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Numero do processo: 10880.009614/2002-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA. AFASTAMENTO DA PRELIMINAR. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO.
Afastada a preliminar de concomitância, os autos devem retornar à instância a quo para exame do mérito da impugnação ao auto de infração apresentado pelo contribuinte, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, e, dar parcial provimento ao recurso para anular o presente processo a partir da decisão de 1º grau, inclusive, para que outra seja proferida atenta à necessidade de análise do objeto do presente processo, providenciando o respectivo e necessário encontro de contas e manifestando-se acerca da procedência ou não do lançamento.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA. AFASTAMENTO DA PRELIMINAR. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO. Afastada a preliminar de concomitância, os autos devem retornar à instância a quo para exame do mérito da impugnação ao auto de infração apresentado pelo contribuinte, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, e, dar parcial provimento ao recurso para anular o presente processo a partir da decisão de 1º grau, inclusive, para que outra seja proferida atenta à necessidade de análise do objeto do presente processo, providenciando o respectivo e necessário encontro de contas e manifestando-se acerca da procedência ou não do lançamento. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1975; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 96 1 95 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.009614/200212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.665 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2013 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente TGS TECNOLOGIA E GESTÃO DE SANEAMENTO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA. AFASTAMENTO DA PRELIMINAR. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA APRECIAÇÃO DO MÉRITO. Afastada a preliminar de concomitância, os autos devem retornar à instância a quo para exame do mérito da impugnação ao auto de infração apresentado pelo contribuinte, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, e, dar parcial provimento ao recurso para anular o presente processo a partir da decisão de 1º grau, inclusive, para que outra seja proferida atenta à necessidade de análise do objeto do presente processo, providenciando o respectivo e necessário encontro de contas e manifestandose acerca da procedência ou não do lançamento. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 96 14 /2 00 2- 12 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase, o presente feito, de recurso voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que manteve parcialmente o crédito tributário impugnado, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1997 a 31/12/1997 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL – RENÚNCIA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão recorrida, diante da nova redação do art. 18 da Lei no 10.833/2003, decorrente do art. 25 da Lei no 11.051/2004, entendeu por bem aplicar o art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), afastando a multa de oficio cominada. No mérito, considerou definitivo o crédito tributário atrelado à compensação supostamente discutida judicialmente, mantendo a integralidade do valor exigido no auto de infração. Em suas razões recursais, o sujeito passivo alega que a sentença que assegurou o direito à compensação já teria transitada em julgado, apresentando a prova correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 25/07/2011 e o protocolo do recurso, em 23/08/2011 (fls. 95). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10880.009614/200212 Acórdão n.º 3802001.665 S3TE02 Fl. 97 3 vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Compulsando os autos, verificase que o auto de infração foi lavrado porque, em procedimento de auditoria da Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), foi constatada a falta de comprovação da origem do direito creditório utilizado para fins de compensação com débitos de Cofins (“Proc jud não comprovado”). Diante disso, o Recorrente apresentou a respectiva impugnação, instruindoa com os documentos que entendia comprobatórios da origem e da liquidez do direito creditório (fls. 39 e ss.). A DRJ, porém, ao constatar que o crédito seria resultante de decisão judicial, entendeu caracterizada renúncia à instância administrativa, determinando à DRF de origem a “adaptação” do crédito tributário ao teor da coisa julgada. Todavia, entendese que o fato do contribuinte apresentar como origem da compensação uma sentença transitada em julgado não implica a renúncia à instância, até porque o mérito da constitucionalidade do Finsocial não é o objeto do procedimento administrativo fiscal. A decisão judicial apenas reconheceu o direito à compensação, que deve ser exercido pelo contribuinte na forma e no prazo definido pela legislação tributária. Assim, cumpre à autoridade administrativa verificar a regularidade da extinção do crédito, inclusive se houve o trânsito em julgado, se a decisão tem o alcance alegado pelo sujeito passivo, se este efetivamente figura no pólo passivo e a liquidez do crédito. No presente caso, considerando que houve a exigência de crédito tributário devido à suposta nãocomprovação do processo judicial, a DRJ deveria verificar se, de fato, a sentença judicial (autos nº 95.005859807 e apelação civil nº 97.03.0097898) conferiu ao Recorrente o direito de compensação e se os valores compensados correspondem àqueles exigidos por meio do auto de infração. Descabe o procedimento de envio à DRF de origem para “adaptação” do crédito tributário exigido ao teor da coisa julgada, porque esse encaminhamento implica verdadeira decisão condicionada. A decisão recorrida, portanto, é nula, devendo ser reformada para que, afastada a preliminar de concomitância, a DRJ aprecie o mérito da impugnação apresentado pelo contribuinte, providenciando o respectivo e necessário encontro de contas e manifestando se acerca da procedência ou não do lançamento. Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727438/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 28/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 38 /2 00 9- 55 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 28/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 28.894,25, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727438/200955 Acórdão n.º 2201001.935 S2C2T1 Fl. 3 3 exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância, Ricardo Augusto Schmitt apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, as preliminares aventadas pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727438/200955 Acórdão n.º 2201001.935 S2C2T1 Fl. 4 5 rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere do relatório da decisão de primeira instância, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (art. 111, inciso II, do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Importa também acrescer que este Órgão Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. No caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Desta forma, válido o lançamento também neste ponto. Quanto a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727438/200955 Acórdão n.º 2201001.935 S2C2T1 Fl. 5 7 É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Sobre a matéria supra, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado recentemente pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 73: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727438/200955 Acórdão n.º 2201001.935 S2C2T1 Fl. 6 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.727438/200955 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.935. Brasília/DF, 22 de janeiro de 2013 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13601.000156/2010-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 01/01/2010
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS.
Tem direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a pessoa que apresenta deficiência física (monoparesia) com a perda motora e sensitiva parcial em membro superior esquerdo comprovada por laudo médico.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. Tem direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a pessoa que apresenta deficiência física (monoparesia) com a perda motora e sensitiva parcial em membro superior esquerdo comprovada por laudo médico. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Neudson Cavalcante Albuquerque, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 01 56 /2 01 0- 43 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13601.000156/201043 Acórdão n.º 3801002.103 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Tratase da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.690, de 2003, e da Lei nº 10.754, de 2003. Os pleitos foram indeferidos com fundamento no fato de que inexistem, no processo, laudos capazes de conferir legitimidade às isenções requeridas. Foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a contribuinte insiste na legitimidade do seu direito. A DRJ em Juiz de Fora (MG) indeferiu a isenção do IPI e deferiu aquela referente ao IOF, desde que, nesse último caso, inexista fruição deferida em processo anterior (art.72, §1º, “a”, lei nº 8383/91), nos termos da ementa abaixo transcrita: ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. ISENÇÃO.IOF.DEFICIENTE FÍSICO A exclusão do IOF para deficientes físicos darseá nos estritos termos do art.72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91, ou seja, deverá estar atestado no laudo emitido pelo Detran de residência permanente o tipo de defeito físico e a total incapacidade para a condução de automóveis convencionais, e ainda a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais. Presentes tais requisitos, é de se deferir o pleito. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, resume os fatos argumentando que o acórdão recorrido não apontou quais foram as incapacidades/irregularidades/inconsistências apuradas. Preliminarmente alega cerceamento de direito de defesa porque não foi conferido à requerente a oportunidade de verificar no bojo dos autos, de quais, ou quantas eram Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13601.000156/201043 Acórdão n.º 3801002.103 S3TE01 Fl. 12 3 as irregularidades apontadas, capazes de invalidar laudo médico, emitido por médico especialista e plenamente capaz, que retirasse do mesmo sua condição probatória. Ressalta que os mesmos laudos médicos juntados, foram oportunamente considerados aptos para isenção do IOF deficiente físico, sendo comprovado pelos mesmos a incapacidade física alegada. No mérito, argumenta que não resta alternativa senão a modificação da decisão recorrida para que seja deferida a isenção do IPI deficiente físico, tal qual fora deferida a isenção do IOF deficiente físico. Insiste que os mesmos laudos médicos juntados aos autos foram utilizados para instrução de ambos os pedidos. Transcreve artigos das Leis 8.989/95 e 8.383/91 e do Decreto nº 3.298/99. Destaca que o crivo da questão é a deficiência física, portanto não há de se falar em divergência entre ambos os institutos e que a exigência quantitativa de assinaturas é um mero dificultador para aquisição do benefício requerido. Por fim, requer que seja acolhido o presente recurso para o fim de ser deferida a isenção do IPI deficiente físico. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13601.000156/201043 Acórdão n.º 3801002.103 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Como relatado, a recorrente insurgiuse contra o indeferimento de seu pedido de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de veículo por pessoa portadora de deficiência física. Anotese, por oportuno que a DRJ deferiu a isenção referente ao IOF. De sorte que controvérsia tem por objeto apenas a isenção do IPI. A Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que dispõe sobre isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência física, e dá outras providências, disciplina: Art. 1º Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (grifouse) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13601.000156/201043 Acórdão n.º 3801002.103 S3TE01 Fl. 14 5 O Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida as normas de proteção, esclareceu que: Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) Desta forma, a fruição da isenção está condicionada ao requisitos estabelecidos nos diplomas acima citados, em especial a de ser portadora de deficiência. Assim a administração fazendária tem por obrigação legal reconhecer a isenção quando a pessoa física preencha os requisitos legais. Não se pode perder de vista que a Instrução Normativa SRF nº 988, de 22 de dezembro de 2009, que disciplina a aquisição de automóveis com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, no inciso I, §1º, art.2º, estabelece que para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado o disposto no art. 1 º da Lei n º 8.989, de 1995, com a redação dada pela Lei n º 10.690, de 16 de junho de 2003, e no Decreto n º 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com suas alterações posteriores. No caso vertente, a interessada comprovou que atende aos requisitos legais para a fruição da isenção. O conjunto probatório lhe é amplamente favorável. O Laudo do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (DETRAN/MG) concluiu que a interessada é portadora de deformidade quadrantectomia à esquerda, que por sua vez em relação à motricidade causa diminuição de força, além de reforçar a necessidade de direção hidráulica no veículo. Por seu turno, após a decisão da DRJ, foi apresentado um novo laudo, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 988/2009, com as assinaturas de dois profissionais médicos, que atestaram a deficiência física da interessada. Neste laudo os profissionais constataram que a interessada apresenta deficiência física (monoparesia) com a perda motora e sensitiva parcial em membro superior esquerdo. Em remate, a interessada é portadora de deficiência física mencionada no art. 1º, IV da Lei nº 8.989/95 e no art. 3º do Decreto nº 3.298/99, portanto faz juz à isenção do IPI. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto no sentido reconhecer o direito da interessada à isenção do IPI. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13601.000156/201043 Acórdão n.º 3801002.103 S3TE01 Fl. 15 6 . (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13884.906414/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Processo anulado.
Numero da decisão: 3202-000.833
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que anulavam o processo a partir da decisão da DRJ, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO PROLATADA NOUTROS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS VERSANDO SOBRE PLEITO SEMELHANTE. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não exclui a espontaneidade o fato de a interessada ter sido intimada de decisões que indeferiram pleitos semelhantes proferidas noutros processos administrativos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres e Luís Eduardo Garrossino Barbieri, que anulavam o processo a partir da decisão da DRJ, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 64 14 /2 00 9- 34 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios, de crédito da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo apurado em janeiro de 2005. Por meio do Despacho Decisório de fl. 80, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação, ao fundamento de que o apontado crédito fora integralmente utilizado para quitar débito da interessada, não restando saldo disponível para compensar os débitos vinculados ao PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O sujeito passivo em referência manifesta sua inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação declarada na Dcomp nº 40503.09703.140705.1.3.045047 por meio da qual pretendia extinguir um débito de R$ 5.203,93 referente à Cofins de junho de 2005. O crédito que alega possuir tem origem em DARF utilizado para pagamento de Cofins relativa ao período de apuração 31/01/2005. O Despacho Decisório atacado foi emitido em 09/06/2009 com base na seguinte constatação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP (...) Irresignado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade. Após descrever os fundamentos da decisão proferida pela Autoridade Fiscal, alega que a DCTF transmitida à época continha informação incorreta, pois informou a Cofins devida no montante de R$ 1.113.172,54 quando o correto seria R$ 1.092.959,26. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13884.906414/200934 Acórdão n.º 3202000.833 S3C2T2 Fl. 188 3 Comunica que procedeu, também, com a retificação da DCTF em junho de 2009 antes da ciência do despacho decisório atacado. Acredita que os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não identificaram as retificações corretas quando do proferimento da decisão. Requer que seja acolhida a manifestação de inconformidade oferecida, acatandose e processandose a retificação promovida bem como se homologando a compensação declarada. Relatei. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CPS n.º 38.246, de 21/6/2012 (fls. 86/90), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 97/108, através do qual sustenta, em síntese: Preliminarmente É nula a decisão da DRJ, pois, no âmbito administrativo, devese observar o princípio da verdade material. As Dacons, as DCTFs e os DARFs sempre estiveram à disposição das autoridades fiscais e julgadoras nos sistemas informatizados da RFB, de forma que poderiam ser consultados antes de indeferido o pedido. Mérito Não se homologou a compensação, ao argumento de que as Dacons e as DCTFs retificadoras não poderiam ser utilizadas para fins de comprovação do crédito vindicado, apesar de possuírem o mesmo valor probante das originalmente entregues. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A DCTF retificadora foi apresentada antes de proferido o Despacho Decisório. Em revisão, apurou a Cofins referente ao mês de janeiro de 2005 em valor inferior ao informado na DCTF (apresenta planilha). A DRF analisou somente o DARF e as declarações originais para proferir a sua decisão. Uma diligência se faz necessária, para permitir uma análise detalhada do conjunto probatório. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio resumese à possibilidade ou não de repetir, e posteriormente compensar por meio de PER/DCOMP, crédito de contribuição originário de pagamento a maior, quando a retificação da Dacon e da própria DCTF se deu em momento anterior à decisão que indeferiu o pleito, mas após a Recorrente ter sido intimada do seu indeferimento nos autos de outros processos administrativos semelhantes. A instância julgadora a quo entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que a DCTF retificadora não seria espontânea, pois, no contexto em que transmitida, a Recorrente já suspeitava que a DCOMP não seria homologada pela RFB, de forma que não poderia servir de prova ou de indício de que o direito creditório alegado realmente existia. Afirmou, na mesma assentada, que a retificadora tratarseia de mera declaração com o só objetivo de evitar a decisão de não homologação. Destinarseia, portanto, apenas para reforçar as argumentações que viriam a ser apresentadas em eventual manifestação de inconformidade. A meu ver, a decisão está equivocada. A uma, porque nada obstava que a Recorrente, ao ser intimada do motivo que levou ao indeferimento de outros pleitos semelhantes, procurasse solucionar ex ante (ou tentar solucionar) o empecilho à concessão do pedido de restituição, de forma a evitar viesse o encartado nos autos a apresentar o mesmo fim. A duas, porque o fato de a Recorrente ter sido intimada de outras decisões proferidas noutros processos administrativos não significa, em hipótese alguma, estivesse excluída a sua espontaneidade, assunto que, aliás, nem há de se cogitar no caso, já que a norma que rege a sua exclusão não se aplica em situações como a ora em exame, haja vista que apenas tem a clara finalidade de afastar a possibilidade de o contribuinte submetido à ação fiscal vir a recolher os tributos não recolhidos ou adimplir as demais obrigações tributárias não satisfeitas no momento oportuno, de forma a afastar as penalidades que, por ocasião do procedimento fiscal, pudessem ser aplicadas de ofício. Tanto é assim que o § 1º do art. 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, prevê que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13884.906414/200934 Acórdão n.º 3202000.833 S3C2T2 Fl. 189 5 intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. O que houve, portanto, foi uma mera decisão administrativa sem os efeitos próprios da exclusão da espontaneidade em relação aos demais processos que envolviam pleitos semelhantes. A três, porque a DCTF retificadora tem a mesma natureza da retificada, substituindoa integralmente (matéria hoje disciplinada no § 1º do art. 9º da IN RFB n.º 1.110, de 2010). E finalmente, a quatro, porque, ainda que eventualmente existam diferenças entre os valores informados nas declarações originais e retificadoras, nada obstava – aliás, tudo indicava – fosse a Recorrente intimada a apresentar a sua escrituração contábil e fiscal, a fim de que fossem dirimidas dúvidas sobre a existência do crédito pretendido. Afinal, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 9.784, de 1999 (aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal por força de seu art. 69), o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. E ademais, conforme preconiza o art. 39 do mesmo diploma legal, quando necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, devem ser expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Ante o exposto, por considerar cerceado o direito de defesa da Recorrente, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para anular o processo a partir do Despacho Decisório, inclusive. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 6/09/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13746.001351/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Na hipótese, trata-se de despesas médicas realizadas em benefício de pessoa que não foi declarada como dependente do contribuinte no ano-calendário.
Numero da decisão: 2101-002.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Na hipótese, tratase de despesas médicas realizadas em benefício de pessoa que não foi declarada como dependente do contribuinte no anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 13 51 /2 00 8- 21 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, na qual foi apurada dedução indevida de despesas médicas. O contribuinte impugnou o lançamento, apresentando demonstrativo de pagamentos efetuados em 2005, relativos ao contrato n° 0276540202495, firmado com AMIL Assistência Médica Internacional Ltda., Plano de Assistência Médica – Quality. Esclareceu ser inativo do Tribunal Regional do Trabalho e conviver em união estável. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão n.º 0422.680, de 1º de dezembro de 2010, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS Para que o contribuinte comprove que as despesas médicas são dedutíveis deve demonstrar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente do tratamento para que se subsuma à norma que prevê a dedução. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O órgão julgador a quo restabeleceu a dedução de despesas médicas comprovadas, relativas ao próprio contribuinte. Inconformado, o interessado, juntando documentos, interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos anteriormente suscitados e esclareceu que a parte das despesas médicas considerada indevidamente deduzida pela Fiscalização e não restabelecida na decisão recorrida referese a despesas médicas de sua companheira. Pede seja tornada insubsistente a parte da exigência fiscal mantida, uma vez que entendeu comprovada a condição de união estável. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13746.001351/200821 Acórdão n.º 2101002.276 S2C1T1 Fl. 3 3 O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). [...] Das normas deduzidas do caput e do § 1.º do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas e glosar, mesmo sem a audiência do contribuinte, deduções consideradas exageradas em relação aos rendimentos declarados. As despesas médicas e odontológicas que podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física são aquelas efetuadas pelo contribuinte, no anocalendário, com seu próprio tratamento e o de seus dependentes, tal como previsto no artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. (g.n.) No caso sob análise, a Fiscalização considerou indevida a dedução com despesas médicas no valor de R$ 21.534,58, por falta de comprovação ou de previsão legal para a sua dedução. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), ao apreciar a impugnação do interessado, julgoua procedente em parte e restabeleceu a dedução com despesas com plano de saúde do próprio contribuinte, no valor de R$ 6.024,92. Como resultado, o imposto sobre a renda ficou reduzido para R$ 2.756,90, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Com efeito, os comprovantes de pagamento anexados às fls. 5 a 8 e 32 a 35 demonstram que o Sr. João da Silva Figueiredo pagou a AMIL – Assistência Médica Internacional Ltda., no anocalendário 2005, o montante de R$ 21.534,58. No entanto, da análise dos documentos apresentados, observase que somente parte desse dispêndio (R$ Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13746.001351/200821 Acórdão n.º 2101002.276 S2C1T1 Fl. 4 5 6.024,92) referese a despesas relacionadas ao próprio contribuinte. O restante (R$ 15.509,66) foi feito em benefício de Marilda Reider Cunha. No recurso voluntário, o contribuinte esclareceu que vive maritalmente, há mais de 5 anos, como se casado fosse, com a Sra Marilda. Por esse motivo, entende que o fato de sua companheira não ter sido informada como sua dependente na declaração de ajuste anual do anocalendário 2006 não lhe retira o direito de deduzir da base de cálculo do imposto sobre a renda o efetivo dispêndio feito com sua despesa médica. Ocorre que, para que possam ser deduzidas da base de cálculo do imposto sobre a renda, as despesas médicas comprovadas devem ter sido realizadas com o próprio contribuinte ou seu dependente, conforme dispõe o artigo 8.º, § 2.º, inciso II, da Lei n.º 9.250, de 1995, anteriormente reproduzido. As despesas médicas feitas com dependente, para serem dedutíveis, exigem que a pessoa beneficiária do tratamento médico (no caso, do plano de saúde) seja efetivamente dependente do declarante, e, como tal, tenha sido informada na declaração de ajuste do titular, o que, na hipótese, não ocorreu. O interessado não declarou qualquer dependente em sua declaração de ajuste do exercício 2006, anocalendário 2005, conforme se constata às fls. 43 a 51. Com o intuito de comprovar seus argumentos, em sede de recurso voluntário, o contribuinte anexou aos autos Escritura Pública Declaratória de União Estável, instrumento lavrado no Cartório do 2.º Ofício de Duque de Caxias RJ, que fez acostar às fls. 71 e 72 (numeração eletrônica), na qual consta que o contribuinte e a Sra. Marilda Reider Cunha declararam ao Tabelião daquele Cartório, em 20.12.2007, que vivem maritalmente, como se casados fossem, há 5 anos. Tal documento, todavia, não é suficiente para restabelecer a dedução pleiteada, uma vez que todos os dependentes do contribuinte e as respectivas relações de dependência devem ser informados na declaração de ajuste anual do titular no anocalendário, assim como devem ser oferecidos à tributação todos os rendimentos tributáveis porventura auferidos por eles. Conforme anteriormente apontado, tal não ocorreu na hipótese. A Sra. Marilda não era dependente do contribuinte no anocalendário 2005, razão pela qual as suas despesas médicas não podem ser deduzidas da base de cálculo do tributo apurado para o titular. Por essas razões, não merece reparos a decisão recorrida. Não há como restabelecer a dedução pleiteada pelo recorrente, de despesas com plano de saúde da Sra. Marilda Reider Cunha, eis que não foram cumpridos os requisitos legais. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000777/2007-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. FALTA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 5.649,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada que votou pela conversão do julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. FALTA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 5.649,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada que votou pela conversão do julgamento em diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 73 1 72 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.000777/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.123 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria IRPF Recorrente EUSTAQUIO JOSE DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. FALTA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 5.649,00, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada que votou pela conversão do julgamento em diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 07 77 /2 00 7- 10 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13603.000777/200710 Acórdão n.º 2801003.123 S2TE01 Fl. 74 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/BHE (Fls. 51), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar de R$2.155,18, multa de oficio de RS1.616,38, juros de mora de R$627,15 calculados até agosto de 2007, totalizando o valor de R$4.398,71. O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, entre os quais foi glosado o valor de R$10.184,00 relativo a dedução de despesas médicas por falta de comprovação. Na descrição dos fatos, a autoridade fiscal informou que o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento aos profissionais Antonio Caminhas, Luiz Alberto Lamana dos Santos e José Francisco Sales Barbosa. Não apresentou comprovante de despesa médica junto a Silvania Campos Brantes. Também não foi aceito o documento apresentado referente a despesa com laboratório de análises clinicas, pois o documento emitido por pessoa jurídica hábil para a comprovação de despesa medica é a nota fiscal na qual deve constar a discriminação das despesas. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou ,a impugnação de fls. 01/02 em 13/04/2007, instruída com as cópias de documentos de fls. 03/12, onde alega, em síntese que: Inconformado com a notificação indevida, apresenta a declaração do Dr. Luiz Alberto Lamana dos Santos, cirurgião plástico, que afirma que recebeu a quantia de R$6.500,00 a titulo de honorário medico referente a cirurgia realizada em Maria da Conceição Balbino Silva (esposa e dependente do contribuinte) no ano de 2004, comprovando o efetivo pagamento. Em caso de dúvida, pode se proceder ao cruzamento de informaçãos com a declaração de Imposto de Renda do Dr. Luiz Alberto Lamana dos Santos, onde constará o recebimento do referido valor. Quanto aos honorários pagos ao Dr. Antônio Caminhas (médico anestesista) que trabalhou na cirurgia da Sra. Maria da Conceição Balbino Silva , no dia 09/12/2004 no Núcleo de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13603.000777/200710 Acórdão n.º 2801003.123 S2TE01 Fl. 75 3 Cirurgia Plástica, foi apresentado urn recibo no valor de R$811,00 (que ficou retido na Receita Federal) , resta provado que existiu uma cirurgia, que nenhum procedimento cirúrgico é realizado sem o anestesista. Segue anexo o prontuário de internação da paciente que comprova a realização da cirurgia. Novamente se faz necessário o cruzamento de informações com a declaração de Imposto de Renda do Dr. Antônio Caminhas, onde constará o recebimento do referido valor. Faz juntada da declaração do Dr. José Francisco Sales Barbosa (cirurgião dentista) que afima em sua declaração que recebeu a quantia de R$2.353,00 referente a tratamento odontológico do contribuinte e do seu filho Felipe Gustavo da Silva, durante o exercício de 2004 e alguns pagamentos foram realizados em espécie. Novamente se faz necessário o cruzamento de informações com a declaração de Imposto de Renda do mesmo, onde constará o recebimento do referido valor. Quanto a despesa médica junto a Silvânia Campos Brantes foi referente a 04 consultas psicológicas ao valor de R$50,00 totalizando R$200,00, pagas também em espécie. Novamente se faz necessário o cruzamento de informações com a declaração de Imposto de Renda da mesma, onde constará o recebimento do referido valor. Quanto a despesa com o laboratório de análises clinicas CNPJ 19.891886/000139, no valor de R$320,00, a mesma referese a exames pré operatórios de Maria da Conceição Balbino Silva para a cirurgia plástica realizada em 09/12/2004. O contribuinte desconhecia o fato de que era necessária a Nota Fiscal e que o recibo entregue pelo Laboratório não serviria. 0 valor também foi pago em espécie e para comprovar o pagamento é necessário um cruzamento de informações. Por fim, informa que os recibos originais e cópias ficaram retidos na Receita Federal de Contagem. Requer o acolhimento da presente impugnação e o cancelamento do débito. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Para gozar de deduções a titulo de despesas médicas, o contribuinte deve comprovar de forma inequívoca a efetividade do serviço e respectivo pagamento. Cientificado em 14/02/2011 (Fls. 58), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/03/2011 (fls. 59 e 60), argumentando em síntese: Os documentos juntados pelo contribuinte em sua primeira impugnação, fls. 03/11 comprovam a realização da cirurgia plástica em sua esposa Maria da Conceição Balbino Silva em dezembro de 2004. Além disso, o contribuinte juntou as folhas 29 cópia de cheques no valor de R$3.862,00 em nome de Luiz A. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13603.000777/200710 Acórdão n.º 2801003.123 S2TE01 Fl. 76 4 Lamana, cópia de dois cheques no valor de R$1.000,00 cada um, em nome da clinica Estétikos LTDA, indicado pelo contribuinte como entregue, ao DR. Luiz Alberto Lamana. • Ocorre que as deduções acolhidas e as glosas de deduções mantidas demonstram por esse acórdão que não basta comprovantes de despesas tipo notas fiscais com timbre, CNPJ e inscrição estadual ou recibos de profissionais liberais idôneos com seus respectivos CPF's, endereço, timbre e assinaturas reconhecidas em cartório de notas, ou seja, pelo visto a única forma de comprovar de forma inequívoca a efetividade do serviço e respectivo pagamento é somente através da emissão de cheques, ou seja, o pagamento não é permitido ser realizado através de moeda dinheiro em espécie, como é o caso aqui descrito pelo contribuinte. Diante do exposto então se pergunta como fazer se um contribuinte que não possui conta bancária? Pelo que se entendem somente quando o beneficiário se negar a fornecer NF ou recibos, é que um contribuinte terá de comprovar tais despesas médicas efetivamente realizadas e pagas através de cheques, lamentase que no caso em referencia o contribuinte que de fato teve tais despesas, ou seja, não existe aqui ainda averiguado por todas as formas a veracidade ou não do serviço e pagamento pelo contribuinte e não conseguirão comprovar que tais deduções e comprovantes são falsos. Cabe aqui comprovar a inequivoca efetividade dos serviços e pagamento de outra forma não se pode glosar um documento sem que afirme a sua idoneidade, portanto, certo de que os referidos comprovantes são autênticos não se justifica dizer que tal situação não fora comprovada pelo contribuinte, ainda em tempo perguntase como ficarão para as próximas situações idênticas a aqui referida? Diante de tudo aqui exposto na certeza de que não é justo penalizar o contribuinte com tal glosa ainda que parcial, pedese que justiça seja feita, fica parecendo que houve apenas compra de recibos o que jamais aconteceria, ou então buscarse ia provas da efetivação da cirurgia. Diante de tudo exposto o contribuinte impugna o acórdão da receita federal pela glosa em parte e pede que seja mantida a totalidade das deduções. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade.e Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13603.000777/200710 Acórdão n.º 2801003.123 S2TE01 Fl. 77 5 Antes de tudo, observo que a DRJ tratou de restabelecer parcialmente a dedução com despesas médicas pagas para a Estétikos Ltda, no valor de R$3.687,00. Contudo, observo que tal despesa médica não foi objeto de glosa pela fiscalização. Deste modo, é dever esclarecer que, em razão da inexistência de glosa pela fiscalização, a despesa médica com a Estétikos Ltda permanece no rol das despesas médicas dedutíveis do contribuinte recorrente. Verifico ainda que resta em litígio as despesas com as profissionais Antonio Caminhas no valor de R$1.251,00, Luiz Alberto Lamana dos Santos, no valor de R$ 2.638,00, José Francisco Sales Barbosa, no valor de R$ 1.760,00 por falta de comprovação do efetivo desembolso coincidente em data e valores, com a profissional Silvania Campos Brantes R$ 200,00, por falta de comprovação, com Laboratório de Análises Clínicas Ltda R$ 320,00 em razão de falta de Nota Fiscal. Como se observa, grande parte do litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de a contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais, apesar de ter sido regularmente intimada. Por sua vez, o contribuinte afirma que a apresentação dos recibos é suficiente para o afastamento das glosas e que apresentou para a fiscalização relação de em como cópia de cheques que comprovam parte dos pagamentos nesta forma. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar a contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e não vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo contribuinte. De fato, percebo que a fiscalização não intimou o contribuinte para que comprovase a efetividade dos pagamentos, que as despesas médicas realizadas correspondem a apenas aproximadamente 12 % dos rendimentos do contribuinte, que os recibos e declarações apresentados cumprem todas as formalidades, e que a farta documentação apresentada indica que realmente os serviços médicos foram prestados. Logo, entendo que não há nos autos elementos que permitissem a fiscalização afastar a idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13603.000777/200710 Acórdão n.º 2801003.123 S2TE01 Fl. 78 6 Portanto, as despesas médicas com os profissionais Antonio Caminhas, Luiz Alberto Lamana dos Santos, e José Francisco Sales Barbosa, devem ser restabelecidas em suas totalidades. Quanto as demais despesas médicas em que não se foi exigido o efetivo pagamento, com a profissional Silvania Campos Brantes R$ 200,00, por falta de comprovação, e com Laboratório de Análises Clínicas Ltda R$ 320,00 em razão de falta de Nota Fiscal, percebo que não constam nos autos qualquer documento comprovando tais despesas. Como já dito anteriormente, tenho o entendimento de que, a princípio, recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e por pessoas jurídicas que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas; mas, no caso presente não constam nos autos quaisquer recibos, ou outros documentos, que comprovem as despesas citadas acima. Razão pela qual as glosas das despesas médicas com , com a profissional Silvania Campos Brantes R$ 200,00, por falta de comprovação, e com Laboratório de Análises Clínicas Ltda R$ 320,00, devem ser mantidas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso para restabelecer as deduções com despesas médicas com os profissionais Antonio Caminhas, Luiz Alberto Lamana dos Santos, e José Francisco Sales Barbosa, no valor total de R$5.649,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 07/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10880.675530/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 11a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 57/67 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório argüido e não homologou a compensação formalizada pela suplicante, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/12/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 75 53 0/ 20 09 -4 8 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 183 2 consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. No caso de apresentação de DCOMP (Declaração de Compensação) com indicação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, não há a previsão de emissão de termo de intimação, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para sanear eventual erro de preenchimento de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, demonstrando a liquidez e certeza do crédito, se mantém a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP n.º 09870.44064.100507.1.3.046288 (fls. 06 a 10), transmitida em 10/05/2007, que indicava como crédito o pagamento indevido ou a maior de COFINS – código 2172, ocorrido em 13/12/2005, no montante de R$ 161.423,67 (crédito original na data de transmissão), referente ao período de apuração 31/08/2004, com débito próprio de IPI – código 0676, com vencimento em 18/11/2005. DO DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo emitiu, em 23/10/2009, o Despacho Decisório eletrônico com n.º de rastreamento 849876660 (fls. 01), assinado pelo titular da unidade de jurisdição da interessada, não homologando a compensação declarada, constando em sua fundamentação: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 184 3 A interessada foi cientificada do referido despacho decisório em 06/11/2009 (fls. 05). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com o despacho decisório, a empresa apresentou, em 30/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 20, com documentos anexos às fls. 21 a 51, deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Relata que, em 10/05/2007, transmitiu PER/DCOMP, visando à compensação de créditos de COFINS no valor atualizado de R$ 189.898,80, originado por pagamento ocorrido em 15/09/2004, no valor total de R$ 470.282,12, com débitos de IPI relativos ao 1º Dec. / Novembro / 2005, com vencimento em 18/11/2005, no valor total de R$ 189.898,80, e que referido PER/DCOMP foi analisado pela DERAT, que decidiu não homologar a compensação declarada, sob a alegação de indisponibilidade de créditos para a compensação pleiteada, emitindo decisão de não homologação em 23/10/2009. Para ela, a alegação de indisponibilidade de créditos sustentada pelo Fisco como impeditiva para a homologação da compensação desejada se fundaria em um erro na comprovação dos créditos, afirmando que, conforme se pode depreender dos documentos juntados nos autos, existiria um saldo credor fiscal que não teria sido aproveitado. Das preliminares: Sustenta, aqui, a empresa, que o despacho decisório em tela estaria maculado de nulidade. Menciona que o direito teria diversas fontes, entre as quais estaria o direito costumeiro, e informa que a RFB teria como praxe, em casos de homologação de declaração realizada pelo contribuinte, enviar um “termo de intimação”, com a finalidade de sanear eventuais erros intrínsecos ao ato legal antes de gerar um processo e decisão em função de equívoco, quer seja o valor declarado a maior nas DCTF’s do período em comento e da DIPJ do ano base de 2005. Afirma que a SRF disponibilizaria, em seu endereço eletrônico, as seguintes informações sobre “Termos de Intimação”: “O Termo de Intimação do PER/DCOMP (emitido por via eletrônica) é um documento emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que contém informações para que o contribuinte corrija as inconsistências detectadas pelos sistemas de controle e análise eletrônica do PER/DCOMP. A comunicação se fará por via postal, com AR (aviso de recebimento), emitida eletronicamente e enviada para o endereço do contribuinte. A comunicação solicitará a correção do PER/DCOMP ou das declarações envolvidas, como DCTF e DIPJ, ou ainda do DARF, quando for o caso”. E destaca que o agente fiscal que analisou o pedido de homologação formalizado não teria verificado que, mesmo antes da decisão de não homologação, ela havia retificado sua DCTF do período do 3º trimestre de 2004, enviada em 10/11/2004, encaminhando o arquivo corrigido à RFB em 02/09/2009, portanto antes da prolação da decisão de não homologação, não tendo sido a DCTF retificadora considerada na decisão. Segundo ela, diante da não consideração da entrega da DCTF retificadora antes da decisão, bem como da ausência do termo de intimação para eventuais correções, haveria violação ao disposto no artigo 3º, inciso II Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 185 4 da Lei n.º 9.784/99, que prevê o direito de o administrado ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, incorrendo em verdadeiro cerceamento ao direito de defesa, devendo o despacho decisório ser declarado nulo. Entende que a Administração Pública, ao “saltar” a fase de intimação do interessado para esclarecimentos sobre o crédito pleiteado, deixou de dar ciência ao contribuinte da tramitação do processo administrativo a que estava sendo submetido. Ressalta que as práticas reiteradas da administração pública federal, considerada nos termos do artigo 100, III do CTN, não teria sido obedecida pela fiscalização, resultando na não homologação da compensação em razão de informações apontadas em DCTF’s. E alega que, ainda que se considere que houve erros quanto à DCTF, o direito ao crédito existe e deve ser utilizado para fins de quitação do débito de IPI informado, em atendimento ao disposto no artigo 156, inciso II do CTN. Do mérito: Trata, aqui, a manifestante, da questão do erro na comprovação da existência de créditos. Informa que, no período de agosto de 2004 a setembro de 2005, houve um equívoco no sistema ABC (“Activity Based Costing” – sistema de custeio baseado na análise das atividades significativas desenvolvidas na empresa) para apuração do PIS/COFINS, que incluía o IPI e o ICMS substituição tributária no total da nota fiscal a ser emitida. Afirma que o sistema de custeio ABC é operacional para a contabilização de receitas advindas do comércio, mas que sua atividade se ramifica em comércio e indústria, resultando em aumento ficto do seu faturamento, estando clara a formação do crédito pleiteado. Segundo ela, ciente do equívoco cometido, houve por bem retificar as DACONs em que fora apurado crédito, entretanto apenas em 02/09/2009 procedeu à retificação das DCTFs do período em comento, assim como à retificação da DIPJ. Conclui, então, que a alegação de indisponibilidade de créditos, sustentada, pelo Fisco, como impeditiva à homologação da compensação pleiteada, se funda em mero erro de preenchimento das DCTFs originárias, que foram retificadas, sendo informado, ainda, que tal retificação não teria sido considerada na decisão. E entende que, desta correção, restaria inequívoco o direito aos créditos objeto de tal compensação, extinguindose de pronto o óbice à homologação transmitida, até mesmo porque não houve dolo, fraude ou simulação, mas tão somente a sua boafé em regularizar sua situação fiscal junto à Receita Federal de forma espontânea. Assevera que, de acordo com o artigo 165 do Código Tributário Nacional, bem como diante das disposições previstas na Instrução Normativa (IN) n.º 600/2005, qualquer contribuinte que apure crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Receita Federal do Brasil. Cita o artigo 2º, inciso I da IN 460/2004, segundo o qual poderiam ser restituídas pela RFB quantias recolhidas a título de tributo sob sua Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 186 5 administração na hipótese de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido. Sustenta que, além da comprovação da existência do crédito tributário pleiteado, adotou todos os procedimentos previstos nos artigos 2º e seguintes da IN 600/2005, não havendo motivação suficiente para a não homologação da compensação em análise. Faz menção, então, a julgados do Conselho de Contribuintes reconhecendo a improcedência de Autos de Infração quando comprovado, pelo contribuinte, a qualquer tempo, que a obrigação teria origem em erro de preenchimento, devendo prevalecer a verdade material. Para ela, se o erro no preenchimento de DCTFs acarreta a nulidade do lançamento fiscal, analogamente o mesmo se aplicaria à retificação do despacho decisório que não homologou a compensação por falta de comprovação de créditos disponíveis, decorrente de mero erro de preenchimento. Destaca que a própria legislação admite a retificação das DCTFs, atribuindo à declaração retificadora “a mesma natureza da declaração originariamente apresentada” e condicionando sua homologação à prova inequívoca do erro, citando o art. 11, §§ 1º e 3º da IN SRF nº 903/08. Conclui, então, que, demonstrado o mero erro de preenchimento das DCTFs, bem como a sua devida retificação antes mesmo da prolação da decisão, haveria que se homologar a compensação realizada, estando prevista em lei e amparada em provas materiais, devendo ser atendido tal procedimento extintivo do crédito tributário em homenagem à verdade material. Do pedido: Diante do exposto, afirma a empresa que restaria demonstrada, na Manifestação de Inconformidade, a nulidade alegada, assim como a materialidade do crédito nas operações de compensação, que deveriam ter sido considerados pela Receita Federal, acolhendo a homologação da compensação ou adotandose a compensação de ofício nos termos da legislação em vigor. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 10/06/2011 (fls. 69). Inconformada, a interessada apresentou, em 11/06/2011, o recurso voluntário de fls. 70/81, onde reitera que o crédito alegado seria decorrente de pagamento indevido da contribuição do período, ressaltando ainda: a) que o presente processo é conexo a vários outros da empresa relativos a pedidos de compensação como mesmo fundamento, razão pela qual requer sejam os mesmos reunidos para análise em conjunto pelo CARF; b) que o crédito seria decorrente da indevida inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do IPI e do ICMS cobrados pelo vendedor dos bens na condição de substituto tributário, nos termos do artigo 1º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003, e artigo 1º, § 3º, da Lei nº 10.637/2002; c) que segundo a Solução de Consulta nº 58, de 10/03/2005, o IPI e o ICMS cobrados pelo vendedor na condição de substituto tributário não integram a base de cálculo da COFINS; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 187 6 d) que, por um lapso, o pedido de compensação foi realizado no montante de R$ 161.423,67, quando o valor correto seria de R$ 114.460,53, este o valor correto do crédito ao qual faria jus; e) apresenta planilha de cálculo (fls. 76) onde está demonstrado o valor (retificado) do crédito reclamado (R$ 114.460,53). A título de comprovação do direito, a reclamante apresenta planilha de demonstrativo de cálculos (fls. 76 e 92), impresso do Livro Razão Analítico (fls. 93/166), e cópias de notas fiscais de saída (fls. 167/178). Diante do exposto, requer seja dado provimento ao recurso e homologada parcialmente a compensação intentada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. O sujeito passivo, em tese, faz jus ao crédito decorrente de pagamento da COFINS (incidência cumulativa) calculada sobre a parcela da base de cálculo onde foi incluído o IPI sobre as vendas, destacado nas notas fiscais. De fato, tal exclusão está explicitamente prevista no artigo 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98, segundo o qual, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (grifei) Aliás, como leciona o i. Conselheiro desta Turma, Solon Sehn, [...] a inclusão de tributos na base de cálculo da Cofins, além de vedada pelo princípio da capacidade contributiva, que impede a incidência de tributos nãovinculados sobre fatos não reveladores de riqueza, decorre do próprio art. 195, I, “a”, da Constituição. Este, ao estabelecer que a contribuição deve incidir sobre a receita, afastou a possibilidade de inclusão na base de cálculo da Cofins de ingressos de soma em dinheiro sem repercussão positiva no patrimônio líquido do sujeito passivo. O valor dos tributos, afinal, embora possa ser interpretado como elemento integrante do preço, representa apenas uma entrada de caixa do alienante, que, na verdade, pertence à pessoa política competente segundo as normas constitucionais. (Cofins incidente sobre a receita bruta. São Paulo: Quartier Latin. 2006. p. 189190) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 188 7 Em exame dos documentos que integram os autos, notadamente a documentação acostada quando da apresentação do recurso voluntário, constatase que o novo montante do direito creditório aduzido como correto, ou seja, R$ 114.460,53, corresponde exatamente à aplicação da alíquota da COFINS prevista no artigo 1º da Lei nº 10.485/02 (9,6%) sobre o total do IPI incidente sobre as vendas (R$ 1.192.297,16). Aliás, o crédito reclamado (R$ 114.460,53) correspondente também à diferença entre o que foi recolhido (R$ 333.462,48 – ver fls. 08) e o montante alegado como devido da contribuição (incidência monofásica) no período (R$ 219.001,95). A apuração do reclamado crédito de R$ 114.460,53 é obtida, portanto, do confronto entre as apurações da COFINS devida considerando ou não o IPI sobre as vendas, conforme demonstrado abaixo. Apuração da COFINS sobre alegada base de cálculo majorada (causa do suposto recolhimento a maior) Base de cálculo utilizada Valor contábil das vendas de veículos 5.961.485,80 Lançado no razão analítico (fls. 103 e 153). Corresponde também à soma dos valores contábeis lançados às fls. 111 e 112 (R$ 2.711.896,30 + 3.249.589,50) Cofins s/ BC utilizada alíq. 9,6%(art. 1º Lei 10.485/02) 572.302,64 Lançado no razão analítico (fls. 149). Créditos disponíveis no mês 238.840,16 Conf. planilhas de fls. 76 e 92 Cofins calculada e recolhida 333.462,48 Vide DARF de fls. 48 Apuração da COFINS sobre a base de cálculo aduzida como correta A Valor contábil das vendas de veículos 5.961.485,80 Lançado no razão analítico (fls. 103 e 153). Corresponde também à soma dos valores contábeis lançados às fls. 111 e 112 (R$ 2.711.896,30 + R$ 3.249.589,50) B IPI s/vendas 1.192.297,16 Lançado no razão analítico (fls. 144). Corresponde também à soma dos totais do IPI lançados às fls. 111 e 112 (R$ 542.379,26 + R$ 649.917,90) C Base de cálculo da COFINS aduzida como correta 4.769.188,64 (= A B) (Base de cálculo declarada na DIPJ fls. 50) D Cofins devida alíq. 9,6% (art. 1º Lei 10.485/02) 457.842,11 (= 4.769.188,64 x 9,6%) E Créditos disponíveis no mês 238.840,16 Conf. planilhas de fls. 76 e 92 F Cofins efetivamente devida segundo a recorrente 219.001,95 (= D E) G Valor recolhido 333.462,48 Vide DARF de fls. 48 H Direito creditório reclamado 114.460,53 (= G F) Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.675530/200948 Resolução nº 3802000.126 S3TE02 Fl. 189 8 Conferência das bases PIS e COFINS (fls. 153) A Valor contábil (COFINS) 5.961.485,80 Lançado no razão analítico (fls. 103 e 153). Corresponde também à soma dos valores contábeis lançados às fls. 111 e 112 (R$ 2.711.896,30 + 3.249.589,50) B Base COFINS 4.769.188,64 Vide fls. 50 (DIPJ) e fls. 153 C Diferença (A B) (corresponde ao valor IPI) 1.192.297,16 Lançado no razão analítico (fls. 144). Corresponde também à soma dos totais do IPI lançados às fls. 111 e 112 (R$ 542.379,26 + R$ 649.917,90) Crédito reclamado (= 9,6% x C) 114.460,53 Nos demonstrativos acima estão indicadas as operações realizadas e as folhas do processo de onde foram extraídos os dados utilizados. Um deles se refere aos “créditos disponíveis no mês”, no montante de R$ 238.840,16, visualizado apenas na planilha de cálculos da recorrente (fls. 76 e 92). Este, e todos os demais lançamentos referenciados, deverão ser confirmados e confrontados com a escrituração da empresa e com as notas fiscais de saída (fls. 167/178), atividade a qual só poderá ser realizada pela Unidade que jurisdiciona o sujeito passivo. Somente depois desse exame é que será possível se manifestar definitivamente sobre a lide. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem, frente aos demonstrativos acima e com base na documentação acostada aos autos e outros documentos porventura requeridos do sujeito passivo, se manifeste sobre o montante efetivamente devido da COFINS (incidência monofásica) no mês de agosto de 2004. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10880.979236/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
RELATOR - Relator.
(Assinado digitalmente)
JORGE VOCTOR RODRIGUES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/02/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. RELATOR - Relator. (Assinado digitalmente) JORGE VOCTOR RODRIGUES - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 36 /2 00 9- 11Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 RELATOR Relator. (Assinado digitalmente) JORGE VOCTOR RODRIGUES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). Relatório DO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. A lide versa sobre a não homologação de compensação transmitida por meio de Per/Dcomp em 18/11/2005, pela via de despacho decisório eletrônico nº 845361448, exarado em 24/08/2009, cuja autoridade administrativa emitente analisando o limite de crédito originalmente informado, constatou não restar saldo credor disponível à satisfação da compensação intentada, posto que utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do próprio contribuinte. Manifestando a sua inconformidade em face do referido despacho a contribuinte argüiu sucintamente que, na qualidade de prestadora de serviços de transportes rodoviários está sujeita ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras; que recebe dos contratantes valores para pagamento desse pedágio, os quais são obrigatoriamente destacados em campo específico do conhecimento de transporte rodoviário; que tais valores não integram a base de cálculo, para fins de incidência tributária do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, por força do contido no parágrafo único do art. 2o da Lei nº 10.209/01, eis que tais valores recolhidos indevidamente não constituem receitas operacionais da empresa contribuinte ou mesmo rendimento tributável; que tais valores foram levantados no período de apuração de julho 2001 e excluídos da respectiva base de cálculo de Cofins, tornandose tais valores objeto de pedido de restituição/compensação com débitos da mesma rubrica. Anexou aos autos planilha correspondente aos valores pagos referentes ao pedágio. Conclusos foram os autos para apreciação pela 5a Turma de Julgamento da DRJ/SP1, que em sessão realizada em 03/11/2010, por meio do Acórdão nº 1627.569, proferiu decisão cuja síntese do entendimento vazado na ementa, adiante transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/02/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.979236/200911 Acórdão n.º 3803004.334 S3TE03 Fl. 5 3 de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Resumiu a decisão acima ementada que a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar o valor em questão integrou a base de cálculo da Cofins no período de apuração de dezembro/2002, pois desprovida de cópia da escrituração contábil a respaldar às assertivas formuladas na Declaração de Compensação. Cientificada da decisão de primeira instância por meio de AR em 23/12/2011, em face da mesma interpôs recurso voluntário em 14/01/2011, conforme registro em protocolo do órgão preparador estampado nos autos, para reiterar minudentemente os argumentos expendidos na exordial, bem assim para postular pela realização da conversão do julgamento em diligência no sentido de possibilitar a comprovação das alegações formuladas pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo apresentado perante esta Corte busca reformar a decisão que indeferiu a manifestação de inconformidade, que não reconheceu o direito creditório alegado pela contribuinte e não homologou a compensação por ela declarada, ante a constatação de inexistência de saldo credor à satisfação dos débitos nela informados. O debate enfrentado nos autos não comporta discussão sobre matéria de direito, resumindose o deslinde da querela à demonstração pela contribuinte de que faz jus à homologação da compensação intentada. Compulsando os autos verificouse que a recorrente apenas fez colação de relação dos valores pagos a título de pedágio, entretanto, sem disponibilizar outro documento para exame pela fiscalização, por meio do qual fosse possível atestar que tais valores efetivamente constituíam o crédito informado e mais, que estes créditos corresponderiam ao mesmo montante de débitos tributários previamente informados aos sistemas de dados da Receita Federal do Brasil, na data de transmissão do Per/Dcomp, por meio das DCTF e/ou demais declarações que servem para aferir a regularidade fiscal da contribuinte. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Com isso a recorrente nem logrou apontar em que irregularidade incorreu o despacho decisório eletrônico, portanto presumese, desde logo que o mesmo não merece reparo, nem mesmo conseguiu demonstrar a liquidez, a certeza e a disponibilidade de saldo credor o bastante para ensejar a homologação da compensação declarada, cuja forma poderia ser em consonância com o disposto no artigo 333 do CPC. Finalmente no que atine ao pedido de diligência, entendo não haver razoabilidade no mesmo, uma vez que cabe à contribuinte no momento de apresentação de sua impugnação aduzindo os motivos de fato e de direito, também fazêlo em relação às provas documentais que possam a vir demonstrar o alegado, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, precluindo o direito subjetivo de apresentação em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o instituto da diligência é uma faculdade de que dispõe o julgador, discricionária, a ser utilizada para sanar dúvidas acerca de determinada prova/documentos, que deveriam fazer parte dos autos e lá não se encontram, impedindo que o juiz firme a sua convicção em relação ao direito sobre o qual deve se pronunciar com vista ao deslinde da querela, não sendo este o caso encontrado nos autos sob exame. As assertivas ora formuladas por este julgador encontram ressonância nos diversos precedentes, à unanimidade, onde partes e objeto foram coincidentes. Ante todo o exposto nego provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessões, em 23 de julho de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11070.901372/2010-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Relatorio
Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito:
O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010- 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009.
No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 109.432,00, referente ao quarto trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 41124.68155.080107.1.3.01-2276, tendo sido emitido o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933534, das fls. 3.
O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 11.207,34 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância.
A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 192.
O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 364), conforme arrazoado das fls. 193 a 217, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 218 a 240, e instruído com os documentos de fls. 241 a 362, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, Processo 11070.901372/2010-28 Acórdão n.º 10-38.336 DRJ/POA Fls. 453 3 efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972.
Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art.151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).
Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO.
É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido.
CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA.
Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos.
PROVA DOCUMENTAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora.
É o relatório.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Porto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no 11070.001396/2010-85, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010- 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 109.432,00, referente ao quarto trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 41124.68155.080107.1.3.01-2276, tendo sido emitido o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933534, das fls. 3. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 11.207,34 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 192. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 364), conforme arrazoado das fls. 193 a 217, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 218 a 240, e instruído com os documentos de fls. 241 a 362, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, Processo 11070.901372/2010-28 Acórdão n.º 10-38.336 DRJ/POA Fls. 453 3 efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art.151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira , Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatorio Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do saldo credor do IPI, do quarto trimestre de 2003 ao quarto trimestre de 2009, tendo sido alvo de ação fiscal, para verificação da regularidade dos valores pleiteados, o que culminou na lavratura de dois Autos de Infração, um no Processo no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .9 01 37 2/ 20 10 -2 8 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901372/201028 Resolução nº 3801000.537 S3TE01 Fl. 12 2 11070.001396/201085, referente ao período que vai de julho de 2005 a maio de 2008, e outro no Processo no 11070.002089/2010 11, referente ao período que vai de junho de 2008 a dezembro de 2009, ambos por falta de lançamento do IPI, decorrente de erro de classificação fiscal e de alíquota, nas saídas de plataformas para colheita de milho, autuações em que foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos cujo ressarcimento foi solicitado, no período que vai do terceiro trimestre de 2005 ao quarto trimestre de 2009. No caso deste processo, foi solicitado ressarcimento no valor de R$ 109.432,00, referente ao quarto trimestre de 2006, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) no 41124.68155.080107.1.3.012276, tendo sido emitido o Despacho Decisório (Eletrônico) 893933534, das fls. 3. O Despacho Decisório referido no item precedente reconheceu o direito creditório no valor de R$ 11.207,34 e não homologou as compensações vinculadas, na parcela que extrapolou a referida importância. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 192. O interessado encaminhou, pelo correio, manifestação de inconformidade, no devido prazo, postada em 13 de dezembro de 2010 (fl. 364), conforme arrazoado das fls. 193 a 217, firmado por advogado, credenciado pelos documentos das fls. 218 a 240, e instruído com os documentos de fls. 241 a 362, alegando, em síntese: (a) suficiência dos créditos para compensação integral dos débitos informados; (b) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício com crédito já objeto de requerimento de compensação anterior, Processo 11070.901372/201028 Acórdão n.º 1038.336 DRJ/POA Fls. 453 3 efetuado pelo contribuinte; (c) impossibilidade de o fisco efetuar compensação de ofício de créditos do contribuinte com débitos tributários objeto de depósito judicial e ainda não constituídos definitivamente; (d) existência de depósito judicial integral do valor relativo aos débitos de IPI apurados de ofício e compensados; (e) no tocante à suposta insuficiência ou falta de recolhimento do IPI, por erro de classificação fiscal, não é possível a classificação das plataformas de milho como parte das colheitadeiras, estando correta a classificação adotada pelo estabelecimento; e (f) impossibilidade de aplicação de multa sobre os débitos cuja compensação não foi homologada. Requer, ainda, que seja deferida a juntada de novos documentos, com fulcro no art. 16, §§ 4o e 5o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Por fim, pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário consolidado, com fulcro no art.151, III, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Analisando o litígio, a DRJ Porto Alegre/RS considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901372/201028 Resolução nº 3801000.537 S3TE01 Fl. 13 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. DENEGAÇÃO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial e com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada ao menos uma das exceções legais, o que não é o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que não poderia ter ocorrido a compensação de ofício pela fiscalização, com a utilização de créditos apresentados em anterior pedido de compensação; (ii) que o fisco não poderia compensar débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa, tendo em vista o suposto depósito dos valores em conta judicial; (iii) da inaplicabilidade, in casu, da multa de mora. É o relatório. VOTO O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como relatado acima, o Recorrente apresentou pedido de compensação, no qual pretendia quitar débitos administrados pela Receita Federal com créditos de IPI, oriundos da não cumulatividade do referido tributo. Ocorre que, ao analisar a autenticidade dos referidos créditos, a fiscalização acabou por identificar irregularidades na classificação de alguns bens de produção da Recorrente e, por isso, entendeu por bem lavrar dois autos de infração (Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011). E mais: a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do estabelecimento e, assim, absorveu parcialmente créditos de IPI indicados no pedido Fl. 485DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901372/201028 Resolução nº 3801000.537 S3TE01 Fl. 14 4 de compensação ora analisado, realizando a compensação de ofício com os créditos tributários constituídos. Com relação aos Autos de Infração, a Recorrente propôs ação anulatória de débito fiscal, que tramita perante a SubSeção Judiciária de Cruz Alta (RS), cujos autos, em consulta realizada no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, encontramse conclusos para sentença. A Recorrente noticia que realizou o depósito judicial dos valores discutidos naquela medida judicial. Neste passo, entendo que não assiste razão à Recorrente. É que, como se verifica da análise dos autos, o pedido de compensação foi realizado no ano de 2006 e, até a lavratura dos autos de infração e, em especial, a reconstituição da escritura fiscal da Recorrente, os créditos indicados por ela no pedido de compensação eram suficientes para quitar os débitos ali apontados. Sabese que, no caso do IPI, a prioridade de quitação é, de fato, é referente aos débitos relativos à saída dos produtos, nos termos do disposto no art. 195 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época [art. 256 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010]. Ou seja, em regra, créditos de IPI devem quitar débitos de IPI. No presente caso, contudo, após acumular crédito de IPI e apurar débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a Recorrente transmitiu pedido de compensação, nos termos autorizados pela legislação em vigor. Os débitos de IPI só foram apurados posteriormente e em decorrência de autuação fiscal. Ou seja, à época da transmissão do pedido de compensação, o procedimento adotado pela Recorrente estava plenamente correto. Porém, o § 6º do art. 8o da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997, dispõe o seguinte: § 6º Não será admitido pedido de ressarcimento em espécie, de pessoa jurídica com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. Tal disposição foi mantida, pelo art. 19 da Instrução Normativa SRF no 210, de 30 de setembro de 2002, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18 de outubro de 2004, pelo art. 20 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28 de dezembro de 2005, pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, e pelo art. 25 da Instrução Normativa RFB no 1.224, de 23 de dezembro de 2011. In verbis: Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de Fl. 486DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11070.901372/201028 Resolução nº 3801000.537 S3TE01 Fl. 15 5 que o crédito pleiteado não se encontra na situação mencionada no caput. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ). E, como se depreende dos autos, a Recorrente, por ter sido autuada nos Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, se encontrava na situação descrita no dispositivo supra citado, nos quais foi reconstituída a escrita fiscal do estabelecimento, com absorção integral ou parcial dos créditos do IPI objeto dos pedidos de ressarcimento/compensação. O requerente também impetrou a Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) no 2008.71.16.0004989, para discutir a classificação fiscal e a correspondente alíquota do IPI das plataformas para colheita de milho objeto das autuações sofridas nos citados Processos nos 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011. De se destacar que tratase aqui de compensação de créditos de IPI, que possui regramento próprio, não se confundindo com o processo de compensação usualmente utilizado para outra espécie tributária. Vejase, inclusive, que os julgados trazidos pela Recorrente com precedentes que lhe seriam supostamente favoráveis, tratam da compensação de créditos de IRPJ e de CSLL, que possuem regramentos distintos daquele aplicável à compensação de créditos de IPI. Assim, seria inadequado promover o julgamento sem que antes houvesse decisão nos autos dos Autos de Infração mencionados, gerados pela desconstituição da escrita fiscal e erro de classificação. Uma vez analisado aqueles casos, e decidido pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência dos autos de infração, deve ser refeita novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haveria crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. Deste modo, converto o presente processo em diligência, e determino o retorno do presente processo à DRF de origem, para que aguarde o julgamento definitivo dos Processos nº’s 11070.001396/201085 e 11070.002089/201011, de modo que caso as decisões proferidas sejam pela manutenção apenas parcial do lançamento, ou pela improcedência total dos autos de infração, esta refaça novamente a escrita fiscal da Recorrente, de modo a determinar se haverá crédito suficiente para ser Ressarcido e Compensado, nos termos do Pedido de Compensação objeto deste processo. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 487DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 15/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10183.004030/2006-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO.
O § 8° do art. 16 da lei no 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel da Área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a Área de preservação destinada a reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas Áreas na apuração da base de cálculo do ITR.
Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9202-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8° do art. 16 da lei no 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel da Área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a Área de preservação destinada a reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas Áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 40 30 /2 00 6- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em sessão de 19/06/2008, a então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento, por maioria ao recurso voluntário quanto à área de utilização limitada e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial quanto à área de pastagem, para acolher a comprovação de 8.360ha, conforme se verifica do Acórdão n. 30335427: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2002 Normas gerais de Direito Tributário. Lançamento por homologação. Na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. É exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações contraditadas enquanto não consumada a homologação. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Não incidência. Área de utilização limitada. Sobre a área de utilização limitada não há incidência do tributo. Carece de fundamento jurídico a glosa da área de utilização limitada quando unicamente motivada na falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental do lbama. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Área efetivamente utilizada. Pastagens. As pastagens utilizadas para a criação de animais de grande e de médio porte são áreas efetivamente utilizadas, matéria dependente da produção de prova documental. A produção de prova, na fase de impugnação da exigência fiscal, suficiente para demolir o motivo da glosa de parte da área de pastagens Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10183.004030/200641 Acórdão n.º 9202002.886 CSRFT2 Fl. 13 3 restabelece, em igual proporção, a área efetivamente utilizada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Acórdão n° 30335.427 Sessão de 19 de junho de 2008. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2002 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL, ELEMENTOS QUE FORMAM O CRITÉRIO QUANTITATIVO APURADO COM BASE NOS DADOS DO ANO ANTERIOR. APLICAÇÃO DE NORMA TRIBUTÁRIA NO TEMPO. O Grau de Utilização e demais elementos inerentes ao cálculo do ITR de fato gerador que ocorre em l'de janeiro de cada ano é calculado com base nos dados do ano anterior. 1. Tendo por norte que o fato gerador do ITR ocorre em 1' de janeiro de cada ano, mas que os elementos integrantes do critério material dizem respeito ao ano anterior, a norma que, no decorrer do anocalendário, modificar o critério quantitativo da exigência do imposto, quer ampliando ou reduzindo a área aproveitável, somente poderá ser aplicada a partir de 1" de janeiro do ano seguinte. 2. A Medida Provisória if 2.16667, de 24 agosto de 2001, que reduziu a área aproveitável dos imóveis na região Amazônia somente pode ser aplicada a partir de 1º de janeiro de 2002, data em que se começa apurar o grau de utilização que servirá de base para lançamento do 1TR de fato gerador ocorrido em 01 de janeiro de 2003. EMBARGOS CONHECIDOS, SEM CONTUDO MODIFICAR O RESULTADO DO JULGADO. 220100.787 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária 29 de julho de 2010. Intimada do decisum, a i. Representante da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sob a alegação de interpretação divergente da legislação tributária, dada por outra Câmara de Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, publicado no DOU de 28/06/2007. O Procurador requereu a reforma do acórdão exarado, alegando ser necessária a averbação tempestiva do ADA para o reconhecimento da área de preservação permanente. Conforme o artigo do Regimento Interno da Câmara Superior supracitado, é requisito para a admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra Câmara dos Conselhos de Contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim sendo, o Procurador, para comprovar a divergência, apresenta os Acórdãos n° 30236278, cujo voto foi proferido pelo Conselheiro Walber José da Silva Alves, e n° 30236.783, proferido pela Conselheira Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto, cujas ementas transcrevo: RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 4 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIA RURAL ITR EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de Áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBA1VIA, ou órgão delegado através de convênios. As áreas reservadas legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. EXERCÍCIO 1995. ISENÇÃO: imóvel localizado dentro de área de Parque Nacional.Para que uma área rural seja isenta do ITR, por ser de preservação permanente ou de interesse ecológico, na hipótese de que se trata, é requisito indispensável que a mesma seja reconhecida, formal especifica e individualmente pelo IBAMA ou por órgão delegado através de convênio. EXPROPRIAÇÃO: Quanto a imóveis objeto de expropriação/desapropriação pelo Poder Público, o ITR continuará devido pelo proprietário depois da autorização do decreto de desapropriação publicado, salvo se houver imissão prévia na posse. (Lei 8.847/94, artigo 12). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." O Acórdão recorrido entendeu que comprovação da área de utilização limitada, para efeitos da exclusão do ITR, por meio de ADA, carece de fundamentação jurídica. Por outro lado, os paradigmas apresentados entendem que a área de utilização limitada, para exclusão de tributação, deverá ser reconhecida mediante a protocolização em tempo hábil do ADA. Instado a se manifestar, o i. Presidente da então 2 Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes prolatou Despacho n. 405 [fls. 263 e ss] que, em síntese, decidiu pelo seguimento do Especial do Procurador interposto. Baixados os autos à origem para intimação do Contribuinte, o Interessado opôs embargos de declaração [fls. 305/311]. O referido recurso foi rejeitado, conforme se verifica do Despacho s/n de 08 de junho de 2011 [fls. 324/325]: Reportome ao despacho de fls. 323 pelo qual o Senhor Presidente da 2" Câmara, da Segunda Seção do CARF solicita a manifestação deste Conselheiro sobre os embargos declaratórios de fls. 305/311, interpostos pela Contribuinte, acima identificada, em face do acórdão n°220100.787, de 29 de julho de 2011. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10183.004030/200641 Acórdão n.º 9202002.886 CSRFT2 Fl. 14 5 Sustenta a Embargante, em síntese, que o acórdão embargado incorreu em omissão ao deixar de observar o disposto no art. 1° da Lei n° 9.393, de 1996. A questão é que o acórdão embargado teria rejeitado a pretensão da Recorrente de que a área de reserva legal considerada fosse de 80%, e não de 50%, considerando a alteração introduzida pela Medida Provisória 2.166, de 24 de agosto de 2001, sob o fundamento de que a referida medida provisória somente seria aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2003. A Recorrente argumenta em sentido contrário, afirmando que o disposto na referida medida provisória, quanto à definição da área de reserva legal, aplicase a fatos geradores ocorridos em 1" de janeiro de 2002, que o caso dos autos. Registrese que o acórdão n° 220100.787 foi proferido em razão de embargos declaratórios anteriormente interpostos pela Contribuinte, em face do acórdão n° 30335.427, de 19 de junho de 2008, em que apontava obscuridade no acórdão embargado que não teria analisado adequadamente a pretensão aduzida no recurso de que fosse considerada uma área de utilização limitada de 80% e não de 50%, como fora declarado e glosado. São estes os fatos, em apertada síntese. Passo a examinálos. Os embargos foram interpostos tempestivamente. Como se vê, a Embargante aponta como omissão o fato de o acórdão embargado ter adotado, como fundamento de decidir, a tese de que as alterações legislativas ocorridas no ano de 2001 que modifica a definição das áreas tributáveis do imóvel pelo ITR aplicamse somente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2003. A omissão estaria não desconsideração do art. 1' da Lei n° 9.393, de 1996. Independentemente de qualquer consideração quanto ao mérito dessa questão, o fato é que o que a Recorrente aponta como sendo omissão é na verdade uma divergência de interpretação da legislação tributária especifica. A posição esposada pelo acórdão embargado é clara quanto à interpretação da legislação, posição da qual o embargante diverge, porém, em razão dessa diferença de entendimento não se pode atribuir a uma ou a outra posição a pecha de ser omissa ou contraditória ou qualquer outro vicio. Portanto, não há aqui vicio a ser sanado pela via dos embargos declaratórios. Vale ressaltar, todavia, que a referência feita pelo acórdão embargado à vigência da referida Medida Provisória visava apenas responder a uma questão levantada pela Recorrente, no recurso voluntário, mas que não foi determinante para a conclusão do acórdão no 30335.427. Ali fica claro no voto condutor do acórdão que a averbação da Área de reserva legal é condição para a exclusão da referida Área para fins de apuração da base de cálculo do ITR, o e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 6 lançamento referese à glosa de uma Área de reserva legal equivalente a 50% do imóvel. Portanto, ao dar provimento ao recurso, nesta parte e com os fundamentos expedidos no seu voto condutor, o acórdão em questão foi claro a reconhecer uma Área de reserva legal equivalente a 50% da Área do imóvel, e somente esta. Enfim, não vislumbro neste caso, contradição, omissão ou obscuridade a ser sanada pela via dos embargos declaratórios, razão pela qual sou pela rejeição do presente recurso. Intimado do Despacho, o Contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão de n° 220100.787, proferido em 29/07/2010, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 20/12/2010, conforme AR constante as fls. 303, o contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados pelo Despacho s/n° de 08/06/2011, do qual tomou ciência em 19/07/2011 e postou nos Correios o Recurso Especial em 03/08/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita o recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. O recurso está manejado quanto à discussão sobre a aplicação da MP n° 2.166/67, de 24/08/2001 no tempo, uma vez que o acórdão recorrido decidiu que a apuração do grau de utilização, base para o lançamento do ITR, de 80% só teria vigência a partir de 01/01/2003. Transcrevese a ementa do paradigma indicado o recorrente também colacionou trecho do voto do aresto paradigma colacionado, que se reproduz: "ITR/1998. NÃO AVERBAÇÃO DAS AREAS DE RESERVA LEGAL. FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DE ADA. O Código Florestal determina que para propriedade rural localizada na Amazônia legal, se exige, no mínimo, área de reserva legal equivalente a 80% da propriedade. A exigência de requerimento de ADA ao MAMA como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR não encontra base legal.0 reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. RECURSO PROVIDO." (CARF, Acórdão n°30332.488, Processo n° 10218.000077/200349, Recurso n° 130.483 g.n.) [...]O presente processo trata de exigência referente ao ITR/98 (..) Antes de qualquer outra consideração é preciso reconhecer que a situação do imóvel na área denominada Amazônia Legal exige que Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10183.004030/200641 Acórdão n.º 9202002.886 CSRFT2 Fl. 15 7 se examine a norma veiculada no art. 16, I, da Lei 4.771/65 (Código Florestal), com a redação dada pela MP 2.16667/2001. que estabelece no mínimo área de reserva legal equivalente a 80% da propriedade Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção prolatou Despacho n. 220000.581 [fls. 410 e ss] que, em síntese, decidiu pelo seguimento do Especial interposto: Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fatica e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é possibilidade de aplicação da MP 2.16667/2001 no exercício de 2002, no que se refere a consideração do percentual de 80% como área de utilização limitada. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende ser aplicável o percentual de 80% da área apenas a partir de 01 de janeiro de 2003, ao passo que o acórdão paradigma entende ser aplicável a MP 2.16667/2001 até mesmo ao exercício 1998, de forma que para o exercício de 2002 também seria aplicável o percentual de 80% da área do imóvel rural como área de utilização limitada. Intimado para se manifestar, a PFN apresentou contrarrazões que ratificam o decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumpre informar, inicialmente, que o recurso especial de que trata o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/09, com as alterações das Portarias MF nº 446, de 27/08/09, e 586, de 21/12/10, publicadas nos DOU de 31/08/09 e de 22/12/10, respectivamente, é cabível no caso de existência de divergência jurisprudencial no âmbito deste Conselho. Por conseguinte decisões judiciais contrárias ao entendimento proferido no acórdão recorrido não têm o condão de demonstrar o dissenso jurisprudencial, que constitui pressuposto de admissibilidade do citado recurso. Foram interpostos Recursos Especiais pelo Contribuinte e Fazenda Nacional. I NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 8 O Procurador requereu a reforma do acórdão exarado, alegando ser necessária a averbação tempestiva do ADA para o reconhecimento da área de preservação permanente. Conforme o artigo do Regimento Interno da Câmara Superior supracitado, é requisito para a admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra Câmara dos Conselhos de Contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim sendo, o Procurador, para comprovar a divergência, apresenta os Acórdãos n° 30236278, cujo voto foi proferido pelo Conselheiro Walber José da Silva Alves, e n° 30236.783, proferido pela Conselheira Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto, cujas ementas transcrevo: RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIA RURAL ITR EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de Áreas de preservação permanente deve ser reconhecida mediante ato declaratório do IBA1VIA, ou órgão delegado através de convênios. As áreas reservadas legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. EXERCÍCIO 1995. ISENÇÃO: imóvel localizado dentro de área de Parque Nacional.Para que uma área rural seja isenta do ITR, por ser de preservação permanente ou de interesse ecológico, na hipótese de que se trata, é requisito indispensável que a mesma seja reconhecida, formal especifica e individualmente pelo IBAMA ou por órgão delegado através de convênio. EXPROPRIAÇÃO: Quanto a imóveis objeto de expropriação/desapropriação pelo Poder Público, o ITR continuará devido pelo proprietário depois da autorização do decreto de desapropriação publicado, salvo se houver imissão prévia na posse. (Lei 8.847/94, artigo 12). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE." O Acórdão recorrido entendeu que comprovação da área de utilização limitada, para efeitos da exclusão do ITR, por meio de ADA, carece de fundamentação jurídica: [...] Relativamente à exigência do Ato Declaratório Ambiental do Ibama, entendoa desprovida de fundamento jurídico, porque não amparada em lei. A fixação do valor de taxa de vistoria para Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10183.004030/200641 Acórdão n.º 9202002.886 CSRFT2 Fl. 16 9 a expedição do ato declaratório ambiental pelo Ibama no artigo 170 da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a nova redação dada pela Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000 [7], não tem força suficiente para introduzir na legislação tributária a dependência do tal ato declaratório para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal no cálculo da área do imóvel rural tributável pelo ITR Não obstante as alegações da PFN, entendo que o Recurso Especial não deve ser conhecido, pois não há interesse de agir, haja vista que não foi objeto do auto de infração área de preservação permanente, conforme se verifica da folha 92. Dessa forma, não existindo interesse de recorrer, não conheço do Recurso Especial. Quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, entendo configurada a divergência, devendo ser conhecido. I RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE O recurso está manejado quanto à discussão sobre a aplicação da MP n° 2.166/67, de 24/08/2001 no tempo, uma vez que o acórdão recorrido decidiu que a apuração do grau de utilização, base para o lançamento do ITR, de 80% só teria vigência a partir de 01/01/2003. Transcrevese a ementa do paradigma indicado o recorrente também colacionou trecho do voto do aresto paradigma colacionado, que se reproduz: "ITR/1998. NÃO AVERBAÇÃO DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. FALTA DE PROTOCOLO DE REQUERIMENTO DE ADA. O Código Florestal determina que para propriedade rural localizada na Amazônia legal, se exige, no mínimo, área de reserva legal equivalente a 80% da propriedade. A exigência de requerimento de ADA ao MAMA como requisito para o reconhecimento de isenção do ITR não encontra base legal.0 reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. RECURSO PROVIDO." (CARF, Acórdão n°30332.488, Processo n° 10218.000077/200349, Recurso n° 130.483 g.n.) [...]O presente processo trata de exigência referente ao ITR/98 (..) Antes de qualquer outra consideração é preciso reconhecer que a situação do imóvel na área denominada Amazônia Legal exige que se examine a norma veiculada no art. 16, I, da Lei 4.771/65 (Código Florestal), com a redação dada pela MP 2.16667/2001. que estabelece no mínimo área de reserva legal equivalente a 80% da propriedade Requereu, ao final: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 10 [...] 72. Tendo em vista as sólidas razões expostas, requerse a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conhecimento e provimento do presente recurso especial, para o fim de reformar parcialmente o v. acórdão de fls. 227/234 proferido pela 3' Câmara do antigo 3° Conselho de Contribuintes, complementado as fls. 287/289v. e em 08/06/11 pela 1' Turma da 2ª Câmara da 2 Seção de Julgamento deste E. Tribunal, reconhecendose a área de reserva legal de 80%, nos termos em que dispõe o artigo 16, I, da Lei n° 4.771/65, além das benfeitorias de 414,2 Ha e área de preservação permanente de 1.320,6 Ha, conforme laudo acostado, com o conseqüente cancelamento da autuação. Não obstante o entendimento acima exposto, entendo que, para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R Processo nº 10183.004030/200641 Acórdão n.º 9202002.886 CSRFT2 Fl. 17 11 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. No caso, penso que a decisão de segunda instância não deve ser reformada com relação à área de reserva legal, pois afastou a incidência do ITR em face das áreas aevrbadas: Assim, entendo: (1) regularmente averbadas as áreas gravadas como de utilização limitada; (2) carente de fundamento jurídico a exigência do Ato Declaratório Ambiental do lbama para justificar a exclusão da área de reserva legal no cálculo da área do imóvel rural tributável pelo ITR; e (3) suprida a única falha apontada pelo auditor fiscal, na descrição dos fatos do auto de infração, para justificar a glosa da área de pastagens. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência a totalidade da glosa da área de utilização limitada bem como a parcela da glosa da área de pastagens correspondente à diferença entre a área de pastagens comprovada e a já acatada pela fiscalização (4.941,2 ha = 8.360,2 ha —3.419,0 ha). Dessa forma, deve não ser acolhida a pretensão da Contribuinte. DISPOSITIVO Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Em relação ao Especial do Contribuinte, voto por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIO R
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