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Numero do processo: 19515.008135/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
ANTECIPAÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE.
São isentos os lucros distribuídos de acordo com a legislação tributária, mesmo que antecipados, desde não ultrapassem o lucro definitivo, apurado ao final do período.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS.
O art. 10 da Lei nº 9.249/95 criou um regime próprio para distribuição de dividendos, distinto do regime de apuração do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica que realiza o pagamento dos dividendos.
É possível ao contribuinte declarar como isentos os rendimentos provenientes de empresa da qual seja sócio a título de distribuição de lucros ou dividendos.
Caso a empresa seja tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuído lucro superior ao que serviu de base de cálculo da CSLL e do IRPJ, desde que comprovada sua existência por meio de contabilidade regular, de acordo com a legislação comercial, IN 93/97 e Lei nº 9.245/95.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2202-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Ricardo Mariz de Oliveira OAB/SP nº 15.759.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 ANTECIPAÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. São isentos os lucros distribuídos de acordo com a legislação tributária, mesmo que antecipados, desde não ultrapassem o lucro definitivo, apurado ao final do período. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. O art. 10 da Lei nº 9.249/95 criou um regime próprio para distribuição de dividendos, distinto do regime de apuração do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica que realiza o pagamento dos dividendos. É possível ao contribuinte declarar como isentos os rendimentos provenientes de empresa da qual seja sócio a título de distribuição de lucros ou dividendos. Caso a empresa seja tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuído lucro superior ao que serviu de base de cálculo da CSLL e do IRPJ, desde que comprovada sua existência por meio de contabilidade regular, de acordo com a legislação comercial, IN 93/97 e Lei nº 9.245/95. Recurso voluntário provido
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ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. São isentos os lucros distribuídos de acordo com a legislação tributária, mesmo que antecipados, desde não ultrapassem o lucro definitivo, apurado ao final do período. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. ISENÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. O art. 10 da Lei nº 9.249/95 criou um regime próprio para distribuição de dividendos, distinto do regime de apuração do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica que realiza o pagamento dos dividendos. É possível ao contribuinte declarar como isentos os rendimentos provenientes de empresa da qual seja sócio a título de distribuição de lucros ou dividendos. Caso a empresa seja tributada com base no lucro presumido, poderá ser distribuído lucro superior ao que serviu de base de cálculo da CSLL e do IRPJ, desde que comprovada sua existência por meio de contabilidade regular, de acordo com a legislação comercial, IN 93/97 e Lei nº 9.245/95. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Ricardo Mariz de Oliveira OAB/SP nº 15.759. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 35 /2 00 8- 15 Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.908 3 Relatório 1 Intimação e Verificação Fiscal O recorrente foi intimado, em 03/11/07, a apresentar comprovantes dos rendimentos declarados como isentos ou não tributáveis, no valor de R$ 25.190.946,24. Em resposta, informou que esses valores decorriam das seguintes origens: a) dividendos recebidos do escritório Advocacia Krakowiak, da qual era sócio majoritário, no valor de R$ 24.682.035,66; b) dividendos recebidos da empresa Aquarius Empreendimentos e Participações Ltda., no valor de R$ 500.000,00; b) juros recebidos do Fundo POUPCASH, do Bank Boston, no valor de R$ 1.980,56; d) juros recebidos da conta de poupança do Banco Safra, no montante de R$ 316,57; e) dividendos recebidos de HedgingGriffo, por aplicações em bolsa, no montante de R$ 6.613,25. Em relação aos três últimos, a Fazenda considerou suficientes as informações prestadas, mas requereu melhor detalhamento da comprovação dos dividendos recebidos pelo recorrente das empresas Advocacia Krakowiak e Aquarius Empreendimentos e Participações Ltda. Durante a investigação, foi efetuada diligência junto à empresa Advocacia Krakowiak, na qual foram obtidos os Livros Diário e Razão, a partir dos quais foi apurada a possibilidade de distribuição de lucros acumulados do ano anterior no montante de R$ 1.685.305,78, além de lucros a distribuir com baseado na base de cálculo do lucro presumido, opção de regime de tributação exercida pela pessoa jurídica, no valor de R$ 5.709.621,85. Foi lavrado auto de infração (fl. 12681273) no valor de R$ 11.321.982,33 com base na classificação indevida de rendimentos como isentos, tendo sido o contribuinte notificado em 12/12/08. A transcrição do trecho abaixo, extraído do Termo de Verificação Fiscal (fl. 1256), demonstra a motivação que sustentou o lançamento tributário: Assim sendo, para fins de apuração do lucro passível de distribuição pela pessoa jurídica aos sócios, sem a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de imposto de renda da pessoa física, tornase necessário que tais valores, efetivamente distribuídos, tenham sido contabilmente apurados de forma correta, ficando sujeitos à tributação os valores excedentes. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 No presente caso, para a correta apuração dos valores passíveis de distribuição sem a incidência do imposto, necessário se fazia o levantamento do lucro presumido deduzidos os impostos e contribuições correspondentes, fato que só poderia se concretizar com o decurso do prazo correspondente aos trimestres do anocalendário de 2003. Como a empresa foi efetuando pagamentos ao sujeito passivo à medida que recebia de seus clientes, os valores assim recebidos não se encontravam ao abrigo da isenção prevista no artigo 10° da Lei n° 9.249/95, posto que não havia, até antes do término do período de apuração, condições de se conhecer o valor do lucro presumido trimestral e de todos os impostos sobre ele incidentes. Vale acrescentar o disposto no art. 90 da Instrução Normativa SRF n° 15 de 06/02/01, "in verbis": "Art 90 Estão sujeitos ã incidência do imposto na fonte, calculado de acordo com a tabela progressiva mensal prevista no art. 24, a título de antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoa física ou jurídica e os demais rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, tais como: XVI — lucros efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, tributados pelo regime do lucro presumido, e escriturados no livro Caixa ou nos livros de escrituração contábil, que ultrapassarem o valor do lucro presumido deduzido dos impostos e contribuições correspondentes ou o valor do lucro contábil e dos lucros acumulados ou reservas de lucros de períodobase anteriores." Com base nos valores distribuídos pela empresa Advocacia Krakowiak aos sócios — Anexo 1 (fls. 1258 a 1264) e à luz do art. 9° da IN 15/01, a fiscalização elaborou o Anexo II (fls. 1265 a 1267), onde foram apuradas as seguintes diferenças entre o valor do lucro passível de distribuição sem a incidência de impostos e o efetivamente distribuído: MÊS DIFERENÇA APURADA —R$ JANEIRO/03 5.299.097,22 FEVEREIRO/03 2.700.559,43 MARÇO/03 441.500,00 MAIO/03 362.333,07 JUNHO/03 924.967,00 JULHO/03 711.950,98 AG0S1 0/63 2.073.500,00 SETEMBRO/03 965.629,50 OUTUBRO/03 1.706.494,83 NOVEMBRO/03 322.950,00 DEZEMBRO/03 1 837.102,68 De acordo com Contrato Social da empresa Advocacia Krakowiak, o sujeito passivo possuía 99,66% (noventa e nove vírgula sessenta e seis por cento) do capital da empresa, Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.909 5 cabendo ao ao (sic) mesmo a tributação das seguintes quantias excedentes: MÊS VALOR TRIBUTÁVEL — R$ JANEIRO/03 5.281.080,29 FEVEREIRO/03 2.691.377,53 MARÇO/03 439.998,90 MAIO/03 361.101,14 JUNHO/03 921.822,11 JULHO/03 709.530,35 AGOSTO/03 2.066.450,10 SETEMBRO/03 962.346,36 OUTUBRO/03 1.700.692,75 NOVEMBRO/03 321.851,97 DEZEMBRO/03 1.830.856,53 Será lavrado Auto de Infração para o lançamento dos valores apurados acima. A base normativa referida pela peça fiscal de autuação foi o art. 662 do RIR/99, em conjunto com o art. 1º da Lei 10.451/02. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 12801313), esgrimindo os seguintes argumentos: a) embora o escritório Advocacia Krakowiak tenha optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, possui contabilidade idônea que em nenhum momento foi infirmada pela fiscalização. A escrituração apresentada confere esteio aos valores distribuídos, demonstrando lucro efetivo superior ao lucro presumido; b) desde janeiro de 1996 é possível a distribuição isenta de lucro acima do presumido quando comprovada sua existência, correta escrituração e adequada apuração; c) é considerado isento o lucro distribuído antecipadamente, desde que ao final do exercício o lucro seja confirmado; d) todas as intimações recebidas pelo recorrente foram atendidas, nenhuma delas abordando o valor dos dividendos, mas apenas a demonstração do seu recebimento pelo recorrente; e) contribuinte não é sujeito passivo do imposto, vez que a responsabilidade é da fonte pagadora. Tanto o imposto quanto a multa, caso sejam devidos, são devidos pelo escritório Advocacia Krakowiak; Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 f) o lucro isento deve ser apurado de acordo com a escrituração fiscal da empresa. A autoridade lançadora não apenas deixou de apontar qualquer irregularidade na escrituração da recorrente, como utilizou todos os registros nela contidos para a constituição do crédito tributário; g) caso seja admito apenas o lucro presumido como limitador da distribuição isenta, para a definição do montante passível de distribuição isenta deve ser descontado apenas o Imposto de Renda, de acordo com o art. 20 da Lei 8.541/91, e não o IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, como defende a fiscalização; h) em caso de insucesso dos argumentos anteriores, preconiza que a responsabilidade por juros de mora e multa deve ser excluída, já que a verdadeira descumpridora da legislação tributária foi a empresa que não recolheu os rendimentos na fonte, e o contribuinte agiu de acordo com a lei e com as instruções normativas vigentes à época; i) os juros de mora não podem incidir sobre a multa, conforme foi confirmado por decisão contemporânea da 2º Câmara Superior de Recursos Fiscais; j) a Taxa Selic não é índice válido à atualização do crédito tributário. No ensejo, o recorrente juntou cópia dos balanços (fls. 13571360) e balancetes mensais (fls. 13611398) da empresa Advocacia Krakowiak no anocalendário em questão, além das DARF’s (fls. 13241355) referentes à comprovação do recolhimento dos tributos devidos à época. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 3ª Turma da DRJ/SP2 que, por unanimidade, manteve integralmente o lançamento tributário (14011413). Os fundamentos utilizados pela decisão seguem abaixo sintetizados: a) o órgão administrativo não é competente para declarar a inconstitucionalidade de leis tributárias; b) após a entrega da declaração, a responsabilidade da fonte que não reteve o imposto de renda em regime de antecipação deixa de existir, sendo ônus do contribuinte a inclusão desses rendimentos na sua Declaração de Ajuste Anual; c) embora a pessoa jurídica tenha cumprido as formalidades estabelecidas pela legislação regente, no que diz respeito aos registros fiscais e societários, o que autorizaria a distribuição de lucros em valor superior ao lucro presumido, não levantou balanços trimestrais para apurar o lucro real a distribuir, já que nesse anocalendário foi realizada, apenas, a apuração anual do resultado; d) é aplicável a SELIC como índice do juro de mora, bem como sua incidência sobre as multas após o vencimento. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário, alinhado nos seguintes fundamentos: Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.910 7 a) a legislação de regência não exige a apuração de balanços trimestrais como condição à distribuição de dividendos isentos, apenas que o valor distribuído decorra de resultado apurado conforme regular escrituração contábil e fiscal; b) o recorrente apresentou balancetes mensais que comprovam a existência de lucro a distribuir, período ainda menor que o pretensamente exigido; c) a contabilidade é meio de prova e serve para comprovar fatos. Não é instrumento jurígeno, capaz de criar ou extinguir direitos por si só. Sendo meio de prova, é substituível por qualquer outro meio suficiente de prova, tal como os balancetes apresentados ou Livros Diário e Razão; d) caso seja mantida a autuação com fulcro na impossibilidade de deduzir o lucro real pela ausência de requisito formal, o lucro passível de distribuição isenta é o lucro presumido deduzido de Imposto de Renda, vez que não há previsão legal da exigência de dedução de qualquer outro tributo para o gozo da isenção; e) por mera precaução, caso seja mantida a autuação, a responsabilidade pela infração é da empresa, que repassou os dividendos como se isentos fossem; f) deve ser afastada a incidência de juro sobre multa, devido ao disposto no art. 43, parágrafo único, da Lei 9.430/96, que somente trata de multa isolada. Antes do julgamento foram entregues memoriais reforçando os pontos principais da defesa. É o relatório. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso voluntário atende a todos os requisitos do DecretoLei 70.235/72, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente deve ser observado que, conforme acima relatado, o contribuinte foi autuado pois a fiscalização considerou que este não poderia declarar como isentos os rendimentos percebidos da empresa Advocacia Krakowiak, visto que esta operava pelo lucro presumido e o contribuinte não teria efetuado balanços trimestrais para que pudesse adiantar a distribuição do lucro real. 1. Regime tributário da PJ versus regime tributário de dividendos De forma extremamente sintetizada, o lucro pode ser definido como a diferença entre as receitas e despesas em determinado período de tempo. A dimensão do tempo que servirá de recorte à avaliação do resultado tributável de uma empresa dependerá do regime tributário aplicável, a saber: real, presumido ou arbitrado. No caso em tela, a apuração do lucro presumido decorreu da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta auferida pela empresa da qual o recorrente é sócio majoritário. Essa é a presunção legalmente entabulada para definição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A periodicidade dessa exação é trimestral, ou seja, a cada trimestre ocorre o evento tributário alusivo à obrigação tributário da CSLL e do IRPJ. Esse é o regime tributário aplicável à pessoa jurídica integrada pelo recorrente e, nessa sistemática, poderia a legislação admitir que apenas o valor oferecido à tributação por presunção (32% da receita bruta, deduzido o valor do IRPJ) fosse distribuído sob a forma de dividendos isentos. Poderia, mas não o fez. O art. art. 10 da Lei nº 9.249/95, abaixo transcrito, permitiu que os dividendos calculados com base nos resultados da pessoa jurídica, mesmo optante pelo lucro presumido, pagos a sócios, ficassem isentos do IRPF, a partir de 1996: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.911 9 A legislação tributária, como se observa, previu um regime próprio para pagamento de dividendos, distinto do regime de tributação da pessoa jurídica. Essa oferece 32% da receita bruta à tributação; o contribuinte, por sua vez, pode receber dividendos isentos em montante superior a esse percentual, desde que a escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica ateste sua existência. A Instrução Normativa SRF nº 93/97, ao esclarecer a redação do art. 10 da Lei 9.245/95, reforça essa premissa, ao estabelecer, em seu art. 48, §2º, que: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. (grifei) Complementando os dispositivos infralegais aplicáveis ao caso em tela, o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 15/01 reconhece a tributação, pelo IRPF, apenas dos valores distribuídos pela pessoa jurídica aos seus sócios, antecipadamente, que ultrapassem o valor do lucro contábil e do lucro acumulado ou reserva de lucro de períodos anteriores, in verbis: Art 9º Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado de acordo com a tabela progressiva mensal prevista no art. 24, a título de antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoa física ou jurídica e os demais rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, tais como: XVI — lucros efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, tributados pelo regime do lucro presumido, e escriturados no livro Caixa ou nos livros de escrituração contábil, que ultrapassarem o valor do lucro presumido deduzido dos impostos e contribuições correspondentes ou o valor do lucro contábil e dos lucros acumulados ou reservas de lucros de períodobase anteriores." Enfim, como se disse anteriormente ao desvincular o lucro a ser distribuído pela empresa do lucro presumido que serve de base de cálculo para a incidência de IRPJ e CSLL, a lei criou um regime jurídico próprio e autônomo para a distribuição de dividendos, que não mantém conexão lógiconormativa com os elementos informativos do lucro presumido sobre o qual a pessoa jurídica deve recolher o IRPJ e a CSLL. Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 10 2. Do auto de infração e da decisão recorrida O auto de infração foi erigido sob a premissa de que a distribuição de dividendos somente poderia ocorrer após cada trimestre de apuração do IRPJ. O equívoco é manifesto. A um, porque o regime tributário de IRPJ e de CSLL da pessoa jurídica sujeita ao lucro presumido é totalmente indiferente ao seu resultado contábilfiscal, pois corresponde a um percentual raso de sua receita operacional. A dois, porque os valores recebidos pelo recorrente o foram a título de antecipação de dividendos. Antecipação de algo que seria perfectibilizado, ou não, no encerramento do exercício de 2003. Tratandose de tributação da pessoa física e não da pessoa jurídica, a periodicidade a ser observada para constatação da definitividade dos adiantamentos é aquela desenhada no aspecto temporal da regramatriz tributária do Imposto sobre a Renda da pessoa física, leiase, ano civil. Somente nesse momento é que poderá ser verificada a correção do lucro antecipadamente distribuído. Noutros termos, a antecipação da distribuição de dividendos é a distribuição do lucro antes do termo legal, com base na escrita contábil prévia ao encerramento do período, o que é permitido em nosso sistema jurídico, desde que, ao final do período, o resultado “precariamente distribuído” seja inferior ou igual ao lucro definitivo, retratado no encerramento do período legalmente fixado. Nesse contexto, o único requisito exigível à validade da distribuição antecipada de dividendos, sob o ponto de vista lógico, constitucional e infraconstitucional, seria a demonstração da existência de resultado suficiente, existente à época da distribuição, conforme registro contábil. Esse requisito foi atendido pelo recorrente, conforme revelam as tabelas abaixo elaboradas, a partir dos dados que atestam, mês a mês, o valor distribuído e o saldo de lucro a distribuir: Mês jan/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.685.303,78 Lucro do Mês R$ 7.333.199,13 Receita de Prestação de Serviços R$ 8.495.407,79 Receitas Financeiras R$ 6.227,28 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 8.845,00 Base de cálculo do IRPJ R$ 2.733.602,77 IRPJ e Adicional R$ 681.400,69 IRF R$ (128.532,69) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 552.868,00 Base de Cálculo da CSL R$ 1.034.521,21 Cálculo da CSLL CSL R$ 93.106,91 Lucro do mês passível de distribuição R$ 6.687.224,22 Total passível de distribuição no mês R$ 8.372.528,00 Lucro Distribuído no mês R$ 6.984.401,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.388.127,00 Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.912 11 Mês fev/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.388.127,00 Lucro do Mês R$ 2.696.658,89 Receita de Prestação de Serviços R$ 3.895.609,40 Receitas Financeiras R$ 24.637,62 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 8.845,00 Base de cálculo do IRPJ R$ 1.280.077,63 IRPJ e Adicional R$ 318.019,41 IRF R$ (63.244,76) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 254.774,65 Base de Cálculo da CSL R$ 500.955,75 Cálculo da CSLL CSL R$ 45.086,02 Lucro do mês passível de distribuição R$ 2.396.798,23 Total passível de distribuição no mês R$ 3.784.925,22 Lucro Distribuído no mês R$ 2.700.559,43 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.084.365,79 Mês mar/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.084.365,79 Lucro do Mês R$ 1.266.215,84 Receita de Prestação de Serviços R$ 1.568.963,80 Receitas Financeiras R$ 20.196,60 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 8.845,00 Base de cálculo do IRPJ R$ 531.110,02 IRPJ e Adicional R$ 130.777,50 IRF R$ (27.317,97) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 103.459,53 Base de Cálculo da CSL R$ 217.317,26 Cálculo da CSLL CSL R$ 19.558,55 Lucro do mês passível de distribuição R$ 1.143.197,75 Total passível de distribuição no mês R$ 2.227.563,55 Lucro Distribuído no mês R$ 441.500,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.786.063,55 Mês abr/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.786.063,55 Informações obtidas nos balancetes da Lucro do Mês R$ 3.289.407,30 Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 12 Receita de Prestação de Serviços R$ 3.793.017,32 Receitas Financeiras R$ 17.319,01 sociedade Receitas de Aluguéis R$ 9.780,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 1.240.864,75 IRPJ e Adicional R$ 308.216,19 IRF R$ (60.317,06) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 247.899,13 Base de Cálculo da CSL R$ 482.261,29 Cálculo da CSLL CSL R$ 43.403,52 Lucro do mês passível de distribuição R$ 2.998.104,66 Total passível de distribuição no mês R$ 4.784.168,20 Lucro Distribuído no mês R$ 2.923.845,25 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.860.322,95 Mês mai/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.860.322,95 Lucro do Mês R$ 1.176.760,96 Receita de Prestação de Serviços R$ 1.470.995,71 Receitas Financeiras R$ 45.262,94 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 9.780,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 525.761,77 IRPJ e Adicional R$ 129.440,44 IRF R$ (29.780,95) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 99.659,49 Base de Cálculo da CSL R$ 231.562,63 Cálculo da CSLL CSL R$ 20.840,64 Lucro do mês passível de distribuição R$ 1.056.260,83 Total passível de distribuição no mês R$ 2.916.583,78 Lucro Distribuído no mês R$ 402.053,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 2.514.530,78 Mês jun/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 2.514.530,78 Lucro do Mês R$ 688.933,05 Receita de Prestação de Serviços R$ 930.474,20 Receitas Financeiras R$ 19.857,64 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 9.780,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 327.389,58 IRPJ e Adicional R$ 79.847,40 Cálculo do IRPJ IRF R$ (17.836,30) Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.913 13 IRPJ a recolher R$ 62.011,10 Base de Cálculo da CSL R$ 141.294,74 Cálculo da CSLL CSL R$ 12.716,53 Lucro do mês passível de distribuição R$ 614.205,43 Total passível de distribuição no mês R$ 3.128.736,21 Lucro Distribuído no mês R$ 924.967,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 2.203.769,21 Mês jul/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 2.203.769,21 Lucro do Mês R$ 1.812.351,25 Receita de Prestação de Serviços R$ 2.427.314,20 Receitas Financeiras R$ 23.324,04 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 9.780,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 809.844,78 IRPJ e Adicional R$ 200.461,20 IRF R$ (40.995,61) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 159.465,59 Base de Cálculo da CSL R$ 324.381,94 Cálculo da CSLL CSL R$ 29.194,37 Lucro do mês passível de distribuição R$ 1.623.691,29 Total passível de distribuição no mês R$ 3.827.460,50 Lucro Distribuído no mês R$ 2.089.258,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.738.202,50 Mês ago/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.738.202,50 Lucro do Mês R$ 2.576.441,34 Receita de Prestação de Serviços R$ 2.934.051,46 Receitas Financeiras R$ 18.108,13 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 10.018,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 967.022,80 IRPJ e Adicional R$ 239.755,70 IRF R$ (47.494,92) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 192.260,78 Base de Cálculo da CSL R$ 380.212,51 Cálculo da CSLL CSL R$ 34.219,13 Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 14 Lucro do mês passível de distribuição R$ 2.349.961,44 Total passível de distribuição no mês R$ 4.088.163,94 Lucro Distribuído no mês R$ 2.073.500,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 2.014.663,94 Mês set/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 2.014.663,94 Lucro do Mês R$ 533.417,85 Receita de Prestação de Serviços R$ 937.774,22 Receitas Financeiras R$ 19.405,01 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 10.018,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 329.510,96 IRPJ e Adicional R$ 80.377,74 IRF R$ (17.469,67) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 62.908,07 Base de Cálculo da CSL R$ 329.510,96 Cálculo da CSLL CSL R$ 29.655,99 Lucro do mês passível de distribuição R$ 440.853,79 Total passível de distribuição no mês R$ 2.455.517,73 Lucro Distribuído no mês R$ 965.629,50 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.489.888,23 Mês out/03 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.489.888,23 Lucro do Mês R$ 3.691.909,32 Receita de Prestação de Serviços R$ 4.997.171,07 Receitas Financeiras R$ 16.152,00 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 10.018,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 1.625.264,94 IRPJ e Adicional R$ 404.316,24 IRF R$ (76.753,20) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 327.563,04 Base de Cálculo da CSL R$ 1.625.264,94 Cálculo da CSLL CSL R$ 146.273,84 Lucro do mês passível de distribuição R$ 3.218.072,44 Total passível de distribuição no mês R$ 4.707.960,67 Lucro Distribuído no mês R$ 3.071.942,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.636.018,67 Mês nov/03 Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.914 15 Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.636.018,67 Lucro do Mês R$ (125.235,07) Receita de Prestação de Serviços R$ 203.594,81 Receitas Financeiras . R$ 15.020,93 Informações obtidas nos balancetes da sociedade Receitas de Aluguéis R$ 9.118,20 Base de cálculo do IRPJ R$ 89.289,47 IRPJ e Adicional R$ 20.322,37 IRF R$ (6.055,48) Cálculo do IRPJ IRPJ a recolher R$ 14.266,89 Base de Cálculo da CSL R$ 89.289,47 Cálculo da CSLL CSL R$ 8.036,05 Lucro do mês passível de distribuição R$ (147.538,01) Total passível de distribuição no mês R$ 1.488.480,66 Lucro Distribuído no mês R$ 352.950,00 Demonstração do Lucro Distribuído Saldo (excesso) no mês R$ 1.135.530,66 As tabelas acima elaboradas demonstram que, em nenhum momento foi distribuído lucro sem respaldo em (a) reserva de lucro de períodobase anterior e/ou (b) lucro apurado no mês de distribuição. A apuração trimestral do lucro efetivo, de seu turno, como não poderia ser diferente (sob o ponto de vista lógicomatemático) reafirma a suficiência do resultado disponível, em cada trimestre, à distribuição, conforme revela a planilha abaixo: Lucro Acumulado não distribuído em meses anteriores R$ 1.685.303,78 Lucro do Período R$ 10.227.220,20 Lucro passível de distribuição R$ 11.912.523,98 Lucro distribuído R$ 10.126.460,43 1º Trimestre Lucro Acumulado para os meses posteriores R$ 1.786.063,55 Lucro do Período R$ 4.668.570,91 Lucro passível de distribuição R$ 6.454.634,46 Lucro distribuído R$ 4.250.865,25 2º Trimestre Lucro Acumulado para os meses posteriores R$ 2.203.769,21 Lucro do Período R$ 4.414.506,52 Lucro passível de distribuição R$ 6.618.275,73 Lucro distribuído R$ 5.128.387,50 3º Trimestre Lucro Acumulado para os meses posteriores R$ 1.489.888,23 Lucro do Período R$ 5.068.829,83 Lucro passível de distribuição R$ 6.558.718,06 4º Trimestre Lucro distribuído R$ 5.261.727,68 Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 16 Lucro Acumulado para os meses posteriores R$ 1.296.990,38 No caso ora analisado, o recorrente comprovou, mediante “balancetes de verificação” e Livros Diários e Razão (devidamente registrados e autenticados), que o lucro apurado, efetivo, superou o valor correspondente ao lucro presumido que serve de base de cálculo apenas para o recolhimento dos tributos devidos pela pessoa jurídica optante por esse regime tributário. A dúvida recairia sobre quais são os requisitos exigidos pela legislação contábil e comercial para a distribuição antecipada de lucros, matéria atualmente regida pelo Código Civil de 2002, através dos enunciados abaixo reproduzidos: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens. Parágrafo único. É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, regularmente autenticado. Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.915 17 § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Art. 1.186. O livro Balancetes Diários e Balanços será escriturado de modo que registre: I a posição diária de cada uma das contas ou títulos contábeis, pelo respectivo saldo, em forma de balancetes diários; II o balanço patrimonial e o de resultado econômico, no encerramento do exercício. Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo. Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o balanço patrimonial, em caso de sociedades coligadas. Art. 1.189. O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de lucros e perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele constarão crédito e débito, na forma da lei especial. Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. A esse respeito, é preciso referir que a decisão da DRJ confirma a regularidade e a idoneidade da escrituração, conforme pode ser apurado pelo seguinte trecho transcrito (fl. 1858, Volume VII): Verificase que a pessoa jurídica de fato cumpriu todas estas formalidades estabelecidas pela legislação no que tange ao livro Diário e poderia ter efetuado a distribuição de lucros em valor superior ao lucro presumido, deduzidos os tributos e contribuições, desde que houvesse efetuado as demonstrações contábeis ao longo do períodobase conforme exige a legislação e não somente no final do anocalendário como foi feito. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 18 Como se verifica, a manutenção do auto de infração decorreu, exclusivamente, da ausência de balanço trimestral, e não da insuficiência de resultado disponível. Com o devido respeito à r. decisão recorrida, essa interpretação do ordenamento parece equivocada, sobretudo no caso em tela, pois: a) restou demonstrada a existência de resultado suficiente à distribuição ocorrida, conforme levantamentos mensais; b) a fiscalização reconheceu a regularidade da escrituração da pessoa jurídica que realizou o pagamento dos dividendos recebidos pelo recorrente, não só quanto à forma como quanto ao conteúdo; c) não existe enunciado legal ou infralegal que condicione a regularidade da distribuição de dividendos antecipados à apuração de balanços trimestrais, no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido; d) o art. 48, §8º, da IN 93/97 apenas prevê que a distribuição de dividendos que não encontre respaldo em balanço acarretará a tributação desses valores. Assim, eventuais antecipações que não encontrem guarida no encerramento do exercício estarão sujeitas ao IRPF. Até esse momento (31/12), a única exigência válida é a existência de resultado suficiente à distribuição; e) mesmo que existisse fundamento normativo, a exigência hipotética de balanço deve observar a necessidade de elucidação dos fatos contábeis por ele retratados; no caso em tela, há comprovação de que os dividendos recebidos eram dotados de fundamento contábil que denotasse resultado suficiente, até o momento em que ocorreu a distribuição. Se os demais registros contábeis apresentados já demonstram essa realidade, a restrição ao enquadramento dos rendimentos no art. 10 da Lei nº 9.249/95 revela se não apenas inconciliável com qualquer interpretação teleológica, como incompatível com o princípio da proporcionalidade (subprincípio da necessidade). Sobre a interação entre os subprincípios da necessidade e da adequação, versa o Ministro Gilmar Mendes: O subprincípio da adequação (Geeignetheit) exige que as medidas interventivas adotadas mostremse aptas a atingir os objetivos pretendidos. O subprincípio da necessidade (Notwendigkeit oder Erforderlichkeit) significa que nenhum meio menos gravoso para o indivíduo revelarseia igualmente eficaz na consecução dos objetivos pretendidos. Em outros termos, o meio não será necessário se o objetivo almejado puder ser alcançado com a adoção de medida que se revele a um só tempo adequada e menos onerosa. Ressaltese que, na prática, adequação e necessidade não têm o mesmo peso ou relevância no juízo de ponderação. Assim, apenas o que é adequado pode ser necessário, mas o que é necessário não pode ser inadequado. Pieroth e Schlink ressaltam que a prova da necessidade tem maior relevância do que o teste da adequação. Positivo o teste da necessidade, não há de ser negativo o teste da adequação. Por outro lado, se o teste quanto à necessidade revelarse negativo, o resultado positivo do teste de adequação não mais poderá afetar o resultado definitivo ou final. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.008135/200815 Acórdão n.º 2202001.862 S2C2T2 Fl. 1.916 19 (MENDES, Gilmar. O princípio da proporcionalidade na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: novas leituras. Revista Diálogo Jurídico, Salvador, CAJ Centro de Atualização Jurídica, v. 1, nº. 5, agosto, 2001. Disponível em: <http://www.direitopublico.com.br>. Acesso em: 02 de março de 2012.) No presente caso atingese por outro meio à mesma finalidade, sem prejuízo da Administração e do contribuinte, devendo este método ser aceito sob pena de violação do subprincípio da necessidade. Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a isenção pleiteada e desconstituir integralmente o lançamento. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 15254.000095/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 559/581) interposto pelo Contribuinte (“Recorrente”), em face do acórdão n° 0936.854, proferido pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que manteve o lançamento decorrente do ajuste da base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS, em virtude do tratamento dado pela Recorrente ao álcool anidro. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório da decisão recorrida, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 54 .0 00 09 5/ 20 09 -0 1 Fl. 594DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15254.000095/200901 Resolução nº 3202000.076 S3C2T2 Fl. 596 2 “Contra o interessado foram lavrados autos de infração de ajuste da base de cálculo dos créditos da Cofins e do PIS/Pasep para os 3° e 4° trimestres de 2004, em função das irregularidades descritas nos respectivos autos (fls. 51/58 e 59/66, respectivamente); A empresa apresenta impugnação (fls. 71/95) na qual alega, em síntese, que: 1) "Do vicio de formalidade do auto de infração: De forma alguma um auto de infração pode se resumir aos valores de base de cálculo e alíquotas, com apuração do tributo seguido dos juros de mora e da multa. Sendo estes autos de infração, ora impugnados, resultado de um trabalho de fiscalização detalhado, tendo envolvido diversas diligencias, era bastante razoável que estes autos de infração viessem acompanhados de relatórios, demonstrativos pormenorizados, listagens, laudos e demais comprovações do levantamento efetuado. Assim, há um vicio insanável no procedimento de fiscalização, provocando a completa nulidade dos atos posteriores" 2) "Como demonstrado, consideradas as receitas auferidas pela empresa UBP DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE PETROLEO LTDA, ora impugnante, imprescindível observar que algumas delas não são originadas pela comercialização de álcool hidratado, razão pela qual é indiscutível a apuração e conseqüente apropriação dos créditos decorrentes destas receitas, uma vez que elas estão sujeitas a outra sistemática de tributação da contribuição para o PIS/Pasep"; 3) "Dentre os produtos comercializados pelas Distribuidoras de Combustíveis estão a Gasolina 'C', o Óleo Diesel e o Álcool Hidratado. Os dois primeiros produtos sofrem misturas por determinação da própria ANP — Agencia Nacional do Petróleo. Entendemos que o álcool etílico anidro quando adicionado a gasolina é passível de recuperação de credito de PIS e COFINS, pois é um tipo de insumo utilizado no processo de mistura tendo como resultado final a gasolina "C", pois a gasolina "A" adquirida da refinaria não possui as especificações necessárias determinadas pela legislação vigente para ser distribuído/vendido ao comercio varejista, motivo pelo qual necessita da adição do álcool etílico anidro."; 4) "Dessa forma, forçoso reconhecer que o produto gasolina C, Comercializado pela contribuinte, ora Impugnante é resultado da mistura de dois insumos distintos: a gasolina A (fornecida pela Petrobrás) e o álcool etílico anidro, fornecido pelas usinas. Não há como tratar a gasolina A e o álcool etílico anidro como mercadorias geradoras de receita, pois não são produtos comercializados de forma independente, diferentemente da conclusão da ilustre Auditora, na decisão ora impugnada de que ambos seriam classificados como 'um produto pela distribuidora'. Frisese, o produto comercializado pela contribuinte é a gasolina C que corresponde ao resultado da mistura, e conseqüente alteração de suas propriedades químicas, da gasolina A e do álcool etílico anidro"; 5) requer prova pericial e para tanto indica Perito e formula quesitos”. Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem julgar improcedente a impugnação apresentada, sob o entendimento manifestado na ementa do acórdão recorrido, abaixo transcrita: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15254.000095/200901 Resolução nº 3202000.076 S3C2T2 Fl. 597 3 CRÉDITO DE PIS/PASEP e COFINS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO A GASOLINA. Até 30 de setembro de 2008, não havia direito a créditos da Cofins para distribuidora de combustíveis, sobre aquisição de álcool anidro para fins de adição à gasolina. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário, reiterando os argumentos citados em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade e tendo sido apresentado tempestivamente o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. A Recorrente objetiva a reforma da decisão do órgão julgador de primeira instância, que negou provimento à impugnação, por entender, resumidamente, que a venda de álcool anidro não poderia gerar crédito do PIS e da COFINS em razão da tributação das receitas auferidas com a venda de álcool para fins carburante, caso do álcool anidro, estar sujeita, à época dos fatos, à sistemática cumulativa de apuração das referidas contribuições (artigo 3°, I, “a”, combinado com o artigo 1°, §3°, IV, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003). Pondera ainda a decisão a quo que o artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, que confere aos contribuintes que vendem produtos submetidos à alíquota zero o direito de manutenção dos créditos relativos à aquisição destes produtos, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição, caso daqueles vinculados à aquisição para revenda de álcool etílico anidro (artigo 10, VII, “a”, da Lei n° 10.833/2003 – artigo 8° Lei n° 10.637/2002 – e artigo 3°, §7° das referidas Leis). Em breves linhas, essas são as razões que levaram a instância de piso a julgar improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente. Em hipóteses como a que se apresenta, o direito ao crédito vinculase à sistemática de apuração das contribuições aqui tratadas. Pois bem, para o deslinde da questão, deve restar esclarecido se a junção do álcool anidro com a gasolina A resulta em novo produto (gasolina C) ou se, na verdade, tratase apenas de uma mistura, sendo mantidas as propriedades dos componentes originários (álcool anidro e gasolina A). Na hipótese da junção do álcool anidro à gasolina A (gasolina C) resultar em novo produto, com propriedades distintas das originais, o tratamento dispensado àquelas substâncias deve ser o de insumo, hipótese em que a Recorrente teria direito ao crédito ora discutido. Já na conjectura de manutenção das propriedades de origem, inexistindo novo produto, não há que se falar em direito ao crédito. Isto porque, neste cenário, o álcool anidro é Fl. 596DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15254.000095/200901 Resolução nº 3202000.076 S3C2T2 Fl. 598 4 tratado como produto vendido pela Recorrente, sujeito, à época dos fatos, à sistemática cumulativa de apuração do PIS e da COFINS. Verificase, portanto, que devem restar apuradas as propriedades das substâncias envolvidas para esclarecimento acerca da tomada de créditos pela Recorrente. Para tanto, proponho que os autos retornem à DRF competente para a realização de perícia técnica, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: 1) Descrever o processo produtivo que envolve a junção do álcool anidro com a gasolina A, do qual resulta a gasolina C. 2) A gasolina C é uma simples mistura da gasolina A com o álcool anidro? 3) Quais são os componentes da gasolina A e da gasolina C? 4) Existe algum tipo de beneficiamento ou transformação do álcool anidro na operação de que resulta a gasolina C? As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Diante disso, à luz da legislação que trata do tema, converto o julgamento em diligência para que seja determinada a realização de perícia, de modo que se possa obter resposta aos quesitos supra. Após a referida diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 597DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.900017/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3801-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 61 1 60 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.900017/200974 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801001.206 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AUTO COMERCIAL PAJÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1996 a 31/08/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, SÚMULA CARF N°2. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontos Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 03/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 00 17 /2 00 9- 74 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11030.900017/200974 Acórdão n.º 3801001.206 S3TE01 Fl. 62 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP transmitida em 27/'12/2005 (fls. 1/5), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP referente ao período de apuração de agosto de 1996, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 23/12/2005, no valor total de R$ 1.117,27, com débitos de COFINS dos períodos de apuração de março e abril de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 3.109,93. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 06) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, por meio de guia DARF, não foi localizado, culminando na cobrança dos valores que se objetivou compensar acrescidos de multa e juros. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 12/19, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre das diversas alterações legislativas referentes ao PIS e declaradas inconstitucionais, discorrendo desde a edição da Medida Provisória nº 1.212/95 até as Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, alegou, ainda, ser a multa lançada no despacho decisório inconstitucional. A DRJ em Porto Alegre – RS, por sua vez, apesar de discorrer sobre o mérito do suposto direito creditório, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 39/40, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado para tanto (fls. 42), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 43/60 em 12/09/2011, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Independentemente de toda a alegação quanto a origem do crédito apontada pela Recorrente, tenho que o presente processo se resolve por conta da inexistência de documentação que prove o direito da contribuinte. É importante ressaltar que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário muito bem redigido, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 11030.900017/200974 Acórdão n.º 3801001.206 S3TE01 Fl. 63 5 Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Quanto à desproporcionalidade da multa aplicada, ante os argumentos expendidos, que abrangeram somente a discussão da inconstitucionalidade por conta de entender a Recorrente ser confiscatória, é defeso a esse conselho apreciar tal argumento pois o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 6 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002870/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECEBIMENTO E PAGAMENTO. DÉBITO E CRÉDITO FISCAL. COMPENSAÇÃO.
Faz-se mister a rejeição do lançamento do imposto de renda retido sobre juros pagos sobre o capital próprio diante da comprovação de que houve compensação com o imposto incidente sobre juros da mesma espécie recebidos.
Recurso ofício negado.
Numero da decisão: 2202-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, nego provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2005 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECEBIMENTO E PAGAMENTO. DÉBITO E CRÉDITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Fazse mister a rejeição do lançamento do imposto de renda retido sobre juros pagos sobre o capital próprio diante da comprovação de que houve compensação com o imposto incidente sobre juros da mesma espécie recebidos. Recurso ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, nego provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 70 /2 00 9- 98 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002870/200998 Acórdão n.º 2202001.994 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, SILVIO SANTOS PARTICIPAÇÕES LTDA.. No dia 28.07.2009, lavrouse um auto de infração contra a interessada para se lhe exigir imposto de renda retido na fonte (IRRF) no valor de R$ 1.047.774,00, acrescido de multa proporcional no valor de R$ 785.830,47 e juros de mora, sob a acusação de ela, apesar de declarálo em DIRF, deixar de declarálo em DCTF e de recolhêlo aos Cofres Públicos (fls. 152/156). O imposto lançado é o incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio (JCP) efetuado em março, agosto, setembro e outubro de 2004 aos seus proprietários. Fundamentouse a autuação no art. 668 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999). Encontra se nos autos um termo de verificação fiscal (fls. 149/151) no qual o autuante disse, em resumo, que, intimada, a interessada não comprovou a entrega de DCTF em que constassem as receitas relativas ao código 5706 indicadas na respectiva DIRF, da competência de março, agosto, setembro e outubro de 2004. Inconformada com o lançamento, do qual foi cientificada em 28.07.2009, a interessada o impugnou no dia vinte e cinco seguinte (fls. 160/174). Alegou, em síntese: que o IRRF incidente sobre JCP pagos tem caráter antecipatório e, por isso, é compensável com o imposto apurado na DIPJ ou com o que é retido dos JCP recebidos; . que, malgrado tenha deixado de declarar as compensações efetuadas nas respectivas DCTF, compensou o imposto de renda que reteve sobre os JCP pagos com o que teve retido sobre os juros da mesma espécie recebidos; . que, embora tenha declarado à RFB por meio de PER/DCOMP as compensações efetuadas, deixou, por lapso, de declará las nas DCTF de março, agosto, setembro e outubro de 2004; . que tal deslize constitui mero descumprimento de obrigação acessória, mas não prejudica a extinção dos créditos tributários efetuada mediante compensação; . que participa do capital do Banco Panamericano S/A, da Liderança Capitalização S/A e da BF Utilidades Domésticas Ltda, dos quais recebeu, no ano de 2004, JCP no montante de R$ 27.157.709,60, recebimentos que implicaram a retenção de R$ 4.073.656,43 a título de imposto, conforme os comprovantes (fls. 344/346), o seu Diário (fls. 347/383) e o seu balancete (fls. 396) juntados por cópias à impugnação; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 . que também pagou R$ 27.157.709,60 a título de JCP aos seus proprietários em 2004, conforme a sua DIPJ (fls. 271/343) e os registros nos seus Diário e balancete; e . que transmitiu para a RFB ao longo do ano de 2004 doze PER/DCOMP com as informações constantes do quadro estampado na impugnação (fls. 172). A DRJ julgou a impugnação procedente, afastando parte significativa do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2004 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo a tributo cuja exigência se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação se extingue em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECEBIMENTO E PAGAMENTO. DÉBITO E CRÉDITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Fazse mister a rejeição do lançamento do imposto de renda retido sobre juros pagos sobre o capital próprio diante da comprovação de que houve compensação com o imposto incidente sobre juros da mesma espécie recebidos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A autoridade recorrida recorre de ofício tendo em vista o montante exonerado. É o relatório. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002870/200998 Acórdão n.º 2202001.994 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço Segundo a autoridade recorrida: Assim, urge afastar, de plano, a parte do crédito tributário relativa ao fato gerador ocorrido em 31.03.2004, uma vez que entre essa data e a da ciência do lançamento (28.07.2009), quando ele se aperfeiçoou, já haviam se passado mais de cinco anos.Examinando agora o mérito da questão, observo que o § 6º do art.9º da Lei nº 9.249, de 1995, admite que, no caso de o beneficiário de JCP ser pessoa jurídica tributada com base no lucro real, como é a interessada, o IRRF retido por ocasião do pagamento ou crédito de JCP a seu titular, proprietários ou acionistas poderá ser compensado com o retido sobre os juros da mesma espécie recebidos das sociedades das quais participe. Alicerçada neste dispositivo legal, a interessada optou por compensar seus débitos de IRRF decorrentes de JCP com seus créditos da mesma espécie, consoante as pujantes provas acostadas aos autos, sobretudo as constituídas pelos comprovantes de rendimentos pagos ou creditados e de retenção do imposto de renda na fonte (fls. 344 e 346). Essas provas derreiam a presente exigência tributária. Vale ressaltar que o deslize da interessada aflorado nestes autos restringese ao lapso de não declarar em DCTF as compensações efetuadas, o qual, no entanto, não é objeto do auto de infração. Por outro lado, há de se levar em conta ainda o fato de as compensações efetuadas terem sido declaradas à RFB por meio de diversos PER/DCOMP (39107.48035.070404.1 .3.068879, 06630.42260.040504.1.3.064807 e 3133931985.090604.1.3.062315,por exemplo). Ora, como os PER/DCOMP encerram uma confissão de dívida, caso as compensações declaradas não sejam homologadas, executarse –ão as dívidas por meio deles confessadas. Esta é mais uma razão a impedir a prosperidade do auto de infração, na medida em que é inconcebível a execução dos mesmos débitos mediante o emprego de dois instrumentos. Entendo que julgou bem a autoridade recorrida, não tendo qualquer reparo a realizar. Os elementos presentes nos autos dão pleno suporte a decisão proferida. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 14098.000016/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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Cabe à empresa reter e recolher a contribuição previdenciária dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços incidente sobre suas remunerações junto com as suas próprias contribuições. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 16 /2 01 0- 75 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 19/01/2010 com base nos valores registrados em escrituração contábil. As contribuições previdenciárias patronais incidiram sobre os valores lançados contabilmente em conta de empréstimos a sócios a título de pro labore. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL O julgamento, no processo administrativo fiscal, consiste na verificação da consentaneidade do lançamento à legislação em vigor. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A contribuição da empresa inclui, dentre outras parcelas, a de vinte por cento sobre o lotai das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. ... A exigência se refere à contribuição para o Fundo de Previdência e Assistência Social, a cargo da empresa, incidente sobre a remuneração paga ou creditada a seus sócios contribuintes individuais, conforme indicado nos fundamentos legais do débito, f. 09. A base de cálculo da contribuição foi determinada por aferição indireta, com fundamento no art. 33, § 6o , da Lei 8.212/91, em razão da contabilidade da empresa não registrar a remuneração real desses segurados, conforme relatório elaborado pela autoridade fiscal, f. 13 e seguintes: ... Em síntese, a fiscalização constatou na conta contábil “Empréstimos a Sócios” foram lançados mês a mês expressivos valores, resultando ao final do exercício financeiro um montante acumulado de R$ 3.870.325,16 que veio a ser zerado contabilmente com contrapartidas nas contas contábeis: Conta Transitória, Fornecedores Nacionais, Banco Rural e Juros Ativos; ou seja, os lançamentos não corresponderam a ingressos nas contas de disponibilidades (Caixa ou Bancos). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: DD Julgador, é do conhecimento do segmento fiscal/contábil que as pessoas físicas titulares de firmas individuais, assim como aquelas que participam quadro societário de uma empresa, sejam como quotista, seja como acionista podem participar dos resultados obtidos pela pessoa jurídica resultados econômicos e financeiros por duas modalidades de suprimento de recursos pessoa física vinculada: Prólabore e Distribuição de Lucros: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000016/201075 Acórdão n.º 2402003.013 S2C4T2 Fl. 330 3 O Auto de Infração supra mencionado foi produto de pura interpretação parte da autoridade administrativa lançadora, no caso a Auditora Fiscal Receita Federal do Brasil, devidamente revestida de poderes para Créditos Tributários. Contudo, como ela, com todo respeito ao seu trabalho, fixaram se apenas possibilidade de recurso possivelmente distribuídos ao sócio na conta "Prolabore", cabe, aqui algumas considerações com veremos a seguir: Até o final da década de "80" os lucros distribuídos eram rigorosamente onerados aos sócios como reflexo da distribuição, submetendoos a fixas 25% suportada a carga Tributária pelo sócio beneficiário, com imputação a pessoa jurídica, pagadora pela responsabilidade de efetuar o recolhimento condição de sujeito passivo da obrigação tributária responsabilidade vinculada por força da Lei. No final da Década de "80" essa carga tributária foi aliviada quando Legislação vigente estabeleceu que o " lucro seria tributado a 8%, obrigatoriamente, e que as pessoas físicas vinculadas poderiam tanto aumentar capital social da empresa com esses lucros, como também, distribuídos ao titular de firma individual, quotistas ou acionistas sem nenhum reflexo tributário os beneficiários. Esses pressupostos legais constam da legislação vigente á época ano/formam aqui colocados á guisa da ilustração, pois o que pretende mesmo impugnante é deixar claro com fundamento geral que os lucros a partir janeiro de 1996 passaram a ser totalmente desonerados de qualquer tributário nas pessoas físicas vinculadas. Houve àquela época um abrandamento extremamente relevante no trato das pessoas físicas titulares de firmas individuais, colistas ou acionados um verdadeiro incentivo fiscal permitindo essas pessoas físicas total transparência na contabilização de Prolabore e lucros distribuídos absolutamente justo para com aqueles que verdadeiros responsáveis pela produção. O critério de distribuição de lucros ou fixação de teto de prolabore é prerrogativa do titular de firma individual, quotista ou acionista em instrumentos jurídicos de fé pública código comercial e código civil no que lhe compete derivadamente ARQUIVADOS NAS JUNTAS COMERCIAIS. ... O Prolabore fixado com base no contrato social arquivado nas juntas comerciais, são passíveis de incidência pela tabela progressiva do imposto renda tanto no regime de fonte como no regime de declaração. O Prolabore devidamente acordado comercialmente entre as partes, também se circunscreve tributação pela contribuição social previdenciária. O Princípio da razoabilidade, racionalidade e legalidade permite, assim, empresas possam fazer opção pelo Prolabore Fl. 331DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 que julgarem necessários entre eles, e suplementalmente por distribuição de lucros, segundo à participação no capital social subscrito e integralizado. O que não é legal é a autoridade administrativa, diante da saída de recursos empresa pura e simplesmente presumir que tais recursos são Prolabore pagos. É o Relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000016/201075 Acórdão n.º 2402003.013 S2C4T2 Fl. 331 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Inicialmente, ressaltase que nesse processo discutese apenas as contribuições sobre o pro labore dos sócios; portanto independe da discussão sobre a existência ou não de atividade empresarial que não tenha a produção rural própria como objeto, que é matéria enfrentada no processo n° 14098.000010/201006. A fiscalização demonstrou minuciosamente que os empréstimos não foram quitados pelos sócios, configurando assim verdadeiras retiradas como pro labore. Em nenhuma das peças recursais o recorrente trouxe contraprovas de que os “empréstimos” contraídos tenham sido pagos. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14098.000016/201075 Acórdão n.º 2402003.013 S2C4T2 Fl. 332 7 Quanto aos valores descontados dos contribuintes individuais, também mantenho incólume a decisão recorrida. Nesse caso, os registros da empresa evidenciam que as contribuições foram arrecadados dos segurados e não repassadas. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) A recorrente insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 335DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 01/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904321/2008-06
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 12/03/2003
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA.
No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para que a compensação declarada seja expressamente homologada o sujeito passivo deverá comprovar a certeza e a liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento (art. 170 CTN, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as novas redações).
Realidade em que, nos autos, há elementos que comprovam o direito creditório aduzido pela interessada, razão pela qual referido direito há que ser reconhecido.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento (relator) e Cláudio Pereira, que davam provimento parcial para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 19.096,29.
O Dr. Cassio Sztokfisz, OAB DF nº 36.436, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator Designado
EDITADO EM: 06/09/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 12/03/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para que a compensação declarada seja expressamente homologada o sujeito passivo deverá comprovar a certeza e a liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento (art. 170 CTN, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as novas redações). Realidade em que, nos autos, há elementos que comprovam o direito creditório aduzido pela interessada, razão pela qual referido direito há que ser reconhecido. Recurso ao qual se dá provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento (relator) e Cláudio Pereira, que davam provimento parcial para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 19.096,29. O Dr. Cassio Sztokfisz, OAB DF nº 36.436, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator Designado EDITADO EM: 06/09/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/03/2003 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para que a compensação declarada seja expressamente homologada o sujeito passivo deverá comprovar a certeza e a liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento (art. 170 CTN, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as novas redações). Realidade em que, nos autos, há elementos que comprovam o direito creditório aduzido pela interessada, razão pela qual referido direito há que ser reconhecido. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento (relator) e Cláudio Pereira, que davam provimento parcial para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 19.096,29. O Dr. Cassio Sztokfisz, OAB DF nº 36.436, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 21 /2 00 8- 06 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator Designado EDITADO EM: 06/09/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, em que, por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/03/2003 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO. O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. COMPENSAÇÃO. RESPONSÁVEL. TRIBUTO RETIDO. CONDIÇÕES. A compensação de tributo por quem realizou a retenção na condição de responsável tributário depende da comprovação da assunção do encargo financeiro. Comprovada nos autos a devolução aos clientes do imposto cobrado a maior, considera se cumprida a condição legal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16327.904321/200806 Acórdão n.º 3802001.241 S3TE02 Fl. 101 3 Direito Creditório Reconhecido em Parte Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever a seguir o relatório encartado no referido julgado: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Antes da demonstração da origem do crédito, cabe uma explicação sobre as Operações de Crédito efetuadas entre a Requerente e seus clientes, bem como a incidência do IOF sobre tais operações. A Requerente, Instituição Financeira, efetuou operações de crédito (empréstimo) com diversos clientes (pessoas jurídicas). Para tais operações, o art. 7º, I, ‘b’, ‘, do Decreto nº 4.494/02 previu a incidência do IOF: Art.7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; O mesmo Decreto, no art. 7º, § 1º, limitou a incidência do IOF sobre as operações de crédito financiamento ao ‘valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias (365 dias x 0,0041%). Tal limitação ocorre, inclusive, quando há prorrogação da operação de crédito. É o que diz o § 7º do art. 7º do Decreto nº 4.494/02: §7º Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. Conclusão: nas operações de crédito (empréstimos) efetuadas pela Requerente com seus clientes, o IOF devido é aquele relativo ao valor objeto do empréstimo a alíquota diária de 0,0041% (limitada a 365 dias). ... O referido recolhimento a maior ocorreu sobre operações de crédito (...), onde a Requerente recolheu valor de IOF em montante superior à alíquota máxima prevista no decreto citado no item anterior. O valor original indevidamente retido a título de IOF foi de: Car Rental (R$ 15.713,79), (R$ 4.440,30), Edinfor Soluções Informáticas (R$ 2.214,00), (R$ 1.528,07), (R$ 298,48), Levi Strauss do Brasil (R$ 7.257,00), (R$ 3.382,50) (Vide planilha de cálculo do IOF e extrato da conta corrente demonstrando a retenção do IOF – Doc. 4). Tal equívoco ocorreu por erro de sistema, que considerou novamente o IOF em cada prorrogação do prazo da operação, dessa forma não limitou o cálculo do IOF até a alíquota máxima de 0,0041% x 365 dias (Vide comprovantes da prorrogação – Doc. 5). Diante disso, para que pudesse fazer jus ao direito de restituição/compensação dos créditos decorrentes dos pagamentos a maior de IOF, a Requerente apurou os pagamentos efetuados a maior, ou seja, aqueles cuja alíquota aplicada ultrapassou o limite de 0,0041% x 365 dias, previsto no Decreto do IOF. Por ser mera responsável pela retenção do IOF, a Requerente providenciou, ainda, a devolução dos valores indevidamente retidos aos clientes, acrescidos de juros e correção monetária (Vide extrato da conta corrente – Doc. 6). Logo, a Requerente demonstra que, de fato, assumiu o encargo financeiro do recolhimento a maior do IOF indevidamente recolhido, razão pela qual tem direito a sua restituição/compensação. Vale ressaltar que, o IOF recolhido a maior no montante de R$ 34.834,14 foi recolhido em conjunto com outros débitos de IOF decorrentes de diversas retenções ocorridas no mesmo período de apuração, o qual resultou no recolhimento de R$ 543.046,74. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16327.904321/200806 Acórdão n.º 3802001.241 S3TE02 Fl. 102 5 A interessada apresentou complementação à sua Manifestação de Inconformidade relatando que parte do valor constante do documento de arrecadação que consta como origem do crédito na declaração de compensação objeto do presente processo foi utilizado em outra declaração de compensação, igualmente não homologada e pelo mesmo motivo. Por essa razão, requer a reunião deste processo ao que cuida da outra declaração de compensação para julgamento conjunto. Em 21/02/2011, o Interessado foi cientificado do referido Acórdão. Inconformado, em 23/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em sede de preliminar, com vistas a evitar decisões distintas sobre a mesma matéria, com respaldo no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), reiterou o Recorrente a necessidade de julgamento deste processo em conjunto com demais processos que também tratam da compensação de créditos do IOF, os quais foram julgados, simultaneamente, pela Turma Julgadora a quo. Em aditamento, no mérito, alegou o Recorrente que não prosperava a decisão de primeiro grau que não reconheceu a certeza e liquidez de parte do valor crédito compensado, com base no argumento de que, na ausência da apresentação dos contratos e extratos contendo os depósitos iniciais dos recursos emprestados, a contratação e a renovação de parte dos empréstimos reputaramse incomprovados, respaldado nos seguintes argumentos: a) a documentação juntada aos autos era suficiente para demonstrar a efetividade dos empréstimos e as renovações que geraram o valor do indébito compensado; b) as planilhas, os contratos e as declarações (no caso dos empréstimos com a Car Rental e Levi Strauss), além dos extratos bancários (no caso dos empréstimos com a Edinfor) eram elementos que demonstravam suficientemente a efetividade dos empréstimos e suas prorrogações; c) no caso dos empréstimos contratados com a Edinfor, para os quais faltavam os contratos, a essência do mútuo (a entrega da coisa mutuada, no caso, o dinheiro) prevalecia sobre o instrumento formal de sua existência (o contrato escrito); d) a falta de contrato escrito não era razão suficiente para a desconsideração de todo o negócio jurídico cuja ocorrência, em datas e valores, podese extrair e comprovar facilmente a partir da análise dos documentos apresentados; e) no que se refere aos empréstimos com as empresas Car Rental e Levi Strauss, a falta dos extratos com o depósito inicial dos recursos não era razão suficiente para a desconsideração de todo o negócio jurídico cuja ocorrência, em datas e valores, podese extrair e comprovar facilmente a partir da análise dos documentos apresentados; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 f) no presente caso, ocorreu indevida inversão do ônus da prova em favor da Fiscalização, posto que a Autoridade de Julgamento, sem produzir quaisquer provas concretas de que o direito creditório do Recorrente não seria líquido e certo, manteve o entendimento da Fiscalização, cabendo à Recorrente realizar prova em contrário; e g) era desarrazoada a exigência de apresentação dos referidos contratos ou extratos contendo o depósito inicial na conta corrente dos clientes que sofreram retenções indevidas do IOF. No final, requereu o Recorrente a reforma do Acórdão recorrido, julgando procedente o presente Recurso Voluntário e, consequentemente, reformando o questionado Despacho Decisório, a fim de que seja integralmente homologada a Declaração de Compensação (DComp) apresentada. Em 22/07/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite de alçada, portanto, dele tomo conhecimento. I DA PRELIMINAR Com vistas a evitar decisões distintas sobre a mesma matéria, com respaldo no art. 6º1 do Anexo II do RICARF, em sede de preliminar, reiterou o Recorrente o pedido de julgamento conjunto deste processo com demais que tratam da compensação de créditos do IOF, os quais foram julgados, simultaneamente, pela Turma Julgadora a quo. O preceito regimental em destaque não respalda a pretensão do Recorrente, haja vista que, embora os processos discriminados refiramse à compensação do mesmo tipo de crédito, não há provas nos autos de que sejam os mesmos fatos que motivaram a origem do crédito utilizado e a não homologação da compensação, conforme exige o referido comando regimental. Ademais, ficou demonstrado que cada operação de empréstimo realizada com os demais clientes do Recorrente possui elementos probatórios específicos, os quais devem ser analisados isoladamente, como realizado pelo Órgão julgado de primeira instância. 1 "Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento". Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16327.904321/200806 Acórdão n.º 3802001.241 S3TE02 Fl. 103 7 Dessa forma, não comprovada a alegada conexão entre os citados processos, rejeito a presente preliminar. II DO MÉRITO Inicialmente, é oportuno esclarecer que o crédito compensado pelo Recorrente, no valor originário de R$ 34.834,14, teve origem na retenção a maior de IOF das operações financeiras de seus clientes, a seguir discriminadas: Contribuinte – Nº Operação Extratos Retenção fl. Documento Renovação fl. Extrato Devolução fl. Retenção Valor R$ Car Rental 1 27/29 71/76 170/177 15.713,79 Car Rental 2 31/35 79/90 Idem 4.440,30 Edinfor 1 41/44 91 179/188 2.214,00 Edinfor 2 46/48 92 Idem 1.528,07 Edinfor 3 37/39 93 Idem 298,48 Levi 1 60/68 133/168 190/195 7.257,00 Levi 2 50/58 96/130 Idem 3.382,50 Em relação operações identificadas como Car Rental 2 e Levi 1, a Turma de Julgamento a quo acatou a documentação apresentada e reconheceu o respectivo direito creditório, no valor total de R$ 11.697,30. Por outro lado, no que tange às operações identificadas como Car Rental 1, Edinfor 1, 2 e 3 e Levi 2, a referida Turma de Julgamento não reconheceu o respectivo direito creditório, sob alegação de que o conjunto probatório carreado aos autos ressentiase da ausência de elementos de prova imprescindíveis para comprovação dos alegados indébitos, com base nos seguintes argumentos: a) no caso das operações da cliente Edinfor, não foram apresentados os contratos relativos aos respectivos empréstimos; e b) no caso das operações identificadas como Car Rental 1 e Levi – 2, não constava nos extratos bancários apresentados o registro dos valores dos empréstimos de modo que pudessem ser correlacionados com os demais documentos acostados aos autos. Por sua vez, no presente Recurso, a Interessada alegou que as planilhas, os contratos e as declarações (no caso dos empréstimos com a Car Rental e Levi Strauss), além dos extratos bancários (no caso dos empréstimos com a Edinfor), eram elementos que demonstravam suficientemente a efetividade dos empréstimos e suas prorrogações e, em consequência, comprovavam a certeza e liquidez da parcela do crédito não reconhecido no julgado recorrido. Dessa forma, fica evidenciado que a controvérsia remanescente cingese a duas questão de natureza meramente probatória, a saber: a) a ausência do registro dos valores Fl. 408DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 dos empréstimos nos extratos bancários colacionados aos autos (operações identificadas como Car Rental 1 e Levi – 2); e b) a não apresentação dos contratos de empréstimos (operações identificadas como Edinfor 1, 2 e 3). Da ausência do registro dos empréstimos nos extratos bancários. Com base nos documentos colacionados aos autos, verificase que, em relação às operações de empréstimos denominadas Car Rental 1 e Levi 2, os valores do IOF retidos na fonte informados nas planilhas são coincidentes com os valores registrados nos respectivos extratos bancários (fls. 27/29 e 50/58). Ademais, o valor do Imposto da primeira operação Levi – 2 encontrase devidamente vinculado ao número do contrato de empréstimo da respectiva operação, conforme se constata no extrato de fl. 51. Por essas circunstâncias, entendo que, no caso em tela, os valores pagos indevidamente ou a maior do IOF restam devidamente comprovados, uma vez que os valores registrados nos extratos bancários colacionados aos autos encontramse em perfeita consonância com o cronograma e os valores dos empréstimos consignados nos respectivos instrumentos contratuais inicial e das sucessivas renovações. Ademais, não há qualquer outro dado ou elemento probatório colacionado aos autos que infirmem que os valores das referidas retenções são de fonte distintas daquelas provenientes dos mencionados empréstimos. Dessa forma, estou convencido que, no presente caso, o conjunto probatório colacionado aos autos é suficiente para provar a verossimilhança dos valores dos indébitos relativos às operações de empréstimos denominadas Car Rental 1 e Levi – 2. Da falta de apresentação dos contratos de empréstimos. Compulsando os autos, verificase que o Recorrente não apresentou os contratos iniciais nem as respectivas prorrogações dos contratos atinentes às operações de empréstimos denominadas Edinfor 1, 2 e 3. Em relação a esse ponto, alegou o Recorrente que a falta dos citados contratos escritos não era razão suficiente para a desconsideração de todo o negócio jurídico, cuja ocorrência, em datas e valores, poderia ser comprovada facilmente a partir da análise dos documentos apresentados, ou seja, os extratos bancários e as planilhas acostadas aos autos (fls. 37/48) Discordo. Em face da peculiaridade das operações de empréstimos em destaque, ao meu ver, o instrumento do contrato tratase de documento imprescindível para fim de comprovar a efetiva realização dos referidos empréstimo. No presente caso, o simples registro de valores em planilhas e extratos bancários, sem suporte no referido documento, não representa prova suficiente de que tais retenções são efetivamente decorrentes de uma operação de empréstimo que atenda as condições estabelecidas nos arts. 6º e 7º do Decreto nº 4.494, de 3 de Dezembro de 2002 (Regulamento do IOF de 2002), a seguir transcritos: Art. 6º O IOF será cobrado à alíquota máxima de um vírgula cinco por cento ao dia sobre o valor das operações de crédito Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: Fl. 409DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16327.904321/200806 Acórdão n.º 3802001.241 S3TE02 Fl. 104 9 b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; [...] § 1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, ainda que a operação seja de pagamento parcelado. § 2º No caso de operação de crédito não liquidada no vencimento, cuja tributação não tenha atingido a limitação prevista no § 1º, a exigência do IOF fica suspensa entre a data do vencimento original da obrigação e a da sua liquidação ou a data em que ocorrer qualquer das hipóteses previstas no § 7º. § 3º Na hipótese do § 2º, será cobrado o IOF complementar, relativamente ao período em que ficou suspensa a exigência, mediante a aplicação da mesma alíquota sobre o valor não liquidado da obrigação vencida, até atingir a limitação prevista no § 1º. [...] § 7º Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. Alegou o Recorrente que seria natural que fossem encontradas dificuldades de ordem prática para a localização de tais documentos, posto que os empréstimos bancários, que originaram as referidas retenções, ocorreram nos anos de 2001 e 2002. Não procede tal alegação, com a devida vênia. A uma, porque o Recorrente, por força do disposto no art. 43 do Regulamento do IOF de 2002, estava obrigado a manter à disposição da Fiscalização, pelo prazo prescricional, os documentos relativos às operações sujeitas à incidência do IOF. A duas, porque se foram apresentados os contratos atinentes às outras operações de empréstimos, por essa razão, a justificava apresentada não se revela plausível. No meu entendimento, a razão está com a Turma de Julgamento da instância a quo, pois, sem a apresentação dos mencionados extratos bancários e contratos de empréstimos fica incomprovada a realização dos respectivos empréstimos, bem como as renovações subsequentes que deram origem ao alegado pagamento indevido. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Também não procede a alegação do Recorrente de que, no presente caso, houve inversão do ônus da prova em favor da Fiscalização, pois, nos termos do art. 170 do CTN, combinado o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, no processo de compensação, quem tem a incumbência de provar os requisitos da certeza e liquidez do crédito compensado é o sujeito passivo que realizou o procedimento compensatório. Aliás, no âmbito processual, é cediço que o ônus da prova do fato constitutivo do direito pleiteado incumbe sempre a quem o alega. Nesse sentido, expressamente, dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e o art. 3332, I, do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Por fim, entendo que não procede a alegação do Recorrente de que seria desarrazoada a exigência de apresentação dos referidos contratos, porque, conforme anteriormente explicitado, tal prova era indispensável para fim de demonstrar que as referidas retenções foram indevidas ou a maior do que o devido. III DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 19.096,29 e homologar a compensação declarada até o limite do valor do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 2 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator designado: Peço vênia para discordar do i. conselheiro relator unicamente em relação à parte de seu voto em que não foi reconhecido o direito pleiteado pela interessada. É que, nesse ponto, entendo que a documentação acostada aos autos é suficiente para confirmar aduzido direito também em relação às operações de empréstimo denominadas Edinfor1, Edinfor2 e Edinfor3. Com efeito, muito embora a recorrente não tenha apresentado as cópias dos contratos dos empréstimos, há outros elementos de prova que confirmam o direito creditório reclamado, que, no caso, corresponde a R$ 4.040,55. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 16327.904321/200806 Acórdão n.º 3802001.241 S3TE02 Fl. 105 11 Em relação às operações de empréstimos denominadas Edinfor1, os valores do IOF retidos na fonte informados na planilha de fls. 37 são coincidentes com os valores registrados nos extratos bancários de fls. 38 e 39. Com respeito aos empréstimos denominados Edinfor2, há correspondência entre os valores discriminados na planilha de fls. 41 e os extratos de fls. 42 a 44. O mesmo ocorre em relação aos empréstimos “Edinfor3”, onde os valores do IOF constantes da planilha de fls. 46 são corroborados nos extratos de fls. 47 e 48. Quanto ao estorno do crédito, o mesmo se comprova diante da declaração de fls. 374 (onde o cliente assevera haver recebido a importância de R$ 22.025,27 “a título de restituição de IOF cobrado indevidamente sobre operações de crédito” por não ter sido observado “o limite máximo de cobrança do tributo de 365 dias”), bem como do extrato bancário de fls. 375. Referida quantia restituída (de R$ 22.025,27) contempla retenções referentes a outros empréstimos da empresa que não são objeto deste processo, conforme demonstram as planilhas de fls. 376/383 (são inerentes a este processos apenas as planilhas de fls. 378/380). A documentação acima referenciada, entendo, é suficiente para demonstrar a liquidez e a certeza do direito creditório em favor da interessada, e supre, a meu ver, os contratos de empréstimos correspondentes, até porque tais documentos pouco acrescentariam em relação às provas constantes dos autos, que, como dito, demonstram a legitimidade do direito creditório alegado também em relação às retenções a maior feitas da empresa Edinfor Soluções Informáticas Ltda., na quantia de R$ 4.040,55. Portanto, deverá ser reconhecido o direito creditório em favor da recorrente no montante de R$ 23.136,84, ou seja, o total do direito alegado neste litígio. Da conclusão Com base nas considerações acima, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 23 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 09/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por JOSE FERNANDES DO N ASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000080/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM LOCOMOTIVAS. ÔNUS DA PROVA. A atividade de prestação de serviços de manutenção em locomotivas não está vedada à opção pelo SIMPLES. No procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a pessoa jurídica exercia atividade vedada à opção pelo sistema. Não é cabível a exclusão do SIMPLES sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1302-000.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM LOCOMOTIVAS. ÔNUS DA PROVA. A atividade de prestação de serviços de manutenção em locomotivas não está vedada à opção pelo SIMPLES. No procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a pessoa jurídica exercia atividade vedada à opção pelo sistema. Não é cabível a exclusão do SIMPLES sem a efetiva demonstração do exercício de atividade não permitida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em exercício (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade e Marcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 00 80 /2 00 7- 12 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13974.000080/200712 Acórdão n.º 1302000.988 S1C3T2 Fl. 430 2 Relatório TMF TRILHOS MANUTENÇÃO FERROVIÁRIA LTDA EPP, recorre a este colegiado (fls. 71/89), contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Curitiba, consubstanciada no acórdão nº 0624.951 (fls. 58/67), que indeferiu sua manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES. A recorrente foi excluída do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo da DRF/JoinvilleSC n° 530.120, de 02/08/2004, com efeitos a partir de 05/03/2002, data em que aderiu ao sistema, tendo como motivação a atividade econômica vedada à opção, no caso, "reparação de veículos ferroviários — CNAE 35238/00", previsto no artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317, de 1996. Inconformada, apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (fls. 23/34), onde alega que a atividade exercida não se encontra elencada no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/1996. A autoridade fiscal indeferiu a SRS com base no disposto na legislação que regula as atividades dos profissionais de engenharia, mais especificamente na Resolução Confea n° 218/1973 (fl.50). Na manifestação de inconformidade fls. 01/16, o sujeito passivo apresentou as mesmas razões da SRS, onde afirma que sua atividade não encontra similaridade, semelhança ou equiparação à aquelas mencionadas no enquadramento legal que deu sustentação à sua exclusão; que suas atividade prescindem de engenheiros e não são vedadas ao Simples; que presta serviços à ALLAmérica Latina Logística, cujos profissionais habilitados para o exercício da atividade de engenharia mecânica e tecnólogos são por ela mantidos; que lhe foi aplicado indistintamente o disposto no inciso XIII do artigo 9°, uma vez que tem por objeto social a manutenção e reparação mecânica de veículos ferroviários, serviços estes praticados por pessoas que aprenderam o ofício pela prática e que para sua atividade não há lei reguladora, código de ética, organismo fiscalizador ou órgão de classe para defender seus interesses. Transcreve ainda alguns acórdãos do então Conselho de Contribuintes, para demonstrar que sua atividade não está relacionada no citado inciso XIII e que a exclusão não comprovou que a atividade é vedada ao Simples. Destaca que para o exercício da atividade de reparação de veículos ferroviários não se exige firmação universitária, sendo necessário apenas treinamento e habilidade. Conclui afirmando que a exclusão afronta o artigo 179 da Constituição Federal e pede a anulação do ato ora atacado. A 2ª Turma da DRJ/Curitiba, ao apreciar o mérito, indeferiu sua manifestação de inconformidade, conforme se extrai da ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13974.000080/200712 Acórdão n.º 1302000.988 S1C3T2 Fl. 431 3 Data do fato gerador: 05/03/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO EM VAGÕES, LOCOMOTIVAS E TRENS. EXECUÇÃO DE FORMA ESPECIFICA. COMPLEXIDADE. EXIGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO TÉCNICA. INCOMPATIBILIDADE COM O SIMPLES. Os serviços de manutenção em vagões, locomotivas e trens, quando prestados de forma específica, de acordo com especificações e necessidades do cliente, envolvendo alguma complexidade, exigem qualificação técnica, tornandoos incompatíveis com o regime privilegiado do Simples. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. Compete ao contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com todos os meios de prova necessários, nos termos da Lei; o não cumprimento desta premissa acarreta o indeferimento do pleito. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100 do CTN. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois, não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Ciente da decisão de primeira instância em 22/02/2010 (fls. 70), e com ela não se conformando, a Recorrente retornou aos autos em 18/03/2010 (fls. 71) com a apresentação do recurso voluntário, onde transcreve toda a legislação utilizada para a exclusão do Simples e reforça os argumentos apresentados na defesa inicial, conforme abaixo transcrito: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13974.000080/200712 Acórdão n.º 1302000.988 S1C3T2 Fl. 432 4 a) da análise dos dispositivos acima, revela em nenhum momento a similaridade, semelhança ou equiparação às atividades desenvolvidas pela Recorrente às de Engenheiro, tecnólogo, técnico de grau médio ou assemelhado. Vejase que a SRF desenvolve um entendimento de que as atividades de "reparação de veículos ferroviários", para o seu desenvolvimento, exigem profissionais habilitados em curso regulado por lei; b) o acórdão recorrido, fundamenta, no intuito de comprovar seu alegado, que as atividades da Recorrente não constam na exceção dada pela Lei 11.051/2004, a qual excepciona desta vedação somente as empresas que exercem os serviços de "manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados", pois no caso concreto a atividade desenvolvida é de manutenção e reparação de vagões, locomotivas ou trens, estas fora desta exceção por se tratar de atividade complexa em que é imprescindível a qualificação técnica para sua execução. Ora, os serviços desenvolvidos pela Recorrente, quais sejam reparo de máquinas e equipamentos ferroviários são atividades exercidas por pessoas que adquiriram conhecimentos na prática. Diferentemente das obras de engenharia mecânica, esta sim somente deve ser exercida por pessoa graduada em curso de Engenharia Mecânica (atividade regulada por lei); c) os empregados da Recorrente, que são os executores dos serviços por ela prestados, são pessoas que aprenderam o oficio pela prática, são mecânicos; d) para desenvolver a atividade de mecânico, não há uma lei reguladora da profissão (ex. Estatuto da Advocacia) ou um código de ética (ex. Código de Ética Médica), ou ainda um organismo fiscalizador da atividade (ex. CRECI), tampouco que lhes cobre anuidades para defender seus interesses (ex. CRC); e) a atividade da ora Recorrente prescinde de qualquer profissional graduado em Universidade, fato este incontroverso nos presentes autos, conforme se verifica da declaração emitida pela tomadora de seus serviços a empresa ALL América Latina Logística do Brasil, na qual afirma que a Recorrente desenvolve atividades rotineiras e impessoais, as quais prescindem de profissionais de engenharia para sua execução; f) concluindo, para desenvolver as atividades da Recorrente não há qualquer exigência legal de que devam ser exercidas somente por profissionais habilitados em curso regulado por lei (Engenheiros Mecânicos ou Tecnólogos). É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13974.000080/200712 Acórdão n.º 1302000.988 S1C3T2 Fl. 433 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Como visto do relato, a matéria sob exame diz respeito à exclusão da contribuinte do sistema simplificado Simples em decorrência da atividade exercida pela empresa não se encontrar contemplada na Lei 9.317/1996. O entendimento exarado no acórdão recorrido para não acolher o pleito da interessada é de que a atividade de "reparação de veículos ferroviários" por ela desenvolvida, por tratar de serviços prestados de forma específica, em consonância as necessidades do cliente, envolvem complexidades, exigindo qualificação técnica, sendo incompatível com o regime privilegiado do Simples em face da previsão contida no art. 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/1996. É forçoso afirmar que a simples menção no contrato social de uma atividade impeditiva, dentre várias, e no caso sequer claramente impeditiva, não é, por si só, motivo de exclusão do Simples. Ainda mais, havendo dúvidas sobre a efetiva possibilidade de equipar a atividade exercida a "serviços de engenharia", caberia à administração tributária colher provas que demonstrassem, inquestionavelmente, que ao menos uma das atividades efetivamente desenvolvidas pela recorrente é vedada ao Simples. Reiteradas são as decisões do Conselho de Contribuintes neste sentido, a exemplo do decidido no Acórdão 30239589, de 20/06/2008, assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. OBJETO SOCIAL MÚLTIPLO. ÔNUS DA PROVA. Havendo mais de uma atividade no objeto social da empresa, e nem todas vedadas à opção pelo SIMPLES, no procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a recorrente praticava pelo menos uma das atividades vedadas constantes de seu contrato social, ou mesmo não constante desse, e não à recorrente fazer prova negativa de que não praticava nenhuma atividade vedada, portanto, é indevida a exclusão. Recurso Voluntário Provido. Concluise, em razão da fundamentação legal mencionada no ADE e pelo enquadramento no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, a atividade exercida pela interessada foi tida pela administração da DRF como integrante dos serviços pertencentes à categoria de "serviços profissionais", mais especificamente, de "serviços profissionais de engenheiro", o que, entretanto, não está comprovado de fato. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento expresso no acórdão recorrido, pois não existe sequer qualquer evidência que as atividades exercidas pela contribuinte exijam a interferência de engenheiro mecânico, ou que nela se desempenhem Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13974.000080/200712 Acórdão n.º 1302000.988 S1C3T2 Fl. 434 6 atividades de competência primordial de profissionais legalmente habilitados na área de engenharia. Além do mais, não há nos autos qualquer prova efetiva, cujo ônus é do fisco, que imponha o entendimento de que os serviços prestados na oficina da interessada são, no mínimo, de relativa complexidade. Cabe ressaltar que, o artigo 4º da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei n° 11.051/2004, o qual foi regulamentado pelo Ato Declaratório Executivo nº 8, de 18 de janeiro de 2005, excetuou, expressamente, da distorcida interpretação do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, retroativamente, diversos serviços de manutenção e reparação, nos seguintes termos: Art, 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11 051, de 2004) I — serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) V — serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação, (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2º deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal — SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 13974.000080/200712 Acórdão n.º 1302000.988 S1C3T2 Fl. 435 7 § 4º Aplicase o disposto no art. 2º da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1º de janeiro de 2004. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Como visto acima, a legislação em descrita veio pacificar o entendimento no sentido de que a prestação de serviços de manutenção e conservação de máquinas e equipamentos em geral, não é atividade que possa ser caracterizada como atividade que se subsume ao art. 90, inciso XIII, da Lei n°9.317/96. Diante disto, de acordo com os precedentes citados, também por força do princípio da retroatividade benigna, que teria amparo no art. 106, inciso II, alínea "b", da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, não poderia vingar a exclusão da recorrente do Simples a partir de 01/01/2002, conforme estabelece o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 126, de 07 de dezembro de 2005 (fls. 14). Na esteira destas considerações, tendo como suporte o entendimento de que os serviços prestados pela recorrente não se ajustam, em vista de sua pouca complexidade, às atividades próprias de engenheiro, e por expressamente admitidas no Simples conforme disposições do art. 4º da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei nº 11.051/2004, posteriormente regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo nº 8, de 18 de janeiro de 2005, não vejo como manter a decisão recorrida. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 19515.002667/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a rejeitava por entender que se deveria prosseguir no julgamento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a rejeitava por entender que se deveria prosseguir no julgamento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a rejeitava por entender que se deveria prosseguir no julgamento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 66 7/ 20 06 -7 9 Fl. 8794DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002667/200679 Resolução nº 1402000.159 S1C4T2 Fl. 8.795 2 Relatório UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído contra a empresa BRAGABEL COM E IND DE BEBIDAS LTDA recorreram a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Tratase de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ – de fls. 405 a 417, em razão de omissão de receitas, caracterizada pela falta de contabilização de compras efetuadas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 348 a 362. Na reunião de 4/8/2010 o processo foi apreciado por esta Turma, sendo que o julgamento foi convertido em diligência, mediante Resolução 1402000.022, nos seguintes termos do voto condutor: “(...) a infração tributária que ensejou o lançamento foi omissão de receitas, em face de omissão de pagamento de compras de produtos para revenda, junto as empresas SPAL (fabricante Cocacola) e Cervejaria Kaiser. A base legal do lançamento está no art. 281, inciso I, do regulamento do imposto de renda de 1999, cuja matriz legal é o art. 40 da Lei 9.430 de 1996. A fiscalização obteve cópias de todas as notas fiscais emitidas pelos fornecedores, juntadas em anexos aos autos, bem como planilhas discriminando tais compras, que foram consolidadas às fls. 242303. Ocorre nesses demonstrativos não consta a data do pagamento tampouco o valor pago, ou seja, a fiscalização tomou como base de cálculo as compras e não os pagamentos destas. É certo que a quase totalidade dessas compras foram pagas, do contrario as fornecedoras não continuariam vendendo. Também é usual o pagamento em curto prazo. Todavia, entendo que a base de cálculo deve ser compatibilizada com a norma que estabelece a tributação, sobretudo nas hipóteses de presunção legal. Além disso, é de bom alvitre trazer aos autos a prova do efetivo pagamento, identificando sua forma, e se possível os responsáveis pela emissão de eventuais cheques utilizados para esse fim. Diante do exposto propugno pela conversão do julgamento em diligência para: 1) Sejam novamente apuradas bases, as omissões de receitas, com base nos valores efetivamente pagos aos fornecedores em suas respectivas datas, consolidando por mês/trimestre. A seguir, fazer nova apuração os valores a serem tributados. Fl. 8795DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002667/200679 Resolução nº 1402000.159 S1C4T2 Fl. 8.796 3 2) Se necessário, intimar a SPAL e a Kaiser para, se possível, identificar a forma de pagamento utilizada pela empresa. Em se tratando de pagamentos em cheques, identificar o banco e o emissor, bem como os 3 maiores valores pagos a cada mês, e solicitar cópia desses cheques à instituição financeira. 3) Apurar o valor médio mensal do preço de venda dos produtos objeto da omissão de compras, com vista a apurar a margem de lucro obtido pela contribuinte. 4) verificar se houve pagamento do PIS e Cofins por substituição/antecipação/concentração tributária. A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. (...)” Os trabalhos de diligência resultaram no Relatorio de Fls. 8783 e seguintes, a seguir transcrito em parte: (...) De posse do MPF D 0819000.2011.037554, em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento, com ciência na data de 03/04/2012, no qual solicitamos: 1 Contrato Social atualizado e últimas alterações; 2 Segue em anexo, para ciência do contribuinte o despacho de fls. 698 a 702 (todas frente e verso) do PAF Nº 19515.002667/200679, exarado pelo CARF –Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 1ª Seção de Julgamento. 3 – Intimamos o contribuinte a atender os itens abaixo: 3.1 – Entregamos neste ato no formato excel as planilhas: Bragabel_ Spal.xls e Bragabel_kaiser.xls, gravadas em CD. Solicitamos a criação e preenchimento das colunas: data do pagamento, valor do pagamento, forma do pagamento (p.ex: cheque), Banco, Agência e Contacorrente, e a origem dos recusos, bem como a identificação do responsável pela assinatura do cheque ou ordenante do pagamento (Ted/Doc). 3.2 – identificar os três maiores valores de cada mês e apresentar cópias do comprovante de pagamento (cheques/doc/Ted/ordem de pagamento). A documentação deverá ser entregue na mesma ordem das planilhas. 3.3 – informar e comprovar os valores de pagamento do PIS e COFINS por substituição/antecipação/concentração tributária, se houver. 3.4 – apresentar o valor médio mensal do preço de venda dos produtos objeto da omissão de compras. Em anexo a este termo, enviamos ao contribuinte cópia integral do PAF 19515.002667/200679, composto de 8699 folhas, digitalizado e gravado em um CD. Fl. 8796DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002667/200679 Resolução nº 1402000.159 S1C4T2 Fl. 8.797 4 Não houve qualquer manifestação ou atendimento por parte do contribuinte. Em 04/06/2012, lavramos o Termo de Reintimação Fiscal, enviado pelo correio, cujo Aviso de Recebimento – AR, retornou com a indicação de MUDOUSE. QUANTO AOS FORNECEDORES SPAL E KAISER: A fim de instruir o processo, solicitamos as diligências vinculadas para as empresas abaixo: CONTRIBUINTE: SPAL INDUSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A Em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento – AR, datado de 03/04/2012. Em 03/05/2012, a empresa através de requerimento, solicitou uma dilação do prazo por mais 30 dias, no que foi atendida. Em 01/06/2012, a empresa através de cartaresposta informa que: apesar de todos os seus esforços, não localizou em seus arquivos os documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal em epígrafe, uma vez que tratamse de documentos de período anterior a 5 anos.. (...) CONTRIBUINTE: CERVEJARIAS KAISER BRASIL S.A Em 29/03/2012, lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal, enviado pelo correio com Aviso de Recebimento – AR, datado de 05/04/2012. Em 04/05/2012, a empresa através de requerimento, solicitou uma dilação do prazo por mais 30 dias, no que foi atendida. Em 01/06/2012, a empresa através de cartaresposta informa que: apesar de todos os seus esforços despendidos, não localizou em seus arquivos os documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal em epígrafe, uma vez que tratamse de documentos de período anterior a 5 (cinco) anos. CONCLUSÃO: Considerando que não houve qualquer manifestação ou atendimento do contribuinte BRAGABEL COMERCIO E INDUSTRIA DE BEBIDAS LTDA às intimação e reintimação e que os fornecedores SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S.A E CERVEJARIA KAISER BRASIL S.A. responderam às intimações declarando que não localizaram em seus arquivos os documentos solicitados, uma vez que tratam se de documentos de período anterior aos últimos 5 anos, não é possível o atendimento ao despacho de fls 608 a 702 do PAF 19515.002667/2006 79. Portanto, fica prejudicado o atendimento ao despacho de fls 608 a 702 do PAF 19515.002667/200679, eis que a empresa não atendeu as intimações e os fornecedores alegaram que não localizaram os arquivos e documentos solicitados. (...) É o que importa relatar. Fl. 8797DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.002667/200679 Resolução nº 1402000.159 S1C4T2 Fl. 8.798 5 Voto Conforme breve relatório, o presente processo retornou após os trabalhos de diligência solicitados mediante a Resolução 1402000.022. Ocorre os responsáveis solidários, UBILAR IVAN MACHADO, LUCIANO GERALDO PORTO E RONALDO RODRIGUES PEREIRA, também recorrentes, não foram cientificados do resultado da diligência. Resta então volver os autos à unidade de origem para cientificalos do resultado da diligência e, caso desejem, possam apresentar manifestação no prazo de 30 dias, inclusive cumprir as solicitações efetuadas pela Fiscalização à empresa, reproduzidas no relatório acima. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 8798DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/ 02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003877/2003-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN.
Em face do pagamento antecipado parcial, aplica-se, conforme o STJ, o artigo 150, §4°, do CTN. Tratando-se de fato gerador ocorrido em 31/12/1997, e tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 16/06/2003, caracterizada está a decadência.
Numero da decisão: 9202-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire .
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN. Em face do pagamento antecipado parcial, aplica-se, conforme o STJ, o artigo 150, §4°, do CTN. Tratando-se de fato gerador ocorrido em 31/12/1997, e tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 16/06/2003, caracterizada está a decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire .
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 150, §4°, DO CTN. Em face do pagamento antecipado parcial, aplicase, conforme o STJ, o artigo 150, §4°, do CTN. Tratandose de fato gerador ocorrido em 31/12/1997, e tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 16/06/2003, caracterizada está a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 38 77 /2 00 3- 12 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 5 2 Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire . Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse o auto de infração contra o contribuinte, concernente ao ano calendário 2007, com fundamento em acréscimo patrimonial a descoberto. Conforme relatório do acórdão recorrido: “Destacase que em 09/09/2002, foi lavrado o primeiro Termo de Intimação Fiscal (fl. 26), através do qual o Recorrente foi intimado a informar a finalidade da operação de depósito em favor de Sergio Luiz Rosseli Becker, a espécie de negócio a que se referiu (com identificação das partes envolvidas) e o grau de relacionamento entre eles, mediante apresentação de documentação comprobatória. Em resposta à intimação, o Recorrente informou tratar se de empréstimo concedido ao Sr. Sergio Becker por um prazo de 10 dias e afirmou que a origem dos recursos para tal empréstimo advinha de empréstimo obtido por ele junto ao Banco Guanabara S/A, na mesma data. Em 30/09/2002, houve nova intimação ao Recorrente solicitando documentação hábil a demonstrar a operação de mútuo supracitada, bem corno comprovantes de rendimentos isentos e nãotributáveis percebidos no ano calendário de 1997. Em resposta à nova intimação (fls. 33 a 38), foram apresentados os comprovantes de rendimentos solicitados. No entanto, frente à ausência de instrumentos formais comprobatórios da operação de mútuo, alegou o Recorrente que não apresentou as provas correspondentes devido ao curto prazo de 10 dias da ocorrência da operação de empréstimo. Em 11/12/2002, foi emitido um novo Termo de Fiscalização com o escopo de obter elementos probantes correlatos as seguintes operações: a) Liquidação do empréstimo obtido junto ao Banco Guanabara S/A; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 6 3 b) Alienações e aquisições de bens durante o ano calendário em análise; c) Empréstimos concedidos constantes em Declarações de Bens e Direitos e respectivas liquidações; d) Empréstimos obtidos constantes em Declarações de Bens e Direitos e respectivas liquidações. Em resposta ao Termo de Fiscalização, foram apresentados pelo Recorrente os documentos de fls. 41 a 130. Em 06/02/2003, nova intimação solicitava apresentação dos seguintes documentos: a) Comprovantes mensais de todos os rendimentos auferidos; b) Comprovantes de pagamentos e doações efetuadas relacionados em Declaração de Ajuste Anual; c) Documentação comprobatória das aquisições e/ou alienações de bens; d) Esclarecimento acerca do motivo da ausência do valor correlato a lotes de terrenos adquiridos no ano de 1996 em coluna apropriada da declaração. Em resposta à nova intimação, foi informado pelo Recorrente a ocorrência de erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual por parte do mesmo, em relação ausência do valor correlato a lotes de terrenos adquiridos em 1996, e acostados registros às fls. 133 a 145. Em 29/09/2003, foi lavrado o Auto de Infração, no tocante à apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, exigindose crédito tributário que totalizava o valor de R$58.819,08, conforme termo de encerramento de fl. 180. Em 15/10/2003, o Recorrente apresentou Impugnação ao Auto de Infração, expondo em suas razões de defesa o seguinte: a) Que o Auto de Infração se trata de uma exação fiscal arbitrária; b) Que o ônus da prova deve ser invertido em seu beneficio; c) Que ocorreu o cerceamento do seu direito de defesa; d) Que ocorreu a decadência; e) Que há necessidade de perícia.” O contribuinte apresentou impugnação (fls. 183/196). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento (fls. 209/220), nos termos da seguinte ementa: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 7 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO. EXAÇÃO. Não pode ser considerado excesso de exação o estrito cumprimento da atividade vinculada do lançamento. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I, art. 173 do CTN). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial quando não justificados pelo somatório dos rendimentos tributáveis, isentos, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos legais. Indeferese o pedido de perícia ou diligência, quando não demonstrada sua real necessidade ao deslinde do litígio. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 223/229). A Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 233/235) deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício. 1998 IRPF. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0 fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40, do CTN). Fl. 289DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 8 5 Recurso provido. A Procuradoria interpôs recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 239/245). Sustentou a aplicabilidade, à hipótese, do artigo 173, inciso I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Devese decidir se, no caso, para a contagem do prazo decadencial, incide o artigo 150, §4°, ou o artigo 173, inciso I, do CTN. No presente caso, o fato gerador ocorreu em 31/12/1997 (anocalendário 1997). A ciência da autuação deuse em 16/06/2003. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 290DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 9 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 10 7 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Discussões surgiram, no entanto, em relação a como se deveria dar tal aplicação, tendo em vista que, na determinação de incidência do artigo 173, inciso I, do CTN, estabeleceuse, em discrepância com a previsão literal desse dispositivo legal, que o prazo decadencial começaria a correr do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível. Neste aspecto, após muitas idas e vindas, e profunda reflexão, consolidei o meu posicionamento no sentido de que a aplicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça tramitada no rito dos recursos repetitivos deve darse, analisandoo (o acórdão) em face da lei que trata do tema nele versado. Neste passo, é de se ter que o artigo 173, inciso I, do CTN, por diversas vezes citado no acórdão do STJ, dispõe expressa e inequivocamente que o prazo decadencial deve ser computado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pois bem, superadas tais questões, uma outra acabou por assomar. Analisandose a decisão do STJ, temse que, em princípio, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, nada haveria que ser homologado, de sorte que dispositivo legal regente da decadência, em tal hipótese, é o artigo 173, inciso I, do CTN. Contudo, perquirindose mais detidamente o teor da decisão, podese extrair, expressamente, que: “Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” O que se depreende da passagem transcrita? Que o prazo decadencial contar seá do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: a) quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação; b) quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas este não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação (porque havendo tais posturas por parte do Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 11 8 contribuinte, mesmo a existência do pagamento antecipado não elide a incidência do artigo 173, inciso I, do CTN); c) quando não existe declaração prévia do débito. Este detalhe do acórdão do STJ leva à conclusão de que ao pagamento antecipado do tributo equiparouse, cuidandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração prévia do débito prestada pelo contribuinte. A inexistência de ambos leva à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN. Isto é, mesmo não tendo ocorrido o pagamento antecipado do tributo, se houve declaração prévia do débito, incide o artigo 150, §4°, do CTN. Estas constatações, não se toma por base apenas a passagem mencionada da decisão do STJ. Deveras, analisandose ainda mais a fundo a decisão do STJ, verificase que, em seu bojo, citouse acórdãos do próprio Tribunal que respaldam o entendimento fixado. Ilustrativamente, citese o quanto decidido nos Embargos de Divergência no Resp. n° 276.142 SP, de relatoria do próprio Ministro Luiz Fux: “Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário.” Desta forma, não se pode desconsiderar aqui tais questões, pois que integram claramente o acórdão cuja aplicação se impõe no âmbito do CARF. Do modo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, devese aferir, no caso concreto, se o contribuinte efetuou o recolhimento antecipado ou se perpetrou declaração prévia do débito. Havendo um ou outro, o prazo decadencial terá início nos termos do artigo 150, §4°, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Caso contrário, o prazo regerseá pelo artigo 173, inciso I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Analisando os autos, depreendese, da Declaração de Ajuste Anual de 1998 presente às fls. 19 (anocalendário 1997), que houve pagamento antecipado parcial (por ex. retenção do IR na fonte, no valor de R$ 17.431,50). Diante disso, é de se aplicar, na hipótese, o disposto no artigo 150, §4°, do CTN, iniciandose o prazo decadencial da ocorrência do fato gerador (31/12/1997). Como a ciência do Auto de Infração dese em 16/06/2003, temse por configurada a decadência Desta forma, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10730.003877/200312 Acórdão n.º 9202002.459 CSRFT2 Fl. 12 9 Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10540.720188/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa tem a obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária devida pelos segurados que lhe prestem serviços, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente MUNICÍPIO DE CONDEÚBA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa tem a obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária devida pelos segurados que lhe prestem serviços, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 88 /2 01 0- 32 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 107 2 Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal lavrado em face de MUNICÍPIO DE CONDEÚBA PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 589.251,52 (quinhentos e oitenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e um reais e cinqüenta e dois centavos), referente às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados (pessoal ativo, subsídio de Prefeito e VicePrefeito, Pessoal Temporário e Subsídio de Secretário) incidentes sobre as remunerações que lhe são pagas pela Prefeitura, não declaradas em GFIP, resultando em diferenças entre o valor total dos custos com o pessoal, inferido dos dados do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia, e o total de remuneração informado pela empresa nos resumos mensais das folhas de pagamento, conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 27/37. A ora Recorrente tomou ciência da autuação contra ele lavrada em 28/07/2010, apresentando impugnação tempestiva. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão de fls. 82/84, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO AOS SEGURADOS EMPREGADOS. EXIGÊNCIA. NÃORECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviço. O arraso total ou parcial no recolhimento das contribuições acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social e de sua regulamentação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 108 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 88/98, sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Alega que, equivocadamente, foram listados como contribuintes individuais todos os servidores do Município de Condeúba, incluindo os prestadores de serviço admitidos através do contrato administrativo, que na condição de servidores, não estão sujeitos à contribuição previdenciária, não podendo, assim, constar na folha de pagamento ou na GFIP. 2) Aduz que, também de maneira errônea, a auditorafiscal autuante relacionou no lançamento, na qualidade de segurados empregados, médicos contratados com base na Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de 1993, para o Programa Federal de Saúde Familiar, cuja verba é Federal, e os referidos trabalhadores, contribuintes autônomos, de forma a causar as diferenças de contribuições apuradas no presente AI. 3) Confirma que as Leis 9.711/98 e 11.933/09 alteraram significativamente as formas de recolhimento das contribuições previdenciárias sob controle do INSS, passando, inclusive, a prever a retenção nas hipóteses de cessão de mãodeobra, conforme o art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação da citada Lei 9.711, de 1988. 4) Aduz que apesar das mencionadas alterações, está havendo, inoportunamente, através de veículos normativos, uma inclusão no rol de empresas prestadoras de serviço por cessão de mão de obra, de empresas prestadoras de serviço não identificadas com as hipóteses do § 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, o que se depreende claramente com a leitura do § 2º do art. 219 do RPS. 5) Defende que tal inclusão é inconstitucional, de acordo com entendimento jurisprudencial firmado em decisões emitidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª e 4ª região. 6) Requer a total improcedência do AI nº 37.296.4869. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 109 4 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da contribuição dos segurados obrigatórios Alega o Recorrente que o auto de infração em comento inseriu contribuições decorrentes de remunerações pagas a prestadores de serviço admitidos pelo Município através de contrato administrativo, na medida em que os considerou indevidamente empregados daquele órgão. Aduz, ainda, que os valores pagos a tais prestadores não deveria sofrer a incidência da contribuição social. Ocorre que tais argumentos não podem prosperar. Independentemente da natureza do vínculo, qualquer pessoa física que receba remuneração por serviços prestados é segurado obrigatório da Previdência Social, devendo o valor recebido sofrer a incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, I da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...). II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Por outro lado, a Lei nº 8.212/1991, no seu art. 12, arrola os segurados obrigatórios da Previdência Social, nele enquadrando todos aqueles que recebem remuneração como contraprestação por serviços prestados, excetuados apenas os vinculados a Regime Próprio da Previdência Social. Deste modo, não tem o fiscal que perquirir acerca da natureza da relação jurídica firmada entre os prestadores de serviços e o Município para enquadrálo como segurado obrigatório da Previdência Social, se o simples fato de receber remuneração já o coloca naquela condição. Segundo texto do Relatório Fiscal, às fls. 28, os fatos geradores deste auto de infração são as remunerações pagas aos segurados empregados (servidores) da prefeitura, que Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 110 5 não foram declaradas nas GFIP existentes antes da data de início da ação fical, nem informados no resumo da folha de pagamento apresentadas à fiscalização. Por outro lado, tem a empresa obrigação de reter e recolher os valores das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados, sejam eles empregados, sejam contribuintes individuais, conforme estabelece o art. 30, I, “a” da Lei nº 8.212/1991, em combinação com o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, com a novel redação dada pela Lei nº 11.933/2009, abaixo transcritos: Art. 30 da Lei nº 8.212/1991. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Deste modo, devidamente comprovados a condição de segurado obrigatório, o pagamento de remuneração e a retenção pelo Município das contribuições previdenciárias por ele devidas, cabível a autuação em comento. Da cessão de mãodeobra A ora recorrente alega que se encontram incluídas, no Auto de Infração, contribuições provenientes da retenção de 11%, nas hipóteses de cessão de mãodeobra, conforme o art. 31, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998. Aduz também que, no entanto, está havendo uma inclusão, por veículos normativos impróprios, de empresas prestadoras de serviço não identificadas com as hipóteses do § 4 o do art. 31 da Lei n° 8.212/1991, no rol de empresas prestadoras de serviço por cessão de mãodeobra. Ocorre que, em nenhum momento, a autuação faz referência ao instituto da cessão de mãodeobra. Compulsando os autos, verificase que toda a autuação relacionase com a contribuição devida pelo Município em razão do pagamento a pessoas físicas que lhe prestem serviço, não fazendo menção à pessoas jurídicas, tampouco através de cessão de mãodeobra. Assim, tornase absolutamente descabida a alegação formulada pelo Recorrente. Da multa aplicada Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 111 6 A autuação em comento referese ao descumprimento pelo Município de Condeúba, contribuinte em questão, da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de reter e recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 112 7 contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 113 8 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 114 9 cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10540.720188/201032 Acórdão n.º 2301003.055 S2C3T1 Fl. 115 10 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 9/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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