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Numero do processo: 11080.722531/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2000
ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2401-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire Presidente
Carolina Wanderley Landim Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire – Presidente Carolina Wanderley Landim – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 31 /2 01 0- 19 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722531/201019 Acórdão n.º 2401003.199 S2C4T1 Fl. 213 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 164180 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), às fls.148160, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.295.0060, que tem por finalidade exigir do BANCO DO BRASIL S/A contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, relativas às competências de outubro/1999 a junho/2000, no montante de R$ 845,00, consolidado em 10/08/2010, o qual foi calculado com base em aferição indireta, nos moldes estabelecidos pela legislação previdenciária. Este lançamento fiscal foi imputado ao BANCO DO BRASIL S/A, na condição de contratante dos serviços de construção civil da empresa MICONOS ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES LTDA., sendolhe, portanto, atribuída a responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias devidas por essa empresa, com base na previsão contida no art. 30, inciso VI, da Lei nº 8.212/91, conforme levantamento “SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999”, inserto no Relatório Fiscal de fls. 12/24 dos presentes autos. Consta também no referido Relatório Fiscal que este Auto de Infração foi lavrado com o objetivo de restabelecer parte dos Lançamentos Fiscais constituídos por meio das NFLD nºs 35.067.6682 e 35.067.6690, que foram anuladas pela 4º CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS, por vício formal, através dos respectivos Acórdãos nºs 2338/2005 e 2339/2005, proferidos em 29/09/2005. Em 23/08/2010, o Recorrente tomou ciência do Auto de Infração e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 82/96) alegando, em síntese: · preliminarmente, o chamamento ao processo da empresa contratada e real responsável pelo cumprimento da obrigação previdenciária, visto que ela dispõe dos documentos probantes dos recolhimentos previdenciários. · por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pelo art. 71, §1º da Lei nº 8.666/93 e pelo art. 61 do Decreto Lei nº 2.300/86 e tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. · que as “Certidões Negativas de Débito CND” expedidas à época das autuações originais (NFLD 35.067.6682 processo nº 11686.000242/200879 e NFLD 35.067.6690 processo nº 11686.00241/200879), confirmam a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 · que a redação original do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, vigente de junho/91 a dezembro/97, não vedava a aplicação do benefício de ordem, razão pela qual deve ser afastada a coresponsabilidade solidária. Apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30, e consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem. · que o agente fiscal estipulou, ao seu alvedrio, o percentual de 40% do valor expresso nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços como base para o cálculo da contribuição previdenciária. · que não assiste razão para o lançamento e constituição do débito fiscal em tela, da forma como procedida, pois contrariou e negou vigência ao contido no art. 5, II, da CF/88; art. 97, IV do CTN; e arts. 20, 22, I e 33 §4º da Lei 8.212/91, além de violar frontalmente os princípios da legalidade e tipicidade cerrada em matéria tributária, devendo, via de consequência, ser afastada a coresponsabilidade solidária no período posterior a 10.12.97, respeitando o “benefício de ordem”. · a necessidade de apensamento ao presente feito dos autos dos processos administrativos nº 11686.000242/200813 (NFLD nº 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD nº 35.067.6690) para aproveitamento das provas documentais. Em 16/09/2010, considerando que não foi possível a notificação via postal, foi encaminhada minuta de edital intimando a empresa MICONOS ENGENHARIA, CONSTRUÇÕES LTDA. para cientificar do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01, constante às fls. 77/78 dos presentes autos, porém não apresentou impugnação contra o Auto de Infração. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou procedente a autuação, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2000 AIOP DEBCAD nº 37.295.0060 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, no Auto de Infração e em seus anexos, os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, uma vez que essas informações possibilitam ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão, por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722531/201019 Acórdão n.º 2401003.199 S2C4T1 Fl. 214 5 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. O contratante de quaisquer serviços de construção civil responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias em relação aos serviços prestados. A elisão da responsabilidade solidária somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. A não apresentação desses documentos pelo tomados de serviços implica no lançamento a esse título. A solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços, ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Não obstante seja procedimento excepcional, a aferição indireta encontrase perfeitamente autorizada, na hipótese de não apresentação pelo contribuinte, ou a apresentação deficiente, dos documentos solicitados pela Fiscalização e necessários à verificação do fato gerador. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS CND. PROVA REGULAR A CND certifica a inexistência, no momento da sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não suprime o lançamento de contribuições devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão acima, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls.164180, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Conforme já identificado no relatório deste acórdão, a responsabilidade solidária atribuída ao Recorrente foi fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Ocorre que, pelo fato de o Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal, está submetido ao regramento especial disposto Lei nº 8666/93. Essa Lei disciplina, no seu art. 71, que as responsabilidades pelos encargos que decorrem da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão de obra, assim vejamos: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2°A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722531/201019 Acórdão n.º 2401003.199 S2C4T1 Fl. 215 7 execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 19911. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). Tal previsão legal trazida pela Lei 8.666/93 tratase, obviamente, de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos decorrentes de contratos administrativos, devendo prevalecer sobre o artigo 30, VI da Lei 8.212/91, que prescreve norma geral sobre responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante. Essa é a aplicação do Princípio da Especialidade, lex specialis derrogat generali. Há exceção a essa regra apenas quando a execução do contrato firmado com a Administração Pública for realizada mediante a cessão de mão de obra, nos moldes do art. 31 da Lei nº 8.212/91, conforme previsto no §2º do dispositivo acima transcrito, hipótese em que é atribuída a responsabilidade solidária ao ente público pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato. Vale notar ainda que o Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU), aprovado pelo Presidente da República, também consolidou o entendimento que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo prevista no art. 30, IV da Lei 8.212/91, conforme ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Sendo assim, em virtude de a Advocacia Geral da União ter reconhecido em parecer aprovado pelo Presidente da República que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mão de obra, tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 abaixo transcrito: Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Essa interpretação, inclusive, já se encontra pacificada por esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se observa das ementas dos acórdãos abaixo transcritas: ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA TOTAL. INEXISTÊNCIA. A norma do artigo 71, §1º da Lei nº 8.666, de 21/06/93 Estatuto das Licitações e Contratos Administrativos que dispõe sobre as responsabilidades, inclusive fiscais, decorrentes dos contratos administrativos prevalece sobre o artigo 30, VI da Lei 8.212, de 24/07/91. É a aplicação do Princípio da Especialidade, lexspecialisderrogatgenerali. Em face do artigo 71, §2º da Lei 8.666, de 21/06/93, a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mãodeobra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/07/91. Entendimento consubstanciado no Parecer AGU/MS nº 008/2006, aprovado pelo Exmº Senhor Presidente da República. Recurso Voluntário Provido. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 11080.722531/201019 Acórdão n.º 2401003.199 S2C4T1 Fl. 216 9 (Processo nº 12269.000105/200943, Acórdão nº 2302002.420 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 17 de abril de 2013) *** ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA TOTAL. INEXISTÊNCIA. A norma do artigo 71, §1º da Lei nº 8.666, de 21/06/93 Estatuto das Licitações e Contratos Administrativos que dispõe sobre as responsabilidades, inclusive fiscais, decorrentes dos contratos administrativos prevalece sobre o artigo 30, VI da Lei 8.212, de 24/07/91. É a aplicação do Princípio da Especialidade, lexspecialisderrogatgenerali. Em face do artigo 71, §2º da Lei 8.666, de 21/06/93, a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mãodeobra prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212, de 24/07/91. Entendimento consubstanciado no Parecer AGU/MS nº 008/2006, aprovado pelo Exmº Senhor Presidente da República. Recurso Voluntário Provido. (Processo n 35078.000254/200611 ,Recurso nº 258.856 Voluntário , Acórdão nº 230201.0753ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de maio de 2011) Por fim, o entendimento acima restou pacificado através da Súmula aprovada pela segunda turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. No levantamento “SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999”, inserto no Relatório Fiscal de fls. 12/24, que respaldou a presentes autuação, não há nenhum indício de que os serviços de construção civil objeto deste lançamento foram executados mediante cessão de mão de obra. Muito pelo contrário, no citado levantamento há referência expressa a dispositivos legais que tratam de obras de construção por empreitada, cujo conceito se distancia de contratos executados mediante cessão de mão de obra. Além disso, no citado Relatório Fiscal de fls. 12/24, há levantamento específico para apuração de débitos relacionados a contratos de cessão de mãodeobra celebrados pelo Banco do Brasil, o qual se encontra intitulado como “SM1 – SOLIDARIEDADE CMO ANTES 1999”. Por fim, às fls. 25 consta quadro demonstrativo através da qual é indicado que o contrato firmado com a empresa MICONOS ENGENHARIA CONSTRUÇÕES LTDA. é do tipo “Empreitada Global”. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Considerando, portanto, que o objeto da presente autuação não se refere à execução de contratos mediante cessão de mão de obra, concluise que no presente caso não há que se falar em responsabilidade solidária do Recorrente. Dessa forma, diante dos argumentos acima elucidados, bem como da força vinculante do Parecer da AGU, não há como manter a responsabilidade solidária da Recorrente pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/12, visto que o presente caso não se trata de cessão de mão de obra. Vale ressaltar que, tendo a autoridade lançadora apurado o crédito tributário com base em aferição indireta, por entender equivocadamente ser possível a cobrança do tributo da tomadora do serviço – no caso, a Recorrente – não pode a cobrança ser redirecionada contra o efetivo prestador. Não havendo previsão legal de exigência das contribuições previdenciárias da Recorrente, na qualidade de tomadora dos serviços, todo o lançamento em discussão mostrase imprestável. A cobrança da contribuição eventualmente devida é permitida contra o prestador de serviço, porém através de procedimento fiscal instaurado perante este. Não existindo solidariedade no caso em apreço, não pode subsistir lançamento efetuado por aferição indireta, contra parte nitidamente ilegítima. Face o acima exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento fiscal objeto do processo administrativo de n. 11080.722531/2010 19. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 31/10 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 10935.901550/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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VALE COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO SEM QUE HAJA O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. Não há como homologar pedido de compensação feito pelo contribuinte, quando o seu direito creditório não foi reconhecido pela administração fazendária. Não existindo crédito para quitar os débitos indicados no pedido de compensação, este deve ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 15 50 /2 00 9- 05 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901550/200905 Acórdão n.º 3801002.064 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silda Murgel. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJCuritiba/PR, abaixo transcrito: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 05/05/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 18049.64957.080605.1.3.046020, nos termos do despacho decisório emitido em 25/03/2009 pela DRF em Cascavel/PR (rastreamento nº 825035064). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 08/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 96.542,64 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/03/2000, sob o código 2172, no valor de R$ 143.288,99), vinculado ao Per/Dcomp nº 36663.79013.140305.1.2.041747, de 14/03/2005, objetivando a extinção de débitos de IOF (cód. 7893 – R$ 4.150,27, período 05/2005), IRRF (cód. 0588 R$ 3.592,92; cód. 1708 R$ 2.471,10 e cód. 0561 R$ 108.126,29, todos relativos à 1ª semana de junho de 2005), PIS (cód. 5979, R$ 6.032,13, período: 2ª quinzena de maio de 2005), Cofins (cód. 5960, R$ 27.840,62, período: 2ª quinzena de maio de 2005) e CSLL (cód. 5987 – R$ 9.643,68 – período: 2ª quinzena de maio de 2005). Segundo o despacho decisório, cientificado em 06/04/2009 (fl. 16), a compensação não foi homologada porque o crédito indicado para a compensação havia sido totalmente utilizado na extinção, por pagamento, do débito de Cofins (2172) de fevereiro de 2000, no valor de R$ 143.288,99. Na manifestação apresentada, a interessada alega que “considerando que a apuração deuse através de estimativa mensal, constatouse que o valor recolhido era maior que o devido.” Informa que houve um pedido de “ressarcimento” em 14/03/2005 (Per 36663.79013.140305.1.2.041747) e que a compensação foi feita com débitos próprios, em obediência ao disposto nas instruções normativas de regência. Analisando o litígio, a DRJ Curitiba/PR considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ORIUNDO DE RESTITUIÇÃO INDEFERIDA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901550/200905 Acórdão n.º 3801002.064 S3TE01 Fl. 13 3 A Compensação de crédito vinculado a uma restituição indeferida com débitos administrados pela Receita Federal, de responsabilidade do contribuinte, não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório não reconhecido. No recurso voluntário apresentado tempestivamente, o Recorrente alega, em síntese, que (i) que houve a homologação tácita do pedido de ressarcimento; (ii) que o crédito pleiteado existe e pode ser utilizado em compensações e (iii) que não há que se falar em coisa julgada administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. É fato incontroverso nos autos que, no processo administrativo de nº 36663.79013.140305.1.2.041747, no qual o Recorrente requer a restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, houve o indeferimento do pedido por parte da Receita Federal do Brasil. Tanto a Delegacia de Julgamento, no acórdão recorrido, como o próprio Recorrente, no Recurso Voluntário apresentado, atestam que houve o trânsito em julgado do procedimento administrativo e que os créditos não foram reconhecidos pela fiscalização. Neste passo, não poderia mesmo ser homologada compensação, em que os créditos indicados para pagar débitos próprios do contribuinte não foram reconhecidos pela Receita Federal. Nas razões recursais do Recorrente, este alega que houve a homologação tácita do pedido de restituição e, por isso, os créditos devem ser reconhecidos. Contudo, deveria, o Recorrente, ter suscitado tal matéria nos autos do próprio procedimento administrativo ou, se fosse o caso, pedido o reconhecimento desse direito perante o Poder Judiciário. O que, a princípio, não aconteceu. No presente procedimento de compensação, não existem elementos para analisar a afirmação de homologação tácita alegada. E mesmo que houvesse, não se poderia alterar decisão proferida em outro PA. Por outro lado, também não assiste razão ao Recorrente ao tentar demonstrar a liquidez do crédito revindicado em outro processo administrativo. Como mencionado, no presente processo administrativo de compensação, discutese a possibilidade de o contribuinte liquidar débitos próprios com supostos créditos originados de pagamentos indevidos ou a Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.901550/200905 Acórdão n.º 3801002.064 S3TE01 Fl. 14 4 maior. Uma vez não reconhecido o direito creditório, não há como se homologar o pedido de compensação. Por fim, em que pese o Recorrente afirmar que não existe “trânsito em julgado administrativo”, não foi acostado aos autos nenhuma prova, inclusive de medida judicial, capaz de reformar a decisão proferida no processo administrativo nº 36663.79013.140305.1.2.041747. Assim, também não assiste razão ao contribuinte neste ponto. Desta forma, sem maiores delongas, pela simplicidade da questão analisada, conhecendo do Recurso Voluntário apresentado, voto por negar provimento a este. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 23/09/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.011943/00-75
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/1998
ERRO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RETIFICAÇÃO.
Uma vez constatado erro no resultado do julgamento do recurso voluntário, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
NORMAS PROCESSUAIS. INCONST1TUCIONALIDADE DAS LEIS.
As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade das leis.
COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
A constatação da insuficiência de recolhimento da contribuição enseja o lançamento de oficio para formalizar sua exigência, além da aplicação da multa respectiva.
Recurso Voluntário Negado
Embargos de Declaração Acolhido e Provido.
Numero da decisão: 3302-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Designado.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/1998 ERRO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RETIFICAÇÃO. Uma vez constatado erro no resultado do julgamento do recurso voluntário, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. NORMAS PROCESSUAIS. INCONST1TUCIONALIDADE DAS LEIS. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade das leis. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A constatação da insuficiência de recolhimento da contribuição enseja o lançamento de oficio para formalizar sua exigência, além da aplicação da multa respectiva. Recurso Voluntário Negado Embargos de Declaração Acolhido e Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Designado. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.011943/0075 Recurso nº 121.712 Voluntário Acórdão nº 3302002.278 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2013 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PETRO AMAZON PETRÓLEO DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/11/1998 ERRO NO RESULTADO DO JULGAMENTO. RETIFICAÇÃO. Uma vez constatado erro no resultado do julgamento do recurso voluntário, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. NORMAS PROCESSUAIS. INCONST1TUCIONALIDADE DAS LEIS. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade das leis. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A constatação da insuficiência de recolhimento da contribuição enseja o lançamento de oficio para formalizar sua exigência, além da aplicação da multa respectiva. Recurso Voluntário Negado Embargos de Declaração Acolhido e Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 01 19 43 /0 0- 75 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.011943/0075 Acórdão n.º 3302002.278 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator Designado. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente de Embargos de Declaração opostos pela Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, designada para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, conforme resultado do julgamento do Acórdão nº 20177.676, de 16/06/2004, abaixo reproduzido. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer (Relator), Antonio Mario de Abreu Pinto, Sérgio Gomes Velloso e Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho (Suplente), que reconheciam a decadência do período de janeiro a setembro de 1998. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor. A Conselheira Josefa Marques constatou que a decadência não foi objeto de contestação pela Recorrente. E não integrava a lide “exatamente porque a ciência do lançamento ocorreu no dia 29/12/2000 e o período fiscalizado e lançado vai de abril de 1997 a novembro de 1998, não tendo transcorrido o qüinqüênio decadencial”. Por esta razão, o processo retornou à pauta para retificar o resultado do julgamento para “negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator”, conforme decisão da então Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte. Para que o presente Acórdão possa substituir integralmente o Acórdão embargado, transcrevese o inteiro teor do seu Relatório e, mais adiante, do seu Voto. Relatório Adoto corno relatório o de fls. 244/246, que leio em sessão, e acresço mais o que se segue. A DRJ em Belém PA decidiu, em primeira instância, pela manutenção integral do lançamento. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.011943/0075 Acórdão n.º 3302002.278 S3C3T2 Fl. 4 3 A empresa, então, interpôs recurso a este Conselho, arrolando bens. Alega, em preliminar, cerceamento do direito de defesa, afirmando que a negativa a seu pedido de juntada, em um único processo, de todos os lançamentos feitos em suas matriz e filiais, feito na impugnação, prejudicou sensivelmente a sua defesa. Alega, ainda, que as autuações teriam sido feitas por autoridade incompetente, em virtude da extinção do prazo previsto no MPF para a realização daquelas. Quanto ao mérito, alega que a exigência fiscal decorre do fato de a empresa não haver incluído na base de cálculo o valor do ICMS como substituto tributário e inconstitucionalidade de lei. Alega também a impropriedade dos acréscimos legais. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais, dele se conhece. Como relatado, os autos retornaram à pauta de julgamento para a Turma de Julgamento deliberar sobre a retificação do resultado do julgamento proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A Presidente do Colegiado que proferiu o julgamento propôs a retificação da seguinte forma: DE: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer (Relator), Antonio Mario de Abreu Pinto, Sérgio Gomes Velloso e Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho (Suplente), que reconheciam a decadência do período de janeiro a setembro de 1998. Designada a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques para redigir o voto vencedor. PARA: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Não há dúvidas de que a Câmara de Julgamento apreciou e julgou a lide integrante dos autos. No entanto, no resultado do julgamento, constante da Ata da Sessão e do Acórdão nº 20177.676, de 16/06/2004, consta matéria completamente estranha à lide, que não Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.011943/0075 Acórdão n.º 3302002.278 S3C3T2 Fl. 5 4 foi suscitada pela Recorrente e nem incluída pelo Conselheiro Relator, conforme voto que se transcreve na íntegra. Voto Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Relator. Não está escorado pela razão a contribuinte. No que pertine às preliminares, não há o que se falar em cerceamento do direito de defesa, visto que o simples fato de serem a matriz e as filiais de uma empresa fiscalizadas e autuadas não obriga a juntada de todos os lançamentos em um único processo. Também não procede a afirmação de que o procedimento fiscal seria nulo por incompetência dos agentes fiscais, visto que estes estariam agindo fora do prazo previsto pelo MPF como fatal para o encerramento da fiscalização. Conforme se pode constatar através do MPF e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, juntados aos autos (fls. 01 e seguintes), a fiscalização foi feita dentro do prazo previsto por aquele documento. Quanto ao mérito, transcrevo, com as devidas homenagens, voto do Conselheiro Serafim Fernandes Correa, em processo girado contra a mesma contribuinte e versando sobre fatos idênticos aos no presente processo arrolados, verbis: "O recurso da contribuinte fundamentase em dois pontos: a) a exigência decorre do fato de a empresa não haver incluído na base de cálculo o valor do ICMS como substituto tributário; e b) a substituição tributária é inconstitucional e a forma de insurgirse contra isso foi não recolher as contribuições sociais como substituto tributário. Quanto ao primeiro item, verificase que a fiscalização realizou um trabalho de fôlego, com riqueza de detalhes e levantamentos a demonstrar a insuficiência do recolhimento. Na impugnação, a contribuinte contraditou todo esse levantamento com um único argumento, em uma lauda e meia: a diferença decorria do fato de ter a fiscalização incluído na base de cálculo o valor correspondente ao ICMS devido como substituto tributário. Não juntou um único demonstrativo, uma única prova do que afirmava. Registrese que o art. 16 do Decreto n° 70.235/72 dispõe: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.011943/0075 Acórdão n.º 3302002.278 S3C3T2 Fl. 6 5 o nome, endereço e qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) § 1° Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Parágrafo acrescido pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) § 2° É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de oficio ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Parágrafo acrescido pelo art. 1° da Lei nº 8.748/93) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Parágrafo acrescido pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei ri° 9.532/97) § 5° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97) § 6° Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97)” Ora, era no momento da impugnação que deveriam ter sido apresentadas provas, mas não foram. Quando da decisão recorrida, a matéria foi abordada de forma a não deixar dúvida, inclusive com transcrições e exemplo com dados constantes do próprio processo. No recurso, a recorrente limitase a, em dois parágrafos, melhor dizendo, em quinze linhas, tecer genéricas considerações. Não há como deixar de considerar o trabalho meticuloso e detalhista da fiscalização, que demonstra a insuficiência de recolhimento da COFINS ante a ausência de argumentos e provas por parte da recorrente. Sobre o segundo item, alega que a única maneira que encontrou para não cumprir a lei que considera inconstitucional foi não recolher a contribuição. Esse não é o caminho correto. Se tinha alguma dúvida quanto à constitucionalidade da lei, deveria ter recorrido ao Judiciário. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.011943/0075 Acórdão n.º 3302002.278 S3C3T2 Fl. 7 6 Na esfera administrativa, é jurisprudência mansa e pacifica de que não nos cabe apreciar tais alegações, exclusivas do Poder Judiciário. Dessa forma, nenhum reparo merece a decisão recorrida." Frente ao exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de junho de 2004. ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Diante dos fatos, entendo procedentes as razões dos embargos de declaração, merecendo o mesmo acolhimento e, no mérito, devese darlhe provimento. Isto posto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e, no mérito, darlhe provimento para retificar o resultado do julgamento do Acórdão nº 20177.676, de 16/06/2004, que passará a ter a seguinte redação: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723364/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008
TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PASSÍVEL DE UTILIZAÇÃO NO SISTEMA NÃO-CUMULATIVO.
No âmbito do sistema não-cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos em relação aos custos dos bens adquiridos para revenda, sujeitos a tributação concentrada nos fabricantes e importadores destes bens.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. O Conselheiro Alexandre Gomes apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral pela Recorrente Mary Elbe Queiroz OAB/PE 25.620.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PASSÍVEL DE UTILIZAÇÃO NO SISTEMA NÃO-CUMULATIVO. No âmbito do sistema não-cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos em relação aos custos dos bens adquiridos para revenda, sujeitos a tributação concentrada nos fabricantes e importadores destes bens. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. O Conselheiro Alexandre Gomes apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela Recorrente Mary Elbe Queiroz OAB/PE 25.620. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PASSÍVEL DE UTILIZAÇÃO NO SISTEMA NÃOCUMULATIVO. No âmbito do sistema nãocumulativo de apuração das Contribuições para o PIS, é expressamente vedado aos comerciantes atacadistas e varejistas o aproveitamento de créditos em relação aos custos dos bens adquiridos para revenda, sujeitos a tributação concentrada nos fabricantes e importadores destes bens. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. O Conselheiro Alexandre Gomes apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral pela Recorrente Mary Elbe Queiroz – OAB/PE 25.620. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 33 64 /2 00 9- 81 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 567 a 588) apresentado em 21 de julho de 2011 contra o Acórdão no 1031.901, de 31 de maio de 2011, da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 553 a 563), cientificado em 05 de julho de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de PIS do 3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2008, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 Ementa: CRÉDITO. INCIDÊNCIA MOFÁSICA/CONCENTRADA. VEÍCULOS, AUTOPEÇAS E ACESSÓRIOS. É vedada a apuração de créditos calculados sobre os valores de produtos tributados com incidência concentrada/monofásica adquiridos para revenda diretamente das fabricantes ou importadoras de veículos novos, autopeças e acessórios. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 15 de setembro de 2009 e apreciada inicialmente pelo despacho decisório de fl. 501, com base no parecer de fls. 485 a 493. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de ressarcimento relativo a saldo credor de PIS não cumulativo analisado no período relativo ao 3º trimestre de 2004 até o 4º trimestre de 2008. Conforme descrito no relatório fiscal, os valores de créditos de Pis/Pasep e Cofins solicitados são relativos a aquisição de veículos automotores, bem como autopeças adquiridas para a revenda. A fiscalização concluiu que tal creditamento é indevido, aponta que o art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.833/2003 veda o cálculo de créditos quando da aquisição para revenda Fl. 603DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.723364/200981 Acórdão n.º 3302002.098 S3C3T2 Fl. 602 3 dos veículos e autopeças submetidos às alíquotas diferenciadas da contribuição para o Pis/Pasep e para a Cofins previstas na Lei 10.485/2002. O relatório fiscal também esclarece que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 ao determinar que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins não impedem a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a estas operações” referese às aquisições sobre as quais podem ser calculados créditos, portanto tal dispositivo legal não abriga a solicitação do contribuinte uma vez que a legislação em comento não criou nova hipótese de cálculo de créditos, tão pouco revogou as limitações existentes. Desta forma, não foi reconhecido qualquer direito creditório em favor do contribuinte referente à contribuição para o PIS no período compreendido entre o 3º Trimestre de 2004 e 4º Trimestre de 2008, sendo indeferidos os pedidos de ressarcimento eletrônicos controlados no presente processo, os quais totalizam o valor de R$ 4.208.256,59 (quatro milhões, duzentos e oito mil, duzentos e cinquenta e seis reais e cinquenta e nove centavos). O interessado apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra o indeferimento, pois entende que tem direito aos discutidos créditos da contribuição social não cumulativa, em relação aos produtos que adquiriu. Fundamenta seu entendimento com base no que dispõe o Art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e argumenta também que a possibilidade de creditamento pleiteado encontraria respaldo em ato declaratório interpretativo que permite a apuração de créditos nas aquisições de produtos junto a empresas tributadas pelo regime Simples Nacional. Cita doutrina e jurisprudência que julga a seu favor, concluindo que toda vedação de creditamento surgiria por norma específica, “então, se o Art. 17 não atingisse estas situações específicas, não atingiria nada”. Acrescenta, ainda, que a edição da Lei nº 11.727/2008, cujo Art. 42 revogou dispositivos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que excluíam da base de cálculo da sistemática não cumulativa as receitas oriundas da venda dos produtos de que tratam a Lei nº 10.485/2002, afastaria qualquer empecilho à sua pretensão. Sustenta que, com tal revogação, passaria a se enquadrar integralmente nas normas da não cumulatividade sem qualquer ressalva. Conclui que se houve tal revogação, cujo objetivo entende que seria vedar o creditamento pretendido, o mesmo creditamento estaria antes permitido. Afirma que qualquer interpretação, no sentido do não reconhecimento da não cumulatividade e dos seus respectivos efeitos, implicaria em flagrante violação da constitucionalidade. Sustenta que “quando a lei quer vedar, ela o faz explicitamente, mas quando libera, devese igualmente respeitar”. Requer, ao Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 final, a reforma do Despacho Decisório, para que seja deferido o seu pedido de ressarcimento/restituição em litígio. No recurso, a Interessada repetiu suas alegações em relação ao direito de crédito dos produtos, citando o art. 17 da Lei n° 11.033/04, contestando o acórdão de primeira instância, que concluiu pela sua não aplicação ao caso dos autos. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Antes de iniciar o exame do mérito, destaquese, quanto às questões constitucionais, a aplicação ao presente caso dos seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ademais, aplicase também a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Fl. 605DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.723364/200981 Acórdão n.º 3302002.098 S3C3T2 Fl. 603 5 Súmula Carf no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser aplicada ao caso dos autos a lei em sua integralidade. Em relação ao mérito da questão, a inclusão do § 1º no art. 2º da Lei nº 10.637/2002, e da Lei nº 10.833/2003, pela Lei nº 10.865/2004, não colocou no campo de incidência das alíquotas comuns de 1,65% e de 7,6%, respectivamente a receita auferida pelos produtores e importadores de determinados bens, sendo as alíquotas aplicáveis mais elevadas que as comuns (conforme dispositivos legais mencionados nos inciso do parágrafo incluído): “Lei nº 10.637/2002 “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). “§ 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004 [...]III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “Lei nº 10.833/2003 “Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). “§ 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) “[...] “III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 606DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 “IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” (grifei) Conforme acima demonstrado, as próprias leis das contribuições não cumulativas vedam a comunicação entre os regimes de tributação, que coexistem separadamente. Em seu recurso, a Interessada requer a aplicação do disposto no art. 17 da Lei n. 11.033, de 2004. Nessa matéria, para se falar em “manutenção de créditos”, haverseia que se pressupor sua prévia existência, cuja glosa seria determinada pela legislação. Com o dispositivo acima citado, a glosa não seria mais necessária, sendo possível a manutenção do crédito. De fato, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente, pois se refere à manutenção de créditos pelo contribuinte que der saída aos produtos desonerados, tendo adquirido produtos tributados a alíquota positiva e registrado os respectivos créditos. Ademais, referese ao crédito de produtos de que trata a referida lei e não a todos os casos de incidência de PIS e Cofins. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17 prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.723364/200981 Acórdão n.º 3302002.098 S3C3T2 Fl. 604 7 No AgRg no REsp 1.260.820/PR, o Superior Tribunal de Justiça decidiu o seguinte: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CADEIA AUTOMOTIVA. COMERCIANTE VAREJISTA. SAÍDA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO À ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS. 1. Cuidase de Agravo Regimental interposto contra decisão que negou seguimento ao Recurso Especial, recusando à recorrente o direito à escrituração de créditos no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, de incidência monofásica, relativos às vendas de automóveis, autopeças e acessórios sujeitas à alíquotazero. 2. A jurisprudência do STJ encontrase consolidada no sentido de que a técnica de apuração de créditos escriturais, em princípio, é incompatível com a incidência monofásica (cf. AgRg no REsp 1226371/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3.5.2011; AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, julgado em 22.2.2011; REsp 1218561/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 7.4.2011). 3. Inexistindo norma expressa que conceda o direito ao creditamento na aquisição de insumos para a revenda sujeita à alíquotazero, por contribuinte sobre o qual não recai a incidência monofásica do tributo, impossível acolher a pretensão. 4. Agravo Regimental não provido. < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLi nk=ATC&sSeq=18449958&sReg=201101379551&sData=2012 0223&sTipo=5&formato=PDF> A interpretação mencionada anteriormente, de acordo com os fundamentos do acórdão acima citado, foi adotada pela STJ nos REsp n. 1.224.392/RS e 1.218.561/SC. Tal interpretação é questionada à vista da Exposição de Motivos Nº 00111/2004 – MF, relativa à Medida Provisória n. 206, de 2004, que foi convertida na Lei n. 11.033, de 2008. No seu item 19, que se refere ao art. 16 da MP e equivale ao art. 17 da Lei, a referida Exposição diz que “As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.” A questão é que tal fato, por si só, não afasta a interpretação anteriormente citada. Primeira e especialmente, levandose em conta a interpretação adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, que, logicamente, deve servir de referência ao presente julgamento, por de se tratar de entendimento já consolidado, é cediço que os critérios pré jurídicos não devem, em regra, servir como base de interpretação das normas legais. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Em segundo lugar, se se admitir a Exposição de Motivos como fonte interpretativa para o caso, devese notar que a MP em questão tinha 17 artigos, sendo o último relativo à sua vigência. Portanto, somente o penúltimo artigo (Art. 16) teria sido nela inserido para esclarecer dúvidas sobre interpretação da legislação geral de PIS e Cofins, enquanto que os quinze anteriores diriam respeito a legislação específica. Vejase que, segundo o texto da EM, “As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas” e, portanto, seriam de natureza interpretativa. Nesse contexto, não faz sentido inserir na MP uma norma interpretativa a respeito da legislação geral. O problema é que não haveria o que esclarecer sobre a legislação em geral de PIS e Cofins não cumulativos, pelo que dispõe o art. 3º, § 2º, II, das Leis n. 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei n. 10.865, de 2004, art. 21. Assim, não se trataria de uma disposição interpretativa se se referisse à legislação em geral de PIS e Cofins e não apenas aos créditos de que trataram a própria lei. Nesse contexto, é possível que a referida Exposição de Motivos tenha se equivocado, uma vez que a interpretação adotada no presente voto é muito mais lógica e consistente com os diversos sistemas de apuração de PIS e Cofins, conforme já explanado. Não se admitindo tal hipótese, haveria ainda o fato de que a pretensão de oferecer uma interpretação autêntica à possibilidade de manutenção de créditos para o regime de tributação concentrada restaria frustrado pelas inconsistências acima apontadas. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, o Conselheiro Alexandre Gomes não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10). Fl. 609DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.721893/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES.
O lançamento de crédito tributário que contiver todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, não havendo prejuízo a defesa, deve ser mantido.
PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA.
O pedido de juntada extemporânea de documentos independe de autorização prévia, os documentos podem ser apresentados a qualquer momento, em razão da verdade material do processo administrativo. Contudo, a parte deve apresentá-los, não tendo qualquer valor a mera alegação de que pretende juntá-los sem que indique quais são, alegação sem conteúdo.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. O lançamento de crédito tributário que contiver todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, não havendo prejuízo a defesa, deve ser mantido. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA. O pedido de juntada extemporânea de documentos independe de autorização prévia, os documentos podem ser apresentados a qualquer momento, em razão da verdade material do processo administrativo. Contudo, a parte deve apresentá-los, não tendo qualquer valor a mera alegação de que pretende juntá-los sem que indique quais são, alegação sem conteúdo. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. O lançamento de crédito tributário que contiver todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, não havendo prejuízo a defesa, deve ser mantido. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. VERDADE MATERIAL. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO PRÉVIA. O pedido de juntada extemporânea de documentos independe de autorização prévia, os documentos podem ser apresentados a qualquer momento, em razão da verdade material do processo administrativo. Contudo, a parte deve apresentálos, não tendo qualquer valor a mera alegação de que pretende juntálos sem que indique quais são, alegação sem conteúdo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 18 93 /2 01 1- 11Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721893/201111 Acórdão n.º 2803002.560 S2TE03 Fl. 2.037 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Fábio Pallaretti Calcini, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721893/201111 Acórdão n.º 2803002.560 S2TE03 Fl. 2.038 3 Relatório Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721893/201111 Acórdão n.º 2803002.560 S2TE03 Fl. 2.040 5 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão que manteve integralmente Auto de Infração que constituiu crédito tributário referente contribuições previdenciárias de responsabilidade da Empresa, em virtude do não recolhimento de valores devidos à Seguridade Social e correspondem à contribuição previdenciária patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre remunerações pagas devidas ou creditadas, no decorrer do mês, aos seus segurados empregados, Contribuintes Individuais e Administradores. Tudo referente às competências 07/2007, 08/2007, 09/2007,13/2007,07/2008, 13/2008 e 11/2009, em que a contribuinte apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência GFIP como se fora optante pelo SIMPLES NACIONAL, deixando de informar e conseqüentemente de recolher nestas competências a contribuição Patronal e o GILRAT. A decisão recorrida deixou de apreciar os créditos com base a competências até 10/2008, em razão da contribuinte ter desistido da impugnação para aderir a parcelamento tributário. O recurso voluntário, tempestivamente apresentado, alega repete argumentos impugnatórios: a importância dos princípios jurídicos e da possibilidade de anulação dos atos administrativos; no mérito, alega que não constam nos autos as bases de cálculo dos valores apurados a título de contribuição para empresa, entende que os documentos que dão suporte ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias são os que junta, alega que o relatório RADA, conjugado com sua planilha de bases de cálculo, demonstraria saldo devedor de R$ 271.620,20, o que seria inferior ao efetivamente lançado, que pode demonstrar por documentos tais alegações se deferido o prazo de 20(vinte) dias para apresentação de documentos. Acrescenta que a decisão recorrida se ateve à competência 12/2007, não mais objeto do lançamento, em razão do parcelamento. Os autos vieram a esta turma para julgamento do recurso. Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, preenchido os requisitos de admissibilidade, deve o mesmo ser conhecido. Da mesma forma como o Recurso Voluntário remeteuse à peça de impugnação, como apenas reiteração por seus argumentos, informase que a decisão a quo apesar de sucinta, a mesma foi clara, e transcreveremos e nos filiamos: O impugnante desistiu expressamente de contestar os débitos lançados até a competência 10/2008, assim, analisarseá apenas o lançamento referente às demais competências, à luz da impugnação apresentada. Fixese, inicialmente, que o prazo para apresentação de provas documentais é o de impugnação, precluindose o direito do Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721893/201111 Acórdão n.º 2803002.560 S2TE03 Fl. 2.041 6 impugnante fazêlo em outro momento a menos que demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna1. O Código Civil preceitua: Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Entendemos que a alegação de que teria havido impossibilidade de retirada de documentos da contabilidade, em razão de seu volume, carece de sustentação que a caracterize como decorrente de fato, a saber, o lançamento fiscal, que não era possível evitar ou impedir. Observese que era de conhecimento do impugnante a ação fiscal, desde o seu início, bem como a matéria sob auditoria e o período. Com efeito, era previsível ao sujeito passivo que ele necessitasse de documentação probante dos fatos e atos praticados contábil e fiscalmente para demonstrar a correção de seu proceder, caso fosse constatada, como entendeu a auditoria fiscal, desconformidades passíveis de levantamento fiscal. Das bases de cálculo. No que pertine à alegada ausência das bases de cálculo utilizadas no lançamento, a Seção de Fiscalização, em atendimento a diligência solicitada, esclareceu que estas foram providenciadas pelo próprio contribuinte, apurandose com base nas GFIP apresentadas imediatamente antes do início da ação fiscal (folha 1955). Juntou também, às folhas 1958 e seguintes, planilhas com as bases de cálculo apuradas. De tais informações, cientificado, o impugnante não apresentou qualquer contestação. Observese que a GFIP é confissão de dívida, nos termos do art. 32, §2º na redação dada pela Medida Provisória 449, de 3/12/2008. Tornase, portanto, despicienda a análise pretendida pelo impugnante, a menos que ele demonstre, cabalmente, a existência real e precisa de algum equívoco na sua elaboração, o que, entendemos, não pode ser feito apenas com as folhas de pagamento e recibos de contribuintes individuais. Da apropriação e saldo devedor. Desta feita, o valor a que o impugnante chega, após considerar o constante no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA) denota, apenas, que o contribuinte admite ser devedor de valores bem próximos ao lançado. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721893/201111 Acórdão n.º 2803002.560 S2TE03 Fl. 2.042 7 Como a auditoria fiscal, conforme já salientado, pautouse na GFIP (informada pelo próprio contribuinte), os valores finais divergem dos apresentados pelo impugnante. Das bases de cálculo apuradas. Da mesma maneira, para a competência assinalada, 12/2007, o impugnante apura seu saldo partindo exclusivamente da base de cálculo apurada em folha de pagamento. Não inclui, como feito pela auditoria em levantamento apropriado, os pagamentos a contribuintes individuais, que remontam R$ 43.654,87, alterando significativamente o valor devido de contribuição social previdenciária. Ressaltese que essa competência foi admitida como correta pelo impugnante ao solicitar seu parcelamento. Do parcelamento No que diz respeito ao parcelamento, houve, conforme já citado anteriormente, desistência expressa da impugnação no que tange aos créditos relativos às competências até 10/2008, retirando os do litígio instaurado. Da representação ao Ministério Público. Quanto à notificação ao Ministério Público, reputada por exagero pelo impugnante, há que se informar que tal representação constituise dever de ofício do servidor, devendo ser efetivada nos termos da Portaria RFB 2.439/2010. Não há, portanto, discricionariedade no ato, nem se pode dizer que tratase de dupla penalização, tendo em vista que tais representações não dizem respeito à esfera tributária do contribuinte. Da conclusão. Por todo o exposto, votamos pela improcedência da impugnação. Acrescese que a diferença do RADA e da planilha ofertada no contribuinte, que daria margem a alteração do valor devido, ela se deve efetivamente por não ter a contribuinte incluído no cálculo os valores devidos pela incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a contribuintes individuais. Fato esse, que explica a diferença, que é favorável ao Fisco. Quanto à alegação e pedido de juntada de documentos após a impugnação, a priori, o art. 16, do Dec. 70235, permite a juntada de documentos na fase impugnatória, e que, salvo caso fortuito ou força maior, pode ser apresentados posteriormente. Indiferentemente, o princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Contudo, nem o pedido de juntada extemporânea informa o teor dos documentos que pretendia juntar, ou seja, um pedido de juntada completamente sem objeto. A parte teve oportunidade de juntar os documentos que alega ter inclusive em fase recursal, mas assim não o fez. Logo, não há como acolher o seu pedido. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721893/201111 Acórdão n.º 2803002.560 S2TE03 Fl. 2.043 8 Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Gustavo Vettorato Relator Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013952/2005-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
IRPF. TRANSFERÊNCIAS ENTRE PARENTES PRÓXIMOS. COMPROVAÇÃO.
Aceita-se que a transferência de valores entre parentes próximos para futura devolução não seja instrumentalizada por meio de contrato escrito, mormente quando comprovada a transferência financeira de valores em montantes compatíveis com o alegado.
Numero da decisão: 2201-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada, re-ratificar o Acórdão nº 2201-1.817, de 19/09/2012, mantendo-se a decisão original.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator.
EDITADO EM: 13/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, CAMILO BALBI (suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. IRPF. TRANSFERÊNCIAS ENTRE PARENTES PRÓXIMOS. COMPROVAÇÃO. Aceitase que a transferência de valores entre parentes próximos para futura devolução não seja instrumentalizada por meio de contrato escrito, mormente quando comprovada a transferência financeira de valores em montantes compatíveis com o alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada, reratificar o Acórdão nº 2201 1.817, de 19/09/2012, mantendose a decisão original. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. EDITADO EM: 13/08/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 52 /2 00 5- 58 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUSTAVO LIAN HADDAD, CAMILO BALBI (suplente convocado), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, NATHÁLIA MESQUITA CEIA e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS. Relatório A matéria em discussão neste Colegiado se refere a Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional assentados no argumento de existência de contradição/obscuridade no v. acórdão de fls. 1661 e seguintes, por meio do qual a Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte para (i) excluir da exigência o item 1 (omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas); (ii) excluir da base de cálculo os depósitos bancários de origem não identificada (valores de R$ 121.832,78 e R$ 61.558,64); e (iii) excluir da base de cálculo da multa isolada do carnê leão os valores de R$ 6.000,00 e R$ 8.000,00. A contrariedade decorreria do fato do acórdão embargado ter afastado a infração contida no item 1 (omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas) por entender tratarse de empréstimos entre membros da mesma família (fls. 1670) em contradição ao quanto afirmado pelo contribuinte no seguinte trecho do recurso voluntário (fls. 1531): “Neste caso, o Marcelo é um membro da família e ora retira dinheiro para seu sustento, ora repõe se necessário. Então, não se trata de prestação de serviços para pessoa física, que não existiu e muito menos de um empréstimo do filho para o pai e, também, não é uma doação. É, simplesmente, a utilização de um dinheiro saído da própria atividade e que numa determinada circunstância teve de retornar.” Este Relator entendeu possível ter havido contradição na decisão embargada, propondo que os autos fossem trazidos a julgamento (despacho de fls.). A D. Presidência desta Câmara acatou a referida proposta. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad Os presentes Embargos foram opostos objetivando o saneamento de suposta contradição no acórdão embargado. Destarte, a discussão no presente julgamento está limitada à analise da ocorrência de contradição no acórdão nº 2201001.817 em relação à omissão de rendimentos de pessoas físicas. Como se verifica do voto condutor do referido acórdão o item 1 do lançamento (omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas) foi cancelado sob o entendimento de que os valores objeto de autuação correspondem a um empréstimo realizado Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10680.013952/200558 Acórdão n.º 2201002.189 S2C2T1 Fl. 1.684 3 de pai para filho, que segundo a jurisprudência deste colegiado aceitase não seja revestido das formalidades tradicionalmente exigidas em mútuo. O recurso ora em discussão sustenta que tal conclusão é contraditória/obscura tendo em vista a alegação do Recorrente às fls. 1531 de seu recurso voluntário de que os valores apontados como rendimentos omitidos não decorrem de um empréstimo “do filho para o pai”. Há, de fato, uma aparente contrariedade/obscuridade no acórdão embargado, cujo saneamento, entretanto, não mudará o resultado do julgamento, como se explica abaixo. De fato, embora o Recorrente tenha afirmado que não existe um empréstimo do filho para o pai (em que pese o título do capítulo “f” do recurso voluntário ser denominado “Dinheiro recebido por empréstimo de Marcelo Affonso Junqueira”), consta das razões de recurso que os valores em questão correspondem a verbas utilizadas por seu filho e que são posteriormente devolvidas por meio de depósito em conta bancária de titularidade do Recorrente, afirmação que o acórdão embargado entendeu devidamente comprovada nos autos. A meu ver, ainda que o Recorrente pareça sustentar o contrário tal operação não possuiu em essência outra natureza que não a de um empréstimo na medida em que os valores são utilizados por seu filho e, posteriormente, devolvidos ao Recorrente. Assim sendo, não há o que alterar na conclusão do v. acórdão embargado ao determinar a exclusão desses valores do lançamento por não configurarem renda, conforme uníssona jurisprudência deste E. Colegiado. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional para, sanando a contradição apontada, re ratificar o Acórdão n. 22011.817, de 19 de setembro de 2012, mantendose a decisão original. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13161.720179/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. LANÇAMENTO.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é tributo sujeito ao lançamento por homologação.
No caso de prestação de informações inexatas ou incorretas na Declaração de ITR, tal como se deu na hipótese, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deve proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes do SIPT - Sistema de Preços de Terra e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Concretizada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade lançadora aplicar a multa de lançamento de ofício prevista em lei.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
No processo administrativo fiscal, a ampla defesa e o contraditório são exercidos por meio da impugnação e do recurso voluntário.
Na hipótese, tanto a impugnação quanto o recurso voluntário apresentados pelo interessado foram regularmente apreciados e julgados pelos órgãos competentes. Não há que se cogitar, portanto, violação ao seu direito de defesa.
Numero da decisão: 2101-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
__________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. LANÇAMENTO. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é tributo sujeito ao lançamento por homologação. No caso de prestação de informações inexatas ou incorretas na Declaração de ITR, tal como se deu na hipótese, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deve proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes do SIPT - Sistema de Preços de Terra e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Concretizada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade lançadora aplicar a multa de lançamento de ofício prevista em lei. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, a ampla defesa e o contraditório são exercidos por meio da impugnação e do recurso voluntário. Na hipótese, tanto a impugnação quanto o recurso voluntário apresentados pelo interessado foram regularmente apreciados e julgados pelos órgãos competentes. Não há que se cogitar, portanto, violação ao seu direito de defesa.
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IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LANÇAMENTO. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é tributo sujeito ao lançamento por homologação. No caso de prestação de informações inexatas ou incorretas na Declaração de ITR, tal como se deu na hipótese, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deve proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Concretizada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade lançadora aplicar a multa de lançamento de ofício prevista em lei. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No processo administrativo fiscal, a ampla defesa e o contraditório são exercidos por meio da impugnação e do recurso voluntário. Na hipótese, tanto a impugnação quanto o recurso voluntário apresentados pelo interessado foram regularmente apreciados e julgados pelos órgãos competentes. Não há que se cogitar, portanto, violação ao seu direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 79 /2 00 8- 80 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar do exercício 2006, em decorrência da falta de comprovação da área de benfeitorias úteis e necessárias e do Valor da Terra Nua – VTN declarados. O contribuinte impugnou o lançamento, pedindo a realização de prova pericial e alegando, em síntese, que: (i) a Notificação de Lançamento é nula por não conter as assinaturas do Delegado e do Auditor Fiscal responsáveis; (ii) foi fixado Valor da Terra Nua maior que o do Sistema de Preços de Terra SIPT para o local da região em que está inserido o bem imóvel objeto da tributação, desconsiderandose parcialmente o laudo de avaliação apresentado, no que trata da depreciação do valor das terras; (iii) houve ofensa ao contraditório e à ampla defesa em virtude da fixação de valores maiores que os praticados pela própria Receita Federal; (iv) o Fisco exorbitou ao apropriarse de dados do laudo de avaliação que não faziam parte da controvérsia, em particular no tocante à área ocupada por benfeitorias; e (v) multa e juros de mora não podem ser acumulados, pois isso caracteriza bis in idem. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) julgou a impugnação procedente em parte, por meio do Acórdão n.º 0325.842, de 5 de setembro de 2011, que contou com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 Valor da Terra Nua VTN Se constatado que o laudo de avaliação, que serviu de base para modificar o VTN declarado, não havia sido elaborado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, é possível rever o lançamento para ajustar o valor de avaliação do imóvel com a utilização da tabela do Sistema de Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720179/200880 Acórdão n.º 2101002.266 S2C1T1 Fl. 3 3 Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ rejeitou, na sua totalidade, o laudo de avaliação apresentado pelo interessado e considerou o Valor da Terra Nua constante do SIPT – Sistema de Preços de Terra, de R$ 1.569,00 por hectare, o que resultou na redução do imposto lançado, de R$ 85.476,33, para R$ 59.285,85. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual aduziu que o lançamento perpetrado pela Fiscalização foi um lançamento por declaração e não de ofício, como deveria ter sido, que, com isso, vilipendiou os princípios do contraditório e da ampla defesa, na medida em que inverteu o ônus da prova, obrigando o contribuinte a provar, antes de iniciado o procedimento administrativo fiscal e por um único meio (Laudo Pericial que cumprisse as formalidades da ABNT), que a base de cálculo utilizada quando ele quitou antecipadamente o tributo seria correta. Como não houve lançamento de ofício, impossível, a seu ver, a aplicação do § 2° do artigo 14 da Lei 9.393, de 1996, impondose a multa de 20% prevista no artigo 13, I, do mesmo diploma legal. Pede seja declarada a nulidade da Notificação de Lançamento, por veicular lançamento por declaração e seja reduzida a multa para 20%. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado nos autos do presente processo, veiculado pela Notificação de Lançamento às fls. 69 a 73, teve origem na falta de comprovação, pelo contribuinte, do Valor da Terra Nua (VTN) e da área de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, declarados em sua Declaração do ITR (DIAT) correspondente ao exercício 2006. Ante a falta de comprovação constatada, Fiscalização procedeu à alteração da área de benfeitorias e promoveu o arbitramento do VTN em R$ 2.146,69 por hectare, com base em informações constantes de laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte (fls. 70 e seguintes). O VTN utilizado pela Fiscalização no cômputo do imposto lançado correspondeu ao valor constante do laudo, antes da aplicação de um redutor de 38%, denominado “depreciação”, que foi desconsiderado. Em sua impugnação, o interessado pediu a realização de prova pericial e alegou, em síntese, que: (i) a Notificação de Lançamento seria nula por não conter as Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 assinaturas do Delegado e do Auditor Fiscal responsáveis; (ii) foi fixado Valor da Terra Nua maior que o do Sistema de Preços de Terras para o local da região em que está inserido o bem imóvel objeto da tributação, desconsiderandose parcialmente o laudo de avaliação apresentado, no que trata da depreciação do valor das terras; (iii) o Fisco exorbitou ao apropriarse de dados do laudo de avaliação que não faziam parte da controvérsia, em particular no tocante à área ocupada por benfeitorias; (iv) multa e juros de mora não poderiam ser acumulados, sob pena de caracterizar bis in idem. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a impugnação procedente em parte. Rejeitou as preliminares de nulidade da Notificação de Lançamento e de cerceamento ao direito de defesa e indeferiu o pedido de realização de perícia. No mérito, não acolheu os argumentos suscitados pela parte interessada no que concerne à área ocupada por benfeitorias. No voto condutor da decisão recorrida, o Relator explicitou que as dimensões das benfeitorias constantes dos quadros demonstrativos não eram conclusivas, e que, no demonstrativo de Distribuição e Classificação das Áreas foram somadas as Áreas Inaproveitáveis com a de benfeitorias, não havendo como visualizar o que correspondia a cada um dos itens. Sendo assim, esclareceu, em virtude de ausência de dados com relação a estradas e açudes, o Fisco teve de utilizar valores estimados para calcular suas dimensões, e as estimativas se mostravam coerentes se observadas as fotografias da propriedade que acompanham o laudo. Complementou que, com a impugnação, não havia sido encaminhado nenhum novo comprovante deste item, e não havia, portanto, como reverter a glosa parcial. Já no tocante ao Valor da Terra Nua, a DRJ rejeitou, na sua totalidade, o laudo de avaliação apresentado e adotou o preço de terras constante do Sistema de Preços de Terra SIPT, que já havia sido informado na intimação inicial, qual seja, de R$ 1.569,00 por hectare. Com essa medida, o VTN da propriedade ficou reduzido para R$ 21.066.178,50 e o VTN tributável passou a ser de R$ 15.799.633,87, reduzindo o imposto lançado ao valor de R$ 59.285,85, acrescido de multa de lançamento de ofício e juros de mora. Apesar dos argumentos suscitados pelo impugnante, o órgão julgador a quo entendeu pelo cabimento da multa de lançamento de ofício e dos juros de mora, com fundamento no artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1994, no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, no artigo 161 do Código Tributário Nacional e nas Súmulas CARF n.º 4 e n.º 5, tal como se constata do texto do voto condutor da decisão recorrida. Insurgiuse o contribuinte, em sede de recurso voluntário, contra a modalidade do lançamento perpetrado pela Fiscalização, que entendeu ter sido um lançamento por declaração e não de ofício. Sustentou, com isso, que, ao promover lançamento por declaração, a Fiscalização teria violado os princípios do contraditório e da ampla defesa, na medida em que inverteu o ônus da prova, obrigando o contribuinte a provar, antes de iniciado o procedimento administrativo fiscal e por um único meio (Laudo Pericial que cumprisse as formalidades da ABNT), que a base de cálculo utilizada para quitar antecipadamente o tributo seria correta. Nessa linha de raciocínio, concluiu que, como não havia lançamento de ofício, não poderia ter sido aplicado o § 2° do artigo 14 da Lei 9.393, de 1996, devendose aplicar o artigo 13, I, do mesmo diploma legal, que prevê multa de 20%. Em primeiro lugar, esclarecemos que o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é tributo sujeito ao denominado “lançamento por homologação”, tal como previsto no artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, cujo caput encontrase a seguir reproduzido: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720179/200880 Acórdão n.º 2101002.266 S2C1T1 Fl. 4 5 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...]. Por outro lado, o lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966), deve ser efetuado pela autoridade administrativa nos casos em que fique comprovada a omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo 150 do mesmo diploma, ou seja, o lançamento por homologação. Vejamos os textos dos dispositivos, naquilo que releva à presente análise: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Da leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, identificamse claramente as circunstâncias presentes na hipótese dos autos. Houve inexatidão, por parte do sujeito obrigado à apuração e ao pagamento antecipado do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, na sua Declaração de ITR (DIAT), eis que nela informou Valor da Terra Nua sem respaldo em documentos que o comprovassem. Desse modo, ocasionou o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, nos moldes previstos no inciso V do artigo 149 do Código Tributário Nacional, corroborado pelo teor do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Salientamos, por pertinente, que a utilização pela autoridade autuante, no lançamento de ofício, de informações prestadas pelo fiscalizado no curso do procedimento fiscal, não descaracteriza o lançamento de ofício que venha porventura resultar daquele procedimento. De acordo com o § 2.º acima transcrito, no lançamento de ofício do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural são cabíveis as multas aplicáveis aos demais tributos federais, que são aquelas previstas no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, que assim dispõe, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No lançamento veiculado por meio da Notificação de Lançamento integrante dos autos do presente processo, foi lançada multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada, nos estritos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, tendo em vista não ter sido comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Como se vê, equivocase o recorrente ao sustentar ter havido, por parte da autoridade fiscalizadora, lançamento por declaração e que tal procedimento ensejaria multa de 20%. De acordo com a legislação tributária, no caso do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, não há qualquer hipótese de haver tal modalidade de lançamento no exercício 2006. Conforme se demonstrou, tratase de tributo sujeito ao lançamento por homologação que, nos casos em que se comprove ter ocorrido a prestação de informações inexatas ou incorretas na DIAC ou DIAT, acarreta o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, com a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% sobre a diferença de imposto apurada. Uma vez demonstrado que, no caso vertente, houve lançamento de ofício com a imputação de multa nos termos da lei tributária, e tendo em vista que, no recurso voluntário, o recorrente não se insurgiu contra a glosa das áreas de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, promovida pela autoridade fiscalizadora e mantida pelo órgão julgador a quo, assim como não questionou o Valor da Terra Nua utilizado para o cálculo do imposto na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), com base nos dados constantes do SIPT – Sistema de Preços de Terra, mantémse o valor do imposto de R$ 59.285,85, acrescido de multa de lançamento de ofício de 75% e de juros de mora, nos termos da legislação vigente, conforme consta da decisão recorrida. Por fim, o recorrente argumenta ter havido cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que entendeu ter ocorrido inversão do ônus da prova, eis que a Fiscalização obrigouo a provar, antes de iniciado o procedimento administrativo fiscal e por um único meio Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720179/200880 Acórdão n.º 2101002.266 S2C1T1 Fl. 5 7 (Laudo Pericial que cumprisse as formalidades da ABNT), que a base de cálculo por ele utilizada para quitar antecipadamente o tributo seria correta. Sobre o argumento, salientamos que o Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, compõese de duas fases: a primeira, mais propriamente definida como um procedimento, precede a etapa do litígio. Nela, são colhidas, pela Fiscalização, as informações que irão embasar o lançamento de ofício, se for o caso. A segunda fase do processo administrativo fiscal consiste na fase litigiosa propriamente dita, e tem início com a apresentação de impugnação, na qual o contribuinte apresenta as razões de seu inconformismo e traz aos autos provas que as sustentem. No processo administrativo fiscal, a ampla defesa do contribuinte, garantida pelo artigo 5.°, inciso LV da Constituição Federal, é exercida por meio da impugnação, em primeira instância, e pelo recurso voluntário, em segunda. Esses recursos, previstos no Decreto n.° 70.235, de 1972, asseguram o duplo grau de jurisdição. É junto com a impugnação que a parte interessada apresenta suas razões de defesa e traz aos autos as provas que entende necessárias e suficientes para comprovar suas alegações. Salientamos que o defendente não precisa se limitar à apresentação dos documentos exigidos pela Fiscalização, mas pode apresentar outros, que entenda comprovar seus argumentos. O fato de a Fiscalização ter exigido a apresentação de Laudo Pericial que cumprisse as formalidades da ABNT não significa que essa seria a única prova possível. A preterição do direito de defesa do contribuinte é causa de nulidade no processo administrativo fiscal. Todavia, tal não ocorreu no presente processo. O contribuinte exerceu seu direito ao contraditório e à ampla defesa por meio da impugnação e do recurso voluntário, ambos regularmente apreciados e julgados pelos órgãos julgadores competentes. Sendo assim, não há que se declarar a nulidade do lançamento por esse motivo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10880.905093/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO
Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dívida do contribuinte através da declaração de compensação apresentada, portanto, não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário.
Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrativa não homologar expressamente a compensação declarada.
Numero da decisão: 3801-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dívida do contribuinte através da declaração de compensação apresentada, portanto, não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário. Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrativa não homologar expressamente a compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dívida do contribuinte através da declaração de compensação apresentada, portanto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 50 93 /2 00 9- 01 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 3 2 não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário. Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrativa não homologar expressamente a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ – São Paulo I (SP), que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação P ER/DCOMP n° 36149.26673.140706.1.3.049000,fls. 01/02, na qual o contrib uinte pretende compensar crédito no montante de R$ 5.603,26 (crédito original na data da transmissão), decorrente de pagamento indevido ou maior de COFINS, efetuado em15/08/20 01, com débitos do próprio COFINS, referente ao período de apu ração de 06/2006. Em 23/10/2009, após analise da DCOMP de f orma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Feder al do Brasil RFB, foi emitido despacho decisório de nãohomol ogação das compensações, atestando que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP aci ma identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,mas i ntegralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos i nformados no PER/DCOMP. Ou seja, o DARF de R$ 11.945,98, recolhido em 15/08/2001, estava integralmente alocado ao débit o de COFINS declarado para o período de apuração de 31/07/20 01. Cientificado em 05/11/2009, o contribuinte apresentou em 04/12/2009 a manifestação de inconformidade de fls. 08/26, juntando às fls. 27/78, cópias simples e autenticadas da Procuração, da OAB e do Instrumento Particular de Retificaç ão e Consolidação do Contrato Social. Após um breve relato dos fatos alega, em síntese, o que segue: Das Preliminares Da Nulidade do Despacho Decisório Ressalta o contribuinte quepor tratarsede um despacho decisóri o eletrônico não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal, sendo p ossivelmente o resultado de um encontro de contas realizado automaticamente pelo sistema de informatiza ção da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que por si só ensejaria a nulidade do mesmo. Isto porque as decisões administrativas devem ser devidamente motivadas de forma que o contribuinte tenha conhecimento dos e lementos que formaram a convicção do julgador. Transcreve o a rtigo 37 da CF, art.2°, VIII, e o 50 da lei n° 9.784/99, que embas am tal entendimento. Em seu entendimento o fato de constar no despacho decisório qu e "a partir das características do DARF discriminado Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 5 4 no perdcomp, foram localizados uma ou mais pagamentos integr almente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no perdcomp" é insuficiente para fundamentar a deci são combativa, pois não consta a razão dessa indisponibilidade. Argúi ainda que, hipoteticamente falando, deve ter existido o env io contraditório pelo contribuinte de informações e isso gerado diferença nos sistemas da SRFB a ponto de invibializ ar a apropriação do crédito trazido na compensação. A própria I N 900/08 em seu art. 2° reconhece que são inúmeras as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, passando a e numerálas. O fato é que a Autoridade Administrativa não analisou nenhuma dessas possibilidades que ensejariam a restituição postulada, ten do simplesmente não homologado a compensação declarada, tor nando totalmente nula referida decisão, nos termos do art. 59, II, do decreto n° 70.235/72, pois a empresa não pode defenderse. Transcreve Acórdão do CARF. Diante do exposto, conclui afirmando que o R.Despacho Decisório deve ser julgado Nulo, p or ausência de motivação, devendo o crédito ser considerado leg ítimo e disponível face à ausência de fundamentação jurídica e le gal e até factual para o seu indeferimento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Reproduz o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal e alega qu e no caso em tela essas garantias foram ofendidas pois em mome nto alguma a Recorrente foi intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia a Autoridade Administrativo têlo feito, sempre que lhe r estar dúvidas, nos termos do art. 65 da IN 900/08. Não adotando tal conduta acabou por cercear o direito de defesa da Recorrente. Soma a isso o fato de não ter sido analisado tam bém o mérito da qual não tendo a Autoridade Administrativa motivado o seu entendimento, sendo tal fundamentação essencial e extremamente necessária para preservar o contraditó rio e ampla defesa, inerente processo administrativo. Assim, por total afronta a esses princípios devese declarar totalmente nulo do R.Despacho Decisório. DO MÉRITO Após relatar o constante do PERDCOMP afirma estar equivocada a Administração ao indeferir o crédito da Recorrente, uma vez que apenas parte do crédito corresponde nte ao tributo foi utilizada para quitação em 15/08/2001 da COF INS gerada em 30/07/2001. Somente R$ 8.143,58 da guia de R$ 11.945,98 é que foi utilizado pela Recorrente como crédito para realização de compensação. Salienta ainda que, de toda forma, este valor utilizado como créd ito, além de não estar vinculado a nenhum pagamento, também não pode ser rechaçado pela Receit a Federal, uma vez que, ainda que débito fosse, poderia ter sido Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 6 5 exigido até 07/2006, consoante instituto da decadência, ex vi do art. 173 do CTN. Esclarece ainda que a mesma nunca foi cobrada, intimada ou advertida com relação a esse débito de COFINS, mesmo não ten do ocorrido nenhuma das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, dis posta no art. 151 do CTN, que impedisse a cobrança pelo Fisco desse tributo, inclusive mediante Auto de Infração, por força do disposto no art. 142 do CTN, para se prevenir a decadência. No caso, não tendo o fisco cobrado o pretenso débito de COFINS ap urado em 07/2001, não pode mais vir a fazêlo pois ocorreu a de cadência do direito de vir a fazêlo.Cita jurisprudência nesse sen tido. Corroborando tal entendimento, às fls. 19/25, reproduz o art. 17 3 do CTN, a Súmula 8 do STF, o art. 64 da lei 9784/99, o Parece r PGFN/CAT n° 1.617/08 e jurisprudências que dispõem sobre a aplicabilidade do prazo decadencial de 05 anos. Salienta ainda q ue o crédito utilizado na referida compensação se refere a DARF que pode ser encarado como tendo quitado parcialmente a obrigação tributária da época, e parcial mente utilizado como crédito pela Recorrente. E que a jurisprudê ncia, inclusive administrativa, está pacificada de que havendo um pagamento parcial de débito o prazo decadencial co ntase nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Conclui afirmando que o débito de COFINS referente a 07/2001 não pode ser exigi do, pois com a aplicação da Súmula n° 8 STF já se operou a decadência. E que inexistindo débito a ser reclamado, é de rigora homologação da compensação consubstanciada no refere ndo perdcomp, uma vez ser legítimo e suficiente o crédito de COFINS utilizado para tanto. DO PEDIDO Requer preliminarmente seja a R. Despacho Decisório declarado nulo, pela ausência de motivação que o sustente, como também p or cercear os direitos constitucionais do contraditório e da ampl a defesa. No mérito requer que o presente Manifesto de Inconfor midade seja recebido, processado e encaminhado para julgamento, dandose provimento a matéria de direito, com a ho mologação da perdcomp 36149.26673.140706.1.3.049000. É o r elatório.” A Delegacia de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 15/08/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de e lementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito d ecorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprova ção deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. E incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais,em estrita bservância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus ter mos e assegurado o exercício da faculdade de interposiçãoda res pectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão q ue expressa a inexistência de direito creditório para fins de comp ensação fundada na vinculação total do pagamento a débito decl arado pelo próprio interessado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO Não há na espécie lançamento de ofício, mas, sim confissão de dí vida do contribuinte através da declaração de compensação apre sentada, portanto, não há que se falar em DECADÊNCIA para a Fazenda constituir crédito tributário. Não tendo decorrido cinco anos da data da entrega da Declaração de Compensação, pode a Autoridade Administrati va não homologar expressamente a compensação declarada. Ma nifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reprisando as razões de defesa expostas na manifestação de inconformidade ereproduzindoas neste recurso voluntário, requerendo a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conhec o. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de São Paulo I (SP), conforme se verá a seguir: Da Preliminar de Nulidade: Requereu a contribuinte a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como por ferir o art. 5° da CF, especificamente por impedir uma ampla defesa e o contraditório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto, vejamos: “No tocante à questão preliminar de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) §1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 9 8 qual constam informações relativas aos créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de 1RPJ PJ, Os.2, e apontou o documento de arrecadação (DARF), fls. 02, como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/01/02 e Código de Receita 2172, conforme apontado no próprio Despacho Decisório. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o valor total do crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Quanto à alegação de falta de informação da fundamentação legal, esta também não merece guarida, pois, foi devidamente informado no Despacho Decisório (campo 3), a legislação pertinente, saber: Arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e dele foi o Contribuinte regularmente cientificado, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias, da manifestação de inconformidade que ora se Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 10 9 aprecia. Acrescentese que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via declaratória (art. 74 da Lei 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN 900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, conquanto a manifestação de inconformidade obedeça ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) §7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) §9° E facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 11 10 §11° A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/1999 (regra geral) e do Decreto n° 70.235/1972 (regra específica), não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, o Contribuinte acena com a existência de indébitos(s) decorrentes(s) de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando apenas que, hipoteticamente falando, deve ter existido o envio contraditório de informações, por parte da empresa, e isso gerado diferença nos sistemas da SRFB a ponto de inviabilizar a apropriação do crédito trazido na compensação. No entanto, não traz aos autos nenhum documento que dê sustentação a referida argumentação. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, visto que desacompanhados de documentos que lhe dêem suporte. O chamado ônus da prova é do Contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a interessada viola a regra jurídica adotada pelo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 12 11 direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, e do artigo 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos: Decreto n° 70.235, de 1972 "Art. 15 — A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " (grifei) CPC "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Destaquese, ademais, o momento da apresentação de documentos capazes de subsidiar os argumentos trazidos para contestar o despacho decisório coincide com aquele da apresentação da peça impugnatória. Portanto, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, "precluindo o direito do Recorrente fazêlo em outro momento processual" (art. 16, § 4°, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88. Deste modo, afasto a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 13 12 Da Decadência: A recorrente alega que teria ocorrido à decadência ao direito do fisco de questionar o débito de COFINS apurado em 02/2002. Conforme se verificará, o acórdão recorrido bem apreciou o assunto, vejamos: A questão de mérito trazida pelo sujeito passivo contra a não homologação expressa da declaração de compensação citada, consiste na alegada decadência do fisco exigir pretenso débito de COFINS apurado em 01/2002, pois nos termos do § 4o do art.150 do CTN, em decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do STF, referido débito poderia ser exigido até 01/2007. Salienta ainda que se deve contar o prazo decadencial de cinco anos do fato gerador porque o crédito utilizado na referida compensação referese a DARF, que quitou parcialmente a obrigação tributária da época. Inicialmente cabe observar que realmente assiste razão ao contribuinte, as obrigações tributárias de 01/2002 (cujo crédito não tiver sido constituído ou suspenso) definitivamente extintas por pagamento ou decadência não podem ser mais cobradas. Ocorre que o fisco não está a cobrar tais obrigações, mas, sim, as obrigações tributárias confessadas pelo PER/DCOMP (IRPJ PJ referente ao 2o trimestre/2006) que não foram efetivamente compensadas pelos créditos que a Fazenda verificou inexistirem, nos termos do disposto no §6° do art. 74 da lei n° 9.420/96, incluído pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que atribui à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, como segue: "Art. 74 [...] §6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, (grifei) Por fim cabe esclarecer que de acordo com § 5o do art. 74 da Lei 9.430/96, o prazo de que dispõe o fisco para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso em tela, a declaração de compensação foi transmitida em 31/07/2006, ao passo que a notificação da não homologação da compensação se deu em 05/11/2009, portanto, dentro do qüinqüênio legal de que dispõe o fisco para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. Por tudo quanto exposto concluise que o exame das declarações prestadas pela Manifestante à Administração Tributária revelaram a inexistência do pretenso crédito declarado e utilizado na compensação; não havia saldo disponível para Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.905093/200901 Acórdão n.º 3801001.940 S3TE01 Fl. 14 13 suportar uma nova extinção por ter sido utilizado anteriormente, razão correta da não homologação da compensação. Conforme o respeitável Acórdão da DRJ/SP1, “assiste razão ao contribuinte ao afirmar as obrigações tributárias de 01/2002, cujo crédito não tiver sido constituído ou suspenso, definitivamente extintas por pagamento ou decadência não podem ser mais cobradas”. Entretanto, é corretamente esclarecido no Acórdão que o fisco não está a cobrar tais obrigações, mas, sim, as obrigações tributárias confessadas pelo PER/DCOMP (IRPJ PJ referente ao 2o trimestre/2006), haja vista que não foram efetivamente compensadas pelos créditos que a Fazenda verificou inexistirem. A declaração de compensação foi transmitida em 31/07/2006, ao passo que a notificação da não homologação da compensação se deu em 05/11/2009, portanto, dentro do qüinqüênio legal de que dispõe o fisco para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. De acordo com §5° do art. 74 da Lei 9.430/96, o prazo de que dispõe o fisco para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, não há que se falar em decadência. Com todas as considerações expostas acima, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 16327.721116/2011-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA E DA BM&F. SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES.
A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS.
A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Ariene Amaral, OAB/DF 20.928.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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SUBSTITUIÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS POR AÇÕES. A operação denominada desmutualização das bolsas não implicou a dissolução de que trata o art. 61 do Código Civil e tampouco a devolução de patrimônio aos associados. Os antigos títulos patrimoniais, que se encontravam classificados no ativo permanente das entidades sócias, foram substituídos por ações, as quais foram emitidas em quantidade equivalente ao valor monetário daqueles títulos patrimoniais, uma vez que tais ações eram representativas do mesmo patrimônio. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALIENAÇÃO ONEROSA DAS AÇÕES RECEBIDAS EM SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. A receita auferida com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F está excluída das bases de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar de alienação de patrimônio próprio, amparada pelo art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente a Dra. Ariene Amaral, OAB/DF 20.928. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 16 /2 01 1- 02 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao PIS e à COFINS com ciência do contribuinte por via postal em 08/09/2011, lavrados em razão de recolhimento insuficiente das contribuições em relação aos fatos geradores ocorridos em novembro e dezembro de 2007. No termo de verificação fiscal foram narrados, em síntese, os seguintes fatos: 1) O Banco Schahin é o único sócio da corretora Schahin CCVM; 2) Em virtude de uma Assembléia Geral Extraordinária na corretora Schahin CCVM, foi deliberada a redução do capital social de R$ 51.751.431,53 para R$ 21.784.941,76; 3) Em razão dessa redução de capital, em 03/08/2007 o Banco Schahin recebeu nove títulos patrimoniais da BOVESPA, mil e quinhentas ações da CBLC, um título de agente de compensação da BM&F e um título de sócio efetivo da BM&F; 4) Na data da desmutualização da BOVESPA e da BM&F o contribuinte detinha os títulos patrimoniais acima citados contabilizados nas contas COSIF nºs 2.1.4.10.10.00018 – Título Patrimonial da BOVESPA , 2.1.4.10.20.00011 – Título Patrimonial da BM&F e 2.1.5.10.10.00062 – Cia Brasileira de Liquidação e Custódia (todas as contas pertencentes ao Ativo Permanente – Investimentos); 5) Em 01/10/2007, em decorrência do processo de desmutualização das bolsas, o Banco Schahin converteu os títulos patrimoniais em ações, baixando as contas do permanente que registravam os títulos patrimoniais, passando a registrar as 10.243.590 ações da Bovespa Holding S/A na conta COSIF 1.3.1.20.10.00040 – Ações de CIAS ABERTAS – DISP. P/ VENDA BOVESPA e as 9.869.625 ações da BM&F na conta COSIF 1.3.1.20.10.00059 Ações de CIAS ABERTAS – DISP. P/VENDA BMF (ambas pertencentes ao grupo do Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo – Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos); 6) Em 16/11/2007 o Banco Schahin alienou 10% das ações (986.963 ações) que recebeu na desmutualização da BM&F para o fundo General Atlantic. Em 30/11/2007, alienou na Oferta Pública Inicial 2.145.570 ações da BM&F. Em 07/12/2007 alienou mais um lote de 321.836 ações. Em 19/12/2007 houve um reajuste do preço unitário de venda das ações da BM&F para a General Atlantic. Em virtude dessas operações, o Banco Schahin alienou 35% das ações que lhe foram atribuídas no processo de desmutualização da BM&F; 7) Em relação à Bovespa, em 26/10/2007 alienou 2.560.897 ações na Oferta Pública Inicial da Bovespa Holding S/A; 8) Com todas as alienações efetuadas em 2007 o Banco Schahin apurou um lucro de R$ (...omissis...). que foi regularmente oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 3403002.422 S3C4T3 Fl. 5 3 9) Entretanto, em relação às contribuições ao PIS e à Cofins, a receita foi excluída das bases de cálculo nos períodos de apuração de novembro de dezembro de 2007, conforme se pode comprovar no DACON Fichas 08B e 18B Linhas 24 (Outras exclusões), apresentados pelo contribuinte em 28/07/2011, em resposta à intimação; 10) Alega a fiscalização que conforme o instrumento de “Adesão ao Contrato de Venda de Ações para General Atlantic e Outorga de Poderes” a Bolsa de Mercadorias & Futuros e a General Atlantic assinaram contrato pelo qual a General Atlantic adquiriria, dos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F, 10% das ações recebidas como devolução de patrimônio, no processo de desmutualização; 11) Conforme descrito nos itens anteriores, o Banco Schahin cumpriu o contrato e alienou as ações. Assim, o contribuinte sabia de antemão que deveria cumprir o contrato de venda para a General Atlantic, o mesmo ocorrendo em relação às ações que levaria ao IPO da Bovespa Holding S/A, razão pela qual deveria ter escriturado as ações no ativo circulante, como de fato o fez; 12) A BM&F, no Comunicado Externo 082/2007DG, de 19 de setembro de 2007, em seu item 3, registrou que as ações emitidas da nova sociedade seriam passíveis de negociação em mercado; 13) A Bovespa, no Ofício Circular 225/2007DG, de 18 de setembro de 2007, foi específica ao determinar que os detentores dos antigos títulos patrimoniais da Bovespa deveriam à sua opção, contabilizar as ações recebidas no ativo circulante, conta COSIF nº 1.3.1.20, se a intenção fosse a de negociação; 14) Entendeu a fiscalização que as ações da BM&F e da Bovespa que foram contabilizadas pelo contribuinte no ativo circulante e negociadas em cumprimento ao contrato celebrado entre a BM&F e a General Atlantic, bem como a parcela levada a negociação no mercado secundário, por ocasião da Oferta Pública, devem ter o tratamento de negociação de ativo circulante (títulos disponíveis para venda), caracterizando o recebimento de receitas financeiras. As receitas financeiras no caso possuem a natureza de receita operacional, em face do objeto social do Banco, não sendo amparadas pela exclusão prevista no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718/98. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que de acordo com o conceito de faturamento fixado pelo STF desde o julgamento do RE nº 150.755, só podem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins as receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A própria fiscalização classificou a receita de venda das ações como sendo receita financeira. Entretanto o STF julgou inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/99 no julgamento dos RE nº 346.084, 390.840, 358.273 e 357.950, o que afasta a incidência das contribuições sobre as operações tributadas nos autos de infração, pois a tributação só pode recair sobre a receita bruta da venda de mercadorias e serviços. Quando o legislador desejou que a tributação recaísse sobre a receita operacional foi necessária a promulgação das Emendas Constitucionais 01/94, 10/96 e 17/97 (Fundo Social de Emergência). A tributação sobre os serviços prestados pelas instituições financeiras só pode recair sobre taxas, tarifas e comissões cobradas como contrapartida da prestação de um serviço. A movimentação financeira decorrente de operações bancárias, e não de serviços bancários, está fora do conceito de “faturamento” determinado pelo STF, não podendo prevalecer a interpretação contida no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, por meio do qual a Receita Federal tenta incluir no conceito de faturamento das instituições financeiras todas as receitas Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 financeiras decorrentes das várias formas de atuação no mercado financeiro. A maioria dos Ministros do STF adota o conceito de faturamento fixado nas decisões do STF. Entretanto, o Ministro Cezar Peluso adota um conceito mais amplo, equiparando faturamento à soma das receitas oriundas da atividade empresarial. Essa questão é objeto do RE 609.096, onde o STF definirá a efetiva base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser adotada pelas instituições financeiras. Sendo assim, caso não seja reconhecida a impossibilidade da incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas auferidas pelo impugnante com a venda de ações, deve ser determinado o sobrestamento deste feito para se aguardar o posicionamento final do STF sobre a matéria. Por meio do Acórdão 39.053, de 23 de maio de 2012, a 8ª Turma da DRJ – São Paulo I, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação. Ficou vencido o julgador José Antonino de Souza, que votou pelo cancelamento das autuações por entender que as receitas tributadas não são operacionais e, assim, não integrariam as bases de cálculo das contribuições. O julgado recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS BRUTA (OPERACIONAL). OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A base de cálculo da contribuição é a receita bruta, nos termos da legislação de regência. Tendo a interessada como objeto social a exploração de atividades que envolvem inclusive a negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, considerase como receita bruta (operacional) aquela proveniente da venda de ações, inclusive das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS BRUTA (OPERACIONAL).OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Tendo a interessada como objeto social a exploração de atividades que envolvem inclusive a negociação e intermediação com títulos e valores mobiliários e mercadorias negociáveis em bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros, considerase como receita bruta (operacional) aquela proveniente da venda das ações da BOVESPA HOLDING S/A e da BM&F S/A que foram recebidas pela contribuinte em decorrência de processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM& F. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 3403002.422 S3C4T3 Fl. 6 5 administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Impugnação Improcedente.” Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 06/06/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/06/2012, no qual reprisou e reforçou as alegações formuladas na impugnação. Atacou as premissas que embasam o acórdão recorrido, pois entende que as ações da BM&F e da Bovespa Holding, embora classificadas no ativo circulante, configuram venda de patrimônio próprio. Em razão disso, a receita auferida com essa venda não pode ser caracterizada como receita operacional, pois embora seu objeto social inclua a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às carteiras autorizadas, a venda do patrimônio próprio não configura prestação de serviço a ninguém. Assim, mesmo levando em conta o equivocado conceito de “faturamento” adotado pela DRJ, a receita proveniente da venda das ações da BM&F e da Bovespa Holding não configuram receita operacional para fins de incidência das contribuições. Além disso, a DRJ respalda seu entendimento em excertos isolados e em frases proferidas verbalmente pelo Ministro Cezar Peluso durante o julgamento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/99. Mas o que deve prevalecer é o conceito de faturamento chancelado pelo plenário que se encontra consignado no texto do voto vencedor que norteou aquela decisão. Requereu o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. A diferença em relação aos casos anteriores é que os lançamentos albergados neste processo foram efetuados contra um Banco e não contra uma corretora de títulos e valores mobiliários, como ocorreu em todos os casos anteriormente julgados nesta turma. É incontroverso que o contribuinte ora autuado possuía na conta do Ativo Permanente/Investimentos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F, os quais foram recebidos em virtude da redução do capital social da corretora de títulos e valores mobiliários da qual era o único proprietário. Com a transformação societária daquelas entidades em sociedades por ações (a denominada desmutualização das bolsas), os títulos sociais então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco foram transformados em ações em quantidade monetariamente equivalente ao valor dos aludidos títulos. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Tendo em vista que o Banco já sabia de antemão que iria alienar parte das ações de sua propriedade, baixou os títulos do ativo permanente e passou a contabilizálos no ativo circulante. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente dos títulos patrimoniais da antiga Bovespa e da BM&F. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente, conforme o caso. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, foi correta a classificação no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. O objeto social do Banco consta do art. 3º do Estatuto Social consolidado (fl. 09), vazado nos seguintes termos: “A Sociedade tem por objeto social, a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (Comercial, Investimento e Câmbio) de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor.” Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a BOVESPA ASSOCIAÇÃO CIVIL e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.721116/201102 Acórdão n.º 3403002.422 S3C4T3 Fl. 7 7 O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa e BM&F. Os títulos patrimoniais foram sucedidos por ações, as quais foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais que estavam no permanente, então é evidente que a reclassificação para o ativo circulante não retira das ações a condição de ser um investimento, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. O contribuinte reclassificou essas ações para o circulante porque desejava se desfazer de parte de seu investimento nas bolsas, sendo irrelevante para o caso concreto as circunstâncias que o levaram a essa decisão. A reclassificação para o circulante foi feita com base no art. 179 e incisos da Lei nº 6.404/76, mas segundo orientação da própria Receita Federal a venda dessas ações poderia (ou deveria) ter sido feita sem essa reclassificação. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/80). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos patrimoniais então classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento classificado no ativo permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. Para aqueles que preferem a linguagem contábil, a receita proveniente da venda dessas ações constitui receita não operacional, pois a venda de patrimônio próprio não constitui objeto social de nenhuma empresa. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da Cofins seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904808/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 48 08 /2 00 8- 38Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Trata o imbróglio de compensação de valor pago a maior ou indevido com débito de Cofins não cumulativo, por meio de Per/Dcomp retificadora, que restou não homologada. O Despacho Decisório nº 791211920, de 25/09/2008 (fls. 05, 07 e 08), após análise do crédito informado pelo limite do seu valor original no Per/Dcomp, na data da transmissão em 19/10/2006 (fls. 01/04), concluiu pela sua utilização integral para a quitação de outros débitos próprios, não restando saldo credor para compensação dos débitos ali descritos. Em face do referido despacho a contribuinte manifestou a sua inconformidade aduzindo que em decorrência do Per/Dcomp original transmitido foram gerados três grupos de Per/Dcomp, sendo que cada grupo era encabeçado por uma Dcomp original, da qual, por sua vez, decorria outra retificadora, todas oriundas do débito relativo ao PIS não cumulativo, recolhido indevidamente através de DARF no valor de R$ 21.391,03, em 15/04/2004, valor suficiente para suportar a compensação de todos os débitos informados. Ocorre que do DARF, equivocadamente, constou a data de 12/11/2004, quando o correto seria a data anterior. Com isso admitiu a interessada haver cometido erros no preenchimento de tais documentos, explicitandoos, outrossim postulando pela prevalência da verdade material ante a verdade formal, mencionando jurisprudência administrativa neste sentido para, ao final, requerer a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. Conclusos foram os autos submetidos a julgamento pela 9a Turma da DRJ/CPS, que proferiu decisão por meio do Acórdão nº 0535.603 (fls. 45/46), sintetizada através da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.904808/200838 Acórdão n.º 3803004.295 S3TE03 Fl. 6 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Entendeu o voto condutor do acórdão de fls. 45/46 que a não homologação da compensação não se deu em razão de erros no preenchimento dos dados relativos ao DARF, mas sim, como dito, devido ao fato de que, embora localizado o pagamento apontado da DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente havia sido utilizado para extinção anterior de débito da contribuinte; Que a contribuinte foi notificada em 2006 sobre os equívocos no preenchimento dos dados do DARF na DCOMP original, e providenciou os acertos por meio da DCOMP no 04549.98299.191006.1.7.047888, objeto deste processo administrativo; Que os dados do DARF indicados como corretos pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade são idênticos àqueles discriminados no Despacho Decisório. Concluiu o voto condutor que não foram erros formais no preenchimento da DCOMP que ocasionaram a não homologação, mas sim o fato de o recolhimento apontado como origem do crédito a compensar estar integralmente utilizado para quitação de débitos confessados pela contribuinte, contra o que, digase, ela nada alegou. Portanto, faltando aos autos a comprovação de que o pagamento é indevido ou foi feito a maior, o direito credit6rio não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode mesmo ser homologada. Ciente do contido na decisão de piso por meio de AR em 14/12/2011 a contribuinte irresignada protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 28/12/2011, para reiterar, de forma minudente, os termos vazados na exordial. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, no período situado entre : 01/02/2004 a 29/02/2004, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico, bem assim na listagem de créditos/saldos remanescentes e no Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 05, 07 e 08), que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada, tampouco restou demonstrada a certeza e liquidez do crédito alegado. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/DComp. Por conseguinte, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. O não cumprimento deste requisito legal afasta a possibilidade de atendimento da proposição formulada pela contribuinte no recurso aviado. Não se pode olvidar que a recorrente teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes à comprovação da certeza e liquidez do crédito informado em valores suficientes a viabilizar a compensação pretendida e não o fez. De igual modo os sistemas de informação da Receita Federal do Brasil possibilitaram demonstrar de forma inconteste a inexistência do crédito alegado em Per/DComp, sistemas estes alimentados por informações fornecidas pela própria contribuinte. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões, em de junho de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.904808/200838 Acórdão n.º 3803004.295 S3TE03 Fl. 7 5 Relator Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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