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Numero do processo: 13805.003398/97-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1992
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que a exigência formalizada objeto de contestação em sede de recurso decorre, única e exclusivamente, da ausência de apresentação de documentos que, nos termos da lei, deveriam compor o acervo do fiscalizado. A demora no encaminhamento do processo à unidade local da Receita Federal não produziu, no caso, abalos de qualquer natureza ao exercício do contraditório.
IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO.
Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos.
Numero da decisão: 1301-001.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que a exigência formalizada objeto de contestação em sede de recurso decorre, única e exclusivamente, da ausência de apresentação de documentos que, nos termos da lei, deveriam compor o acervo do fiscalizado. A demora no encaminhamento do processo à unidade local da Receita Federal não produziu, no caso, abalos de qualquer natureza ao exercício do contraditório. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE NA FONTE SOBRE RECEITAS QUE INTEGRAM A BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. Nos termos do disposto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a compensação do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, impõe ao contribuinte o dever de apresentar o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos citados rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 33 98 /9 7- 73 Fl. 113DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 101 2 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 114DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 102 3 Relatório SAINT LOUIS PARTICIPAÇÕES LTDA. (atual denominação de LOPES CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A), já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, em parte, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e multa por atraso na entrega de declaração, relativas ao anocalendário de 1991. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 34), a Fiscalização, tomando por base as disposições do art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985, promoveu a glosa de deduções relativas a imposto de renda retido na fonte em razão da falta de apresentação dos respectivos informes de rendimentos. Em sede de impugnação (fls. 40/43), a contribuinte argumentou: que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa devido ao fato de a Fiscalização ter demorado para encaminhar o processo à Agência da Receita Federal para tomada de vista; que teria ocorrido cerceamento de defesa, também, no próprio processo, porque os fiscais autuantes não teriam juntado os documentos relativos ao cruzamento da malha fonte, provavelmente, para dificultar a defesa; que requeria que o processo fosse baixado em diligência para que a Delegada da Receita Federal de São Paulo juntasse o documento relativo ao citado cruzamento da malha, devolvendo o prazo de dezenove dias para complemento da impugnação; que a multa seria indevida por dois motivos: a) porque a declaração teria sido entregue dentro do prazo fixado, vez que a Portaria 362, de 29/04/1992, prorrogou o prazo de entrega da DIRPJ/1992 até 14/05/1992 (fls. 46); e b) porque o então Primeiro Conselho de Contribuintes teria se pronunciado no sentido de que a multa de mora por atraso na entrega da declaração não é cumulativa com a multa de oficio; que a Fiscalização teria sido efetivada de forma muito rápida, alguns dias antes de completar o prazo decadencial, e, por terem decorridos cinco anos, ela não teria tido tempo de localizar os comprovantes de informes de rendimentos no prazo concedido; que anexava à impugnação os informes de rendimentos relativos aos valores de imposto de renda na fonte compensados na declaração e não aceitos pela Fiscalização, no valor de R$ 23.474.896,40, os quais corresponderiam a 39.317,48 UFIR (doc. 7); que, por terem decorrido cinco anos, não teria sido possível conseguir a totalidade dos informes de rendimentos porque algumas empresas não estariam mais em atividade; Fl. 115DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 103 4 que, não obstante o disposto no item anterior, juntava cópia das notas fiscais/faturas emitidas (doc. 8) que comprovariam os destaques do imposto de renda na fonte no valor de R$ 17.246.734,14! (28.886,09 UFIR); que o Fisco não poderia, por se tratar o lançamento de atividade plenamente vinculada, deixar de cobrar o que é devido, mas, por outro lado, não poderia cobrar o que é indevido; que, se o Fisco não permite a compensação do imposto de renda retido na fonte devidamente recolhido e informado na DIRF da fonte retentora só porque a empresa beneficiária dos rendimentos não tem os informes de rendimentos, estaria cobrando imposto em duplicidade sobre o mesmo rendimento; que o artigo 112 do CTN dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza de seus efeitos, sendo que a Fiscalização não seguiu essa regra ao não considerar o imposto retido na fonte e informado na Dirf da fonte pagadora, só porque a beneficiária do rendimento não tinha o informe de rendimento. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 02877, de 07 de março de 2003, pela procedência parcial do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: IRPJ. IRRF. COMPENSAÇÃO. – O imposto de renda retido na fonte sobre receitas auferidas somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. – Comprovado que a entrega da DIRPJ ocorreu dentro do prazo legal, é insubsistente a exigência. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 68/70, por meio do qual reiterou as considerações acerca do alegado cerceamento do direito de defesa; reiterou o pedido para que fosse realizada diligência para que fosse trazido aos autos o documento relativo ao cruzamento entre os valores retidos pelas fontes pagadoras e os compensados na declaração (Dirpj); alegou que a não aceitação da compensação do imposto retido na fonte foi efetuada sem que fosse consultada a Dirf apresentada pelas fontes retentoras; e, por fim, que manter a tributação significaria cobrança em duplicidade. Em sessão realizada em 11 de novembro de 2010, esta Primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1301000.022, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que fosse trazido aos autos o extrato das DIRFs referente ao período. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo informou que não é possível atender ao solicitado, haja vista que os extratos não mais se encontram disponíveis no acervo daquela unidade. É o Relatório. Fl. 116DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 104 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o Termo de Constatação de fls. 34, a contribuinte, na apuração do saldo do imposto a pagar relativo ao anocalendário de 1991, indicou para compensação o montante de 77.667,38 UFIR a título de imposto de renda retido na fonte. Porém, intimada a apresentar os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras, apresentou documentos que possibilitaram comprovar, apenas, o total de 9.524,19 UFIR. Em vista do exposto e com fundamento no art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985, a Fiscalização promoveu a glosa de compensação do imposto de renda retido na fonte no valor correspondente a 68.143,19 UFIR (77.667,38 UFIR – 9.524,19 UFIR). A autoridade fiscal reproduziu no processo (fls. 35/36) os valores registrados pela contribuinte no ANEXO 3 da declaração relativa ao anocalendário de 1991 (DIRPJ/92), que relaciona as fontes pagadoras e indica os valores retidos a título de imposto de renda, e formalizou, ainda, exigência relativa à multa por atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em sede de primeira instância, foi afastada a multa por atraso na entrega da declaração e, a partir da análise da documentação acostada aos autos pela contribuinte, foram acolhidos comprovantes de retenção carreados ao processo por meio da peça impugnatória interposta, exonerandose, por decorrência, parte do crédito tributário constituído. Por meio da peça recursal, a contribuinte sustenta, inicialmente, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, haja vista o fato de o auto de infração ter sido lavrado em 30 de abril de 1997 e o processo administrativo correspondente ter permanecido na Divisão de Fiscalização até o dia 19 de maio do mesmo ano. Considerada a natureza da infração imputada (falta de apresentação de comprovantes de retenção do imposto), descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que, nos termos da lei (art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985), já por ocasião da execução do procedimento de fiscalização a Recorrente estava a obrigada a apresentar os documentos relativos às deduções promovidas na apuração do imposto. Ademais, inexiste indicação de qualquer natureza de que o fato alegado (demora no encaminhamento à Agência da Receita Federal) tenha afetado o exercício do seu direito de defesa, pois, além do prazo que lhe foi oportunizado para apresentação da impugnação, ela poderia, ainda, exercer com plenitude tal direito, como efetivamente fez, por meio de interposição de recurso voluntário, momento em que poderia também aportar a documentação exigida no curso da ação fiscal. A Recorrente reiterou o pedido para que fosse realizada diligência visando colher informações acerca das informações prestadas pelas fontes pagadoras (valores do imposto retido pelas fontes pagadoras). A solicitação foi acolhida por esta Primeira Turma de Fl. 117DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13805.003398/9773 Acórdão n.º 1301001.043 S1C3T1 Fl. 105 6 julgamento, como já visto, contudo, não produziu qualquer efeito, eis que a documentação requerida já não se encontrava nos arquivos da Receita Federal. Não obstante, penso que a medida, qual seja, conversão do processo em diligência com intuito de encontrar documentos que possibilitassem confirmar retenções de imposto registradas pela contribuinte na declaração apresentada à Receita Federal, representou esforço do órgão julgador na busca da verdade material, mas, uma vez inexitosa, não pode servir como argumento para recepcionar deduções de imposto desamparadas dos documentos exigidos pela lei. Nesse contexto, em que a contribuinte não aportou ao recurso documentos além dos que já foram adequadamente apreciados pela Turma Julgadora de primeira instância, não há como reconhecer retenção em extensão maior da que foi acolhida pela decisão combatida. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 118DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.09403.OIZF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 18/09/2012 09:49:06. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 18/09/2012. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 21/09/2012 e WILSON FERNANDES GUIMARAES em 18/09/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1018.09403.OIZF Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3EEA982C2913252EB72DCB42CB0318AF9F904D80 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 138050033989773. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10283.720890/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
COOPERATIVA DE SERVIÇOS DE ENFERMEIROS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elasAssunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Numero da decisão: 3301-004.819
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COOPERATIVA DE SERVIÇOS DE ENFERMEIROS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elasAssunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 245 1 244 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720890/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.819 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRACAO PIS/COFINS Recorrente COOPENFINT COOPERATIVA DOS ENFERMEIROS INTENSIVISTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COOPERATIVA DE SERVIÇOS DE ENFERMEIROS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. As receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, são, nos termos do Recurso Especial Nº 1.164.716, decorrentes de atos cooperativos próprios ou internos, não devendo incidir sobre elasAssunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 08 90 /2 00 9- 41 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10283.720890/200941 Acórdão n.º 3301004.819 S3C3T1 Fl. 246 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 0119.721 3ª Turma da DRJ/BEL (fls 216 e seguintes): Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a PJ acima identificada, em que foram lançados Cofins (crédito total R$ 671.751,62, incluídos nesse valor a contribuição, a multa proporcional e juros calculados até abril de 2009 fl. 105) e PIS/Pasep (crédito total R$ 145.545,91, incluídos nesse valor a contribuição, a multa proporcional e juros calculados até abril de 2009 fl. 04). 2. Segundo a folha de descrição dos fatos constante dos Autos, o lançamento decorreu da exclusão indevida da base de cálculo das contribuições dos valores pagos aos consorciados, sem previsão legal. 3. Cientificada em 22.05.2009 (fls. 05 e 106)_ a interessada apresentou, tempestivamente, em 22.08.2009, impugnações (fls. 23/26 e 124/127) de semelhante teor, nas quais alega: “A sociedade cooperativa é um instrumento de contratação coletiva dos profissionais que integram o seu quadro social. Estes, por sua vez, nada mais são do que profissionais que colocam na sua atividade individual à disposição da sociedade, afim de que esta a integre com as demais e ofereça a prestação de serviços coletivo aos usuários desses serviços. Assim, agrega a este instrumento de contratação coletiva e de representar, os profissionais cooperados ficam resguardados de exclusão mercantil; agindo a cooperativa corno mandatário de vontade de seus cooperados; representandoos e defendendo os seus interesses. Enquanto nas demais sociedades, inclusive as civis, os sócios atuam em nome da pessoa juridica, já nas sociedades cooperativas ocorre o contrario, ou seja, a atuação da sociedade é realizada em nome dos cooperados. As sociedades cooperativas não possuem quaisquer fins lucrativos, não versa no seu objetivo social, a persecução obrigatória de lucros ou qualquer outro resultado econômico; destinandose, primordialmente, a auferir, de forma direta ou indireta, vantagem ou proteção para seu associados, aumentando os negócios para todos ao mesmo tempo, procurando reduzir as diferenças individuais. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10283.720890/200941 Acórdão n.º 3301004.819 S3C3T1 Fl. 247 3 A Lei n. 5.764/71 dispõe deforma expressa que o ato cooperativo não implica em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Nas operações com associados, seja qual for o objeto social da cooperativa, estas não auferem quaisquer receitas, por ser mero instrumento de seus associados. Os atos da sociedade, visam, exclusivamente, o planejamento, organização e o labor dos cooperados. Os fins sociais das cooperativas são as prestações de serviços aos seus associados, promovendo sua agregação, organização e composição de um produto/prestação, que será levado, em nome dos cooperados aos seus publico alvo. Quando uma sociedade cooperativa emite uma nota fiscal de prestação de serviços, a receita pertence , no caso concreto a pessoa física do cooperado. A Lei Complementar n. 70/91, em seu art. 60, 1, isentou, expressamente, da contribuição do COFINS, as sociedades de cooperativas, sem exigir qualquer outra condição. Em conseqüência da mensagem concessiva de isenção contida no já citado artigo, fixase o entendimento de que a interpretação do referido comando posto em Lei Complementar, conseqüentemente com potencialidade hierárquica em patamar superior à legislação ordinária, revela que será abrangida pela isenção do COFINS as sociedades cooperativas. A revogação de isenção pelo MP. N18589 fere frontalmente, o principio da hierarquia das leis, visto que tal revogação só poderia ter sido verificada por outra lei complementar. ... Os Conselhos de Contribuintes vem, desde praticamente, a edição da Lei n° 5. 764/71, apreciando inúmeros recursos voluntários interpostos pelas sociedades cooperativas, visando desconstituir os inúmeros lançamentos abusivos dos quais sempre fomos vitimas.” 4. Ao final requer o acolhimento de seus argumentos. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 216): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF,.a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito da Cofins segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. COOPERATIVAS Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10283.720890/200941 Acórdão n.º 3301004.819 S3C3T1 Fl. 248 4 Para os períodos de apuração de 2004, a Cofins devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada em conformidade com O disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com O disposto na Lei n° 9.718, de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA Após a edição as Súmula Vinculante n° 8, do STF, a contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito do PIS/Pasep segue a regra constante do CTN. Havendo antecipação da contribuição, o direito da Fazenda decai em cinco anos contados do fato gerador. COOPERATIVAS Para os períodos de apuração de 2004, O PIS/Pasep devido pelas sociedades cooperativas deve ser calculado em conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com o disposto na Lei n° 9.718, de 1998. Foi apresentado Recurso às fls. (fls. 233 e seguintes), no qual a Recorrente reafirma as questões constantes da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em relação ao mérito, colacionamos voto da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 9303005.502 – 3ª Turma, de 15 de agosto de 2017: Embora este Relator comungue da mesma opinião da Fazenda Nacional, de que "(...) todas as importâncias ingressadas em face da prestação de serviços pela cooperativa, independentemente de se tratarem de operações com cooperados ou com não cooperados, passaram a incidir contribuição, permitindose, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época oca dos fatos", o assunto foi recentemente apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, RE Nº 1.164.716 MG , no qual recebeu o seguinte tratamento: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10283.720890/200941 Acórdão n.º 3301004.819 S3C3T1 Fl. 249 5 RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR ADVOGADO : DAVID GONÇALVES DE ANDRADE SILVA E OUTRO(S) INTERES. : ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB "AMICUS CURIAE" ADVOGADOS : ADRIANO CAMPOS ALVES E OUTRO(S) KARINE MANFREDINI DA CUNHA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (grifos no original) E no corpo do voto: 3. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10283.720890/200941 Acórdão n.º 3301004.819 S3C3T1 Fl. 250 6 estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria . 4. Dito isso, entendese que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária, tendo em vista a mensagem que veicula, mesmo sem empregar termos diretos ou específicos, por isso que se obtém esse resultado interpretativo a partir da análise de seu conteúdo. Consequentemente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados), ou pela cooperativa com outras cooperativas, ou pelos associados (cooperados) com a cooperativa, na busca dos seus objetivos institucionais. Conforme dispõe o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1 , aprovado pela Portaria MF 343/15, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC). Nos termos da decisão transcrita, cujo entendimento se adota, devem ser excluídas da base de cálculo das Contribuições as receitas decorrentes das operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Destarte, tendo em conta o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723545/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Comprovados nos autos que o contribuinte foi regularmente cientificado das razões que conduziram à formalização dos autos de infração, exaustivamente documentadas e esclarecidas no curso do procedimento fiscal, tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias.
JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS - PRECLUSÃO.
Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas.
ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTOS DECORRENTES.
A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA QUALIFICADA.
Inaplicável a multa qualificada de 150% quando a conduta dolosa do interessado não restou plenamente evidenciada pela prática reiterada e sistemática de ocultar da Receita Federal a totalidade da receita bruta por ele auferida. Súmula 14 CARF.
Numero da decisão: 1402-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada, nos termos da Súmula CARF nº 14.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Comprovados nos autos que o contribuinte foi regularmente cientificado das razões que conduziram à formalização dos autos de infração, exaustivamente documentadas e esclarecidas no curso do procedimento fiscal, tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS - PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA QUALIFICADA. Inaplicável a multa qualificada de 150% quando a conduta dolosa do interessado não restou plenamente evidenciada pela prática reiterada e sistemática de ocultar da Receita Federal a totalidade da receita bruta por ele auferida. Súmula 14 CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada, nos termos da Súmula CARF nº 14. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone- Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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BULLAMACH ESTACIONAMENTOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Comprovados nos autos que o contribuinte foi regularmente cientificado das razões que conduziram à formalização dos autos de infração, exaustivamente documentadas e esclarecidas no curso do procedimento fiscal, tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 35 45 /2 01 4- 63 Fl. 1071DF CARF MF 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA QUALIFICADA. Inaplicável a multa qualificada de 150% quando a conduta dolosa do interessado não restou plenamente evidenciada pela prática reiterada e sistemática de ocultar da Receita Federal a totalidade da receita bruta por ele auferida. Súmula 14 CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada, nos termos da Súmula CARF nº 14. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo que por unanimidade julgou pela Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10840.723545/201463 Acórdão n.º 1402003.133 S1C4T2 Fl. 112 3 improcedência da Impugnação apresentada, mantendo os créditos tributários lançados em sua totalidade. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: A matéria sob litígio tem origem na diligência inaugurada em 03/01/2014 com a entrega pessoal do Termo de Intimação 01 – Diligência. Nesta oportunidade o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários dos anoscalendário de 2010 e 2011. Em função das informações colhidas a partir dos extratos bancários entregues pela empresa, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização 01 MPF nº 0810900.2014.000986 e confeccionado o Termo de Intimação – Fiscalização 01 para que o contribuinte analisasse a planilha que contemplava os créditos efetuados em contacorrente, anexa ao mesmo, apontando individualmente em relação a cada crédito ou depósito bancário, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dessas operações, apresentando a correspondente documentação comprobatória hábil e idônea em que se baseou tal transação. A empresa foi cientificada desta intimação em 05/03/2014. Posteriormente foi solicitada a apresentação das cópias das notas fiscais referentes a prestações de serviços e a relação dos seus principais clientes e valores recebidos dos mesmos no período fiscalizado. Após a entrega das notas fiscais relativas ao anocalendário de 2011 e pedidos de prorrogação de prazo para atendimento dos demais itens, foi novamente intimada a empresa, via postal, em 09/06/2014, desta vez para apresentar o Livro Diário ou LivroCaixa do período sob fiscalização. Após prorrogações de prazo, a empresa informa não estar de posse dos livros contábeis solicitados. O sujeito passivo foi reintimado em 01/08/2014 do Termo de Intimação – Fiscalização 01, e solicita novamente prorrogação de prazo para atendimento. Considerando que o primeiro termo de intimação é datado de 24/02/2014 e cientificado ao interessado em 05/03/2014, e nele são solicitadas as mesmas justificativas, diz o fiscal que não procede a argumentação de que o prazo foi exíguo. Consta dos autos que o contribuinte, em 2010, declarou à Receita Federal o valor de R$ 7.342,00, porém os extratos bancários informam que foi movimentado a crédito, neste período, o valor de R$ 783.159,95. Em 2011 ele declarou R$ 49.197,00 e os extratos bancários indicam uma movimentação no valor de R$ 1.859.929,80. Com base nos esclarecimentos solicitados, na documentação apresentada pela empresa e também nas informações constantes da base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foram apuradas omissões de receitas nos anoscalendário que se encontravam sob fiscalização. O lançamento de ofício relativo aos anoscalendário de 2010 e 2011 está consubstanciado nos autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 40.785,66; Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 29.109,57; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 39.956,00; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 128.295,38; Contribuição Patronal Previdenciária – CPP, no valor de R$ 387.372,50; e ISS no valor de R$ 239.906,94, apurados pela Sistemática do Simples Nacional, no valor total de R$ 865,426,05 ( oitocentos e sessenta e cinco mil, quatrocentos e vinte e seis reais e cinco centavos), aí incluído o principal, multa qualificada de 150% e juros de mora calculados até 11/2014. A multa foi qualificada (150%), pois entendeu a fiscalização que houve evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. O fiscal apresenta um quadro Fl. 1073DF CARF MF 4 onde demonstra a irrisória receita declarada nas DASNs dos anos calendário de 2010 e 2011, cujos valores são muito inferiores ao total dos créditos bancários. Concedida oportunidade para justificar a origem dos créditos, o contribuinte optou por calar se. Da Impugnação Em 13/11/2014 o sujeito passivo é cientificado, via postal, do Auto de Infração e Notificação Fiscal (AR de fls. 948) e, em 09/12/2014 apresenta sua impugnação de fls. 953/968. Em síntese alega que: 1 Jamais houve intenção em ocultar qualquer informação solicitada. A totalidade da documentação requisitada não foi prontamente apresentada porque dependia de terceiros: instituições financeiras, excontadores, etc. Não criou embaraço à fiscalização. Houve pedidos de dilação de prazo diante da vasta documentação que lhe foi solicitada ao longo do processo de fiscalização e os exíguos prazos que lhe eram assinalados pelo Fisco, tendo inclusive sido indeferida a última dilação de prazo solicitada que culminou inclusive no cerceamento de sua defesa. Em 01/09/2014 requereu expressamente a dilação do prazo de dez dias que lhe fora assinalado para identificar os lançamentos relacionados na notificação, para noventa dias. Em 16/09/2014 recebeu a resposta de seu pedido, de que havia sido concedido a prorrogação por apenas dez dias improrrogáveis, tendo encerradose em 11/09/2014; Requer seja reconhecida a total nulidade do auto de infração frente ao cerceamento de defesa ocorrido; 2 É absurda a multa de 150% aplicada. Reitera que não houve qualquer intenção em ocultar qualquer informação solicitada. Tendo o Fiscal repelido sua pretensão na produção de provas, jamais poderia fundamentar sua posição no auto de infração sob a justificativa de ausência de provas pelo mesmo. A notificação extemporânea implicou em cerceamento de defesa, suprimindo seu direito de provar. Ainda que assim não fosse, caberia à fiscalização diligenciar no sentido de buscar o que entende não ter restado provado, buscando assim a verdade real e não tributar, mediante fundamentações subjetivas, valores incondizentes com a realidade; 3 Ao considerar como renda tributável a totalidade dos valores depositados nas contas correntes, contrariou frontalmente jurisprudências dos Tribunais e Administrativas; 4 Para que haja renda presumida, deveria o Fisco mostrar, de forma inequívoca, que o Impugnante revelasse sinais exteriores de riqueza. Para valer a autuação na forma ocorrida, deveria o Fiscal ter demonstrado no procedimento de fiscalização, de forma inequívoca, que os valores lançados a débito representam dispêndios realizados pelo Contribuinte; 5 Referese à Súmula nº 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR; 6 O Fiscal não produziu qualquer prova do alegado no auto de infração, o que lhe competia fazer. No afã de concluir seu trabalho, o Fiscal deixou de apurar fatos que em contrapartida serviram para justificar a absurda multa imposta; 7 É imperiosa a total desconsideração da multa imposta, ou não sendo este o entendimento, o que se admite apenas a título de argumentação, que seja a mesma sensivelmente reduzida ao mínimo legal. A multa de natureza punitiva deve guardar correlação com o montante devido, guardadas as devidas proporções, sob pena de locupletamento do Fisco e confisco. Referese ao art. 112 do Código Tributário Nacional; 8 Conclui dizendo que ao longo do procedimento de fiscalização o Fiscal não conseguiu demonstrar qualquer infração lógica que pudesse justificar ou agasalhar a absurda autuação imposta. Ao final requer a anulação do auto de infração, frente aos vícios e nulidades que maculam o mesmo. Caso não seja este o entendimento, que sejam promovidas as devidas correções dentro das questões expostas e provadas, a multa reduzida ao mínimo legal e protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10840.723545/201463 Acórdão n.º 1402003.133 S1C4T2 Fl. 113 5 Após analisar a impugnação, a r. DRJ proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Comprovados nos autos que o contribuinte foi regularmente cientificado das razões que conduziram à formalização dos autos de infração, exaustivamente documentadas e esclarecidas no curso do procedimento fiscal, tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MULTA QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando a conduta dolosa do interessado restou plenamente evidenciada pela prática reiterada e sistemática de ocultar da Receita Federal a totalidade da receita bruta por ele auferida, procurando conscientemente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador e, com isso, eximirse do pagamento dos tributos, o que caracteriza evidente intuito de sonegação.\ Fl. 1075DF CARF MF 6 Irresignado o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário em que sustenta que houve cerceamento de defesa e, no mérito, a (in)ocorrência de omissão de receitas e ilegitimidade da fixação de multa qualificada. É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. PRELIMINARMENTE: 2.1. Do cerceamento de defesa: Alega a recorrente que ao longo do presente processo administrativo tributário houve cerceamento defesa o que, no entanto, restou afastado pela DRJ: Conforme documentos acostados aos autos, verificase que o procedimento fiscal iniciou em 03/01/2014, tendo o contribuinte sido intimado em 05/03/2014 a analisar cada crédito ou depósito bancário apontando a origem dos recursos que possibilitaram a realização dessas operações. Este pedido foi reiterado algumas vezes. O encerramento da ação fiscal ocorreu somente em 10/11/2014, dez meses após o seu início, tempo suficiente para o interessado conseguir atender às intimações feitas. Além do mais, a fase investigativa – promovida pela fiscalização – é de cunho inquisitorial. O contraditório é inaugurado apenas com a impugnação (art. 14 do PAF). Assim, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa durante a auditoria, porque o direito de defesa só se inaugura com a ciência da exigência. E com a impugnação o sujeito passivo teve a oportunidade de apresentar todos os documentos de defesa que julgou necessários e novamente não o fez. Não há, portanto, cerceamento de defesa a ser reconhecido. A meu ver, não há nulidade a ser sanada, haja vista a informação de que a primeira intimação para atender a discriminação dos lançamentos deuse em 05/03/2014, e não em 01/09/2014, como apontado pelo contribuinte. Até então já se passara 6 meses, ou 180 dias, para que realizasse a prova exigida. Em que pese a informação apresentada de que o contribuinte somente fora informado 6 dias após transcorrido o prazo para entrega da documentação, verdade é que mesmo se houvesse sido deferida a dilação pleiteada, o contribuinte não teria apresentado os documentos comprobatórios. Isto porque não juntou os documentos comprobatórios junto à Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10840.723545/201463 Acórdão n.º 1402003.133 S1C4T2 Fl. 114 7 impugnação ou ao Recurso Voluntário, para que se pudesse rever o lançamento. Por esses motivos, afasto a preliminar suscitada. 3. DO MÉRITO: 3.1. Da presunção de omissão de receitas. Em que pese o inconformismo da Recorrente, não há como discordar da r. DRJ quando esta afirma que: A partir de 01/01/1997, com a edição da Lei nº 9.430/1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, aplicável também na sistemática do Simples Nacional. Desta forma, passou a ocorrer a inversão do ônus da prova, cabendo ao sujeito passivo da relação jurídica provar que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. Ou seja, a lei considera os depósitos bancários não comprovados como receita/renda do contribuinte e estas se constituem em aquisição de disponibilidade econômica que gera acréscimo patrimonial, havendo total consonância com o art. 43 do CTN. Para aplicação da presunção legal, cabe ao Fisco apenas provar o fato necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários sem origem comprovada. Diante da falta de apresentação de documentos que comprovassem toda a movimentação bancária do fiscalizado, o AuditorFiscal efetuou o lançamento dos Autos de Infração em discussão, cumprindo com as obrigações impostas pela legislação pertinente. Ante as intimações fiscais, cumpriria ao contribuinte comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, juntamente com os documentos que lhe dão suporte, com vistas a elidir a presunção de omissão de receitas. Assim correto o enquadramento legal da omissão de receitas no art. 42 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que resta evidenciado que o contribuinte não comprovou a origem de todos os valores integrados às suas contas correntes, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita a tributação. Como bem aponta, tratase de uma presunção juris tantum, ou seja, a mera inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte apresentar documentação hábil e idônea a descaracterizar a presunção, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Assim, não há que se falar em violação ao art. 333 do CPC. Com efeito, a Súmula 182 do TFR, alegada pela Recorrente, acabou sendo superada, uma vez que emitida em momento anterior a promulgação da Lei 9.430/1996, que chancelou a utilização de depósitos bancários como presunção de omissão de receitas, caso o contribuinte não fosse capaz de comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos depósitos. Também não é de se acatar a argumentação relacionada a ausência de sinais exteriores de riqueza, pois, a meu ver, a partir da Lei 9.430/1996, os depósitos sem origem comprovada teriam esse condão. Do quê, acertado o arbitramento levado a cabo pela Fl. 1077DF CARF MF 8 autoridade fiscal. Mesmo no tocante a base de cálculo, pois como bem observa a DRJ: Com relação a determinação da base de cálculo, vale lembrar que o contribuinte era optante do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, que em seu artigo 3º, § 1º dispõe que considerase receita bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Por esta razão não foram considerados os valores lançados a débito, que o autuado alega que representam dispêndios realizados por ele. Assim, em que pesem os argumentos aduzidos pela Recorrente, entendo pela manutenção do auto combatido no tocante ao principal. 3.2 Da multa de ofício Em relação à multa de ofício, entendo aplicável ao caso o teor da Súmula 14 do CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Compulsando os autos percebo que a multa qualificada foi aplicada sob o pressuposto de que o dolo derivaria da conduta do contribuinte em declarar a menor. Entendo, entretanto, que isso implica tão somente a existência de omissão de receitas, o que por si só não autoriza a aplicação da multa qualificada, conforme acima transcrito. Ademais, apenas para constar, não entendo aplicável à multa o princípio da capacidade contributiva, principalmente em decorrência de seu caráter punitivo. O que não significa dizer que a multa é desprovida de qualquer parâmetro de controle. Na verdade, seria mais adequado a proporcionalidade entre a conduta e a pena, análise que, entretanto, não é cabível neste fórum. Assim, imperiosa a redução da multa ao patamar legal de 75%. 4. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário para dar provimento parcial na redução da multa ao patamar de 75%, mantendo o principal conforme lavrado o auto. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 1078DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.910197/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/04/2007
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/04/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 01 97 /2 00 9- 36 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.114 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (IRPJ código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2006 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 298.702,32 (duzentos e noventa e oito reais, setecentos e dois reais e trinta e dois centavos), conforme demonstrada na ficha 17, Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 199.292,45 (cento e noventa e nove mil, duzentos e noventa e dois reais e quarenta e cinco centavos), conforme ficha 17 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 99.409,87 (noventa e nove mil, quatrocentos e nove reais e oitenta e sete centavos), conforme ficha 17, da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 40750.77550.300477.1.3.040673, transmitida em 30/04/2007, a Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 4 3 mesma fez a devida compensação do valor de RS 23.698,03 (vinte e três mil, seiscentos e noventa e oito reais e três centavos). 6 Esse valor referese ao DARF, recolhido a mais em 30/11/2006 no valor de R$ 22.566,94 (vinte e dois mil, quinhentos e sessenta e seis reais e noventa e quatro centavos) devidamente corrigido e informado na respectiva PER/DCOMP. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de outubro de 2006, no valor de R$ 22.566,94, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de outubro de 2006, no valor de R$ 22.566,94, assim declarado na DCTF de outubro de 2006 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 5 4 A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 6 5 exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de outubro de 2006 e da própria DIPJ/2006, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 7 6 autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2006, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2006 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910197/200936 Acórdão n.º 1401002.785 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.008696/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/02/2004
LAUTO TÉCNICO. RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA.
O Laudo do LABANA é documento idôneo para a reclassificação tarifária.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/02/2004
NULIDADE PELO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
O litígio nos casos de classificação fiscal instaura-se com a apresentação de impugnação tempestiva ao auto de infração (art. 14 do Decreto nº 70.235/72), inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida ao autuado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE
Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88. REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002.
O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exige-se a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Neste processo, sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações equivocadas, sem dolo, deve-se aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM.
Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROVAS DA FISCALIZAÇÃO NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO. SÚMULA CARF nº 2.
Os argumentos, que passam pela alegação de ofensa ao princípio da isonomia e do devido processo legal quando da produção de provas por parte da fiscalização no curso do despacho aduaneiro, laudo laboratorial, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 3201-004.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e manter o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/02/2004 LAUTO TÉCNICO. RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. O Laudo do LABANA é documento idôneo para a reclassificação tarifária. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 18/02/2004 NULIDADE PELO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O litígio nos casos de classificação fiscal instaura-se com a apresentação de impugnação tempestiva ao auto de infração (art. 14 do Decreto nº 70.235/72), inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida ao autuado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88. REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002. O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exige-se a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Neste processo, sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações equivocadas, sem dolo, deve-se aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROVAS DA FISCALIZAÇÃO NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO. SÚMULA CARF nº 2. Os argumentos, que passam pela alegação de ofensa ao princípio da isonomia e do devido processo legal quando da produção de provas por parte da fiscalização no curso do despacho aduaneiro, laudo laboratorial, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2.
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RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. O Laudo do LABANA é documento idôneo para a reclassificação tarifária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/02/2004 NULIDADE PELO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O litígio nos casos de classificação fiscal instaurase com a apresentação de impugnação tempestiva ao auto de infração (art. 14 do Decreto nº 70.235/72), inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida ao autuado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENÇA NÃO RECOLHIDA. MULTA DE OFÍCIO. PARECER COSIT 477/88. REVOGADO. ADI SRF nº 13/2002. O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Manutenção da multa de ofício 75% por falta de recolhimento dos tributos na importação em razão de erro na classificação fiscal das mercadorias. Constatado o erro de classificação fiscal das mercadorias nas declarações de importação especificadas, exigese a diferença de imposto de importação (II) que deixou de ser recolhida. Neste processo, sobre a referida diferença de II apurada em face das declarações equivocadas, sem dolo, deve se aplicar a multa de ofício de 75% prevista na Lei 9.430/96, art.44, I. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 86 96 /2 00 8- 68 Fl. 128DF CARF MF 2 Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PROVAS DA FISCALIZAÇÃO NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO. SÚMULA CARF nº 2. Os argumentos, que passam pela alegação de ofensa ao princípio da isonomia e do devido processo legal quando da produção de provas por parte da fiscalização no curso do despacho aduaneiro, laudo laboratorial, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso voluntário e manter o crédito tributário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 91/122, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0738.942 7ª Turma da DRJ/FNS, efls. 78/84, que julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário relativo a Auto de Infração (AI) de classificação fiscal de mercadorias. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: O presente processo versa sobre os autos de infração (fls. 4/20) lavrados para exigência de Imposto de Importação e IPI Importação, acrescidos da multa de ofício e juros, além da multa regulamentar, por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista art. 84, inciso I, da Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.008696/200868 Acórdão n.º 3201004.062 S3C2T1 Fl. 129 3 Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001, tendo sido apurado o crédito tributário no valor de R$ 2.671,03. Em 18/02/2004, o contribuinte procedeu ao registro da Declaração de Importação (DI) nº 04/01572727, para despacho aduaneiro da mercadoria assim descrita: Hostastat FE 2 PWD Ped.: 45/164796010 Agente Anti Estático, utilizado na indústria de plástico. Base Química: Alcano Sulfonado Processo de fabricação de Plásticos. Qualidade: Industrial A mercadoria foi classificada na NCM 3824.20.10 (ácido naftênico e seus ésteres), tendo sido recolhidos II e IPI, nas alíquotas, respectivamente, 2% e 10%. Na conferência física, efetuouse a retirada de amostras pelo Laboratório de Análises da FUNCAMP, conforme Pedido de Exame n° 420/04 (fls. 31), cujo resultado se encontra descrito no Laudo de Análises FUNCAMP n° 0688.01, de 24/03/2004 (fls. 32/35), o qual apresentou as seguintes respostas aos quesitos formulados pela fiscalização, para fins de classificação fiscal (fls. 13): 1. Identificar a composição química do produto, comparandoa com a descrição acima. Não se trata de Ácidos Naftênicos e seus Ésteres. Tratase de Cera à base de uma Mistura de Ésteres de Ácido Graxo, uma Outra Cera Artificial. 2. Tratase de naftenato hidrosolúvel? "Não" se trata de naftenato hidrosolúvel. 3.Tratase de preparação ou produto de constituição química definida, apresentado isoladamente? "Não" se trata de preparação ou produto de constituição química definida, apresentado isoladamente. 4.Qual a finalidade do produto? De acordo com Literatura Técnica Específica (cópia anexa), mercadoria de denominação comercial HOSTASTAT FE 2 PWD é utilizada como agente antistático na fabricação de plásticos. 5.Demais considerações julgadas pertinentes. De acordo com Literatura Técnica Específica (cópia anexa), mercadoria de denominação comercial HOSTASTAT FE 2 PWD tratase de Éster de Ácido Graxo. Ainda de acordo com o laudo técnico, o produto se trata de uma “Cera à base de uma Mistura de Ésteres de Ácido Graxo, na forma de pó”. Fl. 130DF CARF MF 4 Quanto à sua composição, o produto HOSTATAT FE 2 PWD é uma mistura de ésteres de ácido graxo, com predominância do estearato de metila (61.1%). Por apresentar características de cera (ponto de gota igual a 66°C), incluise na posição 3404. No âmbito dessa posição enquadrase na subposição 3404.90 e, por falta de subposição especifica, classificase no código 3404.90.19. Desta forma, com base nesse laudo, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1a e 6a, com a Regra Geral Complementar (RGC) nº 1 e a Nota 5 do Capítulo 34, a auditoria entendeu como correta a classificação fiscal do produto no código NCM 3404.90.19 (outras ceras artificiais), sendo cabíveis as alíquotas de II e IPI de, respectivamente, 14% e 15%. Regularmente cientificado pela via postal (fls. 45), o interessado apresentou impugnação tempestiva, às fls. 46/69, na qual, em síntese: 1. Preliminarmente, requer seja declarado nulo o lançamento, pois quando da realização do exame laboratorial, o contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, na medida em que somente aos agentes do Fisco foi assegurado o direito de formular quesitos ao Laboratório Nacional de Análises da 8ª RF Labana/8ª RF, contrariando as disposições contidas no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e diversos princípios constitucionais; 2. No mérito, alega que as Notas Complementares ao Capítulo 34 da TEC/NCM comprovam que o produto importado não se classifica no código 3404.90.19, sendo que a classificação tarifária adotada pelo impugnante (3824.20.10) encontra respaldo legal na RGI n°3, letras a e b, e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) do código 3823 que “ratificam integralmente a classificação tarifária adotada para o produto importado (TECNCM 3823.13.00)”; 3. Junta literatura técnica (fls. 74); 4. Argumenta que, ainda que a classificação tarifária adotada pelo contribuinte estivesse incorreta, a indicada pelo Fisco também não está correta, devendo prevalecer a classificação tarifária adotada pelo importador, em face do contido no art. 112 do CTN e conforme jurisprudência do CARF; 5. Entende indevidas as multas de lançamento de ofício exigidas com base nos artigos 44 e 45 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista não ter ocorrido declaração inexata quando da importação do produto, objeto do ato revisional; 6. Entende ser improcedente a aplicação da multa prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158/2001, diante das disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 29/80 e Parecer CST nº 477/88, e por violar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; 7. Alega que é indevida a incidência de juros de mora, computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.008696/200868 Acórdão n.º 3201004.062 S3C2T1 Fl. 130 5 8. Caso persista qualquer dúvida, por parte da Delegacia de Julgamento, a respeito da questão ventilada nos autos, requer a produção oportuna de todos os meios de prova, em especial, a conversão do julgamento em diligência ao Labana/8ª RF e/ou ao Instituto Nacional de Tecnologia no Rio de Janeiro INT, para que realizem as análises que entenderem necessárias, sendo apresentados os quesitos que pretende sejam respondidos, visando à correta identificação do produto para fins de enquadramento tarifário, sob pena de cerceamento ao seu direito de defesa. É o relatório. A DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário. O Acórdão n.º 0738.942 7ª Turma da DRJ/FNS, está dispensado de ementa conforme disposto na Portaria SRF n.º 1.364, de 2004: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/02/2004 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº 1.364, de 2004. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Preliminares A recorrente alega que o AI “encontrase maculado por vícios formais insanáveis, na medida em que embasado no Laudo Técnico/FUNCAMP n° 0.688.01, emitido pelo LABANA/8° R.F. em 24.03.04, vez que, o referido Laudo Técnico encontrase revestido de flagrante irregularidades, como a seguir ficará demonstrado.” Entende ainda que teve cerceado o seu direito de defesa, na medida em que somente aos agentes do fisco, foi assegurado o direito de formular quesitos ao Laboratório Nacional de Análises da 8a Região Fiscal — LABANA/8a R.F. Em razão da produção de provas por parte da fiscalização no curso do procedimento fiscal, despacho aduaneiro, aponta infração ao princípio constitucional da isonomia previsto no art. 5º, Caput, combinado com os arts. 150 e 173 da Constituição Federal. Alega também questões relativas ao devido processo legal. Cita doutrina e jurisprudência. Aponta que restou caracterizada a prescrição intercorrente pois o processo administrativo teria permanecido parado por mais de cinco anos, aguardando julgamento de primeira instância. Usa como fundamento o art. 1°, parágrafo primeiro, da Lei n.º 9.873/99. Lei n.º 9.873/99 Artigo 1° Parágrafo primeiro — Incide a prescrição no processo administrativo paralisado por mais de três anos, pendentes de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício, Fl. 132DF CARF MF 6 ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Reforça seu argumento com jurisprudência do poder judiciário. Ainda nas preliminares, alega que o indeferimento do pedido de diligência por parte do juízo a quo prejudicou a solução da lide. Sustenta que seu pedido de produção provas/diligências foi indeferido de forma sumária. Cita em seu favor jurisprudência do CARF. Pede pela nulidade do auto de infração. Mérito – Da Classificação No mérito a recorrente contesta a reclassificação tarifária do produto importado, do código da NCM 3824.20.10 (II = 2% e IPI = 10%), para o código da NCM 3404.90.19 (II = 14% e IPI = 15%), efl. 110. 3.2 Com efeito, Egrégio CARF, conforme comprovam os documentos anexados aos autos (Literatura Técnica/Parecer Técnico), o produto importado pela ora Recorrente do exterior, de nome comercial "HOSTASTAT PE 2 PWID", não pode ser classificado no Código TECNCM 3404.90.19, conforme exigido pelos Agentes Fazendários no Auto de Infração de que trata o Processo Administrativo em tela, conforme a seguir ficará demonstrado. Alega a seu favor que as Notas Complementares ao Capítulo 34 rechaçam a nomenclatura proposta pela fiscalização. Apoia seu argumento com base nas RGI do SH 3 a) e 3 b). Alude também as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias (NESH) para a posição 3823 do SH. Afirma que mesmo se a sua classificação estivesse incorreta, a da fiscalização também estaria incorreta em face das disposições contidas nas Notas Complementares do Capítulo 34, combinado com as NESH. Com base no art. 112 do CTN, argumenta que não sendo corretas as classificações da recorrente e da fiscalização, deveria prevalecer a adotada pela recorrente. Cita jurisprudência do CARF. Mérito – Das Multas A recorrente alega que é indevida multa de ofício do auto de infração, tendo em vista não haver ocorrido qualquer declaração inexata quando da importação. Cita o Parecer CST nº 477/88 e o ADI nº 13/2002 da SRF. ADI nº 13/2002 da SRF Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim, a indicação Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.008696/200868 Acórdão n.º 3201004.062 S3C2T1 Fl. 131 7 indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua correta identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." Sustenta que a questão nos autos, envolve apenas a discussão acerca do correto enquadramento na NCM, sendo que as descrições dos produtos estão corretas. Mérito – Da Exigência da Multa prevista no art. 84, I, da MP nº. 2.158 35/2001 A recorrente alega que é indevida a multa prevista no art. 84, I, da MP nº. 2.158 35/2001. Cita jurisprudência e o Parecer CST nº. 477/88. Parecer C.S.T. n° 477/88. (...) 8. Na hipótese de o importador, tendo assim descrito corretamente o produto, vir a classificálo erroneamente, caberá, na forma da IN/SRF. 040/74, e em decorrência da classificação tarifária correta, ou o recolhimento do crédito tributário pago a menor, ou a restituição do que houver sido pago a maior, ou, ainda, a simples correção do Código TAB, por meio de Declaração Complementar de ImportaçãoDCI. Não há pena a ser aplicada, vez que o enquadramento incorreto na TAB, por si só, não se acha tipificado como infração. Em caso de prevalecer a penalidade, alega violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Cita doutrina e jurisprudência. Mérito – Juros de Mora A recorrente alega que é indevida a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário de que trata o auto de infração. Aduz a ilegalidade de cobrança de juros de mora computados pela taxa Selic. Cita jurisprudência do STJ. Mérito – Produção de Provas A recorrente reitera pedido para conversão do julgamento em diligência junto ao LABANA/8ª. RF e/ou ao Instituto Nacional de Tecnologia no Rio de Janeiro – INT para a produção de contraprovas. Nessa linha, formula quesitos a serem respondidos pelos referidos órgãos. Do Pedido A recorrente pede que sejam acolhidas as preliminares. Em caso de superação das preliminares, pede a reforma do acórdão do juízo a quo para decretar a total improcedência do auto de infração. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do recurso voluntário. Preliminares Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, uma vez que conforme disposto no art. 18 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal da União, aprovado pelo Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n° 8.748/93 e 9.532/97, a recorrente teve seu pedido apreciado pela autoridade de primeira instância. Art. 18 — A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Ocorre que a autoridade julgadora de primeira instância considerou e indeferiu de forma fundamentada o pedido da recorrente. Ocorre que o lançamento já está instruído por laudo elaborado por perito oficial, tendo sido possível proceder à identificação da mercadoria importada, tornando prescindível outra perícia. Neste caso, cabe o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência, com base no que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993. (efl. 81) Quanto aos argumentos, que passam pela alegação de ofensa ao princípio da isonomia e do devido processo legal quando da produção de provas por parte da fiscalização no curso do despacho aduaneiro, laudo laboratorial, não merecem ser conhecidos, consoante encartado na Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante ao argumento de prescrição intercorrente cabe esclarecer que o instituto não se aplica no processo administrativo fiscal. Sobre o assunto, citese a Súmula CARF nº 11. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Diante do exposto Nego provimento as preliminares. Mérito – Da Classificação A classificação tarifária pretendida pela recorrente foi afastada com base em laudo técnico que identificou a mercadoria como uma “cera artificial, à base de uma mistura de ésteres de ácido graxo, na forma de pó.” (e fl.81). Notese que a identificação por infravermelho resultou negativa para naftenato, e positiva para éster de ácido graxo. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.008696/200868 Acórdão n.º 3201004.062 S3C2T1 Fl. 132 9 Ainda de se destacar que a identificação por infravermelho (fls. 32), realizada pelo perito oficial, resultou negativa para naftenato e positiva para éster de ácido graxo. O laudo atesta ainda que a mercadoria não se trata de naftenato hidrossolúvel. (efl.81) Com base no laudo técnico, a fiscalização fez uso da Nota 5 do Capítulo 34 e das NESH da posição 3404 do SH para classificar o produto como uma cera artificial. Dentro da posição 3404 prosseguiu para classificar no código NCM 3404.90.19. Lembrese que o art. 30 do Decreto n° 70.235/72 determina ser obrigatório à autoridade julgadora acatar as conclusões dos laudos técnicos produzidos pelo Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Dessa forma, entendo como correto o procedimento de classificação fundamentado em laudo técnico adotado pela fiscalização. Mérito – Das Multas Improcedentes as alegações para dispensa da multa fundamentadas no Parecer COSIT no 477/88, que deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. Ocorre que o ADI SRF nº 13/2002 é restrito para os casos de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim, a indicação indevida de destaque ex. Sendo que o presente caso trata de importação com recolhimento integral, fora, portanto dos casos previstos no referido ADI. A multa de ofício deve ser mantida. Mérito – Da Exigência da Multa prevista no art. 84, I, da MP nº. 2.158 35/2001 O Parecer COSIT nº 477/88 deixou de ter aplicação em virtude do ADI SRF nº 13/2002. O fato gerador em análise ocorreu em 2004, ou seja, sob a vigência do referido ADI. Portanto, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. Mérito – Juros de Mora Sobre o tema dos juros de mora, cabe inicialmente aplicar a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além disso, o entendimento deste colegiado do CARF é de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Prevalece o entendimento de que a obrigação tributária Fl. 136DF CARF MF 10 principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Mérito – Produção de Provas Assim como no juízo a quo, negase o pedido de conversão do julgamento em diligência por já haver laudo técnico do LABANA com elementos suficientes para a reclassificação da mercadoria importada. Ressaltese que tal negativa não implica em cerceamento do direito de defesa, uma vez que a recorrente teve seu direito de defesa garantido com a impugnação tempestiva ao auto de infração, conforme disposição do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário mantendo o crédito tributário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722510/2016-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DE ACÓRDÃO DA DRJ POR INOVAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. DIFERENÇA ENTRE MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO E ACRÉSCIMO DE CRITÉRIO JURÍDICO.
A inovação do critério jurídico destacada pelo art. 146 do CTN representa a modificação completa dos critérios jurídicos adotados pela autoridade lançadora, o que não significa se concretizar quando a delegacia de piso apenas serviu-se de mais um argumento para a manutenção da autuação, e tal argumento não prejudica a defesa da contribuinte
Nulidade que se afasta.
IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO E AQUISIÇÃO DE NOVA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE.
Investimento em participação liquidado e substituído na mesma operação por investimento diverso, cuja aplicação do percentual da participação detida resulta em patrimônio superior demonstra a existência do ganho de capital na operação. Tributa-se o ganho oriundo da diferença entre o valor do patrimônio que foi liquidado e o novo valor do investimento que o substituiu.
Numero da decisão: 1401-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. O Conselheiro Daniel Ribeiro Silva votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Abelson em substituição ao Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, que se declarou impedido de julgar o presente processo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vice-presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Sérgio Abelson.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 NULIDADE DE ACÓRDÃO DA DRJ POR INOVAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. DIFERENÇA ENTRE MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO E ACRÉSCIMO DE CRITÉRIO JURÍDICO. A inovação do critério jurídico destacada pelo art. 146 do CTN representa a modificação completa dos critérios jurídicos adotados pela autoridade lançadora, o que não significa se concretizar quando a delegacia de piso apenas serviu-se de mais um argumento para a manutenção da autuação, e tal argumento não prejudica a defesa da contribuinte Nulidade que se afasta. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO E AQUISIÇÃO DE NOVA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE. Investimento em participação liquidado e substituído na mesma operação por investimento diverso, cuja aplicação do percentual da participação detida resulta em patrimônio superior demonstra a existência do ganho de capital na operação. Tributa-se o ganho oriundo da diferença entre o valor do patrimônio que foi liquidado e o novo valor do investimento que o substituiu.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.716 1 3.715 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722510/201687 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.821 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente ODEBRECHT S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 NULIDADE DE ACÓRDÃO DA DRJ POR INOVAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. DIFERENÇA ENTRE MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO E ACRÉSCIMO DE CRITÉRIO JURÍDICO. A inovação do critério jurídico destacada pelo art. 146 do CTN representa a modificação completa dos critérios jurídicos adotados pela autoridade lançadora, o que não significa se concretizar quando a delegacia de piso apenas serviuse de mais um argumento para a manutenção da autuação, e tal argumento não prejudica a defesa da contribuinte Nulidade que se afasta. IMPOSTO DE RENDA. GANHO DE CAPITAL. LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO E AQUISIÇÃO DE NOVA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. POSSIBILIDADE. Investimento em participação liquidado e substituído na mesma operação por investimento diverso, cuja aplicação do percentual da participação detida resulta em patrimônio superior demonstra a existência do ganho de capital na operação. Tributase o ganho oriundo da diferença entre o valor do patrimônio que foi liquidado e o novo valor do investimento que o substituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. O Conselheiro Daniel Ribeiro Silva votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Abelson em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 10 /2 01 6- 87 Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.717 2 substituição ao Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano, que se declarou impedido de julgar o presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano (Vicepresidente), Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Sérgio Abelson. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração que exige da interessada supra identificada, o recolhimento da importância de R$ 41.444.449,70 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a fato gerador anual ocorrido em 31/12/2012, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Consta no referido Auto de Infração que o lançamento do IRPJ, apurado sob as regras do Lucro Real – apuração anual, decorre de: Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.718 3 Como lançamento decorrente da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foi lavrado também Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da ordem de R$ 15.391.062,09, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Consta no referido Auto de Infração: Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.719 4 Como parte integrante dos Autos de Infração, o Termo de Verificação de Infração, do qual extraímos o que se segue, esclarecendo que a presença de destaques pertencem ao original e, também, alterei a forma de apresentação gráfica original, mantido, evidentemente, os dados informados: Empresas mencionadas: Odebrecht S/A (autuada), Odebrecht Realizações Imobiliárias Investimentos S/A (ORINV), GIF Realty Incorporações Imobiliárias e Participações S/A e GIF III Fundo de Investimentos e Participações (100% de participação na GIF – Realty). Posição até 30/04/2012: Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.720 5 No relato da autoridade fiscal: 3. Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de abril de 2012, os sócios da Odebrecht Realizações Imobiliárias Investimentos S.A. (ORINV), CNPJ nº 10.454.844/000166, apreciaram e deliberaram, dentre outras providências, pela incorporação da Companhia pela GIF Realty Incorporações Imobiliárias e Participações S.A. (GIF Realty), CNPJ nº 10.917.143/000116. 4. Consoante o Laudo de Avaliação e Protocolo de Incorporação e Justificação Relativo a Incorporação da Odebrecht Realizações Imobiliárias Investimentos S.A. (ORINV), pela Gif Realty, o capital da GIF Realty foi aumentado em R$ 779.476.305,51, valor este, que corresponde ao valor do patrimônio líquido da ORINV (R$ 911.878.160,38), descontada a participação de 14,5% da GIF Realty (R$ 132.191.888,07) na ORINV. Sendo assim, o capital da GIF Realty que era de R$ 300.050.800,00 passou a ser de R$ 1.079.527.105,51, representado por 2.069.315.862 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal, que foram distribuídas da seguinte forma: coube a Odebrecht S.A., 1.769.265.062 ações equivalentes a 85,5% do total de ações, e, a GIF III Fundo de Investimentos e Participações, 300.050.800 ações equivalentes a 14,5% do total de ações da GIF Realty após a incorporação. 5. A estrutura organizacional em relação às empresas ora referidas, após a incorporação, pode ser demonstrada graficamente conforme abaixo: Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.721 6 6. O investimento da ODEBRECHT S/A na ORINV estava registrado na conta contábil 131002, pelo valor de R$ 779.474.746,58. Após a incorporação, o valor da participação acionária da Odebrecht S/A na GIF REALTY, considerando sua participação percentual de 85,5% no capital dessa última, resultou em R$ 950.486.547,67, conforme demonstração gráfica acima. 7. Como será demonstrado adiante, após esses eventos de reorganização societária a ODEBRECHT S/A teve um acréscimo patrimonial, um ganho de capital correspondente à diferença entre o valor do investimento na ORINV e o novo investimento na GIF REALTY. 8. De acordo com o artigo 3º, §3º, da Lei nº 7.713/1998, na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. 9. A permuta é uma espécie do gênero alienação. Os efeitos tributários são tratados pela legislação tributária como se alienação fosse, com a devida tributação quando houver diferença entre os valores dos bens entregues e recebidos. As duas únicas formas de permuta ressalvadas pela legislação estão consignadas nos artigos 121, I e 137 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), porém, tais dispositivos versam, respectivamente, de permuta de unidades imobiliárias e entrega de títulos da dívida pública, situações específicas que não se aplicam ao caso em análise. Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.722 7 11. Assim, ocorrendo uma permuta de participações societárias, onde uma empresa substitui sua participação societária por outra, recebendo, em troca, ações em valor superior às que detinha, estará caracterizado um ganho de capital. 10. Nesse sentido, já julgou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPJ. Anocalendário: 2007 PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. RECEBIMENTO DE VALOR SUPERIOR AO ENTREGUE. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. CABIMENTO. Na hipótese de permuta de participações societárias, entre pessoas jurídicas, em que ocorre recebimento de valor superior ao entregue, é cabível a apuração de ganho de capital tributável, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma – Acórdão CSRF/9101002.172 Data da Decisão: 19 de janeiro de 2016. 11. Essa decisão da CSRF se amolda à situação ora tratada. Com efeito, conforme demonstrado nos tópicos 4 e 5, a ODEBRECHT S/A era acionista direta da ORINV, com um percentual de 85,5%. Em 30/04/2012 a ORINV foi incorporada pela GIF REALTY, que detinha 15,5% (sic) do capital daquela empresa. Nesse evento, a ODEBRECHT transferiu a titularidade das ações que detinha na ORINV e recebeu em troca ações da GIF REALTY, passando a ser acionista desta empresa com a participação percentual de 85,5%. Ou seja, houve uma permuta de ações. E, conforme descrito no tópico 6, houve uma diferença positiva entre o valor da participação anteriormente detida na ORINV e a nova participação na GIF REALTY, configurando um ganho de capital. 12. O artigo 418 do RIR/99 trata do ganho de capital: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). [...] Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.723 8 14. Ao proceder os registros contábeis decorrentes da operação abordada nos tópicos 4 e 5, a Odebrecht S/A, atribuiu à sua nova participação acionária na GIF REALTY o mesmo valor que detinha sobre a ORINV (R$ 779.474.746,58), sem considerar que ocorreu um ganho em razão da aplicação do percentual de participação (85,5%) sobre o patrimônio líquido da GIF REALTY. Ou seja, imperiosamente, a Odebrecht S/A deveria ter reconhecido o seu novo investimento na GIF Realty com base no valor do patrimônio desta, e não com base no patrimônio líquido do investimento do qual se desfez. Isso porque os novos investimentos recebidos nunca poderão ser registrados pelo valor dos seus antecessores. [...] 17. Intimada a esclarecer a razão pela qual o investimento em GIF REALTY não foi contabilizado pelo valor correspondente à participação no PL da GIF (R$ 962.582.508,56), o contribuinte respondeu que a diferença questionada decorre do fato de a intimada já haver reconhecido em seu patrimônio líquido o ganho na variação do percentual de participação no investimento na ORINV. Diz que em 2010 a ODEBRECHT S/A era a única acionista da ORINV, e, em maio daquele ano, a ORINV aumentou seu capital social no montante de 84.785.491 ações, correspondentes a 14,5% do capital social. As ações foram integralmente adquiridas pela GIF REALTY pelo valor de R$ 300.000.000,00, sendo R$ 84.785.491,00 destinados ao aumento do capital e R$ 215.214.509,00 destinados à formação de reserva de capital (ágio). 15. Prosseguindo, disse que teve sua participação na ORINV reduzida de 100% para 85,5%, tendo, em contrapartida, registrado um aumento do valor do seu investimento, proporcional ao ágio pago pela GIF, no valor de R$ 214.146.168,00. Esse aumento no valor do investimento em ORINV teria sido contabilizado em contrapartida ao patrimônio líquido, seguindo orientação do item 66 da OCPC 09. 16. Aduziu que essa operação estaria amparada, do ponto de vista fiscal, no artigo 428 do RIR/99, que diz que não será computada na determinação do lucro real o acréscimo ou diminuição do valor do patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. 17. Afirmou que a incorporação da ORINV pela GIF acarretou no aumento da capital social desta última, mediante a emissão de 1.769.262.062 novas ações ordinárias, entregues à ODEBRECHT em substituição às ações da ORINV, que passou a deter 85,5% de participação na GIF. Nessa operação, a parcela representativa do investimento da ODEBRECHT na ORINV, no valor de R$ 779.476.305,00, no qual já estaria considerado o valor de R$ 214.146.168,00, foi incorporada ao patrimônio da GIF, passando a contribuinte a ser sócia desta empresa. Com Fl. 3723DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.724 9 isso, o cálculo da equivalência patrimonial do investimento da ODEBRECHT na GIF excluiu o valor de R$ 214.146.168,00, já reconhecido desde maio de 2010, como acréscimo ao investimento na ORINV, evitando que o efeito da participação não seja registrado em duplicidade. 18. Concluiu que, ao final, passou a deter participação na GIF REALTY, cujo patrimônio já incluía o ágio pago na subscrição das ações da ORINV em 2010. Por outro lado, os efeitos decorrentes do referido ágio já teriam sido reconhecidos, conforme explicado anteriormente. Assim, ao calcular sua participação de 85,5% do patrimônio líquido da GIF, o contribuinte subtrai o valor de R$ 214.146.168,07 relativo ao ganho que teria sido reconhecido em 2010. 19. A explicação do contribuinte não se presta a excluir a tributação do ganho de capital ocorrido em 30 de abril de 2012. Primeiro porque se trata de operações e fatos geradores distintos. O que se está tributando é o acréscimo patrimonial, o ganho de capital auferido com a permuta de participações acionárias que o contribuinte detinha em uma empresa e passou a deter em outra. O ganho de capital é decorrente da participação que a ODEBRECHT passou a deter no PL da GIF (superior ao da ORINV). É disso que se trata! 20. O segundo ponto a esclarecer é que o investimento na ORINV estava registrado na contabilidade da ODEBRECHT pelo método da equivalência patrimonial, no valor de R$ 779.474.746,58. Este valor considera o PL da ORINV em abril de 2012, no qual se inclui o ágio recebido em 2010 (contabilizado em reserva de capital). No cálculo do ganho de capital, que será demonstrado adiante, o custo de aquisição é o valor contábil (R$ R$ 779.474.746,58), ou seja, o acréscimo no investimento (ORINV) decorrente da operação de 2010 está sendo considerado no cálculo do ganho de capital, como custo de aquisição. Assim, não há o que se falar em duplicidade. [...] 27. Cabe ressaltar que o ganho obtido pelo contribuinte através da aplicação da equivalência patrimonial sobre o PL da ORINV está atingido pelo disposto no artigo 428 do RIR/99, e, portanto, não tem reflexo tributário. Porém, esses é um dos lançamentos contábeis, o qual reconhece o ganho na variação. O outro lançamento, e esse é o que interessa ao presente caso, é o aumento no valor do investimento em ORINV. E, como dissemos nos tópicos 19 e 20, esse aumento reflete no custo de aquisição do investimento. 28. Pelo exposto, concluise que a operação de incorporação de ações da empresa ORINV, na qual a ODEBRECHT S/A entregou as ações que detinha nesta empresa para a GIF REALTY, a título de integralização de capital, recebendo, em permuta, ações da incorporadora, representou um ganho de capital para a ODEBRECHT S/A, na medida em que o valor das ações Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.725 10 recebidas foi superior ao valor contábil das ações anteriormente detidas. [...] 31.Desse modo, o ganho de capital decorrente dessa operação deixou de ser oferecido à tributação, fazendose necessário o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário, conforme demonstrado abaixo: DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos, a Contribuinte apresentou sua impugnação, onde, após fazer um breve relato dos fatos relatados pela autoridade fiscal, reconhece que “...não há discrepância entre o TVI e os fatos tal como acontecidos, mas há evidente equívoco de interpretação dos mesmos, e negativa de aplicação de normas legais expressas, quando a conclusão da fiscalização é no sentido de que houve ganho de capital por se tratar de permuta.” Acréscimo escritural intributável, decorrente do MEP Neste tópico, enfatiza que o MEP é fiscalmente neutro, transcrevendo os artigos 20, 22, 23 25 e 33, todos pertinentes do DecretoLei 1.598/77, onde concluiu: No caso concreto, a impugnante cumpriu a normatização recorrente do MEP, pois manteve neutro qualquer ganho que adviria dele em decorrência da incorporação, dado que manteve seu custo de aquisição anterior ao ato. Mais ainda, a impugnante agiu na contabilidade seguindo as práticas contábeis introduzidas no Brasil a partir da Lei n. 11.638, e o fez da maneira a mais conservadora possível, ou seja, descontando do PL da GIFREALTY o ágio que esta pagou para adquirir 14,5% da ORINV, o qual já integrava o valor contábil do investimento da impugnante desde 2010, com isto evitando a duplicidade de um mesmo custo, que tem sido objeto de vários autos de infração e de decisões do CARF e da CSRF. [...] Isto somente sob o ponto de vista do MEP, mas outra violação, a ser explicitada adiante, foi tratar como permuta o que não é permuta. Conseqüente falta de fundamento legal para os lançamentos Fl. 3725DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.726 11 Primeira parte: nulidade e improcedência dos autos de infração Neste tópico, a Impugnante contesta os dispositivos legais citados no Auto de Infração, destacando que “...o TVI chega a referirse ao art.3º da Lei 7.713, mas este é relativo ao imposto de renda das pessoas físicas, logicamente inaplicável às jurídicas.” Que o art.418 do RIR/99 trata de ganho de capital na alienação de investimentos, que não teria ocorrido, uma vez que “...o investimento continuou a existir.” Que o art.426 do RIR/99 também não procede, pois na conta de investimento da Impugnante não havia deságio. Os demais artigos, todos eles, contem disposições genéricas ou tratam de outros assuntos “...e nenhum deles contém em sua hipótese de incidência qualquer relação com permuta.” Que o dispositivo mais próximo do ocorrido seria o art.428 do RIR/99, mas que este “...somente trata da situação que ocorreu com a Impugnante em 2010, quando a GIF REALTY subscreveu capital da ORINV, e não diz respeito à incorporação desta por aquela em 2012, que é objeto da autuação.” Ainda a falta de fundamento legal para os lançamentos Segunda parte: impossibilidade de tratar incorporação como permuta, e em incorporação não há ganho de capital tributável Neste tópico trata de destacar que não houve permuta conforme aludido pela Fiscalização, que o que existiu foi a incorporação da ORINV pela GIF REALTY. Discorre, longamente, acerca dos conceitos e diferenças entre esses atos jurídicos, cumprindo transcrever alguns excertos (destaques do original): Em suma, a tentativa dos D.AuditoresFiscais, de tributar uma acionista de uma companhia incorporada, cujas ações foram substituídas por ações de outra companhia, como se tratasse de permuta, não encontra respaldo mínimo, mormente porque não lhes é permitido pela lei que se afastem dela, dizendo que incorporação é permuta ou viceversa, quando a lei diz que este ato é incorporação e aquele negócio é permuta, distinguindo claramente um do outro. [...] A conclusão inelutável é a de que, no ato de incorporação, processase ao mesmo tempo subrogação real das novas ações no lugar das substituídas, e subrogação pessoal da companhia incorporadora no lugar da companhia incorporada. [...] E a conseqüência clara é de que o patrimônio do titular das ações da sociedade incorporada, quanto às novas ações recebidas em substituição, resta na mesma posição em que se encontrava antes do ato de incorporação quanto às ações que Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.727 12 foram substituídas, constatandose que o único custo possível para as novas ações, no seu patrimônio, é o custo das ações substituídas, porque ele nada mais despendeu para passar a ter as novas ações em lugar das antigas. [...] A propósito de fusão, incorporação e cisão, o serviço “Perguntas e Respostas – IRPF” da RFB, alude expressamente ao Parecer Normativo CST n. 39/81, nos seguintes termos: “568. Qual é o tratamento tributário na substituição de ações ocorrida em virtude de cisão, fusão ou incorporação? A substituição de ações, na proporção das anteriormente possuídas, ocorrida em virtude de fusão, incorporação ou cisão, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro, não caracteriza alienação para efeito da incidência do imposto sobre a renda. A data de aquisição é a de compra ou subscrição originária, não tendo havido emissão ou entrega de novos títulos representativos da participação societária. Atenção: O montante das novas participações societárias deve ser igual ao custo de aquisição da participação societária originária”. Não se pode deixar de destacar o entendimento, que, portanto, é reiterado, contido nessa manifestação fazendária, de que na incorporação não existe alienação para feitos de incidência do imposto de renda, e de que o custo de aquisição das novas ações é o mesmo da participação societária original. Isto significa que não há ganho tributável. Ainda a falta de fundamento legal para os lançamentos Terceira parte: a não tributação relativa ao aumento de capital de 2010 e sua irrelevância para o processo sobre a incorporação de 2012 Com todo respeito ao trabalho dos Srs. Auditores Fiscais, a impugnante tem que apontar que a falta de fundamentação legal para as exações que lançaram cobre (sic) a incorporação de 2012 também está patenteada pela longa atenção que deram ao aumento de capital ocorrido em 2010, pelo qual a GIF REALTY subscreveu capital da ORINV com ágio. Naquela ocasião, o ágio pago pela GIF REALTY e que foi creditado à reserva de ágio, refletiu na conta de investimento da impugnante na ORINV por força do MEP, mas nenhuma incidência tributária ocorreu porque o acréscimo patrimonial da impugnante foi excluído do lucro real em virtude da submissão da situação a duas normas excludentes. Fl. 3727DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.728 13 A primeira norma já foi citada, mas merece ser relembrada. Tratase do parágrafo 2º do art.33 do Decretolei n.1.598, o qual reza: “§ 2o Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada.” O fato então ocorrido subsumiuse à hipótese de incidência dessa norma, de tal arte que sua parte dispositiva – não computação no lucro real – aplicouse perfeitamente. Realmente, a GIF REALTY subscreveu capital da ORINV, em decorrência do que a impugnante teve sua participação reduzida de 100% para 85,5%, mas esta porcentagem aplicada ao PL da ORINV após o aumento, representou um ganho que o parágrafo 2º textualmente manda excluir do lucro real. A segunda norma tem origem antiga. Realmente, desde os anos 60 do século passado há norma sobre a não tributação dos ágios, para a pessoa jurídica e par seus sócios ou acionistas. Essa norma, não revogada até hoje, está no art.58 da Lei n. 4.728, de 1965, a qual sofreu alteração pelo art.49 da Lei n. 4.862, também daquele ano, tendo a seguinte redação após esta: Art.58. Na emissão de ações, as importâncias recebidas dos subscritores a título de ágio não serão consideradas como rendimento tributável da pessoa jurídica, constituindo obrigatoriamente reserva específica, enquanto não forem incorporadas ao capital da sociedade. §1º. Não sofrerão nova tributação na declaração de pessoa física, ou na fonte, os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a utilização das importâncias recebidas a título de ágio, quando realizados, nos termos deste artigo, por sociedades das quais sejam as referidas pessoas físicas acionistas, bem como as novas ações distribuídas em virtude daqueles aumentos de capital. § 2º As quantias relativas aos aumentos de capital das pessoas jurídicas, mediante a utilização de acréscimos do valor do ativo decorrentes de aumentos de capital realizados nos termos deste artigo por sociedades das quais sejam acionistas, não sofrerão nova tributação. Posteriormente, o Decretolei n. 1.598, no inciso I do seu art.38, expressamente manteve a regra relativamente à pessoa jurídica, a fim de adaptála à então nova Lei n. 6.404, dizendo: “Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: Fl. 3728DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.729 14 I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital;” A legislação sofreu evolução sem jamais alterar a essência da intributabilidade dos ágios, como se pode notar pelo art.658 do RIR/99, particularmente no seu parágrafo 4º, inciso I. Com efeito, o “caput” do art.658 decreta: “Art.658. Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto na fonte (Lei n. 8.849, de 1994, art.3º, e Lei n. 9.064, de 1995, art.2º).” E, a respeito das condições para a isenção, o referido parágrafo ressalva: “Parágrafo 4º. O disposto no parágrafo anterior não se aplica nos casos de (Lei n. 8.849, de 1994, art.3º, §5º, e Lei n. 9.064, de 1995, art.2º): I – aumento do capital social mediante incorporação de reserva de capital formada com ágio na emissão de ações com o produto da alienação de partes beneficiárias ou bônus de subscrição, ou com correção monetária do capital;” E é em coerência com tal disposição, que o retro transcrito art.33, parágrafo 2º do mesmo Decretolei n. 1598, também prescreveu que o ganho de capital dentro do método da equivalência patrimonial, nas mesmas situações de ágio para a pessoa jurídica a que se refere a participação (além de outras hipóteses), é ganho não tributável. [...] Naquele evento, o valor do aumento na conta de investimento da impugnante na ORINV foi isento de tributação e passou a integrar o custo do mesmo, segundo a lei, nada tendo a ver com o suposto ganho de capital ocorrido em 2012. Aparentemente, o TVI sem qualquer base legal, pretendeu cobrar em 2012 o tributo que não poderia ter sido cobrado em 2010 face à norma isencional, e que também não mais poderia cobrar por efeito da decadência. Ainda a falta de fundamento legal para os lançamentos Quarta parte: mesmo que houvesse permuta teria sido intributável Discorre longamente acerca do conceito de permuta, com citações a atos normativos da RFB e a pareceres da PGFN, para concluir que inexiste tributação na permuta, com exceção dos casos em que há torna. Base de cálculo Fl. 3729DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.730 15 A Impugnante não tem como aferir os cálculos efetuados pela fiscalização autuante, a qual ora faz uma afirmação, ora faz outra. De fato, no item 7 do TVI consta que o ganho de capital corresponde à diferença entre o valor do investimento na ORINV e o novo investimento na GIF REALTY. Porém no item 32 consta que a apuração do ganho de capital deverá ser feita considerando a diferença entre o valor contábil do ativo transferido (ações da ORIMOB) e o valor do novo ativo recebido na permuta (ações da GIF REALTY), e que o valor será obtido pela multiplicação da participação pertencente à impugnante e o valor patrimonial da GIF. São, pois, dois critérios que eventualmente podem conduzir a resultados diferentes, mas os cálculos não estão explicitados para poderem ser conferidos pela impugnante, o que, salvo se devidamente explicado, configurará nulidade por prejudicar o amplo direito de defesa. Descabimento de multa e juros Neste tópico alega que seguiu entendimento em atos administrativos e pareceres normativo e da PGFN, de forma que nos termos dos incisos I e III do art.100 do CTN, não caberiam quaisquer acréscimos. A decisão da DRJ, do agora ilustre Conselheiro Cláudio Camerano dessa turma, restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 Incorporação. Liquidação de Investimentos. Troca (Substituição) de Participações Societárias. Recebimento de Valor Superior ao Entregue. Ganho de Capital. Na incorporação com extinção de ações, verificandose que a participação societária que a autuada detinha na incorporada mantevese a mesma na incorporadora, o acervo líquido recebido (em substituição das ações extintas) revelouse superior ao custo contábil do investimento liquidado, cabendo a apuração de ganho de capital. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 Lançamento Reflexo. Mesmos Eventos. Decorrência. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos Fl. 3730DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.731 16 respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: 01) Preliminar de nulidade inovação na fundamentação da autuação fiscal em lide. Aduz que, os julgadores de primeira instância, ao decidir manter a exigência fiscal deram novo fundamento legal à autuação lavrada e admitiram que a aplicação do instituto da permuta ao caso, era inadequada, e como, a seu ver, não influía na solução do litígio, restavam “prejudicadas as alegações da Impugnante neste sentido, uma vez que, de fato e de direito houve uma extinção ou liquidação de investimentos”. Argumenta que restaram prejudicadas as alegações de defesa da recorrente quando os julgadores de 1ª instância, por unanimidade, não sentiram qualquer pejo em alterar expressamente a fundamentação legal que suporta os autos de infração, tratando de questões que sequer haviam sido abordadas pela fiscalização e, portanto, pela recorrente, em sua impugnação, sendo evidente o prejuízo ao seu direito de defesa. Alega violação aos arts. 142, 146, inciso III do art. 145 c/c 149, todos do CTN. 02) Acréscimo escritural intributável, decorrente do MEP Para justificar a neutralidade do MEP arguiu os arts. 42 e 43 do CTN e 20, 22, 23, 25 e 33 do Decreto Lei 1.598/77. Diz que se apura o valor do ganho ou perda com base no valor do custo do investimento sem considerar deságio. Argumenta que a jurisprudência reconhece não haver realização de ágio na incorporação. Argumenta mais uma vez a nulidade da autuação por não terem sido expressos os fundamentos do auto de infração. 03) Falta de fundamento legal para manutenção dos lançamentos. Impossibilidade de tratar incorporação como permuta ou como liquidação da pessoa jurídica. Em incorporação não há ganho de capital tributável. Argumenta que: "Em suma, a tentativa dos D. AuditoresFiscais, de tributar uma acionista de uma companhia incorporada, cujas ações foram substituídas por ações de outra companhia, como se se tratasse de permuta, não encontra respaldo mínimo na lei, mormente porque não lhes é permitido pela lei que se afastem dela, dizendo que incorporação é permuta ou viceversa, quando a lei diz que este ato é incorporação e aquele negócio é Fl. 3731DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.732 17 permuta, distinguindo claramente um do outro, valendo, aqui, as mesmas ponderações quanto a alteração da fundamentação para a hipótese de liquidação". Diz que a falta de fundamentação para a tributação do evento, eiva de nulidade toda autuação. Discorre longamente sobre a questão da disponibilidade econômica e que não há qualquer tributação na incorporação. Que o que ocorreu foi simplesmente uma "troca" de ações por outras, tendo em vista a incorporação da sociedade anteriormente investida e a nova sociedade. Argui ainda que os atos, ou negócios jurídicos estão perfeitos e não há qualquer ilegalidade capaz de desconfiguralós, nesse sentido, argumenta que "em virtude deste arcabouço jurídico fundamental, os atos ou negócios jurídicos regularmente praticados perante o direito privado geram efeitos tributários que estão previstos nas correspectivas normas do direito tributário, e não podem gerar outros efeitos fiscais que não lhes sejam decorrentes." Aduz ainda, que não há qualquer tributação nos acionista em virtude das transformações de suas investidas. Assim, tendo ocorrido a incorporação, não pode o sócio ser tributado pela conduta de outrem. E mais, diz que "os efeitos jurídicos decorrentes da incorporação, portanto, são claros: trespasse do patrimônio da pessoa jurídica incorporada para o da incorporadora, persistência do vínculo social sem solução de continuidade, admissão dos acionistas da incorporada na incorporadora. São todos efeitos incompatíveis com a noção de renda realizada, perfeitamente compatíveis com a noção de subrogação." E concluí: "enfim, nestas situações a tributação depende da posterior realização de qualquer ganho, através de alienação das ações recebidas em substituição das anteriores por valor superior ao do respectivo custo, e não há incidência no ato da incorporação, nem a título de suposta permuta, muito menos no ato da liquidação de investimentos." 04) A não tributação relativa ao aumento de capital de 2010 e sua irrelevância para o processo sobre a incorporação de 2012 Aduz em síntese, que: "Naquele evento, o valor do aumento na conta de investimento da recorrente na ORINV foi isento de tributação e passou a integrar o custo do mesmo, segundo a lei, nada tendo a ver com o suposto ganho de capital ocorrido em 2012." 05) Ainda que houvesse permuta ou liquidação, teriam sido intributáveis Discorre sobre o tema citando leis, jurisprudência desse Conselho e pareceres normativos objetivando demonstrar que nem a permuta, nem a incorporação ou eventual liquidação seriam fatos geradores do IR e CSSL. Nesse sentido conclui: "Crê a recorrente já estar demonstrada a impossibilidade da equiparação de um ato jurídico de incorporação de pessoa jurídica a um contrato de permuta ou ao procedimento de extinção da sociedade por liquidação, seja no âmbito do direito privado, seja no do tributário, de modo que, a rigor, não precisaria adentrar na questão da não incidência do IRPJ e da CSL sobre o negócio jurídico da permuta e seus Fl. 3732DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.733 18 efeitos (uma vez que liquidação não é negócio jurídico e sua distinção entre a incorporação já foi satisfatoriamente realizada, até por ser autoevidente serem figuras jurídicas diversas). Todavia, por exigência processual, a recorrente se defende da alegação de ter tido ganho tributável em virtude de permuta, pois foi esta, efetivamente, a alegação de direito em que se baseou a autuação em lide, mesmo que esta fundamentação tenha sido alterada pelo acórdão recorrido, afastando todos os argumentos a ele relativos (e até por isso). Ademais, como na sua caracterização da incorporação como espécie de liquidação de investimentos em que há recebimento da participação anteriormente detida por meio de troca de ações entre as partes, as considerações feitas a seguir são perfeitamente aplicáveis a qualquer tipo de troca ou permuta sem torna, como foi o caso destes autos. De modo, que a recorrente pede vênia para repisar aqui as considerações, feitas em sua impugnação, que demonstram ser a permuta um tipo de negócio jurídico cujo contrato está fora do campo de incidência do IRPJ e da CSL." 06) Descabimento de multa e juros Caso fosse possível a cobrança do IRPJ e da CSL, sobre tais tributos não poderiam ser cobrados multa e juros, uma vez que a recorrente agiu em conformidade com atos normativos e com prática reiterada da RFB. Por fim, requer a improcedência do Auto por todos argumentos expostos, bem como, na eventual possibilidade de manutenção, que não lhe seja imputado multas e juros. Esse é o relatório do essencial. Voto Vencido Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. 01) Preliminar de Nulidade por alteração de critério jurídico Argui a recorrente, que a decisão da DRJ inovou na fundamentação da autuação e por esse motivo, deveria ser reconhecida a sua nulidade. Entretanto, tal nulidade somente se operará em virtude de tal modificação ter prejudicado a defesa da contribuinte. Ademais, a inovação trazida pela delegacia não foi o fundamento primordial para manter o lançamento, isto porque a DRJ trouxe também os fundamentos utilizados pela fiscalização, o que denota que somente houve um acréscimo no fundamento da autuação, não prejudicando o lançamento fiscal Pois bem, duas são as razões que não permitem reconhecer a nulidade, são elas: (i) a decisão da DRJ apenas acrescentou fundamentação à autuação; (ii) conforme reconhecido pela recorrente, irrelevante qualquer uma das fundamentações, pois ambas seriam intributáveis (conforme exposto no último item do recurso voluntário da contribuinte). Fl. 3733DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.734 19 Nesse sentido, o próprio acórdão da DRJ cita que a fundamentação legal da autuação permaneceria, pois em quaisquer um dos casos, o que se busca demonstrar é o ganho de capital ocorrido na sociedade investidora. Nesse sentido, qualquer uma das formas expostas, quer a permuta, quer a liquidação seria hipótese de incidência , na visão da DRJ para o pagamento do IR e da CSL na operação que se pretende tratar como fato gerador. Por outro lado, como bem argumentado em seu último tópico do recurso, na minha visão, e também da própria recorrente, tanto faz se o que ocorreu foi permuta ou liquidação. Nessa parte o ilustre Relator da decisão primeva e a Contribuinte não ousam discordar. Em qualquer uma das hipóteses, conforme argumentado pela DRJ, a operação seria tributável, ou ainda, na visão do contribuinte, a operação seria isenta, não tendo efeitos tributários para os acionistas e ocasionalmente, tãosomente, para a sociedade que foi transformada. Por esses motivos, afasto a nulidade arguida e passo ao mérito da autuação. 02) No mérito Analisando os autos para bem compreender as operações de reestruturação societária levadas a efeito pela Recorrente, necessário, em caráter preliminar, esboçar a minha compreensão sobre os fatos. Na Ata de Assembléia Geral Extraordinária da sociedade Odebrecht Realizações Imobiliárias Investimentos S.A. (ORINV), os sócios desta, a saber: ODEBRECHT e GIF Realty Incorporações Imobiliárias e Participações S.A. (GIF Realty), deliberaram pela incorporação da ORINV com base em Laudo de Avaliação pelo critério patrimonial. Em decorrência dessa operação, o capital da GIF Realty foi aumentado em R$ 779.476.305,51, valor este que corresponde ao valor do patrimônio líquido da ORINV (R$ 911.878.160,38), descontada a participação de 14,5% que a GIF Realty (R$ 132.191.888,07) já detinha na ORINV. Sendo assim, o capital da GIF Realty,que era de R$ 300.050.800,00, passou a ser de R$ 1.079.527.105,51, representado por 2.069.315.862 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal. Sabese que nas operações de incorporação a relação de substituição de ações toma um aspecto central. Isto porque, pela determinação do valor comparativo das ações da sociedade incorporada e da incorporadora se fará a retribuição aos acionistas pelas ações extintas por eles detidas na sociedade incorporada. Em regra, essa retribuição se dá através da determinação de justa contrapartida em ações de valor equivalente na sociedade incorporadora, de modo que os acionistas que tiveram suas ações extintas não suportem quaisquer prejuízos econômicos. A verdade é que essa lógica sempre procurou preservar os direitos de minoritários em operações do gênero, que não podiam se opor a sua realização. Como forma de contrabalançar o jogo de forças, a lei buscou proteger os minoritários, primeiro obrigando a ampla publicidade da operação com todas as condições do negócio, de sorte que eles pudessem ter ciência da sua nova condição política e patrimonial na sociedade incorporadora. Com efeito, os órgãos das sociedades envolvidas deverão firmar um Protocolo de Incorporação descrevendo as condições Fl. 3734DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.735 20 do negócio, inclusive os critérios utilizados para determinar as relações de substituição das ações, na conformidade do art. 224 da lei do anonimato: "Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: I o número, espécie e classe das ações que serão atribuídas em substituição dos direitos de sócios que se extinguirão e os critérios utilizados para determinar as relações de substituição; III os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores" Assim, impõese conhecer o Protocolo de Incorporação da sociedade ORINV a verificar as condições do negócio e os critérios que nortearão as relações de troca das ações, lembrando que nem a Assembléia Geral poderá modificar os termos do Protocolo, que se afigura como um pré contrato, que vincula a vontade das sociedades envolvidas. A despeito de ser um pré contrato, preenche ele todas as condições do negócio, em bases definitivas, e não meramente preliminares. Sobre o método de avaliação das ações, Bulhões Pedreira já dizia que as sociedades são livres para convencionar a relação de substituição de ações e o valor atribuído ao patrimônio líquido da sociedade a ser incorporada, mas, para preservar a realidade do capital social, a lei requer avaliação do patrimônio líquido da incorporada com as mesmas cautelas adotadas na formação de capital social em bens, e não em dinheiro (A Lei de S/A, ed. Renovar, Rio de Janeiro, v. II, p. 562 e 563). Percorrendo o Protocolo de Incorporação da sociedade ORINV percebese que a operação envolveu troca de ações (permuta) pela qual a ODEBRECHT, sócia majoritária da ORINV, tendo as suas ações extintas na sociedade incorporada, recebe, em contrapartida, como forma de remuneração, ações da GIF Realty, sociedade incorporadora, mantendo, a propósito, a mesma participação original de 85,5% que detinha na ORINV. Por força da operação aludida, o capital da GIF Realty passou de R$ 300.050.800,00 para R$ 1.079.527.105,51, representado por 2.069.315.862 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal. Coube a Odebrecht S.A. o total de 1.769.265.062 ações equivalentes a 85,5% do total de ações, e a GIF III Fundo de Investimentos e Participações, o equivalente a 300.050.800 ações, correspondentes a 14,5% do total de ações da GIF Realty após a incorporação. A recorrente não nega esse efeito patrimonial, mas aponta que a avaliação pelo método de equivalência patrimonial, por se tratar de método obrigatório de avaliação contábil que reflete possíveis resultados futuros, deve ser fiscalmente neutro. É o que passarei a comentar em seguida: O art 43 do CTN é expresso ao estabelecer que o imposto de renda incidirá sobre a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Todavia, definir o aspecto temporal ou material que determina essa disponibilidade é tarefa que desafia o interprete da legislação como um todo. Fl. 3735DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.736 21 Para grande parte da doutrina brasileira, a disponibilidade econômica deve ser entendida como disponibilidade financeira, ou seja, quando do recebimento efetivo do valor classificado como renda. Em outras palavras, aquele momento em que se pode dispor, de direito e de fato, material e diretamente, da riqueza livre e desembaraçada. Detendose apenas no aspecto temporal de materialização da renda, que é o que importa para a análise do caso concreto, entendese que o conceito de realização da renda confundese com a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, sendo tida como o momento segundo o qual existirá o aspecto patrimonial. Em alguns casos, até podemos admitir que o Fisco, com receio de que aquela riqueza não seja tributada em momento algum, possa criar algumas artificialidades para bem alcançar o seu objetivo, como é o caso de lucros de controladas no exterior. O mesmo raciocínio se aplica para empresas domiciliadas em paraíso fiscal, em que pese não distribuírem riqueza, ainda assim ficam sujeitas a tributação devida. Contudo, no caso em tela, estamos diante de sociedades nacionais. Portanto, se houve efetivamente alguma manifestação de riqueza ou ocorrência de acréscimo patrimonial com o que concordamos em razão das alterações societárias resultado da incorporação, não se vislumbra, por outro lado, a citada disponibilidade econômica ou jurídica, a indicar a ocorrência do fator gerador do imposto de renda. Com relação ao MEP, cumpre destacar que tal método apenas permite que os investimentos sejam avaliados a preço que possam ser alienados eventualmente à terceiros. Não há qualquer efeito fiscal nesse método. Assim, a sua neutralidade fiscal é a própria razão do MEP. O Método de Equivalência Patrimonial foi introduzido na lei brasileira para avaliar determinados investimentos em outras pessoas jurídicas através do patrimônio líquido contábil que elas apresentam, e não, como é a regra geral, pelo valor do custo do investimento. O MEP busca demonstrar o valor real de determinadas pessoas jurídicas, pois eventualmente, o custo de investimento não refletiria o valor do negócio. Contudo, o fisco tende a encarar o MEP como algo que poderia gerar efeitos ficais. Quando a diferença for a menor, não se questiona a possibilidade de tais valores não produzirem quaisquer efeitos na investidora, mas quando os efeitos são para maior, pode haver uma confusão, como estamos presenciando nesses autos. Assim, as empresas investidoras não podem deixar de fazer refletir em seus balanços os valores de investimentos nas investidas com as implicações inerentes à equivalência patrimonial no que diz respeito à neutralidade dos efeitos tributários. Isso não gera, por assim dizer, retorno de benefícios ou realização de ganhos suscetíveis de tributação, que somente serão perceptíveis no momento em que o contribuinte realizar a alienação do ativo em sentido amplo. Os ganhos suscetíveis de tributação se impõem na realização de lucros que acarrete transferência de resultados. Aí, sim, existe a exteriorização do fato gerador do tributo. Em outras palavras, apenas na realização de lucros ou de prejuízos permanentes haverá ou não a imposição do imposto. Nesse sentido, importante observar que temos a problemática da nulidade da autuação arguida pela contribuinte, e, ainda, a dificuldade de enquadrar a operação em permuta ou liquidação de investimento pelo simples fato de que, a operação realizada pelo contribuinte, a meu ver, foi uma incorporação com permuta de ações, mas essa permuta não atrai a incidência do Imposto de Renda. Devese salientar que o próprio Fisco sequer mencionou se a Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.737 22 referida permuta foi com ou sem torna. Mais: sequer desqualificou a operação para mostrar que, no fundo, as partes buscavam uma alienação de ações entre as sociedades envolvidas, com atribuição de vantagens patrimoniais a Recorrente. Tivesse o Fisco produzido essa prova, talvez a conclusão fosse outra, a encaminhar a análise para a via da simulação. Vejamos que a problemática reside exatamente em uma simples constatação: Houve acréscimo patrimonial da Recorrente, mas o ganho de capital que pudesse ensejar a tributação da renda não ocorreu. Faltou a verificação do FATO GERADOR. O que aconteceu nesses autos foi uma incorporação, ou seja, a empresa investida não mais existe. O que aconteceu posteriormente? Houve a "troca" das ações da incorporada por ações da incorporadora. Contudo, optou o contribuinte por "trocar" essas ações a que faria jus por outras ações de emissão da incorporadora, mantendo a mesma participação que detinha na incorporada. Nesse caso, não haveria qualquer tributação, a menos que o Fisco desqualificasse a operação para mostrar que as sociedades envolvidas tencionaram, no fundo, a venda de participação societária na ORIMOB, sociedade na qual a GIF Realty passou a deter participação de 14,5%. Notase que não foi isso o que fez o Fisco. Simplesmente apontou um acréscimo patrimonial da Recorrente, materializado pela via da permuta de ações numa incorporação de sociedade e entendeu que essa permuta se enquadrava no conceito amplo de alienação, para efeito de incidência do imposto de renda. Todavia, insisto, não houve disponibilidade econômica nessa operação de incorporação e permuta de ações. Nesse sentido, verifico a dificuldade de enquadramento da situação em análise em quaisquer uma das hipóteses de incidência do Imposto. Portanto, conforme exposto na peça recursal, se foi permuta ou se foi liquidação, nenhuma das duas seriam configuradas para a tributação do Imposto sobre a Renda e seus reflexos. Assim, vejamos que nem se tentou desconsiderar a reorganização societária para fins estritamente tributários. Há a comprovação de todos os fatos ocorridos, não se falando, em qualquer momento, sobre a natureza meramente formal ou atos praticados com a única e exclusiva intenção de evitar incidência da exação, como há muito se tem julgado nesse Conselho. Estamos aqui diante de operações lícitas e reconhecidas pelo fisco. Não há alienação, não se demonstrou a permuta com torna e a liquidação do investimento é decorrente da própria operação, como, a rigor, ocorreria em toda e qualquer transação, mas esta liquidação é insuscetível de tributação, nos moldes como quis ver o Fisco. A incorporação e a subsequente permuta não autoriza a exigência do Imposto de Renda nem da CSLL diante da inexistência de fundamentação legal que autorize a incidência dos impostos, pois não há efetiva disponibilidade de renda. Não houve a comprovação de venda das ações detidas pela Recorrente. O que ocorreu no caso em tela foi a troca de títulos por outros títulos. Vejase que o Fisco sequer demonstrou que as novas ações contabilizadas o foram por valor superior ao valor contabilizado (ou valor de custo). Ainda que assim o fosse, reitero que este fato não permite dizer que houve acréscimo patrimonial ou ganho de capital suscetível de tributação, visto que não há qualquer disponibilidade efetiva de renda. Esta somente se verificará quando o contribuinte efetuar a alienação da participação societária, recebendo, em contrapartida, o preço. O ganho de capital, portanto, depende da realização da renda. Fl. 3737DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.738 23 O conceito de realização de renda é reconhecido como um conceito necessário do ponto de vista jurídico para evitar a descapitalização dos contribuintes e preservar a sua capacidade contributiva. Por outro lado, eventual comportamento abusivo do contribuinte poderia desqualificar a operação como tal, fazendo incidir a “realização” que fora propositalmente ocultada, simulada, artificialmente camuflada em verdadeiro simulacro com o único objetivo de afastar a incidência do imposto. Nestes casos, deve ser eliminado ou desconsiderado o abuso praticado e perseguir a realização que se quis ocultar. O conceito de alienação para efeito fiscal deve estar informado também pelo requisito da realização, a não ser que haja outras razões imperativas que se sobreponham aos seus objetivos. Existem regras que claramente incorporam o princípio da não realização, que é a antiga figura da reavaliação, atualmente o chamado ajuste a valor justo (AVJ). Refletese contabilmente a valorização econômica, mas ela não deve ser tributada enquanto não for realizada. A Lei n.º12.973/14 passou expressamente a permitir a tributação do ganho decorrente da avaliação de ativo apenas no momento de sua realização. Ora, se a mesma lei dispõe que o ganho de capital eventualmente apurado nas operações mencionadas somente seria tributado na sua alienação ou futura realização, lógico reconhecer, pelos princípios econômicos e jurídicos de neutralidade e da não contradição, que os ganhos apurados ou cristalizados nas mesmas operações não representam jurídica e economicamente “realização.” De fato, com o ajuste a valor justo (AVJ) tem por objetivo capturar um ganho potencial do bem para fins de evidenciação contábil (tal como o MEP), não se podendo caracterizálo como renda realizada. Tratase de mera aproximação do valor que se poderia receber numa transação com terceiros1. A positivação dessa regra de diferimento corrobora a correção do entendimento de boa parte da doutrina e jurisprudência que defende a inexistência de ganho de capital no momento da permuta. Portanto, o acréscimo da eventual permuta só poderia ser considerado incorporado ao patrimônio da recorrente como tributável em momento futuro, quando ocorrer a efetiva realização do ativo e a consequente aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda prevista no art. 43 do CTN e os princípios que informar a própria legislação ordinária do Imposto de Renda. Nesse sentido, não há que se falar sobre ganho ou perda de capital em relação à incorporação e a permuta de ações. Afinal, conforme exposto acima, não houve a realização do investimento. Tanto não houve que se buscou o MEP para a base de cálculo do imposto eventualmente devido. Não sendo o MEP base de cálculo de imposto, e, ainda, demonstrada que a legislação do imposto de renda apenas configura a hipótese de incidência (com algumas 1 Lei nº 6.404/1976: "Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) §1º Para efeitos do disposto neste artigo, considerase valor justo: (...) c) dos investimentos, o valor líquido pelo qual possam ser alienados a terceiros (...)" Fl. 3738DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.739 24 exceções), quando da realização do investimento, não tendo esse sido realizado, impossível atribuir validade a atuação. Com relação a aplicação do art. 100 do CTN, deixo de avaliálo, tendo em vista a procedência do recurso. Conclusão Restou demonstrado neste processo administrativo que a Recorrente realizou legitimamente operação de permuta de ações, sem a prática de qualquer ato simulado ou dissimulado. Pelo acima exposto, conduzo meu voto, no sentido de rechaçar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, dar provimento para determinar o cancelamento da exigência. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Inicio o presente voto pedido a maxima venia à ilustre Conselheira relatora em face do seu fundamentado voto para dela discordar quanto ao entendimento da impossibilidade de existência de ganho de capital na espécie. Iniciando nossa análise vejamos a acusação da fiscalização e o que foi apresentado pela Delegacia de Julgamento quando da manutenção da autuação. Vejamos alguns pontos de como a acusação fundamentou a acusação. 19. A explicação do contribuinte não se presta a excluir a tributação do ganho de capital ocorrido em 30 de abril de 2012. Primeiro porque se trata de operações e fatos geradores distintos. O que se está tributando é o acréscimo patrimonial, o ganho de capital auferido com a permuta de participações acionárias que o contribuinte detinha em uma empresa e passou a deter em outra. O ganho de capital é decorrente da participação que a ODEBRECHT passou a deter no PL da GIF (superior ao da ORINV). É disso que se trata! 20. O segundo ponto a esclarecer é que o investimento na ORINV estava registrado na contabilidade da ODEBRECHT pelo método da equivalência Fl. 3739DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.740 25 patrimonial, no valor de R$ 779.474.746,58. Este valor considera o PL da ORINV em abril de 2012, no qual se inclui o ágio recebido em 2010 (contabilizado em reserva de capital). No cálculo do ganho de capital, que será demonstrado adiante, o custo de aquisição é o valor contábil (R$ R$ 779.474.746,58), ou seja, o acréscimo no investimento (ORINV) decorrente da operação de 2010 está sendo considerado no cálculo do ganho de capital, como custo de aquisição. Assim, não há o que se falar em duplicidade. ......... 32. A apuração do ganho de capital auferido pela ODEBRECHT deverá ser feita considerando a diferença entre o valor contábil do ativo que foi transferido (ações da ORIMOB) e o valor do novo ativo que foi recebido na permuta (ações da GIF REALTY). O valor atribuído às ações da GIF REALTY será obtido pela multiplicação da participação percentual pertencente à ODEBRECHT e o valor patrimonial da GIF. Assim, a fiscalização entendeu que ocorreu o ganho de capital em razão de a recorrente ter se desfeito de um investimento que possuía um valor e ter recebido um novo investimento cujo percentual da participação aplicado ao PL era superior ao valor do investimento anteriormente existente e que foi liquidado. Assim o ganho foi formado pela diferença entre o valor dos investimentos liquidado e adquirido. Por seu turno a Delegacia de Julgamento, ao analisar a impugnação, assim se manifestou a respeito do que foi lançado: A autuada Odebrecht S/A não foi protagonista nesta operação, ela não foi a incorporadora e nem a incorporada, o fato é que ela detinha ações de uma empresa que foi extinta por incorporação. Estamos diante, portanto, de uma participação societária que foi extinta, por incorporação, o que se fez necessário uma troca (substituição) de ações, uma vez que a ORINV foi extinta por incorporação e as ações que a autuada detinha da ORINV foram substituídas por ações de emissão da incorporadora GIF REALTY. Deixese registrado, portanto, que não se está lidando com o instituto de permuta, como foi citado pela autoridade fiscal e intensamente comentado pela Impugnante. No caso, estamos tratando de liquidação de investimentos, por força da extinção de participação societária que a Odebrecht S/A (autuada) detinha na ORINV (incorporada), ocasião em suas ações foram trocadas por ações da GIF REALTY (incorporadora). ........... Impõese destacar que a menção feita no Termo Fiscal ao instituto jurídico de permuta, ao sentir deste Relator, é inadequada, mas sua utilização não interfere em, absolutamente, nada na solução do litígio, restando prejudicadas as alegações da Impugnante neste sentido, uma vez que, de fato e de direito houve uma extinção ou liquidação de investimentos, institutos que, semelhante à alienação, podem gerar eventuais ganhos ou perdas de capital, conforme consta dos artigos 418 e 426 do RIR/99, mencionados no Auto de Infração: Fl. 3740DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.741 26 ............ Se quis demonstrar, portanto, que nada há de errado com a fundamentação legal do lançamento, porque se houve, realmente, ganho de capital, os dispositivos supra citados se encarregariam de lhe atribuir a devida legitimação conforme prevê o art.142 do CTN. Após este intróito, a Decisão de Piso seguiu no sentido de demonstrar a existência numérica do ganho de capital conforme os seguintes excertos. Relembrando o relato fiscal: [...] O ganho de capital é decorrente da participação que a ODEBRECHT passou a deter no PL da GIF (superior ao da ORINV). É disso que se trata. O Termo Fiscal apontou com clareza a base de cálculo do ganho de capital. As questões trazidas pela Impugnante e que envolvem a contabilização do ágio pago pela GIFT REALTY quando da aquisição da participação societária na ORINV e seus desdobramentos posteriores por força da incorporação, não influenciam o litígio posto. Ainda, o que a GIF REALTY fez com este ágio, se amortizou ou não, se há ou não implicações tributárias, nada interessa ao que vemos nos autos do presente processo. O ágio pago pela GIF REALTY, conforme relatoriado, foi contabilizado, acertadamente como vimos, pela ORINV em reserva de capital, parte integrante do patrimônio líquido, lá em 2010, e, importante, compôs o saldo de investimento da Odebrecht S/A naquela empresa, quando da avaliação pelo equity. A Impugnante, na linha de sua argumentação, se socorre também em publicação da RFB que, segundo seu entendimento, lhe traria algum amparo. Tratase de publicação de Perguntas e Respostas de IRPF, da RFB, que tratou de dirimir algumas situações a respeito de implicação tributária em incorporação, quando da substituição de ações. Aquele ato procurou definir o que já mostramos: que a substituição de ações (em incorporação) não caracteriza alienação para efeito de incidência tributária. Sim, mostramos aqui que se trata de uma liquidação de investimentos, instituto jurídico que pode originar, como comentamos, um resultado tributável (ou perda). De se destacar o que a Impugnante reproduziu, uma parte do ato, a ver: “Atenção: O montante das novas participações societárias deve ser igual ao custo de aquisição da participação societária originária.” Então, se a empresa, no caso a autuada Odebrecht S/A, tinha uma participação de 85,5% na ORINV e isto representava, em 30 de abril de 2012, uma importância contabilizada em seu Ativo Investimentos, no valor de R$ 779.476.305,51, era este valor (de custo) que deveria receber/registrar quando da incorporação da ORINV pela GIF REALTY. Fl. 3741DF CARF MF Processo nº 10580.722510/201687 Acórdão n.º 1401002.821 S1C4T1 Fl. 3.742 27 Agora, para que acontecesse dessa maneira, a participação, em termos percentuais, da Odebrecht S/A teria, necessariamente, de ser reduzida, para manter a mesma proporção (financeira) que tinha antes da incorporação. A importância que permaneceu contabilizada em seu Ativo – Investimentos, agora na GIF REALTY, permaneceu no mesmo valor de R$ 779.476.305,51, mantido, entretanto, o mesmo percentual de participação anterior na incorporada, de 85,5%! Por força disso, de se reconhecer que a Odebrecht S/A recebeu novas participações da incorporadora em montante superior ao custo de aquisição que se encontrava contabilizado em seu ativo. De fato, a Odebrecht S/A, após a incorporação da ORINV, ao permanecer com o mesmo percentual de participação societária, de 85,5%, na incorporadora, significa afirmar que a Odebrecht S/A passou a possuir 85,5% da riqueza da incorporadora, representada pelo seu patrimônio líquido. Este acréscimo patrimonial não foi considerado pela Odebrecht S/A em seu resultado, simplesmente porque ignorou as parcelas (novas) de riqueza, que detém no patrimônio líquido da GIFT REALTY. Eis a completa explicação da existência do ganho de capital e a base com que foi calculado. Evidentemente que a recorrente, diante desta análise não concorda com seus argumentos, posto entender de modo diverso, assim como demonstrou em seu recurso voluntário. Demonstrase, de todo o exposto, que a liquidação de um investimento e a aquisição do novo investimento com valor mais elevado, conforme todo acima relatado, gerou sim um ganho de capital para a recorrente e, desta forma, a fiscalização andou bem quando apurou a irregularidade e, mais ainda, a Delegacia de Julgamento quando manteve a autuação e bem demonstrou os fundamentos de sua validade. Assim, pelo exposto e concordando com os fundamentos apresentados na decisão de Piso que validaram a autuação, entendo que efetivamente ocorreu o ganho de capital na operação e que este foi corretamente tributado. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Fl. 3742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720085/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005
NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA IMPUGNADA.
É nula a decisão administrativa de primeira instância que não enfrenta as alegações interpostas quando da impugnação, com necessário novo julgamento abarcando todas as impugnações.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-004.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para anular a decisão da primeira instância para realização de um novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA IMPUGNADA. É nula a decisão administrativa de primeira instância que não enfrenta as alegações interpostas quando da impugnação, com necessário novo julgamento abarcando todas as impugnações. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para anular a decisão da primeira instância para realização de um novo julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 00 85 /2 01 0- 98 Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.265 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 3229 a 3251) interposto pelo Contribuinte, em 11 de agosto de 2015, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 14 59.029 (fls. 3212 a 3220), de 25 de junho de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Ribeirão Preto (SP), que julgou, por maioria de votos, improcedente a Impugnação (fls. 366 a 376). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 3213 a 3214): Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes às competências de abril e maio de 2005. Os lançamentos decorreram das diferenças entre os valores das contribuições, informados nas Declarações de Créditos e Tributos Federais (DCTF) e os efetivamente devidos, apurados com base nos documentos fiscais e contábeis do interessado, conforme "RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS", às fls. 338/363, e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada auto de infração. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos (fls. 366/376), alegando, em síntese, que a redução dos créditos básicos do PIS e da Cofins pela Fiscalização contraria o disposto nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tendo em vista que todos os bens e serviços sobre os quais ele (contribuinte) apurou créditos constituem insumos dos produtos fabricados e da prestação de serviços; assim, tem direito de apurar créditos sobre custos com (i) aluguéis de máquinas utilizados nas atividades da empresa; (ii) combustíveis e lubrificantes; e, (iii) fretes intermediários relativos às remessas/retornos de produtos para industrialização por terceiros. Alegou ainda que a apuração dos tributos deveria ter sido efetuada de forma real/efetiva e não por amostragem, conforme consta do relatório de auditoria. Informou também que houve confusão, quanto aos documentos solicitados pela Fiscalização, uma vez que o seu funcionário entendeu, via telefone, que deveria ser elaborados/enviados apenas documentos/notas fiscais superiores a R$8.000,00, menção feita, inclusive, em uma das intimações. Para fundamentar sua impugnação, expendeu extenso arrazoado sobre: “DOS FATOS; DO DIREITO (i) DA NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS; i.a) Dos Combustíveis utilizados como insumos na industrialização; i.b) Dos Fretes 'Intermediários'; DO PEDIDO", concluindo, ao final, que tem direito de apurar créditos sobre os custos/despesas com alugueis de máquinas utilizadas nas atividades da empresa; com combustíveis e lubrificantes; e com fretes intermediários, devendo ser cancelados os lançamentos. Requereu a remessa de quaisquer intimações para o seu procurador. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão, declarando insubsistente o auto de infração. Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.266 3 É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1459.029, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência, que não é o caso dos gastos com frete referente à remessa para industrialização por terceiros. CUSTOS/DESPESAS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Somente geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas incorridos com a aquisição de combustíveis e lubrificantes comprovadamente utilizados na produção ou fabricação dos produtos destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Somente dão direito a crédito no regime de incidência naõcumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência, que não é o caso dos gastos com frete referente à remessa para industrialização por terceiros. CUSTOS/DESPESAS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Somente geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas incorridos com a aquisição de combustíveis e lubrificantes comprovadamente utilizados na produção ou fabricação dos produtos destinados à venda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação. Vencido o relator que a julgava procedente em parte, para reconhecer o direito ao aproveitamento de créditos sobre os custos Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.267 4 incorridos com fretes intermediários relativos às remessas/retornos de produtos remetidos para industrialização por terceiros. Foi designado para redigir o voto vencedor o julgador Heitor Chaud. O Contribuinte requer em preliminar a nulidade do lançamento devido ao fato de que não foram analisados os documentos apresentados quando da Impugnação, e, subsidiariamente, ainda em preliminar que seja baixado em diligência para que a autoridade de origem se pronuncie sobre o demonstrativo e notas fiscais apresentadas. No mérito o Contribuinte requer a reforma da decisão referente a (i) glosa dos créditos de combustíveis e lubrificantes, (ii) glosa dos fretes intermediários, (ii) redução da multa, e, (iv) exclusão dos juros sobre a multa. Preliminar De forma preliminar o Contribuinte alega a nulidade do lançamento e, consequentemente, da decisão da DRJ/RPO no Acórdão ora recorrido, uma vez que, segundo o mesmo, a documentação acerca dos créditos apropriados por ele não foi devidamente analisada, ferindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, e pede subsidiariamente, ainda em preliminar, diligência para análise da documentação. Cito trecho do Recurso Voluntário do Contribuinte para ilustrar (fls. 3230): PRELIMINARMENTE, há de se alegar a nulidade do lançamento e consequentemente da decisão administrativa de primeira instância, porquanto a documentação atinente à totalidade dos créditos apropriados pela recorrente, apresentada na impugnação, não fora devidamente analisada, para fins de cumprimento do exigido pelo art. 142 do Código Tributário Nacional. Ou seja, no mínimo, o processo deveria ter sido baixado em diligência para fins de análise de toda a documentação atinente ao crédito da ora recorrente, o que não fora feito. Isso porque, conforme levantado na peça impugnatória, a ora recorrente, quando da solicitação dos documentos pela fiscalização, se confundiu ao preparar os demonstrativos, ao entender que somente deveriam ser apresentados aqueles que fossem superiores a R$ 8.000 (oito mil reais). (Grifouse). Quando da Impugnação o Contribuinte elaborou demonstrativo contendo todas as aquisições e notas fiscais faltantes. Assim se pronunciou (fls. 371 a 372): Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.268 5 Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.269 6 Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.270 7 De fato, a decisão ora recorrida não analisou o que fora juntado quando da Impugnação, pois no entendimento do relator a impugnação tratouse apenas de três pontos (fls. 3216): Em sua impugnação, o interessado impugnou expressamente apenas as glosas sobre: a) aluguéis de máquinas utilizados nas atividades da empresa; b) combustíveis e lubrificantes; e, c) fretes intermediários relativos às remessas/retornos de produtos para industrialização por terceiros. Conforme a citação acima percebese que, quando da Impugnação, o Contribuinte impugnou os seguintes pontos às folhas 372 e 373: (i) outras aquisições de matériasprimas empregadas no custo de produção; (ii) serviços de instalação e montagem; (iii) serviços de engenharia de execução de projetos de produção dos equipamentos produzidos pela Impugnante; (iv) serviços de transporte de carga sobre aquisições de compras de matérias primas incorporadas no custo de produção dos produtos vendidos pela Impugnante; (v) serviços de transportes de carga incorporados no custo de vendas dos produtos; (vi) serviços de transporte de remessa de matériasprimas à terceiros para industrialização e retorno para posterior emprego no processo de produção; (vii) serviços de locação de bens móveis utilizados na montagem dos produtos industrializados; (viii) serviços de locação de mãode obra executado por terceiros na elaboração e montagem dos produtos fabricados pela Impugnante; (ix) serviços executados por terceiros de jateamento e pintura de equipamentos produzidos; e, (x) serviços executados por terceiros de isolamento térmico de caldeira. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão ora recorrida e para que se faça novo julgamento contemplando todos os pontos da impugnação acima listados, além daqueles já considerados no primeiro julgamento. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 10840.720085/201098 Acórdão n.º 3301004.814 S3C3T1 Fl. 3.271 8 Fl. 3271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.954026/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 54 02 6/ 20 09 -4 5 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15374.954026/200945 Resolução nº 3401001.456 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre Fl. 413DF CARF MF Processo nº 15374.954026/200945 Resolução nº 3401001.456 S3C4T1 Fl. 4 3 suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15374.954026/200945 Resolução nº 3401001.456 S3C4T1 Fl. 5 4 contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Fl. 415DF CARF MF Processo nº 15374.954026/200945 Resolução nº 3401001.456 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15374.954026/200945 Resolução nº 3401001.456 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000357/2001-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997, 1998
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998
IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício".
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998
GLOSA DE DESPESA. INEXISTÊNCIA.
As despesas operacionais comprovadas por meio de documentação hábil e idônea ensejam o afastamento da glosa imposta pela fiscalização.
PIS E COFINS. REFLEXOS.
As matérias excluídas do lançamento principal, de IRPJ, ensejam o não provimento das cobranças das contribuições reflexas.
Numero da decisão: 1201-002.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir da glosa de variação cambial passiva o valor de R$ 8.248,60 da base tributável do IRPJ e CSLL; b) excluir da glosa de despesas financeiras os valores de R$ 155.724,03 e R$ 298.351,11 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anos-calendário de 1997 e 1998, respectivamente; c) excluir da omissão de receitas - diferença de estoque o valor de R$ 18.854,25 da base tributável do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS; d) excluir da dedução indevida de amostra grátis e bens obsoletos o valor de R$ 63.993,56 da base tributável do IRPJ; e) excluir da dedução indevida relativa a pagamentos efetuados para a Cia Brasileira de Estireno os valores de R$ 223.644,99 e R$ 694.742,57 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anos-calendário de 1997 e 1998, respectivamente; f) afastar a glosa relativa a dedução indevida - Monsanto - no ano-calendário de 1997, relativa à base tributável do IRPJ e CSLL; e, g) excluir a multa isolada no valor de R$ 316.025,83. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães (Relator) e Eva Maria Los que mantinham a glosa no valor de R$ 2.937.270,49, tratada no "item f" nas conclusões do voto do relator. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor quanto à mencionada glosa do item "f" .
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997, 1998 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997, 1998 IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 GLOSA DE DESPESA. INEXISTÊNCIA. As despesas operacionais comprovadas por meio de documentação hábil e idônea ensejam o afastamento da glosa imposta pela fiscalização. PIS E COFINS. REFLEXOS. As matérias excluídas do lançamento principal, de IRPJ, ensejam o não provimento das cobranças das contribuições reflexas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir da glosa de variação cambial passiva o valor de R$ 8.248,60 da base tributável do IRPJ e CSLL; b) excluir da glosa de despesas financeiras os valores de R$ 155.724,03 e R$ 298.351,11 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anos-calendário de 1997 e 1998, respectivamente; c) excluir da omissão de receitas - diferença de estoque o valor de R$ 18.854,25 da base tributável do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS; d) excluir da dedução indevida de amostra grátis e bens obsoletos o valor de R$ 63.993,56 da base tributável do IRPJ; e) excluir da dedução indevida relativa a pagamentos efetuados para a Cia Brasileira de Estireno os valores de R$ 223.644,99 e R$ 694.742,57 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anos-calendário de 1997 e 1998, respectivamente; f) afastar a glosa relativa a dedução indevida - Monsanto - no ano-calendário de 1997, relativa à base tributável do IRPJ e CSLL; e, g) excluir a multa isolada no valor de R$ 316.025,83. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães (Relator) e Eva Maria Los que mantinham a glosa no valor de R$ 2.937.270,49, tratada no "item f" nas conclusões do voto do relator. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor quanto à mencionada glosa do item "f" . (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.000357/200143 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.332 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2018 Matéria IRPJ e reflexos Recorrentes SOLUTIA BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998 IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 GLOSA DE DESPESA. INEXISTÊNCIA. As despesas operacionais comprovadas por meio de documentação hábil e idônea ensejam o afastamento da glosa imposta pela fiscalização. PIS E COFINS. REFLEXOS. As matérias excluídas do lançamento principal, de IRPJ, ensejam o não provimento das cobranças das contribuições reflexas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 03 57 /2 00 1- 43 Fl. 9824DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em razão do limite de alçada, e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir da glosa de variação cambial passiva o valor de R$ 8.248,60 da base tributável do IRPJ e CSLL; b) excluir da glosa de despesas financeiras os valores de R$ 155.724,03 e R$ 298.351,11 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente; c) excluir da omissão de receitas diferença de estoque o valor de R$ 18.854,25 da base tributável do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS; d) excluir da dedução indevida de amostra grátis e bens obsoletos o valor de R$ 63.993,56 da base tributável do IRPJ; e) excluir da dedução indevida relativa a pagamentos efetuados para a Cia Brasileira de Estireno os valores de R$ 223.644,99 e R$ 694.742,57 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente; f) afastar a glosa relativa a dedução indevida Monsanto no anocalendário de 1997, relativa à base tributável do IRPJ e CSLL; e, g) excluir a multa isolada no valor de R$ 316.025,83. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães (Relator) e Eva Maria Los que mantinham a glosa no valor de R$ 2.937.270,49, tratada no "item f" nas conclusões do voto do relator. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor quanto à mencionada glosa do item "f" . (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório SOLUTIA BRASIL LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 15.867, de 02/12/2005, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que julgou procedentes em parte os lançamentos de IRPJ e CSLL, e procedentes os lançamentos de PIS e COFINS. O CARF, por intermédio da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1102 0014, de 03 de agosto de 2010. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da Resolução ao norte mencionada, completandoo ao final: Fl. 9825DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 3 3 Fl. 9826DF CARF MF 4 Fl. 9827DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 9828DF CARF MF 6 Fl. 9829DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 9830DF CARF MF 8 Fl. 9831DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 6 9 Fl. 9832DF CARF MF 10 Fl. 9833DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 7 11 Fl. 9834DF CARF MF 12 Fl. 9835DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 8 13 Fl. 9836DF CARF MF 14 Fl. 9837DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 9 15 Fl. 9838DF CARF MF 16 Fl. 9839DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 10 17 Fl. 9840DF CARF MF 18 Fl. 9841DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 11 19 A então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, resolveu converter o julgamento em diligência para que possam ser esclarecidas as matérias de fato abaixo discriminadas: Fl. 9842DF CARF MF 20 Fl. 9843DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 12 21 Fl. 9844DF CARF MF 22 Concluída a diligência fiscal com a juntada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 9.773/9.783) e do Termo de Encerramento Fiscal (9.784), a recorrente teve ciência dos mesmos em 16/07/2015 (AR de fls. 9.785/9.786) e apresentou a manifestação de fls. 9.788/9.819, onde anuiu pelo cancelamento das exigências relativas aos Termos de Verificação fiscal nº 3 e 5, como já reconhecido pelas autoridades fiscais e, no tocante as exigências fiscais remanescentes, manifesta a sua discordância em relação às conclusões contidas no Termo de Encerramento de Diligência, reiterando todos os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário e o pedido de cancelamento integral do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Inicialmente é necessário verificar os pressupostos de admissibilidade do recurso de ofício, que está previsto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. O valor a ser fixado para o recurso de oficio está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017. Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 9845DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 13 23 Apesar da Portaria MF 63/2017 ter sido publicada em 10 de fevereiro de 2017, por tratarse de matéria processual, entendo ser a regra de aplicação para todos os casos ainda pendentes de .julgamento. No caso em tela, o valor exonerado pela autoridade a quo, atingiu a soma de R$ 1.443.034,83 (efls. 6.417), inferior ao limite previsto na Portaria MF 63/2017. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, deve ser conhecido na sua integralidade por ser tempestivo e atender os demais requisitos de admissibilidade. A recorrente aduz inicialmente que efetuou o recolhimento de parte das exigências fiscais contidas no Termo de Verificação Fiscal nº 1 (dedução de valores de IPI) e de nº 3 (diferenças de estoque para o produto "TCP"), bem como o pagamento integral dos valores exigidos no Termo de Verificação Fiscal nº 4 (omissão de receitas decorrente de existência de passivo fictício). Portanto, o litígio do presente processo se restringe às seguintes infrações apuradas pela autoridade fiscal: Glosa de despesas de variação cambial passiva (Termo de Verificação Fiscal nº 1) Segundo a fiscalização, o sujeito passivo levantou em 31/12/97 balanço e demonstração de resultado, para fins de apuração do lucro real anual, utilizandose da taxa de R$ 1,1170 da cotação do dólar, para atualizar as obrigações contraídas em moeda estrangeira (dólar norte americano). O correto seria atualizar as obrigações utilizandose a taxa de R$ 1,1164 para cada dólar. Em função do exposto, ocorreu redução indevida do lucro liquido do exercício, no valor de R$ 9.934,20 de variação cambial passiva, que foram contabilizados a maior. A contribuinte aduz que as variações cambiais só foram observadas no que tange às despesas e que também reconhecera receitas utilizandose do mesmo valor na taxa de conversão. Requer que deve ser recalculado o montante eventualmente devido pela recorrente, considerandose apenas a diferença entre os excessos de variação cambial passiva e ativa. Nesse contexto o CARF formalizou o seguinte questionamento na Resolução citada anteriormente: A conclusão da diligência fiscal sobre essa infração, abaixo colacionada, diz respeito`exclusivamente à acusação fiscal de dedução indevida de IPI, a qual, segundo a recorrente foi por ela liquidada antes da apresentação da impugnação: Questionou o CARF se tal fato se comprova na contabilidade, independentemente de dizer respeito a contratos de câmbio diversos, desde que tais valores digam respeito a um mesmo exercício fiscal. Fl. 9846DF CARF MF 24 Assim, respondendo a esse questionamento, com base em apenas a documentação anexada aos autos, verifiquei que, na fl. 4913 do processo, constam o Razão Contábil da empresa, onde comprova o registro do valor de R$ 113.049,37, em 26/03/1998, referente à Recuperação do Crédito de IPI; e na fl. 4914, a Cópia do Livro Registro de Apuração do IPI de novembro de 1997, onde consta o Estorno do Débito na ordem de R$ 113.049,37. Existiu, portanto, um descompasso de tempo entre o Estorno do Débito no Livro Fiscal em novembro de 1997 e o Registro Contábil do Crédito Recuperação do IPI em 26/03/1998, a crédito da conta Outras Despesas, código MC 451040085000. Deste modo, houve o crédito, no Resultado de 1998, dessa recuperação de IPI, no valor de R$ 113.049,37, a qual deveria ter sido realizada em 1997. Postergouse, portanto, esse crédito somente para a apropriação da Receita Tributável no ano subsequente de 1998. Tendo em vista a falta de quaisquer informações complementares que pudessem servir de base para as respostas aos Questionamentos do CARF, ou mudar o entendimento da matéria fiscal, sou de parecer na manutenção do Auto de Infração. Em sua manifestação em resposta ao Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, a recorrente aduz que: Fl. 9847DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 14 25 Ante ao exposto, entendo que cabe razão ao recorrente, devendo ser excluída dessa infração a variação cambial ativa de R$ 8.248,60 da base tributável do IRPJ e CSLL apurada no lançamento. Assim, a glosa de despesa de variação cambial passiva mantida neste voto perfaz o montante de R$ 1.685,60 (R$ 9.934,20 R$ 8.248,60). Glosa de despesas financeiras relativas a empréstimo repassado para a empresa Flexys Indústria e Comércio Ltda (Termo de Verificação Fiscal nº 2) Tratase de despesas financeiras glosadas relativas a empréstimo obtido junto ao The First Nacional Bank of Boston, cujos valores teriam sido repassados à empresa Flexys Fl. 9848DF CARF MF 26 Indústria e Comércio Ltda sem a cobrança dos mesmos encargos financeiros assumidos pela recorrente. O contribuinte alega em seu recurso voluntário que não pode concordar com a manutenção integral da glosa das despesas financeiras, uma vez que, conforme exaustivamente exposto na impugnação, somente seriam passíveis de glosa a diferença entre os juros contratados com o The First National Bank of Boston de 8,5% e os juros cobrados da Flexys Indústria e Comércio Ltda. correspondentes à TJLP do período. A decisão de primeira instância manteve o valor da glosa das despesas financeiras sob o seguinte argumento: (...) conforme pode ser verificado junto aos demonstrativos às fl. 41 e 43 e às cópias do razão da conta "Flexys Mutuo/genérico" às fl. 42 e 44, se a autoridade fiscal não tivesse levado em consideração os juros cobrados da Flexys para abater dos juros pagos ao Bank of Boston, teria glosado o montante bruto de R$ 204.580,03 (em 1997) e de R$ 601.273,11 (em 1998). Contudo, tributou apenas os valores de R$ 155.724,03 e de R$ 298.351,11, respectivamente, correspondentes à diferença entre a taxa de 10% aa cobrada pelo banco e a TJLP por ele cobrada do mutuário. O CARF formulou o seguinte questionamento para a autoridade fiscal: Em resposta ao aludido questionamento, o auditorfiscal responsável pela diligência simplesmente informou no Relatório de Diligência Fiscal que: "Tendo em vista a falta de quaisquer informações complementares que pudessem servir de base para as respostas aos Questionamentos do CARF, ou mudar o entendimento da matéria fiscal, sou de parecer na manutenção do Auto de Infração." No entanto, o sujeito passivo em sua manifestação de fls. 9.794 e seguintes, reitera o seu pedido de cancelamento da glosa das despesas financeiras, sob os seguintes argumentos, verbis: Fl. 9849DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 15 27 Fl. 9850DF CARF MF 28 Nesse caso, a diligência efetuada em nada contribuiu para o deslinde da questão. Todavia, baseado nos documentos dos autos (fls. 4.918/4.921) e na explicação da recorrente em sua manifestação transcrita acima, estou convencido de que a fiscalização efetuou a glosa somente com base nos juros devidos ao The Frist Nacional Bank of Boston, sem qualquer dedução dos juros recebidos pela recorrente da Flexys. Assim, entendo que cabe razão ao sujeito passivo, devendo ser excluídos os valores de R$ 155.724,03 e R$ 298.351,11 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente. Fl. 9851DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 16 29 Omissão de receitas em razão de suposta diferença de estoque verificada entre o Registro de Inventário e o Controle de Produção e do Estoque (Termo de Verificação Fiscal nº 3) Segundo a fiscalização, o contribuinte mantém sistema de custos coordenado e integrado com a contabilidade geral e, no ano calendário de 1997 omitiu receita, em função das diferenças de estoques apuradas mediante confronto em 31/12/97, das quantidades de produtos constantes do livro Registro de Inventário e do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Para determinação do valor da receita omitida, a autoridade fiscal multiplicou as diferenças apuradas pelos respectivos preços de vendas praticados nas notas fiscais de venda n.° 157 e 255 ( cópias anexas ), emitidas em 09 e 15 de dezembro de 1997, respectivamente. Questionou o Carf na Resolução ao norte mencionada: No que se refere às Diferenças de Estoques (Termo de Verificação nº 03), o CARF tratou somente da suposta diferença de estoque do produto “TKPP”, consignando que, a partir desse Termo de Verificação, a Omissão de Receitas se dera por diferença verificada entre o LRI – Livro de Registro de Inventários e o LRCPE – Livro de Registro do Controle de Produção e Estoque, concordando que enquanto o LRI, em 31/12/1997, registrava a quantidade de 55.570,50 kg do produto “TKPP”, o LRCPE registrada a quantidade de 57.750,50 desse mesmo produto (diferença de 2.180 kg). Segundo o Relatório de Diligência Fiscal a contribuinte apresentou a documentação solicitada por esta fiscalização: a cópia do Livro Registro de Inventário e do Livro Registro Controle de Produção de Estoques, documentos estes extraídos do presente processo administrativo, às fls. 4.974 e 4.975. Com base na documentação apresentada, a fiscalização concluiu: Conforme documentação apresentada nesta Diligência constatei que houve erro meramente formal no preenchimento da quantidade do produto no Livro Registro de Inventário sem que tenha havido efetiva diferença de estoque. Portando, sou favorável à exclusão dessa irregularidade do Auto de Infração. Com base na diligencia efetuada, entendo que cabe razão ao sujeito passivo, devendo ser excluído o valor de R$ 18.854,25 da base tributável do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Dedução indevida de valores relativos a amostra grátis e doação de bens obsoletos (Termo de Verificação Fiscal nº 5) Segundo o Relatório de Diligência Fiscal a contribuinte apresentou a seguinte documentação à fiscalização: a) Planilhas de vendas informando o volume em metros de produtos vendidos e em reais para a Blindex Vidros de Fl. 9852DF CARF MF 30 Segurança Ltda., Cia Vidraria Santa Marina, Santa Lúcia Cris tal S/A e Vidros Lirquem S/A; b) Relatório de esclarecimento quanto aos métodos utilizados nas remessas para testes e amostras grátis, acompanhados do relatório dessas notas fiscais. Com base na documentação apresentada e respondendo aos questionamentos do CARF feitos por meio da Resolução ao norte mencionada, a fiscalização informa que : Item (a) – A saída de Remessa de Amostra Grátis foi acompanhada da Nota Fiscal n° 14, de 01/12/1997, para a empresa Blindex Vidros de Segurança, no valor de R$ 9.998,56. Item (b) O faturamento para a empresa Blindex, no período de setembro a dezembro de 1997, foi de R$ 6.260.327,28. Em relação ao envio Amostra Grátis no ano de 1997, conforme nota fiscal 14, no valor de R$ 9.998,56, representou um percentual de 0,2% do faturamento para a empresa Blindex Vidros de Segurança, em relação ao quarto trimestre de 1997. Item (c) – No tange às Doações, foi apresentado listagem com os bens do ativo imobilizado com os valores originais e depreciados. Todos os bens doados estavam totalmente depreciados quando doados, com exceção de uma Impressora Elebra Laser 513 que possuía um valor residual de R$ 747,90. Com base nos documentos apresentados pela recorrente durante a diligência, a fiscalização apresentou a seguinte conclusão: Conforme o Relatório de Esclarecimentos quanto aos métodos utilizados nas remessas para testes e amostras grátis, ficou clara a necessidade das amostras para diminuir as perdas com a devolução de pedidos inteiros, por eventuais imperfeições do produto ou insatisfação das indústrias de vidro, quando a SOLUTIA for desenvolver o SAFLEX de acordo com as solicitações de clientes. Portanto, sou favorável à exclusão dessa irregularidade do Auto de Infração. Com base na diligencia efetuada, entendo que cabe razão ao sujeito passivo, devendo ser excluído o valor de R$ 63.993,56 da base tributável do IRPJ. Dedução indevida de valores relativos a pagamentos efetuados para a Companhia Brasileira de Estireno em decorrência de cumprimento de contrato de cisão (Termo de Verificação Fiscal nº 6) Consta do Termo de Verificação Fiscal nº 6 a seguinte infração: Fl. 9853DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 17 31 (...) A decisão de primeira instância afasta corretamente a premissa fiscal de que as obrigações fiscais transferidas da Monsanto ao sujeito passivo quando da cisão deveriam ser consideradas como redução de capital ou como contas a receber dos sócios quotistas, sob o seguinte argumento: (...) não vislumbro como a mesma possa prevalecer, pois não há qualquer orientação normativa nesse sentido. Ressaltese, ainda, que os custos de recuperação ambiental a serem reembolsados à Cia Brasileira de Estireno não eram conhecidos à época da cisão da Monsanto, quando ocorreu a passagem de parcela de seu patrimônio ao sujeito passivo, o que impossibilitaria o procedimento contábil pretendido pela Auditorfiscal. Mais adiante reconhece expressamente que as autoridades fiscais não questionaram o montante das despesas e seus comprovantes e que tal matéria restou excluída da presente controvérsia. No entanto, o voto condutor da decisão de piso apresentou a seguinte fundamentação para manter a glosa: Fl. 9854DF CARF MF 32 65. Não resta dúvida de que sendo a despesa, ainda não determinada, necessária para a Monsanto, ao ser transferida a obrigação com a cisão, a mesma tornarseia necessária também ao sujeito passivo. A questão, portanto, é avaliar a necessidade da despesa para a Monsanto. 66. Segundo o sujeito passivo o dispêndio era necessário à Monsanto para a realização do negócio de venda das ações da Cia. Brasileira de Estireno para a Unigel (exigência deste último, conforme cláusula contratual). Para ele o negócio não teria se efetivado, "pelo menos nos moldes como acordado entre as partes". 67. O problema está exatamente ai: o negócio poderia ter sido realizado em outros moldes. Em um negócio de venda de ações é normal o adquirente assumir os riscos dele decorrentes. Contudo, a Monsanto, utilizando de sua discricionariedade, ou seja, por ato de liberalidade, decidiu assumir 50% do ônus que adviria em decorrência de possível futura recuperação ambiental. Tal condição não era, a meu ver, imprescindível para a realização da venda de ações, fato este reconhecido pelo próprio contribuinte, quando afirma que o negócio poderia ter sido realizado em outros moldes. 68. Daí não ser possível considerar que a despesa realizada era necessária ao sujeito passivo, por não tratarse de operação usual em negócios de venda de ações, decorrendo de ato de liberalidade. A glosa é, pois, devida. 69. Ao final desta parte, o sujeito passivo alegou a improcedência do lançamento reflexo de CSLL, por não haver previsão legal vedando a dedução de despesas não necessárias para fins de 1RPJ na apuração da base de cálculo da CSLL. Conforme já discutido em preliminar, cabe razão ao sujeito passivo, devendo ser exonerada a CSLL apurada com base na infração mantida nesta parte. No recurso voluntário a recorrente defende que não houve qualquer liberalidade em realizar tais pagamento, já que ela estava obrigada contratualmente a realizá los e, caso houvesse deixado de fazêlo, estaria sujeita a ação de cobrança por parte da Unigel Participações. Com relação à necessidade e usualidade dessa despesa no fechamento do negócio entre a Monsanto do Brasil e a Unigel Participações, afirma que é absolutamente corriqueiro que as partes envolvidas em um negócio façam exigências mútuas para a celebração do contrato. Acrescenta ainda, verbis: Fl. 9855DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 18 33 Portanto, ante o acima exposto, considero que a única motivação para a fiscalização considerar a despesa como indedutível, foi no sentido de que as obrigações transferidas da Monsanto ao sujeito passivo quando da sua cisão deveriam ser consideradas como redução de capital social ou como contas a receber dos sócios quotistas. Essa foi corretamente afastada pela decisão de primeira instância. A nova justificativa apresentada para a glosa partiu da própria decisão de piso, inovando a infração fiscal, no sentido de que não ser possível considerar que a despesa realizada era necessária ao sujeito passivo, por não tratarse de operação usual em negócios de venda de ações, decorrendo de ato de liberalidade. Considerando, ainda, os argumentos da recorrente em seu voluntário, no sentido da usualidade e da necessidade da despesa, entendo a glosa como indevida. Portanto, devem ser excluídos os valores de R$ 223.644,99 e R$ 694.742,57 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente. Dedução indevida de valores relativos a pagamentos efetuados para a Monsanto do Brasil Ltda a título de rateio de despesas (Termo de Verificação Fiscal nº 7) Segundo a recorrente, a Monsanto comprometeuse a cederlhe atividades e estruturas administrativas e operacionais, imprescindíveis para o desenvolvimento de suas atividades, mediante alocação e rateio dos custos incorridos. Para isso, a Monsanto apresentava as suas notas de débitos com os valores a serem recuperados da recorrente, referente à parte que lhe cabia. A decisão de primeira instância, com base na diligência fiscal, reconheceu a dedutibilidade de parcela das despesas incorridas no anocalendário de 1997, mantendo a glosa para as despesas que não estariam suportadas por notas fiscais, mas em relatórios gerenciais elaborados pela Monsanto com base nas despesas incorridas no período. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário e o CARF formulou o seguinte questionamento: a) as Notas de Débitos invocadas pelo contribuinte, como prova do pagamento à Monsanto do rateio de despesas, eram as únicas referentes aos títulos que apontavam; b) ou, conforme consta às páginas 64 a 106 e documentos 17 a 152 da impugnação, as despesas estiveram superpostas às despesas próprias do contribuinte, sob as mesmas rubricas, consignadas na Contabilidade, no período. Fl. 9856DF CARF MF 34 Para realizar a diligência determinada pelo CARF, a autoridade fiscal solicitou a recorrente a apresentação dos seguintes documentos: a) Contrato de Rateio de Despesas firmado entre a Monsanto e a Solutia Brasil Ltda; b) Notas de Débitos cobradas pela Monsanto no período; c) comprovantes de despesas pagas pela Monsanto (notas fiscais e contratos de prestações de serviços); d) razões contábeis onde foram contabilizadas as despesas pagas mediante notas de débito; e) prova de que essas despesas reembolsadas não foram contabilizadas como despesas na Monsanto. Porém, o sujeito passivo apresentou somente os documentos mencionados nas alíneas "a" e "b" acima, além de Planilhas de Demonstrações que traz os valores das Despesas e Custos alocados ä Solutia, bem como Planilha de Centro de Custos e Linhas de Despesas e Relatórios Descritivos de cada item, Declarações da Monsanto de que forneceu pleno acesso aos seus documentos contábeis e fiscais ä época da autuação, bem como de que somente aproveitou a dedutibilidade das despesas incorridas nos anos de 1997 e 1998 que lhe pertenciam. A diligência fiscal determinada pelo Carf concluiu que : O contribuinte esclareceu que não poderia apresentar quaisquer outros documentos relacionados à Monsanto, uma vez que o prazo legal para guarda desses documentos há muito se esgotou. Sem prejuízo, o contribuinte entende que os documentos juntados aos autos são suficientes para que se verifique a improcedência das respectivas exigências fiscais. Esqueceuse o contribuinte de que, na existência de autos de infração e de ações judiciais ou trabalhistas, o prazo de guarda do documento se estende até a decisão administrativa ou judicial correspondente. Causa espécie o fato do contribuinte ter anexado nesta Diligência, no entanto, uma declaração da Monsanto informando que durante a fiscalização realizada em 2001, a empresa deu acesso aos seus documentos fiscais e contábeis para empresa Solutia Brasil Ltda. obter os documentos necessários ä defesa administrativa. No final, a autoridade responsável pela diligência assim conclui: Tendo em vista a falta de quaisquer informações complementares que pudessem servir de base para as respostas aos Questionamentos do CARF, ou mudar o entendimento da matéria fiscal, sou de parecer na manutenção do Auto de Infração. Em sua manifestação de fls. 9.801 e seguintes, a recorrente não concorda com as conclusões do Relatório de Diligência Fiscal e argumenta, verbis: Fl. 9857DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 19 35 Fl. 9858DF CARF MF 36 Entendo que, também nesse caso, a diligência determinada pelo CARF não obteve êxito. Assim, comungo do entendimento da decisão de primeira instância que, sustentado pela diligência requerida pela DRJ, decidiu, verbis: 72. Baixado o processo em diligência, o sujeito passivo apresentou oito volumes encadernados correspondentes a relatório de auditoria independente, representando a importância de R$ 3.690.237,00, bem assim demonstrativo de despesas no valor de R$ 978.618,00, que somados correspondem ao valor de R$ 4.668.855,00. 73. A autoridade fiscal concluiu pela comprovação de despesas no montante de R$ 1.737.074,51, considerando o montante restante como não comprovado. 74. Em que pese as críticas do sujeito passivo ao trabalho realizado pela autoridade fiscal, entendendo que não foi feita uma análise adequada do relatório da auditoria independente, motivo pelo qual solicitou uma reanálise detalhada, consoante as planilhas às fls. 1.023/1.062, que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal no. 011 (fls. 1.021/1.022), restou evidente a verificação minuciosa realizada pelo AuditorFiscal, que indicou mês a mês, despesa a despesa, independente do seu valor ser irrisório ou não, o motivo da aceitação ou não das comprovações apresentadas. Citese, como exemplo, a despesa de material de consumo, para a qual o relatório da auditoria independente não apresentou as notas fiscais correspondentes (fl. 1.023). 75. Como as despesas foram realizadas pela Monsanto, com aproveitamento ao sujeito passivo, para fins de comprovação das mesmas seria necessária a apresentação dos documentos fiscais que comprovassem as despesas realizadas pela Monsanto, seja com pessoal, com manutenção, com depreciação, com compra de material etc. Não basta para tanto a apresentação de notas de débito e dos lançamentos contábeis, sendo necessários os documentos que alicerçaram tais lançamentos, como as notas fiscais, folha analítica por funcionários (fichas financeiras), etc. Devese raciocinar como se as despesas tivessem sido realizadas diretamente pelo sujeito passivo: neste caso, todos os documentos fiscais seriam exigidos, não bastando notas de débito, extratos bancários e lançamentos contábeis. 76. Então, em vista da comprovação de R$ 1.737.074,51, a glosa deve ser reduzida para R$ 2.937.270,49, que se refere às Fl. 9859DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 20 37 despesas efetivamente não comprovadas, motivo pelo qual será recalculado o IR e a CSLL ao final do voto. Ante o exposto acima, mantenho a glosa no valor de R$ 2.937.270,49, para o anocalendário de 1997, para a base tributável do IRPJ e CSLL. Exigência de multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ (Termo de Verificação Fiscal nº 8) O problema da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, ser exigida concomitantemente com a multa de ofício sobre o tributo apurado no ajuste anual já suscitou muita controvérsia no âmbito do CARF. Contudo, essa matéria encontrase atualmente sumulada: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. No caso destes autos, a concomitância das multas se deu em relação aos anoscalendário de 1997 e 1998, quando o suporte legal para a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas era justamente o dispositivo acima mencionado, que vigorava antes das alterações implementadas pela Lei nº 11.488/2007. Não há, portanto, como deixar de aplicar a referida súmula e afastar a multa isolada lançada no valor de R$ 316.025,83. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para: a) excluir da glosa de variação cambial passiva o valor de R$ 8.248,60 da base tributável do IRPJ e CSLL; b) excluir da glosa de despesas financeiras os valores de R$ 155.724,03 e R$ 298.351,11 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente. c) excluir da omissão de receitas diferença de estoque o valor de R$ 18.854,25 da base tributável do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. d) excluir da dedução indevida de amostra grátis e bens obsoletos o valor de R$ 63.993,56 da base tributável do IRPJ e) excluir da dedução indevida relativa a pagamentos efetuados para a Cia Brasileira de Estireno os valores de R$ 223.644,99 e R$ 694.742,57 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente. Fl. 9860DF CARF MF 38 f) manter a glosa no valor de R$ 2.937.270,49 relativa a dedução indevida Monsanto no anocalendário de 1997, para a base tributável do IRPJ e CSLL. g) excluir a multa isolada no valor de R$ 316.025,83. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Redator designado. Em que pesem os argumentos expendidos pelo Ilustre Relator, peço vênia para, respeitosamente, divergir de seu voto no que diz respeito à manutenção da glosa relativa ao Termo de Verificação Fiscal nº 7 dedução indevida de valores relativos a pagamentos efetuados para a Monsanto do Brasil Ltda a título de rateio de despesas. De acordo com o artigo 299 do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem Como se percebe, a dedutibilidade de despesas pressupõe a sua necessidade e respectiva comprovação, o que deve ser feito com base em elementos e documentos que atestem a efetividade da operação que lhe deu causa, notadamente no caso de contratos de prestação de serviços, e mais ainda, de rateio de gastos (cost sharing). O rateio de despesas constitui, na verdade, espécie de contrato atípico, envolvendo aspectos do mandato, afinal nele uma parte (empresa que concentra as despesas compartilhadas) tem a autorização para assumir obrigações em benefício das demais partes. Nesse contexto, o Código Civil prevê o direito de reembolso das dívidas de terceiro1. Assim, o contrato de rateio tem como objetivo alocar para cada parte beneficiada os 1 Art. 305. O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsarse do que pagar; mas não se subroga nos direitos do credor. Fl. 9861DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 21 39 dispêndios envolvidos, de forma que os ingressos de valores a título de reembolso, materializado ordinariamente por notas de débito, não possuem natureza de receita, mas sim de mera recomposição patrimonial. O contrato de rateio de despesa não está especificamente disciplinado na lei tributária brasileira, mas sua prática já vem sendo adotada há algum e tempo e é cada vez mais comum dentro de um mesmo grupo econômico como forma de otimização. Em razão disso, há diversos pronunciamentos dos órgãos julgadores administrativos, desde a época do antigo Conselho de Contribuintes, reconhecendo a legitimidade de tal expediente em determinadas circunstâncias, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo. “IRPJ – CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS – RATEIO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS – As despesas administrativas podem ser rateadas pelas empresas integrantes do grupo econômico, quando demonstrado que os serviços foram executados e eram necessários, normais e usuais e, ainda, quando justificado o critério de rateio e a efetividade dos dispêndios”. (Ac. 1º CC nº 10192.565, DOU 28/04/99); “IRPJ – RATEIO DE DESPESAS – EMPRESAS DO MESMO GRUPO Comprovado que a empresa utilizava estrutura de coligada para realização de serviços, é de se acolher como operacional as despesas que lhe competirem por rateio, não incidindo nenhum tributo sobre as despesas objeto desse rateio que satisfaçam os pressupostos gerais de dedutibilidade contidos na legislação tributária”. (Ac. 1º CC nº 10706.780, Sessão 18/09/02); e “IRPJ – RESSARCIMENTO – RATEIO DE DESPESAS – EMPRESAS DO MESMO GRUPO – NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA – LUCRO DA EXPLORAÇÃO – O ressarcimento da parcela da despesa rateada, por outra empresa do mesmo grupo empresarial, não representa receita para a empresa que suportou inicialmente todo o custeio, mas mero estorno daquele custo. Esse entendimento, no cálculo do lucro da exploração, não permite reconhecer o ressarcimento pela empresa industrial, relativo à alimentação de funcionários, como receita de atividade não operacional”. (Ac. 1º CC 10806.604, Sessão 26/07/01). Também no âmbito da própria Receita Federal este procedimento vem sendo admitido. No processo de Consulta nº 8/12, por exemplo, a própria CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – COSIT pronunciouse sobre rateio de despesas entre empresas do mesmo grupo, pontuando as condições para sua dedutibilidade nos seguintes termos: Parágrafo único. Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao reembolso no vencimento. Fl. 9862DF CARF MF 40 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas administrativas rateadas se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços efetivamente pagos e recebidos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio se der mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; d) o critério de rateio for consistente com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios gerais de Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriar como despesa tão somente a parcela que lhe couber segundo o critério de rateio. (g.n.) Posteriormente, em sede de Solução de Divergência, a COSIT se manifestou confirmando esse posicionamento. Veja: É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, observadas as exigências estabelecidas no item anterior para regularidade do rateio de dispêndios em estudo: a) os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas como reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico pelo pagamento dos dispêndios comuns não integram a base de cálculo das contribuições em lume apurada pela pessoa jurídica centralizadora; b) a apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das mencionadas contribuições deve ser efetuada individualizadamente em cada pessoa jurídica integrante do Fl. 9863DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 22 41 grupo econômico, com base na parcela do rateio de dispêndios que lhe foi imputada; c) o rateio de dispêndios comuns deve discriminar os itens integrantes da parcela imputada a cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico para permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito de creditamento, nos termos da legislação correlata. (Solução de Divergência nº 23/13, publicada em 14.10.2013) Seguindo essas orientações, notase que, para a dedutibilidade de despesas compartilhadas, é preciso que as partes formalizem contrato que disponha de forma clara: (i) quais os gastos necessários que serão objeto de rateio; e (ii) o método de rateio, método este que deve estar suportado por critério objetivo e consistente com o efetivo gasto de cada uma das empresas e com o preço global pago pelos bens e serviços. É preciso, ainda, comprovar o controle gerencial de que os referidos critérios de fato foram observados e de fato colocados em prática. Ao tratar da fixação dos critérios de rateio, Natanael Martins2 leciona que: “Na verdade, dado que o rateio de custos/despesas é possível e vem sendo relativamente praticado, circunstância que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes está claramente a demonstrar, questão delicada e fundamental que se põe diz respeito aos critérios que devem presidir o rateio. Em primeiro lugar, devese ter presente que o parâmetro do contrato deve ser o montante dos gastos relativos aos recursos humanos e materiais compartilhados, que devem estar suportados em documentos hábeis e idôneos, devendo a empresa partilhadora demonstar, em mapas ou planilhas, sua origem e valor, discriminando o montante imputado a cada partícipe, fornecendo a todos, ainda, se exigido pela fiscalização, cópia de todos os documentos que presidiram o rateio. Em segundo lugar, no que se refere aos critérios de rateio propriamente ditos, sempre que possível, é preferível que o critério adotado seja por imputação direta, isto é, pela quantificação efetiva do custo/despesa atribuível a cada um apurável, por exemplo, pelo custo dos homens/hora utilizados; das máquinas/equipamentos/hora utilizados; pela quantificação dos bens fornecidos; pela medição da energia elétrica e águas consumidas; etc. Na impossibilidade de apuração dos custos/despesas pelo critério de imputação direta, deve a empresa partilhadora, por meio de laudos e/ou planilhas, evidenciar as razões da adoção do critério escolhido”. 2 Planejamento Fiscal Teoria e Prática. São Paulo: Dialética. 1995. P.157/158. Fl. 9864DF CARF MF 42 A legitimidade do rateio, portanto, pressupõe que as despesas sejam repartidas entre as pessoas jurídicas envolvidas na medida de sua efetiva utilização. Daí a necessidade de um critério uniforme e objetivo, de tal maneira que os dispêndios incorridos estejam efetivamente relacionados à pessoa jurídica que estiver arcando com os gastos3. Na prática, é possível dizer que há basicamente duas espécies de métodos de rateio: o direto e o indireto. Nesses termos, o método direto seria aquele em que são consideradas as remunerações por bens e serviços divisíveis, concretos e específicos, cujo faturamento pode ser segregado de forma individual, isto é, quando form possível segregar a utilização de cada um dos integrantes. Já o método indireto cabe quando não for possível o método direto4, em que não há relação direta entre custo do serviço prestado e sua remuneração em função do benefício recebido, o que às vezes leva a adoção de critérios econômicos como parâmetro (faturamento). De qualquer forma, a objetividade do critério, seja ele direto (quando possível) ou indireto (quando não possível o direto), assim como os respectivos controles, são fundamentais para a plena caracterização dessa espécie contratual e, conseqüentemente, para sua dedutibilidade. Do ponto de vista da empresa centralizadora, a documentação acerca da comprovação do dispêndio rateado deve ser feita por meio dos documentos ordinários, como nota fiscal ou fatura do valor integral assumido, restando a dedutibilidade limitada ao valor não reembolsado, ao passo que, para as empresas participantes, a comprovação se faz justamente através da nota de débito, desde que esta seja instruída com elementos que demonstrem o controle de implementação do critério objetivo pactuado, podendo este se dar através de planilhas analíticas, mapas, time sheet, faturamento, área útil, etc., a depender do próprio método empregado. Pois bem. Nessa situação particular, a divergência está justamente no rigor empregado pela decisão da DRJ e pelo voto vencido no tocante à comprovação pela Recorrente na sua participação no rateio com a Monsanto, que insistiram no argumento de que o único meio de prova aceito seria a apresentação dos documentos fiscais que comprovassem as despesas realizadas pela Monsanto, seja com pessoal, com manutenção, com depreciação, com compra de material etc. Ora, além de se tratar da diabólica "prova emprestada", a qual, aliás, diz respeito a documentos que já superavam o prazo de guarda por outro sujeito passivo, sua exigência e condição para dedutibilidade não encontra guarida na doutrina e jurisprudência, conforme exposto acima. Com razão a Recorrente quando afirma: 3 Por outro lado, a adoção de margem de lucro sobre o gasto ou a inclusão no rateio de despesas que constituam atividadefim da empresa centralizadora impede o enquadramento nessa rubrica, caracterizando a operação como de prestação de serviços. 4 Como exemplo, gastos com promoção e propaganda. Fl. 9865DF CARF MF Processo nº 13807.000357/200143 Acórdão n.º 1201002.332 S1C2T1 Fl. 23 43 Com efeito, a Recorrente, desde a resposta à primeira intimação acerca do tema, demonstrou que, em função de evento de cisão, teve a necessidade de se valer da estrutura operacional (administrativa e industrial) da Monsanto (centralizadora dos gastos) para iniciar suas atividades, o que foi feito justamente mediante alocação e rateio de custos incorridos (RH, jurídico, contabilidade, fretes etc.). Nos termos do contrato de rateio firmado (Doc. 2 do arquivo não paginável resposta à diligência), há individualização dos gastos partilhados, bem como forma objetiva de remuneração dos itens, em conformidade com a cláusula 4 e Anexos "A" a "F". As Notas de Débito (Doc. 3) cobradas pela Monsanto discriminam analiticamente cada uma das parcelas que compõem o valor total mensal exigido a título de rateio, juntamente com os Razões, permitindo o confronto e avaliação do método contratual eleito. Foram, também, juntadas planilhas demonstrativas que trazem os valores dos dispêndios rateados alocados a Recorrente, bem como planilha de Centro de Custos e Linhas de Despesas que discrimina individualmente cada um dos itens compartilhados (Doc. 04). Alem dessa documentação, cumpre observar, ainda, que a Recorrente acostou na defesa relatório detalhado de auditoria dos documentos comprobatórios relativos aos registros contábeis e formação das parcelas integrantes das Notas de Débitos (fls. 6.236 e 6.474/9.697 Anexos I a V), que assim concluiu: Examinamos todos os documentos comprobatórios, bem como o respectivo registro nos livros Diário e Razão, relativos aos registros contábeis das parcelas que integram o valor das Notas de Débito emitidas contra a empresa Solutia do Brasil Ltda. no período de setembro a dezembro de 1997. Nossos exames compreenderam: (a) a identificação da natureza e o valor de todos gastos que integram cada uma das Notas de Débito emitidas mensalmente; (b) a constatação das evidências e dos registros que suportam os valores; (c) a localização e cópia dos documentos comprobatórios; e (d) acompanhamento do processo de autenticação das cópias. Em nossa opinião, os documentos comprobatórios apresentados são verídicos, estão regularmente registrados na escrituração Fl. 9866DF CARF MF 44 comercial da Monsanto do Brasil Ltda. e atendem os requisitos previstos nos artigos 289, 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda/1999. Diante desse conjunto probatório, entendo que a legitimidade do presente rateio de despesa não foi só justificada e demonstrada, mas também comprovada, atendendo os requisitos de dedutibilidade, razão pela qual a parte da glosa mantida não se sustenta. Dessa forma, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para: a) excluir da glosa de variação cambial passiva o valor de R$ 8.248,60 da base tributável do IRPJ e CSLL; b) excluir da glosa de despesas financeiras os valores de R$ 155.724,03 e R$ 298.351,11 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente; c) excluir da omissão de receitas diferença de estoque o valor de R$ 18.854,25 da base tributável do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS; d) excluir da dedução indevida de amostra grátis e bens obsoletos o valor de R$ 63.993,56 da base tributável do IRPJ; e) excluir da dedução indevida relativa a pagamentos efetuados para a Cia Brasileira de Estireno os valores de R$ 223.644,99 e R$ 694.742,57 das bases tributáveis apuradas nos lançamentos do IRPJ nos anoscalendário de 1997 e 1998, respectivamente; f) afastar a glosa relativa a dedução indevida Monsanto no anocalendário de 1997, relativa à base tributável do IRPJ e CSLL; e, g) excluir a multa isolada no valor de R$ 316.025,83. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 9867DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000073/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VALORES LANÇADOS EM GFIP
Valores lançados na contabilidade em conta de salário e informados em GFIP integram o salário de contribuição.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia (Súmula CARF nº 89)
Numero da decisão: 2202-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 136 1 135 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12268.000073/200996 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.776 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente W&A SISTEMAS DE PRE IMPRESSÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VALORES LANÇADOS EM GFIP Valores lançados na contabilidade em conta de salário e informados em GFIP integram o salário de contribuição. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia (Súmula CARF nº 89) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 73 /2 00 9- 96 Fl. 136DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Conforme descrito no Relatório fiscal (fls.32) tratase de lançamento de contribuições previdenciárias,. a cargo da empresa, em face do pagamento das seguintes verbas: a) auxílio alimentação pago em dinheiro e sem a correspondente inscrição do Programa de Assistência ao Trabalhador PAT. b) Vale transporte pago em dinheiro; c) Aluguel pago em pecúnia; d) horas extras registradas na contabilidade e declaradas em GFIP após o início da ação fiscal; e) Ajuda de custo não fornecida à todos os empregados e descrita na contabilidade como crédito de adiantamento de salário; f) férias; g) pagamento para contribuintes individuais; h) pagamento de prólabore à administradores; O contribuinte apresentou a Impugnação de fls.51/65, à qual foi negado provimento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 94): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTO DE INFRAÇÃO. Nos termos do que dispõe o art. 10, do Decreto 70.235/72, o lançamento de obrigação principal, realizado em procedimento fiscal, deve ser formalizado por meio de Auto de Infração. VALORES LANÇADOS EM GFIP. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Valores lançados na contabilidade em conta de salário e informados em Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP integram o salário de contribuição. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 12268.000073/200996 Acórdão n.º 2202004.776 S2C2T2 Fl. 137 3 AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES. DIREITO DE DEFESA. Inexiste cerceamento do direito de defesa quando o Auto de Infração e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, o lançamento está devidamente motivado e cumpre todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura. Cientificado da referida decisão (AR fls. 458) o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 460/482 no qual reitera alega, resumidamente, o seguinte: a) nulidade do instrumento de lançamento utilizado b) caráter eventual das verbas glosadas; c) ausência de motivação do lançameno SC2 d) da necessidade de confrontação entre os valores declarados em GFIP a título de contribuições dos contribuintes individuais por outras empresas tomadoras dos seus serviços. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) NULIDADE DO INSTRUMENTO DE LANÇAMENTO UTILIZADO Alega Recorrente que o instrumento de lançamento utilizado pela autoridade fiscal é nulo. Isso porque, por se tratar de exigência de obrigação principal (pagamento de tributo) o crédito deveria ser constituído por meio de Notificação de Lançamento, conforme determinado pelo art. 33, §7º da Lei nº 8.212/91 e não Auto de Infração que só deveria ser aplicado às obrigações acessórias. Sem razão a Recorrente. A denominação atribuída ao lançamento (Auto de Infração ou Notificação de Lançamento) não importa em nulidade, a menos que tenha ocorrido o descumprimento de elemento essencial à sua validade. O artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito, estabelece as seguintes causas de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente Fl. 138DF CARF MF 4 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) O presente lançamento foi efetuado por autoridade competente e com amplo direito de defesa, motivo pelo qual, não há que se falar em nulidade. 2) MÉRITO 2.1) DA NATUREZA EVENTUAL DAS VERBAS GLOSADAS Quanto ao mérito, o Recorrente alega, fundamentalmente, que, "independente da titulação contábil dada ao evidenciado pagamento, a origem deste é, em verdade, "ganhos eventuais" motivo pelo qual seria indevido o lançamento. Incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque o ônus de infirmar a natureza jurídica das verbas por ele próprio declaradas na contabilidade e em GFIP é dele. Todavia, tanto na Impugnação quanto no recurso voluntário se limitou a fazer alegações genéricas sobre a natureza das verbas sem trazer qualquer elemento de prova que pudesse se contrapor à sua própria contabilidade. Todavia, em relação à verba paga à título de vale transporte pago em dinheiro, embora possua caráter habitual, deve excluída da base de cálculo das contribuições sociais, conforme disposto na Súmula CARF nº 89 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. 2.2) DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO RELATIVA AO LEVANTAMENTO SC2 Alega o Recorrente que, em relação ao lançamento SC2, constante do Relatório Fiscal não se encontra a específica motivação que permita o contribuinte entender o porquê do lançamento o que ofenderia os princípios do contraditório e ampla defesa. Incorretas as alegações do Recorrentes. Conforme se verifica pela leitura do lançamento fiscal, está claramente demonstrada a natureza dos fatos e dispositivos legais que motivaram o lançamento, conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito (fls. 64/65): LEVANTAMENTO (SC2) SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A base de cálculo apurada e discriminada neste levantamento foi constituída pelos valores contabilizados a débito nas contas 411010001salário, 411020022 manutenção e conservação, integrando a remuneração dos segurados empregados citados no Relatório de Lançamentos RL, anexo ao AI. As contribuições dos segurados empregados foram apuradas e objeto de constituição do crédito em Auto de Infração apensado a este. DOS FATOS Tratase de pagamento de remuneração não declarada na folha de pagamento, portanto em efetuar o desconto devido de segurado empregado. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 12268.000073/200996 Acórdão n.º 2202004.776 S2C2T2 Fl. 138 5 Caracterizouse salário de contribuição, uma vez que a remuneração foi paga em retribuição ao trabalho prestado pelos segurados empregados, não se aplicando as hipóteses de não integração ao salário de contribuição previstas no §9º do art. 214 do Decreto 3.048/99 e alterações. Os valores pagos foram apurados considerando os lançamentos contábeis nas contas acima identificadas. Intimada a apresentar a documentação comprobatória desses lançamentos no Termo de Intimação Fiscal TIF nº 1, o que o fez, foi possível identificar os beneficiários dos pagamentos. Os valores foram declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, após início do procedimento fiscal. Não foram recolhidas as contribuições previdenciárias. Conforme se verifica pelo trecho acima transcrito, foi plenamente possível ao Recorrente identificar do que se tratava o lançamento tanto que procedeu a declaração dos valores em GFIP depois de iniciado o procedimento fiscal. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento as parcelas relativas ao vale transporte pago em dinheiro. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 140DF CARF MF
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