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Numero do processo: 13629.001240/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA, A TEOR DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96.
O art. 42 da lei n° 9.430/96 confere presunção de receita omitida a verificação de depósitos em conta corrente não contabilizados pela empresa, quando esta, devidamente intimada, não apresenta, por instrumentos idôneos, a origem de referidos depósitos.
Numero da decisão: 1401-001.405
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA, A TEOR DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. O art. 42 da lei n° 9.430/96 confere presunção de receita omitida a verificação de depósitos em conta corrente não contabilizados pela empresa, quando esta, devidamente intimada, não apresenta, por instrumentos idôneos, a origem de referidos depósitos.
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DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA, A TEOR DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. O art. 42 da lei n° 9.430/96 confere presunção de receita omitida a verificação de depósitos em conta corrente não contabilizados pela empresa, quando esta, devidamente intimada, não apresenta, por instrumentos idôneos, a origem de referidos depósitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 12 40 /2 00 7- 71 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 13629.001240/200771 Acórdão n.º 1401001.405 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Comercial Armond & Reis Ltda. contra a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/JFA, que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento. Por bem retratar a questão posta em debate, adoto e transcrevo o relatório da DRJ/JFA (fls. 305/308), lavrado nos seguintes termos, in verbis: Contra a interessada foram lavrados, em 20/07/2007, os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de R$252.205,89 (fls. 07/13), da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Pasep, no valor de R$89.766,88 (fls. 14/21), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$414.308,87 (fls. 22/29) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor de R$149.151,19 (fls. 30/37), totalizando crédito tributário no montante de R$2.645.292,10, com multa e juros de mora calculados até 29/06/2007. Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is)", constante dos Autos de Infração, foram relatadas as infrações a seguir: 001 . DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações... Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/03/2004 R$873.233,22 150,00 31/03/2004 R$ 758.488,03 150,00 31/03/2004 R$ 945.820,89 150,00 30/06/2004 R$ 825.494,72 150,00 30/06/2004 R$1.191.152,43 150,00 30/06/2004 R$1.386.087,96 150,00 30/09/2004 R$ 1.296.288,99 150,00 30/09/2004 R$1.387.641,49 150,00 30/09/2004 R$1.339.500,35 150,00 31/12/2004 R$ 1.222.165,02 150,00 31/12/2004 R$ 1.320.680,01 150,00 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 4 31/12/2004 R$1.263.744,30 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430/96; art. 528 do RIR199. Às fls. 14/37, encontramse os autos de infração do PIS/Pasep, da COFINS e da CSLL. A fiscalizada foi intimada em 17/08/2006, e em 11/09/2009 (fls. 110/111), a apresentar os extratos bancários das contas correntes e de aplicações financeira, o que foi atendido no decorrer da ação fiscal. A fiscalização examinou a Movimentação Financeira da contribuinte, apurando e excluindo as movimentações financeiras que não representaram recursos provenientes de receitas obtidas por ela, tais como financiamentos/empréstimos bancários, transferências entre contascorrentes, resgate de aplicações financeiras ou estornos de valores. Em 16/01/2007 (fls. 133), a contribuinte foi intimada a comprovar por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que consubstanciaram os créditos bancários, já depurados de ofício, em suas contas correntes no ano base de 2004. Às fls. 135/141, em atendimento à Intimação, a empresa respondeu que: "deixou de apresentar justificativa e documentos de várias entradas constantes dos extratos bancários, eis que não dispõe de contabilidade regular, o que dificulta a conciliação que pudesse chegar a determinados valores". Ainda enviou planilhas contendo justificativas para alguns depósitos bancários com documentação que os acobertassem. Das respostas apresentadas pela contribuinte, a fiscalização verificou que a empresa justificou a existência dos créditos bancários com os seguintes argumentos: 1 Depósito: saída do caixa da empresa; 2 Recebimento de cliente, referente a venda ao Wanderson Porto Silvi, fl.244, anexo III 3 Recebimento de frete da Soeicom S.A; 4 Recebimento referente a venda conforme nota fiscal; 5 Recebimento de frete da Tecnotrans, fl. 244; 6 Depósito referente Reapresentação de cheque devolvido, fl. 179, anexo III 7 Em duplicidade, fl. 472 A fiscalização não acatou o argumento do item 1 em razão de que a simples apresentação de comprovantes de depósito feitos em cheque/dinheiro não comprova a origem de uma disponibilidade financeira, apenas confirma a efetividade do Fl. 345DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 13629.001240/200771 Acórdão n.º 1401001.405 S1C4T1 Fl. 4 5 depósito dessa disponibilidade. Também não acatou o argumento do item 2 por falta de documentação hábil e idônea para comproválo. Em relação ao item 3, recebimento de frete da Soeicom S.A, somente os depósitos dos meses maio, junho,julho, agosto e outubro na contacorrente 301396, agência 15032 do banco Bradesco foram acolhidos pela fiscalização, pois foram apresentados documentos para comproválos. A comprovação da origem dos depósitos com os argumentos citados nos itens 4 a 7 foi acatada pela equipe de fiscalização, exceção feita para o depósito do dia 30 de dezembro de 2004 na contacorrente n° 000028376, agência n° 0607 da Caixa Econômica Federal, fl. 567. Ponderou a equipe fiscal que os créditos que tiveram sua origem comprovada por notas fiscais de venda estão devidamente escriturados. Dando prosseguimento ao trabalho fiscal, foram feitas planilhas que consolidassem os dados, tendo como parâmetro as conclusões da análise da resposta do 0 contribuinte, acima explicitada, tais como, listagem de todos os créditos/depósitos bancários com justificativa ou não da contribuinte para sua origem (fls. 50/74), relação por conta corrente dos créditos sem comprovação de origem (fls. 44), totalização mensal, por conta corrente, de depósitos de origem não comprovada e de origem comprovada. Na apuração da omissão de receita, foi elaborado o Demonstrativo Fiscal de Situação Apurada (fls. 49), por trimestre, do anocalendário de 2004, representados pelos valores dos depósitos bancários para os quais o contribuinte não conseguiu comprovar a origem, de conformidade com art. 42 da Lei 9430/96. A multa aplicada foi qualificada pela caracterização de sonegação — intenção dolosa do contribuinte em subtrair receitas da tributação. Em 29/09/2008, a contribuinte apresenta impugnação ao lançamento às fls. 926/938, na qual, assim se manifesta: Em preliminar requer o cancelamento do auto de infração em virtude da falta de prorrogação do mandado de procedimento fiscal; Ainda em preliminar, sustenta que em relação às penalidades de em ser aplicados os princípios e limites constitucionais ao poder de tributar, pois a regra que obriga o principal será válida para os elementos acessórios e a unidade de princípios que regulam toda a tributação. Necessário pois, que se faça a revisão da imputação dolosa feita pelo agente já que a Fl. 346DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 6 impugnante colocou à disposição do fisco toda a documentação solicitada, o que por si só mostra que a conduta imputada não obedeceu aos critérios que devem nortear os trabalhos da fiscalização; No mérito, aduz que não há como admitir a presunção de receita omitida com base em extrato bancário, na ausência de outra prova que demonstre claramente o ingresso no patrimônio da impugnante dos valores apontados. Por fim conclui: Ante ao exposto e às razoes de direito e de fato apresentadas, espera o contribuinte que haja a desconsideração do auto de infração por ter o agente excedido no prazo de sua conclusão, ou, se assim não entender, pelas razoes de direito expostas, e até mesmo a não aplicação da multa de 150% imposta por possíveis atos tendentes a dificultar o trabalho, o que à toda prova não ocorreu. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, processo n° 13629.000318/200900, em anexo. Em julgamento perante a 1ª Turma da DRJ/JFA, a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Descabe a argüição de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em ato de controle administrativo funcional, quando houve a devida prorrogação do prazo de validade do ato e a ciência do sujeito passivo. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS NÃO COMPROVADAS. Se o sujeito passivo, após devidamente intimado, não comprovar as origens dos depósitos bancários, subsiste a correspondente presunção legal de omissão de receitas. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 13629.001240/200771 Acórdão n.º 1401001.405 S1C4T1 Fl. 5 7 MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Lançamento Procedente Em sede de recurso, a Recorrente, em síntese, opõese à presunção de receita omitida com base em dados bancários diante da ausência de prova que demonstre o ingresso ao patrimônio do contribuinte. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 8 Voto Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira – Relator. Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade. A Recorrente, em síntese, opõese à presunção de receita com base em extratos bancários quando ausentes outras provas que demonstrem o ingresso ao patrimônio do contribuinte. Conforme Termo de Verificação Fiscal acostado às fls. 4148, No ano base 2004, o contribuinte apurou o lucro pela sistemática do lucro presumido e escriturou suas operações no Livro Caixa, atendendo a exigência normativa do art. 527 do RIR/99. (...) Constatado que o contribuinte manteve, no anocalendário de 2004, contas na Caixa Econômica Federal, no Banco Mercantil do Brasil S.A, no Banco ABN AMRO REAL S.A e Banco Bradesco S.A, e que sua movimentação financeira foi de R$ 18.287.666,87 montante bastante superior ao t tal 7 R$ 2.436.617,87 ,em termos percentuais corresponde a aproximadamente 650% superior à sua Receita Bruta Total declarada na DIPJ/2005, fls. 01 a 35. O contribuinte foi intimado e reintimado, fls. 110 a 111, a apresentar os extratos bancários dessas contas no ano de 2004, o que foi atendido pelo mesmo no decorrer da ação fiscal, fls. 117/124. (sem grifos nos original) Assim, de posse dos extratos de contascorrente descritos acima, a equipe de fiscalização da SRF passou a analisar a movimentação financeira do contribuinte em termos globais, depurando todos os valores creditados nas contas bancárias da empresa, com ênfase na apuração das movimentações financeiras que não representavam recursos provenientes de receitas obtidas pela mesma, como, por exemplo, financiamentos/empréstimos bancários, transferências entre contascorrente, resgate de aplicações financeiras ou estornos de valores. (...) Ao longo da Fiscalização, conforme registro do Termo de Verificação Fiscal mencionado, a Recorrente foi intimada e reintimada a comprovar a origem de movimentações bancárias nas contas perante as instituições financeiras Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real e Banco Mercantil do Brasil, no ano de 2004, sob pena de omissão de receita, nos termos do art. 287 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) e art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fls. 133 e 134). Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 13629.001240/200771 Acórdão n.º 1401001.405 S1C4T1 Fl. 6 9 No entanto, não houve por parte da Recorrente comprovação da origem das movimentações financeiras por meios hábeis e idôneos. No tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovada, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que instituiu uma presunção relativa, na qual presume ser rendimento omitido os depósitos bancários cuja origem não for comprovada. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se está falando em indício de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela empresa. No ponto, frisase que a simples justificativa de origem de crédito não se presta a afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 quando feita desacompanhada de documentação idônea. Imprescindível registrar que, ao contrário do que alegou a Recorrente, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não altera o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. O que o legislador instituiu foi a inversão do ônus da prova, restando ao contribuinte, regularmente intimado, afastar a presunção instituída, demonstrando não se tratar o depósito de receita auferida. A obrigação de regular escrita fiscal cabe à pessoa sujeita às normas fiscais e contábeis a ela aplicáveis. Diante da regular escrita contábil, o ônus de prova para sua desconstituição cabe à Fazenda Pública. No entanto, identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa, cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. Não sendo afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho: OMISSÃO DE RECEITAS INDICIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 1º/01/97, por força do disposto nos artigos 42 e 87, da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de depósitos bancários configuram caso de omissão de receitas, se o titular da contacorrente, devidamente intimado, não com provar a origem dos recursos utilizados nessas operações, com documentos hábeis e idôneos. Por se tratar de regra que inverte o ônus da prova , cabe ao contribuinte infirmar a presunção legal. Por essa mesma razão, competelhe demonstrar que a receita assim detectada estava contida na soma das figurantes do livro de Saídas e que também compôs a base de cálculo do arbitramento. (Acórdão nº 10708.573 de 2 de maio de 2006) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 10 DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. SIGILO BANCÁRIO. INCOSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na súmula n° 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A presunção estabelecida no art. 42 da lei n° 9.430/96 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos da súmula n° 26 do carf. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário, nos termos do artigo 42 da lei n° 9.430/96.recurso voluntário negado.vistos, relatados e discutidos os presentes autos.acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das preliminares suscitadas e, no mérito, mérito em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Acórdão nº 210200738 do Processo 10855000897200325) (sem grifos no original) OMISSÃO DE RECEITA S FALTA DE COM PROVA ÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não com prova da pelo sujeito passivo . (Acórdão nº 10808895 de 21 de junho de 2006) Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Fl. 351DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13822.000030/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/2005-05 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 30 /2 00 5- 15 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/200505 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 123 3 DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 712DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 713DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 715DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 716DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 717DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 720DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 721DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 722DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 725DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 726DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 727DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 728DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000030/200515 Acórdão n.º 3401002.972 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 729DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10730.901541/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ.
Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Na composição do saldo negativo do IRPJ, é computada apenas a parcela retida correspondente ao imposto de renda. Rejeita-se o pedido de compensação do suposto saldo negativo, se a aplicação da norma resulta em imposto a pagar.
Numero da decisão: 1102-000.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Na composição do saldo negativo do IRPJ, é computada apenas a parcela retida correspondente ao imposto de renda. Rejeitase o pedido de compensação do suposto saldo negativo, se a aplicação da norma resulta em imposto a pagar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Tomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto e Antonio Carlos Guidoni Filho. 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 28975.53592.290509.1.7.027924, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: CNPJ detentor do crédito: 05.399.082/000102 Crédito — Saldo Negativo de IRPJ Período de Apuração: 10 Trimestre/2005 (01/01/2005 a 31/03/2005) Valor do Saldo Negativo : R$ 28.192,66 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 28.192,66 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 21.641,45 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP, utilizando o mesmo crédito: 31868.59581.131107.1.3.020939 03407.27157.301107.1.3.025143 32385.46427.270809.1.7.022064 As DCOMP foram analisadas em procedimento informatizado, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 04, n° de rastreamento 869631140, o direito creditório não foi reconhecido, pois a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP não foi suficiente para comprovar a quitação do imposto de renda devido e a apuração do saldo negativo. Consta ainda na citada Decisão: • Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 28.192,66. • Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 83.224,09. • IRPJ devido: R$ 55.031,43. • Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas da DIPJ) — (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível = R$ 0,00 A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11/08/2010 (AR — fls. 87). Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 10/09/2010, fls. 01/03, alegando em síntese: Alega a tempestividade. Processo nº 10730.901541/201046 Acórdão n.º 1102 00668 S1C1T2 Fl. 2 3 Houve equivoco, sendo o valor correto de DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO NA DCOMP DE N° 28975.53592.290509.1.7.027924 é de R$ 83.224,09, sendo o mesmo da DIPJ/2006. Não é possível transmitir sua retificação. A IN SRF n° 900/2008 dispõe sobre a possibilidade de compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no riode Janeiro prolatou o Acórdão 1234.846 considerando improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que não teria sido demonstrado o cômputo, no lucro real, das receitas sobre as quais incidiram o imposto de renda retido que foi utilizado na apuração do saldo negativo do IRPJ objeto do pedido de compensação. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresenta recurso a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Na análise preliminar do Per/DCOMP objeto do presente, a autoridade fiscal intimou a requerente para que apresentasse as retificações pertinentes, tendo em vista as inconsistências entre as informações registradas na DIPJ referente ao 1° trimestre de 2005 e a Per/Dcomp onde foi requerida a compensação do saldo negativo do IRPJ concernente a esse período. A interessada retificou a DIPJ adequandoa ao crédito solicitado. Entretanto, não alterou o Per/DCOMP que, mesmo indicando idêntico saldo negativo do IRPJ informado na DIPJ retificadora, permaneceu com a inconsistência quanto ao valor do imposto de renda retido na fonte. O valor do IRRF indicado no Per/DCOMP correspondeu a R$ 28.192,66 enquanto na DIPJ retificadora foi de R$ 83.224,09. Nessa DIPJ também foi registrado imposto devido no valor de R$ 55.031,43. Por uma questão de metodologia descrita na fundamentação, segundo a qual o saldo negativo do IRPJ deve ser limitado ao menor valor dentre aqueles informados na DIPJ e no Per/DCOMP, o despacho decisório considerou o valor do imposto devido informado na DIPJ (R$ 55.031,43), mas não o valor do IRRF lá indicado (R$ 83.224,09). Em vez disso, utilizou o valor do IRRF mencionado no Per/DCOMP (R$ 28.192,66) implicando na inexistência de saldo negativo do IRPJ passível de compensação. A decisão recorrida, mesmo ressaltando que a interessada desprezou as oportunidades para retificar o Per/DCOMP, analisou o mérito do pedido e decidiu pela improcedência sob o argumento de que não teria sido demonstrada a apropriação da integralidade dos rendimentos que geraram o IRRF. Registrou a decisão que a principal fonte pagadora, informada na DCOMP, CNPJ. 33.000.167/000101 (Petrobrás), declarou na DIRF que a interessada teria recebido rendimentos no montante de R$ 3.162.109,31. No entanto, na FICHA 50, fls. 43, a interessada informa que teria recebido, desta fonte pagadora, rendimentos no total de R$ 3.016.221,68, ou seja, valor inferior àquele informado na DIRF. Na linha do entendimento da decisão recorrida, segundo a qual o IRRF só pode ser aceito se demonstrada a apropriação da receita correspondente, considero de rigor excessivo o teor do acórdão sob exame que rejeitou a integralidade do saldo negativo do IRPJ pelo fato da receita ter sido contabilizada parcialmente. A meu ver, a lógica do critério caminha no sentido de que o IRRF deve ser acatado na proporção da respectiva receita apropriada. Em outras palavras, preservase o direito do sujeito passivo em relação aos valores corretamente escriturados e oferecidos à tributação. Processo nº 10730.901541/201046 Acórdão n.º 1102 00668 S1C1T2 Fl. 3 5 Além disso, não se pode olvidar que a apuração do resultado no presente caso é trimestral, tanto é assim que o saldo negativo do IRPJ pleiteado referese ao primeiro trimestre de 2005. Sob esse prisma, a avaliação quanto à apropriação da receita também deve ser feita trimestralmente. Assim, caberia à autoridade fiscal esclarecer em que trimestre ocorreu o cômputo a menor da receita para que fosse expurgado o IRRF correspondente. Em relação ao primeiro trimestre, objeto do pedido, não vislumbrei qualquer indicativo de apropriação a menor. No que se refere ao IRRF, o valor pleiteado na DIPJ para o primeiro trimestre de 2005 monta a R$ 83.224,09; valor inferior ao indicado no informe de rendimentos emitido pela principal fonte pagadora. Apesar de, para facilitar o entendimento, a análise feita neste voto ter considerado todo o valor do crédito como se fosse IRRF, na verdade não é bem assim. A discussão envolve a retenção na fonte sobre rendimentos pagos por órgãos públicos, autarquias e fundações da administração pública federal. No caso, receitas de serviços prestados à Petrobrás. Nos termos do art. 64, da Lei nº 9.430/96 e do art. 34, da Lei nº 10.833/2003; a retenção na fonte para situações como a presente não se refere apenas ao IRRF, mas também o IRPJ,CSLL, PIS e Cofins. Os dispositivos legais mencionados, em relação ao período de que tratam os autos, foram regulamentados pela Instrução Normativa SRF nº 306/2003 (com a redação mantida pela Instrução Normativa SRF nº 480/2004 que a revogou). Com base nos atos normativos em questão, constatase que o valor da retenção recolhido sob o código 6190 corresponde ao percentual de 9,45%; sendo 4,80% a título de IR, 1,00% como CSLL, 3,00% como Cofins e 0,65% a título de PIS/ Pasep. Apenas o percentual retido de IR, correspondente a 4,80%, deve ser utilizado na apuração do saldo negativo desse tributo, representativo do crédito passível de compensação. Assim, o valor do IRRF a ser considerado perfaz o montante de R$ 42.272,55. Considerando o imposto devido informado na DIPJ (R$ 55.031,43) não há saldo negativo do IR a ser compensado, mas sim imposto a pagar. De todo o exposto, nego provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator 6
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Numero do processo: 10735.000894/2003-58
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA.
Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros.
Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, no seguinte sentido:
a) por maioria de votos, para rejeitar o argumento em favor da homologação tácita da compensação; vencidos os conselheiros Solon Sehn e Bruno Curi, que entenderam haver ocorrido aludida homologação;
b) superada a questão atinente à homologação tácita, nos termos acima, votaram os conselheiros, por maioria, para dar parcial provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Waldir Navarro, relator, que negava provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Rios.
O conselheiro Solon Sehn declarou voto.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182.632.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros. Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Recurso ao qual se dá parcial provimento.
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INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros. Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 08 94 /2 00 3- 58 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, no seguinte sentido: a) por maioria de votos, para rejeitar o argumento em favor da homologação tácita da compensação; vencidos os conselheiros Solon Sehn e Bruno Curi, que entenderam haver ocorrido aludida homologação; b) superada a questão atinente à homologação tácita, nos termos acima, votaram os conselheiros, por maioria, para dar parcial provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Waldir Navarro, relator, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Rios. O conselheiro Solon Sehn declarou voto. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182.632. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora MG (fls. 526/541), a qual, por maioria de votos, julgou improcedente as razões da Manifestação de Inconformidade, para não homologar a compensação constante do Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÕES COM DÉBITOS DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 921 3 As compensações com débitos de terceiros não se caracterizam como Declarações de Compensação por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não as alcança, caso tenham sido protocolizadas no anocalendário de 2003. COMPENSAÇÕES COM DÉBITOS DE TERCEIROS PLEITEADAS NO ANOCALENDÁRIO DE 2003. NÃO HOMOLOGAÇÃO. As compensações declaradas a partir de 1o/10/2002, de créditos com débitos de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de créditos com débitos de terceiros, declaradas após 1o/10/2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa, cabendo a não homologação de tais compensações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3. A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972.4. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Por muito bem retratar os fatos, transcrevo, a seguir, o Relatório objeto da decisão proferida pela DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, formulário de fl. 05. Abaixo transcrevese trechos da Intimação nº 1.143, de 2011 fls.112/113, que contem relatório de parte dos acontecimentos processuais: A empresa NITRIFLEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, ..., apresentou, em 04/04/2003, Pedido de Compensação de Crédito por ela requerido no processo administrativo n° 13746.000533/200117 (processo que foi juntado ao de n° 10735.000001/9918),com débito de IPI, código 1097, no valor Fl. 922DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 original de R$ 45.180,71, da empresa ELIANE S/A.. Tal pedido deu origem ao processo 10735.000894/200358. Os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros não se converteram em Declaração de Compensação, não se aplicando sobre os mesmos o prazo estabelecido no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, conforme Comunicado DRF/LON/SAORT n° 261/2010 (fl. 55 ... ) do qual a empresa, já foi cientificada em 09/12/2010. No entanto, em razão do citado Comunicado, a empresa ELIANE S/A ingressou em juízo e obteve liminar favorável no Mandado de Segurança nº 500066542.2011.404.7001, liminar esta que foi confirmada em sentença exarada em 06/05/2011, no seguintes termos: ANTE O EXPOSTO, confirmo a liminar e concedo a segurança para: a) anular o ato administrativo materializado na fl. 55 do Processo Administrativo n° 10735.000894/200358, de forma a assegurar à Impetrante o direito de não sofrer cobrança enquanto seu pedido de compensação tributária não for efetivamente analisado pela autoridade administrativa competente e, no caso de 'não homologação', que seja devidamente intimada pelo Fisco, nos termos do rito estabelecido no artigo 74, §§ 7° e 9º, da Lei nº 9.430/96, ficando, nesse intervalo, suspensa a exigibilidade do crédito tributário; Assim, em cumprimento à determinação judicial, fica a interessada cientificada do inteiro teor do Parecer SEORT/DRF/NIU/RJ nº 400/2009 e respectivo Despacho Decisório de 29/06/2009, por meio do qual foi não homologada a compensação objeto do processo 10735.000894/200358, dentre outras.. Fica também intimada a pagar o débito cuja compensação foi não homologada no prazo de 30 (trinta) dias. É facultada, no mesmo prazo, a apresentação de manifestação de inconformidade. ... em 31/03/2008 a empresa detentora do crédito já havia sido intimada da decisão que negou o crédito utilizado na compensação (processo 10735.000001/9918) e apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade. Esta já foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, MG, por meio do Acórdão 09 27.685.do qual a empresa Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos já tomou ciência, haja vista ter solicitado cópia do processo 10735.000894/200358, no qual consta, às fls. 13/52. cópia do citado Acórdão. ... uma vez que no Mandado de Segurança n° 500066542.2011.404.7001 a autoridade judicial decidiu que o Pedido de Compensação de Débito de Terceiro apresentado anteriormente à vigência da Lei nº 10.051/2004 dever ser tratado como Declaração de Compensação, o débito descrito no início desta intimação, objeto do processo 10735.000894/2003 58, estava com a exigibilidade suspensa em razão do recurso (manifestação de inconformidade) interposto pela detentora do crédito no processo 10735.000001/9918. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 922 5 O Parecer nº 400, de 2009 (fls. 87/95 – Vol. 1), proferido pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, teve a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA • Ausência de Requisitos Essenciais do Crédito. O crédito oferecido pelo contribuinte que não preenche os requisitos estabelecidos na legislação tributária, não se presta a ser utilizado em compensação tributária. • Crédito Não Habilitado. O crédito proveniente de sentença judicial transitada em julgado somente pode ser utilizado para compensar débitos tributários se o for previamente habilitado junto à Secretaria da Receita Federal. • Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional. O entendimento jurídico da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre determinada matéria manifestado em parecer serve como orientação a Secretaria da Receita Federal em seus despachos decisórios. • Impossibilidade de Compensação Débito de um Contribuinte com Crédito de Terceiro. A partir dia 29/08/2002. data da publicação da Medida Provisória n° 66 convertida na Lei n° 10.637/02, a vedação a compensação tributária de débito de um contribuinte com crédito de terceiro que antes somente era prevista em norma infralegal, IN/SRF n° 41/2000, foi positivada no Direito Tributário Brasileiro. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. O já referido Parecer nº 400, de 2009 (fls. 87/95 Vol. 1) pode ser assim sintetizado: O contribuinte em questão utiliza créditos cedidos por NITRIFLEX S/A A Nitriflex S A ajuizou a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) nº 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI. referente às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados à alíquota zero, bem como seu direito de compensação com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001. Como a decisão, somente lhe permitia utilizar o seu crédito, com débitos relativos a este mesmo imposto, a Nitriflex S A impetrou um outro Mandado de Segurança (MS), o de nº 2001.51100010250, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF nº 41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 ... a Nitriflex S A, realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros. ... a Procuradoria ajuizou a Ação Rescisória nº 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória, a Nitriflex S A pretendeu habilitar o seu crédito junto à Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias. O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo nº 13746.000191/200551. O parecer continua seu relato aduzindo que: Resumindo, até a presente data não há possibilidade dos créditos constantes do processo 10735.000001/9818 serem utilizados pelo contribuinte em virtude da não ocorrência do trânsito em julgado e, consequentemente, da impossibilidade de habilitação do suposto crédito. Quaisquer Dcomps apresentadas com base no processo de habilitação 13746.000191/200551 devem ser consideradas não declaradas. Provocada a se pronunciar sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei nº 9.430/66 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei nº 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. ... a partir do momento em que a Receita Federal solicitou à Procuradoria parecer sobre os efeitos de legislação superveniente em relação a autoridade da coisa julgada, deve acatálo. Assim, neste ato decisório, adoto o entendimento da douta Procuradoria no sentido de que as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas "antes" do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/02, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/02. Como no presente caso, as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do artigo 49 da Medida Provisória 66 de 29.08.2002, posteriormente, convertido no artigo 49 da Lei nº 10.637/02, as compensações por meio dela declaradas não podem ser homologadas. Além disso, não se pode esquecer que o crédito não foi habilitado junto à Receita Federal, nem mesmo após a Nitriflex S. A ter recorrido ao Poder Judiciário. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 923 7 Ao final o parecerista propôs a não homologação das compensações com base nos arts. 170, 165 I e 168 I do CTN , na Lei 10.637, de 2002 e na IN SRF nº 210, de 2002 e 460, de 2004. O Despacho Decisório de fl. 95, aprovou integralmente o parecer incluindo como base legal para suas razões de decidir o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações posteriores, determinando a continuidade da cobrança e a tomada das demais providências cabíveis. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ nº 400, de 2009 e respectivo Despacho Decisório em 17/08/2011 (fls. 115). Pelo requerimento de fls. 118/119 e arrazoado de fls. 120/138, a interessada manifestou sua inconformidade, alegando em síntese que: B RAZÕES PARA REFORMA DO R. DESPACHO DECISÓRIO B.1 DA REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ... EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA ... QUE AUTORIZA A COMPENSAÇÃO ...COM DÉBITOS DE TERCEIROS. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO E RECENTES DECISÕES JUDICIAIS QUE AFASTARAM O ATO ADMINISTRATIVO DE INDEFERIMENTO DA HABILITAÇÃO . 6. De fato, a legislação pertinente atualmente em vigor (...) veda a compensação com débitos de terceiro, exceto nos casos de ..., e de pedidos de compensação formalizados até 07/04/2000. Entretanto, essa legislação não pode ser aplicada sem atentar para o caso concreto. 7. ... o crédito ... foi reconhecido ... nos autos do MS nº 98.00166580... Esse MS foi impetrado em 05/07/1998 pela empresa Nitriflex S/A ... objetivando o reconhecimento do direito ao crédito de IPI do período de 10 (dez) anos antecedentes à data do ajuizamento da ação (07/1988 a 07/1998), diante do ilegal impedimento da parte do Fisco no aproveitamento à época própria. 8. Reconhecida a propriedade do crédito, seguese o direito de dele dispor em consonância com a legislação à época em vigor. Esse acórdão foi confirmado pelo STF, e com trânsito em julgado1. 11. A União ajuizou 2 ações rescisórias buscando desconstituir a coisa julgada produzida no MS nº 98.00166580, 1 (uma) perante o E. TRF da 2ª Região (autos nº 2003.02.01.0056758) e a outra perante o E. STF (autos nº 1.788/RJ). Entretanto, o E. STF fulminou todas as tentativas da União Federal de questionar a coisa julgada, seja através de decisão plenária já transitada em julgado, em 13/05/2009, na AR nº Fl. 926DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 1.788, seja por meio da Reclamação Constitucional n.° 9.790, onde através da decisão liminar de 25/02/2010 a Min. Carmen Lúcia suspendeu a AR nº 2003.02.01.0056758, por ter ficado "convencida", de plano, que as decisões proferidas nessa ação desrespeitaram as decisões proferidas pela Corte Suprema no agravo de instrumento nº 313.4815 e na ação rescisória nº 1.788, e vinham se constituindo "empecilho bastante para o normal funcionamento da empresa" ... 13. Em 04/01/1999 a Nitriflex S/A, formalizou junto à Delegacia ... em Nova Iguaçu/RJ, ... pedido administrativo de apuração e homologação do crédito (PA nº 10735.000001/9918).A Delegacia ... proferiu ..., em 01/06/1999, o despacho decisório nº 430/99 homologando o crédito no valor de R$ 58.139.241,24, o qual foi retificado através do despacho decisório nº 997/2000 em 14/12/2000, que fixou o crédito em R$ 62.235.433,54. 14. Paralelamente, tramitou o PA nº 10735.000202/9970, para apurar e homologar o crédito de IPI da filial da Nitriflex S/A . Nesse PA restou apurado e homologado, através do despacho decisório nº 825/2000, de 27/09/1999, crédito de IPI no valor de R$ 4.291.283,55. 15. ... ambos os valores devem ser corrigidos monetariamente e sofrer a aplicação dos juros e expurgos inflacionários, conforme determinação judicial (transitada em julgado) exarada no MS 99.00605420, que deu origem ao PA 13746.000533/200117... 17. ... mas diante da superveniência da IN/SRF n.º41/00, visando ... empresa Nitriflex S/A ... impetrou o MS nº 2001.51.10.0010250. E obteve decisão judicial definitiva ..., confirmando o direito à compensação com débitos de terceiros ... 18. A coisa julgada produzida no MS n.° 2001.51.10.0010250,... é baseada na impossibilidade da norma superveniente, restritiva de direito, afetar uma relação jurídica estabilizada sob a égide de normas que garantiam o pleno direito da empresa Nitriflex compensar o seu crédito com débitos de terceiros. Assim, a coisa julgada afastou não só a IN/SRF n.° 41/00, mas, evidentemente, toda e qualquer norma posterior limitadora do direito, como é caso da Lei n.º 10.632/02, dentre outras. Desnecessários novos pronunciamentos do Judiciário para decidir algo que já tinha decidido. 21. O Professor Dr. Paulo de Barros Carvalho em seu parecer ensinou que a coisa julgada do MS n.° 98.00166580 circunscreveuse aos créditos de IPI com fatos geradores entre 07/1988 e 07/1998, autorizando a Nitriflex a compensálo com débitos próprios e de terceiros. Tratouse, na dicção do Professor, de "provimento jurisdicional" "bem delimitado no tempo" ... e mais adiante, versando sobre a necessidade de respeito pelo princípio da irretroatividade das leis e pela coisa julgada, arrematou que este seria "mais um motivo pelo qual não se pode aplicar lei posterior a fato já apreciado e delimitado por decisão transitada em julgado" ... "A legislação aplicável será a vigente na data a que o fato se refere" ..., ou seja "aquela vigente Fl. 927DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 924 9 no instante em que os créditos foram absorvidos ao patrimônio da Empresa, ou seja, no preciso momento em que ocorreram as aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero" ... 24. As conclusões do Emérito parecerista, de tão contundentes, merecem ser transcritas pela clareza e objetividade: "Conforme exposto anteriormente, são totalmente inaplicáveis as disposições restritivas veiculadas pelas Leis nº 10.637/02, nº 10.833/03 e nº 11.051/04 ao caso da NITRIFLEX, em razão do princípio da irretroatividade das normas jurídicas, realizador do primado da segurança jurídica. Desse modo, não podem subsistir no ordenamento as manifestações da Receita Federal que tenham negado esse direito e, até mesmo, considerado como não declaradas e ineficazes as compensações levadas a efeito por terceiros...” 28. Por fim, apesar de ser desinfluente in casu por se tratarem de procedimentos compensatórios apresentados em 2002/2003, cumpre noticiar que o E. TRF da 2ª Região proferiu recentíssimos v. Acórdãos, nos autos da apelação nº 2005.51.10.0026900, afastando o ato administrativo de indeferimento do pedido de habilitação do crédito em tela, por entender que tal exigência, instituída pela IN/SRF nº 517/2005, é inaplicável na sua utilização, por ter sido homologado em 1999. Essa questão, inclusive, foi tratada pelo Exmo. Des. Fed. Carlos Muta na r. Decisão proferida no Al nº 003683868.2010.4.03.000... B.2 DA OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA . 33. ... o Fisco não desfruta de prazo ilimitado para fiscalizar o procedimento ... Se entende ilegal tal procedimento, deve decidir a respeito no prazo legal, que é de 5 (cinco) anos a contar da apresentação da compensação. Pouco importa o nome que se dê ao procedimento de compensação adotado pelo contribuinte, se "pedido de compensação", se "declaração de compensação" etc ... 34. No presente caso as compensações ocorreram nos anos de 2002/2003 e a recorrente teve ciência do despacho decisório de não homologação somente em 17/08/2011, ou seja, após ultrapassarem muito mais de 5 (cinco) anos, violando o § 5º , do art. 74 da Lei nº 9.430/96. 39. Neste sentido, confirase o entendimento recente do então E. Primeiro Conselho de Contribuintes sobre a matéria: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme §4º , do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Fl. 928DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. ... 1º CC, 3ª Câmara, Cons. Rel. Antonio Bezerra Neto, Acórdão n.º10323600, DOU 13 de 20/01/2009, p. 059) 41. Por fim, a recorrente comunica que as Colendas 1ª , 2ª e 3ª Turmas Especiais da E. 3ª SEJUL, reconheceram, em recursos idênticos., de compensações com o mesmo crédito (PAF's n.º 13840.001193/200246, 11610.004906/200392, 13683.000088/200321, 13683.000124/200356), a ocorrência da homologação tácita pelo decurso do prazo de mais de 5 (cinco) anos entre as datas das apresentações dos procedimentos e as ciências das decisões. As 3 (três) Turmas do E. CARF entenderam que o Fisco deve, necessariamente, analisar as compensações no prazo de 5 (cinco) anos, seja procedimentos compensatórios apresentados anteriormente ou posteriormente ao advento da Lei nº 10.833/2003, que incluiu § 5ºo ao art. 74 da Lei nº 9.430/96. C Pedido 45. ... requer seja CONHECIDO e PROVIDO o presente recurso para homologar as compensações e extinguir os débitos compensados . O presente processo foi encaminhado a esta DRJ/JFA/MG para julgamento. É o relatório. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a Recorrente ocorreu em 21/05/2014 (fl. 554). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/06/2014 (fl. 556), o recurso voluntário de fls. 556/570, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, conforme as razões abaixo: a) que o presente processo versa sobre pedido de compensação de crédito de IPI (de 1988 a 1998), da empresa Nitriflex S.A Industria e Comércio, com débitos da Recorrente, protocolado em 04/04/2003; que em 17/08/2011, foi intimada do despacho decisório proferido pela DRF de Nova Iguaçu/RJ, não homologando a compensação; interpôs Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/JFA, que entendeu que a compensação em análise esbarraria no disposto na MP nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/2002, que passou a vedar compensações com créditos de terceiros. 1) Da Regularidade das compensações b) aduz que o crédito utilizado nas compensações foi reconhecido em definitivo pelo poder judiciário no MS 98.00166580. As ações rescisórias movidas pelo Fisco AR 1788 (STF) e AR 2003.02.01.0056758 (TRF da 2ª Região) foram extintas em definitivo, esta ultima por força da Reclamação Constitucional nº 9.790, também já julgada em definitivo pela Corte Suprema (conforme documentos acostados aos autos, doc. 01 – fls. 571/619); Fl. 929DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 925 11 c) que o crédito liquido e certo, foi devidamente homologado pela DRF de Nova IguaçuRJ nos PAF nºs 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970. Foi também, assegurada, por coisa julgada, a aplicação de juros de mora de 1% até 12/1995 e expurgos inflacionários, conforme MS nº 99.00605420 (doc. 01A – fls. 620/688); d) que a compensação discutida nestes autos, com créditos de terceiros, além de ter sido autorizada administrativamente e judicialmente, em definitivo, decorre do princípio da irretroatividade da lei tributária; tratase de ato jurídico perfeito, pois no PA nº 10.735.000001/9918, a compensação foi deferida pela DRF com base na IN/SRF 21/97, então em vigor, inclusive após a entrada em vigor da IN/SRF 41/00, tendo em vista que o crédito e o pedido são anteriores. No mesmo sentido, a SRRF da 7ª Região Fiscal decidiu em seu Parecer nº 69/99 (doc. 2, fls. 689/696); e) que a coisa julgada produzida no MS n.° 2001.51.10.0010250, Apelação nº 2001.02.01.0352326 (doc. 3, fls. 697/723), a compensação foi deferida pelo TRF/2, baseada na impossibilidade da norma superveniente, restritiva de direito, afetar uma relação jurídica estabilizada sob a égide de normas que garantiam o pleno direito da empresa Nitriflex compensar o seu crédito com débitos de terceiros. Assim, a coisa julgada afastou não só a IN/SRF n.° 41/00, mas, evidentemente, toda e qualquer norma posterior limitadora do direito, como é caso da Lei n.º 10.637/02, dentre outras. Desnecessários novos pronunciamentos do Judiciário para decidir algo que já tinha decidido. f) ressalta que em 25/03/2014, o TRF da 2º Região, confirmou o conteúdo e alcance da coisa julgada do MS nº 2001.51.10.0010250 (doc. 5 a 7, fls. 728/742); para confirmar a procedências dos argumentos, a Recorrente junta pareceres jurídicos emitidos por renomados juristas e professores; cita também, no item “31” de seu recurso, números de processos com julgados de recursos voluntários proferidos por este CARF sobre a mesma matéria, qual seja, compensações tributárias de débitos de terceiros com o crédito da Nitriflex (doc. 08 a 12, fls. 743/880). 2) Da Homologação Tácita das Compensações g) na hipótese de não se entender pela regularidade dos procedimentos realizados, deverá ser reconhecida a homologação tácita da compensação, pois, restou reconhecido pelo acórdão recorrido que houve decurso de prazo de mais de 5 anos entre a data de apresentação do pedido e a data da ciência da decisão da não homologação. O protocolo do pedido se deu em 04/04/2003, e a ciência da não homologação ocorreu em 17/08/2011, ou seja, após 8 anos; com isso a compensação encontrase homologada tacitamente, como foi reconhecido neste sentido em vários julgamentos recentes realizados por este CARF, citando números dos PAF respectivos. 3) Da Prescrição h) que a manutenção do entendimento de que não ocorreu a homologação tácita porque se trata de “Pedido de Compensação” e não de “Declaração de Compensação”, deve então ser decretada a Prescrição do direito da Fazenda Publica cobrar o crédito tributário, uma vez que RFB deveria ter cobrado judicialmente o crédito tributário até 04/04/2008, ou seja, 05 anos após a confissão da dívida apresentada pela Recorrente por meio da compensação. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Ante ao exposto, requer seja dado provimento ao recurso, reformandose o acórdão recorrido, reconhecendose a extinção do crédito pela compensação. Caso não seja esse o entendimento, requer que seja reconhecida a homologação tácita, ou, então, pela ocorrência da prescrição. tórÉ o relaio. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 21/05/2014 (fl. 554). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 18/06/2014 (fl.556), tempestivamente, portanto. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. O montante em litígio também está dentro do limite de alçada de Turma Especial. Da alegada prescrição Alega a Recorrente que deve ser decretada a prescrição do direito da Fazenda Publica cobrar o crédito tributário, uma vez que RFB deveria ter cobrado judicialmente o crédito tributário até 04/04/2008, ou seja, 05 anos após a confissão da dívida apresentada pela Recorrente por meio da compensação. Então vejamos. O Código Tributário Nacional (CTN), assim dispõe quanto à prescrição: “Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe:[...]; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.” No presente caso, a recorrente protocolou Pedido de Compensação (fl. 05) em 04/04/2003, visando à compensação dos débitos fiscais de IPI, apurados para a competência de março de 2003, interrompendo a prescrição, cujo prazo qüinqüenal para cobrança voltará a ser contado a partir da decisão administrativa definitiva no processo do Pedido de Compensação formulado ora em andamento. Portanto, como pode ser visto, não assiste razão à Recorrente, uma vez que a prescrição do direito de a Fazenda Pública cobrar os créditos tributários, no presente caso, não ocorreu. Da alegada Homologação Tácita Fl. 931DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 926 13 Aduz a Recorrente que deverá ser reconhecida a homologação tácita da compensação, pois, restou reconhecido pelo acórdão recorrido que houve decurso de prazo de mais de 5 anos entre a data de apresentação do pedido e a data da ciência da decisão da não homologação. O protocolo do pedido se deu em 04/04/2003, e a ciência da não homologação ocorreu em 17/08/2011, ou seja, após 8 anos. Pois bem. A alegada compensação, objeto do presente processo, iniciouse com o protocolo, em 04/04/2003, do formulário correspondente à Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros (fl. 5), com o objetivo de compensar o débito nele apontado, com créditos de terceiros constantes do PAF nº 13746.000533/200117. A Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente à época, expressamente vedava, em seu artigo 30, a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Tal vedação decorreu da regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002, convertido no artigo 49, da Lei n° 10.637/02, que teve o condão de restringir a compensação aos créditos próprios. A Lei n° 9.430/96, a partir de 30 de agosto de 2002, passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela RFB, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. Os créditos oferecidos para extinção dos débitos da Recorrente, não pertenciam à recorrente e sim à terceira empresa, assim sendo, o formulário “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros”, protocolado em 04/04/2003 se encontrava sob a vigência da Lei n° 10.637/2002, com a restrição nela imposta para compensação com créditos de terceiros. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “Declaração de Compensação”, determinou que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, seria imprescindível que a “Declaração de Compensação” apresentada à Secretaria da Receita Federal utilizasse créditos próprios pelo contribuinte. Portanto, os pedidos formulados pelo contribuinte mediante a utilização de créditos de terceiros, não se caracterizam como “Declaração de Compensação”, ainda que sob essa denominação, por total ausência de previsão legal para tanto. O requerimento apresentado pelo contribuinte em 04/04/2003, intitulado “Pedido de Compensação de crédito com débito de terceiros”, não podia ser caracterizado como tal na data de seu protocolo, uma vez que a Lei nº 10.637/2002 vedava esse tipo de compensação. Como se sabe, a lei aplicável, em matéria de compensação tributária, será aquela vigente na data do encontro de contas (créditos x débitos), pois neste momento é que surge efetivamente o direito à compensação. Ora, se não existe "declaração de compensação" com créditos de terceiro, por consequência lógica, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, não podem ser considerados como Declaração de Fl. 932DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Compensação, por total ausência de previsão legal para tanto, não ocorrendo a homologação tácita desses pedidos. Segundo os dispositivos legais acima citado, somente podem ser objeto de compensação, mediante a apresentação de Dcomp, créditos e débitos tributários do mesmo contribuinte, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Também, conseqüentemente, somente se converteram em Dcomp os pedidos de compensação de créditos e débitos tributários do mesmo contribuinte. Pedidos de compensação de débitos tributários com créditos cedidos por terceiros não foram convertidos em Dcomp. Assim, não há que se falar em homologação tácita dos débitos informados em pedido de compensação que não foi convertido em Dcomp. Pelo exposto, concluise que o documento ora examinado, intitulado Pedido de Compensação, não se caracterizam como tal por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso. Portanto, não houve homologação tácita. Quanto ao mérito Cabe destacar que, no presente processo, por se referir a compensação com créditos de terceiros, não serão discutidos os créditos pertencentes à Nitriflex S A, terceira credora, mas unicamente a compensação requerida pela devedora ELIANE S/A REVESTIMENTOS CERÂMICOS, que figura como única interessada nesta relação processual administrativa, tendo em vista ser ela a contribuinte devedora responsável pelo Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros apresentado (fl. 05). Como pode ser verificado nos autos, a natureza das compensações requeridas pela recorrente ELIANE S/A – Revestimentos Cerâmicos (atual denominação de Maximiliano Gaidzinski S/A Indústria de Azulejos ELIANE), seria de proceder uso de créditos constantes do Processo Administrativo Fiscal nº 10735.000001/9918 e respectivos apensos de nºs 10735.000202/9970 e 13746.000533/200117, este último citado no Pedido de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros (fls. 5), como Créditos Decorrentes de Decisão Judicial. Os referidos créditos foram obtidos após o trânsito em julgado dos MS nº 98.00166580, 99.00.605420 e outras ações judiciais, como o MS nº 2001.51.10.0010250, citadas nos autos. Todas as ações judiciais mencionadas no processo administrativo nº 10735.000001/9918 e respectivos apensos de nºs 10735.000202/9970 e 13746.000533/2001 17, tem como única autora a empresa Nitriflex S/A – CNPJ 42.147.496/000170. Como já dito, a Recorrente formulou o pedido de compensação de fl. 5, em 04 de abril de 2003, pleiteando a compensação de débitos com crédito pertencente a outro contribuinte, no caso a Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ ri 42.147.496/000170. A empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio possui ação n° 98.0016658 0, na Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, na qual foram reconhecidos créditos a seu favor. Esse mesmo contribuinte impetrou o mandado de segurança n° 2001.51100010250, visando compensar seus créditos com débitos de terceiros. Do alcance das ações judiciais envolvidas no litígio Em princípio, repisamos que importa ressalvar que não está em discussão o direito da Nitriflex S/A Indústria e Comércio, aos créditos obtidos mediante ação judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança nº 98.00166580. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 927 15 A celeuma travada nestes autos, diz respeito ao direito de utilização desses créditos, da Nitriflex S/A pela Eliane S/A, por tratarse de compensação com débitos de terceiros solicitada após a vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que vedou tal modalidade de compensação. O art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, deu a seguinte redação ao caput do art. 74 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, impossibilitando, a partir de 12 de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo, com débitos de terceiros: Art. 49. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Consta dos autos que o Mandado de Segurança impetrado originalmente na 5ª Vara Federal, em São João de MeritiRJ, em recurso de apelação, subiu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), onde recebeu o n° 2001.02010352326. A decisão proferida pelo TRF2 deu provimento ao recurso, invalidando a limitação prevista na Instrução Normativa SRF n° 41/2000, que vedava a compensação com débitos de terceiros. Por outro giro a ementa do Acórdão recorrido diz que, a partir de 1º de outubro de 2002, a legislação de regência das compensações, relativas a tributos e contribuições administrados pela Fazenda Nacional, veda, expressamente, a compensação de débitos de um contribuinte, com créditos de terceiros, dizendo, também que perde o objeto a decisão proferida em mandado de segurança, quando baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. Quanto à controvérsia instaurada, cumpre dizer que a compensação, vinculada ao presente processo, foi apresentada em 04/04/2003, ou seja, após 1º de outubro de 2002, data em que passou a produzir efeitos a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, redação da qual se depreende que não é passível de compensação, com débitos de terceiros, o crédito apurado pelo sujeito passivo, inclusive o crédito judicial, com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, suscetível de restituição ou de ressarcimento. Para solucionar o presente litígio, resta perquirir se as decisões judiciais invocadas no Recurso Voluntário, proferidas nos Mandados de Segurança nº 98.00166580 e 2001.51.10.0010250, ambos impetrados pela empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, legitimam o pedido de compensação objeto deste processo, segundo afirma a Recorrente, ou não, conforme o entendimento explicitado na Decisão recorrida. Inicialmente, cumpre esclarecer que, pelos elementos trazidos ao processo, pela própria Recorrente, o Mandado de Segurança nº 98.00166580 diz respeito, exclusivamente, ao reconhecimento de créditos do IPI, em favor do estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, sem qualquer referência à compensação, desse crédito, com débitos de terceiros, tanto que a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou outra ação, o citado Mandado de Segurança ri 2001.51100010250, em que deduziu pretensão específica, de compensação de seus créditos, com débitos de terceiros, motivo pelo qual a menção ao Mandado de Segurança nº 98.00166580 é impertinente, na defesa das compensações. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Convém registrar que, se a decisão judicial favorável ao impetrante, no Mandado de Segurança nº 98.00166580, foi dada com invocação do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, como ressalta o requerente, cabe dizer que, segundo o citado princípio, compensase o IPI devido em cada operação, com o IPI cobrado nas anteriores, para de terceiros, como os do interessado neste processo, que apresentou o pedido em 04/04/2003. Portanto, diversamente do que alegou a Recorrente em seu recurso voluntário, o MS 98.00166580, que transitou em julgado, não tornou líquida e certa a possibilidade jurídica de a empresa dispor de forma livre do seu crédito, o que, no seu entender, teria lhe garantido o direito de transferir seus créditos a terceiros para compensação de débitos destes últimos. O direito que lhe foi garantido foi o de compensar o “crédito presumido” do IPI com o imposto a recolher ao final do processo industrial. Diante disso, e não apenas para “resguardar” direito já reconhecido, a Nitriflex buscou a tutela judicial pleiteando o direito de utilizar os créditos oriundos do citado MS na compensação de débitos de terceiros. Tal demanda foi travada nos autos do Mandado de Segurança 2001.51.10.0010250, cujo pedido foi para assegurar “o direito líquido e certo da impetrante de transferir o citado crédito para terceiros, ainda que não optantes pelo REFIS, sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 04/04/2000”. O impetrante desta ação, Nitriflex S/A Indústria e Comércio, obteve o afastamento da limitação imposta pela IN SRF nº 41/2000, sob o argumento de falta de amparo legal, para a edição desse ato normativo administrativo, o que seria indispensável, segundo o impetrante, ficando explícita, assim, inequivocamente, a causa de pedir, um dos três elementos identificadores das ações, em geral (partes, causa de pedir e pedido). Nos autos da Apelação em Mandado de Segurança (MAS) nº 2001.02.01.0352326 (origem Mandado de Segurança ri 2001.51100010250), foi proferido despacho na qual o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, foi autorizado a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal, da IN SRF no 41/2000, repetida na IN SRF ri 210/2002. É fato que essa decisão mencionou, expressamente, que a vedação instituída pelas Leis 10.637, de 2002, e 11.051, de 2004, não se aplicaria à situação da Nitriflex, que teve reconhecido o direito à cessão de créditos a terceiros para compensação de débitos destes antes da vigência da Lei 10.637. Entendeu o magistrado que estaria ocorrendo retroatividade da legislação restritiva posterior, atingindo, indevidamente, o alcance da coisa julgada. Todavia, essa decisão favorável à Nitriflex, proferida pelo TRF da 2ª Região em 16/09/2002, transitada em julgado em 12/09/2003 (MS 2001.51.10.0010250), tratou de pedido de compensação discutido no PAF nº 10980.010640/200516, que é relativo a outra empresa que não da recorrente Eliane. Ou seja, a Recorrente não dispõe de ordem judicial que ampare a compensação pleiteada neste processo. E mais. Acontece que a vedação da IN SRF nº 41/2000, de compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, não foi simplesmente "repetida" no art. 30 da IN SRF nº 210/2002, mas decorreu da já mencionada nova redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pelo art. 49 da Medida Provisória ri 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, passando, então, as compensações da espécie a esbarrar em novo obstáculo, ou seja, em disposição legal, impeditiva das compensações com créditos de terceiros, isso a Fl. 935DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 928 17 partir de 1º de outubro de 2002, data do início da produção de efeitos da citada alteração, no plano legal, alteração que não foi objeto de apreciação no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, descabendo alegar coisa julgada, a respeito, visto que, para afastar esse novo obstáculo, seria necessária a propositura de outra ação, com causa de pedir adequada a ele. Dessa forma, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Concluise, portanto, que, a partir de 1º de outubro de 2002, a decisão judicial favorável à terceira empresa, obtida no Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, não ampara compensações de seus créditos com débitos de terceiros, como o caso do pedido formulado pela recorrente objeto do presente processo, que apresentou a “Declaração de Compensação”, após aquela data. Pelo exposto, verificase que a não homologação das compensações pleiteadas mediante formulário “Declaração de Compensação”, com a indicação de créditos de terceiros, não é considerada como ofensa à coisa julgada formada no MS nº 2001.51.10.0010250, devido a alteração do quadro normativo aplicável à espécie, com a edição da Medida Provisória nº 66, em 29/08/2002, caracterizando nova relação jurídica de direito material. Isso permite adotar o entendimento do Fisco e da DRJ de Juiz de Fora (MG), ao qual me filio, de que a compensação solicitada nestes autos não encontra amparo legal, em virtude da vedação imposta pelo art. 49 da Lei 10.637, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Da conclusão Em face do exposto acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para considerar NÃO HOMOLOGADO o pedido formulado pela Recorrente relativo à COMPENSAÇÃO, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo do voto do eminente relator em relação ao alcance dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio. Antes, porém, para enriquecer os fundamentos do decisum, apresento, abaixo, algumas considerações em reforço à inocorrência da homologação tácita do pedido de compensação. Do argumento em defesa da homologação tácita da compensação Fl. 936DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 De início, vêse que o formulário em que o pleito foi formalizado, Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, não mais vigia à época da protocolização do pedido, ou seja, em 04/04/2003. Com efeito, no rodapé do formulário em tela (fls. 02) consta que aludido formulário foi "aprovado pela Instrução Normativa SRF/Nº 21/97 Anexo IV", em sintonia com o que dispunha o artigo 15 da citada Instrução Normativa, abaixo transcrito: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (grifo nosso) Muito embora a Instrução Normativa SRF nº 21/97 só tenha sido revogada em 1º/10/2002 (data da publicação da IN SRF nº 210, de 30/09/2002, cujo artigo 46 revogou formalmente a citada IN 21/97), todo o artigo 15 da IN 21/97, ou seja, a integralidade do dispositivo que tratava da possibilidade de utilização de créditos de um contribuinte para compensação com débitos de outrem, já havia sido revogado pela IN SRF nº 41, de 07/04/2000 (publicada no DOU de 10/04/2000), e que assim dispôs sobre a questão: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 170 da Lei Nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no art. 66 da Lei Nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei Nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e nos arts. 73 e 74 da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, resolve: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 929 19 Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória Nº 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF Nº 021, de 10 de março de 1997. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. (grifos nossos) Conforme abordado adiante de forma mais detalhada, foi essa nova limitação à compensação que motivou a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio a impetrar Mandado de Segurança (n° 2001.02.01.0352326 processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde pleiteou o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41/2000. Reiterese que o Poder Judiciário, por força de decisão no Mandado de Segurança nº 98.00166580, transitada em julgado em 18/04/2001, já tinha reconhecido, em favor da Nitriflex, o direito ao crédito do IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Segundo o artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, "a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (grifei). Tal dispositivo vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002, que incluiu aludido preceito1. Quanto ao caput do preceito em evidência, o mesmo, na redação à época vigente (dada pela MP nº 66/2002), já tratava exclusivamente da compensação de créditos com débitos próprios, o que pode ser conferido pela simples leitura do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (grifo nosso) Restrição nesse sentido de autorizar a compensação tributária somente com débitos próprios foi mantida na redação do preceito em comento desde então. Assim, não poderia ser dado ao pedido objeto dos autos pedido de compensação de crédito com débito de terceiros a natureza da declaração a que alude o § 1º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ("a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados"). Também a realidade presente não se enquadra no disposto no § 4º do aludido dispositivo, segundo o qual "os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo". Primeiro porque o pleito envolve forma de compensação (de créditos com débitos de terceiros) 1 Vale lembrar que a MP nº 66/2002 foi posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, cujo artigo 68 estabelece a produção de efeitos da prescrição em tela a partir de 1º/10/2002. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 não prevista pelo caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (ora, é regra básica de hermenêutica que parágrafos, incisos e alíneas são fragmentos subordinados ao caput de um artigo, tendo seu âmbito de aplicabilidade, em princípio, ao disposto no caput); segundo porque o pleito foi formalizado posteriormente à edição da MP nº 66/2002, ou seja, em 04/04/20032. Em consequência, não se aplica ao caso em exame o disposto no § 5º do mesmo artigo 74, segundo o qual "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Pelo que foi acima exposto resta claro que o preceito em evidência é restrito aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, que, como dito, aborda unicamente a compensação de créditos com débitos próprios, ou seja, a hipótese legal de que trata o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 a partir da alteração trazida pela MP nº 66/2002. Não bastasse isso, o § 5º que trata do prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada só veio a ser incluído no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003), publicada em 31/10/2003, a partir de quando o dispositivo em questão passou a viger. Ou seja, posteriormente à protocolização do pleito da interessada. Evidente, portanto, que o caso em exame não se subsume à homologação tácita a que se refere o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Rejeitase, portanto, o argumento da interessada nesse sentido. Vale lembrar, por fim, que com o advento da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (que, dentre outras alterações, incluiu o § 12 no artigo 74 da Lei nº 9.430/963), a apresentação de pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros passou a ser considerada como compensação não declarada. Tal preceito passou a viger a partir de 30/12/2004, data da publicação da norma em evidência. Apesar disso, não é razoável entender que, por conta do aludido preceito, até então todo o pedido de compensação deveria ser declarado como declaração de compensação. Com efeito, a edição exagerada de leis no Brasil recomenda prudência na adoção do brocardo jurídico segundo o qual "a lei não contém frase ou palavra inútil, supérflua ou sem efeito", já que não é rara, em nosso País, a edição de dispositivos destinados unicamente a fechar brechas interpretativas, notadamente no âmbito tributário, de lamentável elevada complexidade. No mais, interpretação nesse sentido me parece ferir o raciocínio lógico, seja pela falta de premissas que alicercem tal conclusão, seja em vista de o caput do dispositivo (artigo 74 da Lei nº 9.430/96) há muito (desde a edição da MP nº 66/2002) abordar outra realidade, ou seja, a compensação de créditos com débitos próprios, conforme já ressaltado. Do direito decorrente dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio 2 Como dito, a redação do caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que passou a explicitar o alcance do dispositivo em tela apenas em relação a compensação com débitos próprios, vigora desde 30/08/2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/2002. 3 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; [...] Fl. 939DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 930 21 Conforme relatado, vêse que a lide diz respeito a pedido de compensação de créditos da empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (conforme requerimento de fls. 01) em favor da recorrente, a pessoa jurídica Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos (nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), créditos esses reconhecidos judicialmente em favor da Nitriflex S.A., a qual, por força da aludida decisão, estaria autorizada a transferilos para terceiros. O débito apontado no pedido de compensação diz respeito ao IPI (código de receita 1097) do 3º decêndio de março de 2003. Examino, primeiramente, a situação da Reclamação nº 9.790, formalizada junto ao STF pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Conforme relatado vêse que o STF havia determinado liminarmente a "suspensão da Ação Rescisória n. 2003.02.01.0056758, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão final desta Reclamação". De acordo com o extrato de consulta fornecido pelo sítio do STF4, aludida ação transitou em julgado em 25/10/2012. O acórdão correspondente foi publicado no DJE de 27/09/2012, constando da referida consulta decisão no seguinte sentido: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, julgou procedente a reclamação, contra o voto do Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falou pela reclamante o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace. Plenário, 28.03.2012. Não foi possível obter no sítio do STF o inteiro teor do acórdão em tela. Não obstante, diante da informação acima colacionada, não há razão para se cogitar de eventual rescisão do provimento jurisdicional em favor do reconhecimento do crédito que subsidia a compensação objeto dos autos. Vale ressaltar que consta dos autos informação de que, por força da Ação Rescisória nº 2198, ajuizada pela Fazenda Pública visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580, teria havido mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que, segundo informado, fora reduzido de 10 (dez) para 5 (cinco) anos. Não obstante, eventual provimento nesse sentido terá reflexo unicamente quando da execução das decisões favoráveis ao sujeito passivo, já que a matéria relativa ao direito em si foi preservada. Quanto aos provimentos favoráveis ao sujeito passivo há que se fazer algumas considerações. De acordo com a cópia do acórdão da Terceira Turma do TRF da 2ª Região na apelação em mandado de segurança nº 024199/RJ (processo nº 98.02.497398, processo originário nº 98.00166580), acostada às fls. 52/55 do processo nº 10735.000001/9918 (fls. 61/64 da cópia digitalizada do eprocesso), em nome da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, foi reconhecido judicialmente o direito de a impetrante "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial". A decisão em tela foi fundamentada na não cumulatividade do IPI objeto do artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal. O acórdão em evidência foi assim ementado: 4 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3824716 (consulta realizada em 05/03/2015, às 20:01) Fl. 940DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃOCUMULATIVIDADE (ART. 153, § 3º, II, C.F.; DECR. Nº 97.410/88) 1. O art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, dispõe sobre a não cumulatividade do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), determinando a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. 2. O Decreto nº 97.410/88, que estabelece o privilégio da isenção, ou mesmo incidência de alíquota zero em crédito do IPI, tem como propósito impedir o acúmulo de carga tributária, abatendo o tributo presumidamente devido em cada fase de industrialização, com o seu valor final. 3. Direito líquido e certo da empresa em compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher ao final do processo industrial. 4. Apelação improvida. (grifo nosso) Consta do processo administrativo nº 13736.000533/200117 (também em nome da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio) a petição inicial no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, em que a impetrante, fundada no aludido crédito reconhecido no processo judicial nº 98.02.497398 (processo originário nº 98.00166580), pleiteia o direito de transferir tais créditos para terceiros, "sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07/04/00" (v. fls. 168/177 do citado processo administrativo; fls. 176/185 da cópia digitalizada anexa ao eprocesso). No julgamento dos embargos de declaração de embargos de declaração objeto do mandado de segurança nº 2001.02.01.0352326 (fls. 178/191 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 186/199 do eprocesso) processo originário nº 2001.51.10.0010250 , o TRF da 2ª Região deu provimento ao recurso da impetrante para invalidar "[...] o ato administrativo fundado na limitação normativa da Secretaria da Receita Federal de nº 41/00 à compensação de créditos da Impetrante reconhecido (sic) às fls. 63, com débitos de terceiros". O mesmo Tribunal não admitiu o recurso especial interposto pela União Federal (fls. 192/193 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 200/201 do e processo), tendo a decisão em tela transitado em julgado em 12/09/2003 (conf. fls. 197 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 205 do eprocesso). Com efeito, extraise do voto i. Desembargador Federal Rogério Carvalho na apelação no Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 (ver fls. 204/206 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 212/214 do eprocesso): Em suas razões de apelo, a Embargante pediu expressamente para esta E. Câmara conceder a segurança, para reconhecer o direito líquido e certo de compensar o crédito de IPI reconhecido na ação nº 98.00166580, com débitos de terceiros não optantes pelo REFIS, afastada a limitação imposta pela IN SRF 41/00, direito este já reconhecido por este E. Tribunal, por ocasião da análise do efeito suspensivo ativo proferido no Agravo de Instrumento nº 76961 (Proc. nº 2001.02.01.0166075): "Tratase de decidir a sorte deste requerimento, reiterado, às fls. 68/71, de efeito suspensivo ativo, deferindo medida liminar, em mandado de segurança, "para que seja assegurado o direito líquido e certo da impetrante de transferir o citado crédito para terceiros, ainda que não optantes pelo REFIS, sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07.04.00" (fls. 26). [...]. Justificase o provimento do recurso de apelação diante da irretroatividade da Instrução Normativa, para alcançar fatos consumados Fl. 941DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 931 23 sob a égide de normas que garantem o pleno direito da Embargante de compensar seu crédito (art. 170 do CTN, arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentado pela IN/SRF nº 21/97) [...]. ISTO POSTO: Dou provimento ao recurso, para sanando omissão do v. acórdão de fls. 180, declarar que o efetivo aprimoramento da prestação jurisdicional, no caso, implica em aplicação da regra, de conteúdo interpretativo, constante do parágrafo 3º do art. 515 do CPC, e, em consequência, atribuindo efeitos modificativos ao v. acórdão de fls. 154, dou integral provimento ao apelo invalidando a limitação prevista na IN SRF 41/00, à compensação de créditos da Impetrante reconhecido às fls. 63, com débitos de terceiros. (os grifos não constam do original) Cumpre destacar que em resposta à petição nos autos do processo judicial nº 2001.51.10.0010250, em que a Nitriflex alega descumprimento da ordem judicial e desobediência à coisa julgada, decidiu a MM. Juíza Titular da 1ª Vara de Execução Fiscal de São João de Meriti, Vellêda Bivar Soares Dias Neta, em 25/03/2014, no seguinte sentido (v. fls. 804 do processo administrativo nº 13746.000260/200364): Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação nº 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante. (o grifo em sublinhado não consta do original) Apresentados os fatos relevantes para a análise do litígio, podese afirmar o seguinte: a) que foi reconhecido judicialmente, em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (Mandado de Segurança n° 98.00166580), o direito de a mesma "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial" (grifei); b) também em função de decisão judicial, que aludido direito creditório poderia ser transferido para terceiros, sendo afastada, portanto, restrição nesse sentido objeto da IN SRF nº 41/00 (Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 TRF 2ª Região , processo originário nº 2001.51.10.0010250). É evidente, pois, que por força dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio foi reconhecido direito creditório a título do IPI (crédito presumido), o qual poderá ser utilizado exclusivamente para a compensação com Fl. 942DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 o IPI devido no final do processo industrial, seja da própria empresa, seja de empresas terceiras para onde o crédito poderá ser transferido. Entendo, ainda, que tal crédito poderá ser utilizado até o seu completo exaurimento, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02. E digo isso em respeito ao direito adquirido e à coisa julgada. O débito apontado no pedido de compensação, em nome da recorrente (Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), diz respeito ao IPI (código de receita 1097) do 3º decêndio de março de 2003. Possível, portanto, a liquidação de aludido débito do IPI por compensação com o crédito do mesmo imposto reconhecido em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, já que os provimentos jurisdicionais acima referenciados garantem direito nesse sentido. Resta à unidade de origem, porém, na execução da presente decisão, verificar se o crédito judicial reconhecido em favor da Nitriflex é suficiente para a liquidação do débito a compensar. No que tange ao direito, contudo, entendo que o recurso deverá ser provido nessa parte, nos termos das razões acima elencadas. Da conclusão Por todo o exposto é que entendo deverá ser dado parcial provimento ao recurso voluntário, no seguinte sentido: a) rejeitar o argumento inerente à suposta homologação tácita do pedido de compensação; b) reconhecer o direito de a recorrente compensar o débito do IPI discriminado nos autos do presente processo com crédito do mesmo imposto reconhecido judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação do débito a compensar. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado para o voto vencedor. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 932 25 Declaração de Voto Peço vênia ao eminente Relator para divergir em relação à nãocaracterização da homologação tácita, fundado nas razões apresentadas no Acórdão nº 3802000.617, decidido por unanimidade pela Turma na Sessão de 10/08/2011: [...] antes de ingressar no exame desses temas e das demais matérias ventiladas na petição recursal, cumpre apreciar a alegação de homologação tácita da compensação. Esta, consoante destacado, foi afastada pelo acórdão recorrido, assentando no Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005 (fls. 368/v369/v) e nas seguintes considerações: O entendimento manifestado no Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, explicita com clareza a questão sobre a compensação com créditos de terceiros relativa aos Pedidos de Compensação entregues anteriormente a 1o/10/2002, no entanto, conclui que o "novel regime de compensação" instituído pela Lei no 10.637, de 2002, "não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa", lançando, assim, suas conclusões inclusive sobre os formulários "Declarações de Compensação" iguais aos deste processo, ou seja, entregues após 1o/10/2002 e antes de 29/12/2004. [...] E mais, a corroborar o entendimento de que jamais foram DCOMP's, conforme salientado no item 50 acima, a Secretaria da Receita Federal do Brasil passou a considerar como não declaradas as compensações da espécie, apresentadas após o advento da Lei n° 11.051, de 2004, ou seja, a partir de então, surgiu a possibilidade jurídica, através da Lei n° 11.051, de 2004, de sequer considerar tais requerimentos como "Declarações de Compensação", retirando inclusive sua sujeição ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972. Frisese que as conclusões do Parecer PGFN/CDA/CAD n° 1.499, de 2005, notadamente as dos itens 41, 42 e 45, são neste voto adotadas, tendo em vista que o requerimentos em análise se utilizaram de créditos apurados por terceiros para compensar créditos tributários próprios. [...] Pelo exposto, concluise que o documento intitulado "Declaração de Compensação" deste processo não se caracteriza como tal por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso. A decisão recorrida, como se vê, faz referência aos §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei no 9.430/1996, que foram introduzidos na ordem jurídica pela Lei nº 11.051/2004, resultante da conversão da Medida Provisória nº 219/2004: Art. 4º O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Art. 74. ............................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; Fl. 944DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 [...] § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Todavia, por ocasião do protocolo do pedido (10/04/2003), data do encontro de contas, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 apresentava a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Notase, portanto, que não havia previsão legal, no momento do encontro de contas, para que a compensação fosse considerada não declarada. A rigor, na época, a legislação tributária (IN SRF nº 226/2002, revogada pela IN SRF nº 460/2004) limitavase a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação: Art. 1º Será liminarmente indeferido: [...] II o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: [...] c) crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000. Apesar disso, embora o protocolo tenha ocorrido em 10 de abril de 2003 – antes do início da vigência da Lei nº 11.051/2004 –, o acórdão da DRJ entendeu que o documento intitulado “Declaração de Compensação” deste processo não se caracteriza como tal por expressa vedação legal, e, em assim sendo, a homologação tácita não alcança o presente caso (fls. 369/v). Essa interpretação, no entanto, diverge da Jurisprudência desse Conselho e do Superior Tribunal de Justiça, que fixa a data do encontro de contas como o marco juridicamente relevante para fins de aplicação intertemporal das regras de compensação (1º CC. Recurso Voluntário 158.483. PAF nº 13851.000099/200593; 1º CC. 2ª C. Recurso Voluntário Fl. 945DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 933 27 136.257. PAF nº 10980.006685/200316; 1ª CC. Recurso Voluntário nº 158.533. PAF nº 16327.001377/200475). Nessa linha, cf. o seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. "MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE". APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PRECEDENTES. 1. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual “pedido de compensação” ou “declaração de compensação” com fundamento em legislação superveniente. Precedente: EREsp 488.992/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJU de 07.06.04. 2. Em conseqüência, o marco a ser considerado na definição das normas aplicáveis na regência do "recurso de inconformidade" é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, o que, na hipótese, deuse em 15 de fevereiro de 2001 e 14 de março de 2001. 3. A "manifestação de inconformidade" foi prevista, pela primeira vez, como meio impugnativo da decisão que não homologa a compensação, na Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, passando a ser normatizada legalmente a partir da Lei 10.833/03 conversão da MP 135/03 (cf. REsp 781.990/RJ, Rel. Min. Denise Arruda). 4. A Primeira Seção, ao julgar o EREsp 850.332/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, examinando a matéria à luz da redação original do art. 74 da Lei 9.430/96, portanto, sem as alterações estabelecidas pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04, concluiu que o pedido de compensação e o recurso interposto contra o seu indeferimento suspendem a exigibilidade do crédito tributário, já que a situação enquadrase na hipótese do art. 151, III, do CTN. Precedentes. 5. Ressaltese que, neste âmbito judicial, não há emissão de juízo de valor quanto à própria validade da compensação efetuada, mas, tão somente, no que tange à aplicação da jurisprudência do Tribunal em relação aos efeitos em que devem ser recebidas as impugnações apresentadas na esfera administrativa anteriormente à Lei 10.833/03 (conversão da MP 135/03). 6. Embargos de divergência providos. (STJ. 1ª S. EREsp 977083/RJ. Rel. Min. CASTRO MEIRA. DJe 10/05/2010. Grifamos) Esse critério, evidentemente, não é absoluto, porquanto em alguns casos – notadamente naqueles envolvendo ações judiciais – a compensação pode se submeter a regras ou parâmetros formais ou materiais diferenciados. Todavia, para efeitos da apreciação da ocorrência da homologação, a regra geral já é suficiente para afastar a validade do critério empregado pelo acórdão da DRJ. Com efeito, o próprio Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005, invocado na fundamentação da decisão recorrida, desautoriza a interpretação adotada no julgado a quo. O estudo (itens 88 e 90 e “c.4”, das conclusões) é expresso ao ressaltar que a aplicação da Lei nº 11.051/2004 restringese às declarações protocolizadas após o início de sua vigência: 88. Em síntese, cumpre destacar, na linha do já disposto no item V, que o novel regime da compensação, instituído pela Medida Provisória nº 66/02 e pela Medida Provisória nº 135/03, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (RFB), não alcança, sob hipótese Fl. 946DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 alguma, os casos de pedidos de compensação com créditos de terceira pessoa. [...] 90. Outrossim, cumpre reiterar que a compensação em que o crédito esteja nas condições do item 88, desde que a declaração seja apresentada após a entrada em vigor da Lei nº 11.051/04, será considerada não declarada, a teor dos § 12, II, da Lei nº 9.430/96, acrescentando pela já citada Lei nº 11.051/04. [...] c.4) com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no item anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam a situação); A decisão recorrida, na verdade, interpretou de forma equivocada o parecer da PGFN, que, segundo demonstrado, foi expresso em afirmar que a qualificação “não declarada” – e os efeitos jurídicos correspondentes – somente tem lugar para os expedientes encaminhados após a entrada em vigor da Lei nº 11.051/2004, o que não é o caso dos autos. A compensação, assim, deve ser considerada declarada para todos os efeitos legais, de acordo com o entendimento também acolhido pelo voto divergente (fls. 381382): Se há despacho de nãohomologação, e se tal condição jurídica não lhe foi extirpada, o documento de extinção de débitos via compensação terá forçosamente de ser reconhecido como uma Dcomp. Juridicamente outro caminho não se mostra legitimo. [...] o parecer PGFN/CAT n° 1499/2005 veio, em realidade, no sentido de marcar o inicio dos efeitos pretendidos pela Lei nº 11.051/2004 que determinou fossem consideradas nãodeclaradas as compensações que tinham como lastro creditório as hipóteses discriminadas de forma exaustiva. Significa dizer que, a partir da entrada em vigor da lei citada, as petições protocolizadas como Dcomp perderiam esse status caso o crédito oferecido estivesse vinculado aos eventos arrolados nos parágrafos 3º e 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o que traria a reboque a possibilidade de exigência imediata dos débitos nelas consignados. Usei a expressão “perderiam o status” no entendimento de que a utilização dos meios procedimentais formais imanentes à apresentação de uma declaração de compensação reveste o pedido de tal perfil, sendo que extirpar essa condição jurídica para gerar cobrança imediata dos débitos exige previsão expressa, previsão essa que veio exatamente com a entrada em vigor da nova lei (11.051/2004); não antes. Nesse ordem de idéias, sendo certo que a compensação se submete ao regime jurídico vigente no momento do encontro de contas, não há dúvidas de que a decisão recorrida não poderia ter considerado “não declarada” a compensação pretendida pelo Recorrente. Por outro lado, é igualmente induvidoso que o interessado foi intimado do despacho decisório em 14/04/2008 (fls. 28), após o decurso de cinco anos do protocolo de declaração de compensação, ocorrido no dia 10/04/2003 (fls. 01). Resta saber, no entanto, se isso implica a homologação tácita da declaração de compensação, uma vez que, na época do encontro de contas, não havia previsão legal expressa do prazo de cinco anos. Este, com efeito, foi positivado apenas com a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003: Fl. 947DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 934 29 Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74 .................................................................................. .............................................................................................. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." (NR) Esse quadro normativo, aliado à mesma premissa de que a compensação submetese ao regime jurídico previsto na data do protocolo do pedido, poderia levar à conclusão de que, antes da Medida Provisória nº 135/2003, não havia prazo para homologação. Há um julgado do 2o Conselho de Contribuintes, de 26 de abril de 2007, que interpretou dessa forma. Devido à importância da matéria para a adequada apreciação da controvérsia, cabe reproduzir a fundamentação do voto do relator: [...] Agora analiso o art. 17 da MP n° 135, de 30/10/2003 e publicada em 31/10/2003, no que modificou a redação do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e introduziu o § 6°. O primeiro estipulou que "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação", enquanto o segundo determinou que "A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados." Segundo o art. 68, III, da MP n° 135/2003 (equivalente ao art. 93, VI, da Lei n° 10.833/2003), o seu art. 17 entra em vigor na data de sua publicação. Ou seja. 31 de outubro de 2003 já que, conforme jurisprudência iterativa do STF, medida provisória convertida em lei tem eficácia desde sua edição. Os §§ 5° e 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela MP n° 135/2003, não podem mesmo ser aplicados antes de 31 de outubro de 2003 porque isto implicaria em submeter o regime jurídico atual com prazo preclusivo de cinco anos para homologação da compensação, que corre contra a Fazenda pública, e com confissão de dívida em relação aos débitos do sujeito passivo declarados aos pedidos de compensação (aqueles entregues até setembro 2002, antes da MP n° 66/2002) e às declarações de compensação (PERD/DCOM, entregues a partir de 10 de outubro de 2002). A aplicação retroativa constituiria ofensa ao primado da segurança jurídica e à irretroatividade das leis. Apesar disto, a Receita Federal editou as IN SRF n°s n°s 460, de 18/10/2004, e 600, de 28/12/2005 (esta, em vigor, revogou a primeira), que dispõem o seguinte (os arts. abaixo, da IN em vigor, repetem os da IN revogada): Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 (...) § 2° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei no. 10.833, de 2003, os pedidos de compensação, que, em 12 de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 68. A unidade da SRF na qual for proferido o despacho de não homologação da compensação objeto de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, bem como da compensação objeto de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 30 de outubro de 2003, promoverá o lançamento de oficio do crédito tributário que ainda não tenha sido lançado nem confessado, cientificará o sujeito passivo da nãohomologação da compensação e, se for o caso, do lançamento de oficio (simultaneamente) e intimá loá a efetuar, no prazo de trinta dias, o pagamento do débito indevidamente compensado. (...) Art. 70. A data de inicio da contagem do prazo previsto no § 2° do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração .de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF. Consoante as disposições acima, o prazo de cinco, para homologação da compensação tanto a solicitada por meio dos pedidos entregues antes de 1° de outubro de 2002, mas não decididos pela autoridade administrativa até essa data, quanto a declarada por meio de PER/DCOMP entregues a partir da mesma data , está sendo contado a partir da data do protocolo do pedido original ou da transmissão da PER/DCOMP (arts. 64, 70 e § 2 0 do art. 29, combinados). Tal contagem, contrária à Fazenda Pública, implica em retroagir a eficácia do art. 17 da MP n° 135/2003 de modo a extinguir, em definitivo, todo e qualquer crédito tributário informado em pedido de compensação protocolizado até 1° de outubro de 1997 (cinco anos de 1o de outubro de 2002), mas não analisado pela autoridade administrativa até esta última data. Num Estado de Direito como é o Brasil, o principio da segurança jurídica e a irretroatividade das leis impedem que tal assim aconteça. Afinal, tal contagem implica em fixar, de forma retroativa, o termo inicial de um prazo preclusivo (seja ele decadencial, em relação aos créditos tributários não confessados, ou prescricional, acaso confessados), sem que a pessoa contra a qual corria tal prazo (a Fazenda Pública), dele tivesse conhecimento. Neste ponto importa destacar que, se a administração tributária soubesse de tal prazo preclusivo, certamente envidaria esforços no sentido de analisar todos os pedidos antes do prazo fatal, em cumprimento ao principio da eficiência. É o que acontece, por exemplo, quando se aproxima o termo final do prazo decadencial para o lançamento de determinado tributo. A fim de evitar a preclusão, as fiscalizações são ultimadas e os autos de infração são lavrados. De todo modo, mesmo supondose que a Receita Federal não fosse tão diligente e não cumprisse com rigor o princípio da eficiência, ainda assim não caberia impor ao Estado (União, no caso) perda de tão grande monta. [...] Fl. 949DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 935 31 Pelo exposto, concluo o seguinte: pedidos de compensação protocolizados antes de 01/10/2002: há suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado e inexiste confissão de divida; declarações de compensação (DCOMP) protocolizadas entre 01/10/2002 e 30/10/2003: há extinção do crédito tributário compensado, sob ulterior homologação da autoridade administrativa, inexiste confissão de divida, mas a administração tributária não tem prazo para homologação da DCOMP; DCOMP protocolizadas a partir de 31/10/2003: há extinção do crédito tributário compensado, sob ulterior homologação da autoridade administrativa, existe, sim, confissão de divida e a administração tem o prazo preclusivo de cinco anos a contar do protocolo, para homologação expressa ou tácita da compensação. (2o CC. Acórdão 20312.015. Recurso no 136.159. Processo 10880.000999/9978) Todavia, com a devida vênia ao entendimento divergente, os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei são direitos fundamentais do cidadão em face do Poder Público (CF, art. 5o, caput). A ordem constitucional não veda a aplicação retroativa da lei, mas apenas a irretroatividade em prejuízo do direito adquirido, da coisa julgada e do ato jurídico perfeito (CF, art. 5º, XXXVI). Não cabe a invocação dessa garantia constitucional por parte do Estado, porque este não é titular de direitos individuais, mas de competência para instituir normas jurídicas ou para expedir atos administrativos em consonância com as regras jurídicas vigentes. Se estas foram alteradas, não se afigura juridicamente viável o recurso ao princípio do direito adquirido por parte de agente administrativo inconformado com o teor das novas disposições normativas, notadamente quando editadas pelo mesmo ente federativo. Não parece acertado, destarte, o afastamento da aplicação das disposições da IN SRF no 460/2004 ou de qualquer outra com base em ofensa ao primado da segurança jurídica e à irretroatividade das leis, quando a norma é editada beneficia o particular. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem entendimento consolidado sobre a matéria: A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art 5º, XXXVI, da CF, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado (Súmula 654). O princípio insculpido no inciso XXXVI do art. 5º da Constituição (garantia do direito adquirido) não impede a edição, pelo Estado, de norma retroativa (lei ou decreto) em benefício do particular. (RE 184.099, Rel. Min. Octavio Gallotti, julgamento em 10121996, Primeira Turma, DJ de 1841997.) A rigor, segundo ensina o eminente Professor Paulo de Barros Carvalho, no parecer disponibilizado nos autos, a incompatibilidade com a ordem jurídica não está na aplicação do prazo de cinco anos, mas no entendimento que nega a existência de prazo para a homologação da compensação: Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, a Fazenda Pública, no exercício de sua função fiscalizadora, deve acompanhar de perto o comportamento dos seus administrados, zelando pela observância das obrigações a que estão submetidos. Caso identifique prestações não recolhidas ou irregularidade que implique falta de pagamento de tributos, Fl. 950DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 há de proceder à constituição ou modificação dos créditos a que tem direito dentro do prazo decadencial fixado pelo direito positivo, expresso no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Referido dispositivo estabelece o período de 5 anos, a contar da ocorrência do "fato gerador", para que se proceda à fiscalização e eventual constituição do crédito tributário. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o direito do Fisco. Esse mesmo prazo, como não poderia deixar de ser, aplicase a todas as hipóteses extintivas de débitos tributários. Encontra, portanto, inteiro cabimento nas situações de compensação tributária. Ora, a compensação entre débitos e créditos tributários exige a constituição desses dois vínculos relacionais e, ainda, de um terceiro em que se faz o encontro de contas. Tudo isso, é certo, sujeitase à fiscalização das autoridades competentes, de modo que a extinção do liame obrigacional (assim como do crédito do contribuinte) operase mediante anuência do Fisco. E essa anuência nada mais é que ato homologatório, disciplinado pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Quaisquer outras disposições sobre o assunto, veiculadas em lei ordinária (como é o caso do art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/96) encontram suporte nessa prescrição do CTN que, como se sabe, foi recepcionado com força de lei complementar e é o instrumento hábil para dispor sobre a extinção do vinculo obrigacional tributário. O art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional encontra, por conseguinte, perfeito enquadramento à situação da presente Consulta. Nem se alegue que o disposto nesse preceito só teria aplicabilidade para fins de constituição de débitos tributários, inexistindo disposição que estabeleça prazo para fiscalizar os créditos do contribuinte perante a Fazenda Pública. Sabemos que nenhum dispositivo legal pode ser analisado isoladamente, sem considerar a totalidade e unidade do ordenamento. Ademais, o sistema jurídico não convive com a insegurança e instabilidade das relações, o que torna inviável entendimento acerca da inexistência de prazo para alterar as normas individuais e concretas expedidas pelo contribuinte5. Ademais, vale lembrar que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime autocompensação, que – ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) – é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. Foi realizada, dentro desse escopo de uniformização, um “corte” temporal, em função do qual todos os pedidos compensação apresentados à luz da legislação pretérita foram convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, ou seja, com efeito retroativo, na forma do § 4o, incluído pelo art. 49 da Lei no 10.637/2002: Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74. [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. 5 p. 4445 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10735.000894/200358 Acórdão n.º 3802004.266 S3TE02 Fl. 936 33 Essa particularidade foi prevista no art. 73 da IN SRF no 460/2004, consoante entendimento exarado na Solicitação de Consulta Interna no 01/2006: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Solicitação de Consulta Interna no 01/2006 EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Por essa razão, decisões mais recentes têm afastado a interpretação acolhida no precedente destacado anteriormente. Nesse sentido, cabe registrar o seguinte acórdão da 2a Turma Ordinária, 3a Câmara, da 3a Seção, no julgamento do Recurso Voluntário no 501.809, da lavra do eminente Conselheiro Alexandre Gomes: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo6. Nesse contexto, se o legislador tributário determinou a aplicação do prazo de cinco anos de forma retroativa – a todos as compensações apresentadas na vigência da legislação pretérita, que foram convertidas em declaração de compensação –, não faz o menor sentido, dentro de uma 6 Acórdão 330200.841 – 3a Câmara / 2a Turma Ordinária. Sessão de 28 de fevereiro de 2011. PAF 10909.002842/0063. Relator Conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 interpretação sistemática e teleológica, afastar a aplicação do prazo de cinco anos apenas para as declarações protocolizadas entre 01/10/2002 e 30/10/2003. Sequer há previsão legal para essa interpretação, porque as instruções normativas que disciplinam o tema, inclusive a IN SRF no 460/2004, determinaram a aplicação do prazo de cinco anos a todas as declarações de compensação, irrestritamente e sem exceção: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Ora, se a legislação não diferencia, não cabe ao intérprete fazêlo, sobretudo quando o resultado dessa exegese conduz a uma conclusão incompatível com o primado da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Portanto, deve ser reconhecida a homologação tácita da compensação. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 953DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10630.720372/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ILEGITIMIDADE PASSIVA. NULIDADE
Não há falar em nulidade por ilegitimidade passiva se o Recorrente figura como parte legitima na relação processual.
CONTRADITÓRIO.INÍCIO
Somente com a impugnação, e não com a intimação prévia, inicia-se o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS DE FATO
No caso de simulação nos atos constitutivos da pessoa jurídica, através da utilização de sócios ditos "laranjas", devem ser chamados os "sócios de fato", identificados pela fiscalização, para responder pelo crédito Tributário constituído.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada para o lançamento matriz, é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1202-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto pelo Responsável Tributário indicado no Termo de sujeição passiva solidária e em CONSIDERAR definitiva a decisão em primeira instância em relação à Contribuinte, a qual não interpôs recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (Suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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NULIDADE Não há falar em nulidade por ilegitimidade passiva se o Recorrente figura como parte legitima na relação processual. CONTRADITÓRIO.INÍCIO Somente com a impugnação, e não com a intimação prévia, iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS DE FATO No caso de simulação nos atos constitutivos da pessoa jurídica, através da utilização de sócios ditos "laranjas", devem ser chamados os "sócios de fato", identificados pela fiscalização, para responder pelo crédito Tributário constituído. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada para o lançamento matriz, é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto pelo Responsável Tributário indicado no Termo de sujeição passiva solidária e em CONSIDERAR definitiva a decisão em primeira instância em relação à Contribuinte, a qual não interpôs recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 72 /2 00 7- 78 Fl. 6306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (Suplente convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Consta do Acórdão n° 0919.887 la Turma da DRJ/JFA, em 11/07/2008, o seguinte relatório (Fls. 1.006 a 1.022): Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração, relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 132/138), no valor de R$ 5.036.313,69, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 139/146), no valor de R$ 292.365,23, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 147/154), no valor de R$ 1.691.349,21, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 155/160), no valor de R$ 4.048.135,02, respectivamente, com multa de ofício de 150% e juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 34.334.293,99 (fl. 131). Além disso, consta do presente processo o auto de infração relativo à multa regulamentar por falta de comunicação da exclusão da empresa do sistema simples no valor de R$ 1.186,80 (fl. 164/166). Consta nas conclusões do Relatório de Procedimento Fiscal (fl. 169/190): O real proprietário da empresa Teofrut Ltda é o Sr. Clélio Gonçalves Gosling, tendo o Sr. Luiz Carlos Barreiros, embora responsável pelo crédito tributário, por ser o sócio administrador da fiscalizada, e o Sr. Paulo Tadeu Moreira Coelho sido usados como sócios "laranja"; A empresa CGG Turismo Ltda, beneficiária de recursos transferidos das contas da Teofrut Ltda, apesar de ter como sócios a Sra. Maria Beatriz Bessa Gosling e outros, sempre foi gerenciada pelo Sr. Clélio Gonçalves Gosling, real proprietário da empresa; Fl. 6307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 4 3 O provável beneficiário dos recursos creditados nas contas da Teofrut Ltda é o Sr. Clélio Gonçalves Gosling, através de retiradas feitas nas contas da empresa com cheques assinados em branco pelo Sr. Luiz Carlos Barreiros e através dos recursos transferidos das contas da Teofrut para as contas da CGG Turismo Ltda. Apesar das evidências de desenvolvimento de atividade de câmbio pela fiscalizada, ressaltamos que não podemos considerar como receita omitida apenas um percentual dos depósitos, a título de "spread", pelos seguintes motivos: a) Não há base legal para isso. A legislação vigente determina que sejam tributados todos os valores creditados cujas origens não forem comprovadas (art. 42 da Lei 9.430/96 abaixo reproduzido em parte); b) Não há nenhuma escrituração e nenhum controle minimamente confiável nos quais se possa basear o lançamento com base em "spread"; c) Há depósitos de valores muito altos que certamente não são provenientes de câmbio a varejo; d)Mesmo que os depósitos fossem provenientes exclusivamente de câmbio, não se conhecem quantas vezes os mesmos dólares foram "vendidos" antes de serem depositados os reais correspondentes, ou mesmo se esses foram depositados; e)Por tudo isso, não há como se considerar a receita omitida como algum percentual referente a "ganho " nas operações de câmbio 59.É também impossível aplicar ao caso o percentual de 1% de lucro em corretagem de pedras semipreciosas, pretendido pelo Sr. Clélio, conforme relatado por ele no item 28 e pela Teofrut no item 22, pelo simples fato de não ter sido apresentada uma única comprovação e a escrita da empresa onde isso pudesse ser apurado. 60.Portanto, como não se comprovou a origem dos recursos creditados nas contas em nome da Teofrut Ltda, fica caracterizada a omissão de rendimentos, o que enseja o lançamento de ofício da Receita Omitida Apurada, conforme total da coluna 5 do Resumo do Quadro Demonstrativo 3 no item 63 adiante, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e do art .849 do Decreto n° 3000/99 RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. Considerando tudo o que foi constatado, entendemos ser o Sr. Clélio, responsável pessoal pela fiscalizada, com a conivência do Sr. Luiz Carlos Barreiros, sócio administrador da Teofrut, utilizandose de interposta pessoa e sonegado o imposto devido, o que configura, em tese, crime contra a ordem tributária, de acordo com a lei 8.137. Aplicase, então, a multa qualificada de 150%prevista no § 1 ° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2008 e tendo como conseqüência a abertura do Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 6308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 5 4 Tendo em vista os fatos apurados no procedimento fiscal foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais anexada ao processo n° 10630.720.011/200811. Cientificados dos autos de infração, os Srs. Clélio Gonçalves Gosling, CPF: 274.015.96687 e Luiz Carlos Barreiros, CPF: 835.991.42653, por meio de procuradores constituídos à fl. 921 e 930, apresentaram impugnações. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR CLÉLIO GONÇALVES GOSLING (fls. 916/920) Em suas razões de defesa o responsável tributário, por meio de seu procurador, aduziu o seguinte: Em preliminar. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESENVOLVIMENTO VÁLIDO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Alegou a nulidade do processo, tendo em vista que não houve a intimação do sujeito passivo de atos do procedimento, a fim de que pudesse acompanhálo de forma democrática, conforme preceitua o artigo 5o, inciso LV, da Constituição Federal. Alega a quebra do contraditório, uma vez que deveria ter tomado conhecimento de toda a documentação citada pelos auditores nos autos antes da decisão do Órgão Fiscalizador. Do Mérito. DO QUE SE PODERIA CHAMAR DE MÉRITO, NÃO FOSSEM AS PRELIMINARES Alega que no item 05, folhas 05, os auditores afirmam "foi assinado contrato particular de cessão de Direitos Societários entre os sócios PÉRICLES e MAURICIO e o Sr. Clélio Gonçalves Gosling". Indaga: onde o contrato se encontra? Afirma que o contrato particular para ter valor contra terceiros há que ser registrado no Cartório de Título e Documentos. Ressalta que não existe essa prova nos autos. Critica a palavra provável utilizada pelos auditores responsáveis pela fiscalização no item 57, digo 55, do Relatório de Procedimento Fiscal (RPF): "o provável beneficiário dos recursos creditados nas contas da Teofrut Ltda é o Sr. Clélio Gonçalves Gosling," com a seguinte argumentação: "o provável, não é certo ,e se os auditores não tiveram certeza em seus relatórios, QUEM TERÁ? Logo mais um item de nulidade de todo processado." Ressalta que não teve o direito de defesa da afirmação do fiscal autuante contida no item 59, digo 57, do RPF, "in verbis": "E também impossível aplicar ao caso o percentual de 1% de lucro em corretagem de pedras semipreciosas, pretendido pelo Sr. Clélio, conforme relatado por ele no item 24 e pela Teofrut no item 18, pelo simples fato de não ter sido apresentada uma única Fl. 6309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 6 5 comprovação e a escrita da empresa onde isso pudesse ser apurado". Segundo a impugnante ocorreu a falta de observação do princípio constitucional do contraditório. Registra que, no item 59, do RPF, a autoridade fiscal utilizou a expressão "em tese", para responsabilizálo pelo crime contra a ordem tributária, de acordo com a Lei 8.137, pela utilização de interposta pessoa e sonegado o imposto devido, aplicando a multa de 150%. Reclama que se tudo está em tese, ainda não é hora de conclusão definitiva. Relativamente ao item 40, do RPF, afirma que o Sr. Laurindo Leite Júnior deveria ter pago a DISK LINE, pois o seu negócio era com a DISK LINE, inclusive isento de CPMF, burlando o Fisco. A DISK LINE teria de pagar a quem fez negócio com ela ou esclarecer quem deu a ela o número da conta, pois sem dúvida foi algum comerciante de pedras do exterior, ou o gringo na gíria dos pedristas, que se encontrava em Teófilo Otoni COMPRANDO PEDRAS. Fundamenta e comprova todo esclarecimento como corretor de pedras, como informou desde o início da fiscalização e indaga: "se o senhor Laurindo, que não conheceu a firma Teofrut, como participar de uma operação financeira de certo vulto?" Ressalta que o Sr. Laurindo Leite Júnior não tem como comprovar a "Transação objeto da intimação", fls. 14. Portanto, qual foi o destino do dinheiro, se não comprova a transação? Relata que no Mandado de Procedimento Fiscal número 1.03.00.205001263, emitido em 12/08/2005, não teve ciência de sua prorrogação, acontecendo a decadência do direito. Finalmente, argüi que, no demonstrativo consolidado de crédito tributário do processo, atribui responsabilidade da Teofrut Ltda, o valor da multa de R$ 1.186,80, datado de 15.02.2008 e, em outro demonstrativo aponta uma obrigação tributária da Teofrut Ltda, no valor de R$ 12.549.687,43. Conclui sua defesa, afirmando que não tem nenhuma responsabilidade fiscal sobre o débito apurado, vez que este é de única e exclusiva responsabilidade da empresa Teofrut Ltda. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR LUIZ CARLOS BARREIROS fls. 922/925). Alega, resumidamente, que no item 62 da fl. 16 do Relatório Fiscal, no título RESPONSÁVEIS PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, não consta o nome da pessoa física do impugnante, de forma que ficou constatado, em caráter conclusivo, que o impugnante, Luiz Carlos Barreiros não é responsável pelo crédito tributário. Registra, também, que o Sr. Clélio Gonçalves Gosling já se responsabilizou por todas as operações bancárias, conforme constata na declaração anexa. Fl. 6310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 7 6 Ressalta, ainda, que o impugnante jamais teve um patrimônio financeiro que pudesse movimentar cifras tão elevadas em estabelecimentos bancários, enquanto, segundo comentários, o Sr. Clélio Gonçalves Gosling possui grandes patrimônios, não se sabe se em seu próprio nome. Acresce que o impugnante possui somente uma casa modesta na cidade de Teófilo Otoni, sendo que sua esposa é uma simples funcionária do Unibanco nesta cidade. Quanto ao mérito da matéria, não tem a mínima condição de contestála, pois toda documentação fisco/contábil da empresa TEOFRUT LTDA encontrase em poder do Sr. Clélio, de forma que o impugnante não tem e nunca teve acesso a tais documentos. A Primeira Turma da DRJ/JFA manteve os respectivos lançamentos conforme o transcrito a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 ILEGITIMIDADE PASSIVA: Não há de ser conhecida impugnação interposta por quem não é parte legitima na relação processual. LANÇAMENTO. NULIDADE. A formalização do lançamento, em concreto, deuse de acordo com as disposições previstas no ordenamento da matéria, não sendo verificado cerceamento do direito de defesa ou do contraditório, nem as causas de nulidade previstas no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONTRADITÓRIO. INÍCIO. Somente com a impugnação, e não com a intimação prévia, iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS DE FATO No caso de simulação nos atos constitutivos da pessoa jurídica, através da utilização de sócios ditos "laranjas", devem ser chamados os "sócios de fato", identificados pela fiscalização, para responder pelo crédito Tributário constituído. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA QUALIFICADA Fl. 6311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 8 7 Nos casos de lançamento de oficio deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovada a sonegação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada para o lançamento matriz, é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente Acordam os membros da 1a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em considerar procedentes os lançamentos consubstanciados nos autos de infração de fls. 132/194, acolhendo a responsabilidade tributária do Sr. CLÉLIO GONÇALVES GOSLING, CPF n° 274.015.96687, sócio de fato da empresa fiscalizada. Intimese a pessoa jurídica e o Sr. CLÉLIO GONÇALVES GOSLING, CPF n° 274.015.96687, no domicílio tributário por este eleito nos termos do § 4o do art. 23 do Decreto n° 70.235/72, para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. I2 da Lei n.° 8.748, de 09 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Intimada da referida decisão em 13/08/2008 (Fls. 1.032), a Contribuinte não interpôs recurso voluntário. Intimado da referida decisão em 13/08/2008 (Fls. 1.033), o Sr. Clélio Gonçalves Gosling, CPF 27401596687, recorreu em 10/09/2008 contra a Responsabilidade tributária por TEOFRUT LTDA (Fls. 1.034 a 1.038), requerendo o seguinte: (...) E, é dentro deste conceito que recorremos para esta corte superior, a fim de que os fatos sejam analisados e ao final julgado procedente o recurso, a fim de que seja anulado todo procedimento fiscal desde o inicio e, inclusive anulando o acórdão guerreado, e que outro procedimento seja feito em atos fiscalizatórios, mas respeitando integralmente os preceitos Constitucionais, a fim de que sejam evitado novas nulidades, e perda de tempo. Assim sendo, esperamos que o presente recurso fosse recebido e finalmente dado provimento anulando todo procedimento fiscal, Fl. 6312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 9 8 inclusive acórdão de folhas, e em assim o procedendo os doutos julgadores estarão praticando ato salutar de Direito e Justiça Os presentes autos seguiram para este Conselho em 19/08/2008, com distribuição a este relator, por sorteio, em 19/08/2013. É o relatório. Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator Conforme consta deste relatório, tratase de auto de infração de IRPJ e reflexos, multa de ofício de 150%, e juros de mora, cujo crédito tributário perfaz um total de R$ 34.334.293,99 (fl. 131), com atribuição de responsabilidade tributária ao Sr. Sr. Clélio Gonçalves Gosling, CPF 27401596687, e com a decisão de primeira instância definitiva em relação à Contribuinte TEOFRUT LTDA, nos termos do art. 42, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972. Em seu recurso, argumenta o Responsável Tributário, ora Recorrente: CLELIO GONÇALVES GOSLING, nos autos do acórdão de número 09 19887 — 1ª Turma da DRJ/JFA, em que figura como parte interessada a Empresa Teofrut Ltda. Em que conclui pela responsabilidade fiscal do recorrente, na Condição de Sócio DE FATO DA EMPRPESA FISCALIZADA. Em sendo e por não concordar com aquela decisão, quer recorrer contra decisão daquele acórdão, a fim de que os Doutos Conselheiros possam analisar todos os fatos articulados, e ao final reformar decisão, para melhor equilíbrio entre Fisco e Contribuintes. As razões do recurso serão apresentadas em petição à parte. (...) O Respeitável acórdão há que ser reformado, vez que não espelhou a melhor análise e não fez Justiça ao Recorrente. Vejamos: Inicia o acórdão afirmando: “ILEGITIMIDADE PASSIVA: Não há que ser conhecida impugnação interposta por quem não é parte legitima na relação processual". Questionamos. Como falar em parte ilegítima, se ao final o acórdão faz conclusão imperativa de que o responsável: “acolhendo a conclusão de ser o Sr. Clélio Gonçalves Gosling, CPF — n° 274.015.96687, sócio de fato da empresa fiscalizada." Fls. 1.020. Logo improcede o argumento de que o recorrente seja parte ilegítima, pois caso não fizesse a impugnação seria considerado, no mínimo REVEL, O QUE NÃO Fl. 6313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 10 9 PODERIA ACONTECER, pois seria confissão explicita de que o levantamento efetuado pelo fisco e o mais grave seriam verdadeiras as conclusões. (...) Não assiste razão ao recorrente, pois, a ilegitimidade passiva constante do acórdão recorrido referese ao Sr. Luiz Carlos Barreiros, nos seguintes termos (Fls. 1.011): Encontrase acostada aos autos a petição de fl. 922/925, apresentada pelo Sr.Luiz Carlos Barreiros, CPF n° 274.015.966 87, a qual deixo de conhecêla e apreciála, haja vista não estar revestido da condição de contribuinte ou responsável. Por outro lado, o acórdão recorrido conheceu da impugnação interposta pelo recorrente, nos seguintes termos (Fls. 1.012): A impugnação apresentada por Clélio Gonçalves Gosling, na condição de responsável tributário, atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. Assim sendo, dela conheço. Destarte, não merece acolhida o argumento de nulidade por ilegitimidade passiva do recorrente, pelo que nego provimento ao presente recurso nesse ponto. Continua o recorrente: Diz ainda o acórdão, fls. 1004. CONTRADITÓRIO.INÍCIO Somente com a impugnação, e não com a intimação prévia, iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório". O contraditório, é matéria constitucional, logo deve ser respeitado em todo momento, a fim de não prejudicar a defesa do contribuinte. Falar em momento especial, a fim de que seja definido o inicio do litígio, com todo respeito é favorecer por demais a fiscalização, que já tem recursos muito maiores que o órgão fiscalizado. Esta é a realidade. (...) Nulo, absolutamente nulo todo procedimento fiscal, que culminou com o acórdão agora guerreado, a fim de que em instância superior sejam reparados todas as nulidades e vícios existentes e criados no procedimento fiscal. Equivocase a recorrente. O início do contraditório no Processo Administrativo Fiscal encontrase definido em Lei e foi cumprido pela recorrente, conforme a seguinte transcrição do acórdão recorrido: Ademais, no que tange aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, não há que se falar Fl. 6314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 11 10 deles durante a fase procedimental, só abrindose para o contribuinte o devido processo legal após o lançamento, quando ele é intimado para apresentar impugnação, podendo então produzir as provas que entender de direito, inclusive perícias e diligências, na forma da lei, consoante doutrina de Alberto Xavier : "Por outro lado também entendemos que o principio constitucional da ampla defesa não exige a audiência"prévia" do acusado, bastandose com que a lei lhe faculte os adequados meios jurídicos de proteção. Ora, estes encontramse previstos — para não falar na esfera do poder judiciário — na própria órbita administrativa, consubstanciados na impugnação e nos recursos contemplados na lei" De igual forma já decidiu a Câmara Superior de Recursos. Fiscais do MF, no Ac. CSRF/010.826, de 29/07/1988, relator o processualista Cons. Antonio da Silva Cabral, (Ed. Res. Trib. Jurisp. da CSRF 1.227, pág. 7.552 e segs., Junho/92), in verbis: "...o Decreto n° 70.235/72 supõe que só posteriormente ao lançamento caracterizado pelo auto de infração é que se providenciem as diligências necessárias, e quem fala em diligência quer referirse, inclusive, à produção de provas. "...Não se lê atentamente o art. 142 do CT1V, que se inicia com estes dizeres: "Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento...". Por conseguinte, todo e qualquer movimento na doutrina, ou mesmo no seio da administração, tendente a criar uma pré demanda ou uma fase prélitigiosa mediante intimação e conseqüente contradição por parte do contribuinte implica em pretender trazer para o nosso direito prática de processo alienígena. No Brasil, o Fisco é livre para proceder ao lançamento, quando bem entender que deva fazêlo e, conforme determina o art. 14 daquele decreto, a impugnação da exigência é que haverá de instaurar a fase litigiosa, e não a intimação prévia Assim, quando encontradas infrações à lei tributária, a autoridade fiscal lavra auto de infração para formalização da exigência. A partir da lavratura do auto de infração e da intimação à autuada e na hipótese de discordar da exigência, é que a contribuinte, respaldada pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, instaurando a fase litigiosa do processo administrativo de exigência de crédito tributário para apresentar razões e provas referentes aos fatos constantes da autuação e sobre as quais está fundamentada a sua discordância. A prova inconteste de que a contribuinte usou dessas prerrogativas constitucionais é a formalização da impugnação que ora se conhece e analisa, interposta na forma determinada pelo art. 16 e incisos do Decreto n° 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União. Fl. 6315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 12 11 Vale citar, em face da discussão provocada, o art. 10 do Decreto n° 70.235/72: "Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavra! ura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e onúmero de matrícula." E, no cotejo dessas determinações que norteiam a lavratura dos autos de infração, instrumentalizados às fls. 132/194, observa este relator que todos os itens foram cumpridos. Ressaltese que as hipóteses de nulidade, no processo administrativo fiscal, são aquelas elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, sendo que o seu art. 60 prevê solução para irregularidades distintas das estampadas naquele artigo: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Diante dos dispositivos transcritos e dos elementos constantes dos autos, infiro escorreita a forma do lançamento, já que: 1 — atendidos todos os requisitos estampados no citado art. 10; 2 — a narrativa do sujeito passivo não se coaduna com as condições estabelecidas no art. 59, sendo sem fundamento a propositura de nulidade do lançamento, pois não houve atos e termos lavrados por pessoa incompetente (inciso I); 3 — demonstrou o autuado plena compreensão dos fatos que levaram a fiscalização a realizar o lançamento e a forma com que se deu a mensuração de seus valores, afastando a possibilidade de cerceamento do direito de defesa (parte final do inciso II). Não se vislumbra, pois, qualquer hipótese de nulidade do lançamento, sendo que a proposta passiva, ante a falta de Fl. 6316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 13 12 elementos concretos para a sua discussão, revelou caráter meramente procrastinatório. Destarte, a Administração Tributária não utilizou de momento especial para oferecer o contraditório, mas de momento estabelecido em Lei. Portanto, em relação ao argumento de nulidade por ausência de contraditório, nego provimento ao presente recurso. Continua o recorrente: 57. O provável beneficiário do recurso dos creditados nas contas da Teofrut Ltda é o senhor é o Sr. Clélio Gonçalves Gosling, através de retiradas feitas nas contas da empresa com cheques assinados em branco pelo Sr. Luiz Carlos Barreiros e através dos recursos transferidos das contas da Teofrut para as contas da CGG Turismo Ltda". Provável não é certo, e em matéria fiscal tem que ter certeza e liquidez, para prevalecer a ação fiscal, e sua conclusão seja imaculada de falhas e vícios. Não assiste razão à recorrente. Cumpre destacar sobre o assunto os fundamentos do acórdão recorrido, os quais passo a adotálos: Quanto à responsabilidade tributária atribuida pela Fiscalização ao Sr. Clélio Gonçalves Gosling, CPF no 274.015.96687, insurgese contra a conclusão fiscal de lhe atribuir a condição de sócio de fato da empresa Teofrut Ltda, CNPJ n° 01.583.598/000151, ou seja, colocálo no pólo passivo da relação jurídica tributária. Pelos autos vêse que a presente ação fiscal decorreu do cruzamento da extensa movimentação financeira da empresa autuada contida nas declarações de CPMF relativas aos anos calendário 2002 e 2003 e a ínfima receita declarada ao Fisco nas declarações de imposto de renda desses períodos, pelo regime do SIMPLES. A acusação contra o Sr. Clélio Gonçalves Gosling, CPF n° 274.015.96687 partiu da própria fiscalizada, que esclarece às fl. 218/219 e ratifica às fl. 280/281 que "(..) deixou uma procuração outorgando amplos poderes ao Sr. Clélio Gonçalves Gosling, para movimentação da sua empresa neste período mencionado na notificação (..) de que não tem como apresentar documentos contábeis nem como comprovar a origem dos recursos creditados nas contas em nome da Teofrut" Da análise dos autos verificase que o sócio de direito da Teofrut Ltda, Sr. Luiz Carlos Barreiros, CPF n° 274.015.96687, através de seu advogado e procurador, nada esclarece sobre a empresa fiscalizada, dando nítida demonstração de que este nunca se inteirou dos efetivos negócios realizados pela referida empresa, conforme se infere do documento às fl. 689/694 em resposta ao Fl. 6317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 14 13 Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fl. 681/683, do qual extraio o seguinte trecho: "01Em data de 06/05/99, o manifestante foi admitido para trabalhar na firma CGC Turismo Lida, na cidade de Teófilo OtoniMG, conforme se vê na fotocópia de fl. de sua carteira de trabalho 26531, série 0067—docs 06 a 07. (...) A empresa na qual o Manifestante trabalhava era de propriedade do Sr. Clélio Gonçalves Gosling, cuja atividade era o turismo. 02 Em fevereiro/2001, o proprietário desta empresa dissera para o Manifestante que estava adquirindo uma microempresa que operava no comércio de compra e venda de polpas de frutas, sendo que, ao adquirir esta pequena empresa, pensava fazer algumas alterações contratuais e que se havia possibilidade de colocar o seu nome (nome do Manifestante) no novo contrato social da empresa, apenas como sócio quotista. Explicava o então patrão que se tratava de uma formalidade sem qualquer implicação negativa para o Manifestante. 03Considerando o bom relacionamento que o Manifestante tinha como o seu patrão e ainda, temendo em perder o emprego no caso de uma negativa, sem qualquer discussão, foi aceita a proposta, sendo que o seu nome passou afigurar como sócio na microempresa adquirida. Naquela oportunidade, o Manifestante assinou uma grande papelada, quais sejam documentos para a Junta Comercial, Receita Estadual, Receita Federal, etc. e mais outros papéis que nem se lembra mais. Sobre o contrato social, o Manifestante nem chegou a conferir as suas cláusulas, em razão da confiança que reinava entre ele e o patrão. Esta nova empresa — microempresa — adquirida e que foi alterada com a inclusão do nome do Manifestante como sócio, é a Teofrut Ltda, ou seja a empresa objeto desta fiscalização pela Receita Federal. 04 — Pois bem, o Manifestante continuou o seu trabalho como empregado da empresa CGC Turismo Ltda, de forma que o seu patrão gerenciava a Teofrut Lida, com todos os poderes, pois crêse que, dentre os papéis assinados, deveria haver uma procuração como plenos poderes de gestão. Toda a documentação e livros fiscais desta microempresa ficavam também em poder do patrão, Sr. Clélio Gonçalves Gosling, de forma que o Manifestante continuou exclusivamente como empregado da CGG Turismo Ltda. Em 30 de novembro de 2004, o Manifestante foi dispensado do emprego (doc. 07). (...) Para maior surpresa do Manifestante, este veio saber que o Sr. Clélio Gonçalves Gosling tinha colocado o seu nome na microempresa como SÓCIOGERENTE, o que tornou uma situação bastante esdrúxula, ou seja, o Manifestante era ao mesmo tempo empregado de uma empresa e sóciogerente de outra. (...) Fl. 6318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 15 14 Está evidente que o foco do trabalho fiscal não diz respeito aos movimentos normais de compra e venda da microempresa, mas tão somente a estes depósitos e saques astronômicos efetuados pelo Sr. Clélio Gonçalves Gosling, evidentemente, relativos aos seus negócios particulares. (...) Definitivamente, é o Sr. Clélio Gonçalves Gosling que deve ser convocado para explicar estes depósitos bancários, pois foi el o autor dos mesmos, por ter sido que os sacou, de forma que o Manifestante não usufruiu nada de tais operações. Por sua vez, o Sr. Clélio Gonçalves Gosling se manifesta nos autos As fl. 285/286 e 678/680 como a pessoa que movimentava as contas bancárias da interessada e que, mesmo assim, nk'o tem como provar a origem dos recursos movimentados nessas contas. A seguir extraio trechos de seu depoimento: Que realmente, como procurador da Teofrut Ltda, utilizou as contas bancárias, ora citadas, em corretagem de pedras semipreciosas. (...) A origem desses recursos, não tem como falar, pois, a maioria dos clientes, ao qual prestei esses serviços vinham it cidade comprar pedras e sequer nem os conhecia, uma vez serem eles indicados por outros corretores, porém tínhamos ciência que inclusive, na maioria das vezes, estrangeiros, ou brasileiros acompanhados de estrangeiros que compravam pedras brutas e lapidadas em nossa cidade, no comércio informal, que significa 90% desta atividade informal noMunicípio... (...) Reafirmando as informações anteriores, não houve dolo, tampouco ma fé em seus esclarecimentos, mesmo porque assumiu um ganho real de 0,31% (zero virgula trinta e hum por cento) de toda aquela movimentação. (...) Como já comprovado anteriormente o notificado é pedrista, garimpeiro e também cambalacheiro (doc., junto anteriormente), não havendo porque negar a sua porcentagem naquela movimentação financeira, o que foi o seu verdadeiro lucro de corretagem„ não da venda nem da compra, apenas do pagamento. O Sr. Mauricio Quaresma Rosa, CPF no 358.631.37649, antigo proprietário da Teofrut Ltda, confirmou, As fl. 728/731, que Luiz Carlos Barreiros, CPF n° 274.015.96687, era "laranja" de Clélio Gonçalves Gosling, através da seguinte declaração: Que em novembro de 1999 Péricles cedeu 50% das quotas da Teofrut para o Clélio Gosling (Péricles tinha 90% e passou a ter 40% e ele, Mauricio, continuou com 10%), recebendo corno contrapartida o compromisso do Clélio Gosling de quitar dividas imediatas e financiamento do BDMG e BB, através de contrato de cessão redigido pelo advogado do Pelé, Dr. Belmiro Matias; Fl. 6319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 16 15 Que em fevereiro de 2001 finalmente passaram o restante das quotas para o Clélio Gosling mas quem figurou como sócio foram o Luiz Carlos Barreiros e o Paulo Tadeu Moreira Coelho, que eram "laranjas" de Clélio Gosling; (...) Que ele e Péricles assinaram um termo de quitação geral, mas que o Clélio Gosling não o cumpriu, razão pela qual entraram na justiça contra o Clélio Gosling. (...) Que Que na verdade o negócio do Clélio Gosling era dólar. Que bem antes do Clélio Gosling chegar à Teofrut, o declarante comprou dólar na loja dele (Serra Lima Turismo). Que a CGG (Clélio Gonçalves Gosling) Turismo é a sucessora da Serra Lima, que a CGG hoje não mais existe, e que no local funciona uma loteria esportiva de Milênia, ex funcionária do Banco do Brasil, estando ao lado direito da lotérica, na Rua Martiniano, acha que o número 77, um acesso para a sobreloja onde funciona o atual escritório do Clélio Gosling. O fiscal autuante esclarece As fl. 178 que a Serra Lima Turismo Ltda era uma empresa do ramo de câmbio e dólarcabo e tinha filial em Teófilo Otoni/MG, onde era administrada pelo Sr. Clélio Gonçalves Gosling. O depoimento do Sr. Péricles Ganem Rodrigues, CPF n° 490.173.22691, antigo sócio da Teofrut Ltda (doc. de fl. 735/738) é no sentido de "que não sabe de nenhuma outra atividade do Sr. Clélio além da agência de turismo e da Teofrut; Que nunca soube do Sr. Clélio trabalhar com pedras; Que aceitou entrar na j ustiça contra o Sr. Clélio, junto com seu cunhado Mauricio, por não ter o Sr. Clélio honrado o combinado no contrato de cessão de quotas, acredita ele; (..) Que não conhece a CGG turismo, mas conhece uma empresa de turismo que diziam ser do Sr. Clélio, no centro de Teófilo Otoni, a Serra Lima Turismo." O Sr. Rossini de Moraes Agostini, CPF n° 030.390.62603, procurador da Teofrut Ltda para movimentação bancária assinado pelo Sr. Péricles Ganem Rodrigues (doc. De fl. 742/745) se pronuncia da seguinte forma: "Que no período em que trabalhou na Teofrut sempre prestou contas da parte financeira ao Sr. Clélio; (...) Que não sabe como o Sr. Clélio, estando à frente da Serra Lima Turismo, onde, através de seu gerente Luiz Carlos Barreiros (Cau), vendia/comprava dólar, teria se interessado por uma empresa de fabricação/comercialização de polpas de frutas; Que nunca soube de nenhum envolvimento do Sr. Clélio, nem do Sr. Luiz Carlos (Cau), nem do Sr. Mauricio com pedras." Pelo entrelaçamento das informações constantes nos presentes autos, em especial aquelas acima transcritas, reputo devidamente comprovada a ligação do Sr. Clélio Gonçalves Fl. 6320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 17 16 Gosling, CPF n° 274.015.96687, com a empresa Teofrut Ltda e considero que restam evidenciadas circunstâncias que autorizam concluir ser ele o real proprietário da empresa Teofrut Ltda. Assim, o contrato social da empresa tendo o Sr. Luiz Carlos Barreiros, CPF no 835.991.42653, como sócio, constituiuse de uma operação meramente formal. Para ilustrar o presente voto trago A. colação Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes que já decidiu: RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA — ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRACÃO DE LEI— De acordo com o contido no artigo 135 do Código Tributário Nacional, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Provada nos autos a utilização de interposta pessoa para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributária por tal ilícito recair sobre a pessoa física dos sócios de fato da pessoa jurídica. (1° CC/10808038, relator Nelson Lasso Filho, sessão de 10/11/2004).Grifamos. Portanto, considero que os autuantes procederam com acerto ao atribuir responsabilidade pessoal pelos créditos tributários constituídos pelos lançamentos em questão ao Sr. Clélio Gonçalves Gosling. (...) Destarte, resta demonstrado nos autos a responsabilidade tributária da recorrente pelo crédito tributário em litígio, razão pela qual nego provimento ao presente recurso contra o provável beneficiário dos recursos creditados nas contas da Teofrut Ltda. Por todo o exposto e por tudo o que consta dos autos, considero definitiva a decisão em primeira instância em relação à Sociedade Teofrut Ltda, rejeito as preliminares suscitadas e nego provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente. Com relação, portanto, aos Autos de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, Contribuição para o Programa de Integração Social e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da sua estreita relação de causa e efeito. É como voto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 6321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10630.720372/200778 Acórdão n.º 1202001.240 S1C2T2 Fl. 18 17 Fl. 6322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 30/04/201 5 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 16403.000120/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONTENDO INFORMAÇÃO FALSA. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. CABIMENTO
Nos termos do art. 90 da Medida Provisória 2.158-35 é cabível a multa de que trata o art. 44, II da Lei 9.430 quando a compensação declarada entregue à SRF for considerada indevida e se apurar a ocorrência de qualquer das circunstâncias previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64, entre o que se inclui a aposição de data de trânsito em julgado sabidamente inexistente.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DE SÚMULA DOS ANTIGOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES
Nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF:
" As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF".
IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA LEGAL POR INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
SÚMULA NO 2
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Numero da decisão: 3402-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Jr (Relator), Leonardo Siade Manzan e Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente da Câmara.
Júlio César Alves Ramos - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 08/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (presidente da turma), Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan, Sílvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Jr. e Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça.
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONTENDO INFORMAÇÃO FALSA. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. CABIMENTO Nos termos do art. 90 da Medida Provisória 2.158-35 é cabível a multa de que trata o art. 44, II da Lei 9.430 quando a compensação declarada entregue à SRF for considerada indevida e se apurar a ocorrência de qualquer das circunstâncias previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64, entre o que se inclui a aposição de data de trânsito em julgado sabidamente inexistente. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DE SÚMULA DOS ANTIGOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES Nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF: " As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF". IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA LEGAL POR INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. SÚMULA NO 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Jr (Relator), Leonardo Siade Manzan e Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente da Câmara. Júlio César Alves Ramos - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 08/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (presidente da turma), Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan, Sílvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Jr. e Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça.
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Recorrente ÁGUIA SISTEMAS DE ARMAZENAGEM S.A. Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONTENDO INFORMAÇÃO FALSA. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. CABIMENTO Nos termos do art. 90 da Medida Provisória 2.15835 é cabível a multa de que trata o art. 44, II da Lei 9.430 quando a compensação declarada entregue à SRF for considerada indevida e se apurar a ocorrência de qualquer das circunstâncias previstas nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64, entre o que se inclui a aposição de data de trânsito em julgado sabidamente inexistente. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DE SÚMULA DOS ANTIGOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES Nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF: " As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF". IMPOSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO DE NORMA LEGAL POR INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 02 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. SÚMULA NO 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ali Zraik Jr (Relator), Leonardo Siade Manzan e Fernando Luiz da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 01 20 /2 00 6- 16 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/07/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 2 Gama Lobo d'Eça. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente da Câmara. Júlio César Alves Ramos Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 08/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nayra Bastos Manatta (presidente da turma), Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan, Sílvia de Brito Oliveira, Ali Zraik Jr. e Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça. Relatório Este recurso voluntário foi julgado em abril de 2010 com base em voto lido em sessão pelo conselheiro Ali Zraik Jr, que ficou vencido, cabendome a redação do voto vencedor. Ocorre que o relator renunciou posteriormente ao seu mandato de conselheiro sem ter formalizado o voto vencido, pelo que designame agora o Presidente da Câmara para redigir o acórdão incluindo as duas posições. Registro ainda que a então Presidente da Turma também não mais pertence ao CARF, motivo pelo que este acórdão é assinado pelo atual Presidente da Câmara. Tratase de lançamento de multa isolada no percentual de 150% incidente sobre os valores da COFINS e do PIS que a empresa pretendeu compensar com créditos de IPI referentes a aquisições de produtos isentos e nãotributados reconhecidos judicialmente por meio de ação própria. Consta do relatório da decisão recorrida: (...) Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 156/163, a contribuinte apresentara, entre 11/11/2003 e 12/03/2004, as declarações de compensação (DCOMP) relacionadas, que foram representadas para tratamento manual no processo n° 10940.002578/200476. Em 17/12/2004, foi exarado despacho decisório dispondo pela não homologação das DCOMP, em virtude de a contribuinte ter se utilizado, na quitação de seus débitos, créditos cujo direito ao ressarcimento fora reconhecido em decisões judiciais de 1º e 2° graus, mas sem o trânsito em julgado da ação judicial, o que contrariou o art. 170A da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), acrescido ao texto original pelo art. 1º da Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001. Ressaltouse, também, que, ainda que houvesse o trânsito em julgado da ação judicial em tela, a contribuinte jamais poderia Fl. 657DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/07/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS Processo nº 16403.000120/200616 Acórdão n.º 3402000.552 S3C4T2 Fl. 329 3 ter realizado as compensações, pois as decisões judiciais de 1° e 2° graus restringiram a compensação dos créditos pleiteados com débitos do próprio IPI. Outro argumento esposado no despacho decisório de não homologação, com fundamento no art. 21, § 4º, da Instrução Normativa (IN) SRF no 210, de 2002, e no art. 26, §3°, X e XI, da IN SRF nº 460, de 2004, referese a compensações anteriores feitas pela contribuinte utilizandose como origem do crédito a mesma ação judicial, as quais não foram homologadas, alertando, ainda, os despachos decisórios, regularmente cientificados ao contribuinte em 23/06/2003 e 25/06/2003, para o fato de que os créditos objeto de indeferimento por autoridade administrativa, ainda que pendente de decisão definitiva, não poderiam ser novamente utilizados em declarações de compensação futuras. (...) A ciência do lançamento se deu em 13 de julho de 2006, tendo a empresa apresentado impugnação que foi considerada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto. No recurso voluntário alega, em síntese, a) que a multa aplicada exige a comprovação da intenção do agente, o que não teria ocorrido por ter apresentado todas as informações solicitadas durante a ação fiscal; b) que a multa aplicada somente tem validade para declarações entregues após a edição da Lei 11.051; c) a inconstitucionalidade do art. 44 da Lei 9.430 por desobediência ao "sobreprincípio da proporcionalidade". É o bastante relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A teor do relatado, a autuação ocorreu em 2006 e decorre de declarações de compensação entregues eletronicamente entre 11 de novembro de 2003 e março de 2004. Como bem apontado na decisão recorrida, naquele período, o art. 90 da Medida Provisória 2.15835 vigia com a redação que lhe dera o art. 18 da Medida Provisória 153, válido desde outubro de 2003, no seguinte teor: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/07/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 4 compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente.Lei lançamento de ofício para exigência de diferenças da COFINS devidas desde a sua instituição (fevereiro de 1999) até o último período de sua cobrança cumulativa (janeiro de 2004), em face de divergências na composição de sua base de cálculo. A autoridade fiscal responsável aponta claramente no Termo de Verificação Fiscal que elaborou (fl. 162 dos autos): (...) De todo o exposto, fica evidente que o contribuinte, ao informar em todas as Dcomps eletrônicas apresentadas o número da ação "2002.70.09.0013814", a data do trânsito em julgado de "20/05/2003" e responder "SIM" à pergunta sobre o trânsito em julgado da ação, teve a intenção deliberada de utilizar créditos sabidamente vedados à compensação, objetivando com isso levar a Administração Pública a erro e culminando em indevida extinção do crédito tributário. Esta conduta enquadrase no art. 72 da Lei n°4.502/1964, ficando assim caracterizada a prática de fraude passível de qualificação de multa, conforme preceitua o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996. Por isso, a procedência do lançamento depende unicamente de se definir se a conduta de apor uma informação sabidamente inverídica na Dcomp configura ou não a fraude de que cuida o art. 72 da Lei 4.502/64 cuja redação é; ART.72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Sobre isso, dividiase o colegiado. De fato, os conselheiros não fazendários defendiam a tese de que não há como enquadrar a situação como fraude na medida em que o dispositivo legal apenas se refere Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/07/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS Processo nº 16403.000120/200616 Acórdão n.º 3402000.552 S3C4T2 Fl. 330 5 ao fato gerador da obrigação tributária principal, do que não se cuidaria, em absoluto, nas Declarações de Compensação. Realmente, os débitos ali informados estão já constituídos ou confessados. Por isso mesmo, nenhuma informação ali prestada impede ou retarda a ocorrência do fato gerador. Quanto a esse ponto não divergimos. Tampouco há discordância em que a Dcomp não tem a capacidade de excluir ou modificar as características essenciais desse fato gerador de modo a reduzir o montante do imposto devido. O pomo da discórdia, portanto, é a parte final do dispositivo: excluir ou modificar aquelas características essenciais de modo a evitar ou diferir o seu pagamento. É certo, e todos reconhecemos, que o dispositivo não foi concebido pensando na situação sob exame. Aliás, quando editado (1964), sequer havia o CTN, quanto mais a lei nele prevista para regular a compensação que ele estabeleceu. Destinavase, assim, a caracterizar condutas intencionais relacionadas à própria constituição do crédito tributário. Esse reconhecimento, no entanto, não nos parece que possa tornar letra morta o dispositivo legal que nele busca validar a aplicação da multa qualificada. Assim é que os conselheiros fazendários integrantes do colegiado aceitamos que qualquer informação prestada pelo sujeito passivo, sabidamente não condizente com a verdade, que induza a Administração a acreditar não necessário o recolhimento do tributo, ainda quando este tenha sido corretamente apurado e informado, se ajusta perfeitamente àquilo que o dispositivo legal tenciona evitar. Concordamos também com a decisão de primeiro grau em que a cooperação com a autoridade fiscal no momento da ação fiscal por ela conduzida não tem o condão de elidir a imputação de intencionalidade no momento anterior, da entrega da Dcomp. Sua falta é que, a meu sentir, implicaria agravar ainda mais a penalidade. Afastar tal intencionalidade, me parece, requereria presumir que o contribuinte desconheça o significado da expressão trânsito em julgado, uma vez que ele próprio havia recorrido da decisão do TRF. Notese que nem mesmo ele postula isso em sua defesa, aliás, toda ela, apesar de longa, silente quanto ao motivo para tal aposição. Essas considerações também levam à rejeição do segundo argumento do contribuinte no sentido de que somente com o advento da Lei 11.051 é que se poderia exigir a multa aqui discutida. Não é assim. O que o último ato legal fez foi prever a aplicação da multa do art. 44 da Lei 9.430 para os casos em que a declaração seja considerada não declarada, modalidade que ela própria instituiu. Entre as hipóteses para tal incluiu a ausência de trânsito em julgado. Por isso, entendem alguns, somente após sua instituição teria passado a haver previsão para aplicação de multa no caso sob apreço. Pareceme uma interpretação forçada. Deveras, o motivo para a autuação aqui discutida não é a mera ausência de trânsito em julgado. Ela o é para a não aceitação da compensação. Mas o que leva à exigência da multa e tem de ser no percentual de 150% é a ocorrência da fraude como discutido acima. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/07/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS 6 Ou seja, à época da entrega das DComp não haveria multa se nelas não constasse a informação, falsa, de que ocorrera o trânsito em julgado da ação que dava suporte ao direito creditório. Nesse caso, porém, teria a empresa de recorrer ao formulário em papel. Por fim, o argumento de que a Lei 9.430 seria inconstitucional por contrariar a proporcionalidade esbarra na Súmula nº 02 do Segundo Conselho de Contribuintes: SÚMULA Nº 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. E que sua observância é obrigatória no âmbito do CARF, diznos o § 4º do art. 72 de seu regimento: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Com esses fundamentos, decidiu o colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo, na íntegra a exigência fiscal, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/07/2 015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 08/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAM OS
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900849/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008.
De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP.
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF N. 84
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1301-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF N. 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF N. 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 49 /2 01 0- 73 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16682.900849/201073 Acórdão n.º 1301001.388 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório O breve relatório oferecido pela r. decisão recorrida, destaca: Tratase de manifestação de inconformidade em face do despacho decisório eletrônico de fls.07, da Demac/RJ, que não reconheceu o direito creditório da Interessada relativo a suposto pagamento indevido ou a maior concernente a CSLL estimativa de dezembro de 2007. O débito referese à estimativa de IRPJ de março de 2008. A razão foi que o recolhimento mensal de estimativa somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade em 14/10/2010, (fls.12), após ter tido ciência do despacho em 21/09/2010 (fls.11), alegando que: o fato de à época da transmissão do PERDCOMP, vigir as INs que proibiam tal compensação não justifica a não homologação, pois, as mesmas violaram as regras de compensação previstas no CTN, e nas leis de regência. a IN SRF n°.900/2008 não prevê a proibição da compensação nos moldes em que foi realizada; a Receita Federal só negou a compensação após a entrada em vigor da IN 900/2008, assim, a não aplicação retroativa da IN 900/2008, contraria o artigo 105, do CTN; o crédito existe e a Receita Federal não negou tal fato; para dar suporte a suas alegações transcreveu voto vencido do julgador Léo Silva, no acórdão n° 1224.596 6a Turma da DRJ/RJ I. Apreciando a matéria, entendeu a douta 8a Turma da DRJ/RJ1, à unanimidade, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, em acórdão que assim então foi ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do tributo devido ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Direito Creditório Não Reconhecido Intimada a contribuinte dos termos da decisão no dia 08/06/2011, foi por ela então apresentado o seu Recurso Voluntário no dia 01/07/2011, pretendendo a reforma da decisão proferida, e, para tanto, aduzindo as seguintes e específicas razões: A aplicação retroativa das disposições da INSRF 900, sob pena de afronta às disposições do art. 105 do CTN; Que as disposições da regulamentação posterior seriam mais benignas; Que a redação da parte final do art. 10 da INSRF 600/2005 seria contrária à lei, por impedir a utilização da compensação sem que, para tanto, houvesse qualquer previsão legal para tanto, sendo, por isso, ilegal; Que a contribuinte tem direito a efetuar a compensação sem as limitações impostas pelo artigo 10 da IN SRF 600/2005. Em breve síntese, esse é o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16682.900849/201073 Acórdão n.º 1301001.388 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo o recurso voluntário tempestivo, dele conheço. A matéria discutida nos presentes autos, pelo que se verifica, referese à discussão a respeito da (im)possibilidade de utilização de valores recolhidos a maior a título de estimativas, em compensação com os recolhimentos devidos no mesmo anocalendário, nos casos dos contribuintes tributados sob a sistemática da apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Real. A discussão travada, pelo que se verifica, cingese, exclusivamente, em torno da possibilidade de aplicação retroativa das disposições da IN RFB 900, de 30 de Dezembro de 2008, sobretudo em face da (in)aplicabilidade, aos casos anteriores à sua vigência, das disposições anteriores do Art. 10 da IN SRF 600, de 28 de Dezembro de 2005, que, em sua redação original, assim então se apresentava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifos e destaques nossos) Quando da efetivação da referida compensação pela contribuinte (Setembro/2006), encontravase, de fato, em pleno vigor as disposições da apontada IN SRF 600, o que, de fato, naquele momento, vedava a conduta pretendida. Ocorre que, como se verifica, a limitação estabelecida pelo referido dispositivo, de fato, não encontrava, desde a sua criação, qualquer previsão legal específica, sendo certo que, em torno deste tema, inúmeros e relevantes debates foram então desenvolvidos neste Conselho a respeito da possibilidade ou não da aplicação da referida limitação. Ocorre que, a par de todos os debates empreendidos, foram então, como mencionado, editadas as disposições da IN RFB no 900, de dez/2008, passando agora, em suas disposições, a assim disciplinar a matéria: Art. 11 . A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaque nosso) Da leitura dessas novas disposições, verificase que a vedação estabelecida, agora, não mais se refere ao recolhimento a maior efetivado pela contribuinte, mas apenas, e tão somente, em relação aos valores retidos de forma indevida ou a maior que a devida a título de Imposto e/ou CSLL, ficando estas então, e somente em relação a estas, impedida a compensação ainda dentro do mesmo exercício. A questão que passou então a ser grassada nos debates vividos neste Conselho, por certo, passou então a se referir à possibilidade, ou não, de aplicação retroativa das disposições dessa dita IN RFB 900, ou se, naqueles casos remanescentes, deverseia aplicar a regulamentação então vigente à época dos fatos. O debate, portanto, passou a tomar relevante conotação jurídica, sobretudo porque, nestes casos, estáse diante da análise a respeito da identificação do momento de aplicação da norma tributária/regulamentar específica, o que, por certo, muitas vezes é incompreendido e até mesmo por muitos confundido, nas respectivas discussões havidas. Analisando as disposições do Voto condutor, exarado nos presentes autos, verifico que a rejeição à tese pretendida pela contribuinte considera que as disposições da IN SRF 600 em absolutamente nada divergiam das normas regentes da matéria, e, no caso, especificamente vedava a prática pretendida, o que, por certo, deveria ter sido por ela observado. A atuação regulamentar (Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc.), por certo, são instrumentos normativos voltados à aplicação das respectivas leis de regência, o que, inegavelmente, impõelhe o caráter de norma interpretativa na essência, não exigindo, sequer, que ela própria se afirme como tal. A par de todas essas considerações, é relevante destacar que, especificamente a respeito do tema aqui especificamente enfrentado (aplicação retroativa da IN RFB 900), outra não é a jurisprudência deste Egrégio Conselho, que, sobre o assunto, assim há tempos já se tem pronunciado. Senão, vejamos: Número do Processo 19647.010777/200617 Contribuinte TELEPISA CELULAR S.A. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) ROBERTO MASSAO CHINEN Nº Acórdão 1801001.832 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Ementa Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16682.900849/201073 Acórdão n.º 1301001.388 S1C3T1 Fl. 5 7 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ OU CSLL. ADMISSIBILIDADE. EFICÁCIA RETROATIVA DA IN N° 900/2008. SÚMULA 84 DO CARF. De acordo com a Solução de Consulta Interna COSIT n° 19/2011, o art. 11 da IN RFB nº 900/2008 é preceito de caráter interpretativo, que retroage para alcançar fatos anteriores à data de sua edição, de forma que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP, conforme súmula 84 do CARF. Como se verifica no aresto aqui trazido à colação – mesmo que apenas a título de exemplo , o entendimento no sentido da possibilidade de aplicação retroativa das disposições do art. 11 da IN RFB no 900/2008, é tema já pacífico na própria Administração Pública (Solução de Consulta Interna COSIT no 19/2011), e, ainda, perfeitamente pacificado pela jurisprudência deste CARF, que, a esse respeito, inclusive, assim expressa nas disposições de sua Súmula CARF no 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Precedentes: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Em face dessas considerações, entendo, no caso, assistir plena razão à recorrente, devendo, assim, ser reformada a decisão de origem, admitindose como válida a compensação efetivada pela contribuinte, nos termos aqui, então, especificamente apontados. Diante disso, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo como válida a compensação efetivada, e, nessas circunstâncias, completamente insubsistente o Despacho Decisório inicialmente exarado, reconhecendo como validamente extinto o crédito tributário naquela ocasião, a teor do que então expressamente constante das disposições da Súmula CARF no 84. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10680.013991/2006-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMO DE JUROS MORATÓRIOS EQUIVALENTES A TAXA SELIC - TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA.
Ementa:
Conforme § 4º, do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 1995, a partir de 1° de janeiro de 1996 a compensação ou restituição de tributos será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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ACRÉSCIMO DE JUROS MORATÓRIOS EQUIVALENTES A TAXA SELIC TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA. Ementa: Conforme § 4º, do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 1995, a partir de 1° de janeiro de 1996 a compensação ou restituição de tributos será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc – Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 91 /2 00 6- 36 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 20/08/2010 (fls. 206), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, interpõe, tempestivamente, Recurso Especial de fls. 209/215, para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 120200.199, de 04/11/2009 (fls. 183/187). A decisão recorrida foi no sentido de, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, para admitir a incidência da taxa Selic sobre o montante a compensar, em substituição ao juro de 1% proposto pelo Fisco. O pleito da Fazenda Nacional busca amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que a contribuinte, Localiza Rent a Car S/A, protocolou, em 15/12/2006, Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, cumulada com Pedido de Restituição / Compensação, referente ao anocalendário de 1998, no valor de R$ 1.207.890,94. Em 20/12/2006, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – Secat da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte MG, através de Despacho Decisório nº 689/2006 (fls. 46/47), deferiu o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, sob os seguintes argumentos básicos: que o interessado apresentou a documentação de fls. 01 a 48, e alega, em síntese, que é detentor do Direito Creditório de Empréstimo Compulsório sobre Veículos de que diz o Decretolei n° 2.288/86 no valor de R$ 1.207.890,94, tendo em vista sentença de homologação de desistência de execução via precatório n° 424/2006B proferida na ação ordinária n° 88.00.061982, que tramitou na 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal na fase de processo de execução e transitou em julgado em 13 de outubro de 2006, a qual deferiu à exeqüente o direito de compensação relativamente às obrigações tributárias a vencerem em 30 de novembro de 2006; que essas disposições contidas no citado artigo 51 da IN SRF 600/2005, encontramse em consonância com a legislação que rege o assunto compensação, especialmente o caput do artigo 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo artigo 49 da Lei 10.637/02; que o interessado comprovou todas as exigências contidas no citado dispositivo (IN 600/2005), com vista a demonstrar ser detentor de direito creditório decorrente de decisão judicial transitada em julgado, pelo qual defiro o presente pedido; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101001.566 CSRFT1 Fl. 3 3 que esclareçase que esse deferimento, necessariamente, não implica na homologação da compensação. Em 05/12/2008, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, através de Despacho Decisório (fls. 80/82), indeferiu a Declaração de Compensação (DCOMP), contida no Processo de nº 10680.720197/200723 apensado a este processo, sob os seguintes argumentos básicos; que o débito acima está consistente com aquele informado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF; que em Despacho Decisório datado de 20/12/2006(fl. 46) o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – Secat / DRF/BHE deferiu favoravelmente o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado formulado por este contribuinte; que crédito habilitado, no valor de R$1.207.890,94 referese a juros sobre precatórios já liquidados relativo a Empréstimo Compulsório sobre Veículos (Decretolei n° 2.288/86); que a decisão judicial transitada em julgado (13/10/2006) deferiu direito de utilização do referido crédito na liquidação de débito vencido em 30/11/2006 mediante compensação (fl. 06); que a decisão judicial relativa ao principal do crédito, transitada em julgado em 30/04/91(fl. 65), definiu as regras de correção do crédito onde, a partir de 30/04/91, incidiria juros de 1% a.m.; que, como visto a decisão judicial determina a utilização do crédito tributário para compensação com obrigações tributárias com vencimento em 30/11/2006. A respeito deste assunto o Art. 50, § 4° da IN citada acima determina: “A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa”; que analisado o pleito do contribuinte em conformidade com as disposições legais e com a decisão judicial proponho a não homologação da DCOMP tratada neste despacho de vez que o débito apresentado para compensação não se apresenta conforme a dita decisão judicial. Débito vencendo em 30/11/2006 e não em 28/12/2006. Ciente da decisão, em 28/07/2008, inconformada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 27/08/2008 (fls. 87/89), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que a Reclamante apresentou seu pedido de compensação em dezembro de 2006, onde pediu compensação do valor descrito no oficio, acrescido de juros de 1% ao mês a partir do mês de abril de 1998; que tal apuração foi realizada em atenção à decisão judicial no processo que originou a execução do valor compensado, já transitada em julgado, conforme exposto, a qual Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 determina a atualização do credito com correção monetária e juros de 1% ao mês (sentença apresentada na Receita Federal de BH); que a partir dai, temse que o credito foi habilitado no valor R$1.207.890,94, conforme determinação contida no artigo 51 da IN n° 600/05; que, posteriormente, tendo constatado que sua atualização foi a menos do que o devido, pela falta da incidência de correção pela Selic, requereu, com fundamento no artigo 52 da IN n° 600/05, o reconhecimento desta correção, abatendose, logicamente, o valor compensado anteriormente, que atingiu o valor de R$1.841.000,00; que, contudo, as autoridades fiscais, em seu despacho decisório, não só deixaram de reconhecer a atualização do credito pela Selic, como, de maneira absurda, não reconheceram também o valor homologado na sentença transitada em julgado! Vale dizer, em total desrespeito à decisão judicial supracitada; que a compensação efetivada está embasada em decisão judicial transitada em julgado. Inclusive, esta SRF foi oficiada pelo Juiz Federal de Brasília, que determinou que esta compensação se efetuasse com obrigação tributária a vencer em 30/11/06; que apesar disso, o fato de não ter compensado na referida data, não exclui o direito de credito, pois, este, uma vez habilitado, pode ser compensado com débitos vencidos ou vincendos, conforme previsão do artigo 26 1 da IN n° 600/05. Frisese, a ordem judicial está em vigor, independentemente do mês que e utilizada. que, repetese, a não homologação importa em descumprimento de ordem judicial, com todas as responsabilidades dai decorrentes. Em 12/03/2009, após resumir os fatos constantes da decisão do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG e as principais razões apresentadas pela requerente em sua Manifestação de Inconformidade, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, decidiu, por unanimidade de votos, deferir em parte a solicitação da requerente para, em estrito cumprimento à decisão judicial (a) habilitar o crédito no valor de R$1.268.517,77 em março de 1998; (b) ressaltar que este valor está sujeito à incidência de "juros moratórios mensais de 1% ao mês" a partir de abril de 1998; (c) ressaltar o direito de compensação "relativamente ás respectivas obrigações tributárias a vencerem em 30/11/2006", lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos (fls. 127/132): que a habilitação do crédito deve ser no valor e no percentual de juros moratórios mensais que estão indicados na Certidão expedida pela Seção Judiciária, que certifica todo o desenvolvimento da Decisão Judicial; que a homologação da compensação deve ser efetivada nos estritos termos da sentença judicial que homologa a desistência da execução e defere o direito à compensação. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/03/2009, conforme Termo constante às fls. 132/133, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 29/04/2009, o seu Recurso Voluntário (fls. 134/151), instruído pelos documentos de fls. 152/181. Ao apreciar o Voluntário, houve por bem a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101001.566 CSRFT1 Fl. 4 5 Acórdão nº 120200.199, de 04/11/2009 (fls. 183/187), por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir a incidência da taxa Selic sobre o montante a compensar, em substituição ao juro de 1%, conforme se verifica abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO JUROS DE MORA — APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Conforme § 40, do artigo 39, da Lei n° 9.250/95, a partir de 1° de janeiro de 1996 a compensação ou restituição de tributos será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO — AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO — O crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado deverá ser compensado no período determinado pela sentença que o reconheceu. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 10/02/2010, conforme Termo constante às fls. 188, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva, Embargos de Declaração (fls. 199/205), acolhidos de forma parcial para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.199, de 04/11/2009, conforme se verifica no Acórdão nº 120200.295 (fls. 199/205). Ciente, em 20/08/2010 (fls. 206), da decisão dos Embargos de Declaração, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (26/08/2010), Recurso Especial de fls. 209/215, com amparo nos arts. 64, II, 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que A DRJ deferiu a solicitação da contribuinte em estrito cumprimento da decisão judicial, ou seja: a) habilitou o crédito no valor de R$ 1.268.517,77, em março de 1998; b)ressaltou que o valor esta sujeito a incidência de juros moratórios mensais de 1% ao mês a partir de abril de 1998, c) ressaltou que o direito de compensação se refere as obrigações que vencerem em 30/11/2006; que o contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando pela aplicação da Taxa Selic e não do juro de 1% a.m; que analisando o caso em comento, a Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, deu provimento ao recurso voluntário para admitir a incidência da taxa Selic em substituição ao juro de 1%; que conforme demonstraremos a seguir, o julgado acima merece reforma, pois vai de encontro à legislação que rege a matéria, bem como é divergente de entendimento firmado pela antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes; que a decisão objurgada contraria a jurisprudência cristalizada no âmbito do antigo Col. Conselho de Contribuintes, uma vez que, ao arrepio da coisa julgada material, permitiu a incidência da Taxa selic em substituição ao que foi determinado em decisão judicial Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 (juros 1% ao mês). Em sentido diametralmente oposto do proferido no acórdão recorrido, decidiu a antiga Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, que segundo Acórdão apontado como paradigma n° 20402.901; que, assim, enquanto no acórdão recorrido, em arrepio a decisão acobertada pelo manto da coisa julgada material determinou a incidência da taxa Selic, em observância às alterações legislativas posteriores, o Acórdão apontado como paradigma n° 20402.901, em sede de melhor juízo, entendeu que a coisa julgada deve ser respeitada por ser decisão imutável pelo trânsito em julgado, nos termos da Constituição Federal/88. Segue abaixo o acórdão paradigma apresentado (fls. 216/219), do qual transcrevo a ementa na parte que interessa: Acórdão nº 20402.901 PIS. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO DE LEI POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE CONTRARIAR A COISA JULGADA. Havendo decisão judicial transitada em julgado que determina que os créditos de PIS só poderão ser compensados com valores devidos do próprio PIS, inviável a aplicação de lei posterior que possibilita a compensação com outros tributos. Devese respeitar a coisa julgada, conforme proteção dada pela Constituição Federal, de forma que a lei mais benéfica ao contribuinte, no caso em questão, não pode retroagir de forma a contrariar o que expressamente dispõe a decisão judicial transitada em julgado. Recurso negado. Em 18/10/2010, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Despacho nº 120000.243/2010 (fls. 221/223), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer os pressupostos regimentais. Ciente, em 29/12/2010 (fls. 225), nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, o contribuinte apresenta, em 13/01/2011, as suas as suas contrarrazões (fls. 227/236), instruído pelos documentos de fls. 237/268, amparado, em síntese, nas seguintes considerações: que vêse, pois, que o inconformismo em debate gira em torno da possibilidade (ou não) de se utilizar, a partir da vigência da Lei n° 9.250/95, juros equivalentes à taxa SELIC no cômputo dos créditos reconhecidos à Recorrida por decisão transitada em julgado, quando esta determina a aplicação de juros de 1% (um por cento); e, se a adoção da SELIC, tal qual admitida pelo acórdão recorrido, traduziria ofensa à coisa julgada, ao passo que, no entender do ente fazendário, não é possível a aplicação de lei posterior para contrariar o comando judicial transitado em julgado; que, assim, a despeito do juízo positivo de admissibilidade pronunciado pelo e. Conselheiro Presidente denotase claramente a ausência de similitude fática entre a discussão travada no acórdão trazido pela Fazenda Nacional, e aquela objeto desta lide administrativa, restando, assim, infirmado o dissídio jurisprudencial conjecturado pela Recorrente; que o acórdão paradigma, conforme se infere de sua integra (fls.), versa sobre a impossibilidade de o contribuinte promover a compensação do indébito decorrente de Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101001.566 CSRFT1 Fl. 5 7 contribuição social (PIS) com tributos distintos, uma vez que a decisão judicial transitada em julgado autorizou o encontro de contas com valores devidos a titulo daquele tributo (PIS), conforme legislação vigente à época; enquanto a lei tributária da qual supõe interpretação divergente trata do acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC na compensação ou restituição, nos termos do § 4º, do artigo 39 da Lei n°. 9.250/1995; que ainda que admitida a demonstração do dissídio jurisprudencial em face da matéria de fundo (coisa julgada) dos acórdãos recorrido e paradigma, convém registrar que na espécie incide particularidade indispensável ao enfrentamento da controvérsia, e que divisa o tratamento legal a ser dado a presente lide administrativa; que, isto porque, conforme entendimento judicial (e administrativo) a respeito do tema, para definirse sobre a incidência de juros moratórios no percentual de 1% ao mês ou da Taxa SELIC, fazse mister verificar em qual momento a sentença cognitiva ou decisão final reconhecedora do indébito tributário foi proferida, vale dizer, se após a entrada em vigor da Lei n°. 9.250/95, ou anteriormente a sua vigência; o que deveras não é possível depreender do acórdão colacionado no Recurso Especial fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em janeiro de 2013, passo a formalizar o voto em comento: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 20/08/2010 (fls. 206), e protocolizado o presente apelo em 26/08/2008 (fls. 209/215), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É de se observar, que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com a ementa do acórdão paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Ou seja, o voto do relator do acórdão recorrido conclui ser possível a utilização de juros equivalentes à taxa Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 SELIC, a despeito de haver transito em julgado de decisão judicial determinando a aplicação de juros de 1%. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, que se deve respeito a coisa julgada, não sendo possível aplicar lei posterior para contrariar o julgado. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade e merece ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente no que se refere a utilização de juros equivalentes à taxa SELIC, a despeito de haver transito em julgado de decisão judicial determinando a aplicação de juros de 1%. Neste sentido, tenho que não assiste razão a Fazenda Nacional, pois a aplicação da Taxa Selic sobre valores a restituir ou a compensar está prevista em legislação editada posteriormente à decisão judicial. Assim, é um direito da recorrente, não podendo neste caso ser usada qualquer interpretação restritiva. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo temse firmado no sentido de que a partir de 1º de janeiro de 1996, a restituição/compensação de valores será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior da restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Entendimento este consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, nos seguintes dispositivos: Art.894. O valor a ser utilizado na compensação ou restituição será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 39, § 4º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 73): I – a partir de 1º de janeiro de 1996 até 31 de dezembro de 1997, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês que estiver sendo efetuada; II – após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; Art. 895. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 66, § 2º, e Lei nº 9.069, de 1995, art. 58). § 1º Entendese por recolhimento ou pagamento indevido ou a maio aquele proveniente de: I – cobrança ou pagamento espontâneo de imposto, quando efetuado por erro, ou em duplicidade, ou sem que haja débito a liquidar, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101001.566 CSRFT1 Fl. 6 9 II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Com efeito, pelo disposto no § 4°, do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 1995, a partir de 01 de janeiro de 1996 a restituição ou compensação de tributos deve ser acrescida da variação da Taxa Selic, assim redigido: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. [...] § 4º A partir de 1° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. A decisão judicial, abrangida pela Sentença n° 487/89 (fls. 15/17), ao decidir pela aplicação dos juros de mora de 1% seguiu a legislação de regência à época de sua publicação, 14/11/1989, não podendo, obviamente, se manifestar a respeito da Taxa Selic em substituição aos juros, que só foi prevista em Lei posteriormente editada, em 1995. O teor da sentença foi a seguinte: Ante o exposto, acolho o pedido para que a ré devolva o dinheiro recebido a titulo de empréstimo compulsório na aquisição de automóvel, conforme documento de arrecadação (fls. 28127). A quantia será devolvida com: (a) — correção monetária a partir da data do pagamento indevido, na forma da Súmula n° 46/TFR; (b) —juros moratórios de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado — CTN, arts. 161, § 1º' e 167, p.u.; (c) — verba honorária de 5% sobre o valor da condenação; (d) — reembolso das custas antecipadas — CPC, art. 20, § 4°: "vencida a Fazenda Nacional” A jurisprudência administrativa é no sentido de que a partir de janeiro de 1996 a taxa Selic deve ser utilizada como juros de mora sobre valores a restituir ou a compensar. As ementas dos julgados a seguir traduzem esse entendimento: Acórdão nº 10196.208 IRPJ — RESTITUIÇÃO — TAXA SELIC — O valor do crédito relativo a tributo e/ou contribuições a ser utilizado na compensação e ou restituição, será acrescidos de juros pela taxa Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 SELIC. CSLL — RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO Tendo sido devidamente comprovado nos autos que nos anos pretéritos a contribuinte recolheu a titulo de CSLL valor maior que o efetivamente devido, impõese reconhecer a compensação por ela efetuada. Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 10196.595 IRPJ — RESTITUIÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacifica jurisprudência do STJ, a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC, a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplicase exclusivamente a partir de janeiro de 1996. Acórdão n° 10195.023 RESTITUIÇÃO ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA Para a atualização monetária, até 31/12/95, de valores pagos ou recolhidos no período de 01.01.88 a 31.12.91, para fins de restituição ou compensação, aplicase a NE SRF/COSIT/COSAR n° 08/97. RESTITUIÇÃO JUROS DE MORA De Acordo com o parágrafo 40, do artigo 39, da Lei n° 9.250/95, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC, calculados a partir de 1° de janeiro de 1.996 até o mês anterior ao da compensação ou restituição. Recurso provido em parte. O Superior Tribunal de Justiça também firmou posição que não fere o instituto da Coisa Julgada a utilização da Taxa Selic em substituição aos juros de 1%, quando a sentença foi proferida anteriormente à vigência da Lei n° 9.250, de 1995, verbis: RECURSO ESPECIAL N°1.107.821 SP (2008/02696268) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA TAXA SELIC – SENTENÇA ANTERIOR Á VIGÊNCIA DA LEI 9.250/95 INCLUSÃO POSSIBILIDADE. I. As Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte pacificaram o entendimento no sentido de que, nos casos em que a sentença cognitiva tenha sido proferida após a entrada em vigor da Lei 9.250/95, determinando a incidência de juros moratórios no percentual de 1% ao mês, e assim tendo transitado em julgado, a taxa SELIC não pode ser aplicada em sede de execução. 2. Diversamente, contudo, se a sentença foi proferida em período anterior à vigência da citada lei, é possível a inclusão da referida taxa nos cálculos de liquidação de sentença, sem que isso implique ofensa ii coisa julgada. Precedentes. 3. Recurso especial provido, para determinar a incidência da taxa SELIC a partir de 01/01/96, sem cumulação com qualquer outro índice de correção monetária ou com os juros moratórios de que trata o art. 161 do CTN. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101001.566 CSRFT1 Fl. 7 11 AgRg no REsp 774.861/DF, ReL Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 15/03/2007 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SENTENÇA EXEQÜENDA POSTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI 9.250/95. OFENSA A COISA JULGADA. AGRAVO DESPROVIDO. I. É admissível a inclusão da taxa SELIC na fase de execução do titulo judicial quando a sentença de mérito, que não a previu, tenha sido proferida antes da vigência da Lei 9.250/95 (1° de janeiro de 1996), não havendo, nesses casos, ofensa à coisa julgada. 2. No entanto, se a sentença exequenda é posterior à edição da Lei 9.250/95, embora não aplique a taxa SELIC como índice de correção monetária e taxa de juros, e inviável a inclusão da referida taxa em sede de execução. 3. Agravo regimental desprovido. (RESP 640.665/PR, 2 0 T, Min. Castro Meira, DJ de 06.09.2004); PRECATÓRIO COMPLEMENTAR. CONTA DE ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. SENTENÇA PROFERIDA ANTES DA LEI 9.250/95. A incidência da taxa SELIC na conta de atualização de precatório complementar não ofende a coisa julgada na hipótese de a sentença, que especifica outros índices, ter sido prolatada antes da vigência da Lei 9.250/95, que instituiu a referida taxa. Agravo regimental a que se nega provimento. (RESP 5I0.804/DF, 2° T, Min. Franciulli Netto, DJ de 27.09.2004); RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" – PROCESSO CIVIL PRECATÓRIO COMPLEMENTAR SENTENÇA QUE HOMOLOGOU OS CÁLCULOS DE LIQUIDAÇÃO PROFERIDA ANTES DA EDIÇÃO DA LEI N. 9.250/95 INCLUSÃO DA TAXA SELIC POSSIBILIDADE INEXISTÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. Consoante restou consignado na decisão proferida pelo ilustre magistrado de primeiro grau, cálculos homologados em sentença para o pagamento do primeiro precatório foram efetuados em outubro de 1990, anteriores, portanto, ao inicio da vigência da Lei nº 9.250/95. Para hipóteses como a dos autos, tem sido deferida a aplicação da Taxa SELIC sobre o precatório complementar, sob o fundamento da não ocorrência de preclusão, tendo em vista que época cm que prolatada a sentença homologatória dos cálculos da liquidação sequer estava em vigor a indigitada Taxa. Recurso especial provido para determinar a incidência da Taxa SELIC sobre o precatório complementar, na forma da sentença. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 12 Além do mais, a legislação tributária de regência prevê atualização monetária e juros moratórios sobre débitos vencidos desde a data do vencimento do tributo, nada mais lógico e racional de que seja dada ao contribuinte idêntica prerrogativa por uma questão de justiça fiscal. Nessa linha de raciocínio, não há dúvidas de que se União deve devolver algum valor por ser indevido, este valor deverá ser restituído àquele que teve seu patrimônio desfalcado, acrescido dos juros SELIC. Feitas tais considerações, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por preencher os requisitos de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
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Numero do processo: 10830.006792/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3102-000.105
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. . -- • uerra de Castro - Presidente sé Fernandes do-Nascimento - Relator EDITADO EM 19/04/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de lançamento de crédito tributário, formalizado por meio do Auto de Infração de fls. 02/43, em que é exigido Imposto sobre Produtos Industrializados (IPD, incidente sobre os produtos saldos do estabelecimentos da recorrente no período de 10/04/2003 a 31/12/2007, com erro de (i) alíquota (0% ao invés de 10%) e/ou de (ti) classificação fiscal (código TIPI 2309.90.10 ao invés do código TIPI 2309.10.00). O presente lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, nos tei trios do § 1" do art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, em decorrência da sentença favorável (fls. 99/106), • obtida nos autos da Ação Ordinária IV 96.0603412-7, proposta junto juizo da 3' Vara Cível Federal de Campinas/SP, na qual a recorrente pleiteara o enquadramento dos produtos descritos no referido Auto de Infração na posição 2309.90.0200 da TIPI (atual 2309.90.10), com ali:quota de 0% (zero por cento). Em 15/07/2008, a interessada foi cientificada, pessoalmente, do procedimento fiscal (fl. 02). Inconfonnada, no prazo legal, apresentou a impugnação de fls. 241/258 alegando, em síntese, a nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de direito de defesa, e a decadência cio direito de constituir os créditos tributários do período de abril a julho de 2003. Em cumprimento ao despacho de tl. 379, os presentes autos foram enviados à DR.] em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RP0). Em seguida, em 04/09/2008, foram encaminhados ao Presidente da r Turma julgadora (fl. 380). Na sessão de 10/09/2008, a r Turma da DR.ERPO proferiu o Acórdão n° 14- 20.332 (fls. 381/387), em que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo crédito tributário exigido, cuja ementa restou assim redigida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal PERÍODO DE APURAÇÃO: 10/04/2003 a 31/12/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se os fatos estiverem claramente descritos e o relativo enquadramento legal da exação estiver perfáitamente indicado na denúncia Fiscal. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do IPI, não declarado e nem recolhido, é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. MATÉRIA "SUB JUDICE". O lançamento deve ser efetuado mesmo na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário e ainda que o crédito tribuãrio não possa ser exigido. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente. Em 10/10/2008, a interessada foi cientificada, por via postal (393) do referido Acórdão. Inconformada, em 17/11/2008, protocolou na DRF/Campinas (fl. 411), o Recurso Voluntário de fls. 413/425, em que reitera as alegações aduzidas na impugnação e requer o seu total provimento, para que seja totalmente refinmada o Acórdão recorrido. Em cumprimento ao despacho de fls. 461, os autos foram enviados a extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Por meio memorando de fl. 463, o titular da Unidade,- f Processo n° 10830.006792/2008-72 S3-C1T2 Resolução n.° 3102-00105 Fl. 667 preparadora encaminhou a petição de fls. 465/468, acompanhada dos documentos de fls. 470/664. Na referida petição, a recorrente informa que pleito formulado na referida Ação Ordinária foram julgados inteiramente procedentes pelo juizo da 3' Vara Federal Cível de Campinas (fls. 502/514), que foi confirmada pela 4' Turma do Tribunal Regional Federal da 3' Região (fls. 516/532) e, mais recentemente, pelo Superior Tribunal de Justiça (fls. 535/556). Na sessão de 19 de outubro de 2009, por sorteio, os presentes autos foram distribuídos a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente procedimento fiscal de lançamento realizado com o objetivo de prevenir a decadência do direito de constituir o crédito tributário objeto de discussão no âmbito da Ação Ordinária n° 96.0603412-7, ajuizada perante a 3' Vara Cível Federal de Campinas/SP, com a finalidade de obter tutela judicial para reconhecer o direito de (i) enquadrar os produtos por ela fabricados c/ou comercializados na posição n° 2309.9010 da TIPI e, cumulativamente, (ii) não incidir o IPI sobre as unidades desses produtos saídos do estabelecimento acondicionados em embalagens de capacidade superior ao 10 Kg (dez quilogramas). Há noticias nos autos que a referida Ação foi julgada inteiramente procedente pelo juízo da 3 Vara Federal Cível de Campinas, o que atesta a cópia da Sentença de fls. 502/514. Por sua vez, a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3' Região, por meio do Acórdão de fls. 516/532, negou provimento à apelação União Federal e remessa oficial, mantendo integralmente a Sentença recorrida. Por fim, na sessão de 02/12/2008, a Primeira Turma do E. Superior Tribunal de Justiça (SEI), no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 953.519/SP I (cópias de fls. 535/556), por unanimidade, negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, mantendo incólume a decisão proferida pelo Juízo de primeiro grau, de cuja ementa transcrevo os seguintes excertos, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ALEGADA NEGATIVA DE VIGÊNCIA A DECRETOS. CONHECIMENTO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA DO IPI - TIPL CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RAÇÃO PARA ANIMAIS. ALIQUOTA ZERO. PREPARAÇÕES ALIMEATARES COMPLETAS PARA CÃES E GATOS ACONDICIONADAS EM EMBALAGENS COM PESO SUPERIOR Á 10 QUILOS. NÃO INCIDÊNCIA DO HL REsp 953.519/SP. Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Tua, julgado em 02/12/2008, me 17/12/2008. K--7 3 '1. 3. Ademais, a Tabela de Incidência do IPI - TIPT veiculada mediante decgeto executivo configura inovação no ordenamento jurídico ex vi do disposto no artigo 153, ,sç 1°, da Carta Magna, que autoriza a mitigação do principio da legalidade estrita no que pertine a definição das aliquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados, tributo com evidente carga extrafiscal. 4. A TIPI é ato normativo (de caráter geral e abstrato) oriundo do Poder Executivo que elenca e classifica os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação pelo IPI, correlacionando as alíquotas aplicáveis, de acordo com os critérios da essencialidade e especificidade, observando-se as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos os produtos a que corresponde a notação "NT" (não-tributado). S. O acórdão recorrido ressaltou, em suas razões de decidir, que a empresa recorrida tem por objeto social, entre outros, a produção, manufatura, industrialização, compra, venda, importação e exportação de produtos destinados ao consumo de cães e gatos (rações). 7. Não obstante as sucessivas alterações legislativas, o Capitulo 23, da TM; sempre versou sobre a classrlicacrio dos Alimentos preparados para Animais (entre outros), restando esclarecido em Nota Introdutória o seguinte.' "1 - -Incluem-se na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem cornreenclosern outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excite/dos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento." 8. Deveras, no bojo dos decretos executivos que aprovaram a TIPI, estipularam-se "Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado", entre as quais se sobrelevava a de que: "3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2.6) ou por qualquer outra ratão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posicáo mais especifica prevalece sobre as mais genéricas. •Todavia, quando duas ou mais posicões se refiram. cada urna delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto ou a apenas um dos comonerle sortidos acondicionados para venda a retalho tais posicões devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos como igualmente es ecí roas ainda SUE' uma delas atresente uma descri do •mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3.a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Processo e 10830.006792/2008-72 83-CIT2 Resolução n.° 3102-00.105 Fl. 668 c) Nos casos em que as Regras 3.a) e 3.b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração." 9. Conseqüentemente, revela-se imperiosa a observância da especificidade do produto industrializado para fins de enquadramento na classificação fiscal enumerada na TIPI. 10. O Decreto 76.98676 revogado pelo Decreto 6.2962007, que regulamentava a Lei 619824 (que dispõe sobre a inspeção e a fiscalização obrigatórias dos produtos destinados à alimentação animal), assim discorria sobre o conceito de "ração animal": "Ari' 4° Ficam sujeitos à inspeção e à fiscalização todos os produtos empregados ou suscetíveis observadas as seguintes definições: III - ração animal - qualquer mistura de ingredientes capaz de suprir as necessidades nutritivas para manutenção desenvolvimento e ra_luti~e dos animais a que se destine; § 1' Para efeito deste Regulamento, entende-se como ração balanceada, a ração animal, o concentrado e o suplemento, definidos nos itens III IV e V deste Artigo. 11. Destarte, a posição "Alimentos para cães e gatos acondicionaclo.s para venda a retalho" (código 2309.10.9900, atual 2309.10.00) não prevalece nem engloba o alimento denominado "racão animal", uma vez existente código mais específico qual seja: 2309,10.0200 (atual 2309.90.10), que versa sobre "Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários cuz _una alimenta ão diária racional e e uilibracla alimentos comoostos con_t: " as quais são tributadas à aliquota zero. 12. Outrossim não incide o IPI sobre "preparacões alimentares completas para cães e gatos acondicionadas em embalagens com peso superior Em pesquisa realizada no sitio do STJ na intemet 2 , verifiquei que o mencionado Acórdão transitou em julgado em 15/06/2009. Assim, decidida no âmbito do Poder Judiciário, em caráter definitivo, o mérito da questão, favoravelmente a interessada, no meu entendimento, o presente recurso, que trata apenas de questões preliminares, perdeu o seu objeto. 2 Disponível em: <http://www.stj.jus.br/websP3Processolustica/detalhe.asp?nunreg =200701140248 >. Acesso em 24 fev. 2010. ã. • tr. s._ Com essas considerações, voto no sentido de converter o julgamento cm diligência, para que a Unidade de origem certifique o trânsito em julgado do Acórdão proferido pela Primeira Unita do E. ST' no julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 953.5197SP (fls. 535/557), juntando a Certidão de Trânsito em julgado, se for o caso. Adotadas as providências requeridas, retomem-se os autos a este Conselho, para prosseguimento.-dujulgumcnto. - José Fernarides do Nascimento 1
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Numero do processo: 11968.000606/2008-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/04/2008, 25/04/2008, 29/04/2008, 30/04/2008, 13/05/2008, 15/05/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 06 06 /2 00 8- 07 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 3 2 denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ no Recife (PE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/04/2008, 25/04/2008, 29/04/2008, 30/04/2008, 13/05/2008, 15/05/2008. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 5 4 Data do fato gerador: 17/04/2008, 25/04/2008, 29/04/2008, 30/04/2008, 13/05/2008, 15/05/2008 MULTA POR DESCUMPRJMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000606/200807 Acórdão n.º 3801004.829 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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