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Numero do processo: 10783.902124/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. INDÉBITO EXISTENTE NA DATA DO RECOLHIMENTO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 84.
Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84.
Numero da decisão: 1201-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o voto do relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. INDÉBITO EXISTENTE NA DATA DO RECOLHIMENTO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 84. Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84.
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PAGAMENTO A MAIOR. INDÉBITO EXISTENTE NA DATA DO RECOLHIMENTO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 84. Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o voto do relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 21 24 /2 00 9- 61 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo sobre PER/DCOMP. A DRF/VIT, através do Despacho Decisório n° 824.976.432 (fi. 11), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 12206.31795.280605.1.3.049877, transmitido em 28/06/2005. A referida decisão contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O contribuinte apresentou em 30/04/2009, manifestação de inconformidade (fls. 1/8). Nesta peça, alega, em síntese, que: a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do débito constante do despacho decisório; efetuou recolhimento indevido, que utilizou para compensar o aludido débito. Decisão da DRJ Em decisão de 04/08/11 (fls. 107) a 1°Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade e manteve o Despacho Decisório n° 824.976.432. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seus argumentos de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10783.902124/200961 Acórdão n.º 1201002.602 S1C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissbilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito O Recorrente pretendeu extinguir débito tributário informando um crédito referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que segundo o entendimento dos julgadores da DRJ é vedado pelo art. 10 da IN SRF no 600/2005 (vedação que já constava do art. 10 da 1N SRF n° 460/2004), citado no enquadramento legal do Despacho Decisório. Devo discordar da posição dos ilustres julgadores de 1° instância. Isso porque, entendo que os valores a título de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento. Aliás, essa é a inteligência da Súmula CARF n°84 que assim dispõe: Súmula CARF nº 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesse contexto, verificase que a decisão recorrida deve ser reformada, uma vez que foi motivada em entendimento já superado. Conforme visto, restou assentado que a indicação de direito creditório decorrente da estimativa em si, ao contrário do que afirma o despacho decisório, pode sim gerar indébito passível de restituição ou compensação. Não obstante, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 186DF CARF MF 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Assim, uma vez afastado o fundamento que não homologou o pleito da contribuinte, e a até mesmo para não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do montante do crédito que foi requerido. Caso a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), e este saldo não fora utilizado em outros pedidos, a compensação deverá ser homologada no limite do crédito que assim for reconhecido. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no MÉRITO DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para para afastar o fundamento da negativa da DCOMP, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653324/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool. NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.653324/201614 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.231 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria PIS. INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 24 /2 01 6- 14 Fl. 608DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator (assinado digitalmente) Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 3 3 Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 1º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente Processo Administrativo Fiscal da análise do crédito demonstrado no PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 39443.51884.310114.1.1.113763 referente a COFINS Não Cumulativa Mercado Interno, 1º Trimestre de 2013, transmitido em 31/01/2014. Cabe observar que tal PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito possui Declarações de Compensação (DCOMP) a ele vinculadas. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada neste interessado a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo da DRF/Jundiaí, com emissão de Autos de Infração lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos, gerando o Processo Administrativo Fiscal nº 19311.720238/201645, impugnado pelo interessado e já julgado por esta 16ª Turma de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão nº 1293.315 em 30 de outubro de 2017 por esta Turma de Julgamento. Naquele processo, em procedimento de fiscalização, a DRF/Jundiaí não aceitou, na apuração da empresa, a tomada de crédito sobre diversos gastos que entende não serem passíveis de creditamento. O entendimento da DRF/Jundiaí resultou em glosas nos créditos, que resultaram menores que os calculados e informados pela empresa em seus DACON e EFD Contribuições. Então, ainda naquele procedimento de fiscalização executado pela DRF/Jundiaí, os créditos reapurados de ofício após as glosas sofridas foram rateados conforme as suas formas passíveis de utilização. As parcelas desses créditos passíveis de serem utilizados somente para deduções das contribuições, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno” e os “Créditos Presumidos da Agroindústria” foram utilizados para a dedução do valor das Contribuições Apuradas pelo interessado, resultando, para maioria dos meses, em Fl. 610DF CARF MF 4 Contribuições a Pagar lançadas em Autos de Infração de PIS e COFINS com multa e juros. Já as parcelas desses mesmos créditos, reapurados de ofício pela DRF/Jundiaí, que são passíveis de ressarcimento/compensação, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita de Exportação” e os “Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, tiveram apenas os seus valores indicados para serem utilizados em procedimentos específicos de análise de PER/DCOMP por parte da DRF/Bauru. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal dos Autos de Infração da DRF/Jundiaí, sob o TDPF n° 0816500.2015.01044 : "10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP. " Neste presente processo é tratado o procedimento específico de análise do pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/PASEP vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013. No procedimento deste presente processo, e nos demais procedimentos conexos, a DRF/Bauru subtraiu do pedido de ressarcimento/compensação do interessado, os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí. Os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí são os valores das “Glosas de Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, detalhadas mensalmente em linhas da planilha denominada “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verifical Fiscal” às fls 906 a 925 do processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645, originado a partir da sua já citada ação fiscal comandada pelo TDPF n° 0816500.2015.01044. Assim, para esse período e tipo de crédito, do Valor de Crédito Pedido pelo interessado de R$ 894.706,30, a DRF/Bauru subtraiu o valor de glosa determinado pela DRF/Jundiaí no valor de R$ 587.456,11 e chegou ao Valor de Crédito Cofirmado no valor de R$ 307.250,19. O interessado se insurge através de Manifestação de Inconformidade, tempestiva, na qual pede o julgamento em conjunto desta Manifestação de Inconformidade com outras defesas apresentadas em Processos Administrativos conexos, oriundos do mesmo “TDPF” nº 0816500.2015.01044, manejado pela Fiscalização da DRF/Jundiaí, eis que conexos, uma vez que possuem idênticos: (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios / conceito de insumos para crédito de “PIS” e “COFINS” / depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas Contribuições Sociais. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 4 5 (omissis) Dessa forma, com base nos artigos 55, parágrafos 1º e 3º, 56 e 58, do Código de Processo Civil, e supedâneo no artigo 15, do mesmo Código e com o objetivo de evitar decisões conflitantes, bem como facilitar o trâmite processual e organização do julgamento desta “DRJ”, requer o processamento e julgamento da presente Manifestação de Inconformidade com as defesas dos demais Processos Administrativos acima indicados. O interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também apresenta síntese dos fatos. Reafirma que o presente processo que trata da negativa de reconhecimento integral do direito creditório que pleiteia decorre do resultado da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. E que o próprio Termo de Verificação Fiscal – “TVF” do Despacho Decisório deste período, emitido pela DRF/Bauru, adota os termos e os montantes deferidos e indeferidos indicados no Termo de Verificação Fiscal da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. Entretanto, o interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também alega que haveria diversas diferenças técnicas entre o procedimento de lançamento e constituição do crédito tributário por meio de Auto de Infração, como executado pela DRF/Jundiaí, e os procedimentos de cobrança de valores devidos decorrente das não homologações de Pedidos de Ressarcimento/Compensação, executados pela DRF/Bauru. E, mais adiante, em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado repete as alegações de preliminar e de mérito que trouxe aos autos da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí, sob o processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645 e requer a homologação integral do direito creditório originalmente pleiteado. A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 1293.796, de 22/11//2017 (fls. 416 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 JULGAMENTO EM CONJUNTO Devem ser julgados em conjunto processos conexos que possuem idênticos quadro fático e discussão de direito, e pedido e causa de pedir. APURAÇÃO DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. GLOSAS. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Fl. 612DF CARF MF 6 Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 433 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 5 7 Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para Fl. 614DF CARF MF 8 determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 6 9 Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins Fl. 616DF CARF MF 10 sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 7 11 acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação Fl. 618DF CARF MF 12 comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 8 13 Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Fl. 620DF CARF MF 14 Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 9 15 Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Fl. 622DF CARF MF 16 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 10 17 IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, Fl. 624DF CARF MF 18 art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 11 19 Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, Fl. 626DF CARF MF 20 parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 12 21 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 628DF CARF MF 22 Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 13 23 b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 630DF CARF MF 24 Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 14 25 Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; Fl. 632DF CARF MF 26 (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 634DF CARF MF 28 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.902381/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da nãohomologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 81 /2 01 2- 59 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02 053.101proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente. A contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER, de PIS, que foi parcialmente reconhecido após auditoria realizada pela unidade de origem da RFB. Irresignada com o reconhecimento apenas parcial de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em sede preliminar, nulidade do MPF por falha em sua prorrogação, e no mérito, a efetiva existência do direito creditório. O Colegiado a quo julgou parcialmente procedente a manifestação interposta, nos termos da decisão supracitada. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora em análise, pugnando pela reforma da decisão de primeira instância na parte vencida, o que fez com fundamento especificamente quanto às seguintes matérias: PRELIMINARMENTE – Nulidade do procedimento fiscal efetuado, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal tinha validade até 27/12/2011, enquanto a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência se deu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal, por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. E, por conseqüência, os atos posteriores ao MPF “viciado”, como o Relatório Fiscal e também o Despacho Decisório. NO MÉRITO: DO EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, uma vez que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição de insumos para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 3 aeronáutica e foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Como a aquisição dos insumos incorreu normalmente em tributação do PIS e da Cofins, a contribuinte entende serem passível de creditamento as respectivas contribuições. Aplica se a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 da Receita Federal do Brasil; DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, subsidiariamente, que seu aproveitamento então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias para aproveitamento de créditos presumidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.673, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.901477/201381, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.673): "PRESSUPOSTOS LEGAIS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tinha validade até 27/12/2011, sendo que a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência ocorreu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. Por conseqüência, o Relatório Fiscal e o Despacho Decisório igualmente estariam viciados, ensejando em nulidade. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 4 Sem razão. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou subsequentes renovações não torna nulo o lançamento. As hipóteses de nulidade do lançamento estão consignadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, as quais não restaram caracterizadas no presente caso. Com iso, está correta a decisão de primeira instância ao concluir que: "O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é um mero instrumento da Administração Fiscal para gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, servindo também para notificar o contribuinte que está sendo fiscalizado por autoridade regularmente constituída, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento, implicando, em essência, que não atingem a competência impositiva e vinculada dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. A competência para o lançamento dos Agentes Fiscais da Receita Federal está definida em Lei (art. 142 do CTN c/c o art. 6º, I, “a”, da Lei nº 10.593/2002), não podendo eventuais infrações a dispositivos de controle do procedimento fiscal, criados por atos infralegais, como o MPF, inquinar de nulidade o próprio lançamento, pois, no máximo, se poderia questionar a conduta das autoridades fiscais, se fosse o caso, no terreno disciplinar. Dessa forma, a imputação do poder dever do lançamento às autoridades fiscais federais está definida em lei, e, como tal, somente a violação de procedimentos definidos em lei poderia inquinar de nulidade o lançamento. (...) No caso desse auto, como se pode ver na tela às fls. 134/135, obtida na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), a partir do código de acesso disponível no Termo de Início de Fiscalização, sequer se pode falar em irregularidade formal nas prorrogações do MPF, pois este foi prorrogado validamente pela autoridade, em 29/08/2011, não tendo expirado por decurso de prazo. Atentese que a autoridade fiscal não está obrigada a notificar o contribuinte a cada prorrogação do MPF, dentro do prazo de validade deste, pois quem está obrigado a cumprir o prazo de prorrogação é o Delegado da Receita Federal do Brasil, este que deve prorrogálo dentro do prazo, sob pena dele expirar. E, no caso destes autos, o MPF foi validamente prorrogado, lembrando que a ciência do mandado (e de suas prorrogações), por parte do contribuinte, deve ser feita via internet, como se vê no art. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 5 4º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 3.014/2011, ou seja, não há que se falar em irregularidade por eventual notificação fora do prazo de MPF regularmente prorrogado. No mesmo sentido vem decidindo este Colegiado, concluindo que eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte, como ocorre neste litígio, uma vez que a Recorrente demonstrou em manifestação de inconformidade o domínio sobre todas as matérias que embasam a autuação. Precedentes: Acórdão 3402004.7561 e Acórdão 3402 0029092. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, iimporta renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Não Conhecido. 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. ESTOQUE DE ABERTURA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS e do PIS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência da COFINS, de acordo com a Lei nº 10.833/2003, art. 12 e do PIS, nos estoques de abertura existentes em 1º de dezembro de 2002, de acordo com o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. COFINS E PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. IRREGULARIDADES.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente. Recurso Voluntário Negado Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 6 Por tais razões, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. MÉRITO SOBRE O EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, alega a Recorrente que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição dos insumos, com tributação do PIS e da Cofins, utilizados para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria aeronáutica e, por isso, foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Invoca a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008. SUBSIDIARIAMENTE, SOBRE A POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, alega a Recorrente que o aproveitamento de crédito presumido então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias quando a incidência estivesse suspensa, com alíquota zero, isenção ou nos casos de não incidência. Sem razão à Recorrente. Como se observa da decisão de primeira instância, o crédito negado à Contribuinte decorre de ausência de comprovação de efetiva utilização de tais insumos. Importante frisar o que destacou o Eminente Relator da DRJ/BHE quanto à intimação oportunizada para que fossem apresentadas as provas necessárias: "Pelos documentos acostados aos autos, verificase que a contribuinte, a princípio, não se insurge contra o entendimento da fiscalização de que os insumos de que trata o art. 28, inciso V, da Lei nº 10.865/2004 não seriam passíveis de creditamento de suas contribuições, por estarem sujeitos à alíquota zero. Apenas informa que as referidas aquisições foram devidamente tributadas das contribuições de PIS e Cofins, por não se enquadrarem naquele dispositivo. As alegações apresentadas são no mesmo sentido das respostas anteriormente fornecidas à fiscalização, diante das intimações recebidas. Em relação aos períodos anteriores a junho de 2008, a contribuinte aduz que não teria sido aplicado tal dispositivo às referidas aquisições, por se destinarem à industrialização por encomenda; Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 7 quanto as períodos de junho, julho e agosto de 2008 e janeiro de 2009, simplesmente argumenta que seriam créditos extemporâneos e, portanto, anteriores à vigência da Lei nº 10.865/2004; quanto aos demais períodos, a contribuinte não se manifesta. Diante dessas informações, a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte para que detalhasse as aquisições que alegava não terem sido tributadas à alíquota zero, mas nenhum documento foi apresentado nesse sentido. O mesmo se verifica na Manifestação de Inconformidade apresentada, em que a contribuinte não traz novos elementos aos autos. Em resumo, o deslinde da questão que aqui se apresenta passa pela verificação de alíquota da contribuição que foi efetivamente aplicada nas aquisições efetuadas nos períodos de apuração anteriores a junho de 2008. Com base no art. 28 da Lei nº 10.865/2004, a Autoridade Fiscal presumiu que essas aquisições estariam sujeitas à alíquota zero, enquanto a contribuinte afirma que dera interpretação diversa à legislação vigente, tributando normalmente aqueles valores. Ocorre que, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar o seu direito. A partir dessa perspectiva e, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que seria lícito à RFB decidir indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez. Por sua vez, o indício constitui meio de prova, admitido até mesmo no processo penal, art. 239 do Código de Processo Penal (CPP). Assim, uma vez que a contribuinte não apresentou nenhum elemento no sentido de comprovar que as alegadas aquisições haviam de fato sido tributadas, não há como reconhecer o seu direito creditório em relação aos respectivos créditos das contribuições." (sem destaque no original) Cabe ainda observar a incidência do Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996, o qual prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 8 até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Aplicase, neste caso, o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 9 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 10 DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Portanto, ao que pese a alegação sobre o direito de crédito invocado pela Recorrente ao argumentar que adquiriu os insumos com regular tributação pela contribuição ao PIS e à COFINS, com crédito declarado em DACON, o fato é que não houve a comprovação da certeza e liquidez deste crédito, o que seria indispensável para o devido reconhecimento à compensação. Destarte, como bem observou o Eminente Relator de primeira instância, não consta nos autos nenhum elemento que indique que os referidos insumos foram de fato empregados na industrialização por encomenda, conforme alegado, não sendo possível aplicar a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 citada pela Recorrente, uma vez que o fato concreto não se refere àquele sobre o qual versou a consulta em referência. Por sua vez, com relação ao argumento subsidiário, consignase que, caso fosse comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, poderia a Contribuinte se enquadrar na aquisição com tributação regular de PIS/COFINS, motivo pelo qual igualmente resta afastado o crédito presumido previsto pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por ausência de enquadramento legal. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. É como voto." Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 11 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721124/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
ARBITRAMENTO INDEVIDO.
Para a tributação pelo lucro arbitrado por desclassificação da escrita contábil há que ficar demonstrado que esta não era idônea e/ou suficiente para a apuração do lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.
A tributação decorrente do mesmo fato jurídico segue o decidido no lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ).
Numero da decisão: 1302-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 ARBITRAMENTO INDEVIDO. Para a tributação pelo lucro arbitrado por desclassificação da escrita contábil há que ficar demonstrado que esta não era idônea e/ou suficiente para a apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. A tributação decorrente do mesmo fato jurídico segue o decidido no lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 24 /2 01 5- 45 Fl. 3983DF CARF MF 2 Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido: Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração constantes das fls. 2058 a 2110, que exigem o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no montante a seguir demonstrado, em R$, relativo ao anocalendário 2010: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 1995 a 2043), a Autoridade Autuante apurou a infração de “Omissão de receita por presunção legal – depósitos bancários de origem não comprovada”, a qual gerou reflexos de CSLL, PIS e Cofins. Considerou que a empresa não apresentou documentação probante eficaz, coincidentes em datas e valores e suficientes para comprovar a origem dos créditos/depósitos em suas contas correntes e incluiu como base de cálculo no auto de infração lavrado, valores relativos a depósitos bancários, DOC e TED, totalizados por competência e discriminados na planilha demonstrativa denominada “Planilha Referente a Créditos Bancários Não Comprovados”. Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. I INTRODUÇÃO (...) 4. O contrato social da empresa previu, para o anocalendário de 2010, o seguinte objeto social: prestação de serviços de gestão de verbas de terceiros a serem investidas em publicidade, propaganda e divulgação de produtos ou negócios; prestação de serviços de aconselhamento de investimentos em publicidade, promoção e execução de palestras, comercialização de brindes e produtos promocionais em geral. 5. O contribuinte adotou a forma de tributação pelo lucro real, com apuração trimestral do imposto e contribuição social. 6. Embora essa fiscalização trate dos anoscalendário de 2010 a 2013, esse relatório é parcial, relativo apenas ao anocalendário de 2010. II – DESCRIÇÃO DOS FATOS Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.984 3 7. O histórico apresentado a seguir abrange as intimações e respostas entregues pelo contribuinte até o presente momento para todo o período fiscalizado – 2010 a 2013: (...) III – DA ANÁLISE (...) 10. Considerandose que a movimentação financeira girou em torno de R$30.000.000,00 (trinta milhões) e a DIPJ foi informada receita no valor de R$332.606,32, requeremos declaração motivadora de a movimentação financeira ser incompatível com a receita declarada na DIPJ. 11. Em 25.11.2014, o contribuinte manifestouse declarando ser agência de publicidade que gere o fundo de marketing do grupo Habibs denominado “procoop”, (...). Em resumo, declara que recebe os valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade, individualizando em seu passivo os montantes repassados aos projetos promocionais, como propaganda de rádio e televisão, compra de materiais para divulgação, etc. Em seguida, exemplifica sua contabilização, como segue: Recebimento do valor no banco D – Banco C – Fundo de Verba (passivo) _______ 100,00 Repasse e pagamentos mídias D Fundo de Verba (passivo) C – Banco _______________________ 90,00 Receita D Fundo de Verba (passivo) C – Receita (resultado) ______________ 10,00 12. Pudemos entender, pelo demonstrado acima, que o objetivo da empresa seria gerir o fundo de propaganda do grupo Habibs, financiado pelas franqueadas e obtido com um percentual sobre o faturamento. Em que pese o alegado e exemplificado, o contribuinte não apresentou documentos idôneos que comprovassem o alegado, sua contabilidade não foi efetuada nesses moldes, tampouco atendeu aos princípios e técnicas contábeis, conforme demonstraremos no decorrer desse relatório. 14. A empresa apresentou relação de franqueadas. Destacou ainda que essas empresas são identificadas nos lançamentos contábeis pela razão social, o que se comprovou parcialmente, em virtude de constar diversos lançamentos sem identificação. 15. Foram elaboradas planilhas contendo todos os recebimentos bancários e alguns pagamentos, a fim de solicitar ao contribuinte que identificasse a que título ocorreram, bem como apresentasse documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as fontes dos recursos que deram origem aos créditos/depósitos bancários, que comprovassem o alegado. Intimamos e reintimamos para que Fl. 3985DF CARF MF 4 identificasse no campo “observações” da mesma a que se referiram esses recebimentos. Em resposta, anexa ao TIF 9, alegou que a maioria dos recebimentos tratavase de recebimentos “proocop”, no entanto para alguns casos, conforme planilha a seguir, a empresa restringiuse a responder que os valores provavelmente foram estornados (estornos esses não localizados por essa auditoria): (...) 16. A autuada apresentou como documento probatório das fontes de recursos, o contrato de gestão do fundo cooperado de propaganda e marketing, segundo ela, vigente no período. 17. O contrato foi celebrado em 10.01.2009 entre a AlSaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações (franqueadora) e NBA – GESTÃO DE NEGÓCIOS E COMÉRCIO LTDA, antiga denominação para PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA (gestora dos recursos de propaganda) conforme já mencionado. Cumpre esclarecer que a empresa se encontrava à época da emissão do contrato sob fiscalização da RFB (anocalendário 2005), o que resultou em 19.10.2010, no Auto de Infração processo nº 19515.003163/201052, cuja liquidação se deu com o parcelamento requerido pelo contribuinte. Naquela fiscalização, foi constatado que os faturamentos mensais da empresa eram muitos inferiores aos montantes mensais de créditos/depósitos em suas contacorrentes. A empresa apresentou declarações com a informação de que o objetivo social da mesma era o de gerenciar valores de terceiros, cujos contratos eram verbais. Naquela ocasião o auditor havia solicitado documentos idôneos que comprovassem à origem dos créditos, inclusive, contratos, os quais não foram apresentados. Por todo o abaixo exposto, podemos considerar a hipótese de o contrato ter sido firmado com o único intuito de tentar produzir prova e documentos para suas transações financeiras futuras. 18. Em que pese (...) e as contratantes pertencerem às mesmas pessoas, haja vista que a sócia da autuada, BELSARAIVA COMÉRCIO, EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES – CNPJ 59.407.965/000146, é representada pelo Sr. Belchior Saraiva Neto CPF 011.834.33867 e o outro sócio é o Sr, Antônio Alberto Saraiva CPF 698.146.000849. Estes são também os sócios da Contratante Alsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, analisálo emos a seguir. 19. Preliminarmente, nas considerações, define que a contratante é empresa franqueadora detentora das marcas Habib’s, Regazzo e Box30, afirma que as marcas arrecadam mensalmente um percentual de seu faturamento para o Fundo de Propaganda e Marketing, considera que a contratada é agência de publicidade, autorizada pela contratante a promover as Marcas, por meio de ações de marketing, fazendo a gestão do “procoop”. (...) 22. Embora haja previsão de atribuição de administração do “procoop”, essa não restou comprovada, pois a empresa não apresentou documentos hábeis e idôneos que corroborassem sua atuação da maneira determinada nesse contrato. Se a sua receita realmente referese à arrecadação do “procoop”, a autuada não demonstrou como administra o recebimento “procoop”, uma vez que é preciso saber o valor a receber com base em documentos fiscais emitidos pelas franqueadas para isso. No item “c” há disposição a respeito de informações diárias a respeito da arrecadação, inadimplência e utilização do “procoop”. Sem documentos fiscais essas determinações são impossíveis de serem praticadas. 23. A autuada, no caso a contratada, não apresentou a relação de inadimplentes. Embora, no item 2 do TIF nº 13, tenhamos solicitado como Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.985 5 contabilizou os valores a receber, a autuada, em sua resposta, nada esclarece a respeito. Ressaltamos que o título contábil 110503000011083 – Clientes, tem seus saldos inicial e final zerados. (...) 25. Ora, dispõe a cláusula 2.1 do referido contrato que a auditada deverá reter em seu favor o correspondente a 10% da quantia mensal arrecadada a título de “procoop”, o contribuinte não efetuou tais lançamentos contábeis, nem levou ao resultado do exercício e, consequentemente, à tributação tais valores. Aliás, como os valores recebidos, supostamente arrecadados a título “procoop” são da monta de R$30.000.000,00, a receita calculada dessa maneira giraria em torno de R$3.000.000,00, não de R$332.606,32, conforme declarado. (...) 30. A empresa declara, então, que a receita é composta pela diferença positiva entre valores recebidos de “procoop” e repasses às diversas campanhas de publicidade e marketing, não havendo diversificação de atividades, em total dissonância com os dispositivos contratuais, contradizendoo e invalidandoo. 31. Ocorre que, ainda que fossem apresentados documentos de origem que justificassem essa alegação, a afirmação de que destina valores superiores a 90% às campanhas de publicidade revelouse completamente equivocada, pois os pagamentos contabilizados na conta “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” são da e importância de R$22.699.110,73. Considerandose os recebimentos contabilizados a título de “procoop”, no valor de R$31.846.647,73, obtemos uma diferença de R$9.147.536,70, a qual é muito superior a 10%, não inferior como afirma o contribuinte. (...) 33. Concluímos, então, que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração da receita por ela apontadas. Vejamos: primeiramente, conforme contrato firmado com a franqueadora, a receita seria calculada sobre os recebíveis, 10%; em segundo lugar, conforme suas declarações, a receita seria a diferença calculada entre os recebíveis das campanhas publicadas e os valores gastos com a gestão publicitária do grupo Habib’s e, por último, mas não menos importante, há previsão contratual entre a franqueadora e franqueada de que o custo de administração a ser auferido pela gestão da propaganda seria de 5%. Sua contabilidade não foi elaborada seguindo nenhum desses critérios. A contribuinte, embora gestora de recursos de terceiros, não demonstrou de que maneira apuraria, controlaria ou conferiria sua própria receita. (...) 35. Em resposta, de 14.07.2015, ao TIF nº 8, a autuada alega no item 2 e 3 que está compondo planilha referente ao “procoop” arrecadado em cada ano, espelhada nos créditos bancários. Ora se a empresa assuma que se esses valores realmente referemse ao “procoop”, não tem o controle de qual franqueada pagou, quem está inadimplente e ainda confirma que sua contabilidade não está lastreada em documentos formais. (...) 37. (...). Gostaríamos de enfatizar que nunca foram apresentados a essa fiscalização, documentos hábeis e idôneos que efetivamente pudessem comprovar a Fl. 3987DF CARF MF 6 origem dos recebimentos, tais como cupons fiscais, fitas de caixa de franqueadas, etc, com os quais mediante a aplicação o índice relativo à taxa de propaganda sobre seus montantes, se abriria a possibilidade de confirmação da receita da autuada e a partir daí seria possível efetuar as planilhas apresentadas. (...) 45. Qualquer contribuinte se utiliza da contabilidade para fazer prova a seu favor perante outros órgãos. Ocorre que a empresa parece acreditar que ao efetuar lançamentos contábeis quaisquer que contenham uma conta bancária em contrapartida, sem qualquer critério permeando seus registros ou comprovação cediça, parece realizála de modo a favorecer aos seus interesses, ainda que contra a realidade dos fatos. Os valores recebidos não foram levados à resultado, permanecendo em conta de passivo. 46. (...), apresentou uma amostragem, escolhida pela própria autuada, de Guia de Apuração e Informação do ICMS – GIA de 10 lojas, (...). Os dados constantes dessas GIAS não corroboram, portanto, a escrituração. 47. Ora ao gerenciar recursos de terceiros é preciso que haja muita clareza, transparência em seus atos, devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação de índices de repasse. 48. (...). Quanto ao questionamento dos lançamentos contábeis efetuados agrupadamente, respondeu evasivamente referindose aos lançamentos bancários agrupados, reforçando que não tem condições de apresentar uma conciliação de base relativa à cada franquia abrindo e detalhando seus desempenhos econômicos e faturamento. 49. Quanto à conciliação bancária, no item 3 do TIF de nº 9, não tratou dela e sim de planilha contendo esclarecimentos do que se tratavam os valores. (...). Mais uma vez, apresentou planilhas de casamento dos valores lançados a crédito em contas bancárias, com os valores lançados na conta “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” do Passivo. Ocorre que tanto há valores contabilizados englobando vários recebimentos, como há valores recebidos supostamente englobadamente pelo Banco. Esse colacionamento sem documentos comprobatórios é impossível de ser efetuado. 50 Além disso, apresentou recibos de 20 franqueadas, amostragem escolhida pela própria autuada. Analisando aqui uma delas, Aracaju Point Super Lanches: apresentou 12 recibos, mas na planilha constam apenas dois recebimento um na competência novembro/2010 e outro na competência dezembro/2010. Os recibos conferidos não coincidiram com nenhum dos valores constantes da planilha. E assim, sucessivamente, não conseguimos localizar um só dos recibos apresentados nem na contabilidade, nem na movimentação bancária de nenhuma das filiais apresentadas. 51. Quanto ao esclarecimento a respeito do histórico das Notas Fiscais de faturamento à empresa Alsaraiva, em resposta ao TIF 13 (resposta 1, item 06), admitiu que à época faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis. Quanto à contabilização do fluxo financeiro, reafirmou que debitava a conta de “clientes” e creditava a conta de “receitas” na proporção dos custos e despesas contábeis. 52. Nesse momento pudemos entender como a empresa declarou na DIPJ sua receita: para fazer frente às suas despesas e custos, espelhou um valor na receita e apresentou sua declaração. Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.986 7 53. Quanto aos recebimentos há um único recebimento na conta do Banco Santander, o qual contém a identificação do CNPJ 19.900.000/000176, o qual é a inscrição da empresa Cervejarias Kaiser Brasil S/A. Na planilha referente à movimentação financeira, a autuada preencheu no campo “Obs” a informação – “procoop”. Ora notoriamente não se trata de franqueada do grupo, o que evidencia a falta de credibilidade de suas informações. 54. Conquanto a empresa alegue que os dados relativos ao recebimento se encontram no histórico contábil, requeremos a elucidação de o motivo de haver lançamentos no montante de R$14.379.879,71, contabilizados englobadamente sem qualquer identificação, no item 3 do TIF nº 13. Solicitamos que apresentasse documentos que EFETIVAMENTE comprovassem a origem e não apenas planilhas de “excel”, procedimento esse adotado pela intimada durante toda a fiscalização e que não atende ao solicitado. São eles: (...) 55. Em resposta, a autuada limitouse a fazer referência a lançamentos bancários agrupados e finalmente afirmou não ter condições de apresentar a base relativa a cada franquia abrindo e detalhando os dados de seus desempenhos econômicos e faturamento. 56. Ainda que a autuada comprovasse que esses recebimentos tiveram origem das franqueadas, por meio de documentos bancários, tais como cheques depositados das mesmas, isso, por si só, não identificaria a natureza desses recebimentos. A natureza só se comprovaria com documentos fiscais eficazes justificando a efetivação da transação comercial, o que a autuada não fez sequer por amostragem. 57. Observamos que em seu extrato bancário, contas do Banco Itaú, há vários créditos com o histórico “TEC DE CHEQUE”. Alguns deles de valores altos como o de 09/03/2010 R$766.300,37 e de 24/03/2010, no valor de R$698.447,29, ambos da conta 17335 5. Questionamos, pois esses valores não se referem a um recebimento de uma única franquia. Ao analisar a legislação que dispõe a respeito da TEC bancária, observase que se trata de uma transação com um único remetente. O contribuinte alega que o Banco Itaú agrupa os diversos depósitos bancários realizados, os quais são compostos de vários pagamentos, que por sua vez são devidamente individualizados pela autuada em sua contabilidade. 58. O que constatamos é que o Banco apresentou uma relação de cheques os quais compuseram um único depósito, não se tratando de vários depósitos, como quis fazer parecer a autuada, podendo evidenciar que os pontos de venda emitem os cheques, que são coletados, conforme explicitado na denúncia e ficam à disposição da autuada, para que em algum momento sejam depositados. Seja essa a origem ou outra, não há como vários remetentes reuniremse para efetuarem um depósito bancário, ou uma TEC, como quer fazer parecer a autuada. (...) 60. Embora tenha alegado o tempo todo que apresentou documentos, em nenhum momento a autuada apresentou documentos efetivamente comprobatórios de sua movimentação financeira, planilhas excel e declarações não tem o condão de documento probatório da origem e natureza dos créditos. (...) Fl. 3989DF CARF MF 8 62. Os recebimentos, objeto deste levantamento, podem se tratar de algum outro recebimento que não tem nenhuma correspondência com os valores que a autuada diz ser relativos a recebimentos referentes a taxas de propaganda das franqueadas. Nada é possível afirmar, uma vez que documentos comprobatórios da origem desses recebimentos nunca foram apresentados , embora a empresa tenha sido intimada e reintimada várias vezes. Além disso, a única empresa constante no site do grupo com objetivo de propaganda e marketing é a empresa PPM Propaganda Promoção e Marketing Ltda. Como o franqueado denunciante demonstra um forte esquema de sonegação do grupo Habib’s, os valores que transitaram nas contas bancárias dessa empresa podem ter origem completamente diversa do exposto pela autuada. 63. Chegamos à conclusão que é impossível determinar a origem e a natureza dos recursos auferidos pela contribuinte. IV – A – DA CONTABILIDADE (...) 65. Os valores constantes da movimentação financeira foram contabilizados sob o título contábil “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I”, conta do passivo sendo creditada quando dos recebimentos em contrapartida à conta ‘BANCOS” ou “CAIXA” e debitada, quando dos pagamentos, em contrapartida às mesmas contas, funcionando exatamente como contacorrente. Os valores aí contabilizados, aí permanecem, não sendo levados a resultado. O saldo positivo entre entradas e saídas é transferido para o ano seguinte. 66. Os valores levados à “Receita de Venda de Serviços” são os abaixo descritos. O critério, conforme já mencionado, é que faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis, item 6 do TIF nº 13. A única peculiaridade é que o histórico está assim descrito “pelo recebimento de valores”. Os demais, ou seja aquelas que não foram levados à receita, tem o histórico “pelo recebimento de valores ref. a “procoop””. Senão vejamos primeiramente efetuou os seguintes lançamentos a débito da conta “Caixa” e a crédito da conta “Clientes” e reflexos tributários: (...) 67. Em seguida transferiu os valores constantes da conta “Clientes” para a conta de receita “Serviços Prestados”: (...) 68. Depois disso, transferiu para conta “Lucros e Perdas”, conforme abaixo: (...) 69. Embora optante pelo lucro real – apuração trimestral – procedeu de forma completamente aleatória, sem nenhuma fidelidade às suas declarações, ou ainda no disposto em contrato com a franqueadora, ou às regras contábeis vigentes. Os valores contabilizados em “conta de Lucros e Perdas”, cujos valores foram declarados em DIPJ, correspondem à parte da movimentação financeira da conta “Caixa”. O restante dos valores contabilizados nessa conta, assim como os valores contabilizados na conta “Bancos” lá permaneceram sem qualquer contabilização adicional. (...) 71. Especificamente a essas notas fiscais emitidas, tendo como tomadora a empresa, Alsaraiva Comércio Empreendimentos Imob e Participações Ltda, Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.987 9 questionamos o fato de conterem na discriminação dos serviços “Despesas referentes a (mês de competência) e reembolso de 30% de despesas e não discriminação do serviço prestado. A autuada, conforme já dito nesse relatório, declarou que tratase de empresa ligada e à época faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas. (...) 73. Não há também qualquer registro de provisão contábil. Não é de se estranhar que o título contábil que registra os valores mais expressivos, todo o volume financeiro da autuada, ou seja a conta contábil “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” fez parte do passivo Exigível a Longo Prazo e ali permaneceu, sem transitar por conta de resultado, haja vista que a contabilidade do contribuinte de toda a forma não se coaduna com os princípios e padrões contábeis. 74. Ainda em relação a esses recebimentos, difícil afirmar que se tratam efetivamente de recebimentos a título de propaganda das franquias. Aqui se pode questionar se vem ocorrendo de fato o alegado na denúncia, aqui descrita sumariamente no subtítulo “Outros Elementos relacionados ao Grupo Econômico Habib’s” e anexa nesse processo, a qual dispõe que é procedimento do grupo econômico Habib’s um forte esquema de sonegação em que parte dos valores era arrecadada em cheques, os quais ficavam guardados em um cofre e o depósito desse cheque era efetuado em algum momento, a bel prazer, valor esse manipulado para não ser tributado. 75. A autuada usou a contabilidade a seu bel prazer, fez lançamentos a débito de “Disponibilidades” em contrapartida a seu “Passivo Exigível a Longo Prazo”, como forma de tentar garantir a contabilização de seus créditos bancários, sem prezar pela legitimidade, qualidade e transparência da informação contábil, olvidandose de que a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais, transformando os fatos administrativos em fatos permutativos, quando, por suas ponderações, deveriam ser modificativos ou mistos. Ainda que apresentasse documentos comprobatórios de suas alegações, seus registros não identificam qual é, bem como quanto é sua receita em cada operação efetuada. Os valores levados à Demonstração do Resultado do Exercício e decorrentemente ao LALUR e à sua DIPJ, assim como as Notas Fiscais faturadas de prestação de serviços não permitem a determinação da real receita bruta de prestação de serviços. Sua contabilidade é, em conseqüência, imprestável para a apuração do lucro do exercício, impossibilitando ainda a apuração do lucro real. IV – B – OUTROS INDÍCIOS DE SONEGAÇÃO LOCALIZADOS NA CONTABILIDADE 76. Do cotejamento da contabilidade com a movimentação financeira, localizamos valor de R$5.048,00, recebido no dia 10.08.2010 constante do extrato Bancário – Banco Itaú – Ag. 2978, contacorrente 173355, o qual não foi contabilizado pela autuada. Questionada a respeito, ofereceu resposta ao TIF de nº 10, de 11.09.2015, item 1, limitandose a declarar que provavelmente foi estornado, não tendo localizado o documento de suporte. 77. Em 29.10.2010 identificamos em sua contabilidade, oito pagamentos efetuados à empresa Elivel Automotores Ltda, no valor de R$25.390,00, cada um, referente à compra de veículo. Solicitamos o motivo de esses pagamentos estarem sendo alocados como pagamento na contacorrente de propagandas, sob o título contábil “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” e não Fl. 3991DF CARF MF 10 estarem constando do Ativo Imobilizado da empresa. Nessa mesma resposta, item 2, afirmou trataremse de veículos adquiridos para inserção publicitária em campanhas de marketing, não se tratando de aquisição de Ativo Imobilizado. Solicitamos os documentos nos TIF’s seguintes, mas esses não foram apresentados. 78. Em diversos momentos, a conta contábil “110101000011004 – C.A.I.X.A” encontrase com saldo credor, demonstrando estouro. (...) V – OUTROS ELEMENTOS RELACIONADOS AO GRUPO ECONÔMICO HABIB’S (...) A. Diligência Fiscal em face da Alsaraiva Comércio e Empreendimentos e outras Pessoas Jurídicas do grupo: 80. As informações aqui relacionadas foram coletadas no curso do procedimento de diligência que antecedeu a essa fiscalização, encerrada em fevereiro de 2014, cujo MPF é o de nº 08.1.90.000.2012.06143. 81. A Alsaraiva, que tem como sócio administrador o Sr. Alberto Saraiva, CPF 698.146.00849, é a pessoa jurídica detentora da marca HABIB’S e como tal formaliza contratos de franquia com interessados. Conforme contratos apresentados ao auditorfiscal responsável pela diligência, existem duas formas de franquias contratadas pela Alsaraiva: a) com franqueados diretos – contrato com as características que seguem: o franqueado se obriga a pagar de 5 a 10% do faturamento bruto a título de royalties, sendo que a Alsaraiva tem rígido controle sobre tal faturamento; o franqueado se obriga a pagar de 4 a 8% do faturamento bruto a fim de propagação da marca HABIB’S; os equipamentos utilizados pelo franqueado, inclusive máquinas registradoras, são aqueles disponibilizados por empresas indicadas pela ALSARAIVA; b) máster franqueados, que são pessoas jurídicas autorizadas pela ALSARAIVA a explorar a marca HABIB’S em regiões específicas, através de contratos firmados com subfranqueados: o máster se obriga ao pagamento de 4% ao Fundo de propaganda; e (...) 83. A partir dos elementos coletados, o Grupo se organiza da seguinte forma e com o respectivo controle: EMPRESA A: Empresa que comercializa a marca HABIB’S (ALSARAIVA COMÉRCIO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES EIRELLI); EMPRESAS B: ligadas a Publicidade (PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS e PPM Propaganda Promoção e Marketing Ltda), (...) EMPRESAS C: relacionadas a consultoria e investimentos em outras pessoas jurídicas do grupo (...). Todas essas pessoas jurídicas estão localizadas na Rua Nelson Hungria, 90, Vila Tramontano, São Paulo; Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.988 11 EMPRESAS D: pessoas jurídicas que distribuem os alimentos que serão vendidos ao consumidor final e estão localizadas em vários estados da federação. São quinze (...). EMPRESAS E: franqueadoras máster. São onze pessoas jurídicas. EMPRESAS F: restaurantes franqueados. 84. A EMPRESA A tem como titular o Sr. Antônio Alberto Saraiva. As EMPRESAS B têm como sócios os irmãos Saraiva e pessoas jurídicas pertencentes as “EMPRESAS C”, que, por sua vez, tem como sócios os irmão Saraiva e empresas investidoras do próprio “grupo”, ou seja o controle delas fechase dentro das pessoas dos irmãos. (...) 85. Com relação às franqueadoras máster, uma das que não tinha, direta ou indiretamente, os irmãos como controladores era a localizada no Estado do Rio Grande do Sul e que esteve em litígio cível com a ALSARAIVA, conforme descrito na próxima parte deste relatório que trata da denúncia. 86. Conforme se verifica no site do grupo Habib’s (...), a empresa PPM (...) é a agência de propaganda que faz as promoções e marketing do grupo. Segundo o site, foi criada em 1997 e foi premiada pelo Instituto Great Places to Work com a 8ª melhor agência do Brasil para se trabalhar. 87. Ressaltamos que no site do grupo não há referência à empresa aqui fiscalizada (a qual opera com transações de valores altíssimos do grupo Habib’s), em nenhum momento, nem no quesito propaganda e marketing. B. DENÚNCIA ENCAMINHADA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, RELACIONADA A FATOS NARRADOS NA PETIÇÃO INICIAL DO PROCESSO CIVIL DE Nº 001/1/13.00771870: 88. As informações descritas nesse item foram extraídas de Petição Inicial de ação civil impetrada junto a 7ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre que comunicou à Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o feito, através da “CARTA DE INTIMAÇÃO” de 13 de junho de 2013. Transcrevese abaixo trecho final do referido documento judicial: “Diante da vasta documentação juntada aos autos e das denúncias referentes à sonegação fiscal operada pelo Grupo Habib’s, empresa de grande notoriedade pública, determino a intimação da PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL e da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO para que se manifestem, querendo, no presente feito no prazo de 20 dias.”. (...) 93. A ciência dos autores na ação civil, adquirentes da Habib’s Máster RS e os restaurantes, sobre o problema mencionado a respeito da cadeia de sonegação fiscal, iniciou quanto da contratação de um escritório de Cuiabá para análise da situação fiscal, contábil e tributária de todas as Pessoas Jurídicas, relacionadas aos contratos de franquia mencionados. 94. Seguem as conclusões do trabalho de auditoria explanadas na PI (Itens 60 a 64), todos indicando problemas relacionados à falta do registro da real receita bruta das Pessoas Jurídicas: I) Financeiras: Fl. 3993DF CARF MF 12 a) falta do movimento diário de caixa o que impede um espelhamento com os registros contábeis; b) cheques lançados em caixa: valores de cheques eram lançados a débito na conta “CAIXA” para pagamento de obrigações – a falta de identificação do cheque sobre o compromisso resolvido impedia a correta contabilização do feito, com o resultado, também, de um saldo indevido na conta “CAIXA”; c) “registro de saldo de contas a receber inconsistente em razão de falta de conciliação com os registros reais”. II. Estoque: registro feito sem qualquer vinculação física. III. Inventário: falta de registro e conseqüente falta de depreciação o que prejudica o resultado contábil das pessoas jurídicas. IV. Contas a pagar: passivo fictício de fornecedores e títulos a pagar – registro de obrigações já pagas – devido a falta de registro de recursos financeiros, “em razão de omissão de receita” (destaque da fiscalização). V. Obrigações trabalhistas: pagamento de verbas “por fora” de forma que o passivo não refletia a realidade do valor devido pelas pessoas jurídicas. VI. Receitas e Despesas: Omissão no reconhecimento de receitas acarretando falta de registro de compras e pagamentos. VII. Fiscal/Tributário: “as empresas que exploram os restaurantes são optantes pelo regime do simples nacional. Tal opção apresenta risco, pois o quadro societário é comum a todas as empresas, que têm a mesma atividade e exploram a mesma rede de franquia, caracterizando grupo econômico e manobra tributária fraudulenta situação que, se detectada por qualquer autoridade fiscalizadora, poderá ocasionar o desenquadramento do grupo de empresas de foram retroativa aos últimos anos, implicando na cobrança de imposto e contribuições que seriam devidos se as empresas optassem pelo lucro presumido” (sic). VIII. Folha de pagamento: excesso de jornada, falta de registro, adulteração de ponto etc. 95. O responsável pelo grupo Habib’s ao ser questionado sobre o problema, teve o seguinte posicionamento, segundo o item 67 da P.I.: “O Sr. Alberto Saraiva disse ao Autor ABRÃO que o modus operandi do Grupo Habib’s pressupunha a omissão de receita e a conseqüente sonegação de tributos, tanto na cadeia produtiva quanto na comercialização do produto final, pois só assim é possível ofertar preços baixos aos consumidores, e que tal prática remontava ao início do negócio, mas era de seu interesse reduzir e, se possível, eliminar a médio prazo a informalidade tributária da rede, reconhecendo que o risco de uma autuação fragilizava, por demais, o próprio negócio e ameaçava a sobrevivência da rede.” (sic). (...) 100. Para maior ilustração, a seguir transcrevemos alguns itens da referida Petição, contribuindo na elucidação do provável “modus operandi” da sonegação arquitetada pelo grupo e, conseqüentemente da empresa aqui autuada: (...) 102. A Petição Inicial do Processo Cível encontrase anexada ao Processo do Auto de Infração, do qual este Termo é parte integrante, na qual encontramse indicados outros fatos além daqueles transcritos. Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.989 13 VI – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A Autoridade Autuante arbitrou o lucro da fiscalizada pelas seguintes razões: I – a fiscalização não se utilizou dos princípios e critérios contábeis geralmente aceitos, II – a fiscalizada omitiu receita de serviços para o período de 01/2010 a 12/2010, tanto em sua própria contabilidade, quanto em sua DIPJ AC 2010, utilizandose de artifícios contábeis, escriturando como receita, tanto quanto declarando somente valor para fazer frente às suas despesas administrativas, impossibilitando identificar a efetiva receita e deixou de recolher os impostos e contribuições aos cofres públicos, sujeitandose inclusive à multa isolada; III – A escrituração contábil e apuração do lucro possuía incongruências e inclusive ausência de documentos hábeis e idôneos. O enquadramento legal do arbitramento foi o art. 530, inciso I, II e III do RIR/1999. VII – DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A multa de ofício foi qualificada pelos seguintes motivos: 110 A empresa, durante todo o procedimento fiscal, prestou esclarecimentos sem comprovação. Não APRESENTOU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, coincidente em datas e valores, que pudesse comprovar as fontes de recursos que deram origem aos créditos/depósitos bancários, bem como aos recebimentos lançados na conta “CAIXA” de sua contabilidade; 111 Embora a contabilidade do AC 2010, registre o total do valor movimentado em instituições financeiras, os lançamentos, não lastreados em documentação idônea, são vazios de conteúdo, efetuados, em muitos dos casos de maneira englobada, não registrando efetivamente os fatos administrativos modificativos e mistos, impossibilitando a apuração do lucro real. Questionada a respeito alegou que faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis, admitindo explicitamente seu evidente intuito de sonegação. 112 O gerenciamento de recursos de terceiros, supostamente previsto, não contempla transparência, elemento básico, crucial para esse negócio. Não disponibiliza informações com presteza e confiabilidade que permitam identificar a natureza do negócio, a natureza de seus recebimentos, a relação de supostos inadimplentes, bem como gerenciamento do crédito. VII – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A Autoridade Autuante incluiu no pólo passivo da obrigação tributária: I – João Augusto Ribeiro Penna – CPF 531.435.31800, sócio administrador: art. 135, III, do CTN. (...) Houve conduta dolosa do administrador no sentido de omitir da administração tributária federal a receita decorrente da prestação de serviços, DIPJ declarada apenas com valores para fazer frente às despesas e custos, conforme já mencionado, e de evitar o pagamento do tributo sobre esta receita Fl. 3995DF CARF MF 14 (sonegação). Tais condutas, configuramse atos praticados com infração de lei, sujeitando o agente à responsabilização solidária, nos termos do art. 135 do CTN”. Mais precisamente, constatado, em tese, crime contra a Ordem Tributária Lei n° 8.137/90, pela utilização de declaração falsa à fiscalização federal e de simulação para se eximir do pagamento de tributos, comprovandose a conduta ilícita intencional por parte da sociedade, nas pessoas de seus gestores, razão pela qual devem eles responder, também, pessoalmente pelas obrigações tributárias resultantes destes atos. Como foi relatado, na gestão do Sr.João Augusto Ribeiro Penna a empresa não apurou seu lucro liquido e consequentemente seu lucro real, tampouco apresentou documentos que comprovassem a natureza e a origem de seus créditos bancários. Excedeu os poderes a ele conferidos nos atos constitutivos da sociedade empresária que esteve sob sua administração, com infração à lei, com evidente intuito de sonegação, ainda que em tese, nos termos dos incisos I e II do art. 1 da Lei nº 8.137/1990, de 27/12/1990, e artigo 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Desta forma, há que se falar, também, em infração à lei decorrente do dever do administrador da empresa de zelar pela correta elaboração dos livros contábeis e fiscais, inclusive mediante a apresentação dos documentos que suportam sua escrituração, conforme o disposto nos artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, in verbis: (...) O representante legal da fiscalizada deve ser responsabilizado em razão das condutas amplamente narradas no presente Termo, que tinham por objetivo reduzir a incidência de tributos da fiscalizada, pois foi constatada, durante o presente procedimento fiscal, conduta omissiva, ilustrada na relevante discrepância entre os valores movimentados nas contas bancárias e os efetivamente declarados em DIPJ (e contabilizados). Esta conduta ocorreu reiteradamente durante todo o período compreendido pela fiscalização. II Belsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda CNPJ 59.407.965/000146 (...) O que se verificou no presente caso foi uma forma de organização e de procedimento da Belsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, engendrada com o evidente intuito de frustrar toda e qualquer possibilidade de realização do crédito tributário devido sobre as operações praticadas (receitas auferidas que são fatos geradores de tributos). Seu interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro, o recebimento de renda) advém do fato de a empresa se beneficiar dessas situações jurídicas diretamente. Por meio de subterfúgios, lograram proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais, utilizando os recursos que deveriam ser recolhidos ao Fisco Nacional para enriquecimento ilícito. (...) A Autuada e a sócia aqui solidarizada encontramse com a sede no mesmo endereço. VIII – DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO E DAS IMPUGNAÇÕES Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.990 15 O sujeito passivo e demais pessoas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário constituído foram devidamente cientificadas da exigência fiscal, via postal, a saber: o sujeito passivo e a responsável Belsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, em 21.12.2015, conforme atestam os “ARs” de fls. 2126 e 2145. Quanto ao responsável João Augusto Ribeiro Penna, a ciência se deu em 18.12.2015, como indica a tela de rastreamento dos Correios de fls. 2155, acompanhada do Termo de Ciência, de fls. 2152/2154. Devidamente cientificados, foram apresentadas contestações em nome de cada um dos envolvidos, em 20.01.2016, para o sujeito passivo, documentos de fls. 2276/2315, e, em 19.01.2016, para os demais responsáveis, documentos de fls. 2163/2185 e 2223/2245, respectivamente, João Augusto e Belsaraiva. Adiante compendiamse as razões apresentadas. A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA. (fls. 2276/2315) A impugnante pontua que recebe valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade, individualizando em seu passivo os montantes repassados aos projetos de publicidade (como propagandas de rádio e televisão, compra de materiais para divulgação etc), o que teria sido ignorado e desconsiderado pela fiscalização. A impugnante considera que o lançamento é nulo, pois ela não tivera conhecimento das diligências realizadas junto à empresa “Alsaraiva Comércio e Empreendimentos”, que também não lhe foram apresentadas nos autos, sendo praticadas à revelia e sem qualquer contraditório. De todas as formas, alega que os contratos de franquia obtidos (e o que mais tenha sido analisado e eventualmente utilizado, sem conhecimento da Impugnante), foram, à evidência, grosseiramente mal vinculados ao contrato de prestação de serviços firmado entre a Impugnante e a franqueadora. Argumenta que na tentativa de obscurecer as verbas de propaganda cooperada geridas pela Impugnante, a fiscalização confunde os instrumentos contratuais, pois uma coisa seria o contrato de franquia firmado entre a franqueadora e as franquias, no qual há expressa e clara previsão acerca da verba devida pelo franqueado a título de propaganda cooperada, em percentual estabelecido sobre o faturamento bruto da loja, a título de promoção e propagação da marca Habib’s, o que é absolutamente comum e está previsto na lei das franquias. Outra coisa seria o contrato de gestão da verba de propaganda, firmado entre a Impugnante e a franqueadora, no qual há a previsão de remuneração dos serviços da Impugnante no percentual de 10% sobre os valores geridos, o que denotaria, a incorreção da conclusão da fiscalização. O trecho do TVF combatido é o seguinte: "(..) 32. Embora a autuada não tenha apresentado contratos entre a franqueadora [PORQUE NUNCA FORAM QUESTIONADOS], obtivemos cópia exemplificativa transferida da diligência que antecedeu a essa fiscalização encerrada em fevereiro de 2014, cujo MPF é o de n°.08.1.90.000.2012.06143, conforme item "V" deste Relatório, documentos anexo. Pela leitura desse contrato, podemos verificar que há previsão de um custo de administração do fundo de propaganda no percentual de 5% (cinco por cento). 33. Concluímos, então, que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração da receita por ela apontadas. Vejamos: Fl. 3997DF CARF MF 16 primeiramente, conforme contrato firmado com a franqueadora, a receita seria calculada sobre os recebíveis, 10%; em segundo lugar, conforme suas declarações, a receita seria a diferença calculada entre os recebíveis das campanhas de publicidade e os valores gastos com a gestão publicitária do grupo Habib's e, por último, mas não menos importante, há previsão contratual entre a franqueadora e a franqueada de que o custo de administração a ser auferido pela gestão da propaganda seria de 5%. Sua contabilidade não foi elaborada seguindo nenhum desses critérios. A contribuinte, embora gestora de recursos de terceiros, não demonstrou de que maneira apuraria, controlaria ou conferiria sua própria receita." (grifos nossos). Alega que nos itens 80 a 87 do TVF a fiscalização suspeita, num parágrafo solto, que a Impugnante não desenvolveria as atividades de gestão de propagando e marketing para as quais foi contratada e que somente no TIF 13, questionase a relação da Impugnante com a empresa PPM. Quanto à denúncia formulada na ação indenizatória em Porto Alegre, alega que não foi apresentado à Impugnante qualquer documento relacionado à ação indenizatória ajuizada, que foi trazido apenas no TVF, desacompanhada de elementos probatórios. Argumento que o que se sabe, entretanto, é que diante de insatisfações comerciais, os então franqueados Habib's no Rio Grande do Sul intentaram uma série de medidas judiciais e extrajudiciais com vistas a obter vantagens negociais indevidas, como o não pagamento dos royalties e demais taxas contratualmente estabelecidas. Assim, conclui: O que se denota, portanto, é que para impor suas vontades negociais, os ex franqueados imputaram de forma unilateral fatos gravíssimos, recorrendo ao que se convencionou denominar sham litigation. Originário do Direito norteamericano, o instituto — que pode ser traduzido por litigância simulada — aproximase do nosso abuso do direito de ação e consiste em valerse do aparato judicial como instrumento para a obtenção de vantagens indevidas, com base em argumentos sem relação com as pretensões deduzidas. De todo modo, em consulta pública na internet verificase que a ação não chegou à decisão de mérito, tendo sido arquivada sem que se prosseguisse com o contraditório e ampla defesa. O objetivo, nesse contexto parece claro, foi o de arranhar a imagem da rede e impingir uma negociação num ambiente mais favorável aos então obtusos interesses patrimoniais dos exfranqueados gaúchos. Finalizando afirmando que a menção da referida "denúncia" no presente auto de infração apenas revelaria o contexto no qual a fiscalização estava inserida e influenciada, pois considera que em todo o TVF, não há sequer um relacionamento ou apontamento que ligue os fatos aqui apurados com a indigitada acusação, ou mesmo uma linha sobre a necessária individualização das condutas da Impugnante naquele ambiente difamatório. No que se refere ao Auto de Infração lavrado em 2010 (referente a 2005), a impugnante pontua que TVF reconhece e menciona, ainda que apenas em um único parágrafo (item 17), a existência do auto lavrado em 2010, objeto do Processo Administrativo 19515.003163/201052. E, referindose àquele lançamento, a autoridade ora autuante menciona que, in verbis: "17 (..). Naquela ocasião o auditor havia solicitado documentos idôneos que comprovassem à (sic) origem dos créditos, inclusive, contratos, os quais não foram apresentados. Por todo o abaixo exposto, podemos considerar a hipótese de o contrato ter sido firmado com o único intuito de tentar produzir prova e documentos para suas transações financeiras futuras." Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.991 17 Alega que naquela primeira autuação de 2010, mesmo sem a regularidade documental que ora se apontada, a fiscalização entendeu não ser o caso de desconsideração da contabilidade da Impugnante, e muito menos de desprezo dos repasses realizados às diversas mídias. A fiscalização anterior teria considerado os repasses das verbas de publicidade na apuração de suas receitas, entendo que tais despesas deveriam ser descontadas dos totais recebidos. Assim, defende que diante de um cenário financeiro contábil até mesmo mais inconsistente (com a identificação de contas bancárias insuficientemente conciliadas), a diretriz fazendária daquela autuação partiu das diferenças entre créditos bancários e débitos comprovados de terceiros, para fins de apurar a omissão de receita passível de autuação, e mesmo assim igualmente descontou as receitas totais declaradas no Livro Diário e compensou os Prejuízos Fiscais e Bases Negativas. Desse modo, não haveria como a presente exigência pretender se vincular apenas parcialmente ao anterior auto de infração, trazendo e colacionando distorcidamente alguns trechos para fundamentar suas insustentáveis ilações, desconsiderando débitos bancários, receitas declaradas e tributos pagos. Da nulidade do Auto de Infração por falta de instrução probatória e incompreensão dos fundamentos e motivos fáticojurídicos da exigência Alega, com base nos arts. 25 e 38 do Decreto nº 7.574/2011, que há falta de instrução do auto com elementos obrigatórios, consistentes nos documentos da diligência anteriormente realizada na empresa "Alsaraiva", assim como dos documentos relativos à ação cível ajuizada pelo exfranqueado em Porto Alegre, acompanhada dos expedientes que subsidiaram o compartilhamento, fatos estes intransponíveis à manutenção da exigência. Argumenta que o Termo de Verificação relaciona os documentos que supostamente estariam sendo apresentados com o auto de infração, mas, diferentemente, não foram disponibilizados à Impugnante quando da intimação da exigência. Defende que tais deficiências prejudicam o contraditório e o amplo direito de defesa, nulificando a exigência, nos termos do artigo 12 do Decreto n.° 7.574/11. Aponta que a própria estruturação e fundamentação do TVF é por demais confusa, obscura e incongruente, dificultando sua compreensão e, com isso, novamente constrangendo o pleno exercício da defesa, o que fica claro pela constante inversão de motivações, em parágrafos fora de contexto e muitas vezes sem conexão. Pontua que não é possível identificar, com precisão, se a fiscalização entendeu que a Impugnante não apresentou documentos inidôneos que comprovassem a natureza da sua atividade e, com isso, confundiu os documentos hábeis e idôneos necessários à comprovação da origem dos depósitos bancários; se desconsiderou os documentos probatórios das origens dos depósitos bancários e, com isso, desconsiderou a própria atividade da Impugnante; ou se desconsiderou a atividade da Impugnante e, por isso, entendeu insuficientes todos os documentos apresentados. Menciona que a fiscalização estava procurando recompor as bases de cálculo dos procoop's devidos por cada franquia, para então validar os montantes creditados nas contas bancárias da Impugnante, o que não teria relação alguma com a sua receita e não tem qualquer relevância na comprovação da origem dos depósitos Fl. 3999DF CARF MF 18 bancários. Entende que quer parecer, até pelo contexto descrito no TVF, que a fiscalização estava procurando indiretamente fiscalizar eventuais omissões de receitas das lojas franqueadas. De todo modo, percebese que a distância e confusão entre os itens do TVF corroboram a sua incompreensão. Alega que autoridade autuante não aceitou nada do que foi apresentado e esclarecido durante toda a fiscalização a título de comprovação de origem dos depósitos bancários, na medida que: os recibos de procoop não eram suficientes; as planilhas de conciliação bancária e contábil não eram suficientes; o contrato de gestão do procoop não era suficiente; a conciliação bancária das franquias depositantes não era suficiente; as GlAs das franquias para comprovar seus faturamentos não eram suficientes; enfim, nada teria sido suficiente para se comprovar a origem dos depósitos bancários. Pontua sobre as passagens dos itens 41 e 46 do TVF e afirma que fica clara a confusão da autoridade fazendária em torno do princípio da competência, pois uma coisa é a data do faturamento eleito para a apuração do procoop devido pela franquia (terceiro mês anterior), que não se confunde com a data em que o procoop é devido, aqui sim a sua competência (o dito fato gerador da receita). Mas ainda assim com ressalva, pois no caso não se está falando de receitas da Impugnante. Entende que houve clara confusão na interpretação dos percentuais devidos pelas franquias a título de procoop (nos termos do contrato de franquia) e o percentual de remuneração do serviço da Impugnante, previsto no contrato com a franqueadora: "33. Concluímos, então, que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração da receita por ela apontadas. Vejamos: primeiramente, conforme contrato firmado com a franqueadora, a receita seria calculada sobre os recebíveis, 10%; em segundo lugar, conforme suas declarações, a receita seria a diferença calculada entre os recebíveis das campanhas de publicidade e os valores gastos com a gestão publicitária do grupo Habib's e, por último, mas não menos importante, há previsão contratual entre franqueadora e franqueada de que o custo de administração a ser auferido pela gestão da propaganda seria de 5%." Conclui que as construções e conclusões expostas no TVF, não obstante serem absolutamente insustentáveis, como se demonstrará no mérito, são completamente contraditórias, incongruentes e desconexas com as atividades produzidas no curso da fiscalização, sendo produto, aparentemente, de uma soma adaptada de outras autuações, o que vicia a motivação da presente exigência. Dos critérios jurídicos vinculados no lançamento lavrado em 2010 e da conseqüente nulidade do auto de infração por violação aos princípios da confiança, irretroatividade e boafé em matéria tributária Alega que desconsiderando e inovando os critérios jurídicos de interpretação anteriormente firmados, a autoridade simplesmente ignorou as saídas bancárias da Impugnante, destinadas ao pagamento das diversas mídias e campanhas publicitárias de interesse da rede Habib's, em nítida intermediação de verbas de terceiros. Ainda quanto à autuação anterior, pontua que, não obstante diversos débitos não estivessem na contabilidade (o que sequer é o presente caso), mesmo assim não foi realizada a desconsideração dos livros e arbitramento do lucro, o que novamente revela a modificação de critérios interpretativos no caso dos autos. Da mesma forma, na apuração da infração anterior, aquele lançamento descontou as receitas totais declaradas no Livro Diário da Impugnante e compensou os Prejuízos Fiscais e Bases Negativas, o que agora não foi observado. Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.992 19 Assim, considera inaceitável a alteração dos critérios interpretativos, conforme jurisprudência citada do CARF e considera que o lançamento é eivado de nulidade material. Da decadência do crédito tributário relativamente ao IRPJ e CSLL baseados em depósitos de janeiro a novembro/2010 e respectivos PIS e Cofins Considerando que o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, a RFB possuiria o prazo de 5 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores para constituir o crédito tributário. Alega que a própria metodologia de lançamento adotada no caso, qual seja, presunção de omissão por depósitos bancários de origem não comprovada, leva à contagem do prazo decadencial a partir de cada depósito, conforme § 1°, do artigo 42, da Lei n.° 9.430/96, segundo o qual "o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira." Argumenta que o termo a quo do prazo decadencial somente se deslocaria para o primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, 1, do CTN, caso a Impugnante nada tivesse declarado e recolhido a título de IRPJ, CSLL, PIS e/ou COFINS na respectiva DCTF, o que não é o caso. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o crédito tributário de IRPJ e CSLL apurado sobre os depósitos bancários de janeiro à novembro de 2010, bem como os lançamentos de PIS e COFINS também de janeiro à novembro de 2010, visto que foram constituídos apenas em 21/12/2015, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores. Ainda que assim não fosse, contandose o prazo decadencial pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1", 2° e 3° trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começarias respectivamente, em 01/04/2010, 01/07/2010 e 01/10/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015, 30/06/2015 e 30/09/2015, enquanto o AIIM foi lavrado em 11. 30/07/2015, nada se alterando em relação ao PIS e à COF1NS, cujas apurações são mensais. Do indevido arbitramento e da inconsistente cumulação da exigência com a fórmula presuntiva de omissão de receitas: um vício circular insanável Defende a absoluta insustentabilidade tanto do arbitramento, como da cumulação da fórmula presuntiva de omissão a partir dos depósitos bancários de origem supostamente não comprovada, e mesmo da base de cálculo utilizada. Pontua que o arbitramento foi justificado pela não utilização dos princípios e critérios contábeis geralmente aceitos; pela omissão de receita de serviços tanto em sua contabilidade quanto em sua DIPJ, utilizandose de artifícios contábeis, escriturando como receita, tanto quanto declarando somente valor para fazer frente às suas despesas administrativas, impossibilitando identificar a efetiva receita e Fl. 4001DF CARF MF 20 deixou de recolher os impostos e contribuições aos cofres públicos e pelas incongruências constante da escrituração contábil e da apuração do Lucro, inclusive pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos. Argumenta que sobre a alegada não utilização dos princípios e critérios contábeis, embora não expressamente atrelado, provavelmente a autoridade fazendária deve estar se referindo ao item 44 do TVF, o qual, em verdade, revelaria uma completa confusão, desconhecimento e distorção dos elementos colhidos e esclarecidos durante a fiscalização. Isso porque, como já se afirmou linhas acima, uma coisa é a data do faturamento eleito para a apuração do procoop devido pela franquia (terceiro mês anterior), que não se confunde com a data em que o procoop é devido, aqui sim a sua competência (o dito fato gerador da receita). E ainda que assim não fosse, divergências quanto aos critérios contábeis utilizados pela Impugnante não tornam sua contabilidade imprestável, não impedindo a apuração de seu lucro real. Alega que o segundo fundamento do arbitramento é ainda mais absurdo, pois pautado na própria omissão de receita que se autuou, como se o auto de infração, por si só, justificasse o arbitramento!! Além do mais, não se esclarece quais seriam os artifícios contábeis que impediriam a apuração do lucro real da Impugnante, sendo as alegações da fiscalização por demais genéricas. Quanto ao terceiro motivo, considera que é baseado em alegadas incongruências constantes da escrituração contábil da Impugnante, pela simples menção à "ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos."e que tais incongruências não estão especificadas, valendo aqui novamente ressaltar que incongruências não se confundem com divergências de critérios entre fisco e contribuinte. Em segundo lugar, quando se fala da incongruência gerada pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos, verificase que a fiscalização se utiliza do mesmo fundamento adotado para a atuação, baseandose na mesma presunção para, agora, justificar o arbitramento, o que não se sustenta. Entende que os fatos e acusações apontadas no TVF passam longe de uma imprestabilidade da contabilidade para fins de identificação do lucro real, sendo insuficientes, assim, a fundamentar o arbitramento. Alega que com um mesmo e único fundamento (presunção de omissão de receita por depósitos de origem não comprovada), a autoridade fazendária procurou simplificar seu trabalho fiscalizatório e, assim, extraiu múltiplas consequências, com a exigência dos tributos omitidos, arbitramento do lucro e qualificação da multa. Considera arbitrário, pois uma coisa seria a não identificação da movimentação bancária na contabilidade (possível justificação do arbitramento); outra seria a identificação de movimentação bancária incompatível com a contabilidade (o que justificaria a tributação presuntiva, não o arbitramento). Sustenta que ou não se identifica a movimentação bancária e promovese o arbitramento do lucro; ou identificase uma movimentação bancária de origem não comprovada e tributase a omissão presumida, de modo que, por qualquer ângulo que se analise a questão, não há como se sustentar o arbitramento levado à efeito. Da indevida presunção de omissão – Da integral comprovação da contabilização e da origem de todos os depósitos bancários Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.993 21 Alega que a própria Autoridade Fiscal confirma a contabilização de todos os depósitos bancários “sob o título contábil 220473000020073 — CONTAS CORRENTES CLIENTES" Explica que os depósitos bancários, por sua vez, eram contabilizados como contrapartida à crédito na conta 200739 (contas correntes clientes), uma conta de passivo, corretamente evidenciando se tratarem de valores de terceiros e que meramente transitavam na contabilidade da Impugnante, o que aliás também foi identificado pela fiscalização e está descrito no item 65 do TVF. Anexa cópias impressas dos razões contábeis dessas contas (doc. 03). Evoluindo na dinâmica contábil da Impugnante, temse que esses valores de terceiros, quando destinados para o pagamento das diversas veiculações das campanhas publicitárias da rede, eram debitados nessa mesma conta 200739, reduzindo, portanto, o passivo da Impugnante. Sustenta que concordando ou não com tais contabilizações, concordando ou não com a evidenciação das atividades desenvolvidas pela Impugnante, o que não se pode negar é que (i) sua contabilidade não é imprestável, e (ii) não há que se falar em falta de comprovação de origem dos depósitos bancários. Pontua que o trabalho realizado pela auditoria independente especialmente contrata para esse fim foi extremamente minucioso, tendo vinculado cada depósito bancário com cada depositante e com cada lançamento contábil correspondente, inclusive com links na própria planilha, com remissão ao documento respectivo. Nesse sentido, a Impugnante reapresenta o referido trabalho, agora inclusive mais detalhado (doc. 04), para que então se afaste em definitivo a alegada ausência de comprovação das origens dos depósitos bancários. Assim explica: Apesar das suspeitas levantadas, em relação ao item 25 é de se observar que, por se tratar de empresa ligada, a Impugnante de fato não realizava as retenções a que contratualmente teria direito, e, por isso, mantinha todos os valores à disposição das campanhas publicitárias de interesse da marca Habib's, fato absolutamente normal no seguimento de franquia, o que igualmente afasta as conclusões do item 31, de que não havia a destinação de mais de 90% para as diversas veiculações. Isso porque, em primeiro lugar não houve qualquer análise dos repasses realizados pela Impugnante, na medida em que os depósitos bancários foram simplesmente desprezados pela fiscalização. E em segundo lugar, os valores eram mantidos e transferidos, se houvesse superávit, para os exercícios seguintes. Como já ficou claro, a verdadeira motivação da exigência está revelada nos itens 62 e 63 do TVF13, quando então se constata a divergência da autoridade fazendária em face das demonstrações da Impugnante e suas infundadas dúvidas acerca da natureza dos depósitos, o que não se confunde com não comprovação de suas origens. Nesse sentido, os depósitos bancários objeto da exigência se referem a valores com origens devidamente comprovadas, o que afasta, desde logo, a presunção indevidamente utilizada, in verbis: (...) Fl. 4003DF CARF MF 22 Pelas razões expostas, com o perdão do pleonasmo, a integralidade dos valores de origem comprovadamente comprovada não pode compor a receita bruta utilizada, baseada na presunção de depósitos de origem não comprova. Da tributação específica das agências de publicidade – da necessária consideração das despesas/repasses publicitários Pontua que existe regime de tributação próprio para agências de publicidade, qual seja, art. 53, II, e art. 54 da Lei nº 7.450/1985 c/c art. 54 da Lei nº 4.506/1964 e art. 366 do RIR/1999 e art. 13 da Lei nº 10.925/2004. Sustenta que apuração das bases de cálculo tanto do IRPJ e da CSLL, como do PIS e da COFINS, são sensibilizadas pelas importâncias repassadas pela Impugnante às diversas campanhas publicitárias da rede Habib's e cita soluções de consulta interna. Argumenta que as receitas da Impugnante estão intrinsecamente relacionadas com as despesas de propaganda, pois "excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora", motivo pelo qual, caso mantida a exigência, esta deve ser requantificada, de modo a excluir os repasses realizados. Da incorreta tributação cumulativa do PIS e da Cofins Alega que em relação ao PIS e à Cofins, o Auto de Infração foi lavrado pelo regime cumulativo, sendo que a Impugnante era tributada, em 2010, pelo lucro real trimestral, ensejando, portanto, a apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Argumenta caracteriza vício material insanável, mas ainda que assim não fosse, deveriam ser considerados, na apuração das contribuições, todos os créditos decorrentes das despesas com publicidade. Pontua que o artigo 13 da Lei n.° 10.925/2004 veda o aproveitamento de créditos "em relação às parcelas excluídas", ou seja, sobre as parcelas que, uma vez repassadas para as mídias em geral, não integraram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim conclui: Mas, uma vez mantida a tributação integral de todos os depósitos bancários da Impugnante, devese, como corolário lógico, autorizar a apuração dos créditos devidos sobre todos os repasses às campanhas publicitárias. De todo modo, ainda que assim não se entenda, mantida a tributação cumulativa do PIS e da COFINS, devese considerar a exclusão dos repasses na apuração do faturamento, nos termos do referido artigo 13 Lei n.° 10.925/2004 e do conceito de faturamento já pacificado em torno do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98. Da falta de dedução dos tributos pagos em DCTF, com a readequação da Receita Bruta utilizada como base para o Lucro Arbitrado Pontua que a fiscalização sequer considerou e excluiu, na apuração do lucro arbitrado, as receitas já declaradas e tributadas em DIPJ e DCTF. Ou seja, no lançamento arbitrado do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre todos os depósitos bancários da Impugnante, a autoridade fazendária deixou de deduzir a respectiva receita bruta já declarada e tributada, quanto menos os tributos pagos em DCTF, acarretando indevido e insustentável bis in idem. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.994 23 Assim, ao se manter na base de cálculo do arbitramento a receita bruta conhecida que já sofreu tributação, majorase indevidamente a apuração do lucro arbitrado da Impugnante, com a incidência de multa e juros que também acabam distorcendo e penalizando dupla e indevidamente o contribuinte. Notese que, ao se manter as insubsistentes exigências, os vícios de fundamentação e quantificação vão se agravando, reiterando e reforçando a nulidade absoluta e insanável do lançamento. Da falta de exclusão do PIS e da Cofins da Base do IRPJ e da CSLL Pontua que nos termos do artigo 41 da Lei n.° 8.981/95, "os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência", o que foi ignorado na quantificação da exigência. Alega que os valores de PIS e COFINS lançados no presente auto de infração devem, por imposição legal, ser deduzidos do IRPJ e da CSLL apuradas e lançadas em cada trimestre do ano de 2010 e cita jurisprudência. Sustenta que caso não se entenda pela nulidade absoluta do lançamento, deve se promover às correções de todas as distorções geradas pelo confuso auto de infração, adequando e requantificando sua base de cálculo para excluir os repasses de publicidade, as receitas tributadas e o PIS e COFINS da base do IR e da CSLL. Da insustentabilidade na aplicação da multa qualificada Alega que de acordo com o TVF, a multa de ofício foi qualificada em 150%, sob o argumento de que "a empresa, durante todo o procedimento fiscal, prestou esclarecimentos sem comprovação," fundamentando sua qualificação genericamente no artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, sem especificar e individualizar o fundamento. Argumenta que nos termos do artigo 44, inciso 1, § 1°, da Lei n.° 9.430/96, alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64 precisaria ser demonstrada e comprova, mas a fiscalização sequer individualizou o dispositivo. Sustenta que o que se percebe, então, é que os mesmos fundamentos e argumentos que embasaram o arbitramento, igualmente justificaram a qualificação da multa, não podendo ser agregados, havendo indevida cumulação de fatos que já possuem consequências específicas. Cita jurisprudência. Defende que nos casos dos autos, além de presumida, a Autoridade Fiscal qualificou a multa com base numa fraude em tese, o que também não se pode admitir e cita jurisprudência. Considera que a multa deve ser reduzida para 75%. Conclusão e pedido Em razão de tudo o quanto exposto, não há como o auto de infração prosperar, seja em razão das nulidades na formulação da exigência (vício de instrução probatória); seja em razão da impossibilidade de retroação da alteração de critérios jurídicos; seja em razão da decadência; seja em razão do inconsistente arbitramento, imotivada e incongruente fundamentação, bem como incorreta metodologia da hipótese presuntiva; seja ainda por conta da indevida base de cálculo adotada. Fl. 4005DF CARF MF 24 Na inesperada hipótese de assim não se entender, devese determinar a correção das bases de cálculo adotadas, com a recondução da receita bruta, excluindose os repasses relativos às campanhas publicitárias, deduzindose da receita bruta arbitrada a receita bruta declarada e tributada, deduzindose o PIS e COFINS da base do IRPJ e da CSLL, bem como cancelando a qualificação da multa de oficio vinculada. Assim sendo, a Impugnante requer o conhecimento e regular processamento da presente defesa, com o seu encaminhamento à competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento para que seja julgada inteiramente procedente, extinguindo se integralmente o crédito tributário sob discussão, ou, subsidiariamente, para que seja refeita a base de cálculo considerada e se reduza a multa vinculada para 75%. Por derradeiro, a Impugnante protesta pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, bem como, caso se entenda imprescindível, pela conversão do julgamento em diligência, de forma a possibilitar a mais justa e correta composição da presente demanda. Por fim, requer que todas as publicações, notificações, intimações e comunicações pertinentes aos atos do presente feito sejam endereçadas, exclusivamente, ao advogado Dr. Marcos Ferraz de Paiva, devidamente inscrito na OAB/SP sob o n.° 114.303, com escritório na Rua Padre João Manuel, n.° 755, 8° andar, bairro Cerqueira César, São Paulo — SP, CEP 01411001. Em atenção ao artigo 16, V, do Decreto n.° 70.235/72, a Impugnante informa que não está questionando judicialmente a matéria objeto destes autos. B DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR JOÃO AUGUSTO RIBEIRO PENNA Pontua que o Impugnante, no passado, foi sócio e administrador da empresa PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA., situação que deixou de ostentar em 06/09/2013, quando alienou a totalidade de suas ações (doc. 04), sendo que em 29/01/2015 desligouse completamente da empresa, deixando também seu cargo de administrador (doc. 05). Alega que conforme DIPJ/2011, anexa, relativa ao período autuado (ano base 2010 — doc. 06), em que a Platina apurou suas receitas, correspondentes à contrapartida de seus custos e despesas operacionais, sem distribuição de lucros, investimentos, ou outras ações que denotassem interesse econômico próprio, além da realização dos objetivos publicitários da marca Habib' s. Argumenta que se constata que o Impugnante, não obstante constasse como sócio administrador da Platina durante o ano base 2010, este de fato era mero preposto que recebia apenas um prólabore para exercer e atender os interesses e determinações publicitárias em beneficio da rede Habib's, no que se refere à cobrança e administração do seu fundo de propaganda e à promoção de suas ações de marketing. Tanto é assim que, ao também responsabilizar solidariamente a sócia Belsaraiva Comércio, Empreendimentos Imobiliários e Participações EIRELI, pelo crédito tributário lançado, a fiscalização sugeriu que a Platina era indiretamente comandada por esta, e que tal empresa seria a responsável pelo suposto esquema de sonegação fiscal engendrado na empresa Platina. Sustenta que apesar de tudo isso, e contraditoriamente ao consignado no termo de sujeição passiva da empresa Belsaraiva, a fiscalização consignou no anexo termo de sujeição passiva que "houve conduta dolosa do administrador [ora Impugnante] no sentido de omitir da administração tributária federal a receita Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.995 25 decorrente da prestação de serviços, DIPJ declarada apenas com valores para fazer frente às despesas e custos, conforme já mencionado, e de evitar o pagamento do tributo sobre esta receita (sonegação). Tais condutas, configuramse atos praticados com infração de lei, sujeitando o agente à responsabilização solidária, nos termos do art. 135 do CTN". Ora, como dito, os valores geridos pela Platina não representam sua receita, senão valores de terceiros, não havendo, portanto, omissão, senão discordância quanto aos critérios de sua apuração, muito menos tendo havido omissão dolosa, pois o lançamento se deu com base em presunção. Sustenta que o impugnante não foi intimado no curso do procedimento fiscal, para que esclarecesse a suposta conduta dolosa que lhe foi atribuída (ausência de contabilização de receitas com intuito sonegatório) e que para justifica sua responsabilização pelo art. 135, III, do CTN, fiscalização asseverou que o Impugnante determinou, com dolo de sonegação, a não contabilização dos depósitos ocorridos nas contas bancárias da empresa Platina, sem que nenhuma prova dessa conduta dolosa fosse produzida nesse sentido. Entende que a responsabilização tributária, no caso, foi atribuída ao Impugnante apenas "em tese", ou seja, com base em meras suposições. Alega que para agravar, o Impugnante sequer foi legalmente intimado sobre a lavratura do AIIM e sobre sua responsabilização solidária, nos termos dos arts. 10, inc. V, e 23, II, §4°, I, ambos do Decreto n° 70.235/72: a intimação, via postal, foi enviada apenas à autuada principal em seu domicílio tributário. Assim, e embora, legalmente, o Impugnante sequer tenha sido notificado de tais lançamentos e de sua suposta responsabilidade tributária, o Impugnante ainda teve seus bens arrolados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Contudo, os argumentos utilizados pela fiscalização, por estarem desprovidos de qualquer elemento de prova, não se prestam à fundamentação da responsabilidade tributária do Impugnante, conforme razões de direito a seguir. Da decadência para a responsabilização tributária do impugnante, por ausência de intimação válida Alega que o Impugnante não foi legalmente intimado sobre a lavratura do AIIM e sobre sua responsabilização solidária, nos termos dos arts. 10, inc. V, e 23, II, § 40, I, ambos do Decreto n° 70.235/72, os quais determinam que a intimação sobre o lançamento fiscal, quando via postal, deve ser encaminhada ao domicílio tributário do contribuinte/responsável que, no caso do Impugnante, é o município de Santana do Parnaíba SP. Ocorre, todavia, que a intimação postal foi enviada à autuada principal em seu domicílio tributário (São PauloSP), motivo pelo qual deverá ser reconhecida a nulidade formal do auto de infração pelo vício de intimação e, por consequência, deverá ser reconhecida a decadência para a responsabilização solidária do Impugnante. Discorre sobre o prazo decadencial de 5 anos para constituir o lançamento, contado da data de ocorrência do fato gerador, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando existir recolhimentos parciais e defende que Fl. 4007DF CARF MF 26 o mesmo raciocínio também se aplica ao prazo decadencial para a responsabilização tributária fulcrada no art. 135, III, do CTN, o qual deve ser contado a partir dos fatos geradores autuados, considerando que o crédito tributário foi constituído com base na presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar o Impugnante pelo crédito tributário de IRPJ e CSLL. PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre 01/01/2010 à 31/12/2010, visto que até a presente data ainda não ocorreu a notificação do lançamento ao Impugnante. Alternativamente, mesmo que apenas para argumentar se entenda que o Impugnante foi notificado do lançamento por meio da carta recebida pela autuada em 21/12/2015, temse que estariam decaídos os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 20/12/2010. Ainda argumentando, contandose o prazo decadencial para a responsabilização pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1°, 2° e 3° trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010, 01/07/2010 e 01/10/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015, 30/06/2015 e 30/09/2015, sendo que o AIIM foi notificado em 21/12/2015, nada se alterando em relação ao PIS e à COFINS, cujas apurações são mensais. Subsidiariamente, deverá ser reconhecida a nulidade formal da intimação do Impugnante, devolvendolhe o prazo de impugnação, a fim de que tenha tempo para obter cópia de todo o procedimento fiscal e do auto de infração lavrado contra a autuada principal e, com isso, possa exercer amplamente o seu direito de defesa. DA IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA AO IMPUGNANTE ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO EM PROVAR A PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ART. 135 DO CTN, DO QUAL NÃO SE DESINCUMBIU PRECEDENTES DO CARF E STJ MERO INADIMPLEMENTO QUE NÃO AUTORIZA A COBRANÇA DO SÓCIO Pontua que a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, fora atribuída ao Impugnante com base nas seguintes condutas: (i) O Impugnante teria agido com dolo, excesso de poderes e com intuito sonegatório, ao não apurar na Platina o "lucro líquido e consequentemente seu lucro real, tampouco apresentou documentos que comprovassem a natureza e a origem de seus créditos bancários"; e (ii) O Impugnante não teria zelado pela correta escrituração dos livros contábeis, infringindo, com isso, os artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, o que caracterizaria a infração à lei como hipótese de responsabilização tributária do administrador descrita no art. 135, III, do CTN. Alega que cabe à autoridade administrativa, no procedimento de lançamento, averiguar e comprovar o ato lesivo e doloso praticado pelo diretor/administrador com excesso de poderes ou infração à lei, capaz de lhe atribuir a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária. Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.996 27 Defende que o art. 50 do Código Civil, fornece subsídios capazes de definir quando fica autorizada a responsabilização pessoal, dos gerentes e administradores das pessoas jurídicas: a) desvio de finalidade; e b) confusão patrimonial. Ou seja: somente mediante demonstração clara e precisa pela fiscalização de que o Impugnante incorreu em alguma das hipóteses mencionadas, e que teria condições de praticar fatos que configurem desvio de finalidade ou confusão patrimonial, é que poderia ser imputada a responsabilidade aqui abordada. Assim, delimitados os contornos jurídicos do art. 135, III, do CTN, insta ressaltar que, na seara fáticoprobatória, a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que o Impugnante, no ano base 2010, administrou a empresa autuada com dolo de sonegação fiscal, agindo com excesso de poderes e com infração à lei ou ao contrato social. Como assumiu a própria fiscalização, a responsabilidade tributária do Impugnante existiria apenas "em tese", já que o antecedente da norma de responsabilização não foi trazido ao mundo jurídico pelas competentes provas da hipótese correspondente, o que nulifica materialmente o termo de sujeição passiva. Defende que os dispositivos de lei tidos pela fiscalização, "em tese", como violados, quais sejam, os artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, tratam apenas dos princípios gerais que devem nortear a administração da sociedade, cuja ofensa não foi pormenorizada pela fiscalização, que se resumiu a alegação genérica de ausência de apuração e escrituração nos livros contábeis, das supostas receitas da Platina que comporiam o lucro líquido do período, que em verdade não existiram! Considera que a fiscalização autuaria a empresa Platina, independentemente de qualquer esclarecimento ou documento adicional que fosse apresentado no procedimento fiscal, pois estava influenciada por falsas denúncias perpetradas em uma ação indenizatória por um descontente exfranqueado Habib's. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE PRESUMIR O DOLO PARA A RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA — DO INDÍCIO, DA PRESUNÇÃO, DOS LIMITES IMPOSTOS À UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO Alega que comprovandose tão somente a existência de vínculo societário e de subordinação entre o Impugnante e a autuada principal, bem como que o lançamento se deu com base na presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é inegável que a responsabilização tributária está fundada exclusiva e meramente em indício e presunção, insuficientes, portanto, à necessária caracterização da conduta dolosa do Impugnante. Argumenta que o fato de o Impugnante ter sido sócio/administrador da autuada principal não comprova que os tributos deixaram de ser recolhidos em conduta dolosa e infratora da legislação comercial, consubstanciada na ausência de escrituração dos livros contábeis. Considera que o auto de infração foi lavrado com base em simples presunção de depósitos de origem não comprovada, e todos os depósitos estavam regularmente contabilizados, em que pese a fiscalização não tenha concordado com seus registros em contrapartida do passivo, não do resultado. Entende que, no presente caso, não há sequer indício válido que respalde a dupla presunção que Fl. 4009DF CARF MF 28 fundamentou esta imputação de responsabilidade (presunção de omissão de receita e presunção de conduta infratora da legislação comercial), ficando patente que a I. Fiscal autuante abusou de suas prerrogativas, imputando ao Impugnante responsabilidade por débito que não lhe compete e o fazendo com base em mera suposição! Sustenta que ao se deparar com um indício de crédito tributário devido pelo sujeito passivo principal, deveria o Fisco, com base em tal constatação, e querendo atribuir responsabilidade por tal infração a terceiros, adotar medidas visando encontrar provas concretas da efetiva participação destes terceiros no ato, nos termos do artigo 135, III, do CTN, para além do vínculo societário e administrativo apurado! Do pedido Requer o provimento desta defesa para a exclusão do Impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária constituída pelo auto de infração em epígrafe, visto que não comprovado qualquer fato praticado pelo Impugnante com excesso de poderes, infração à lei ou do contrato social, para a responsabilização pessoal nos termos do art. 135 III, do CTN. C – DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR BELSARAIVA COMÉRCIO, EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI Pontua que foi imputada a responsabilidade tributária contra a impugnante com fundamento no art. 124, I, do CTN, e alega que não pode a Impugnante concordar com tal enquadramento, na medida em que, embora comprovado o quadro societário da empresa autuada, não há que se confundir o conceito legal de interesse comum, não havendo, ainda, confusão entre as distintas personalidades jurídicas. Registra que a empresa Platina não foi constituída com o intuito de gerar lucros para investimentos próprios ou para distribuição aos sócios e administradores, mas apenas para a cobrança e administração do fundo de propaganda e promoção de ações de marketing das franquias Habib's, razão pela qual faturava apenas proporcionalmente os seus custos e despesas contábeis. Comenta que pela DIPJ/2011, anexa, relativa ao período autuado (ano base 2010 — doc. 06), a Platina apurou suas receitas correspondentes à contrapartida de seus custos e despesas operacionais, sem distribuição de lucros, investimentos, ou outras ações além da realização dos objetivos publicitários das franquias Habib's. Ou seja, teria sido comprovado que a movimentação financeira da Platina, no período fiscalizado, evidenciou meros trânsitos de valores, não espelhando faturamento, para o qual se fez necessário descontar os repasses realizados às diversas mídias, motivo pelo qual não seria justificável o espanto da fiscalização com a diferença entre os valores declarados e movimentados, já que tal diferença se trata de fundo alimentado por terceiros e destinado ao marketing da marca Habib's, ou seja, tratase de verba não tributável na Platina. Defende que não havia como a Impugnante se beneficiar de uma suposta sonegação de tributos sobre um fluxo financeiro que, em verdade, não se tratou de receitas da Platina, mas sim de fundo de propaganda cobrado e administrado por tal empresa. Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.997 29 Entende que a responsabilização tributária foi atribuída à Impugnante apenas por ser sócia da autuada principal, já que nunca lhe foi distribuído lucro algum apurado pela Platina e, portanto, nunca teve interesse econômico ou jurídico na ocorrência de um suposto fato gerador (renda, lucro, receita). Conclui que a responsabilização se deu com base apenas numa teoria de sonegação fiscal, desprovida de qualquer prova de que a Impugnante teria praticado em conjunto um suposto fato gerador de renda ou faturamento, ou que tenha se beneficiado, por meio de fluxo financeiro entre as empresas em tela, dos depósitos referentes ao fundo de propaganda administrado pela autuada principal, o que de fato nunca existiu. Considera que é impossível a pretensão de atribuir à Impugnante responsabilidade solidária com base nos argumentos e no dispositivo legal (art. 124, I, do CTN) trazidos a lume, já que responsabilidade não se presume, sendo impreterível a comprovação da participação da Impugnante na situação configuradora do fato gerador, o que não ocorreu. Afirma que a própria fiscalização admite que presumiu um mero interesse econômico da Impugnante na prática do fato gerador. Sustenta que a Autoridade Fiscal limitouse a apontar elementos que, quando muito, demonstram a relação societária entre as empresas em questão, fundamentando na sequência a sua pretensão no art. 124, I, do CTN, dispositivo que preceitua que serão responsáveis solidárias "as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", o que não se aplicaria à Impugnante. DA DECADÊNCIA PARA A RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE Discorre sobre o prazo decadencial de 5 anos para constituir o lançamento, contado da data de ocorrência do fato gerador, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando existir recolhimentos parciais e defende que o mesmo raciocínio também se aplica ao prazo decadencial para a responsabilização tributária fulcrada no art. 135, III, do CTN, o qual deve ser contado a partir dos fatos geradores autuados, considerando que o crédito tributário foi constituído com base na presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar o Impugnante pelo crédito tributário de IRPJ e CSLL. PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre 01/01/2010 à 17/12/2010, visto que a notificação do lançamento ocorreu apenas em 18/12/2015, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos desde os respectivos fatos geradores. Ainda argumentando, contandose o prazo decadencial para a responsabilização pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1°, 2° e 3° trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010, 01/07/2010 e 01/10/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015, Fl. 4011DF CARF MF 30 30/06/2015 e 30/09/2015, sendo que o AIIM foi notificado em 18/12/2015, nada se alterando em relação ao PIS e à COFINS, cujas apurações são mensais. DA IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — ART. 124, I, CTN Pontua que para fins de responsabilidade solidária pelo crédito tributário, o "interesse comum" de que trata o CTN não é revelado pelo simples interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (como aduziu a fiscalização), mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação fática descrita no antecedente da norma tributária: o fato jurídico tributário. Cita jurisprudência. Entende que são responsáveis solidárias pelo pagamento do crédito tributário duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas parceiras dentro de unia mesma empreitada econômica, que praticam em conjunto um mesmo fato gerador, cuia riqueza gerada e tributada beneficia ambas as partes responsabilizadas solidariamente pelo pagamento do débito tributário. Alega que a relação entre a Impugnante e a autuada Platina — duas pessoas jurídicas de direito privado autônomas — sempre foi apenas societária, sem apuração e distribuição de lucros, já que a autuada foi constituída com o fim específico de administração do fundo de propaganda da rede Habib's e que ante às constatações do termo de verificação fiscal e aos documentos constantes dos autos, os quais demonstram claramente a autonomia financeira entre as duas empresas, não há como se confundir o patrimônio, o faturamento e as receitas pertencentes à Impugnante, com o fluxo financeiro da autuada que espelhava capital alheio. Argumenta que ainda quando se trata de grupo econômico, a jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça afasta a tipicidade do art. 124, I, do CTN, quando as empresas pertencentes ao grupo não praticam, em conjunto, o fato gerador da obrigação principal. Indaga qual seria a participação da Impugnante no faturamento da autuada principal, contabilizado apenas para fazer frente às suas despesas operacionais? Onde estariam as provas da existência de fluxo financeiro, ou de distribuição de lucros da autuada para a Impugnante, que indiciasse um beneficiamento num suposto esquema de sonegação? Onde se encontraria o alegado enriquecimento ilícito da Impugnante? Conclui que a responsabilidade solidária ora discutida foi ilegalmente atribuída à Impugnante com base em mera presunção (de beneficiamento econômico num suposto esquema de sonegação), decorrente de uma outra presunção (omissão de receita por suposta não comprovação da origem de depósitos bancários), o que não se pode admitir. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE PRESUMIR O DOLO PARA A RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA — DO INDÍCIO, DA PRESUNÇÃO, DOS LIMITES IMPOSTOS À UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO Alega que comprovandose tão somente a existência de vínculo societário entre a Impugnante e a autuada principal, é inegável que a responsabilização Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.998 31 tributária está fundada exclusiva e meramente em indício, pois não foi realizado qualquer procedimento de apuração da real participação da Impugnante na situação configuradora dos fatos geradores, quanto menos apresentada qualquer prova visando demonstrar a necessária caracterização da conduta dolosa do Impugnante. Argumenta que o fato de o Impugnante ser sócia da autuada principal não comprova, sequer indiciariamente, a relação da Impugnante com os supostos fatos geradores dos tributos autuados. Considera que, no caso sob análise, ao deparar com um indício de c´redito tributário devido pelo sujeito passivo principal, deveria o Fisco, com base em tal constatação, e querendo atribuir responsabilidade por tal infração a terceiros, adotar medidas visando encontrar provas concretas da efetiva participação destes terceiros no ato, nos termos do art. 124 do CTN, para além do vínculo societária apurado. Cita jurisprudência no sentido de que a responsabilidade tributária não se presume, mesmo nas hipóteses em que configurado grupo econômico de fato ou de direito. Sustenta que não existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre a Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, verificase que a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação, requisito este imprescindível para a validade dos atos da administração pública, sendo que o ato administrativo destituído de motivação é nulo, bem como nulo o lançamento dele decorrente. Do pedido Requer o provimento desta defesa para a exclusão do Impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária constituída pelo auto de infração em epígrafe, visto que não comprovado seu interesse comum na prática dos fatos geradores, de modo a lhe atribuir a responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, do CTN. IX – DA DILIGÊNCIA Por meio da resolução nº 2.002.098, de 20 de fevereiro de 2017, a 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte resolveram converter em diligência o julgamento do processo no intuito que o Fisco: (i) proceda uma análise ou auditoria das saídas de valores do contacorrente mantido pela autuada para quantificar, em cada período mensal autuado, qual parcela se refere ao comando do art. 13, da Lei nº 10.924, de 13 de julho de 2004, relacionando as referidas despesas com os depósitos bancários, de origens não comprovadas; (ii) na auditoria solicitada no item anterior as demais questões pertinentes devem ser sopesadas, tais como, quanto à efetividade e comprovação por documentação hábil e idônea (notas fiscais, contratos de propaganda e publicidade, veiculação de mídias em televisão, rádios e jornais, etc.); (iii) os valores declarados (em DCTF) e efetivamente pagos, relativamente aos tributos exigidos no presente lançamento devem ser, para cada período autuado, levantados. Nas fls. 3632 a 3639, anexouse o Relatório Fiscal de Diligência, onde foi esclarecido pela Autoridade Fiscal que não restou comprovada a atividade Fl. 4013DF CARF MF 32 efetivamente exercida pela autuada, pois apesar de instada diversas vezes, durante o procedimento de fiscalização, a apresentar documentos que efetivamente comprovassem a origem e a natureza dos créditos constantes de sua movimentação financeira, defendeu a idéia de ser uma empresa de propaganda e marketing, com base apenas em argumentos teóricos. Esclareceu que durante todo o procedimento, desde o início, a autuada apresentou e reapresentou os documentos de destinação dos recursos, ou seja, os documentos de pagamento. Esses documentos, por si só, não podem e não devem determinar as comprovações de origem de recursos (recebimentos). Pontua que é condição “sine qua non” para análise dos documentos de pagamentos para que a empresa possa se beneficiar do enquadramento no art. 13, da Lei nº 10.925/2004, a comprovação de que efetivamente seus recebimentos são relativos à propaganda e publicidade. Considerou que embora tenha alegado o tempo todo que apresentou documentos, em nenhum momento, nem mesmo em sua impugnação, a autuada apresentou documentos efetivamente comprobatórios de sua movimentação financeira e que planilhas em ‘excel”, recibos em “Word” e declarações não têm o condão de documento probatório da origem e natureza dos créditos e, portanto, de sua atividade. Entendeu que tanto pela total carência de documentos probatórios, quanto da análise contábil contida no TVF e, ainda, pelas contradições e equivocadas declarações, bem como o não cumprimento de imposição contratual de gestão dos fundos de forma controlada, sendo o conteúdo desse contrato, nesse tocante completamente desprezado, que a imposição legal contida no art. 54 da Lei nº 7.450, de 1985, não foi satisfeita, pois não é possível afirmar qual a atividade explorada pela empresa. Assim, os recebimentos, objeto do lançamento, podem se tratar de algum outro recebimento que não tem nenhuma correspondência com os valores relativos a recebimentos referentes a contribuição de franqueadas para o fundo de propaganda. Nada é possível afirmar, uma vez que documentos comprobatórios de origem desses recebimentos nunca foram apresentados, embora a empresa tenha sido intimada e reintimada várias vezes. Quanto aos valores declarados em DCTF, apresentada tabela para que os valores sejam retificados, conforme fls. 3637 e 3638. Nas fls. 3644 a 3650, anexouse manifestação da impugnante sobre o Relatório Fiscal da Diligência, onde pontua que a Autoridade Fiscal atendeu objetivamente somente o item ‘iii” da resolução e, de resto, limitouse a tecer considerações em defesa do Auto de Infração. Comenta que a Autoridade Fiscal pretende se vincular apenas parcialmente ao procedimento realizado no anterior AIIM lavrado contra a Impugnante, e transcreve em nota: No qual se concluiu que: “A documentação apresentada pelo contribuinte revelou que realmente grande parte dos débitos em contascorrentes se referem a pagamentos de despesas de publicidade e propaganda (anúncios de TV, cartazes, ‘outdoor’, cardápios, etc.) das lojas do HABIB’S. Como os valores depositados por cada loja variam de acordo com as receitas brutas das mesmas e com a publicidade de cada região (são diferentes em todo o país) não foi possível identificar individualmente os créditos. MESMO ASSIM, ENTENDEMOS QUE TAIS DESPESAS DEVERIAM SER DESCONTADAS DOS TOTAIS RECEBIDOS. (...) APESAR DE NÃO ESTAREM NA Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.999 33 CONTABILIDADE, ALGUNS DÉBITOS DESSAS CONTAS FORAM COMPROVADOS E SE REFEREM A DESPESAS DE TERCEIROS.” Considera que é a própria autoridade fazendária que, no item 65 do TVF, confirma a contabilização de todos os depósitos bancários “sob o título contábil 220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES”, e sobre isso não há dúvidas, sobretudo a partir da conclusão manifestada no item 111 do TVF, de que “a contabilidade do AC 2010, registra o total do valor movimentado em instituições financeiras (...)”, mas que apesar disso, a fiscalização, não considerando qualquer comprovação de origem dos depósitos (cujos dados das lojas depositantes, aliás, constam nos próprios históricos dos lançamentos contábeis), autuou o total de créditos bancários em 2010 no montante de R$ 29.884.273,83. Ou seja, para a fiscal, 100% dos depósitos bancários representaria receita de serviços. Pontua que concordando ou não com a evidenciação das atividades desenvolvidas pela Impugnante, não se pode negar que a apuração da sua receita bruta é diretamente dependente dos repasses realizados e que do contrário, estarse ia negando as legítimas atividades desenvolvidas pela Impugnante e suas correlatas despesas com marketing, como veiculações em mídias e produção de propaganda impressa. Destaca que as planilhas apresentadas durante a fiscalização não só contêm uma analítica conciliação contábilfinanceira dos créditos bancários a título de propaganda cooperada (o chamado “procoop”), detalhando individualmente todas as fontes pagadoras (lojas franqueadas), como também a indicação dos correspondentes cheques e recibos de pagamento, bem como todos os repasses a título de campanhas e marketing. Pontua que apesar da comprovação da origem de todos os depósitos (sendo descabido falar em “origem da origem”), a Impugnante já havia apresentado, em petição de 03/11/15 (TIF 13), uma conciliação de base com os faturamentos das lojas franqueadas e apresenta uma tabela com a relação de empresas, faturamento 12/2010 e Procoop 03/2011. Ainda, afirma que com a petição apresentada em 29/03/16 (TIFs 17 e 18), a Impugnante esclareceu detalhadamente as previsões legais e contratuais, bem como a natureza e o fluxo de cobrança dos depósitos bancários a título de propaganda cooperada (“procoop”), nos termos que reproduz. Ao final, reitera pela total improcedência e insubsistência da exigência do lançamento. Em sessão de 28 de julho de 2017 a 10ª Turma da DRJ de Belo Horizonte considerou procedente em parte a impugnação: rejeitando as preliminares de nulidade e decadência; mantendo a responsabilidade tributária do Sr. João Augusto Ribeiro Penna e da Belsaraiva Comércio Empreendimento Imobiliários e Participações Ltda.; deduziu os tributos declarados em DCTF; e manteve a multa qualificada. Apresentaram Recurso Voluntário tanto a Platina, quanto os dois responsáveis, Alsaraiva e João Augusto. Recurso voluntário da Platina Gestão de Negócios Ltda. Diz que é agência de publicidade e que gere fundo da rede Habib's; Fl. 4015DF CARF MF 34 que sua movimentação bancária é caracterizada pela intermediação de valores de terceiros; que a verba que recebe de cada franqueado é calculada com base em percentual do faturamento; diz que todos os depósitos bancários foram contabilizados na conta contábil CONTAS CORRENTES CLIENTES; que a relação de notas fiscais apresentada à fiscalização mostra gastos pertinentes a sua atividade; defende que comprovou a origem com os recibos por ela assinados, e que é indevida a exigência de documentos de terceiros (franqueados). Dessa forma, o que se tem nos autos não representa discussão sobre a comprovação ou não da origem dos depósitos bancários e seus fatos indiciários, mas sim a discussão acerca da origem da origem dos depósitos (faturamentos das lojas pagantes, sobre os quais é calculado o procoop), o que não se pode admitir, conforme demonstrarseá nos tópicos de direito adiante; DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA INSTRUTÓRIA, AUSÊNCIA DE JUNTADA DOS RESPECTIVOS EXTRATOS E INCOMPREENSÃO ACUSATÓRIA os extratos bancários não foram juntados aos autos; ou seja, no caso de autuação baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, as condições mínimas a serem observadas, para que a regra presuntiva seja validamente aplicada, exigem: (i) a intimação específica do contribuinte, com remissão ao artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e anotação da presunção de omissão; (ii) individualização dos depósitos cujas as origens se deva comprovar; e (iii) juntada dos correlatos extratos bancários, inexistentes no processo; reclama da falta de juntada de diligência realizada em outro processo (Alsaraiva), da denúncia do exfranqueado de Porto Alegre, que considera gravíssima falta de instrução; DO INCORRETO FUNDAMENTO LEGAL (COM INVERSÃO PROBATÓRIA) E DA CIRCULAR FÓRMULA PRESUNTIVA DE OMISSÃO ADOTADA (CONFUSÃO METODOLÓGICA “ORIGEM DA ORIGEM”) – DA EXAUSTIVA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Desde logo, reiterase os três principais fundamentos sobre os quais se sustentam o acórdão recorrido: a não comprovação dos faturamentos das lojas franqueadas, o que acarretou a desconsideração das atividades da Recorrente enquanto gestora das verbas de propaganda cooperada e, assim, da origem dos depósitos bancários. Ora, se (i) a Recorrente afirma e comprova que a fonte pagadora dos depósitos bancários autuados eram as lojas franqueadas (fato não negado pela fiscalização); e se (ii) a autoridade fazendária desconsidera a relação entre as partes e sustenta que os depósitos não se refeririam ao pagamento de propaganda cooperada, resta a pergunta: a que título se referiam os depósitos? Qual a omissão de receitas praticada? inquirir e desconsiderar a “origem da origem”, pois, significa autuar presuntivamente o indício do indício (uma bipresunção), sem que haja a prova do fato direto, no caso, a tributabilidade e consequente omissão dos depósitos autuados. E assim se afirma, Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.000 35 pois, o fato indiciário da omissão (não comprovação da origem dos depósitos bancários), estaria baseado em outro fato indiciário (não comprovação dos faturamentos das lojas franqueadas que originaram os depósitos bancários a título de procoop), o que vai de encontro a qualquer sistema de regras presuntivas, assim tomadas enquanto ferramentas de simplificação da atividade fiscalizatória, pautadas que são na comprovação apenas dos fatos indiciários da tributação; De outra ponta, ao lado do detalhado trabalho realizado pela auditoria independente contratada especificamente para o fim de fazer a conciliação documental de toda a movimentação bancária (entradas e saídas), verificase nos autos o empenho da Recorrente para dirimir quaisquer dúvidas levantadas. Em resumo cronológico, temse que: (i) em 12/01/15 foi apresentada a relação total de lojas que pagam e/ou pagaram procoop no tempo, todas individualizadamente identificadas nos respectivos lançamentos contábeis; (ii) em 09/06/15 foi apresentado o contrato firmado com a franqueadora para a gestão dos recursos oriundos dos procoop’s; (iii) em 07/07/15 foram apresentados CDs contendo os comprovantes de pagamentos/repasses dos valores às diversas mídias e campanhas; (iv) em 21/07/15 foi apresentada uma amostragem, bastante representativa, contendo os documentos que subsidiaram o recebimento dos procoop’s de cada loja em cada ano, restando apenas 2013; (v) em 31/07/15 foi apresentada uma complementação dos documentos que subsidiaram o recebimento e controle dos procoop’s em 2012 e demonstrativos também de 2013; (vi) em 25/08/15 foram resumidos todos os esclarecimentos prestados até então, relativamente aos procoop’s recebidos nos anos de 2010 a 2013, tendo sido apresentado o seguinte quadro resumo do volume comprovado: (vii) em 03/11/15 foi apresentada uma conciliação de base (“origem da origem”) dos procoop’s recebidos com os faturamentos das lojas franqueadas. De todo modo, em que pese todo o esforço da Recorrente, nada do que foi apresentado foi aceito pela fiscalização ou pelo acórdão recorrido, tudo sob o argumento de que se tratariam de documentos sem valor probante; DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS VINCULADOS NO LANÇAMENTO LAVRADO EM 2010 E DA CONSEQUENTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR Fl. 4017DF CARF MF 36 VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA CONFIANÇA, IRRETROATIVIDADE E BOAFÉ EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA aduz, invocando o art. 146 do CTN, que teria sido adotado critério diverso do lançamento relativo ao anocalendário de 2005; DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVAMENTE AO IRPJ E CSLL BASEADOS EM DEPÓSITOS DE JANEIRO À NOVEMBRO/2010 E RESPECTIVO PIS E COFINS pelo artigo 173, I, do CTN, temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1º e 2º e 3º trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010 e 01/07/2010 e 01/10/2010, de modo que o prazo decadencial encerrarseia em 31/03/2015 e 30/06/2015 e 30/09/2015, enquanto o AIIM foi lavrado em 21/12/15; em relação ao PIS e à COFINS, cujas apurações são mensais, nada se altera, de forma que estariam decaídas as contribuições de janeiro a novembro/10. DO INDEVIDO ARBITRAMENTO FUNDADO EM NOVA CIRCULARIDADE INSANÁVEL Em relação ao arbitramento, a fiscalização justifica sua adoção em apenas três parágrafos (itens 106 a 108 do TVF). Vejase: “106. Considerandose que a empresa não se utilizou dos princípios e critérios contábeis geralmente aceitos, conforme demonstrado; 107. Considerandose que a empresa omitiu receita de serviços para o período de 01/2010 a 12/2010, TANTO EM SUA PRÓPRIA CONTABILIDADE, quanto em sua DIPJ AC 2010, utilizandose de artifícios contábeis, escriturando como receita, tanto quanto declarando somente valor para fazer frente às suas despesas administrativas, impossibilitando identificar a efetiva receita e deixou de recolher os impostos e contribuições aos cofres públicos (...); 108. Considerandose as incongruências constantes da escrituração contábil e da apuração do Lucro, inclusive pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos, bem como todas as outras impropriedades apontadas nesta auditoria, sujeitase o contribuinte, acima identificado, ao arbitramento do lucro (...).” (grifos originais). Já o v. acórdão recorrido, confirmando a circularidade do arbitramento, alega que a Recorrente “não apresentou (...) documentos que comprovassem a origem dos recursos depósitos em conta bancária.” (fls. 3713/3714). Sobre a alegada não utilização dos princípios e critérios contábeis, provavelmente a autoridade fazendária deve estar se referindo ao item 44 do TVF11, o qual, em verdade, revela uma completa confusão, desconhecimento e distorção dos elementos colhidos e esclarecidos durante a fiscalização. Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.001 37 Por fim, a última justificativa para o arbitramento é baseada em alegadas incongruências constantes da escrituração contábil da Recorrente, pela simples menção à “ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos.” DA TRIBUTAÇÃO PELO PIS/COFINS (REGIME CUMULATIVO Como desdobramento da discussão sobre o conceito de receita bruta e tributação das verbas de propaganda cooperada recebidas pela Recorrente, temse, ainda, a discussão sobre a incidência do PIS/COFINS, no caso pelo regime cumulativo, a qual deve ser avaliada separadamente em ponto específico. Isso porque, de acordo com a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal, o faturamento, base de cálculo do PIS/COFINS no regime cumulativo, em especial, no caso, referente ao ano de 2010, é composto pelo produto da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, integrandose, de todo modo, no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições; DA FALTA DE DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS DA BASE DO IRPJ E DA CSLL Nos termos do artigo 41 da Lei n.º 8.981/95, “os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência”, fato este ignorado na quantificação da exigência; DA INSUSTENTABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA os mesmos fundamentos e argumentos que embasaram o arbitramento e a presunção legal de omissão, igualmente justificaram a qualificação da multa, havendo indevida cumulação de fatos que já possuem consequências específicas, o que não se pode admitir; DA POSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA E/OU DESIGNAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA – DO OBJETO DA DILIGÊNCIA OU PERÍCIA E DO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS PARA A SUA REALIZAÇÃO caso persista dúvida sobre a origem dos depósitos bancários, requer diligência ou perícia para que (i) se busque e analise os fluxos financeiros das lojas franqueadas; e (ii) se ateste a conciliação contábil da Recorrente. CONCLUSÕES Em razão de tudo o quanto exposto, primeiramente devese observar as regras de direção processual e vinculação de entendimentos fazendários, para que o mesmo tratamento de outros expedientes administrativos da própria Recorrente seja adotado e observado neste feito, com a imprescindível análise dos repasses de propaganda; De toda forma, não há como manter o acórdão recorrido e, com isso, o auto de infração, seja em razão das nulidades na formulação da exigência (vício de instrução probatória e motivação); seja em razão do inconsistente arbitramento, da imotivada e incongruente fundamentação, bem como da incorreta metodologia da hipótese presuntiva Fl. 4019DF CARF MF 38 adotada; seja, ainda, por conta da indevida base de cálculo utilizada (inobservância do regime de tributação específico das agências); Na inesperada hipótese de assim não se entender, devese determinar a correção das bases de cálculo, com a reapuração da receita bruta, em especial para o PIS/COFINS, excluindose os repasses relativos às campanhas publicitárias, bem como cancelandose a qualificação da multa de ofício vinculada; Assim sendo, a Recorrente requer o conhecimento e regular processamento do presente Recurso Voluntário, para que, em oportuno julgamento, seja integralmente provido, reformandose o v. acórdão recorrido e extinguindose integralmente o crédito tributário sob discussão, ou, subsidiariamente, para que seja refeita a base de cálculo considerada e se reduza a multa vinculada para 75%; Por derradeiro, a Recorrente protesta pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, bem como, caso se entenda imprescindível, pela conversão do julgamento em diligência e designação e perícia técnica, de forma a possibilitar a mais justa e correta composição da presente demanda. Recurso voluntário de João Augusto Ribeiro Penna não há prova nos autos de qualquer conduta dolosa do Recorrente, mesmo porque é mero preposto que recebia pro labore para atender interesses em benefício da rede Habib's; os valores recebidos não representam receitas; decadência por ausência de intimação válida; a fiscalização não provou a presença dos requisitos do artigo 135 do CTN e não é possível presumir o dolo; requer o cancelamento da responsabilização tributária atribuída ao Recorrente, excluindoo do pólo passivo. Recurso voluntário de Belsaraiva Comércio, Empreendimentos Imobiliários e Participações Eireli DA IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ART. 124, I, CTN Para fins de responsabilidade solidária pelo crédito tributário, o "interesse comum" de que trata o CTN não é revelado pelo simples interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (como aduziu a fiscalização), mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação fática descrita no antecedente da norma tributária: o fato jurídico tributário; ainda assim, a relação entre a Recorrente e a autuada Platina duas pessoas jurídicas de direito privado autônomas sempre foi apenas societária e contratual, sem apuração e distribuição de lucros, já que a autuada foi constituída com o fim específico de administração do fundo de propaganda da rede Habib's; Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.002 39 Sendo assim, a responsabilidade solidária ora discutida foi ilegalmente atribuída à Recorrente com base em mera presunção (de beneficiamento econômico num suposto esquema de sonegação), decorrente de uma outra presunção (omissão de receita por suposta não comprovação da origem de depósitos bancários), o que não se pode admitir, conforme se verá a seguir. DO INDÍCIO, DA PRESUNÇÃO, DOS LIMITES IMPOSTOS À UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE SE PRESUMIR A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO PEDIDO Ex positis, requer o provimento do presente recurso para a exclusão da Recorrente do polo passivo da suposta obrigação tributária constituída pelo auto de infração em epígrafe, visto que não comprovado seu interesse comum na prática dos fatos geradores, de modo a lhe atribuir a responsabilidade tributária prevista art. 124, I, do CTN. Em 9 de abril de 2018 a Empresa autuada juntou parecer do Prof. Dr. Sérgio de Iudícibus no qual são respondidos 9 quesitos relativos à contabilidade considerada imprstável. Em 11 de setembro de 2018 é apresentada petição na qual a Empresa autuada requer a apensação deste processo ao de nº 19515.720.007/201645, pois entende que se trata de caso de lançamento efetuado com os mesmos elementos de prova (art. 2º, inciso I da Portaria RFB nº 354/2016). Salienta que foram objeto do mesmo TVF, sob as mesmas circunstâncias, apenas sendo lançado em processos distintos os anoscalendário de 2010 e 2011. Informa que o processo citado, que foi distribuído à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, foi encaminhado para diligência, fato que impactaria a decisão do processo sub judice. Em 14 de setembro de 2018 a empresa peticiona reforçando o pedido de apensação e junta a Resolução relativa ao processo apontado. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Voto Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Platina foi intimada do resultado do julgamento de primeira instância em 4 de agosto de 2017 e apresentou seu recurso em 31 de agosto do mesmo ano. Portanto, é tempestivo. A representação é regular. Assim, conheço do recurso. João Augusto foi intimado do julgamento de primeira instância em 4 de agosto (fl. 3761) e apresentou seu recurso em 4 de setembro, ambos em 2017, portanto tempestivamente. A representação é regular (fl 2186). Assim, conheço do recurso. Fl. 4021DF CARF MF 40 Belsaraiva Eireli foi intimada do resultado do julgamento de primeira instância em 7 de agosto de 2017 (fl. 3762) e apresentou seu recurso em 6 de setembro do mesmo ano, portanto tempestivamente. A representação é regular (fl 2252). Assim, conheço do recurso. Sobre a pretendida apensação deste processo ao de nº 19515.720.007/2016 45, entendo que, embora oriundo de uma mesma ação fiscal, não estamos lidando com os mesmos elementos de prova, haja vista serem anoscalendário diferentes. Portanto, tanto a imprestabilidade da contabilidade para a apuração do lucro real (fundamento principal do arbitramento), quanto os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas) são comprovados com documentos distintos dos utilizados naquele processo. Ademais, a disciplina do CARF para a juntada por apensação é tratada no seu Regimento Interno. Nesse sentido temos: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. O uso do vocábulo "preferencialmente" deixa claro tratarse de esforço interno para a otimização dos julgamentos e não obrigatoriedade formal. Os conceitos, por outro lado, são assim apresentados no § 1º do artigo 6º do anexo II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Pela simples leitura dos incisos acima, vêse que não há o enquadramento na hipótese presente. Assim, entendo que os processos devem prosseguir no julgamento conforme a distribuição atual, embora concorde com o Recorrente de que o ideal, mas não necessário, seria o julgamento conjunto. Inicialmente, ante um quantidade razoável de alegações e documentos juntados, devemos delimitar a lide, com fulcro no fundamento do lançamento perpetrado. Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.003 41 Tratase de desconsideração da contabilidade do Recorrente e consequente arbitramento do lucro e omissão de receitas fundada em presunção de depósitos bancários sem comprovação de origem, assim resumidos no TVF: Item 75 (fl. 2018) A autuada usou a contabilidade a seu bel prazer, fez lançamentos a débito de "Disponibilidades" em contrapartida a seu "Passío Exigível a Longo Prazo", como forma de tentar garantir a contabilização de seus créditos bancários, sem prezar pela legitimidade, qualidade e transparência da informação contábil, olvidandose que a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais, transformando os fatos administrativos em fatos permutativos, quando, por suas ponderações, deveriam ser modificativos ou mistos. Ainda que apresentasse documentos comprobatórios de suas alegações, seus registros não identificam qual é, bem como quanto é sua receita em cada operação efetuada. Os valores levados à Demonstração do Resultado do Exercício e decorrentemente ao LALUR e à sua DIPJ, assim como as Notas Fiscais faturadas de prestação de serviço não permitem a determinação da real receita bruta de prestação de serviços. Sua contabilidade é, em consequência, imprestável para a apuração do lucro do exercício, impossibilitando ainda a apuração do lucro real. Aponta, por outro lado, que em vários momentos a conta caixa teve saldo credor, o que não foi, na ótica fiscal, satisfatoriamente contraditado. Cita diligência realizada na Alsaraiva e outras empresas do grupo e Denúncia formulada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em relação ao processo civil nº 001/1/12.00771870, no qual o responsável pelo grupo Habib's reconhece que há sonegação para possibilitar os preços ofertados ao público, inclusive com treinamento de pessoal para destruir documentos e provas de sonegação a cada 15 dias. E registra ainda a autoridade (fls. 2033/2034): Considerandose que a empresa não se utilizou de princípios e critérios contábeis geralmente aceitos, conforme demonstrado; (...) Considerandose as incongruências constantes da escrituração contábil e da apuração do Lucro, inclusive pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos, bem como todas as outras impropriedades apontadas nesta auditoria, sujeitase o contribuinte acima identificado, ao arbitramento do lucro para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, anocalendário de 2010, pelo lançamento de ofício nos termos do artigo 841, inciso II, III, IV e VI, 926 c/c 845, inciso II e III e 944, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, por infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) FAce ainda ao disposto no artigo 530, inciso I, II, e III do RIR/99: Fl. 4023DF CARF MF 42 (...) Sobre a presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) o TVF apresenta o seguinte (fl. 2032): Como a empresa não apresentou documentação probante eficaz, coincidentes em data e valores e insuficientes para comprovar a origem dos créditos/depósitos em suas contas correntes, incluímos como base de cálculo no auto de infração lavrado, valores relativos a depósitos bancários, DOC e TED, abaixo totalizados por competência. Tais valores encontramse discriminados em anexo, na planilha demonstrativa denominada "Planilha Referente a Créditos Bancários Não Comprovados". Informa que excluiu transferências, devoluções e estornos do valor apurado. No Parecer do Prof Sérgio de Iudícibus ficou consignado que a contabilidade da Platina não ofende os princípios contábeis; cumpriu os requisitos normativos mantendo os livros Diário e Razão e reconhece um equívoco no registro da receita bruta, que seria, conforme seus cálculos, R$3.079.009,39. Pois bem, difícil a tarefa de um julgador manterse restrito à análise técnica quando diante de um réu confesso, como no caso presente, em que o responsável pelo grupo admite que, para manter preços baixos aos consumidores se socorre de sonegação fiscal. Mas é essa a nossa tarefa, afinal, tributar não é punir, mas exigir a contribuição justa de cada componente social. Analisando os motivos que ensejaram a desqualificação da escrita contábil da recorrente, em que pese constarem em cada passo da fiscalização, como se nota da leitura do TVF, entendo que as inconsistências, apuradas e verificadas pela autoridade administrativa, não representam impossibilidade de apurar o lucro real ou, ainda, não representam erro tamanho que induza a um cálculo equivocado, não sendo suficientes ao arbitramento do lucro. No caso em pauta, a toda evidência, a Empresa atuava como agência de publicidade, registrava os valores recebidos em sua contabilidade, deixando de registrar (ou registrando a menor) sua receita nas contas de resultado, do que adviria omissão de receitas direta, e não presuntiva, haja vista que os contratos de prestação de serviços previam o percentual de 10% a título de remuneração pelos serviços prestados. E vejam, o lançamento acima apontado não afasta a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, uma vez que os valores não comprovados poderiam ser somados ao lançamento de omissão de receitas com prova direta e considerando a contabilidade apresentada. A fiscalização detinha as informações necessárias para a apuração do resultado, pois das verbas recebidas, 10% era receita da recorrente. Ademais, eventuais diferenças entre os depósitos bancários e os valores recebidos a título de "procoop" poderiam ser objeto da presunção do artigo 42, uma vez não comprovadas as origens, mas considerar o valor total recebido como receita, ante as evidências dos autos, torna o lançamento por demais excessivo e injusto, a meu ver. No meu entendimento, ante a evidência de que as receitas não foram integralmente reconhecidas pela Recorrente, a fiscalização deveria ter lançado a diferença, como omissão direta, independentemente do procedimento relativo à presunção do artigo 42. Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.004 43 O fato de haver evidências de fraude ou sonegação pelo contribuinte não permite ao fisco lançar pela forma mais contundente, se não pela estrita previsão legal, cobrando o devido, no tamanho devido. Optando indevidamente pelo lucro arbitrado, a fiscalização maculou toda a autuação, inclusive quando aos lançamentos decorrentes, uma vez que tributando pelo lucro real o PIS e a Cofins seriam nãocumulativos, contrariamente ao lançamento perpetrado. Desnecessária a análise de outros argumentos. Nestes termos, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 4025DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001201/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1402-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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CORRETORA DE CAMBIO E TITULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 01 /2 00 9- 28 Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 707 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 708 3 Relatório Tratase de recurso voluntário para que se profira novo julgamento a respeito, unicamente, da matéria meritória não dirimida e que diz respeito à legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme decisão no Acórdão nº 9101003.036 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão nº 9101003.036 – 1ª Turma, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte em face do Acórdão n° 9101002.249 (efls. 384/414), proferido por esta Ia Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional, em sessão realizada em 01/03/2016. O presente processo trata de Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário 2007, como resultado da adição ao lucro líquido, de valores considerados indevidamente pagos ou creditados a título de Juros sobre o Capital Próprio (Termo de Verificação Fiscal fls. 55 e ss do volume 1 digitalizado). As exigências foram mantidas pela Turma Julgadora de 1ª Instância o que levou a contribuinte a manejar Recurso Voluntário (fls. 214 e ss do volume 2 digitalizado), ocasião em que contestou, dentre outras alegações, a legalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício item II.6 pagina 26 e ss da referida peça de defesa, acostada ao volume 2 digitalizado. A 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara do CARF, em sessão realizada em 11/09/2012, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário de forma que toda a exigência restou exonerada. A decisão foi formalizada no Acórdão n° 1402001.179 (efls. 320/343). A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial afirmando que a decisão recorrida, ao cancelar os lançamentos, deduziu conclusão contrária ao entendimento manifestado por outras turmas, que defenderam que as despesas de JCP devem obedecer ao regime de competência, conforme o disposto no art. 177 da Lei n° 6.404/76, ratificado pelo art. 29 da Instrução Normativa n° 11/96, de forma que esta não seria ilegal, assim como não teria validade para efeitos fiscais a decisão da assembléia que credita aos sócios JCP referentes a exercícios anteriores. O Recurso Especial da PFN foi admitido (efls. 363/364) e, em julgamento realizado em 01/03/2016, a 1a Turma da CSRF, por maioria de votos, deu provimento ao apelo especial da PFN e restabeleceu as exigências. O Acórdão n° 9101002.249, recebeu a seguinte ementa (efls. 384/414): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 709 4 Anocalendário: 2007 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada). Declarouse impedida de participar do julgamento, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. Cientificado, o sujeito passivo manejou, tempestivamente, Embargos de Declaração (efls. 437/449). Para melhor demonstrar as alegações deduzidas nessa peça recursal, transcrevo relato do despacho que admitiu o recurso (efls. 528/535): Preliminarmente, a Embargante alega nulidade de sua intimação via Edital Eletrônico, acerca da decisão que deu provimento integral ao Recurso Voluntário e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra aquela decisão. De acordo com a Embargante a intimação não poderia se dar por Edital Eletrônico, tendo em vista que nunca optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico. Ademais, afirma que "não se tem conhecimento de tentativa de intimação decorrente de qualquer das formas ordinárias" previstas no art. 23, do Decreto n° 70.235/72, o que invalidaria a intimação via Edital. Nesse Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 710 5 ponto, a Embargante requer a devolução de todos os prazos de manifestação. Quanto ao mérito, inicialmente a Embargante alega que os autos deveriam retornar à apreciação da 2a Turma, 4a Câmara da 1ª Seção de Julgamento, uma vez que alguns argumentos expostos no Recurso Voluntário, "fundamentais para o deslinde da controvérsia", não foram apreciados pelo citado Colegiado no Acórdão n° 1402001.179, reformado pelo acórdão ora embargado. Ainda quanto ao mérito, alega a Embargante que o acórdão embargado incorreu em: 1) Omissão, quanto aos seguintes argumentos apresentados no Recurso Voluntário: a) observância do regime de competência; b) inexistência de prejuízo ao Fisco e c) ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. 2) Obscuridade quanto aos "fundamentos da decisão". Segundo a Embargante, para fundamentar o entendimento de que "não haveria autorização legal para o cálculo do JCP retroativo" o acórdão embargado se utiliza tão somente de "dispositivos relacionados aos procedimentos de deliberação em assembléia e decisão do CARF". Entende o Embargante que a decisão "não conseguiu demonstrar com clareza e com fundamentos legais seu entendimento". 3) Contradição, que, nos termos dos embargos apreciados, se verifica porque "inicialmente, a Conselheira Relatora menciona que o pagamento de JCP é facultativo às empresas e acionistas, dependendo apenas de deliberação em assembléia", restando "incontroverso, inclusive, o reconhecimento da ocorrência de assembléia no presente caso" e "posteriormente, a própria Conselheira Relatora cai em nítida contradição ao dispor que a Embargante teria 'renunciado' à despesa do JCP no ano de 2000. Tal entendimento tem como base a suposta ausência de deliberação de assembléia para pagamento do JCP". Requer a Embargante que sejam conhecidos e providos os Embargos para que sejam devolvidos todos os prazos de manifestação; seja determinado que a 2a Turma, 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento profira nova decisão, analisando todos os argumentos apresentados no Recurso Voluntário; e, subsidiariamente, que seja determinado o saneamento das omissões, obscuridade e contradição alegadas. Os Embargos foram admitidos parcialmente (efls. 528/535), exclusivamente no tocante à alegada omissão do acórdão embargado a respeito do argumento deduzido no Recurso Voluntário a respeito da ilegalidade da Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 711 6 cobrança de juros de mora sobre multa de ofício, conforme trecho que colaciono do despacho de admissibilidade dos Embargos: Já quanto ao terceiro ponto trazido como omissão pela embargante, qual seja a de que em seu recurso voluntário teria peticionado pelo não cabimento de juros de mora sobre a multa de ofício, e que o acórdão deveria, ao reverter o lançamento que havia sido exonerado pelo acórdão do recurso voluntário, ter devolvido os autos à Câmara a quo para manifestação, assiste razão à recorrente pois, de fato, o acórdão da 4a Câmara não analisou este aspecto porque exonerou a totalidade do crédito tributário. Assim, ao restabelecer o lançamento, o acórdão embargado deveria ter se manifestado, sim, sobre tal pedido, motivo pelo qual manifestome pelo reconhecimento desta omissão. Nessas condições, foi proposta a admissão parcial dos Embargos: Em face dos argumentos acima, proponho que sejam os presentes embargos PARCIALMENTE ADMITIDOS apenas no tocante à omissão relativa à matéria Ilegalidade ou Não da Cobrança de Juros sobre Multa. Submetido o referido despacho ao Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este o admitiu, parcialmente, nos seguintes termos: Por concordar com os argumentos trazidos pela Relatora, nos termos do §3° do art. 65 do Anexo II do RICARF, admito parcialmente, em caráter definitivo, os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo, nos termos acima propostos. Encaminhemse os autos à unidade da RFB de origem para dar ciência ao sujeito passivo do presente despacho e demais providências. Por meio dos documentos de efls. 552 e seguintes, o contribuinte apresenta uma petição denominada " Embargos Inominados" contra o Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração. Tais "Embargos Inominados" foram rejeitados por meio do Despacho de efls. 675 e seguintes. É o relatório." Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 712 7 O Acórdão de Impugnação nº 9101003.036 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os Embargos de Declaração para, reratifícando o Acórdão n° 9101002.249, de 01/03/2016, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento a respeito da legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CARACTERIZAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração que demonstram ter havido omissão no acórdão embargado, sobre ponto a respeito do qual deveria ter se pronunciado a turma julgadora, em razoes de defesa deduzidas em Recurso Voluntário e não apreciadas pelo colegiado a quo, em face da exoneração da exigência por aquele colegiado. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA CÂMARA A QUO. Devem os autos retornar para que a Câmara a quo profira nova decisão a respeito de matéria meritória que não foi dirimida no julgamento inicial, em face da exoneração da exigência por aquele colegiado. Do Recurso Voluntário A recorrente em seu recurso voluntário, dentre outros pedidos, requereu o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo, apresentando as seguintes razões: · Equivocouse a Turma Julgadora ao deixar de apreciar as alegações da Recorrente, a pretexto de que "tal exigência não consta do presente lançamento de ofício". Isso porque, a cobrança de juros sobre a multa constante da guia DARF emitida pela RFB, para pagamento do débito objeto do presente processo, configura evidente exigência integrante dos lançamentos ora combatidos e que não poderá ser admitida por esse E. Conselho, por absoluta ausência de previsão legal. · O artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. · Não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3o do Código Tributário Nacional. · A multa fiscal, de forma diversa, decorre de infração cometida pelo contribuinte, como bem conceitua de De Plácido e Silva: "É a imposição Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 713 8 pecuniária devida pela pessoa, por decisão da autoridade fiscal, em face de infração às regras instituídas pelo Direito Tributário. · Ainda, segundo Alfredo Augusto Becker, "sanção é o dever preestabelecido por uma regra que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular, diretamente, um ato ou um fato que a ordem jurídica proíbe." · Essa característica distingue os tributos das multas. De fato, a instituição de uma multa tem como objetivo sancionar esse comportamento repudiado pelo ordenamento jurídico. Os fatos que ensejam o pagamento dos tributos, por outro lado, são fatos lícitos: auferir renda, prestar serviços, ser proprietário de veículos automotores, utilizar efetiva ou potencialmente um serviço público específico e divisível, etc. · Verificase, assim, que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3º do CTN. · Ademais, o parágrafo primeiro do artigo 113 do CTN, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. · Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por esse E. Conselho. · Colaciona ementa de decisões do antigo Conselho de Contribuintes. · Cita trecho do voto proferido no Acórdão, acima transcrito, que deixa claro o entendimento manifestado pela então denominada Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: "No tocante à incidência da Selic sobre a multa, embora seja questão que não tenha sido objeto do lançamento, tratandose de matéria superveniente, que surgiu no curso do processo, é possível sua análise no âmbito do recurso". · Frisa que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento quanto à não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão CSRF/0203.133 ainda não formalizado), conforme se extrai do resultado do julgamento do processo n° 18471.001680/200430. · Não cabe a alegação que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96 , já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. Cita ementa do ementa do Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 714 9 Acórdão n° 10323.566, proferido pela então denominada Terceira Câmara do Primeiro Conselho. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 715 10 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Conforme decido pelo Acórdão nº 9101003.036 – 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais o julgamento restringirseá a respeito da legalidade da exigência de juros de mora sobra a multa de ofício: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratifícando o Acórdão n° 9101002.249, de 01/03/2016, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento a respeito da legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Alegação de ser ilegal a incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício A discussão em relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tratase de matéria sobre a qual a 1ª Turma da CSRF vem reiteradamente se posicionando pela incidência. Citase, nesse sentido, os acórdãos de nº 9101002.180 e 9101002.181 (de 19/01/2016), ambos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, bem como os de nº 9101002.209 e 9101002.209 (de 02/02/2016) e 9101002.349 (de 14/06/2016), esses de autoria do Conselheira Adriana Gomes Rêgo, tendo sido acompanhada por maioria de votos pela turma. O Acórdão citado de nº 9101002.349 segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 716 11 calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º , a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos (sublinhei): Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Este é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves (sublinhei): AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva , a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 717 12 Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." Conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Portanto, não assiste razão à Recorrente quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação, e que a exigência correspondente ofende o princípio da legalidade. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorre da lei. Nesse sentido, o fato de a Lei nº 11.941/2009 e as normas que a regulamentam não trazerem determinação de incidência dos juros moratórios sobre as multas, como alega a Recorrente, em nada altera a incidência em questão, comandada pelo art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Acrescentase que a incidência de Juros de Mora sobra a multa de ofício foi objeto da súmula nº 108, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 1402003.481 S1C4T2 Fl. 718 13 Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 718DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.693417/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.693416/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 93 41 7/ 20 09 -4 4 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.693417/200944 Resolução nº 3302000.857 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório constante nos autos, o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, não restando, portanto, valor disponível para a compensação do débito por ela indicado no Per/Dcomp. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.693417/200944 Resolução nº 3302000.857 S3C3T2 Fl. 4 3 o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Principio da Moralidade” e o "Principio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a conseqüente homologação da compensação efetuada, em função do Principio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, conseqüentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário reproduzindo as matérias de mérito já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.693417/200944 Resolução nº 3302000.857 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.853, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3302000.853): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e, já foi analisado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.693376/200996 (acórdão paradigma nº 3401001.361), instaurada contra a mesma empresa, de relatoria do i. Conselheiro Robson José Bayerl que, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para verificar a origem do crédito pleiteado pela Recorrente com base nos documentos já carreados aos autos e outros que fizerem necessários. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relator e, visando dar o mesmo tratando processual, adoto as razões do citado Conselheiro como causa de decidir o presente processo, a saber: Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.693417/200944 Resolução nº 3302000.857 S3C3T2 Fl. 6 5 onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.693417/200944 Resolução nº 3302000.857 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, ∙ Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.693417/200944 Resolução nº 3302000.857 S3C3T2 Fl. 8 7 Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004918/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS.
Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
Numero da decisão: 1401-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10935.004933/2010-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
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RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10935.004933/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 18 /2 01 0- 11 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão Turma da DRJ, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada apresentou Pedido de Restituição de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativo à pagamento indevido ou a maior, no código 3333, pelo SIMPLES NACIONAL, recolhido por DASN. O Despacho Decisório indeferiu o pedido porque constatou que o contribuinte desenvolveu atividades de prestação de serviços, cujas alíquotas do Simples Nacional devido são calculados pela tabela do Anexo III – Serviços, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro 2006, não tendo sido confirmada a pretensão do contribuinte de que sua atividade seria indústria, a qual recai na tabela do Anexo II Indústria, o que resultaria nos valores que o contribuinte entende ter recolhido a maior. Houve Manifestação de Inconformidade na qual o interessado assevera: i) Que a atividade da empresa é “recapagem e recauchutagem de pneus”, CNAEF 22.12.900, em que 22.1 é indústria de produtos de borracha, portanto se trata de operação industrial de recondicionamento de pneus usados, ii) Questiona a conclusão fiscal de nos itens 26, 27 de que o Decreto N° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI) classifica a atividade de recauchutagem de pneus como borracharia que utiliza força motriz, não se enquadrando como indústria; diz que “No item 24. do despacho decisório, o auditor relata que fez uma consulta e empresa tem 12 funcionários, portanto a sua conclusão o item 28, já está "equivocada conforme descrito no item 27.”, porque o art. 7º, para efeitos do art. 5º, II, nos casos dos incisos IV e V, define que oficina é estabelecimento que empregar, no máximo, 5 (cinco) operários e, quando utilizar força motriz, não exceder a potência de 5 (cinco) quilowatts; e o trabalho preponderante é de 60% de mão de obra, no mínimo; iii) Transcreve o art. 4º, V do RIPI, que define industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como aquela exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado e que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento); transcreve Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 21, de 21 de agosto de 1996, referente a industrialização, e processos de consulta diversos no mesmo sentido, em apoio à sua tese. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório, sob o entendimento de que correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos da impugnação e anexa faturas de energia elétrica para demonstrar o alto consumo da sua atividade, na tentativa de caracterizar atividade de industrialização. É o relatório do essencial. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10935.004918/201011 Acórdão n.º 1401003.073 S1C4T1 Fl. 3 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.019, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10935.004933/2010 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.019): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, não encontro motivos para reforma da decisão recorrida, vez que por ocasião de seu recurso o pedido de restituição dos alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Concluiuse na primeira instancia que o contribuinte, apesar de constar do objeto social a atividade de comércio de pneus e assemelhados, não auferiu receitas de vendas, mas de serviços de recuperação e vulcanização de pneus; conta com 7 (sete) operários nesta atividade; sua clientela contrata esses serviços para consumo próprio e não para comercialização; não há dados suficientes para se apurar se prevalece o custo de mão de obra na proporção de 60%, pois os dados contábeis são discrepantes dos da DASN; tampouco não forneceu informação sobre qual processo de vulcanização executa, se a quente, se a frio, que tipo de equipamentos e qual a potência instalada, não tendo apresentado elementos comprobatórios da sua pretensão de que sua atividade se caracterize como industrialização. As faturas relativas ao elevado consumo de energia elétrica no desenvolvimento da atividade do Recorrente, anexadas ao Voluntário, não se mostram suficientes para elidir às conclusões a que chegaram os julgadores na decisão de piso, vez que, até esta fase o contribuinte não forneceu maiores informações sobre o processo de industrialização que defende. Apenas diz que utiliza poucos empregados, pois utiliza máquinas de última geração que reduzem mão de obra, mas consomem alta demanda de energia. E que nos quesitos elaborados pelo auditor não constam as perguntas, chaves para diferenciam o que é fato uma indústria, ou oficina que utiliza força motriz, por isso, não seriam suficientes a descaracterização da atividade por ele declarada. Quanto aos novos argumentos apresentados, em nada acrescenta à lide, mesmo porque o relator já se debruçou sobre o assunto, de forma precisa. Fl. 176DF CARF MF 4 Entendo que os fundamentos esposados pela turma a quo, não deixa dúvida que se trata de prestação de serviço, não havendo, in casu, qualquer margem para a hipótese de industrialização como alega a recorrente. Não há o que acrescentar, a fundamentação é abrangente e escorreita. Ou seja, continua sem comprovar a natureza de sua atividade como industrial, cujo ônus lhe cabia. Feitas essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902761/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/02/2012
RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/02/2012 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 29/02/2012 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 27 61 /2 01 4- 18 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10480.902761/201418 Acórdão n.º 3301005.214 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude de o pagamento informado encontrarse totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou aos autos DCTF mensal original e retificadora e comprovante de pagamento como provas do recolhimento indevido. Sustentou que o Pedido de Restituição havia sido negado por falta de retificação da DCTF, contendo os valores devidos, anteriormente à data da análise do pedido de crédito. Por fim, destacou que a empresa procedera ao pedido de restituição da contribuição por se tratar de tributo com alíquota zero, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.468, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, destacando que agira de acordo com orientações recebidas de funcionários da Receita Federal e que não lhe fora informado da necessidade de retificação prévia do Dacon. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10480.902761/201418 Acórdão n.º 3301005.214 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.202, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.902751/201474, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.202): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia a restituição do PIS, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: Todavia, a empresa não indicou o inciso do dispositivo. Entendo como provável o “III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI”, de acordo com os atos constitutivos da Lázaro Frutas. Todavia, a decisão de piso não merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental comprobatório do direito creditório requerido, o que afasta a sua certeza e liquidez. É certo que incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A Recorrente trouxe aos autos a DCTF mensal original e retificadora, a DACON retificadora e DARF, por entender como suficientes para demonstrar que o recolhimento foi indevido. Entretanto, não foram trazidos aos autos a escrituração contábil fiscal da Recorrente, esclarecimentos do porquê o recolhimento foi indevido, planilha de apuração do PIS ou notas fiscais (art. 26 a 27 do Decreto n° 7.574/2011). Entendo que as declarações retificadas devem estar acompanhadas de outros documentos que demonstrem cabalmente o recolhimento indevido. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10480.902761/201418 Acórdão n.º 3301005.214 S3C3T1 Fl. 5 4 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Assim, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito pleiteado, devendo ser mantido o Despacho Decisório proferido pela DRF de origem. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.951080/2015-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.905520/2016-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.905520/201671, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 10 80 /2 01 5- 43 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, houve o reconhecimento parcial do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Sendo assim, foi reconhecido um "saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação nos débitos informados no PER/DCOMP". Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 12/2012, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 4 3 depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida em 05/10/2017, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 01/11/2017, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.193, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.905520/2016 71, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.193): "DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 5 4 DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do ano calendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 6 5 utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.951080/201543 Acórdão n.º 1302003.199 S1C3T2 Fl. 7 6 Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.910045/2009-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-007.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10850.910045/200983 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.532 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PAMIRO AGRO INDÚSTRIA S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 91 00 45 /2 00 9- 83 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3402003771, de 24/01/2017, efl. 391 e seg., o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 03/11/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens de pessoas físicas. utilizadas na industrialização de produtos destinados exportação, devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei n° 9.363/96 e do REsp 993.164/MG, sujeito à sistemática dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015. CREDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. SÚMULA CARF Nº19. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto em fabricação, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, e desde que no sejam bens do ativo permanente. Dessa maneira, os gastos com combustíveis, energia elétrica, lubrificantes, peças de manutenção e reposição etc., não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, n° 65, de 1979; Lei n°9.363, de 1996). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA DE INSUMO EMPREGADO NO PROCESSO PRODUTIVO DO BEM EXPORTADO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Não contraria as disposições da Lei 9.363/96 a inclusão na base de cálculo do incentivo por ela instituído das despesas com industrialização por encomenda desde que esta seja realizada sobre bem a ser empregado como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem na fabricação do bem a ser exportado. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, efl. 406 e seg, insurgese contra a concessão de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda. O recurso da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho de Admissibilidade, efl. 418 e seg. O contribuinte regularmente cientificado não apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. A matéria devolvida ao colegiado no recurso especial da Fazenda Nacional é referente à possibilidade de aproveitamento do crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, quanto às despesas efetuadas com industrialização por encomenda. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 5 4 em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia e de concessão de incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 6 5 Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10850.910045/200983 Acórdão n.º 9303007.532 CSRFT3 Fl. 7 6 contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Portanto, por esta leitura, a apropriação de crédito presumido de IPI, na industrialização por encomenda, somente passou a ser possível a partir da vigência da Lei nº 10.276/2001 e caso o contribuinte tenha efetuado a opção pelo cálculo naquele termo alternativo. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 443DF CARF MF
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