.242,63 2 TOTAL: (a + b + c) 158.555,51 3o Trimestre/2005 ValorR$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 174.483,86 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 96.396,18 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 35.072,70 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 43.014,98 2 TOTAL: (a + b + c) 174.483,86 4o Trimestre/2005 ValorR$ 1 Valor da Receita Bruta (Auto de Infração e DIPJ) 200.024,04 a) Valor não discriminado nas planilhas apresentadas 104.712,55 b) Valor das consultas médicas discriminadas nas planilhas 39.046,80 c) Valor dos demais procedimentos médicos hospitalares 56.264,69 2 TOTAL: (a + b + c) 200.024,04 Verificase nos demonstrativos acima reproduzidos que, do total da receita bruta lançada de ofício, apenas os valores indicados no item “c” de cada um dos trimestres devem ser afastados, haja vista que enquadramse no conceito de “serviços hospitalares” definido pelo STJ. Por outro lado, devem ser mantidos os valores indicados no item “b”, já que as consultas médicas não são conceituadas como “serviços hospitalares”. Também devem ser mantidos os valores indicados no item “a”, pois, como a contribuinte não comprovou a natureza daqueles serviços, devem ser eles tributados pelo maior coeficiente de presunção. 4) Taxa Selic, Multa Confiscatória e Juros sobre a Multa de Ofício Alega a recorrente ser incabível a incidência da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Ocorre que este Conselho já pacificou a questão por meio da publicação de sua súmula nº 4, que assim estabelece: Súmula CARF nº 4: (DOU de 09/12/2010) A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que concerne à alegação de que a multa de ofício possui caráter confiscatório, violando assim o disposto no art. 150, IV, da Constituição, é de se dizer que tanto o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, quanto a súmula CARF nº 2, abaixo transcritos, vedam a este Conselho deixar de aplicar lei sob o argumento de inconstitucionalidade: Decreto nº 70.235/72: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 9 8 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Súmula CARF nº 2: (DOU de 09/12/2010) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, afirma a recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Também aqui não assiste razão à defesa. Isso porque a multa de ofício é parte do crédito tributário sobre o qual incidirão os juros de mora. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme de observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ lançado de ofício os seguintes valores: 1° Trimestre 2° Trimestre 3° Trimestre 4° Trimestre 34.992,82 35.242,63 43.014,98 56.264,69 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 284DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 10 9 Declaração de Voto Conselheiro André Almeida Blanco Cumprimento o I. Relator pelo seu voto, mas ouso divergir de seu entendimento sobre os dois pontos a seguir tratados. I – Consultas médicas ambulatoriais O presente Processo Administrativo teve origem na autuação da Recorrente pela suposta aplicação indevida do coeficiente de presunção de 8%, sob alegação de que o correto seria o de 32%. Entendeu o ilustre Relator que no caso das “Consultas Médicas” realizadas pela Recorrente não seria cabível a aplicação do coeficiente de 8%, vez que não tratarseiam as mesmas de “Serviços Hospitalares”, nos termos da lei. Ouso divergir de seu posicionamento, haja vista que há que se segregar as “Consultas Médicas” vinculadas aos procedimentos hospitalares e aquelas prestadas pelos médicos, profissionais liberais, em seus consultórios. Isso porque existem consultas vinculadas aos procedimentos hospitalares e cirúrgicos, podendo as mesmas seremlhes antecedentes ou decorrentes, mas que estão intimamente ligadas ao procedimento hospitalar. Diferentes são as consultas prestadas em consultórios médicos, muitas vezes apenas de rotina, e que estão desvinculada de qualquer procedimento hospitalar. Essas sim estão sujeitas à aplicação do coeficiente de 32%, conforme sustentou o ilustre Relator. Por outro lado, a fiscalização não demonstrou nos autos que a Recorrente não teria prestado serviços vinculados à atividade hospitalar, motivo pelo qual lhe deve ser aplicado o coeficiente de 8%. Veja que não se está falando aqui de um consultório médico, mas sim de uma clínica especializada, com custos muito superiores aos dos consultórios médicos, bem como com infraestrutura bem superior. O Superior Tribunal de Justiça, analisando situação similar, já decidiu que: TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – ALÍQUOTA REDUZIDA – ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI N. 9.249/95 – LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES – NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Concluiu a Primeira Seção que, "por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade Fl. 285DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 11 10 não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos." (REsp 951251/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 22.4.2009, DJe 3.6.2009). 2. Para fazer jus à concessão do benefício fiscal previsto nos artigos 15, § 1º, III, "a" e 20 da Lei n. 9.249/95, é necessário que a prestação de serviços hospitalares seja realizada por contribuinte que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, e não apenas a capacidade de internação de pacientes. 3. Merece reforma o entendimento firmado pela Primeira Turma, para reconhecer a incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços laboratoriais de análises clínicas. Embargos de divergência providos (EREsp 956.122/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 01/10/2009 Dessa forma, entendo que correta a aplicação do coeficiente de 8% às Consultas Médicas em questão nos presentes autos. II – Incidência de juros de mora sobre a multa Entendo não poder prosperar também a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Dispõe o art. 161 do Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O caput do art. 161 realiza uma clara distinção entre o crédito tributário e as penalidades, dispondo de forma expressa que àquele são acrescidos os juros de mora. A norma não prevê a incidência dos juros de mora sobre a penalidade aplicada. Ao tratar do assunto, Gabriel Lacerda Troianelli ensina afirma que: Com efeito, se o trecho do caput do artigo 161 acima transcrito pudesse ser lido como”o tributo e a penalidade pecuniária não integralmente pagos no vencimento são acrescidos de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”, a consequência disso seria absurda, pois tal redação permitiria não apenas que sobe a penalidade pecuniária não paga no vencimento incidisse juros, mas também que sobre essa penalidade pecuniária não paga no vencimento (trinta dias contados do lançamento, no caso dos tributos federais) fosse imposta nova “penalidade cabível”, e Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 12 11 assim por diante, em uma seqüência infinita de multas sobre multas impostas a cada trinta dias. Assim, se a fiscalização constatasse que o sujeito passivo não pagou R$ 100,00 no vencimento, aplicaria multa de R% 75,00, que, não paga no respectivo vencimento (trinta dias), demandaria (além da incidência dos juros) a imposição de nova multa, agora no valor de R$ 5,25, que, não paga nos trinta dias subseqüentes à sua imposição, geraria nova multa no valor de R$ 42,19, até que, no limite dessa seqüência infinita, a multa tendesse a zero. Ora, o absurdo dessa conclusão demonstra o equívoco da sua premissa, de que o “crédito” de que trata o caput do artigo 161 refirase não só ao tributo como também à penalidade1. Em voto vencido muito bem fundamentado, o Conselheiro Valmir Sandri, no julgamento do Recurso nº. 147.759, tratou muito bem a questão ora discutida, traçando um histórico legislativo que corrobora a tese ora sustentada e que tomolhe de empréstimo: Por seu turno, o legislador ordinário editou uma série de normas que modificou inúmeras vezes o regime em relação à aplicação dos juros, e para uma melhor análise da exigência acima, faz se necessário uma digressão dos diversos dispositivos legais que trataram e trata da incidência e cobrança de juros de mora, vejamos: Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1º A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2º A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro d e1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º e janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: 1 TROIANELLI, Gabriel Lacerda. A não incidência de juros moratórios sobre multa não paga no vencimento. Revista Dialética de Direito Tributário n. 174. Março 2010. P. 51. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 13 12 I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, vê se claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, exclusivamente sobre os “tributos e contribuições” e, sobre os “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posteriormente, o Governo Federal emitiu a Medida Provisória nº. 1.54218, de 16 de janeiro de 1997, que foi sendo reeditada, até sua conversão na Lei nº 10.522/2002, a qual tratou acerca da incidência dos juros moratórios nos arts. 29 e 30, vejamos: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. § 1º A partir de 1º de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2º Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.004062/200830 Acórdão n.º 1201000.807 S1C2T1 Fl. 14 13 moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3º Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n.) Da simples leitura da norma acima transcrita, vê se que a mesma tratou da incidência de juros de mora sobre “débitos de qualquer natureza”, tão somente para os débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995. Assim, temse que a regra vigente no momento da constituição do crédito tributário no presente caso é a determinada pelo art. 61 nº 9.430/9, a qual regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997, não contemplando, portanto, os débitos decorrentes da multa. Da exegese dos dispositivos acima transcritos, resta clara a inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, e sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Dessa forma, concluise que não há autorização legal para a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, com a exclusão das parcelas referidas às Consultas Médicas do total do crédito tributário exigido, bem como com a exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. (documento assinado digitalmente) André Almeida Blanco Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 21/08/2013 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por ANDRE ALMEIDA BLAN CO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO
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