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Numero do processo: 10660.900086/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-004.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 00 86 /2 00 9- 07 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Maurício Macedo Curi. Ausente justificadamente Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 19283.97410.100106.1.3.040963, transmitida em 10/01/2006, fls. 121 a 125, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 31.473,29, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 31/08/2005, no valor de R$ 188.278,02. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 29.900,52. A DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 126, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 01 a 10), na qual alega, em síntese: que vendeu peças automotivas denominadas “chicote” à empresa International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda, a qual obteve da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, por meio do ADE 52, de 29/12/2004, o reconhecimento de que fazia juz à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com suspensão da incidência do PIS/Pasep e da Cofins; que, nos termos do artigo 40 da Lei nº 10.865/2004, as receitas auferidas pelo interessado pelas vendas efetuadas ao cliente acima mencionado não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e da Cofins; que declarou e recolheu a Cofins, PA 08/2005, considerando equivocadamente em sua base de cálculo o valor de R$ 414.122,19 oriundo de operações amparadas pela suspensão da contribuição, tendo recolhido um valor a maior de R$ 31.473,29 (correspondente a 7,6% da receita); que já retificou a DCTF relativa ao 3º Trimestre de 2005 e o DACON informando o efetivo valor devido a título de Cofins; que, além disso, o débito objeto da compensação (Cofins – PA 12/2005) é inexistente; que o pedido de compensação apresentado deve ser considerado com simples pedido de restituição; Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900086/200907 Acórdão n.º 3802004.043 S3TE02 Fl. 312 3 É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0938.166, de 08/12/2011, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INEXISTENTE. CANCELAMENTO DA COBRANÇA. Comprovada a inexistência do débito compensado, é de se cancelar a exigência a ele relativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o Pedido de Restituição efetuado em desacordo com as disposições normativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2005 PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Segundo os arts. 15 e 18 do Decreto n.º 70.235/72, é na fase impugnatória o momento processual próprio para que o sujeito passivo apresente as provas que respaldam seus argumentos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER e cancelar a exigência do débito da Dcomp nº 19283.97410.100106.1.3.040963. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer em sede de preliminar, a necessidade de apensamento e julgamento com os processos de restituição, pois o que é tratado neste processo (compensação) está sendo tratado de forma reflexa nos pedidos de restituição de n°s: 13653.000170/201031, 13653.000171201086, 13653.000172201021, 13653.000173/201075, 13653.000167/2010 18, 13653.000168/201062, 13653.000169/201015, os quais se encontram (`pelo menos, à época do pedido) na Delegacia de Varginha/MG. Insiste no pedido de compensação apresentado seja considerado como pedido de restituição. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Motiva seu pedido tem como fundamento o art. 1° da Portaria RFB n° 666/2008, com alteração pela Portaria RFB n° 2.324, de 03/12/2010, que dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou (Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º daP RFB nº 2.324/2010) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; (grifos não são do original) Realizada diligência, através da Resolução de n° 3802000.272, para que fosse apensado o outro processo (de restituição) para análise deste. O processo digitalizado foi a mim redistribuído. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900086/200907 Acórdão n.º 3802004.043 S3TE02 Fl. 313 5 A recorrente pediu a retirada do processo em sessão de dezembro de 2014, retornando para análise na sessão de janeiro/2015. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de processo administrativo pelo qual a Recorrente pretende reaver valores tidos como indevidamente recolhidos a título de Cofins, relativamente ao mês de agosto de 2005 (período de apuração), por meio de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 19283.97410.100106.1.3.040963, transmitida em 10/01/2006. A Recorrente sustenta, em síntese, que acresceu, indevidamente, à base de cálculo da citada contribuição, valores relativos às operações de venda de peças automotivas à empresa preponderantemente exportadora, qual seja, International Indústria Automotiva da América do Sul Ltda. Em decisão preliminar, o pedido da Recorrente foi denegado, sob o argumento de que não teria sido constatada a existência de qualquer crédito disponível, vez que os valores recolhidos seriam idênticos àqueles declarados em Dacon e DCTF; enfim, crédito já utilizado para quitação de débito do contribuinte. Verificado o equívoco cometido (requerer compensação/restituição sem retificar as respectivas obrigações acessórias), a Recorrente retificou as respectivas Dacon e DCTF. Ademais, no intuito de evitar a prescrição do seu direito (creio eu, não analisei), a Recorrente protocolizou pedido de restituição solicitando que este ficasse suspenso até o julgamento dos presentes autos. A i. Delegacia de Julgamento, por sua vez, julgou parcialmente o pedido da Recorrente somente para cancelar o débito que seria objeto de pedido de compensação (DCOMP nº 19283.97410.100106.1.3.040963, transmitida em 10/01/2006), pelas razões abaixo sintetizadas: Sobre a inexistência do débito, registrese que a Declaração de Compensação é confissão de dívida conforme previsão contida no §6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). E, sendo a Declaração de Compensação uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. Cabe então averiguar as alegações do requerente quanto à inexistência do débito objeto da compensação realizada, o que se faz a seguir. No que tange ao débito apontado na Declaração de Compensação (Cofins – 5856 – PA Dez/2005 – fl. 131), o reclamante alega que este é inexistente e que foi informado indevidamente quando do preenchimento da Dcomp. De fato, tanto no DACON entregue em 04/10/2006, retificado pelo DACON entregue em 26/03/2009 (fl. 107), quanto na DCTF entregue em 07/02/2006 (fl. 125), o valor a recolher da Cofins relativa ao PA Dez/2005 foi igual a zero. Nesse contexto, impõese admitir a alegação do contribuinte da inexistência do débito indicado na Dcomp em tela, devendo ser cancelada a sua cobrança. A discussão, portanto, cingese à possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição, bem como, apesar das retificações da DACON e DCTF terem se dado após a ciência do Despacho Decisório, estas poderiam ser aceitas, desde que configurado erro no seu preenchimento, e comprovado. Preliminar Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que seja considerado como pedido de restituição, inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição Fl. 316DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10660.900086/200907 Acórdão n.º 3802004.043 S3TE02 Fl. 314 7 ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito. Mérito Como a Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento, devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, o que não ocorreu no caso. O §6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Neste sentido, transcrevese trecho do Despacho Decisório: (.....) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado, no DCOMP: R$ 31.473,29. A partir das características do DARF. discriminado no DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos,. abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para ` compensação dos débitos informados no DCOMP: Diante da inexistência do crédito, NÃO, HOMOLOGO a compensação declarada." Fl. 317DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Portanto, percebese que o crédito pleiteado já teria sido utilizado para compensar crédito, conforme pedido de compensação eletrônica protocolizada pela própria Recorrente. Conclusão Portanto, feitas as considerações supra, e sem maiores delongas, rejeito a preliminar e voto pelo desprovimento do recurso voluntário protocolizado pela Recorrente. Alertese mais uma vez, a necessidade de desapensamento do processo de restituição. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13896.002623/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
OMISSÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA NÃO APRECIADOS.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS. Restando incomprovada a origem dos depósitos bancários, e infirmada a sua correlação com contratos de intermediação, dos quais teriam resultado as receitas escrituradas, não se admite a dedução dos recolhimentos daí decorrentes na apuração do crédito tributário lançado, mormente tendo em conta que o sujeito passivo, intimado no curso do procedimento fiscal, sequer logrou provar documentalmente as operações que resultaram nas receitas escrituradas em sua contabilidade.
Numero da decisão: 1101-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE e ACOLHER os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ARGUMENTOS DE DEFESA NÃO APRECIADOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. EXIGÊNCIAS REFLEXAS DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DEDUÇÃO DE RECOLHIMENTOS. Restando incomprovada a origem dos depósitos bancários, e infirmada a sua correlação com contratos de intermediação, dos quais teriam resultado as receitas escrituradas, não se admite a dedução dos recolhimentos daí decorrentes na apuração do crédito tributário lançado, mormente tendo em conta que o sujeito passivo, intimado no curso do procedimento fiscal, sequer logrou provar documentalmente as operações que resultaram nas receitas escrituradas em sua contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE e ACOLHER os embargos de declaração para sanar a omissão apontada e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 23 /2 00 8- 97 Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Nos autos do processo administrativo nº 10882.002868/200451 foram formalizadas exigências de IRPJ e reflexos, no valor total de R$ 1.363.706.761,12. No julgamento de 1a instância, o crédito tributário lançado foi parcialmente exonerado, ensejando remessa de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes. A autuada também interpôs recurso voluntário, e ambos recursos foram apreciados e parcialmente providos pela 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos do Acórdão nº 10196.160: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de oficio para: 1) restabelecer a tributação pelo lucro real; e 2) restabelecer a exigência da multa isolada no percentual de 50%, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e José Ricardo da Silva que negaram provimento ao recurso de oficio e o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior que deu provimento parcial ao recurso de oficio apenas para restabelecer a tributação pelo lucro real; e II) Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) admitir a dedutibilidade, da base de cálculo do IRPJ e da CSL, da contribuição para o PIS e da COFINS lançadas de oficio; 2) admitir a compensação de 1/3 da COF1NS paga com a CSL devida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e José Ricardo da Silva que deram provimento integral ao recurso voluntário, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior que deu provimento parcial ao recurso em maior extensão, para também desqualificar a multa de oficio, e os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mario Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso em menor extensão, não admitindo a referida compensação. (negrejouse) Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, em razão de o julgamento não ter sido unânime e por nele verificar contrariedade a dispositivo de lei, especificamente no que tange à admissibilidade de compensação de 1/3 da COF1NS paga com a CSL devida. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 145/2007, e os autos do processo administrativo nº 10882.002868/200451 retornaram à origem, onde foi promovida a liquidação do acórdão para ciência à contribuinte da decisão e dos créditos tributários remanescentes a serem recolhidos. Antes, porém, em 14/07/2008, a autoridade administrativa local formalizou o presente processo administrativo para acolher o crédito tributário mantido na decisão de 1a instância, e que foi objeto de recurso voluntário pela contribuinte. Nos autos do processo administrativo nº 10882.002868/200451 permaneceu o crédito tributário exonerado na decisão de 1a instância, submetido a reexame necessário, em razão do qual a 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes restabeleceu parcialmente a exigência. Por esta razão, naqueles autos está controlado o recurso voluntário que a contribuinte, ao ser cientificada do parcial provimento dado ao recurso de ofício, dirigiu à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Já nestes autos, em razão da intimação dirigida à contribuinte para cientificá la do acórdão nº 10196.160, acompanhado do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, facultandolhe a interposição de contrarrazões, houve oposição de embargos de Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 5 4 declaração (fls. 2184/2197) e apresentação das referidas contrarrazões (fls. 2265/2275). A ciência, pela contribuinte, do Acórdão nº 10196.160 verificouse em 27/08/2008 (fl. 2181), e os embargos foram opostos, tempestivamente, em 01/09/2008. No exame de admissibilidade dos embargos, o Presidente desta Turma Ordinária rejeitou parcialmente as alegações da embargante. A embargante apontara omissões no Acórdão nº 10196.160 porque, ao declarar a incompetência da autoridade julgadora de 1a instância para alterar o critério jurídico do lançamento e arbitrar o lucro da autuada, mormente tendo em conta que a Fiscalização não apontou qualquer vício ou irregularidade na escrituração fiscal da contribuinte, o I. Conselheiro Relator do acórdão embargado simplesmente referendou o entendimento fiscal de que a origem dos depósitos bancários não foi comprovada, sem apreciar, contudo, os argumentos expostos no recurso voluntário da Embargante, que ilidem a indevida presunção firmada pela Fiscalização no tocante à omissão de receita. Destacou no voto condutor do acórdão embargado o seguinte excerto: Desta forma, a matéria se encontra longamente debatida no processo, sendo despiciendo maiores considerações, razão pela qual, estou convicto que a farta documentação carreada aos autos não só evidencia como comprova de forma inequívoca a falta de comprovação dos depósitos bancários creditados em nome do suplicante, acarretando, em conseqüência, a correta lavratura do auto de infração sob exame, em todos os seus termos. Confirmouse no recurso voluntário que a contribuinte, ao alegar comprovada a origem dos depósitos bancários questionados pela Fiscalização, preliminarmente defendeu a presunção de legitimidade dos documentos apresentados, asseverando que eles apenas deixam de surtir seus regulares efeitos depois de analisados em processo administrativo próprio e oficialmente declarados inválidos ou nulos, mediante decisão fundamentada, que deverá ser expressamente homologada do Sr. Delegado da Receita Federal, nos termos da Portaria MF nº 197/93. Referido argumento foi assim relatado no acórdão embargado: c) que não houve qualquer prática de ato simulado ou falsificação de contratos, pois todos os documentos e lançamentos são essencialmente válidos e verdadeiros, até que se prove em contrário. Tratase, em verdade, de presunção de legitimidade. No caso, a fiscalização e a turma julgadora caracterizaram os contratos apresentados como sendo ineficazes para comprovar a motivação dos depósitos bancários, pois teoricamente, seriam maculados pela falsidade ideológica, sem demonstrar que essa conclusão tenha decorrido de decisão proferida em processo próprio; Por sua vez, no voto condutor do acórdão embargado constava a reprodução de excertos da decisão recorrida que refutavam precisamente este argumento, já antes deduzido em impugnação: 18. A documentação apresentada foi, desde logo, sindicada pela fiscalização, que, sobre este fato, reiteradamente, chamou a atenção do contribuinte no curso do procedimento fiscalizatório. Este último insistiu, e ainda insiste, que a documentação que apresenta (contratos de compra e venda de títulos) ampara sua escrita fiscal, porém, até o momento, não logrou desfazer o predicado da falsidade ideológica que pesa sobre referidos documentos. Só lembrar que se a acusação de falso alcança a ideação do documento e não qualquer aspecto de sua constituição física (caso de falso material), não ha que se falar em perícia técnica para confirmar ou infirmar a falsidade da idéia. Esta só é afastada, por exemplo, se e Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 6 5 quando contrastado com outros documentos (que não constam destes autos). O falso aqui assinalado (nos contratos) é ideológico justamente porque ele (falso) inferese da discrepância entre a declaração de conhecimento ou de vontade que vai consignada nos documentos (contratos) e a realidade fática. [...] Daí a conclusão de que, ao entender que cabia razão à recorrente porque a matéria se encontra longamente debatida no processo, o I. Conselheiro Relator adotou aquelas razões de decidir deduzidas em 1a instância. De forma semelhante, a embargante também aduzira que não foi analisada sua defesa na parte em que rebate os oito argumentos descritos pela Fiscalização, e acolhidos pela Turma Julgadora, para firmar a presunção de que os contratos de compra e venda dos títulos negociados pela Embargante não seriam válidos para comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta corrente. No acórdão embargado, o relatório do recurso voluntário destacou os pontos relevantes da defesa mencionada pela embargante: e) que o fato da recorrente não ter solicitado algumas informações as quais, muito embora não fossem obrigatórias, ela reconhece que lhes trariam uma maior garantia para os negócios realizados, decorre simplesmente da falta de conhecimento profundo sobre esse tipo de negociação, já que não é esta a atividade da recorrente; f) que, conforme ficou comprovado, em algumas vezes os valores contabilizados e constantes dos extratos bancários, embora próximos, não são exatamente idênticos aos valores contidos nos contratos. Isto se deve à variação cambial existente entre a data da assinatura dos contratos e a data do recebimento dos valores; g) que as eventuais divergências verificadas pela fiscalização entre os valores depositados em conta corrente e os constantes dos contratos de compra e venda, quando existiam, eram em montantes irrelevantes e, insuficientes para desatar o vincula existente entre os contratos e os depósitos; h) que todos os ingressos de recursos, geralmente pagos pelos adquirentes dos títulos com cheques de terceiros (clientes seus), auferidos com as vendas dos títulos, eram registrados a crédito em uma contacontábil denominada "aquisição de títulos", do passivo, tendo como contrapartida um lançamento a débito na conta bancos conta movimento, do ativo, e todas as saídas de recursos eram registradas a débito nesta conta; i) que, quanto à alegação de que foram adquiridos títulos "Argentine Global Bonds" inexistentes, caso seja realmente verdade que esses títulos não existem, o que se duvida, pois a recorrente não acredita que uma empresa como a Bombril venderia títulos inexistentes, somente uma parte nestes negócios pode ser responsabilizada por eventuais danos causados a terceiros: a Bombril e não os adquirentes de boafé. E mais: caso se comprove que a Bombril tinha ciência da eventual falta de existência dos títulos negociados, e omitiu este fato de seus cliente dolosamente, deve ela responder por quaisquer penalidades decorrentes do seu ato omissivo. É de se ressaltar que apenas parte dos negócios tinha como objeto os referidos títulos, sendo que, por óbvio, eventual falsidade não poderá ser estendida a todos os contratos de compra e venda; i) que, conforme atestado pela turma julgadora, a recorrente vendeu e contabilizou o ingresso de capital referente à venda de títulos denominados "BE Bonds", o que consta expressamente na planilha denominada "Fluxo de Operações Logistica/Hardsell". A conclusão óbvia é que houve mero erro de fato na Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 7 6 elaboração do objeto dos contratos de venda de "BE Bonds", plenamente justificável pelo volume das operações que a recorrente realizava; k) que não ocorreu assinatura de contratos em data posterior da operação. A recorrente possuía um acordo verbal com os adquirentes dos títulos, pelo qual ela aceita como forma de pagamento cheques de terceiros, mas não assumiria o risco da existência de cheques sem fundo. Dessa maneira, sempre que ocorria que um cheque ser devolvido, a recorrente refazia os contratos de compra e venda, fazendo constar a data do contrato primitivo, para considerar tais devoluções. Não se trata de hipótese de simulação, já que, nos casos em que houve o estorno de crédito, os contratos representavam exatamente a operação realizada; l) que, caso prevaleça o entendimento de que os contratos elaborados foram assinados após a data da ocorrência das transações, ainda assim o referido fato não possui, por si só, o poder de declarar a nulidade do ato, tal como pretende a fiscalização; E aqui também se constatou, no voto condutor do acórdão embargado, a reprodução da decisão de 1a instância na parte em que exteriorizava a conclusão acerca dos argumentos em referência: 17. De tudo quanto exposto nos parágrafos anteriores, identificados com as letras de "a" até "h", bem se vê que a documentação apresentada pelo contribuinte e tendente, assim ele esperava, a sustentar sua escrituração contábil, forte no art. 923 do RIR199, não é serviente para tal desiderato, porque viciada, em tese (sempre o é), pelo falso ideológico. Certo, também, que a fiscalização deu curso ao encargo que lhe cabia, nos termos do art. 924 do RIR/99. [...] Ou não é verdade que, a partir dos enunciados antes indicados nas letras de "a" até "h" do parágrafo 16 retro, há evidente descompasso entre o conteúdo posto nos contratos e a realidade que extravasou do trabalho fiscal? Vejase. De um lado, o conteúdo dos contratos apontava para o desempenho de atividade de intermediação por meio de compra e venda de títulos, entre estes, os das espécies "US Treasury Bills" e "BE Bonds". D'outro turno, a fiscalização demonstra: [1] que a contabilização é feita mas, tãosó, do resultado liquido da operação; [2] que existe aporte de recursos em contacorrente de titularidade do contribuinte — servíveis para implementar a sua suposta atividade de intermediação — de pessoas físicas cujo CPF é inexistente; [3] ora o objeto negociado (títulos) não resta determinado (no caso dos "US Treasury Bills"), ora é inexistente (no caso dos "BE Bonds"); [4] desfezse o pressuposto da atividade de intermediação, de vez que o contribuinte apenas adquiria "títulos", não os vendia (no caso dos "BE Bonds"); [5] os contratos são pósdatados. A embargante prosseguiu reportandose a outros argumentos que evidenciariam a impossibilidade de autuação com base na Omissão de Receitas por não Identificação da Origem, referenciando depoimento prestado em favor das operações, a identificação dos adquirentes dos títulos negociados, a contabilização dos recursos auferidos com as vendas de títulos, a falta de prova de que os recursos não seriam provenientes das empresas adquirentes dos títulos, e o uso de recursos presuntivos pela Fiscalização. Novamente analisando o acórdão embargado, constatouse que o relatório do recurso voluntário não omite estes argumentos: n) que, durante o curso da fiscalização, entregou planilha com fluxo de operações, cópias dos contratos de compra e de venda, extratos bancários, livros Diário, demonstrando que todas as entradas e saídas dos recursos foram contabilizadas. E Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 8 7 mais, demonstrou que a origem dos recursos advinha das empresas DUAGRO, SIPASA e KIDRON, que pagavam os títulos por elas adquiridos, mediante a entrega de cheques de terceiros, razão pela a DRJ corretamente descaracterizou a dita omissão de receitas; o) que é importante relembrar que em algumas vezes os valores contabilizados e os constantes dos extratos bancários, embora próximos, não são exatamente idênticos aos valores contidos nos contratos, o que se deve à variação cambial existente entre a data da assinatura dos contratos e a data do recebimento dos valores; p) que em nenhum momento consegue demonstrar que o dinheiro ingressado na conta bancária da recorrente, ou seja, a origem dos recursos, não veio das empresas indicadas como sendo aquelas que adquiriram os títulos vendidos. Importante que se diga que a comprovação da origem não tem nada a ver com a validade dos contratos; q) que a fiscalização deveria ter procedido a uma diligência nas empresas indicadas como sendo as adquirentes dos títulos vendidos, e verificado se de alguma maneira a transferência dos recursos em questão também consta, ou não, da escrituração contábil das empresas. Jamais poderia o fiscal ter lavrado os autos de infração sem fazer levantamento e exame completo de toda a documentação contábil das empresas indicadas como sendo adquirente dos títulos. A falta de busca de elementos mais convincentes junto aos adquirentes dos títulos, bem coma junto aos signatários dos cheques, demonstra que não foram adotados todos os meios cabíveis para que se pudesse alcançar a efetiva verdade material; r) que a fiscalização não demonstrou mediante comprovação convincente, efetiva que a recorrente praticou omissão de receitas, utilizandose apenas de supostos indícios que nada dizem respeito à possibilidade de ocorrência da omissão, para tentar caracterizála. Seria necessário que a fiscalização comprovasse efetivamente, a ocorrência de omissão, comprovasse, com base nos valores e informações registrados nos contratos firmados pela recorrente, que eles não foram devidamente registrados em sua contabilidade, e que os recursos não vieram das empresas adquirentes dos títulos; E os excertos da decisão de 1a instância, reproduzidos no voto condutor do julgado, também faziam referência a tais aspectos: 19. À vista destas circunstâncias, a conclusão é certa: o contribuinte, até o momento, não comprovou a origem dos depósitos em contacorrente de sua titularidade. Reiterese, para desfazer a cisão que intenta o contribuinte com relação aos termos motivo/origem: a origem, causa, motivo, ou o que mais se queira, de depósitos havidos em contacorrente mantida junto à instituição financeira é, prima facie, a contabilidade, mas desde que esta contabilidade esteja respaldada em documentação higida — é evidente e tal é o que sobressai do art. 923 do RIR/99. Também, registrese que a deficiência sobre a documentação trazida pelo contribuinte, particularmente em razão do falso ideológico que carrega e da amplitude qualitativa e quantitativa que chega a tomar, não pode ser suplantada por uma mera declaração do Sr. Laodse Denis de Abreu Duarte, "proprietário das empresas que adquiriram os títulos" (DUAGRO, SIPASA e KIDRON) (fl. 1438), em sentido contrário (Código Civil de 2002, art. 227, caput— exclusividade da prova testemunhal — cominado com os arts. 401/402 do CPC — subsidiariedade da prova testemunhal, desde que existente início de prova escrita, e impossibilidade da prova escrita por razões materiais e/ou morais). Por fim, se e quando for razoável a assunção de que a variação cambial seria a responsável pelo descompasso entre os valores expressos nos contratos e os valores presentes nos extratos bancários e na Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 9 8 contabilidade, esta é uma hipótese que perde força ante a circunstância já assinalada do falso ideológico que inquina os referidos contratos. [...] Dessa sorte, se é verdade que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são lançados e não da fundamentação jurídica que se lhe emprestam— salvo eventual prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa, que não ocorreu à vista da completude da impugnação — não tem lugar a alegação de que amóveis que ao intermediar a venda dos apartamentos de um edifício, elabora contratos de compra e venda sem identificar o andar e o número dos apartamentos vendidos. Além disso, apesar do contribuinte ter afirmado que apenas fazia a intermediação dos títulos, o texto dos contratos conduz à conclusão de que ele negociava em nome próprio e não em nome de terceiros. Observese a primeira cláusula de todos os contratos de venda, [...] , na qual a empresa LOGÍSTICA é colocada na condição de "COMPRADOR". (...) Acrescentouse, ainda, que não bastasse o voto condutor do julgado firmar o entendimento de que o debate acerca das alegações da contribuinte, presente no processo até aquele momento, em nada lhe favoreceria no sentido de desconstituir a omissão de receitas que lhe fora imputada, mais à frente, ao abordar a qualificação da penalidade, a rejeição dos argumentos da recorrente foi reiterada nos seguintes termos: A fiscalização qualificou a multa de oficio para 150%, tendo em vista que o conteúdo dos contratos apontava para o desempenho de atividade de intermediação por meio de compra e venda de títulos, entre estes, os das espécies "US Treasury Bills" e "BE Bonds". Na ação fiscal foi constatado que a contabilização era feita mas, somente do resultado liquido da operação. Além disso, foi apurado a existência de aportes de recursos em contacorrente de titularidade da recorrente —servíveis para implementar a sua suposta atividade de intermediação — por parte de pessoas físicas cujo CPF é inexistente. Além disso, os títulos objeto dos negócios não restaram determinados no caso dos "US Treasury Bills" — ou então se tratavam de titulo inexistentes no caso dos "BE Bonds". Também foi desfeito o pressuposto da atividade de intermediação, de vez que o contribuinte apenas adquiria "títulos", não os vendia (no caso dos "BE Bonds"). Também ficou caracterizado conforme o detalhado Termo de Verificação Fiscal, que os contratos são pósdatados. Apesar do contribuinte ter afirmado que apenas fazia a intermediação dos títulos, o texto dos contratos conduz á conclusão de que ele negociava em nome próprio e não em nome de terceiros. Observese a primeira cláusula de todos os contratos de venda, na qual a empresa LOGÍSTICA é colocada na condição de "COMPRADOR". Nessas condições, chegase a conclusão no sentido de que a contribuinte deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários. Se mais não bastasse, a deficiência sobre a documentação apresentada pela contribuinte, de acordo com os fatos narrados pela autoridade autuante, conduz ao entendimento de tratarse de falsidade ideológica. A embargante também aduzira que não foi apreciada sua alegação acerca da necessidade de tributação dos donos dos recursos. Contudo, o argumento em questão também foi relatado no acórdão embargado, nos seguintes termos: v) que os recursos entraram e saíram do patrimônio da recorrente. O valor relativo aos cheques apresentados primeiramente ingressou no patrimônio das empresas que adquiriram os títulos, mas não no patrimônio da recorrente. Assim, a Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 10 9 tributação deverá incidir sobre as empresas que adquiriram os títulos da recorrente, pois foram elas que primeiramente integraram os recursos provenientes destes cheques nos seus patrimônios. Ou seja, os recursos pertencem a elas; Por sua vez, o voto condutor do acórdão embargado orientouse pela falta de comprovação da origem dos depósitos questionados pela Fiscalização, ante a imprestabilidade das provas apresentadas pela contribuinte. Vejase: As hipóteses de presunção de omissão de receitas são totalmente relativas, juris tantum, que admitem prova em sentido contrário. Toda a pessoa jurídica tributada com base no lucro real, está obrigada a manter a escrituração integral de todas as suas operações, principalmente aquelas que se referem a movimentação de numerário. Assim, a contribuinte que mantenha depósitos bancários, quando regularmente intimado, deve comprovar a origem de tais recursos, exatamente para que seja identificada a natureza dos rendimentos depositados. Se os depósitos corresponderem a rendimentos isentos, que já tenham sido tributados ou que se submetam à tributação exclusiva, ou ainda, se os recursos pertencerem a terceiros é evidente que não poderá existir exigência de tributos, como também não se tratará de receita tributável omitida. [...] No caso, a recorrente, devidamente intimada a comprovar a origem dos depósitos não se preocupou em trazer provas de suas alegações. Nada há, pois, que possa dar sustentação ao alegado erro cometido pelo depositante. Não se verifica qualquer elemento probatório que pudesse desvincular o deposito realizado das operações da recorrente. [...] A falta de justificação por parte do interessado da origem dos depósitos concretiza a presunção — os depósitos bancários, que se apresentavam inicialmente como simples indicio de omissão de receita, transformamse em prova desta omissão, quando o interessado, tendo a oportunidade de comprovar a origem destes depósitos, não o fez na fase de instrução do procedimento e tampouco na atual fase processual. Ou seja, o que aqui foi tomado como base de cálculo do tributo, na realidade, tratase do ingresso dos valores no patrimônio da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, sujeita, em conseqüência, ao registro de todas as suas operações. Referidos valores estão representados pelos depósitos bancários. (negrejouse) Neste contexto, somente se verificaria a omissão alegada pela embargante se admitidos seus argumentos anteriores em favor da comprovação das operações que deram origem aos depósitos bancários, e por consequência dos demais interessados nelas envolvidos. A embargante também afirmara contraditória a manifestação do I. Conselheiro Relator acerca da multa qualificada imposta pela Fiscalização, porque apesar de reconhecer que “o evidente intuito de fraude não pode ser presumido”, sustentou, de forma paradoxal, que houve, no presente caso, a fraude, com base nas “suposições da autoridade administrativa”. Constatouse, porém, que a referência às “suposições da autoridade administrativa” é precedida da menção à análise dos documentos constantes dos autos, descrita nos parágrafos anteriores ao excerto citado pela embargante e assim interpretada pelo I. Conselheiro Relator: Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 11 10 O artifício é manifesto e salta aos olhos de quem analisa os fatos, pois se os fatos levantados pela fiscalização não fossem verdadeiros a suplicante teria apresentado provas cabais a respeito dos contratos e da movimentação dos títulos em questão, e não ficaria em meras alegações, com lastro probante extremamente frágil. As evidências colhidas pela fiscalização vão muito além da simples presunção, os elementos apresentados são contundentes ao evidenciar o reiterado emprego de documentos inábeis, assim entendidos aqueles emitidos após a ocorrência dos depósitos bancários e da devolução dos cheques sem fundos; isto é, documentos de teor fictício que não mantém justa relação com as transações supostamente realizadas. Entendo, que neste processo, esta aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, cujo diploma legal é o artigo 44, inciso II, da Lei n.° 9.430/96, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se vê nos autos, a ora recorrente foi autuada sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização de "contratos frios" que dariam suposto fundamento para a negociação de títulos inexistentes, e que no entender da autoridade lançadora caracteriza evidente intuito de fraude nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Entendo que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraude e este esta devidamente demonstrado nos autos, através da utilização de documentos fiscais inidôneos. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Assim, embora entendendo que o evidente intuito de fraude não pode ser presumido, o I. Conselheiro Relator constatou que esta não era a hipótese dos autos, porque presente prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Não se confirmando as omissões e contradições acima expostas, o Presidente deste Colegiado rejeitou parcialmente os embargos de declaração (fls. 2238/2246). Para além disso, a embargante também apontara omissão acerca de vícios alegados na apuração dos valores devidos a título de Contribuição ao PIS e de COFINS. O argumento está assim relatado no acórdão embargado: bb)que ocorreu erro na apuração do PIS e da COFINS, pois a recorrente registrava no demonstrativo de resultado e oferecia tributação as receitas provenientes dos ganhos auferidos com as vendas dos títulos. Assim, parte dos recursos ingressados na recorrente em razão da venda dos títulos já foi tributada tanto pelo IRPJ e pela CSLL, quanto pelo PIS e pela COFINS. Contudo, a fiscalização não considerou os valores já recolhidos pela recorrente, de modo que fica evidente a insubsistência destas autuações, pelo erro na apuração dos tributos que seriam devidos (ver fls. 1783/1784); E neste ponto a omissão restou confirmada, porque embora este argumento tenha sido rebatido na decisão de 1a instância, a abordagem correspondente não foi mencionada no voto condutor do acórdão embargado. De fato, depois da abordagem do mérito da infração imputada à contribuinte, o voto condutor do acórdão embargado traz a análise dos demais argumentos deduzidos pela recorrente acerca da quantificação do crédito tributário exigido, da Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 12 11 decadência e dos acréscimos de multa e juros, sem nada mencionar especificamente acerca dos efeitos dos recolhimentos alegados pela recorrente. Por tais razões, os embargos de declaração foram parcialmente admitidos para apreciação da omissão acerca dos efeitos dos recolhimentos de Contribuição ao PIS e de COFINS originalmente promovidos pela contribuinte. As exigências decorrem da presunção de omissão de receitas nos períodos de 1999, 2000 e 2001, em razão da falta de comprovação da origem dos valores depositados em contas bancárias de titularidade da contribuinte. A fiscalizada apresentou à fiscalização contratos que tratavam de negociações de compra e venda de títulos denominados U.S. Treasury Bills, BomBril Eurobonds (BE Bonds) e Argentine Global Bonds, mas a autoridade lançadora negoulhes validade porque não identificados os títulos negociados, sua remuneração ou a quem de fato pertenciam na data da venda. Questionada, a contribuinte limitouse a informar, segundo suas palavras, que “... fazia apenas a intermediação dos títulos...”, e que “... todos eles foram adquiridos da empresa BomBril...” e que a mesma “poderá fornecer maiores detalhes dos mesmos”. As justificativas foram rejeitadas, inclusive porque o texto dos contratos conduz à conclusão de que ele negociava em nome próprio e não em nome de terceiros. A contribuinte foi intimada a detalhar a formação e o cálculo das supostas receitas de intermediação lançadas em seus livros contábeis, na conta “7105004 – Receita com intermediação de negócios”, bem como a esclarecer outros aspectos do serviço de intermediação, mas limitouse a apresentar os dados inseridos em sua planilha “Fluxo de Operações Logística/Hard Sell”, anexada às folhas 12 a 44, no qual as receitas estão indicadas em montantes globais, que no mês de julho/99 a autoridade fiscal conseguiu correlacionar com seis lançamentos contábeis. A autoridade fiscal relata outras inconsistências nos contratos apresentados, concluindo por sua fragilidade jurídica, falta de credibilidade e falsidade do conteúdo, além de constatar que, salvo raras exceções, os valores dos depósitos não coincidem com os valores dos pagamentos pactuados nos contratos de venda, bem como relatar evidências de que os contratos foram redigidos após a entrada dos recursos, moldandose ao valor líquido depositado, mas indicando uma data anterior, com o evidente propósito de simular que os depósitos destinaramse a quitar a suposta venda de títulos. O fiscal autuante também acrescentou que os créditos com depositantes identificados evidenciam uma grande quantidade e diversidade de remetentes pessoas jurídicas, além de vários remententes pessoas físicas com CPF inválidos, ao passo que a contribuinte informou ter vendido títulos para apenas três empresas (Duagro S/A Administração e Participações, Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda e Kidro Ind. e Representações Imp. e Exp. Ltda). Restando incomprovada a origem dos depósitos bancários, a autoridade lançadora classificouos como receitas omitidas de março/99 a janeiro/2001, e agregou este resultado ao lucro real e às bases estimadas mensais nos períodos correspondentes, exigindo IRPJ e CSLL, bem como multas isoladas (aqui apenas as correspondentes às estimativas de IRPJ, restando as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de CSLL formalizadas nos autos do processo administrativo nº 10882.002867/200414), além de lançar as contribuições incidentes sobre o faturamento (COFINS e Contribuição ao PIS). Aos créditos tributários lançados foi acrescida multa de ofício no percentual de 150%, em razão da constatação de fraude e simulação. Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 13 12 Em impugnação a contribuinte já deduzira o argumento que não foi apreciado no acórdão embargado: 11) Vicio no Cálculo do PIS e da COFINS Exigidos Da mesma maneira que acontece com as exigências relativas ao IRPJ e à CSLL, ainda que fossem devidas as exigências constituídas relativamente ao PIS e a COFINS, o que se admite somente a titulo de argumentação, verificase a ocorrência de um evidente equívoco na apuração de mencionados tributos. Com efeito, conforme já demonstrado à fiscalização durante o procedimento fiscalizatório que culminou com as autuações ora impugnadas, a Impugnante registrava no demonstrativo resultado e oferecia a tributação as receitas provenientes dos ganhos auferidos com as vendas dos títulos. Assim, parte dos recursos ingressados na Impugnante em razão da venda dos títulos já foi tributada tanto pelo IRPJ e pela CSLL, quanto pelo PIS e pela COFINS. Contudo, ao proceder ao lançamento do PIS e da COFINS exigidos, a fiscalização não considerou os valores já recolhidos pela Impugnante, de modo que fica evidente a insubsistência destas autuações, pelo erro na apuração dos tributos que seriam devidos, caso seja vencedora a tese de omissão de receitas apresentada pelo agente fiscal. Isto porque, ao não deduzir os valores já pagos pela Impugnante, a fiscalização fez incidir o PIS e a COFINS duas vezes sobre o mesmo valor, o que em hipótese alguma pode ser admitido. Desta maneira, também em razão da insubsistência destes cálculos, requerse o cancelamento dos autos de infração lavrados. A Turma Julgadora de 1a instância manteve integralmente as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS. Já as exigências de IRPJ e CSLL foram significativamente reduzidas, acolhendose argumento da contribuinte em favor do arbitramento da base de cálculo desses tributos, afirmandose imprestável a escrituração do sujeito passivo. Por esta razão, inclusive, o argumento de defesa acima referido não foi acolhido, vez que impossível buscar na contabilidade – já reconhecida imprestável – prova qualquer de tributação do que agora é exigido. Em recurso voluntário, a contribuinte renovou a alegação de vício no cálculo do PIS e da COFINS exigidos, em termos semelhantes aos antes transcritos. Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 14 13 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autoridade julgadora de 1a instância assim se manifestou acerca da defesa da interessada: 19. A vista destas circunstancias, a conclusão é certa: o contribuinte, ate o momento, não comprovou a origem dos depósitos em contacorrente de sua titularidade.Reiterese, para desfazer a cisão que intenta o contribuinte com relação aos termos motivo/origem: a origem, causa, motivo, ou o que mais se queira, de depósitos havidos em contacorrente mantida junto a instituição financeira é, prima facie, a contabilidade, mas desde que esta contabilidade esteja respaldada em documentação hígida — é evidente e tal é o que sobressai do art. 923 do RIR/99. Também, registrese que a deficiência sobre a documentação trazida pelo contribuinte, particularmente em razão do falso ideológico que carrega e da amplitude qualitativa e quantitativa que chega a tomar, não pode ser suplantada por uma mera declaração do Sr. Laodse Denis de Abreu Duarte, "proprietário das empresas que adquiriram os títulos" (DUAGRO, SIPASA e KIDRON) (fl. 1438), em sentido contrário (Código Civil de 2002, art. 227, caput — exclusividade da prova testemunhal — combinado com os arts. 401/402 do CPC — subsidiariedade da prova testemunhal, desde que existente inicio de prova escrita, e impossibilidade da prova escrita por razões materiais e/ou morais). Por fim, se e quando for razoável a assunção de que a variação cambial seria a responsável pelo descompasso entre os valores expressos nos contratos e os valores presentes nos extratos bancários e na contabilidade, esta é uma hipótese que perde força ante a circunstância já assinalada do falso ideológico que inquina os referidos contratos. [...] 23. Muito bem, confirmada a hipótese de omissão de receita ao amparo do art. 42 da Lei n° 9.430/96, certo que o contribuinte intenta apoiar a sua escrita contábil fiscal em documentação ideologicamente falsa, bem como à vista a relação existente entre o total de receita havido por omitido e o total de receita tributável declarada pelo contribuinte, não há outra linha senão concordar com a ponderação deste sobre o cabimento, na espécie, da apuração do IRPJ com base no lucro arbitrado e pelo coeficiente de 32%, também sugerido pelo ora autuado (idêntica solução seguirseá para a CSLL). Pelos Quadros demonstrativos que secundam este voto, vêse que, considerados os períodos autuados, a receita declarada pelo contribuinte em suas DIPJ's representa, em média, 0,2179% da receita identificada como omitida pela fiscalização. Isto somado ao fato do falso ideológico — que desqualifica a contabilidade, tornandoa imprestável para a apuração do lucro real — outro não pode ser o caminho que não o do arbitramento. Conseqüência imediata: não subsiste qualquer autuação à conta da falta de recolhimento de estimativas, visto que tal sistemática viceja sob o pálio da apuração do IRPJ/CSLL com base no lucro real (Lei n° 9.430/96, art. 2°) e, ainda e mais importante, segundo opção do próprio contribuinte. Ora, se acaba de ser rechaçada a tributação pelo lucro real em beneficio do lucro arbitrado e, neste, não existe opção semelhante para o recolhimento de estimativas, a autuação pela sua falta é improcedente. [...] Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 15 14 28. O contribuinte também alega que, admitida a hipótese de omissão de receita, esta quantificada pelo ingresso liquido de numerário em contacorrente de sua titularidade (ingresso bruto menos cheques e DOCs estornados), parte daquela receita já teria sido ofertada a tributação (IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins) conforme escrituração que apresenta. Tal argumentação, também, é fora de propósito a vista do decidido no parágrafo 23 retro. Se a contabilidade é imprestável pelas razões sobreditas, se o correto é a apuração do IRPJ com base no lucro arbitrado (idêntica solução seguirseá para a CSLL), então não se pode mais buscar na contabilidade — já reconhecida imprestável — prova qualquer de tributação do que agora é exigido. Registrese que, tendo em conta a mudança de sistemática de tributação (lucro real para lucro arbitrado), as autuações de IRPJ e CSLL aqui remanescentes levam em consideração, como se vê dos Quadros que se seguem a este voto, o tanto quanto a igual titulo foi declarado e/ou recolhido. No acórdão embargado, a 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes restabeleceu as exigências de IRPJ e CSLL exoneradas na decisão de 1a instância acolhendo os argumentos assim expostos no voto condutor do julgado: [...] Na hipótese sob exame verificase que o erro ou omissão detectado pela fiscalização falta de escrituração da movimentação bancária detectada pela fiscalização na escrita da recorrente não obstacularizaria a constatação do seu real movimento econômico e financeiro, tanto assim que a irregularidade apontada no Auto de Infração foi minuciosamente descrita peia autuante. Citada irregularidade poderia ou não ser passível de tributação, mediante adição dos respectivos valores ao lucro real do exercício, mas em hipótese alguma justificar o arbitramento. Não consta dos autos do processo, qualquer evidência de que a escrituração contábil da recorrente teria sido analisada e que, em razão dessa verificação, tivesse restado provado que a mesma era imprestável. A falta de contabilização de movimentação bancária, sem dúvida alguma, indica possível omissão de receitas operacionais, bem como instaura insegurança quanto à fidelidade do lucro real declarado. Todavia, por si só, não é razão bastante para caracterizar a imprestabilidade da escrita e justificar o arbitramento do lucro. Sem assim fosse, qualquer omissão de receita ou mesmo a falta de registro de alguma transação empresarial ou até a falta de escrituração de um depósito ou transferência bancária, seria motivo suficiente para a desclassificação da escrita. Assim, considerando que o arbitramento se realizou unicamente em face de contas bancárias mantidas à margem da escrita, considerando que não houve por parte da fiscalização aprofundamento na ação fiscal, tendente a, comprovadamente, descaracterizar a escrita da recorrente, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Aliás, tomar o disposto no artigo 47, inciso II, da Lei 8.981/95, como regra suficiente para desprezar todo o universo contábil de uma empresa, pelo simples fato de existir conta corrente ou depósito bancário não comprovado e/ou não escriturado, sem demonstrar efetivamente a imprestabilidade da escrituração foge à razão lógica de todo o ordenamento tributário. No caso, como já afirmado, o arbitramento do lucro não se justifica, pois é notório que esta espécie de lançamento é medida extrema que somente se aplica quando absolutamente inexistente a possibilidade de a autoridade tributária averiguar o lucro real. Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 16 15 Tenho para mim que, em razão do mau uso, evidenciado até mesmo pela motivação de sua aplicação, foi atribuído ao instrumento do arbitramento caráter sancionatório e afastado o seu real objetivo, que consiste na determinação do lucro tributável. Assim, tendo sido possível à fiscalização analisar a documentação contábil e fiscal da contribuinte, inclusive constatando a existência de depósitos cuja origem do numerário não foi comprovado, conforme muito bem detalhado no TVF pelo autuante após a recomposição das respectivas contas, a solução adequada ao caso é exatamente a aplicada pelo ilustre Auditor Fiscal, com o lançamento dos valores ali depositados como omissão de receitas, nos exatos termos estabelecidos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O detalhado Termo de Verificação Fiscal dá conta de procedimentos adotados pela recorrente no tocante a movimentação dos recursos em questão, ou seja, o trabalho fiscal, efetivamente alcançou o exato montante omitido pela recorrente em cada um dos exercícios examinados. Não obstante não foi desta maneira que a decisão recorrida ultimouse, sendo certo que a opção pelo arbitramento como sistemática de tributação, encontra em casos como o presente, sérias restrições pela jurisprudência deste Colegiado. [...] No caso dos autos é patente a possibilidade de apuração de eventual omissão de receitas sem o recurso ao arbitramento. A escrituração existia, e eventuais irregularidades fiscais eram perfeitamente identificáveis pela análise da documentação apresentada. Eventual volume extenso de trabalho não é justificativa suficiente para o arbitramento. Resta claro, portanto, a impossibilidade do Fisco utilizarse do arbitramento quando presentes todos os elementos necessários a real quantificação da receita omitida, merecendo ser cancelada decisão recorrida, pois não é cabível ao julgador, simplesmente dizer que o lançamento deveria se fundamentar no arbitramento da escrita, sem ter vistas á contabilidade regular e sem mencionar qualquer outra irregularidade suficiente a desmerecer a mesma. Ou seja, a desclassificação da escrita, para fins de arbitramento do lucro pelo Imposto de Renda, somente pode ocorrer na impossibilidade de apuração da receita omitida ou do lucro real da empresa, ou que esta seja considerada imprestável em decorrência de elevado grau de irregularidades. No caso dos autos, o fisco apurou exatamente a matéria tributável, diante os levantamentos por ele feitos, sem mencionar a existência de quaisquer vícios ou irregularidades, tendo lavrado o auto de infração de acordo com o que estabelecem as normais legais, sem a necessidade de desclassificar a escrita. [...] Registrese que a autoridade fiscal não fez sequer uma única menção no Termo de Verificação e também nas intimações endereçadas contribuinte a respeito de eventuais vícios, erros ou deficiências capazes de macular a escrituração regular. Em conclusão, a jurisprudência administrativa é incontroversa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. Demais irregularidades devem ser consideradas de acordo com a norma legal especifica que lhes dá o tratamento correspondente. No caso sob exame, é exatamente o artigo 42 da Lei n° que Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 17 16 prescreve a presunção legal de omissão de receitas no caso de depósitos não contabilizados. Sem sombra de dúvidas que a contabilidade somente pode ser desprezada quando nela existir vícios ou irregularidades em tal monta que impeçam a apuração do lucro real. No presente caso, os valores omitidos foram apurados por depósitos bancários não comprovados, cujo tratamento possui remédio especifico na norma legal, conforme o previsto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, em pleno vigor a época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Entendo que, se por um lado, não pode o julgador basearse em meras alegações sem a menor prova de qualquer das partes, especialmente quando se trata de situação extrema, como é a desclassificação de escrita, por outro, cabe ao Fisco provar o efetivo prejuízo, o que no caso foi realizado com precisão por parte da autoridade autuante. Assim, sem menor possibilidade acolher o arbitramento dos lucros no caso dos presentes autos. Nessas condições, voto no sentido de dar provimento ao recurso ex officio. (negrejouse) Prevaleceu, assim, o entendimento de que a Fiscalização nada disse para afirmar imprestável a escrituração do sujeito passivo, e para além disso, a apuração da omissão de receitas foi possível sem o recurso ao arbitramento, considerado medida extrema pela jurisprudência administrativa. Todavia, a presunção de omissão de receitas subsistiu, assim como a qualificação da penalidade aplicada sobre o crédito tributário lançado, e isto porque a defesa da contribuinte não convenceu aquele Colegiado acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários, nem logrou afastar a falsidade ideológica apontada pela Fiscalização nos documentos que dariam suporte àquelas operações. Conseqüência disto é a impossibilidade de se correlacionar, também, os recolhimentos de Contribuição ao PIS e de COFINS, promovidos em razão dos fatos escriturados pela contribuinte, com as receitas presumidamente omitidas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada. Acrescentese que a autoridade lançadora empenhouse, durante o procedimento fiscal, em buscar a correlação entre a escrituração do sujeito passivo, as receitas ali reconhecidas, os contratos apresentados pela contribuinte e os depósitos bancários cuja origem se buscava. E o resultado desta investigação está assim relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1404/1417 O contribuinte foi reiteradamente intimado a apresentar a documentação comprobatória da origem dos valores depositados em suas contas bancárias, relativos aos períodos de 1999, 2000 e 2001. [...] Em atendimento às reiteradas solicitações, o contribuinte limitouse a informar que os documentos comprobatários da origem dos valores depositados em suas contas bancárias eram os contratos de compra e venda de títulos que havia apresentado, os quais foram anexados às folhas 45 a 604. Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 18 17 Todavia, esta fiscalização considerou que os referidos contratos não são hábeis para comprovar a origem dos valores depositados nas contas bancárias pelos motivos a seguir relacionados. CONTRATOS NÃO IDENTIFICAM OS TÍTULOS NEGOCIADOS O texto dos contratos de compra e venda não permite identificar os títulos que estão sendo comprados ou vendidos. Os contratos citam apenas o nome dos títulos, o país emissor, a data de emissão, as datas da compra e venda e os valores da negociação em reais, informações insuficientes para definir o objeto negociado. [...] Intimado a justificar a falta das informações mínimas nos contratos, o contribuinte apresentou a carta anexada à folha 786, na qual limitouse a informar, segundo suas palavras, que "...fazia apenas a intermediação dos títulos..." 'e que "...todos eles foram adquiridos da empresa BomBril..." e que a mesma "...poderá fornecer maiores detalhes dos mesmos.". A resposta foi considerada inaceitável, uma vez que cabe ao próprio contribuinte informar os dados de suas compras e vendas. Além disso, o fato do contribuinte ter supostamente atuado como mero intermediário, não justificaria a falta da identificação dos títulos nos contratos de compra e venda. Fazendo uma analogia, a situação é comparável à do corretor de imóveis que ao intermediar a venda dos apartamentos de um edifício, elabora contratos de compra e venda sem identificar o andar e o número dos apartamentos vendidos. [...] Na tentativa de elucidar esta questão, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo detalhando a formação e o cálculo das supostas receitas de intermediação lançadas em seus livros contábeis, na conta "7105004 Receita com intermediação de negócios". O contribuinte também foi intimado a identificar o pagador dos serviços e apresentar os documentos comprobatórios dos serviços de intermediação, tais como notes fiscais, recibos etc., de modo a comprovar que o serviço foi efetivamente prestado, calculado e pago. Apesar de reiteradamente intimado, o contribuinte limitouse a apresentar os dados inseridos em sua planilha "Fluxo de Operações Logistica/HardSell", anexada às folhas 12 a 44. A titulo de exemplo, temos os dados da folha 17, na qual o contribuinte informou, no dia 30/07/99, a linha indicada como "RECEITA LOGÍSTICA", no valor de R$29.949,78. Analisando o Livro Diário do período Julho/1999, anexado às folhas 1062 a 1080, verificase que o valor de R$29.949,78 é formado pelos seguintes lançamentos: [...] Observase que, apesar das supostas receitas de intermediação constarem dos livros contábeis, o contribuinte optou, estranhamente, por não detalhar o cálculo e a origem dos valores recebidos. Em suma, verificase que os contratos não identificam corretamente os títulos negociados e tampouco os supostos compradores e vendedores, evidenciando sua falta de credibilidade. [...] As exigências de Contribuição ao PIS e COFINS, portanto, decorrem de receitas presumidamente omitidas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13896.002623/200897 Acórdão n.º 1101001.281 S1C1T1 Fl. 19 18 A correspondência entre estes depósitos e os contratos apresentados pela fiscalizada não foi admitida pela Fiscalização, e este entendimento prevaleceu nos julgamentos da impugnação e do recurso voluntário interpostos pela contribuinte. Por sua vez, os recolhimentos alegados na defesa decorreriam de receitas de intermediação supostamente reconhecidas em razão dos mencionados contratos, mas ainda assim dissociadas de qualquer comprovação documental apresentada em atendimento às intimações fiscais ou nas defesas administrativas. Assim, inexiste qualquer prova documental da origem das bases de cálculo que ensejaram os recolhimentos de Contribuição ao PIS e de COFINS promovidos espontaneamente pelo sujeito passivo, e ainda que se admita, a partir de seus registros contábeis, que seriam eles decorrentes de receitas de intermediação, restou infirmado, nestes autos, qualquer correlação entre estas operações e os depósitos bancários cuja falta de comprovação da origem ensejou as exigências aqui formuladas. Por tais razões, os embargos de declaração devem ser PARCIALMENTE CONHECIDOS e nesta parte ACOLHIDOS para, relativamente à omissão apontada, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10725.720028/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não foi omisso no ponto apontado. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta.
Numero da decisão: 1401-001.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Devem ser rejeitados os embargos de declaração quando a decisão não foi omisso no ponto apontado. No caso, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM os embargos declaratórios, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 00 28 /2 00 7- 20 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720028/200720 Acórdão n.º 1401001.389 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida, em conjunto, no julgamento de um auto de infração e correlatas negativas de restituição de crédito tributário relacionados à operação da Contribuinte na execução do “Projeto Cabiúnas”. Conforme se extrai do relatório do julgamento realizado por esta Turma em 08 de agosto de 2013, “O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. Disso se extrai que, para evitar contradição nas decisões e coerência no julgamento, tanto o auto de infração quanto as negativas de compensação foram julgadas conjuntamente, tanto assim que os votos constantes de cada um dos processos possui o mesmo conteúdo. Em sede de embargos de declaração, os mesmos processos voltaram à apreciação desta Turma em 27 de agosto de 2014, sendo que este Relator fez consignar, naquela oportunidade que “Assim como no julgamento dos recursos voluntários, o julgamentos dos embargos de declaração serão feitos de forma conjunta”. Interpõe, agora, a Procuradoria da Fazenda Nacional, novos embargos de declaração, apenas para os processos nº 19404.000358/200298, 10725.720028/200720, 10725.720029/200774, 10725.720030/200707, 10725.720111/200707, 10725.720112/2007 43 e 10725.720113/200798, em que aduz o seguinte: A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sem o trânsito em julgado do Processo Administrativo nº 15521.000140/200751, rejeitou as ponderações contidas nos Embargos de Declaração. Observase que para o correto desfecho do caso, o julgamento do presente feito (...) deveria aguardar a solução definitiva do processo nº 15521.000140/200751, pois ainda há a possibilidade deste ser reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que modificaria a posição adotada nesses autos. Com efeito, o julgamento do presente processo, sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, Fl. 454DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720028/200720 Acórdão n.º 1401001.389 S1C4T1 Fl. 4 3 já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401 001.250. A omissão na análise desse fato dificulta uma possível impugnação do julgamento, e, desse modo, cerceia o direito de defesa da União (Fazenda Nacional). Verificase, portanto, que esse fato repercute no processo, e dele, essa Egrégia Turma não se manifestou. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que a e. Turma, sanando a omissão, se manifeste acerca do fato apontado Tendo em vista a identidade de matérias e dos fatos, os embargos serão analisados em conjunto. É o relatório, no necessário. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720028/200720 Acórdão n.º 1401001.389 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os embargos são tempestivos, pelo que deles conheço. Argumenta, a Fazenda Nacional, que teria havido omissão nos julgados dos recursos voluntários e dos embargos de declaração, uma vez que “sem a definitividade da decisão contida no Processo nº 15521.000140/200751, pode ocasionar decisões contraditórias, já que a Câmara Superior de Recursos Fiscais pode adotar entendimento diverso daquele defendido pelo Acórdão nº 1401001.250”. Permissa venia, foi justamente para evitar decisões contraditórias que a Turma Julgadora apreciou os recursos voluntários e os primeiros embargos de declaração de forma conjunta. Não há dúvidas que o mérito de todos os processos supra relacionados estão interligados, sendo que os mesmos somente não foram apensados por conexão nessa instância por ausência de instrumentos hábeis a fazêlo. Não existe, assim, a omissão arguida. Muito ao contrário, atento a relação entre os feitos foi que, nos recursos voluntários foram “todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao deslinde dos mesmos”. E o mesmo se deu com relação aos embargos de declaração, que “feitos de forma conjunta”. Com esses fundamentos, voto no sentido de rejeitar os presentes embargos. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 456DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 13896.910119/2012-49
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 11 9/ 20 12 -4 9 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910119/201249 Resolução nº 3801000.902 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 310DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910119/201249 Resolução nº 3801000.902 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910119/201249 Resolução nº 3801000.902 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 312DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910119/201249 Resolução nº 3801000.902 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 313DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910119/201249 Resolução nº 3801000.902 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16045.000490/2010-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, a falta de escrituração de pagamentos efetuados e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.
Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar, nas infrações lançadas por presunção legal, que o fato presumido não ocorreu.
EXTRAVIO/PERDA DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL
Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo Simples Federal.
Na hipótese de extravio/incêndio/inundação/enchente é do contribuinte o ônus da prova do fato no prazo e forma previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99.
MULTA QUALIFICADA
A utilização de interposta pessoa para movimentação bancária e aquisição de bens caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada.
Numero da decisão: 1803-002.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, a falta de escrituração de pagamentos efetuados e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar, nas infrações lançadas por presunção legal, que o fato presumido não ocorreu. EXTRAVIO/PERDA DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo Simples Federal. Na hipótese de extravio/incêndio/inundação/enchente é do contribuinte o ônus da prova do fato no prazo e forma previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99. MULTA QUALIFICADA A utilização de interposta pessoa para movimentação bancária e aquisição de bens caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada.
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ITAGUAÇU MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, a falta de escrituração de pagamentos efetuados e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Cabe ao sujeito passivo o ônus de provar, nas infrações lançadas por presunção legal, que o fato presumido não ocorreu. EXTRAVIO/PERDA DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo Simples Federal. Na hipótese de extravio/incêndio/inundação/enchente é do contribuinte o ônus da prova do fato no prazo e forma previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99. MULTA QUALIFICADA A utilização de interposta pessoa para movimentação bancária e aquisição de bens caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 04 90 /2 01 0- 48 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA. (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa C.D.M. ITAGUAÇU MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA ME em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) que considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. De acordo com o relatório fiscal (fls. 269 a 281), durante os trabalhos de seleção e preparo realizados pela Seção de Fiscalização, verificouse que a pessoa jurídica COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA informou, em sua DIPJ 2006/2005, a venda de produtos para a pessoa jurídica RIO SANTO LTDA EPP, no período de 01/2005 a 12/2005, totalizando R$10.954.934,50, enquanto a RIO SANTO, em sua DSPJ 2006/2005, declarou uma Receita Bruta anual muito abaixo, não chegando a 1,5% desse valor. Diante dessa disparidade de valores, foi instaurada diligencia fiscal na empresa IPIRANGA, que foi intimada a detalhar as vendas feitas a RIO SANTO. Em resposta, a IPIRANGA informou que a RIO SANTO adquiriu, no período de janeiro a dezembro de 2005, produtos no valor de R$10.954.934,50. Ao investigar o local onde a RIO SANTO está instalada, a fiscalização verificou que a mesma não tinha porte e tampouco capacidade para adquirir, armazenar e consumir essa quantidade de combustível, pois sua atividade consiste em levar turistas até o ponto do rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, o que faz utilizando uma pequena balsa percorrendo um curto percurso. Em razão disso, foi feita nova intimação à IPIRANGA solicitando o detalhamento dessas vendas. Em resposta, a IPIRANGA informou que a RIO SANTO adquiriu, no período de janeiro a dezembro de 2005, 7.546.000 litros de combustível, com predominância de óleo diesel, totalizando R$ 11.268.667,00. Diante desses fatos, a fiscalização constatou que ficava cada vez mais evidente que a RIO SANTO não era a real adquirente dos produtos e que, muito Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16045.000490/201048 Acórdão n.º 1803002.584 S1TE03 Fl. 3 3 provavelmente, havia sido usada como interposta pessoa (“laranja”) para esconder a compra dos produtos, que deveria ter sido realizada com recursos mantidos à margem da tributação pelo real adquirente. A fim de encontrar o real adquirente, foi solicitado à IPIRANGA os dados do seu vendedor, tendo sido informado o nome do Sr. Luiz Eduardo Martinez Moreira Filho. Intimado, o vendedor afirmou, em síntese, que procurou a pessoa jurídica EXTRATORA ITAGUAÇU, cujo sócio, Sr. Cláudio Braga, concordou em incluir a IPIRANGA como fornecedora da EXTRATORA ITAGUAÇU, apresentando documentação solicitando o cadastro das pessoas jurídicas EXTRATORA ITAGUAÇU, RIO SANTO e CDM junto à IPIRANGA, para que pudessem realizar pedidos de compra de combustíveis e lubrificantes fornecidos por ela. Afirmou, ainda, que no local da visita ao Sr. Cláudio Braga funcionavam as empresas RIO SANTO e EXTRATORA ITAGUAÇU, onde existiam tanques aéreos para armazenamento de combustível, duas bombas de combustível e vários caminhões com a logomarca ITAGUAÇU, o que justificaria a compra de combustível por essas empresas. Após essas declarações, fiscais foram novamente à RIO SANTO e constaram que a mesma não tinha porte ou capacidade para adquirir, armazenar ou consumir a quantidade de combustível adquirida da IPIRANGA e afirmaram não ter visualizado tanques que pudessem armazenar combustíveis. Ademais, não foi encontrado o nome de Cláudio Braga no quadro societário da RIO SANTO. Para se chegar ao real adquirente dos combustíveis, entendese necessária a identificação dos reais pagadores dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO, os quais haviam sido emitidos pelo Banco Bradesco. Para tanto, foi solicitado ao Ministério Público Federal em GuaratinguetáSP que obtivesse, via judicial, junto ao BRADESCO, a identificação das pessoas físicas ou jurídicas que realizaram os pagamentos dos boletos. Essa solicitação deu origem à representação judicial nº 2009.61.18.0012660. Em resposta, o banco elencou algumas pessoas jurídicas como as reais pagadoras dos boletos, dentre as quais a CDM ITAGUAÇU MINERAÇÃO E TRANSPORTES LTDA. Diante desses dados, foi realizada uma pesquisa nos sistemas da RFB, a qual revelou que esta empresa tinha como sócios, até 03/01/2001, Cláudio Doan Del Mônaco Braga, substituído, nessa data, por Armando Augusto Moreira Flausino, e Maria de Fátima Lino dos Santos, esposa de Cláudio Doan Del Mônaco Braga e irmã de uma das sócias da RIO SANTO. A fiscalização ainda constatou que os pagamentos realizados pela CDM em nome da RIO SANTO totalizaram, no anocalendário de 2005, a importância de R$833.944,50, enquanto a receita bruta declarada pela CDM na DSPJ 2006/2005 foi de R$705.012,69. A IPIRANGA, novamente intimada, apresentou o conjunto das notas fiscais que ampararam as compras em nome da RIO SANTO. Assim, foram obtidos uma série de indícios apontando para a utilização da RIO SANTO como interposta pessoa (“laranja”), para encobrir a aquisição de combustíveis por parte da CDM, com o intuito dessa última em omitir receitas e se eximir do pagamento de tributos, deixando a RIO SANTO, uma pessoa jurídica de patrimônio diminuto, para responder pelos tributos não recolhidos. Por essa razão, foi determinada a instauração do procedimento fiscal, tendo a CDM sido notificada para apresentar seu contrato social e alterações, os livros caixa ou diário e razão (SIMPLES) acompanhados dos extratos bancários relativos à movimentação financeira realizada no Bradesco, bem como o Livro Registro de Entradas. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Em resposta, a fiscalizada apresentou o contrato social e alterações e confirmou ser titular da conta no Banco Bradesco. Quanto aos livros, deixou de apresentalos, alegando que não conseguiu localizar, provavelmente por terem sido inutilizados em decorrência de enchentes ocorridas nos últimos anos na cidade onde está situada. Diante desses fatos, a fiscalização concluiu que a fiscalizada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que os pagamentos dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO constavam regularmente registrados em sua escrituração. Portanto, por não haver sido comprovada sua regular escrituração, concluiuse que foram feitos com recursos oriundos de receitas omitidas no anocalendário de 2005, totalizando R$833.944,50, conforme presunção legal prevista no art. 281, II, do RIR/1999. Por todo o exposto, a fiscalização procedeu à qualificação da multa prevista no art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430/96. Ademais, em decorrência da omissão de receitas apurada, sobre a receita bruta mensal declarada na DSPJ 2006 pela fiscalizada, a partir de março/2005, passaram a incidir as alíquotas mais elevadas que efetivamente deveriam ter sido aplicadas, gerando diferenças dos impostos e contribuições em relação aos apurados na DSPJ/2006, devendo recair sobre essas diferenças a multa qualificada. Por outro lado, como a soma da receita bruta total declarada na DSPJ 2006 e aquela omitida pela falta de escrituração dos pagamentos efetuados apurados no anocalendário de 2005 excede o limite legal anual para permanência no SIMPLES a partir do anocalendário 2006 (R$ 1.200.000,00), foi efetuada a competente Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples. Inconformada com o lançamento, em 24/12/2010 a contribuinte apresentou impugnação (fls. 297/326). No entanto, não obstante os argumentos trazidos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. A decisão a quo (fls. 352 a 376) restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no Art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento em questão. EXTRAVIO. FALTA DE ESPONTANEIDADE. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo 1º do citado artigo quando do extravio ou destruição dos livros e documentos. Não produzem efeitos as medidas adotadas durante o procedimento fiscal, por não espontâneas. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO DE NORMA GERAL E ABSTRATA. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16045.000490/201048 Acórdão n.º 1803002.584 S1TE03 Fl. 4 5 Não cabe ao órgão administrativo de julgamento apreciar a validade de preceitos legais acerca das disposições legais que fundamentam o lançamento, regularmente inseridas no ordenamento jurídico, segundo o processo legislativo constitucionalmente definido. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. EMPRESA DE PEQUENO PORTE. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Caracterizase omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao lançamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a aplicação da multa qualificada por ter a contribuinte atuado com dolo na omissão de receitas decorrentes de significativos pagamentos efetuados a título de compras de combustível, utilizando se de interposta pessoa para ocultar tais transações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 01/03/2011, conforme AR de fl. 386, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente (fls. 387 a 398), o qual, em síntese, tem como argumentos recursais o que segue: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 a) não há utilização de interposta pessoa (“laranja”), pois a recorrente e a RIO SANTO são empresas controladas por familiares; que não utiliza uma ou outro como pessoa interposta e que, em razão dos laços familiares, havia relações comerciais e de mútuo entre elas; b) o mútuo para fins civil e fiscal não necessita da forma escrita, sendo admitido o mútuo verbal; c) sustenta que realizou os procedimentos fiscais estabelecidos no caso de extravio de documentos, não podendo a autoridade fiscal exigir outros procedimentos não previstos em lei, em razão do princípio da legalidade; d) a escrituração dos pagamentos não fora comprovada porque a escrita fiscal extraviouse, tendo sido cumpridas todas as determinações legais para a hipótese, não podendo, assim, serlhe imputada a falta de escrituração fiscal; e) não houve a utilização de interposta pessoa, pois os pagamentos dos boletos bancários da RIO SANTO se deram como forma de quitação de mútuos contraídos verbalmente entre os sócios das empresas, não havendo dolo, devendo ser reduzida a multa de 150% para 75%; f) não havendo receita tributável comprovada pela fiscalização, e sim meras presunções, não se pode realizar a soma das supostas receitas para fins de tributação no regime do Simples; g) a fiscalização não apresentou provas nos autos que comprovem o ingresso de receitas não declaradas e não tributadas pela recorrente, utilizandose apenas de presunções; h) em razão do princípio do in dubio pro contribuinte, na dúvida sobre a validade da acusação fiscal, a multa deve ser anulada; i) requer que não seja operada a exclusão do regime do Simples até que seja prolatada decisão administrativa irrecorrível. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DA OMISSÃO DE RECEITAS – MULTA QUALIFICADA Fl. 448DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16045.000490/201048 Acórdão n.º 1803002.584 S1TE03 Fl. 5 7 Segundo o relatório fiscal, a recorrente não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que os pagamentos dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO constavam regularmente registrados em sua escrituração. Portanto, por não haver sido comprovada sua regular escrituração, concluiu que foram feitos com recursos oriundos de receitas omitidas no ano calendário de 2005, totalizando R$833.944,50, conforme presunção legal prevista no art. 281, II, do RIR/1999. A recorrente defendeuse alegando que a escrituração dos pagamentos não foi comprovada porque a escrita fiscal extraviouse, tendo sido cumpridas todas as determinações legais para a hipótese, não podendo, assim, serlhe imputada a falta de escrituração fiscal. Sustentou, ainda, que não houve a utilização de interposta pessoa, pois os pagamentos dos boletos bancários da RIO SANTO se deram como forma de quitação de mútuos contraídos verbalmente entre os sócios das empresas, não havendo dolo, devendo ser reduzida a multa de 150% para 75%. Por fim, argumentou que a fiscalização não apresentou provas nos autos que comprovassem o ingresso de receitas não declaradas e não tributadas pela recorrente, utilizandose apenas de presunções, não podendo, portanto, realizar a soma das supostas receitas para fins de tributação no regime do Simples. Para deslindar a questão, mister se faz analisar o disposto no art. 281, inciso II, do RIR/1999, que embasou o lançamento: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. No mesmo sentido dispõe o art. 40 da Lei nº 9.430/96: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Da análise dos dispositivos em comento, verificase que, tratandose de presunção prevista em lei, é necessário, para sua aplicação, que o lançamento esteja indubitavelmente comprovado, cabendo ao contribuinte o dever de provar, em razão da inversão do ônus da prova. O contribuinte, por sua vez, não se desincumbiu desse ônus, limitandose a alegar que todos os documentos foram perdidos em razão de enchentes ocorridas no local onde está sediada a empresa e que os pagamentos foram efetuados como forma de quitação de mútuos contraídos verbalmente entre os sócios das empresas. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 A fiscalização, ao presumir pela omissão de receitas, o fez com base em diversos indícios que demonstraram a ocorrência dos pagamentos, obtidos por meio de uma investigação minuciosa feita nas empresas envolvidas, com a juntada aos autos de diversos documentos apresentados quando da fiscalização. Assim, resta claro que a fiscalização realizou as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário, cabendo ao contribuinte comprovar a improcedência da presunção, o que, conforme já explanado, não ocorreu. Ademais, a autoridade Fazendária não tem como saber ou afirmar se os pagamentos são fruto de mútuo, aportes de capital, entre outras, sem o auxílio do contribuinte. Ressaltese que a recorrente poderia ter apresentado as provas que entendesse devidas até o momento da apresentação da impugnação, conforme dispõe os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, mas não o fez. Por outro lado, os procedimentos efetuados pela recorrente na tentativa de justificar a não apresentação dos livros sob a alegação de perda/extravio pela ocorrência de enchentes não tem o condão de afastar a responsabilidade tributária por infração quanto ao período objeto dos autos, pois os procedimentos exigidos pelo art. 264, § 1º, não dispensam a reconstituição da escrituração contábil/fiscal e foram realizados após ciência do início do procedimento de fiscalização, quando já havia perdido a espontaneidade. Ademais, o alegado extravio não permite que a contribuinte deixe de proceder à escrita contábil/fiscal, principalmente no caso de haver meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta, como no caso do anocalendário 2005. Diante das provas juntadas aos autos pela fiscalização e da ausência de comprovação das alegações da recorrente, resta evidente a existência de pagamentos efetuados pela recorrente e não registrados na escrituração contábil/fiscal, o que implica a ocorrência de omissão de receitas. Para tanto, a recorrente utilizouse de interposta pessoa (“laranja”), utilizando a empresa RIO SANTO para aquisição de combustíveis para proveito próprio. No que se refere ao contrato de mútuo verbal, ressalto que este não restou comprovado nos autos, havendo apenas meras alegações desprovidas de qualquer amparo probatório feitas pela recorrente. Vale dizer que o contrato de mútuo verbal só tem validade para as partes signatárias, não podendo ser invocado para prejudicar terceiros, como o fisco. Por esta razão, afasto os argumentos da recorrente também nesse ponto. Quanto à multa aplicada, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150%, eis que evidente a utilização de omissão de receitas por fraude/sonegação fiscal, mediante a utilização de interposta pessoa (“laranja”). Nesse sentido, o CARF já proferiu diversos julgados, dos quais colaciono o seguinte: Acórdão nº 9202002.767 – Relator: Gustavo Lian Haddad EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – MULTA QUALIFICADA A utilização de pessoa interposta para movimentação bancária e aquisição de bens caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16045.000490/201048 Acórdão n.º 1803002.584 S1TE03 Fl. 6 9 Por fim, ressalto que o mesmo caso já foi apreciado por este Conselho ao julgar o recurso voluntário da empresa F.D.M. TRANSPORTES LTDA, tendo sido proferido o Acórdão 1802002.086, pela 2ª Turma Especial, em que se adotou os mesmos fundamentos para decidir, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. COMPRAS DE MERCADORIAS EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Restando demonstrado pela autoridade de lançamento, mediante procedimento de circularização, que a pessoa jurídica autuada efetuou aquisições de produtos em nome de interposta pessoa (“laranja”), realizando pagamentos que não foram registrados na escrituração contábil/fiscal e intimada, inclusive, para fazer a comprovação da escrituração dos pagamentos, não logrou êxito na produção de provas, autoriza a presunção legal de que tais recursos são provenientes de receitas omitidas. O ônus probatório do fisco, nas presunções legais, resumese à comprovação fato indiciário (fato conhecido) que, por ilação ou por inferência, autoriza a tributação do fato presumido. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunção legal de que o fato probando ou presumido não ocorreu. SIMPLES. EXTRAVIO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo Simples Federal. Na hipótese de extravio/incêndio/inundação/enchente é do contribuinte o ônus da prova do fato no prazo e forma previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99. Independentemente da perda da espontaneidade, é obrigação do contribuinte refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. O extravio de livros/documentos contábeis e fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de constituição dos livros e de apuração da receita bruta pela circularização. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 INFRAÇÃO REFLEXA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBREA RECEITA DECLARADA. Mantida a infração omissão de receitas, mantémse a infração reflexa, inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. INTERPOSTA PESSOA. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de pagamentos não escriturados e de origem não comprovada, cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que as compras foram efetuadas em nome de interposta pessoa. REFLEXO. CSLLSIMPLES, COFINSSIMPLES. PISSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSSSIMPLES. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz,devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Com base em todo o exposto, entendo como correto o lançamento efetuado pela fiscalização, não havendo qualquer prova nos autos passível de elidir a presunção legal de omissão de receitas. CONCLUSÃO Assim, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000332/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutivos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 00 33 2/ 20 09 -1 2 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 115 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls.90/97 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efls. 75/82) que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente os autos de infração – multas isoladas de 75% , decorrentes da infração imputada compensação indevida (compensação considerada não declarada). Quanto aos fatos, consta: que, em 26/03/2007, a contribuinte protocolizou Declarações de Compensação em formulário papel, confessando débitos do IPI, IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, informando utilização de direito creditório adquirido de terceiro e de origem não tributária, para o referido encontro de contas; que as DCOMP, em formulário papel, foram objeto de análise nos autos do processo administrativo nº15472.000131/200792; que o Despacho Decisório DRF/POA n° 663/2008, de 29/12/2008, nos autos do processo n° 15472.000131/200792, não reconheceu o direito creditório pretendido e considerou não declaradas as compensações efetuadas, e determinou, ainda, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001; art. 44 da Lei no 9.430, de 27/12/96, com redação dada pelas Leis n° 9.532/97, n° 9.716/98 e no 11.488/2007; e art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com redação dada pelas Leis n° 11.051/2004, n° 11.196/2005, e n° 11.488/2007, que a fiscalização da referida unidade da RFB procedesse o lançamento de oficio, correspondente à multa isolada decorrente de compensação indevida, conforme cópia (efls. 10/17); que, em 15/01/2009, foram lavrados os autos de infração (efls. 23/27, 28/32, 33/37, 38/42 e 43/47) para exigência da multa isolada de 75%, no montante de R$ 636.094,08 (R$ 261.330,56 + 112.667,58 + 110.559,60 + 94.914,74 + 56.621,60) pela imputação da infração compensação indevida (IPI, IRPJ, Cofins, CSLL e PIS), que está assim descrita, consignada, in verbis: (...) 001 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo efetuou compensação indevida de valores em declaração prestada, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 16/20, baseado no Despacho Decisório DRF/POA n ° 663 (fls. 08 a15), de 16 de dezembro de 2008, os quais fazem parte integrante do presente Auto de Infração. (...) que a multa isolada de 75% exigida em cada auto de infração tem o seguinte demonstrativo de cálculo, que transcrevo abaixo, extraído do Termo de Constatação Fiscal de 16/01/2009, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 12/22): Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 116 3 Espécie Cód. Per Ap Valor na DCOMP Multa de Mora Juros de Mora Base de Cálculo Multa Isolada I IPI 1097 lq/jan/04 1.765,28 353,05 856,34 2.974,67 2.231,00 2 IPI 1097 2q/jan/04 874,46 174,89 414,76 1.464,11 1.098,08 3 IPI 1097 lq/fev/04 5.311,23 1.062,24 2.519,12 8.892,59 6.669,44 4 IPI 1097 2q/fev/04 2.753,31 550,66 1.267,90 4.571,87 3.428,90 5 IPI 1097 1q/mar/04 1.138,48 227,69 524,27 1.890,44 1.417,83 6 IPI 1097 2q/mar/04 2.178,31 435,66 977,41 3.591,38 2.693,54 7 IPI 1097 lq/abr/04 770,24 154,04 345,61 1.269,89 952,42 8 IPI 1097 2q/abr/04 3.810,67 762,13 1.662,98 6.235,78 4.676,84 9 IPI 1097 Iq/mai/04 2.963,27 592,65 1.293,17 4.849,09 3.636,82 10 IPI 1097 2q/mai/04 1.338,92 267,78 567,84 2.174,54 1.630,91 11 1P1 1097 lq/jun/04 302,10 60,42 128,12 490,64 367,98 12 1PI 1097 2q/jun/04 2.274,81 454,96 935,40 3.665,17 2.748,88 13 IPI 1097 lq/jul/04 1.561,66 312,33 642,15 2.516,14 1.887,11 14 IPI 1097 2q/jul/04 7.208,73 1.441,74 2.871,24 11.521,71 8.641,28 15 IPI 1097 1 q/ago/04 2.218,23 443,64 883,52 3.545,39 2.659,04 16 IPI 1097 2q/ago/04 2.535,39 507,07 978,15 4.020,61 3.015,46 17 IPI 1097 Iq/set/04 1.094,51 218,90 422,26 1.735,67 1.301,75 18 IPI 1097 2q/set/04 1.744,04 348,80 651,75 2.744,59 2.058,44 19 IPI 1097 out/04 484,67 96,93 175,06 756,66 567,50 20 IPI 1097 jan/05 6.451,33 1.290,26 2.067,01 9.808,60 7.356,45 21 IPI 1097 fev/05 3.111,51 622,30 949,32 4.683,13 3.51235 22 IPI 1097 mar/05 3.550,71 710,14 1.033,26 5.294,11 . 3.970,58 23 IPI 1097 abr/05 4.664,57 932,91 1.287,42 6.884,90 5.163,68 24 IPI 1097 mai/05 7.759,68 1.551,93 2.018,29 11.329,90 8.497,43 25 IPI 1097 jun/05 1.197,09 239,41 293,29 1.729,79 1.297,34 26 IPI 1097 jul/05 1.215,51 243,10 277,62 1.736,23 1.302,17 27 IPI 1097 ago/05 666,04 133,20 142,13 941,37 706,03 28 IPI 1097 set/05 4.091,57 818,31 815,45 5.725,33 4.294,00 29 IPI 1097 out/05 2.017,26 403,45 374,20 2.794,91 2.096,18 30 IPI 1097 dez/05 4.080,06 816,01 638,53 5.534,60 4.150,95 31 IPI 1097 jun/06 2.060,82 412,16 172,49 2.645,47 1.984,10 32 IPI 1097 jul/06 1.802,69 360,53 128,17 2.291,39 1.718,54 33 IPI 1097 ago/06 2.989,29 597,85 180,85 3.767,99 2.825,99 34 IPI 1097 set/06 2.988,01 597,60 148,21 3.733,82 2.800,37 35 IPI 1097 ou t/06 2.526,97 505,39 99,56 3.131,92 2.348,94 36 IPI 1097 nov/06 776,47 155,29 22,91 954,67 716,00 37 IPI 1097 dez/06 4.606,68 820,91 86,14 5.513,73 4.135,30 110.559,60 38 IRPJ 2089 1T/04 8.272,87 1.654,57 3.712,04 13.639,48 10.229,61 39 IRPJ 2089 2T/04 7.267,74 1.453,54 2.988,49 11.709,77 8.78233 40 IRPJ 2089 3 T/04 13.023,10 2.604,62 4.866,73 20.494,45 15.370,84 41 IRPJ 2089 4T/04 5.928,29 1.185,65 1.971,75 9.085,69 6.814,27 42 IRPJ 2089 1T/05 12.707,10 2.541,42 3.697,77 18.946,29 14.209,72 43 IRPJ 2089 2T/05 10.521,07 2.104,21 2.577,66 15.202,94 11.402,21 44 IRPJ 2089 3T/05 13.951,20 2.790,24 2.780,47 19.521,91 14.641,43 45 IRPJ 2089 4T/05 12.829,00 2.565,80 2.007,74 17.402,54 13.051,91 46 IRPJ 2089 1T/06 2.279,46 455,89 273,54 3.008,89 2.256,67 47 IRPJ 2089 2T/06 16.523,71 3.304,74 1.383,03 21.211,48 15.908,61 112.667,58 48 COFINS 2172 jan/04 5.850,28 1.170,05 2.774,79 9.795,12 7.346,34 49 COFINS 2172 fev/04 7.664,99 1.532,99 3.529,73 12.727,71 9.545,78 50 COFINS 2172 mar/04 7.166,90 1.433,38 3.215,79 11.816,07 8.862,05 51 COFINS 2172 abr/04 6.369,06 1.273,81 2.779,46 10.422,33 7.816,75 52 COFINS 2172 mai/04 6.007,98 1.201,59 2.547,98 9.757,55 7.318,16 53 COFINS 2172 jun/04 5.792,30 1.158,46 2.381,79 9.332,55 6.999,41 54 COFINS 2172 jul/04 8.994,05 1.798,81 3.582,33 14.375,19 10.78139 55 COFINS 2172 ago/04 10.398,72 2.079,74 4.011,83 16.490,29 12.367,72 56 COFINS 2172 set/04 9.141,88 1.828,37 3.416,32 14.386,57 10.789,93 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 117 4 57 COFINS 2172 out/04 11.584,82 2.316,96 4.184,44 18.086,22 13.564,67 58 COFINS 2172 no v/04 8.040,54 1.608,10 2.785,24 12.433,88 9.325,41 59 COFINS 2172 dez/04 7.812,23 1.562,44 2.598,35 11.973,02 8.979,77 60 COFINS 2172 jan/05 10.496,81 2.099,36 3.363,18 15.959,35 11.969,51 61 COFINS 2172 fev/05 8.605,50 1.721,10 2.625,54 12.952,14 9.714,11 62 COFINS 2172 mar/05 8.958,35 1.791,67 2.606,88 13.356,90 10.017,68 63 COFINS 2172 abr/05 9.031,20 1.806,24 2.492,61 13.330,05 9.997,54 64 COFINS 2172 mai/05 7.986,20 1.597,24 2.077,21 11.660,65 8.745,49 65 COFINS 2172 jun/05 7.764,20 1.552,84 1.902,23 11.219,27 8.414,45 66 COFINS 2172 jul/05 8.327,53 1.665,50 1.902,01 11.895,04 8.921,28 67 COFINS 2172 ago/05 10.852,74 2.170,54 2.315,97 15.339,25 11.504,44 68 COFrNS 2172 set/05 10.746,50 2.149,30 2.141,78 15.037,58 11.278,19 69 COFrNS 2172 out/05 9.461,99 1.892,39 1.755,20 13.109,58 9.832,19 70 COFINS 2172 nov/05 8.666,10 1.733,22 1.480,17 11.879,49 8.909,62 71 COFÍNS 2172 dez/05 10.115,40 2.023,08 1.583,06 13.721,54 10.291,16 72 COFrNS 2172 jun/06 11.078,77 2.215,75 927,29 14.221,81 10.666,36 73 COFINS 2172 jul/06 8.606,45 1.721,29 611,92 10.939,66 8.204,75 74 COFrNS 2172 ago/06 9.696,11 1.939,22 586,61 12.221,94 9.166,46 261.330,56 75 CSLL 2372 1T/04 7.445,58 1.489,11 3.340,83 12.275,52 9.206,64 76 CSLL 2372 2T/04 6.540,96 1.308,19 2.689,64 10.538,79 7.904,09 77 CSLL 2372 3T/04 10.272,47 2.054,49 3.838,82 16.165,78 12.124,34 78 CSLL 2372 4T/04 9.877,54 1.975,50 3.285,27 15.138,31 11.353,73 79 CSLL 2372 1T/05 10.101,84 2.020,36 2.939,64 15.061,84 11.296^8 80 CSLL 2372 2T/05 8.921,38 1.784,27 2.185,74 12.891,39 9.668,54 81 CSLL 2372 3T/05 10.773,63 2.154,72 2.147,18 15.075,53 11.306,65 82 CSLL 2372 4T/05 10.167,67 2.033,53 1.591,24 13.792,44 10.344,33 83 CSLL 2372 2T/06 12.162,80 2.432,56 1.018,03 15.613,39 11.710,04 94.914,74 84 PIS 8109 jan/04 1.267,56 253,51 601,20 2.122,27 1.591,70 85 PIS 8109 fev/04 1.660,75 332,15 764,78 2.757,68 2.068,26 86 PIS 8109 mar/04 1.552,83 310,56 696,75 2.560,14 1.920,11 87 PIS 8109 abr/04 1.379,96 275,99 602,21 2.258,16 1.693,62 88 PIS 8109 mai/04 1.301,73 260,34 552,06 2.114,13 1.585,60 89 PIS 8109 jun/04 1.255,00 251,00 516,06 2.022,06 1.516,55 90 PIS 8109 jul/04 1.948,71 389,74 776,17 3.114,62 2.335,97 91 PIS 8109 ago/04 2.253,06 450,61 869,23 3.572,90 2.679,68 92 PIS 8109 set/04 1.980,74 396,14 740,20 3.117,08 2.337,81 93 PIS 8109 out/04 2.510,05 502,01 906,63 3.918,69 2.939,02 94 PIS 8109 nov/04 1.742,12 348,42 603,47 2.694,01 2.020,51 95 PIS 8109 dez/04 1.692,65 338,53 562,98 2.594,16 1.945,62 96 PIS 8109 jan/05 2.274,31 454,86 728,69 3.457,86 2.593,40 97 PIS 8109 fev/05 1.864,53 372,90 568,87 2.806,30 2.104,73 98 PIS 8109 mar/05 1.940,98 388,19 564,83 2.894,00 2.170,50 99 PIS 8109 abr/05 1.956,76 391,35 540,07 2.888,18 2.166,14 100 PIS 8109 mai/05 1.730,34 346,06 450,06 2.526,46 1.894,85 101 PIS 8109 jun/05 1.682,24 336,44 412,15 2.430,83 1.823,12 102 PIS 8109 jul/05 1.804,30 360,86 412,10 2.577,26 1.932,95 103 PIS 8109 ago/05 2.351,43 470,28 501,80 3.323,51 2.492,63 104 PIS 8109 set/05 2.328,41 465,68 464,05 3.258,14 2.443,61 105 PIS 8109 out/05 2.050,10 410,02 380,29 2.840,41 2.130,31 106 PIS 8109 nov/05 1.877,66 375,53 320,70 2.573,89 1.930,42 107 PIS 8109 dez/05 2.191,67 438,33 343,00 2.973,00 2.229,75 108 PIS 8109 jun/06 2.400,40 480,08 200,91 3.081,39 2.311,04 109 PIS 8109 jul/06 1.864,73 372,94 132,58 2.370,25 1.777,69 110 PIS 8109 ago/06 2.100,82 420,16 127,10 2.648,08 1.986,06 56.621,60 TOTAL 574.633,42 636.094,08 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 118 5 que a multa isolada está sendo exigida, no caso, pelo fato da contribuinte ter efetuado a compensação indevida, por utilização de crédito de terceiros e de origem não tributária (compensação considerada não declarada); que, em relação à natureza do direito creditório utilizado/pleiteado nas DCOMP, consta consignado na fundamentação do Despacho Decisório da DRF/Porto Alegre (efls. 10/17), in verbis: (...) 2. O contribuinte apresentou declaração de compensação em formulário de papel (fls. 3 a 5), alegando ser detentor de créditos reconhecidos por decisão judicial da Justiça do Trabalho de Boa Vista (RR) em reclamatória trabalhista a 1.498 professores, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima, pretendendo utilizarse desses créditos de terceiros, para compensação com débitos de IRPJ, CSLL, IPI, PIS e COFINS, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, conforme as planilhas de fls. 71 a 74. 3. A declaração de compensação (fls. 3 a 5), a qual pretendeu utilizar o crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado a terceiros, foi protocolizada sem que tenha havido a prévia habilitação do crédito, exigida pelo art. 51 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005. 4. Os créditos utilizados pelo contribuinte nas compensações têm natureza trabalhista e não são relativos a tributos ou a contribuições administrados pela RFB, conforme a certidão narratória, expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (fls. 28 a 30) 5. O trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório ocorreu em 05/11/1990 (fl. 29). Conforme a certidão da escritura pública de cessão de direitos creditórios (fl. 26), a empresa Benetti — Prestadora de Serviços Ltda. torno detentora de direitos sobre créditos alimentícios oriundos da reclamatória trabalhista, promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima, os quais cedeu, com ônus, para a empresa TRIAAC Sul Indústria e Comércio Ltda, que ora pretende utilizálos na compensação de débitos próprios. (...) que os autos de infração têm a seguinte fundamentação legal: Art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n ° 351/07; que, ainda, quanto à fundamentação legal, consta do Termo de Constatação Fiscal (efls. 18/22): (...) 7. Com base na legislação tributária acima transcrita, o Despacho Decisório DRF/POA n° 663/2008, no processo n° 15472.000131/2007 92, não reconheceu o direito creditório pretendido e considerou não declaradas as compensações efetuadas. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 119 6 8. O art. 18, § 4o, da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Medida Provisória n° 351/2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488/2007, vigente na data em que foi apresentada a declaração de compensação em formulário, dispõe sobre a exigência de multa isolada, no caso de compensação considerada não declarada: "§ 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1°, quando foro caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" (...) que o processo nº 15472.000131/200792, no qual a compensação foi considerada não declarada, foi encaminhado para a DISIT, nos termos da Lei 9.784, para análise da defesa protocolada em 20/02/2009 (recurso sem efeito suspensivo), conforme despacho (efl. 74); que os débitos dos tributos considerados não declarados foram transferidos para o processo de representação nº 11080.006.1851200986 com a finalidade de inscrição em divida ativa, tendo em vista que o recurso não tem efeto suspensivo e os débitos foram declarados na DCTF, conforme despacho (efl. 74). que a contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 10/02/2009 por via postal – Aviso de Recebimento –AR (efl. 49); apresentou impugnação em 20/02/2009 (efls. 51/58), juntando ainda os documentos (efls. 59/72), cujas razões, em sintese, são as seguintes: 1) Da invalidade do lançamento fiscal – Falta de repesentação legal: que não se pode considerar válido o lançamento fiscal, pois não atende ao diposto no art. 142 do CTN; que há inexatidão quanto à identificação do sujeito passivo e/ou representação legal, comprometendo, inapelavelmente, o lançamento fiscal; que jamais firmou ou reconheceu a suposta pessoa que firmou, em nome da autuada, a declaração de compensação combatida; que o representante legal do sujeito passivo é a pessoa física que tem a representação legal e formal, que não é o caso; que a identificação do representante legal, no caso, não observou o disposto no Contrato Social e no Código Civil; que a autoridade fiscal equivocouse na identificação do sujeito passivo, pois limitouse a interpretar a norma isoladamente, em tiras, sem considerar o conjunto de normas civis, comerciais, tributárias que recaem acerca da matéria posta em discussão. que, por conseguinte, o lançamento deve ser declarado nulo; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 120 7 2) – Débitos em aberto do IPI quanto aos PA junho a dezembro/2006 : que, diversamente do que alega o fisco, os débitos do IPI, relativos aos períodos de apuração de junho a dezembro/2006, foram pagos/recolhidos em 26/02/2008; que anexou comprovantes de recolhimentos (efls. 59/62), e que, por conseguinte, sejam baixados no sistema da RFB. Por fim, em resumo, o sujeito passivo pugna pela insubsistência dos autos de infração por serem inválidos; que esses lançamentos ferem a legislação tributária, mormente os artigos 142 e 149 do CTN; que, ainda, os autos de infração foram baseados em declarações prestadas por pessoa estranha, em total desconhecimento por quem de direito; que há falta de identificação do representante legal. A 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento fiscal, conforme Acórdão de 31/07/2013 (efls. 75/82), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual é feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DISTINTO DO PLEITEADO ORIGINALMENTE Por impossibilidade legal e processual, não cabe nova análise da viabilidade do reconhecimento do direito creditório, já indeferido em processo próprio, através de outro processo administrativo de lançamento fiscal que tem identidade própria, ainda que exista liame com aquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente dessa decisão em 16/08/2013 (efl. 87), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/08/2013 (efls. 90/97), juntando ainda documentos (efls. 98/107), cujas razões, no que pertinente, transcrevo: (...) autorizou terceiro, após a lavratura de Instrumento de Cessão de Direitos Creditórios, a elaborar pedido de compensação em formulário de papel, de diversos impostos e contribuições federais com crédito oriundo de terceiros com decisão transitada em julgado, conforme Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 121 8 fazia certo os autos do Precatório Alimentar VTBV 054/90 TRT 11. Tais providenciais a cargo deste terceiro, foram realizadas em seu nome, e protocolada em 26/03/2007, em Unidade da RFB, fora de sua jurisdição. Posteriormente, em 27/05/2008, foi intimada , cuja ciência via A.R, deuse em 11 de junho de 2008, quando o processo iniciava a instrução em sua jurisdição, a apresentar a procuração exigida e identificar o procurador. Nesta oportunidade, tomou conhecimento das irregularidades, que ali se transcrevia e constatou que fora grafado na DCOMP formulário, o nome de sua sócia gerente e feito um rabisco, em nome de procurador inexistente. Impossibilitada de atender ao requerido, pediu a imediata baixa da tramitação desta DCOMP. Acontece que foi surpreendida com o indigitado lançamento da Multa Isolada, mediante Auto de Infração, no qual esta Secretaria da Receita Federal do Brasil, passa a exigir os valores acessórios , supostamente devidos, em razão da não aceitação da solicitação de baixa havida, pois decidiu pela impossibilidade de seu acolhimento. (..) Preliminarmente Nosso Código de Processo, prestigiando velha tradição, subordina ao requisito da vinculação da data de ocorrência dos fatos, aos seus efeitos e causas . A analise singular dos fatos mostra que a data de aquisição dos créditos e o protocolamento da declaração de compensação ocorreu em momentos distintos, divergentes , onde as cominações legais eram mais favoráveis aos detentores de créditos e inexistiam grande parte das restrições , hoje vigentes. Por outro lado, fica patente o erro grosseiro cometido pelo profissional que elaborou e protocolou a DCOMP que sem conhecimento da impugnante, fraudou sua identificação. É induvidoso que a ausência de semelhante requisito resultaria no arquivamento deste pedido, pois jamais poderia ter sido acolhido com a falta deste documento essencial (identificação de quem assinou, e a devida comprovação de capacidade legal, no caso procuração). Mas, conforme se mencionou inicialmente, o simples exame das circunstancias que ensejaram sua tramitação, explica o porquê de seu andamento !!!!???? Nesta esteira de raciocínio, não se pode considerar válido crédito fiscal apurado em procedimento administrativo em que se verifica inexatidão da identificação do sujeito passivo e ou seu representante legal, comprometendo inapelavelmente o lançamento tributário efetuado pelo agente e, em conseqüência, os autos ora impugnados. É por este motivo que o impugnante se insurge contra os autos de infração, pois jamais firmou ou reconheceu, a interposta pessoa que firmou em sua substituição, a declaração de compensação combatida. Conforme tentamos demonstrar a identificação do representante legal do sujeito passivo, não observou o estabelecido no Contrato Social e Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 122 9 Código Civil, ensejando enorme erro de interpretação e aplicação das normas legais e infralegais no caso concreto. (...) Quando se diz que o agente fiscal equivocouse na validação fraudada da identificação do sujeito passivo é porque se limitou a interpretar a norma isoladamente, em tiras, sem considerar o conjunto de normas civis, comerciais e tributárias que recaem sobre a matéria posta em discussão. É ainda por se agarrar a minúcias e indícios a nosso desfavor, sem um exame imparcial e criterioso das causas e efeitos que esta sua corporativa visão nos acarretaria. A decisão ora combatida demonstra ainda que a dinâmica do tempo, ocorreu em nosso desfavor, pois enquanto esta declaração de compensação tramitava e ou aguardava baixa, alguns débitos que ali estavam transcritos, foram liquidados, e para demonstrar nossa boa fé seguiram anexos a impugnação inicial, mas por descuido, na analise conjunta dos fatos , em suas datas de ocorrências, não foram entendidos (...) Novamente o diligente relator se equivoca, quanto transforma a falta de identificação e não reconhecimento de quem assinou a DCOMP em algo corriqueiro e insignificante (...) A autuada tentou demonstrar em suas manifestações precedentes que efetivamente desconhece quem assinou a DCOMP em nome de seu representante legal, que quando teve ciência do fato, tomou todas as providencias que poderiam interromper os efeitos da dita declaração de compensação, pedindo a sua baixa e iniciando a liquidação dos débitos que ali se pretendia compensar. Em endosso de sua manifesta boa fé, identificou ainda pagamentos de débitos, inclusos na referida DCOMP, que foram erroneamente inclusos na apuração da exigência (...) Débitos pagos antes de tomar ciência :R$ 2.150,45 Débitos pagos antes de apurar a exigência : R$ 8.460,80 Finalmente, foi desconsiderado o decidido no PARECER 60 SRRF10/DISIT de 21 julho de 2010 que alterou o DESPACHO DECISÓRIO DRF/POA 663 de 16 de dezembro de 2008, onde a base imponível foi alterada de R$ 593.687,79, para R$ 575.936,86 o que perfaz multa Isolada de R$ 431.952,64, se devida, ao invés de R$ 445.265,84, como se pretende cobrar. Ora, não se revestindo o auto de infração de exatidão, certeza e exigibilidade, (...)A todo o momento o julgador poderá declarar a nulidade do feito tanto a requerimento da parte como "ex officio". Não é preciso, portanto, que o impugnante se utilize dos qualquer procedimento especial. Poderá argüir a nulidade em simples petição, nos próprios autos, conforme fizemos e presumimos que seria o correto ( pedido de baixa da DCOMP ). Mas, apesar de nosso esforço em evidenciar a fraude, nossa argumentação foi desconsiderada. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 123 10 Desta feita, por não serem aplicáveis ao caso as determinações expressas do artigo 18, da Lei 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei 11.051 , de 2004, e 11.196 de 2005 , não serão, também, aplicadas penas pela não declaração de compensação multa isolada devendo elas serem extintas. (...) É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 124 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide objeto dos autos versa acerca da exigência de multa isolada, por compensação indevida, ou seja, declaração de compensação considerada não declarada, por utilização vedada de crédito de terceiros e de origem não tributária. Nesta instância recursal, a recorrente busca a reforma da decisão a quo que manteve o lançamento fiscal. Nesse sentido, a recorrente alega que foi vítima de fraude quanto à declaração de compensação em formulário papel, protocolizada (entregue ao fisco), suscitando preliminar de nulidade do lançamento fiscal. Lembra a recorrente que, antes da ciência do despacho decisório proferido nos autos do processo nº 15472.000131/200792 que denegou o direito creditório e julgou a compensação indevida (compensação considerada não declarada por utilização de crédito de terceiros e de origem não tributária) , foi intimada pelo fisco para regularização da representação legal, para apresentação de procuração em relação ao subscritor das declarações e que, na época, pela impossibilidadade de identificação de quem teria efetivamente protocolizado e assinado as declarações, pediu que fosse dado baixa dessas declarações, por falta de interesse na efetivação dessas compensações. A propósito, trascrevo parte do relatório/fundamentação do despacho decisório da DRF/Porto Alegre (decisão monocrática proferida nos autos do processo de compensação tributária nº 15472.000131/200792, onde o sujeito passivo pleiteou o aproveitamento de crédito de terceiros e de origem não tributária para quitação de débitos tributários próprios mediante apresentação de declaração de compensação em formuçario papel) que tratou ou abordou a questão da indigitada intimação fiscal para regularização da representação legal (efls.11/12), in verbis: (...) 6. A declaração de compensação (fls. 3 a 5) foi apresentada sem a identificação do procurador da empresa, que a assinou. Por esta razão, despachouse o processo (fl. 63) à Agência da Receita Federal em São Jeremimo, para que o contribuinte fosse intimado a apresentar procuração e copia do documento de identidade do signatário da declaração de compensação. 7. Em atendimento à intimação (fl. 68), informou o contribuinte que não identificou a pessoa que assinou a declaração de compensação, e solicita a "baixa" do documento, em vista de não ter mais interesse no prosseguimento da declaração de compensação. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 125 12 (...) 25. Cabe mencionar, que, com base nos arts. 50 e 51 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, ao apresentar declarações de compensação com a utilização de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, o contribuinte está sujeito ao procedimento prévio de habilitação do crédito. Neste caso, a declaração de compensação foi recepcionada sem a observância aos requisitos dispostos na legislação acima citada. (...) Como visto, as declarações de compensação, em formulário papel, foram protocolizadas e recepcionadas pela RFB sem os documentos que pudessem identificar, qualificar, quem as assinou. Ou seja, por ocasião da protocolização das declarações de compensação, faltou a juntada de procuração e cópia da carteira de identidade do pretenso representante legal da recorrente. A recorrente alega que foi vítima de fraude, que não há pressuposto fático para a aplicação e exigência da multa isolada, pois a declaração de compensação em formulário papel teria sido protocolizada sem conhecimento da empresa (sem conhecimento da sócia e que a assinatura aposta no documento não é da sócia indicada). Compulsando os autos, constatase, de plano, a insuficiência de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide. Com exceção de cópia do referido despacho decisório, não consta dos presentes autos peça alguma do processo nº 15472.000131/200792, no qual restaram enfrentadas as questões do crédito pleiteado, das declarações de compensação protocolizadas e a questão da regularização ou não da representação fiscal; deveriam constar dos presentes autos, pelo menos, cópia das seguintes peças daquele processo: a) cópia das declarações de compensação em formulário papel; b) cópia da intimação para regularização da representação legal; c) cópia da resposta da empresa à intimação fiscal solicitando a regularização da representação legal; d) cópia do título de aquisição do crédito de terceiros (cessão de direito). Sem a juntada de cópia integral de todas as peças do processo nº 15472.000131/200792 (processo de compensação tributária) aos presentes autos, não há como o julgador formar convicção acerca da lide objeto deste processo (o presente processo é decorrente daquele). Ou seja, há dúvida fundada, por enquanto, se as declarações de compensação são juridicamente existentes, válidas ou inexistentes, por conta do alegado vício de falta de representação legal da empresa nos autos, quanto ao pedido de aproveitamento de crédito de terceiros pela compensação protocolizada em formulário papel. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 126 13 Há dúvida também, por enquanto, se a empresa tinha, ou não, conhecimento da protocolização da declaração de compensação pleiteando aproveitamento de crédito de terceiros, pois cópia da DCTF a que se refere o despacho decisório não foi juntada aos presentes autos. Ainda, a contribuinte alegou que a base de cálculo da respectiva multa aplicada não seria aquela constante do auto de infração e do demonstrativo transcrito no relatório, pois: a) quando da protocolização da declaração de compensação, em formulário papel, alguns débitos computados já estavam quitados, extintos; b) que a base de cálculo da multa, ademais, foi alterada de R$ 593.687,79 para R$ 575.936,86, o que perfaz multa isolada de R$ 431.952,64, se devida, ao invés de R$ 445.265,84, como se pretende cobrar; que a multa foi reduzida conforme PARECER 60 SRRF10/DISIT de 21 julho de 2010 (não foi juntado, não consta cópia desse Parecer nos presentes autos). Como visto, tornase necessário o saneamento do processo (a realização de instrução processual complementar) para carrear essas provas aos autos e outras atinentes a alegações da recorrente nas razões do recurso, como, por exemplo, de que teria sido vítima de fraude (assinatura falsificada na declaração de compensação em papel). Propugno, por conseguinte, converter o julgamento em diligência para retorno dos autos à unidade de origem da RFB DRF/Porto Alegre para: a) juntar cópia digitalizada dos autos do processo nº 15472.000131/200792 (todas as peças do processo); b) intimar a contribuinte apresentar à fiscalização relação de débitos, com identificação do respectivo período de apuração, que teriam sido quitados antes da protocolização da compensação em formulário papel e que ainda estariam fazendo parte da base de cálculo da multa aplicada; apresentar, juntar, respectivos documentos comprobatórios de quitação com identificação da data de recolhimento; c) intimar a contribuinte a apresentar à fiscalização e juntar aos autos cópia do PARECER 60 SRRF10/DISIT de 21 julho de 2010 que teria alterado o DESPACHO DECISÓRIO DRF/POA nº 663 de 16 de dezembro de 2008, onde a base imponível da multa isolada teria sido alterada para menor; d) intimar a contribuinte a comprovar a alegação de que teria sido vítima de fraude; juntar cópia de registro de Boletim de Ocorrência Policial e outras providências que levou a efeito, e que possam embasar a referida alegação nos presentes autos; e) juntar cópia das DCTF transmitidas pelo sujeito passivo (confissão de débitos) e das quais constariam, expressamente, a a indicação de que os débitos foeram objeto de compensação no processo de compensação nº 15472.000131/200792) (vide fundamentação do Despacho Decisório, cópia efls. 11/12); f) intimar a contribuinte a juntar aos autos cópia da autorização dada a terceiro, após a lavratura de Instrumento de Cessão de Direitos Creditórios, a elaborar pedido de compensação em formulário de papel, de diversos impostos e contribuições federais com Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 11080.000332/200912 Resolução nº 1802000.621 S1TE02 Fl. 127 14 crédito oriundo de terceiros de que trata a decisão judicial transitada em julgado, conforme fazia certo os autos do Precatório Alimentar VTBV 054/90 TRT 11 (obs: nas razões do recurso voluntário, conforme já transcrito no relatório, a própria recorrente menciosa, expressamente, essa autorização dada a terceiros, porém não juntou aos presentes autos cópia dela); g) juntar aos autos outras provas, caso existentes, e que sejam importantes para resolução do mérito da lide objeto dos autos. Ao final da diligência fiscal, a fiscalização deverá elaborar relatório minucioso, detalhado, consignando, caracterizando, de forma expressa, os trabalhos efetuados/realizados em relação à colheita de provas (elementos probatórios colhidos) e outras informações que julgar pertinentes para resolução da lide. Dar ciência ao sujeito passivo do relatório final dos trabalhos de diligência, abrindo prazo de trinta dias, a partir da ciência , para sua manifestação nos autos, caso queira. Transcorrido o prazo dado com ou sem manifestação do sujeito passivo, retornem os autos ao CARF. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13770.000229/2003-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Sergio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Sergio Luiz Bezerra Presta.
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Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e Sergio Luiz Bezerra Presta. Relatório Tratase de Declaração de Compensação entregue em papel, em que o contribuinte pleiteia a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 70 .0 00 22 9/ 20 03 -2 6 Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 3 2 2000, com outros débitos arrecadados pela Receita Federal do Brasil. Vejamos os detalhes dos fatos através do relatório fiscal: 1. A contribuinte acima identificada apresenta Declaração de Compensação, em formulário papel, de crédito de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, referente 4° trimestre do anocalendário de 2000, no respectivo valor de R$ 45.132.706,44 (quarenta e cinco milhões, cento e trinta e dois mil, setecentos e seis reais e quarenta e quatro centavos), com débitos de diversas naturezas, às fls. 01 e 02, 2. Posteriormente, em duas oportunidades, a contribuinte solicitõu1a substituição da Declaração de Compensação anteriormente entregue, às fls. 32 a 34 e 41 a 43, o que alterou o montante dos débitos a serem compensados para R$ 26.129.709,58 (vinte seis milhões, cento e vinte e nove mil, setecentos e nove reais e cinqüenta e oito centavos). 3. Por meio eletrônico, concernente ao mesmo crédito alegado, apresentou as declarações de compensação, listadas no quadro abaixo, no montante de R$ 20.329.563,94 (vinte milhões, trezentos e vinte e nove mil, quinhentos e sessenta e três reais e noventa e quatro centavos). 4. Assim, o somatório dos débitos perfaz a importância de R$ 46.459.273,52 (quarenta e seis milhões, quatrocentos e cinqüenta e nove mil, duzentos e setenta e três reais e cinqüenta e dois centavos). 5. Instruindo, inicialmente, anexou ao presente processo demonstrativo do saldo negativo de IRPJ referente ao 4° trimestre, às fls. 03 e 04, cópia autenticada do Estatuto Social da Empresa, às fls. 05 a 19, do Extrato da Ata de Reunião do Conselho de Administração, às fls. 20 e 21, da Ata de Assembléia Geral Ordinária, às fls. 22 a 26, do instrumento de procuração, da carteira de identidade do representante, às fls. 27 e 28. 6. Tendo em vista a necessidade de complementação da instrução processual no que concerne a novas informações e à coleta de elementos comprobatórios, foi expedida e encaminhada, por via postal, a Solicitação de Documentos n° 058/2005, à fl. 47, solicitando apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, dos demonstrativos de retenção, dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, do Livro Contábil Razão, entre outros elementos. Seu recebimento deuse em 13/05/2005, conforme Aviso de Recebimento, à fl. 48. 7. Em atendimento à Solicitação de Documentos n° 058/2005, a contribuinte, mediante termo de entrega, apresentou cópias simples do LALUR do anocalendário de 2000, às fls. 74 a 116, demonstrativo de compensação com crédito de IRPJ do 4° Trimestre de 2000, às fls. 50 a 51, cópias das declarações de compensação, às fls. 52 a 68, demonstrativo do montante das retenções, à fl. 69, cópia autenticada dos comprovantes de rendimentos, às fls. 70 a 73. O fundamento da decisão de não homologação está abaixo transcrita: Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Vale registrar que a Lei 9.430/96 em seu artigo 1° estabeleceu a apuração trimestral do imposto de renda das pessoas jurídicas com base no lucro real, por período de apuração trimestral, encerrado nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. E, o parágrafo terceiro do artigo 7º, previu que havendo saldo de imposto pago a maior, a pessoa jurídica poderá compensálo com o imposto devido, correspondente aos períodos de apuração subseqüentes, facultado o pedido de restituição. 9. Convém lembrar que inciso I do §4° do Art. 2° da Lei 9.430/96 permitiu a utilização do imposto de renda retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar. 10. É cediço que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, nos termos do Art. 55 da Lei n° 7.450/85. 11. Nesse sentido, dispõe o Art. 942 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999: "Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n° 4.154, de 1962, art. 13, § 2% e Lei n° 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1°). Parágrafo único. 0 comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei n° 8.981, de 1995, art. 86)." 12. Ao compulsar a cópia do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR — Parte A — Registros e Ajustes do Lucro Líquido, à fl. 92, evidenciouse, com base no Demonstrativo do Lucro Real, lucro real de R$ 66.202.158,45 (sessenta e seis milhões, duzentos e dois mil, cento e cinqüenta e oito reais e quarenta e cinco centavos), em consonância ao informado na Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real — da DIPJ 2001, à fl. 125. 13. Registrese que a exclusão da contribuição social sobre o lucro líquido no Demonstrativo do Lucro Real constante do LALUR, à fl. 92, para ajuste do lucro líquido antes do IR não encontra amparo na legislação. Nesse sentido foi lavrado auto de Infração, às 364 a 375, cuja ciência deuse em 29/06/2005 (Processo n°. 15586.000440/2005 13). 14. Com base na Ficha 12A — Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, constante da DIPJ 2001, à fl. 127, a contribuinte informa imposto de renda sobre o lucro real no valor de R$ 16.544.539,61 (dezesseis milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e trinta e nove reais e sessenta e um centavos), tendo se utilizado de Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 5 4 deduções no montante de R$ 32.561.342,40 (trinta e dois milhões, quinhentos e sessenta e um mil, trezentos e quarenta e dois reais e quarenta centavos), sendo R$ 397.212,95 (trezentos e noventa e sete mil, duzentos e doze reais e noventa e cinco centavos) referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador e o restante ao imposto de renda retido na fonte, resultando em saldo negativo de R$ 16.016.802,79 (dezesseis milhões, dezesseis mil, oitocentos e dois reais e setenta e nove centavos). 15. Entretanto, em consulta ao Total Geral das Fontes Pagadoras pertinentes aos quatro trimestres do anocalendário de 2000 , constante do sistema SRF SIEF DIRF, às fls. 129 e 132, foram visualizadas as importâncias, em montante inferior, respectivas à matriz e à filial, de R$ 566,85 (quinhentos e sessenta e seis reais e oitenta e cinco centavos) e de R$ 45.039.270,52 (quarenta e cinco milhões, trinta e nove mil, duzentos e setenta reais e cinqüenta e dois centavos). 16. Cumpre registrar que a requerente, em atendimento à solicitação de documentos, entregou "Demonstrativo do Montante das Retenções", à fl. 69, no montante de R$ 48.253.236,87 (quarenta e oito milhões, duzentos e cinqüenta e três mil, duzentos e trinta e seis reais e oitenta e sete centavos), apoiado em cópias autenticadas de comprovantes de retenção, às fls. 70 a 73. 17. Ao examinar o "Demonstrativo do Montante das Retenções" confeccionado pela requerente, à fl. 69, em cotejo às informações integrantes dos comprovantes de retenção, às fls. 70 a 73 e 315, das DIRF, às fls. 129 a 133 e 363, no sentido de identificar comprovar exclusivamente os valores concernentes ao 4° trimestre de 2000, elaborouse o quadro abaixo: (...) 18. Assim, a título de imposto de renda retido na fonte pertinente ao' 4' trimestre de 2000, foi possível corroborar, acostado nos documentos apresentados pela requerente e em consulta aos sistemas da SRF, o montante de R$ 32.164.129,42 (trinta e dois milhões, cento e sessenta e quatro mil, cento e vinte e nove reais e quarenta e dois centavos). 19. Convém assinalar que os comprovantes de rendimentos de fls. 73 e 74 foram retificados pela fonte pagadora — Banco Safra — conforme documentos acostados às fls. 315 e 363. Registrese informação da contribuinte à fl. 208 (item 4). 20. É de verificarse, portanto, com base nos documentos acostados ao processo, que a composição do saldo negativo de IRPJ alegado é oriunda, predominantemente, da utilização das retenções na fonte pela contribuinte. E que as retenções dizem respeito, em quase sua totalidade, a rendimentos de aplicações financeiras. Conforme quadro abaixo: (...) 21. Em decorrência do disposto no Art. 229 do Regulamento do Imposto de Renda que disciplina que a pessoa jurídica somente poderá Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 6 5 deduzir, do IR apurado, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo (art. 34 da Lei n° 8.981/1995, com redação alterada pela Lei 9.065/1995), procedeuse ao exame dos rendimentos atinentes ao 4° trimestre do anocalendário de 2000, no montante de R$ 162.199.752,63 (cento e sessenta e dois milhões, cento e noventa e nove mil, setecentos e cinqüenta e dois reais e sessenta e três centavos) constantes da Relação de Informes de Rendimentos. 22. Ao compulsar a Ficha 06A — Demonstração do Resultado, da DIPJ 2001, à fl. 236, verificase que o montante dos rendimentos objeto de retenção de imposto de renda na fonte (R$ 162.199.752,63) supera o valor registrado de receita financeira do período (R$ 56.820.397,22) 23. Todavia, há de se considerar que, em decorrência da legislaçã1 e da época em que se deram as aplicações financeiras, o momento da ocorrência do fato gerador, ou seja, da obtenção do rendimento, não era simultâneo ao da tributação. 24. Nesse sentido, a contribuinte mantém um controle extracontábil de suas aplicações financeiras, cópia anexada às fls. 247 a 268, com vista ao reconhecimento dos rendimentos pelo regime de competência. 25. Ao compulsar o controle extracontábil apresentado pela contribuinte, verificase que a coluna "juros real do mês" contempla os juros calculados com base no critério estabelecido na coluna "cota ou condições". 26. Ao final de cada mês, o montante dos rendimentos, em observância ao regime de competência, é levado ao resultado, conforme confronto do valor das receitas financeiras discriminadas no balancete, à fl..244, e da evolução da conta de receita financeira, às fls. 245, com a consolidação dos valores, mês a mês, dos "juros real do mês" apoiados no controle extracontábil, às fls. 255 a 257 e 267 a 268. 27. A sistemática adotada no controle extracontábil da contribuinte é a seguinte: o valor inicial — transportado do valor final do mês anterior é descrito na coluna "prov. juros", a esta é adicionado o "juros real do mês", decorrente da apropriação em regime de competência, cujo resultado é consolidado na coluna "juros real acumulado'. Quando há um resgate, a parcela de juros pertinente é identificada na coluna "resgate juros" e subtraída do valor constante da coluna "juros real acumulado', formando o saldo final, que , por sua vez, irá originar o saldo inicial do próximo mês. Conseqüentemente, o resgate de juros corresponde à parcela do rendimento oferecido à tributação pertinente a determinada aplicação financeira. É como funciona o controle. 28. Nesse contexto, uma vez que as aplicações são controladas individualmente por instituição financeira, tipo e data de aplicação, quando ocorre o resgate, o valor já oferecido à tributação, em observância ao regime de competência, concernente a uma determinada aplicação é discriminada na coluna "resgate juros". 29. Registrese que, no decorrer da análise, a contribuinte apresentou os relatórios de fls. 317 a 338, em substituição aos de fls. 247 a 268, sob a alegação de equívoco no nome da instituição financeira (Safra — Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 7 6 Garantia), o que foi deferido, uma vez que não se observou modificação no tipo de aplicação e que a modificação na nomenclatura está em consonância com o Informe de Rendimentos Financeiros de fls. 71. 30. Assim, no sentido de verificar se os rendimentos referentes às retenções na foram levados ao resultado, optouse por cotejar as importâncias informadas pelas instituições financeiras intermédio dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, de que trata o Art. 942 do Regulamento do Imposto de Renda, e/ou DIRF apresentado com as importâncias constantes da coluna "resgate juros" do controle extracontábil no que atine a cada aplicação, às fls. 334 a 355, em observância aos preceitos contidos no art. 229 do Regulamento do Imposto de Renda (art. 34 da Lei n° 8.981/1995, com redação alterada pela Lei 9.065/1995). Elaborouse o seguinte quadro: (...) 31. Dessa forma, considerando o cálculo proporcional das retenções de imposto de renda na fonte concernentes aos rendimentos oferecidos à tributação, é possível corroborar o montante de R$ 23.630.866.41 (vinte e três milhões, seiscentos e trinta mil, oitocentos e sessenta e seis reais e quarenta e um centavos). 32. Retornando ao LALUR, à fl. 92, identificouse a exclusão indevida de CSLL, o que será desconsiderada para fins de cálculos. Merece destaque a demonstração da "Avaliação dos Investimentos em Controladas Pela Equivalência Patrimonial no 4° Trimestre de 2000" elaborada pela contribuinte à fl. 140 a 145, bem como seu efetivo lançamento na Demonstração do Resultado, às fls. 90 e 121. Por fim, a exclusão pertinente aos Investimentos na Atividade Rural encontrase detalha às fls. 146 a 150. 33. Para fins de cálculo do lucro real concernente ao 4° trimestre de 2000, desconsiderando a exclusão da CSLL por falta de amparo legal, elaborouse o quadro abaixo: (...) 34. Após o ajuste nas exclusões, restou lucro real de R$ 73.707.621,62 (setenta e três milhões, setecentos e sete mil, seiscentos e vinte e um reais e sessenta e dois centavos). 35. Por conseguinte, chegouse a IRPJ apurado de R$ 17.670.359,09 (dezessete milhões, seiscentos e setenta mil, trezentos e cinqüenta e nove reais e nove centavos), que, após as deduções, perfez o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 6.357.720,27 (seis milhões, trezentos e cinqüenta e sete mil, setecentos e vinte reais e vinte e sete centavos), conforme demonstrativo abaixo: (...) 36. É importante consignar que a exclusão indevida da CSLL, dentre outras irregularidades, deu ensejo ao Auto de Infração (Processo n°. 15586.000440/2005)_cuja cópia encontrase anexada às fls. 364 a 375, Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 8 7 bem como a respectiva impugnação com pagamento parcial, às fls. 376 a 408. 37. Registrese que durante as diligências houve manifestação do representante contribuinte para que o valor recolhido a título de insuficiência de imposto de renda pertinente ao 4° trimestre de 2000, concernente à exclusão indevida, fosse considerado quando cálculo do saldo negativo. Seria mais uma dedução ao imposto de renda apurado. 38. Não obstante, ao compulsar a impugnação, precisamente à fl.378, em que pese o fato da contribuinte concordar em parte com o lançamento e têlo recolhido parcialmente aos cofres públicos, verificouse a pretensão de discutir o valor da insuficiência de pagamento, ainda que para maior, o que no momento afasta a possibilidade de tratamento no presente processo, pois valor a ser considerado depende do julgamento do(s) recurso(s). 39. Por fim, mister se faz ressaltar que incumbe à interessada comprovar a existência e a exatidão dos seus créditos tributários a compensar. Não cabe à Secretaria da Receita Federal o ônus da prova quando se trata de solicitação de reconhecimentos de créditos para fins de compensação de tributos e contribuições. 40. Destarte, é de meu parecer que deverá ser reconhecido o direito creditório, conforme demonstrado neste Parecer, referente ao saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, apurado no 4° (quarto) trimestre do anocalendário de 2000, no respectivo valor de R$ 6.357.720,27 (seis milhões, trezentos e cinqüenta e sete mil, setecentos e vinte reais e vinte e sete centavos), devendo ainda ser homologada a compensação declarada solicitada nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96 (§§ 7° a 11, incluídos pela Lei n° 10.833/2003), até o limite do crédito ora reconhecido. Tendo em vista o parecer SEORT, que aprovo, defiro parcialmente o pedido formulado pela empresa ARACRUZ CELULOSE SA, CNPJ. 42.157.511/000161, reconhecendo o direito creditório, conforme demonstrado neste Parecer, referente ao saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, apurado no 4° (quarto) trimestre do anocalendário de 2000, no respectivo valor de R$ 6.357.720,27 (seis milhões, trezentos e cinqüenta e sete mil, setecentos e vinte reais e vinte e sete centavos). Homologo a compensação dos débitos até o limite do crédito ora reconhecido, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. Foi dada ciência ao interessado em 18/12/2006. A contribuinte apresentou, em 17/0112007, a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: no ano calendário de 2000, optou pela apuração trimestral do lucro real; no 4° trimestre do ano calendário de 2000, ao proceder à apuração do IRPJ, considerou o IRRF, que superava o IRPJ devido, apurando saldo negativo; o pagamento atinente à exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ não foi considerado; Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 9 8 utilizou os informes de rendimentos enviados pelas instituições financeiras para identificar o valor do IRRF, lembrando que a receita financeira foi levada à tributação, e, para evitar dúvida, apresentou os Darf, carece de fundamento legal o procedimento utilizado pelo órgão administrativo para verificar se os rendimentos das aplicações financeiras foram tributados; o IRRF deve ser utilizado para deduzir o IRPJ devido; desde 1995, os rendimentos vinham sendo reconhecidos pelo regime de competência e levados a resultado, mas só havia incidência de IRRF no resgate; possui controle extracontábil tãosomente para verificar a rentabilidade das aplicações; as autoridades fiscais confirmaram o fato de ter havido a referida retenção, no valor de R$32.164.129,45. A DRJ deu parcial provimento à manifestação de inconformidade, conforme decisão abaixo transcrita: Como visto no Relatório, a autoridade lançadora, através do Despacho Decisório — Parecer Seort 46012006 (fls. 410/419), reconheceu o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ, 4° trimestre do ano calendário de 2000, no valor de R$6.357.720,27, e homologou as Dcomp até o limite do crédito reconhecido. No item 18 do Parecer, a autoridade lançadora afirma que, "a título de imposto de renda retido na fonte pertinente ao 4º trimestre de 2000, foi possível corroborar, acostado nos documentos apresentados pela requerente e em consulta aos sistemas da SRF, o montante de R$32.164.129,42". Observase que este montante equivale ao valor deduzido na linha 13, da Ficha 12A, da DIPJ/2001 (fl. 127). Como somente pode ser deduzido, do IRPJ apurado, o IRRF sobre receitas que integraram a base de cálculo e o momento de ocorrência do fato gerador não era simultâneo ao da tributação, a autoridade lançadora cotejou as informações das instituições financeiras com o controle extracontábil do interessado e considerou, a título de IRRF, o montante de R$23.630.866,41 (conforme quadro à fl. 416). Na manifestação de inconformidade, o interessado critica a metodologia utilizada pela autoridade lançadora, mas não traz aos Autos lançamentos contábeis que comprovem o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes ao IRRF deduzido. De acordo com o art. 229 do RIR/1999, a pessoa jurídica só pode deduzir, do imposto de renda apurado, o IRRF sobre receitas que integraram a base de cálculo do IRPJ, como observou a autoridade lançadora. Assim, embora o montante de R$32.164.129,42 tenha sido comprovado com base nos documentos apresentados pelo interessado e nas consultas aos sistemas da SRF, este valor não pode ser deduzido sem a prova do oferecimento à tributação dos rendimentos. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 10 9 à Fazenda Nacional para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Desde modo, não havendo prova cabal do oferecimento à tributação dos rendimentos, não há como acatar o pleito do interessado quanto à dedução, a título de IRRF, do montante de R$32.164.129,42. A A autoridade lançadora identificou, no Lalur (fl.92), exclusão indevida de CSLL. Consignou que a exclusão deu ensejo ao Auto de Infração objeto do processo n° 15586.000440/2000513. Porém, por não haver decisão definitiva, não considerou o lançamento e efetuou ajuste do lucro real. O procedimento de autoridade lançadora não pode prosperar. Se a exclusão indevida já foi objeto de lançamento, como confirma a cópia juntada às fls. 364/375, no qual a fiscalização, ao considerar indevida a exclusão da CSLL, em 31/12/2000, no valor de R$7.505.463,17, exigiu IRPJ no valor de R$1.870.365,79, sem considerar as deduções declaradas (PAT e IRRF), não cabe o ajuste no lucro real efetuado no Parecer, posto que representa bitributação. O direito creditório deve, então, ser alterado, conforme abaixo: IRPJ a Pagar: R$16.544.539,61 — R$397.212,95 — 23.630.866,41 = (R$7.483.538,25) Pelo exposto, deve ser considerado o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ, no 4° trimestre do ano calendário de 2000, no valor de R$7.483.538,25, e homologadas as Dcomp até o limite do crédito reconhecido. Devidamente intimada da decisão da DRJ em 10/04/2008, a contribuinte apresentou em 12/05/2008 Recurso Voluntário, alegando em síntese que: No tocante a Outubro de 2000, consoante se pode verificar da "Planilha Abertura das Aplicações Financeiras Banco Safra" (Doc. 01), a Recorrente obteve juros da ordem de R$ 18.612.720,89 (dezoito milhões, seiscentos e doze mil, setecentos e vinte reais e oitenta e nove centavos), em virtude de suas aplicações financeiras no período. Nesse mesmo interregno, a contribuinte obteve perante o Banco Garantia rendimento equivalente ao montante de R$ 8.024.180,95 (oito milhões, vinte e quatro mil, cento e oitenta reais e noventa e cinco centavos). Tal quantia corresponde exatamente à diferença entre os R$ 9.341.332,01 (a título de variação cambial) e os R$ 1.317.151,06 (juros), conforme é possível identificar na "Planilha Aplicações Financeiras Garantia 2000" (Doc. 02). Mister salientar que tanto os juros originários das aplicações geridas pelo Banco Safra, como os provenientes do Banco Garantia, os quais perfazem conjuntamente o rendimento de R$ 26.636.901,84 (vinte e seis milhões, seiscentos e trinta e seis mil, novecentos e um reais e oitenta e quatro centavos) foram devidamente contabilizados no Livro Razão, através dos lançamentos n.°s 100095123 e 100095157 (Doc. 03), ratificando o reconhecimento mensal dessas receitas advindas de aplicações financeiras. Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 11 10 Foi exatamente o que aconteceu nos demais meses do último trimestre de 2000. A bem da verdade, em Novembro de 2000, a Recorrente constatou a existência de R$ 20.320.097,42, a título de juros oriundos das aplicações financeiras no Banco Safra (Doe. 01). Em relação ao Banco Garantia, obtevese em sua aplicação o resultado negativo de R$ 710.854,70 (Doe. n. ° 02). Logo, temse para o mês 11/2000, rendimentos nos Bancos Safra e Garantia da ordem de R$ 19.609.242,72. Referidos valores também não foram relegados a segundo plano e constam expressamente do Livro Razão, mediante os lançamentos contábeis n.°s 100099890 e 100100155 (Doc. 03). Finalmente em relação a Dezembro de 2000, cumpre observar que a Recorrente auferiu juros no montante de R$ 6.085.465,63, em decorrência das aplicações financeiras realizadas com o Banco Safra, estando o lançamento devidamente registrado no Livro Razão sob o n.° 100105180. Por oportuno, cabe registrar que também constam do Razão os rendimentos auferidos em decorrência de outras aplicações financeiras. Conforme se observa do documento elencado, em Outubro de 2000 o resultado dos rendimentos foi de R$ 1.407.038,57; em Novembro, de R$ 1.468.816,97; e, em Dezembro de 2000, os rendimentos foram de R$ 1.602.681,54. Dessa forma, chegase à conclusão que a Recorrente auferiu os seguintes rendimentos em decorrência de suas aplicações financeiras, consoante informações extraídas de seu Livro Razão (Doc. 03): (...) Com efeito, todos os valores foram oferecidos à tributação mensalmente, conforme se constata dos lançamentos contábeis existentes no Livro Razão, dos Balancetes e da própria DIPJ. Como se não bastasse a transcrição dos rendimentos auferidos pela Recorrente para seu Livro Razão, tornase imprescindível a análise dos balancetes referentes aos meses de Outubro, Novembro e Dezembro do anocalendário de 2000, os quais também corroboram o oferecimento à tributação dos rendimentos da contribuinte. Conforme se depreende da leitura da Conta 412104 (onde está devidamente registrado o valor dos juros auferidos das aplicações do Banco Safra), do Balancete referente ao Mês 12/2000 (Doc. 04), bem como das Contas 412901, 412902, 412907, 412908, 412909 e 412910 (relacionadas a outras receitas financeiras de dezembro/2000), é possível aferir com a devida precisão que todos os valores deduzidos pela Recorrente foram corretamente registrados contabilmente, e oferecidos à tributação pelo IRPJ em momento anterior. A mesma situação ocorreu em relação aos meses de Outubro e Novembro do anocalendário de 2000, como se pode vislumbrar dos respectivos Balancetes (Doc. 04). Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 12 11 Logo, dos fatos acima narrados, e devidamente comprovados, não pode ser acolhida a alegação da d. Fiscalização de que não teria ocorrido o oferecimento à tributação dos valores que originaram a retenção na fonte pelo imposto de renda. • Ora, a Recorrente reconheceu e registrou contabilmente todo o montante relacionado aos rendimentos advindos de suas aplicações financeiras, mês a mês. Nessa esteira, convém ressaltar que desde 1997 quando procedeu à abertura de suas aplicações financeiras no Banco Garantia a Recorrente vem oferecendo à tributação, mensalmente, pelo IRPJ o montante correspondente aos juros e à variação cambial decorrentes das citadas aplicações. Portanto, do cotejo das informações retiradas do cruzamento entre as Planilhas fornecidas pela Recorrente, Livro Razão, Balancetes e DIPJ é possível provar, sem qualquer margem de dúvida, que todos os valores deduzidos pela contribuinte foram anteriormente corretamente oferecidos à tributação pelo IRPJ. Corroborando todo o procedimento realizado pela Recorrente, vale ressaltar que o valor total dos rendimentos financeiros auferidos e discriminados na Tabela acima os quais foram extraídos das Planilhas, Razão e dos Balancetes, foi devidamente incluído na Declaração de Imposto de Pessoa Jurídica, como se observa da Linha 24 Outras Receitas Financeiras referente ao 4º trimestre da DIPJ 2001 (Doc. 05). Juntou no Recurso Voluntário uma vasta documentação como forma de demonstrar suas alegações. Este é o relatório! Voto O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Não existindo matéria preliminar, passemos ao mérito. A DRJ entendeu por não homologar integralmente a compensação sob o fundamento da inexistência de prova cabal do oferecimento à tributação dos rendimentos: Desde modo, não havendo prova cabal do oferecimento à tributação dos rendimentos, não há como acatar o pleito do interessado quanto à dedução, a título de IRRF, do montante de R$32.164.129,42. Portanto, o caso é apenas de matéria de prova. O contribuinte traz em seu Recurso exemplos que contestam a decisão da DRJ, apontando em documentos registros em livros fiscais (Razão) das operações, o que permitiria afirmar que os rendimentos financeiros foram oferecidos à tributação, conforme transcritos no Relatório acima. Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13770.000229/200326 Resolução nº 1201000.154 S1C2T1 Fl. 13 12 Diante disso, entendo pela baixa em diligência dos autos, para que a fiscalização verifique: a autenticidade dos livros razão contábil, balancetes, fazendo o cruzamento das informações com as DIPJs declaradas pelo contribuinte; se os registros das informações nos livros fiscais, balancetes e DIPJs trazidos no Recurso são anteriores ou posteriores à autuação fiscal, ou seja, se houve alguma retificação desses documentos após o início de procedimento fiscal; se as informações trazidas pela Recorrente em sede de cruzamento de planilhas e registros de aplicações financeiras junto ao Banco Safra e ao Banco Garantia com as contas do razão e os balancetes e DIPJs descritos como documentos 1 a 5 do Recurso Voluntário atestam ou não o oferecimento dos rendimentos à tributação, para fins de compor o crédito objeto de compensação. Após a análise pela fiscalização, deverá ser elaborado relatório conclusivo. Elaborado relatório, a fiscalização deverá intimar o contribuinte a apresentar manifestação sobre o relatório fiscal no prazo de 30 dias. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 15374.001291/2001-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E IMPOSTO PAGO NO AI. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte constante da Declaração de Ajuste Anual, bem como da informação de imposto pago no próprio AI, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E IMPOSTO PAGO NO AI. APROVEITAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, § 4o, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte constante da Declaração de Ajuste Anual, bem como da informação de imposto pago no próprio AI, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 12 91 /2 00 1- 71 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório LUIZ FELIPE NEVARES DE CARVALHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 17/04/2001 (AR fl. 23), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, em relação ao exercício 1996, conforme peça inaugural do feito, às fls. 18/22, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então 1º Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, consubstanciada no Acórdão nº 9.669/2005, às fls. 34/36, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4ª Câmara, em 06/08/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 104 23.375, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre á Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 DECADÊNCIA Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4.° do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro Recurso provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 89/99, com arrimo no artigo 7o, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15374.001291/200171 Acórdão n.º 9202003.592 CSRFT2 Fl. 120 3 Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado a legislação que contempla a matéria, mais precisamente os artigos 149, inciso V, 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça, estabelece que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é [...] 1º de janeiro de 1996, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2001 para efetuar o lançamento referente ao fato gerador do imposto de renda pessoa física ocorrido em 1995, não havendo se falar em extinção do feito, eis que a lavratura do Auto de Infração ocorrera em 12/04/2001. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 4ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho nº 104494/2008, às fls. 100/101. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara do 1o Conselho de Contribuintes a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3o, e §§, da Lei n° 7.713/88, em virtude da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, acolhendo a preliminar de decadência arguida relativamente ao anocalendário 1996, adotando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, restando decaído totalmente o crédito tributário. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a legislação de regência, notadamente os artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional e, bem assim a jurisprudência deste Colegiado e do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do contribuinte, com antecipação de pagamento, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é cediço que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo tratandose de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sem vínculo empregatício, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Ultrapassada e firmada a questão do fato gerador complexivo do imposto de renda pessoa física, a querela não se esgotou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15374.001291/200171 Acórdão n.º 9202003.592 CSRFT2 Fl. 121 5 lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 6 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15374.001291/200171 Acórdão n.º 9202003.592 CSRFT2 Fl. 122 7 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 8 pagamento relativamente ao anocalendário 1996, a partir da constatação de imposto de renda retido na fonte informado e submetido ao ajuste na Declaração de Ajuste Anual 1996, às fls. 09/12. Mais a mais, a própria autoridade lançadora reconheceu no Auto de Infração, às fls. 18/20, a existência de imposto pago, corroborando o entendimento acima esposado. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 17/04/2001, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de fl. 23, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, relativamente ao fato gerador ocorrido até 31/12/1995, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência parcial do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 4a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10935.004002/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis valores relativos ao acréscimo patrimonial, -quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva
Numero da decisão: 2202-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator.
(Assinado Digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
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São tributáveis valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 40 02 /2 01 0- 61 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10935.004002/201061 Acórdão n.º 2202003.001 S2C2T2 Fl. 97 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício de 2008, anocalendário 2007. Conforme a Descrição dos Fatos, o lançamento é resultado da apuração de variação patrimonial a descoberto no anocalendário 2007. A autoridade lançadora descreve que: “verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme demonstrado abaixo. De acordo com planilha anexa de origens e aplicações de recursos durante o ano base de 2007, exercício 2008, recebida para análise do contribuinte em 05/06/2010, planilha essa baseada nos documentos listados no sumário do processo, apurouse aplicações mensais de recursos superiores às origens mensais, mesmo considerandose saldos positivos de recursos acumulados em meses anteriores.” Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que: Analisando a planilha elaborada pela fiscalização, verificase que do ano base anterior de 2006, restou um saldo de dinheiro em caixa, apontado sob a rubrica “dinheiro em espécie 153 mil em jan”, constando apenas na parte descritiva, não sendo usado para o mês de janeiro do ano seguinte. Dito valor consta na declaração do imposto de renda feita pelo contribuinte no anobase 2006, exercício 2007. Ao final da planilha elaborada pela fiscalização, consta um saldo de dinheiro em caixa, em dezembro de 2007, sob a rubrica “saldo disponível do mês” de R$ 142.189,41. Somandose R$ 153.216,00, valor existente em caixa em 30/12/2006 e disponível para janeiro de 2007, com o valor de R$ 142.189,41 disponível em caixa no mês de dezembro de 2007, obtémse o total de R$ 295.405,41, valor esse que deve ser acrescido ao saldo de caixa da DIRPF de 2007 de R$ 28.528,66, cujo total geral é de R$ 323.934,07. O presente fato confirma a existência de erro na elaboração da planilha. Portanto, entende que sobre o valor rubricado como “a descoberto” pela fiscalização de R$ 1.014.926,12, deve ser deduzido o valor de R$ 323.934,07, reduzindose preliminarmente para R$ 690.992,05. Contrapondose a planilha apresentada pela fiscalização, o Contribuinte apresenta sua planilha para o ano de 2007 na qual apenas o mês de abril de 2007 apresenta um saldo devedor de R$ 45.315,62, prontamente coberto no mês de maio de 2007, não existindo mais nenhum “estouro” de caixa durante todo o ano de 2007, o qual culminou com um saldo disponível no mês de dezembro de 2007 de R$ 51.155,21. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Explica que em sua planilha consta o saldo em dinheiro do ano anterior e outros lançamentos decorrentes de empréstimos de familiares, de R$ 250.000,00 em fevereiro e R$ 280.000,00 em abril (contratos em anexo). Alega que na planilha da fiscalização não consta o transporte do saldo a crédito ou a débito de um mês para o outro, totalizando cada mês como definitivo. Já na planilha do Impugnante foi feito o transporte, inclusive no mês de abril de 2007 que possui saldo devedor em R$ 45.315,62, foi transportado para o mês de maio de 2007 o saldo negativo e, nesse mês, absorvido (diminuído) do saldo positivo. Esclarece que no Livro Caixa foi constatado inconsistências de lançamentos, inclusive quanto a notas fiscais erroneamente lançadas, fato que modificou os números anteriormente apresentados. Assim, o Livro Caixa foi retificado (refeito), produzindo diferenças nas despesas da atividade rural. Com as modificações havidas, devidamente demonstradas na planilha do Impugnante (em anexo), foi retificado a DIRPF anobase: 2007, exercício 2008. Por tratarse de matéria contábil e em razão da existência de Livro Caixa, o Impugnante protesta por prova pericial, no intuito de provar o alegado, indicando como perito o Sr. Sérgio Miguel Tosetto, brasileiro, casado, contador, inscrito no CRCPr. sob o n° 028703/00, residente e domiciliado em Francisco Beltrão, com escritório profissional à Rua Niterói, n° 687, Bairro Alvorada em Francisco Beltrão Paraná. Por fim, requer: “Isto posto, respeitosamente requer, a r. Turma Julgadora, dignemse em acolher as razões da presente Impugnação, forte na preliminar apresentada e documentação juntada, que atestam a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, anulando se o presente Auto de Infração. Alternativamente, requer a realização de diligência ou perícia contábil para comprovar a escrituração do Livro Caixa, empréstimos efetuados, dinheiro em caixa existente em 2006, não aproveitado pela fiscalização no anobase de 2007, bem como os valores apontados mês a mês pela fiscalização, sendo que a sobra de numerário de um mês somente era aproveitado no mês seguinte quando positivo. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – DRJ/CTA ao analisar a impugnação, negou provimento conforme podemos verificar através do acórdão 06 37.408, de 27 de junho de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10935.004002/201061 Acórdão n.º 2202003.001 S2C2T2 Fl. 98 5 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDOS REMANESCENTES NO DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. TRANSPOSIÇÃO PARA O ANO SEGUINTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Os saldos remanescentes do mês de dezembro, não comprovados e não declarados, consideramse consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no anocalendário subsequente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que os recursos oriundos de empréstimos sejam considerados na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, é necessária a apresentação de provas inequívocas, sendo insuficiente a mera informação da dívida na declaração de ajuste anual do contribuinte. Devidamente cientificado dessa decisão a Recorrente apresenta tempestivamente o recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação bem como junta os documentos de fls. 554 a 694. É o relatório. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No anocalendário de 2007, o Recorrente pleiteia pela inclusão no fluxo financeiro o saldo do anocalendário de 2006, bem como os empréstimos recebidos. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto, tem como fundamento o artigo 3º, da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Quando contribuinte, não consegue demonstrar que tem recursos suficientes para justificar a aquisição de um bem ou direito, surge a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No presente caso devemos verificar se isso ocorreu de fato. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10935.004002/201061 Acórdão n.º 2202003.001 S2C2T2 Fl. 99 7 No caso da inclusão do saldo do dinheiro em caixa constante na DIRPF do anocalendário anterior , especificamente do anocalendário de 2006, entendo que não assiste razão ao Recorrente, uma vez não fez a comprovação desse valor, a simples declaração da DIRPF não faz prova em favor do contribuinte. Desta forma entendo que não merece reparos a decisão da DRJ quanto a esse ponto. No que diz respeito aos empréstimo a decisão de primeira instância proferida pela não levou em consideração as alegações do Recorrente, por entender que o contribuinte não conseguiu comprovar com provas inequívocas as origens dos recursos por ele declarados oriundos dessa operação. Caberia ao Recorrente, ter demonstrado de forma cabal que os recursos por ele movimentados tem origem em operações devidamente lastreadas, como o empréstimo por ele colocado como argumento em sua impugnação, somente o contrato firmado entre as partes,sem a devida comprovação da transferência dos recursos, nem que o valor foi declarado nas DIRPF dos mutuários não são elementos suficiente para demonstrar o alegado. Entendo que não merece reparos a decisão da DRJ, uma vez que que o Recorrente não conseguiu demonstrar com provas subsistentes os argumentos de sua defesa. Quanto ao pedido de perícia, cumpre esclarecer que, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/93, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput , do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. No presente caso, tais motivos são inexistentes, uma vez que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Desta forma, não há que se falar na necessidade de diligências no presente caso. Nesse sentido conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 704DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15504.726662/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
DENÚNCIA PENAL NÃO RECEBIDA. INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA
O não acolhimento de denúncia penal não vincula nem obsta o prosseguimento do processo administrativo, porquanto esferas desvinculadas, nem afasta o ônus da prova do contribuinte, quando a lei tributária assim prevê.
ACRÉSCIMO PATROMONIAL A DESCOBERTO.
Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes.
DOAÇÃO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade de operações de doação informadas em declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem o efetivo ingresso do numerário no patrimônio do beneficiário, sob pena de descaraterização das operações. Precedentes.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. ERRO NA TIPIFICAÇÃO.
Não pode ser mantida a multa qualificada, quando a autoridade fiscal narra conduta condizente a ocorrência de fraude, mas tipifica a conduta como sonegação. O erro na tipificação implica na impossibilidade de manutenção da multa.
Numero da decisão: 2202-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) que negavam provimento ao recurso
(Assinado Digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 01/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA O não acolhimento de denúncia penal não vincula nem obsta o prosseguimento do processo administrativo, porquanto esferas desvinculadas, nem afasta o ônus da prova do contribuinte, quando a lei tributária assim prevê. ACRÉSCIMO PATROMONIAL A DESCOBERTO. Não tendo o contribuinte comprovado a origem de recursos que justifique acréscimo patrimonial devidamente apurado e demonstrado pela fiscalização, resta caracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. Precedentes. DOAÇÃO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade de operações de doação informadas em declaração de ajuste anual de IRPF, podem ser exigidos documentos que comprovem o efetivo ingresso do numerário no patrimônio do beneficiário, sob pena de descaraterização das operações. Precedentes. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. ERRO NA TIPIFICAÇÃO. Não pode ser mantida a multa qualificada, quando a autoridade fiscal narra conduta condizente a ocorrência de fraude, mas tipifica a conduta como sonegação. O erro na tipificação implica na impossibilidade de manutenção da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 66 62 /2 01 2- 51 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%.Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) que negavam provimento ao recurso (Assinado Digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 01/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Fl. 825DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 22 3 Relatório Tratase de auto de infração (fl. 03/13), no qual foi averiguado o Imposto de renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2007 e 2008, constituído em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, exigindo o crédito tributário no valor de R$ 855.158,76, já incluídos juros de mora e multa qualificada de 150%. O procedimento fiscal foi impulsionado em decorrência de informações levantadas durante o curso da Operação JoãodeBarro, conduzida pela Polícia Federal e que objetivou identificar o desvio de verbas públicas, supostamente comandado pelo Deputado Federal João Magalhães, envolvendo emendas parlamentares que destinavam verbas federais para obras de infraestrutura nos Municípios Mineiros. Durante a ação fiscal, tornouse necessária a abertura de investigação junto à esposa de João Carlos de Carvalho, a Sra. Elisa Evangelista. Segundo a DAA apresentada pelo contribuinte para o exercício de 2009, declarou ter auferido Rendimentos Tributáveis recebidos de Pessoa Física no valor R$ 19.200,00, e Rendimentos Isentos Não Tributáveis na monta de R$ 2.970.000,00, dentre os quais, R$ 1.840.000,00 referemse a lucros e dividendos recebidos da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda., doação no valor de R$ 1.100.000,00, e empréstimo no valor de R$ 30.000,00 realizado por Luiz Cércio de Lima. Ainda, na declaração de bens e direitos, houve um mutação patrimonial de R$ 40.000,00 em 31/12/2007 para R$ 1.808.132,00 em 31/12/2008. A ação fiscal iniciouse com o Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal nº 094/2011 em 11/04/2011 (fls. 50/54) e concentrouse nos documentos reiteradamente solicitados, nos quais se buscou esclarecer questões referentes aos lucros recebidos pelo Sr. João Carlos de Carvalho e Elisa Evangelista pela Projeto Engenharia e Logística, na doação recebida pelo contribuinte pelo seu pai José Maria Alves de Carvalho, e naquela concedida por ele à esposa, Elisa Evangelista, bem como no empréstimo contraído junto ao Sr. Luiz Cércio de Lima, nas aquisições de imóveis e bens móveis do casal, nos comprovantes de rendimentos de toda natureza e nas despesas tributáveis. Após os esclarecimentos e documentos apresentados, a autoridade lançadora concluiu que foram omitidos, nos anoscalendário de 2007 e 2008, rendimentos tributáveis correspondentes a acréscimos patrimoniais em decorrência da aquisição de bens e direitos não justificados pelos rendimentos comprovados pelo contribuinte e seu cônjuge. Como forma de verificar a ocorrência da omissão de rendimentos tributáveis em decorrência de acréscimos patrimoniais a descoberto, configurada pelo excesso de aplicações de recursos sobre as origens de recursos comprovadas pelo contribuinte e seu cônjuge, a Fiscalização procedeu com a determinação das origens e aplicações, cujos dados foram consolidados nas planilhas intituladas “Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Mensal – Anocalendário 2007” e “Demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Mensal – Anocalendário 2008” (fls. 45/46) e “Demonstrativo do Pagamento de Fl. 826DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Despesas (fls. 47/48), procedendo a apuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, distribuindoo de maneira igualitária entre os cônjuges. Da análise da documentação apresentada, ficou comprovado o casamento pelo regime de comunhão parcial (fls. 462), que os bens analisados foram adquiridos na constância da sociedade conjugal e que os cônjuges apresentaram declarações de ajuste em separado. Disso, foram computadas no fluxo de caixa, todas as origens e aplicações de recursos do contribuinte e de sua esposa, culminando na tributação do acréscimo patrimonial a descoberto na proporção de 50% para cada um deles, sendo lavrados autos de infração em separado. Por essa razão, e pelo fato de que o procedimento fiscalizatório foi o mesmo para ambos, a análise dos fatos e argumentos alegados serão analisados em conjunto. De se salientar que, em que pese, o procedimento fiscal tenha computado no fluxo de caixa, todas as origens e aplicações de recursos do contribuinte e de sua esposa, O auto de infração de João Carlos de Carvalho possui um crédito um pouco maior (R$ 855.158,76) do que o crédito constituído contra Elisa Evangelista (R$ 849.718,19), porquanto sobre a base do acréscimo patrimonial foi acrescido R$ 19.200,00 decorrente de Rendimentos Tributáveis Declarados, na forma como descrito no Auto de Infração, fl. 8. Dada a evidente conexão entre os processos, foram juntados ao processo de João Carlos de Carvalho o Termo de Verificação Fiscal e a Impugnação referente ao Processo de Elisa Evangelista (707/751). Origem dos Recursos Segundo o relato fiscal, na DIRPF 2008 não constou a informação de quaisquer rendimentos auferidos pelo casal em 2007, quer tributáveis, isentos e não tributáveis, ou sujeitos a tributação exclusiva. O contribuinte João Carlos declarou na DIRPF 2009 rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física no valor de R$ 19.200,00, os quais foram devidamente considerados como origem de recursos. Também foram considerados os rendimentos de R$338,20 recebidos a título de prólabore em jan/2008, registrados nos livros contábeis e confirmados no sistema GFIPWEB da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Neste ano, sua cônjuge, Elisa Evangelista, não declarou rendimentos tributáveis. Ainda na DIRPF 2009, João Carlos declarou rendimentos isentos e não tributáveis no total de R$ 2.970.000,00, ao passo que Elisa Evangelista declarou a importância de R$1.060.000,00, mas tais valores não foram acatados como origem de recursos, em razão da falta de comprovação. a) Distribuição de Dividendos Sobre os lucros e dividendos declarados no montante de R$1.840.000,00 na DIRPF 2009, o contribuinte em resposta ao Termo de Início de Fiscalização apresentada em 30/5/2011 (fls.60/61) informou, em seu item 2, que na realidade o valor correto distribuído pela Projeto Engenharia foi de R$1.520.000,00 no anocalendário 2007 e não em 2008. Foram apresentados diversos recibos firmados pelo próprio recebedor, Sr. João Carlos, na condição de sócio administrador daquela empresa, nas seguintes datas e valores: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 23 5 DATA VALOR (R$) 26/3/2007 50.000,00 22/10/2007 100.000,00 27/11/2007 230.000,00 5/12/2007 170.000,00 14/12/2007 230.000,00 20/12/2007 150.000,00 31/12/2007 590.000,00 TOTAL 1.520.000,00 Quando da referida resposta, juntou, além de recibos da empresa Projeto Engenharia (fls. 80/86), cópia do Livro Diário da empresa, onde constaram os lançamentos discriminando a distribuição e pagamento de lucro ao sócio no período (fls. 88/94). Sob os mesmos fundamentos, Elisa Evangelista apresentou recibo da Projeto Engenharia dando conta do recebimento de R$ 460.000,00 (fls.408). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 351/2011 (fl. 256/258), o contribuinte protocolou informações, em 23/12/2011 (fls. 268), conforme item 1.15 do TVF (fl.21), apresentando uma lista de valores diferentes dos relacionados acima. Nesta oportunidade, o total informado de lucros distribuídos foi de R$930.000,00 (fl. 270). A Projeto Engenharia, intimada, apresentou resposta assinada pelo próprio Sr. João Carlos, tendo juntado os mesmos recibos colacionados pelo contribuinte em 30/5/2011, num total de R$1.520.000,00, apresentando ainda cópias de partes dos livros Diário e Razão (fls. 341/361). Novamente intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 067/2011 (fls. 362), e Reintimada (fls.365/366), a Projeto Engenharia encaminhou os livros denominados “Diário nº 01/Razão – 2007 e Diário nº 02/Razão – 2008” (fls. 368/397). Como destacou a autoridade fiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 32), os livros diários apresentados pelo contribuinte não apresentam qualquer tipo de registro, averbação ou autenticação nas cópias dos termos de abertura e encerramento apresentados em 30/5/2011 (fls. 89). Já nas cópias apresentadas pela empresa, em 24/2/2012 e nos livros originais apresentados em 18/4/2012 os termos de abertura (fls. 370 e fls. 389) e de encerramento, não conferem, com aqueles trazidos pelo Contribuinte, pois exibem autenticação nº 99206349 efetuada na JUCEMG em 7/6/2011. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Quanto à escrituração dos lucros distribuídos, verificase no Livro diário o lançamento em 31/12/2007, do valor de R$1.520.000,00 em favor de João Carlos de Carvalho e de R$380.000,00 para Elisa Evangelista. Sendo digno de registro que os lucros distribuídos foram lançados em único registro no dia 31/12/2007, sem obediência a qualquer ordem cronológica, individual, ou referência aos recibos juntados pelo sócio a título de recebimento de dividendos. Ainda, refere a autoridade fiscal (fl. 32/33), para que o livro Diário pudesse fazer prova em favor do contribuinte, necessário seria que estivesse revestido das formalidades que assegurassem a sua exatidão, nos termos da legislação fiscal e comercial vigente. Sendo assim, deveria conter termos de abertura e encerramento, e ser submetido à autenticação no órgão competente do Registro de Comércio ou, no caso de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Títulos e Documentos. Prossegue a autoridade afirmando que a autenticação do livro Diário de forma tardia é admitida, desde que o Registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data da entrega tempestiva da declaração, correspondente ao respectivo período, não podendo ser aceita como legítima uma escrituração cuja autenticação foi efeituada 3 anos após o período previsto e, após o início do procedimento fiscal, com intimação específica da fiscalização para sua apresentação. Não foi aceita como legítima a escrituração para fins de comprovação da origem dos rendimentos. Na resposta ao Termo de Início de Fiscalização nº 094/2011 (fls. 60/61), o contribuinte afirma que o lançamento do valor de R$ 1.840.000,00 a título de distribuição de lucros foi declarado equivocadamente e que após a análise dos períodos e do valor declarado foi identificado que o valor recebido de fato foi de R$ 1.520.000,00, no período de 2007 e não de R$ de 1.840.000,00, no período de 2008. Na fl 33 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal, contesta a afirmação do contribuinte, alegando que na DIPJ de 2009 entregue pela empresa (fls 541/557) consta a distribuição de lucros de R$ 1.840.000,00 a João Carlos e R$ 460.000,00 a Elisa Evangelista em 2008 (fls. 557). Acrescenta que tal distribuição de resultados declarada pela empresa é absurda porquanto a única receita declarada pela Projeto Engenharia no ano calendário de 2008, totalizou R$53.720,00 no 1º trimestre (fl. 555), sendo que nos demais não houve receita, além de não constar saldos em caixa, bancos, aplicações financeiras, estoques, contas a receber, inclusive no ano anterior. Já na DIPJ 2008 (fls. 527/539) apresentada em 17/6/2008 foram declaradas receitas auferidas em 2007: R$0,00 no 1º trimestre, R$827.551,50, R$631.500,00 e R$860.281,00 nos trimestres seguintes, com distribuição de lucros de R$1.520.000,00 e R$380.000,00 a João Carlos e Elisa, respectivamente. Observa a autoridade fiscal que em 2004 a empresa constava nos registros da SRFB como inativa, em 2005 apresentou DIPJLucro Presumido sem faturamento, em 2006 faturou R$83.940,00 e em 2007, surpreendentemente faturou R$ 2.319.332,50, tendo distribuído R$1.900.000,00 aos sócios João Carlos de Carvalho e Elisa Evangelista. Em 2008 declarou faturamento de R$53.720,00 e distribuiu lucros de R$2.300.000,00. Conclui a autoridade, no ponto, que os contribuintes buscaram adequar as informações prestadas, na condição de pessoa física, ou responsável pela pessoa jurídica, à sua necessidade momentânea de comprovar rendimentos, para encobrir variação patrimonial a descoberto. Dessa forma, procedia, ora informando na DIRPF 2009 e DIPJ 2009 que os lucros foram distribuídos e os bens adquiridos em 2008, ora informando nas respostas às intimações, na DIPJ 2008 e nos livros contábeis que os rendimentos foram recebidos em 2007, para justificar vultosos dispêndios na aquisição de imóveis. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 24 7 Arremata dizendo que meras alegações de recebimento de lucros são provas ineficazes a comprovar a procedência do numerário, quando desacompanhadas de documentos idôneos, objetivos e precisos em relação a datas e valores. b) Doações Não foi aceito como origem de recursos, o valor de R$ 1.100.000,00 recebido por João Carlos a título de doação do seu pai. Instado a apresentar provas do negócio jurídico, o contribuinte apresentou contração de doação, datado de 11/02/2008 (fl. 96) sem registro, no Cartório de Títulos e Documentos, nem assinado por testemunhas. De igual forma, quando inquirido a comprovar a da transferência dos recursos, o contribuinte limitouse a dizer que estes foram recebidos em espécie (fls. 267). Antes disto, a fiscalização já havia consignado no TVF que o contrato de doação não apresentou qualquer formalidade legal como registro no Cartório de Títulos e Documentos, tendo sido apenas assinado pelas duas partes, sem testemunhas, nem registrado o valor na DIRPF 2009 do doador, Sr. José Maria de Carvalho, pai do contribuinte. Acrescenta a autoridade fiscal que, por mais de uma vez, o contribuinte foi questionado sobre a transferência de recursos e que, além do valor recebido, também alegou que a doação feita a Elisa Evangelista, sua esposa, no valor de R$600.000,00 também teria sido feita em moeda corrente. Dos contribuintes ainda foram solicitadas guias de arrecadação do ITCMD, mas ambos apresentaram a justificativa de falta de conhecimento da legislação específica. c) Empréstimo Entendeu a autoridade fiscal que, quando instado a apresentar comprovação da ocorrência do empréstimo, o contribuinte tão somente apresentou uma cópia de “Contrato Particular” datado de 15 de agosto de 2008, não sendo revestido de nenhuma formalidade, constando apenas a assinatura dos dois contratantes (fl. 403). Refere que o contrato de mútuo deve estar registrado no Registro de Títulos e Documentos para que sirva como elementos de prova perante terceiros, a teor do art. 221 do Código Civil. Acrescenta que, quando intimado, o contribuinte não comprovou a efetividade dessa transferência, referindo tão somente tratarse de empréstimo realizado em dinheiro em espécie (fl. 267) Por não estar revestido das formalidades legais, o contrato de empréstimo no valor de R$ 30.000,00 declarado por João Carlos como obtido junto ao Sr. Luiz Cércio não foi acatado como prova da origem de recursos. Aplicação dos Recursos a) Bens Imóveis Fl. 830DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Conforme relatado no item 1.3 do Termo de Verificação Fiscal (fl.15), o Sr. João Carlos declarou na DIRPF 2009 a aquisição dos seguintes imóveis em 2008: apartamento 1302, Rua das Estrelas, em Nova Lima/MG, apartamento 1201, Rua Sebastião Fabiano e apartamento 504, Rua Desembargador Jorge Fontana, ambos em Belo Horizonte. Entretanto, a fiscalização verificou que tais imóveis na realidade foram adquiridos em 2007, com eventos de pagamentos ao longo de 2007 e 2008. Especificamente em relação ao apartamento 504 da Rua Desembargador Fontana, diante das várias versões apresentadas pelo contribuinte e os vendedores, conforme relatado nos itens 1.8, 1.17 e 1.27 (fls. 18, 21 e 28) e que o contrato de compra e venda mencionado na intimação foi desconsiderado, a fiscalização optou por lançar no fluxo de caixa a data e o valor constante da Escritura Pública de Compra e Venda do 2º Tabelionato de Notas, em consonância com o artigo 215 do Código Civil. Diante da confirmação de que o valor de R$ 490.000,00 declarado por Elisa Evangelista, na aquisição das casas nº 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 12 do Condomínio Mar da Pitinga, em Porto Seguro/BA foi confirmado pela empresa RSM Incorporadora Imobiliária, com a apresentação de documentos, tal montante também foi incluído como aplicação de recursos no fluxo de caixa. b) Bens móveis De acordo com a fiscalização, João Carlos de Carvalho declarou a aquisição em 2008 de reboque aberto placa HGX9586 e da Moto Aquática (Jet Ski), ao passo que a análise das notas fiscais apresentadas (fls. 140/141) os veículos foram adquiridos em 2007 e por preços diferentes aos declarados. c) Despesas Incorridas Também foram consideradas como aplicação de recursos pelo casal, diversas despesas dedutíveis ou não na declaração de ajuste, como pagamentos à Cemig, Telemar, Net BH, condomínio, faturas de cartão de crédito, ITBI e despesas com instrução de dependente. d) Outras Situações Em virtude de na DIRPF 2008 apresentada por Elisa, não constar a existência de rendimentos auferidos, a qualquer título, no ano de 2007, mas ter sido informada a aquisição, em 2007, de 20% do Capital Social da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda., no valor de R$ 10.000,00, a Sra. Elisa foi intimada a informar a origem e natureza dos recursos utilizados nessa aquisição. Na resposta apresentada em 29/03/12, a Sr. Elisa informou: “Segue anexo, cópia dos recibos de entrega das declarações do período de 2004 a 2006, comunico que havia acumulado valores de recebimentos anteriores, no qual tive condições de integralizar o capital social da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda., em 2007”. Todavia, conforme relato fiscal, fl. 40, os documentos apresentados, tratavam se de meros recibos de entrega de declarações de ajuste por Elisa Evangelista, para o período de 2004 a 2006 com rendimentos brutos informados de R$12.600,00, R$15.000,00 e R$4.050,00, não constituindo elemento de prova suficiente para justificar o acúmulo de recebimentos em exercícios anteriores e muito menos que tais valores foram utilizados na aquisição de 20% do Capital Social da Projeto Engenharia em 2007 no valor de R$10.000,00. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 25 9 A autoridade fiscal contesta a afirmação de Elisa Evangelista, porquanto na primeira alteração contratual da empresa Jesa Perfurações (que no mesmo ato sofreu alteração de denominação social para Projeto Engenharia e Logística Ltda.) registrada na JUCEMG em 25/11/2002, já constava a Sra. Elisa como proprietária de cotas sociais no valor de R$ 10.000,00 (fl. 41). Ainda no tocante ao procedimento fiscal que buscou elucidar a aplicação de recursos que vistas a mensurar o acréscimo patrimonial do casal, entendeu, no tocante à informação da DIRPF dos veículos Fiat Strada, placa GWQ2534 e Audi A3, placa GWM 1070, Elisa Evangelista os adquiriu em 2004, em que pese tenha vindo a informar tais tal aquisição à Receita somente em 2009 (fl. 41). Aplicação da Multa Qualificada Foi aplicada multa qualificada, sob a justificativa de que os contribuintes, tanto nas declarações entregues à Receita Federal, quanto nas informações prestadas no curso do procedimento fiscal, prestaram informações falsas à Fazenda Nacional, evidenciando consciente intuito de ocultar o conhecimento da existência de rendimentos aplicados na aquisição de bens móveis e imóveis, o que gerou acréscimo patrimonial a descoberto. Aduziu a autoridade fiscal que os pretensos rendimentos “isentos e não tributáveis” informados por João Carlos Carvalho no valor R$ 2.970.000,00, e por Elisa Evangelista no valor de R$ 1.060.000,0, nas DIRPF apresentadas à Receita Federal foram comprovados, concluindo que eles de fato nunca existiram. Referiu que a inclusão da informação pelos fiscalizados em suas DIRPF teve o claro objetivo de ocultar, da Receita Federal, a percepção de rendimentos tributáveis de outra origem, já que, se até o ano de 2007, o único patrimônio conhecido dos fiscalizados era referente a participação no Capital Social da Empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda, no valor de R$ 40.000,00 para João Carlos e de R$ 10.000,00 para Elisa, no período sob ação fiscal houve a aquisição de bens móveis e imóveis que, juntos, somam mais de R$ 2.217.000,00 e a efetivação de despesas em montante superior a R$ 45.000,00. Aplicou a multa qualificada no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1946. Impugnação Notificado do lançamento fiscal em 04/09/2012 (fl. 563), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 568/575), aduzindo em síntese: a) Refere que o procedimento fiscal desenvolveuse em decorrência de falsas acusações atribuídas pela Polícia Federal na ocasião da operação “JoãodeBarro”. Argumento que com o não recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, os fatos narrados pela autoridade fiscal não podem prosperar. b) Quanto aos lucros, alega que a pessoa jurídica pode distribuílos a seus sócios mesmo antes do encerramento do exercício fiscal. Cita o Fl. 832DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93/1997 para afirmar que os valores pagos a este título são isentos de tributação, independentemente de apuração contábil. Relata que mesmo sendo optante pelo lucro presumido, a empresa Projeto Engenharia mantinha os livros diário e razão que foram devidamente encaminhados à fiscalização. c) Acrescenta nos termos do artigo 32 da Lei 4357/64, que se a empresa parcela seus débitos, estes ficam com a exigibilidade suspensa, não sendo aplicada qualquer penalidade. d) Os lucros recebidos foram comprovados mediante a apresentação dos livros fiscais e recibos. e) João Carlos alegou que a doação recebida do seu pai no valor de R$1.100.000,00 está de acordo com o artigo 538 do Código Civil, não devendo ser tributada nos termos do artigo 39, XV do Decreto 3000/99, Regulamento do Imposto de Renda. No mesmo sentido, a Contribuinte Elisa argumentou em relação aos R$600.000,00 recebidos a título de doação do marido. Refere que o ato previsto no Código Civil consiste em liberalidade de transferência de patrimônio ou vantagens a outra pessoa, bastando apenas a lavratura de instrumento particular, contrato sem nenhum outro tipo de requisito de validade. Entende que restou comprovada a doação, pela apresentação do contrato e pela inserção da informação na declaração de ajuste, ficou claramente demonstrada a aplicação os recursos, juntamente com os lucros recebidos, na aquisição de imóveis e outros bens. Ressalta que, embora não tenha recolhido o ITCMD, por desconhecer a legislação, não pode ser penalizado pelo órgão federal, sob pena de ocorrer bitributação. f) Sobre o empréstimo particular declarado no seu imposto de renda, não havendo lei geral ou específica regulando a forma de se contratálo, os atos decorrentes estão em consonância com a legalidade. Entende que no lançamento ocorreu o bis in idem já que a autoridade fiscal exige tributo de duas pessoas sobre o mesmo patrimônio. Decisão da DRJ A 9ª Turma da DRJBHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência fiscal (fls.752/764). O referido vem bem elucidado na ementa que segue: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, devidamente comprovados. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 26 11 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. ORIGEM DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. DOAÇÃO. EMPRÉSTIMO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO RECEBIMENTO. Consideramse insuficientes o simples registro contábil da distribuição de lucros, os recibos emitidos pelo próprio contribuinte na condição de sócio e os contratos particulares de doação e de empréstimo sem registro em cartório, desacompanhados da correspondente comprovação do ingresso efetivo de numerário no patrimônio do contribuinte para dar suporte aos gastos realizados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Em seus argumentos, expõe em síntese: a) A rejeição da denúncia penal não impede a abertura de ação fiscal, pois os efeitos tributários não ficam prejudicados. b) Variação patrimonial a descoberto. Origem dos Recursos. Entendeu a autoridade julgadora que a documentação e argumentos trazidos pelo contribuinte não eram aptos para afastar a imputação. Argumenta que os registros contábeis da Projeto Engenharia não acompanham as normas legais, havendo registro do Livro Diário somente três anos após o exercício, já durante a fiscalização, o que teria ocorrido tão somente para dar suporte às alegações produzidas na defesa. Entende inadmissível que os valores constantes de comprovantes de recebimentos de lucros em diversos meses do ano sejam computados em único lançamento no dia 31/12. c) Aponta a inconsistência do faturamento da empresa como incapaz de sustentar a distribuição de lucros indicada. Para tanto refere que “as declarações apresentadas pela Projeto Engenharia que constava no ano de 2004 como inativa, em 2005 apresentou DIPJ sem faturamento, em 2006 declarou faturamento de R$83.940,00, em 2007 declarou ter faturado R$2.319.332,50 e em 2008 R$53.720,00. Diante da discrepância de faturamento no decorrer desses anos, aliado ao fato de, em 2007, a empresa ter distribuído quase a totalidade do que faturou, ou seja, R$1.900.000,00 e em 2008 ter distribuído R$2.300.000,00 contra R$53.720,00 de faturamento, correto o procedimento fiscal com vistas a apurar areal transferência de recursos da empresa para o contribuinte.” d) No tocante à doação de R$1.100.000,00 realizada pelo pai de João Carlos, a teve como não comprovada, pois o contribuinte além de afirmar que os recursos foram movimentados em espécie. Registrou na peça de defesa que o contrato de doação, instrumento particular, não requer qualquer outro requisito de validade que não a assinatura do doador e do donatário, invocando o art. 221 do Código Civil. No mesmo sentido da inexistência fática da doação, aponta a não apresentação do recolhimento do ITCMD. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 e) Em relação ao contrato de mútuo, entendeu que igualmente carecia de formalidades para que pudesse ser oponível a terceiros, citando novamente o art. 221 do Código Civil, agora cumulado ao art. 368 do Código de Processo Civil. f) No tocante à aplicação de recursos afirma que “contribuinte declarou na DIRPF de 2009 a aquisição de diversos imóveis em 2008 que na verdade haviam sido adquiridos no ano de 2007. Com relação ao apartamento 504 da Rua Desembargador Jorge Fontana em Belo Horizonte, foi considerado o valor e a data constante da Escritura Pública de Compra e Venda do 2º Tabelionato de Notas, ou seja, os mesmos R$270.000,00 e a data de 4/6/2008”. g) Entendeu que os dispêndios com a aquisição de Jet Ski e Reboque Os dispêndios com a compra de Jet Sky e Reboque estão em consonância com a legislação tributária, tendo a fiscalização considerado corretamente a aquisição em 2007 e não em 2008, conforme cópias de documentos anexados aos autos. h) No tocante à multa de 150%, entendeu pela sua exigência, uma vez que “tanto o contribuinte quanto sua esposa prestaram informações inverídicas nas declarações de ajuste de 2008 e 2009 e durante o curso da ação fiscal. Prova disso é que as diversas informações relativas a rendimentos isentos e não tributáveis vieram desacompanhadas da comprovação de transferência de numerário, sempre justificadas pela suposta existência de pagamentos em espécie, mesmo para trânsito de quantias muito elevadas. Também deve ser registrado que o contribuinte, de maneira totalmente dissociada da legislação tributária, buscou adequar as inconsistências apresentadas nas declarações de ajuste com registros irreais na contabilidade da empresa da qual são sócios.” Recurso Voluntário O recorrente foi notificado do resultado do julgamento de sua impugnação em 26/02/2013, tendo interposto recurso voluntário em 26/03/2013 (fls. 772/784), repisando os argumentos anteriormente esgrimados. É o relatório. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 27 13 Voto Conselheiro FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Analisando o Recurso Voluntário interposto, insurgese o contribuinte quanto aos seguintes pontos: a) Não recebimento da denúncia na ação penal configura presunção de inocência, e afasta a máfé do contribuinte. b) A origem dos rendimentos restou comprovada, dandose através da distribuição de lucros da empresa Projeto Engenharia e Logística; de doações recebidas em 2008; e de empréstimo realizado pelo Sr. Luiz Cércio de Lima; c) Inaplicabilidade da multa de 150% por não ter ocorrido a situação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. É o que se passa a analisar. Não recebimento da Denúncia – Presunção de inocência. A presente ação fiscal originouse da Operação João de Barro pela Polícia Federal, que objetivou identificar o desvio de verbas públicas, supostamente comandado pelo Deputado Federal João Magalhães, envolvendo emendas parlamentares que destinavam verbas federais para obras de infraestrutura nos Municípios Mineiros. Conforme documentação que trouxe quando da impugnação (fls. 625/686), a denúncia penal não foi recebida em relação João Carlos de Carvalho, em razão de não ter sido “devidamente exposta e individualizada, na denúncia oferecida em 05/05/2010, a forma como os acusados teriam contribuído para a prática dos crimes a eles imputados” (fls. 632).Cumpre salientar, todavia, que segundo a própria manifestação da Procuradora da República (fls.685/686), o não recebimento da denúncia não formou coisa julgada, tendo sido sucedida por outra, cuja ocorrência não foi mencionada nos autos, mas que pode se constatar em consulta ao site: http://www.prmg.mpf.mp.br/imprensa/noticias/criminal/mpfdenuncia empresarioinvestigadopelaoperacaojoaodebarro. Dito isso entendo que o não recebimento da denúncia não traz qualquer influência ao presente julgamento. Isso porque se trata de objeto diverso da autuação. Consoante narra nas folhas 626/628, João Carlos de Carvalho e outros denunciados supostamente “associaramse em quadrilha ou bando, para o fim de solicitar e obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função, sendo que parte da vantagem se destinava ao próprio servidor público; para fornecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determinálo a praticar ato de ofício em desacordo com seu dever legal; para frustrar ou fraudar, mediante ajuste, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter para si ou Fl. 836DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação”. Resta evidente que a conduta narrada em nada se refere à infração tributária imputada a ora recorrente. Acréscimo Patrimonial a Descoberto – Comprovação da origem dos Recursos A questão ventilada no Recurso Voluntário, cingese à: Dividendos Doações Empréstimos Entendo não haver sido devidamente comprovada a origem dos Recursos pelo Contribuinte. Na DAA 2009 verificase que o contribuinte João Carlos declarou rendimentos isentos e não tributáveis em valores de R$ 1.840.000,00 a título de Lucros e dividendos recebidos da Projeto Engenharia e Logística Ltda. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização (fls. 60/192), o recorrente traz recibos de distribuição de Lucros recebidos da Projeto Engenharia e Logística Ltda (fls 80/86) na qual atesta o recebimento das seguintes quantias: DATA VALOR (R$) 26/3/2007 50.000,00 22/10/2007 100.000,00 27/11/2007 230.000,00 5/12/2007 170.000,00 14/12/2007 230.000,00 20/12/2007 150.000,00 31/12/2007 590.000,00 TOTAL 1.520.000,00 Na mesma resposta, o contribuinte traz cópia do Livro Diário da Empresa referente ao ano de 2007, sem qualquer comprovação de inscrição e registro no órgão competente (fls. 89/91); bem como o Balanço Patrimonial do mesmo período (fls. 91/94). Ali consta a distribuição de lucros para o Sr. João Carlos na monta de R$ 1.520.000,00, e para a Sra. Elisa Evangelista no valor de R$ 380.000,00, em 31/12/2007. A empresa, intimada a se manifestar acerca do pagamento de dividendos aos sócios, de acordo com o Termo de Intimação nº 023/2012 (fls. 337), traz os mesmos recibos Fl. 837DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 28 15 trazidos por seu sócio, e nas fls. 370/397 traz na íntegra os Livros Diário dos anos de 2007 e 2008, ambos registrados na Junta Comercial em 7/6/2011, sob autenticação nº 99206349. Nesse ponto, agiu corretamente a fiscalização ao buscar outros meios para comprovar a distribuição de lucros que não só somente a apresentação de recibos e o livro diário apresentado. Preceitua o RIR/99 que a empresa é obrigada não só a escriturar os fatos contábeis, mas também manter os documentos hábeis e idôneos que comprovem os fatos nela registrados, nos termos do art. 923: Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. No tocante ao Livro Diário, a obrigatoriedade de seu registro está prevista no Código Civil em seu artigo 1.180 que determina que “Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica” e ser artigo 1.181, que refere que “salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis.” Vale lembrar que a Resolução CFC nº 1.330/11, que regula a escrituração contábil define em seus itens 26 e 27 que a “Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apoiam ou componham a escrituração”, sendo considerada hábil “quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnica contábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. O registro extemporâneo do Livro Diário, posteriormente ao início da fiscalização e decorridos mais 3 anos dos fatos que originaram a situação nele registrada, não tem o condão de, a priori, constituílo como documentação hábil para o fim proposto pelo Recorrente. Assim, considerando que os autuados Sr. João Carlos Carvalho e Elisa Evangelista são os dois únicos sócios da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda (fls. 161), e dada a ausência de registro do Livro Diário em Registro Público na época da fiscalização, necessário que se vislumbrasse outros indícios comprobatórios da distribuição de lucros alegada. Igualmente, aqui não andou bem na comprovação o contribuinte, como bem lançado pela decisão a quo: “No caso dos lucros distribuídos, os elementos apresentados pela autoridade fiscal são mais que plausíveis quando da solicitação da comprovação da transferência de recursos da fonte pagadora para o contribuinte. Isto porque, os registros contábeis da Projeto Engenharia não acompanham as normas legais e os princípios de contabilidade. Referida empresa, da qual o contribuinte é o principal sócio, preocupouse em registrar a contabilidade no órgão competente mais de três anos após o prazo previsto na legislação e já no curso do procedimento fiscal. Situação puramente casuística que ocorreu apenas para tentar dar suporte às simples alegações produzidas na peça de defesa. A boa técnica contábil exige que os lançamentos sejam registrados nos livros em ordem cronológica à medida que forem ocorrendo. Não se pode admitir que valores constantes de comprovantes Fl. 838DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 de recebimentos de lucros em diversos meses do ano sejam computados em único lançamento no dia 31/12. Não bastasse a ausência de clareza até aqui exposta, a fiscalização ainda cuidou de analisar as declarações apresentadas pela Projeto Engenharia que constava no ano de 2004 como inativa, em 2005 apresentou DIPJ sem faturamento, em 2006 declarou faturamento de R$83.940,00, em 2007 declarou ter faturado R$2.319.332,50 e em 2008 R$53.720,00. Diante da discrepância de faturamento no decorrer desses anos, aliado ao fato de, em 2007, a empresa ter distribuído quase a totalidade do que faturou, ou seja, R$1.900.000,00 e em 2008 ter distribuído R$2.300.000,00 contra R$53.720,00 de faturamento, correto o procedimento fiscal com vistas a apurar areal transferência de recursos da empresa para o contribuinte. Diante disso, não pode ser acatada como origem de recurso a distribuição de lucros alegada pelo contribuinte. No mesmo sentido, já se posicionou este Tribunal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. Os rendimentos isentos e não tributáveis recebidos pelo contribuinte a título de distribuição de lucros de pessoa jurídica, do qual o contribuinte é sócio, podem ser considerados na análise da evolução patrimonial somente quando comprovados por documentação hábil e idônea. PRESUNÇÕES LEGAIS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A lei somente autoriza a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatível com os recursos tributados, isentos e não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Recurso Negado (Relator(a) ALICE GRECCHI Nº Acórdão 2102 002.959, Sessão de 16 de abril de 2014) Na DAA 2009 igualmente verificase que o contribuinte João Carlos declarou rendimentos isentos e não tributáveis em valores de R$ 1.130.000,00, a título de demais rendimentos isentos e nãotributáveis (fl. 512). Sobre esses valores refere em suas razões serem decorrentes de doação no valor de R$ 1.100.000,00 recebida de seu pai em moeda corrente nacional a título de doação, e R$ 30.000,00, a título de empréstimo contraído junto ao Sr. Luiz Cércio. De igual forma, não pode ser conhecida como comprovação de origem dos rendimentos a doação no valor doação de R$ 1.100.000,00 recebida do seu pai. Em outras situações, posicioneime que as doações ocorridas de pai para filho operamse sob o pálio da informalidade aceitável, sendo muitas vezes inexigível qualquer espécie de contrato escrito para a formalização do negócio jurídico. Nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2007 VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO ENTRE PARENTES DE 1° GRAU. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 29 17 INFORMALIDADE ACEITÁVEL. COMPROVAÇÃO. Tratandose de doações de mãe para filho, na qual impera a informalidade, e verificando que as operações foram consignadas nas declarações de rendimentos da doadora e do donatário, bem como a primeira possuía suporte financeiro para tanto, pela venda comprovada de imóvel, consideramse comprovadas documentalmente as doações informadas. Precedentes. Quanto ao crédito a receber, houve a comprovação do mesmo, por documentos hábeis e idôneos, quais sejam Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Nota Promissória devidamente registrada no Registro de Títulos e Documentos, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. (Relator(a) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Nº Acórdão: 2202 002.497) Todavia, no presente caso, entendo não ser cabível o mesmo entendimento. Isso porque, além do contrato de doação, onde, registrese, não consta registro público, nem testemunha (fl. 96) e da Declaração de Imposto de Renda do beneficiário (fls. 512), não foi feita qualquer outra prova de que os valores sejam decorrentes de uma doação. Não foi trazido aos autos comprovação de existência de depósitos ou transferência de valores que vinculem a operação ao doador. Mesmo considerando que a doação de R$ 1.100.000,00 tenha se dado em moeda corrente, poderia ter sido feita prova do saque de tal valor por parte do doador, pai do contribuinte, ou ainda juntada a DAA do pai. Vale destacar que a exigência de comprovação do ITCD, ao contrario do alegado pelo Recorrente, não tem qualquer caráter de bis in idem. Tratase de mera tentativa de comprovar a ocorrência da doação alegada, no que não logrou êxito o recorrente. Sobre a comprovação de origem de R$ 30.000,00, em decorrência do contrato de mútuo, igualmente entendo que sua efetiva ocorrência carece de maior comprovação. A mera juntada de contrato (fl. 99), sem qualquer formalização em registro público, desacompanhada de qualquer outra forma de comprovação do recebimento do referido empréstimo, não tem o condão de comprovar a origem dos recursos. Nesse sentido, precedente deste Tribunal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NUMERÁRIO EM CAIXA. Havendo questionamento por parte da autoridade fiscalizadora acerca dos valores informados na declaração de bens e direitos, da declaração de ajuste anual de IRPF, a título de “numerário em caixa”, para que tais quantias possam ser consideradas na apuração da variação patrimonial, é necessário que o contribuinte apresente elementos de prova aptos a permitirem a convicção de que o dado declarado corresponde à realidade. DOAÇÃO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Havendo dúvidas quanto à veracidade das operações de mútuo e doação, informadas na declaração de ajuste anual de IRPF, podem Fl. 840DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 ser exigidos documentos que comprovem que o numerário efetivamente ingressou no patrimônio do beneficiário. Na ausência de tais elementos, legítima a descaraterização dessas operações. OPERAÇÕES DESCRITAS EM DOCUMENTO PARTICULAR. VALIDADE. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário, não sendo válidas contra terceiros. (...) (Relator(a) WALTER REINALDO FALCAO LIMA; nº Acórdão: 2801002.715) Assim sendo, não havendo a devida comprovação por parte do contribuinte quanto às suas alegações de defesa, entendo necessária a manutenção do crédito tributário. Multa Qualificada Insurgese o Recorrente quanto à aplicação da multa qualificada no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de sonegação fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1946. A aplicação da multa qualificada é justificável somente quando o contribuinte tenha procedido em uma das três condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 1964, quais sejam, sonegação, fraude ou conluio. Tais condutas podem ser assim definidas: Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Conluio, por sua vez, é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. No caso, acusase o contribuinte João Carlos de Carvalho de ter prestado declarações falsas, tanto nas Declarações entregues à Receita Federal, exercícios de 2008 e 2009, como nas informações prestadas no curso do procedimento fiscal, listadas no item 2, do Termo de Verificação Fiscal (fls. 30/42). Refere a Fiscalização que tal conduta evidencia consciente intuito de ocultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da existência de rendimentos, aplicados na aquisição de bens móveis e imóveis, o que gerou acréscimo patrimonial a descoberto (fls. 42). Em suma, a Fiscalização acusa o contribuinte dos seguintes atos: 1) Ter se utilizado da contabilidade da empresa Projeto Engenharia e Logística Ltda, com o intuito de justificar seu acréscimo patrimonial a descoberto, criando uma distribuição de lucros inexistente (fls. 42). O Fl. 841DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 30 19 contribuinte informou, na DAA apresentada pelo contribuinte para o exercício de 2009, ter auferido Rendimentos Isentos Não Tributáveis no valor R$ 1.840.000,00 referentes a lucros e dividendos recebidos da empresa Projeto Engenharia. Posteriormente o contribuinte em resposta ao Termo de Início de Fiscalização apresentada em 30/5/2011 (fl. 60/61) relata ter recebido, na realidade, o valor de R$1.520.000,00 no anocalendário 2007, e não o valor anteriormente informado no ano de 2008. Apresentou recibos de distribuição de lucros e os livros Diário/Razão da empresa, bem como a DIPJ da empresa, que foram considerados inidôneos como prova. A autoridade fiscal desqualificou a informação dos livros diário/razão sob o argumento de que não estavam devidamente registrados no órgão competente, o que inviabilizaria sua utilização como prova. Ainda, desqualificou a DIPJ sob o argumento de que o valor distribuído não era condizente com o faturamento do ano de 2008, e que no de 2007 o lucro distribuído foi a quase totalidade do faturamento apresentado, e que o faturamento desse ano apresentou um acréscimo inverossímil frente aos valores auferidos nos outros anos. Em resumo, vêse que a acusação é de que o contribuinte alterava a contabilidade e as declarações próprias e da empresa como forma de justificar a distribuição de rendimentos isentos e não tributáveis para a sua pessoa física. 2) Ter forjado contrato de doação no valor de R$ 1.100.000,00, efetuada pelo Sr. José Maria Alves de Carvalho, pai do contribuinte, a ele. Afirma o Termo de Verificação Fiscal (fls. 34/35) que o contrato “não foi registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, nem assinado por testemunhas. Ou seja, o contrato oi assinado por ele e seu pai. A informação da doação realizada nem sequer foi juntada na DIRPF 2009 apresentada por José Maria Alves de Carvalho à Receita Federal em 28/04/2009”. Prossegue o TVF, afirmando que o contribuinte referiu que a transferência dos valores foi feita em dinheiro em espécie, e não apresentou a guia de recolhimento do ITCD. Em suma, entendeu que o contribuinte forjou um contrato de doação com seu pai como forma de justificar o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis na sua DAA. 3) Ter forjado contrato de empréstimo no valor de R$ 30.000,00 contraído junto a Luiz Cércio de Lima. Refere que o contrato não cumpriu com nenhuma formalidade, constando apenas as assinaturas do contratante, sem que houvesse o registro no Cartório de Títulos e Documentos. Acrescenta que, quando intimado, o contribuinte não comprovou a efetividade dessa transferência, referindo tão somente tratarse de empréstimo realizado em dinheiro em espécie. Assim, a fiscalização acusou o contribuinte de ter forjado um contrato de empréstimo como forma de como forma de justificar o recebimento de rendimentos isentos e não tributáveis na sua DAA. 4) No tocante à aquisição de bens imóveis, refere que o Contribuinte declarou a aquisição de imóveis como ocorridas em 2008, quando na fiscalização verificouse que ocorridas na verdade em 2007 (fl. 39). Fl. 842DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 5) No tocante à aquisição de bens móveis, a fiscalização, acusa o contribuinte de ter prestado declaração inexata, porquanto declarou a aquisição em 2008 de reboque aberto placa HGX9586 e da Moto Aquática (Jet Ski), ao passo que a análise das notas fiscais apresentadas (fls. 140/141) os veículos foram adquiridos em 2007 por preços diferentes aos declarados. A todas essas condutas, a autoridade fiscal imputou aos contribuintes (José Carlos Carvalho e Elisa Evangelista) a conduta de sonegação. Na sua fl. 43, acrescenta a conduta descrita como crime de sonegação fiscal, prevista no 1º, inciso I, da Lei nº 4.729/65, segundo o qual constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; e também a Lei 8.137/90, que regula os crimes contra a ordem tributária, segundo o qual constitui crime de sonegação fiscal omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Ocorre que para fins de aplicação da multa qualificada, por referência expressa do art. 44, § 1º, da Lei nº 4.502/64, deverá ser adequadamente enquadrado uma das condutas expressas nos arts. 71 a 72 da Lei nº 4.502/64. Dito isso, analisando as condutas elencadas nos itens 1 a 3, percebese nitidamente a tipificação de um conluio, isto é, a união de duas pessoas que agem em conjunto e dolosamente para a consecução de um dos fins previstos nos art. 71 ou 72. No item 1, por exemplo, a acusação é de que teria havido a união do autuado com a empresa para inserir informação de distribuição de lucros na contabilidade, e assim gerar rendimentos isentos não tributáveis. De igual forma, o arranjo com terceiros para fins de forjar um contrato de doação e de empréstimo. Seja nos casos 1 a 3, retro, seja nas condutas descritas nos itens 4 a 5, retro, acusase o contribuinte de forjar documentos e informações FALSAS com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador ou excluir suas características essenciais. Exatamente o tipo legal do art. 72, ou seja, FRAUDE. Em nenhum dos casos, acusouse o contribuinte de impedir meramente o CONHECIMENTO dos fatos. Pelo contrário, o contribuinte: 1) Apresentou a DIPJ da empresa onde constava a distribuição dos lucros, bem como lançou no livro Diário/Razão os valores referentes à distribuição, tendo ambos os sócios feito constar a distribuição nas suas respectivas declarações. Ainda, foram apresentados os recibos referentes à distribuição dos dividendos. Sendo assim, os contribuintes sempre prestaram as informações solicitadas e trouxeram os documentos que entenderam pertinentes para os esclarecimentos do feito. Fica claro que, em nenhum momento, o contribuinte buscou impedir o conhecimento dos fatos pela autoridade fiscal; 2) De igual forma, no caso do contrato de empréstimo e no de doação, o contribuinte deu a conhecer o contrato de doação e empréstimo, bem como o declarou na sua respectiva Declaração; 3) No caso das declarações inexatas prestadas na aquisição de bens móveis e imóveis, igualmente o contribuinte apresentou e noticiou sua Fl. 843DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.726662/201251 Acórdão n.º 2202002.728 S2C2T2 Fl. 31 21 aquisição nas respectivas declarações. Igualmente não houve qualquer tentativa de impedir o fiscal de ter conhecimento dos fatos relatados. Percebese que, em todos os casos, o contribuinte NÃO BUSCOU OCULTAR os fatos geradores, não operou sobre o conhecimento da autoridade fiscal. O que ele fez foi buscar IMPEDIR A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES OU, MESMO, EXCLUIR OU MODIFICAR SUAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS, mediante contratos falsos (de empréstimo e doação), adulteração de contabilidade para prever uma distribuição de lucros inexistente e aposição de informações falsas em sua DAA. Com isso, tinha o intuito claro de suprimir característica essencial do fato gerador. A fraude fiscal é aquela em que o agente busca dolosamente, através de subterfúgios, impedir total ou parcialmente a tributação. Assim, criase dolosamente um artifício enganoso que seja capaz de IMPEDIR A OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES OU EXCLUIR SUAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS. A fraude atua, portanto, na própria materialidade do tributo. No caso dos autos, configurase a fraude pelo fato de criar uma distribuição de dividendos artificial, mediante escrituração, contabilização e declaração de lucros, quando na verdade nada ocorreu. Ou ainda, manipular a declaração do imposto de renda inserindo informações nas declarações extemporaneamente como forma de aproveitarse do fluxo de rendimento no período. Com a sonegação já ocorre diferente. Tratandose de ato doloso que busca impedir o conhecimento da autoridade fiscal, tratase de situação onde não há a criação de realidade artificiosa, mas somente a ocultação da conduta, como forma de não permitir que autoridade tome conhecimento de sua ocorrência. Verificase que nenhuma das hipóteses descritas no Termo de Verificação Fiscal, se coaduna a tal descrição. Seja a prática de manipular a contabilidade da empresa, seja no ato de criar um negócio jurídico que não ocorreu de fato, ou ainda prestar declarações inexatas, o contribuinte não está negando o conhecimento à autoridade fiscal, mas dando a ele o conhecimento de um artifício, uma realidade criada com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador. Sendo assim, tratase, claramente, de condutas diversas daquela de que trata o art. 71 (sonegação), e que é exatamente aquela em que a fiscalização buscou enquadrálo, consoante se lê das fls.42/44. Isso posto, voto pela PARCIAL PROCEDÊNCIA do recurso voluntário, tão somente, para reduzir ao patamar de 75% a multa de ofício aplicada, desqualificandoa. (Assinado Digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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