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Numero do processo: 10680.907678/2011-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 61 1 60 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.907678/201128 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.771 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAGGA AUTO PECAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 76 78 /2 01 1- 28 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.907678/201128 Acórdão n.º 3801002.771 S3TE01 Fl. 62 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 930818813 emitido eletronicamente em 04/05/11, fls. 35, referente ao PER/DCOMP nº 13615.08490.300407.1.3.049322 (doc. de fls. 3640). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.204,97, representado por Darf recolhido em 15/09/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 31/08/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 11/11/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/09/2004 no valor de R$ 4217,62; que posteriormente apurouse o valor correto de R$1012,65, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.907678/201128 Acórdão n.º 3801002.771 S3TE01 Fl. 63 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: · A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. · Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; · ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. · A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.907678/201128 Acórdão n.º 3801002.771 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 31/08/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.907678/201128 Acórdão n.º 3801002.771 S3TE01 Fl. 65 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910108/2011-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 08 /2 01 1- 49 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 28): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 37, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910108/201149 Acórdão n.º 3802002.233 S3TE02 Fl. 54 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/06/2013 (fls. 35), interpondo recurso tempestivo em 17/06/2013 (fls. 37). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 12898.001737/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007, 2008
ARQUIVOS DIGITAIS CONTÁBEIS. FORMATO DE APRESENTAÇÃO. MULTA. 2007.
O art. 57, III, da MP 2.158-35/2001 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/2012 incide no lugar do art. 12, I, da Lei 8.218/91, quando o contribuinte não entrega à fiscalização os arquivos digitais contábeis no formato (leiaute) definido por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, ou por outra autoridade por ele designada. Revogação tácita do art. 12 da Lei 8.212/91 pelo art. 57 da MP 2.158-35/2001 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/2012. Aplicação da retroatividade benigna em matéria apenatória - art. 106, II, c, do CTN.
ARQUIVOS DIGITAIS CONTÁBEIS. FORMATO DE APRESENTAÇÃO. MULTA. 2008.
Para o ano-calendário de 2008, a multa não subsiste por dois fundamentos Um: o leiaute de apresentação não foi previsto nos atos expedidos pela RFB, ao menos naqueles que lastrearam a ação fiscal (IN SRF 86/01 e ADE Cofis 15/01). Dois: considerando a transmissão de ECD ao Sped (Recibo de Entrega de Livro Digital), a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil expressou entendimento de que a transmissão de Escrituração Contábil Digital supre as exigências contidas na IN SRF nº 86/01.
Numero da decisão: 1103-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em rejeitar a preliminar, por unanimidade de votos, e, no mérito, dar provimento parcial para excluir a multa relativa ao ano-calendário 2008, por unanimidade, e reduzir a multa relativa ao ano-calendário 2007 para o valor apurado nos termos do art. 57, III, da MP 2.158-35/2001, com a redação do art. 8º da Lei 12.766/2012, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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FORMATO DE APRESENTAÇÃO. MULTA. 2007. O art. 57, III, da MP 2.15835/2001 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/2012 incide no lugar do art. 12, I, da Lei 8.218/91, quando o contribuinte não entrega à fiscalização os arquivos digitais contábeis no formato (leiaute) definido por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, ou por outra autoridade por ele designada. Revogação tácita do art. 12 da Lei 8.212/91 pelo art. 57 da MP 2.15835/2001 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/2012. Aplicação da retroatividade benigna em matéria apenatória art. 106, II, “c”, do CTN. ARQUIVOS DIGITAIS CONTÁBEIS. FORMATO DE APRESENTAÇÃO. MULTA. 2008. Para o anocalendário de 2008, a multa não subsiste por dois fundamentos Um: o leiaute de apresentação não foi previsto nos atos expedidos pela RFB, ao menos naqueles que lastrearam a ação fiscal (IN SRF 86/01 e ADE Cofis 15/01). Dois: considerando a transmissão de ECD ao Sped (“Recibo de Entrega de Livro Digital”), a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil expressou entendimento de que a transmissão de Escrituração Contábil Digital supre as exigências contidas na IN SRF nº 86/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em rejeitar a preliminar, por unanimidade de votos, e, no mérito, dar provimento parcial para excluir a multa relativa ao anocalendário 2008, por unanimidade, e reduzir a multa relativa ao anocalendário 2007 para o valor apurado nos termos do art. 57, III, da MP 2.15835/2001, com a redação do art. 8º da Lei 12.766/2012, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 17 37 /2 00 9- 18 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 314 2 (Relator) e André Mendes de Moura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de auto de infração de Multa por descumprimento de obrigações relacionadas à entrega de arquivos digitais (fls.79/84), no valor de R$ 1.698.604,00 (um milhão, seiscentos e noventa e oito mil, seiscentos e quatro reais). Consta do Termo de Verificação Fiscal (fl.78): “[...] Tendo sido programada ação fiscal voltada para a coleta de arquivos digitais (contábeis, fiscais e de folha de pagamentos) intimamos o referido contribuinte em 10/06/2009 a apresentar os arquivos digitais constantes da intimação datada de 09/06/2009. Em atendimento a nossa intimação, o contribuinte encaminhou os arquivos magnéticos. Todavia, a estrutura do Plano de Contas encaminhado não atendeu à forma exigida, uma vez que continha tãosomente 2 níveis. Além disso o arquivo de relacionamento também deixou de atender à forma exigida. Embora reintimado em 25/08/2009, o contribuinte não logrou atender a intimação desta fiscalização, de forma a sanar as incorreções de forma anteriormente apresentadas. Tais fatos inviabilizaram o processamento das referidas informações por parte dos sistemas da SRFB. Face ao exposto, restou caracterizada a infração descrita no art.12, I da Lei n° 8.218/91. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 315 3 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. RECEITA BRUTA 2007 ® R$ 188.581.882,12 x 0,005 = R$942.909,41 RECEITA BRUTA 2008 ® R$ 151.138.927,39 x 0,005 = R$755.694,64 (...)” (destaquei) O lançamento foi mantido pela Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.213/228): MULTA. CONFISCO. Aos órgãos julgadores administrativos cabe verificar se a exação se deu com observância dos ditames legais e normativos. O comando constitucional que veda o confisco, além de só mencionar tributos é dirigido aos entes políticos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Sãos as casas legislativas desses entes que devem sopesar, no momento da elaboração dos diplomas legais, a partir de que ponto uma exação adquire um caráter confiscatório. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. FORMA. É aplicada a multa correspondente a 0,5% (meio por cento) da Receita Bruta auferida no período às pessoas jurídicas que, obrigadas ou que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. Devidamente cientificado do acórdão em 06/08/12 (fl.240), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 05/09/12 (fls.244/261), em que sustenta, em síntese: Dos fatos em consonância com a Instrução Normativa RFB nº 787/2007, estaria obrigado a observar as regras de Escrituração Contábil Digital, “...devendo para tanto submeter à fiscalização as informações contábeis atinentes às suas operações sob a forma eletrônica.”; após ser intimado em 10/06/09 a apresentar diversos documentos, referentes aos anos 2007 e 2008, entregara à fiscalização o que lhe foi exigido; posteriormente, em 26/08/09, recebera nova intimação, desta feita “...para completar os arquivos referentes às folhas de pagamento; reapresentar o arquivo de relacionamento de tributos federais e contas contábeis, e, por fim, apresentar o seu plano de contas referente ao ano de 2007 com maior detalhamento de níveis do que anteriormente apresentado (o referido plano de contas fora apresentado com 2 subníveis), tendo novamente apresentado todas as informações solicitadas, demonstrando total lisura de sua escrituração fiscal e contábil”; Da nulidade do auto de infração – falta de fundamentação legal Fl. 315DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 316 4 o referido auto de infração não demonstrou quais teriam sido as obrigações supostamente descumpridas, não tendo a fiscalização observado o art.10, IV, do Decreto nº 70.235/72; os dispositivos mencionados na fundamentação legal não esclareceriam quais as obrigações legais supostamente descumpridas, “...tampouco de que forma o arquivo de relacionamento e o seu plano de contas devem ser apresentados. Tal esclarecimento é absolutamente fundamental, porque o contribuinte só pode ser multado por descumprir uma obrigação se houver norma que o obrigue a tomar determinada atitude e se esta estiver expressamente mencionada na autuação”; no próprio acórdão recorrido admitiuse não estar clara a razão de o arquivo de relacionamento ter deixado de atender à forma exigida; decisões administrativas teriam reconhecido a nulidade de lançamentos que deixaram de indicar com clareza as infrações perpetradas (1ºCC, recurso nº 137569, de 14/05/05); Da inexistência de norma que determine a forma como deve ser mantida a escrita fiscal a IN RFB nº 787/07, quanto ao plano de contas, dispõe que deveria ser elaborado conforme as necessidades da empresa, de forma a espelhar sua realidade; inexistindo norma a regulamentar a quantidade de níveis utilizados no plano de contas, a autuação não prosperaria; o acórdão recorrido reconhecera “...que nenhuma exigência quanto ao plano de contas foi explicitada no ato declaratório executivo Cofis nº 15/2001”; o Manual de Orientação e o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 36/07, mencionados como fundamentos pela DRJ, não poderiam ser considerados normas tributárias capazes de embasar o lançamento. De igual maneira, o Comunicado Técnico CTG 2001; exigência posta em regra fora do ordenamento jurídico feriria o princípio da legalidade; “...este CARF já pacificou o entendimento de que a multa em voga só é exigível em relação aos arquivos cuja forma está expressamente padronizada pela Receita Federal” (Recurso nº 232157, 2º CC, 2ª Câmara); Da adequação do plano de contas ao SPED reforçaria “...a ilegalidade da autuação em voga o fato de o Plano de Contas da Recorrente do ano de 2008, idêntico ao do ano de 2007 (doc.02), ter sido totalmente validado quando da entrega do SPEDContábil do ano de 2008”; a IN RFB nº 787/07, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/08, dispensaria o contribuinte de entregar os arquivos magnéticos na hipótese de estar obrigado à transmissão pelo SPED, que “...vem recebendo normalmente os dados transmitidos pela empresa, mesmo com seu plano de contas restrito a dois níveis”; “...Se o próprio sistema criado pela Receita Federal aceita e valida a entrega do plano de contas com apenas dois níveis no ano de 2008, como é que nesse mesmo exercício e em 2007 a Recorrente poderia estar descumprindo algum normativo do fisco?”; inexistiria norma a vedar a adoção do plano de contas com menos de quatro níveis; tendo em conta o art.100, III, do CTN, não poderia a fiscalização terlhe imposto a penalidade, pois ao adotar exatamente o modelo aceito pelo SPED, teria observado práticas reiteradamente aceitas pelas autoridades administrativas; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 317 5 Do descumprimento do Decretolei nº 2.609/40 – irrazoabilidade da multa nos termos do art.6º, §1º, do Decretolei nº 2.663/40, com a redação conferida pelo Decreto lei nº 2.663/40, a atividade fiscal jamais poderia ser orientada para a pura e simples aplicação de penalidades, mormente quando evidente a boafé; ao agente fiscal caberia orientar os contribuintes, principalmente os que recolhem seus tributos em dia, e não simplesmente apenálos; a multa deveria guardar proporção com o embaraço causado; o percentual de 0,5% sobre a receita bruta seria desproporcional quando não causou óbice à atividade fiscal, tendo apresentado em todas as oportunidades os documentos solicitados; o Supremo Tribunal Federal tem se pronunciado no sentido de cancelar multas excessivas, ante a proibição de confisco (AgRg em AIRE nº 482.281/SP), e o Tribunal Regional Federal da 2ª Região adota o entendimento de que as multas deveriam guardar proporcionalidade (Remessa ExOficio nº 90.02008678); Da necessária relevação da penalidade seria imperiosa a relevação da multa, pois no “...prazo para a impugnação foi novamente entregue à fiscalização o arquivo contendo o relacionamento de contas (não obstante anteriormente ter sido perfeitamente elaborado o arquivo), de forma que qualquer prejuízo que porventura tivesse sido causado à Fazenda Nacional, em relação à sua atividade fiscalizadora, foi perfeitamente sanado”; conforme art.4º, II, do Decretolei nº 1.042/69, o Ministro da Fazenda poderia relevar penalidades considerando a correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. I Da preliminar de nulidade Conforme relatório supra, a multa foi constituída com fundamento no art.12, I, da Lei nº 8.218, de 29/08/91. Cabe, então, transcrever abaixo os dispositivos de tal diploma legal que interessam à solução da controvérsia: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 318 6 § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período;(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (destaquei) Cumprindo o disposto no supracitado art.11, §3º, a então Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/01, com o seguinte teor: “Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Fl. 318DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 319 7 Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3º Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações. Art. 4º Fica formalmente revogada, sem interrupção de sua força normativa, a partir de 1º de janeiro de 2002, a Instrução Normativa SRF nº 68, de 27 de dezembro de 1995. Art. 5º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002”. (destaquei) Para padronizar a forma de apresentação de tais arquivos digitais, relacionados a períodos posteriores a 01/01/02, o CoordenadorGeral de Fiscalização editou o Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 23/10/01, que dispôs: “O COORDENADORGERAL DE FISCALIZAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso IV do art. 213 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, declara: Art. 1º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001, quando intimadas por Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1º de janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único. (grifei) § 1º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I registros contábeis; Fl. 319DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 320 8 II fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. § 2º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos” e "Documentação de Acompanhamento” do Anexo único. Art. 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata § 1º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos.” (destaquei) Assim, a pessoa jurídica que mantinha em 2007 e 2008, como no caso concreto, sistema de processamento eletrônico de dados “...para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”, obrigavase a apresentar os arquivos digitais à fiscalização quando regularmente intimada, sob pena de sujeitarse à multa por descumprimento de tal obrigação acessória. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), os arquivos magnéticos solicitados foram todos entregues, porém “...a estrutura do Plano de Contas encaminhado não atendeu à forma exigida, uma vez que continha tãosomente 2 níveis. Além disso o arquivo de relacionamento também deixou de atender à forma exigida”. Complementa a fiscalização com a informação de que, embora reintimado em 25/08/09, o contribuinte não sanou tais incorreções. Notase, portanto, que a acusação fiscal foi claramente delimitada em seus contornos fáticos e jurídicos, não podendo prosperar a alegação de que o auto de infração careceria de fundamentação. Do teor das intimações realizadas durante o procedimento fiscal, referidas no TVF, constatase que o contribuinte teve perfeita ciência das exigências. Pelo Termo de Intimação Fiscal (fls.04/15), de 09/06/09, soube que os arquivos contábeis deveriam ser entregues nos formatos previstos no ADE Cofis nº 15/01, expedido com base na IN SRF nº 86/01, oportunidade em que recebeu o respectivo leiaute (Anexo I). Por exemplo, sobre os arquivos de relacionamento anotou a fiscalização: “[...] Os arquivos referentes às informações de relacionamentos entre os tributos federais e os códigos das contas contábeis analíticas (apenas contas que se referem ao valor a pagar) deverão ser apresentados no seguinte formato: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 321 9 Arquivo do tipo texto com campos separados por vírgulas, contendo no primeiro campo de cada linha a indicação do código de 4 dígitos de arrecadação do tributo federal, e, no campo seguinte, a indicação do código da respectiva conta contábil analítica adotada pelo contribuinte para lançamento do ‘valor a pagar’ do tributo federal. Poderão ser utilizadas tantas linhas quantas forem necessárias para cada relacionamento. Antes da apresentação dos arquivos referentes aos relacionamentos entre tributos federais e os códigos das contas contábeis analíticas, o contribuinte deverá necessariamente providenciar: 3.a) A autenticação dos arquivos por meio do programa SVA, que está disponível para cópia no endereço da Receita Federal do Brasil na Internet (www.receita.fazenda.gov.br ), na opção ‘Empresa >Fiscalização >Arquivos Digitais’. 3.b) Os arquivos serão apresentados em mídia de CD ou DVD e necessariamente deverão estar acompanhados da seguinte documentação: 3.b.1) O Recibo de Entrega dos arquivos de relacionamentos entre tributos federais e os códigos das contas contábeis analíticas, devidamente assinado, onde consta o conteúdo do CD/DVD e o código alfanumérico de autenticação gerado pelo SVA. ..... Em qualquer hipótese, os arquivos digitais especificados neste Termo de Intimação Fiscal serão recebidos condicionalmente e submetidos a testes de consistência. Constatada inobservância as especificações, os arquivos serão devolvidos para correções e aplicadas as penalidades cabíveis previstas em lei.” O Anexo II daquele Termo de Intimação contemplou detalhes acerca do formato de apresentação daqueles arquivos, consistindo em uma espécie de manual de orientações, no estilo “perguntas e respostas”, senão vejamos: “[...] Sobre as informações de relacionamentos entra contas e tributos 8. Qual é o formato de arquivo através do qual devem ser apresentadas as Informações de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? O formato de arquivo para se prestar esta informação é arquivo do tipo 'texto’, codificado em ASCII — ISO 88591 (Latin1), onde cada linha do arquivo contém duas informações separadas por virgula (código ASCII: 44). Cada linha é terminada por um caractere ‘CR’ (Carriage Return, código ASCII: 13) e um caractere ‘LF’ (Line Feed, código ASCII: 10). As informações prestadas em cada linha são as seguintes: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 322 10 Primeira informação da linha: código do tributo, que é o código de quatro dígitos adotado pela RFB para arrecadação do referido tributo. Segunda Informação da linha: código da conta analítica, que é o código adotado pelo contribuinte em seu próprio plano de contas para escriturar os lançamentos de apuração do valor devido para o referido imposto. , O contribuinte somente precisa informar aqueles tributos que se aplicam a ele. Por exemplo, se a empresa não é contribuinte do IPI, então não há razão para se informar linhas nesse arquivo referentes aos códigos de arrecadação do IPI. Por exemplo: Suponha uma empresa que escriture os lançamentos de apuração do ‘valor a pagar’ de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica na conta do PASSIVO CIRCULANTE: 2.002.001 — IRPJ A PAGAR. O arquivo de relacionamentos deve então conter uma linha informado: 0220, 2.002.001 Isto é, o primeiro valor referese ao código do tributo IRPJ (conforme a tabela da RFB de códigos de tributos, disponibilizado na página da RFB, que é o mesmo código utilizado no preenchimento de DARF). O segundo valor referese ao código que o contribuinte utiliza em seu plano de contas. Caso o contribuinte tenha utilizado outro código na arrecadação deste tributo, devese informar o código utilizado pelo contribuinte. Apenas o código da conta deve ser informado, não sendo devido informar a descrição da conta. 9. Em quantos arquivos diferentes devo prestar as Informações de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? Geralmente apenas um único arquivo é suficiente para representar todas essas informações, mesmo que o arquivo se refira a diferentes períodos. Ainda que as apurações para determinados tributos ocorram com periodicidade mensal, usualmente tratase da mesma conta conforme o plano de contas do contribuinte, independentemente do período considerado. Caso o contribuinte tenha optado por utilizar contas distintas para diferentes períodos (por exemplo, no caso de ter ocorrido uma mudança com o sistema de contabilidade durante o período, onde se constate mudança significativa no plano de contas), neste caso devese separar as informações em arquivos diferentes, onde cada arquivo conserva as informações referentes ao mesmo período. Não é necessário que para cada período de arquivos contábeis exista um arquivo de relacionamentos. E admissível um único arquivo de relacionamentos ainda que a contabilidade esteja separada por período, contanto que o arquivo de relacionamentos abranja a totalidade do período. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 323 11 10. O plano de contas utiliza códigos não numéricos na identificação das contas. Como devo proceder na indicação dessas contas no arquivo de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? O campo de identificação da conta, a ser apresentado no arquivo de relacionamentos deve trazer exatamente a mesma informação que é utilizada na identificação desta conta conforme o plano de contas da empresa. Portanto, os caracteres não numéricos (como letras, por exemplo) também devem ser informados no arquivo, da forma com que são apresentados no plano de contas. 11. O plano de contas utiliza diferentes contas para expressar os valores devidos para um mesmo tributo. Como devo informar essa situação no arquivo de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? Caso exista mais de uma conta relacionada a um mesmo código de tributo, devese utilizar tantas linhas quanto forem necessárias para constar cada uma dessas contas relacionadas ao mesmo código de tributo. ..... 12. Devo informar todas as outras contas referentes ao cálculo do tributo devido? Não, as únicas contas que devem ser informadas são aquelas referentes ao ‘valor a pagar’, ou 'valor a recolher’. Normalmente tratase de contas do PASSIVO CIRCULANTE. No caso de tributo apurado por estimativa, como é o caso do IRPJ e do CSLL por estimativa, devese informar também as respectivas contas de apuração por estimativa, que usualmente encontramse no ATIVO CIRCULANTE. 13. O plano de contas utiliza uma mesma conta para expressar os valores devidos para diferentes códigos de arrecadação de tributo. Como devo informar essa situação no arquivo de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? Caso uma mesma conta do plano de contas esteja associada a lançamentos de apuração de 'valor a pagar’ de mais de um código distinto de tributo, devese utilizar tantas linhas quanto forem necessárias para constar cada um desses códigos relacionados ao mesmo código de conta. ..... 14. Quais códigos de tributos devem ser considerados no arquivo de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? O arquivo de relacionamento deve trazer informações referentes aos tributos federais aplicáveis à pessoa jurídica, isto é, dos quais a pessoa jurídica seja responsável pelo recolhimento e pagamento (CIDE, COFINS, CPMF, CSLL, IOF, IPI, ITR, IRPJ, IRRF, PIS). Fl. 323DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 324 12 Os códigos que devem ser listados no arquivo são apenas aqueles que a empresa efetivamente utilizou em seus documentos e declarações referentes aos anos calendários de 2007 e 2008 (ex: DARF, DCTF, entre outros). Os demais códigos de arrecadação administrados pela RFB não devem ser informados neste arquivo, tais como: taxas do SISCOMEX, juros, lançamentos de ofício, multa por atraso na entrega de declarações, FUNDAF, multas aplicadas ao setor aduaneiro, custas judiciais, etc. 15. Onde obtenho um exemplo de arquivo de relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais? Suponha uma empresa que escriture em seu PASSIVO CIRCULANTE diferentes contas para apuração de 'valor a pagar’ dos seguintes tributos: CIDE, COFINS, CSLL, IPI, IRPJ, IRRF, PIS/PASEP. Ela poderia ter utilizado contas como essas (situação hipotética): 02.201.001 — IRRF (SALÁRIOS) 02.201.002 — IRRF (TERCEIROS) 02.201.007 — IRRF (ALUGUEIS) 02.201.009— IRRF (JUROS/CAPITAL PRÓPRIO) 02.201.010— IRRF (OUTROS) 02.201.003 — IPI A PAGAR 02.201.004 — IOF 02.201.005— COFINS A PAGAR 02.201.006— PIS A PAGAR 02.201.008— CIDE (REMESSAS) 02.202.001 — IRPJ A PAGAR 02.202.002 — CSLL A PAGAR Suponha também que esta mesma empresa escriture nas seguintes contas do ATIVO CIRCULANTE os lançamentos referentes ao cálculo por estimativa de alguns tributos: 01.401.001 — IRPJ ESTIMATIVA 01.401.002 — CSLL ESTIMATIVA Considerando os códigos de arrecadação efetivamente utilizados pela empresa, ela poderia ter prestado um arquivo como o que se segue, com 28 linhas, referente aos anos de 2007 e 2008: 0473, 02.201.001 0561, 02.201.001 0588, 02.201.001 0916, 02.201.010 1097, 02.201.003 1150, 02.201.004 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 325 13 1708, 02.201.002 1840, 02.201.005 1921, 02.201.006 2172, 02.201.005 2362, 01.401.001 2484, 01.401.002 3208, 02.201.007 3746, 02.201.005 3770, 02.201.006 5123, 02.201.003 5952, 02.202.002 5960, 02.201.005 5979, 02.201.006 5987, 02.202.002 8045, 02.201.010 8109, 02.201.006 8496, 02.201.006 8645, 02.201.005 8741, 02.201.008 9453, 02.201.009 9478, 02.201.007” Concluise, então, por evidência, que não há se falar em desconhecimento do formato exigido quanto aos “arquivos de relacionamento”, como sustenta o Recorrente. A respeito do Plano de Contas, o Anexo I do Termo de Intimação Fiscal dispôs sobre o leiaute do respectivo arquivo. Vejamos: “[...] 4.9.2 Tabela de Plano de Contas Este arquivo deverá conter o plano de contas completo, composto por todas as contas sintéticas e analíticas que foram movimentadas ou tiveram saldo no período. Item CAMPO Posição Inicial Tamanho Formato OBSERVAÇÕES 1 Data de atualização 1 8 N Inclusão/Alteração 2 Código da Conta 9 28 C 3 Tipo de Conta 37 1 C Preencher com “A” para conta analítica e “S” para sintética, referente ao item 2 4 Código da Conta Totalizadora 38 28 C Código da conta sintética de nível imediatamente superior 5 Descrição da Conta 66 45 C Fl. 325DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 326 14 [...]” Nos autos consta planilha com diversas contas contábeis (fls.19/20), que permite atestar que o contribuinte adotava um Plano de Contas com mais de 2 (dois) níveis, o que certamente levou a autoridade fiscal a exigir o arquivo no formato definido no ADE Cofis nº 15/01, que prevê a relação de contas analíticas e sintéticas. O próprio contribuinte, em resposta à intimação, confirmou tal informação ao detalhar o seu Plano de Contas (fls.26/27 e 29/30), corroborada pelo Balancete de Verificação de dezembro/2007 (fls.31/37). Verificase, ainda, que no Termo de Reintimação Fiscal (fl.17), de 25/08/09, o contribuinte foi intimado a apresentar o “Aquivo de relacionamento, juntamente com o Recibo de Autenticação” e, relativamente à contabilidade de 2007, arquivos digitais com maior detalhamento de níveis. Diante do exposto, restou comprovado que as razões fáticas e jurídicas foram devidamente explicitadas no curso do procedimento e no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo falar em cerceamento a direito de defesa a implicar nulidade. Rejeitase a preliminar de nulidade. II. Do mérito Dos “arquivos de relacionamento” Dispõe o art.113, §3º, do CTN, que “A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. Quanto às obrigações principais, o fato gerador deve necessariamente ter sede legal, conforme art.114 do mesmo codex: “Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência”. Assim, o foco, quanto à ocorrência do fato gerador, voltase obrigatoriamente para a lei. A penalidade apenas subsiste caso a situação fática esteja definida legalmente. Tal lição aplicada ao caso concreto implica dizer que as autoridades fazendárias podem até requerer os arquivos digitais em formato distinto do definido, por exemplo, nas “Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos” e nos “Documentos de Acompanhamento” relacionados no Anexo único do ADE Cofis nº 15/01. Entretanto, em caso de descumprimento, a penalidade não pode ser constituída. Não é demais lembrar que o art.12, I, da Lei nº 8.218/91, apenas se aplica quando os arquivos digitais deixam de ser disponibilizados na forma definida por ato emanado da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou de autoridade designada por seu Secretário, conforme art.11, §§3º e 4º, do mesmo diploma legal. Logo, não há qualquer invalidade na definição do formato (leiaute) pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, haja vista a delegação objeto do art.11, §4º, da Lei nº 8.218/91: “Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal”. Não se pode falar, portanto, como sustenta a defesa, em lesão ao princípio da legalidade, pois tal competência decorreu de autorização expressa do legislador. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 327 15 Em suma, a multa justificase na hipótese de o contribuinte, regularmente intimado, deixar de apresentar os arquivos digitais exigidos na forma padronizada no ADE Cofis nº 15/01 ou em outro ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, ou de autoridade por ele designada, não por decisão de AuditorFiscal à frente do procedimento fiscal. Isto posto, passase à análise dos fundamentos da autuação. Relativamente ao não atendimento da forma dos “arquivos de relacionamento”, por se tratar de um arquivo com informações de relacionamento entre as contas contábeis e os tributos federais, como se depreende do Anexo II do Termo de Intimação Fiscal, poderseia até considerálo como um arquivo cujo objeto seriam registros contábeis, nos termos do art.1º, §1º, do ADE Cofis nº 15/01. Porém, o leiaute de apresentação não foi previsto nos atos expedidos pela RFB, ao menos naqueles que lastrearam a ação fiscal (IN SRF nº 86/01 e ADE Cofis nº 15/01), razão pela qual, por tudo que se disse anteriormente sobre o fato gerador, não pode prosperar a multa com base no fundamento adotado pela fiscalização (art.12, I, c/c art.11, §§3º e 4º, da Lei nº 8.218/91). A penalidade decorrente do não atendimento do formato de entrega dos “arquivos de relacionamento” também não se sustenta por outra razão. Conforme IN RFB nº 787, de 19/11/07, as pessoas jurídicas sujeitas à Escrituração Contábil Digital (ECD) transmitem arquivo contendo os livros Diário e Razão, e seus auxiliares, livros Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos, pelo Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22/01/07. De acordo com o art.6º daquele ato normativo, com a redação conferida pela IN RFB nº 926, de 11/03/09, a apresentação dos livros digitais nos termos preconizados pela IN RFB nº 787/08 supre, em relação aos períodos posteriores a 31/12/07, a exigência contida, em relação às mesmas informações, na IN SRF nº 86/01. Vejamos: “Art. 1º Fica instituída a Escrituração Contábil Digital (ECD), para fins fiscais e previdenciários, de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. A ECD deverá ser transmitida, pelas pessoas jurídicas a ela obrigadas, ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, e será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém e, quando for o caso, após a autenticação pelos órgãos de registro. Art. 2º A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros: I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Parágrafo único. Os livros contábeis e documentos de que trata o caput deverão ser assinados digitalmente, utilizandose de certificado de segurança mínima tipo A3, emitido por entidade Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 328 16 credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil), a fim de garantir a autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) Art. 3º Ficam obrigadas a adotar a ECD, nos termos do art. 2º do Decreto nº 6.022, de 2007: I em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008, as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômicotributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 11.211 , de 7 de novembro de 2007, e sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) II em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, as demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) § 1º Fica facultada a entrega da ECD às demais pessoas jurídicas não obrigadas nos termos do caput, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008. § 1º Fica facultada a entrega da ECD às demais sociedades empresárias. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) § 2º As declarações relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) exigidas das pessoas jurídicas que tenham apresentado a ECD, em relação ao mesmo período, serão simplificadas, com vistas a eliminar eventuais redundâncias de informação. Art. 4º A ECD deverá ser submetida ao Programa Validador e Assinador (PVA), especificamente desenvolvido para tal fim, a ser disponibilizado na página da RFB na Internet, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br/sped>, contendo, no mínimo, as seguintes funcionalidades: I validação do arquivo digital da escrituração; II assinatura digital; III visualização da escrituração; IV transmissão para o Sped; V consulta à situação da escrituração. Art. 5º A ECD será transmitida anualmente ao Sped até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. § 1º Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, a ECD deverá ser entregue pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 329 17 § 2º O prazo para entrega da ECD será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia fixado para entrega da escrituração.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.056, de 13 de julho de 2010) § 3º Excepcionalmente, em relação aos fatos contábeis ocorridos entre 1º de janeiro de 2008 e 31 de maio de 2009, o prazo de que trata o § 1º será até o último dia útil do mês de junho de 2009. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) § 4º Excepcionalmente, em relação aos fatos contábeis ocorridos entre 1º de janeiro de 2009 e 30 de junho de 2010, o prazo de que trata o caput e o § 1º será até o dia 30 de julho de 2010. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.056, de 13 de julho de 2010 ) § 5º A obrigatoriedade de entrega da ECD, na forma prevista no § 1º, não se aplica à incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.139, de 28 de março de 2011) Art. 6º A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2007, supre: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) II a obrigatoriedade de escriturar o Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário (Lei nº 8.218, de 1991, art.14, e Lei nº 8.383 , de 1991, art. 62). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) III a obrigatoriedade de transcrever no Livro Diário o Balancete ou Balanço de Suspensão ou Redução do Imposto de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981, de 1991 (Instrução Normativa SRF nº 93 , de 1997, art. 12, inciso 5, alínea b). ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009 ) Parágrafo único. A adoção da Escrituração Fiscal Digital, nos termos ao Convênio ICMS nº 143 , de 15 de dezembro de 2006, supre: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) I a elaboração, registro e autenticação de livros para registro de inventário e registro de entradas, em relação ao mesmo período. (Lei nº 154, de 1947, arts. 2º, caput e § 7º, e 3º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 71 e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48). (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 330 18 II em relação às mesmas informações, da exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 926, de 11 de março de 2009) ..... Art. 10. A não apresentação da ECD no prazo fixado no art. 5º acarretará a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração. Art. 11. Fica aprovado o Manual de Orientação do Leiaute da ECD constante do Anexo Único.” (destaquei) Logo, com relação às informações relativas ao anocalendário 2008, considerando a transmissão de ECD ao Sped (“Recibo de Entrega de Livro Digital” fl.65), a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil expressou entendimento de que a transmissão de Escrituração Contábil Digital supre as exigências contidas na IN SRF nº 86/01. Pelas razões acima, não subsiste o lançamento com relação ao ano calendário 2008, vez que o outro fundamento (arquivo do Plano de Contas detalhado em apenas dois níveis) referese exclusivamente ao anocalendário 2007, como se depreende do Termo de Reintimação Fiscal (fl.17), in verbis: [...] REINTIMAMOS o contribuinte, acima identificado, apresentar os arquivos digitais, abaixo indicados, acompanhados da respectiva documentação, no prazo de 5 (CINCO) dias: 1 Novos arquivos de folha de pagamento – MANAD – contendo o Bloco K200, juntamente com o recibo de validação e entrega SVA; 2 Arquivo de relacionamento, juntamente com o Recibo de Autenticação e Entrega SVA; 3 Relativamente à contabilidade em 2007, a apresentada em resposta à primeira intimação continha apenas 2 níveis. Portanto, fica reintimado a apresentar Contabilidade com maior detalhamento de níveis. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado por mim, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e cuja ciência e cópia do contribuinte se dará por via postal, mediante Aviso de Recebimento (AR).” (destaquei) Do Plano de Contas A alegação da defesa, de que inexistiria vedação para a apresentação de arquivo digital de Plano de Contas com apenas dois níveis, não prospera à luz do que restou padronizado no Anexo único do ADE Cofis nº 15/01, expedido por expressa autorização legal. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 331 19 Nas “Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos”, objeto daquele Anexo, estabeleceuse o seguinte formato, reproduzido no Anexo I do já referido Termo de Intimação Fiscal: Item CAMPO Posição Inicial Tamanho Formato OBSERVAÇÕES 1 Data de atualização 1 8 N Inclusão/Alteração 2 Código da Conta 9 28 C 3 Tipo de Conta 37 1 C Preencher com “A” para conta analítica e “S” para sintética, referente ao item 2 4 Código da Conta Totalizadora 38 28 C Código da conta sintética de nível imediatamente superior 5 Descrição da Conta 66 45 C Em que pese o acórdão recorrido entender que o ADE Cofis nº 15/01 não trouxe exigências quanto ao Plano de Contas, constava do item 4.9.2 (“Tabela de Plano de Contas”) não apenas as observações referentes aos itens 3 e 4, contempladas na tabela acima, mas textualmente que o “...arquivo deverá conter o plano de contas completo, composto por todas as contas sintéticas e analíticas que foram movimentadas ou tiverem saldo no período”. Assim, o Plano de Contas, ao ser apresentado digitalmente com apenas 2 (dois) níveis, estava em total desacordo com a padronização regularmente estabelecida pelo Fisco, vez que o contribuinte, no anocalendário 2007, optou por um detalhamento de contas com mais de dois níveis, conforme documentação acostada pela fiscalização, conforme dito anteriormente, em especial o Balancete de Verificação levantado ao final daquele ano (fls.31/37). Quanto à alegação de que a IN RFB nº 787/07 dispõe que o Plano de Contas deveria ser elaborado conforme as necessidades da pessoa jurídica, em momento algum a fiscalização discordou de tal tese. Ao contrário, tendo conhecimento de que o contribuinte valeuse de contas contábeis detalhadas em mais de dois níveis, opção supostamente adotada em razão de suas necessidades, requereu a apresentação do respectivo arquivo digital com tais contas analíticas, nos termos do ADE Cofis nº 15/01. Acerca do entendimento supostamente pacificado no CARF, de que a multa seria exigível apenas quanto à falta de entrega de arquivos cuja forma estivesse expressamente padronizada pelo Fisco federal, vale reiterar que a penalidade lastreouse exatamente no descumprimento da obrigação de apresentação do Plano de Contas no padrão estabelecido no Anexo único do ADE Cofis nº 15/01. A respeito das alegações de desproporcionalidade e falta de razoabilidade da penalidade, mormente porque o contribuinte não teria causado qualquer embaraço à fiscalização, assertiva que pode ser contestada à luz do Termo de Verificação Fiscal, em que se afirmou que “tais fatos inviabilizaram o processamento das referidas informações por parte dos sistemas da SRFB”, não podem ser acolhidas em razão da expressa previsão legal da penalidade, que não pode ser afastada no âmbito administrativo, nem mesmo por razões de inconstitucionalidade, como apregoa a Súmula CARF nº 02 (“O CARF não é competente para Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 332 20 se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”). Por igual razão, não se acolhe o argumento de que a autuação seria insubsistente por ter efeito confiscatório. Também não se admite o pedido de relevação da penalidade com base em dispositivo mencionado pelo Recorrente (art.4º, II, do Decretolei nº 1.042/69), até mesmo porque competente para tal decisão seria o Sr. Ministro de Estado da Fazenda1. Com a comprovação de que o arquivo digital relativo ao Plano de Contas não foi apresentado em consonância com a legislação tributária, a multa foi aplicada nos termos da legislação vigente à época do lançamento. Por fim, passase à análise dos supostos efeitos da edição da recente Lei nº 12.766, de 27/12/12, particularmente do seu artigo oitavo, sobre os lançamentos realizados sob a égide do art.12 da Lei nº 8.218/91. Para tanto, recorrese inicialmente a um breve histórico. A Medida Provisória nº 298, de 29/07/91, dispôs: Art. 12. As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00 e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficarão obrigadas a manter em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos registros, arquivos e sistemas operacionais, até que ocorra a extinção do direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos relativos aos tributos e contribuições decorrentes das operações a que se referem. § 1º O Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, com base em critérios vinculados à racionalidade e à capacidade de fiscalização, poderá reduzir ou aumentar, em até cinqüenta por cento, o limite do valor do patrimônio líquido, bem como reduzir o prazo de manutenção, nas hipóteses que especificar. § 2º O Departamento da Receita Federal poderá expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os registros, respectivos arquivos e sistemas operacionais deverão ser apresentados. Art. 13. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: 1 Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; II A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 333 21 I multa de um por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de dez por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 100.000,00, por dia de atraso até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido, pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos registros, respectivos arquivos e sistemas operacionais. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Na conversão para a Lei nº 8.218, de 29/08/91, houve algumas alterações, de maneira que a matéria, já com as disposições da Lei nº 8.383, de 30/12/91, recebeu o seguinte tratamento: Art. 11 As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem patrimônio líquido superior a Cr$ 250.000.000,00, e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas, a partir do período base de 1991, a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos. § 1º O valor referido neste artigo será reajustado, anualmente, com base no coeficiente de atualização das demonstrações financeiras a que se refere a Lei nº 8.200, de 28 de junho de 1991. § 2º O Departamento da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Lei nº 8.383, de 30/12/1991) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou Fl. 333DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 334 22 diretamente pelo AuditorFiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. Com a MP nº 2.11330, de 26/04/01, reeditada posteriormente sob o nº 2.158 33, estabeleceramse penalidades quando descumpridas obrigações acessórias exigidas nos termos do art.16 da Lei nº 9.779, de 19/01/99 (“Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.”): Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Não obstante tal dispositivo também contemplar hipótese voltada ao não fornecimento, nos prazos estabelecidos, de informações ou esclarecimentos solicitados pela Secretaria da Receita Federal, ou à omissão de informações ou prestação inexata ou incompleta, o campo de incidência não se confundia com o traçado pelo art.12 da Lei nº 8.218/91, dado o caráter especial deste dispositivo, restrito à aplicação de multas relacionadas com a apresentação de arquivos digitais, por exemplo, de escrituração de livros. Com o art.72 da edição nº 34 da MP nº 2.158, de 27/07/01, alteraramse os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 para os seguintes termos2: "Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. 2 Este artigo 72 foi reproduzido na edição nº 35 da MP nº 2.158, de 24/08/01. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 335 23 §1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. §2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. §3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal.” (NR) "Art.12..................................................................... .................................................................... II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano calendário em que as operações foram realizadas.” (NR) Em resumo, a par do art.57 da MP nº 2.15835/01, de cunho geral, o descumprimento de obrigações relacionadas a arquivos digitais de registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, bem como de escrituração de livros fiscais e contábeis, sujeitava a pessoa jurídica, nos termos do art.12 da Lei nº 8.218/91, às seguintes penalidades: a) 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta no período, em caso de não atendimento à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos (inciso I); b) 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta no período, em caso de omissão ou prestação incorreta de informações (inciso II); e c) 0,02% (dois centésimos por cento), por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período, limitada a 1% (um por cento) desta, em caso de não cumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas. Este era o quadro normativo. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 336 24 Sobreveio, então, resultante da conversão da MP nº 575, de 07/08/12, a Lei nº 12.766, de 27/12/12, que, por meio de seu artigo oitavo, conferiu a seguinte redação ao art.57 da MP nº 2.15835, com efeitos a partir de sua publicação oficial (art.13, IV): Art.57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) (destaquei) Ao contrário da redação anterior, o art.57 da MP nº 2.15835 passou a tipificar, para fins de sanção tributária, condutas relacionadas à apresentação extemporânea de escrituração digital, ou com informações inexatas, incompletas ou omitidas, bem como ao não atendimento de intimação fiscal para apresentálas nos prazos estipulados. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 337 25 Durante a tramitação da MP nº 575/12, pela Comissão Mista do Congresso Nacional, acolheuse, conforme Parecer Final3, a Emenda nº 65, de autoria do Deputado Jerônimo Goergen (PP/RS), “...com a redação aperfeiçoada, para reduzir a valores razoáveis as multas cobradas por descumprimento da entrega de declarações criadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)”. Constou ainda como justificativa: “[...] é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art.16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art.57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” (destaquei) Aquela Emenda parlamentar foi justificada, segundo o autor, na necessidade de aperfeiçoamento de algumas penalidades, “tornandoas mais razoáveis”: “A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornandoas mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos.” (destaquei) Não obstante no Relatório final aprovado pela Comissão Mista do Congresso Nacional ter sido mencionada apenas a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista na redação anterior do art.57 da MP nº 2.15835/01, que, como visto anteriormente, convivia com os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.218/91 por estes veicularem normas especiais, e tendo sido apontado como justificativa para a alteração legislativa a necessidade de redução daquele valor em caso de entrega, com atraso, de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, os tipos tributários não se limitaram à imposição de sanções quando concretizada tal conduta. É verdade que o legislador poderia ter alterado, ou mesmo revogado expressamente as hipóteses contempladas nos incisos II e III do art.12 da Lei nº 8.218/91, porém, o texto final do artigo 8º da Lei nº 12.766/12 provoca a análise, à luz do art.106 do CTN, de sua incidência nos casos pendentes de apreciação. No quadro comparativo abaixo, visualizamse as condutas passíveis de sanção, previstas na Lei nº 8.218/91 e no art.57 da MP nº 2.15835/01, relacionadas à entrega de arquivos e escrituração digitais: Conduta Art.12 da Lei nº 8.218/91 Art.57 da MP nº 2.15835/01 A entregar registros e respectivos arquivos digitais sem atender à forma/leiaute de apresentação estabelecida (inciso I). B entregar os arquivos digitais com omissão ou incorreção nas informações solicitadas (inciso II). apresentar escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas (inciso III). 3 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1039685&filename=PAR+33+MPV57 512+%3D%3E+MPV+575/2012. Consulta em 28/02/2013. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 338 26 C não cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos digitais (inciso III). apresentar extemporaneamente escrituração digital (inciso I); não atender à intimação para apresentar escrituração digital (inciso II). Não apenas a abertura semântica que a expressão encerra autoriza a compreensão, à luz da legislação de regência, de que a “escrituração digital” compõese dos livros contábeis e fiscais, confeccionados em meio magnético, digital. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, ao tratar da Escrituração Contábil Digital (ECD) a ser transmitida ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), por meio da IN RFB nº 787/07 dispôs, em seu artigo 2º, que “A ECD compreenderá a versão digital dos seguintes livros”: “I livro Diário e seus auxiliares, se houver; II livro Razão e seus auxiliares, se houver; III livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos.” Vale também lembrar que o art.11 da Lei nº 8.218/91 contempla a expressão “arquivos digitais”, a serem entregues por quem se utiliza de “sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal”. A menção a “arquivo digital” também está presente na IN SRF nº 86/01 e no ADE Cofis nº 15/01. Notase, também, haver identidade entre os bens jurídicos tutelados pelos artigos 12, II e III, da Lei nº 8.218/91, e pela atual redação do art.57 da MP nº 2.15835/01, qual seja, a entrega pontual e escorreita de documentos e livros, contábeis e fiscais, em formato digital, no interesse da fiscalização. Assim, não há impropriedade em se entender que a Lei nº 12.766/12 buscou inibir, em bases próprias, condutas relacionadas com a entrega de livros contábeis digitais, a exemplo do que regulava a Lei nº 8.218/91. Assim, no caso de omissão ou prestação incorreta de informações solicitadas, a multa, antes estabelecida em 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação, limitada a 1% (um por cento) da receita bruta da pessoa jurídica no período (art.12, II, da Lei nº 8.218/91), passou para 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da escrituração digital equivocada (art.57, III, da MP nº 2.158 35/01). Por sua vez, a conduta de não cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos e sistemas digitais, antes penalizada na base de 0,02 % (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta no período, até o máximo de 1% (um por cento) desta (art.12, III, da Lei nº 8.218/91), passou a ser sancionada, no caso de apresentação extemporânea da escrituração digital, com R$ 500,00 ou R$ 1.500,00, por mêscalendário ou fração (art.57, I, da MP nº 2.15835/01), sendo aplicável, em caso de não atendimento à intimação para apresentála, R$ 1.000,00 por mêscalendário (art.57, II, da MP nº 2.158 35/01). Notese que a conduta de deixar de apresentar arquivos digitais na forma (leiaute) preconizada pela RFB (art.12, I, da Lei nº 8.218/91) não foi objeto do art.57 da MP nº 2.15835/01. Tal falta, entretanto, não autoriza a aplicação do art.106, II, “a”, do CTN (“A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 339 27 quando deixe de definilo como infração;”), a processos pendentes, como no caso em análise, em que foi imposta multa com base no art.12, I, da Lei nº 8.218/91. Não se depreende da nova redação da MP nº 2.15835/01 que o legislador tenha visado simplesmente não mais considerar aquela conduta como contrária à lei tributária. Na realidade, o fato de a Lei nº 12.766/12 não definir sanção para a conduta descrita no art.12, I, da Lei nº 8.218/91 justificase no contexto em que foi editada. Ao contrário do que ocorria anteriormente, quando os arquivos digitais eram entregues diretamente à autoridade fiscal, que então procedia à verificação de sua consistência com leiautes previamente estabelecidos pelo Fisco, por exemplo, no ADE Cofis nº 15/01; com a implementação da Escrituração Contábil Digital (ECD), tal situação, para quem a utiliza, simplesmente não mais é possível de ocorrer, dada a submissão, pelo próprio contribuinte, do arquivo digital a um Programa Validador e Assinador (PVA), conforme dispõe o art.4º da IN RFB nº 787/07: Art. 4º A ECD deverá ser submetida ao Programa Validador e Assinador (PVA), especificamente desenvolvido para tal fim, a ser disponibilizado na página da RFB na Internet, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br/sped>, contendo, no mínimo, as seguintes funcionalidades: I validação do arquivo digital da escrituração; II assinatura digital; III visualização da escrituração; IV transmissão para o Sped; V consulta à situação da escrituração. Para fins de incidência da retroatividade benigna (v.g., art.106, II, “a”, do CTN), a conduta pretérita deve ser passível de prática sob a vigência da nova lei. Não fosse assim, como se nota no presente caso, o progresso tecnológico, a alterar a maneira de validação de arquivos digitais, acompanhado corretamente de uma alteração normativa, implicaria necessariamente anistia. Em outros termos, a inovação quanto à forma de determinado contribuinte disponibilizar arquivos digitais à fiscalização, agora tendo que submetêlos a programa que o valide, sob pena de rejeição, não implica necessariamente que sua conduta anterior, de entrega dos arquivos em desconformidade com a ordem tributária vigente, deixe de ser sancionada. Também, considerando as disposições do art.2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro4 (“A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”), não se vislumbra revogação tácita do art.12 da Lei nº 8.218/91, com a vigência da Lei nº 12.766/12. O art.57 da MP nº 2.15835/01 não se mostra incompatível com o art.12, I, da Lei nº 8.218/91, também não se podendo concluir pela inteira regulação da matéria, como visto anteriormente. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir o valor de R$ 755.694,64 4 Atual denominação da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, por força da Lei nº 12.376, de 30/12/2010. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 340 28 (setecentos e cinquenta e cinco mil, seiscentos e noventa e quatro reais e sessenta e quatro centavos), relativamente à penalidade concernente ao anocalendário 2008. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 341 29 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Redator Designado. Rendo minhas homenagens ao ilustre relator, Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, que, como de hábito, deduziu seu voto com brilhantismo que lhe é próprio. Minha única divergência com a intelecção do ilustre relator diz respeito ao alcance das normas apenatórias introduzidas pela Lei 12.766/12 (art. 8º), ao alterar o art. 57 da Medida Provisória (MP) 2.158/01. No caso em dissídio, a questão que remanesce se limita ao anocalendário de 2007. É lição sobranceira da boa hermenêutica que a mens legislatoris não se confunde nem absorve a mens legis, conquanto aquela informe elemento de denodo no alcance da mens legis. A Medida Provisória 575/12 foi convertida na Lei 12.766/12, mas o art. 8º desta não figurava naquela. O art. 8º da referida lei teve origem na Emenda 65, de autoria do Deputado Federal Jerônimo Goergen (PPRS), como se viu do voto do relator. A Emenda 65 foi acolhida, mas com mudanças, no Parecer Final da Comissão Mista do Congresso Nacional. A Emenda 65 teve como justificativa5: A emenda ora apresentada visa aperfeiçoar algumas penalidades previstas na legislação tributária, tornandoas mais razoáveis e suprimindo lacuna ainda existente. Um dos objetivos buscados é o de que a aplicação das sanções tributárias leve em consideração o porte do contribuinte e garanta um tratamento mais equânime e justo a todos. Já, a justificativa constante no Parecer Final6, com a redação alterada da Emenda 65, e que figurava como art. 9º do Projeto de lei de conversão da MP 575/12, era: Quanto à primeira alteração, é preciso reduzir o desarrazoado valor de R$ 5.000,00 ao mês hoje exigido das pessoas jurídicas, qualquer que seja seu porte, que entreguem com atraso declaração, demonstrativo ou escrituração digital cuja criação foi delegada à RFB pelo art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. A redação proposta ao art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, aperfeiçoada pela Emenda nº 65, conforma os valores da multa ao princípio da proporcionalidade.” (grifos nossos) 5 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=4E72771EEA8984C0892E5DA6301 0FF66.node1?codteor=1039820&filename=EMC+65/2012+MPV57512+%3D%3E+MPV+575/2012 6 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1039685&filename=PAR+33+MPV57 512+%3D%3E+_MPV+575/2012 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 342 30 Vejamos como ficou a redação do art. 57 da MP 2.158/01 com a redação dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12 (e que tem a mesma dicção do apresentado no Parecer Final do Projeto de lei de conversão da MP 575/12): Art. 8º. O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º. Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3º. A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) (grifos nossos) Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 343 31 Os arts. 11 e 12, da Lei 8.218/91, com as alterações do art. 72 da MP 2.158/01, preveem: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º. A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. § 2º. Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 3º. A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º. Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal.” (NR) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas.” (NR) (grifos nossos) Como visto, a justificativa presente (conducente à mens legislatoris) no Parecer Final do projeto de conversão em lei da MP 575/12 fala de escrituração digital. É um elemento contributivo na busca da mens legis (finalidade ou intenção da lei). Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 344 32 No âmbito do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), a Receita Federal instituiu a ECD (Escrituração Contábil Digital), com a IN RFB 787/07 (arts. 1º e 2º), e que compreende os livros Diário, Razão e seus auxiliares, o livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Já o art. 11 da Lei 8.218/91, ao versar sobre sistemas de processamento eletrônico de dados, para escrituração contábil e fiscal, fala, inclusive, de arquivos digitais e sistemas. Podese dizer que os bens jurídicos tutelados pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a alteração dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12 compreendem aqueles tutelados pelo art. 12 da Lei 8.218/91. Em ambos os casos, a norma apenatória visa tutelar a apresentação dos livros contábeis e fiscais, escriturados eletrônica ou digitalmente. Nessa linha também foi o entendimento extraído pelo ilustre relator, com a diferença de que, para o relator, há identidade de bens tutelados entre a novel norma legal e o art. 12, II e III, da Lei 8.218/91, escapando desse alcance o inciso I do art. 12 dessa lei. A mens legis é (in)formada também pela abertura semântica e cognitiva ao ambiente, pelos acopladores estruturais do sistema jurídico (que são conformados na interpretação sistemática, na finalidade, nos conceitos abertos, etc.), que “controlam” os dados e os convertem em concepções jurídicas, como fala Niklas Luhmman. O sistema do direito é operacionalmente fechado ao ambiente, essencial à segurança jurídica; a abertura ao ambiente é semântica e cognitiva, havendo o controle e conversão dos dados ao sistema pelos acopladores estruturais, como destaca o consagrado jusfilósofo citado. Aqui, a interpretação finalística e mesmo sistemática, que conformam os acopladores estruturais do sistema jurídico, fechandoo operacionalmente ao ambiente, não interditam a abertura semântica e cognitiva ao ambiente da expressão “escrituração digital” para compreender os livros contábeis e fiscais vertidos em meio magnético, a que se refere o art. 11 da Lei 8.218/91. Ou seja, a abertura semântica e cognitiva da expressão “escrituração digital” utilizada pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12 permite, nos termos postos, compreender os livros contábeis e fiscais em meio magnético referidos pelo art. 11 da Lei 8.218/91. Diante da abertura semântica e cognitiva da expressão “escrituração digital” do art. 57 da MP 2.158/01 com a redação dada pelo art. 8º da Lei 12.766/12, “reconduzida” pela ou conciliada com a finalidade dessa norma e com o microssistema que ela integra, não me parece razoável que somente a tutela do bem jurídico na forma do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91 esteja fora do alcance daquela norma. Dito melhor, pareceme irrazoável não se ter por compreendido no art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12 o art. 12 da Lei 8.218/91 (que adota seu antecedente art. 11 como materialidade com qualificação negativa, i.e., a inobservância do art. 11 como materialidade positiva). A rigor, para o caso vertente, o bem jurídico tutelado pelo art. 12 da Lei 8.218/91 é a apresentação adequada dos livros contábeis, por meio de arquivos digitais ou sistemas: os incisos I a III do art. 12 dessa lei só especificam a forma pela qual a tutela desse bem jurídico é exercida. Esse mesmo bem jurídico é tutelado pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12, no caso, a escrituração digital contábil (livros contábeis, na forma digital, atualmente pela ECD): os incisos I a III do art. 57 especificam a forma de tutela desse bem jurídico. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 345 33 De mais a mais, o fato de a ECD se sujeitar a um programa validador e assinador, o PVA, aprovado atualmente pela IN RFB 848/08 (PVA Sped Contábil 1.0), não significa restringir o alcance do art. 57 da MP 2.158/01. Até porque a questão do programa validador e assinador é elemento acidental, diante da norma legal que prevê as formas de exercício da tutela do bem jurídico. A conclusão, portanto, é a de que o art. 12 da Lei 8.218/91 foi revogado tacitamente pelo art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12, conforme a parte final do § 1º do art. 2º do Decretolei 4.657/42 – a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (nova nominação dada pela Lei 12.376/10). Alertese que não se está aqui a versar sobre penalidades por falta de apresentação ou sua apresentação com informações incorretas ou omitidas de DIPJ, DCTF, DIRF e Dacon, de que trata o art. 7º da Lei 10.426/02. A especificidade desta norma legal para tais declarações é de tal ordem que não atrai o art. 57 da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12. O contexto da materialidade fática e jurídica ora versada é bem diverso. De toda forma, não cabe aqui me estender sobre penalidades diversas da que estão em jogo. A infração cometida pela recorrente, em relação ao anocalendário de 2007, foi a apresentação do plano de contas, em apenas dois níveis. Pelo Termo de Intimação Fiscal (item 4.9.2), a apresentação era do arquivo contendo o plano de contas completo, composto por todas as contas sintéticas e analíticas que foram movimentadas ou tiveram saldo no período, sendo que a recorrente adotara plano de contas com mais de dois níveis, como permite ver a planilha com a diversas contas contábeis (fls. 19 e 20). E o Termo de Reintimação (item 3) previu, para o anocalendário de 2007, a apresentação da contabilidade (plano de contas) com maior detalhamento de níveis. Posto isso, a infração em causa fica compreendida no tipo do art. 57, III, da MP 2.158/01 com a redação do art. 8º da Lei 12.766/12: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: [...] III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (grifos nossos) No caso, havia sido infligida à recorrente, a pena do art. 12, I, da Lei 8.1218/91: Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: Fl. 345DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001737/200918 Acórdão n.º 1103000.841 S1C1T3 Fl. 346 34 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (grifos nossos) Do quadro exposto, tem aplicação o art. 106, II, “c”, do CTN (retroatividade benigna, em matéria apenatória). Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso, quanto ao anocalendário de 2007, para reduzir a pena ao resultado da aplicação de 0,2% sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da escrituração incompleta, entendido o faturamento como a receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 22/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 12448.736223/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Relator
EDITADO EM: 10/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 10/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama.
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Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Relator EDITADO EM: 10/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente momentaneamente a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração contra a contribuinte em epígrafe, relativo à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidência cumulativa (fls. 961/1005), referente aos períodos de apuração de 01/2007 a 03/2011, no valor principal de R$ 13.175.594,54, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 27/02/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 27.669.124,74. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 36 22 3/ 20 12 -8 1 Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 3 2 No Termo de Constatação Fiscal, integrante do Auto de Infração (fls. 961/974), a autoridade lançadora registra, em síntese, que A ação fiscal foi motivada por despacho contido nos autos do processo 15374.000174/200603, que trata de acompanhamento do Mandado de Segurança 2005.51.01.0243752, com pedido de liminar, no qual a impetrante pleiteava a declaração de inexistência de relação jurídicotributária que obriga o pagamento da Cofins, por se tratar de ‘sociedade civil sem fins lucrativos, que tem por objetivo promover, primordialmente, a prática de atividades desportivas, culturais, sociais, assistenciais, educacionais e filantrópicas’, bem como a compensação dos valores recolhidos nos últimos 10 anos; A sentença proferida pela 24a VF, publicada em 30/05/2011 declarou a inexigibilidade da Cofins, a partir de fevereiro de 1999, tão somente em relação às receitas próprias de suas atividades sem fins lucrativos, relativas à promoção da prática de esportes, atividades de caráter cultural, recreativo, assistencial, educacionais e filantrópico; A análise da composição das receitas mensais demonstrou a existência de um grande número de fontes de receita; O contribuinte não declarou quaisquer débitos a título de COFINS nas DCTF dos períodos de 7/2006 a 3/2011; O contribuinte não efetua pagamentos a título de COFINS desde 8/2006; O contribuinte não informou débitos de COFINS nos DACON apresentados, referentes aos períodos de 7/2006 a 2/2007 e 1/2011 a 3/2011; O contribuinte foi diversas vezes intimado a esclarecer a origem das receitas relacionadas no Termo de Diligência, mas não apresentou resposta; O contribuinte se inclui no rol das entidades beneficiadas com a isenção mencionada no artigo 13, inc VIII da MP 215835/2001, enquadrandose na hipótese de não incidência tributária, ou isenção da Cofins, prevista no art 14 da referida norma, que incidiria sobre as receitas das atividades próprias, isto é, aquelas previstas em seu Estatuto Social, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; A regra de isenção não exige que a entidade preste serviços gratuitos, sendo condição para o gozo da isenção do IRPJ e da CSLL que a contrapartida financeira pelos serviços executados seja direcionada à consecução dos objetivos para os quais a entidade foi criada, conforme estabelecido em seu Estatuto Social, e, principalmente, não tenha finalidade lucrativa; Para a incidência nãocumulativa da Cofins, estão em vigor as isenções previstas no art. 14 da MP 2.15835/2001, incluída a isenção da receita proveniente das atividades próprias das associações sem fins lucrativos; Foram relacionadas as rubricas/fontes de receita, por não apresentarem características de receitas derivadas de atividades próprias da fiscalizada, de acordo com o conceito da legislação vigente; Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 4 3 A simples observação da relação nos permite concluir que tais receitas apresentam características contraprestacionais, são próprias de atividades de natureza econômicofinanceira ou empresarial e, portanto, sujeitas à incidência da Cofins; A título de complemento, cita os arts. 2º e 3º da Lei 9.615/98, com alterações da Lei 10.672/2003 dispondo que a exploração e a gestão do desporto profissional, caracterizada pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática esportiva, constituem exercício de atividade econômica; No que tange ao regime de tributação da COFINS a ser aplicado ás receitas que não seriam relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 15 da Lei 9.532/97, impende recordar que de acordo com o que dita o art. 2º da IN SRF nº 404/2004, são contribuintes da COFINS nãocumulativa as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real. Destarte, as pessoas jurídicas que não adotam o regime do lucro real deverão seguir o regime cumulativo de apuração da COFINS; Restou demonstrada a falta de recolhimento da Cofins nos períodos de apuração de 01/2007 a 03/2011, sobre as receitas abrangidas pelas rubricas relacionadas no Termo, tendo como base de cálculo os montantes apurados na “Planilha de Apuração da Cofins”, anexa ao Termo; Considerando que no período de 01/2007 a 11/2007 o contribuinte não realizou qualquer pagamento a título de Cofins, para fins de cômputo da decadência, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 01/01/2008. O contribuinte foi cientificado em 18/12/2012 e, inconformado, apresentou, em 14/01/2013, a impugnação de fls. 1203/1231, alegando em síntese que: O Impugnante foi cientificado do auto de infração em 18/12/2011, quando já se encontravam extintas por decadência, por força do art. 156, V do CTN, as parcelas relativas ao período compreendido entre 01/01/2007 e 17/12/2007; O prazo previsto no art. 173, I do CTN não pode ser aplicado a casos em que não se discute a apuração ou a suficiência do recolhimento ou lançamento, mas o próprio nascimento da obrigação tributária; A sentença proferida no Mandado de Segurança 2005.51.01.0243752 reconhece a inexigibilidade da Cofins em relação às receitas próprias de sua atividade, aí incluída a promoção da prática de esportes, em que certamente está inserido o futebol profissional. Portanto, o Fisco não poderia ter lavrado auto de infração para cobrar imposto somado a vultosa multa de ofício de 75%; Conforme jurisprudência do CARF, a autoridade fiscal poderia no máximo lavrar o auto para prevenir a decadência, sem imposição da multa de ofício; Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 5 4 A exigência da multa de ofício, no caso em que o crédito tributário é inexigível por força de sentença válida e eficaz, acarreta a nulidade do auto de infração, além de implicar evidente descumprimento de decisão judicial; É forçoso o reconhecimento da nulidade do lançamento ou, ao menos o cancelamento da multa de ofício imposta; O Flamengo é associação civil sem fins lucrativos cujo objeto exclusivo é o desenvolvimento e a prática de atividades desportivas, culturais, sociais, educacionais e filantrópicas, conforme arts 1º e 2º de seu Estatuto; O Flamengo não pratica atividades que possuam conteúdo econômico/lucrativo. Toda a receita auferida é reinvestida na manutenção e desenvolvimento de suas atividades típicas; No caso da Impugnante, conceitos como o de “faturamento” ou “lucro” são absolutamente inapropriados; As cifras movimentadas pelo futebol profissional não alteram a premissa básica de que todos esses valores mantêmse circunscritos às atividades próprias do Clube; É a destinação dos recursos e não a rubrica empregada para fins contábeis que se revela determinante para fins da aplicabilidade da isenção tributária; O Flamengo é associação civil sem fins lucrativos e está isento da Cofins quanto à totalidade de suas receitas; Segundo entendimento manifestado no auto de infração, o conceito de “receitas das atividades próprias” estaria cingido a mensalidades, anuidades, contribuições e doações por parte dos membros; A pedra de toque para entender o que significa “receita de atividade própria” não é a fonte dos recursos, mas o objeto social da associação e a destinação conferida a esses recursos; O Flamengo não distribui lucros ou sobras aos associados em hipótese alguma e direciona a contrapartida do desenvolvimento de todas suas atividades estatutárias, aí incluído o futebol, à manutenção e desenvolvimento de suas atividades típicas; Cita jurisprudência no âmbito administrativo e judicial; O auto de infração contraria a jurisprudência do STF ao lançar a Cofins com base na lei 9.718/98 sem excluir as receitas não decorrentes da venda de mercadorias e serviços (não alcançadas pelo conceito de faturamento); A Cofins foi exigida no percentual de 3% sobre o somatório das receitas que foram consideradas como não decorrentes das atividades próprias, como aluguéis, royalties, direitos federativos, licenciamento de marcas e cotas de televisionamento, entre outras; É fundamental que o lançamento da Cofins com base na Lei 9.718/98 limitese às receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços, sob pena de Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 6 5 ignorar por completo a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da lei 9.718/98; O auto de infração faz exatamente o contrário: lista uma série de rubricas e fontes de receita que considera não serem relativas à “atividade própria” do Impugnante, a fim de afastálas do âmbito isentivo do art. 14 da MP 2.158 35/02, e efetua o lançamento da Cofins sobre elas; Mesmo que a autoridade julgadora não concorde com o Impugnante no sentido de que todas as receitas estão abrangidas pela isenção, é fundamental excluir todas as receitas que não se qualificam como resultantes da venda de mercadorias e serviços; Pede o cancelamento do auto de infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2011 ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. RECEITAS NÃO ALCANÇADAS PELA ISENÇÃO. As sociedades civis sem fins lucrativos que tenham o objetivo de promover a prática de desportos e atividades de caráter cultural, recreativo, assistencial, educacional e filantrópico, em relação às receitas não decorrentes de suas atividades próprias, são contribuintes da COFINS no regime de apuração nãocumulativa, desde que não sejam tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado. LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Cancelase o lançamento de ofício realizado em desacordo com a legislação aplicável. Por ter exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. A narrativa dos fatos que trouxeram o Processo à situação atual dá conta de matéria de mérito versando sobre a classificação econômicocontábil das receitas auferidas pela entidade autuada, com o fito de definir quais ingressos haveriam de compor a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. O assunto foi levado ao Poder Judiciário, onde a entidade obteve parcial provimento jurisdicional, declarando a Contribuição inexigível a partir de fevereiro de 1999, em relação “às receitas próprias de suas atividades sem fins lucrativos, relativas à promoção da prática de esportes, atividades de caráter cultural, recreativo, assistencial, educacional e filantrópicas”. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 7 6 Interpretando a sentença, a Fiscalização Federal constituiu em Auto de Infração o crédito tributário decorrente da incidência da alíquota da Cofins sobre a base de cálculo integrada por todas as receitas que, no seu entender, não provinham de suas atividades próprias sem fins lucrativos. O problema é que, ao fazêlo, o Fisco aplicou ao caso concreto a legislação que regula o Sistema de Apuração Cumulativo das Contribuições, sem atentarse ao fato de que a autuada, a partir da entrada em vigor das Leis 10.637/02 e 10.833/03, passou a integrar o rol de pessoas jurídicas sujeitas ao Regime NãoCumulativo de apuração das Contribuições. Observe se como o i. Julgador de piso descreve a situação. O primeiro fato gerador constante do auto de infração ocorreu em janeiro de 2007, quando já se encontrava em vigor a Lei 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo da COFINS. Tal regime passou a ser, a partir de fevereiro de 2004, a regra geral aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da contribuição. As exceções ao regime geral encontramse relacionadas no artigo 10 da Lei 10.833/2003, abaixo transcrito: “Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) Art. 5o. O contribuinte da COFINS é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1o. (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VII as receitas decorrentes das operações: Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 8 7 a) referidas no inciso IV do § 3º do art. 1o; ( Revogada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) sujeitas à substituição tributária da COFINS; c) referidas no art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX as receitas decorrentes de venda de jornais e periódicos e de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) X as receitas submetidas ao regime especial de tributação previsto no art. 47 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; XIII as receitas decorrentes de serviços: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) prestados por hospital, prontosocorro, clínica médica, odontológica, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e laboratório de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas; e ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) de diálise, raios X, radiodiagnóstico e radioterapia, quimioterapia e de banco de sangue; ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) XIV as receitas decorrentes de prestação de serviços de educação infantil, ensinos fundamental e médio e educação superior. XV as receitas decorrentes de vendas de mercadorias realizadas pelas pessoas jurídicas referidas no art. 15 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 ; ( Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 ) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 9 8 XVII as receitas auferidas por pessoas jurídicas, decorrentes da edição de periódicos e de informações neles contidas, que sejam relativas aos assinantes dos serviços públicos de telefonia; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XVIII – as receitas decorrentes de prestação de serviços com aeronaves de uso agrícola inscritas no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XIX – as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas de call center, telemarketing, telecobrança e de teleatendimento em geral; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2010; ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) XXI – as receitas auferidas por parques temáticos, e as decorrentes de serviços de hotelaria e de organização de feiras e eventos, conforme definido em ato conjunto dos Ministérios da Fazenda e do Turismo. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) XXII as receitas decorrentes da prestação de serviços postais e telegráficos prestados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXIII as receitas decorrentes de prestação de serviços públicos de concessionárias operadoras de rodovias; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXIV as receitas decorrentes da prestação de serviços das agências de viagem e de viagens e turismo. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) XXV as receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) XXVI as receitas relativas às atividades de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda, quando decorrentes de contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) XXVII (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) XXVIII (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012) (Vide inc. II do art. 13 da da Lei nº 12.766/2012) XXIX as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 27 de dezembro de 2012) (Vide inc. II do art. 13 da da Lei nº 12.766/2012) Os incisos I a VI do dispositivo acima relacionam as pessoas jurídicas que permanecem sujeitas a COFINS no regime de apuração cumulativo. Não se verifica, contudo, a possibilidade de enquadrar a autuada em uma das hipóteses aí previstas, como se verá. Os incisos I, III, V e VI dispensam maiores comentários, pois se referem, de forma simplificada, a instituições financeiras, empresas optantes pelo SIMPLES, órgãos públicos, autarquias e fundações e sociedades cooperativas, o que certamente não se aplica à pessoa jurídica autuada. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 10 9 Também não se pode inserir a autuada na hipótese do inciso IV, pois claro está que não se trata de pessoa jurídica imune a impostos. As hipóteses de imunidade são aquelas previstas no artigo 150 da Constituição Federal e nelas não se enquadram as sociedades civis sem fins lucrativos que tenham por objetivo promover a prática de atividades desportivas. A única possibilidade seria enquadrar o contribuinte na hipótese prevista no inciso II (pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado). No entanto, não é este o caso. Contra a decisão de primeira instância proferida no Mandado de Segurança interposto, a União Federal apresentou recurso de apelação e o Clube do Flamengo, em suas contrarrazões, afirma ser empresa optante pelo lucro presumido. Tal informação, contudo, não se confirma, pois se verifica através dos sistemas da RFB (fls. 1432/1433) que a empresa sempre apresentou declaração de isenta do imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ dos exercícios 2004 a 2012). Não entraremos aqui no mérito da questão de ser a isenção do IRPJ aplicável ou não à totalidade das receitas auferidas pela empresa. É certo, contudo, que ao declarar que estariam isentas do IRPJ a totalidade de suas receitas, o contribuinte deixou de fazer a opção pelo lucro presumido, o que afasta por completo a hipótese do citado inciso II, para fins de aplicação do regime cumulativo da COFINS. Importante registrar que a questão não foi apreciada na decisão judicial proferida pelo TRF. Abaixo reproduzimos trecho da citada decisão: (...) Se dúvidas persistissem, há ainda manifestação expressa da Secretaria da Receita Federal do Brasil também trazida a lume na decisão de primeiro grau. Corroborando o entendimento exposto no presente voto, no sentido de que as receitas não decorrentes das atividades próprias da empresa autuada e, portanto, não alcançadas pelos efeitos da decisão judicial, devem ser tributadas pela COFINS no regime nãocumulativo, cabe citar o manual de Perguntas e Respostas IRPJ/2012, divulgado no site da Receita Federal do Brasil, que esclarece em sua pergunta de nº 43 o seguinte: 043 Quais são os contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta, no regime de apuração nãocumulativa, nos termos da Lei nº 10.637, de 2002 e da Lei nº 10.833, de 2003? São as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, tributadas pelo referido imposto com base no lucro real, inclusive as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias. São contribuintes da Cofins no regime de apuração nãocumulativa, desde que não sejam tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido ou arbitrado (quando couber), em relação às receitas não decorrentes de suas atividades próprias, as seguintes pessoas jurídicas: a) instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; b) sindicatos (com exceção das entidades sindicais dos trabalhadores); c) federações e confederações; d) serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 11 10 e) conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; f) fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; g) condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e h) a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Ponderadas todas essas circunstâncias, sobressai cristalina a conclusão de que as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, ainda que isentas da Cofins em relação às receitas provenientes de suas atividades próprias, estarão sujeitas ao Regime NãoCumulativo de apuração da Contribuição, sempre que forem optantes do pelo Lucro Real. Contudo, neste ponto, em que tudo remete à conclusão de que a Fiscalização Federal não atentouse às particularidades acima descritas, exsurge informação contida no corpo do Termo de Constatação Fiscal, revelando conhecimento da questão e decisão a respeito, se não vejamos. No que tange ao regime de tributação da COFINS (cumulativo ou não cumulativo) a ser aplicado às receitas que não seriam relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 15 da Lei nº 9.532/97, caso da fiscalizada, impende recordar que, de acordo com o que dita artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, “são contribuintes da COFINS nãocumulativa as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, tributadas pelo referido imposto com base no lucro real”. Destarte, as pessoas jurídicas que não adotam o regime do lucro real deverão seguir o regime cumulativo de apuração da COFINS sobre as receitas derivadas de atividades que, de acordo com a legislação vigente, não são consideradas próprias. (grifos no original) O que se vê é que os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento decidiram pela tributação pelo Regime Cumulativo, justamente porque, segundo observaram, o contribuinte não adotara o Regime do Lucro Real. Uma vez que a decisão de piso tenhase baseado exclusivamente em informação prestada pela autuada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e, ainda mais, tenha desconsiderado informação por ela mesma oferecida ao Poder Judiciário, VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora esclareça em definitivo se a entidade é ou não tributada com base no Lucro Real, e os períodos correspondentes, acaso tenham acontecido alguma mudança de opção. Seja carreada aos autos a documentação probante. Abrase prazo de dez dias para manifestação da parte. Após retorne para decisão final da lide. Sala de Sessões, 24 de outubro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12448.736223/201281 Resolução nº 3102000.290 S3C1T2 Fl. 12 11 Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10435.722024/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA.
Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL.
Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento.
Numero da decisão: 1801-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA. Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL. Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 20 24 /2 00 9- 11 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 10555.89488.220807.1.3.041652, às fls. 02/06, em que foram declarados crédito de pagamento de estimativa de CSLL (código 2484) do período 11/2001, pago em 13/12/2002, no valor originário de R$ 1.432,71, e débito de estimativa de CSLL do período 11/2003. Por meio do despacho decisório de fls. 34/36, emitido em 22/12/2009, a DRF/Sete Lagoas não homologou a compensação. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Belo Horizonte, conforme acórdão de fls. 74/80, prolatado em 30/08/2012, sendo mantida a decisão de não homologação. Cientificada da decisão em 10/12/2012, conforme AR de fl. 82, tempestivamente, em 09/01/2013, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 84/93, que se resume a seguir: a. Destaca que contencioso administrativo orientase pelo princípio da verdade material, por meio do qual a autoridade tributária, por exemplo, ao analisar as discussões acerca dos procedimentos de compensação e, por conseguinte, da higidez do direito de crédito, deve se pautar pela ampla e irrestrita apreciação dos fatos e das provas carreadas ao processado, com a mitigação dos formalismos, como sedimentado na jurisprudência do CARF; b. Alega ser incontroverso, porque admitido no despacho decisório de nãohomologação da compensação e na própria decisão recorrida, que a Recorrente efetuou o recolhimento da estimativa mensal da competência de novembro/2001 da CSLL em 13 de dezembro de 2002 no valor de R$ 1.043,08, ou seja, após o encerramento do anobase de 2001 e, por inferência lógica, a apuração da aludida contribuição social efetivamente devida com base no lucro real; c. Afirma que recolheu em excesso as antecipações das estimativas mensais (R$ 25.424,21), tendose em consideração o valor devido ao final do respectivo anobase (R$ 19.453,74), dando ensejo à formação de saldo negativo da CSLL no importe de R$ 5.970,47 (cinco mil e novecentos e setenta reais e quarenta e sete centavos); d. Pondera que disto resulta que o recolhimento da estimativa da CSLL da competência de novembro/2001 em 13 de dezembro de 2002 representa indiscutível pagamento indevido e, pois, indébito tributário passível de compensação, uma vez que compõe o excesso de recolhimento das aludidas antecipações efetuadas no anobase de 2001 acima apontado e apenas recolhido aos cofres públicos tardiamente, ou melhor, em 13 de dezembro de 2002; e. Argumenta que o indevido recolhimento realizado em 13 de dezembro de 2002 mostrouse absolutamente desnecessário, haja vista que, encerrado o ano base de 2001, com a apuração do valor de CSLL com fincas no lucro real já se confirmara o excesso das antecipações mensais ante a apuração anual e final. E corrobora a natureza de indébito deste montante o entendimento consagrado na jurisprudência administrativa de que, encerrado o período de apuração, descabe o lançamento de ofício, como sedimentado no Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722024/200911 Acórdão n.º 1801001.781 S1TE01 Fl. 3 3 verbete sumular aprovado na sessão de 10 de dezembro de 2012 pela Primeira Turma da egrégia CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. E que a situação retratada no presente contencioso administrativo, exige a aplicação do mesmo posicionamento no tocante à lançamento de multa isolada, como sedimentado no âmbito desta Corte Administrativa; f. Aduz que a caracterização como indébito do recolhimento de CSLL em apreço se deve ao fato de ter sido efetuado em 13 de dezembro de 2002, quando já apurado o tributo devido nos parâmetros do lucro real e, por conseguinte, conhecido que o pagamento efetuado excedia o montante devido a tal importante. De tal sorte que, outra vez mais, o raciocínio expendido pela Recorrente encontra respaldo na Solução de Consulta Interna n° 19, de 05 de dezembro de 2011; g. Entende ser indene de dúvidas que o recolhimento da estimativa de CSLL da competência de novembro/2001 em 13 de dezembro, configura pagamento a maior/indevido, sendo passível de repetição, com esteio nos artigos 165, inciso I e 168 inciso I do CTN, inclusive com a incidência da taxa SELIC, como assentado na jurisprudência do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS; h. Anota que, na sistemática da CSLL de estimativa1 mensal, portanto, o pagamento em referência foi realizado após o fim do exercício fiscal de 2001, não podendo, em razão disso, ser tratado como um pagamento antecipado por estimativa. Não havia o quê se estimar, de modo que o referido pagamento somente pode ser tido como pagamento indevido, nos termos da Solução de Consulta Interna n° 19/2011, e que constitui norma de natureza tributária a ser observada pela administração fazendária, a teor do art. 100, III, do CTN. Logo, não resta dúvida de que o valor pago a título de estimativa de CSLL referente à competência de novembro de 2001 em 13 de dezembro de 2002 foi indevido. O anocalendário havia já se encerrado e a Recorrente não apenas encontravase plenamente regular perante o Fisco, como tinha valores a dele receber, valores estes, aliás, muito superiores ao do indébito em voga; i. Conclui que, ao contrário da conclusão assentada na decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, o prazo prescricional correlato somente se extinguiria daí a 05 (cinco) anos, logo na data de 13 de dezembro de 2007. Como em 22 de agosto de 2007, anteriormente ao decurso do mencionado prazo, a Recorrente, segundo já relatado, transmitiu eletronicamente a Declaração de Compensação n° 10555.89488.220807.1.3.041652, o seu direito de crédito ainda era suscetível de ser apropriado por aproximadamente mais 04 (quatro) meses. Em que pese o entendimento manifesto na decisão administrativa ora recorrida, o prazo de 05 (cinco) anos para a repetição de indébito, expresso nos arts. 165, I, e 168, I, do CTN, não se perfez. A decisão ora impugnada, portanto, deve ser reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Mérito. Inicialmente, convém mencionar a existência de diversos processos do mesmo contribuinte tratando do mesmo fato, qual seja, a compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL do mesmo ano calendário de 2001. Esses processos foram distribuídos para julgamento nesta Primeira Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Como a solução do litígio é a mesma, opto por julgar todos esses processos, concomitantemente. PER/DCOMP PROCESSO PERÍODO DE APURAÇÃO MOTIVO DA SITUAÇÃO DA DECLARAÇÃO GRUPO DE TRIBUTO 34053.30745.200807 .1.3.046228 10435.722052/200921 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 02583.36356.200807 .1.3.048052 10435.722050/200931 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 09573.07503.200807 .1.3.046403 10435.721965/200920 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO CSLL 34041.49144.200807 .1.3.043588 10435.722051/200986 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 10555.89488.220807 .1.3.041652 10435.722024/200911 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO CSLL Verificase que a DRF de origem não homologou a compensação sob a justificativa de que o indigitado pagamento compôs o valor de estimativa de CSLL do período novembro de 2001, que foi apurado na DIPJ/2002 no valor total de R$ 6.527,14. A autoridade administrativa também informou que ao final do período a empresa apurou saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 5.970,47, mas que o aproveitamento desse crédito não seria mais possível em vista do transcurso da decadência, já que a declaração de compensação foi transmitida em 20/08/2007, mais de cinco anos, portanto, da data da apuração do crédito. Na impugnação, o contribuinte alegava que havia se equivocado na natureza do crédito, que, em vez de ser pagamento indevido, seria de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2001. E que a utilização desse crédito em compensação não estaria decaído, por força de decisões do STJ, baseadas na tese dos cinco mais cinco, que ainda seriam aplicáveis para pagamentos indevidamente recolhidos antes da Lei Complementar n° 118/2005. A DRJ refutou esse entendimento, com base em decisão do STF, posteriormente acolhida pelo STJ, no sentido de que o prazo qüinqüenal se aplica para as ações ajuizadas após a entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/2005, ainda que os pagamentos tenham sido efetuados anteriormente à vigência da referida lei. Colacionouse o seguinte julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4° DA LC 118/2005. RE N. 566.621/RS. REPERCUSSÃO GERAL. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. AÇÕES AJUIZADAS APÓS A VIGÊNCIA DA LC N. 118/2005. DIREITO INTERTEMPORAL. AÇÃO AJUIZADA EM DATA POSTERIOR. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão padece de omissão, contradição ou obscuridade, consoante dispõe o art. 535 do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722024/200911 Acórdão n.º 1801001.781 S1TE01 Fl. 4 5 2. Os embargos aclaratórios não se prestam a adaptar o entendimento do acórdão embargado à posterior mudança jurisprudencial. Excepcionase essa regra na hipótese do julgamento de recursos submetidos ao rito do artigo 543C do Código de Processo Civil, haja vista o escopo desses precedentes objetivos, concernentes à uniformização na interpretação da legislação federal. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp 1.167.079/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Dje 4/3/2011; EDcl na AR 3.701/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 4/5/2011; e EDcl.nos EDcl nos EDcl nos Edcl no REsp.790.318/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Dje 25/5/2010. 3. Pelas mesmas razões, estendese esse entendimento aos processos julgados sob o regime do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. O Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a repercussão geral da matéria no RE 566.621/RS, proclamou que o prazo prescricional de cinco anos, previsto na Lei Complementar n. 118/20005, somente se aplica às ações ajuizadas após 9.6.2005. 5. Na espécie, a ação de repetição de indébito foi ajuizada em 13.1.2010, data posterior à vigência da LC n° 118/2005, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de cinco anos. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para reconhecer a prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio do ajuizamento da ação. (STJ, EDcl no Agravo em REsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 27/09/2011) No recurso voluntário, a recorrente mudou sua estratégia, e volta a pedir a compensação com crédito de pagamento indevido de estimativa de CSLL do período 11/2001. O pleito é insubsistente, pois, como já explicou a DRF/Sete Lagoas, no despacho decisório, o pagamento foi utilizado para quitação das estimativas de novembro de 2001. De fato, conforme consta na DIPJ/2002, à fl. 28, o contribuinte apurou suas estimativas com base na receita bruta, e obteve, para o mês de novembro de 2001, o valor de R$ 6.527,14. A relação de pagamentos efetuados pelo contribuinte encontrase às fls. 07/08. Somandose a parcela do principal de todos os pagamentos de estimativas, temse o seguinte demonstrativo: CÓDIGO RECEITA PERÍODO VENCIMENTO DATA ARRECADAÇÃO VALOR PRINCIPAL 2484 Novembro/2001 28/12/2001 19/12/2001 3.852,34 2372 Novembro/2001 28/12/2001 18/10/2002 566,64 2372 Novembro/2001 28/12/2001 20/11/2002 1.054,08 2484 Novembro/2001 28/12/2001 13/12/2002 1.054,08 TOTAL 6.527,14 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 No caso, o pagamento que foi oferecido como crédito da presente Per/Dcomp foi o efetuado na data de 13/12/2002, com valor total de R$ 1.432,71 e principal de R$ 1.054,08, que foi totalmente utilizado para quitar a estimativa de CSLL do período 11/2001, o que derruba a alegação de que teria havido pagamento indevido. Na peça de defesa a recorrente argumenta que o recolhimento foi desnecessário, porque, encerrado o anobase de 2001, com a apuração do valor de CSLL com já se confirmara o excesso das antecipações mensais ante a apuração anual e final. Que, conforme entendimento sumulado do CARF, encerrado o período de apuração, descabe o lançamento de ofício. Os argumentos não convencem. O fato de a empresa ter apurado saldo negativo de CSLL não implica que houve pagamento indevido de estimativa. Tratase de duas grandezas fiscais de naturezas distintas. A estimativa é uma antecipação do tributo, devida em cada mês do ano em que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual. Já a CSLL apurada ao final do ano é o próprio tributo. Cada uma dessas duas obrigações tem seu próprio regime de apuração e formas de exigibilidade. A estimativa pode ser calculada tanto em função da receita bruta como com base em balancete de redução e suspensão. No caso, o contribuinte optou pela primeira alternativa, que resultou num valor a pagar de R$ 6.527,14. E a contribuição devida ao final do ano é calculada na forma da ficha 17 da DIPJ, que leva em conta uma série de deduções, entre elas as estimativas quitadas. Quanto à exigibilidade, enquanto a contribuição pode ser constituída de ofício, é certo que a estimativa não comporta essa forma de lançamento, cabendo somente multa isolada pela falta de recolhimento, conforme art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24/12/1997 e súmula 82 do CARF. Entretanto, a impossibilidade da exigência não induz ao direito de repetição, como pensa equivocadamente a recorrente. O regime de exigibilidade da estimativa guarda nítida semelhança com aquilo que a doutrina denomina de obrigação natural. Em apertada síntese, tratase de obrigações imperfeitas ou incompletas, justamente por lhes faltar o atributo da exigibilidade jurídica; contudo, uma vez pagas espontaneamente pelo devedor, não cabe repetição. O exemplo clássico da obrigação natural é a dívida prescrita, a qual, apesar de o credor estar impossibilitado de cobrála judicialmente, não pode ser restituída se o devedor, espontaneamente, quitoua. Confirase o seguinte trecho doutrinário, da lavra de Sílvio de Salvo VENOSA, que anota que essa figura foi contemplada no Código Civil, em seu artigo 882: As obrigações naturais são obrigações incompletas. Apresentam como características essenciais as particularidades de não serem judicialmente exigíveis, mas, se forem cumpridas espontaneamente, será tido por válido o pagamento, que não poderá ser repetido (há a retenção do pagamento, soluti retentio). [...] A legislação é quase inteiramente omissa quanto ao regime dessa classe de obrigação, o que transporta para a doutrina a missão de fixar seus parâmetros. [...] O atual Código substitui a terminologia obrigação natural por “obrigação juridicamente inexigível” (art. 882). (VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos. São Paulo: Atlas, 2006, 6ª ed. p. 3031). Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722024/200911 Acórdão n.º 1801001.781 S1TE01 Fl. 5 7 Tampouco socorre a litigante a Solução de Consulta Interna Cosit n° 19/2011, cuja ementa se transcreve abaixo, que deu natureza interpretativa ao art. 11 da IN RFB n° 900/2008, possibilitando a aplicação retroativa da supressão da vedação da compensação de crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ e CSLL. Ou seja, é possível oferecer como crédito o pagamento de estimativa, mas, claro, desde que ele seja indevido, o que não é o caso em apreço. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902988/2011-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 88 /2 01 1- 29 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902988/201129 Acórdão n.º 3803005.116 S3TE03 Fl. 100 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/12/2001 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902988/201129 Acórdão n.º 3803005.116 S3TE03 Fl. 101 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902988/201129 Acórdão n.º 3803005.116 S3TE03 Fl. 102 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902988/201129 Acórdão n.º 3803005.116 S3TE03 Fl. 103 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10680.910383/2010-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 03 83 /2 01 0- 58 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910383/201058 Acórdão n.º 3801002.790 S3TE01 Fl. 40 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 880511546 emitido eletronicamente em 06/09/10, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 18879.47131.300307.1.3.042302 (doc. de fls. 1418). A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$3.013,50, representado por Darf recolhido em 15/07/04 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2), alegando que no período de 30/06/2004 o valor do imposto, código 2172 foi informado indevidamente através da DCTF de 13/08/2004; que o mesmo foi recolhido em 15/07/2004 no valor de R$ 3916,77; que posteriormente apurouse o valor correto de R$ 902,67, originando o crédito; que naquela época o contador não retificou a DCTF; que a empresa tentou retificar a DCTF, mas não obteve êxito. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910383/201058 Acórdão n.º 3801002.790 S3TE01 Fl. 41 3 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, alega, em síntese, que: · A Recorrente após verificação analítica em sua escrita fiscal percebeu que havia recolhido a maior valores devidos a título de contribuição para Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. · Em momento algum do feito foi questionado pela Recorrida a existência do crédito, sua origem e legalidade. As decisões foram tomadas apenas com base no descumprimento de obrigação acessória.; · ausência de retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado. · A apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao Pis e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência, o que implica afirmar que o entendimento adotado no r. acórdão não encontra respaldo legal. É o Relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910383/201058 Acórdão n.º 3801002.790 S3TE01 Fl. 42 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, do período de apuração de 30/06/2004, que teria sido paga a maior. Alega ainda que efetuou erroneamente o lançamento referente à esse débito na respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foi acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, caso acompanhado de documentos comprobatórios, o que inclusive poderia acarretar em eventual retificação de ofício. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito ou que se pudesse ao menos considerar como prova indiciária. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.910383/201058 Acórdão n.º 3801002.790 S3TE01 Fl. 43 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 43DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 18/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13827.003359/2008-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. MULTA ISOLADA
Transitado em julgado, na seara administrativa, por inércia da contribuinte, processo que considerou a compensação não declarada, cabe a exigência de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis nº 11.051/04 e 11.196/05 e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15 junho de 2007.
ENQUADRAMENTO LEGAL. INCORREÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS PRECISA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A defesa não resta prejudicada, em razão de eventual incorreção no enquadramento legal, desde que o lançamento fiscal esteja devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, de maneira que a matéria litigiosa tenha sido plenamente compreendida pela autuada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA. A obrigação tributária compreende tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária, podendo o correspondente crédito tributário ser constituído por meio de lançamento de ofício. No caso de a formalização da exigência do crédito tributário corresponder exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente, cabe a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 1103-000.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso. A
incidência de juros de mora sobre a multa isolada foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Hugo Correia Sotero.
Nome do relator: André Mendes de Moura
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. MULTA ISOLADA Transitado em julgado, na seara administrativa, por inércia da contribuinte, processo que considerou a compensação não declarada, cabe a exigência de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis nº 11.051/04 e 11.196/05 e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15 junho de 2007. ENQUADRAMENTO LEGAL. INCORREÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS PRECISA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A defesa não resta prejudicada, em razão de eventual incorreção no enquadramento legal, desde que o lançamento fiscal esteja devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, de maneira que a matéria litigiosa tenha sido plenamente compreendida pela autuada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA. A obrigação tributária compreende tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária, podendo o correspondente crédito tributário ser constituído por meio de lançamento de ofício. No caso de a formalização da exigência do crédito tributário corresponder exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente, cabe a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
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TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. MULTA ISOLADA Transitado em julgado, na seara administrativa, por inércia da contribuinte, processo que considerou a compensação não declarada, cabe a exigência de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis nº 11.051/04 e 11.196/05 e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15 junho de 2007. ENQUADRAMENTO LEGAL. INCORREÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS PRECISA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A defesa não resta prejudicada, em razão de eventual incorreção no enquadramento legal, desde que o lançamento fiscal esteja devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, de maneira que a matéria litigiosa tenha sido plenamente compreendida pela autuada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA. A obrigação tributária compreende tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária, podendo o correspondente crédito tributário ser constituído por meio de lançamento de ofício. No caso de a formalização da exigência do crédito tributário corresponder exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente, cabe a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 33 59 /2 00 8- 22 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 111 2 Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso. A incidência de juros de mora sobre a multa isolada foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Hugo Correia Sotero. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 98/105 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 78/84) que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento de ofício da multa isolada em razão de compensação nãodeclarada. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 78): MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada ele ofício, as diferenças apuradas decorrentes de compensação considerada não declarada pela legislação de regência. MULTA ISOLADA. AGRAVAMENTO. DESCABIMENTO. Não cabe a aplicação da multa isolada agravada quando não resta comprovado o evidente intuito de fraude. JUROS MORATÓRIOS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Somente sofre acréscimo de juros de mora a multa isolada se paga após mais de trinta dias da ciência da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. Dos Fatos. Adoto o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, por sua clareza e concisão. Tratase lançamento de multa isolada por compensação, mediante apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP), considerada não declarada pelo fato de os créditos nela contidos não se referirem a tributos administrados pela Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 112 3 Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme previsto no art. 18, §4°, da Lei nº 10.833, de 2003. O crédito referese a ação trabalhista e seria de propriedade da empresa Benetti Prestadora de Serviços. Segundo a fiscalização, a totalidade do crédito foi distribuída para diversas empresas do mesmo grupo a que pertence a autuada e todas o usaram para tentar compensar tributos e contribuições não pagos. Também não foram apresentadas provas de que aquela empresa fosse detentora de tal crédito. A multa foi agravada porquanto os autuantes consideraram que a contribuinte ao utilizar de forma reiterada, para compensação com débitos tributários, créditos vedados pela legislação, teria demonstrado "intuito de fraudar a fiscalização". Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 44/61, que foi apreciada pela 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, ocasião em que, por meio do Acórdão 1423.963, de 14/05/2009, julgou o lançamento parcialmente procedente, para manter o lançamento da multa isolada e afastar a qualificação de 150%, por não estar demonstrado o evidente intuito de fraude. Do Recurso Voluntário. Inconformada com a decisão a quo, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 98/105 em 30/07/2009, no qual discorre sobre os seguintes pontos. faz resumo da impugnação apresentada e do acórdão da DRJ; preliminarmente, discorre que houve cerceamento de defesa, vez que o enquadramento legal encontrarseia incorreto e confuso, caracterizando infração ao inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; o Termo de Verificação Fiscal cita expressamente que a multa isolada foi aplicada com fulcro no o art. 18 e seus §§ 2°, 4° e 5° da Lei n. 10.833/03, e o art. 44, I, e §1º da Lei nº 9430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ou seja, o auto aplica a legislação de 2007 para fatos ocorridos em 2005; a alegação do acórdão da DRJ de que qualquer que fosse a legislação aplicada resultaria no mesmo resultado aritmético não teria respaldo jurídico/legal; se a impugnante teria perdido tempo referindose à falsidade, conforme transcrito no acórdão recorrido, isso decorreu exatamente do incorreto e confuso enquadramento legal, demonstrando a ocorrência do cerceamento de defesa; não cabe incidência de juros moratórios sobre a multa isolada, sendo a exigência da taxa Selic sobre a multa desprovida de amparo legal. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 113 4 Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Tratam os autos da multa isolada, em razão de compensação não declarada, lançada por meio do Auto de Infração de fls. 04/07. Registrese que a qualificação da multa foi afastada pela 4ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto. Apesar de o caso em tela tratar da imposição da multa isolada, considero adequado apresentar o contexto em que se deu a decisão que considerou a compensação não declarada. Nos presentes autos encontrase cópia dos autos do processo administrativo nº 10166.012903/200517, que tratou da declaração de compensação apresentada pela recorrente (fls. 17/22), protocolizada em 22/12/2005, que foi considerada como nãodeclarada. A contribuinte tomou ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal em Bauru em 10/01/2006, ocasião em que foi informada que, no caso de declaração nãodeclarada, a defesa aplicável não seria a manifestação de inconformidade, conforme disposto no § 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, mas sim o recurso hierárquico para o Superintendente Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999. Em consulta realizada no sítio http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp em 02/09/2013, constatase que o processo encontrase arquivado. Assim, tendo em vista que a compensação foi considerada nãodeclarada, foi lançada a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/03, que está sendo tratada nos autos do presente processo. No recurso voluntário, reclama a defesa do enquadramento legal da multa isolada, que se refere á redação dada por lei de 2007, posterior aos fatos da autuação, concernente ao anocalendário de 2005, e que tal situação teria prejudicado seu direito de defesa. Verificase que o enquadramento legal no auto de infração cita o art. 18 da Lei nº 10.833/03, com redação dada pelas Leis nº 11.051/04 e 11.196/05. Já o Termo de Verificação Fiscal de fls. 08/14 faz referência ao § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. O dispositivo legal, de fato, tem sido objeto de alterações, como se pode observar a seguir: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 114 5 apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Redação vigente a partir de 30/12/2004, conforme art. 34 da Lei nº 11.051, de 2004): § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Redação vigente a partir de 14/10/2005, conforme art. 132, inciso “d”, da Lei nº 11.196, de 2005): § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando se os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (Redação vigente a partir de 15/06/2007, conforme art. 41 da Lei nº 11.488, de 2007): § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Lei nº 9.430, de 27/12/1996) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 115 6 tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/06/2007) As declarações de compensação foram apresentadas pela recorrente em 22/12/2005, conforme relato do Despacho Decisório nº 903, de 2006. Apesar do protesto da recorrente referente ao enquadramento legal, não há que se falar em cerceamento de defesa ou afronta ao art. 10 do PAF. A descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal mostrase precisa e detalha, acertadamente, o motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração referente à multa isolada. Verificase que a redação aplicável ao caso concreto é a do § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, dada pela Lei nº 11.196, de 2005, vigente a partir de 14/10/2005, e revogada pela Lei nº 11.488, de 2007 a partir de 15/06/2007. De qualquer forma, observase que todas as alterações promovidas no dispositivo em análise discorrem sobre a imposição da multa isolada em face de declaração nãodeclarada, com base no percentual previsto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, não obstante o Termo de Verificação citar a redação do § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 dada pela Lei nº 11.488, de 2007 a partir de 15/06/2007, não restou caracterizado nenhum cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 116 7 Relevante também constatar que a recorrente compreendeu perfeitamente o lançamento, com base no relato apresentado pelo Termo de Verificação Fiscal. Há que se destacar a jurisprudência do CARF, transcrita a seguir, no sentido de que a deficiência no enquadramento legal, por si só, não prejudica a defesa, desde que os fatos estejam devidamente descritos na autuação e permitam a adequada compreensão por parte da contribuinte, que contesta, com detalhamento, os aspectos levantados pela Fiscalização. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O sujeito passivo defendese dos fatos imputados e não da capitulação legal que pode, ou não, estar correta. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável. .(Acórdão nº 1802001.296, sessão de 04/07/2012). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 117 8 A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0103.264, de 19/03/2001, publicado no DOU em 24/09/2001) também já se pronunciou nesse sentido: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, cabe ser mantida a multa isolada de 75% aplicada em razão de declaração de compensação não declarada. No que concerne ao protesto referente à aplicação de juros sobre a multa isolada, não assiste razão á recorrente. No artigo 113, do CTN, constatase que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Nesse contexto, verificase que a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Doutrina de Ives Gandra Martins mostrase esclarecedora: A obrigação tributária abrange tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. O pagamento, seja do tributo, seja da penalidade pecuniária que são duas espécies do gênero obrigação tributária , extingue o crédito tributário. A obrigação principal é efetivamente uma obrigação tributária. A obrigação acessória é uma obrigação administrativa, porque, quando ela passa a ser tributária, deixa de ser acessória e passa a ser principal. Há que se observar que não é toda penalidade tributária que se constitui em sanção com conformação de obrigação tributária. A penalidade que implica a perda de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 118 9 liberdade, que é ínsita ao campo do Direito Tributário, essa, evidentemente, não é uma obrigação tributária. A obrigação tributária é, como vimos, gênero do qual são espécies o tributo e a penalidade. Entretanto, esta só compreende a penalidade pecuniária. Se a penalidade for de outra natureza, tributária não é. As obrigações acessórias, aquelas que os contribuintes são obrigados a fazer em nome do fisco e para o fisco, como a escrituração dos seus livros, a manutenção dos seus documentos, a emissão de notas fiscais, essas obrigações acessórias, na verdade, não são obrigações tributárias, são obrigações administrativas. O contribuinte se transforma numa longa manus da Administração, e é evidente que essas obrigações acessórias, quando descumpridas, merecem uma penalidade, e sempre que merecerem uma penalidade pecuniária passam a ser obrigações principais e entram naquela conformação do art. 113' (Curso de direito tributário, Col. AudioJuris, cit., fita n. 6, lado A)." (grifei)” Nesse diapasão, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros no crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º (...) Não por acaso, a Lei nº 9.430, de 1996, no seu artigo 43, ao dispor sobre o auto de infração sem tributo, estabelece que incidirão juros de mora sobre as multas isoladas: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, não havendo o pagamento da multa isolada no prazo estipulado pela legislação, terá início a incidência de acréscimos moratórios, com base na taxa SELIC, com utilização já ratificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 13827.003359/200822 Acórdão n.º 1103000.953 S1C1T3 Fl. 119 10 Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10166.900147/2009-17
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA.
A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 47 1 46 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.900147/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.724 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL SANTA LUZIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 47 /2 00 9- 17 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900147/200917 Acórdão n.º 3803004.724 S3TE03 Fl. 48 2 Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Brasília/DF que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 18.534,36, e não homologara a respectiva declaração de compensação, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação da notificação de lançamento, em razão da existência de vícios decorrentes da inobservância dos preceitos estabelecidos para a constituição da exação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) sem fundamentação alguma, a fiscalização deixara de considerar os saldos credores do PIS existentes em decorrência de recolhimento a maior, procedimento esse operado em desconformidade com o disposto no artigo 14 da Instrução Normativa SRF n° 21/97, em que se determina que a compensação de créditos pode se efetivar independentemente de requerimento da parte interessada; b) a Fazenda não poderia simplesmente indeferir o pedido formulado e efetuar o lançamento da diferença sem a devida ação fiscal, esta destinada a apurar o direito de se compensar ou não o referido valor, nos termos do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972; c) a atuação da Fazenda Nacional feriu também, de forma clara, o direito de defesa e o contraditório, configurandose expressamente cerceamento aos referidos princípios estabelecidos no art. 5º , inciso LV, da Constituição Federal, assim como no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. A DRJ Brasília/DF não reconheceu o direito creditório, por ausência de comprovação do indébito reclamado, afastandose a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, em razão do fato de que a decisão denegatória da homologação de compensação não se confundiria com a notificação de lançamento prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dado que o débito declarado pelo contribuinte em PER/DCOMP constituiria confissão de dívida. Cientificado da decisão em 16 de abril de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de maio do mesmo ano e requereu a reforma da decisão de primeira instância, alegando nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa,sendo afirmado, ainda, o seguinte: a) “a dimensão do direito de defesa, viabilizado por meio do exercício do contraditório (binômio informaçãopossibilidade de reação), não pode ser compreendida como simples direito de manifestação no processo”, pois engloba, também, “o direito de informação, o direito de manifestação e o direito de ver os seus argumentos considerados”, devendo a defesa do sujeito passivo ser ampla e prévia à decisão a ser tomada, conforme posição Fl. 48DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900147/200917 Acórdão n.º 3803004.724 S3TE03 Fl. 49 3 externada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ocasião do julgamento do MS nº 22.693/SP; b) “uma vez vilipendiado o direito de defesa amplo e prévio à decisão, essa mesma decisão passa a ficar destituída de motivação justamente nos pontos em que os argumentos e as provas eventualmente declinados pela parte acusada deveriam ser considerados e sopesados”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que se mostram descabidos os argumentos apresentados pelo Recorrente para requerer a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, uma vez que esta se pautou pelas regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, tendo aquela autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. Nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade e o recurso apresentados pelos contribuintes para se contraporem às decisões administrativas relativas à compensação tributária devem obedecer o rito processual do PAF. No voto condutor do acórdão recorrido, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a ausência de comprovação do indébito reclamado, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, em razão do fato de que, diferentemente do alegado pelo então Manifestante, a decisão denegatória da homologação de compensação não se confundiria com a notificação de lançamento prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dado que o débito declarado pelo contribuinte em PER/DCOMP constituiria confissão de dívida. Ressaltese que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900147/200917 Acórdão n.º 3803004.724 S3TE03 Fl. 50 4 Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Notese que o julgador administrativo de piso, a par da defesa dissonante do contribuinte, que apenas alegara a existência de vícios no despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, deixou claro que os argumentos do requerente não se encontravam em consonância com a matéria controvertida nos autos. Conforme constou do voto condutor do acórdão recorrido, a não homologação da compensação sempre é comunicada ao interessado, sendolhe informado os motivos da recusa, assim como procedida a cobrança do débito indevidamente compensado. Destacou, ainda, o relator a quo, que, tendo o sujeito passivo discordado dos motivos que levaram à recusa da compensação, a ele fora assegurado o direito de expressar a sua irresignação em manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Lei nº. 10.833, de 2003. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os Fl. 50DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900147/200917 Acórdão n.º 3803004.724 S3TE03 Fl. 51 5 despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Inexiste, portanto, qualquer preterição do direito de defesa do Recorrente. Além disso, não se pode ignorar que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprove o direito creditório pleiteado. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Para se comprovar o direito creditório, há a necessidade de se trazerem aos autos a respectiva escrituração contábilfiscal e a documentação que a lastreia, documentos esses consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovar o direito pleiteado, não havendo nada que demonstre as alegações do Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada inoperância da Fiscalização. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao alegar a necessidade de instauração prévia de ação fiscal para se analisar o seu pedido, pois aqui se está diante de provas que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900147/200917 Acórdão n.º 3803004.724 S3TE03 Fl. 52 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da prolação do despacho decisório. Nesse contexto, voto por voto por REJEITAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por total falta de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10935.004296/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006).
Numero da decisão: 1802-002.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006).
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SIMPLES NACIONAL Recorrente A L V COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando constatada a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. (Inteligência do artigo 29, inciso, VII da Lei Complementar nº 123/2006). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 42 96 /2 00 9- 97 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: Tratase de processo de exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/04/2009, em virtude de a empresa acima identificada comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, hipótese prevista no art. 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006. Consta dos autos que foi encontrado no estabelecimento as mercadorias descritas no Auto de Infração e Apreensão de Mercadoria 10935.004139/200981 desprovida de documentação comprobatória de introdução regular no país. Intimada, a contribuinte apresentou defesa tempestiva, alegando que apesar de apresentar a documentação solicitada foi autuado, sofrendo em conseqüência o perdimento de suas mercadorias. Esclarece que a nota fiscal apresentada não poderia ter sido recusada, visto que o valor constante do documento reflete a realidade dos gastos para aquisição das mercadorias, ainda que emitidas por pessoa física. Acresce que a desconsideração da referida nota fiscal em razão de constar inscrição Estadual inválida não procede. A autoridade não percebeu que o número disposto naquele campo da nota (7.913.8711) tratavase do numero do RG da vendedora (Marilene Turella), ficando evidente que ouve apenas um erro no preenchimento. Ademais, a pessoa física não tem numero de Inscrição Estadual. Destaca que a intimação da lavratura do auto de infração, ato este que facultaria a recorrente impugnar o procedimento no prazo de 20 dias, foi feito único e exclusivamente através do edital n° 153/09 afixado na portaria da sede da DRF/Cascavel/PR. Ao assim proceder, impediu a possibilidade da defesa manifestarse em relação aos motivos ensejadores da exclusão do Simples Nacional, o que configura violação ao contraditório e à ampla defesa. Ao final pediu o cancelamento da exclusão do Simples Nacional. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0637.398, de 26 de junho de 2012, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2009 PENA DE PERDIMENTO. DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO E APREENSÃO DE MERCADORIAS. As objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejam a pena de perdimento de bens devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.004296/200997 Acórdão n.º 1802002.008 S1TE02 Fl. 3 3 AUTO DE INFRAÇÃO DE APREENSÃO DE MERCADORIAS. INTIMAÇÃO. EDITAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A intimação de auto de infração de apreensão de mercadorias pode ser pessoal ou por edital, sem ordem de preferência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A pessoa jurídica, cientificada da mencionada decisão em 31/07/2012 (Aviso de Recebimento AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 30/8/2012. Afirma que ao contrário do que descreveu a r. decisão recorrida, a recorrente não fora devidamente intimada para apresentar defesa relativamente ao auto de infração e apreensão de mercadorias, que hora está deflagrando a sua exclusão do Simples Nacional. Diz que, a intimação da lavratura do auto de infração (ato este que facultaria a recorrente impugnar o procedimento no prazo de 20 dias) foi feito único e exclusivamente através de edital n° 153/09 (fls. 10), afixado na sede da Receita Federal do Brasil cm Cascavel Paraná, localizado em município diverso da sede da recorrente. Portanto, diante da ausência de intimação com relação ao auto de infração e apreensão de mercadorias, a recorrente fora declarada revel (fls. 10). Conclui que, sendo o processo administrativo informado pelo princípio do devido processo legal, se o ato eivado de ilegalidade não cumpriu sua finalidade, ocasionando prejuízo à parte, deve ser anulado, como anulados devem ser os atos subseqüentes a ele. Assim, com a declaração de exclusão liminar da contribuinte do SIMPLES houve ofensa ao princípio do devido processo legal, sendo nulo o ato de exclusão e, portanto, devendo ser invalidado por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Finalmente requer seja acolhido o recurso para o fim de ser decidido favoravelmente à sua pretensão, qual seja, não ser excluída do Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. Compulsandose os autos constatase que, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) de 22 de julho de 2011, fls.27/28, com efeito a partir de 01/05/2009, por ter sido constatado que a empresa comercializou mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, ficando a interessada impedida de optar por esse regime especial pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Verificase às fls.06/07, cópia do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias (processo nº 10935.004139/200981) em nome da Recorrente com a seguinte descrição dos fatos: Mercadoria estrangeira exposta à venda, depositada ou em circulação comercial, sem documentação comprobatória de sua regular importação. No dia 20/05/2009, na cidade de Cascavel/PR, foi realizada operação de fiscalização aduaneira na transportadora B TRANSPORTES, no município de Cascavel/Pr, tendo sido apreendidos 04 volumes de mercadorias remetidas, acompanhadas das notas fiscais n°s 811, 815, 817, 818, anexas, em nome do contribuinte acima identificado. Intimamos este contribuinte a apresentar documentação idônea que comprovasse a regular aquisição e/ou importação das mercadorias remetidas, assim como o efetivo pagamento referente a estas. Em resposta a esta intimação, recebemos uma nota fiscal de entrada, CFOP 1102, N° 766, emitida em 08/05/2009, no valor de RS17.748,50, revelando compra de MARILENE TURELLA, CPF: 032.878.44946, com inscrição estadual N° 7.913.8711. Não bastasse o contribuinte apresentar uma nota de entrada, com um valor substancial, emitida em nome de pessoa física,ainda trazia uma Inscrição Estadual não válida, de acordo com o sistema SINTEGRA. Mais ainda, o contribuinte já havia tido mercadorias apreendidas anteriormente, pelas Delegacias da Receita Federal em Santa Maria/RS e Foz do Iguaçu/PR. Lavramos portanto o Auto de Infração em nome do contribuinte supracitado. As mercadorias apreendidas ficarão sob guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, como medida acautelatória dos interesses da Fazenda Nacional, nos termos do art. 25 do Decretolei 1.455/76. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração, todos os termos e/ou documentos nele mencionados. E para constar e surtir seus efeitos legais, lavramos o presente termo, em 3 vias de igual teor e forma, assinado pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. OBSERVAÇÃO: os sócios da empresa autuada são: RUDIMAR CONSONI, CPF 779.211.19972. Endereço R Amazonas, 2533, Cidade Alta, Centro, Medianeira PR. CEP 85.884000. EDMAR CONSONI, CPF 969.299.95991. Endereço R São Paulo, 1680, Nazaré, Medianeira PR. CEP 85.884000. Sobre o mencionado processo, consta da decisão recorrida (fl.2) que o contribuinte foi declarado revel no Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.004296/200997 Acórdão n.º 1802002.008 S1TE02 Fl. 4 5 10935.004139/200981, motivo pelo qual foi extinto o processo com o conseqüente perdimento das mercadorias. Toda a argumentação da Recorrente é no sentido de que há cerceamento do direito de defesa no presente processo porque no outro processo do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias não fora intimada no endereço para fins cadastrais na Receita Federal do Brasil, e sim por edital, para apresentar defesa relativamente ao auto de infração e apreensão de mercadorias, que está deflagrando a sua exclusão do Simples Nacional. A argumentação da Recorrente contém equívoco como bem explicitado na decisão recorrida (fl.3) cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, vejamos: Intimação – Ausência de Cerceamento de Defesa Outrossim, não procede a alegação de nulidade por descumprimento do rito referente à cientificação da autuada, fato que teria cerceado seu direito à defesa. Cabe observar que o trâmite do processo de apreensão das mercadorias é regulamentado pelo Decretolei nº 1.455/1976, cujo artigo 27 assim estabelece, in verbis: Art 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. § 1º Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia. § 2º Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 3º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado quando houver necessidade de diligências ou perícias, devendo a autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao Secretário da Receita Federal. § 4º Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em instância única. (destaquei) Inferese do parágrafo primeiro transcrito, que a intimação do auto de infração de apreensão de mercadorias pode ser realizada tanto pessoalmente quanto por edital, sem ordem de preferência. Um vez conferida a ciência ao interessado por uma das vias estabelecidas pela lei (no caso em tela, por edital), a nãoapresentação da defesa no prazo regulamentar implica revelia, tornando incontestáveis a infração constatada pela autoridade competente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Por outro lado, a publicação do Edital em Cascavel, encontrase em conformidade com o art.23, §1º, inciso II, do Decreto 70235/72, haja vista que o órgão da encarregado pela Intimação na jurisdição a que pertence o contribuinte é a DRFB de Cascavel. Desse modo, não há falar em nulidade, visto que o procedimento (Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias) que antecede o ato de exclusão da empresa do Simples Nacional observou a legislação em vigor relativa a ciência do interessado. No entendimento da decisão recorrida, com o qual concordo, as objeções quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos, que dão ensejo a pena de perdimento de bens, devem ser apresentadas no correspondente Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias. Deixando a defendente de oferecêlas no prazo que lhe foi oportunizado, operase a preclusão temporal. Indubitavelmente, nos presentes autos, não cabe discutir o cerceamento ao direito de defesa ocorrido ou não naquele processo administrativo referente ao Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº 10935.004139/200981. Ainda que revel naquele processo, poderia a contribuinte, nos presentes autos, fazer a contraprova de que não comercializara mercadorias objeto de contrabando ou descaminho e, assim, não seria excluído do Simples Nacional. A Recorrente não alega com provas de que não se subsume na hipótese prevista no artigo 29, inciso VII, da Lei Complementar nº 123/2006, que motivou a exclusão do Simples Nacional, que assim dispõe: Lei Complementar nº 123/2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; ... Desse modo, não constatada a nulidade aventada pela Recorrente e, não havendo a Recorrente trazido aos autos a prova de que não praticara o ato (comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, descrito no auto de infração) de exclusão da empresa do Simples Nacional há de ser mantido o Ato Declaratório Executivo em comento . Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.004296/200997 Acórdão n.º 1802002.008 S1TE02 Fl. 5 7 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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