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Numero do processo: 35301.004064/2007-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional.
A Autuação Fiscal se encontra parcialmente decadente.
APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Fica assegurado ao contribuinte a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual.
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO
A ciência ao contribuinte deve ser no seu domicílio tributário, nos termos do art. 127 do CTN (Lei 5.17266).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para:
I- reconhecer a decadência da autuação fiscal até a competência 11/2001, inclusive, pela regra do art. 173, I do CTN;
II- excluir da autuação fiscal os valores referentes a alimentação "in natura"; e
III- aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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FATOS GERADORES. Recorrente KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. A Autuação Fiscal se encontra parcialmente decadente. APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Fica assegurado ao contribuinte a aplicação, se mais benéfica, da multa prevista na legislação atual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO A ciência ao contribuinte deve ser no seu domicílio tributário, nos termos do art. 127 do CTN (Lei 5.17266). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 40 64 /2 00 7- 54 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 I reconhecer a decadência da autuação fiscal até a competência 11/2001, inclusive, pela regra do art. 173, I do CTN; II excluir da autuação fiscal os valores referentes a alimentação "in natura"; e III aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte. A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.004064/200754 Acórdão n.º 2803003.861 S2TE03 Fl. 308 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração, DEBCAD C 37.005.9026/2007, lavrado contra o contribuinte acima identificado, por infringência ao artigo 32, inciso IV, § 5° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, eis que elaborou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, período de 01/1999 a 12/2001, com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração e planilhas anexas, as obrigações acessórias consideradas inadimplidas referemse a omissões de segurados contribuintes individuais não incluídos em GFIP e segurados empregados que receberam alimentação “in natura”, relacionados nos Anexos I a III, fls. 20 a 50 dos autos digitalizados. A penalidade imposta corresponde ao disposto no art. 32, § 5° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97 e art. 284, II do.RPS, aprovado pelo Dec. 3.048/99. Não foram constatadas circunstancias agravantes ou atenuantes. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, em 30/03/2007 (fl. 2), apresentando impugnação. DO RECURSO O órgão de primeira instância administrativa (DRJ/RJOI) julgou procedente a autuação fiscal. O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a decadência do período autuado pela regra do art. 150 § 4o e 156, V, ambos do CTN; o reconhecimento do caráter confiscatório da multa equivalente a 100% do valor da obrigação principal; ao menos, reduzir o percentual da multa para valor razoável, condizente com o caráter acessório e com o fundamental direito de propriedade do contribuinte; requer que todas as suas intimações sejam realizadas em nomes dos seus procuradores, por fim, requer a improcedência da autuação fiscal, vez que manifestamente nulo. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Tratase de Auto de Infração lavrado por infringência ao artigo 32, inciso IV, § 5° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, em razão de elaboração de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, período de 01/1999 a 12/2001. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 14/19) da Infração e planilhas anexas, as obrigações acessórias consideradas inadimplidas se referem a omissões de segurados contribuintes individuais (autônomos e administradores) não incluídos em GFIP e segurados empregados que receberam alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, relacionados nos Anexos I a III, fls. 20 a 50 dos autos digitalizados. DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de nº 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.004064/200754 Acórdão n.º 2803003.861 S2TE03 Fl. 309 5 previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Quanto ao descumprimento da obrigação acessória, o STJ e Tribunal Federal (TRF2), em decisão por unanimidade, vêm entendendo que deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, no caso de sanção pecuniária (autuação) por descumprimento de obrigação acessória, inclusive na falta ou entrega deficiente de dados informados na GFIP. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art.173, I do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI; ou seja, nos casos de descumprimento de obrigação acessória, decai o direito da administração tributária constituir seus créditos em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. São os textos das decisões: Processo RESP 200800984908RESP RECURSO ESPECIAL 1055540 Relator(a) ELIANA CALMON Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:27/03/2009. Ementa TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART.173, I, DO CTN. 1. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art.173, I, do CTN, tendo em vista tratar se de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4º, do CTN. 4. Recurso especial não provido. Data da Decisão 19/02/2009 Data da Publicação 27/03/2009 Processo AG 201002010085209AG AGRAVO DE INSTRUMENTO 189664 Relator(a) Desembargadora Federal MARIA ALICE PAIM LYARD Sigla do órgão TRF2 Órgão julgador OITAVA TURMA ESPECIALIZADA Fonte EDJF2R Data::07/02/2011 Página::137 Decisão A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ementa AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SISCOMEX. DESCUMPRIMENTO. DECADÊNCIA. ART.173 DO CTN. 1 “A obrigação acessória, pelo simples descumprimento, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3º, do CTN), estando o Fisco autorizado a inscrevêla em dívida ativa e cobrála por meio de execução fiscal. (TRF1ª Região, Apelação Cível 1997.38.01.0055010, Oitava Turma, Rel. Des. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Federal Maria do Carmo Cardoso, DJF 21/11/2008). 2 A aplicação de penalidade por não cumprimento da obrigação acessória deve obedecer à regra prevista no artigo173 do Código Tributário Nacional, ou seja, nos casos de descumprimento de obrigação acessória, decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito da administração tributária constituir seus créditos. 3 Agravo Interno desprovido. Data da Decisão 01/02/2011 Data da Publicação 07/02/2011 (nosso grifo) Assim, para o período do lançamento 01/1999 a 12/2001, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos para as competências 01/1999 a 11/2001, inclusive. A contar de 01/01/2002 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2007. A ciência da autuação fiscal se deu em 30/03/2007 (fl. 2). Para a competência 12/2001 a contagem tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que o lançamento só poderia ocorrer em janeiro/2002, após o vencimento espontâneo para o cumprimento da obrigação tributária. Deste modo, a contar de 01/01/2003 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2008. Destarte, não está decadente a competência 12/2001 e será objeto de análise do recurso apresentado pelo contribuinte ALIMENTAÇÃO “IN NATURA” Como se pode notar do Relatório Fiscal (fls. 14/19), a empresa forneceu alimentação “in natura” a seus empregados. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ pacificou o entendimento no sentido de que o auxílio alimentação “in natura” não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Tal afirmativa encontra ressonância na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa se transcreve: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílioalimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.004064/200754 Acórdão n.º 2803003.861 S2TE03 Fl. 310 7 Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (nosso grifo) Ademais, sobre a não incidência de contribuições sociais previdenciárias decorrentes do pagamento “in natura” do auxílio alimentação existe Ato Declaratório PGFN nº 03, de 20 de dezembro de 2011, em decorrência da aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 homologado pelo Ministro de Estado da Fazenda, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante. Assim sendo, não estando a empresa inscrita no PAT e fornecendo alimentação “in natura” aos seus empregados, os valores pagos a título de alimentação não devem integrar o salário de contribuição. Desse modo, a autuação fiscal é improcedente para a rubrica alimentação “in natura”. Quanto aos valores relativos aos contribuintes individuais (autônomos e administradores) não incluídos em GFIP, o recorrente não demonstrou ter corrigido a falta ou a improcedência da autuação, razão por que devem ser mantidos. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO A ciência ao contribuinte deve ser no seu domicílio tributário, nos termos do art. 127 do CTN (Lei 5.17266). MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas em GFIP foram alteradas pela lei 11.941/09, que beneficiam o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, resta evidenciado, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei 8.212 de 1991. Agora, com a Lei 11.941/2009, a tipificação passou a ser: “apresentar a GFIP com incorreções ou omissões”, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. No caso em debate não há dúvida de que o art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN é plenamente aplicável. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para: I para reconhecer a decadência da autuação fiscal até a competência 11/2001, inclusive, pela regra do art. 173, I do CTN; II excluir da autuação fiscal os valores referentes a alimentação “in natura”; e Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.004064/200754 Acórdão n.º 2803003.861 S2TE03 Fl. 311 9 III aplicar ao valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte.A análise do valor da multa para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, nos termos do § 4º do art. 2o da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 /12 /2009. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 365DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15940.720124/2012-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA Q DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 - COSIT.
A 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/2011-38, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas.
O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, q.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-004.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 COSIT. 1. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/201138, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. 2. O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “q”. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 24 /2 01 2- 12 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente à contribuição devida pela empresa e destinada A Seguridade Social (cota patronal) incidente sobre o valor das notas fiscais/faturas de serviços que lhe forma prestados por cooperados por intermédio da Unimed de Presidente Prudente – Cooperativa de Trabalho Médico (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212, de 1991). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 INTIMAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. A intimação ao sujeito passivo deve ser efetuada em seu domicílio tributário. A existência de Ação Direta de inconstitucionalidade não prejudica a tramitação do processo administrativo fiscal, por sua simples existência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi autuada por infração ao artigo 22, inciso IV, da lei 8.212/91, por não ter recolhido a contribuição social prevista no citado dispositivo legal. Em que pese a fundamentação do r. julgado administrativo, entendemos data vênia que o contribuinte será lesado, no caso da não suspensão do processo, pois no caso de eventual procedência da ADIN o eventual pagamento do AI, esta terá em tese se recorrer da via judicial, para reaver os valores pagos, o que demandará tempo e despesas. Ante o exposto, o recorrente utiliza do seu direito de recurso, pelos motivos acima expostos, requerendo a suspensão do AI, até o julgamento final da ADIN, pelos motivos expostos, devendo ainda ser declarada a ilegitimidade da pessoa física dos presidentes da recorrente, pelo fato de que a ação deve ser movida diretamente em face da pessoa jurídica. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos concernentes a serviços prestados ao sujeito passivo, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme as disposições contidas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Sobre o assunto, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/201138, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. A decisão referida no parágrafo anterior foi assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – NFLD. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. 2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados. 3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. 4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 6 5 previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. 5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. 7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. 8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. 9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. 11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde. 12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 7 6 pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. 14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Recurso Voluntário Provido No concernente ao enquadramento do fato à norma dentro do conceito da não incidência condicionada, em 28 de março do corrente ano, a Receita Federal do Brasil, por intermédio da CoordenaçãoGeral de Tributação, na Solução de Consulta nº 77 – Cosit, concluiu que: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PLANO DE SAÚDE DISPONIBILIZADO A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “q”. O dispositivo legal que trata da não incidência, está assim redigido: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 8 7 (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (grifouse e destacouse) Notase, portanto, que no caso ora em discussão, a autoridade administrativa não conseguiu demonstrar que os valores lançados são efetivamente devidos. De mais a mais, estou de acordo com a decisão recorrida, que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. Contudo, sobre o argumento de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 apresentado pelo Recorrente, sabese que em 23/04/2014, no julgamento do RE 595.838 São Paulo, o plenário do STF, por unanimidade, assim decidiu: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, do a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Como se pode observar, a decisão do STF, no RE 595.838 São Paulo, encerra a discussão sobre a matéria. Assim, mantenho posicionamentos anteriores a respeito da não incidência (condicionada) do tributo e dou provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15940.720124/201212 Acórdão n.º 2803004.014 S2TE03 Fl. 9 8 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000808/2005-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2004
Cofins. Substituição Tributária. Comerciante Atacadista de Cigarros.
Anteriormente à Lei nº 10.865, de 2004, somente havia previsão legal para a substituição tributária, pelo fabricante de cigarros, do comerciante varejista. Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9303-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional.
Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto.
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Recorrente Fazenda Nacional Interessado Distribuidora de Cigarros Rodeio Uberaba MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2004 Cofins. Substituição Tributária. Comerciante Atacadista de Cigarros. Anteriormente à Lei nº 10.865, de 2004, somente havia previsão legal para a substituição tributária, pelo fabricante de cigarros, do comerciante varejista. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Valmar Fonseca de Menezes – Presidente Substituto. Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 08 08 /2 00 5- 17 Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Contra o interessado foi lavrado auto de infração relativo a falta de recolhimento de COFINS, no valor total de R$ 321.298,6597 (fls. 04 a 08); A empresa apresenta impugnação (fls. 198 e seguintes), na qual alega que a substituição tributária para cigarros, no tocante ao PIS/Pasep e a COFINS, sempre abrangeu os atacadistas, visto que sua exclusão era regulamentada por meio de decreto, o que se configura como inconstitucionalidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/JFA de n° 24/09/2008, de 24/09/2008, fls. 221/223: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A substituição tributária em relação ao comerciante atacadista de cigarro só entrou em vigor em maio de 2004. Lançamento Procedente. Às fls. 226/v é intimado o contribuinte, que apresenta recurso voluntário de fls. 230/239, sendo encaminhados os autos para julgamento. Julgando o feito, a câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXERCÍCIO: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004. T R I B U T Á R I O. C O F I N S. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI INTERPRETATIVA. O art. 2 9 da lei 10.865/04 faz remissão aos artigos 3° da LC 70/91 e 5º da Lei n° 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse como passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Manteve a base de cálculo e as alíquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO . Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10650.000808/200517 Acórdão n.º 9303002.217 CSRFT3 Fl. 541 3 Regularmente intimada, a PGFN apresentou recurso especial de divergência, onde postula a reforma do acórdão recorrido de modo a restabelecer o lançamento fiscal, para tanto argumenta, em síntese, que a substituição tributária relativa às vendas a atacadistas de cigarros somente veio com a edição da Lei nº 10.865/2004, e que, anteriormente, a esse diploma legal a substituição tributária alcançava apenas as vendas para comerciantes varejistas. Por meio do Despacho de fls. 535 e 536, o Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao apelo fazendário. Contrarrazões vieram às fls. 571 a 582. É o relatório Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, trazendo bem demonstrada a divergência jurisprudencial. Dele conheço. A questão posta em debate cingese a decidir se, até a entrada em vigor da Lei 10.865/2004, as operações com comerciantes atacadistas de cigarros estavam sujeitas ao regime de substituição tributária, previsto no art.3º da Lei Complementar 70/1991. Comecemos pela transcrição do dispositivo da lei instituidora da contribuição: Lei Complementar nº 70/1991. Art. 3° A base de cálculo da contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será obtida multiplicandose o preço de venda do produto no varejo por cento e dezoito por cento. (Destaquei). Analisando o art. 3º da Lei Complementar, concluise, sem sombra de dúvida, que a substituição ali prevista alcançava, tãosomente, as operações com comerciantes varejistas de cigarros. Esse entendimento foi explicitado no Decreto 4.524/2002, Regulamentado do PIS e da Cofins, nos termos seguintes: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 47 (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 3º , Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 53, e Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 5º ). Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização desse produto. A Administração Tributária, apesar da clareza hialina do dispositivo legal transcrito, reforçou esse entendimento, por meio da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, de modo a não deixar qualquer margem à dúvida de que a substituição tributária em análise, à época, não alcançava o comerciante atacadista de cigarros. Confirase: Art. 4º Os fabricantes e os importadores de cigarros são contribuintes e responsáveis, na condição de substitutos, pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins devidos pelos comerciantes varejistas, nos termos do art. 48. Parágrafo único. A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que está obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre sua receita de comercialização desse produto. Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, a lei, o decreto regulamentador e a instrução normativa não discreparam, afirmando, peremptoriamente, que a substituição tributária não alcançava os comerciantes atacadistas, com isso, não há razão nos argumentos da recorrida de que à época dos fatos as vendas de cigarros para as distribuidoras estavam sujeitas a substituição tributária. Releva anotar que o instituto da substituição tributária, previsto no 1§ 7º do art. 150 da Constituição Federal de 1988, somente pode ser autorizada por lei que expressamente atribua a terceiros a responsabilidade pelo pagamento devido por contribuinte do tributo. Para o caso da substituição aqui tratada, somente, com o advento da Lei 10.865/2004 é que se estendeu esse instituto às vendas para atacadistas de cigarros, conforme disposto expressamente no art. 29 desse diploma legal, que se transcreve abaixo: Lei nº 10.865/2004 Art. 29. As disposições do art. 3o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista. Ao seu turno, o 2art. 53 dessa mesma lei, determina a produção de efeitos a partir de 1º de maio de 2004. Desta feita, anteriormente a essa data, não havia falarse em substituição tributária para os atacadistas de cigarros. Por derradeiro, devese esclarecer que a sistemática da substituição tributária é exceção à regra geral de tributação e recolhimento de tributo, e, como é de sabença geral, toda exceção deve vir expressa, com isso, não se pode concordar com os argumentos do acórdão recorrido segundo os quais o art. 29 acima transcrito, que estendeu a substituição tributária aos estabelecimentos atacadistas de cigarros, seria meramente interpretativo. Isso 1 § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 2 Art. 53. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do dia 1o de maio de 2004, ressalvadas as disposições contidas nos artigos anteriores. Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10650.000808/200517 Acórdão n.º 9303002.217 CSRFT3 Fl. 542 5 porque, como dito anteriormente, por se constituir em exceção à regra geral de tributação, a susbstituição tributária, necessariamente, deve ser expressa, e, como demonstrado linhas acima, não havia dispositivo legal algum prevendo isso. Ao contrário, decreto presidencial e instrução normativas da Administração Tributária, expressamente, dispunha que ao atacadista de cigarros não se aplicava a substituição tributária que a lei previra para o varejista desse produto. Assim qualquer que seja o ângulo que se espie a questão, vêse que, anteriormente a maio de 2004, não havia substituição tributária nas operações entre os fabricantes de cigarros e atacadistas desses produtos. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional para restabelecer o lançamento fiscal. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/08/ 2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13411.000350/2001-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2001
DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO.
O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.
Numero da decisão: 3201-001.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo votaram pelas conclusões.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2001 DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo votaram pelas conclusões. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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AUTO DE INFRAÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo votaram pelas conclusões. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 03 50 /2 00 1- 75 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13411.000350/200175 Acórdão n.º 3201001.846 S3C2T1 Fl. 355 2 Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/05 do presente processo, para exigência do crédito tributário referente aos períodos de 01/01/1999 a 31/03/2001, adiante especificado: CONTRIBUIÇÃO VALOR (EM REAL) COFINS 549.455,44 JUROS DE MORA 102.359,01 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 651.814,45 2. De acordo com o autuante, o referido Auto é decorrente da falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da S e g u r i d a d e Social COFINS, conforme descrito à fl. 04. 3. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por seu procurador, instrumento, d e fl. 159, a p r e s e n t o u a impugnação d e fls. 128/134 e anexou cópia dos documentos, de fls. 135/167, por afirmar, em síntese, que: 3.1 no entendimento da Impugnante, a lavratura do auto de infração configura em abuso, pois o texto da lei é bem claro e diz com todas as letras que a concessão de medida liminar em mandado de segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário, restando tal auto de infração com o único propósito de intimidar a Impugnante mediante um ato indevido e ilegal, de encontro com os ditames da Lei Tributária. Se a lavratura de um auto de infração não configura ato inibidor, qual a finalidade do mesmo?; 3.2 devido a suposta falta de recolhimento, foi imputado juros de mora em valor exorbitante, no montante supostamente devido. A mora é uma penalidade imposta quando não há o pagamento do crédito tributário devido, no momento oportuno, ou seja, no vencimento, o que não ocorreu no caso, onde não houve pagamento em razão da medida liminar e sentença que autorizaram a suspensão do recolhimento em tela; 3.3 quedase claro que, ao imbutir no Al vergastado juros superiores a 12% (doze por cento) a o ano, a autoridade impugnada feriu de morte a Constituição da República, devendo tal ato, manifestamente ilegal, ser reparado de imediato; 3.4 tendo em vista a s irregularidades acima elencadas, como a existência do Mandado de Segurança n° 2000.83.08.0003795, que demonstra quão eivado de vícios encontrase o Auto de Infração, requer a sua anulação, de forma que o seu direito seja reconhecido e que o suposto débito ali cobrado seja desconstituído. 4. Dentre os argumentos da defesa são inseridos textos da doutrina e da jurisprudência judicial. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, Fl. 355DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13411.000350/200175 Acórdão n.º 3201001.846 S3C2T1 Fl. 356 3 mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins ' Período d e apuração: 01/01/1999 a 31/03/2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. DESISTÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. JUROS DE MORA. Na imposição de juros de mora devese aplicar a legislação que rege a matéria. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. O recurso voluntário foi encaminhado ao CARF para julgamento após a recorrente ter obtido decisão judicial permitindo o ingresso do recurso sem garantia recursal de 30% da exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13411.000350/200175 Acórdão n.º 3201001.846 S3C2T1 Fl. 357 4 A recorrente sustenta que a existência de decisão liminar em mandado de segurança impediria a formalização do lançamento. Em que pese o alegado, já se encontra pacificado nesta casa o entendimento de que uma decisão liminar em mandado de segurança apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário, não impedindo constituição do crédito tributário para fins de evitar a decadência deste. Válido, portando, o lançamento. Conforme disposto no relatório a Recorrente ingressou com Mandado de Segurança (MS) n° 2000.83.080003795 com o objetivo de sua equiparar base de cálculo para recolhimento do PIS e da COFINS com a das revendedoras de veículos usados. Obteve decisão favorável ao seu pleito na primeira instância judicial, tendo mesma sido reformada em acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região, que deu provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial. A recorrente ingressou então com Recurso Extraordinário junto ao Supremo Tribunal Federal, ao qual foi negado seguimento, tendo esta decisão, desfavorável ao sujeito passivo, transitado em julgado em 29/10/2008. Assim, em virtude do trânsito em julgado da decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.83.080003795, que não reconheceu o direito da recorrente de modificar a base de cálculo do tributo, mostrase correto o lançamento tributário. Por conseguinte, em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900511/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrente AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 05 11 /2 00 8- 91 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900511/200891 Acórdão n.º 1102001.269 S1C1T2 Fl. 486 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela improcedência de manifestação de inconformidade acerca da compensação de crédito decorrente de pagamento indevido a título de estimativa com débito de outra estimativa de sua responsabilidade, ambos referentes ao mesmo anocalendário de 2003. Pleitos semelhantes, apenas alterando o tributo (IRPJ ou CSLL) e/ou o mês de apuração da estimativa, estão consubstanciados em onze processos, a saber: 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/2008 15, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento indicado pela interessada havia sido utilizado na quitação de outros débitos. A empresa interpôs, então, manifestação de inconformidade na qual alegou que houve erro na apresentação da PER/DCOMP. Tratarseia de pedido de compensação vazio e o débito indicado já teria sido pago. Por isso, pediu o cancelamento do débito. A DRJ, contudo, negou o pedido. Argumentou que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Em seu recurso, a empresa repetiu os motivos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos. Ao final, torna a pedir que se constate a inexistência do débito. Na sessão realizada em 25/05/2011, esta Turma Julgadora, sob proposta da então relatora, a ilustre Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem confirmasse a inexistência do débito, mediante análise dos livros fiscais da recorrente e da DCTF correspondente ao período, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. A unidade de origem procedeu, então, a diligência requerida e apresentou Informação Fiscal na qual conclui que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário de 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, foram efetivamente pagos. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900511/200891 Acórdão n.º 1102001.269 S1C1T2 Fl. 487 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. Ocorre que a diligência solicitada confirmou que os montantes informados em DCTF, em sintonia com os equívocos cometidos, são incongruentes com a escrita contábil e fiscal. Além disso, atestou que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo o do presente processo. Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 506DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000659/2011-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício:2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário.
No presente caso, houve pagamento do ITR do exercício de 2006, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
ITR. CONTRIBUINTE. PROVA DA PROPRIEDADE. ESCRITURA.
Contribuinte do ITR é o proprietário, possuidor ou o titular do domínio útil. A prova da propriedade de bem imóvel se faz por meio do registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1.245 do CC) e enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel (§ 2º do art. 1245 do CC).
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. CAPACIDADE POTENCIAL DA TERRA. APTIDÃO AGRÍCOLA.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
DADOS DA DITR. COMPROVAÇÃO. INTIMAÇÃO FISCAL.
Regularmente intimado, cabe ao contribuinte fazer prova das informações que apôs em sua DITR, com documentação hábil e idônea. Esse ônus é do declarante, não do Fisco, esclarecendo que não cabe a realização de qualquer diligência para dilação probatória a seu favor, uma vez que a verdade material deve ser sopesada e aplicada juntamente com outros princípios, como o da oficialidade, para que o processo atinja suas finalidades.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência referente ao exercício de 2006. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Flavio Araujo Rodrigues Torres que acolhiam a preliminar de diligência. No mérito, vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que negava provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício:2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. No presente caso, houve pagamento do ITR do exercício de 2006, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. ITR. CONTRIBUINTE. PROVA DA PROPRIEDADE. ESCRITURA. Contribuinte do ITR é o proprietário, possuidor ou o titular do domínio útil. A prova da propriedade de bem imóvel se faz por meio do registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1.245 do CC) e enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel (§ 2º do art. 1245 do CC). ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. CAPACIDADE POTENCIAL DA TERRA. APTIDÃO AGRÍCOLA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. DADOS DA DITR. COMPROVAÇÃO. INTIMAÇÃO FISCAL. Regularmente intimado, cabe ao contribuinte fazer prova das informações que apôs em sua DITR, com documentação hábil e idônea. Esse ônus é do declarante, não do Fisco, esclarecendo que não cabe a realização de qualquer diligência para dilação probatória a seu favor, uma vez que a verdade material deve ser sopesada e aplicada juntamente com outros princípios, como o da oficialidade, para que o processo atinja suas finalidades. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência referente ao exercício de 2006. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Flavio Araujo Rodrigues Torres que acolhiam a preliminar de diligência. No mérito, vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que negava provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar.
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. No presente caso, houve pagamento do ITR do exercício de 2006, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. ITR. CONTRIBUINTE. PROVA DA PROPRIEDADE. ESCRITURA. Contribuinte do ITR é o proprietário, possuidor ou o titular do domínio útil. A prova da propriedade de bem imóvel se faz por meio do registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1.245 do CC) e enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel (§ 2º do art. 1245 do CC). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 06 59 /2 01 1- 33 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 2 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. CAPACIDADE POTENCIAL DA TERRA. APTIDÃO AGRÍCOLA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. DADOS DA DITR. COMPROVAÇÃO. INTIMAÇÃO FISCAL. Regularmente intimado, cabe ao contribuinte fazer prova das informações que apôs em sua DITR, com documentação hábil e idônea. Esse ônus é do declarante, não do Fisco, esclarecendo que não cabe a realização de qualquer diligência para dilação probatória a seu favor, uma vez que a verdade material deve ser sopesada e aplicada juntamente com outros princípios, como o da oficialidade, para que o processo atinja suas finalidades. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência referente ao exercício de 2006. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Flavio Araujo Rodrigues Torres que acolhiam a preliminar de diligência. No mérito, vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada (Relator) que negava provimento ao recurso. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, Flavio Araujo Rodrigues Torres e Ewan Teles Aguiar. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração, conforme folhas 03 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, no valor de R$ 145.431,00, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 109.073,25 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural sem denominação Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 3 especificada, cadastrado na RFB sob o nº 0.337.1212, com área declarada de 245,0 há e localizado no Município de Laguna/SC, Distrito de Banhado da Estiva. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 05/06, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, efetivamente o valor da terra nua declarado, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, ou meio alternativo, que levasse à convicção do valor atribuído ao imóvel, sendo esse valor então arbitrado com base nas informações do sistema de preços de terra SIPT, da RFB. Complementa ainda o Auditor Fiscal que analisando documentação apresentada pelo Citibank S.A., que respondera sua Intimação Fiscal, verificou o seguinte: Analisandose a documentação verificase que o Banco Citibank S. A. incorporou a empresa FNC Comércio e Representações; a CSN Cia Siderúrgica Nacional alienou o imóvel para a CECRISA e esta, por sua vez, entregouo ao Banco Crefisul S. A. para saldar dívida. Posteriormente, o Banco Crefisul S. A. foi adquirido pelo Banco Citibank S. A. Na assembléia do Banco Citibank S. A. realizada em 30/06/2009 foram aprovados por unanimidade o Protocolo de Incorporação da FNC Comércio e Participações Ltda.(Anexo I) celebrado em 30/06/2009, a Justificação de Incorporação (Anexo II) e a incorporação da FNC. Uma consideração bastante importante é que o Banco Citibank S. A. e a FNC Comércio e Participações Ltda. possuem como sócios Citibank Overseas Investment Corporation e Chelsea Participações Societárias e Investimentos Ltda., conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária do Banco Citibank S. A. e Ata de Reunião de Sócios da FNC Comércio e Participações Ltda. ambas realizadas em 30 de junho de 2009. Sendo que nesta última ata constam como únicos sócios de FNC Comércio e Participações Ltda. No item 5 do Protocolo de Incorporação Anexo I verificase que: "Banco Citibank S. A. será, na forma da lei, integralmente responsável por todas as obrigações da FNC existentes no momento da efetivação da incorporação, inclusive obrigações civis, fiscais, tributárias, comerciais, trabalhistas e previdenciárias, dentre outras." No item 3 da Justificação de Incorporação Anexo II temos que: "Em decorrência da incorporação, a FNC será extinta e a Companhia será, na forma da lei, integralmente responsável por todas as obrigações da FNC existentes no momento da efetivação da incorporação, e promoverá, nos termos do artigo 1.118 do Código Civil, a respectiva averbação no registro próprio...." As DITR objeto da revisão fiscal estão copiadas nas folhas 23, 27 e 31 e as telas do Sistema SIPT, com os valores por aptidão agrícola para o Município de localização do imóvel, nos exercícios em questão, encontramse nas folhas 35, 36 e 37. Não obstante, a autuação fiscal descreve que os valores empregados no arbitramento "foram arbitrados conforme as informações sobre preços de terras, constantes do Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 4 Sistema Integrado de Preços de Terras da Receita Federal do Brasil SIPT, aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, apurados pela Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Epagri/Cepa, utilizandose de pesquisa de mercado para o tipo de terra de segunda, para o município de Laguna, SC". Na folha 38 consta resposta do Citibank S/A, acompanhada de documentação, onde em suma diz que não é nem nunca foi proprietário, possuidor ou teve o domínio útil do imóvel em questão, aduzindo que "houve inicialmente a atualização dos cadastros do imóvel junto ao INCRA, pela empresa FNC COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES sem que soubesse exatamente onde estava localizado o imóvel e sua situação. Nunca houve posse do imóvel." A ciência do Auto de Infração deuse, conforme Aviso de Recebimento na folha 74, em 01/04/2011. Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 75 e seguintes). Afirma, em resumo, que: 1 Banco Citibank S/A é o incorporador da FNC Comércio e Representações Ltda e assim apresenta sua Impugnação ao Auto de Infração em discussão; 2 Ao ser intimado pela RFB apresentou os atos constitutivos do Banco e da incorporada e não apresentou o CCIR, porque o imóvel não possui certificação no INCRA; as matrículas atualizadas de registro pois dependia de pesquisa e não as possuía e a identificação do contribuinte "porque desconhece quem seja"; 3 Narra a trajetória do imóvel, desde a propriedade da Companhia Siderúrgica Nacional, na década de 50 do século passado, até a FNC, para concluir que sempre esteve em situação irregular e sem os devidos registros, informando que fora objeto de ação reivindicatória, por parte de posseiros que permanecem ali até os dias de hoje. Junta cópia da petição inicial de protesto judicial, distribuída em 22/10/1985, junto à Comarca de Laguna; 4 Não só isso, justamente onde se encontra o imóvel, a partir de 2012, será a sede do novo Município de Pescaria Brava, com emancipação aprovada pela Assembléia Legislativa Estadual; 5 Pediu que fossem deferidas diligências e perícias para que pudesse comprovar os fatos, com documentos não juntados à impugnação, por "motivo de força maior". Expôs seus motivos e dificuldades; 6 Justifica a entrega de declarações de ITR porque precisava de certidões negativas de débitos da RFB/PFN e constava do extrato a ausência dessas declarações. Orientada por uma auditoria externa, "apresentou as declarações em atraso", a fim de regularizar a pendência; 7 Tratandose de "banhado e depósito de pedrita e reserva mineral, a área é totalmente imprestável para qualquer exploração"; 8 Em suma, não é contribuinte do ITR, a entrega do DIAT foi um "erro de direito"; mas na hipótese de ser considerada contribuinte, sendo a terra um "banhado, sem a mínima hipótese de nela se produzir qualquer coisa", a alíquota aplicável não poderia ser superior a 0,3%, conforme tabela legal. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 5 Pediu, então que fosse julgado improcedente o Auto de Infração, porque não é contribuinte do ITR; fosse reconhecida a área como imprestável para atividades rurais; fosse lhe oportunizada a juntada de documentos posteriores, alegando "força maior"; fossem realizadas diligências pela RFB, inclusive com expedição de ofícios a outros órgãos, como o IBAMA, para informar sobre a situação jurídica e física da terra. Indicou uma empresa para elaborar perícia e avaliação do imóvel, respondendo a quesitos. Tais manifestações foram conhecidas e tratadas pela DRJ/CAMPO GRANDE, nos seguintes termos, em resumo (fl. 171 e seguintes). Disse o Julgador de 1ª instância que: Desde a ciência do lançamento até a presente data passaramse um ano e seis meses, tempo suficiente para que a impugnante providenciasse e apresentasse os documentos citados em sua impugnação. As diligências e perícias prestamse a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação, como no caso. É ônus do sujeito passivo a prova da ocupação da área por terceiros em razão de demandas judiciais mediante apresentação das sentenças judiciais acompanhadas das petições iniciais e certidões de “objeto e pé”. Competelhe também atualizar o cadastro de imóveis ruraisCAFIR. A prova da propriedade de bem imóvel se faz por meio do registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1.245 do CC) e “enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel” (§ 2º do art. 1245 do CC). As matrículas do imóvel (itens “a” e “b”) constituem provas eficazes da propriedade do imóvel fiscalizado pelo Banco Crefisul, sucedido por Banco Citibank SA, o qual integra o pólo passivo do lançamento na condição de sucessor de FNC Comércio e Participações Ltda, nos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional. As matrículas apresentadas (itens “a” e “b”) não contêm averbação de eventuais sentenças judiciais reconhecendo em favor de terceiros a titularidade da área ou o direito de posse. As peças extraídas dos autos da ação reivindicatória no 6.872 não permitem relacionar o objeto da ação ao imóvel fiscalizado. A isenção do ITR sobre áreas de interesse ambiental, porventura existentes no imóvel depende do atendimento de dois requisitos: a) a comprovação, pelo sujeito passivo, da existência dessas áreas, segundo a legislação ambiental, e b) a comprovação da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental perante o Ibama, segundo a legislação tributária. Portanto, não é possível reconhecer a isenção do ITR sobre a área do imóvel ou parte dela, e também não há que se falar em redução da alíquota aplicada por falta de prova da utilização do imóvel. O critério utilizado para o cálculo do VTN arbitrado seguiu o parâmetro previsto no art. 14 § 1o da Lei 9.393/96 e foi aplicado com razoabilidade, cabendo, ao sujeito passivo, o ônus da prova quanto às possíveis características do imóvel que o diferencia significativamente dos demais do município. Em síntese, o sujeito passivo não se desincumbiu da prova do valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deve ser mantida a avaliação fiscal realizada com base no art. 14 da Lei 9.393/96. Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, considerar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário,....". Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 6 Regularmente cientificado dessa decisão, conforme Aviso de Recebimento em 05/11/2012 (fl. 192), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 30/11/012 (fl. 194), onde assim expõe suas razões, em síntese: 1 – Preliminar de cerceamento de defesa porque o Julgador a quo indeferiu seu pedido de dilação probatória para a realização de diligências e perícias. Requer a nulidade daquela decisão que não enfrentou as alegações de "força maior". Diz que a coleta, produção e formalização de documentos se encontrava "em andamento". 2 Trata do princípio da verdade material, para a legitimidade da tributação. E diz que "os documentos que provam a inexigibilidade do crédito tributário, que não existiam no momento da impugnação, demonstrarão de fato e de direito a inexistência de domínio, posse, propriedade do imóvel por parte do Recorrente". Vão comprovar também que a área tributada é imprestável a exploração de atividade rural. 3 a recorrente não pretende que lhe seja concedido prazo indefinido para a apresentação de prova, mas que lhe seja oportunizada a produção de prova documental para a instrução do processo. 4 Como fizera na Impugnação, alega ilegitimidade passiva, por não ser o contribuinte do ITR em caso e que a entrega das DITR/DIAT foi um erro justificado, já relatado. 5 A prova de que o imóvel em caso encontrase dentro dos limites do novel Município de Pescaria Brava, que na ocasião do recurso encontravase em fase de instalação administrativa "será juntada aos autos oportunamente". 6 Tratando do critério quantitativo do ITR, diz que os laudos que comprovam a distribuição das áreas do imóvel, conforme descrito pelo Julgamento recorrido, "estão em fase de elaboração", já que passaram a ser elaborados a partir da "apresentação da impugnação" e serão juntados "oportunamente". 7 Reafirma que a área é imprestável para qualquer atividade produtiva, por se tratar de um banhado, com depósito de pedrita, resíduos da Cia Siderúrgica Nacional. O Grau de Utilização da Terra, portanto, é nenhum, "conforme prova conclusiva que será apresentada." 8 Quanto ao VTN, o Recorrente, "juntamente com as demais provas conclusivas que estará juntando, trará o Laudo Técnico de Avaliação da Terra, afastando a avaliação da fiscalização". Desta feita, REQUER a nulidade da decisão recorrida; que sejam admitidas as "provas conclusivas que serão juntadas aos autos", extinguindose o crédito tributário. Os documentos juntados com o recurso tratam apenas da procuração e dos atos constitutivos e alterações contratuais da pessoa jurídica, como se observa nas folhas 218 a 256. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 7 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. O Recorrente alega que o Julgamento recorrido não fundamentou devidamente a negativa de seu pedido para que se procedesse a diligências e perícias, uma vez que não foram enfrentadas suas alegações de força maior, para justificar a não apresentação de provas e documentos juntamente com a impugnação, como comanda o Decreto nº 70.235 de 1972, que rege o PAF. É preciso separar duas situações, no caso. Uma é a negativa de diligência ou perícia pedida pelo Contribuinte, conforme artigo 18 do referido Decreto; outra é a aceitação de provas apresentadas posteriormente à impugnação, nos termos do § 4º do artigo 16, do mesmo diploma legal. O Julgador recorrido disse que as diligências ou perícias prestamse a esclarecer pontos duvidosos e não substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas. (fl. 178) Observo que o Recorrente pediu que a RFB procedesse a diligências e perícias, inclusive envolvendo outros Órgãos Públicos, com a finalidade de provar aquilo que ele próprio alegava e apenas a ele aproveitaria, com a finalidade de contradizer uma declaração de ITR que apresentara, atribuindose a qualidade de contribuinte do ITR, para comprovar a situação física do imóvel, em relação à distribuição de áreas, e para retificar cadastros que a ele competia atualizar, em seu interesse e que, assume, negligenciou. Isso a DRJ não aceitou. Quanto à possibilidade de se considerar provas apresentadas posteriormente à impugnação, que defende citando, inclusive, dispositivos da Lei nº 9.784, de 1999, suas alegações ficam prejudicadas, pois o fato é que nenhum documento, nessa situação, foi apresentado, como se verá. Todos os documentos que constavam dos autos até a tomada de decisão pela DRJ foram considerados e tratados. A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 8 A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHINI, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) Conforme Relatado, o recurso diz que "oportunamente" provará que o imóvel em caso encontrase dentro dos limites do novel Município de Pescaria Brava, "oportunamente" apresentará os laudos que comprovam a distribuição das áreas do imóvel, que estariam "em fase de elaboração", e que passaram a ser elaborados a partir da "apresentação da impugnação", que a área é imprestável para qualquer atividade produtiva, por se tratar de um banhado, com depósito de pedrita, resíduos da Cia Siderúrgica Nacional, que o Grau de Utilização da Terra é nenhum, "conforme prova conclusiva que será apresentada.", e quanto ao VTN, "juntamente com as demais provas conclusivas que estará juntando, trará o Laudo Técnico de Avaliação da Terra, afastando a avaliação da fiscalização". Mas até o momento em que se elabora este Voto, nada disso consta dos autos, mesmo tendose passado quase dois anos da apresentação do Recurso. O Recorrente diz que não quer que se aguarde indefinidamente pela sua produção de provas, mas até quando? Quanto tempo ainda quer para apresentar o Laudo de Avaliação, que em 2012 estaria sendo elaborado? Assim, a alegação de cerceamento de defesa seria passível de análise caso, tendo apresentado a documentação necessária, que demonstra suficientemente conhecer, a mesma não tivesse sido considerada sob a alegação de preclusão, com base no §4º do artigo 16 do PAF. Tendo em vista que tal situação não ocorreu, o que a DRJ considerou foi que não cabia determinar diligências ou perícias à RFB, INCRA, IBAMA e outros, para suprir provas cujo ônus é do contribuinte. DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, sempre homenageado nos julgamentos administrativos, não pode ser empregado de forma a obstaculizar o andamento do processo, inviabilizandoo, por conseguinte, de atingir suas finalidades. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 9 É certo, como já discorremos alhures, que temse entendido pela atenuação da preclusão para apresentação de documentos, juntamente com a impugnação, como expresso no artigo 16, § 4º do PAF, mas desde que sejam apresentados documentos notórios e incontroversos, de forma a não impedir a marcha processual. O Recorrente, cuja Impugnação foi apresentada em 25 de abril de 2011 e o Recurso em 30/11/2012, até esta data não trouxe documento algum, além daqueles que já apresentara por ocasião da impugnação. No recurso diz que "oportunamente" o fará. O ônus da prova de que não tem posse ou propriedade da terra que declarou em DITR é seu, assim como, não conseguindo desvencilharse da condição de contribuinte, o ônus de demonstrar a alegada situação de imprestabilidade, a valoração ou áreas isentas do imóvel, também. Dessa feita, entendo que deva ser rejeitada essa preliminar de nulidade por cerceamento de direito de defesa. PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, este CARF tem se posicionado na esteira do Recurso Especial nº 973.733 SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 10 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).(sublinhei) Não desconheço que haja na doutrina, e mesmo na jurisprudência, seguinte discussão: o que o Fisco homologa é o pagamento ou a atividade de apuração realizada pelo contribuinte? Hugo de Brito Machado, dentre outros, defende que seja o procedimento de apuração do tributo devido. (MACHADO, Hugo de Brito, citado em PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1064). Contudo, a tese do Recurso Especial repetitivo, do STJ, é expressa em sua ementa, acima transcrita, em abraçar que a homologação do Fisco é sobre o "pagamento antecipado" da exação, pelo contribuinte, citando Eurico de Santi. E o que é "pagamento antecipado"? Entendo que seja o pagamento efetuado dentro do prazo de vencimento do tributo, conforme a legislação tributária de regência. Não há como se ver como "antecipado", para fins de contagem de prazo decadencial, aquele efetuado depois de encerrado o exercício de referência, o que daria ao Fisco prazo menor que os cinco anos que a lei claramente quis lhe conferir. Para o ITR, o artigo 12 da Lei nº 9.393/1996 estabelece que o imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega do DIAT. Em conclusão, é possível até entender, conforme notórias doutrinas, que tendo o contribuinte apresentado a declaração de rendimentos, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, conforme § 4º do artigo 150 do CTN, mas para se aplicar a tese do recurso especial repetitivo em comento, conforme expresso em sua ementa, é necessário que se verifique se efetivamente o contribuinte realizou o pagamento do tributo declarado como devido, no prazo determinado, ou seja, "antecipadamente". As teses dos recursos especiais repetitivos do STJ são de reprodução obrigatória nestes julgamentos administrativos, por força de disposição regimental, conforme artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. Observo que na DITR relativa ao exercício de 2006, cuja cópia consta da folha 25, foi apurado um imposto devido de R$ 33,00. Na apuração do imposto, em procedimento de ofício, o Auditor Fiscal calculou que imposto devido seria de R$ 40.425,00 e, tendo em vista que se tratava de um lançamento suplementar, descontou os R$ 33,00, lançando no Auto de Infração a importância de R$ 40.392,00. (v. fls. 8 e 11). Com a devida vênia a entendimentos diversos, isso não significa que a Autoridade Fiscal tenha efetivamente verificado o recolhimento do tributo declarado. Significa que o lançamento de ofício é suplementar ao lançamento por homologação realizado pelo contribuinte, que parte da doutrina chama de "autolançamento". Ao realizar o procedimento de oficio, não se pode desconsiderar a parte do tributo que já se encontra lançada pela declaração prévia do contribuinte, para partir do "zero", por isso descontase o valor na apuração do lançamento de ofício que apenas suplementa a parte já declarada. Aliás, vejamos o que diz a Súmula nº 436 do STJ: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 11 "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco." Assim, não precisa que o Fisco lance novamente os R$ 33,00, por isso o Auditor Fiscal os descontou na apuração mas, repito, não significa que o contribuinte tenha efetuado antecipadamente o pagamento do tributo devido, para fins de se entender pela contagem do prazo decadencial a partir da data de ocorrência do fato gerador. E por que tudo isso? Porque o fato gerador do ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, conforme a lei nº 9.393 de 1996. Para o exercício de 2006, ocorreu então em 01/01/2006. Se contado o prazo decadencial de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, o direito do Fisco efetuar lançamento de ofício pereceu em 01/01/2011. Como relatado, a ciência deste Auto de Infração, lavrado em 25/03/2011 (fl. 3), deuse em 01/04/2011. (AR na folha 74) Entretanto, se não antecipado o pagamento do tributo devido, conforme decidido pelo STJ, o dies a quo da contagem do prazo deslocase para a regra do artigo 173, I do CTN, ou seja, para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado e assim, no caso, o Fisco teria até 01/01/2012 e o seu direito estaria perfeito, na data de constituição do crédito aqui em discussão, para o exercício de 2006. Pelo exposto, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Repartição de Origem (DRFB) verifique se o valor de R$ 33,00, declarado como "imposto devido" na DITR/2006 do imóvel em questão foi efetivamente pago e em que data, informando nestes autos. Caso vencido nessa proposta de Diligência em preliminar, a seguir voto em relação aos demais questionamentos levantados pelo Recorrente. MÉRITO DA PROPRIEDADE. O Recorrente busca demonstrar que não é contribuinte do ITR e que a entrega dos DIAT/DITR deveuse a erro, que justifica com a necessidade de obtenção de Certidão Negativa de Débitos e, constando no cadastro da RFB a propriedade do imóvel, as declarações foram apresentadas "intempestivamente". O imóvel seria propriedade da CSN, e foi objeto de ação reivindicatória por posseiros, há várias décadas. A CSN, mesmo após "perder a demanda judicial", transferiu a outra pessoa jurídica (PJ) a titularidade do imóvel. Essa titularidade, bem como alterações contratuais nas PJ, sucedeuse até a FNC Comércio e Participações, que apresentou a DITR, ser incorporada pelo Citibank, que aqui recorre administrativamente. Explicou o Auditor Fiscal, na folha 6: Analisandose a documentação verificase que o Banco Citibank S. A. incorporou a empresa FNC Comércio e Representações; a CSN Cia Siderúrgica Nacional alienou o imóvel para a CECRISA e esta, por sua vez, entregouo ao Banco Crefisul S. A. para saldar dívida. Posteriormente, o Banco Crefisul S. A. foi adquirido pelo Banco Citibank S. A. Na assembléia do Banco Citibank S. A. realizada em 30/06/2009 foram aprovados por unanimidade o Protocolo de Incorporação da FNC Comércio e Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 12 Participações Ltda.(Anexo I) celebrado em 30/06/2009, a Justificação de Incorporação (Anexo II) e a incorporação da FNC. Não se discute a obrigação entre sucessora e sucedidas, o que se discute é se em relação a tal imóvel haveria a condição de contribuinte do ITR ou não, em vista da situação resumida acima. Para concluir sobre esse ponto, valermeei do exposto na decisão recorrida, ou seja, a propriedade é transferida, conforme a Lei Civil, pelo título registrado em Cartório. Na Certidão que consta da folha 130 nada se registra sobre ação reivindicatória perdida pelos proprietários. O que consta da folha 133 é uma petição inicial, não uma Sentença Judicial. Transcrevo das folhas 179/180: A prova da propriedade de bem imóvel se faz por meio do registro do título translativo no Registro de Imóveis (art. 1.245 do CC) e “enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel” (§ 2º do art. 1245 do CC). (...) O protesto judicial datado de 1985 (itens “c” e “d”) tem natureza de manifestação formal contra a alienação do bem referido no edital, com o objetivo de conservar os direitos dos pretensos possuidores ou proprietários (art. 867 do CPC). Não gera o efeito de, por meio dele, se reconhecer o direito possessório dos autores. Para tanto seria necessária a juntada, nesses autos, de eventuais decisões proferidas em ações reais específicas reconhecendo a propriedade ou a posse dos autores do protesto judicial, o que não ocorreu. Ademais, somente com os elementos apresentados não é possível afirmar que o imóvel fiscalizado está localizado nas áreas mencionadas no edital de venda e objeto do protesto judicial. Notese, ainda, que, conforme trecho da petição inicial às f. 135, o protesto abrangeu a área de 1.475 hectares, anunciada no edital, e não se referiu à área de aproximadamente 300 hectares. Nada apresentando o Recorrente para refutar essas constatações, não vejo qualquer razão nos autos para alterálas. E vejamos a seguir: A TERRA SERIA IMPRESTÁVEL PARA QUALQUER ATIVIDADE/EXPLORAÇÃO. O Recorrente faz essa afirmação, em sua peça recursal, dizendo tratarse de um "banhado" com depósito de "pedrita", refugo da exploração de carvão, pela CSN. Mas ao alegar que não era o proprietário, disse que a terra fora objeto de ação reivindicatória por diversos posseiros. E o que faziam esses posseiros lá? Segundo a petição que consta da folha 133/134, anexada pelo Recorrente para respaldar sua alegação de inexistência de posse ou propriedade, os reinvindicantes: 1 Itamar usava seu pedaço inclusive como pista de motocross e para a realização de rodeios Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 13 crioulos; 2 José a usava com criação de gado bovino e potreiro; 3 Constantino tratava de plantar e cuidar de suas criações; 4 Iris tinha pequenas plantações e cuidava de seu gado; 5 Antônio trabalhava a lavoura, e etc... Ora, a mesma terra, um banhado com refugo de carvão ("imprestável"), era usada dessa forma pelos posseiros que reivindicaram sua propriedade, fazendo com que a CSN a perdesse e, posteriormente, alienasse o que não era mais seu? Na folha 136, a mesma petição diz que: "Nunca se viu, há mais de cinquenta anos a Cia Siderúrgica Nacional ter posse naquela região, a não ser usando uma área, bem longe dos AA, para depósito de pedrita." Ou seja, a área imprestável, alagada e com depósito de pedrita não é a mesma área objeto de disputa entre os posseiros e a CSN. E qual foi a área que causou o protesto judicial por parte dos posseiros, uma vez publicado edital de venda pela CSN? Não foi a área onde havia o depósito do refugo de carvão, mas outra, onde se vivia, plantava e criava gado. Assim, o recurso nada demonstra de forma cabal. Nem em relação à inexistência da propriedade, que consta de título registrado em Cartório, fl. 130, nem em relação à imprestabilidade do imóvel. Além do que, pela extensão das áreas envolvidas, citadas nos diversos documentos, é impossível chegarse a qualquer conclusão, como já constatara a DRJ. E mais, o Recorrente diz que provaria que o imóvel em caso encontrase dentro dos limites do novel Município de Pescaria Brava, que na ocasião do recurso encontravase em fase de instalação administrativa. Mas será que o município está sendo instalado sobre um banhado cheio de pedrita? O mapa copiado na folha 213 nada esclarece e deveria ser acompanhado de um laudo técnico e documentação expedida pelo município que jamais foi apresentada. DA ALTERAÇÃO NO VTN. ARBITRAMENTO. Já é entendimento proferido neste CARF, constante de diversas decisões, a possibilidade de utilização do VTN por aptidão agrícola, calculado a partir das informações sobre preços de terras referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 1ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 14 terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 15 IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte nas DITR/2006, 2007, 2008, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar os valores 5.000,00/ha para 2006; R$ 6.000,00/ha para 2007 e R$ 7.000,00/ha para 2008. As telas informadoras do sistema SIPT encontramse, respectivamente, nas folhas 35, 36 e 37 para os exercícios de 2006, 2007 e 2008. Observase que constam informações sobre o “VTN médio por aptidão agrícola” para o Município, em cada exercício, e que o valor utilizado no lançamento é o VTN para "terra de segunda”, sendo a informação proveniente da Secretaria Estadual de Agricultura. Portanto, o arbitramento aqui efetuado mostrase em consonância com a legislação de regência, conforme esclarecido, por seu parâmetro quantitativo. Destaco que no recurso o Recorrente afirmou que "juntamente com as demais provas conclusivas estaria apresentando o Laudo Técnico de Avaliação da Terra, afastando a avaliação da fiscalização realizada nos termos do art. 14 da lei nº 9.393/96".(fl. 216) Não tendo o contribuinte apresentado Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, com data de referência a 1º de janeiro de cada ano, nem qualquer outro documento que demonstre a avaliação da terra nua em tais datas, deve permanecer o arbitrado pela RFB. DA ENTREGA DAS DITR. JUSTIFICATIVA. O Recorrente procura justificar a entrega das DITR com o argumento de que, em determinada ocasião, necessitando de uma CND e constando o imóvel no cadastro da RFB como de sua responsabilidade, orientado por uma "auditoria externa", ao invés de providenciar Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 16 a correção do referido cadastro, optou por "resolver" temporariamente o problema entregando as declarações que lhe eram exigidas. Diz o artigo 6º da Lei nº 9.393/1996: "O contribuinte ou o seu sucessor comunicará ao órgão local da Secretaria da Receita Federal por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR DIAC, as informações cadastrais correspondentes a cada imóvel, bem como qualquer alteração ocorrida, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1º É obrigatória, no prazo de 60 (sesssenta) dias, contado de sua ocorrência, a comunicação das seguintes alterações: ... III transmissão, por alienação da propriedade ou dos direitos a ela inerentes, a qualquer título. Segundo Kiyoshi Harada, a Administração tributária é a atividade do poder público voltada para a fiscalização e arrecadação tributária. É um procedimento que objetiva verificar o cumprimento das obrigações tributárias, é regida pela legislação tributária, assim entendida aquela prevista no artigo 96 do CTN e de suma importância para a Fazenda Pública, visto que a receita tributária representa a maior fonte regular de receita pública. O CTN a divide em Fiscalização, Dívida Ativa e Certidões Negativas, essa última disciplinada nos artigos 2005 a 2008. (HARADA, Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 601) Não obstante, a "justificativa" do Recorrente não se coaduna com a realidade dos autos, haja vista que entregou as DITR no prazo estabelecido pela legislação, e não intempestivamente, juntas, para obter CND. A DITR de 2006 foi entregue em 23/09/2006 (fl. 26), a de 2007 em 20/08/2007 (fl. 30) e a de 2008 em 26/09/2008 (fl. 34). Assim, a cada ano e tempestivamente, entregou declarações, dizendose proprietário do imóvel e não informou área desapropriada, alienada ou com perda de posse, como alega no recurso, apesar de haver 'campo' específico para isso no formulário. A entrega de declarações e a obtenção de Certidões junto ao Fisco são matérias decorrentes de lei e devem ser encaradas com responsabilidade, dentro das finalidades e interesse público que pressupõem. Se, conforme jurisprudência que colaciona, a entrega com "erro" de uma declaração ao Fisco não pode transformálo em sujeito passivo de uma obrigação tributária, ao menos deve a ele imputar o ônus de comprovar, inequivocamente, esse erro e aqui, pelo todo exposto, não conseguiu fazêlo. CONCLUSÃO Não cabe ao Fisco proceder a diligências ou perícias para comprovar alegações do Recorrente de que entregou com erro o DIAT/DITR, estando esse incumbido de fazêlo. Admitese a prova documental, notória e incontroversa, apresentada até a tomada da decisão administrativa, de modo a homenagear a verdade material, mas sem inviabilizar a Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 17 marcha processual. Entretanto, tal prova não foi trazida aos autos pelo Recorrente. O arbitramento do VTN, com base nos levantamentos realizados pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, levandose em conta a capacidade potencial da terra é previsto em lei e admitido quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove possuir a terra valor diverso. A alteração da distribuição das áreas do imóvel, declaradas em DITR, é admitida quando comprovada com documentação hábil e idônea, que não consta dos autos. Assim, face ao exposto, VOTO rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto à questão preliminar de diligência e da apuração da decadência. Ao contrário do ilustre Relator, entendo que não há necessidade da realização de diligência para a verificação do pagamento antecipado do ITR, com a conseqüente apuração da ocorrência da decadência do direito do fisco lançar o ITR do ano base 2006. É que tenho o entendimento de que há nos autos elementos que permitem concluir que houve efetivo pagamento antecipado do imposto declarado no ano base de 2006. Visando esclarecer quais documentos foram utilizados para chegarse à conclusão de que houve o efetivo pagamento do imposto declarado aponto primeiramente o Demonstrativo De Apuração do Imposto Devido, que repousa à fls. 7 e 11 dos autos, do qual consta o valor declarado pelo contribuinte e o valor apurado pela fiscalização. Aponta ainda a “Diferença de Imposto” que consiste na diferença entre o imposto apurado e o imposto declarado. A cobrança realizada na Notificação de Lançamento constante das fls. 2 e seguintes dos autos é exclusivamente referente ao valor da diferença entre estes valores, o que faz concluir que houve o pagamento do valor do imposto declarado. Seguindo, quando do Enquadramento Legal feito pela Fazenda às fls. 5 dos autos, em momento algum foi apontada a falta de recolhimento do tributo. Fator este que também leva a concluir que houve o pagamento do imposto declarado pela contribuinte Considero, então, que os valores lançados foram objeto de recolhimento pela Contribuinte, ainda que parcial e ou incompleto, mas o fato é que a Recorrente de alguma forma antecipou, nesta rubrica, o ITR que entendeu devido no ano base de 2006. Constatado que houve pagamento antecipado de ITR no ano base 2006, passo a analisar a ocorrência da decadência. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 18 Como se verifica nos autos, trata o caso, dentre outros, de lançamento de ITR relativo ao ano calendário 2006; portanto, com fato gerador em 01/01/2006. Por seu turno, o ITR obedece, desde 1997, ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 19 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do ITR deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, como houve pagamento antecipado, e como não há indicação de fraude, dolo, ou simulação, o lançamento relativo ao ano calendário de 2006 poderia ser realizado até 01 de janeiro de 2011. Tendo sido notificado o contribuinte em 01/04/2011 (folha 74 dos autos), o foi após o período de direito da Fazenda Nacional. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 20 Isto posto, decaído estava o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário relativo ao ano calendário 2006. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referente ao exercício 2006. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Numero do processo: 13896.001281/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.207
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 01 28 1/ 20 10 -1 1 Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.290 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 05 34.651 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal AIOP nº 37.260.0174 no valor inicial de R$ 9.522.474,73. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social que incidem sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho pela prestação de serviços de saúde, mais precisamente as cooperativas UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 43.202.472/000130; UNIMEDRIO Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, CNPJ 42.163.881/000101 e UNIMED FESP Federação Estadual das Cooperativas Médicas, CNPJ 43.643.139/000166. Segundo ainda o Relatório Fiscal, o período abrangido pela fiscalização é de 01/2008 a 12/2008 e as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa foram apuradas com base no valor das Notas Fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho. Considerando que se trata de serviços executados por profissionais de saúde e que se refere a plano de saúde oferecido pela fiscalizada, a base de cálculo foi calculada em 30% sobre o valor das Notas Fiscais, conforme o disposto no art. 291, inciso I da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 3, de 14 de julho de 2005, cujas disposições foram reiteradas pelo art. 231, inciso I da Instrução Normativa RFB n.° 971, de 13 de novembro de 2009. O Relatório da decisão de primeira instância, assim resume o Relatório Fiscal: i) tratamse das seguintes cooperativas: UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico; UNIMEDRIO — Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro; UNIMED FESP — Federação Estadual das Cooperativas Médicas. ii) no lançamento da contribuição utilizouse como base de cálculo 30% do valor das notas fiscais, por se tratar de serviços executados por profissionais da saúde, em aplicação do art. 291, inciso I, da Instrução Normativa — IN MPS/SRP no 3/2005, reiterado pelo art. 231, inciso I, da IN RFB n° 971/2009; iii) a Autuada — anteriormente sob a razão social ACCESS CLUBE DE BENEFÍCIOS LTDA. — celebrou contratos com essas cooperativas para a prestação de serviços para seus associados e dependentes; Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.291 3 iv) a Autuada informou que simplesmente realiza os pagamentos As cooperativas, por conta e ordem das entidades representativas de categorias profissionais, das quais os beneficiários são associados (intermediação), razão pela qual não declarou esses fatos na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações A Previdência Social GFIP; v) parte das notas fiscais foram emitidas em nome das entidades representativas (levantamentos: "NE — PAGTO COOP NF" e "EN — PAGTO COOP NF"), mas que o ônus do pagamento das mesmas foi assumido pela Autuada, como se verifica de sua escrituração contábil; vi) a Autuada considerou como faturamento apenas o valor por ela denominado de "taxa de administração", mediante a alegação de que é intermediária entre os beneficiários/usuários e as cooperativas, mas que não apresentou qualquer documento relativo a essa taxa; vii) serviram de base para o lançamento: DIRPJ 2008; GFIP; Livros Diário e Razão; DIRF 2008. viii) tal situação configura, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal Brasileiro, na redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, o que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação A autoridade competente para as providências cabíveis; e ix) integram o presente os Anexos I (contratos e alterações), II (contratos de prestação de serviços amostragem) e III (notas fiscais amostragem). As fls. 85 consta Termo relativo A APENSAÇÃO do processo, lavrado nessa mesma ação fiscal, no 13896.001282/201057 (AI no 37.260.016 6). Em relação aos levantamentos efetuados, dispõe o Relatório Fiscal: NA — PAGTO COOP NF: Referente as contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome da empresa ACCESS CLUBE DE BENEFÍCIOS LTDA, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo as competências 01/2008 à 11/2008. NE — PAGTO COOP NF: Referente As contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome das ENTIDADES REPRESENTATIVAS DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo as competências 01/2008 à 11/2008. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.292 4 AN — PAGTO COOP NF: Referente as contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome da empresa ACCESS CLUBE DE BENEFICIOS LTDA, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo a competência 12/2008. EN — PAGTO COOP NF: Referente as contribuições sociais, originadas de valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho, em nome das ENTIDADES X REPRESENTATIVAS DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS, não declaradas em GFIP, em período posterior a implantação da GFIP, abrangendo a competência 12/2008. O período do débito, conforme o Relatório Fiscal é de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente teve ciência das autuações em 02.07.2010, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 84. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: não presta serviços médicos a sua atuação se resume A viabilização de planos de assistência A saúde coletiva aos beneficiários (pessoas físicas), por meio de parceria com suas respectivas entidades de classes; na qualidade de administradora de benefícios, recebe nota fiscal da operadora de plano de saúde (UNIMED) relativa ao valor do plano devido pelos beneficiários, o qual é cobrado dos mesmos, acrescido do prego do seu serviço (taxa de administração); age por delegação; mesmo nos casos em que as notas fiscais foram equivocadamente emitidas em nome das Entidades, a impugnante que detinha a responsabilidade por sua liquidação financeira; os beneficiários dos serviços prestados pela UNIMED não possuem qualquer vinculação com a impugnante, uma vez que não foram prestados para ela ou para seus empregados, razão pela qual não há que se falar na obrigação de recolher 15% aos cofres públicos; junta aos autos todos os documentos que atestam não ser ela a prestadora dos serviços de saúde contratados junto 6 Unimed, tampouco a Beneficiária de tais serviços médicos; diferentemente do entendimento da fiscalização, a pessoa que efetua a liquidação financeira de uma determinada obrigação não é, necessariamente, a sua efetiva devedora; por ser uma empresa administradora de benefícios, não há que se falar em terceirização de serviços médicos; Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.293 5 o que deve prevalecer é a verdade material, segundo a qual é incontroverso o fato de que A impugnante (ou aos seus empregados) não foram prestados serviços médicos pela Unimed; relativamente A obrigação em questão, é irrelevante o adimplemento da obrigação de reter o imposto de renda; a contribuição disciplinada pelo inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212, de 2471991, é absolutamente inconstitucional; de acordo com o Discriminativo do Débito, para as competências de 01 a 11/2008 é exigido multa de 24% e para a competência 12/2008, multa de 75%, sem qualquer explicação, pelo que as mesmas deverão ser revistas; enquanto não vier a ser encerrado o presente, não deve prosseguir a representação fiscal; os seus sócios não podem ser responsabilizados solidariamente, sob pena de ilegalidade, motivo pelo qual deverão ser excluídos do presente processo administrativo. Junta documentos (fls. 147 a 481). O Órgão Julgador de primeira instância baixa o processo em diligência fiscal para que a Fiscalização apresentasse o comparativo da multa aplicada. A AuditoriaFiscal elabora o quadro comparativo da multa aplicada, às fls. 487 a 490, com a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte. O sujeito passivo, devidamente intimado, atravessou uma Manifestação na qual, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: a multa de mora não pode ser majorada no tempo, sob pena de ilegalidade; e os juros calculados com base na Taxa SELIC não podem ser exigidos sobre as multas punitivas, por ausência de previsão legal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0534.651 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.294 6 A empresa que contrata serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, se sujeita à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura por esta emitida. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei nova aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar improcedente a impugnação relativa ao Auto de Infração — Al n° 37.260.0174 (processo n° 13896.001281/2010 11), mantendose o crédito previdenciário por meio dele constituído, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 12 da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002. DRF jurisdicionante, para cientificar o sujeito passivo deste acórdão e demais providências de sua alçada. Sala de Sessões., em 05 de agosto de 2011. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância, em síntese: Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.295 7 (i) Da ausência de análise dos argumentos e provas de defesa apresentados pela Recorrente Antes de serem expostos os argumentos de mérito, importante destacar o flagrante vício de nulidade cometido pela Turma Julgadora a quo ao proferir o acórdão ora combatido, posto que foram deixados de ser analisados os argumentos e provas apresentados pela Recorrente em contraposição aos fundamentos de validade da autuação fiscal. Nesse sentido, a Recorrente apresentou vasta argumentação, por meio da qual facilmente se verifica que não contratou os serviços prestados por cooperativas para si ou seus empregados, bem como os pagamentos realizados em favor de tais cooperativas não permitem afirmar que a Recorrente fosse efetivamente a tomadora dos serviços (mais adiante, em tópicos relativos a estes argumentos, tais alegações e ilustrações serão novamente apresentadas). (...) Os argumentos apresentados pela Recorrente, que refletem a realidade e serão reiterados no presente recurso, demonstram a inocorrência de fato jurídico tributário que motivaria a cobrança da contribuição incidente nos casos em que ocorre a contratação de cooperativas para a prestação de serviços. Ou seja, tratase de questão que antecede a qualquer discussão relativa à base de cálculo do tributo. (...) Contudo, com relação à ocorrência da contratação de r serviços prestados por cooperativas, o acórdão recorrido simplesmente transcreveu o entendimento exarado pela Autoridade Fiscal, sem qualquer ponderação acerca do que está disposto na impugnação administrativa (...) É simplesmente inaceitável que as alegações da Recorrente sejam desconsideradas sem um justo motivo, em total afronta aos Princípios da Legalidade, do Contraditório, da Ampla Defesa e do Devido Processo Legal.. (ii) Das atividades da Recorrente e a conseqüente inocorrência do fato gerador A fim de proporcionar a este E. CARF o exato contexto fático no qual se insere o presente processo administrativo, , a Recorrente fará uma descrição pormenorizada do seu ramo de atividade, do que resultará a conclusão de que não estão preenchidos todos os elementos necessários para o nascimento da obrigação tributária prevista no artigo 22, inciso IV da Lei n.° 8.212/91: Pois bem. A missão da Recorrente é a de disponibilizar o acesso a planos privados de assistência à saúde, coletivos por adesão, em condições diferenciadas, à população delimitada e vinculada às pessoas jurídicas relacionadas na Resolução Normativa n° 195, de 14 de julho de 2009, da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS. Suas atividades são aquelas descritas no art. 2o da Resolução Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.296 8 Normativa n° 196, de 14 de julho de 2009, da Agência Nacional de Saúde Suplementar A N S , típicas de uma "Administradora de Benefícios".). Em termos legais, a atividade da Recorrente está contemplada no contexto dos planos privados de assistência à saúde, a que alude a Lei n° 9.961, de 28 de janeiro de 2.000, a Lei n° 9.656/98 e das recentes regulamentações expedidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS, a saber, a Resolução Normativa n.° 195/09 (...) (...) Já a Resolução Normativa ANS n.° 196/09 elucida quais são as atividades que podem ser exercidas pelas empresas administradoras de benefícios, como é o caso da Recorrente: (...) Nesse diapasão, as atividades desenvolvidas pela Recorrente, principalmente a de promover a integração entre o interesse da Operadora ^ de Plano de Assistência à Saúde em prestar os serviços para o maior número de pessoas possível e o interesse dos beneficiários vinculados a Pessoas Jurídicas ou Entidades de Classe de usufruir de serviços de saúde suplementar, enquadramse perfeitamente nas normas acima citadas. (...) A Recorrente firma (i) contrato de prestação de serviços de assistência à saúde, coletivo por adesão, com as operadoras de Planos de Saúde autorizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar para a prestação de serviços médicos (tal qual são as UNIMED's, a Federação das UNIMED's ("FESP") e outras operadoras que atuam no mercado) e (ii) convênios com pessoas jurídicas (doravante denominadas "Entidades"), que congregam pessoas físicas a ela vinculadas (doravante somente "Beneficiários") e aderentes aos serviços de assistência à saúde contratados com as Operadoras de Planos de Saúde (doravante denominado "Benefício"). Nesse sentido, de um lado, relativamente aos Beneficiários dos serviços de saúde (pessoas físicas), a Recorrente viabiliza, por disposição contratual (responsabilidade civil), a efetiva prestação dos serviços de saúde contratados (sob pena de indenização civil) prestados pela UNIMED. E, do outro lado, relativamente às Operadoras de Planos de Saúde, a Recorrente se responsabiliza por oferecer/negociar o seu produto aos Beneficiários vinculados a determinadas Entidades; também por cobrar, recolher e repassar os valores destinados a custear os gastos incorridos na prestação dos serviços médicos ("valor do plano 3 ) , pelas operadoras, bem como por garantir eventual inadimplência dos Beneficiários 4. A Recorrente, na qualidade de Administradora de Benefícios, recebe nota fiscal da Operadora de Plano de Saúde (no presente caso, a UNIMED), relativa aos valores do plano devidos pelos Beneficiários da Entidade. O valor do plano é definido pela Operadora de Plano de Saúde e está discriminado e individualizado nos demonstrativos que acompanham a nota fiscal. Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.297 9 A Recorrente cobra dos Beneficiários (pessoas físicas) da Entidade o valor do plano, acrescido do preço de seu serviço, que é a "taxa de administração", sem discriminar os valores de cada item. Ou seja, o Beneficiário recebe uma cobrança una, tanto da mensalidade quanto da taxa de administração. A Recorrente paga à Operadora de Plano de Saúde o valor do plano, relativas aos Beneficiários das entidades a ela conveniadas. Em resumo: nos termos da legislação e regulamentação de regência, a Recorrente liquida, por conta e ordem do Beneficiário, o valor do plano cobrado pela Operadora de Plano de saúde. (iii) Insubsistência dos argumentos que fundamentam a autuação fiscal e ratificados pela DRJ Conforme exposto no tópico anterior, a obrigação de recolher a contribuição previdenciária prevista no artigo 22, IV da Lei n.° 8.212/91 depende de 2 (dois) elementos, sendo que um deles a prestação de serviços ao contratante da cooperativa não ocorreu no presente caso. Efetivamente, a Recorrente celebra contratos de prestação de serviços de assistência à saúde com as diversas Cooperativas Médicas (as "UNIMEDs"), que por sua vez é oferecido às Pessoas Físicas vinculadas a determinadas Entidades profissionais, setoriais ou classistas. E, a contratação celebrada pela Recorrente jamais significaria, e nem permitiria presumir (como fez o Sr. Agente Fiscal), que ela seria a tomadora dos serviços médicos prestados pela UNIMED. Isso porque: (a) os serviços médicos são prestados às pessoas físicas (Beneficiários), sendo que nenhum dos empregados ou administradores da Recorrente é Beneficiário dos Planos de Saúde analisados pelo Sr. Agente Fiscal; e (b) a Recorrente figura como contratante por expressa autorização legal (artigo 23 da RNANS n.° 195/09), sendo que cobra o valor das mensalidades devidas pelos Beneficiários porque à UNIMED é vedado fazêlo (artigos 13 e 14 da RNANS n.° 195/09 7 ) . (iv) Inadequação da contribuição de 15% à Constituição Federal (...) A propósito, em face da instituição desta modalidade de contribuição previdenciária, foi proposta a Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n° 2.594, que ainda aguarda julgamento, mas nos autos da qual foi emitido um Parecer pela Procuradoria Geral da República, reconhecendo a inconstitucionalidade da exação (v) Da necessidade de revisão do valor da multa aplicada Com efeito, de acordo com informação contida no "' Discriminativo do Débito", nas competências 01 a 11/2008 é exigido o recolhimento da Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.298 10 multa de mora à razão de 24% e na competência 12/2008 é exigido recolhimento da multa de ofício à razão de 75%.. (vi) Da ilegalidade da majoração da multa pelo decurso de tempo Deveras, não há motivo legal que permita que o percentual da multa de mora prevista na redação original do artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 (aplicada no pre ente caso no período de 01 a 11/2008) seja majorado pelo transcurso do tempo. Isso porque, ao determinar a progressão do percentual da multa lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude in casu, a mora e a prática de atos administrativos ao longo do tempo (tais quais: a apresentação de defesa ou recurso administrativo, o pagamento parcial ou integral do tributo, a inscrição em dívida ativa, o ajuizamento de execução fiscal e etc.) o artigo 35 da Lei n.° 8.212/91 acabou por fazer com que a multa assumisse a função compensatória que é própria } e exclusiva dos juros de mora, o que acaba por configurar o malfadado bis in idem. Em outras palavras, não existe justificativa legal capaz de fundamentar a onerosidade do percentual da multa em razão do simples transcorrer do tempo ou em virtude da prática de determinados atos administrativos, já que tais expedientes se prestam a configurar uma nova infração ou a modificar a infração, tornandoa mais lesiva. (vii) Do descabimento da cobrança de juros sobre multa Também é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não podem ser exigidos sobre as multas punitivas, por absoluta ausência de previsão legal. (viii) Do descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais No transcurso da presente Sessão de Julgamento, no dia 16.10.2013, a Recorrente atravessa Petição nos autos, colacionando julgados, requerendo o sobrestamento do processo em função da Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal acerca da contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas, nos seguintes termos: "QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS S.A., devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, à prsença de Vossa Excelência, em observância ao parágrafo 1º do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como em atendimento ao Fl. 2318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.299 11 parágrafo único do art. 1 º da Portaria CARF n º 001/2012, requerer o sobrestamento do feito, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no RE n º 595.838RG, reconheceu a repercussão geral da matéria sub judice e vem determinando o sobrestamento dos feitos que versam sobre este tema. " Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.300 12 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 05 34.651 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal AIOP nº 37.260.0174 no valor inicial de R$ 9.522.474,73. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social que incidem sobre os valores das faturas emitidas por cooperativas de trabalho pela prestação de serviços de saúde, mais precisamente as cooperativas UNIMED PAULISTANA — Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 43.202.472/000130; UNIMEDRIO Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, CNPJ 42.163.881/000101 e UNIMED FESP Federação Estadual das Cooperativas Médicas, CNPJ 43.643.139/000166. Segundo ainda o Relatório Fiscal, o período abrangido pela fiscalização é de 01/2008 a 12/2008 e as Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa foram apuradas com base no valor das Notas Fiscais emitidas pelas cooperativas de trabalho. Considerando que se trata de serviços executados por profissionais de saúde e que se refere a plano de saúde oferecido pela fiscalizada, a base de cálculo foi calculada em 30% sobre o valor das Notas Fiscais, conforme o disposto no art. 291, inciso I da Instrução Normativa MPS/SRP n.° 3, de 14 de julho de 2005, cujas disposições foram reiteradas pelo art. 231, inciso I da Instrução Normativa RFB n.° 971, de 13 de novembro de 2009. No transcurso da presente Sessão de Julgamento, no dia 16.10.2013, a Recorrente atravessa Petição nos autos, colacionando julgados, requerendo o sobrestamento do processo em função da Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal acerca da contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas, nos seguintes termos: "QUALICORP ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS S.A., devidamente qualificada nos autos do processo em epígrafe, vem, respeitosamente, à prsença de Vossa Excelência, em observância ao parágrafo 1º do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como em atendimento ao parágrafo único do art. 1 º da Portaria CARF n º 001/2012, requerer o Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.301 13 sobrestamento do feito, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no RE n º 595.838RG, reconheceu a repercussão geral da matéria sub judice e vem determinando o sobrestamento dos feitos que versam sobre este tema. " DA HIPÓTESE DE SOBRESTAMENTO Temse que a Recorrente, após a interposição do Recurso Voluntário, atravessou Petição nos autos requerendo o sobrestamento do processo em função da Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal acerca da contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas. Observemos que o Regimento Interno do CARF RICARF, Anexo II, em seu artigo 62A, caput e §§ 1º e 2º dispõe que ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, CPC: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por outro lado, a Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil: Art. Iº Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.302 14 sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1 °. § Io . No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: 1 o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o . Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o . Na ocorrência de sobrestamento, nos lermos dos §§ Io e 2 o , as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Art. 3º. Proferida decisão definitiva pelo Supremo Tribunal Federal STF, nos termos do caput do art. Io , as Secretarias de Câmara deverão realizar a movimentação dos processos que se encontrem na atividade SOBRESTADO para os respectivos conselheiros relatores na atividade RELATAR. §1°. Compete ao Conselheiro relator do processo sobrestado, também, informar à Secretaria de Câmara a alteração de situação de que trata o caput, nos processos de sua relatoria. §2°. Será realizado novo sorteio na hipótese de o relator não mais integrar o colegiado. Art. 4º Todos os recursos que nesta data estiverem na situação SOBRESTADO, cujas matérias recursais estavam pendentes de apreciação não se subsumirem às regras dispostas nesta portaria, deverão ser imediatamente movimentados aos respectivos conselheiros relatores na atividade RELATAR e incluídos nas próximas pautas de julgamento dos respectivos colegiados. Art. 5º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.303 15 A Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, prevê na presente hipótese suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma: Neste diapasão, o art. 1º, parágrafo único da Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, prevê que o procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Ora, o ponto a ser decidido é o de se determinar se o STF determinou, ou não, o sobrestamento para os processos relativos acerca da contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas. Em consulta realizada em 16.10.2013 ao site do STF: (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=estatistica&pagina=sobrestadosrg), temos a descrição da planilha de processos sobrestados em razão da repercussão geral fornecida pelo STF na qual são apresentados aqui os processos que se encontram sobrestados,nos Tribunais de origem, em razão de tema com repercussão geral reconhecida que aguarda julgamento definitivo de mérito: "Na tabela abaixo é possível conferir a quantidade de processos sobrestados em cada Tribunal.A atualização dos números é realizada a partir das informações fornecidas pelos Tribunais." Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.304 16 Então, em consulta, em 16.10.2013, à planilha fornecida pelo STF de processos sobrestados em razão da repercussão geral, consultando o tema 166 referente ao Leader Case do Recurso Extraordinário RE nº 595838, Contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas temse que os processos relativos a este tema 166 estão pendentes de julgamento e COM O STATUS de SOBRESTADO. Portanto, considerandose que a informação pública emanada do STF, conforme o exposto acima, é no sentido de que os processos que versem sobre o tema 166 Contribuição, a cargo da empresa, incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 13896.001281/201011 Resolução nº 2403000.207 S2C4T3 Fl. 2.305 17 serviços desenvolvidos por cooperativas devem estar sobrestados, além do disposto no Regimento Interno do CARF RICARF, Anexo II, em seu artigo 62A, caput e §§ 1º e 2º e na Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, considero que o presente processo deve ficar sobrestado até a decisão do STF acerca da matéria relativa ao tema 166. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que, nos termos do art. 3º, § 2º da Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, a Secretaria desta Quarta Câmara de Julgamento da Segunda Seção receba o processo e mantenhao em caixa específica, movimentandoo para a atividade SOBRESTADO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 35301.004062/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE MATÉRIA SUSCITADA E TESE JURÍDICA ADOTADA.
A divergência jurisprudencial deve ser demonstrada em relação a cada matéria suscitada, tratada no acórdão recorrido, sem a necessidade de vinculação do paradigma à tese adotada no acórdão recorrido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA.
A demonstração analítica da divergência, prevista no § 6º, do art. 67, do RICARF, não exige a transcrição de trechos do acórdão recorrido, e sim a especificação do ponto a ser rediscutido, o que pode ser feito mediante resumo da tese adotada no julgado guerreado, relativamente à matéria suscitada no Recurso Especial.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire que apresentara declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE MATÉRIA SUSCITADA E TESE JURÍDICA ADOTADA. A divergência jurisprudencial deve ser demonstrada em relação a cada matéria suscitada, tratada no acórdão recorrido, sem a necessidade de vinculação do paradigma à tese adotada no acórdão recorrido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. A demonstração analítica da divergência, prevista no § 6º, do art. 67, do RICARF, não exige a transcrição de trechos do acórdão recorrido, e sim a especificação do ponto a ser rediscutido, o que pode ser feito mediante resumo da tese adotada no julgado guerreado, relativamente à matéria suscitada no Recurso Especial. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 40 62 /2 00 7- 65 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 2 DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire que apresentara declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, por meio da qual são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre remuneração creditada ao sócioadministrador, na qualidade de segurado contribuinte individual, no período de 01/2001 a 12/2001. A ciência do lançamento ocorreu em 30/03/2007 (fls. 01). Em sessão plenária de 18/08/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 165.468, prolatandose o Acórdão nº 240101.323 (fls. 178 a 180), assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004062/200765 Acórdão n.º 9202003.502 CSRFT2 Fl. 237 3 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por não declarar a decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a antecipação de pagamento.” Cientificada do acórdão em 22/12/2010 (fls. 181), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data (fls. 183), o Recurso Especial de fls. 184 a 188, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 022/2011, de 18/01/2011 (fls. 192 a 194). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; com efeito, os discriminativos apresentados pela fiscalização demonstram que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual, tornase necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173,1 do CTN, e não do art. 150, § 4º, do CTN; no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal, repisese, a contribuinte não antecipou o pagamento da contribuição lançada, e por isso se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173,1, do CTN; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN (cita também doutrina de Luciano Amaro); o acórdão recorrido, a despeito destas ponderações e da dicção do art. 173 do CTN, aplicou o prazo de decadência quinquenal, a contar da data de ocorrência do fato Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 4 gerador, portanto concedeuse à contribuinte decisão mais favorável do que esta obteria junto ao Poder Judiciário; concluise, à evidência, que deve ser reformada, a r. decisão recorrida, e essa é a linha adotada pela jurisprudência majoritária no âmbito do CARF, que, em harmonia com tudo quanto exposto neste recurso, ante a inexistência de pagamento, não admite a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, tal qual previsto no §4° do art. 150 do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, reconhecendose a decadência somente para as competências até novembro de 2001. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 16/02/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 198), o Contribuinte ofereceu, em 03/03/2011 (fls. 201), as Contrarrazões de fls. 201 a 213, contendo os seguintes argumentos, em resumo: Da ausência de prequestionamento as alegações da Recorrente, além de inovadoras, não foram apreciadas pelo acórdão recorrido; a Recorrente não se opõe à conhecida regra de que, em se tratando tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo constante no art. 150, § 4º, do CTN, nas hipóteses em que há o recolhimento a menor do tributo, ao passo que o prazo previsto no artigo 173, I, do CTN, é aplicável para a hipótese em que não há a antecipação do pagamento pelo contribuinte; a tese advogada pela Recorrente, na verdade, pautase na interpretação que deve ser dada aos referidos dispositivos legais, pois segundo seu entendimento, o artigo 173, I, do CTN deve ser aplicado com observância isolada e específica para cada rubrica que compõe a remuneração; vale dizer, ainda que o contribuinte apure a remuneração que entende devida e recolha as contribuições incidentes, entende a Recorrente que a ausência de alguma rubrica na base de cálculo considerada pelo contribuinte afastaria a aplicação do art. 150, § 4º do CTN e, via de conseqüência, atrairia o art. 173, I; tais questões não foram apresentadas, tampouco apreciadas pelo v. acórdão recorrido, que cingese a afirmar que “para a contagem de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado”; a discussão acerca da aplicação do art. 173, I, do CTN, com observância isolada de cada rubrica não foi apresentada, tampouco apreciada pelo v. acórdão recorrido, destarte, forte no artigo 67, § 3º, do Regimento Interno do CARF, deve ter seu seguimento negado. Da ausência de demonstração analítica da divergência apesar de a Recorrente ter anexado cópia da ementa dos dois acórdãos que indicou como paradigmas, em nenhum momento foi demonstrado analiticamente em que ponto Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004062/200765 Acórdão n.º 9202003.502 CSRFT2 Fl. 238 5 o acórdão recorrido divergiu da interpretação do artigo 173, I, do CTN, prestigiada pelos paradigmas; a simples transcrição das ementas e a afirmação de estar demonstrada a divergência, não preenche o requisito de admissibilidade previsto no 67, § 6º, do Regimento Interno deste C. CARF, o qual determina que: “§ 6º. A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” também por essa razão não merece seguimento o recurso em debate. Do mérito o artigo 150, § 4º, do CTN, é absolutamente aplicável a casos como o presente, em que a fiscalização não concorda com o valor do tributo declarado e recolhido pelo contribuinte e que, portanto, resolve fazer um lançamento suplementar; a questão de direito aqui envolvida é básica e sua análise depende apenas da fiel observância à natureza das coisas, portanto a abordagem da recorrida será bastante objetiva; os tributos sujeitos ao lançamento por homologação são aqueles cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administra e tal lançamento operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, (art. 150 do CTN); em se tratando de lançamento por homologação, portanto, o contribuinte exerce uma atividade intelectual de apuração e recolhimento do tributo devido em determinado período e, por obrigação legal, presta tais informações à autoridade administrativa competente que, por sua vez, deverá rever a atividade desenvolvida pelo contribuinte e, sendo o caso, homologála (cita jurisprudência do STJ); consoante o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, a autoridade administrativa possui o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para homologar “a atividade do sujeito passivo tendente à satisfação do crédito tributário”, sob pena da sua homologação tácita; as contribuições previdenciárias, como se sabe, são tributos sujeito ao lançamento por homologação, e assim são, pois o artigo 30 da Lei n° 8.212/91 obriga o sujeito passivo ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos seus empregados e o artigo 32, IV, também da Lei n° 8.212/91 obriga o sujeito passivo a “declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS”; a declaração acima mencionada é a GFIP que, consoante o artigo 32, §2°, da Lei n° 8.212/91, “constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário”;' Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 6 é por meio da GFIP, portanto, que o contribuinte declara para a Administração Pública a base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas em determinado período e o respectivo valor que entende ser devido; com efeito, tendo ocorrido a entrega da GFIP, possui a Administração Pública o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para verificar se as obrigações tributárias vinculadas àquele determinado período foram devidamente cumpridas pelo sujeito passivo; não há como se perder de vista que a base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa e que é esta a informação que é prestada através da GFIP; uma vez declarado o valor da remuneração, aplicamse as alíquotas correspondentes e, consequentemente, apontase o valor das contribuições devidas em determinado período; não há, na GFIP, qualquer campo para que o contribuinte indique pormenorizadamente o valor de todas as rubricas que contribuíram para a formação da base de cálculo das contribuições previdenciárias em determinado período, destarte o que o sujeito passivo entrega para a homologação da Administração Pública é o valor integral da base de cálculo por ele apurada e o correspondente montante das contribuições devidas (recolhidas ou não); a base de cálculo das contribuições previdenciárias é única, é tãosomente a remuneração, e na hipótese de não ter ocorrido a declaração do valor correspondente a determinada rubrica que a Administração Pública entenda ser tributável, obviamente, não há o que se falar em ausência de declaração, mas sim em declaração a menor; logo, em se tratando de eventuais rubricas que não foram consideradas no valor da remuneração informada pelo sujeito passivo quando da entrega da sua Declaração (GFIP), estáse diante de declaração a menor, e não de ausência de declaração, tal como pretendido pela Recorrente (cita jurisprudência do STJ e doutrina de Leandro Paulsen); destarte, sendo certo que a presente hipótese envolve a nítida realidade de recolhimento a menor de tributo apurado no período de 12/2001, resta clara a sua submissão ao prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, do CTN e, consequentemente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido em sua integralidade. ainda que não se entenda pela procedência de todos os argumentos acima expostos, o que se admite apenas para fins de argumentação, fato é que o crédito previdenciário em comento é manifestamente improcedente, uma vez que a operação considerada como tributada corresponde a legítima distribuição de dividendos e, portanto, não tributada por essas contribuições. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, na hipótese de não atendimento a este pedido, que seja negado provimento ao apelo. Do contrário, pede que os autos retornem à instância de origem, para apreciação do mérito. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004062/200765 Acórdão n.º 9202003.502 CSRFT2 Fl. 239 7 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, conforme os seguintes argumentos, em síntese: ausência de prequestionamento; e ausência de demonstração analítica da divergência. Quanto à alegação de ausência de prequestionamento, ao argumento de que o acórdão recorrido não teria abordado a questão do pagamento antecipado por rubrica, de plano cabe estabelecer a diferença entre a matéria objeto do recurso, e as diferentes teses que venham a integrar as discussões nos processos. Assim, a matéria suscitada no Recurso Especial é a decadência, o que envolve toda a legislação de regência, bastando que o Recorrente indique paradigma que adote interpretação divergente da que lhe deu o acórdão recorrido. Obviamente que ao mencionar “lei tributária”, o art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, não se refere a determinado dispositivo legal que porventura tenha constado do acórdão recorrido, e sim ao arcabouço normativo que envolva o tema, e nesse diapasão a alegada divergência jurisprudencial pode significar, inclusive, a aplicação de outro dispositivo legal, atrelado a tese diversa da adotada no recorrido, sem que isso caracterize inovação. Ademais, ainda que não houvesse o prequestionamento – o que se admite apenas para argumentar – tal requisito não é exigido relativamente aos recursos da Fazenda Nacional, conforme dispõe o art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, portanto aplicável ao presente Recurso Especial, interposto em 25/11/2010, contra acórdão prolatado em 18/08/2010. Confirase o dispositivo regimental: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.” (grifei) Quanto à alegação de ausência de demonstração analítica da divergência, também não assiste razão ao Contribuinte, conforme será demonstrado na sequência. O art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nª 256, de 2009, assim estabelece: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 8 “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” (grifei) A leitura do trecho em destaque permite concluir que a demonstração analítica da divergência deve ser levada a cabo com a indicação, nos paradigmas, de pontos específicos de divergência em relação ao acórdão recorrido, isso porque um acórdão pode conter várias decisões, envolvendo diversas matérias, de sorte que o Recorrente tem de indicar os pontos sobre os quais intenta demonstrar o dissídio interpretativo. Obviamente que “indicar os pontos de divergência” não significa que tais pontos tenham de ser trazidos ao recurso em forma de transcrição de trechos do acórdão recorrido, mormente quando a questão envolve uma única matéria – decadência. Nesse passo, a Recorrente especificou claramente o ponto que desejava rediscutir – até porque só havia uma matéria decidida, qual seja, a decadência. Confirase: “O v. acórdão ora recorrido aplicou o prazo previsto no art. 150, §4° do CTN e acolheu a preliminar de decadência para os períodos de 02/1999 a 12/2001. No entanto, será demonstrado a seguir que não ocorreu o pagamento antecipado sobre as contribuições apuradas, motivo pelo qual deve ser empregado ao caso concreto, o prazo do art. 173,I do CTN. Assim, divergiu a Câmara a quo, da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que vem determinado a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas, não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. Vejamos: Acórdão 20501579: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004062/200765 Acórdão n.º 9202003.502 CSRFT2 Fl. 240 9 Recurso Voluntário Provido.” (destaques da Recorrente) Acórdão 230100253: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. No presente caso, a recorrente não estava inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado.” (destaques da Recorrente) Assim, constatase que a Recorrente logrou demonstrar com clareza qual o ponto que desejava rediscutir, mediante resumo da tese adotada no acórdão recorrido – declaração de decadência pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, sem que se verificasse pagamento por rubrica – e indicou perfeitamente nos paradigmas o ponto em que divergiram do recorrido. Com efeito, a exigência de demonstração dos pontos que se pretende rediscutir por meio de transcrição de trecho do acórdão recorrido extrapola a prescrição regimental, criando exigência que de forma alguma pode ser extraída do § 6º, acima. Registrese que a demonstração da divergência por meio de cotejo analítico, inclusive em forma de quadro comparativo, onde são confrontados os respectivos trechos dos acórdãos recorrido e paradigma, constitui procedimento que sem dúvida facilita a análise do recurso, mormente nos casos em que são suscitadas diversas matérias, ou quando se trata de situação complexa, em que o simples resumo da tese adotada no acórdão recorrido poderia dificultar o entendimento acerca do que foi efetivamente decidido. Entretanto, não existe comando regimental a exigir tal procedimento, sendo suficiente que, no que tange ao acórdão recorrido, o Recorrente especifique o ponto que deseja rediscutir, mediante resumo da tese adotada no julgado objeto do recurso. Exigirse mais que isso, inclusive nos casos em que o ponto do dissídio jurisprudencial é único e evidente, constitui excesso de burocracia a criar entrave ao direito ao contraditório e à ampla defesa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo à análise do mérito. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, por meio da qual são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre remuneração creditada ao sócioadministrador, na qualidade de segurado contribuinte individual, no período de 01/2001 a 12/2001. A ciência do lançamento ocorreu em 30/03/2007 (fls. 01). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 10 A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o período de apuração de 12/2001. Sobre o tema a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004062/200765 Acórdão n.º 9202003.502 CSRFT2 Fl. 241 11 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, por concordar com eles, adoto os fundamentos do brilhante voto integrante do Acórdão 920201.413, de 12/04/2011, de relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que a seguir reproduzo. “(...) Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação a essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: vinte por Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 12 cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 27, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados, é o quinquenal contado do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Assim, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN.” O posicionamento acima já se encontra sumulado, conforme a seguir: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004062/200765 Acórdão n.º 9202003.502 CSRFT2 Fl. 242 13 sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 16, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 30/03/2007 (fls. 1), e os fatos geradores encontramse entre as competências 01/2001 a 12/2001, sendo que o presente litígio envolve apenas a competência 12/2001, constatase a ocorrência da decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO
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Numero do processo: 10580.733831/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Júlio César Alves Ramos, que consideravam o recurso intempestivo. Fez sustentação oral pela PGFN a Procuradora Bruna Garcia Benevides.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Júlio César Alves Ramos, que consideravam o recurso intempestivo. Fez sustentação oral pela PGFN a Procuradora Bruna Garcia Benevides. Julio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório O presente processo tem como objeto os Autos de Infração lavrado contra a contribuinte para a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2008, por ter sido constatada a insuficiência de recolhimento das contribuições nos períodos verificados. As divergências encontradas se referem à composição da base de cálculo das contribuições, além de relativas à tomada de créditos sobre aquisições de bens e serviços: 1. Receitas indevidamente tributadas à alíquota zero: a contribuinte lançou alíquota zero para tributar receitas que não possuem caráter financeiro (e que portanto não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 33 83 1/ 20 12 -8 3 Fl. 8755DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10580.733831/201283 Resolução nº 3401000.866 S3C4T1 Fl. 3 2 gozam do benefício da alíquota zero), tais como receitas de Promoções, de Promoção e Publicidade, de Enxoval de Lojas, de Acordos de Não Devolução e Não Diferidas EITF. 2. Receitas não computadas na base de cálculo: grupo de contas registrado pela contribuinte como recuperação de custos e despesas (não compondo a base de cálculo das contribuições), embora tivessem natureza de receitas operacionais. 3. Créditos tomados sobre aquisição de bens e serviços sem amparo legal: foi constatada a tomada de créditos sobre despesas que não encontram amparo legal para tanto. A contribuinte ingressou com impugnação ao auto de infração. A R. 4ª Turma da Delegacia da Receita federal de Julgamento em Salvador, após apreciar a impugnação e demais atos e documentos que instruem o processo, concluíram por considerar procedente em parte da impugnação, e proferem a seguinte Ementa ao Acórdão n.º 1533.023, de 15/08/2013: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. INSTRUÇÃO NORMATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 VALORES RECEBIDOS A DIVERSOS TÍTULOS. INCIDÊNCIA A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela do campo de incidência da Cofins. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Não há que se falar em “insumos”, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, quando a contribuinte não produzir ou fabricar bens ou prestar serviços, sendo mera revendedora de mercadorias. CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETE. O crédito se restringe às despesas efetuadas nas operações de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não há previsão legal para apurar créditos relativos à armazenagem de mercadorias nos estoques da empresa, nem relativos ao frete entre seu centro de distribuição e suas lojas. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. Na sistemática não cumulativa, podem ser descontados créditos em relação a aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação a aluguel de veículos ou a locação de softwares. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE IMÓVEIS. DIREITO A CRÉDITO. Fl. 8756DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10580.733831/201283 Resolução nº 3401000.866 S3C4T1 Fl. 4 3 A pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da empresa. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de não cumulatividade da Cofins, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 VALORES RECEBIDOS A DIVERSOS TÍTULOS. INCIDÊNCIA A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de excluíla do campo de incidência da Contribuição para o PIS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Não há que se falar em “insumos”, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, quando a contribuinte não produzir ou fabricar bens ou prestar serviços, sendo mera revendedora de mercadorias. CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETE. O crédito se restringe às despesas efetuadas nas operações de venda e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não há previsão legal para apurar créditos relativos à armazenagem de mercadorias nos estoques da empresa, nem relativos ao frete entre seu centro de distribuição e suas lojas. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. Na sistemática não cumulativa, podem ser descontados créditos em relação a aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação a aluguel de veículos ou a locação de softwares. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE IMÓVEIS. DIREITO A CRÉDITO. A pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da empresa. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 MULTA DE OFÍCIO. Fl. 8757DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10580.733831/201283 Resolução nº 3401000.866 S3C4T1 Fl. 5 4 Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual: 1 alega a tempestividade de seu recurso. E explica: A Recorrente tomou ciência da r. decisão de primeira instância apenas em 24/10/2013 (quintafeira), conforme se verifica das fls. 8598 dos autos. Patente, portanto, a tempestividade do presente recurso, já que o prazo de 30 (trinta) dias para sua interposição1 se encerra somente no dia 25/11/2013. Vale ressaltar que a intimação eletrônica da decisão de Ia instância constante às fls. 1003 dos autos é nula, uma vez que a Recorrente não autorizou que a Receita Federal utilizasse o Domicilio Tributário Eletrônico (DTE) para fins de intimação fiscal eletrônica. E a legislação é expressa no sentido ( de que o contribuinte deve autorizar o procedimento eletrônico de intimação2. A Recorrente somente se utilizou no DTE para fins de habilitação e operação no SISCOMEX, de maneira que sua intimação para todos os fins se deu apenas em 25/10/2013. 2 alega que houve excesso da autuação das receitas tributadas pela recorrente porque os valores de bonificação recebidos em dinheiro fizeram parte do total apurado para base de cálculo do PIS/COFINS e que haviam sido recolhidos pelo contribuinte nos meses fiscalizados. E o auto de infração faz exigência do PIS/COFINS sobre esses valores quando inclui no lançamento o total da conta "Receitas de Promoções" sem excluílos desse total. Estaria sendo cobrado valores de PIS e de COFINS pagos pela recorrente. 3 a impossibilidade de incidência de PIS e COFINS sobre os descontos concedidos pelos fornecedores à recorrente, pois: (a) Os descontos não geram receitas pois são redutores de custo. que só haverá receita quando o patrimônio líquido da empresa efetivamente sofrer uma alteração positiva. (b) e acrescenta que os descontos não representam receita decorrente de contra prestação de serviços ( c) e acrescenta que os descontos não estão sujeitos a condição futura e incerta, pois são sempre definidos no momento da assinatura dos Fl. 8758DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10580.733831/201283 Resolução nº 3401000.866 S3C4T1 Fl. 6 5 respectivos acordos comerciais e sempre com o objetivo de reduzir ao máximo o custo das mercadorias adquiridas (d) e alegam que ainda que fosse considerados receitas, esses descontos seriam receitas financeiras, sujeitos à alíquota de zero por cento para o PIS e a COFINS. Cita pronunciamentos do CPC, pensamentos de estudiosos e decisões do CARF (Acórdão 3402002.092, Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior). 4 alega seu direito creditamento pelas despesas de armazenagem glosadas pela fiscalização, pois ele é previsto pela Lei para bens que serão objeto de comercialização; 5 alega seu direito creditamento pelas despesas de frete glosadas pela fiscalização, pois o frete se refere ao transporte das mercadorias para os estabelecimentos onde são postos a venda e vendidos, e portanto são parte da operação de venda; 6 alega seu direito creditamento pelas despesas de com locação de máquinas e equipamentos glosadas pela fiscalização. Mas afirmam que o acórdão de 1ª Instância apresentou novos fundamentos para manter a glosa com relação aos créditos referentes a veículos e a programas de computador, o que altera o critério jurídico do lançamento. além disso, veículo é espécie de máquina ou equipamento e que os softwares são indispensáveis aos equipamentos de informática e processamento de dados usados nas atividades da empresa 7 alega seu direito creditamento pelas despesas com (a) frete no transporte entre seus estabelecimentos; (b) material de embalagem, sacolas e bandejas usados para acondicionamento dos produtos; (c) despesas com limpeza e higiene; (d) despesas com serviços especializados de terceiros para manutenção e verificação de qualidade dos produtos. (e) despesas com medicina ocupacional e ginástica laboral e assemelhadas exigidas pela legislação, glosadas pela fiscalização, pois se qualificam como insumos para a atividade exercida pela recorrente 8 e alega a ausência de motivação no auto de infração e a impossibilidade de alteração de critério jurídico com relação aos créditos apurados com proporcionalidade, e aos referentes a computadores e os créditos extemporâneos. E que as autoridades julgadoras não teriam competência para efetuar lançamento 9 repisam ainda a ilegitimidade da multa aplicada e seu carácter confiscatório e a ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 8759DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10580.733831/201283 Resolução nº 3401000.866 S3C4T1 Fl. 7 6 Ao consultar o processo encontro às fls. 8.595 a Intimação assinada em 28/08/2013 dirigida à contribuinte para ciência do Acórdão proferido pelos E. Julgadores de 1ª Instância. E às fls. 8.597 o Termo de ciência por decurso de prazo para a data de 12/09/2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 28/08/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 12/09/2013 E às fls. 8598 o Termo de Abertura de documento informando que o contribuinte abriu os arquivos correspondentes à intimação em 25/20/2013: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 25/10/2013 15:27h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento Contribuinte: 97.422.620/000150 BOMPRECO BAHIA SUPERMERCADOS LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 25/10/2013 A recorrente afirma a tempestividade de seu recurso voluntário e explica: A Recorrente tomou ciência da r. decisão de primeira instância apenas em 24/10/2013 (quintafeira), conforme se verifica das fls. 8598 dos autos. Patente, portanto, a tempestividade do presente recurso, já que o prazo de 30 (trinta) dias para sua interposição1 se encerra somente no dia 25/11/2013. Vale ressaltar que a intimação eletrônica da decisão de Ia instância constante às fls. 1003 dos autos é nula, uma vez que a Recorrente não autorizou que a Receita Federal utilizasse o Domicilio Tributário Eletrônico (DTE) para fins de intimação fiscal eletrônica. E a legislação é expressa no sentido ( de que o contribuinte deve autorizar o procedimento eletrônico de intimação. A Recorrente somente se utilizou no DTE para fins de habilitação e operação no SISCOMEX, de maneira que sua intimação para todos os fins se deu apenas em 25/10/2013. Tenho como indispensável deslindar preliminarmente se o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente ou não. Para tanto, será necessário verificar qual a data válida de ciência da intimação: ou 12/09/2013, ou 25/10/2013. A recorrente argumenta que a primeira data é nula porque não havia autorizado o procedimento eletrônico de intimação e que possuía Fl. 8760DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10580.733831/201283 Resolução nº 3401000.866 S3C4T1 Fl. 8 7 DTE (DOMICILIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO) apenas para fins de habilitação e operação no Siscomex. Além desse aspecto, a recorrente afirma que o auto de infração exige Pis e Cofins sobre valores já incluídos pelo próprio contribuinte na base de cálculo dos meses em discussão. Ou seja, seria a exigência sobre valores que já incidiram essa contribuições e já foram pagas. Esses valores se refeririam a bonificações recebidas em dinheiro. Entendo que se comprovado esse fato, ele deve ser corrigido, independentemente de ser tempestivo ou não o recurso voluntário. Conflita com os princípios que orientam o direito processual administrativo, o direito tributário e os atos da administração pública exigir o que não seria devido. Portanto, proponho a conversão do julgamento em diligência: (a) para este processo ser encaminhado à unidade de gerenciamento nacional da funcionalidade DTE pela Receita Federal do Brasil, no caso a Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança, para (i) informar os dados do histórico de adesão ao DTE pela recorrente e (ii) informar se, em 2013, o DTE não apresentava nível de confiabilidade desejado e se a recorrente teria sido orientada a cancelar sua adesão ao DTE e efetivar uma nova adesão a uma nova versão do DTE. (b) para este processo ser encaminhado à unidade jurisdicionante para : b.1 – informar sobre os termos da adesão ao DTE, inclusive com a habilitação pelo contribuinte ao sistema Siscomex; e se ele concordou e expressou consentimento com a intimação geral por via eletrõnica;. b.2 – informar sobre o suposto excesso de autuação, conforme o item 2 do resumo das alegações da recorrente, qual seja: 2 alega que houve excesso da autuação das receitas tributadas pela recorrente porque os valores de bonificação recebidos em dinheiro fizeram parte do total apurado para base de cálculo do PIS/COFINS e que haviam sido recolhidos pelo contribuinte nos meses fiscalizados. E o auto de infração faz exigência do PIS/COFINS sobre esses valores quando inclui no lançamento o total da conta "Receitas de Promoções" sem excluílos desse total. Estaria sendo cobrado valores de PIS e de COFINS pagos pela recorrente. Antes do processo retornar ao CARF, que à recorrente seja dada ciência dessa decisão e das informações e providências decorrentes da diligência e seja aberto prazo de 30 dias para se manifestar em cada caso. Fl. 8761DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10480.914181/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 81 /2 00 9- 06 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914181/200906 Acórdão n.º 3801004.689 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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