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Numero do processo: 13808.005507/2001-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001
Ementa:
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante.
APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 55 07 /2 00 1- 03 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1044 a 1058) contra o v. acórdão proferido pela colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1035 a 1041) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para declarar de ofício a decadência parcial do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores anteriores a setembro de 1996 e, no mérito, para afastar a tributação das receitas não enquadradas no conceito de faturamento pelo artigo 3º da Lei nº 9.715/98 e pela Lei nº 9.718/98. No presente caso, conforme relatório apresentado no v. acórdão recorrido, da lavra do Ilustre relator, Conselheiro Rodrigo Bernardes de Carvalho, o contribuinte se insurge contra a incidência da contribuição ao PIS incidente sobre as variações monetárias adquiridas com a venda de imóveis a prazo. De se notar, a propósito, que o contribuinte é uma empresa imobiliária cujo objeto social é a compra e venda de imóveis. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 31/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 PIS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 146, III, b, da Constituição Federal cabe à lei complementar estabelecer normas sobre decadência. Sendo assim, é de se aplicar o prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador previsto no art. 150, § 4º do CTN. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303002.859 CSRFT3 Fl. 290 3 ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A incidência do PIS sobre receitas oriundas de variações monetárias, somente encontra base legal com a superveniência do art. 3º, §1º da Lei n.º 9.718/98, que já foi afastado do mundo jurídico com a declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido (grifos e destaques nossos) A Fazenda Nacional alegou em seu recurso, em síntese, que na hipótese de total ausência de recolhimento do tributo, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN. Em relação ao mérito a Fazenda Nacional apontou que o Acórdão recorrido violou os artigos 2º e 3º da Lei n.º 9.715/98, pois a denominação do que seja receita financeira e do que seja receita bruta deve ser considerada em face da análise das atividades empresariais, entendidas estas como sendo a atividade fim da pessoa jurídica. Nesse sentido, defendeu a caracterização da correção monetária percebida pelo contribuinte como receita operacional, devendo, portanto, ser incluída no conceito de faturamento. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 1073 a 1074. Sem contrarrazões, conforme noticiado às fls. 1095. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Quanto ao mérito, mister destacar que a premissa da exigência e o cerne do recurso especial da Fazenda Nacional diz respeito ao disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, especificamente quanto à base de cálculo do PIS. Este dispositivo, como se sabe, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle difuso de constitucionalidade, o que limita a eficácia da decisão às partes do litígio. É de se notar, todavia, que este entendimento já foi objeto de decisões reiteradas pela Excelsa Corte, tendo sido, inclusive, cristalizado de forma definitiva pelo seu órgão plenário, com a reafirmação da jurisprudência no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, pela edição de súmula vinculante: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (grifos e destaques nossos) Aplicável à espécie, portanto, o disposto no parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1 não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em divida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento , da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal, proferida em sede de repercussão geral, também deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vale reforçar ainda que, quanto à hipótese ora em discussão, a Excelsa Corte reafirmou a sua jurisprudência acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, determinando, ainda, a edição de súmula vinculante. Por último, especificamente quanto ao caso ora em julgamento, em que o contribuinte é uma empresa imobiliária cujo objeto social é a compra e venda de imóveis, e em que se pretende incluir na receita tributável a variação monetária decorrente dos pagamentos em prestação, entendo que a jurisprudência acima destacada também é plenamente aplicável e deve ser seguida. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13808.005507/200103 Acórdão n.º 9303002.859 CSRFT3 Fl. 291 5 Com efeito, nos termos das razões expendidas pelo contribuinte no seu recurso voluntário às fls. 953 a 959, a receita com a venda de imóveis foi reconhecida integralmente no próprio mês da venda pelo regime de competência, independente do prazo de recebimento das prestações. As variações monetárias ativas, ao seu turno, foram contabilizadas na própria conta de variações monetárias ativas, não tendo sido utilizada a conta de Resultados de Exercícios Futuros na tributação das vendas. Além disso, a Fazenda Nacional em nenhum momento refutou tal afirmação, que foi corroborada pela cópia da escrituração contábil acostada às fls. 33 a 121 dos autos. Admitir a tributação da correção monetária, assim, seria tributar além do preço de venda dos imóveis, visto que o valor integral já foi oferecido à tributação do PIS no próprio mês da venda. Não deve ser acolhido, portanto, nesse particular, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
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Numero do processo: 13896.911270/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.868
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente). Relatório Tratase de Pedido de Compensação em decorrência de suposto pagamento a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 27 0/ 20 09 -0 7 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911270/200907 Resolução nº 3801000.868 S3TE01 Fl. 12 2 maior de COFINS, o qual não foi homologado sob fundamento de o crédito ser ilegítimo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 98.336,48 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que em 2005, à época dos fatos geradores os mesmos foram informados em DCTF e DACON, entretanto a Impugnante procedeu a revisão dos valores de modo que concluiu que os valores recolhidos eram efetivamente maiores do que os devidos, assim procedeu a retificação da DCTF sem contudo retificar a DACON, o que ocasionou a inconsistência e a não homologação da compensação. Demonstrada a legitimidade do crédito utilizado requer a procedência da manifestação de inconformidade e a homologação da compensação. Junta aos autos a DCTF e DACON original e retificadora, DARF e Per/Dcomp. Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente e manteve a decisão pela não homologação da compensação efetivada, sob o argumento de que não houve comprovação com elementos hábeis para desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF. A ementa do acórdão foi assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911270/200907 Resolução nº 3801000.868 S3TE01 Fl. 13 3 DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, não concordando com a decisão exarada, apresentou Recurso Voluntário, no qual, repisando os argumentos anteriormente apresentados, alega que (i) tributou em duplicidade determinadas receitas; (ii) deixou de tomar créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado; (iii) desconsiderou no cálculo da referida contribuição a pagar retenções realizadas diretamente na fonte; e (iv) retificou a DCTF e a DACON e que, por tais razões, não pode lhe ser retirado o direito creditório, uma vez que pelos documentos contábeis anexados aos autos, é possível identificar o pagamento indevido e o crédito levado à compensação. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911270/200907 Resolução nº 3801000.868 S3TE01 Fl. 14 4 VOTO Conheço do Recurso Voluntário, uma vez que apresenta os requisitos de admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação. Como se depreende da leitura dos autos, a matéria devolvida a este Conselho referese, tãosomente, à desconsideração, pela fiscalização, de supostos créditos tributários decorrentes de pagamento a maior de COFINS, na competência de junho de 2005. Tais créditos são oriundos, segundo a ora Recorrente, de tributação em duplicidade de determinadas receitas, não utilização de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e desconsideração, no cálculo da referida contribuição a pagar, de retenções realizadas diretamente na fonte. Na decisão recorrida, a douta Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da Recorrente, sob a argumentação de que “no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida, conforme dispõe o art. § 10 do art. 70 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007”. E, ainda, que “quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito liquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN)”. A conclusão dos Julgadores foi no sentido de negar a existência do crédito pleiteado, sob o argumento de que o interessado não apresentou elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, não existindo razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ocorre que a própria Delegacia da Receita Federal poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir a autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911270/200907 Resolução nº 3801000.868 S3TE01 Fl. 15 5 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse).(MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão. Atua, assim, como norte para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devese lembrar de que, nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita; não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911270/200907 Resolução nº 3801000.868 S3TE01 Fl. 16 6 em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda)PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3 ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo: 10768.100409/200368– Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, todos os documentos apresentados pela Recorrente. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de origem, é que se poderá ter certeza de que houve a retenção e se os valores retidos são os mesmos que deixaram de ser declarados pela Recorrente, de que foram tributadas receitas em duplicidade e de que não foram utilizados créditos da referida contribuição relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado. Desta forma, na diligência que será realizada, a DRF de origem deve, com base na documentação apresentada pela Recorrente referente ao período de apuração supra mencionado: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.911270/200907 Resolução nº 3801000.868 S3TE01 Fl. 17 7 (i) verificar se houve tributação em duplicidade nas receitas mencionadas pela Recorrente, recompondo, dessa forma, a base de cálculo da contribuição para o COFINS na competência de junho/2005; (ii) verificar a existência de créditos de COFINS relativamente a despesas de armazenagem e depreciação do ativo imobilizado e se estes foram utilizados; (iii) verificar se os valores não declarados são, de fato, aqueles retidos na fonte; (iv) apurar se os valores dos créditos acima mencionados são os mesmos que o contribuinte deixou de declarar. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência; Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 01 /04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000598/2007-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente na data do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente na data do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2369; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 294 1 293 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 18108.000598/200789 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.484 – 2ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EXEMONT ENGENHARIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 05 98 /2 00 7- 89 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente na data do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de NFLD, por meio da qual se exige créditos previdenciários incidentes sobre pagamentos efetuados a Cooperativas de Trabalho na contratação de prestação de serviços por segurados Contribuintes Individuais Cooperados, não recolhidas no prazo legal, correspondentes às competências 03/2000 a 12/2001. A ciência da NFLD ocorreu em 11/09/2007 (fls. 01). Em sessão plenária de 02/12/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 171.943, prolatandose o Acórdão nº 240101.576 (fls. 263 a 266), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2001 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio da súmula vinculante nº 8, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até a competência 11/2001.” Cientificada do acórdão em 23/03/2011 (fls. 253), a Fazenda Nacional interpôs, em 24/03/2011 (fls. 255), o Recurso Especial de fls. 256 a 264, com fundamento nos Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 18108.000598/200789 Acórdão n.º 9202003.484 CSRFT2 Fl. 295 3 artigos 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 246/2011, de 11/05/2011 (fls. 270/271). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN; consoante essa linha de interpretação, o art. 150, § 4°, do CTN, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação); portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de “lançamento por homologação”, observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN, e não o prazo do art. 150, § 4°. com efeito, nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante “lançamento por homologação”, a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos, e prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; observese que, no caso em análise, o Auto de Infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar da última competência, qual seja 12/2001; às fls. 223, itens 15 e 16, o relator na DRJ aduz que: “15. Observese que o primeiro pressuposto básico para o lançamento por homologação é a existência efetiva do pagamento a que estava obrigado o contribuinte pela legislação tributária. O segundo é a homologação expressa pela autoridade fazendária dessa atividade exercida pelo contribuinte, antes de operados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Veio o legislador, contudo, admitir que a homologação se dê de forma tácita, como hipótese de exceção , desde que a Fazenda Pública não tenha se pronunciado quanto à atividade exercida pelo contribuinte (pagamento) no prazo mencionado. A homologação tácita, portanto, somente se opera quando caracterizada a omissão da autoridade fazendária quanto à verificação da correta apuração do imposto pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 16. Mas, como explicitado no caput do artigo 150 do CTN, há necessariamente de haver a antecipação do pagamento do tributo devido, pois o que se homologa é o pagamento. Logo, não basta que o contribuinte haja cumprido o dever formal de apresentar a declaração, se não houver declarado corretamente o imposto ou a contribuição devidos e antecipado o seu pagamento.” também esta e. Câmara Superior deste Conselho já esboçou posicionamento no sentido de que o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, ainda que para estes tributos a legislação atribua ao contribuinte o dever de antecipar do pagamento, conforme o art. 150 do CTN, é aquele disposto no art. 173, I do CTN, que cuida do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (cita jurisprudência); aplicandose a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, o período de apuração relativo a maio de 1998 não se encontra decaído. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido para afastar a decadência do período 12/2001. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente (informação de fls. 279). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de NFLD, por meio da qual se exige créditos previdenciários incidentes sobre pagamentos efetuados a Cooperativas de Trabalho na contratação de prestação de serviços por segurados Contribuintes Individuais Cooperados, não recolhidas no prazo legal, correspondentes às competências 03/2000 a 12/2001. A ciência da NFLD ocorreu em 11/09/2007 (fls. 01). A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o período de apuração de 12/2001. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 18108.000598/200789 Acórdão n.º 9202003.484 CSRFT2 Fl. 296 5 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, por concordar com eles, adoto os fundamentos do brilhante voto integrante do Acórdão 920201.413, de 12/04/2011, de relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que a seguir reproduzo. “(...) Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação a essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 18108.000598/200789 Acórdão n.º 9202003.484 CSRFT2 Fl. 297 7 Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 27, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados, é o quinquenal contado do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Assim, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN.” O posicionamento acima já se encontra sumulado, conforme a seguir: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 103 e o RDA – Relatório de Documentos Apresentados de fls. 34, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 11/09/2007 (fls. 01), e os fatos geradores encontramse entre as competências 03/2000 a 12/2001, sendo que o presente litígio envolve apenas o período de 12/2001, constatase a ocorrência da decadência. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.901082/2006-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. NÃO CUMULATIVIDADE.
Os saldos negativos não são acumuláveis e devem ser tratados, para efeitos tributários, de forma individualizada, razão pela qual o seu aproveitamento em compensações deve ser feito de forma segregada, por ano de referência.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE.
Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário.
Numero da decisão: 1801-002.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. NÃO CUMULATIVIDADE. Os saldos negativos não são acumuláveis e devem ser tratados, para efeitos tributários, de forma individualizada, razão pela qual o seu aproveitamento em compensações deve ser feito de forma segregada, por ano de referência. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE. Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 749 1 748 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.901082/200668 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.279 – 1ª Turma Especial Sessão de 3 de março de 2015 Matéria DCOMP SALDO NEGATIVO Recorrente BERALDI TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. No âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância, cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a adoção da medida remediadora da omissão, mediante recurso voluntário. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. ECONOMIA PROCESSUAL. CELERIDADE. Não havendo risco de supressão de instância, os princípios da economia processual e da celeridade autorizam que a omissão da decisão de primeira instância seja imediatamente remediada por decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidir sobre recurso voluntário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. NÃO CUMULATIVIDADE. Os saldos negativos não são acumuláveis e devem ser tratados, para efeitos tributários, de forma individualizada, razão pela qual o seu aproveitamento em compensações deve ser feito de forma segregada, por ano de referência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 10 82 /2 00 6- 68 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901082/200668 Acórdão n.º 1801002.279 S1TE01 Fl. 750 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório BERALDI TRANSPORTES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0435.748 (fl. 709), pela DRJ Campo Grande, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 34009.06641.150803.1.3.040723 (fl. 44), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 44, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, cujos argumentos são assim resumidos: i) incorreu em erro de fato ao fazer constar como origem do crédito “Pagamento Indevido ou a Maior” ao invés de fazer constar “Saldo Negativo de CSLL”. ii) possui, de fato, crédito decorrente de “Saldo Negativo de CSLL”, conforme procura demonstrar com as DCTF e DIPJ dos exercícios de 2001, 2002 e 2003. iii) apresentou DCOMP retificadora por meio de formulário, na qual fez constar a origem do crédito como “Saldo Negativo de CSLL”. Apreciando o litígio (fl. 432), a DRJ Campo Grande não conheceu da impugnação, julgandoa intempestiva com base no artigo 15 do Decreto 70.235, de 1972, porquanto protocolada no dia 29/12/2008, tendo a intimação por edital sido efetivada em 23/05/2008. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 439) alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instancia, por considerar também nula a intimação, por edital, do indeferimento da sua DCOMP. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901082/200668 Acórdão n.º 1801002.279 S1TE01 Fl. 751 3 Ao julgar a presente lide, pela primeira vez, esta egrégia Turma de Julgamento deu provimento em parte ao recurso voluntário, reconhecendo a invalidade da citação por edital e fazendo retornar os autos à autoridade julgadora de primeira instância para que prolatasse nova decisão, nos termos do Acórdão nº 1801001.297 (fl. 462), de 5 de dezembro de 2012, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE OS MEIOS PARA INTIMAÇÃO PESSOAL E POR CORREIO RESULTARAM IMPROFÍCUOS. Não havendo nos autos prova de que os meios regulares de intimação da parte foram frustrados, há de se anular decisão que julgou intempestiva impugnação de decisão cuja intimação se deu por edital. Em cumprimento da decisão da autoridade julgadora de segunda instância e após a realização de competente diligência fiscal, a DRJ Campo Grande prolatou nova decisão, conforme o acórdão ora recorrido (fl. 709), em que reconheceu parcialmente o direito de crédito apontado pelo contribuinte, conforme a conclusão do voto condutor, abaixo transcrita: Posto isso e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de sustentação oral e, no mérito, por considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer o crédito de R$ 3.209,51. A unidade de origem deverá promover os adequados controles com vistas à não utilização do crédito em duplicidade, tendo em vista a natureza do crédito declarado em Dcomp não ser a mesma daquele reconhecido nesta decisão. Cientificado dessa decisão em 14/08/2014 (fl. 717), por meio de remessa postal, o contribuinte apresentou novo recurso voluntário (fl. 719), em 12/09/2014. Desta feita, o recorrente controverte a decisão a quo, por entender contrária às provas dos autos, e a inquina de omissão, consubstanciada no fato desta não ter expressamente declarado a homologação da compensação em tela. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901082/200668 Acórdão n.º 1801002.279 S1TE01 Fl. 752 4 A primeira questão que surge na presente lide diz respeito à necessidade de expressa declaração da homologação da compensação em tela. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte pediu, em sua manifestação de inconformidade, que fosse determinada a homologação da compensação de sua autoria, conforme o seguinte excerto (fl. 15): Ante o exposto requer que seja recebido o presente recurso e que em seu mérito: a) Seja reconhecido o crédito da recorrente, determinandose a homologação da compensação constante da PER/DCOMP e posterior Declaração de Compensação Retificadora, e corolário lógico, declarando esse Colendo Colegiado extinto definitivamente o débito tributário nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional; O Código de Processo Civil pátrio determina que a autoridade julgadora manifestese sobre o pedido do autor, acolhendoo ou rejeitandoo, no todo ou em parte: Art. 459. O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor. Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito, o juiz decidirá em forma concisa. Entendo que a decisão a quo não atendeu a esse mister, quando deixou de se manifestar sobre a homologação da compensação. No âmbito do processo judicial, essa omissão poderia ser resolvida mediante embargos de declaração (art. 463, II, do CPC). O contribuinte até ingressou com embargos de declaração dirigidos àquela autoridade (fl. 737). Todavia, no âmbito do processo administrativo fiscal, não há previsão de embargos de declaração destinados a aperfeiçoar a decisão de primeira instância. Em razão disso, entendo que cabe a este tribunal administrativo a adoção da medida remediadora da omissão. Nessa senda, esta Turma de Julgamento poderá anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão, agora sem a apontada omissão. Todavia, também é possível que a omissão seja aqui mesmo reparada, considerando que o recurso voluntário tem efeito devolutivo e considerando ainda que não há risco de supressão de instância, pois a declaração da homologação da compensação não irá infringir a decisão a quo. Diante dessas duas possibilidade, minha opção recaí pela decisão definitiva desse colegiado, em homenagem aos princípios da economia processual e da celeridade. Quanto ao mérito, verificase que a informação fiscal de fl. 703 apontou saldo negativo remanescente relativo ao ano 2001 no valor de R$ 3.408,16 e também apontou saldo negativo remanescente relativo ao ano 2002 no valor de R$ 5.134,72, conforme o seguinte excerto (fl. 706): O saldo negativo de CSLL do Exercício 2002 ficaria em R$ 3.408,16 e o do Exercício 2003 em R$ 5.134,72. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901082/200668 Acórdão n.º 1801002.279 S1TE01 Fl. 753 5 Esses saldos seriam suficientes para liquidar as estimativas compensadas nas declarações de nº 34009.06641.150803.1.3.04 0723 e 14202.68495.231003.1.3.048800. As estimativas compensadas na Perdcomp 02898.96154.070204.1.3.0481 seriam parcialmente compensadas. Conforme se verifica pela leitura deste texto, a soma dos saldos negativos dos anos 2001 e 2002 seria suficiente para quitar as estimativas apontadas nas duas primeiras DCOMP e ainda quitaria parcialmente as estimativas da terceira DCOMP. Salientese que a DCOMP em tela é uma das duas primeiras citadas, o que levou ao entendimento do recorrente de que esta compensação deve ser integralmente homologada. Todavia, devese ter em conta que uma DCOMP somente pode utilizar um único crédito, conforme já apontado na decisão recorrida. Na espécie, a autoridade julgadora a quo adotou o saldo negativo do ano 2001 como crédito da DCOMP em análise, utilizando o saldo negativo do ano 2002 como crédito de outra DCOMP, conforme o seguinte excerto: Aplicandose, por analogia, o art. 163, inciso III, do Código Tributário Nacional e, em sendo essa aplicação mais benéfica à interessada (em face da decadência), considerase como crédito, no processo nº 10183.901082/200613, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001 e no processo nº 10183.900938/200840, o saldo negativo do anocalendário 2002. Assim, na análise da presente DCOMP, deve ser reconhecido como crédito o saldo negativo remanescente do ano 2001, conforme apontado na referida informação fiscal, no valor de R$ 3.408,16. Esse valor é superior ao valor indicado na decisão recorrida (R$ 3.209,51), mais ainda está aquém do crédito apontado na DCOMP em tela (R$ 4.171,87). Desta feita, o reconhecimento do crédito ainda será parcial. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito de crédito no valor de R$ 3.408,16 e declarando a homologação parcial da compensação em tela até o limite do crédito ainda disponível, a ser verificado pela unidade de jurisdição do contribuinte. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 753DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10183.901082/200668 Acórdão n.º 1801002.279 S1TE01 Fl. 754 6 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002737/2010-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 27 37 /2 01 0- 44 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.002737/201044, contra o acórdão nº 0728.933, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 23 de maio de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 205.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 5 4 o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 195.000,00 para R$ 185.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 133/168, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 6 5 2 Erro material na decisão de primeira instância, posto que estabeleceu multa regulamentar de R$185.000,00, ao invés de R$10.000,00 3 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 4 Aplicação do art. 654 quanto à revelação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 5 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a 2 voos, conforme fl. 168 do Recurso Voluntário e fl. 125 do acórdão de primeira instância, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$185.000,00, para R$10.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 8 7 por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 10 9 (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 11 10 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002737/201044 Acórdão n.º 3801004.790 S3TE01 Fl. 12 11 da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11557.007141/2011-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2005
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA
O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por Ação Judicial com o mesmo objeto.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2005 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por Ação Judicial com o mesmo objeto. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11557.007141/201144 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.906 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente KNM SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2005 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por Ação Judicial com o mesmo objeto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 71 41 /2 01 1- 44 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da Decisão Notificação da Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória/ES, nº 07.401.4/0185/2006, fls. 169/182, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 35.702.5571, referente ao período de 01/1997 a 07/2005, no valor de R$ 461.047,86 (quatrocentos e sessenta e um mil, quarenta e sete reais e oitenta e seis centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa, devido a remuneração proveniente de não apresentação de todos fatos geradores, tendo em vista a parcela “in natura”, referente à alimentação dos segurados empregados, sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, remuneração proveniente de valetransporte, remuneração paga aos segurados contribuintes individuais e parte da remuneração paga a segurados empregados, conforme Relatório Fiscal, fls 36/46, vejamos: 2. constatouse que nas competências de 01/1999 a 07/2005, a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. No período acima mencionado, não foram informados nas GFIP os valores pagos a título de: 3.1 Remuneração proveniente da parcela “in natura”, referente à alimentação fornecida durante o mês aos segurados empregados, sem que a empresa estivesse regulamente inscrita no Programa de Alimentação dos Trabalhadores – PAT, nas competências de 01/1999 a 07/1999, 09/1999 a 12/2000, 01/2004 a 01/2005 e 03/2005 a 07/2005, dados esses extraídos das folhas de pagamento, notas fiscais de entrada e contas contábeis nº 31301, 4.1.3.01.0024 e 4.1.3.01.0025, intituladas “Alimentação” constantes nos Livros Diários nº 09 a 12 e 21 a 26, correspondentes, respectivamente, aos exercícios de 1999 a 2000 e 2004 a 2005; 3.2 Remuneração proveniente da parcela utilidade, referente ao “valetransporte”, fornecido durante o mês aos segurados empregados, em desacordo com a lei 7.418, de 16/12/1985, nas competências 01/1999 a 06/2005, dados esses extraídos das folhas de pagamento e contas contábeis nº 31118, 4.1.3.01.003 e 4.3.0.01.0013, intituladas “ValeTransporte” constantes dos Livros Diários nº 09 a 26, correspondentes ao período de 01/1999 a 06/2005. 3.3 Parte da remuneração paga aos segurados contribuintes individuais – trabalhadores autônomos, discriminadas na escrituração contábil, nas competências 01/1999 a 01/2000, 03/200 a 05/2000, 09/2000 a 04/2001, 06/2001 a 08/2001, 10/2001 a 02/2002, 04/2002 a 09/2002, 12/2002 a 02/2003, 05/2003, 07/2003 a 09/2003, 11/2003, 04/2004, 06/2004, 10/2004, 03/2005 e 05/2005. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.007141/201144 Acórdão n.º 2403002.906 S2C4T3 Fl. 3 3 3.4 Parte da remuneração paga a segurados empregados, discriminadas nas Folhas de Pagamento, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho e Recibo de Férias, nas competências de 04/1999, 02/2001 a 09/2001, 12/2001, 05/2002 a 06/2002, 11/2002 a 11/2003, 01/2004 a 02/2004, 10/2004 a 11/2004. 4. As contribuições previdenciárias apuradas, correspondentes às remunerações discriminadas nos itens 3.1 e 3.2, não recolhidas à Previdência Social, foram objetos das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.702.5598 e 35.702.5601. 4.1 As contribuições previdenciárias apuradas correspondentes às remunerações discriminadas nos itens 3.3 e 3.4, foram devidamente recolhidas pela autuada. 5. Como essas contribuições não foram informadas por intermédio de GFIP à Previdência Social, descumpriu o contribuinte, o dever instrumental previsto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da lei 8.212, de 24/07/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social, RPS, aprovado pelo decreto nº 3.048, de 06/05/1999. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 136/141. DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Após analisar os argumentos do então impugnante, a Delegacia da Receita do Da Receita Previdenciária em Vitória/ES, prolatou a Decisão – Notificação nº 07.401.4/0185/2006 de fls. 169/182, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, HZM SERVIÇO DE MANUTENÇÃO E MONTAGENS LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 192/200., requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 1) Os valores correspondentes ao valetransporte e auxílioalimentação possuem natureza indenizatória. Conforme documento de fls. 234/235, o Recurso foi apresentado sem o depósito de 30% previsto no art. 126, § 1º da Lei 8.213/91, a recorrente, entretanto, apresentou Mandado de Segurança, e, na decisão de fls. 266/267, foi dada razão ao sujeito passivo, para que a autoridade julgasse o Recurso Voluntário sem que tenha sido efetuado o depósito previsto. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.007141/201144 Acórdão n.º 2403002.906 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.234/235, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA CONCOMITÂNCIA De acordo com documento de fl. 252, há extrato de Consulta processual da Justiça Federal do Espírito Santo, onde consta o processo de nº 000987876.2006.4.02.5001, que trata de mandado de segurança impetrado pelo recorrente. O mandado de segurança em questão tem como pedido a invalidação das NFLD's nº 35.702.5598, 35.702.5601 e 35.702.5571, sendo o último DEBCAD objeto deste processo administrativo, conforme trecho colacionado abaixo: Ante o exposto: a) julgo extinto o feito, sem exame de mérito, em relação do pedido de invalidação das NFLD's nº 35.702.5598 e 35.702.5601, o que faço com base no art. 267, V do CPC; b) CONCEDO A SEGURANÇA para anular a NFLD nº 35.702.5571, concernente à multa aplicada com base no § 5º do art. 32 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97, nos termos da fundamentação supra. Sem condenação em honorários advocatícios (Súmulas 512 do STF e 105 do STJ). Custas ex lege. Sentença sujeito ao obrigatório duplo grau de jurisidição.Comuniquese o inteiro teor desta sentença ao Eminente Desembargador Federal Relator do Agravo de Instrumento. P. R. I. Oficiese. (grifo nosso) Assim sendo, resta evidenciada a concomitância da via administrativa e judicial, devendose obedecer ao disposto na súmula nº 1 deste Conselho: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Uma vez que os atos administrativos se sujeitam às decisões do Poder Judiciário, por princípio, se o contribuinte ingressar na via judicial, estará renunciando às instâncias administrativas, uma vez que qualquer decisão administrativa que for prolatada não terá eficácia frente à decisão judicial, que a ela se sobrepõe. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Existindo controvérsia já estabelecida previamente no judiciário, sobre uma determinada hipótese jurídica, como é o caso do presente processo (visto que o pedido, a invalidação da NFLD é o mesmo) não é possível admitir discussão sobre a mesma questão através de processo administrativo. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13770.000531/2005-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Leonardo Carvalho, OAB/ES nº. 9.338. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo à COFINS nãocumulativa apurado pelo contribuinte para o período de agosto de 2004. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 73/74, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 3.386/2008 (fls. 63/73), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, concernente ao saldo remanescente da apuração nãocumulativa da COFINS no período de agosto de 2004 e, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 53 1/ 20 05 -4 6 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.300 2 por consequência, homologar parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Foram analisadas as aquisições de café dos fornecedores pessoas jurídicas responsáveis por 78% das aquisições da Rio Doce Café no ano de 2004; • Nesta amostragem, 49% do volume financeiro total registrado referemse a fornecedores que se enquadram como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão. Outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é nula, portanto totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com o ora requerente; • Ressaltase que dentre o valor das compras dos fornecedores analisados, 63% enquadramse nas situações acima descritas, não sendo, portanto exceção, e sim a regra as compras de café da Rio Doce Café de pessoas jurídicas em situação incompatível com as transações informadas. • A tabela às fl. 60 apresenta as compras dos fornecedores irregulares; • Como se pode extrair, a situação é paradoxal, haja vista que a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um pretenso direito creditório que, como contrapartida, não possui o recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior; • Diante do que foi retratado, a plausível conclusão conduz inadmissibilidade do pleito formulado, no que toca às ditas compras, em razão de um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representa uma cessão de interesses públicos em favor de particulares; • Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, tal como insculpido no art. 153, § 3º, II da CF/88 (não obstante referirse ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, sem sombra de dúvida é o paradigma adotado para esta novel roupagem das contribuições sociais em comento), estabelece a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado na anterior; • Irrefragável é a concepção segundo a qual a efetiva cobrança ou, na pior hipótese, a pressuposição de sua ocorrência, é condição sine qua nom para a admissão do creditamento. Vale esclarecer que tal "cobrança", para os tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", onde a lei atribui ao próprio contribuinte a iniciativa de apuração e recolhimento do montante devido, é caracterizada pela efetiva adoção de referidos procedimentos; • Isto se dá porque, diversamente do que só ocorre com o IPI, onde o imposto vem destacado na respectiva nota fiscal de aquisição, o que faz presumir a sua incidência, na apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins tal cálculo é realizado pela aplicação da alíquota cabível sobre o valor das compras realizadas, o que não conduz a tal conjectura; • Como restou demonstrado na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.301 3 Outrossim, não se diga que tal compreensão do problema trará irreparáveis prejuízos ao contribuinte, ora requerente, porquanto, sendo o café uma "commodity" agrícola, tal qual a soja e o algodão, seu preço de compra e venda infalivelmente acompanha as cotações das bolsas de mercadorias nacionais e estrangeiras, de modo que a incidência tributária, seja a que titulo for, não influencia sobremaneira as oscilações de preço; Isto posto, foi providenciada a relação nominal dos fornecedores que se encontram nas situações descritas e respectivos valores de vendas, bem como, promovida a glosa pertinente, conforme tabela A (fls.60); • Os exames efetuados nos Livros Fiscais (Razão e Registro de Saídas) apontaram irregularidades quanto ao valor da base de cálculo e ao valor da contribuição apurada pela interessada; • O contribuinte apurou nos meses de agosto e setembro de 2004 receita não operacional decorrente de alugueis e rendas eventuais, conforme balancete às fls.36/46, totalizando R$43.039,13. Este valor foi incluído na base de cálculo da contribuição; • No regime da nãocumulatividade, apurase a contribuição para o PIS/Pasep confrontando os montantes dos débitos e créditos, obtendose como resultado ou o valor a recolher da contribuição, se devedor o saldo, ou o valor do crédito a ser transferido para o período seguinte, se credor o saldo; • No tocante ao crédito passível de utilização na compensação de outros tributos e contribuições, ficou assentado que, nos termos do art. 5°, § 1º, da Lei 10.637 e IN SRF n° 291/03, o mesmo corresponde ao valor apurado após a dedução de débitos da própria contribuição, e desde que seja derivado de operações de mercadorias para o exterior ou de venda a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; • No processo administrativo 13770.000629/200412, o contribuinte buscou utilizar créditos no valor de R$ 329.895,53 (f1.05) referente ao mês de julho/2004. A análise deste processo reconheceu o crédito no valor de R$210.327,27, homologando parcialmente as compensações apresentadas naquele processo. Desta forma, do crédito total reconhecido para o período compreendido entre julho/04 a setembro/04 (3° trimestre /2004), abateuse o valor previamente reconhecido e utilizado, restando, pois saldo credor para utilização com compensação de outros tributos no valor de R$194.220,03. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 22/03/2010 (fl. 81) e apresentou, em 15/04/2010, a Manifestação de Inconformidade de fl. 82 e ss. alegando, em síntese que: • As mercadorias (café) adquiridas das empresas supostamente inativas, baixadas, omissas ou com receitas declaradas incompatíveis com as vendas, cujas notas fiscais foram pagas através de depósitos bancários, TED ou DOC diretamente aos emitentes, devidamente registradas, escrituradas e contabilizadas, geram créditos de PIS, visto que a requerente não tem o poder de fiscalizar se as contribuições foram ou não devidamente recolhidas. Ressaltese que todas as informações fiscais são sigilosas, não tendo a recorrente, por isto, acessos aos dados fiscais dos seus fornecedores; • Toda a sistemática da nãocumulatividade do PIS e também da COFINS está assentada na permissão de que compras e a prestação de serviços, mesmo que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.302 4 PIS e COFINS, geram créditos; • Importante frisar que a Recorrente realiza pagamentos aos seus fornecedores, somente via depósito bancário ou via TED/DOC diretamente aos emitentes das notas fiscais. Sua escrituração contábil e fiscal obedece as normas exigidas pela legislação. Agindo assim, de boafé; • No Direito Tributário o que confere a pessoa jurídica e física a condição de contribuinte é o fato dessa pessoa possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; • No caso da contribuição do PIS nãocumulativo, são contribuintes as pessoas jurídicas em geral e a elas equiparadas pela legislação do IR, que auferem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Se as empresas comercializam bens e serviços sujeitas a incidência da referida contribuição, elas são contribuintes da exação tributária, independentemente das receitas por elas auferidas terem sido declaradas ao Fisco Federal; • Desse modo, os argumentos contidos no Parecer são desprovidos de legalidade e qualquer lógica jurídica, haja vista que as vendas de café por essas empresas, objeto da glosa, foram sim oneradas com a incidência do PIS; • É sabido que para configurar a incidência do tributo, basta que ocorra o seu fato gerador ou a sua hipótese de incidência. Vale lembrar, conforme dicção do artigo 114 do CTN, o fato gerador da obrigação principal se constitui quando se efetiva a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência; • No presente caso, restou configurada a ocorrência do fato gerador do PIS quando essas empresas, que estão sujeitas a referida contribuição, realizaram vendas de café para a requerente. Nesse sentido, cabe ao fisco efetuar o lançamento e realizar a cobrança, não podendo a requerente ser penalizada pela negligência da autoridade fazendária; • Todas as notas fiscais foram registradas e contabilizadas de acordo com a legislação; • Cabe ao Fisco cobrar das empresas fornecedoras das mercadorias (café) os impostos devidos por elas. Não pode penalizar a Recorrente glosando os créditos lançados sobre as referidas notas fiscais; • Ademais, o artigo 3º da Lei n. 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); • Diante do exposto, glosar os lançamentos de créditos de PIS, nas hipóteses de notas fiscais supostamente inidôneas, quando estas, em seus aspectos, em suas aparências, nada tem de irregular, é responsabilizar terceiro por obrigação tributária acessória que não lhe compete. Ressaltese que todas as notas fiscais foram devidamente registradas, lançadas, escrituradas e contabilizadas de acordo com a legislação, cujos pagamentos foram realizados através de depósito bancário, TEC ou DOC em nome do emitente da mesma; • Os valores pagos a título de combustíveis e aquisição de sacaria, entre outros, são insumos utilizados na produção de seus produtos, possibilitando, todavia, o lançamento de crédito de PIS sobre os mesmos; • A pessoa jurídica enquadrase na redação do artigo 8º, § 6º, da Lei 10.925/2004, sendo, portanto, uma produtora em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (café), uma vez que executa, cumulativamente, as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.303 5 misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial; • Os créditos lançados pela contribuinte sobre as compras de combustíveis desconsiderados pela fiscalização, são lícitos, tendo em vista que são insumos utilizados na prestação de serviços e na produção de seus produtos destinados à venda e, além disso, todos foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país e suportados pelo comprador (a requerente); • Caso seja mantida a glosa dos créditos conforme proposta pelo Auditor Fiscal, que seja determinado à restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%), uma vez que os referidos valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo. Em 17/05/2012, a 17ª Turma da DRJ/RJ1 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 110 (fls. 1.350/1.351) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto ás irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 1.353/1.847 e o resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Relatório Fiscal em fls. 1.848/2.017. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • A utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinada nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em outubro de 2007, e que resultaram posteriormente na “Operação Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; • No início, as investigações restringiramse ao estado do Espírito Santo, onde estão localizadas importantes exportadoras de café do país. E, após a “Operação Broca”, foram realizadas diligências no Sul da Bahia (café conilon) e Região da Zona Mata Mineira e Sul de Minas Gerais (café arábica); • No período analisado, RIO DOCE CAFÉ era preponderantemente compradora de café arábica principalmente de Minas Gerais, maior produtor de café do país. O Espírito Santo produz mais de 70% de café conilon; • Fato é que na diligência efetuada em 2008 na RIO DOCE CAFÉ já despontavam como supostos maiores fornecedores da empresa a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, de VARGINHA/MG, com mais de R$75 milhões; CAIXETA & SCALCO, com R$27 milhões, SANCOSTA, com R$26 milhões, ambas de MACHADO/MG; COMERCIAL ATACADISTA TRIÂNGULO, de MONSENHOR PAULO/MG, CAFEEIRA SUL DE MINAS, de VARGINHA/MG, S.A. SILVEIRA, de SÃO GONÇALO DO SAPUCAI/MG e COMERCIAL DE CAFÉ ARÁBICA, de Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.304 6 CAMBUQUIRA/PATROCÍNIO/MG, todas com mais de R$20 milhões cada. No Espírito Santo, COLÚMBIA, com R$16 milhões, e NOVA BRASÍLIA, com R$12 milhões, foram os destaques; • O quadro societário RIO DOCE CAFÉ era composto da CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO LTDA (acionista majoritário) e NICCHIO CAFÉ S/A EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO, ambas de COLATINA/ES, que foram alvo da Operação Broca; • Muito embora não tenha sido alvo de busca e apreensão durante a Operação Broca, as investigações da Receita Federal realizadas antes da deflagração da aludida operação delinearam diversas negociações de compras de café da própria RIO DOCE CAFÉ no ES, nas quais restou comprovado a interposição fraudulenta de empresa de fachada na compra de café de produtor/maquinista; • O modus operandi descrito detalhadamente pelos agentes da cadeia de comercialização (produtor/maquinista, corretor e representantes das fictas intermediárias – empresas laranjas) foi devidamente demonstrado mediante confrontação dos documentos colhidos no de decorrer das investigações e robustecido com aqueles apreendidos na Operação Broca; • No início das investigações no Espírito Santo, ANTÔNIO GAVA, sócio da COLÚMBIA, situada em COLATINA/ES, em breve palavras contidas nas declarações prestadas em 30/11/2007, apontou para o esquema de venda de notas fiscais da COLÚMBIA para guiar café de produtor; • Em seguida, a V. MUNALDI surgiu como mais uma “firma” vendedora de nota. Em 28/02/2008, ALTAIR BRÁZ ALVES, da V. MUNALDI, revelou o modus operandi do esquema; • Em 06/03/2008, em resposta às indagações fiscais, COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L, todas de COLATINA/ES, manifestaramse de igual teor. Relataram à época que não possuíam imóveis, veículos, tampouco funcionários, e que, quando havia necessidade, contratavam serviços terceirizados de motoboy para entrega de documentos; • Quanto à origem dos recursos creditados nas contas correntes, afirmaram categoricamente que eram recursos que pertenciam a terceiros compradores do café: Asseveraram que não são e nunca foram empresas comercializadoras ou atacadistas de café; • Recebida a informação de quem era o vendedor, o comprador poderia ou não fazer contato com o mesmo. Certo é que o comprador depositava o valor na conta da COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L e “exigia que o produtor ‘guiasse’ o produto com nota de produtor para a fiscalizada”. • E prosseguem relatando que: recebendo a nota fiscal do produtor, liberavam para este o valor da venda e emitiam em seguida uma nota fiscal própria de venda para a Compradora; • A ressaltar ainda das respostas das diligenciadas que o comprador “EXIGIA QUE O PRODUTOR ‘GUIASSE’ O PRODUTO COM NOTA DE PRODUTOR PARA A FISCALIZADA” E ELAS, EM CONTRAPARTIDA, EMITIAM UMA NOTA FISCAL DE SAÍDA PARA O COMPRADOR. Assim, não operam como atacadistas de café, mas, sim, são usadas como uma ponte de repasse de recursos dos compradores para produtores rurais/maquinistas. Agem desta forma “POR IMPOSIÇÃO DOS COMPRADORES (QUE SÃO POUCOS E PODEROSOS)”; • Revelaram, ainda, que em hipótese alguma teriam “recursos para operar da forma como operaram nos últimos anos, mormente considerando a pesada carga tributária imposta por lei na operação, em especial da forma Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.305 7 como exigida pelos compradores, qual seja com incidência integral de PIS/COFINS”; • No início, em 2003, as exportadoras sinalizaram e algumas chegaram a indicar as pseudoempresas para guiar suas compras de café, conforme declarado por maquinistas, produtores rurais, corretores e os próprios sócios das empresas de fachada; Criouse, então, a figura da intermediária fictícia, cujo objetivo era vender nota fiscal. A princípio, com poucas “empresas”, esse mercado paralelo de pseudoatacadistas de café expandiuse rapidamente de tal modo que gerou uma concorrência no preço cobrado pela venda da nota fiscal. A existência e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras e outras simplesmente se omitiram, sendo assim culpadas dessa cumplicidade silenciosa; • A fiscalização diligenciou mais de uma centena de produtores rurais do ES. No início, a maioria produtores de café conilon do norte e noroeste do estado, estendendo posteriormente para outras regiões do ES e de outros estados (Bahia e Minas Gerais). O critério utilizado foi ouvir aqueles identificados como maiores produtores de determinadas regiões; • Os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café. Negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança, ou seja, os corretores, maquinistas e empresas da sua região, contudo, no momento da retirada do café surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; • Sem exceção, os depoimentos dos produtores têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” totalmente desconhecidas dos depoentes e que não são as reais adquirentes do café negociado; • Ao longo dessas oitivas, surgiram novos nomes de pseudo atacadistas, principalmente, criadas a partir de 2006. A fiscalização diligenciou grande parte delas, que resultou na sua Inaptidão/Suspensão no cadastro do CNPJ; • Cada exportadora/torrefadora criou o seu próprio padrão para fazer referência à tributação do PIS/COFINS, conforme declaração unânime dos corretores. Nas suas compras tanto no Espírito Santo quanto nas demais regiões do país, a RIO DOCE CAFÉ usava o mesmo padrão acima mencionado; • Os documentos apreendidos mostram que a corretora fazia o controle do pagamento de café por meio de uma planilha, onde anotava o nome do vendedor (empresa laranja/produtor/maquinista), comprador, valor, data de entrega, banco para depósito e etc. No caso da operação entre Elaison Armani e RIO DOCE CAFÉ demonstrada nos autos, a planilha de controle corrobora que foi a L&L quem falsamente documentou a operação respaldada pela ordem de compra VT0013, da RIO DOCE CAFÉ; Marcelo Luiz Nascimento Barbosa, exauxiliar de classificação de café da RIO DOCE CAFÉ e corretor autônomo no Ed. Palácio do Café, onde compartilhava espaço cedido pelo corretor Luciano Arpini Gobbi, da corretora GECAFÉ, disse em 03/06/2008 que intermediava compra de café principalmente dos seguintes maquinistas: Luiz Carlos Bernabé, conhecido como Lila; José Valentim Fracaroli, conhecido como Zezinho; Ronan Roque Fortuna, conhecido como Ronan; José Nivaldo Casagrande, conhecido como Nivaldo; Frederido Graziotti, conhecido como Liquinho; Alair Bergamaschi, conhecido como Alair Berg e Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.306 8 Luiz Cristiano Muller; • O corretor Luciano Arpini Gobbi, da GECAFÉ, em 03/11/2008, confirmou “que as empresas exportadoras e indústrias do Estado têm conhecimento quanto à origem do café (maquinista ou produtor rural), não obstante o café estar sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica”. Dito de outro modo: as exportadoras e torrefadoras sabiam que estavam comprando café de produtor/maquinista documentado com nota fiscal de empresa laranja; • Nos controles do corretor Luiz Fernandes Alvarenga, que foram apreendidos durante a Operação Broca, constam anotações relatando venda de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ por meio das empresas de fachada COLÚMBIA e WR DA SILVA. Por exemplo, o controle de Luiz Alvarenga traz a anotação no dia 07/11/2008 da entrega de 300 sacas de café de Tamanini para a RIO DOCE CAFÉ guiadas em nome da COLÚMBIA. Essa operação de compra e venda foi respaldada na confirmação 2400/08 e ordem de compra n° 412, da RI O DOCE CAFÉ; • Na busca e apreensão na residência de Luiz Fernandes Alvarenga e suas corretoras, foram encontradas confirmações de compra para a RIO DOCE CAFÉ, bem como controle de suas operações guiadas por empresas laranjas e anotações para identificar os vendedores produtores/maquinistas: L&L/RONAN (Ronan Roque Fortuna), WR DA SILVA/CUZZUOL (Ronaldo Cuzzuol), WR DA SILVA/MAZOLINI (Luiz Mazolini), CAFÉ BRASILE/MAZOLINI, WR DA SILVA/TAMANINI (Marcelo Fausto Tamanini/Carlos Alberto Tamanini), YPIRANGA/EDIMAR (Edimar Francisco Muller), L&L/ARMANI (Elailson José Armani), WR DA SILVA/AMÉRICO (Américo José Mai), RODRIGO SIQUEIRA/ADEMAR VALANE, L&L/FRANCISCO PRANDO, CAFÉ BRASILE/ADEMIR (Ademir Biazatte Lonardelli), Colúmbia/ROQUE (Roque Romeu Bonfante), NOVA BRASÍLIA/BARNABÉ (Luiz Carlos Bernabé) e WR DA SILVA/JARBAS (Jarbas Alexandre Nícoli). • Entre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um arquivo magnético em formato Excel denominado “COLÚMBIA SAÍDAS”. Na verdade, tratase de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA nos anos de 2005 a 2008. Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica o verdadeiro vendedor – distinguindo o ficto (COLÚMBIA) do real vendedor (produtor/maquinista), o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação; • Ao compulsar o citado arquivo, verificouse que Luiz Mazolini efetuou várias vendas de café para a RIO DOCE CAFÉ documentadas com nota da COLÚMBIA, especialmente no ano de 2006 com mais de 5 mil sacas, intermediadas pela CASA DO CAFÉ, de Luiz Fernandes Alvarenga; • Jarbas Alexandre Nícoli, de Jaguaré/ES, com produção de 10.000 sacas de café conilon, informou em 04/07/2008 que negociou seu café, preponderantemente, por meio dos seguintes corretores de COLATINA: Luiz Fernandes Alvarenga (CASA DO CAFÉ) e Junior Preti (RP COMISSÁRIA); • Afirmou não conhecer Antônio Gava e Thiago Gava, gestores da COLÚMBIA e W.R. DA SILVA, Altair Bráz Alves, gestor da V. MUNALDI – ME, e Fernando Mattede, gestor da ACÁDIA, DO GRÃO e L & L; • Alegou que desde 2003 não consegue vender café diretamente para as empresas exportadoras, ou seja, com nota fiscal de produtor. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.307 9 Assim, teria sido orientado pelos corretores a guiar o café em nome de COLÚMBIA, V. MUNALDI e etc; • Questionado, então, sobre as suas notas de produtor supostamente destinadas à COLÚMBIA, V. MUNALDI, DO NORTE CAFÉ, WR DA SILVA, ACÁDIA, DO GRÃO, respondeu detalhadamente sobre a figura da fícta interposição de uma pessoa jurídica na operação entre o produtor e as exportadoras, o transporte em veículo próprio e a troca de nota fiscal, preferencialmente em postos de gasolina; • O arquivo “COLÚMBIA SAÍDAS” anota vendas de Jarbas Alexandre Nícoli para a RIO DOCE CAFÉ nos anos de 2006 e 2007. Por intermédio da CASA DO CAFÉ e RP COMISSÁRIA, foram vendidas mais de 4,5 mil sacas de café guiadas em nome da COLÚMBIA para a RIO DOCE CAFÉ; • A relação de contratos (confirmações), apreendidas durante a Operação Broca na Corretora Cristal Brasil e na residência do seu sócio Devanir Fernandes dos Santos, mostram vendas de Nivaldo Casagrande em 2008 para a RIO DOCE CAFÉ com notas da laranja NOVA BRASÍLIA; • Os corretores demonstraram unidade em relação aos seguintes pontos: a) com o surgimento do PIS/COFINS não cumulativos as empresas comercias exportadoras e torrefadoras de café passaram a dificultar compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoa jurídica; b) com tal exigência surgiram no mercado empresas de fachada, pseudoempresas atacadistas de café; c) com frequência novas empresas de fachada foram criadas e incorporadas ao mercado, passando do dia para a noite a terem movimentação de notas em volume assustador; d) pela venda de nota usada para guiar café do produtor/maquinista, a empresa de fachada recebia um valor por saca de café, pago por produtor/maquinista e exportadores; e) as comerciais exportadoras e torrefadoras sabiam de antemão que o café adquirido por elas era de pessoa física (produtor/maquinista), bem como tinham pleno conhecimento da interposição de empresas de fachada para guiar o café; • A RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, conforme anotações nas próprias notas fiscais apresentadas pela empresa que foram extraídas do processo 15586.720174/201197, bem como das declarações prestadas pelo então comprador da RIO DOCE CAFÉ, em VARGINHA/MG, Regis Roriz de Oliveira, onde se concentrou o maior volume de compras da empresa. Cita se o seguinte trecho sobre a CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO, suposta maior fornecedora da RIO DOCE CAFÉ com R$110 milhões: “a Cafeeira São Sebastião Ltda só vendia as notas fiscais para o exportador”; • Diante desses fatos, restou demonstrado a utilização pela RIO DOCE CAFÉ de meios ilícitos para a obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé. São operações fingidas, que mascaram a realidade; • Os representantes da COLÚMBIA, ACÁDIA, L & L e DO GRÃO respondendo às indagações dos Auditores Fiscais asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas destas laranjas eram operadas por exfuncionários das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências em Minas Gerais; • No curso das investigações, os Auditores Fiscais constataram registros de vultosas compras nas empresas exportadoras do ES de supostas fornecedoras situadas no estado de Minas Gerais, principalmente, no município de Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.308 10 Manhuaçu (municípios da Zona da Mata Mineira) e de Varginha e municípios adjacentes (Sul de Minas Gerais); • Entretanto, a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais dessas supostas atacadistas de café no estado de Minas Gerais não mostrou um quadro diferente do encontrado pelos AuditoresFiscais no Espírito Santo: movimentação financeira milionária para empresa na situação de inativa, omissa ou simplesmente preenchida zerada; Assim, mesmo antes da deflagração da OPERAÇÃO BROCA e dos Auditores Fiscais tomarem conhecimento da denúncia anônima sobre a mesmo tipo de fraude no estado de Minas Gerais, a análise dos dados fiscais e financeiros apontavam nesse sentido, que foi reforçado com as declarações de alguns produtores/maquinistas do Espírito Santo, situados na Região do Caparaó, divisa entre os estados do ES e MG; • Restou demonstrado que a RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada; • Foram analisadas minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada na compra e venda de café; • Os fatos apontados neste Relatório repercutem tanto na glosa de créditos do ano de 2004 quanto na glosa dos créditos dos anos de 2005 a 2010. O contribuinte foi cientificado do Termo de Enceramento de Diligência em 06/03/2013 –fl.2.043 e ss. e apresentou, em 02/04/2013, a Manifestação de fls. 2.045 e ss., alegando o seguinte: • O relatório elaborado após a Diligência propõe a alteração completa do ato administrativo que deu causa a negativa de homologação dos créditos; • O primeiro ato (Parecer e Despacho Decisório) teve como base fática normativa para a negativa dos créditos, simplesmente, o não pagamento das contribuições nas etapas econômicas anteriores e que tal realidade, pela essência da Lei, impediria a homologação. • Após a intimação da DRJ/RJ1, porém, o argumento mudouse por completo, a DRF introduziu a ausência de boafé da adquirente, que pretensamente era sabedora de um elaborado esquema descrito pela Receita Federal, como fator decisivo para a negativa da homologação; • Assim, ou temse como nulo o antigo ato administrativo, que negou primariamente a homologação (devolvendo os autos para a feitura de novo Parecer e Despacho Decisório), ou devese simplesmente desconsiderar os novos argumentos e documentos juntados; • O novo relatório fiscal, os milhares de documentos trazidos aos autos e a mudança radical da motivação para a negativa de homologação implicam em novo ato administrativo e a nulidade do ato anterior pela deficiência de motivação ou de base probatória; A não observância desse requisito legal implica também em violação direta ao devido processo legal e à ampla defesa, ou seja, afronta ao artigo 5º, LIV e LV, da Constituição Federal; • Devese também ter em mente que, se considerado o novo despacho decisório como mera resposta à diligência, a DRJRJ não poderá alterar o motivo primário que deu causa a negativa inicial dos créditos: não pagamento de PIS ou COFINS nas etapas Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.309 11 econômicas anteriores. Haveria se assim procedesse, lançamento por órgão incompetente ou supressão de instância. De qualquer modo, o Acórdão da DRJRJ 1 seria nulo; • Dos documentos juntados aos autos e das afirmações elencadas no Parecer SEORT e Despacho Decisório da DRFVitória glosando créditos de PIS/COFINS da recorrente, teve por base as operações Tempo de Colheita e seu sucedâneo policial Operação Broca; • No dia 14 de novembro de 2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região, analisando Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.0000, em face de ato do Juízo Federal de Colatina – ES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (surgida da operação broca), por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Assim, os supostos crimes foram rechaçados pelo TRF 2ª Região; • A ação transitou em julgado, sendo os argumento que motivaram o indeferimento foram rechaçados definitivamente pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região; • Logo no início do processo administrativo, a Fiscalização demonstra o porque de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior; • Notase que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão e L&L responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação; • Observase que alguns desses comunicados padrão datam de março de 2008. Não se entende o porque da Receita Federal manter em funcionamento essas empresas, que hoje afirma inexistentes, por tanto tempo depois de ter certeza de suas práticas. Com isso, manteve as exportadoras reféns dessas fraudes; • Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Broca, ou seja, não houve indiciamento, denúncia, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Rio Doce Café ou qualquer um de seus diretores (extinta pelo TRF2); • Após o advento dos créditos integrais de PIS e COFINS, muitas empresas atacadistas eclodiram nos Estados do Espírito Santo e de Minas Gerais (apesar de algumas já existirem como, por exemplo, a Colúmbia, criada em 2001) para, ao que parece hoje, unicamente, interpor a venda de café dos produtores rurais aos compradores finais; • É relevante citar que a Receita Federal de Vitória – ES já sabia das práticas destas empresas desde o final de 2007 e nada fez, por muitos anos, para coibir seus atos ilícitos. Ao que parece, preferiu aguardar, fomentar a prisão de alguns empresários (não da Rio Doce Café) e imputar a eles a responsabilidade de fiscalizar, que é unicamente sua; • As provas documentais trazidas pela fiscalização são, todas elas, produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Mesmo que tais documentos apreendidos implicassem em alguma prova contra a Rio Doce Café, se a própria Fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas e corretores, não deveria usálas para afastar a boafé de Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.310 12 uma empresa que sequer é citada Operação Broca ou qualquer outra operação; • Quanto à empresa Colúmbia, por exemplo, todas as mercadorias compradas foram devidamente entregues, deram entrada na Rio Doce Café, foram registradas na contabilidade da empresa e todos os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se pode verificar do CNPJ extraído do site da Receita Federal e do SINTEGRA emitido pela Fazenda Estadual. Por fim, o processo de inaptidão da Colúmbia (processo nº 15586.000037/200918) iniciouse em 2009, assim, certamente, ela não estava inativa nas épocas das compras pela Rio Doce Café. O mesmo ocorreu com todas as demais empresas; • Não há prova alguma da máfé e muito menos do dolo da recorrente. Ao contrário, foram juntados a manifestação de inconformidade os CNPJs e os SINTEGRAS, emitidos na época da compra, que provam os cuidados tomados na verificação da regularidade dessas atacadistas; • A fiscalização deveria ter demonstrado, de alguma forma, que a recorrente sabia ou incentivava o não recolhimento de tributos pelas empresas atacadistas ou, no mínimo, que tinha pleno conhecimento da inatividade das empresas; • A recorrente não tem tempo nem poder de investigar as suas centenas de fornecedoras e, após cotejar as declarações de imposto de renda, as DIRFs, as Dcreds, as DOIs, as Dmobs, as Gfips e outras tantas informações disponíveis à Receita Federal, verificar que sua atividade é restrita a corretagem de café ou a uma interposição fraudulenta; • Não havia nenhum Ato Declaratório ou até mesmo baixa de ofício dos contribuintes fornecedores da Rio Doce Café, na época em que foram adquiridas as mercadorias(café); • Os registros contábeis da recorrente, relativo às aquisições das mercadorias para revenda estão corretamente amparados por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. O acórdão proferido pela DRJ do Rio de Janeiro foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade da COFINS, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.311 13 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DECISÃO DEFINITIVA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. Não se conhece da manifestação de inconformidade apresentada contra decisão administrativa definitiva que considerar não declarada a compensação. NULIDADE. SEM CAUSA.IMPROCEDÊNCIA. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Verifico que a questão gira em torno da desconsideração das notas fiscais de aquisições feitas de empresas caracterizadas com inaptas que geraram a glosa de créditos por parte da fiscalização. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.312 14 O artigo 82 da Lei nº 9430/96 fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos, senão vejamos: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Vêse, portanto, que a efetivação do pagamento do preço constante da nota fiscal, bem como o recebimento de bens pelo adquirente, são critérios objetivos a serem observados para a desconsideração jurídica dos documentos que ensejaram o crédito glosado nestes autos e que necessitam ser minuciosamente confirmados. Além disso, é importante realizar o cotejo destes itens (prova da entrega da mercadoria e prova do pagamento pela aquisição da mercadoria), com a declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, em termos de cronologia dos acontecimentos, já que isso pode ter influência direta na análise a ser proferida pelo por esta Turma. Destaco, inclusive, que existem situações em que a inaptidão de fornecedores se deu após as compras realizadas pela Recorrente e outras após a autuação. Além disso, parecem existir operações objeto de glosa que foram realizadas até mesmo antes da operação deflagrada pela Polícia Federal. Diante das dúvidas apontadas anteriormente, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, com relação a todos os créditos objeto da glosa, elaborar demonstrativo relacionando os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, assim como os comprovantes de pagamento do preço de aquisição das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais objeto de glosa, indicando as folhas dos autos em que constem referidas informações ou juntadoas; b) Informar a fiscalização conclusivamente (com cópias) quais as datas de publicação no DOU e a íntegra da decisão e respectiva fundamentação, quanto aos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos foram glosadas; c) Elaborar Demonstrativo em que conste, por operação, as datas das aquisições, dados das Notas Fiscais de aquisição que foram glosadas, data e endereço da entrega dos produtos adquiridos, data e forma de pagamento pela respectiva compra dos produtos, cotejando com a data de declaração de Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13770.000531/200546 Resolução nº 3202000.334 S3C2T2 Fl. 1.313 15 inaptidão do CNPJ do fornecedor, se for o caso, ou então, manifestando sobre a condição do CNPJ nas datas das operações (CNPJ ativo ou inativo); e d) Elaborar Parecer Conclusivo especificamente quanto a Diligência realizada, bem como informando se a Recorrente consta da lista de empresas apontadas pelo Ministério Público Federal nas operações da Polícia Federal e se existem depoimentos dos dirigentes ou que citam os dirigentes da Recorrente; Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10882.721782/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
NULIDADE DA INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Considera-se recebida a intimação por via postal, com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo próprio contribuinte e constante dos cadastros do Órgão Tributário, confirmado com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento antecipado do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN.
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE.
É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA DECLARADA NA DIPJ E A RECEITA APURADA PELO FISCO ATRAVÉS DAS GIA/ICMS.
Caracteriza-se como prova direta da omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo nas DIPJs, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual de São Paulo, quando do preenchimento das Guias de Informação e Apuração (GIA) do ICMS paulista, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal, sendo lícita a obtenção de tal prova por meio de celebração de convênio de cooperação fiscal entre as Fazendas Públicas.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA.
Crédito em conta bancária sem apresentação de documentos e comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita, que o contribuinte pode elidir, mediante apresentação de documentos hábeis comprobatórios de origem diversa.
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO.
Não havendo presunção legal que autorize considerá-los como receitas omitidas, os valores informados pelas administradoras de cartões de crédito como tendo sido pagos ao contribuinte constituem indício de omissão de receitas, sendo ônus de o fisco aprofundar a investigação para produzir a prova.
MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
MULTA. AGRAVAMENTO.
O absoluto silêncio do contribuinte fiscalizado em relação às intimações que lhe foram dirigidas, autoriza o agravamento da penalidade, mormente quando se constata a existência de requisição reiterada de arquivos digitais. O fato de, eventualmente, o contribuinte não manter escrituração na forma exigida pela Fiscalização, não impede a aplicação do referido agravamento, eis que, nesse caso, caberia a ele, ao contribuinte, prestar os esclarecimentos devidos.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de novas provas.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a sujeição passiva, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações formalizadas. De igual modo, revela-se correto o procedimento do Fisco em elaborar, contra os administradores do sujeito passivo, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, quando identificado o descumprimento, por parte destes, do dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolar dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias.
Numero da decisão: 1301-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento: 1) por unanimidade de votos, excluir a matéria tributável apurada com base em Cartão de Crédito; 2) por maioria de votos, manter a qualificação da penalidade. Vencidos os Conselheiros, Valmir Sandri, (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier; 3) pelo voto de qualidade, manter o agravamento da penalidade. Vencidos os Conselheiros, Valmir Sandri (Relator), Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado) e Carlos Augusto de Andrade Jenier; 4) pelo voto de qualidade, manter a responsabilidade tributária dos sócios. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor quanto aos itens 2, 3 e 4, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que também presidiu o julgamento. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007, 2008 Ementa: NULIDADE DA INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considera-se recebida a intimação por via postal, com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo próprio contribuinte e constante dos cadastros do Órgão Tributário, confirmado com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento antecipado do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA DECLARADA NA DIPJ E A RECEITA APURADA PELO FISCO ATRAVÉS DAS GIA/ICMS. Caracteriza-se como prova direta da omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo nas DIPJs, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual de São Paulo, quando do preenchimento das Guias de Informação e Apuração (GIA) do ICMS paulista, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal, sendo lícita a obtenção de tal prova por meio de celebração de convênio de cooperação fiscal entre as Fazendas Públicas. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Crédito em conta bancária sem apresentação de documentos e comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita, que o contribuinte pode elidir, mediante apresentação de documentos hábeis comprobatórios de origem diversa. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. Não havendo presunção legal que autorize considerá-los como receitas omitidas, os valores informados pelas administradoras de cartões de crédito como tendo sido pagos ao contribuinte constituem indício de omissão de receitas, sendo ônus de o fisco aprofundar a investigação para produzir a prova. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA. AGRAVAMENTO. O absoluto silêncio do contribuinte fiscalizado em relação às intimações que lhe foram dirigidas, autoriza o agravamento da penalidade, mormente quando se constata a existência de requisição reiterada de arquivos digitais. O fato de, eventualmente, o contribuinte não manter escrituração na forma exigida pela Fiscalização, não impede a aplicação do referido agravamento, eis que, nesse caso, caberia a ele, ao contribuinte, prestar os esclarecimentos devidos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de novas provas. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a sujeição passiva, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações formalizadas. De igual modo, revela-se correto o procedimento do Fisco em elaborar, contra os administradores do sujeito passivo, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, quando identificado o descumprimento, por parte destes, do dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolar dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721782/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.456 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2014 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente Nakombi Bar e Lanches Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008 Ementa: NULIDADE DA INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Considerase recebida a intimação por via postal, com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo próprio contribuinte e constante dos cadastros do Órgão Tributário, confirmado com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento antecipado do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LICITUDE. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA DECLARADA NA DIPJ E A RECEITA APURADA PELO FISCO ATRAVÉS DAS GIA/ICMS. Caracterizase como prova direta da omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo nas DIPJs, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual de São Paulo, quando do preenchimento das Guias de Informação e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 17 82 /2 01 1- 51 Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 3 2 Apuração (GIA) do ICMS paulista, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal, sendo lícita a obtenção de tal prova por meio de celebração de convênio de cooperação fiscal entre as Fazendas Públicas. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Crédito em conta bancária sem apresentação de documentos e comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita, que o contribuinte pode elidir, mediante apresentação de documentos hábeis comprobatórios de origem diversa. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES INFORMADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. Não havendo presunção legal que autorize considerálos como receitas omitidas, os valores informados pelas administradoras de cartões de crédito como tendo sido pagos ao contribuinte constituem indício de omissão de receitas, sendo ônus de o fisco aprofundar a investigação para produzir a prova. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. MULTA. AGRAVAMENTO. O absoluto silêncio do contribuinte fiscalizado em relação às intimações que lhe foram dirigidas, autoriza o agravamento da penalidade, mormente quando se constata a existência de requisição reiterada de arquivos digitais. O fato de, eventualmente, o contribuinte não manter escrituração na forma exigida pela Fiscalização, não impede a aplicação do referido agravamento, eis que, nesse caso, caberia a ele, ao contribuinte, prestar os esclarecimentos devidos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de novas provas. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a sujeição passiva, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações formalizadas. De igual modo, revelase correto o procedimento do Fisco em elaborar, contra os administradores do sujeito passivo, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, quando identificado o descumprimento, por parte destes, do dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolar dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO: 1) por unanimidade de votos, excluir a matéria tributável apurada com base em Cartão de Crédito; 2) por maioria de votos, manter a qualificação da penalidade. Vencidos os Conselheiros, Valmir Sandri, (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier; 3) pelo voto de qualidade, manter o agravamento da penalidade. Vencidos os Conselheiros, Valmir Sandri (Relator), Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado) e Carlos Augusto de Andrade Jenier; 4) pelo voto de qualidade, manter a responsabilidade tributária dos sócios. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor quanto aos itens 2, 3 e 4, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que também presidiu o julgamento. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presente o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Relatório Em julgamento, recursos interpostos em face da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas que, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS formalizados em face de Nakombi Bar e Lanches Ltda., alcançando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006 e 2007. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 5 4 Conforme consta dos autos, pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 04/11/2010 e cientificado por via postal em 29/11/2010, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar contrato social e alterações, Livros Caixa ou Diário e Razão, Registro de Apuração do ICMS, extratos bancários das contas correntes, poupança e aplicações financeiras da pessoa jurídica, arquivo SINTEGRA e arquivos digitais, caso mantida escrituração nesta forma. Em 24 de novembro de 2010 foram emitidas RMF (Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira). Pelo Termo lavrado em 4/01/2011 (ciência por via postal em 12/01/2010), o Fisco intimou o contribuinte a: (a) apresentar os documentos fiscais solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal e que ainda não haviam sido apresentados; b) comprovar a origem dos valores creditados em suas contas correntes ou de investimentos, conforme relacionado no Anexo A do referido Termo, devidamente acompanhado dos documentos hábeis e idôneos que comprovassem seu oferecimento à tributação, sob pena, caso incomprovados os valores, de se presumir, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, omissão de receitas; c) apresentar as GIA/ICMS/SP entregues à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Mediante Termo de Reintimação Fiscal datado de 11/02/2011, o Fisco reiterou as exigências anteriores, inclusive a apresentação de justificativas para a movimentação bancária inserida no Anexo A, determinando, ainda, que fossem esclarecidas as divergências encontradas entre as informações constantes das DIPJs entregues pela pessoa jurídica relativamente aos anos calendário de 2006 e 2007 que apresentavam valores de receitas zerados e as mesmas informações inseridas nas GIA/ICMS/SP entregues pela contribuinte com valores positivos, consoante demonstrativo a seguir: Descrição dos valores Anocalendário 2006 Anocalendário 2007 Declarado mo receita na DIRPJ 0,00 0,00 Declarado na GIA/ICMS/SP 2.076.784.40 2.281.851,69 Valores recebidos cartões Crédito 2.569.119,03 2.692.319,96 A ciência ocorreu por via postal em 21/03/2011 (após várias tentativas que consignam: destinatário ausente). Em face do silêncio do contribuinte, em 04/05/2011 foi lavrado novo Termo de Reintimação Fiscal no mesmo teor do Termo anterior, e a ciência deuse por edital afixado em 20/05/2011, após as infrutíferas tentativas de ciência por via postal. Em 01/06/2011 foi lavrado Termo intimando o contribuinte a apresentar Balanço Patrimonial e Relação discriminativa dos bens integrantes do Ativo Permanente (ciência por via postal em 28/06/2011). A fiscalização coletou internamente, no banco de dados da Receita Federal, e junto a outros órgãos, os seguintes documentos que juntou aos autos: (a) às fls. 471/530, cópias do contrato social original, alterações e outros documentos da contribuinte arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo; (b) às fls. 531/554, cópias das GIA/ICMS/SP do período de janeiro/2006 a dezembro/2007, entregues pela fiscalizada à Secretaria da Fazenda do Estado de Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 6 5 São Paulo e, (c) às fls. 555/564, cópia da DIPJ do exercício/2008, ano calendário de 2007, apresentada pela pessoa jurídica à Receita Federal com valores zerados. Considerando a falta de manifestação do contribuinte sobre a origem dos recursos creditados em suas contas junto às instituições financeiras, a autoridade fiscal relacionou, às fls. 569, os créditos de origem não coprovada, que configuram omissão de receitas. Registra a autoridade fiscal que “Muito embora o contribuinte não tenha se manifestado sobre o assunto, a fiscalização, em relação aos créditos relacionados nas Intimações durante a ação fiscal, retirou da relação, para a apuração do Auto de Infração, os créditos cuja descrição do histórico da operação permitiu a identificação da origem dos valores como sendo proveniente do pagamento de Cartão de Crédito”. Aduz que “como o contribuinte, no decorrer da ação fiscal, não se manifestou sobre os valores apresentados pela fiscalização em intimações (...) a fiscalização, impossibilitada pela inércia do contribuinte de aferir se as receitas declaradas em GIA já levavam em conta os valores de depósito em conta corrente ou valores recebidos de cartões de crédito, considerará todos os valores acumuladamente como receita omitida pelo contribuinte, e constituirá os créditos tributários referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”. Com base nos elementos de prova colhidos, apontou omissão de receitas conforme planilha de fls. 570. Para determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalização arbitrou o lucro com base na receita, em razão da não apresentação de qualquer documento fiscal ou contábil. O coeficiente de arbitramento adotado foi de 9,6%, por se tratar de restaurante. A multa aplicada foi qualificada, com a seguinte motivação: “O contribuinte declarou à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo receitas totais de R$ 3.115.020,97 em 2006 e R$ 3.422.606,39 em 2007 enquanto que para a Receita Federal do Brasil declarou zero”. Também recebeu pagamento por venda através de cartão de crédito os valores de R$ 2.569.119,03 em 2006 e R$ 2.692.319,96. Reiteradamente, durante os 24 meses dos anos calendários de 2006 e 2007 o contribuinte, contando com a possibilidade de não ser fiscalizado pela RFB, declarou valores completamente irreais, seja através da DIPJ, DACON ou DCTF. Com estas condutas, o contribuinte praticou atos (..) previstos (...) nos art. 71 e 72 da Lei nº 4502/1964, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Também foi imposto o agravamento, ao argumento de que “além do descrito acima o contribuinte também não atendeu a nenhuma intimação emitida por esta fiscalização”. Os autos de infração foram cientificados ao contribuinte por via postal em 28/06/2011. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 7 6 Com apoio no art. 124 do CTN, a autoridade fiscal lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os sócios e administradores da contribuinte, Francisco Giaffone Neto e Paulo Sérgio Barossi, cientificados por via postal em, respectivamente, 21/07/2011 e 20/07/2011.. A pessoa jurídica apresentou impugnação em 17/08/201, postulando preliminarmente por sua tempestividade, ao argumento de que, como a empresa não recebeu em seu endereço o Auto de Infração deve ser considerada como data da ciência 20/07/2001, quando o sócio Paulo Sérgio Barossi, recebeu o Termo de Sujeição Passiva Solidária, juntamente com cópia do Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração. Em seguida, suscita a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos antes de julho de 2006. Ainda em preliminares, alega nulidade das notificações recebidas por pessoas com assinatura de difícil identificação, a não ser algumas recebidas por Antonio Carlos V. da Silva, que nunca fez parte do seu quadro societário ou de funcionários. Afirma que a jurisprudência no sentido de que a entrega da carta no endereço da empresa é suficiente para convalidar comunicação do ato processual não alcança o presente caso, porque não há condições de aplicar a Teoria da Aparência por não se saber quem assinou o aviso de recebimento e se houve mesmo entrega da intimação no endereço da empresa acionada, o que faz gerar dúvida quanto a efetiva validade da intimação. Na sequência, alega nulidade do auto de infração por infringir o inciso IV do art. 11 do Decreto nº 70.235/72, por não conter assinatura do Delegado da Receita Federal nem constar autorização, de ofício, da mesma autoridade, atribuindo poderes ao fiscal. Ainda no campo das preliminares, aponta a nulidade do auto de infração por contrariar garantias e princípios constitucionais e o entendimento pacífico do STJ e STF quanto à necessidade de autorização judicial para a quebra do sigilo bancário. Invoca ainda a nulidade do auto de infração, afirmando que não está lastreado em laudos, planilhas e documentos indispensáveis à comprovação do ilícito. Diz que “a exigência de recolhimento de tributos arbitrados em virtude de supostas omissões de receita, sem realizar o exame contábil através de levantamento fiscal, análise de planilhas, com fortes e irrefutáveis indícios de sinais de riqueza, implica em clara inversão do ônus da prova, apenas possível em determinadas e restritas hipóteses previamente estabelecidas em lei”. Aduz que a Fiscalização decidiu pela omissão de receitas balizandose tão somente na soma aritmética de créditos bancários decorrentes de informações fornecidas pelas administradoras de cartões de crédito, pelos extratos das contas bancárias fornecidos pelas instituições financeiras, e pelo cruzamento de informações prestadas à Secretaria da Fazenda Estadual do Estado de São Paulo e à Secretaria da Receita Federal através das DIPJs 2007 e 2008”. Diz ser inaceitável a atitude da transferência para a contribuinte do ônus de comprovar que os atos da Fiscalização são corretos. Reclama de cerceamento de defesa por falta de elementos comprobatórios das irregularidades, e realça que não teria levado em conta demais informes da contribuinte, como as DCTF e DACON, pelo que “o Auto de Infração padece de embasamento legal e Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 8 7 fático a lhe dar sustentação, além de claramente caracterizado o desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa e da Segurança Jurídica”. Quanto ao mérito, articula, em síntese, os seguintes argumentos de defesa; i) O Fisco cometeu equívoco na indicação das bases de cálculo dos tributos lançados, tendo sido ignorados, pela Autoridade Fiscal, os estornos e cancelamentos de vendas que ocorreram após a efetivação dos créditos nas contas da autuada, bem como “as correspondências que a Defendente recebe das administradoras de cartão de crédito e débito, solicitando cópia do comprovante de determinada venda e informando que o não envio do mesmo implica no débito do valor líquido da venda em seu domicílio bancário ou sua compensação com créditos futuros”; que “isso ocorre muitas vezes em caso de roubo ou clonagem de cartão de crédito/débito”, e que “caso a empresa não localize o comprovante de venda, o valor correspondente é debitado”, além de existir a cobrança, pelas Administradoras, de uma taxa de média de 2,5% aplicado sobre o valor das compras, motivo pelo qual este valor deve ser deduzido, “pois não faz parte do valor líquido que é recebido pelo contribuinte”. Em relação à movimentação bancária, afirma que não foram consideradas as transferências havidas entre contas da contribuinte, feitas através TED/DOC, que “depósitos bancários, por si só, não configuram renda” e que a doutrina e a jurisprudência são unânimes no sentido de que o lançamento do imposto de renda baseado exclusivamente em depósitos bancários, consiste em lançamento ilegítimo. Diz que o Fisco não provou os valores depositados na conta corrente da Recorrente configura renda e foram por esta consumidos, evidenciando sinais exteriores de riqueza, que o lançamento com base nos depósitos só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. . Reportase a jurisprudência do antigo Tribunal Federal de Recursos e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. , Alega que e a fiscalização agiu temerariamente e lavrou o auto de infração sem critério algum e embasada apenas em presunções, eis que simplesmente somou todos os depósitos realizados em suas contas, o que não deve prevalecer. Requer a conversão do julgamento em diligência, protesta pela juntada de laudo pericial. Afirma que a legislação vigente determina que, para que a autoridade administrativa possa atuar na forma prevista nos dispositivos legais, há necessidade de (i) haver sinais exteriores de riqueza; (ii) que estes sinais evidenciem a existência de renda auferida ou consumida; (iii) que pelo cotejo entre estes elementos e os declarados pelo contribuinte haja o arbitramento da renda cuja omissão está sendo presumida. Pondera que, uma vez que não auferiu nem consumiu a renda alegada pela autuação, nem teve aumento patrimonial incompatível com as receitas declaradas, é de se concluir que não ocorreu a obrigação tributária (artigo 114, CTN), e que, estando incorretas as bases de cálculo do IRPJ, PIS, CSLL, Cofins, o auto de infração é improcedente. Além de contestar a qualificação e o agravamento da multa, afirma que o auditor fiscal vício formal ao somar os percentuais de 150% e 50%, que deveriam resultar em 200%, e não 225%, como aplicado. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 9 8 Assevera que “ao contrário do que afirma o Fisco, a Defendente em nenhum momento deixou de declarar renda auferida e nunca teve o intuito de fraudar a lei, tendo jamais agido com dolo”. E que não se justificam as multas que lhe foram imputadas, porque a suposta omissão de receita foi apurada unicamente através de quebra de sigilo bancário, prova ilícita por ter sido obtida sem autorização judicial”. Insiste em que “em momento algum durante o procedimento fiscal, o Sr. Auditor Fiscal de Rendas analisou os livros registros de entrada e saída, de apuração do ICMS, o estoque inicial e final da Defendente, ou seja, não realizou um levantamento fiscal completo capaz de justificar e comprovar a autuação em tela, utilizando se apenas de prova ilícita, obtida sem autorização judicial, que por si só não demonstrou a suposta omissão de receita”. Acrescenta que “ainda que assim não fosse remanesce outro empecilho à exigência da multa isolada nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, qual seja, que o dispositivo legal em questão revestese de ilegalidade por contrariar dispositivos de legislação hierarquicamente superior, conforme já pacificou a 2ª Câmara do Conselho de Contribuinte”, (Transcreve ementa do Acórdão nº 10244112, de 22/02/2000 que trata de multa isolada aplicada em auto de infração de pessoa física). Requereu, afinal, (i) o acolhimento das preliminares, ou, caso entendido de forma diversa, (ii) a conversão do processo em diligência, “para sanar as irregularidades cometidas pelo Fisco”, protestando pela juntada de laudo pericial, caso negado o pedido de diligência, (iii) a procedência da impugnação em sua totalidade, declarando insubsistentes as autuações efetuadas. Os sujeitos passivos solidários apresentaram impugnações em 17/08/2011, nas quais reprisam as mesmas argumentações expendidas ao longo da contestação da autuada, pessoa jurídica, acrescentando, tão somente, seu entendimento no sentido de que a imputação da sujeição passiva solidária não se sustenta, tendo em vista, no seu dizer literal, que “a responsabilidade solidária está descrita no artigo 124, do Código Tributário Nacional e através de sua leitura é evidente não existir qualquer compatibilidade com a sujeição passiva solidária atribuída ao Defendente, eis que os sócios administradores do sujeito passivo não se enquadram em nenhum dos incisos existentes na referida norma”. Aduzem que o artigo 134 do CTN deve ser interpretado conjuntamente com o artigo 124, e expressou seu entendimento de que só existe solidariedade nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte Nakombi, o que não vem ao caso, já que o sujeito passivo é empresa constituída desde o ano de 1996 e possui sua situação cadastral “ATIVA” perante o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ)”. Afirmam que, não havendo um dos requisitos essenciais para caracterização da solidariedade, aos sócios não pode ser estendida obrigação do sujeito passivo principal, eis que este possui plena condição de garantir o débito”. Ressaltam que o § 1º do art. 134 do CTN prevê somente a aplicação das penalidades moratórias, argumentando que o responsável tributário somente seria atingido pelo atraso no pagamento do tributo e não pelas penalidades decorrentes da infração efetivamente praticada pelo contribuinte, ressalvada a hipótese de incidência de dolo do responsável tributário, que não foi o que ocorreu no caso em tela”. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 10 9 Requerem, por fim, “a decretação da nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra os administradores da autuada, “tendo em vista a incompatibilidade da regra prevista no artigo 124, c/c artigo 134, do Código Tributário Nacional e a realidade dos fatos”. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas manteve integralmente os lançamentos, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007 Provas e Documentos.Oportunidade para Apresentação. Nos termos da legislação em vigor, a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, oportunidade em que devem ser apresentadas, pela defesa, as provas e documentos que entender pertinentes. Diligência/Perícia.Prescindibilidade. A conversão do julgamento em diligência ou perícia só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador. Domicílio Eleito pelo Contribuinte. Notificação por Via Postal. Cabimento e Validade. Considerase recebida a correspondência fiscal enviada através de aviso postal, com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo próprio contribuinte e constante dos cadastros do Órgão Tributário, confirmado com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Impugnação. Tempestividade. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 11 10 A apresentação de impugnação depois de vencido o trintídio legal para sua consecução, configura intempestividade, e deve ser declarada a revelia, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar, como no caso dos autos. Considerando que os sujeitos passivos solidários eleitos pelo Fisco ofertaram impugnações tempestivas e que versaram sobre o mérito dos lançamentos, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aproveitará à autuada. Administradores. Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária Solidária. Correto o procedimento do Fisco em elaborar, contra os administradores do sujeito passivo, quando presentes os pressupostos legais do artigo 124 do CTN, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mormente quando comprovado nos autos o interesse comum dos arrolados, caracterizado este pelo procedimento contumaz de descumprir com as obrigações tributárias em nome da empresa NAKOMBI, mediante comportamento deliberado de manter o total da receita omitida nos anos calendário fiscalizados à margem de qualquer tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Decadência. Lançamento por Homologação. Inexistindo recolhimentos, não sendo os valores devidos declarados em DCTF e constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Constitucionalidade de Lei. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Prova. Extratos Bancários. Obtenção. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Multa de Lançamento de Ofício. Qualificação A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 12 11 ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, preenchimento das DIPJ dos períodos fiscalizados com valores zerados e descumprimento de outras obrigações acessórias, como não entrega de DCTF e DACON, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Multa Agravada. Cabimento Comprovado nos autos o reiterado procedimento da autuada em não atender às intimações lavradas pelo Fisco, omitindose completamente em relação às informações que deveria prestar e aos documentos que deveria disponibilizar, cabe o agravamento da multa de ofício qualificada lançada, aumentandoa em 50,00%, ou seja, elevandoa de 150,00% para 225,00%, nos termos do artigo 959, do RIR/1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Divergência entre a Receita Declarada na DIPJ e a Receita Apurada pelo Fisco na Comparação com as GIA/ICMS/SP Caracterizase como prova direta da omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo nas DIPJ, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual de São Paulo, quando do preenchimento das Guias de Informação e Apuração (GIA) do ICMS paulista, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal, sendo lícita a obtenção de tal prova por meio de celebração de convênio de cooperação fiscal entre as Fazendas Públicas. Omissão de Receitas. Divergência entre a Receita Declarada na DIPJ e a Receita Apurada pelo Fisco na Comparação com as Informações Prestadas pelas Operadoras de Cartões de Crédito nas DECRED Caracterizase como omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo na DIPJ, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas nas DECRED preenchidas e encaminhadas à Receita Federal pelas operadoras de cartões de crédito e que confirmam pagamentos Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 13 12 efetuados à autuada por vendas nesta modalidade, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, de que o titular, regularmente intimado não faça prova de sua origem, por documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. Arbitramento. Cabimento. A falta de escrituração do Livro Caixa e a sua consequente não apresentação ao Fisco durante o procedimento fiscal, impõe o arbitramento do lucro na forma do artigo 530, inciso III, do RIR/1999, computandose as receitas omitidas apuradas pela fiscalização na base de cálculo da tributação. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 30 de março de 2012, a pessoa jurídica ingressou com recuso em 25 de abril. As pessoas físicas ingressaram com recurso na mesma data, com o mesmo teor das impugnações. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recursos tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. Na sua peça recursal os interessados nada aduziram, além do trazido na impugnação, limitandose a reeditála. Nulidade das intimações Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 14 13 Não se sustenta a alegação de nulidade das notificações recebidas por pessoas não identificadas ou que não faz parte do seu quadro societário ou de funcionários. As intimações foram entregues no domicílio fiscal da contribuinte, assim entendido o postal por ela fornecido para fins cadastrais à administração tributária, rigorosamente de acordo com o que prevê o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, caput, inciso II, § 2º, inciso II e § 4º, inciso I. Além disso, a matéria é objeto da Súmula CARF nº 9, e o art. 72 do Regimento Interno estabelece que a súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF. Enuncia a súmula: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nulidade do auto de infração: violação ao Decreto nº 70.235/72. O contribuinte suscita nulidade do auto de infração por violação aos artigos 11 (não conter assinatura do Delegado da Receita Federal nem constar autorização, de ofício, da mesma autoridade, atribuindo poderes ao fiscal) 9º (não estar lastreado em laudos, planilhas e documentos indispensáveis à comprovação do ilícito) do Decreto nº 70.235/72. O art. 11 do Decreto nº 70.235/72 é impertinente, pois trata dos requisitos da notificação de lançamento, e não do auto de infração, estes previstos no art. 10. Os procedimentos de fiscalização que, quando constatada irregularidade, resultam em lavratura de auto de infração, são executados por servidor competente (auditor fiscal), por ordem formalizada em Mandado de Procedimento Fiscal. E, conforme registrado no Termo de Início, o procedimento fiscal amparouse no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0811300.2010.00393, Código de Acesso 1062690. A alegação de ausência de laudos, planilhas e documentos indispensáveis à comprovação do ilícito e a questão da inversão do ônus da prova inseremse no mérito, a ser enfrentado neste voto, oportunamente. Decadência A Recorrente suscita a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos antes de julho de 2006, alegando ter decorrido mais de cinco anos entre a data do fato gerador e a ciência do lançamento, em 20/07/2011. A questão da decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação encontrase pacificada na recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 15 14 constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Portanto, nos casos de tributos que, segundo sua legislação, sujeitamse a lançamento por homologação, o deslocamento do termo inicial para a regência do art. 173, I, do CTN dáse ante a ocorrência de uma das seguintes hipóteses: (a) se não tiver havido pagamento antecipado; (ii) se for o caso de dolo, fraude ou simulação. No presente caso não consta pagamento e, conforme registra o Termo de Verificação Fiscal, as declarações entregues pelo contribuinte encontramse com os valores “zerados” e não foram entregues DCTF com valores a pagar. Portanto, independentemente da constatação de fraude, dolo ou simulação, a decadência se rege pelo art. 173, I, do CTN, que determina como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse passo, quanto aos fatos geradores ocorridos até junho de 2006, o termo inicial é 1º de janeiro de 2007 e o termo final 31 de dezembro de 2011. Como os lançamentos foram cientificados ao contribuinte em julho de 2011, não estão eles alcançados pela decadência. Ilicitude das provas O contribuinte suscita ilegitimidade de obtenção de informações financeiras sem autorização judicial. A respeito, vale lembrar que este tribunal administrativo não tem competência para analisar questões relacionadas à constitucionalidade, cabendolhe, exclusivamente, julgar a legalidade do lançamento. E a requisição da movimentação financeira diretamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente de autorização judicial, encontra respaldo legal inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que excepciona da caracterização de violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos, entre outros, no artigo 6o, que autoriza o exame de registros referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras pelos agentes fiscais, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Mérito Quanto ao mérito, as razões declinadas pela Recorrente (depósito não constitui fato gerador de renda, e o fisco não provou que os depósitos são renda ou foram consumidos, etc.) representam, em síntese, seu inconformismo com a lei. Mas nesse foro só pode ser julgada a adequação do ato administrativo de lançamento à lei, não cabendo julgar a própria lei. Destaquese que não são os depósitos que são considerados fato gerador dos tributos, mas sim as receitas omitidas, apuradas pela fiscalização por presunção legal, a partir dos créditos em contas correntes de titularidade da Recorrente, cuja origem não foi comprovada. A jurisprudência (administrativa e judicial) e a Súmula 182 do TFR, invocadas pela Recorrente, são inaplicáveis, pois tratam de fatos ocorridos antes da edição da Lei nº 9.430/96, cujo artigo 42 instituiu a presunção legal relativa de omissão de receita para os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 16 15 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa nova norma, ocorrendo a hipótese nela prevista (não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados para créditos em conta de depósito ou de investimento de titularidade do contribuinte), a lei tem como indiretamente comprovada a omissão de receita, que autoriza o lançamento de todos os tributos em cuja base de cálculo influencie (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). O contribuinte só tem uma forma de elidir a presunção legal: mediante a apresentação da prova documental de que os valores creditados não têm origem em receita (mútuos, titularidade de terceiros, etc.) ou, se oriundos de receita, sejam não tributáveis ou já tenham sido tributados. Tendo a lei instituído a presunção legal, descabe determinar diligência/perícia para produzir a prova cujo ônus é do contribuinte. Os laudos, planilhas e documentos indispensáveis à comprovação do ilícito que lastreou os lançamentos constam dos autos, e são exatamente os extratos bancários, as planilhas com indicação dos depósitos e intimação para sua comprovação. Quanto ao dimensionamento da receita omitida, a Recorrente afirma que, em relação à movimentação bancária, não foram consideradas as transferências havidas entre contas de sua titularidade, feitas através TED/DOC, bem como, no que se refere aos cartões de crédito/débito, que alguns depósitos se referem a diversos estornos/cancelamento de vendas após a efetivação do crédito, fazendo referência a procedimento que ocorre quando o cartão é furtado ou clonado. Sobre as transferências entre contas de sua titularidade, a Recorrente não aponta, objetivamente, quais seriam as transferências desconsideradas, o que impede sua análise. No mais, entendo que o levantamento da receita omitida feito pela autoridade fiscal, merece pequenos reparos. Vejamos: A fiscalização, com base nos elementos por ela coligidos (extratos bancários, GIAs, informações recebidas de Administradoras de Cartões de Crédito, DIPJs constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal), elaborou uma planilha discriminando, em três colunas distintas, os valores correspondentes a receitas declaradas nas GIAs (Receita A), valores recebidos dos cartões de crédito (Receita B) e créditos em conta corrente (receita C) e tomou como receita bruta da empresa os somatórios dessas três colunas, conforme planilha de fls. 570, a seguir reproduzida: PA Receita declarada em GIA para o Estado Receita A Valores Recebidos de Adm. de Cartões de Crédito Receita B Créditos em Conta Corrente Receita C Total da Receita Omitida Jan/06 255.998,07 213.268,51 113.632,27 582.989,85 Fev/06 220.295,21 167.451,08 110.351,88 498.098,17 Mar/06 265.978,85 222.500,78 101.856,79 590.345,42 Abr/06 247.471,07 220.105,31 79.827,97 547.404,35 Mai/06 209.270,21 212.160,69 76.091,78 497.522,68 Jun/06 226.800,60 208.925,05 98.052,50 533.778,15 Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 17 16 Jul/06 253.856,63 202.705,79 237.639,51 694.201,93 Ago/06 278.840,92 217.550,29 173.656,22 670.047,43 Set/06 287.052,92 210.445,79 86.355,36 583.854,07 Out/06 291.332,12 244.127,07 88.944,70 624.403,89 Nov/06 290.319,00 226.597,16 148.943,62 665.859,78 Dez/06 287.805,36 223.281,51 220.331,10 731.417,98 Jan/07 290.003,19 242.283,65 74.752,27 607.039,11 Fev/07 249.739,74 205.862,57 40.704,34 496.306,65 Mar/07 314.852,97 213.455,73 63.008,17 591.316,87 Abr/07 282.000,91 244.795,48 46.096,39 572.892,78 Mai/07 280.637,27 237.490,08 37.849,46 555.976,81 Jun/07 282.074,12 209.674,49 37.388,13 529.136,74 Jul/07 264.481,54 232.104,93 200.520,38 697.106,85 Ago/76 309.649,96 220.557,12 30.624,24 560.831,32 Set/07 292.387,89 211.655,46 34.356,73 538.400,08 Out/07 304,257,18 237.208,44 34.921,03 576.386,65 Nov/07 275.485,21 236.178,43 51.890,20 563.553,84 Dez/07 277.036,41 201.053,58 111.323,19 589.413,18 TOTAL 6.537.627,37 6.261.438,99 2.299.127,23 14.098.193,58 Quanto aos valores da coluna intitulada Receita A, tratase de omissão de receitas apurada por prova direta, as GIAs, nada havendo a reparar. Quanto os valores constantes da coluna intitulada Receita C correspondem, efetivamente, a omissão de receitas apurada por presunção legal, eis que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nos créditos. Contudo, não há prova de que os valores da coluna B representem omissão de receitas passível de ser somada à das outras colunas. Neste caso, o ônus da prova é da fiscalização, pois não existe presunção legal que permita considerar que esses valores não se encontram alcançados pelas receitas declaradas nas GIAs. Assim dos valores de receita omitida apurados pela autoridade fiscal, devem ser excluídos os valores referentes a recebimentos de cartões de crédito (Receita B). No que se refere às multas, prevê a Lei nº 9.430/1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 18 17 Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007).” Antes de analisar a qualificação e o agravamento, observo que é equivocado o entendimento da Recorrente de que, para aplicar a qualificação e o agravamento, a autoridade deveria somar os percentuais de 150% e 50%, resultando em 200%, e não 225%. O agravamento consiste em aumentar em 50% o percentual. Ou seja, somar ao percentual (150%) metade desse percentual (75%), resultando no percentual de 225%. Portanto, a autoridade não se equivocou quando apurou o percentual da multa que entendeu aplicável. Passo à análise da qualificação e do agravamento. A multa aplicada foi qualificada, com a seguinte motivação: “O contribuinte declarou à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo receitas totais de R$ 3.115.020,97 em 2006 e R$ 3.422.606,39 em 2007 enquanto que para a Receita Federal do Brasil declarou zero”. Também recebeu pagamento por venda através de cartão de crédito os valores de R$ 2.569.119,03 em 2006 e R$ 2.692.319,96. Reiteradamente, durante os 24 meses dos anos calendários de 2006 e 2007 o contribuinte, contando com a possibilidade de não ser fiscalizado pela RFB, declarou valores completamente irreais, seja através da DIPJ, DACON ou DCTF. Com estas condutas, o contribuinte praticou atos (..) previstos (...) nos art. 71 e 72 da Lei nº 4502/1964, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Portanto, do que consta do TVF, temse que a caracterização da fraude, pela autoridade fiscal, teve como fundamento, exclusivamente, a constatação de omissão de receita. A Súmula CARF nº 14 enuncia: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 19 18 necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim entendo que não deva prosperar a qualificação da penalidade. Com relação ao agravamento da multa, o fato que o autoriza é o não atendimento, no prazo assinalado, para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos de escrituração digital e documentação técnica. No caso concreto, a contribuinte foi intimada a apresentar livros e documentos, arquivos digitais e a esclarecer a origem dos recursos utilizados nos depósitos/créditos nas instituições financeiras, e não atendeu a intimação. O não atendimento para a apresentação de livros, documentos e comprovantes, não se confunde com a prestação de esclarecimentos. Sua não apresentação implica a impossibilidade de apuração do lucro segundo os critérios do lucro real ou do lucro presumido, levando ao arbitramento, mas não caracteriza motivo para agravamento da penalidade. O não atendimento para a comprovação da origem de valores creditados em contas bancárias de titularidade da interessada implica a presunção legal de omissão de receitas, exatamente como veio a ocorrer no caso vertente, mas não justifica o agravamento da penalidade. Esse, inclusive, o entendimento (unânime) da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, manifestado no Acórdão 910100.1615, cuja ementa assenta: MULTA AGRAVADA NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS IMPOSSIBILIDADE Quando se intima o sujeito passivo a apresentar provas que a lei define como de responsabilidade dele e que se consubstanciam nos meios hábeis à conformação ou não da presunção, a não apresentação destas provas tem por única decorrência terse por verdade aquilo que a hipótese legal presume, não sendo suficiente para o agravamento da penalidade. Quanto aos arquivos digitais e documentação técnica (inciso II e III do § 2º do art. 44), a contribuinte foi intimada a apresentar arquivo SINTEGRA e arquivos digitais, caso mantida escrituração nesta forma. Não demonstrado que essa era a forma de escrituração mantida pela contribuinte, o não atendimento não autoriza o agravamento. Portanto, tenho como descabidos a qualificação e o agravamento, devendo a multas ser aplicada no seu percentual normal. Termos de sujeição passiva solidária. As pessoas físicas indicadas nos Termos de Sujeição Passiva Solidária contestam a indicação, afirmando que a solidariedade nos termos do art. 124 do CTN não condiz com a realidade dos fatos. Conforme já tive oportunidade de me expressar em outras oportunidades, o art. 124 do CTN, por si só, não se presta para definir quem é o sujeito passivo, mas apenas determina que, havendo pluralidade de pessoas na condição de sujeito passivo (contribuintes Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 20 19 e/ou responsáveis) de uma mesma obrigação tributária, são elas solidariamente obrigadas. O art. 125 trata dos efeitos da solidariedade. O aplicador da lei deve, antes, identificar a ocorrência do fato gerador e o sujeito passivo. Havendo mais de uma pessoa em condições de integrarem o polo passivo, ou na qualidade de contribuinte ou de responsável, aplicase o art. 124, que determina que todas são solidariamente obrigadas, e como a solidariedade (em princípio) não comporta benefício de ordem, o credor pode exigir o crédito de qualquer um deles. Assim, a imputação da responsabilidade aos sócios administradores deve ser feita a partir do enquadramento em uma das situações previstas nos artigos 129 a 138 do CTN, e só então atribuirlhes a coobrigação solidária. Esse também o entendimento do STJ, conforme decisão unânime da 1ª. Turma, no Ag RG nos EDcla no REsp 1177895/RS, de relatiria do Ministro Luiz Fux: “Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. (...) 1. O sujeito passivo da obrigação tributária, que compõe o critério pessoal inserto no conseqüente da regra matriz de incidência tributária, é a pessoa que juridicamente deve pagar a dívida tributária, seja sua ou de terceiro(s). 2. O artigo 121 do Codex Tributário, elenca o contribuinte e o responsável como sujeitos passivos da obrigação tributária principal, assentando a doutrina que: "Qualquer pessoa colocada por lei na qualidade de devedora da prestação tributária, será sujeito passivo, pouco importando o nome que lhe seja atribuído ou a sua situação de contribuinte ou responsável" (Bernardo Ribeiro de Moraes, in "Compêndio de Direito Tributário", 2º Volume, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2002, pág. 279). 3. O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN). 4. Em se tratando do responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto), não há liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN). Acerca do tema, há doutrina no sentido de que: "... qualquer pessoa obrigada ao pagamento de tributo de que não é o contribuinte de direito figura na condição de responsável tributário. Não vislumbramos qualquer distinção possível na figura do retentor que é, sim, responsável tributário por substituição." (Leandro Paulsen, in "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência", 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado e Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006, pág. 1.000). Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 21 20 5. A responsabilidade tributária por substituição ocorre quando um terceiro, na condição de sujeito passivo por especificação da lei, ostenta a integral responsabilidade pelo quantum devido a título de tributo. "Enquanto nas outras hipóteses permanece a responsabilidade supletiva do contribuinte, aqui o substituto absorve totalmente o debitum, assumindo, na plenitude, os deveres de sujeito passivo, quer os pertinentes à prestação patrimonial, quer os que dizem respeito aos expedientes de caráter instrumental, que a lei costuma chamar de 'obrigações acessórias'. Paralelamente, os direitos porventura advindos do nascimento da obrigação, ingressam no patrimônio jurídico do substituto, que poderá defender suas prerrogativas, administrativa ou judicialmente, formulando impugnações ou recursos, bem como deduzindo suas pretensões em juízo para, sobre elas, obter a prestação jurisdicional do Estado." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência", Ed. Saraiva, 4ª ed., 2006, São Paulo, págs. 158/177). 6. A responsabilidade tributária, quanto aos seus efeitos, pode ser solidária ou subsidiária (em havendo coobrigados) e pessoal (quando o contribuinte ou o responsável figura como único sujeito passivo responsável pelo recolhimento da exação). 7. Por oportuno, forçoso ressaltar que a solidariedade tributária não é forma de inclusão de terceiro na relação jurídica tributária, mas grau de responsabilidade dos co obrigados, sejam eles contribuintes ou contribuinte e responsável tributário, vale dizer: a responsabilidade de sujeitos passivos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si ou contribuinte e responsável) pode ser solidária ou subsidiária (notas de Mizabel Derzi na atualização da obra "Direito Tributário Brasileiro", de Aliomar Baleeiro, 11ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2000, pág. 729). 8. O artigo 124, do Codex Tributário, ao tratar da solidariedade na seara tributária, fixa que a mesma não comporta benefício de ordem (parágrafo único) quando se estabeleça entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e entre as pessoas expressamente designadas por lei (inciso II), o que importa em evidente tautologia, uma vez que a inaplicabilidade do beneficium excussionis decorre da essência do instituto em tela. 9. Deveras, na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu polo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável). Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem in totum et totaliter pela dívida integral. (...)”(negritos acrescentados) Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 22 21 Também no julgamento do RE 562.276, a Ministra Relatora Ellen Grace se posiciona no mesmo sentido, reproduzindo doutrina de Misabel Derzi: “Esclarecedora, no ponto, a lição de Misabel Abreu Machado Derzi em nota de atualização à obra do Ministro Aliomar Baleeiro, Direito Tributário brasileiro, 11ª Ed., Rio de Janeiro, Forens, p.729: 4. A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias . Quando houver mais de um obrigado no polo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o polo passivo." Aqui destaco que o Termo de Sujeição Passiva Solidária não fica invalidado pelo fato de a autoridade fiscal ter se limitado a citar o art. 124, I, sem indicar o dispositivo que induz à responsabilização. Como é pacífica a jurisprudência do CARF, erro ou omissão na indicação do dispositivo legal não SÃO relevantes, desde que bem descrita a situação que levou á imputação. A imputação de sujeição passiva solidária está assim motivada: “(...) no curso da ação fiscal no sujeito passivo, foi constatado que os sócios administradores da empresa, nos anos calendário de 2006 e 2007 declararam, em nome da empresa, à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo receitas totais (....) enquanto que para a Receita Federal do Brasil declararam em DIPJ valores zerados. Além disso, as administradoras de cartão de crédito declararam..(...) Reiteradamente, durante os 24 meses do anocalendário de 2006 e 2007 o contribuinte, contando com a possibilidade de não ser fiscalizado pela RFB, declarou valores completamente irreais, seja através da DIPJ, DACON ou DCTF. Com estas condutas, o contribuinte praticou atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária (...). Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional).” Dos fatos descritos se dessume que a autoridade fiscal, embora não tenha mencionado expressamente o dispositivo legal, imputou responsabilidade aos sócios com base no art. 135 do CTN, que atribui responsabilidade pessoal aos sócios e aos gerentes, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 23 22 poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vêse que o autuante atribui a responsabilização aos sócios por eles terem declarado, em nome da empresa valores zerados de receitas, enquanto para o Estado declararam valores elevados. A decisão de primeira instância entendeu correta a atribuição de responsabilidade solidária, em razão do procedimento contumaz de descumprimento das obrigações tributárias da Nakombi, conforme se verifica da ementa: Administradores. Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária Solidária. Correto o procedimento do Fisco em elaborar, contra os administradores do sujeito passivo, quando presentes os pressupostos legais do artigo 124 do CTN, o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mormente quando comprovado nos autos o interesse comum dos arrolados, caracterizado este pelo procedimento contumaz de descumprir com as obrigações tributárias em nome da empresa NAKOMBI, mediante comportamento deliberado de manter o total da receita omitida nos anos calendário. No mesmo voto proferido no julgamento do RE 562.276, a Ministra Relatora Ellen Grace elucida: “O pressuposto de fato ou hipótese de incidência da norma de responsabilidade, no art. 135, III, do CTN, é a prática de atos, por quem esteja na gestão ou representação da sociedade, com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos e que tenham implicado, se não o surgimento, ao menos o inadimplemento de obrigações tributárias. A contrario sensu, extraise o dever formal implícito cujo descumprimento implica a responsabilidade, qual seja o dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolar dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça há muito vem destacando que tais ilícitos, passíveis de serem praticados pelos sócios com poderes de gestão, não se confundem com o simples inadimplemento de tributos por força do risco do negócio, ou seja, com o atraso no pagamento dos tributos (...)” Os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, ao meu sentir, não permitem caracterizar o descumprimento, por parte dos sócios, do dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolar dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias, tal como definido pela Ministra Ellen Grace, razão porque, entendo, não há como manter a responsabilização. Pelas razões expostas, dou provimento parcial aos recursos para excluir do montante das receitas omitidas, as relacionadas pela autoridade fiscal como informadas pelas Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 24 23 administradoras de cartões de crédito e reduzir a multa a 75%, bem como, excluir a solidariedade tributária dos sócios. É como voto. Sala das Sessões, 08 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães – Redator Designado Em que pese a argumentação expendida pelo Ilustre Relator em seu pronunciamento, o Colegiado decidiu de forma diversa, relativamente à qualificação da multa, o agravamento dessa mesma penalidade e a responsabilidade solidária imputada aos sócios por parte da autoridade fiscal. QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO De início, reputo correto a rejeição consignada pelo Ilustre Relator em relação ao entendimento declinado na peça recursal acerca dos percentuais da multa aplicada. Nesse sentido, integro ao presente pronunciamento o seguinte excerto do voto vencido: Antes de analisar a qualificação e o agravamento, observo que é equivocado o entendimento da Recorrente de que, para aplicar a qualificação e o agravamento, a autoridade deveria somar os percentuais de 150% e 50%, resultando em 200%, e não 225%. O agravamento consiste em aumentar em 50% o percentual. Ou seja, somar ao percentual (150%) metade desse percentual (75%), resultando no percentual de 225%. Portanto, a autoridade não se equivocou quando apurou o percentual da multa que entendeu aplicável. Para o ilustre conselheiro relator, a exasperação da penalidade não poderia subsistir haja vista o disposto na súmula CARF nº 14, cujo enunciado reproduzo abaixo. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Entretanto, para o Colegiado, a situação retratada nos autos não é exatamente essa, isto é, não estamos diante de uma “simples” apuração de omissão de receitas. Com efeito, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 566/573, a fiscalizada, embora tenha informado à Receita Federal que não auferiu receita nos anos de 2006 e de 2007 (declarou receita “ZERO”), ao Fisco estadual declarou receitas totais de R$ 3.115.020,97 em 2006, e de R$ 3.422.606,39 em 2007. À evidência, nessa circunstância, não estamos diante de uma “simples omissão de receitas”, mas, sim, de fato que reflete a intenção deliberada da autuada de agir no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco das suas condições pessoais, mascarando a sua verdadeira capacidade contributiva e, com isso, evitando a incidência tributária. A conduta, aos olhos do Colegiado, amoldase, por completo, às disposições do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, norma legal autorizadora da qualificação empreendida pela autoridade fiscal. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 26 25 Procedente, pois, para o Colegiado, a qualificação da multa de ofício. No que diz respeito ao agravamento, o entendimento esposado pelo relator original é dirigido no sentido de que ele, o agravamento, só está autorizado na situação em que o contribuinte não atende a intimação, no prazo estabelecido, para prestar esclarecimentos ou apresentar arquivos de escrituração digital e documentação técnica, circunstâncias não vislumbradas nos autos, vez que as intimações visaram a obtenção de livros, documentos, arquivos digitais e a esclarecer a origem dos créditos bancários. Entretanto, o que as peças reunidas ao processo retratam é o seguinte: a) em 29 de novembro de 2010, a Fiscalização, por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03), intimou a contribuinte apresentar livros, extratos bancários e arquivos digitais; b) em 12 de janeiro de 2011, a contribuinte foi cientificada de Termo de Intimação (fls. 298/351), por meio do qual a Fiscalização a reintimou a apresentar a documentação requisitada em 29 de novembro de 2010 e a intimou a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias e a apresentar declarações entregues ao Fisco estadual; c) reintimações foram formalizadas em 21 de março de 2011 (fls. 352/409) e 08 de junho de 2011 (fls. 410/468); d) em 28 de junho de 2011, a contribuinte foi intimada a apresentar cópia do último Balanço Patrimonial e relação dos bens que integravam o seu ativo permanente (fls. 469/470). Não obstante esse conjunto de intimações, nenhuma, absolutamente nenhuma resposta foi apresentada pela autuada. Embora entenda que a conduta da contribuinte de simplesmente não se manifestar acerca das solicitações formalizadas pela autoridade, por si só, já daria azo ao agravamento da penalidade, penso que o fato de a fiscalizada não responder à intimação para apresentar os arquivos digitais torna inafastável a sanção em referência. O parágrafo 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece: ... § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Ora, no presente caso, a contribuinte foi intimada a apresentar os arquivos digitais e a documentação técnica (incisos II e III acima) e nada respondeu. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 27 26 À evidência, diferentemente do sustentado pelo Ilustre o Relator, não caberia à Fiscalização demonstrar a forma como era mantida a escrituração por parte da fiscalizada, mas, sim, a ela, a fiscalizada, em respeito à autoridade fiscal, ou apresentar os arquivos e documentação requisitados, ou prestar esclarecimentos acerca da eventual não apresentação. Tenho que, no caso, seja em virtude do disposto no inciso I do parágrafo 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seja em razão do estabelecido nos inciso ii e iii da referida norma, a conduta adotada pela autuada autoriza o agravamento da penalidade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O Ilustre Relator, em fundamentada exposição, declina entendimento no sentido de que os autos não reúnem elementos capazes de tornar subsistente a imputação de responsabilidade promovida pela autoridade fiscal. Em apertada síntese, tal entendimento está amparado nos seguintes aspectos: a) o art. 124 do CTN, por si só, não se presta para definir quem é sujeito passivo; e b) os fatos descritos pela autoridade fiscal não permitem caracterizar o descumprimento, por parte dos sócios do dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolar dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias. No que diz respeito ao item “a” acima, alinhome ao entendimento do relator de que, de fato, o art. 124 não se presta para definir quem é sujeito passivo, eis que isso é feito pelo art. 121 do mesmo diploma. O art. 124 do Código Tributário Nacional, abaixo reproduzido, cuida na verdade de estabelecer que, na circunstância em que haja multiplicidade de sujeitos passivos concorrendo na mesma obrigação tributária, eles serão solidariamente obrigados. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Penso também, na linha do esposado no voto vencido, que a imputação de responsabilidade tributária não fica invalidada pelo fato de a autoridade fiscal não ter sido precisa na indicação do dispositivo legal autorizador de tal providência. Não obstante, retornando à questão da aplicação do art. 124 do CTN, entendo que o inciso I do referido dispositivo diz respeito à solidariedade das pessoas que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação, isto é, dos contribuintes; enquanto o inciso II está relacionado aos responsáveis, ou seja, àqueles que, sem revestir a condição de contribuinte, são obrigados em decorrência de disposição expressa da lei. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10882.721782/201151 Acórdão n.º 1301001.456 S1C3T1 Fl. 28 27 Analisando a imputação feita pela Fiscalização, observo que, no presente caso, diferentemente do sustentado pelo Ilustre Conselheiro Relator, não houve a intenção de se imputar “responsabilidade” tributária, mas, sim, sujeição passiva solidária, isto é, para a autoridade autuante, os sócios da fiscalizada, Srs. PAULO SÉRGIO BAROSSI e FRANCISCO GIAFONNE NETO, por serem, conjunta ou isoladamente, responsáveis pela gerência e administração da fiscalizada, participaram diretamente dos fatos motivadores da subtração de receitas à tributação, atraindo, assim, relação pessoal e direta com a situação que constituiu fato gerador da obrigação (auferimento de receitas). A questão, pois, dirigese no sentido de se averiguar se, de fato, encontramse reunidos nos autos elementos capazes de criar a convicção de que os Srs. PAULO SÉRGIO BAROSSI e FRANCISCO GIAFONNE NETO efetivamente atuaram no sentido de concorrer para evitar a incidência tributária. Penso que não se pode conceber que os referidos sócios da pessoa jurídica fiscalizada, apontados no instrumento contratual como responsáveis pela gerência e administração da sociedade, simplesmente não tivessem qualquer conhecimento acerca da apresentação de declarações à Receita Federal absolutamente “zeradas” e sobre o fato de que nenhum tributo ou contribuição estava sendo recolhido. A atitude dos referidos sócios de se manterem em silêncio em todo o curso do procedimento de fiscalização e de só comparecer ao processo a partir da instauração da sua fase litigiosa, denota estratégia no sentido de fazer crer que os fatos apurados não eram de conhecimento deles, hipótese que, com a devida venia, revelase absurda, mormente quando se olha para a natureza da atividade econômica explorada pela pessoa jurídica (COMERCIO DE BAR E LANCHES), que, em regra, exige, para o sucesso do empreendimento, envolvimento direto dos titulares do capital empregado. Cumpre registrar que ainda que se analise a questão na linha do argumentado no voto vencido, isto é, que, no caso, houve imputação de responsabilidade tributária com suporte nas disposições do art. 135 do CTN, os elementos carreados ao processo, na visão do Colegiado, autorizariam a inclusão dos Srs. PAULO SÉRGIO BAROSSI e FRANCISCO GIAFONNE NETO no pólo passivo da obrigação, vez que patente a atuação dos referidos administradores no sentido de impedir, ou ao menos retardar, a incidência tributária, o que, à evidência, retrata conduta contrária à lei. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Redator Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10580.721979/2008-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000-103
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 428.045,77, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721979/200899 Resolução n.º 2801000.103 S2TE01 Fl. 280 2 sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Uma parte destes rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Tais diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Uma segunda parcela dos rendimentos classificados indevidamente pelo contribuinte como isentos ou não tributáveis foram recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.000070074, onde se pretendia a isenção do imposto sobre a integralidade dos proventos de aposentadoria recebidos pelos maiores de 65 anos. A segurança concedida foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região em 16/04/2002, e transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação parcial, contestando apenas a infração relativa à diferença de URV. Foi, alegado, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, aexigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721979/200899 Resolução n.º 2801000.103 S2TE01 Fl. 281 3 exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal e reiterou a impugnação já apresentada. Alegou, ainda, que nos anos de 1994 e 1998, as alíquotas do imposto de renda que vigoravam eram de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas na planilha elaborada na diligência fiscal.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Doravante, o contribuinte apresenta recurso voluntários almejando a reforma da decisão de primeira instância, consoante os mesmos argumentos suscitados por ocasião da impugnação. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721979/200899 Resolução n.º 2801000.103 S2TE01 Fl. 282 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2008, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente nos anoscalendários 2004, 2005 e 2006. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721979/200899 Resolução n.º 2801000.103 S2TE01 Fl. 283 5 apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
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Numero do processo: 19515.005553/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO PRECLUSO.
Não havendo interposição de recurso nos prazos legais, a oportunidade resta preclusa.
Numero da decisão: 2403-002.626
Decisão: Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO PRECLUSO. Não havendo interposição de recurso nos prazos legais, a oportunidade resta preclusa.
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decisao_txt : Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005553/200923 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2403002.626 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RODOVIÁRIO RAMOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO PRECLUSO. Não havendo interposição de recurso nos prazos legais, a oportunidade resta preclusa. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 55 53 /2 00 9- 23 Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI – DEBCAD nº 37.239.6240) lavrado contra a empresa acima identificada referente às seguintes contribuições devidas à Seguridade Social: (a) quota patronal (20,0%), incluídas nos levantamentos DEM e Z1, e (b) contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT, incluídas nos levantamentos DST e Z3, ambas incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados. O crédito tributário abrange as contribuições devidas nas competências 01/2004 a 12/2005, consolidado em 01/12/2009, do qual foi dado ciência ao Sujeito Passivo em 09/12/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração (fls. 2). De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 77/86), ao ser examinada a contabilidade da empresa, as folhas de pagamento e o restante da documentação apresentada para o período de 01/2004 a 12/2005, constatouse a existência de divergência entre os valores declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS eInformações para a Previdência Social – e os valores constantes das folhas de pagamentos de várias competências em diversas filiais. Na mesma ação fiscal foram lavrados os seguintes documentos: Autos de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD n° 37.239.6291 (contribuições dos segurados empregados); n° 37.239.6240 (contribuições da empresa – quota patronal (20,0%) e GIILRAT – incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados); n° 37.239.6275 (contribuições destinadas aos Terceiros – SEST, SENAT, SEBRAE, INCRA e FNDE – incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados); n° 37.239.6259 (contribuições da empresa – quota patronal (20,0%) – incidente sobre a remuneração paga a segurados contribuintes individuais); n° 37.239.6267 (contribuições dos segurados contribuintes individuais); n° 37.239.6283 (contribuições destinadas aos Terceiros – SEST e SENAT incidentes sobre a remuneração paga a contribuintes individuais). Auto de Infração de Obrigações Acessórias (AIOA) DEBCAD n° 37.239.6127 (descumprimento de obrigação acessória de apresentar GFIP com as informações referentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias – CFL 68);n° 37.239.6135 (por ter apresentado arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras com omissão ou incorreção – CFL 22); n° 37.239.6143 (descumprimento de obrigação acessória de apresentar as folhas de pagamentos referentes aos segurados contribuintes individuais –CFL 30); n° 37.239.6224 (descumprimento de obrigação acessória de prestar à fiscalização todas as informações necessárias ao desenvolvimento da ação fiscal – CFL 35); n° 37.239.6233 (descumprimento de obrigação acessória de arrecadar as contribuições previdenciária devida pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços – CFL 59) IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar (fls. 678) a empresa impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 192/308, com a juntada de documentos de fls. 309/677 (cópia de Alteração e Consolidação de Contrato Social; Procuração “ad judicia et extra”; cópia da NFLD nº 35.786.3879; cópia de GFIP/SEFIP da competência 12/2004) Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005553/200923 Acórdão n.º 2403002.626 S2C4T3 Fl. 3 3 DILIGÊNCIA FISCAL Considerando as alegações apresentadas pelo contribuinte em sua Impugnação, esta 13ª Turma de Julgamento solicitou a realização de diligência fiscal, por meio do Despacho nº 58/2010 (fls. 679/683), para que fossem prestados esclarecimentos necessários ao julgamento, em especial, a verificação de ocorrência de possível lançamento em duplicidade das contribuições devidas nas competências 01/2004 a 13/2004. MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Cientificado em 06/04/2011 do resultado da diligência fiscal (fls. 696), o contribuinte apresentou Manifestação (fls. 700/703) NOVA DILIGÊNCIA FISCAL 6. Considerando que a diligência fiscal deixou de emitir parecer conclusivo sobre os questionamento formulados no Despacho n° 58/2010 (fls. 679/383), esta 13ª Turma de Julgamento reiterou, por meio dos Despachos nº 34/2011 (fls. 708/712) e 22/2012 (fls. 721/722), os termos da diligência anteriormente solicitada NOVA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Cientificado em 29/04/2012 do resultado da diligência fiscal (fls. 759), o contribuinte apresentou Manifestação (fls. 763/765 a Impugnante registrou que reitera, in totum, os termos da Impugnação já protocolada em 07/01/2010. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E DO RECURSO DE OFÍCIO Às fls. 674 , em 11 de abril de 2013, os membros da 13ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1 , por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação RECORRENDO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais . DO RECURSO VOLUNTÁRIO Às fls. 856, na forma do documento abaixo transcrito, em razão de não ter sido localizada no, intimada por edital n 011052051300351, em 21/06/2013, prazo 06/07/2013, NÃO APRESENTOU RECURSO VOLUNTÁRIO: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SCRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB PROCESSO/PROCEDIMENTO: 19515.005553/200923 INTERESSADO: RODOVIÁRIO RAMOS LTDA Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DESTINATÁRIO: RODOVIÁRIO RAMOS LTDA EDITAL No: 11052051300351 Pelo presente EDITAL, nos termos do art. 23, § 1°, do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, por não ter sido localizado no domicílio fiscal fornecido à Secretaria da Receita Federal, fica o contribuinte acima identificado intimado a comparecer nesta unidade para tomar ciência dos documentos abaixo relacionados: Intimação de Resultado de Julgamento Acórdão de Impugnação Não havendo comparecimento do contribuinte à repartição, será considerado devidamente cientificado dos documentos acima relacionados no 15o.(décimo quinto) dia após a data de afixação deste edital, devendo tomar as providências legalmente pertinentes dentro do prazo abaixo indicado: Prazo para providências(dias) : 30 Data de afixação do Edital : 21/06/2013 Data de desafixação do Edital : 06/07/2013 DATA DE EMISSÃO : 14/07/2013 Realizar Ciência ” É o Relatório. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.005553/200923 Acórdão n.º 2403002.626 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DO RECURSO DE OFÍCIO A Impugnação, suscitou duvidas que motivaram a realização de diligências fiscais cujos esclarecimentos apresentados pela Autoridade Fiscal ensejaram a retificação do crédito tributário nos termos do Discriminativo Analítico de Débito Retificado (DADR), anexado às fls. 769/826 no valor de R$ 1.178.376,47 que mantido pela instância a quo suscitaram o Recurso de Ofício. Analisei o voto de primeira instância e tendo corroborado os argumentos , acompanho aquela decisão. CONCLUSÃO Conheço do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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