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5699416 #
Numero do processo: 18471.002360/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LEI COMPLEMENTAR No 105. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF No 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO FISCAL De acordo com as expressas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tendo sido regularmente intimada a contribuinte, a ela competia, ao tempo e modo devidos, a apresentação de registros e esclarecimentos necessários e suficientes para a comprovação da origem dos respectivos depósitos e a sua efetiva natureza jurídica, o que não se verificou nos presentes autos.
Numero da decisão: 1301-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LEI COMPLEMENTAR No 105. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF No 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO FISCAL De acordo com as expressas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tendo sido regularmente intimada a contribuinte, a ela competia, ao tempo e modo devidos, a apresentação de registros e esclarecimentos necessários e suficientes para a comprovação da origem dos respectivos depósitos e a sua efetiva natureza jurídica, o que não se verificou nos presentes autos.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     2 CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER ­ Relator.    Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Valmar Fonsecea de  Menezes  (Presidente),  Wilson  Fernandes  Guimarães,  Valmir  Sandri,  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.   Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.002360/2008­21  Acórdão n.º 1301­001.584  S1­C3T1  Fl. 3          3   Relatório  Adotando o relatório trazido pela r. decisão de primeira instancia, destaco:   “Trata­se  do  Auto  de  Infração  (fls.269/290),  lavrado  em  10/09/2008,  no  âmbito  da  Delegacia  de  Fiscalização  da  Receita  Federal  do  Brasil  no  Rio  de  Janeiro/RJ,  em  cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal ­ Fiscalização n° 07.1.90.00­2008­ 00316­0, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­ IRPJ, tendo como reflexo  o  lançamento  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  ­  PIS,  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social  ­ COFINS e Contribuição Social  sobre o Lucro  Líquido ­ CSLL, referente ao ano­calendário de 2003, cujo crédito tributário monta em  R$1.977.146,20.  2 O crédito  tributário  constituído  tem sua composição no presente Auto de  Infração,  conforme quadro abaixo:     3 A Autoridade Autuante, em seu Termo de Verificação Fiscal, às fls.251/254, descreve  os fatos que alicerçaram a lavratura do presente Auto de Infração, alegando que:  3.1 Apesar das Intimações e Reintimações requisitando a comprovação da origem dos  valores  creditados/depositados  em  contas  correntes,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, bem como a indicação das folhas do Livro Razão nas quais estão escriturados,  o interessado não logrou atender à fiscalização (fls.251/253);  3.2  Constatado  diferença  entre  os  depósitos  apurados  e  as  receitas  declaradas  na  DIPJ/2004, ano­calendário 2003, procedeu­se o Lançamento da Omissão de Receitas  apuradas  no  3o  e  4o  trimestres,  conforme  Demonstrativo  de  Créditos  Não  Contabilizados, às fls.255/268 (fls.253).  4  Inconformado,  o  interessado  apresentou  impugnação  (fls.  302/816),  na  qual  se  insurge contra os lançamentos do IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e respectivos acréscimos  legais, mediante argumentação apresentada a seguir:  4.1 A Autoridade Autuante considerou os depósitos bancários pelo regime de caixa e  não pelo de competência (vide planilha às fls 305/307), o que acarretou lançamento do  Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     4 IRPJ  de  fatos  geradores  ocorridos  nos  meses  de  junho,  julho  e  agosto,  os  quais  já  estariam "abrangidos pela Decadência" (fls.303/308);   4.2 Acusa que operou­se, também, a decadência para os créditos tributários do PIS' e  da COFINS, cuja constituição refere­se ao período de apuração de setembro de 2003  (fls.308);  4.3  Não  concorda  com  o  presente  lançamento,  alegando  cerceamento  de  defesa  em  virtude da recusa da Autoridade Fiscal em receber a documentação comprobatória da  origem  dos  depósitos  bancários,  sob  a  justificativa  da  Ação  fiscal  ter  se  encerrado.  Imputa a demora no atendimento das requisições do Fisco ao prazo exíguo concedido  para  reunião  de  vasta  documentação,  a  qual  refere­se  à  totalidade  das  operações  ocorridas no ano­calendário de 2003 (fls.309);  4.4 Em sua defesa, juntou aos autos a documentação que foi recusada pela Autoridade  Autuante, às  fls. 353/756, a qual está relacionada no quadro resumo apresentado, às  fls.  309/315,  com  vistas  à  comprovação  da  origem  dos  depósitos  bancários  (fls.  309/315);  4.5  Considera  que  o  advento  da  demonstração  da  origem  dos  depósitos  bancários  invalida a  fundamentação  legal observada no Auto de  Infração,  visto não estar mais  configurada a tipificação prevista no caput do art. 42 da Lei n° 9.430/96, devendo ser  observado o parágrafo 2o deste mesmo artigo, que nestes casos, remete à utilização de  outro fundamento legal (fls.316/319);   4.6 Assevera que o lançamento de omissão de receitas fundamentado no art. 42 da Lei  9.430/96, e  lastreado unicamente em depósitos bancários de origem não comprovada  colidem  com  o  disposto  nos  art.  43  e  142  do  CTN,  tanto  por  não  demonstrar  a  ocorrência  de  acréscimo  patrimonial,  como  por  não  aprofundar  investigação  para  obtenção de provas motivadoras da constituição do crédito tributário (fls. 334/335);   4.7 Menciona que "a norma do art. 42 da Lei 9.430/96 ­ repita­se ­ autoriza apenas que  os  depósitos  bancários  constituam  o  marco  inicial  para  investigação  quanto  à  ocorrência de  supostos  rendimentos omitidos à  tributação pelo  sujeito passivo  e,  por  isso, não podem ser transformados em fatos geradores do imposto de renda" (fls. 338);  4.8 Discorda do  entendimento que o art.  42 da Lei 9.430/96  tenha estabelecido uma  presunção  que  dispensa  a  autoridade  fiscal  do  dever  de  prova.  Considera  que  a  criação de presunção júris  tantum, "por simples lei ordinária, poderia subverter  , em  nome de dos interesses arrecadatórios, todo o articulado constitucional" (fls.334)   4.9 A exigência, pela Autoridade Fiscal, que uma pessoa jurídica apresente, em vinte  dias,  extensa  e  complexa  documentação  hábil  e  idônea  de  todas  as  operações  bancárias  que  praticou  durante  um  ou  mais  anos  inteiros  encontra­se  viciada  pela  ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (fls. 338);   4.10 As  Leis  n°s  10.637/02  e  9.718/98  ao  definirem  a  incidência  do  PIS  e COFLNS  sobre  receita  e  faturamento  colidem  com  dispositivo  constitucional  (Emenda  Constitucional n° 20/98), que estabelece a possibilidade, de incidência sobre a receita  ou o faturamento (fls. 341);   4.11  Considera  desprovido  de  base  legal  e  dissonante  com  o  que  dispõe  a  jurisprudência  do  STF  a  tributação  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  algo  que  não  seja  faturamento (fls. 343);  4.12 Apresenta, a título de exemplo, valores que foram lançados pela Autoridade Fiscal  que não poderiam ser considerados como faturamento, cuja prova documental teve sua  apresentação recusada e que agora segue em anexo, as quais se referem à: descontos  Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.002360/2008­21  Acórdão n.º 1301­001.584  S1­C3T1  Fl. 4          5 comerciais,  transferências entre contas correntes de mesma titularidade e redução de  saldo devedor da conta bancária (fls. 344/345);  4.13 Aduz razões com vistas a evidenciar que a Autoridade Autuante no lançamento do  IRPJ  e  da  CSLL  tributou  valores  que  não  representam  faturamento,  bem  como,  também, não correspondem à efetiva renda/Lucro auferido pela impugnante, violando  desta forma o art 43 do CTN e o art. 195 da CF. Cita como exemplo, valores lançados,  tais  como:  descontos  comerciais,  transferências  entre  contas  correntes  de  mesma  titularidade e redução de saldo devedor da conta bancária (fls. 347/348);  4.14  Acusa  que  a  Autoridade  Fiscal  não  levou  em  consideração,  para  efeito  de  compensação da base de cálculo  tributável, a existência de prejuízos e base negativa  da CSLL de anos anteriores, ambos no valor de R$487.709,32 (fls.348)   4.15  Por  fim,  o  interessado  vem  pedir  o  cancelamento  integral  do  Auto  de  Infração  pela sua total improcedência (fls.350).”  Analisando os termos da impugnação, concluiu a douta DRJ de origem pela  manutenção do lançamento, em acórdão assim ementado:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Na fase que antecede o lançamento não cabem alegações de cerceamento do direito de  defesa.  INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE  CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS.  À  autoridade  administrativa  falece  competência  para  apreciar  alegações  de  inconstitucionalidade da legislação tributária.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  DECADÊNCIA. IRPJ. PIS/PASEP. COFINS. CSLL.  O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito  tributário se extingue após cinco  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia ter sido efetuado.   DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS.  Considera­se omissão de receita os valores creditados  em conta de depósito mantida  em  instituição  financeira,  em  relação aos quais o  titular  regularmente  intimado, não  comprove curso da ação fiscal, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes  recursos.  COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS ACUMULADOS. BASE NEGATIVA DA CSLL.  Não  cabe  compensação  de  prejuízos  e  bases  negativas  de  CSLL,  acumulados  em  períodos anteriores, se não comprovado a sua existência.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. COFINS. CSLL.  Aplica­se  ao  lançamento  reflexo  o  mesmo  tratamento  dispensado  ao  lançamento  matriz, em razão da causa e do efeito que os vincula.  Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     6 Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Regularmente  intimada  a  contribuinte,  por  ela  foi  então  interposto  o  seu  competente  Recurso  Voluntário,  pretendendo  a  reformada  da  decisão  e,  em  suas  razões  destacando:   ­ Em sede de preliminar, requer o sobrestamento do feito, tendo em vista a aplicação  do Art. 62­A, par. 1o do RICARF e, no caso, o reconhecimento da repercussão geral em  processo de mesma natureza perante o Colendo STF.  ­ Impossibilidade do acesso ao sigilo bancário sem a necessária determinação judicial  – inconstitucionalidade do Art. 105/2001.  ­  Ocorrência  da  decadência:  por  ter  aplicado  o  regime  de  caixa  –  e  não  o  de  competência  ­,  atingiu­se  fatos  anteriores  a  Setembro/2003,  devendo  ser  assim  reconhecida a decadência.  ­ A incorreção da aplicação do Art. 173, inciso I do CTN, uma vez que teria havido, de  fato,  recolhimentos  dos  tributos  no  período,  devendo assim  ser  então  aplicado o  art.  150, par. 4o.  ­ Que á consideração de “pagamento” também se deve aplicar à compensação, tendo  em vista que ambos extinguem o crédito tributário, e, assim, regular seria a aplicação  das disposições do mencionado Art. 150, par. 4o do CTN.  ­  Que,  apesar  de  trespassado  o  prazo  inicialmente  concedido  para  a  entrega  das  informações  relativas  à  origem  dos mencionados  depósitos  bancários,  a  contribuinte  pretendeu  a  entrega  dos  documentos  solicitados,  os  que,  segundo  sustenta,  seriam  suficientes  para  a  comprovação  da  origem  dos  recursos  e  a  regularidade  de  seus  registros, sendo, pois, indevida a imputação realizada.  ­  Que  tendo  em  vista  a  apresentação  de  documentos  suficientes  nos  autos  para  a  comprovação  da  origem  dos  recursos,  indevido  se  mostra  o  lançamento  efetivado,  devendo assim então aqui ser efetivamente desconstituído.  ­ Que o art. 42 da Lei 9.430/96 estaria eivado de inconstitucionalidade.  ­ Que a verdade material é o vetor da atuação administrativa de lançamento, devendo  portanto, ser aqui privilegiada.  ­  Faz  longo  arrazoado  a  respeito  da  impossibilidade  de  incidência  do  IR  sobre  os  montantes relativos a depósitos bancários.  ­ Que mesmo que  se admita que o Art.  42 da Lei 9.430/96 cria uma presunção  iuris  tantum,  isso  não  autoriza  e  não  concede  à  administração  fazendária  a  autorização  para não­provar as circunstâncias materiais da ocorrência do fato­gerador.  ­  Que  o  prazo  de  apenas  20  (vinte)  dias  para  apresentar  toda  a  documentação  requerida  seria  insuficiente,  gerando,  assim,  elevado  e  insuperável  ônus  para  o  contribuinte, ofendendo aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.   ­  Que  não  se  pode  admitir  a  incidência  do  PIS/COFINS  sobre  valores  que  não  correspondam ao efetivo faturamento da empresa.  Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.002360/2008­21  Acórdão n.º 1301­001.584  S1­C3T1  Fl. 5          7 ­ Que  a  cobrança  do  IRPJ/CSLL  sobre  os  depósitos  não  respeita  o  conceito  legal  e  constitucional de renda.  Recebido o processo para apreciação, esta turma então entendeu, na sessão de  02  de  outubro  de  2012,  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência,  determinando  o  sobrestamento do feito em face do reconhecimento da repercussão geral pelo Colendo STF nos  autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), relativo ao julgamento da  (in)constitucionalidade  das  disposições  da LC 105/2001,  aplicando,  assim,  as  disposições  do  Art. 62­A, par. 1o, do RICARF.  Tendo sido revogadas aquelas disposições pela Portaria MF no 545, de 18 de  novembro/2013, retornam os autos então a este relator, para apreciação e julgamento.  É o relatório.       Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     8     Voto             Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator.  Sendo tempestivo o Recurso Voluntário interposto, dele conheço.   A questão  tratada nos  autos,  apesar  das muitas  variações  da  tese  da  defesa  apresentada, é apenas uma: a aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, tendo em  vista  a  não  comprovação  da  origem  de  recursos  depositados  em  conta  bancária  da  pessoa  jurídica, apesar de devida e regularmente intimada para tanto.  Em  sua  argumentações,  de  forma  reiterada,  a  recorrente  argui  a  inconstitucionalidade  do  dispositivo,  ou  mesmo  do  acesso  às  informações  bancárias  pelos  agentes da Fazenda Nacional sem a necessária existência de prévia autorização judicial (RMF  – LC 105/2001), sendo aqui relevante destacar, sobre todos os apontamentos, que não compete  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF  a  apreciação  da  (in)constitucionalidade  de  normas,  devendo,  assim,  ao  revés,  sob  o  pálio  da  presunção  de  constitucionalidade  das  leis,  dar­lhes  integral  cumprimento,  em  homenagem  ao  princípio  da  legalidade  e,  ainda  o  resguardo  da  competência  própria  do  Poder  Judiciário  para  a  sua  apreciação.   Esse,  inclusive,  é  o  mote  fundamental  da  Súmula  CARF  no  2,  que  assim,  inclusive, expressamente afirma:   Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.      Em  face  dessas  considerações,  deixo  de  apreciar  todas  as  ponderações  apresentadas pela recorrente em relação à argüição de inconstitucionalidade das disposições do  Art. 42 da Lei 9.430/96 e da Lei Complementar no 105/2001, aqui considerando­as válidas nos  termos em que apresentadas.  Da análise histórica das solicitações fiscais  A partir dessas considerações preliminares, verifica­se que, na concepção do  procedimento  fiscalizatório apresentado, verifica­se que os  agentes  fazendários,  identificando  uma  inicial  divergência  entre  os  montantes  declarados  pela  contribuinte  em  suas  regulares  declarações  fiscais  (DIPJ/2004,  ano­calendário  2003),  promoveu  então  a  intimação  da  contribuinte,  em  30/01/2008,  para  que,  em  20  (vinte)  dias,  apresenta­se  documentos  e  esclarecimentos a respeito ao IRPJ devido nos anos­calendário de 2003 e 2004, indicando (fls.  38):   1. Estatuto/Contrato Social e suas alterações;  2.  Livros  de  escrituração  fiscal,  contábil  e  auxiliares  (LALUR,  Balancete,  diário,  razão);  Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.002360/2008­21  Acórdão n.º 1301­001.584  S1­C3T1  Fl. 6          9 3. Contratos de mútuos, empréstimos e financiamentos, acompanhados das respectivas  planilhas de apuração da variação cambial, juros e encargos;  4. Apresentar os extratos bancários da empresa dos anos 2003 e 2004;  5. Informar se o contribuinte aderiu ao PAES confessando débitos dos anos­calendário  fiscalizados.  Caso  o  contribuinte  tenha  optado  pelo  PAES  apresentar  cópia  do  processo;   Às fls. 039, requereu ainda, no dia 25/03/2008 a apresentação, em 20 (vinte)  dias:  1.  Apresentar  em  meio  magnético  os  registros  contábeis  e  informações  relativas  a  atividade econômica da empresa econômicas e  financeiras, na  forma do disposto nos  artigos 265, 266 e 927 do Decreto n° 3.000 de 26/03/99, IN/SRF n°86, 22/10/01 e Ato  Declaratório COFIS n°15, 23/10/01, ano­calendário 2003 e 2004.   Às fls. 41 então, consta o Termo de Constatação e Intimação Fiscal no 01/08,  destacando a apresentação pela contribuinte, em 14/04/2008, das informações relacionadas:   Em 14/04/2008, o contribuinte atendendo à  intimação  inicial apresentou os seguintes  extratos bancários:  Ano­Calendário 2003  1­  Banco  Bradesco  ­  Conta  Corrente  n°  1050  2  ­  meses  janeiro  a  dezembro. No entanto os meses de março e abril estão incompletos;  2­  Banco  BCN  ­  Conta  Corrente  n°  405.561  0  ­  meses  janeiro  a  dezembro, com exceção do mês de maio;  Conta Corrente n° 405.600 4 ­ meses janeiro e fevereiro  Conta Corrente n° 405.906 2 ­ meses janeiro e fevereiro  3­ Banco Santander ­ Conta Corrente n° 9610021 4 ­ meses de janeiro a  dezembro.  No entanto o mês de fevereiro está incompleto.   Ano­Clendário 2004  1­  Banco  Bradesco  ­  Conta  Corrente  n°  1050  2  ­  meses  janeiro,  fevereiro, março, abril, setembro, outubro, novembro e dezembro;  2­ Banco  Santander  ­ Conta Corrente  n°  9610021 4  ­ meses  janeiro  a  abril e agosto a dezembro.   Em  face  dessas  verificações,  determinou­se  então,  naquela  oportunidade,  o  seguinte:   1. Com relação à movimentação financeira efetuada, nas instituições financeiras a seguir  relacionadas:  Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     10 1.1.  Apresentar os extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem à  movimentação financeira;    2.  Apresentar  declaração  emitida  pelas  instituições  financeiras  acima  citadas,  informando  os  números  das  contas  bancárias  que  o  contribuinte  possuía  nestas  instituições no período fiscalizado;  3­  Apresentar  Documentação  hábil  e  idônea  que  demonstrem  os  repasses  financeiros  efetuados pelas administradoras de cartão de crédito, em função das vendas realizadas  via  cartão  de  crédito,  bem  como  informar  em  que  contas  bancárias  os  valores  foram  depositados;  Essa  nova  determinação,  verifica­se,  fora  recebida  pela  contribuinte  no  dia  18/04/2008.  No  dia  08/05/2008,  fls.  43,  verificação  novo  Termo  de  Constatação  Fiscal  (02/2008), que, descrevendo as ocorrências, assim então especificamente se manifesta:   Em 08/05/2008, o contribuinte compareceu a repartição e entregou a documentação  relacionada  abaixo  referentes  às  intimações  Termo  de  Intimação  Fiscal  01/08  e  Termo de Constatação e Intimação Fiscal 01/08.  1.1. Extratos da Conta Corrente n° 1050 2 Banco Bradesco, ano­calendário 2004;  1.2. Registros  contábeis  e  informações  relativas a atividade  econômica da empresa,  em meio magnético, na forma do disposto nos artigos 265, 266 e 927 do Decreto n°  3.000 de 26/03/99, IN/SRFn°86, 22/10;  1.3. O contribuinte solicitou por meio de carta a prorrogação de prazo por mais 20  dias, para apresentar os demais extratos bancários.   Esta  fiscalização  concede  o  prazo  adicional  de  20  dias  solicitado  pelo  contribuinte  para atender o Termo de Constatação e Intimação Fiscal 01/08.  Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.002360/2008­21  Acórdão n.º 1301­001.584  S1­C3T1  Fl. 7          11 Informamos ao contribuinte que caso as informações não sejam prestadas dentro do  prazo, estabelecido, esta fiscalização poderá efetuar a quebra do sigilo bancário por  meio administrativo.   No dia 05/06/2008 – fls. 44 ­, verifica­se agora o Termo de Intimação Fiscal  no 03/08, agora determinando:   No  exercício  das  funções  de Auditora­Fiscal  da Receita Federal  e,  de  acordo  com o  disposto  nos  arts.  904,  911  e  927  do  Decreto  no  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (Regulamento do, Imposto de Renda ­ RIR/99), fica o contribuinte intimado a, no prazo  de 20 (vinte) dias, apresentar/esclarecer as informações abaixo relacionadas, no que se  refere ao IRPJ Anos­calendário 2003 e 2004/Exercícios 2004 e 2005 .  1. Comprovar, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  créditos  relacionados nos Demonstrativos Créditos a Comprovar, que seguem em anexo,  das contas bancárias: Bradesco ­ conta: 1050­2; Santander ­ conta: 96110021­ 4; BCN ­ conta: 405561­0 e Unibanco ­ conta: 132869­0, ano­calendário 2003;  No anexo apresentado, inclusive, verifica­se a apresentação especificada dos  movimentos  cuja  informação  pretendem  os  Srs.  Auditores  fiscais,  indicando  data  do  movimento  e  valores  respectivos,  requerendo,  como  destacado,  informações  a  respeito  da  origem e da natureza dos apontados recursos.  No  dia  16/08/2008  –  fls.  59  ­,  verifica­se  então  Termo  de  Entrega  de  documentos, onde os representantes fazendários, a requerimento do contribuinte, promoveram  a  entrega  de  cópia  dos  extratos  bancários  especificamente  considerados  na  construção  da  solicitação do dia 05/06/2008.  Às  fls.  61,  verifica­se  agora  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  no  04/2008  –  recebido pela contribuinte em 05/08/2008 ­, que aponta, especificamente:   No  exercício  das  funções  de Auditora­Fiscal  da Receita Federal  e,  de  acordo  com o  disposto  nos  arts.  904,  911  e  927  do  Decreto  n2  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR/99), fica o contribuinte intimado a, no prazo  de 10 (dez) dias, apresentar/esclarecer as informações abaixo relacionadas, no que se  refere ao IRPJ Anos­calendário 2003 e 2004/Exercícios 2004 e 2005 .  1. Comprovar, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  créditos  relacionados nos Demonstrativos Créditos a Comprovar, que seguem em anexo,  das  contas  bancárias:  BankBoston  ­  conta  n°  13.7329  61;  Bradesco  ­  conta  n°1050­2;  Santander  ­  conta  n°96110021­4;  BCN  ­  contas  n°405561­0  e  n°405.600 4 e Unibanco ­ conta n°132869­0, ano­calendário 2003;  Às fls. 75, verifica­se então novo Termo de Constatação e  Intimação Fiscal  (03/08), agora destacando o seguinte:   Em  25/08/2008,  em  resposta  a  intimação  lavrada  em  05/08/2008,  o  contribuinte  apresentou Planilhas  ­ Composição da Receita Contabilizada versus Movimentação  Financeira, ano­calendário 2003 ­ na qual o contribuinte repete na coluna descrição  as  informações  contidas  nos  extratos  bancários,  não  esclarecendo  a  origem  dos  créditos  e  não  os  relacionados  individualmente  com  os  valores  escriturados  nos  Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     12 livros: Diário  e Razão. O  contribuinte  também não  comprovou  com documentação  hábil e idônea a origem dos créditos.  Tendo  em  vista  que  até  a  presente  data,  o  contribuinte  não  esclareceu  nem  comprovou  a  origem dos  depósitos  bancários  relacionados nas  intimações  lavradas  em  05/06/2008  e  05/08/2008,  esta  fiscalização  no  exercício  de  suas  funções  de  Auditora­Fiscal da Receita Federal e, de acordo com o disposto nos arts. 904, 911 e  927 do Decreto n­ 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda  ­  RIR/99),  fica  o  contribuinte  intimado  a,  no  prazo  de  5  (cinco)  dias  úteis,  apresentar/esclarecer  as  informações  abaixo  relacionadas,  ano­calendário  2003/Exercício 2004 .  1.  Comprovar, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos créditos  relacionados  nos  Demonstrativos  Créditos  a  Comprovar,  que  seguem  em  anexo, das contas bancárias: BankBoston ­ conta n° 13.7329 61; Bradesco ­  conta n°1050­2; Santander ­ conta n°96110021­4; BCN ­ contas n°405561­ 0 e n°405.600 4 e(Unibanco ­ conta n°132869­0, ano­calendário 2003;  A  resposta  à  presente  intimação  deverá  ser  prestada  por  escrito,  datada  e  assinada  pelo contribuinte, ou seu representante  legal, com indicação dos elementos que estão  sendo  apresentados.  As  informações  solicitadas  deverão  ser  disponibilizada  no  domicílio fiscal do contribuinte devendo a visita ser agendada com a Auditora­Fiscal  signatária pelo tel: 3 805­2293.  Fica, ainda, o contribuinte cientificado de que ao término do prazo estipulado,  conforme  determinam  os  artigos  839,  841,  845  e  926,  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  aprovado  pelo  Decreto  N.°  3.000/99,  será  efetuado  procedimento de Lançamento de Ofício.  Essa derradeira intimação foi recebida pela contribuinte no dia 27/08/2008.  No  dia  10/09/2008  (fls.  251),  foi  então  proferido  o  Termo  de  Verificação  Fiscal – Encerramento Parcial A/C 2003, apontando a falta de comprovação, pela contribuinte,  das  natureza  e  origem  de  diversos  depósitos  por  ela  recebidos,  e,  assim,  aplicando  as  disposições  do  Art.  42  da  Lei  9.430/96,  promovida  a  sua  consideração  como  receita  não  contabilizada.   A partir dessas configurações, verifica­se que, de fato, uma grande parte das  movimentações bancárias promovidas nas contas da contribuinte não  foram, definitivamente,  registradas em sua contabilidade, sendo essa, fundamentalmente, a razão a completa ausência  de  informações  e  registros  a  respeito  de  sua  natureza  e  origem,  conforme  largamente  demonstrado nos autos.  A  contribuinte,  após  a  lavratura  do  auto  de  infração  (agora  já  em  sua  impugnação),  descreve  os  referidos  registros  considerados  pela  fiscalização,  indicando,  em  relação a cada um, a sua suposta “origem” sem indicar, entretanto, a sua específica natureza,  sendo de relevante destaque, então, a verificação de forma indubitável e até mesmo confessa  que se trata de receita. Receita não contabilizada, registre­se.   Pois bem.   Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.002360/2008­21  Acórdão n.º 1301­001.584  S1­C3T1  Fl. 8          13 A primeira consideração que aqui se faz necessária é de que, ao contrário do  que  afirma  a  contribuinte,  a  fiscalização,  em momento  algum,  “rejeitou”  o  recebimento  das  informações solicitadas.   Na  verdade,  em  reiteradas  oportunidades,  à  contribuinte  foi  solicitada  a  apresentação de informações relativas aos registros apontados, sobretudo porque, conforme se  verifica,  acaso  se  tratassem  de  receitas  auferidas,  elas  não  teriam  sido  então  devidamente  contabilizadas.   Em sua defesa, em caráter preliminar, a contribuinte sustenta a ocorrência da  “decadência”, especificamente porque a fiscalização teria se utilizado do REGIME DE CAIXA  e não o REGIME DE COMPETÊNCIA para a lavratura do auto de infração.  Ocorre  que,  ao  contrário  do  que  pretende  fazer  crer  a  contribuinte,  a  informação  a  respeito  da  origem  dos  referidos  recursos  somente  foi  apresentada  quando  da  apresentação  da  IMPUGNAÇÃO,  não  se  tendo  nos  autos  qualquer  registro  de  que  tais  informações tivessem sido apresentadas em momento anterior, e, eventualmente, não admitidos  pelos agentes da fiscalização.   O  que  se  verifica,  no  caso,  é  que,  pretendendo  defender  a  ocorrência  de  decadência,  a  contribuinte expressamente  reconhece  a natureza dos  referidos depósitos como  “receitas auferidas”, mas que, ao tempo e modo devidos, não teriam sido contabilizadas, o que,  ao  revés,  expressamente  autoriza  a  aplicação  das  disposições  do mencionado Art.  42  da Lei  9.430/96, que, sobre o assunto, assim então destaca:   Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.  § 1º O valor das  receitas ou dos  rendimentos omitido será considerado auferido ou  recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.  § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de  cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter­se­ão às normas de tributação  específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente,  observado que não serão considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual  igual  ou  inferior  a  R$  1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  (Vide  Lei  nº  9.481,  de  1997)  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados  recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que  tenha sido  efetuado o crédito pela  instituição financeira.  § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de  investimento pertencem a  terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada  em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído  pela Lei nº 10.637, de 2002)  Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     14 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de  investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado,  e  não  havendo  comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de  titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  (destaques nossos)  Nesses  termos,  não  se  trata,  no  caso,  de  desconsideração  de  informações  apresentadas pela contribuinte e desconsideradas pela fiscalização.   Na  verdade,  trata­se  de  efetiva  ausência  de  comprovação  da  origem  e  da  natureza dos créditos recebidos em conta bancária pela contribuinte, cuja natureza, em sede de  defesa, é reconhecidamente de RECEITA NÃO CONTABILIZADA, sendo de se reconhecer,  então, na presente vertente, a perfeita e total regularidade da aplicação das disposições do Art.  42 da Lei 9.430/96, e, com isso, efetivamente rejeitar todos os argumentos então aduzidos pela  recorrente.   Para  que  fique  devidamente  registrado,  a  contribuinte  expressamente  reconhece  que  os  valores  considerados  pelos  agentes  da  fiscalização  possuem  a  natureza  própria de receitas ­ receitas auferidas e não regularmente contabilizadas ­, que, agora, devem  então  ser  analisadas  pela  fiscalização,  aplicando­se  o  “regime  de  competência”  e,  no  caso,  reconhecendo  a  aplicação  de  decadência,  o  que,  com  a mais  respeitosa  vênia,  representaria,  antes  de  tudo,  simplesmente  desconsiderar  a  aplicação  dos  comandos  do  Art.  42  da  Lei  9.430/96, o que, então, não se pode admitir na presente vertente.   Diante dessas considerações, entendo, neste caso, completamente descabida a  pretensão de “análise” dos documentos juntados aos autos pela contribuinte, sobretudo porque,  ao assim admitir, penso, estaríamos aqui desconsiderando a expressa determinação contida no  art. 42 da Lei 9.430/96, o que, de fato, é­nos expressamente vedado.  Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  interposto,  reconhecendo,  no  caso,  a  necessária  observância das disposições do Art. 42 da Le3i 9.430/96, e, assim, completamente inviável a  desconstituição do lançamento efetivado.  É como voto.   (Assinado digitalmente)  CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER ­ Relator                                Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES

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Numero do processo: 15165.003328/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. VÍCIO SANADO. Omissão no julgado acerca da multa prevista na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107, do Decreto-lei n° 37/1966. Omissão suprida. Embargos de declaração acolhidos e providos.
Numero da decisão: 3202-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração. Luis Eduardo Garrossino Barbieri - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. VÍCIO SANADO. Omissão no julgado acerca da multa prevista na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107, do Decreto-lei n° 37/1966. Omissão suprida. Embargos de declaração acolhidos e providos.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração. Luis Eduardo Garrossino Barbieri - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 15165.003328/2010­52  Acórdão n.º 3202­001.348  S3­C2T2  Fl. 1.293        Relatório    Trata  o  presente processo  de  autos  de  infrações  lavrados  para  exigência  de  crédito tributário no valor de R$ 10.126.051,36 referente a imposto de importação, imposto  sobre  produtos  industrializados,  PIS  importação,  COFINS  importação,  multas  de  oficio,  multa por não atendimento à  intimação fiscal, multas por erro ou omissão de  informações  em declarações relativas ao controle de papel imune e juros de mora.    O acórdão embargado 3202­001.167 foi assim ementado:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009  II.  IPI. PIS. COFINS.  IMPORTAÇÃO DE PAPEL IMUNE. REDUÇÃO DE  ALÍQUOTAS. REQUISITOS. REGISTRO ESPECIAL PARA OPERAÇÃO.  A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos  sem  incidência  tributária  condiciona­se  ao  registro  especial  por  estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Recurso de ofício provido em parte.    A  embargante  apresentou  embargos  de  declaração  apontado  que  acórdão  embargado teria omissão e contradição/obscuridade, conforme trecho abaixo transcrito:    Verifica­se, portanto, que o acórdão embargado se mostra omisso ao não se  pronunciar sobre a multa prevista na alínea "c" do inciso IV do artigo 107  do Decreto­lei n° 37/1966, também objeto do recurso de ofício.    É o relatório.  Voto             Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator    Os Embargos  foram  tempestivamente  apresentados, motivo  pelo  qual  deles  tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante.    Entendo,  portanto,  cabíveis  os  embargos  de  declaração  apresentados  pela  Fazenda Nacional, já que o acórdão embargado não se manifestou a respeito da multa prevista  na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107, do Decreto­lei n° 37/1966.     Entendo correta a decisão da instância de piso ao dizer que:     Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 15165.003328/2010­52  Acórdão n.º 3202­001.348  S3­C2T2  Fl. 1.294        No caso  em análise a  fiscalização entendeu que o atendimento parcial  das  intimações, sem a apresentação de notas fiscais e Livro Diário, por parte da  interessada, teriam caracterizado a infração.  Ocorre que esse ato ou omissão tido por determinante da infração, in casu,  não  embaraçou,  impediu  ou  dificultou  a  ação  fiscal.  Para  fins  de  análise  fiscal  a  fiscalização  se  utilizou  das  declarações  apresentadas  pela  interessada  e  concluiu  pelas  irregularidades  já  discutidas  nesse  processo.  Assim,  a  apresentação  dos  documentos  solicitados  pela  fiscalização,  ao  contrário do que aparenta,  seriam de  interesse da  interessada para  fins de  comprovar  a  regularidade  das  operações  que  realizou.  Sua  não­ apresentação,  além  de  não  causar  embaraço  fiscalização,  determinou  sua  autuação pelas irregularidades cometidas. Portanto, é improcedente a multa  lançada.    Com essas conclusões, acolho e dou provimento aos presentes embargos para  suprir  a omissão  apontada,  integrando a  redação da parte dispositiva do acórdão  embargado,  cuja formulação passa a ser a seguinte:    Assim, diante de todo o exposto dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de  ofício,  excluindo­se a glosa  em  relação às  empresas que possuíam registro  especial  válido  para  operar  com  papel  imune  (Pampaspel  Comércio  de  Papéis  Ltda.,  Empresa  Jornalística  Gazeta  de  Riomafra  Ltda.,  CNPJ  nº  73.778.334/0001­64; Gráfica Boaventura  Ltda., CNPJ  nº  76.241.942/0001­ 23; Schaefer Impressos Ltda., CNPJ nº 76.241.942/0001­23; e Imperial Artes  Gráficas Ltda., CNPJ nº 88.952.239/0001­02), bem como em relação à multa  prevista na alínea "c", do inciso IV, do artigo 107, do Decreto­lei n° 37/1966.    É como voto.      Gilberto de Castro Moreira Junior                              Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI

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5658765 #
Numero do processo: 36592.000623/2007-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 01/01/2007 RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DD EXPEDIDA COM AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE DO ATO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE QUE SE ESTENDE AO ACÓRDÃO DA DRJ. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o DD, de fls. 192 a 195, por ausência de fundamentação, que causa preterição do direito de defesa, anulando-se por consequência o Acórdão da DRJ 06-39.010, determinando a reanálise do pedido como se fosse a primeira, cientificando o contribuinte para dela participar, se quiser, seguindo-se a partir desta todos as fase e procedimentos legais. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 01/01/2007 RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DD EXPEDIDA COM AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE DO ATO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE QUE SE ESTENDE AO ACÓRDÃO DA DRJ. Recurso Voluntário Provido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 337          1 336  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  36592.000623/2007­91  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­003.628  –  3ª Turma Especial   Sessão de  11 de setembro de 2014  Matéria  RESTITUIÇÃO: EMPRESAS EM GERAL  Recorrente  JOSÉ ROBERTO DA SILVA & DELCIR APARECDIDO DA SILVA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2006 a 01/01/2007  RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. DD  EXPEDIDA COM AUSÊNCIA DE  FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE DO ATO. PRETERIÇÃO DO DIREITO  DE DEFESA. NULIDADE QUE SE ESTENDE AO ACÓRDÃO DA DRJ.   Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, para anular o DD, de fls. 192 a 195, por ausência de fundamentação,  que causa preterição do direito de defesa, anulando­se por consequência o Acórdão da DRJ 06­ 39.010,  determinando  a  reanálise  do  pedido  como  se  fosse  a  primeira,  cientificando  o  contribuinte  para  dela  participar,  se  quiser,  seguindo­se  a  partir  desta  todos  as  fase  e  procedimentos legais.  (Assinado digitalmente).  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.   (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca  Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 59 2. 00 06 23 /2 00 7- 91 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 338          2   Relatório  O  presente  processo  administrativo  fiscal  encera  o  Requerimento  de  Restituição de Retenção, referente a retenção de 11%, da Lei 9.711/1998, para as competências  10/2006 a 12/2006, conforme requerimentos, de fls. 02.  Os requerimentos foram acompanhados dos documentos, de fls. 03 a 156.  A SAORT da DRF da  circunscrição  do  contribuinte  emitiu  o  despacho,  de  fls. 182 e 183, solicitando o pronunciamento da SACAT em relação a exclusão do contribuinte  do sistema SIMPLES FEDERAL.  A DRF em Maringá – PR emitiu o Ato Declaratório Nº 10, de 16/03/2009,  fls.  184,  por  intermédio  do  qual  o  contribuinte  foi  excluído  do  SIMPLES  FEDERAL  com  efeitos retroativos a 01/01/2002, sob a justificativa de atividade vedada ao sistema.  Consta,  as  fls.  186,  despacho  informando  a  constituição  do  processo  10950.001070/2009­46  –  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  –  IMPOSTO  SIMPLES,  que  se  encontra na DRJ/CTA em razão da apresentação de impugnação.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  Ato  Declaratório  Nº  10/2009,  em  01/12/2009, conforme AR, de fls. 188.  O  contribuinte  apresentou  manifestação  em  razão  da  cientificação  do  ato  declaratório, por meio da petição, de fls.  189 a191, acompanhada dos documentos, de fls. 192  a 195.  A SAORT emitiu o Despacho – Decisório – DD, datado, de 06/12/2011, fls.  192  a  195,  por  meio  do  qual  deferiu  parte  do  pedido  de  restituição,  relativamente  as  competências 10/2006 a 12/2006, no valor de R$ 5.642,88.  O contribuinte foi cientificado dessa decisão, em 09/03/2012, AR, de fls. 206.  O  requerente  protocolizou  a  petição,  de  fls.  218  a  223,  em,  26/03/2012,  acompanhada do documentos, de fls. 224 a 234, onde discorda da compensação de ofício, bem  como a petição, de fls. 236 a 247, recebida, em 03/04/2012, Manifestação de Inconformidade,  acompanhada dos documentos, de fls. 248 a 257.  O  contribuinte  apresentou  nova  petição,  as  fls.  261,  acompanhada  dos  documentos, de fls. 262 a 275.  O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 06­39.010 ­ 5ª Turma  da DRJ/CTA, em 18/01/2013, fls. 277 a 282, pelo qual a Manifestação de Inconformidade foi  considerada improcedente.  A empresa requerente tomou conhecimento do Acórdão, conforme AR, as fls.  284, recebido, em 05/02/2013.   Fl. 338DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 339          3 A  empresa  apresentou  Recurso  Voluntário,  em  01/03/2013,  conforme  petição, de fls. 286, com razões recursais, as fls. 287 a 302, acompanhado dos documentos, de  fls. 303 a 333.  As razões recursais estão assim resumidas.   Mérito.  · que  seja  realizada  a  compensação  de  ofício  dos  créditos  deferidos  administrativamente;  · que  a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  e  recurso  voluntário  em  face  do  Ato  Declaratório  n°  10/2009,  que  excluiu  a  recorrente  do  SIMPLES  FEDERAL,  possui  efeito  suspensivo  dessa  exclusão, sendo indevido a emissão do termo de perempção em razão  da exclusão, pois a empresa apresentou recurso em 25/04/2012, doc.  04,  não merecendo  prosperar  a  alegação  da DRJ  de  que  tal  recurso  não  tem  efeito  suspensivo,  pois  isso  viola  a  ampla  defesa  e  contraditório,  art.  5º,  LV,  da  CF/88,  transcreve  e  cita  doutrina,  não  podendo  a  recorrente  sofrer  os  efeitos  dessa  exclusão,  pois  tal  ato,  ainda, não é definitivo;  · que  a  recorrente  não  aquiesceu  com  a  compensação  de  ofício  da  restituição com os débitos sobre a folha de salários, mas sim daquelas  com possíveis  débitos  do SIMPLES NACIONAL,  sendo  a  assertiva  da DRJ incorreta;  · que a compensação de ofício da restituição com os  supostos débitos  sobre  folhas  de  salário  decorrente  da  exclusão  do  SIMPLES  NACIONAL  é  impossível,  pois  tais  créditos  não  existem,  uma  vez  que não foram lançados, art. 142 ou 150, §4º, ambos do CTN, sendo  tal  compensação  arbitrária,  pois  os  crédito  não  estão  constituídos  e  não  há  previsão  legal,  ferindo,  assim,  o  princípio  da  segurança  jurídica;  · que  a  jurisprudência  do  CARF  sobre  a  matéria  ampara  o  pleito  da  recorrente, cita e transcreve decisões sobre COFINS; PIS; PIS/PASEP  não cumulatividade,  sendo assim  indevida a  compensação de ofício,  merecendo reforma o acórdão a quo;  · Dos pedidos: a) recebimento, conhecimento e julgamento do recurso,  dando­lhe provimento ao final para reformar o acórdão recorrido; a1)  para  realizar a compensação de ofício dos créditos deferidos com os  débitos  do  SIMPLES  FEDERAL  existentes  e  que  não  puderam  ser  compensados por problemas  técnicos;  a2) para que seja cancelado o  Despacho – Decisório, de 08 de dezembro de 2011; a3) para que seja  restituído 100% da retenção a maior realizado, ou seja, o  importe de  R$ 11.730,95.  O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 335.  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 340          4 O autos foram remetidos ao CARF, fls. 335.  Os autos  foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014,  Lote 04, fls. 336.  É o Relatório.  (Assinado digitalmente).  Conselheiro Eduardo de Oliveira.  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 341          5 Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira – relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais  requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado.   Delimitação da Lide.  O pedido de compensação de ofício com créditos deferidos administrativamente, não  serão  apreciados por  essa colegiado, haja vista que a matéria está  fora da competência desse órgão,  sendo exclusiva da autoridade da DRF, onde o pleito deve ser levado.   Cabe  ao  colegiado  apreciar  recurso quanto  a negativa de  compensação, mas não o  pedido de compensação, que é exclusivo da DRF.  As  teses  relativas  a  manifestação  de  inconformidade  e  ao  recurso  voluntário  decorrentes do processo  de  exclusão do SIMPLES NACIONAL, não  serão  apreciadas nesses  autos,  pois  tal  exclusão  não  é  competência  desta  Segunda  Seção  do CARF  e  deve  ser  objeto  de  processo  especifico,  como,  aliás,  está  noticiado  nos  autos  proc:  10950.001070/2009­46,  que,  atualmente,  segundo consulta realizada e colacionada como anexo a esse acórdão, encontra­se na Primeira Seção  aguardando distribuição.  Também,  estão  fora  do  âmbito  de  análise  deste  colegiado  questões  decorrentes  de  inconstitucionalidade em razão de previsão expressa, como a seguir esclarecido.  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  pronunciar­se  sobre  questões  de  inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita.  Decreto 70.235/72  Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos  órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  RICARF PT/MF 256/2009  Art. 62. Fica vedado aos membros das  turmas de  julgamento do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre  a inconstitucionalidade de lei tributária.  A  razão  é  muito  simples  no  Poder  Executivo  –  Administração  Pública  vige  o  princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem  a  Constituição  da  República  Federativa  do  Brasil  atribui  em  primeiro  mão  a  competência  de  por  intermédio  da  sanção  em  projeto  de  lei  aprovado  pelo  Congresso  Nacional,  introduzir  a  norma  no  mundo jurídico, dando­lhe existência, estipulando sua vigência e atribuindo­lhe eficácia.  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 342          6 Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve  obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos  subvertendo o regime.  Além  do  que,  a  própria  CRFB/88  no  artigo  102,  caput,  estabeleceu  que  o  seu  guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF.  Assim  cabe  exclusivamente  ao  órgão  maior  do  judiciário  brasileiro  o  controle  concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso.  A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual  for, exercer o controle de constitucionalidade das leis.  Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja  em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe.  Mérito.  A  jurisprudência  desse  conselho  é  pacífica  no  sentido  de  que  a  apresentação  de  recurso  em  razão  da  exclusão  do  sistema  SIMPLES  não  possui  efeito  suspensivo,  observe­se  a  decisões transcritas.  Ementa  ­  Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2005,  2006  SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  EFEITO  SUSPENSIVO.  Não  há  suspensão  dos  efeitos  do  ato  declaratório  de  exclusão  pela  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  do  excluído.  ARGÜIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo  CARF  de  dispositivo  prescrito  em  lei  com  base  em  alegação  de  inconstitucionalidade.  Aplicação  da  Súmula  CARF  nº  02.  Processo:  11065.000543/2008­54.  Acórdão  1302­001.297.  Cons.  Eduardo  de  Andrade. Data 11/06/2014.  Ementa  ­  Assunto:  Obrigações  Acessórias  Período  de  apuração:  01/01/2006  a  31/12/2007  PREVIDENCIÁRIO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.APRESENTAÇÃO DE GFIP INFORMANDO  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES  AOS  FATOS  GERADORES  DE  TODAS  AS  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  VALE  ALIMENTAÇÃO.  SIMPLES.  EXCLUSÃO.  ATO  DECLARATÓRIO  EXECUTIVO.  É  devida  a  autuação  da  empresa  por  apresentar  GFIP  com  informações  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias  (artigo  32,  inciso  IV  e  §  5°  da  Lei  8.212/91). Nesta espécie de autuação, a multa é fixada por competência  e  tem  os  valores  correspondentes  as  contribuições  previdenciárias  não  declaradas em GFIP com a limitação prevista em lei. A Manifestação de  Inconformidade  ou  o  recurso  contra  a  exclusão  do  Simples  Federal  não  tem  efeito  suspensivo.  Recurso  Voluntário  Provido  em  Parte.  Processo: 10970.000453/2008­88. Acórdão: 2403­001.865. Cons. Ivacir  Júlio de Souza. Data 07/01/2014. (o dois destaques são meus).  Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato  Declaratório  Executivo  (ADE)  de  exclusão  do  Simples  não  impede  o  lançamento  de  ofício  dos  créditos  tributários  devidos  em  face  da  exclusão.  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 343          7 Como esclarecido no tópico preliminar não abordaremos a questão da compensação  de ofício, pois está fora do âmbito desse contencioso.  Assiste razão a recorrente quando diz que não há créditos lançados em razão de sua  exclusão do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o processo não notícia essa situação.   Porém, é certo que quando o sujeito passivo é excluído do sistema SIMPLES pode e  deve  o  órgão  fiscal  promover  os  lançamentos  devidos,  pois  a  empresa  excluída  se  sujeita  as  determinações da Lei 9.317/96, abaixo transcrita.  Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar­se­á, a partir do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos  da  exclusão,  às  normas  de  tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.  Todavia,  não  há  informação  nos  autos  sobre  eventual  lançamento  de  crédito  em  razão da exclusão ou por qualquer outro motivo.  Assim,  não  é  legitima  a  vedação  da  restituição  solicitada,  sem  que  haja  débito  exigível em face da empresa é o que diz a norma a seguir transcrita, pois não há o que compensar com  a restituição pleiteada.       IN/RFB 900/2008  SEÇÃO V  DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS     Art.  44. O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito  relativo  às  contribuições  previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo  único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizá­ lo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a  períodos subseqüentes.     §  1º  Para  efetuar  a  compensação  o  sujeito  passivo  deverá  estar  em  situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de  infração  ou  notificação  de  lançamento,  aos  parcelados  e  aos  débitos  declarados,  considerando  todos  os  seus  estabelecimentos  e  obras  de  construção  civil,  ressalvados  os  débitos  cuja  exigibilidade  esteja  suspensa.  Não há nos autos notícia de lançamento em face da recorrente. Contudo, devido ao  longo período decorrido, desde o requerimento de restituição e a presente decisão, tal lançamento pode  ter ocorrido sem a informação efetiva nos autos.  Assevera  a  recorrente que  a DRF deferiu  parcialmente  sua  restituição,  pois  estaria  compensando  de  ofício  parte  de  sua  restituição  com  supostos  créditos  sobre  a  folha  de  pagamento  decorrentes de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, parece ser isso que o DD indica em seu tópico  14, abaixo transcrito.  14.  .  Decorrente  da  aplicação  retroativa  da  exclusão  do  SIMPLES,  o  interessado  passou  a  ter  as  contribuições  patronais  incidentes  sobre  a  folha  de  pagamento  destinado  à  Previdência  Social  ­  23%  sobre  a  remuneração de empregados e 5,8% as outras entidades ou terceiros.  Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 344          8 Mas, em verdade não se pode ter certeza dessa assertiva, uma vez que a proposição e  a decisão de restituição são omissas, quanto a motivo da glosa da restituição e seu deferimento parcial,  observe­se.  PROPOSIÇÃO   15.  Diante  do  exposto  e  com  fundamento  no  art.  57  da  Instrução  Normativa RFB n° 900 de 31/12/2008 proponho o deferimento parcial do  pedido de restituição, para as competências 10/2006, 11/2006 e 12/2006,  no valor de R$ 5.642,88 (Cinco mil, seiscentos e quarenta e dois reais e  oitenta e oito centavos).  DECISÃO  19. Nos termos do inciso II do art. 96 da Instrução Normativa RFB 900,  de  31/12/2008  e  •com  fundamento  nas  competências  á  mim  delegadas  pelo  inciso  I  do  art.  2°.da  Portaria  DRF/MGA  n°  17.  de  22/02/2011;  decido  pelo  deferimento  parcial  do  pedido  de  restituição,  conforme  proposto.  A título apenas argumentativo e considerando os resumos das  folhas de pagamento  do período de 10/2006 a 12/2006, fls. 62; 90; 122, somando­se Empresa + Terceiros tem­se um valor  devido  sobre  salários  e  contribuintes  individuais  de  R$  1.459,50;  R$  2.305,05;  R$  2.408,41,  respectivamente, considerando os percentuais do item 14, do DD.  Tomando como exemplo o mês de outubro/2006 por ser o que apresenta menor valor  a  recolher  na  sistemática  geral,  a  empresa  deveria  contribuir  com  o  importe  de  R$  1.459,50  e  se  multiplicarmos  esse valor pelos meses que  resultaria da  exclusão do SIMPLES FEDERAL, data  do  ADE  Nº  10  –  16/03/2009,  fls.  184,  retroagindo­se  cinco  anos  em  razão  da  decadência  é  possível  considerar que o  fisco poderia  lançar  em  face da  empresa valores para  02/2004 a 02/2009, ou  seja,  sessenta meses, multiplicando­se isso pelo valor da competência 12/2007, teríamos um importe de R$  87.570,00,  isto  é,  não  haveria  o  que  restituir  e  a  empresa,  ainda,  seria  devedora  de  um  valor  significativo, isso é apenas um exemplo do que parece ocorrer.  Penso com apoio no exemplo acima que a redução de R$ 6.088,07 na restituição não  tem  relação  com  as  contribuições  devidas  em  razão  da  exclusão  do  sistema  SIMPLES,  pois  estão  muito a quem, do que deveria ser exigido, segundo o exemplo, meramente ilustrativo.  Entendo, que o DD, de fls. 192 a 195, é omisso e falho quanto a sua fundamentação e  aos esclarecimentos necessários para a exata compreensão do que nele decidido.  Assim  sendo,  nos  termos  do  parágrafo,  2º,  do  inciso  II,  do  artigo  59,  do Decreto  70.235/72 declaro a nulidade do DD, de fls. 192 a 195, e de todos os atos dele decorrente, incluindo, o  Acórdão da DRJ, salvo por óbvio este Acórdão, assim é o pensamento dessa casa.  Ementa  ­  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/02/2009  a  30/11/2009  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  IRREGULARIDADE  NA  LAVRATURA  DO  AIOP  ­  OCORRÊNCIA  ­  INOBSERVÂNCIA  DE  PROVIMENTO  JUDICIAL  ­  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO  ­  VÍCIO  MATERIAL  Tendo  o  fiscal  autuante  não  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram  o  lançamento,  oportunizando  ao  contribuinte  o  direito  de  defesa  e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 345          9 materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento. A  lavratura das autuações deve observar  sentença  judicial  anteriormente  prolatada,  de  forma  a  refleti­la  na  fundamentação  sob  pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica.  Recurso  Voluntário  Provido.  Processo:  10830.724375/2012­91.  Acórdão:  2303­002.393.  Cons.  Paulo  Maurício  Pinheiro  Monteiro.  Data: 03/07/2014.  Ementa ­ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração:  01/01/2003  a  31/03/2003  Não  reconhecimento  de  direito  creditório.  Ausência  de  fundamentação.  Nulidade  Constatada  a  inexistência  de  fundamentação  para  o  não  reconhecimento  do  saldo  do  direito  creditório pleiteado, incorre em cerceamento do direito de defesa e do  contraditório  do  contribuinte,  ensejando  a  nulidade  da  decisão.  Processo  Anulado  Aguardando  Nova  Decisão.  Processo  11543.002309/2003­74. Acórdão 3101­001.580. Cons. Rodrigo Mineiro  Fernandes. Data 16/04/2014. (os dois destaques são meus).  Irrelevante,  no  caso  a  fixação  do  tipo  de  vício,  uma  vez  que  o  PAF  não  encerra  lançamento tributário, o que não interfere na demarcação do prazo decadencial.  Destarte,  deve  o  setor  competente  da  DRF  –  origem  promover  nova  análise  do  pedido  de  restituição,  se  necessário  for  solicitando  novos  elementos  ao  peticionante,  decidindo  de  forma conclusiva, clara,  objetiva e  fundamentada pelo existência ou não do Direito Creditório,  seja,  parcial  ou  total,  bem  como  tomando  todas  as medidas  necessárias  para  o  cumprimento  de  todas  as  determinações legais sobre a matéria.  Deve,  ainda,  ser  dado  amplo  conhecimento  deste  ao  contribuinte  antes  da  efetiva  tomada de qualquer providência sobre a reanálise, oportunizando­lhe a participação no procedimento,  caso queira, devendo ser seguido todos os trâmites legais como se fosse a primeira análise.  CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso para no mérito dar­lhe provimento,  ainda, que por motivos diversos, anulando­se o DD, de fls. 192 a 195, por ausência de fundamentação,  que causa preterição do direito de defesa, anulando­se por consequência o Acórdão da DRJ 06­39.010,  determinando a  reanálise do pedido como se fosse a primeira,  cientificando o contribuinte para dela  participar, se quiser, seguindo­se a partir desta todos as fases e procedimentos legais.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.    Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 346          10        Dados do Processo   Número :  10950.005442/2008­22  Data de Protocolo :  22/09/2008  Documento de Origem :  RST   Procedência :  SAORT   Assunto :  RESTITUICAO ­ ASSUNTOS PREVIDENCIARIOS   Nome do Interessado :  JOSE ROBERTO DA SILVA& DELCIR APARECIDO   CNPJ :   01.711.823/0001­98  Tipo:  Digital  Sistemas ­ Profisc:  Não E­Processo :Sim SIEF:Controlado pelo SIEF     Localização Atual  Órgão Origem :  AG REC FED JANDAIA SUL­DRF­MARINGA­PR   Órgão :  CONSELHO ADMINIST RECURSOS FISCAIS­MF­DF  Movimentado em :  06/03/2013  Sequencia :  0008  RM :  10048  Situação :  EM ANDAMENTO   UF :  DF           Retornar     Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório.    Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36592.000623/2007­91  Acórdão n.º 2803­003.628  S2­TE03  Fl. 347          11 Processo Principal : 10950.001070/2009­46   Data Entrada :  05/03/2009    Contribuinte Principal :  JOSE ROBERTO DA SILVA & DELCIR AP SILVA    Tributo :  Não informado            Recursos  Data de Entrada  Tipo do Recurso  08/03/2013  RECURSO VOLUNTARIO       Andamentos do Processo  Data  Ocorrência  Anexos  08/03/2013  DISTRIBUIR/SORTEAR  1ª Seção     08/03/2013  EM TRAMITAÇÃO  Tipo de Recurso: RECURSO VOLUNTARIO  Data de Entrada: 08/03/2013  Unidade: GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF     08/03/2013  RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL   GEPAF/SECOJ/SECEX/CARF/MF                              Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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Numero do processo: 13888.721267/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. Ao menos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351/2007, é compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
Numero da decisão: 1101-001.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente às exigências decorrentes de glosa de juros sobre o capital próprio e compensação indevida de prejuízos, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra; e 2) relativamente às exigências de multa isolada, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. A dedução de juros a título de remuneração do capital próprio está limitada, dentre outros aspectos, à variação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP verificada no período ao qual se referem os lucros destinados. Ao deixar de segregar o resultado comum de sua atividade daquele atribuível à utilização do capital dos sócios, a sociedade designa integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, e somente pode destiná-los aos sócios mediante distribuição de dividendos. Inadmissível, portanto, a dedução posterior de juros sobre capital próprio tendo por referência a variação da TJLP em períodos passados. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. Ao menos a partir da vigência da Medida Provisória nº 351/2007, é compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente às exigências decorrentes de glosa de juros sobre o capital próprio e compensação indevida de prejuízos, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra; e 2) relativamente às exigências de multa isolada, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 3          2    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (presidente da  turma), Edeli  Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício  Júnior,  Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.  Fl. 703DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  FENIX  EMPREENDIMENTOS  S/A,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de  Julgamento de Ribeirão  Preto/SP que, por unanimidade de votos,  julgou  IMPROCEDENTE a  impugnação  interposta  contra lançamento formalizado em 24/04/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$  1.394.047,17.  A  exigência  decorre  da  glosa  de  excesso  de  juros  sobre  o  capital  próprio  deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL dos anos­calendário 2007 (R$ 1.620.095,34) e 2008  (R$ 3.412,35). Ao determinar  a  parcela  exigível  no  ano­calendário  2007,  a  autoridade  fiscal  aproveitou  prejuízos  fiscais  até  o  limite  legal  de  30%,  do  que  decorreu  a  constatação  de  compensações indevidas no ano­calendário 2008. Foram também ajustadas as bases de cálculo  das estimativas mensais, restando evidenciada a falta de recolhimento nos meses de novembro  e dezembro/2007, motivadora da exigência de multa isolada.  Impugnando a exigência, a contribuinte invocou o tratamento societário dado  aos dividendos, com vistas a defender a possibilidade de distribuição de valores  acumulados  em  exercícios  anteriores,  destacando  o  direito  de  os  acionistas  serem  remunerados  pela  manutenção,  no  patrimônio  da  impugnante,  dos  valores  provenientes  de  lucros  auferidos  de  1996  a  2006.  Observou  que  a  Fiscalização  teve  em  conta  apenas  o  Patrimônio  Líquido  acumulado em 31/12/2006, e discordou da cumulação de multa isolada e multa de ofício.  A  Turma  julgadora  rejeitou  estes  argumentos  defendendo  a  aplicação  dos  limites  legais  na  forma  calculada  pela  Fiscalização,  e  observou  que  não  foram  juntadas  aos  autos provas de que teriam sido preenchidos os requisitos para dedutibilidade dos juros a partir  de 1996, como alegado pela impugnante. Afirmou, também, a validade da exigência de multa  isolada sobre estimativas não recolhidas, ainda que concomitantemente com a multa de ofício  aplicada sobre o ajuste anual.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  17/07/2013  (fl.  624),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/08/2013 (fls. 626/635).  Aduz que em impugnação afirmou inexistir proibição legal ao pagamento de  juros  sobre o capital próprio que não  tenham sido creditados em anos anteriores, desde que  observados os referidos limites, e em resposta a autoridade julgadora de 1a instância disse que  mesmo  havendo  esta  possibilidade,  inexistiria  prova  documental  de  que  teriam  sido  preenchidos os requisitos para dedutibilidade da despesa. Entende, assim, que a questão aqui  discutida é meramente fática, e não de direito, já que não existe qualquer oposição por parte  da Administração Tributária ao pagamento de JCPs acumulados em anos anteriores.   Esclarece  que não  juntou  os  correspondentes  documentos  à defesa por  não  terem sido exigidos pela autoridade lançadora, reportando­se ao procedimento fiscal realizado  e afirmando que a falta de interesse da Fiscalização em analisar a possibilidade de computar  os JCPs que poderiam ter sido pagos em anos anteriores  levou a Recorrente a  inferir que o  auto  de  infração  estaria  fundamentado apenas  na  suposta  impossibilidade de  creditá­los  de  Fl. 704DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 5          4 forma  acumulada,  e  não  na  ausência  de  documentação  contábil  que  evidenciasse  o  atendimento a limites.  Observando que a delimitação do escopo da discussão feita pelo r. acórdão  facilitou em muito a solução da controvérsia, apresenta planilha com a mutação do Patrimônio  Líquido do ano de 1996 a 2007, bem como as demonstrações  financeiras correspondentes, e  afirma atendidos os limites estabelecidos pela legislação tributária, acrescentando que adotou a  metodologia mais conservadora possível em sua apuração, como detalhado em sua defesa.  Finaliza  opondo­se  à  cumulação  da multa  de mora  com  a multa  de  ofício,  reportando­se a manifestações da CSRF e pedindo o cancelamento integral da exigência.  Fl. 705DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 6          5 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  A recorrente equivoca­se ao conduzir sua defesa no sentido da comprovação  de bases disponíveis em anos­calendário anteriores para ampliação do limite dedutibilidade dos  juros  sobre  o  capital  próprio  distribuídos  nos  anos­calendário  2007  e  2008.  A  ausência  de  prova  documental  neste  sentido  somente  foi  aventada  na  decisão  de  1a  instância  como  argumento subsidiário, porque antes já demonstrado que a pretensão da recorrente não poderia  ser acolhida. Veja­se:  Os juros que remuneram o capital próprio, a partir da Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º,  alterada pela Lei nº 9.430, de 1996, puderam ser deduzidos na apuração do lucro  real,  a  título  de  remuneração  dos  recursos  por  eles  investidos  na  sociedade.  Todavia,  para  tanto,  devem  ser  obedecidas  as  regras  nelas  previstas  quanto  ao  cálculo  dos  juros  e  o  tratamento  tributário  a  ser  observado  na  pessoa  jurídica  pagadora.  Para a dedução dos JCP devem ser observados os limites estipulados no art. 347 e  §§ do RIR de 1999 que dispõe:  Art. 347. A pessoa  jurídica poderá deduzir, para  efeitos de apuração do  lucro  real, os  juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas  do  patrimônio  líquido  e  limitados  á  variação  pro  rata  dia,  da  Taxa  de  Juros  de  Longo  Prazo  –  TJLP  (Lei  nº  9.249, de 1995, art.9º).  § 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado á existência de lucros,  computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros,  em  montante  igual  ou  superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem  pagos  ou  creditados (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 78).  § 2º. Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto na forma prevista no art. 668 (Lei  nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 2º).  § 3º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração  do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202  da Lei nº 6.404, de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º (Lei nº 9.249, de 1995, art.  9º, § 7º).  § 4º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado  o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta  for  adicionada  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  da  contribuição social sobre o lucro líquido. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 8º).  O Ato declaratório Normativo Cosit nº 13, de 1996, assim dispõe quanto à dedução  de JCP:  O  limite, para  fins de dedutibilidade, como despesas  financeira, do valor dos  juros  pagos ou creditados, ainda que capitalizados, a título de remuneração do capital próprio,  será  de  cinqüenta  por  cento  do  lucro  líquido  correspondente  ao  período­base  do  seu  pagamento  ou  crédito,  antes  da  provisão  para  o  imposto  de  renda  e  da  dedução  dos  referidos  juros, ou dos  saldos  de  lucros  acumulados de períodos  anteriores,  o  que  for  maior. (grifei)  Fl. 706DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 7          6 Cumpre esclarecer que o cálculo dos JCP e os limites para efeito de determinação  do valor dedutível  foram baseados  em dados  extraídos do Livro Diário  e DIPJ,  e  foram calculados segundo as normas acima citadas.  Em 2007, conforme demonstrado às fls. 444 do TVF, o valor dos JCP de que trata o  caput  do  art.  347  acima  citado  corresponde  a  R$  11.574.283,46  e  os  limites  previstos  no  seu  §  1º  a  R$  46.769.140,63  e  R$  12.953.136,04,  baseados  no  Patrimônio Líquido do ano anterior e no Lucro Líquido em 2007, respectivamente.  A  contribuinte  alegou  que  o  valor  deduzido  corresponde  não  só  ao  passível  de  distribuição no ano­calendário de 2007, no valor de R$ 8.593.650,29, mas também  juros  apurados  passíveis  de  distribuição  em  anos  anteriores,  que  somam  R$  4.600.728,50,  os  quais,  não  teriam  sido  distribuídos,  mas  acumulados  para  posterior distribuição, conforme demonstrativos que elaborou e juntou à fl. 549/550,  correspondendo a distribuição em 2007 a R$ 13.194.378,79.  Todavia, ressalte­se, que mesmo havendo a possibilidade de deduzir juros do capital  próprio  pagos  de  forma  cumulativa  e  que  tenha  sido  juntado  ao  processo  demonstrativo de juros acumulados desde 1996, nenhuma prova documental de que,  ano a ano, tenham sido preenchidos os requisitos para a dedutibilidade da despesa  foi  juntada  ao  processo.  Não  há,  portanto,  como  aceitar  a  dedução  do  valor  efetuado pela contribuinte.   Observe­se,  ainda,  que  para  efeitos  de  aferição  dos  limites  possíveis  de  dedutibilidade do encargo, devem ser levados em conta os parâmetros existentes no  ano­calendário em que se deliberar a sua distribuição.  Assim, o valor da dedução a título de JCP no ano de 2007, corresponde aos juros  apurados relativos a esse ano, no montante de R$ 11.574.283,46.  Foram  efetivamente  distribuídos  JCP  no  montante  de  R$  13.194.378,79,  que  a  contribuinte  deduziu  do  lucro  líquido.  Dessa  forma,  diante  do  que  consta  do  processo  deve  ser  mantida  a  tributação  das  parcelas  indedutíveis  apurada  pelo  Fisco  nos  anos­calendário  de  2007  e  2008,  nos  valores  de R$  1.620.095,34, R$  3.412,35, respectivamente. (grifou­se)  De outro lado, mesmo entendendo que a autoridade julgadora de 1a instância  interpretou  a  legislação  no  sentido de que  seria  permitida a prática adotada pela  interessada,  nesta instância administrativa o Colegiado somente está vinculado aos parâmetros da acusação  fiscal,  e  pode  validá­la  ainda  que  a  partir  de  fundamentos  distintos  daqueles  adotados  na  decisão recorrida.   Por sua vez, no Termo de Verificação Fiscal observa­se que, relativamente ao  ano­calendário  2007,  a  autoridade  lançadora  constatou  que  os  juros  corresponderiam  à  aplicação  da  taxa  de  juros  de  longo  prazo  (TJLP)  ponderada  aplicada  sobre  o  patrimônio  líquido em 31/12/2006, no valor de R$ 181.415.101,14. A distribuição destes juros, no valor de  R$ 11.574.283,46, não extrapolaria os limites de 50% das reservas de lucros em 31/12/2006,  nem  de  50%  do  lucro  do  período  antes  da  dedução  dos  juros  e  do  IRPJ.  Todavia,  embora  tomando por base um valor de patrimônio líquido inferior ao utilizado pela Fiscalização, assim  como  a  TJLP  sem  ponderação  e,  portanto,  em  percentual  inferior  ao  permitido,  e  apurando  juros no valor de R$ 8.835.052,18, a contribuinte distribuiu o montante de R$ 13.194.378,79 a  diversos  beneficiários.  Frente  a  tais  circunstâncias,  a  autoridade  lançadora  afirmou  que  o  excesso de  juros  sobre o capital próprio equivalente a R$ 1.620.095,31 não  foi  adicionado à  base de cálculo do IRPJ e da CSLL, exigindo os tributos daí decorrentes.     Fl. 707DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 8          7 Relativamente  ao  ano­calendário  2008,  no  qual  a  apuração  foi  trimestral,  adotando  critérios  semelhantes,  a  autoridade  lançadora  identificou  excesso  não  adicionado  apenas no 2o trimestre, e no valor de R$ 3.412,35. Para além disso, ao recompor a apuração do  lucro no ano­calendário 2007, fez uso de prejuízo fiscal e base negativa de períodos anteriores  para  reduzir  a  base  imponível,  o  que  resultou  na  indisponibilidade  daqueles  valores  para  compensação nos trimestres/2008, e conseqüente apuração de IRPJ e CSLL devidos do 1o ao 3o  trimestres.  Este  Colegiado,  em  antiga  composição,  já  se  manifestou  contrariamente  à  dedução  de  juros  sobre  o  capital  próprio  correspondentes  à  variação  da  TJLP  sobre  o  patrimônio líquido de períodos anteriores, nos termos do voto condutor do Acórdão proferido  no processo administrativo nº 16327.002051/2007­16:  Diz a Lei nº 9.249/95, na redação já atualizada pela Lei nº 9.430/96:  Art.  9º A  pessoa  jurídica poderá  deduzir,  para  efeitos  da  apuração  do  lucro  real,  os  juros  pagos  ou  creditados  individualizadamente  a  titular,  sócios  ou  acionistas,  a  título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio  líquido  e  limitados  à  variação,  pro  rata  dia,  da Taxa de  Juros de Longo Prazo  ­  TJLP.  §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros,  computados  antes  da  dedução  dos  juros,  ou  de  lucros  acumulados  e  reservas  de  lucros,  em  montante  igual  ou  superior  ao  valor  de  duas  vezes  os  juros  a  serem  pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996)  § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de  quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.  § 3º O imposto retido na fonte será considerado:  I  ­  antecipação  do  devido  na  declaração  de  rendimentos,  no  caso  de  beneficiário  pessoa jurídica tributada com base no lucro real;  II  ­  tributação definitiva,  no caso de beneficiário pessoa  física ou pessoa  jurídica  não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º;  § 4o (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996)  §  5º  No  caso  de  beneficiário  sociedade  civil  de  prestação  de  serviços,  submetida  ao  regime de tributação de que trata o art. 1º do Decreto­Lei nº 2.397, de 21 de dezembro  de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos  rendimentos aos sócios beneficiários.  § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto  de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento  ou crédito de juros, a  título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou  acionistas.  § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração  do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art.  202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º.  § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o  valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for  adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição  social sobre o lucro líquido. (negrejou­se)  A Fiscalização defende que a pessoa jurídica somente pode deduzir, na apuração do  lucro  tributável,  os  juros  correspondentes  à  variação  da  TJLP  aplicada  sobre  o  capital  próprio  no  período  de  referência,  ao  passo  que  a  contribuinte  afirma  seu  direito de deduzir, no momento da deliberação, também os juros correspondentes à  variação  daquela  taxa  em  períodos  anteriores,  mas  que  ainda  não  haviam  sido  contabilizados.   Fl. 708DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 9          8 Como  se  vê,  a  lei  não  disciplina  precisamente  este  aspecto,  motivo  pelo  qual  há  diferentes  entendimentos  firmados  pelos  colegiados  deste  Conselho  acerca  deste  tema.  A recorrente invoca os seguintes julgados administrativos:  IRPJ  —  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  ­  JCP  —  PAGAMENTO  ACUMULADO —  LIMITES  PARA  AFERIÇÃO  DE  DEDUTIBILIDADE —Ainda  que nada obste a distribuição acumulada de JCP ­ desde que provada, ano a ano, ter este  sido  passível  de  distribuição  ­,  para  efeitos  de  aferição  dos  limites  possíveis  de  dedutibilidade  do  encargo,  se  deve  levar  em  conta  os  parâmetros  existentes  no  ano­ calendário em que se deliberou a sua distribuição. (Acórdão nº 107­08.941, sessão de 28  de março de 2007, Relator Conselheiro Natanael Martins)  JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO — DEDUTIBILIDADE ­ LIMITE TEMPORAL — O  período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda,  é  aquele  em  que  há  deliberação  de  órgão  ou  pessoa  competente  sobre  o  pagamento  ou  crédito  dos  mesmos,  podendo,  inclusive,  remunerar o  capital  tomando por base o valor  existente  em períodos pretéritos,  desde  que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento  ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP — desde que provada,  ano  a  ano,  ter  esse  sido  passível  de  distribuição­,  levando  em  consideração  os  parâmetros existentes no ano­calendário em que se deliberou sua distribuição. (Acórdão  nº 101­96751, sessão de 29 de maio de 2008, Relator Conselheiro Valmir Sandri)  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO  JCP.  DEDUTIBILIDADE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  LIMITE  TEMPORAL.  O  período  de  competência,  para  efeito  de  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio,  é  aquele  em  que  há  deliberação  para  pagamento  ou  crédito  dos mesmos,  podendo,  inclusive,  remunerar  o  capital  tomando  por  base  o  valor  existente  em períodos  pretéritos,  desde  que  respeitado  os  critérios  e  limites previsto em  lei  na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a  distribuição acumulada de JCP, desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de  distribuição,  levando em consideração os  parâmetros  existentes  no  ano­calendário  em  que se deliberou sua distribuição. (Acórdão nº 1402­001.179, sessão de 11 de setembro  de 2012, Relator Conselheiro Antonio José Praga de Souza)  Na  concepção  que  orienta  estes  julgados,  os  juros  são  dedutíveis  no  período  de  apuração em que haja o pagamento ou crédito, desde que observado o limite legal  para  sua  distribuição,  e  isto  tendo  em  conta  os  parâmetros  verificados  no  ano­ calendário da deliberação. Nas palavras do I. Conselheiro Antonio José Praga de  Souza, no caso dos juros sobre capital próprio a pessoa jurídica se torna devedora e o  sócio  ou  acionista  pode  exigir  o  pagamento  do  valor  respectivo  apenas  após  a  deliberação  da  sociedade  decidindo  efetuar  o  pagamento,  fixando  os  montantes  respectivos  e  determinando  o momento  em  que  tal  pagamento  ocorrerá. Assim,  o  período  de  competência,  no  qual  o  montante  dos  juros  deve  ser  registrado  como  despesa financeira da sociedade, é aquele em que há a deliberação determinando o  pagamento dos juros. E acrescenta: antes da deliberação societária no sentido de que  se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio não há de se falar em direito  subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento e nem em despesa incorrida,  não se podendo cogitar antes disso em observância ao regime de competência, posto  que não há ato jurídico tornando a empresa devedora dos referidos juros.   A recorrente também reporta­se a manifestação do Superior Tribunal de Justiça no  julgamento do Recurso Especial nº 1.086.752­PR, de cuja ementa extrai­se:  MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO.  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO  DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA  CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE.  I  ­ Discute­se,  nos presentes  autos, o direito ao  reconhecimento da dedução dos  juros  sobre  capital  próprio  transferidos  a  seus  acionistas,  quando  da  apuração  da  base  de  Fl. 709DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 10          9 cálculo do IRPJ e da CSLL no ano­calendário de 2002, relativo aos anos­calendários de  1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência.  II ­ A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser  feita  no  mesmo  exercício­financeiro  em  que  realizado  o  lucro  da  empresa.  Ao  contrário, permite que ela ocorra em ano­calendário futuro, quando efetivamente  ocorrer a realização do pagamento.  III  ­  Tal  conduta  se  dá  em  consonância  com  o  regime  de  caixa,  em  que  haverá  permissão da efetivação dos  dividendos quando esses  foram de  fato despendidos, não  importando  a  época  em  que  ocorrer,  mesmo  que  seja  em  exercício  distinto  ao  da  apuração.  IV  ­  "O  entendimento  preconizado  pelo  Fisco  obrigaria  as  empresas  a  promover  o  creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro,  impondo ao contribuinte, de forma oblíquoa, a época em que se deveria dar o exercício  da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976".  V ­ Recurso especial improvido. (Relator Ministro Francisco Falcão, DJe: 11/03/2009,  julgamento em 17/02/2009)  De  outro  lado,  há  jurisprudência  administrativa  favorável  ao  entendimento  que  justificou o lançamento, exteriorizada nos seguintes acórdãos:  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO ­ Os juros sobre o capital próprio devem ser  apropriados  com  observância  do  regime  de  competência,  com  obediência  os  limites  impostos pelo § 1° do art. 9° da Lei n° 9.249/95, considerados para este fim, os saldos  de  lucros acumulados ou do  exercício, na data do crédito ou pagamento.  (Acórdão nº  195­00.023,  sessão  de  20  de  outubro  de  2008,  Relator  Conselheiro  Walter  Adolfo  Maresch).  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DESPESAS  COM  PAGAMENTO  A  TITULAR,  SÓCIOS  OU  ACIONISTAS.  PERÍODOS  ANTERIORES.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  dedução  dos  valores  de  juros  pagos  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  autorizada  pela  Lei  n°  9.249/1995,  não  alcança  os  juros  pagos  em  períodos  anteriores,  em  vista  do  regime  de  competência.  (Acórdão  nº  1401­00.348,  sessão de 10 de novembro de 2010, Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto)  DESPESAS  OPERACIONAIS.  JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DEDUTIBILIDADE  ­  A  remuneração  ou  não  do  capital  próprio  constitui  uma  faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendo­lhe lícito, ao decidir pela  remuneração,  apropriar  a despesa no momento que melhor  lhe  aprouver. Contudo, os  efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência.  Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins  de  dedutibilidade  deve  ser  feita  no  momento  em  que  a  despesa  com  os  juros  é  apropriada  no  resultado.  INOBSERVÂNCIA  DE  REGIME  CONTÁBIL.  INOCORRÊNCIA  ­  Não  tratando  os  autos  de  registro  em  período  diverso  ao  que  competia a despesa, ou de postergação do pagamento do imposto, descabe apreciar os  efeitos preconizados pelas normas regulamentares que disciplinam tais matérias (artigos  247  e  273  do  RIR/99).  (Acórdão  nº  1302­00.465,  sessão  de  27  de  janeiro  de  2011,  Relator Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães)  REGIME DE COMPETÊNCIA. Os  juros  sobre  o  capital  próprio,  como,  de  regra,  as  demais  despesas,  somente  podem  ser  levados  ao  resultado  do  exercício  a  que  competirem.  (Acórdão  nº  1201­00.348,  sessão  de  11  de  novembro  de  2012,  Relator  designado Conselheiro Marcelo Cuba Netto)  A Secretaria da Receita  também já se manifestou contrariamente ao entendimento  da recorrente, ao editar as seguintes Soluções de Consulta:  JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Sob pena de infringir o regime de competência  previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o  montante  dos  juros  sobre  capital  próprio  de  períodos  anteriores. Dispositivos  Legais:  RIR/3.000,  de  1999,  art.  347  e  IN  SRF  nº  11/1996,  art.  29.  (Solução  de  Consulta  SRRF/6a RF nº 63, de 24 de abril de 2001)  Fl. 710DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 11          10 JUROS  SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  DEDUTIBILIDADE.  REGIME  DE  COMPETÊNCIA.  A  observância  do  regime  de  competência  é  condição  para  a  dedutibilidade dos  juros pagos ou creditados  individualizadamente a  titular,  sócios ou  acionistas,  a  título  de  remuneração  do  capital  próprio,  calculados  sobre  as  contas  do  patrimônio líquido. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º; Lei nº 9.430, de  1996, art. 78; RIR/1999, art. 247; IN SRF nº 11, de 1996, art. 29. (Solução de Consulta  SRRF/9a RF nº 32, de 27 de janeiro de 2010)  Os  julgados  administrativos  contrários  à  tese  defendida  pela  recorrente  fundamentam­se  em  doutrina  que  classifica  o  registro  dos  juros  sobre  capital  próprio  como  opcional,  de  modo  a  limitar  os  efeitos  da  deliberação  de  crédito/pagamento ao período de apuração no qual auferidos os lucros distribuídos.   Enfatizando o  aspecto  defendido  pela Fiscalização,  diz Hiromi Higuchi  et  alli  em  Imposto  de  Renda  das  Empresas:  Interpretação  e  Prática  (36ª  ed.,  São  Paulo,  IR  Publicações,  2011,  p.  130),  que  “(...)  a  contabilização  no  período­base  correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio  por tratar­se de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os  juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo  de  terceiro  porque  neste,  há  despesa  incorrida,  ainda  que  os  juros  sejam  contabilizados só no pagamento” (grifos acrescidos).  À  semelhança  do  que  disse  a  Fiscalização,  o  referido  autor  assevera  que  a  apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o  capital  próprio  (Op.  cit.,  p.  131).  No  mesmo  sentido  é  a  manifestação  de  Edmar  Oliveira  Andrade  Filho  em  Imposto  de  Renda  das  Empresas  (3a  ed.,  São  Paulo,  Atlas, 2006, p. 240­242):  A  partir  dos  dispositivos  legais  e  regulamentares  transcritos  ou  referidos,  é  possível  inferir  que  a  dedutibilidade  de  despesa  relativa  a  juros  sobre  o  capital  próprio  está  subordinada  a  critérios  quantitativos  objetivos.  A  existência  desses  critérios,  em  princípio, não impede que uma empresa remunere, da forma como melhor lhe aprouver,  o capital de seus sócios ou acionistas.  De  fato,  a  remuneração  do  capital  dos  sócios  ou  acionistas  é  uma  faculdade  que  depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada  em  Assembléia  de  Acionistas  ou  Reunião  de  Quotistas,  ou  em  virtude  de  cláusula  estatutária ou contratual existente. Essa faculdade é garantida por um feixe de normas  jurídicas que constituem a esfera particular de ação das pessoas. Nessa esfera as ações  são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade que são  delimitados  e  orientados  pelo  ordenamento  jurídico.  Portanto,  em  princípio,  uma  sociedade  pode  –  no  presente  –  deliberar  a  respeito  dos  pagamento  de  juros  sobre  o  capital  para  períodos  passados,  ou  seja,  pode  adotar  como  marco  inicial  para  a  contagem dos juros o momento em que a empresa passou a utilizá­lo ou outro momento  qualquer.  Há  que  se  ter  presente,  todavia,  que  uma  coisa  é  a  possibilidade  jurídica  do  pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o  tratamento fiscal que  deverá  ser  dispensado  a  tais  juros.  De  fato,  como  visto,  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre o capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos. Assim, há  um primeiro  limite  que  diz  respeito  à  taxa  de  juros  aceita  como dedutível  e  um  outro que diz respeito ao montante máximo do encargo que pode ser deduzido, e  além  desses  critérios  existem  dúvidas  se  tais  encargos  têm  a  sua  dedutibilidade  subordinada ou não ao regime de competência.  O  art.  29  da  Instrução Normativa  nº.  11/96  determina  que  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre o capital será aferida de acordo com o regime de competência, o que está correto;  o  problema  é  saber  quando  surge  a  despesa  e  quando  o  atendimento  ao  regime  de  competência é exigível. Em outras palavras, há dúvida do momento em que a despesa se  torna incorrida, ou seja, quando houve a formação da relação jurídica incondicional pela  qual a pessoa jurídica torna­se devedora dos juros.  Fl. 711DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 12          11 Pois bem, o “regime de competência” é um princípio geral que sofre recortes de várias  espécies segundo a vontade da lei.  Assim, por exemplo, algumas receitas são tributadas em cash basis e algumas despesas  não são dedutíveis a despeito de estarem incorridas, e, em outras situações, o critério de  imputação é o pro rata tempore. Não há um regime especial de imputação temporal  dos juros sobre o capital, de modo que é  intuitivo que eles devem ser registrados  segundo o regime de competência.  Tanto a Lei nº. 9.249/95, quanto a Lei nº. 9.430/96, não revogaram ou modificaram a  regra geral do art. 6º do Decreto­lei nº. 1.598/77. Embora posteriores ao Decreto­lei nº.  1.598/77, as referidas leis não revogaram expressamente ou tacitamente aquele diploma  normativo. Não há que se cogitar, no caso, da aplicação do disposto no parágrafo 1º do  art.  2º  da Lei de  Introdução ao Código Civil,  segundo o qual  a  lei  posterior  revoga a  anterior  “quando  regule  inteiramente a matéria de que  tratava a  lei  anterior”. As Leis  nºs.  9.249/95  e  9.430/96,  embora  tenham  trazido  diversas modificações  na  legislação  até então vigente, não regularam inteiramente a apuração da base de cálculo do IRPJ e  da CSLL. A rigor, no caso, incide a regra do parágrafo 2º do art. 2º da referida Lei de  Introdução  ao  Código  Civil,  segundo  o  qual  “a  lei  nova,  que  estabeleça  disposições  gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. As  leis, nesse caso, se entrelaçam, não se excluem.  Portanto,  é  falsa  a  conclusão  de  que  o  art.  29  da  Instrução  Normativa  nº.  11/96  padece  do  vício  da  ilegalidade.  Ela  tem  fundamento  de  validade  no  art.  6º  do  Decreto­lei nº. 1.598/77 e, além disso, não é incompatível com as Leis nºs. 9.249/95 e  9.430/96.  Se  a  dedutibilidade  dos  juros  estivesse  subordinada  unicamente  ao  regime  de  competência,  isto  é,  se  não  existissem  limites  objetivos  a  serem  observados,  a  eventual inobservância do regime de competência não traria maiores conseqüência  porque  a  observância  –  e  a  eventual  inobservância  –  desse  regime  não  é  fator  preponderante para fins de aferição da dedutibilidade.  A observância do regime de competência surge, no caso dos  juros sobre o capital, no  momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou  acionistas.  O  que  determina  a  exigibilidade  do  pagamento  ou  do  crédito  é  a  existência  de  uma  deliberação  nesse  sentido  e  que  não  imponha  condição  suspensiva  para  o  aperfeiçoamento  do  direito  e  da  correspondente  obrigação. Antes  da  formalização  do  ato jurídico que determine o pagamento dos juros, os  titulares do capital não têm nem  mesmo um direito expectativo, a exemplo do que ocorre com os  lucros e dividendos.  Ora,  se  os  dividendos,  que  estão  previstos  em  norma  de  ordem  pública,  não  existem  como crédito antes de deliberação societária, o que se dirá dos juros sobre o capital que  não ostentam essa mesma natureza  jurídica? O pagamento ou crédito de juros sobre o  capital  é  uma  faculdade  e,  como  tal,  pode  ou  não  ser  exercida  pelos  próprios  sócios,  razão pela qual os  juros não decorrem de um direito  subjetivo  inerente à condição de  sócio ou acionista.  Portanto,  o  período  da  competência  do  encargo  relativo  aos  juros  sobre  o  capital  é  aquele  em  que  ocorre  a  deliberação  de  seu  pagamento  ou  crédito  de  forma  incondicional.  Sem  essa  deliberação  a  sociedade  não  se  obriga  (não  assume  a  obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta  falta de título jurídico  que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que  o  valor  dos  juros  é  imputado  ao  resultado  do  exercício  que  o  sujeito  passivo  deverá  observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de  dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os  juros  não  existe  a  despesa  ou  encargo  respectivo  e  não  há  que  se  cogitar  de  dedutibilidade de algo ainda inexistente.  O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães bem sintetiza as conclusões extraídas  deste texto, no voto condutor do Acórdão nº 1302­00.465:  Do referido texto, que acolho por inteiro, ressalto as seguintes conclusões:  Fl. 712DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 13          12 1. a  remuneração ou não do capital próprio constitui  uma  faculdade  ínsita à esfera de  decisão  da  pessoa  jurídica,  sendo­lhe  lícito,  ao  decidir  pela  remuneração,  apropriar  a  despesa no momento que melhor lhe aprouver, contudo, os efeitos fiscais decorrentes de  tal decisão são ditados pela norma tributária de regência;  2.  tratando­se  de  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  em  razão  das  disposições do art. 6º do Decreto­Lei nº. 1.598/77, a adoção do regime de competência  é obrigatória para o registro das mutações patrimoniais, devendo as exceções constarem  de forma expressa em disposição de lei;  3.  a  dedutibilidade  dos  juros  sobre  capital  próprio  não  se  subordina  única  e  exclusivamente  à  observância  do  regime  de  competência,  pois,  além  disso,  a  norma  tributária impõe limites objetivos;  4.  no  caso  dos  juros  sobre  o  capital  próprio,  o  regime  de  competência  surge  no  momento em que eles são pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou  acionistas, isto é, no instante em que a despesa é considerada incorrida;  5.  do  ponto  de  vista  estritamente  tributário,  os  juros  sobre  o  capital  próprio,  diferentemente dos lucros e dividendos, não gera qualquer expectativa de direito antes  da  formalização  do pagamento ou  crédito,  visto que  eles  não decorrem de um direito  subjetivo inerente à condição de sócio ou acionista;  6. nos  termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e  limites para  fins  de  dedutibilidade  deve  ser  feita  no  momento  em  que  a  despesa  com  os  juros  é  apropriada no resultado;  7. o contribuinte, ao promover o cálculo dos juros com base em elementos patrimoniais  de  período  distinto  em  que  efetuou  o  seu  pagamento  ou  crédito,  almeja,  na  verdade,  recuperar uma despesa não suportada em períodos anteriores;  8.  descabe,  no  contexto  em  que  as  disposições  relativas  à  observância  do  regime  de  competência  devam  ser  interpretadas,  falar­se  em  postergação  do  pagamento  do  imposto;  9. a Instrução Normativa nº. 11/96 tem fundamento de validade no art. 6º do Decreto­lei  nº. 1.598/77, não padecendo, portanto, de vício de ilegalidade.  A  caracterização do  registro  de  juros  sobre  o  capital  próprio  como  faculdade  ou  opção é aspecto que  envolve,  também, a definição de  sua natureza. Luís Eduardo  Schoueri, em seu artigo Juros sobre Capital Próprio: Natureza Jurídica e Forma de  Apuração  diante  da  "Nova  Contabilidade"  (in  Controvérsias  Jurídico­Contábeis  (Aproximações e Distanciamentos), 3o volume, Editora Dialética, São Paulo: 2012,  p.  169/193),  aborda  a  criação  desta  dedução  em  contexto  que  facilita  a  compreensão de sua natureza:  Os juros sobre o capital próprio devem ser inseridos em contexto mais amplo, tendo em  vista que acompanharam a isenção de dividendos. Sob tal perspectiva, parece possível  ver  nos  juros  sobre  capital  próprio  uma  criativa  solução  do  legislador  brasileiro  para  enfrentar a prática da subcapitalização, ou thin capitalization.  Tal prática, que se mostrou corrente em países nos quais a distribuição de dividendos é  tributada, consiste em os  sócios de determinada sociedade, em vez de aportarem seus  investimentos  no  capital  social  da  referida  sociedade,  mantê­los  como  empréstimos.  Revela­se vantajosa na medida em que as despesas da sociedade com o pagamento dos  juros  decorrentes  de  tais  empréstimos  são  dedutíveis,  ao  passo  que  os  dividendos  distribuídos não.  Assim, em situações em que tanto os juros quanto os dividendos pagos aos sócios são  tributados,  é  mais  vantajoso  para  os  sócios  capitalizar  suas  empresas  por  meios  de  empréstimos do que por aportes no capital social, uma vez que o pagamento de juros,  diferentemente dos dividendos, é despesa dedutível da sociedade.  Para evitar a prática da thin capitalization, países como os Estados Unidos da América  estabeleceram alguns limites para a capitalização por meio de empréstimos dos sócios.  Com efeito, a legislação desses países estabeleceram diversos métodos para se constatar  Fl. 713DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 14          13 se  a  subcapitalização  estaria ocorrendo,  a  exemplo do  limite máximo de  empréstimos  em  relação  ao  valor  do  capital  subscrito  e  integralizado;  uma  vez  constatada  a  ocorrência  da  prática,  autorizado  ficaria  o  Fisco  a  tributar  os  juros  excessivos  como  dividendos.  No Brasil, com o advento da Lei n° 9.249/1995 (produzindo efeitos para o exercício de  1996), os dividendos pagos pelas  sociedades brasileiras aos  seus  sócios ou acionistas,  pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou não no País, passaram a ser rendimentos não  tributáveis. Conforme reconhecido pela própria Exposição de Motivos do Ministério da  Fazenda que acompanhou, à época, o Projeto de Lei n° 913/1995, tratou­se de medida  de integração entre o imposto de renda da pessoa física e o imposto de renda da pessoa  jurídica, com vistas a evitar a  incidência do primeiro sobre recursos já tributados pelo  ultimo5. O tema da integração da tributação das pessoas físicas e das pessoas jurídicas,  ocupou,  nas  últimas  décadas,  estudos  e  debates  nos  Estados  Unidos  e  na  União  Européia6.  E  dizer,  pretendeu­se  eliminar,  com  tal  expediente,  a  dupla  tributação  econômica.  Conferir­se  isenção  aos  dividendos  recebidos  pelos  acionistas  ou  sócios  é  método  tradicional para evitar­se a dupla incidência econômica do  imposto, cuja adoção já foi  considerada  pelo  Departamento  do  Tesouro  norte­americano  em  estudo  sobre  os  diversos "protótipos" de integração7.  Daí encontrar­se nos juros sobre capital próprio expediente criativo para se evitar a thin  capitalization. Em  face da  isenção dos dividendos  recebidos então estabelecida,  e que  passou  a  diferenciar  o modelo  brasileiro  daquilo  que  se  encontrava,  via  de  regra,  no  direito  comparado,  a  solução  adotada  seguiu  caminho  inverso  à  experiência  internacional.  Enquanto  alhures  se  conferia  aos  juros  a  indedutibilidade  própria  de  dividendos,  o  Brasil  inovava,  permitindo  que  se  deduzissem  os  juros  sobre  o  capital  próprio, equiparando­os, portanto, ao tratamento tributário de juros propriamente ditos.  Os  "juros  sobre  o  capital  próprio"  têm  a  finalidade  de  permitir  ao  sócio  ou  acionista perceber um rendimento equivalente ao que receberia se buscasse outra  aplicação financeira de longo prazo.  Assim, consoante a disciplina do artigo 9o da Lei n° 9.249/1995, a sociedade paga uma  remuneração  a  seus  acionistas  e  reconhece  o  valor  como  uma  despesa  dedutível,  abatendo­a  de  seu  lucro  tributável8.  Ao  mesmo  tempo,  tais  valores  encontram­se  sujeitos à retenção na fonte, no momento do pagamento ao acionista, à alíquota de 15%.  Desincentiva­se, pois, a capitalização das sociedades por meio de empréstimos, ou  subcapitalização, já que ela não é necessária para se conseguir a dedutibilidade dos  pagamentos  aos  sócios.  A  este  respeito,  assinalou  a  Exposição  de  Motivos  que  acompanhou o Projeto de Lei do qual derivou a Lei n° 9.249/1995:  "A permissão da dedução de juros pagos ao acionista, até o  limite proposto, em  especial, deverá provocar um incremento das aplicações produtivas nas empresas  brasileiras, capacitando­as a elevar o nível de investimentos, sem endividamento,  com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento  sustentado da economia."  [...] (negrejou­se)  Na  seqüência,  descrevendo  o  debate  existente  na  doutrina  acerca  da  natureza  jurídica dos juros sobre o capital próprio, referido autor conclui que a divergência  existente  resulta  da  tentativa  de  enquadrar  os  juros  sobre  o  capital  próprio  nas  categorias  de  Direito  Civil,  e  assume  razoável  tomá­los  como  vero  conceito  de  Direito Tributário, sem qualquer amparo em categorias do Direito Privado. Daí que:  Afastando­se  qualquer  aproximação  com  categorias  de  Direito  Privado,  há  que  se  reconhecer que, na perspectiva do Direito Tributário, corresponde a figura do artigo 9o  da Lei n° 9.249/1995 a uma remuneração do capital.  O conceito tributário de juros sobre o capital próprio parte, assim, da noção econômica  de  custo  de  oportunidade,  entendida  enquanto  renúncia,  pelo  agente  econômico,  dos  benefícios  derivados  de  determinado  investimento  em  função  do  potencial  de  lucro  superior vislumbrado em aplicação distinta. Em tal contexto, o  lucro do negócio, sob  Fl. 714DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 15          14 uma  perspectiva  econômica,  somente  poderia  ser  apurado  se  desconsiderado  o  lucro sobre o capital.  [...]  A natureza de remuneração do capital emprestada ao instituto constante do artigo 9o da  Lei n° 9.249/1995 permite que se concretizem as exigências do princípio da igualdade e  da capacidade contributiva.  [...]  É  neste  ponto  que  se  revela,  a  partir  de  uma  perspectiva  essencialmente  tributária,  a  relevância  dos  juros  sobre  o  capital  próprio.  Tal  instituto,  ao  permitir  que  as  empresas que se valem de recursos de seus próprios sócios ou acionistas tomem a  dedutibilidade  dos  valores  pagos  enquanto  remuneração  pelo  referido  capital,  restabelece  a  igualdade  destes  em  relação  a  contribuintes  que,  com  igual  capacidade econômica, façam uso de capital emprestado por terceiros.  [...]  Em  síntese,  por  meio  dos  juros  sobre  capital  próprio,  assegura­se  igual  tratamento  tributário à atividade empresarial, afastando­se a diferenciação por conta da origem de  seu capital (próprio ou de terceiros).  Do  ponto  de  vista  do  investidor,  também,  se  concretiza  a  igualdade,  naquilo  que  se  equiparam  ambas  as  situações. Se  é  verdadeira  a premissa de que do  lucro  obtido na  atividade  empresarial,  uma  parte  corresponde  à  remuneração  do  capital  e  outra,  à  atividade produtiva, então não há razão para a remuneração do capital proveniente  de aplicações financeiras ter tratamento diferente daquele mesmo capital investido  na empresa. Daí a tributação exclusiva na fonte. [...]  Tais  considerações,  intimamente  relacionadas  com o  conceito  econômico  de  custo  de  oportunidade, tornam razoável, do ponto de vista econômico e tributário, a consideração  dos pagamentos dos juros sobre o capital próprio enquanto remuneração do capital, que  é  dedutível.  E  dizer,  do  ponto  de  vista  tributário,  a  situação  apresenta­se  tal  qual  como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta,  recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao  que é dado às empresas que se valem de financiamento de terceiros. (negrejou­se)  Abordando  a  questão,  expõe  Alberto  Xavier,  em Natureza  Jurídico­Tributária  dos  “Juros  sobre Capital  Próprio”  face  à  Lei  Interna  e  aos Tratados  Internacionais  (in  Revista Dialética de Direito Tributário, nº 21, Junho de 1997, p. 7/11), que o “juro  sobre capital próprio” outra coisa não é que um resultado distribuível da companhia  sujeito a regime fiscal especial” e “opcional”. E acrescenta:  Se os  lucros  efetivamente distribuídos  ou  capitalizados  não  excederem o duplo  limite  atrás  referido,  a  sua  totalidade  pode  beneficiar­se  da  dedução  fiscal,  muito  embora  o  contribuinte possa optar por submeter apenas parte ao regime de dedutibilidade, ficando  a  outra  parte  sujeita  ao  regime  comum.  Se  os  lucros  efetivamente  distribuídos  ou  capitalizados excederem o duplo  limite,  só poderão beneficiar da dedução  fiscal  até o  referido limite, ficando no remanescente sujeitos ao regime tributário geral.  Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, ao deixar de exercê­la ao final do  período  de  apuração,  é  razoável  afirmar  que  a  sociedade,  por  não  segregar  o  resultado  comum  de  sua  atividade  daquele  que  seria  atribuível  à  utilização  do  capital  dos  sócios,  designou  integralmente  o  lucro  apurado  como  remuneração  deste capital, estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de  reservas  de  lucros  ou  lucros  acumulados  para  posterior  distribuição.  Em  conseqüência, a destinação destes  lucros aos sócios, no futuro, somente poderá se  dar mediante distribuição de dividendos, e não mais a título de juros sobre o capital  próprio.  Conclui­se, daí, que os juros sobre capital próprio do período de referência devem  ser estipulados no momento da proposta de destinação do lucro, assim disciplinada  pela Lei nº 6.404/76 na redação vigente no período de apuração autuado:  Fl. 715DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 16          15  Art.  192.  Juntamente  com  as  demonstrações  financeiras  do  exercício,  os  órgãos  da  administração  da  companhia  apresentarão  à  assembléia­geral  ordinária,  observado  o  disposto nos artigos 193 a 203 e no estatuto, proposta sobre a destinação a ser dada ao  lucro líquido do exercício.  É certo que a dedução fiscal de juros sobre o capital próprio somente é admitida no  momento  em  que  formalizada  a  obrigação  de  pagá­los  em  favor  dos  sócios.  Contudo,  a  constituição  de  obrigação a  este  título  somente  é  possível  enquanto  a  sociedade  tem  o  direito  de  destacar  do  resultado  do  exercício  a  parcela  que  corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no  período de tempo em que apurado aquele resultado. Uma vez tributados os lucros, e  destinados,  integralmente,  ao  patrimônio  líquido  da  entidade,  a  opção  não  pode  mais ser exercida.   Esclareça­se,  ainda, que o  fato de a  remuneração do capital  próprio por meio de  juros  atribuídos  aos  sócios  ter  seus  limites  estabelecidos,  também,  em  função  do  montante  de  lucros  acumulados  no momento  da  deliberação,  não  significa  que  o  cálculo  dos  juros  podem  considerar  períodos  de  apuração  anteriores,  cujos  resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no  período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício  correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem  este pagamento.   Inadmissível,  assim,  a  redução  dos  lucros  apurados  no  ano­calendário  2005  em  razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração  distinto  daquele  ao  qual  se  refere  os  lucros  que  se  pretendeu  destinar  à  remuneração de capital.  Pertinente observar que, neste  contexto, não há que se  falar  em inobservância do  regime  de  escrituração,  e  de  eventual  antecipação  de  pagamento  dos  tributos  incidentes sobre o lucro. A tributação foi devida no passado porque a sociedade não  optou  por  destacar  parte  da  base  de  cálculo  como  juros  sobre  capital  próprio,  e  assim  descaracterizá­la  como  lucro.  Como  bem  observou  o  Conselheiro  Wilson  Fernandes Guimarães no voto condutor do Acórdão nº 1302­00.465:  As disposições dos artigos 247 e 273 do RIR/99, não custa repisar, não guardam relação  com  a  matéria  submetida  a  exame,  eis  que  não  estamos  diante  nem  de  valores  que  competem a outro período de apuração nem de postergação de pagamento de imposto.  Despicienda,  assim,  a  análise  dos  efeitos  decorrentes  da  aplicação  dos  dispositivos  acima mencionados.  No que diz respeito ao pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça, cabe, apenas,  destacar a ausência de efeito vinculante.   Diante  do  exposto,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário.  Assim,  embora  os  juros  sobre  o  capital  próprio  apresentem  alguma  semelhança  com  o  tratamento  societário  conferido  aos  dividendos,  consoante  alegado  pela  contribuinte em sua impugnação, há uma diferença essencial entre eles: os juros sobre o capital  próprio  representam o  custo  do  capital  investido  pelos  sócios  e,  portanto,  despesa da  pessoa  jurídica, ao passo que os dividendos correspondem a distribuição do resultado. Como despesa,  conceitualmente  os  juros  sobre  o  capital  próprio  antecedem a  apuração  do  lucro  contábil. O  crédito  ou  pagamento  futuro  de  juros  sobre  o  capital  próprio,  portanto,  exige  o  seu  prévio  provisionamento,  de modo  a  reduzir  o  lucro  do  período.  Se  desta  forma  não  se  procede,  o  resultado do período, majorado pela ausência daquela dedução, passa a ter o status de lucro a  ser  destinado  nos  termos  do  art.  192  da  Lei  nº  6.404/76.  Ainda  que  os  limites  legais  de  dedutibilidade  tenham em conta  as  reservas de  lucros e  lucros acumulados, a  fixação de  tais  Fl. 716DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 17          16 limites tem por objetivo apenas evitar a descapitalização da pessoa jurídica com a remuneração  dos sócios, e não evidencia, por si só, que valores já destinados a reservas de lucros e lucros  acumulados possam ter sua natureza revertida, por deliberação futura, de lucro para despesa.  Veja­se que a  referida provisão, com vistas a  reduzir o  lucro do período ao  qual  competiriam  os  juros,  não  resulta  em  despesa  dedutível  na  medida  em  que  legislação  exige deliberação e individualização do pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio.  Mas é essencial para evitar que tais valores integrem o lucro e sejam destinados a outro fim.   Em suma, cabe à sociedade decidir como remunerar o capital investido pelos  sócios: por meio de juros ou de lucros. E esta decisão deve ser tomada antes da destinação do  lucro  líquido  do  exercício,  na  forma  do  art.  192  da  Lei  nº  6.404/76.  Ultrapassado  este  momento,  sem  o  prévio  provisionamento  dos  juros,  a  deliberação  de  seu  pagamento  futuro,  associada  ao  crédito  ou  pagamento  individualizado,  não  é  suficiente  para  constituir,  neste  segundo  momento,  despesa  dedutível  na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL,  como  defende  a  recorrente.  Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao  recurso  voluntário  relativamente  às  exigências  de  IRPJ  e  CSLL  aqui  formalizadas,  e  aos  correspondentes acréscimos de multa de ofício e  juros de mora, decorrentes dos excessos de  juros sobre o capital próprio e de compensação indevida de prejuízos e bases negativas.    A  autoridade  lançadora  também  constatou  que,  em  razão  dos  excessos  de  juros  sobre  o  capital  próprio  apropriados  pela  contribuinte,  houve  falta  de  recolhimento  de  estimativas  de  IRPJ  (R$  283.516,68)  e  CSLL  (R$  102.066,01)  no  mês  de  novembro/2007.  Exigiu, assim, multa  isolada equivalente a 50% dos débitos  (R$ 141.758,34 e R$ 51.033,00,  respectivamente).  A  recorrente  reporta­se  a manifestação  da CSRF  contrária  à  cumulação  da  multa  isolada e da multa de ofício, mas  isto  em  face de exigência  formalizada em  relação  a  períodos  de  apuração  afetados  pela  legislação  anterior  à  alteração  veiculada  pela  Lei  nº  11.488/2007, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351/2007.  Este  Colegiado,  inclusive,  em  face  da  aplicação  de  multas  isoladas  em  períodos de apuração anteriores à vigência daqueles diplomas legais, já exonerou, por maioria  de  votos,  exigências  concomitantes  com  a  multa  de  ofício  proporcional,  manifestando­se  o  Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão nos seguintes termos:  O  fato  que  originou  a  discordância  do  Contribuinte  é  especificamente  a  possibilidade de cobrança de multa isolada na estimativa pela CSSL não recolhida  mensalmente,  que  no  caso  não  foi  cumulada  com  a  multa  de  ofício  pelo  não  recolhimento  da CSLL  apurada  anualmente  porque  esta  parcela  foi  regularmente  adimplida pelo contribuinte, sendo os fatos referentes ao ano­calendário 2003.  Sopesados os argumentos da decisão recorrida e aqueles expostos pelo contribuinte  em seu recurso voluntário, passo a expor meu entendimento sobre a matéria.   Observe­se  que  a  infração  em  debate  decorreu  de  omissão  de  recolhimento  das  estimativas  mensais  de  CSLL,  no  ano­calendário  de  2003,  ficando  sujeito  à  incidência de multa isolada, conforme auto de infração.   A questão é se a multa referente ao não recolhimento da(s) parcela(s) da estimativa,  devidas mensalmente são devidas caso haja pagamento do  tributo ao  final do ano  ou  se  acumulam  com  a multa  pelo  não  pagamento  do  tributo  devido  apurado  na  Fl. 717DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 18          17 declaração  anual.  Entendo  possível  a  aplicação  da  multa  proporcional  sobre  o  ajuste  anual  e  da  multa  isolada  pelo  não  recolhimento  das  estimativas  que  ensejaram, em referência ao mesmo exercício fiscal, assim como entendo cabível a  multa  isolada,  mesmo  que  o  contribuinte  tenha  pago  a  totalidade  quando  da  declaração anual Isto porque a legislação fixa como regra a apuração trimestral do  lucro  real ou da base de cálculo da CSLL e  faculta aos  contribuintes a apuração  destes resultados apenas ao final do ano­calendário caso recolham as antecipações  mensais  devidas,  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos,  ou  justifiquem  sua  redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução.   Se assim não procedem, sujeitam­se às multas previstas na legislação que se aplica  à espécie. Na redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto:  Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas,  calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:   I  ­  de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;   [...]  §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   [...]  IV ­isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda  e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê­lo,  ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição  social sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente;   [...]   Referida norma recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007,  posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007:  Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a  seguinte redação, transformando­se as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  I  ­  de 75%  (setenta  e  cinco por  cento)  sobre  a  totalidade ou diferença de  imposto ou  contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e  nos de declaração inexata;  II  ­ de 50% (cinqüenta por cento),  exigida  isoladamente,  sobre o valor do pagamento  mensal:  a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser  efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no  caso de pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social  sobre o  lucro líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado  nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,  independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  I ­ (revogado);  II ­ (revogado);  III­ (revogado);  IV ­ (revogado);  V ­ (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998).  Fl. 718DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 19          18 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo  serão  aumentados  de  metade,  nos  casos  de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de  29 de agosto de 1991;  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.  ................................................. ”   Nestes  termos,  em  ambos  os  dispositivos  (anterior  e  alteração)  estão  presentes  idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável  aos  casos  de  falta  de  recolhimento  de  estimativas  mensais  de  IRPJ  e  CSLL  por  pessoa  jurídica  (art.  2o  da Lei  nº 9.430/96), mesmo  se  apurado prejuízo  fiscal  ou  base de cálculo negativa da CSLL ao final do ano­calendário, o que nem é o caso,  pois há tributo devido ao final do ano.  Considera­se, assim, impróprio falar em aplicação concomitante de penalidades em  razão de uma mesma  infração: a hipótese de  incidência da multa  isolada é o não  cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais  – obrigação imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis, repita­ se  que  a  assunção  desta  obrigação  foi  uma  opção  do  contribuinte  e  que  o  desobrigou dos efetivos pagamentos trimestrais – e a outra hipótese de incidência  da multa  proporcional  é  o  não  cumprimento  da  obrigação  principal  referente  ao  recolhimento  do  tributo  devido  ao  final  do  período.  São,  portanto,  fatos  distintos  que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do  princípio  da  consunção,  que  em  matéria  de  Direito  Tributário  deve  ser  aplicado  cum  grum  salis,  especialmente  em  virtude  do  que  dispõe  o  art.  136  do  Código  tributário Nacional. Como bem colocado na ementa do Ac. 1802­001.876:  2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e  fim,  ou  de  parte  e  todo  (porque  a  estimativa  é  devida  mesmo  que  não  haja  tributo  devido).  A  multa  normal  de  75%  no  ajuste  pune  o  não  recolhimento  de  obrigação  vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de  50%  pune  o  atraso  no  ingresso  dos  recursos,  atraso  esse  verificado  desde  o  mês  de  fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de  março do ano subseqüente.  Aliás, interpretar­se de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção  pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das  estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando  que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas,  ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre que, embora a apuração anual  seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto,  se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal,  mas tão somente moral.  Do  exposto,  meu  voto  seria  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  do  Contribuinte,  para manter  a multa  isolada  pelo  não  recolhimento  das  estimativas  mensais.  Porém,  a  1a  Turma  da  CSRF,  órgão  competente  para  uniformizar  a  jurisprudência administrativa no âmbito do CARF,  tem  reiteradamente afastado a  aplicação do  que  se  tem denominado  "multa  concomitante",  tendo  se  consolidado  essa  jurisprudência,  sendo  a  minha  posição  vencida  reiterada  e  exaustivamente.  Veja­se, por exemplo, Acordãos. ns. 9101­001.693, (de 16/07/2013, que cita outras  decisões),  9101­001.820 ,  9101­001.788  .  Posição  que  vem  sendo  cada  vez  mais  hialina  na  jurisprudência  desta  Colenda  1a  Turma,  além  do  que  as  turmas  ordinárias  da  1a  Seção  têm  adotado  de  maneira  preponderante  o  mesmo  entendimento  (e.g.,  Acs.  ns.  1402001.505,  1103­000.934 ,,  1202001.011,  1103­ Fl. 719DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 20          19 000.945,  1102000.867)  sendo  que  as  poucas  decisões  em  sentido  contrário, mais  recentes, são tomadas por voto de qualidade.  Parece­me, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas  não aos fundamentos, de que não cabe a multa  in casu, por questões de economia  processual e  também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido  amplo, com a perspectiva de suas consequências, tratando­se, portanto, também de  uma decisão calcada no consequencialismo. Não que me curve aos argumentos em  sentido contrário aos meus, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir  suas conclusões.  Destaque­se que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da  vigência da Medida Provisória n.º  351/2007  (posteriormente convertida na Lei nº  11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria, eu cuja jurisprudência  administrativa ainda não se consolidou, mas que parece tender para a mantença da  multa isolada.  Neste  sentido,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  do Contribuinte  no  que  diz  respeito  ao  afastamento  dq  multa  isolada  pelo  não  pagamento  das  estimativas mensais de CSLL, o faço, porém, com as todas ressalvas e observações  acima transcritas.  O  posicionamento  desta  Relatora  é  no  sentido  de  que,  desde  a  redação  original da Lei nº 9.430/96, a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou  da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao  final do  ano­calendário  caso  recolham as  antecipações mensais devidas,  com base na  receita  bruta  e  acréscimos,  ou  justifiquem  sua  redução/dispensa  mediante  balancetes  de  suspensão/redução. Deste modo, o  legislador  estabeleceu a possibilidade de  a penalidade  ser  aplicada mesmo depois de encerrado o ano­calendário correspondente, e ainda que evidenciada  a desnecessidade das antecipações, nesta ocasião, por  inexistência de IRPJ ou CSLL devidos  na  apuração  anual.  Para  exonerar­se  da  referida  obrigação,  cumpria  à  contribuinte  levantar  balancetes  mensais  de  suspensão,  e  evidenciar  a  inexistência  de  base  de  cálculo  para  recolhimento das estimativas durante todo o ano­calendário.   Assim, quer na redação original da Lei nº 9.430/96, quer na alteração a partir  da  Medida  Provisória  nº  351/2007,  estão  presentes  idênticos  elementos  para  aplicação  da  penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas  mensais de IRPJ e CSLL por pessoa  jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  ao  final  do  ano­calendário.  A  única  distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%  Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão  de uma mesma infração: o ilícito que enseja a aplicação da multa isolada é o não cumprimento  da  obrigação  correspondente  ao  recolhimento  das  estimativas mensais  –  obrigação  acessória  imposta  aos  optantes  pela  apuração  anual  das  bases  tributáveis  –  e  o  ilícito  que  enseja  a  aplicação da multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento  do tributo devido ao final do período.   De  toda  sorte,  é  majoritário  o  entendimento  de  que  ao  menos  a  partir  da  edição  da Medida  Provisória  nº  351/2007  é  válida  a  exigência  de  multa  isolada,  ainda  que  concomitantemente  com  a  multa  proporcional,  na  medida  em  que  os  novos  critérios  de  aplicação da penalidade evidenciaram sua distinção daqueles fixados em lei para aplicação da  multa proporcional.   Fl. 720DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13888.721267/2012­90  Acórdão n.º 1101­001.186  S1­C1T1  Fl. 21          20 Por  tais  razões,  também  deve  ser  NEGADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário relativamente às exigências de multa isolada.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                                Fl. 721DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10935.906428/2012-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/03/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 121          1 120  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.906428/2012­12  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­002.726  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2014  Matéria  COFINS  Recorrente  JUMBO ALIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 25/03/2010  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO.  Diante das  regras vigentes,  não  é  cabível pedido de  restituição de COFINS  que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS  na base de cálculo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 25/03/2010  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  NECESSIDADE  DE  DEMONSTRAÇÃO  DA  MATERIALIDADE  DO  CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.  Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte,  no  rito  da  repetição  do  indébito  é  fundamental  a  comprovação  da  materialidade  do  crédito  alegado.  Diferentemente  do  lançamento  tributário  em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar  que possui a materialidade do crédito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  recurso voluntário.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 28 /2 01 2- 12 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2   (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano D’Amorim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'amorim  (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  O conselheiro Solon Sehn declarou­se impedido. Relatório  O  contribuinte  JUMBO ALIMENTOS  LTDA.  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário contra o Acórdão nº 06­42.876, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da  DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo  em sede de manifestação de inconformidade, rejeitando­a.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:   “Trata  o  processo  de Despacho Decisório  emitido  pela DRF Cascavel/PR,  em 03/01/2013,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por meio  do Per/Dcomp nº  02856.55277.181010.1.2.04­0565, rastreamento nº 041907571, devido à inexistência de crédito  pleiteado de R$ 27.595,38, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período  de  28/02/2010,  efetuado  em  25/03/2010,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador.  Cientificada  da  decisão  em  18/01/2013,  a  interessada  apresentou  Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do  PIS  e  da  Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo.  Diz  que  o  conceito  de  faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o  conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por  se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o  Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Dessa  forma,  solicita  que  os  créditos  sejam  restituídos,  acrescidos  de  juros  de  mora,  desde  seu  pagamento  indevido  até  a  data  da  restituição/compensação.  É o relatório.”  Indeferida  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  o  órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma  da ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906428/2012­12  Acórdão n.º 3802­002.726  S3­TE02  Fl. 122          3 Data do fato gerador: 25/03/2010  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir  o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  Cofins,  pois  aludido  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a  interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados  em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS  A Recorrente  alega  que  possui  direito  de  crédito  amparada  no  fato  de  que  incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que  tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante  decorrente desse procedimento.  De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da  regra  (o  que  levaria  ao  não  conhecimento  do  presente  Recurso),  o  contribuinte  cerra  sua  discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo  STF  no  RE  346084,  no  qual  se  afastou  a  tributação  sobre  a  receita  bruta  e  se  limitou  ao  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 faturamento,  assim  entendido  como  as  receitas  decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  e  prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento.  Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da  COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente  do  regime de  tributação,  tem­se  em verdade  dois  únicos  tributos,  PIS  e COFINS),  comungo  com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o  mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  A  Recorrente  fundamenta  seu  pleito  defendendo  que  o  ICMS  não  seria  receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação:    Para tanto, espelha­se em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS  não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo,  mas apenas receitas de terceiros.  A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato  de  que  as  normas  vigentes  –  às  quais  o  julgador  administrativo  está  adstrito  –  impõem  a  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Assim dispôs a decisão recorrida:   “Pela manifestação de  inconformidade apresentada, vê­se, de pronto, que a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência  revisão  para  a  exclusão  do  valor  do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda  a  interessada, é parte  integrante do preço das mercadorias e  serviços vendidos, exceção  feita  para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário,  consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998:  (...)”  Entendo  que  a  DRJ  está  correta  em  suas  considerações,  apesar  de  uma  pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e  COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa.  As normas de direito vigentes,  às quais o CARF está vinculado,  impõem a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Nesse  sentido,  veja­se  o  que  dispõem  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  em matéria  de  ICMS  autorizam  a  dedução  somente no caso de exportação:  Lei 10.637/2002  “Art.  1o  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906428/2012­12  Acórdão n.º 3802­002.726  S3­TE02  Fl. 123          5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas:  VII ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Lei 10.833/2003  “Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica,  independentemente de sua  denominação ou classificação contábil.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas:  VI ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente  já não merece acolhida em  seu pleito, ao menos no âmbito administrativo.  E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo  2o  do  artigo  1o  das  leis  10.637/2002  e10.833/2003,  permitiria  inferir  que  o  ICMS  incidente  sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata­ se  de  afastamento  legal  da  base  de  cálculo,  apenas  para  o  caso  excepcional  do  ICMS  da  exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações.  De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se  entenda que a dicção do  inciso VI do § 3o do art. 1o das  leis de  regência da  sistemática não  cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de  cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS.  Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o  ICMS compõe a própria  base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não  há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela  Recorrente,  condições  de  se  decompor  o  valor  da  operação  entre  itens  que  integrariam  sua  receita,  e  outros  (em  especial,  o  ICMS)  que  implicariam  receitas  de  terceiros.  É  o  que  se  verifica,  inclusive,  do  julgado  do  RE  em  tela,  no  qual  o  Ministro  Marco  Aurélio,  relator,  confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a  resposta:  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6   Esse  raciocínio  foi  acompanhado  pelo  STJ,  o  qual,  nos  Edcl  no  REsp  no  1.413.129­SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  RECEBIDOS  COMO  AGRAVO  REGIMENTAL.  FUNGIBILIDADE.  RECURSO ESPECIAL  PROVIDO.  PIS  E COFINS.  BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO DO  ICMS.  CONTRADIÇÃO  E  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  NÃO  OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO.  "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente  constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que  a  parcela  relativa  ao  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  (Súmulas  68  e  94/STJ).  Precedentes  atuais:  AgRg  no  REsp  1.106.638/RO,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,  Segunda Turma, DJe  8/2/2013; AgRg no REsp  1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari  Pargendler,  Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin,  Segunda Turma, DJe 12/6/2013).  A propósito, valho­me do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual  serviu  como  paradigma  para  as  Súmulas  68  (que  consagra  a  inclusão  do  antigo  ICM  na  base  de  cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo  Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões:  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906428/2012­12  Acórdão n.º 3802­002.726  S3­TE02  Fl. 124          7     Apesar  de  se  referir  ao  antigo  ICM,  a  discussão  travada  (assim  como  o  raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir.  Sem embargo, o  fato de o  ICMS ser  tributo de repercussão  jurídica não me  parece promover diferenças  relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é,  ao  fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política  econômica,  com o  fito de  evitar  a verticalização  da  cadeia produtiva. Assim  leciona Alcides  Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São  Paulo, 1978).  Entender que o  ICMS, por ser de  repercussão  jurídica, não significa  receita  própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável  admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além  da  inclusão do  ICMS na própria base de cálculo  (que  teria que ser  revista, pois perderia sua  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse  considerado receita de terceiros.  Esses  reflexos,  que  podem  ser  suscitados  como  marginais  ao  PIS  e  à  COFINS,  em  verdade  guardam  íntima  relação  com  essas  contribuições.  Basta  ver  que,  se  o  contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos  contábeis  decorrentes  disso  –  inclusive  lançando  a  parcela  de  ICMS  do  seu  preço  em  conta  contábil própria, de receita de terceiros.  De  um  modo  ou  de  outro,  seja  do  ponto  de  vista  legal,  de  finalidade  das  normas,  ou mesmo  contábil,  as  próprias  raízes  do  ICMS  impedem que  ele  seja  considerado  receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob  pena de  instabilidade e insegurança  jurídica absoluta. Os conceitos devem ser  trabalhados de  maneira uniforme.  Por  isso mesmo,  no  que  toca  os  fundamentos  do  seu  pedido  de  restituição,  nego provimento ao Recurso Voluntário.  Da ausência de comprovação da materialidade do crédito  Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito  passivo também não resiste a uma análise mais acurada.  Apesar  de  o  despacho  decisório  afirmar  que  o  crédito  argüido  pelo  sujeito  passivo  foi  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  outros  débitos,  a  Recorrente  não  demonstrou,  por  meio  de  documentos  hábeis,  que  o  montante  pleiteado  refere­se  ao  ICMS  incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Isso  se verificou na manifestação de  inconformidade  e  também no presente  Recurso Voluntário.  Ora,  o  processo  administrativo  tributário  em  si  é  regido  pelo  princípio  da  verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a  revisão  administrativa.  Assim  é  que,  no  que  tange  ao  pedido  de  restituição,  é  de  responsabilidade  do  sujeito  passivo  demonstrar, mediante  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que  sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165  do CTN.  Neste espeque, a Recorrente, mesmo  instada a  tanto pela DRJ, não acostou  aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado  se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Reitere­se aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição,  o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito.  Vale  repisar  que,  diferentemente  do  processo  de  revisão  do  lançamento  tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas  quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as  razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado.  Assim  sendo,  não  há  nos  autos  fundamentos  que  legitimem  a  restituição  pleiteada  pela  Recorrente,  de  modo  que  deve  ser  negado  provimento  ao  presente  Recurso  Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido.  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906428/2012­12  Acórdão n.º 3802­002.726  S3­TE02  Fl. 125          9 Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 10166.722599/2009-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/11/2009 BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pós-graduação a todos os empregados e dirigentes, enquadra-se na exceção legal prevista na alínea “t”do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição, o que dispensa sua declaração em GFIP. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 3          2      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de  Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.     Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 4          3    Relatório  A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por  não ter declarado em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social as  remunerações pagas a título de “Bolsa de Estudo”, considerados como salário de contribuição.  O  r.  acórdão  –  fls  354  e  ss,  conclui  pela  improcedência  da  impugnação  apresentada,  mantendo  o  Auto  lavrado.  Inconformada  com  a  decisão,  apresenta  recurso  voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte:  ·  De acordo com a política de RH, o benefício alcança somente pessoas  integrantes de sua estrutura interna ­ empregados e dirigentes.   ·  O  posicionamento  da  primeira  instância  administrativa,  além  de  ser  totalmente  dissonante  da  legislação  de  regência,  também  não  se  coaduna  com  os  entendimentos  dos  julgadores  de  segunda  instância  (2o  Conselho  de  Contribuintes  /  CARF),  bem  como  com  recente  posicionamento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  que  entende  que bolsa de estudo, inclusive para nível superior, é verba de natureza  indenizatória, concedida para o trabalho e não pelo trabalho.  ·  Ao  analisarem  o  caso  concreto,  os  julgadores  de  primeira  instância  administrativa  concluíram  que  o  lançamento  foi  realizado  de  forma  correta,  não  tendo  o  Recorrente  apresentado  provas  que  demonstrassem  que  os  benefícios  (concessão  de  bolsas  de  estudo)  eram  destinados  para  capacitação  e  qualificação  profissional,  vinculados à atividade da empresa.  ·  Reitere­se,  ademais, que as bolsas de estudo eram fornecidas para o  trabalho  e  não  pelo  trabalho,  não  correspondendo,  portanto,  a  verba  salarial.  ·  Requer  o  BANCOOB  o  conhecimento  e  provimento  deste Recurso.  Em    razão    da    preponderância  do  princípio  o  verdade  material,  o  Recorrente reitera todos os argumentos já consignados por ocasião da  apresentação  da  sua  impugnação,  argumentos  esses  desconsiderados  pelo julgador de primeira instância, em especial, a necessidade de se  comandar diligência para verificar a ocorrência das  falhas apontadas  desde a Impugnação apresentada pelo Recorrente.    É o relatório.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 5          4  Voto             Conselheiro Oséas Coimbra      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.    DO PEDIDO DE PERÍCIA   O princípio da livre convicção do julgador é aplicável em relação às provas  carreadas  aos  autos.  O  pedido  de  diligência  foi  indeferido  uma  vez  que  foi  considerado  prescindível pela autoridade julgadora para que a mesma formasse sua convicção, que assim se  manifestou.   Dessa forma, indefere­se pedido de Perícia, pois tal providência  revela­se  desnecessária  tendo  em  vista  que  não  houve  questionamento quanto ao valor do crédito lançado, mas apenas  discussão  quanto  à  natureza  jurídica  da  rubrica  “Bolsa  de  Estudo”,considerada como salário de contribuição.    Vejamos a legislação pertinente ­ art. 18 do Decreto 70.235/72:   Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)  Não  obstante,  o  decreto  70.235/72,  que  regula  o  processo  administrativo  fiscal, em seu art. 16 menciona os requisitos da impugnação. O inciso III determina que a peça  já deve trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância  e as razões e provas que possuir. O inciso IV regula os pedidos de diligência ou perícia e, por  fim  os  §§1º  e  4º  consideram  não  formulados  os  pedidos  que  não  atendam  aos  requisitos  elencados  e  determinam  que  toda  prova  seja  apresentada  quando  da  impugnação.  Transcrevemos.   Art. 16. A impugnação mencionará:   ...       III ­ os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)       IV  ­  as  diligências,  ou  perícias  que  o  impugnante  pretenda  sejam efetuadas, expostos os motivos que as  justifiquem, com a  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 6          5  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)    § 1º Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  ...   §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)       a)  fique demonstrada a  impossibilidade de sua apresentação  oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997)       b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela  Lei nº 9.532, de 1997)       c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  O  impugnante  –  fls  380  formulou  pedido  de  perícia  sem  apresentar  os  necessários quesitos, em total desacordo com a norma citada. Uma vez que o requerente não  seguiu o previsto no prefalado art. 16, e da fundamentada negativa apresentada pelo julgador  de 1º grau, irretocável a decisão proferida.    DAS BOLSAS DE ESTUDO  O ponto controverso apontado cinge­se decidir se bolsas de estudo oferecidas  para  as  modalidades  de  graduação  e  pós­graduação  configuram  salário  de  contribuição.  Vejamos a legislação a respeito – lei 8.212/91:  Art. 28. ...  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (...)  t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do Art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os  empregados  e dirigentes  tenham acesso  ao mesmo;  ­ Alínea  acrescentada pela MP nº 1.596­14, de 10/11/97 e convertida na  Lei nº 9.528, de 10/12/97  ­Redação dada pela Lei nº 9.711, de  20.11.98 (grifei)  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 7          6  Da  legislação  retro,  temos  que  avaliar  se  cursos  de  graduação  e  pós­ graduação se enquadram como “a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados  às atividades desenvolvidas pela empresa”.  A evolução das relações de trabalho e das atividades desenvolvidas, há muito  exigem uma formação multidisciplinar de seus atores. A busca de atividades que levem a um  desenvolvimento  cognitivo,  seja ele qual  for,  influencia na qualidade do  empregado  e,  dessa  feita, o melhor qualifica e o capacita.   Nesse  sentido  também  já  aponta  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça.  "TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA  SOBRE  AUXÍLIO­EDUCAÇÃO  DE  EMPRESA  (PLANO  DE  FORMAÇÃO  EDUCACIONAL).  DESCABIMENTO. VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL.  1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que considerou  não  incidir  contribuição  previdenciária  sobre  as  verbas  referentes  ao  auxílio­educacional  de  empresa  (plano  educacional),  por  considerar  que  as  mesmas  não  integram  o  salário­de­contribuição.  2.  O  §  9º,  do  art.  28,  da  Lei  nº  8.212/91,  com  as  alterações  efetivadas  pela  Lei  nº  9.528/97,  passou  a  conter  a  alínea  't',  dispondo  que  'não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei,  exclusivamente,  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  ao  ensino  fundamental  e  a  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissionais  vinculados  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  desde  que  todos  os  empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.  3. Os valores recebidos como 'formação profissional incentivada  não podem ser considerados como salário in natura, porquanto  não  retribuem  o  trabalho  efetivo,  não  integrando,  portanto,  a  remuneração do empregado, afinal, investimento na qualificação  de  empregados  não  há  que  ser  considerado  salário.  É  um  benefício  que,  por  óbvio,  tem  valor  econômico, mas  que  não  é  concedido em caráter complementar ao salário contratual pago  em  dinheiro.  Salário  é  retribuição  por  serviços  previamente  prestados  e  não  se  imagina  a  hipótese  de  alguém  devolver  salários recebidos. 4. Recurso não provido." (RESP 365.398/RS,  1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 18/3/2002)    "TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  RECURSO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AUXÍLIO­ EDUCAÇÃO.  DESCABIMENTO.  VERBAS  DE  NATUREZA  NÃO SALARIAL.   ­  Os  valores  pagos  pela  empresa  diretamente  à  instituição  de  ensino,  com  a  finalidade  de  prestar  auxílio  escolar  aos  seus  empregados,  não  podem  ser  considerados  como  salário  'in  natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 8          7  remuneração.  Trata­se  de  investimento  da  empresa  na  qualificação de seus empregados.  ­  A  Lei  nº  9.528/97,  ao  alterar  o  §  9º  do  artigo  28  da  Lei  nº  8.212/91,  que  passou  a  conter  a  alínea  't',  confirmou  esse  entendimento,  reconhecendo  que  esses  valores  não  possuem  natureza salarial. ­ Precedente desta Corte. ­ Agravo regimental  improvido."  (AGRESP  328.602/RS,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Francisco Falcão, DJ de 2/12/2002)    PREVIDENCIÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  AUXÍLIO­ EDUCAÇÃO.  BOLSA  DE  ESTUDO.  VERBA  DE  CARÁTER  INDENIZATÓRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE  CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  "O  auxílio­educação,  embora  contenha  valor  econômico,  constitui  investimento  na  qualificação  de  empregados,  não  podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não  retribui  o  trabalho  efetivo,  não  integrando,  desse  modo,  a  remuneração  do  empregado.  É  verba  empregada  para  o  trabalho,  e  não  pelo  trabalho."  (RESP  324.178­PR,  Relatora  Min Denise Arruda, DJ de 17.12.2004).  2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destina­se  a  auxiliar  o  pagamento  a  título  de  mensalidades  de  nível  superior  e  pós­graduação  dos  próprios  empregados  ou  dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento  às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na  exigência  de  devolução  do  auxílio.  Precedentes:.  (Resp.  784887/SC.  Rel  Min.  Teori  Albino  Zavascki.  DJ.  05.12.2005  REsp  324178/PR,  Rel.  Min.  Denise  Arruda,  DJ.  17.02.2004;  AgRg  no  REsp  328602/RS,  Rel.  Min.  Francisco  Falcão,  DJ.02.12.2002;  REsp  365398/RS,  Rel.  Min.  José  Delgado,  DJ.  18.03.2002).  3.  Agravo  regimental  desprovido.(AgRg  no  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  Nº  1.330.484  –  RS,  1ª  Turma,  Min. Luiz Fuz. Julgado em 18.11.2010  Esta  Turma  já  apreciou  a  mesma matéria  do  contribuinte  em  questão,  nos  autos  do  processo  10166.722598/2009­07,  também  decidindo  pela  não  incidência  previdenciária.  Assim sendo, o pagamento de bolsas de graduação e pós­graduação pode ser  enquadrado  na  exceção  legal,  não  se  configurando  como  base  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias, sendo assim inexigível sua declaração em Guia de Recolhimento do FGTS e  Informações à Previdência Social.      CONCLUSÃO  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10166.722599/2009­43  Acórdão n.º 2803­003.771  S2­TE03  Fl. 9          8  Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dou­lhe provimento.      assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.                                Fl. 389DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR

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Numero do processo: 13161.000427/2010-97
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 OMISSÃO OU ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou erro na decisão recorrida, fundamentos únicos do recurso. Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela interessada, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 216          1 215  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13161.000427/2010­97  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3802­003.731  –  2ª Turma Especial   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  Ressarcimento IPI  Embargante  Inflex Indústria e Comércio de Embalagens Ltda.  Interessado  Fazenda Nacional    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  OMISSÃO  OU  ERRO  MATERIAL  NO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.  Rejeitam­se  os  embargos  de  declaração  quando  não  caracterizadas  as  aduzidas  omissão  ou  erro  na  decisão  recorrida,  fundamentos  únicos  do  recurso.   Embargos rejeitados.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os  embargos formulados pela interessada, na forma do relatório e do voto que integram o presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano Damorim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Bruno  Maurício  Macedo  Curi,  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira,  Francisco  José  Barroso  Rios,  Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.  Relatório  Em sessão transcorrida em 24 de abril de 2014 esta Segunda Turma Especial,  por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito  passivo nos termos do acórdão nº 3802­002.958, assim ementado:     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 04 27 /2 01 0- 97 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007  COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS BÁSICOS DO IPI. LIQUIDEZ E CERTEZA.  EXTINÇÃO  DOS  DÉBITOS  PARA  COM  A  FAZENDA  PÚBLICA  .  DEFERIMENTO PARCIAL.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos  do  contribuinte  em  relação  à  Fazenda  Pública,  vencidos  ou  vincendos,  se  revestirem  dos  atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do  CTN.  Recurso a que se dá parcial provimento.  Cientificado da referida decisão em 11/07/2014 (fls. 212), o sujeito passivo,  em 02/07/2014, protocolizou petição  inominada (fls.  201/204) onde  contesta  a  recomposição  dos  saldos  do  crédito  do  IPI  conforme  argumentos  aduzidos  na  correspondente  peça,  requerendo,  ao  fim,  “seja determinada nova  revisão dos  cálculos  relativos às  compensações  indevidas  do  IPI,  com  demonstrativos  que  convença  a  Recorrente  de  sua  obrigação  de  recolher os tributos devidos por compensação indevida”.  A  interessada  questiona  a  recomposição  dos  saldos  do  IPI  nos  autos  do  processo nº 13161.720020/2010­80, no qual  foi  analisado pedido de  ressarcimento do  IPI de  competência  do  3o  trimestre  de  2005  (artigo  11  da  Lei  no  9.779/99).  Em  função  da  aludida  análise  a  Seção  de  Fiscalização  da  DRF  Dourados  encontrou  irregularidades  na  saída  de  produtos  com suspensão do  IPI,  fato que motivou a  lavratura do  auto de  infração, objeto do  processo referenciado (no 13161.720020/2010­80).   Agora o sujeito passivo se insurge, especialmente, contra a não consideração  das  vendas  realizadas  a  empresas  optantes  pelo  SIMPLES.  Essas  e  outras  questões  serão  detalhadas na fundamentação da presente decisão.  Ressalte­se que em alguns dos processos em nome da interessada a data que  consta  do  recurso  é  anterior  ao  da  ciência  do  acórdão.  Isso  ocorreu  em  função  de  o  sujeito  passivo  ter  sido  intimado  dos  primeiros  acórdãos  referentes  aos  processos  de  compensação  julgados por esta Turma em 04/06/2014. Todos os processos tinham como matriz dos créditos  utilizados para compensação os saldos do IPI apurados no processo nº 13161.720020/2010­80,  e foram julgados, portanto, com base na mesma motivação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  Entendeu  a  unidade  de  origem  que  a  petição  inominada  apresentada  pelo  sujeito  passivo  tratar­se­ia  de  recurso  especial,  conforme  despacho  de  encaminhamento  acostado aos autos. Contudo,  tendo em vista que a petição em tela  foi apresentada dentro do  prazo  cinco  dias  contados  da  ciência  do  acórdão  para  a  interposição  dos  embargos  de  declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  –  aprovado  pela  Portaria  MF  no  256,  de  22/06/2009),  penso  que,  em  homenagem ao  princípio  do  formalismo moderado,  deverá  a  petição  em  tela  ser  examinada,  primeiramente, como se embargos de declaração fosse.   Posteriormente, se superado tal exame, deverá ser dado seguimento à petição  como se tratasse de recurso especial, nada impedindo que este colegiado, por ter conhecido da  matéria, opine sobre sua admissibilidade, já que a decisão é da competência do Sr. Presidente  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13161.000427/2010­97  Acórdão n.º 3802­003.731  S3­TE02  Fl. 217          3 da Câmara, a teor do disposto no artigo 18, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno deste  Conselho, podendo este, portanto, concordar ou não com os fundamentos aqui desenvolvidos.  Primeiramente,  examinemos  a  petição  como  se  embargos  de  declaração  fossem.  Vê­se nos argumentos desenvolvidos pelo sujeito passivo que o mesmo tenta  rediscutir questão que já foi examinada e decidida em definitivo nos autos do processo nº  13161.720020/2010­80, conforme seguinte trecho do voto que subsidiou o acórdão recorrido:  O  litígio  relativo  ao  lançamento  do  IPI,  objeto  do  processo  n°  13161.720020/2010­80, já foi dirimido em definitivo, conforme relatado, em  acórdão  proferido  pela  3a  Turma  da  DRJ  Juiz  de  Fora,  o  qual  reduziu  o  crédito  tributário  originalmente  lançado,  de R$  463.255,08  de  IPI  e  de R$  347.441,26 de multa proporcional, para, respectivamente, R$ 47.356,93 e R$  35.517,70.   Nesse  processo  foi  reconstituída  a  base  de  cálculo  do  IPI  de  2004  a  2007, mediante a exclusão, da base de cálculo do imposto, das vendas para  clientes  sujeitos  ao  regime  simplificado  (SIMPLES)  que,  anteriormente  à  venda, ou no momento em que esta se concretizou, declararam atender aos  requisitos para que a saída se desse com suspensão do IPI, nos termos do §  7º, inciso II, do artigo 29 da Lei nº 10.637/2002.  Tal providência atende ao pleito do sujeito passivo (fls. 151/170) para  que fossem revistos novamente os cálculos do crédito do IPI considerando a  correta existência de declarações de suspensão do imposto apresentadas por  empresas adquirentes sob o regime simplificado.  Assim,  considerando  os  12  processos  de  ressarcimento/compensação  formalizados  pelo  sujeito  passivo,  tem­se,  por  conta  do  julgamento  do  processo  nº  13161.720020/2010­80,  que  os  créditos  inicialmente  reconhecidos em favor da interessada, no montante de R$ 156.610,18, foram  aumentados  para  R$  563.745,01  (diferença  de  R$  407.134,83  em  favor  da  recorrente), nos termos demonstrados abaixo:  Processo  Crédito pleiteado  Deferido inicial (A)  Deferido final (B)  Diferença (B ­ A)  13161.000424/2010­53  280.187,76  49.327,68  120.776,52  71.448,84 13161.000425/2010­06  41.323,65  0,00  2.069,05  2.069,05 13161.000426/2010­42  88.268,59  1.529,06  44.710,95  43.181,89 13161.000427/2010­97  47.114,80  0,00  5.094,58  5.094,58 13161.001164/2007­38  160.495,09  14.984,89  109.131,74  94.146,85 13161.001165/2007­82  61.501,42  0,00  21.867,21  21.867,21 13161.001166/2007­27  129.790,06  0,00  59.965,55  59.965,55 13161.001167/2007­71  159.324,07  0,00  0,00  0,00 13161.001168/2007­16  199.058,29  0,00  33.804,59  33.804,59 13161.001169/2007­61  251.379,51  57.589,14  93.218,53  35.629,39 13161.001170/2007­95  245.880,03  33.179,41  70.538,71  37.359,30 13161.001171/2007­30  34.655,00  0,00  2.567,58  2.567,58 Totais  1.698.978,27  156.610,18  563.745,01  407.134,83 Especificamente  em  relação  ao  presente  processo  (nº  13161000427201097),  houve  um  incremento  do  crédito  favoravelmente  à  recorrente de R$ 5.094,58 (vide tabela supra).  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     4 Ainda,  a  petição  ora  em  exame  inova  ao  trazer  novos  argumentos  e  demonstrativos  não  apresentados  nem  na  primeira  nem  na  segunda  instâncias.  Nesta  a  recorrente se limitou a fazer uma análise de proporções, rechaçada pelo colegiado, nos termos a  seguir transcritos:   A suplicante,  todavia,  registra sua  inconformidade  fazendo  uma  análise  de  proporções  onde  procura  demonstrar  a  inconsistência  entre  o  percentual  considerado  do  lançamento  (10,22%) e os novos cálculos da “compensação  indevida”, que  representariam  36,03%  dos  anteriores.  Nos  termos  do  sujeito  passivo:  Por outro lado, a autuação principal teve seu valor original de  R$  463.255,08,  restando  procedente  apenas  R$  47.356,93  (demonstrativos pré e pós inclusos). Neste caso, verifica­se que a  procedência  foi  de  apenas  10,22%.  Enquanto  que  os  valores  compensados  indevidamente,  a  princípio  eram  de  R$  1.698.978,27, atualizado pela taxa Selic em 21.11.2013 – data do  julgamento,  seria  de  R$  2.260.190,44.  Os  novos  cálculos  da  compensação indevida nos 12 (doze) processos atualizados somam  R$  814.428,71,  representando  36,03%  dos  cálculos  anteriores.  Assim, nota­se, mais  uma vez,  que os cálculos apresentados pela  Ilustre Auditora estão completamente equivocados.  Se  o  contribuinte,  com os novos  argumentos  apresentados,  pretende sejam refeitos os cálculos relacionados à recomposição  da  base  de  cálculo  do  IPI  do  período  de  janeiro  de  2004  a  dezembro de 2007, tal discussão, ressalte­se, está preclusa, uma  vez  que  a  mesma  foi  objeto  de  julgamento  no  processo  nº  13161.720020/2010­80, já encerrado.   No  mais,  não  me  parece  razoável  buscar  uma  proporção  linear entre o percentual do crédito tributário exonerado  frente  ao  lançado  e  o  percentual  das  compensações  homologadas  frente  as  glosas  iniciais,  posto  que  baseados  em  valores  de  magnitude  bem  diferente  (o  valor  principal  lançado  foi  de  R$  463.255,08 e a soma das glosas iniciais – parcela indeferida das  compensações – foi de R$ 1.542.368,09 – conforme informação  fiscal  acostada  aos  autos  de  cada  processo  posteriormente  às  declarações de compensação), logo, uma diferença de mais de 3  vezes, que matematicamente reverbera numa relação percentual  não linear.  Coerente seria comparar os montantes do crédito tributário  exonerado  com  as  diferenças  dos  valores  do  crédito  do  sujeito  passivo  deferidos  depois  do  julgamento  do  processo  nº  13161.720020/2010­80. Nesse diapasão,  tem­se que enquanto o  crédito  lançado  foi  reduzido  de  R$  463.255,08  para  R$  47.356,93 (valor principal), exonerando o sujeito passivo em R$  415.898,15,  a  diferença  dos  créditos  reconhecidos  em  favor do  sujeito  passivo  nos  12  processos  de  compensação  da  empresa,  posteriormente  aos  cálculos  procedidos  pela  unidade  preparadora, foi de R$ 407.134,83 (vide tabela supra). Constata­ se,  pois,  que  há  uma  harmonia  entre  os  créditos  tributários  exonerados  e  os  créditos  reconhecidos  em  favor  do  sujeito  passivo para fins de compensação.   No mais,  o  sujeito  passivo  não  traz  nenhum demonstrativo  de cálculo que aponte eventual equívoco cometido pela unidade  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13161.000427/2010­97  Acórdão n.º 3802­003.731  S3­TE02  Fl. 218          5 preparadora  quando  do  levantamento  do  saldo  do  imposto.  Apenas se baseia na sua comparação proporcional onde procura  demonstrar  a  inconsistência  entre  o  percentual  considerado do  lançamento  (10,22%)  e  os  novos  cálculos  da  “compensação  indevida”,  que  representariam  36,03%  dos  anteriores,  argumento  que  entendemos  não  merece  ser  aceito,  conforme  arrazoado acima.   (grifos nossos)  Portanto, mesmo que se conheça da petição da recorrente como se embargos  de declaração  fossem, os mesmos deverão ser rejeitados; a uma, porque tratam de questão  que já foi objeto de decisão em definitivo nos autos de outro processo da interessada; a duas  porque, conforme demonstrado, o acórdão recorrido não está eivado de omissão ou de erro que  justifique a oposição de embargos de declaração.  No mais,  se  acolhida  a  petição  da  suplicante  como  recurso  especial  –  no  mesmo sentido que entendeu a unidade de origem –, penso, como já dito, que nada impede o  colegiado de se manifestar sobre sua admissibilidade, muito embora a decisão em tela seja da  competência do Sr. Presidente da Câmara, conforme já ressaltado.  Neste  comenos,  depreende­se  do  exposto  acima  que  o  sujeito  passivo  não  demonstrou  a  existência  dos  pressupostos  contidos  no  artigo  67  do Anexo  II  do Regimento  Interno  do  CARF,  notadamente  “a  divergência  arguida  indicando  até  duas  decisões  divergentes  por  matéria”  (§  4º  do  artigo  67).  Consequentemente,  também  não  foram  observados os requisitos de que tratam os parágrafos 6º e 7º do aludido dispositivo1.  No  mais,  importa  destacar  que  o  recurso  especial  não  se  reveste  em  instrumento de rediscussão de matéria fático­probatória.   Não  caracterizada,  pois,  a  dissensão  jurisprudencial,  impossível  acatar  o  recurso, posto que não atendidos os pressupostos necessários à sua admissibilidade.   Da conclusão  Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de  omissão  ou  erro  que  justifique  a  oposição  de  embargos  de  declaração,  voto  para  que  seja  rejeitado o recurso formulado pela interessada, visto que este carece de pressuposto essencial à  sua legitimação.                                                              1     Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial  interposto  contra  decisão  que  der  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma  de  câmara,  turma  especial  ou  a  própria CSRF.    [...]    § 4° Na hipótese de que  trata o    caput, o  recurso deverá demonstrar a divergência arguida  indicando até duas  decisões divergentes por matéria.    [...]    §  6° A divergência  prevista  no  caput  deverá  ser  demonstrada  analiticamente  com  a  indicação  dos  pontos  nos  paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.    § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com  cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2  (duas) ementas.  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM     6 Considerando ainda a possibilidade de a recorrente haver intentado apresentar  recurso  especial,  proponho  seja  o  presente  processo  remetido  ao  Senhor  Presidente  da  Segunda Câmara  da  Terceira  Seção  do CARF,  com  a  sugestão  de  que  referido  recurso  seja  denegado,  uma  vez  que  também  não  foram  atendidos  os  pressupostos  necessários  à  sua  admissibilidade, conforme demonstrado.  Sala de Sessões, em 15 de outubro de 2014.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM

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Numero do processo: 11516.004404/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 2005, 2006 e 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 01 e 115 a 144, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 338.134,99. A fiscalização apurou, conforme relatado da 5ª Turma da DRJ em Florianóplis/SC: 1. Omissão de Rendimentos com vínculo empregatício, percebidos da pessoa jurídica empresa SC Parcerias S/A, no valor de R$ 29.530,57, informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da fonte pagadora e incluído na Declaração de Ajuste retificadora apresentada em 26/05/2009, durante o procedimento fiscal; 2. Omissão de Rendimentos sem vínculo empregatício, percebidos da pessoa jurídica empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., no valor de R$ 441.727,00, a título de pro-labore, decorrente de participação societária, em virtude de acordo formalizado judicialmente; 3. Omissão de Rendimentos percebidos de pessoa física, sujeitos a carnê-leão, no valor de R$ 94.720,00, decorrentes de pensão judicial pagos por Enio Feiber Sonego em benefício de seu filho Enzo Gomes Sonego, conforme decisão judicial e comprovantes de depósitos bancários; 4. Omissão de Ganho de Capital obtidos na alienação de quotas de capital da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., no valor de R$ 215.620,27; 5. Dedução indevida de despesa com instrução no valor de R$ 930,39; 6. Multa isolada no valor de R$ 4.187,67, por falta de recolhimento de Imposto de Renda a título de carnê-leão, decorrente de rendimentos de pensão alimentícia. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: No que pertine à omissão de rendimentos percebidos da empresa SC Parcerias S/A, diz que deve ser cancelado porque, em decorrência dos erros constatados posteriormente, apresentou Declaração de Ajuste Retificadora, que demonstra que houve retenção do imposto na fonte e, não havendo obrigação tributária não paga, deve o auto de infração torna-se insubsistente. Aduz que não pode prosperar a exigência tributária sobre os rendimentos recebidos a título de pró-labore, em razão da participação na empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., por força da decadência em parte e também por ter natureza indenizatória, conforme argumenta. Tocante à decadência, diz que constam nos autos do processo judicial nº 018.02.000017-8 da 2ª Vara Cível da Comarca de Chapecó/SC que os R$ 466,000,00 percebidos da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda, referem-se à indenização relativa aos anos de 2000 até 2006. Assim, considera que o imposto não poderia ter sido calculado sobre o valor creditado ao beneficiário entre o período de dez/2006 até abr/2007, mediante regime de caixa, mas sim, deveria considerar as competências pretéritas sobre as quais os valores foram pagos, apurando-se eventual crédito tributário pelo regime de competência mensal, pro rata, da quantia recebida, e, por conseguinte, obedecer ao marco decadencial, no caso, abril de 2004. Fez os cálculos que considera seriam corretos, quais sejam: a) Valor Recebido: R$ 466.000,00 / 72 (meses entre jan/2000 a dez/2006) = R$ 6.472,22. b) R$ 6.472,22 x 32 (número de meses do período decadencial até 12/2006) = R$ 207.111,11 (duzentos e sete mil cento e onze reais e onze centavos). Tem, portanto, que a base tributável não poderia ultrapassar o valor de R$ 207.111,11 e, assim, o lançamento fiscal padece de nulidade por erro na apuração do critério quantitativo e inobservância do prazo decadencial. No que se refere à natureza indenizatória dos rendimentos, diz que consta textualmente no processo judicial, cuja cópia junta ( fls. 168). Fala que o conceito de renda ou provento de qualquer natureza, segundo o Art. 43 do Código Tributário Nacional, seria o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e os acréscimos patrimoniais não compreendidos entre aqueles derivados do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, respectivamente. Todavia, sem aplicação à indenização, uma vez que esta repõe o que foi tirado, portanto, sem acréscimo patrimonial. No caso, reforça que a verba é nitidamente indenizatória, que visou reparar dano sofrido nos anos de 2000 a 2006. Cita doutrina e jurisprudência. No que tange aos rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia em benefício de seu filho Enzo Gomes Sonego, diz que não podem sofrer a incidência do imposto, vez que não se enquadram na hipótese de incidência do imposto estabelecido no art. 43 do Código Tributário Nacional. Fala que os alimentos possuem características próprias que visam assegurar o direito à vida digna que tem assento constitucional (CF, art. 5º), sendo regulado por normas cogentes de ordem pública, devendo atender as necessidades normais de qualquer pessoa em desenvolvimento, como a habitação, a alimentação, o vestuário, o tratamento médico, a instrução, educação e o lazer. Que qualquer desconto da pensão alimentícia implica a redução dos valores que deveriam atender o alimentando; que descontando o imposto de renda da pensão alimentícia recebida, há inegável diminuição do quantum da pensão, uma vez que não é levada em consideração, quando do deferimento da prestação alimentícia. Cita que alimento não é "renda" e com esta não se contunde, não devendo merecer o tratamento como se rendimento fosse, bem como não pode sofrer uma interpretação extensiva que o faça incidir na expressão "proventos de qualquer natureza", devendo ser afastada a exigência fiscal. Tocante à omissão de ganhos de capital, obtidos na alienação de quotas de capital da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., diz que o lançamento não prospera. Diz que a alienação não foi singular, ou seja, não diz respeito à venda de um único bem, considerado singularmente. Ao contrário, recebeu o valor de R$ 266.000,00 (duzentos e sessenta e seis mil reais) a título de quitação pela transferência de exatamente 38.553 quotas sociais no valor unitário de R$ 1,00 cada, tudo conforme comprova o contrato social que junta (fls. 170-172). Apresentou o cálculo segundo o seu raciocínio, qual seja, R$ 266.000,00/38.553 = R$ 6,89, que deve ser considerado como o valor da alienação. Fala que, por força do art. 22, inciso II, da Lei 9.250/95, o valor da alienação está isento do imposto, uma vez que está abaixo de R$ 35.000,00, sendo desnecessário sequer fazer o abatimento do valor original das cotas sociais. Narra que o valor unitário dos bens alienados está longe de figurar na hipótese de incidência tributária do IRPF - Imposto de Renda Pessoa Física. Diz que qualquer interpretação diversa, tendente a afastar a regra isentiva, notadamente o parágrafo único do art. 22 da Lei 9.250/95 cairá em afronta normativa. Isto porque, segundo alega, a lei prevê a alienação por preço unitário, já o seu parágrafo único, prevê, que será considerado o conjunto de bens alienados no mês. Considera que há uma contradição na lei, razão pela qual deverá ser aplicado o princípio da interpretação benigna previsto no art. 112 do CTN. Discorda da glosa de despesas com instrução, por entender que encontra previsão no art. 81 do RIR/99, bem como no art. 8º, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.250/95. Entende que a exigência da multa aplicada no lançamento é ilegal e confiscatória. Tem que a multa isolada é aplicada para os casos de flagrante inobservância da legislação e não nos casos de divergência de interpretação. Fala que multa nos patamares de 50% e 75%, são absolutamente inconstitucionais, urna vez que nitidamente revestidas de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Por fim requer o cancelamento integral do crédito tributário exigido. A 5ª Turma da DRJ em Florianóplis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ENTREGA DURANTE AÇÃO FISCAL. Tem-se por caracterizada a omissão de rendimentos percebidos de pessoa jurídica, a sua não informação em Declaração de Ajuste Anual para fins de tributação do imposto de renda. A declaração retificadora entregue após o início do procedimento de ofício não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, pois a espontaneidade do sujeito passivo é excluída com o a instauração da ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - PRO LABORE. ACORDO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. DENOMINAÇÃO DOS RENDIMENTOS. Os rendimentos a título de pro-labore, percebidos por força de acordo judicial, são tributados quando do pagamento das parcelas avençadas e homologadas, sem aplicação do regime de competência. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos de pensão alimentícia sujeitam-se à incidência do imposto de renda da pessoa física. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIAIS. FORMA DE APURAÇÃO. LIMITE DE ISENÇÃO. O ganho de capital, caracterizado pela alienação de quotas sociais é fato gerador do imposto de renda física. No caso de alienação de diversos bens ou direitos da mesma natureza será considerado, para fins de limite de isenção, o valor do conjunto de bens alienados no mês. Consideram-se bens ou direitos da mesma natureza aqueles que guardem as mesmas características entre si, tais como automóveis e motocicletas; imóvel urbano e terra nua; quadros e esculturas; ações e quotas de capital social. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. ESCOLA DE IDIOMAS. GINÁSTICA. MATERIAL ESCOLAR E UNIFORMES. Não há amparo na legislação a dedução da base de cálculo do imposto de renda com despesas de escola de idiomas, ginástica, material escolar e uniformes. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Por expressa disposição legal, nos lançamento de ofício, incidem multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, e também de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do imposto que deveria ser pago mensalmente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. INTERPRETAÇÃO BENIGNA. ART. 112 CTN. Não há lugar para a aplicação benigna prevista no art. 112 do CTN, quando a lei que dispõe sobre a forma de apurar o tributo devido não se ressente de dúvida em sua aplicação. Impugnação Improcedente Intimada da decisão de primeira instância em 21/12/2010 (fl. 191), Fabíola Gomes apresenta Recurso Voluntário em 19/01/2011 (fl. 194/221), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que o imposto não poderia ter sido calculado sobre o valor creditado ao beneficiário entre o período de dez/2006 até abr/2007, mediante regime de caixa, mas considerar as competências pretéritas sobre as quais os valores foram pagos, apurando-se eventual crédito tributário pelo regime de competência mensal e, por conseguinte, obedecer ao marco decadencial, no caso, abril de 2004. É o relatório. Voto
Nome do relator: Não se aplica

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A fiscalização apurou, conforme relatado da 5ª Turma da DRJ em Florianóplis/SC: 1. Omissão de Rendimentos com vínculo empregatício, percebidos da pessoa jurídica empresa SC Parcerias S/A, no valor de R$ 29.530,57, informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da fonte pagadora e incluído na Declaração de Ajuste retificadora apresentada em 26/05/2009, durante o procedimento fiscal; 2. Omissão de Rendimentos sem vínculo empregatício, percebidos da pessoa jurídica empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., no valor de R$ 441.727,00, a título de pro-labore, decorrente de participação societária, em virtude de acordo formalizado judicialmente; 3. Omissão de Rendimentos percebidos de pessoa física, sujeitos a carnê-leão, no valor de R$ 94.720,00, decorrentes de pensão judicial pagos por Enio Feiber Sonego em benefício de seu filho Enzo Gomes Sonego, conforme decisão judicial e comprovantes de depósitos bancários; 4. Omissão de Ganho de Capital obtidos na alienação de quotas de capital da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., no valor de R$ 215.620,27; 5. Dedução indevida de despesa com instrução no valor de R$ 930,39; 6. Multa isolada no valor de R$ 4.187,67, por falta de recolhimento de Imposto de Renda a título de carnê-leão, decorrente de rendimentos de pensão alimentícia. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: No que pertine à omissão de rendimentos percebidos da empresa SC Parcerias S/A, diz que deve ser cancelado porque, em decorrência dos erros constatados posteriormente, apresentou Declaração de Ajuste Retificadora, que demonstra que houve retenção do imposto na fonte e, não havendo obrigação tributária não paga, deve o auto de infração torna-se insubsistente. Aduz que não pode prosperar a exigência tributária sobre os rendimentos recebidos a título de pró-labore, em razão da participação na empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., por força da decadência em parte e também por ter natureza indenizatória, conforme argumenta. Tocante à decadência, diz que constam nos autos do processo judicial nº 018.02.000017-8 da 2ª Vara Cível da Comarca de Chapecó/SC que os R$ 466,000,00 percebidos da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda, referem-se à indenização relativa aos anos de 2000 até 2006. Assim, considera que o imposto não poderia ter sido calculado sobre o valor creditado ao beneficiário entre o período de dez/2006 até abr/2007, mediante regime de caixa, mas sim, deveria considerar as competências pretéritas sobre as quais os valores foram pagos, apurando-se eventual crédito tributário pelo regime de competência mensal, pro rata, da quantia recebida, e, por conseguinte, obedecer ao marco decadencial, no caso, abril de 2004. Fez os cálculos que considera seriam corretos, quais sejam: a) Valor Recebido: R$ 466.000,00 / 72 (meses entre jan/2000 a dez/2006) = R$ 6.472,22. b) R$ 6.472,22 x 32 (número de meses do período decadencial até 12/2006) = R$ 207.111,11 (duzentos e sete mil cento e onze reais e onze centavos). Tem, portanto, que a base tributável não poderia ultrapassar o valor de R$ 207.111,11 e, assim, o lançamento fiscal padece de nulidade por erro na apuração do critério quantitativo e inobservância do prazo decadencial. No que se refere à natureza indenizatória dos rendimentos, diz que consta textualmente no processo judicial, cuja cópia junta ( fls. 168). Fala que o conceito de renda ou provento de qualquer natureza, segundo o Art. 43 do Código Tributário Nacional, seria o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e os acréscimos patrimoniais não compreendidos entre aqueles derivados do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, respectivamente. Todavia, sem aplicação à indenização, uma vez que esta repõe o que foi tirado, portanto, sem acréscimo patrimonial. No caso, reforça que a verba é nitidamente indenizatória, que visou reparar dano sofrido nos anos de 2000 a 2006. Cita doutrina e jurisprudência. No que tange aos rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia em benefício de seu filho Enzo Gomes Sonego, diz que não podem sofrer a incidência do imposto, vez que não se enquadram na hipótese de incidência do imposto estabelecido no art. 43 do Código Tributário Nacional. Fala que os alimentos possuem características próprias que visam assegurar o direito à vida digna que tem assento constitucional (CF, art. 5º), sendo regulado por normas cogentes de ordem pública, devendo atender as necessidades normais de qualquer pessoa em desenvolvimento, como a habitação, a alimentação, o vestuário, o tratamento médico, a instrução, educação e o lazer. Que qualquer desconto da pensão alimentícia implica a redução dos valores que deveriam atender o alimentando; que descontando o imposto de renda da pensão alimentícia recebida, há inegável diminuição do quantum da pensão, uma vez que não é levada em consideração, quando do deferimento da prestação alimentícia. Cita que alimento não é "renda" e com esta não se contunde, não devendo merecer o tratamento como se rendimento fosse, bem como não pode sofrer uma interpretação extensiva que o faça incidir na expressão "proventos de qualquer natureza", devendo ser afastada a exigência fiscal. Tocante à omissão de ganhos de capital, obtidos na alienação de quotas de capital da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., diz que o lançamento não prospera. Diz que a alienação não foi singular, ou seja, não diz respeito à venda de um único bem, considerado singularmente. Ao contrário, recebeu o valor de R$ 266.000,00 (duzentos e sessenta e seis mil reais) a título de quitação pela transferência de exatamente 38.553 quotas sociais no valor unitário de R$ 1,00 cada, tudo conforme comprova o contrato social que junta (fls. 170-172). Apresentou o cálculo segundo o seu raciocínio, qual seja, R$ 266.000,00/38.553 = R$ 6,89, que deve ser considerado como o valor da alienação. Fala que, por força do art. 22, inciso II, da Lei 9.250/95, o valor da alienação está isento do imposto, uma vez que está abaixo de R$ 35.000,00, sendo desnecessário sequer fazer o abatimento do valor original das cotas sociais. Narra que o valor unitário dos bens alienados está longe de figurar na hipótese de incidência tributária do IRPF - Imposto de Renda Pessoa Física. Diz que qualquer interpretação diversa, tendente a afastar a regra isentiva, notadamente o parágrafo único do art. 22 da Lei 9.250/95 cairá em afronta normativa. Isto porque, segundo alega, a lei prevê a alienação por preço unitário, já o seu parágrafo único, prevê, que será considerado o conjunto de bens alienados no mês. Considera que há uma contradição na lei, razão pela qual deverá ser aplicado o princípio da interpretação benigna previsto no art. 112 do CTN. Discorda da glosa de despesas com instrução, por entender que encontra previsão no art. 81 do RIR/99, bem como no art. 8º, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.250/95. Entende que a exigência da multa aplicada no lançamento é ilegal e confiscatória. Tem que a multa isolada é aplicada para os casos de flagrante inobservância da legislação e não nos casos de divergência de interpretação. Fala que multa nos patamares de 50% e 75%, são absolutamente inconstitucionais, urna vez que nitidamente revestidas de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Por fim requer o cancelamento integral do crédito tributário exigido. A 5ª Turma da DRJ em Florianóplis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. ENTREGA DURANTE AÇÃO FISCAL. Tem-se por caracterizada a omissão de rendimentos percebidos de pessoa jurídica, a sua não informação em Declaração de Ajuste Anual para fins de tributação do imposto de renda. A declaração retificadora entregue após o início do procedimento de ofício não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, pois a espontaneidade do sujeito passivo é excluída com o a instauração da ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS - PRO LABORE. ACORDO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. DENOMINAÇÃO DOS RENDIMENTOS. Os rendimentos a título de pro-labore, percebidos por força de acordo judicial, são tributados quando do pagamento das parcelas avençadas e homologadas, sem aplicação do regime de competência. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos de pensão alimentícia sujeitam-se à incidência do imposto de renda da pessoa física. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE QUOTAS SOCIAIS. FORMA DE APURAÇÃO. LIMITE DE ISENÇÃO. O ganho de capital, caracterizado pela alienação de quotas sociais é fato gerador do imposto de renda física. No caso de alienação de diversos bens ou direitos da mesma natureza será considerado, para fins de limite de isenção, o valor do conjunto de bens alienados no mês. Consideram-se bens ou direitos da mesma natureza aqueles que guardem as mesmas características entre si, tais como automóveis e motocicletas; imóvel urbano e terra nua; quadros e esculturas; ações e quotas de capital social. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. ESCOLA DE IDIOMAS. GINÁSTICA. MATERIAL ESCOLAR E UNIFORMES. Não há amparo na legislação a dedução da base de cálculo do imposto de renda com despesas de escola de idiomas, ginástica, material escolar e uniformes. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Por expressa disposição legal, nos lançamento de ofício, incidem multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, e também de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do imposto que deveria ser pago mensalmente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. INTERPRETAÇÃO BENIGNA. ART. 112 CTN. Não há lugar para a aplicação benigna prevista no art. 112 do CTN, quando a lei que dispõe sobre a forma de apurar o tributo devido não se ressente de dúvida em sua aplicação. Impugnação Improcedente Intimada da decisão de primeira instância em 21/12/2010 (fl. 191), Fabíola Gomes apresenta Recurso Voluntário em 19/01/2011 (fl. 194/221), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que o imposto não poderia ter sido calculado sobre o valor creditado ao beneficiário entre o período de dez/2006 até abr/2007, mediante regime de caixa, mas considerar as competências pretéritas sobre as quais os valores foram pagos, apurando-se eventual crédito tributário pelo regime de competência mensal e, por conseguinte, obedecer ao marco decadencial, no caso, abril de 2004. É o relatório. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.004404/2009­25  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2201­000.167  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  14 de agosto de 2013  Assunto  IRPF  Recorrente  FABÍOLA GOMES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  sobrestar  o  julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Relator    Assinado Digitalmente  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Helena  Cotta  Cardozo  (Presidente),  Eduardo  Tadeu  Farah,  Guilherme  Barranco  de  Souza  (Suplente  convocado), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Nathalia Mesquita Ceia. Ausentes,  justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.    Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda  Pessoa Física, anos­calendário 2005, 2006 e 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 01  e  115  a  144,  pelo  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 338.134,99.  A  fiscalização  apurou,  conforme  relatado  da  5ª  Turma  da  DRJ  em  Florianóplis/SC:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 04 40 4/ 20 09 -2 5 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 3          2 1. Omissão de Rendimentos  com vínculo empregatício,  percebidos da  pessoa jurídica empresa SC Parcerias S/A, no valor de R$ 29.530,57,  informados  na  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (DIRF)  da  fonte  pagadora  e  incluído  na  Declaração  de  Ajuste  retificadora  apresentada  em  26/05/2009,  durante  o  procedimento  fiscal;  2. Omissão  de Rendimentos  sem  vínculo  empregatício,  percebidos  da  pessoa jurídica empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., no valor de R$  441.727,00,  a  título  de  pro­labore,  decorrente  de  participação  societária, em virtude de acordo formalizado judicialmente;  3.  Omissão  de  Rendimentos  percebidos  de  pessoa  física,  sujeitos  a  carnê­leão, no  valor de R$ 94.720,00, decorrentes de pensão  judicial  pagos por Enio Feiber Sonego em benefício de seu filho Enzo Gomes  Sonego,  conforme  decisão  judicial  e  comprovantes  de  depósitos  bancários;  4.  Omissão  de  Ganho  de Capital  obtidos  na  alienação  de  quotas  de  capital  da  empresa  Vitamix  Nutrição  Animal  Ltda.,  no  valor  de  R$  215.620,27;  5. Dedução indevida de despesa com instrução no valor de R$ 930,39;  6. Multa isolada no valor de R$ 4.187,67, por falta de recolhimento de  Imposto de Renda a título de carnê­leão, decorrente de rendimentos de  pensão alimentícia.  Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  No que  pertine  à omissão de  rendimentos percebidos  da  empresa  SC  Parcerias S/A, diz que deve ser cancelado porque, em decorrência dos  erros  constatados  posteriormente,  apresentou  Declaração  de  Ajuste  Retificadora, que demonstra que houve retenção do imposto na fonte e,  não  havendo obrigação  tributária não  paga,  deve  o auto  de  infração  torna­se insubsistente.  Aduz  que  não  pode  prosperar  a  exigência  tributária  sobre  os  rendimentos recebidos a título de pró­labore, em razão da participação  na  empresa Vitamix Nutrição Animal  Ltda.,  por  força  da  decadência  em  parte  e  também  por  ter  natureza  indenizatória,  conforme  argumenta.  Tocante à decadência, diz que constam nos autos do processo judicial  nº 018.02.000017­8 da 2ª Vara Cível da Comarca de Chapecó/SC que  os  R$  466,000,00  percebidos  da  empresa  Vitamix  Nutrição  Animal  Ltda, referem­se à indenização relativa aos anos de 2000 até 2006.  Assim, considera que o imposto não poderia ter sido calculado sobre o  valor  creditado  ao  beneficiário  entre  o  período  de  dez/2006  até  abr/2007, mediante  regime  de  caixa, mas  sim,  deveria  considerar  as  competências  pretéritas  sobre  as  quais  os  valores  foram  pagos,  apurando­se  eventual  crédito  tributário  pelo  regime  de  competência  mensal, pro rata, da quantia recebida, e, por conseguinte, obedecer ao  marco decadencial, no caso, abril de 2004.  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 4          3 Fez os cálculos que considera seriam corretos, quais sejam:  a)  Valor  Recebido:  R$  466.000,00  /  72  (meses  entre  jan/2000  a  dez/2006) = R$ 6.472,22.  b)  R$  6.472,22  x  32  (número  de  meses  do  período  decadencial  até  12/2006)  =  R$  207.111,11  (duzentos  e  sete  mil  cento  e  onze  reais  e  onze centavos).  Tem, portanto, que a base tributável não poderia ultrapassar o valor de  R$  207.111,11  e,  assim,  o  lançamento  fiscal  padece  de  nulidade  por  erro  na  apuração  do  critério  quantitativo  e  inobservância  do  prazo  decadencial.  No  que  se  refere  à  natureza  indenizatória  dos  rendimentos,  diz  que  consta textualmente no processo judicial, cuja cópia junta ( fls. 168).  Fala  que  o  conceito  de  renda  ou  provento  de  qualquer  natureza,  segundo o Art. 43 do Código Tributário Nacional, seria o produto do  capital,  do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  e  os  acréscimos  patrimoniais  não  compreendidos  entre  aqueles  derivados  do  produto  do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, respectivamente.  Todavia,  sem aplicação à  indenização, uma vez que esta  repõe o que  foi tirado, portanto, sem acréscimo patrimonial.  No  caso,  reforça  que  a  verba  é  nitidamente  indenizatória,  que  visou  reparar dano sofrido nos anos de 2000 a 2006.  Cita doutrina e jurisprudência.  No que tange aos rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia  em  benefício  de  seu  filho  Enzo  Gomes  Sonego,  diz  que  não  podem  sofrer a incidência do imposto, vez que não se enquadram na hipótese  de incidência do imposto estabelecido no art. 43 do Código Tributário  Nacional.  Fala  que  os  alimentos  possuem  características  próprias  que  visam  assegurar  o  direito  à  vida  digna  que  tem assento  constitucional  (CF,  art.  5º),  sendo  regulado  por  normas  cogentes  de  ordem  pública,  devendo  atender  as  necessidades  normais  de  qualquer  pessoa  em  desenvolvimento,  como  a  habitação,  a  alimentação,  o  vestuário,  o  tratamento médico, a instrução, educação e o lazer.  Que  qualquer  desconto  da  pensão  alimentícia  implica  a  redução  dos  valores  que  deveriam  atender  o  alimentando;  que  descontando  o  imposto  de  renda  da  pensão  alimentícia  recebida,  há  inegável  diminuição  do  quantum  da  pensão,  uma  vez  que  não  é  levada  em  consideração, quando do deferimento da prestação alimentícia.  Cita  que  alimento  não  é  "renda"  e  com  esta  não  se  contunde,  não  devendo merecer  o  tratamento  como  se  rendimento  fosse,  bem  como  não  pode  sofrer  uma  interpretação  extensiva  que  o  faça  incidir  na  expressão  "proventos  de  qualquer  natureza",  devendo  ser  afastada  a  exigência fiscal.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 5          4 Tocante  à  omissão  de  ganhos  de  capital,  obtidos  na  alienação  de  quotas de capital da empresa Vitamix Nutrição Animal Ltda., diz que o  lançamento não prospera.  Diz que a alienação não foi singular, ou seja, não diz respeito à venda  de um único bem, considerado singularmente. Ao contrário, recebeu o  valor de R$ 266.000,00 (duzentos e sessenta e seis mil reais) a título de  quitação  pela  transferência  de  exatamente  38.553  quotas  sociais  no  valor  unitário  de  R$  1,00  cada,  tudo  conforme  comprova  o  contrato  social que junta (fls. 170­172).  Apresentou  o  cálculo  segundo  o  seu  raciocínio,  qual  seja,  R$  266.000,00/38.553 = R$ 6,89, que deve ser considerado como o valor  da alienação.  Fala que, por  força do art.  22,  inciso II,  da Lei 9.250/95, o  valor da  alienação  está  isento  do  imposto,  uma  vez  que  está  abaixo  de  R$  35.000,00,  sendo  desnecessário  sequer  fazer  o  abatimento  do  valor  original das cotas sociais.  Narra que o valor unitário dos bens alienados está longe de figurar na  hipótese de incidência tributária do IRPF ­ Imposto de Renda Pessoa  Física.  Diz  que  qualquer  interpretação  diversa,  tendente  a  afastar  a  regra  isentiva,  notadamente  o  parágrafo  único  do  art.  22  da  Lei  9.250/95  cairá em afronta normativa. Isto porque, segundo alega, a lei prevê a  alienação por preço unitário, já o seu parágrafo único, prevê, que será  considerado o conjunto de bens alienados no mês.  Considera que há uma contradição na lei, razão pela qual deverá ser  aplicado o princípio da interpretação benigna previsto no art. 112 do  CTN.  Discorda  da  glosa  de  despesas  com  instrução,  por  entender  que  encontra previsão no art. 81 do RIR/99, bem como no art. 8º, inciso II,  alínea “b” da Lei nº 9.250/95.  Entende  que  a  exigência  da multa  aplicada no  lançamento  é  ilegal  e  confiscatória.  Tem  que  a  multa  isolada  é  aplicada  para  os  casos  de  flagrante  inobservância  da  legislação  e  não  nos  casos  de  divergência  de  interpretação.  Fala  que  multa  nos  patamares  de  50%  e  75%,  são  absolutamente  inconstitucionais,  urna  vez  que  nitidamente  revestidas  de  caráter  confiscatório,  nos  termos  do  art.  150,  inciso  IV  da  Constituição  Federal.  Por fim requer o cancelamento integral do crédito tributário exigido.  A  5ª  Turma  da  DRJ  em  Florianóplis/SC  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 6          5 OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  PERCEBIDOS  DE  PESSOAS  JURÍDICAS  ­  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO.  DECLARAÇÃO  RETIFICADORA. ENTREGA DURANTE AÇÃO FISCAL.  Tem­se  por  caracterizada  a  omissão  de  rendimentos  percebidos  de  pessoa jurídica, a sua não informação em Declaração de Ajuste Anual  para fins de tributação do imposto de renda.  A declaração  retificadora entregue após o  início do procedimento de  ofício não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, pois  a espontaneidade do sujeito passivo é excluída com o a instauração da  ação fiscal.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  PERCEBIDOS  DE  PESSOAS  JURÍDICAS  ­  PRO  LABORE.  ACORDO  JUDICIAL.  TRIBUTAÇÃO.  DENOMINAÇÃO DOS RENDIMENTOS.  Os rendimentos a título de pro­labore, percebidos por força de acordo  judicial, são tributados quando do pagamento das parcelas avençadas  e homologadas, sem aplicação do regime de competência.  A  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos, da  localização, condição  jurídica ou nacionalidade da  fonte,  da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA.  Os  rendimentos  de  pensão  alimentícia  sujeitam­se  à  incidência  do  imposto de renda da pessoa física.  Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidos  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também  entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não  correspondentes  aos  rendimentos declarados.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO  DE  QUOTAS  SOCIAIS.  FORMA  DE  APURAÇÃO.  LIMITE  DE  ISENÇÃO.  O ganho de capital,  caracterizado pela alienação de quotas  sociais é  fato gerador do imposto de renda física.  No caso de alienação de diversos bens ou direitos da mesma natureza  será considerado, para fins de limite de isenção, o valor do conjunto de  bens alienados no mês.  Consideram­se  bens  ou  direitos  da  mesma  natureza  aqueles  que  guardem  as  mesmas  características  entre  si,  tais  como  automóveis  e  motocicletas; imóvel urbano e terra nua; quadros e esculturas; ações e  quotas de capital social.  DESPESAS COM INSTRUÇÃO. ESCOLA DE IDIOMAS. GINÁSTICA.  MATERIAL ESCOLAR E UNIFORMES.  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 7          6 Não há amparo na legislação a dedução da base de cálculo do imposto  de  renda  com  despesas  de  escola  de  idiomas,  ginástica,  material  escolar e uniformes.  MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA.  Por expressa disposição legal, nos lançamento de ofício, incidem multa  de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata,  e  também de 50%  (cinqüenta por cento),  exigida isoladamente,  sobre o  valor do imposto que deveria ser pago mensalmente.  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  LIMITES  DE  COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade.  INTERPRETAÇÃO BENIGNA. ART. 112 CTN.  Não há  lugar para a aplicação benigna prevista no art. 112 do CTN,  quando a lei que dispõe sobre a forma de apurar o tributo devido não  se ressente de dúvida em sua aplicação.  Impugnação  Improcedente  Intimada da decisão de primeira  instância  em 21/12/2010 (fl. 191), Fabíola Gomes apresenta Recurso Voluntário  em  19/01/2011  (fl.  194/221),  sustentando,  essencialmente,  os mesmos  argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que o imposto  não poderia ter sido calculado sobre o valor creditado ao beneficiário  entre o período de dez/2006 até abr/2007, mediante  regime de  caixa,  mas  considerar  as  competências  pretéritas  sobre  as  quais  os  valores  foram  pagos,  apurando­se  eventual  crédito  tributário  pelo  regime  de  competência  mensal  e,  por  conseguinte,  obedecer  ao  marco  decadencial, no caso, abril de 2004.  É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.    Cuidam os presentes autos de lançamento originário de omissão de rendimentos  recebidos de pessoa  jurídica, omissão de  rendimentos  recebidos de pessoa física, omissão de  ganho de capital e dedução indevida de despesas de instrução.   Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 8          7 No que tange a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativa à  Empresa Vitamix Nutrição Animal  Ltda,  alega  a  suplicante  que o  valor  recebido  refere­se  à  competência dos anos de 2000 até 2006. Assevera, ainda, que “... a autoridade fiscal deveria  ter levado em consideração as competências pretéritas sobre as quais os valores foram pagos.  Em  outras  palavras,  para  eventual  lançamento  do  crédito  tributário,  a  base  de  cálculo  apurada deveria  ser obtida mediante o  regime de competência mensal, pro rata, da quantia  recebida...”.  De início, compulsando­se o Auto de Infração de fls. 135/136, verifica­se que o  lançamento  foi  efetuado  tomando por base  a  tabela  do  imposto  de  renda  vigente na  data do  pagamento do rendimento (regime de caixa).  Neste  caso,  como  se  trata  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256,  de  22  de  junho  de  2009),  determinou  que  os  Conselheiros  deverão  reproduzir  as  decisões  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática prevista pelos artigos 543­B  do Código de Processo Civil ­ CPC. Transcreve­se o art. 62­A do RICARF:  Art. 62­A. ­ As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  termos  do  art.  543B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes. (grifei)  Por sua vez,  transcrevem­se os arts. 1º e 2º da Portaria CARF n° 01, de 03 de  janeiro de 2012:  Art.  1o.  Determinar  a  observação  dos  procedimentos  dispostos  nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento  de  recursos  em  tramitação  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ CARF, em processos referentes a matérias de  sua  competência  em  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários  ­ RE, até que  tenha  transitado em julgado a respectiva decisão,  nos  termos  do  art.  543­B  da  Lei  n°  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código de Processo Civil.  Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata  o  caput  somente  será  aplicado  a  casos  em  que  tiver  comprovadamente  sido  determinado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal ­ STF o sobrestamento de processos relativos à matéria  recorrida, independentemente da existência de repercussão geral  reconhecida para o caso.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.004404/2009­25  Resolução nº  2201­000.167  S2­C2T1  Fl. 9          8 Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício  ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsuma­se, em  tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º.  O Supremo Tribunal  Federal  ao  apreciar  a  admissibilidade  do RE  nº  614406,  que  versa  exatamente  sobre  a  forma  de  cálculo  do  imposto  objeto  dos  presentes  autos,  determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do  artigo 543­B do CPC, verbis:  RE  614406  AgR­QO­RG  /  RS  ­  RIO  GRANDE  DO  SUL  REPERCUSSÃO  GERAL  NA  QUESTÃO  DE  ORDEM  NO  AG.REG.  NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE  ­ Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe­043 DIVULG 03­03­2011  PUBLIC 04­03­2011 EMENT VOL­02476­01 PP­00258 LEXSTF v. 33,  n. 388, 2011, p. 395­414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL.  1.  A  questão  relativa  ao  modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados ­  se por  regime de caixa ou de competência ­ vinha sendo considerada  por esta Corte como matéria infraconstitucional,  tendo sido negada a  sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com  fundamento no art. 102,  III, b, da Constituição Federal,  em razão do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88 por Tribunal Regional Federal,  constitui  circunstância nova  suficiente  para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  da  matéria.  3.  Reconhecida  a  relevância  jurídica  da  questão,  tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários da  isonomia e da uniformidade geográfica.  4.  Questão  de  ordem  acolhida  para:  a)  tornar  sem  efeito  a  decisão  monocrática  da  relatora  que  negava  seguimento  ao  recurso  extraordinário  com suporte  no  entendimento  anterior  desta Corte;  b)  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional;  e  c)  determinar  o  sobrestamento,  na origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a  matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos  de  instrumento,  nos termos do art. 543­B, § 1º, do CPC.  Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral  objeto  do  recurso  e  reformou  a  decisão  de  inadmissibilidade  do  extraordinário.  Votou  o  Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei)  Ante  a  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  sobrestar  os  autos  até  decisão  definitiva do STF.  Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10469.721583/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. TEMPESTIVIDADE. Nos termos do Art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões proferidas pelas Delegacias Regionais de Julgamento cabe recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Não observado o prazo para a interposição do recurso cabível, impossibilitado o seu conhecimento.
Numero da decisão: 1301-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECIDO O RECURSO por intempestividade. Ausente, justificadamente o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Presente a Conselheira Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada). (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     2    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  pela  contribuinte  contra  a  decisão  exarada pela douta 3ª Turma da DRJ/REC, que, apreciando as suas razões de defesa, entendeu  pela  IMPROCEDÊNCIA  DA  IMPUGNAÇÃO,  mantendo,  assim,  integralmente,  o  crédito  tributário lançado, em Acórdão assim então ementado:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  são  incompetentes  para  apreciar  arguições  de  inconstitucionalidade de lei, tarefa privativa do Poder Judiciário.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007,2008  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ORIGEM  DOS  RECURSOS.  NÃO COMPROVAÇÃO.  Caracterizam­se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito  ou de  investimento mantida em  instituição  financeira, em relação aos quais o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  LUCRO PRESUMIDO. LIVRO CAIXA. NÃO APRESENTAÇÃO. ARBITRAMENTO.  A apuração de lucro presumido não prescinde da escrituração do livro caixa, que deve  ser apresentado à autoridade tributária quando há intimação nesse sentido, sob pena  de arbitramento.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006, 2007,2008  RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. INTERPOSIÇÃO  DE TERCEIROS. INFRAÇÃO À LEI.  Segundo o art. 124,  I, do CTN,  são solidariamente obrigadas as pessoas que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.  Restando  comprovado  que  os  imputados  efetivamente  conduziram  os  negócios  da  empresa, acobertados pela  interposição de terceiros sem capacidade econômica para  garantir as obrigações da pessoa jurídica, deve­se manter a caracterização da sujeição  passiva solidária.   Os motivos da qualificação da multa de ofício ensejam a responsabilização dos sócios,  de fato ou de direito, com fundamento no art. 135 do CTN.  QUEBRA  DE  SIGILO.  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA.  REPASSE  DE  INFORMAÇÕES.  A Lei Complementar nº 105, de 2001, prevê, de  forma expressa, que o repasse, pelas  instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  com  suporte  em  seu  art.  6º,  não  configura violação ao dever de sigilo.  Fl. 731DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10469.721583/2010­42  Acórdão n.º 1301­001.478  S1­C3T1  Fl. 3          3 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL  .  A decisão prolatada no lançamento matriz estende­se aos lançamentos decorrentes, em  razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Intimada  a  contribuinte  do  inteiro  teor  da  decisão  em  19/04/2011,  por  ela  então  foi  interposto  o  Recurso  Voluntário  no  dia  31/08/2011,  pretendendo,  pelas  razões  ali  apresentadas,  ver  efetivamente  reformada  a  decisão  proferida  e,  com  isso,  efetivamente  desconstituído o lançamento efetivado.   É o que se tem a relatar.     Fl. 732DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES     4 Voto             Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Relator.   Antes de qualquer análise a respeito das circunstâncias contidas nos presentes  autos,  insta verificar a sua efetiva regularidade formal, sobretudo no que tange aos requisitos  intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade do recurso interposto.   Promovendo  essa  análise,  verifica­se que,  conforme  apontado,  tendo  sido  a  contribuinte intimada da r. decisão de primeira instância no dia 19/04/2011, a interposição de  seu  Recurso  Voluntário  somente  se  verificou  no  dia  31/08/2011,  ultrapassando,  assim,  sobremaneira, o prazo legal estabelecido para o ato.   A  respeito  do  prazo  para  a  interposição  do  Recurso  Voluntário,  aliás,  peremptórias são as disposições do art. 33 do Decreto 70.235/72, que, sobre o assunto, assim  inclusive destacam:   Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo,  dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.   Na aplicação dessas disposições, verifica­se que a recorrente não atendeu ao  prazo estabelecido para o protocolo de seu recurso voluntário, sendo, portanto, inviável o seu  conhecimento nessa oportunidade.   Em  face  dessas  considerações,  NÃO  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  interposto,  por  intempestivo,  determinando  assim  a  baixa  dos  autos  e  as  conseqüentes  providências pertinentes.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER ­ Relator                                Fl. 733DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES

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Numero do processo: 10680.005643/2007-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/2003 a 31/10/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INFORMAÇÃO DE QUE OS DÉBITOS ENCONTRAVAM-SE EM SUSPENSO, NÃO EM ABERTO. APLICAÇÃO. A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN afasta não apenas a multa de caráter punitivo, mas também a moratória. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     2   (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista ­ Redator designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente da  turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern,  Ivan Allegretti, Domingos  de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).    Relatório  Fora  lavrado Auto de  Infração,  fls  12/28,  referentes  a COFINS,  totalizando  um  crédito  tributário  no  valor  de  R$  52.907,40,  relativos  a  multa  moratória  não  paga,  do  período 01/2003 a 10/2003.  A Recorrente arguiu em seu benefício a denúncia espontânea.  Verifica­se  a  autuação  é  resultante  de  auditoria  interna  da  DCTF,  onde  apurou­se a falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais.  Declara  pois  a  Recorrente  ter  realizado  pagamento  da  contribuição  acompanhado dos juros moratórios, sendo que a exigência decorre, única e exclusivamente de  declaração  prestada,  fato  que  repele  a  incidência  de  qualquer  multa  moratória  ou  punitiva,  artigo  138  do  Código  Tributário  Nacional,  motivo  pelo  qual  requer  que  o  lançamento  seja  cancelado.  Decidiu  a  DRJ  que  o  credito  não  pago  integralmente  em  seu  vencimento  deverá  ser  acrescido  do  juros  de  mora  sem  que  com  isso,  se  afaste  as  penalidades  e  da  aplicação de medidas de garantia prevista em lei tributária, entre as penalidades apresenta se a  multa de mora e a de oficio, artigo 161 do CTN.  De  acordo  com  o  seu  raciocínio,  depreende­se  do  artigo  138  do CTN,  que  quando a infração tributária estiver sustentada em conduta ou ato tipificado na lei penal como  crime, terá por este regulado seus efeitos.  Por  se  tratar  de  tributo  sujeito  ao  regime  de  lançamento  por  homologação  onde  a  lei  atribui,  ao  sujeito  passivo,  a  antecipação  ao  pagamento  sem  exame da  autoridade  administrativa,  o  fato  do  contribuinte  antecipá­lo  não  o  exonera  dos  acréscimos  moratórios  legais previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente.  A  denúncia  espontânea,  afirma  a  DRJ,  deve  estar  relacionada  a  fato  desconhecido da administração tributária, sobretudo tratando­se de tributo sujeito a lançamento  por homologação. Nesse  sentido, a DRJ  ressalta que o  tributo  foi devidamente declarado em  DCTF,  situação  que  impede  a  denúncia  espontânea,  pois  ela  própria  constitui  confissão  de  dívida, não tendo sido acompanhada do pagamento.  Em seu Recurso Voluntária a Recorrente alega que, em verdade, quando do  pagamento, os débitos da COFINS, objeto de denúncia espontânea, não foram declarados como  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10680.005643/2007­76  Acórdão n.º 3403­003.203  S3­C4T3  Fl. 4          3 devidos nas DCTF´s dos quatro trimestres do ano­calendário de 2003 e que o seu pagamento,  acrescido de juros moratório, foi efetuado antes da retificação das referidas DCTF´s.  É o Relatório.    Voto             Consta  nos  autos  que  a  Recorrente  declarou  o  débito  da  COFINS  como  suspenso  e  não  em  aberto,  não  configurando,  portanto,  confissão  de  dívida  a  impedir  a  denúncia espontânea.  Por  outro  lado,  tão  logo  se  apercebeu  de  seu  equívoco  na  apuração,  decorrente de medida liminar relacionada à exigência da COFINS sobre todas as receitas (e não  sobre o faturamento), a Recorrente efetuou o recolhimento devido com juros de mora, valendo­ se, pois, do artigo 138 do Código Tributário Nacional.  Já existe pacífica  jurisprudência quanto a aplicação da denúncia espontânea  em relação à multa de caráter moratório,  como é o caso dos presentes autos,  contanto que o  débito  realmente  não  seja  conhecido,  não  conste  de  anterior  confissão  realizada  pelo  contribuinte, que é exatamente o que ocorreu no presente caso.  Ante o exposto, dou provimento ao Recuso Voluntário.                                  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - 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