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5828023 #
Numero do processo: 12219.000809/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 320          1 319  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12219.000809/2009­10  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  2301­000.502  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  03 de dezembro de 2014  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  TEXTIL TABACOW SA             Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.   Marcelo Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Adriano Gonzáles Silvério ­ Relator.  (assinado digitalmente)  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA  (Presidente),  DANIEL  MELO  MENDES  BEZERRA,  ANDREA  BROSE  ADOLFO,  NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO  GONZALES SILVERIO.      Trata­se de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, o qual, de  acordo com o Relatório Fiscal de  fls. 36/38 e anexos,  refere­se ao valor da retenção de 11%  incidente  sobre  valores  pagos  a  empresas  contratadas  para  execução  de  serviços  mediante  cessão de mão obra e empreitada..  Narra  o  relatório  fiscal  que  a  presente  NFLD  foi  lavrada  em  substituição  à  NFLD nº 35.241.289­5, anulada conforme acórdão do CRPS de n° 002422 de 16.10.03     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 19 .0 00 80 9/ 20 09 -1 0 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12219.000809/2009­10  Resolução nº  2301­000.502  S2­C3T1  Fl. 321            2 O sujeito passivo apresentou impugnação alegando que o Fisco não poderia ter  lavrado nova NFLD, tendo em vista que apenas nos casos do artigo 149 é possível a existência  de novo lançamento.  A  SRP,  por  meio  da  DN  nº  21.424.4/0451/2006  manteve  integralmente  o  lançamento,  o  que  motivou  a  interposição  de  recurso  voluntário  repisando  os  argumentos  anteriores,  bem  como  alegou  a  impossibilidade  de  se  utilizar  a  Selic  para  corrigir  créditos  tributários.  É o relatório.  Voto  Como  se  verifica  dos  autos  a  presente  NFLD  foi  anulada  pelo  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social.  Naquele  julgado,  anexado  às  fls.  198  e  199  dos  autos,  entendeu­se  que  o  “Auditor  Fiscal  notificante  não  apresentou  em  Relatório  informações  precisas sobre os fatos geradores das contribuições lançadas na presente notificação, podendo  ser  observado  que  não  foi  devidamente  esclarecido  como  foi  constatada  a  obrigação  da  empresa notificada de efetuar a retenção em relação a serviços mediante cessão de mão­de­ obra.”   Porém, na parte dispositiva, concluiu­se pela anulação da NFLD, permitindo­se  ao  Fisco  a  lavratura  de  outra  NFLD  indicando  todos  os  fatos  que  venham  motivar  o  lançamento fiscal.  Ocorre que a NFLD anulada não está anexada a esses autos, o que impossibilita  verificar se a fiscalização suprimiu o vício apontado no acórdão do CRPS mediante a lavratura  da NFLD atual.  Por  essa  razão,  voto  no  sentido  de CONVERTER O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  a  fim de que a Delegacia da Receita Federal de  jurisdição do sujeito passivo  anexe  a  íntegra  da NFLD  nº  35.241.289­5,  e  após  encaminhe  esse  processo  ao  CARF  para  processamento e julgamento.    Adriano Gonzáles Silvério ­ Relator    Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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5866071 #
Numero do processo: 10768.005838/2003-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. CRÉDITO NÃO ESCRITURADO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O IPI, nos termos de sua legislação, pressupõe a adequada escrituração das notas fiscais de entradas e saídas. Sem o correto preenchimento dos Livros Fiscais, e desacompanhado de documentação que demonstre qual seria a correta apuração do tributo, inviável se mostra pedido de ressarcimento ou compensação.
Numero da decisão: 3802-003.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros presentes Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   2 Relatório  Por  bem  explicitar  os  fatos  ocorridos  até  o  presente  momento  processual,  adota­se  o  relatório  formulado  pela  autoridade  julgadora  de primeira  instância  nos  seguintes  termos:  “Trata  o  presente  processo  de  solicitação  feita  com  a  utilização  do  formulário “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO”, extraído da IN 210, de 2002. Foi  anexada  ao  formulário  uma  relação  de  notas  fiscais,  com  data  de  entrada  compreendida entre 12/01/1999 a 20/08/2002. O formulário foi protocolado  em 30/06/2003.  O contribuinte pretendia ver reconhecido o direito ao IPI destacado nestas  notas  de  entrada,  no  valor  total  de  R$  298.234,37,  acrescido  da  SELIC  apurada  desde  a  data  de  entrada  até  a  data  do  pedido,  que  totalizava  R$  149.931,90. Alega que o seu direito se funda no fato de não ter lançado tais  créditos na escrituração.  Posteriormente, a contribuinte apresentou duas declarações de compensação  onde  pretendia  aproveitar  o  crédito  requerido  neste  processo.  Essas  declarações  de  compensação  deram  origem  aos  processos  13746.000370/2004­15 e 13746.000526/2004­50, que  foram juntados a este  processo.  Apresentou  ainda  os  PERDCOMP  02907.39128.030206.1.3.04­ 7295  (retificado  pelo  1l071.44624.230206.1.7.04­3080)  e  02024.72555.230206.1.3.01­8445, onde também utilizava o mesmo crédito.  Às fls. 30 a 45 foram juntadas cópias de fls do Livro de Registro de Apuração  do  IPI.  Curiosamente,  somente  foram  escriturados,  no  referido  livro,  os  campos  dos  totais  e  os  quadros  referentes  ao  DEMONSTRATIVO  DE  CRÉDITOS, DEMONSTRATIVO DE DÉBITOS e APURAÇÃO DO SALDO,  ficando  todos  os  campos  relativos  às  entradas  e  saídas,  simplesmente,  em  branco.  Nos  livros  com  número  de  ordem  12  e  13,  além  das  ocorrências  acima,  também a informação relativa ao período a que se referia a “escrituração”  não foi preenchida.  Ao  analisar  o  pleito,  a  autoridade  fiscal  não  conseguiu  definir  qual  era  a  intenção da contribuinte, se pedir a restituição ou o ressarcimento. O trecho  a seguir transcrito esclarece bem a situação:  “Do exame atento aos autos,  observa­se  contudo que, muito  embora  a  planilha apresentada às fls. 02 a 08 do processo administrativo 10768.  005838/2003­22 traga coluna própria que expresse os juros devidos na  restituição,  a  fundamentação  explicitada  à  fl.  01'  do  referido  processo  indica por fundamentação o art. 11 da Lei 9. 779/99 e IN SRF 33/99, ou  seja, sugere tratar­se não de pedido de restituição mas sim de pedido de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI,  que  deveria  ter  sido  formulado  em  formulário próprio do art 44 da IN SRF 210/02, denominado “Pedido de  Ressarcimento de Créditos do IPI” (grifos no original)  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10768.005838/2003­22  Acórdão n.º 3802­003.978  S3­TE02  Fl. 112          3 Na dúvida, a autoridade fiscal analisou o pleito sob os dois enfoques, como  pedido  de  restituição  e  como  pedido  de  ressarcimento  do  saldo  credor  do  IPI, chegando à seguinte conclusão:  “Em  síntese  conclusiva,  enumeramos  abaixo  as  razões  pelas  quais  o  pleito,  seja  de  restituição  ou  ressarcimento,  bem  como  as  diversas  compensações  subsequentemente  declaradas,  não  serão  acolhidos  por  este serviço SEORT /DRF /NIU/SRRF 7ºRF /RF B.  ­ Preenchimento  confuso do “Pedido de Restituição” em formulário do art  44 da IN SRF 210/02, e posterior confirmação em resposta à Intimação Seort  N° 280/09, lançando dúvidas quanto a tratar­se materialmente de pedido de  restituição ou de pedido de ressarcimento de créditos de IPI Suposto Pedido  de restituição: a pessoa jurídica Texsa Brasileira Ltda não cumpre o exigido  pelo  art.  166  da  Lei  n°  5.172/66  ­Código  Tributário Nacional,  isto  é,  não  comprovou  a  não  transferência  do  encargo  financeiro  do  tributo  devido  e  não  se  encontra  devidamente  autorizada  por  quem  suportou  de  fato  o  referido encargo.  ­  Suposto  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI  (materialmente  considerado): há erro crasso e sistemático no cumprimento de formalidades  intrínsecas exigidas quanto à escrituração do Livro Registro de Apuração do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (LRAIPI).  A  escrituração  não  se  reveste de fé pública, aviltando o disposto no art. 312 do Decreto n° 4.544,  de  26/12/02  ­Regulamento  do  IPI,  arts.  57,  §  1°,  e  58  da Lei  n°  4.502,  de  1964, art 2° caput e §2° do Decreto­Lei n° 486, de 1969, art. 2°, 4° e 5° do  Decreto  64.567/69.  É  totalmente  impossível  a  qualquer  autoridade  fiscal  reconhecer tal direito creditório.  ­ Pelo acima exposto, não se cumpre a exigência, nem de  liquidez, nem de  certeza  para  que  as  compensações,  via  formulário  ou  software,  sejam  efetivadas  ou  autorizadas,  conforme  exigido  pelo  caput  do  art.  170  do  Código Tributário Nacional.  "Art.  170. A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa,  autorizar a  compensação de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo  contra a Fazenda pública.””(negritos no original)  Aprovando  totalmente  o  parecer  proferido  pelo  SEORT/DRF/NIU,`“  foi  proferido o despacho decisório de fls. 55/56, que ficou assim redigido:  “Aprovo o INDEFERIMENTO do suposto pedido de restituição na fl. 01  do  processo  administrativo  10768.  005838/2003­22,  no  valor  de  R$  448.166,27.  Aprovo  o  INDEFERIIMENT O do  suposto  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI  (materialmente  considerado)  na  fl.  01  do  processo  administrativo 10768. 005838/2003­22, no valor de R$ 448.166,27.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   4 ­  Inclusive,  aprovo  o NÃO RECONHECIMENTO  da  parcela  referente  aos  juros  conforme  planilha  de  fis.  02  a  08  do  processo  administrativo  10768.  005838/2003­22, no valor de R$ 149.931,90.  °  Aprovo  a  consequente  NAO  HOMOLOGACAO  das  compensações  declaradas na fl. 01 do processo administrativo 13 746. 0003 70/2004­15, fl.  01, no valor de R$ 15.294,39.  °  Aprovo  a  consequente  NÃO  HOMOLOGACÂO  das  compensações  declaradas nas fls. 01 a 04 do processo administrativo 13 746. 000526/2004­ 50, no valor de R$ 49.996,63 07.01), R$ 44.465,82 Úl.02) ,R$ 11.405,99 (fi.  03), R$ 13.821,29 0104).  °  Aprovo  a  consequente  NÃO  HOMOLOGAÇÃO  das  compensações  declaradas nos PERDCOMPS do Quadro 1.."  Cientificada  pessoalmente  do  despacho  decisório  em  03  de  junho  de  2009,  a  interessada  apresentou,  em  03  de  julho  de  2009,  sua  manifestação  de  inconformidade, onde traz os seus argumentos, a seguir relatados:  “In  casu,  a  requerente  é  contribuinte  de  fato  do  imposto  vez  que  não  se  aproveitou do mesmo para dedução de base de cálculo do Imposto de Renda  e tampouco repercutiu este custo em seu preço de venda.”  Continua, dizendo que os produtos que fabrica não sofrem a incidência do IPI e  que a lei 9.779/99 permite “a utilização dos créditos decorrentes de aquisição  de matéria­prima,  produto  intermediário  e material  de  embalagem,  aplicados  na  industrialização  de  produtos  isentos  ou  tributados  à  alíquota  zero,  para  compensação de outros tributos administrados pela então Secretaria da Receita  Federal”. Diz que esta era exatamente a situação em que se enquadrava.  Afirma textualmente que não fez a utilização dos créditos conforme previsto no  artigo 11 da lei 9.779/99, como se verifica na transcrição abaixo:  “Ocorre que, deixou o contribuinte de efetuar a utilização, via compensação,  dos créditos acumulados nos trimestres calendários do período de 01/1999 a  12/2002, conforme permitido pelo art. 11 da supracitada lei."  Logo  a  seguir  vem  apelar  para  aplicação  do  princípio  da  verdade  material,  alegando  que  o  procedimento  adotado  não  trouxe  qualquer  prejuízo  para  a  Fazenda Nacional e solicitando que o seu pedido seja recebido como pedido de  “ressarcimento, via compensação, de créditos apurados com base no art. 11 da  Lei 9.779/99 ”.  Com  relação  aos  erros  de  escrituração,  alega  que  o  despacho  decisório  foi  genérico ao apontar  tais erros, pois não os especificou, discriminou. Por esta  razão  pede  a  realização  de  diligência,  para  que  seja  feita  “uma  verificação  efetiva e subsistente de seus documentos ”.  Ao  final,  requer,  além da diligência,  que  seja  reconhecida “a  legitimidade do  requerente  como  contribuinte  de  fato,  julgando  seu  pedido  e  homologando as  compensações  procedidas,  de  todos  os  processos  mencionados  no  despacho  decisório guerreado, tud como base no art. 11 da Lei 9. 779/99”.  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10768.005838/2003­22  Acórdão n.º 3802­003.978  S3­TE02  Fl. 113          5 Este é o relatório.”  Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 3a Turma da DRJ de Juiz de  Fora, rejeitou os argumentos do contribuinte, em acórdão assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 12/01/1999 a 20/08/2002  IPI. CRÉDITO NÃO ESCRITURADO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Para  que  o  contribuinte  tenha  direito  à  restituição  de  qualquer  tributo  é  imprescindível  que  tenha  havido  um  pagamento  indevido,  conforme  prescreve  o  art.165  da  Lei  n°  5.172/66  ­  Código  Tributário  Nacional.  Portanto,  somente  nos  casos  de  erro  na  edificação  do  sujeito  passivo,  na  determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento  surgiria  o  pagamento  de  tributo  em  desacordo  com  a  norma,  sendo  qualificado  como  indevido  ou  maior  que  O  devido.  O  simples  fato  de  o  industrial,  contribuinte  do  IPI,  não  ter  ser  aproveitado  de  tais  valores  na  escrita não  transforma o  imposto destacado nas notas  fiscais de aquisição,  de  matéria­prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem,  em  indevido, como quer a requerente.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 12/01/1999 a 20/08/2002  DILIGÊNCIA/PERÍCIA.  São de pronto indeferidos os pedidos de diligência ou perícia considerados,  a juízo do julgador, prescindíveis ao desfecho da lide (artigo 18 do Decreto  n° 70.235, de 1972).  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  Inconformado  com  a  decisão  recorrida,  o  contribuinte  apresentou  tempestivamente Recurso Voluntário,  no  qual  reitera  os  argumentos  expendidos  em  sede  de  manifestação de inconformidade.  Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão  de lançamento tributário, passa­se ao voto.  É o relatório.  Voto             Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   6 Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto, nos  termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das  razões nele expostas.  O Recurso não possui meios de ser provido.  O Recorrente aduz tratar­se de pedido de compensação, nos termos do art. 74  da lei 9.430/96, de créditos de IPI não aproveitados.  Ocorre  que,  para  demonstrar  seus  créditos,  o  Recorrente  apresenta  uma  planilha de créditos não aproveitados de  IPI, além de livros sem movimentação no período –  ou,  como  bem  frisou  a  decisão  recorrida,  totalmente  em  branco  nas  rubricas  de  entradas  e  saídas.  Ora, em pedidos de ressarcimento ou compensação, é ônus do sujeito passivo  demonstrar  o  quanto  ele  entende  que  tem  a  receber,  assim  como  é  seu  ônus  comprovar  a  materialidade de seus créditos.  A mera anexação de planilhas não é suficiente para fins comprobatórios, pois  trata­se somente de um apanhado de informações sem fé pública.  Indo mais além, apenas a título de ilustração (ante a peculiaridade que o caso  traz)  vale  destacar  que,  no  caso  concreto,  o  contribuinte  arriscou­se mesmo  a  sofrer  pesada  autuação por não escriturar adequadamente seus documentos fiscais do IPI.  De  toda  forma,  sem  comprovação  documental  ou  mesmo  espeque  em  sua  apuração tributária, não há como se reconhecer a pretensão do sujeito passivo.  Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado.  (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 188DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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5887369 #
Numero do processo: 11075.000663/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP e CONFINS IMPORTAÇÃO. DISCUSSÃO ACERCA DA MINORAÇÃO DA ALÍQUOTA DE ICMS PARA PRODUTOS INTEGRANTES DA CESTA BÁSICA. RE 559.937 AFETADO COM REPERCUSSÃO GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO INCISO I, ARTIGO 7º, DA LEI 10.865/04. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Não falar-se em nulidade do auto de infração quando se verifica a perfeita descrição dos fatos e os dispositivos legais infringidos são rebatidos pela parte em suas defesas. Desnecessário discutir se a mercadoria importada integra ou não o rol de produtos da cesta básica e consequente minoração da alíquota de ICMS quando existente declaração de inconstitucionalidade em Recurso Extraordinário afetado com repercussão geral que impede a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições PIS/PASEP e CONFINS Importação. Recurso Voluntário a que se dá provimento.
Numero da decisão: 3102-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. RICARDO PAULO ROSA - Presidente. MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Luis Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2008; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 781          1 780  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11075.000663/2006­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­002.377  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  SADIA S/A (INCORPORADOA DE BIG FOODS IND. DE PRODUTOS DE  ALIMENTOS LTDA)   Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  e  CONFINS  IMPORTAÇÃO.  DISCUSSÃO  ACERCA  DA  MINORAÇÃO  DA  ALÍQUOTA  DE  ICMS  PARA  PRODUTOS  INTEGRANTES  DA  CESTA  BÁSICA.  RE  559.937  AFETADO  COM  REPERCUSSÃO  GERAL.  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  INCISO  I,  ARTIGO  7º,  DA  LEI  10.865/04. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.  Não  falar­se  em nulidade do  auto  de  infração  quando  se  verifica  a perfeita  descrição  dos  fatos  e  os  dispositivos  legais  infringidos  são  rebatidos  pela  parte em suas defesas.  Desnecessário  discutir  se  a  mercadoria  importada  integra  ou  não  o  rol  de  produtos  da  cesta  básica  e  consequente  minoração  da  alíquota  de  ICMS  quando  existente  declaração  de  inconstitucionalidade  em  Recurso  Extraordinário  afetado  com  repercussão  geral  que  impede  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  das  Contribuições  PIS/PASEP  e  CONFINS  Importação.  Recurso Voluntário a que se dá provimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao Recurso Voluntário.   RICARDO PAULO ROSA ­ Presidente.   MIRIAN DE FÁTIMA LAVOCAT DE QUEIROZ ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 06 63 /2 00 6- 71 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/2006­71  Acórdão n.º 3102­002.377  S3­C1T2  Fl. 782          2   Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa,  José  Luis  Feistauer  de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria  do  Socorro  Ferreira Aguiar,  Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo    Relatório    Trata­se de Recurso Voluntário contra decisão proferida no Acórdão nº 07­15.962 – 2ª  Turma da DRJ/FNS,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  relativa  ao  Processo  11075.000986/2006­64  em  que  figura  como  interessado  SADIA  S/A  (INCORPORADOA DE BIG FOODS IND. DE PRODUTOS DE ALIMENTOS LTDA), em  decisão assim ementada:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 21/05/2004 a 19/01/2005  DISPENSA DE EMENTA  Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF  nº 1364, de 10/11/2004.  LANÇAMENTO PROCEDENTE.”  Reproduz­se o relatório do julgamento de 1º grau:  Em  sede  de  recurso  voluntário,  a  empresa  repisa  os  argumentos  de  sua  impugnação, afirmando que:   ­ Preliminarmente: o auto de  infração é nulo de pleno direito,  eis  que  não  atendeu  a  requisito  indispensável,  qual  seja,  a  indicação clara e precisa dos dispositivos em que apoiado;  ­  no  mérito:  merece  o  recurso  voluntário  ser  provido  pois  o  produto  em  discussão,  mistura  pronta  para  a  elaboração  de  massa, é produto integrante da cesta básica devendo ser taxado  à  alíquota  de  7%  e  não  de  18%  como  pretende  o  fisco.  No  entender da Recorrente, o rol de produtos disciplinados no art.  53,  do Decreto  nº  45.490/00  não  é  taxativo,  eis  que  o Decreto  48.110/03 estendeu os produtos integrantes da cesta básica e;  ­ é inconstitucional o inciso I do artigo 7º da Lei nº 10.865/2004  que  determina  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  dessas  contribuições incidentes na importação de bens.    É o relatório. Passo a votar    Voto             Fl. 782DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/2006­71  Acórdão n.º 3102­002.377  S3­C1T2  Fl. 783          3 Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade, razão pelo qual dele conheço.  Preliminarmente,  não  há  que  falar­se  em  nulidade  do  auto  de  infração  por  ausência de fundamentação. Ao seu revés, o auditor da Receita Federal do Brasil precisamente  descreveu o fato gerador da obrigação tributária, indicando os dispositivos legais violados, os  quais,  indiscutivelmente,  foram  rebatidos  pela  recorrente,  tanto  em  sede  de  impugnação,  quanto neste recurso voluntário.  No mérito,  a controvérsia posta diz  respeito  à base de  cálculo minorada  do  ICMs .   Entretanto, no entender desta Conselheira, a possibilidade de minoração, ou  não, da base de cálculo de cálculo de produto em que se entende ser integrante da cesta básica  fica  prejudicada,  face  o  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal,  em  sede  do  Recurso  Extraordinário  nº  559.937/RS,  afetado  com  repercussão  geral,  julgado  em  20  de  março  de  2013,  no  qual  se  declarou  a  inconstitucionalidade  do  inciso  I  do  artigo  7º  da  Lei  nº  10.865/2004.   O dispositivo julgado inconstitucional determinava a inclusão do ICMS e das  próprias  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS,  na  base  de  cálculo  dessas  contribuições  incidentes na importação de bens.  O acórdão tem a seguinte ementa:     “EMENTA.  Tributário.  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de  bis  in  idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do  importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da  CF,  acrescido  pela  EC  33/01).  Alíquota  específica  ou  ad  valorem.  Valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  ICMS  e  das  próprias  contribuições.  Inconstitucionalidade.  Isonomia.  Ausência de afronta.     1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis  in  idem,  com  invocação  do  art.  195,  §  4º,  da  CF.  Não  há  que  se  falar  sobre  invalidade  da  instituição  originária  e  simultânea  de  contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195,  com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação.     2.  Contribuições  cuja  instituição  foi  previamente  prevista  e  autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da  Constituição  validamente  instituídas  por  lei  ordinária.  Precedentes.   Fl. 783DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/2006­71  Acórdão n.º 3102­002.377  S3­C1T2  Fl. 784          4   3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há  que  se  dizer  que  devessem  as  contribuições  em  questão  ser  necessariamente  não­cumulativas.  O  fato  de  não  se  admitir  o  crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da  COFINS  pelo  regime  não­cumulativo  não  chega  a  implicar  ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição  ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime  cumulativo,  é  opcional,  de  modo  que  não  se  vislumbra,  igualmente, violação do art. 150, II, da CF.     4  Ao  dizer  que  a  contribuição  ao  PIS/PASEP­  Importação  e  a  COFINS­Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de  cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu  a tal base a respectiva competência.     5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º,  III, a  , da  CF  implicou  utilização  de  expressão  com  sentido  técnico  inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária  para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação.     6.  A  Lei  10.865/04,  ao  instituir  o  PIS/PASEP  ­Importação  e  a  COFINS  ­Importação, não alargou propriamente o  conceito de  valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de  apuração  de  tais  contribuições,  outras  grandezas  nele  não  contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional  de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham  alíquota  ad  valorem  sejam  calculadas  com  base  no  valor  aduaneiro,  extrapolando  a  norma  do  art.  149,  §  2º,  III,  a,  da  Constituição Federal.     7. Não  há  como  equiparar,  de modo  absoluto,  a  tributação da  importação  com  a  tributação  das  operações  internas.  O  PIS/PASEP ­Importação e a COFINS ­Importação incidem sobre  operação  na  qual  o  contribuinte  efetuou  despesas  com  a  aquisição  do  produto  importado,  enquanto  a  PIS  e  a  COFINS  internas  incidem  sobre  o  faturamento  ou  a  receita,  conforme o  regime. São tributos distintos.     8.  O  gravame  das  operações  de  importação  se  dá  não  como  concretização  do  princípio  da  isonomia,  mas  como  medida  de  política  tributária  tendente  a  evitar  que  a  entrada  de  produtos  desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas  sediadas  no  País,  visando,  assim,  ao  equilíbrio  da  balança  comercial.   Fl. 784DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/2006­71  Acórdão n.º 3102­002.377  S3­C1T2  Fl. 785          5   9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da  Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações  Relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do  valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º,  III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01.     10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. “    (RE  559937,  Relator(a):  Min.  ELLEN  GRACIE,  Relator(a)  p/  Acórdão:  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  20/03/2013, DJe­206 DIVULG 16­10­2013 PUBLIC 17­10­2013  EMENT VOL­02706­01 PP­00011)    Com  efeito,  ordena  o  caput  do  art.  62­A  do  RICARF,  que  “as  decisões  definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e pelo Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C” do  Código de Processo Civil (CPC), “deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento  dos recursos no âmbito do CARF”.   No caso em concreto, salvo melhor juízo, se é inconstitucional a inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da Confins Importação, desnecessário discutir se a alíquota  aplicável do ICMS na importação do produto “mistura para pronta para a elaboração de massa”  seria de 7% ou de 18%. Simplesmente ela deve ser excluída do cálculo do valor aduaneiro a ser  oferecido à tributação.        Por  seu  turno,  importante  destacar  que  em  sede  embargos  de  declaração,  cuja  ementa  foi  publicada em 14 de outubro de 2014, o STF indeferiu o pedido de modulação dos efeitos, cujos  argumentos estão bem expostos na própria ementa:    “EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário.  Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que  se declarou a  inconstitucionalidade de parte do inciso I do art.  7º  da  Lei  10.865/04.  Declaração  de  inconstitucionalidade.  Ausência de excepcionalidade.   1.  A  modulação  dos  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica  se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à  ordem  social.  As  razões  recursais  não  contém  indicação  concreta, nem específica, desse risco.   2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao  contribuinte  o  próprio  direito  de  repetir  o  indébito  de  valores  que eventualmente tenham sido recolhidos.  Fl. 785DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 11075.000663/2006­71  Acórdão n.º 3102­002.377  S3­C1T2  Fl. 786          6  3. A segurança  jurídica  está na proclamação do  resultado dos  julgamentos  tal  como  formalizada,  dando­se  primazia  à  Constituição Federal.   4. Embargos de declaração não acolhidos.     (RE  559937  ED,  Relator(a):  Min.  DIAS  TOFFOLI,  Tribunal  Pleno, julgado em 17/09/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe­ 200 DIVULG 13­10­2014 PUBLIC 14­10­2014.    Por  todo  o  exposto,  se  justifica,  assim,  a  reforma  da  r.  decisão  recorrida,  razão pela qual dou provimento ao recurso.  Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz                              Fl. 786DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 13/03/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA

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5890392 #
Numero do processo: 10380.904540/2009-37
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva - Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler - Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 210          1 209  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.904540/2009­37  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.600  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2015  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  DAFONTE VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Exercício: 2005  PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.  O  Per/DComp  somente  pode  ser  retificado  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontre pendente de decisão  administrativa  à data do  envio do documento  retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que  restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em  Per/DCTF,  evidenciado  através  das  informações  contidas  em DIPJ  anterior  ao Dcomp.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  ANALISADO.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  RETORNO  DOS  AUTOS  COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Em  situações  em  que  restou  superado  o  fundamento  da  negativa  de  homologação  da  compensação,  a  unidade  de  origem  deve  proceder  à  nova  análise  do  mérito  do  pedido,  verificando  a  existência,  suficiência  e  disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados  com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo­ se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de  não homologação total.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 40 /2 00 9- 37 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/2009­37  Acórdão n.º 1803­002.600  S1­TE03  Fl. 211          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    [assinado digitalmente]  Carmen Ferreira Saraiva ­ Presidente      [assinado digitalmente]  Ricardo Diefenthaeler ­ Relator    Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carmen  Ferreira  Saraiva,  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Ricardo  Diefenthaeler,  Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada  em  face  do  acórdão  proferido  pela  DRJ  a  quo,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  de  nº  09498.52602.280706.1.3.04­0231,  transmitida  eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos à Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL) ­ Resultado Ajustado ­ Ajuste Anual.   Como relata a decisão  recorrida, na  referida Dcomp, "o contribuinte alegou  ter crédito oriundo do pagamento de CSLL, realizado em 31/03/2006, no valor principal de R$  20.521,27 (cód. 6773), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial,  no limite do valor de R$ 6.102,10, com débitos totalizando R$ 6.174,10 (fls. 5)".   O Despacho Decisório  considerou  improcedente  o  crédito  declarado,  sob  a  seguinte fundamentação:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Em  sede  de  manifestação  de  inconformidade,  alegou  a  ora  recorrente  que  possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de  tributo, assinalando que o valor  informado em DCTF é maior do que o valor devido.  Apreciando  o  recurso,  a  Turma  Julgadora  da  DRJ  a  quo  entendeu  que  a  contribuinte  não  apontou  a  origem  do  erro  e  não  demonstrou  sua  existência,  julgando  improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Ano­calendário: 2005   COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA.  Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/2009­37  Acórdão n.º 1803­002.600  S1­TE03  Fl. 212          3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado,  mormente  diante  da  inconsistência  entre  as  informações  por  ele  prestadas  à  Administração Tributária.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada da decisão  em 13/8/2013  (fls.  116),  a  interessada apresentou o  presente recurso em 12/9/2013 (fls. 118 e seguintes), tempestivamente, portanto.   Assevera, em síntese, o que segue:  a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de CSLL para o  PA 12/2005 a maior do que o devido;  b) que o  valor  correto  foi  informado na DIPJ,  tendo  a  recorrente  entendido  que assim estaria corrigido o erro;  c) que  a DCTF  somente  foi  retificada  em momento  posterior  ao  Despacho  Decisório,  observando  que  a  IN  SRF  nº  600,  de  2005,  não  veda  a  retificação dessa declaração nesse momento;   d) que  para  "confirmar  de  forma  irrefutável"  o  crédito  reclamado,  juntou  cópia  da  DIPJ,  das  DCTFs  Original  e  Retificadora,  dos  DARFs  e  do  LALUR, que comprova a base de cálculo do período;  e) que os princípios da verdade material e da boa­fé objetiva  concorrem no  sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito  de  CSLL  relativa  ao  AC  2005  (código  de  receita  6773  ­  "CSLL  ­  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS  ­  DECLARAÇÃO DE AJUSTE"),  que  alega  ter  recolhido  com  erro,  a  maior.  Refere que o valor devido e correto é R$ 14.860,37, tendo, no entanto, recolhido R$ 43.209,68.   Relata  que,  embora  tenha  informado  o  último  valor  em  DCTF,  posteriormente  constatou  o  erro  a  partir  de  análise  mais  detalhada  da  sua  escrita.  O  valor  correto  foi,  então,  informado  em  DIPJ,  julgando  a  recorrente  que  esse  procedimento  era  suficiente  para  corrigir  a  informação.  Somente  depois  de  tomar  conhecimento  da  não  homologação da compensação fez a retificação da DCTF.  Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/2009­37  Acórdão n.º 1803­002.600  S1­TE03  Fl. 213          4 A decisão a quo assinala que a recorrente, limitou­se a informar que o valor  correto de CSLL apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim,  que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente,  não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula  de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado".  Ocorre,  no  entanto,  que  o  fato  de  constar  em  DIPJ  apresentada  em  28/06/2006 (fls. 164), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL ­ Ajuste Anual no  valor de R$ 14.860,37 (Ficha 17 ­ fls. 179) indica que é plausível o argumento da recorrente de  que  entendeu  ser  suficiente  a  informação  em DIPJ,  daí  a  não  retificação  da DCTF  antes  do  despacho decisório. Veja­se, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise  da  Dcomp  faz  o  cotejo  do  pagamento  de  que  se  origina  o  crédito  a  compensar  com  a  informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ.  Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer  que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de  apuração  constatado  e  corrigido  com a  apresentação  da DIPJ,  anteriormente,  como  se  viu,  à  Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado  anteriormente qualquer outro valor  em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito,  sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até  mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada.   Não  obstante  o  caráter  de  confissão  da  DCTF,  a  exatidão  dos  valores  envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na  fase  de  julgamento,  seja  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  seja  para  preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou,  ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo.  De  outra  banda,  se  a  norma  tributária  veda  a  retificação  da Declaração  de  Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para  a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à  época  da  retificação  da  DCTF  do  2º  Trimestre  de  2005  (a  retificadora  foi  entregue  em  19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente  apresentada,  substituindo­a  integralmente,  e  serve  para  declarar  novos  débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  vinculados.  Conclusão   Em  face  do  exposto,  voto  por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso  voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente  processo, abstraindo­se do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido.  Devem  os  débitos  compensados  permanecer  com  a  exigibilidade  suspensa  até  a  prolação  de  nova  decisão,  concedendo­se  ao  sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação  total  das compensações promovidas.    [assinado digitalmente]   Ricardo Diefenthaeler  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904540/2009­37  Acórdão n.º 1803­002.600  S1­TE03  Fl. 214          5                           Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER

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Numero do processo: 18471.000786/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, período de apuração de 01/08/2003 a 01/11/2005 e 01/01/2006 a 01/03/2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 183/198, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.564.169,25, acompanhado da multa de 75% e juros de mora. A fiscalização levantou o Imposto de Renda Retido na Fonte constante da escrituração contábil da empresa e comparou com as informações prestadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF’s). As diferenças apuradas foram consideras como omissão, conforme demonstrativos de fls. 179/182. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - o auto de infração, lavrado por supostas diferenças entre valores escriturados e declarados em DCTF, seria nulo; - o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela durante a fiscalização, ocasionando, assim, preterição do seu direito de defesa e exigência de valores já adimplidos, na forma de dupla tributação; - o autuante, ao comparar os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias correspondentes ao IRRF teriam sido escrituradas na mesma conta, sem distinção de código de recolhimento; - o autuante também teria deixado de considerar que os valores de IRRF declarados por ocasião da retenção do imposto teriam sido escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época de seu recolhimento; - os valores considerados como devidos pelo autuante teriam sido adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e documentos acostados à impugnação; - o autuante não teria efetuado corretamente o cálculo do montante devido e estaria cobrando valores regularmente recolhidos, o que tornaria nulo o lançamento realizado; - a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que o auto de infração não conteria um requisito formal, ao deixar de trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido; - o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo 142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica, previstos nos artigos 5°, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição da República; - segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente seriam válidos se contivessem todos os requisitos legais, impondo-se aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável, da penalidade a ser adotada etc.; - teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência de crédito tributário exigível; - o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que o autuante não teria apresentado provas dos fatos tributáveis que teriam sido apurados por ele; - a imprecisão do auto de infração, por si só, já tornaria nula a autuação, em razão da falta de elementos essenciais ao auto de infração; - o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram a apuração da matéria tributária e do montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 101-92819 do Conselho de Contribuintes; - a ausência de verificação pelo autuante da documentação por ela apresentada no curso da ação fiscal configuraria nítido cerceamento de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72; - o IRRF incidiria sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, devendo ser retido por ocasião de cada pagamento, nos termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99; - apesar de a retenção do IRRF ocorrer no momento do efetivo pagamento da renda ao empregado, o seu recolhimento deveria ser feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005); - antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do pagamento do rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II, do RIR/99); - o recolhimento do imposto de renda na fonte relativo a férias de empregados seria efetuado separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, sendo que a base de cálculo corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos abonos previstos no art. 7° da Constituição Federal e no art. 143 da CLT; - as férias deveriam ser pagas ao empregado até dois dias antes do início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT, sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte; - quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n° 347/70 atribuiria ao contribuinte a possibilidade de escolher livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais a opinarem sobre processos de contabilização; - ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em uma determinada conta todos os valores referentes à retenção do imposto de renda, sem a necessidade de separá-los por código de arrecadação; - além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta, visando a atender às suas necessidades internas, ela utilizaria dois tipos diferentes de contabilização de receitas e despesas, sendo um para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço; - a Fiscalização, ao elaborar o comparativo entre os valores declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas o crédito efetuado na conta referente à "provisão" do imposto devido no mês subseqüente/anterior; - assim, os valores considerados como devidos pela Fiscalização seriam referentes aos pagos no mês posterior/anterior, oriundos da conta transitória e transferidos para a conta permanente, por ocasião do recolhimento do tributo; - em relação ao CÓDIGO 0588, correspondente a rendimento sobre trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a contabilização pelo regime de caixa (pagamento); - o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março, corresponderia à retenção ocorrida no mês de fevereiro, sendo certo que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da mora no pagamento; - deveriam ser cancelados os valores autuados relativos à diferença entre os tributos escriturados e os declarados, pois, apesar dos equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado; - muitas das divergências apontadas no auto de infração seriam insubsistentes, em razão de o autuante não ter considerado os recolhimentos efetuados com os códigos de apuração 1708, 8045 e 3280; - em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados seriam relativos ao pagamento de rendimentos a pessoa física em razão do início do período de férias; - teria havido um descompasso temporal entre a escrituração, que indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que apontaria o mês do seu fato gerador; - o descompasso decorreria da própria legislação que trata da retenção e do recolhimento do IR-Fonte no que tange ao pagamento de férias ao trabalhador assalariado; - o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual é recolhido, havendo, por isso, uma dificuldade na escrituração e na declaração de tais valores; - se o fato gerador do tributo ocorre em determinado mês, o tributo deveria ser declarado em DCTF como correspondente a esse mesmo mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída dos valores de caixa; - o autuante deveria ter feito uma verificação exaustiva dos fatos, em vez de ter efetuado a autuação sem analisar os documentos apresentados por ela no curso da fiscalização; - o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre valor escriturado e declarado; - apesar da falta de correspondência entre a escrituração e a declaração do imposto, tanto a retenção como o recolhimento do tributo teriam se dado de forma correta, motivo pelo qual jamais poderia ter havido autuação; - também em relação ao código 0561, teriam sido autuados valores referentes a estornos de lançamentos equivocados, visando a sua anulação; - como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor do IRRF escriturado e o declarado; - nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele código teria sido de R$ 35.043,44 e se referiria à remuneração de férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto; - o valor de R$ 35.043,44 englobaria os valores realmente pagos no mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês de outubro; seria composto dos valores de R$ 699,81, que teria sido declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo mês, de R$ 31.615,68, que teria sido declarado equivocadamente no mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no mês de setembro; - à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns casos quando do momento da escrituração, em virtude de seu entendimento de que o fato gerador do IRRF ocorreria no início do período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao empregado até dois dias antes; - quanto ao valor escriturado de R$ 30.918,79, o autuante não teria percebido que ele teria sido estornado, ou seja, lançado a débito e a crédito, para anulação; - em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de infração, em virtude de o tributo ter sido devidamente retido e recolhido; - mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de contabilização utilizada por ela, o que não teria ocorrido, tal fato jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos realizados; - em razão de mera incompreensão da forma de contabilização adotada por ela, o autuante estaria exigindo imposto sobre fatos geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se comprovaria pela documentação acostada; - de qualquer forma, a simples ocorrência de ERRO FORMAL não poderia macular a existência dos pagamentos efetuados e, tampouco, autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na eventual existência de tais erros; - meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva inexistência do débito, especialmente em razão da observância do princípio da verdade material, aliás, aplicado amplamente pelo Conselho de Contribuintes; - em razão de ter verificado pequenas incorreções acerca do recolhimento do IRRF, teria providenciado a quitação dos valores correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias de DARF anexadas (fls. 290 a 332). Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para ser declarada a nulidade apontada ou ser cancelado o auto de infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF lançado. Os documentos que acompanham a impugnação correspondem basicamente à procuração, substabelecimento, cópias de ata de assembléia, de contrato social e alterações, do auto de infração, do termo de verificação fiscal e os demonstrativos que o acompanham, além de cópias de diversos Darf com data de recolhimento de 08/08/2007 (fls. 244 a 332). O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou que deixou para proceder à alocação dos pagamentos efetuados pela interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl. 336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl. 337). A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DELIMITAÇÃO DA LIDE. PAGAMENTO PARCIAL NO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não se instaura a fase litigiosa em relação ao crédito tributário recolhido pelo contribuinte no prazo previsto para a impugnação do auto de infração, afigurando-se essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DIFERENÇAS DE IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE A ESCRITURAÇÃO E A DCTF A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871 e 1872 a 1999), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 234.687. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Márcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, período de apuração de 01/08/2003 a 01/11/2005 e 01/01/2006 a 01/03/2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 183/198, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 9.564.169,25, acompanhado da multa de 75% e juros de mora. A fiscalização levantou o Imposto de Renda Retido na Fonte constante da escrituração contábil da empresa e comparou com as informações prestadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF’s). As diferenças apuradas foram consideras como omissão, conforme demonstrativos de fls. 179/182. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: - o auto de infração, lavrado por supostas diferenças entre valores escriturados e declarados em DCTF, seria nulo; - o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela durante a fiscalização, ocasionando, assim, preterição do seu direito de defesa e exigência de valores já adimplidos, na forma de dupla tributação; - o autuante, ao comparar os valores declarados nas DCTF e os valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias correspondentes ao IRRF teriam sido escrituradas na mesma conta, sem distinção de código de recolhimento; - o autuante também teria deixado de considerar que os valores de IRRF declarados por ocasião da retenção do imposto teriam sido escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época de seu recolhimento; - os valores considerados como devidos pelo autuante teriam sido adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e documentos acostados à impugnação; - o autuante não teria efetuado corretamente o cálculo do montante devido e estaria cobrando valores regularmente recolhidos, o que tornaria nulo o lançamento realizado; - a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que o auto de infração não conteria um requisito formal, ao deixar de trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido; - o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo 142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica, previstos nos artigos 5°, inc. II, e 150, inc. I, da Constituição da República; - segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente seriam válidos se contivessem todos os requisitos legais, impondo-se aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável, da penalidade a ser adotada etc.; - teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência de crédito tributário exigível; - o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que o autuante não teria apresentado provas dos fatos tributáveis que teriam sido apurados por ele; - a imprecisão do auto de infração, por si só, já tornaria nula a autuação, em razão da falta de elementos essenciais ao auto de infração; - o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os elementos que influenciaram a apuração da matéria tributária e do montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 101-92819 do Conselho de Contribuintes; - a ausência de verificação pelo autuante da documentação por ela apresentada no curso da ação fiscal configuraria nítido cerceamento de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235/72; - o IRRF incidiria sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, devendo ser retido por ocasião de cada pagamento, nos termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99; - apesar de a retenção do IRRF ocorrer no momento do efetivo pagamento da renda ao empregado, o seu recolhimento deveria ser feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005); - antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito até o terceiro dia útil da semana subseqüente à do pagamento do rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II, do RIR/99); - o recolhimento do imposto de renda na fonte relativo a férias de empregados seria efetuado separadamente dos demais rendimentos pagos ao beneficiário no mês, sendo que a base de cálculo corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos abonos previstos no art. 7° da Constituição Federal e no art. 143 da CLT; - as férias deveriam ser pagas ao empregado até dois dias antes do início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT, sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte; - quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n° 347/70 atribuiria ao contribuinte a possibilidade de escolher livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais a opinarem sobre processos de contabilização; - ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em uma determinada conta todos os valores referentes à retenção do imposto de renda, sem a necessidade de separá-los por código de arrecadação; - além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta, visando a atender às suas necessidades internas, ela utilizaria dois tipos diferentes de contabilização de receitas e despesas, sendo um para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço; - a Fiscalização, ao elaborar o comparativo entre os valores declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas o crédito efetuado na conta referente à "provisão" do imposto devido no mês subseqüente/anterior; - assim, os valores considerados como devidos pela Fiscalização seriam referentes aos pagos no mês posterior/anterior, oriundos da conta transitória e transferidos para a conta permanente, por ocasião do recolhimento do tributo; - em relação ao CÓDIGO 0588, correspondente a rendimento sobre trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a contabilização pelo regime de caixa (pagamento); - o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março, corresponderia à retenção ocorrida no mês de fevereiro, sendo certo que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da mora no pagamento; - deveriam ser cancelados os valores autuados relativos à diferença entre os tributos escriturados e os declarados, pois, apesar dos equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado; - muitas das divergências apontadas no auto de infração seriam insubsistentes, em razão de o autuante não ter considerado os recolhimentos efetuados com os códigos de apuração 1708, 8045 e 3280; - em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados seriam relativos ao pagamento de rendimentos a pessoa física em razão do início do período de férias; - teria havido um descompasso temporal entre a escrituração, que indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que apontaria o mês do seu fato gerador; - o descompasso decorreria da própria legislação que trata da retenção e do recolhimento do IR-Fonte no que tange ao pagamento de férias ao trabalhador assalariado; - o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual é recolhido, havendo, por isso, uma dificuldade na escrituração e na declaração de tais valores; - se o fato gerador do tributo ocorre em determinado mês, o tributo deveria ser declarado em DCTF como correspondente a esse mesmo mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída dos valores de caixa; - o autuante deveria ter feito uma verificação exaustiva dos fatos, em vez de ter efetuado a autuação sem analisar os documentos apresentados por ela no curso da fiscalização; - o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre valor escriturado e declarado; - apesar da falta de correspondência entre a escrituração e a declaração do imposto, tanto a retenção como o recolhimento do tributo teriam se dado de forma correta, motivo pelo qual jamais poderia ter havido autuação; - também em relação ao código 0561, teriam sido autuados valores referentes a estornos de lançamentos equivocados, visando a sua anulação; - como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor do IRRF escriturado e o declarado; - nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele código teria sido de R$ 35.043,44 e se referiria à remuneração de férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto; - o valor de R$ 35.043,44 englobaria os valores realmente pagos no mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês de outubro; seria composto dos valores de R$ 699,81, que teria sido declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo mês, de R$ 31.615,68, que teria sido declarado equivocadamente no mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no mês de setembro; - à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns casos quando do momento da escrituração, em virtude de seu entendimento de que o fato gerador do IRRF ocorreria no início do período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao empregado até dois dias antes; - quanto ao valor escriturado de R$ 30.918,79, o autuante não teria percebido que ele teria sido estornado, ou seja, lançado a débito e a crédito, para anulação; - em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de infração, em virtude de o tributo ter sido devidamente retido e recolhido; - mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de contabilização utilizada por ela, o que não teria ocorrido, tal fato jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos realizados; - em razão de mera incompreensão da forma de contabilização adotada por ela, o autuante estaria exigindo imposto sobre fatos geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se comprovaria pela documentação acostada; - de qualquer forma, a simples ocorrência de ERRO FORMAL não poderia macular a existência dos pagamentos efetuados e, tampouco, autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na eventual existência de tais erros; - meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva inexistência do débito, especialmente em razão da observância do princípio da verdade material, aliás, aplicado amplamente pelo Conselho de Contribuintes; - em razão de ter verificado pequenas incorreções acerca do recolhimento do IRRF, teria providenciado a quitação dos valores correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias de DARF anexadas (fls. 290 a 332). Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para ser declarada a nulidade apontada ou ser cancelado o auto de infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF lançado. Os documentos que acompanham a impugnação correspondem basicamente à procuração, substabelecimento, cópias de ata de assembléia, de contrato social e alterações, do auto de infração, do termo de verificação fiscal e os demonstrativos que o acompanham, além de cópias de diversos Darf com data de recolhimento de 08/08/2007 (fls. 244 a 332). O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou que deixou para proceder à alocação dos pagamentos efetuados pela interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl. 336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl. 337). A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DELIMITAÇÃO DA LIDE. PAGAMENTO PARCIAL NO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não se instaura a fase litigiosa em relação ao crédito tributário recolhido pelo contribuinte no prazo previsto para a impugnação do auto de infração, afigurando-se essa parcela do lançamento definitivamente constituída na esfera administrativa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. DIFERENÇAS DE IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE A ESCRITURAÇÃO E A DCTF A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871 e 1872 a 1999), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 3          2 Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  ­  o  auto  de  infração,  lavrado  por  supostas  diferenças  entre  valores  escriturados e declarados em DCTF, seria nulo;  ­ o autuante teria deixado de analisar a documentação entregue por ela  durante  a  fiscalização,  ocasionando,  assim,  preterição  do  seu  direito  de  defesa  e  exigência  de  valores  já  adimplidos,  na  forma  de  dupla  tributação;  ­  o  autuante,  ao  comparar  os  valores  declarados  nas  DCTF  e  os  valores escriturados, não teria levado em conta que todas as quantias  correspondentes  ao  IRRF  teriam  sido  escrituradas  na  mesma  conta,  sem distinção de código de recolhimento;  ­  o  autuante  também  teria  deixado  de  considerar  que  os  valores  de  IRRF  declarados  por  ocasião  da  retenção  do  imposto  teriam  sido  escriturados, em atendimento à legislação pertinente, somente à época  de seu recolhimento;  ­  os  valores  considerados  como  devidos  pelo  autuante  teriam  sido  adimplidos, conforme estaria demonstrado nas planilhas explicativas e  documentos acostados à impugnação;  ­  o  autuante  não  teria  efetuado  corretamente  o  cálculo  do  montante  devido  e  estaria  cobrando  valores  regularmente  recolhidos,  o  que  tornaria nulo o lançamento realizado;  ­ a nulidade do lançamento decorreria da sua imprecisão, uma vez que  o  auto  de  infração  não  conteria  um  requisito  formal,  ao  deixar  de  trazer um correto e fundamentado cálculo do montante devido;  ­ o auto de infração deveria ser cancelado, pois contrariaria o artigo  142 do CTN e os princípios da reserva legal e da segurança jurídica,  previstos  nos  artigos  5°,  inc.  II,  e  150,  inc.  I,  da  Constituição  da  República;  ­ segundo a doutrina e a jurisprudência, os autos de infração somente  seriam  válidos  se  contivessem  todos  os  requisitos  legais,  impondo­se  aos agentes fiscais a verificação correta da ocorrência do fato gerador  do tributo, da base de cálculo que o quantifica, da alíquota aplicável,  da penalidade a ser adotada etc.;  ­ teria faltado a necessária verificação pelo autuante da totalidade dos  elementos componentes de sua contabilidade, para que ele, à vista do  princípio da verdade material, pudesse confirmar ou não a existência  de crédito tributário exigível;  ­ o princípio do devido processo legal teria sido ignorado, uma vez que  o  autuante  não  teria  apresentado  provas  dos  fatos  tributáveis  que  teriam sido apurados por ele;  ­  a  imprecisão  do  auto  de  infração,  por  si  só,  já  tornaria  nula  a  autuação,  em  razão  da  falta  de  elementos  essenciais  ao  auto  de  infração;   Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 4          3 ­ o autuante não teria feito a necessária análise exaustiva de todos os  elementos  que  influenciaram  a  apuração  da  matéria  tributária  e  do  montante devido, em respeito aos princípios da verdade material e da  segurança jurídica, conforme entendimento destacado no acórdão 101­ 92819 do Conselho de Contribuintes;  ­  a  ausência  de  verificação  pelo  autuante  da  documentação  por  ela  apresentada no  curso  da  ação  fiscal  configuraria  nítido  cerceamento  de seu direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto  n.° 70.235/72;  ­  o  IRRF  incidiria  sobre  os  rendimentos  efetivamente  recebidos  em  cada  mês,  devendo  ser  retido  por  ocasião  de  cada  pagamento,  nos  termos dos parágrafos 1° e 2°, do art. 620 do RIR/99;  ­  apesar  de  a  retenção  do  IRRF  ocorrer  no  momento  do  efetivo  pagamento  da  renda  ao  empregado,  o  seu  recolhimento  deveria  ser  feito até o último dia útil do primeiro decêndio do mês subseqüente ao  mês de ocorrência do fato gerador (art. 70 da Lei nº 11.196/2005);  ­ antes de janeiro de 2006, o recolhimento do tributo deveria ser feito  até  o  terceiro  dia  útil  da  semana  subseqüente  à  do  pagamento  do  rendimento pelo estabelecimento matriz da fonte pagadora (art. 865, II,  do RIR/99);  ­  o  recolhimento  do  imposto  de  renda  na  fonte  relativo  a  férias  de  empregados  seria  efetuado  separadamente  dos  demais  rendimentos  pagos  ao  beneficiário  no  mês,  sendo  que  a  base  de  cálculo  corresponderia ao valor das férias pagas ao empregado, acrescido dos  abonos previstos no art.  7° da Constituição Federal e no art.  143 da  CLT;  ­  as  férias  deveriam  ser  pagas  ao  empregado  até  dois  dias  antes  do  início do respectivo período, conforme disposto no artigo 145 da CLT,  sendo a data do pagamento do valor percebido a título de férias a do  fato gerador do imposto de renda que deveria ser retido na fonte;  ­ quanto à ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, o Parecer Normativo CST n°  347/70  atribuiria  ao  contribuinte  a  possibilidade  de  escolher  livremente a forma de escriturar suas operações, desde que obedecesse  aos princípios técnicos contábeis, desautorizando as repartições fiscais  a opinarem sobre processos de contabilização;  ­ ao contrário do entendimento do autuante, ela poderia escriturar em  uma  determinada  conta  todos  os  valores  referentes  à  retenção  do  imposto  de  renda,  sem  a  necessidade  de  separá­los  por  código  de  arrecadação;  ­ além da escrituração de todo o imposto de renda em uma única conta,  visando  a  atender  às  suas  necessidades  internas,  ela  utilizaria  dois  tipos  diferentes  de  contabilização  de  receitas  e  despesas,  sendo  um  para efeitos gerenciais, com conta transitória, e outro para o balanço;  ­  a  Fiscalização,  ao  elaborar  o  comparativo  entre  os  valores  declarados nas DCTF e os "provisionados", teria considerado apenas  Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 5          4 o crédito efetuado na conta  referente à "provisão" do  imposto devido  no mês subseqüente/anterior;  ­  assim,  os  valores  considerados  como  devidos  pela  Fiscalização  seriam  referentes  aos  pagos  no  mês  posterior/anterior,  oriundos  da  conta transitória e  transferidos para a conta permanente, por ocasião  do recolhimento do tributo;  ­  em  relação  ao  CÓDIGO  0588,  correspondente  a  rendimento  sobre  trabalho sem vínculo empregatício, o artigo 628 do RIR/99 preveria a  contabilização pelo regime de caixa (pagamento);  ­ o valor de R$ 1.785,94, apesar de ter sido escriturado no mês março,  corresponderia  à  retenção ocorrida  no mês  de  fevereiro,  sendo certo  que teria sido recolhido com os acréscimos legais cabíveis em razão da  mora no pagamento;  ­  deveriam  ser  cancelados  os  valores  autuados  relativos  à  diferença  entre  os  tributos  escriturados  e  os  declarados,  pois,  apesar  dos  equívocos, o IRRF teria sido devidamente quitado;  ­  muitas  das  divergências  apontadas  no  auto  de  infração  seriam  insubsistentes,  em  razão  de  o  autuante  não  ter  considerado  os  recolhimentos  efetuados  com  os  códigos  de  apuração  1708,  8045  e  3280;  ­ em relação ao CÓDIGO 0561, referente à retenção do imposto sobre  rendimentos provenientes do trabalho assalariado, os valores autuados  seriam  relativos  ao  pagamento  de  rendimentos  a  pessoa  física  em  razão do início do período de férias;  ­  teria  havido  um  descompasso  temporal  entre  a  escrituração,  que  indicaria o mês do efetivo recolhimento do tributo e a declaração, que  apontaria o mês do seu fato gerador;  ­  o  descompasso  decorreria  da  própria  legislação  que  trata  da  retenção e do recolhimento do IR­Fonte no que tange ao pagamento de  férias ao trabalhador assalariado;  ­ o momento no qual o imposto é retido seria diferente daquele no qual  é  recolhido,  havendo, por  isso,  uma dificuldade  na  escrituração  e  na  declaração de tais valores;  ­  se  o  fato  gerador  do  tributo  ocorre  em  determinado mês,  o  tributo  deveria  ser  declarado  em DCTF  como  correspondente  a  esse mesmo  mês, ainda que o recolhimento somente fosse efetuado no mês seguinte  e o valor fosse escriturado no livro Razão por ocasião da efetiva saída  dos valores de caixa;  ­ o autuante deveria ter  feito uma verificação exaustiva dos  fatos, em  vez  de  ter  efetuado  a  autuação  sem  analisar  os  documentos  apresentados por ela no curso da fiscalização;  ­ o autuante, ao ter entendido que os valores escriturados e os valores  declarados seriam discrepantes em razão da sistemática de retenção e  recolhimento do imposto de renda, deveria ter procedido à retificação  Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 6          5 de ofício das DCTF, a fim de solucionar o problema da diferença entre  valor escriturado e declarado;  ­  apesar  da  falta  de  correspondência  entre  a  escrituração  e  a  declaração  do  imposto,  tanto  a  retenção  como  o  recolhimento  do  tributo  teriam  se  dado  de  forma  correta,  motivo  pelo  qual  jamais  poderia ter havido autuação;   ­  também  em  relação  ao  código  0561,  teriam  sido  autuados  valores  referentes  a  estornos  de  lançamentos  equivocados,  visando  a  sua  anulação;  ­ como exemplo, citaria o mês de setembro de 2003, em relação ao qual  o autuante teria apontado uma diferença de R$ 63.234,28 entre o valor  do IRRF escriturado e o declarado;  ­ nesse mês de setembro, o valor escriturado do IRRF referente àquele  código  teria  sido  de  R$  35.043,44  e  se  referiria  à  remuneração  de  férias, sendo que o pagamento teria ocorrido no mês de agosto;  ­  o  valor  de R$ 35.043,44  englobaria  os  valores  realmente  pagos  no  mês de setembro e alguns devidos em setembro, mas declarados no mês  de  outubro;  seria  composto  dos  valores  de R$ 699,81,  que  teria  sido  declarado na DCTF de agosto e deveria ter sido escriturado no mesmo  mês,  de  R$  31.615,68,  que  teria  sido  declarado  equivocadamente  no  mês de outubro de 2003 e de R$ 2.727,95, que teria sido declarado no  mês de setembro;  ­ à vista desses fatos, o valor do imposto escriturado seria compatível  com o retido e recolhido, ainda que tivesse havido equívoco em alguns  casos  quando  do  momento  da  escrituração,  em  virtude  de  seu  entendimento  de  que  o  fato  gerador  do  IRRF  ocorreria  no  início  do  período de férias e não no momento do pagamento dos rendimentos ao  empregado até dois dias antes;  ­  quanto  ao  valor  escriturado  de R$  30.918,79,  o  autuante  não  teria  percebido que ele  teria  sido  estornado, ou seja,  lançado a débito  e a  crédito, para anulação;  ­ em razão dos fatos expostos, deveria haver o cancelamento do auto de  infração,  em  virtude  de  o  tributo  ter  sido  devidamente  retido  e  recolhido;  ­ mesmo que se ignorasse os argumentos expostos, o que se admitiria  apenas por amor ao debate, e se considerasse equivocada a forma de  contabilização  utilizada  por  ela,  o  que  não  teria  ocorrido,  tal  fato  jamais poderia ser suficiente para a desconsideração dos pagamentos  realizados;  ­  em  razão  de  mera  incompreensão  da  forma  de  contabilização  adotada  por  ela,  o  autuante  estaria  exigindo  imposto  sobre  fatos  geradores cujos tributos já teriam sido objeto de recolhimento, como se  comprovaria pela documentação acostada;  ­  de  qualquer  forma,  a  simples  ocorrência  de  ERRO  FORMAL  não  poderia macular a  existência dos pagamentos  efetuados  e,  tampouco,  Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 7          6 autorizaria o Fisco a proceder à cobrança de tais valores com base na  eventual existência de tais erros;  ­  meras  questões  formais  não  poderiam  se  sobrepor  à  efetiva  inexistência  do  débito,  especialmente  em  razão  da  observância  do  princípio  da  verdade  material,  aliás,  aplicado  amplamente  pelo  Conselho de Contribuintes;  ­  em  razão  de  ter  verificado  pequenas  incorreções  acerca  do  recolhimento  do  IRRF,  teria  providenciado  a  quitação  dos  valores  correspondentes (após a autuação), conforme comprovariam as cópias  de DARF anexadas (fls. 290 a 332).  Ao final, a interessada solicita que a impugnação seja conhecida, para  ser  declarada  a  nulidade  apontada  ou  ser  cancelado  o  auto  de  infração, em razão da ausência de análise dos documentos entregues à  fiscalização e da comprovação da retenção e do recolhimento do IRRF  lançado.  Os  documentos  que  acompanham  a  impugnação  correspondem  basicamente  à  procuração,  substabelecimento,  cópias  de  ata  de  assembléia,  de  contrato  social  e  alterações,  do  auto  de  infração,  do  termo  de  verificação  fiscal  e  os  demonstrativos  que  o  acompanham,  além  de  cópias  de  diversos  Darf  com  data  de  recolhimento  de  08/08/2007 (fls. 244 a 332).  O órgão local juntou extrato do processo às fls. 333 a 336 e informou  que deixou para proceder à alocação dos pagamentos  efetuados pela  interessada somente após a decisão proferida no processo pela DRJ (fl.  336). Em seguida, remeteu o processo a este órgão para julgamento (fl.  337).  A  1ª  Turma  da  DRJ  –  Rio  de  Janeiro/RJI  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  DELIMITAÇÃO  DA  LIDE.  PAGAMENTO  PARCIAL  NO  PRAZO  PARA IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  Não  se  instaura  a  fase  litigiosa  em  relação  ao  crédito  tributário  recolhido  pelo  contribuinte  no  prazo  previsto  para  a  impugnação  do  auto  de  infração,  afigurando­se  essa  parcela  do  lançamento  definitivamente constituída na esfera administrativa.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA  O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de  processo  administrativo  tributário,  especialmente  a  observância  do  amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a  hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.  DIFERENÇAS DE  IMPOSTO NÃO RECOLHIDAS. COTEJO ENTRE  A ESCRITURAÇÃO E A DCTF   Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 8          7 A falta de recolhimento do imposto, apurada a partir do cotejo entre os  valores registrados contabilmente e os informados na DCTF, enseja o  seu lançamento de ofício, com multa de 75% e juros de mora.  Lançamento Procedente  Intimada da decisão de primeira instância em 14/05/2008 (fl. 381), Net Rio Ltda  apresenta, em 13/06/2008, Recurso Voluntário com os respectivos documentos (fls. 386 a 1871  e  1872  a  1999),  sustentando,  essencialmente,  os  mesmos  argumentos  defendidos  em  sua  Impugnação.  É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.    Cuidam os autos de lançamento fiscal decorrente de procedimento de auditoria,  que constatou a falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte, códigos 0561, 0588  e  1708,  referente  ao  período  de  apuração  de  01/08/2003  a  01/11/2005,  01/01/2006  a  01/03/2007.  A autoridade fiscal apurou o Imposto de Renda Retido na Fonte escriturado na  contabilidade  da  empresa  e  comparou  com  as  informações  prestadas  nas  Declarações  de  Débitos  e Créditos Tributários  Federais  (DCTF’s). As  diferenças  apuradas  foram  consideras  como  omissão  e,  consequentemente,  fizeram  parte  do  lançamento.  Transcreve­se  parte  do  Termo de Verificação Fiscal (fls. 176/178):  Diferença entre valores escriturados e declarados IRRF  Cotejando  os  valores  escriturados  nos  livros  contábeis  a  título  de  Imposto  de Renda Retido na Fonte,  contas:  214503.001(IRRF  s/sal  e  hon adm); 214503.002 (IRRF s/ autônomos); 214503.003(IRRF s/serv  profiss), códigos 0561, 0588 e 1708 as fls.39 a 158, e os declarados em  DCTFs – período 08/2003 a 03/2007,  fls.29 a 38,  constatamos que o  contribuinte omitiu nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários  Federais  ­  DCTFs  os  valores  relacionados  no  Demonstrativo  de  "Divergência Valores Declarados e escriturados" anexos a este Termo.  Contudo,  alega  a  suplicante  que,  quando  se  utiliza  para  a  constituição  da  exigência  a  escrituração  contábil  da  empresa,  há  uma  natural  discrepância  entre  o  imposto  escriturado  e  recolhido  e,  por  essa  razão,  a  informação  constante  na  contabilidade  não  se  harmoniza  com  a  prestada  na  DCTF.  Além  do  mais,  existem  outros  lançamentos  na  conta  contábil  que  não  representam  necessariamente  imposto  retido  na  fonte  passível  de  ser  recolhido. Confira a argumentação da contribuinte (Recurso Voluntário – fl. 1887):  Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 18471.000786/2007­69  Resolução nº  2201­000.159  S2­C2T1  Fl. 9          8 63. Visando a exemplificar a situação, observe­se o ocorrido no mês de  fevereiro de 2006. A D. Autoridade Fiscal, analisando a conta contábil  n.°  10200.214503.002,  cuja  nomenclatura  é  IRRF  sobre  autônomos,  verificou uma diferença a recolher apurada no valor de R$ 14.606,54.  64.  Esta  diferença  corresponde  ao  valor  de  R$  14.911,01  que  foi  escriturado  no  mês  de  fevereiro,  na  mesma  conta  contábil  do  IRRF  sobre  autônomos,  todavia,  se  refere  ao  código  1708,  ou  seja,  remuneração de  serviços prestados por pessoas  jurídicas,  somado ao  valor  de  R$  1.481,47  que  corresponde  a  valor  estornado,  ou  seja,  creditado e debitado no livro fiscal, subtraído do valor de R$ 1.785,94,  que foi declarado no mês de fevereiro, contudo, foi escriturado no mês  de março, em virtude do recolhimento do tributo ter sido efetivamente  efetuado no mês de março.  65.  Conclui­se,  pois,  que  a  D.  Autoridade  Administrativa  jamais  poderia ter computado o valor estornado de R$ 1.481,47 como tributo  a  recolher,  tampouco  poderia  efetuar  a  cobrança  do  valor  de  R$  14.911,01  tão­somente por acreditar que por  estar  em conta  contábil  diversa da que considera correta, não houve recolhimento do tributo.   De  fato,  quando  se  tenta  cotejar  o  imposto  escriturado  com  o  efetivamente  declarado, não é possível aferir qual é efetivamente o  imposto retido na fonte que deixou de  constar  na DCTF  e,  por  conseguinte,  não  recolhido  pela  autuada. Assim,  como  a  recorrente  alega que  a  conta  contábil  precisa necessariamente  ser ajustada,  para  se obter  a  real  base da  autuação,  proponho  converter  o  processo  em  diligência  para  adoção  das  seguintes  providencias:  a)  intimar  o  contribuinte  para  que  no  prazo  de  30  dias  providencie  planilha  contendo  todos  os  valores  individualmente  lançados  nas  respectivas  contas,  devidamente  conciliadas, indicando a data do fato gerador, histórico, data de recolhimento, valor do imposto  retido,  valor  do  imposto  pago  e  a  consequente  informação  na DCTF. A  planilha  deverá  ser  acompanhada dos respectivos documentos;  b)  a  planilha  apresentada  deverá  ser  objeto  de  auditoria  pela  fiscalização,  que  lavrará relatório circunstanciado informando o real valor omitido. A autoridade fiscal avaliará a  necessidade ou não da juntada de documentos;  c) do relatório acima, deverá a autoridade lançadora dar ciência ao contribuinte  para, em prazo razoável, querendo, manifestar­se.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah  Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10530.004512/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO. FALTA DE REQUERIMENTO. Não faz jus à redução do imposto a pessoa jurídica que não requereu o reconhecimento desse direito à autoridade tributária competente, embora tenha obtido, da ADENE, a declaração de que satisfaz as condições para seu gozo. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no artigo 44, parágrafo 1º., inciso IV da Lei Nº 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à glosa de redução; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que convertiam o julgamento em diligência, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari; e 3) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO REYNALDO BECARI – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10530.004512/2008­76  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1101­001.234  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de dezembro de 2014  Matéria  IRPJ ­ Incentivos Fiscais  Recorrente  FRIBARREIRAS AGRO INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA (nova  razão social de FRIGORÍFICO REGIONAL DE BARREIRAS LTDA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  BENEFÍCIO  FISCAL.  REDUÇÃO.  FALTA  DE  REQUERIMENTO.  Não  faz  jus  à  redução  do  imposto  a  pessoa  jurídica  que  não  requereu  o  reconhecimento  desse  direito  à  autoridade  tributária  competente,  embora  tenha obtido, da ADENE, a declaração de que satisfaz as condições para seu  gozo.  MULTA  ISOLADA.  APLICAÇÃO  CONCOMITANTE  COM  A  MULTA  DE  OFÍCIO.  A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  artigo  44,  parágrafo  1º.,  inciso  IV  da  Lei  Nº  9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por  falta  de  pagamento  de  IRPJ  e  CSLL  apurado  no  ajuste  anual,  devendo  subsistir a multa de ofício  JUROS DE MORA  SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A  obrigação  tributária  principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  oficio,  incidem  juros  de  mora,  devidos à taxa SELIC.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em:  1)  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  à  glosa  de  redução;  2)  por  maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas,  vencida  a  Relatora  Conselheira  Edeli  Pereira  Bessa,  acompanhada  pelo  Conselheiro  Paulo  Mateus Ciccone, que convertiam o  julgamento em diligência, sendo designado para  redigir o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Paulo  Reynaldo  Becari;  e  3)  por  voto  de  qualidade,  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 45 12 /2 00 8- 76 Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 3          2 divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Antônio  Lisboa Cardoso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.     (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora    (documento assinado digitalmente)  PAULO REYNALDO BECARI – Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (presidente  da  turma),  Edeli  Pereira  Bessa, Marcos Vinícius  Barros Ottoni,  Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.  Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  FRIBARREIRAS  AGRO  INDUSTRIAL  DE  ALIMENTOS  LTDA  (nova  razão  social  de  FRIGORÍFICO  REGIONAL  DE  BARREIRAS  LTDA),  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Salvador/BA  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  PARCIALMENTE  PROCEDENTE  a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em  26/12/2008,  exigindo  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  1.144.668,44,  em  razão  da  constatação  das  seguintes infrações:  ·  Glosa de redução do IRPJ nos anos­calendário 2005 (R$ 14.354,72) e  2006  (R$  79.678,43):  a  contribuinte  não  apresentou  requerimento  para gozo de benefício fiscal no âmbito da SUDENE, constatando­se  a  existência  apenas  do  processo  administrativo  nº  10580.007195/2005­10,  instruído  com  cópia  do  Ofício  ADENE  nº  0952/2005  e  do Laudo Constitutivo  nº  184/2005.  Intimada naqueles  autos, a contribuinte não apresentou o original do referido  laudo e o  requerimento  previsto  no  art.  60  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  267/2002. No ano­calendário 2006, embora informando ter usufruído  de  benefício  fiscal  de  redução  por  reinvestimento,  a  escrituração  da  empresa evidenciou que a dedução decorria de benefício de  redução  de 75% do imposto devido, à semelhança do que constatado no ano­ calendário 2005;  ·  Falta  de  recolhimento  de  estimativas  nos  anos­calendário  2005  e  2006:  a  contribuinte  nada  recolheu,  nem  declarou  os  débitos  correspondentes  em  DCTF,  e  depois  de  intimada  apresentou  DIPJ  retificadora  informando  cálculo  de  estimativas  com  base  em  balancetes de suspensão/redução, mas estas demonstrações não foram  localizadas  em  sua  escrituração.  As  estimativas  devidas  foram  apuradas com base na receita bruta e acréscimos, e a partir delas  foi  calculada  a  multa  isolada  no  percentual  de  50%.  A  autoridade  lançadora  desconsiderou  recolhimentos  promovidos  sob  o  código  5993, classificando­os como indébito;  ·  Falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, cujas  apurações foram recompostas a partir do conteúdo da escrituração da  contribuinte, desconsiderando informações equivocadas prestadas em  DIPJ, bem como retificando os ajustes do LALUR incompatíveis com  os fatos contabilizados; e  ·  Multa  por  não  preenchimento/preenchimento  incorreto  do  LALUR  nos anos­calendário 2005 e 2006, no valor fixo de R$ 80,79.  Impugnando a exigência, a contribuinte questionou a ausência de autorização  para  prorrogação  do  procedimento  fiscal,  disse que  requereu  regularmente o  benefício  fiscal  glosado pela Fiscalização e não foi intimada acerca de qualquer indeferimento, opôs­se à glosa  Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 5          4 por  falta  de  apresentação  do  original  do  Laudo  Constitutivo,  alegou  que  optou  pelo  recolhimento anual do IRPJ e da CSLL e que disporia de livros de balancetes demonstrando a  desnecessidade do recolhimento mensal de estimativas, afirmou absurda a desconsideração do  recolhimento promovido sob código 5993, atribuiu as insuficiências de recolhimento às demais  infrações  impugnadas,  e discordou da motivação para  aplicação da multa por preenchimento  incorreto do LALUR.  O  julgamento  da  impugnação  foi  convertido  em diligência  para  verificação  do destino dado ao processo administrativo alegado pela contribuinte (nº 10580.007195/2005­ 10),  constatando­se  que  o  pedido  não  foi  formalizado  em  razão  do  não  atendimento  de  intimação  para  saneamento  dos  vícios  do  processo.  A  contribuinte  fora  cientificada  do  indeferimento em 25/10/2010 e não apresentou qualquer manifestação.   A Turma julgadora rejeitou a argüição de nulidade do lançamento, observou  que  o  processo  administrativo  nº  10580.007195/2005­10  não  era  integrado  por  pedido  de  reconhecimento  do  benefício  fiscal  e  apresentava  outros  vícios  formais  que  não  foram  saneados, registrou que a contribuinte não provou ter apresentado os balancetes de suspensão à  Fiscalização, afirmou necessária a escrituração destas demonstrações no Livro Diário, admitiu  a imputação do recolhimento promovido sob código 5993 aos valores devidos a título de IRPJ  no  ajuste  anual  de  2005  e  na  estimativa  de  dezembro/2005,  declarou  não  refutadas  as  irregularidades  constatadas  no  preenchimento  do  LALUR,  e  manteve  integralmente  as  exigências de CSLL. O acórdão está assim ementado:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Ano­calendário: 2005, 2006   NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.  Descabe  a  argüição  de  nulidade  quando  se  verifica  que  o  Auto  de  Infração  foi  lavrado  por  pessoa  competente  para  fazê­lo  e  em  consonância  com  a  legislação  vigente.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2005, 2006   INCENTIVOS  FISCAIS.  EMPREENDIMENTOS  NA  ÁREA  DE  ATUAÇÃO  DA  SUDENE. RECONHECIMENTO PELA RECEITA FEDERAL.  As  pessoas  Jurídicas  que  tenham  projeto  aprovado  para  instalação,  ampliação,  modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados,  em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas  de  atuação  da  extinta  Superintendência  de  Desenvolvimento  do  Nordeste  ­  SUDENE, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a  renda  e  adicionais  não  restituíveis,  calculados  com base  no  lucro  da  exploração,  desde  que  tal  benefício  seja  formalmente  reconhecido  pela  Receita  Federal  do  Brasil.  AUSÊNCIA  DE  CONFISSÃO  EM  DCTF.  LANÇAMENTO.  RECOLHIMENTO  ESPONTÂNEO.  Na ausência da confissão em DCTF do  imposto devido, é cabível a realização do  lançamento  para  a  constituição  do  correspondente  crédito  tributário,  ainda  que  tenha ocorrido o recolhimento espontâneo, não persistindo, no entanto, a cobrança  dos encargos legais aplicados.  ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA.   Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 6          5 Configurada  a  falta  do  pagamento  de  estimativa  do  IRPJ,  verifica­se  cabível  a  aplicação isolada da multa de ofício no percentual de 50% calculada sobre o valor  da estimativa que deixou de ser recolhida.  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL   Ano­calendário: 2005, 2006   ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. MULTA.   Configurada  a  falta  do  pagamento  de  estimativa  da  CSLL,  verifica­se  cabível  a  aplicação isolada da multa de ofício no percentual de 50% calculada sobre o valor  da estimativa que deixou de ser recolhida.  AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU CONFISSÃO EM DCTF. LANÇAMENTO.  RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO.  Na  ausência  da  confissão  em  DCTF  da  CSLL  devida,  é  cabível  a  realização  do  lançamento para a constituição do correspondente crédito tributário.  O crédito tributário exonerado representou montante inferior ao estabelecido  na Portaria MF nº 3/2008, não ensejando reexame necessário.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  13/07/2011  (fl.  309),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 10/08/2011 (fls. 315/326).  Inicialmente se opõe à exigência de multas isoladas por falta de recolhimento  de estimativas invocando a jurisprudência deste Conselho contrária à sua aplicação em face da  simples  falta  de  transcrição  dos  balanços  ou  balancetes  de  suspensão  ou  redução  no  livro  Diário. Diz que a decisão recorrida renovou­lhe a oportunidade de apresentação dos referidos  balancetes, juntados ao recurso voluntário, e observa que a apuração fiscal não considerou os  prejuízos  e  resultados  negativos  do  período.  Invoca  os  princípios  da  verdade  material  e  da  razoabilidade, mas ressalta que a exigência de recolhimento por estimativa não era obrigatória  para IRPJ, quiçá a exigência de recolhimento por estimativa de CSLL, reportando­se a decisão  proferida pelo TRF/1a Região no âmbito da AMS nº 2006.33.00.003198­2/BA.  No mais, quanto ao benefício fiscal usufruído nos períodos autuadas, diz que  lhe  foi  concedida  a  redução  de  imposto  no  período  de  2005  a  2013,  por  meio  do  Laudo  Constitutivo nº 184/2005, e o acórdão recorrido alega que o contribuinte apenas protocolou o  pedido  com  o  laudo  constitutivo  e  não  houve  resposta  à  Intimação  nº  89/2006  da DRF  de  Feira  de  Santana  para  sanar  vícios  quanto  à  apresentação  de  outros  documentos.  Referido  pedido, porém, somente foi considerado “não admitido” em decisão cientificada à contribuinte  em  25/10/2010,  de  modo  que  antes  disto  a  Fiscalização  não  poderia  ignorar  o  benefício  e  promover o  lançamento. Observa  que  a DRJ não  tem  competência  para  decidir  nestes  autos  matéria  atinente  a  outro  processo  administrativo,  diz  que  o  pedido  de  reconhecimento  do  benefício fiscal deve ser analisado em até 120 (cento e vinte) dias, sob pena de homologação  tácita, a qual  teria se verificado entre o protocolo do pedido (16/08/2005) e a  intimação para  sanar  os  vícios  (04/09/2006),  ou mesmo  até  a  ciência  do  despacho  de  inadmissibilidade  do  pedido  (25/10/2010).  Reporta­se  à  Solução  de  Consulta  nº  22/2003  em  favor  do  reconhecimento automático do direito ao benefício em tais circunstâncias, destacando que não  podem  ser  exigidas  parcelas  correspondentes  às  reduções  feitas  durante  o  período  em  que  a  pessoa  jurídica  interessada  esteja  no  gozo  da  redução  após  expirado  o  prazo  de  análise  do  período.  Demais  disso,  o  direito  à  redução  do  IRPJ,  formalizado  pelo  Laudo  Constitutivo,  permanece válido, bastando que a SRF reconheça o direito.  Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 7          6 Finaliza  afirmando  a  impossibilidade  de  aplicação  de  juros  sobre  a  multa,  observando  que  somente  teve  conhecimento  do  fato  quando  da  intimação  da  decisão  de  1a  instância,  de modo  que  se  não  for  declarada  a  impossibilidade  de  sua  exigência  porque  não  presente  no  lançamento  original,  sua  defesa  deve  ser  conhecida,  afastando­se  o  acréscimo  consoante  já  decidido  em  outros  julgados  deste Conselho,  ante  a  falta  de  suporte  legal  para  aplicação dos juros, mormente tendo em conta que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 não se presta a  tanto, sob pena de autorizar, também, a aplicação de multa de mora sobre a multa de ofício não  paga no vencimento.     Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 8          7 Voto Vencido  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Consoante relatado, a recorrente se limita a defender seu direito à redução do  IRPJ e a discordar da exigência das multas  isoladas por falta de recolhimento de estimativas.  Nada opõe às demais irregularidades que se agregaram à glosa de redução do IRPJ para ensejar  as exigências de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, e também motivaram a multa por não  preenchimento/preenchimento incorreto do LALUR.   Assim, embora questione a aplicação de juros de mora sobre toda penalidade  exigida, e ao final peça o reconhecimento da improcedência da exigência fiscal, é certo que as  infrações  distintas  daquelas  acima  referidas  não  foram  controvertidas,  verificando­se  a  preclusão.  Com referência ao benefício fiscal pretendido pela recorrente, assim dispõe o  Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99:  Art.  551.  Até  31  de  dezembro  de  1997,  as  pessoas  jurídicas  que  mantenham  empreendimentos  industriais  ou  agrícolas  em  operação  na  área  de  atuação  da  SUDENE,  em  relação  aos  aludidos  empreendimentos,  pagarão  o  imposto  e  adicionais não restituíveis com a redução de cinqüenta por cento (Lei nº 4.239, de  1963, art. 14, Lei nº 5.508, de 1968, art. 35, Lei nº 7.450, de 1985, art. 58, inciso I,  Decreto­Lei nº 2.454, de 1988, art. 2º, Lei nº 8.874, de 1994, art. 2º, e Lei nº 9.532,  de 1997, art. 3º, § 2º). § 1º A redução de que trata este artigo somente se aplica ao  imposto e adicionais não restituíveis calculados com base no  lucro da exploração  (art. 544) do empreendimento (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art.19, § 1º alínea " b  ", e Decreto­Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I).   § 2º A redução de que trata este artigo não impede a aplicação em incentivos fiscais  (FINAM, FINOR E FUNRES), nas condições previstas neste Decreto, com relação  ao montante de imposto a pagar.   § 3º A redução do imposto e adicionais não restituíveis, a partir de 1º de janeiro de  1998,  passa  a  ser  calculada  segundo  os  seguintes  percentuais  (Lei  nº  9.532,  de  1997, art. 3º, § 2º):   I  ­  trinta  e  sete  e  meio  por  cento,  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1998  até  31  de  dezembro de 2003;   II ­ vinte e cinco por cento, a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de  2008;   III ­ doze e meio por cento, a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de  2013.   § 4º Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º  de janeiro de 2014, o benefício fiscal de que trata este artigo (Lei nº 9.532, de 1997,  art. 3º, § 3º).   A  legislação  em  vigor  à  época  dos  fatos  conta  com  alterações  promovidas  pela Medida Provisória nº 2.199/2001 e pela Lei nº 11.196/2005, nos seguintes termos:  Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 9          8 Medida Provisória nº 2.199, de 2001:  Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do  ano­calendário  de  2000  e  até  31  de  dezembro  de  2013,  as  pessoas  jurídicas  que  tenham  projeto  aprovado  para  instalação,  ampliação,  modernização  ou  diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder  Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das  extintas  Superintendência  de  Desenvolvimento  do  Nordeste  ­  Sudene  e  Superintendência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  ­  Sudam,  terão  direito  à  redução  de  setenta  e  cinco  por  cento  do  imposto  sobre  a  renda  e  adicionais  não  restituíveis, calculados com base no lucro da exploração   Lei nº 11.196, de 2005:  Art. 32. O art. 1º da Medida Provisória nº 2.199­14, de 24 de agosto de 2001, passa  a vigorar com a seguinte redação:  Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do  ano­calendário  de  2000,  as  pessoas  jurídicas  que  tenham  projeto  protocolizado  e  aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou  diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder  Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das  extintas  Superintendência  de  Desenvolvimento  do  Nordeste  ­  Sudene  e  Superintendência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  ­  Sudam,  terão  direito  à  redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais,  calculados com base no lucro da exploração   § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo dar­se­á a partir do  ano­calendário  subseqüente  àquele  em  que  o  projeto  de  instalação,  ampliação,  modernização ou diversificação entrar em operação, segundo  laudo expedido pelo  Ministério da  Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do ano­ calendário subseqüente ao do início da operação.  .........................................  3o O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do  ano­calendário de início de sua fruição.  ........................................” (NR)   De toda sorte, o procedimento para reconhecimento do benefício permaneceu  inalterado nos termos do RIR/99:  Reconhecimento do Direito à Redução   Art.  553.  O  direito  à  redução  de  que  trata  o  art.  551  será  reconhecido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  a  que  estiver  jurisdicionado  o  contribuinte  (Lei  nº  4.239, de 1963, art. 16).   § 1º O reconhecimento do direito à redução será requerido pela pessoa  jurídica,  que  deverá  instruir  o  pedido  com  declaração,  expedida  pela  SUDENE,  de  que  satisfaz as condições mínimas para gozo do favor fiscal.   § 2º O Delegado da Receita Federal decidirá sobre o pedido de reconhecimento do  direito à redução dentro de 180 dias da respectiva apresentação à repartição fiscal  competente.   § 3º Expirado o prazo indicado no parágrafo anterior, sem que a requerente tenha  sido  notificada  da  decisão  contrária  ao  pedido  e  enquanto  não  sobrevier  decisão  irrecorrível,  considerar­se­á  a  interessada  automaticamente  no  pleno  gozo  da  Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 10          9 redução pretendida,  se o  favor  tiver  sido  recomendado pela SUDENE, através da  declaração mencionada no § 1º deste artigo.   §  4º  Do  despacho  que  denegar,  parcial  ou  totalmente,  o  pedido  da  requerente,  caberá  impugnação  para  o  Delegado  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar do recebimento da competente  comunicação.   §  5º  Tornando­se  irrecorrível,  na  esfera  administrativa,  a  decisão  contrária  ao  pedido  a  que  se  refere  este  artigo,  a  repartição  competente  procederá  ao  lançamento  das  importâncias  que,  até  então,  tenham  sido  reduzidas  do  imposto  devido, efetuando­se a cobrança do débito.   §  6º  A  cobrança  prevista  no  parágrafo  anterior  não  alcançará  as  parcelas  correspondentes  às  reduções  feitas  durante  o  período  em  que  a  pessoa  jurídica  interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 3º deste artigo.   §  7º  A  redução  de  que  trata  o  art.  551  produzirá  efeitos  a  partir  da  data  da  apresentação à SUDENE do requerimento devidamente instruído na forma prevista  no art. 7º do Decreto nº 64.214, de 18 de março de 1969. (destacou­se)  O  ofício  dirigido  pela  ADENE  à  contribuinte  confirma  a  necessidade  de  requerimento do benefício à Receita Federal, nos seguintes termos (fl. 87)  Reportamo­nos  ao  pleito  apresentado  por  essa  empresa,  concernente  ao  reconhecimento do benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda nos termos do  art. 13, da Lei 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3o  da Lei nº 9.532, de 10.12.97, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória  nº 2.199­14, de 24 de agosto de 2001 e o Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002.  2.  Sobre  o  assunto,  e  considerando  que  essa  empresa  atendeu  aos  requisitos  necessários  e  às  condições  previstas  na  legislação  que  orienta  a  concessão  desse  incentivo  fiscal,  informamos que esta Autarquia, através do Laudo Constitutivo de  nº  0184/2005,  anexo,  reconhece  a  referida  redução,  observados  os  prazos  e  obrigações expressas no mesmo.  3. Finalmente, cabe registrar que o requerimento à unidade da Receita Federal de  jurisdição deverá estar devidamente instruído com o original do referido laudo, e  de conformidade com o item 3 do Anexo Único da Instrução Normativa nº 267/2002.  (negrejou­se)  Por sua vez, a única referência a este benefício, presente na Receita Federal,  era o processo  administrativo nº 10580.007195/2005­10,  formalizado pela DRF/Salvador  em  razão do recebimento de ofício da ADENE, nos seguintes termos (fl. 196):  Em  atendimento  às  disposições  dos  artigos.  59  e  60  da  Instrução  Normativa  267/2002,  dessa  SRF,  comunicamos  a  Vossa  Senhoria  que  a  Diretoria­Geral  da  ADENE, através do Laudo Constitutivo n° 018412005 (copia anexa), reconheceu o  direito a Redução do Imposto de Renda calculado sobre o lucro da exploração, nos  termos do art. 13, da Lei 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada  pelo art. 3° da Lei n° 9.532, de 10.12.97, e alterações posteriores, conforme Medida  Provisória  n°  2.199­14,  de 24  de  agosto  de  2001 e o Decreto  n° 4.213,  de  26  de  abril de 2002, em favor da empresa FRIGORIFICO REGIONAL DE BARREIRAS  LTDA, de acordo com os elementos constantes do referido laudo.  Por  oportuno,  informamos  que  a  empresa  pleiteante  foi  notificada de  que  só  os  originais do Laudo devem ser apresentados em anexo ao respectivo Requerimento  do beneficio à Receita Federal.  Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 11          10 Finalmente, objetivando o controle do reconhecimento desse incentivo, solicitamos  a Vossa Senhoria encaminhar a esta Agência, cópia do Ato Decisório que venha a  ser emitido em favor da referida empresa, conforme estabelecido no art.3°, §§ 1° e  2° do Decreto n°4.213/2002.  Às  fls.  199/203  consta  reprodução  da  intimação  lavrada  nos  autos  daquele  processo  administrativo para que  a contribuinte  apresentasse o pedido de  reconhecimento do  direito à redução do IRPJ, e demais elementos necessários para atendimento do art. 60 da Lei  nº 9.069/95 (certidões negativas de débitos relativos a tributos e contribuições federais). Às fls.  269/271  está  juntada  a  decisão  proferida  na  seqüência,  registrando  que  a  contribuinte  não  apresentou o pedido em referência, e a impossibilidade de reconhecimento do benefício, a qual  foi cientificada à contribuinte em 25/10/2010.  Assim, é imprópria a pretensão da recorrente, no sentido de que teria direito  ao  gozo  do  benefício  enquanto  não  analisado  seu  pedido,  simplesmente  porque  ele  não  foi  apresentado. Por  sua vez, o  reconhecimento material pela ADENE das condições para que a  contribuinte pudesse usufruir do benefício, estampado no Laudo Constitutivo nº 184/2004, não  lhe  confere os  efeitos  fiscais  pretendidos,  como  reiteradamente  alertado  pela ADENE e pela  Receita  Federal  à  contribuinte,  dado  que  o  art.  553,  §1o  do  RIR/99  lhe  impõe  o  dever  de  requerer o reconhecimento do benefício, e assim o faz porque, nos termos da Lei nº 9.069/95:  Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer  incentivo ou benefício  fiscal,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  fica  condicionada  à  comprovação  pelo  contribuinte,  pessoa  física  ou  jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.  Por  tais  razões,  deve  ser  NEGADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente às glosas vinculadas aos efeitos do benefício fiscal.  A  recorrente  também discorda das multas  isoladas que  lhe foram aplicadas,  invocando jurisprudência hoje consolidada nos seguintes termos:  Súmula  CARF  nº  93.  A  falta  de  transcrição  dos  balanços  ou  balancetes  de  suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada  prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito  passivo  apresenta  escrituração  contábil  e  fiscal  suficiente  para  comprovar  a  suspensão ou redução da estimativa.  A autoridade fiscal relata que a contribuinte não preencheu as fichas da DIPJ  destinadas à informação da base de cálculo das estimativas devidas nos anos­calendário 2005 e  2006,  e  somente  na  segunda  retificação  daquela  declaração,  promovida  já  sob  procedimento  fiscal,  indicou  ter  apurado  as  estimativas  com  base  em  balancetes  de  suspensão/redução.  Invocando  os  dispositivos  legais  e  normativos  que  exigem  a  transcrição  dos  balancetes  de  suspensão/redução  no  livro  Diário,  a  autoridade  fiscal  constatou  a  inexistência  destes  demonstrativos,  e  calculou  as  estimativas  devidas  com  base  na  receita  bruta  e  acréscimos,  adotando estes valores como referenciais para aplicação da multa isolada.  Em  que  pese  o  disposto  no  art.  35,  §1o,  alínea  “a”  da  Lei  nº  8.981/95,  a  jurisprudência  administrativa,  nos  termos  acima,  admite  que  outras  demonstrações,  consistentes com a escrituração contábil e fiscal, prestem­se como justificativa para suspensão  ou redução dos valores mensais devidos a título de estimativa.  Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 12          11 Os balancetes juntados ao recurso voluntário (fls. 332/662) evidenciam que o  resultado  contábil  acumulado mensalmente  de  janeiro/2005  a  dezembro/2006,  apresentou­se  negativo na maior parte dos períodos, com exceção de setembro/2005 a novembro/2005 e de  julho/2006  a  dezembro/2006.  O  lucro  líquido  exibido  em  31/12/2005  (R$  124.069,96)  e  31/12/2006  (R$  488.216,21)  é  compatível  com  os  valores  que  a  Fiscalização  tomou  como  ponto de partida para os ajustes demonstrados à fl. 36, parâmetro indicativo da compatibilidade  das  demonstrações  apresentadas  com  a  escrituração  contábil  da  contribuinte.  Todavia,  os  balancetes não são acompanhados dos ajustes ao lucro líquido necessários para, nos termos do  art.  35  da  Lei  nº  8.981/95,  demonstrar  que  o  valor  acumulado  já  pago  excede  o  valor  do  imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso.   De outro lado, as exigências em referência são anteriores à alteração do art.  44 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 351/2007, e estão formalizadas conjuntamente  com  o  IRPJ  e  CSLL  apurados  de  ofício  no  ajuste  anual  de  2005  e  2006,  circunstâncias  semelhantes àquelas consubstanciadas no Acórdão nº 1101­001.136, no qual esta Conselheira  restou  vencida  em  razão  do  entendimento  majoritário  deste  Colegiado  em  favor  do  cancelamento  das  exigências  correspondentes  à  multa  isolada,  assim  se  manifestando  o  Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão em sua declaração de voto:  [...]  São, portanto,  fatos distintos que geram multas diferentes,  sendo penalidades  que  não  comportam  a  aplicação  do  princípio  da  consunção,  que  em  matéria  de  Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis,  especialmente em virtude do  que  dispõe  o  art.  136  do  Código  tributário  Nacional.  Como  bem  colocado  na  ementa do Ac. 1802­001.876:  2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e  fim,  ou  de  parte  e  todo  (porque  a  estimativa  é  devida  mesmo  que  não  haja  tributo  devido).  A  multa  normal  de  75%  no  ajuste  pune  o  não  recolhimento  de  obrigação  vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de  50%  pune  o  atraso  no  ingresso  dos  recursos,  atraso  esse  verificado  desde  o  mês  de  fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de  março do ano subseqüente.  Aliás, interpretar­se de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção  pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das  estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando  que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas,  ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre que, embora a apuração anual  seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é obrigatório, e, portanto,  se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal,  mas tão somente moral.  Do  exposto,  meu  voto  seria  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  do  Contribuinte,  para manter  a multa  isolada  pelo  não  recolhimento  das  estimativas  mensais.  Porém,  a  1a  Turma  da  CSRF,  órgão  competente  para  uniformizar  a  jurisprudência administrativa no âmbito do CARF,  tem  reiteradamente afastado a  aplicação do  que  se  tem denominado  "multa  concomitante",  tendo  se  consolidado  essa  jurisprudência,  sendo  a  minha  posição  vencida  reiterada  e  exaustivamente.  Veja­se, por exemplo, Acordãos. ns. 9101­001.693, (de 16/07/2013, que cita outras  decisões),  9101­001.820,  9101­001.788  .  Posição  que  vem  sendo  cada  vez  mais  hialina  na  jurisprudência  desta  Colenda  1a  Turma,  além  do  que  as  turmas  ordinárias  da  1a  Seção  têm  adotado  de  maneira  preponderante  o  mesmo  entendimento  (e.g.,  Acs.  ns.  1402001.505,  1103­000.934,,  1202001.011,  1103­ 000.945,  1102000.867)  sendo  que  as  poucas  decisões  em  sentido  contrário, mais  recentes, são tomadas por voto de qualidade.  Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 13          12 Parece­me, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas  não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia  processual e  também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido  amplo, com a perspectiva de suas consequências, tratando­se, portanto, também de  uma decisão calcada no consequencialismo. Não que me curve aos argumentos em  sentido contrário aos meus, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir  suas conclusões.  Destaque­se que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da  vigência da Medida Provisória n.º  351/2007  (posteriormente convertida na Lei nº  11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria, eu cuja jurisprudência  administrativa ainda não se consolidou, mas que parece tender para a mantença da  multa isolada.  Neste  sentido,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  do Contribuinte  no  que  diz  respeito  ao  afastamento  da  multa  isolada  pelo  não  pagamento  das  estimativas mensais de CSLL, o faço, porém, com as todas ressalvas e observações  acima transcritas.  Assim,  caso  prevalecesse  o  entendimento  desta  Relatora  em  favor  da  exigência da multa isolada, ainda que cumulada com a multa de ofício aplicada sobre o IRPJ e  a  CSLL  devidos  no  ajuste  anual,  o  presente  voto  seria  no  sentido  de  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência  para  que  o  sujeito  passivo  fosse  intimado  a  juntar  aos  autos  demonstração  dos  ajustes  fiscais  ao  resultado  contábil  estampado  nos  balancetes  de  suspensão/redução juntados ao recurso voluntário.   Por fim, no que tange à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício,  cumpre observar que como tal acréscimo não  integra o  lançamento, e é motivado por evento  posterior,  sequer  deveria  ser  apreciada  esta  matéria  no  contencioso  administrativo  fiscal.  Contudo, admite­se aqui o entendimento dos Colegiados desta casa, no sentido de que deve ser  apreciada  esta matéria  no  julgamento  administrativo  dos  autos  de  infração,  para,  no mérito,  adotar  as  razões  de  decidir  da  I.  Conselheira  Viviane  Vidal  Wagner  expressas  em  voto  vencedor  em  julgamento  proferido  em  11/03/2010  na Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  formalizado no Acórdão nº 9101­00.539:  Com  a  devida  vênia,  ouso  discordar  do  ilustre  relator  no  tocante  à  questão  da  incidência de juros de mora sobre a multa de oficio.  De fato, como bem destacado pelo relator, ­ o crédito tributário, nos termos do art.  139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária.  Em  razão  dessa  constatação,  ao  meu  ver,  outra  deve  ser  a  conclusão  sobre  a  incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio.  Uma  interpretação  literal e  restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que  regula  os  acréscimos  moratórios  sobre  débitos  decorrentes  de  tributos  e  contribuições,  pode  levar  à  equivocada  conclusão  de  que  estaria  excluída  desses  débitos a multa de oficio.  Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro  do sistema tributário nacional.  No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar  o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação  da totalidade do direito."  Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio:  Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 14          13 "Não  se  deve  considerar  a  interpretação  sistemática  como  simples  instrumento  de  interpretação  jurídica.  É  a  interpretação  sistemática,  quando  entendida  em  profundidade,  o  processo  hermenêutico  por  excelência,  de  tal  maneira  que  ou  se  compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se  alcançará compreendê­los sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com  os  devidos  temperamentos,  que  a  interpretação  jurídica  é  sistemática  ou  não  é  interpretação."  (A  interpretação  sistemática  do  direito,  3.ed.  São  Paulo:Malheiros,  2002, p. 74).  Daí,  por  certo,  decorrerá  uma  conclusão  lógica,  já  que  interpretar  sistematicamente  implica  excluir  qualquer  solução  interpretativa  que  resulte  logicamente contraditória com alguma norma do sistema.  O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve  incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente  no seu ­ vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos  do inadimplemento.  Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de  ser uniforme.  De  acordo  com  a  definição  de  Hugo  de  Brito Machado  (2009,  p.172),  o  crédito  tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado  (sujeito  ativo)  pode  exigir  do  particular,  o  contribuinte  ou  responsável  (sujeito  passivo),  o  pagamento  do  tributo  ou  da  penalidade  pecuniária  (objeto  da  relação  obrigacional)."  Converte­se em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio  a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN:  "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória  § 1o A obrigação principal  surge com a ocorrência do  fato gerador,  tem por objeto o  pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito  tributário dela decorrente.  A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e  tem  por  objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional.  A  multa  de  oficio  é  prevista  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  e  é  exigida  "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o).  Assim,  no  momento  do  lançamento,  ao  tributo  agrega­se  a  multa  de  ofício,  tomando­se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal.  A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio,  tem  natureza  punitiva,  incidindo  sobre  o  montante  não  pago  do  tributo  devido,  constatado após ação fiscalizatória do Estado.  Os  juros  moratórios,  por  sua  vez,  não  se  tratam  de  penalidade  e  têm  natureza  indenizatória,  ao  compensarem  o  atraso  na  entrada  dos  recursos  que  seriam  de  direito da União.  A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de  juros sobre a  multa isolada.  Eventual alegação de  incompatibilidade  entre os  institutos  é de  ser afastada pela  previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora  sobre  a  multa  exigida  isoladamente.  O  parágrafo  único  do  art.  43  da  Lei  n°  9.430/96  estabeleceu  expressamente  que  sobre  o  crédito  tributário  constituído  na  forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 15          14 O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de ­ tributos e  contribuições,  alcança  os  débitos  em  geral  relacionados  com  esses  tributos  e  contribuições  e  não  apenas  os  relativos  ao  principal,  entendimento,  dizia  então,  reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência  de juros sobre a multa exigida isoladamente.  Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999  (RIR/99)  exclui  a  equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da  Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio.  Art.  950.  Os  débitos  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  especifica  serão  acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por  dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61).  § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente  ao do vencimento do prazo 13 ­ previsto para o pagamento do imposto até o dia em que  ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o).  § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430,  de 1996, art. 61, § 2o).  § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto  já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio.  A partir do  trigésimo primeiro dia do  lançamento, caso não pago, o montante do  crédito  tributário  constituído  pelo  tributo  mais  a  multa  de  ofício  passa  a  ser  acrescido dos  juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos  nos cofres da União.  No  mesmo  sentido  já  se  manifestou  este  E.  colegiado  quando  do  julgamento  do  Acórdão n° CSRF/04­00.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa:  JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A  obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto  tanto  o  pagamento  do  tributo  como  a  penalidade  pecuniária  decorrente  do  seu  não  pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a  toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o  qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.  Nesse  sentido,  ainda,  a  Súmula  Carf  n°  5:  "São  devidos  juros  de  mora  sobre  o  crédito  tributário  não  integralmente  pago  no  vencimento,  ainda  que  suspensa  sua  exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral."  Diante  da  previsão contida  no  parágrafo  único do art.  161  do CTN,  busca­se na  legislação  ordinária  a  norma  complementar  que  preveja  a  correção  dos  débitos  para com a União.  Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem­se a taxa Selic, instituída pela Lei nº  9.065, de 1995.  A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança  do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo:  REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/0239572­8  Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125)  Órgão Julgador T2 ­ SEGUNDA TURMA   Data do Julgamento 04/12/2008  Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008  Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO.  DÉBITO  DECLARADO  E  NÃO  PAGO.  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO.  DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 16          15 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo  Civil, quanto o recorrente busca tão­somente rediscutir as razões do julgado.  2. Em se  tratando de  tributos  lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do  contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a  inscrição em dívida  ativa independe de procedimento administrativo.  3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros  de  mora,  na  atualização  dos  créditos  tributários  (Precedentes:  AgRg  nos  EREsp  579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg  nos  EREsp  831.564/RS,  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  DJU  de  12.02.07).(g.n)  No  âmbito  administrativo,  a  incidência  da  taxa  de  juros  Selic  sobre  os  débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal  foi pacificada com a  edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos:  Súmula CARFn°  4:  A  partir  de  1°  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórias  incidentes  sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos,  no período de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do Sistema Especial  de Liquidação  e  Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  do  contribuinte  e  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional  para  considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos  à taxa Selic.  Ademais,  recentemente,  a  Primeira  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  manifestou­se neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg  no REsp 1.335.688­PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012):  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL. MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE MORA  SOBRE MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM  A  PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a  Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário.”  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  2/6/2010.  2.  Agravo  regimental não provido.   Colhe­se do respectivo voto condutor:  [...] Quanto ao mérito,  registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à  fl.  163:  ‘...  os  juros  de  mora  são  devidos  para  compensar  a  demora  no  pagamento.  Verificado  o  inadimplemento  do  tributo,  é  possível  a  aplicação  da multa  punitiva  que passa a  integrar o crédito  fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve  recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora  devem incidir  sobre a  totalidade do débito,  inclusive a multa que, neste momento,  constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação  em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’”  Assim,  também  deve  ser  NEGADO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora  Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 17          16 Voto Vencedor  Conselheiro PAULO REYNALDO BECARI  Na  ação  fiscal  já  relatada  pela  I.  Conselheira  Edeli  Perreira  Bessa  que  se  desencadeou em face da contribuinte também restou formalizada a exigência de multa isolada  prevista  no  artigo  44,  inciso  II  da  Lei  9.430/96,  em  razão  de  valores  de  IRPJ  e  CSLL  que  deixaram  de  ser  recolhidos,  mensalmente,  no  período  fiscalizado  sob  a  rubrica  de  “estimativas”.  Para  melhor  compreensão  da  matéria  insta  desde  logo  reportar  que  a  Lei  8.383/91,  relativamente  ao  IRPJ/CSLL,  criou  o  sistema  de  “bases  correntes”,  obrigando  os  contribuintes a antecipar, mensalmente (sempre em valores estimados), os tributos devidos em  31 de dezembro do ano­calendário correspondente.  Entretanto,  nesta  sistemática  os  contribuintes  deverão  elaborar  ao  final  de  cada  período  a  “Declaração  de  Ajuste  Anual”,  com  a  finalidade  de  apurar  se  os  montantes  efetivamente pagos, compensados ou retidos na fonte no respectivo ano­calendário excederam  os valores devidos anualmente ou, ao revés, se ficaram aquém.  Portanto,  é  extreme  de  dúvidas  que  somente  no  encerramento  do  ano­ calendário, mediante o  cotejamento  entre valores devidos  anualmente  e valores  efetivamente  pagos,  retidos  na  fonte  ou  compensados  relativos  ao  mesmo  período  será  constatada  a  existência de: (i) saldo positivo de IRPJ/CSLL a pagar (ajuste positivo); ou (ii) saldo negativo  IRPJ/CSLL a restituir/compensar (ajuste negativo).   Estas considerações são relevantes, haja vista que em 31 de dezembro poderá  ocorrer  apenas  uma  das  situações  acima  (ajuste  positivo  ou  negativo)  não  havendo  a  possibilidade jurídica de ocorrer uma terceira situação.  Pois  bem,  no  presente  caso  a  contribuinte  sofreu  ação  fiscal  que  culminou  com a exigência de IRPJ/CSLL devidos no período fiscalizado, o que evidência a ocorrência da  situação acima descrita (saldo positivo a pagar).  Considerando que os valores  lançamentos no citado período  (com multa de  ofício)  já  englobam  as  estimativas  que  deixaram  de  ser  recolhidas, mensalmente,  é  inegável  que a exigência daquela multa concomitantemente com a multa isolada implica, na prática, em  dupla penalidade sobre o mesmo fato imponível, o que é vedado pelo nosso ordenamento.  Apesar das modificações trazidas pela Lei 11.488/07 no referido artigo 44, na  ótica  deste  julgador  não  se  eliminou  a  duplicidade  acima  impondo  na  interpretação  daquele  permissivo o respeito ao princípio da consunção, onde a penalidade por infração menos grave  (multa isolada pela ausência de recolhimento de estimativa) deve ser absorvida pela aplicação  da penalidade por infração mais grave (multa de ofício pela ausência de pagamento dos tributos  devidos no ano) devendo, portanto, prevalecer a penalidade mais grave.   No  mesmo  sentido  já  existem  diversos  precedentes  do  CARF  excluindo  a  multa isolada em casos idênticos ao presente,   Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10530.004512/2008­76  Acórdão n.º 1101­001.234  S1­C1T1  Fl. 18          17 Deixo aqui de reproduzir trechos de vários dos precedentes acima referidos,  posto que, recentemente, foi aprovada pelo Pleno da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, à  unanimidade, Proposta de Enunciado de Súmula  (Proposta 13ª.),  relativamente à exclusão da  multa isolada em tela, vazada nos seguintes termos:  “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento  no artigo 44 parágrafo 1º. inciso IV da Lei 9.430, de 1.996, não pode ser exigida ao  mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado  no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.”  Com  fundamento  no  exposto  acima  dou  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário  para  excluir  a multa  isolada  lançada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  de  IRPJ/CSLL.  É como voto.  (documento assinado digitalmente)  PAULO REYNALDO BECARI                  Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO REYNALDO BECARI, Assinado dig italmente em 12/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10215.000338/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. ISENÇÃO DO IRPJ. FRUIÇÃO. INÍCIO. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. A concessão do benefício fiscal de isenção do imposto para as empresas instaladas na área da ADA, autarquia legalmente competente para a análise do preenchimento dos requisitos para gozo da isenção prevista nos art. 23 do Decreto n. 756/69, caracteriza-se com a expedição de Ato Declaratório, nos termos da Medida Provisória n. 2.199, de 24 de agosto de 2001, e da Resolução ADA n. 03, de 18 de novembro de 2003. BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDAM. COMUNIÇÃO À UNIDADE DA RECEITA FEDERAL. O art. 24, §3º, do Decreto n. 756/69, reproduzido no art. 558 do RIR/99, estabelece que o ônus de comunicar a Unidade da Secretaria da Receita Federal - SRF a que estiver jurisdicionada o Contribuinte é da própria SUDAM/ADA, sendo descabida qualquer alegação que condicione o gozo da isenção reconhecida por Ato Declaratório ao efetivo reconhecimento pelo titular daquela Unidade da SRF.
Numero da decisão: 1101-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Reynaldo Becari e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     2 (assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira Valadão  (Presidente), Benedicto Celso Benício  Júnior  (Relator), Edeli  Pereira Bessa,  Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Reynaldo Becari e Paulo Mateus Ciccone.    Relatório  Cuida­se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela E. 1ª  Turma  da  DRJ/BEL  que  julgou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada,  tão  somente  para  admitir  a  compensação  de  prejuízo  fiscal  acumulado  com  o  IRPJ  lançado  e  cancelar a exigência da CSLL diante do manifesto equívoco no critério quantitativo utilizado.  O relatório da r. decisão proferida pela instância a qua sucinta e claramente  delineia a controvérsia submetida ao crivo deste Colendo Colegiado, litteris:  “Trata­se  de  lançamento  de  Imposto  sobre a Renda de Pessoa  Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL),  referente  a  fatos  geradores  ocorridos  em 2000,  2001,  2002  e  2003,  no  valor  consolidado  de  R$208.702,81,  com  imposição de multa de ofício de 75%.   Em relação ao  IRPJ, o Relatório de Fiscalização de  fls. 361 a  364 aduz que a empresa se utilizou indevidamente do benefício  fiscal de isenção que teria sido concedido pela Superintendência  do  Desenvolvimento  da  Amazônia  (Sudam).  Segundo  a  autoridade fiscal, o benefício concedido à empresa por meio do  Parecer DAP/DAI 207/92 se deu na forma da liberação do valor  de CR$3.232.901.287,00, a ser utilizado segundo o art. 5º da Lei  n° 8.167, de 16.1.1991.  Assim,  a  fiscalização  procedeu  ao  levantamento  do  lucro  real  escriturado  pelo  sujeito  passivo  em  seu  livro  Registro  de  Apuração  do  Lucro  Real  (Lalur),  juntado  às  fls.  14  a  28,  e  apurou os débitos de IRPJ correspondentes.  Em relação à CSLL, a fiscalização procedeu ao lançamento da  diferença  apurada  entre  os  valores  escriturados  no  Lalur  e  os  declarados em DCTF, conforme o Relatório de Fiscalização de  fl. 459.  Em 17.9.2004, o  sujeito passivo  foi  cientificado do  lançamento  (fls. 366 e 461) e, em 15.10.2004, apresentou duas impugnações  distintas.  Quanto ao IRPJ (impugnação de fls. 368 e 369), a empresa aduz,  em síntese:  a)  que  a  empresa  é  obrigada  a  apurar  o  lucro  da  exploração por ter projeto aprovado pela Sudam;  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/2004­31  Acórdão n.º 1101­001.263  S1­C1T1  Fl. 3          3 b) que  sobre o  lucro da  exploração,  tem  isenção de 100%  do valor do IRPJ apurado;  c)  que  da  parcela  tributável,  caberia  a  fiscalização  ter  considerado a compensação de 30% do lucro líquido, o que  não  foi  feito  e,  por  conseguinte,  foi  ferido  o  princípio  material do lançamento;   d) que a prova de seu direito à isenção é a Resolução 7.678,  de 15.12.1992, expedida pela Sudam, juntada à fl. 372 dos  autos.   Quanto à CSLL (impugnação de fl. 463), a empresa sustenta que  a  fiscalização  não  esclareceu  como  chegou  à  base  de  cálculo  utilizada  e  que  não  procedeu  à  compensação  com  a  base  de  cálculo  negativa,  razões  pelas  quais  o  lançamento  deve  ser  julgado improcedente.   É o relatório.” (fls. 504/505).  Ao  analisar  as  questões  apresentadas  pelo  Contribuinte,  a  E.  DRJ/BEL  manteve o lançamento quanto ao IRPJ por entender que os atos administrativos expedidos pela  extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM (Resolução n. 7.78/92  e Parecer DAP/DAI n. 207/92) não concederam o benefício fiscal da isenção desse imposto ao  ora  Recorrente,  mas  “unicamente  a  liberação  de  recursos  financeiros  no  montante  de  CR$  3.232.901.287,00, a preços de 30.9.1992” (fl. 505).  No  entanto,  foi  acolhida  a  questão  suscitada  quanto  à  necessária  compensação do prejuízo  fiscal acumulado, no  limite  legal de 30% (trinta por cento),  com o  crédito constituído pelo  lançamento, conforme quadro inserido no fólio 506, procedendo­se à  respectiva alteração nos sistemas da Secretaria da Receita Federal.  A  r.  decisão  recorrida  igualmente  acolheu  a  impugnação  apresentada  para  cancelar  o  lançamento  quanto  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  CSLL,  por  identificar  vício  material  na  composição  da  base  imponível,  eis  que  o  “necessário  seria  a  fiscalização determinar a base de cálculo da CSLL e demonstrá­la, uma vez que não utilizou  como  tanto  o  valor  do  lucro  líquido  escriturado  no  Lalur,  que  é  idêntico  ao  informado  na  DIPJ/2003” (fl. 507).  Cientificado  em  02.05.2007  (fl.  511),  o  Contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  em  15.05.2007  (fl.  512),  no  qual,  em  lauda  única,  ratifica  todas  as  razões  apresentadas na impugnação e acrescenta, verbis:  “3 – Para comprovar a isenção concedida a empresa requereu  da  ADA,  que  fosse  emitido  ATO  DECLARATÓRIO  sobre  a  Resolução  nº  7678,  datada  de  15/12/1992,  que  resultou  do  Processo que tramitou naquele Órgão sob o nº 003690/91, com o  Parecer  DAP/DAI  Nº  207/92,  onde  claramente  dispõe  que  a  empresa obteve ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PARA  IMPLATAÇÃO,  cuja  cópia  segue  anexa,  com  a  seguinte  descrição:  PRAZO EM ANOS: 10 (dez)  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     4 INÍCIO: AC 2001  TÉRMINO: AC 2010” (fl. 512, grifos acrescidos).  Ao  final, pugna pela  improcedência do  lançamento  remanescente quanto ao  IRPJ  em  relação  aos  anos­calendários  2001  a  2003,  diante  da  isenção  concedida  e  alegadamente confirmada por ato declaratório expedido pela Agência de Desenvolvimento da  Amazônia – ADA, sucessora da SUDAM à época.  Na  assentada  de  07.05.2009,  esta  E.  Turma  converteu  o  julgamento  em  diligência, por meio da Resolução n. 1801­00.006 (fls. 516/519), “para que a DRF de origem,  em  diligência  junto  à  empresa,  verifique  a  regularidade  e  as  condições  da  emissão  do  mencionado Ato Declaratório, inclusive junto a própria ADA” (fl. 519).  Às fls. 530/531, foi apresentado Relatório Consubstanciado de Diligência, no  qual a E. DRF relatou que o Contribuinte reapresentou o Ato Declaratório n. 006/2006, que já  havia  sido  apresentado  no  recurso  voluntário,  o  qual  foi  confirmado  em  resposta  a  ofício  enviado pela própria ADA, concluindo a autoridade preparadora que, verbis:  “Pela  leitura,  percebe­se  que o Ato Declaratório  citado acima  habilita a empresa ao gozo de  isenção do  IR  incidente sobre o  lucro da exploração desta atividade. O período de 2001 a 2010  pode  ser  observado  no  campo  PRAZO  (Anos)  do  Ato  Declaratório 006/2006.” (fl. 530).  Intimado em 13.10.2011, o Contribuinte não se manifestou sobre o resultado  da diligência.  É o relatório.  Voto             Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR:  Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do recurso voluntário interposto  à  fl.  512. O Contribuinte  foi  intimado  do  r.  decisum  de  primeira  instância  em  02.05.2007 –  consoante  AR  à  fl.  511  –,  nos moldes  do  art.  23,  II,  do Decreto  n.  70.235/72.  Tempestivo,  portanto,  o  recurso  interposto  em  15.5.2007  (fl.  512),  na  esteira  do  art.  33  do  Decreto  n.  70.235/1972.   A controvérsia cinge­se à verificação da efetiva concessão de benefício fiscal  de isenção do IRPJ ao Recorrente pela SUDAM, nos termos do artigo 23 do Decreto n. 756/69,  no  que  tange  aos  anos­calendários  de  2001  a  2003,  sendo  certo  que  o  Recurso  Voluntário  jamais  versou  sobre  os  créditos  atinentes  ao  ano­calendário  de  2000  –  de  modo  que  esses  últimos não consubstanciam matéria sobre a qual esse Colegiado deva se debruçar.  Antes,  contudo,  de  analisar  a  suficiência  ou  não  do  Ato  Declaratório  n.  006/2006  (fl.  513)  para  o  reconhecimento da  isenção aqui  controvertida,  entendo que alguns  esclarecimentos são imprescindíveis para bem delimitar a quaestio iuris em análise.  O  primeiro  deles  refere­se  à  Superintendência  do  Desenvolvimento  da  Amazônia – SUDAM, autarquia criada pelo  art.  9º  da Lei n.  5.173/66,  à qual  foi  confiada  a  elaboração,  coordenação,  execução  e  promoção  do  Plano  de  Valorização  Econômica  da  Amazônia (art. 10), dentre diversas outras atribuições. Essa Autarquia foi extinta e substituída  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/2004­31  Acórdão n.º 1101­001.263  S1­C1T1  Fl. 4          5 pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA, conforme arts. 21 e 11 da Medida  Provisória n. 2.157­05, de 27 de agosto de 2001.  Em 03 de janeiro de 2007, sobreveio a Lei Complementar. 124, cujos artigos  1º e 18, respectivamente, (i) instituíram a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia  – SUDAM, vinculada  ao Ministério  da  Integração Nacional,  e  (ii)  extinguiram a ADA,  cujo  patrimônio foi vertido à primeira (parágrafo único do art. 18).  Assim,  nos  anos­calendários  2001  a  2003,  período  compreendido  pelo  ora  vergastado  lançamento  de  IRPJ,  a Agência  de Desenvolvimento  da Amazônia  – ADA  era  a  entidade  responsável  pela  concessão  de  eventuais  benefícios  fiscais  em  contrapartida  à  apresentação/instalação de projetos industriais e/ou agrícolas na área da Amazônia Legal.  E essa Autarquia, por meio da Resolução n. 03, de 18 de novembro de 2003,  aprovou  “na  forma  do  Anexo  I  a  esta  Resolução,  o  ‘Regulamento  dos  Incentivos  Fiscais  Administrados  pela  Agência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  –  ADA’,  cujas  disposições  transitórias preveem o seguinte, verbis:  Art.  51  ­ A ADA,  a  contar da  transferência da administração  dos  incentivos  fiscais  da  isenção  e  redução  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  anteriormente  administrados  pela  extinta  SUDAM,  promoverá  a  avaliação  de  todos  os  projetos  protocolizados  no  âmbito  da  extinta  Autarquia  e  da  Inventariança Extrajudicial que a sucedeu nesta missão, para  efeito  de  análise,  face  à  sistemática  da Medida Provisória  n°  2.199, de 24 de agosto de 2001, bem como os pleitos de isenção  lá protocolizados e pendentes de análise.  Art.  52  ­  Aplica­se  este  Regulamento  e  seus  anexos,  no  que  couber,  aos  processos  referentes  aos  pleitos  de  que  cuida  o  artigo anterior.   Art.  53  ­  Aos  pleitos  de  Isenção  de  Imposto  de  Renda,  serão  aplicáveis  os  trâmites  constantes  do  Capítulo  III  deste  Regulamento,  ressalvada  a  competência  referente  ao  efetivo  reconhecimento do direito ao benefício, que nestes casos será da  Diretoria Colegiada da Agência, a qual expedirá também o ato  declaratório respectivo.  Art.  54  ­ Nos  casos  de Empresas  que  já  tenham  o  direito  ao  benefício  de  isenção  e  redução  do  IRPJ,  reconhecidos  pelo  CONDEL/SUDAM,  a  Diretoria  Colegiada  expedirá  o  ato  declaratório, após a devida análise técnica. (grifos acrescidos).  Assim, é  inegável que a Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA  era  a  autarquia  responsável  pela  análise,  fiscalização  e  homologação  de  projetos  na  área  da  Amazônia Legal que poderiam gozar da ISENÇÃO do imposto de renda, uma vez preenchidos  os  requisitos  legais  – Medida  Provisória  n.  2.199,  de  24  de  agosto  de  2001  –,  sendo  que  o  reconhecimento dessa isenção seria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  observando o  “laudo  constitutivo  expedido  pelo ADA”,  conforme capítulo  I  do Regulamento  abaixo exposto:  Art.  1º  ­ Os  incentivos  fiscais  de que  tratam o Decreto­Lei nº  756, de 11 de agosto de 1969, a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     6 de  1997,  a  Lei  nº  9.808,  de  20  de  julho  de  1999,  e  a Medida  Provisória nº 2.199­14, de 24 de agosto de 2001, administrados  pela ADA  por meio  da Portaria  nº  828  de  05  de  dezembro  de  2002, e Portaria nº 1.080­A, de 30 de outubro de 2003, devem  observar  o  disposto  neste  regulamento,  obedecidas  as  demais  normas vigentes sobre a matéria.  Art. 2°  ­ A competência para reconhecer o direito da redução  do imposto de renda será da Unidade da Secretaria da Receita  Federal  ­  SRF a  que  estiver  jurisdicionada a pessoa  jurídica,  devendo  o  pedido  estar  instruído  com  laudo  constitutivo  expedido pela ADA.  Art.  3º  ­ Compete  a  Diretoria  Colegiada  da  ADA,  aprovar  o  parecer de análise técnica elaborado para os fins dos benefícios  referidos  neste  capítulo  e  expedir  os  laudos  e  declarações  exigidas  pela  legislação  mencionada  no  art.  1º  deste  Regulamento.  O segundo esclarecimento refere­se aos documentos acostados aos autos pela  ora Recorrente e que foram reputados insuficientes pela Fiscalização.  Ainda  no  procedimento  fiscal,  o  ora  Recorrente  afirmou  à  d.  Autoridade  Autuante  que  gozaria  da  isenção  prevista  no  supratranscrito  art.  23  do  Decreto  n.  756/69,  conforme  comprovado  pela  Resolução  n.  7.678/92  (fl.  314)  que  teria  aprovado  o  Parecer  DAP/DAI n. 207/92 (fls. 375/392).  A Resolução n. 7.678/92 promulgou a concessão daquele benefício fiscal de  natureza meramente econômica, a despeito de o Parecer n. 207/92 expressamente relatar que o  pedido  administrativo  da  ora  Recorrente  referia­se  a  “a)  Colaboração  Financeira  […]  b)  Isenção do Imposto de Renda e Adicionais Não restituíveis, na forma estabelecida no Artigo  23 do Decreto­Lei nº 756/69 […]” (fl. 375), e do Parecer da Secretaria Executiva da SUDAM,  nos seguintes termos:  “I – Aprovar o enquadramento da empresa CAIBA INDÚSTRIA  E COMÉRCIO,  na  sistemática  dos  incentivos  fiscais  instituída  pela  lei  nº  8.167/91,  com  relação  ao  seu  empreendimento  industrial  reconhecido anteriormente  como de  interesse para o  desenvolvimento da região, respeitado o limite de aplicação de  recursos do Fundo de Investimento da Amazônia – FIANM, antes  determinado,  correspondendo  a  parcela  projetada  a  preços  de  30.09.92, a CR$ 3.232.901.287,00, cuja aplicação se processará  na forma prevista no artigo 5º do diploma legal acima referido,  mantido o reconhecimento ao direito do benefício da isenção do  Imposto  de  Renda  na  forma  da  legislação  em  vigor.”  (fl.  390,  grifos originais).  A r. decisão recorrida assim se debruçou sobre a questão, litteris:  “Essa questão não passou despercebida pela Fiscalização, que  assim se manifestou sobre o assunto (fl. 363):   Portanto,  de  acordo  com  o  art.  5º  da  lei  8.167/91,  o  contribuinte não teve o reconhecimento da isenção do IRPJ,  e sim receberia  incentivo pecuniário para a  implantação de  seu empreendimento.  Fl. 549DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/2004­31  Acórdão n.º 1101­001.263  S1­C1T1  Fl. 5          7 De  fato,  da  análise  da  Resolução  nº  7.678/92,  expedida  pela  Sudam, extrai­se que o benefício fiscal efetivamente concedido  à empresa foi unicamente a  liberação de recursos financeiros  no montante de CR$ 3.232.901.287,00, a preços de 30.9.1992.  Muito  embora  tal  resolução  faça  referência  ao  Parecer  DAP/DAI  nº  207/92,  e  esse  parecer  tenha  recomendado  o  reconhecimento  da  isenção  integral  relativa  ao  IRPJ  para  a  autuada, o direito à isenção não foi deferido pela Sudam, pois da  Resolução de fl. 372 não há menção a qualquer tipo de isenção  tributária.  Logo, agiu acertadamente a fiscalização ao ter exigido o imposto  de  autuada,  pois  a  Resolução  Nº  7.678/92  não  lhe  conferiu  o  direito  à  isenção  sobre  o  tributo.”  (fls.  505/506,  destaques  acrecidos).  Em razão desse entendimento é que a ora Recorrente trouxe aos autos o Ato  Declaratório n. 006/2006, expedido pela extinta Agência de Desenvolvimento da Amazônia –  ADA,  cuja  existência,  extensão  e  validade  foram  confirmados  por  meio  da  diligência  determinada  pela  Resolução  n.  1801­00.006  proferida  por  esta  E.  1ª  Turma  às  fls.  516/519,  conforme seguinte trecho do Relatório Consubstanciado de Diligência, litteris:  “Pela  leitura,  percebe­se que o Ato Declaratório  citado acima  habilita a empresa ao gozo da isenção do IR incidente sobre o  lucro da exploração desta atividade. O período de 2001 a 2010  pode  ser  observado  no  campo  PRAZO  (Anos)  do  Ato  Declaratório 006/2006.  Importante  mencionar  que  a  GEPIN  recebeu  o  ofício  n°  68/2011 (fl. 521) e  informou que o único pleito de  isenção do  IR  aprovado  à  empresa  Caiba  Indústria  e  Comércio  S/A,  de  CNPJ  n°  05.637.350/0001­87,  pela  Superintendência  do  Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), é o de Implantação,  do Ato Declaratório n° 006/2006, cujo conteúdo encontra­se às  folhas 518 e 523. Nota­se que a GEPIN também enviou, à RFB,  como  resposta,  cópia  do  Ato  Declaratório  006/2006.”  (fls.  530/531).  Feitos esses esclarecimentos, passo à análise do mérito.  Como explanado acima,  toda a controvérsia gira em torno da comprovação,  pelo  Contribuinte,  da  concessão  de  benefício  fiscal  de  isenção  total  do  IRPJ  pela  SUDAM/ADA  sobre  as  receitas  advindas  de  exploração  de  bens  produzidos  na  Amazônia  Legal, nos termos do art. 23 do Decreto n. 756/69, que assim dispõe, verbis:   Art.  23. Os  empreendimentos  industriais  ou  agrícolas  que  se  instalarem,  modernizarem,  ampliarem  ou  diversificarem,  nas  áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício de  1982,  inclusive,  ficarão  isentos  do  imposto  de  renda  e  adicionais  não  restituíveis  incidentes  sobre  seus  resultados  operacionais,  pelo  prazo  de  10  anos,  a  contar  do  exercício  financeiro  seguinte  ao  ano  em  que  o  empreendimento  entrar  em  fase  de  operação  ou,  quando  for  o  caso,  ao  ano  em que o  projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     8 operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou  SUDENE (destaques acrescidos).  A  concessão  desse  benefício  está  restrita  ao  preenchimento  das  condições  legais  cuja  verificação  competia  à  Agência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia – ADA no período questionado pela Recorrente (AC 2001 a 2003), eis que  essa  Autarquia  deveria  elaborar  Laudo  Constitutivo  sobre  projetos  de  empreendimentos industriais ou agrícolas que lhe fossem submetidos.  A  partir  desse  estudo  técnico,  aquela  Autarquia  expedia  as  declarações – Atos Declaratórios, conforme artigo 54 do Regulamento supratranscrito –  quanto ao preenchimento de requisitos legais para o gozo do benefício em questão por  parte  dos  administrados,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Federal  tão  somente  o  reconhecimento e a observância da isenção concedida.  No presente caso, os documentos  inicialmente apresentados pelo ora  Recorrente  geraram  certa  confusão,  na medida  em que  tanto  a Resolução n.  7.678/92  quanto  o  Parecer  n.  207/92  referem­se  a  projeto  de  reestruturação  apresentado  em  período bem anterior aos anos­calendários fiscalizados, o que gerou o questionamento  desta E. Turma quanto à “regularidade e as condições da emissão do mencionado Ato  Declaratório, inclusive junto à própria ADA” (Resolução n. 1801­00.006, fl. 519).  Com  efeito,  o  fundamento  para  o  Ato  Declaratório  n.  006/2006  habilitar a empresa ao gozo da isenção do imposto de renda, nos anos­calendários  2001 a 2010, não foi a concessão benefício pela Resolução publicada ou pelo Parecer  apresentado em 1992, mas, sim, a previsão regulamentar de que a ADA deveria expedir  Ato  Declaratório  “nos  casos  de  Empresas  que  já  tenham  o  direito  ao  benefício  da  isenção  e  redução  do  IRPJ,  reconhecidos  pelo  CONDEL/SUDAM”  (art.  54  do  Regulamento, supratranscrito).  Ou seja, por mais que à ora Recorrente não  tivesse sido concedida a  isenção do IRPJ pela Resolução n. 7.678/92, houve comprovação de que a empresa já  preenchia  os  requisitos  legais  para  o  gozo  desse  benefício,  conforme  reconhecido  no  Parecer n. 207/92 e, especialmente, no Parecer da Secretaria Executiva da SUDAM, que  conclui pela concessão da ajuda econômica, “mantido o reconhecimento ao direito do  benefício da isenção do Imposto de Renda na forma da legislação em vigor.” (fl. 390,  grifos originais).  De  fato,  se  a  Agência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  –  ADA,  frise­se,  autarquia  legalmente  competente  para  a  análise  do  preenchimento  dos  requisitos para gozo da isenção prevista no art. 23 do Decreto n. 756/69, entendeu que a  ora  Recorrente  cumpriu  todos  os  requisitos  legais  e  expediu  o  competente  Ato  Declaratório n. 006/2006, não caberia à “Unidade da Secretaria da Receita Federal  ­  SRF  a  que  estiver  jurisdicionada  a  pessoa  jurídica”  nem  mesmo  a  este  E.  CARF  questionar  o  mérito  técnico  daquele  ato  administrativo  declaratório,  quanto  ao  preenchimento ou não daqueles requisitos.  Aliás,  referido  Ato  Declaratório  n.  006/2006  igualmente  se  fundamenta no artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.532/97, o qual dispõe que, verbis:  Art. 3º Os benefícios fiscais de isenção, de que tratam o art. 13  da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, o art. 23 do Decreto­Lei  nº  756,  de  11  de  agosto  de  1969,  com a  redação do art.  1º  do  Decreto­Lei nº 1.564, de 29 de julho de 1977, e o inciso VIII do  Fl. 551DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/2004­31  Acórdão n.º 1101­001.263  S1­C1T1  Fl. 6          9 art. 1º da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, para os projetos  de  instalação,  modernização,  ampliação  ou  diversificação,  aprovados pelo órgão competente, a partir de 1º de janeiro de  1998,  observadas  as  demais  normas  em  vigor,  aplicáveis  à  matéria,  passam  a  ser  de  redução  do  imposto  de  renda  e  adicionais não restituíveis, observados os seguintes percentuais:  § 1º O disposto no caput não se aplica a projetos aprovados ou  protocolizados  até  14  de  novembro  de  1997,  no  órgão  competente, para os quais prevalece o benefício de isenção até  o  término  do  prazo  de  concessão  do  benefício.  (destaques  acrescidos).  Quer  dizer,  a  Agência  de  Desenvolvimento  da  Amazônia  –  ADA  não  só  reconheceu  que  a  ora  Recorrente  já  havia  preenchido  todos  os  requisitos  para  o  gozo  do  benefício  fiscal  estabelecido  pelo  art.  23  do Decreto  n.  756/69,  como  “declara  a  pedido  da  interessa e para fins de prova junto à Delegacia da Receita Federal” (fl. 513) que igualmente  foi preenchida a condição do §1º do art. 3º da Lei n. 9.532/97.   Ressalte­se  que  consta,  ainda,  do  referido  Ato  a  menção  à  existência  de  processo administrativo perante aquela Autarquia (n. CUP 59431/00551/2005­69) e ao Parecer  técnico  n.  042/2006  –  GEPIN/ADA,  a  corroborar  a  efetividade  de  análise  técnica  sobre  o  pedido de isenção do IRPJ formulado pelo sujeito passivo.  Assim,  independentemente  do  benefício  fiscal  concedido  ao  Contribuinte  pela Resolução n. 7.678/1992, o Ato Declaratório n. 006/2006 habilitou a empresa ao “gozo  da  isenção  do  Imposto  de  Renda,  incidente  sobre  o  lucro  de  exploração  resultante  de  sua  atividade  na  Amazônia  Legal,  voltada  para  o  programa  de  produção  anual  de  até:  2.625  Toneladas de Castanha ‘Dry’ e 450 toneladas de Castanha descascada.” (fl. 530), conforme  reconhecido no Relatório de Diligência, devendo a isenção ser reconhecida em observância à  competência legal daquela Autarquia e aos arts. 2º e 54 do Regulamento de Incentivos Fiscais  administrados pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA.  Acerca  de  questão  similar,  esse  E.  CARF  já  se  pronunciou  no  seguinte  sentido, verbis:   “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 2002, 2003, 2004   BENEFÍCIOS  FISCAIS.  SUDAM.  EMPREENDIMENTOS  PRIORITÁRIOS  PARA  O  DESENVOLVIMENTO  REGIONAL.  ÓLEOS  VEGETAIS.  A  Medida  Provisória  n°  2.199­14/2001,  extinguiu,  a  partir  do  ano­calendário  2001  os  benefícios  de  isenção/redução  do  IRPJ  para  as  empresas  que  não  exerciam  atividades  consideradas  como  prioritárias  ao  desenvolvimento  regional  da  Amazônia.  O  Decreto  n°  4.212/2002  reproduziu  quais atividades (empreendimentos) serviam de interesse para o  desenvolvimento da Amazônia, dentre os quais, os que possuem  agronegócio voltado à produção de óleos vegetais. A atividade  desenvolvida  pela  recorrente  que  possui  autorização  da  autarquia para gozo do benefício de redução do imposto condiz  como  setor  da  economia  considerado  pelo  Poder  Executivo,  como  prioritário  para  o  desenvolvimento  regional,  pelo  que  merece o benefício ser prorrogado em seu favor.   Fl. 552DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO     10 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INSTRUÇÃO NORMATIVA N°  267/2002. RESTRIÇÃO A BENEFÍCIOS FISCAIS. ALCANCE. A  imposição  tributária  não  pode  ser  imposta  unicamente  por  formalidades  exigidas  pelo  ente  tributante,  estando  o  procedimento  adotado  pelos  contribuintes  de  acordo  com  a  legislação.  Além  do  mais,  o  art.  561  do  Regulamento  do  Imposto de Renda atribui à autarquia o procedimento imposto  pela  Instrução  Normativa  SRF  n°  267,  em  seu  art.  60  ao  contribuinte. Pela hierarquia das normas, respeita­se o disposto  pelo  Decreto,  quando  há  norma  hierarquicamente  inferior  dispuser em outro sentido. Os benefícios fiscais concedidos não  podem  ser  desconsiderados  pela  autoridade  fiscal  por  meras  formalidades  restritivas  impostas  por normas administrativas,  devendo respeitar sobretudo os princípios da irretroatividade, da  legalidade  e  da  anterioridade  tributários.”  (Acórdão  n.  1802­ 001.458,  Rel.  Conselheiro  Marciel Eder Costa,  julgado  em  04.12.2012, grifos acrescidos).  “[…]  BENEFÍCIO  FISCAL.  REDUÇÃO  DO  IRPJ.  NOVAS  CONDIÇÕES.  FRUIÇÃO.  INÍCIO.  A  fruição  do  benefício  de  Redução do  IRPJ, extinto pelo art. 2º da Medida Provisória nº  2.199­14,  de  24  de  agosto  de  2001,  pelas  pessoas  jurídicas  titulares  de  empreendimentos  enquadrados  em  setores  da  economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários  para o desenvolvimento regional, na área de atuação da Sudene,  que o usufruíram até 31 de dezembro de 2000, dar­se­á a partir  da  data  em  que  for  apresentado  ao  órgão  competente  do  Ministério  da  Integração  Nacional  requerimento  solicitando  a  declaração  de  que  satisfaz  as  novas  condições  estabelecidas  para  o  gozo  do  favor  fiscal.”  (PA  10510.006418/2008­90,  acórdão  n.  1803­00.758,  Rel.  Conselheiro  Sérgio  Rodrigues  Mendes, julgado em 16.12.2010).  “Assunto:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Exercício: 2001   Ementa:  IRPJ – AC 2000 – EXERCÍCIO 2001 REDUÇÃO DO  IMPOSTO,  BENEFICIO  FISCAL.  FRUIÇÃO.  A  concessão  do  benefício  fiscal  de  redução  do  imposto  para  as  empresas  instaladas  na  área  da  extinta  Sudene  caracteriza­se  com  a  expedição,  pelo Ministério  da  Integração Nacional,  do  laudo  que concede o referido benefício, ante seu caráter constitutivo,  não sendo possível a fruição do benefício antes da expedição do  laudo.” (Acórdão n. 1202­00.377, Rel. Conselheiro Orlando José  Gonçalves Bueno, julgado em 01.09.2010, grifos acrescidos)  De  toda  sorte,  registro  que  a  d.  Fiscalização  não  questionou  em momento  algum se a receita tributada seria decorrente de excesso de exportações de castanhas, já que o  Ato  Declaratório  n.  006/2006,  limitou  a  isenção  ao  “lucro  da  exploração  resultante  de  sua  atividade  na  Amazônia  Legal,  voltada  para  o  programa  de  produção  anual  de  até:  26.625  Toneladas  de Castanha  ‘dry’  e 450 Toneladas de Castanha descascada”  (fl.  513),  ou que o  Contribuinte não teria cumprido as demais condições – adequado registro contábil, guarda dos  documentos – para gozo da isenção.   Ao  contrário,  limitou­se  a  verificar  a  exaustivamente  citada  Resolução  n.  7.678/1992  e  concluir  que  a  SUDAM  não  lhe  teria  concedido  o  benefício  da  isenção,  mas  apenas aquele auxílio monetário no montante de CR$ 3.232.901.287,00.   Fl. 553DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10215.000338/2004­31  Acórdão n.º 1101­001.263  S1­C1T1  Fl. 7          11 Por  fim,  o  art.  24,  §3º  do  Decreto  n.  756/69,  reproduzido  no  art.  558  do  RIR/99,  estabelece  que  o  ônus  de  comunicar  a Unidade  da Secretaria  da Receita  Federal  ­  SRF  a  que  estiver  jurisdicionada o Contribuinte  é da própria SUDAM/ADA,  de modo que  seria descabida qualquer alegação que condicionasse o gozo da isenção reconhecida pelo Ato  Declaratório  n.  006/2006  ao  efetivo  reconhecimento  pelo  titular  daquela  Unidade  da  RFB.  Confira­se os dispositivos mencionados:   Art 24. O valor da redução ou isenção amparadas pelos artigos  22  e  23  deverá  ser  incorporado  ao  capital  da  pessoa  jurídica  beneficiada, em emprêsas  industriais e/ou agropecuárias, até o  dia  31  de  dezembro  do  ano  seguinte  àquele  em  que  tiver  sido  gozado  o  incentivo  fiscal,  isento  do  pagamento  de  quaisquer  impostos ou taxas federais, mantendo­se, em conta denominada  "fundo para aumento de  capital",  fração do valor nominal das  ações ou o valor da isenção que não possam ser comodamente  distribuídos entre os acionistas.  […]    §  2º  O  direito  à  redução  ou  isenção  só  incidirá  sôbre  os  resultados financeiros obtidos de estabelecimentos instalados na  área  de  atuação  da  SUDAM,  que  deverá  ser  demonstrado  nos  assentos  contábeis  da  emprêsa,  com  clareza  e  exatidão,  especificando os elementos de que se compõem as operações e os  resultados  do  exercício  de  cada  um  dos  estabelecimentos  que  operam na Amazônia.    §  3º  Os  benefícios  de  que  tratam  os  artigos  22  e  23  serão  reconhecidos  pela  SUDAM,  que  deverá  comunicar  à  autoridade  fiscal  competente do Ministério da Fazenda que o  empreendimento  satisfaz  às  condições  exigidas  pelo  presente  Decreto­lei.  Reconhecimento da Isenção  Art. 558.  Os  benefícios  de  que  trata  esta  Subseção,  uma  vez  reconhecidos  pela  SUDAM,  serão  por  ela  comunicados  aos  órgãos da Secretaria da Receita Federal (Decreto­Lei nº 756,  de 1969, art. 24, § 3º).  Diante  dessas  considerações,  voto  pelo  PARCIAL  PROVIMENTO  do  recurso  voluntário  para  que  seja  cancelado  o  lançamento  do  IRPJ  para  os  anos­calendários  2001,  2002  e  2003,  sendo mantido,  no mais,  os  créditos  originários  do  4º  trimestre  do  ano­ calendário 2000, eis que esse período não está abrangido pela isenção concedida pela Agência  de Desenvolvimento da Amazônia – ADA através do Ato Declaratório n. 006/2006.    (assinado digitalmente)  BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator                 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 11330.000396/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/2007­54  Resolução nº  2301­000.501  S2­C3T1  Fl. 1.841          2 grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e  outras entidades e fundos.  Constitui  fato  gerador  das  contribuições  em  comento  os  valores  pagos  aos  empregados  a  titulo  de  remuneração,  ou  quaisquer  outras  formas  de  salário  de  contribuição,  tendo  sido  lavrada  outra  NFLD  nº  37.006.5590  correspondente  à  cota  patronal  dos  valores  pagos aos contribuintes individuais.  Afirma  o  Relatório  Fiscal  (fls.  507  e  seguintes)  que  a  Recorrente,  apesar  de  possuir o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, expedido pelo Conselho Nacional de  Assistência Social CNAS, perante o INSS, deixou de preencher parte dos requisitos necessários  para o direito à isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212/91.  Este  fato,  segundo a Fiscalização, vem sendo questionado através do processo  judicial  1998.51.02.2019833  perante  o  Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região,  em  que  a  sentença  foi  favorável  à  Recorrente,  tendo  sido,  porém,  interpostos  embargos  de  declaração  pelo INSS, os quais suspenderam os efeitos do Acórdão prolatado.  Assim,  em  virtude  do  referido  efeito  suspensivo,  a  Associação  Salgado  de  Oliveira de Educação e Cultura ASOEC estava enquadrada perante o Fisco como "empresa em  geral”,  sem  direito,  portanto,  a  nenhuma  isenção,  devendo  recolher  integralmente  as  cotas  patronais de acordo com a sua atividade principal.  Inconformada,  apresentou  a  Recorrente  impugnação  (fls.  528),  no  escopo  de  desconstituir  o  lançamento  realizado  pelo  Fisco,  não  tendo,  todavia,  obtido  julgamento  procedente do seu pedido.  Consta dos autos, às fls. 1176, relatório fiscal complementar o qual aponta que a  entidade não gozava do direito adquirido à  isenção, pois  fora  reconhecida como de utilidade  pública federal em 12/08/1985 pelo Decreto nº 91.526/85, o qual faz referência ao processo MJ  nº 31.023/81 (Decreto anexado às  fls. 1160 dos autos) e  tampouco havia  requerido a isenção  perante o INSS.  E,  quanto  ao  processo  judicial,  o  relatório  complementar  concluiu  que  o  lançamento  deveria  prosseguir  tendo  em  vista  que  o  INSS  havia  interposto  embargos  de  declaração contra acórdão do TRF, razão pela qual estariam suspensos os efeitos da sentença  então  favorável  à  entidade,  seguindo,  assim,  esclarecimentos  prestados  pela  Procuradoria  Federal às fls. 1174/1175.  Do despacho da Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita  Providenciaria em Niterói/RJ, requisitando esclarecimentos à fiscalização quanto à Notificação  Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.006.558­1 bem como Relatório Fiscal Complementar  emitida autoridade fiscal responsável pelo lançamento e demais documentos juntados aos autos  do processo administrativo relatório fiscal complementar foi dada ciência ao sujeito passivo em  04/04/2007 (Ofício nº 27/2007/Sacap).  Nova  impugnação  foi  apresentada  às  fls.  1182  a  1193,  a  qual  versou,  em  apertada síntese, sobre a legislação que regia o direito adquirido à isenção.  Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/2007­54  Resolução nº  2301­000.501  S2­C3T1  Fl. 1.842          3 A DRJ do Rio de Janeiro manteve o lançamento principalmente pelo fato de não  reconhecer  o  direito  adquirido  da  entidade  e  pelo  fato  de  não  haver  requerimento  administrativo de isenção, conforme trecho abaixo citado:  “Logo, a regra é que, salvo direito adquirido, a empresa deve requerer  administrativamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil ­ SRB,  antigamente  Secretaria  da  Receita  Previdenciária,  a  isenção,  que  poderá  ser  deferida  por  meio  de  ato  declaratório,  conforme  art.55,  parágrafo  I°  da  Lei  8.212/91  e  art.300  da  IN  MPS/SRP  03,  de  14/07/2005.  Verifica­se,  conforme  item  2.2.  do  relatório  fiscal  (fls.1176)  que  o  sujeito  passivo  não  possui  requerimento  de  isenção  deferido  junto  à,  SRB, fato este admitido pelo sujeito passivo, já que ausente contestação  especificado  quanto  à  matéria,  presumindo­se  como  verdadeira  a  alegação, com base no art.302 do CPC.  Ademais,  com  fundamento  no  art.4°,  inciso  III  da  Portaria MPS/GM  520,  de  19/05/2004,  verifica­se,  em  consulta  ao  sistema  PLENUS/AGUIA/ARRECADAÇÃO/CONFILAN,  cuja  tela  segue  em  anexo,  que  o  sujeito  passivo  não  possui  isenção  reconhecida  administrativamente pelo INSS.  Irresignada, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário, alegando em suma:  a) Que seja, desde logo, suspensa exigibilidade do crédito tributário constante da  NFLD n.°37.006.5581, na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional;   b) Que seja suspenso o julgamento do Recurso Voluntário até decisão final no  Processo  Judicial  1998.51.02.2019833,  “eis  que  o  mérito  da  causa  já  é  objeto  de  Processo  Judicial”;  c) Que seja reconhecida a decadência qüinqüenal;  d) Que  sejam excluídos  do  sistema como corresponsáveis os  sócios da  pessoa  jurídica; d) Que seja admitido e ao final julgado Procedente o Recurso Voluntário, decretando  a  nulidade  do  lançamento  e  improcedência  da  autuação  reconhecendo  o  direito  adquirido  à  isenção das contribuições previdenciárias; ou a menos, caso não seja este o entendimento deste  Colegiado,  seja  reconhecido  o  direito  à  isenção  por  atendimento  aos  requisitos  materiais  e  formais previstos no artigo 55, inciso 1 ao V, §1°e seguintes da Lei 8.212/91.  Em julgamento do Recurso Voluntário interposto, foi este parcialmente provido  apenas para reconhecer a decadência das competências até 11/2000, nos seguintes termos (fls.  1.535/1544):  AÇÃO JUDICIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE A suspensão da  exigibilidade  do  crédito  (artigo  151  do CTN)  não  impede  o Fisco  de  proceder  ao  lançamento,  eis  que  esta  é  atividade  vinculada  e  obrigatória  (art.  142  do  CTN)  e  visa  impedir  a  ocorrência  da  decadência.  AÇÃO  JUDICIAL  RENÚNCIA  AO  CONTENCIOSO  ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.  Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/2007­54  Resolução nº  2301­000.501  S2­C3T1  Fl. 1.843          4 A  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial,  por  qualquer  modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por  objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  trate  o  processo  administrativo,  importa renúncia ao, contencioso administrativo, conforme art. 126, §  3°,  da  Lei  n°  8213/91,  combinado  com  o  art.  307  do RPS,  aprovado  pelo Decreto 3.048/99.  O julgamento administrativo limitar­se­á à matéria diferenciada, se na  impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial.  DECADÊNCIA.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  através  da  Súmula  Vinculante  n°  08,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91.  Tratando­se  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  que  é  o  caso  das  contribuições previdenciárias,  devem  ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.  Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica­se o artigo  150, §4; caso contrário, aplica­se o disposto no artigo 173, 1.  Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada com a decisão, o  contribuinte  opôs  Embargos  de  Declaração  (fls.  1.556/1.563),  aduzindo,  em  síntese,  que  o  acórdão  teria  restado  omisso  e  contraditório ao deixar de apreciar questões que não foram objeto da  ação  judicial,  sobre  as  quais  não  teria  havido  a  renúncia  do  contencioso administrativo, qual seja, o direito adquirido à isenção e o  preenchimento  das  condições  previstas  no  §1º  do  art.  55  da  Lei  nº  8.212/1991, e os valores glosados pela fiscalização referente aos anos  de 1999/2006.  Às fls. 1.569, o eminente Presidente desta Turma à época acolheu os Embargos  de Declaração opostos sob o fundamento de que, em caso de decisão judicial desfavorável ao  contribuinte,  todas  as  questões  relativas  à  validade  da  exigência do  requerimento  de  isenção  jamais  terão  sido  enfrentadas  administrativa  e  judicialmente,  além  do  que  o  acórdão  da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento enfrentou a matéria, de modo que caberia a este  CARF apreciá­la.  Submetido à sessão de julgamento o presente feito foi convertido em diligência,  pois foi verificado que os Embargos de Declaração não poderiam ser apreciados sem antes se  analisar  a  atual  situação  da  ação  judicial  nº  1998.51.022019833,  bem  como  da  sua  petição  inicial,  para  os  fins  de  verificar  identidade  de matéria  com  o Recurso Voluntário  interposto  pela autuada.  Em  cumprimento  à  decisão mencionada,  foi  juntado  pela Recorrente  cópia  da  petição inicial do processo nº 1998.51.02.2019863 e certidão de inteiro teor do processo.  Na  assentada  de  19  de  abril  de  2012  houve  nova  conversão  dos  autos  em  diligência,  para  trazer  aos  autos  cópia  da  ação  cautelar  nº  9802008192,  respectiva  liminar  deferida e certidão de inteiro do processo.  Cumprida a diligência os autos retornaram a esse CARF para julgamento.  É o relatório.  Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000396/2007­54  Resolução nº  2301­000.501  S2­C3T1  Fl. 1.844          5   Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério   A embargante alega que o Decreto nº 1.117/62, o qual regulamentava a Lei nº  3.577/59, previa que cabia ao Conselho Nacional de Serviço Social declarar a utilidade pública,  conforme parágrafo único do artigo 1º do citado Decreto.  Por  outro  lado,  o  Fisco  sustenta,  anexando  o  Decreto  nº  91.526/85,  que  a  utilidade pública federal somente fora reconhecida em 12/08/195, referente ao Processo MJ nº  31.023/81.  Há, portanto,  uma divergência  fática que merece  ser dirimida,  razão pela qual  VOTO  no  sentido  de  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  para  que  a  autoridade  administrativa  e  o  sujeito  passivo  informem  e  anexem  provas  no  sentido  de  demonstrar  cabalmente  desde  quando  a  entidade  é  reconhecida  como  de  utilidade  pública  federal.     Adriano Gonzáles Silvério    Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO

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Numero do processo: 17883.000199/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2007 IMUNIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO INCLUSÃO DE TODOS OS SEGURADOS EMPREGADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO. As entidades beneficentes de assistência social estão isentas apenas das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23, da Lei 8.212/91, devendo cumprir as demais exigidas, pois o gozo de imunidade das obrigações principais não dispensa o cumprimento de obrigações acessórias que são impostas a quaisquer contribuintes. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 2          1 1  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  17883.000199/2010­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2403­002.908  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de fevereiro de 2015  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  FUNDAÇÃO MIGUEL PEREIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2007  IMUNIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO INCLUSÃO DE TODOS  OS SEGURADOS EMPREGADOS NA FOLHA DE PAGAMENTO.  As  entidades  beneficentes  de  assistência  social  estão  isentas  apenas  das  contribuições  de  que  tratam  os  arts.  22  e  23,  da  Lei  8.212/91,  devendo  cumprir  as  demais  exigidas,  pois  o  gozo  de  imunidade  das  obrigações  principais  não  dispensa  o  cumprimento  de  obrigações  acessórias  que  são  impostas a quaisquer contribuintes.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso.    Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Marcelo Magalhães Peixoto ­ Relator    Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees  Stringari,  Marcelo Magalhães  Peixoto,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 99 /2 01 0- 61 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     2   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia  da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nº 12­35.942, fls. 235/237, que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  para  manter  incólume  o  crédito  tributário  consubstanciado no DEBCAD 37.292.625­8, referente período de 01/09/2005 a 28/02/2007, no  valor de R$ 1.431,39 (um mil quatrocentos e trinta e um reais e trinta e nove centavos).  A presente autuação almeja o recolhimento de multa pelo fato de a empresa,  não ter  incluído a totalidade dos segurados empregados nas  respectivas folhas de pagamento,  constituindo  infração  ao  art.  32,  I,  da  Lei  8.212/91  combinado  com  o  art.  225,  I  e  §  9º,  do  Regulamento da Previdência Social – RPS, conforme Relatório Fiscal fls. 6/7.  Esclarece  o  relatório  que  a  empresa  deixou  de  incluir  em  folhas  de  pagamento  as  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados  identificados  pela  fiscalização  através  dos  documentos  fornecidos  pela  própria  empresa,  onde  contavam  relações  de  remunerações dos referidos obreiros sob o título "EXTRA FOLHA", conforme Anexo XIV do  Relatório Fiscal, fls. 98/130.  DA IMPUGNAÇÃO  Inconformada com o  lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em  epígrafe por meio do instrumento de fls. 198/201.  DO ACÓRDÃO DA DRJ  Após  analisar  os  argumentos  do  então  impugnante,  a Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  I,  DRJ/RJ1,  prolatou  o  Acórdão  nº  12­ 35.942, fls. 235/237, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir:  Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/09/2005 a 28/02/2007  AUTO­DE­INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO.  O preenchimento de  folha de pagamento  em desacordo com os  padrões e normas estabelecidos na  legislação previdenciária, a  teor  do  art.  32,  I,  da  Lei  8.212/91  c/c  art.  225,  I,  §  9º,  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  3048/99,  enseja  a  aplicação  de  multa  decorrente  do  descumprimento da obrigação acessória.  MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS PROCESSUAIS.  A  teor  do  art.  17  do  Decreto  70.235,  de  06/03/72,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal,  considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada pelo contribuinte.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17883.000199/2010­61  Acórdão n.º 2403­002.908  S2­C4T3  Fl. 3          3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Inconformado,  a  recorrente,  FUNDAÇÃO  MIGUEL  PEREIRA,  interpôs,  tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio do  instrumento  de  fls.  240/243,  requerendo  a  reforma  do  acórdão  da  DRJ,  utilizando­se,  para  tanto, dos seguintes argumentos:  1)  Que à época houve legislação que deu guarida à recorrente;  2)  Que o parcelamento realizado retira o objeto do auto de infração;  3)  Que  está  em  andamento  no  CARF  recurso  contra  o  cancelamento  de  isenção, fato que deveria cessar qualquer processamento quanto ao objeto do auto.  É o relatório.  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI     4   Voto             Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto  DA TEMPESTIVIDADE  Conforme registro de fl. 248, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos  de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  DO MÉRITO  Segundo a autoridade fiscal, a entidade não incluiu a totalidade dos segurados  empregados em folhas de pagamento, constituindo infração ao art. 32, I, da Lei 8.212/91, haja  vista ter apurado pagamento EXTRA FOLHA, conforme Anexo XIV do Relatório Fiscal, fls.  98/130.   A  recorrente  em  nenhum  momento  apresenta  contraprova  no  tocante  à  autuação,  apresentando  as  folhas  de  pagamento  em  conformidade  com  a  realidade.  O  recorrente apenas trata como matéria de defesa o fato de ser instituição filantrópica, e, portanto,  não abrangida pela incidência de contribuição previdenciária.  A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune  ao pagamento da contribuição previdenciária, nos  termos do art. 195, parágrafo 7o da CF,  in  verbis:  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  §  7º  ­  São  isentas  de  contribuição  para  a  seguridade  social  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  atendam  às  exigências estabelecidas em lei.  Da leitura do artigo, verifica­se que as “entidades beneficentes de assistência  social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição  previdenciária, ou seja, o art. 55 da Lei n. 8.212/91, vigente à época do fato gerador, in verbis:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:  ...  Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma,  a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei  n. 8.212/91.  Acontece  que  a  entidade  filantrópica  resta  isenta  apenas  das  contribuições  de  que  tratam  os  artigos  22  e  23,  da  Lei  8.212/91,  devendo  cumprir  as  Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 17883.000199/2010­61  Acórdão n.º 2403­002.908  S2­C4T3  Fl. 4          5 demais  obrigações,  principais  e  acessórias.  Neste  sentido,  no  que  se  refere  à  obrigação  acessória, dispõe o art. 244 da Instrução Normativa RFB 971/2009, in verbis:  Art. 244. A entidade beneficente de assistência social em gozo de  isenção  é  equiparada às  empresas  em geral,  ficando  sujeita  às  obrigações acessórias previstas no art. 47(...)  Assim sendo, caso não seja mantido o cancelamento de isenção, ainda assim  a entidade estará sujeita ao pagamento da multa pelo descumprimento de obrigações acessórias  presentes nesses autos.  No  tocante  ao  parcelamento  especial  da  Lei  11.941/2009,  a  recorrente  não  apresenta qualquer prova de que este foi realizado, ou que este DEBCAD foi incluído em outra  modalidade de parcelamento, de forma que não deve ser anulado o presente auto de infração.  Portanto,  tendo  em  vista  a  ausência  de  contraprova  por  parte  da  recorrente  quanto a apresentação dos documentos em conformidade com o que foi solicitado, entendo que  deve permanecer o crédito tributário.  CONCLUSÃO  Do  exposto,  conheço  o  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito,  negar­lhe  provimento.    Marcelo Magalhães Peixoto                                Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI

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Numero do processo: 10380.011888/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STF, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235. Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a base de cálculo das Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 3102-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Paulo Rosa. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 10          1 9  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.011888/2003­93  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­002.375  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  COFINS  Recorrente  I.J.B. Câmbio e Turismo Ltda.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001  REPRODUÇÃO  DAS  DECISÕES  DEFINITIVAS  DO  STF,  NA  SISTEMÁTICA DO ART. 543­B, DO CPC.   No  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF  devem  ser  reproduzidas  pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigo 543­B da Lei nº 5.869,  de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o  que estabelece o art. 62­A do Regimento Interno.  COFINS.  ALARGAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE. RE 585.235.  Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal,  a base de cálculo das  Contribuições para o PIS e da COFINS cumulativas é o  faturamento, assim  compreendido  a  receita  bruta  da  venda  de  mercadorias,  de  serviços  e  mercadorias e serviços, sendo inconstitucional o alargamento promovido pelo  § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os  Conselheiros  José  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar  e  Ricardo  Paulo Rosa.  [assinado digitalmente]  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente.     [assinado digitalmente]  Andréa Medrado Darzé ­ Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 18 88 /2 00 3- 93 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA     2  Participaram,  ainda,  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  José  Luiz  Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar  e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  da  decisão  da  DRJ  em  Fortaleza que  julgou  improcedente a  impugnação apresentada, por entender que as variações  cambiais ativas, na qualidade de receitas financeiras, devem ser incluídas da base de cálculo da  COFINS.  Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os  quais  foram  relatados  com  riqueza  de  detalhes,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  transcrevendo­o abaixo na íntegra:  Contra  o  sujeito  passivo  de  que  trata  o  presente  processo  foi  lavrado  auto  de  infração  da Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  fls.  04/10,  no  valor  de  R$  9.785,01, incluído encargos legais.  De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal,  fls. 05/06, foi apurada a seguinte infração.  1.  Cofins  ­  Diferença  apurada  entre  o  valor  escriturado  e  o  Declarado/Pago  (Verificações  Obrigatórias)  ­  durante  o  procedimento  de  verificações  obrigatórias  foram  constatadas  divergências  entre  os  valores  declarados  e  os  valores  escriturados,  conforme  mapas  e  Papéis  de  Fiscalização,  baseados  nas  informações  prestadas  pelo  próprio  contribuinte  sobre as receitas auditadas.  Enquadramento  legal:  Art.  77,  inciso  ifi,  do  Decreto­lei  n°  5.844/43;  art.  149  da  Lei  n°  5.172/66;  art.  1°  da  Lei  Complementar  n°  70/91; Arts.  2°,  3°  e  8°,  da  Lei  n°  9.718/98,  com  as  alterações  da  medida  Provisória  n°  1.807/99  e  suas  reedições; com as alterações da medida Provisória n° 1.858/99 e  suas reedições.  Inconformado  com  a  exigência,  da  qual  tomou  ciência  em  21/11/2003,  fls.  04,  apresentou  o  contribuinte  impugnação  em  19/12/2003, fls. 25/33, contrapondo­se ao lançamento com base  nos argumentos a seguir sintetizados.  Preliminar  ­ Como  se  comprova  nestes  autos,  a  impugnante  foi  notificada  pessoalmente  da1avraturado  auto  de  infração  em  21  de  novembro  de  2003. Nesta ocasião  lhe  foram  fornecidas  apenas  cópias do próprio auto de  infração e de parte dos  seus anexos  correspondentes,  num  total  de  tão  somente  13  (treze)  páginas,  pelas  quais  se  apurava  o  quantum  que  no  entender  do  fisco  correspondeu à infração tributária. Nada mais.  ­  Debalde,  inúmeras  vezes,  preposto  da  autuada  ter  se  deslocado,  a  princípio  no  setor  de  Protocolo  dessa  DRF  de  Fortaleza e em seguida ao setor competente da SECAT, não se  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.011888/2003­93  Acórdão n.º 3102­002.375  S3­C1T2  Fl. 11          3 tinha  sequer o Número que  tomaria o Processo a desculpa era  que a fiscalização ainda não tinha dado entrada e por essa razão  ainda não tinha sido formalizado. Ainda, diante da ausência de  elementos  que  lhe  possibilitassem  compreender  as  reais  razões  dessa autuação, a impugnante, de posse do número do Processo,  isso  em  02  de  Dezembro  de  2003,  novamente  um  preposto  da  empresa  autuada  se  dirigiu  ao  Setor  competente  da  DRF  de  Fortaleza,  entretanto,  o  Processo  ora  vergastado  não  foi  localizado.  Somente  em  09  de  dezembro  de  2003,  quando  o  procurador  da  autuada  Sr.  Silvio  Marcos  Barcelos  Fiúza,  se  dirigiu pessoalmente às dependências dessa DRF em Fortaleza,  é  que  o  mesmo  pode  ser  localizado,  e  se  teve  acesso  para  compulsar pela primeira vez o Processo, podendo verificar o seu  conteúdo, apensos diversos documentos que não eram de nosso  conhecimento, compondo o auto de infração, portanto, foi nessa  ocasião que tomamos conhecimento das pretensas razões que ao  ver da  fiscalização embasaram esse seu desiderato  fiscal. Tudo  sem  que,  no  entanto,  lhe  fosse  restituído  o  prazo  legal  para  defesa.  ­ Assim  sendo,  fica  caracterizado  a  ilegalidade  e  o desrespeito  aos  princípios  constitucionais  que  garantem  a  isonomia  de  tratamento,  a  ampla  defesa  e  o  direito  à  informação,  a  impugnante teve cerceado o seu direito de defesa. A falta de tais  informações,  além  de  afronta  aos  princípios  constitucionais  anteriormente mencionados, também implica em frontal violação  ao artigo 9° do Decreto 70.235/72.  ­  No  entanto,  somente  depois  de  decorridos  diversos  dias  da  intimação  oficial,  é  que  lhe  foram  dado  conhecimento  dos  documentos  indispensáveis e  imprescindíveis à apresentação de  sua  defesa,  o  que,  na  prática,  implicou  na  redução  do  prazo  conferido  pelo  artigo  15  do  Decreto  70.235/72  de  30  (trinta)  dias, para menos da metade.  ­ Assim sendo, o auto de infração merecerá o cancelamento para  que  sejam  cumpridos  os  ditames  legais  indispensáveis  ao  exercício  constitucional  do  direito  de  defesa  da  impugnante,  para  que  novo  prazo  de  30  (trinta)  dias  corridos  lhe  seja  concedido, contados a partir da nova intimação.  ­ Finalmente, restou comprovado, que os Autos de Infração não  tiveram  durante  toda  a  fase  impugnatória  à  disposição  da  autuada,  para  visto  no  órgão Preparador,  conforme  obrigação  legal contida  também no Art. 60 do Decreto n° 70.235/72 e na  Orientação  Expressa  do  TELEX  BSA/COSIT/CIRCULAR/NR  868  de  28/12/93  dessa  Secretaria  da  Receita  Federal,  ferindo  indiscutivelmente o sagrado e pétreo princípio da ampla defesa.  Mérito  ­  As  diferenças  apuradas  pela  fiscalização  se  referem  exclusivamente às Variações Cambiais de que tratam os arts. 90  e 17 do inciso II da Lei 9.718/98, amparado pelos arts. 373 e 375  do Regulamento do  Imposto  de Renda  ­ RIR 99,  que  obriga  as  empresas que  transacionam com câmbio,  levarem à  tributação,  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA     4  ou  seja,  a  fazer  parte  da  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  federais,  mensalmente,  eventuais  diferenças  cambiais verificadas.  ­  A  fiscalização  não  levou  em  consideração  que  a  empresa  autuada vinha discutindo com o Banco Central do Brasil, desde  o início de 1999, quanto à sistemática de operação utilizada no  mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes (MCTF) que a mesma  era  autorizada a  operar  por  credenciamento  legal,  culminando  com  o  oficio  DECAM/GTREC  ­  2000/00201  (9900939224)  do  BACEN, datado de 05 de junho de 2000, pelo qual revogavam o  credenciamento  da  empresa  autuada  e  obrigava  simultaneamente  a  vender  toda  sua  disponibilidade  de  moeda  estrangeira, conforme  fotocópia do documento em anexo II,  fls.  36/37.  ­  Irresignada,  a  autuada  impetrou  através  de  seus  advogados,  uma  Ação  Cautelar  com  pedido  de  Liminar  junto  à  Justiça  Federal da 5ª Região, Seção Judiciária do Ceará, para sustar os  efeitos  do  danoso  ato  administrativo  perpetrado  pelo  Banco  Central  do  Brasil  ­  BACEN,  tendo  obtido  êxito,  conforme  fotocópia  da  Decisão  proferida  pelo  MM  Juiz  Federal  da  8ª  vara, anexo III, fls. 38/40.  ­ Desta maneira, a movimentação cambial da empresa autuada  se encontrava "sub  judice", até o aguardo da decisão definitiva  da  Justiça  Federal,  não  podendo,  portanto,  apurar  pretensas  diferenças  de  possíveis  "variações  cambiais",  que  não  se  sabia  serem  legais  ou  ilegais,  ou  seja,  os  valores  transacionados  realmente  pertenciam  a  IJB  Câmbio  e  Turismo  Ltda.,  ou  ao  SISBACEN?  Como  se  encontrava  a  ordem  da  Justiça,  nada  poderia ser apurado até o ano calendário de 2000, para somente  após  o  desfecho  judicial  ser  então,  efetivado  as  possíveis  variações cambiais verificadas.  ­  Para  comprovação  irrefutável  de  que  inexiste  qualquer  diferença na apuração dos Resultados Mensais da empresa IJB  Câmbio  e  Turismo  Ltda.  entre  os  valores  escriturados  e  declarados,  expressos  em  sua  contabilidade,  já  devidamente  periciada  pela  fiscalização,  juntou­se  no  anexo  IV,  fls.  41/43,  cópias dos quadros demonstrativos dos "Valores Apurados" dos  reais  Resultados Mensais  verificados,  nos  anos  calendários  de  1999, 2000 e 2001.  ­  Finalmente,  remetemos  em  anexo  V,  fotocópias  autenticadas  em cartório dos DARF’s devidamente quitados na rede bancária,  dos  pagamentos  referentes  a  COFINS  que  eram  devidos  no  período, inexistindo diferenças à serem lançadas.  Pleito  ­ Diante de todo o exposto requer, a impugnante, seja conhecida  a matéria preliminar arguida para o fim de decretar a anulação  do  auto  de  infração  lavrado  ou  ainda,  "Ad  argumentandun  tantun", na hipótese de julgamento do mérito do auto de infração  lavrado,  deverá  ser  reconhecida  a  procedência  desta  impugnação e a conseqüente improcedência do auto de infração  lavrado,  seja  pela  inexistência  das  operações  imputadas,  seja  pela ausência de fundamento legal para a tributação nos termos  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.011888/2003­93  Acórdão n.º 3102­002.375  S3­C1T2  Fl. 12          5 pretendidos  pelo  fisco,  ou  ainda  seja  pela  inconsistência  dos  elementos utilizados como parâmetros para o lançamento fiscal.  ­ Protesta pela produção de todo o gênero de prova em âmbito  do  PAF  admitido,  em  especial  a  juntada  de  novos  elementos,  caso  necessários,  e  fatos  novos  o  requererem,  para  total  elucidação dos fatos.  A  DRJ  em  Fortaleza  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada,  nos  seguintes termos:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Ano­calendário: 1999, 2000, 2001  Ementa: VARIAÇÕES CAMBIAIS.  As  variações  monetárias  ativas  dos  direitos  de  crédito  e  das  obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de  índices  ou  coeficientes  aplicáveis  por  disposição  legal  ou  contratual,  são  consideradas,  para  efeito  da  incidência  da  COHNS, como receitas financeiras.  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR  ­  IRRELEVÂNCIA  DA  NATUREZA DO OBJETO DO ATO.  "Ex  vi"  do  disposto  no  art.  118,  I,  do  CIN,  é  irrelevante  para  efeitos de se considerar a variação cambial na apuração da base  de cálculo da Cofins,  se a empresa estaria ou não credenciada  pelo Banco Central para atuar no Mercado de Câmbio de Taxas  Flutuantes.  Ementa:  PEDIDO  DE  REABERTURA  DE  PRAZO  ­  DESCABIMENTO.  Não  justifica  a  reabertura  do  prazo  para  defesa  o  fato  de  o  processo  ter  sido  protocolizado  dois  dias  após  o  início  da  fluência do prazo para impugnação, mormente quando, na data  da formalização da exigência, o sujeito passivo foi devidamente  cientificado de todos os termos e demonstrativos que compõem a  exação;  teve  vistas  do  processo  na  repartição  durante  o  prazo  para  a  impugnação;  e  o  mérito  da  autuação  foi  devidamente  atacado na peça impugnatória.  Lançamento Procedente.  Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando  as alegações da impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheira Andréa Medrado Darzé.   Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA     6  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente alega em sua  defesa  que:  (i)  que  o  lançamento  seria  nulo  por  cerceamento  do  direito  de defesa,  tendo  em  vista que o Auto de Infração não lhe foi entregue com a integralidade dos documentos que o  instruíam; (ii) que deveria ser cancelada a autuação vez que as variações cambiais ativas não  poderiam ser incluídas na base de cálculo da COFINS, tendo em vista que estava sub judice o  ato  que  revogou  seu  credenciamento  e  que  lhe  obrigou  a  vender  toda  sua  disponibilidade  de moeda  estrangeira.  Vejamos cada um desses argumentos. Todavia, em face do que prescreve o art.  59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, passo à análise do mérito, voltando à preliminar apenas se  este colegiado decidir contrariamente à Recorrente. Antes, porém, importa registrar que restou  incontroverso  nos  autos  que  os  valores  que  não  foram  submetidos  à  tributação  se  referem  exclusivamente  a  outras  receitas  (variação  cambial  ativa),  que  não  o  faturamento  (planilha  apresentada e usada pela fiscalização para lavrar o Auto de Infração e reconhecido pela própria  decisão recorrida).   Pois bem. A Lei nº 9.718/98, editada sob a vigência da  redação original do  art. 195, I, b, da CF, alterou a definição do conceito de faturamento para fins de incidência da  Contribuição para o PIS e da COFINS, ao defini­lo no §1º do art. 3º como sendo “a totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”.  Ocorre  que,  o  Pleno  do Egrégio  Supremo Tribunal  Federal,  no  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  n.ºs  357.950/RS,  358.273/RS,  390840/MG,  consolidou  o  entendimento de que seria  inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições  destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE  ­ ARTIGO 3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  ­  EMENDA CONSTITUCIONAL Nº  20, DE  15 DE DEZEMBRO  DE 1998. O sistema  jurídico brasileiro não contempla a  figura  da  constitucionalidade  superveniente.  TRIBUTÁRIO  ­  INSTITUTOS  ­  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS  ­  SENTIDO.  A  norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional  ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  ­  PIS  ­  RECEITA  BRUTA  ­  NOÇÃO  ­  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI  Nº  9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­as  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços.  É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o  conceito de  receita bruta para envolver a  totalidade  das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.011888/2003­93  Acórdão n.º 3102­002.375  S3­C1T2  Fl. 13          7 Em  outra  oportunidade,  este  Egrégio  Tribunal,  ao  apreciar  o  Recurso  Extraordinário  nº  585.235,  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral  e  reafirmou  a  jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel.  Min. MARCO AURÉLIO, DJ de  15.8.2006) Repercussão Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo Plenário.  Recurso  improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  Neste  contexto,  tratando­se  de  dispositivo  legal  que  já  fora  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal,  pode  este  Colegiado afastar a sua aplicação no caso concreto, por força do que prescreve o art. 26­A, I,  do Decreto nº 70.235/72:   Não  bastasse  isso,  também  com  a  alteração  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de  dezembro de 2010, passou a ser obrigatória a reprodução pelos Conselheiros das decisões do  STF, proferidas na sistemárica da repercussão geral:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   Assim,  como  são  objeto  do  Auto  de  Infração  apenas  as  receitas  auferidas  entre 1999 e 2001 (ou seja, antes da edição da Lei nº 10.833/03) e tendo em vista que não já  duvidas de que os valores que não foram submetidos à tributação se referem exclusivamente a  outras  receitas  (variação cambial ativa), que não o faturamento (planilha apresentada e usada  pela fiscalização para lavrar o Auto de Infração e reconhecido pela própria decisão recorrida),  resta evidente a necessidade de cancelar a presente autuação.   Em  face  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  Recurso Voluntário  para  cancelar integralmente o Auto de Infração.   [Assinado digitalmente]  Andréa Medrado Darzé                            Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA     8    Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por RICARDO PAULO ROSA

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