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Numero do processo: 10882.900956/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 56 /2 00 8- 44 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.810, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10882.900956/200844 Acórdão n.º 3402005.414 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003558/2005-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ERRO NO PREENCHIMENTO DE DARF — RESPONSABILIDADE — ONUS DA PROVA — 0 pagamento do IRPJ é obrigação legal da contribuinte cabendo a ela a responsabilidade objetiva pelo pagamento e o ônus de provar o erro cometido. Não comprovado o erro, deve ser mantido o
lançamento fiscal.
DESTINAÇÃO FINOR — EXCESSO — LANÇAMENTO — Na hipótese do
DARF, ainda que rasurado, demonstrar uma destinação ao FINOR excedente ao previsto na legislação, correto está o lançamento fiscal de oficio do IRRI devido que deixou de ser pago, nessa mesma medida.
Numero da decisão: 1302-000.419
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Não comprovado o erro, deve ser mantido o lançamento fiscal. DESTINAÇÃO FINOR — EXCESSO — LANÇAMENTO — Na hipótese do DARF, ainda que rasurado, demonstrar uma destinação ao FINOR excedente ao previsto na legislação, correto está o lançamento fiscal de oficio do IRRI devido que deixou de ser pago, nessa mesma medida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2a turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. Marcos Rodrigues Mello - Presidente L. vin a Moraes de Almeida Nogueira Junqueira - Relatora 6'Ds -t- Rpo )3 46,10)333 Pai iciparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Processo n° 19515.003558/2005-98 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-000.419 1'1. 2 Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 05/10/2005, contra a contribuinte COMPANHIA DE CIMENTO RIBEIRAO GRANDE (fls 05 e seguintes) para exigir Imposto de Renda pago a menor, no valor total de R$ 819.211,22 (juros de mora e multa inclusos), em detrimento do excesso de valor destinado ao FINOR. Ciente do lançamento em 08/12/2005, veio a contribuinte, por meio de seus procuradores, apresentar impugnação (fl. 12 e seguintes), protocolada em 05101/2006, alegando, em síntese: (i) O DARF (Fl 26) usado como fundamento pelo Auditor Fiscal que enseja o lançamento do IRPJ pago a menor, fora alterado manualmente, no código da receita, sem qualquer participação da contribuinte, sendo esta equivocada alteração, a razão da diferença no saldo de IRPJ. (ii) É inimputável a contribuinte a rasura feita no DARF, uma vez que só agora, uma vez autuada, tomou conhecimento da irregularidade que não deu causa e, por isso, não apresentou declaração retificadora. Cita, a contribuinte, o acórdão 301-31597, do Conselho de Contribuintes, fundamentando seu argumento quanto ao erro no preenchimento do DARF. No intuito de consertar o equivoco, a contribuinte apresenta a inclusão do DARF na DCTF do quarto trimestre de 2000 (fls 45 a 47) Foi baixado em diligência o processo (Fls 64 e 65), para regularização da representação, devido à discordância entre esta e o contrato social da referida contribuinte. Intimada, a contribuinte corretamente regularizou sua representação (Fls 69 a 74). A decisão unanime da Delegacia da Receita Federal de São Paulo (fls 76 e seguintes) foi no sentido de manter o lançamento procedente, pelas razões aqui, em síntese, apresentadas: (i) 0 erro que resultou na rasura manual feita no DARF (fl 26) não é de responsabilidade da Receita, tendo sido provavelmente cometido pelo próprio pessoal que cuida da parte fiscal da empresa contribuinte. (ii) Acontece que, para uma empresa que recolheu DARF's específicos para o FINOR ao longo do ano, normal seria haver dois DARF's no ajuste: um para o IRPJ e um para o FINOR. Tendo sido recolhido apenas um DARF, imputa-se o segundo erro a alguém que tenha tentado consertar 2 Processo n° 19515.003558/2005-98 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-000.419 Fl. 3 este, antes do recolhimento, substituindo o código do IRPJ de ajuste pelo do FINOR de ajuste. (iv) A opção da empresa em destinar recursos ao FINOR, é irretratável, não podendo ser alterada nem sofrer retificação quanto ao código ou ao valor da receita. (De acordo com os artigos 111 do CTN, 601 do RIR199 e a IN SRF n°90 de 31/07/1998, art 3°) Assim, tendo tomado ciência do acórdão proferido pela DRJ em 05/02/2009, vem a impugnante apresentar o recurso voluntário (fls 84 e seguintes), protocolado em 17/02/2009, reforçando as razões anteriormente auferidas em sua impugnação ao Auto de Infração. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora E tempestivo o recurso e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. 0 presente processo trata de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte COMPANHIA DE CIMENTO RIBEIRAO GRANDE, tendo sido originado devido ao excesso de aplicação no incentivo fiscal FINOR. A contribuinte alega que o DARF de recolhimento de IRPJ, no valor de R$ 815.250,99, foi rasurado quanto ao código de recolhimento e o novo código é que informa a destinação FINOR. Tal intervenção manual feita no DARF contudo não corresponderia a ato praticado pela empresa, tanto que a DCTF da empresa demonstra a correta aplicação do valor do pagamento como saldo de IRPJ devido e pago. Houve portanto mero erro na rasura que foi feita no DARE. A legislação do imposto de renda define a obrigação do contribuinte de fazer o auto-lançamento, antecipando o pagamento do tributo devido. A obrigação legal de pagar o tributo corretamente portanto cabe ao contribuinte e dessa responsabilidade ele não pode se furtar. Quem quer que a empresa tenha enviado ao Banco para fazer o pagamento do imposto de renda, agiu como preposto de fato da empresa sendo de inteira e objetiva responsabilidade da empresa o preenchimento ou a rasura do DARF. A Receita Federal, posteriormente, apenas verificou a atividade efetuada pela contribuinte. No confronto das informações recebidas no sistema que controla a arrecadação tributária dos DARF com o sistema que controla as declarações da contribuinte, incluindo a DCTF, a Receita identificou excesso de destinação de incentivo fiscal FINOR e lançou o IRPJ complementar devido nos termos do artigo 601 do RIR/99. Verifica-se, pois, que o lançamento partiu de duas informações fornecidas pela própria contribuinte: uma acusando o valor de IRPJ a pagar maior (DCTF) e outra acusando o pagamento menor que o declarado (DARE). A contribuinte alega que a rasura no DARF não corresponde a mais que um erro de código, decorrente de intervenção manual de pessoa não autorizada, que não confere cam o comando e a intenção de pagar da empresa. A empresa pode errar, assim como seus , 3 Processo n° 19515.003558/2005-98 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-000.419 Fl. 4 prepostos, mas nesse caso deve provar o alegado erro, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I— ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Por outro lado, os únicos documentos acostados ao processo para provar o erro são os mesmos documentos que deram ensejo ao lançamento fiscal. Esses documentos só provam a necessidade de o fisco fazer o lançamento fiscal complementar do IRPJ e não são suficientes para provar o erro de declaração e pagamento. Sendo assim, agiu corretamente o Auditor Fiscal ao realizar o lançamento, uma vez que não se pode responsabilizar a Receita por rasura nos documentos de arrecadação. A atividade de pagar o IRPJ é de única e exclusiva responsabilidade da contribuinte. A situação lática configura a hipótese descrita no § 7 0 do art. 601 do Decreto n° 3000 de 26/03/1999: Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimento ou no curso do ano- calenclário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei n°9.352, de 1997, art. 4°) (..) § 7° Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda (Lei n°9.532, de 1997, art. 4°, § 7°) Ademais, seria necessário, para corroborar o erro de pagamento alegado pela contribuinte, a apresentação de outros documentos que demonstrassem que a contribuinte na verdade entendeu ter pago IRPJ e não FINOR, conforme versão do DARF sem rasura. Esses documentos poderiam ser: 1 - a escrita contábil da contribuinte, pelo livro diário e razão, demonstrando os lançamentos mês a Ines na conta de IRPJ a pagar do ano de 2000, na conta de IRPJ pago por estimativa, demonstrando a baixa do IRPJ devido no final do ano; 2 — os lançamentos do item 1 contrapostos à ausência de lançamentos nas contas de ativo relacionadas a incentivo fiscal FINOR ou ainda demonstração da ausência da destinação FINOR no cálculo da despesa de imposto de renda no ano; 4 Processo n° 19515.003558/2005-98 S I-C3T2 Acárddo n.° 1302-000.419 Fl. 5 3 — as evidências 1 e 2 em conformidade com o quanto registrado na Parte A do Livro LALUR e na DIPJ/2001, demonstrando que a empresa não teve a intenção de destinar o valor de R$ 815 mil ao incentivo FINOR e ainda não acusou essa destinaçdo nos documentos contábeis, onde refletiu os pagamentos feitos no ano. Ai sim seria possível corroborar a alegação da contribuinte. Ocorre porem que a contribuinte teve sua oportunidade de apresentar documentos na impugnação, conforme orienta o Decreto 70.235/72, com força de Lei, e não o fez. Até este momento não foram trazidos à baila quaisquer elementos que corroborem as alegações da contribuinte. Nessa medida, por falta de comprovação, não posso acatar as alegações que a contribuinte traz em seu recurso voluntário e nego provimento ao recurso voluntário. como voto. Lav nia/Moraes de Almeida Nogueira Junqueira
score : 1.0
Numero do processo: 13883.720594/2016-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo.
Numero da decisão: 2001-000.403
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo.
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score : 1.0
Numero do processo: 13877.000218/2007-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
VERBAS RECEBIDAS NO CONTEXTO DO PDV. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA FORMAL DE UM PLANO DE PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E DE TERMO DE ADESÃO.
Para comprovar que as verbas recebidas à título de indenização foram recebidos no contexto de um Programa ou Plano de Demissão Voluntária deve o contribuinte apresentar o plano formalmente instituído em que o empregador oferece um conjunto de benefícios a uma determinada classe de empregados para que eles optem pela rescisão do contrato de trabalho, de acordo com regras previamente estabelecidas, assim como o termo de adesão ao referido plano.
Numero da decisão: 2002-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. Recorrente MARIA APARECIDA PIMENTEL TOLOZA RIBAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 VERBAS RECEBIDAS NO CONTEXTO DO PDV. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA FORMAL DE UM PLANO DE PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E DE TERMO DE ADESÃO. Para comprovar que as verbas recebidas à título de indenização foram recebidos no contexto de um Programa ou Plano de Demissão Voluntária deve o contribuinte apresentar o plano formalmente instituído em que o empregador oferece um conjunto de benefícios a uma determinada classe de empregados para que eles optem pela rescisão do contrato de trabalho, de acordo com regras previamente estabelecidas, assim como o termo de adesão ao referido plano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 00 02 18 /2 00 7- 81 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13877.000218/200781 Acórdão n.º 2002000.274 S2C0T2 Fl. 157 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 6/14), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para saldo de imposto a pagar de R$1.070,27. A notificação consigna a omissão de rendimentos no valor de R$68.526,78 (IRRF correspondente de R$12.480,01). Impugnação Cientificado à contribuinte em 28/9/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 26/10/2007, à fl. 2/50 dos autos. Sua defesa foi assim sintetizada na decisão de piso: Alega que foi demitida pelo Banco do Estado de São Paulo BANESPA, com base em um PDV Programa de Demissão Voluntária elaborado pela referida empresa, celebrado em 04 de dezembro de 2002, conforme documento de fls. 11 a 16. Afirma que, por ocasião da homologação perante a Delegacia Regional do Trabalho, teria sido demonstrada uma retenção indevida de imposto de renda na fonte, que teria incidido sobre verbas referentes ao PDV, quais sejam: Aviso Prévio Legal, Indenização Acordo Coletivo, Indenização I, Indenização V, Indenização Especial Cláusula 50 do ACT. Em razão de orientação recebida da repartição fazendária, retificou sua declaração de ajuste anual, na qual foram consignadas como rendimentos isentos e não tributáveis as aludidas verbas, com vistas a pleitear a restituição do imposto retido indevidamente. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SP2 que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, mas excluiu de ofício algumas das verbas incluídas na exação, em decisão assim ementada (fls. 88/108): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESCISÃO BILATERAL DE CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO. GARANTIA DE EMPREGO. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13877.000218/200781 Acórdão n.º 2002000.274 S2C0T2 Fl. 158 3 É de se manter a tributação de rendimentos recebidos a titulo de indenização por quebra de estabilidade de emprego, em decorrência de rescisão bilateral de contrato de trabalho. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FÉRIAS INDENIZADAS E ADICIONAL DE UM TERÇO CONSTITUCIONAL. Excluemse dos rendimentos tributáveis os valores auferidos em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, a titulo de férias indenizadas e respectivo adicional de um terço constitucional. O acórdão teve a seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II, por unanimidade, considerar improcedente a impugnação e excluir, de oficio, do montante dos rendimentos tributáveis, o valor correspondente a férias indenizadas e respectivo adicional de um terço constitucional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 26/10/2010 (fl. 118), a contribuinte, em 19/11/2010 (fl. 120), apresentou recurso voluntário, às fls. 120/133, no qual alega, em apertado resumo, que: segundo o RIR/99, verbas especiais indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária seriam classificadas como rendimentos isentos e não tributáveis. tratariase de compensação espontânea a qual aderiu e que foi paga em contexto de PDV e, no seu entendimento, livre da incidência de IR, sob pena de ferir o princípio da capacidade contributiva. seu afastamento teria se dado por dispensa sem justa causa e as verbas teriam sido pagas como incentivo à demissão, segundo demonstraria informe de rendimentos emitido pelo Banespa, no campo de informações complementares ("OUTROS: AVISO PRÉVIO, INDENIZAÇÃO AC COLETIVOLIC PREMIO ISENTO IRFINDENIZAÇÃO PDV"). aplicariase no seu caso a Súmula nº 215 do STJ e a IN SRF nº165/98. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13877.000218/200781 Acórdão n.º 2002000.274 S2C0T2 Fl. 159 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a omissão de rendimentos pagos à recorrente pelo Banespa. Sustenta a recorrente que decorrem de adesão à plano de demissão voluntária, requerendo o reconhecimento de isenção para tais verbas. Como exigido pela legislação aplicável e consignado na decisão de piso, para ter reconhecida a isenção, é preciso restar comprovada da existência de um plano demissão voluntária PDV instituído pelo empregador, bem como o termo de adesão assinado pelo empregado. Nesse sentido, a decisão de piso registrou: Como se vê, a renúncia fiscal estabelecida pelo atos legais citados está restrita a uma parte especifica dos rendimentos recebidos em função de rescisão contratual decorrente de adesão a Plano de Demissão Voluntária (PDV) ou a Plano de Aposentadoria Incentivada, instituídos pela fonte pagadora, razão pela qual é indispensável, para a comprovação da isenção, a apresentação da cópia do Plano de Demissão Voluntária (ou do Plano de Aposentadoria incentivada) adotado pelo empregador, bem como do respectivo Termo de Adesão assinado pelo empregado. Tais exigências fundamentamse na necessidade de se comprovar a existência de um Plano de Demissão Voluntária (ou de Aposentadoria Incentivada) instituído pela empresa e de se provar que a rescisão do contrato de trabalho se deu por vontade própria do empregado, caracterizada por sua adesão ao referido Plano. Na hipótese dos autos, não restou comprovada a existência de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) formalmente instituído. Na verdade, o Termo de Transação Extrajudicial de fls. 11 a 16 evidencia que foi celebrado entre a contribuinte e seu Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13877.000218/200781 Acórdão n.º 2002000.274 S2C0T2 Fl. 160 5 empregador "acordo amigável e extrajudicial" com vistas a "solucionar a questão em torno da garantia de emprego" Em seguida, não restando comprovada a existência de PDV, a decisão de piso discorre sobre a tributação das verbas recebidas a título de estabilidade provisória, concluindo serem elas tributáveis. Em seu recurso, a contribuinte reitera a alegação de que as verbas ora discutidas foram recebidas por ela em decorrência de adesão a programa de demissão voluntária, mas não comprova que teria existido por parte do empregador a oferta pública de um programa de demissão voluntária e que os valores por ela recebidos decorreriam de sua adesão a ele. Ou seja, remanesce em sede de recurso a falta de comprovação nos autos da existência de um plano de demissão formalmente instituído pela empresa e ofertado de forma geral a um conjunto de empregados e, muito menos, que a contribuinte teria aderido a ele por vontade própria. Mostrase insuficiente, nesse sentido, a apresentação de comprovante de rendimentos consignando a rubrica PDV no campo das informações complementares. Sobre o assunto, segue jurisprudência deste CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995 RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 1.112.745 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, estão sujeita à tributação do imposto de renda as verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho, assim consideras aqueles que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa, dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). CARACTERIZAÇÃO. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 1.112.745 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, os Programas de Demissão Voluntária PDV se consubstanciam por uma oferta pública para a realização do negócio jurídico que se materializa por meio de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, não existindo margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. VERBAS RECEBIDAS NO CONTEXTO DO PDV. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE DE EXISTÊNCIA FORMAL Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13877.000218/200781 Acórdão n.º 2002000.274 S2C0T2 Fl. 161 6 DE UM PLANO DE PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA E DE TERMO DE ADESÃO. Para comprovar que as verbas recebidas à título de indenização foram recebidos no contexto de um Programa ou Plano de Demissão Voluntária deve o contribuinte apresentar o plano formalmente instituído em que o empregador oferece um conjunto de benefícios a uma determinada classe de empregados para que eles optem pela rescisão do contrato de trabalho, de acordo com regras previamente estabelecidas, assim como o termo de adesão ao referido plano. (Acórdão nº 2201002.923, de 18/2/2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1986 VERBAS PAGAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. As verbas pagas por liberalidade na rescisão do contrato de trabalho são aquelas que, nos casos em que ocorre a demissão com ou sem justa causa, são pagas sem decorrerem de imposição de nenhuma fonte normativa prévia ao ato de dispensa (incluindose aí Programas de Demissão Voluntária PDV e os Acordos Coletivos), dependendo apenas da vontade do empregador e excedendo as indenizações legalmente instituídas. Sobre tais verbas a jurisprudência é pacífica no sentido da incidência do imposto de renda, já que não possuem natureza indenizatória. Os Programas de Demissão Voluntária PDV consubstanciam uma oferta pública para a realização de um negócio jurídico, qual seja, a resilição ou o distrato do contrato de trabalho no caso de relação jurídica regida pela CLT. O núcleo das condutas jurídicas relevantes aponta para a existência de um acordo de vontades para por fim à relação empregatícia, razão pela qual inexiste margem para o exercício de liberalidades por parte do empregador. Inteligência daquilo que foi decidido no Recurso Especial 1.112.745/SP, julgado pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo). Hipótese em foram pagas três indenizações ao contribuinte: uma que tem natureza de verba sujeita à incidência do imposto de renda e que foi tributada na rescisão do contrato de trabalho, porquanto paga por mera liberalidade, e outras duas decorrentes da legislação trabalhista, não sujeitas à incidência do imposto de renda, e que não foram tributadas na rescisão do contrato de trabalho. (Acórdão nº 2201002.991, de 10/3/2016) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13877.000218/200781 Acórdão n.º 2002000.274 S2C0T2 Fl. 162 7 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.722877/2014-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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NÃO CUMULATIVIDADE Recorrente DULCINI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório A autoridade administrativa lavrou auto de infração (fls. 02) para cobrança de COFINS (fls. 3147) na monta de R$ 65.755.481,13 (sessenta e cinco milhões, setecentos e cinquenta e cinco mil, quatrocentos e oitenta e um reais e treze centavos já com juros e multa) e PIS na monta de R$ 14.275.828,42 (quatorze milhões, duzentos e setenta e cinco mil, oitocentos e vinte e oito reais e quarenta e dois centavos já com juros e multa) (fls.4864) submetidos ao regime não cumulativo para os meses de janeiro a dezembro de 2010. No relatório fiscal, o agente fiscal trouxe suas razões, cálculos e demonstrativos de planilhas, donde se extrai a seguinte argumentação, fundamento para a autuação (fls. 1723): o procedimento fiscal tinha por objetivo verificar o regular cumprimento das obrigações tributárias junto a Receita Federal do Brasil RFB, especificamente relacionadas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .7 22 87 7/ 20 14 -4 2 Fl. 30773DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.774 2 com a contribuição para o PIS e para a COFINS, referente ao período de apuração de 01/2010 a 12/2010. o agente fiscal analisou a Escrituração Contábil Digital ECD, bem como os arquivos referente as Notas Fiscais Eletrônicas NFE junto a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo referente ao período fiscalizado. também analisou as DACONs e DCTFs do período e encontrou divergência, havendo a necessidade de confrontálas com os registros contábeis e fiscais e demais documentos que suportem tais registros. para tanto, a autoridade fiscal solicitou ao contribuinte que prestasse informações por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 001, enviado na data de 25/06/2014, cuja abertura do arquivo deuse na data de 01/07/2014 e com ciência considerada na data de 10/07/2014 e de outro termo para reintimação do primeiro, Termo de intimação Fiscal n° 002, enviado na data de 12/08/2014, cuja abertura do arquivo deuse na data de 04/09/2014 e com ciência considerada na data de 27/08/2014. Como nenhuma das intimações foram atendidas, o auto de infração foi lavrado a partir das informações e documentos detidos pela fiscalização. o valor do débito das contribuições, apurado em cada período de apuração (mês/ano), foram calculados sobre o valor das notas fiscais de saídas, identificando estas operações como o faturamento mensal, deduzindose os valores já declarados em DCTF. quanto ao valor do crédito das contribuições, considerou que para a determinação destes valores há a necessidade de análise específica do produto/mercadoria ou serviço adquirido, bem como seu emprego ou utilização. Assim, diante da falta de apresentação das informações solicitadas, impossibilitando a determinação e apuração do valor dos créditos, dessa forma, tais créditos informados nas DACONs foram desconsiderados. diante da falta de atendimento das intimações no processo de fiscalização, a multa de ofício foi agravada nos termos do art. 44, § 2º da Lei 9.430/1996. Cientificado da lavratura do auto de infração em 11/12/2014 (fls. 67), a Recorrente apresentou sua tempestiva impugnação (fls. 80100) contendo, em resumo, os seguintes argumentos e trazendo robustas provas para fundamentar suas afirmações, tais como notas fiscais, livros de saída e entrada, laudos de auditoria independente e planilhas com demonstrativos de cálculo (fls. 10129.761): nulidade do auto de infração em razão de ofensa ao contraditório e ampla defesa, tendo em vista que não tomou ciência do teor das intimações no curso da fiscalização, devido a problemas e dificuldade de visualização do próprio sistema eCAC, o que levou, inclusive, a solicitar o cancelamento da opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico, após a lavratura dos autos de infração. Os créditos de PIS/COFINS desconsiderados pela fiscalização existem e devem ser aceitos, conforme demonstra por notas fiscais dos fornecedores e livros de entradas juntados aos autos. Fl. 30774DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.775 3 junta demonstrativos detalhados de seus créditos, por natureza e período de apuração em fls. 16.45416.868. argumenta pela não aplicação do aumento da penalidade por falta de atendimento às intimações, em face dos problemas enfrentados pelo contribuinte junto ao e CAC. Diante dos argumentos trazidos na impugnação e do volume do acervo comprobatório trazido aos autos, o que poderia influir no julgamento e na exoneração ou diminuição do crédito tributário lançado, a autoridade administrativa, por meio de despacho de saneamento (29.76629.767), baixou os autos em diligência para atender seguintes critérios: a examinar a documentação acostada pelo impugnnate em face da escrita contábil e fiscal da empresa. Em seguida apurar o montante devido de PIS e de COFINS em cada um dos períodos de apuração do ano de 2010, levando em consideração os créditos não cumulativos a que faz jus o contribuinte. A critério da fiscalização outros documentos poderão ser solicitados ao contribuinte; b ao final dos trabalhos de diligência fiscal deverá ser elaborado Relatório Fiscal conclusivo do qual deverá ser cientificado o contribuinte facultada a apresentação de manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011; c em seguida, os autos deverão retornar à esta turma de julgamento. Encaminhado os autos para a autoridade fiscal, foi realizado um trabalho de auditoria detalhado sobre os documentos juntados, solicitando, ainda, esclarecimentos e documentos complementares (fls. 30.59330.600), concluindo pela revisão do crédito tributário constituído nos autos de infração, conforme se resume abaixo: em relação aos débitos, a autoridade administrativa reviu os valores considerados pelas notas fiscais, pois admitiu não ter observado o montante correspondente às notas fiscais canceladas. 4.2.2 – Após a analise dos documentos apresentados, citados no subitem 3.2 acima, relacionados com a apuração do débito (notas fiscais de saídas, livros de registros de saídas e demonstrativos e planilhas), de onde foi possível confrontar as informações constantes destes documentos com aquelas extraídas dos arquivos das Notas Fiscais Eletrônicas utilizadas para a apuração das contribuições e lavratura do Auto de Infração, resultou no esclarecimento das divergências de valores apontadas pelo Sujeito Passivo em sua impugnação. (...) 4.2.4 – O Sujeito Passivo, juntamente com sua impugnação, apresentou documentos (citados no item 3.2 acima) e dentre eles estão planilhas e demonstrativos que detalham os valores formados da base de cálculo do débito das contribuições (folha n° 16.451); tais valores foram transcritos no anexo denominado “Resumo da Base de Cálculo (Débito) – Planilha Apresentada pelo Sujeito Passivo”, após analise detalhada, constatei que estão em conformidade com os demais documentos apresentados e com os valores extraídos dos arquivos das Fl. 30775DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.776 4 Notas Fiscais Eletrônicas, exclusivamente as notas fiscais válidas, a que se refere o subitem anterior. 4.2.5 – Concluo o analise dos valores formadores da base de cálculo para apuração do débito das contribuições, onde aceito os valores apresentados pelo Sujeito Passivo (conforme item anterior), os quais serão considerados para todos os efeitos e para a continuidade dos trabalhos. Já em relação aos créditos, a autoridade fiscal conferiu os documentos fiscais, contábeis e demonstrativos contábeis juntados com a impugnação e entendeu como corretos grande parte dos créditos apurados pelo contribuinte, sendo objeto de exclusão apenas aqueles em que a autoridade entendeu terem sido apurados em desacordo com a legislação: SERVIÇOS DE FRETES (...)4.3.4.2 – Tais valores foram excluídos, porque constatei que a empresa remetente dos produtos é a mesma identificada como destinatária, ou seja, a operação realizada pelas prestadoras dos serviços pode ser classificada como “movimentação interna” dos produtos, inclusive consta no quadro “observações” dos referidos CTRCs a informação “serviço prestado interno”; portanto em desacordo com a legislação, pois não se trata de valores pagos a título de “fretes” na aquisição daqueles produtos. ARRENDAMENTO DE ÁREA (...)4.3.4.4.2 – Destaquei as informaçõesa acima, as quais foram extraídas do “Contrato de Parceria Comercial e Operacional” e “Aditamentos”, para melhor entendimento, de onde concluo que, os valores pagos e/ou creditados pela empresa DULCINI à empresa BALDIN não se trata de “arrendamento de área” como considera o Sujeito Passivo, mas de pagamento por serviços prestados como consta do Contrato celebrado entre as parte, a descrição trazida no corpo da nota fiscal, sendo “Arrendamento de área para implantação do parque fabril conforme contrato celebrado em 16/04/2008”, não deixa dúvida de que tal valor está vinculado ao Contrato de Parceria, por outro lado, conforme firmado no referido contrato, a área utilizada para implantação do parque fabril é cedida em comodato (letra “b” do “Objeto” subitem 4.3.4.4.1 acima), restando que, o único pagamento a ser efetuado em decorrência desse contrato, decorre dos serviços serviços prestados pela empresa BALDIN (conforme destacado no subitem anterior), ficando descaracterizado, portanto, a natureza de pagamento e/ou crédito como “arrendamento de área”. SERVIÇOS DIVERSOS (...)4.3.4.6.1 – A legislação admite o desconto de crédito, de valor de serviço utilizado como insumo na prestação de serviço e na produção de bens ou produtos destinados à venda, ou seja, o serviço utilizado deve estar diretamente ligado ao processo produtivo; entretanto, a classificação contábil utilizada pelo Sujeito Passivo, aos serviços relacionados no referido anexo, destinam tais serviços ao “Ativo Imobilizado” ou como sendo “Despesas Administrativas”, de acordo com o Plano de Contas utilizado. Após este extenso trabalho de auditoria, considerando a revisão realizada em relação aos débitos, bem como os créditos apurados pelo contribuinte, excluindose os créditos decorrentes dos assuntos destacados acima, considerando ainda os montantes já declarados em Fl. 30776DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.777 5 DCTF e recolhidos em DARF, o crédito tributário foi drasticamente reduzido em relação ao montante original lançado, para se apresentar da seguinte monta: Auto de Infração – Processo n°10865.722877/201442 PIS COFINS Período de Apuração Original Mantido Original Mantido 01/2010 921.006,25 1.871,41 4.242.210,64 8.619,87 02/2010 563.713,64 2.596.499,17 03/2010 1.035.881,04 4.771.330,84 04/2010 306.774,24 11.606,08 1.413.020,74 53.458,28 05/2010 252.367,79 37.753,24 1.162.421,36 173.893,71 06/2010 154.144,37 2.366,62 709.998,32 10.900,81 07/2010 528.425,51 2.808,80 2.433.959,38 12.936,95 08/2010 215.532,28 6.441,92 992.754,71 29.671,27 09/2010 225.111,77 869,09 1.036.873,95 3.998,55 10/2010 363.612,67 4.132,95 1.674.834,92 19.045,02 11/2010 681.475,68 3.138.972,21 12/2010 379.255,38 1.746.871,72 Em 02/06/2017 a 6ª Turma da DRJ/SPO proferiu a decisão 1677.817 (fls. 30.68030.700), acolhendo o relatório da diligência fiscal para dar parcial provimento à impugnação e manter parcialmente o crédito tributário constituído. Assim está a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. DILIGÊNCIA. Caso na fase de fiscalização não sejam apresentados os documentos solicitados, cabe à fiscalização efetuar o lançamento com base nas informações disponíveis. Por outro lado, se na fase de impugnação forem apresentados documentos comprobatórios eles devem ser examinados em obediência ao princípio da verdade material. CRÉDITOS. FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os fretes decorrentes de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa não gera direito à apuração de crédito. ARRENDAMENTO DE TERRAS. O arrendamento de glebas de terra a título de comodato não dá direito à apuração de crédito. CRÉDITO. SERVIÇO UTILIZADO COMO INSUMO. O serviço para ser considerado insumo deve ser prestado por terceiros e aplicado na produção do produto ou prestação de serviço ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. DILIGÊNCIA. Caso na fase de fiscalização não sejam apresentados os documentos solicitados, cabe à fiscalização efetuar o lançamento com base nas informações disponíveis. Por outro lado, se na fase de impugnação Fl. 30777DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.778 6 forem apresentados documentos comprobatórios eles devem ser examinados em obediência ao princípio da verdade material. CRÉDITOS. FRETE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os fretes decorrentes de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa não gera direito à apuração de crédito. ARRENDAMENTO DE TERRAS. O arrendamento de glebas de terra a título de comodato não dá direito à apuração de crédito. CRÉDITO. SERVIÇO UTILIZADO COMO INSUMO. O serviço para ser considerado insumo deve ser prestado por terceiros e aplicado na produção do produto ou prestação de serviço Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O v. acórdão negou o requerimento de nulidade de ofensa ao contraditório pela intimação efetuada eletronicamente. Argumentou pela inexistência de nulidade, até mesmo porque o contribuinte era optante do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), o que faz com que a caixa postal do contribuinte no eCAC seja considerada seu domicílio tributário. Quanto aos cálculos de revisão apresentados pela autoridade no relatório da diligência, a DRJ constatou um pequeno erro de transcrição dos valores para os meses de 08/2010 e 10/2010, transcrevendo agora os valores corretos, conforme planilha de cálculo anexa à diligência de fls. 30.657, restando assim configurado o saldo do crédito tributário mantido: PIS Período de Apuração EXIGIDO CANCELADO MANTIDO 01/01/2010 921.006,25 919.134,84 1.871,41 01/02/2010 563.713,64 563.713,64 01/03/2010 1.035.881,04 1.035.881,04 01/04/2010 306.774,24 295.168,16 11.606,08 01/05/2010 252.367,79 214.614,55 37.753,24 01/06/2010 154.144,37 151.777,75 2.366,62 01/07/2010 528.425,51 525.616,71 2.808,80 01/08/2010 215.532,28 208.389,64 7.142,64 01/09/2010 225.111,77 224.242,68 869,09 01/10/2010 363.612,67 358.510,09 5.102,58 01/11/2010 681.475,68 681.475,68 01/12/2010 379.255,38 379.255,38 TOTAL 5.627.300,62 5.557.780,16 69.520,46 COFINS Período de Apuração EXIGIDO CANCELADO MANTIDO 01/01/2010 4.242.210,64 4.233.590,77 8.619,87 01/02/2010 2.596.499,17 2.596.499,17 01/03/2010 4.771.330,84 4.771.330,84 01/04/2010 1.413.020,74 1.359.562,46 53.458,28 01/05/2010 1.162.421,36 988.527,65 173.893,71 01/06/2010 709.998,32 699.097,51 10.900,81 Fl. 30778DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.779 7 01/07/2010 2.433.959,38 2.421.022,43 12.936,95 01/08/2010 992.754,71 959.855,33 32.899,38 01/09/2010 1.036.873,95 1.032.875,40 3.998,55 01/10/2010 1.674.834,92 1.651.319,21 23.515,71 01/11/2010 3.138.972,21 3.138.972,21 01/12/2010 1.746.871,72 1.746.871,72 TOTAL 25.919.747,96 25.599.524,70 320.223,26 Diante desta decisão, foi interposto Recurso Voluntário pelo contribuinte (fls. 30.71030.714), para recorrer apenas dos valores mantidos para os meses de 04/2010 e 05/2010, sob o fundamento de que não foi deduzido do valor mantido, os valores já pagos em DARF, embora não declarados em DCTF. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Relator Salvador Cândido Brandão Junior Diante do recurso voluntário apresentado, convém estabelecer algumas premissas: O Recurso é regular e apresentado no prazo previsto na legislação, portanto, conheço do recurso voluntário; A Recorrente não recorreu do pedido de nulidade negado pelo v. acórdão proferido pela DRF, portanto, este ponto não é devolvido para a análise; Quanto aos débitos, a Recorrente não apresenta recurso, pois foram acolhidos pela diligência fiscal e pela r. decisão todos os cálculos e documentos trazidos em sua impugnação; Quanto aos créditos, grande parte dos créditos de PIS e COFINS contidos nas DACONS e apresentados nos documentos trazidos com a impugnação foram aceitos pela diligência fiscal e pela r. decisão, restando glosados, por entender em desacordo com a lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 apenas os créditos referentes à parte dos FRETES, por entender ser transporte interno; ARRENDAMENTO, por restar demonstrado que estas despesas derivaram de um contrato de parceria e não de arrendamento; e SERVIÇOS DIVERSO, por não considerálos insumos da produção por não serem aplicados diretamente no processo de produção ou no produto, nos termos na a Instrução Normativa – SRF nº 247/2002; A Recorrente não apresenta insurgência contra os créditos glosados em seu recurso voluntário, embora pudesse haver campo para discussão se demonstrada a essencialidade dos serviços tomados em relação ao seu processo produtivo, conforme entendimento já manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça1 e por este E. CARF2. No entanto, como dito, não houve recurso neste ponto. 1 REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos Fl. 30779DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.780 8 O Recurso Voluntário, que ora se analisa, centrase, exclusivamente, em contraditar os valores mantidos na autuação referente aos meses de 04/2010 e 05/2010. Isso porque a Administração Tributária, ao refazer os cálculos, não deduziu dos valores devidos os valores já pagos à titulo de PIS e COFINS, como fez em todos os outros meses a partir da análise das DCTFs (fls. 30 e 30.657). Ressaltese que merece acolhida estes documentos, por constituir prova cabal capaz de influir no julgamento, adotandose o formalismo moderado aplicado ao processo administrativo fiscal em homenagem ao princípio da verdade material. Neste diapasão, merece guarida os argumentos da Recorrente. Embora não declarado em DCTF, como admitido pela própria Recorrente, estes valores foram recolhidos conforme se comprova das guias DARF juntadas em fls. 30.74530.751. Resta nos autos, portanto, a prova de que estas DARFs foram recolhidas no prazo, correspondendo para o PIS o valor de R$ 8.333,25 para o mês 04/2010 e o valor de R$ 35.896,85 para o mês 05/2010. Para a COFINS, resta comprovado o recolhimento do valor de R$ 38.383,44 para 04/2010 e o valor de R$ 166.238,69 para o mês 05/2010. Deduzindo os montantes já quitados, o valor da diferença em aberto, que deverá ser mantido no auto de infração, restaria assim configurado: PIS Período de Apuração Mantido pelo V. Acórdão DARF quitado e não deduzido Saldo Mantido 01/01/2010 1.871,41 0,00 1.871,41 01/02/2010 0,00 01/03/2010 0,00 01/04/2010 11.606,08 8.333,25 3.272,83 01/05/2010 37.753,24 35.896,85 1.856,39 01/06/2010 2.366,62 0,00 2.366,62 01/07/2010 2.808,80 0,00 2.808,80 01/08/2010 7.142,64 0,00 7.142,64 01/09/2010 869,09 0,00 869,09 01/10/2010 5.102,58 0,00 5.102,58 01/11/2010 0,00 01/12/2010 0,00 TOTAL 69.520,46 5.557.780,16 25.290,36 COFINS Período de Apuração Mantido pelo V. Acórdão DARF quitado e não deduzido Saldo Mantido 01/01/2010 8.619,87 0,00 8.619,87 01/02/2010 0,00 01/03/2010 0,00 01/04/2010 53.458,28 38.383,44 15.074,84 01/05/2010 173.893,71 166.238,69 7.655,02 2 Acórdão 3403003.378 Fl. 30780DF CARF MF Processo nº 10865.722877/201442 Resolução nº 3301000.784 S3C3T1 Fl. 30.781 9 01/06/2010 10.900,81 0,00 10.900,81 01/07/2010 12.936,95 0,00 12.936,95 01/08/2010 32.899,38 0,00 32.899,38 01/09/2010 3.998,55 0,00 3.998,55 01/10/2010 23.515,71 0,00 23.515,71 01/11/2010 0,00 01/12/2010 0,00 TOTAL 320.223,26 25.599.524,70 115.601,13 Ressaltese que sobre os valores mantidos em aberto ainda deve incidir juros de mora e multa de ofício de 112,50%, em razão da aplicação do aumento da sanção pela falta de atendimento e prestação de esclarecimentos à fiscalização durante o processo de fiscalização, conforme art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/1996. Por todo o exposto, diante da prova do pagamento de parte do tributo devido, conheço do Recurso Voluntário para baixar os autos em diligência para fins de conferir os comprovantes de pagamentos dos valores de PIS e COFINS devidos os meses de 04/2010 e 05/2010, elaborando relatório quanto a alocação dos pagamentos e atual saldo devedor, do qual deverá ser cientificado o contribuinte, facultada a apresentação de manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Relator Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 30781DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.000942/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS -
Constatada a contradição em acórdão há que ser acolhido os Embargos para sanar o vício apontado.
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE - PEDIDO JÁ ACOLHIDO NA DECISÃO GUERREADA - Não deve ser acolhido o pedido de retificação de débito já ocorrido quando da decisão do julgador de primeira instância.
Recursos, de Ofício e Voluntário Negados
Numero da decisão: 2301-005.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.840, de 11/09/2016, rerratificá-lo para negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.591 1 1.590 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.000942/200730 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301005.547 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante PRESIDENTE DA 1ª TURMA Interessado GELRE TRABALHO TEMPORÁRIO S.A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 EMBARGOS Constatada a contradição em acórdão há que ser acolhido os Embargos para sanar o vício apontado. FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE PEDIDO JÁ ACOLHIDO NA DECISÃO GUERREADA Não deve ser acolhido o pedido de retificação de débito já ocorrido quando da decisão do julgador de primeira instância. Recursos, de Ofício e Voluntário Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301004.840, de 11/09/2016, rerratificálo para negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 09 42 /2 00 7- 30 Fl. 46964DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata~se de Embargos de Ofício opostos pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em face do Acórdão 2301004.840 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 21 de setembro de 2016 do CARF que negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Destacase, por oportuno, que os presentes Embargos foram opostos após a solicitação de esclarecimentos feitos pela Auditoria da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM OSASCO/SP, questionando acerca do cumprimento da decisão proferida por este conselho. Embora não tenha acolhido como Embargos Inominados a peça acima mencionada, entendeu o Ilustre Presidente desta colenda Turma da seguinte maneira: (...) omissis Verifico que os embargos não foram opostos pelo titular do órgão preparador (unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão). Desse modo, não podem ser admitidos. Porém, o Ricarf permite que qualquer outro legitimado oponha embargos inominados, inclusive este Presidente, quando se verifique a existência de “inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão”. Passo a analisar os fatos. No caso, em primeira instância o lançamento houvera sido considerado procedente pela DecisãoNotificação Nº 21.401./0149/2004 (efls. 749 a 757). Foi apresentado recurso voluntário (efls. 762 a 798). Em face de decisão em mandado de segurança (2004.61.00.0108656, efls. 826 a 830 e 855 a 859) foi procedida em 28/09/2007 “reanálise da defesa” (efls. 886 a 888 e 46884 a 46886), pelo qual foi procedida a retificação do valor lançado. Em 08/12/2008 foi solicitada diligência (efls. 1269 a 1270). Em 30/03/2009 foi apresentada “defesa” à revisão do lançamento (efls. 1278 a 1300). Fl. 46965DF CARF MF Processo nº 18108.000942/200730 Acórdão n.º 2301005.547 S2C3T1 Fl. 1.592 3 Em 23/06/2009 foi julgada a impugnação (efls. 264 a 286), que concluiu, por unanimidade de votos, considerar, procedente em parte o lançamento, “retificando o valor originário do crédito tributário exigido de R$9.365.803,25 (nove milhões, trezentos e sessenta e cinco mil e oitocentos e três reais e vinte e cinco centavos) para R$ 8.607.908,99 (oito milhões, seiscentos e sete mil e novecentos e oito reais e noventa e nove centavos), com os devidos acréscimos legais, conforme o Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR de fl. 1180/1238, vol. 7”, emitido em 17/06/2009 (efls. 205 a 263). Logo, ao que parece, a “reanálise da defesa” (efls. 886 a 888 e 46884 a 46886) procedeu à retificação de ofício do crédito tributário, expresso no “Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR de fl. 1180/1238, vol. 7” (efls. 205 a 263). Assim, rigorosamente, a parcela do crédito tributário excluído pela revisão de ofício sequer estava no âmbito de conhecimento da DRJ. De qualquer sorte, mesmo que o “Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR de fl. 1180/1238, vol. 7” (e fls. 205 a 263) não expresse o resultado da “reanálise da defesa” (efls. 886 a 888 e 46884 a 46886), o acórdão embargado não poderia ter conhecido e julgado, em sede de recurso voluntário, matéria que fora objeto de provimento pelo acórdão de primeira instância, consubstanciando assim, evidente erro material devido a lapso manifesto a exigir correção via novo acórdão, em sede de embargos. Conclusão Diante do exposto, NÃO ADMITO os embargos inominados do órgão preparador e EMBARGO DE OFÍCIO o Acórdão 230104.840 em face da referida inexatidão material devida a lapso manifesto. Em virtude do Ilustre Relator do Acórdão guerreado não pertencer mais aos quadros deste Conselho, o processo foi a mim distribuído para análise e apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 46966DF CARF MF 4 Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço dos Embargos de Declaração opostos de Ofício, nos termos do art. 65, § 1º, I (iin verbis) do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) e passo à sua análise. Art. 65. (...) §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; Razão assiste ao embargante, máxime quando comprovadas as inexatidões contidas no Acórdão 2301004.840 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em especial no que se refere ao Provimento Parcial dado ao Recurso Voluntário. Até a data da prolação do Acórdão Embargado, os presente autos eram compostos por cerca de 100 volumes ( mais ou menos 50.000 fls.) que acabaram por ter inúmeros documentos e peças processuais repetidos, o que pode ter levado ao equívoco do então Conselheiro Relator que não observou a existência de 02 (duas) Decisões Notificações, sendo que na última delas já havia sido acolhida a retificação do débito. Na primeira delas, a Decisão Notificação nº 21.401.4/0149/2004 de 29/03/2004 (Vol. 04, fls. 616/624) a autoridade julgadora não considerou a documentação juntada pela autuada em face da ausência de autenticação e julgou Totalmente Procedente o lançamento fiscal, conforme a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. JUNTADA DE CÓPIA DOCUMENTOS FOLHA DE PAGAMENTO SAT SALÁRIO EDUCAÇÃO SELIC MULTA A autenticação de cópias é exigência do art. 6º da Portaria nº 357/02 sobre a qual não se pode transigir; 2. O levantamento foi efetuado com fundamento na folha de pagamento, sendo que os créditos da empresa ( guias e retenções) foram consideradas pela fiscalização. 3. A contribuição a título de SAT é legalmente prevista e a definição da alíquota devida observa critérios legais; e 4. O art. 161 do CTN c/c com o art. 34 da Lei 8212/91 autorizam a aplicação da taxa SELIC. Após esta decisão, a autuada apresentou Recurso Voluntário destinado ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, que àquela data era o órgão julgador competente, anexando â peça recursal duas Liminares em sede de Mandado de Segurança, uma dispensando a exigência do depósito recursal de 30% e a outra para determinar a suspensão da inscrição da autuada em dívida ativa, por não terem sido desconsiderados os documentos anexados sem autenticação. Diante de tais decisões liminares, os autos foram encaminhados à Procuradoria Federal Especializada que emitiu parecer no sentido de se reiniciar o processo, com o recebimento , análise dos documentos e emissão de nova Decisão. Fl. 46967DF CARF MF Processo nº 18108.000942/200730 Acórdão n.º 2301005.547 S2C3T1 Fl. 1.593 5 Atendendo ao parecer da procuradoria a fiscalização emitiu um dossiê (vol. 04 fls. 749 e seguintes) o qual analisou os documentos juntados pela autuada e retificou o débito anexando novas planilhas. Após os trâmites legais, em junho de 2009 a Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo, proferiu o Acórdão 1621.853 11ª Turma (vol. 7, fls. 1.239 e seguintes), acolhendo a retificação indicada pela fiscalização e julgando Parcialmente Procedente o Lançamento, como se depreende da ementa abaixo; Fl. 46968DF CARF MF 6 Desta nova decisão foram apresentados Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. Pois bem, no meu entendimento foi justamente aí que incorreu em erro o Ilustre Conselheiro Relator do Acórdão Embargado ao não perceber que esta nova decisão proferida pela DRJ/SPOE já havia cumprido o despacho de fls. 03 do volume 98 dos autos, não havendo razão para ser dado provimento parcial ao recurso da autuada, conforme restou consignado no Acórdão 2301 004.840 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/1999 Fl. 46969DF CARF MF Processo nº 18108.000942/200730 Acórdão n.º 2301005.547 S2C3T1 Fl. 1.594 7 FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) negar provimento ao recurso de ofício e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para, na parte conhecida darlhe parcial provimento para retificar o lançamento tal como proposto no despacho às fls. 03 e s. do Volume 98. (grifei) Isto porque no próprio dispositivo da segunda Decisão Notificação já havia tal determinação. Ante ao exposto. Voto no sentido de Acolher os Embargos para, RERATIFICAR a 2301 004.840 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 21 de setembro de 2016. Na parte Retificada Negar Provimento ao Recurso Voluntário e na parte Ratificada, manter o Não Provimento ao Recurso de Ofício pelas razões já apresentadas. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 46970DF CARF MF 8 Fl. 46971DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.908384/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/FOR, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 38 4/ 20 09 -8 3 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10380.908384/200983 Resolução nº 3401001.474 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 36946.02537.230206.1.3.040538 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 01/2006 no valor de R$ 5.897,82 acrescido de multa no valor de R$ 155,70 totalizando R$ 6.053,52 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 243.379,29 do período de apuração 12/2005, arrecada na data de 13/01/2006. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 5.993,58. Do Despacho Decisório A DRF de Fortaleza em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 25/05/2009, rastreamento nº 835672043 (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 31/12/2005. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.10), nos seguintes termos: a) que o crédito existe, proveniente de pagamento indevido de COFINS do Período de Apuração 12/2005, quando na verdade, não havia valor a ser recolhido pela empresa no referido período; b) que foram devidamente retificados (DACON e DCTF) e acompanham a presente manifestação; c) apela para aplicação do princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário, em respeito a doutrina e a jurisprudência tanto do CARF quanto de nossos Tribunais (STJ/STF), com transcrição de diversos julgados; d) ao final requer que seja modificado o despacho decisório e reconhecida a compensação declarada. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/FOR, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DECISÃO. VICIO DE FUNDO. NULIDADE. AUTOTUTELA ADMINISTRATIVA. A Administração Judicante deve anular suas próprias decisões quando eivadas de vício de ilegalidade. PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10380.908384/200983 Resolução nº 3401001.474 S3C4T1 Fl. 4 3 É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. (grifei). Destacase que a presente decisão veio anular decisão anterior proferida pela mesma turma, como se depreende do Acórdão: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, ANULAR o Acórdão DRJ/FOR n° 0816.630, de 25 de novembro de 2009 (fls 42/45), e considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente julgado. No voto foi exposto como razão do reexame do caso, Acórdão DRJ/FOR nº 08 16.630, de 2009, o fato do mesmo conter vício de fundo capaz de ensejar a sua invalidação, preservando, no entanto, a mesma tese jurídica firmada no julgamento anterior: 10. O vício que se cogita somente foi notado em 04.12.2009, por ocasião do julgamento do pedido de compensação no processo 10380.905317/200915 (Acórdão 08 16.755), que trata do mesmo indébito. Naquela oportunidade, percebeuse que o fundamento fático da decisão que acolheu o pedido do interessado estava equivocado. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.61) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (i) que o acórdão anulado de nº 0816.630, reconheceu sabidamente que a DCTF original estava preenchida erroneamente, sendo retificada na data de 02/05/2009, antes da emissão do Despacho Decisório que ocorreu em 25/05/2009; (ii) entende que os processos administrativos são autônomos, julgados de forma independente, sem nenhuma vinculação, não podendo a decisão de um interferir na decisão de outro processo; (iii) no presente caso, não há que se falar em fim da espontaneidade do contribuinte, pois a DCTF retificadora ocorreu antes do Despacho Decisório, violando dessa forma, seus direitos de defesa; (iv) em face dos fartos argumentos tecidos no recurso, requer que seja julgado procedente seu pedido. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10380.908384/200983 Resolução nº 3401001.474 S3C4T1 Fl. 5 4 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração inicialmente cometido, por se tratar de créditos que não haviam sido computados para o período de apuração dezembro de 2005. Não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10380.908384/200983 Resolução nº 3401001.474 S3C4T1 Fl. 6 5 administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O acórdão recorrido deixa evidências de que o crédito pleiteado pela contribuinte existe, porém, em face de erros formais de preenchimento da DCTF entende inviável superálos para mudar o que foi concluído no Despacho Decisório. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.006163/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito.
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Não cabe homologação tácita para pedidos de ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Cons. André Henrique Lemos acompanhou pelas conclusões.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não cabe homologação tácita para pedidos de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Cons. André Henrique Lemos acompanhou pelas conclusões. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 61 63 /2 00 8- 90 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 585 2 Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida acórdão nº 1457.548, de 27 de março de 2015 que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade: A interessada transmitiu o PER/DCOMP nº 33743.92885.191103.1.1.013711 (fls. 08/109) e o PER/DCOMP nº 10769.04361.150104.1.1.012110 (fls. 110/145), sendo que ambos consistem em PERs (pedidos eletrônicos de ressarcimento, ou seja, somente com a informação do direito creditório) alusivos a crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, respectivamente nos valores de R$ 95.070,15 e de R$ 341.177,55 (R$ 436.247,65 no total), referentes respectivamente aos terceiro e quarto trimestres calendário de 2003. Nos termos da informação fiscal às fls. 172/174, o pleito abarca o benefício fiscal em comentário apurado segundo o regime alternativo de que trata a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, no que concerne aos sobreditos trimestres. Foram declaradas as compensações nos seguintes PER/DCOMPs posteriormente transmitidos: 19642.58463.310706.1.3.018919 (R$ 77.000,00); 42898.18295.261206.1.3.019560 (R$ 18.070,10); 00317.77825.310706.1.3.018478 (R$ 339.000,00); 30469.16290.261206.1.3.011809 (R$ 2.177,55). No Despacho Decisório proferido em 17/11/2009, às fls. 175/178, e cientificado em 15/12/2009 (AR à fl. 180), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo, SP, concluiu pelo indeferimento total do crédito pleiteado e pela não homologação das compensações declaradas com supedâneo na precitada informação fiscal resultante de diligência realizada, pois a requerente deixou de atender às intimações lavradas no curso do procedimento fiscal ao não apresentar os elementos solicitados, tendo em conta o que preconiza a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 65; e, ademais, tratandose de pedido administrativo, o ônus da prova, previsto no CPC, art. 333, I, recai sobre o titular de direito creditório, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Nos termos da precitada informação fiscal: “O contribuinte deixou de atender as intimações lavradas no curso da presente auditoria, não apresentando os elementos solicitados, tais como livros contábeis e fiscais; arquivos magnéticos da contabilidade (lançamentos, plano de contas e Fl. 585DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 586 3 saldos mensais) de forma consolidada na matriz e dos livros fiscais (mestre de entradas e saídas, itens de entradas e saídas); notas fiscais de entradas e saídas; e outros elementos indispensáveis à analise do pedido de ressarcimento. Cabe salientar que foram apresentados os atos societários de constituição da sociedade e alterações posteriores e os arquivos magnéticos da contabilidade por filiais”. Insubmissa à decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 15/12/2009, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu, em 13/01/2010, manifestação de inconformidade de fls. 205/226, instruída com a documentação às fls. 234/522 e subscrita pelo patrono da pessoa jurídica qualificado na documentação de representação às fls. 182/184, em que sustenta que: a) houve, em 18/11/2008 e 14/01/2009, a teor da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º, e do art. 150, § 4º, do CTN, após o transcurso de cinco anos, homologação tácita dos pedidos de ressarcimento efetuados, respectivamente, em 19/11/2003 e em 15/01/2004, conforme decisões das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil e do Conselho de Contribuintes, sendo que a Fazenda Nacional não pode mais questionar tanto o débito quanto o crédito; b) tratase de crédito presumido na forma alternativa (exportação de suco de laranja e derivados mediante a industrialização por encomenda por outra empresa), sendo a base de cálculo correspondente à soma dos custos com aquisição de insumos e de prestação de serviços decorrente de industrialização de encomenda; foram anexados vários documentos relativos à apuração do benefício fiscal, referentes ao 3º e ao 4º trimestre calendário: DCP, planilha de receita de exportação, notas fiscais de saída, planilha de compras, memorandos de exportação, etc; c) a Administração deve se pautar pelo princípio da verdade material, conforme jurisprudência, sendo que os documentos e informações carreados aos autos devem ser analisados; d) há a nulidade do despacho decisório em virtude da ausência de motivação e de incompetência do agente que proferiu a decisão (deveria ter sido o Delegado da unidade e não o chefe da DIORT da DERAT, conforme o Regimento Interno da RFB, Anexo da Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, art. 285). Por fim, demonstrada a insubsistência da decisão fustigada, repisa a argumentação e, principalmente, afirma que “seja deferida a apresentação posterior de documentos que se fizerem necessários à comprovação do alegado, principalmente em relação as notas fiscais de compra que ainda se encontram em posse do agente fiscalizador”; devido à grande quantidade de documentos, em alguns casos apresentados por amostragem, é necessária a realização de diligências e perícias que forem indispensáveis à comprovação das alegações. Regularmente cientificada apresentou Recurso Voluntário nos seguintes termos: Fl. 586DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 587 4 1) preliminar de nulidade do despacho decisório. A impugnação foi indeferida por falta de apresentação de elementos que comprovassem o direito creditório. Foi juntado aos autos mais de 500 páginas de documentos que não foram analisados; 2) ocorreu homologação tácita do pedido de ressarcimento, a teor do art. 74 da Lei nº 9.430/96. O prazo para que o fisco analise é de 360 dias conforme art. 24 da Lei nº 11.457/2007, e na sua inércia aplicase, por analogia o prazo de cinco anos da Lei nº 9.430/96; 3) se ocorreu homologação tácita da compensação então implica no reconhecimento do direito creditório, impedindo que a Fazenda Nacional questione tanto débito quanto crédito; 4) Com relação aos Custos decorrentes da aquisição de matériaprima o mesmo encontrase demonstrado na DCP e Planilha Demonstrativa e Memória de Cálculo do Crédito Presumido IPI . Apresenta também planilha de receita de exportação e receita operacional bruta de exportação, planilha de compras de MP,PI, ME e demais insumos, memorandos de insumos por amostragem. Em 26/01/2018 o CARF foi intimado da decisão judicial em Mandado de Segurança, Processo Judicial nº 1000.537.66.2018.4.01.3400: Ante o exposto, DEFIRO parcialmente a tutela liminar para determinar que o impetrado analise e decida, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da intimação da presente decisão, o mérito dos processos administrativos nº 13804.002611/200500, 16349.000357/201077 e 19515.006163/200890 . Consta no site do TRF1, consulta processual, que em 30/01/2018 foram prestadas as informações requeridas, e o processo encontrase concluso para julgamento, em 05/03/2018. O processo foi a mim sorteado e distribuído em 28/02/2018, e conforme Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/2015, o conselheiro deverá pautar o processo em até 6 (seis) meses a partir da data do sorteio, portanto dentro do prazo regimental o presente processo é pautado para análise desse colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente a recorrente alega que ocorreu homologação tácita do pedido de ressarcimento, a teor do art. 74 da Lei nº 9.430/96. E que o prazo para que o fisco analise os pedidos administrativos é de 360 dias conforme art. 24 da Lei nº 11.457/2007, e na sua inércia aplicase, por analogia o prazo de cinco anos da Lei nº 9.430/96. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 588 5 O Código Tributário Nacional (CTN), estipula o prazo decadencial de 5 anos para a fiscalização homologar o lançamento, nos casos de lançamento por homologação que ocorre quando o contribuinte possui a obrigação de apurar o tributo devido, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Órgão. § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição, datado de 19/11/2003 e 15/01/2004, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase três Fl. 588DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 589 6 anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. No caso dos pedidos de compensação, que não objeto de análise no presente auto, que se refere aos pedidos de ressarcimento, a recorrente alega que se ocorreu homologação tácita da compensação então implica no reconhecimento do direito creditório, impedindo que a Fazenda Nacional questione tanto débito quanto crédito. Não há como aplicar tal silogismo ao processo de ressarcimento e compensação, pois são processos diferentes com análise efetuada individualmente. Ademais consta da própria informação da recorrente que os pedidos de compensação foram protocolados em 31/07/2006, 26/12/2006, 31/07/2006 e 26/12/2006 e o despacho decisório foi proferido em 17/11/2009 com ciência em 15/12/2009, portanto dentro do prazo decadencial de 5 anos. Em outra vertente, a recorrente apresenta a interpretação de que o prazo para que o fisco analise os pedidos administrativos é de 360 dias conforme art. 24 da Lei nº 11.457/2007, e na sua inércia aplicase, por analogia o prazo de cinco anos da Lei nº 9.430/96. Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. É certo que a Lei nº 11.457/2007 estipulou o prazo máximo de 360 dias para análise de recursos administrativos, tendo em vista a busca da administração pública pela eficiência e acesso a um processo administrativo razoável e pautado pela segurança jurídica. Convicta da sua interpretação da norma legal a recorrente buscou o amparo judicial que concordando com sua tese decidiu que o recurso administrativo não pode permanecer ad eternum aguardando sua análise, porque as normas administrativas devem ser interpretadas em harmonia com os preceitos constitucionais de celeridade, tramitação e razoável duração dos processos. Entretanto o próprio judiciário vislumbra as limitações, de toda óbice, a que esta sujeita a atuação administrativa, por isso esclarece na decisão que "tal fato por si só não caracteriza omissão administrativa ilegal ou abusiva, havendo que se analisar as circunstâncias do caso concreto, à luz dos princípios da legalidade, da eficiência administrativa, da razoabilidade, bem como da garantia da duração razoável do processo". Apesar da decisão judicial favorável a análise e a decisão do recurso administrativo não há como aplicar a conclusão da recorrente que na inércia da administração pública há de se aplicar, por analogia, o prazo de cinco anos da Lei nº 9.430/96. Para o caso deveria haver previsão legal, o que não se encontra no ordenamento legal. Como relatado, a fiscalização, em duas ocasiões, 02/02/2009 e 11/02/2009 intimou o contribuinte a apresentar a documentação necessária à comprovação do direito ao crédito pleiteado, havendo o atendimento apenas parcial, e segundo o relatório fiscal, os documentos apresentados não foram aptos, nem suficientes, a comprovar o pleito. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 590 7 Na impugnação a recorrente juntou documentos, mas não suficientes para provar seu direito ao crédito presumido. A partir da fl. 235 podemos verificar que foram juntados memória de cálculo, demonstrativo de apuração do credito presumido do IPI, planilha de receita de exportação e receita operacional bruta de exportação, razão contábil, relação de NF de saída, planilha de compras. Na planilha de compras é apresentada relação de produtos intermediários tais como soda caustica, hipocloreto de sódio, sulfato de alumínio, amônia anidra, e outros. Entretanto não são apresentadas as notas fiscais de compra dessas matérias primas, produtos intermediários e material de amostragem, nem por amostragem. Também não foi esclarecido qual a função desses materiais no processo produtivo. A recorrente solicita em impugnação, e reiterado no recurso voluntário, que seja deferida a apresentação posterior de documentos, principalmente em relação as notas fiscais de compra que ainda se encontram em posse do agente fiscalizador. E enfim, pela vultosa quantia de documentos existentes, que em alguns casos só puderam ser apresentados por amostragem, requer a realização de diligências e perícias para comprovação do alegado. Conforme art. 36 da Lei nº 9.784/99 cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sendo esse entendimento o exposto no art. 333, I, do CPC: "Art.333 O ânus da prova incumbe. 1— ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito," Apesar do longo período que dispôs entre o início do procedimento fiscal e o despacho decisório (MPF em 28/01/2009 e Despacho decisório de 17/11/2009 a recorrente não se diligenciou a apresentar os documentos que eram seu dever apresentar, pois estava pleiteando ressarcimento de crédito presumido. Depois a impugnação foi apresentada 13/01/2010 e julgado em 27/03/2015, mesmo assim a recorrente insistiu na cantinela de que a quantidade de documentos era muito grande e que deveria ser deferida diligência para apurar o alegado. Oportunizada ao contribuinte a produção complementar da prova de seu alegado direito e não se desvencilhando de tal incumbência, outra alternativa não resta senão denegarlhe a pretensão, valendo aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A Fl. 590DF CARF MF Processo nº 19515.006163/200890 Acórdão n.º 3401005.280 S3C4T1 Fl. 591 8 simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” Diferente do alegado pela recorrente não vejo que a delegacia de julgamento tenha ignorado as provas apresentadas sem adentrar o mérito. Ao contrário, foi efetuada a análise e verificado que os documentos mais importantes, que comprovam que de fato a empresa incorreu em situações que lhe garantiam o direito ao crédito não foram apresentados. Não há nos autos as Notas fiscais de entrada, nem mesmo por amostragem. O que a recorrente apresentou foram planilhas efetuadas pela empresa que nada provam quanto ao direito ao crédito pois que não se encontram lastreadas pelos documentos fiscais. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e negar lhe provimento por falta de apresentação de provas, a cabo da recorrente, que comprovam o direito ao crédito presumido alegado. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente), Fl. 591DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900127/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2003
DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO
Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2003 DESISTÊNCIA DCOMP INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 27 /2 00 8- 10 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13984.900127/200810 Acórdão n.º 1402003.187 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento indevido ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o pagamento encontrase completamente utilizado, vinculado a débito também de código de receita 6106 e mesmo período de apuração, tornandoo indisponível para qualquer outra utilização. Cientificada do feito fiscal a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que apresentou a declaração de compensação indevidamente, uma vez que era optante pelo Simples no período a que se referem os débitos incluídos na DComp. Nesse sentido, afirma que não existe valor a ser compensado, e nem motivo para apresentar a declaração de compensação, "uma vez que os tributos que ali se pedia compensação não eram devidos". Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp apresentada, "por tratarse apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco". Em julgamento a DRJ julgou por improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que o pagamento indevido já fora integralmente utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.180, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900120/2008 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.180): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade ao que merece ser processado. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13984.900127/200810 Acórdão n.º 1402003.187 S1C4T2 Fl. 4 3 2. DO MÉRITO: Conforme consta da decisão da DRJ o pagamento levado como crédito na DCOMP foi totalmente utilizado em face de vinculação a débito declarado pela contribuinte. E contra esse fato a contribuinte não apresenta qualquer oposição. Em sede da manifestação de inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação da DComp em exame decorreu de engano, razão pela qual requer seu cancelamento. A legislação tributária então regente não respalda o requerimento da contribuinte com destaque para o que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia: Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo ,mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMY ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de Ressarcimento ou a compensacdo se encontre pendente de decisão administrativa ti data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (destaques acrescidos) Há que se ressaltar que, na Instrução Normativa RFB n. 1717, de 30 de dezembro de 2017, atualmente em plena vigência, há disposição idêntica. Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13984.900127/200810 Acórdão n.º 1402003.187 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores A data de inicio dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. Diante do exposto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, voto por manter a decisão proferida pela DRJ. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.720316/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ELI RONALDO RIBEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de auto de infração de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 14.788,09, acrescido de multa de ofício e juros de mora, e R$ 6.907,96 sujeito a multa e juros de mora (fls. 44/50), resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2011, anocalendário de 2010, em virtude de omissão de rendimentos tributáveis e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte decorrente de ação trabalhista. Conforme descrição dos fatos, e ralatado no acórdão de impugnação, o cálculo foi realizado da seguinte forma: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 86 .7 20 31 6/ 20 13 -7 8 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13886.720316/201378 Resolução nº 2401000.707 S2C4T1 Fl. 225 2 A fiscalização informa às fls. 46/48, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os seguintes fatos motivadores do lançamento: a) omissão de rendimentos recebidos pelo notificado de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 86.340,16, conforme dados a seguir:. processo nº 025170013.2005.15.0099 RT movida contra Banco SANTANDER Brasil SA no total de RS 309.685,36. Valor retirado pelo autor em 13/10/2010, R$ 266.986,44; IRRF de RS 41.331,80, conforme DIRF encaminhada à RFB pelo Banco do Brasil e comprovante do processo (fls.682) apresentado pelo contribuinte. INSS devido pelo empregado RS 1.367,12, conforme registrado na Sentença de Liquidação;. Conforme relatado pela fiscalização para efeito de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual, opção efetuada pelo contribuinte, os rendimentos totais recebidos na ação devem ser separados entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e rendimentos isentos e nãotributáveis. Os honorários advocatícios são dedutíveis na proporção dos rendimentos tributáveis, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. O imposto de renda pago deve ser distribuído entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos com tributação exclusiva na fonte, sendo o valor deste calculado pela aplicação da tabela progressiva do mês do recebimento dos rendimentos e o restante imputado aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Relata que, com base na planilha de liberação de crédito constante às fls. 676 do processo trabalhista, de acordo com a fiscalização, 10,63% dos rendimentos são isentos, 16,24% dos rendimentos são de tributação exclusiva na fonte e 73,13% são tributáveis no ajuste anual. Total de rendimentos sujeitos à tributação normal: R$ 226.472,90 (RS 309.685,36 x 73,13%); total de despesas com advogado: RS 49.575,29; parcela dedutível dos rendimentos sujeitos à tributação normal (proporcional a estes): R$ 36.254,41. Parcela dedutível dos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva: RS 8.051,03. Contribuição previdenciária no dia 01/08/2007: R$ 940,12 TR do dia 01/08/2007 para o dia 13/10/2010: 5,04647% juros do dia 01/08/2007 para o dia 13/10/2010: 38,43333%, valor da contribuição previdenciária corrigida : RS 1.367,12; Valor apurado de rendimentos tributáveis sujeito ao ajuste anual esperados na Declaração de Ajuste Anual referente a esta ação: R$ 190.218,49. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13886.720316/201378 Resolução nº 2401000.707 S2C4T1 Fl. 226 3 b) compensação indevida de IRRF no valor de R$ 11.091,32 (diferença) – Dedução incorreta do IRRF proveniente da ação trabalhista. Segundo informado, o valor correto deve ser obtido deduzindose do imposto total pago o valor do imposto de renda referente à parcela dos rendimentos com tributação exclusiva na fonte. Conforme apuração dos dados, o valor do IRRF que pode ser levado ao ajuste anual é de R$ 30.240,48. O valor de IRRF de R$ 11.091,32 não pode ser levado ao ajuste anual por se tratar de tributação exclusiva na fonte, calculados sobre a base de cálculo de R$ 42.241,87 (R$ 309.685,36 x 16,24% deduções), referente aos rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Em impugnação apresentada às fls. 2/35, o contribuinte alega cerceamento do direito de defesa, explica os valores recebidos afirmando que parte se referem a juros de mora que são isentos e questiona o cálculo proporcional efetuado para apuração do imposto de renda. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 1060.783 de fls. 74/86. Cientificado do Acórdão em 26/12/17 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 142), o contribuinte apresentou "Manifestação de inconformidade", em 25/1/18, fl. 93, em formulário padrão da RFB, admitida como recurso voluntário, que contém, em síntese: Diz considerar equivocada a quantia recebida de R$ 309.685,36, pois o valor bruto indicado na DIRF apresentada pelo Banco do Brasil e recebido é de R$ 209.836,76, que corrigidos de 26/1/09 a 13/10/10, perfazem um montante de R$ 238.451,68, e recolhimento do IRRF (considerando o relativo ao 13º) no valor de R$ 57.012,32, cuja responsabilidade do recolhimento é da fonte pagadora, não havendo que se falar em glosa de rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte. Diz haver respaldo nas fls. 676, 678, 684 do processo trabalhista. Demonstra como entende que deve ser feito o fracionamento: a) total dos rendimentos sujeitos à tributação R$ 174.379,71 (R$ 238.451,68 x 73,13%); b) despesas dedutíveis com advogado R$ 36.254,41 (R$ 49.575,29 x 73,13%); c) parcela dedutível de contribuição previdenciária R$ 1.367,12; d) imposto de renda retido na fonte R$ 46.885,68 {(R$ 174.379,71 R$ 1.367,12) x 27,5%R$ 692,78}; e) reconhecimento do não uso de compensação indevida, conforme valor recolhido de R$ 57.012,32 (rendimento tributável normal + rendimento exclusivo na fonte). Neste feito, total de rendimentos declarados R$ 148.665,34, omissão apurada R$ 32.879,85, desconto simplificado R$ 13.317.09, imposto apurado R$ 37.949,37, imposto pago R$ 47.600,11, saldo a restituir de R$ 9.650,74. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13886.720316/201378 Resolução nº 2401000.707 S2C4T1 Fl. 227 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Da análise dos autos, claro está que o lançamento decorre de valores recebidos decorrente de ação trabalhista. Contudo, apesar de serem citadas partes da sentença de liquidação na descrição dos fatos, as peças relacionadas ao processo judicial não foram juntadas aos autos. A fiscalização baseia o lançamento nos seguintes valores: R$ 266.986,44 total retirado pelo autor em 13/10/10 (somado os honorários advocatícios de R$ 49.575,29); R$ 41.331,80 IRRF conforme DIRF do Banco do Brasil; R$ 1.367,12 INSS devido pelo empregado. Em sua impugnação, o contribuinte alega que a diferença decorre da incidência do imposto de renda sobre juros de mora, que são isentos. Tal alegação não foi objeto de manifestação por parte da DRJ. Sobre a acórdão recorrido, vêse que a DRJ, no mérito, explica o lançamento efetuado pela fiscalização, citando legislação aplicável, partindo dos mesmos valores apresentados no lançamento. Conforme DIRF de fl. 59, o Banco do Brasil informa, além do imposto retido (que confere com o informado pela fiscalização), um rendimento bruto de R$ 209.836,76. Na peça recursal, o recorrente parte desse valor de R$ 209.836,76 (informado em DIRF), corrige de 26/1/09 a 13/10/10, totalizando R$ 238.451,68, e afirma que o imposto retido, considerando o incidente sobre o 13º, foi de R$ 57.012,32, citando as fls. 676, 678 e 684 do processo trabalhista. Não consta dos autos informação do motivo da ação trabalhista proposta, se decorrente da perda do emprego. Também não foi informado se houve a incidência de imposto de renda sobre juros. Para o adequado julgamento do presente processo, prestigiando a verdade material, solicitase que a fiscalização, considerando os documentos relativos à liquidação da sentença (solicitase sejam juntados aos autos), responda aos seguintes questionamentos: 1. A ação trabalhista foi ajuizada em virtude de perda de emprego? 2. Qual o montante recebido pelo contribuinte (o valor do documento de fl. 40 não confere com o de fl. 42, que também não confere com o da DIRF)? 3. Do total recebido, quanto se refere a principal e, se for o caso, quanto se refere a juros? 4. Houve incidência de imposto de renda sobre valores correspondentes a juros? Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13886.720316/201378 Resolução nº 2401000.707 S2C4T1 Fl. 228 5 5. Houve recolhimento de IRRF além do apurado com base na DIRF (o contribuinte alega que recolheu R$ 57.012,32, considerando a parcela incidente sobre o 13º)? 6. Se o total do IRRF for mesmo R$ 41.331,80, conforme DIRF, qual é o valor relativo ao 13º (deve ser demonstrado o cálculo) e o sujeito ao ajuste? 8. Considerando as respostas aos itens anteriores, cabe alguma alteração no valor do rendimento omitido, consequentemente no rendimento apurado após alterações, no imposto apurado após alterações, no total do imposto pago, na glosa do imposto pago, no saldo de imposto a pagar após alterações, ou ainda, se há saldo a restituir, como alega o recorrente? Se for o caso, solicitase que seja refeita a tabela de fl. 49. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam juntados aos autos as peças da ação judicial que permitem esclarecer os valores apurados, para que a fiscalização responda aos quesitos acima e apresente, se for o caso, a tabela de fl. 49 com correções. O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 155DF CARF MF
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