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Numero do processo: 12219.000809/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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score : 1.0
Numero do processo: 10768.005838/2003-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. CRÉDITO NÃO ESCRITURADO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O IPI, nos termos de sua legislação, pressupõe a adequada escrituração das notas fiscais de entradas e saídas. Sem o correto preenchimento dos Livros Fiscais, e desacompanhado de documentação que demonstre qual seria a correta apuração do tributo, inviável se mostra pedido de ressarcimento ou compensação.
Numero da decisão: 3802-003.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. CRÉDITO NÃO ESCRITURADO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O IPI, nos termos de sua legislação, pressupõe a adequada escrituração das notas fiscais de entradas e saídas. Sem o correto preenchimento dos Livros Fiscais, e desacompanhado de documentação que demonstre qual seria a correta apuração do tributo, inviável se mostra pedido de ressarcimento ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. CRÉDITO NÃO ESCRITURADO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O IPI, nos termos de sua legislação, pressupõe a adequada escrituração das notas fiscais de entradas e saídas. Sem o correto preenchimento dos Livros Fiscais, e desacompanhado de documentação que demonstre qual seria a correta apuração do tributo, inviável se mostra pedido de ressarcimento ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 58 38 /2 00 3- 22 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Por bem explicitar os fatos ocorridos até o presente momento processual, adotase o relatório formulado pela autoridade julgadora de primeira instância nos seguintes termos: “Trata o presente processo de solicitação feita com a utilização do formulário “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO”, extraído da IN 210, de 2002. Foi anexada ao formulário uma relação de notas fiscais, com data de entrada compreendida entre 12/01/1999 a 20/08/2002. O formulário foi protocolado em 30/06/2003. O contribuinte pretendia ver reconhecido o direito ao IPI destacado nestas notas de entrada, no valor total de R$ 298.234,37, acrescido da SELIC apurada desde a data de entrada até a data do pedido, que totalizava R$ 149.931,90. Alega que o seu direito se funda no fato de não ter lançado tais créditos na escrituração. Posteriormente, a contribuinte apresentou duas declarações de compensação onde pretendia aproveitar o crédito requerido neste processo. Essas declarações de compensação deram origem aos processos 13746.000370/200415 e 13746.000526/200450, que foram juntados a este processo. Apresentou ainda os PERDCOMP 02907.39128.030206.1.3.04 7295 (retificado pelo 1l071.44624.230206.1.7.043080) e 02024.72555.230206.1.3.018445, onde também utilizava o mesmo crédito. Às fls. 30 a 45 foram juntadas cópias de fls do Livro de Registro de Apuração do IPI. Curiosamente, somente foram escriturados, no referido livro, os campos dos totais e os quadros referentes ao DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS, DEMONSTRATIVO DE DÉBITOS e APURAÇÃO DO SALDO, ficando todos os campos relativos às entradas e saídas, simplesmente, em branco. Nos livros com número de ordem 12 e 13, além das ocorrências acima, também a informação relativa ao período a que se referia a “escrituração” não foi preenchida. Ao analisar o pleito, a autoridade fiscal não conseguiu definir qual era a intenção da contribuinte, se pedir a restituição ou o ressarcimento. O trecho a seguir transcrito esclarece bem a situação: “Do exame atento aos autos, observase contudo que, muito embora a planilha apresentada às fls. 02 a 08 do processo administrativo 10768. 005838/200322 traga coluna própria que expresse os juros devidos na restituição, a fundamentação explicitada à fl. 01' do referido processo indica por fundamentação o art. 11 da Lei 9. 779/99 e IN SRF 33/99, ou seja, sugere tratarse não de pedido de restituição mas sim de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, que deveria ter sido formulado em formulário próprio do art 44 da IN SRF 210/02, denominado “Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI” (grifos no original) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10768.005838/200322 Acórdão n.º 3802003.978 S3TE02 Fl. 112 3 Na dúvida, a autoridade fiscal analisou o pleito sob os dois enfoques, como pedido de restituição e como pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, chegando à seguinte conclusão: “Em síntese conclusiva, enumeramos abaixo as razões pelas quais o pleito, seja de restituição ou ressarcimento, bem como as diversas compensações subsequentemente declaradas, não serão acolhidos por este serviço SEORT /DRF /NIU/SRRF 7ºRF /RF B. Preenchimento confuso do “Pedido de Restituição” em formulário do art 44 da IN SRF 210/02, e posterior confirmação em resposta à Intimação Seort N° 280/09, lançando dúvidas quanto a tratarse materialmente de pedido de restituição ou de pedido de ressarcimento de créditos de IPI Suposto Pedido de restituição: a pessoa jurídica Texsa Brasileira Ltda não cumpre o exigido pelo art. 166 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, isto é, não comprovou a não transferência do encargo financeiro do tributo devido e não se encontra devidamente autorizada por quem suportou de fato o referido encargo. Suposto pedido de ressarcimento de créditos de IPI (materialmente considerado): há erro crasso e sistemático no cumprimento de formalidades intrínsecas exigidas quanto à escrituração do Livro Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LRAIPI). A escrituração não se reveste de fé pública, aviltando o disposto no art. 312 do Decreto n° 4.544, de 26/12/02 Regulamento do IPI, arts. 57, § 1°, e 58 da Lei n° 4.502, de 1964, art 2° caput e §2° do DecretoLei n° 486, de 1969, art. 2°, 4° e 5° do Decreto 64.567/69. É totalmente impossível a qualquer autoridade fiscal reconhecer tal direito creditório. Pelo acima exposto, não se cumpre a exigência, nem de liquidez, nem de certeza para que as compensações, via formulário ou software, sejam efetivadas ou autorizadas, conforme exigido pelo caput do art. 170 do Código Tributário Nacional. "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.””(negritos no original) Aprovando totalmente o parecer proferido pelo SEORT/DRF/NIU,`“ foi proferido o despacho decisório de fls. 55/56, que ficou assim redigido: “Aprovo o INDEFERIMENTO do suposto pedido de restituição na fl. 01 do processo administrativo 10768. 005838/200322, no valor de R$ 448.166,27. Aprovo o INDEFERIIMENT O do suposto pedido de ressarcimento de créditos de IPI (materialmente considerado) na fl. 01 do processo administrativo 10768. 005838/200322, no valor de R$ 448.166,27. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Inclusive, aprovo o NÃO RECONHECIMENTO da parcela referente aos juros conforme planilha de fis. 02 a 08 do processo administrativo 10768. 005838/200322, no valor de R$ 149.931,90. ° Aprovo a consequente NAO HOMOLOGACAO das compensações declaradas na fl. 01 do processo administrativo 13 746. 0003 70/200415, fl. 01, no valor de R$ 15.294,39. ° Aprovo a consequente NÃO HOMOLOGACÂO das compensações declaradas nas fls. 01 a 04 do processo administrativo 13 746. 000526/2004 50, no valor de R$ 49.996,63 07.01), R$ 44.465,82 Úl.02) ,R$ 11.405,99 (fi. 03), R$ 13.821,29 0104). ° Aprovo a consequente NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas nos PERDCOMPS do Quadro 1.." Cientificada pessoalmente do despacho decisório em 03 de junho de 2009, a interessada apresentou, em 03 de julho de 2009, sua manifestação de inconformidade, onde traz os seus argumentos, a seguir relatados: “In casu, a requerente é contribuinte de fato do imposto vez que não se aproveitou do mesmo para dedução de base de cálculo do Imposto de Renda e tampouco repercutiu este custo em seu preço de venda.” Continua, dizendo que os produtos que fabrica não sofrem a incidência do IPI e que a lei 9.779/99 permite “a utilização dos créditos decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, para compensação de outros tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal”. Diz que esta era exatamente a situação em que se enquadrava. Afirma textualmente que não fez a utilização dos créditos conforme previsto no artigo 11 da lei 9.779/99, como se verifica na transcrição abaixo: “Ocorre que, deixou o contribuinte de efetuar a utilização, via compensação, dos créditos acumulados nos trimestres calendários do período de 01/1999 a 12/2002, conforme permitido pelo art. 11 da supracitada lei." Logo a seguir vem apelar para aplicação do princípio da verdade material, alegando que o procedimento adotado não trouxe qualquer prejuízo para a Fazenda Nacional e solicitando que o seu pedido seja recebido como pedido de “ressarcimento, via compensação, de créditos apurados com base no art. 11 da Lei 9.779/99 ”. Com relação aos erros de escrituração, alega que o despacho decisório foi genérico ao apontar tais erros, pois não os especificou, discriminou. Por esta razão pede a realização de diligência, para que seja feita “uma verificação efetiva e subsistente de seus documentos ”. Ao final, requer, além da diligência, que seja reconhecida “a legitimidade do requerente como contribuinte de fato, julgando seu pedido e homologando as compensações procedidas, de todos os processos mencionados no despacho decisório guerreado, tud como base no art. 11 da Lei 9. 779/99”. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10768.005838/200322 Acórdão n.º 3802003.978 S3TE02 Fl. 113 5 Este é o relatório.” Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 3a Turma da DRJ de Juiz de Fora, rejeitou os argumentos do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 12/01/1999 a 20/08/2002 IPI. CRÉDITO NÃO ESCRITURADO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Para que o contribuinte tenha direito à restituição de qualquer tributo é imprescindível que tenha havido um pagamento indevido, conforme prescreve o art.165 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional. Portanto, somente nos casos de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento surgiria o pagamento de tributo em desacordo com a norma, sendo qualificado como indevido ou maior que O devido. O simples fato de o industrial, contribuinte do IPI, não ter ser aproveitado de tais valores na escrita não transforma o imposto destacado nas notas fiscais de aquisição, de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, em indevido, como quer a requerente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 12/01/1999 a 20/08/2002 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. São de pronto indeferidos os pedidos de diligência ou perícia considerados, a juízo do julgador, prescindíveis ao desfecho da lide (artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformado com a decisão recorrida, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos expendidos em sede de manifestação de inconformidade. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. É o relatório. Voto Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. O Recurso não possui meios de ser provido. O Recorrente aduz tratarse de pedido de compensação, nos termos do art. 74 da lei 9.430/96, de créditos de IPI não aproveitados. Ocorre que, para demonstrar seus créditos, o Recorrente apresenta uma planilha de créditos não aproveitados de IPI, além de livros sem movimentação no período – ou, como bem frisou a decisão recorrida, totalmente em branco nas rubricas de entradas e saídas. Ora, em pedidos de ressarcimento ou compensação, é ônus do sujeito passivo demonstrar o quanto ele entende que tem a receber, assim como é seu ônus comprovar a materialidade de seus créditos. A mera anexação de planilhas não é suficiente para fins comprobatórios, pois tratase somente de um apanhado de informações sem fé pública. Indo mais além, apenas a título de ilustração (ante a peculiaridade que o caso traz) vale destacar que, no caso concreto, o contribuinte arriscouse mesmo a sofrer pesada autuação por não escriturar adequadamente seus documentos fiscais do IPI. De toda forma, sem comprovação documental ou mesmo espeque em sua apuração tributária, não há como se reconhecer a pretensão do sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 188DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11075.000663/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP e CONFINS IMPORTAÇÃO. DISCUSSÃO ACERCA DA MINORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE ICMS PARA PRODUTOS INTEGRANTES DA CESTA BÁSICA. RE 559.937 AFETADO COM REPERCUSSÃO GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO I, ARTIGO 7º, DA LEI 10.865/04. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Não falar-se em nulidade do auto de infração quando se verifica a perfeita descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos são rebatidos pela parte em suas defesas.
Desnecessário discutir se a mercadoria importada integra ou não o rol de produtos da cesta básica e consequente minoração da alíquota de ICMS quando existente declaração de inconstitucionalidade em Recurso Extraordinário afetado com repercussão geral que impede a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições PIS/PASEP e CONFINS Importação.
Recurso Voluntário a que se dá provimento.
Numero da decisão: 3102-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Luis Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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DE PRODUTOS DE ALIMENTOS LTDA) Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP e CONFINS IMPORTAÇÃO. DISCUSSÃO ACERCA DA MINORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE ICMS PARA PRODUTOS INTEGRANTES DA CESTA BÁSICA. RE 559.937 AFETADO COM REPERCUSSÃO GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO I, ARTIGO 7º, DA LEI 10.865/04. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Não falarse em nulidade do auto de infração quando se verifica a perfeita descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos são rebatidos pela parte em suas defesas. Desnecessário discutir se a mercadoria importada integra ou não o rol de produtos da cesta básica e consequente minoração da alíquota de ICMS quando existente declaração de inconstitucionalidade em Recurso Extraordinário afetado com repercussão geral que impede a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições PIS/PASEP e CONFINS Importação. Recurso Voluntário a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 63 /2 00 6- 71 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/200671 Acórdão n.º 3102002.377 S3C1T2 Fl. 782 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Luis Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão proferida no Acórdão nº 0715.962 – 2ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa ao Processo 11075.000986/200664 em que figura como interessado SADIA S/A (INCORPORADOA DE BIG FOODS IND. DE PRODUTOS DE ALIMENTOS LTDA), em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 21/05/2004 a 19/01/2005 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1364, de 10/11/2004. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” Reproduzse o relatório do julgamento de 1º grau: Em sede de recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua impugnação, afirmando que: Preliminarmente: o auto de infração é nulo de pleno direito, eis que não atendeu a requisito indispensável, qual seja, a indicação clara e precisa dos dispositivos em que apoiado; no mérito: merece o recurso voluntário ser provido pois o produto em discussão, mistura pronta para a elaboração de massa, é produto integrante da cesta básica devendo ser taxado à alíquota de 7% e não de 18% como pretende o fisco. No entender da Recorrente, o rol de produtos disciplinados no art. 53, do Decreto nº 45.490/00 não é taxativo, eis que o Decreto 48.110/03 estendeu os produtos integrantes da cesta básica e; é inconstitucional o inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865/2004 que determina a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições incidentes na importação de bens. É o relatório. Passo a votar Voto Fl. 782DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/200671 Acórdão n.º 3102002.377 S3C1T2 Fl. 783 3 Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele conheço. Preliminarmente, não há que falarse em nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação. Ao seu revés, o auditor da Receita Federal do Brasil precisamente descreveu o fato gerador da obrigação tributária, indicando os dispositivos legais violados, os quais, indiscutivelmente, foram rebatidos pela recorrente, tanto em sede de impugnação, quanto neste recurso voluntário. No mérito, a controvérsia posta diz respeito à base de cálculo minorada do ICMs . Entretanto, no entender desta Conselheira, a possibilidade de minoração, ou não, da base de cálculo de cálculo de produto em que se entende ser integrante da cesta básica fica prejudicada, face o entendimento do Supremo Tribunal Federal, em sede do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, afetado com repercussão geral, julgado em 20 de março de 2013, no qual se declarou a inconstitucionalidade do inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865/2004. O dispositivo julgado inconstitucional determinava a inclusão do ICMS e das próprias contribuições para o PIS e COFINS, na base de cálculo dessas contribuições incidentes na importação de bens. O acórdão tem a seguinte ementa: “EMENTA. Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/200671 Acórdão n.º 3102002.377 S3C1T2 Fl. 784 4 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/200671 Acórdão n.º 3102002.377 S3C1T2 Fl. 785 5 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. “ (RE 559937, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013, DJe206 DIVULG 16102013 PUBLIC 17102013 EMENT VOL0270601 PP00011) Com efeito, ordena o caput do art. 62A do RICARF, que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C” do Código de Processo Civil (CPC), “deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. No caso em concreto, salvo melhor juízo, se é inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Confins Importação, desnecessário discutir se a alíquota aplicável do ICMS na importação do produto “mistura para pronta para a elaboração de massa” seria de 7% ou de 18%. Simplesmente ela deve ser excluída do cálculo do valor aduaneiro a ser oferecido à tributação. Por seu turno, importante destacar que em sede embargos de declaração, cuja ementa foi publicada em 14 de outubro de 2014, o STF indeferiu o pedido de modulação dos efeitos, cujos argumentos estão bem expostos na própria ementa: “EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade de parte do inciso I do art. 7º da Lei 10.865/04. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/200671 Acórdão n.º 3102002.377 S3C1T2 Fl. 786 6 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. Embargos de declaração não acolhidos. (RE 559937 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 200 DIVULG 13102014 PUBLIC 14102014. Por todo o exposto, se justifica, assim, a reforma da r. decisão recorrida, razão pela qual dou provimento ao recurso. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 786DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10380.904540/2009-37
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
[assinado digitalmente]
Ricardo Diefenthaeler - Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER
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RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 40 /2 00 9- 37 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/200937 Acórdão n.º 1803002.600 S1TE03 Fl. 211 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada em face do acórdão proferido pela DRJ a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 09498.52602.280706.1.3.040231, transmitida eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Resultado Ajustado Ajuste Anual. Como relata a decisão recorrida, na referida Dcomp, "o contribuinte alegou ter crédito oriundo do pagamento de CSLL, realizado em 31/03/2006, no valor principal de R$ 20.521,27 (cód. 6773), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial, no limite do valor de R$ 6.102,10, com débitos totalizando R$ 6.174,10 (fls. 5)". O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito declarado, sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de tributo, assinalando que o valor informado em DCTF é maior do que o valor devido. Apreciando o recurso, a Turma Julgadora da DRJ a quo entendeu que a contribuinte não apontou a origem do erro e não demonstrou sua existência, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/200937 Acórdão n.º 1803002.600 S1TE03 Fl. 212 3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, mormente diante da inconsistência entre as informações por ele prestadas à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13/8/2013 (fls. 116), a interessada apresentou o presente recurso em 12/9/2013 (fls. 118 e seguintes), tempestivamente, portanto. Assevera, em síntese, o que segue: a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de CSLL para o PA 12/2005 a maior do que o devido; b) que o valor correto foi informado na DIPJ, tendo a recorrente entendido que assim estaria corrigido o erro; c) que a DCTF somente foi retificada em momento posterior ao Despacho Decisório, observando que a IN SRF nº 600, de 2005, não veda a retificação dessa declaração nesse momento; d) que para "confirmar de forma irrefutável" o crédito reclamado, juntou cópia da DIPJ, das DCTFs Original e Retificadora, dos DARFs e do LALUR, que comprova a base de cálculo do período; e) que os princípios da verdade material e da boafé objetiva concorrem no sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito de CSLL relativa ao AC 2005 (código de receita 6773 "CSLL DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS DECLARAÇÃO DE AJUSTE"), que alega ter recolhido com erro, a maior. Refere que o valor devido e correto é R$ 14.860,37, tendo, no entanto, recolhido R$ 43.209,68. Relata que, embora tenha informado o último valor em DCTF, posteriormente constatou o erro a partir de análise mais detalhada da sua escrita. O valor correto foi, então, informado em DIPJ, julgando a recorrente que esse procedimento era suficiente para corrigir a informação. Somente depois de tomar conhecimento da não homologação da compensação fez a retificação da DCTF. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/200937 Acórdão n.º 1803002.600 S1TE03 Fl. 213 4 A decisão a quo assinala que a recorrente, limitouse a informar que o valor correto de CSLL apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim, que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente, não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado". Ocorre, no entanto, que o fato de constar em DIPJ apresentada em 28/06/2006 (fls. 164), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL Ajuste Anual no valor de R$ 14.860,37 (Ficha 17 fls. 179) indica que é plausível o argumento da recorrente de que entendeu ser suficiente a informação em DIPJ, daí a não retificação da DCTF antes do despacho decisório. Vejase, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise da Dcomp faz o cotejo do pagamento de que se origina o crédito a compensar com a informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ. Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de apuração constatado e corrigido com a apresentação da DIPJ, anteriormente, como se viu, à Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada. Não obstante o caráter de confissão da DCTF, a exatidão dos valores envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na fase de julgamento, seja em homenagem ao princípio da verdade material, seja para preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou, ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo. De outra banda, se a norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à época da retificação da DCTF do 2º Trimestre de 2005 (a retificadora foi entregue em 19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Conclusão Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente processo, abstraindose do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Devem os débitos compensados permanecer com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total das compensações promovidas. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/200937 Acórdão n.º 1803002.600 S1TE03 Fl. 214 5 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER
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Numero do processo: 18471.000786/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Relatório
Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, período de apuração de 01/08/2003 a 01/11/2005 e 01/01/2006 a 01/03/2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 183/198, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.564.169,25, acompanhado da multa de 75% e juros de mora.
A fiscalização levantou o Imposto de Renda Retido na Fonte constante da escrituração contábil da empresa e comparou com as informações prestadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs). As diferenças apuradas foram consideras como omissão, conforme demonstrativos de fls. 179/182.
Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:
- o auto de infração, lavrado por supostas diferenças entre valores escriturados e declarados em DCTF, seria nulo;
- o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela durante a fiscalização, ocasionando, assim, preterição do seu direito de defesa e exigência de valores já adimplidos, na forma de dupla tributação;
- o autuante, ao comparar os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias correspondentes ao IRRF teriam sido escrituradas na mesma conta, sem distinção de código de recolhimento;
- o autuante também teria deixado de considerar que os valores de IRRF declarados por ocasião da retenção do imposto teriam sido escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época de seu recolhimento;
- os valores considerados como devidos pelo autuante teriam sido adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e documentos acostados à impugnação;
- o autuante não teria efetuado corretamente o cálculo do montante devido e estaria cobrando valores regularmente recolhidos, o que tornaria nulo o lançamento realizado;
- a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que o auto de infração não conteria um requisito formal, ao deixar de trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido;
- o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo 142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica, previstos nos artigos 5°, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição da República;
- segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente seriam válidos se contivessem todos os requisitos legais, impondo-se aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável, da penalidade a ser adotada etc.;
- teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência de crédito tributário exigível;
- o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que o autuante não teria apresentado provas dos fatos tributáveis que teriam sido apurados por ele;
- a imprecisão do auto de infração, por si só, já tornaria nula a autuação, em razão da falta de elementos essenciais ao auto de infração;
- o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram a apuração da matéria tributária e do montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 101-92819 do Conselho de Contribuintes;
- a ausência de verificação pelo autuante da documentação por ela apresentada no curso da ação fiscal configuraria nítido cerceamento de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72;
- o IRRF incidiria sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, devendo ser retido por ocasião de cada pagamento, nos termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99;
- apesar de a retenção do IRRF ocorrer no momento do efetivo pagamento da renda ao empregado, o seu recolhimento deveria ser feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005);
- antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do pagamento do rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II, do RIR/99);
- o recolhimento do imposto de renda na fonte relativo a férias de empregados seria efetuado separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, sendo que a base de cálculo corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos abonos previstos no art. 7° da Constituição Federal e no art. 143 da CLT;
- as férias deveriam ser pagas ao empregado até dois dias antes do início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT, sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte;
- quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n° 347/70 atribuiria ao contribuinte a possibilidade de escolher livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais a opinarem sobre processos de contabilização;
- ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em uma determinada conta todos os valores referentes à retenção do imposto de renda, sem a necessidade de separá-los por código de arrecadação;
- além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta, visando a atender às suas necessidades internas, ela utilizaria dois tipos diferentes de contabilização de receitas e despesas, sendo um para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço;
- a Fiscalização, ao elaborar o comparativo entre os valores declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas o crédito efetuado na conta referente à "provisão" do imposto devido no mês subseqüente/anterior;
- assim, os valores considerados como devidos pela Fiscalização seriam referentes aos pagos no mês posterior/anterior, oriundos da conta transitória e transferidos para a conta permanente, por ocasião do recolhimento do tributo;
- em relação ao CÓDIGO 0588, correspondente a rendimento sobre trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a contabilização pelo regime de caixa (pagamento);
- o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março, corresponderia à retenção ocorrida no mês de fevereiro, sendo certo que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da mora no pagamento;
- deveriam ser cancelados os valores autuados relativos à diferença entre os tributos escriturados e os declarados, pois, apesar dos equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado;
- muitas das divergências apontadas no auto de infração seriam insubsistentes, em razão de o autuante não ter considerado os recolhimentos efetuados com os códigos de apuração 1708, 8045 e 3280;
- em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados seriam relativos ao pagamento de rendimentos a pessoa física em razão do início do período de férias;
- teria havido um descompasso temporal entre a escrituração, que indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que apontaria o mês do seu fato gerador;
- o descompasso decorreria da própria legislação que trata da retenção e do recolhimento do IR-Fonte no que tange ao pagamento de férias ao trabalhador assalariado;
- o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual é recolhido, havendo, por isso, uma dificuldade na escrituração e na declaração de tais valores;
- se o fato gerador do tributo ocorre em determinado mês, o tributo deveria ser declarado em DCTF como correspondente a esse mesmo mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída dos valores de caixa;
- o autuante deveria ter feito uma verificação exaustiva dos fatos, em vez de ter efetuado a autuação sem analisar os documentos apresentados por ela no curso da fiscalização;
- o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre valor escriturado e declarado;
- apesar da falta de correspondência entre a escrituração e a declaração do imposto, tanto a retenção como o recolhimento do tributo teriam se dado de forma correta, motivo pelo qual jamais poderia ter havido autuação;
- também em relação ao código 0561, teriam sido autuados valores referentes a estornos de lançamentos equivocados, visando a sua anulação;
- como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor do IRRF escriturado e o declarado;
- nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele código teria sido de R$ 35.043,44 e se referiria à remuneração de férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto;
- o valor de R$ 35.043,44 englobaria os valores realmente pagos no mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês de outubro; seria composto dos valores de R$ 699,81, que teria sido declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo mês, de R$ 31.615,68, que teria sido declarado equivocadamente no mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no mês de setembro;
- à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns casos quando do momento da escrituração, em virtude de seu entendimento de que o fato gerador do IRRF ocorreria no início do período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao empregado até dois dias antes;
- quanto ao valor escriturado de R$ 30.918,79, o autuante não teria percebido que ele teria sido estornado, ou seja, lançado a débito e a crédito, para anulação;
- em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de infração, em virtude de o tributo ter sido devidamente retido e recolhido;
- mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de contabilização utilizada por ela, o que não teria ocorrido, tal fato jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos realizados;
- em razão de mera incompreensão da forma de contabilização adotada por ela, o autuante estaria exigindo imposto sobre fatos geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se comprovaria pela documentação acostada;
- de qualquer forma, a simples ocorrência de ERRO FORMAL não poderia macular a existência dos pagamentos efetuados e, tampouco, autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na eventual existência de tais erros;
- meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva inexistência do débito, especialmente em razão da observância do princípio da verdade material, aliás, aplicado amplamente pelo Conselho de Contribuintes;
- em razão de ter verificado pequenas incorreções acerca do recolhimento do IRRF, teria providenciado a quitação dos valores correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias de DARF anexadas (fls. 290 a 332).
Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para ser declarada a nulidade apontada ou ser cancelado o auto de infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF lançado.
Os documentos que acompanham a impugnação correspondem basicamente à procuração, substabelecimento, cópias de ata de assembléia, de contrato social e alterações, do auto de infração, do termo de verificação fiscal e os demonstrativos que o acompanham, além de cópias de diversos Darf com data de recolhimento de 08/08/2007 (fls. 244 a 332).
O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou que deixou para proceder à alocação dos pagamentos efetuados pela interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl. 336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl. 337).
A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:
DELIMITAÇÃO DA LIDE. PAGAMENTO PARCIAL NO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Não se instaura a fase litigiosa em relação ao crédito tributário recolhido pelo contribuinte no prazo previsto para a impugnação do auto de infração, afigurando-se essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
DIFERENÇAS DE IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE A ESCRITURAÇÃO E A DCTF
A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora.
Lançamento Procedente
Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871 e 1872 a 1999), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, período de apuração de 01/08/2003 a 01/11/2005 e 01/01/2006 a 01/03/2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 183/198, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.564.169,25, acompanhado da multa de 75% e juros de mora. A fiscalização levantou o Imposto de Renda Retido na Fonte constante da escrituração contábil da empresa e comparou com as informações prestadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs). As diferenças apuradas foram consideras como omissão, conforme demonstrativos de fls. 179/182. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - o auto de infração, lavrado por supostas diferenças entre valores escriturados e declarados em DCTF, seria nulo; - o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela durante a fiscalização, ocasionando, assim, preterição do seu direito de defesa e exigência de valores já adimplidos, na forma de dupla tributação; - o autuante, ao comparar os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias correspondentes ao IRRF teriam sido escrituradas na mesma conta, sem distinção de código de recolhimento; - o autuante também teria deixado de considerar que os valores de IRRF declarados por ocasião da retenção do imposto teriam sido escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época de seu recolhimento; - os valores considerados como devidos pelo autuante teriam sido adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e documentos acostados à impugnação; - o autuante não teria efetuado corretamente o cálculo do montante devido e estaria cobrando valores regularmente recolhidos, o que tornaria nulo o lançamento realizado; - a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que o auto de infração não conteria um requisito formal, ao deixar de trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido; - o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo 142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica, previstos nos artigos 5°, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição da República; - segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente seriam válidos se contivessem todos os requisitos legais, impondo-se aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável, da penalidade a ser adotada etc.; - teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência de crédito tributário exigível; - o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que o autuante não teria apresentado provas dos fatos tributáveis que teriam sido apurados por ele; - a imprecisão do auto de infração, por si só, já tornaria nula a autuação, em razão da falta de elementos essenciais ao auto de infração; - o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram a apuração da matéria tributária e do montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 101-92819 do Conselho de Contribuintes; - a ausência de verificação pelo autuante da documentação por ela apresentada no curso da ação fiscal configuraria nítido cerceamento de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72; - o IRRF incidiria sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, devendo ser retido por ocasião de cada pagamento, nos termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99; - apesar de a retenção do IRRF ocorrer no momento do efetivo pagamento da renda ao empregado, o seu recolhimento deveria ser feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005); - antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do pagamento do rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II, do RIR/99); - o recolhimento do imposto de renda na fonte relativo a férias de empregados seria efetuado separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, sendo que a base de cálculo corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos abonos previstos no art. 7° da Constituição Federal e no art. 143 da CLT; - as férias deveriam ser pagas ao empregado até dois dias antes do início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT, sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte; - quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n° 347/70 atribuiria ao contribuinte a possibilidade de escolher livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais a opinarem sobre processos de contabilização; - ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em uma determinada conta todos os valores referentes à retenção do imposto de renda, sem a necessidade de separá-los por código de arrecadação; - além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta, visando a atender às suas necessidades internas, ela utilizaria dois tipos diferentes de contabilização de receitas e despesas, sendo um para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço; - a Fiscalização, ao elaborar o comparativo entre os valores declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas o crédito efetuado na conta referente à "provisão" do imposto devido no mês subseqüente/anterior; - assim, os valores considerados como devidos pela Fiscalização seriam referentes aos pagos no mês posterior/anterior, oriundos da conta transitória e transferidos para a conta permanente, por ocasião do recolhimento do tributo; - em relação ao CÓDIGO 0588, correspondente a rendimento sobre trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a contabilização pelo regime de caixa (pagamento); - o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março, corresponderia à retenção ocorrida no mês de fevereiro, sendo certo que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da mora no pagamento; - deveriam ser cancelados os valores autuados relativos à diferença entre os tributos escriturados e os declarados, pois, apesar dos equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado; - muitas das divergências apontadas no auto de infração seriam insubsistentes, em razão de o autuante não ter considerado os recolhimentos efetuados com os códigos de apuração 1708, 8045 e 3280; - em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados seriam relativos ao pagamento de rendimentos a pessoa física em razão do início do período de férias; - teria havido um descompasso temporal entre a escrituração, que indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que apontaria o mês do seu fato gerador; - o descompasso decorreria da própria legislação que trata da retenção e do recolhimento do IR-Fonte no que tange ao pagamento de férias ao trabalhador assalariado; - o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual é recolhido, havendo, por isso, uma dificuldade na escrituração e na declaração de tais valores; - se o fato gerador do tributo ocorre em determinado mês, o tributo deveria ser declarado em DCTF como correspondente a esse mesmo mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída dos valores de caixa; - o autuante deveria ter feito uma verificação exaustiva dos fatos, em vez de ter efetuado a autuação sem analisar os documentos apresentados por ela no curso da fiscalização; - o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre valor escriturado e declarado; - apesar da falta de correspondência entre a escrituração e a declaração do imposto, tanto a retenção como o recolhimento do tributo teriam se dado de forma correta, motivo pelo qual jamais poderia ter havido autuação; - também em relação ao código 0561, teriam sido autuados valores referentes a estornos de lançamentos equivocados, visando a sua anulação; - como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor do IRRF escriturado e o declarado; - nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele código teria sido de R$ 35.043,44 e se referiria à remuneração de férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto; - o valor de R$ 35.043,44 englobaria os valores realmente pagos no mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês de outubro; seria composto dos valores de R$ 699,81, que teria sido declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo mês, de R$ 31.615,68, que teria sido declarado equivocadamente no mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no mês de setembro; - à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns casos quando do momento da escrituração, em virtude de seu entendimento de que o fato gerador do IRRF ocorreria no início do período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao empregado até dois dias antes; - quanto ao valor escriturado de R$ 30.918,79, o autuante não teria percebido que ele teria sido estornado, ou seja, lançado a débito e a crédito, para anulação; - em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de infração, em virtude de o tributo ter sido devidamente retido e recolhido; - mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de contabilização utilizada por ela, o que não teria ocorrido, tal fato jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos realizados; - em razão de mera incompreensão da forma de contabilização adotada por ela, o autuante estaria exigindo imposto sobre fatos geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se comprovaria pela documentação acostada; - de qualquer forma, a simples ocorrência de ERRO FORMAL não poderia macular a existência dos pagamentos efetuados e, tampouco, autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na eventual existência de tais erros; - meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva inexistência do débito, especialmente em razão da observância do princípio da verdade material, aliás, aplicado amplamente pelo Conselho de Contribuintes; - em razão de ter verificado pequenas incorreções acerca do recolhimento do IRRF, teria providenciado a quitação dos valores correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias de DARF anexadas (fls. 290 a 332). Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para ser declarada a nulidade apontada ou ser cancelado o auto de infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF lançado. Os documentos que acompanham a impugnação correspondem basicamente à procuração, substabelecimento, cópias de ata de assembléia, de contrato social e alterações, do auto de infração, do termo de verificação fiscal e os demonstrativos que o acompanham, além de cópias de diversos Darf com data de recolhimento de 08/08/2007 (fls. 244 a 332). O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou que deixou para proceder à alocação dos pagamentos efetuados pela interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl. 336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl. 337). A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DELIMITAÇÃO DA LIDE. PAGAMENTO PARCIAL NO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não se instaura a fase litigiosa em relação ao crédito tributário recolhido pelo contribuinte no prazo previsto para a impugnação do auto de infração, afigurando-se essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DIFERENÇAS DE IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE A ESCRITURAÇÃO E A DCTF A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871 e 1872 a 1999), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, período de apuração de 01/08/2003 a 01/11/2005 e 01/01/2006 a 01/03/2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 183/198, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.564.169,25, acompanhado da multa de 75% e juros de mora. 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RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 78 6/ 20 07 -6 9 Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: o auto de infração, lavrado por supostas diferenças entre valores escriturados e declarados em DCTF, seria nulo; o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela durante a fiscalização, ocasionando, assim, preterição do seu direito de defesa e exigência de valores já adimplidos, na forma de dupla tributação; o autuante, ao comparar os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias correspondentes ao IRRF teriam sido escrituradas na mesma conta, sem distinção de código de recolhimento; o autuante também teria deixado de considerar que os valores de IRRF declarados por ocasião da retenção do imposto teriam sido escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época de seu recolhimento; os valores considerados como devidos pelo autuante teriam sido adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e documentos acostados à impugnação; o autuante não teria efetuado corretamente o cálculo do montante devido e estaria cobrando valores regularmente recolhidos, o que tornaria nulo o lançamento realizado; a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que o auto de infração não conteria um requisito formal, ao deixar de trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido; o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo 142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica, previstos nos artigos 5°, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição da República; segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente seriam válidos se contivessem todos os requisitos legais, impondose aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável, da penalidade a ser adotada etc.; teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência de crédito tributário exigível; o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que o autuante não teria apresentado provas dos fatos tributáveis que teriam sido apurados por ele; a imprecisão do auto de infração, por si só, já tornaria nula a autuação, em razão da falta de elementos essenciais ao auto de infração; Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 4 3 o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram a apuração da matéria tributária e do montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 101 92819 do Conselho de Contribuintes; a ausência de verificação pelo autuante da documentação por ela apresentada no curso da ação fiscal configuraria nítido cerceamento de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72; o IRRF incidiria sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, devendo ser retido por ocasião de cada pagamento, nos termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99; apesar de a retenção do IRRF ocorrer no momento do efetivo pagamento da renda ao empregado, o seu recolhimento deveria ser feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005); antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do pagamento do rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II, do RIR/99); o recolhimento do imposto de renda na fonte relativo a férias de empregados seria efetuado separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, sendo que a base de cálculo corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos abonos previstos no art. 7° da Constituição Federal e no art. 143 da CLT; as férias deveriam ser pagas ao empregado até dois dias antes do início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT, sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte; quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n° 347/70 atribuiria ao contribuinte a possibilidade de escolher livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais a opinarem sobre processos de contabilização; ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em uma determinada conta todos os valores referentes à retenção do imposto de renda, sem a necessidade de separálos por código de arrecadação; além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta, visando a atender às suas necessidades internas, ela utilizaria dois tipos diferentes de contabilização de receitas e despesas, sendo um para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço; a Fiscalização, ao elaborar o comparativo entre os valores declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 5 4 o crédito efetuado na conta referente à "provisão" do imposto devido no mês subseqüente/anterior; assim, os valores considerados como devidos pela Fiscalização seriam referentes aos pagos no mês posterior/anterior, oriundos da conta transitória e transferidos para a conta permanente, por ocasião do recolhimento do tributo; em relação ao CÓDIGO 0588, correspondente a rendimento sobre trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a contabilização pelo regime de caixa (pagamento); o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março, corresponderia à retenção ocorrida no mês de fevereiro, sendo certo que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da mora no pagamento; deveriam ser cancelados os valores autuados relativos à diferença entre os tributos escriturados e os declarados, pois, apesar dos equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado; muitas das divergências apontadas no auto de infração seriam insubsistentes, em razão de o autuante não ter considerado os recolhimentos efetuados com os códigos de apuração 1708, 8045 e 3280; em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados seriam relativos ao pagamento de rendimentos a pessoa física em razão do início do período de férias; teria havido um descompasso temporal entre a escrituração, que indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que apontaria o mês do seu fato gerador; o descompasso decorreria da própria legislação que trata da retenção e do recolhimento do IRFonte no que tange ao pagamento de férias ao trabalhador assalariado; o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual é recolhido, havendo, por isso, uma dificuldade na escrituração e na declaração de tais valores; se o fato gerador do tributo ocorre em determinado mês, o tributo deveria ser declarado em DCTF como correspondente a esse mesmo mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída dos valores de caixa; o autuante deveria ter feito uma verificação exaustiva dos fatos, em vez de ter efetuado a autuação sem analisar os documentos apresentados por ela no curso da fiscalização; o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 6 5 de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre valor escriturado e declarado; apesar da falta de correspondência entre a escrituração e a declaração do imposto, tanto a retenção como o recolhimento do tributo teriam se dado de forma correta, motivo pelo qual jamais poderia ter havido autuação; também em relação ao código 0561, teriam sido autuados valores referentes a estornos de lançamentos equivocados, visando a sua anulação; como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor do IRRF escriturado e o declarado; nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele código teria sido de R$ 35.043,44 e se referiria à remuneração de férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto; o valor de R$ 35.043,44 englobaria os valores realmente pagos no mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês de outubro; seria composto dos valores de R$ 699,81, que teria sido declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo mês, de R$ 31.615,68, que teria sido declarado equivocadamente no mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no mês de setembro; à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns casos quando do momento da escrituração, em virtude de seu entendimento de que o fato gerador do IRRF ocorreria no início do período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao empregado até dois dias antes; quanto ao valor escriturado de R$ 30.918,79, o autuante não teria percebido que ele teria sido estornado, ou seja, lançado a débito e a crédito, para anulação; em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de infração, em virtude de o tributo ter sido devidamente retido e recolhido; mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de contabilização utilizada por ela, o que não teria ocorrido, tal fato jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos realizados; em razão de mera incompreensão da forma de contabilização adotada por ela, o autuante estaria exigindo imposto sobre fatos geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se comprovaria pela documentação acostada; de qualquer forma, a simples ocorrência de ERRO FORMAL não poderia macular a existência dos pagamentos efetuados e, tampouco, Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 7 6 autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na eventual existência de tais erros; meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva inexistência do débito, especialmente em razão da observância do princípio da verdade material, aliás, aplicado amplamente pelo Conselho de Contribuintes; em razão de ter verificado pequenas incorreções acerca do recolhimento do IRRF, teria providenciado a quitação dos valores correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias de DARF anexadas (fls. 290 a 332). Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para ser declarada a nulidade apontada ou ser cancelado o auto de infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF lançado. Os documentos que acompanham a impugnação correspondem basicamente à procuração, substabelecimento, cópias de ata de assembléia, de contrato social e alterações, do auto de infração, do termo de verificação fiscal e os demonstrativos que o acompanham, além de cópias de diversos Darf com data de recolhimento de 08/08/2007 (fls. 244 a 332). O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou que deixou para proceder à alocação dos pagamentos efetuados pela interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl. 336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl. 337). A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DELIMITAÇÃO DA LIDE. PAGAMENTO PARCIAL NO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não se instaura a fase litigiosa em relação ao crédito tributário recolhido pelo contribuinte no prazo previsto para a impugnação do auto de infração, afigurandose essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DIFERENÇAS DE IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE A ESCRITURAÇÃO E A DCTF Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 8 7 A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871 e 1872 a 1999), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os autos de lançamento fiscal decorrente de procedimento de auditoria, que constatou a falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte, códigos 0561, 0588 e 1708, referente ao período de apuração de 01/08/2003 a 01/11/2005, 01/01/2006 a 01/03/2007. A autoridade fiscal apurou o Imposto de Renda Retido na Fonte escriturado na contabilidade da empresa e comparou com as informações prestadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF’s). As diferenças apuradas foram consideras como omissão e, consequentemente, fizeram parte do lançamento. Transcrevese parte do Termo de Verificação Fiscal (fls. 176/178): Diferença entre valores escriturados e declarados IRRF Cotejando os valores escriturados nos livros contábeis a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, contas: 214503.001(IRRF s/sal e hon adm); 214503.002 (IRRF s/ autônomos); 214503.003(IRRF s/serv profiss), códigos 0561, 0588 e 1708 as fls.39 a 158, e os declarados em DCTFs – período 08/2003 a 03/2007, fls.29 a 38, constatamos que o contribuinte omitiu nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFs os valores relacionados no Demonstrativo de "Divergência Valores Declarados e escriturados" anexos a este Termo. Contudo, alega a suplicante que, quando se utiliza para a constituição da exigência a escrituração contábil da empresa, há uma natural discrepância entre o imposto escriturado e recolhido e, por essa razão, a informação constante na contabilidade não se harmoniza com a prestada na DCTF. Além do mais, existem outros lançamentos na conta contábil que não representam necessariamente imposto retido na fonte passível de ser recolhido. Confira a argumentação da contribuinte (Recurso Voluntário – fl. 1887): Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/200769 Resolução nº 2201000.159 S2C2T1 Fl. 9 8 63. Visando a exemplificar a situação, observese o ocorrido no mês de fevereiro de 2006. A D. Autoridade Fiscal, analisando a conta contábil n.° 10200.214503.002, cuja nomenclatura é IRRF sobre autônomos, verificou uma diferença a recolher apurada no valor de R$ 14.606,54. 64. Esta diferença corresponde ao valor de R$ 14.911,01 que foi escriturado no mês de fevereiro, na mesma conta contábil do IRRF sobre autônomos, todavia, se refere ao código 1708, ou seja, remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas, somado ao valor de R$ 1.481,47 que corresponde a valor estornado, ou seja, creditado e debitado no livro fiscal, subtraído do valor de R$ 1.785,94, que foi declarado no mês de fevereiro, contudo, foi escriturado no mês de março, em virtude do recolhimento do tributo ter sido efetivamente efetuado no mês de março. 65. Concluise, pois, que a D. Autoridade Administrativa jamais poderia ter computado o valor estornado de R$ 1.481,47 como tributo a recolher, tampouco poderia efetuar a cobrança do valor de R$ 14.911,01 tãosomente por acreditar que por estar em conta contábil diversa da que considera correta, não houve recolhimento do tributo. De fato, quando se tenta cotejar o imposto escriturado com o efetivamente declarado, não é possível aferir qual é efetivamente o imposto retido na fonte que deixou de constar na DCTF e, por conseguinte, não recolhido pela autuada. Assim, como a recorrente alega que a conta contábil precisa necessariamente ser ajustada, para se obter a real base da autuação, proponho converter o processo em diligência para adoção das seguintes providencias: a) intimar o contribuinte para que no prazo de 30 dias providencie planilha contendo todos os valores individualmente lançados nas respectivas contas, devidamente conciliadas, indicando a data do fato gerador, histórico, data de recolhimento, valor do imposto retido, valor do imposto pago e a consequente informação na DCTF. A planilha deverá ser acompanhada dos respectivos documentos; b) a planilha apresentada deverá ser objeto de auditoria pela fiscalização, que lavrará relatório circunstanciado informando o real valor omitido. A autoridade fiscal avaliará a necessidade ou não da juntada de documentos; c) do relatório acima, deverá a autoridade lançadora dar ciência ao contribuinte para, em prazo razoável, querendo, manifestarse. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10530.004512/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO. FALTA DE REQUERIMENTO. Não faz jus à redução do imposto a pessoa jurídica que não requereu o reconhecimento desse direito à autoridade tributária competente, embora tenha obtido, da ADENE, a declaração de que satisfaz as condições para seu gozo.
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso IV da Lei Nº 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de redução; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que convertiam o julgamento em diligência, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari; e 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
PAULO REYNALDO BECARI Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO. FALTA DE REQUERIMENTO. Não faz jus à redução do imposto a pessoa jurídica que não requereu o reconhecimento desse direito à autoridade tributária competente, embora tenha obtido, da ADENE, a declaração de que satisfaz as condições para seu gozo. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso IV da Lei Nº 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de redução; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que convertiam o julgamento em diligência, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari; e 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO REYNALDO BECARI Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.004512/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.234 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria IRPJ Incentivos Fiscais Recorrente FRIBARREIRAS AGRO INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA (nova razão social de FRIGORÍFICO REGIONAL DE BARREIRAS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO. FALTA DE REQUERIMENTO. Não faz jus à redução do imposto a pessoa jurídica que não requereu o reconhecimento desse direito à autoridade tributária competente, embora tenha obtido, da ADENE, a declaração de que satisfaz as condições para seu gozo. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso IV da Lei Nº 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de redução; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que convertiam o julgamento em diligência, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari; e 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 45 12 /2 00 8- 76 Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 3 2 divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO REYNALDO BECARI – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório FRIBARREIRAS AGRO INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA (nova razão social de FRIGORÍFICO REGIONAL DE BARREIRAS LTDA), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/12/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.144.668,44, em razão da constatação das seguintes infrações: · Glosa de redução do IRPJ nos anoscalendário 2005 (R$ 14.354,72) e 2006 (R$ 79.678,43): a contribuinte não apresentou requerimento para gozo de benefício fiscal no âmbito da SUDENE, constatandose a existência apenas do processo administrativo nº 10580.007195/200510, instruído com cópia do Ofício ADENE nº 0952/2005 e do Laudo Constitutivo nº 184/2005. Intimada naqueles autos, a contribuinte não apresentou o original do referido laudo e o requerimento previsto no art. 60 da Instrução Normativa SRF nº 267/2002. No anocalendário 2006, embora informando ter usufruído de benefício fiscal de redução por reinvestimento, a escrituração da empresa evidenciou que a dedução decorria de benefício de redução de 75% do imposto devido, à semelhança do que constatado no ano calendário 2005; · Falta de recolhimento de estimativas nos anoscalendário 2005 e 2006: a contribuinte nada recolheu, nem declarou os débitos correspondentes em DCTF, e depois de intimada apresentou DIPJ retificadora informando cálculo de estimativas com base em balancetes de suspensão/redução, mas estas demonstrações não foram localizadas em sua escrituração. As estimativas devidas foram apuradas com base na receita bruta e acréscimos, e a partir delas foi calculada a multa isolada no percentual de 50%. A autoridade lançadora desconsiderou recolhimentos promovidos sob o código 5993, classificandoos como indébito; · Falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, cujas apurações foram recompostas a partir do conteúdo da escrituração da contribuinte, desconsiderando informações equivocadas prestadas em DIPJ, bem como retificando os ajustes do LALUR incompatíveis com os fatos contabilizados; e · Multa por não preenchimento/preenchimento incorreto do LALUR nos anoscalendário 2005 e 2006, no valor fixo de R$ 80,79. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou a ausência de autorização para prorrogação do procedimento fiscal, disse que requereu regularmente o benefício fiscal glosado pela Fiscalização e não foi intimada acerca de qualquer indeferimento, opôsse à glosa Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 5 4 por falta de apresentação do original do Laudo Constitutivo, alegou que optou pelo recolhimento anual do IRPJ e da CSLL e que disporia de livros de balancetes demonstrando a desnecessidade do recolhimento mensal de estimativas, afirmou absurda a desconsideração do recolhimento promovido sob código 5993, atribuiu as insuficiências de recolhimento às demais infrações impugnadas, e discordou da motivação para aplicação da multa por preenchimento incorreto do LALUR. O julgamento da impugnação foi convertido em diligência para verificação do destino dado ao processo administrativo alegado pela contribuinte (nº 10580.007195/2005 10), constatandose que o pedido não foi formalizado em razão do não atendimento de intimação para saneamento dos vícios do processo. A contribuinte fora cientificada do indeferimento em 25/10/2010 e não apresentou qualquer manifestação. A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, observou que o processo administrativo nº 10580.007195/200510 não era integrado por pedido de reconhecimento do benefício fiscal e apresentava outros vícios formais que não foram saneados, registrou que a contribuinte não provou ter apresentado os balancetes de suspensão à Fiscalização, afirmou necessária a escrituração destas demonstrações no Livro Diário, admitiu a imputação do recolhimento promovido sob código 5993 aos valores devidos a título de IRPJ no ajuste anual de 2005 e na estimativa de dezembro/2005, declarou não refutadas as irregularidades constatadas no preenchimento do LALUR, e manteve integralmente as exigências de CSLL. O acórdão está assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 INCENTIVOS FISCAIS. EMPREENDIMENTOS NA ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. RECONHECIMENTO PELA RECEITA FEDERAL. As pessoas Jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da extinta Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, desde que tal benefício seja formalmente reconhecido pela Receita Federal do Brasil. AUSÊNCIA DE CONFISSÃO EM DCTF. LANÇAMENTO. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO. Na ausência da confissão em DCTF do imposto devido, é cabível a realização do lançamento para a constituição do correspondente crédito tributário, ainda que tenha ocorrido o recolhimento espontâneo, não persistindo, no entanto, a cobrança dos encargos legais aplicados. ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 6 5 Configurada a falta do pagamento de estimativa do IRPJ, verificase cabível a aplicação isolada da multa de ofício no percentual de 50% calculada sobre o valor da estimativa que deixou de ser recolhida. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005, 2006 ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA. Configurada a falta do pagamento de estimativa da CSLL, verificase cabível a aplicação isolada da multa de ofício no percentual de 50% calculada sobre o valor da estimativa que deixou de ser recolhida. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU CONFISSÃO EM DCTF. LANÇAMENTO. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO. Na ausência da confissão em DCTF da CSLL devida, é cabível a realização do lançamento para a constituição do correspondente crédito tributário. O crédito tributário exonerado representou montante inferior ao estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, não ensejando reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/07/2011 (fl. 309), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 10/08/2011 (fls. 315/326). Inicialmente se opõe à exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas invocando a jurisprudência deste Conselho contrária à sua aplicação em face da simples falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no livro Diário. Diz que a decisão recorrida renovoulhe a oportunidade de apresentação dos referidos balancetes, juntados ao recurso voluntário, e observa que a apuração fiscal não considerou os prejuízos e resultados negativos do período. Invoca os princípios da verdade material e da razoabilidade, mas ressalta que a exigência de recolhimento por estimativa não era obrigatória para IRPJ, quiçá a exigência de recolhimento por estimativa de CSLL, reportandose a decisão proferida pelo TRF/1a Região no âmbito da AMS nº 2006.33.00.0031982/BA. No mais, quanto ao benefício fiscal usufruído nos períodos autuadas, diz que lhe foi concedida a redução de imposto no período de 2005 a 2013, por meio do Laudo Constitutivo nº 184/2005, e o acórdão recorrido alega que o contribuinte apenas protocolou o pedido com o laudo constitutivo e não houve resposta à Intimação nº 89/2006 da DRF de Feira de Santana para sanar vícios quanto à apresentação de outros documentos. Referido pedido, porém, somente foi considerado “não admitido” em decisão cientificada à contribuinte em 25/10/2010, de modo que antes disto a Fiscalização não poderia ignorar o benefício e promover o lançamento. Observa que a DRJ não tem competência para decidir nestes autos matéria atinente a outro processo administrativo, diz que o pedido de reconhecimento do benefício fiscal deve ser analisado em até 120 (cento e vinte) dias, sob pena de homologação tácita, a qual teria se verificado entre o protocolo do pedido (16/08/2005) e a intimação para sanar os vícios (04/09/2006), ou mesmo até a ciência do despacho de inadmissibilidade do pedido (25/10/2010). Reportase à Solução de Consulta nº 22/2003 em favor do reconhecimento automático do direito ao benefício em tais circunstâncias, destacando que não podem ser exigidas parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja no gozo da redução após expirado o prazo de análise do período. Demais disso, o direito à redução do IRPJ, formalizado pelo Laudo Constitutivo, permanece válido, bastando que a SRF reconheça o direito. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 7 6 Finaliza afirmando a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa, observando que somente teve conhecimento do fato quando da intimação da decisão de 1a instância, de modo que se não for declarada a impossibilidade de sua exigência porque não presente no lançamento original, sua defesa deve ser conhecida, afastandose o acréscimo consoante já decidido em outros julgados deste Conselho, ante a falta de suporte legal para aplicação dos juros, mormente tendo em conta que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 não se presta a tanto, sob pena de autorizar, também, a aplicação de multa de mora sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, a recorrente se limita a defender seu direito à redução do IRPJ e a discordar da exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. Nada opõe às demais irregularidades que se agregaram à glosa de redução do IRPJ para ensejar as exigências de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, e também motivaram a multa por não preenchimento/preenchimento incorreto do LALUR. Assim, embora questione a aplicação de juros de mora sobre toda penalidade exigida, e ao final peça o reconhecimento da improcedência da exigência fiscal, é certo que as infrações distintas daquelas acima referidas não foram controvertidas, verificandose a preclusão. Com referência ao benefício fiscal pretendido pela recorrente, assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99: Art. 551. Até 31 de dezembro de 1997, as pessoas jurídicas que mantenham empreendimentos industriais ou agrícolas em operação na área de atuação da SUDENE, em relação aos aludidos empreendimentos, pagarão o imposto e adicionais não restituíveis com a redução de cinqüenta por cento (Lei nº 4.239, de 1963, art. 14, Lei nº 5.508, de 1968, art. 35, Lei nº 7.450, de 1985, art. 58, inciso I, DecretoLei nº 2.454, de 1988, art. 2º, Lei nº 8.874, de 1994, art. 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 3º, § 2º). § 1º A redução de que trata este artigo somente se aplica ao imposto e adicionais não restituíveis calculados com base no lucro da exploração (art. 544) do empreendimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art.19, § 1º alínea " b ", e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I). § 2º A redução de que trata este artigo não impede a aplicação em incentivos fiscais (FINAM, FINOR E FUNRES), nas condições previstas neste Decreto, com relação ao montante de imposto a pagar. § 3º A redução do imposto e adicionais não restituíveis, a partir de 1º de janeiro de 1998, passa a ser calculada segundo os seguintes percentuais (Lei nº 9.532, de 1997, art. 3º, § 2º): I trinta e sete e meio por cento, a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II vinte e cinco por cento, a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III doze e meio por cento, a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 4º Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, o benefício fiscal de que trata este artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 3º, § 3º). A legislação em vigor à época dos fatos conta com alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.199/2001 e pela Lei nº 11.196/2005, nos seguintes termos: Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 9 8 Medida Provisória nº 2.199, de 2001: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração Lei nº 11.196, de 2005: Art. 32. O art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do ano calendário subseqüente ao do início da operação. ......................................... 3o O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. ........................................” (NR) De toda sorte, o procedimento para reconhecimento do benefício permaneceu inalterado nos termos do RIR/99: Reconhecimento do Direito à Redução Art. 553. O direito à redução de que trata o art. 551 será reconhecido pela Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o contribuinte (Lei nº 4.239, de 1963, art. 16). § 1º O reconhecimento do direito à redução será requerido pela pessoa jurídica, que deverá instruir o pedido com declaração, expedida pela SUDENE, de que satisfaz as condições mínimas para gozo do favor fiscal. § 2º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre o pedido de reconhecimento do direito à redução dentro de 180 dias da respectiva apresentação à repartição fiscal competente. § 3º Expirado o prazo indicado no parágrafo anterior, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 10 9 redução pretendida, se o favor tiver sido recomendado pela SUDENE, através da declaração mencionada no § 1º deste artigo. § 4º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar do recebimento da competente comunicação. § 5º Tornandose irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão contrária ao pedido a que se refere este artigo, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6º A cobrança prevista no parágrafo anterior não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 3º deste artigo. § 7º A redução de que trata o art. 551 produzirá efeitos a partir da data da apresentação à SUDENE do requerimento devidamente instruído na forma prevista no art. 7º do Decreto nº 64.214, de 18 de março de 1969. (destacouse) O ofício dirigido pela ADENE à contribuinte confirma a necessidade de requerimento do benefício à Receita Federal, nos seguintes termos (fl. 87) Reportamonos ao pleito apresentado por essa empresa, concernente ao reconhecimento do benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda nos termos do art. 13, da Lei 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3o da Lei nº 9.532, de 10.12.97, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e o Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002. 2. Sobre o assunto, e considerando que essa empresa atendeu aos requisitos necessários e às condições previstas na legislação que orienta a concessão desse incentivo fiscal, informamos que esta Autarquia, através do Laudo Constitutivo de nº 0184/2005, anexo, reconhece a referida redução, observados os prazos e obrigações expressas no mesmo. 3. Finalmente, cabe registrar que o requerimento à unidade da Receita Federal de jurisdição deverá estar devidamente instruído com o original do referido laudo, e de conformidade com o item 3 do Anexo Único da Instrução Normativa nº 267/2002. (negrejouse) Por sua vez, a única referência a este benefício, presente na Receita Federal, era o processo administrativo nº 10580.007195/200510, formalizado pela DRF/Salvador em razão do recebimento de ofício da ADENE, nos seguintes termos (fl. 196): Em atendimento às disposições dos artigos. 59 e 60 da Instrução Normativa 267/2002, dessa SRF, comunicamos a Vossa Senhoria que a DiretoriaGeral da ADENE, através do Laudo Constitutivo n° 018412005 (copia anexa), reconheceu o direito a Redução do Imposto de Renda calculado sobre o lucro da exploração, nos termos do art. 13, da Lei 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.532, de 10.12.97, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória n° 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e o Decreto n° 4.213, de 26 de abril de 2002, em favor da empresa FRIGORIFICO REGIONAL DE BARREIRAS LTDA, de acordo com os elementos constantes do referido laudo. Por oportuno, informamos que a empresa pleiteante foi notificada de que só os originais do Laudo devem ser apresentados em anexo ao respectivo Requerimento do beneficio à Receita Federal. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 11 10 Finalmente, objetivando o controle do reconhecimento desse incentivo, solicitamos a Vossa Senhoria encaminhar a esta Agência, cópia do Ato Decisório que venha a ser emitido em favor da referida empresa, conforme estabelecido no art.3°, §§ 1° e 2° do Decreto n°4.213/2002. Às fls. 199/203 consta reprodução da intimação lavrada nos autos daquele processo administrativo para que a contribuinte apresentasse o pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ, e demais elementos necessários para atendimento do art. 60 da Lei nº 9.069/95 (certidões negativas de débitos relativos a tributos e contribuições federais). Às fls. 269/271 está juntada a decisão proferida na seqüência, registrando que a contribuinte não apresentou o pedido em referência, e a impossibilidade de reconhecimento do benefício, a qual foi cientificada à contribuinte em 25/10/2010. Assim, é imprópria a pretensão da recorrente, no sentido de que teria direito ao gozo do benefício enquanto não analisado seu pedido, simplesmente porque ele não foi apresentado. Por sua vez, o reconhecimento material pela ADENE das condições para que a contribuinte pudesse usufruir do benefício, estampado no Laudo Constitutivo nº 184/2004, não lhe confere os efeitos fiscais pretendidos, como reiteradamente alertado pela ADENE e pela Receita Federal à contribuinte, dado que o art. 553, §1o do RIR/99 lhe impõe o dever de requerer o reconhecimento do benefício, e assim o faz porque, nos termos da Lei nº 9.069/95: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas aos efeitos do benefício fiscal. A recorrente também discorda das multas isoladas que lhe foram aplicadas, invocando jurisprudência hoje consolidada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 93. A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. A autoridade fiscal relata que a contribuinte não preencheu as fichas da DIPJ destinadas à informação da base de cálculo das estimativas devidas nos anoscalendário 2005 e 2006, e somente na segunda retificação daquela declaração, promovida já sob procedimento fiscal, indicou ter apurado as estimativas com base em balancetes de suspensão/redução. Invocando os dispositivos legais e normativos que exigem a transcrição dos balancetes de suspensão/redução no livro Diário, a autoridade fiscal constatou a inexistência destes demonstrativos, e calculou as estimativas devidas com base na receita bruta e acréscimos, adotando estes valores como referenciais para aplicação da multa isolada. Em que pese o disposto no art. 35, §1o, alínea “a” da Lei nº 8.981/95, a jurisprudência administrativa, nos termos acima, admite que outras demonstrações, consistentes com a escrituração contábil e fiscal, prestemse como justificativa para suspensão ou redução dos valores mensais devidos a título de estimativa. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 12 11 Os balancetes juntados ao recurso voluntário (fls. 332/662) evidenciam que o resultado contábil acumulado mensalmente de janeiro/2005 a dezembro/2006, apresentouse negativo na maior parte dos períodos, com exceção de setembro/2005 a novembro/2005 e de julho/2006 a dezembro/2006. O lucro líquido exibido em 31/12/2005 (R$ 124.069,96) e 31/12/2006 (R$ 488.216,21) é compatível com os valores que a Fiscalização tomou como ponto de partida para os ajustes demonstrados à fl. 36, parâmetro indicativo da compatibilidade das demonstrações apresentadas com a escrituração contábil da contribuinte. Todavia, os balancetes não são acompanhados dos ajustes ao lucro líquido necessários para, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95, demonstrar que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De outro lado, as exigências em referência são anteriores à alteração do art. 44 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 351/2007, e estão formalizadas conjuntamente com o IRPJ e CSLL apurados de ofício no ajuste anual de 2005 e 2006, circunstâncias semelhantes àquelas consubstanciadas no Acórdão nº 1101001.136, no qual esta Conselheira restou vencida em razão do entendimento majoritário deste Colegiado em favor do cancelamento das exigências correspondentes à multa isolada, assim se manifestando o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão em sua declaração de voto: [...] São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Como bem colocado na ementa do Ac. 1802001.876: 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Aliás, interpretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre que, embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Do exposto, meu voto seria por negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais. Porém, a 1a Turma da CSRF, órgão competente para uniformizar a jurisprudência administrativa no âmbito do CARF, tem reiteradamente afastado a aplicação do que se tem denominado "multa concomitante", tendo se consolidado essa jurisprudência, sendo a minha posição vencida reiterada e exaustivamente. Vejase, por exemplo, Acordãos. ns. 9101001.693, (de 16/07/2013, que cita outras decisões), 9101001.820, 9101001.788 . Posição que vem sendo cada vez mais hialina na jurisprudência desta Colenda 1a Turma, além do que as turmas ordinárias da 1a Seção têm adotado de maneira preponderante o mesmo entendimento (e.g., Acs. ns. 1402001.505, 1103000.934,, 1202001.011, 1103 000.945, 1102000.867) sendo que as poucas decisões em sentido contrário, mais recentes, são tomadas por voto de qualidade. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 13 12 Pareceme, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia processual e também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido amplo, com a perspectiva de suas consequências, tratandose, portanto, também de uma decisão calcada no consequencialismo. Não que me curve aos argumentos em sentido contrário aos meus, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir suas conclusões. Destaquese que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria, eu cuja jurisprudência administrativa ainda não se consolidou, mas que parece tender para a mantença da multa isolada. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte no que diz respeito ao afastamento da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de CSLL, o faço, porém, com as todas ressalvas e observações acima transcritas. Assim, caso prevalecesse o entendimento desta Relatora em favor da exigência da multa isolada, ainda que cumulada com a multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e a CSLL devidos no ajuste anual, o presente voto seria no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que o sujeito passivo fosse intimado a juntar aos autos demonstração dos ajustes fiscais ao resultado contábil estampado nos balancetes de suspensão/redução juntados ao recurso voluntário. Por fim, no que tange à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, cumpre observar que como tal acréscimo não integra o lançamento, e é motivado por evento posterior, sequer deveria ser apreciada esta matéria no contencioso administrativo fiscal. Contudo, admitese aqui o entendimento dos Colegiados desta casa, no sentido de que deve ser apreciada esta matéria no julgamento administrativo dos autos de infração, para, no mérito, adotar as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 14 13 "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 15 14 O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 16 15 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro PAULO REYNALDO BECARI Na ação fiscal já relatada pela I. Conselheira Edeli Perreira Bessa que se desencadeou em face da contribuinte também restou formalizada a exigência de multa isolada prevista no artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, em razão de valores de IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidos, mensalmente, no período fiscalizado sob a rubrica de “estimativas”. Para melhor compreensão da matéria insta desde logo reportar que a Lei 8.383/91, relativamente ao IRPJ/CSLL, criou o sistema de “bases correntes”, obrigando os contribuintes a antecipar, mensalmente (sempre em valores estimados), os tributos devidos em 31 de dezembro do anocalendário correspondente. Entretanto, nesta sistemática os contribuintes deverão elaborar ao final de cada período a “Declaração de Ajuste Anual”, com a finalidade de apurar se os montantes efetivamente pagos, compensados ou retidos na fonte no respectivo anocalendário excederam os valores devidos anualmente ou, ao revés, se ficaram aquém. Portanto, é extreme de dúvidas que somente no encerramento do ano calendário, mediante o cotejamento entre valores devidos anualmente e valores efetivamente pagos, retidos na fonte ou compensados relativos ao mesmo período será constatada a existência de: (i) saldo positivo de IRPJ/CSLL a pagar (ajuste positivo); ou (ii) saldo negativo IRPJ/CSLL a restituir/compensar (ajuste negativo). Estas considerações são relevantes, haja vista que em 31 de dezembro poderá ocorrer apenas uma das situações acima (ajuste positivo ou negativo) não havendo a possibilidade jurídica de ocorrer uma terceira situação. Pois bem, no presente caso a contribuinte sofreu ação fiscal que culminou com a exigência de IRPJ/CSLL devidos no período fiscalizado, o que evidência a ocorrência da situação acima descrita (saldo positivo a pagar). Considerando que os valores lançamentos no citado período (com multa de ofício) já englobam as estimativas que deixaram de ser recolhidas, mensalmente, é inegável que a exigência daquela multa concomitantemente com a multa isolada implica, na prática, em dupla penalidade sobre o mesmo fato imponível, o que é vedado pelo nosso ordenamento. Apesar das modificações trazidas pela Lei 11.488/07 no referido artigo 44, na ótica deste julgador não se eliminou a duplicidade acima impondo na interpretação daquele permissivo o respeito ao princípio da consunção, onde a penalidade por infração menos grave (multa isolada pela ausência de recolhimento de estimativa) deve ser absorvida pela aplicação da penalidade por infração mais grave (multa de ofício pela ausência de pagamento dos tributos devidos no ano) devendo, portanto, prevalecer a penalidade mais grave. No mesmo sentido já existem diversos precedentes do CARF excluindo a multa isolada em casos idênticos ao presente, Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/200876 Acórdão n.º 1101001.234 S1C1T1 Fl. 18 17 Deixo aqui de reproduzir trechos de vários dos precedentes acima referidos, posto que, recentemente, foi aprovada pelo Pleno da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, à unanimidade, Proposta de Enunciado de Súmula (Proposta 13ª.), relativamente à exclusão da multa isolada em tela, vazada nos seguintes termos: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44 parágrafo 1º. inciso IV da Lei 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Com fundamento no exposto acima dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a multa isolada lançada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL. É como voto. (documento assinado digitalmente) PAULO REYNALDO BECARI Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10215.000338/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. ISENÇÃO DO IRPJ. FRUIÇÃO. INÍCIO. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A concessão do benefício fiscal de isenção do imposto para as empresas instaladas na área da ADA, autarquia legalmente competente para a análise do preenchimento dos requisitos para gozo da isenção prevista nos art. 23 do Decreto n. 756/69, caracteriza-se com a expedição de Ato Declaratório, nos termos da Medida Provisória n. 2.199, de 24 de agosto de 2001, e da Resolução ADA n. 03, de 18 de novembro de 2003.
BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. COMUNIÇÃO À UNIDADE DA RECEITA FEDERAL. O art. 24, §3º, do Decreto n. 756/69, reproduzido no art. 558 do RIR/99, estabelece que o ônus de comunicar a Unidade da Secretaria da Receita Federal - SRF a que estiver jurisdicionada o Contribuinte é da própria SUDAM/ADA, sendo descabida qualquer alegação que condicione o gozo da isenção reconhecida por Ato Declaratório ao efetivo reconhecimento pelo titular daquela Unidade da SRF.
Numero da decisão: 1101-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Reynaldo Becari e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. ISENÇÃO DO IRPJ. FRUIÇÃO. INÍCIO. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A concessão do benefício fiscal de isenção do imposto para as empresas instaladas na área da ADA, autarquia legalmente competente para a análise do preenchimento dos requisitos para gozo da isenção prevista nos art. 23 do Decreto n. 756/69, caracterizase com a expedição de Ato Declaratório, nos termos da Medida Provisória n. 2.199, de 24 de agosto de 2001, e da Resolução ADA n. 03, de 18 de novembro de 2003. BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. COMUNIÇÃO À UNIDADE DA RECEITA FEDERAL. O art. 24, §3º, do Decreto n. 756/69, reproduzido no art. 558 do RIR/99, estabelece que o ônus de comunicar a Unidade da Secretaria da Receita Federal SRF a que estiver jurisdicionada o Contribuinte é da própria SUDAM/ADA, sendo descabida qualquer alegação que condicione o gozo da isenção reconhecida por Ato Declaratório ao efetivo reconhecimento pelo titular daquela Unidade da SRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 03 38 /2 00 4- 31 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Reynaldo Becari e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela E. 1ª Turma da DRJ/BEL que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, tão somente para admitir a compensação de prejuízo fiscal acumulado com o IRPJ lançado e cancelar a exigência da CSLL diante do manifesto equívoco no critério quantitativo utilizado. O relatório da r. decisão proferida pela instância a qua sucinta e claramente delineia a controvérsia submetida ao crivo deste Colendo Colegiado, litteris: “Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente a fatos geradores ocorridos em 2000, 2001, 2002 e 2003, no valor consolidado de R$208.702,81, com imposição de multa de ofício de 75%. Em relação ao IRPJ, o Relatório de Fiscalização de fls. 361 a 364 aduz que a empresa se utilizou indevidamente do benefício fiscal de isenção que teria sido concedido pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Segundo a autoridade fiscal, o benefício concedido à empresa por meio do Parecer DAP/DAI 207/92 se deu na forma da liberação do valor de CR$3.232.901.287,00, a ser utilizado segundo o art. 5º da Lei n° 8.167, de 16.1.1991. Assim, a fiscalização procedeu ao levantamento do lucro real escriturado pelo sujeito passivo em seu livro Registro de Apuração do Lucro Real (Lalur), juntado às fls. 14 a 28, e apurou os débitos de IRPJ correspondentes. Em relação à CSLL, a fiscalização procedeu ao lançamento da diferença apurada entre os valores escriturados no Lalur e os declarados em DCTF, conforme o Relatório de Fiscalização de fl. 459. Em 17.9.2004, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento (fls. 366 e 461) e, em 15.10.2004, apresentou duas impugnações distintas. Quanto ao IRPJ (impugnação de fls. 368 e 369), a empresa aduz, em síntese: a) que a empresa é obrigada a apurar o lucro da exploração por ter projeto aprovado pela Sudam; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/200431 Acórdão n.º 1101001.263 S1C1T1 Fl. 3 3 b) que sobre o lucro da exploração, tem isenção de 100% do valor do IRPJ apurado; c) que da parcela tributável, caberia a fiscalização ter considerado a compensação de 30% do lucro líquido, o que não foi feito e, por conseguinte, foi ferido o princípio material do lançamento; d) que a prova de seu direito à isenção é a Resolução 7.678, de 15.12.1992, expedida pela Sudam, juntada à fl. 372 dos autos. Quanto à CSLL (impugnação de fl. 463), a empresa sustenta que a fiscalização não esclareceu como chegou à base de cálculo utilizada e que não procedeu à compensação com a base de cálculo negativa, razões pelas quais o lançamento deve ser julgado improcedente. É o relatório.” (fls. 504/505). Ao analisar as questões apresentadas pelo Contribuinte, a E. DRJ/BEL manteve o lançamento quanto ao IRPJ por entender que os atos administrativos expedidos pela extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM (Resolução n. 7.78/92 e Parecer DAP/DAI n. 207/92) não concederam o benefício fiscal da isenção desse imposto ao ora Recorrente, mas “unicamente a liberação de recursos financeiros no montante de CR$ 3.232.901.287,00, a preços de 30.9.1992” (fl. 505). No entanto, foi acolhida a questão suscitada quanto à necessária compensação do prejuízo fiscal acumulado, no limite legal de 30% (trinta por cento), com o crédito constituído pelo lançamento, conforme quadro inserido no fólio 506, procedendose à respectiva alteração nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. A r. decisão recorrida igualmente acolheu a impugnação apresentada para cancelar o lançamento quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, por identificar vício material na composição da base imponível, eis que o “necessário seria a fiscalização determinar a base de cálculo da CSLL e demonstrála, uma vez que não utilizou como tanto o valor do lucro líquido escriturado no Lalur, que é idêntico ao informado na DIPJ/2003” (fl. 507). Cientificado em 02.05.2007 (fl. 511), o Contribuinte apresentou recurso voluntário, em 15.05.2007 (fl. 512), no qual, em lauda única, ratifica todas as razões apresentadas na impugnação e acrescenta, verbis: “3 – Para comprovar a isenção concedida a empresa requereu da ADA, que fosse emitido ATO DECLARATÓRIO sobre a Resolução nº 7678, datada de 15/12/1992, que resultou do Processo que tramitou naquele Órgão sob o nº 003690/91, com o Parecer DAP/DAI Nº 207/92, onde claramente dispõe que a empresa obteve ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PARA IMPLATAÇÃO, cuja cópia segue anexa, com a seguinte descrição: PRAZO EM ANOS: 10 (dez) Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 INÍCIO: AC 2001 TÉRMINO: AC 2010” (fl. 512, grifos acrescidos). Ao final, pugna pela improcedência do lançamento remanescente quanto ao IRPJ em relação aos anoscalendários 2001 a 2003, diante da isenção concedida e alegadamente confirmada por ato declaratório expedido pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA, sucessora da SUDAM à época. Na assentada de 07.05.2009, esta E. Turma converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução n. 180100.006 (fls. 516/519), “para que a DRF de origem, em diligência junto à empresa, verifique a regularidade e as condições da emissão do mencionado Ato Declaratório, inclusive junto a própria ADA” (fl. 519). Às fls. 530/531, foi apresentado Relatório Consubstanciado de Diligência, no qual a E. DRF relatou que o Contribuinte reapresentou o Ato Declaratório n. 006/2006, que já havia sido apresentado no recurso voluntário, o qual foi confirmado em resposta a ofício enviado pela própria ADA, concluindo a autoridade preparadora que, verbis: “Pela leitura, percebese que o Ato Declaratório citado acima habilita a empresa ao gozo de isenção do IR incidente sobre o lucro da exploração desta atividade. O período de 2001 a 2010 pode ser observado no campo PRAZO (Anos) do Ato Declaratório 006/2006.” (fl. 530). Intimado em 13.10.2011, o Contribuinte não se manifestou sobre o resultado da diligência. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do recurso voluntário interposto à fl. 512. O Contribuinte foi intimado do r. decisum de primeira instância em 02.05.2007 – consoante AR à fl. 511 –, nos moldes do art. 23, II, do Decreto n. 70.235/72. Tempestivo, portanto, o recurso interposto em 15.5.2007 (fl. 512), na esteira do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. A controvérsia cingese à verificação da efetiva concessão de benefício fiscal de isenção do IRPJ ao Recorrente pela SUDAM, nos termos do artigo 23 do Decreto n. 756/69, no que tange aos anoscalendários de 2001 a 2003, sendo certo que o Recurso Voluntário jamais versou sobre os créditos atinentes ao anocalendário de 2000 – de modo que esses últimos não consubstanciam matéria sobre a qual esse Colegiado deva se debruçar. Antes, contudo, de analisar a suficiência ou não do Ato Declaratório n. 006/2006 (fl. 513) para o reconhecimento da isenção aqui controvertida, entendo que alguns esclarecimentos são imprescindíveis para bem delimitar a quaestio iuris em análise. O primeiro deles referese à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM, autarquia criada pelo art. 9º da Lei n. 5.173/66, à qual foi confiada a elaboração, coordenação, execução e promoção do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (art. 10), dentre diversas outras atribuições. Essa Autarquia foi extinta e substituída Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/200431 Acórdão n.º 1101001.263 S1C1T1 Fl. 4 5 pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA, conforme arts. 21 e 11 da Medida Provisória n. 2.15705, de 27 de agosto de 2001. Em 03 de janeiro de 2007, sobreveio a Lei Complementar. 124, cujos artigos 1º e 18, respectivamente, (i) instituíram a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM, vinculada ao Ministério da Integração Nacional, e (ii) extinguiram a ADA, cujo patrimônio foi vertido à primeira (parágrafo único do art. 18). Assim, nos anoscalendários 2001 a 2003, período compreendido pelo ora vergastado lançamento de IRPJ, a Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA era a entidade responsável pela concessão de eventuais benefícios fiscais em contrapartida à apresentação/instalação de projetos industriais e/ou agrícolas na área da Amazônia Legal. E essa Autarquia, por meio da Resolução n. 03, de 18 de novembro de 2003, aprovou “na forma do Anexo I a esta Resolução, o ‘Regulamento dos Incentivos Fiscais Administrados pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA’, cujas disposições transitórias preveem o seguinte, verbis: Art. 51 A ADA, a contar da transferência da administração dos incentivos fiscais da isenção e redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), anteriormente administrados pela extinta SUDAM, promoverá a avaliação de todos os projetos protocolizados no âmbito da extinta Autarquia e da Inventariança Extrajudicial que a sucedeu nesta missão, para efeito de análise, face à sistemática da Medida Provisória n° 2.199, de 24 de agosto de 2001, bem como os pleitos de isenção lá protocolizados e pendentes de análise. Art. 52 Aplicase este Regulamento e seus anexos, no que couber, aos processos referentes aos pleitos de que cuida o artigo anterior. Art. 53 Aos pleitos de Isenção de Imposto de Renda, serão aplicáveis os trâmites constantes do Capítulo III deste Regulamento, ressalvada a competência referente ao efetivo reconhecimento do direito ao benefício, que nestes casos será da Diretoria Colegiada da Agência, a qual expedirá também o ato declaratório respectivo. Art. 54 Nos casos de Empresas que já tenham o direito ao benefício de isenção e redução do IRPJ, reconhecidos pelo CONDEL/SUDAM, a Diretoria Colegiada expedirá o ato declaratório, após a devida análise técnica. (grifos acrescidos). Assim, é inegável que a Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA era a autarquia responsável pela análise, fiscalização e homologação de projetos na área da Amazônia Legal que poderiam gozar da ISENÇÃO do imposto de renda, uma vez preenchidos os requisitos legais – Medida Provisória n. 2.199, de 24 de agosto de 2001 –, sendo que o reconhecimento dessa isenção seria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, observando o “laudo constitutivo expedido pelo ADA”, conforme capítulo I do Regulamento abaixo exposto: Art. 1º Os incentivos fiscais de que tratam o DecretoLei nº 756, de 11 de agosto de 1969, a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 de 1997, a Lei nº 9.808, de 20 de julho de 1999, e a Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, administrados pela ADA por meio da Portaria nº 828 de 05 de dezembro de 2002, e Portaria nº 1.080A, de 30 de outubro de 2003, devem observar o disposto neste regulamento, obedecidas as demais normas vigentes sobre a matéria. Art. 2° A competência para reconhecer o direito da redução do imposto de renda será da Unidade da Secretaria da Receita Federal SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo constitutivo expedido pela ADA. Art. 3º Compete a Diretoria Colegiada da ADA, aprovar o parecer de análise técnica elaborado para os fins dos benefícios referidos neste capítulo e expedir os laudos e declarações exigidas pela legislação mencionada no art. 1º deste Regulamento. O segundo esclarecimento referese aos documentos acostados aos autos pela ora Recorrente e que foram reputados insuficientes pela Fiscalização. Ainda no procedimento fiscal, o ora Recorrente afirmou à d. Autoridade Autuante que gozaria da isenção prevista no supratranscrito art. 23 do Decreto n. 756/69, conforme comprovado pela Resolução n. 7.678/92 (fl. 314) que teria aprovado o Parecer DAP/DAI n. 207/92 (fls. 375/392). A Resolução n. 7.678/92 promulgou a concessão daquele benefício fiscal de natureza meramente econômica, a despeito de o Parecer n. 207/92 expressamente relatar que o pedido administrativo da ora Recorrente referiase a “a) Colaboração Financeira […] b) Isenção do Imposto de Renda e Adicionais Não restituíveis, na forma estabelecida no Artigo 23 do DecretoLei nº 756/69 […]” (fl. 375), e do Parecer da Secretaria Executiva da SUDAM, nos seguintes termos: “I – Aprovar o enquadramento da empresa CAIBA INDÚSTRIA E COMÉRCIO, na sistemática dos incentivos fiscais instituída pela lei nº 8.167/91, com relação ao seu empreendimento industrial reconhecido anteriormente como de interesse para o desenvolvimento da região, respeitado o limite de aplicação de recursos do Fundo de Investimento da Amazônia – FIANM, antes determinado, correspondendo a parcela projetada a preços de 30.09.92, a CR$ 3.232.901.287,00, cuja aplicação se processará na forma prevista no artigo 5º do diploma legal acima referido, mantido o reconhecimento ao direito do benefício da isenção do Imposto de Renda na forma da legislação em vigor.” (fl. 390, grifos originais). A r. decisão recorrida assim se debruçou sobre a questão, litteris: “Essa questão não passou despercebida pela Fiscalização, que assim se manifestou sobre o assunto (fl. 363): Portanto, de acordo com o art. 5º da lei 8.167/91, o contribuinte não teve o reconhecimento da isenção do IRPJ, e sim receberia incentivo pecuniário para a implantação de seu empreendimento. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/200431 Acórdão n.º 1101001.263 S1C1T1 Fl. 5 7 De fato, da análise da Resolução nº 7.678/92, expedida pela Sudam, extraise que o benefício fiscal efetivamente concedido à empresa foi unicamente a liberação de recursos financeiros no montante de CR$ 3.232.901.287,00, a preços de 30.9.1992. Muito embora tal resolução faça referência ao Parecer DAP/DAI nº 207/92, e esse parecer tenha recomendado o reconhecimento da isenção integral relativa ao IRPJ para a autuada, o direito à isenção não foi deferido pela Sudam, pois da Resolução de fl. 372 não há menção a qualquer tipo de isenção tributária. Logo, agiu acertadamente a fiscalização ao ter exigido o imposto de autuada, pois a Resolução Nº 7.678/92 não lhe conferiu o direito à isenção sobre o tributo.” (fls. 505/506, destaques acrecidos). Em razão desse entendimento é que a ora Recorrente trouxe aos autos o Ato Declaratório n. 006/2006, expedido pela extinta Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA, cuja existência, extensão e validade foram confirmados por meio da diligência determinada pela Resolução n. 180100.006 proferida por esta E. 1ª Turma às fls. 516/519, conforme seguinte trecho do Relatório Consubstanciado de Diligência, litteris: “Pela leitura, percebese que o Ato Declaratório citado acima habilita a empresa ao gozo da isenção do IR incidente sobre o lucro da exploração desta atividade. O período de 2001 a 2010 pode ser observado no campo PRAZO (Anos) do Ato Declaratório 006/2006. Importante mencionar que a GEPIN recebeu o ofício n° 68/2011 (fl. 521) e informou que o único pleito de isenção do IR aprovado à empresa Caiba Indústria e Comércio S/A, de CNPJ n° 05.637.350/000187, pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), é o de Implantação, do Ato Declaratório n° 006/2006, cujo conteúdo encontrase às folhas 518 e 523. Notase que a GEPIN também enviou, à RFB, como resposta, cópia do Ato Declaratório 006/2006.” (fls. 530/531). Feitos esses esclarecimentos, passo à análise do mérito. Como explanado acima, toda a controvérsia gira em torno da comprovação, pelo Contribuinte, da concessão de benefício fiscal de isenção total do IRPJ pela SUDAM/ADA sobre as receitas advindas de exploração de bens produzidos na Amazônia Legal, nos termos do art. 23 do Decreto n. 756/69, que assim dispõe, verbis: Art. 23. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE (destaques acrescidos). A concessão desse benefício está restrita ao preenchimento das condições legais cuja verificação competia à Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA no período questionado pela Recorrente (AC 2001 a 2003), eis que essa Autarquia deveria elaborar Laudo Constitutivo sobre projetos de empreendimentos industriais ou agrícolas que lhe fossem submetidos. A partir desse estudo técnico, aquela Autarquia expedia as declarações – Atos Declaratórios, conforme artigo 54 do Regulamento supratranscrito – quanto ao preenchimento de requisitos legais para o gozo do benefício em questão por parte dos administrados, cabendo à Secretaria da Receita Federal tão somente o reconhecimento e a observância da isenção concedida. No presente caso, os documentos inicialmente apresentados pelo ora Recorrente geraram certa confusão, na medida em que tanto a Resolução n. 7.678/92 quanto o Parecer n. 207/92 referemse a projeto de reestruturação apresentado em período bem anterior aos anoscalendários fiscalizados, o que gerou o questionamento desta E. Turma quanto à “regularidade e as condições da emissão do mencionado Ato Declaratório, inclusive junto à própria ADA” (Resolução n. 180100.006, fl. 519). Com efeito, o fundamento para o Ato Declaratório n. 006/2006 habilitar a empresa ao gozo da isenção do imposto de renda, nos anoscalendários 2001 a 2010, não foi a concessão benefício pela Resolução publicada ou pelo Parecer apresentado em 1992, mas, sim, a previsão regulamentar de que a ADA deveria expedir Ato Declaratório “nos casos de Empresas que já tenham o direito ao benefício da isenção e redução do IRPJ, reconhecidos pelo CONDEL/SUDAM” (art. 54 do Regulamento, supratranscrito). Ou seja, por mais que à ora Recorrente não tivesse sido concedida a isenção do IRPJ pela Resolução n. 7.678/92, houve comprovação de que a empresa já preenchia os requisitos legais para o gozo desse benefício, conforme reconhecido no Parecer n. 207/92 e, especialmente, no Parecer da Secretaria Executiva da SUDAM, que conclui pela concessão da ajuda econômica, “mantido o reconhecimento ao direito do benefício da isenção do Imposto de Renda na forma da legislação em vigor.” (fl. 390, grifos originais). De fato, se a Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA, frisese, autarquia legalmente competente para a análise do preenchimento dos requisitos para gozo da isenção prevista no art. 23 do Decreto n. 756/69, entendeu que a ora Recorrente cumpriu todos os requisitos legais e expediu o competente Ato Declaratório n. 006/2006, não caberia à “Unidade da Secretaria da Receita Federal SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica” nem mesmo a este E. CARF questionar o mérito técnico daquele ato administrativo declaratório, quanto ao preenchimento ou não daqueles requisitos. Aliás, referido Ato Declaratório n. 006/2006 igualmente se fundamenta no artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.532/97, o qual dispõe que, verbis: Art. 3º Os benefícios fiscais de isenção, de que tratam o art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, o art. 23 do DecretoLei nº 756, de 11 de agosto de 1969, com a redação do art. 1º do DecretoLei nº 1.564, de 29 de julho de 1977, e o inciso VIII do Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/200431 Acórdão n.º 1101001.263 S1C1T1 Fl. 6 9 art. 1º da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, para os projetos de instalação, modernização, ampliação ou diversificação, aprovados pelo órgão competente, a partir de 1º de janeiro de 1998, observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria, passam a ser de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis, observados os seguintes percentuais: § 1º O disposto no caput não se aplica a projetos aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997, no órgão competente, para os quais prevalece o benefício de isenção até o término do prazo de concessão do benefício. (destaques acrescidos). Quer dizer, a Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA não só reconheceu que a ora Recorrente já havia preenchido todos os requisitos para o gozo do benefício fiscal estabelecido pelo art. 23 do Decreto n. 756/69, como “declara a pedido da interessa e para fins de prova junto à Delegacia da Receita Federal” (fl. 513) que igualmente foi preenchida a condição do §1º do art. 3º da Lei n. 9.532/97. Ressaltese que consta, ainda, do referido Ato a menção à existência de processo administrativo perante aquela Autarquia (n. CUP 59431/00551/200569) e ao Parecer técnico n. 042/2006 – GEPIN/ADA, a corroborar a efetividade de análise técnica sobre o pedido de isenção do IRPJ formulado pelo sujeito passivo. Assim, independentemente do benefício fiscal concedido ao Contribuinte pela Resolução n. 7.678/1992, o Ato Declaratório n. 006/2006 habilitou a empresa ao “gozo da isenção do Imposto de Renda, incidente sobre o lucro de exploração resultante de sua atividade na Amazônia Legal, voltada para o programa de produção anual de até: 2.625 Toneladas de Castanha ‘Dry’ e 450 toneladas de Castanha descascada.” (fl. 530), conforme reconhecido no Relatório de Diligência, devendo a isenção ser reconhecida em observância à competência legal daquela Autarquia e aos arts. 2º e 54 do Regulamento de Incentivos Fiscais administrados pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA. Acerca de questão similar, esse E. CARF já se pronunciou no seguinte sentido, verbis: “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. EMPREENDIMENTOS PRIORITÁRIOS PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL. ÓLEOS VEGETAIS. A Medida Provisória n° 2.19914/2001, extinguiu, a partir do anocalendário 2001 os benefícios de isenção/redução do IRPJ para as empresas que não exerciam atividades consideradas como prioritárias ao desenvolvimento regional da Amazônia. O Decreto n° 4.212/2002 reproduziu quais atividades (empreendimentos) serviam de interesse para o desenvolvimento da Amazônia, dentre os quais, os que possuem agronegócio voltado à produção de óleos vegetais. A atividade desenvolvida pela recorrente que possui autorização da autarquia para gozo do benefício de redução do imposto condiz como setor da economia considerado pelo Poder Executivo, como prioritário para o desenvolvimento regional, pelo que merece o benefício ser prorrogado em seu favor. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 267/2002. RESTRIÇÃO A BENEFÍCIOS FISCAIS. ALCANCE. A imposição tributária não pode ser imposta unicamente por formalidades exigidas pelo ente tributante, estando o procedimento adotado pelos contribuintes de acordo com a legislação. Além do mais, o art. 561 do Regulamento do Imposto de Renda atribui à autarquia o procedimento imposto pela Instrução Normativa SRF n° 267, em seu art. 60 ao contribuinte. Pela hierarquia das normas, respeitase o disposto pelo Decreto, quando há norma hierarquicamente inferior dispuser em outro sentido. Os benefícios fiscais concedidos não podem ser desconsiderados pela autoridade fiscal por meras formalidades restritivas impostas por normas administrativas, devendo respeitar sobretudo os princípios da irretroatividade, da legalidade e da anterioridade tributários.” (Acórdão n. 1802 001.458, Rel. Conselheiro Marciel Eder Costa, julgado em 04.12.2012, grifos acrescidos). “[…] BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IRPJ. NOVAS CONDIÇÕES. FRUIÇÃO. INÍCIO. A fruição do benefício de Redução do IRPJ, extinto pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, pelas pessoas jurídicas titulares de empreendimentos enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da Sudene, que o usufruíram até 31 de dezembro de 2000, darseá a partir da data em que for apresentado ao órgão competente do Ministério da Integração Nacional requerimento solicitando a declaração de que satisfaz as novas condições estabelecidas para o gozo do favor fiscal.” (PA 10510.006418/200890, acórdão n. 180300.758, Rel. Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, julgado em 16.12.2010). “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: IRPJ – AC 2000 – EXERCÍCIO 2001 REDUÇÃO DO IMPOSTO, BENEFICIO FISCAL. FRUIÇÃO. A concessão do benefício fiscal de redução do imposto para as empresas instaladas na área da extinta Sudene caracterizase com a expedição, pelo Ministério da Integração Nacional, do laudo que concede o referido benefício, ante seu caráter constitutivo, não sendo possível a fruição do benefício antes da expedição do laudo.” (Acórdão n. 120200.377, Rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, julgado em 01.09.2010, grifos acrescidos) De toda sorte, registro que a d. Fiscalização não questionou em momento algum se a receita tributada seria decorrente de excesso de exportações de castanhas, já que o Ato Declaratório n. 006/2006, limitou a isenção ao “lucro da exploração resultante de sua atividade na Amazônia Legal, voltada para o programa de produção anual de até: 26.625 Toneladas de Castanha ‘dry’ e 450 Toneladas de Castanha descascada” (fl. 513), ou que o Contribuinte não teria cumprido as demais condições – adequado registro contábil, guarda dos documentos – para gozo da isenção. Ao contrário, limitouse a verificar a exaustivamente citada Resolução n. 7.678/1992 e concluir que a SUDAM não lhe teria concedido o benefício da isenção, mas apenas aquele auxílio monetário no montante de CR$ 3.232.901.287,00. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/200431 Acórdão n.º 1101001.263 S1C1T1 Fl. 7 11 Por fim, o art. 24, §3º do Decreto n. 756/69, reproduzido no art. 558 do RIR/99, estabelece que o ônus de comunicar a Unidade da Secretaria da Receita Federal SRF a que estiver jurisdicionada o Contribuinte é da própria SUDAM/ADA, de modo que seria descabida qualquer alegação que condicionasse o gozo da isenção reconhecida pelo Ato Declaratório n. 006/2006 ao efetivo reconhecimento pelo titular daquela Unidade da RFB. Confirase os dispositivos mencionados: Art 24. O valor da redução ou isenção amparadas pelos artigos 22 e 23 deverá ser incorporado ao capital da pessoa jurídica beneficiada, em emprêsas industriais e/ou agropecuárias, até o dia 31 de dezembro do ano seguinte àquele em que tiver sido gozado o incentivo fiscal, isento do pagamento de quaisquer impostos ou taxas federais, mantendose, em conta denominada "fundo para aumento de capital", fração do valor nominal das ações ou o valor da isenção que não possam ser comodamente distribuídos entre os acionistas. […] § 2º O direito à redução ou isenção só incidirá sôbre os resultados financeiros obtidos de estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDAM, que deverá ser demonstrado nos assentos contábeis da emprêsa, com clareza e exatidão, especificando os elementos de que se compõem as operações e os resultados do exercício de cada um dos estabelecimentos que operam na Amazônia. § 3º Os benefícios de que tratam os artigos 22 e 23 serão reconhecidos pela SUDAM, que deverá comunicar à autoridade fiscal competente do Ministério da Fazenda que o empreendimento satisfaz às condições exigidas pelo presente Decretolei. Reconhecimento da Isenção Art. 558. Os benefícios de que trata esta Subseção, uma vez reconhecidos pela SUDAM, serão por ela comunicados aos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 756, de 1969, art. 24, § 3º). Diante dessas considerações, voto pelo PARCIAL PROVIMENTO do recurso voluntário para que seja cancelado o lançamento do IRPJ para os anoscalendários 2001, 2002 e 2003, sendo mantido, no mais, os créditos originários do 4º trimestre do ano calendário 2000, eis que esse período não está abrangido pela isenção concedida pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA através do Ato Declaratório n. 006/2006. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11330.000396/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD de nº 34.006.5581, lavrada em face de ASSOCIAÇÃO SALGADO DE OLIVEIRA DE EDUCAÇÃO E CULTURA, da qual foi notificado em 21/12/2006, em virtude do não recolhimento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social em razão do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 13 30 .0 00 39 6/ 20 07 -5 4 Fl. 2089DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/200754 Resolução nº 2301000.501 S2C3T1 Fl. 1.841 2 grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e outras entidades e fundos. Constitui fato gerador das contribuições em comento os valores pagos aos empregados a titulo de remuneração, ou quaisquer outras formas de salário de contribuição, tendo sido lavrada outra NFLD nº 37.006.5590 correspondente à cota patronal dos valores pagos aos contribuintes individuais. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 507 e seguintes) que a Recorrente, apesar de possuir o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, perante o INSS, deixou de preencher parte dos requisitos necessários para o direito à isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212/91. Este fato, segundo a Fiscalização, vem sendo questionado através do processo judicial 1998.51.02.2019833 perante o Tribunal Regional Federal da 2a Região, em que a sentença foi favorável à Recorrente, tendo sido, porém, interpostos embargos de declaração pelo INSS, os quais suspenderam os efeitos do Acórdão prolatado. Assim, em virtude do referido efeito suspensivo, a Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura ASOEC estava enquadrada perante o Fisco como "empresa em geral”, sem direito, portanto, a nenhuma isenção, devendo recolher integralmente as cotas patronais de acordo com a sua atividade principal. Inconformada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 528), no escopo de desconstituir o lançamento realizado pelo Fisco, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido. Consta dos autos, às fls. 1176, relatório fiscal complementar o qual aponta que a entidade não gozava do direito adquirido à isenção, pois fora reconhecida como de utilidade pública federal em 12/08/1985 pelo Decreto nº 91.526/85, o qual faz referência ao processo MJ nº 31.023/81 (Decreto anexado às fls. 1160 dos autos) e tampouco havia requerido a isenção perante o INSS. E, quanto ao processo judicial, o relatório complementar concluiu que o lançamento deveria prosseguir tendo em vista que o INSS havia interposto embargos de declaração contra acórdão do TRF, razão pela qual estariam suspensos os efeitos da sentença então favorável à entidade, seguindo, assim, esclarecimentos prestados pela Procuradoria Federal às fls. 1174/1175. Do despacho da Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Providenciaria em Niterói/RJ, requisitando esclarecimentos à fiscalização quanto à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.006.5581 bem como Relatório Fiscal Complementar emitida autoridade fiscal responsável pelo lançamento e demais documentos juntados aos autos do processo administrativo relatório fiscal complementar foi dada ciência ao sujeito passivo em 04/04/2007 (Ofício nº 27/2007/Sacap). Nova impugnação foi apresentada às fls. 1182 a 1193, a qual versou, em apertada síntese, sobre a legislação que regia o direito adquirido à isenção. Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/200754 Resolução nº 2301000.501 S2C3T1 Fl. 1.842 3 A DRJ do Rio de Janeiro manteve o lançamento principalmente pelo fato de não reconhecer o direito adquirido da entidade e pelo fato de não haver requerimento administrativo de isenção, conforme trecho abaixo citado: “Logo, a regra é que, salvo direito adquirido, a empresa deve requerer administrativamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRB, antigamente Secretaria da Receita Previdenciária, a isenção, que poderá ser deferida por meio de ato declaratório, conforme art.55, parágrafo I° da Lei 8.212/91 e art.300 da IN MPS/SRP 03, de 14/07/2005. Verificase, conforme item 2.2. do relatório fiscal (fls.1176) que o sujeito passivo não possui requerimento de isenção deferido junto à, SRB, fato este admitido pelo sujeito passivo, já que ausente contestação especificado quanto à matéria, presumindose como verdadeira a alegação, com base no art.302 do CPC. Ademais, com fundamento no art.4°, inciso III da Portaria MPS/GM 520, de 19/05/2004, verificase, em consulta ao sistema PLENUS/AGUIA/ARRECADAÇÃO/CONFILAN, cuja tela segue em anexo, que o sujeito passivo não possui isenção reconhecida administrativamente pelo INSS. Irresignada, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, alegando em suma: a) Que seja, desde logo, suspensa exigibilidade do crédito tributário constante da NFLD n.°37.006.5581, na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional; b) Que seja suspenso o julgamento do Recurso Voluntário até decisão final no Processo Judicial 1998.51.02.2019833, “eis que o mérito da causa já é objeto de Processo Judicial”; c) Que seja reconhecida a decadência qüinqüenal; d) Que sejam excluídos do sistema como corresponsáveis os sócios da pessoa jurídica; d) Que seja admitido e ao final julgado Procedente o Recurso Voluntário, decretando a nulidade do lançamento e improcedência da autuação reconhecendo o direito adquirido à isenção das contribuições previdenciárias; ou a menos, caso não seja este o entendimento deste Colegiado, seja reconhecido o direito à isenção por atendimento aos requisitos materiais e formais previstos no artigo 55, inciso 1 ao V, §1°e seguintes da Lei 8.212/91. Em julgamento do Recurso Voluntário interposto, foi este parcialmente provido apenas para reconhecer a decadência das competências até 11/2000, nos seguintes termos (fls. 1.535/1544): AÇÃO JUDICIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/200754 Resolução nº 2301000.501 S2C3T1 Fl. 1.843 4 A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao, contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3°, da Lei n° 8213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, 1. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada com a decisão, o contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 1.556/1.563), aduzindo, em síntese, que o acórdão teria restado omisso e contraditório ao deixar de apreciar questões que não foram objeto da ação judicial, sobre as quais não teria havido a renúncia do contencioso administrativo, qual seja, o direito adquirido à isenção e o preenchimento das condições previstas no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e os valores glosados pela fiscalização referente aos anos de 1999/2006. Às fls. 1.569, o eminente Presidente desta Turma à época acolheu os Embargos de Declaração opostos sob o fundamento de que, em caso de decisão judicial desfavorável ao contribuinte, todas as questões relativas à validade da exigência do requerimento de isenção jamais terão sido enfrentadas administrativa e judicialmente, além do que o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento enfrentou a matéria, de modo que caberia a este CARF apreciála. Submetido à sessão de julgamento o presente feito foi convertido em diligência, pois foi verificado que os Embargos de Declaração não poderiam ser apreciados sem antes se analisar a atual situação da ação judicial nº 1998.51.022019833, bem como da sua petição inicial, para os fins de verificar identidade de matéria com o Recurso Voluntário interposto pela autuada. Em cumprimento à decisão mencionada, foi juntado pela Recorrente cópia da petição inicial do processo nº 1998.51.02.2019863 e certidão de inteiro teor do processo. Na assentada de 19 de abril de 2012 houve nova conversão dos autos em diligência, para trazer aos autos cópia da ação cautelar nº 9802008192, respectiva liminar deferida e certidão de inteiro do processo. Cumprida a diligência os autos retornaram a esse CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/200754 Resolução nº 2301000.501 S2C3T1 Fl. 1.844 5 Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério A embargante alega que o Decreto nº 1.117/62, o qual regulamentava a Lei nº 3.577/59, previa que cabia ao Conselho Nacional de Serviço Social declarar a utilidade pública, conforme parágrafo único do artigo 1º do citado Decreto. Por outro lado, o Fisco sustenta, anexando o Decreto nº 91.526/85, que a utilidade pública federal somente fora reconhecida em 12/08/195, referente ao Processo MJ nº 31.023/81. Há, portanto, uma divergência fática que merece ser dirimida, razão pela qual VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade administrativa e o sujeito passivo informem e anexem provas no sentido de demonstrar cabalmente desde quando a entidade é reconhecida como de utilidade pública federal. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 17883.000199/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2007
IMUNIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS EMPREGADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO.
As entidades beneficentes de assistência social estão isentas apenas das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23, da Lei 8.212/91, devendo cumprir as demais exigidas, pois o gozo de imunidade das obrigações principais não dispensa o cumprimento de obrigações acessórias que são impostas a quaisquer contribuintes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS EMPREGADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO. As entidades beneficentes de assistência social estão isentas apenas das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23, da Lei 8.212/91, devendo cumprir as demais exigidas, pois o gozo de imunidade das obrigações principais não dispensa o cumprimento de obrigações acessórias que são impostas a quaisquer contribuintes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 99 /2 01 0- 61 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nº 1235.942, fls. 235/237, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.292.6258, referente período de 01/09/2005 a 28/02/2007, no valor de R$ 1.431,39 (um mil quatrocentos e trinta e um reais e trinta e nove centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa pelo fato de a empresa, não ter incluído a totalidade dos segurados empregados nas respectivas folhas de pagamento, constituindo infração ao art. 32, I, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, conforme Relatório Fiscal fls. 6/7. Esclarece o relatório que a empresa deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados empregados identificados pela fiscalização através dos documentos fornecidos pela própria empresa, onde contavam relações de remunerações dos referidos obreiros sob o título "EXTRA FOLHA", conforme Anexo XIV do Relatório Fiscal, fls. 98/130. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 198/201. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão nº 12 35.942, fls. 235/237, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2007 AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. O preenchimento de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária, a teor do art. 32, I, da Lei 8.212/91 c/c art. 225, I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, enseja a aplicação de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS PROCESSUAIS. A teor do art. 17 do Decreto 70.235, de 06/03/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17883.000199/201061 Acórdão n.º 2403002.908 S2C4T3 Fl. 3 3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, FUNDAÇÃO MIGUEL PEREIRA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 240/243, requerendo a reforma do acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) Que à época houve legislação que deu guarida à recorrente; 2) Que o parcelamento realizado retira o objeto do auto de infração; 3) Que está em andamento no CARF recurso contra o cancelamento de isenção, fato que deveria cessar qualquer processamento quanto ao objeto do auto. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 248, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Segundo a autoridade fiscal, a entidade não incluiu a totalidade dos segurados empregados em folhas de pagamento, constituindo infração ao art. 32, I, da Lei 8.212/91, haja vista ter apurado pagamento EXTRA FOLHA, conforme Anexo XIV do Relatório Fiscal, fls. 98/130. A recorrente em nenhum momento apresenta contraprova no tocante à autuação, apresentando as folhas de pagamento em conformidade com a realidade. O recorrente apenas trata como matéria de defesa o fato de ser instituição filantrópica, e, portanto, não abrangida pela incidência de contribuição previdenciária. A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária, ou seja, o art. 55 da Lei n. 8.212/91, vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: ... Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91. Acontece que a entidade filantrópica resta isenta apenas das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23, da Lei 8.212/91, devendo cumprir as Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17883.000199/201061 Acórdão n.º 2403002.908 S2C4T3 Fl. 4 5 demais obrigações, principais e acessórias. Neste sentido, no que se refere à obrigação acessória, dispõe o art. 244 da Instrução Normativa RFB 971/2009, in verbis: Art. 244. A entidade beneficente de assistência social em gozo de isenção é equiparada às empresas em geral, ficando sujeita às obrigações acessórias previstas no art. 47(...) Assim sendo, caso não seja mantido o cancelamento de isenção, ainda assim a entidade estará sujeita ao pagamento da multa pelo descumprimento de obrigações acessórias presentes nesses autos. No tocante ao parcelamento especial da Lei 11.941/2009, a recorrente não apresenta qualquer prova de que este foi realizado, ou que este DEBCAD foi incluído em outra modalidade de parcelamento, de forma que não deve ser anulado o presente auto de infração. Portanto, tendo em vista a ausência de contraprova por parte da recorrente quanto a apresentação dos documentos em conformidade com o que foi solicitado, entendo que deve permanecer o crédito tributário. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10380.011888/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235.
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 3102-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Câmbio e Turismo Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 18 88 /2 00 3- 93 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Fortaleza que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender que as variações cambiais ativas, na qualidade de receitas financeiras, devem ser incluídas da base de cálculo da COFINS. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 04/10, no valor de R$ 9.785,01, incluído encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, foi apurada a seguinte infração. 1. Cofins Diferença apurada entre o valor escriturado e o Declarado/Pago (Verificações Obrigatórias) durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme mapas e Papéis de Fiscalização, baseados nas informações prestadas pelo próprio contribuinte sobre as receitas auditadas. Enquadramento legal: Art. 77, inciso ifi, do Decretolei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; Arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições; com as alterações da medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 21/11/2003, fls. 04, apresentou o contribuinte impugnação em 19/12/2003, fls. 25/33, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. Preliminar Como se comprova nestes autos, a impugnante foi notificada pessoalmente da1avraturado auto de infração em 21 de novembro de 2003. Nesta ocasião lhe foram fornecidas apenas cópias do próprio auto de infração e de parte dos seus anexos correspondentes, num total de tão somente 13 (treze) páginas, pelas quais se apurava o quantum que no entender do fisco correspondeu à infração tributária. Nada mais. Debalde, inúmeras vezes, preposto da autuada ter se deslocado, a princípio no setor de Protocolo dessa DRF de Fortaleza e em seguida ao setor competente da SECAT, não se Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.011888/200393 Acórdão n.º 3102002.375 S3C1T2 Fl. 11 3 tinha sequer o Número que tomaria o Processo a desculpa era que a fiscalização ainda não tinha dado entrada e por essa razão ainda não tinha sido formalizado. Ainda, diante da ausência de elementos que lhe possibilitassem compreender as reais razões dessa autuação, a impugnante, de posse do número do Processo, isso em 02 de Dezembro de 2003, novamente um preposto da empresa autuada se dirigiu ao Setor competente da DRF de Fortaleza, entretanto, o Processo ora vergastado não foi localizado. Somente em 09 de dezembro de 2003, quando o procurador da autuada Sr. Silvio Marcos Barcelos Fiúza, se dirigiu pessoalmente às dependências dessa DRF em Fortaleza, é que o mesmo pode ser localizado, e se teve acesso para compulsar pela primeira vez o Processo, podendo verificar o seu conteúdo, apensos diversos documentos que não eram de nosso conhecimento, compondo o auto de infração, portanto, foi nessa ocasião que tomamos conhecimento das pretensas razões que ao ver da fiscalização embasaram esse seu desiderato fiscal. Tudo sem que, no entanto, lhe fosse restituído o prazo legal para defesa. Assim sendo, fica caracterizado a ilegalidade e o desrespeito aos princípios constitucionais que garantem a isonomia de tratamento, a ampla defesa e o direito à informação, a impugnante teve cerceado o seu direito de defesa. A falta de tais informações, além de afronta aos princípios constitucionais anteriormente mencionados, também implica em frontal violação ao artigo 9° do Decreto 70.235/72. No entanto, somente depois de decorridos diversos dias da intimação oficial, é que lhe foram dado conhecimento dos documentos indispensáveis e imprescindíveis à apresentação de sua defesa, o que, na prática, implicou na redução do prazo conferido pelo artigo 15 do Decreto 70.235/72 de 30 (trinta) dias, para menos da metade. Assim sendo, o auto de infração merecerá o cancelamento para que sejam cumpridos os ditames legais indispensáveis ao exercício constitucional do direito de defesa da impugnante, para que novo prazo de 30 (trinta) dias corridos lhe seja concedido, contados a partir da nova intimação. Finalmente, restou comprovado, que os Autos de Infração não tiveram durante toda a fase impugnatória à disposição da autuada, para visto no órgão Preparador, conforme obrigação legal contida também no Art. 60 do Decreto n° 70.235/72 e na Orientação Expressa do TELEX BSA/COSIT/CIRCULAR/NR 868 de 28/12/93 dessa Secretaria da Receita Federal, ferindo indiscutivelmente o sagrado e pétreo princípio da ampla defesa. Mérito As diferenças apuradas pela fiscalização se referem exclusivamente às Variações Cambiais de que tratam os arts. 90 e 17 do inciso II da Lei 9.718/98, amparado pelos arts. 373 e 375 do Regulamento do Imposto de Renda RIR 99, que obriga as empresas que transacionam com câmbio, levarem à tributação, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 ou seja, a fazer parte da base de cálculo dos tributos e contribuições federais, mensalmente, eventuais diferenças cambiais verificadas. A fiscalização não levou em consideração que a empresa autuada vinha discutindo com o Banco Central do Brasil, desde o início de 1999, quanto à sistemática de operação utilizada no mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes (MCTF) que a mesma era autorizada a operar por credenciamento legal, culminando com o oficio DECAM/GTREC 2000/00201 (9900939224) do BACEN, datado de 05 de junho de 2000, pelo qual revogavam o credenciamento da empresa autuada e obrigava simultaneamente a vender toda sua disponibilidade de moeda estrangeira, conforme fotocópia do documento em anexo II, fls. 36/37. Irresignada, a autuada impetrou através de seus advogados, uma Ação Cautelar com pedido de Liminar junto à Justiça Federal da 5ª Região, Seção Judiciária do Ceará, para sustar os efeitos do danoso ato administrativo perpetrado pelo Banco Central do Brasil BACEN, tendo obtido êxito, conforme fotocópia da Decisão proferida pelo MM Juiz Federal da 8ª vara, anexo III, fls. 38/40. Desta maneira, a movimentação cambial da empresa autuada se encontrava "sub judice", até o aguardo da decisão definitiva da Justiça Federal, não podendo, portanto, apurar pretensas diferenças de possíveis "variações cambiais", que não se sabia serem legais ou ilegais, ou seja, os valores transacionados realmente pertenciam a IJB Câmbio e Turismo Ltda., ou ao SISBACEN? Como se encontrava a ordem da Justiça, nada poderia ser apurado até o ano calendário de 2000, para somente após o desfecho judicial ser então, efetivado as possíveis variações cambiais verificadas. Para comprovação irrefutável de que inexiste qualquer diferença na apuração dos Resultados Mensais da empresa IJB Câmbio e Turismo Ltda. entre os valores escriturados e declarados, expressos em sua contabilidade, já devidamente periciada pela fiscalização, juntouse no anexo IV, fls. 41/43, cópias dos quadros demonstrativos dos "Valores Apurados" dos reais Resultados Mensais verificados, nos anos calendários de 1999, 2000 e 2001. Finalmente, remetemos em anexo V, fotocópias autenticadas em cartório dos DARF’s devidamente quitados na rede bancária, dos pagamentos referentes a COFINS que eram devidos no período, inexistindo diferenças à serem lançadas. Pleito Diante de todo o exposto requer, a impugnante, seja conhecida a matéria preliminar arguida para o fim de decretar a anulação do auto de infração lavrado ou ainda, "Ad argumentandun tantun", na hipótese de julgamento do mérito do auto de infração lavrado, deverá ser reconhecida a procedência desta impugnação e a conseqüente improcedência do auto de infração lavrado, seja pela inexistência das operações imputadas, seja pela ausência de fundamento legal para a tributação nos termos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.011888/200393 Acórdão n.º 3102002.375 S3C1T2 Fl. 12 5 pretendidos pelo fisco, ou ainda seja pela inconsistência dos elementos utilizados como parâmetros para o lançamento fiscal. Protesta pela produção de todo o gênero de prova em âmbito do PAF admitido, em especial a juntada de novos elementos, caso necessários, e fatos novos o requererem, para total elucidação dos fatos. A DRJ em Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeito da incidência da COHNS, como receitas financeiras. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR IRRELEVÂNCIA DA NATUREZA DO OBJETO DO ATO. "Ex vi" do disposto no art. 118, I, do CIN, é irrelevante para efeitos de se considerar a variação cambial na apuração da base de cálculo da Cofins, se a empresa estaria ou não credenciada pelo Banco Central para atuar no Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes. Ementa: PEDIDO DE REABERTURA DE PRAZO DESCABIMENTO. Não justifica a reabertura do prazo para defesa o fato de o processo ter sido protocolizado dois dias após o início da fluência do prazo para impugnação, mormente quando, na data da formalização da exigência, o sujeito passivo foi devidamente cientificado de todos os termos e demonstrativos que compõem a exação; teve vistas do processo na repartição durante o prazo para a impugnação; e o mérito da autuação foi devidamente atacado na peça impugnatória. Lançamento Procedente. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente alega em sua defesa que: (i) que o lançamento seria nulo por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que o Auto de Infração não lhe foi entregue com a integralidade dos documentos que o instruíam; (ii) que deveria ser cancelada a autuação vez que as variações cambiais ativas não poderiam ser incluídas na base de cálculo da COFINS, tendo em vista que estava sub judice o ato que revogou seu credenciamento e que lhe obrigou a vender toda sua disponibilidade de moeda estrangeira. Vejamos cada um desses argumentos. Todavia, em face do que prescreve o art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, passo à análise do mérito, voltando à preliminar apenas se este colegiado decidir contrariamente à Recorrente. Antes, porém, importa registrar que restou incontroverso nos autos que os valores que não foram submetidos à tributação se referem exclusivamente a outras receitas (variação cambial ativa), que não o faturamento (planilha apresentada e usada pela fiscalização para lavrar o Auto de Infração e reconhecido pela própria decisão recorrida). Pois bem. A Lei nº 9.718/98, editada sob a vigência da redação original do art. 195, I, b, da CF, alterou a definição do conceito de faturamento para fins de incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, ao definilo no §1º do art. 3º como sendo “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre que, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, consolidou o entendimento de que seria inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.011888/200393 Acórdão n.º 3102002.375 S3C1T2 Fl. 13 7 Em outra oportunidade, este Egrégio Tribunal, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585.235, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste contexto, tratandose de dispositivo legal que já fora declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, pode este Colegiado afastar a sua aplicação no caso concreto, por força do que prescreve o art. 26A, I, do Decreto nº 70.235/72: Não bastasse isso, também com a alteração do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, passou a ser obrigatória a reprodução pelos Conselheiros das decisões do STF, proferidas na sistemárica da repercussão geral: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, como são objeto do Auto de Infração apenas as receitas auferidas entre 1999 e 2001 (ou seja, antes da edição da Lei nº 10.833/03) e tendo em vista que não já duvidas de que os valores que não foram submetidos à tributação se referem exclusivamente a outras receitas (variação cambial ativa), que não o faturamento (planilha apresentada e usada pela fiscalização para lavrar o Auto de Infração e reconhecido pela própria decisão recorrida), resta evidente a necessidade de cancelar a presente autuação. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar integralmente o Auto de Infração. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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