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Numero do processo: 10120.904646/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. .
A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/DCOMP.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO.
A retificação da PER/DCOMP deve respeitar as normas previstas para sua ocorrência, não cabendo ao CARF este feito por mero pedido em peça recursal.
Numero da decisão: 1402-003.237
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10120.904646/2009-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/DCOMP. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. A retificação da PER/DCOMP deve respeitar as normas previstas para sua ocorrência, não cabendo ao CARF este feito por mero pedido em peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10120.904646/200900, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 46 46 /2 00 9- 00 Fl. 98DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10120.904646/200900 Acórdão n.º 1402003.237 S1C4T2 Fl. 99 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de ‘não homologação’ da compensação", cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação de outro débito. Portanto, não haveria crédito disponível para a compensação em análise. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006, sob o regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto. Pediu revisão do despacho decisório. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, entendeuse , que sob a égide dos artigos 2°, 6°, e 28 a 30 da Lei n° 9.430/1996; artigo 6°, parágrafo único, da Lei n° 7.689/1988; e artigos 221 a 232 do Decreto n° 3.000/99, os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não poderiam ser considerados crédito em favor do contribuinte, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior". Sob o regime de apuração de IRPJ e CSLL em referência, o contribuinte ficaria obrigado a antecipar ao Fisco, mensalmente, parte desse tributo, calculado com base em sua receita bruta, e aplicação de um percentual pré definido com vistas ao cálculo do lucro real, com a faculdade de suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido, desde que Fl. 100DF CARF MF 4 demonstrado por balancetes mensais, que o valor acumulado já pago até o mês anterior exceda o valor do tributo calculado com base no lucro real auferido até aquele mês. Dessa maneira, o fato gerador do IRPJ e da CSLL abrangeria todas as situações ocorridas durante o ano calendário, e o tributo devido seria apurado no encerramento do respectivo período. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe que as origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos de IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário 2005, recolhidos a maior, conforme sua DIPJ. Na PER/DCOMP, onde deveria ser assinalado créditos de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, fora preenchido pagamento indevido ou a maior. Contudo, entende demonstrado que houve saldo negativo de IRPJ, e tal circunstância seria mero erro formal. Ademais, requer autorização para retificar do PER/DCOMP, ou, ainda, sejam compensados os referidos débitos nesta com os créditos em foco. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10120.904646/200900 Acórdão n.º 1402003.237 S1C4T2 Fl. 100 5 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos Primeiramente, fica bem claro nos autos, conforme anexo I da manifestação de inconformidade (demonstrativo do crédito utilizado no PER/DCOMP), que o direito creditório que está sendo pleiteado pela recorrente, e com seu conhecimento, é saldo negativo de IRPJ ou base de cálculo negativa de CSLL. A recorrente ao preencher a PER/DCOMP, informou que houve um pagamento indevido ou a maior de estimativa para justificar o direito creditório pelo qual objetivava extinguir o débito, conforme consta no pedido de compensação. Contudo, foi denegado pela autoridade fiscal conforme Despacho Decisório, pois o crédito pleiteado estava alocado, quitando o débito correspondente da antecipação do IRPJ (ou da CSLL). Sua manifestação de inconformidade vai ao encontro do informado acima, entendendo, contudo, que seria cabível a compensação, independente da designação dada. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, tal forma de compensar o saldo negativo do IRPJ (ou CSLL) não seria a correta, de acordo com as normas aplicáveis. Em sede recursal, reitera, o seu entendimento que tem o direito, reforçando nas suas alegações que é realmente um saldo negativo de IRPJ (ou CSLL), e que tal posicionamento de não homologação seria equivocado, pois teria ocorrido mero erro formal quando preencheu a sua PER/DCOMP. Adicionalmente, requer autorização para retificação do PER/DCOMP e mantidas as compensações pleiteadas. Fl. 102DF CARF MF 6 Do mérito O presente caso envolve uma questão recorrente neste CARF, que seria de qual a natureza jurídica do recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, em que a recorrente entende que o recolhido antecipadamente a maior foi indevido, querendo que seja tratado como uma repetição de indébito. Conforme entendimento consolidado deste CARF e através de matéria já sumulada1, para ser caracterizada uma estimativa recolhida como indébito, é necessário que tenha ocorrido realmente um pagamento indevido ou maior, o que exigiria demonstração de erro na apuração. Ou seja, se fosse o caso, o valor pago de estimativas foi superior ao devido, com base na receita bruta, ou em balanço de suspensão/redução, e a repetição do indébito poderia ser até, inclusive, no curso do anocalendário da período que se refere o pagamento indevido. Compulsando os autos, em nenhum momento é mencionado, e muito menos demonstrado, pela recorrente que foi um pagamento indevido ou a maior de estimativa. Pelo contrário, reitera e reforça que o caso é de pagamentos de estimativas recolhidos devidamente e, que no final do ano apurou excesso de recolhimentos, além do necessário, o que se configura saldo negativo (tanto de IRPJ quanto de CSLL). Aqui, cabe destacar a importância da distinção material entre o direito creditório se basear em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual no anocalendário de 2005, e há valores recolhidos em vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos, e não saldo negativo. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito. Contudo, não resta alegado, e por consequência, nem comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte, e como já dito anteriormente, muito pelo contrário, há sua afirmação que foram pagamentos de estimativas corretas que geraram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Portanto, muito mais que um problema formal no preenchimento da PER/DCOMP, de qualificação como pagamento indevido ou saldo negativo, conforme alegado na sua peça recursal, estáse diante de um problema atinente à própria metodologia de apuração do IRPJ/CSLL, e suas consequências advindas, de acordo com a opção eleita pela recorrente. A recorrente estava bem ciente disso, pois trouxe planilhas (anexas à manifestação de inconformidade) que procuram demonstra a apuração do saldo negativo, o que denota que tinha compreensão da sistemática de apuração eleita. Nestas circunstâncias, corretas as negativas, tanto no despacho decisório quanto no acórdão a quo, do pleito da recorrente, pois se valeu erradamente do seu direito. 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10120.904646/200900 Acórdão n.º 1402003.237 S1C4T2 Fl. 101 7 Reforçase materialmente o posicionamento até agora deste voto, considerando vários processos de idêntico teor, envolvendo a recorrente e o mesmo ano calendário, e mesmas alegações, já julgados por este CARF em 2014 (exemplificando: processo 10120.904643/200968 acórdão 1302001.416). O mais importante destes processos para a presente lide é que anteriormente ao seu acórdão, fora convertido em diligência em 2012, para confirmação da existência ou não do crédito pleiteado, o qual o resultado da diligência foi concluindo pela inexistência do direito creditório, nos termos da PER/DCOMP, e a recorrente silenciou quando intimada. Desta sorte, não houve provimento ao recurso voluntário deste processo e dos demais julgados conjuntamente. Ademais, não cabe a este colegiado proceder a autorização para retificação da PER/DCOMP, como aduz e requer na sua peça recursal, algo a ser procedido pela recorrente, conforme disposto nas normais legais aplicáveis. Salientase que dadas as características próprias extintivas do crédito tributário, há restrições nas normas legais aplicáveis para retificação do pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnaturaria o próprio objeto do processo e toda a discussão já ocorrida. Por isso limitamse as circunstâncias para retificação da PER/DCOMP, e independente das causas materiais que poderia ensejar tal situação, somente poderá ser retificada caso ainda se encontre pendente de decisão administrativa ou não houve intimação para apresentação de documentos comprobatórios, em eventual análise prévia ao despacho decisório. Agregase a isso o fato que no contencioso administrativo há limitações para tanto também. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação atual, previu que apenas a não homologação de compensação seria objeto de apreciação no contencioso administrativo2. E nos termos do parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), a competência para julgamento de recurso envolve o crédito alegado3. Ou seja, não é 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Fl. 104DF CARF MF 8 caso de apreciação da retificação de PER/DCOMP, muito menos de autorizála. E entendo que ao caso não se aplica as inexatidões materiais para suscitar uma revisão de ofício, eventualmente aplicáveis conforme disposto no art. 32 do DecretoLei nº 70.235/19724. Pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 4 Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.002495/2010-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATAÇÃO DE COOPERADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A COOPERATIVA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Não se configura ato cooperativo a prestação de serviço de auditoria executado por médico cooperado em proveito da própria cooperativa de prestação de serviços médicos, na condição de empresa contratante, e não a terceiros por intermédio da cooperativa, e tais serviços serem remunerados pela própria cooperativa, e não por terceiros por intermédio da cooperativa.
Inexiste óbice jurídico a que um cooperado, na condição de segurado contribuinte individual, preste serviços profissionais remunerados à própria cooperativa de trabalho, na condição de empresa contratante, situação que sujeita segurado e empresa às obrigações tributárias previstas na Lei nº 8.212/91.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATAÇÃO DE COOPERADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A COOPERATIVA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Não se configura ato cooperativo a prestação de serviço de auditoria executado por médico cooperado em proveito da própria cooperativa de prestação de serviços médicos, na condição de empresa contratante, e não a terceiros por intermédio da cooperativa, e tais serviços serem remunerados pela própria cooperativa, e não por terceiros por intermédio da cooperativa. Inexiste óbice jurídico a que um cooperado, na condição de segurado contribuinte individual, preste serviços profissionais remunerados à própria cooperativa de trabalho, na condição de empresa contratante, situação que sujeita segurado e empresa às obrigações tributárias previstas na Lei nº 8.212/91. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL UNIMED ALTO URUGUAI/RS COOPERATIVA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRATAÇÃO DE COOPERADOS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A COOPERATIVA. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Não se configura ato cooperativo a prestação de serviço de auditoria executado por médico cooperado em proveito da própria cooperativa de prestação de serviços médicos, na condição de empresa contratante, e não a terceiros por intermédio da cooperativa, e tais serviços serem remunerados pela própria cooperativa, e não por terceiros por intermédio da cooperativa. Inexiste óbice jurídico a que um cooperado, na condição de segurado contribuinte individual, preste serviços profissionais remunerados à própria cooperativa de trabalho, na condição de empresa contratante, situação que sujeita segurado e empresa às obrigações tributárias previstas na Lei nº 8.212/91. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 24 95 /2 01 0- 84 Fl. 280DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.305.3398, consolidado em 09/12/2010, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 40.266,10 (quarenta mil, duzentos e sessenta e seis reais e dez centavos), referente a contribuições sociais correspondentes a cota patronal previdenciária incidente sobre os valores pagos a cooperados médicos auditores, coordenador de medicina ocupacional e coordenador do programa de qualidade (segurados contribuintes individuais), referentes ao período de 01/2007 a 12/2009. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/02/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302002.980 (fls. 212/236), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96)”. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 3 3 O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AIOP. RELATÓRIO FISCAL. NÃO DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES EXERCIDAS PELOS PRESTADORES DE SERVIÇO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O fato gerador de contribuição previdenciária é a prestação remunerada de serviços por segurado obrigatório do RGPS. Demonstrada a efetiva prestação remunerada de serviços por segurado obrigatório do RGPS, considerase ocorrido o fato gerador da contribuição e existentes os efeitos tributários previstos na Legislação previdenciária, independentemente da espécie do serviço prestado pelo segurado, circunstância que torna despicienda a descrição detalhada da atividade realizada pelo segurado nos relatórios fiscais que integram o lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO. Não se configura ato cooperativo a prestação de serviço de auditoria executado por médico cooperado em proveito da própria cooperativa de prestação de serviços médicos, na condição de empresa contratante, e não a terceiros por intermédio da cooperativa, e tais serviços serem remunerados pela própria cooperativa, e não por terceiros por intermédio da cooperativa. Inexiste óbice jurídico a que um cooperado, na condição de segurado contribuinte individual, preste serviços profissionais remunerados à própria cooperativa de trabalho, na condição de empresa contratante, situação que sujeita segurado e empresa às obrigações tributárias previstas na Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Fl. 282DF CARF MF 4 Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. O processo foi encaminhado à PGFN em 20/03/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 237), para ciência do acórdão em até trinta dias, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010. A intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 19/04/2014. Em 28/04/2014, tempestivamente, portanto, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de fls. 238/247 (Despacho de Encaminhamento de fls. 248). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 25/07/2016 (fls. 249/252), considerado o acórdão paradigma nº 240101.624. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal, constante do auto de infração em tela e determinada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. Vejamos trecho das alegações da recorrente: “Assim, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada Instrução Normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009.” Cientificado do Acórdão nº 2302002.980, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 15/08/2016 (cópia do Aviso de Recebimento – AR – fl. 257), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 260) e Recurso Especial (fls. 261), ambos em 30/08/2016, portanto, tempestivos. Ao Recurso Especial do contribuinte, foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 12/05/2017 (fls. 266/270), considerado o acórdão paradigma nº 280300.361. O recorrente, em suas alegações, requer seja conhecido, processado e provido o presente recurso, para que seja reconhecida a inexigibilidade do tributo, ante a falta de descrição do fato gerador. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 4 5 Vejamos trecho do recurso do contribuinte: Não há obrigatoriedade quanto ao pagamento da parte patronal pela Cooperativa, nem a responsabilidade pela retenção da contribuição do contribuinte individual ”Respeitosamente, pede seja conhecido o presente recurso especial bem como provido, para reconhecer a inexigibilidade do tributo, ante a falta de descrição do fato gerador que daria suporte à contribuição pretendida. Superado o pedido acima, a decretação de nulidade por vício material, já que confessadamente não é descrito no lançamento e na decisão o motivo que daria margem à cobrança do tributo em questão”. Devidamente cientificado, o contribuinte, apresenta suas contrarrazões argumentando, em síntese, que o acórdão recorrido não merece o reparo alegado pela PGFN em seu Resp. Assevera que o cálculo da penalidade deve levar em conta o período anterior à vigência da MP nº 449/2008, ou seja, fundamentado no que prevê o inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Vejamos o trecho: “4. O lançamento tributário promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.305.3398, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2009. 5. Deste modo, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal deve ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência da penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Cientificada do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp do contribuinte em 11/05/2017 (Despacho de Encaminhamento – fl. 271), a PGFN apresentou contrarrazões (fls. 272/277) em 26/05/2017, portanto, tempestivas. Em suas contrarrazões, a PGFN, em síntese, alega que o ponto principal a se debater é saber se os serviços prestados por médicos auditores à cooperativa podem ser considerados atos cooperativos. Traz a definição do que seria ato cooperativo, segundo a Lei nº 5.764/71, e contesta as alegações que o contribuinte traz em seu Resp, defendendo o entendimento do acórdão recorrido naquele ponto. Vejamos trecho: “O ponto nuclear posto em debate reside em saber os serviços prestados por médicos auditores à cooperativa podem ser considerados atos cooperativos ou não, com a consequências que lhe são advindas. A partir de tal constatação, podese observar que os serviços de auditoria das contas hospitalares, de laboratórios e de clínicas de radiologia, coordenador de medicina operacional e coordenador de programa de qualidade, não se subsumem ao objeto social da cooperativa, que, nos Fl. 284DF CARF MF 6 termos de seu Estatuto Social, visa a intermediação de prestação de serviços médicos a pessoas físicas e jurídicas. Por sua vez, os serviços objeto da presente autuação eram prestados à cooperativa Unimed e não a terceiros por intermédio da cooperativa... (...) O fato de o médico ser associado não imputa o caráter cooperativo a todo e qualquer serviço prestado por este, devendo se analisar a natureza de cada fato...” É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interpostos pelo Contribuinte e pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 266 e 249, respectivamente. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Das Preliminares Delimitação dos Recursos Cingese a controvérsia em relação ao Resp da Fazenda Nacional às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Por outro lado, o ponto crucial a ser apreciado no Recurso do Contribuinte, diz respeito a incidência de contribuições previdenciárias face a contratação pela Cooperativa de serviços de cooperados para serviços de auditoria. Enquanto no acórdão recorrido, a prestação de serviços de auditoria realizada por médico cooperado em proveito da própria cooperativa foi considerada base de cálculo para cobrança de contribuição previdenciária na condição de contribuinte individual, no paradigmático a mesma relação existente entre médicos auditores e a cooperativa foi considerada uma relação de natureza eminentemente societária, não caracterizando a hipótese de incidência tributária. Recurso Especial do Contribuinte Busca o sujeito passivo seja dado total provimento ao presente recurso, para que seja reformado o acórdão recorrido em relação à matéria: Pagamentos efetuados a auditores cooperados em serviços prestados a cooperativa, por entender tratarse de ato cooperado. Contudo, embora busque o recorrente a reforma do acórdão recorrido, entendo que seus argumentos não merecem prosperar. Vejamos os pontos trazidos no relatório fiscal para identificar os fatos geradores ora questionados pelo Contribuinte. F1 FOLHA D EPAGAMENTO valores pagos aos cooperados médicos auditores, pelos serviços de auditoria das contas hospitalares, de laboratórios e de clínicas de radiologia, coordenador de medicina ocupacional e coordenadora do programa de qualidade, como contribuinte individual na relação com aUnimed Alto Uruguai, pois os serviços foram prestados à Cooperativa Médica e não a terceiros. Valores não declarados em GFIP. Para comprovar que os serviços são prestados para a UNimed Alto Uruguai, juntamos cópia de ATas de reuniões do Conselho de Administração onde consta a nomeação dos referidos médicos Fl. 286DF CARF MF 8 para os cargos de auditores e também juntamos cópia de alguns resumos de pagamentos efetuados a esses auditores, onde pode se observar que referidos pagamentos são registrados com o nome de Serviço de Auditoria. Em anexo planilha por competência com o nome do médico auditor, valor da remuneração, código da conta contábil e nome da conta contábil. Por outro lado, entendo que o acórdão recorrido bem delimitou o momento em que a prestação de serviços deixa de enquadrarse como ato cooperado, passando à contratação dos próprios cooperados a prestação de serviços a cooperativa, fazendo incidir contribuição previdenciária: No caso em debate, a Fiscalização apurou a ocorrência de serviços de auditoria prestados por pessoas físicas, mediante remuneração, diretamente à cooperativa Unimed, e não a terceiros por intermédio da cooperativa, e sendo por esta remunerados, de maneira que o liame jurídico se estabelece diretamente entre o trabalhador e a cooperativa. Numa cooperativa de trabalho, quem agencia clientela e disponibiliza serviços típicos do seu objetivo social é a cooperativa. Assim, todos os atos praticados pela cooperativa buscando negócios para os serviços típicos dos associados e da cooperativa são qualificados como atos cooperativos, visto que, em verdade, constituem a própria essência da cooperativa assim organizada. O fato de a cooperativa emitir nota fiscal e a fatura referente à prestação desses serviços para terceiros representa a propria concretização de seus objetivos sociais, pois quem intermedeia a prestação do serviço é a cooperativa, quem adquire o serviço é o cliente, para si ou em favor de terceiros, mas quem efetivamente executa os serviços contratados é o cooperado, por intermédio da cooperativa. Desta forma, a venda de serviços de associados a terceiros por uma cooperativa de trabalho é um ato cooperativo em relação a esses mesmos associados, por ser a cooperativa a representante dos interesses dos cooperados previstos no objeto social da entidade. Justificase tal afirmativa, nas cooperativas de trabalho, pelo fato de a relação com terceiros ser instrumento essencial na viabilização do interesse comum dos associados, propiciado pela cooperativa, ao atrair clientes e celebrar contratos de prestação de serviços. Aqui, não há que se falar, portanto, em ato cooperativo, uma vez que o serviço de auditoria prestado pelos auditores contratados foge aos objetivos sociais da cooperativa (prestação de serviços médicos a pacientes), além do que, tais serviços houveramse por remunerados pelas próprias cooperativas, e não por terceiros por intermédio da cooperativa. Mostrase alvissareiro ressaltar que o fato de o serviço de auditoria haver sido prestado por médico cooperado, e não por um outro médico estranho ao quadro de associados da empresa, é irrelevante para a configuração ou não da prestação do serviço como ato cooperativo, uma vez que tal qualificação é atávica à natureza do ato em si considerado, e não, exclusivamente, à qualificação da pessoa que o presta. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 6 9 Ou seja, o ponto crucial reside do fato de ser o auditor contratado pela cooperativa cooperado da mesma, afastaria a incidência de contribuição previdenciária? Entendo que não. Notese que, a Cooperativa para efeitos previdenciárias, equiparase a empresas em geral, permanecendo suas obrigações tributárias e trabalhistas em relação aos trabalhadores que contrata. Art. 15. Considerase: Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Extraise do art. 12 da Lei 8212/91 o conceito de contribuintes individuais, condição esta estabelecida pela autoridade fiscal à contratação de trabalhadores pela cooperativa: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Admitir a impossibilidade de formação de vínculo na qualidade de contribuinte individual entre o cooperado e a cooperativa, seria equivalente a dizer que a cooperativa não teria nunca empregados ou prestadores de serviços, pelo simples fato de usar mão de obra de seus próprios cooperados. Não podemos admitir tal interpretação. Resta demonstrado no lançamento, além da prestação de serviços, a remuneração paga como contraprestação pelo serviços prestado, o que atribui a certeza de tratase de mera prestação de serviços. Por fim, outro ponto merece destaque, conforme muito bem apreciado pelo acórdão recorrido, considerando que cooperativa não constituise na modalidade de empresa lucrativa, mas aquela em que o fruto dos serviços prestados por seus cooperados, enseja rateio entre os cooperados, não restou demonstrado pelo recorrente existir rateio entre o valor auferido pelos auditores médicos e os demais cooperados. Vejamos outros pontos do acórdão recorrido que adoto como razões de decidir: No caso em exame, o liame jurídico estabeleceuse entre o trabalhador, na condição de segurado do RGPS, e a própria cooperativa de trabalho, na condição de empresa contratante do serviço, sendo por esta diretamente remunerado de acordo com o valor pactuado e definido em assembléias da UAU, conforme Atas de Assembléias a fls. 53/69. Corrobora a compreensão de inexistência de ato cooperativo o fato de não haver sido demonstrada a destinação de qualquer quinhão da remuneração de tais auditores para os fundos de despesas da cooperativa. Fl. 288DF CARF MF 10 Atentese que na cooperativa de trabalho, o exercício da profissão na condição de cooperado, não impede o exercício da mesma atividade profissional na condição de trabalhador autônomo, ou de empregado a outras empresas, ou à própria cooperativa como contratante direto. Assim, inexiste óbice jurídico a que um cooperado, na condição de segurado contribuinte individual, preste serviços profissionais remunerados à própria cooperativa de trabalho, na condição de empresa contratante, situação que sujeita segurado e empresa às obrigações tributárias previstas na Lei nº 8.212/91. Aditese que, nos termos da Resolução CFM nº 1.641/2001, a auditoria médica caracterizase como ato médico, por exigir conhecimento técnico, pleno e integrado da profissão, e não como ato cooperativo, sendo exigido que o auditor esteja regularizado no Conselho Regional de Medicina da jurisdição onde ocorreu a prestação do serviço auditado. Face ao exposto, entendo que não há reparos a ser feito no acórdão recorrido, razão pela qual, voto por CONHECER E NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Recurso Especial da Fazenda Nacional Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora, em princípio analisando os termos da decisão proferida possa se ter a impressão de ausência de divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma, extraise de trecho do acórdão recorrido que o relator não acata o posionamento pretendido pela Fazenda Nacional de aplicação da retroatividade benigna obtida entre a conjugação dos autos de obrigação acessória e principal analisando em conjunto e comprados, ao final, a mlta de ofício prevista no art. 44 da 9.430/2009. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 7 11 convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. [...] Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Contudo, não vejo como concordar com a decisão proferida. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à Fl. 290DF CARF MF 12 penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 8 13 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 292DF CARF MF 14 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 9 15 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 294DF CARF MF 16 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11070.002495/201084 Acórdão n.º 9202006.956 CSRFT2 Fl. 10 17 Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Já em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional , voto por CONHECÊLO e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720084/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 10/09/2013
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 84 /2 01 1- 94 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10410.720084/201194 Acórdão n.º 3401004.989 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10410.720084/201194 Acórdão n.º 3401004.989 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10410.720084/201194 Acórdão n.º 3401004.989 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10410.720084/201194 Acórdão n.º 3401004.989 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10410.720084/201194 Acórdão n.º 3401004.989 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10410.720084/201194 Acórdão n.º 3401004.989 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000295/2006-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
RECEITA BRUTA APURADA NO LIVRO CAIXA. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Incabível o lançamento da diferença entre as receitas constantes do livro caixa e os valores informados em DIPJ quando a contribuinte demonstra adotar o regime de competência para declarar suas receitas.
Numero da decisão: 1003-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a exigência do crédito tributário relativo exclusivamente às diferenças de base de cálculo apuradas em relação aos períodos de 01/2003 (R$ 180,00), 11/2003 (R$ 20,00) e 09/2004 (R$ 3.000,00), bem como aos valores de insuficiência de recolhimento correspondentes às mudanças de alíquotas das receitas declaradas eventualmente decorrentes exclusivamente destes valores de diferença de base de cálculo apurados.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 RECEITA BRUTA APURADA NO LIVRO CAIXA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Incabível o lançamento da diferença entre as receitas constantes do livro caixa e os valores informados em DIPJ quando a contribuinte demonstra adotar o regime de competência para declarar suas receitas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RECEITA BRUTA APURADA NO LIVRO CAIXA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Incabível o lançamento da diferença entre as receitas constantes do livro caixa e os valores informados em DIPJ quando a contribuinte demonstra adotar o regime de competência para declarar suas receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para manter a exigência do crédito tributário relativo exclusivamente às diferenças de base de cálculo apuradas em relação aos períodos de 01/2003 (R$ 180,00), 11/2003 (R$ 20,00) e 09/2004 (R$ 3.000,00), bem como aos valores de insuficiência de recolhimento correspondentes às mudanças de alíquotas das receitas declaradas eventualmente decorrentes exclusivamente destes valores de diferença de base de cálculo apurados. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 02 95 /2 00 6- 55 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13656.000295/200655 Acórdão n.º 1003000.135 S1C0T3 Fl. 497 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 403/407, numeração em papel) que julgou procedente em parte o lançamento efetuado mediante os Autos de Infração às folhas 01/93 (com MPF e demonstrativos), relativos a IRPJ, IPI, PIS, CSLL, COFINS e INSS incluídos no SIMPLES Federal dos anoscalendário 1999 a 2004, perfazendo um montante de crédito tributário total de R$ 13.878,16. A autuação apurou (1) diferença na base de cálculo correspondente a "valores apurados com fulcro no Livro Caixa, com exclusão das vendas canceladas, e não totalmente declarado na DIPJ Simplificada" e (2) insuficiência de recolhimento, correspondente a mudança de alíquotas das receitas declaradas decorrentes dos valores de diferença de base de cálculo apurados. Na apuração da diferença de base de cálculo, o Auditor Fiscal considerou como diferença de base de cálculo os totais mensais de entradas no LivroCaixa subtraídos dos valores de saídas consignados como "devolução de vendas", considerados vendas canceladas. A DRJ/JFA, em seu acórdão, exonerou, por decadência, o crédito tributário referente aos fatos geradores anteriores a 30/06/2002. Na impugnação (folhas 310/312), a contribuinte alegou que a fiscalização considerou como receitas, além dos valores de vendas à vista, os valores de entradas no LivroCaixa correspondentes a vendas a prazo (recebimento de duplicatas) e empréstimo em janeiro de 2004, não se atendo o fisco para o fato de que o reconhecimento das receitas se deu pelo regime de competência. A DRJ/JFA reconheceu a existência de lançamentos correspondentes a recebimentos de duplicatas no LivroCaixa em períodos atingidos pela decadência, constantes das folhas do referido livro anexas aos autos, apenas as relativas aos últimos lançamentos de cada mês, anexas para demonstrar o valor total mensal de entradas. No entanto, considerou procedente o lançamento relativo aos períodos entre 30/06/2002 e 31/12/2004 "tendo em vista que não restou documentalmente comprovado que o fisco considerou indevidamente como venda à vista o alegado empréstimo contraído em janeiro de 2004" e porque nas planilhas apresentadas pela contribuinte, às folhas 316/318, para o referido período, "não há nenhum registro de que a origem da base de cálculo apurada pelo fisco tenha abarcado possíveis vendas a prazo, via recebimento de duplicatas". A recorrente, em síntese (folhas 413/416), alega que se a base de cálculo do Simples é o faturamento bruto, não há que se falar em diferença de valores se utilizados os mesmos percentuais, lembrando que o processo de tributação do Simples tem uma escala cumulativa de faturamento e progressiva quanto aos percentuais. Anexa as planilhas às folhas 420/422 em que compara os valores informados nas declarações do Simples (folhas 423/490) e do ICMS (folhas 327 a 400), estas apresentadas quando da impugnação. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13656.000295/200655 Acórdão n.º 1003000.135 S1C0T3 Fl. 498 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Um breve exame nas folhas de LivroCaixa anexas ao processo (folhas 174/295) e nas planilhas elaboradas pela fiscalização (folhas 94/101) demonstra que o procedimento adotado na autuação foi o de considerar como receitas os totais de entradas mensais no LivroCaixa subtraídos dos valores correspondentes a devoluções de vendas. Os referidos totais incluem, portanto, os valores recebimentos de duplicatas constantes do referido Livro, correspondentes a vendas a prazo realizadas em períodos anteriores. As planilhas e declarações anexadas pela contribuinte informam valores por vezes maiores que os apurados pela fiscalização, o que se mostra absolutamente coerente com suas alegações de adoção do regime de competência para o reconhecimento de receitas e despesas. A autoridade fiscal autuante não se pronunciou sobre o regime de reconhecimento de receitas e despesas adotado pela contribuinte. Caso tenha considerado que o regime era o de caixa, não consignou no processo, tampouco anexou as necessárias provas. No que se refere à manutenção parcial da autuação pelo acórdão de primeira instância, observase que a decisão acatou a adoção do regime de competência pela contribuinte, mas manteve os percentuais aplicados às receitas mensais do período entre 30/06/2002 e 31/12/2004, ignorando o fato dos valores de recebimentos de duplicatas relativos ao período entre janeiro e maio de 2002 erroneamente considerados como receitas dos respectivos meses pela fiscalização, por ignorarem o regime de reconhecimento de receitas e despesas adotado influenciarem nas alíquotas dos meses seguintes, já que, como argumentou a contribuinte, "o processo de tributação do Simples tem uma escala cumulativa de faturamento e progressiva quanto aos percentuais". Além disso, a decisão de primeira instância argumenta que não restou documentalmente comprovado que o fisco considerou indevidamente como venda à vista o alegado empréstimo contraído em janeiro de 2004". Se isto ocorre, é porque a autoridade fiscal não anexou ao processo a integralidade do referido LivroCaixa. Como não se trata de autuação amparada em presunção legal que inverta o ônus da prova, qualquer discordância com a escrituração contábil da contribuinte deveria ser comprovada nos autos pela autoridade autuante. Na ausência de provas em contrário, aceitam se as alegações da contribuinte relativas à existência de registro, no LivroCaixa, do referido empréstimo, por coerência com os valores de base de cálculo informados em suas declarações. Diante disso, cabe acatar integralmente as informações consignadas pela recorrente em suas planilhas às folhas 420/422, nas quais são relacionados os valores Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13656.000295/200655 Acórdão n.º 1003000.135 S1C0T3 Fl. 499 4 informados em suas declarações, mas também tacitamente aceitos pela contribuinte os valores de vendas à vista apurados pela fiscalização, que foram superiores às receitas mensais declaradas nos períodos e valores a seguir discriminados: Período de Apuração Vendas à vista apuradas Receitas declaradas Diferença 01/2003 9.013,50 8.833,50 180,00 11/2003 7.324,84 7.304,84 20,00 09/2004 11.640,10 8.640,10 3.000,00 (valores em reais) Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para manter a exigência do crédito tributário relativo exclusivamente às diferenças de base de cálculo apuradas em relação aos períodos de 01/2003 (R$ 180,00), 11/2003 (R$ 20,00) e 09/2004 (R$ 3.000,00), bem como aos valores de insuficiência de recolhimento correspondentes às mudanças de alíquotas das receitas declaradas eventualmente decorrentes exclusivamente destes valores de diferença de base de cálculo apurados. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 499DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000474/2009-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.122
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 74 /2 00 9- 20 Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.218, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10925.000474/200920 Acórdão n.º 9303007.122 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.904972/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 72 /2 01 0- 17 Fl. 141DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 122 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação – DCOMP – por meio da qual pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 1º trimestre calendário de 2003, conforme indicado na DCOMP nº 22511.14069.290905.1.3.016929 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951106 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$304.684,34 Valor do crédito reconhecido: R$27,97 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 142 3 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 143DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 143 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 145DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 144 7 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 147DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configura a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11065.904972/201017 Acórdão n.º 3201003.770 S3C2T1 Fl. 145 9 Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10142.721278/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/10/2014
CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO.
O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Trata-se de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial.
Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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F. PARIZE EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. PRAZO DE EMISSÃO. DESCUMPRIMENTO. DESQUALIFICAÇÃO. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18 dispõe expressamente que os certificados de origem somente poderão ser emitidos durante os sessenta dias seguintes à emissão da fatura comercial correspondente. Tratase de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país de origem da mercadoria que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino, de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz (Relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 2. 72 12 78 /2 01 4- 67 Fl. 243DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Fortaleza/CE, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Cuidam os autos da exigência de crédito tributário, relativo à cobrança do Imposto de Importação II (R$ 53.247,26), acrescido de multa de mora (R$ 10.649,45), em virtude de desqualificação de Certificado de Origem relativo a importação (DI nº 14/19602642) com tratamento favorecido no âmbito do Mercosul, conforme artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18), internalizado no Brasil pelo Decreto n° 5.455, de 02 de junho de 2005; e artigo 10, II e parágrafo único da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, em desfavor de ANDRÉ E. F. PARIZE EPP. De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 0817), em procedimento de conferência documental, realizada pela autoridade fiscal responsável pela análise da Declaração de Importação em tela foram constatadas algumas incorreções, entre as quais a emissão do Certificado de Origem em data superior a sessenta dias da emissão da Fatura Comercial. Tendo em vista as constatações acima, em 16/10/2014, o importador tomou ciência, através de seu Despachante Aduaneiro, do Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, para apresentar correções, bem como recolher o Imposto de Importação, pelo descumprimento do disposto no artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18), regulamentado pela Instrução Normativa SRF n° 149/2002. A autoridade fiscal, em cumprimento ao disposto no Artigo 10, inciso II, e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 149, de 27 de março de 2002, que dispõe sobre os procedimentos de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 244 3 controle e verificação da origem de mercadorias importadas de EstadoParte do MERCOSUL, desqualificou o Certificado de Origem apresentado para acobertar a operação de Importação em tela. Em sendo assim, excluído o tratamento preferencial, pela desqualificação do Certificado de Origem do MERCOSUL, segundo a fiscalização, passa a ser inaplicável a alíquota interna do Mercosul relativa ao Imposto de Importação (II), tornandose aplicável a alíquota relativa a terceiros Estados, a qual, conforme a Resolução Camex nº 94/2014 é de 35%. Conforme o Relatório de Fiscalização, o procedimento adotado pela autoridade fiscal para exigência do tributo, tem embasamento no artigo 570 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 – RA/2009), que dispensa a formalização de processo administrativo fiscal para correção de irregularidades no curso do despacho aduaneiro. Porém com a permissividade de o contribuinte manifestar sua inconformidade, para que então seja lavrado auto de infração para o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Em 27/10/2014, o Importador protocolou resposta ao Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, ANEXO II, anexando documentos necessários para proceder as correções solicitadas e, ainda, documentos que, em sua tese, afastaria a incidência do art. 10 da IN SRF n° 149/2002. Esses documentos são, segundo consta no Relatório de Fiscalização: “Prorroga de Plazo (Documento emitido pelo exportador Paraguaio à entidade certificadora, UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA, solicitando prorrogação do prazo da Fatura Comercial n° 0010330000064, do dia 26/07/2014 para o dia 06/10/2014); Ofício da UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA ao Exportador (Documento emitido ao exportador com informação de acolhimento de sua solicitação, acima); Ofício da UNION INDUSTRIAL PARAGUAYA ao Ministério da Fazenda (Documento dirigido à Secretaria da Receita Federal do Brasil, informando que a entidade certificadora acatou a solicitação do exportador, de alteração da data de emissão da fatura).” Segundo a fiscalização, a Fatura Comercial n° 001033 0000064, emitida em 26/07/2014, foi utilizada pelo importador para instruir o procedimento de Licenciamento de Importação LI n° 14/34772874, substitutiva da LI n° 14/27064533, esta registrada em 28 de julho de 2014, ou seja, é fato que a Fatura Comercial foi emitida em 26/07/2014, não cabendo alegações de que o campo estaria incorreto. Além disso, na resposta ao Termo de Intimação Fiscal EAD n° 104/2014, o próprio importador afirma que a data da sua emissão é efetivamente o dia 26/07/2014. Fl. 245DF CARF MF 4 Da análise da documentação apresentada acima, é possível constatar, segundo o autuante, que o pleito do exportador perante a Entidade Certificadora, qual seja a "prorrogação da data da fatura comercial" é um instituto que não existe no Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 (ACE 18) do MERCOSUL e, em sendo assim, não poderia a entidade unilateralmente criar tal benefício, em detrimento dos dispositivos do Tratado Internacional. A fiscalização aduz que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal STF é pacífica no sentido de que, ressalvada a hipótese do § 3° do art. 5º da Constituição Federal de 1988, após regular incorporação ao direito interno, o tratado internacional adquire posição hierárquica idêntica à de uma lei ordinária (ADIMC 1.480 e RE 80.004SE), possibilitando que uma lei ordinária venha a modificálo ou revogálo internamente (o que equivaleria a uma denúncia no âmbito externo), ou seja, no ordenamento jurídico brasileiro, o Tratado Internacional tem força de lei, e assim deve ser interpretado. Aduz, ainda, que, do artigo 96 do Código Tributário Nacional, retirase que os tratados internacionais estão compreendidos no conceito de legislação tributária; e que do capítulo do CTN reservado à Interpretação da Legislação Tributária extraise dispositivo, de seu artigo 111, enfático sobre a obrigatoriedade de interpretação literal de determinados institutos tributários. Na realidade, o CTN, segundo o autuante, impõe que certas normas sejam interpretadas estritamente, impossibilitando ampliações. Nesse diapasão, o CTN afirma, no artigo 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre, dentre outros institutos, a isenção tributária. Sendo assim, a interpretação do disposto no artigo 17 do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18 não poderá tomar dimensões extensivas, por se tratar de benesse tributária, ou isenção tributária. Do próprio texto do artigo 17 do ACE 18 observase a ênfase restritiva, com a palavra "somente". Segundo a fiscalização, é princípio basilar de hermenêutica jurídica aquele segundo o qual a lei não contém palavras inúteis. Ou seja, as palavras devem ser compreendidas como tendo alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis. Assim sendo, ainda de acordo com o agente fiscal, não restam dúvidas de que a palavra "somente" contida no artigo 17 do ACE 18 tem a notória função de restrição do período onde é permitido a emissão de um Certificado de Origem no âmbito do Mercosul. Por todo o exposto, não haveria, segundo o autuante, alternativa à autoridade fiscal responsável pelo exame Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 245 5 documental do despacho de importação, senão a interpretação pela desqualificação do Certificado de Origem apresentado para instruir a DI de n° 14/1960711 3. E, assim sendo, para efeitos de aplicação do art. 570 do RA, em específico seu § 3°, em 05/11/2014, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal EAD n° 112/2014, no qual o importador foi intimado a providenciar o recolhimento do Imposto de Importação devido, ou manifestar sua inconformidade quanto à exigência, para que fosse, então, lavrado o Auto de Infração para exercício pleno do contraditório e ampla defesa por parte do importador. Aduz a fiscalização que, em 06/11/2014, o importador protocolou, na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Mundo NovoMS, sua manifestação de inconformidade, ANEXO II, quanto à desqualificação do Certificado de Origem do Mercosul de n° E 0000069540. Assim, foi lavrado o Auto de Infração com o fim de efetuar o lançamento do Imposto de Importação devido, utilizando a alíquota aplicável para importações de Estado não Parte do MERCOSUL, para a mercadoria com NCM 6301.40.00, nos termos da Resolução CAMEX n° 94/2014, alíquota de 35%. De acordo com o autuante, sobre o valor do Imposto de Importação incide a multa de mora de que trata o artigo 746 do Regulamento Aduaneiro/2009 (art. 61 da Lei nº 9.430/1996), no percentual de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20%, sendo que a multa de mora é aplicada em substituição à multa de ofício de que trata o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, em razão do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002. Da impugnação A autuada foi cientificada do auto de infração em 17/11/2014, pessoalmente, (fl. 03), e apresentou impugnação em 17/12/2014 (fl. 6273), onde alega que: I – DOS FATOS teve ciência da desqualificação do Certificado de Origem em 16/10/2014, quando recebeu a Intimação Fiscal EAD n° 104/2014 (fl. 38/40), em que foi intimada a apresentar carta de correção da fatura e do CRT e recolher o imposto de importação e a multa de mora, e informar na DI os recolhimentos, motivação e as bases legais; Fl. 247DF CARF MF 6 em busca de explicação para o ocorrido, a Impugnante buscou informação junto à empresa fabricante dos produtos que estavam sendo importados, a qual, em resposta, explicou que junto com seu pedido de emissão de certificado de origem para a fatura n° 001 0330000064, protocolado em 06/10/2014, foi apresentado também um oficio requerendo prorrogação da data de emissão da fatura, em decorrência do transcurso do prazo de 60 entre a data de sua emissão e do protocolo do pedido, que foi aceito pela entidade certificadora, tendo esta emitido o certificado de origem para a mercadoria objeto da fatura; a empresa certificadora também emitiu uma correspondência para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em Mundo Novo/MS em que explica os fatos acima descritos, e confirma a emissão do certificado de origem em virtude do pedido de prorrogação da data e a aceitação dela de tal fato; em 27/10/2014, a Impugnante protocolou resposta à intimação supra (fl.42/43), apresentando as cartas de correção da fatura e CRT e os documentos acima citados. Em resposta aos documentos apresentados, a autoridade fiscal intima a Impugnante, por meio da Intimação Fiscal EAD n° 111/2014 (fl. 45), que fica mantida a exigência do recolhimento do imposto de importação sobre a operação acobertada pela DI nº 14/19607113, que deverá ser feito em 05 (cinco) dias, ou apresentar, por escrito, manifestação de inconformidade; II DO DIREITO de acordo com o 44º Protocolo Adicional ao ACE 18, no Anexo “Regime de Origem MERCOSUL”, artigo 14, os requisitos essenciais para a validade do Certificado de Origem são que as mercadorias sejam perfeitamente identificadas e que sejam inequivocadamente originárias do Estado Parte, nos termos dos acordos afirmados, e que a entidade certificadora seja legalmente autorizada a emiti lo; o certificado de origem n° E 0000069540 de 06/10/2014 preenche todos os requisitos essenciais para a sua validade, haja vista que a autoridade fiscal não questionou tais requisitos no Relatório de Verificação Fiscal da Declaração de Importação n° 14/19607113 parte integrante do auto de infração objeto do presente Processo Administrativo Fiscal; o certificado de origem apresentado foi desqualificado porque teria descumprido o disposto no artigo 17 do Quadragésimo quarto Protocolo Adicional ao ACE 18; em que pese a condição de que os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data da emissão Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 246 7 da fatura comercial ou durante os sessenta dias subsequentes, o terceiro parágrafo do artigo 17 estipula que as administrações aduaneiras observarão o disposto no Anexo IV do regime, que contém as instruções para o controle do certificado de origem do Mercosul; o Anexo IV a que se refere o artigo 17 acima citado, por sua vez, contém as instruções para o controle dos certificados de origem do Mercosul por parte das Administrações Aduaneiras, e prevê a correção do certificado de origem no caso de constatação de erros formais; nesse Anexo IV, letra “A”, alínea “e”, citado pela mesma norma legal que dispõe que o certificado de origem não deve ser emitido após sessenta dias da emissão da fatura, também dispõe que os erros formais poderão ser corrigidos, e erros formais, segundo o acordo, serão todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem das mercadorias; o erro na emissão do Certificado de Origem em tela foi devidamente justificado pela entidade certificadora perante a Secretaria da Receita Federal, e tal fato não teve qualquer interferência da empresa importadora ora impugnante; a empresa certificadora, acatando o pedido de prorrogação da data da fatura feita pelo exportador paraguaio, emitiu regularmente o certificado de origem, que acoberta a mercadoria importada por meio da DI n° 14/19607113, com origem paraguaia comprovada, e que em nenhum momento foi questionado pela autoridade aduaneira; nenhuma irregularidade ou suspeita quanto a origem da mercadoria foi levantada. O erro cometido pela entidade certificadora para emissão do certificado de origem não pode ser causa suficiente para ensejar a perda da isenção tributária por parte do contribuinte, que importou a mercadoria de origem do Estado Parte Paraguai regularmente, com o benefício concedido para mercadoria dele originado; a lei não pode ser encarada como instrumento vazio de conteúdo, sobretudo porque os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade se constituem em fundamento de validade para todos os atos da Administração. Nesse sentido, a Lei n° 9.784/99, prevê, em seu art. 2º, VI, que é vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; Fl. 249DF CARF MF 8 sendo a mercadoria comprovadamente de origem paraguaia, a autoridade fiscal se baseou única e exclusivamente num parágrafo do acordo recepcionado pelo Decreto 5.455/2005, sem levar em consideração os demais dispositivos contidos na mesma norma legal, especialmente naquele específico ao caso em tela, que estipula que todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria, serão considerados erros formais e poderão ser corrigidos (Anexo IV, A CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM, segundo parágrafo da letra "e"); A jurisprudência também tem se posicionado neste sentido, em casos similares (cita Acórdãos do TRF4, STJ e TRF1); III – DA MULTA DE MORA LANÇADA NO AUTO DE INFRAÇÃO a autoridade fiscal calculou a multa prevista no artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430/1996 de forma incorreta no Auto de infração (fls. 3 e 7), pois, segundo a legislação aplicável ao caso, incide a multa de mora, que será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto, e limitada a vinte por cento (art. 61, §1° e §2°, da Lei n° 9.430/1996); a DI n° 14/19607113, foi registrada em data de 12/10/2014, sendo esta a data do fato gerador do imposto. O Auto de Infração foi lavrado em data de 17/11/2014 (fl. 3). Considerando o disposto na norma legal supracitada, a multa de mora é cobrada por dia de atraso, e é calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo legal, o que perfaz tão somente 36 (trinta e seis) dias quando da lavratura do Auto de Infração, que ocorreu em 17/11/2014; Portanto, incorreto o percentual da multa calculada no Auto de Infração, que considerou o teto de 20% (vinte por cento), quando o correto na data da lavratura do Auto de Infração seria de 36 (trinta e seis) dias, multiplicado pela taxa de 0,33% (trinta e três centésimos por cento), o que perfaz um percentual total de 11,88% (onze inteiros e oitenta e oito centésimos por cento), índice a ser aplicado ao valor do tributo calculado; IVCONCLUSÃO por todo o acima exposto, há que se concluir que a emissão do certificado de origem ocorreu por um erro formal da entidade certificadora, que acatando o pedido de prorrogação da data de emissão, emitiu regularmente o competente certificado de origem, que atesta Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 247 9 incontestavelmente a origem paraguaia da mercadoria objeto do certificado de origem emitido; o erro cometido na aceitação do pedido de prorrogação da data de emissão da fatura não modifica a qualificação de origem da mercadoria, o que o classifica como erro formal, sujeito portanto a correção, nos termos da letra "e" do Anexo IV A CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM, o que ocorreu com a apresentação da justificativa da emissão do Certificado de origem feita pela entidade certificadora; caso não seja este o entendimento desta douta autoridade julgadora, que seja refeito o cálculo da multa de mora, pois da forma em que foi lançada está incorreta, e tal erro repercutirá em todos os cálculos futuros; isto posto, REQUER: “1.seja o Auto de Infração julgado improcedente e arquivado em caráter definitivo, por ser essa a única medida de inteira justiça; 2.que seja recalculada a multa de mora lançada na data da lavratura do Auto de Infração, por estar incorreta, e que se mantida, repercutirá de forma negativa nos cálculos do débito futuro.” À fl. 173, consta Termo de Constatação, datado de 29/12/2014, segundo o qual: “Tratase de Auto de Infração com lançamento de ofício de Imposto de Importação devido a desqualificação de certificado de origem elaborado em desacordo com as normas vigentes. Ciente do Auto de Infração, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO no qual contesta a desqualificação do Certificado de Origem que dava cobertura a operação de importação e o lançamento efetuado, bem como a multa de mora aplicada. O encaminhamento para a competente Delegacia de Julgamento encontrase no momento pendente de regularização dos documentos de representação. Em paralelo, o interessado impetrou o Mandado de Segurança 0002680 69.2014.4.03.6006 pleiteando a liberação das mercadorias sem garantia (as quais encontramse retidas aguardando regularização da importação). O pedido de liminar foi postergado para momento posterior à chegada de informações solicitadas a esta Inspetoria. Em 19/12/2014 foi encaminhado à Primeira Vara Federal em Naviraí as informações solicitadas”. Às fls. 188198 foram anexadas sentença, Decisão do Reexame Necessário pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região e extrato do processamento relativo à citada ação judicial. A Fl. 251DF CARF MF 10 petição inicial e outros documentos relativos ao referido processo já tinham sido anexados pela impugnante às fls. 82 a 155. Quanto à pendência relativa à representação, foram apresentadas, às fls. 182 185, procuração e cópias dos documentos de identificação dos representantes O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Fortaleza/CE (fls 203 a 220), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/10/2014 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. NÃO EXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não havendo identidade entre os objetos do processo judicial e do processo administrativo, a propositura de ação judicial, por si só, não importa em renúncia à instância administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/10/2014 CERTIFICADO DE ORIGEM. DESQUALIFICAÇÃO. Considerase ineficaz, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, Certificado de Origem emitido em data posterior a sessenta dias da data da emissão da fatura comercial que instruiu a declaração de importação. Desqualificado o Certificado de Origem, submetese a importação ao regime comum, aplicandose as alíquotas integrais previstas para as mercadorias objeto da operação. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 229 a 237, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme o despacho de fls 243, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 248 11 De acordo com o relato acima, as questões a serem aqui solucionadas seriam duas: i) existência ou não de concomitância; ii) validade da desqualificação do certificado de origem da mercadoria importada, com a correspondente cobrança da diferença do Imposto de Importação ("II"), multa e juros. Entretanto, com relação à concomitância, a Contribuinte não apresentou em seu recurso voluntário nenhuma consideração atinente ao tema. Assim, aquiesceu com as conclusões adotadas pela DRJ no sentido de inexistência de similaridade entre a discussão travada no Mandado de Segurança n. 000268069.2014.4.03.6006 e o presente processo administrativo, com as quais concordo. 1 Por tais razões, o tema encontrase pacificado, não merecendo maiores considerações nesse momento. Passemos então à questão do certificado de origem. Depreendese da análise do processo, que a controvérsia gira em torno da aceitação ou não de Certificado de Origem do Mercosul apresentado em despacho aduaneiro, em virtude de o tempo decorrido entre a data de emissão deste documento e a data de emissão da fatura estar superior a sessenta dias, contrariando o disposto no artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE 18), que é o tratado internacional que dispõe sobre o tratamento tributário favorecido entre os países membros do Mercosul. Como bem destacado neste processo, em 26/03/1991, foi assinado o Tratado de Assunção, instituindo o Mercosul – Mercado Comum do Sul, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 29/11/1991, foi assinado o Acordo de Complementação Econômica (ACE 18), internalizado no País pelo Decreto nº 550 de 27/05/1992. Esse ACE foi alterado por diversos Protocolos Adicionais, sendo que o 44º Protocolo Adicional, que aprova o texto do atual Regime de Origem MERCOSUL, foi internalizado no País pelo Decreto n° 5.455, de 02/06/2005. No que interessa ao presente caso, para aplicação das alíquotas preferenciais, no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. Dessa forma, o Regulamento de Origem das Mercadorias definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem do Mercosul, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas. No Brasil cabe à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior. No despacho de importação, o certificado de origem deve ser apresentado juntamente com os demais documentos instrutivos da Declaração de Importação, no modelo padrão aprovado. A aceitação do Certificado de Origem do Mercosul depende do cumprimento do disposto nas normas regulamentares. O 44º Protocolo Adicional revogou o 8º Protocolo Adicional ao ACE nº 18, de 1995, que trazia, em seu Anexo I, o Regulamento de Origem das Mercadorias no Mercado 1 Analisandose a petição inicial relativa ao Mandado de Segurança nº 0002680 69.2014.4.03.6006, impetrado pela impugnante, o qual tramitou na 1a Vara da Justiça Federal de NaviraíMS, que faz parte da Jurisdição do Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3), verificase que a ação visava apenas à liberação da carga importada através da DI n° 14/19607113 (objeto da autuação a que se refere o processo em análise), bem como das DI’s nº 14/19608292, 14/19602642, conforme consta do pedido, às fls. 101102. Fl. 253DF CARF MF 12 Comum do Sul. Esse Regulamento de Origem foi disciplinado no Brasil pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE nº 11/1997, e pela IN SRF nº 149/2002, a qual ainda está em vigor, agora regulamentando o 44º Protocolo Adicional ao ACE 18. Quanto ao momento em que o Certificado de Origem pode ser emitido em relação à data da fatura, o artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 dispõe: Artigo 17 Os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data de emissão da fatura comercial correspondente, ou durante os sessenta (60) dias seguintes. (grifei) O certificado de origem deverá ser apresentado perante a autoridade aduaneira do Estado Parte importador no momento do despacho de importação. As administrações aduaneiras, por sua vez, observarão o disposto no Anexo IV deste Regime que contém “As instruções para o controle de certificados de origem do MERCOSUL por parte das administrações aduaneiras.” Disciplinando tal ponto, o artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 149/2002 determina que: Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: I contiver rasuras, correções, emendas ou campos não preenchidos, com exceção daqueles reservados às observações e à identificação do consignatário; II tiver sido emitido anteriormente à data da respectiva fatura comercial ou após sessenta dias da sua emissão; ou III tiver sido firmado por entidade ou funcionário não autorizado. Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração. (grifei) No caso ora sob análise, é incontroverso o fato de que a fatura comercial está datada de 26/07/2014 (fls 25), enquanto que o certificado de origem apresentado pelo importador foi expedido em 08/10/2014 (fl. 31). Ou seja, está claro que o certificado de origem o foi emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial correspondente, em desconformidade com a norma acima transcrita. A Recorrente defendese explicando que foi apresentado um oficio requerendo prorrogação da data de emissão da fatura, em decorrência do transcurso do prazo Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 249 13 de 60 entre a data de sua emissão e do protocolo do pedido, o que foi aceito pela entidade certificadora, tendo esta emitido o certificado de origem para a mercadoria objeto da fatura. Enquanto a DRJ entende que tal defesa só confirma que, na data prevista pela lei, não existia o certificado de origem, o que necessariamente acarreta na consequência lógica imposta pelo auto de infração. Entretanto, não é essa a melhor resposta ao problema, de acordo com as normas jurídicas pertinentse e com a jurisprudência deste Conselho. Explico. O 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 trata com acuidade do que se pretende comprovar por meio do certificado de origem, na redação de seu artigo 14: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: Ser emitido por entidades certificadoras autorizadas; Identificar as mercadorias a que se refere; Indicar, inequivocadamente, que a mercadoria a que se refere é originária do Estado Parte de que se trate nos termos e disposições do presente Regime. No caso ora sob análise, em nenhum momento foi alegada qualquer desconfiança com relação à mercadoria em si, ao seu país de origem, à autoridade certificadora, nem qualquer outros problema com relação ao produtor final. Tais fatos, somados à peremptória confirmação pela autoridade certificadora da inexistência de qualquer motivo para a desconsideração do certificado de origem já que acatou o pedido de prorrogação da data da fatura feita pelo exportador paraguaio , deixam claro que os requisitos do certificado de origem encontramse plenamente preenchidos, conforme o artigo 14 supra transcrito. Ademais, apesar de o mesmo Protocolo determinar a necessidade de apresentação do certificado de origem dentro do prazo de 60 dias da emissão da fatura comercial (artigo 17), não impõe como consequência do descumprimento desse prazo a desqualificação do certificado de origem. O que o referido Protocolo faz é, a partir do seu artigo 18, tratar da verificação e controle do certificado de origem, justamente para que sejam extirpadas quaisquer dúvidas sobre seus requisitos, elencados no artigo 14 acima mencionado. A consequência sobre o descumprimento do prazo de 60 dias imposta pelo presente auto de infração só apareceu no âmbito interno, por meio da Instrução Normativa SRF nº 149/2002, anteriormente mencionada. É esse ato normativo infralegal que determinou a desqualificação do certificado de origem, com a subsequente cobrança da diferença de impostos devidos pela importação, pois deixará de existir o tratamento favorecido no âmbito do Mercosul. Inarredável, portanto, a conclusão pela ilegalidade do artigo 10, inciso II parágrafo único da IN 149/2009, que extrapolou o conteúdo do 44º Protocolo Adicional do ACE 18, ferindo a hierarquia das normas jurídicas, ao criar situação que inexiste no diploma normativo que lhe dá fundamento. Fl. 255DF CARF MF 14 Assim é que, dentro da legislação sobre o certificado de origem no âmbito do Mercosul, o que caberia à autoridade fiscal seria instaurar um procedimento de verificação do certificado de origem, para apurar eventual problema com relação à própria mercadoria ou a sua origem, para então promover a desconsideração dos benefícios fiscais e a respectiva cobrança da diferença tributária. Não poderia, pelo simples problema com relação à data da emissão do certificado, desconsiderálo, passando por cima de todo o tratamento tributário acordado no Mercosul, com vistas ao desenvolvimento do bloco econômico, em clara atuação do direito tributário com fins extrafiscais. Esse entendimento, sobre a necessidade de ser observado o verdadeiro conteúdo dos certificados de origem, para fins de sua eventual desqualificação, já foi enfrentada por este Conselho, conforme se depreende das ementas a seguir colacionadas: Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM. EMISSÃO POSTERIOR À DATA DE EMBARQUE DA MERCADORIA. VALIDADE. — Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. Aplicável à hipótese o Decreto n° 1.300, de 04/11/1994 (ex vi art. 106 do CTN), o qual estabelece a validade do Certificado de Origem emitido dentro do prazo de 10 (dez) dias após o embarque da mercadoria. PRECEDENTES da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial provido. (Acórdão CSRF/0305.672, Processo 11128.001770/94 40) Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1994 CERTIFICADO DE ORIGEM. EMISSÃO POSTERIOR À DATA DE EMBARQUE DA MERCADORIA. VALIDADE. Já está pacificado que não havendo prova de falso conteúdo ideológico, o Certificado de Origem cumpre a função para a qual foi concebido, que é a de apontar o país remetente das mercadorias importadas. Aplicável à hipótese o Decreto n° 1300, de 04/11/1994 (Acórdão: CSRF/0306.033, Processo: 11131.001076/9870) Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM. VALIDADE Certificado de Origem válido, não pode ser considerado nulo se não houver prova convincente de sua falsidade. Aplicase a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 1º, do 6º Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18). Havendo o contribuinte efetivamente obtido a necessária certificação de que a operação de importação foi realizada entre países signatários do ACE Nº 18, não é exigível o recolhimento dos tributos incidentes na importação. (CSRF/0304.659, Processo 11042.000065/9410) Destaco o seguinte trecho do voto do Conselheiro Relator, no julgamento do caso CSRF/0304.659, Processo 11042.000065/9410: Não existem dúvidas que o Certificado de Origem foi efetivamente emitido, com todos os elementos essenciais, sendo, portanto, um completo absurdo afirmar a nulidade do mesmo, posto que nos autos não há prova capaz de comprovar a invalidade do Certificado de Origem, nem mesmo causa prejuízo ao fisco a confusão de datas referidas nos autos. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 250 15 Dessarte, no entender desta Relatora não existe na normativa assinada entre os países do Mercosul uma regra impondo a desqualificação do certificado de origem em casos como o presente, além do que inexiste in casu qualquer suspeita quanto à origem ou a qualidade das mercadorias importadas, devendo portanto ser reputado perfeito o tratamento tributário dado às operações internacionais com o cancelamento do respectivo auto de infração. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 257DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor por voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. O artigo 17 do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 dispõe expressamente que "Os certificados de origem somente poderão ser emitidos a partir da data de emissão da fatura comercial correspondente, ou durante os sessenta (60) dias seguintes". [grifei e negritei] Como se vê, tratase de norma internacional proibitiva acerca da emissão do referido documento no país membro de origem da mercadoria, que atinge a existência/validade do Certificado de Origem, que está em perfeita consonância com a não aceitação, pelo país de destino (país membro importador), de eventual documento emitido nessas condições para fins de tratamento tarifário preferencial. Ora, se os países membros do Acordo Internacional, inclusive o país de destino (no caso, o Brasil), acordaram quanto à proibição de emissão de Certificado de Origem após 60 dias da emissão da fatura comercial correspondente, não faria nenhum sentido esse mesmo país de destino aceitar normalmente, para fins de tratamento tarifário preferencial, um documento emitido com infração à referida norma internacional. Dessa forma, não há qualquer lesão à hierarquia das normas na regulamentação dada pela Receita Federal no art. 10 da IN SRF nº 149/2002, que dispõe sobre a desqualificação do Certificado de Origem para fins de tratamento preferencial, quando esse tiver sido emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial. A decisão recorrida foi bem motivada quanto à validade da desqualificação do Certificado de Origem para fins de tratamento preferencial efetuada pela fiscalização que culminou com o presente lançamento, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, abaixo transcritos: (...) Nesse sentido, aplicase a máxima segundo a qual a lei não abriga palavras inúteis. Ora, devese admitir que a cláusula quanto ao prazo de expedição do Certificado de Origem, contida no acordo internacional, tem sua razão de ser, afigurandose relevante para assegurar os objetivos do pacto internacional, segundo a vontade dos países signatários. Por outro lado, se o acordo internacional pretendesse limitar a ineficácia do certificado de origem apenas a determinadas hipóteses, certamente as teria explicitado. Assim, é razoável inferir essa ineficácia, sempre que deixe o documento de preencher qualquer dos requisitos exigidos nos tratados internacionais pertinentes. Impõese concluir que a fruição do benefício tarifário depende do cumprimento dos requisitos estabelecidos no pacto internacional, dentre eles, a apresentação de certificado de origem expedido tempestivamente, o que não foi observado pelo importador. Cumpre esclarecer que cabe a autoridade aduaneira reconhecer ou não a eficácia do Certificado de Origem, consistente na redução tributária; isto é, considerar ou não um documento como hábil, na forma da lei, para produzir determinado efeito fiscal, atividade inerente aos poderes do Fisco, nos termos do art. 121 do Regulamento Aduaneiro/2009: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10142.721278/201467 Acórdão n.º 3402005.454 S3C4T2 Fl. 251 17 Art. 121. O reconhecimento da isenção ou da redução do imposto será efetivado, em cada caso, pela autoridade aduaneira, com base em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou em contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179, caput). Dada a importância do documento em análise como instrumento de certificação da origem da mercadoria, inferese que, ante a ausência de qualquer dos requisitos exigidos pelos acordos internacionais, o Estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. Com efeito, se os países participantes estipularam regras obrigatórias para o reconhecimento da origem da mercadoria e, por conseguinte, do benefício tarifário, temse como inadmissível substituir a vontade dos referidos países, manifestada no acordo, com a pretensão de tentar demonstrar a origem por outros meios, sob pena de negar vigência ao acordo internacional. Assim, afora o Certificado de Origem emitido em conformidade com as normas do Mercosul, inexiste qualquer outro meio idôneo que possa suprir essa prova, sem a qual não se pode identificar a origem da mercadoria e reconhecer a redução tarifária. Repitase que a fruição do benefício de redução tarifária importa a observância estrita das condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência. O reconhecimento, pelo Fisco, do benefício tributário pactuado entre os países integrantes do Mercosul depende da constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionável. Nesse sentido, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, deve a operação de importação estar em conformidade com as demais regras estabelecidas nos acordos de regência. (...) Primeiramente cumpre destacar que o previsto no Anexo IV do 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 é aplicável nos casos em que sejam detectados erros formais na confecção do Certificado de Origem, e desde que estes sejam avaliados como tais pelas Administrações Aduaneiras. O intento de prorrogar a data da fatura apenas confirma que, realmente, o Certificado de Origem foi emitido em data posterior a sessenta dias da data da emissão da fatura. Assim, não se pode dizer que houve mero erro formal da confecção do Certificado de Origem e sim que esse documento foi de fato emitido de modo intempestivo, desrespeitando, portanto, o prazo legal. (...) O pleito do exportador perante a Entidade Certificadora, qual seja a "prorrogação da data da fatura comercial" é um instituto que não existe no 44º Protocolo Adicional ao ACE 18 do Mercosul e, em sendo assim, não poderia a entidade unilateralmente criar tal benefício, em detrimento dos dispositivos do Tratado Internacional, que, como já mencionado, tem status jurídico de lei ordinária. O procedimento adotado pela fiscalização está em acordo com a legislação prevista para o caso, uma vez que o Certificado de Origem n° E0000069540 (fl. 31) possui data de emissão posterior a sessenta dias da data de emissão da fatura original n° 001033 0000064 (fl. 25), apresentada para despacho. Tal situação está prevista na legislação citada anteriormente, e há orientação específica sobre o procedimento a ser adotado para o caso no inciso II, artigo 10, da IN SRF n° 149/2002, que claramente instrui a autoridade aduaneira a desqualificar o certificado de origem quando este for emitido nessas condições. (...) Ocorre que o emprego da razoabilidade e proporcionalidade, pela instância administrativa, não autoriza afastar a aplicação da legislação nem de alterarlhe o Fl. 259DF CARF MF 18 teor com base em critérios subjetivos de justiça, tendo em vista que essa apreciação refoge à competência da autoridade administrativa. A solução inversa, ou seja, assentir com a prorrogação do prazo da fatura com mero o propósito de tornar o Certificado de Origem artificialmente tempestivo, sem que isso esteja previsto na legislação, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914284/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 84 /2 01 2- 22 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.439, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.914284/201222 Acórdão n.º 3201003.914 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001327/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA EXCLUSÃO – SIMPLES PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU
TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Demonstrado nos autos que a
participação do sócio em outra empresa só superou o limite de 10% do capital social em dezembro de 2002, não prevalecem os efeitos da exclusão a parir de 01/01/2002.
Numero da decisão: 1301-000.839
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO – SIMPLES PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Demonstrado nos autos que a participação do sócio em outra empresa só superou o limite de 10% do capital social em dezembro de 2002, não prevalecem os efeitos da exclusão a parir de 01/01/2002.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.001327/200536 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.839 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente Real Zincagem Ecológica Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO – SIMPLES PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA Demonstrado nos autos que a participação do sócio em outra empresa só superou o limite de 10% do capital social em dezembro de 2002, não prevalecem os efeitos da exclusão a parir de 01/01/2002. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.001327/200536 Acórdão n.º 1301000.839 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Pelo Ato Declaratório Executivo n°. 441.555, de 07 de agosto de 2003, de emissão do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, Real Zincagem Ecológica Ltda. foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002. O evento informado como causa da exclusão foi o fato de um dos sócios participar com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita global do anocalendário de 2001 ter ultrapassado o limite estabelecido pela legislação que rege o Simples, conforme previsto no artigo 9°, inciso IX, da Lei n° 9.317, de 1996. Em manifestação de inconformidade dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CuritibaPR, a interessada sustentou que sua exclusão ao Simples, com efeito retroativo a 2002 não pode prosperar já que o sócio em questão, tornouse detentor de 33,33% do capital da empresa em 17 de dezembro de 2002, conforme consta da alteração contratual registrada em 20/01/2003, e que, a partir de 2003 optou pelo Lucro Presumido. Argúi questões de irretroatividade da norma, ilegalidade, inexigibilidade da multa dos débitos retroativos. E pede sua permanência no Simples. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba indeferiu a solicitação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal, correta a exclusão do contribuinte de tal regime simplificado a partir de 01/01/2002, vez que se encontra expressamente consignado na legislação como sendo impeditiva à opção. Ciente da decisão em 28 de agosto de 2007, a interessada ingressou com recurso em 18 de setembro, trazendo aos autos cópias de alterações contratuais da outra empresa de que participa, com o intuito de comprovar que a situação excludente só se concretizou em dezembro de 2002, e postulando que os efeitos da exclusão só incidam a partir de 01/01/2003. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele conheço. Conforme se depreende dos autos, a Recorrente foi excluída do SIMPLES porque sua sócia, Cláudia Aparecida de Carvalho participava do quadro societário da empresa Cinfer Comércio e Indústria de Ferramentas Ltda., e a receita global das duas empresas no ano calendario de 2001 ultrapassou o limite admitido na legislação para a opção pelo sistema simplificado. O inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317/96 veda a opção pelo Simples à pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite previsto no inciso II do art. 2º da mesma lei. Quanto aos efeitos da exclusão, prevê o inciso IV do art. 15 que ele se produzirá a partir do exercício seguinte àquele em que for ultrapassado o limite. Conforme consta dos autos, a Recorrente optou pelo sistema simplificado em 06 de fevereiro de 1998, e a situação excludente ocorreu em 31/12/2001. A decisão de primeira instância fundamentouse em registros nos sistemas informatizados da Receita que indicam que em 2001 a Sra. Cláudia Aparecida de Carvalho participava com 33% do capital da Real Zincagem e com 33% do capital da Cinfer (fl. 26). Todavia, conforme cópia das alterações contratuais da Cinfer juntada aos autos, a Sra. Cláudia ingressou na Cinfer com 2,5% de participação, a partir da 20ª alteração contratual, ocorrida em 22/08/2001, registrada em 28/08/2002 (fl. 115 a 118); sua participação aumentou para 12,5% a partir da 21ª alteração, ocorrida em 01/12/2002, registrada em 18/12/2002 (fls. 119 a 122), e a 33.33% a partir da 22ª alteração, ocorrida em 05/05/2003 e registrada em 03/11/2003 (fls. 123/125). Assim, como visto acima, a situação excludente só se configurou em dezembro de 2002, e os efeitos da exclusão, com base no inciso IV do art. 15, só se produzem a partir de janeiro de 2003, razão porque, DOU provimento ao recurso do contribuinte. E como voto. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS Processo nº 10950.001327/200536 Acórdão n.º 1301000.839 S1C3T1 Fl. 3 5 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por OSMARINA CARDOSO SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721050/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2008, 2009
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2202-004.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos de origem não comprovada, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento a infração de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos de origem não comprovada, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negou provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 50 /2 01 1- 10 Fl. 435DF CARF MF 2 Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) (fls. 370/372): Por meio do Auto de Infração de fls. 287 a 330 (a numeração digital é a adotada neste acórdão), exigese R$ 147.488,46 de imposto de renda, R$ 110.616,38 de multa de ofício de 75%, e acréscimos legais decorrentes da ação fiscal efetuada em desfavor do contribuinte, acima qualificado, em face da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, da existência de depósitos bancários de origem não comprovada e da não apuração de ganhos de capital na alienação de bem imóvel, cujos fatos subjacentes ocorreram entre 2007 e 2008. (...) 3. Segundo a autoridade fiscal, a alienação do apartamento 1.500 do Condomínio Mucuripe, de propriedade do contribuinte, deuse de forma parcelada e os reajustes incidentes sobre as parcelas não entraram para o cômputo do ganho de capital, sendo tributados, na forma do art. 106 do RIR/99, como omissão de rendimentos recebidos como pessoa física. (...) 4. Prosseguindo, a autoridade lançadora aduz que, mesmo intimado, o contribuinte não conseguiu comprovar a origem do depósito bancário de R$ 150.000,00, creditado, em 19/09/2007, na conta nº 1185934, mantida junto à agência nº 2268 do Banco Bradesco (fl. 43). Assim procedeu ao lançamento por omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e art. 849 do RIR/99. 5. A fiscalização apurou que o contribuinte investiu, em conjunto com João Marcos Pozzetti, recursos em dois empreendimentos imobiliários, o Catamarã e o Mucuripe Plaza, em Fortaleza. 6. No empreendimento Catamarã, houve a aquisição das unidades 2101, 2102 e 2202, em 12/09/2003, por meio da participação de 2/3 do contribuinte e 1/3 do Sr. João Marcos Pozzetti, por um valor total de R$ 799.600,00. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 436 3 7. Como a participação do contribuinte foi de 2/3, a aquisição, concernente a este, desses imóveis deuse pelo importe de R$ 533.066,67. 8. O imóvel 2101 foi vendido, em 26/12/2006, a Jean André Roero, pelos valores de R$ 537.759,00, pagos em 02/02/2007; R$ 144.828,00, pagos em 05/02/2007; R$ 336.656,62, pagos em 28/03/2007 e R$ 43.531,27, pagos em 02/05/2007. 9. Considerado o desembolso de corretagem de R$ 53.138,34, o valor líquido importou em R$ 1.009.636,55, sendo que a parte correspondente ao fiscalizado (2/3) redundou em R$ 673.091,03. 10. Assim, o ganho de capital resultou em R$ 140.024,36 (R$ 673.091,03 – R$ 533.066,67), importando no imposto de R$ 18.274,42. 11. Utilizando os mesmos critérios, a autoridade fiscal apurou ganho de capital de R$ 102.754,86 na alienação do apartamento 2102, aplicando os fatores de redução chegou ao montante de R$ 88.086,85 a tributar e R$ 13.213,01 de imposto de renda. 12. Já o apartamento 2202 redundou no imposto de renda sobre ganho de capital de R$ 27.203,51 (fls. 294 e 295) 13. Como mostra o Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital no empreendimento Catamarã, apresentado pelo próprio contribuinte como anexo à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2009, o imposto pago no valor de R$ 36.172,05 referese à unidade 2202. Assim, embora tenha recolhido a mais, o que deve se acertar por meio de pedido de restituição, a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário concernente as demais unidades (2101 e 2102) com a aplicação da penalidade de 75%. 14. No empreendimento Mucuripe, houve a aquisição dos apartamentos 1500, 2000, 2400 e 2500 em parceria com João Marcos Pozzetti, com a participação de ¾ do contribuinte de ¼ do parceiro. 15. A alienação do apartamento 2400 redundou na declaração e no recolhimento de R$ 68.461,88 em 2009 (embora o contribuinte tenha informado à fiscalização que tal recolhimento se refere ao imposto incidente sobre o ganho de capital apurado na venda de todas as unidades do sobredito empreendimento), não sendo objeto dessa operação fiscal, justamente por se referir a fato ocorrido fora do período alcançado pelo MPF. 16. Assim a autoridade fiscal apurou o ganho de capital de R$ 202.583,65 na venda do apartamento 1500, com o imposto de renda de R$ 24.485,06 no ano calendário de 2007 e R$ 1.933,81 no ano calendário de 2008. 17. A alienação do apartamento 2000 gerou o imposto de renda sobre ganho de capital de R$ 22.536,00 em 2007 e R$ 15.024,00 em 2008. Fl. 437DF CARF MF 4 18. A alienação da unidade 2500 deuse em 25/11/2005 para Hans Dieter Rudolf Birkat, não entrando para o cômputo desta autuação. 19. Ciente pessoalmente da autuação em 14/10/2011 (fl. 329), o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 336 a 351, protocolizada em 16/11/2011, considerada tempestiva pela unidade de origem (fl. 366), alegando que: I. a autuação é nula, pois não foi respeitado o período de apuração imposto pelo MPF nº 0220100.2010.00692, que era o curso de 2007 e não 2007 e 2008 como considerado pela fiscalização; II. o depósito de R$ 150.000,00, considerado como de origem não comprovada, teve sua origem registrada na Declaração de Ajuste, sendo o depósito feito pelo próprio contribuinte, pois se tratava de dinheiro em espécie que estava sob sua posse, não havendo acréscimo patrimonial, apenas a mutação da classificação de tal verba, não cabendo, assim, a autuação; III. foi recolhido o imposto referente ao ganho de capital na alienação do apartamento 1500 do Condomínio Mucuripe e mesmo se tais valores não tivessem sido tributados, a autoridade fiscal deveria tributar mensalmente os rendimentos sujeitos ao carnêleão (reajuste das parcelas) como determina o art. 106 do RIR/99 e não anualmente como o fez, ademais, houve a inclusão equivocada do depósito bancário de R$ 150.000,00 (dito de origem não comprovada) nos cálculos da tributação desses rendimentos submetidos ao carnêleão; IV. pelos mesmos motivos expostos, não há incidência da multa por falta de recolhimento do carnêleão; V. inexistiu a omissão ou erro na apuração de ganhos de capital, como a seguir fica demonstrado: V.a) O apartamento 2101 foi vendido, em 2007, por R$ 1.062.774,89, pago um valor de corretagem de R$ 53.131,75, repassado o valor de R$ 336.545,52 a João Marcos Pozzetti, restando a si R$ 673.091,03; o valor do custo de aquisição foi apurado equivocadamente pela autoridade fiscal, pois esta não ofereceu oportunidade para a apresentação de valores extras pagos pela construção, como discriminados nos comprovantes de “Contas Recebidas pelo Condomínio”, cujas cópias anexa. O valor correto do custo da aquisição é de R$ 575.725,32. V.b) O apartamento 2102 foi vendido, em 2007, por R$ 1.195.555,07, com corretagem de R$ 66.000,00. João Marcos Pozzetti passou ao contribuinte a importância de R$ 753.036,72. O valor correto de custo foi de R$ 575.725,32. A auditora não ofereceu oportunidade para a apresentação de valores extras pagos pela construção, como discriminados nos comprovantes de “Contas Recebidas pelo Condomínio”, cujas cópias anexa. V.c) O apartamento 2202 foi alienado, em 2008, por R$ 1.195.555,07, com pagamento de R$ 66.000,00 de corretagem. Foi repassado ao contribuinte a importância de R$ 753.036,72 por João Marcos Pozzetti. O valor de custo foi de R$ Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 437 5 575.725,32. A auditora não ofereceu oportunidade para a apresentação de valores extras pagos pela construção, como discriminados nos comprovantes de “Contas Recebidas pelo Condomínio”, cujas cópias anexa. Afirma também que o ano de 2008 não está incluso no MPF. V.d) O apartamento 1500 foi vendido por R$ 1.302.228,37 em 2007. A quitação se deu da seguinte forma: do pagamento de R$ 350.000,00, foi repassado R$ 173.528,00 ao condomínio Mucuripe Plaza para pagamento de acréscimos de custo de construção das unidades 1500 e 2000 do Edifício Vicente Pizon e 2400 do edifício Diogo Leppe. Então, o valor recebido pelo contribuinte foi de R$ 1.128.700,37, com um pagamento de corretagem de R$ 40.136,24. Foi repassado um valor de R$ 205.542,33 para João Marcos Pozzetti, redundando num valor a favor do contribuinte de R$ 883.021,80 após os repasses. O valor correto do custo de aquisição foi de R$ 704.814,12 relativo a parte do peticionário (3/4), sendo incorreto o cálculo da autoridade fiscal. V.e) O apartamento 2000 foi vendido, em 2007, por R$ 1.000.000,00, sendo que a primeira parcela de R$ 600.000,00 foi quitada em setembro de 2007 e a segunda parcela de R$ 400.000,00 em setembro de 2008. O valor correto do custo de aquisição foi de R$ 704.814,12, correspondente a ¾ da participação do contribuinte. 20. Em suas considerações finais, o contribuinte protesta contra o não aproveitamento na apuração do imposto sobre o ganho de capital nas unidades 2101 e 2102 do pagamento feito a maior, dito pela própria autoridade fiscal (R$ 36.172,05 em vez de R$ 27.203,51), do imposto sobre o ganho de capital na alienação da unidade 2202. 21. Conclui que a auditora não podia apurar os débitos e ignorar os créditos. Assim, ao desconsiderar esse crédito, a autoridade fiscal tornou o auto de infração nulo. Em 23 de abril de 2015, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 369): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão Fl. 439DF CARF MF 6 pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ALEGAÇÕES. PROVAS. EFICÁCIA. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR INSTANTÂNEO. COMPENSAÇÃO. AUTORIDADE LANÇADORA. COMPETÊNCIA. Inexiste previsão legal para que a autoridade fiscal, no exercício da atividade do lançamento, reconheça o direto à restituição de imposto sobre o ganho de capital recolhido a maior e, por consequência, possa compensálo com o apurado em outra alienação da mesma natureza, uma vez que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital é instantâneo. Cientificado em 21/05/2015 (AR fls. 386), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 388/402, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO AUTUAÇÃO DE PERÍODOS NÃO ABRANGIDOS PELO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Alega o Recorrente o lançamento seria nulo, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal só abrangia o período de 01/2007 a 12/2007. No entanto, a Autoridade Fiscal promoveu o lançamento de débitos relativos aos períodos de 2007 e 2008. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 438 7 Sem razão o Recorrente. Isso porque, conforme já observado pela decisão recorrida: Não procede a reclamação do impugnante de que a autoridade fiscal tenha invadido período não previsto no MPF, pois o procedimento fiscal originouse na expedição do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 02.2.01.002010006920 em 27 de dezembro de 2010, abrangendo, inicialmente, os fatos econômicos decorridos em 2007 e, posteriormente, foi estendido até dezembro de 2008, por meio de alteração no MPF efetuada em 07/06/2011. Ademais, a posição predominante neste Conselho é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Em face do exposto, rejeito a preliminar 2) MÉRITO 2.1) DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 441DF CARF MF 8 Em relação ao depósito bancário de origem não comprovada no montante de R$ 150.000,00 o ora Recorrente, desde a Impugnação, afirma que tratase de valor depositado em dinheiro e já declarado em sua IRPF. A decisão recorrida, todavia, negou provimento à referida alegação por entender que tratase, na verdade, de transferência entre contas e não de depósito em dinheiro conforme se constata pelo trecho abaixo transcrito. Depósito bancário de origem não comprovada 35. O contribuinte alega que o valor de R$ 150.000,00, considerado pela autoridade fiscal como depósito de origem não comprovada, advém de um depósito retirado do dinheiro “em mãos”, declarado em sua DIRPF. 36. Não há provas nos autos que legitimem tal afirmação, eis que o documento de fl. 205, denota o contrário, pois mostra que houve transferência bancária entre agência e não depósito em mãos. 37. O lançamento foi fundamentado no art. 849 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR), que regulamenta o art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: (...) 43. Como visto, tudo reforça a necessidade do impugnante refutar a imposição fiscal com prova suficientemente forte, capaz de convencer o julgador, o que não acontece no presente caso, pois a prova trazida à lume (fl. 205) mais reforça a tese fiscal. 44. Improcedente a impugnação nesse aspecto. Com efeito, de acordo com o extrato bancário juntado às fls. 205, em 19/09/07 consta o depósito de R$ 150.000,00, documento nº 1092214, cujo histórico é "Transf entre Agencia". O referido depósito foi realizado no Banco Bradesco, Agência 21303, conta 118.5934. Todavia, o contribuinte juntou à impugnação o comprovante de depósito de fls. 363 onde constam os mesmos dados (banco, agência, conta, data e valor) onde consta a informação de que foi realizado depósito em dinheiro. Todavia, tal documento não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil quando da decisão recorrida. Ademais, na DIRPF do anocalendário 2008, Exercício 2009 (fls. 29), foi declarado o montante de R$ 250.000,00 como dinheiro em mãos, tal como afirmado pelo Recorrente. Em face do exposto, entendo devidamente comprovada a origem do depósito bancário, motivo pelo qual o deve ser excluído da base de cálculo do presente lançamento. 2.2) INEXISTÊNCIA DE RENDIMENTOS SUJEITOS AO CARNÊLEÃO. Parte do lançamento referese aos valores relativos aos juros das parcelas de alienação dos imóveis. Isso porque, os acréscimos legais não compõe o valor da alienação para efeito de apuração do ganho de capital e, sendo assim, deveriam ser recolhidos por meio de carnê leão. Em seu recurso o Recorrente alega que os valores correspondentes aos recebimentos decorrentes da venda do apartamento foram objeto de apuração de ganho de capital e que, mesmo que os valores não tivessem sido tributados, os cálculos realizados pela autoridade lançadora estão equivocados.Isso porque, tais rendimentos decorrem de fatos Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 439 9 geradores mensais, devendo o imposto de renda ser calculado por meio da tabela progressiva mensal e não anual. Sem razão o Recorrente. Quanto aos cálculos, conforme observou a decisão recorrida, o demonstrativo de fls. 303 demonstra que a autoridade fiscal adotou tabela progressiva mensal e não anual como alega o Recorrente. Em relação à alegação de que os referidos rendimentos estariam sujeitos à tributação do ganho de capital igualmente incorretas as alegações do Recorrente. Isso porque, o Regulamento de Imposto de Renda RIR, em seu artigo 123, §6º, dispõe expressamente que: Decreto nº 3.000/99 (RIR) Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei n° 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): I o preço efetivo da operação, nos termos do § 4° do art. 117; (...) § 6° Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. (...) Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei n° 7.713, de 1988, art. 8°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 24, § 2°, inciso IV): (...) Art. 620. Os rendimentos de que trata este Capítulo estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante aplicação de alíquotas progressivas, de acordo com as seguintes tabelas em Reais: Diante do exposto, igualmente improcedentes as alegações de não incidência de multa por falta de recolhimento do carnêleão. 2.3) INEXISTÊNCIA DE ERRO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL Alega a Recorrente que custo de aquisição utilizado pela fiscalização para apuração do ganho de capital está errado, uma vez que esta deixou de computar valores extras pagos pela construção do imóvel os quais estariam discriminados nos comprovantes de "Contas recebidas pelo condomínio". Improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque os valores mencionados como custos de construção que deveriam compor o custo de aquisição não foram comprovados, conforme a atesta a decisão recorrida: Fl. 443DF CARF MF 10 63. Como se pode ver, a divergência reside no custo de aquisição, sendo R$ 575.725,31 para a defesa e R$ 533.066,67 para a autoridade fiscal. 64. O impugnante aduz que tal diferença advém dos pagamentos comprovados por meio “Contas Recebidas pelo Condomínio” de fl. 354, não considerados pela autoridade lançadora. 65. Não há ao menos explicação por parte da defesa da natureza de tal despesa denominada taxa de obra, assim como não há a comprovação do recolhimento dos boletos enumerados no demonstrativo de fl. 354. 66. Ademais, a declaração apresentada em forma de planilha, não tem o condão de provar o pagamento da despesa a que se refere, e isso está bem claro no Código Civil (Lei nº 10.406/02), em seu art. 320, porém, tal declaração, além de não provar que o desembolso foi do impugnante, faz prova de quitação de débito do devedor em face de seu credor, mas não possui, necessariamente, efeito erga omnes, podendo terceiros exigirem outras formas de comprovação do pagamento, que é o que ocorre no presente caso. 67. Assim prevalecem os cálculos fiscais. É importante ressaltar que a comprovação dos valores alegados pelo Recorrente não foi realizada em grau de recurso. 2.4) COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO A MAIOR Por fim, o Recorrente alega que a autoridade fiscal deveria ter compensado o valor recolhido a maior na alienação do apartamento 2202 com os valores lançados relativos às alienações que se seguiram. Tal alegação foi rejeitada pela decisão recorrida por entender que não existe previsão legal para a referida compensação. Isso porque, a tributação do ganho de capital se dá de forma instantânea. Sendo assim, cada venda com saldo positivo caracterizase como um fato gerador distinto das demais vendas da mesma natureza. A referida conclusão encontra respaldo no item 521 do Perguntas e Respostas do ano de 2008: 521 — É permitida a compensação entre resultados positivos e negativos de distintas alienações realizadas no mês? Não. Os resultados positivos e negativos apurados em operações distintas não podem ser somados algebricamente por falta de previsão legal. O ganho de capital deve ser apurado e tributado em separado em relação a cada alienação Sendo assim, tendo o contribuinte recolhidos imposto à maior relativo a unidade imobiliária 2202, cabe a ele o direito de pedir restituição ou compensação da diferença paga a maior após entregar a Declaração retificadora e apresentar o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital com os dados corrigidos. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10283.721050/201110 Acórdão n.º 2202004.706 S2C2T2 Fl. 440 11 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir a infração relativa a depósito bancário de origem não comprovada. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 445DF CARF MF
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