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Numero do processo: 16327.910576/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 08/05/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.481
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 08/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 08/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 76 /2 01 1- 03 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.910576/201103 Acórdão n.º 3402004.481 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.725, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 08/05/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.910576/201103 Acórdão n.º 3402004.481 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.910576/201103 Acórdão n.º 3402004.481 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910576/201103 Acórdão n.º 3402004.481 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001436/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para avocar o processo nº 13807.003136-2004/70, para serem julgados conjuntamente em função de conexão..
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para avocar o processo nº 13807.003136-2004/70, para serem julgados conjuntamente em função de conexão.. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para avocar o processo nº 13807.0031362004/70, para serem julgados conjuntamente em função de conexão.. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 01 43 6/ 20 03 -1 3 Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 11610.001436/200313 Resolução nº 1401000.242 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente feito do julgamento de compensações realizadas pela Recorrente no âmbito de três processos administrativos, cujos direitos creditórios estão consubstanciados no saldo negativo apurado no anocalendário 2001. Em resumo, a Auditoria Fiscal, na esteira de análise do direito creditório invocado, promoveu a revisão dos elementos formadores de referido saldo negativo, apurando, ao final, um crédito inferior àquele apontado pela Recorrente, homologando as compensações pretendidas no limite dos créditos reconhecidos. Inconformada com a parcialidade da homologação promovida no âmbito de referidos processos, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujo provimento foi negado no âmbito da DRJ. Diante da decisão negativa aos seus interesses, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário. É o relatório, no necessário. Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 11610.001436/200313 Resolução nº 1401000.242 S1C4T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Estão sendo verificados, no presente feito, três processos administrativos em apenso, a saber: PROCESSO CRÉDITO VALOR DÉBITO COMPENSADO 11610.001436/200313 Saldo Negativo IRPJ 2001 59.033.342,79 IRRF/JCP 11610.005599/200367 Saldo Negativo IRPJ 2001 26.450.963,91 IRRF/JCP 11610.006901/200302 Saldo Negativo IRPJ/CSLL 2001 3.179628,11 IRPJ/CSLL Jan/ Fev 2003; CSLL estimativa Mar/Abr 2003 Como fundamento para a negativa do direito creditório, a Autoridade Fiscal recompôs a evolução do aproveitamento do saldo negativo do ano calendário 2000, no curso do ano calendário 2001, cujas compensações foram processadas por DCTF. Neste sentido, a Autoridade Fiscal apresentou, como fundamento da negativa do saldo negativo do ano calendário 2001, a seguinte evolução das compensações de saldo negativo do ano 2000, feitas por DCTF no curso do ano calendário 2001 (fls. 262): Dentre as alegações apresentadas, aduziu, a Recorrente, que o saldo negativo do ano calendário 2000 seria de R$114.982.196,50, e não de R$105.624.190,27, conforme considerado pela Autoridade Fiscal. Em defesa do valor apontado, a Recorrente afirma que no processo nº 13807.003136/200470, em que se discutiu o saldo negativo do ano calendário 2000, a decisão proferida pela DRJ confirmou o valor por ela apontado, não sendo aceitável que, neste processo, seja referido valor desconsiderado. De fato, não se admite que, no curso do processo administrativo, haja decisões conflitantes com relação ao valor do saldo negativo de anos calendários contíguos, pelo que, a princípio, o julgamento do presente feito ficaria dependente da solução dada no processo nº 13807.003136/200470. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 11610.001436/200313 Resolução nº 1401000.242 S1C4T1 Fl. 5 4 Todavia, consultando o COMPROT e o sistema de acompanhamento processual do CARF, identifiquei que o processo 13807.003136/200470 encontrase pendente de distribuição neste Conselho. Assim, proponho a avocação do processo nº 13807.003136/200470 para minha Relatoria, retornando os processos à minha carga para julgamento conjunto. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720131/2016-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão.
Para conhecimento do Recurso Voluntário faz-se necessário os pressupostos de admissibilidades.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão. Para conhecimento do Recurso Voluntário faz-se necessário os pressupostos de admissibilidades. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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Inexistência de Recurso Voluntário caracteriza falta de motivação para recorrer e ausência de contraditório para embasar reforma de decisão. Para conhecimento do Recurso Voluntário fazse necessário os pressupostos de admissibilidades. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 31 /2 01 6- 61 Fl. 130DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.242,50, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: Na peça fiscal foi imputada ao contribuinte a infração dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 22.700,00. Para a perfeita compreensão das glosas das deduções de despesas médicas efetuadas, devemos considerar os seguintes dispositivos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10725.720131/201661 Acórdão n.º 2001000.165 S2C0T1 Fl. 131 3 documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; DecretoLei nº 5.844/1943: “Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. (...) § 3º Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda). Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração de ajuste, está sempre limitado a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número de CPF ou CNPJ de quem os recebe e com a informação do tratamento e do paciente, ou seja, incumbe ao Fl. 132DF CARF MF 4 contribuinte o ônus de provar o preenchimento do suporte fático que autoriza a dedução, mediante a apresentação de documentos idôneos, a fim de comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o efetivo pagamento das despesas incorridas por tratamento próprio ou de seus dependentes, cabendo esclarecer que a dedutibilidade das despesas da base de cálculo do imposto de renda está vinculada aos dispositivos legais e normativos que tratam da matéria, aplicados de forma objetiva. (...) Pois bem, considerando que o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, e que a falta de comprovação foi o que deu origem a presente cobrança e que nada foi trazido aos autos a fim de comprovar o desembolso dos valores pagos a título de despesas médicas, temos que não merece reparo o feito fiscal. Por todo exposto, VOTO julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado na notificação de lançamento. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 6.242,50, referente à glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, ao tomar conhecimento da decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta um documento de encaminhamento de comprovantes, em que anexa cópias de comprovação de despesas médicas. Pode se observar que o documento foi protocolado e juntado ao processo como se Recurso Voluntário fosse, como segue: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10725.720131/201661 Acórdão n.º 2001000.165 S2C0T1 Fl. 132 5 Ocorre que a juntada dos documentos pelo Contribuinte não foi acompanhada por Recurso Voluntário, conforme procedimento regular, restando o processo sem apresentação das considerações e argumentações que o Recorrente entende justificável ao seu procedimento. Fl. 134DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator A inexistência de Recurso Voluntário não permite que se avance no julgamento da lide por um pressuposto básico de admissibilidade que é a motivação objeto da contestação à decisão do acórdão da DRJ. O recurso deve preencher todos os pressupostos processuais para ser conhecido. Quando não os preenche, não será conhecido, em obediência ao sistema recursal do processo, fazendose fator importante no exercício do direito na lide. Reformar decisão para afastar possível engano no julgamento que reflita injustiça corresponde a uma ação muito delicada e, especialmente por isso, o trâmite processual deve ser devidamente observado. A motivação para recorrer é item fundamental para a admissão do recurso. A parte que recorre deve sempre motivar, ou seja, dar suas razões para interpor o recurso, seja pelo seu inconformismo, seja por discordar de algum ponto técnico na decisão. Nesse sentido não basta o Recorrente anexar provas sem dizer do contraditório ao que foi decidido no julgamento de primeiro grau administrativo. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário pela falta de cumprimento de pressuposto básico de admissibilidade que justifique inclusive a divergência de valores entre o lançado e o valor total da documentação agora acostada ao processo. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001500/96-87
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 10 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 201-04.595
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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Numero do processo: 13866.000307/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA SEM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Não pode ingressar no Simples Nacional a pessoa jurídica que tenha débitos para com a Fazenda Pública Federal inscritos em dívida ativa da União, sem suspensão de exigibilidade, e que não prove que tenha regularizado sua situação dentro do prazo estabelecido pela legislação em vigor.
Numero da decisão: 1801-001.133
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA SEM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Não pode ingressar no Simples Nacional a pessoa jurídica que tenha débitos para com a Fazenda Pública Federal inscritos em dívida ativa da União, sem suspensão de exigibilidade, e que não prove que tenha regularizado sua situação dentro do prazo estabelecido pela legislação em vigor.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA SEM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Não pode ingressar no Simples Nacional a pessoa jurídica que tenha débitos para com a Fazenda Pública Federal inscritos em dívida ativa da União, sem suspensão de exigibilidade, e que não prove que tenha regularizado sua situação dentro do prazo estabelecido pela legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Ana de Barros Fernandes. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. Consta dos autos que a empresa interessada optou pelo Simples Nacional mas teve indeferido o pleito pelo Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional por possuir débito inscrito em Dívida Ativa da União sem suspensão de exigibilidade (fls. 08/10). Irresignada a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 07, alegando, em síntese, que: os débitos encontramse sob discussão judicial sem trânsito em julgado nos autos do processo n º 2000.03.99.0543867 e que estariam suspensos por força de lei; possuiria um crédito junto à Receita Federal relativo à diferença entre os valores recolhidos a título de PIS na vigência dos Decretos 2.445/88 e 2.447/88, considerados inconstitucionais com suspensão de vigência pela Resolução n º 49 do Senado Federal; teria ingressado com pedido de compensação dos valores devidos, negado, e que tal decisão e eventual inscrição em dívida dos débitos seria ilegal haja vista que se encontrariam quitados pela compensação; os débitos vinculados à compensação estariam com exigibilidade suspensa por força do inciso III do art. 151 do CTN; seria ilegal a aplicação do art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar n º 104/2001, aplicado retroativamente; a Lei n° 9.430/96 autorizou a compensação entre tributos de diferentes espécies de destinação constitucional, desde que administrados pela Secretaria da Receita Federal, devendo ser aplicada a retroatividade da lei em seu favor; deve ser realizada a compensação dos débitos discutidos na impugnação com os créditos oriundos do processo administrativo n° 10850.000731/9948 com o conseqüente acolhimento das razões de defesa impedindose, assim, o prosseguimento do processo de exclusão do Simples Nacional; deve ser suspensa a exigibilidade dos débitos mencionados enquanto houver discussão administrativa e judicial. Apreciando o litígio a 9a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Observou, aquela autoridade, que os débitos discutidos no processo judicial – mandado de segurança – não eram os únicos apontados nos extratos dos sistemas internos da RFB e que em relação aos demais não haviam causas de suspensão de exigibilidade apresentadas. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13866.000307/200919 Acórdão n.º 180101.133 S1TE01 Fl. 46 3 Consignou que, inexistindo nos autos documento apto a comprovar que dentro do prazo para regularização das pendências para opção ao Simples Nacional, em relação ao ano calendário 2009, existia causa de suspensão da exigibilidade dos créditos relacionados às fls. 21/22 (processos n° 10850.000169/200282 e n° 10850.001729/9851), estes constituíam situação impeditiva à opção apresentada pela empresa. Ponderou que o pedido de compensação de possíveis créditos de PIS com os débitos discutidos nos autos não seria apreciado por ser matéria estranha litigada em processo específico e que a manifestação de inconformidade apresentada não teria o condão de suspender a exigibilidade dos débitos objeto de compensação e inscritos em DAU. Notificada da decisão, em 23/05/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 31, apresentou a empresa, em 17/06/2011, o recurso voluntário de fls. 32/39, no qual reproduz todas as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade, afirmando, ao final, que os débitos teriam sido objeto de parcelamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A empresa recorrente teve indeferido seu pedido de inclusão no Simples Nacional por possuir débitos inscritos em dívida ativa da União sem suspensão de exigibilidade. Os débitos encontramse relacionados às fls. 21/23, e tem a seguinte situação: 1) COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE: 1.1) Controlados no PAF n º10850000.731/99–48 Objeto de Mandado de Segurança n º 2000.03.99.0543867 Débitos: IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 1.2) Controlados no PAF n º 10850503.725/2006–00 Débitos com exigibilidade suspensa na PGFN Débitos: IRPJ, CSLL, COFINS. 2) SEM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE: 2.1) Controlados no PAF n º 10850000.169/2002–82 Débitos: IRPJ, CSLL, COFINS. 2.2) Controlados no PAF n º 10850001.729/9851 – Débitos IRPJ, CSLL PIS, COFINS. Para os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, sem suspensão de exigibilidade, a empresa não apresentou justificativas e/ou documentos que comprovassem a Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 suspensão da exigibilidade, nos termos da legislação de regência do Simples Nacional. Nesse contexto, como anotou a DRJ em Ribeirão Preto/SP, o pedido para que sejam objeto de compensação os débitos inscritos em DAU sem suspensão de exigibilidade com possíveis créditos de PIS deve ser objeto de procedimento específico ao amparo da Lei n º 9.430, de 1996, sendo impertinente tal discussão no âmbito destes autos. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário apresentados nestes autos tampouco tem o condão de suspender a exigibilidade dos débitos inscritos em DAU controlados em outros processos. A legislação de regência do Simples Nacional é clara ao vedar o ingresso ou permanência na sistemática de pessoas jurídicas que possuam débitos inscritos em Dívida Ativa da União, sem suspensão de exigibilidade: Lei Complementar n º 123, de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; ... Quanto ao “Recibo de Pedido de Parcelamento da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009” apresentado pela recorrente às fls. 40/42, cumpre observar que, ainda que a interessada tivesse provado que os débitos apontados nas pesquisas anexadas às fls. 21/23 foram objeto de inclusão no referido pedido de parcelamento, a regularização dessa situação somente surtiria efeitos para o ingresso no Simples Nacional a partir do anocalendário 2010, já que o prazo para a regularização de pendências para ingresso no sistema no anocalendário 2009 esgotouse em 20/02/2009, nos termos da Resolução CGSN n º 04/2007, com as alterações introduzidas pela Resolução CGSN n º 50/2008 e 54/2009: Resolução CGSN n º 4, de 2007, com as alterações introduzidas pela Resolução CGSN n º 54/2009, 50/2008: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Art. 17A. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2009, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13866.000307/200919 Acórdão n.º 180101.133 S1TE01 Fl. 47 5 dia útil de janeiro de 2009 até 20 de fevereiro de 2009, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008529/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2000
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2000 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 85 29 /2 00 7- 06 Fl. 172DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10680.008529/200706 Acórdão n.º 2202004.212 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.900291/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/07/2001
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/07/2001 PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 02 91 /2 00 8- 68 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10875.900291/200868 Acórdão n.º 1302002.454 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 27/11/2003, a Dcomp de nº 32841.70662.271103.1.3.046316, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código CSLL ( 2484 Estimativa), pago em 31/07/2001, no valor de R$ 30.186,83, a fim de quitar débito do próprio CSLL, relativo à competência de maio de 2001, no montante de R$ 10.892,92. Em abril de 2008, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixou se de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 32), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 34). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10875.900291/200868 Acórdão n.º 1302002.454 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL ( 2484 Estimativa) pago em 31/07/2001. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10875.900291/200868 Acórdão n.º 1302002.454 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720479/2015-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI.
Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010.
Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 79 /2 01 5- 72 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 3 2 CONCAP RECUPERAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PNEUS CONCHAL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito do IPI. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório, revisor de ofício do despacho anteriormente emitido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, consequentemente, não homologando as compensações declaradas, pelo fato de ter sido constatado, em ação fiscal, que o estabelecimento não se caracterizava como industrial ou a ele equiparado. De acordo com a Fiscalização, pelo fato de as operações de restauração de pneus usados serem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, as operações do Recorrente enquadravamse nas exclusões do conceito de industrialização previstas no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2010 (Lei nº 4.502/1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I), conforme ilustrado pela Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, tendo em vista que o artigo 254, inciso I, alínea “e’, do Regulamento citado determina que deve ser estornado o crédito decorrente das aquisições tributadas pelo IPI que forem empregadas nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo previstas no inciso XI. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante requereu a homologação das compensações, a suspensão da exigibilidade/devolução do numerário e o direito de provar o alegado por todos meios de prova admitidos em direito, alegando o seguinte: a) preliminarmente, a existência de divergência entre a Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, utilizada pela Fiscalização, e as Soluções de Consulta nº 188/2008, 242/2007 e 245/2007, que consideram como industrializadas as operações encomendadas ao contribuinte, na medida que tais atividades não se realizam no âmbito da residência do preparador ou em oficina, conforme o art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002; b) a Administração deveria ter apresentado consulta à Cosit para sanar a divergência de interpretação da norma, por se tratar de ato vinculado, sem o que não se tem por fundamentado o Despacho Decisório, uma vez que a Receita Federal reconhecera que o fato de o serviço em questão ser tributado pelo ISS é irrelevante para determinar a incidência do IPI; c) o Despacho Decisório Revisor fere os princípios constitucionais da segurança jurídica, da irretroatividade tributária e do direito adquirido, pois a primeira Declaração de Compensação apresentada havia sido devidamente fiscalizada e as compensações expressamente homologadas; d) a Fiscalização distorceu a aplicação da legislação, bem como das Soluções de Consulta, ao descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado, a ser renovado ou restaurado, pois, somente se descaracterizaria a industrialização se o interessado estivesse consertando pneus que ainda possuíssem vida útil, como numa borracharia, pois há diferenças técnicas entre pneu recauchutado e, sobretudo, remoldado, conforme classificação na TIPI; d) a sua atividade é de indústria, sendo assim caracterizada na escrituração fiscal e reconhecida pelo Ibama, Cetesb, Coama, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 4 3 Fazenda e pelas diversas bandas de pneus, na medida em que a recapagem altera significativamente o uso do pneu, aperfeiçoandoo para consumo; e) quanto à exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002, afirma que não se enquadra na definição legal de oficina, tanto pela quantidade de empregados, como pelo alto consumo de energia elétrica, conforme documentos que junta. Nos termos do Acórdão nº 14058.684, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no direito de a Administração revisar seus próprios atos, observado o prazo decadencial de cinco anos, e no fato de não se caracterizar como industrialização a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, o que afasta o direito ao ressarcimento nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória exceto a legitimidade do procedimento de revisão de ofício do despacho decisório original , destacandose, ainda, o seguinte: 1. irrelevância do destinatário do produto para a incidência do IPI nos casos de recauchutagem; 2. a regramatriz de incidência tributária do imposto sobre produtos industrializados; 3. o reconhecimento da atividade industrial da recorrente por outros órgãos governamentais; 4. princípio da isonomia: as diferenças técnicas entre o pneu recauchutado e e o remoldado; 5. divergência entre as Soluções de Consulta da RFB: 38/2009, 22/2009, 188/2008. 242/2007 e 245/2007; 6. a industrialização por encomenda por usuário final. Consultas no âmbito da Fazenda Paulista: 562/2010 e 395/2009; 7. a atividade vinculada no âmbito da RFB e a necessidade de edição de Solução de Divergência; 8. o reconhecimento da RFB que recapagem é industrialização mesmo que encomendada por usuário final: Solução de Consulta Disit/SRRF 08 nº 14/2013; 9. o reconhecimento como indústria de recapagem independente de figurar na Lei Complementar n° 116: Parecer n° 18/2013; 10. homologação expressa do PER/DCOMPs n°s 21075.74956.231209.1.1.018760 e 25529.47001.290811.1.5.019293. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, aplicandoselhe, portanto, o decidido no Acórdão 3201003.217, de 26/10/2017, proferido no julgamento do processo nº 10865.720478/201528, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.217): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressaltase que questão versada na manifestação de inconformidade e decidida no acórdão recorrido não fora repisada neste recurso recaindolhe, portanto, a preclusão, a saber: a legitimidade do procedimento de revisão de ofício que resultou no cancelamento da restituição indevida realizada no Pedido de Ressarcimento o Despacho Decisório do presente processo. De outra banda, matéria não questionada na manifestação de inconformidade e suscitada no recurso voluntário, à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.23572 (PAF), não será enfrentada, a saber, a irrelevância da natureza do encomendante da recapagem, se consumidor final ou usuário, para a incidência do IPI Em que pese a recorrente aduzir novas razões de defesa em sua peça recursal, a matéria cujo contraditório fora instaurado na manifestação de inconformidade cingese tãosomente decidir quanto à adequação ao conceito de industrialização, para fins de tributação de IPI, e o corresponde direito ao crédito de que trata o art. 11 da lei nº 9.779/99, a atividade de recapagem de pneus usados, encomendados por pessoas jurídicas não comerciantes do produto. O ponto de divergência entre Fisco e contribuinte reside na fundamentação legal e em soluções de consulta no âmbito da RFB para afirmar ou infirmar a subsunção da atividade de recapagem de pneus usados ao conceito de industrialização. A legislação em que recai a discórdia é a Lei nº 4.502/1964, regulamentada à época dos fatos pelo Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010: Art.5o Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 6 5 XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. O Fisco que não se fundamenta na Solução de Consulta nº 62 SRRF/6ª Região, pois afirma que os argumentos nela expostos apenas corroboram os seus entende que a atividade exercida pela contribuinte encontrase fora do alcance da incidência do IPI por expressa exclusão do conceito prescrita no art. 3º, parágrafo único, inciso I da Lei nº 4.502/1964, reproduzido no art. 5º, inciso XI do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010. Importa salientar que a fiscalização não afirmou que a atividade não se trata de industrialização, somente que a legislação do IPI não a considera para efeitos de sua tributação. Transcrevo o excerto que dirige o raciocínio da autoridade fiscal: 5 Em tese, se a atividade descrita em “4” se amoldasse puramente ao conceito de industrialização, o contribuinte estaria apto ao pedido de ressarcimento. Ocorre que há exceções à regra, e o contribuinte se enquadra perfeitamente a essas exceções (excludentes do conceito de “industrialização”) existentes na legislação que regulamenta o IPI, como veremos a seguir. 6 A solução de consulta nº 62/2009, da DISIT SRRF/6ª RF, cuja ementa, a seguir copiamos, vem corroborar nosso entendimento (...) A recorrente assevera que sua atividade exercida sobre os pneus usados é uma industrialização assim considerada à luz de toda a legislação do IPI, com supedâneo na Constituição Federal, transitando pelo CTN e Regulamentos e, inclusive, nas Soluções de Consultas da Receita Federal que menciona. No tocante às exclusões previstas nos incisos do art. 5º do RIPI, aduz que a descrição das características da operação preconizada no inciso V a faz permanecer compulsoriamente no campo de incidência do Imposto, pois que somente se aplica se cumulativamente atender ao disposto nas alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 7º do RIPI/2010, o que não é o seu caso. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 7 6 Infrutífera toda a argumentação da recorrente no sentido de incluir sua operação no conceito de industrialização por entender que não atende aos requisitos de exclusão do conceito pertinente à situação descrita no inciso V do art. 5º do RIPI, exclusivamente em relação à segunda parte, que dispõe o local e quem realizará a atividade. A interpretação da recorrente é equivocada. Primeiro, porque parte da premissa errônea de que a recapagem de pneus usados, e as atividades assemelhadas de recuperação ou remoldagem, é operação de industrialização a ser tributada pelo IPI e, segundo, por conceber que é tributada em razão de não reunir duas das condições de exclusão do conceito de industrialização, quais sejam, seu trabalho não é preponderantemente profissional nem realizado em oficina, como entende requerer a literalidade do inciso II do art. 7º do RIPI/2010. A operação de recapagem para encomendante consumidor ou usuário não se enquadra na exclusão do inciso V e o motivo não se deve ao local de realização residência ou oficina nem à inexistência de preponderância de trabalho profissional. Em verdade, o motivo primeiro e suficiente à referida exclusão devese à atividade de recapagem não se constituir um "preparo de produto", expressão que se encontra fora da materialidade do fato gerador do IPI. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa1, preparo é o mesmo que preparação, esta definida como "medida ou ação preliminar para a efetuação de qualquer coisa". Em síntese, a primeira parte do inciso V do art. 5º do RIPI "o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário ..." caracterizase uma atividade preliminar efetuada em qualquer produto constituindose uma etapa antecedente à outra, posterior, que será executada (esta possivelmente tributada pelo IPI). Optou o legislador pela não incidência do IPI nesta etapa antecedente (o preparo), servindose de um inciso/artigo isolado na legislação o V do 5º do RIPI para discipliná la. Não por coincidência, impende analisar a aparição do termo "preparo" na legislação do IPI, em especial no trato das hipóteses de incidência e nãoincidência. Constatase que "preparo" não é utilizado em qualquer das ações/operações consideradas industrialização no RIPI (art. 4º e incisos), mas que exsurge em 05 (cinco) ocorrências do termo no art. 5º que trata de atividades ou situações que estão fora do alcance da incidência, por exclusiva vontade do legislador: nos incisos I, II, III, V e XI (restrita a utilização em partes e peças) do art. 5º do RIPI. Firmado nesses fundamentos entendo que a recapagem de pneus usados encomendada por consumidor ou usuário final, à luz do art. 5º, incisos V do RIPI/2010, não se insere no campo de incidência do IPI. Contudo, e também corretamente aplicado pela fiscalização à situação dos autos, o dispositivo legal que retira a operação praticada pelo contribuinte da incidência do IPI é o inciso XI, do art. 5º do RIPI, em razão de sua especificidade e alcançar mais precisamente a atividade 1 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 2.289. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 8 7 (restauração e o recondicionamento), o produto (pneu usado), a aplicação (destinado ao uso) e o beneficiário da operação (encomendante é terceiro que não comercializa o pneu usado). Neste mesmo sentido tenho por consolidada a posição deste Conselho acerca a exclusão do conceito de industrialização das operações que visam a recuperação de pneus usados por encomenda de consumidor final, não comerciante do produto. Eis os acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECONDICIONAMENTO OU RENOVAÇÃO DE PRODUTOS USADOS. INOCORRÊNCIA. Na caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, o recondicionamento ou a renovação de produtos usados, quando não se destinem à revenda pelo encomendante. INCIDÊNCIA DO IPI. RECAUCHUTAGEM DE PNEUS USADOS SOB ENCOMENDA POR CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. A atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus usados quando efetuada por encomenda direta do proprietário, na condição de consumidor final, não se enquadra na definição de operação de industrialização, o que a exclui do conceito de operação de industrialização e do campo de incidência do IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O estabelecimento não contribuinte do IPI, por não realizar operação de industrialização, não faz jus a crédito do imposto pago na aquisição de insumo tributado aplicado na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102002.240. Processo nº 13609.000614/200345. Sessão de 24/07/2014, decisão unânime. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 9 8 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. (Acórdão 3802002.878. Processo nº 13609.000536/200389. Sessão de 23/04/2014, decisão unânime. Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D´Amorim) Consoante os argumentos ante expostos, percebese inócua a discussão sobre a prevalência de uma solução de consulta sobre outra, vez que as respostas aos consulentes têm fundamentos diferentes, umas com base no inciso V, outras no XI, ambos do art. 5º do RIPI/2010. Ainda em relação às soluções de consultas no âmbito da RFB nenhum efeito é produzido e conferido à recorrente pois não foi a consulente. As consultas no âmbito do fisco Estadual tratam do ICMS, matéria estranha à presente lide e, igualmente, não produz qualquer efeito na esfera dos tributos federais. As discussões atinentes à legislação do ISS que confrontam as materialidades do tributo municipal com as do IPI são periféricas e não resolvem a presente lide. Também despiciendos todos os demais argumentos de discussão para considerar tributadas pelo IPI a atividade realizada pela recorrente, pois assentada alhures os fundamentos para a sua exclusão do conceito de industrialização nos termos do art. 5º, inciso XI do RIPI/2010. Conclusão Por fim, se a recorrente não era contribuinte do IPI na operação, certamente, ela não podia se creditar do valor imposto pago na aquisição de insumos utilizados na atividade de recapagem de pneus usados com base no art. 11 da Lei 9.779/99, que se aplica apenas aos estabelecimento industriais ou equiparados que praticam fatos geradores do IPI, o que não era o seu caso. Por essas razões, acertada a decisão do Fisco em cancelar o ressarcimento do valor pago (...). Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10865.720479/201572 Acórdão n.º 3201003.221 S3C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.002714/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/05/2008
DESPACHO ANTECIPADO. ACRÉSCIMO DE MERCADORIA. TRIBUTOS E MULTAS.
No despacho de importação antecipado, o registro da Declaração de Importação (DI) ocorre antes da chegada da mercadoria ao País, de forma que, posteriormente, poderão ser exigidas do importador as diferenças de tributos e multas decorrentes da constatação de acréscimo de mercadoria efetivamente importada em relação ao informado na DI.
A fiscalização relativa ao despacho antecipado não se confunde com aquela decorrente da conferência final do manifesto de carga, procedimento que se destina a apurar eventual falta ou acréscimo de mercadoria descarregada no território aduaneiro em relação ao informado no manifesto de carga, do qual poderá decorrer a exigência dos tributos e multas cabíveis em face do transportador.
INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê a incidência da multa e seu quantum, o que é vedado a este Conselho Administrativo
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Daniel, Relator, Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis e Maysa Pittondo. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ACRÉSCIMO DE MERCADORIA. TRIBUTOS E MULTAS. No despacho de importação antecipado, o registro da Declaração de Importação (DI) ocorre antes da chegada da mercadoria ao País, de forma que, posteriormente, poderão ser exigidas do importador as diferenças de tributos e multas decorrentes da constatação de acréscimo de mercadoria efetivamente importada em relação ao informado na DI. A fiscalização relativa ao despacho antecipado não se confunde com aquela decorrente da conferência final do manifesto de carga, procedimento que se destina a apurar eventual falta ou acréscimo de mercadoria descarregada no território aduaneiro em relação ao informado no manifesto de carga, do qual poderá decorrer a exigência dos tributos e multas cabíveis em face do transportador. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê a incidência da multa e seu quantum, o que é vedado a este Conselho Administrativo Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Daniel, Relator, Diego Ribeiro, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 27 14 /2 00 8- 91 Fl. 283DF CARF MF 2 De Laurentiis e Maysa Pittondo. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 02 a 17) resultante de Ação Fiscal em que se exige o montante de R$ 198.028,71 (cento e noventa e oito mil, vinte e oito reais e setenta e um centavos) na forma e nos termos deste Processo. O crédito tributário constituído em face do sujeito passivo está composto pelos seguintes valores: R$ 68.428,05 de Imposto de Importação (acrescido de multa e juros de mora), R$ 114.600,66 de Multa por Falta de Licença de Importação (LI) e R$ 15.000,00 de Multa Regulamentar. Por bem relatar o feito, reproduzo abaixo trechos do relatório da decisão recorrida: Pelo que consta, a fiscalização foi instaurada visando à verificação do correto recolhimento dos tributos e cumprimento das demais obrigações envolvidas na operação realizada através da DI 08/07499379 para importação de 7.100 toneladas de trigo americano (NCM 1001.90. 90) na modalidade de despacho antecipado. Pelo que se depreende dos autos do processo, referida operação de importação teria ocorrido da seguinte forma: a empresa Moinhos Cruzeiro do Sul S/A, inscrita no CNPJ 88.301.155/002314, registrou a DI 08/07499379 em 21/05/2008 declarando a importação de 7.100 toneladas de trigo americano (NCM 1001.90.90). Após aceitação de pedido de retificação (próprio de despacho antecipado) para informar a data de chegada do navio e outros dados, a DI 08/07499379 foi desembaraçada em 28/05/2008 (fls. 40). Em seguida, 05/06/2008, após o desembaraço, o importador apresentou novo pedido de retificação da mesma DI com instruções, justificativas e cópia de documentos (comprovante de importação, laudo de arqueação e, inclusive, DARF de pagamento das diferenças de PIS e COFINS devidas) em razão do que seu pedido foi analisado, instruído e atendido. E foi dessa retificação que resultou o presente auto de infração, ora combatido. Conforme se verifica no“Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 5 a 11), a fiscalização, no exercício regular de suas atribuições, apurou que as infrações imputadas ao sujeito passivo ocorreram em face dos fatos e motivos a seguir brevemente apresentados. 1) Falta de recolhimento de Imposto de Importação (II). A importação realizada através da Declaração de Importação (DI) 08/07499379 obteve Licença de Fl. 284DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 284 3 Importação (LI) 08/1072075 para importação de 7.100 toneladas de "trigo americano". No pedido de retificação solicitado após o desembaraço, a empresa reconhece e comprova (laudo de arqueação e nota fiscal) a diferença de peso da mercadoria efetivamente importada para 7.668 toneladas, recolhendo espontaneamente os valores de Pis e Cofins (Importação) sobre a diferença apurada de 568 toneladas de "trigo americano". O contribuinte, entretanto, não recolhe a diferença do Imposto de Importação sobre o acréscimo (568 toneladas) da mercadoria estrangeira efetivamente importada e já desembaraçada. A fiscalização informa que o excedente de 568 toneladas importado sem o devido licenciamento, não tendo sido analisado, verificado ou contabilizado pelo órgão anuente (Decex), leva o respectivo excedente para o regime normal de tributação da TEC com alíquota de 10% para o Imposto de Importação. E fez o lançamento do imposto com os acréscimos legais devidos. 2) Importação desamparada de Licença de Importação (LI). A fiscalização informa que o excedente de mercadoria estrangeira (trigo americano) efetivamente desembaraçada pelo contribuinte (conforme item anterior) importa em que referido acréscimo de 568 toneladas teria sido importado sem a devida Licença de Importação (LI). E em razão disso o contribuinte fica sujeito à multa de controle administrativo equivalente a trinta por cento do valor aduaneiro da importação da mercadoria sem o devido licenciamento. A multa está prevista no art. 633, alínea a, inciso II, do DEC 4.543/02, sendo que a diferença apurada equivalente a oito por cento em relação ao peso da mercadoria declarado na DI 08/07499379 não autoriza a tolerância prevista no parágrafo 5° do art. 633 do DEC 4.543/02 que permite ao contribuinte um limite de até cinco por cento sobre a diferença de peso. 3) Diferença de peso em relação ao manifesto (Granel) excedente à margem prevista – Aquaviário. A fiscalização lançou ainda a penalidade prevista na alínea a, do inciso IV, do art. 107 do Decreto 37/66, c/com art. 77 da Lei 10.833/2003, entendendo ser cabível a aplicação de uma multa de R$ 5.000,00 para cada ponto percentual que tenha ultrapassado a margem de cinco por cento já referida. No caso, tendo sido o acréscimo de peso calculado em oito pontos percentuais, verificouse uma diferença de três pontos percentuais acima do limite de cinco por cento, ocasionando, portanto, o lançamento da multa no valor de R$ 15.000,00. O sujeito passivo, por sua vez, devidamente cientificado do auto de infração e dos termos do lançamento, apresentou, inconformado, IMPUGNAÇÃO em sua defesa, alegando, em síntese, o que segue adiante. 4) Que a empresa é pessoa jurídica de direito privado e realizou importações de “trigo americano” a granel equivalente a 26.255,947 toneladas, objeto das Declarações de Importação 08/07499379, 08/08000190, 08/08629284 e 08/0836682, tendo sido a primeira descarregada em São Luís (MA), a segunda em Recife (PE), a terceira e quarta descarregadas em Belém (PA); 5) Que o trabalho fiscal foi realizado por Unidade da Receita Federal incompetente por não ter observado a imposição do art. 590 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2002) que atribui tal competência àquela unidade com jurisdição sobre o último porto de descarga, no caso, Belém (PA); Fl. 285DF CARF MF 4 6) Que o Auto de Infração, tendo sido lavrado sem observância do art. 590 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2002) na medida em que não considerou as descargas efetuadas nos portos de Recife (PE) e Belém (PA), deveria ser declarado nulo e/ou julgado improcedente; 7) Que o total da importação corresponde ao total das licenças relativas às DI´s 08/0749937, 08/08000190, 08/08629284 e 08/08366682; 8) Que a autoridade administrativa não poderia ter realizado a verificação por estabelecimento na medida em que este argumento contraria o disposto no citado art. 590 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2002); 9) Que as multas aplicadas com base nos artigos 633, II, “a”, do Decreto n. 4.543/2002 (30% do valor aduaneiro), e 107, IV, “a”, do DecretoLei n. 37/66 (R$ 15.000,00), e multa prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/96 (75% do valor do imposto), têm caráter confiscatório, o que já foi repugnado pelo STF, não sendo possível em nosso ordenamento jurídico a imposição de três sanções em razão da mesma conduta. A Impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/05/2008 RETIFICAÇÃO DE DI. GRANEL. ACRÉSCIMO DE MERCADORIA. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. FALTA DE LI. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. FILIAL. FATO GERADOR AUTÔNOMO. Na retificação de DI efetuada a pedido do contribuinte para informar acréscimo de mercadoria importada e já desembaraçada são devidos os tributos incidentes na importação sobre a diferença acrescida, especialmente o Imposto de Importação e, sendo o caso, a multa por falta de Licença de Importação.Tributos e contribuições federais que tem como fato gerador operação de comércio exterior, especialmente na nacionalização de mercadoria de origem estrangeira, operase de forma individualizada em cada operação e em nome de cada estabelecimento autônomo da pessoa jurídica. O fato gerador deve ser aferido isoladamente em cada operação e em nome de cada estabelecimento importador, não sendo possível compensação automática do imposto entre vários estabelecimentos filiais da mesma pessoa jurídica. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua impugnação relativamente aos pontos mantidos pela decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Fl. 286DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 285 5 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica do relatório e dos fatos descritos no processo, a Recorrente realizou importações de "trigo americano a granel", registradas sob as DIs nº 08/07499379, 09/08000190, 08/08629284 e 08/08366682, no total de 26.255, 947 Toneladas. A relação entre as DIs, as Licenças de Importação (LIs) e os pesos manifestado e arqueado, bem como o porto de descarregamento foram sumarizadas no quadro constante da decisão recorrida: Aqui, a ação fiscal foi instaurada em decorrência de pedido de retificação formalizado pelo próprio contribuinte, em relação à DI nº 08/07499379, onde o mesmo informa e reconhece a importação de “trigo americano” em quantidade superior (7.668 toneladas) àquela inicialmente registrada em sua Declaração de Importação (7.100 toneladas). Em seguida, é de se frisar que a importação foi feita em viagem única, com a descarga da mercadoria em mais de um porto ao longo do trajeto, o que atrai a aplicação de artigo específico do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto 4543/02): Art. 590. No caso de mercadoria a granel transportada por via marítima, em viagem única, e destinada a mais de um porto no País, a conferência final de manifesto deverá ser realizada na unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o último porto de descarga, CONSIDERANDOSE TODAS AS DESCARGAS EFETUADAS. (grifos nossos) Nessa viagem, a descarga no Porto de São Luís foi apenas a primeira do trigo importado, restando ainda descargas em Recife e em Belém este o último destino onde aí deveria ter sido feita a conferência final de manifesto. Quanto à existência de Licença de Importação para toda a carga importada, a própria DRJ não contesta tal fato, em trecho do acórdão recorrido transcrito abaixo: Considerando as informações contidas no quadro acima, a impugnante informa que obteve licença para importação de 26.255,947 toneladas de trigo americano a granel e efetivamente descarregou a quantidade de 26.299,191 toneladas da mesma mercadoria nos portos de São Luís (MA), Recife (PE) e Belém Fl. 287DF CARF MF 6 (PA), não tendo havido, portanto, mercadoria desacompanhada de licença Mas fundamentou a manutenção da multa com base no princípio da autonomia dos estabelecimentos, por entender que cada descarga em uma filial da importadora deveria ser tratada como uma importação autônoma. Nos termos da decisão recorrida: Assim, pelo que se verifica, embora se trate da mesma pessoa jurídica, os importadores são todos diferentes e, portanto, os contribuintes dos tributos incidentes na importação também são diferentes. Apesar de, para diversos efeitos jurídicos, inclusive tributário, os estabelecimentos filiais de uma determinada empresa serem dotados de autonomia, o RA/2002 traz comando expresso em seu art. 590 para que se confira o manifesto e o atendimento de todos os requisitos legais apenas no último porto de descarga, é dizer, a análise deve se dar de forma global, e não individualizada, por estabelecimento. Tal matéria já foi julgada pela CSRF do 3º Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº SCRF/0304.515, no qual se negou provimento ao Recurso do Procurador da Fazenda Nacional, em acórdão assim ementado: Tratase de caso absolutamente análogo ao presente, razão pela qual tomo de empréstimo as razões esgrimidas pelo relator, Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes: Sobre a matéria que aqui nos é dada a decidir, meu entendimento é conhecido por figurar em inúmeros julgados proferidos pela C. Câmara recorrida e, também, alguns nesta Câmara Superior. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 286 7 De fato, o Voto condutor do Acórdão recorrido retrata um dos Votos deste Conselheiro, que me permito transcrever nesta oportunidade, apenas no que diz respeito à matéria objeto do presente litígio, como segue: " Adentrando ao mérito, o primeiro questionamento a ser solucionado diz respeito à conferência final de manifesto ou seja, se ela deve levar em consideração o resultado isolado de cada porto, como sustentado pelo I. Julgador a quo; ou se deve ser adotado o rateio global da descarga, aí considerados os resultados apurados em todos os portos de destino, abrangendo a totalidade manifestada no navio, como defendido pela Recorrente. Em meu entender a razão está com a Suplicante, neste particular. Do ponto de vista legal, argumenta o I. Julgador singular que é inaplicável ao caso as disposições do art. 477 do R.A., em razão da sua não regulamentação. Ocorre que tal regulamentação é encontrada no texto da Instrução Normativa SRF n° 95/84, que assim estabelece : '1. As multas, de qualquer natureza, previstas na legislação de regência, imponiveis por falta ou acréscimo de mercadorias importadas só serão aplicadas, no caso de importação a granel feita por mais de um importador, para um mesmo ou mais de um porto de descarga, depois de feita a apuração global de toda a quantidade descarregada pelo navio, no Pais." Por outro lado, não se tem notícia de qualquer determinação legal que ampare a fundamentação do I. Julgador a quo, no sentido de que" "...a regra que vale é a da conferência porto a porto". Tanto é assim que o mesmo Julgador singular sequer mencionou qual seria essa regra. Ainda que não houvesse amparo na legislação de regência para a apuração do rateio global e final da descarga, o bom senso e a lógica Imporiam tal providência. E aqui vai um pouco da experiência deste relator que durante muitos anos (cerca de 28) trabalhou na então maior empresa de navegação de longo curso da América Latina, a extinta Cia. de Navegação Lloyd Brasileiro. Com efeito, para quem milita no ramo não é desconhecido que os porões de um navio graneleiro podem transportar mercadoria do mesmo tipo para um ou mais importadores e para um ou vários portos. Dependendo do tipo e condições dos aparelhos de descarga, tais como sugadores, grabs, etc., e também dos procedimentos de mensuração adotados em cada porto (Arqueação, Ullage, Pesagem, etc.) é comum acontecer que alguns importadores venham a receber maior ou menor quantidade da mercadoria do que outros. Isto sempre considerando o mesmo tipo e qualidade do produto importado. Tal fato acontece tanto em um único porto quanto em vários, quando a mesma mercadoria, do mesmo navio, é destinada a importadores em portos diversos. Por isso mesmo é pratica comum no mercado que os importadores, em tais situações, façam, entre si, um acerto final após a apuração do rateio final e global das descargas. Fl. 289DF CARF MF 8 E o Fisco não pode estar alheio e à margem dessa prática, que já ocorre a várias décadas. Vale dizer, inclusive, que a matéria não é nova neste Conselho, existindo inúmeros julgados a esse respeito, como passo a demonstrar pelas citações seguintes, dentre diversos outros da mesma espécie: 1' Câmara — 22/09/81 — Acórdão n° 22.421 "Falta e acréscimo de mercadoria importada (granel). Exclusão das exigências sobre a falta, que deixou de existir quando compensadas as quantidades descarregadas nos diversos portos, da mesma mercadoria para o mesmo importador. Enquadramento da multa...." 1' Câmara — 23/08/88 — Acórdão n° 30125.814 "Conferência final de manifesto. Há que se levar em consideração os resultados das descargas, fazendose o confronto entre o total manifestado e o total descarregado do navio na mesma viagem. Falta total dentro do limite ..." 3' Câmara — 16/021982 — Acórdão 21.875 "Falta de mercadoria a granel. Compensação admitida para reduzir o imposto." 2º Câmara — 20/09/84 — Acórdão 30230.069 "CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO: falta de mercadoria importada, transportada a granel e destinada a diversos importadores. Admitida, de acordo com entendimento já firmado no âmbito deste Conselho, a compensação com "acréscimo" do mesmo produto, verificado na descarga em outro porto de escala, na mesma viagem do respectivo navio, descaracterizandose, assim, a responsabilidade inicialmente imputada ao transportador." 2º Câmara — 29/03/84 — Acórdão 30229.828 "Extravio de mercadoria transportada a granel. Admissível a compensação da quantidade extraviada, por ocasião da descarga num porto, com a acrescida na descarga em outro porto, desde que na mesma viagem do veiculo transportador." 2' Câmara — 21/02/84 — Acórdão 30229.828 "Extravio de mercadoria transportada a granel: multa ... Na respectiva apuração, devem ser considerados os totais manifestados e as descargas do mesmo produto, na mesma viagem, ainda que destinado a outro importador ou a outros portos de escala..." Câmara Superior de Recursos Fiscais — 29/06/1983 —Acórdão CSRF/031.087 "Conferência final de manifesto. Falta de mercadoria transportada a granel. Verificada a ocorrência de acréscimo do mesmo produto, na descarga em outro porto, relativamente à mesma viagem do veiculo transportador, admitese a compensação da falta com o acréscimo apurado." Destaco, ainda, entendimento idêntico manifestado pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Santos, estampado na Decisão n° 537/84, de 24/12/84, no julgamento do processo fiscal n° 10845 007358/8430, cuja ementa diz o seguinte: "Em Conferência Final de Manifesto, o acréscimo compensa e anula a falta quando se refere a um mesmo produto." Fl. 290DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 287 9 Acrescento que a conferência final de manifesto deve sempre levar em consideração as quantidades manifestadas para todos os portos de escala da embarcação transportadora, em relação às mercadorias transportadas a granel, para um ou diversos consignatários distintos, comparandose as respectivas quantidades com os resultados das descargas em todos os respectivos portos. Apurado o resultado da descarga global (rateio final), confrontandose com o total manifestado na embarcação, encontrase o efetivo resultado da conferência final dos manifestos, resultante em falta ou acréscimo da mercadoria, sujeitando o seu responsável à exigência tributária e/ou aplicação de penalidade, com observância dos limites de tolerância fixados pelos órgãos competentes, em especial a Instrução Normativa SRF n°012, de 1976. Como restou comprovado nestes autos, definido no Acórdão atacado, os documentos acostados comprovam que a falta denunciada no Auto de Infração, sob o regime de apuração global, situouse abaixo do limite de 5% do total manifestado, na verdade inferior a 1% (um por cento), do total declarado para a embarcação transportadora envolvida, estando, assim, dentro dos limites de tolerância fixados na legislação de regência. Retomando, o argumento de que se tratam de importadores autônomos não procede, conforme planilha elaborada pelo próprio fiscal: Como se vê, as empresas são todas filiais da Recorrente, como se depreende dos próprios CNPJs.. Feita a apuração de forma global, se verifica uma diferença ínfima entre o peso manifestado e o peso arqueado, inferior a 5%, o que implica a aplicação do art. 633, §5º, I do RA/2002, verbis: art. 633. § 5o Não constituem infrações, para os efeitos deste artigo (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, § 7o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): Fl. 291DF CARF MF 10 I a diferença, para mais ou para menos, por embarque, não superior a dez por cento quanto ao preço, e a cinco por cento quanto à quantidade ou ao peso, desde que não ocorram concomitantemente; Assim sendo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 292DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 288 11 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento, ousei divergir do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual exponho abaixo minhas razões de decidir. A conferência final do manifesto destinase a apurar eventual falta ou acréscimo de mercadoria efetivamente descarregada no território aduaneiro em relação às quantidades ou aos volumes informados no manifesto de carga. Na hipótese da constatação, na conferência final do manifesto de carga, de extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador os tributos e multas cabíveis. 1 No caso in concreto o lançamento foi formalizado para exigência de tributos e multas em face do próprio importador, e não do transportador, como seria se fosse decorrente do procedimento de conferência final do manifesto de carga. Ademais, aqui se trata de despacho antecipado, no qual o despacho é iniciado, com o registro da Declaração de Importação (DI), antes da chegada da mercadoria ao País, de forma que, posteriormente, podem ser exigidas, em face do importador, as diferenças de tributos e eventuais multas relativas ao acréscimo constatado pela fiscalização de mercadoria importada em relação ao informado na DI. Assim, o presente lançamento nada tem a ver com o procedimento de conferência final do manifesto de carga, sendo inaplicável o art. 590 do Regulamento 1 Regulamento Aduaneiro 2002: Art. 51. O manifesto será submetido à conferência final para apuração da responsabilidade por eventuais diferenças quanto a extravio ou a acréscimo de mercadoria (Decretolei no 37, de 1966, art. 39, § 1o). Art. 589. A conferência final do manifesto de carga destinase a constatar extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decretolei no 37, de 1966, art. 39, § 1o). Art. 590. No caso de mercadoria a granel transportada por via marítima, em viagem única, e destinada a mais de um porto no País, a conferência final de manifesto deverá ser realizada na unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o último porto de descarga, considerandose todas as descargas efetuadas. Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): I substituição de mercadoria após o embarque; II extravio de mercadoria em volume descarregado com indício de violação; III avaria visível por fora do volume descarregado; IV divergência, para menos, de peso ou dimensão do volume em relação ao declarado no manifesto, no conhecimento de carga ou em documento de efeito equivalente, ou ainda, se for o caso, aos documentos que instruíram o despacho para trânsito aduaneiro; V extravio ou avaria fraudulenta constatada na descarga; e VI extravio, constatado na descarga, de volume ou de mercadoria a granel, manifestados. Parágrafo único. Constatado, na conferência final do manifesto de carga, extravio ou acréscimo de volume ou de mercadoria, inclusive a granel, serão exigidos do transportador: I no extravio, o imposto de importação e a multa referida na alínea "d" do inciso III do art. 628; e II no acréscimo, a multa referida na alínea "a" do inciso III do art. 646. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 293DF CARF MF 12 Aduaneiro/2002, que dispõe acerca da realização desse procedimento em relação à transportadora, globalmente, por uma única repartição fiscal, segundo regulamentação da Receita Federal, quando a mercadoria a granel for transportada em viagem marítima única e destinada a mais de um porto no País. Além disso, conforme apurado pelo julgador de primeira instância em relação ao argumento da então impugnante no sentido de que não teria havido mercadoria desacompanhada de licença de importação, as importações realizadas em outros Portos foram efetuadas por outros importadores (outros contribuintes do II), embora relativamente à mesma pessoa jurídica, conforme constou no voto condutor da decisão recorrida: (...) Considerando as informações contidas no quadro acima, a impugnante informa que obteve licença para importação de 26.255,947 toneladas de trigo americano a granel e efetivamente descarregou a quantidade de 26.299,191 toneladas da mesma mercadoria nos portos de São Luís (MA), Recife (PE) e Belém (PA), não tendo havido, portanto, mercadoria desacompanhada de licença. Entretanto, no quadro acima a impugnante não informa em nome de quem foram obtidas cada umas das licenças referidas e efetivamente realizadas cada uma das importações registradas nas respectivas Declarações de Importação. Os importadores, embora sejam outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, e, inclusive, os transportadores informados nas outras Declarações de Importação (e respectivas Licenças de Importação) são diferentes do importador e do transportador registrados na DI 08/07499379. Assim, a despeito do quadro anterior trazido pela impugnante, apresentamos, para maior clareza, outro quadro em que pode verificar as diferenças aqui constatadas em relação ao importador e transportador. Abaixo. Assim, pelo que se verifica, embora se trate da mesma pessoa jurídica, os importadores são todos diferentes e, portanto, os contribuintes dos tributos incidentes na importação também são diferentes. E, inclusive, embora a embarcação que tenha transportado a mercadoria seja a mesma (MV Rays), até mesmo o transportador (H Dantas Ltda – Brasil) responsável pelo transporte da mercadoria de que trata a DI 08/07499379, objeto deste processo, também é diferente do transportador (Holman Shipping Inc – EUA) informado nas demais Declarações de Importação referidas pelo contribuinte. Diante disso, efetivamente, não se vislumbra qualquer possibilidade nem se cogita ser cabível a aplicação do art. 590 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2002) neste caso. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 289 13 (...) Não há, pois, uma regra geral prédefinida que imponha a todos os tributos um mesmo e único regime de tributação, seja centralizada ou individualizada. No caso dos tributos incidentes no comércio exterior, objeto deste processo, reiteramos que a incidência dos tributos ocorre de forma ainda mais específica do que a tributação individualizada no sentido de que referidos tributos incidirão em cada operação específica promovida por cada estabelecimento da pessoa jurídica. Em outras palavras é dizer que no caso dos tributos incidentes no comércio exterior, além de ser individualizada em cada estabelecimento, a tributação é ainda mais individualizada porque incide separadamente em cada operação. Não existe, portanto, tributação centralizada no comércio exterior, menos ainda para o Imposto de Importação, eis que cada estabelecimento realiza suas operações de forma autônoma e os tributos devem ser apurados e pagos de forma individualizada em cada operação. (...) Dessa forma, como a incidência dos impostos na importação se dá por estabelecimento que realiza importação e também por operação no recinto alfandegado onde são realizados os procedimentos de ingresso no País, não se cogita de aceitar a compensação de mercadorias entre diferentes Portos e diferentes importadores proposta pela recorrente (excedente de mercadoria num porto e falta no outro). Nesse contexto, não se deve também olvidar que é expressamente vedada a compensação tributária no que concerne aos débitos relativos aos tributos devidos no registro da Declaração de Importação (art. 74, §3º, II da Lei nº 9.430/96). Na hipótese dos autos, na fiscalização do despacho antecipado objeto da DI nº 08/07499379, apurouse um acréscimo de mercadorias de 568 toneladas em relação ao informado inicialmente na declaração de importação, do que a recorrente nem discorda, no que resultou a exigência do Imposto de Importação e multa de ofício decorrente do não reconhecimento da redução desse imposto relativamente ao excedente, que não constou na Licença de Importação (LI) e, portanto, não se submeteu à análise de quotas do DECEX, ficando sujeito ao regime normal de tributação à alíquota de 10%, conforme restou claro no auto de infração: (...) 001 FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Em operação de fiscalização autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 03276002008000762, com código de acesso ao MPF n° 936075, para verificação do correto recolhimento dos tributos envolvidos na operação de importação, entre eles o Imposto de Importação II, e cumprimento das demais obrigações legais, foi constatado a falta de pagamento do II relacionado ao acréscimo de mercadoria apurada através de Laudo de Arqueação emitido por arqueador credenciado pela Alfândega da Receita Federal de São Luis. HISTÓRICO A Moinhos Cruzeiro do Sul S.A., empresa inscrita no CNPJ 88.301.155/002314, declarou importar 7.100,00 toneladas de Fl. 295DF CARF MF 14 trigo americano, classificado na NCM 1001.90.90, através da DI 08/07499379, registrada em 21/05/2008, na modalidade de Despacho Antecipado (fls. 17 a 25). (...) O embarque da mercadoria ocorreu no porto de Beaumont, Texas, Estados Unidos, e foi documentado através de Conhecimento de Embarque (Bill of Lading; emitido em 08/05/2008, que amparou a importação de 7.100 toneladas de trigo americano a granel (fls. 22 e 50). O peso da mercadoria importada, tanto na LI 08/10720750 quanto na DI 08/07499379, foi declarado no valor de 7.100.000,00 kg (7.100,00 toneladas). No pedido de retificação solicitado após o término do despacho de importação (fls. 36 a 37), a empresa reconhece a diferença a maior encontrada entre o peso da mercadoria amparado pela DI e o peso apurado através da arqueação (7.668 toneladas), apresentando a discriminação do valor aduaneiro da diferença apurada de 568 toneladas, acompanhada de dados relativos As diferenças calculadas para os pagamentos da COFINS e do PIS, acrescidos de multa e juros de mora, seus respectivos DARFs comprovando os pagamentos e cópia da nota fiscal de entrada da mercadoria na empresa n° 228787, emitida em 02/06/2008 (fls. 38 a 44). O desembaraço da mercadoria estrangeira em quantidade superior à consignada na DI (acréscimo de 568 toneladas), contudo, enseja também a exigência do pagamento do Imposto de Importação sobre a diferença encontrada, pois a redução tarifária a que fez jus a mercadoria amparada pela LI 08/10720750 e pela DI 08/07499379 estava consignada a uma quota de importação estabelecida pela Resolução CAMEX n°28, de 13 de maio de 2008, com análise e contabilização pelo DECEX, caso a caso, das importações pleiteadas (fls. 47) sendo, portanto, reconhecida a redução do II apenas para o peso declarado na LI e na DI. Conforme colocado acima, o excedente de 568 toneladas apurado foi importado sem o devido licenciamento, não sendo analisado, verificado ou contabilizado pelo DECEX, o que, como conseqüência, leva esse excedente para o regime normal de tributação da TEC, com aliquota de 10% para o II (fls. 48). Refazendose os cálculos do Imposto de Importação devido para a quantidade de 568 toneladas de trigo, temse: Valor Tributável R$ 382.002,23 Imposto Devido (10,00 %) R$ 38.200,22 (...) Ademais, em face desse excedente de mercadoria apurado foi também legitimamente exigida a multa pela falta de Licença de Importação, no percentual previsto em lei, conforme também constou na autuação: (...) Conforme colocado acima, o excedente de 568 toneladas apurado foi importado sem o devido licenciamento, aplicando se, portanto, multa de trinta por cento sobre o valor aduaneiro pela importação de mercadoria sem licença de importação conforme demonstrado abaixo: Valor Aduaneiro R$ 382.002,23 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 18336.002714/200891 Acórdão n.º 3402004.762 S3C4T2 Fl. 290 15 Multa Devida (30,00 t) R$ 114.600,66 (....) Quanto à alegação de que os percentuais das multas seriam confiscatórios, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê a incidência da multa e seu quantum, o que é vedado a este Conselho Administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, o que consta, inclusive, na Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, pelo acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720427/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
Uma vez demonstrado pelo contribuinte que houve recolhimento de COFINS a maior na competência de maio de 2003, seja em razão da adoção de alíquotas superiores à aplicável à hipótese (gasolina automotiva, GLP e óleo diesel, querosene iluminante e querosene médio), seja em razão da adoção de valor inferior da CIDE a ser deduzida da COFINS, há de ser reconhecido o direito crédito tributário objeto do pedido de compensação, homologando-o no limite do direito creditório reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: por maioria de votos, em admitir os documentos acostados aos autos após o Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e José Henrique Mauri, que entenderam pela perempção; e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para fins de determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido, com base nos seguintes parâmetros: (i) para reconhecer o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0%; b) do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; c) do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29%, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico; d) do querosene de aviação, tributada à alíquota de 5,8%, as receitas relacionadas ao querosene iluminante (código 640) e ao querosene médio (código 64G), tributando estes itens à alíquota de 3,0%; (ii) para reconhecer que o valor da CIDE a ser considerado como dedução da COFINS do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Uma vez demonstrado pelo contribuinte que houve recolhimento de COFINS a maior na competência de maio de 2003, seja em razão da adoção de alíquotas superiores à aplicável à hipótese (gasolina automotiva, GLP e óleo diesel, querosene iluminante e querosene médio), seja em razão da adoção de valor inferior da CIDE a ser deduzida da COFINS, há de ser reconhecido o direito crédito tributário objeto do pedido de compensação, homologando-o no limite do direito creditório reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Uma vez demonstrado pelo contribuinte que houve recolhimento de COFINS a maior na competência de maio de 2003, seja em razão da adoção de alíquotas superiores à aplicável à hipótese (gasolina automotiva, GLP e óleo diesel, querosene iluminante e querosene médio), seja em razão da adoção de valor inferior da CIDE a ser deduzida da COFINS, há de ser reconhecido o direito crédito tributário objeto do pedido de compensação, homologandoo no limite do direito creditório reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: por maioria de votos, em admitir os documentos acostados aos autos após o Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e José Henrique Mauri, que entenderam pela perempção; e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para fins de determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido, com base nos seguintes parâmetros: (i) para reconhecer o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0%; b) do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; c) do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29%, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico; d) do querosene de aviação, tributada à alíquota de 5,8%, as receitas relacionadas ao querosene iluminante (código 640) e ao querosene médio (código 64G), tributando estes itens à alíquota de 3,0%; (ii) para reconhecer que o valor da CIDE a ser considerado como dedução da COFINS do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 27 /2 00 7- 94 Fl. 2782DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.783 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da Resolução de fls. 391 e seguintes dos autos: Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de Cofins, vencido em 15/09/2005, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 05/09, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição referente à competência de maio de 2003, recolhida em 13/06/2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito tributário declarado sob o argumento de inexistência do alegado pagamento a maior que gerou o indébito declarado, como crédito financeiro, na Dcomp em discussão, conforme Relatório de Diligência Fiscal às fls. 63/70 e Parecer/Despacho Decisório às fls. 72/79. Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 90/105), insistindo na homologação da compensação do débito tributário declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) No que tange à gasolina, não foram consideradas as deduções do produto 623 (gasolina de aviação), tributada à alíquota de 3% (art. 4º, incisos I c/c IV da Lei 9.718/98); b) No que tange ao Diesel, não foi deduzido o valor relativo à revenda REPAR de monofásico da REFAP (o tributo foi pago pela REFAP e só incide uma vez) – doc 3; c) No que tange ao GLP, não foi deduzido o valor relativo ao propano/butano; d) No que tange ao Querosene de Aviação, não foi deduzido o valor relativo a exportações; e) Não há desconformidade com relação aos demais produtos – alíquota de incidência de 3%; f) A variação cambial positiva é, na realidade, ajuste de valor contabilizado anteriormente, não representando aumento do patrimônio ou ingresso de novas receitas, razão pela qual não poderia ser tributada pela Cofins; g) O procedimento adotado na apuração da Cofins encontra respaldo na própria Lei nº 9. 8718/98, no inciso II do § 2º do artigo 3º e no § 1º do art. 3º; h) A doutrina é uníssona no que tange à impossibilidade de se tributar a variação cambial. Também a jurisprudência administrativa se manifesta nesse sentido; Fl. 2784DF CARF MF 4 i) O STJ apresenta diversos julgados que reforçam o entendimento do contribuinte, o que não foge do entendimento dos Tribunais Regionais Federais; j) O acréscimo dos valores relativos a variações cambiais terceiros – venda e variações cambiais controladora decorrem de exportação, em relação a qual há imunidade. Há entendimento consolidado pelas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ; k) O STF já se manifestou sobre esse tema ao considerar no RE 357950/RS a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 que ampliou o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita. O referido precedente, nos termos do que dispõe o art. 26A, § 6º, I do Decreto 70.2335/72, deve ser observado de modo a que se afaste da base de cálculo da Cofins a receita oriunda de variação cambial; l) Apresenta planilha demonstrando o crédito apurado; m) O Fisco retificou o valor da CIDE com base na DIPJ, o que não procede, pois esta não permite retificação e não apresenta o valor mais atualizado, o que é veiculado pela última DCTF retificadora, enviada em 19/05/2005, bem como demonstrado na planilha em anexo; n) Do valor da Cofins devida deve ser abatido o valor referente a CIDEcombustíveis, além do pagamento feito via Per/Dcomp (doc. 5) e os valores recolhidos em DARF o que nos leva a concluir que o crédito de Cofins equivale a RR 5.913.406,22.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente em parte, fazendo apenas um ajuste em “Outras Receitas”, excluindo destas os valores incluídos de ofício pela Fiscalização, mantendose apenas nesta rubrica os valores declarados pela recorrente. Contudo, manteve a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 1333.446, datado de 17/02/2011, às fls. 161/172, sob as seguintes ementas: “IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. GLP. O regime especial de tributação concentrada incidente na comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) alcança também a receita de venda de propano e butano desde a edição da Lei 9.990/2000, que de nova redação ao art. 4º, III, da Lei nº 9.718/1998. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72. Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.784 5 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se refira fato ou a direito superveniente ou destine a contrapor fato ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (177/191), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, erro no preenchimento da DCTF e que os documentos, ora anexados, notas fiscais de venda de gasolina de aviação (623), no valor de R$10.372.820,00; notas fiscais de venda do produto 614 (propeno), erroneamente chamado propano e butano, no valor de R$71.014.266,67; e, notas fiscais de venda, em regime monofásico, de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, comprovam tais operações e sua tributação pela Cofins sob o regime normal, ou seja, à alíquota de 3,0%, e, portanto, devem ser excluídas da base de calculo tributada a alíquotas diferenciadas. Alegou, ainda, erro no valor da CIDE deduzida; foi deduzido o valor de R$644.523.611,17, quando o correto é valor de R$658.383.478,17, conforme consta da DCTF retificadora 30.41.80.25.51, transmitida em 19/05/2005, e planilha juntada a este recurso. Levandose em conta essas operações, resulta indébito (pagamento a maior), para o mês de maio de 2003, no valor de R$5.913.406,22, suficiente para homologar a compensação do débito declarado na Dcomp em discussão. Em sessão de julgamento realizada em 18 de julho de 2012, o Relator João Adão Vitorino de Morais apresentou voto no sentido de parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para reconhecer o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0 %; b) da do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; e, c) da do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29 %, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar novo valor para a Cofins, para a competência de maio de 2003, e, conseqüentemente, o indébito tributário decorrente da tributação, ora determinada para aquelas receitas, ou seja, de gasolina de aviação e de propeno, e, ainda, homologar a compensação do débito fiscal declarado na Dcomp em discussão até o limite do crédito financeiro apurado, acrescido de juros compensatórios, à taxa Selic, exigindose o saldo devedor não extinto pela homologação. Quanto ao alegado erro no valor da CIDE deduzida da Cofins, em que a contribuinte alega que o valor correto seria de R$ 658.383.478,17 ao invés de R$ 644.523.611,77, entendeu o Relator por rejeitar a retificação apresentada pelo contribuinte, visto que a Secretaria da Receita Federal não disporia de documentos hábeis (notas fiscais, livro de registro de saídas de mercadorias, contas de resultado do Razão) que lhe permitissem comprovar o alegado erro na apuração da CIDE. A Conselheira Andréa Darzé, então, discordou do Relator, tendo apresentado voto com o seguinte teor: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega, dentre outras matérias de defesa, que teria ocorrido um erro na apuração do valor da CIDE Fl. 2786DF CARF MF 6 a ser deduzida da COFINS, pois, no seu entender, o valor correto seria de R$ 658.383.478,17, nos termos da DCTF retificadora transmitida antes da DCOMP, e não de R$ 644.523.611,77, considerados pela DRF. A autoridade julgadora de primeira instância, todavia, não aceitou a retificação do valor da CIDE sob o fundamento de que o valor deduzido foi apurado pela própria recorrente por meio da planilha às fls. 39. E que, embora tenha apresentado nova planilha com o valor indicado na DCTF retificadora, não justificou o erro alegado. Ocorre que, diferentemente do defendido pela autoridade julgadora, ambos os valores relativos à CIDE R$ 644.523.611,77 e R$ 658.383.478,17 resultaram de planilhas apresentadas pelo próprio contribuinte, as quais, ressaltese, refletem os valores constituídos em DCTF e DCTF retificadora, respectivamente. A circunstância de a contribuinte ter se equivocado e apresentado primeiramente à fiscalização planilha que reflete o valor da DCTF original e, percebendo seu equívoco, apresentado posteriormente nova planilha, agora sim, refletindo o valor da DCTF retificadora não é suficiente para não analisar a DCTF retificadora e, como conseqüência, a apuração da CIDE que o contribuinte entende correta. Tecidos estes comentários, resta evidente que a documentação trazida pela Recorrente deveria ter sido analisada. Neste contexto, verificando a existência nos autos de indícios de que efetivamente ocorreu um erro na apuração do valor da CIDE a ser deduzida da COFINS, o que possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se está correto o valor indicado pela Recorrente como valor da CIDE a ser deduzida da COFINS na DCTf retificadora (R$ 658.383.478,17). Acordaram, então, os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Conselheira Andréa Darzé, tendo ficado vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo da Costa Possas. Ato contínuo, os autos seguiram para realização da diligência solicitada, tendo retornado com a seguinte conclusão (vide relatório de diligência às fls. 425/426 dos autos): Em face de todo o exposto informase que o contribuinte logrou comprovar que valor da CIDE a ser considerado como dedução da Cofins do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17, como indicado na DCTF retificadora. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do caso após o retorno de diligência. Em sessão de julgamento realizada em 29/08/2017, apresentei voto através do qual dava provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos seguintes termos: Conforme acima relatado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário através do qual pretende que seja reconhecido o seu direito a ter homologada a compensação Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.785 7 do débito fiscal declarado. Alega, em síntese, que teria havido erro no preenchimento da DCTF e que os documentos anexados, notas fiscais de venda de gasolina de aviação (623), no valor de R$10.372.820,00; notas fiscais de venda do produto 614 (propeno), erroneamente chamado propano e butano, no valor de R$71.014.266,67; e, notas fiscais de venda, em regime monofásico, de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, comprovariam tais operações e sua tributação pela Cofins sob o regime normal, ou seja, à alíquota de 3,0%, pelo que deveriam ser excluídas da base de calculo tributada a alíquotas diferenciadas. Alegou, ainda, que teria havido erro no valor da CIDE deduzida; visto que fora deduzido o valor de R$644.523.611,17, quando o correto seria a dedução de R$658.383.478,17, conforme consta da DCTF retificadora transmitida em 19/05/2005, e planilha juntada as seu recurso. Defendeu, por fim, que, levandose em conta tais operações, resultaria indébito (pagamento a maior), para o mês de maio de 2003, no valor de R$5.913.406,22, suficiente para homologar a compensação do débito declarado na Dcomp em discussão. A presente demanda foi trazida inicialmente a julgamento em 18/07/2012, oportunidade na qual o então Relator apresentou seu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0 %; b) do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; e, c) do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29 %, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico. De outro norte, em seu voto apresentado, negava provimento ao referido recurso no que tange à retificação da DCTF relativa à CIDE deduzida, entendendo que o contribuinte não teria se desincumbido do seu ônus de comprovar a certeza e liquidez do seu crédito. Ocorre que a maioria da Turma entendeu por determinar a realização de diligência para fins de apurar se os valores indicados na DCTF retificadora estavam corretos, o que restou confirmado pela fiscalização, conforme relatório de diligência de fls. 425/426 dos autos. Sendo assim, por concordar com a parte do voto vencido apresentado pelo então Relator no que tange à parte que dava provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, adotoa como razão de decidir: A questão de mérito se restringe à comprovação de erro no valor da contribuição da Cofins apurada e declarada para o mês de maio de 2003 e no valor da CIDE deduzida desta contribuição. Em seu recurso voluntário, a recorrente alega que as receitas decorrentes de vendas de: a) gasolina de aviação, no valor R$10.372.820,00; b) de propeno (código 614), no valor de R$71.014.266,67; e, c) de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, foram incluídas, de forma indevida, na base de cálculo da Cofins sujeita à tributação diferenciada, quando, segundo a legislação desta contribuição, a gasolina de aviação e o propeno estão sujeitas à alíquota normal de 3,0 % e o óleo diesel, no presente caso, à tributação monofásica; e, ainda, a erro no valor da CIDE dedução, naquele mês, cujo valor inicialmente declarado foi de R$644.523.611,17, quando o correto seria o valor de R$658.383.478,17. A autoridade julgadora de primeira instância não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão única e Fl. 2788DF CARF MF 8 exclusivamente sob o argumento de que a recorrente não provou as vendas daqueles produtos. Para comprovar os alegados erros, a recorrente carreou aos autos, nesta fase recursal, a documentação às fls. 258/386. Do seu exame, verificase que as cópias das notas fiscais às fls. 258/268 comprovam as operações de vendas de gasolina de aviação, no valor de R$9.961.143,40; as cópias das notas fiscais às fls. 269/379 comprovam a venda de propeno, no valor R$71.014.266,67; e as cópias das notas fiscais às fls. 380/385 a venda de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67. Segundo o disposto na Lei nº 9.718, de 27/11/1998, arts. 2º e 3º, a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal correspondente à receita operacional bruta. Já em seu art. 8º, elevou a sua alíquota de cálculo para o percentual de três por cento. Esta mesma lei estabeleceu tributação diferenciada para receitas decorrentes de algumas operações econômicas, dentre elas as de gasolina automotiva e gás liquefeito de petróleo, assim dispondo: “Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo – GLP. Art. 6º O disposto no art. 4º desta Lei aplicase, também, aos demais produtores e importadores dos produtos ali referidos.” Já IN SRF nº 247, de 22/11/2002, assim dispôs: “Art. 53. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins fixadas para refinarias de petróleo, demais produtores e importadores de combustíveis são, respectivamente, de: I – 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) e 12,45% (doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – 2,23% (dois inteiros e vinte e três centésimos por cento) e 10,29% (dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – 2,56% (dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento) e 11,84% (onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento), Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.786 9 quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo; (...); V – 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente das demais atividades. (...). Parágrafo único. O gás liquefeito de petróleo de que trata o inciso III abrange os códigos 2711.12.10, 2711.12.90, 2711.13.00, 2711.14.00, 2711.19.10 e 2711.19.90 da Tipi.” Segundo estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas de gasolina de aviação estão sujeitas à tributação pelo regime geral, à alíquota de 3,0 %. Já os gases liquefeitos de petróleo estão sujeitos à tributação diferenciada. Contudo, o parágrafo único do art. 53 da IN 247/2002, citado e transcrito acima limitou a abrangência dos gases liquefeitos de petróleo aos códigos nele elencados e, dentre eles, não foi elencado o gás propeno, código 2901.22.00, principal matéria prima de produção de plásticos, e não para combustível como os demais. Já óleo diesel foi submetido ao regime monofásico, à alíquota de 10,29%. Assim, assiste razão à recorrente, devendo ser excluídas as receitas de gasolina de aviação, de propeno e de óleo diesel, regime monofásico, nos valores de R$9.961.143,40; R$71.014.266,67; e R$3.872.814,67, respectivamente, das receitas totais da gasolina automotiva, do GLP, e do óleo diesel, tributando os dois primeiros valores pela alíquota de 3,0%, regime geral, e não tributando o último valor. De outro giro, quanto à alegação do contribuinte de que teria havido erro na CIDE deduzida da COFINS, o Relator havia entendido, naquela oportunidade, por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, por entender que não estaria comprovado nos autos que os valores corretos seriam os constantes da DCTF retificadora apresentada. Verificase, contudo, que esta questão restou superada pela diligência determinada pela maioria da turma. Consoante restou confirmado pela fiscalização no relatório de diligência apresentado, o contribuinte logrou comprovar que o valor da CIDE a ser considerado como dedução da COFINS do mês de maio de 2003 é R$ 658.383.478,17, conforme indicado em sua DCTF retificadora, e não R$ 644.523.611,77, que havia sido considerado pela DRF conforme DCTF original apresentada pelo contribuinte. Para que não reste qualquer dúvida quanto ao aqui exposto, transcrevese novamente a conclusão constante do referido relatório de diligência: Em face de todo o exposto informase que o contribuinte logrou comprovar que valor da CIDE a ser considerado como dedução da Cofins do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17, como indicado na DCTF retificadora. Nesse contexto, diante da confirmação realizada pela fiscalização, verificase que restou superado o argumento de ausência de comprovação do alegado, pelo que há de ser reconhecido o direito do contribuinte à dedução da CIDE no importe de R$ 658.383.478,17. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de determinar a Fl. 2790DF CARF MF 10 homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido, com base nos seguintes parâmetros: (i) reconhecido o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0%; b) do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; e, c) do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29%, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico; (ii) reconhecido que o valor da CIDE a ser considerado como dedução da COFINS do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17. Ou seja, todos os argumentos apresentados pelo contribuinte restaram acolhidos. Apesar disso, o provimento dado é parcial visto que não há, neste momento, como se confirmar que os valores após o recálculo a ser realizado de fato é suficiente para homologar integralmente a compensação apresentada. Caberá, portanto, à autoridade administrativa competente, quando da execução do presente julgado, apurar novo valor da Cofins para a competência de maio de 2003, levando em consideração o indébito tributário decorrente da tributação relativa às receitas descritas nos itens a), b) e c) acima, bem como levando em consideração, para fins de dedução do montante devido, o valor da CIDE constante da DCTF retificadora, homologando a compensação do débito fiscal declarado na Dcomp em discussão até o limite do crédito financeiro apurado. Ocorre que, em sustentação oral realizada na referida sessão de julgamento, o patrono do contribuinte ressaltou que havia um ponto relevante que precisaria ser enfrentado relativo ao querosene de aviação, cuja análise seria imprescindível à identificação do crédito tributário aqui analisado. Embora tenha reconhecido que este ponto não fora combatido expressamente no Recurso Voluntário interposto, destacou que esta matéria havia sido objeto da manifestação de inconformidade apresentada. Diante desse novo elemento apresentado, a Conselheira Liziane Angelotti Meira solicitou vistas do processo, para melhor análise. Em seguida, o contribuinte protocolizou petição em 21/09/2017 através da qual apresentou planilhas e documentação que suportaria a comprovação do seu direito à adoção da alíquota de 3,0% ao invés da alíquota de 5,8% no que concerne ao querosene iluminante (código 640) e ao querosene médio (código 64G), mantendose a alíquota de 5,8% apenas para o querosene de aviação (código 641). É o relatório. Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.787 11 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Questão preliminar Conforme acima relatado, o contribuinte trouxe em sessão de julgamento realizada em 29/08/2017 um fundamento novo relativo à base de cálculo levantada pela fiscalização no que concerne ao querosene de aviação, fundamento este que, por uma falha, não teria constado expressamente do Recurso Voluntário interposto pelo mesmo. Ressaltou, contudo, que o querosene de aviação fora objeto da manifestação de inconformidade apresentada nestes autos. Em razão das vistas solicitadas pela Conselheira Liziane Angelotti Meira, tive a oportunidade de analisar de forma mais detida este pleito apresentado pelo contribuinte. Constatei então que, quando da manifestação de inconformidade protocolizada nos presentes autos, embora tenha questionado os valores levantados pela fiscalização no que concerne ao querosene de aviação, fêlo o contribuinte com fundamento distinto do apresentado em sua petição protocolizada em 21/09/2017 nos presentes autos. É o que se extrai da passagem a seguir, extraída da fl. 91 dos autos: d) no que tange ao Querosene de Aviação código 641: não foi acrescentada nas deduções o valor de R$ 196.456,06 (cento e noventa e seis mil, quatrocentos e cinqüenta e seis reais e seis centavos) relativo a exportações, o que impactou a base de cálculo da COFINS, devida pela alíquota de 5,8%, (art. 2 o da Lei Federal n.°. 10560/03) na mesma proporção, gerando, ao fim, um valor de R$ 15.317.078,49 (quinze milhões, trezentos e dezessete mil, setenta e oito reais e quarenta e nove centavos) a título de COFINS querosene. E, sobre este tema, assim se manifestou a DRJ: Querosene de Aviação Exportações: Quanto à base de cálculo apurada em relação à venda de querosene de aviação, o contribuinte alega que não teria sido deduzida a receita de exportação, no valor de R$ 196.456,06. Não procede, contudo, o alegado. No demonstrativo da base de cálculo dos produtos sujeitos à tributação concentrada, elaborado pela autoridade fiscal que realizou a diligência (fls. 68), observase que, de fato, não consta a exclusão em questão, e que os valores ali considerados correspondem ao que foi informado pelo contribuinte em sua DIPJ (fl. 24). No entanto, quando da análise da Declaração de Compensação no Parecer Conclusivo, a base de cálculo do referido produto foi retificada, adequandoa às informações do contribuinte na planilha de fl. 40, o que contempla a exclusão pleiteada, conforme se verifica no demonstrativo anexo ao Parecer em fl. 75. Fl. 2792DF CARF MF 12 Ou seja, tratou o contribuinte apenas do querosene sob o código 641, nada tendo disposto acerca do querosene iluminante (código 640), ou mesmo do querosene médio (código 64G). Apesar disso, trago à presente turma, em atenção ao princípio da verdade material, proposta de admissão da análise da argumentação/documentação trazida pelo contribuinte aos presentes autos, ainda que apresentada posteriormente à interposição do seu Recurso Voluntário. Isso porque, verificase que o contribuinte, embora não tenha apontado essa falha específica da fiscalização no que concerne ao levantamento do crédito tributário em relevo, combateu a matéria em sua integralidade ao requerer a procedência da sua manifestação de inconformidade para fins de declarar legítima a compensação efetuada, procedendose com a devida homologação da mesma. Nesse sentido, entendo que, para fins de se identificar se possui o contribuinte o crédito aqui analisado, tornase importante perquirir se, além dos elementos já apreciados na esfera administrativa com base em fundamentos trazidos pelo contribuinte de forma expressa em sua manifestação de inconformidade, se equivocou a fiscalização no cálculo da contribuição devida no período ao adotar alíquota equivocada para o caso do querosene iluminante e para o querosene médio. Isso porque, como é cediço, a legislação impõe a aplicação da alíquota de 5,8% especificamente para o querosene de aviação, adotando tratamento diversos aos "demais querosenes", sujeito à regra geral de 3,0%. É o que se extrai da Instrução Normativa n. 247 de 21 de novembro de 2002, a seguir transcrita: Art. 53. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins fixadas para refinarias de petróleo, demais produtores e importadores de combustíveis são, respectivamente, de: I 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) e 12,45% (doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II 2,23% (dois inteiros e vinte e três centésimos por cento) e 10,29% (dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III 2,56% (dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento) e 11,84% (onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gás liqüefeito de petróleo; IV 1,25% (um inteiro e vinte e cinco centésimos por cento) e 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação efetuada a partir de 10 de dezembro de 2002; e V 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) ou 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para o PIS/Pasep, conforme o caso, e 3% (três por cento) para a Cofins, quando se tratar de receita bruta decorrente das demais atividades, ressalvadas as receitas sujeitas ao regime de substituição, à alíquotas diferenciadas ou à incidência única. (...) Art. 76. A pessoa jurídica sujeita à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.336, de 28 de dezembro de 2001, Cide Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.788 13 combustíveis, poderá deduzir do valor da Cide paga, até o limite estabelecido no art. 8º da referida Lei, observado o disposto no art. 2º do Decreto nº 4.066, de 27 de dezembro de 2001, o valor do PIS/Pasep e da Cofins devidos em relação à receita da comercialização, no mercado interno, dos seguintes produtos: I gasolinas; II diesel; III querosene de aviação; IV demais querosenes; Sendo assim, considerando que a constatação da incorreção de determinados valores identificados pela fiscalização decorre de expressa previsão legal, bem como em atenção ao princípio da verdade material, entendo que deverá ser admitida a argumentação/documentação trazida pelo contribuinte aos autos para fins de comprovar o seu direito creditório. Ultrapassada essa questão preliminar, passo, então, à análise do mérito da presente contenda. Do mérito. Conforme acima relatado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário através do qual pretende que seja reconhecido o seu direito a ter homologada a compensação do débito fiscal declarado. Alega, em síntese, que teria havido erro no preenchimento da DCTF e que os documentos anexados, notas fiscais de venda de gasolina de aviação (623), no valor de R$10.372.820,00; notas fiscais de venda do produto 614 (propeno), erroneamente chamado propano e butano, no valor de R$71.014.266,67; e, notas fiscais de venda, em regime monofásico, de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, comprovariam tais operações e sua tributação pela Cofins sob o regime normal, ou seja, à alíquota de 3,0%, pelo que deveriam ser excluídas da base de calculo tributada a alíquotas diferenciadas. Alegou, ainda, que teria havido erro no valor da CIDE deduzida; visto que fora deduzido o valor de R$644.523.611,17, quando o correto seria a dedução de R$658.383.478,17, conforme consta da DCTF retificadora transmitida em 19/05/2005, e planilha juntada as seu recurso. Defendeu, por fim, que, levando se em conta tais operações, resultaria indébito (pagamento a maior), para o mês de maio de 2003, no valor de R$5.913.406,22, suficiente para homologar a compensação do débito declarado na Dcomp em discussão. A presente demanda foi trazida inicialmente a julgamento em 18/07/2012, oportunidade na qual o então Relator apresentou seu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de reconhecer o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0 %; b) do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; e, c) do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29 %, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico. De outro norte, em seu voto apresentado, negava provimento ao referido recurso no que tange à retificação da DCTF relativa à CIDE deduzida, entendendo que o contribuinte não teria se desincumbido do seu ônus de comprovar a certeza e liquidez do seu Fl. 2794DF CARF MF 14 crédito. Ocorre que a maioria da Turma entendeu por determinar a realização de diligência para fins de apurar se os valores indicados na DCTF retificadora estavam corretos, o que restou confirmado pela fiscalização, conforme relatório de diligência de fls. 425/426 dos autos. Sendo assim, por concordar com a parte do voto vencido apresentado pelo então Relator no que tange à parte que dava provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, adotoa como razão de decidir: A questão de mérito se restringe à comprovação de erro no valor da contribuição da Cofins apurada e declarada para o mês de maio de 2003 e no valor da CIDE deduzida desta contribuição. Em seu recurso voluntário, a recorrente alega que as receitas decorrentes de vendas de: a) gasolina de aviação, no valor R$10.372.820,00; b) de propeno (código 614), no valor de R$71.014.266,67; e, c) de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67, foram incluídas, de forma indevida, na base de cálculo da Cofins sujeita à tributação diferenciada, quando, segundo a legislação desta contribuição, a gasolina de aviação e o propeno estão sujeitas à alíquota normal de 3,0 % e o óleo diesel, no presente caso, à tributação monofásica; e, ainda, a erro no valor da CIDE dedução, naquele mês, cujo valor inicialmente declarado foi de R$644.523.611,17, quando o correto seria o valor de R$658.383.478,17. A autoridade julgadora de primeira instância não reconheceu a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão única e exclusivamente sob o argumento de que a recorrente não provou as vendas daqueles produtos. Para comprovar os alegados erros, a recorrente carreou aos autos, nesta fase recursal, a documentação às fls. 258/386. Do seu exame, verificase que as cópias das notas fiscais às fls. 258/268 comprovam as operações de vendas de gasolina de aviação, no valor de R$9.961.143,40; as cópias das notas fiscais às fls. 269/379 comprovam a venda de propeno, no valor R$71.014.266,67; e as cópias das notas fiscais às fls. 380/385 a venda de óleo diesel, no valor de R$3.872.814,67. Segundo o disposto na Lei nº 9.718, de 27/11/1998, arts. 2º e 3º, a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal correspondente à receita operacional bruta. Já em seu art. 8º, elevou a sua alíquota de cálculo para o percentual de três por cento. Esta mesma lei estabeleceu tributação diferenciada para receitas decorrentes de algumas operações econômicas, dentre elas as de gasolina automotiva e gás liquefeito de petróleo, assim dispondo: “Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – dois inteiros e sete décimos por cento e doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – dois inteiros e vinte e três centésimos por cento e dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.789 15 III – dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo – GLP. Art. 6º O disposto no art. 4º desta Lei aplicase, também, aos demais produtores e importadores dos produtos ali referidos.” Já IN SRF nº 247, de 22/11/2002, assim dispôs: “Art. 53. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins fixadas para refinarias de petróleo, demais produtores e importadores de combustíveis são, respectivamente, de: I – 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) e 12,45% (doze inteiros e quarenta e cinco centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto gasolina de aviação; II – 2,23% (dois inteiros e vinte e três centésimos por cento) e 10,29% (dez inteiros e vinte e nove centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III – 2,56% (dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento) e 11,84% (onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo; (...); V – 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), quando se tratar de receita bruta decorrente das demais atividades. (...). Parágrafo único. O gás liquefeito de petróleo de que trata o inciso III abrange os códigos 2711.12.10, 2711.12.90, 2711.13.00, 2711.14.00, 2711.19.10 e 2711.19.90 da Tipi.” Segundo estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas de gasolina de aviação estão sujeitas à tributação pelo regime geral, à alíquota de 3,0 %. Já os gases liquefeitos de petróleo estão sujeitos à tributação diferenciada. Contudo, o parágrafo único do art. 53 da IN 247/2002, citado e transcrito acima limitou a abrangência dos gases liquefeitos de petróleo aos códigos nele elencados e, dentre eles, não foi elencado o gás propeno, código 2901.22.00, principal matéria prima de produção de plásticos, e não para combustível como os demais. Já óleo diesel foi submetido ao regime monofásico, à alíquota de 10,29%. Assim, assiste razão à recorrente, devendo ser excluídas as receitas de gasolina de aviação, de propeno e de óleo diesel, regime monofásico, nos valores de R$9.961.143,40; R$71.014.266,67; e R$3.872.814,67, respectivamente, das receitas totais da gasolina automotiva, do GLP, e do óleo diesel, tributando os dois primeiros valores pela alíquota de 3,0%, regime geral, e não tributando o último valor. De outro giro, quanto à alegação do contribuinte de que teria havido erro na CIDE deduzida da COFINS, o Relator havia entendido, naquela oportunidade, por negar Fl. 2796DF CARF MF 16 provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, por entender que não estaria comprovado nos autos que os valores corretos seriam os constantes da DCTF retificadora apresentada. Verificase, contudo, que esta questão restou superada pela diligência determinada pela maioria da turma. Consoante restou confirmado pela fiscalização no relatório de diligência apresentado, o contribuinte logrou comprovar que o valor da CIDE a ser considerado como dedução da COFINS do mês de maio de 2003 é R$ 658.383.478,17, conforme indicado em sua DCTF retificadora, e não R$ 644.523.611,77, que havia sido considerado pela DRF conforme DCTF original apresentada pelo contribuinte. Para que não reste qualquer dúvida quanto ao aqui exposto, transcrevese novamente a conclusão constante do referido relatório de diligência: Em face de todo o exposto informase que o contribuinte logrou comprovar que valor da CIDE a ser considerado como dedução da Cofins do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17, como indicado na DCTF retificadora. Nesse contexto, diante da confirmação realizada pela fiscalização, verificase que restou superado o argumento de ausência de comprovação do alegado, pelo que há de ser reconhecido o direito do contribuinte à dedução da CIDE no importe de R$ 658.383.478,17. Por fim, argumentou ainda o contribuinte que deveria ter sido adotada a alíquota de 3,0% ao invés da alíquota de 5,8% no que concerne ao querosene iluminante (código 640) e ao querosene médio (código 64G), mantendose a alíquota de 5,8% apenas para o querosene de aviação (código 641). Conforme restou analisado no tópico anterior, entendo que assiste razão ao contribuinte quanto a tal ponto, visto que a legislação impõe a aplicação da alíquota de 5,8% especificamente para o querosene de aviação, adotando tratamento diversos aos "demais querosenes", sujeito à regra geral de 3,0% (vide teor da Instrução Normativa n. 247 de 21 de novembro de 2002, acima transcrita). Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido, com base nos seguintes parâmetros: (i) reconhecido o direito de a recorrente excluir do total das receitas: a) da gasolina automativa, tributada à alíquota de 12,45%, as receitas de gasolina de aviação, no valor R$9.961.143,40, tributando este valor pela alíquota de 3,0%; b) do GLP, tributado à alíquota de 11,84 %, as receitas de propeno, no valor de R$71.014.266,67, tributando este valor à alíquota de 3,0 %; e, c) do óleo diesel, tributado à alíquota de 10,29%, excluindo este valor de qualquer tributação por ter sido tributado no regime monofásico; d) do querosene de aviação, tributada à alíquota de 5,8%, o querosene iluminante (código 640) e o querosene médio (código 64G), tributando estes itens à alíquota de 3,0%; (ii) reconhecido que o valor da CIDE a ser considerado como dedução da COFINS do mês de maio de 2003 é de R$ 658.383.478,17. Ou seja, todos os argumentos apresentados pelo contribuinte restaram acolhidos. Apesar disso, o provimento dado é parcial visto que não há, neste momento, como se confirmar que os valores após o recálculo a ser realizado de fato é suficiente para homologar integralmente a compensação apresentada. Caberá, portanto, à autoridade administrativa competente, quando da execução do presente julgado, apurar novo valor da Cofins para a competência de maio de 2003, levando em consideração o indébito tributário decorrente da tributação relativa às receitas descritas nos itens a), b), c) e d) acima, bem como levando em consideração, para fins de dedução do montante devido, o valor da CIDE constante da DCTF retificadora, Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 10768.720427/200794 Acórdão n.º 3301004.045 S3C3T1 Fl. 2.790 17 homologando a compensação do débito fiscal declarado na Dcomp em discussão até o limite do crédito financeiro apurado. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 2798DF CARF MF
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