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Numero do processo: 10845.002030/97-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF nº 29.266, advogado do sujeito passivo.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Relatório
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Júlio César Soares, OAB/DF nº 29.266, advogado do sujeito passivo. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls.175 a 176): Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/82), aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23 de dezembro de 1982, consoante capitulação legal consignada às fl. 04, foi lavrado o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .0 02 03 0/ 97 -1 4 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10845.002030/9714 Resolução nº 3101000.359 S3C1T1 Fl. 4 2 auto de infração para exigir R$ 35.187,50 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e de juros de mora. Consoante a descrição dos fatos de fl. 3, houve a falta de lançamento do IPI incidente sobre a saída de produtos da posição 1701 da TIPI, tributados à alíquota de 18%, concernente ao período de 01/11/94 a 20/12/96, ao amparo de medidas liminares obtidas em mandados de segurança. Os montantes devidos foram constituídos com a exigibilidade suspensa e sem a inflição da multa de oficio. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 51/66, a seguir sumariada: a) Em preliminar, argüiu não poder ser admitida a autuação porque o procedimento da contribuinte estava amparado por autorização judicial, justamente para afastar a aplicação de penalidades pela falta de destaque e de recolhimento do imposto; que o auto de infração caracteriza desobediência à ordem judicial e ao CTN, art. 151, IV, e deve ser cancelado; e que bastaria que a Fazenda verificasse a exatidão dos valores sub júdice e, para evitar a decadência, notificasse a contribuinte do respectivo montante. b) Ainda que fosse admitida a lavratura do auto de infração, jamais poderiam ser imputados juros de mora, devendo ser aplicada a regra da multa moratória existente no art. 63, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, e nesse sentido há pronunciamento do Segundo Conselho de Contribuintes, com a exclusão da multa punitiva e dos juros de mora em face do citado art. 63; c) Que a atitude da impugnante de não proceder ao destaque do IPI nas operações em questão é absolutamente regular, face à não incidência do imposto nas operações de que se trata, fazendo alusão ao principio da seletividade inserto na Constituição Federal, art. 153, § 3°, I, como uma limitação constitucional ao poder de tributar, para combater a incidência do IPI sobre açúcares como o açúcar refinado amorfo, tendo em vista a essencialidade do produto e por este compor a chamada "cesta básica"; do contrário, seria uma flagrante violação à cláusula constitucional, já que até os alimentos para animais apresentam alíquota inferior àquela prevista para o açúcar; d) Que a instituição do IPI sobre o açúcar para viabilizar a equalização dos custos de produção do açúcar nas diversas regiões do pais é um desvio de finalidade, sendo que a recomposição de custos deve ser viabilizada por contribuição de intervenção, e tal circunstância fulmina a exigência de inconstitucionalidade; e) Que a violação do principio constitucional da isonomia, com uma discriminação de tratamento fiscal entre contribuintes situados em uma mesma região; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10845.002030/9714 Resolução nº 3101000.359 S3C1T1 Fl. 5 3 f) Que o Decreto n°420, de 13 de janeiro de 1992, caracterizase por uma ausência de motivação na alteração da alíquota de IPI de zero para 18%, pois não vincula suas disposições a nenhum elemento fático (econômico ou jurídico), e nessa linha traz ementa de acórdão do E. TRF da 3a Região; g) Ainda que se admitisse a legitimidade da incidência do IPI, os açúcares comercializados no período autuado foram exclusivamente aqueles do tipo cristal com grau de polarização superior a 99,5%, que de acordo com a TIPI/88, classificavamse no código 7101.99.9900, alíquota de 0%; nesse sentido está amparada em consulta formulada à Receita Federal. Por fim, protestou pela produção de provas, por todos os meios admitidos em Direito, principalmente documental e pericial; indicando perito e formulando quesitos para a realização de exame pericial. Pediu, ainda, que seja anulado o lançamento por contrariar ordens judiciais ou que seja cancelado, no mérito, por manifesta improcedência, e que, mesmo que seja mantida a exigência, devem ser excluídos os juros de mora. Posteriormente, em 21/07/2008, a contribuinte apresentou o documento de fls. 111/162, para comprovar que comercializou unicamente açúcares do tipo cristal especial, sujeitos à alíquota de 0%. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. O Acórdão 1428.921 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/11/1994 a 20/12/1996 NULIDADE. Não é nulo o auto de infração lavrado no intuito de prevenir a decadência. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO OBRIGATÓRIO. A concessão de medida liminar em mandado de segurança, em vigor época do lançamento de oficio, implica a suspensão da respectiva exigência tributária, sendo a formalização da peça impositiva, obrigatória sob pena de responsabilidade funcional, para estancar a fluência do prazo decadencial, elaborada sem a inflição da multa de oficio. PEDIDO DE PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10845.002030/9714 Resolução nº 3101000.359 S3C1T1 Fl. 6 4 NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário. IPI. ONUS DA PROVA. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. São exigíveis os juros de mora em lançamento com a exigibilidade suspensa, exceto na hipótese de depósito do montante integral. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão de primeira instância administrativa, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde repisa o argumento já trazido em sua Impugnação quanto a não incidência do IPI sobre o açúcar. Alega (a) à aplicação de alíquota zero, tendo em vista tratarse de açúcar com grau de polarização superior a 99,5º, com base em solução de consulta formulada acerca da matéria fática; (b) não incidência do IPI no período de 06/07/1995 a 31/12/1996, por força da aplicação da IN nº 67/98. O processo foi distribuído a esse conselheiro relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – relator. O recurso voluntário versa sobre a incidência do IPI sobre a saída de açúcar. É fato amplamente demonstrado nos autos, que a Recorrente impetrou ações judiciais (processos 94.00077564, 95.00297680 e 96.00110018) para buscar guarida ao seu alegado direito de não recolhimento do IPI nas saídas de açúcar. O objeto do Auto de Infração lavrado referese à saída de produtos da posição 1701 da TIPI relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre o primeiro decêndio de novembro de 1994 e o segundo decêndio de dezembro de 1996, conforme Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, lavrado com exigibilidade suspensa em respeito as liminares concedidas em Mandados de Segurança. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10845.002030/9714 Resolução nº 3101000.359 S3C1T1 Fl. 7 5 A Recorrente alegou em sua impugnação e novamente em seu Recurso Voluntário uma questão fática que não foi objeto das ações judiciais: a aplicação de alíquota “zero” nas saídas do açúcar comercializado no período autuado, visto que tratavamse exclusivamente de açúcar do tipo cristal com grau de polarização superior a 99,5º, classificado no código 7101.99.9900 da TIPI.. Portanto, no presente caso, há matéria distinta da constante do processo judicial a ser apreciada no presente processo administrativo fiscal. Segundo os termos da Resolução n° 2.190/86 do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (DOU de 06/03/86), o açúcar cristal classificase em quatro tipos, de acordo com o seu grau de polarização de sacarose: standard (99,3º), superior (99,5º), especial (99,7º) ou especial extra (99,8%). Os açúcares cristal superior, especial e especial extra, por possuírem grau de polarização superior a 99,5º, classificamse na subposição 1701.99.9900 da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 97.410/88. Apenas o açúcar cristal do tipo standard classificase na subposição 1701.11.0100, por conter "uma porcentagem de sacarose que corresponda a uma leitura no polímero inferior a 99,5º", conforme Nota de Subposições n° 1 do Capitulo 17 da TIPI. Os produtos comercializados pela Recorrente foram classificados na subposição 1701.11.0100, conforme consta das notas fiscais juntadas no recurso em apreciação (fls.286 a 359), e descritos como “CRISTALÇUCAR”. A relação das Notas Fiscais emitidas no período de 01/01/1994 a 31/12/1996 com a saída do produto encontrase às fls. 122 a 135 do presente processo. A Recorrente alega a aplicação dos termos da Solução de Consulta Decisão DISIT/SRRRF/8RF nº 307, de 10/09/2007, no processo de consulta nº 10880.015006/9728, cuja ementa abaixo reproduzimos: CÓDIGO TIPI: 1701.99.00 Assunto: Classificação Fiscal de Mercadorias Mercadoria: Açúcar Cristal do tipo Especial Extra, marca Copersucar, com teor; em peso, de sacarose, no estado seco, não inferior a 99,5º, denominado comercialmente "Cristalsucar Açúcar Cristal, Peneirado" Dispositivos legais: RGIs 1ª e 6ª (textos da posição 1701, da subposição 1701.99), ambas da TIPI Decreto n° 2.092 196, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Decreto n°435/92). A referida Solução de Consulta expressamente adotou para o produto objeto da análise, denominado comercialmente "Cristalsucar Açúcar Cristal, Peneirado" o código 1701.99.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092/96 (DOU de 11/12/96), esclarecendo, ainda, que na vigência da TIPI aprovada pelo Decreto n° 97.410/88, o produto tinha a sua classificação correta no código 1701.99.9900. Ainda que a Solução de Consulta decida apenas em relação à situação fática objeto da amostra apreciada, para aplicar suas conclusões em outras situações fáticas, devemos levar em conta que se trata de um produto registrado e de marca conhecida, conforme documentos apresentados pela Recorrente: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10845.002030/9714 Resolução nº 3101000.359 S3C1T1 Fl. 8 6 (i) Registro nº 12.532, de 01/02/1968 (fls.145), junto ao Laboratório Central de Controle de Drogas, Medicamentos e Alimentos do Ministério da Saúde, relativo ao produto “Açúcar Cristal Superior Peneirado”, marca “CRISTALÇUCAR”; (ii) Formulário de Petição, Dizeres de Rotulagem, descrição do produto e do processo industrial, cópia do Diário Oficial de 22/09/1983, com o registro concedido na Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (fls. 137 a 142), para o produto açúcar cristal superior peneirado marca “Cristalçucar”, registrado sob o nº 5.4556.0001.0015; (iii) Cópia do Diário Oficial de 29/08/1994, com a Portaria nº 093 da Secretaria de Vigilância Sanitária, do registro do produto açúcar cristal superior peneirado, marca Cristalçucar (fls. 143 a 144); (iv) Parecer do Centro de Ciências da Saúda da Universidade Federal de Rio de Janeiro (fls.154 a 164), que concluiu que “o açúcar Cristalçúcar tem como base o açúcar cristal especial, na classificação determinada pelo Instituto do Açúcar e do Álcool, com polarização minima de 99,7ºS, cor maxima 230 U,I., cinzas condutimétricas máximas 0,07% e umidade maxima 0,10% complementado por outros parâmetros considerados importantes pelo segmento industrial e consumidores finais como: cor aparente, resíduo insolúvel, pontos pretos e outros.” Os referidos registros referemse a açúcar cristal superior peneirado, marca Cristalçucar, coincidindo com a descrição do produto objeto da referida Solução de Consulta, que concluiu tratarse de açúcar de cana cristal, com polarização superior a 99,5º, denominado comercialmente "Cristalsucar Açúcar Cristal, Peneirado", classificado no código 1701.99.00 e, na vigência da TIPI/88, no código 1701.99.9900. Portanto, em se tratando do mesmo produto, açúcar cristal superior peneirado, comercialmente denominado Cristalçucar, a classificação fiscal a ser adotada deve ser aquela determinada na Solução de Consulta Decisão DISIT/SRRRF/8RF nº 307, de 10/09/2007, ou seja, no código 1701.99.00 e, na vigência da TIPI/88, no código 1701.99.9900. Como as notas fiscais emitidas pela recorrente anexadas aos presentes autos referemse ao produto CRISTALÇUCAR, mas classificados na subposição 1701.11.0100, e elas não são exaustivas, mas apenas demonstrativas das operações realizadas, tornase necessário baixar os autos em diligência para apreciação dos fatos e identificação dos produtos objeto das saídas. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à unidade de origem, para a adoção das seguintes providências: (i) Relacione todas as saídas efetuadas pela Recorrente no período de 01/01/1994 a 31/12/1996, e que foram objeto do presente lançamento, indicando o número da nota fiscal de saída, o CFOP, a data de saída, a descrição do produto, a classificação fiscal adotada, o valor da operação e o valor do IPI destacado; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10845.002030/9714 Resolução nº 3101000.359 S3C1T1 Fl. 9 7 (ii) Confronte as informações levantadas com aquelas apresentadas pelo contribuinte às fls. 122 a 135 do presente processo, destacando eventuais divergências; (iii) Apresentar demonstrativos diferentes para cada produto e marca comercializada. Após a conclusão da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte, abrindo lhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 28 de maio de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 362DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000163/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE -
Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO
Nos termos do artigo 12, inciso I, letra a, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO CONFIGURADO
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 2301-004.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nesta questão. Declarações de impedimento: ADRIANO GONZALES SILVERIO
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO Nos termos do artigo 12, inciso I, letra “a”, da Lei 8.212/91, são segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 63 /2 00 8- 66 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nesta questão. Declarações de impedimento: ADRIANO GONZALES SILVERIO Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 748 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 09/12/2008, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal (fls. 06), no período de 01/2003 a 10/2007, a empresa não escriturou, em contas contábeis próprias para a demonstração dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, as remunerações atribuídas a diversas pessoas físicas, seguradas obrigatórias da Previdência Social, por serviços prestados nas qualidades de empregados (sem registros e remunerados através de pessoas jurídicas interpostas) e contribuintes individuais (sócios remunerados através de empresas interpostas e autônomos remunerados por intermédio de cartões de premiações). A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1631.671, da 12a Turma da DRJ/SPI (fls 231), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Inicialmente, reitera que o art. 92, da Lei 8.212/91 traça diretrizes genéricas, e o tipo infracional é, em verdade, descrito pelo RPS, especificamente em seu art. 283, além de a sanção estar prevista em mera Portaria Interministerial, e não em lei, o que contraria o direito penal, configurando flagrante violação ao princípio da legalidade.. Alega nulidade do AI por falta de elemento probatório fundamental, argumentando que não há nos autos qualquer elemento que demonstre a presença de vínculos empregatícios e societários que implicariam a necessidade de registro contábil das supostas remunerações, o que caracteriza evidente cerceamento do direito de defesa da recorrente. Traz julgado do antigo CC para reforçar suas alegações e acrescenta que a falta de juntada de prova primária aos autos reforça a ocorrência de cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, defendendo que é dever da Administração dar publicidade do motivo do ato, independentemente se o administrado possui uma via em seu poder, e discorrendo sobre os elementos que dão validade ao atonorma administrativo, citando a doutrina e concluindo que, não disponibilizar ao contribuinte os meios de prova implica nulidade do atonorma, por vício de motivo. Sustenta que a não juntada aos autos das provas primárias ou essenciais da ocorrência do ilícito impossibilita determinar se realmente ocorreram os fatos narrados pelos fiscais como supostas ilicitudes, frisando que em nada socorre a fiscalização meras menções a documentos não constantes dos autos mas supostamente em poder da recorrente, uma vez que é Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 obrigação legal a juntada aos autos dos elementos que comprovem a ocorrência dos fatos geradores e não é obrigação do contribuinte refazer o trabalho fiscal. Lista os demais autos lavrados contra a recorrente na ação fiscal, informando que apresentou impugnações e recursos voluntários contra cada um deles, que, segundo entende, demonstraram a total invalidade das exigências fiscais, lembrando que as decisões administrativas a serem tomadas nos Autos de Infração mencionados constituem questões prejudiciais, que influenciarão na decisão final deste caso concreto. Observa que os lançamentos relativos aos fatos geradores cujo suposto não registro correto na contabilidade ensejou a lavratura do presente AI estão ainda sendo questionados em âmbito administrativo, sem decisão final, sendo certo que o desenrolar dos demais casos apontados produzirão efeitos diretos no caso sub examine. Entende que este CARF deve reformar a decisão recorrida, que está mantendo cobrança de multa por um fato não comprovado e não definitivamente julgado e, conseqüentemente, anular a multa em tela, ao menos até que restem definitivamente julgados os lançamentos a título de principal, que, se não restarem confirmados, acarretarão necessariamente o cancelamento da imposição da multa em tela. Se reporta à absolvição, na esfera penal, em 17/02/2011, de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como sócios ocultos da recorrente, o que, segundo entende, resulta na total improcedência dos AIs que tratam dessa questão,bem como do caso sub examine, tendo em vista demonstrar o completo equívoco nas conclusões arbitrárias que foram formalizadas naqueles caso e, como sabido, influenciam diretamente na aplicação da multa do caso ora combatido. Argumenta que, se o Juízo Criminal entendeu que as provas não são suficientes para incriminar essas pessoas, supostamente vinculadas à recorrente na qualidade de sócias ocultas, menos ainda as pretensas provas podem ser utilizadas para atribuição de responsabilidade tributária, sendo a aplicação da decisão penal aos processos administrativos fiscais ora tratados, de forma a desconstituir o quanto alegado pela fiscalização, é imperiosa. Ressalta que esses fatos comprovam que os Autos de Infração foram lavrados com base em meras suposições e inferências, sem individualização de condutas, sem provas para todos os períodos autuados, com utilização de alguns casos e provas como exemplo para outros casos não comprovados etc. Conclui que, diante desse fato superveniente, deve este Conselho determinar a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do AI em questão e, caso assim este Conselho não entenda, requer o cancelamento da multa indevidamente cobrada no presente caso em razão do suposto vínculo societário e diretivo relacionado ao Sr Helio Benetti Pedreira que, conforme exposto, foi inocentado no processo criminal, logrando comprovar não possuir qualquer relação jurídica e comercial com a recorrente. Faz uma análise das autuações lavradas, trazendo os argumentos que, segundo entende, demonstram a improcedência das autuações vinculadas ao caso em questão, e que já foram expostos em sede de impugnação e também abordados nos recursos interpostos contra as decisões proferidas pela DRJ nos respectivos casos. Reitera que, em que pese parte dos lançamentos em comento terem sido efetuados com base nos valores das notas fiscais de prestação de serviços contratados pela recorrente, as quais, segundo a fiscalização, seriam, na verdade, remuneração paga aos sócios, Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 749 5 e embora tenham tais notas tenham sido mencionadas e indicadas em planilha, elas não foram juntadas aos autos, o que caracteriza evidente cerceamento de defesa. Insiste no entendimento de que as supostas provas trazidas aos autos não poderão prevalecer, pois possuem finalidade exclusivamente penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei e reafirma a impossibilidade de utilização de prova emprestada. Pondera que, muito embora alguns documentos apreendidos sejam de natureza comercial ou fiscal, portanto passíveis de exame pelo Fisco, nos termos do art. 195, do CTN, os documentos que realmente fundamentam a autuação em questão são aqueles obtidos com o único objetivo de instruir ação criminal e, sendo assim, jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal, pois tal conduta viola o art. 5o, da CF. Observa que as regras jurídicas a respeito da interceptação telefônica e de fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática estão previstas na Lei 9.296/96, e argumenta que não há como utilizar provas penais sem assegurar à defesa os critérios garantidores do processo penal. Frisa que as referidas provas dizem respeito, exclusivamente, aos elementos trazidos pela fiscalização para concluir pela eventual simulação de existência de pessoas jurídicas prestadoras de serviços à recorrente, pois não há nos autos qualquer documento que demonstre a efetiva ocorrência de pagamentos das notas fiscais de serviços aos prestadores, bem como os pagamentos dos supostos empregados não registrados. Destaca que a fiscalização preferiu juntar aos autos apenas elementos emprestados de processo criminal e que nada provam acerca da materialidade das contribuições previdenciárias lançadas, deixando, assim, de provar a ocorrência dos fatos geradores, para, em seu lugar, buscar comprovar tão somente a alegada existência de prestadores de serviços que supostamente se utilizaram de empresas interpostas, e a existência de empregados não registrados a serviço da Recorrente. Sustenta que, mesmo havendo autorização judicial para emprestar provas, não poderia a fiscalização basear o lançamento apenas em tais elementos, e traz parecer encomendado pela recorrente a Professores Titulares da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo para tentar demonstrar a ausência de motivação e a ilegalidade no processo de obtenção dos meios probatórios, ressaltando que a referida autorização é somente para se ter acesso, e não para servir de meios de prova para outros fins que não os criminais. Reitera que as referidas provas não poderiam ser utilizadas para fundamentar o lançamento ora discutido, pois são documentos extracontábeis, apócrifos, relativos a apenas parte dos períodos autuados, ou mesmo sem data, não assinados, incompletos ou em forma de “minuta para discussão”, e que seria inviável à fiscalização concluir, com base em documentos fiscais sem natureza societária qualquer, pela existência de vínculos empregatícios ou sócios ocultos. Repete que não se pode admitir que documentos supostamente do ano de 2006 sejam base para aferição indireta de contribuições dos anos de 2003, 2004 ou 2005, não cabendo, à fiscalização, chegar a uma conclusão sem que haja provas concretas sobre os fatos, vinculando informações vagas e incertas a períodos desconhecidos para concluir que houve a ocorrência do fato gerador. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Observa que não houve comprovação da efetividade dos pagamentos supostamente feitos às pessoas físicas em decorrência da relação de emprego, frisando que o pagamento, que é o fato gerador das contribuições exigidas, não foi comprovado, não cabendo à fiscalização chegar a uma conclusão sem que haja provas concretas sobre o fato. Assevera que a fiscalização comete ilegalidade ao exigir da recorrente contribuições e multas sobre um fato jurídico presumido e não provado, entendendo ser necessária a comprovação, por meios diretos e não indiretos, da alegada existência de vínculo de emprego, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, sendo que as supostas evidências descritas no relatório fiscal nada provam contra a recorrente, principalmente no sentido de evidenciarse relação societária e diretiva. Afirma que, no caso presente, a fiscalização não obedeceu as regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, inaugurando procedimento criado a seu bel prazer e, portanto, sem previsão legal, que foi o de considerar como base de cálculo as notas fiscais de prestação de serviços e, em outros, planilhas eletrônicas reputadas como se folhas de pagamento fossem, imaginando existir suposto vínculo societário ou empregatício. Ressalta que não houve aferição indireta, mas apenas mera presunção, sem previsão legal, a partir de elementos que nada podem provar quanto à existência do vínculo entre a recorrente e as pessoas físicas por meio de interposição de pessoa jurídica ou de supostas remunerações efetuadas. Quanto ao argumento da DRJ de que seria descabida a verificação física dos segurados em serviço na empresa para confronto com seus registros fiscais, questiona se a diligência não se presta para verificação de fatos ocorridos nos períodos de 2003 a 2007, o que dizer de documentos genéricos, não datados, fundamentarem uma autuação relativa a período anterior Discorre sobre a verdade material e cita a doutrina para argumentar que, para que a fiscalização pudesse lavrar algum auto de infração em face da recorrente, deveria ter comprovado plenamente, por meios seguros e irrefutáveis, a alegada existência de empregados e sócios ocultos remunerados por intermédio de empresas interpostas. Tem certeza de que não existe uma prova sequer no processo que subsidie as afirmações de existência de vínculo de emprego e sócios ocultos a basear a cobrança das contribuições em questão, sendo que as supostas provas apresentadas, e acolhidas pela DRJ, não passam, quando muito, de meros indícios. No mérito, se reporta às autuações, informando que a recorrente enfrentou uma por uma, demonstrandose por completo em seus recursos a impossibilidade pela manutenção das cobranças de contribuições previdenciárias. Discorre sobre contrato de trabalho e sobre cada elemento caracterizador da relação de emprego, para repetir que inexiste o vínculo empregatício entre as pessoas físicas arroladas pela fiscalização e a recorrente, como também não há motivos para se considerar as empresas prestadoras de serviço como interpostas, não existindo nos autos comprovação da alegada relação de emprego como base da cobrança das contribuições previdenciárias. Cita algumas empresas prestadoras como exemplo de independência entre a pessoa física e a recorrente, chamando a atenção para o fato de que várias eram de representação comercial autônoma, com o devido registro no CORCESP, conforme exigido Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 750 7 pela lei, cuja natureza de prestação de serviço jamais se confundirá com uma relação de natureza trabalhista. Traz mais argumentos para tentar demonstrar a inexistência de vínculo empregatício e societário entre as pessoas físicas arroladas pela fiscalização e a recorrente, citando leis, doutrina, jurisprudência e os contratos firmados com as prestadoras de serviço, e desqualifica os documentos aos quais a fiscalização atribuiu valor probante. Reafirma a inexistência dos requisitos necessários à configuração do vínculo empregatício e societário, discorrendo acerca de contrato de trabalho e de cada elemento caracterizador da relação de emprego, citando doutrina sobre a matéria, concluindo que a fiscalização nada comprovou a respeito, mas apenas baseou suas conclusões em meras suposições, motivadas pela existência de planilhas eletrônicas e outros elementos que nada provam contra a recorrente, pois não demonstram a presença dos elementos indispensáveis à caracterização do vínculo de emprego ou societário, mormente a subordinação e/ou a direção, como quer fazer crer a DRJ. Insiste que, para que se pudesse considerar válida a apuração fiscal, seria necessária a produção de prova material, com a análise individual de cada uma das relações supostamente existentes e demonstrar, de maneira individual, a ocorrência de cada um dos fatos geradores, não cabendo a utilização de um caso a título de exemplo para outros. Relativamente ao item “4C”, do relatório da obrigação principal, assevera que as planilhas ali referidas nada provam contra a recorrente, e as autoridades fiscais não demonstram materialmente a própria validades dessas informações como elemento de prova. Esclarece que o oferecimento de determinados benefícios, treinamentos e cursos nada mais significam do que uma política de melhoria de produtividade e de aproximação da recorrente com seus melhores prestadores de serviços, e reafirma que a fiscalização não se revestiu de um único documento que comprovasse, de maneira suficiente, a existência de poder de mando por parte das pessoas físicas. Tece comentários sobre alguns documentos utilizados pela fiscalização, para tentar demonstrar o desacerto das conclusões por ela esposadas, e conclui que o conjunto probatório reunido pelas autoridades fiscais é extremamente frágil, e nada prova contra a recorrente, ficando nítido que há, ao longo do relatório fiscal, meras inferências, ilações e juízos de valor com base em convicções préconcebidas, não havendo qualquer certeza quanto à existência da alegada simulação da terceirização, mas, quando muito, apenas meros indícios e suposições. Relata que, em 2006 e 2007, a empresa foi fiscalizada minuciosamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, sob a supervisão do Ministério Público da União,para fins de verificar eventual descumprimento das leis trabalhistas, formalizada nos autos da Peça de Informação 12293/2006. Informa que, durante a inspeção, o MTE, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de serviços, o que foi efetuado pela recorrente, sendo que a fiscalização daquele Ministério, após análise de todas as circunstâncias fáticas e jurídicas envolvendo a recorrente e seus prestadores, considerou os contratos de prestação de serviços regulares, tendo concluído pela existência de poucos vínculos empregatícios e tão somente esses, determinando Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 que referidos empregados fossem regularmente registrados, o que foi feito no prazo de 48 horas pela recorrente. Destaca que o MTE e a Procuradoria Regional do Trabalho do MPU não constataram qualquer irregularidade envolvendo as pessoas arroladas pela fiscalização, aduzindo que, se houvesse de fato o alegado vínculo empregatício entre a recorrente e tais pessoas, como quiseram parecer as autoridades fazendárias, o TEM certamente teria identificado a relação jurídica, tomando as previdências cabíveis, o que, como é possível verificar, não foi o caso. Aponta o que entende ser uma inconsistência flagrante no trabalho fiscal, qual seja, o fato de o Sr Marcílio Palhares aparecer, ao mesmo tempo, como sócio e como empregado da recorrente, o que foi ignorado pela decisão recorrida, que deixou de analisar tão relevante argumento. Discorre sobre o conceito de simulação e de livre iniciativa, para argumentar que, no direito brasileiro, os particulares têm a prerrogativa de escolher o meio, dentre os lícitos, para a realização de uma determinada atividade econômica, restando inconsistente a pretensão da fiscalização de caracterizar os contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente como artifícios simulatórios de reais relações societárias e de direção. Aborda a impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, por carecerem de lei que regulamente tal atuação, sendo que tal recurso extremo deverá ser levado a efeito somente por um juiz. Transcreve o art. 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o caso em tela. Analisa a abrangência do conceito de “serviços intelectuais”, de que trata o art. 129, da Lei 11.196/95, para concluir que restou comprovada a subsunção dos casos concretos ora recorridos à letra da lei, e observa que, apesar da alegação de existência de simulação, nenhuma multa qualificada foi imputada ao contribuinte, o que representa uma contradição em termos. Finaliza requerendo a reforma integral da decisão recorrida, e que seja julgado procedente o presente recurso voluntário, cancelando in totum o Auto de Infração. É o relatório. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 751 9 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega que o art. 92, da Lei 8.212/91 traça diretrizes genéricas, e o tipo infracional é, em verdade, descrito pelo RPS, especificamente em seu art. 283, além de a sanção estar prevista em mera Portaria Interministerial, e não em lei, o que contraria o direito penal, configurando flagrante violação ao princípio da legalidade.. Entretanto, cumpre frisar que a sanção está, sim, prevista em Lei, e não em mera Portaria, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente. A sanção está prevista nos normativos legais apontados na folha de rosto do AI, bem como no Relatório da Multa Aplicada. A Portaria a que se refere a recorrente apenas atualiza o valor da penalidade prevista na Lei. Dessa forma, não há que se falar em violação ao princípio da legalidade. Verificase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. A recorrente alega, ainda, nulidade do AI por falta de elemento probatório fundamental, argumentando que não há nos autos qualquer elemento que demonstre a presença de vínculos empregatícios e societários que implicariam a necessidade de registro contábil das supostas remunerações, o que caracteriza evidente cerceamento do direito de defesa da recorrente. Contudo, o AI em tela foi lavrado por ter deixado a recorrente de registrar, em contas próprias da contabilidade, os fatos geradores cujas contribuições previdenciárias decorrentes foram objeto de outros AIs lavrados na mesma ação fiscal. Portanto, a ocorrência dos fatos geradores não registrados em contas próprias esta comprovado nos autos que discutem as obrigações principais. A própria recorrente cita, em seu recurso, os Autos de Infração relativos às obrigações principais, se reportando aos processos que os discutem, demonstrando pleno conhecimento do que lhe está sendo imputado. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Constatase que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. O art. 59, do Decreto 70.235/72, dispõe que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restou demonstrado nos autos que houve cerceamento de defesa do autuado, que demonstrou pleno conhecimento do que lhe esta sendo imputado. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI discutido, uma vez que foram observadas disposições contidas no Decreto 70.235/72 E a autoridade lançadora anexou, ao Relatório Fiscal, planilhas com a identificação dos beneficiários dos pagamentos de remuneração, indicando as contas contábeis utilizadas, as pessoas jurídicas interpostas e os pagamentos feitos fora do período formal do contrato de trabalho. Portanto, verificase que a autuada possui todos os elementos necessários para exercer seu direito de defesa, o que entendo foi feito com a apresentação da impugnação e do recurso voluntário, por meio dos quais a recorrente repisou argumentos trazidos nos autos dos AIs relativos ao lançamento das contribuições sociais devidas. É oportuno esclarecer que o AI nº 37.211.3109, objeto do processo 10803.000161/200877, já foi julgado por esta Turma do CARF em 18 de janeiro de 2012, conforme acórdão 230102.495, tendo sido dado provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer a decadência pelo 173, I, do CTN, e para que fosse aplicada a multa prevista no art. 61, da Lei 9.430/96, se mais benéfica à recorrente. Nas demais alegações da recorrente, foi negado provimento ao recurso, por unanimidade. O AI nº 37.211.3109, citado acima, se refere às contribuições incidentes sobre pagamentos a contribuintes individuais por meio de cartões de premiação “Incentive House”, no período de 04/2003 a 09/2007, cuja ausência de registro em títulos próprios da contabilidade também ensejou a lavratura do Auto de Infração discutido por meio do presente processo administrativo fiscal. Da mesma forma, os AIs relativos às contribuições incidentes sobre pagamento de remuneração paga a segurados caracterizados pela fiscalização como empregados da recorrente, objeto dos processos 10803.000158/200853, 10803.000159/2008 06 e 10803.000160/200822, estão sendo julgados em conjunto com o presente AI, estando esta Relatora votando por negar provimento ao recurso naqueles processos. A recorrente alega que as decisões administrativas a serem tomadas nos Autos de Infração mencionados constituem questões prejudiciais, que influenciarão na decisão final deste caso concreto, uma vez que os lançamentos relativos aos fatos geradores cujo suposto não registro correto na contabilidade ensejou a lavratura do presente AI estão ainda Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 752 11 sendo questionados em âmbito administrativo, sem decisão final, sendo certo que o desenrolar dos demais casos apontados produzirão efeitos diretos no caso sub examine. Porém, cumpre observar que o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a I – (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; A penalidade pela infração ao dispositivo transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de fatos geradores que deixaram de ser registrados ou foram lançados em título impróprio, ou de forma indiscriminada, ou, em uma mesma conta contábil com outros pagamentos sobre os quais não há incidência de tributo. Portanto, basta a empresa deixar de registrar um fato gerador em título próprio e em período não atingido pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária, ensejando a aplicação da penalidade prevista nos dispositivos legais discriminados à fl. 01, e no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Dessa forma, o julgamento dos demais autos citados não afeta o valor do Auto em discussão, uma vez que já restou comprovado, nos autos do processo já julgado e dos que estão sendo julgados concomitantemente com o presente, que houve fato gerador não registrado em títulos próprios da contabilidade. Portanto, houve infração à legislação previdenciária. E como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8.212/91 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. E o ato do lançamento foi devidamente motivado, uma vez que o agente autuante descreveu a obrigação acessória descumprida, e indicou os dispositivos legais que amparam a autuação. Assim, pelos motivos expostos acima, concluo que não há que se falar em nulidade do AI ou em reforma da decisão recorrida, devendo a multa ser mantida em sua integralidade, mesmo ainda não tendo sido julgados definitivamente todos os AIs lavrados contra a recorrente. Pelas mesmas razões, a absolvição na esfera penal de algumas das pessoas físicas, consideradas pelas autoridades fiscais como sócios ocultos da recorrente, não invalida o presente Auto de Infração, já que, como visto acima, o AI nº 37.211.3109 já foi julgado procedente em parte por este Conselho, o que, por si só, valida o Auto objeto do processo ora Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 discutido, pois restou demonstrado, naqueles autos, que o pagamento a título de cartões de premiação era remuneração de segurado, estando a autuada, por conseqüência, obrigada a lançar referidos pagamentos em títulos próprios de sua contabilidade, o que não ocorreu. Nesse sentido, a infração persiste, devendo ser mantida a penalidade aplicada uma vez que a recorrente descumpriu obrigação acessória a todos imposta. Portanto, não procede o requerimento de que seja cancelada a multa cobrada em razão do vínculo do Sr Helio Benetti Pedreira que, conforme afirma a recorrente, foi inocentado no processo criminal, pois, conforme amplamente esclarecido acima, o fato exposto pela recorrente não influencia no valor da penalidade aplicada. A recorrente repisa os argumentos trazidos nos recursos interpostos nos processos acima citados, cujos objetos são os AIs relativos às obrigações principais. Tenta demonstrar a impossibilidade de utilização da prova emprestada, argumentando que as supostas provas trazidas aos autos possuem finalidade exclusivamente penal, caracterizando crime a utilização de tais documentos sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei. No entanto, conforme consta dos referidos processos, há decisão judicial autorizando a utilização, pela RFB, dos documentos apreendidos, cujo trecho reproduzo a seguir: Em relação ao requerido pela 5" região fiscal da Receita Federal Ilhéus e aos 03 (três) pedidos formulados pela Receita Federal do Brasil em São Paulo, acerca da utilização de conteúdo de interceptações telefônicas e telemáticas por Auditores da Receita Federal para fins de instrução de procedimentos fiscais visando lançamentos tributários em autuações fiscais, abstratamente falando é legal e constitucional a utilização de elementos desse procedimento criminal para outros fins, inclusive para fins administrativos (prova emprestada). A jurisprudência do STF já tem mais de um caso de autorização ou aceitação de utilização de provas sigilosas obtidas em processo penal para outros fins. A legal obtenção da prova para apuração de crimes, mesmo no caso de interceptações telefônicas, não inviabiliza a posterior utilização dessas provas para outros fins judiciais ou administrativos.. O que precisa ficar devidamente comprovado é que a interceptação foi originalmente solicitada e deferida visando efetivamente sua utilização em apurações de crimes e isso, inegavelmente, é o caso dos autos. As interceptações telefônicas e telemáticas, bem como as demais quebras de sigilo de dados, foram regularmente deferidas para apuração de crimes de quadrilha, falsidade documental, descaminho e crimes tributários. Com isso, perfeitamente cabível, em um segundo plano, que esses elementos possam ser utilizados como provas em outros procedimentos, mesmo que administrativos (prova emprestada). (...) Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 753 13 Assim, como estamos diante de pedidos de utilização de provas emprestadas em relação a fatos direta ou indiretamente relacionados com os fatos apurados nesse procedimento criminal, com objetivos fiscais administrativos, entendo cabível a autorização de uso desses dados sigilosos. Ademais, essa matéria já foi objeto de análise por este CARF, no processo 10803.000161/200877, já referido acima. Permitome adotar as razões trazidas pelo Relator daquele processo, Conselheiro Mauro José Silva, transcrevendo o trecho do voto pertinente à matéria: “Acrescentamos que mesmo que tenham sido utilizadas provas emprestadas, isso em nada afeta a validade destas. Sobre o tema da prova emprestada, esclarecemos que não existe vedação na legislação reguladora do processo administrativo à utilização de provas colhidas em outro processo ou por outra autoridade administrativa, fiscal ou judicial, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332 . No mesmo sentido a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: “PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É lícito ao Fisco federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento de Imposto de Renda, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. (Acórdão 10615779) NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA EMPRESTADA A jurisprudência administrativa reconhece a validade da chamada prova emprestada, observadas as naturais cautelas na sua utilização. No caso, a autoridade administrativa bem as observou. Deve, portanto, ser considerada “válida. (Acórdão 10243475)” É oportuno informar que, por unanimidade, foi negado provimento à preliminar de impossibilidade de utilização de prova emprestada.. Assim, acompanhando o entendimento trazido pelo relator no voto acima transcrito, rejeito a preliminar suscitada. Portanto, ao contrário do que alega a recorrente, a conduta de utilizar, no processo administrativo fiscal, os documentos apreendidos em processo criminal em nada viola o art. 5o, da CF. Dessa forma, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, lançou, naqueles autos, a contribuição devida, expondo, com muita clareza e riqueza de detalhes, os motivos pelos quais entendeu que as pessoas físicas por ela arroladas eram empregados da recorrente, apontando os elementos caracterizadores da relação de emprego presentes nos serviços prestados. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 14 E, ao contrário do que afirma a recorrente, a autoridade lançadora juntou, àqueles autos, farta documentação comprobatória de suas afirmações, não restando configurado, em nenhum momento, arbítrio ou desvio de finalidade. E, ao contrário do que afirma, verificase, da análise dos processos 10803.000158/200853, 10803.000159/200806 e 10803.000160/200822, que estão sendo analisados conjuntamente com o presente, que não houve presunção do fato gerador da contribuição previdenciária, e sim a constatação da sua ocorrência, comprovada por meio dos documentos analisados, cujas cópias foram juntadas aos autos. A recorrente alega que a fiscalização fundamentar sua autuação fiscal com base em documentos eletrônicos desprovidos de qualquer formalidade e validade, defendendo que caberia à fiscalização a prova inequívoca de que a recorrente havia, de fato, remunerado pessoas físicas em decorrência da contraprestação laboral, provandose a existência do vínculo de trabalho sem as conseqüentes formalizações contratuais. Ora, mas foi exatamente isso que a fiscalização fez, provou a existência de vínculo empregatício entre as pessoas físicas apontadas nas planilhas anexas ao AI em comento, e no Relatório Fiscal constantes dos processos que discutem a obrigação principal, e a recorrente, sem o devido registro/contrato trabalhista. Os documentos que a recorrente alega que são apócrifos, sem assinaturas, foram, na verdade, extraídos dos computadores pessoais, devidamente identificados, e legalmente obtidos. E se tais documentos existem e não estão revestidos das formalidades legais, conforme insiste em afirmar a recorrente, é porque ela mesma não os formalizou, ocultando a prestação de serviços pelas referidas pessoas físicas, segurados empregados da empresa autuada, conforme demonstrado nos autos. Da mesma forma, não procedem as afirmações de que os documentos utilizados pela fiscalização se referem a apenas uma parte dos períodos, uma vez que, da análise da documentação juntada aos processos relativos aos lançamentos das contribuições devidas, constatase a existência de provas para todo o período do débito. Também não houve presunção de um fato jurídico ou desobediência das regras aplicáveis ao procedimento de aferição indireta, pois os valores das bases de cálculo foram extraídos diretamente das folhas de pagamento constantes dos computadores pessoais apreendidos. No mérito, a autuada tenta demonstrar que inexiste o vínculo empregatício entre as pessoas físicas arroladas pela fiscalização e a recorrente, seja porque a realidade dos fatos demonstram o contrário, seja porque as autoridades fiscais não demonstraram a procedência de suas alegações. Contudo, entendo que restou demonstrada, nos citados autos, a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego , exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. º 8.212/91 c/c art. 9. º, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. º 3.048/99, quais sejam, pessoalidade, a nãoeventualidade (habitualidade), a onerosidade e a subordinação. Aplicase portanto, ao caso, o artigo 9º, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar ou impedir a aplicação dos preceitos nela contidos Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 754 15 E como o parágrafo 2. º do art. 229 do Decreto 3.048/99, permite ao Auditor Fiscal desconsiderar o vínculo pactuado, a Auditoria, ao verificar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego, agiu em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente os trabalhadores como empregados da autuada para efeitos da legislação previdenciária. Esse enquadramento será automático sempre que estiverem presentes, na prestação do serviço, os pressupostos da relação de emprego, quais sejam, a remuneração, a habitualidade e a subordinação, porque a lei assim determina, mesmo que no contrato formalizado entre as partes esteja definido de forma diversa, pois a relação de emprego não é aferida pelos elementos formais do ajuste, mas do conteúdo emergente de sua execução. Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. º 8.212/91, pode sim o Auditor Fiscal desconsiderar a contratação do segurado como contribuinte individual para considerálo como empregado da contratante, exclusivamente para fins de recolhimento da contribuição previdenciária, pois houve a ocorrência do fato gerador. Ademais, os nossos Tribunais já vêm decidindo que o Fisco pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação às pessoas que ela julgue com vínculo empregatício e, caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho afim de questionar a existência do vínculo. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Nesse sentido e por tudo que foi exposto nos Relatórios dos AIs de obrigação principal, entendo que restou comprovada a relação de emprego entre a MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e as pessoas físicas que lhes prestaram serviços apontadas pela fiscalização.. Insta salientar que, conforme art. 114, I da CF/88, compete à. Justiça do Trabalho processar e julgar as ações oriundas da relação de trabalho, não havendo, portanto, invasão de competência, uma vez que a autoridade fiscal apenas constituiu o crédito previdenciário incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, mas não julgou, com atributo de coisa julgada, a relação de emprego, pois que esta última matéria é de competência da Justiça do Trabalho. A autoridade fiscalizadora em questão tem competência para efetuar o lançamento, uma vez que é, sim, atribuição inerente ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil verificar a ocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, lançando os respectivos tributos e aplicando as penalidades pelo descumprimento de obrigação acessória, e enquadrar a pessoa física como segurado obrigatório da Previdência Social, independentemente da forma jurídica que foi adotada, a qual, por vezes, pode mascarar tal condição, nos termos do art. 33, caput da Lei n° 8.212/91. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de fato gerador, pode superar o negócio jurídico para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 16 Esse é o entendimento consolidado do Colendo Superior Tribunal de Justiça, conforme manifestação exarada pelo eminente Ministro CASTRO MEIRA, quando do julgamento do REsp n° 575.086/PR, em 21/03/2006, verbis : "0 reconhecimento da relação de emprego para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento de contribuições previdenciárias é independente do exame na Justiça Trabalhista. A autarquia previdenciária por meio de seus agentes e fiscais tem competência para reconhecer o vinculo trabalhista, porém, somente para fins de fiscalização, arrecadação e lançamento da contribuição previdenciária, mas à Justiça do Trabalho cabe reconhecer o vinculo trabalhista e os direitos advindos. 0 agente fiscal do INSS exerce atos próprios quando expede notificação de lançamento referente a contribuições devidas sobre pagamentos efetuados, podendo submeterse tal avaliação administrativa ou judicial." (grifei) A competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para caracterização de empregado para fins previdenciários tem sido agasalhada pela jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça, conforme os arestos a seguir: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. REEXAME DO SUBSTRATO FÁTICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N° 07/STJ. I 0 INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp n°515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25/04/05). II Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vinculo empregatício, na medida em que: "0 juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado,seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp n°575.086/PR,Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30/03/06). III O acórdão recorrido, ao dirimir a controvérsia, entendeu que inexistiu prova que afastasse a validade da NFLD, sendo que, para rever tal posicionamento, seria necessário o seu reexame, que serviu de sustentáculo ao convencimento do julgador, ensejando, no caso, a incidência da Súmula n° 07/STJ. IV Agravo regimental improvido. PREVIDENCIÁRIO INSS FISCALIZAÇÃO AUTUAÇÃO POSSIBILIDADE VINCULO EMPREGATÍCIO. A fiscalização do INSS pode autuar empresa se esta deixar de recolher contribuições previdenciárias em relação Its pessoas Fl. 768DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 755 17 que ele julgue com vinculo empregatício. Caso discorde, a empresa dispõe do acesso à Justiça do Trabalho, a fim de questionar a existência do vinculo. Recurso provido. (STJ. la Turma. REsp 236279/RJ; Recurso Especia11999/00981057. Relator Min. Garcia Vieira. DJ 20.03.2000. p. 48) (...) 1. A competência da Justiça do Trabalho não exclui a das autoridades que exerçam funções delegadas para exercer a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho, entre as quais se inclui o direito & previdência social. 2. No exercício de suas funções, o fiscal pode tirar conclusões diferentes das adotadas pelo contribuinte, sob pena de se consagrar a sonega cão. Exigese, contudo, que a decisão docorrente da fiscalização seja fundamentada, quer para que se atenda ao principio da legalidade, ou para que o ato possa ser objeto de controle judicial, ou para que o contribuinte possa exercer seus direito de defesa. Dou provimento ao recurso e inverto as penas de sucumbencia. (STJ. AG n° 257.017RS. Relator Min. José Delgado. DJ 21/10/99.) RECURSO ESPECIAL — FISCALIZAÇÃO — CONSTATAÇÃO DE LIAME LABORAL POR MEIO DE FISCAL DA PREVIDÊNCIA — ALEGADA POSSIBILIDADE DE AFERIÇÃO DE VINCULO EMPREGATÍCIO DE PESSOAS QUE PRESTAM SERVIÇOS NAS EMPRESAS QUE DEVEM RECOLHER CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCOMPETÊNCIA PARA DESQUALIFICAR A RELAÇÃO EMPREGATÍCIA RECONHECIDA EM AMBAS AS INSTÂNCIAS — PRETENDIDA REFORMA COM BASE EM JULGADO DESTE SODALÍCIO — RECURSO PROVIDO. No particular, o fiscal, ao promover a fiscalização para eventual cobrança da contribuição, entendeu que os médicos que estavam a prestar serviços nas dependências do hospital da contribuinte possuíam vinculo de trabalho, razão por que lavrou os autos de infração. O LAPAS ou o INSS (art. 33 da Lei n. 8.212), ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação. (...) – Recurso especial conhecido e provido com base na divergência jurisprudencial. (Resp 515821/RJ; Recurso Especial 2003/00272128. Relator Min.Franciulli Netto. STJ. 2a Turma. DJ 25.04.2005. p. 278.) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 18 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA.CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. REEXAME DO SUBSTRATOFATICOPROBATÓRIO DOS AUTOS. SUMULA N° 07/STJ. I 0 INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregaticia, a fiscalização deve procedera autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (Resp n°515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIUM NETTO, DJ de 25/04/05). (...) IV Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 894015 /AL ; AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2006/02279329 Relator Min. FRANCISCO FALCÃO Franciulli Netto. STJ. la Turma. DJ 12.04.2007 p. 251) (grifei) No mesmo sentido são os seguintes julgados do CRPS: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC LEGALIDADE.CONSTITUCIONALIDADE. I — Constatado pela fiscalização do INSS que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, apenas para burlar o FISCO, correto o enquadramento dos empregados terceirizados como segurados empregados da empresa contratante; (.) RECURSO CONHECIDO E WO PROVIDO. (4° CAJ. NFLD DEBCAD N° 35.472.4258. Acórdão n° 239/2005. Relator: Rogério de Lellis Pinto. Julgamento em 23/02/05. Resultado do julgamento: RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO POR UNANIMIDADE.) PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SEBRAE. INCRA. CONSTITUCIONALIDADE. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. SESI. SENAL COMPETÊNCIA PARA ARRECADAR. I — Constatado pela fiscalização do INSS que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, apenas para burlar o FISCO, correto o enquadramento dos empregados Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 756 19 terceirizados como segurados empregados da empresa contratante; (..) RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. CAJ. NFLD DEBCAD N° 35.472.4231. Acórdão n° 238/2005. Relator: Rogério de Lellis Pinto. Julgamento em 23/02/05. Resultado do julgamento: RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO POR UNANIMIDADE) Conforme as conclusões constantes dos votos desta Relatora nos autos que discutem o lançamento da obrigação principal, a fiscalização demonstrou a presença de subordinação, pessoalidade, onerosidade e nãoeventualidade, requisitos necessários à caracterização do vínculo de emprego e caracterizou as pessoas físicas apontadas como segurado empregado da recorrente. E, segundo o Ministro Carlos Veloso “Corre em favor do ato administrativo a presunção da legitimidade. Assim, se o lançamento fiscal previdenciário aponta a existência de empregados e não trabalhadores autônomos, cumpre ao contribuinte ilidir, mediante prova, essa presunção” (TRF AC. 101.404MG, Min. Carlos Veloso – DJU 05/09/85, pág. 14800). Dessa forma, o agente fiscal, ao constatar a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego e a falta do recolhimento da contribuição devida incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, bem como o descumprimento das obrigações acessórias, lavrou corretamente os AIs, lançando as contribuições devidas, e lançando a multa por descumprimento da obrigação acessória de lançar as remunerações em título próprio de sua contabilidade. Cumpre reiterar que, como exceção do Sr. Reinaldo de Paiva Grillo, todos os demais trabalhadores foram enquadrados como segurados empregados pela própria recorrente e períodos posteriores, e continuaram a exercer as mesmas funções que exerciam antes. Todos esses fatos, aliados aos demais narrados pela fiscalização, reforçam a convicção de que esses trabalhadores eram, no período objeto do AI, empregados da recorrente. A recorrente afirma que inexiste pagamento às pessoas físicas arroladas nas planilhas no período apurado pela fiscalização, anterior ao da formalização do contrato de trabalho, e que a autoridade lançadora apenas reputou, com base em presunção não prevista ou autorizada em lei, que tais pagamentos efetivamente ocorreram. Ora, mas a existência de folhas de pagamento, com o registro das remunerações, para as referidas pessoas físicas, e no período do débito, reforça a convicção de que o pagamento foi realizado, pois não é possível supor que, se houve a prestação do trabalho, conforme restou demonstrado, tal trabalho não tenha sido remunerado. Portanto, entendo que restou demonstrado o pagamento das remunerações. A recorrente informa, ainda, que, em 2006 e 2007, a empresa foi fiscalizada minuciosamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, sob a supervisão do Ministério Público da União,para fins de verificar eventual descumprimento das leis trabalhistas, e relata que, durante a inspeção, o MTE, solicitou a regularização do registro de seis prestadores de Fl. 771DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 20 serviços, o que foi efetuado pela recorrente, destacando, ainda, que os referidos Órgãos não constataram qualquer irregularidade envolvendo as pessoas arroladas pela fiscalização, aduzindo que, se houvesse de fato o alegado vínculo empregatício entre a recorrente e tais pessoas, como quiseram parecer as autoridades fazendárias, o MTE certamente teria identificado a relação jurídica, tomando as previdências cabíveis, o que, como é possível verificar, não foi o caso. Porém, verificase, no caso presente, que na época em que ocorreu a fiscalização do Ministério do Trabalho ainda não havia sido deflagrada a ação que culminou na apreensão da documentação utilizada pela fiscalização da RFB, ocorrida somente no final de 2007. Não tenho dúvidas de que, se a fiscalização trabalhista tivesse tido acesso a esses documentos apreendidos, sua conclusão seria pela caracterização do vínculo empregatício, a exemplo do que ocorreu com a auditoria da RFB. Ademais, o resultado da fiscalização do MTE apenas demonstra que é uma prática da recorrente não registrar segurados empregados que lhe prestam serviços, o que vem corroborar o entendimento esposado pela fiscalização da RFB. Por todo o exposto, e considerando que restou claro, nos autos, que algumas das remunerações não registradas em título próprio da contabilidade, cuja contribuição social incidente foi objeto de AIs já julgados ou que estão sendo julgados juntamente com o presente Auto, entendo que não há mais o que discutir sobre o mérito da questão, já que ficou comprovada, nos autos dos referidos lançamentos, a existência de vínculo empregatício entre a recorrente e as pessoas físicas apontadas nas planilhas, bem como o pagamento de remuneração a título de cartões de premiação. Portanto, a autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10803.000163/200866 Acórdão n.º 2301004.031 S2C3T1 Fl. 757 21 Fl. 773DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16327.001817/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO INTERPOSTO POR ASSOCIAÇÃO. EFEITOS.
O provimento judicial em mandado de segurança coletivo impetrado por associação gera efeitos sobre todos os filiados, caracterizando a concomitância entre as esferas de demanda e a renúncia à esfera administrativa.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado.(STJ, Resp 973.733/SC)
Numero da decisão: 1402-001.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, admitir os embargos de declaração para, no mérito, dar-lhes parcial provimento e suprir as omissões suscitadas, mantendo-se o Acórdão recorrido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva acompanharam pelas conclusões.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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EFEITOS. O provimento judicial em mandado de segurança coletivo impetrado por associação gera efeitos sobre todos os filiados, caracterizando a concomitância entre as esferas de demanda e a renúncia à esfera administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser efetuado.(STJ, Resp 973.733/SC) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, admitir os embargos de declaração para, no mérito, darlhes parcial provimento e suprir as omissões suscitadas, mantendose o Acórdão recorrido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva acompanharam pelas conclusões. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 17 /2 00 6- 56 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 1402001.655 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Retornamse os autos à apreciação desta turma julgadora para análise dos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, e o despacho de admissibilidade bem resume a questão, conforme transcrição a seguir: Tratamse de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 140200.582, proferido por esta turma julgadora, que teria incorrido em omissão ao utilizar como razões de decidir o Acórdão proferido pelo STF no RE nº 250.6354. Isso porque a mencionada decisão judicial manifestouse pela imunidade tributária da interessada especificamente em relação ao IOF, que não está sendo exigido nos presentes autos. Segundo a embargante, a autuação trata do imposto de renda sobre ganhos auferidos em aplicações financeiras de renda variável que não estão abrangidos pela imunidade, nos termos do § 1º, do art. 12, da Lei nº 9.532/97. Finaliza defendendo que o exame de tal ponto seria fundamental para definir o real alcance da coisa julgada no RE nº 250.6354 em relação à presente hipótese, na qual a imunidade tributária é tratada em norma específica, que não foi objeto de análise no referido processo judicial. É a síntese dos fatos. A ciência do acórdão recorrido deuse em 29/07/2011 e os embargos foram apresentados em 03/08/2011, dentro do prazo regimental. No mérito, assiste razão em parte à embargante. De fato, o Acórdão do STF não poderia ter sido utilizado como razão de decidir no presente caso, visto que trata especificamente de IOF quando o tributo aqui exigido é o imposto de renda sobre aplicações financeiras. Assim tanto a decisão como a ementa estão equivocadas nesse ponto. Por outro lado, a embargante também se engana ao suscitar dispositivos que tratam de imunidade, pois a questão aqui tratada envolve isenção. A decisão de primeira instância deixou claro que a imunidade estaria sendo discutida em ação judicial promovida pela ABRAPP, e não seria objeto de análise nos autos. Mesmo acatadas, as razões suscitadas nos embargos não teriam impacto na decisão recorrida, pois a autuação foi cancelada também pela caracterização da decadência e pelo equívoco cometido na formalização da exigência. Isso porque estaria sendo cobrado IRPJ e não IRF como seria o correto. A apreciação dessas questões será decidida pela turma julgadora. É o relatório. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO A necessidade de apreciação dos embargos de declaração justificase pelas diversas questões que a meu ver foram tratadas de forma omissa ou contraditória pelo acórdão recorrido. Em primeiro lugar importa esclarecer qual tributo foi objeto da exigência de que tratam os autos. O voto condutor da decisão recorrida afirma categoricamente que a cobrança envolve o IRPJ o que se mostra totalmente equivocado. Esse pode ser atribuído ao lapso cometido pela autoridade lançadora que no termo de verificação faz menção genérica ao imposto de renda e, mais ainda, utilizou o formulário eletrônico de apuração do IRPJ. Entretanto, todos os demais elementos constantes dos autos deixam claro que o tributo cobrado é o IRRF. O Termo de Verificação deixa claro que reconhece a isenção do IRPJ para as entidades como a interessada com transcrição inclusive da legislação nesse sentido, que ressalva a inaplicabilidade dessa isenção ao imposto retido na fonte: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em ação fiscal em nome do contribuinte acima, uma entidade de previdência privada fechada, com finalidade de verificar a falta de recolhimento do Imposto de Renda sobre os ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras de renda fixa, relativos ao período de 01/01 a 12/01, onde constatouse que: 1. Pessoa Jurídica Isenta: A Lei Complementar 109/01 no art. 4° assim define as entidades fechadas de previdência: ... "Entidades fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador, exclusivamente: (a) aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; (b) aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores." O artigo 175 do RIR/99 estabelece a ' isenção do imposto de renda pessoa jurídica: "Art. 175. Estão isentas do imposto as entidades de previdência privada fechadas e as sem fins lucrativos, referidas, respectivamente, na letra "a" do item 1 e na letra "b" do item II do art. 40 da Lei n° 6.435, de 15 de julho de 1977... § 1° A isenção de que trata este artigo não se aplica ao imposto incidente na fonte sobre dividendos, observado o disposto nos arts. 654, 662 e 666, juros e demais rendimentos e ganhos de capital recebidos pelas referidas entidades, o qual será devido exclusivamente na fonte, não gerando direito à restituição(DecretoLei n° 2.065, de 1983, art. 6°, §§ 1° e 2°, Lei 8.981, de 1995, arts. 65 e 72, § 3°, e Lei n°9.249, de 1995, art. 11)." Pareceme que a autoridade lançadora deixa claro que a cobrança envolve o tributo não abrangido pela isenção. Mais além, a Fiscalização menciona a ação judicial impetrada pela ABRAPP, da qual a interessada é filiada, que trata justamente da não incidência do IRRF sobre aplicações financeiras de titularidade das entidades de previdência fechadas. Em seguida, o Fisco estabelece a aplicação, sobre a entidade, do art. 72, da Lei nº 8.981/95 (art. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 1402001.655 S1C4T2 Fl. 4 5 758, do RIR/99) que trata da alíquota de 10% do IRRF incidente sobre os ganhos em aplicações financeiras de renda variável, inclusive para as pessoas jurídicas isentas. Na apuração da exigência a autoridade lançadora menciona outros dispositivos legais que tratam da tributação pelo IRRF do resultado das aplicações financeiras de renda variável, e aplica a alíquota de 10% sobre esses ganhos, apurados em planilhas específicas juntadas aos autos, com apuração mensal conforme estabelecido nos dispositivo mencionados. Portanto, a descrição dos fatos, o enquadramento legal e a apuração da exigência tratam do IRRF e não do IRPJ, como afirmado pela decisão recorrida. O lapso cometido não trouxe qualquer prejuízo à defesa que entendeu perfeitamente o que lhe estava sendo cobrado. Como exemplo, já na peça impugnatória a defesa suscita ilegitimidade passiva em função da obrigatoriedade de retenção do imposto pela fonte pagadora, que só seria aplicável, em tese, na exigência do IRRF. Também se equivocou a decisão questionada ao tratar da decadência. O voto condutor manifestase pela contagem do prazo sob as regras do § 4º, do art. 150, do CTN. Entendeu o relator que a interessada teria feito retenções e recolhimentos do IRRF enquanto responsável pelo pagamento a seus associados o que equivaleria à realização de pagamentos. Esse entendimento mostrase equivocado, a meu ver, por dois motivos: Não se constata nos autos qualquer indicativo de retenção e recolhimento do IRRF nos moldes suscitados e, mais importante, ainda que tais recolhimentos fossem demonstrados, não há que se confundir a figura do responsável tributário pelo IRRF com o contribuinte desse tributo. A interessada não fez qualquer recolhimento de IRRF como contribuinte – por se julgar fora do âmbito de incidência. Assim, não há pagamento a ser considerado e a regra do prazo decadencial é definida pelo inciso I, do art. 173, do CTN, conforme decisão do STJ em recurso repetitivo ( Resp 973.733 – SC) O termo inicial seria 02/01/2002 e o termo final 02/01/2007. Com ciência da autuação em data anterior (17/11/2006) não há que se falar em decadência. A decisão recorrida não analisou expressamente a questão da renúncia à esfera administrativa como conseqüência do mandado de segurança coletivo interposto pela ABRAPP, pois cancelou exigência com base em vícios os quais, conforme analisado neste voto, não ocorreram. Nessa questão, em princípio estaria inclinado a concordar com a interessada quanto à independência das questões. De fato, a interposição de mandado de segurança coletivo não impede que a filiada pleiteie o direito em ação individual, como decidido em alguns julgamentos nesta Corte. Além disso, poderseia argumentar que o mandado de segurança aborda a questão do IRRF sob a ótica da imunidade enquanto a autuação definiu a irregularidade sob as regras isencionais. Entretanto, a circunstância principal a ser analisada é o grau de influência, neste processo, da decisão proferida na ação judicial. Se a impetrante for por derradeiro vitoriosa, o que implicaria no reconhecimento da imunidade perante o IRRF, não haveria como a exigência aqui tratada prosperar. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Sob esse prisma, o princípio da jurisdição una deve prevalecer para evitar a possibilidade de decisões conflitantes. Não há como proferir decisão administrativa de mérito em matéria sob apreciação do Poder Judiciário. Corrobora esse entendimento o fato da interessada ter pautado a linha de defesa na imunidade tributária, nos moldes da ação judicial, e não na isenção contestada pelo Fisco na autuação. Pelo exposto, manifestome pela ocorrência da concomitância entre as vias judicial e administrativa. Dentre as questões remanescentes a serem enfrentadas estaria a argüição de ilegitimidade passiva. Nesse ponto, a decisão de primeira instância rejeitou o pleito sob o argumento de que a autuação seria referente ao IRPJ em relação ao qual a interessada seria contribuinte. Como já analisado, essa razão de decidir não procede pois a autuação refere se ao IRRF e não ao IRPJ. Ainda assim, o pleito dever ser indeferido pois as fontes pagadoras que não fizeram a retenção assim agiram em cumprimento de decisão judicial. Nesse caso, não há como exigir o tributo da fonte pagadora que agiu, ou deixou de agir, subjugada à manifestação judicial. A responsabilidade é da beneficiária albergada pela decisão. Com relação à aplicação dos artigos 758,760,770 e 773, do RIR/99, que tratam da tributação do IRRF, já foi esclarecido que a cobrança de que tratam os autos envolve justamente esse tributo. Sendo assim, são perfeitamente aplicáveis à presente situação. Outro equívoco que teria sido cometido pelo Acórdão embargado referese ao reconhecimento da imunidade, de acordo com decisão transitada em julgada proferida pelo STF no RE 2506354 SP. Conforme já esclarecido no despacho de admissibilidade, a mencionada decisão trata de IOF, tributo estranho ao presente feito. Assim, a princípio, posicioneime no sentido de que não poderia ser aqui utilizada como razão de decidir. Entretanto, durante o julgamento fui alertado pelos meus pares no sentido de que o acórdão mencionado tratou da questão no âmbito genérico da alínea “c”, do inciso VI, da CF, ou seja, acolheu a imunidade da demandante perante os impostos como um todo. Assim, não caberia qualquer distinção entre IOF ou IRRF para efeitos do reconhecimento da imunidade. Sob essa ótica, seja pela isenção ou pela imunidade, a autuação não pode prosperar. Do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial aos embargos de declaração para esclarecer as questões suscitadas, mantendo entretanto o entendimento exarado no acórdão recorrido quanto ao reconhecimento da imunidade tributária da recorrente perante os impostos. Ficam prejudicadas as questões referentes a multa de ofício e juros de mora. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 821DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.001817/200656 Acórdão n.º 1402001.655 S1C4T2 Fl. 5 7 Fl. 822DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/05 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900484/2012-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 84 /2 01 2- 34 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900484/201234 Acórdão n.º 3803006.185 S3TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.005087/2008-47
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS . DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.304
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS . DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação. Recurso Voluntário Negado
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PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS . DIFERENÇA GFIP E FOLHA DE PAGAMENTO A empresa é obriga a arrecadar as contribuições devidas em razão da remuneração paga a segurados empregados. Constatada a diferença entre o que declarado em GFIP e os valores constantes em folhas de pagamento, correta a autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 50 87 /2 00 8- 47 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005087/200847 Acórdão n.º 2803003.304 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005087/200847 Acórdão n.º 2803003.304 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados obrigatórios, apurados em folhas de pagamento – parte terceiros. O r. acórdão conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o auto de infração lavrado, resultando na cobrança da competência 13/2003, no valor de R$ 260,13. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Cerceamento de direito de defesa, pois a fiscalização não demonstrou a origem nem das diferenças apontadas entre GFIP e folha de pagamento, nem dos valores pagos aos segurados. · Inconstitucionalidade das rubricas Fundo Aeroviário e INCRA. · Requer o provimento do recurso, com a reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005087/200847 Acórdão n.º 2803003.304 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Após o expurgo efetuado pela r. decisão, a única competência remanescente 13/2003, teve seus valores apurados através de folha de pagamento fls 171, não havendo assim que se falar em vício, pois o próprio contribuinte elaborou a documentação que serviu de base à autuação fiscal, não havendo assim reparo a ser efetuado na r. decisão. DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES AO FUNDO AEROVIÁIO E INCRA Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.005087/200847 Acórdão n.º 2803003.304 S2TE03 Fl. 6 5 Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.727300/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE.
O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente as questões ventiladas.
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
IRPF. ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO. VALORES NÃO COMPUTADOS NO LANÇAMENTO.
É improcedente o pleito para excluir do lançamento valores vinculados a abono pecuniário de férias e de 13º salário quando comprovado que tais rubricas não integram o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente as questões ventiladas. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 00 /2 00 9- 56 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. IRPF. ABONO PECUNIÁRIO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO. VALORES NÃO COMPUTADOS NO LANÇAMENTO. É improcedente o pleito para excluir do lançamento valores vinculados a abono pecuniário de férias e de 13º salário quando comprovado que tais rubricas não integram o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 245 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Ministério Público do Estado da Bahia. Referidos rendimentos foram recebidos em razão da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. A Lei estadual em comento estabeleceu a sistemática de pagamento de tais parcelas em virtude da objeto da Ação Ordinária de nº140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias n.. 613 e 614. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A impugnação foi indeferida, em resumo, pelos seguintes fundamentos: a) a verba tem na origem natureza remuneratória, portanto, tributável e o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 246 5 f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) os comprovantes de rendimentos fornecidos pelo MP não possuem caráter normativo, nem a autoridade administrativa emitente possui competência para tratar de matéria tributária federal, não se aplicando o parágrafo único do art. 100 do CTN; i) o lançamento foi efetuado conforme dispusera o Parecer PGFN/CRJ 287/2009 e não houve o alegado erro nas alíquotas; quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; j) as parcelas referentes a férias indenizadas e 13º salário não comnpuseram o lançamento. Ciência do acórdão em 26/07/2011. Recurso voluntário interposto no dia 17/08/2011. No recurso voluntário, o recorrente alega: 1) o acórdão recorrido não apreciou a questão da falta de legitimidade passiva da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, limitandose o órgão julgador a citar que a competência é exclusiva da União, sem fundamentar sua afirmação, violando os art. 5º, incisos LIV, LV e 93, inciso IX da Constituição; tampouco manifestouse sobre a quebra da capacidade contributiva; alegações que são reiteradas. 2) ilegitimidade ativa da união decorrente do art. 157, I da Constituição de 1988, nesse ponto menciona o acórdão no Resp 989.419/RS entre outros; 3) o acordo para pagamento dessa verba em 36 parcelas se deu por meio da Lei Complementar da Bahia nº 20/2003; 4) a verba objeto da autuação – diferença de URV – tem natureza indenizatória, não acarreta acréscimo patrimonial, não se subsumem ao art. 43 do CTN e sobre ela não incide o imposto de renda; o caráter indenizatório e não incidência do imposto em verbas dessa natureza foi definido na Resolução STF nº 245/2002, em Parecer da PGFN, em decisões desse Conselho entre outros atos normativos; não admitida a tese acima, requer o cálculo do tributo mês a mês, e não global, levando em conta, ainda, as despesas dedutíveis e a Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 regra de cálculo mais benéfica prevista na IN 1.127/2010, publicada no Diário Oficial da União de 08/02/2011; 5) agiu de boa fé, adotando entendimento da sua fonte pagadora, o que foi desconsiderado pela autoridade fiscal; 6) violação ao princípio da isonomia por não se adotar o mesmo tratamento dados ao MPF e aos magistrados federais; cita o Resp 1.187.109MA; 7) a mesma razão para considerar não tributável as verbas de mesma natureza pagas ao MPU devem ser adotadas para o presente caso; 8) a autoridade fiscal usou alíquotas incorretas, como se pode verificar no site da RFB, pois se utilizou de alíquotas diferentes das que vigoravam à época de ocorrência dos fatos geradores, uma vez que no ano de 1994 e 1998 a alíquota vigente era 25%, enquanto no lançamento foram adotadas as alíquotas de 26,6% e 27,5%, respectivamente; 9) a IN RFB 1.127/2010 fornece regramento mais benéfico e deve ser observada; 10) não foram consideradas as deduções cabíveis nos respectivos exercícios; 11) diversamente do que se afirmou no acórdão recorrido, integraram indevidamente o lançamento o 13º salário e férias indenizadas; a autoridade fiscal excluiu R$3.266,77, de 13º para cada exercício, quando o correto é excluir R$4.047,25 em cada exercício; e quanto às férias o correto é R$4.442,34 em cada ano e não R$874,86; 12) o recorrente agiu com boafé pois declarou conforme entendimento adotado pela fonte pagadora e expresso na Lei Complementar Estadual 20/2003, a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora (Ministério Público) quanto do Estado da Bahia, não se podendo cobrar do recorrente; 13) ainda que se considere devido o tributo, a não aplicação da multa já foi reconhecida inclusive pela Cosit na Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, em razão de boafé do contribuinte; aplicase também o disposto no inciso I do art. 100 do CTN c/c Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003, cita decisões desse Conselho; 14) inaplicabilidade dos juros de mora e da correção monetária em razão do inciso I do art. 100 do CTN c/c Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003 (não declarada inconstitucional); 15) a cobrança sobre diferenças de URV constitui confisco. Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2202 000.221, de 16/05/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator durante a sessão de abril de 2014. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 247 7 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. Da alegada omissão do acórdão O recorrente sustenta que o acórdão da DRJ foi omisso nesse tópico. A decisão hostilizada enfrentou essa questão, quando afirmou que o caso dos autos não trata de IRRF que deixou de ser retido pelo Estado da Bahia (que segundo o impugnante seria de competência do Estado por força da repartição de receita prevista no inciso I do art. 157) e sim de Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos, conforme fl.163, in verbis: É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Também alegou omissão quanto à alegação de quebra da capacidade contributiva em razão da incidência do tributos sobre verba que defende ser indenizatória bem como a forma como se deu o cálculo. O acórdão manifestouse suficientemente sobre essa questão ao desenvolver fundamentação quanto à incidência do imposto e à aplicação da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos. Não era necessário consignar textualmente a expressão usada pelo impugnante. Ademais, o julgador não é obrigado a enfrentar um a um todos os argumentos defensivos, desde que tenha fundamento suficiente para a decisão adotada, entendimento constante, inclusive, de um dos julgados colacionados pelo recorrente (Resp 874759/SE, fls.187), conforme excerto seguinte: “Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta.” (Resp Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 874759/SE, Relator Teori Albino Zavascki, julgado em 07/11/2006)”. Não houve as alegadas omissões e as razões adotadas em primeira instância são ratificadas nesse voto. O recorrente reitera a tese da ilegitimidade ativa, que deve ser rejeitadas pelos mesmos fundamento da decisão recorrida. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A matéria dos autos é conhecida dessa Turma Julgadora que reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros do Ministério Público Estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.802, de 20 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 248 9 acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 249 11 irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a não incidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, aplicase a Súmula CARF nº 73: Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 250 13 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitase a alegação de que deveriam ter sido considerada a dedução das despesas em cada um dos exercícios que se refeririam os rendimentos. O recorrente equivocouse em afirmar que não foram consideradas as despesas dedutíveis, o que deve ser levado em conta são as despesas dos anocalendário em que os rendimentos foram recebidos, tal como efetuado no lançamento, uma vez que foi aproveitada a base de cálculo declarada, que por sua vez somente foi apurada após as deduções. Embora o lançamento tenha discriminado as verbas de 1997 a 2001 (fls. 11), as importâncias encontradas foram computadas ao ajuste anual conforme o regime de caixa nos exercícios de 2005 a 2007, nos quais o recorrente já se situava na última faixa da tabela progressiva anual (como atestam as Declaração de Ajuste Anual), de forma que adicionar o rendimento omitido à base de cálculo ou cobrar o valor do respectivo imposto (como feito) isoladamente não afeta o montante de imposto apurado posto que as alíquotas são as mesmas, salvo na parcela alusiva a 1997, em que a alíquota adotada no lançamento foi de 25% e não de 27,5%. Todavia não se pode gerar agravamento em sede recursal. A IN RFB 1.127/2010 tem fundamento de validade em lei posterior à ocorrência dos fatos geradores, portanto é inaplicável para fins de definir o cálculo do imposto no casos destes autos (art. 144 do CTN). Da alegação de erro na alíquotas dos anos de 1994 e 1998. Alegase que o lançamento adotou alíquotas de 26,6% em 1994 e de 27,5% em 1998, quando o correto é 25% nos dois casos. A planilha de cálculo demonstra que a diferença salarial referese aos anos de 1997 em diante, a alegação referente ao ano de 1994 não condiz com a autuação (fls. 19). De outro giro, a alíquota não esteve em vigor em 1998, em decorrência do art. 21 da Lei 9.532/1997, que a substituiu pela de 27,5%. Ao consultar as tabelas progressiva divulgadas pela Receita Federal, o recorrente confundiu exercício 1998 com anocalendário 1998. Dos valores de 13º salário e abono sobre férias. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 As parcelas referentes a abono de férias e 13º salário não compuseram o lançamento (fls. 6/7). A autoridade fiscal anotou que o montante apurado referese a salários e férias, tanto o que foi informado na coluna atualização como juros (fls. 21). O recorrente junta nova planilha às fls. 232, na qual a soma dos valores de salárioatualização, fériasatualização, saláriojuros e fériasjuros é de R$119.934,94, idêntico ao que consta na planilha de fls. 21, porém valor superior à omissão lançada que foi de R$115.439,62 (fls. 11). O recorrente junta nova planilha que, embora tenha os mesmos dados acima, apresenta um quadro resumo(fls. 232) diferente do que constou na primeira planilha de cálculos. Vejamos: fls. 21 Resumo Total Juros 44.682,22 Total Abono Férias 1.728,52 Total de Férias 3.432,17 SubTotal1 49.842,91 Total Salário 71.287,47 Total ADT 13 Sal 1.293,27 Total 13 Salario 1.944,37 Subtotal2 74.525,11 Total Geral 124.368,02 fls. 232 Resumo Total Juros 39.893,88 Total Abono Férias 2.538,47 Total de Férias 5.259,04 SubTotal1 47.691,38 Total Salário 70.286,68 Total ADT 13 Sal 1.894,61 Total 13 Salario 4.495,35 Subtotal2 76.676,64 Total Geral 124.368,02 O recorrente não explica a razão da diferença, muito menos porque esse segundo quadro deveria prevalecer sobre o anterior. De toda forma, o lançamento não se ampara no quadro resumo e sim na planilha que o antecede. Resta comprovado que o lançamento não contém as verbas de abono de férias e 13º salário. O fato de declarar rendimentos com base nos informes fornecidos pela fonte pagadora (ainda que sob influência do texto da Lei da Bahia) não significa que tenha ocorrido a hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Também nesse tópico, não cabe reparo ao acórdão recorrido. Constatado que a tributação das verbas tem amparo em lei, não compete ao CARF apreciar alegação de que a exação viola o princípio do não confisco ou o da capacidade contributiva. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.727300/200956 Acórdão n.º 2802002.976 S2TE02 Fl. 251 15 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10480.015191/2002-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2001
NULIDADES. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
O auto de infração descreveu pormenorizadamente as infrações apuradas, não se evidenciando o alegado cerceamento de defesa por falta de clareza da descrição dos fatos.
Do mesmo modo, não procede o argumento de nulidade por taxar a imposição fiscal como desproporcional e incompatível com o porte da empresa.
Se não bastassem os argumentos da decisão recorrida de que não é permitido à autoridade fiscal deixar de aplicar a lei por equidade, pois sua atividade é vinculada, deve-se observar que os valores cobrados foram pelo próprio contribuinte declarados e, como não foram por ele contestados, presumem-se derivar de sua contabilidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais - Súmula CARF nº 4.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1102-000.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2001 NULIDADES. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. O auto de infração descreveu pormenorizadamente as infrações apuradas, não se evidenciando o alegado cerceamento de defesa por falta de clareza da descrição dos fatos. Do mesmo modo, não procede o argumento de nulidade por taxar a imposição fiscal como desproporcional e incompatível com o porte da empresa. Se não bastassem os argumentos da decisão recorrida de que não é permitido à autoridade fiscal deixar de aplicar a lei por equidade, pois sua atividade é vinculada, devese observar que os valores cobrados foram pelo próprio contribuinte declarados e, como não foram por ele contestados, presumemse derivar de sua contabilidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Súmula CARF nº 4. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 51 91 /2 00 2- 82 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10480.015191/200282 Acórdão n.º 1102000.914 S1C1T2 Fl. 366 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 27, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, anoscalendário 1999 e 2001, para lançar diferenças de tributos não declarados e não recolhidos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 79.251,66, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Os valores lançados foram apuradas pelas diferenças entre os valores de CSLL informados nas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJs e àqueles declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFs dos mesmos períodos. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 59 a 95), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fl. 259 a 261): DOS FATOS Alega a autuada que o agente fiscal não indicou no Auto de Infração, como era indispensável, a descrição minuciosa da infração objeto da exigência fiscal, optando por uma descrição simplória e confusa dos fatos, alguns deles sem qualquer relação direta com a irregularidade fiscal objeto do lançamento, o que fere frontalmente o art. 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, incidindo assim, na nulidade prevista no art.59, do citado instrumento normativo. Argumenta que a descrição do fato é, portanto, essencial, pois a tipicidade é inerente à tributação. Cita a jurisprudência e a doutrina no sentido de que qualquer vício nos elementos básicos estruturais dos atos administrativos faz com que o ato não reúna condições para irradiar os efeitos jurídicos que lhe são próprios. Dessa forma, o presente lançamento, por conter vício de forma, é causa de nulidade do ato. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10480.015191/200282 Acórdão n.º 1102000.914 S1C1T2 Fl. 367 3 Acrescenta, ainda, a impugnante que a exigência fiscal é absurdamente desproporcional ao porte e à capacidade contributiva da empresa, ferindo o texto da Constituição Federal que veda o confisco. A defesa questiona também a composição do crédito fiscal gravado por juros calculados pela taxa SELIC. Preliminarmente, requer a impugnante seja reconhecida a improcedência da exação fiscal ora contestada, comprometedora do legítimo direito de defesa do contribuinte. Do Mérito A autuada apresenta vasta argumentação no sentido de que faltou,efetivamente, na dita fiscalização, tempo mais alongado que propiciasse uma verificação mais racional dos fatos contábeis e fiscais que envolviam a empresa nos anos autuados. Afirma a recorrente que promoveu regularmente a entrega tempestiva das suas Declarações do IRPJ (Lucro Real) – DIPJ e das suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários –DCTF. Alega que incluiu as reais receitas operacionais tributáveis, com o régio cálculo dos tributos devidos. Contudo, o fisco optou por, aleatoriamente, desprezar as referidas declarações firmadas pela empresa, elaborando um confuso e incompreensível demonstrativo, onde aponta ter a empresa, deixado de recolher, ou recolhido a menor, em períodos dos anos de 1999 e 2001, parcela da CSLL. Por fim, requer a impugnante a adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o completo afastamento das suspeitas fiscais, se ainda persistirem, pois nos termos em que foram formuladas não podem prevalecer, haja vista que a liquidez e a certeza da exigência se encontram comprometidas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou procedente o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 255 a 267): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10480.015191/200282 Acórdão n.º 1102000.914 S1C1T2 Fl. 368 4 PRECLUSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O momento para a juntada de provas, na esfera administrativa, é o da apresentação da impugnação. De acordo com a legislação vigente, extinguese com o prazo da impugnação o direito de o sujeito passivo juntar documentos, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, excetuados os casos expressamente previstos em lei. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999, 2001 CSLL NÃO DECLARADA EM DCTF E NÃO PAGAS. TRIBUTAÇÃO. É cabível a tributação de receitas não declaradas quando demonstrado que sua falta resultou em recolhimento a menor do tributo. JUROS DE MORA . SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora, com base na variação da Taxa SELIC. Lançamento Procedente Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) não ocorrência de nulidade de cerceamento de defesa, pois a autuação atendeu a todos os requisitos legais, e descreveu as infrações de forma objetiva e clara, possibilitando a defesa do contribuinte; b) impossibilidade de a autoridade administrativa deixar de aplicar determinações legais; c) indeferimento da diligência solicitada, que consistia em providências legais e técnicas que se fizerem necessárias, por ser ônus do contribuinte instruir a impugnação com documentos que comprovem suas alegações, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 28/7/2008 (fl. 281), o contribuinte apresentou, em 27/8/2008 (fl. 285), o recurso de fls. 287 a 319, onde defende que: a) o auto lavrado é nulo por falta de clareza e, por conseguinte, preterir o seu direito de defesa; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10480.015191/200282 Acórdão n.º 1102000.914 S1C1T2 Fl. 369 5 b) a imposição fiscal é desproporcional e incompatível com o seu porte, malferindo, de conseguinte, o Principio da Capacidade Contributiva, uma vez que a sua capacidade econômica nos anos de 1997 a 2001 era insignificante diante da absurda exação fiscal imposta; c) a inconstitucionalidade e a ilegalidade da SELIC para fins tributários. Ao final, pugna pelo provimento ao recurso interposto, julgando insubsistentes os lançamentos em todos os seus termos. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 364. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de diferenças de CSLL, apuradas pelo cotejo entre os valores das contribuições informadas nas DIPJs e àqueles declarados nas DCTFs dos mesmos períodos. Em seu recurso, em vez de atacar o mérito da autuação, comprovando que não devia os tributos lançados, o recorrente preferiu indicar nulidades no lançamento e atacar a legalidade e a constitucionalidade dos juros de mora aplicados. A primeira nulidade apontada seria por falta de clareza na descrição dos fatos. A única possibilidade de se compreender tal imputação seria caso se considerasse que a autuação estivesse descrita nos termos da descrição dos fatos da fl. 9. Entretanto, em tal documento, consta que a aquela infração se encontra descrita no “item 2. do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que encontrase anexo ao presente Auto de Infração como se aqui transcrito fosse”. E no documento indicado, constante na fl. 21 dos autos, consta: 2. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL 2.1. CSLL A PAGAR NÃO DECLARADA EM DCTF E NÃO PAGA 1. A empresa declarou e pagou valores a menor da CSLL nos trimestres de apuração dos anos calendários de 1999 e 2001 abaixo relacionados; valores esses obtidos a partir do cotejamento entre os valores da CSLL declarada em suas DIPJ e os Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10480.015191/200282 Acórdão n.º 1102000.914 S1C1T2 Fl. 370 6 declarados nas DCTF e pagos pelo contribuinte (vide Declarações DIPJ DOCUMENTO 2; e Demonstrativo do IRPJ e da CSLL a Tributar DOCUMENTO 5, nos anexos). Período de Apuração CSLL Devida Cfe. DIPJ CSLL Devida cfe DCTF CSLL A Tributar 2o.Trim/1999 5.839,34 3.892,89 1.946,45 lo.Trim/2001 23.848,83 0,00 23.848,83 2o.Trim/2001 9.137,24 0,00 9.137,24 3o.Trim/2001 2.367,35 0,00 2.367,35 4o.Trim/2001 41.951,79 0,00 41.951,79 A simples leitura do texto acima transcrito demonstra que a infração foi descrita de forma clara e objetiva, não deixando quaisquer dúvidas sobre seu conteúdo. Do mesmo modo, não procede o argumento de nulidade por taxar a imposição fiscal como desproporcional e incompatível com o porte da empresa. Se não bastassem os argumentos da decisão recorrida de que não é permitido à autoridade fiscal deixar de aplicar a lei por equidade, pois sua atividade é vinculada, devese observar que os valores cobrados foram pelo próprio contribuinte declarados e, como não foram por ele contestados, presumemse derivar de sua contabilidade. Desta forma, rejeitamse as preliminares de nulidade. Quanto aos juros de mora, nunca é demais enfatizar que o assunto não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese, ainda, que não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 370DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10480.015191/200282 Acórdão n.º 1102000.914 S1C1T2 Fl. 371 7 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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Numero do processo: 16048.000007/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 48 .0 00 00 7/ 20 08 -8 1 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Taubaté/SP). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0538.474, às fls. 73 a 78: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP nº 40162.14498.300604.1.3.043931, por meio da qual a contribuinte em epígrafe buscou extinguir débito de IRPJ, código 23621, referente ao período de apuração maio de 2004, cujo valor seria R$ 577.964,90, valendose de crédito referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, verificado em 30/06/2004, na parcela original de R$ 539.448,29, integrante de DARF recolhido no valor de R$ 787.350,11. Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 04/09/2006, foi emitida intimação (nº de rastreamento 621681637) de fls. 09, vinculada à DCOMP referida, nos termos abaixo: O DARF indicado abaixo não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARF informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARF original. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: CAMPO DO DARF VALOR PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/05/2004 CNPJ: 61.736.732/000139 CÓDIGO DE RECEITA: 2362 Nº DE REFERÊNCIA: DATA DE VENCIMENTO: 30/06/2004 VALOR DO PRINCIPAL: 787.350,11 VALOR DA MULTA: 0,00 VALOR DOS JUROS: 0,00 VALOR TOTAL DO DARF: 787.350,11 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/06/2004 Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua Jurisdição com esta Intimação e o(s) DARF original(is), no prazo Indicado. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 4 3 Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido, em 22/01/2008, despacho decisório pela DRF Taubaté NÃO HOMOLOGANDO a compensação, tendo em conta a não localização do DARF indicado na PER/DCOMP objeto do presente litígio. Cientificada do ato de não homologação da compensação, em 31/01/2008, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 29/02/2008 a contribuinte, por meio de seus advogados e bastante procuradores, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 34/39, afirmando ter incorrido em equívoco quando da apresentação da DCOMP em comento. Alega a contribuinte que a DCOMP apresentada, na verdade, objetivava compensar débito de estimativa de IRPJ de maio de 2004 com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, no valor de R$ 1.538.214,46, disponível para utilização a partir de janeiro de 2004. Defende a Manifestante que o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente, é facilmente identificado, bastando para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ. Encerra requerendo a improcedência do despacho decisório combatido, sendo homologada a compensação em análise. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO RETIFICAÇÃO. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. A correção de erro na DCOMP quanto à natureza do crédito deve se dar mediante apresentação de declaração retificadora, a qual não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 5 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/08/2012, a Contribuinte apresentou em 27/08/2012 o recurso voluntário de fls. 85 a 95, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda as seguintes alegações: diferentemente do que menciona a decisão recorrida, há sim como identificar a alegação do erro de preenchimento do PER/COMP, diante da existência do direito creditório do saldo negativo do IRPJ, e que, em qualquer caso, não houve prejuízo ao erário já que, como demonstrado, havia saldo negativo do IRPJ suficiente para absorver a referida compensação; tal saldo negativo, devidamente corrigido pela SELIC, foi utilizado para a compensação, a partir do mês de janeiro do anocalendário de 2004, conforme planilha contida no recurso (a contribuinte indica PERDCOMP´s e Processos que tratariam da utilização em seqüência do alegado saldo negativo para a quitação de estimativas a partir de janeiro/2004); o valor do crédito utilizado no PER/DCOMP tem origem no saldo negativo de R$ 1.538.214,46, apurado no anobase de 2003 e compensado em 2004, e se mostra, pois, legítimo, conforme demonstra a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ acostada aos autos; a ficha de compensação foi preenchida erroneamente, eis que nela deveria figurar o valor de crédito tributário sobre cuja existência e legitimidade não existem dúvidas (saldo negativo IRPJ 2003), ou seja, o valor de R$ 1.538.214,46 e não o valor de R$ 787.350,11, equivocadamente apresentado como sendo tributo pago indevidamente ou a maior; o único motivo para o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação das compensações reside no erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela ora Recorrente; a existência do saldo negativo, do direito creditório, não poderia ter sido ignorada diante do erro no preenchimento do PER/DCOMP. Deveria, sim, ter sido pelo menos apreciada, diante da DIPJ apresentada, sendo desarrazoada a exigência de DCOMP retificadora, como menciona a decisão recorrida, antes ou depois da emissão do despacho decisório; mais desarrazoado e sem amparo é o entendimento constante da decisão recorrida segundo o qual “a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para a retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP...e que a mesma deverá ser requerida antes da emissão despacho decisório”; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 6 5 esse entendimento diverge da decisão proferida pelo CARF nos autos do processo n° 10830.900649/200615 (Acórdão n° 140200.704), onde foi admitida a apreciação de erro no preenchimento da declaração de compensação (ementa transcrita); com efeito, não há impedimento para que o erro material no preenchimento da PER/DCOMP seja reconhecido no curso do processo administrativo; da análise das planilhas e documentos apresentados pela Recorrente, é possível identificar que ela possui direito creditório, ou seja, o direito de compensar o saldo negativo do IRPJ anocalendário 2003 com outros tributos e contribuições. É possível identificar, também, o erro formal de preenchimento do PER/DCOMP, bastando para tanto analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ; é certo que eventual inexatidão da Declaração de Compensação não tem o condão, em homenagem ao princípio da verdade material, de excluir a existência do direito ao crédito e à compensação ora realizada, como já assentou o E. Conselho de Contribuintes (ementas transcritas); no mesmo sentido é o entendimento do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que já se pronunciou no sentido de que “(...) não é por não ter agido corretamente que surgirá uma obrigação tributária não subsumida à hipótese legal se vier como veio a ser comprovado o erro de preenchimento de declarações. Mantêla também pela mera constatação de que não houve a oportuna declaração de compensação efetivada na contabilidade corresponderia a exigir tributos sem correspondência fáticojurídica.” (TRF3, APELREEX 00255799620064036182); os casos de erros de fato contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa a quem competir a revisão, conforme disposto no artigo 147, § 2º, do CTN; para que não paire dúvida quanto à existência do direito creditório e a fim de conferir certeza ao lançamento tributário, em homenagem à busca da verdade material e à ampla defesa, requer seja o julgamento convertido em diligência (quesitos indicados no recurso); à vista do exposto, requer a Recorrente seja o presente recurso voluntário recebido e processado, por tempestivo, e que lhe seja dado provimento para julgar totalmente improcedente a exigência fiscal decorrente da não homologação da compensação. Este é o Relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 30/06/2004, na qual utilizou parte de um alegado crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ realizado em 30/06/2004, no valor total de R$ 787.350,11. O débito objeto da compensação corresponde à estimativa de IRPJ do mês de maio/2004, no valor de R$ 577.964,90. A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o DARF no valor de R$ 787.350,11 não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal, conforme pesquisa que relacionava os pagamentos efetivados em 30/06/2004. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação, porque ela não teria se desincumbido de comprovar o alegado indébito (originado de um DARF não encontrado nos sistemas da Receita Federal), e porque a correção de erro em PER/DCOMP, relativamente à natureza do crédito, deveria se dar mediante apresentação de declaração retificadora junto à Delegacia de origem, e não na fase processual, perante a Delegacia de Julgamento. Além disso, segundo a DRJ, não haveria como confirmar a alegação de erro, porque os dados inseridos na Dcomp, referentes ao tipo de crédito, às datas de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e por fim ao tributo, indicam claramente que a manifestação de vontade não se dirigia ao saldo negativo. Nesta fase processual, cabe examinar o recurso voluntário apresentado pela Contribuinte, onde em síntese ela alega: que há sim como identificar a alegação de erro no preenchimento do PER/DCOMP; que o valor do crédito utilizado no PER/DCOMP tem origem no saldo negativo de R$ 1.538.214,46, apurado no anobase de 2003 e compensado a partir do mês de janeiro do anocalendário de 2004, conforme planilha contida no recurso; que o único motivo para o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação das compensações reside no erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação; que é incorreto o entendimento de que a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para a retificação de Declaração de Compensação; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 8 7 que não há impedimento para que o erro material no preenchimento do PER/DCOMP seja reconhecido no curso do processo administrativo; que eventual inexatidão da Declaração de Compensação não tem o condão de excluir a existência do direito ao crédito e à compensação ora realizada; que os casos de erros de fato contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame devem ser retificados de ofício pela autoridade administrativa a quem competir a revisão, conforme disposto no artigo 147, § 2º, do Código Tributário Nacional. Primeiramente, é preciso registrar que o CARF, em alguns casos, realmente admite que a retificação de erro no preenchimento de PER/DCOMP ocorra no curso do processo administrativo. Isto porque as normas da Receita Federal restringem bastante a possibilidade de retificação de declaração de compensação, e nem mesmo a admite após a edição do despacho decisório pela Delegacia de origem (Instrução Normativa SRF nº 600/2005, arts. 57/58). Em determinadas situações, providências relativas à retificação ou apresentação de novas declarações só serviriam para abarrotar os sistemas eletrônicos da Receita Federal com informações conflitantes, e esta é uma das razões pelas quais não se permite a retificação de PER/DCOMP já examinado pela Delegacia de origem, ainda que seja para a correção de inexatidões materiais. Diante de tais circunstâncias, a medida cabível para inexatidões desta espécie é que elas sejam examinadas dentro do próprio processo em que a declaração de compensação vem sendo apreciada. Nesse contexto, cabe assinalar que a Contribuinte, desde a ciência do despacho decisório, vem alegando que incorreu em equívoco quando da apresentação do PER/DCOMP, que seu direito creditório não decorre de pagamento indevido ou a maior mediante DARF, mas de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, no valor de R$ 1.538.214,46, conforme indica sua DIPJ. No caso, realmente estão presentes as divergências apontadas pela DRJ, quanto ao tipo de crédito, às datas de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e ao tributo que gerariam o direito creditório. Mas há elementos nessas divergências que precisam ser analisados. O fato de a Contribuinte ter indicado que o crédito se originava de um DARF no valor de R$ 787.350,11, recolhido em 30/06/2004 no código 2362, referente à estimativa de IRPJ de maio/2004, vencida em 30/06/2004, já indicava, por si só, a ocorrência de erro no preenchimento do PER/DCOMP. Vêse que ela indicou como data de recolhimento do DARF gerador do crédito, a data de envio do PER/DCOMP (30/06/2004); como data de vencimento desse mesmo DARF, a data de vencimento do débito a ser compensado (30/06/2004); e como período de apuração do DARF, o período de apuração do débito a ser compensado (maio/2004). Além da coincidência entre período de apuração, data de vencimento e data de recolhimento, o crédito possuiria a mesma natureza do débito compensado (IRPJ/estimativa). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 9 8 Ocorre que não há nenhum sentido em recolher em 30/06/2004 um DARF de IRPJ, no código 2362, vencido em 30/06/2004, e apresentar nesse mesmo dia (30/06/2004) um PER/DCOMP visando quitar um débito também de IRPJ, no mesmo código 2362, e vencido na mesma data de 30/06/2004. Está bastante evidente a ocorrência de erro no preenchimento do PER/DCOMP, tendo a Contribuinte refletido na ficha do crédito os dados de referência do débito a ser quitado por compensação em 30/06/2004, criando informações sobre um DARF fictício que realmente não existia (erro que costuma decorrer do fato de a declaração de compensação ter passado a configurar uma “moeda” de pagamento como um DARF, ainda que sob condição resolutória). Além disso, as informações constantes dos autos indicam que a Contribuinte apresentou outros PER/DCOMP´s em seqüência (abrangendo o presente), para a quitação sucessiva das estimativas de IRPJ de janeiro a maio/2004, onde o crédito utilizado em cada PER/DCOMP (a partir do segundo deles) é o saldo remanescente do PER/DCOMP anterior, o que também indica que o crédito nesses PER/DCOMP´s tinha uma só origem, e não decorria de nenhum DARF recolhido na mesma data de apresentação do PER/DCOMP. É importante mencionar que nessa mesma sessão de julgamento do CARF está sendo apreciado o PER/DCOMP para a quitação da estimativa de IRPJ de janeiro/2004, objeto do processo nº 16048.000009/200870. Nesses outros autos, a Contribuinte cometeu os mesmos equívocos na ficha de origem do crédito, gerando informação sobre um DARF inexistente, onde indicou como data de seu recolhimento, a data de envio do PER/DCOMP (31/03/2004); como data de vencimento desse suposto DARF que daria origem ao crédito, a data de vencimento do débito a ser compensado (27/02/2004); e como período de apuração do DARF, o período de apuração do débito a ser compensado (janeiro/2004). Além da coincidência entre período de apuração, data de vencimento e data de recolhimento, o crédito possuiria a mesma natureza do débito compensado (IRPJ/estimativa). Cabem aqui os mesmos comentários já feitos para a estimativa de maio/2004. Não há nenhum sentido em recolher em 31/03/2004 um DARF de IRPJ, no código 2362, vencido em 27/02/2004, e apresentar nesse mesmo dia (31/03/2004) um PER/DCOMP visando quitar um débito de IRPJ no mesmo código 2362, também vencido em 27/02/2004. As duas situações deixam evidente que a Contribuinte refletiu na ficha de crédito as informações referentes ao débito a ser quitado por compensação, o que também ocorreu com os PER/DCOMP´s para quitar as estimativas de fevereiro, março e abril/2004, cujos processos ainda não foram distribuídos para julgamento no CARF (processos nº 16048.000008/200825, 16048.000010/200802 e 10860.900348/200898). Está bem caracterizado que a Contribuinte cometeu reiteradamente o mesmo erro no preenchimento das declarações de compensação. Cabe agora registrar que a apresentação sucessiva de PER/DCOMP´s onde o crédito inicial corresponde ao saldo remanescente de PER/DCOMP anterior ampara, em princípio, a alegação de que seu objetivo era utilizar parcial e sucessivamente um único direito creditório (que ela alega ser o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003) para quitar as estimativas de IRPJ a partir de janeiro/2004 (janeiro a maio/2004). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16048.000007/200881 Resolução nº 1802000.536 S1TE02 Fl. 10 9 A Ficha 12A da DIPJ indica que a Contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2003 no valor de R$ 1.538.214,46, e a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia de origem, para que a referida unidade: 1) intime a Contribuinte a demonstrar detalhadamente qual a relação entre o valor de R$ 787.350,11 (indicado como valor original do crédito inicial) e o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003; 2) junte cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2003; 3) junte cópia integral dos PER/DCOMP´s utilizados para a quitação das estimativas de IRPJ no período de janeiro a maio/2004; 4) informe em relatório circunstanciado se há saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2003 para ser restituído/compensado, esclarecendo sobre sua disponibilidade para utilização nestes autos; 5) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Taubaté/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720168/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Despesas médicas de não dependentes não podem ser deduzidas na declaração de imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente em exercício e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente em exercício), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Despesas médicas de não dependentes não podem ser deduzidas na declaração de imposto de renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Presidente em exercício e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente em exercício), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório O recurso voluntário visa à reforma do Acórdão 0347.978 da 3a. Turma da DRJ/BSB que considerou procedente em parte a impugnação do contribuinte para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.043,68, resultando num direito creditório de R$ 287,01. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 68 /2 01 0- 11 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 O recorrente apresentou recurso voluntário em 22/06/2012 utilizando os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam, que os valores constantes dos documentos fornecidos pelas empresas Odontosystem (CNPJ 23.595.762/00345) e Unimed do Sudoeste(16.415.598/000110) foram declarados a Receita Federal conforme recebidos e que a divergência ocorreu devido aos informes posteriores. Credita a modificação nos informes das empresas à possibilidade de intimidação caso existisse algum erro porventura cometido por elas (empresas). O contribuinte entende que, se houve irregularidade, não deu causa. Argumenta que os responsáveis pela irregularidade são as empresas que modificaram os valores em declaração posterior, o que ocasionou a irregularidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e merece ser conhecido. O recorrente pretende que sejam deduzidas despesas com plano de saúde e odontológico de não dependentes, o que não é permitido pelo Decreto 3000/99, Regulamento do Imposto de Renda, a seguir transcrito. “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , inciso II, alínea "a"). § 1 º O disposto neste artigo (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , § 2 º ): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” (grifei) Por força de acordo judicial, a sra. Marilene Flores Soares é dependente do recorrente nos planos de saúde Unimed e Odontosystem, cujos valores já foram considerados na decisão do acórdão recorrido. As despesas com plano de saúde do contribuinte e da sra. Marilene Flores Soares estão discriminadas nos documentos anexos à impugnação fls. 69 a 94 (Unimed Sudoeste e Odontosystem). O recibo datado de 25/10/09, da operadora do plano de saúde Unimed na localidade de Recreio, não individualiza os beneficiários dos pagamentos e, portanto, não pode Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10120.720168/201011 Acórdão n.º 2101002.458 S2C1T1 Fl. 3 3 ser aproveitado, uma vez que o plano de saúde contempla também não dependentes do contribuinte para efeitos de Imposto de Renda. Os valores pagos como pensão alimentícia à sra. Marilene Flores Soares já foram analisados e, conforme acórdão de impugnação (fl. 126 e seguintes), não foram objeto de glosa no auto de infração. Dado o exposto, negase provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 36624.006156/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/10/1997
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REVISÃO DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
A revisão do lançamento fiscal somente pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.
O limite material da revisão do lançamento tem os seus contornos estabelecidos pelo art. 149,§ único do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2301-003.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em ratificar a decisão, a fim de manter a decisão sobre a procedência do recurso, devido a decadência das contribuições exigidas, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/10/1997 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REVISÃO DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A revisão do lançamento fiscal somente pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O limite material da revisão do lançamento tem os seus contornos estabelecidos pelo art. 149,§ único do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em ratificar a decisão, a fim de manter a decisão sobre a procedência do recurso, devido a decadência das contribuições exigidas, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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REVISÃO DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. A revisão do lançamento fiscal somente pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O limite material da revisão do lançamento tem os seus contornos estabelecidos pelo art. 149,§ único do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em ratificar a decisão, a fim de manter a decisão sobre a procedência do recurso, devido a decadência das contribuições exigidas, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator ad hoc somente para formalização Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes , Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 61 56 /2 00 5- 27 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.006156/200527 Acórdão n.º 2301003.734 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos, tempestivamente, pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), fundamentado no artigo 57, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n° 147/07, contra Acórdão n° 20500.913, de minha relatoria. 2. Em assentada anterior, acolhendo embargos declaratórios da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), esta Câmara resolveu converter o julgamento em diligência para que o fisco providenciasse as seguintes informações: “3. Posto isso, durante a diligência, devem ser apuradas as datas de consolidação e da ciência da NFLD 35.435.6801, bem como a data de sua anulação, explicitando o vicio encontrado. 4. Desta forma, uma vez realizada a diligência pelo fisco terseão informações necessárias para aferição da decadência. Em seguida, devese abrir vistas ao contribuinte para manifestação nos autos, caso queira, e, após, sejam devolvidos os autos para novo voto e posterior julgamento do Colegiado.” 3. O fisco, por sua vez, respondeu a diligência informando que o presente processo não tem natureza substitutiva, mas sim complementar a outro processo consubstanciado na NFLD n.º 35.435.6801, em face da revisão de lançamento anterior pela auditoria Fiscal: “1 O processo questionado, relativo ao DEBCAB n° 35.435.6801, não foi objeto de anulação, pois não apresentou qualquer vicio que ensejasse tal procedimento, tendo o seu trâmite prosseguido em perfeita aderência ao Processo Administrativo Fiscal — PAF, nos termos do Decreto 70235/72, conforme resta demonstrado em telas do Sistema de Cobrança/Lista de Eventos de Processos e de Divida Ativa, de fls.284 a 288, tendo sido incluído em parcelamento especial pela Lei 11941/09, no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. 2 O processo de DEBCAD n° 35.672.4182, afeto ao presente procedimento, não tem natureza substitutiva, mas sim complementar ao processo retrocitado, em face da revisão da Auditoria Fiscal demandada em Memorando Circular INSS/D1RAR/CGFISC/GAFISC N°28, as fls.34/35, conforme mencionado em Relatório Fiscal, itens 1.1 e 1.2, às fls.99, por terem sido considerados créditos tributários a favor da empresa maiores dos que realmente lhes eram devidos na época da lavratura do processo que deu origem ao DEBCAD n° 35.435.6801, repercutindo, após a devida revisão, nos termos do artigo 149 da Lei 5172/66 — Código Tributário Nacional (que não enseja "interrupção decadencial" por ausência de previsão legal), em um débito tributário superior ao apurado Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 quando da fiscalização inicial. Em respeito à vedação "reformatio in pejus", ex vi do parágrafo único do artigo 65 da Lei 9784/99, que veda qualquer majoração da autuação de crédito tributário constituído, in verbis: Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de oficio, quando surgirem fatos novos ou circunstancias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção.",(grifos nossos), procedeuse à lavratura deste auto complementar, visando o recolhimento da diferença do tributo então devido. 3 Em resumo, os processos neste documento mencionados não guardam relação de anulaçãosubstituição, mas sim de complementaridade. Dessa forma, salvo melhor juízo, não se aplica o disposto no inciso II do artigo 173 da Lei 5172/66 — Código Tributário Nacional, que prevê a hipótese excepcional de "interrupção" da decadência em face da anulação por vicio formal do lançamento anterior. Não se trata, portanto, o presente caso, de anulação por vicio formal tampouco de substituição de lançamento inicial, o qual se constituiu em ato jurídico perfeito e acabado. 4 Registrese, por derradeiro, petição da empresa, de fls.260 a 282, pleiteando a decadência do presente lançamento nos termos da Súmula Vinculante n°8 do Supremo Tribunal Federal, cujo reconhecimento já havia sido, inclusive, manifestado pela 5ª Câmara de Julgamento do SEGUNDO CONSELHO DE CONRIBUINTES, à fls.243, a qual detinha a competência, na época em que foram encaminhados os autos, e em sede de recurso, para manifestarse sobre as alegações da empresa. 5 Isso posto, proponho que seja dada ciência ao contribuinte do resultado da presente diligência, observando o prazo legal de 30 (trinta) dias para manifestação, com o posterior encaminhamento do processo ao CARF para seguimento.” 4. O Contribuinte foi devidamente intimado da nova manifestação do Fisco e peticionou nos autos defendendo a ocorrência de decadência do débito previdenciário, bem como a nulidade do lançamento fiscal. É o breve relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 36624.006156/200527 Acórdão n.º 2301003.734 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Tendo em vista que os embargos já foram admitidos em despacho anterior pelo Presidente deste Conselho, passo, então a análise da preliminar. PRELIMINAR — DA DILIGÊNCIA 2. Em virtude do acolhimento dos embargos declaratórios entendo, tratase de enfrentar, de início, a questão trazida nos autos acerca da ocorrência de decadência do débito previdenciário lançado em desfavor do contribuinte, com base na declaração pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n.º 8.212/91. 3. Mas no presente caso há uma particularidade relativa à natureza jurídica do presente lançamento e a data correta para o início da contagem do prazo decadencial. Conforme demostra o resultado da diligência fiscal realizada pelo fisco o lançamento ora combatido é originário do processo de DEBCAD n° 35.672.4182 “e que não tem natureza substitutiva, mas sim complementar”. 4. Informa ainda o relato fiscal que o débito se deu: “em face da revisão da Auditoria Fiscal demandada em Memorando Circular INSS/D1RAR/CGFISC/GAFISC N°28, as fls.34/35, conforme mencionado em Relatório Fiscal, itens 1.1 e 1.2, às fls.99, por terem sido considerados créditos tributários a favor da empresa maiores dos que realmente lhes eram devidos na época da lavratura do processo que deu origem ao DEBCAD n° 35.435.6801, repercutindo, após a devida revisão, nos termos do artigo 149 da Lei 5172/66 — Código Tributário Nacional (que não enseja "interrupção decadencial).” 5. Desta forma, entendo que a hipótese dos autos é de revisão de lançamento fiscal. Razão pela qual conto o prazo decadencial a partir da data em que o contribuinte recebeu a notificação do presente débito, ou seja, 12/03/2004, cujo débito consolidado referese ao período de 05/1996 a 10/1997. 6. Considerando que não se tratou de anulação de lançamento, ocasião em que se aplicaria a regra decadencial prescrita no art. 173, inciso II do CTN, mas sim de revisão fiscal, é o caso de aplicar o próprio art. 149, § único, do Codex: “A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública”. 7. Atendo para a regra, basta verificar que, de acordo com o MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 09133592, de 02/03/2004, a fiscalização já teria iniciado o procedimento fora do prazo decadencial de 5 anos (art. 150,§4º, do CTN). Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 8. Para o meu entendimento é despiciendo a data da NFLD anterior, uma vez que o que passa a contar, para este relator, é a data em que se efetivou o que a fiscalização chamou de “lançamento complementar”. 9. E a sistemática originária para a incidência da decadência é o próprio art. 150, §4º, do CTN, haja vista tratarse de tributo sujeito à homologação. O Contribuinte, por sua vez fez recolhimentos parciais, considerando a totalidade da folha salarial. CONCLUSÃO 10. Voto pelo acolhimento dos embargos de declaração, para ratificar a decisão de folhas 238/243. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator ad hoc somente para formalização Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
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