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Numero do processo: 10580.002760/2006-25
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2802-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar e Sidney Ferro Barros.
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score : 1.0
Numero do processo: 10218.720749/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado).
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ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado) , Ricardo Anderle (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 07 49 /2 00 7- 60 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, CATTANI SA TRANSPORTES E TURISMO, foi lavrado auto de infração do ITR/2003, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 28/12/2007, tendo como objeto o imóvel denominado “Gleba Joana Peres I” (NIRF 4.880.1364), com área total de 2.467,0 ha, localizado no município de Tucuruí – PA. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais da infração e o demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontram se às fls. 01 e 02. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2003 (fls. 07/08), iniciou se com o termo de intimação de fls. 04, para a contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação/grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 10/15. Na análise desses documentos e da DITR/2003, a autoridade fiscal desconsiderou o VTN declarado de R$ 32.981,00 (R$ 13,37/ha), arbitrando o em R$ 567.187,97 (R$ 229,91/ha), com base no SIPT, com o conseqüente aumento do VTN tributável e apuração de imposto suplementar de R$ 45.941,80, conforme demonstrado às fls. 02. Cientificada do lançamento em 27/12/2007 (fls.03), a contribuinte protocolou em 21/01/2008, por meio de representante legal, a impugnação de fls. 18/22, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 23/25, alegando, em síntese: Discorda do procedimento fiscal, por arbitrar um VTN em desacordo com a realidade fática e o valor de mercado do imóvel, invadido e inviabilizado para exploração comercial além de incoerente com o exercício de 2005, sendo indevida a diferença do imposto, juros e multa, não tendo havido subavaliação do valor declarado, igual ao de compra, nem informações distorcidas; não houve regular instalação do procedimento administrativo, com a informação de que se tratava de lançamento de ofício, tendo a requerente apenas sido intimada a comprovar o pagamento do imposto e apresentar laudo no teor da NBR 14653, norma que não estabelece obrigação tributária, contemplada na Lei 9.393/1996; não foram consideradas as áreas ambientais de preservação permanente e de utilização limitada, tendo sido tributada a área total do imóvel. Ao final, a contribuinte protesta pela juntada de outros documentos, requer a realização de prova pericial, relaciona os quesitos a serem respondidos e indica o perito responsável, para comprovar o alegado, para que seja julgada procedente a presente impugnação e cancelada a notificação de lançamento em questão. Ressalva se que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, referem se aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720749/200760 Acórdão n.º 2202002.837 S2C2T2 Fl. 3 3 A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. DA MULTA E DOS JUROS DE MORA LANÇADOS. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, por subavaliação do VTN informado na declaração do ITR/2003, cabe exigi lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para que fosse trazido o extrato do SIPT. O referido extrato foi acostado as fls. 72. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No relativo ao Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720749/200760 Acórdão n.º 2202002.837 S2C2T2 Fl. 4 5 VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 72, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10932.000190/2009-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator/Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .0 00 19 0/ 20 09 -4 4 Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.000190/200944 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.305 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0539.418 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Constam deste processo os seguintes Autos de Infração, cujo período de apuração vai de 11/2004 a 01/2007: Segue abaixo a descrição do Auto de Infração nº 10932.000190/2009 44, sendo que os outros dois processos estão sendo analisados em acórdãos separadamente: COMPROT nº 10932.000190/200944 (AIOP DEBCAD nº 37.227.379 3) contribuição de segurados empregados Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal, se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte de segurados empregados e não recolhidas em época própria, tendo sido o crédito lançado por aferição indireta, no período de 11/2004 a 12/2006, no valor consolidado de R$3.669.878,36 em 04/06/2009, referindose ao levantamento “240 – Obra240”. Esclarece ainda o Relatório Fiscal o seguinte: Tratase de fiscalização de obra de construção civil, relacionado à serviços contínuos de conservação de Drenagem, Desassoreamento, Limpeza e Capinação de córregos, desobstrução de Bocas de Lobo, recuperação de áreas deterioradas, muros de arrimo, pavimentação e outros correlatos e serviços contínuos de execução de Redes de água e Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.000190/200944 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.305 S2C4T3 Fl. 4 3 esgoto, com fornecimento de equipamentos, materiais e mão de obra, realizado pela empresa Emparsanco S/A, através do contrato entre a mesma e a SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André. Informa a fiscalização ter havido vários termos de intimação para a apresentação de documentos sem sucesso, e conclui que: (...) pelo fato da empresa não escriturar em títulos próprios e ou em contas individualizadas as obras realizadas, conforme demonstram as Contas nºs 2.01.01.01.06.0001; 3.01.01.01.01.0001 e 3.01.01.01.01.0003, dos Livros Razão apresentados (xerox em anexo amostragem) foi emitido o AI AutodeInfração 37.227.3653. 4.6. Desta forma não restou à fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na Construção desta Obra conforme comandos do art. 33 § 6º da Lei 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e suas alterações: (...) Enfim, o Relatório complementa: 5. Para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na execução desta obra foi realizado a aferição indireta pelas notas fiscais de serviço emitidas pela empresa e por estar especificado no Contrato a previsão de fornecimento de Material foi aplicada a alíquota de 20% sobre as Notas Fiscais, conforme determina o § 1º do Art. 601 da IN 03, de 14 de julho de 2005 e suas alterações (...) (...) Os cálculos do Salário de Contribuição devido e o período de lançamento do crédito estão discriminados no ANEXO I e no anexo Relatório de Lançamento RL. 6. As alíquotas aplicadas constam do anexo "Discriminativo Analítico do Débito DAD". 7. Considerando que o débito foi apurado por aferição, não ficou constatada a retenção pela empresa da contribuição dos segurados, não se configurando, portanto, o crime de apropriação indébita. 8. Foram considerados e abatidos os recolhimentos vinculados à obra, constantes no Sistema de Contacorrente/DATAPREV, demonstrado no anexo RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. A fiscalização elaborou a seguinte planilha com os Autos de Infração emitidos nesta ação fiscal: Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10932.000190/200944 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2403000.305 S2C4T3 Fl. 5 4 Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005718/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal.
Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF.
Caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Inteligência da Súmula CARF nº 99.
VALIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
O custo do aluguel do veículo pago pela empresa é grandeza diretamente relacionada à base de cálculo do salário utilidade relativo ao uso, pelos empregados, de automóveis cedidos pela empresa, não havendo que se falar em arbitramento da base de cálculo.
Não desnatura o critério de aferição direta, a adoção, pela fiscalização, de tempo de uso particular do veículo diferente do considerado pela empresa, que decorre da regular atividade de fiscalizar, avaliando a adequação entre os fatos e a interpretação do contribuinte.
SALÁRIO INDIRETO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO.
Integram o salário de contribuição as parcelas in natura oferecidas aos empregados com habitualidade e com caráter contraprestativo.
Não ficou comprovado que os veículos oferecidos aos empregados com cargo de gestão eram indispensáveis para o trabalho.
O salário utilidade relativo aos veículos disponibilizados exclusivamente para os empregados com cargo de gestão, utilizados para fins corporativos e para fins pessoais, deve ser apurado com base no custo do aluguel dos dias não úteis, conforme Parecer Normativo nº COSIT nº 11, de 30/09/1992.
SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIOS. NÃO EVENTUALIDADE.
O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo.
Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA DESTINADA A UM GRUPO DE EMPREGADOS. ISENÇÃO.
Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação.
É isenta a previdência complementar aberta destinada ao grupo de empregados exercentes de cargos de gestão desprovida do caráter de gratificação.
MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa de que trata o art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2000, é aplicável em caso de falta de pagamento espontâneo e não sobre contribuições incluídas em lançamento tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento da decadência até 03/2005 e para observância do Parecer Normativo COSIT n° 11/92 no cálculo da contribuição incidente sobre a parcela relativa à cessão de veículos aos empregados, levantamento AV. Por maioria de votos, para exclusão dos valores relativos ao levantamento PP (Previdência Privada), vencido o Conselheiro Thiago Taborda Simões que também excluía os valores relativos ao pagamento do prêmio quando pago uma vez ao ano.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. Caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Inteligência da Súmula CARF nº 99. VALIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INOCORRÊNCIA. O custo do aluguel do veículo pago pela empresa é grandeza diretamente relacionada à base de cálculo do salário utilidade relativo ao uso, pelos empregados, de automóveis cedidos pela empresa, não havendo que se falar em arbitramento da base de cálculo. Não desnatura o critério de aferição direta, a adoção, pela fiscalização, de tempo de uso particular do veículo diferente do considerado pela empresa, que decorre da regular atividade de fiscalizar, avaliando a adequação entre os fatos e a interpretação do contribuinte. SALÁRIO INDIRETO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO. Integram o salário de contribuição as parcelas in natura oferecidas aos empregados com habitualidade e com caráter contraprestativo. Não ficou comprovado que os veículos oferecidos aos empregados com cargo de gestão eram indispensáveis para o trabalho. O salário utilidade relativo aos veículos disponibilizados exclusivamente para os empregados com cargo de gestão, utilizados para fins corporativos e para fins pessoais, deve ser apurado com base no custo do aluguel dos dias não úteis, conforme Parecer Normativo nº COSIT nº 11, de 30/09/1992. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIOS. NÃO EVENTUALIDADE. O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA DESTINADA A UM GRUPO DE EMPREGADOS. ISENÇÃO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. É isenta a previdência complementar aberta destinada ao grupo de empregados exercentes de cargos de gestão desprovida do caráter de gratificação. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de que trata o art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2000, é aplicável em caso de falta de pagamento espontâneo e não sobre contribuições incluídas em lançamento tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento da decadência até 03/2005 e para observância do Parecer Normativo COSIT n° 11/92 no cálculo da contribuição incidente sobre a parcela relativa à cessão de veículos aos empregados, levantamento AV. Por maioria de votos, para exclusão dos valores relativos ao levantamento PP (Previdência Privada), vencido o Conselheiro Thiago Taborda Simões que também excluía os valores relativos ao pagamento do prêmio quando pago uma vez ao ano. Julio César Vieira Gomes- Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 392 1 391 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.005718/201079 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.546 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria SALÁRIO INDIRETO: TRANSPORTE, PREMIAÇÃO DE INCENTIVO E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Recorrente GLOBAL VALUE SOLUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. Caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Inteligência da Súmula CARF nº 99. VALIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INOCORRÊNCIA. O custo do aluguel do veículo pago pela empresa é grandeza diretamente relacionada à base de cálculo do salário utilidade relativo ao uso, pelos empregados, de automóveis cedidos pela empresa, não havendo que se falar em arbitramento da base de cálculo. Não desnatura o critério de aferição direta, a adoção, pela fiscalização, de tempo de uso particular do veículo diferente do considerado pela empresa, que decorre da regular atividade de fiscalizar, avaliando a adequação entre os fatos e a interpretação do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 57 18 /2 01 0- 79 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 SALÁRIO INDIRETO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO. Integram o salário de contribuição as parcelas in natura oferecidas aos empregados com habitualidade e com caráter contraprestativo. Não ficou comprovado que os veículos oferecidos aos empregados com cargo de gestão eram indispensáveis para o trabalho. O salário utilidade relativo aos veículos disponibilizados exclusivamente para os empregados com cargo de gestão, utilizados para fins corporativos e para fins pessoais, deve ser apurado com base no custo do aluguel dos dias não úteis, conforme Parecer Normativo nº COSIT nº 11, de 30/09/1992. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIOS. NÃO EVENTUALIDADE. O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA DESTINADA A UM GRUPO DE EMPREGADOS. ISENÇÃO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. É isenta a previdência complementar aberta destinada ao grupo de empregados exercentes de cargos de gestão desprovida do caráter de gratificação. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de que trata o art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2000, é aplicável em caso de falta de pagamento espontâneo e não sobre contribuições incluídas em lançamento tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 393 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento da decadência até 03/2005 e para observância do Parecer Normativo COSIT n° 11/92 no cálculo da contribuição incidente sobre a parcela relativa à cessão de veículos aos empregados, levantamento AV. Por maioria de votos, para exclusão dos valores relativos ao levantamento PP (Previdência Privada), vencido o Conselheiro Thiago Taborda Simões que também excluía os valores relativos ao pagamento do prêmio quando pago uma vez ao ano. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0232.456 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 260269, com ciência ao sujeito passivo em 27/10/2011, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.271.8728, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 09/04/2010, fl. 34. De acordo com o relatório fiscal, fl. 8696, o lançamento trata de exigência das contribuições a outras entidades e fundos (terceiros), correspondentes à contribuição do salário educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados no período de 01/2005 a 12/2005, a título de prêmios pagos de forma habitual, contribuições a programa de previdência complementar privada restrito aos empregados detentores de cargos executivos, e salário utilidade correspondente à disponibilização, aos empregados com cargos gerenciais, de veículos alugados pela autuada, pelo período de vinte e quatro horas por dia, com o pagamento do aluguel diretamente à locadora. Os fatos tributários que ensejaram o lançamento estão especificados nas planilhas I a IV, fl. 98132. Às fl. 140170, a autuada apresentou impugnação solicitando o cancelamento do crédito tributário lançado com base nas razões abaixo descritas resumidamente: Em preliminar, alegou decadência do período de janeiro a março/2005 e a nulidade do lançamento por vício material por falta de indicação dos dispositivos legais do arbitramento da base de cálculo incidente sobre o suposto salário utilidade pelo uso de veículos alugados. No mérito, alegou que não tem natureza salarial a utilização de veículos pelos empregados quando indispensável para a realização do trabalho, ainda que utilizado pelo empregado em atividades particulares, conforme dispõe a súmula 367 do TST. Caso se entendesse pela natureza salarial da utilidade, sustentou que não é razoável o critério de arbitramento adotado, que aferiu a quantidade de horas de uso particular dos veículos sem descontar o tempo de repouso. Entendia que, na falta de norma específica, caberia ao Fisco adotar os procedimentos previstos no Parecer Normativo Cosit nº11, de 30/09/92, que trata de regras de dedutibilidade dessas despesas para fins de Imposto de Renda Pessoa. Socorrendose do art. 100 do CTN, e, considerando que agiu de acordo com o referido parecer, entendia que o Fisco não pode lhe aplicar penalidade. Quanto aos prêmios pagos aos empregados, afirmou que o foram de forma eventual, na maioria dos casos feito apenas uma vez no período autuado. Além disso, argumentou que é fator determinante para a incidência das contribuições a repercussão que os valores pagos terão nos benefícios previdenciários, e concluiu que, se não houver repercussão, não há que se falar em incidência, conforme artigo 201, § 11 da Constituição Federal. Sustentou a não incidência das contribuições patronais destinadas ao plano de previdência privada, considerando o disposto nos arts. 68 e 69 da Lei Complementar 109/2001 e art. 458 da CLT. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 394 5 A decisão de primeira instância julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado, excluindo as competências até 03/2005 do levantamento AV (aluguel de veículos), em razão a decadência. O julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TERCEIROS. DECADÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos. A regra de decadência é a prevista no Código Tributário Nacional. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. As parcelas que podem vir a ser excluídas do salário de contribuição, nos termos do §9° do artigo 28 da Lei 8.212/91, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 26/08/2011, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 321341, reiterando os pedidos e as razões da defesa, requerendo, ainda, afastamento da multa de mora aplicada no lançamento tributário, a qual entende que não pode subsistir diante da sistemática introduzida pela MP nº 449/2008, porquanto não ser possível a coexistência de multa de mora com lançamento de ofício, ou, subsidiariamente, que a multa de mora aplicada no lançamento seja reduzida para 20%, pela inteligência do novo art. 35 da Lei 8.212/91, que, por ser mais benéfico, tem aplicação retroativa, nos termos do art. 106, II, do CTN. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Decadência O Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 foi afastado por inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de modo que o regime de decadência das contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros passou a ser regido pelo Código Tributário Nacional (CTN). Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 398DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 395 7 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo do prazo decadencial, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. Na espécie, o órgão julgador de primeira instância extinguiu o crédito tributário que teve por fato gerador o salário indireto pago a título de disponibilização de veículos a alguns empregados, nas competências 01/2005 a 03/2005, aplicando a regra do art. 150, § 4o, do CTN, em razão de recolhimentos específicos para esses fatos geradores nessas competências, conforme fundamentado no voto do relator: Assim, para o levantamento AV Aluguel de Veículo, considerando que o sujeito passivo recolheu parte da contribuição devida, conforme apontado pela fiscalização na planilha de fls. 53/64, aplicase o disposto no CTN, artigo 150, § 4o. Logo, como o lançamento ocorreu em abril/2010 (contribuinte cientificado em 9/4/2010), ele poderia retroagir a abril/2005, portanto, com a razão o sujeito passivo quanto a esse levantamento, devendo ser excluídas do levantamento AV as competências 01/05 a 03/05. Para os levantamentos PP e PR, diante do fato de que não houve antecipação do pagamento do tributo ora lançado, pois o sujeito passivo sequer reconhecia a base de cálculo ora apurada como salário de contribuição, aplicase o disposto no CTN, artigo 173, inciso I. Logo, o presente lançamento, em 04/2010, poderia retroagir a 12/2004 (vencimento da obrigação em 02/01/2005). A partir desta data, o lançamento poderia ser constituído. ... Sendo assim, apenas para o levantamento AV, devem ser excluídas do presente lançamento as competências atingidas pela decadência: 01/05 a 03/05. O lançamento, no caso, se aperfeiçoou em 09/04/2010, com a ciência do sujeito passivo comprovada nos autos pelo aviso de recebimento dos correios às fls. 34. Assim, não há dúvida quanto ao direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário posterior à competência 04/2005, inclusive, pois não seria atingida pela regra do art. 150, § 4o, do CTN, segundo a qual o prazo decadencial terminaria em 30/04/2010. Quanto ao período de 01/2005 a 03/2005, conforme constatado na decisão de primeira instância, a recorrente fez pagamentos parciais das contribuições incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos empregados, a qual possui a mesma natureza dos Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 fatos geradores tratados no presente lançamento, fazendo incidir, no caso, o Enunciado da Súmula CARF nº 99, abaixo transcrita: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração1. Com base no exposto, reconheço a extinção do crédito tributário do período de 01/2005 a 03/2005, relativo às parcelas de prêmios e de previdência privada, em razão da decadência, nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional (CTN). A extinção do crédito tributário com base no salário indireto pago a título de disponibilização de veículos aos empregados, no período de 01/2005 a 03/2005, foi reconhecida no acórdão recorrido, o qual está amparado pelo princípio da imutabilidade da coisa julgada administrativa. Preliminar de Invalidade do Lançamento Um dos pontos controvertidos do lançamento de contribuições incidentes sobre o salário indireto a título de automóveis cedidos a empregados referese à questão da ausência de fundamentação da técnica de lançamento adotada. O fato tributário determinado pelo Fisco consiste em uma utilidade, a qual precisa ser quantificada para integrar a base imponível do tributo. A utilidade, no caso, é o veículo oferecido ao empregado, o qual é alugado pela empresa. O valor mensal do custo do aluguel para a empresa, extraído de seus registros fiscais e contábeis, é a melhor representação da grandeza numérica do benefício percebido pelo empregado. Diante disso, é possível afirmar que a fiscalização se valeu do método direto de apuração do valor da utilidade. Entretanto, segundo a fiscalização, o valor da utilidade não representa o valor do salário utilidade, uma vez que somente uma parcela dela possui natureza remuneratória. O veículo está à disposição do empregado vinte e quatro horas por dia, destinandose ao uso corporativo e também particular. Segundo a fiscalização, somente o custo correspondente ao uso particular possui natureza salarial. Nas folhas de pagamento foram consignadas as parcelas in natura consideradas pela empresa como representativas do salário utilidade aqui tratado, correspondente ao uso particular do veículo, também obtidas com base no custo do aluguel do veículo. A fiscalização também apurou o custo do aluguel proporcionalmente à destinação do uso do veículo e encontrou resultado diferente do consignado nas folhas de pagamento. 1 SÚMULA CONSOLIDADA/APROVADA PELA SEGUNDA TURMA DA CSRF EM SESSÃO DE 09/12/2013. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 396 9 A fiscalização considerou que o veículo teve destinação corporativa durante 220 horas mensais e calculou o valor do salário indireto, para fins de incidência da contribuição, conceitualmente incidente sobre o período em que o veículo teve destinação particular, pela diferença entre o total de horas do mês, que corresponde a 720 horas (24 horas em 30 dias), e o total de horas de jornada de trabalho no mês, correspondente a 220 horas (10 horas em 22 dias úteis). Neste ponto a fiscalização adotou um critério de rateio do custo do aluguel diferente do adotado pela empresa por ter entendido que seria mais representativo da realidade por ela encontrada e não um método substitutivo do meio direto de apuração da base de cálculo que também foi adotado pela empresa. Em suma, o crédito tributário aqui tratado foi constituído por meio de lançamento de ofício que teve por base os documentos fiscais da empresa representativos da grandeza do fato imponível, o que é incompatível com a adoção da técnica do arbitramento da base de cálculo, a qual se vale de elementos indiretos para aferição da base de cálculo. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade, considerando que no auto de infração constam os elementos de fato e de direito que embasaram o lançamento. Mérito Salário Indireto. Automóveis Cedidos a Empregados Administradores O ponto a ser enfrentado é quanto à tributação da utilidade concedida aos empregados pelo uso de automóveis alugados pela recorrente. É ponto pacífico nos autos que a recorrente disponibilizou automóveis para uso de alguns empregados com cargos gerenciais, por vinte e quatro horas por dia, os quais eram destinados tanto para uso corporativo quanto particular. Segundo a recorrente, esse benefício não tem natureza salarial, pois o automóvel é indispensável para a realização do trabalho desses empregados, que utilizam os veículos para visitar os clientes designados em seu território de atuação, efetuar novas vendas de serviços, prestar assistência aos clientes, acompanhando reuniões de apresentação, acompanhamento e avaliação de projetos, etc. Entre os principaisclientes da RECORRENTE, podese destacar a Fábrica da FIAT em Betim/MG, a Fábrica da IVECO em Sete Lagoas/MG e a TEKSID em Betim/MG, que se situam em municípios diferentes daquele em que se localiza a RECORRENTE. Complementa afirmando que o fato de o veículo ser utilizado também em atividades particulares não modifica sua natureza indenizatória, conforme Súmula nº 367 do TST, in verbis: UTILIDADES "IN NATURA". HABITAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. VEÍCULO. CIGARRO. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 24, 131 e 246 da SBDI1) Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005 I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOjs da SBDI1 nºs 131 inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e 246 inserida em 20.06.2001) ... Em regra, o fornecimento com habitualidade de bens ou serviços (utilidades) pelo empregador ao empregado configurase como salário in natura e integra o salário de contribuição, conforme previsto no art. 28 da Lei 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Entretanto, a caracterização do salárioutilidade, depende, ainda, do caráter contraprestativo do fornecimento, de modo que possui natureza indenizatória o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laborativa. Esse conceito é conhecido pela clássica fórmula de que somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho, na qual se baseia a mencionada Súmula TST nº 367. Na espécie, a recorrente deixou de comprovar que o uso do veículo pelos gerentes era indispensável para a realização do trabalho, conforme por ela afirmado. Em sentido contrário, como se vê no relatório fiscal, alguns gerentes tinham dois carros à sua disposição, o que demonstra nítido acréscimo de vantagens contraprestativas. É possível afirmar que os automóveis disponibilizados aos empregados da recorrente constituem remuneração e integram o saláriodecontribuição. Superada essa questão, resta saber se a base de cálculo apurada no lançamento foi acertada. A fiscalização considerou que os automóveis têm uso misto (corporativo e particular), com o que a recorrente concorda. No lançamento, o valor do salário utilidade foi aferido com base no custo mensal do aluguel do veículo pago pela recorrente diretamente à empresa locadora, composto de valor principal, de manutenção e de risco. A recorrente, todavia, entende que o salário utilidade, que é o período de uso particular do veículo, corresponde tão somente ao custo do aluguel dos dias não úteis, conforme está previsto no Parecer Normativo COSIT nº 11, de 30 de setembro de 1992 (DOU 15/10/1992), itens 12 a 17, abaixo transcritos: BENEFÍCIOS E VANTAGENS SALÁRIOS INDIRETOS Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 397 11 12. A despeito de os salários indiretos abrangerem as despesas particulares dos administradores, diretores, gerentes e seus assesssores, nelas incluídas despesas de supermercados e cartões de crédito, pagamento de anuidades de colégios, clubes, associações, etc, julgamos despiciendo tecer maiores considerações acerca da indedutibilidadede de tais gastos para fins de apuração do lucro real, face à sua obviedade. Uma vez adicionados às remunerações dos beneficiários, os salários indiretos serão tratados como despesas operacionais dedutíveis, observadas as condições previstas na legislação tributária. 13. Contudo, existem despesas que podem acarretar dúvidas quanto à sua dedutibilidade, e mesmo quanto à hipótese de poderem ser consideradas benefícios indiretos. Referimonos especificamente às despesas com aluguel de imóveis utilizados por beneficiários diversos e com a manutenção de veículos nas mesmas condições. 14. As despesas pagas ou incorridas com os veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros, em quaisquer atividades extra operacionais da pessoa jurídica, integram a remuneração do beneficiário como salário indireto. (g.n.) Dentre estas despesas, sobressaemse as relativas à manutenção do veículo, conservação, consumo de combustíveis, encargos de depreciação e respectiva correção monetária, valor do aluguel ou do arrendamento etc. 15. Caso o veículo utilizado tenha características de automóvel particular, resta claro que todo o custo incorrido deverá ser incorporado à remuneração do beneficiário. 16. Na hipótese de o veículo caracterizarse como de utilização mista, isto é, servir na atividade operacional da pessoa jurídica e, ademais, no uso particular do administrador, diretor, gerente ou assessor, as despesas a ele relativas, obviamente, não poderão ser consideradas operacionais e dedutiveis em sua totalidade, devendo a parcela correspondente à utilização extra operacional do mencionado veículo ser incorporada à remuneração do beneficiário. 17. Na impossibilidade de se quantificar o tempo efetivamente gasto pela utilização extraoperacional do veículo pelo beneficiário, é admissível que a pessoa jurídica adote o critério de proporcionalidade e ratear os custos e encargos em foco, em função dos dias úteis e, não úteis cobertos pela utilização do veículo. Caso a empresa adote o regime ordinário de trabalho das segundas às sextasfeiras, os sábados serão considerados dias não úteis. (g.n.) Este Parecer Normativo dispõe sobre o tratamento tributário a ser observado pelas empresas com relação aos salários indiretos concedidos a administradores, diretores, Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 gerentes e assessores, sob a ótica do imposto de renda das pessoas físicas e das pessoas jurídicas, tendo em vista disposições do art. 74 da Lei nº 8.383, de 30/12/91: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 1º A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Embora o Parecer Normativo não cuide das implicações da matéria no âmbito previdenciário, o entendimento nele exposto é aplicável à espécie, pois cria norma de procedimento quanto à aferição do salário indireto em razão da disponibilização de veículos ao grupo formado pelos administradores da empresa, suprindo a falta de norma específica para fins previdenciários. Ademais, a interpretação exposta no Parecer Normativo é mais coerente com a duração do trabalho dos exercentes de cargos de gestão, que, por sua posição hierárquica elevada na estrutura funcional da empresa, estão dispensados dos controles de horários, e não raro extrapolam a jornada padrão de trabalho de 220 horas mensais prevista na CLT2, conforme previsão constitucional, art. 7o, XIII: XIII duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação 2 Art. 62, II e parágrafo único da CLT. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 398 13 de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; Diante do exposto, entendo que o lançamento deve ser reformado para adequação da base de cálculo incidente sobre o salário indireto consistente na disponibilização de veículos, devendo, a remuneração a este título, ser aferida pelo valor da locação do veículo nos dias não úteis, conforme item 17 do Parecer Normativo COSIT nº 11, de 30/09/1992. Essa solução também foi adotada no acórdão nº 2401002.8833, referente ao julgamento do recurso voluntário em face do lançamento tributário relativo às contribuições patronais que tiveram os mesmos fatos geradores aqui tratados, processo nº 15504.005717/201024, conforme explicitado no trecho do voto condutor, abaixo transcrito, cujas razões de decidir adoto aqui: Vejase, que não se discute a exigência fiscal sobre o período de utilização do veículo em atividades extraoperacionais da empresa, mas, sim, como seria calculada essa remuneração, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. De conformidade com as alegações da recorrente, a empresa adotou o critério constante do Parecer Normativo COSIT n° 11/92, afastando os dias úteis do campo de incidência dos tributos ora lançados, considerando o custo com os dias não úteis como integrante da remuneração dos seus gerentes. Assim, não pode a contribuinte ser penalizada por adotar critério estabelecido pela própria autoridade fazendária. E, ainda que não aplicável à espécie em seu mérito, como pretende fazer crer o julgador recorrido, deve prevalecer para efeito de critério a ser admitido na apuração por arbitramento da base de cálculo das contribuições lançadas, mormente em confrontação com o critério pessoal e aleatório do agente lançador conduzido no caso dos autos. Entrementes, como não podemos precisar nesta segunda instância administrativa se, de fato, a contribuinte observou corretamente o critério inscrito no Parecer Normativo COSIT n° 11/92, por ocasião do recolhimento dos tributos devidos, não temos a devida segurança para julgar improcedente este levantamento (AV) de pronto. Nessa toada, impende determinar o recálculo do levantamento AV com base nos critérios insculpidos no Parecer Normativo COSIT n° 11/92, mais precisamente, considerando como integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores concernentes aos custos da concessão dos veículos aos gerentes da empresa, somente para os dias não úteis, ou seja, extraoperacionais. 3 Acórdão nº 2401002.883, da 4a Câmara/1a Turma Ordinária, Sessão de 20 de fevereiro de 2013, Relator Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Prêmios Os prêmios, por natureza, constituem parcelas contraprestativas pagas pelo empregador, conforme posição da doutrina4: Os prêmios (ou bônus) consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstancia tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. Em regra, as importâncias pagas, devidas ou creditadas, destinadas a retribuir o trabalho, caracterizamse como remuneração e integram o salário de contribuição. Todavia, a recorrente alega que os pagamentos foram eventuais, sendo que a maioria dos empregados recebeu valores a título de prêmio uma vez no ano e dois empregados receberam duas vezes no ano, e, por conseguinte, esses pagamentos estariam abarcados pela isenção prevista no art. 28, § 9o, “e”, 7, da Lei 8.212/91: Art. 28 ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Entretanto, a ausência de continuidade dos pagamentos não significa que o ganho seja eventual, já que este último está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo5. O pagamento das importâncias a título de prêmios não coaduna com o conceito de eventualidade, ao contrário, está atrelado a evento certo e com previsibilidade da sua ocorrência, sendo devidos os prêmios quando do cumprimento, pelo empregado, da condição estipulada, conforme se extrai da enunciado da súmula STF n° 209: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salárioprodução. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. 4 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 11a ed. São Paulo: LTR, 2012, p. 771. 5 As diferenças conceituais dos temas aqui abordados – eventualidade e não habitualidade, são tratadas no Ac. 9202003.044, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, Sessão de 12 de fevereiro de 2014. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 399 15 Para a recorrente, os pagamentos aqui tratados não seriam tributáveis também por lhes faltarem habitualidade, e, nessa condição, não integrariam os benefícios previdenciários, conforme previsão, contrario sensu, do § 11 do art. 201 da CF/88: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo acima remete à lei a sua regulamentação. O custeio e os benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) são regidos, principalmente, pelas disposições das Lei nº 8.212/91 e 8.213/91. A Lei 8.212/91, art. 22, I, e art. 28, inclui na base de cálculo das contribuições dos segurados empregados, a cargo destes e a cargo das empresas, todos os ganhos obtidos em contraprestação ao trabalho, independentemente da forma, podendo ser em dinheiro, ainda que não habituais, em utilidades, quando há habitualidade, excluídas as indenizações e as parcelas relacionadas no § 9o do art. 28. E o regime previdenciário consagrado na Constituição está fundado no princípio da solidariedade, por força do qual toda a sociedade deve contribuir para a Seguridade Social independentemente de se beneficiar diretamente dos serviços disponibilizados. Em suma, devem ser tributados os valores pagos pela recorrente a título de prêmios, nos termos do lançamento. Previdência Privada Em voto proferido no Acórdão nº 2402.003661, Relator Cons. Julio César Vieira Gomes, sessão de 16/07/2013, ficou demonstrado que a Lei Complementar nº 109/2001 instituiu norma de isenção de contribuições aos regimes de previdência privada, aplicável aos fatos ocorridos após sua vigência, cujas razões de decidir, abaixo transcritas, adoto aqui: Previdência Complementar Privada em Regime Aberto O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998). Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: "desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes'' já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 400 17 benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9°, alínea "t" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea "t" da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar n° 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 401 19 Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9°, "p" da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Incluído pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No caso, de acordo com o contrato de adesão ao Programa de Previdência Privada, juntado às fl. 438492 do Processo nº 15504.005717/201024, o plano contratado se refere à modalidade de previdência complementar em regime aberto, com previsão de pagamento de benefícios previdenciários (Programa Gerador de Benefício Livre PGBL). Conforme visto, tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, a isenção das contribuições da empresa vertidas para este plano não está condicionada a que ele esteja disponível à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal. De acordo com o relatório fiscal, o plano de previdência privada foi concedido a empregados detentores de cargos executivos. Não há evidências de que a restrição ao benefício tenha sido de forma pessoal nem que se tratava de gratificação disfarçada. Portanto, é indevido o lançamento tributário relativo à parcela paga pela empresa a título de previdência privada. Multa O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/916, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as 6 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 402 21 contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20097) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20098). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/969; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/9610. c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 7 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 8 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 9 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário que é o caso conforme visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35 inciso II da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32 inciso IV §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 10 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 2402004.546 S2C4T2 Fl. 403 23 Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. No caso, não há notícia da existência de auto de infração de obrigação acessória lavrado com base em falta de declaração ou de declaração inexata dos fatos geradores tratados neste processo. Diante disso, nessa fase processual, a multa de 50%, vigente à época dos fatos geradores (art. 35, II, “d”, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99) é mais benéfica do que a multa de 75% prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008. Todavia, como a multa da legislação de regência é progressiva em função das fases do processo, entendo que a multa mais benéfica deverá ser apurada no momento do pagamento, ficando limitada ao percentual de 75%. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, acatar a preliminar de decadência, excluindo o período até 03/2005, também para os levantamentos PR (Prêmios) e PP (Previdência Privada), e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, excluindo a parte do lançamento relativa à parcela de previdência privada (levantamento PP), e determinando que o crédito tributário relativo à parcela in natura pela cessão de veículos aos empregados (levantamento AV) seja calculado de acordo com o critério inscrito no Parecer Normativo COSIT n° 11/92. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.001375/2010-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Se o Tribunal Regional Federal da 3ª Região sobrestou o recurso extraordinário interposto pelo contribuinte, com base no RE nº 609.096, forçoso reconhecer, em sede de julgamento administrativo, a concomitância das lides administrativa e judicial.
PIS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo do PIS é a receita bruta, que equivale ao somatório das receitas provenientes da atividade típica da pessoa jurídica, conceito que abrange as receitas financeiras auferidas por instituição financeira.
INTERPRETAÇÃO RETROATIVA DE NOVA INTERPRETAÇÃO.
O entendimento vertido no Parecer PGFN 2.773/2007 não foi aplicado de forma retroativa, pois o entendimento da Receita Federal sempre foi no sentido de que as contribuições ao PIS e COFINS incidem sobre a receita operacional bruta.
PIS. MULTA DE OFÍCIO.
Inexistindo cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, são devidos os consectários do lançamento de ofício.
COFINS. MULTA DE OFÍCIO.
Existindo cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, exclui-se a multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) em relação à COFINS, não se tomou conhecimento do recurso em função de concomitância com o processo judicial e afastou-se a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que negou provimento na íntegra; 2) em relação à contribuição para o PIS/PASEP, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho, que entenderam pela concomitância com o afastamento da multa de ofício. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687 e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Frederico Souza Barroso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. Se o Tribunal Regional Federal da 3ª Região sobrestou o recurso extraordinário interposto pelo contribuinte, com base no RE nº 609.096, forçoso reconhecer, em sede de julgamento administrativo, a concomitância das lides administrativa e judicial. PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS é a receita bruta, que equivale ao somatório das receitas provenientes da atividade típica da pessoa jurídica, conceito que abrange as receitas financeiras auferidas por instituição financeira. INTERPRETAÇÃO RETROATIVA DE NOVA INTERPRETAÇÃO. O entendimento vertido no Parecer PGFN 2.773/2007 não foi aplicado de forma retroativa, pois o entendimento da Receita Federal sempre foi no sentido de que as contribuições ao PIS e COFINS incidem sobre a receita operacional bruta. PIS. MULTA DE OFÍCIO. Inexistindo cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, são devidos os consectários do lançamento de ofício. COFINS. MULTA DE OFÍCIO. Existindo cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, exclui-se a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCOMITÂNCIA. PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. Se o Tribunal Regional Federal da 3ª Região sobrestou o recurso extraordinário interposto pelo contribuinte, com base no RE nº 609.096, forçoso reconhecer, em sede de julgamento administrativo, a concomitância das lides administrativa e judicial. PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS é a receita bruta, que equivale ao somatório das receitas provenientes da atividade típica da pessoa jurídica, conceito que abrange as receitas financeiras auferidas por instituição financeira. INTERPRETAÇÃO RETROATIVA DE NOVA INTERPRETAÇÃO. O entendimento vertido no Parecer PGFN 2.773/2007 não foi aplicado de forma retroativa, pois o entendimento da Receita Federal sempre foi no sentido de que as contribuições ao PIS e COFINS incidem sobre a receita operacional bruta. PIS. MULTA DE OFÍCIO. Inexistindo cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, são devidos os consectários do lançamento de ofício. COFINS. MULTA DE OFÍCIO. Existindo cláusula suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, excluise a multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 75 /2 01 0- 24 Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: 1) em relação à COFINS, não se tomou conhecimento do recurso em função de concomitância com o processo judicial e afastouse a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que negou provimento na íntegra; 2) em relação à contribuição para o PIS/PASEP, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho, que entenderam pela concomitância com o afastamento da multa de ofício. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687 e, pela Fazenda Nacional, o Dr. Frederico Souza Barroso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 14/10/2010, lavrados para exigir o crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento das contribuições nos períodos de apuração compreendidos entre novembro de 2005 e dezembro de 2007. Segundo o termo de verificação fiscal, a partir de novembro de 2005 o contribuinte passou a recolher as contribuições ao PIS e à COFINS apenas sobre a receita decorrente da prestação de serviços, contabilizada na conta do razão 7.1.7.00.00.0 Rendas de prestação de serviço (fl. 595). O contribuinte adotou esse procedimento baseado nas decisões proferidas nos mandados de segurança 2005.61.00.0276612 (PIS) e 2005.61.00.0276624 (COFINS), por meio dos quais contestou a ampliação da base de cálculo das contribuições prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. A fiscalização detectou que as receitas oferecidas à tributação pelo contribuinte correspondem a apenas 1,43% do total auferido no período (fl. 595). O contribuinte não tributou as receitas contabilizadas nas seguintes contas: 7.1.1.00.00.1 Rendas de operações de créditos; 7.1.3.00.00.0 Rendas de câmbio; 7.1.4.00.00.0 Rendas de aplicação interfinanceira de liquidez; 7.1.5.00.00.3 Rendas de título de renda fixa; 7.1.8.00.00.2 Rendas de participações; 7.1.9.00.00.5 Outras receitas operacionais; e 7.3.0.00.00.0 Receitas não operacionais (fl. 595). A fiscalização entendeu que as decisões proferidas nos mandados de segurança afastaram a incidência do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Em relação ao PIS o Judiciário determinou a incidência sobre a receita bruta operacional definida pela legislação do Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 8 3 imposto de renda, nos termos do no art. 72, V, do ADCT da CF/88 e art. 279 do RIR/99 ( o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia). Já no que diz respeito à COFINS, o Judiciário determinou que fosse observada a base de cálculo prevista no art. 2º da Lei Complementar nº 70/91 (a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza) (fls. 596/597). Com base no Parecer PGFN/CAT/ 2.773/2007, a fiscalização considerou que os serviços bancários são constituídos não só das receitas advindas das cobranças de tarifas bancárias, mas também das demais operações bancárias de intermediação financeira. Com base nesse entendimento, a fiscalização utilizou no lançamento a base de cálculo do demonstrativo apresentado pelo contribuinte, que englobou todas as receitas (operacionais e não operacionais), bem como todas as exclusões, deduções e adições previstas em lei. Desse demonstrativo, a fiscalização excluiu o valor das receitas não operacionais. (fls. 597/599). Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) A fiscalização não pode aplicar o entendimento do Parecer PGFN 2.773/2007 de forma retroativa. O referido Parecer foi publicado em 13/12/2007, mas foi aplicado a fatos geradores do período de novembro de 2005 a dezembro de 2007. O referido Parecer está incluído entre as normas complementares do art. 100 do CTN, mas o art. 103, I do CTN determina que ele só pode ser aplicado a partir da data de sua publicação. Antes da publicação desse parecer, o contribuinte havia recolhido as contribuições sobre a receita de prestação de serviços, sem incluir as operações de intermediação financeira, uma vez que a Receita Federal ainda não havia adotado esse equivocado entendimento. O recolhimento efetuado foi correto não só em face dos processos judiciais, mas também em face do entendimento adotado pelos órgãos administrativos. Sustentar a aplicação desse parecer a fatos geradores ocorridos antes de sua publicação configura violação do art. 150, III, "a", da Constituição; 2) Em relação ao mandado de segurança 2005.61.00.0276612 (inicial, fls. 725 e ss.) disse que foi ajuizado visando garantir seu direito líquido e certo de "(...) efetuar o recolhimento da contribuição ao PIS nos termos da Lei Complementar nº 7/70 ou, ao menos, o direito de recolhêlha com base nas receitas provenientes da prestação de serviços (...)". A liminar foi deferida em sede de agravo de instrumento e a sentença concedeu parcialmente a segurança pleiteada no sentindo de "(...) assegurar o direito do impetrante de recolher a contribuição ao PIS com base na Lei Complementar nº 7/70 (...)". Houve apelação das duas partes recebidas no efeito devolutivo, as quais aguardam julgamento no TRF da 3ª Região; 3) No mesmo sentido, o mandado de segurança 2005.61.00.0276624 (inicial, fls. 917 e ss.) foi impetrado para garantir o direito líquido e certo da recorrente "(...) não efetuar o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações promovidas pelo art. 18 da Lei nº 10.684/2003, ou, ao menos recolhêla sobre as receitas advindas da prestação de serviços (...)". A liminar foi deferida e a sentença concedeu em parte a segurança pleiteada, reconhecendo o direito da impetrante "(...) não recolher COFINS sobre as receitas que não resultem da venda de mercadoria, prestação de serviço ou combinação de ambos, conforme previsão do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.7818/98 (...)". Houve apelação das partes. O TRF da 3ª Região não conheceu da apelação da impugnante e deu provimento parcial à apelação da União, mantendo o entendimento de que "(...) fica afastada a incidência do impugnado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para toda e qualquer Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 empresa, quanto à COFINS, contribuição que deve ser recolhida nos termos da legislação anterior, sem esta alteração do conceito de faturamento reputada inconstitucional (...)"; 4) Resta evidente que ao limitar a base de cálculo das contribuições às receitas provenientes da venda de mercadorias e prestação de serviços, as decisões judiciais excluíram as receitas financeiras da referida base de cálculo, razão pela qual não há que se falar que o crédito tributário ora combatido não esteja abarcado pelas citadas ações judiciais. O teor das sentenças está em consonância com os pedidos efetuados nos mandados de segurança, as quais solicitavam o recolhimento das contribuições somente sobre receita oriunda da prestação de serviços. Como a lide é determinada pelo pedido e as sentenças foram procedentes, o resultado dos julgamentos deve se restringir aos termos do pedido, nos termos do art. 128 e 460 do CPC. Assim, as decisões judiciais excluíram quaisquer outras receitas da base de cálculo que não sejam provenientes da prestação de serviço. O Parecer PGFN/CAT/ 2.773/2007 não pode ser utilizado em detrimento de uma decisão judicial que expressamente exclui receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS. Enquanto não for proferida uma decisão judicial reformando aquelas sentenças, a administração tributária não pode exigir as contribuições nos moldes postos nos autos de infração; 5) O fisco não pode aplicar multa e juros com base no Parecer PGFN/CAT/ 2.773/2007, pois antes do advento desse parecer a administração não exigia PIS e COFINS sobre as receitas de intermediação financeira; 6) A multa de ofício é inaplicável porque o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, tendo em vista as sentenças procedentes proferidas nos mandados de segurança. O contribuinte não pode ser punido por ter seguido uma decisão judicial. Por meio do Acórdão 31.171, de 27/04/2011, a 8ª Turma da DRJ São Paulo 1, julgou a impugnação improcedente. Ficou decidido que o auto de infração não teve por base o Parecer PGFN 2.773/2007, mas sim a Lei nº 9.718/98, exceto na parte em que foi declarada inconstitucional. A fiscalização recorreu ao parecer apenas para se valer da interpretação do conceito de receita bruta faturamento contido nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Foi rechaçada a alegação de que o Parecer da PGFN não poderia se sobrepor a uma decisão judicial. A DRJ entende que o fato de decisões judiciais não definitivas estabelecerem base de cálculo diversa da adotada pela autoridade fiscal, não obsta o poder dever do fisco de proceder à constituição do crédito tributário. Foi rechaçado o argumento no sentido de que antes do Parecer PGFN a administração não exigia as contribuições sobre receitas de intermediação financeira, pois tal exigência constava da IN SRF 37/99. O anexo único a este ato administrativo se constituía de uma planilha que discriminava, entre outras, as receitas de intermediação financeira. Essa IN foi sucedida pela IN SRF 247/2002 que manteve a mesma orientação. Foi rechaçada a alegação de que o crédito tributário estaria com a exigibilidade suspensa, pois o exame das decisões judiciais revela que a instituição financeira tinha ciência de que elas não continham cláusula de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e nem autorizaram o recolhimento das contribuições com base na legislação anterior à Lei nº 9.718/98. Essa lei define que a base de cálculo é o faturamento, entendido como receita bruta, e pelo significado dado a essa expressão pelo STF o faturamento engloba as Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 9 5 receitas operacionais da pessoa jurídica, as quais, no caso de instituições financeiras, incluem, entre outras, as receitas de intermediação financeira. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 11/05/2011 (fl. 1126), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/06/2011, por meio do qual contestou pontos específicos do acórdão de primeira instância e reprisou as alegações de impugnação. A recorrente entende que o conceito de faturamento vigente no STF não é aquele defendido pela decisão recorrida (receita operacional). Sustenta que o STF entende que faturamento é o produto de todas as vendas de bens e serviços mesmo que desacompanhadas de fatura. Sendo assim, não existe amparo legal para computar no faturamento receitas provenientes de outra atividade do contribuinte, como as receitas financeiras, não merecendo prosperar o entendimento do Parecer 2.773/2007 que conceitua faturamento calcado na atividade social da empresa. Por meio da Resolução 3401000.511 o julgamento foi sobrestado a fim de que se aguardasse o julgamento do RE 609.096 submetido pelo STF à sistemática da repercussão geral. Com a revogação do art. 62A, §§ 1º e 2º , do Regimento Interno pela Portaria MF nº 545/2013, e tendo em vista que o relator originário deste processo, Conselheiro Emanuel Dantas de Assis deixou o CARF, o processo entrou em novo lote de sorteio, tendo sido sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a fiscalização tributou todas as receitas operacionais da instituição financeira, por entender que estão abrangidas no conceito de faturamento, mesmo levando em conta o teor das decisões judiciais obtidas pelo contribuinte. Neste conceito estariam incluídas as receitas financeiras, que representam a maior parte das receitas auferidas pela instituição financeira. Já a defesa entende que as decisões judiciais obtidas autorizam a incidência apenas sobre as receitas da prestação de serviço, entendidas como aquelas provenientes da cobrança de serviços bancários, tais como a tarifa por emissão de cheques, abertura de crédito, manutenção de contacorrente, e etc. Não existe controvérsia quanto ao teor das decisões judiciais proferidas no mandado de segurança 2005.61.00.0276612, relativo ao PIS (fls. 16/49), e no mandado de segurança 2005.61.00.0276624, relativo à COFINS (fls. 313/338). Em ambas as ações, ainda não transitadas em julgado, o Judiciário afastou a aplicação do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, nos moldes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006). Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O exame das peças das referidas ações revela que não foram especificadas uma a uma quais as receitas que não poderiam sofrer a incidência das contribuições. Em ambas ações o Poder Judiciário seguiu a mesma trilha do STF, reconhecendo o direito de o contribuinte não se submeter ao § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, mas sem nomear especificamente as receitas da instituição financeira que seriam excluídas da tributação. Sendo assim, com o afastamento do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS voltou a ser a "receita bruta" da pessoa jurídica, a teor dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, com as exclusões legalmente admitidas. Tais exclusões, para as instituições financeiras, estão previstas de forma específica no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/98, que permanecem hígidos no ordenamento jurídico, posto que não foram alcançados pela declaração de inconstitucionalidade. O cerne da controvérsia é a amplitude do conceito de "receita bruta". A defesa entende que tal conceito se limita ao produto da venda de bens, da prestação de serviços ou da combinação de ambos. Já a fiscalização entende que o conceito abrange a receita operacional da instituição financeira. Segundo o STF, existe identidade entre os termos "receita bruta" e "faturamento". Ambos designam a mesma realidade e significam o total das receitas provenientes da atividade típica da pessoa jurídica, conforme consignou o Ministro Cezar Peluso no RE 400.4798, submetido à repercussão geral, e no qual se discute exatamente a mesma questão debatida nestes autos, in verbis: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na (sic) sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (Grifei) No mesmo julgado, esclarece no relatório o Min. Cezar Peluso que: “Uma das teses do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE no 346.084PR, Rel. orig. Min. Ilmar Galvão; RE no 357.950RS; RE no 358.273RS e RE no 390.840 MG, Rel. Min. Marco Aurélio, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF no 408, p.1).” Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 10 7 (Grifei) Portanto, ao contrário do que alegou a defesa, o conceito de faturamento (ou de receita bruta) adotado pelo STF não se restringe ao produto da prestação de serviços como entendeu a recorrente, mas sim às receitas provenientes da atividade típica desempenhada pela pessoa jurídica, o que abrange as contas contábeis tributadas pela fiscalização. E isto é assim porque o STF entende que as contribuições ao PIS e COFINS, sendo destinadas ao custeio do seguro social, se sujeitam ao princípio da solidariedade, segundo o qual é dever de toda a sociedade contribuir para o financiamento da seguridade social. Este entendimento do STF, no sentido de que as instituições financeiras devem recolher as contribuições ao PIS e COFINS sobre as receitas operacionais, tem encontrado eco nas demais instâncias do Poder Judiciário, in verbis: "TRIBUTÁRIO. PIS. ART 3o, § 1o, DA LEI 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS sobre a receita bruta operacional de acordo com legislação específica (art. 1o, III da Lei 9.701/1988 e art. 3o, §§ 5o e 6o, da Lei 9.718/1998). 2. O reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o, da Lei 9.718/1998 pelo Supremo Tribunal Federal não influenciou a apuração da base de cálculo das instituições financeiras. 3. Apelação da União Provida." (TRF1, 8a Turma, AC no 2006.38.00.0049780/MG, Rel. Des. Novély Vilanova da Silva Reis, unânime, 18.out.2013). (Grifei) Em outra linha de argumentação, a defesa alegou que a interpretação contida no Parecer PGFN 2.773/2007, não poderia ser aplicada retroativamente a fatos geradores ocorridos antes de sua publicação, principalmente para impor a multa de ofício e juros. Não tem razão a recorrente. O entendimento da Receita Federal sempre foi no sentido de que as contribuições ao PIS e COFINS incidem sobre a receita operacional bruta. Tanto isso é verdade, que são inúmeros os casos de autos de infração julgados no CARF onde a fiscalização incluiu nas bases de cálculo receitas da atividade acessória da pessoa jurídica, como receitas de aluguéis, de vendas de resíduos e sucatas, receitas de propaganda compartilhada, receitas provenientes de indenização de danos causados a bens do ativo permanente, etc. A pergunta nº 8 do perguntas e respostas, disponível na página da Receita Federal na internet, registra o seguinte: 8. Qual é a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, incidentes sobre a receita bruta, no regime de apuração cumulativa? A base de cálculo é a receita bruta decorrente da venda de mercadorias, da prestação de serviços e do resultado nas operações de conta alheia, bem como a soma das receitas Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 oriundas do exercício das atividades empresariais, consideradas as exclusões permitidas pela legislação. A referida orientação publicada na página oficial da Receita Federal na internet comprova de forma inequívoca que não houve aplicação retroativa de nova interpretação, pois a orientação da Receita Federal aos contribuintes sempre foi no sentido de que a base de cálculo das contribuições é integrada pela receita bruta operacional, o que no caso específico das instituições financeiras inclui as receitas tributadas pela fiscalização. A defesa insurgiuse contra os consectários do lançamento de ofício, sob os argumentos de que o Parecer PGFN 2.773/2007 não pode ser aplicado de forma retroativa e que o crédito tributário ora lançado está com a exigibilidade suspensa, em razão das medidas judiciais. Conforme foi dito antes, não houve aplicação retroativa de novo entendimento, pois o entendimento oficial sempre foi no sentido de que a base de cálculo das contribuições alcança a receita bruta operacional. No que concerne à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, embora meu entendimento seja no sentido de que a matéria versada neste processo é totalmente independente da discutida nos mandados de segurança, é preciso ter em conta que o Poder Judiciário sobrestou o processo de COFINS, com base no RE 609.096, conforme se pode comprovar por meio de consulta efetuada na página do TRF da 3ª Região na internet (www.trf3.gov.br): Consulta Processual Visualizar Processo Número (CNJ, 20 dígitos) 0027662 74.2005.4.03.6100 Processo 2005.61.00.0276624 Número de origem 2005.61.00.0276624 Classe 291738 AMS SP Vara 9 SAO PAULO SP Data de autuação 23/08/2007 Partes Nome ApelanteBANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A AdvogadoLUIZ EDUARDO DE CASTILHO GIROTTO Apelado(A)OS MESMOS Relator DES.FED. CARLOS MUTA Assuntos Descrição AssuntoCofins Contribuição Social Contribuições Direito Tributário Detalhe 1 Compensação Extinção do Crédito Tributário Crédito Tributário Direito Tributário Órgão julgador TERCEIRA TURMA (...) Fases Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 11 9 DataDescriçãoDocumentos 29/10/2012EXPEDIDO CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ código verificador 2520923v3 12/06/2012SUSPENSO/SOBRESTADO POR DECISÃO DA VICEPRESIDÊNCIA Motivos de suspensão: STF RE 609.096/RS (...)" Sendo assim, se o Tribunal Regional Federal da 3ª Região sobrestou a ação judicial de COFINS até que sobrevenha a decisão do STF no RE 609.096, é porque o Tribunal entendeu que na ação individual do contribuinte discutese a exigibilidade da COFINS sobre as receitas financeiras. Sendo assim, forçoso reconhecer neste processo administrativo que existe concomitância entre as lides administrativa e judicial, fato que impede este colegiado de se pronunciar quanto ao mérito da autuação, a teor da Súmula CARF nº 1. Considerando que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa quando do início da ação fiscal (fls. 363 e 373), deve ser excluída a multa de ofício do lançamento da COFINS, com base no art. 63, § 1º da Lei nº 9.430/96. Relativamente ao lançamento do PIS, consulta efetuada na página do TRF da 3ª Região, revela que os autos do mandado de segurança relativo ao PIS estão conclusos com o relator desde 31/08/2009, inexistindo sobrestamento do processo judicial. Sendo assim, não existe óbice para que prevaleça o entendimento constante deste voto, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não se confunde com a questão posta para deslinde no RE nº 609.096 e que as receitas tributadas pela fiscalização integram as receitas da atividade típica do contribuinte. Sendo assim, em relação ao PIS, inexistindo concomitância com o processo judicial e tampouco crédito tributário com exigibilidade suspensa, a exigência deve ser mantida com os consectários do lançamento de ofício. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: 1) em relação à COFINS, não tomar conhecimento do recurso voluntário em razão de concomitância com o processo judicial e afastar a multa de ofício; 2) em relação ao PIS/PASEP, negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti. A discussão envolve saber qual o alcance concreto a ser dado, em relação às instituições financeiras, para a decisão que declara a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Mais precisamente, pretendese saber se tal declaração de inconstitucionalidade teria o efeito de colocar fora do campo de incidência de PIS/Cofins as receitas financeiras dos bancos, ou se deveriam sofrer a incidência destas mesmas contribuições porquanto alcançadas pelo conceito de venda de serviço. Assim como os dois lados de uma mesma moeda, estáse diante de dois enfoques de uma mesma discussão: definir qual deve ser o alcance do conceito de receita da venda de mercadorias e serviços em relação as instituições financeiras. Como se sabe, uma discussão de direito apenas pode ser decidida no contencioso administrativo se não estiver em discussão no Poder Judiciário. Tal entendimento encontrase cristalizado na Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Por meio dos Mandados de Segurança nºs 2005.61.00.0276612 e 2005.61.00.0276624 o contribuinte busca no Poder Judiciário a declaração da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para o efeito de delimitar a incidência de PIS/Cofins às receitas da venda de bens e serviços. Em ambas as ações houve decisão judicial reconhecendo a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições. Em uma delas já houve decisão de Segunda Instância reiterando este mesmo entendimento, contra a qual houve a interposição de Recurso Extraordinário, cuja tramitação foi sobrestada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que vinculou sua sorte à Repercussão Geral reconhecida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 609.096. Ou seja, ainda não terminou a discussão judicial promovida pelo contribuinte, na qual, por motivos diferentes, deve acontecer a delimitação do alcance concreto, em relação aos bancos, da declaração de inconstitucionalidade que limita a incidência de PIS/Cofins às receitas da venda de bens e serviços. É importante, a propósito do tema, relembrar o itinerário da discussão, no STF, quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. 1) A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 12 11 Em 2006 foi publicado o acórdão do julgamento em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/981, cuja ementa sintetiza o seguinte entendimento: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170; grifo editado) O Plenário entendeu que, por ter sido editada antes da alteração do texto constitucional pela EC nº 20, a Lei nº 9.718/98 não poderia alargar a base de cálculo de PIS/Cofins para alcançar toda e qualquer receita, devendose restringir o seu alcance aos moldes anteriores, nos quais já se encontrava definido o conceito de faturamento, o qual seria equivalente ao de receita bruta, assim compreendendo apenas a receita da venda de mercadorias e serviços. As discussões travadas no referido acórdão já revelavam a preocupação dos Ministros a respeito de qual viria a ser o tratamento das receitas financeiras, conforme fica claro no seguinte trecho: O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído no RE 150.755, sob a expressão ‘receita bruta de venda e mercadorias e prestação de serviço’, quis significar que 1 Embora o julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 tenha sido concluído em 09/11/2005, o acórdão apenas foi publicado em 01/09/2006 Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Mas, ministro, seria interessante, em primeiro lugar, esperar a chegada de um conflito de interesses, envolvendo uma dúvida quanto ao conceito que, por ora, não passa pela nossa cabeça. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Mas passa pela cabeça de outros. Já não temos poucas causas, Sr. Ministro, para julgar. Quanto mais claro seja o pensamento da Corte, melhor para a Corte e para a sociedade. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Não pretendo, neste julgamento, resolver todos os problemas que possam surgir, mesmo porque a atividade do homem é muito grande sobre a base de incidência desses tributos. E, de qualquer forma, estamos julgando um processo subjetivo e não objetivo e a única controvérsia é está: o alcance do vocábulo ‘faturamento’. E, a respeito desse alcance, temos já, na Corte, reiterados pronunciamentos. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – É o que estou fazendo: esclarecendo meu pensamento sobre o alcance desse conceito. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senão, em vez de julgarmos as demandas que estão em Mesa, provocaremos até o surgimento de outras demandas, cogitando de situações diversas. (fls. 1254/1255 do acórdão; grifos editados) No julgamento ficaram vencidos, parcialmente, os Ministros Ilmar Galvão (Relator), Cezar Peluso e Celso de Mello e, integralmente, os Ministros Gilmar Mendes, Maurício Corrêa, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim. Como visto, embora o Ministro Cezar Peluso tenha se considerado vencido ao pretender a utilizar o conceito de receita empresarial típica, o fato é que não houve, conscientemente, deliberação pelo Plenário a respeito de qual deveria ser o tratamento para o caso de “determinadas instituições” que “prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras”. Ou seja, houve o reconhecimento de que, em relação aos contribuintes em geral, o âmbito da incidência de PIS/Cofins deveria circunscreverse às receitas da venda de bens e de serviços, mas sem adiantar a definição, mas deixando expressamente em aberto, de como deve ser o alcance de tal conceito em relação às instituições financeiras. Esta situação é reafirmada pelos passos que seguiram. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 13 13 2) O julgamento da Repercussão Geral no RE 585.235 e do RE 527.602. No intuito de estender o entendimento aos demais recursos existentes, o STF realizou em 10/09/2008 o julgamento da mesma questão em regime de Repercussão Geral (art. 543B do CPC) nos autos do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL02343 10 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Nada obstante, a mesma questão voltou ao Plenário em 05/08/2009, quando foi reafirmado o mesmo entendimento, no julgamento do RE 527.602: PIS E COFINS LEI Nº 9.718/98 ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. RECEITA BRUTA E FATURAMENTO A sinonímia dos vocábulos Ação Declaratória nº 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida Recurso Extraordinário nº 357.9509/RS, Pleno, de minha relatório. (RE 527602, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 05/08/2009, DJe213 DIVULG 12112009 PUBLIC 13112009 EMENT VOL0238205 PP00928 LEXSTF v. 31, n. 372, 2009, p. 209226) Estes dois julgamentos limitaramse a ratificar o entendimento já consolidado no julgamento anterior do Plenário, de que a ampliação apenas seria válida se tivesse sido encartada em lei complementar, ou se a lei ordinária tivesse sido editada depois da alteração do texto constitucional pela EC nº 20, reiterando, assim, a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo da Lei nº 9.718/98. Não houve nenhuma consideração específica a respeito do alcance da declaração de inconstitucionalidade em relação às entidades financeiras. 3) A súmula vinculante que não foi editada. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Os meios de comunicação noticiavam já em 2006 que os Ministros do STF deliberariam em breve a aprovação de súmula vinculante a propósito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de PIS/Cofins2, o que chegou a ser previsto para a sessão plenária de 02/05/20073, e depois em 10/09/20084. Mas apenas em 2009 o STF publicou Edital eletrônico, datado de 13 de maio, por meio do qual levava a público como poderia vir a ser o texto da súmula. O Edital tinha o seguinte conteúdo: (...) FAZ SABER aos que este edital virem ou dele tiverem conhecimento que neste Tribunal se processam os autos da Proposta de Súmula Vinculante nº 22, em que é proponente o Supremo Tribunal Federal, que visa à edição de súmula vinculante com as seguintes sugestões de verbetes: Assunto: TRIBUTO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9718/98: “É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS.” ou “A alteração da base de cálculo da COFINS, pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9718/98, mediante a ampliação do conceito de faturamento, violou o art. 195, I e § 4º, da CF, vício que a subseqüente edição da Emenda Constitucional 20/98 não convalidou.” ou “É inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas das mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza.” ou “É inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (tabulação editada) Em sessão plenária de 04/02/2010, depois de debates, o STF decidiu pelo adiamento da votação, para dar oportunidade de que houvesse antes o julgamento de casos específicos a respeito das instituições financeiras. Ou seja, não chegou a haver consenso a respeito de nenhuma da redações sugeridas, por se entender pela conveniência de apreciar antes a situação específicas das instituições financeiras. 4) O voto do Ministro Cezar Peluso no RE 400.479. 2 Valor Online, 07/08/2006, “Cofins pode ter súmula vinculante”, Fernando Teixeira 3 Valor Online, 25/04/2007, “Votação no STF pode afetar caixa da União”, Jossete Goulart 4 Revista Consultor Jurídico, 11/09/2008, “STF resolve fazer Súmula sobre base de cálculo da Cofins” Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 14 15 Em 19/08/2009 foi iniciado em Plenário o julgamento do Recurso Extraordinário nº 400.479, no qual se discute a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo em relação a uma seguradora. Neste julgamento apenas foi proferido voto pelo Relator, o Ministro Cezar Peluso, do que se seguiu o pedido de vista do Ministro Marco Aurélio, aguardandose a retomada do julgamento até hoje. Do entendimento do Ministro Cezar Peluso apenas se conhece o que foi divulgado no Informativo STF nº 556, não havendo ainda acesso ao seu exato teor. O texto do referido Informativo revela que o Ministro Cezar Peluso proferiu voto partindo daquela mesma consideração que já havia feito no julgamento do caso líder, o RE 346.084, baseada no conceito de “receita da atividade empresarial típica”, aprofundando o detalhamento do conceito. Fica claro, porém, que o Ministro pretendeu ir além de apenas de conferir um tratamento específico às instituições financeiras em relação ao entendimento já firmado, mas que pretendeu rejulgar a questão jurídica em toda a sua amplitude, ou seja, que seu voto tem a finalidade de revisar o entendimento do STF a respeito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo em relação a todos os contribuintes, propondo novos critérios jurídicos para delimitar o alcance das contribuições. Isto pode ser conferido nos seguintes trechos, extraídos do referido Informativo: (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 2 O Min. Cezar Peluso afirmou que o Tribunal estaria sendo instado a definir, de uma vez por todas, o que seria a noção de faturamento constante do art. 195, I, da CF, na redação que precedeu a EC 20/98. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 7 Prosseguindo, o relator salientou ser óbvio que as seguradoras ou os bancos não emitem faturas e que a emissão destas não constituiria critério válido suficiente para configurar faturamento. Para ele, esse fato, consistente em emitir faturas, seria mera decorrência de outro acontecimento, este sim economicamente importante e correspondente à realização de operações ou atividades da qual esse faturamento adviria. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 8 Observou que, ao elaborar suas demonstrações de resultado, as instituições financeiras partiriam, para chegar à conta de resultado operacional, da rubrica receitas da intermediação financeira, que seria precisamente o seu ramo de atuação principal. (...) PIS/COFINS: Base de Cálculo e Seguradoras 9 Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Concluiu o relator que a proposta que submetia à Corte seria a de reconhecer que se devesse tributar tãosomente e de modo preciso aquilo que cada empresa auferisse em razão do exercício das atividades que lhe fossem próprias e típicas enquanto conferissem o seu propósito e a sua razão de ser. Dessa forma, escapariam à incidência do tributo as chamadas receitas não operacionais em geral, as receitas financeiras atípicas e outras do mesmo gênero, desde que, não constituíssem elemento principal da atividade. Não fugiriam à noção de faturamento, pois, as receitas tipicamente empresariais colhidas por bancos, seguradoras e demais empresas, que, pela peculiaridade do ramo de atuação, não se devotassem, contratual e estritamente, à venda de mercadorias ou à prestação de serviço. Salientou, por fim, não ser necessário desenvolver um rol exaustivo que correlacionasse todas as espécies possíveis de receitas aos variados tipos de atividades e objetos sociais e empresariais, bastando que se estabelecesse, com segurança, o critério jurídico, afirmandose a tese de que a expressão faturamento corresponderia à soma das receitas oriundas das atividades empresariais típicas. Esta grandeza compreenderia, além das receitas de venda de mercadorias e serviços, as receitas decorrentes do exercício efetivo do objeto social da empresa, independentemente do seu ramo de atividade, sendo que tudo o que desbordasse dessa definição específica não poderia ser tributado. Após, pediu vista dos autos o Min. Marco Aurélio. RE 400479 EDAgR/RJ, rel. Min. Cezar Peluso, 19.8.2009. (RE 400479) Este julgamento, enfim, apenas recebeu o voto do Ministro Cezar Peluso, sendo que o entendimento do Ministro não consiste em definir o que seriam a receita da venda de bens e serviços para a seguradora, mas de revisar o alcance das contribuições utilizando outro conceito: o de receita empresarial da atividade típica. 5) A Repercussão Geral no RE 609.096. Em 03/03/2011 foi reconhecida pelo STF a Repercussão Geral no Recurso Extraordinário 609.096, em acórdão com a seguinte ementa: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 609096 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 03/03/2011, DJe080 DIVULG 29042011 PUBLIC 02052011 EMENT VOL0251201 PP00128; grifo editado) Esta Repercussão Geral foi registrada pelo STF como Tema nº 372, com a seguinte descrição: 372 a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998. (grifo editado) Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 15 17 Em seu voto, o Ministro Relator concluiu o seguinte: Entendo que a controvérsia possui repercussão geral. Com efeito, o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre o enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam neste e nos demais tribunais brasileiros. Ademais, a discussão também apresenta repercussão econômica porquanto a solução da questão em exame poderá ensejar relevante impacto financeiro no orçamento das referidas instituições, bem como no da Seguridade Social e no do PIS. Além disso, a matéria em debate guarda similitude com a questão tratada no RE 400.479AgRED/RJ, Rei. Min. Cezar Peluso, submetido ao julgamento do Plenário desta Corte em 18/8/2009, mas suspenso, na mesma data, em razão do pedido de vista do Min. Marco Aurélio. Destarte, com base nos motivos já expostos, verifico que a questão constitucional trazida aos autos ultrapassa o interesse subjetivo das partes que atuam neste feito, recomendando sua análise por esta Corte. Fica claro, portanto, que o próprio STF entende que ainda não existe definição a respeito de como deve acontecer – ou seja, de qual deve ser o alcance específico – da aplicação da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 em relação às instituições financeiras. 6) Síntese da questão no STF. Considerandose o itinerário e o panorama atual da questão perante o STF, constatamse os seguintes fatos: a) o Plenário do STF firmou e reiterou em regime de Repercussão Geral o entendimento pela inconstitucionalidade do alargamento pretendido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reconhecendo que tal entendimento tem a implicação prática de circunscrever a incidência da contribuição às receitas decorrentes da venda de bens e de serviços; b) as decisões existentes, proferidas pelo STF, não se baseiam na distinção entre os conceitos de receita operacional e nãooperacional, nem utilizam o conceito de “receita da atividade empresarial típica” como conceito delimitador do âmbito de incidência de PIS/Cofins; c) o STF entende que ainda é necessário promover julgamento especificamente a respeito do alcance do conceito de faturamento em relação às instituições financeiras, questão que ainda aguarda julgamento. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 Estes fatos, por sua vez, permitem concluir que o STF não avalizou o entendimento de que a aplicação da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras implicaria forçosamente em que as receitas financeiras obtidas por estas instituições estariam excluídas do conceito de venda de bens e de serviços. Esperase, com efeito, que o julgamento da Repercussão Geral no RE 609.096 promova a aplicação da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, delimitando com precisão os seus efeitos em relação a estas instituições. Contudo, repisese, não se pode dizer que exista definição pelo STF de qual é o alcance do conceito de receita da venda de bens e de serviços para as instituições financeiras e equiparadas. 7) O caso concreto. O contribuinte propôs ações judiciais nas quais obteve decisões declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. Em um dos processo já foi proferida decisão de Segunda Instância, contra a qual houve a interposição de recurso extraordinário ao STF. O recurso, no entanto, foi sobrestado com fundamento no art. 543A do CPC, encontrandose vinculado ao julgamento da Repercussão Geral no RE 609.096. Ou seja, a discussão judicial ainda está em tramitação. As decisões judiciais dos casos concretos do contribuinte foram proferidas nos mesmos moldes do caso líder julgado pelo STF, aplicável às empresas em geral, não entrando no detalhamento quanto ao alcance de seus efeitos em relação às receitas financeiras das instituições financeiras. No entanto, as ações judiciais concretas do contribuinte ainda estão em trâmite, encontrandose uma delas já sobrestada e vinculada ao julgamento da Repercussão Geral em que o STF decidirá especificamente a respeito de tal alcance. Ou seja, pode e deve efetivamente acontecer que em tais ações haja a delimitação expressa e clara quanto à situação das receitas financeiras dos bancos: se são alcançadas pela declaração de inconstitucionalidade, compondo ou não a base de cálculo das contribuições. Como visto, serve de evidência, de que tal delimitação acontecerá, a existência de vinculação do recurso extraordinário – que foi interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – à Repercussão Geral reconhecida pelo STF. Parece fora dúvida que tal ação judicial tomará a mesma sorte do que vier a ser decidido pelo STF no julgamento da Repercussão Geral, sendo certo, como já visto, que nesta Repercussão Geral será discutido exatamente o alcance da declaração de inconstitucionalidade em relação aos bancos, para saber se as receitas financeiras das instituições financeiras devem ser computadas na base de cálculo das contribuições. Entendo, por isso, que os fundamentos do presente lançamento não são outros, mas os mesmos discutidos nas ações judiciais, qual seja: a definição do alcance concreto da base de cálculo de PIS/Cofins em relação ao contribuinte. Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.001375/201024 Acórdão n.º 3403003.510 S3C4T3 Fl. 16 19 Em relação ao mérito desta discussão, portanto, aplicase a Súmula CARF nº 1, deixandose de conhecer do recurso voluntário. O recurso deve ser conhecido, no entanto, na parte em que discute a aplicação da multa de ofício, visto que tal questão jurídica encontrase em discussão exclusivamente na via administrativa. A DRJ entendeu pela manutenção da multa de ofício, por entender que a apuração realizada pela Fiscalização apenas teria tomado como fundamento o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que por isso não teria qualquer relação quanto à discussão da inconstitucionalidade do § 1º do mesmo dispositivo de Lei. Entendo que não procede a alegação da DRJ, pois o caput e o§ 1º do art. 3º da Lei são as duas faces de uma mesma moeda, laborando em conjunto para a determinação do alcance concreto do conceito de faturamento para as instituições financeiras, dependendo da definição do alcance da declaração de inconstitucionalidade. De fato, o lançamento fiscal busca interpretar o alcance do conceito de faturamento e de venda de serviços, mas não se pode dizer que tal interpretação não sofrerá qualquer influência da discussão judicial ainda em andamento, pois a declaração de inconstitucionalidade também exige a definição do seu efeito concreto em relação ao contribuinte. Voto, por isso, pelo conhecimento em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento, para excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000229/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDENTE.
A empresa está obrigada a recolher vinte pr cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
Diante da ausência de contestação contundente e apresentação de provas de recolhimento, deve-se manter a NFLD lavrada.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDENTE. A empresa está obrigada a recolher vinte pr cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Diante da ausência de contestação contundente e apresentação de provas de recolhimento, deve-se manter a NFLD lavrada. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDENTE. A empresa está obrigada a recolher vinte pr cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Diante da ausência de contestação contundente e apresentação de provas de recolhimento, devese manter a NFLD lavrada. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 02 29 /2 00 7- 42 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000229/200742 Acórdão n.º 2301004.246 S2C3T1 Fl. 240 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000229/200742 Acórdão n.º 2301004.246 S2C3T1 Fl. 241 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE LEME – PREFEITURA MUNICIPAL, em face de acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DF), que julgou procedente o lançamento e manteve o débito fiscal. 2. Por bem descrever os fatos que originaram o presente lançamento, passo a expor o relatório apresentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fl. 204): “Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 25/04/2007, sob DEBCAD37.073.7270, no valor de R$ 21.345,58, em nome do Município acima identificado, referente às contribuições de custeio à Seguridade Social prevista no artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, bem como da contribuição prevista no artigo 21 da referida Lei, a cargo do segurado, cujo desconto e recolhimento compete ao empregador, nos termos do artigo 4° da Lei 10.666/03, ambas incidentes sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais que prestaram serviços no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. Conforme Relatório Fiscal de fls. 150 a 154, constatouse, mediante análise dos empenhos emitidos pela Prefeitura Municipal de Leme e demais documentos apresentados, que o órgão público em questão utilizouse dos serviços de segurados contribuintes individuais no período de 01/2003 a 12/2005, situação essa sujeita à tributação nos termos do artigo 22, III da Lei 8.212/91. Informa ainda o Relatório Fiscal que os valores foram apurados com base nos empenhos emitidos e que as alíquotas e base de cálculo utilizadas encontramse discriminadas nos relatórios DAD e RL. Notificado em 02/05/2007, conforme Aviso de Recebimento de fls. 172, 0 órgão público apresentou impugnação tempestiva em 01/06/2007, na qual alega, em suma: que a impugnação é tempestiva, pois foi apresentada dentro do prazo de 30 dias previsto no Decreto n° 6.103/2007; que aos julgadores administrativos compete afastar a aplicação de norma ilegal ou inconstitucional, sob pena de negar validade aos princípios da ampla defesa e do contraditório; que na apuração do débito não foram considerados os pagamentos realizados a contribuintes individuais que trabalharam em mais de uma empresa; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000229/200742 Acórdão n.º 2301004.246 S2C3T1 Fl. 242 4 que o contribuinte não foi intimado com questionamento a respeito dos contribuintes individuais que prestaram serviços a outras empresas, o que dispensaria a contribuição lançada, levando ao cancelamento do auto de infração por ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração, com base nos argumentos expostos e com base nos argumentos de parecer anexo.” 3. O acórdão (fl. 203) a quo restou ementado nos seguintes termos: “INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÚIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Lançamento Procedente.” 4. Inconformada com a decisão proferida o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 215/230, nas quais aduz em síntese que: a) em preliminar, verificase a decadência do crédito tributário, tendo em vista que resta patente que os lançamentos de tributos e multas referentes a fatos geradores anteriores a maio de 2002 (cinco anos antes da ciência do presente auto de infração), encontramse fulminados pelo referido instituto; b) é ilegal e inconstitucional as normas utilizadas como fundamento para a autuação; c) a desconsideração levada a efeito pela autoridade fiscal foi realizada ao arrepio da lei e da forma federativa do Estado, maculando o princípio do pacto federativo, motivo pelo qual se impõe o seu cancelamento. 5. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000229/200742 Acórdão n.º 2301004.246 S2C3T1 Fl. 243 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DECADÊNCIA 2. Em suas razões recursais, a recorrente, alega que houve decadência de períodos que compõem o lançamento. Para ela, resta patente que os lançamentos de tributos e multas referentes a fatos geradores anteriores a maio de 2002 (cinco anos antes da ciência do presente auto de infração), encontramse fulminados pela decadência. 3. Não merece guarida a alegação da contribuinte. O lançamento referese ao período compreendido entre 01/03 a 12/05, tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 02/05/2007 e diante de tais datas podemos afirmar que não houve decadência do crédito pleiteado, por qualquer dos critérios de contagem utilizados, ou seja, tanto aplicada a regra esculpida no art. 173, I do CTN, quanto àquela prevista no art. 150, § 4º do CTN, não há competências alcançadas pela decadência. DA INCONSTITUCIONALIDADE 4. Apesar dos argumentos da recorrente no sentido de que os órgão administrativos estão autorizados, pelo ordenamento jurídico, a analisar a constitucionalidade das normas aplicadas, este Conselho já possui entendimento sumulado em sentido contrário, in verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 5. Diante disso, sem razão a contribuinte. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000229/200742 Acórdão n.º 2301004.246 S2C3T1 Fl. 244 6 DA OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES 6. Segundo o Relatório Fiscal (fl. 152), o presente débito “referese ao levantamento da contribuição de custeio à Seguridade Social prevista no artigo 22, inciso III da Lei nº 8.212/91, bem como da contribuição constante no artigo 21 da mesma norma, a cargo do segurado, cujo o desconto e recolhimento compete ao empregador (...).” 7. Ambas as contribuições tem como base de cálculo os valores pagos ou creditados a segurados contribuintes individuais, relativos aos serviços prestados no período de 01/2003 a 12/2005. 8. Insta mencionar que a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos ou creditados a contribuintes individuais está prevista no artigo 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Acrescentado pela Lei n° 9.876, de 26/11/99, com vigência a partir de 03/00. Até 02/00 vigorou a LC nº 84/96) (...).” 9. Como bem lembrou a instância a quo, cabe ao sujeito passivo comprovar e apresentar a empresa pagadora os valores anteriormente recebidos, bem como é obrigação da empresa manter, pelo prazo decadencial, as cópias dos comprovantes de pagamento ou declarações apresentadas pelos segurados. 10. No tocante a sua alegação de que o lançamento teria infringido a legislação complementar municipal, esta também não merece prosperar, haja vista que resta claro que a autoridade fiscal lavrou a NFLD com observância ao disposto na Lei nº 8.212/91, no Decreto 3.048/99 na IN SRP nº 03/05, no que se refere às retenções a que a empresa estava obrigada a efetuálas. 11. Por fim, notase que em sua peça recursal a contribuinte não trouxe qualquer prova de que tais contribuições tenham sido recolhidas. Outro fato inconteste, da análise do lançamento, é a não declaração dos segurados contribuintes individuais em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e a ausência de recolhimento. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 13887.000229/200742 Acórdão n.º 2301004.246 S2C3T1 Fl. 245 7 CONCLUSÃO 12. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005142/2008-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
RENDIMENTOS RECEBIDOS EM ACORDO FIRMADO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. VERBAS DE NATUREZA SALARIAL. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO.
Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. São tributáveis, no ajuste anual, as verbas de natureza salarial, recebidas mediante acordo firmado na Justiça do Trabalho.
No caso de imposto de renda que deve ser retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, constatada a omissão de rendimentos, é legítima a constituição de crédito tributário na pessoa física do beneficiário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM ACORDO FIRMADO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. VERBAS DE NATUREZA SALARIAL. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. São tributáveis, no ajuste anual, as verbas de natureza salarial, recebidas mediante acordo firmado na Justiça do Trabalho. No caso de imposto de renda que deve ser retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, constatada a omissão de rendimentos, é legítima a constituição de crédito tributário na pessoa física do beneficiário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 57 1 56 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.005142/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.984 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente CLÁUDIO ANTÔNIO MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM ACORDO FIRMADO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. VERBAS DE NATUREZA SALARIAL. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. São tributáveis, no ajuste anual, as verbas de natureza salarial, recebidas mediante acordo firmado na Justiça do Trabalho. No caso de imposto de renda que deve ser retido na fonte como antecipação do devido na declaração, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, constatada a omissão de rendimentos, é legítima a constituição de crédito tributário na pessoa física do beneficiário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 51 42 /2 00 8- 71 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005142/200871 Acórdão n.º 2801003.984 S2TE01 Fl. 58 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como Relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 33), que bem descreve os fatos, complementandoo ao final: Contra o contribuinte identificado acima, foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA SUP........ R$2.520,50 MULTA DE OFÍCIO..................................................R$1.890,37 JUROS DE MORA (até 31/03/2008)............................R$1.408,95 TOTAL..........................................................................R$5.819,82 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, em relação a qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 60.000,00, informados em DIRF –Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte pela fonte pagadora. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. A omissão apurada decorre da seguinte constatação: (...) A ciência da notificação ocorreu em 27/03/2008 e o contribuinte apresentou impugnação em 29/04/2008. Alega que após se aposentar no Conselho Regional de Contabilidade continuou a trabalhar no órgão. Salienta que firmou um acordo na Justiça do Trabalho com o empregador com em 19/11/2003. Interpretou equivocadamente os valores recebidos, tendo lançado no campo Rendimentos Isentos e Não Tributáveis o valor de R$52.000,00 porém salienta que o Imposto de Renda já foi recolhido em 01/12/2003 conforme DARF anexo. Considerando sua condição de aposentado no qual aufere proventos de R$961,00, a manutenção de três dependentes sendo dois adotivos e um neto, solicita que a Notificação seja avaliada e sanada esta irregularidade. Bem, em resumo, confrontando informações da DIRPF apresentada pelo contribuinte com a DIRF apresentada pela fonte pagadora Conselho Regional de Contabilidade Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005142/200871 Acórdão n.º 2801003.984 S2TE01 Fl. 59 3 de Minas Gerais, CNPJ 17.188.574/000138, constatouse a omissão de rendimentos tributáveis no importe de R$ 60.000,00, recebidos no ano de 2003, exercício de 2004. A análise da Impugnação foi efetuada pela DRJ em Belo Horizonte/MG, que dispôs que: 1 De acordo com o Termo de Audiência relativo ao processo nº 01528 2003 02403000, o acordo homologado na Justiça do Trabalho referese a parcelas de natureza salarial, sendo, portanto, o total de rendimentos auferidos tributáveis e deveriam ter sido levados a tributação na declaração de ajuste anual, junto com os demais, para apuração do imposto devido, compensandose os valores retidos. 2 Ao se classificar na Declaração de Ajuste Anual parte dos rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista como isentos, deuse causa à infração de omissão de rendimentos, não cabendo reparos no lançamento. 3 Quanto a sua condição financeira e o fato de manter três pessoas, cabe esclarecer que autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontramse cingidas aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedidas de ultrapassar essa fronteira para examinar questões de ordem pessoal do contribuinte. Decidiuse, então, pela manutenção do lançamento, conforme efetuado. Cientificado dessa decisão em 19/12/2011, conforme AR na folha 40, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/01/2012, com protocolo na folha 42. Em sede de recurso, repete basicamente as alegações da impugnação. Destaca que trabalhou no CRC/MG por 33 anos, em diversas funções, e ao ser demitido em 2003, firmou acordo perante a Justiça do Trabalho para o recebimento de verbas de natureza salarial. Foi “mal orientado” juridicamente e entendeu que as verbas eram rendimentos “isentos e não tributáveis”, assim declarandoos na DIRPF. Fala ainda de sua condição econômicofinanceira e que teria havido “imposto pago” no total de R$ 19.676,91, e dentro dele estariam R$ 13.979,50 retidos pela fonte em relação ao pagamento do acordo judicial trabalhista. PEDE, então, restituição do imposto retido pela fonte e que “importância citada na Notificação de Lançamento seja avaliada, para que seja sanada a irregularidade”, considerandose suas despesas e compromissos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005142/200871 Acórdão n.º 2801003.984 S2TE01 Fl. 60 4 Após a rescisão de seu contrato de trabalho, o contribuinte recorreu à Justiça Especializada, objetivando o recebimento de verbas de natureza salarial, tendo assinado acordo com seu empregador, como está expressamente escrito no documento de folha 06. Temos entendido, nesta Turma Especial, que, ao firmar acordo, o montante recebido substitui todas as parcelas porventura existentes, para fins de aplicação do regime de tributação. Ou seja, em virtude do acordo, não há que se falar em aplicação de alíquotas e tabelas vigentes em relação a cada período a que referirseiam os rendimentos (regime de competência), uma vez que a decisão judicial não os estabelece, mas superaos, homologando uma parcela única, a ser paga na data em que determina. Assim, os rendimentos são tributáveis na data em que existe a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, o que ocorreu em novembro de 2003, conforme demonstram os documentos acostados aos autos. Considerando sua natureza salarial, estes rendimentos devem ser levados ao ajuste anual, pelo valor bruto, pois são rendimentos tributáveis, não havendo nenhuma indicação de que seriam isentos ou não tributáveis, a despeito da obrigação da fonte pagadora de “antecipar” o pagamento do tributo, efetuando a retenção. Na DIRPF de ajuste anual, o contribuinte não se furtou de considerar no cálculo o valor total retido pela fonte naquele ano, de R$ 19.676,91, e que foi considerado nos cálculos de apuração da Notificação de Lançamento, como pode observar, mas não declarou parte dos rendimentos, referentes ao acordo judicial, de natureza salarial. É totalmente improcedente o pedido de restituição que faz, pois os R$ 13.979,50 estão “dentro” do valor total retido pela fonte, naquele ano, a título de antecipação, e foram considerados no lançamento. Não há razão para “restituição”. Vejase a memória de cálculo que consta da folha 16. Observo que o recurso não contesta expressamente o erro ocorrido na declaração, mas pondera que a Notificação seja revista em face de situação econômico financeira do Recorrente. As infrações tributárias têm caráter objetivo e, constatada a omissão de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, cobrase o tributo devido, acrescido das multas previstas no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos juros de mora, calculados pela taxa Selic. “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005142/200871 Acórdão n.º 2801003.984 S2TE01 Fl. 61 5 Ratifico as disposições do julgador de 1ª instância, já citadas no Relatório, em relação à consideração de aspectos subjetivos do Recorrente: Quanto a sua condição financeira e o fato de manter três pessoas, cabe esclarecer que autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontramse cingidas aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedidas de ultrapassar essa fronteira para examinar questões de ordem pessoal do contribuinte. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por negar provimento recurso, mantendo o lançamento como efetuado. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 15471.000899/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
DEDUÇÃO INDEVIDA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL.
Deve-se manter a glosa da dedução indevida da contribuição a previdência, quando nos autos ficar evidenciado referir-se a contribuição patronal, de que trata o inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, a qual não é passível de dedução da base de cálculo do imposto, posto que o ônus não foi suportado pelo recorrente.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força dedução a previdência do art. 62A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo.
Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar o lançamento, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, no ano calendário de 2007, no valor de R$89.713,59, vencidos os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento parcial para aplicar a esses rendimentos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 21/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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Devese manter a glosa da dedução indevida da contribuição a previdência, quando nos autos ficar evidenciado referirse a contribuição patronal, de que trata o inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, a qual não é passível de dedução da base de cálculo do imposto, posto que o ônus não foi suportado pelo recorrente. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força dedução a previdência do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 08 99 /2 01 0- 71 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso para cancelar o lançamento, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, no ano calendário de 2007, no valor de R$89.713,59, vencidos os Conselheiros Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que davam provimento parcial para aplicar a esses rendimentos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 21/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente em exercício), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 62), que reproduzo a seguir: “Tratase de impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado contra a Notificação de Lançamento de fls. 03/05, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2008, ano calendário de 2007, que implicou redução do saldo do imposto de renda a restituir declarado/calculado, de R$ 35.076,57 para R$ 18.287,38, em face da constatação das seguintes infrações: a)dedução indevida de previdência oficial, no valor tributável de R$ 21.632,13, relativo à fonte pagadora Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social; e b) omissão de rendimentos tributáveis, recebidos em decorrência de ação trabalhista, no valor total de R$ 89.713,59, conforme complementação da descrição dos fatos, às fls. 04, in verbis: corrigido de acordo com a documentação apresentada (rendimento tributável=R$ 127.828,82, mais R$ 333,43 (INSS do empregado), menos 30% de honorários advocatícios). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15471.000899/201071 Acórdão n.º 2202002.869 S2C2T2 Fl. 3 3 2. Regularmente notificado, em 02/03/2010, conforme extrato do sistema SUCOP às fls. 49, o interessado apresentou impugnação (fl. 01), recepcionada na unidade local da SRFB em 29 de março de 2010, aduzindo o que se segue: a) com relação à infração de omissão de rendimentos, alega não ter ocorrido a infração, posto que o valor recebido, em decorrência da referida ação trabalhista, teria sido declarado, conforme Alvará Judicial n° 1121/07 (fls. 22) e Guia 40440420000041980, de 19/01/07, para o contribuinte, no valor de R$ 112.318,55; e Alvará Judicial n° 1139/07 (fls. 21) e Guia 40440420000048071960, para a Fazenda Nacional, no valor de R$ 35.076,57; b) com relação à glosa de dedução indevida de previdência oficial, alega que o valor corresponderia à contribuição previdenciária do contribuinte, comprovada pelo Alvará Judicial de n° 1122/07 (fls. 23), no valor de R$ 21.965,65. c) Alega, ainda, matéria estranha à lide, qual seja, "a existência de outras despesas médicas" conforme recibos de fls. 35/43. 3. Às fls.06/43, documentos juntados aos autos pelo impugnante, a título de comprovar suas alegações.” A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil no Rio de Janeiro II julgou a impugnação procedente em parte (fls. 62 a 63), nos termos da ementa reproduzida a seguir: “ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O imposto de renda retido na fonte, por ocasião de pagamento de rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho, integra o rendimento bruto, a ser informado na Declaração Anual de Ajuste. GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL. A contribuição para a previdência oficial, relativa à cota do empregador, não é dedutível da base de cálculo do imposto. Da mesma forma, a eventual contribuição previdenciária incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em decorrência de decisão da Justiça do Trabalho, ainda que se refira à contribuição do empregado, somente seriam dedutíveis da base de cálculo do imposto caso essa contribuição houvesse integrado o rendimento tributável bruto, informado na correspectiva DIRPF. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A apreciação de pedido de retificação de declaração não compete às Delegacias de Julgamento. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados.” Cientificado pessoalmente do acórdão de primeira instância em 24/08/2012 (fls. 79), o Interessado interpôs, em 25/09/2012, o recurso de fls. 82 a 83, alegando, em suma que : · foi induzido ao erro, pois o alvará 1121/07 em como origem indenização por rescisão trabalhista, que tramita desde 1990 na vara especializada. · os rendimentos lançados são isentos, portanto faz jus à integralidade da restituição de imposto de renda apurada em sua DIRPF Exercício 2008. · que no valor ora tributado, está inserido juros de mora, correção monetária, que possuem natureza indenizatório, pela demora no pagamento, portanto isento de tri9burtação; · desde 23/02/2007 estava sob os auspícios de Auxílio doença 31, que mais tarde veio a ser convolada em Aposentadoria por invalidez”, razão pela qual entende que os valores recebidos estão alcançados pela isenção estabelecida pela Lei nº 7.713, de 1988, relativa aos portadores de moléstia grave. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2201000.158, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No presente caso, o Notificação de Lançamento, fls. 03 objeto deste processo versa sobre: a) dedução indevida de previdência oficial, no valor tributável de R$ 21.632,13, relativo à fonte pagadora Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social; b) omissão de rendimentos tributáveis, recebidos em decorrência de ação trabalhista, no valor total de R$ 89.713,59, conforme complementação da descrição dos fatos, às fls. 04, in verbis: corrigido de acordo com a documentação apresentada (rendimento tributável=R$ 127.828,82, mais R$ 333,43 (INSS do empregado), menos 30% de honorários advocatícios). Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15471.000899/201071 Acórdão n.º 2202002.869 S2C2T2 Fl. 4 5 Com relação a dedução indevida de previdência oficial, no valor tributável de R$ 21.632,13, entendo que devese manter o decidido em primeira instância: “Com relação à alegação de que a glosa de contribuição para previdência oficial corresponderia a valor pago pelo contribuinte, a esse título, conforme Alvará de fls. 23, essa tese não merece prosperar. Com afeito, o INSS incidente sobre os rendimentos decorrentes da referida Ação Judicial trabalhista, pagos pelo contribuinte, conforme memória de cálculos de fls. 19, foi de R$ 333,43. Portando, o Alvará de fls. 19 referese, no todo ou em parte, à contribuição patronal, de que trata o inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, a qual não é passível de dedução da base de cálculo do imposto, posto que o ônus não foi suportado pelo impugnante. Dessa forma, mantemse a glosa de contribuição para previdência oficial, no valor de R$ 21.632,13, correspondendo à diferença entre o valor pleiteado na DIRPF 2008, às fls.44 (R$21.965,56), e o valor comprovado pela planilha de fls. 19 (R$ 333,43).” Com relação a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, decorrente de ação trabalhista nº 002538/90 , requerido em 1990 – relativo ao período de outubro de 1986 a setembro de 1990 e recebidos em 2007, conforme planilhas de fls. 11/19, compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2007 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente, utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O C. Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, fixou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010, destacamos). Em síntese, estabeleceu o C. STJ que os rendimento acumulados devem ser tributados “...com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos...”, vale dizer, pelo regime de competência e não regime de caixa, como fez a autuação. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 Importa ressaltar que o julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Esse entendimento do C. STJ, no REsp n° 1.118.429SP, submetido ao regime do art. 543C do CPC, é de aplicação obrigatória por esta Conselheira, conforme dispõe o art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27.08. 2009 e 586, de 21.12.2010. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Justifica tratar se de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. No caso dos autos, é incontroverso que, parte do lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, no que toca a omissão de rendimentos tributáveis, recebidos em decorrência de ação trabalhista, no valor total de R$ 89.713,59. Anoto que ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15471.000899/201071 Acórdão n.º 2202002.869 S2C2T2 Fl. 5 7 Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO– O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICO CONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento, somente em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, no ano calendário de 2007, no valor de R$89.713,59. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 8 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000123/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.O recurso não é conhecido quando contribuinte requer a sua desistência, por ausência de motivação para julgá-lo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário e homologar a desistência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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NÃO CONHECIMENTO.O recurso não é conhecido quando contribuinte requer a sua desistência, por ausência de motivação para julgálo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário e homologar a desistência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 01 23 /2 01 0- 73 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 12/03/2010 (fl. 29) para exigência de contribuição previdenciária cota patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade causada por riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 01/2006 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 18), a Recorrente não comprovou ter o direito à imunidade condicionada às entidades beneficentes, notadamente pelo fato de não ter apresentado o ato declaratório emitido pelo INSS. O Recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 73/90) requerendo o cancelamento da autuação ante a sua insubsistência. A DRJ de Salvador/BA manteve integralmente a autuação (fls. 102/109) sob os fundamentos de que: (i) o Recorrente deveria ter requerido ao INSS o reconhecimento da sua condição de entidade isenta do pagamento de contribuição previdenciária, demonstrando no referido requerimento o cumprimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91; (ii) não possuía, em 01/09/1977, o reconhecimento como entidade de utilidade pública pelo Governo Federal para que fosse reconhecido o direito adquirido à isenção de contribuição previdenciária; (ii) quanto à multa aplicada, a aplicação do art. 106 do CTN, ante as inovações trazidas pela Lei n° 11.941/09, deverá ser verificado no momento do pagamento do débito. Intimado da decisão em 08/07/2011 (fl. 111), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 09/08/2011 (fls. 112/117) argumentando que: (i) o Recorrente sempre reuniu todos os elementos necessários para ter reconhecida a sua condição de isenta das contribuições previdenciárias; (ii) desde 1940 já era registrada perante o Conselho Nacional de Serviço Social/MEC através do processo n° 15.233/40; (iii) teve seu Certificado de Filantropia emitido em 10/05/1977 e renovado por tempo indeterminado; (iv) o Certificado de Filantropia só é concedido a entidades declaradas de utilidade pública federal; (v) há documentos que comprovam ter providenciado seu título de utilidade pública a muitos anos atrás, vez que a declaração da Divisão Especializada do Departamento Federal de Justiça do Ministério da Justiça emitida em 03/01/1977, demonstra que em 1972 já havia o processo de n° 28835 visando à obtenção do referido título; (vi) os §§ 2° e 3° do DecretoLei n° 1.572 garantem de forma irrefutável que o Recorrente tem direito à isenção das contribuições previdenciárias. Após, requereu a Recorrente a desistência total do seu recurso. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10508.000123/201073 Acórdão n.º 2402004.604 S2C4T2 Fl. 690 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso não atende a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, o contribuinte requereu a desistência total do recurso interposto, não havendo mais motivação para julgálo. Desta forma, voto pelo não conhecimento do recurso, bem como pela homologação do pedido de desistência formulado. Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, homologando o pedido de desistência formulado pelo contribuinte. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10980.725889/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para verificar os limites de concessão do JCP limite de juros sobre capital próprio. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para verificar os limites de concessão do JCP limite de juros sobre capital próprio. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
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Resolvem os membros do Colegiado por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência para verificar os limites de concessão do JCP limite de juros sobre capital próprio. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 25 88 9/ 20 10 -8 9 Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra o acórdão recorrido, fls. 1.4831.488: O AUTO DE INFRAÇÃO e A IMPUGNAÇÃO Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexo de CSLL, dos anos calendário de 2005 a 2008, lavrados em face de: (i) falta de adição, no cálculo do Lucro Real, de excesso de Despesas com Juros Sobre o Capital Próprio, dos valores acima dos limites previstos na legislação tributária; e (ii) dedução indevida de amortização de ágio na aquisição de investimentos. Por decorrência das infrações apontadas, verificou se ainda: (iii) insuficiência no recolhimento de Estimativas mensais de IRPJ e CSLL, o que deu azo a cobrança de multa isolada e juros isolados; e (iv) compensação indevida de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa de CSLL, pela reversão dos prejuízos e das bases de cálculo negativa após o lançamento das infrações inicialmente indicadas. A composição do Crédito Tributário levantado, consoante se depreende de fls. 01 é: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto 19.194.816,39 Juros de Mora 7.512.269,24 Multa14.396.112,29 Valor do Crédito Apurado41.103.197,92 Multa/Juros Diversos Independentes Multa 9.112.424,67 Juros Isolados 1.371.508,76 Valor do Crédito Apurado 10.483.933,43 Contribuição Social s/ Lucro Líquido Contribuição 6.102.257,13 Juros de Mora 2.380.548,32 Multa 4.576.692,84 Valor do Crédito Apurado 13.059.498,29 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO PROCESSO 1 64.646.629,64 Contribuição Social s/ Lucro Líquido Contribuição 825.156,76 Juros de Mora 241.748,23 Multa 618.867,57 Valor do Crédito Apurado 1.685.772,56 Multa/Juros Diversos Independentes Multa 4.844.195,67 Juros Isolados 679.944,51 Valor do Crédito Apurado 5.524.140,18 CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO PROCESSO 2 7.209.912,74 Crédito Tributário do Processo Total 71.856.542,38 2. Os Juros de Mora estão calculados até 30/11/2010. 3. A ciência do lançamento se deu por via pessoal, em 21/12/2010 (fls. 1078, 1099 e 1108), e na data de 20/01/2011 (fls. 1194) o sujeito passivo ingressou com a Impugnação de fls. 11941348. DESPESAS DE JUROS DO CAPITAL PRÓPRIO 4. O Relatório do Procedimento Fiscal, de fls 11221182, e outros documentos constantes dos autos, nos dão conta de que o contribuinte teria calculado e acumulado valores de JSCP em anoscalendário anteriores, mas não os pagou ou creditou, vindo a fazêlo em períodos de apuração posteriores. A Fiscalização assevera que “Quaisquer créditos referentes a estes cálculos de JSCP relativos aos anos anteriores deveriam ter sido efetivados durante o período de apuração do IRPJ e CSLL (trimestral ou anual/estimativa mensal) respectivo, pois que estes lançamentos afetam a base de cálculos destes tributos.” (fls. 1130) Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 4 3 5. Citando o art. 9º da Lei 9.249/95, arremata a autoridade fiscal que a dedutibilidade dos JSCP é opcional, mas em optando, o interessado há de promover a dedução a cada período de apuração, em respeito ao princípio contábil da Competência, e a cada período de apuração deve ser observado o atendimento dos limites e condições legais de dedutibilidade, impostos pela legislação tributária. (fls. 1131) 6. O Fisco, ainda, afirma que o sujeito passivo tinha conhecimento da forma de cálculo e dos limites previstos na norma tributária, porque em demonstrativo apresentado para a fiscalização aparecem todos os referidos enunciados normativos (fls.1132). 7. Assim sendo, a Fiscalização recalculou e demonstrou, a partir de fls. 1124 e até fls. 1128, os valores máximos que poderiam ser deduzidos a título de Despesas de Juros do Capital Próprio, ao mesmo tempo em que apurou os excessos indevidamente omitidos na apuração do Lucro Real de cada um dos anoscalendário verificado. 8. Os valores apurados como excesso pela autoridade fiscal foram (fls. 1133): 2005 – R$ 5.472.477,23 2006 – R$ 7.222.939,94 2007 Não houve excesso 2008 – R$ 461.977,48 9. O impugnante, por seu turno, alega que é equivocado o entendimento da autoridade fiscal acerca do alcance da Instrução Normativa nº 11/1996, já que sustentar que a dedução dos JCP somente seria possível “no exercício de competência” é restringir aquilo que o legislador não pretendeu, situação esta que teria ensejado o excesso do limite legalmente permitido para a dedutibilidade do referido pagamento. Mais adiante, passa a afirma que a IN SRF 11/96 seria de flagrante ilegalidade, já que reproduzindo o texto do art. 9º, da Lei 9.249/95, acresceu a expressão “observado o regime de competência”, que é utilizada para imputar ao contribuinte obrigação não estabelecida em lei. Em sua interpretação não há vedação legal quanto ao pagamento de JCP de períodos anteriores, desde que respeitados os critérios de cálculo previstos na Lei 9.249/95, para apuração dos limites passíveis de dedução, o que teria acontecido para os anoscalendário de 2005 e 2006. 10. Outrossim, argumenta que a aplicação da TJLP para cálculo dos juros é uma forma de tratar isonomicamente as empresas, e todas têm o direito de deduzir valor equivalente à referida taxa. No caso em apreço, a autoridade fiscal teria elaborado seus cálculos aplicando a TJLP sobre o patrimônio líquido do respectivo anocalendário em que foram distribuídos os JCP sem levar em consideração os limites de 50% dos lucros do próprio exercício ou dos 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros, nos termos da Lei 9.249/95, que coexistem com o limite da TJLP. Por tais limites, conforme demonstra em fls. 120 e 121, entende o impugnante que nos anos de 2005 e 2006, respectivamente, poderia deduzir Despesas com JCP até os limites de R$ 45.224.178,00 e R$ 63.299.122,00, posto que tais valores são 50% dos Resultados dos referidos Exercícios antes do IR e TJLP. Assim, como pagou/creditou JCP em 2005 e 2006, nos valores de R$ 20.000.000,00 e R$ 19.625.626,00, respectivamente, não houve excesso a ser adicionado para cálculo do Lucro Real. Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 5 4 11. Cita acórdãos administrativos do CC/CARF e judiciais do STF e TRF, quanto à inexistência de vedação para dedução de JSCP relativos a exercícios sociais pretéritos. 12. A despeito do quanto já estatuído, o contribuinte alega que houve erro no critério de cálculo da autoridade fiscal, quanto ao ano calendário de 2006, já que se chegou em R$ 7.222.939,93 como excesso verificado, quando foi estipulado como direito de dedução o valor anual acumulado de R$ 14.458.529,86 e tendo sido pago/creditado R$ 19.625.625,79, o excesso em verdade deveria ser R$ 5.167.095,93. Portanto, se o julgamento entender pela existência de excesso, aquele apontado pela Fiscalização está maior em R$ 2.055.844,00. 13. Quanto ao anocalendário de 2008, assevera que não ultrapassou o limite anual para pagamento de JCP, de acordo com os cálculos da própria autoridade fiscal, conforme fls. 1.155, onde se vê que neste ano a empresa poderia ter deduzido R$ 19.726.624,20, mas deduziu tão somente o acumulado no ano de R$ 11.697.677,93. Pondera que optou pela apuração do IRPJ anual, sendo certo, portanto, que o fato gerador ocorreu somente em 31 de dezembro, momento este em que foram efetuadas as adições e exclusões para apuração da base de cálculo do imposto e os limites impostos pela legislação. Nesse contexto, afirma que é inadmissível que a autoridade fiscal desconsidere o limite anual pelo qual poderia a impugnante usufruir para efetuar a dedutibilidade das despesas incorridas com JCP, se o valor por ela efetivamente deduzido ficou muito abaixo do que ainda poderia dispor. E completa dizendo que os valores pagos por estimativa durante o anocalendário referemse a meras antecipações do imposto, o qual será determinado apenas no final do período anual. ÁGIO INTERNO 14. A Fiscalização narra e os autos corroboram, que em 30/06/2003, pela 76ª AGE, foi aprovada a INCORPORAÇÃO da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A pela BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS, CNPJ 76.522.994/000178, tornando a primeira uma subsidiária integral da segunda, já que aquela não se extinguiu (fls. 440443). 15. Alude o Fisco que, pelo “Protocolo e Justificação da Operação de Incorporação da Totalidade das ações da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A pela BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS”, os sócios da INCORPORADA receberiam por cada lote de 1.000 (mil) ações que detinham nesta, o equivalente a 33.080 ações de emissão da INCORPORADORA. Os acionistas daquela sociedade substituiriam o investimento que mantinham na companhia pelo investimento na INCORPORADORA. Não teria havido nenhum pagamento, mas tãosomente troca de ações da INCORPORADA pelas da INCORPORADORA, além do que o referido protocolo foi assinado pelos mesmos diretores/administradores, tanto representando a INCORPORADA como a INCORPORADORA (fls. 757) 16. Outrossim, conforme a narrativa de fls. 1135, um Laudo de Avaliação EconômicoFinanceiro do Acervo Líquido da INCORPORADA, com base na metodologia de rentabilidade futura, da database de 31/05/2003, foi emitido pela empresa Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 6 5 PricewaterhouseCoopers Transaction Support S/C Ltda – “Price”, e atestou um valor médio de R$ 176.000.000,00 (cento e setenta e seis milhões de reais), sendo que o Patrimônio Líquido Contábil da mesma empresa, na mesma data de 31/05/2003, era de R$ 73.664.964,27. Assim sendo, com base nisso, a INCORPORADORA aumentou seu capital social de R$ 715.000,00 para R$ 176.715.555,55; e surgiu um ágio de R$ 102.335.035,73, que foi contabilizado também na INCORPORADORA (fls. 755759). 17. Alega a Fiscalização que ocorreu a figura da confusão, ainda que parcial, de que prevê os artigos 381 e 382 do Código Civil, já que as empresas envolvidas na transação, sociedades anônimas reunidas sob o controle das mesmas pessoas, ocupando, ambas, a condição de credora e de devedora na relação jurídica, e, portanto a reunião da condição de credor e devedor na mesma pessoa extingue qualquer obrigação. 18. Enfatiza o Fisco que o ágio apurado não foi pago aos acionistas e nem ao menos era devido, por causa da referida confusão jurídica, assim como o seu valor era totalmente desnecessário para a transação que se pretendia: incorporação. 19. Aduz a autoridade tributária lançadora que o objetivo da geração deste ágio, no valor de R$ 102.335.035,73, foi unicamente gerar despesas dedutíveis para apuração dos tributos IRPJ e CSLL, por meio de amortizações periódicas na INCORPORADORA. Entretanto, na época da transação, esta tinha um prejuízo acumulado de R$ 492.760,66 e receitas no valor de R$ 6.034,32, razão pela qual as despesas com amortização do ágio não teriam o efeito de diminuir o tributo e contribuição referidos (fls. 804). 20. Assim, segundo o Fisco, a solução foi criar uma empresa veículo para transportar o ágio para a INCORPORADA, esta sim um empresa lucrativa à época da transação. 21. A empresa veículo seria BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A, CNPJ. 05.771.254/000127, constituída a partir da Ata da Assembléia Geral de Constituição, por subscrição particular, tendo como único subscritor BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS, realizada em 22/04/2003, com subscrição e integralização de capital no valor de R$ 10.000,00 (fls. 713719). No cadastro CNPJ consta a abertura da constituída em 07/07/2003 (fls. 708). 22. A ata da 1ª AGE da empresa BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A (fls. 720722), de 01/07/2003, registrada na JUCEPAR em 04/08/03, prevê o aumento do capital social por parte de sua única subscritora, a empresa BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS, pela conferência do total de sua participação na empresa BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, equivalente a 100% das ações, considerando Laudo de Avaliação Pericial dessas ações a valor contábil, na data de 30/06/2003. Referido Laudo (fls. 728), concluiu “que o valor patrimonial – valor líquido contábil – das 227.305.182 (duzentas e vinte e sete milhões, trezentos e cinco mil, cento e oitenta e duas) ações ordinárias nominativas e sem valor nominal de emissão da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, para a data de 30 de junho de 2003, é de R$ 179.668.472,15 (cento e setenta e nove milhões, Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 7 6 seiscentos e sessenta e oito mil, quatrocentos e setenta e dois reais e quinze centavos), conforme o seguinte detalhamento:” DESCRIÇÃO VALOR – R$ Investimento por equivalência patrimonial 77.333.436,42 Ágio sobre o investimento 102.335.035,73 Total 179.668.472,15 23. Portanto, teria restado que a empresa BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS, que no dia anterior (30/06/2003) havia feito a incorporação total da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, cujo patrimônio líquido contábil era R$ 73.664.964,27, acresceu ao capital social de sua recém aberta empresa BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A a participação total que detinha na BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, pelo valor de equivalência patrimonial de R$ 77.333.436,42, mais o ágio de R$ 102.335.035,73, gerado na operação do dia anterior. 24. Isto feito, uma terceira transação veio a ocorrer no dia 02/07/2003, aprovada pela 77ª AGE (fls. 457), agora com a BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A incorporando a BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A. A Fiscalização assevera que assim se fechou o circulo onde o ágio gerado na incorporação da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A voltou para ela mesma com o fito de ser aproveitado como despesa, por intermédio das amortizações de seu próprio ágio (ágio interno). Reforça o Fisco que esta transação, assim como a inicial, não tem propósito negocial ou fundamento econômico, não havendo nenhum fluxo financeiro, tendo ocorrido, no fundo, apenas uma contabilização de uma reavaliação de um intangível, qual seja, o valor de mercado da empresa BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, e que de fato o único substrato econômico que subsistiu das três operações foi o benefício fiscal com a possibilidade de amortização do ágio. Assim, restou evidente que não houve entrada de riqueza nova, apenas lançamentos contábeis entre empresas sob o mesmo comando acionário. E, sobre isto, pondera a autoridade lançadora que o interessante é que a empresa BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A, INCORPORADA, tinha como única acionista a empresa BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS, a qual era também naquele momento a única acionista da empresa BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, INCORPORADORA. 25. Concluído o círculo referido pela Fiscalização, acentua esta que a partir de então, a empresa veículo BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A, que nunca entrou em atividade operacional, não efetuou mais nenhum lançamento contábil, contudo, para efeitos fiscais esta empresa encontrase ainda aberta e omissa de DIPJ desde 2004. 26. Em remate, o Fisco lembra que em seus esclarecimentos, a fiscalizada informa que a reestruturação societária visou fortalecer a estrutura operacional do Grupo Britânia como um todo, ficando claro que o patrimônio absorvido é do próprio Grupo Econômico e não um terceiro que ingressava no Grupo Britânia. Quanto aos principais objetivos da reestruturação societária apresentados pela autuada, tais como fortalecer a estrutura operacional do Grupo Britânia e Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 8 7 proporcionar maior racionalização administrativa e, conseqüentemente, diminuir os custos operacionais, diz a autoridade tributária que não vislumbra o nexo entre as transações realizadas e a tentativa de atingir tais objetivos, salvo se “diminuir custos operacionais” seja considerado como criação de despesas com amortização de ágio, de natureza não operacional. 27. Demonstrada a falta de substância econômica e por ser considerada desnecessária aos objetivos sociais da fiscalizada, a autoridade fiscal glosou as despesas de ágio na BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A. Como o total do ágio era R$ 102.335.035,73, que dividido por cinco (5) anos de amortização, resultou para cada ano a despesa na ordem de R$ 20.467.007,16, o que foi confirmado pelo detalhamento de fls. 956960. Assim, a Fiscalização glosou referido valor para os anos de 2005, 2006 e 2007, competindo ao ano de 2008 a importância de R$ 10.233.503,51. As amortizações nos anos de 2003 e 2004 estavam decaídas. 28. Por sua vez, o contribuinte registra, introdutóriamente, que o ágio questionado pela autoridade fiscal não decorreu de uma única operação isolada, pelo contrário, fez parte de um amplo programa de reestruturação societária com objetivo de segregar as empresas operacionais com atividades relacionadas ao principal negócio do Grupo Britânia, contexto este que foi olvidado pela autoridade fiscal, que se adstringiu a focarse apenas nas operações de incorporação. Além do que em tal contexto de ampla reorganização societária não faria qualquer sentido econômico ou jurídico que a impugnante deixasse de aproveitar o ágio como aproveitou, dada a existência de lei válida e eficaz que amparava sua conduta (Lei nº 9.532/97, art. 7º). 29. Em preliminar de decadência, o impugnante propugna pelo falecimento do direito do Fisco em lançar tributos e contribuições com base na glosa das despesas com o ágio, já que este teria surgido em 30/06/2003, com a incorporação das ações da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A pela BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS, o que chamou de “fato originário”, depois, acrescenta que melhor dizendo, o direito à apuração do ágio foi exercido naquela data, sendo que os efeitos decorrentes desse fato ou do exercício desse direito, qual seja, a amortização do ágio, surgiram somente a partir de 02/07/2003 com a incorporação da BRITÂNIA VENTILAÇÃO S/A pela impugnante, o “fato posterior”, repercutindo economicamente em 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008. 30. Isto posto, muito embora a amortização do ágio tenha sido contabilizada pela impugnante em anosbase posteriores a 2003 (no caso, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008), o Fisco não poderia mais questionar por meio dos autos de infração, lavrados em 21/12/2010, a legalidade e eficácia tributária dos atos societários de incorporação de ações que culminaram com o surgimento do ágio em 30/06/2003, eis que transcorrido o prazo de decadência de cinco anos contados do fato originário do ágio, que foi em 30/06/2003, consoante § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Cita jurisprudência administrativa para sustentar seu entendimento. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 9 8 31. No que diz respeito ao mérito, alega que a Fiscalização concluiu, equivocadamente, que o ágio gerado seria inválido do ponto de vista societário, pois teria sido gerado em uma operação na qual não houve pagamento e realizada entre partes vinculadas. Contrário senso, para a Fiscalização o ágio somente seria legítimo caso fosse gerado em uma aquisição com pagamento e cumulativamente entre partes independentes. Entretanto, argúi que nenhum desses requisitos encontrase previsto na legislação societária, como necessário para a validade da operação realizada no presente caso. Ademais, outros negócios jurídicos (que enumera) poderiam ter sido adotados para alcançarse o objetivo pretendido pelas partes no presente caso, contudo a operação mais adequada para as finalidades pretendidas pelo Grupo Britânia foi o negócio jurídico de incorporação de ações, que prescinde da figura do pagamento para aquisição de participações societárias. Em complemento, afirma que a existência de partes relacionadas não altera em nada a natureza jurídica das operações realizadas, sendo que, na verdade, a vinculação entre as partes é pressuposto para a ocorrência das operações no modelo adotado. 32. Sob o ponto de vista do direito contábil fiscal, segundo a impugnante, seguiuse estritamente o que determina o artigo 20 do DL 1.598/77; o valor utilizado para a incorporação de ações está totalmente regular, uma vez que suportado por laudo de avaliação de empresa especializada, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; a forma de aquisição da participação societária escolhida (incorporação de ações) é válida e não encontra óbice na legislação, razão pela qual a exigência de “pagamento”, evocada pela autoridade fiscal, não procede; muito embora existam previsões, na legislação tributária, de tratamento diferenciado para operações efetuadas entre pessoas vinculadas, não há nas regras fiscais dispositivo que estabeleça algum tratamento diferenciado para a incorporação de ações entre partes vinculadas; portanto, concluise que o procedimento adotado pela impugnante está em total conformidade não somente com as normas de Direito Contábil Societário como também com as normas de Direito Contábil Fiscal/Tributário. 33. No que diz respeito à afirmação fiscal de que as operações praticadas no presente caso careceriam de propósito negocial, reclama que a autoridade tributária registrou a expressão, mas não verteu seu conceito. Assim, escorada na doutrina, propugna que “propósito negocial” diz respeito a motivo, finalidade e congruência do negócio jurídico analisado, e nesses lindes concorda que o motivo e a finalidade não podem ser predominantemente tributários, visando obterse apenas uma economia tributária, sendo necessário demonstrar que existem outros motivos para sua realização. A partir daí, retoma a dicção de que é evidente a existência de propósito negocial com relação ao atos praticados pela impugnante: efetivamente existiu uma conformidade entre a intenção do Grupo Britânia (segregação das empresas operacionais das não operacionais ou com atividades distintas de forma a mantêlas sob o controle de duas holdings distintas) e a causa desse negócio, que seria uma reestruturação societária). 34. Na seqüência do raciocínio, reconhece que houve a criação de uma empresa veículo no contexto da ampla reorganização societária, mas Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 10 9 isso não significa que a operação de incorporação de ações e o aproveitamento do ágio por ela gerado através dessa empresa tivessem o único propósito de reduzir tributos, muito pelo contrário, elas estavam inseridas no contexto maior de reestruturação do Grupo Britânia com o objetivo final de segregar as empresas, conforme já registrado. Além disso, o ágio baseado em rentabilidade futura não foi fictício e veio a ser confirmado pelo resultado da impugnante nos exercícios subseqüentes. Nessas condições, a utilização de empresa veículo para amortização do ágio é perfeitamente legítima, pois amparada por razões outras que não a economia de tributos. 35. Em frente, alega o sujeito passivo que a Fiscalização em nenhum momento pôs em dúvida a legitimidade das razões empresariais que motivaram a operação de incorporação de ações, acima apresentadas, restando claro que não há acusação de qualquer vício de simulação, abuso de forma ou de direito, ou ainda a fraude à lei na operação de incorporação de ações em si, envolvendo a impugnante. Entende que a Fiscalização, ao contrário, reconhece expressamente os objetivos da referida operação, contestando tãosomente os critérios de avaliação adotados para as ações da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A e da BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS (fls.1280). Tampouco a Fiscalização desqualificou a documentação suporte da avaliação procedida sobe as ações da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A, consubstanciada no laudo emitido pela empresa especializada. 36. Traçando várias linhas acerca da Instrução 349/01 CVM, que diz acatada parcialmente pela autoridade lançadora (fls. 1288), assevera que nada demonstra que a impugnante não adotou os termos da referida instrução. 37. Argúi pela nulidade do auto de infração por erro na identificação do sujeito passivo, propugnando que deveriam ser tributadas as pessoas físicas dos acionistas e não a pessoa jurídica, já que a operação de incorporação de ações da BRITÂNIA ELETRODOMÉSTICOS S/A pela BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS gerou um efetivo fluxo de riqueza, do ponto de vista econômico, para os acionistas da empresa, que tiveram suas ações incorporadas. Portanto, segundo a ótica do impugnante, caso exista auferimento de renda, ele deveria ser tributado a título de ganho de capital apenas nos acionistas pessoas físicas da BRITÂNIA S/A ADMINISTRAÇÃO DE BENS. Todavia, ressalta o interessado que qualquer pretensão nesse sentido já não pode mais ser exercida em função da decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. 38. Mais adiante, fls. 1297, volta a repisar que houve, efetivamente, nas operações realizadas pela impugnante, um fluxo de riqueza gerado que, porém, somente deverá ser tributado nas pessoas físicas quando da alienação de suas participações societárias na Britânia S.A. Administração de Bens, razão pela qual requerse desde já o reconhecimento e a declaração de NULIDADE dos autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo. 39. Também aduz o impugnante que houve equivoco quanto a aplicação das normas que dizem respeito à dedutibilidade das despesas, uma vez que a Fiscalização teria pautado a glosa das Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 11 10 despesas de ágio no entendimento de que elas não seriam necessárias para a atividade da empresa (art. 299 do RIR/99); e também no entendimento de que não estão relacionadas intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços e tampouco corresponde à recuperação do capital aplicado, pois que não houve capital aplicado neste caso (art. 324, § 4º do RIR/99). 40. Argumenta o impugnante que tanto o artigo 299 quanto o artigo 324 do RIR/99 são normas gerais de dedutibilidade, que não podem fundamentar a glosa realizada, e por óbvio, se sobrepor à norma específica que trata sobre a dedutibilidade da despesa com a amortização do ágio, prevista no artigo 386, inciso III, § 2º do RIR/99. De fato, diversamente da condição geral imposta pelos artigos 299 e 324 do RIR/99, a norma específica não estabelece, como requisito para a dedutibilidade da amortização do ágio, que a despesa seja necessária às atividades da empresa ou intrinsecamente relacionada cm a produção ou comercialização dos bens ou serviços, como indevidamente teria suposto a Fiscalização no seu caso. Entende que as condições de dedutibilidade do ágio é (i) a aquisição, pela pessoa jurídica, de participação societária com ágio, em virtude da incorporação, cisão ou fusão; e (ii) fundamentação do ágio em expectativa de rentabilidade futura., que foram efetivamente cumpridas pela impugnante, o que desmotiva a glosa realizada. 41. Por derradeiro, neste tópico, aduz ainda a impugnante que não há previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pelo Fisco, não podendo ser aplicável, ao presente caso, o disposto em normas genéricas (arts. 2º e §§ da Lei 7.689/88; art. 1º da Lei 9.316/96; e art. 28 da Lei 9.430/96), haja vista que existe norma específica sobre a matéria (art. 7º, inciso III, da Lei 9.532/97). Advoga que a despesa de amortização de ágio não deve ser incluída na base de cálculo da CSLL, pelo contrário, deve ser deduzida na medida em que é proveniente do valor pago a maior em relação ao patrimônio líquido da controlada ou coligada quando da aquisição do investimento, não se confundindo com o resultado da avaliação do investimento. Ainda, invoca o artigo 386, inciso III, § 2º, do RIR/99, para reafirmar seu direito à amortização do ágio. ESTIMATIVA MENSAL – MULTA ISOLADA 42. Assenta a Fiscalização que a fiscalizada optou pelo regime tributário de apuração do IRPJ anual, ou seja, com pagamentos mensais de Estimativa. Em praticamente todos os meses foram elaborados balancetes de redução ou suspensão para cálculo das estimativas mensais. Ao exceder nos pagamentos ou créditos mensais de JSCP e não adicionar o excesso na apuração mensal do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, assim como em decorrência das glosas de despesas com amortização de ágio, a fiscalizada deixou de recolher valores relativos a antecipações mensais obrigatórias (Estimativas) do IRPJ e da CSLL. 43. A diferença entre o tributo apurado (IRPJ/CSLL) no final do período anual e o recolhido ou confessado pela fiscalizada durante o mesmo período, está sendo exigido mediante o auto de infração. Entretanto, as diferenças mensais relativas às antecipações das Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 12 11 estimativas geram infrações passíveis de cobrança de multa isolada sobre a diferença da Estimativa mensal não recolhida em face das infrações apontadas no auto de infração, conforme determina o artigo 43, § único c/c artigo 61 e §§; e artigo 44, II, alínea “b”, todos da Lei nº 9.430/96. 44. O impugnante contesta a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, concomitantemente com a imposição da multa de ofício de 75%, pois configura bis in idem, onde a mesma infração estaria sendo penalizada duplamente. Para sustentar sua posição, arrola jurisprudência administrativa e doutrina. 45. Em complemento, assevera que se fosse devida a multa isolada, a penalidade não poderia ser imposta ao contribuinte nos anos calendário anteriores à vigência da lei nº 11.488/2007, inclusive no próprio anocalendário de 2007, isto porque foi a referida lei que alterou a redação do artigo 44, II, da Lei 9.430/96, base utilizada para a cobrança da multa isolada, já modificada nos termos da lei nova. Assim, pela nova redação, o artigo 44, II, da Lei 9.430/96 não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos à lei modificadora. ESTIMATIVA MENSAL – JUROS ISOLADOS 46. Pelas mesmas razões, foram cobrados juros isolados, calculados à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo para recolhimento da estimativa mensal até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento (§ único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96), que incidiu sobre a diferença entre o valor devido mensalmente a título de estimativa com base nos balancetes de redução, já ajustado pelas infrações apuradas, e o valor efetivamente recolhido ou compensado a este título. 47. Esclarece a autoridade fiscal que não houve pagamentos das diferenças auditadas, tanto das estimativas mensais quanto do principal anual. Desta maneira, foi considerado como termo final o mês de fevereiro imediatamente após o período anual de apuração dos tributos IRPJ e CSLL, haja vista que foi efetivada a exigência, por lançamento de ofício, do principal dos tributos sonegados e que os juros de mora para o principal são calculados a partir deste mês (§ 2º, art. 6º, da Lei 9.430/96). 48. Em sua peça de resistência (fls. 13421343), o impugnante argumenta pela impossibilidade de cobrança de juros isolados pela falta de recolhimento de estimativas mensais, pois estas são meras antecipações do IRPJ e da CSLL do que será devido e apurado no final do ano calendário, e em sendo assim a cobrança de juros isolados calculados sobre parcelas de antecipações mensais significa dupla cobrança de juros, uma vez que sobre o valor dos tributos e contribuições devidas relativamente ao encerramento do período de apuração já são cobrados os juros de mora. Por isso, inaplicável o disposto no parágrafo único do artigo 43 da Lei 9.430/96, que fundamentou o lançamentos dos juros isolados ora guerreados. 49. Outrossim, caso se entenda pela procedência da cobrança dos juros aqui em questão, o impugnante assevera que os cálculos dos mesmos não podem ir até o mês de fevereiro do ano calendário Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 13 12 seguinte, como foi calculado, mas sim até o mês de dezembro do período de apuração, porque o fato gerador do IRPJ e da CSLL pelo regime anual acontece em 31 de dezembro. INCORREÇÃO DO ADICIONAL DO IRPJ DE 10% 50. Transcrevendo o art. 3º , § 1º, da Lei 9.249/95, argumenta o impugnante que a Fiscalização errou no cálculo do adicional de 10% do Imposto de Renda referente aos anos de 2006 e 2007, já que este é exigido sobre o valor do lucro real que exceder a R$ 20.000,00 por mês ou R$ 240.000,00 anuais. Alega que não foi realizado o abatimento de tais valores, na base tributável do adicional, conforme se vê de fls. 1088 e 1089, onde foi aplicado o percentual de 10% sobre o total da base tributável (R$ 28.806.187.58 referente 2006 e R$ 24.905.183,81 para 2007) e não sobre o excedente ao valor de R$ 240.000,00. Em outras palavras, em ambos os anos deve ser excluído do auto de infração o valor de IRPJ de R$ 24.000,00 (10% s/ R$ 240.000,00). COBRANÇA DE JUROS SOBRE MULTAS 51. Alega o impugnante que não existe previsão legal para cobrança de juros de mora sobre multa isolada e sobre multa de ofício, já que o artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, o qual, por sua vez estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. A partir daí, despende argumentos no sentido de diferenciar tributo de multa, e cita jurisprudência administrativa no sentido de sustentar sua dicção. A 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação, por meio do Acórdão nº 0632.610, que recebeu a seguinte ementa (fls. 14821483): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DESPESA DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. EXERCÍCIOS PASSADOS. INDEDUTIBLIDADE. É incabível a dedução de juros sobre o capital próprio referentes a exercícios anteriores, tendo em vista a necessidade de observância do regime de competência, além da impossibilidade da imputação, sob os pontos de vista lógico e jurídico, a exercícios passados, dos efeitos produzidos por uma decisão societária atual, já que o Balanço, depois de aprovado pelos sócios ou acionistas, constitui ato jurídico perfeito. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES DA INTERESSADA POR EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. REPASSE DAS AÇÕES, COM ÁGIO, PARA AUMENTO DE CAPITAL DE OUTRA EMPRESA, TAMBÉM DO MESMO GRUPO. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. O reconhecimento de ágio interno fundamentado em expectativa de rentabilidade futura não encontra respaldo na contabilidade, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, em operação de incorporação das ações da interessada por empresa que também pertencente a seus sócios, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 14 13 valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período. A aplicação conjunta de multa de ofício no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação legal específicas a cada uma delas. JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. COBRANÇA APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A EXIGÊNCIA. Não resta previsto na legislação tributária federal a possibilidade de cobrança de juros isolados, após o encerramento do período de apuração, pela falta de recolhimento de parcelas mensais de estimativa. ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA À ALÍQUOTA DE 10%. Incide Adicional do Imposto de Renda, à alíquota de 10%, sobre a parcela do Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, que exceder o valor de R$ 20.000,00 multiplicado pelo número de meses do período de apuração, conforme determina o artigo 3º, § 1º, da Lei 9.249/95. Se o contribuinte já utilizou, em sua apuração normal, anterior aos ajustes pelas infrações apuradas, o limite acima do qual incide o Adicional, referido limite não há de ser considerado novamente para os cálculos do IR cobrado mediante auto de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão do valor de R$ 2.051.453,27 crédito tributário exonerado, referente a juros isolados, o colegiado julgador a quo apresentou recurso de ofício, dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O Termo de fls. 1530 dá conta de que foi juntado por apensação a este processo, o processo nº 10980.722718/201189. Por bem descrever os fatos relativos ao processo apensado, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a peça recursal da contribuinte, pertinente ao aludido processo, fls. 1715: Em 27 de maio de 2011, a ora Recorrente foi intimada da lavratura de dois Autos de infração, pela Receita Federal do Brasil em Curitiba, para a exigência de multa isolada (art. 44, II, 'b', da Lei n° 9.430/1996) Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 15 14 sobre a suposta falta de recolhimento de estimativas de Imposto de Renda Pessoa Juridica IRPJ e Cntribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL nos meses de marco, julho, agosto e setembro de 2009, nos valores originais de R$ 679.770,11 (multa isolada IRPJ) e R$ 428.874,18 (multa isolada CSLL). A suposta falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL nos referidos períodos se deu em razão da desconsideração, pela r. autoridade fiscal, da existência de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no encerramento do anocalendário de 2008, os quais haviam sido utilizados para a compensação com as estimativas apuradas dos tributos. Por sua vez, a suposta inexistência de prejuizo fiscal e base negativa de CSLL no encerramento do anocalendario de 2008 e decorrente da recomposição dos prejuizos fiscais e da base negativa de CSLL nos periodos de 2005 a 2008, realizada atraves do PAF n° 10980.725889/201089. Irresignada com o langamento realizado nos Autos de Infração ora tratados, a ora Recorrente apresentou Impugnação, na qual demonstrou, em sintese: a) As razões de Impugnação aos Autos de Infragao objeto do PAF n° 10980.725889/201089, pois com o reconhecimento da improcedência dos Autos de Infragao relativos ao período de 2005 a 2008 haveria a readequação dos prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL aos seus valores originarios, e, via de consequência, o reconhecimento de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL para a compensação das estimativas de 2009; b) A improcedência da multa isolada; e c) A não incidência de juros de mora sobre a multa isolada. Não obstante, através do acórdão nº 0632.883, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba julgou improcedente a Impugnação, sob a alegação de que: em face da decisão proferida no PAF nº 10980.725889/201089 não teria havido o reconhecimento dos prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL no encerramento do anocalendário de 2008, e que, portanto, teria havido recolhimento a menor das estimativas; a multa isolada teria previsão legal e deveria ser aplicada; e não teria havido, ainda, a cobrança de juros SELIC sobre as multas isoladas. A contribuinte foi cientificada destes dois acórdãos em 19/08/2011, conforme ARs de fls. 1527 e 1529. Em relação aos processo principal (nº 10980.725889/201089), a contribuinte apresentou em 20/09/2011 contrarrazões ao recurso de ofício (fls. 15471560), bem como recurso voluntário (fls. 15591663), basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 16 15 Adicionalmente, a recorrente apresentou extenso e detalhado arrazoado sobre a reestruturação societária do Grupo Britânia, fls. 15631580, visando desmonstrar que as operações societárias realizadas possuiam propósito negocial. Em relação ao processo apensado (nº 10980.722718/201189) a recorrente limitouse a reiterar as alegações de defesa apresentadas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 17 16 VOTO VENCIDO Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Iniciado o julgamento do presente feito, a maioria da Turma entendeu que o presente feito deveria ser baixado em diligência, pelo que restou , por ora, prejudicada a análise de mérito do presente feito. Tendo este Relator ficado vencido quanto à necessidade da diligência, a solicitação da Turma Julgadora será realizada por Conselheiro designado pela Presidência. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10980.725889/201089 Resolução nº 1401000.224 S1C4T1 Fl. 18 17 VOTO VENCEDOR Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator Designado O presente feito teve seu julgamento convertido em diligência, tendo este Conselheiro sido designado para a redação dos termos em que a verificação a ser procedida deverá ser realizada. A questão em voga referese ao limite de dedução no pagamento de Juros sobre o Capital Próprio – JCP, mormente em se saber acerca da natureza jurídica dos mesmos e os limites de sua dedutibilidade. Esta Turma julgadora, em precedentes, assentou entendimento de que os JCP’s possuem a natureza de juros, e não de dividendos, pelo que os valores pagos são tributos por quem recebe e não são tributados por quem os paga. No entanto, no julgamento dos processos 16327.001366/201033, 16327.001409/201081 e 16327.001631/201083, esta Turma Julgadora decidiu, por maioria de votos, que a verificação do JCP deve atender a dois limites: 1) a do ano a que se refere o juros sobre capital próprio que será pago e 2) a do ano em que o pagamento do JCP foi deliberado. No caso dos presentes autos, referida verificação não foi realizada, pelo que a Turma Julgadora entende que o feito deve ser baixado em diligência, com o objetivo de verificar referidos limites em ambos os momentos, tanto ao do ano de competência a que se refere o JCP quanto ao do ano calendário de sua deliberação. Após a elaboração de parecer conclusivo e notificação do contribuinte para se pronunciar sobre o resultado da diligência, no prazo de 30 dias, retornem os autos a este Conselho para prosseguir o julgamento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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