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Numero do processo: 14041.000125/2008-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
MULTA PELA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM AUSÊNCIA DE DADOS CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS SEGURADOS. ASSOCIAÇÃO QUE INTERMEDEIA A ATUAÇÃO DE MÉDICOS ASSOCIADOS.
Para que haja incidência da contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre remuneração paga a contribuintes individuais é necessária a prestação de serviços por estes em favor daquela. Caracterizada a prestação de serviços em nome próprio pelos médicos associados, com atividade da Recorrente de intermediação sem subordinação, não há se falar em cessão de mão-de-obra. Consequentemente, não há que se falar na ausência de declaração em GFIP.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Declarou-se impedido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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DOS MÉD. DE HOSP. PRIVADOS DO DF Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 MULTA PELA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM AUSÊNCIA DE DADOS CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS SEGURADOS. ASSOCIAÇÃO QUE INTERMEDEIA A ATUAÇÃO DE MÉDICOS ASSOCIADOS. Para que haja incidência da contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre remuneração paga a contribuintes individuais é necessária a prestação de serviços por estes em favor daquela. Caracterizada a prestação de serviços em nome próprio pelos médicos associados, com atividade da Recorrente de intermediação sem subordinação, não há se falar em cessão de mãodeobra. Consequentemente, não há que se falar na ausência de declaração em GFIP. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Declarouse impedido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 25 /2 00 8- 23 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face da Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fl. 01, para exigência de multa por ter a empresa apresentado as Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240300.717, que se encontra às fls. 822/824 e cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÕES PAGAS, DEVIDAS OU CREDITADAS AOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB Fl. 839DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 9202003.616 CSRFT2 Fl. 15 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃODEOBRA A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma a quo, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência arguida e, no mérito, negou provimento ao recurso para manter a multa aplicada. Entendeu a turma recorrida que a Recorrente apresentou a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – no caso, ausentes os registros dos médicos associados que seriam contribuintes individuais segurados, por ela contratados sob regime de cessão de mão deobra. Intimada do acórdão, do recurso especial em 14/06/2012, (fls. 784/785), a contribuinte interpôs o recurso especial de fls. 786/819 em 27/06/2012, por meio do qual sustentou divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº. 110200577, no sentido de que os médicos associados não seriam seus segurados e, portanto, as informações a eles referentes não deveriam constar na GFIP. Ao recurso especial referido foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400782/2010, de 12/10/2012 (fls. 822/824). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 826/834). É o Relatório. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade recurso especial interposto pela contribuinte. O recurso foi admitido em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº. 110200577, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em processo administrativo fiscal em que o sujeito passivo era também a Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal. O acórdão paradigma se encontra assim ementado: “POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DE CSLL, PIS E COFINS, RETIDOS INDEVIDAMENTE E OS DÉBITOS DESSAS MESMAS CONTRIBUIÇÕES RETIDOS E CONFESSADOS ESPONTANEAMENTE. A Associação é credora do Fisco em razão das retenções indevidas efetuadas pelas tomadoras de serviços sobre os valores pagos à ela, pois além dela não ser a real prestadora do serviço médico sobre o qual incide às contribuições ao PIS, a COFINS e a CSLL, os serviços de intermediação que ela presta não estão sujeitos às referidas retenções, sendo essas indubitavelmente indevidas e passíveis de restituição. A Associação também é devedora do Fisco em razão da retenção e recolhimento das contribuições sociais incidentes sobre a prestação de serviços médicos. Donde se conclui que a Associação é credora e devedora do Fisco em relação aos mesmos tributos e em relação aos mesmos valores, podendo requerer a compensação desses nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. DO EXCESSO DE FORMALISMO EM DETRIMENTO DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS. Não se pode primar pelo formalismo em detrimento da apuração dos fatos reais, assim se o contribuinte logrou êxito em demonstrar ser credor e devedor do Fisco em relação aos mesmos valores, a compensação deve ser homologada. Verifico, ainda, constar do voto que integra o acórdão paradigma: "Relatório A Recorrente é Associação que congrega os médicos que exercem sua profissão no Distrito Federal, colocando diversas facilidades à disposição de seus associados, dentre os quais destacase a intermediação de contratos de prestação de serviços médicos celebrados entre os seus associados médicos e os planos de saúde na condição de tomadores, inclusive no que tange ao recebimento dos honorários devidos e do seu repasse aos seus associados figurando como mera intermediária. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 9202003.616 CSRFT2 Fl. 16 5 Nessa operação os planos de saúde fazem o depósito da remuneração devida aos médicos associados diretamente à Recorrente, registrando a retenção de tributos como se fora pagamento para a Associação, o que tornava confusa a relação com os planos de saúde. Dessa maneira, em relação à CSLL, ao PIS e a COFINS a Recorrente sofre nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas dessas contribuições, pelo código 5992, no percentual de 4,65% nos termos do artigo 30 da Lei 10.833/2003. Diante dessa confusão o Superior Tribunal de Justiça, um dos tomadores dos serviços médicos prestados pelos associados da Recorrente por seu intermédio, formulou consulta à SRF, solicitando manifestação sobre a forma pela qual deveriam ser realizadas as retenções. Em resposta à referida consulta foi proferida a Solução de Consulta COSIT número 5, de 30 de março de 2004 que esclareceu que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços médicos fossem prestados por pessoa jurídica, o que não é o caso, uma vez que os serviços médicos são prestados pelos médicos associados e não pela Recorrente (...) Ou seja, no presente caso a compensação pleiteada referese à retenções indevidas de PIS, COFINS e de CSLL sofridas pela Recorrente como se ela fosse pessoa jurídica prestadora de serviços médicos, quando na verdade é apenas intermediadora, e os valores que a Recorrente deveria reter dos seus associados estes sim na qualidade de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos no momento em que repassa às clínicas os honorários recebidos por ela na condição de intermediadora, sem qualquer redução nos valores das contribuições incidentes sobre a operação. (...) Voto Ocorre que no caso em tela entre a tomadora dos serviços médicos e os reais prestadores de serviços existe a Recorrente que atua como intermediadora tanto dos contratos firmados, quanto dos honorários a serem recebidos pelos seus associados. (...) A fim de melhor elucidar a questão imperiso se faz transcrever parte do Parecer COSIT número 5 na solução de consulta suscita pelo STJ à SRF, conforme a seguir transcrito: (...) (...) apesar da Recorrente agir como intermediadora dos contratos firmados entre seus associados e os tomadores de serviços, bem como, intermediar o repasse dos honorários pagos por esses aos seus associados, a própria SRF considerou que a única relação jurídica a ser tributada, é a efetiva prestação de serviços médicos que ocorre entre médicos associados e os tomadores de serviços. (...) Passemos à análise da primeira consequência decorrente do erro das tomadoras de serviço em identificar a Recorrente como sendo beneficiária das contribuições retidas e recolhidas sobre Fl. 842DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 os serviços prestados pela Recorrente, os quais consistem somente na intermediação de contratos de prestação de serviços médicos e no repasse de valores recebidos a este título, que não se confunde com o fato gerador das referidas contribuições, qual seja, a efetiva prestação de serviços médicos pelos médicos associados. O erro das tomadoras de serviços em identificar o sujeito passivo da obrigação tributária, como sendo a Recorrente, gera a distorção do fato jurídico tributário, pois a Recorrente é identificada como se fosse a real prestadora de serviços médicos, sobre os quais as tomadoras estão efetuando a retenção e o recolhimento indevido nos termos do inciso II do artigo 165 do CTN. Neste caso, é forçoso concluirmos que a Recorrente possui sim legitimidade para pleitear a devolução dos valores que lhe foram indevidamente retidos pelas tomadoras dos serviços, pois os serviços que a Recorrente presta consiste apenas na intermediação de contratos e valores firmados entre os tomadores de serviços e seus médicos associados, os quais não estão sujeitos a essas retenções.” Identifico, portanto, que o acórdão paradigma reconheceu, analisando a mesma situação fática posta nos presentes autos, inclusive em relação ao mesmo contribuinte, que a Recorrente não presta serviços médicos, exercendo tão somente a intermediação entre seus associados e os planos de saúde ou clientes. A qualificação jurídica atribuída aos fatos pelo acórdão paradigma é diametralmente oposta à qualificação que lhes deu o acórdão recorrido, que entendeu que a Recorrente presta serviços médicos mediante cessão da mão de obra de seus associados. Ilustro abaixo as conclusões quanto à qualificação dos fatos do caso pelo acórdão paradigma e acórdão recorrido: ACÓRDÃO RECORRIDO Com base no acórdão recorrido temos: Fl. 843DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 9202003.616 CSRFT2 Fl. 17 7 1 a prestação de serviços médicos é efetuada pela Recorrente aos clientes e planos de saúde por meio de cessão de mão de obra (conforme item “2”); 2 – os médicos associados, na qualidade de trabalhadores contratados pela Recorrente mediante cessão de mão de obra, prestam os serviços; e 3 – o cliente ou plano de saúde efetua o pagamento pelos serviços médicos ao Recorrente que, por sua vez, efetua o pagamento aos médicos associados. Com base no quadrante acima, o acórdão recorrido entendeu que a recorrente efetua a contratação de serviços junto aos médicos associados, gerando um vínculo que os colocaria na condição de contribuintes individuais segurados (Artigo 22, inciso III, da Lei nº. 8.212/91). Concluiu que a Recorrente deveria recolher a contribuição previdenciária patronal sobre o total de remunerações pagas aos médicos associados, na condição de segurados individuais, pelos serviços que eles prestam em favor dela, e, consequentemente, ter incluído tais informações na GFIP. ACÓRDÃO PARADIGMA Com base na ilustração acima temos: 1 – Relação jurídica de prestação de serviços pelos médicos associados aos clientes da contribuinte ou por meio do plano de saúde; 2 – o pagamento pelo serviço é feito pelo cliente ou plano de saúde para a Recorrente (sendo que a Recorrente recebe tal montante na qualidade de intermediadora); e 3 a Recorrente efetua o repasse dos valores recebidos aos médicos associados que prestaram os serviços descritos em “1”, retendo valor a título de comissão. O acórdão paradigma, analisando o referido quadrante fático, concluiu que a prestação de serviços se deu diretamente entre médicos associados e os clientes ou planos de saúde. Entendeu, assim, que a Recorrente não teria direito ao ressarcimento de retenções de Fl. 844DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 tributos feitas nos pagamentos pelos clientes e planos de saúde, eis que quem sofreu o ônus de tais tributos são os médicos, cabendo à Recorrente apenas a devolução de valores relativos às comissões por ela recebidas. Questão a ser enfrentada é que o acórdão paradigma não discute a incidência da contribuição previdenciária a cargo da empresa prevista no artigo 22, inciso III, da Lei nº. 8.212/91 – e consequentemente a necessidade de incluir essas informações na GFIP –, mas, sim, a regularidade da retenção de CSLL, PIS e COFINS nos termos do artigo 30 da Lei 10.833/2003 pelos tomadores de serviços médicos em nome da Recorrente. Seria este ponto óbice ao conhecimento do recurso por ausência de divergência quanto aos dispositivos aplicáveis? Pareceme não haver tal óbice. A divergência é evidente na qualificação jurídica dos fatos, considerado o ordenamento jurídico como um todo e o tratamento tributário a ser conferido aos fatos tal como qualificados no recorrido e no paradigma. Nestas circunstâncias, a divergência jurisprudencial pode ser caracterizada pela aplicação de dispositivos legais trazidos no acórdão paradigma para qualificar de modo diametralmente oposto fatos idênticos ou comparáveis – no caso, a relação existente entre médicos associados e a Recorrente. No acórdão recorrido concluiuse que a Recorrente contrata os médicos associados e os coloca à disposição de seus clientes e planos de saúde por meio da cessão de mão de obra de tais médicos. Já o paradigma, analisando idêntica situação fática, considerou que a Recorrente é mera intermediária entre a prestação de serviços que ocorre entre os médicos associados e os planos de saúde ou clientes. Concluiu o paradigma que a Recorrente não presta serviços médicos aos seus clientes posto que tais serviços são prestados diretamente pelos próprios médicos associados, em nome próprio e por sua conta e risco. Diante do exposto, concluise que a aplicação da qualificação do acórdão paradigma aos fatos que ensejaram o presente lançamento resultaria em conclusão diversa àquela a que chegou o acórdão recorrido. Nisto reside, a meu ver, o teste apto a demonstrar o confronto de teses. Resultados jurídicos diversos para a mesma situação fática a partir da interpretação da legislação tributária em sua integralidade. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto. Passo à análise do mérito do recurso especial. A discussão no presente recurso é relativa à ausência de informações referentes aos médicos associados na GFIP, considerando a existência de contratação desses médicos pela Recorrente para prestação de serviços médicos junto a clientes desta. Para caracterizar a prestação de serviços dos médicos associados em favor da Recorrente, a NFLD considerou que ela (i) contratava os serviços dos médicos associados e (ii) os colocava à disposição de clientes e planos de saúde (por meio de cessão de mão de obra). Ante a ausência dessas informações nas GFIP apresentadas, foi lavrado o presente lançamento. Como elemento a reforçar a natureza de prestação de serviços entre os médicos associados e a Recorrente o Termo de Verificação Fiscal apontou que a remuneração Fl. 845DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 9202003.616 CSRFT2 Fl. 18 9 dos médicos associados era feita exclusivamente pela Recorrente de acordo com previsão contratual. A Recorrente, em suas razões, sustenta que não há relação de prestação de serviços entre ela e os médicos associados. Alega que tais médicos prestam serviços diretamente para os clientes e planos de saúde, sendo a Recorrente uma intermediária dessa relação. A obrigação da Recorrente de preparar folha de pagamento incluindo todos os segurados individuais está prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº. 8.212/91, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. A penalidade aplicada neste caso está prevista no artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social: Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e Como previsto na legislação, será aplicada multa de 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP. A manutenção ou não do lançamento passa, então, pela análise da relação jurídica existente entre os médicos associados e a Recorrente, no contexto dos contratos que são firmados pela Recorrente e seus clientes/planos de saúde. Examinando o conjunto fáticoprobatório verifico que nos contratos de prestação de serviços entre a Recorrente e seus clientes está claramente pactuado que os serviços serão prestados pelos médicos associados em nome próprio. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 A título de exemplo, cito o objeto dos contratos com a Petróleo Brasileiro S.A – Petrobrás (fl. 171) e Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados da CODEVASF – CASEC (fl. 175), parcialmente transcritos nessa ordem abaixo: Contrato com a Petróleo Brasileiro S.A – Petrobrás “CLÁUSULA PRIMEIRA — DO OBJETO O objeto deste contrato é a intermediação permanente de serviços médicos prestados pelos Associados da CONTRATADA, em nome próprio, em suas respectivas especialidades, aos beneficiários da CONTRATANTE. O atendimento será feito mediante apresentação de carteira personalizada emitida pela CONTRATANTE em conjunto com documento oficial de identidade. Nos casos de procedimentos que requeiram prévia autorização, o beneficiário deverá apresentala com a discriminação dos serviços a serem prestados pelo CONTRATADO ou senha concedida por telefone em caso da CONTRATANTE possuir central de atendimento.” (original sem grifos) Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados da CODEVASF – CASEC “CLÁUSULA PRIMEIRAObjeto O objeto deste contrato é a intermediação permanente de serviços médicos e os procedimentos decorrentes destes atendimentos e nas intercorrências durante as internações, prestados pelos associados da CONTRATADA, em nome próprio, em suas respectivas especialidades, aos beneficiários da CONTRATANTE mediante a apresentação de carteira personalizada de identificação do beneficiário, dentro do prazo de validade, acompanhada do documento oficial de identidade e guia de encaminhamento ou, mediante caução, na falta dessa.” (original sem grifos) Ademais, é senso comum que a escolha do médico é prerrogativa do beneficiário do plano, sendo difícil estabelecer uma situação em que a Recorrente pudesse manter um médico à disposição dos planos de saúde para prestação de serviços contínuos. Em outras palavras, pareceme razoável assumir (presunção omnis) que no caso dos contratos firmados entre a Recorrente e seus clientes o beneficiário do plano de saúde escolheria diretamente o prestador de serviços (o médico associado) com base nas características desse prestador de serviço (reputação, especialidade, currículo, etc). O médico associado, por sua vez, atenderia ao beneficiário do plano de saúde em suas dependências, exercendo seu serviço de forma autônoma. O item 11 do relatório fiscal aponta claramente que os médicos associados são “trabalhadores que realizam serviços médicos contínuos nas dependências de seus próprios consultórios”. Também não vislumbro a existência de remuneração exclusiva dos médicos associados pela Recorrente. Sobre o tema o artigo 8º do Estatuto da Recorrente dispõe, in verbis: “Artigo 8º São deveres dos associados: (...) Fl. 847DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 9202003.616 CSRFT2 Fl. 19 11 k) rescindir contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviço que venham a manter contratos com a AMHPDF; l) absterse de realizar contratos, convênios e quaisquer instrumentos que haja celebrado com entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviço que venham a manter contratos com a AMHPDF;” De fato, o Estatuto contém uma restrição aos médicos associados, obrigando os a rescindir e/ou não realizar contratos com certas pessoas jurídicas, entretanto, essa restrição se refere apenas às “entidades administradoras de convênios hospitalares, planos de saúde, hospitais e demais tomadoras de serviço” que já mantenham ou que venham a firmar contrato com a Recorrente. O objetivo da referida provisão é claramente evitar que os médicos associados sejam contratados diretamente pelos clientes ou planos de saúde que já mantenham (ou venham a manter) relação com a Recorrente. Ao tomar tal precaução a Recorrente está contratualmente assegurando o seu poder de “barganha” junto aos clientes e planos de saúde. Neste contexto é justificável a autuação da Recorrente como “mandatária” dos médicos associados, o que lhe confere uma posição mais privilegiada quando das negociações junto aos clientes e planos de saúde em assuntos como, por exemplo, o valor a ser cobrado em consultas. Em resumo, constatase que os médicos associados não prestavam serviços à Recorrente mas sim aos clientes ou aos planos de saúde atuando, sempre, em nome próprio e em seus consultórios. Esta constatação foi adotada pela própria Administração Pública Federal, que reconheceu por meio da Solução de Consulta COSIT nº. 5, de 30 de março de 2004. Nela a administração manifestou o entendimento de que que a Recorrente é mera intermediadora e que os médicos associados prestam serviços em nome próprio aos clientes e aos planos de saúde. Com isto, a Cosit entendeu que a retenção de tributos feita pela fonte pagadora deve considerar os atributos dos prestadores de serviços (médicos) e não da própria Recorrente, já que eles são os beneficiários dos rendimentos pagos, cabendo à Recorrente apenas comissão de intermediação. “Analisandose o documento de fls. 30 dos autos (Estatuto da Associação Médica de Hospitais Privados do Distrito Federal), verificase que os serviços são prestados direta e unicamente pelos associados por conta e risco próprios, como pessoas físicas e jurídicas, evidenciando a condição de mera intermediária da Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal (AMHPDF) na prestação de serviços. 11. Estabelece a Cláusula Nona que os valores devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas com discriminação dos Fl. 848DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 serviços prestados para cada beneficiário no prazo de 30 (trinta) dias, e o § 3 prevê que os pagamentos serão recebidos pela Credenciada na qualidade de representante de seus associados, que poderá em nome destes envidar todos os esforços para a sua cobrança. 12. Encontramse ainda acostados aos autos: cópia de Declaração de Isenção, a que se refere o inciso IV art. 26 da IN SRF n 306, de 2003, firmada pelo Direto Presidente da AMHPDF, datada de 25 de março de 2003; cópias de Termos de Filiação e Compromisso, à associação, de pessoas físicas e de uma pessoa jurídica; e do Estatuto da Associação. 13. A IN SRF 112 306, de 2003, tem seu fundamento legal no art. 64 da Lei n. 9.430, de 1996, estabelecendo o art. 12 da mencionada Instrução Normativa: “Art. 12. Os órgãos da administração pública federal direta; as autarquias e as fundações federais reterão na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), bem assim a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa.” 14. Dentre as hipóteses em que não haverá retenção, o art. 25, inciso IV, da referida Instrução Normativa arrola as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e às associações civis, a que se refere o art. 15 da Lei IV 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Estabelece o art 26 a obrigatoriedade de as entidades que se “enquadrem no inciso IV do art 25 apresentarem declaração, informando que preenchem os requisitos ali exigidos... 15. De sua vez estabelece o art. 15 da Lei n 9.532, de 1997, o seguinte: “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14.” 16. Sobre as retenções previstas na Instrução Normativa SRF n 306, de 2003, a questão a ser solucionada cingese ao ‘correto Fl. 849DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14041.000125/200823 Acórdão n.º 9202003.616 CSRFT2 Fl. 20 13 enquadramento dos serviços prestados pela associação, já que, como alega a consulente, os profissionais médicos realizam os procedimentos, em nome próprio, figurando a associação como mera intermediária. 17. O art. 20, da IN SRF 306, 2003, prevê, como regra geral, a retenção na fonte sobre os pagamentos às associações profissionais ou assemelhadas. Cabendo aos órgãos, autarquias e fundações da Administração Pública Federal, quando contratarem diretamente com tais entidades, realizar as retenções previstas no art. 22, quais sejam: a) imposto de renda na fonte à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), sobre as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados por seus associados, utilizandose o código 3280; b) CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep, às alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimo por cento), respectivamente, perfazendo o percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o valor total das notas fiscais ou faturas, utilizandose o código 8863. 18. Esse tratamento, contudo, não deve ser aplicado à AMHPDF, eis que os pagamentos efetuados pelo STJ tem natureza distinta dos pagamentos realizados a Outras associações que prestam serviço em nome próprio. 19. a AMHPDF atua como intermediária, em que pese o contrato firmado entre ela e o STJ estabelecer como objeto “a intermediação permanente de serviços médicos e paramédicos”, e sua Cláusula Nona determina que os serviços devidos aos associados da Credenciada serão pagos, mediante apresentação pela Credenciada das respectivas faturas. 20. Ocorre que todos os procedimentos médicos e terapêuticos consagrados, incluindo materiais e medicamentos, são prestados diretamente por pessoas físicas ou jurídicas associadas da Contratada por conta e risco próprio sem qualquer responsabilidade da AMHPDF. Os pagamentos são efetuados à Associação, como intermediária, mas referemse a pagamentos efetuados à conta de serviços prestados, diretamente por pessoas físicas ou jurídicas, mediante a identificação do beneficiário do serviço (servido do STJ). 21. Assim, os pagamentos são, na verdade, direcionados às pessoas prestadoras de serviço via associação que faz jus apenas a remuneração pelo serviço de intermediação. A retenção deve ocorrer, portanto, sobre os reais prestadores dos serviços, como se o órgão tivesse contratado diretamente com os profissionais pessoas físicas e jurídicas. A leitura da Solução de Consulta mostra o entendimento da Administração Pública no sentido de que os médicos associados prestam serviços aos planos de saúde ou aos clientes diretamente, por conta e risco próprios, sendo a Recorrente intermediária no credenciamento de profissionais e pagamento de tais serviços. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 14 Ainda segundo a Solução de Consulta, a remuneração aos serviços médicos prestados decorre da atividade de cada profissional sendo que a Recorrente apenas recebe os valores para repassálos aos efetivos prestadores de serviço. Tal entendimento foi posteriormente incluído em atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal, como a Instrução Normativa SRF 1.234/2012 que, ao regular as retenções em pagamentos por órgãos da administração pública, prevê que no caso de pagamentos a associações de médicos que atuem na intermediação da prestação de serviços médicos as retenções devem considerar o regime jurídico aplicável aos beneficiários finais (médicos), obviamente tendo como pressuposto que a relação de serviços se estabeleceu diretamente com eles e não com a associação intermediadora. Em resumo, a meu ver não há que se falar em contratação de serviços pela Recorrente junto aos médicos associados, bem como na cessão de mão de obra, posto que os serviços são prestados de maneira autônoma pelos referidos profissionais por sua conta e risco, atuando a Recorrente como mera intermediadora. Ante o exposto, conheço do recurso especial da contribuinte para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para cancelar integralmente o lançamento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 15504.016114/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE E DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. APURAÇÃO EM ARQUIVOS DIGITAIS E CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. SEGURADOS EMPREGADOS. CARACTERIZAÇÃO.
O contribuinte alega que a autuação é ilegal e que ocorreu a decadência do direito de lançar, conforme a regra do inciso I do art. 173 do CTN, notadamente sobre os fatos geradores ocorridos antes de julho de 2002.
No ponto sem razão o contribuinte, tendo em vista que o período apurado diz respeito exclusivamente à competência 12/2005, decorrente do lançamento efetuado em 29/09/2009. Portanto, dentro do prazo estabelecido na regra invocada pelo próprio sujeito passivo (CTN, 173, I).
Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 36/38) que o crédito lançado diz respeito a valores de contribuição patronal, inclusive GILRAT, apurados nos arquivos digitais fornecidos pela empresa, relativos à folha de pagamento de salários e de lançamentos contábeis.
Vê-se, portanto, que as informações sobre as quais se levantou a irregularidade foram extraídas de documentação fornecida pelo próprio contribuinte.
O contribuinte aduz que as pessoas que lhe prestaram serviços jamais foram suas empregadas ou sequer receberam salários da instituição, sendo que, se eventualmente prestaram algum serviço, as atividades foram sempre prestadas na forma de voluntariado.
Do cotejo das informações contidas no Relatório Fiscal do Auto de Infração com os argumentos do contribuinte, resta evidenciado que estes últimos não merecem credibilidade, tendo em vista que os pagamentos foram apurados em documentos da entidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE E DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. APURAÇÃO EM ARQUIVOS DIGITAIS E CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. SEGURADOS EMPREGADOS. CARACTERIZAÇÃO. 1. O contribuinte alega que a autuação é ilegal e que ocorreu a decadência do direito de lançar, conforme a regra do inciso I do art. 173 do CTN, notadamente sobre os fatos geradores ocorridos antes de julho de 2002. 2. No ponto sem razão o contribuinte, tendo em vista que o período apurado diz respeito exclusivamente à competência 12/2005, decorrente do lançamento efetuado em 29/09/2009. Portanto, dentro do prazo estabelecido na regra invocada pelo próprio sujeito passivo (CTN, 173, I). 3. Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 36/38) que o crédito lançado diz respeito a valores de contribuição patronal, inclusive GILRAT, apurados nos arquivos digitais fornecidos pela empresa, relativos à folha de pagamento de salários e de lançamentos contábeis. 4. Vêse, portanto, que as informações sobre as quais se levantou a irregularidade foram extraídas de documentação fornecida pelo próprio contribuinte. 5. O contribuinte aduz que as pessoas que lhe prestaram serviços jamais foram suas empregadas ou sequer receberam salários da instituição, sendo que, se eventualmente prestaram algum serviço, as atividades foram sempre prestadas na forma de voluntariado. 6. Do cotejo das informações contidas no Relatório Fiscal do Auto de Infração com os argumentos do contribuinte, resta evidenciado que estes últimos não merecem credibilidade, tendo em vista que os pagamentos foram apurados em documentos da entidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 61 14 /2 00 9- 14 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de junho de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. RECOLHIMENTO. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ACRÉSCIMOS LEGAIS. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos. A empresa é obrigada a recolher as contribuições sociais a seu cargo. O Supremo Tribunal Federal – STF, por meio da Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que havia fixado o prazo decadencial de 10 9dez) anos para a constituição de contribuições para a Seguridade Social. A lei, cuja ilegalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente, e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não sendo o fórum administrativo próprio para albergar discussões dessa ordem. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a juros e multa, ambos de caráter irrelevável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 5 4 Tratase de NFLD lavrada em razão de suposta omissão no recolhimento de contribuições especiais devidas pela empresa e não recolhidas ao INSS. Após a apresentação de defesa, o lançamento foi julgado procedente. Entretanto, em que pese o conhecimento e saber jurídico da i. auditora fiscal, seu entendimento em nada coaduna com a situação fática e a de direito que se apresentam, como será demonstrado, devendo ser o auto de infração julgado totalmente insubsistente. Há que se salientar que, na forma do art. 173 do CTN o prazo de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de 05 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, ilegítima qualquer autuação sobre fatos geradores ocorridos antes de julho/2002, sendo nulo qualquer lançamento efetuado sobre o referido período. A presente autuação se refere a cobrança de contribuições previdenciárias pela suposta não inscrição de empregados, e recolhimento de contribuições devidas. Entretanto, tais pessoas jamais foram empregadas da autuada ou sequer receberam salários da instituição, sendo que, se eventualmente prestaram algum serviço, tais serviços foram sempre prestados sob regime de voluntariado. Por tais razões não houve a inscrição de tais pessoas nos quadros de funcionários, e pelo fato de não ter havido pagamento de qualquer remuneração, não houve recolhimentos de contribuições devidas ao INSS. E como reconhecido pela jurisprudência, o voluntariado não é fato gerador das contribuições sociais. E não sendo fato gerador do tributo, igualmente não subsistirá a obrigação acessória. A cobrança do SAT é ilegal e inconstitucional. A cobrança da contribuição ao INCRA é ilegal e inconstitucional. A cobrança da contribuição ao SEBRAE é ilegal e inconstitucional. A cobrança do SESC / SENAC é ilegal e inconstitucional. A multa moratória aplicada é confiscatória. É ilegal a aplicação da taxa SELIC. Diante do exposto requer seja o presente recurso provido para declarar a total insubsistência / nulidade do auto de infração em epigrafe. Na oportunidade, pugna que todas as intimações referentes ao presente processo também sejam encaminhadas para os procuradores do contribuinte, subscritores da presente, com endereço profissional na Rua Juiz de Fora, nº 115, Conj. 1406 / 1410, Barro Preto, Belo Horizonte/MG, CEP: 30180120 – Tel. / Fax: (31) 32953595. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 6 5 Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 36/38) que o crédito lançado diz respeito às contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos, apurados nos arquivos digitais fornecidos pela empresa, relativos à folha de pagamento de salários e de lançamentos contábeis. Vêse, portanto, que as informações sobre as quais se levantou a irregularidade foram extraídas de documentação fornecida pelo próprio contribuinte. O contribuinte aduz que as pessoas que lhe prestaram serviços jamais foram suas empregadas ou sequer receberam salários da instituição, sendo que, se eventualmente prestaram algum serviço, as atividades foram sempre prestadas na forma de voluntariado. Pelas razões acima expostas, o contribuinte afirma que não inscreveu tais pessoas nos quadros de funcionários, e pelo fato de não ter havido pagamento de qualquer remuneração, não houve também recolhimentos de contribuições devidas ao INSS. Do cotejo das informações contidas no Relatório Fiscal do Auto de Infração com os argumentos do contribuinte, resta evidenciado que estes últimos não merecem credibilidade, tendo em vista que os pagamentos foram apurados em documentos da entidade. Em seu recurso, o contribuinte alega que a autuação é ilegal e que ocorreu a decadência do direito de lançar, conforme a regra do inciso I do art. 173 do CTN, notadamente sobre os fatos geradores ocorridos antes de julho de 2002. No ponto sem razão o contribuinte, tendo em vista que o período apurado diz respeito exclusivamente à competência 12/2005, decorrente do lançamento efetuado em 29/09/2009. Portanto, dentro do prazo estabelecido na regra invocada pelo próprio sujeito passivo (CTN, 173, I). Com relação às verbas do SAT (GILRAT), INCRA, SEBRAE, SESC/SENAC, o contribuinte afirma que a cobrança delas é ilegal e inconstitucional. Com efeito, a ilegalidade de normas legais não pode ser apreciada pelos julgadores administrativos, tendo em vista que tal incumbência está sob a tutela do Poder Judiciário. Portanto, enquanto o poder competente não declarar a ilegalidade da norma, os julgadores administrativos estão obrigados a cumprila, sob pena de responsabilidade funcional. De outra parte, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 8 7 As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmulas de observância obrigatória pelos membros do Conselho (art. 72 do RICARF). A multa moratória está em absoluta conformidade com a legislação de regência e não tem qualquer conotação ou caráter confiscatório, devendo ser mantida na exata forma em que foi aplicada. O contribuinte também afirma que é ilegal a aplicação da taxa SELIC. In casu, os membros do Conselho devem observar a Súmula CARF nº 4, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. No que se refere ao pedido para que todas as intimações fossem endereçadas aos procuradores da empresa recorrente, ressalto que tal disposição consta do art. 55 da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, in verbis: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I – dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II – para cada processo: a) O nome do relator; b) Os números do processo e do recurso; e c) Os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III – nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. Como se pode observar, a legislação que rege o processo administrativo fiscal no âmbito federal já dispõe de mecanismos para que os contribuintes tenham informações da tramitação dos processos, cabendo a eles, obviamente, ficarem atentos às situações previstas no art. 55 do RICARF. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.016114/200914 Acórdão n.º 2803003.987 S2TE03 Fl. 9 8 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/01/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909720/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 20 /2 00 9- 11 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909720/200911 Acórdão n.º 3202001.578 S3C2T2 Fl. 371 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35488.000316/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO.
Se a recorrente não demonstra preencher todos os requisitos da legislação, não há condições para o deferimento de seu pedido de restituição.
Numero da decisão: 2301-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Fábio Pallaretti Calcini, que votou em dar provimento ao recurso, devido a ausência de obrigatoriedade para apresentação de GFIP.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 05/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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INDEFERIMENTO. Se a recorrente não demonstra preencher todos os requisitos da legislação, não há condições para o deferimento de seu pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Fábio Pallaretti Calcini, que votou em dar provimento ao recurso, devido a ausência de obrigatoriedade para apresentação de GFIP. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR Relator. EDITADO EM: 05/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 48 8. 00 03 16 /2 00 5- 73 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Adoto relatório de fls. 32: O contribuinte protocolou, em 08/06/2005, Requerimento de Restituição de Valores Indevidos — RRVI relativo ao período de 01/199 a 12/2000, no valor original de R$ 4.940.181,51 (quatro milhões, novecentos e quarenta mil, cento e oitenta e um reais e cinquenta e um centavos), alegando, como justificativa tratarse de crédito oriundo de inconstitucionalidade, ainda não declarada, de dispositivo da Lei Federal 8.212/91 regulamentado através do Decreto 3.048/99, o qual não possui competência para tanto, bem como oriundo do recolhimento, a maior, do SAT, tendose em vista a desproporcionalidade entre o risco sofrido efetivamente pelo segurado e a atividade geral da empresa, juntando, paratanto, documentos (fls. 2 a 10), dentre os quais: Planilha demonstrativa dos valores de SAT; Procuração outorgada por Aldomir José Sanson, Prefeito Municipal deCerquilho, a Wagner Renato Ramos para representálo junto A Delegacia da ReceitaPrevidencidria em Campinas no processo administrativo de restituição e/ou compensação decréditos dos tributos previdencidrios; Cópias autenticadas de documentos pessoais de Aldomir José Sanson eWagner Renato Ramos; Cópia autenticada do Termo de Compromisso e Posse do PrefeitoMunicipal de Cerquilho, em 01/01/2005. O processo foi encaminhado, pela Unidade de Atendimento em Tietê,Seção de Fiscalização da então Delegacia da Receita Previdencidria em Piracicaba, quemanifestouse As fls. 12/13, esclarecendo que, nos termos da legislação vigente, os órgãospúblicos são considerados empresas perante a Previdência Social, devendo observar todas asobrigações previdencidrias inerentes As empresas em geral, não havendo nenhuma declaraçãode inconstitucionalidade com relação a esta equiparação.Informa ainda o auditor fiscal que a inconstitucionalidade declarada peloSenado Federal através da Resolução n.° 26, de 21/06/2005, referiase a detentores de mandatoeletivo, sendo indevidas as contribuições sociais incidentes sobre os subsídios dos vereadores,prefeito e vice prefeito, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004. Relativamente ao SAT, não constava declaração de inconstitucionalidade.Se houve recolhimentos a maior de SAT, para a análise administrativa do pedido, deve serobservado o prazo legal para pleitear a restituição de pagamentos indevidos de direito nãoreconhecido judicialmente, conforme dispõe o art. 253 do Decreto 3.048/99, ou seja, cincoanos contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35488.000316/200573 Acórdão n.º 2301003.895 S2C3T1 Fl. 58 3 Conclui que o pedido de restituição deve ser indeferido ou adequado parao SAT, caso tenha havido recolhimentos a maior, através do correto preenchimento doscampos do RRVI, bem como a explicação mais precisa da justificativa do pedido no campo 2do citado formulário e juntadas as folhas de pagamento na forma determinada pelo art. 201, §1. 0 da Instrução Normativa SRP n.° 03/2005, de 14/07/2005 (IN 3). Como consequência, foi enviado A requerente o Termo de Intimação n.° 99/2008 (fls. 15), solicitando: a RRVI em 2 vias, conforme modelo constante no Anexo VI da IN 3, devidamente preenchido, observando o prazo previsto no art. 253 do Decreto 3.048/99 e assinado pelo dirigente ou seu representante legal; b original e cópia de ato administrativo, emitido por autoridade competente, no qual esteja prevista a competência do dirigente para solicitar restituição ou procuração por instrumento particular, com poderes específicos para representar o requerente, conforme o caso; c folhas de pagamento e respectivo resumo, relativas a cada competência incluída no pedido de restituição. Transcorrido o prazo estipulado e, não tendo o contribuinte atendido o solicitado na intimação acima, foi o processo encaminhado A EQORTPREV/DRF de Piracicaba, a qual, baseada no Despacho Decisório n.° 0952, de 08/10/2008 (fls. 18/20), indeferiu o pedido de restituição formulado, tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados. Cientificada da decisão em 17/10/2008, a interessada protocolou, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade de fls. 24/26, na qual alega, resumidamente: j á apresentou o documento solicitado no item "a" do Termo de Intimação n.° 99/2008 (RRVI), mas, com o intuito de sanar quaisquer dúvidas acerca de sua apresentação, junta novamente tal documento; o documento relativo ao item "h" da intimação acima se faz presente na ata de posse do Prefeito Municipal, a qual é novamente anexada; quanto As folhas de pagamentos e respectivos resumos relativas as competências incluídas no pedido de restituição, tais documentos já foram devidamente entregues a Secretaria da Receita Federal, porém o requerente as encaminha novamente em anexo, levando as originais para conferência. Requer seja reconsiderada a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba, tendo em vista que a ausência de qualquer documentação não impede a análise do mérito do pedido, já que, além de tais informações constarem no sistema da ReceitaFederal, os documentos encontramse em sua sede, A disposição para quaisquer averiguações.Em razão do recurso Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 interposto, foi o processo encaminhado ao SegundoConselho de Contribuintes, o qual, por força da Portaria n.° 14 de 9/12/2008, o enviou ao órgãode origem, que o encaminhou a esta DRJ/RPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil deJulgamento em Ribeirão Preto). Por meio do acórdão n. 1435.464 [fls. 31 e seguintes], a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por improcedente o pedido: Irresignado com o decisum, o Município interpôs recurso voluntário que reiterou os argumentos da defesa. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator O contribuinte apresentou Recurso tempestivo em face ao acórdão proferido pela 7ª turma da DJR/RPO que decidiu pela improcedência do pedido. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. I – Da prescrição Preliminarmente, cumpre ressaltar que o contribuinte busca atravésdo presente, reaver valores decorrentes do pagamento indevido referentes ao período de 1991 a 2000. Entretanto, é sabido que o prazo para apresentação de requerimento visando restituição de tais valores finda cinco anos a contar do pagamento ou recolhimento indevido. Tal prerrogativa está prevista tanto na legislação vigente, como em norma complementar estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vejamos os dispositivos que tratam so assunto: Decreto 3.048/99, de 06/05/1999 (RPS); "Art. 253. 0 direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; (..) "(destaquei) Instrução Normativa SRP n.° 03/2005, de 14/07/2005 (1IN 3), vigente à época do protocolo do RRVI dispunha: "Art. 207. (..) Parágrafo único. Somente serão restituidos valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto no art. 227. "Art. 227. 0 direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados do dia seguinte: I do recolhimento ou do pagamento indevido; Instrução Normativa n. 15 de 10/11/2006; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35488.000316/200573 Acórdão n.º 2301003.895 S2C3T1 Fl. 59 5 Art. 3:O direito de efetuar compensação ou de solicitar a restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento Feitas tais considerações, importante afirmar que, ainda que o direito em discussão fosse concedido à parte, somente seria possível restituir ao contribuinte o montante referente ao que foi recolhido a partir de junho de 2000, tendo em vista que o requerimento inicial do pedido (RRVI) foi protocolado em junho de 2005. Não sendo mais possível discutir qualquer valor atribuído ao período entre 1991 e ao primeiro semestre de 2000. II – Ausência de documentação suficiente para análise do pedido A autoridade fiscal solicitou ao contribuinte envio de novo requerimento de restituição em vista a falta de informações constantes no inicialmente protocolado. O argumento utilizado como justificativa para a apresentação do pedido de restituição foi a inconstituicionalidade AINDA NÃO DECLARADA de dispositivo da lei 8.212/91, sem que fossem fornecidos quaisquer dados complementares a respeito da motivação capazes de garantir o direito do contribuinte.Não há como declarar o direito de uma parte litigante sem que haja no processo elementos documentais que possam embasar o pedido feito. Com o objetivo de possibilitar a apresentação posterior de tal documentação, o julgador a quo intimou o contribuinte para que trouxesse aos autos informações que corroborassem suas alegações, com a finalidade de viabliziar a análise do requerimento feito. Entretanto, apesar da tentativa por parte da autoridade fiscal, o contribuinte não apresentou nenhuma informação nova que auxiliasse na apreciação de seu pedido. Se a pretensão é do contribuinte, dele é o onus probandi. Em sede deprocesso de restituição, em que o onus probandi compete ao contribuinte, não é cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Para que haja restituição do crédito é necessário que seja comprovada sua liquidez e certeza com base nas informações e dados trazidos nos autos do processo. Sobre o tema, a jurisprudência do conselho já está pacificada: Recorrente HOSPITAL MATER DEI S/A1Recorrida FAZENDA NACIONAL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. Recorrente PAMPA EXPORTAÇÕES LTDA2. Recorrida FAZENDA NACIONAL CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. 1Processo nº 10680.933018/200988 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.865 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria COFINS. PER/DCOMP. 2Processo nº 10280.005327/200626 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.192 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu parte do direito creditório e não homologou a compensação respectiva, por falta de prova do direito alegado. III Conclusão Ausentes as informações indispensáveis para a apreciação do objeto do presente recurso. Acompanho o entendimento da DRJ no sentido de considerar que há motivos para o indeferimento da restituição, uma vez que a interessada não apresentou nenhumdocumento novo quanto à falta de informações acusada em momento processual posterior. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, mantendo a decisão de indeferimento do pedido. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 15586.000737/2010-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO.ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA.
Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação.
CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS.
As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública.
ÓNUS DA PROVA.
Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento.
RETIFICAÇÃO.
Exclui-se do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
Ivacir Júlio d Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. ÓNUS DA PROVA. Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. RETIFICAÇÃO. Exclui-se do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. Ivacir Júlio d Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000737/201046 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.772 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 09 de outubro de 2014 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO.ALIMENTAÇÃO. SEGURO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ASSISTÊNCIA MÉDICA. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. As convenções entre particulares que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. ÓNUS DA PROVA. Alegações desprovidas das respectivas provas não ensejam revisão do lançamento. RETIFICAÇÃO. Excluise do lançamento contribuição apurada sem a respectiva fundamentação legal. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 37 /2 01 0- 46 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. Ivacir Júlio d Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000737/201046 Acórdão n.º 2403002.772 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório a quo, compulsei com os autos e tendo corroborado, com grifos de minha autoria, abaixo, o transcrevo na íntegra: "Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.252.6160 consolidado em 27/07/2010), no valor de R$ $ 21.097,57; acrescidos de juros e multa de ofício, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 43/48), referese às contriBuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, no período de 01/2006 a 12/2007. 2. Ainda segundo o referido relatório: 2.1. constituem fatos geradores das contribuições lançadas: as parcelas in natura fornecidas pela empresa a seus empregados, por meio da contratação de serviços AlimentaçãoConvênio, sem o amparo da Lei n° 6.321 de 14/04/1976 e; benefícios de assistência médica, seguros e previdência complementar os quais não foram disponibilizados a todos os segurados da empresa — empregados e dirigentes, não atendendo portanto ao pressuposto legal da não incidência tributária; 2.2. integram a notificação os seguintes levantamentos: • ALI Alimentação; • AM1 Assistência Médica ; SEI Seg. e Previdência Privada; SP1 Seg. e Previdência Privada e; TA1 Ticket Alimentação 2.3. foi solicitado à empresa a relação dos valores pagos, por segurados e por competência, das parcelas pagas in natura, do período de 01/2006 a 12/2007, entretanto só foi apresentado relação do TicketAlimentação do período de 12/2006 a 12/2007 e do Seguro e Previdência Privada do período de 06/2007 a 12/2007. Para as competências em que houve apresentação da relação dos pagamentos efetuados aos segurados empregados, foram utilizadas as Fl. 703DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 alíquotas de 7,65%, 8,65%, 9% ou 11% de acordo com a faixa salarial. Para as competências que não foi possível individualizar os valores, foi utilizado a alíquota mínima de 8% sobre o montante mensal extraído das contas contábeis; 2.4. em respeito ao princípio da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional CTN, efetuouse a comparação entre as penalidades aplicadas com fundamento na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores (legislação anterior) e a legislação superveniente (atual Lei n° 11.941/2009), sendo esta mais benéfica ao contribuinte, conforme Relatório de Comparação de Multa em Da Impugnação 3. Inconformada com o lançamento, que tomou ciência em 02/08/2010, a empresa apresentou Impugnação (fls. 136/154), acompanhada dos documentos de fls. 155/304, argumentando, em síntese: .3.1. a tempestividade; 3.2. as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho equiparáveis, de certo modo, à própria lei, da qual podem inclusive divergir, desde que sejam em benefício do trabalhador (ou até mesmo em prejuízo daquele, nas hipóteses autorizadas pela 3F/1988); 3.3. a convenção Coletiva possui o status quo de norma pela Constituição Federal de 1988 e pela CLT; 3.4. as duas convenções coletivas dos funcionários vinculados à impugnante (SINPRO ES e SAAE/ES) estabelecem que o ticket alimentação não se integra ao salário e, consequentemente, ao conceito de remuneração. Estipularam que tal benefício se equipara ao PAT, ou seja, tal concessão é meramente de natureza indenizatória; 3.5. considerando que quem define o que é ou não salário e/ou remuneração para fins de contribuição previdenciária são as normas trabalhistas, e ainda a convenção estipula que o ticketalimentação não é salário, outra não pode ser a conclusão de que a referida rubrica não integra o conceito de salário, que, por consequência, torna impossível abarcar no conceito de remuneração; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000737/201046 Acórdão n.º 2403002.772 S2C4T3 Fl. 4 5 3.6. para corroborar suas alegações cita jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; 3.7. o ticket alimentação do caso em concreto, não é salário, mas sim indenização; 3.8. o fiscal sustentou que a contribuinte não disponibilizou a todos os segurados da empresa planos de previdência privada complementar, de saúde assistência médica e seguro de vida, contudo tal argumento não pode prosperar; 3.9. após citar o art. 28, §9°, alíneas "p" e "q" da Lei n° 8.212/1991, afirma que não é necessário que todos os empregados adiram ao plano de previdência privada complementar, basta que o contribuinte disponibilize a todos os empregados e dirigentes, e isso foi realizado; 3.10. parte dos funcionários e dirigentes (menor parte da empresa) não aderiu ao benefício do plano de previdência privada por vontade própria; 3.11. comprovase por meio da Convenção Coletiva do SINPRO ES e SAAE/ES, e pelos próprios documentos informados no auto de infração (anexos II a V), que o plano de previdência privada foi posto à disposição de todos os funcionários e dirigentes atendendo aos preceitos legais; 3.12. O autuante equivocouse ao argumentar que determinada cláusula da convenção do SAAEES, supostamente haveria extinguido o plano de previdência privada, pois a determinação da extinção era referente à Convenção coletiva de 2005/2006 e, jamais do plano de Previdência Privada da Convenção do biénio 2006/2007; as convenções coletivas também demonstram não se tratar de remuneração os planos de assistência médica e seguro de vida, não devendo incidir contribuição evidenciaria nestes casos; 3.13. nem mesmo custeado pela contribuinte o plano de saúde é, motivo pelo qual Í indaga qual o embasamento legal que demonstra, neste caso, a natureza remuneratória da referida rubrica; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Em virtude do exposto, requer seja anulado ou julgado improcedente o auto de infração ora combatido, desconstituindo o tributo apurado, a multa aplicada , bem como os juros. 5. É o Relatório DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 18 de abril de 2001, exarou Acórdão de n°1236.751, fls.317, concedendo parcial provimento ao contribuinte retificando, de ofício, o lançamento em razão de ausência de fundamentação legal para a aferição direta de algumas rubricas levantadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls.631, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000737/201046 Acórdão n.º 2403002.772 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO De plano, ressaltese que o presente Auto de Infração está sendo julgado em conjunto com o processo de n° 15586.000734/201011 em face da conexão com aquelas obrigações principais cujas mesmas bases de cálculo ensejaram o lançamento em comento. Aduz que tendo esta Turma decidido dar provimento parcial àquele anuindo tãosomente determinar o recálculo da multa aplicada , por razões lógicas o resultado deste julgamento deve acompanhar aquela decisão. Ressaltese que no presente a decisão de primeira instância excepcionou os créditos constituídos para as rubricas ALI Alimentação , AM1 Assistência Médica e SEI Seg. e Previdência Privada em razão da falta de fundamentação legal para a aferição realizada o que acarretou cerceamento de defesa e levando à nulidade do ato. No que concerne aos demais levantamentos enfrentados no voto em sede de impugnação, corroborando a íntegra do que fora argumentado pelo i. Julgador, por economia processual adoto ,inclusive a ementa para negar provimento às alegações trazidas pelo contribuinte em sede recursal ressaltando, entretanto, aspectos no tocante à multa aplicada. MULTA MAIS BENÉFICA Embora no Relatório Fiscal às fls. 43, a Autoridade autuante tenha registrado que a aplicação da multa efetuou comparação de valores e aplicou a mais benéfica , notase que ao manter a alíquota de 75% relativa à multas de ofício, na forma do dispositivo 35A da Lei n 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória MP 449/2008 o critério não observou o disposto no art. 35 do mesmo diploma legal incluído pela mesma sobredita Medida Provisória MP 449. Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD de fls. 27, registra que a multa foi aplicada observando o comando do art. 35A com a redação dada pela Medida provisória 449, de 2008 , convertida na Lei n 11.941/2009. DO ART. 144 Conforme o comando do art. 144 do Código tributário Nacional CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, verbis: " Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." À época dos fatos geradores , período 01/2006 a 12/2007, para aplicação das multas em comento vigiam os incisos I, II e III do alterado art. 35 da Lei n 8.212/91. A alteração supra ocorreu em razão da nova redação dada pela Medida Provisória MP 449/2008 para o art. 35, que, nas hipóteses de inadimplência com a União, decorrentes das contribuições sociais em tela prevê aplicação de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 verbis; "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei ° 11.941, de 2009) " DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O artigo 106, II, "c" do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Fl. 708DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000737/201046 Acórdão n.º 2403002.772 S2C4T3 Fl. 6 9 Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 709DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10580.721057/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 57 /2 00 9- 62 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Acórdão n.º 2802002.783 S2TE02 Fl. 130 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 37 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 23 de fevereiro de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo Contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Acórdão n.º 2802002.783 S2TE02 Fl. 131 5 verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimada da supramencionada decisão (fls.87), interpôs tempestivamente o recurso de fl.88, interpôs tempestivamente o recurso de fl.87, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Acórdão n.º 2802002.783 S2TE02 Fl. 132 7 Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza oe rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Acórdão n.º 2802002.783 S2TE02 Fl. 133 9 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 12/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10805.001923/00-03
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF.
Numero da decisão: 9900-000.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso, vencidos o relator e os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardozo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Redatora designada.
EDITADO EM: 02/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este não é efetuado (artigo 173, inciso I, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso, vencidos o relator e os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardozo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 19 23 /0 0- 03 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora designada. EDITADO EM: 02/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no período de maio a dezembro de 1996 e falta de recolhimento da Contribuição ao PIS/Repique nos períodos de janeiro a março; de junho, setembro a dezembro de 1995; e de janeiro e fevereiro de 1996. O Termo de Verificação Fiscal esclareceu que os valores lançados foram informados pela contribuinte. Inconformada com o procedimento fiscal, a interessada protocolizou impugnação, alegando, em síntese, que: declarou os valores devidos e apenas houve falta de recolhimento ao Fisco por total impossibilidade monetária e não tentativa de omitir informações e valores ao Fisco, o que acarretaria a multa prevista no artigo 61, §2º, da Lei nº 9.430/96; ocorreu a decadência do direito de lançar relativo às competências de janeiro a setembro de 1995, conforme disposto no artigo 150, §4º, do CTN; com relação aos valores de janeiro e fevereiro de 1996, foram adotados como base de cálculo R$ 33.327,70 e R$ 30.572,62, valores diferentes do efetivamente declarado pela contribuinte, que seriam de R$ 32.682,37 e R$ 29.667,34, o que fez majorar o valor do suposto débito do PIS no período; e não pode a Taxa SELIC ser aplicada como índice de atualização de tributos, por ser sua utilização considerada inconstitucional. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10805.001923/0003 Acórdão n.º 9900000.886 CSRFPL Fl. 399 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas manifestouse pela procedência do lançamento, alegando que a contribuinte requereu que os valores utilizados como base de cálculo do PISRepique, no tocante aos meses de janeiro e fevereiro de 1996, fossem retificados, mas não apresentou nenhum documento que justificasse tal feito. Ademais, verificouse que os valores lançados pela fiscalização eram os mesmos questionados pela contribuinte, o que confirma o lançamento. Irresignada com a decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual, em síntese, insurgiuse contra: a impossibilidade da aplicação da multa de ofício, eis que declarou à Receita o montante devido à título de PIS, por meio de suas declarações de rendimentos dos exercícios correspondentes, conforme transcrição de valores; a decadência, sob o fundamento de aplicar o artigo 150, §4º, do CTN; suposto erro de valor da base de cálculo, relativa às competências de janeiro e fevereiro de 1996; a impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC. O Recurso Voluntário interposto foi julgado pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, ao apreciar a matéria, deu provimento parcial ao recurso, reconhecendo apenas a extinção parcial de crédito tributário, pela decadência, no período anterior a setembro de 1995, bem como a exigência de PIS a ser calculado com a exclusão da multa de ofício, por inaplicável sobre os períodos declarados na DIRPJ/DIPJ. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, através do qual alegou que a decisão da Eg. Câmara deixou de aplicar a lei específica – Lei nº 8.212/91 , a qual estabelece, para o lançamento das Contribuições Sociais, o prazo de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, para aplicar a norma de caráter geral – artigo 150, §4º, do CTN. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho negou provimento ao recurso, ratificando a decisão do acórdão recorrido e aplicando o prazo decadencial previsto pelo artigo 150, §4º, do CTN. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador quando superveniente a homologação tácita. Recurso especial negado.” A Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário a esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 9º do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 147/2007, oportunidade em que alegou que o acórdão recorrido, ao confirmar a decadência do direito de a Fazenda constituir crédito tributário do PIS relativo Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 aos períodos de apuração que vão de 01/1995 a 09/1995, diverge da jurisprudência mantida pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0103.167 e 0103.215) sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação quando não houver recolhimento antecipado do imposto, uma vez que os acórdãos paradigmas entendem que, na falta de pagamento, o instituto da decadência é regido pelo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, e não pela disposição do artigo 150, §4º, do CTN, como ocorreu. Trouxe aos autos, como paradigmas, os acórdãos CSRF/0103.167 e 01 03.215, assim ementados, respectivamente: “PIS/FATURAMENTO – TRIBUTAÇÃO REFLEXA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DECADÊNCIA – NO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O QUE SE HOMOLOGA É O PAGAMENTO. CONSTATADA PELO FISCO FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU INSUFICIÊNCIA DO PAGAMENTO, OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO, A HIPÓTESE É DE LANÇAMENTO EX OFFICIO. COM RELAÇÃO AO PIS/FATURAMENTO, DECORRENTE DA FISCALIZAÇÃO DO IRPJ, O INSTITUTO DA DECADÊNCIA REGESE PELO DISPOSTO NO ART. 173, INCISO I, DO CÓDIG TRIBUTÁRIO NACIONAL. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” “FINSOCIAL/FATURAMENTO – TRIBUTAÇÃO REFLEXA – LANÇAMENTO POR HOMOLAGAÇÃO X LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DECADÊNCIA – NO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O QUE SE HOMOLOGA É O PAGAMENTO, OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO, A HIPÓTESE É DE LANÇAMENTO EX OFFICIO. COM RELAÇÃO AO FINSOCIAL/FATURAMENTO, DECORRENTE DA FISCALIZAÇÃO DO IRPJ, O INSTITUTO DA DECADÊNCIA REGESE PELO DISPOSTO NO ART. 173, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O presente processo administrativo é decorrente de Auto de Infração lavrado em 01/03/2000 para constituição de crédito relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no período de maio a dezembro de 1996 e falta de recolhimento da Contribuição ao PIS/Repique nos períodos de janeiro a março; de junho, setembro a dezembro de 1995; e de janeiro e fevereiro de 1996. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10805.001923/0003 Acórdão n.º 9900000.886 CSRFPL Fl. 400 5 A ciência do contribuinte se deu em 16/10/2000. A questão a ser analisada restringese à definição da regra decadencial aplicável ao período de 01/1995 a 09/1995 objeto do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda, se a do artigo 150, §4º ou do artigo 173, ambos do CTN. Em diversas oportunidades manifestei meu entendimento no sentido de que os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, por sua natureza, são passíveis de lançamento no prazo previsto no artigo 150 §4º do CTN, ou seja, o dies a quo do prazo quinquenal para constituição desses tributos é o fato gerador, independentemente de ter ou não havido pagamento. Assim ementava minhas decisões: “IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência é contada de acordo com os ditames do artigo 150, § 4º do CTN, operandose cinco anos após a ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.373 em 18.10.2007 Publicado no DOU em: 09.09.2008. Com as alterações no Regimento Interno do CARF, foi incluído o mandamento do Art. 62 –A: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Portanto, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543 C do Código de Processo Civil. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Portanto, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora em análise. A partir dos documentos acostados, foi possível encontrar a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica – fl 150 (ano calendário de 1995), na qual constam os valores de PIS declarados como devidos em relação ao período em questão. Cumpre, então, analisar se naquele período a declaração de rendimento apresentada era capaz de constituir o crédito tributário. A legislação aplicável naquele período era o Decreto 2124/84, que dispunha em seu artigo 5º: “Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito.” À época (ano calendário 1995), o documento utilizado para comunicar a existência de crédito tributário era a Declaração de Rendimentos (artigo 56 da Lei 8981/95: “As pessoas jurídicas deverão apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no anocalendário anterior.”), que consta às fls. 08 a 40. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10805.001923/0003 Acórdão n.º 9900000.886 CSRFPL Fl. 401 7 Corroborando com tal entendimento, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 77, de 24 de julho de 1998, no seguinte sentido: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União.” Vejase que, conforme redação dos artigos transcritos, os saldos a pagar de impostos e contribuições, informados na DCTF ou na Declaração de Rendimentos, não eram passíveis de lançamento de ofício, posto que qualquer uma das duas declarações constituía meio próprio de confissão de dívida. Somente a partir do anocalendário 1999, exercício 2000, a DIPJ deixou de constituir confissão de dívida, o que passou a ser feito somente por meio da DCTF, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000: “O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Da redação transcrita, foi retirada a expressão “e jurídicas”, referindose à declaração de rendimentos. Assim, nos termos da IN SRF nº 14/2000, apenas a declaração de rendimentos da pessoa física e a declaração do ITR é que continuaram a ter caráter de confissão de dívida, sendo que as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF. Do exposto, concluise que, à época dos fatos, a Declaração de Rendimentos tinha força constitutiva do crédito tributário. Assim, no caso ora em análise, temos que: (i) cuida de tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) houve apresentação de declaração constitutiva do crédito em relação ao ano calendário de 1995; (iii) os fatos geradores se deram: PIS/Repique janeiro a março, junho e setembro a dezembro de 1995; e (iv) a ciência do contribuinte do auto de infração se deu em 16/10/2000. Entendo, portanto, que, em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1995, a regra decadencial aplicável é aquela do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, mantendo, portanto, a decisão do acórdão recorrido, o qual considerou decaído o direito de lançar o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 09/1995. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a falta de recolhimento da Contribuição para o PIS referente aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 1995. A ciência do lançamento ocorreu em 16/10/2000. No Acórdão de Recurso Especial, ora recorrido, mantevese a decadência, mediante a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o que restabeleceria a exigência. Nesse sentido, discordo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, já que, por imposição do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese adotada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10805.001923/0003 Acórdão n.º 9900000.886 CSRFPL Fl. 402 9 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o texto acima foi clarificado, por meio do julgado abaixo, proferido em Recurso Especial também na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (repetitivo), que não deixa dúvida, no sentido de que o termo inicial do art. 173, I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte não necessariamente ao fato imponível, mas sim àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173,I, do CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJ 26/02/2010) Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Compulsandose os autos, constatase que efetivamente não foi efetuado qualquer pagamento antecipado, relativamente aos fatos geradores ora tratados. Salientese que, conforme o Despacho e Encaminhamento de fls. 397, nem o Contribuinte nem o administrador judicial ofereceram Contrarrazões, oportunidade em que se poderia comprovar a existência de eventual recolhimento. Destarte, os fatos geradores do tributo em questão ocorreram de janeiro a setembro de 1995, portanto a exação poderia ser lançada nesse mesmo ano. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º/01/1996, expirando em 31/12/2000. Considerandose que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 16/10/2000, não ocorreu a decadência. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Redatora designada Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 2/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA J UNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15983.000306/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Tendo em vista que restou extrapolado o prazo legal de 30 (trinta) dias para a interposição do recurso voluntário, deve ser reconhecida a sua intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Tendo em vista que restou extrapolado o prazo legal de 30 (trinta) dias para a interposição do recurso voluntário, deve ser reconhecida a sua intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 06 /2 00 8- 82 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/02/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TOLEDO GUIMARÃES ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA, em face do acórdão de fls., que manteve integralmente o AI n. 37.154.9655, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de apresentar esclarecimentos devidamente solicitada pela fiscalização por meio de TIAD, de modo que infringiu a Lei n° 8.212/91, art. 33, parágrafo 2°, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de apresentar Notas Fiscais, Faturas e Recibos de MãodeObra ou Serviços Prestados, Relação Anual de Informações Sociais RAIS, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, competência outubro/2004, documento físico, única enviada pela empresa conforme consulta em nossos sistemas informatizados institucionais, Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, Contrato Social e Alterações, ,Comprovante de Residência, CPF e RG dos representantes legais e do contador; para o período de 01/2004 a 12/2004 O período apurado compreende a competência de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o último contribuinte cientificado em 28/03/2008 (fls. 01). Em seu recurso, defende que foi autuada, com bases em dados ireais, visto que os documentos para a informação destes dados, não foram averiguados, sendo que a notificação fiscal, não foi entregue aos proprietários, pois eles não mais possuem esta empresa aberta, e quando foram informados pela Contabilidade, que eles estavam sendo procurados pela fiscalização, eles foram ao encontro e já receberam o auto de infração. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/02/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA Processo nº 15983.000306/200882 Acórdão n.º 2401003.831 S2C4T1 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares Relator CONHECIMENTO De acordo com o AR juntado ás fls. 67 verifico que o recorrente fora intimado do v. acórdão recorrido em 03/09/2008, sendo que o recurso voluntário somente fora protocolado na data de 17/10/2008. Logo, verifico que não fora observado o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do recurso, em conformidade com o disposto no Decreto 70.235/72. Assim, deve ser reconhecida sua intempestividade. Ante todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 18/02/2015 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEI RA
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Numero do processo: 10111.721544/2012-57
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/12/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA SUBSTITUTIVA. PENA DE PERDIMENTO. ART. 23 DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976. INFRAÇÃO. MATERIALIDADE. PROVA DE NÃO-LOCALIZAÇÃO OU CONSUMO.
Não sendo possível a cominação da pena de perdimento da mercadoria, em razão da mesma já ter sido consumida ou não localizada, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (Decreto-Lei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). A partir da vigência da Medida Provisória nº 497/2010 (27 de julho de 2010), convertida na Lei nº 12.350/2010, o mesmo se aplica nas hipóteses de revenda da mercadoria importada no mercado interno. Em se tratando de eventos ocorridos antes dessa alteração legislativa, a mera declaração de revenda da mercadoria no mercado interno é insuficiente para a aplicação da pena substitutiva. Matéria que pode ser conhecida de-ofício pela Turma Julgadora. Não existem provas da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3802-004.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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MULTA SUBSTITUTIVA. PENA DE PERDIMENTO. ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976. INFRAÇÃO. MATERIALIDADE. PROVA DE NÃOLOCALIZAÇÃO OU CONSUMO. Não sendo possível a cominação da pena de perdimento da mercadoria, em razão da mesma já ter sido consumida ou não localizada, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). A partir da vigência da Medida Provisória nº 497/2010 (27 de julho de 2010), convertida na Lei nº 12.350/2010, o mesmo se aplica nas hipóteses de revenda da mercadoria importada no mercado interno. Em se tratando de eventos ocorridos antes dessa alteração legislativa, a mera declaração de revenda da mercadoria no mercado interno é insuficiente para a aplicação da pena substitutiva. Matéria que pode ser conhecida deofício pela Turma Julgadora. Não existem provas da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 15 44 /2 01 2- 57 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que julgou improcedente, por maioria de votos, a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 779 e ss.): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/12/2012 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O auto de infração impugnado cominou à D&F COMÉRCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA ME a multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, em solidariedade com o VET FREIGHT COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. A interposição fraudulenta (art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/1976), conforme destacado na decisão recorrida, teria sido assim caracterizada: [...] Relata a Fiscalização que a autuada foi identificada como uma das reais adquirentes dos produtos importados pela empresa VET FREIGHT COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. que, mediante interposição fraudulenta, ocultou nas declarações de importações Fl. 852DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 850 3 registradas em seu nome os reais encomendantes/destinatários/adquirentes de mercadorias importadas, relativamente os anos de 2009, 2010 e 2011; a autuada adquiriu diversos produtos relacionados nas declarações de importação (DI) nºs 09/17044414 e 09/17044430, da VET FREIGHT; examinando as operações de importação da autuada a partir da documentação por ela entregue em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização nº 110/2012, concluiu a fiscalização que houve a prática da importação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda, em que a empresa D&F teve seu nome ocultado como real adquirente de diversos produtos relacionados nas mencionadas declarações de importação, constituindo tal situação como dano ao Erário e punível com pena de perdimento, nos termos do art. 23, inciso V, §1º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.6374/2002; à vista da declaração da D&F de que os produtos foram vendidos, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme §3º do mesmo dispositivo legal. Portanto, em síntese, a caracterização da infração foi assentada: (a) no fato da entrada dos produtos na VET FREIGHT era seguida da revenda a D&F; (b) na ausência de margem de lucro ou venda com prejuízo; (c) na circunstância dos produtos importados nas Declarações de Importação n° 09/17044414 e 09/17044430 terem sido quase que integralmente adquiridos pela D&F (fls. 1924). Este entendimento foi mantido, por maioria de votos, pela DRJ. A Recorrente, nas razões de fls. 823841, alega que não há provas concretas da sua participação nos atos praticados pela VET FREIGHT COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., já que apenas adquiriu as mercadorias quando as mesmas já estavam internalizadas. Neste sentido, citou o voto vencido da DRJ, requerendo que o mesmo seja acolhido no julgamento do Recurso. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A Recorrente foi intimada em 07/02/2014 (fls. 817), ao passo que o recurso foi protocolizado em 07/03/2014 (fls. 823), dentro do prazo legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso voluntário pode ser conhecido. De acordo com o art. 23, V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, na redação da Lei nº 10.637/2002: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 853DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Por outro lado, a partir da vigência da Medida Provisória nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, a pena substitutiva também passou a ser cabível nos casos de revenda da mercadoria importada: § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010). Inicialmente, a fim de evitar equívocos de ordem semântica, cumpre verificar o sentido em que os termos simulação, fraude e interposição fraudulenta são empregados no art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/1976. Nesse sentido, importa destacar que, segundo ensina a doutrina civilista, simulação constitui um defeito do negócio jurídico (vício social) no qual as partes, agindo em conluio, emitem declaração de vontade enganosa no intuito produzir efeitos jurídicos diversos dos ostensivamente indicados1. Se a simulação visa prejudicar terceiros, no que também está compreendida a intenção de lesar o fisco, será denominada maliciosa ou fraudulenta2. A interposição de pessoas, por sua vez, nada mais é do que uma espécie de simulação, caracterizada pela presença de um testadeferro denominado prestanome ou homem de palha ou, em linguagem mais atual, laranja que adquire, extingue ou modifica direitos para um terceiro oculto3. Ambas não se confundem com a fraude, porque nesta o negócio jurídico praticado é real, e não simulado. As partes pretendem o que declararam, cumprindo a lei em sua literalidade, porém, violandoa finalisticamente4. A partir dessa diferenciação, notase que a parte final inciso V do art. 23, quando faz referência aos meios de ocultação (“mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros”) não está tratando propriamente da fraude no sentido empregado pela doutrina civilista. Mas da simulação fraudulenta ou, mais precisamente, da 1 “Como o erro, a simulação traduz uma inverdade. Ela caracterizase pelo intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido. Como diz CLOVIS, em forma lapidar, é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostentivamente indicado.” (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de direito civil: parte geral. 31. ed. São Paulo: Saraiva, v.1, 1993, p. 207). Na mesma linha, cf.: VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 5. ed. São Paulo: Atlas, v. 1, 2005, p. 547 e ss.; RODRIGUES, Silvio. Direito civil: parte geral. 27. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1997, p. 220; DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: teoria geral do direito civil. 14. ed. São Paulo: Saraiva, v. 1, 1998, p. 288. 2 RODRIGUES, op. cit. p. 225: "Se as partes, todavia, foram conduzidas à simulação com o propósito de prejudicar terceiros, ou de burlar o fisco, ou de ilidir a incidência de lei cogente, surge a figura da simulação maliciosa ou culpada, também chamada fraudulenta". 3 VENOSA, op. cit., p. 552. 4 RODRIGUES, op. cit., p. 226; VENOSA, op. cit., p. 559. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 851 5 simulação fraudulenta por interposição de pessoas, uma vez que, na fraude, não há uma ocultação, mas um negócio jurídico real. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática de crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificados na Lei nº 9.613/1998. Além disso, ao dificultar o controle da valoração aduaneira e do preço de transferência praticado entre partes relacionadas, a ocultação proporciona a redução indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, Icms), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do Irpj e da Csll. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. Logo, nas operações de importação, a infração é caracterizada sempre que um determinado sujeito passivo denominado importador oculto , visando a evasão dos órgãos de fiscalização, age em conluio com outrem importador ostensivo para que este figure formalmente como importador e omita a identificação do real adquirente perante as autoridades competentes. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação: Art. 23. [...] § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Com base nesse dispositivo, alguns julgados do Carf têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida (cf. nesse sentido, Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589 3ª S. 1ª C. 2ª TO). Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23, a multa substitutiva ao importador ostensivo. Por outro lado, sendo identificado o real adquirente (importador oculto), este responderá solidariamente com o importador ostensivo pelo pagamento da multa substitutiva, na condição de coautor da infração ex vi art. 95, I, do DecretoLei nº 37/1966: Art.95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Também respondem solidariamente pelo pagamento da multa qualquer outra pessoa que, sem ser coautor, se beneficie com a infração, ou se enquadre dos demais incisos do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, quando aplicáveis. Nessa linha, destacase o seguinte julgado da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do Carf: Fl. 855DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 [...] INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PELA INFRAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que não houve comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados por parte de todas as empresas que participaram da operação de importação, respondem solidariamente pela penalidade aplicada todas as empresas que concorreram para sua prática, ou dela se beneficiaram. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 320100.168. 3ª S. 2ª C. 1ª TO. Rel. Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto. S. 30/08/2011. gn.) Além da pena substitutiva, o importador ostensivo está sujeito à multa de 10% da operação acobertada, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19965. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007, em razão da diversidade de objetividade jurídica das infrações, ao contrário do que foi alegado pelo Recorrente, não afastou a possibilidade da cominação cumulativa da multa substitutiva, na linha do seguinte precedente dessa 2ª Turma Especial, de nossa relatoria: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRELIMINAR REJEITADA. A autoridade julgadora não está obrigada a contraditar todos os argumentos de defesa aduzidos na peça impugnatória, sendo suficiente que os fundamentos jurídicos apresentados sejam claros e congruentes no sentido de justificar a decisão proferida. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. ART. 23 DO DECRETOLEI 5 "Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato . § 1º Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior." Fl. 856DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 852 7 Nº 1.455/1976. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI Nº 11.488/2007. OBJETIVIDADE JURÍDICA. INFRAÇÕES DISTINTAS. AUSÊNCIA DE BISINIDEM. APLICAÇÃO COMULATIVA. POSSIBILIDADE. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não afastou a possibilidade da cominação da pena de perdimento ou da multa substitutiva ao importador ostensivo. A objetividade jurídica dos preceitos é complemente distinta. A multa do art. 33, correspondente a 10% do valor da operação, é imposta em função do uso abusivo da personalidade jurídica, quando empregada como simples anteparo para a ocultação dos reais envolvidos na operação de comércio exterior. A pena de perdimento e a multa substitutiva do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, por sua vez, têm como pressuposto o dano ao erário decorrente da interposição fraudulenta. As infrações, portanto, não podem ser consideradas idênticas, o que afasta a caracterização do bisin idem. As multas, por conseguinte, devem ser aplicadas de forma cumulativa, nos termos do art. 99 do DecretoLei nº 37/1966, mesmo quando a caracterização da interposição fraudulenta ocorre de forma presumida. Precedentes do Carf. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. (Acórdão 380200.667. 3ª S. 2ª C. 2ª TE. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 30/08/2011. gn.) Ambas, portanto, aplicamse cumulativamente, consoante interpretação igualmente adotada nos seguintes julgados da 1ª e 2ª Turmas Ordinárias da 1ª Câmara: [...] ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Descabida, por outro lado, a pretensão de condicionar a caracterização da inflação à conclusão do processo administrativo de inaptidão da inscrição da pessoa jurídica apontada como responsável pela ocultação. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. REFLEXO DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488, DE 2007 SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência. Recursos de Ofício Provido e Voluntário Negado. (Acórdão nº 310200.662 3ª S. 1ª C. 2ª TO. Rel. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. S. 24/05/2010): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Período de apuração: 10/09/2003 a 08/06/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS, DANO AO ERÁRIO, CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007, substitutiva da inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas. Recurso de Oficio Provido. (Acórdão 310100.431. 3ª S. 1ª C. 1ª TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campeio Borges. S. 25/05/2010). Desse modo, não sendo possível a cominação da pena de perdimento da mercadoria, em razão da mesma já ter sido consumida ou não localizada, sendo identificado o importador oculto, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. O mesmo se aplica na hipótese de não identificação do importador oculto, quando a interposição fraudulenta for caracterizada em decorrência da aplicação da regra de presunção de prevista no § 2º do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/1976. A única diferença é que ficará prejudicada a aplicação da responsabilidade solidária ao coautor da infração (Decreto Lei nº 37/1966, art. 95). Vale ressaltar ainda que, consoante destacado inicialmente, a partir da vigência da Medida Provisória nº 497/2010 (27 de julho de 2010), convertida na Lei nº Fl. 858DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 853 9 12.350/2010, a pena substitutiva do perdimento também passou a ser cominada nas hipóteses de revenda da mercadoria importada no mercado interno. No presente caso, após entender caracterizada a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, a autoridade lançadora aplicou a pena substitutiva do perdimento assentada no seguinte fundamento (fls. 24): [...] pena de perdimento de mercadoria, em consonância ao art. 23, inciso V, § 1o do Decretolei no 1.455/1976, com a redacã̧o dada pela Lei no 10.637/2002, sendo que neste caso, devido a declaracã̧o da D&F de que os produtos importados foram vendidos, aplicarseá a multa equivalente ao valor aduaneiro, pelo disposto no art. 23, inciso V, § 3º do Decretolei nº 1.455/1976, também incluído pela Lei nº 10.637/2002. A pena, como se vê, foi cominada em face de declaração de venda da mercadoria pela empresa D&F, fato que, conforme ressaltado, somente constitui hipótese de incidência da sanção após 27 de julho de 2010, data da edição da Medida Provisória nº 497/2010 (27 de julho de 2010), convertida na Lei nº 12.350/2010, que alterou o § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, nos seguintes termos: § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Antes dessa alteração legislativa, vigorava a redação decorrente da Lei nº 10.637/2002, que autorizava a cominação da pena substitutiva apenas diante de prova de não localização ou consumo do bem importado: Art. 23. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Nesse período, assim, entendiase que a simples declaração de revenda não seria suficiente para a aplicação da pena substitutiva, consoante precedente relatado pelo eminente Conselheiro Corintho Oliveira Machado: MULTA DECORRENTE DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. A conversão da pena de perdimento em multa pressupõe, além do dano ao erário, a não localização ou consumo da mercadoria, porém, isso não significa que deva existir, sempre, a abertura de um processo de perdimento, o qual será extinto só após inúmeras tentativas de localização da mercadoria, e sim que deve haver no processo (da multa convertida decorrente de perdimento) lastro documental Fl. 859DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 acompanhando o auto de infração com provas cabais da não localização, ou do consumo, da mercadoria. [...]. (3º CC. 2ª C. Acórdão 30239997. Rel. Cons. Corintho Oliveira Machado. S. 09/12/2008) Por outro lado, considerando que a materialidade da infração ocorre no registro da Declarações de Importação (fls. 486 e 491), notase que, no presente caso concreto, os eventos infracionais ocorreram em 02/12/2009, ou seja, antes da vigência da MP nº 497/2010. Logo, à medida que não se pode aplicar retroativamente a legislação que altera a tipificação das penalidades (Código Tributário Nacional, art. 106 e ss.), entendese que a autoridade lançadora não poderia ter cominado validamente a pena substitutiva apenas com base em declaração de venda das mercadorias importadas, inclusive porque a venda não implica necessariamente a impossibilidade de localização nem o consumo do bem. Ademais, não existem provas da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior. Neste sentido, cumpre destacar inicialmente a fundamentação adotada no auto de infração (fls. 1924): [...] No que tange às operações de importações envolvendo a D&F, considerando o processo que originou a autuação da VET FREIGHT e a documentação entregue pela D&F, solicitada no Termo de Início de Fiscalização nº 110/2012, eis alguns comentários: Declaração de Importação 09/17044414 Esta declaração de importação foi registrada em 02 de dezembro de 2009, no valor de R$ 22.469,76, constando como importadora e adquirente a empresa VET FREIGHT, informando a entrada de 11 modelos de lâmpadas fluorescentes, no total de 93.500 unidades. O desembaraço ocorreu em 03 de dezembro de 2009 pelo canal verde de seleção aduaneira. No dia seguinte, a entrada dessas mercadorias foi registrada no estabelecimento da VET FREIGHT, pela Nota Fiscal de Entrada nº 2, de 04/12/2009. No mesmo dia, 6 dos 11 modelos de lâmpadas fluorescentes dessa DI (31.504 unidades) foram vendidos à D&F, conforme Nota Fiscal de Saída nº 10. Todas essas informações – entrada e saída de mercadorias no mesmo dia, sendo 1 dia após o desembaraço – nos permitem supor a prática da importação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda, no sentido de que a transação foi previamente acordada, mas sem o atendimento do disposto na legislação a respeito do assunto. A empresa D&F documentou a entrada dos produtos em seu livro de Registro de Entradas, identificandoa com o valor da Nota Fiscal de Saída nº 10, de R$ 28.905,77, de 04/12/2009. Ademais, tal valor está computado no livro de Registro de Apuração de ICMS, no total referente aos itens “Compra para comercialização” e “Entradas de Outros Estados”. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 854 11 Contabilmente, essa compra foi registrada a crédito na conta Caixa (1.1.1.1.01.0001), Lançamento 1014 sem informação de ContraPartida e tendo como Histórico “Valor Pago por Entradas a Vista” no valor de R$ 44.031,69, que faz referência ao somatório dos valores de R$ 28.905,77 e de R$ 15.125,92, este último será tratado na seqüência, relativo à DI 09/17044430. As informações descritas neste parágrafo e no anterior confirmam a D&F como a adquirente, de fato, de 6 dos 11 modelos de lâmpadas fluorescentes (31.504 unidades), relacionadas na DI sob análise. Adicionalmente, verificouse que as margens de lucro adotadas pela VET FREIGHT na suposta venda dos referidos bens à D&F são extremamente baixas, caracterizando a presente operação de importação como uma simples transferência de mercadorias, previamente negociadas: Declaração de Importação 09/17044430 A presente declaração de importação foi registrada em 02 de dezembro de 2009, no valor de R$ 30.427,85, constando como importadora e adquirente a empresa VET FREIGHT, informando a entrada de 20 modelos de piscapisca natalinos, totalizando 27.044 unidades; de 6.000 unidades de material para reposição – emenda; e de 1.100 unidades de sequencial para mangueira. O desembaraço de tais produtos ocorreu em 03 de dezembro de 2009 pelo canal verde de seleção aduaneira. No dia seguinte, a entrada dessas mercadorias foi registrada no estabelecimento da VET FREIGHT, pela Nota Fiscal de Entrada nº 3, de 04/12/2009. No mesmo dia, 10 dos 20 modelos de piscapisca natalinos dessa DI (1.120 unidades); 6.000 unidades de material para reposição – emenda; e 1.100 unidades de sequencial para mangueira, foram vendidos à D&F, conforme Nota Fiscal de Saída nº 6. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Todas essas informações – entrada e saída de mercadorias no mesmo dia, sendo 1 dia após o desembaraço – nos permitem supor a prática da importação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda, no sentido de que a transação foi, novamente, previamente acordada, mas sem o atendimento do disposto na legislação a respeito do assunto. A empresa D&F documentou a entrada dos produtos em seu livro de Registro de Entradas identificandoa com o valor da Nota Fiscal de Saída nº 6, de R$ 15.125,92, de 04/12/2009. Ademais, tal valor está computado no livro de Registro de Apuração de ICMS, no total referente aos itens “Compra para comercialização” e “Entradas de Outros Estados”. Contabilmente, essa compra foi registrada a crédito na conta Caixa (1.1.1.1.01.0001), Lançamento 1014 sem informação de ContraPartida e tendo como Histórico “Valor Pago por Entradas a Vista” no valor de R$ 44.031,69, que faz referência ao somatório dos valores de R$ 15.125,92 e de R$ 28.905,77, este último tratado anteriormente, relativo à DI 09/17044414. As informações descritas neste parágrafo e no anterior confirmam a D&F como a adquirente, de fato, dos 10 modelos de pisca pisca natalinos (1.120 unidades), de 6.000 unidades de material para reposição – emenda e de 1.100 unidades de sequencial para mangueira, relacionados na DI sob análise. Adicionalmente, verificouse que as margens de lucro aplicadas pela VET FREIGHT na suposta venda dos referidos bens à D&F são baixas ou inexistentes, caracterizando a presente operação de importação como uma simples transferência de mercadorias, previamente negociadas: Fl. 862DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 855 13 Por tudo, constatouse que as empresas VET FREIGHT e D&F adotaram a prática da importação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda, a primeira como importadora e a segunda como adquirente/encomendante, contudo, sem respeitar as premissas legais para tais situações, amplamente expostas no item 2. A interposição, como se vê, foi assentada no fato da venda das mercadorias terem ocorrido no mesmo dia ou dia subseqüente à entrada dos produtos na importadora, bem como na suposta lucratividade reduzida ou inexiste na operação. Entendese, porém, que tais elementos são insuficientes para a caracterização da infração. Com efeito, a margem de lucro reduzida e a proximidade da remessa dos produtos importados ao adquirente (ocorrida no mesmo dia e, em alguns casos, no dia seguinte à entrada no estabelecimento da importadora) são justificados em razão da natureza das mercadorias: produtos sazonais (natalinos), adquiridos na primeira semana do mês de dezembro de 2009 (fls. 481482). Não é razoável, destarte, presumir que a importadora teria agido ilicitamente apenas porque promoveu, nas vésperas do natal, uma venda com margem reduzida e em curto espaço de tempo de parte de produtos natalinos importados, inclusive porque a adquirente é comerciante varejista, ou seja, também deveria vender os produtos a consumidores finais. Ademais, como bem destacou o voto vencido na DRJ, não foi demonstrada pela fiscalização a existência de prévia negociação entre as partes; as empresas não apresentavam qualquer relação ou vínculo societário; apenas parte das mercadorias importadas foram vendidas à empresa qualificada como importadora oculta (houve, portanto, outros adquirentes no mercado nacional, o que infirma a alegação de prévio direcionamento da importação); a margem de lucro é perfeitamente aceitável; o repasse dos valores da VET FREIGHT para D&F ocorreu após a efetivação da venda: [...] Equivocado o entendimento que o fato da não apresentação dos documentos prévios de que entre a autuada e a empresa VET FREIGHT tivesse contratado operação por conta e ordem ou por encomenda configura infração de dano ao erário de que trata o art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, porquanto não devidamente comprovados. De observar que a impugnação refuta não só a prévia negociação da autuada com a mencionada importadora, tanto que a não apresentação de documento nesse sentido não foi apresentada, justamente, por não existir; aliás, carece de comprovação tal negociação; observase, ainda, que das mercadorias importadas despachadas pelas mencionadas, apenas parte delas foram vendidas à autuada; verificase, também, que a margem de lucro, conforme se verifica dos documentos apontados na própria peça fiscal (fls. 20/23), encontrase em nível perfeitamente aceitável; por outro lado, plausível a alegação da autuada de ter adquirido mercadorias porque lhe foi oferecido pela VET FREIGHT a preços competitivos; salientese, ainda, que as mercadorias de que se tratam, conforme descrição nos documentos de importação e nas notas fiscais correspondentes, constituemse de produtos cuja comercialização é típica e restrita a época natalina, o que justifica sua oferta a “preços competitivos”, pois, se assim não fosse, tornarseiam sobre de estoque. Releva destacar, mais, que as mercadorias adquiridas pela autuadas representam apenas parte, tanto da DI nº 09/17044414, quanto da DI nº 09/17044430, e, bem assim, quanto aos valores, cujo repasse à VET FREIGH, Fl. 863DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 ocorreu somente após efetivação da venda que esta lhe fez, conforme as notas fiscais nº 10 e nº 6 (fls. 20/21). Por fim, importante consignar que a fiscalização adotou premissas diversas para a apuração do custo unitário e o valor unitário de aquisição. Apesar de ter utilizado o valor unitário de aquisição constante das notas de saída, não utilizou o mesmo método quanto às notas de entrada na importadora, o que gerou um cálculo majorado do custo de aquisição e, conseqüentemente, uma redução do lucro da operação. Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e pelo seu integral provimento, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Declaração de Voto Conselheira Mércia Helena Trajano Damorim Peço vênia para divergir do Conselheiro Relator no tocante à primeira parte do voto, posto que, entendo que a DECLARAÇÃO prestada pela D&F de que as mercadorias já haviam sido vendidas (doc. fl. 24), resta configurado a não localização do bem importado, pressuposto básico para a cominação da penalidade prevista no art. 23, inciso V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/1976, também incluído pela Lei nº 10.637/2002, mesmo antes das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010. Explico. Vejase que antes da alteração da legislação, vigorava a redação decorrente da Lei nº 10.637/2002, e a mesma já autorizava a cominação da pena substitutiva (multa equivalente ao valor aduaneiro) diante de prova de não localização ou consumo do bem importado: Art. 23. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Esclareço ainda que não sendo possível a aplicação da pena de perdimento da mercadoria, em razão da mesma já ter sido declarada como consumida no mercado interno, sendo identificado o importador oculto, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Se configurado a interposição fraudulenta, esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10111.721544/201257 Acórdão n.º 3802004.033 S3TE02 Fl. 856 15 No entanto, acompanho o entendimento de que, no caso concreto, não restou comprovado nos autos a ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior, razão pela qual voto pelas conclusões. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente Fl. 865DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15586.001912/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - PRORROGAÇÃO - CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - AUSÊNCIA DE NULIDADE.
A partir da análise do instrumento do MPF disponibilizado no sítio da RFB, bem como nos elementos disponíveis nos autos, tem-se que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal, de forma a não ocorrer a nulidade por interrupção do procedimento fiscal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF
A Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à Representação Fiscal para Fins Penais.
QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS.
Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991
Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO.
A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma de Julgamento, no sentido de que a Auditoria Fiscal elaborou de maneira correta o quadro comparativo de multas, posto que se observou o principio da retroatividade benigna, estabelecido pelo artigo 106, II, c, CTN, de modo que as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores foram comparadas, em cada competência, com as impostas pela legislação superveniente (Lei 11.941/2009), sendo aplicadas as mais benéficas para o contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.944
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 12/2007, inclusive, e determinar o recálculo da multa de mora, na competência 13/2007, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MPF PRORROGAÇÃO CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL AUSÊNCIA DE NULIDADE. A partir da análise do instrumento do MPF disponibilizado no sítio da RFB, bem como nos elementos disponíveis nos autos, temse que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal, de forma a não ocorrer a nulidade por interrupção do procedimento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 19 12 /2 01 0- 12 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS NÃO APRECIAÇÃO PELO CARF A Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à Representação Fiscal para Fins Penais. QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, ‘a’ do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma de Julgamento, no sentido de que a Auditoria Fiscal elaborou de maneira correta o quadro comparativo de multas, posto que se observou o principio da retroatividade benigna, estabelecido pelo artigo 106, II, c, CTN, de modo que as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores foram comparadas, em cada competência, com as impostas pela legislação superveniente (Lei 11.941/2009), sendo aplicadas as mais benéficas para o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 355DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 355 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 12/2007, inclusive, e determinar o recálculo da multa de mora, na competência 13/2007, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – V & M INDUSTRIAL EXPORTADORA S.A. contra Acórdão nº 1237.869 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.234.8904, com valor de R$ 197.446,66. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário referente às contribuições sociais de parte da empresa, concernente às remunerações efetuadas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais,, além das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período 01/2006 a 12/2007. Conforme o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições apuradas foram lançados nos levantamentos abaixo identificados: a. FP1 EMPREGADOS FORA DA GFIP: salário de contribuição de segurados empregados, verificadas entre os valores constantes nas folhas pagamento e os declarados em GFIP, nas competências 01/2006, 02/2006 e 05/2006, conforme dados contidos na PLANILHA II e no quadro abaixo (...) b. ND 13 SALÁRIO FORA DA GFIP: salário de contribuição de segurados empregados, verificados entre os valores constantes nas folhas de pagamento e os declarados em GFIP, na competência 13/2007, conforme dados e informações contidos na PLANILHA IV; c. B01 BÔNUS PAGO A CONT INDIVIDUAL: remunerações pagas a segurados contribuintes individuais na categoria 11, a titulo de BÔNUS, com COD pagamento 189, nas competências compreendidas entre 01/2007 a 05/2007, conforme dados e informações contidas na PLANILHA I. d. "SA1" SAT FORA DA GFIP: erro de preenchimento de GFIP DA Filial 0005 72, motivou a falta de informação da alíquota RAT de: 3% e acréscimo de 9% para Aposentadoria Especial 25 anos, na competência 05/2007 e 2% e acréscimo de 8°/0 para Aposentadoria Especial 25 anos, nas competências compreendidas entre o período 06/2007 a 08/2007, conforme dados e informações contidas na PLANILHA III. O Relatório Fiscal também menciona a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Tal fato será objeto de "Representação Fiscal para Fins Penais", que tem por finalidade comunicar a ocorrência à autoridade julgadora competente, pois em tese, demonstra a prática de ilícitos previstos no art. 337A, incisos I e III do Código Penal DecretoLei no. 2.848, de 07/12/1940, incluído pela Lei no 9.983, de 14/07/2000. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 356 5 Houve a elaboração do quadro comparativo de multas, conforme o Relatório Fiscal: 8. Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, é necessário dizer que a Medida Provisória MP N.° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, alterou diversos dispositivos da Lei 8.212, de 24/07/1991, notadamente no que tange à aplicação de penalidades. (...) A Recorrente teve ciência do AIOP em 21.12.2010, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 04, é de 01/2006 a 12/2007. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 3.1. "0 procedimento fiscal foi supostamente permeado pela Portaria da Secretaria da Receita Federal n°11.371/2007", sendo que o mesmo não foi concluído dentro do prazo assinalado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, "tendo ocorrido, para tanto outras prorrogações, sem, contudo, a intimação para ciência do contribuinte"; 3.2. "Como válvula de escape, os agentes fiscais continuaram a ação fiscal supostamente subsidiada pela emissão de mandados de procedimentos fiscais complementares, cuja validade de cada um destes atos administrativos específicos (MPFF) era de 60 (sessenta) dias"; 3.3. A ação fiscal foi ilegalmente prorrogada sem a emissão do MPF Complementar, o qual deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, pelo que se mostra nulo o procedimento fiscalizatório; 3.4. Não houve qualquer ato legal de prorrogação da ação fiscal, muito menos intimação da empresa. Fezse apenas constar do rodapé do documento as "supostas" novas datas de validade para o MPF original, sem se atentar para as formalidades necessárias validade de tais atos; 3.5. "A legislação infraconstitucional permite a prorrogação dos trabalhos, todavia a mesma deve ser feita formalmente, com a devida motivação (elemento do ato administrativo) e com inequívoca ciência do contribuinte"; 3.6. Ainda que se admitisse a validade da ação fiscal sem os mandados complementares, restaria arbitrária a pretensão fiscal em razão da falta de motivação especifica para a prorrogação dos trabalhos, o que fere os incisos VII e VIII do art. 2° da Lei 9.784/99; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 3.7. Houve desrespeito ao principio do devido processo legal, uma vez que, no curso da ação fiscal, a empresa não foi intimada para prestar as informações necessárias à contraposição dos argumentos da fiscalização, o que enseja a nulidade do auto de infração; 3.8. A imposição da multa de oficio de 75% viola o principio do não confisco (art. 150 IV da CF/88); 3.9. A aplicação da taxa SELIC, de natureza remuneratória, viola os artigos 161, § 1°, do CTN, e 192, § 3°, da CF/88; 3.10. A Representação Fiscal para Fins Penais somente deve ser encaminhada ao Ministério Público Federal após o lançamento definitivo do crédito tributário, o que se dá com o exaurimento da discussão do lançamento na esfera administrativa, conforme Súmula Vinculante n°24 do STF. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1237.869 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. INTIMAÇÃO PARA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A EXPIRAÇÃO DO PRAZO INICIAL. CIENTIFICAÇÃO TÁCITA DE CONTINUIDADE DA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. A intimação, após a expiração do prazo inicial do MPF, exigindo a exibição de documentos por parte da empresa submetida a procedimento fiscal, demonstra tacitamente a continuidade dos trabalhos, sendo desnecessário que do ato conste menção expressa 6. prorrogação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, nos termos do inteiro teor desta decisão, em negar provimento à impugnação do sujeito passivo, mantendo o crédito tributário exigido, no valor de R$ 102.739,04, acrescido de juros e multa. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 126, da Lei 8.213/91, e art. 305, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 357 7 §1°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com redação dada pelo Decreto 4.729/03, ambos combinados com o art. 29, da Lei 11.457/07, e art. 50, §1 0, da Portaria MF n° 147/07. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e requerendo: (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito art. 151, III, CTN; (ii) Da irregularidade na prorrogação do MPF; 0 procedimento fiscal foi supostamente permeado pela Portaria da Secretaria da Receita Federal n°11.371/2007", sendo que o mesmo não foi concluído dentro do prazo assinalado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, "tendo ocorrido, para tanto outras prorrogações, sem, contudo, a intimação para ciência do contribuinte; Como válvula de escape, os agentes fiscais continuaram a ação fiscal supostamente subsidiada pela emissão de mandados de procedimentos fiscais complementares, cuja validade de cada um destes atos administrativos específicos (MPFF) era de 60 (sessenta) dias A ação fiscal foi ilegalmente prorrogada sem a emissão do MPF Complementar, o qual deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, pelo que se mostra nulo o procedimento fiscalizatório; Não houve qualquer ato legal de prorrogação da ação fiscal, muito menos intimação da empresa. Fezse apenas constar do rodapé do documento as "supostas" novas datas de validade para o MPF original, sem se atentar para as formalidades necessárias validade de tais atos; (iii) Da violação ao devido processo legal A empresa não foi intimada para prestar as informações necessárias à contraposição dos argumentos da fiscalização, o que enseja a nulidade do auto de infração; (iv) Exacerbação na aplicação da multa A imposição da multa de oficio de 75% viola o principio do não confisco (art. 150 IV da CF/88); Fl. 360DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 (v) Inaplicabilidade da Taxa SELIC (vi) Impossibilidade de formalização de representação Fiscal para Fins Penais Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 358 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da suspensão da exigibilidade do crédito art. 151, III, CTN; Analisemos. O art. 151, II, CTN dispõe que suspende a exigibilidade do crédito tributário os recursos: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo Portanto, em função da impetração do Recurso Voluntário, a exigibilidade do crédito encontrase suspensa. (A) Das alegações acerca de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – V & M INDUSTRIAL EXPORTADORA S.A. contra Acórdão nº 1237.869 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ I , que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP nº. 37.234.8904. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 359 11 Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário referente às contribuições sociais de parte da empresa, concernente às remunerações efetuadas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais,, além das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período 01/2006 a 12/2007. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.234.8904 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.234.8904) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) I GFIP, que é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento de confissão de dívida tributária; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), que é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) III Revogado pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008 IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: Fl. 364DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); Fl. 365DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 360 13 e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.234.8904, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (ii) Da irregularidade na prorrogação do MPF; 0 procedimento fiscal foi supostamente permeado pela Portaria da Secretaria da Receita Federal n°11.371/2007", sendo que o mesmo não foi concluído dentro do prazo assinalado no Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, "tendo ocorrido, para tanto outras prorrogações, sem, contudo, a intimação para ciência do contribuinte; Fl. 366DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Como válvula de escape, os agentes fiscais continuaram a ação fiscal supostamente subsidiada pela emissão de mandados de procedimentos fiscais complementares, cuja validade de cada um destes atos administrativos específicos (MPFF) era de 60 (sessenta) dias A ação fiscal foi ilegalmente prorrogada sem a emissão do MPF Complementar, o qual deveria ter sido assinado pelo Delegado da Receita Federal, pelo que se mostra nulo o procedimento fiscalizatório; Não houve qualquer ato legal de prorrogação da ação fiscal, muito menos intimação da empresa. Fezse apenas constar do rodapé do documento as "supostas" novas datas de validade para o MPF original, sem se atentar para as formalidades necessárias validade de tais atos; Analisemos. A Portaria RFB 11.371/2007 que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, trata do Mandado de Procedimento Fiscal MPF: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 9ºAs alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. (...) Art. 11.Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas Fl. 367DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 361 15 necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Em consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil em 11.02.2015, (http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atpae/mpf/default.asp), na opção Consulta Procedimento Fiscal, utilizandose as informações do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, às fls. 66, como o código de acesso 18648689 ao MPF e o CNPJ do contribuinte, 35.969.294/000149, temse presente o demonstrativo de prorrogações do MPF: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Conforme o já observado pela decisão de primeira instância, com base no MPF disponível acima, bem como dos elementos disponíveis nos autos, temse que tanto a emissão quanto as prorrogações do MPF e as Intimações Fiscais demonstram a continuidade do procedimento fiscal: 12. Conforme consulta ao sitio da Receita Federal do Brasil, verificase que o MPF foi emitido em 26/04/2010, com validade inicial até 24/08/2010 e prorrogações até 23/10/2010, 22/12/2010 e 20/02/2011. Examinando os autos, verificase que o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal data de 21/06/2010 (fls. 66/67); os Termos de Intimação Fiscal n° 1 e 2, datam, respectivamente, de 25/08/2010 e 03/11/2010 (fls. 68/69); e, por fim, o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal data de 21/12/2010 (fls. 70/71). 13. Como se pode perceber, o prazo inicial do MPF foi devidamente prorrogado por meio eletrônico. A empresa, durante o procedimento fiscal, após a prorrogação do prazo, foi intimada por duas vezes a apresentar documentos à fiscalização, o que demonstrou, ainda que tacitamente, a continuidade do procedimento fiscal. Além disso, em ambos os Termos de Intimação Fiscal (fls. 68/69) consta expressamente consignada a seguinte informação: "0 sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal utilizando o aplicativo Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo." Ainda, em relação ao argumento de necessidade de motivação na prorrogação do MPF, nos termos do art. 12, Portaria RFB 11.371/2007 a prorrogação do MPF não precisa ser motivada, sendo que a prorrogação do prazo do MPF poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização. De outro lado, os MPF prorrogados estão colacionados no Demonstrativo de Prorrogação do MPF, conforme verificado acima, congruente com a Portaria RFB 11.371/2007, não prevalecendo então o argumento da Recorrente pela necessidade de MPF Complementares. Portanto, se verifica que houve a continuidade válida do procedimento fiscal por meio do Demonstrativo de prorrogações do MPF, com base nos arts. 4o, 9o, 11, 12, 13 e 14 da Portaria RFB 11.371/2007. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 362 17 (iii) Da violação ao devido processo legal A empresa não foi intimada para prestar as informações necessárias à contraposição dos argumentos da fiscalização, o que enseja a nulidade do auto de infração; Analisemos. Embora a Recorrente argumente que não foi intimada para prestar informações necessárias à contraposição dos argumentos da Fiscalização, tal não pode prosperar porque o procedimento fiscal atendeu aos requisitos normativos. O art. 14, Decreto 70.235/1972, dispõe que a fase de Impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento na qual se fazem presentes as garantias constitucionais processuais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa que regem o processo administrativo fiscal. Decreto 70.235/1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Ademais, conforme o discutido no tópico (B) acima, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Exacerbação na aplicação da multa A imposição da multa de oficio de 75% viola o principio do não confisco (art. 150 IV da CF/88); Analisemos. Em relação aos acréscimos legais, o Relatório Fiscal mostra que houve a elaboração de quadro comparativo de multas, o que ocasionou a aplicação da multa de ofício (75%) nas competências 01/2006 a 08/2007 e da multa de mora (24%) na competência 13/2007: 8. Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, é necessário dizer que a Medida Provisória MP N.° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, alterou diversos dispositivos da Lei 8.212, de 24/07/1991, notadamente no que tange à aplicação de penalidades. 8.1. Em principio, as multas estabelecidas pela Lei 11.941/2009 serão aplicadas a fatos geradores ocorridos após a sua vigência. No entanto, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008 (data da entrada em vigor da MP 449/2008), na Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 aplicação de multas para condutas equivalentes, devese observar o principio da retroatividade benigna, estabelecido pelo inciso II, alínea "c", do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/1966). 8.2.Sendo assim, as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores foram comparadas, em cada competência, com as impostas pela legislação superveniente (Lei 11.941/2009), sendo aplicadas as mais benéficas para o contribuinte. 8.3.As penalidades aplicadas com base na legislação em vigor à época de ocorrência dos fatos geradores seriam: 8.3.1. Multa de Mora, prevista na Lei 8.212/1991, art. 35, inciso II, alínea "a", na redação dada pela Lei 9.876/1999 24% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas, incluída em Auto de Infração da obrigação tributária principal. 8.3.2. . Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de apresentar GFIP com todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (AI 68), prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV e §§ 20, 30 e 50 , acrescentado pela Lei n° 9.528/97 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada. 8.4.As penalidades aplicadas com base na legislação atual (Lei 11.941/2009) seriam: 8.4.1. Multa de Oficio, de acordo com o artigo 35A, da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, que determina, nos casos de lançamento de oficio, a aplicação do disposto no art. 44 da Lei no 9.430/1996 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas e não declaradas, incluída em Auto de Infração da obrigação tributária principal. 8.5.Desta forma, na comparação entre as penalidades aplicadas com fundamento na legislação em vigor na época de ocorrência dos fatos geradores (anterior) e a legislação superveniente (atual), verificase que serão aplicadas às competências 01/2006 a 08/2007 as penalidades com fundamento na legislação atual e para a competência 13/2007 com fundamento na legislação anterior, em obediência ao principio da retroatividade benigna, conforme quadro contido na PLANILHA VI. Em que pese o meu posicionamento ser no sentido de que foi elaborado de maneira correta o quadro comparativo de multas, posto que se observou o principio da retroatividade benigna, estabelecido pelo artigo 106, II, c, CTN, de modo que as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores foram comparadas, em cada competência, com as impostas pela legislação superveniente (Lei 11.941/2009), sendo aplicadas as mais benéficas para o contribuinte, tal argumento não prevalece nesta Colenda Turma de Julgamento. Por ampla maioria, esta Colenda Turma de Julgamento assim decide: Da multa de ofício aplicada antes de 12/2008. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 363 19 Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores, não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso do presente processo, que trata de contribuições previdenciárias, até 11/2008, a multa de ofício não existia. Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão da multa de ofício até a competência 11/2008. Do recálculo da multa de mora. A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Diante do exposto, ressalvada a posição do Relator, deve ser excluída a multa de ofício até a competência 11/2008 e determinado o recalculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. (v) Inaplicabilidade da Taxa SELIC Analisemos. Insurgese a Recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Em sentido contrário, o tema está pacificado no âmbito do CARF. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Impossibilidade de formalização de representação Fiscal para Fins Penais Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001912/201012 Acórdão n.º 2403002.944 S2C4T3 Fl. 364 21 Analisemos. A Recorrente argumenta pela impossibilidade da formalização da Representação Para Fins Penais RFFP. Em sentido contrário, o tema está pacificado no âmbito do CARF. Neste sentido, a Súmula nº 28 do CARF, expressamente estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de controvérsias referentes à RFFP: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para, no Mérito, determinar a exclusão da multa de ofício até a competência 12/2007, inclusive, e determinar o recalculo da multa de mora, na competência 13/2007, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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