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Numero do processo: 23034.021656/2001-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/1991, 31/08/1996
RECURSO DE OFÍCIO
Recurso de ofício que se interpõe para acudir legislação específica, há de ser reconhecido.
DECADÊNCIA
Contribuinte geral tem, para efeito da decadência, o direito de aplicar-se-lhe o artigo 150, § 4º do CTN.
No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário é o dia 28/12/2001, portanto, todo o período anterior a 28/12/1996 encontra-se decaído.
CRÉDITO CONSTITUIDO ATRAVÉS DE NFLD JULGADA INSUBSISTENTE
O crédito foi fulcrado em NFLDs, cujas quais foram julgadas insuficientes para constituição do mesmo, com decisão do CRPS.
Deve, portanto, haver respeito à coisa julgada, desconstituindo o crédito.
Numero da decisão: 2301-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da decisão sobre a decadência, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da improcedência da origem da base de cálculo, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Ana Claudia Borges de Oliveira. OAB: 28.685/DF
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/1991, 31/08/1996 RECURSO DE OFÍCIO Recurso de ofício que se interpõe para acudir legislação específica, há de ser reconhecido. DECADÊNCIA Contribuinte geral tem, para efeito da decadência, o direito de aplicar-se-lhe o artigo 150, § 4º do CTN. No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário é o dia 28/12/2001, portanto, todo o período anterior a 28/12/1996 encontra-se decaído. CRÉDITO CONSTITUIDO ATRAVÉS DE NFLD JULGADA INSUBSISTENTE O crédito foi fulcrado em NFLDs, cujas quais foram julgadas insuficientes para constituição do mesmo, com decisão do CRPS. Deve, portanto, haver respeito à coisa julgada, desconstituindo o crédito.
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DECADÊNCIA Contribuinte geral tem, para efeito da decadência, o direito de aplicarselhe o artigo 150, § 4º do CTN. No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário é o dia 28/12/2001, portanto, todo o período anterior a 28/12/1996 encontrase decaído. CRÉDITO CONSTITUIDO ATRAVÉS DE NFLD JULGADA INSUBSISTENTE O crédito foi fulcrado em NFLD’s, cujas quais foram julgadas insuficientes para constituição do mesmo, com decisão do CRPS. Deve, portanto, haver respeito à coisa julgada, desconstituindo o crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da decisão sobre a decadência, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso de ofício, na questão da improcedência da origem da base de cálculo, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Ana Claudia Borges de Oliveira. OAB: 28.685/DF MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 16 56 /2 00 1- 63 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Relatório Tratase de Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 00906/2001, DEBCAD n.º 49.9056655, relativo às contribuições ao Salário Educação, constituído pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE do Ministério da Educação, com base nos Decretos 3.142/1999 e 4.943/2003 A Recorrida é optante pelo recolhimento direto ao Salário Educação, mediante convenio, e foi notificada da Lavratura de Notificação para Recolhimento de Débito, para cobrança de débito de SalárioEducação incidente sobre a descaracterização de serviços médicos terceirizados. A Recorrida impugnou com suas razões, sendo julgado procedente em razão: i) da decadência, com aplicação do artigo 173, I do CTN, sobejando de janeiro a agosto de 1996; ii) do período que sobejou, a presente Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, foram lançadas contribuições devidas ao Salário Educação, incidentes sobre a descaracterização de serviços médicos terceirizados, levantados em Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos Previdenciários, NFLD’s nº 32.006.8897 e 32.006.8862, cujas quais foram desconstituídas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, 2ª. Câmara de Julgamento Conselho de Contribuintes, Acórdãos sob n°s 02/01864/2000 e 02/01865/2000. Nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n.º 70.235/72, na redação dada pela Lei n.o 9.532/97, combinado com o artigo 1º da Portaria do Ministério da Fazenda (MF) n.º 03/2008, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), recorreuse de ofício. Eis em apertada síntese o relato do necessário para julgamento do remédio recursal aviado. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 23034.021656/200163 Acórdão n.º 2301003.507 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso de Ofício acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço e passo a decidir. Tratase de Recurso de Ofício interposto em face de exoneração de valor acima de um milhão de reais, e acudindo dispositivo de leia, dele há de se recorrer. Entretanto, não há de prover, eis que i) quanto decadência, por considerar o Recorrido como contribuinte geral, ou seja, aquele que de uma forma ou de outra mensalmente contribui com a previdência, portanto, devese aplicar o artigo 150, § 4º do CTN, o que já decairia todo o período de autuação, e, ii) em tendo o CRPS – 2ª Câmara desconstituído as NFLD’s que deram origem ao crédito previdenciário, há de se respeitar a coisa julgada. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726234/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.395
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Karla Zanchettin Swenson. OAB: 35.726/PR.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Karla Zanchettin Swenson. OAB: 35.726/PR. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira– Presidente (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 26 23 4/ 20 11 -1 7 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.726234/201117 Resolução nº 2301000.395 S2C3T1 Fl. 593 2 Relatório 1. Cuidase de Recurso Voluntário interposto por SOCIEDADE HOSPITALAR ANGELINA CARON, em face de decisão de primeira instância que julgou procedente a impugnação e manteve o crédito tributário. 2. O Relatório Fiscal (fls. 25/31) assevera que a autuação constante destes autos se refere às contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, o que motivou a lavratura do Auto de Infração n° 51.013.3916, referente ao período de 01/2009 a 06/2011. Também é objeto destes autos o débito alusivo às contribuições sociais devidas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC E SEBRAE), o que deu azo à emissão do Auto de Infração n° 51.013.3924, relativo ao período de 01/2009 a 06/2011. 3. Ainda segundo o relatório fiscal a autuação se deu em razão de a entidade não possuir o Certificado de Entidade Beneficente para o período do lançamento fiscal (01/2009 a 06/2011), tendo o referido documento sido concedido somente em relação ao período de 11/07/2011 a 10/07/2014, tendo em vista que a Portaria do Ministério da Saúde n.º 323/2011 foi publicada no Diário Oficial da União em 11/07/2011.. (fls. 127) 4. O contribuinte apresentou Impugnação na qual enfatiza, em síntese, que sempre foi entidade beneficente e não deveria sofre a imposição do débito ora lançado pela fiscalização. 5. A decisão de primeira instância ao concluir “6.6. (...) descumprida a exigência legal da certificação, competia à autoridade fiscal efetuar o lançamento das contribuições devidas. (fl. 520)”, julgou improcedente a impugnação e restou ementada nos termos a seguir: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 6. Visando reverter a manutenção do crédito tributário, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 525/553) no qual assinala, preliminarmente, a necessidade de se aguardar o julgamento do processo administrativo nº. 10980.723228/201108, que trata do cancelamento da imunidade tributária a que faz jus. Em sede de mérito, alega a contribuinte que: a) o protocolo do pedido de certificação foi feito em 16.08.2008, devendo os efeitos do Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social Fl. 599DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.726234/201117 Resolução nº 2301000.395 S2C3T1 Fl. 594 3 (CEBAS) retroagirem à data de seu protocolo, conforme a jurisprudência do STJ e do TRF da 4ª Região que cita acerca do tema; b) cumpre todos os requisitos materiais estabelecidos pela Lei nº. 8.212/1991 para o usufruto da imunidade tributária, conforme documentos juntados nestes autos e no processo que trata do cancelamento do benefício tributário; c) a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ/Nº. 2132/2011, que reconhece que o Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) é meramente declaratório, possuindo efeitos ex tunc, que devem retroagir à data do protocolo do pedido; d) como seu pedido de certificação de entidade beneficente foi protocolado em 2008 e emitido em 2011, todo o crédito tributário constante das duas notificações, já que foram supervenientes ao protocolo, deve ser desconstituído, considerando a retroatividade dos efeitos do CEBAS; 7. Ao final, a contribuinte requer seja declarada a nulidade dos autos de infração constantes deste processo, posto que o Fisco não aguardou o trâmite do processo administrativo sobre o cancelamento da imunidade tributária ou, alternativamente, o reconhecimento da imunidade tributária a que tem direito com a consequente extinção do crédito tributário. 8. O Fisco não apresentou contrarrazões, e a contribuinte, às fls. 593/596, postulou o sobrestamento do feito, em razão de a matéria aqui discutida encontrarse pendente de julgamento no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). 9. Após, os autos vieram a este Conselheiro para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRELIMINARES 1. Entendo que o processo ainda não está apto para ser julgado por este colegiado, haja vista que há dúvidas quanto ao trâmite e aos fatos ocorridos no processo administrativo n.º 10980723228/201108, citado no relatório fiscal (item 1), notadamente no que diz respeito aos resultados das diligências que ocorreram na primeira instância e que levaram à conclusão administrativa pela edição do ato declaratório executivo n.º 292/2011. 2. Outro ponto que merece esclarecimentos diz respeito ao processo que tramita na justiça federal questionando a matéria discutida nos presente autos. O relatório fiscal menciona a existência do processo n.º 2006.70.00.99550, que tramita perante a justiça federal do Estado do Paraná. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.726234/201117 Resolução nº 2301000.395 S2C3T1 Fl. 595 4 3. É preciso verificar nos autos do processo qual é exatamente o questionamento jurídico levado pela entidade ao judiciário para, então, determinar o seu prosseguimento ou não na via administrativa. CONCLUSÃO 4. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas pelo fisco as seguintes providências: a) Juntada aos autos de cópia integral do processo administrativo n.º 10980.723228/201108, que emitiu o Ato Declaratório Executivo n.º 292/2011,citado pelo relatório fiscal no item “1’; b) Juntada da petição inicial e certidão de “objeto e pé” do processo n.º 2006.70.00.99550 que corre na justiça do Estado do Paraná. 5. Após a conclusão da diligência, seja concedido prazo de 30 dias para que o contribuinte, caso queira, possa falar sobre o seu resultado. 6. Deixo a análise de admissibilidade do processo para apreciação quando do retorno dos autos a este Colegiado. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 601DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10820.000539/2006-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos.
Numero da decisão: 9202-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 05 39 /2 00 6- 62 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista glosas de despesas médicas. Em sessão plenária de 29/05/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 154.334, prolatandose o Acórdão 10423.235, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação' nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO SINGULAR INEXISTÊNCIA – O julgador administrativo não se vincula ao dever de responder, um a um, o feixe de argumentos postos pelo peticionário, desde que já tenha encontrado . motivo suficiente para fundamentar a sua decisão sobre as matérias em litígio. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios que põem em dúvida a realização.da despesa, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA Se não estiver demonstrado nos autos que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude, não cabe a aplicação da multa qualificada, de 150%. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim resumida: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 637 3 “ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificada do acórdão em 19/08/2008 (fls. 539), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 541 a 564, com fundamento no art. 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.° 147, de 2007, contendo as seguintes razões, em síntese: consta no voto condutor do acórdão que se a exasperação da penalidade requer a demonstração cabal da conduta fraudulenta, o que não se caracteriza apenas pela dedução indevida; há que se concordar com a afirmação, pois sem dúvida a mera dedução indevida de receita praticada pelo contribuinte não poderia justificar a imputação de evidente intuito de fraude, cominada no art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996; é que, ainda que seja plenamente cabível presumir que o contribuinte, ao deduzir indevidamente receita mediante apresentação de farta documentação falsa, procurou impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, tratase, a apresentação de documentação falsa, do próprio e (forte) evidente intuito de fraude; este indício tem que ser complementado por outros elementos, para que se possa provar, ou então presumir de modo seguro, que o contribuinte realmente agiu de modo doloso; em suma, a mera apresentação de documentação falsa de receitas, representando expurgação de débito indevido em relação ao correto valor tributado, não origina a multa agravada; ao contrário, e necessária comprovação, pelo Fisco, do intuito de burlar ou obstruir a fiscalização tributária pelo utilização de algum expediente ilícito, doloso, de máfé, de modo a realmente impedir o conhecimento do fato gerador; isso, de fato, importa na exigência de multa agravada (cita doutrina de Marco Aurélio Greco); no caso em tela, há que se apreciar as provas trazidas a lume pela fiscalização, para se concluir pela demonstração do evidente intuito de fraude; consoante o Termo de Constatação Fiscal (fls. 301/309), a fraude cometida consistiu na apresentação de recibos e/ou demais documentos originais falsos, referente aos anoscalendário de 2002 a 2004; ora, mais do que demonstrar simplesmente que o Recorrido a falsidade dos recibos apresentados, a fiscalização aprofundou o exame, e detalhou em que consistia a fraude. em cada um dos documentos e suas contradições com a realidade; notese que a fisioterapeuta de quem o Recorrido obteve alguns recibos é sua filha; aqui, diversos recibos foram confeccionados numa mesma data, nenhum deles traz o endereço do emitente e nem identificam o paciente. (fl. 304); Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 há de se notar que, pelas informações fornecidas pelo contribuinte, ele recebeu atendimento fisioterápico em duas cidades diferentes, mas no mesmo dia, sendo um deles realizado por sua filha e outro por sua sobrinha, o que demonstra que o Recorrido buscou realmente um modo de "recriar a realidade e a lógica das coisas", com a construção de fatos absurdos e de fortíssima conotação ardilosa; os expedientes utilizados para possibilitar a sonegação são prova da fraude, e portanto justificam a multa qualificada; confirase a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes sobre o tema, aplicável ao caso: Acórdão 10421838 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A utilização pelo sujeito passivo de documentos inidôneos para comprovar despesa médica caracteriza o intuito de fraude e justifica a qualificação da multa de ofício. Acórdão 10513069 "PENALIDADE — MULTA AGRAVADA — Aplicase lançamento de oficio, a multa de 150% sobre a totalidade do imposto de renda e contribuições devidos nos casos de evidente intuito de fraude, enquadrandose na tipificação a ocorrência de simulação de participação societária a fim de ocultar do Fisco a verdadeira identidade do titular da empresa autuada e a apresentação de declaração de rendimentos sem movimento, mesmo e só após intimação fiscal , quando então já se apurava a efetiva movimentação de recursos no período objeto da mesma declaração, que deixa inconteste a prestação de falsa informação" Acórdão 10420509 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FALSA DECLARAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS LANÇADAS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 44, II, da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 7 3 da Lei n° 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a dedução de diversas despesas médicas, com a indicação de nome e número de inscrição no CPF de terceiros, baseado em documentos fiscais inidôneos, cuja prestação dos serviços não foi reconhecida pelos profissionais indicados na Declaração de Ajuste Anual do declarante. desse modo, comprovada a fraude cometida pelo Recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja dado provimento ao recurso, reformandose o acórdão recorrido. Ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 920200.081, de 28/09/2009 (fls. 566/567), admitindose a rediscussão da desqualificação da multa de ofício. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 638 5 Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 04/11/2010, o Contribuinte ofereceu, em 19/11/2010, as ContraRazões de fls. 573 a 581 e o Recurso Especial de fls. 582 a 602. Em sede de ContraRazões, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, relativamente ao apelo da Fazenda Nacional: não há fundamento para o recurso especial, pois as razões nele invocadas são inteiramente improcedentes; começa o Sr. Procurador a dizer em sua petição de recurso, no terceiro parágrafo de fls. 542, que a fiscalização apurou que o recorrido apresentou recibos falsos, repetindo essa irrogação no parágrafo seguinte; uma assertiva não verdadeira, essa, pois os recibos não são falsos, são verdadeiros no sentido de que existem, e mais, foram emitidos pelos donos das assinaturas, e retratam uma verdade, pois os serviços foram prestados e houve uma contraprestação de parte do contribuinte; mais à frente, em sua petição, ao expor os fundamentos com vistas à reforma do V. Acórdão, trouxe à colação, fls. 543, três ementas do Primeiro Conselho de Contribuintes, a primeira delas do Acórdão n° 10247.428, com a seguinte dicção: EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — MULTA QUALIFICADA — A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de oficio qualificada; ora, o fato de a ementa dizer que a utilização de documentos inidôneos caracteriza evidente intuito de fraude não transforma os recibos do recorrido em inidôneos, ou seja, a questão é outra: no caso dos autos os Conselheiros disseram que não ficou provado o evidente intuito de fraude, que os documentos não podem com certeza serem inquinados de produto de ato doloso; mas há um outro aspecto a ser analisado nessa ementa: documentos inidôneos para justificar dedução de despesa médica necessária não são documentos que evidenciam prática de ato doloso; eles podem ser inidôneos por uma infinidade de razões que não constituam prática de ato doloso, por exemplo, um recibo sem assinatura, ou cujo emitente esteja em situação irregular perante o órgão de saúde a que está afeto; nem se diga que a ementa quis dizer outra coisa, que ela quis se referir a caso mesmo de evidente intuito de fraude; se é assim, não serve como paradigma, principalmente para caso tão grave como o aqui versado, que pode resultar em processo crime. a segunda ementa, do Acórdão n° 10615959, não serve ao caso, pois não faz mais do que se reportar às hipóteses da lei; o que está em questão aqui é exatamente se as hipóteses da lei têm aplicação ao caso; quanto a terceira ementa, referente ao Acórdão n° 10616025, como se pode ver de sua leitura, não guarda pertinência com o caso dos autos; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 de modo que o cuidado do legislador ao dizer que a multa de 150% é aplicada aos casos de evidente intuito de fraude não serviu de norte ao douto Procurador da Fazenda; os léxicos registram que o adjetivo "evidente" significa o "que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente." (Aurélio); o que é claro, aceitável, indiscutível pela incontestabilidade; indubitável, patente, irrefutável" (Houaiss); nada mais claro do que esse entendimento, que socorre o contribuinte em sua tese; o próprio fato de os oito Conselheiros que proferiram a decisão retratada no Acórdão recorrido haverem, por unanimidade, decidido afastar a multa de 150% é bastante para denotar que não existe esse evidente intuito de fraude; em sentido contrário ao entendimento do ilustre Procurador da Fazenda, eis alguns julgados administrativos, esses sim, aplicáveis ao caso aqui versado: Acórdão 10248.285 IRPF Ex(s): 2000 DESPESAS MÉDICAS GLOSA DOCUMENTOS CONTRADITÓRIOS ENTRE SI DÚVIDAS CAUSA SUFICIENTE PARA AFASTAR QUALIFICAÇÃO DA MULTA GLOSA DE DESPESAS – Havendo elementos concretos e suficientes para ilidir a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte tenha demonstrado, de forma convincente, a efetiva prestação dos serviços, mantémse a glosa e afastase a multa qualifica diante da dúvida em relação à existência da conduta fraudulenta. – MULTA QUALIFICADA Em matéria de fato delituoso não se pode presumir, ou existe prova concreta da figura tipificada na lei ou, em caso de dúvida, como a existente nos autos, decorrente de declarações contraditórias entre si, desqualificase a multa. DOCUMENTO FALSO Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a argüir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. Recurso parcialmente provido. Acórdão 10247.903 DESPESAS MÉDICAS GLOSA DOCUMENTOS CONTRADITÓRIOS ENTRE SI DÚVIDAS CAUSA SUFICIENTE PARA AFASTAR QUALIFICAÇÃO DA MULTA GLOSA DE DESPESAS – Havendo elementos concretos e suficientes para ilidir a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte tenha demonstrado, de forma convincente, a efetiva prestação dos serviços, mantémse a glosa e afastase a multa qualifica diante da dúvida em relação à existência da conduta fraudulenta. MULTA QUALIFICADA Em matéria de fato delituoso não se pode presumir, ou existe prova concreta da figura tipificada na lei ou, em caso de dúvida, como a existente nos autos, decorrente de declarações contraditórias entre si, desqualificase a multa. DOCUMENTO FALSO Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a arguir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. No Brasil, a presunção de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 639 7 inocência se constitui na maior das garantias individuais consagradas na Constituição de 1988. Havendo dúvidas quanto à materialidade e autoria de fato doloso, interpretase em favor do contribuinte. Inteligência artigo 112, III, do CTN. Acórdão no: 10247.917 DESPESAS MÉDICAS — SUSPEITA DE DOCUMENTOS FALSOS – GLOSA DE DESPESAS AFASTADA Realizado procedimento administrativo em que o profissional nega a autoria de parte dos recibos apresentados por terceiros e confirma a autoria e recebimento dos recibos apresentados pela recorrente, é de se admitir tal prova para afastar a glosa. Acórdão 10245.559 GLOSA DESPESAS MÉDICAS — Restabelecese as deduções das despesas médicas lançadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos e glosadas pela fiscalização, quando, à vista de toda a documentação carreada aos autos que comprovam a efetividade das despesas, o fisco não consegue provar que tais documentos foram emitidos de forma irregular. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Ao final, o Contribuinte pede não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, se conhecido, que lhe seja negado provimento. Quanto ao Recurso Especial, o Contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o crédito tributário discutido nos autos decorreu da glosa de despesas pagas a profissionais. A forma dos pagamentos dos serviços aos profissionais da saúde foi pela digna autoridade lançadora considerada inusual; contudo, essa forma atendeu às especiais circunstâncias da vida que o contribuinte leva, tendo em vista, entre outras particularidades, o local de sua residência, em Birigui, interior do Estado de São Paulo; distante mais de 500 quilômetros da capital do Estado, onde trabalha; suas condições de saúde, e as de sua mulher, e as mazelas que os afligem; a existência, no local de sua moradia, de profissionais de saúde parentes seus, que lhes prestam, a ele e à sua mulher, assistência em condições, forma, preço e horários especiais; até pode parecer incomum essa forma de tratamento prestado por profissionais da saúde, mas é preciso ter em conta sua condição de pessoa da família, a quem o contribuinte e sua mulher não querem deixar de retribuir pela dedicação especial; e se for verificar, verseá que no meio social existem na verdade muitas formas pelas quais as pessoas prestam ajuda mútua sem que isso exclua o direito à percepção, pelo profissional da saúde, da contraprestação pelo seu trabalho, e o direito dos beneficiários em oferecer, da maneira que lhes é possível e com dignidade, contrapartida pelos cuidados recebidos; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 o contribuinte, sua mulher e os profissionais que os assistiram não faltaram com a verdade, e por isso o recorrente insistiu na determinação de diligência com vistas a comprovar a veracidade das afirmações; têm eles confiança em que essa Câmara Superior, com base nas inúmeras decisões que reconheceram o direito de contribuintes em situações análogas à sua, revertam o respeitável julgado recorrido; é grande o número de decisões em sentido contrário ao do Acórdão ora objurgado, mas, pelas semelhanças das características, o recorrente aponta um em especial – Acórdão n ° 10245.559 – que traz à colação; tratase igualmente de glosa de despesas com tratamento de saúde, pagas a profissional parente (irmão), em que a ilustre autoridade lançadora, em lugar de envidar esforços com vistas a apurar a verdade real, simplesmente presumiu que houve dedução indevida de valores que teriam sido pagos a título de despesas com tratamento de saúde; os casos são iguais, embora tenha sido diferente a forma de dispensar o tratamento tributário a um e outro; a diferença que existe é que a situação do recorrente é muito mais grave, seja do ponto de vista dos diversos males que afligem a ele e à sua mulher, mais justificada ficando a necessidade de incorrer nas despesas; da idade avançada de ambos; da situação financeira mais difícil; das condições de trabalho do recorrente, com a necessidade de seu deslocamento constante entre as cidades de Birigui e São Paulo, separadas por mais de 500 quilômetros; do local e forma dos tratamentos de saúde; no caso aqui versado, nem mesmo o benefício da dúvida foi conferido ao contribuinte, diferentemente do que ocorreu no caso paradigma, em que esse beneficio veio a reparar a falta de empenho do agente fiscalizador em comprovar os fatos, em lugar de presumi los em detrimento do contribuinte. a decisão tomada por padrão foi muito feliz a afirmar que a partir das inadequadas suposições em relação às despesas efetuadas pelo recorrente, "a fiscalização começou a presumir fatos para criar as supostas irregularidades e com isso pretendeu, pelo lançamento do tributo, inverter o ônus da prova, quando a legislação do imposto de renda prevê para a pessoa jurídica – fundamentalmente apenas quatro situações que possibilitam a inversão do ônus da prova, quais sejam. a) configuração de saldo credor de caixa; b) configuração de passivo fictício; c) configuração de suprimentos de caixa à empresa por administradores, sócios ou acionistas, de recursos cuja efetividade da entrega e da origem não forem comprovadamente demonstradas e, d) configuração de hipótese de distribuição disfarçada de lucro"; são incontáveis as decisões contrárias ao entendimento expressado no venerando acórdão recorrido, dentre as quais as seguintes: Acórdão n° : 10247.917 DESPESAS MÉDICAS — SUSPEITA DE DOCUMENTOS FALSOS — GLOSA DE DESPESAS AFASTADA Realizado procedimento administrativo em que o profissional nega a autoria de parte dos recibos apresentados por terceiros e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 640 9 confirma a autoria e recebimento dos recibos apresentados pela recorrente, é de se admitir tal prova para afastar a glosa. DOCUMENTO FALSO — Em se tratando de falsidade de documento, incumbe o ônus da prova à parte que a argüir. Inteligência do artigo 389, I, do Código de Processo Civil. Recurso provido." Acórdão n° 10244.379 "DESPESAS ODONTOLÓGICAS PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS (EX. 92) Apresentado o recibo de prestação de serviços, sendo o profissional qualificado e estando em atividade na época da emissão do documento, invertese o ônus da prova, cabendo à fiscalização provar que os serviços não foram prestados ou quer o documento é falso para que se possa glosar o documento apresentado." Acórdão 10245.559 IRPF PRELIMINAR DE NULIDADE A hipótese de nulidade (...) Glosa despesas médicas Restabelecese as deduções das despesas médicas lançadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos e glosadas pela fiscalização , quando, a vista de toda a documentação carreada aos autos que comprovam a efetividade das despesas , o fisco não consegue provar que tais documentos foram emitidos de forma irregular. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Ao final, o Contribuinte pede a prolação de nova decisão, para cancelar a exigência tributária discutida. Ao Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, foi dado seguimento, por meio do Despacho nº 220000.387, de 22/06/2011 (fls. 604 a 608), admitindose a rediscussão da “glosa de dedução de despesas médicas, uma vez que o contribuinte entende ser do Fisco o ônus probatório da não idoneidade dos recibos apresentados”. Cientificada do recurso do Contribuinte em 19/07/2011 (fls. 608), a Fazenda Nacional ofereceu, na mesma data, as ContraRazões de fls. 610 a 613, contendo os seguintes argumentos, em síntese: inicialmente, cumpre registrar que o recurso especial aviado pelo sujeito passivo não possui os requisitos mínimos de admissibilidade, eis que não restou demonstrada a divergência de entendimento entre Colegiados do CARF; de fato, o acórdão apontado como paradigma é inservível para demonstração de divergência jurisprudencial, a um porque trata de situação fática diferente e a dois porque manifesta entendimento convergente ao do acórdão recorrido; cumpre destacar que o contexto fático do acórdão apontado como paradigma é totalmente diferente daquele observado nos presentes autos; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 primeiramente, cabe ressaltar que o conjunto probatório que formou o convencimento dos julgadores no acórdão n° 10245.559 é diferente daquele examinado nestes autos; naquele caso foram carreados aos autos pelo interessado recibos médicos, declarações dos profissionais firmando a prestação dos serviços, cópias de fichas médicas, etc; no presente caso, entretanto, só foram juntados meros recibos médicos; ademais, no acórdão recorrido, diferentemente do acórdão apontado como paradigma, a autoridade fiscal demonstrou, de forma detalhada, por qual razão a documentação apresentada pelo contribuinte não poderia ser aceita; nesse ponto, aliás, a tese adotada nos acórdãos paradigma e recorrido é convergente; demonstrada pelo Fisco a inidoneidade da documentação apresentada pelo sujeito passivo, deve ser mantida a glosa de despesas médicas; verificase, portanto, que o que o contribuinte pretende é a reanálise da força probante dos documentos anexados, o que é inviável na via estreita do recurso especial; assim sendo, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não merece sequer ser conhecido; caso sejam superadas as preliminares de não conhecimento do recurso, no mérito melhor sorte não socorre ao contribuinte; não há como considerar como comprovadas, para fins de dedução, as despesas médicas glosadas pela auditoria fiscal, dadas as particularidades do caso concreto examinado; de início, convém elencar a legislação específica de regência da matéria, a saber, art. 8° da Lei nº 9.250, de 1995, c/c art. 73 do Decreto n.° 3000, de 1999 RIR/99; fixadas as premissas legais, convém esclarecer que, não obstante, a princípio, admitamse recibos, para fins de deduções, é possível a exigência, pelo Fisco, de documentos adicionais para a comprovação da efetividade do tratamento e do real desembolso pelo contribuinte (ônus a cargo deste), sem os quais o recibo não é bastante para justificar o abatimento; o voto condutor do acórdão n.° 10615.445 é emblemático na elucidação da matéria, pelo que merece transcrição: Tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. É mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 641 11 apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado. no mesmo sentido milita o acórdão n° 10243.935: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. Recurso negado. tal linha de raciocínio, como visto, encontrase colmatada pela jurisprudência administrativa, assente na necessidade de demonstração da efetiva prestação dos serviços médicos e do real dispêndio do contribuinte, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda; no presente caso, são inúmeros os indícios que apontam para a inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, tal como detalhadamente descrito no termo de verificação fiscal e sintetizado no voto condutor do acórdão recorrido: No caso presente, a Fiscalização apontou abundantes elementos que põem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados, como o fato dos supostos prestadores serem parentes próximos do autuado, de serviços serem realizados simultaneamente em localidades distintas, de os beneficiários dos serviços serem pessoas que não figuram como seus dependentes, entre outros Diante desses elementos, deveria o Contribuinte, como foi intimado a fazêlo, trazer elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados. Entretanto, nada disso apresentou, limitandose a defender, com considerações de ordem geral, a possibilidade de que os serviços em questão foram efetivamente prestados. Entretanto, nas circunstâncias deste processo, isso não basta. Para se admitir como comprovada a prestação dos serviços médicos e os pagamentos efetuados teria o contribuinte que reunir prova, ainda que parciais dos pagamentos realizados. assim sendo, não merece reparos o acórdão que concluiu pela manutenção da glosa de despesas médicas. Ao final, a Fazenda Nacional requer, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte ou, em não se acatando a questão preliminar apontada, seja negado provimento ao apelo. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de glosas de despesas médicas, mantidas pela Câmara a quo, que apenas desqualificou a multa de ofício. Há Recurso Especial tanto do Contribuinte como da Fazenda Nacional. Primeiramente será analisado o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, já que este visa rever algumas das glosas efetuadas. Já o apelo da Fazenda Nacional diz respeito à qualificadora da penalidade, discussão esta que somente terá sentido se mantidas as glosas. O Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do apelo do Contribuinte, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os paradigmas e o acórdão recorrido. Em seu apelo, o Contribuinte indica como paradigma o Acórdão 10245.559, citando também os Acórdãos 10247.917 e 10244.379. O artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, assim estabelece: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência.” Assim, uma vez que o Contribuinte não indicou a prioridade de análise, são passíveis de exame os dois primeiros julgados citados no recurso, a saber, os Acórdãos 102 45.559 e 10247.917. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, desde já descartandose a eventual divergência em matéria de prova, uma vez que, nesse aspecto, cada processo constitui um universo específico. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 642 13 Nessa toada, a discussão que se pretende travar no presente recurso – glosas de despesas médicas – diz respeito essencialmente à análise do conjunto probatório constante dos autos. Ainda assim, para que não se alegue cerceamento de direito de defesa, serão verificados os pontos sobre os quais o Contribuinte entende ter se configurado divergência jurisprudencial, a ver se efetivamente teria havido aplicação de diferente critério jurídico na valoração das provas, por parte do paradigma. Nesse passo, verificase que o Contribuinte assim identifica os pontos que seriam divergentes: “A decisão que o recorrente escolheu para servir de principal paradigma, foi prolatada pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em caso semelhante ao versado nestes autos, ou seja, de glosa de despesas médicas pagas a parente, no caso médico irmão do contribuinte. (...) É grande o número de decisões em sentido contrário ao do V. Acórdão ora objurgado. Mas, pelas semelhanças das características, o recorrente aponta um em especial, que traz à colação. Tratase igualmente de glosa de despesas com tratamento de saúde, pagas a profissional parente (irmão), em que a ilustre autoridade lançadora, em lugar de envidar esforços com vistas a apurar a verdade real em que se deve fundar o lançamento tributário, simplesmente presumiu que houve dedução indevida de valores que teriam sido pagos a título de despesas com tratamento de saúde. (...) Os casos são, pois, iguais, embora tenha sido diferente a forma de dispensar o tratamento tributário a um e outro. A diferença que existe é que a situação do recorrente é muito mais grave, seja do ponto de vista dos diversos males que afligem a ele e à sua mulher, mais justificada ficando a necessidade de incorrer nas despesas; da idade avançada de ambos; da situação financeira mais difícil; das condições de trabalho do recorrente, com a necessidade de seu deslocamento constante entre as cidades de Birigui e São Paulo, separadas por mais de 500 quilômetros; do local e forma dos tratamentos de saúde. No caso aqui versado, nem mesmo o benefício da dúvida foi conferido ao contribuinte, diferentemente do que ocorreu no caso paradigma, em que esse benefício veio a reparar a falta de empenho do agente fiscalizador em comprovar os fatos, em lugar de presumilos em detrimento do contribuinte.” Assim, verificase que o recurso está direcionado às glosas de despesas cujos serviços teriam sido prestados por parentes do Contribuinte, no caso, pela fisioterapeuta Rita de Cássia Arvelino de Paula, sua filha, e pela dentista Circe Aparecida Silva de Paula, sua cunhada. Na visão do Contribuinte, a suposta divergência residiria no fato de que, no acórdão recorrido, teria havido a presunção de que as deduções foram indevidas, enquanto que Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 no paradigma, presente a mesma situação fática, o benefício da dúvida teria reparado a falta de empenho da Fiscalização em comprovar os fatos. Destarte, serão analisadas as situações retratadas no acórdão recorrido e no paradigma, a ver se, como alega o Contribuinte, efetivamente guardariam identidade fática, com adoção de soluções diversas. No caso do acórdão recorrido, a situação fática configurada nos autos demandou a exigência de elementos probatórios adicionais que, não apresentados, a consequência foi a manutenção da glosa. Confirase o contexto do julgado guerreado, conforme o Auto de Infração: “Detalhamos abaixo todas as evidências e provas, abrangendo os três exercícios fiscalizados. 1. O contribuinte apresentou em 03/01/2006 diversos documentos objetivando a comprovação das despesas médicas informadas nas suas declarações de imposto de renda. Analisados todos eles sumariamente, identificamos facilmente os que apresentam indícios muito fortes de inidoneidade. Por que foi fácil a identificação? Inicialmente, separamos os recibos de valores elevados, de emissão em série (12 recibos por ano, por exemplo), de emissão de parentes do contribuinte fiscalizado (filha, cunhada e sobrinha) daqueles de valores compatíveis com os serviços neles descritos e não emitidos de forma continuada. Aprofundando as análises dos recibos do primeiro grupo identificamos inúmeras inconsistências e incoerências. Diante disso, retivemos os originais e relatamos todas as incoerências e inconsistências ao contribuinte em nosso Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 12/01/2006, exigindolhe comprovação adicional. Em relação aos recibos do segundo grupo, solicitamos ao contribuinte apenas a identificação dos respectivos pacientes. Desses recibos do segundo grupo extraímos cópias e devolvemos os originais ao contribuinte; 2. Apesar de todos os indícios de INIDONEIDADE dos recibos tendo por emitentes RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA e CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA, o contribuinte devidamente cientificado, não apresentou outros documentos comprobatórios da realização de tais despesas. Em relação aos recibos tendo por emitente NEILA PATRICE VIEIRA BENANTE DE PAULA apresentou cópia dos prontuários relativos aos tratamentos dentários (do contribuinte e de seus dependentes). Alegou, ainda, que os tratamentos dentários e as sessões de fisioterapia realizados na sua pessoa e na sua esposa ocorreram sempre nos finais de semana; (...) RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA (FISIOTERAPEUTA, filha do contribuinte fiscalizado) a) Aparentemente, verificase que diversos recibos foram confeccionados numa mesma data, apesar das datas de emissão deles constantes serem diferentes; Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 643 15 b) Diversos recibos apresentam data de recebimento que recaíram em sábado ou domingo. Exemplificando: sábado (23/02/2002, 26/01/2002, 27/04/2002, 29/06/2002, 26/10/2002 e 28/12/2002); domingo: (27/10/2002, 22/12/2002 e 30/072002); c) Nenhum dos recibos traz o endereço do emitente; d) Os recibos não identificam o paciente; e) Apesar de intimado, o contribuinte fiscalizado não apresentou nenhum outro documento adicional suficiente para a comprovação. Limitouse a informar que o tratamento fisioterápico (nele e na esposa) teria sido realizado nos finais de semana. Acrescentou, ainda, que no seu caso seria de qualquer modo impossível o tratamento durante a semana, pelo fato de trabalhar na capital do estado. Na página 7 da resposta, de 06/02/2006, o contribuinte afirmou: "Os honorários a ela devidos nos anos de 2002, 2003 e 2004, ainda que em valores simbólicos diante do trabalho diuturno, especializado, prestado nos finais de semana, quando seria justo que ela descansasse de suas atividades dos dias úteis da semana, foram pagos da maneira mais informal possível, como é de costume em família. Ora em dinheiro, parceladamente, ora em forma de pagamentos, pelo seu pai, de contas por ela devidas, para oportuna compensação com seus créditos pelos serviços prestados" (grifamos). Por que tal alegação não se sustenta? O contribuinte ao justificar o tratamento dentário (dele e da esposa) realizado pela dentista Neila Patrice Vieira Benantes de Paula afirmou que os atendimentos ocorreram nos finais de semana. Na página 6 da resposta, de 06/02/2006, o contribuinte afirmou: "Ninguém mais indicado para o tratamento rotineiro do que minha própria sobrinha, que é profissional da área específica e me atende nos finais de semana, sem contar o favorecimento que me concede quanto ao valor cobrado" (grifamos). Ora, como pode o contribuinte e sua esposa serem atendidos nos finais de semana, simultaneamente, pela sua filha Rita de Cássia (fisioterapeuta) na cidade de SÃO PAULO, e pela sua sobrinha Neila (dentista) na cidade de Birigui — SP. Fariam eles as sessões de fisioterapia na cidade de São Paulo no sábado e viajariam mais de 500 quilômetros para fazerem o tratamento dentário no domingo? É claro que não . O próprio contribuinte afirma que, nos finais de semana, ele e sua esposa tratavam dos dentes em BIRIGUI (SP). f) O Plano de saúde do contribuinte dá cobertura inclusive para tratamento fisioterápico. A Fundação CESP encaminhou a esta fiscalização relação de todos os fisioterapeutas e clínicas de fisioterapia conveniados que poderiam atender o contribuinte fiscalizado e seus dependentes. São inúmeros. A justificativa do contribuinte de que seria desvantajosa a utilização em razão dos gastos com táxi para locomoção não se sustenta. Por quê? Basta verificar no demonstrativo de prestação de serviços fornecido pela Fundação CESP que a esposa do contribuinte é atendida com freqüência em Araçatuba por médicos e laboratórios. Interessante que para esses atendimentos freqüentes em Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Araçatuba ela pode se deslocar mais de 500 quilômetros de São Paulo à Araçatuba sem problema algum. g) Mais uma observação que permite concluir pela inidoneidade dos recibos apresentados deve ser registrada. Comparandose o recibo com data de emissão de 28/11/2003, no valor de R$700,00 e o recibo com data de emissão de 23/12/2003, no valor de R$440,00 verificase uma total discrepância no valor cobrado por uma sessão de fisioterapia num intervalo de tempo inferior a um mês. No primeiro recibo consta o valor de R$700,00 referente a 40 sessões, que resulta no valor de R$17,50 por sessão. No segundo recibo consta o valor de R$440,00 referente a 11 sessões, que resulta no valor de R$40,00 por sessão. h) Pelas razões acima expostas e em face da absoluta falta de comprovação dos pagamentos e da prestação de serviços das despesas com fisioterapia pleiteados em valores significativos (R$6.500.00 no anocalendário de 2002, R$3.800,00 no ano calendário de 2003 e R$3.885,00 no anocalendário de 2004) caracterizado está o evidente intuito de fraude. Assim, concluise que as referidas deduções foram pleiteadas indevidamente, constituindo ação dolosa, de modo a reduzir o montante do imposto devido. CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA (DENTISTA, cunhada do contribuinte fiscalizado) a) Aparentemente, verificase que todos os recibos foram confeccionados numa mesma data, apesar das datas de emissão deles constantes serem diferentes; b) Em todos os recibos observase apenas a descrição genérica (tratamento odontológico), bem como a ausência de numeração seqüencial. Além disso, não identificam o paciente; c) Nenhum dos recibos traz o endereço do emitente; d) Todos os recibos apresentam data de emissão incompleta. Neles estão indicados apenas mês e ano; e) Contribuinte teria realizado tratamentos odontológicos com mais de um profissional simultaneamente (Circe Aparecida Silva de Paula, sua cunhada, e Neila Patrice Vieira Benante de Paula, sua sobrinha), situação essa totalmente atípica e anômala; f) A Sra. Circe é funcionária assalariada do SESI; g) Apesar de intimado, o contribuinte fiscalizado não apresentou nenhum outro documento adicional suficiente para a comprovação. Limitouse a informar que os serviços teriam sido prestados nos finais de semana. Na página 7 da resposta, de 06/02/2006, o contribuinte afirmou: "Os serviços de atendimento que me foram prestados pela Dra. Circe Aparecida Silva de Paula, nos meses de julho a dezembro de 2003, foram realizados no prédio da Av. Euclides Miragaia, 1717, sala A, em Birigui (SP), tendo por objeto tratamento periodontal exclusivamente nos finais de semana, pois é o tempo disponível que tenho" Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 644 17 (grifamos). Tal alegação não se sustenta pelos mesmos motivos já mencionados no item "e" das constatações desta fiscalização relativas à fisioterapeuta Rita de Cássia. Em relação às despesas médicas informadas nas declarações tendo como beneficiária NEILA PATRICE VIEIRA BENANTE DE PAULA (Dentista), o contribuinte após ter sido intimado em 12/01/2006, apresentou documentos adicionais, além dos recibos inicialmente apresentados. Tais documentos são cópias autenticadas dos prontuários relativos aos tratamentos dentários do contribuinte fiscalizado e de seus dependentes. Após análise destes documentos e demais esclarecimentos prestados pelo contribuinte, concluímos pela comprovação da dedução pleiteada. Diante de todo o exposto, glosamos os valores deduzidos indevidamente como despesas médicas nos anoscalendário de 2002 a 2004, conforme abaixo demonstrado: (...) Em relação às despesas médicas pleiteadas tendo como beneficiários HOSPITAL AVICCENA, HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS, ISMAIL RAJAB, RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA e CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA, os fatos demonstram que o contribuinte, reiteradamente, prestou declarações falsas, deduzindo despesas médicas INDEVIDAS com a utilização de recibos e documentos imprestáveis para tal. com o fim de reduzir o imposto devido, caracterizando o evidente intuito de fraude. Assim, justificase a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430196 . Portanto, em relação a estes beneficiários, lavramos o presente auto de infração para a formalização da exigência tributária com a aplicação da multa qualificada.” (destaques no original) Assim, verificase que, em face da situação específica dos autos, foram solicitados elementos de prova adicionais, o que somente foi cumprido em relação à dentista Neila Patrice Vieira Benante de Paula, sobrinha do Contribuinte, apresentando se os respectivos prontuários, o que motivou a aceitação da despesa. Quanto à fisioterapeuta Rita de Cássia Arvelino de Paula, filha do Contribuinte, e à dentista Circe Aparecida Silva de Paula, cunhada do Contribuinte, nada foi apresentado, mantendose a glosa. No que tange às demais glosas, não se tratou de serviços prestados por parentes do Contribuinte, mas sim de erro em valores declarados (Fundação CESP) e despesas relativas a pessoas que, após a circularização junto aos prestadores dos serviços, descobriuse que se tratava de despesas com pessoas que não eram dependentes do Contribuinte (Hospital Aviccena, Hospital Professor Edmundo Vasconcelos e Ismail Rajab). Quanto ao primeiro paradigma indicado, Acórdão 10245.559, o seu contexto pode ser extraído dos trechos a seguir: Ementa Fl. 17DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 “GLOSA DESPESAS MÉDICAS — Restabelecese as deduções das despesas médicas lançadas pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos e glosadas pela fiscalização, quando, a vista de toda a documentação carreada aos autos que comprovam a efetividade das despesas, o fisco não consegue provar que tais documentos foram emitidos de forma irregular. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (grifei) Voto “No mérito, entendo que merece uma pequena reforma a r. decisão a quo, em relação apenas à glosa das despesas médicas deduzidas pelo recorrente em suas declarações de rendimentos, relativa aos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. Isto porque, conforme se verifica do processo, além do recorrente ter lançado nas suas declarações de rendimentos os pagamentos efetuados aos profissionais que lhe prestaram serviços médicos, carreou para os autos, recibos devidamente emitidos por aqueles profissionais; havendo ainda, declarações dos profissionais firmando a prestação de serviços, assim como, cópias de fichas médicas anexadas por solicitação da fiscalização. Agora, para afastar toda a documentação que socorre o recorrente em relação às despesas médicas por ele lançadas em suas declarações de rendimentos, deveria o Fisco contraditar todas aquelas provas, e não, simplesmente, presumir que aqueles serviços não foram na verdade efetuados. A partir das inadequadas suposições em relação às despesas efetuadas pelo recorrente, a fiscalização começou a presumir fatos para criar as supostas irregularidades e com isso pretendeu, pelo lançamento do tributo, inverter o ônus da prova, quando a legislação do imposto de renda prevê – para a pessoa jurídica – fundamentalmente apenas quatro situações que possibilitam a inversão do ônus da prova, quais sejam: a) configuração de saldo credor de caixa; b) configuração de passivo fictício; c) configuração de suprimentos de caixa à empresa por administradores, sócios ou acionistas, de recursos cuja efetividade da entrega e da origem não forem comprovadamente demonstradas e, d) configuração de hipótese de distribuição disfarçada de lucros. Portanto, ressalvadas essas exceções, a regra é o ônus da prova ser mister das autoridades administrativas. Desse modo, as supostas irregularidades presumidas pela fiscalização, deveriam ser, efetivamente, provadas, demonstrando ainda o nexo causal, ou seja, seria necessário demonstrar que os referidos serviços não aconteceram. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 645 19 A verdade é que, em nenhum momento a autoridade administrativa provou, efetivamente, que aqueles serviços não se sucederam, não podendo dessa forma, a vista de toda as documentações anexadas ao processo, desconsiderálas, pois, de vez que não se aplica para o presente caso as presunções legais. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções das despesas médicas lançadas pelo recorrente em suas declarações de rendimentos.” De plano, verificase que a situação tratada no acórdão paradigma não se assemelha à tratada no recorrido. Primeiramente, verificase que o paradigma não faz qualquer menção, no sentido de que os serviços médicos objeto das glosas teriam sido prestados por dois parentes do Contribuinte. Tampouco foram relatados os indícios de inidoneidade verificados no recorrido, conforme resumido no voto do julgado guerreado: “No caso presente, a Fiscalização apontou abundantes elementos que põem em dúvida a idoneidade dos, recibos apresentados, como o fato dos supostos prestadores serem parentes próximos do autuado, de serviços serem realizados simultaneamente em localidades distantes, de os beneficiários dos serviços serem pessoas que não figuram como seus dependentes, entre outros. Diante desses elementos, deveria o Contribuinte, como foi intimado a fazêlo, trazer elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados.” Ainda que assim não fosse, constatase que no paradigma foram apresentados, além de recibos, declarações dos profissionais confirmando os serviços, bem como cópias das fichas médicas, anexadas a pedido da Fiscalização, concluindose pela impossibilidade de desconsideração de tais provas, por parte do Fisco. Nesse particular, não se vislumbra onde residiria a alegada divergência, em relação ao acórdão recorrido. Muito pelo contrário, os acórdãos recorrido e paradigma encontramse em total sintonia, já que ambos aceitaram as despesas para as quais houve apresentação de documentos adicionais aos recibos, a saber: no caso do paradigma, repitase que foram apresentadas, além dos recibos, declarações dos profissionais firmando a prestação de serviços, bem como cópias de fichas médicas anexadas por solicitação da Fiscalização; no caso do acórdão recorrido, reiterase que foram apresentados, relativamente à dentista Neila Patrice Vieira Benante de Paula, além dos recibos, os prontuários referentes aos serviços prestados ao Contribuinte e seus dependentes e, a despeito de a profissional ser sua sobrinha, a despesa foi acatada. Destarte, o acórdão recorrido, além de retratar situação fática diversa daquela descrita no paradigma, revelou a concessão de tratamento ainda mais benéfico ao Contribuinte, na medida em que, mesmo tratandose de sua sobrinha, contentouse com a apresentação adicional de prontuário, quando no paradigma, além das fichas médicas, foram apresentadas as declarações dos prestadores, confirmando a realização dos serviços. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 Assim, esse primeiro paradigma não logrou comprovar a alegada divergência jurisprudencial. Quanto ao segundo paradigma indicado pelo Contribuinte – Acórdão 102 47.917 – este já se encontrava reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando da interposição do apelo, em 19/11/2010. Com efeito, dito julgado foi reformado pelo Acórdão 920200.815, de 10/05/2010, por meio do qual foi dado provimento ao Recurso Especial do Procurador, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999, 2000, 2001 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. PRESTADOR DE SERVIÇOS SUMULADO. IRREGULARIDADES INDICADAS/COMPROVADAS PELA FISCALIZAÇÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DO CONTRIBUINTE. De conformidade com a jurisprudência consolidada neste Colegiado, inclusive objeto da Súmula CARF n° 40, a qual é de observância obrigatória pelos julgadores administrativos, as despesas médicas dedutíveis do imposto de renda de pessoa física depende da comprovação por parte do contribuinte da efetividade da prestação dos serviços e do respectivo pagamento, nos termos do artigo 80, inciso III, do RIR, não se prestando para tanto a simples apresentação de recibos de prestadores de serviços em face dos quais foram emitidas Súmulas Administrativas de Documentação Tributariamente Ineficaz, maculando/fragilizando, assim, a documentação ofertada pelo contribuinte em defesa de sua pretensão, cabendo a este ofertar outras provas hábeis e idôneas com o fito de corroborar as despesas médicas deduzidas. Recurso especial provido.” Assim, não conheço do Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial. Quanto ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, este visa a rediscussão da desqualificação da multa de ofício. O apelo é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de ContraRazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, alegando que as situações retratadas nos paradigmas não guardariam pertinência com o caso dos autos. A Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos 10247.428, 106 15.959 e 10616.025. Entretanto, reiterase que existe o limite de até dois paradigmas por matéria, previsto tanto no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, vigente à época da interposição do apelo (art. 15, § 2º), como no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (art. 67, §§ 4º e 5º). Destarte, como não foi especificada ordem de prioridade para exame, serão Fl. 20DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 646 21 considerados apenas os dois primeiros paradigmas indicados no Recurso Especial – Acórdãos 10247.428 e 10615.959. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa reiterar que se trata de Recurso Especial de divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Nesse passo, tal como ocorreu quando da análise da primeira matéria – glosas de despesas médicas – a discussão que se pretende travar agora – qualificação da penalidade referente às glosas – diz respeito essencialmente à análise do conjunto probatório constante dos autos, mais especificamente à conduta dos Contribuintes envolvidos em cada um dos procedimentos administrativos em confronto. Claro está que discutir acerca da existência de evidente intuito de fraude envolve, mais que qualquer outro tema, a valoração de provas, o que, repitase, não é próprio à demonstração de divergência jurisprudencial, esta adstrita à interpretação da lei. Ainda assim, tal como foi feito quando da análise do recurso do Contribuinte, para que não se alegue cerceamento de direito de defesa, serão verificados os pontos sobre os quais a Fazenda Nacional entende ter se configurado divergência jurisprudencial, a ver se efetivamente teria havido aplicação de diferente critério jurídico na avaliação da conduta dos Contribuintes, quanto à caracterização de fraude. Nesse passo, verificase que a Fazenda Nacional limitase a transcrever as ementas dos paradigmas, ora reproduzindose apenas as duas primeiras: Acórdão 10247.428 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA – A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. Acórdão 10615.959 MULTA QUALIFICADA — Aplicase a multa qualificada de 150% ao lançamento nas hipóteses previstas no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Caracterizado o intuito de fraude, a multa deve ser mantida. Recurso negado. Após a simples citação das ementas, a Fazenda Nacional assim estabelece o ponto de divergência: “Como se observa, as situações fáticas relativas à fraude por reiteração de conduta dolosa por apresentação de documentação induvidosamente falsa é idêntica entre os acórdão paradigmas e o Recurso de Ofício ora atacado, restando demonstrada, portanto, a divergência entre as Câmaras mencionadas, apta a ensejar o presente Recurso.” De plano, esclareçase que o ônus de demonstrar a divergência alegada é do Recorrente e, tratandose de análise de conduta, com vistas à demonstração de adoção de Fl. 21DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 critério diverso quanto à caracterização de fraude, evidentemente teria de ser demonstrado que as situações em confronto seriam semelhantes, o que não foi feito no presente caso. No caso do acórdão recorrido, a conduta do Contribuinte, relativamente aos serviços médicos prestados por seus parentes, já foi descrita quando da análise da matéria anterior. A seguir será transcrita a parte do Auto de Infração que trata das demais despesas, cuja penalidade também foi qualificada: HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS a) Inicialmente, o contribuinte foi intimado em 12/01/2006 para esclarecer a diferença existente entre o valor informado na declaração como valor pago (R$7.328,27) e o valor da cópia dos dois cheques apresentados para a comprovação, um no valor de R$3.800,00 e outro no valor de R$3.000,00, bem como a identificação do paciente; b) Na resposta de 06/02/2006 o contribuinte respondeu que concordava com a glosa do valor de R$528,27 (valor não comprovado) e informou que a paciente era Maria Aparecida Arvelino de Paula, sua esposa e dependente; C) Na mesma data em que o contribuinte foi intimado (12/01/2006) esta fiscalização também intimou o Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos para apresentar documentos e esclarecimentos, inclusive o nome do paciente. Recebemos a resposta do referido hospital, onde se informou que os serviços foram prestados na paciente Maria Cristina Gasparini de Paula, que não é dependente do contribuinte fiscalizado; d) Diante da divergência de informação em relação à identificação do paciente, o contribuinte foi novamente intimado em 17/02/2006 para se manifestar. Em 01/03/2006 o contribuinte disse que a informação correta era a prestada pelo referido Hospital. Na página 2 da resposta de 01/03/2006, o contribuinte afirmou: "Estão corretas as informações prestadas pelos dois hospitais e pelo Dr. Ismail Rajab. Assim, a relação de pacientes que consta das páginas 8 e 9 da resposta de 06/02/2006 passa a ter a seguinte redação: recibo do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos: paciente Maria Cristina Gasparini de Paula (sobrinha); e) Aqui ficou caracterizado o evidente intuito de fraude. Inicialmente, o contribuinte prestou declaração falsa na declaração de imposto de renda informando despesas médicas de pessoa que não é sua dependente. Posteriormente, novamente prestou declaração falsa quando na sua resposta de 06/02/2006 informou que a paciente era sua esposa Maria Aparecida Arvelino de Paula. Ademais, comprovase também a inconsistência da alegação do contribuinte de que realizava os pagamentos em dinheiro. Por que será que neste caso o contribuinte não encontrou dificuldades para obter do banco cópia dos dois cheques compensados para apresentar à fiscalização como documento comprobatório da realização dos pagamentos? Ora, o contribuinte não poderia apresentar a nota fiscal de serviços, pois esta foi emitida em nome da sua sobrinha Maria Cristina Gasparini de Paula. Cópia da referida nota fiscal foi obtida pela fiscalização junto ao referido hospital. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 647 23 HOSPITAL AVICCENA E DR. ISMAIL RAJAB a) Em relação a estes dois beneficiários, também ficou caracterizado o evidente intuito de fraude. Aqui também o contribuinte tentou enganar o Fisco. Inicialmente, prestou declararão falsa nas declarações de imposto de renda informando despesas de pessoas que não são seus dependentes, e, posteriormente novamente prestou declaração falsa quando na sua resposta de 06/02/2006 informou que o paciente seria o seu filho Gabriel Arvelino de Paula. b) O mesmo procedimento adotado pela fiscalização em relação ao Hospital Professor Edmundo Vasconcelos foi adotado com esses dois beneficiários. O contribuinte recebeu cópia das respostas dos referidos prestadores de serviço, onde estes informaram a esta fiscalização o nome do verdadeiro paciente (Sr. Edson de Paula), que não é dependente do contribuinte fiscalizado. (...) Em relação às despesas médicas pleiteadas tendo como beneficiários HOSPITAL AVICCENA, HOSPITAL PROFESSOR EDMUNDO VASCONCELOS, ISMAIL RAJAB, RITA DE CÁSSIA ARVELINO DE PAULA e CIRCE APARECIDA SILVA DE PAULA, os fatos demonstram que o contribuinte, reiteradamente, prestou declarações falsas, deduzindo despesas médicas INDEVIDAS com a utilização de recibos e documentos imprestáveis para tal, com o fim de reduzir o imposto devido, caracterizando o evidente intuito de fraude. Assim, justificase a aplicação da multa qualificada, tipificada no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430196 . Portanto, em relação a estes beneficiários, lavramos o presente auto de infração para a formalização da exigência tributária com a aplicação da multa qualificada.” (destaques no original) Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão 10247.428 – o seu contexto pode ser extraído dos trechos a seguir transcritos: Ementa “DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Diante de indícios da inidoneidade dos recibos apresentados para a comprovação de pagamentos de despesas médicas, justificase a exigência por parte do Fisco de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e do pagamento. Sem isso, o simples recibo é insuficiente para comprovar a despesa, justificando a glosa. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA – A utilização de documentos inidôneos para a comprovação de despesas caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. Recurso negado.” Fl. 23DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 Relatório “Quanto à glosa de despesas médicas, esta foi mantida por entender o órgão julgador que o Contribuinte não conseguiu comprovar a efetiva prestação dos serviços e o pagamento respectivo, somandose a isso a existência de profissionais não habilitados junto ao Conselho regional da respectiva categoria, recibos preenchidos irregularmente e divergência de informações prestadas pelos profissionais ao órgão regulador e à Receita Federal.” Voto Quanto às deduções indevidas, a discussão se resume à comprovação da prestação dos serviços pelos profissionais de saúde, tendo em vista que a fiscalização considerou inidôneos os recibos apresentados pelo Contribuinte. O montante discutido no ano de 2000 equivale a R$ 47.425,00, no ano de 2001, a R$ 57.450,00, e de R$ 45.750,00, no ano de 2002. Diante da existência de dúvidas quanto à legitimidade dos recibos fornecidos à fiscalização, convém perquirir, através de requisição ao Contribuinte ou aos próprios profissionais, provas complementares que autorizem as deduções a título de despesas médicas. Convém mencionar que o ônus pela comprovação da utilização e do pagamento dos serviços é do Contribuinte que se beneficiou com a dedução, por força de dispositivo legal (art. 73 do RIR/99). Os recibos questionado envolvem os seguintes profissionais: Célia Piterman, Fabiano Cipriano Nascimento, Karine Alves de Oliveira, Márcia A Vieira Zimerer, Marcos Vinícius Galdino Moreira, Moacir Aires Rodrigues, Renata Santos Gomes e Sabrine Barros Pinto. Sobre os referidos profissionais médicos, analisandose o Relatório Fiscal de fls. 12/21, além dos documentos constantes dos autos, destacamse as seguintes observações: a)Célia Piterman Nos recibos fornecidos pela psicóloga Célia Piterman, verificou se a incompatibilidade entre os endereços da profissional e da prestação do serviço, visto que o consultório é localizado em Teófilo Otoni e a prestação dos serviços teria ocorrido em Belo Horizonte (fls. 103 e 231). Além disso, segundo a fiscal autuante, o tratamento de R$ 31.650,00, no ano de 2000, e de R$ 21.000,00, no ano de 2001, equivaleriam a mais de 200 consultas por ano. Os recibos foram preenchidos com caligrafias diferentes, apesar de a psicóloga informar que não utilizou serviços de secretária, o que indica que foram preenchidos por terceira pessoa. A AF indica que também foram fiscalizadas outras três pessoas, cliente do Contribuinte (que é contador), e todas também pleitearam deduções de alto valor da Sra. Célia. b)Fabiano Cipriano do Nascimento Fl. 24DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 648 25 O Dr. Fabiano é esposo da Dra. Karine A. de Oliveira, que por sua vez é cunhada do Contribuinte. O carimbo com seu nome foi utilizado no recibo da Sra. Karine (fls. 69 e fls. 70 da representação para fins penais), e o erro foi encoberto com corretivo líquido. Da mesma forma, existe discordância quanto ao local constante do recibo e o local da prestação dos serviços. Ademais, o profissional não poderia exercer atividade médica em Minas Gerais, pois sua carteira profissional foi emitida em Rondônia (fls. 103 e 139) c) Karine Alves de Oliveira A Dra. Karine é cunhada do Contribuinte e da mesma forma que o esposo, o Dr. Fabiano, não poderia exercer suas atividade em Minas Gerais, pois sua carteira restringe a atividade ao estado de Rondônia. d) Márcia Aparecida Vieira Zinnerer A numeração dos recibos indica que os mesmos foram preenchidos em seqüência, apesar de as datas serem distantes (fls. 104 e 181). A AF responsável deslocouse até o consultório da Dra. Márcia e verificou que a ficha do Contribuinte continha apenas nome, telefone e valor dos recibos, sem qualquer data ou outra anotação. Percebeu também que dentista exerce suas atividades em São José do Divino, há 2 horas de viagem de Teófilo Otoni. e)Sabrine Barros Pinto e Marcos Vinicios Galdino Moreira No local onde o Contribuinte informou ser o local de prestação dos serviços, a secretária informou que nos 3 anos em que trabalha no consultório não conheceu nenhum dos profissionais. Dentre os recibos emitidos constam alguns datados de sábados e domingos. Novamente há prova de má utilização dos carimbos, pois o carimbo da Dra. Sabrine foi utilizado no recibo do Dr. Fabiano. f) Moacir Aires Rodrigues O Contribuinte informa que se trata de profissional de fisioterapia, mas há nos autos recibo de tratamento de psicologia (fls. 74 e 108). O profissional não foi encontrado no local indicado pelo Contribuinte. g) Renata Santos Gomes Dra. Renata é prima do Contribuinte. Há nos autos recibos da profissional em data anterior ao da sua inscrição no CRM. Intimada a apresentar conta de luz ou telefone do seu estabelecimento, a Dra Renata trouxe o IPTU da MSE Consultoria e Serviços (fls. 179 e 180), empresa que faz a sua contabilidade. Além das irregularidades especificamente apontadas, existem indícios complementares, como a semelhança de grafia nos recibos, o que indica a existência de atitude fraudulenta; o Fl. 25DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 local da assinatura dos profissionais contém um "x", o que indica que foram preenchidos por outra pessoa e posteriormente assinados; outros contribuinte, que têm como contador o Contribuinte, Sr. Washington, também efetuaram deduções em valores relevantes perante os mesmos profissionais. Assim, entendo não assistir razão ao Contribuinte, pois diante da imprestabilidade dos recibos, o Contribuinte deve trazer aos autos outros documentos que comprovem e validem a dedução pleiteada, o que não foi o caso. O Contribuinte se resume a insistir que fez o pagamento em espécie, motivo pelo qual não poderia comproválos. Contudo, ainda que houvessem sido pagos em dinheiro, um extrato simples de sua conta bancária comprovaria os saques eventualmente realizados. Ademais, não só deixou o Contribuinte de comprovar a prestação dos serviços, como trouxe aos autos documentação que sabia inverídica e que foi confeccionada com esse fim. A análise dos recibos, pelas rasuras e trocas de carimbos, impõe o reconhecimento de sua falsidade.” Com efeito, a despeito de algumas semelhanças com o caso do acórdão recorrido, este paradigma descreve situação em que foram constatadas provas materiais de falsidade na documentação apresentada. Quanto ao acórdão recorrido, por sua vez, o que se apontou foram indícios de inidoneidade, que conduziram à manutenção das glosas das despesas, mas não da qualificadora. Confirase o voto condutor: “No caso presente, a Fiscalização apontou abundantes elementos que põem em dúvida a idoneidade dos, recibos apresentados, como o fato dos supostos prestadores serem parentes próximos do autuado, de serviços serem realizados simultaneamente em localidades distantes, de os beneficiários dos serviços serem pessoas que não figuram como seus dependentes, entre outros. Diante desses elementos, deveria o Contribuinte, como foi intimado a fazêlo, trazer elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados. Entretanto, nada disso apresentou, limitandose a defender, com considerações de ordem geral, a possibilidade de que os serviços em questão foram efetivamente prestados. Entretanto, nas circunstâncias deste processo, isso não basta. Para se admitir como comprovada a prestação dos serviços médicos e os pagamentos efetuados teria o Contribuinte que reunir prova, ainda que parciais dos pagamentos realizados. Sobre a qualificação da multa de oficio, penso que a exasperação da penalidade requer a demonstração cabal da conduta fraudulenta, o que não se caracteriza apenas pela dedução indevida. É preciso demonstrar que o Contribuinte agiu de forma dolosa com o propósito de ludibriar o Fisco. No caso, o que se verifica é que o Contribuinte pleiteou a dedução de despesas as quais a Fiscalização apurou não terem sido efetivamente comprovadas. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10820.000539/200662 Acórdão n.º 9202002.941 CSRFT2 Fl. 649 27 Entretanto, não se pode afirmar, com base nos elementos carreados aos autos, que o Contribuinte procurou esconder a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características.” Assim, não restou demonstrada a alegada divergência, relativamente a este primeiro paradigma. Quanto ao segundo paradigma – Acórdão 10615.959 – repitase que o único trecho trazido à colação pela Fazenda Nacional foi a respectiva ementa, que nada informa sobre a conduta do Contribuinte: Ementa “(...) IRPF — GLOSA DESPESAS MÉDICAS — Não sendo comprovada a efetividade dos serviços médicos prestados, cuja dedução o contribuinte pleiteava, deve ser mantida a glosa das referidas despesas. MULTA QUALIFICADA — Aplicase a multa qualificada de 150% ao lançamento nas hipóteses previstas no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Caracterizado o intuito de fraude, a multa deve ser mantida. Recurso negado.” Compulsandose o inteiro teor do julgado, é possível extrair o seu contexto: Voto “Por fim, com relação às despesas médicas, também não há o que alterar na decisão recorrida, pois o Recorrente não tem quaisquer recibos que provem a efetiva realização das despesas cuja dedução pleiteia. E é por isso mesmo que está correta a aplicação da multa qualificada de 150% a esta parcela do lançamento. Quanto à multa, não há que se falar em inversão do ônus da prova, pois a mera declaração de despesas não comprovadas já indica, por si só, o intuito da fraude.” A leitura do trecho acima permite concluir que a situação retratada nesse segundo paradigma também não se assemelha à do acórdão recorrido. Isso porque não há como compararse situação em que não foi apresentado qualquer recibo, com a situação do acórdão recorrido, em que foram apresentados recibos ou cheque nominais de todas as despesas declaradas, sendo que relativamente a um dos profissionais, a despeito de ser parente do Contribuinte, a respectiva dedução foi aceita, tendo em vista a apresentação de prontuários. Assim, não há que se falar em divergência jurisprudencial, ausente a similitude fática necessária. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 Diante do exposto, não conheço dos Recursos Especiais, interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 28DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10945.902563/2011-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 25 63 /2 01 1- 99 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 63 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 42096.11782.131006.1.2.040500 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 3.930,19, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 14.850,62, recolhido em 15/03/2002. Em 03/01/2012 (Rastreamento nº 015079483) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de fevereiro02, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 14/02/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 64 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 65 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 66 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.902563/201199 Acórdão n.º 3801002.640 S3TE01 Fl. 67 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002488/2005-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO.
Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-002.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Vítor Hugo Vives Bohm, OAB/RS 58.005.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados.
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO E/OU CONTRADIÇÃO. Considerando a inexistência de omissão e/ou contradição na decisão embargada, impõese a rejeição dos embargos de declaração, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação jurídica da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. REDISCUSSÃO DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão da controvérsia. Hipótese não prevista no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Vítor Hugo Vives Bohm, OAB/RS 58.005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 24 88 /2 00 5- 19 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Recorrente contra termos parciais em que foi proferido o Acórdão nº 3801001.792, de 20 de março de 2013, sob o argumento de que o aludido Acórdão continha omissão e contradição em dois pontos específicos. Em relação aos créditos sobre despesas com combustíveis, sustenta que o acórdão recorrido tendo reconhecido o direito da embargante quanto a possibilidade do creditamento dos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo fabril, deveria ter determinado que a unidade da administração responsável pela liquidação e execução do acórdão, verificasse o percentual que realmente é utilizado no processo produtivo, ou seja, o percentual de 20% defendido pela embargante. Argumenta que o CARF é responsável por reconhecer o direito a tomada de créditos, no presente caso, em julgar em última instância na esfera administrativa, se os combustíveis e lubrificantes utilizados para os testes de veículos configuram, ou não, insumos, determinando que na liquidação do acórdão fosse verificada o percentual que efetivamente é utilizado no processo produtivo. Alega, ainda que caso contrário, o acórdão esta reconhecendo o direito ao crédito, mas impedindo a embargante de realizar o aproveitamento do mesmo. Por outro lado, no que tange ao recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno, insiste na tese que ao apresentar a manifestação de inconformidade, a embargante impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório, requerendo ao final a imediata reforma do despacho decisório. Aduz que a manifestação de inconformidade deve ser recebida com efeito devolutivo, devendo toda a matéria impugnada ser reanalisada pela instância superior, como deveria ter sido perante a DRJ que desconsiderou este pedido. Destaca que ao longo de todo o processo de fiscalização sofrido pela embargante, foram apresentados todos os documentos necessários para comprovar a legitimidade dos valores pleiteados, sendo que com base nisso, deveria a fiscalização e os julgadores, atentar para esse fato, analisar tais documentos, ou então, determinar a baixa em diligência para verificar a legitimidade do crédito. Faz referência ao princípio da verdade material e colaciona doutrina e jurisprudência acerca deste princípio, requerendo que seja sanada a omissão deste ponto no r. acórdão embargado. Por fim, requereu que fossem recebidos e acolhidos os presentes Embargos, para o fim de que, sanadas as omissões/contradições supracomentadas, com efeitos infringentes, fosse o acórdão embargado reformado para acolher integralmente o recurso voluntário interposto. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Convém lembrar que, em regra, a omissão é a falta de apreciação de um ponto específico relevante, enquanto a contradição ocorre quando a decisão administrativa possui proposições conflitantes entre si. Com será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão e muito menos qualquer contradição. Diferentemente do alegado, a questão dos créditos sobre despesas com combustíveis foi enfrentada no acórdão embargado, pois o Colegiado manifestouse expressamente sobre a matéria, conforme excertos abaixo transcritos: Neste aspecto, a autoridade fiscal tem razão, a recorrente não comprovou de forma satisfatória que 20 % das aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizados nos testes dos veículos. Não existe a contabilização dessas aquisições como custo de produção. Os rateios de absorção devem ser efetivamente comprovados, a exemplo de requisições do almoxarifado, planilhas de gastos de combustíveis por veículos etc. É importante ressaltar que, quanto à comprovação do direito de descontar créditos, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na manifestação de inconformidade.(grifouse) Com efeito, o voto condutor do acórdão entendeu que a recorrente não apresentou os elementos comprobatórios que sustentariam seu direito creditório. Desta forma, os créditos não foram reconhecidos porque não foram apresentadas as provas nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. De sorte que não é caso de liquidação do acórdão por meio de conversão em diligência. O ônus da prova como amplamente demonstrado no acórdão embargado é da recorrente. Ademais, os embargos de declaração não é o meio de impugnação adequado para se rediscutir a fundamentação adotada pelo colegiado, mormente quando a Embargante postula o reexame da fundamentação da decisão. De outro giro, em relação ao recálculo de índices relativos de receitas de mercado interno, a recorrente insiste na tese que ao apresentar a manifestação de inconformidade impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.002488/200519 Acórdão n.º 3801002.278 S3TE01 Fl. 14 5 Como será demonstrado não ocorreu no acórdão guerreado uma omissão. O Colegiado, em votação unânime, entendeu que na situação em comento ocorreu a preclusão. A propósito, assim se manifestou o relator: Ressalta que ao apresentar a manifestação de inconformidade impugnou todos os pontos glosados no despacho decisório, conforme a parte final do pedido. Ocorre, todavia, que essa alegação não pode ser apreciada, sob pena de supressão de instância, por constituir matéria nova não abrangida pelo litígio e que não foi suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade. De fato, na manifestação de inconformidade não há qualquer questionamento em relação ao rateio utilizado pela autoridade fiscal. Neste sentido, a decisão recorrida de forma acertada considerou que a recorrente não se manifestou expressamente a respeito desse ponto e considerou a matéria definitiva na esfera administrativa, nos termos do 17 do Decreto nº 70.235/72. Como visto, não ficou caracterizada uma suposta omissão, pelo contrário evidenciase uma tentativa da recorrente de rediscutir a matéria com base no princípio da verdade material, o que não é viável no recurso de embargos de declaração. Ademais, a Turma concluiu que alegações genéricas sem maiores fundamentos ou demonstração de equívocos nos cálculos não merecem acolhidas. Assim, não se verificou qualquer omissão. Tenhase presente que o contexto fático e probatório dos autos foi suficiente para a formação da convicção da Turma Julgadora, que teve fundamento no instituto da preclusão. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração apresentados. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014843/2008-09
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RELAÇÃO À MULTA SOBRE A PARCELA DA GLOSA DE DEDUÇÃO NÃO IMPUGNADA.
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. Nestes autos, não houve impugnação expressa da multa aplicada sobre a parte da dedução glosada e com a qual o impugnante concordou.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No caso dos autos, não foram apontados indícios que desabonem os recibos, de forma que se deve admitir a dedução das despesas em litígio.
Recurso conhecido em parte e, nessa parte, provido.
Numero da decisão: 2802-002.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, e nessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO a fim de restabelecer as dedução de despesas médicas nos valores de R$19.750,00, R$11.257,50 e R$9.208,40, nos ano-calendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RELAÇÃO À MULTA SOBRE A PARCELA DA GLOSA DE DEDUÇÃO NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. Nestes autos, não houve impugnação expressa da multa aplicada sobre a parte da dedução glosada e com a qual o impugnante concordou. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No caso dos autos, não foram apontados indícios que desabonem os recibos, de forma que se deve admitir a dedução das despesas em litígio. Recurso conhecido em parte e, nessa parte, provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 107 1 106 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.014843/200809 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.662 – 2ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ERNANI GERALDO BOTELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RELAÇÃO À MULTA SOBRE A PARCELA DA GLOSA DE DEDUÇÃO NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. Nestes autos, não houve impugnação expressa da multa aplicada sobre a parte da dedução glosada e com a qual o impugnante concordou. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. No caso dos autos, não foram apontados indícios que desabonem os recibos, de forma que se deve admitir a dedução das despesas em litígio. Recurso conhecido em parte e, nessa parte, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, e nessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO a fim de restabelecer as dedução de despesas médicas nos valores de R$19.750,00, R$11.257,50 e R$9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 48 43 /2 00 8- 09 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Melo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004 a 2006, respectivamente, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas com aplicação de multa de ofício de 75%. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal às fls. 09/12, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar as despesas médicas declaradas por meio microfilmagem de cheques, amparandose no caput art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999 e em precedentes deste Conselho (Ac. CSRF — 10243.935 — DO 11/08/1999). Como o contribuinte apresentou exclusivamente recibos e alegou ter pago com dinheiro em espécie, o AuditorFiscal glosou as despesas. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento alegando que comprovou as despesas com recibos e prontuários odontológicos e que a Fiscalização não comprovou o contrário. Os valores impugnados foram de R$19.750,00, 11.257,50 e 9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, nesta ordem (fls. 75). A impugnação foi indeferida, em síntese, com base em interpretação do art. 73 do RIR1999 que teria transferido para o contribuinte o ônus de comprovar a prestação dos serviços e, principalmente, a efetiva realização dos pagamentos, que no caso de pagamento em dinheiro deveria ter sido realizada com a apresentação de extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão. Quanto à análise dos prontuários apresentados, o acórdão recorrido assinalou: que os odontogramas foram emitidos em outubro de 2008, em data posterior à intimação fiscal, e neles constam diversas despesas indicadas como manutenção de aparelho ortodôntico ocorridas desde outubro de 2004 até janeiro de 2007(ex. fl. 42), o que seria incompatível com o fato de o valor dessa manutenção (R$5.200,00) encontrar lançado no recibo total de R$10.180,00, datado de 14/09/2004. O mesmo fato ocorre no recibo e odontograma de fls. 44 e 45. A ciência do acórdão ocorreu em 04/04/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 29/04/2011 cujas alegações são resumidas adiante: 1. a Receita Federal não provou que os serviços não foram realizados, não atendeu ao pedido para verificar o LivroCaixa do profissional, não se manifestou sobre o pedido de diligência junto ao dentista o que permite concluir que concorda que o tratamento ocorreu. Entretanto, glosa as despesas e considera os recibos inidôneos sem ao menos impugnálos; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.014843/200809 Acórdão n.º 2802002.662 S2TE02 Fl. 108 3 2. foi demonstrado que nos anos anteriores recebeu elevada quantia em dinheiro que possibilitou estocar dinheiro em espécie com o qual realizou os pagamentos ora discutidos; 3. não há nada irregular no fato de os odontogramas teria sido emitidos após a intimação, pois não é normal guardar esses documentos após o final do tratamento e não há uma cartilha da Receita Federal que indique de maneira tão detalhada a forma de comprovar o pagamento destas despesas; 4. o tratamento foi realizado e os pagamentos não ocorriam de forma tão sincronizada com o serviço prestado como exigido no acórdão recorrido; 5. os recibos que apresentou atendem os requisitos do art. 8º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.250/1995 e precedentes administrativos e judiciais demonstram que o recorrente tem razão em sua defesa; 6. em relação à glosa reconhecida pleiteia a redução da multa para 20%. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo. Não houve impugnação expressa em relação à redução da multa aplicada sobre a parcela não impugnada, o que representa matéria preclusa e, portanto, não se conhece do recurso neste ponto. Devese conhecer do recurso voluntário quanto aos demais tópicos, nos quais os requisitos de admissibilidade estão presentes. Desta forma, o litígio envolve a glosa das despesas médicas declaradas em relação ao profissional Luciano Alves: R$19.750,00, 11.257,50 e 9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, nesta ordem (fls. 75). Os recibos, orçamentos e odontogramas constam a partir das fls. 37 e, em seu conjunto, atendem aos requisitos legais definidos pela Lei 9.250/1995, inclusive é possível identificar os pacientes, todos dependentes do recorrente nos anocalendário correspondentes às despesas. A autoridade fiscal não apontou quais as razões pelas quais os recibos apresentados não são suficientes, não fez qualquer ressalva em relação aos recibos. A princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. É notório que a emissão de odontogramas após a intimação fiscal é uma decorrência do esforço do contribuinte em comprovar a realização dos serviços, nada tem de irregular, uma vez que não há uma exigência legal de que esses documentos devam ser mantidos à disposição da Fiscalização Tributária. Não é correto aplicar o art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR1999, sem levar em conta o §1° do art. 845 do mesmo Regulamento. Ambos dispositivos do RIR1999 tem matriz legal no DecretoLei 5.844/1943, o primeiro no §3º do art. 11 do DecretoLei 5.844/1943; o segundo, no §1º do art. 79. Art.845.Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 79): §1 º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 79, §1 º ). Em que pese a relevância das preocupações do julgador de primeira instância, não há elemento seguro para desconsiderar os documentos e esclarecimentos apresentados pelo recorrente. Não havendo sequer um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Portanto, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário, e nessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO a fim de restabelecer as dedução de despesas médicas nos valores de R$19.750,00, R$11.257,50 e R$9.208,40, nos anocalendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964770/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 47 70 /2 00 9- 58 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 181 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de DCOMP Eletrônica n° 37113.31491.240709.1.3.040967 (fls. 77/81), apresentada em 24/07/09, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito – Pagamento Indevido ou a Maior – CIDE Data de Arrecadação : 15/01/2009 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 62.476,76 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 62.476,76 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 62.476,76 A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 82, nº de rastreamento 848618369, de 07/10/2009, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 62.476,76. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 22/10/2009, fl. 86. Inconformada, a interessada apresentou, em 19/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 03/09, instruída com os documentos de fls. 10/74, onde alega resumidamente o que segue: o crédito em questão tem origem na redução da base de cálculo da CIDE – royalties referente ao mês de dezembro/2008; é prestadora de serviços de telefonia móvel e oferece aos seus clientes o serviço de roaming internacional, pelo qual os clientes podem se utilizar dos serviços de telecomunicações no exterior, utilizando a rede local; por este serviço deve pagar um determinado valor às empresas no exterior; sobre essa remessa de royalties ao exterior incide o IRRF (15%) e a CIDE (10%), nos termos dos artigos 2 e 2A da Lei 10.332/2001; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 182 3 ocorre que por razões operacionais não tem como apurar o valor devido às operadoras no exterior no prazo de pagamento do IRRF e da CIDE, ou seja, em um mesmo mês a contar da prestação de serviço; no intuito de evitar o inadimplemento dos tributos adota o procedimento de recolher o IRRF e a CIDE sobre uma previsão; ou seja, declara e recolhe em DCTF o IRRF e a CIDEroyalties (fls.19/27) sobre uma base estimada, antes da contabilização dos valores efetivamente devidos; posteriormente, ao calcular o valor efetivamente devido às operadoras de telefonia no exterior, faz a apuração dos tributos devidos sobre as remessas, podendo acontecer então duas situações: a apuração de base de cálculo maior que a estimada, quando então providencia o pagamento da diferença com multa e juros; a apuração de base de cálculo a menor que a estimada, quanto então verifica se o valor pago efetivamente a maior, sendo esta diferença passível de restituição/compensação. a segunda hipótese foi o que ocorreu, pois fez uma previsão de remessa ao exterior no montante de R$ 1.031.343,33, correspondente à CIDE no valor de R$ 103.134,33, mas posteriormente verificou que a remessa foi de somente R$ 531.052,46, correspondente à CIDE no valor de R$ 40.657,57; a diferença entre o valor pago R$ 103.134,33 e o efetivamente devido R$ 40.657,57, que importa em R$ 62.476,76, que é justamente o valor utilizado na PER/DCOMP em análise (fl. 77); estes fatos podem ser comprovados pela análise do razão da conta roaming internacional (doc 07 – fls. 29/30), onde se vê na conta o montante de R$ 345.589,37, bem como a data da efetiva remessa em fevereiro de 2.009; sobre os R$ 345.589,37 devem ser acrescidos os tributos sobre a operação, uma vez que este é o valor que deve ser pago às operadoras no exterior, em virtude de acordo entre as partes, conforme demonstrado na tabela a seguir (fl. 06): Roaming internacional – dezembro/2008 DISCRIMINAÇÃO CIDE ESTIMADA – R$ CIDE DEVIDA – R$ Remessa ao exterior 876.641,83 345.589,37 Taxa Grossup 0,85 0,85 Remessa com grossup 1.031.343,33 406.575,73 VALOR DA CIDE 103.134,33 40.657,57 DIFERENÇA CRÉDITO 62.476,76 CRÉDITO ATUALIZADO ATÉ 24/07/2009 – SELIC 65.725,55 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 183 4 desta forma resta inequivocamente demonstrado o pagamento a maior da CIDEroyalties, com base na sua escrituração e ainda o valor pleiteado na PER/DCOMP em análise; apesar de retificar o cálculo da CIDE devida, por equívoco, não retificou a DCTF correspondente ao período; a ausência de retificação contudo não pode obstaculizar o seu direito quanto à restituição do indébito; o razão é documento probante favorável ao pleito da empresa, não podendo ser desconsiderado pela mera ausência de retificação da DCTF; a existência de erro material no preenchimento da DCTF não pode sacrificar o direito material do contribuinte de compensar seu indébito; cita doutrina e jurisprudência para concluir que o simples erro formal no preenchimento da DCTF não tem o condão de criar a obrigação tributária de recolher o tributo indevido; cita doutrina para postular que sua escrituração constitui meio hábil para comprovação do indébito, que gerou o crédito utilizado na PER/DCOMP em questão, devendo ser considerada como meio de prova dos fatos alegados; requer também a juntada ao presente do processo 15374.364769/200923, por decorrer do mesmo fato redução da base de cálculo do IRRF e da CIDE do mês de dezembro/2008; finaliza requerendo o deferimento de seu pedido.” A DRJ/RJ1 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não comprovada a existência do pagamento a maior, deixase de reconhecer o direito creditório pleiteado, por falta de certeza e liquidez, não se homologando, conseqüentemente, as compensações efetuadas pelo contribuinte.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, cujas alegação são essencialmente as mesmas da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 184 5 Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de CIDEroyaties. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos o art. 170 do CTN, que autoriza a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. A contribuinte afirma que a DCTF contém erro, de modo que o valor pago foi maior que o devido. Para comprovar o erro apresenta cópia de folha do Livro Razão referente a dezembro de 2008 que contém informações da conta roaming internacional, fls. 29/30. Conforme destacado na decisão recorrida, “os documentos apresentados pelo contribuinte são insuficientes para comprovar o erro alegado, pois os registros contábeis desacompanhados dos documentos que lhe deram suporte, não são suficientes para amparar o direito creditório no valor de R$ R$ 62.476,76, em face do que dispõe o artigo 923 do RIR/1999”. Transcrevo o art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de RendaRIR/1999): “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º).” Os documentos que fundamentaram os registros fiscais e contábeis deveriam ser apresentados junto com a manifestação de inconformidade, tendo em vista que os arts. 15 e Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 185 6 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, lei que trata do processo administrativo tributário federal, estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem o alegado erro, nem DCTF retificadora. Também não comprovou ocorrência de alguma das hipóteses que permitiriam sua apresentação em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 186 7 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 187 8 A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.964770/200958 Acórdão n.º 3802001.988 S3TE02 Fl. 188 9 Pelo exposto, tendo em vista que a contribuinte não comprovou em momento oportuno existência de direito de crédito líquido e certo e também não provou erro na DCTF que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10183.720479/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. IDENTIFICADA OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANTIDO O LANÇAMENTO.
O contribuinte teve oportunidade para retificar ou confrontar pontualmente as irregularidades verificadas no laudo apresentado, todavia optou por defesa genérica com base a violação a princípios. Resta ausente a violação ao devido processo legal e aos seus consectários, ampla defesa e contraditório.
INCONSTITCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe apreciação na instância administrativa de inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
GEORREFERENCIAMENTO. CONSTATAÇÃO DE ÁREA DE POSSE. MOMENTO DE AQUISIÇÃO. FATO GERADOR DO ITR
Área de posse reconhecida através de georreferenciamento deve repercutir, para fins de fato geradores do ITR, a partir do momento do resultado do georreferenciamento, não devendo retroagir a períodos passados, tendo em vista que resta impossível definir o exato momento em que a posse foi adquirida. Presume-se que a posse foi adquirida quando do resultado do georreferenciamento.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS.
Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo desacompanhado do ART e sem especificar e discriminar a Área de Preservação Permanente (APP) não atende os requisitos legais para comprovar a existência de Área de Preservação Permanente.
ITR. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL.
O contribuinte comprovou a existência de área de Reserva Legal mediante apresentação de Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal firmado com o órgão ambiental antes da data de ocorrência do fato gerador. Área excluída para fins de determinação da base de cálculo do ITR.
ITR. CONSTATAÇÃO SUBAVALIAÇÃO DO VTN DECLARADO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE. CONFRONTAÇÃO COM LAUDO IMPRECISO. PREVALECÊNCIA.
Constatando-se subavaliação do VTN declarado pelo contribuinte, cabe à autoridade fazendária proceder ao lançamento apurando o imposto (ITR) devido a partir do Valor da Terra Nua inserido no SIPT por aptidão, em detrimento ao valor constante de Laudo apresentado pelo contribuinte que não se apresente de maneira precisa e/ou conclusiva.
Numero da decisão: 2201-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para acatar a Área de Reserva Legal de 7.820,0 hectares e restabelecer a área total declarada de 15.640 hectares.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 20/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, WALTER REINALDO FALCÃO LIMA e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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IDENTIFICADA OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANTIDO O LANÇAMENTO. O contribuinte teve oportunidade para retificar ou confrontar pontualmente as irregularidades verificadas no laudo apresentado, todavia optou por defesa genérica com base a violação a princípios. Resta ausente a violação ao devido processo legal e aos seus consectários, ampla defesa e contraditório. INCONSTITCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe apreciação na instância administrativa de inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. GEORREFERENCIAMENTO. CONSTATAÇÃO DE ÁREA DE POSSE. MOMENTO DE AQUISIÇÃO. FATO GERADOR DO ITR Área de posse reconhecida através de georreferenciamento deve repercutir, para fins de fato geradores do ITR, a partir do momento do resultado do georreferenciamento, não devendo retroagir a períodos passados, tendo em vista que resta impossível definir o exato momento em que a posse foi adquirida. Presumese que a posse foi adquirida quando do resultado do georreferenciamento. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo desacompanhado do ART e sem especificar e discriminar a Área de Preservação Permanente (APP) não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 79 /2 00 7- 31 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 atende os requisitos legais para comprovar a existência de Área de Preservação Permanente. ITR. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. O contribuinte comprovou a existência de área de Reserva Legal mediante apresentação de Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal firmado com o órgão ambiental antes da data de ocorrência do fato gerador. Área excluída para fins de determinação da base de cálculo do ITR. ITR. CONSTATAÇÃO SUBAVALIAÇÃO DO VTN DECLARADO. ADOÇÃO DOS DADOS INSERIDOS NO SIPT. VALIDADE. CONFRONTAÇÃO COM LAUDO IMPRECISO. PREVALECÊNCIA. Constatandose subavaliação do VTN declarado pelo contribuinte, cabe à autoridade fazendária proceder ao lançamento apurando o imposto (ITR) devido a partir do Valor da Terra Nua inserido no SIPT por aptidão, em detrimento ao valor constante de Laudo apresentado pelo contribuinte que não se apresente de maneira precisa e/ou conclusiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para acatar a Área de Reserva Legal de 7.820,0 hectares e restabelecer a área total declarada de 15.640 hectares. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GUSTAVO LIAN HADDAD, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, WALTER REINALDO FALCÃO LIMA e HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Relatório Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 01, lavrado em 03.12.07, exigese dos contribuintes em condomínio: Luiz Cláudio Fontes Salles Graça e André Luiz Fontes Salles, o montante de R$ 585.027,02 de Imposto Territorial Rural – suplementar, R$ 169.423,82 de juros de mora e R$ 438.770,26 de multa de ofício relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Santo Antônio, referente ao exercício de 2005. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720479/200731 Acórdão n.º 2201002.260 S2C2T1 Fl. 3 3 O lançamento foi fundamentado nos seguintes termos: (i) não comprovação por parte do Contribuinte da isenção para as áreas de preservação permanente declaradas; (ii) laudo apresentado informa que o imóvel foi georreferenciado e que sua área real é de 19.993,1 ha., maior do que a área declarada; (iii) consta averbação na matrícula do imóvel de 7.820,0 ha. a título de reserva legal, entretanto, não foi apresentado comprovante de emissão do ADA; (iv) laudo informa a existência de 3.128,0 ha. referente à área de preservação permanente (APP) na qual o profissional considerou as áreas que sofrem inundações no Pantanal, as quais devem ser declaradas como tributáveis, todavia, o laudo não discriminou, caso a caso, as áreas de preservação permanente, conforme art. 2º da Lei n° 4.771/65, não sendo possível a análise do mesmo, por falta de detalhamento, além de não ter sido apresentado comprovante de solicitação de emissão do ADA; (v) laudo de avaliação apresentado não indicou correta identificação das fontes de informação, tendo sido coletados dados de mercado com valores que incluem benfeitorias e, para se chegar ao VTN, não demonstrou o critério adotado para chegar ao valor das benfeitorias e apuração do VTN, além de a utilização do conjunto dos fatores de homogeneização ter ultrapassado o intervalo admissível estipulado na NBR 146533, não atingindo o grau de fundamentação II exigido na intimação; (vi) por essas deficiências do laudo, o valor da terra nua foi arbitrado com base nas informações do SIPT — Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (por aptidão), conforme art. 14 da Lei nº 9.393/1996, que apresenta para o município de Cáceres/MT os valores de R$ 150,19 para áreas de várzea/pantanal e de R$ 134,36 para área de pastagem, informados pela Prefeitura Municipal. Cientificado do lançamento em 10/12/2007 (fls. 156), o Contribuinte apresentou Impugnação de fls. 160 a 176, em 09/01/2008, acompanhada dos documentos de fls. 177 a 199 e 202 a 249, onde argumentou, em suma, o que segue: · o lançamento é nulo por falta de fundamentação e desrespeito ao devido processo legal, por não consignar as razões pelas quais deixou de considerar o laudo apresentado no procedimento de fiscalização; a autoridade fiscal desobedeceu ao disposto no artigo 3% III, da Lei nº 9.784/99, que estatui que o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objetos de, consideração pelo órgão competente, também não houve instauração de processo administrativo para afastar a declaração do valor da terra nua (VTN) feita pelo contribuinte; com base nisso, requere a nulidade do lançamento e reabertura de procedimento de fiscalização para que seja considerado o laudo técnico apresentado; · a base de cálculo declarada está correta; apresentou laudo técnico onde estão discriminadas as áreas de preservação permanente e reserva legal existentes no imóvel e onde foi demonstrado o valor da terra nua do imóvel; as características e informações contidas no laudo o tornam autoexplicável, demonstrando o grau de precisão II e fundamentação II de acordo com a NBR 146533ABNT; entretanto, o laudo não foi considerado pela fiscalização, sendo que a autuação, além de desconsiderar as áreas de reserva legal e preservação permanente, também arbitrou o valor da terra nua em dissonância com a realidade do mercado; · para efeito de base de cálculo do ITR, deve ser considerado o preço de mercado de terras, e não os arbitrados pela administração tributária, com fundamento em critérios sequer conhecidos pelo contribuinte, e desconsiderando as áreas de manejo proibido, como a reserva legal e a de preservação permanente; · transcrição de jurisprudência judicial a respeito da comprovação de área de preservação permanente apenas por meio de laudo técnico, inexigibilidade da entrega do ADA ao IBAMA e possibilidade de revisão do VTN com base em laudo técnico; · alegação de que foi gerado crédito tributário com efeito de confisco (Constituição da República, art. 150), já que é superior ao valor da propriedade do contribuinte, sendo Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 improcedente o lançamento e cabendo a homologação da declaração de ITR originariamente entregue pelo contribuinte; · juntada de declaração da Dra. Carolina Joana da Silva, CRBIO 007, doutora em Ciências, na área de Ecologia e Recursos Naturais, da UNEMAT, pesquisadora do tema Ecologia e manejo do Bioma Pantanal há 25 anos, sobre a localização e situação da Fazenda Santo Antonio; e também declaração da Médica Veterinária Dra. Suely Tocantins, do lndeaMT, sobre os problemas enfrentados pelo proprietário de áreas no pantanal; conclui que as regiões pantaneiras apresentam baixa produtividade, em decorrência das intempéries da natureza, e, portanto, o valor de ITR exigido pelo fisco importa em confisco; · alegação de desrespeito ao artigo 145, §1º da Constituição Federal, "sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, i o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte"; e · manutenção da área reportada na DITR, posto que essa área é a registrada em cartório, bem como o contribuinte ignorava a existência de excesso no seu imóvel, do qual soube com o georreferenciamento no exercício de 2007; ao que parece, do laudo técnico, a fiscalização somente atentou para o excesso de área, que lançou retroativo aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, ferindo o princípio constitucional da retroatividade. A 1ª Turma da DRJ/CGE afastou as nulidades apontadas haja vista que não ser cabível no contencioso administrativo a discussão quanto à constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor e por não haver verificado no procedimento as nulidades previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72. No mérito manteve a tributação da área de posse apontada no georreferenciamento, bem como o arbitramento do VTN com base no SIPT por entender que o laudo apresentado era inconsistente. O Acórdão não reconheceu as áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal somente com base nos laudos, por entender ser requisito para exclusão das referidas áreas do ITR apresentação do ADA. O Contribuinte foi notificado da decisão em 31.12.09 (fls. 274) tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 01.02.10 (fls. 281) requerendo: “1º) Conhecer deste recurso, em seu efeito suspensivo, por preencher todos os requisitos de admissibilidade (interesse, legitimidade, tempestividade e adequação), e em sede de PRELIMINAR, sem a exigência de ARROLAMENTO PRÉVIO DE BENS (preparo), por ser inconstitucional, DECLARAR A NULIDADE DO LANÇAMENTO do crédito tributário e do Auto de Infração lavrado, determinando a reabertura do PAF em obediência estrita ao devido processo legal, assegurando ao recorrente o contraditório e a ampla defesa em sede administrativa, especialmente para que sejam considerados os Laudos apresentados em sua impugnação ao lançamento; 2°) No mérito, se superadas as preliminares, que sejam consideradas as impugnações do recorrente, para o fim especial de se levar em conta para o cálculo do ITR as informações prestadas na declaração de 2005, com base nos laudos técnicos apresentados, onde o VTN informado corresponde aos preços de mercado da região onde se localiza o imóvel, em respeito aos princípios da igualdade e da capacidade econômica dos contribuintes, sob pena de se estar cobrando tributo com efeito de confisco ; 3º) Considerar que o imóvel do recorrente está localizado em uma área de relevante interesse ecológico, formada por biomas e ecossistemas ímpares e frágeis, ou seja: O PANTANAL; reconhecido e declarado como PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE, e assim dar valor aos laudos técnicos que discriminam e informam as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal do imóvel, proibindo que sobre elas incidam o ITR; 4º) Por fim, que seja HOMOLOGADA a declaração do ITR do ano de 2005, informada pelo recorrente, proibindo que incida o ITR sobre a posse da área de excesso, a qual era IGNORADA pelo recorrente e que só foi constatada após o georreferenciamento realizado Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720479/200731 Acórdão n.º 2201002.260 S2C2T1 Fl. 4 5 no ano de 2oo6, por força da vedação exercida pelo princípio da irretroatividade da lei fiscal.” É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Da Preliminar 1.1. Nulidade por Violação ao Devido Processo Legal O Contribuinte requer a nulidade do lançamento por entender ter ocorrido violação do devido processo legal e por consequência do princípio do contraditório e da ampla defesa, haja vista que a autoridade lançadora aplicou o art. 14 da Lei 9.393/96, dispositivo não autoaplicável, sem abrir oportunidade ao Contribuinte a para demonstrar e provar que as informações apresentadas nos laudos não são inexatas, incorretas ou fraudulentas. A autoridade fiscal, na Notificação de Lançamento, destacou, em suma, que o laudo de avaliação não indicou correta identificação das fontes de informação, tendo sido coletados dados de mercado com valores que incluem benfeitorias, bem como que não foi demonstrado o critério adotado para chegar ao valor das benfeitorias e apuração do VTN, além de a utilização do conjunto dos fatores de homogeneização ter ultrapassado o intervalo admissível estipulado na NBR 146533, não atingindo o grau de fundamentação II exigido na intimação. Na Impugnação, o Contribuinte não supriu as inconsistências levantadas pela autoridade lançadora, bem como não contraditou as referidas inconsistências, momento processual que lhe foi aberto ao exercício da ampla defesa e do contraditório. O Contribuinte se limitou a afirmar violação ao princípio do devido processo legal afirmando que “o laudo técnico apresentado pelo autuado não foi sequer enfrentado”. Alegação esta que não subsiste, conforme verifica visto que a autoridade lançadora na Notificação de Lançamento, no item 5 do “Complemento da Descrição dos Fatos” (fls. 03), informa ter desconsiderado o laudo em razão das inconsistências acima relatadas. O acórdão proferido pela DRJ de Cuiabá/MT referendou as inconsistências apuradas pela autoridade lançadora apurando ainda que o laudo técnico considera como amostras valores de imóveis localizados em municípios diversos do ora tratado, sendo que apenas três dados se referem a imóveis localizados no município de Cáceres/MT, e ainda considerou como amostra valores atribuídos a um imóvel hipotético, com base no menor valor por hectare para imóveis localizados em Cáceres/MT, na planície, informado na tabela veiculada pelo Incra, datada de fevereiro de 2003, ignorando valores médio e máximo ali indicados. Destacou também que foi juntada aos autos cópia de outra tabela veiculada pelo Incra, datada de fevereiro de 2006, mais próximo do fato gerador ora tratado, que indica valores bem superiores aos da tabela anterior. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 No Recurso Voluntário, o Contribuinte relata as inconsistências acima sem, novamente, retificálas ou contraditálas, nova oportunidade aberta ao contribuinte quanto ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Todavia, o Contribuinte elaborou defesa argumentando violação a função social da propriedade, por entender ser inconcebível uma cobrança de R$ 1.193.221,10 e transcreveu o trecho do próprio laudo onde o engenheiro agrônomo afirma estar aplicando para avaliação do imóvel rural o método Comparativo Direto de Dados de Mercado conforme recomenda ABNT NBR nº 14.653/04. Pelo exposto acima, notase que o Contribuinte teve oportunidade, seja na Impugnação, seja no Recurso Voluntário, ou em qualquer outro momento do processo administrativo de juntar documento confrontando ou retificando as inconsistências apontadas pela autoridade lançadora e referendadas pela DRJ de Cuiabá/MT, porém assim não o procedeu, limitandose apenas a alegar violação de forma genérica ao devido processo legal, a ampla defesa e contraditório. Neste contexto não resta configurada a violação aos princípios acima aventados, preliminar não reconhecida. 1.2. Inconstitucionalidade do Lançamento – Violação do Princípio do Não Confisco e da Capacidade Contributiva O Contribuinte pleiteia o cancelamento do lançamento por entender que esse fere o princípio da capacidade contributiva disposto na Constituição Federal, bem como entende que o lançamento possui caráter confiscatório. Conforme demonstrado na decisão da DRJ, não cabe discussão de cancelamento do lançamento com base em arguição de inconstitucionalidade. A referida análise encontrase adstrita no âmbito do Poder Judiciário. Nesta linha, estabelece a Súmula nº 2 do CARF: “Súmula nº 2 do CARF – O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não conhecida a preliminar. 2. Do Mérito 2.1. Área Total do Imóvel Georreferenciamento e Constatação de Posse de Área não Averbada na Matrícula do Imóvel A Notificação de Lançamento relata que o imóvel foi georreferenciado e que a real área do imóvel é de 19.993,13 ha, e não 15.640, 00 ha declarado pelo contribuinte na DITR e conforme consta do Registro de Imóveis. O Contribuinte afirma que o georreferenciamento só ocorreu em 2006 e até então, ignorava a área de posse de 4.353,1397 ha, razão pela qual ofereceu a tributação apenas área constante da escritura pública. Neste contexto, sua defesa se fundamenta na boa fé, no conceito de “homem médio” e na irretroatividade da lei tributária, entendendo que somente para os exercícios seguintes ao de 2006, o fisco poderia exigir a incidência do ITR sobre a área Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720479/200731 Acórdão n.º 2201002.260 S2C2T1 Fl. 5 7 de 4.353,1397 ha revelada no georreferenciamento, tendo em vista que ele – Contribuinte – apenas tomou conhecimento do alargamento de sua propriedade em 2006. A obrigação tributária é uma obrigação compulsória e decorrente de lei (art. 3º do CTN), o desconhecimento pelo contribuinte quanto sua subsunção à norma, bem como a sua boa fé no não cumprimento da obrigação tributária, não são fatos impeditivos ou modificativos da referida obrigação tributária, a qual, repetese, decorre diretamente da lei. O art. 1º da Lei nº 9.393/96 elenca como hipótese de incidência do ITR a posse de imóvel rural, enquanto o art. 4º do susomencionado texto normativo estabelece como contribuinte o possuidor a qualquer título: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Desta feita, em uma primeira análise, o Contribuinte se subsumia na hipótese de incidência no que diz respeito à posse da área de 4.353,1397 ha, revelada por meio do georreferenciamento datado de 2006. Não obstante a posse seja fato gerador do ITR, é imprescindível que seja determinado o aspecto temporal do fato gerador. Ou seja, a partir de qual momento o contribuinte adquiriu a posse da área de 4.353,1397 ha? Conforme verificado nos autos, o resultado do georreferenciamento ocorreu em 2006. Assim, podese afirmar que a partir de 2006, o contribuinte já era detentor da posse da área de 4.353,1397 ha, mas não há como determinar qual o momento exato que essa posse foi adquirida. É certo que para os exercícios posteriores a 2006, o Contribuinte deverá considerar a área de posse para fins de ITR. Logo, para fins de determinação do fato gerador do ITR, entendese que a posse foi adquirida pelo contribuinte no momento do resultado do georreferenciamento, pois a partir desse momento que resta inequívoca o acréscimo da área de posse à área total do imóvel, entender que a aquisição da posse ocorreu em momento seria especulação. Portanto, não há que se perquirir irretroatividade da norma, pois no caso em questão entendese que a posse foi adquirida no ano de 2006 (resultado do georreferenciamento) e a partir desse momento que essa aquisição possessória deve repercutir para fins de determinação do ITR. Neste sentido, tendo em vista que, para fins de ITR, a área de posse foi “adquirida” em 2006, deve ser mantida a área originalmente reportada pelo Contribuinte na sua DIAC, ou seja, 15.640,0 hectares, especialmente porque o referido montante encontrase devidamente averbado no Registro de Imóveis. 2.2. Área de preservação permanente e reserva legal – Possibilidade de adoção de outros meios de prova além do ADA . Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 O Contribuinte pleiteia o reconhecimento: (i) da área de 3.128 ha como área de Preservação Permanente (APP) e (ii) da área de 7.820,00 ha como área de Reserva Legal, para o gozo do beneficio fiscal contido no art. 10, § 1º, II, a da Lei nº. 9.393/96. O Contribuinte fundamenta sua pretensão no laudo do Engenheiro Agrônomo Ricardo Fabiano M. Martin (fls. 75) e no Termo de Responsabilidade e Preservação de Florestas (fls. 64). Em complemento o Contribuinte alega que a área de Reserva Legal está averbada na matrícula do imóvel (fls. 63) e que o pantanal foi declarado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. A autoridade lançadora e a DRJ/CGE não reconheceram as referidas áreas haja vista, que o Contribuinte não apresentou o respectivo Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao IBAMA conforme determina o art. 17 O, § 1º, à Lei nº 6.938/81: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2º O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3º Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). §4º O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5º Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (grifos nossos) Até o exercício de 2000 por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Ocorre que, em 2000, com o advento da Lei nº 10.165/00, que incluiu o art. 17 O, § 1º, à Lei nº 6.938/81, a exigência de apresentação do ADA passou a ter fundamentação legal. Em que pese o posicionamento da DRJ/CGE, a apresentação do ADA não é condição para fruição do benefício fiscal, mas sim meio comprobatório da existência da APP e da Reserva Legal, competindo ao contribuinte, diante da ausência de ADA, juntar aos autos outros meios, que comprovem a existência das respectivas áreas. Neste sentido leciona Alexandre Naoki Nixhioka: “Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei nº. 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O § 1º, à Lei nº Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720479/200731 Acórdão n.º 2201002.260 S2C2T1 Fl. 6 9 6.938/81, para fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo.” (A Prova das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal para efeitos de Redução da Base de Calculo do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, in ANAN JR, Pedro e PEIXOTO, Marcelo Magalhães Coordenadores. Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural à luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. São Paulo: MP Editora. 2012, pág. 19). (grifos nossos) A justificativa se encontra no fato das restrições ao direito de propriedade trazidas pelo direito ambiental (APP ou Reserva Legal) decorrem explicitamente, da ocorrência ou verificação in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. A respeito especificamente da Área de Preservação Permanente (APP), dispunha o Código Florestal (Lei n º 4.771/65) vigente à época do fato gerador o seguinte: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (grifos e nossos) Já a Reserva Legal, na forma do Código Florestal abrogado, é uma área legal mínima de vegetação nativa que o proprietário do imóvel deve manter para que possa efetuar a supressão de parte da vegetação de sua propriedade. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: A reserva legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa, Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça„ In: Revista de Direito Ambiental n." 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p, 120). Neste contexto, uma vez que tanto a APP quanto a Reserva Legal decorrem diretamente da lei, o contribuinte pode fazer a comprovação da existência da referida áreas através de outros meios probatórios além do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Logo, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta nº. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação de uma série de documentos além do ADA: “Ministério do Meio Ambiente INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas Coordenação Geral de Autorização de Uso da Flora e Floresta Coordenação de Monitoramento e Controle dos Recursos Florestais ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) Respostas às Perguntas mais frequentes sobre o ADA 40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? • Ato do Chefe do Poder Executivo declarando as áreas cobertas com florestas ou outras formas de como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o 'Código Florestal' (Lei 12.651/12) em seu artigo 6º; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente OEMA) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; • Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN); • Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo ITR da posse.” (grifos nossos) (http://servicos.ibama.gov.br/phocadownload/manual/perguntas_frequentes_ada_2013.pdf link acessado em 01.08.13) O direito ambiental é o ramo do direito com competência para definir e reconhecer APP e Reserva Legal, bem como os seus meio de prova. Assim, uma vez que o IBAMA reconhece como meio de prova da APP e Reserva Legal outros documentos além do ADA, não compete ao direito tributário, direito de sobreposição afastar os demais meios probatórios, sob pena de violar, por via transversa o disposto no art. 110 do CTN. Com base na premissa acima, passase a análise dos documentos apresentados pelo Contribuinte para comprovar a existência da APP e da Reserva Legal. No que diz respeito da Área de Preservação Permanente embora o laudo do Engenheiro Agrônomo Ricardo Fabiano M. Martin (fls. 76), ateste a existência de 3.128,00 ha de Área de Preservação Permanente correspondente à “área inundada totalmente o ano todo”, o referido laudo não veio especificou onde se queda a referida área, confirase: "5. Descrição das atividades e Considerações Com auxílio da imagem de satélite, em escala compatível e conforme vistoria in loco e também o documento apresentado do imóvel com memorial descritivo de acordo com artigo Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720479/200731 Acórdão n.º 2201002.260 S2C2T1 Fl. 7 11 9° do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002, foi possível identificar e avaliar o total de APP — Área de Preservação Permanente existente na propriedade, sendo de 3.128,00 ha e área inundada totalmente o ano todo com grande parte da mesma coberta de vegetação — aquática de forma assim, considerada pelo art 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), áreas de lagoas ou lagos, assim sendo, considerase APP, segue Lei abaixo exemplificando:” O "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta nº. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação de laudo elaborado por engenheiro agrônomo, mas determina como requisito ao referido laudo que o mesmo venha acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e que especifique e discrimine a APP. “40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou de Servidão Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas);” Isso posto, o Laudo apresentado (fls. 76) não reúne, segundo as orientações do IBAMA, os requisitos necessários para reconhecer a área de 3.128 ha como Área de Preservação Permanente, razão pela qual mantémse o lançamento sobre a área de 3.128 ha, não reconhecendo a exclusão para fins de apuração da base de caçulo do ITR na forma do art. 10, § 1º , II, a da Lei nº. 9.393/96. No que concerne a área de Reserva Legal, o IBAMA (Resposta a pergunta 40 "Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?" do Manual de Perguntas e Resposta editado pelo IBAMA) também reconhece como meio hábil a comprovar a existência de Reserva Legal o Termo de Responsabilidade de Averbação de Área de Reserva Legal (TRARL): “40 Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental? • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);” Uma vez que o Contribuinte apresentou Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal de data pretérita ao fato gerador (07.04.98) de fls. 64, bem como levou o referido Termo ao registro em cartório de imóveis (fls. 63), resta reconhecida a não incidência do ITR sobre a área de Reserva Legal de 7.820,0000 ha, com base no art. 10, § 1º, II, a da Lei nº. 9.393/96. Conforme transcrito a seguir, a fiscalização reconhece que a área de Reserva Legal foi averbada na matrícula do imóvel rural e essa apenas não foi considerada para fins de cálculo do ITR porque não há Ato Declaratório do IBAMA (ADA) que confirme a área de Reserva Legal (fls. 3): Fl. 349DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 3. Da Área de Reserva Legal: Consta averbação em matricula do imóvel rural de 7.820,00ha referentes à reserva legal. Entretanto, Contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declarat6rio Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título. (Enquadramento Legal : Lei n" 6.938 , de 1981, art. 170, § 1°, com a redação dada pelo art. 1" da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). (grifos nossos) Cabe pontuar que, embora o Contribuinte não tenha reportado na DIAC a de área 7.820,0000 ha como reserva legal, mas alocou a referida metragem na linha de Área de Preservação Permanente, entendemos que por possuírem o mesmo efeito para fins de base de cálculo do ITR (APP e Reserva Legal), há fungibilidade entre essas linhas da DIAC. Logo, a metragem de 7.820,0000 ha, ainda que alocada na linha de APP, deve ser realocada e considerada como Reserva Legal, privilegiando a verdade material. 2.3. Valor da Terra Nua, Inconsistência do Laudo, Arbitramento do VTN com base no SIPT O laudo apresentado pelo Contribuinte em atendimento à intimação fiscal foi rejeitado pela autoridade lançadora, que apontou deficiências, inclusive quanto a não observar determinações contidas em norma da ABNT (NBR 146533) para avaliação de imóvel rural. A autoridade fiscal destacou, em suma, que o laudo de avaliação não indicou correta identificação das fontes de informação, tendo sido coletados dados de mercado com valores que incluem benfeitorias e que não foi demonstrado o critério adotado para chegar ao valor das benfeitorias e apuração do VTN, além de a utilização do conjunto dos fatores de homogeneização ter ultrapassado o intervalo admissível estipulado na NBR 146533, não atingindo o grau de fundamentação II exigido na intimação. O acórdão proferido pela DRJ de Cuiabá/MT referendou as inconsistências apuradas pela autoridade lançadora pontuando ainda que o laudo técnico considera como amostras valores de imóveis localizados em municípios diversos do ora tratado, sendo que apenas três dados se referem a imóveis localizados no município de Cáceres/MT, e ainda considerou como amostra valores atribuídos a um imóvel hipotético, com base no menor valor por hectare para imóveis localizados em Cáceres/MT, na planície, informado na tabela veiculada pelo Incra, datada de fevereiro de 2003, ignorando valores médio e máximo ali indicados. Destacou também que foi juntada aos autos cópia de outra tabela veiculada pelo Incra, datada de fevereiro de 2006, mais próximo do fato gerador ora tratado, que indica valores bem superiores aos da tabela anterior. Na Impugnação, o Contribuinte não supriu as inconsistências levantadas pela autoridade lançadora, bem como não contraditou as referidas inconsistências, limitandose a afirmar violação ao princípio do devido processo legal afirmando que “o laudo técnico apresentado pelo autuado não foi sequer enfrentado”. No Recurso Voluntário, o Contribuinte relata as inconsistências acima sem, novamente, suprilas ou contraditálas, levantando como argumento de defesa a função social da propriedade, por entender ser inconcebível uma cobrança de R$ 1.193.221,10 e transcrevendo o trecho do próprio laudo onde o engenheiro agrônomo afirma estar aplicando para avaliação do imóvel rural o método Comparativo Direto de Dados de Mercado como recomenda ABNT NBR nº 14.653/04. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720479/200731 Acórdão n.º 2201002.260 S2C2T1 Fl. 8 13 O item 10.1 do Laudo do Engenheiro Agrônomo Marcos Cury Roder, as fls. 62, destaca os dados de mercado. O primeiro dado de mercado consta como valor de benfeitoria R$ 1.450.000 enquanto a escritura pública de compra e venda de fls. 110 em seu verso apresenta como valor das benfeitorias o montante de R$ 2.280.000,00. O segundo dado de mercado demonstra fazenda com área de 1.050,3048, com valor de transação de R$ 470.000,00 e benfeitorias no valor de R$ 350.000,00. Todavia, a referida área corresponde a duas vendas conforme docs. de fls. 117 e 118, um imóvel com área de 193,6000 ha e outro com área de 856,7048 ha, aquele vendido por R$ 120.000,00 e este por R$350.000,00 (soma R$ 470.00,00). Notese que o valor do segundo imóvel corresponde ao valor atribuído no laudo como benfeitoria. Não há, seja nas averbação de compra e venda na matrícula dos imóveis, seja na escritura pública do primeiro imóvel às fls. 120, qualquer menção de valor de benfeitorias. O terceiro dado de mercado o valor que consta de benfeitoria no laudo, corresponde ao valor da benfeitoria que consta averbado na matricula do imóvel. No quarto dado de mercado o laudo informa como valor de benfeitoria o montante de R$ 60.000,00. Na escritura pública de compra e venda (fls. 129) e na matrícula do imóvel consta apenas o valor de venda do imóvel, sem especificar o quanto daquele valor corresponde à benfeitoria. O quinto dado de mercado apresentas fazenda com área de 1.675,0416 ha, com valor de transação de R$ 220.000,00 e benfeitorias no valor de R$ 55.000,00. Todavia a referida área corresponde a duas vendas conforme docs. de fls. 132 e 133, um imóvel com área de 282,8422 ha e outro com área de 1.392,1994 ha, aquele vendido por R$ 40.000,00 e este por R$160.000,00 (soma R$ 200.00,00). Não há, seja na escritura pública de compra e venda de fls. 134 ou na matrícula dos imóveis qualquer menção do valor de benfeitorias. Notase que a análise de mercado do laudo apresentado pelo Contribuinte, a exceção do terceiro dado de mercado, não demonstra a origem do montante atribuído às benfeitorias utilizadas para apurar o VTN do imóvel. A Notificação de Lançamento relatou que o laudo não demonstrou e detalhou como se chegou aos valores das benfeitorias do imóvel. Até o presente momento o Contribuinte não veio demonstrar a origem dos valores atribuídos às benfeitorias na apuração do VTN, este dado é importante na apuração do VTN, uma vez que o item 10.1.2 da ABNT NBR 146533/2004 determina a redução desse valor do VTN. “10.1.2 É admissível na avaliação a determinação do valor da terra nua a partir de dados de mercado de imóveis com benfeitorias, deduzindose o valor destas 10.1.2.1 No cálculo do valor das benfeitorias, podese adotar o fator de comercialização, além daqueles citados em 10.2.” Neste diapasão, a falta de demonstração da origem do montante atribuído as benfeitorias é fundamento bastante e suficiente para afastar exatidão do VTN apurado pelo laudo. Isso posto, mantémse o arbitramento do VTN procedido pela autoridade lançadora com base no Sistema de Preços de Terras do município de Cárceres (SIPT), por aptidão, na forma do art. 14 da Lei nº. 9.393/96: “Seção VII Dos Procedimentos de Ofício Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.” Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência do ITR sobre a área de 7.820,00 ha a título de Reserva Legal e restabelecer a área total declarada do imóvel em 15.640,00, mantendo o lançamento nos demais aspectos. Nathália Mesquita Ceia – Relatora. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10880.690798/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Rodrigo Giacomeli Nunes Massud, OAB-SP 257135.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Relatório
Cuida-se de declaração de compensação formalizada em 24/06/2009, com o propósito de extinguir débitos no valor de R$ 58.009,03, com créditos no valor de R$ 41.402,49 proveniente do recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 415.764,68, recolhido em 15/02/2006, código 5856.
O despacho decisório anexo à fl. 05 não homologou a compensação pleiteada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.
Cumpre informar de que o contribuinte não retificou DCTF e nem DACON, sob o argumento de que tal procedimento não seria necessário para reconhecer o crédito.
Em sua Manifestação de Inconformidade às fls. 09/29, o contribuinte se limita a apresentar planilhas para provar o seu direito creditório e afirma ter ocorrido erro material no preenchimento da DCTF. Sustenta que o crédito tem origem no pagamento indevido da COFINS em relação as operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora, bem como vendas para empresas comerciais fabricantes. Afirma que deixou de anexar as notas fiscais de venda de mercadorias em razão da enorme quantidade de documentos e por conta disso requer a realização de diligência na sede da empresa.
Às fls. 294/303 a DRJ de São Paulo apreciou a Manifestação de Inconformidade e se manifestou por meio do Acórdão n.º 1632.914 - 13 ª Turma da DRJ/SP1, mas ratificou o entendimento antes exarado no despacho decisório, no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a existência de seu crédito, bem como em razão da DCTF constituir-se em confissão de dívida.
Os julgadores de piso, ainda negaram o pedido de apresentação de provas após a Manifestação de Inconformidade, bem como o pedido de diligência, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou contratos comerciais, notas fiscais, ainda que fosse por amostragem, nem teria demonstrado se as empresas Rassini-NHK Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda, fabricam veículos e máquinas relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485/02, ou as autopeças constantes dos Anexos I e II desta mesma Lei. Destacam ainda que a recorrente não juntou aos autos CNPJs destas empresas para que a fiscalização apurasse suas atividades.
Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste na necessidade da realização de diligência na sede da empresa com a finalidade de se apurar a existência do crédito, que por sua vez tem origem na apuração errônea da COFINS no período de janeiro/2003 e dezembro/2007. Renova seus argumentos em relação a tributação indevida de suas receitas no que se refere as operações de venda destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora e vendas a empresas comerciais fabricantes.
Neste contexto, sustenta que as empresas para as quais vendeu mercadorias têm por objeto a atividade de comercial fabricante, por isso deveriam ter sido aplicadas as alíquotas comuns do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.485/02.
Em relação as receitas resultantes de operações de exportação indireta, ou seja, vendas realizadas por empresa comercial exportadora, afirma que não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Faz questão de destacar ter preenchido equivocadamente o CFOP n.º 5101, enquanto que o correto era CFOP n.º 5501, no tocante as operações de exportação.
Juntamente com o Recurso Voluntário, anexa aos autos (Doc. 03), 2 (duas) notas fiscais emitidas para as empresas Rassini-NHK Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda, com o propósito de demonstrar que possui relação comercial com tais empresas.
Já em relação as saídas para à exportação, anexou memorandos de exportação (Doc. 04).
Por fim, colaciona julgados deste colegiado com o fito de demonstrar que deve prevalecer o princípio da verdade material diante da forma. Requisita a conversão do julgamento em diligência e indica perita, inclusive já formulando quesitos.
É o relatório.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Relatório Cuida-se de declaração de compensação formalizada em 24/06/2009, com o propósito de extinguir débitos no valor de R$ 58.009,03, com créditos no valor de R$ 41.402,49 proveniente do recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 415.764,68, recolhido em 15/02/2006, código 5856. O despacho decisório anexo à fl. 05 não homologou a compensação pleiteada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cumpre informar de que o contribuinte não retificou DCTF e nem DACON, sob o argumento de que tal procedimento não seria necessário para reconhecer o crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls. 09/29, o contribuinte se limita a apresentar planilhas para provar o seu direito creditório e afirma ter ocorrido erro material no preenchimento da DCTF. Sustenta que o crédito tem origem no pagamento indevido da COFINS em relação as operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora, bem como vendas para empresas comerciais fabricantes. Afirma que deixou de anexar as notas fiscais de venda de mercadorias em razão da enorme quantidade de documentos e por conta disso requer a realização de diligência na sede da empresa. Às fls. 294/303 a DRJ de São Paulo apreciou a Manifestação de Inconformidade e se manifestou por meio do Acórdão n.º 1632.914 - 13 ª Turma da DRJ/SP1, mas ratificou o entendimento antes exarado no despacho decisório, no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a existência de seu crédito, bem como em razão da DCTF constituir-se em confissão de dívida. Os julgadores de piso, ainda negaram o pedido de apresentação de provas após a Manifestação de Inconformidade, bem como o pedido de diligência, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou contratos comerciais, notas fiscais, ainda que fosse por amostragem, nem teria demonstrado se as empresas Rassini-NHK Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda, fabricam veículos e máquinas relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485/02, ou as autopeças constantes dos Anexos I e II desta mesma Lei. Destacam ainda que a recorrente não juntou aos autos CNPJs destas empresas para que a fiscalização apurasse suas atividades. Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste na necessidade da realização de diligência na sede da empresa com a finalidade de se apurar a existência do crédito, que por sua vez tem origem na apuração errônea da COFINS no período de janeiro/2003 e dezembro/2007. Renova seus argumentos em relação a tributação indevida de suas receitas no que se refere as operações de venda destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora e vendas a empresas comerciais fabricantes. Neste contexto, sustenta que as empresas para as quais vendeu mercadorias têm por objeto a atividade de comercial fabricante, por isso deveriam ter sido aplicadas as alíquotas comuns do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.485/02. Em relação as receitas resultantes de operações de exportação indireta, ou seja, vendas realizadas por empresa comercial exportadora, afirma que não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Faz questão de destacar ter preenchido equivocadamente o CFOP n.º 5101, enquanto que o correto era CFOP n.º 5501, no tocante as operações de exportação. Juntamente com o Recurso Voluntário, anexa aos autos (Doc. 03), 2 (duas) notas fiscais emitidas para as empresas Rassini-NHK Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda, com o propósito de demonstrar que possui relação comercial com tais empresas. Já em relação as saídas para à exportação, anexou memorandos de exportação (Doc. 04). Por fim, colaciona julgados deste colegiado com o fito de demonstrar que deve prevalecer o princípio da verdade material diante da forma. Requisita a conversão do julgamento em diligência e indica perita, inclusive já formulando quesitos. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Rodrigo Giacomeli Nunes Massud, OABSP 257135. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório Cuidase de declaração de compensação formalizada em 24/06/2009, com o propósito de extinguir débitos no valor de R$ 58.009,03, com créditos no valor de R$ 41.402,49 proveniente do recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 415.764,68, recolhido em 15/02/2006, código 5856. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 79 8/ 20 09 -1 8 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690798/200918 Resolução nº 3803000.330 S3TE03 Fl. 288 2 O despacho decisório anexo à fl. 05 não homologou a compensação pleiteada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cumpre informar de que o contribuinte não retificou DCTF e nem DACON, sob o argumento de que tal procedimento não seria necessário para reconhecer o crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls. 09/29, o contribuinte se limita a apresentar planilhas para provar o seu direito creditório e afirma ter ocorrido erro material no preenchimento da DCTF. Sustenta que o crédito tem origem no pagamento indevido da COFINS em relação as operações de “vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora”, bem como “vendas para empresas comerciais fabricantes”. Afirma que deixou de anexar as notas fiscais de venda de mercadorias em razão da enorme quantidade de documentos e por conta disso requer a realização de diligência na sede da empresa. Às fls. 294/303 a DRJ de São Paulo apreciou a Manifestação de Inconformidade e se manifestou por meio do Acórdão n.º 1632.914 13 ª Turma da DRJ/SP1, mas ratificou o entendimento antes exarado no despacho decisório, no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a existência de seu crédito, bem como em razão da DCTF constituirse em confissão de dívida. Os julgadores de piso, ainda negaram o pedido de apresentação de provas após a Manifestação de Inconformidade, bem como o pedido de diligência, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou contratos comerciais, notas fiscais, ainda que fosse por amostragem, nem teria demonstrado se as empresas “RassiniNHK – Autopeças” e “Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda”, fabricam veículos e máquinas relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485/02, ou as autopeças constantes dos Anexos I e II desta mesma Lei. Destacam ainda que a recorrente não juntou aos autos CNPJs destas empresas para que a fiscalização apurasse suas atividades. Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste na necessidade da realização de diligência na sede da empresa com a finalidade de se apurar a existência do crédito, que por sua vez tem origem na apuração errônea da COFINS no período de janeiro/2003 e dezembro/2007. Renova seus argumentos em relação a tributação indevida de suas receitas no que se refere as operações de venda destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora e vendas a empresas comerciais fabricantes. Neste contexto, sustenta que as empresas para as quais vendeu mercadorias têm por objeto a atividade de comercial fabricante, por isso deveriam ter sido aplicadas as alíquotas “comuns” do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as alíquotas “diferenciadas” de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.485/02. Em relação as receitas resultantes de operações de “exportação indireta”, ou seja, vendas realizadas por empresa comercial exportadora, afirma que não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Faz questão de destacar ter preenchido equivocadamente o CFOP n.º 5101, enquanto que o correto era CFOP n.º 5501, no tocante as operações de exportação. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690798/200918 Resolução nº 3803000.330 S3TE03 Fl. 289 3 Juntamente com o Recurso Voluntário, anexa aos autos (Doc. 03), 2 (duas) notas fiscais emitidas para as empresas RassiniNHK – Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda, com o propósito de demonstrar que possui relação comercial com tais empresas. Já em relação as saídas para à exportação, anexou memorandos de exportação (Doc. 04). Por fim, colaciona julgados deste colegiado com o fito de demonstrar que deve prevalecer o princípio da verdade material diante da forma. Requisita a conversão do julgamento em diligência e indica perita, inclusive já formulando quesitos. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade. Analisando o Acórdão exarado pela DRJ, observo que esta fundamentou adequadamente o indeferimento a compensação do PER/DCOMP em análise e aplicou com rigor as regras processuais existentes no Decreto n.º 70.235/72, bem como no artigo 74 da Lei n.º 9.430/96. É evidente que o PER/DCOMP apresentado tem por finalidade realizar o encontro de contas entre os débitos pertencentes ao sujeito passivo e os créditos fazendários, cabendo ao Fisco homologálo ou não. Também é verdade que a DCTF tem efeito de confissão de dívida, motivo pelo qual perfaz ônus do contribuinte constituir prova da inexistência do débito confessado por meio da apresentação de documentos idôneos. Assim, uma vez não trazidos aos autos, até a decisão de primeiro grau, as nota fiscais por amostragem e principalmente provas da exportação das mercadorias, agiu corretamente os julgadores quando negaram o pedido de diligência formulado pelo recorrente. Deste modo, o contribuinte concorreu com a decisão denegatória, na medida em que deixou de anexar aos autos provas robustas em seu favor e optou por juntar apenas planilhas por ele elaboradas, as quais em nada auxiliaram no convencimento da autoridade julgadora. Em outras palavras, o que pretendo dizer é que não há reparos a fazer na decisão da DRJ, pois no momento em que esta foi proferida não haviam provas capazes de socorrer o contribuinte, seja em relação a homologação da compensação, seja em relação a realização de diligência. Logo, sob o enfoque do princípio da ampla defesa, não houve qualquer prejuízo à ampla defesa. Entretanto, com a interposição do Recurso Voluntária a situação é outra. Pois, se antes o contribuinte não havia colacionado qualquer prova capaz de garantir robustez ao seu direito, agora quero crer que isso não acontece mais. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690798/200918 Resolução nº 3803000.330 S3TE03 Fl. 290 4 Contudo, antes de ingressar ao mérito das provas acostadas, primeiro é necessário compreender os fundamentos que sustentam o direito creditório alegado. Inicialmente, o contribuinte argumentou que não configura hipótese de incidência do PIS e COFINS as receitas provenientes de exportação indireta não incide, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Lei n.º 10.637/2002: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I (...) II (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Já a Lei n.º 10.833/2003 apregoa regra semelhante: Lei n.º 10.833/2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I (...) II (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Com efeito, uma vez constatada receita advinda de vendas a empresa comercial exportadora e cuja operação tenha por objetivo colocar o produto no mercado consumidor de outro país, por certo que não há que se falar em nascimento da obrigação tributária das contribuições. Ora, aqui se está diante de uma questão objetiva que não admite juízo de valor. Assim, uma vez que o contribuinte agora trouxe em seu Recurso Voluntário, “Memorando de Exportação”, por meio do qual faz prova de que praticou operações indiretas de exportação para a Argentina no ano de 2005, por certo que, fortalece sobremaneira o seu direito a realização da diligência pleiteada, uma vez que demonstrou a verossimilhança do seu direito creditório. Todavia, evidentemente que será necessário reabrir a instrução processual a fim de que se apure se efetivamente se foram recolhidas as contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa comercial exportadora, pois não sendo constatado o recolhimento indevido, evidentemente que o PER/DCOMP apresentado não deve ser homologado. Cabe aqui o comentário de que estou convencido não se tratar da transferência de ônus tributário para o Fisco na verificação da inexistência do fato imponível das contribuições, e conseqüentemente do direito ao crédito, mas tão somente oportunizar que o contribuinte disponibilize a Fazenda Nacional outros Memorandos de Exportação para comprovar ter ocorrido vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora com o fim de exportação. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690798/200918 Resolução nº 3803000.330 S3TE03 Fl. 291 5 Quanto a segunda parcela do direito creditório, o contribuinte afirma que se origina de vendas realizadas às empresas RassiniNHK – Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda. Ora, é verdade que somente com o Recurso Voluntário o contribuinte anexou aos autos prova de que tais empresas tem por finalidade a fabricação de peças e acessórios para veículos. Entretanto, ainda assim, manifesto entendimento de que está adequadamente comprovado que a recorrente vendeu mercadorias para ambas as empresas, pois anexou notas fiscais datadas de 2005, por intermédio das quais se confirma o nome daquelas empresas. Além do que, é importante mencionar que os CNPJs agora juntados também comprovam se tratarem de empresas que possuem como objeto a fabricação de peças. Neste contexto, a Lei n.º 10.485/2002 prevê que as contribuições terão alíquotas reduzidas, quando ocorrer operações de vendas para empresas fabricantes de peças, conforme definidos nos Anexos I e II desta lei, nos seguintes termos: Lei nº 10.485/02: Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, uma vez demonstrado que a recorrente vendeu mercadorias para empresas fabricantes de peças, por meio das notas fiscais anexadas, por certo que as alíquotas incidentes sobre as contribuições sofrem redução, conforme se verifica acima, ou seja, 1,65 % e 7,6 %, respectivamente para o PIS e COFINS. Por fim, rejeito o pedido de perícia em face da sua desnecessidade, principalmente em razão de que a lide repousa sobre a inércia do contribuinte em relação as provas de seu direito, deficiência esta que será solucionada por meio da diligência. Lembro ainda que caso o contribuinte tivesse apresentado livros contábeis, todas as notas fiscais de venda, bem como todos os memorandos de exportação, por certo que não seria o caso de converter o julgamento em diligência, mas talvez reconhecer o direito creditório, desde que as provas fossem claras como a luz solar. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690798/200918 Resolução nº 3803000.330 S3TE03 Fl. 292 6 Contudo, justamente em razão de que há apenas fortes indícios de que o contribuinte possui o direito que alega ter, opto por converter o julgamento em diligência com a finalidade de que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado, bem como que seja intimado o contribuinte a se manifestar após a realização da diligência. É o voto. Sala das sessões, 20 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 363DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.010924/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente ad hoc.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes. Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente ad hoc. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes. Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo
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Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente ad hoc. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes– Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes. Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG que manteve a autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com a exigência de R$ 8.059,63. Auto de infração (fls. 12 a 16), com ciência em 23/07/2003 (AR fls. 30) realtivo a auditoria interna da DCTF referente ao segundo trimestres de 1998. Foi apontada irregularidade em pagamentos que o declarante vinculou a débitos de IRRF. Identificamse, nas fls. 13 a 16, pagamentos que não foram localizados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 10 92 4/ 20 03 -1 7 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.010924/200317 Resolução nº 2202000.463 S2C2T2 Fl. 3 2 Impugnação (fls. 01). Decisão recorrida (fls. 74/76), com ciência em 22/10/2008 (AR fls. 39), manteve a exigência pela falta da comprovação dos pagamentos do IRRF e esta assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Ano calendário: 1998 PROVA DE PAGAMENTO Mantémse a exigência do imposto, não comprovada a alegação de que ele já havia sido pago. Lançamento Procedente Recurso Voluntário (fls. 40/42), protocolado em 21/11/2008, sustenta, em síntese, que a retificação dos DARF’s relativo ao período de apuração, foi feita e protocolada na Receita Federal em 20/08/2003, para tanto comprova com a cópia dos DARFs e cópia dos DARFs e REDARFs. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator Cuidase da exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Os autos não se encontram em condições de julgamento. A decisão recorrida manteve a exigência pela falta de comprovação do pagamento do imposto retido. Sustenta a Recorrente que retificou os Darfs e que houve incorporação de empresa. Juntou com as razões de recurso diversos comprovantes de pagamento de IRRF. Em face dessa alegação e dos documentos juntados, tornase necessário converter os autos em diligencia com a finalidade de a autoridade administrativa verificar a veracidade das informações e dos documentos juntados e a retificação da DCTF noticiada. Necessário assim que a digna autoridade fiscal se manifeste, de forma conclusiva e motivadamente, se persiste ou não a autuação, em face dos comprovantes de pagamentos juntados e da retificação noticiadas. Com as diligências realizadas, cientifiquese a Recorrente para ciência e manifestação, querendo. Após com ou sem manifestação retornem os autos a este Conselho para decisão. Para os fins expostos, pelo meu voto, converto os autos em diligencia. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.010924/200317 Resolução nº 2202000.463 S2C2T2 Fl. 4 3 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES
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