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Numero do processo: 16561.000151/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assina do digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assina do digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assina do digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno RELATÓRIO Reproduzse a íntegra do relatório de primeira instância, por bem descrever os fatos processuais: Contra a contribuinte em epígrafe foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), fls. 117 a 136, em razão da existência de valores relativos ao resultado da equivalência patrimonial não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 15 1/ 20 07 -2 7 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 16561.000151/200727 Resolução nº 1202000.238 S1C2T2 Fl. 7 2 tributados e de compensação indevida de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL. Como enquadramento legal da autuação, foram citados os seguintes dispositivos: IRPJ: a) equivalência patrimonial: artigos 249, incisos I e II, 251, caput e parágrafo único, 384, 385, 387, 389 c 434 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR) e artigo 7 0, § 1 0, da Instrução Normativa SRF n° 213/2002, que regula o artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; b) saldos de prejuízos insuficientes: artigos 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/1999; CSLL: a) falta de recolhimento da CSLL: artigo 2", capta e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigo 19 da Lei n° 9249/1995, arti go 1° da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei n° 9.430/1996 c artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições; b) compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores: artigo 2', caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigo 58 da Lei n° 8.981/1995, artigo 16 da Lei n°9.065/1995 e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Foram apurados os créditos tributários nos montantes de R$ 50.548,961,47 c R$ 18.223.978,06, respectivamente, neles incluídos os juros moratórias calculados até 30/11/2007. No Termo de Verificação Fiscal de lis. 139 a 142, integrante dos autos de infração, foram consignados os seguintes fatos: a empresa SUZANO QUÍMICA LTDA., CNPJ n°00.975.444/000142, sucedida par incorporação pela interessada, deteve participação societária de 100% no capital social da empresa SUZANOPAR PETROQUIMICA LTDA., registrada na Comunidade das Bahamas; informou a interessada que "a operação exercida pela Suzanapar Petroquímica Ltd., era de aplicação financeira do caixa mantido naquela controlada pelo contribuinte para atender aos compromissos assumidos em dólares na execução do projeto Rio Polímeros, no Pólo Gás Químico do Rio de Janeiro"; convertido o valor do capital social da controlada no exterior em 31 de dezembro de 2002 pelo câmbio dessa data, comparado com o câmbio de 31 de dezembro de 2001, apurouse a diferença de RS 118.985.490,00, correspondente ao valor do resultado positivo da equivalência patrimonial, que deveria ter sido oferecido à tributação, nos termos do artigo 7°, § 1°, da Instrução Normativa SRF n°213/2002, que regula o artigo 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, e foi indevidamente excluido na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; apurouse, ainda (em conseqüência da presente autuação e do lançamento objeto do Processo n° 16561.000152/200771), compensação indevida de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL nos anoscalendário de 2003 a 2005; Fl. 403DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 16561.000151/200727 Resolução nº 1202000.238 S1C2T2 Fl. 8 3 nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0029533, foi concedida "a segurança para que seja adicionado à base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido somente o lucro apurado no exterior, afastando a exigência comida no artigo 70, I° da IN SRF 213/2002, (...)"; dessa forma, efetuouse a constituição do crédito tributário, com vistas a prevenir a decadência, sem lançamento de multa de ofício (artigo 63 da Lei n° 9430/1996). O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos em 04/12/2007 e, em 03/01/2008, apresentou a impugnação de fls. 150 a 160, por intermédio de procurador (lis. 161 a 194). Alega a impugnante o que segue: ao recompor a base de cálculo do IRPJ e da CSLI, em razão das supostas infrações apuradas, o autuante considerou como definitivas as reduções de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL a que ele próprio procedeu no outro auto de infração que lavrou na mesma data e deu origem ao Processo n° 16561000152/2007 71; sendo manifesta a relação de prejudicialidade entre os processos, impõese o sobrestamento do presente feito até o julgamento definitivo tanto do Mandado de Segurança n°2003.61.00.0029533 como também do processo n° 16561000152/2007 71, nos termos do artigo 265, IV, "a", do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal; os valores dos saldos acumulados de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL são superiores aos utilizados pelo Fisco, conforme demonstram as cópias das DIPJ! e da parte B do LALUR anexas (f1s. 287 a 335); afigurase nula por absoluta falta de motivação a autuação nesse particular, devendo ser refeitos os demonstrativos de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, para que sejam considerados os valores corretos; não podem ser exigidos os juros de mora no presente caso, uma vez que a impugnante não incorreu em mora, dada a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários por liminar em Mandado de Segurança, posteriormente confirmada por sentença concessiva da segurança (lis. 246 a 251); ainda que se entenda devidos os juros, não podem ser calculo base na taxa SELIC, pois a referida taxa, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola o percentual previsto no artigo 161 do CTN; diferentemente do auto de infração de IRPJ, não constou expressamente no auto de infração de CSLL a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o que acredita tratarse de mero erro material, tendo em vista que o lançamento foi efetuado sem multa de oficio e decorreu do mesmo Termo de Verificação Fiscal, dando origem a um só processo administrativo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 16561.000151/200727 Resolução nº 1202000.238 S1C2T2 Fl. 9 4 A DRJ julgou o lançamento procedente, adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do feito, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, devendo a Administração Páblica impulsionálo até sua conclusão (Principio da Oficialidade). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. Na hipótese de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar à seus próprios prejuízos, proporcionalmente á parcela remanescente do patrimônio líquido. JUROS DE MORA. A incidência dos juros de mora independe de lançamento c ocorre mesmo durante o período em que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, exceto na hipótese de depósito do montante integral da quantia controversa. Cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para Títulos Federais SELIC, acumulada mensalmente. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, à exigência de CSLL, por serem fundamentados nos mesmos elementos de prova. Assim, a autoridade de primeira instância fundamentou seu voto: não pode sobrestar pois o mandado de segurança tem outro objeto que não coincide com o presente. E em relação ao processo alegado como prejudicial, de número 16561000152/200771, deve ser julgado conjuntamente, uma vez que o saldo de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL considerados no lançamento sob exame resultam da compensação efetuada com a matéria tributável naquele processo; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 16561.000151/200727 Resolução nº 1202000.238 S1C2T2 Fl. 10 5 a recorrente deixou de considerar a cisão parcial, com base no balando de 30 de novembro de 1998, cuja parcela remanescente do patrimônio líquido foi de 80,75%, asseverando que: Desse modo, os saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, existentes em 30/11/1998, passíveis de compensação, são de R$ 9.317.706,84 (80,75% de R$ 11.538.955,84) c R$ 9.363.109,89 (80,75% de R$ 11.595.182,53), respectivamente, conforme se verifica nos demonstrativos extraidos do sistema informatizado da Receita Federal que controla os prejuízos fiscais c as bases de cálculo negativas da CSLL (fls. 341 e 342), alimentado, a priori, pelas declarações apresentadas pelos contribuintes. assim sendo, os demonstrativos da fiscalização estão corretos; aduz, relativamente ao processo 16561.000152/200771, que a respectiva turma de julgamento, mediante o Acórdão 17.493, considerou procedentes os lançamentos de IRPJ e CSLL; quanto aos juros de mora, tem previsão legal e devem ser mantidos; quanto a taxa SELIC, também estão estipulados em legislação vigentes no ordenamento jurídico, inclusive já sumulada perante o CARF; aplicase a CSLL o mesmo entendimento, por guardar correspondência com os mesmos elementos de prova nos autos. A contribuinte, por seu procurador, interpôs o seu recurso voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese, o seguinte: ao recompor a base de cálculo do IRPJ e da CSL em razão das supostas infrações apuradas o ilustre fiscal autuante reduziu a titulo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa valores inferiores àqueles a que efetivamente teria direito a ora Recorrente, em função da utilização de parte daqueles resultados negativos nos autos de infração objeto do processo n° 16561.000152/200771, que também permanece em discussão na esfera administrativa; não são devidos juros de mora, posto que a Recorrente não restou incorrido neste procedimento, nem poderiam ter sido calculados com base na taxa selic; a autoridade lançadora considerou definitivas as reduções de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, que ele próprio procedeu em outro auto de infração, objeto do processo 16561.000152/200771; Com efeito, ao recompor a base de cálculo do IRPJ em razão das supostas infrações apuradas no caso concreto o ilustre fiscal autuante partiu de um valor de saldo de prejuízo acumulado de apenas R$ 13.684.491,09 (linha 2), tendo em vista que considerou como definitiva a redução do prejuízo fiscal de R$ 17.573.457,94 para este novo valor em razão da infração apontada naquele outro processo no valor de R$ 11.862.556,97 (conforme "Demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais" do processo n° 16561.000152/200771 — doc. 04 da impugnação). Do mesmo modo, no que diz respeito à CSLL o ilustre fiscal autuante no caso concreto partiu de um valor original de R$ 13.729.894,14 .(linha 2), em razão de também ter considerado como definitiva a redução da base de cálculo negativa acumulada em razão das infrações apontadas naquele outro processo administrativo nos anos de 2002 a 2005 (conforme "Demonstrativo da compensação de bases negativas" do processo n° 16561.000152/200771; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 16561.000151/200727 Resolução nº 1202000.238 S1C2T2 Fl. 11 6 insiste no sobrestamento deste feito, até julgamento definitivo do processo prejudicial de nº 16561.000152/200771, posto que poderá a decisão final refletir nos estoques de prejuízo fiscal e base negativas, passíveis de compensação nos presentes autos; reitera os mesmos argumentos contra os juros de mora e a cobrança cumulativa da taxa selic. Eis o relatório. VOTO Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Pelo que consta, tanto na decisão DRJ, como informado pela Recorrente, há o processo nº 16561.000152/200771 que guarda relação de prejudicialidade, como relatado, com o presente processo. Ao apurar o andamento no sitio do CARF, constatase que o mesmo foi distribuído para a este colegiado da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, sendo designado este relator para apreciação da matéria. Com o julgamento do processo 16561.000152/200771, nesta mesma sessão de março de 2014, pelo provimento do recurso voluntário, ou seja, objeto do trabalho fiscal e constante do lançamento de ofício, uma vez que influenciou diretamente a composição do saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, uma vez mantidas inalteradas tais bases, as quais constituem essencialmente a composição do presente lançamento, e como perante o processo ainda cabem eventuais recursos do contribuinte e/ou da Fazenda Nacional, se faz necessário que o presente processo aguarde o julgamento definitivo daquele, para os efeitos de direito relacionados. Assim, é de se propor a conversão do julgamento do presente processo em diligência, a fim de que retorne este autos a repartição de origem, cabendo a essa juntar aqui a decisão administrativa definitiva no processo 16561.000152/200771, após o que devem retornar os autos, assim completos, para o competente e efetivo julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e seguimento processual devido. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 407DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 11080.004659/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 04 65 9/ 20 06 -1 1 Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.305 S1C3T2 Fl. 2.035 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/POA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, afastar as preliminares de nulidade, e considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Após interpor recurso voluntário a este colegiado, a recorrente desistiu parcialmente da discussão dos créditos tributários discutidos neste processo, por meio dos Requerimentos de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo (Anexo I, Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009 – efls.19971998). O Pedido de Parcelamento foi recebido pelo Serpro (fls.2002) em 11/09/2009. Em 28/04/2011 os débitos objeto de desistência foram transferidos para o PAF 11080722.806/201197, sendo este processo então encaminhado ao Carf, para julgamento. Em 05/09/2011 foi encaminhado ao Carf, pela CAC/DRF/POA requerimento apresentado àquela central de atendimento ao contribuinte (de 31/08/2011), pelo qual a recorrente pleiteia a retificação dos débitos que expressamente constaram dos Requerimentos de Desistência ou Impugnação de Recurso Administrativo, alegando que houve erro de seu departamento técnico na confecção dos formulários. Em 16/12/2011 o contribuinte apresentou novo requerimento à DRF/POA pedindo a reratificação do pedido de desistência do recurso administrativo. A DRF/POA remeteu os autos ao Carf, atestando que havia transferido os débitos para o PA 11080.722806/201197, e que não havia ainda efetuado a revisão da consolidação do parcelamento, tendo em vista indisponibilidade de sistemas (fl.2033). É o relatório. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11080.004659/200611 Resolução nº 1302000.305 S1C3T2 Fl. 2.036 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, deve ser conhecido. Há nestes autos questão prejudicial ao julgamento do mérito. Ocorre que o contribuinte, ora recorrente, requereu a desistência parcial dos débitos aqui discutidos. Posteriormente, requereu a retificação destes mesmos débitos, tema que ainda não mereceu consideração, pelo menos não de acordo com as provas acostadas aos autos. A competência para decidir sobre retificação de débitos, relativamente à consolidação do parcelamento, nos termos do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 é do titular da unidade da RFB com jurisdição no domicílio tributário do sujeito passivo, nos termos do art. 20, I, “a”, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06/2009, na redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 15/2010, verbis: Art. 20. Relativamente aos pagamentos e parcelamentos de que trata esta Portaria, compete ao titular da unidade da PGFN ou da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme o órgão responsável pela administração do débito, entre outros atos: I apreciar: (Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 15, de 1º de setembro de 2010) a) pedidos de inclusão, exclusão ou retificação de débitos referente à consolidação do parcelamento; (Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 15, de 1º de setembro de 2010) De se ver que a matéria a ser julgada não está perfeitamente delimitada, sendo questão prejudicial decidirse primeiro acerca do pedido de retificação de débitos solicitado pelo recorrente. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a DRF/POA, após manifestarse sobre o pedido feito pelo recorrente, no que tange à sua competência, acoste cópia da decisão final administrativa exarada quanto a esta matéria e devolva os autos a este colegiado para retomada deste julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002902/2009-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. RECEBIMENTO DE OFÍCIO.
Não são admissíveis os embargos de declaração, na forma do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno, opostos em prazo superior a 05 dias, contados da ciência do acórdão, pela parte recorrente. Todavia, verificada qualquer das hipóteses do art. 66, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, é de rigor que os embargos sejam recebidos como os embargos inominados.
EMBARGOS INOMINADOS. EFEITOS INFRINGENTES.
São admissíveis embargos inominados, com efeitos infringentes, se verificado erro de cálculo que contribuiu, diretamente, para o resultado do julgamento da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1103-001.045
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acolher os embargos para retificar o dispositivo do Acórdão n° 1103-00.535/2011 para: Rejeitar as preliminares, por unanimidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, também por unanimidade.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS INOMINADOS. RECEBIMENTO DE OFÍCIO. Não são admissíveis os embargos de declaração, na forma do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno, opostos em prazo superior a 05 dias, contados da ciência do acórdão, pela parte recorrente. Todavia, verificada qualquer das hipóteses do art. 66, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, é de rigor que os embargos sejam recebidos como os embargos inominados. EMBARGOS INOMINADOS. EFEITOS INFRINGENTES. São admissíveis embargos inominados, com efeitos infringentes, se verificado erro de cálculo que contribuiu, diretamente, para o resultado do julgamento da decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acolher os embargos para retificar o dispositivo do Acórdão n° 1103-00.535/2011 para: Rejeitar as preliminares, por unanimidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, também por unanimidade. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS INOMINADOS. RECEBIMENTO DE OFÍCIO. Não são admissíveis os embargos de declaração, na forma do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno, opostos em prazo superior a 05 dias, contados da ciência do acórdão, pela parte recorrente. Todavia, verificada qualquer das hipóteses do art. 66, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, é de rigor que os embargos sejam recebidos como os embargos inominados. EMBARGOS INOMINADOS. EFEITOS INFRINGENTES. São admissíveis embargos inominados, com efeitos infringentes, se verificado erro de cálculo que contribuiu, diretamente, para o resultado do julgamento da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acolher os embargos para retificar o dispositivo do Acórdão n° 110300.535/2011 para: “Rejeitar as preliminares, por unanimidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, também por unanimidade.” Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 02 /2 00 9- 55 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.024 2 Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.025 3 Foram opostos embargos de declaração, pela Delegada Substituta da Delegacia da Receita Federal em Santos, autoridade encarregada da execução do Acórdão n° 110300.535 1a Câmara / 3a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferido em 04/10/2011, com fundamento no artigo 65 caput e seu § 1°, combinado com o artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pelas seguintes razões: “4. Em 04/10/2011 o Acórdão n° 110300.535 da 1ª Câmara / 3a Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não reformou a decisão anterior, mantendo a autuação. Ocorre, que apesar de manter os Autos de Infração e rechaçar os argumentos apresentados pelo contribuinte, a referida Câmara deu provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo. Ressaltase no relatório do acórdão: ‘Contudo, observo que os depósitos bancários sob o crivo de suspeita, devidamente elencados no demonstrativo fiscal de fls. 211/219, totalizam a importância de R$ 14.985.712,96. Para cada um deles, individualizadamente, a autoridade lançadora fez a seguinte classificação: i) 03 — Origem comprovada mediante documentação hábil e idônea; ii) 04 — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea e iii) 07 — Dispensado do Exame em função do valor. Ocorre que deduzidos os códigos 03 e 07, acima explicitados, remanesce a quantia liquida de R$ 6.004.468,64 aquém, portanto, dos R$ 10.495.090,80 tomados em conta como sendo a base de cálculo dos gravames. E possível que a autoridade lançadora tenha se ancorado no dossiê integrado noticiado no item 7 do Termo de Constatação Fiscal (somatória dos créditos constantes na DCPMF), acerca do qual, a propósito, nenhuma peça integra os autos. Porém, regra o § 3° do artigo 42 do diploma legal em comento que a análise dos créditos deva se dar de forma individualizada, de sorte a facultar ao sujeito passivo, inclusive, a apresentação da origem sobre cada qual. Decorre, portanto, que apenas os créditos listados na peça fiscal de fls. 211/219 sob o titulo 04 — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea ancoram, quantitativamente, a presunção de omissão de receita. Essa ordem de juizos aplicase aos lançamentos reflexos, ante a existência de relação de causa e efeito que os vinculam ao IRPJ, assim compreendida a existência de fatos do mundo real, e jurídico, que são, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, independentes entre si. Noutras palavras: a exigibilidade de um tributo não é decorrência da exigibilidade de outro tributo, mas da ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de ambos, é dizer, lucro no caso da CSLL e faturamento/receita no PIS e COFINS. Com tais razões, voto pela rejeição das preliminares e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso para reduzir a base de cálculo Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.026 4 inerente aos depósitos bancários de origem não comprovada à cifra de R$ 6.004.468,64.’ 5. Assim, conforme se depreende do acórdão de fls. 475 a 490, notadamente na parte dispositiva ao julgar o recurso, a base de cálculo no valor de R$ 10.495.090,80 deve ser reformada para R$ 6.004.468,64, considerando apenas as importâncias discriminadas sob o título 04, nos extratos de crédito de fls. 211/219. (...) 8. O valor da base de cálculo reformada, consoante disposto no Acórdão, importa em R$ 6.004.468,64, que conflita com a soma das importâncias relativas ao extrato dos depósitos dos bancos Bradesco e Santander (código 04), às fls. 211/219. Somando o valor de tais créditos, consoante determinação contida no Acórdão, ‘Decorre, portanto, que apenas os créditos listados na peça fiscal de fls. 211/219 sob o título 04 – Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea ancoram, quantitativamente, a presunção de omissão de receita’, obtémse a mesma base considerada pela fiscalização, que corresponde a R$ 10.495.090,80, conforme se demonstra a seguir: (...) 9. Considerando as importâncias demonstradas acima, entende se que há um equívoco na decisão prolatada pelo Acórdão guerreado, no tocante a reforma da base tributária uma vez que o valor da base de cálculo reformada teria origem nos créditos com código 04, relacionados às fls. 211 a 219, o que configura uma contradição na parte dispositiva. 10. Assim sendo, não há como cumprir a determinação quanto a considerar os valores constantes na peça fiscal de fls. 211/219, sob o título 04 (origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea), em montante de R$ 6.004.468,64, posto que a soma de tais valores, conforme se demonstra acima, importa em R$ 10.495.090,80, exatamente a importância lançada como base tributável pela fiscalização. 11. A contradição na parte dispositiva entre as duas proposições, considerar as importâncias constantes às fls. 211/219 (1a proposição) e reformar a base de cálculo considerando a importância de R$ 6.004.468,64 (2a proposição), resulta na impossibilidade de executar o Acórdão, uma vez que tais proposições são excludentes. Se considerarmos a primeira, não há reforma da base de cálculo. Se considerarmos a segunda, a base reformada não pode ter origem nos valores discriminados às fls. 211/219, conforme se propõe, uma vez que, dos depósitos relacionados nas referidas folhas não se extrai a importância da base de cálculo reformada. 12. Temse ainda, que não restou claro quais valores com suas respectivas datas devem ser excluídos, de forma a somar a importância de R$ 4.490.622,16 (10.495.090,80 6.004.468,64). Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.027 5 Embora, evidentemente se busque a importância correta para incidência de todos os tributos em questão, esta não pode ser determinada apenas pela soma das importâncias devidas em todo o ano calendário de 2005, posto que temse períodos diferentes de apuração das exigências, tanto para o IRPJ, quanto para a tributação reflexa, o que implica na necessidade de explicitar a base tributável em cada período de apuração. 13. Cabe salientar, que a contradição existente na parte dispositiva do acórdão implica na ocorrência de um erro material, um erro de fato, que esclarecido e corrigido implicará também em efeitos modificativos do acórdão em contenda. 14. Assim sendo, independentemente da contagem do prazo para interposição do recurso denominado embargos de declaração, o acórdão não pode ser cumprido da forma como se encontra e, portanto, considerando as normas que disciplinam o ato administrativo, ao se constatar vício na sua formação, uma invalidade sanável, impõese a necessidade de correção e a consequente convalidação.” É o relatório. Voto Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.028 6 Conselheiro Fábio Nieves Barreira Não é possível o recebimento dos embargos de declaração, na forma do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno, pois foram opostos há mais de 05 dias da ciência do acórdão, pela autoridade recorrente, isto, considerandose como início do prazo a data da .remessa dos autos EAC1 e a data da oposição do recurso, 06/09/2013. Assim, recebo o recurso como embargos inominados, conforme art. 66, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, cujo texto segue: “Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência aorequerente.” Transcrevo o v. acórdão embargado, proferido pelo Ilustre Conselheiro José Sérgio Gomes, na parte embargada: “(...) Contudo, observo que os depósitos bancários sob o crivo de suspeita, devidamente elencados no demonstrativo fiscal de fls. 211/219, totalizam a importância de R$ 14.985.712,96. Para cada um deles, individualizadamente, a autoridade lançadora fez a seguinte classificação: i) 03 — Origem comprovada mediante documentação hábil e idônea; ii) 04 — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea e iii) 07— Dispensado do Exame em função do valor. Ocorre que deduzidos os códigos 03 e 07, acima explicitados, remanesce a quantia liquida de R$ 6.004.468,64 aquém, portanto, dos R$ 10.495.090,80 tomados em conta como sendo a base de cálculo dos gravames. É possível que a autoridade lançadora tenha se ancorado no dossiê integrado noticiado no item 7 do Termo de Constatação Fiscal (somatória dos créditos constantes na DCPMF), acerca do qual, a propósito, nenhuma peça integra os autos. Porém, regra o § 3° do artigo 42 do diploma legal em comento que a análise dos créditos deva se dar de forma Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.029 7 individualizada, de sorte a facultar ao sujeito passivo, inclusive, a apresentação da origem sobre cada qual. Decorre, portanto, que apenas os créditos listados na peça fiscal de fls. 211/219 sob o titulo 04 — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea ancoram, quantitativamente, a presunção de omissão de receita. Essa ordem de juízos aplicase aos lançamentos reflexos, ante a existência de relação de causa e efeito que os vinculam ao IRPJ, assim compreendida a existência de fatos do mundo real, e jurídico, que são, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, independentes entre si. Noutras palavras: a exigibilidade de um tributo não é decorrência da exigibilidade de outro tributo, mas da ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de ambos, é dizer, lucro no caso da CSLL e faturamento/receita no PIS e COFINS. Com tais razões, voto pela rejeição das preliminares e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso para reduzir a base de cálculo inerente aos depósitos bancários de origem não comprovada à cifra de R$ 6.004.468,64.” É claro, da leitura do voto, que restou decidido pela Turma Julgadora que apenas poderiam ser objeto da exigência fiscal, por presunção de omissão de receitas, “créditos listados na peça fiscal de fls. 211/219 sob o titulo 04 — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea ancoram”. Todavia, há erro de cálculo no v. acórdão prolatado, visto que o valor obtido com a soma das receitas presumivelmente omitidas supera os R$ 6.004.468,64, resultando em R$ 10.495.090,80. Este montante de R$ 10.495.090,80, produto da soma do título 04 — Origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea, apontados nas tabelas de fls. 211/219, corresponde ao objeto da autuação, como se verifica do Auto de Infração, fls. 226. Assim, presente a hipótese do art. 66, Anexo II, do Regimento Interno. É caso, portanto, de recebimento dos embargos, com efeitos infringentes, pois a correção da falha constatada implica em manutenção integral do lançamento de ofício. Por essa razão, voto por acolher os embargos opostos e, em conseqüência, retificar o dispositivo do Acórdão n° 110300.535/2011 para: “Rejeitar as preliminares, por unanimidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, também por unanimidade.” É como voto. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 19515.002902/200955 Acórdão n.º 1103001.045 S1C1T3 Fl. 1.030 8 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007078/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. PREVISÃO LEGAL.
O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real deverá arbitrar o lucro. Assim, se a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, bem como a não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação, o lucro deverá ser arbitrado pela autoridade tributária.
IMPOSTO DECLARADO EM DCTF. IMPOSTO APURADO EM DIPJ. DIFERENÇA. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO.
A constatação de que o imposto apurado em DIPJ, condizente com os registros contábeis, é maior do que o declarado em DCTF enseja a constituição da diferença por meio de lançamento, atividade constitutiva do crédito.
ARBITRAMENTO. IMPOSTO APURADO. IRRF. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Cabível a compensação do IRRF, com o imposto apurado por meio do lucro arbitrado, se restar comprovado que as receitas sobre as quais incidiu integraram a base do arbitramento.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração Tributária de lançar com multa de oficio as receitas omitidas na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), aplicando-se a este outro lançamento naquilo em que for cabível
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à dedução, no imposto apurado, do IRRF nos valores de R$ 459.006,09; no ano-calendário de 2004 e R$ 286.971,90 no ano-calendário de 2005, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real deverá arbitrar o lucro. Assim, se a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, bem como a não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação, o lucro deverá ser arbitrado pela autoridade tributária. IMPOSTO DECLARADO EM DCTF. IMPOSTO APURADO EM DIPJ. DIFERENÇA. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. A constatação de que o imposto apurado em DIPJ, condizente com os registros contábeis, é maior do que o declarado em DCTF enseja a constituição da diferença por meio de lançamento, atividade constitutiva do crédito. ARBITRAMENTO. IMPOSTO APURADO. IRRF. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Cabível a compensação do IRRF, com o imposto apurado por meio do lucro arbitrado, se restar comprovado que as receitas sobre as quais incidiu integraram a base do arbitramento. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração Tributária de lançar com multa de oficio as receitas omitidas na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), aplicando-se a este outro lançamento naquilo em que for cabível Preliminares Rejeitadas. Recurso Parcialmente Provido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 70 78 /2 00 7- 62 Fl. 3975DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real deverá arbitrar o lucro. Assim, se a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real, bem como a não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação, o lucro deverá ser arbitrado pela autoridade tributária. IMPOSTO DECLARADO EM DCTF. IMPOSTO APURADO EM DIPJ. DIFERENÇA. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. A constatação de que o imposto apurado em DIPJ, condizente com os registros contábeis, é maior do que o declarado em DCTF enseja a constituição da diferença por meio de lançamento, atividade constitutiva do crédito. ARBITRAMENTO. IMPOSTO APURADO. IRRF. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Cabível a compensação do IRRF, com o imposto apurado por meio do lucro arbitrado, se restar comprovado que as receitas sobre as quais incidiu integraram a base do arbitramento. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração Tributária de lançar com multa de oficio as receitas omitidas na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 3976DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 3 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), aplicandose a este outro lançamento naquilo em que for cabível Preliminares Rejeitadas. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à dedução, no imposto apurado, do IRRF nos valores de R$ 459.006,09; no anocalendário de 2004 e R$ 286.971,90 no anocalendário de 2005, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa. Fl. 3977DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Relatório CENTRAL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 35.310.093/000135, com domicílio fiscal na cidade de Recife, Estado de Pernambuco, na Avenida da Recuperação, s/nº, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 696/702, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 719/739. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, em 10/07/2007, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 04/52), com ciência através de AR, em 25/07/2007 (fl. 608), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 31.718.565,64, a título de imposto e contribuição, acrescidos de multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referentes aos exercícios de 2003 a 2006, correspondente aos anoscalendário de 2002 a 2005, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2003 a 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores lançados por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e os valores escriturados. Infração capitulada nos arts. 247 e 841 do RIR/99. 2 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA: Omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria dos anoscalendário 2004 e 2005, apurada no confronto entre os dados constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e os informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ. Infração capitulada nos arts. 532 e 537, do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através dos próprios Autos de Infrações (fls. 04/52), entre outros, os seguintes aspectos: que o estabelecimento sede do contribuinte foi atingido em junho de 2004 por enchente que provocou perda de parte da escrituração e dos documentos contábeis de 1999 a 2003, segundo comunicação à SRF protocolada sob n° 19647.006540/200461 (ver comunicado à fl. 92). Apesar de reiteradas intimações e da informação do contribuinte de que estaria recompondo a escrituração (fl. 310), esta não foi apresentada integralmente, mas tão somente os livros Diário dos períodos de 31/07/2001 a 31/10/2001 (parcial), 28/10/2002 a 31/12/2002 e de 18/08/2003 a 21/10/2003 e o Registro de Entradas e de Saídas de 2005; Fl. 3978DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 4 5 que analisando os dados de que dispúnhamos, fizemos as seguintes constatações: . Anocalendário 2002: a) O livro Diário, nos dois únicos meses em que a escrituração está completa, novembro e dezembro, registra uma receita que monta, respectivamente, a R$ 9.739.130,29 e R$ 9.924.090,77, conforme planilha às fls. 56 a 58; b) A DIPJ informa a receita trimestralmente na ficha Demonstração do Resultado, totalizando R$ 97.711.942,49 anuais. Nas fichas de PIS e Cofins o total anual é o mesmo e a receita é informada mensalmente, revelando bases de cálculo dos meses de novembro e dezembro que apresentam os mesmos valores do Diário (fls. 422/423 e 434/435). A receita do mês de outubro está incompleta no Diário (R$ 8.838.343,55), mas é compatível com a informada na DIPJ (R$ 8.880.360,54); . Anocalendário 2003: a) O único mês que está completo no livro Diário apresentado é setembro; o valor da sua receita é R$ 12.388.301,80, conforme planilha às fls. 59 a 61; b) Na DIPJ original, a receita anual informada na ficha Demonstração do Resultado era de R$ 133.463.941,54. As fichas de PIS e Cofins não estavam preenchidas; c) Na DIPJ retificadora que o contribuinte foi intimado a apresentar – para compatibilizar a forma de apuração do lucro com aquela que constava dos DARF e das DCTF, e ainda parar encher as fichas de PIS e Cofins deixadas em branco na original – o valor da receita anual permaneceu o mesmo (fl. 282/283), e a receita do mês de setembro, informada nas fichas Cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins (fls. 299 e 304), é de R$ 12.388.301,80. Ou seja, ao retificar a DIPJ, o contribuinte confirmou o valor da receita originalmente informada (R$ 133.463.941,54). Todos esses fatos legitimam as DIPJ 2003 e 2004, levandonos a adotar seus valores como verdadeiros. Os valores lançados por meio deste auto de infração foram obtidos excluindose do imposto informado na ficha 12A das DIPJ 2003 e 2004 os montantes declarados em DCTF. Infração capitulada arts. 247 e 841 do RIR/99; que, no que fiz respeito à omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria dos anoscalendário 2004 e 2005, apurada no confronto entre os dados constantes da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e os informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ é de se dizer que embora na comunicação sobre a perda, devido à enchente, de parte da escrituração e dos documentos contábeis de 1999 a 2003, protocolada sob n° 19647.006540/200461 (fl. 92), não tenha sido informada a perda de documentos do anocalendário 2004 em diante, e apesar de reiteradas intimações, o contribuinte não apresentou a escrituração dos anoscalendário 2004 e 2005, mas tão somente os livros Diário dos períodos de 31/07/2001 a 31/10/2001 (parcial), 28/10/2002 a 31/12/2002 e 18/08/2003 a 21/10/2003, e o Registro de Entradas e de Saídas de 2005 com o faturamento dos estabelecimentos situados em Pernambuco. Não tendo o contribuinte atendido à intimação para apresentar a escrituração, e na falta de justificativa para esta ausência de escrituração, tivemos que arbitrar o lucro dos períodos 2004 e 2005; que em busca de dados que nos revelassem a receita bruta auferida pela autuada, a partir da qual arbitrar o lucro, fizemos as seguintes constatações: . Anocalendário 2004: A receita anual informada na ficha Demonstração do Resultado da DIPJ é de R$ 207.688.047,39 (fl. 503). As fichas Cálculo da Contribuição para o PIS e Cálculo da Cofins não estão preenchidas, deixando de nos revelar a receita mensal, porém essa informação é revelada na ficha 58 Informações de Optantes pelo PAES (fl. 535V) cujo total é igualmente de R$ 207.688.047,39; Fl. 3979DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 . Anocalendário 2005: a) O livro Registro de Saídas de que dispomos (fls. 242 a 275) apresenta as operações tão somente dos estabelecimentos situados em Pernambuco, representando apenas uma fração da receita da empresa, que possui mais de cem filiais distribuídas por vários estados; b) A receita anual informada na ficha Demonstração do Resultado da DIPJ é de R$ 226.065.931,82 (fl. 538). A DIPJ 2006 não contém fichas de cálculo do PIS nem da Cofins que discriminem a receita mensal, mas a ficha 55 Informações de Optantes pelo PAES (fl. 547) fornece esse dado; o total dessa ficha também é de R$ 226.065.931,82; que tendo em vista que os valores das receitas informadas nas DIPJ 2002 a 2004 foram legitimados pelos livros Diários apresentados, também foram adotados como verdadeiros os valores das receitas informadas nas DIPJ 2005 e 2006, servindo de base para arbitramento do lucro dos anoscalendário 2004 e 2005 a receita informada pela própria empresa nas fichas em que apurou seu lucro liquido (fls. 503 e 538), com a discriminação mensal fornecida na qualidade de optante do parcelamento especial (fls. 535V e 547). Os valores lançados por meio deste auto de infração foram obtidos excluindose do imposto e da contribuição, calculados sobre as receitas informadas nas fichas 06A e 58 da DIPJ 2005, e 06A e 55 da DIPJ 2006, os montantes declarados em DCTF (ver Demonstrativos de Apuração as fls. 10,11 e 16). Em sua peça impugnatória de fls. 608/629, apresentada, tempestivamente, em 24/08/2007, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que teriam decaído os créditos do PIS e da Cofins, relativos aos fatos geradores de abril a junho de anocalendário de 2002, bem assim o crédito da CSLL relativo ao primeiro trimestre desse ano; que a autuação não teria especificado, de forma clara, as infrações praticadas, seus fundamentos legais e respectivas penalidades, o que teria cerceado o direito de defesa; que na apuração do crédito, não se teria levado em conta valores do imposto retido na fonte pela PETROBRAS (códigos 6190 e 6147), descritos nas planilhas das fls. 614 a 617, fazendose necessária a realização de diligência para levantamento desses valores; que teria aderido ao PAEX Parcelamento Excepcional, instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, de modo que os seus débitos para com a Receita Federal poderiam ser ali incluídos; que ficou devidamente comprovada a cobrança de débitos superiores aos valores devidos, em decorrência da inconstitucionalidade do aumento da alíquota da COFINS com base no artigo 8° da Lei 9718/98, por ter sido alterada por uma Lei Ordinária, quando somente poderia ser altera por Lei complementar, ferindo a hierarquia das leis; que a multa com efeito de confisco, além, dos lapsos já comprovados, os Autos de Infração exigem uma multa de 75% (setenta e cinco por cento) que é confiscatória; que, como já foi demonstrado, através do Auto de Infração, foi aplicada uma multa confiscatória de 75% (setenta e cinco por cento), sobre os valores do imposto e contribuições indevidamente exigidos; Fl. 3980DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 5 7 que qualquer multa aplicada, quando devida, no Direito Tributário, que exceda 20% (vinte por cento) do valor do tributo, tem natureza confiscatória e impõe dano ao contribuinte, elevando o próprio valor do imposto, porquanto excede a sua finalidade indenizatória. A quase duplicação do valor do imposto, mediante aplicação de multa de 75% do seu valor, implica em confisco indireto, como visto. Alem, de não ser devida a cobrança de multa, o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo, inviabiliza o exercício da própria atividade mercantil, porquanto incide, diretamente, sobre o capital de giro da empresa, retirandoa do âmbito da competitividade; que a utilização da "SELIC" como fatores de atualização monetária e juros de mora , se não bastassem tantas exigências indevidas, ilegais e inconstitucionais, e erros nas base de cálculos motivando cobranças de valores acima dos devidos, encontramse sendo cobrados como fator de atualização monetária e juros de mora, como pode ser observado no demonstrativo dos fundamentos para cobrança dos juro; anexado pelo autuante, a taxa referencial do sistema especial de liquidação e custodia — SELIC; que, portanto, não existe qualquer dúvida, que a utilização da SELIC é indevida, ilegal e inconstitucional acrescendo os valores indevidamente, que até data da lavratura do Auto de Infração, e também motivando a total improcedência do presente Auto; que o arbitramento de lucro, conforme pode ser observado no Auto de Infração no presente caso não pode haver arbitramento de multa, por ter havido a enchente que motivou a perda de vários documentos da empresa, conforme comprovado e ratificado através dos documentos anexos e fotografias, o que comprova um motivo de força maior; que, IN DUBIO PRO REO, a dúvida (se existisse) deve, sempre, favorecer o contribuinte. O artigo 112 do CTN determina a interpretação da norma em favor do contribuinte acusado, quando "as circunstâncias, materiais do fato ou extensão dos seus efeitos" levam a dúvida de interpretação quanto penalidade sugerida pela fiscalização; que como ficou devidamente comprovado, pede diligência para que sejam comprovadas que as retenções ocorreram e não foram abatidas das bases de cálculos, motivando a exigência de cobrança a maior de impostos, contribuições, multas e juros. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelos impugnantes, os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE, concluíram pela improcedência das impugnações e pela manutenção do crédito tributário lançado e dos responsáveis solidários com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, antes de mais nada, deixase de apreciar a suscitação de decadência do PIS e da Cofins, pois, como dito, os respectivos autos de infração foram apartados do processo; que quanto à decadência da CSLL, relativa ao fato gerador do primeiro trimestre de 2002, com efeito, ela ocorreu. Nada obstante, a particularidade não se trata de causa de nulidade, vez que não se enquadra nas hipóteses dos incisos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972; que é consabido, para os tributos sujeitos às regras do lançamento por homologação — como é o caso da CSLL —, havendo pagamento antecipado por parte do Fl. 3981DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 contribuinte, operase a perda do direito de lançar após cinco anos, a partir da data do fato gerador. Isso é o que se depreende da interpretação do § 4° do art. 150 do CTN; que no caso em questão, ocorreram os dois pressupostos: houve pagamento da contribuição, consoante Sinal/04, e transcorreram mais de cinco anos entre a data do fato gerador (31/03/02) e a data da ciência do auto de infração, em 25/07/07 (fl. 592). De maneira que o fisco não mais definha a prerrogativa para constituir o crédito relativo àquele período, motivo por que ele deve ser exonerado; que consoante a impugnação, não se mencionou nos autos de infração o fundamento legal especifico para cada infração constatada, o que teria cerceado o direito de defesa; que o argumento não se sustenta. Diferentemente do que se alegou, verifica se do Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que logo após a descrição da infração — digase de passagem, de clareza hialina —, mencionase os respectivos dispositivos legais subsunsores do lançamento, de sorte que descabida a alegação de que não teria sido feita a devida correlação entre elas (fato e legislação); que pretende a defesa sejam abatidos, do crédito constituído, valores de imposto retidos na fonte pela PETROBRAS nos anoscalendário de 2004 e 2005 (comprovantes de retenção às fls. 660 a 663) — apesar de ter sido afirmada a retenção por diversas empresas, os comprovantes dizem respeito apenas a PETROBRAS; que não se há como acordar com a pretensão. Como relatado, nos referidos anos o crédito dimanou do arbitramento do lucro, que se fez necessário ante a nãoapresentação dos livros e documentos da escrituração. Adotouse como base os valores de receita informados nas DIPJs daqueles anos, por a fiscalização os ter considerado como fidedignos; que, não há necessidade de diligência para apurarse eventuais valores de imposto retido, motivo por que negase o pedido formulado pela defesa, o que se faz com fundamento no art 18 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972; que a defesa alegou que teria aderido ao PAEX, parcelamento excepcional previsto pela MP no 303, de 2006, de maneira que "todos os seus débitos da Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional até dezembro de 2005 podem ser incluídos no mesmo"; que da leitura da alegação, não se pode dizer, efetivamente, que ela encerra contraposição ao lançamento ou pedido para que os créditos constituídos nos autos de infração sejam incluídos no parcelamento, o que revela sua total inutilidade para o desfecho do caso em apreço; que a pretensão, por conseguinte, foi no sentido de que os débitos fossem incluídos no parcelamento, não se há como acatála; que para a defesa, o "arbitramento da multa" teria sido indevido, porquanto teriam sido perdidos diversos documentos da empresa, em virtude de enchente; que o argumento é descabido. A uma, porque não houve arbitramento de multa: o que se arbitrou foi o lucro, base de cálculo, grosso modo, do IRPJ e da CSLL. A multa de oficio foi aplicada por força do disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; que a duas, porque, considerando que a verberação foi dirigida ao arbitramento do lucro, o que se cogita apenas para argumentar, verificase que os documentos Fl. 3982DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 6 9 supostamente extraviados referemse aos anoscalendário de 1999 a 2003, (comunicado da fl. 92, confeccionado pela contribuinte), anteriores, portanto, aos anoscalendário do arbitramento (2004 e 2005), de modo que o seu extravio, como realçado pela fiscalização, não pode ser levantado como motivo para a não apresentação dos livros e documentos da escrituração desses anos (causa do arbitramento); que questionouse na peça de defesa de que a multa de oficio teria caráter confiscatório e não se poderia aplicar a taxa Selic, na cobrança dos juros. O questionamento, de fato, encerra a suscitação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais subsunsores das exações, ou seja, inciso I do art. 44, e § 3° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. Não é cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem, de forma inequívoca, a que se refere a autuação. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEL INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DECLARADO EM DCTF IMPOSTO APURADO EM DIPJ. DIFERENÇA. A constatação de que o imposto apurado em DIPJ, condizente com os registros contábeis, é maior do que o declarado em DCTF enseja a constituição da diferença por meio de lançamento, atividade constitutiva do crédito. ARBITRAMENTO. IMPOSTO APURADO. IRRF. COMPENSAÇÃO. Só cabível a compensação do IRRF, com o imposto apurado por meio do lucro arbitrado, se restar comprovado que as receitas sobre as quais incidiu integraram a base do arbitramento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004,2005 Fl. 3983DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real, em virtude da não apresentação de livros e documentos da escrituração, está legitimada a adotálo como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CSLL. Havendo pagamento, decai em cinco anos, a partir da data do fato gerador, o direito de o fisco constituir crédito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Estendese ao lançamento decorrente a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da Íntima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/10/2009, conforme Termo constante às fl.719, e, com ela não se conformando interpôs, tempestivamente (04/11/2009), o recurso voluntário de fls. 719/739, instruído pelos documentos de fls. 740/743, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a empresa ao ser fiscalizada não foram considerados valores que foram retidos na fonte por várias empresas, conforme comprova através dos comprovantes anual de retenção de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS/PASEP juntados e que constam no sistema da Receita Federal; que a empresa tem o direito aos créditos do imposto retido, em razão de que foram anexados os documentos comprovando os valores retidos, tendo pleno direito sobre os créditos levantados pela empresa, devendo todos serem considerados e abatidos do saldo devedor dos débitos cobrados no auto de infração; que quanto à opção pelo PAEX é de se dizer que ainda que fossem devidos os valores cobrados no auto de infração, a empresa fez a adesão ao PAEX — Parcelamento Excepcional, instituído pela Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2007, e todos os seus débitos da recita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional até dezembro de 2005 podem ser incluídos no mesmo; que do arbitramento, o Relator julgou ser descabido o argumento da suplicante de que o arbitramento do lucro é indevido, sob a alegação de que o extravio dos documentos realçados pela fiscalização, não pode ser levantado como motivo para a não apresentação dos livros e documentos da escrituração dos anos do arbitramento; que, como está provado, o autuante emprega meios impróprios para a cobrança do imposto e multa, agindo à margem da lei de regência da matéria. Também neste aspecto o auto de infração padece de nulidade formal, pois não está provado no auto de infração a maneira como foi apurada a base de cálculo para definir a exigência tributária; Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 7 11 que, quanto à multa e dos juros de mora, é de se dizer que o artigo 142 do CTN autoriza a autoridade administrativa que realizar o lançamento propor a aplicação da penalidade cabível, em razão da fiscalização da aplicação da legislação tributária, para verificar, única e exclusivamente, a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo; que, qualquer multa aplicada, quando devida, no Direito Tributário, que exceda 20% (vinte por cento) do valor do tributo, tem natureza confiscatória e impõe dano ao contribuinte, elevando o próprio valor do imposto, porquanto excede a sua finalidade indenizatória. A quase duplicação do valor do imposto, mediante aplicação de multa de 112,5% do seu valor, implica em confisco indireto, como visto. Da forma como exigida, no percentual de 112,5% (cento e doze e meio por cento) do valor dos tributos, inviabiliza o exercício da própria atividade mercantil, porquanto incide, diretamente, sobre o capital de giro da empresa, retirandoa do âmbito da competitividade; que, a utilização da "SELIC" como fatores de atualização monetária e juros de mora, se não bastassem tantas exigências indevidas, ilegais e inconstitucionais, foi e encontrase sendo cobrado como fator de atualização monetária e juros de mora, como pode ser observado no demonstrativo dos fundamentos para cobrança dos juros, anexado pelo autuante, a taxa referencial do sistema especial de liquidação e custodia — SELIC; que, portanto ficou devidamente comprovada a improcedência do presente auto de infração, tendo em vista que o IRPJ e CSLL não poderiam ter sido lançados na forma como foi feita pelo autuante, pelos motivos alegados e ainda foi aplicada multa confiscatória de 75% e incidiu a SELIC; que o IN DUBIO PRO REO, portanto, a dúvida (se existisse) deve, sempre, favorecer o contribuinte. O artigo 112 do CTN determina a interpretação da norma em favor do contribuinte acusado, quando "as circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos" levam a dúvida de interpretação quanto à penalidade sugerida pela fiscalização; que, também por esta via, quando se vacile diante da interpretação da norma, e usando o beneficio da dúvida, é de pender a interpretação em favor da Suplicante, diante dos fatos, fundamentos e provas apresentadas; que como ficou devidamente comprovado acima, a suplicante não deve os valores cobrados no Auto de Infração, sendo necessária a determinação de uma diligência ou perícia para que sejam comprovados os lapsos do autuante, o que comprova a necessidade de julgar improcedente o presente Auto de Infração; que, portanto, ficou devidamente comprovado que não foram consideradas muitas das divergências constatadas e comprovadas através dos documentos anexados à defesa, devendo o recurso ser julgado na forma requerida, reconhecendo a improcedência do auto de infração. Na Sessão de Julgamento de 11 de setembro de 2012 resolvem os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da repartição de origem tome as seguintes providências: Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 1 Verifique por meio de confronto entre os documentos apresentados pela recorrente e as DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, a efetividade dos valores informados a título de retenção na fonte, intimando a recorrente, caso necessário, para que esta comprove, à vista de seus registros contábeis e fiscais, a legitimidade dos valores por ela alegados, bem como nos documentos anexados aos autos; 2 se digne preparar relatório do exame a ser procedido a respeito da matéria questionada; 3 intime a recorrente para que, querendo, manifestese sobre o resultado da diligência. Em 24 de maio de 2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – PE emite o Relatório Fiscal sobre a diligência solicitada, onde esclarece, entre outros, os seguintes aspectos: que em atendimento à resolução da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que converteu em diligência o julgamento do processo n° 19647.007078/200762, de interesse do sujeito passivo acima identificado, com o objetivo de que fosse verificada a efetividade dos valores de retenção na fonte informados pela Interessada em seu recurso, informo que consultei as DIRF dos anos de retenção 2004 e 2005 em que a CDP aparece como beneficiária, nas quais encontrei os valores retidos nos códigos 6147 e 6190 listados no demonstrativo anexo. As DIRF em questão foram juntadas ao processo. Os valores coincidem com aqueles listados pelo Interessado às suas folhas de n° 724 a 727, com exceção da retenção do código 6147 do mês de março de 2005, cujo valor é superior na DIRF ao informado no processo pelo Interessado; que a retenção do código 6147 corresponde a 5,85% do valor da receita, sendo 1,2 ponto percentual referente a imposto de renda. A retenção do código 6190 corresponde a 9,45% da receita, sendo 4,80 pontos percentuais referentes a imposto de renda. Com base nestes índices elaborei as colunas II e IV do demonstrativo, com os valores passíveis de ser compensados com o imposto de renda lançado; que em consulta ao sistema SIEFPER/DCOMP, que controla pedidos de restituição e declarações de compensação, não localizei nenhuma declaração de compensação envolvendo os valores relacionados no demonstrativo. É de se ressaltar que, após devidamente cientificada do resultado da diligência, em 17/07/2013 (fls. 3966/3969), não houve manifestação por parte da interessada. É o relatório. Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 04 a 06), e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL (fls. 14 a 16 e 23'a 25), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 31.718.565,64 (valores principais, multas e juros). Os autos de infração das fls. 31 a 34 e 43 a 45 foram apartados do processo, consoante informação da fl. 691. De acordo com o Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento decorreu de diferença entre o imposto apurado nas DIPJ dos anos calendário de 2002 e 2003, e o declarado em DCTF (infração 001), e do arbitramento do lucro, que se fez necessário ante a nãoapresentação dos livros e documentos da escrituração (anoscalendário de 2004 e 2005, infração 002). Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares de nulidade do lançamento, bem como razões de mérito. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30 (trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 04/52, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife PE, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que a recorrente comprovasse Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 9 15 efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pela recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No que diz respeito ao pedido de perícia técnica ou diligência, é de se esclarecer, que da análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, entendeu que não merece ser acolhida às alegações apresentadas. Entendeu a autoridade julgadora, que é incabível o pedido de realização de perícia técnica ou diligência para análise de documentos, pois tais análises ou verificações não requerem conhecimento técnico especial. Por fim, entendeu a autoridade julgadora que a própria contribuinte poderia, durante o procedimento de fiscalização, ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos aos fiscais responsáveis pelo procedimento fiscal, em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à comprovação das operações realizadas que originaram o presente lançamento e não o fez, ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Ora, como visto, a autoridade julgadora fundamentou com rigor a negativa da perícia técnica ou diligência solicitada, com fundamentos convincentes. É de se alertar de que para um pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de um profissional capacitado a esclarecêlas, bem como entende que o ônus da prova recai sobre o contribuinte, responsável pela comprovação dos valores contestados e demais documentos. Só posso confirmar a negativa da autoridade de primeira instância, já que, a princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência ou perícia de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte. Ademais, a solução das questões trazidas não demanda conhecimento técnico especializado e complementar, sendo que as informações que o contribuinte pretende sejam prestadas por perito são as que cabem a ele produzir. Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de 1993 Processo Administrativo Fiscal diz: Art. 16 – A impugnação mencionará: Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 10 17 [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] Art. 18 A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Como se verifica do dispositivo legal, acima mencionado, o colegiado que proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis, devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida. É de se ressaltar, que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Já se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que as perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Ademais, descabe o pedido de perícia técnica quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal e busca de provas que são de competência exclusiva da recorrente. Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 Ora, o que se questiona nos autos desde o início do procedimento fiscal é a comprovação documental dos fatos. O recorrente somente alega de que comprovou todas as operações questionadas, porém, nada comprova, quer transferir o ônus da prova, que é de sua responsabilidade, para a responsabilidade da autoridade fiscal. No mérito, propriamente dito, a recorrente pouco acrescenta em suas defesas. Alega que teria aderido ao PAEX, parcelamento excepcional previsto pela Medida Provisória nº 303, de 2006, de maneira que "todos os seus débitos da Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional até dezembro de 2005 podem ser incluídos no mesmo". Ora, da leitura da alegação, não se pode dizer, efetivamente, que ela encerra contraposição ao lançamento ou pedido para que os créditos constituídos nos autos de infração sejam incluídos no parcelamento, o que revela sua total inutilidade para o desfecho do caso em apreço. Somente para fins de esclarecimentos, esta instância julgadora também não possui competência para autorizar parcelamento de débito. A Medida Provisória n° 303, de 2006, teve seu prazo de vigência encerrado no dia 27 de outubro de 2006 (ato do presidente da mesa do Congresso Nacional n° 57, de 2006), antes da ciência dos autos de infração. Por fim, consoante inciso II do § 3° da citada Medida Provisória, a inclusão de débitos com exigibilidade suspensa, por força dos incisos III e V do art. 151 do Código Tributário Nacional, sujeitavase à expressa desistência, de forma irrevogável, de eventual recurso interposto ao lançamento. Assim, não há como acatar a pretensão da recorrente de os débitos fossem incluídos em alguma programa de parcelamento. No que diz respeito ao arbitramento dos lucros relativo aos anoscalendário de 2004 e 2005, foi efetuado em virtude de nesses anoscalendário a pessoa jurídica ter deixado de apresentar sua escrituração contábil e fiscal, a despeito de devidamente intimada para tal. O arbitramento foi motivado por irregularidades na escrituração contábil e fiscal, para a apuração do resultado com base no lucro real. Para a recorrente, o "arbitramento da multa" teria sido indevido, porquanto teriam sido perdidos diversos documentos da empresa, em virtude de enchente. Ora, o argumento é descabido. A uma, porque não houve arbitramento de multa: o que se arbitrou foi o lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A multa de oficio foi aplicada por força do disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. A duas, porque, considerando que a verberação foi dirigida ao arbitramento do lucro, o que se cogita apenas para argumentar, verificase que os documentos supostamente extraviados referemse aos anoscalendário de 1999 a 2003, (comunicado da fl. 92, confeccionado pela contribuinte), anteriores, portanto, aos anoscalendário do arbitramento (2004 e 2005), de modo que o seu extravio, como realçado pela fiscalização, não pode ser levantado como motivo para a não apresentação dos livros e documentos da escrituração desses anos (causa do arbitramento). É de se ressaltar, que a legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e jurisprudencial nos ensina que o imposto de renda devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando: 1 a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 11 19 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real; 2 o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular; 3 o contribuinte optar indevidamente pelo lucro presumido; 4 o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou domiciliado no exterior; 5 o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir, totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário; 6 o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, nos casos em que o mesmo se encontre obrigado ao lucro real; 7 o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 e § 2º do artigo 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977. As irregularidades da escrita apresentada, apontada no auto de infração e, posteriormente analisada pela decisão recorrida, ao enfrentar os argumentos da impugnação, deixam claro que não foram atendidas as condições das leis comercial e fiscal, de forma a que permitisse ao fisco verificar com exatidão o lucro real apurado. Assim, a manutenção de uma escrita, sem o preenchimento dos requisitos da legislação comercial e fiscal, para as empresas optantes pela tributação com base no Lucro Real, enseja o abandono da contabilidade e o cálculo do lucro tributável por arbitramento, por determinação legal e em consonância da reiterada jurisprudência deste Colegiado. Resta observar, que a apresentação e/ou alegação da existência dos livros comerciais e fiscais, após o encerramento da fiscalização, não tem o condão de afastar o arbitramento, efetuado exatamente pela ausência de exibição dessa documentação, porquanto essa forma de apuração de lucro não é condicional e alterável pela posterior apresentação dos livros exigidos. Na defesa inicial a contribuinte solicitou a compensação dos valores correspondentes aos tributos retidos pelas fontes pagadoras, cujas receitas passaram a integrar o montante tributável por ocasião da lavratura do auto de infração. Naquela oportunidade, juntou cópias dos Comprovantes de Retenção de IRPJ e CSLL (artigo 64 da Lei nº 9.430/1996), os quais comprovariam a existência das retenções alegadas, argumentando ainda, que a própria Receita Federal possui em seus sistemas, todas as informações correspondentes. Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Por ocasião do julgamento em primeira instância, os julgadores rejeitaram os argumentos de defesa, conforme excerto extraído do voto condutor do acórdão recorrido: Não se há como acordar com a pretensão. Como relatado, nos referidos anos o crédito dimanou do arbitramento do lucro, que se fez necessário ante a não apresentação dos livros e documentos da escrituração. Adotouse como base os valores de receita informados nas DIPJs daqueles anos, por a fiscalização os ter considerado como fidedignos. Com efeito, o art. 540 do RIR, de 1999, prevê que a dedução do imposto de renda retido na fonte do imposto apurado por meio do arbitramento do lucro, o que, entretanto, não prescinde da comprovação de que as receitas sobre as quais incidiu integraram a base de cálculo para a determinação do lucro arbitrado. Não se trouxe à colação nenhum elemento probatório nesse sentido; ao revés, nas referidas DIPJs (ficha 12 A), não se informou nenhum valor a titulo de imposto de renda na fonte (alíneas 13, 14 e 15), o que denota que as receitas sobre as quais, supostamente, incidiu imposto de renda na fonte não compuseram a receita declarada, base do arbitramento. É de se ressaltar, que a contribuinte não informou nenhum valor a título de imposto de renda na fonte nas mencionadas DIPJs, resta claro, que os valores – caso realmente tenham sofrido a devida retenção dos tributos pelas fontes pagadoras – não foram por ela aproveitados (visto que não foram compensados nas suas declarações de rendimentos), motivo pelo qual, em sendo rejeitado o seu pleito, estarseia exigindo em duplicidade o montante dos tributos em questão. Como é cediço, o crédito tributário formalizado deve corresponder rigorosamente, à subsunção do fato concreto na respectiva hipótese de incidência. É a chamada exatidão legal do tributo. A norma legal brasileira, obedecendo aos princípios constitucionais, tem como fundamento principal, a garantia do sujeito passivo da obrigação, a ampla defesa e o contraditório. A Constituição Federal, o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235, de 1972, este com as alterações advindas da Lei nº 8.748, de 1993 e 9.532, de 1997, garantem ao sujeito passivo da obrigação tributária a ampla defesa e o contraditório. Tratamse de direitos fundamentais que, quando violados, implicam em desrespeito a princípios como os da estrita reserva legal, do devido processo legal, da oficialidade e da verdade material, inviabilizando a almejada exatidão legal do tributo. Sendo o processo administrativo fiscal regido pelo princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador do tributo. Existindo dúvidas a respeito da matéria em apreço, o julgador, para formar sua convicção, deve buscar todos os elementos necessários para a elucidação dos fatos, pois, na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Diante destes fatos, na Sessão de Julgamento de 11 de setembro de 2012 resolvem os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 12 21 CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da repartição de origem tome as seguintes providências: 1 Verifique por meio de confronto entre os documentos apresentados pela recorrente e as DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras a efetividade dos valores informados a título de retenção na fonte, intimando a recorrente, caso necessário, para que esta comprove, à vista de seus registros contábeis e fiscais, a legitimidade dos valores por ela alegados, bem como nos documentos anexados aos autos; 2 se digne preparar relatório do exame a ser procedido a respeito da matéria questionada; 3 intime a recorrente para que, querendo, manifestese sobre o resultado da diligência. Em 24 de maio de 2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – PE emite o Relatório Fiscal sobre a diligência solicitada, onde esclarece, entre outros, os seguintes aspectos: que em atendimento à resolução da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que converteu em diligência o julgamento do processo n° 19647.007078/200762, de interesse do sujeito passivo acima identificado, com o objetivo de que fosse verificada a efetividade dos valores de retenção na fonte informados pela Interessada em seu recurso, informo que consultei as DIRF dos anos de retenção 2004 e 2005 em que a CDP aparece como beneficiária, nas quais encontrei os valores retidos nos códigos 6147 e 6190 listados no demonstrativo anexo. As DIRF em questão foram juntadas ao processo. Os valores coincidem com aqueles listados pelo Interessado às suas folhas de n° 724 a 727, com exceção da retenção do código 6147 do mês de março de 2005, cujo valor é superior na DIRF ao informado no processo pelo Interessado; que a retenção do código 6147 corresponde a 5,85% do valor da receita, sendo 1,2 ponto percentual referente a imposto de renda. A retenção do código 6190 corresponde a 9,45% da receita, sendo 4,80 pontos percentuais referentes a imposto de renda. Com base nestes índices elaborei as colunas II e IV do demonstrativo, com os valores passíveis de ser compensados com o imposto de renda lançado; que em consulta ao sistema SIEFPER/DCOMP, que controla pedidos de restituição e declarações de compensação, não localizei nenhuma declaração de compensação envolvendo os valores relacionados no demonstrativo. É de se ressaltar que, após devidamente cientificada do resultado da diligência, em 17/07/2013 (fls. 3966/3969), não houve manifestação por parte da interessada. Assim sendo, adoto, nas minhas razões de decidir, os fatos apurados pela autoridade fiscal designada para proceder à análise dos documentos apresentados, devidamente explicados através do Demonstrativo de Apuração do IR Compensável de fl. 3960, para considerar como sendo compensável o IRRF nos valores de R$ 459.006,09 e R$ 286.971,90, referentes aos anos de 2004 e 2005, respectivamente. Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 Não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (capacidade contributiva e confisco), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 13 23 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é Fl. 3997DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Jurídica é um tributo calculado sobre a receita tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração as receitas tributáveis auferidas e em razão do valor apurado como sendo lucro real é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É entendimento, neste Conselho de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. Fl. 3998DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.007078/200762 Acórdão n.º 1402001.688 S1C4T2 Fl. 14 25 O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer a suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no Fl. 3999DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 processo principal quer a dele originada (lançamento decorrente) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar como sendo compensável o IRRF nos valores de R$ 459.006,09 e R$ 286.971,90, referente aos anoscalendário de 2004 e 2005, respectivamente. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 15956.000655/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. As empresas integrantes de grupo econômico, por determinação legal, respondem entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. COMANDO ÚNICO. FINALIDADE CONVERGENTE.
Configura-se grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas sob comando único atuam visando a um fim comum.
INDÍCIOS DE FALTA DE RECOLHIMENTO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. FALTA DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe o arbitramento das contribuições se o fisco não consegue demonstrar que houve sonegação de elementos requeridos na auditoria e/ou que os documentos apresentados não correspondem à realidade financeira do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a solidariedade em relação à empresa Serrana Equipamentos Agrícolas Ltda.; e II) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. As empresas integrantes de grupo econômico, por determinação legal, respondem entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. COMANDO ÚNICO. FINALIDADE CONVERGENTE. Configura-se grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas sob comando único atuam visando a um fim comum. INDÍCIOS DE FALTA DE RECOLHIMENTO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. FALTA DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Descabe o arbitramento das contribuições se o fisco não consegue demonstrar que houve sonegação de elementos requeridos na auditoria e/ou que os documentos apresentados não correspondem à realidade financeira do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a solidariedade em relação à empresa Serrana Equipamentos Agrícolas Ltda.; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. As empresas integrantes de grupo econômico, por determinação legal, respondem entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. COMANDO ÚNICO. FINALIDADE CONVERGENTE. Configurase grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas sob comando único atuam visando a um fim comum. INDÍCIOS DE FALTA DE RECOLHIMENTO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. FALTA DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Descabe o arbitramento das contribuições se o fisco não consegue demonstrar que houve sonegação de elementos requeridos na auditoria e/ou que os documentos apresentados não correspondem à realidade financeira do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 06 55 /2 01 0- 46 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a solidariedade em relação à empresa Serrana Equipamentos Agrícolas Ltda.; e II) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000655/201046 Acórdão n.º 2401003.433 S2C4T1 Fl. 517 3 Relatório Tratase de recursos interpostos pela empresa acima identificada e suas co devedoras contra o Acórdão n.º 1245.618 de lavra da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.304.2400. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal, fls. 33/48, a RFB, utilizandose de ferramentas de informática, constatou possíveis incoerências entre os dados informados pela autuada e executou procedimento fiscal com o fito avaliar os dados da escrituração contábil e a realidade operacional do sujeito passivo. Afirmase que o “índice de massa salarial” (remuneração declarada/receita bruta) médio para empresas semelhantes foi de 9,28% para o exercício de 2006 e 9,59% para o exercício de 2007, ao passo que a empresa fiscalizada apresentou índices de 0,08% e 1,28%, respectivamente. Acrescentase que para o exercício de 2006 a empresa apresentou nas folhas de pagamento/GFIP uma massa salarial de R$ 30.219,36 (2 empregados e dois contribuintes individuais – sócios) para uma receita operacional de R$ 39.962.098,56 e no ano seguinte a remuneração declarada, para um contingente médio de cem empregados e dois contribuintes individuais, de R$ 1.252.624,92 com um total de receitas operacionais de R$ 97.218.575,76. Diante da suposta falta de justificativa da empresa para as distorções relatadas, a base de cálculo do lançamento foi aferida indiretamente com esteio no “índice de massa salarial” médio do segmento empresarial em que se situa a fiscalizada, deduzidas as remunerações declaradas na GFIP. Entendeu o fisco que as empresas Serrana Equipamentos Agrícolas Ltda CNPJ n. 06.120.522/000103 e Sermag Industrial e Comercial Ltda – CNPJ n. 50.426.667/000129 formavam com a autuada grupo econômico de fato, motivo pela qual estas foram arroladas como devedoras solidárias. Após detalhamento das situações verificadas nas empresas acima, que o levou a concluir pela existência de grupo econômico, o fisco assim resumiu as suas constatações: “DA CONCLUSÃO DA CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO Considerando os fatos relatados, a legislação citada e destacando ainda que o Srs. Osmar Leonel de Castro e Jose Paulo de Mello, são sócios gerentes da empresa fiscalizada e também da Sermag e que um sócio da Serrana Equipamentos já fez parte do quadro societário da empresa fiscalizada e que ainda os outros sócios da Serrana Equipamentos são sobrinho e filha dos sócios da empresa fiscalizada; que Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ainda as DIPJs e Contabilidade demonstram efetivamente que existem constantes entradas e saídas de insumos e mercadorias entre as empresas, que existem valores a receber pela fiscalizada em relação à Sermag e a Serrana Equipamentos; que a empresa fiscalizada está instalada em prédio da Sermag; que existe contrato de comodato entre ambas e que as construções efetuadas pela empresa fiscalizada ficarão de posse da cedente do comodato, concluímos, que tais empresas, embora com personalidades jurídicas distintas, estão agrupadas através de uma unidade de comando, formando um Grupo Econômico, tornandose solidárias entre si.” Cientificadas do lançamento em 13/12/2010, as devedoras apresentaram impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela DRJ. Inconformada a empresa autuada interpôs recurso, mediante duas peças recursais, de fls. 458/472 e de fls. 497/508. Decidi, por acolher aquela a qual foi juntado o substabelecimento mais recente, embora se note que não haverá prejuízo ao sujeito passivo, haja vista que nas duas peças são apresentados argumentos semelhantes. No recurso de fls. 458/472, o sujeito passivo alegou, em apertada síntese, que: a) o AI deve ser anulado, posto que a empresa incluiu os valores lançados no parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/2009 e as suas obrigações para com o mesmo encontramse em dia; b) quanto ao exercício de 2006, não existem diferenças a recolher, posto que os valores confessados em GFIP foram recolhidos na íntegra; c) inexiste no lançamento a informação de que foram aproveitados na apuração fiscal os valores recolhidos e parcelados pelo sujeito passivo; d) o fisco lançou mão de fundamentação legal que não se amolda às contribuições lançadas; e) os valores declarados em GFIP estão de acordo com a realidade da empresa, descabendo a aferição da mãodeobra mediante utilização de índices internos da RFB, aos quais os contribuintes não têm acesso; f) o fisco incorreu em erro gravíssimo ao desconsiderar que a empresa, no período fiscalizado, terceirizou grande parte de sua produção; g) o fisco não apresentou os dados da contabilidade da empresa que estavam em dissonância com a sua realidade econômica, assim, não se justifica o arbitramento das contribuições; h) o vínculo de solidariedade apontado não se justifica, na medida em que as empresas arroladas são totalmente distintas, com personalidades jurídicas próprias, sem qualquer tipo de ingerência, controle, fiscalização ou administração entre as mesmas; i) o levantamento apresentase falho, posto que o CNAE adotado pelo fisco e utilizado para obtenção do “índice de massa salarial” não corresponde à realidade da empresa; j) para o “FPAS – 507”, em que se enquadra a empresa, as contribuições sociais, no período do lançamento, deveriam ter como base de cálculo a folha de salário e não o faturamento; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000655/201046 Acórdão n.º 2401003.433 S2C4T1 Fl. 518 5 k) a multa imposta possui caráter confiscatório; l) a taxa de juros Selic não pode ser aplicada para fins tributários. A empresa Samag Industrial e Comercial Ltda apresentou recurso, no qual contesta a sua posição de devedora solidária, sob a justificativa de que inexiste o grupo econômico apontado pelo fisco, uma vez que as supostas integrantes, malgrado a semelhança do quadro societário, atuam de forma independente e mediante gestão profissional, possuindo clientes, fornecedores, empregados e até suportes financeiros e bancários diversos. Depois alega que a responsabilidade solidária não poderia ser fixada por lei ordinária, mas, por força da alínea “b” do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, deveria estar veiculada por lei complementar. Assevera que se encontra com o direito de defesa cerceado, posto que não tem como impugnar o crédito com amplitude, uma vez que não tem acesso à escrituração contábil da empresa autuada. Ao final, pede o afastamento do vínculo de solidariedade ou, alternativamente, determinese que a autuada lhe forneça cópia da contabilidade e dos contratos firmados no período do lançamento, de modo que possa exercer o seu direito de defesa sem restrições. A Serrana Equipamentos Agrícolas Ltda também interpôs recurso, no qual inicialmente questiona a sua posição de devedora solidária, posto que não possui os mesmos sócios que as outras supostas integrantes do grupo econômico, não divide imóvel com aquelas e não atua no mesmo ramo de atividade. Sustenta que realiza atos de comércio com as outras empresas, mas também o faz com dezenas de outras localizadas na cidade onde está sediada. Assevera que não existem no AI elementos capazes de comprovar que faz parte do grupo econômico imputado pelo fisco, razão pela qual deve ser cancelada a lavratura. Argumenta que o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 que fundamenta a solidariedade é formalmente inconstitucional, pois invade competência reservada a lei complementar. Depois afirma que não pode exercer na integralidade o seu direito de defesa sem que lhe sejam fornecidos os contratos efetuados pela autuada e os dados contábeis daquela. Pede o cancelamento da lavratura ou, alternativamente, que lhe seja permitido o acesso aos elementos da autuada que lhe permitam o exercício do amplo direito de defesa. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Responsabilidade solidária Verifiquemos inicialmente se deve prevalecer o vínculo de solidariedade apontado pelo fisco. Afirma a autoridade lançadora que o comando da empresa autuada e da Sermag Industrial e Comercial pertence às mesmas pessoas, os sócios Osmar Leonel de Castro e José Paulo de Mello. Quanto à empresa Serrana Equipamentos Agrícola, assevera o fisco que esta é comandada por parentes dos sócios da autuada, quais sejam, Alessandro Leonel Castro (sobrinho) e Juliana Aparecida Leonel de Castro (filha). As empresas Sermag e Serrana Equipamentos Agrícolas são as maiores fornecedores de insumos da autuada, representando 16,13% do total de fornecedores no ano de 2006 e 30,74% no ano seguinte. No exercício de 2006, a autuada forneceu 76,99% do total de insumos e adquiriu 44,45% dos produtos da empresa Sermag Industrial. No exercício de 2007, esses números foram 91,99% e 76,23%, respectivamente. Para a empresa Serrana Equipamentos Agrícolas, no exercício de 2006, autuada foi a maior cliente, representando 32,70% do total das saídas. No exercício seguinte, a autuada foi a maior fornecedora desta empresa com 25,91% do total de entradas e maior cliente, representando 97,64% do total das saídas. Apresenta dados da contas contábil “Valores a Receber”, para os exercícios de 2006 e 2007, onde comprova a existência de transações comerciais entre três empresas arroladas como codevedoras. A contabilidade revela ainda a existência de empréstimos concedidos pela autuada para as empresas Sermag e Serrana Equipamentos. O fisco chama atenção para o fato de que a autuada e a Sermag situamse em prédios vizinhos, os quais são interligados, além de que o atendimento à fiscalização deuse em escritório que seria compartilhado entre estas empresas. Já a empresa Serrana Equipamentos Agrícolas estaria localizada nas proximidades. Assevera o fisco que as páginas da autuada e Sermag na internet apresentam os mesmos produtos, o mesmo catálogo de máquinas, peças e equipamentos, esse fato sugere que as empresas compartilhavam a atividade econômica. Afirmase ainda que a autuada estava instalada em imóvel cedido em comodato por tempo indeterminado pela Sermag, no qual eram feitas benfeitorias pela comodatária, conforme consta na contabilidade da autuada. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000655/201046 Acórdão n.º 2401003.433 S2C4T1 Fl. 519 7 Vamos à legislação que fundamente a responsabilização de terceiros pelo adimplemento de obrigações previdenciárias. A responsabilidade solidária decorre da disposição do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a solidariedade para as contribuições previdenciárias é legal, enquadrandose na previsão do inciso II do art. 124 do CTN, sendo que a norma é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade entre as empresas integrantes pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. É necessário, assim, que se busque o conceito de grupo econômico, o qual extraio do § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, assim redigido: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (...) Inspirada no dispositivo acima, a IN RFB n.º 971/2009, vigente na data da autuação, tratava da questão nos seguintes termos: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Para mim, a identidade de quadro societário, aliada à existência de compartilhamento de instalações, além da cessão em comodato de imóvel da Sermag à autuada é indicativo da configuração grupo econômico entre estas duas empresas. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A meu ver, as empresas são comandadas pelas mesmas pessoas e visam a objetivos comuns, conforme informações coletadas nas páginas eletrônicas de ambas, em que são divulgados os mesmos produtos e mediante a mesma estratégia publicitária. Vejo que esta interligação é suficiente para me convencer de que as empresas Serrana Máquinas e Equipamentos e a Sermag Industrial, apesar de serem pessoas jurídicas com personalidades distintas, estão sujeitas à unidade de comando com finalidade comum, o que configura o grupo econômico de fato. Não vislumbrei a mesma situação com a empresa Serrana Equipamentos Agrícolas, posto que neste caso não há identidade de quadro societário, mas apenas relação de parentesco entre os sócios. Também não ficou demonstrada a ocorrência de finalidade comum entre esta e a autuada. Observese que o compartilhamento de instalações não foi demonstrado neste caso, além de que, a mera existência de relação comercial entre as empresas, ou mesmo a verificação contratos de mútuo entre estas, não é suficiente a caracterizar a ocorrência de grupo econômico, que pressupõe a administração das entidades por comando unificado. Assim, afasto a solidariedade para a empresa Serrana Equipamentos Agrícolas. Aferição indireta O motivo que levou o fisco a aferir indiretamente o saláriodecontribuição no presente lançamento foi constatação de que o “índice de massa salarial”, correspondente ao total de remuneração dividido pela receita bruta, estaria bem abaixo da média do segmento empresarial no qual está inserido à autuada. Justifica o fisco que a empresa não conseguiu esclarecer essa discrepância. Vejamos o que diz a legislação que trata da matéria. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Eis o dispositivo: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Eis a dicção das normas mencionadas: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao Fl. 523DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000655/201046 Acórdão n.º 2401003.433 S2C4T1 Fl. 520 9 recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) A interpretação conjunta dos dispositivos do CTN com aqueles da Lei de Custeio da Previdência Social revela que o arbitramento das contribuições somente se justifica nos casos em que o sujeito passivo deixa de apresentar elementos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal ou quando os apresenta, todavia, o fisco demonstra que esses não correspondem à realidade econômicofinanceira da empresa. No caso em apreço, verifico que a RFB executou auditoria de diagnóstico e, aplicando ferramenta específica, constatou que o “índice de massa salarial” do sujeito passivo, para os exercícios de 2006 e 2007, destoava da média das empresas similares. Diante desta constatação, determinou a realização de auditoria para aprofundar a investigação e apurar as contribuições devidas, se fosse o caso. O fisco, todavia, ao contrário do que se esperava, tomou os dados da auditoria prévia como verdade absoluta e, afirmando que a empresa não conseguiu justificar as discrepâncias verificadas, lançou as contribuições adotando como base de cálculo justamente o índice que havia tomado como parâmetro para concluir pela ocorrência da anomalia acima mencionada. Entendo que, atuando dessa maneira, a autoridade lançadora desviouse das normas que autorizam o arbitramento das contribuições, posto que não resta demonstrado nos autos a ocorrência de sonegação de documentos ou de que a contabilidade da empresa não registra o seu real movimento. Sequer consta dos autos intimação específica para que a autuada justificasse o desvio de seu “índice de massa salarial” da média apresentada por empresas do mesmo segmento econômico. Sem querer entrar no mérito da afirmação, percebese que a empresa na defesa/recurso dá uma pista acerca da possível origem da discrepância, sugerindo que no período auditado terceirizou grande parte de suas atividades produtivas. Isso poderia ter sido melhor investigado na fase de apuração fiscal. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A meu ver, somente após aprofundar o trabalho de pesquisa na empresa fiscalizada e após demonstrar a ocorrência dos pressupostos que autorizam o lançamento arbitrado é que o fisco poderia levar a efeito a aferição indireta da base tributável. Sem percorrer esse caminho, por mais sedutores que fossem os índices verificados na auditoria de diagnóstico, não havia permissivo legal para o arbitramento das contribuições. Vale a pena trazer precedente do CARF que trata de situação análoga, onde no Acórdão n. 2301003.754, de 15/10/2013, a turma afastou a possibilidade de aplicação do arbitramento, conforme se percebe da ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/10/1995, 31/12/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. PROVAS. AUSÊNCIA DE REQUISITOS.IMPROCEDÊNCIA. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas. Entretanto o mecanismo de aferição indireta da base de cálculo do tributo configurase em exceção, que só deve ser utilizado nas estritas determinações da legislação. Segundo a lei regencial há de realizar a aferição indireta quando ocorrer recusa ou sonegação de documentos e informações, bem como sendo eles insuficientes, bem como se ocorrer no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. No presente caso, na análise do Relatório Fiscal e das provas constantes dos autos não se encontram qualquer fato narrado e tão pouco prova cabal de que haja uma definição de que a documentação apresentada i) não preencheu as formalidades legais ou ii) continha informação diversa da realidade ou iii) omitiu informação verdadeira. Há de destacar que o próprio agente autuador apresenta dúvida se os documentos eram suficientes ou não, bem como não demonstrou cabalmente que havia informação diversa da realidade e ou que houve omissão de informação da Recorrente. LANÇAMENTO, EXISTÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000655/201046 Acórdão n.º 2401003.433 S2C4T1 Fl. 521 11 Caberia ao fisco demonstrar a existência do fato gerador e demonstrálo com a devida certeza, Algo que não fez, motivo da procedência do recurso. Como se percebe, o entendimento expresso no julgado acima vem ao encontro da nossa posição sobre o tema, segundo a qual, mesmo diante de indícios da existência de diferenças a apurar, o fisco somente pode lançar mão do arbitramento quando haja sonegação de documentos essenciais ao desenvolvimento da auditoria ou quando os elementos exibidos comprovadamente não retratem a realidade econômica da empresa. Conclusão Voto por afastar a solidariedade em relação à empresa Serrana Equipamentos Agrícolas Ltda e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10280.720867/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
Ementa:
REGIME NÃO-CUMULATIVO. SUJEIÇÃO. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL.
A apuração pelo lucro real para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica implica a sujeição ao regime não-cumulativo das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins sobre o faturamento mensal, desde que a pessoa jurídica não se enquadre em algumas das hipóteses de exclusão previstas em lei.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 Ementa: REGIME NÃO-CUMULATIVO. SUJEIÇÃO. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. A apuração pelo lucro real para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica implica a sujeição ao regime não-cumulativo das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins sobre o faturamento mensal, desde que a pessoa jurídica não se enquadre em algumas das hipóteses de exclusão previstas em lei. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède..
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FERREIRA FILHO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 Ementa: REGIME NÃOCUMULATIVO. SUJEIÇÃO. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. A apuração pelo lucro real para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica implica a sujeição ao regime nãocumulativo das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins sobre o faturamento mensal, desde que a pessoa jurídica não se enquadre em algumas das hipóteses de exclusão previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 Ementa: REGIME NÃOCUMULATIVO. SUJEIÇÃO. APURAÇÃO PELO LUCRO REAL. A apuração pelo lucro real para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica implica a sujeição ao regime nãocumulativo das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins sobre o faturamento mensal, desde que a pessoa jurídica não se enquadre em algumas das hipóteses de exclusão previstas em lei. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 67 /2 00 8- 03 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 660 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. . Relatório Tratase de Auto de Infração decorrente de revisão interna da DIPJ, para a constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e à Cofins, referente ao período de apuração de fevereiro a dezembro de 2004. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, relativo ao PIS/Pasep (fls. 98/109) e à Cofins (fls. 266/277) dos períodos também acima citados, decorrente do confronto entre a DIPJ/2005 e as DCTFs apresentadas. 2. Segundo a Fiscalização, a empresa apurou as contribuições na forma cumulativa, quando estaria enquadrada na hipótese de apuração nãocumulativa. Acrescenta haver encaminhado os demonstrativos das diferenças apuradas e intimado a empresa a se manifestar sobre as mesmas (fl. 82), o que não ocorreu, esclarecendo ainda que dos valores apurados com base na DIPJ foram descontados os confessados em DCTF e os recolhidos. 3. Foram lançados créditos tributários nos valores de R$ 399.204,01 (PIS/Pasep) e R$ 1.843.568,24 (Cofins), incluídos nesses valores o principal, as multas proporcionais e juros calculados até 28.11.2008. 4. Cientificada em 28.12.2008 (fls. 112 e 280) a interessada apresentou, tempestivamente, em 27.01.2009, manifestações de inconformidade (fls. 115/130 e 283/298), de semelhante teor, nas quais, em síntese: a) Tece comentários gerais acerca do arbitramento, ressaltando que o mesmo deve ser decorrente de provas e não apenas de indícios; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 661 3 b) Defende que, enquanto não implementada a norma exigida pelo parágrafo único do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, há ilegalidade nos lançamentos com base em arbitramento; c) Em outra preliminar, aponta equívoco do Fisco no enquadramento da empresa para apuração dos contribuições na forma nãocumulativa, reafirmando estar a mesma sujeita à alíquota de 0,65%, objeto da apuração cumulativa; d) Alega inconstitucionalidade na multa de 75% aplicada, por ter caráter confiscatório; e) Em seguida, argumenta: “Para além das irregularidades acima apontadas, constatase que todas as Notas Fiscais expedidas pela Impugnante tiveram os tributos correspondentes devidamente lançados e pagos pelas empresas contratantes, bem como algumas que não foram lançadas, que o ora impugnante apresenta. Conforme se faz prova com contrato anexo, notas fiscais do período, bem como as não relacionadas. Daí se poderá comprovar que todos os valores lançados como tendo sido omitidos pela empresa Impugnante foram, na realidade, apresentados de forma errônea, como se prova com o Registro de Prestação de Serviços em anexo, os. Dois fatos podem comprovar esta afirmativa: a) O contrato de prestação de serviços, onde consta que a empresa contratante deve efetuar o recolhimento dos impostos federais; b) A correspondência de valor entre as receitas pretensamente “omitidas” a somatória das Notas Fiscais ora apresentadas. Qualquer outra Nota Fiscal que tenha sido usada pelo AFRF e que não tenha sido apresentada ao Impugnante se caracteriza como cerceamento do direito de defesa, como acima referido. Afinal, como se defender de algo que se desconhece? Todo o faturamento da Impugnante no período encontrase espelhado nas Notas Fiscais que ora são anexadas. Portanto, não se há de falar em “omissão”, e, por conseguinte, o método de arbitramento se toma absolutamente improcedente no caso concreto, para além das inconstitucionalidades acima relacionadas. Desta forma, constatase a existência da seguinte situação: a) Todas as Notas Fiscais expedidas no período em questão encontramse em apenso; b) O valor da somatória das Notas Fiscais anexadas deve ser idêntico ao do faturamento pretensamente “omitido” no Auto de Infração. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 662 4 Caso não seja, haverá cerceamento do direito de defesa no que sobejar ao cotejo; c) O valor dos tributas devidos, correspondentes ao período em apreço, está aplicado de forma incorreta tendo em vista que a alíquota apresentada foi de 1,65% , onde a correta deveria ser de 0,65%, visto que a empresa é qualificado como PIS cumulativo, e não nãocumulativo como quer fazer entender. d) Logo, a diferença entre o valor do Auto de Infração é superior o valor supostamente devido e incabível na espécie, seja por razão de ordem jurídica, seja por razão de ordem fática.” f) Reclama da não consideração dos tributos objeto de retenção na fonte, relacionando uma série de tomadores de seus serviços, contestando a informação constante do Auto de que tais valores teriam sido abatidos, fato que poderá ser comprovado por perícia; g) Solicita perícia, conforme abaixo transcrito: “Em face a tudo que acima foi relatado, e especialmente em razão da revisão efetuada pela própria empresa Impugnante em seus lançamentos, foi constatada a existência de algumas imprecisões nos lançamentos por homologação efetuados nas épocas devidas, e que serão objeto de processo próprio creditamento. Os valores originários que a Impugnante reconhece como devidos, e que objeto de processo de parcelamento, são os seguintes: Como pode ser verificado pela estrutura da defesa, varias das assertivas efetuadas poderão facilmente ser comprovadas através da própria estrutura de arrecadação da Delegacia da Receita Federal, que poderá atestar a veracidade do alegado acima, formas e valores da época, vinculados às Notas Fiscais apresentadas afastando a absurda utilização do procedimento do arbitramento. Apenas com isso, verificarseà que o valor do Auto de Infração será tomado inexistente, à exceção do montante que foi reconhecido pela impugnante, conforme declarado. Todavia, caso tais valores não sejam averiguados junto a Delegacia da Receita Federal, solicitase a realização de perícia, na forma do art. 16, IV, dc Art. 18 da Lei 70.235/72. E que os Quesitos sejam apresentado a tempo oportuno.” h) Por fim, requer: “a) Seja recebida a presente impugnação, por ser tempestiva e estar dentro das formalidades legais; Fl. 662DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 663 5 b) Ser declarada nula, fruto do processo de arbitramento, que não pode ser utilizado antes de regulamentado o art. 116, parágrafo único, do CTN; c) A nulidade também poderá ser declarada em razão do cerceamento do direita de defesa, em razão da não apresentação das Notas Fiscais pretensamente omitidas ao Impugnante; Caso ultrapassadas as nulidades acima no que não se acredita, o Auto de Infração não poderá subsistir em razão de que o valor lançado corresponde ao montante efetivamenie declarado e recolhido na forma e prazo legais, de conformidade com a que se pode averiguar através do livro de lançamentos da empresa; Na remotíssima hipótese de as considerações acima serem vencidas, devem ainda serem considerados os valores efetivamente pagos na fonte a títulos de tributos constantes do Auto de Infração, na forma acima mencionada. Além destes fatos, é imperiosa a revisão do lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro, que está sendo lançada de conformidade com o hipotético faturamento omitido, e não pela presunção de lucro, sua efetiva base de cálculo, bem como caso haja algum valor a ser pago a titulo de contribuição previdenciária sejam COMPENSADOS os valores já efetivados pelo requerente, em tudo sendo observado as formalidades de Lei. De todo modo, o pedido de perícia acima formulado, permitira comprovar a correção de procedimentos da Impugnante e a inexistência de sua dívida para com o Fisco Federal.” A Terceira Turma da DRJ de Belém proferiu o Acórdão nº 0117.813, no qual decidiuse pela improcedência da impugnação e pela manutenção integral do lançamento, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 APURAÇÃO. LUCRO REAL. Tendo a empresa apurado o imposto de renda com base no lucro real, conforme consta de sua declaração de rendimentos, e não estando suas receitas inseridas em nenhuma das hipóteses de exclusão constantes das leis, está a mesma obrigada a calcular o PIS/Pasep na forma nãocumulativa, sujeita, portanto, à alíquota de 1,65%. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 663DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 664 6 Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 APURAÇÃO. LUCRO REAL. Tendo a empresa apurado o imposto de renda com base no lucro real, conforme consta de sua declaração de rendimentos, e não estando suas receitas inseridas em nenhuma das hipóteses de exclusão constantes das leis, está a mesma obrigada a calcular a Cofins na forma nãocumulativa, sujeita, portanto, à alíquota de 7,6%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE A Autoridade Administrativa é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 PERÍCIA Nos pedidos de perícia deverão ser expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, sem o que serão consideradas como não formuladas. Cientificada em 22/07/2010, a recorrente interpôs recurso voluntário em 23/08/2010, alegando em síntese: 1. Que a empresa optou pela forma cumulativa de recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins; 2. Além de arbitrar a diferença de alíquota, a autoridade fiscal não considerou todos os créditos tributários retidos na fonte pelos tomadores de serviço, inclusive os créditos previdenciários colocados à disposição durante a ação fiscal. Ao final, pede que o colegiado se manifeste sobre o enquadramento legal no regime nãocumulativo, desprezando a opção efetuada pela empresa; e em que parte do Auto de Infração consta o aproveitamento dos créditos tributários devidamente retidos na fonte, conforma as notas fiscais de serviços, de acordo com o solicitado na peça inicial. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 664DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 665 7 O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. São duas as questões a serem analisadas: a sujeição ao regime cumulativo ou nãocumulativo e a dedução das contribuições retidas na fonte. Conforme exposto no relatório, a autuação decorreu da revisão interna da DIPJ, ano calendário de 2004. A autoridade fiscal utilizou as receitas informadas na DIPJ e reajustou as alíquotas, por entender que a recorrente estava sujeita ao regime nãocumulativo. Com razão a autoridade fiscal. A partir da publicação das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, foram instituídas as incidências nãocumulativas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, conforme artigos 1º a 12 da Lei nº 10.637, de 2002 e 1º a 16 da Lei nº 10.833, de 2003. Essencialmente, os artigos 1º dispõem sobre o fato gerador, os artigos 2º sobre as alíquotas, os artigos 3º sobre as hipóteses de creditamento. Transcrevese apenas o caput de cada artigo para melhor esclarecer: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) ... Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) ... Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) ... Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, Fl. 665DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 666 8 a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) ... Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Já os artigos 8º da Lei nº 10.637, de 2002 e 10 da Lei nº 10.833, de 2003, estabelecem as situações que deveriam permanecer sujeitas à legislação anterior, não se lhes aplicando o novo regime: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: Produção de efeito ... Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) Assim, o regime nãocumulativo tornouse a regra geral de sujeição das pessoas jurídicas à incidência tributária sobre o fato gerador “faturamento mensal”, remanescendo o regime cumulativo para as hipóteses elencadas nos artigos 8º e 10 das referidas leis. Depreendese, portanto, que não há opção a ser feita pela recorrente quanto a um dos dois regimes, mas, sim, sujeição ao regime nãocumulativo, como regra geral. As hipóteses de exclusão do regime nãocumulativo se referem a determinadas pessoas jurídicas, à forma de tributação para o imposto de renda ou à natureza de receita auferida. Quanto a esta última, a recorrente presta serviços de conservação e limpeza, conforme fl. 48 da numeração digital, e, em princípio, não se enquadra em nenhumas das hipóteses previstas para a sujeição ao regime cumulativo, não havendo provas nos autos do contrário. Por sua vez, quanto à forma de tributação, assim determinam os incisos II a IV dos artigos 8º e 10: II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; Verificase que a recorrente apurou o IRPJ e CSLL pelo lucro real trimestral, de acordo com a ficha 1 da DIPJ 2005/2004, fl. 50, tendo apurado prejuízo fiscal e base negativa para a CSLL no primeiro trimestre e lucro real para o IRPJ e base positiva para a CSLL, nos demais trimestres. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10280.720867/200803 Acórdão n.º 3302002.636 S3C3T2 Fl. 667 9 A apuração pelo lucro real trimestral implica a sujeição ao regime não cumulativo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, salvo se verificada alguma das demais hipóteses de permanência no regime cumulativo. Quanto às retenções sofridas pela recorrente, constatase que foram, efetivamente, deduzidas pela autoridade fiscal das contribuições devidas. As informações foram obtidas das DIRF´s entregues pelas fontes pagadoras à Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme fls. 12 a 46 (Auto de Infração do PIS/Pasep), fls. 344 a 378 (Auto de Infração da Cofins), especificadas por tributo nas fls. 180 a 192 (Auto de Infração do PIS/Pasep) e fls. 515 a 531 (Auto de Infração da Cofins), e deduzidas da apuração das contribuições nas fls. 200 a 202 (Auto de Infração de PIS/Pasep) e fls. 539 a 541 (Auto de Infração da Cofins). Se houve outras retenções, não há prova nos autos além das já consideradas pela autoridade fiscal, que, inclusive, intimou a recorrente a se pronunciar sobre as diferenças detectadas, fls. 162, 218 a 220, não tendo sido apresentada resposta durante a ação fiscal. Neste ponto, caberia à recorrente o ônus da prova quanto a possíveis outras retenções, ônus este do qual não se desincumbiu, a teor do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 667DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 13840.001084/2002-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2002, 31/10/2002
DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. CUMPRIMENTO. LIMITES.
A decisão judicial deve ser cumprida dentro dos limites nela determinados, observados seu comando e as normas vigentes à época da interposição petição perante o Poder Judiciário.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO PRÓPRIO. CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP.
O pedido de compensação de débito tributário próprio, com crédito financeiro cedido por terceiro, não se converteu em declaração de compensação (Dcomp), para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita aos débitos tributários informados em pedido de compensação que não foram convertidos em declaração de compensação (Dcomp).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Maria Teresa Martínez López e Bernardo Motta Moreira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182632.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. CUMPRIMENTO. LIMITES. A decisão judicial deve ser cumprida dentro dos limites nela determinados, observados seu comando e as normas vigentes à época da interposição petição perante o Poder Judiciário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO TRIBUTÁRIO PRÓPRIO. CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. O pedido de compensação de débito tributário próprio, com crédito financeiro cedido por terceiro, não se converteu em declaração de compensação (Dcomp), para os efeitos previstos na legislação tributária que instituiu essa modalidade de compensação. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexiste amparo legal para se aplicar a homologação tácita aos débitos tributários informados em pedido de compensação que não foram convertidos em declaração de compensação (Dcomp). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor do redator designado, conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Maria Teresa Martínez López e Bernardo Motta Moreira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Ricardo Alexandre Hidalgo Pace, OAB/SP 182632. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 10 84 /2 00 2- 29 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso – Relator. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Por bem descrever todos os pormenores do presente processo, adoto o relatório da DRJ, nos seguintes termos: O estabelecimento acima qualificado PAREX BRASIL IND. E COM. DE ARGAMASSAS LTDA CNPJ: 88.028.873/000153, apresentou o formulário de fl. 01 intitulado "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", com o objetivo de compensar os débitos apontados com créditos de terceiros, pertencentes a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o n2 42.147.496/000170. Posteriormente, a empresa apresentou outro formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", que passou a fazer parte do processo administrativo no 13746.001216/200291. Os créditos em que se baseiam as compensações requeridas se encontram nos processos administrativos 10735.000001/9918, 10735.000202/9970 e 13746.000533/200117 e decorreriam da ação judicial de n° 98.00166580, que garantiram Nitriflex S A Indústria e Comércio os créditos de IPI relativos a produtos sujeitos a alíquota zero e/ou isentos adquiridos no período de julho de 1989 a julho de 1998. A empresa Nitriflex S A Indústria e Comércio transmitiu créditos para a interessada PAREX BRASIL IND. E COM. DE ARGAMASSAS LTDA, créditos esses que a credora Nitriflex S A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude "de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0352326 (processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde foi pedido o afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. O Parecer Seort no 394, de 2009 e respectivo Despacho Decisório (fls.119/127) foram ambos proferidos em nome da interessada sucedida ELIANE ARGAMASSAS E REJUNTES LTDA atual PAREX BRASIL IND. E COM. DE ARGAMASSAS LIDA, pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ e constavam do processo administrativo n° 13746.001216/200291, em relação ao qual o presente se encontrava apensado. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 380 3 Naquele processo, a empresa cientificada do parecer e despacho decisório foi a Nitriflex S A Indústria e Comércio que apresentou manifestação de inconformidade. Ocorre que a relação processual travada naquele processo de n° 13746.001216/200291, colocou como participes apenas e tão somente o Fisco Federal e a interessada PAREX BRASIL IND. E COM. DE ARGAMASSAS LTDA, figurando a Nitriflex S A, por via de conseqüência, como interventora ilegítima no litígio. Como se sabe, inexiste no rito do processo administrativo fiscal o instituto da assistência, previsto no artigo 50 do Código de Processo Civil. Então, o referido processo foi enviado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí/SP a fim de que a interessada PAREX BRASIL IND. E COM. DE ARGAMASSAS LTDA, CNPJ 88.028.873/003330, fosse cientificada do Parecer Seort no 394, de 2009 e respectivo Despacho Decisório. Porém, ao órgão a quo , por haver duplicidade de pedidos, resolveu arquivar um dos processos — o de n° 13746.001216/200291 e, dar andamento ao presente, que se encontrava Aquele apensado. Desta forma, a empresa foi cientificada do Parecer n° 394, de 2009, cujo conteúdo pode ser assim sintetizado: A sociedade empresária Nitriflex S A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamento! (Mandado de Segurança) n° 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente ás aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados à alíquota zero ..., bem como seu direito de compensálo com o imposto UPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região. Corno a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580 somente lhe permitia utilizar o seu crédito com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitriflex S A Indústria e Comércio impetrou junto ex 5' Vara Federal de São João de Meriti — RI um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.51100010250, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária. ... a sociedade empresária Nitriflex S A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande pane do saldo remanescente a terceiros... ... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) Fl. 531DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Receita Federal do Brasil para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. 0 pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/200551) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S A buscou na via judicial o reconhecimento do direito à habilitação do crédito, não obtendo êxito na 1ª instância de julgamento. O Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ indeferiu o pedido de habilitação contido no processo n° 13746.000191/200551. O Parecer Seort no 394, de 2009, continua seu relato aduzindo que: ... o ponto nevrálgico ... repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela ... Nitriflex SÃ ..., pois numa época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedêlo a terceiro... ... sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 4, 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tendo condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 ... foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizado.s antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02 ... é que estão amparados pelo MS n° 2000.51100010250 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S A. A DRF/Nova Iguaçu RJ continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.100010250, vigorava a IN SRF n°41/00, cujo artigo I° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afasta2lo a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art.49 da MP n°66/02, convertida na Lei n°10.637/2002 ... se de uma decisão judicial decorre a coisa Fl. 532DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 381 5 julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorrerem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fática/jurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n° 10.637/2002. Registrese: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, .16 que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não há que se falar de violação coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase às compensações requeridas — fatos consumados sob efeitos da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes à coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PSFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. O Despacho Decisório de fls. 127 aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. A interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 394, de 2009 e respectivo Despacho Decisório em 24/08/2008 (fls. 133). Pelo requerimento de fls. 134/135 e arrazoado de fls. 136/161, a interessada manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: A recorrente teve ciência do r. Despacho decisório recorrido em 24/08/2010, ou seja, após ultrapassarem 5 (cinco) anos da entrega das declarações de compensação. Com o decurso de mais de 5 (cinco) anos entre o pedido de compensação e a manifestação formal da Fazenda Pública, com a ciência do contribuinte, ocorre a homologação tácita dos Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 créditos tributários compensados, nos termos dos §,¢4° e 5° do art. 74, da Lei n° 9.430/96 ... Desta forma, deve ser considerada homologada parte das compensações tratadas no presente feito, com a conseqüente extinção dos débitos compensados. 0 MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2' Região que, convalidando a medida liminar deferida Mill° litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97 E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SRF 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitriflex sujeitouse à mencionada regra. ... a bem da verdade, a IN/SRF 517 só produz efeitos para fatos posteriores entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente à entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização No que tange à Ação Rescisória n° 1788, a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" OU "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". A interessada também traz informações sobre a Reclamação Constitucional no 9.790, por ela interposta junto ao STF contra o Tribunal Regional Federal da 2a Região, para sustar liminarmente o prosseguimento da Ação Rescisória n° 2003.02.01..0056758. E concluir que a concessão de liminar na Reclamação Constitucional n° 9.790 confirmou "a liquidez e certeza do crédito tributário utilizado na compensação aqui tratada. E mais, confirmaram que o direito creditório encontrase intacto, sem qualquer redução ou modificação quanto ao seu prazo prescricional". Outra alegação trazida ao processo e que se refere à propriedade dos créditos foi assim aduzida: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 382 7 A coisa julgada ... reconheceu o direito ao crédito de IPI ... Ou seja, a coisa julgada reconheceu o direito à propriedade do crédito. Definindo o conteúdo e alcance do direito à propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil ... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes políticos (art. 110 do CTN). A propósito do mesmo tema, entende, ainda, a interessada, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei n' 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito A. coisa julgada material e aos princípios da não cumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF n 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2 4 Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n°98.0016658O. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2a Regido fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.00166580, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeitase à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ( crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carrazza, Geraldo Ataliba e Vicente Rao. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teor Albino Zavascki : É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realizado da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. E segue : Noutro dizer, a E. Corte Superior, legitima interprete da legislação infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixase pela data do ajuizamento da ação. 0 MS 98.00166580 foi impetrado em 21/07/98 (doc. anexo), pelo que sujeitase o crédito de IPI 16 pleiteado ao regime jurídico de compensação vigente à época da impetração (seguindo o entendimento do E. STJ), qual seja aquele previsto no art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei no 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97, que permitia a cessão do crédito para terceiro. 0 crédito utilizado nas compensações em questão foi homologado pelo Fisco no valor de R$ 62.235.433,54 (PA 10735.000001/9918), o qual somase o valor de R$ 4.291.283,35 em juU1999 (PA 10735.000202/9970). Ambos os valores devem sofrer a aplicação dos juros e expurgos inflacionários, conforme determinação judicial (transitada em julgado) exarada no MS 99.00605420, que deu origem ao PA 13746.000533/200147. inadmissível o Fisco justificar a não homologação do presente pedido de compensação pautado em suposta insuficiência de crédito. Vejase que se o Fisco somasse os créditos homologados conforme acima exposto, aplicasse os expurgos e atualizasse os valores, certamente encontraria um valor suficiente para efetivar o 'encontro de contas'. Ao final, pede a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. A decisão da DRJ manteve o indeferimento das compensações, conforme sintetiza a respectiva ementa, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 08/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TITULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 383 9 1.Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei no 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP no 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/10/2002 a 31/10/2002 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da não cumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 11/10/2010 (AR – fl. 345), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 346 e seguintes, em 25/11/2010, em síntese, reiterando os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Conforme relatado a empresa Eliane Argamassas e Rejuntes Limitada, ora Recorrente, pretende no presente processo a utilização do crédito tributário adquirido junto à empresa Nitrifiex S/A — Industria e Comércio, decorrente de processo judicial transitado em julgado, esta devidamente homologado administrativamente, nos termos do despacho decisório de n° 997/2000 do processo administrativo n° 10735.000001/9918. De acordo com o despacho da DRF/Nova Iguaçu (fls. 142, e seguintes), as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas "antes" do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n° 66/02, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/02. E como no presente caso, as declarações de compensação foram apresentadas após o advento do artigo 49 da Medida Provisória 66. de 29.08.2002, posteriormente convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02, as compensações por meio dela declaradas não puderam ser homologadas. Ademais disto, esclarece que o crédito não teria sido habilitado junto à Secretaria da Receita Federal, nem mesmo após a sociedade empresária Nitriflex S. A . Comércio e Indústria ter recorrido ao Poder Judiciário. A mesma fundamentação foi utilizada pela DRJ para indeferir a manifestação de inconformidade, no seguintes termos: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. TITULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1.Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei no 10.637, de 2002. 2. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP no 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. Os assuntos aqui discutidos foram objeto de outros julgamentos já proferidos por este colendo CARF, em outros processos de terceiros interessados, que também adquiriram créditos da Nitriflex, merecendo ser mencionado o Acórdão nº 3201001.277, julgado na sessão de 24 de abril de 2013, sob a relatoria do i. Conselheiro Daniel Mariz Gudiño, referido pela Recorrente em seus memoriais, cuja ementa é a seguir transcrita, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. DECURSO DO PRAZO QÜINQÜENAL. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 384 11 Havendo decisão judicial transitada em julgado que reconheça o direito de compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o pedido de compensação regularmente formalizado deve ser apreciado em cinco anos a contar da data do seu protocolo, não podendo ser considerada como compensação não declarada. Decorrido o prazo quinquenal, é de se reconhecer a homologação tácita por força do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430 de 1996. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. REGIME APLICÁVEL. Em regra, o regime jurídico aplicável aos pedidos de compensação é aquele vigente à época em que os mesmos são formalizados. Excepcionalmente, quando há decisão transitada em julgado em sentido diverso, devese prestigiar o instituto da coisa julgada, afastandose o regime jurídico em vigor. Embora o instituto da coisa julgada não seja absoluto, a sua relativização deve ser parcimoniosa sob pena de fomentar insegurança jurídica. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/10/2002 a 30/04/2003 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não é vedado ao contribuinte invocar princípios constitucionais na esfera administrativa, desde que não o faça com o intuito de afastar norma tributária sob alegação de inconstitucionalidade. Da mesma forma, a doutrina e a jurisprudência são mecanismos lícitos que o contribuinte pode empregar para justificar a sua pretensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da seguinte maneira: quanto à preliminar para o reconhecimento da homologação tácita, dado provimento por unanimidade de votos; no mérito, aplicação da coisa julgada, dado provimento ao recurso por unanimidade de votos, tendo o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão votado pelas conclusões. Os dispositivos legais mencionados pela decisão recorrida para indeferir o pleito da Recorrente, contemplam as seguintes situações, merecendo ser destacado o § 12: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos acrescidos). A vedação legal à possibilidade de compensação com crédito de terceiros somente foi incluída pelo legislador a partir da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, em decorrência da conversão da MP nº 219, de 2004, não podendo ser aplicada às compensações declaradas anteriormente. Ademais disto, os créditos da Nitrifiex S/A, utilizados pela Recorrente, se referem a crédito de IPI, decorrente da aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero e/ou isentos, adquiridos no período de julho de 1989 a julho 1998, reconhecidos pelo Poder Judiciário nos autos do MS nº 98.001665800 (fls. 51 e seguintes), inclusive a possibilidade de compensação dos mencionados créditos, inclusive com débitos de terceiros, foi deferida pelo colendo TRF/2ª Região, através da antecipação de tutela (fls. 120 e seguintes), com o seguinte teor: AGRAVO DE INSTRUMENTO ° 76961 (PROC. Nº 2001.02.01.0166075) RELATOR : DES. FED. ROGÉRIO VIBIRA DE CARVALHO AGRAVANTE: NITRIFLEX S/A COMERCIO E INDÚSTRIA ADVOGADOS : CLAUDIA RUFATO MILANEZ E OUTROS AGRAVADA : UNIÃO FEDERAL / FAZENDA NACIONAL ADVOGADAS : ADRIANA MINIATI CHAVES E OUTRA Fl. 540DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 385 13 ORIGEM : PROC. 2001.51.10.10250 / 5 VF DE SÃO JOÃO DE MERITI – RJ [...] Assim sendo, da r. decisão recorrida poderá advir à Agravante lesão grave e de difícil reparação posto que, como sabido, a compensação depende da lei, suscetível, por sua vez, de revogação, a qualquer momento. ISTO POSTO: Defiro o requerido efeito suspensivo ativo, para, suspendendo a eficácia da L.. decisão recorrida, parte em que negou a medida liminar, deferila para suspender iminente ato da D. Autoridade Impetrada negando compensação de créditos da Impetrante, reconhecidos às fls. 63, com débitos de terceiros, optantes pelo REFIS, com fulcro no art. 1 da Instrução Normativa no 41, de 07 de abril de 2000. Desta forma, resta incontroverso que o Poder Judiciário reconheceu à empresa Nitriflex o direito à compensação de crédito de IPI, decorrentes da aquisição de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero, inclusive com débitos de terceiros, não cabendo à instância administrativa decisão em contrário, exceto analisar se a compensação está sendo realizada em conformidade com a decisão judicial, bem como os demais aspectos não submetidos ao crivo do Poder Judiciário. Passo a analisar então a homologação tácita, requerida pela Recorrente em seu recurso. De acordo com o § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, acima reproduzido, a partir da vigência da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, decorrente da conversão da MP nº66, de 29/08/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação devem ser considerados “declaração de compensação, desde o seu protocolo”, correndo, a partir daí, ou seja, do protocolo, o prazo para a sua homologação (§ 5º), que será tácita quando a Fazenda Pública não se pronunciar explicitamente sobre o pedido (c/c art. 150, § 4º do CTN). A jurisprudência deste colendo CARF milita em favor da tese de homologação tácita defendida pela Recorrente, senão vejamos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a administração tributária homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo expira em cinco anos, contados da entrega da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. (Ac. nº 3403001.252 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 06 de outubro de 2011; rel. Antonio Carlos Atulim). Fl. 541DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 14 No mesmo sentido o Acórdão nº 380301.971, julgado na sessão de 2 de setembro de 2011, de relatoria do Conselheiro Alexandre Kern, no qual também se discutiu créditos cedidos pela NITRIFLEX S/A: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração de 05/05/2003 a 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. DComp formulada em 05/05/2003 queda tacitamente homologada em 05/05/2008, antes da lavratura do Despacho Decisório que expressamente não a homologou. Igualmente no presente processo, sendo incontroverso o fato do crédito tributário autorizando a detentora dos créditos de cedêlos a terceiros decorrer de decisão judicial já transitada em julgado, cujo pedido de compensação foi protocolado em 10/10/2002 (fls.3/4) só veio a ser apreciado através do Despacho Decisório de fls. 127, (processo digital à fl. 151), em 29/06/2009, quando já teria ocorrido a homologação tácita. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, a fim de reconhecer a homologação tácita das compensações declaradas. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 542DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 386 15 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Em que pese os respeitáveis argumentos do Relator, discordo deles e, ao contrário dos seu entendimento, no presente caso, a recorrente não dispõe de decisão judicial transitada em julgado reconhecendolhe o direito de compensar débitos próprios com créditos de terceiros e também não ocorreu da homologação tácita dos débitos constantes do seu pedido de compensação. Do exame dos autos, verifico que, no Mandado de Segurança nº 980016658 0, a cedente (Nitriflex) do crédito financeiro, utilizado pela recorrente, no pedido de compensação, em discussão, pleiteou apenas o direito de aproveitar créditos de IPI sobre os custos com insumos adquiridos, desonerados deste imposto, à alíquota zero e/ ou isentos. A decisão judicial transitada em julgado reconheceu seu direito e autorizou sua compensação com débitos do IPI. Assim, a decisão judicial transitada em julgado, naquele mandado de segurança, limitou o direito da cedente dos créditos ao aproveitamentos deles somente na compensação de débitos do próprio IPI. Não houve qualquer menção, tanto no pedido formulado judicialmente, como na decisão judicial transitada em julgado sobre a utilização de tais créditos para compensação com outros débitos tributários da própria impetrante e/ ou para compensação com débitos de terceiros mediante cessão. Já no mandado de segurança nº 2001.51.10.00010250, a cedente dos créditos pleiteou o afastamento das limitações impostas pela IN SRF nº 41/2000, então vigente, que vedava a compensação de débitos tributários próprios com crédito financeiro cedido por terceiro. A liminar foi negada (março de 2001), tendo sido, em maio do mesmo ano, concedido efeito suspensivo em agravo de instrumento, suspendendo a eficácia da decisão recorrida na parte em que negou a liminar, e deferindoa, autorizando a compensação de créditos da impetrante com débitos de terceiros (fls. 04/05). Contudo, em junho de 2001 foi proferida sentença extinguindo o processo sem julgamento de mérito e revogando o efeito suspensivo deferido à liminar. Em outubro de 2001 a liminar foi revigorada nos autos do processo judicial nº 2001.02.01.0313448. Em maio de 2002 foi proferido acórdão pelo TRF/2ª Região, não conhecendo da remessa necessária e dando provimento parcial à apelação para anular a sentença, devolvendo os autos à 1ª instância para apreciação do mérito do pedido. Já em 5 de dezembro de 2002 foi publicado acórdão proferido pelo TRF/2ª Região em sede de embargos de declaração interpostos pela impetrante, atribuindo efeitos modificativos ao acórdão anteriormente proferido, para dar provimento ao apelo, invalidando a limitação prevista na IN/SRF nº 41/00 à compensação pretendida pela empresa, com débitos de terceiros. Tal decisão transitou em julgado em 12/09/2003. Em dezembro de 2002, após publicado o segundo acórdão (embargos de declaração), e antes mesmo do referido trânsito, a recorrente protocolou o pedido de compensação de seu crédito com débitos de terceiros, documento que deu origem ao presente processo. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 16 No entanto, a decisão proferida nos autos nos autos do processo judicial nº 2001.02.01.0313448 não beneficia a recorrente, tendo em vista que o pedido de compensação em discussão foi protocolado em 10/10/2002, data posterior à edição da Medida Provisória (MP) nº 33, de 29 de agosto de 2002, que passou a vedar expressamente a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação de débitos tributários próprios. Assim, ao contrários do entendimento da recorrente, inexiste decisão judicial transitada em julgada reconhecendo seu direito à compensação de débitos próprios com crédito financeiro cedido por terceiro. Quanto à homologação tácita dos débitos objetos do pedido de compensação, inexiste ampara legal para o reconhecimento de sua ocorrência. A compensação de débitos tributários com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, foi instituída por meio da Medida Provisória (MP) nº 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos seguintes termos: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...].” Já o instituto da homologação tácita surgiu com a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, com vigência a partir desta mesma data, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, por meio art. 17, deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluindo nele o parágrafo 5º, assim dispondo: “§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Fl. 544DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 13840.001084/200229 Acórdão n.º 3301002.118 S3C3T1 Fl. 387 17 Ora, segundo estes dispositivos legais, somente podem ser objeto de compensação, mediante a apresentação de Dcomp, créditos financeiros e débitos tributários do mesmo contribuinte, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Também, conseqüentemente, somente se converteram em Dcomp os pedidos de compensação de créditos financeiros e débitos tributários do mesmo contribuinte. Pedidos de compensação de créditos financeiros cedidos por terceiros não foram convertidos em Dcomp. Posteriormente, ratificando o disposto no caput do art. 74, citado e transcrito acima, de que a compensação de crédito terceiro com débitos tributários de outros contribuintes se encontra expressamente vedada, a Lei nº 10.051, de 2004, alterou aquele artigo incluindo nele o § 12, assim dispondo: “§ 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...]; II – em que o crédito: a) seja de terceiros; [...].” Dessa forma, não há que se falar em homologação tácita dos débitos informados em pedido de compensação que não foi convertido em Dcomp. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 04/01/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 10540.001064/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Fortaleza: Cuidase de autuação fiscal, com base no art. 3º, parágrafo único, do Decretolei nº 399/1968, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003, pela não observância das medidas de controle fiscal, devido à posse, por Valdívio Aragão Pires, de 80.250 maços de cigarros de procedência estrangeira, desacompanhados de documentação fiscal, apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal em Vitória da Conquista após vistoria no ÔNIBUS, marca SCANIA, modelo K112 33S, com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .0 01 06 4/ 20 07 -5 9 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 168 2 placa nacional ADC6993/ BA, chassi 9BSKC4X2ZG3455046, ano de fabricação 1987, código RENAVAM 520316436, de cor predominantemente CINZA e entregue à Delegacia da Receita Federal em Vitória da Conquista/BA, em 19/11/2004. O veículo em questão estava registrado em nome da pessoa jurídica WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, CNPJ n° 03.750.622/000125. No intuito de preservar os interesses da Fazenda Nacional, e buscando esclarecer e determinar o responsável pela infração constatada, foram lavrados, contra o suposto proprietário do veículo transportador, TERMO DE RETENÇÃO FISCAL, MANDADO PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA e, TERMO DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL. Através dos documentos citados, permitiuse ao contribuinte apresentar documentos hábeis comprobatórios da aquisição e importação regular das mercadorias transportadas, bem como abriuse prazo para prestação de esclarecimentos e/ou apresentação de documentos excludentes da responsabilidade do proprietário quanto ao transporte e propriedade, posse ou detenção das citadas mercadorias estrangeiras introduzidas clandestinamente no país ou importadas fraudulentamente. A pessoa jurídica WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, através de seu Representante Legal afirmou que o veículo transportador, em questão, não mais lhe pertencia, meses antes da apreensão. Para comprovar suas alegações apresentou cheque do Banco do Brasil, emitido por Valdívio Aragão Pires, que teria sido dado em pagamento pela compra do referido veículo. O contribuinte, Valdívio Aragão Pires, após ser intimado e reintimado a se manifestar, não apresentou defesa, levando a Autoridade autuante a concluir que o veículo transportador das mercadorias apreendidas era de sua propriedade. Com isso, e baseado no que, sobejamente, dispõem os instrumentos legais que regem a matéria, lavrou contra o contribuinte Auto de Infração – Multa Regulamentar no montante de R$ 160.500,00 (cento e sessenta mil e quinhentos reais) e Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal. O Auditor Fiscal, conforme auto de infração, e com base na legislação apropriada, relaciona as medidas de controle fiscal transgredidas pelo autuado, entre elas: 1. Falta de requerimento, à unidade da SRF Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, do Registro Especial, a ser confirmado pela SRF, e também o fornecimento dos Selos Especiais de Controle (no requerimento deve haver, ainda, informações cadastrais do fabricante no exterior, bem como da mercadoria, no que diz respeito a quantidade de vintenas, além do preço no país de origem, excluídos os tributos incidentes sobre o produto); 2. Falta, no desembaraço de cigarros importados, de verificação se as vintenas importadas correspondiam à marca comercial divulgada, a quantidade autorizada e se estavam devidamente seladas com o Selo de Controle emitido pela SRF; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 169 3 3. Descumprimento das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, responsável pelo controle e a fiscalização de produtos e serviços que envolvem riscos à saúde pública. Importante destacar também no auto de infração, as determinações legais a respeito das responsabilidades do transportador: Expõe o Auditor Fiscal, que: “Nos termos do artigo 60 da Lei n.° 4.502/64, regulamentado através do artigo 262 do RIPI Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, os transportadores somente podem aceitar despachos ou efetuar o transporte de produtos que estejam acompanhados dos documentos fiscais definidos no citado Regulamento. A norma legal determina, ainda, as seguintes responsabilidades aos transportadores (artigos 262, parágrafo único, 263 e 264 do RIPI): 1. A obrigação legal de verificar se os volumes nos quais as mercadorias estão acondicionas correspondem com sua discriminação nos documentos fiscais; 2. Não devem receber para transporte produtos cuja documentação fiscal não conste a discriminação dos volumes, ou quando tal discriminação estiver incompleta, impossibilitando ou dificultando sua identificação; 3. Não receber para transporte produtos cuja documentação fiscal não constar o nome e endereço do remetente e do destinatário; 4. A responsabilidade pessoal do transportador pelo extravio de documentos que lhe tenham sido entregues pelo remetente dos produtos; 5. Em caso de suspeita de irregularidade quanto às mercadorias que estiver transportando, deve comunicar o fato à unidade da SRF de destino.” Acrescenta: “Ademais, a legislação estabelece ainda as seguintes disposições quanto ao transporte coletivo de passageiros: 1 Determina que os comprovantes dos volumes transportados, tanto no bagageiro quanto no porta embrulhos, sejam obrigatoriamente vinculados ao bilhete de passagem e à ficha de identificação do passageiro (art. 74 da Lei n° 10.833/2003); 2 Presume de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, as mercadorias transportadas sem a identificação do respectivo proprietário(art. 74, § 3 o , da Lei n° 10 . 833/2003) .” Em sintonia com tal entendimento, dispõe a art. 747 da lei 10.406/2002 que ‘o transportador deverá obrigatoriamente recusar a coisa, cujo transporte ou comercialização não sejam permitidos, ou que venha desacompanhada dos documentos exigidos por lei ou regulamento’.” Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 170 4 Com base no exposto, a Autoridade autuante concluiu que foi inequívoca a ocorrência do transporte de mercadorias de origem e procedência estrangeiras sem lastro nos documentos exigidos por lei e que tais mercadorias possuíam destinação comercial. “Também foi evidente que o transportador não observou às disposições legais que regulamentam a sua atividade, em especial, quanto ao preceito de que os produtos transportados estejam acompanhados dos documentos fiscais previstos na legislação aplicável. O transportador não observou os demais requisitos exigidos pela legislação brasileira para a internalização e o transporte das mercadorias. Nessas condições, não pode ser desconhecida a responsabilidade de quem quer que, de qualquer forma, concorra para a prática da infração, em face do disposto no inc. I do artigo 603 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002”: "Art. 603 Respondem pela infração (DL 37/66, art. 95): I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. II Conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo,quanto à que decorra do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes." Quanto à responsabilidade pela infração o Auditor Fiscal, no auto de infração destaca: “(...) temse que, se o proprietário das mercadorias transportadas não for conhecido ou identificado, considerarseá como tal o possuidor ou detentor das mercadorias, sendo que, no presente caso, o detentor das mercadorias estrangeiras apreendidas é o proprietário do veículo transportador, uma vez que não foram apresentados à Fiscalização Aduaneira da DRF/VITÓRIA DA CONQUISTA quaisquer tipos de documentos (devendo ser hábeis e idôneos) que comprovassem a efetiva propriedade das referidas mercadorias por parte de terceiros. Noutro ponto, devese destacar que o proprietário do veículo não adotou as precauções mínimas esperáveis para o transporte de mercadorias, pelo contrário, colocouse em situação de ignorância conveniente para a situação, na tentativa de eximirse da responsabilidade pelo transporte e circulação de mercadorias estrangeiras desacompanhadas de documentação fiscal, de modo a ser lhe facultado alegar, quando oportuno, inteiro desconhecimento da situação, o que não condiz com as circunstâncias ora relatadas, haja vista a previsão medidas legais de observância obrigatória por parte do transportador, de tal forma que o descumprimento de tais medidas implica a responsabilidade deste pela prática de infração fiscal, nos termos da legislação aplicável.” “É corrente que o proprietário do veículo transportador busque afastarse das cominações decorrentes da prática dos delitos de contrabando e descaminho e que, para tanto, empenhese para demonstrar seu desconhecimento dos fatos mediante a indicação, na sua maioria, de um negócio jurídico inexistente. Sob o argumento de ignorar a natureza e a procedência do material transportado, e em algumas ocasiões até sob proteção de contratos de fretamento ou de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 171 5 locação simulados, o proprietário do veículo busca escapar das punições administrativas e penais, intentando obter, através de artifícios fraudulentos, uma espécie de imunidade fiscal e penal. Mediante tal ardileza, procurase burlar a lei e perpetuarse, sob pretextos falsos, no exercício de uma prática delituosa que é demasiadamente nefasta à sociedade, uma vez que não apenas inviabiliza o pagamento dos tributos devidos, como também desrespeitam as normas ambientais, as normas de segurança, as de saúde pública e de direito de propriedade industrial.” “Destarte, fica claramente demonstrado que o transportador não prestava meramente um serviço de transporte de passageiros, sob regime de fretamento eventual, uma vez que, de acordo com o disposto pelo artigo 36, em seu § 1°, do Decreto n° 2.521/98, o prestador de tal serviço (fretamento eventual) não pode transportar mercadorias que são destinados a PRÁTICA DO COMÉRCIO.” O contribuinte, Valdívio Aragão Pires, cientificado do lançamento, em 16/08/2007, insurgiuse contra a Autuação, em 12/09/2007, apresentando as razões a seguir: 1 – “Inexistência de provas no sentido de atestar a participação do impugnante na aquisição/comercialização das mercadorias cujo trânsito foi obstado pela fiscalização tributária, muito menos no sentido de que o veículo transportador é de sua propriedade”. Que “o impugnante desconhece a compra do referido ônibus, uma vez que nunca comprou qualquer ônibus que seja, muito menos fez qualquer negócio junto à pessoa jurídica Washingtur Viagens e Excursões Ltda.” Sobre o cheque emitido, afirma: “É oportuno esclarecer que o cheque de n. 850347, agência n. 0730, Banco do Brasil, de titularidade do Impugnante, foi emitido no inicio do ano de 2004, para pagamento de cinqüenta bezerros, comprados do Sr. Antônio Carlos da Silva Gomes, residente na Lagoa do Assento no município de Brumado. O referido contrato foi celebrado verbalmente entre as partes, onde foi entregue pelo Sr. Antonio, o gado objeto do contrato, e pelo Impugnante o referido cheque como pagamento.” Acrescenta ainda que, “No caso em tela, o cheque no momento da sua emissão não foi nominal ao Sr. Antonio Carlos da Silva Gomes, a quem inicialmente foi entregue, assim este passou a ser ao portador”. O impugnante relaciona o valor do cheque, supostamente emitido para a compra o ônibus, e o seu valor de mercado, ao declarar que “Além do mais, é oportuno esclarecer que o valor do cheque de titularidade do Impugnante, qual seja, R$ 24.800,00(vinte e quatro mil e oitocentos reais), apresentado pela pessoa jurídica Washingtur Viagens e Excursões Ltda, não guarda nenhuma relação com o veículo em questão, uma vez que o valor de mercado do referido veículo, em 28.06.07, após três anos da alegada venda é de R$ 27.200,00(vinte e sete mil e duzentos reais), cotação esta realizada pela própria Receita Federal(doc. em anexo).” Com relação aos passageiros do ônibus, ressalta: “Vale informar que o Ofício de n. 095.2004.DLPRE de Vitória da Conquista, emitido em 19.11.2004, juntado aos autos às fls.31 dos autos em epígrafe, consta como passageiro do referido ônibus no momento da apreensão o Sr. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 172 6 Antônio Carlos da Silva. Assim, os passageiros acima mencionados que seriam as pessoas mais indicadas para poder esclarecer quem é o verdadeiro proprietário do veículo em questão, e das mercadorias apreendidas.” Continua sua defesa, citando o artigo 134 do Código de Trânsito Brasileiro–CTB que determina; "Art. 134 No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo, deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado, dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação". Prossegue, questionando a propriedade do veículo transportador e cola Jurisprudência do TRF 2ª Região, da Ministra Eliana Calmon no Recurso Especial 2004/00561679 de 06/12/2005, onde se lê: “Alienado veículo automotor sem que se faça o registro, ou ao menos a comunicação da venda, estabelecese, entre o novo e o antigo proprietário, vínculo de solidariedade pelas infrações cometidas, só afastadas quando é o Detran comunicado da alienação, com a indicação do nome e endereço do novo adquirente. Recurso especial improvido”. Ainda, com relação à propriedade do veículo, acrescenta o seguinte: “Ponderemos! No caso em tela, a pessoa jurídica Washingtur Viagens Excursões Ltda, no momento da venda deixou de preencher o DUT no nome do novo adquirente do veículo, e agora após o acontecimento de problemas com o veículo em questão, quer imputar ao Impugnante a propriedade do mesmo, sem que este tenha realizado qualquer negócio que seja com esta empresa.” 2 – “Em face do quanto disposto no artigo 137, I do CTN e artigo 3o, § único do Decreto n.° 399/68 (com a redação dada pela lei n.° 10.833/03), a aplicação da penalidade ora em discussão destinase ao agente executor do crime de contrabando/descaminho e não a um suposto proprietário do veículo transportador;” 3 – “A aplicação da penalidade, revelandose em montante superior à própria mercadoria apreendida e ao valor atribuído ao veículo transportador, implica em ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade e do não;confisco;” 4 – “Em face do princípio da tipicidade dos ilícitos fiscais, mostrase inviável a aplicação cumulativa de penas decorrentes de um mesmo fato;” 5 – “Caso se entenda pela exigibilidade da multa ora questionada, evidenciase erro material em sua quantificação, visto que,conforme auto de prisão em flagrante delito anexo ao auto de infração, a quantidade de mercadoria apreendida foi de 8.045 maços de cigarro e não 80.250 (patamar utilizado pelo Auto de Infração).” Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 173 7 6 – Por fim, “requer que o Auto de Infração seja julgado totalmente improcedente e afastada a sanção aplicada.” A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a defesa em decisão que assim ficou ementada: Assunto:Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador : 19/11/2004 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. APLICAÇÃO DA PENA DE MULTA Caracteriza infração à legislação aduaneira, sujeita a multa, a inobservância das medidas de controle fiscal relativas a cigarros de procedência estrangeira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de auto de infração que impõe ao Recorrente a multa regulamentar em razão da apreensão de mercadorias de procedência estrangeira sem nota fiscal. Não sendo verificado o real proprietário das mercadorias, responsabilizouse o transportador nos termos da legislação de regência. Em consulta ao DETRAN verificouse que a propriedade do veículo apreendido era de WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, que intimado afirmou que o veículo em questão havia sido alienado, e, portanto, não era de sua responsabilidade. Afirmou que o veículo pertencia ao Sr. VALDÍVIO ARAGÃO PIRES, juntado copia microfilamada do cheque que comprovaria a negociação. O Recorrente por sua vez, negou a propriedade do veículo, alegando que o cheque apresentado foi na verdade utilizado para compra de bezerros do Sr. ao Sr. Antonio Carlos da Silva Gomes, que por sinal era um dos passageiros do ônibus quando de sua apreensão. A Autoridade fiscal promoveu a intimação do Recorrente para se manifestar sobre as afirmações da empresa WASHINGTUR, e não ausência de resposta, considerou verdadeira as afirmações aduzidas contra ele. Destacase que quando da apreensão do veículo, nele se encontravam três pessoas, quais sejam: José Teles da Silva que conduzia o ônibus e os Srs. Edílson Nunes Barros Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 174 8 e Antonio Carlos da Silva. Não foram tomadas declarações dos três passageiros quanto a propriedade do veículo. A única prova trazida aos autos para corroborar a tese de que o Recorrente é o real proprietário foi o cheque, micro filmado, que representaria o valor pago pela aquisição do ônibus. O Código Brasileiro de Transito, assim normatiza as transferências de propriedade: Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação. Ou seja, a ausência de informação ao DETRAN faz nascer no antigo proprietário a solidariedade pelas penalidades impostas até a data da efetiva comunicação. E a responsabilidade somente é elidida com a comunicação efetiva ao órgão de transito. De outro lado, o artigo 142 do CTN impõe a autoridade administrativa o dever de apurar a efetiva sujeição passiva, nos seguintes termos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No presente caso, entendo que a sujeição passiva não está devidamente caracterizada, uma vez que pairam dúvidas sobre a propriedade do veículo apreendido. Também não foram adotadas todas as medidas possíveis para a constituição regular do responsável pela infração. Neste contexto entendo por necessário, baixar o presente processo em diligencia para determinar que a autoridade fiscal: a) intime os três passageiros listados no termo de apreensão para que estes identifiquem o proprietário do veículo e a existência de vinculo comercial ou de emprego de qualquer espécie com a empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA ou com o Sr. VALDÍVIO ARAGÃO PIRES na data da apreensão ou em qualquer outra data, anterior ou posterior aos fatos narrados; b) intime a empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA para que esta responda sobre a existência de vinculo comercial ou de trabalho com o José Teles da Silva, Edílson Nunes Barros e Antonio Carlos da Silva, na data da apreensão ou em qualquer outra data, anterior ou posterior aos fatos narrados; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 175 9 c) intime a empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA apresente do Documento de Transferência (DUT) do veiculo em questão; c) verifique a existência de outros autos de infração similares ao aqui tratado em nome da empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, ou dos Srs. Valdívio Aração Pires, José Teles da Silva e os Srs. Edílson Nunes Barros e Antonio Carlos da Silva; e, d) traga aos autos, outros dados que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Vêse, portanto, que a comunicação ao Detran não se presta como prova de venda de bem do ativo imobilizado da Recorrente. Deixou a Recorrente de trazer aos autos, mesmo sendo intimada para tanto, a prova de que recebeu o preço da suposta venda e que o registrou em sua contabilidade. Além disso, poderia ter a Recorrente trazido a copia da nota fiscal da venda do ônibus, que deveria estar registrado em seu ativo permanente. Após o cumprimento da diligencia, a Recorrente deve ser intimada a se manifestar. Após, retornem o autos para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723390/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009,2010,2011
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 33 90 /2 01 1- 41 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 722 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0443, com a exigência do crédito tributário no valor de R$166.517,57 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113 155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 723 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 518 e art. 519, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 4454 com a exigência do crédito tributário no valor de R$145.695,41 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º, e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. III – O Auto de Infração às fls. 5583 a exigência do crédito tributário no valor de R$139.427,80 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. IV O Auto de Infração às fls. 8493 com a exigência do crédito tributário no valor de R$31.567,39 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 648658, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que o lançamento é nulo: Com o devido respeito NULO é o AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a sua lavratura contra a impugnante, ante a inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a acusação contida na peça em exame. Na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais. [...] Portanto, na inexistência de justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento, cuja pretensão está eivada de NULIDADE ABSOLUTA, imprestável, desta feita, a exação fiscal. A impugnante não vulnerou os dispositivos legais inseridos no AUTO DE INFRAÇÃO, que deve ser ANULADO desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Ora, a impropriedade é notável já que no período de 2008, 2009 e 2010 apresentou notas fiscais de entradas e saídas e cópia da DIPJ, manifestando assim as atividades exercidas pela empresa. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 724 4 Desta feita, com fundamento na mencionada assertiva, competia àquela Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que a documentação apresentada não correspondia à totalidade das atividades praticadas pela empresa, e que o fato de receber em seu nome comissões de instituições financeiras conforme documentação apresentada por elas (informadas em DIRF) não sustenta que obrigatoriamente sejam percebimento de receita tributável, no entanto, nada disso se verifica dos autos, mormente porque a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de defesa da autuada ao seu "modo" c a seu "favor". Não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existem repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÁ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, NÃO TEVE O CUIDADO E A CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA AUTUADA, o que resultou em todo esse desconforto. Ora, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da autuada, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não tem o condão de se caracterizar PERCEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa autuada. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso da autuada quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO E SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verifica no presente caso. Inaceitável, portanto, o procedimento fiscal, posto que, redundou em uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO/PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. Assim, em síntese, para se chegar aos valores contidos no AUTO DE INFRAÇÃO, a titulo de SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITA, necessário se faz uma apuração detalhada, minuciosa, sem atropelos, o que NADA DISSO SE VIU da autuação, MORMENTE PORQUE a Autoridade Fiscal AGIU DE FORMA TOTALMENTE CONTRÁRIA, assim, também por esse prisma, marca de NULIDADE ABSOLUTA a pretensão punitiva, digase. NULA é, portanto, a exação, não há como prosperar, desta feita, a pretensão da Autoridade Fiscal, que pela AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela IMPROPRIEDADE de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável GARANTIA LEGAL. No caso, pela ilegitimidade da lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO, cuja irrogação de conduta ilícita, não passa de equívocos de interpretação, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço ou possibilidade para o apenamento pretendido, temse como ILEGÍTIMA A AUTUAÇÃO, devendo por isso, ser DECLARADA NULA PARA TODOS OS FINS, dandose baixa dos registros Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 725 5 pertinentes, com o consequente ARQUIVAMENTO DO PROCESSO, que lhe propiciou origem. No que se refere ao mérito aduz que: A imaginária infração que teria cometido a autuada estaria apoiada nos artigos 1o e 2o, da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Do mesmo modo apoiouse a fiscalização para impor à autuada sanções previstas no RIR, Dec. 3.000, de 26 de março de 1999. Optamos pelo nosso sagrado direito à ampla defesa como preconizado pela Carta Magna, posto que, data venia, discordamos da ação fiscal. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS Caracterizase OMISSÃO DE RECEITA ou de RENDIMENTOS, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Entretanto, não só no caso dos autos, como em vários outros, o que se verifica, são Abusos da Autoridade Fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. É assente o entendimento de que improcede a autuação com base em OMISSÃO DE RECEITAS por existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Ou seja, não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem ser analisados individualmente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. Como anteriormente salientado, competia à Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que a documentação apresentada da impugnante não correspondia à verdade dos fatos. Sabese que a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de defesa da autuada ao seu "modo" e a seu "favor", ou seja, não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existiam repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÀ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, ao se utilizar desta argumentação, tornase perceptível que, NÃO TEVE O CUIDADO E CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA AUTUADA, o que resultou em todo esse desconforto. Repisese, que, especialmente no presente caso, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da autuada, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não haveria de se caracterizar PERCEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa autuada. É de ser observado que o confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso da autuada quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO É SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 726 6 PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verifica no presente caso. Ou seja, uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO, e o PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. [...] A exegese que se extrai dos autos, não oferece nenhuma dúvida, que a defendente cumpriu com suas obrigações tanto que os valores TRANSITARAM por suas contas bancárias, embora nem todos lhe pertencesse, A mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária, em face de certo contrato, nó caso com Bancos e Financeiras, não pode, data venia, caracterizar PERCEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa autuada. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, quando reconhecidamente existente o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela,' quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO E SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO ou OMISSÃO de RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO DA SUPOSTA OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITO BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verifica nos autos. Ou seja, uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO, e o PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase! No que pertine à suposta OMISSÃO DE RECEITA apurada e referida na Ação Fiscal, escapou da obrigação da empresa e passou a ser obrigação da Autoridade Fiscal a APURAÇÃO MINUCIOSA da suposta RECEITA OMITIDA. Apuração essa que deveria ser realizada de forma PORMENORIZADA junto à contabilidade da autuada e das Instituições Bancárias e Financeiras, em DEMONSTRATIVOS MINUCIOSOS pela Autoridade Fiscal elaborados, dandose ciência da referida apuração à impugnante e aos terceiros, para sua concordância, para poder produzir a prova material do alegado, no entanto, não é o que se vê. Nessa apuração da RECEITA OMITIDA terseia que obrigatoriamente mencionar a COMPOSIÇÃO DOS VALORES INTEGRANTES DA MOVIMENTAÇÃO CONTÁBIL/BANCÁRIA/FINANCEIRA, da autuada, com discriminação, e especificação que permitisse a perfeita identificação das SUPOSTAS RECEITAS OMITIDAS. Ressaltese que essa especificação exigida para se apurar a LUCROS/RECEITAS/LUCROS, também se exige para dar validade legal aos LANÇAMENTOS FISCAIS. Pois bem. O fato é, que tudo isso, da maneira como se realizou, tornouse obra do acaso, ficta, imaginária da Autoridade Fiscal da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, eis que não foram procedidos os REAIS E VERDADEIROS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS/BANCÁRIOS da autuada, para dar sustentação de validade (PROVA MATERIAL) aos DEMONSTRATIVOS que acompanham a AÇÃO FISCAL; e, na inexistência dessa apuração, NÃO SE PODE DAR VALOR LEGAL À AÇÃO FISCAL. Com efeito, a Autoridade ao oferecer as INCERTEZAS de que trata o Auto de Infração sob exame, MACULOU sua pretensa obra, porquanto da forma como foi realizada, não enseja a autuada a chegar a um RACIOCÍNIO LÓGICO DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA, porquanto, referida Ação Fiscal, realizouse de forma EQUIVOCADA, eis que os DEMONSTRATIVOS que poderiam oferecer suporte ao Auto de Infração nenhuma validade jurídica possuem. [...] Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 727 7 Embora sendo incontestável a obrigatoriedade do lançamento de ofício, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do CTN, essa obrigação ; legal indiscutível há de estar regrada pelos princípios da legalidade, moralidade é eficiência, como disciplinados no caput do art. 37, da Constituição Pátria. Não vulnerou a autuada quaisquer normas da legislação tributária federal, muito menos cometeu atos irregulares, para sujeitarse às cominações que se lhe venha impingir o Auto de Infração em referência, como já sobejamente demonstrado, pela INVALIDADE de como se deu a referida Ação Fiscal. Toda ação fiscal há de ser instaurada em consonância com os princípios da moralidade , legalidade e eficiência, que devem reger os atos da administração pública direta, indireta e fundacional, nos termos estabelecidos no capul do art. 37, do Pacto Fundamental, respeitando os direitos individuais, toda matéria tributária traçada pela Constituição Federal. Nesse ponto também equivocouse a Autoridade Fiscal, por falta da demonstração da ocorrência do fato gerador que viesse permitir referida exigência. É conhecido que o feto gerador do IRPJ e TRIBUTOS REFLEXOS ocorre no momento da obtenção da "RENDA", como o próprio nome sugere "IMPOSTO SOBRE A RENDA". Somente nessa hipótese, ou seja, na ocorrência da RENDA, há que ser falar em TRIBUTAÇÃO, jamais na hipótese descrita nos LANÇAMENTOS, ou seja, com base na MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA da autuada, em face da precariedade das DEMONSTRAÇÕES anexadas ao Auto de Infração, que é peça de nenhum valor jurídico. O lançamento que ora se impugna, quer impor apenamento indevido, portanto, à revelia da lei. Neste caso, dúvida não existe quanto à inexistência de prática ilícita. Não há como oferecer sustentação ao Auto de Infração, que não tem alicerce na legislação, e que não poderia, como não pode, dissociarse da Carta Magna e suas demais leis complementares hierarquicamente superiores. No caso exsurge a necessidade jurídica oporse à ilegalidade que macula os direitos das pessoas, especialmente quando essa ilegalidade procede de um agente do poder público. Não pode o ente subordinado curvarse ante à ilegalidade, sob pena de não merecer as garantias individuais da Carta Magna na Nação. A Autoridade Fiscal dos levantamentos fiscais que dão suporte ao lançamento de ofício, negou vigência também ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Mais erros registrados no lançamento de ofício que invalida a propositura fiscal. [...] Conclusão insofismável há de ser no sentido de padecer de amparo, a qualquer título, a pretensão da Autoridade Fiscal, máxime pela exegese, emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional [...] Em consonância com a legislação de regência, acoplandose aos fatos ocorridos na sua inteireza e legitimidade, não há como deixar de aplicar a benigna ampliada, ainda que se pretenda dar equiparação das leis fiscais às legis odiosae, costumeiramente mencionados pelos doutrinadores do passado. Em relação ao excesso de exação informa que: Assevera a melhor doutrina a respeito do excesso de exação: "O artigo 316, § 1o, do Código Penal estabelece que, 'se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza', resta caracterizado o crime de excesso de exação, [...]. As lesões aos direitos da autuada serão regiamente reivindicados pela via própria, nos termos do art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal, por estar sendo obrigada a defenderse de uma infração que não cometeu. Assim, não se pode Fl. 727DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 728 8 falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através de apreciação pelo judiciário, onde obviamente será dada a o mais amplo direito de defesa, com todos os tipos de provas em direito admitidos. Cabe registrar que nenhum ato administrativo irregular ou viciado, como é o caso da Ação Fiscal que se impugna, escapa da apreciação jurisdicional. Essa é uma norma na sua origem constitucional, de defesa dos direitos. Sobretudo uma norma que, como princípio visa resguardar a ordem jurídica e a proteção do administrado. Abrange, assim, desde logo, todos aqueles atos de autoridade capazes de causar lesão flagrante produzida ou por produzir pela administração. Um órgão da administração pública não pode a pretexto do seu poder de polícia, atuar ao arrepio da lei e do ordenamento jurídico, agindo com paixão de seus dirigentes para, extrapolando as disposições da Lei Maior do País, impor sanções que se convertam em ABUSO DE AUTORIDADE, EXCESSO DE EXAÇÃO, eivando sua conduta de NULIDADE RELATIVA, quando não ABSOLUTA, PARCIAL, quando não TOTAL de nenhum efeito na ordem jurídica tornando tais atos passíveis de decretação de NULIDADE pelo Poder Judiciário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Assim colocada a questão e, cm síntese,considerando: i) a falta de comprovação material o ilícito fiscal constante do auto de infração; ii) a imprevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação sob hostilidade; iii) a comprovada condição de ilegitimidade da autuação, através da qual a Autoridade quer receber tributos sem o fato gerador que justifique seu nascedouro como sobejamente demonstrado e esclarecido no decorrer da impugnação; iv) a indevida instauração da Ação Fiscal, já que INEXISTENTE a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, o apenamento fundamentado nos artigos l° e 2ª, da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990, não tem qualquer valor. Há que se tornar NULO ou INSUBSISTENTE o AUTO DE INFRAÇÃO que ora se ataca, tornandose SEM EFEITO o IMPOSTO EXIGIDO, bem assim a MULTA AGRAVADA/MAJORADA pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão da Autoridade Fiscal. Requer, outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementação de provas; ou, até mesmo, que o julgador, diante das circunstâncias, com amparo no RIR, de ofício determine a diligência ou perícia, que, porventura julgar necessária. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0431.629, de 07.05.2013, fls. 689692: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 729 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Devidamente comprovada a omissão de receitas praticada pelo contribuinte, com as informações constantes dos sistemas da SRF e confirmadas pelas fontes pagadoras, cabe o lançamento por esse fato, com a correspondente qualificação da multa, quando caracterizada a infração continuada que evidencia a sonegação com o evidente intuito de fraude na forma da legislação vigente. As contribuições sociais lançadas decorrem do auto de infração de IRPJ e seguem os mesmos critérios. Notificada em 27.05.2013, fl. 700, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.06.2013, fls. 702717, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e suscita que o lançamento é nulo e acrescenta que: Por ocasião da IMPUGNAÇÃO fora ventilada e concomitantemente demonstrada questão da NULIDADE do AUTO DE INFRAÇÃO, em face da sua manifesta impropriedade, mormente pela INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a sua lavratura contra a recorrente, ante a inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a acusação contida na peça em referência. Na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais. [...] Assentado, portanto, que na inexistência de justa causa para a lavratura de um AUTO DE INFRAÇÃO, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento, cuja pretensão encontrase eivada de NULIDADE ABSOLUTA, imprestável, desta feita, a exação fiscal. A recorrente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no AUTO DE INFRAÇÃO, assim sendo, com o devido respeito, deve ser DECLARADO NULO a contar de seu nascedouro, ante a sua impropriedade como lançamento. Neste diapasão, com fundamento na mencionada assertiva, competia àquela Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que os argumentos da recorrente não correspondiam à verdade dos fatos, no entanto, nada disso se apurou, mormente porque a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de DEFESA da recorrente ao seu "modo" e a seu "favor". Não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existem repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÁ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, NÃO TEVE O CUIDADO E A CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA RECORRENTE, o que resultou em todo esse desconforto. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 730 10 Ora, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da recorrente, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não tem o condão de se caracterizar RECEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa recorrente. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso desta quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO É SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verificou no caso em estudo. Inaceitável, portanto, o procedimento fiscal, posto que, redundou em uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO/PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. Assim, em síntese, para se chegar aos valores contidos no AUTO DE INFRAÇÃO, a titulo de SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITA, necessário que se fizesse uma apuração detalhada, minuciosa, sem atropelos, o que NADA DISSO SE VIU da autuação, MORMENTE PORQUE a Autoridade Fiscal AGIU DE FORMA TOTALMENTE CONTRÁRIA, assim, também por esse prisma, marca de NULIDADE ABSOLUTA a pretensão punitiva, digase. Sendo NULA a exação, não há como prosperar, a pretensão da Autoridade Fiscal, que pela AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela IMPROPRIEDADE de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável GARANTIA LEGAL. No caso, pela ilegitimidade da lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO, cuja irrogação de conduta ilícita, não passa de equívocos de interpretação, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço ou possibilidade para o apenamento pretendido, temse como ILEGÍTIMA A AUTUAÇÃO, devendo por isso, por ocasião do reexame da matéria por meio do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, ser DECLARADA NULA PARA TODOS OS FINS, dandose baixa dos registros pertinentes, com o consequente ARQUIVAMENTO DO PROCESSO, que lhe propiciou origem. No que se refere ao mérito aduz que: Neste ensejo temse que a imaginária infração cometida pela recorrente estaria apoiada nos artigos 1o e 2o, da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Do mesmo modo apoiouse a fiscalização para impor à recorrente sanções previstas no RIR, Dec. 3.000, de 26 de março de 1999. Optamos pelo nosso sagrado direito à ampla defesa como preconizado pela Carta Magna, posto que, data venia, discordamos da ação fiscal. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS Caracterizase OMISSÃO DE RECEITA ou de RENDIMENTOS, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Entretanto, não só no caso dos autos, como em vários outros, o que se verifica, são Abusos da Autoridade Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 731 11 Fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. É assente o entendimento de que improcede a autuação com base em OMISSÃO DE RECEITAS por existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Ou seja, não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem ser analisados individualmente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. Como salientado, inclusive por ocasião da IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA, competia à Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que o argumento da recorrente não correspondia à verdade dos fatos. Sabese que a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de defesa da recorrente ao seu "modo" e a seu "favor", ou seja, não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existiam repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÁ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, ao se utilizar desta argumentação, tornase perceptível que, NÃO TEVE O CUIDADO E A CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA AUTUADA, o que resultou em todo esse desconforto. Repisese, que, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da recorrente, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não haveria de se caracterizar RECEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa. E de ser observado que o confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso da recorrente quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO E SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITADO que se verifica no presente caso. Ou seja, uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO, e o PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. [...] A exegese que se extrai, não oferece nenhuma dúvida, que a recorrente cumpriu com suas obrigações tanto que os valores TRANSITARAM por suas contas bancárias, embora nem todos lhe pertencessem, A mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não pode, data venia, caracterizar RECEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa recorrente. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, quando reconhecidamente existente o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO É SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO ou OMISSÃO de RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO DA SUPOSTA OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 732 12 DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que não restou devidamente apreciado. Quanto à suposta OMISSÃO DE RECEITA apurada e referida na Ação Fiscal, escapou da obrigação da recorrente e passou a ser obrigação da Autoridade Fiscal a APURAÇÃO MINUCIOSA da suposta RECEITA OMITIDA. Apuração essa que deveria ser realizada de forma PORMENORIZADA junto à contabilidade da recorrente e das Instituições Bancárias e Financeiras, em DEMONSTRATIVOS MINUCIOSOS peia Autoridade Fiscal elaborados, dandose ciência da referida apuração à recorrente e aos terceiros, para sua concordância, para poder produzir a prova material do alegado, no entanto, não é o que se viu. Nessa apuração da RECEITA OMITIDA terseia que obrigatoriamente mencionar a COMPOSIÇÃO DOS VALORES INTEGRANTES DA MOVIMENTAÇÃO CONTÁBIL/BANCÁRIA/FINANCEIRA, da recorrente, com discriminação, e especificação que permitisse a perfeita identificação das SUPOSTAS RECEITAS OMITIDAS. Ressaltese que essa especificação exigida para se apurar LUCROS/RECEITAS/LUCROS, também se exige para dar validade legal aos LANÇAMENTOS FISCAIS. Pois bem. O fato é, que tudo isso, da maneira como se realizou, tornouse obra do acaso, ficta, imaginária da Autoridade Fiscal da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, eis que não foram procedidos os REAIS E VERDADEIROS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS/BANCÁRIOS da recorrente, para dar sustentação de validade (PROVA MATERIAL) aos DEMONSTRATIVOS que acompanham a AÇÃO FISCAL, e, na inexistência dessa apuração, NÃO SE PODE DAR VALOR LEGAL À AÇÃO FISCAL. Com efeito, a Autoridade ao oferecer as INCERTEZAS de que trata o Auto de Infração sob exame, MACULOU sua pretensa obra, porquanto da forma como foi realizada, não enseja a recorrente a chegar a um RACIOCÍNIO LÓGICO DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA, porquanto, referida Ação Fiscal, realizouse de forma EQUIVOCADA, eis que os DEMONSTRATIVOS que poderiam oferecer suporte ao Auto de Infração nenhuma validade jurídica possuem. [...] Tratouse inclusive, por ocasião da IMPUGNAÇÃO FISCAL que, embora sendo incontestável a obrigatoriedade do lançamento de ofício, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do CTN, essa obrigação legal indiscutível há de estar regrada pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência, como disciplinados no caput do art. 37, da Constituição Pátria. Não vulnerou a autuada quaisquer normas da legislação tributária federal, muito menos cometeu atos irregulares, para sujeitarse às cominações que se lhe venha impingir o Auto de Infração em referência, como já sobejamente demonstrado, pela INVALIDADE de como se deu a referida Ação Fiscal. Toda ação fiscal há de ser instaurada em consonância com os princípios da moralidade , legalidade e eficiência, que devem reger os atos da administração pública direta, indireta e fundacional, nos termos estabelecidos no caput do art. 37, do Pacto Fundamental, respeitando os direitos individuais, toda matéria tributária traçada pela Constituição Federal. Nesse ponto também equivocouse a Autoridade Fiscal, por falta da demonstração da ocorrência do fato gerador que viesse permitir referida exigência. E conhecido que o fato gerador do IRPJ e TRIBUTOS REFLEXOS ocorre no momento da obtenção da "RENDA", como o próprio nome sugere "IMPOSTO SOBRE A RENDA". Somente nessa hipótese, ou seja. na ocorrência da RENDA, há que se falar em TRIBUTAÇÃO, jamais na hipótese descrita nos LANÇAMENTOS, ou seja, com base na MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA da recorrente, em face da precariedade das Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 733 13 DEMONSTRAÇÕES anexadas ao Auto de Infração, que é peça de nenhum valor jurídico. A autuação que ora se recorre, quer impor apenamento indevido, portanto, à revelia da lei. Neste caso, dúvida não existe quanto à inexistência de prática ilícita. Não há como oferecer sustentação ao Auto de Infração, que não tem alicerce na legislação, e que não poderia, como não pode, dissociarse da Carta Magna e suas demais leis complementares hierarquicamente superiores. No caso exsurge a necessidade jurídica oporse à ilegalidade que macula os direitos das pessoas, especialmente quando essa ilegalidade procede de um agente do poder público. Não pode o ente subordinado curvarse ante à ilegalidade, sob pena de não merecer as garantias individuais da Carta Magna na Nação. A Autoridade Fiscal dos levantamentos fiscais que dão suporte ao lançamento de ofício, negou vigência também ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Mais erros registrados no lançamento de ofício que invalida a propositura fiscal. [...] Conclusão insofismável há de ser no sentido de padecer de amparo, a qualquer título, a pretensão da Autoridade Fiscal, máxime pela exegese emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional [...]. Em consonância com a legislação de regência, acoplandose aos fatos ocorridos na sua inteireza e legitimidade, não há como deixar de aplicar a benigna ampliada, ainda que se pretenda dar equiparação das leis fiscais às legis odiosae costumeiramente mencionados pelos doutrinadores do passado. Por último, com o devido respeito temse que o arbitramento por "omissão de receita", é abusivo por parte da autoridade fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. Ou seja, improcede a autuação com base em omissão de receitas, por exemplo, em razão da existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. Em relação ao excesso de exação informa que: A doutrina pátria consagrouse, quanto ao tema, no sentido de que: "O artigo 316, § 1o, do Código Penal estabelece que, 'se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza', resta caracterizado o crime de excesso de exação, [...]. Salientou também, que, as lesões aos direitos da recorrente serão regiamente reivindicados pela via própria, nos termos do art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal, por estar sendo obrigada a defenderse de uma infração que não cometeu. Assim, não se pode falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através de apreciação pelo judiciário, onde obviamente será dada a o mais amplo direito de defesa, com todos os tipos de provas em direito admitidos. Cabe registrar que nenhum ato administrativo irregular ou viciado, como é o caso da Ação Fiscal de que se recorre, escapa da apreciação jurisdicional. Essa é uma norma na sua origem constitucional, de defesa dos direitos. Sobretudo uma norma que, como princípio visa resguardar a ordem jurídica e a proteção do administrado. Abrange, assim, desde logo, todos aqueles atos de autoridade capazes de causar lesão flagrante produzida ou por produzir pela administração. Um órgão da administração pública não pode a pretexto do seu poder de polícia, atuar ao arrepio Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 734 14 da lei e do ordenamento jurídico, agindo com paixão de seus dirigentes para, extrapolando as disposições da Lei Maior do País, impor sanções que se convertam em ABUSO DE AUTORIDADE, EXCESSO DE EXAÇÃO, eivando sua conduta de NULIDADE RELATIVA, quando não ABSOLUTA, PARCIAL, quando não TOTAL de nenhum efeito na ordem jurídica tornando tais atos passíveis de decretação de NULIDADE pelo Poder Judiciário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da Ação Fiscal, espera e requer a recorrente sejam acolhidas as RAZÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO para o fim de assim ser decidido, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, Fl. 734DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 735 15 deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão não restaram caracterizados o abuso de autoridade tampouco o excesso de exação. Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 156158, Termos de Intimação, fls. 159163, Intimações , 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 736 16 fls. 680681 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 694700) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 737 17 valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113 155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. O crédito tributário está regularmente constituído com base em provas diretas e não a partir de presunção como quer defender a Recorrente. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%, em conformidade com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ Receita Bruta de Venda de Veículos Lucro Presumido – Coeficiente de 8% R$ (B) Valores Informados nas DIRF, Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída (Livro Caixa) Receita Bruta de Comissões de Prestação de Serviços Lucro Presumido – Coeficiente de 32% R$ (C) 1º Trimestre de 2008 800,00 199.676,86 2º Trimestre de 2008 1.400,00 212.711,23 3º Trimestre de 2008 5.100,00 150.209,69 4º Trimestre de 2008 2.800,00 95.733,51 1º Trimestre de 2009 1.600,00 150.831,00 2º Trimestre de 2009 2.700,00 91.725,54 3º Trimestre de 2009 2.100,00 129.475,50 4º Trimestre de 2009 3.000,00 173.002,99 1º Trimestre de 2010 600,00 151.420,44 2º Trimestre de 2010 700,00 122.188,17 3º Trimestre de 2010 1.200,00 129.803,37 4º Trimestre de 2010 1.600,00 163.096,14 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 738 18 Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 94112, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: As empresas que declararam pagamentos a ANA CELIA DA COSTA JACINTO VEÍCULOS CNPJ:06.103.814/000138 foram intimadas a comprovarem as informações prestadas em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] O Banco Bradesco Financiamento S/A, sucessor do Banco Finasa, apresentou cópias de comprovantes de remessas de DOC referentes a liquidações financeiras das comissão pagas à contribuinte, pelos dois bancos. O Banco BMG S.A apresentou planilha com pagamentos efetuados a Ana Célia da Costa Jacinto Veículos Ltda, bem como os respectivos comprovantes referentes as comissões por serviços prestados. O Banco Daycoval S/A apresentou cópias de comprovantes de pagamentos. O Banco Itaucard apresentou planilha com pagamentos efetuados e comprovantes de rendimentos pagos ou creditados a empresa objeto do presente Termo. No mesmo molde foi a resposta do Banco Itauleasing S.A. O Banco Paulista S.A declarou ter realizado pagamentos de serviços tomados da empresa Ana Célia da Costa Jacinto Veículos, conforme informado em sua DIRF. Anexou ainda TED's. O Banco Pecúnia S/A informou que tomou e pagou serviços de corretagem/comissões a empresa ora fiscalizada mo anocalendário de 2010. A BFB Leasing S.A. Apresentou planilha com todos pagamentos efetuados a contribuinte Ana Célia da Costa Jacinto Veículos. Apresentou ainda comprovantes de pagamentos dos anoscalendário de 2008 e 2009. BMG Leasing Arrendamento Mercantil também apresentou planilha de pagamentos e respectivos comprovantes, relativos ao anocalendário de 2008, referentes as comissões pelos serviços prestados. BV Leasing Arrendamento Mercantil S/A e BV Financeira S/A confirmaram os pagamentos efetuados à contribuinte, referentes a comissões. Credifibra S/A apresentou razão contábil relativos aos pagamentos de comissão do contribuinte identificado pela fiscalização. Omni S/A Crédito, Financiamento e Investimento apresentou relatório de 2008 que demonstra OS valores devidos e liquidados pela prestação dos serviços. Santander Leasing S/A apresentou relatório que demonstra os valores devidos e liquidados pela prestação dos serviços. Banco Santander respondeu apresentando valores liquidados em seu nome e em nome de Panamericano Arrendamento Mercantil. IV DA AUDITORIA Da documentação apresentada pelo contribuinte, das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas por bancos e financeiras, pelas respostas destes bancos e financeiras passouse a auditoria das informações. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 739 19 Em primeiro lugar, do cruzamento das informações constantes em DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica com as notas fiscais de entrada e saída apresentadas verifcase que o Contribuinte tributou somente OS valores referentes as vendas de veículos. O contribuinte não tributou absolutamente nada dos valores recebidos a título de comissões por prestação de serviços. Intimado a justificar as diferenças encontradas entre o declarado em DIRF por terceiros e as receitas pelo contribuinte declaradas, este não logrou êxito. [...] O cruzamento das informações prestadas pelas fontes pagadoras, com fundamento no artigo 929, § 2° , do RIR/1999, com as receitas declaradas pelo contribuinte, caracteriza indícios suficientes para que se configure a omissão de receitas. Ressaltese que o sistema informatizado "Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf Resumo do Beneficiário Detalhamento Mensal" da SRF é alimentado a partir da Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) apresentada pelas fontes pagadoras por força da legislação tributária, constituindo, desse modo, meio válido para alicerçar o lançamento[...]. Considerando que o contribuinte não se manifestou sobre as diferenças entre o que foi declarado em DIRF por terceiros há que se efetuar lançamento de omissão de receitas, uma vez que há que se considerar como prova os valores informados em DIRF por terceiros, não vinculados ao procedimento de fiscalização, uma vez que estes se responsabilizam pelas informações prestadas em DIRF e são cobrados pelos valores de imposto de renda na fonte indicados nesta declaração. A fiscalização não se contentou com os dados constantes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Todas elas foram intimadas a apresentar documentação relativa aos pagamentos efetuados a contribuinte Ana Célia da Costa Veículos. Com exceção do Banco Panamericano S/A, da Panamericano Arrendamento Mercantil S A, da Aymoré Crédito e Financiamento S/A, Santander Leasing S/A, que não responderam às intimações e ao Banco Credibel S/A que não foi encontrado, todos os demais confirmaram os pagamentos efetuados ao contribuinte, não restando dúvidas quanto às informações prestadas nas Dirfs. No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova de que as informações prestadas pelas fontes pagadoras seriam incorretas. O interessado nem sequer demonstra os valores das receitas auferidas mês a mês, em relação a cada fonte pagadora. As informações recebidas das fontes pagadoras bem como as informações coletadas na própria Secretaria da Receita Federal do Brasil constam do processo administrativo fiscal. Assim, dada a inexistência de elementos capazes de descaracterizar as informações prestadas por intermédio da DIRF, foi apurada omissão de receita por parte do contribuinte conforme nas planilhas "Receita Bruta Recebida pela Intermediação de Negócios Comissões" e "Diferença entre Receita Bruta Declarada Alíquota 32% Lucro Presumido e a Recebida de Bancos e Financeiras" que são parte integrantes do Auto de Infração. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não Fl. 739DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 740 20 restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações4. Restou comprovado que nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 a Recorrente reiteradamente omitiu receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 94112, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Nos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora há aplicação da multa qualificada de 150%, relativamente à infração Imposto de Renda na Fonte sobre 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 741 21 Pagamentos sem Causa/Beneficiário Não Identificado. A fiscalização entende, neste caso, que houve, a partir de UMA INFRAÇÃO CONTINUADA, sonegação e evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ns 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme enunciado no art. 44, inciso l e §1S, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, in verbis: Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição: (...) cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Esclareçase que a nova redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 ao art. 44 da Lei n5 9.430, de 1996 alterou a exigência para o caso em tela. Os arts. 71, 72 e 73, da Lei ns 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso, a fiscalização entende que ouve, a partir de um conluio entre PJ e PF, sonegação e evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme enunciado no art. 44, inciso I e §1e, da Lei ns 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007. O procedimento adotado pelo contribuinte Ana Célia da Costa Jacinto Veículos, deixando de pagar, de maneira continuada, tributos devidos, com o objetivo único de sonegar o fisco denota o elemento subjetivo do dolo e enseja a aplicação da multa agravada pela vinculação dos fatos reais à norma jurídica abstrata prevista nos art. 71, 72 e 73 da Lei n5 4.502/1964. Há que se lembrar que a mesma empresa foi objeto de lançamento de tributos por omissão de receitas recebidas de terceiros comissões, conforme processo administrativo fiscal 13855.003388/200857, da qual tomou ciência, através de procurador, em 20/10/2008. Assim, a fiscalizada omitiu receitas sujeitas à tributação nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 conforme apurado no processo citado, e reiteradamente e de Fl. 741DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 742 22 forma consecutiva, nos anocalendário de 2008, 2009 e 2010, período sob fiscalização, incidindo na tipificação descrita no art. 44 da Lei 9.430/96. O componente doloso, que caracteriza o ilícito praticado pelo contribuinte, prejudica o direito, na medida que altera a verdade sobre o fato tributável (receita auferida) pelo IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos. Necessário se faz a responsabilidade objetiva do contribuinte, ou seja, a intenção de impedir o conhecimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil da ocorrência do fato gerador, que no presente caso é demonstrada pelo padrão de conduta do contribuinte de não declarar as receitas oriundas de recebimentos de comissões. Considerando que tal conduta permanece por vários anos, mesmo depois de a Receita Federal do Brasil lavrar auto de infração sobre o mesmo assunto, impossível se falar em erro escusável. O intuito doloso é então caracterizado pela prática reiterada de uma única infração: omissão de receitas da atividade, culminando com o não recolhimento do IRPJ e seus reflexos. Portanto, é devida a multa de ofício qualificada no lançamento em análise. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 743 23 relativos ao mesmo sujeito passivo 7. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10660.905859/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 164 1 163 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905859/201158 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.021 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 59 /2 01 1- 58 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 32.128,04. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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