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Numero do processo: 14751.000189/2008-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 89 /2 00 8- 18 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 216DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 219DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 220DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 222DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 223DF CARF MF Processo nº 14751.000189/200818 Acórdão n.º 9202005.893 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902175/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 75 /2 00 9- 21 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902175/200921 Acórdão n.º 1302002.489 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (IRPJ e CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902175/200921 Acórdão n.º 1302002.489 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902175/200921 Acórdão n.º 1302002.489 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902175/200921 Acórdão n.º 1302002.489 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902175/200921 Acórdão n.º 1302002.489 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000508/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL.
A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos § 1º e seguintes do art. 2º da Lei nº 11.033/04, reveste-se do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733/SC, sob o rito dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 2402-006.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL. A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos § 1º e seguintes do art. 2º da Lei nº 11.033/04, reveste-se do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733/SC, sob o rito dos recursos repetitivos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
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RETENÇÃO DE IR NA FONTE. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL. A retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre ganhos líquidos em operações de renda variável, regrada pelos § 1º e seguintes do art. 2º da Lei nº 11.033/04, revestese do caráter de antecipação do pagamento, de modo a atrair a incidência do art. 150, § 4º do CTN, à luz do precedente firmado pela 1ª Seção do STJ no REsp nº 973.733/SC, sob o rito dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 08 /2 01 0- 10 Fl. 255DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 16045.000508/201010 Acórdão n.º 2402006.008 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa aos exercícios 2006 e 2007 (fls. 1/15), decorrente de apuração de omissão de rendimentos representada por ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos na alienação de ações realizada em operação na Bolsa de Valores. O lançamento relativo ao anocalendário 2006 não foi contestado, tendo sido recolhido o valor respectivo, porém a exigência referente ao anocalendário 2005 foi mantida pela DRJ/BHE (fls. 214/218), a despeito da impugnação (fls. 186/192). A contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/3/2015 (fls. 224/251), alegando, em síntese, estar a autuação decaída por ter havido retenção de imposto de renda na fonte sobre as operações realizadas em 2005, consoante comprovantes colacionados nos autos, e não ser aplicável o art. 173, I do CTN, por não ter tido comportamento doloso. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário é matéria que foi objeto de apreciação por parte da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/8/2009 em sede de recurso repetitivo, o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos do original) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 16045.000508/201010 Acórdão n.º 2402006.008 S2C4T2 Fl. 103 5 No que tange aos casos em que há o referido pagamento antecipado, ainda que em montante menor que o devido, a fundamentação do acórdão supra reportase aos precedentes nos quais ele se assenta, citandose naquele, por exemplo, o REsp nº 766.050/PR (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28/11/2007, DJe 25/2/2008): Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170) (grifei) Bem esclarecidas as teses jurídicas de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343/15), cabe passar à análise do caso concreto. A Lei nº 11.033/04, que alterou a tributação do mercado financeiro e de capitais, assim dispôs sobre a tributação das operações realizadas no mercado de renda variável, no que tange aos aspectos ora litigiosos: Art. 2º O disposto no art. 1º desta Lei não se aplica aos ganhos líquidos auferidos em operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros, e assemelhadas, inclusive day trade , que permanecem sujeitos à legislação vigente e serão tributados às seguintes alíquotas: I 20% (vinte por cento), no caso de operação day trade ; II 15% (quinze por cento), nas demais hipóteses. § 1º As operações a que se refere o caput deste artigo, exceto day trade , sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de 0,005% (cinco milésimos por cento) sobre os seguintes valores: (...) IV nos mercados à vista, o valor da alienação, nas operações com ações, ouro ativo financeiro e outros valores mobiliários neles negociados. (...) § 4º Fica dispensada a retenção do imposto de que trata o § 1º deste artigo cujo valor seja igual ou inferior a R$ 1,00 (um real). § 5º Ocorrendo mais de uma operação no mesmo mês, realizada por uma mesma pessoa, física ou jurídica, deverá ser efetuada a Fl. 259DF CARF MF 6 soma dos valores de imposto incidente sobre todas as operações realizadas no mês, para efeito de cálculo do limite de retenção previsto no § 4 o deste artigo. § 6º Fica responsável pela retenção do imposto de que tratam o § 1º e o inciso II do § 2º deste artigo a instituição intermediadora que receber diretamente a ordem do cliente, a bolsa que registrou as operações ou entidade responsável pela liquidação e compensação das operações, na forma regulamentada pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. § 7º O valor do imposto retido na fonte a que se refere o § 1º deste artigo poderá ser: I deduzido do imposto sobre ganhos líquidos apurados no mês; II compensado com o imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados nos meses subseqüentes; III compensado na declaração de ajuste se, após a dedução de que tratam os incisos I e II deste parágrafo, houver saldo de imposto retido; IV compensado com o imposto devido sobre o ganho de capital na alienação de ações. § 8º O imposto de renda retido na forma do § 1 o deste artigo deverá ser recolhido ao Tesouro Nacional até o 3 o (terceiro) dia útil da semana subseqüente à data da retenção. Os ganhos líquidos em mercado de renda variável têm a natureza de rendimentos não sujeitos ao ajuste anual da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), sendo a data de ocorrência do fato gerador variável ao longo do anocalendário. Na espécie, o contribuinte realizou alienação de ações em janeiro de 2006, de acordo com as notas de corretagem juntadas às fls. 40 a 42 dos autos. Por incidência da hipótese prevista no acima reproduzido § 1º do art. 2º da Lei nº 11.033/04, as mesmas operações constituíram fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor total de R$ 5,25, nas respectivas datas das alienações. Como cediço, a retenção do imposto de renda na fonte é técnica de arrecadação pela qual se transfere a terceiro vinculado ao fato gerador da obrigação tributária a responsabilidade de arrecadar, antecipadamente, o referido tributo em nome do contribuinte. No caso, a lei discrimina os responsáveis tributários: a instituição intermediadora que receber diretamente a ordem do cliente, a bolsa que registrou as operações ou entidade responsável pela liquidação e compensação das operações. Não obstante a retenção ter sido efetuada por terceiro, ela se traduz para fins legais em pagamento realizado pelo próprio sujeito passivo, tanto que a ele aproveita, podendo ser deduzido do imposto sobre os ganhos líquidos apurados no mês, ou até mesmo compensado na declaração de ajuste, consoante as diversas situações enumeradas nos incisos I a IV do § 7º da Lei nº 11.033/04. No caso em apreço, temse que as retenções constam devidamente consignadas nas notas de corretagem utilizadas como base de cálculo do lançamento (R$ 2,81 em 26/1/2005 e 2,44 em 28/1/2005), em um total de R$ 5,25, valor retido que foi confirmado ainda por documento adicional fornecido pela corretora de valores (fl. 194). Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16045.000508/201010 Acórdão n.º 2402006.008 S2C4T2 Fl. 104 7 Vale anotar que se o responsável legal proceder a retenção e não recolher aos cofres públicos, caracterizarseá não a falta de adimplemento do tributo pelo sujeito passivo da obrigação tributária, mas sim a apropriação indébita por parte do dito responsável. Por conseguinte, temse que nos casos em que se verifica a retenção do imposto de renda na fonte também ocorre o pagamento antecipado do tributo sujeito à sistemática de lançamento por homologação, traduzindose, à míngua da existência de dolo, fraude ou simulação, em hipótese de decadência nos termos preconizados pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, interpretado sob o lume do precedente estabelecido no mencionado julgamento do REsp nº 973.733/SC. Concluise, desse modo, que no dia em que o contribuinte tomou ciência do auto de infração, 29/11/2010, já haviam se passado mais de cinco anos desde 31/1/2005, data em que se perfectibilizou o fato gerador do imposto de renda incidente nas operações de renda variável ocorridas em janeiro de 2005, e sobre as quais já havia sido parcialmente antecipado o pagamento do tributo via retenção na fonte. Impõese, assim, ser declarada a decadência no que tange ao direito do Fisco de constituir crédito tributário relativamente a tais operações.. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905176/2010-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.905176/201038 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.693 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 76 /2 01 0- 38 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10480.905176/201038 Acórdão n.º 9303005.693 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.353, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10480.905176/201038 Acórdão n.º 9303005.693 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10480.905176/201038 Acórdão n.º 9303005.693 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720063/2016-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE.
É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa.
Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte já tinha conhecimento de que o Fisco não reconhecia o seu crédito e, mesmo assim, o utilizou para compensar tributos e deixar de recolher o crédito tributário.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento parcial para afastar a multa aplicada.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente MUNICIPIO DE TOBIAS BARRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE. É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa. Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte já tinha conhecimento de que o Fisco não reconhecia o seu crédito e, mesmo assim, o utilizou para compensar tributos e deixar de recolher o crédito tributário. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 63 /2 01 6- 55 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 279 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento parcial para afastar a multa aplicada. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 243/273 interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 222/237, que julgou procedente o lançamento de Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 280 3 contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensação indevida, no período de 01/2014 a 12/2014, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 16/26. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo é proveniente dos seguintes autos de infração: (i) DEBCAD nº 51.080.6929, relativo à glosa da compensação indevida, no valor total de R$ 10.523.249,11, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a multa de mora (fls. 03/08); e (ii) DEBCAD nº 51.080.9637, relativo à multa isolada de 150% aplicada sobre o valor do débito indevidamente compensado. De acordo com o Relatório Fiscal, através de consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatouse que a RECORRENTE efetuou compensação mediante declaração constante de GFIP, conforme tabela abaixo: Intimada pela autoridade fiscal para comprovar o seu direito de compensar, a RECORRENTE apresentou declaração (fls. 33/39) alegando, em síntese, o seguinte: “ Considera que algumas verbas salariais entendidas pelo Município como de caráter indenizatório e transitório não devem compor a base de cálculo para apuração das contribuições previdenciárias; Em decorrência disto, procedeu retificação, conforme planilha, em diversas GFIPs, com competências abrangendo o período 01/2005 a 12/2009; Efetuou levantamento do valor que no seu entendimento seria passível de compensação. Efetuou compensação para o período 01/2014 a 12/2014 (inclusive 13°).” Na documentação denominada Ofício 300/2015, a RECORRENTE esclarece que “em razão das inúmeras e recentes decisões das mais altas Cortes deste país, atualmente encontrase pacífico tanto na Doutrina quanto na Jurisprudência, a questão da não incidência de Tributação Previdenciária sobre verbas que não possuem caráter remuneratório”. Assim, embasado em tais decisões, “iniciou a retificação das GFIP's já emitidas, tendo como base somente as verbas de caráter remuneratório, excluindo assim qualquer verba que possua caráter indenizatório e/ou transitório.”, Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 281 4 No entanto, a autoridade fiscal efetuou a glosa da compensação sob o argumento de que a mesma ocorreu de forma indevida. Argumentou o seguinte no Relatório Fiscal: “5.2 Preliminarmente é importante enfatizar que a Prefeitura de Tobias Barreto, de forma contumaz, vem realizando compensação mediante declaração em GFIP, levando em conta reiteradamente os mesmos pretensos créditos decorrentes de alegado recolhimento a maior no período 01/2005 a 12/2009. Repetidamente vem sendo glosada esta compensação destituída de qualquer fundamentação ou razoabilidade, conforme exaustivamente demonstrado nas fiscalizações e processos a seguir discriminados: Fiscalização autorizada pelo MPF n° 0520100.2012.00181 : Processo 10510.724.017/201200 : Glosada a compensação realizada no valor de R$ 1.798.310,92 para o período 04/2011 a 05/2012. O lançamento não foi impugnado. Posteriormente a Prefeitura incluiu este processo no parcelamento autorizado pela lei 12.810/2013. Fiscalização autorizada pelo MPF n° 0520100.2014.00020 Processo 10510.721.577/201466: Glosada a compensação realizada no valor de RS 7.479.715,53 para o período 06/2012 a 12/2013 (Inclusive 13°). O lançamento foi impugnado. A impugnação foi julgada improcedente e mantido na íntegra o crédito tributário. O processo encontrase pendente de julgamento no âmbito do CARF. Vale observar que no âmbito destes processos, foram lavrados ainda Autos de infração atinentes à aplicação de multa isolada, calculada à razão de 150% do valor indevidamente compensado, determinados pela caracterização da falsidade à qual se refere o Artigo 89 da lei 8212, em seu § 10. Enfatizese que não há qualquer decisão judicial, com Trânsito em julgado ou não, que autorize estas vultosas compensações. Vem portanto a Prefeitura de Tobias Barreto, mais uma vez, declarar em GFIP compensação baseada nos mesmos alegados direitos creditórios não homologados pela administração tributária em pelo menos duas oportunidades, desta vez para o ano de 2014, no montante de R$ 7.670.874,25.” Adiante, adoto trecho do relatório elaborado pela DRJ, por bem resumir as razões apresentadas fiscalização para fundamentar o lançamento: “• A Prefeitura vem realizando de forma contumaz a compensação mediante declaração em GFIP, utilizando para tal os mesmos supostos créditos referentes a alegado recolhimento a maior no período de 01/2005 a 12/2009. Tal compensação já havia sido glosada em duas ações fiscais anteriores. • Não há qualquer ação judicial, com trânsito em julgado ou não, que autorize as compensações. Intimada a apresentar Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 282 5 informações sobre eventuais processos judiciais, não o fez, alegando apenas estar a compensação fundamentada em “inúmeras decisões recentes das mais altas cortes deste país”. • Arrola alguns processos judiciais ajuizados pelo contribuinte, esclarecendo que apenas no Processo 0000162.10.2012.4.05.8500 existe uma decisão liminar em favor do autor, declarando a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de 1/3 de férias e o auxílio transporte. Entretanto, tal processo não versa sobre compensação. • Da análise da memória de cálculo apresentada pelo Contribuinte foram verificados diversos equívocos, detalhados no item 5.4 do Relatório Fiscal, em síntese: cálculo do valor compensável obtido pela diferença entre o valor devido declarado originalmente através de GFIP e o valor devido calculado e eventualmente declarado através de GFIP retificadora. O procedimento correto seria comparar o valor devido apurado com o valor recolhido. De acordo com a Prefeitura, o valor compensável seria o seguinte: • A Prefeitura informa ter o direito a compensação em relação a competências em que não houve recolhimento de contribuição previdenciária, a exemplo das competências 09/2006, 03/2007 e 12/2008. • Os valores compensados alcançam o montante de R$ 7.670.874,25, excedendo os valores calculados pela Prefeitura conforme indicados acima. • O valor efetivamente compensável, caso todos os critérios da lei fossem atendidos, seria de R$ 1.788.341,88, como demonstrado no ANEXO I (fl. 32). • Não há amparo legal nem judicial para a exclusão das rubricas salariais efetivada pelo Município, quando da retificação das GFIP. • Nos termos da Lei Complementar 118/2005, ocorreu a prescrição para a realização da compensação, já que o prazo para a efetivação da mesma é de 5 anos a partir do recolhimento indevido (precedente firmado pelo Plenário do STF RE 566.621/RS, nos termos do art. 543B do CPC). Entretanto, os recolhimentos efetivados pelo Município que justificariam o valor compensado nas competências 01 a 12/2014 não atendem a esse critério, excetuandose apenas a competência 04/2014, para os quais há dois recolhimentos que não se encontravam Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 283 6 prescritos no momento da compensação. Tais fatos foram demonstrados no item 7 do Relatório Fiscal (fls. 21/22). 5. Em face de todos os fatos acima expostos a compensação foi considerada indevida, sendo efetuado o lançamento do AI 51.080.6929, sujeito à multa de mora e juros. 6. Em relação ao lançamento do AI 51.080.6937, relativo à multa isolada, esclarece a autoridade tributária que: • Intimada a apresentar esclarecimentos por escrito sobre as compensações efetuadas para o período 01/2014 a 12/2014, a Prefeitura limitouse a apresentar, mediante Ofício constante de duas laudas, débil justificativa fazendo alusão à pretensa não incidência de contribuições previdenciárias denominadas genericamente como de caráter indenizatório e transitório, aludindo apenas a inúmeras recentes decisões judiciais, sem qualquer discriminação ou detalhamentos das verbas que toma por indenizatórias ou transitórias. • Além disso, como já anteriormente exposto, a Prefeitura vem realizado, de forma contumaz e reiterada, compensação mediante declaração em GFIP, levando em conta reiteradamente os mesmos pretensos créditos decorrentes de alegado recolhimento a maior no período 01/2005 a 12/2009. • Reitera que não há qualquer decisão judicial que autorize o procedimento compensatório por parte da Autuada. • Em face disto, constatase que houve a inserção em GFIP informação inverídica, não amparada por decisão judicial transitada em julgado, em total desacordo com o trâmite administrativo, legal ou judicial, de forma reiterada e levando em conta valores inteiramente divergentes dos obtidos por esta fiscalização e sem guardar qualquer relação com a realidade dos fatos, valores estes já compensados em pelo menos duas oportunidades visando reduzir, indevidamente, o valor devido declarado de contribuição previdenciária. Sob estes fundamentos, e em razão da falta de esclarecimentos plausíveis que justifiquem a compensação glosada, procedese à aplicação de multa isolada, determinada pela caracterização da falsidade à qual referese o Artigo 89 da lei 8.212/91 em seu § 10. 7. Informa que, em conformidade com o § 10 do dispositivo acima citado configurase a falsidade de informação, cabendo a lavratura da multa isolada no valor de 150% do valor indevidamente compensado. A referida multa isolada é aplicável à GFIP entregue a partir de 04/12/2008, independente da competência a que se refira, ocorrendo o fato gerador da infração na data da entrega da referida declaração.” Sobre os pontos acima, importante destacar que, quando da elaboração da planilha relativa ao valor efetivamente compensável (ANEXO I fl. 32), a fiscalização adotou o valor da contribuição devida constante das GFIP's retificadoras, mesmo que equivocado. O objetivo desta planilha foi demonstrar que, mesmo adotandose o valor devido apurado pela Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 284 7 RECORRENTE, a diferença entre esse valor e o efetivamente recolhido é bastante inferior ao crédito alegado pela RECORRENTE (R$ 1.788.341,88 e R$ 3.557.713,44, respectivamente). Da Impugnação Intimada do lançamento em 22/01/2016 (fl. 140), a RECORRENTE apresentou suas Impugnações de fls. 146/175 e fls. 183/212 em 19/02/2016. Suas alegações de defesa foram assim sintetizadas pela DRJ de origem: “8.1. Afirma preliminarmente que o lançamento é nulo pois a Fiscalização omitiu a sua fundamentação legal, bem como a descrição da matéria tributável. Assevera que a autoridade fiscal limitouse apenas a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege a competência da Receita Federal do Brasil, assim como suas atribuições, não correlacionando os dispositivos com a matéria que teria sido infringida. Incorreu, assim, em violação do artigo 10, III e IV do Decreto 70.235/72. 8.2. Argui a nulidade do Auto de Infração por cerceamento dos direitos ao contraditório e a ampla defesa, visto que houve omissão de fundamentação legal. É direito do contribuinte que a exigência fiscal esteja completa de tal modo que se a possa contestála ponto por ponto, sendo certo que não havendo a discriminação dos dispositivos infringidos há impedimento à defesa. Reafirma que o Fiscal não diz quais os artigos que dão suporte à lavratura do crédito, mencionando aleatoriamente os textos legais. Requer a nulidade do Auto de Infração. 8.3. Em relação ao mérito, tece considerações acerca da natureza jurídica das contribuições previdenciárias, afirmando que as mesmas têm natureza tributária que se submetem aos princípios constitucionais. Cita doutrina e o artigo 146 da Constituição Federal. 8.4. Alega haver abuso do poder discricionário por parte da fiscalização, por desnaturamento do instituto jurídico, de maneira a contrariar sua categoria jurídica. Desenvolve argumentos acerca da teoria do abuso de direito, afirmando serem os atos daí decorrentes atos ilícitos, e por natureza, nulos. Em razão disso, requer o cancelamento da autuação que alega ilegal, abusiva e inconstitucional. 8.5. Argumenta que jamais deixou de pagar contribuições, e que os valores tidos como “em aberto” referemse a compensações feitas pela Defendente, advindas de créditos sobre verbas indenizatórias ou transitórias. Alega que os Tribunais Superiores já se manifestaram sobre tais verbas indenizatórias pagas aos servidores, acostando jurisprudência. Afirma serem inexigíveis as contribuições previdenciárias sobre tais verbas, não havendo razão para que as compensações sejam ilegais. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 285 8 8.6. Assevera possuir reconhecimento da inconstitucionalidade de algumas contribuições suso referidas, bem como o direito de compensálas com contribuições devidas, o que corresponde ao caso em tela. Cita o artigo 66 da Lei 8.383/91. Em razão disso, não são ilegais as compensações, devendo as mesmas ser homologadas. 8.7. Em seguida, afirma que a Fiscalização não observou que os valores alegadamente não pagos pelo Município foram incluídos em parcelamento, não havendo, portanto que se falar em desacerto da base de cálculo. Portanto, fica evidente a legalidade das retificações feitas pelo Município. 8.8. Questiona a aplicação da multa isolada com base no artigo 44, II da Lei 9.430/96. Aduz que somente as Leis 10.833/2003 e 11.051/2004 promoveram a possibilidade da Receita Federal do Brasil aplicar a multa com tal fundamento. Portanto, somente a partir de 31/12/2004 não havia amparo legal para restrições à compensação e nem mesmo para imposição de penalidades, não havendo porque aplicar a multa isolada. 8.9. Em seguida, assevera que a realização de compensação nas hipóteses mencionadas no artigo 74, §12, inciso II da Lei 9.430/96, com as alterações da Lei 11.051/2004, antes da vigência destas normas, não caracteriza fraude fiscal, por ausência de dolo. Argumenta que na fraude, na sonegação e no conluio a existência do dolo deve estar configurada e comprovada. Junta doutrina sobre o tema. 8.10. Afirma que a Receita Federal vem impondo penalidades calcadas em presunção absoluta de fraude, e sem embasamento legal pois a decisão está calcada apenas em instruções normativas. Acosta doutrina e conclui que no sistema brasileiro não há lugar para “infrações presumidas”. 8.11. Requer a desconstituição da multa aplicada em razão de não ter havido conduta ilícita por parte da impugnante. Afirma que a multa tem caráter confiscatório, citando a compensação realizada pelo contribuinte. Assevera que a multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, e assim, considerando a lisura do procedimento da Impugnante, requer a desconstituição da multa em razão da inexistência da infração. Cita jurisprudência. Invoca o desrespeito ao Princípio Constitucional do NãoConfisco. 8.12. Questiona a constitucionalidade da aplicação de juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Discorre sobre a natureza da referida taxa e dos juros. Afirma que a SELIC é de fato taxa de remuneração de capital, e que sua cobrança caracteriza usura, nos termos das decisões dos Tribunais Superiores. Reafirma a inconstitucionalidade da Taxa SELIC por ferir os princípios da moralidade, enriquecimento sem causa, propriedade e não confisco. 8.13. Finalmente, requer a nulidade do Auto de Infração, ou alternativamente, a desconstituição do lançamento pelo Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 286 9 reconhecimento da legalidade das retificações e compensação efetuadas pelo Município, bem como o afastamento dos juros e multa. Requer produção de prova pericial.” Da Decisão Da DRJ A DRJ, às fls. 222/237 dos autos, julgou procedente o lançamento, conforme acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 28/02/2015 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os elementos constitutivos do auto de infração veiculam, com clareza e precisão, todos os substratos fáticos e jurídicos nos quais se fundamenta o lançamento. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Deve ser glosada a compensação cujas liquidez e certeza não foram demonstradas pela autuada. Alegação de que existem teses contrárias à interpretação do Fisco não são suficientes para embasar direito creditório. O prazo para pleitear a compensação de tributos pagos indevidamente é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. POSSIBILIDADE E PRESSUPOSTO DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. MULTA CONFISCATÓRIA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. É vedado ao órgão julgador administrativo exercer o controle da constitucionalidade das leis ou negar vigência a atos infralegais por ofensa à lei. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 287 10 REQUERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Sujeitase a indeferimento o pedido de produção de prova pericial considerado prescindível à instrução processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE e findou por manter o lançamento. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 08/06/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 241, apresentou seu recurso voluntário de fls. 243/273 em 23/06/2016, oportunidade em que reiterou as afirmações de sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR A RECORRENTE defende a nulidade do lançamento por entender houve imprecisão da capitulação legal, o que culminaria no cerceamento do seu direito de defesa. Neste sentido, afirma que a Fiscalização omitiu a fundamentação legal do lançamento, bem como a descrição da matéria tributável, violando o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72. Contudo, não verifico a ocorrência da nulidade apresentada. Os autos de infração de fls. 03/08 e fls. 09/15 apresentam toda a fundamentação legal para o lançamento do débito, bem como discrimina, mês a mês, os valores cobrados. No Relatório Fiscal de fls. 16/26 (parte integrante do auto de infração), a autoridade fiscal traz toda a descrição dos fatos, assim como o enquadramento legal para a cobrança das contribuições sobre os fatos descritos, bem como acerca da multa isolada. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 288 11 O Relatório Fiscal apresenta, de forma detalhada, as razões pelas quais a autoridade lançadora julgou ser indevida a compensação realizada pela RECORRENTE (lançamento objeto do DEBCAD nº 51.080.6929). Esclareceu, primeiramente, que já houve a tentativa da RECORRENTE (por duas vezes) de compensar débitos com os mesmos créditos alegados no presente processo. Afirmou que não há qualquer decisão judicial autorizando estas compensações. Também afirmou que a exclusão das rubricas salariais efetivadas pela RECORRENTE (quando da retificação das GFIPs) não encontra amparo na legislação, pois as verbas que não integram, a base de cálculo das contribuições são somente aquelas listadas no art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/91. Desta forma, não houve comprovação da origem do crédito. Ademais, apresentou uma série de equívocos cometidos pela RECORRENTE no ato de compensação. Cito alguns deles: (i) apurou o crédito mediante o cálculo da diferença entre o valor devido declarado originalmente e o novo valor devido declarado através da retificadora (ou seja, não comparou o novo valor devido apurado com o valor recolhido); (ii) alegou ter direito a crédito mesmo em relação a período em que não houve recolhimento; (iii) o valor dos débitos compensados são bastantes superiores ao valor do crédito corrigido apurado (mesmo através da metodologia equivocada adotada pela RECORRENTE); (iv) mesmo que fosse adotado o valor devido constante das GFIP's retificadoras, os supostos créditos estariam prescritos, pois transcorreram mais de 05 anos entre a data do último recolhimento do período do crédito e a data de envio das GFIPs com as compensações (RE 566.621/RS, julgada pela sistemática do art. 543B do antigo CPC). De igual forma, a autoridade fiscal demonstrou o fundamento legal e motivos para aplicação da multa isolada de 150%, objeto do DEBCAD nº 51.080.9637. Sendo assim, é evidente que foram pormenorizados os fatos que deram origem ao lançamento do crédito e da multa isolada. Sobre o tema, o art. 142 do CTN determina o que é o procedimento de lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora, todas as etapas acima foram detidamente cumpridas pela fiscalização. Conforme exposto, a matéria tributável, o sujeito passivo, o montante devido e a ocorrência do fato estão todas explicadas no auto de infração, não havendo que se falar em erro na construção do lançamento. Ademais, o art. 142, parágrafo único, do CTN, prevê o dever funcional da autoridade fiscal de efetuar o lançamento quando observar infrações à legislação tributária. Ou seja, ao observar que houve compensação indevida das contribuições previdenciárias, haja Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 289 12 vista a não comprovação da existência do crédito utilizado, a autoridade fiscal passou a ter o poderdever de efetuar o lançamento tributário para a cobrança do crédito. Portanto, não prosperam as alegações da RECORRENTE acerca de eventual cerceamento dos direitos ao contraditório e a ampla defesa, pois o auto de infração posto como está é plenamente compreensível e não causa qualquer prejuízo ao direito de defesa. Mais adiante, a RECORRENTE inicia suas argumentações de mérito alegando ter havido abuso do poder discricionário por parte da fiscalização. Assim, entende que o ato de lançamento estaria eivado de ilicitude por ter se originado de ato arbitrário e, consequentemente, pleiteou o cancelamento da abusiva, ilegal e inconstitucional exigência. No entanto, a RECORRENTE apenas apresenta argumentos genéricos sobre o tema. Não demonstra de forma direta a razão pela qual entende que houve o alegado abuso de direito por parte da fiscalização. Ora, o inconformismo da RECORRENTE a respeito do lançamento não significa que há abuso de direito de qualquer das partes. Como exposto, a autoridade fiscal tem o dever de efetuar o lançamento e cobrar o crédito quando verificar a ocorrência de infração cometida pelo contribuinte. Este poderdever da autoridade não pode ser confundido com abuso de direito, pois o ato de lançamento decorre da lei. Portanto, também não deve prosperar a alegação de nulidade neste ponto. MÉRITO No mérito, a RECORRENTE defende a tese de que os valores cobrados foram frutos de compensações com créditos de contribuições previdenciárias que alegou possuir (pois incidentes sobre verbas de natureza indenizatória e/ou transitórias). Alega que os Tribunais Judiciais já se manifestaram sobre tais verbas e colacionou jurisprudência sobre o tema. Em razão disso, não seriam ilegais as compensações efetuadas. Em princípio, importante esclarecer que em nenhum momento, seja durante a fiscalização, seja durante a defesa após autuação, a RECORRENTE apresentou quais seriam essas verbas de natureza indenizatória e/ou transitórias sobre as quais teria pago a contribuição previdenciária nos anos de 2005 a 2009. Em passagem de seu recurso, a RECORRENTE defende o caráter indenizatório das verbas objeto do lançamento, conforme abaixo transcrito (fl. 256): “Vale ressaltar que todas as retificações feitas pelo Município Recorrente tiveram como base somente verbas de caráter indenizatório e/ou transitório, e tudo pautado em Decisões do STF e do STJ, de modo que não existe razão para que tais compensações sejam consideradas ilegais.” A partir do trecho acima, verificase que a RECORRENTE assume que retificou as GFIPs, pautandose em precedentes do STF e STJ, para não tributar as verbas que julga ser de caráter indenizatório e/ou transitório. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 290 13 Ora, os precedentes judiciais citados pela RECORRENTE não são de ações em que a mesma é parte. Assim, é evidente que a RECORRENTE tomou por base decisões proferidas pelos Tribunais Superiores para retificar as GFIPs dos anos de 2005 a 2009 e, consequentemente, apurar crédito de contribuições previdenciárias. Caso a RECORRENTE pretendesse discutir a cobrança das contribuições sobre tais verbas alegadas indenizatórias, deveria ter apresentado aqui as razões pela qual entende que não haveria a incidência do tributo no caso concreto. Para tanto, deveria apresentar quais seriam essas verbas, discutir a sua natureza, apresentar argumentos que atestem a sua eventual natureza indenizatória, enfim, trazer aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba e a possibilidade, ou não, de incidência da contribuição previdenciária No entanto, não apresenta qualquer comprovação sobre o assunto. A RECORRENTE não trouxe aos autos quaisquer elementos capazes de demonstrar o seu ponto de vista. Nem mesmo apresentou as rubricas que entende ser de caráter indenizatório e/ou transitório. A defesa da RECORRENTE apenas apresenta argumentações teóricas e genéricas acerca da validade do lançamento, sem apontar especificamente sequer um eventual erro no mesmo. Diante de compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados, é dever da fiscalização efetuar a glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Assim, a RECORRENTE tem o ônus de apresentar (e comprovar) fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de efetuar o lançamento. Sem a apresentação de provas, não há como efetuar qualquer alteração no lançamento. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, para atestar a origem do crédito que julga possuir, a RECORRENTE deveria demonstrar que recolheu contribuições previdenciárias sobre verbas que se enquadram nos casos previsto no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual prescreve as rubricas que não Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 291 14 integram o salário de contribuição, ou ainda que possui decisão judicial válida (transitada em julgado) reconhecendo o crédito e autorizando a compensação. Neste sentido, caberia à RECORRENTE ter demonstrado de forma específica os valores que teriam caráter não remuneratório, apresentando provas de suas alegações. Não é possível, pelo constante dos autos, identificar se houve recolhimento de contribuições sobre parcelas prevista no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 para fins de atestar a liquidez e certeza do crédito de contribuições previdenciárias. Importante esclarecer que o art. 195, I, “a” da Constituição Federal determina que as contribuições previdenciárias incidem sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Neste parâmetro constitucional, o art. 22 da Lei nº 8.212/91 prevê o seguinte sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo das empresas: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” Ora, sem a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos que atestem a legitimidade do procedimento adotado pela RECORRENTE, não há razão para atestar a liquidez e certeza do crédito oriundo das retificações em GFIP. Ademais, conforme já explanado, a atividade da fiscalização é vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, tendo o auditor o dever de efetuar o lançamento caso verifique imprecisão no recolhimento do contribuinte. Em outra passagem de sua defesa, alega que possui decisão judicial em seu favor reconhecendo a “inconstitucionalidade de algumas das contribuições suso referidas, bem Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 292 15 como o direito de compensar, desde que o faça com contribuições devidas, o que é o caso em tela”. No entanto, a autoridade fiscal em nenhum momento reconheceu que havia decisão judicial autorizando a compensação efetuada pela RECORRENTE. Conforme exposto no Relatório Fiscal, a despeito da RECORRENTE não ter apresentado qualquer informação sobre eventual ação judicial, por ela movida, envolvendo discussão sobre contribuições previdenciárias, a fiscalização constatou a existência de três processos, conforme abaixo detalhado: Processo 0004450.35.2011.4.05.8500 Mandado de segurança ajuizado em 16/09/2011; Sentença desfavorável ao Município de Tobias Barreto, conforme decisão com trânsito em julgado em 01/03/2012, conforme segue: ‘EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NAS VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÕRIA E TRANSITÓRDL AUSÊNCIA DE PROVA A AMPARAR O DIREITO DO.4UTOR. DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA. I. A parte impetrante requer a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas de natureza indenizatória e transitória, bem como a compensação de débitos porventura existentes pelos pagamentos já efetuados. II O autor não comprova, através dos documentos colacionados, o atendimento ao requisito legal. III. Denegação da segurança.’ Processo 0004451.20.2011.4.05.8500 Mandado de segurança ajuizado em 16/09/2011; Objeto: Provimento liminar para reconhecer a não incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas entendidas pelo município como de natureza indenizatória e transitória além da compensação de eventuais créditos em decorrência dos pagamentos já efetuados; Extinto sem resolução do mérito com Trânsito em julgado em 08/06/2012. Verificouse ainda a existência do processo judicial 0000162.10.2012.4.05.8500. O mesmo versa sobre a incidência de diversas verbas salariais como base de cálculo da contribuição previdenciária. Decisão proferida no âmbito do Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 293 16 TRF da 5a Região, com publicação em 28/05/2013 defere que o adicional de 1/3 de férias e auxílio transporte não sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Porém essa decisão não é definitiva, vez que encontrase sobrestada. Este processo não versa sobre compensação.” Ou seja, dos processos judiciais movidos pela RECORRENTE para discussão da incidência das contribuições previdenciárias sobre verbas pagas, um teve sentença desfavorável, outro foi extinto sem resolução do mérito e o terceiro encontrase sobrestado com decisão favorável acerca da não incidência da contribuição sobre o adicional de 1/3 de férias e auxílio transporte. No entanto, a autoridade lançadora esclareceu que este último processo não versa sobre o direito de compensação. Ainda que este processo tivesse como pedido a compensação de valores pagos indevidamente, no que diz respeito ao alegado “direito de compensar”, é importante esclarecer que o art. 170A do CTN exige o trânsito em julgado da decisão judicial para que se possa haver a compensação do crédito reconhecido judicialmente com débitos confessados. Em suma, ainda que a RECORRENTE possua créditos perante a Receita Federal, é seu dever demonstrar a legitimidade de tais créditos e, mais importante, efetuar a compensação observando as formalidades legais. Portanto, não há razão para afastar o lançamento. Parcelamento Em determinada passagem de sua defesa, a RECORRENTE afirma que “não foi observado (...) que esses valores alegadamente avivados, estavam sendo pagos por meio de parcelamento”. A RECORRENTE deixou de fazer prova acerca do alegado parcelamento. Mesmo assim, a DRJ de origem investigou a situação e verificou que o citado parcelamento não abrange as competências objeto deste lançamento (fl. 232): “13.2. Da consulta dos sistemas informatizados da RFB, verificamos que o referido parcelamento tem o número 13573.720124/201395, e foi solicitado em 07/06/2013, estando nele incluídos os valores relativos à glosa de compensação, feita no período de 07/2011 a 06/2012, apurados no lançamento objeto do AI 10510.724.017/201200. Tendo em vista que o presente lançamento referese a compensações realizadas a partir de janeiro de 2014, período posterior ao pedido e à implementação do parcelamento, e, por óbvio, não coincidente com as competências nele incluídas, não há que se falar em extinção do crédito ora apurado por sua inclusão em parcelamento.” Sendo assim, filiome ao posicionamento da DRJ, sendo inclusive desnecessário realizar qualquer diligência para investigar o alegado parcelamento, já que o mesmo não abrange o período ora discutido. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 294 17 Da Abusividade da Aplicação da Multa Isolada Em princípio, a RECORRENTE afirma que “até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades”. Isto porque, até mencionada data, a realização de compensação em qualquer uma das hipóteses do art. 74, §12, da Lei nº 9.430/96 (em que a lei considera como não declarada a compensação) não era considerada fraude fiscal. No entanto, devese esclarecer que presente lançamento tem por objeto compensações realizadas ao longo do ano 2014, sendo irrelevante tratar das normas vigentes antes até 31/12/2004. O fundamento legal da multa isolada é o art. 89, §10º, da Lei nº 8.212/91, o qual possui a seguinte redação: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Mencionado art. 40 da Lei nº 9.430/96 dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Ou seja, para aplicação da penalidade imposta, exigese que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. Neste sentido, a partir do momento que a RECORRENTE declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, entendo que a mesma agiu com falsidade na declaração. Não foi equivoco, na medida que a RECORRENTE afirma que pretendeu retificar o valor da contribuição devida mediante exclusão da base de cálculo de verbas que entendeu ser de natureza indenizatória. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 295 18 Também não se confunde falsidade com fraude. Neste sentido, adoto como fundamento trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202004.341, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 24/08/2016: “Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. (...) Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: ‘Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: ‘s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.’ Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriode contribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 296 19 ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal.’ (...) Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996.” Ademais, no presente caso, a autoridade fiscal ainda demonstrou que a RECORRENTE já havia utilizado os mesmos pretensos créditos objeto deste processo (relativos ao período de 01/2005 a 12/2009) para compensar débitos de outros dois períodos distintos, quais sejam: 04/2011 a 05/2012 (relativo ao processo nº 0510.724.017/20120, não impugnado); e 06/2012 a 12/2013 (relativo ao processo nº 10510.721.577/20146, pendente de julgamento no CARF após DRJ manter o lançamento). Ou seja, a RECORRENTE tinha conhecimento de que o Fisco não reconhecia o seu crédito e, mesmo assim, o utilizou para compensar tributos e deixar de recolher o crédito tributário. Também restou evidente no Relatório Fiscal que a forma de apuração do crédito realizada pela RECORRENTE foi equivocada. Rememoro alguns desses equívocos cometidos pela RECORRENTE, já apresentados acima: (i) apurou o crédito mediante o cálculo da diferença entre o valor devido declarado originalmente e o novo valor devido declarado através da retificadora (ou seja, não comparou o novo valor devido apurado com o valor recolhido); (ii) alegou ter direito a crédito mesmo em relação a período em que não houve recolhimento; (iii) o valor dos débitos compensados são bastantes superiores ao valor do crédito corrigido apurado (mesmo através da metodologia equivocada adotada pela RECORRENTE); (iv) mesmo que fosse adotado o valor devido constante das GFIP's retificadoras, os supostos créditos estariam prescritos, pois transcorreram mais de 05 anos entre a data do último recolhimento do período do crédito e a data de envio das GFIPs com as compensações (RE 566.621/RS, julgada pela sistemática do art. 543B do antigo CPC). Por tais razões, entendo correta a aplicação da multa isolada de 150%. Do Efeito Confiscatório da Multa Cominada A RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de ofício tem apenas a função de desestimular o descumprimento da legislação tributária, e não pode ter finalidade arrecadatória. No caso, entende que não há razão para a imposição de multas pois não houve prática de condutas ilícitas. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 297 20 Ademais, entende que “a multa cominada, ainda que prevista em legislação específica, assume o caráter nitidamente confiscatório, (...) desrespeitando o Princípio do NãoConfisco, previsto na Constituição Federal”. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. Conforme exposto, a multa isolada aplicada decorre de expressa previsão legal. De igual forma, a multa de mora tem previsão no art. 89, §9º, e art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91: “§ 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. ... Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Lei nº 9.430/96 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Neste sentido, por força do art. 142 do CTN (já transcrito) a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referidas multas, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor cobra crédito tributário decorrente da glosa de compensação indevida, deve cobrar os acréscimos moratórios previstos em lei (multa de mora). Ademais, verificada a falsidade da declaração prestada pelo contribuinte, é seu dever exigir a multa isolada de 150%, por expressa previsão legal. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 298 21 Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco (assim como qualquer outra questão de inconstitucionalidade envolvendo o caso), devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. Da Inaplicabilidade da Taxa Selic A RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por afastar as preliminares arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose o lançamento em sua integralidade. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10510.720063/201655 Acórdão n.º 2201003.996 S2C2T1 Fl. 299 22 Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720054/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2009, 2010
DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. QUANTUM RECONHECIDO. EFEITOS DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Somente pode ser objeto de repetição o crédito tributário que se revista dos atributos de liquidez e certeza. A declaração de compensação, por vincular-se à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza demonstradas pelo sujeito passivo.
Uma vez encerrada a discussão em outro processo no qual se discutia a existência do crédito cujo aproveitamento era pleiteado nestes autos, cabe ao Colegiado apenas repercutir os efeitos da decisão que tornou líquido e certo o crédito.
Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento o Dr. Rodrigo Castro Freitas, OAB/DF 33.383.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. QUANTUM RECONHECIDO. EFEITOS DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Somente pode ser objeto de repetição o crédito tributário que se revista dos atributos de liquidez e certeza. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza demonstradas pelo sujeito passivo. Uma vez encerrada a discussão em outro processo no qual se discutia a existência do crédito cujo aproveitamento era pleiteado nestes autos, cabe ao Colegiado apenas repercutir os efeitos da decisão que tornou líquido e certo o crédito. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento o Dr. Rodrigo Castro Freitas, OAB/DF 33.383. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 00 54 /2 01 0- 11 Fl. 1157DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de DCOMPs apresentadas pelo sujeito passivo no período de 12/11/2009 a 13/07/2010, nas quais foi indicada, como origem do direito creditório, decisão judicial transitada em julgado relativa a recolhimentos de Cofins do período de 02/1999 a 12/2007, no total de R$ 13.387.464,51 e objeto de habilitação no processo administrativo nº 10215.000188/200890. Por razões de economia, reportome às razões esposadas no despacho parcialmente denegatório do pleito do contribuinte: “ (...) A decisão prolatada em sede de mandado de segurança preventivo, com efeitos declaratórios, transitada em julgado em 23/02/2006, abriu o prazo decadencial para a propositura da ação de repetição de indébito, assegurando ao contribuinte o direito de compensar o que pagou, indevidamente, a título de ampliação da base de cálculo da COFINS pelo § 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, com débitos vencidos ou vincendos, respeitada a decadência das parcelas anteriores ao qüinqüênio que antecede à declaração de compensação, conforme disposto no art. 168 do CTN. (...) Vêse bem que os contribuintes sujeitos ao regime da não cumulatividade (pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real) poderiam reaver os valores recolhidos a maior a título de COFINS, relativos ao período de 1º de fevereiro de 1999 a 31 de janeiro de 2004, quando passou a vigorar a Lei nº 10.833/03 (...). Assim, haveria o direito à recuperação de valores pagos apenas anteriormente ao regime de nãocumulatividade, mas não dos pagos após a adoção desse regime. Convém ainda notar que o diploma contempla diversas exceções à nãocumulatividade, entre as quais a que diz respeito às empresas submetidas ao lucro presumido. Ainda dentro do campo das exceções, temos aquelas empresas obrigadas ao lucro real, que por opção ao (...) Refis podem optar pelo lucro presumido durante o período em que estiverem submetidas ao programa. (...) Em pesquisa nos sistemas da Receita Federal do Brasil constat ase que o contribuinte optou pelo Refis em 24/04/2000 e teve o seu último pagamento em 05/03/2007, referente ao período de apuração fevereiro/2007 (...). Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10215.720054/201011 Acórdão n.º 3402004.677 S3C4T2 Fl. 3 3 (...) Desse modo, observase que os efeitos da sentença proferida se projetam até fevereiro de 2007, pois a partir daí a empresa não estaria mais submetida às normas da cumulatividade e sim obrigada a apurar a COFINS com base na Lei nº 10.833/03, sob o regime da nãocumulatividade. Em função das considerações feitas anteriormente, passase à análise do caso concreto. As declarações de compensação foram transmitidas entre 12/11/09 a 13/07/2010. Observase que houve o decurso do prazo qüinqüenal de que trata o art. 168 do CTN, para reaver os pagamentos indevidos efetuados antes de 12/11/2004 (...). Desta forma, sob a luz do disposto na legislação em vigor e da comprovação dos documentos apresentados, fazse necessário reconhecer como indevidos os pagamentos efetuados com base na Lei nº 9.718/98 no período de 12/11/2004 a 20/03/2007 (período de apuração fevereiro/2007). (...)”. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade na qual afirma que: a) Antes da declaração de inconstitucionalidade obtida na via incidental, não poderia pleitear a devolução dos valores respectivos, seja por intermédio de compensação ou de repetição. E mesmo que se adote visão jurisprudencial mais restritiva quanto à contagem do prazo em tela, o procedimento do impugnante permanece escorreito e indene a qualquer óbice, pois tendo transitado em julgado em 02/2006, o acórdão que declarou a norma tributária inconstitucional, pela via difusa, a declaração de compensação formulada em 03/2008 não poderia ser considerada caduca. Refere julgados e doutrina. b) O art. 168 do CTN, utilizado pelo despacho decisório como fundamento para negar o direito à compensação, simplesmente não rege este direito, pois trata de repetição de indébito. c) Identificado o dies a quo como a data do trânsito em julgado, isto é, 02/2006, o pedido de compensação foi apresentado em 03/2008 e as declarações de compensação a partir de 11/2009, inexistindo o transcurso do prazo de cinco anos. d) O despacho decisório afirma que o impugnante deveria ter recolhido as contribuições sob o regime cumulativo, e não pelo nãocumulativo, pois alegase que estava submetido às regras do lucro real e não do lucro presumido no ano de 2007. Este assunto é objeto de processo administrativo que recebeu o nº 10215.720150/201051 e que tramita regularmente perante as instâncias decisórias da Receita Federal do Brasil e que será objeto de decisão administrativa que dirimirá as dúvidas apontadas no auto de infração lançado e tempestivamente impugnado. O que importa destacar é que este fato não possui absolutamente nenhuma relação de pertinência como o que está sendo discutido nos presentes autos, sendo duas relações Fl. 1159DF CARF MF 4 distintas e autônomas, sem nenhuma relação de pertinência entre si. Em 17/11/2010, foi determinada a realização de diligência, por intermédio da Resolução de fls. 441/445, a qual afastou a prescrição argüida pela unidade de origem para negar parcela do direito creditório invocado pelo sujeito passivo e, quanto ao fato de que os efeitos da tutela judicial somente se projetariam até fevereiro de 2007, concluiu tratarse de aspecto não demonstrado, requerendose assim, à unidade recorrida, as seguintes providências: “b) Trazer aos autos os documentos que comprovam que a partir de fevereiro de 2007 a interessada encontrase obrigada ao regime nãocumulativo da Cofins e, notadamente, que inexiste direito creditório invocado a partir de então b) Adotar medidas necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, sejam aferidas as bases de cálculo da Cofins devida no período de interesse aos autos, bem como os respectivos valores devidos, verificandose a procedência do direito creditório pretendido, o qual deverá ser devidamente apurado, observada a legislação que rege a matéria e os fundamentos adotados na presente Resolução.” A autoridade fiscal exarou o Relatório de Diligência de fls. 621/626, onde consta: “(...) temos a informar que através do processo administrativo fiscal nº 10215.720150/201051 a MRN foi autuada em virtude de adoção de base de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ menor que a apurada em sua escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que o contribuinte passou a utilizar indevidamente da sistemática do lucro presumido, relativo ao anocalendário 2007, quando deveria estar apurando pelo Lucro Real. Informamos ainda que, conforme Acórdão 0120.344 1a. Turma da DRJ Belém de 13 de janeiro de 2011 do processo em questão, a impugnação apresentada pela MRN foi considerada procedente, porém tal decisão foi submetida à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art, 34 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações introduzidas pela lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário e atualmente está aguardando apreciação fls 508 a 512; Assim, caso seja mantido o auto de infração em última instância administrativa, temos que inexiste direito creditório no período relativo a partir de fevereiro de 2007 visto que o contribuinte estaria submetido a apuração do imposto de renda pelo lucro real e, consequentemente sujeito à incidência não cumulativa de COFINS. Submetida ao regime nãocumulativo a base de cálculo da COFINS, no período em questão, deverá ser conforme Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que em seu art. 1º , incluiu no conceito de faturamento, o total de receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil"'. (...) Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10215.720054/201011 Acórdão n.º 3402004.677 S3C4T2 Fl. 4 5 Período 02/1999 a 02/2003 Para os períodos de fevereiro/99 a fevereiro/2003 os valores foram apurados com base na diferença verificada entre os valores escriturados contabilmente e os recolhidos a título de COFINS, devidamente relacionados em planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte "COFINS SOBRE OUTRAS RECEITAS" relativa ao período de 02/1999 a 02/2003, lançados de ofício através de auto de infração e recolhidos em único pagamento (valor recolhido R$ 7.471.593,28, incluídos multa e juros), conforme memórias de cálculo, relatório de fiscalização e auto de infração constantes às fls 513 a 530; Período 04/2003 a 12/2007 Quanto ao período de 2003 a 2007, o procedimento de diligência teve início em 20/06/2011, quando do recebimento do "Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos n° 061/2011 e do "Mandado de Procedimento Fiscal Diligência.n° 02.1.02.002011001134 fls 449 e 450. (...) Assim, com base na documentação e nas memórias de cálculos encaminhadas pelo contribuinte, nas DIPJs, DACONs e livros contábeis apresentados, não foram encontradas inconsistências e nem indícios de irregularidades na apuração de COFINS devida no período de interesse aos autos, sendo apresentadas as devidas bases de cálculo apuradas no período e os valores originais do direito de crédito pretendido e valor devido, conforme planilhas de apuração anexadas (Anexos I a V) ao final deste relatório.” O sujeito passivo apresentou manifestação aderindo às conclusões do relatório, e frisando que foi reconhecido que a manutenção da decisão de 1ª instância no PAF nº 10215.720150/201051 implicaria na procedência do crédito pleiteado. A DRJ julgou parcialmente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: Assim, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para o efeito de reconhecer a existência de direito creditório relativo a recolhimentos efetuados de 02/1999 a 03/2007, no quantum apurado e indicado em sede de diligência, observada, naturalmente, a parcela já reconhecida anteriormente pela unidade de origem (referente ao período de 11/2004 a 03/2007), resultando parcialmente homologadas as compensações declaradas à Receita Federal do Brasil, no limite do direito creditório reconhecido. Desse modo, mantevese o não reconhecimento do crédito invocado apenas no período de apuração de 03/2007 a 12/2007, sob fundamento de não se tratar de crédito líquido e certo, em razão da discussão administrativa: No que diz respeito aos valores correspondentes ao período de apuração de 03/2007 a 12/2007, temse que a controvérsia acerca da procedência ou não do direito creditório invocado Fl. 1161DF CARF MF 6 vinculase à existência de auto de infração no qual se discute a sistemática de determinação da base de cálculo do IRPJ e, por reflexo, o regime de apuração da Cofins (cumulativo ou não cumulativo) a que se encontrava submetida a interessada no período em tela. E no âmbito do processo administrativo nº 10215.720150/201051, a contribuinte obteve, em julgamento de primeira instância, o reconhecimento da improcedência do lançamento de ofício, tratandose de matéria, contudo, submetida ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força de recurso necessário. Em assim sendo, impõese o não reconhecimento do crédito invocado pelo sujeito passivo quanto aos valores relativos ao período de apuração de 03/2007 a 12/2007. Com o intuito de afastar eventual perplexidade que a conclusão acima possa suscitar, rememorese que o instituto da compensação, previsto no art. 170, caput, doCódigo Tributário Nacional1, reclama a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo oponíveis à Fazenda Pública. E o direito creditório apontado pelo sujeito passivo, ao menos por quando do presente julgamento, não exibe o atributo de certeza, ante o fato de encontrarse pendente de discussão administrativa a sistemática de apuração do IRPJ (lucro real ou presumido) no período e, por decorrência, o regime de apuração da Cofins (se cumulativo ou não) e, portanto, o próprio quantum do crédito de Cofins efetivamente devido no período de apuração em questão. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando suas razões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O presente processo administrativo e isso já foi sublinhado desde a decisão de 1ª instância deveria ter sido vinculado ao PAF nº 10215.720150/201051, visto que a única parcela do crédito que se encontra sob litígio, após o resultado da diligência e da decisão da DRJ que reconheceu a inocorrência de qualquer decadência do direito do contribuinte ao crédito, correspondente ao período entre 03/2007 e 12/2007, exatamente aquele discutido no processo mencionado retro. Compulsando o processo, verificase que o mesmo já foi definitivamente julgado, através do Acórdão CARF nº 1402001.128, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10215.720054/201011 Acórdão n.º 3402004.677 S3C4T2 Fl. 5 7 Anocalendário: 2007 PESSOAS JURÍDICAS OBRIGADAS À APURAÇÃO DO LUCRO REAL. REFIS. OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. O art. 4º da Lei nº 9.964/00 autorizou que certas pessoas jurídicas, obrigadas à apuração do lucro real, optassem, excepcionalmente, pelo lucro presumido, no período em que estivessem submetidas ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS. No ano de encerramento da participação da pessoa jurídica no REFIS, a aplicação do permissivo deve ser reconhecida ainda que o dia de encerramento do programa tenha ocorrido antes do momento hábil de opção do lucro presumido, hipótese em que a possibilidade da opção é estendida a esta última data. Recurso de Ofício Negado Provimento. Tal se deu em razão da existência de permissivo explícito na Lei nº 9.964/00 para que as empresas normalmente obrigadas à apuração do IRPJ sob a metodologia do lucro real pudessem apurar pela base do lucro presumido, conforme a literalidade da disposição: Art. 4º As pessoas jurídicas de que tratam os incisos I e III a V do art. 14 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, poderão optar, durante o período em que submetidas ao Refis, pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, as pessoas jurídicas referidas no inciso III do art. 14 da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, deverão adicionar os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior ao lucro presumido e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Assim, a turma 1402 da 1ª Seção do CARF reconheceu corretamente a meu ver o acerto no procedimento de apuração do IRPJ realizado pela Recorrente, convalidando assim o seu crédito pleiteado. Desse modo, tendo o crédito sido reconhecido definitivamente pela instância competente, adquirindo assim os requisitos de certeza e liquidez necessários ao seu reconhecimento administrativo. Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1163DF CARF MF 8 Fl. 1164DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.720351/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
REGIMES DA CUMULATIVIDADE E NÃO-CUMULATIVIDADE. SEGREGAÇÃO DE RECEITAS. Os contribuintes sujeitos à tributação da Cofins sob o regime da não-cumulatividade devem declarar sob este regime o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, à exceção das receitas previstas no art. 10 da Lei 10.833/2003, que deverão ser submetidas ao regime da cumulatividade.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA.Na apuração de Cofins não-cumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance.
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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SEGREGAÇÃO DE RECEITAS. Os contribuintes sujeitos à tributação da Cofins sob o regime da nãocumulatividade devem declarar sob este regime o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, à exceção das receitas previstas no art. 10 da Lei 10.833/2003, que deverão ser submetidas ao regime da cumulatividade. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA.Na apuração de Cofins nãocumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 03 51 /2 01 4- 14 Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.724 2 Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratamse de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCofins e da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, regime da nãocumulatividade, que constituíram o crédito tributário total de R$ 6.470.939,05 (sendo R$ 5.316.326,19 a título de Cofins nãocumulativa e R$ 1.154.612,86 a título de PIS não cumulativo). A multa aplicada foi de 75%, conforme dispõe o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A fiscalização analisou a correspondência entre os valores declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais) e DACON (Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais) com os apurados na escrituração contábil e fiscal da empresa, relativamente ao período compreendido entre 01 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2010, quanto à apuração da base de cálculo e aos créditos e deduções da Cofins e PIS/Pasep não cumulativos. Do relatório da decisão recorrida, extraise o resumo das infrações apuradas: 3. DAS INFRAÇÕES APURADAS 3.1 DA TRIBUTAÇÃO PELO REGIME INDEVIDO DAS RECEITAS 3.1.1 TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DA CUMULATIVIDADE Através dos Dacons enviados à RFB, a fiscalizada demonstra possuir receitas sujeitas a tributação pelo regime da cumulatividade no período de janeiro/2009 a junho/2010, tributadas à alíquota de 0,65% para o PIS e 3,00% para a COFINS, no mercado interno, constantes da linha 04 das fichas 07B e 17B. A fiscalizada foi intimada (fls. 4262 a 4264) e através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 4394 a 4396) a informar e descrever quais as receitas (mensalmente) e o respectivo embasamento legal utilizados para inclusão no regime da cumulatividade das receitas auferidas. Em atendimento aos respectivos termos, a contribuinte demonstra inclusão de valores no regime da cumulatividade, porém se manifesta que o antigo contador não deixou nenhuma identificação das origens destas receitas cumulativas, nem algum embasamento legal para tais lançamentos. Transcrevemos a legislação vigente, correspondente à base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. (...) Cabe frisar que não identificamos na empresa quaisquer receitas relacionadas no art. 10 da Lei n° 10.833/2003, as quais estariam sujeitas à incidência cumulativa das contribuições. Demonstramos a seguir os valores constantes dos DACON(s) (fls. 5694 a 6414) como receitas cumulativas, porém sem amparo legal. Efetuamos ainda de ofício o lançamento das diferenças recolhidas a menor das contribuições para o PIS e da COFINS, onde deduzimos do valor devido corretamente o valor declarado nos respectivos DACON(s). Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.725 3 Seguem, no auto de infração, às fls. 6428/6429, tabelas contendo o cálculo das diferenças recolhidas a menor das contribuições para o PIS e da Cofins informadas pelo contribuinte sob o regime da cumulatividade. O cálculo apresenta, por período de apuração, os seguintes dados: 1 O valor da base de cálculo do PIS/Cofins informadas pelo contribuinte em Dacon como cumulativas. 2 – O valor do PIS/Cofins nãocumulativo, calculados sobre a base de cálculo do item anterior, incidindo sobre esta base de cálculo as alíquotas da não cumulatividade (1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins). 3 Diferença do valor informado pelo contribuinte em Dacon a título de PIS/Cofins na cumulatividade (sob alíquotas de 0,65% para o PIS e 3% para a Cofins) e o valor calculado pelo auditor a título de PIS e Cofins nãocumulativos (sob alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins). O auto de infração segue nos seguintes termos: 3.2 – DOS CRÉDITOS INDEVIDOS Transcrevemos a legislação vigente, correspondente ao direito de o contribuinte efetuar créditos para desconto dos valores devidos para as contribuições. (...) 3.2.1–CRÉDITOS INDEVIDOS SOBRE DEPRECIAÇÕES DAS REGRAS APLICÁVEIS AO DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE A DEPRECIAÇÃO DE BENS DO IMOBILIZADO Analisando os DACON apresentados pela contribuinte verificamos que houve apuração de créditos de PIS e COFINS sobre os bens do ativo permanente. De acordo com o art. 2º da Lei nº 11.051/04, as pessoas jurídicas podem apropriar créditos de PIS e Cofins sobre o valor de 1/24 avos do custo de aquisição de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e adquiridos após 1º de outubro de 2004 até 31 de dezembro de 2005. Para as máquinas e equipamentos e outros bens do ativo permanente adquiridos entre 1º de maio de 2004 e 30 de setembro de 2004 e a partir de 01 de janeiro de 2006, o fator de apropriação de créditos é de 1/48 avos do valor de aquisição dos bens. A seguir transcrevemos a legislação vigente: (...) De acordo com o art. 15 da Lei nº 10.833/03, os mesmos critérios se aplicam também ao PIS. A Lei nº 10.865/04 veio restringir o direito ao crédito tratado no § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Esta Lei estabeleceu que, a partir de agosto de 2004, apenas a depreciação ou amortização de bens adquiridos a partir de maio daquele ano dão direito ao crédito a ser descontado na apuração das contribuições. (...) Ao analisarmos os documentos apresentados, constatamos que estão incluídos na base de cálculo para apuração dos créditos a serem deduzidos das contribuições devidas valores correspondentes a aquisição de móveis e utensílios, computadores, armários de vestiário, impressoras, câmeras fotográficas etc. sem amparo legal para sua inclusão. Assim, de acordo com as determinações legais, efetuamos a glosa de ofício dos valores correspondentes às depreciações de veículos frota leve (automóveis), depreciações de móveis, depreciação de bens de informática nos respectivos períodos, conforme valores constantes dos demonstrativos de apuração da base Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.726 4 de cálculo das contribuições apresentados à fiscalização em atendimento aos respectivos Termos de Intimação Fiscal. Demonstramos a seguir os valores glosados mensalmente, os quais foram incluídos na base de cálculo pela fiscalizada: (...) O auditor apresenta, às fls. 6434/6435, os valores glosados mensalmente, por terem sido considerados indevidamente pelo contribuinte: depreciação c/veículos de frota leve (automóveis), depreciação com móveis e utensílios e depreciação com bens de informática. Segue o auto de infração (fl.6435): 3.2.2 – CRÉDITOS INDEVIDOS SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS PJ (...) Em análise aos documentos apresentados e observação já inserida no Termo de Intimação lavrado em 08/08/2013, constatase que os serviços prestados referemse a segurança privada, engenharia de segurança no trabalho, serviços de portaria, serviços de limpeza, honorários advocatícios, honorários de auditoria, etc. Por estarem em desacordo com as determinações da legislação fiscal em vigor, efetuamos a glosa dos valores utilizados pela fiscalizada como serviços prestados por PJ, conforme demonstrativo da apuração das bases de cálculo apresentadas à fiscalização em atendimento aos Termos de Intimação. O auditor apresenta, à fl. 6436, os valores glosados mensalmente, por terem sido deduzidos indevidamente pelo contribuinte a título de serviços prestados por PJ. Ao final da fl. 6436 o auto de infração continua da seguinte forma: 3.2.3 – CRÉDITOS EM DESACORDO COM O ART. 3º DAS LEIS Nº 10.637/02 e 10.833/03 (...) A fiscalizada inclui na base de cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições devidas para o PIS e da COFINS, nos anoscalendário de 2009 e 2010, valores correspondentes a custos e/ou despesas com fotocópias, seguros, condução, material de expediente, copa e cozinha, malote, correios e telégrafos, xerox, material de limpeza, armazenagens, estivas, pallet e outros, gasolina, aluguel de boxes, despesas c/representantes, comunicações, material de consumo, pedágios, programa de qualidade, manutenção de informática, contrato de informática, segurança e transportes de valores, seguros de veículos e caminhões, seguros de carga, SINDMERG, SINDICAM, SINDIMOV, equipamentos de segurança da frota pesada e operações de embarque, valores estes que demonstramos a seguir, extraídos dos respectivos demonstrativos apresentados à fiscalização. Os valores desembolsados com os custos/despesas acima descritos não possuem amparo legal para sua inclusão nas bases de cálculo dos créditos das contribuições, de acordo com a legislação em vigor, conforme a seguir transcrita: (...) O auditor apresenta, às fls. 6441/6448, demonstrativo dos valores constantes das demonstrações de apuração dos créditos utilizados pela fiscalizada e que foram objeto de glosa. O auto de infração segue, à fl. 6448, nos seguintes termos: Fl. 6726DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.727 5 3.2.4 – GLOSAS DE CRÉDITOS PELA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS (...) Em atendimento ao Termo de Constatação e Reintimação Fiscal a fiscalizada protocolou resposta em 30/10/2013, onde informa que não foram localizados os documentos não apresentados em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em 25/09/2013. Efetuamos a glosa dos créditos utilizados pela contribuinte, conforme descrito a seguir, valores estes extraídos dos demonstrativos consolidados das bases de cálculo apresentados à fiscalização, seja por falta de amparo legal, seja pela não apresentação da documentação hábil e idônea que comprove e embase os valores incluídos na respectiva base de cálculo. Às fls. 6449/6455 constam tabelas demonstrando as glosas resultantes das não apresentação da documentação hábil e idônea que comprove e embase os valores incluídos na respectiva base de cálculo ou pela falta de amparo legal na utilização dos créditos. Ao final o auditor apresenta planilhas totalizadoras. Os argumentos de defesa da Recorrente contra os fundamentos da autuação podem ser assim resumidos: NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS E DO RELATÓRIO DO PROCEDIMENTO FISCAL (fl.6493) Aqui o autuado insurgese contra os valores glosados no item 3.2.4 – Glosa de créditos pela falta de apresentação de documentos. O contribuinte alega a nulidade do auto de infração em função da falta de discriminação entre os valores apurados referente a créditos utilizados sem amparo na legislação e os créditos glosados pela falta de apresentação de documentação. Abaixo alguns trechos de sua defesa: (...) A leitura atenta do parágrafo acima transcrito denota, portanto, que o referido item 3.2.4 tem em verdade dois objetivos, quais sejam, listar valores que posteriormente serão objeto de glosa em razão de: i) falta de amparo legal; e, ii) não apresentação da documentação hábil e idônea. Acontece que a leitura da planilha que dá suporte ao referido item 3.2.4 do Relatório do Procedimento Fiscal (autos, fis. 6449/6455), denota que, na mesma, restaram informadas a competência, a conta contábil (conta consolidada), a sua nomenclatura e o valor da base de cálculo em reais (R$). Não existiu, em momento algum, a necessária discriminação entre os valores relativos a contas contábeis glosadas em razão de falta de amparo legal para aproveitamento dos créditos, e contas contábeis glosadas em razão da não apresentação da documentação hábil e idônea que comprove e embase os valores incluídos na base de cálculo glosada. Ora, se as glosas ocorreram em razão de: i) falta de amparo legal; e, ii) não apresentação da documentação hábil e idônea, não restam dúvidas de que as planilhas e cálculos apresentados deveriam, por óbvio, discriminar, mês a mês, e de forma clara e detalhada, o que foi glosado em razão de falta de amparo legal para aproveitamento de créditos, e o que foi glosado em razão da não apresentação da documentação hábil e idônea que comprove a origem do crédito pleiteado pela Impugnante Com efeito, o valor de um crédito que restou glosado em razão da falta de amparo legal para o seu aproveitamento pode, em decisão futura, seja em esfera administrativa, seja em esfera judicial, vir a ser considerado hábil. (...) Fl. 6727DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.728 6 No caso, não restam dúvidas de que a Impugnante não teve como saber, no caso ora analisado, se os valores objeto das planilhas de fls. 6449/6455 foram glosados em razão de falta de amparo legal, ou em razão de ausência de sua comprovação, situação que se caracteriza como verdadeiro cerceamento de defesa e nulidade dos Autos de Infração lavrados, conforme adiante passa a demonstrar. (...) Tal modo de proceder é essencial para que as informações fiquem claras para a Impugnante, possibilitando assim que a mesma possa apresentar sua defesa com total conhecimento daquilo que lhe é exigido, respeitandose, dessa forma, o contraditório e a ampla defesa garantidos no artigo 5°, inciso LV, e 93, inciso IX, da Constituição Federal vigente, e procedendose a um lançamento válido, que respeite os termos do artigo 142, do Código Tributário Nacional. A DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR PARTE DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS (fl.6498) Aqui o contribuinte alega a decadência do lançamento referente ao mês de janeiro/2009. O autuado considera que, tendo tomado ciência do auto de infração apenas em 30.01.2004, estariam decaídos os créditos tributários do PIS e da Cofins do período de apuração de 01 a 30 de janeiro/2009. Abaixo estão transcritos alguns trechos da defesa: (...) Dessa forma, em razão da Impugnante ter sido intimada em 30.01.2014, somente poderiam ser exigidos valores a partir da data de 31.01.2009, sob pena de frontal violação às disposições contidas no artigo 156, incisos V e VII, combinado com o artigo 150, parágrafo 4°, todos do Código Tributário Nacional CTN. E, em se cuidando de tributos objeto de lançamento por homologação, como é o caso das contribuições para o PIS e para a COFINS, aplicase a regra do parágrafo 4° do citado artigo 150, do CTN, o qual aduz que se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, (grifouse). Por sua vez, os incisos V e VII, do artigo 156, do CTN, aduzem, respectivamente, que extinguem o crédito tributário, dentre outros, a prescrição e a decadência e o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ l°e4°. A técnica impositiva adotada pela legislação das Contribuições para o PIS e para a COFINS ajustase perfeitamente à disciplina do supracitado artigo 150 do CTN, donde se tem que os pagamentos antecipados realizados pela Impugnante extinguem o crédito sob a condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, a qual, todavia, deverá, obrigatoriamente, se efetivar no prazo máximo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, considerandose homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito se, nesse período, nenhuma manifestação contrária emitir a Fazenda Pública. Assim posta a questão, forçoso concluir que, enquadrandose as contribuições para o PIS e para a COFINS na categoria de tributo cujo lançamento se dá por homologação, o Auto de Infração jamais poderia alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente a 30 de janeiro de 2009, eis que não se pronunciou a Fiscalização Federal, em tempo hábil, quanto aos valores recolhidos ou não ao Erário, operandose, destarte, a decadência. (...) Dessa forma, não restam dúvidas de que devem ser afastados os lançamentos das contribuições para o PIS e para a COFINS anteriores à data de 30.01.2009, visto que os mesmos encontramse atingidos pela decadência, o que desde já se requer. Fl. 6728DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.729 7 ITEM 3.1 DO AUTO DE INFRAÇÃO TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DA CUMULATIVIDADE (fl.6501). Aqui o contribuinte entende que o auditor fiscal, após constatar que o autuado não estava sujeito ao regime de cumulatividade do PIS/Cofins, não poderia, a partir da base de cálculo informada, recalcular as contribuições com a alíquota da não cumulatividade. Abaixo estão transcritos os principais trechos da defesa: Efetivamente, havendo a constatação pela d. Fiscalização de que a Impugnante não está sujeita ao regime cumulativo das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS através do lançamento de ofício ora combatido (fls. 6427), em nenhuma hipótese poderia exigir valores que, mesmo declarados pelo Contribuinte, pretensamente, teriam deixado de ser recolhidos. De fato, ainda que informados esses valores na linha 04 das Fichas 07B e 17B da DACON, a constatação da Fiscalização de que a Impugnante não se sujeita a essa sistemática de recolhimento das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, por corolário lógico, impede o lançamento de valores pretensamente não recolhidos ou então recolhidos a menor. (...) Entrementes, não resta qualquer sombra de dúvida quanto à existência, no presente caso, de conduta contraditória por parte da Administração Pública que, mesmo constatando no Auto de Infração que a Impugnante não se sujeita à sistemática cumulativa das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS, da mesma exige valores que deixaram de ser recolhidos sob tal sistemática. (...) Em sendo assim, não há como olvidar, na aplicação ao direito tributário pátrio, o princípio da moralidade, não ficando o Julgador Administrativo e o Poder Judiciário silente às arbitrariedades praticadas pela Administração Pública e também pelos seus agentes, quando agindo em desconformidade com suas atribuições e em verdadeiro abuso de poder (CF/88, art. 37, caput e § 6o), quanto mais pelo fato de que, constatado pela d. Fiscalização que a Impugnante não se sujeita à sistema cumulativa das contribuições, exige valores pretensamente não recolhidos nessa sistemática, ainda que declarados, erroneamente, digase, pelo Contribuinte. A situação posta leva unicamente à conclusão de que o Auto de Infração ora combatido é nulo de pleno direito, ou, no mínimo, totalmente improcedente, eis que, com a afirmação de fls. 6427, de que "Cabe frisar que não identificamos na empresa quaisquer receitas relacionadas no art. 10 da Lei n. 10.833/2003, as quais estariam sujeitas à incidência cumulativa das contribuições " há a admissão expressa por parte da Administração de que a Impugnante não se submete a essa sistemática de recolhimento. Dessa forma, não restam dúvidas de que deve ser afastado o lançamento em relação ao ponto 3.1 do Auto de Infração ora combatido. ITEM 3.2.1 DO AUTO DE INFRAÇÃO DOS CRÉDITOS INDEVIDOS POR DEPRECIAÇÃO (fl. 6504) Aqui o autuado insurgese contra a falta de fundamentação dos argumentos fiscais que levaram à glosa de créditos de PIS e Cofins sobre encargos de depreciação. Alega que o auditor não fundamentou os motivos que levaram ao lançamento. Insurgese contra a série de restrições ao desconto de créditos trazidas pela Lei 10.865/2004, dentre elas a vedação ao desconto de créditos decorrentes da depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30 de abril de 2004. Abaixo alguns trechos da defesa: Em nítida confusão intelectual, a d. Fiscalização principia o trabalho fazendo uma retrospectiva da evolução legislativa relacionada ao tema, para ao final concluir pela Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.730 8 glosa dos créditos de PIS e de COFINS sobre a aquisição de bens destinados ao Ativo Imobilizado, porém, sem justificar os fundamentos de tal glosa. Aqui, é importante explicitar que a Lei n° 10.865/04, alterando as leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, introduziu uma série de restrições ao desconto de créditos para as empresas submetidas à sistemática nãocumulativa em relação ao PIS e à COFINS, dentre as quais a vedação ao desconto de créditos decorrentes da depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30 de abril de 2004, in verbis: (...) Todavia, a inovação trazida pelo art. 31 da Lei n° 10.865/2004 acima, que limitou temporalmente o aproveitamento dos créditos decorrentes da aquisição de bens para o ativo imobilizado, tomando como referência a data de aquisição dos mesmos, impingiu clara afronta a direitos tutelados pela Constituição, senão vejamos. (...) Ora, sendo as depreciações e amortizações de bens do ativo imobilizados despesas/custos incorridos na produção das receitas tributáveis, não pode o legislador ordinário impor restrição ao aproveitamento de créditos, utilizandose de critério arbitrário (bens adquiridos anteriormente a 30 de abril de 2004), desvinculado da sistemática de nãocumulatividade adotada para o PIS e COFINS. (...) Com efeito, os bens de ativo imobilizado adquiridos pela Impugnante na vigência da sistemática da nãocumulatividade deram origem a créditos, que, apesar de ainda não quantificados e passíveis de aproveitamento, se incorporaram ao patrimônio jurídico da empresa. Assim, mesmo que ainda não tenha ocorrido a depreciação, o direito ao crédito já existe, pois os bens foram adquiridos de outra empresa, contribuinte de PIS/COFINS, sendo "transferido" ao impugnante o ônus tributário indireto. Dessa feita, vislumbrase que a restrição imposta pela Lei n° 10.865/04 contrapõese diretamente ao inciso XXXVI do art. 5° da Constituição, pois desrespeita a regra segundo a qual a lei não prejudicará o direito adquirido. Da mesma forma, referida Lei afronta a irretroatividade da norma tributária, prevista no art. 150, III, "a" da Constituição, pois incide sobre fatos anteriores à sua própria instituição aquisições de bens utilizados para a produção ou prestação de serviços incorporados ao ativo imobilizado tolhendo os efeitos previstos pelas leis anteriores, segundo as quais tais aquisições davam direito ao creditamento e redução do valor devido a título de PIS e COFINS. Ainda, a vedação do aproveitamento de créditos, instituída por lei, também viola o princípio da segurança jurídica e da não surpresa, uma vez que inúmeros contribuintes realizaram investimentos em maquinário, equipamentos, etc, com o intuito de aproveitar dos créditos garantidos pelo primado da não cumulatividade. (...) Por fim, a Lei n° 10.865/2004 afrontou os princípios constitucionais da isonomia e da livre concorrência, pois criou uma distinção entre contribuintes, da seguinte forma: (i) para contribuintes que adquiriram bens incorporados ao ativo imobilizado antes de 01.05.2004, não há direito de crédito na apuração do PIS e da COFINS em relação a depreciação e amortização desses bens; (ii) para contribuintes que adquiriram bens para integrar seu ativo imobilizado a partir de 01.05.2004, há direito de crédito na apuração do PIS e da COFINS em relação a depreciação e amortização desses bens. (...) Portanto, de qualquer ângulo que se analise o art. 31 da Lei n°10.865/04, merece guarida a impugnação aqui realizada, para que seja afastado o entendimento fiscal quanto ao ponto e garantindose o direito da Impugnante ao creditamento do PIS e COFINS sobre as depreciações e amortizações de bens incorporados ao seu ativo imobilizado, em consonância com o primado da não cumulatividade. Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.731 9 ITENS 3.2.2 E 3.2.3 DO AUTO DE INFRAÇÃO DOS PRETENSOS CRÉDITOS INDEVIDOS SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS E EM DESACORDO COM O ART. 3° DAS LEIS N. 10.637/02 E 10.833/03 (fl.6509) O item 3.2.2 do auto de infração trata de glosa de créditos indevidos sobre serviços prestados por PJ e o item 3.2.3 trata sobre créditos em desacordo com o art.3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Aqui o contribuinte apresentase inconformado com a glosa dos créditos descontados do PIS/Cofins. Argumenta que a delimitação dos tipos de créditos que podem ser descontados do PIS/Cofins, através de dispositivos infralegais, fere a Constituição Federal/88 e aos princípios da nãocumulatividade das contribuições. O autuado tece ainda comentários sobre a divergência do entendimento de “insumos” nas legislações referentes ao IPI e ao PIS/Cofins. Abaixo transcrevemse alguns trechos da defesa: (...) Pela leitura dos dispositivos acima, observase, desde já, que o legislador ordinário, em que pese ter notadamente dado feição própria à sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, ao seu próprio alvedrio, limitou o direito de crédito sobre a aquisição de alguns bens e serviços. (...) Alterando este cenário, a sistemática da nãocumulatividade para as contribuições sociais sofreu modificação quanto à sua natureza jurídica, tendo sido alçada ao status de princípio constitucional, quando da edição da Emenda Constitucional n° 42/03, a qual modificou a redação do art. 195, § 12, da Constituição Federal, in verbis: (...) Da leitura desse dispositivo constitucional, compreendese que ficou reservada ao poder legiferante ordinário a autonomia de unicamente definir os setores de atividade produtiva em que o PIS e a COFPNS seriam nãocumulativos. Sendo assim, caso eleito determinado setor econômico, a aplicação da nãocumulatividade não poderia ser amesquinhada e deverseia efetivála nos moldes do Texto Fundamental. Ocorre, porém, que as Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03, bem como as leis editadas posteriormente pelo legislador infraconstitucional, estabelecem uma série de restrições ao aproveitamento de crédito que não se coadunam com o primado da não cumulatividade estabelecido pelo legislador constitucional. Ainda, nesse contexto, a Lei n° 10.865/04 também introduziu uma série de restrições ao desconto de créditos para as empresas submetidas à sistemática nãocumulativa em relação ao PIS e à COFINS, impingindo, dessa forma, clara afronta à sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, bem como de outros direitos tutelados pela Constituição Federal. (...) Nesse passo, como cediço, o primado da nãocumulatividade se encontra desenhado originalmente no Texto Magno, nos termos dos arts. 153, § 3°, II e 155, § 2°, I, para o IPI e ICMS e, com a promulgação da EC n° 42/03, passou a alcançar também as contribuições sociais. (...) Primeiramente, da leitura dos dispositivos mencionados (CF 153, § 3°, II e 155, § 2°, I), observamos que, para o IPI e ICMS, a CF/88 expressamente definiu a sistemática de efetivação do princípio da nãocumulatividade, estabelecendo o direito do contribuinte de compensar o montante desses tributos com o quantum de imposto cobrado nas etapas anteriores, silenciandose, porém, no que tange à definição e operacionalização dessa mesma sistemática para o PIS e a COFINS. Na prática, a sistemática constitucional da não cumulatividade do IPI e do ICMS impõe que, nas diversas operações que envolvem a industrialização ou a circulação de mercadorias, respectivamente, o tributo devido seja calculado com base na diferença verificada entre o valor do crédito (= montante de IPI e ICMS recolhidos na operação Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.732 10 anterior, qual seja, aquela da qual decorreu a entrada do produto/mercadoria no estabelecimento) e do débito (= montante de IPI e ICMS a ser recolhido quando da saída do produto/mercadoria do estabelecimento) registrados na escrita fiscal da empresa. Tal sistemática permite que o tributo não incida em cascata, mas somente sobre o valor agregado naquela etapa da cadeia produtiva ou de circulação da mercadoria. (...) Tomandose o IPI como exemplo, a Constituição Federal, se por um lado, estabeleceu que sua regra matriz de incidência é o fato de "industrializar produtos", por outro estabeleceu que o montante a ser a tal título recolhido deverá resultar da diferença entre os valores já pagos de IPI na etapa produtiva imediatamente anterior (créditos) e aqueles devidos na saída do produto industrializado nessa etapa (débitos). É evidente que esse montante a ser efetivamente recolhido a título de IPI deve guardar relação com a regra matriz de incidência, qual seja, industrializar produtos. Daí porque lógico e pertinente estabelecer que os créditos passíveis de abatimento e que contribuirão para que se chegue ao quantum debeatur sejam somente aqueles custos vinculados a entradas de materiais efetivamente empregados no processo de industrialização. Digase, então, que tais custos hábeis a gerar direito ao crédito de IPI são, em última análise, os denominados insumos industriais, ou seja, os materiais empregados na industrialização de produtos, que já tenham passado por um processo industrial na etapa produtiva anterior e, portanto, se sujeitado também à incidência do IPI. (...) A regra da não cumulatividade do PIS e da COFINS está prevista diretamente pela Constituição Federal como princípio informador destas contribuições sociais, sendo que o § 12, artigo 195, da CF/88 dispõe que tais contribuições serão nãocumulativas, ficando reservada ao poder legislador ordinário a autonomia de unicamente definir os setores de atividade produtiva em que o PIS e a COFINS seriam nãocumulativos. Muito embora não tenha o constituinte definido expressamente a forma de efetivação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, até porque, à luz da melhor doutrina e jurisprudência, não é função da Constituição estabelecer conceitos, isso não significa dizer que ela conferiu ao legislador infraconstitucional uma carta branca para inserir dentro do conceito de "nãocumulatividade" o que melhor lhe aprouvesse. (...) Nessa toada, cabe adiantar que as restrições ao aproveitamento do crédito a determinados bens e serviços escolhidos ao talante do legislador infraconstitucional descaracterizam o conceito constitucional da não cumulatividade previsto na Magna Carta. (...) As contribuições ao PIS e à COFINS têm por base de cálculo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, tal como definido pelas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, tendo em vista que tal materialidade de incidência (totalidade das receitas auferidas) é completamente diferente daquela do ICMS e do IPI, também, por consequência o será em relação à forma de efetivação do princípio constitucional da não cumulatividade. Com efeito, o conteúdo constitucional da não cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS só pode ser entendido e empregado em consonância com sua materialidade definida constitucionalmente, qual seja, a receita e o faturamento da pessoa jurídica (art. 195,1, b, CF/88). (...) Do perspicaz entendimento transcrito acima, observase que a não cumulatividade das contribuições sociais aplicase ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.733 11 ou mercadoria, sendo que a formação de uma receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Deveras, a sistemática não cumulativa das contribuições sociais implica uma relação indissociável entre receitas e as despesas necessárias/insumos formadores da receita, sendo estes últimos essenciais e indispensáveis para a formação de receitas de vendas de mercadorias e serviços, tais como o transporte realizado pela Impugnante entre suas filiais, as despesas com desembarque e depósito das mercadorias, etc. Assim, de todo o exposto, corroborado pelo recentíssimo posicionamento jurisdicional acima, fica claro que a sistemática apropriada para dar efetividade a não cumulatividade peculiar para o PIS e COFINS, tendo em vista a característica própria do pressuposto material de incidência (auferir receitas) dessas contribuições, diferentemente da sistemática do IPI e do ICMS, deve se operar pela concessão de créditos sobre as despesas necessárias/insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, sob o pressuposto lógico de que tais despesas/ insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica "da etapa anterior" e, por consequência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS. (...) Como já mencionado, a partir da edição da Emenda Constitucional n. 42/2003, ficou compreendida a supremacia constitucional do conceito de nãocumulatividade para as exações em tela, de forma que, quando o legislador ordinário estabelecer que determinado setor de atividade econômica deve submissão à sistemática da não cumulativa (não incidência "em cascata") para apuração do PIS e da COFINS, essa deve ser entendida como princípio constitucional inafastável, impassível de mitigação por legislação inferior. Isso significa dizer que todas aquelas despesas e custos, pagos à pessoa jurídica nacional (e que, portanto, já sofreram a incidência do PIS e da COFINS), que são necessários à formação das receitas tributadas, devem gerar créditos de PIS e COFINS, sob pena da mesma parcela de receita ser tributada em multiplicidade ao longo da cadeia produtiva/comercial. Todavia, na contramão da sistemática de nãocumulatividade PLENA do PIS e da COFINS adotada pela CF/88, o Auto de Infração combatido estabelece uma série de restrições ao aproveitamento de crédito que não se coadunam com o primado da não cumulatividade estabelecido pelo legislador constitucional, conforme será demonstrado a seguir. Assim, as restrições ao direito de crédito do PIS e da COFINS trazidas pelo Auto de Infração descaracterizam o conceito constitucional da não cumulatividade, criando uma sistemática de não cumulatividade parcial, em clara ofensa ao quanto previsto na Magna Carta. (...) Nesse caso, não se pode perder de vista que a Instrução Normativa guarda papel secundário no sistema legislativo posto, eis que é ato que emana do poder executivo, sendo norma meramente complementar, com função, portanto, de interpretar as Leis postas, sem, contudo, extravasar seus limites quer mitigando, quer tolhendo ou concedendo direitos não garantidos na lei que visou interpretar. (...) Nesse respeito, insta salientar que as interpretações da Receita Federal do Brasil mencionadas no Auto de Infração, restringem a própria noção de insumo aplicável às contribuições do PIS e da COFINS admitida pelas Leis n. 10.637/02 e n. 10.833/03, vez que tais Leis que instituíram a sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS definem claramente que os insumos utilizados na produção ou fabricação de bens devem gerar direito aos créditos. Vale dizer: a legislação que trata da nãocumulatividade do PIS e da COFINS definiu que toda e qualquer despesa na aquisição de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens gera direito ao creditamento e, em nenhum momento, vinculou o Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.734 12 direito de crédito apenas às despesas com insumos que tenham contato físico com o produto final ou que sofram desgaste durante o processo de produção. As Leis n. 10.637/02 e n. 10.833/03 são claras e expressas, não trazendo qualquer restrição ao creditamento de despesas com bens e serviços que, apesar de não terem contato físico com o produto final ou não sofrerem desgaste direto, são aplicados no processo industrial ou de fabricação dos bens. (...) Portanto, de todo o exposto, vislumbrase que a Impugnante faz jus ao aproveitamento de todas as despesas que foram necessárias à formação de sua receita tributável pelo PIS e pela COFINS, sendo certo que o Auto de Infração, tendente a restringir e mitigar o conceito de insumo e despesas passíveis de gerar crédito de PIS e COFINS, representam clara transgressão aos ditames previstos nas Leis n. 10.637/02 e n. 10.833/03, e, consequentemente, clara ofensa à sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS de forma PLENA, devendo, assim, ser afastadas por esse e. Órgão Julgador. (...) No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Impugnante houve por bem classificar como insumos, em virtude da essencialidade dos mesmos para a prestação de seus serviços. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados serviços tomados de pessoas jurídicas ou a tomada dos demais créditos apontados na decisão recorrida, não haveria a possibilidade de a Impugnante exercer seu objeto social, razão pela qual, em que pese o respeito pela I. Fiscalização, ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Impugnante, entende que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os serviços e os demais créditos tomados caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. ITEM 3.4(sic) DO AUTO DE INFRAÇÃO GLOSA DE CRÉDITOS PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS (fl.6537) Ao final da impugnação o autuado ainda se insurge pela glosa de créditos decorrentes da falta de amparo legal ou pela falta de apresentação da documentação solicitada pelo auditor. Entende que o auditor não especifica que artigos de lei foram violados. Abaixo transcrevemse alguns trechos: Por fim, o auto de lançamento volta a exercitar considerações em torno da pretensamente indevida tomada de créditos pela Impugnante, "seja por falta de amparo legal, seja pela não apresentação de documentação hábil e idônea que comprove e embase os valores incluídos na respectiva base de cálculo". Todavia, a d. Fiscalização não aponta relativamente a estas operações um só artigo de lei violado. Não argui qualquer infringência às leis civis ou comerciais. Não se insurge contra os valores em discussão. Não impugna a existência jurídica da documentação apresentada. (...) A mera alegação da Fiscalização, de que foram tomados créditos "sem amparo legal" e "sem a apresentação de documentação idônea", reflete o exercício abusivo das funções de fiscalização, porque agride o princípio básico da independência e autonomia de cada operação realizada. O lançamento engendrado pela fiscalização é o exemplo típico da intolerável arbitrariedade camuflada em quadros demonstrativos, com dezenas de anexos, sob a aparência de uma lisura e amplitude que não possuem, cujo desiderato é sempre justificar exigências tributárias inconstitucionais e ilegais. (...) Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.735 13 Não obstante, protesta a Impugnante pela juntada posterior de documentos que comprovem as alegações aqui expendidas e o direito de crédito a que faz jus a impugnante. A 3ª Turma da DRJ/FOR, no Acórdão n° 08032.674, manteve a integralidade da atuação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 COFINS NÃOCUMULATIVA. Os contribuintes sujeitos à tributação da Cofins sob o regime da nãocumulatividade devem declarar sob este regime o total das receitas auferidas pela PJ, à exceção das receitas previstas no art 10 da Lei 10.833/2003, que deverão ser submetidas ao regime da cumulatividade. CRÉDITOS INDEVIDOS. Devem ser glosados os créditos descontados indevidamente no cálculo da COFINS, quanto em desacordo com as previsões legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. Os contribuintes sujeitos à tributação do PIS sob o regime da nãocumulatividade devem declarar sob este regime o total das receitas auferidas pela PJ, à exceção das receitas previstas no art 8º da Lei 10.637/2002, que deverão ser submetidas ao regime da cumulatividade. CRÉDITOS INDEVIDOS. Devem ser glosados os créditos descontados indevidamente no cálculo do PIS, quanto em desacordo com as previsões legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os valores informados em DCTF constituem confissão de dívida por expressa disposição legal, sendo, portanto, instrumentos hábeis e suficientes para a exigência do crédito tributário. Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.736 14 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A legislação tributária estabelece que a escrituração regular, acompanhada dos documentos que a lastreiam, faz prova a favor do contribuinte ATIVIDADE VINCULADA. Por exercer atividade plenamente vinculada à legislação, não compete à Autoridade Administrativa apreciar questões relacionadas às alegações de afronta a princípios constitucionais e/ou ilegalidade de leis. DECADÊNCIA. O prazo decadência para os lançamentos por homologação ocorre em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios. Em seu Recurso Voluntário, a empresa repisou os exatos argumentos de sua impugnação, acrescentando em contraposição ao item 3.2.3 do AIIM, a análise específica dos seguintes créditos: gasolina, pedágio, manutenção de veículos de frota leve e operações de embarque. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração e do Relatório do Relatório do Procedimento Fiscal Neste ponto, diante da falta de inovação nos argumentos da empresa, adoto a fundamentação da decisão de piso, como minhas razões de decidir, nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329, de 2017: Aqui o autuado insurgese contra os valores glosados no item 3.2.4 – Glosa de créditos pela falta de apresentação de documentos. O contribuinte alega a nulidade do auto de infração em função da falta de discriminação entre os valores apurados referente créditos utilizados sem Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.737 15 amparo na legislação e os créditos glosados pela falta de apresentação de documentação. Este item é referente à solicitação constante no Termo de Intimação Fiscal nº 10.1.07.002013004506, de 08/08/2013, fls.4397/4399, onde o auditor fiscal intima o contribuinte a demonstrar quais os bens e valores foram considerados para cálculo dos créditos das contribuições (linha 9/ Fichas 6A e 16A dos Dacons dos anoscalendário 2009 e 2010). O contribuinte é intimado ainda a informar a que se referem os custos/despesas constantes nos demonstrativos de apuração dos créditos a serem deduzidos das contribuições devidas, conforme lista abaixo: (...) O contribuinte foi intimado ainda a apresentar contratos e documentos fiscais que embasaram os créditos utilizados a título de aluguel (conta 411XX001), de aluguel de equipamentos (conta 411XX0056) e serviços PJ (conta 411XX0041). Em resposta o autuado apresentou correspondência, datada de 25/09/2013, fls. 4403/4404, onde entrega os documentos solicitados através do Termo de Intimação Fiscal nº 10.1.07.002013004506, porém com a ressalva (item 2.1) de não haver localizado os documentos referentes às contas abaixo listadas: (...) Portanto os créditos referentes às contas acima foram glosados pela não apresentação da documentação requerida pelo auditor. Os valores das bases de cálculo destes créditos estão bem discriminados pela autoridade fiscal, no auto de infração, item 3.2.4 – Glosa de créditos pela falta de apresentação de documentos. As planilhas aí apresentadas trazem apenas as contas acima especificadas pelo contribuinte e para as quais não houve apresentação da documentação requerida pela autoridade fiscal. Os créditos não considerados por estarem em desacordo com a legislação constam em planilhas específicas do auto de infração, fls. 6432/6448, nas quais são apresentadas as respectivas bases de cálculo dos créditos glosados, nos seguintes itens: 3.2.1 – Créditos indevidos sobre depreciações, 3.2.2 – Créditos indevidos sobre serviços prestados PJ e item 3.2.3Créditos em desacordo com o art.3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Portanto, não procede a argumentação do contribuinte de que houve falta de discriminação entre os valores apurados referentes a créditos utilizados sem amparo na legislação e os créditos glosados pela falta de apresentação de documentação. Sobre a não apresentação da documentação solicitada pelo auditor, esclarecese que a legislação tributária estabelece que a escrituração regular, acompanhada dos documentos que a lastreiam, faz prova a favor do contribuinte. É o que se infere dos artigos 923 e 924 do RIR/99, a seguir transcritos: Art. 923 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Enfim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.738 16 Ademais, consta nos autos, que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Portanto, não se vislumbram nulidades do auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. O que pretende a Recorrente é a reforma do julgado da DRJ, questão de mérito que será analisada a seguir. Alegação de decadência do direito do fisco lançar parte das contribuições exigidas Requer a Recorrente o reconhecimento da decadência do lançamento referente ao mês de janeiro/2009, do dia 01 ao dia 30, diante da intimação do auto de infração em 30/01/2004. Entendo que o fato gerador do PIS e da COFINS ocorreu em 31/01/2009. Assim, aplicandose o art. 150 do CTN, já que houve pagamento parcial, verificase que o lançamento poderia ser efetuado até 31/01/2014. Logo não há que se falar em decadência do lançamento para nenhum dos fatos geradores abarcados pela autuação em comento. Item 3.1 do auto de infração tributação pelo regime da cumulatividade A empresa declarou valores de PIS/COFINS cumulativos, em Dacon e em DCTF. Entretanto, a fiscalização não identificou nenhuma das receitas relacionadas no art. 10 da Lei nº 10.833/2003, as quais estariam sujeitas à incidência cumulativa das contribuições. Alega a Recorrente que a fiscalização, ao constatar que a autuada não estava sujeita ao regime de cumulatividade do PIS/Cofins, não poderia, a partir das bases de cálculo informadas, recalcular as contribuições com a alíquota da nãocumulatividade. Entende tratar se de conduta contraditória, que afronta a moralidade administrativa. Quando instada a especificar as receitas que compõem a base de cálculo do PIS/Cofins cumulativos informados nas suas declarações, a empresa assim se manifestou (efl. 4401): Diante desta solicitação e como já informado anteriormente, informamos que o antigo contador não deixou nenhuma identificação das origens destas receitas cumulativas nem tão pouco algum embasamento legal para tais lançamentos. Assim, não temos como compor e identificar tais receitas com seus respectivos embasamentos legais. Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.739 17 Diante disso, entendo não merecer reparos os cálculos da fiscalização, efls. 6428/6429, tabelas que contêm as diferenças recolhidas a menor das contribuições para o PIS e da Cofins informadas pelo contribuinte sob o regime da cumulatividade. O cálculo apresenta, por período de apuração, os seguintes dados: 1 O valor da base de cálculo do PIS/Cofins informadas pelo contribuinte em Dacon como cumulativas. 2 – O valor do PIS/Cofins nãocumulativo, calculados sobre a base de cálculo do item anterior, incidindo sobre esta base de cálculo as alíquotas da nãocumulatividade (1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins). 3 Diferença do valor informado pelo contribuinte em Dacon a título de PIS/Cofins na cumulatividade (sob alíquotas de 0,65% para o PIS e 3% para a Cofins) e o valor calculado pelo auditor a título de PIS e Cofins nãocumulativos (sob alíquotas de 1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins). Portanto, não merece acolhida este pleito do contribuinte. Item 3.2.1 do auto de infração dos créditos indevidos por depreciação Foram glosados os valores de depreciação com veículos de frota leve (automóveis), com móveis e utensílios e, depreciação com bens de informática. Em sua defesa, assevera que não houve a fundamentação legal para a glosa de créditos de PIS e Cofins sobre encargos de depreciação, e que as restrições ao desconto de créditos trazidas pela Lei n° 10.865/2004, dentre elas a vedação ao desconto de créditos decorrentes da depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30 de abril de 2004, é inconstitucional por afronta ao inciso XXXVI do art. 5° e art. 150, III, "a" da Constituição Federal. Quanto ao primeiro argumento, o Termo de Verificação Fiscal elenca claramente o fundamento legal das glosas: De acordo com o art. 2º da Lei nº 11.051/04, as pessoas jurídicas podem apropriar créditos de PIS e Cofins sobre o valor de 1/24 avos do custo de aquisição de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado e adquiridos após 1º de outubro de 2004 até 31 de dezembro de 2005. Para as máquinas e equipamentos e outros bens do ativo permanente adquiridos entre 1º de maio de 2004 e 30 de setembro de 2004 e a partir de 01 de janeiro de 2006, o fator de apropriação de créditos é de 1/48 avos do valor de aquisição dos bens. A seguir transcrevemos a legislação vigente: (...) Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.740 18 De acordo com o art. 15 da Lei nº 10.833/03, os mesmos critérios se aplicam também ao PIS. A Lei nº 10.865/04 veio restringir o direito ao crédito tratado no § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Esta Lei estabeleceu que, a partir de agosto de 2004, apenas a depreciação ou amortização de bens adquiridos a partir de maio daquele ano dão direito ao crédito a ser descontado na apuração das contribuições. (...) Já a respeito da inconstitucionalidade da Lei nº 10.865/2004, cabe a aplicação da Súmula CARF nº 02, a qual dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Itens 3.2.2 e 3.2.3 do auto de infração dos pretensos créditos indevidos sobre serviços prestados por pessoas jurídicas e em desacordo com o art. 3° das leis nº 10.637/02 e 10.833/03 A empresa incluiu na base de cálculo do PIS e da Cofins valores correspondentes a serviços prestados por pessoa jurídica, a saber: a segurança privada, engenharia de segurança no trabalho, serviços de portaria, serviços de limpeza, honorários advocatícios, honorários de auditoria, etc. Reitera que todos os serviços prestados por pessoas jurídicas estão envolvidos na sua própria prestação de serviços. Contudo, a prova da essencialidade da prestação desses serviços para a atividade da Recorrente não foi feita. Não houve a descrição pormenorizada de suas atividades e como as mesmas dependeram desses serviços de terceiros. Não foram acostados contratos ou outros elementos para se aferir essa essencialidade. Logo, entendo que as glosas foram corretas, já que não se subsomem ao disposto no inciso II do art. 3º, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, pelo qual é permitida a inclusão na base de cálculo para apuração dos créditos a serem deduzidos das contribuições devidas, os valores correspondentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País e que sejam insumos para a prestação de serviços. Outrossim, foram glosados os créditos tomados pela empresa referente a: fotocópias, seguros, condução, material de expediente, copa e cozinha, malote, correios e telégrafos, xerox, material de limpeza, armazenagens, estivas, pallet e outros, gasolina, aluguel de boxes, despesas com representantes, comunicações, material de consumo, pedágios, programa de qualidade, manutenção de informática, contrato de informática, segurança e transportes de valores, seguros de veículos e caminhões, seguros de carga, SINDMERG, SINDICAM, SINDIMOV, equipamentos de segurança da frota pesada e operações de embarque, por entender a fiscalização que não há previsão legal para seu aproveitamento. Neste ponto também a controvérsia se refere ao conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.741 19 A Recorrente pleiteia aplicação ampla e plena da nãocumulatividade, defende que faz jus ao aproveitamento de todas as despesas que foram necessárias à formação de sua receita tributável pelo PIS e pela COFINS. Dentro do universo das glosas, faz a análise analítica de quatro itens que entende como insumos gasolina, pedágio, manutenção de veículos de frota leve e operações de embarque: Gasolina – na operação de logística utiliza caminhões, embora tenha na sua contabilidade indicado “gasolina”, tratase na verdade de “diesel” essencial para a consecução de sua atividade. Pedágio – por se tratar de atividade de logística, tal como a gasolina, o pedágio essencial para a consecução dos serviços prestados em sua plenitude. Manutenção de veículos de frota leve – realiza o serviço de logística com o uso de veículos leves. Operações de embarque – realiza além do serviço de logística, o serviço de embarque e desembarque, na conta contábil à época, este serviço estava contabilizado como serviço de embarque. E para a consecução de serviço prestado, a empresa dispunha de empresa terceirizada. As atividades desenvolvidas pela Recorrente demonstradas em seu objeto social são: prestação de serviços de despachos aduaneiros de importação e exportação, de coordenação de operações portuárias etc. O insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, só podem ser considerados como insumos os bens e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à fabricação dos produtos destinados à venda, o que demanda, então, análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade. Em decorrência, na apuração de PIS/Cofins nãocumulativo, a prova da existência do direito de crédito indicado em DACON incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Isso porque regra geral considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.742 20 É do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. As despesas pleiteadas como “insumo” pela empresa foram apontadas de forma genérica: material de expediente, de limpeza, gasolina, despesas com representantes, comunicações, pedágios, manutenção de informática, segurança e transporte de valores, manutenção de veículos de frota leve e operações de embarque. Entendo que as glosas estão corretas, por duas razões: 1 não há como se atestar a segregação entre as despesas pleiteadas como inerentes à prestação de serviços ou como aplicadas em âmbito administrativo e 2 não constam nestes autos laudos, pareceres, contratos, nada em que se depositar a certeza da utilização dessas despesas como insumos. A gasolina (ou diesel como retificou no recurso voluntário), em tese, seria insumo para a empresa de logística, desde que tivesse havido a segregação entre o combustível aplicável na prestação de serviço e o aplicado na área administrativa. O mesmo raciocínio se aplica ao “Pedágio”. As despesas com representantes e a segurança/transporte de valores também em tese seriam insumos, desde que devidamente apontados e descritos, com suporte documental mínimo. A manutenção de veículos de frota leve, se insumo fosse, deveria estar acompanhada de apontamento no ativo da empresa de quais veículos se trata e no que consiste tal “manutenção”. Quanto às operações de embarque, alega a Recorrente que a consecução desse serviço se dava através de empresa terceirizada, mas não há contratos nos autos ou ordens de serviço que demonstrem essa relação. Assim, não logrou êxito a empresa em comprovar a existência dos créditos da nãocumulatividade. Ademais, não há como se conceder crédito de despesa que “em tese” poderia ser insumo. Não há que se olvidar que as declarações, informações, documentos e registros contábeis elaborados pelos contribuintes somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, se calcados em documentos fiscais hábeis e idôneos. Não é possível se afirmar a essencialidade dos créditos referidos, motivo pelo qual o creditamento requerido não encontra respaldo na legislação (art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), portanto devem ser mantidas as glosas. Item 3.2.4 do auto de infração glosa de créditos pela não apresentação de documentos Insurgese contra as glosas pela não apresentação de documentos. Mas em resposta a intimação sobre a comprovação dos créditos tomados, a empresa assim se manifestou (efl. 5446): Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 11065.720351/201414 Acórdão n.º 3301004.086 S3C3T1 Fl. 6.743 21 Assim, por falta de comprovação documental, está correta a glosa dos itens: fotocópias, seguros, malote, correios, xerox, seguros de veículos e caminhões, seguros de carga, SINDMERG, SINDCAM, SINDIMOV e equipamentos de segurança frota pesada. Por fim, requer a juntada posterior de documentos que comprovem as alegações expendidas e o direito de crédito a que faz jus a empresa. Contudo, não há novos elementos trazidos aos autos no recurso voluntário. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a integralidade do crédito tributário objeto dos autos de infração. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 6743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720312/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NÃO APRESENTAÇÃO DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESE DE CABIMENTO CONSTATADA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
A regra geral prevista no artigo 530, inciso III, do regulamento do Imposto de Renda, é bastante clara ao prever que o imposto sobre o rendimento será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos casos em que o contribuinte deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Não há, portanto, cerceamento de defesa, na utilização do arbitramento do lucro, principalmente, nos casos em que foi concedida a oportunidade ao contribuinte de apresentar a escrituração exigida até o momento do julgamento do Recurso Voluntário, e aquele não a aproveitou.
DECADÊNCIA. IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, I, DO CTN.
Indubitavelmente o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, posto que o contribuinte apura o montante devido, faz a antecipação do pagamento dos tributos apurados e aguarda o transcurso do prazo de cinco anos para que ocorra a homologação tácita de seu procedimento ou expressa, se for o caso. Todavia, quando o contribuinte é beneficiado pela imunidade fiscal, ou seja, quando não apura e nem mesmo antecipa qualquer pagamento à Receita Federal, não há que se falar em homologação nos termos do artigo 150,§4º, do CTN, mas cabível cogitar da incidência do artigo 173, I, do mesmo diploma.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2007
PIS/COFINS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXIGIBILIDADE DE RECEITAS QUE NÃO DECORREM DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA FISCAL DEVIDA.
Da falta de provas ou mesmo de sua apresentação deficitária, ainda que se reconheça que a legislação do PIS e da COFINS determina como base de cálculo de ambas as contribuições a receita bruta da atividade do contribuinte, os créditos tributários constituídos devem ser cobrados, pois impossível caber ao Fisco o ônus de comprovar as receitas específicas da contabilidade do contribuinte, principalmente quando este as registra sob títulos genéricos como "Receitas Diversas".
Numero da decisão: 1402-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir as omissões admitidas e rerratificar a decisão proferida no Acórdão 1402-002.326.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NÃO APRESENTAÇÃO DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESE DE CABIMENTO CONSTATADA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. A regra geral prevista no artigo 530, inciso III, do regulamento do Imposto de Renda, é bastante clara ao prever que o imposto sobre o rendimento será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos casos em que o contribuinte deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Não há, portanto, cerceamento de defesa, na utilização do arbitramento do lucro, principalmente, nos casos em que foi concedida a oportunidade ao contribuinte de apresentar a escrituração exigida até o momento do julgamento do Recurso Voluntário, e aquele não a aproveitou. DECADÊNCIA. IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, I, DO CTN. Indubitavelmente o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, posto que o contribuinte apura o montante devido, faz a antecipação do pagamento dos tributos apurados e aguarda o transcurso do prazo de cinco anos para que ocorra a homologação tácita de seu procedimento ou expressa, se for o caso. Todavia, quando o contribuinte é beneficiado pela imunidade fiscal, ou seja, quando não apura e nem mesmo antecipa qualquer pagamento à Receita Federal, não há que se falar em homologação nos termos do artigo 150,§4º, do CTN, mas cabível cogitar da incidência do artigo 173, I, do mesmo diploma. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2007 PIS/COFINS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXIGIBILIDADE DE RECEITAS QUE NÃO DECORREM DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA FISCAL DEVIDA. Da falta de provas ou mesmo de sua apresentação deficitária, ainda que se reconheça que a legislação do PIS e da COFINS determina como base de cálculo de ambas as contribuições a receita bruta da atividade do contribuinte, os créditos tributários constituídos devem ser cobrados, pois impossível caber ao Fisco o ônus de comprovar as receitas específicas da contabilidade do contribuinte, principalmente quando este as registra sob títulos genéricos como "Receitas Diversas".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir as omissões admitidas e rerratificar a decisão proferida no Acórdão 1402-002.326. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
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ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESE DE CABIMENTO CONSTATADA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. A regra geral prevista no artigo 530, inciso III, do regulamento do Imposto de Renda, é bastante clara ao prever que o imposto sobre o rendimento será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos casos em que o contribuinte deixar de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Não há, portanto, cerceamento de defesa, na utilização do arbitramento do lucro, principalmente, nos casos em que foi concedida a oportunidade ao contribuinte de apresentar a escrituração exigida até o momento do julgamento do Recurso Voluntário, e aquele não a aproveitou. DECADÊNCIA. IMUNIDADE. DESCARACTERIZAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 173, I, DO CTN. Indubitavelmente o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, posto que o contribuinte apura o montante devido, faz a antecipação do pagamento dos tributos apurados e aguarda o transcurso do prazo de cinco anos para que ocorra a homologação tácita de seu procedimento ou expressa, se for o caso. Todavia, quando o contribuinte é beneficiado pela imunidade fiscal, ou seja, quando não apura e nem mesmo antecipa qualquer pagamento à Receita Federal, não há que se falar em homologação nos termos do artigo 150,§4º, do CTN, mas cabível cogitar da incidência do artigo 173, I, do mesmo diploma. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 12 /2 01 2- 11 Fl. 5299DF CARF MF 2 PIS/COFINS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INEXIGIBILIDADE DE RECEITAS QUE NÃO DECORREM DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA FISCAL DEVIDA. Da falta de provas ou mesmo de sua apresentação deficitária, ainda que se reconheça que a legislação do PIS e da COFINS determina como base de cálculo de ambas as contribuições a “receita bruta” da atividade do contribuinte, os créditos tributários constituídos devem ser cobrados, pois impossível caber ao Fisco o ônus de comprovar as receitas específicas da contabilidade do contribuinte, principalmente quando este as registra sob títulos genéricos como "Receitas Diversas". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir as omissões admitidas e rerratificar a decisão proferida no Acórdão 1402002.326. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Evandro Correa Dias. Fl. 5300DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.681 S1C4T2 Fl. 5.300 3 Relatório O Ato Declaratório Executivo nº 217, de 31 de agosto de 2012, emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização – Defis em São Paulo/SP (publicado no DOU em 17/09/2012), declarou a suspensão da imunidade e da isenção tributárias da FEBASP Associação Civil, previstas, respectivamente, nos arts. 150, VI, “c” da Constituição Federal, e art. 8º da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de2005, por descumprimento, no anocalendário 2007, dos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 12, §2º e incisos da Lei nº 9.532, de 1997. Com base no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002010036562, de 27/10/2010, foi instaurada fiscalização na entidade. Em 31/08/2012, foi proferido Despacho Decisório (fls. 4.821) para que fossem adotados os procedimentos tendentes à suspensão da imunidade e da isenção tributárias, confirmando o teor do Ato Declaratório Executivo nº 217/2012. Cientificada do ato administrativo, a entidade apresentou impugnação (fls. 4828/4854) em 17/10/2012, que foi julgada improcedente. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário a este Conselho (fls. 4.9965.027), ao qual foi negado provimento e cuja decisão restou assim ementada (Acórdão nº 1402002.326): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS AOS AUTOS. FALTA DE RESPOSTA DA FISCALIZAÇÃO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Não subsiste nulidade por cerceamento ao direito de defesa pela falta de resposta da fiscalização referente a pedido de prorrogação de prazo para juntada de documentação solicitada no curso do procedimento fiscal, já que a Recorrente deve se valer das duas oportunidades para se pronunciar sobre o resultado do procedimento fiscal: após a notificação e após a edição do ADE. Portanto, se disponível a documentação, independentemente de qualquer resposta da fiscalização, poderá ser juntada aos autos pela própria Recorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 IMUNIDADE. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. RETORNO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS QUANDO DA EXTINÇÃO DA INSTITUIÇÃO. DESVIO DE FINALIDADE NÃO CONFIGURADO. Fl. 5301DF CARF MF 4 Mesmo que haja previsão estatutária permitindo o retorno de patrimônio aos associados quando da extinção da instituição de educação e de assistência social, não se caracteriza o desvio de finalidade capaz de inviabilizar a imunidade. Para que a entidade se enquadre no disposto do artigo 14 inciso II do CTN, efetivamente deve ocorrer a extinção da instituição. Se a fiscalização não comprovar que houve a extinção, teria que provar que a distribuição efetivamente ocorreu. Portanto, cabe ao fisco o ônus da prova quanto a infringência ao artigo 14 inciso II do CTN relacionado a dita previsão estatutária. REMUNERAÇÃO INDIRETA DE DIRIGENTES. DESVIO DE FINALIDADE NÃO CONFIGURADO. Quando há comprovação de que as despesas com passagem aérea e estadia são compatíveis com a atividade da entidade, não há que se falar em suspensão da imunidade tributária nem configuração de desvio de finalidade. O mesmo vale, no caso concreto, para a manutenção de um apartamento residencial no patrimônio da entidade, que é utilizado para hospedar os profissionais contratados para a prestação de serviços à esta. AUSÊNCIA DE PROVAS HÁBEIS. REGULARIDADE NA DESTINAÇÃO DOS RECURSOS DA ENTIDADE IMUNIZADA NÃO CONFIGURADA. De acordo com a legislação em vigor, para fins de comprovar que não distribui, a qualquer título, parcelas de seu patrimônio ou de suas rendas, e aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, as entidades imunes devem manter escrituração capaz de assegurar sua exatidão, o que não se verificou no caso em que a entidade sequer foi capaz de comprovar a maior parte das despesas contabilizadas, fato a comprometer, de forma irreversível, a comprovação de regularidade na destinação dos recursos da entidade. ISENÇÃO PROUNI. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. DÉBITOS CONFIGURADOS. Para regularmente usufruir da imunidade tributária referente ao Programa Universidade para Todos (PROUNI), deve a entidade isenta comprovar, ao final de cada anocalendário a quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, sob pena de desvinculação do Programa. Todavia, quando existentes débitos de contribuição previdenciária em execução fiscal, não mais se aplicam os preceitos da suspensão da exigibilidade, restando inviabilizada a manutenção da isenção do PROUNI. Agora, opõe Embargos de Declaração em face da decisão acima resumida, que foi proferida em 04 de outubro de 2016, pela 2ª Turma, da 4ª Câmara, da 1ª Sessão de Julgamento, deste Conselho, com base no artigo 65, parágrafo 1º, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, pleiteando efeitos infringentes para reaver o benefício fiscal relativo a imunidade que outrora usufruira. Estas são as alegações da Embargante: Fl. 5246 III.I. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO EM FACE DAS RAZÕES Fl. 5302DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.681 S1C4T2 Fl. 5.301 5 FÁTICAS E JURÍDICAS DISPOSTAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO INTEGRAL TRANSLADO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ Fl. 5252 III.II. CONSTATAÇÃO DO VÍCIO DE OMISSÃO DECORRENTE DA AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO DO ITEM 3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 5260 III.III. OMISSÃO NO TOCANTE À FALTA DE CONTABILIDADE HÁBIL AUSÊNCIA DE DESCARACTERIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS NÃO ENFRENTAMENTO DAS RAZÕES DISPOSTAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 5264 III.IV. VÍCIO DE OMISSÃO QUE ENSEJOU EM ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO ORA EMBARGADO NO TOCANTE À ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E VIOLAÇÃO AO ARTIGO 32, PARÁGRAFO PRIMEIRO, DA LEI N.° 12.101, DE 2009 Fl. 5268 III.V. VÍCIO DE OMISSÃO NO JULGADO EMBARGADO DIANTE DA INOBSERVÂNCIA NA APLICAÇÃO DO ART. 3º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 456 DE 2004 VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE INDEVIDA FUNDAMENTAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Fl. 5274 III.VI. OMISSÃO NO TOCANTE AO DIREITO DE ISENÇÃO E ACESSO AO PODER JUDICIÁRIO, BEM COMO O DIREITO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL, AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA (ARTIGO 5º, INCISOS XXXV, LIV E LV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA) O Despacho de Admissibilidade (fls.5.2845.287) admitiu parcialmente os Embargos, submetendo à apreciação da Turma somente as alegações de omissão indicadas no item III.II dos Embargos e, negou seguimento, em caráter definitivo, a todas as demais alegações de omissão suscitadas pela Embargante, por revelaremse manifestamente improcedentes. É o relatório. Fl. 5303DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Como o Despacho de Admissibilidade admitiu o alegado no item III.II dos Embargos, relativo ao item 3 do Recurso Voluntário (subitens 3.1, 3.2 e 3.3), passo agora a análise deste ponto. 1ª Omissão Arbitramento do Lucro (item 28 dos Embargos) Neste item, a Embargante diz haver omissão quanto ao ponto 3.1. do Recurso Voluntário (fl. 5.023), que trata do arbitramento do lucro. A autuada critica a adoção da técnica do arbitramento utilizada pela Fiscalização, que só assim procedeu diante do não atendimento a solicitação de entrega do LALUR pela fiscalizada. O próprio contribuinte, em seus embargos, transcreveu o art. 530, III, do RIR/99, fundamento da adoção do lucro arbitrado para a apuração dos tributos devidos pelo contribuinte no caso concreto, mas que pedese vênia para nova transcrição: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A resposta ao contribuinte, no caso concreto, está no item 30 dos seus próprios embargos, ora em análise: “o simples descumprimento de entrega do Livro de Apuração sobre o Lucro Real (LALUR) a destempo não constitui requisito para ensejar na apuração do Imposto de Renda por meio do lucro arbitrado”. Não consta nos autos que o contribuinte tenha feito a entrega a destempo, seja por ocasião de sua impugnação, seja por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Porém, não vejo procedência na tese alegada pela Embargante, posto que logo no início do voto do Recurso Voluntário, o relator enfrentou o tema, senão vejamos (fl. 5.045 do Recurso Voluntário): "Por outro lado, concordo não subsistir a nulidade por cerceamento ao direito de defesa, devido à falta de resposta da fiscalização a pedido de prorrogação de prazo, para juntada da documentação solicitada no curso do procedimento fiscal porque, se disponível, independentemente de qualquer resposta da fiscalização, a documentação poderia ter sido juntada aos autos pela própria Recorrente, ao menos, nas duas oportunidades que teve para se pronunciar Fl. 5304DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.681 S1C4T2 Fl. 5.302 7 sobre o resultado do procedimento fiscal (após a notificação e após a edição do ADE). Não se vislumbra qualquer prejuízo à defesa decorrente da falta de resposta da fiscalização a pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos." Ora, se o contribuinte não entregou o LALUR à fiscalização, quando intimado para tanto, correta a interpretação da fiscalização em utilizarse da regra do inciso III, do art. 530, do RIR/99, não se justificando a insurgência do contribuinte neste ponto. Disto, podese perceber que, mesmo não tratado de forma específica, em verdade, o item relativo ao arbitramento do lucro decorre da reiterada falta de entrega de documentos fiscais, o que foi apreciado e julgado. Portanto, entendo improcedente também este item, que agora resta tratado expressamente. 2ª Omissão Decadência (item 34 dos Embargos) Neste item, a Embargante trata do subitem 3.2 do Recurso Voluntário (fl. 5.024), alegando que decaiu o direito do Fisco em constituir o crédito tributário, a teor do disposto no art. 150, §4º, do CTN. Defende, assim, a incidência da decadência para os fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2007, eis que ultrapassados 5 anos. Diz que o lançamento se deu em 28/11/2012, enquanto que os fatos geradores são de janeiro a dezembro de 2007, ou seja, apenas dezembro de 2007 não foi atingido pela decadência, segundo a fiscalizada. Decadência é matéria de ordem pública e, desta forma, supro a omissão nos termos que adiante seguem. Não há dúvidas de que o PIS, a COFINS, o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao chamado “Lançamento por homologação”, uma vez que o contribuinte apura o montante devido, faz a antecipação do pagamento dos tributos apurados e aguarda o transcurso do prazo de cinco anos para que ocorra a homologação tácita de seu procedimento ou expressa, se for o caso. No caso concreto, a Embargante tinha imunidade / isenção dos tributos em questão e, desta forma, não os apurou ou mesmo antecipou qualquer pagamento à Receita Federal. Em verdade, por descumprir a legislação de regência, que deveria atender para se manter imune / isenta aos tributos federais é que ensejou a fiscalização e a lavratura de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Não havendo pagamento a homologar, não há que se falar em homologação tácita nos termos do art. 150, § 4º do CTN. A regra da decadência tributária, nesses casos, é exclusivamente aquela inserida no art. 173, I, do CTN, abaixo transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 5305DF CARF MF 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Os autos de infração questionados foram lavrados em novembro/12, referentes ao período de janeiro a dezembro/2007, com ciência pelo contribuinte em 28.11.2012, conforme AR de fl. 4891 nos autos. Se considerarmos a competência mais antiga, janeiro/2007 e aplicarmos a regra do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial iniciase em 01.01.2008 e encerrase em 01.01.2013. Ou seja, não há decadência no caso concreto. Sano a omissão apontada pelo contribuinte, mas não reconheço a ocorrência da decadência no caso concreto. 3ª Omissão PIS/COFINS Inexigibilidade de outras receitas que não decorrem da prestação de serviços (item 38 dos Embargos) Agora, fazendo referência ao subitem 3.3 do Recurso Voluntário (fl. 5.025), a Embargante questiona o não enfrentamento da questão relacionada ao modo pelo qual a Fiscalização apurou o montante devido de PIS/COFINS, pois somou à conta de mensalidades escolares, os valores inseridos na contrapartida em receitas diversas, o que segundo a fiscalizada, além de violar o artigo 142 do CTN, também está em desacordo com o previsto no artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, bem como o artigo 12, inciso I, do Decreto Lei nº 1.589/77. De fato, a questão levantada pela fiscalizada não foi apreciada. Há omissão. O tema é conhecido, posto que julgado pelo Supremo Tribunal Federal, que tratou da dicotomia entre as expressões "receita bruta" e "faturamento". Quanto a questão de mérito, no TVF (fl. 4.883) fica admitido o modo de aferição do tributo devido alegado pela autuada, senão vejamos: "O lucro será arbitrado com base na receita bruta conhecida. As receitas foram escrituradas nas seguintes contas da contabilidade: 6557 “mensalidades escolares” e 6706 “receitas diversas”, e somam no ano de 2007, R$ 73.033.110,42. O valor escriturado é superior ao declarado na DIPJ (R$ 68 milhões)." Nos termos do art. 10, inciso II, da Lei 10.833/03, bem como no art. 8º, inciso II, da Lei 10.637/02, a pessoa jurídica tributada com base no lucro arbitrado terá a COFINS e o PIS, respectivamente, apurado na forma da Lei 9.718/98, ou seja, pelo regime cumulativo. O § 1º, do art. 3º, da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo E. STF e, posteriormente, expressamente revogado pela Lei 11.941/09. Era esse dispositivo legal que Fl. 5306DF CARF MF Processo nº 19515.720312/201211 Acórdão n.º 1402002.681 S1C4T2 Fl. 5.303 9 ampliava a base de cálculo do PIS e da COFINS para a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Embora a Embargante tenha se insurgido pela inclusão da conta contábil 6706 “Receitas Diversas” na base de cálculo do PIS e da COFINS, não trouxe em seu recurso voluntário qualquer esclarecimento sobre que receitas diversas seriam essas, quais as suas origens, de tal forma que não é possível a este Julgador, em sede de embargos, afastar o disposto pela fiscalização, em autuação, de que as receitas omitidas decorriam de “prestação de serviços em geral” e não especificamente "mensalidades escolares". À míngua de provas, mesmo reconhecendo que a legislação do PIS e da COFINS determinam como base de cálculo de ambas as contribuições a “receita bruta” da atividade do contribuinte, mantenho os créditos tributários constituídos, uma vez que o contribuinte não se desincumbiu de provar que as “Receitas Diversas” não decorrem de sua atividade social. Diante do exposto, acolho os presentes embargos, sem efeitos infringentes, a fim de sanar as omissões apontadas. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 5307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906071/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/11/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/11/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 71 /2 01 2- 40 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10660.906071/201240 Acórdão n.º 3401004.173 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.970, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906071/201240 Acórdão n.º 3401004.173 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906071/201240 Acórdão n.º 3401004.173 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906071/201240 Acórdão n.º 3401004.173 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35464.003464/2004-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/01/1999
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: Relator
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 34 64 /2 00 4- 37 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 405DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 407DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 35464.003464/200437 Acórdão n.º 9202004.771 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 409DF CARF MF
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