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Numero do processo: 10880.934252/2008-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da própria PER/DCOMP ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1803-001.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que provia o recurso de forma integral. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE FATO. REVISÃO MANUAL. Se o motivo do indeferimento eletrônico do PER/DCOMP está adstrito exclusivamente a erro de fato no preenchimento da própria PER/DCOMP ou outra declaração utilizada para aferição do direito creditório, deve o pleito ser apreciado integralmente de forma manual em homenagem ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes que provia o recurso de forma integral. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10880.934252/200895 Acórdão n.º 180301.329 S1TE03 Fl. 294 2 Relatório EVERSYSTEMS INFORMÁTICA COM. REPRES. IMP. EXP. LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A empresa em epígrafe apresentou PER/DCOMP n° 16439.60133.080704.1.7.020606 em 08/07/2004, para compensação de débitos com o crédito de saldo negativo de IRPJ/2003, anocalendário de 2002, no valor de R$ 147.021.17. 2. Em análise processada pela DERAT foi apurada inconsistência entre a informação registrada no PER/DCOMP, saldo negativo do IRPJ de R$ 147.021,17 e o valor de R$ 0,00 informado na DIPJ/2003, AC 2002. 3. A DERAT em decorrência do apurado emitiu o Termo de Intimação (Irregularidade no Preenchimento de PER/DCOMP) (fl.03), em 07/12/2006, informando as discrepâncias das informações e, dando a seguinte orientação: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação". Prazo de 20 dias. 4. Em 25/09/2008 a DERAT emitiu o Despacho Decisório (fl. 01) Com o seguinte teor: "Analisando as informações prestadas no documento acima\ identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com o crédito: R$ 147.021,17. Valor do crédito na DIPJ: R$ 0,00. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado”. 5. A Empresa teve ciência do Despacho Decisório em 01/10/2008 e tempestivamente apresentou a manifestação de inconformidade, em 30/10/2008 (fls. 25 a 30), alegando resumidamente, que: 5.1. O valor que a Requerente pretende compensar é o saldo negativo do exercício de 2004 (anocalendário de 2003) e não o exercício de 2003 (ano calendário de 2002). Em virtude de Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10880.934252/200895 Acórdão n.º 180301.329 S1TE03 Fl. 295 3 deslize da Requerente e da falta de diligência da D. Autoridade Fiscal a Receita Federal não homologou a presente compensação dos valores declarados no PER/DCOMP. 5.2. Diante do erro singelo da Requerente no preenchimento do PER/DCOMP, "deve o julgador utilizar os documentos ora trazidos pela Requerente aos autos, para extrair a verdade real dos fatos, qual seja, a perfeita identidade entre o valor declarado no PER/DCOMP e o valor constante da DIPJ relativo ao exercício de 2004”. 5.3. Informa que após o recebimento da notificação de não homologação dos valores declarados, ainda tentou retificar sua PER/DCOMP, porém, sem sucesso, visto que o sistema não permite a retificação de declaração que já foi objeto de decisão administrativa. 5.4. Alerta que, no processo administrativo tributário, o julgador deve se pautar pelo princípio da verdade real ou material, ou seja, deve sempre buscar a obtenção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico, e não aquela verdade carreada aos autos, eminentemente formal. 5.5. Caso assim não entenda, requer que o presente julgamento. seja convertido em diligência a fim de verificar a exatidão dos valores declarados pela Requerente no PER/DCOMP, por meio de confirmação pelo sistema SIEF/DIRF. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1627.219, de 22 de outubro de 2010 (fls. 154/160), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 CRÉDITO. LIQUIDEZ. CERTEZA. NECESSIDADE. Não verificada a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP. ÔNUS DA PROVA. DCOMP. CONTRIBUINTE Sendo a análise do crédito feita com os elementos disponíveis nos sistemas da RFB, e verificada a existência de inconsistências nas informações, cumpre ao autor contribuinte a comprovação do direito alegado. Ciente da decisão em 11/01/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 161v), apresentou o recurso voluntário em 07/02/2011 fls. 167/172, onde reitera os argumentos da inicial aduzindo ser dever da Administração proceder as diligências necessárias sob pena de cerceamento de defesa. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10880.934252/200895 Acórdão n.º 180301.329 S1TE03 Fl. 296 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo direito creditório referese a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, não reconhecido em virtude de não constar da respectiva DIPJ. Alega a recorrente em síntese: a) Que equivocouse em informar na PER/DCOMP o direito creditório como sendo exercício 2003, pois na verdade referese ao ano calendário 2003 – exercício 2004; b) Que não foi possível retificar a PER/DCOMP após o despacho decisório que indeferiu o pedido e não homologou as compensações; c) Que o direito creditório constante da DIPJ do ano calendário 2003 está de acordo com a PER/DCOMP, conforme declaração anexada na manifestação de inconformidade; d) Que deve ser deferido o pedido de diligência para determinação do direito creditório, sendo dever da Administração Tributária a sua correta apuração sob pena de cerceamento de defesa. A decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, embora reconheça a decisão de primeira instância que houve erro de fato na PER/DCOMP no tocante a informação do ano calendário correto, devendo referirse o direito creditório ao ano calendário 2003 (exercício 2004) e não ano calendário 2002 (Exercício 2003), conforme constou, não reconheceu o direito creditório e tampouco determinou qualquer diligência à unidade de origem. Ora, sendo o motivo do indeferimento constante do despacho decisório originário única e exclusivamente a divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ e constatado o erro de fato na PER/DCOMP, deve ser analisado o direito creditório de forma manual. Afirma a decisão de primeira instância de que o contribuinte não atendeu a intimação para retificação da DIPJ sendo portanto ônus de sua parte comprovar o direito creditório. Ocorre que o contribuinte não poderia retificar a DIPJ do ano calendário 2002 conforme solicitado na intimação, mas sim do ano calendário 2003, conforme Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10880.934252/200895 Acórdão n.º 180301.329 S1TE03 Fl. 297 5 corretamente comprovou (fl. 94), restando apenas incorreto o PER/DCOMP considerando a confusão entre “exercício” e “ano calendário”. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material deve o pleito ser analisado de forma manual pela unidade de origem. Destarte, deve ser o pedido apreciado pela unidade de origem que poderá conforme preceito contido no art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, requisitar os documentos e empreender as diligências que entender necessárias para análise do direito creditório. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que a unidade de origem aprecie o direito creditório por inteiro, homologando as compensações até o limite do saldo negativo de IRPJ efetivamente apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 10880.934252/200895 Acórdão n.º 180301.329 S1TE03 Fl. 298 6 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Divirjo do ilustre Conselheiro Relator apenas na parte em que ele, em seu Voto, apesar de expressamente reconhecer o erro de fato no preenchimento do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) da Recorrente (“sendo o motivo do indeferimento constante do despacho decisório originário única e exclusivamente a divergência entre a PER/DCOMP e a DIPJ e constatado o erro de fato na PER/DCOMP”) e, pois, a insubsistência do correspondente despacho decisório eletrônico , determina que a unidade de origem aprecie o pedido, podendo “requisitar os documentos e empreender as diligências que entender necessárias para análise do direito creditório”. A meu ver, o despacho decisório eletrônico emitido é improcedente e, dessa forma, não comporta qualquer tipo de revisão, ainda que determinada por este Colegiado. Acatarse tal procedimento significaria, em última análise, admitirse que, inobstante a incorreção da motivação da não homologação da compensação pleiteada, possa o Fisco atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo contencioso, fazêlo acertar no que não viu. Dou provimento integral ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 26/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002165/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal.
Numero da decisão: 2401-004.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002165/200303 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.698 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2017 Matéria IRPF Recorrente MARIA BONIFACIO DE MOURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO 30 (TRINTA) DIAS. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 5° e 33, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do Ministério da Fazenda, o prazo para recorrer da decisão administrativa de primeira instância é de 30 (trinta) dias, contados a partir da data em que a contribuinte foi devidamente cientificado da decisão, não sendo conhecido o recurso interposto fora do trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 65 /2 00 3- 03 Fl. 366DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19515.002165/200303 Acórdão n.º 2401004.698 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório MARIA BONIFACIO DE MOURA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0810.651/2007, às fls. 242/261, que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao ano calendário 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 149/152, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 11/06/2006 (AR fl. 154), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: OM1SSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de deposito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação. Inconformada com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 290/308, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, suscitando preliminarmente a nulidade da intimação da decisão de primeira instância, afirmando nunca ter residido no endereço o qual foi encaminhado a intimação e esta ter sido recebida por pessoa desconhecida. Ainda preliminarmente, suscita a decadência da maior parte dos depósitos que serviram de base de cálculo do lançamento, pois se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF com fundamento em dispositivo de lei editada posteriormente à Lei n° 7.713/88, que determina ser este devido mensalmente na medida em que os rendimentos forem sendo percebidos, sujeito ao lançamento por homologação, aplicamse as regras e prazos de art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN, sendo esta a norma observada rigorosamente pela jurisprudência administrativa. No presente caso, a maior parte do crédito tributário exigido referese a período j á decaído, pois parcela significativa dos depósitos apurados como fato gerador do IRPF, lançado de ofício em 12/06/2003, ocorreram em datas anteriores ao prazo de cinco anos previsto em lei. Assim, do montante de R$ 359.826,39 submetido à tributação a título de omissão de rendimentos, o valor de R$ 264.829,06 referese a meses já alcançados pela decadência, devendo, por isso, ser excluído da base de cálculo do imposto. Fl. 368DF CARF MF 4 Já em relação ao mérito aduz que a pretensa omissão de rendimentos é juridicamente insustentável, eis que além de não corresponder à realidade dos fatos, afronta à legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa e judicial que há décadas vêm consagrando o entendimento de que o depósito ou o extrato bancário, por si só, não é fato gerador do imposto de renda. Nesse sentido, transcreve voto condutor proferido no Acórdão CSRF 011.898/95. Afirma que a legislação citada no Acórdão sofreu algumas modificações, contudo, nenhuma das alterações introduzidas, quer através do §5°, do art. 6 o da Lei n° 8.061/90, quer através do art. 42 e §§ da Lei n° 9.430/96, admitem o lançamento com base, pura e simplesmente, no depósito bancário, conforme ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes trazidas à colação. Alega que nas respostas às intimações, mais de uma dezena, a recorrente esclareceu que toda a movimentação bancária ocorrida no ano de 1998, objeto da fiscalização, originouse em sua maior parte, da alienação de 3 (três) imóveis, conforme descrito na impugnação, e que todas as transações foram comprovadas pelas cópias das respectivas escrituras públicas de venda e compra, bem assim da partilha de bens firmada quando da separação consensual, como prova dos bens adquiridos. Esclareceu e comprovou que exerce a profissão liberal de advogada e recebe, sistematicamente, remuneração por serviços prestados, valores esses declarados e tributados em suas Declarações Anuais de Rendimentos. Não obstante todos os esclarecimentos e provas fornecidas, a Fiscal Autuante desconsiderou a alienação do apartamento n° 23, 2 o andar, no Condomínio Mirante do Sumaré, vendido em 13/04/1998 por R$ 90.000,00, sob a justificativa de que o mesmo não constava de sua declaração de bens dos anos anteriores. Tal fato, de per se, não invalida a alienação efetivamente ocorrida e comprovada mediante a escritura de compra e venda, pois por equívoco o apartamento não constou de suas declarações, tendo sido adquirido por ocasião da partilha dois bens, não importando qualquer dispêndio para a impugnante e o mesmo, na constância da sociedade conjugai, figurava na declaração de bens do então marido. Aduz que o levantamento fiscal está eivado de erros e impropriedades representados pela inclusão de valores em duplicidade, além de outros que não representam depósitos, como é o caso de aplicações financeiras e o cômputo dos mesmos valores quando de seu depósito e subseqüente aplicação, conforme se verifica dos "Demonstrativos de Valores Extratos Bancários", anexos ao auto de infração. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19515.002165/200303 Acórdão n.º 2401004.698 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira – Relator Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, vislumbrase que sua peça recursal não atende aos pressupostos de admissibilidade. O recurso é intempestivo. Destarte, o prazo para recorrer da decisão de primeira instância, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, é de 30 (trinta) dias, contados da ciência do Acórdão recorrido, senão vejamos: “ Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” A propósito da contagem dos prazos recursais, impende transcrever os preceitos do artigo 5° do mesmo Diploma Legal, nos seguintes termos: “ Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Como se observa, a contagem do prazo para recurso voluntário iniciase no primeiro dia útil após o recebimento da intimação da decisão, com seu encerramento 30 (trinta) dias após. Alega a recorrente que a ciência do Acórdão da Decisão de !° Instância deu se apenas em 13/08/2008, ao comparecer à repartição fiscal para se informar sobre o processo, conforme consignado à fls. 267. Todavia, os documentos acostados aos autos revelam que a intimação foi realizada por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto no art. 23, inciso II, § 2º, inciso II, § 4º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir reproduzido: Fl. 370DF CARF MF 6 "Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)" Na hipótese dos autos, conforme se verifica do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 268, a recorrente foi intimada do Acórdão da 4 Turma da DRJ em Fortaleza/CE em 26/02/2008 (terçafeira), passando a fluir no dia 27/02/2008 (quartafeira), encerrandose o prazo para interposição de recurso voluntário no dia 27/03/2008, não sendo interposto até a referida data, foi lavrado termo de perempção à fl. 270. Com efeito, foi realizada a intimação postal no domicílio tributário da contribuinte, conforme extrato de consulta da própria SRF à fl. 265, com data de recebimento em 26/02/2008 (fls. 268), assinada pela pessoa de Beatriz Mendes. A contribuinte afirma desconhecer a Sr. Beatriz Mendes, nesse sentido o deslinde da controvérsia simplesmente encontra supedâneo na Súmula CARF nº 09, que assim preceitua: "Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." De qualquer maneira, a contribuinte não junta aos autos qualquer documento que possa comprovar que não era domiciliada ou nunca estabeleceu residência no endereço constante do extrato acima descrito. Como contraponto, a recorrente poderia ter anexado comprovantes de contas de água, energia, condomínio ou demais documentos que convalidassem suas afirmações, no entanto, apenas alegou não ter domicílio naquele endereço, bem como desconhecer a pessoa que recebeu a correspondência. Dessa forma, tendo a contribuinte interposto recurso voluntário, às fls. 290/308, em 03/09/2008, consoante se infere da informação constante da folha de rosto da peça recursal e do documento de fls. 270, apresentase intempestivo, não devendo ser conhecido. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19515.002165/200303 Acórdão n.º 2401004.698 S2C4T1 Fl. 5 7 Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, em vista das razões encimadas, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 372DF CARF MF
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Numero do processo: 10943.000059/2007-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
CONTROLE REPRESSIVO DA CONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2.)
Numero da decisão: 2302-003.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
EDITADO EM: 25/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liège Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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IMPOSSIBILIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. EDITADO EM: 25/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liège Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Arlindo da Costa e Silva, Andre Luis Marsico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 3. 00 00 59 /2 00 7- 96 Fl. 1154DF CARF MF 2 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata e/ou votos do mesmo conselheiro em processos similares. Feito o registro. Tratase de recurso em face da DecisãoNotificação n° 21.434.4/0353/2006, exarado pela Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo (efls. 1048 a 1071). Transcrevo do relatório do acórdão recorrido: DA NOTIFICAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 34 e seus respectivos complementos de fls. 372 e 375, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da Empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e às destinadas aos Terceiros (SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e SALARIO EDUCAÇÃO), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais informadas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e nas Guias de Recolhimento Recisório do FGTS e Informações à Previdência Social GRFP, para as competências 06/2000 a 04/2003, incluindo os Décimo Terceiros Salários. Informa, ainda, o mencionado Relatório Fiscal, que constam do presente lançamento os créditos provenientes de diferenças de acréscimos legais decorrentes de recolhimentos efetuados após o prazo legal de vencimento na competência 13/2000. 2. Os valores lançados através da NFLD em epígrafe perfazem o montante de R$ 778.424,10 (setecentos e setenta e oito mil, quatrocentos e vinte e quatro reais e dez centavos), consolidado em 30/09/2003. DA IMPUGNAÇÃO 4. A interessada apresentou impugnação dentro do prazo regulamentar, às fls. 37/238, onde alega em síntese que: 4.1. deve ser declarada a nulidade do presente Lançamento uma vez que o lançamento tributário objeto da presente NFLD carece Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10943.000059/200796 Acórdão n.º 2302003.642 S2C3T2 Fl. 3 3 dos requisitos de certeza e liquidez, pois o Auditor Fiscal responsável por sua lavratura apontou como base de cálculo valores superiores aos reais, tendo também deixado de descontar valores pagos pela impugnante. 4.2. o levantamento foi efetuado utilizandose como base de cálculo os valores declarados equivocadamente pela Impugnante nas GFIP's, as quais não traduzem a realidade contábil da empresa, no tocante aos valores componentes de sua folha de pagamento; 4.3. em algumas competências, tais como junho/2000, julho/2000, setembro/2000 e fevereiro/2000, os valores apurados pela fiscalização divergem tanto dos valores lançados como daqueles declarados nas respectivas GFIP; 4.4. nas competências março/2001 e maio/2001, os valores lançados na folha de pagamento e nas respectivas GFIPs são idênticos, porém divergem daqueles apurados pela fiscalização; 4.5. conforme se infere das GPS's relativas às competências de 06/2000 a 07/2001, bem como de 10/2001, 03/2002, 07/2002, 11/2002 e 02/2003, constatase que a Impugnante procedeu ao devido recolhimento das contribuições providenciarias apontadas pela fiscalização, as quais totalizam o montante de R$ 367.289,06 (trezentos e sessenta e sete mil, duzentos e oitenta e nove reais e seis centavos); 4.6. afirma que é indevido o DAL referente à competência 01/2001, pois a contribuição relativa a tal competência foi integralmente quitada dentro do prazo legal; 4.7. discorre sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança da contribuição ao SAT, ao SESI, ao SENAI, ao SEBRAE, ao INCRA, da exigência da contribuição providenciaria nos moldes da Lei complementar n° 84/96, da utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios e da cobrança antecipada da contribuição providenciaria; 4.8. requer a produção de prova pericial, apresentando rol de quesitos e nome, endereço e qualificação do perito contábil por ela nomeado. 4.9. entende que não se pode falar em impossibilidade de discussão e julgamento dos argumentos aduzidos pela Impugnante na presente impugnação adminsitrativa, sob a alegação de que se trata de matéria constitucional, de competência exclusiva do Poder Judiciário. Agindo desta maneira o julgador administrativo estará determinando a aplicação de norma eivada de inconstitucionalidade, em flagrante ofensa aos princípios do Estado de Direito. Das Diligências 5. Tendo em vista as alegações constantes na impugnação apresentada e pedidos de esclarecimentos efetuados pela Fl. 1156DF CARF MF 4 autoridade julgadora, foram os autos baixados em diligência à autoridade notificante, a qual emitiu relatórios complementares em 18/12/2003, fls. 372, em 12/02/2004, fls. 375, dos quais foi a Interessada cientificada conforme informação de fls. 374 e 377. 6. Em face de GPS's acostadas aos autos pela Impugnante, foram estes baixados em diligência à fiscalização, que emitiu as manifestações de fls. 405/408 e de fls. 558, das quais foi a Interessada cientificada através do Despacho n° 21.434.4/067/2005, fls. 589/591, conforme informação de fls. 593. Da DN n° 21.434.4/0046/2.004 7. Diante da impugnação apresentada pela Interessada, foi emitida a DecisãoNotificação DN n° 21.434/0046/2.004, às fls. 396/400, a qual julgou procedente em parte o lançamento, com base na informação fiscal de que a GPS apresentada às fls. 318, no valor de R$ 5.437,32, referente à competência 13/2000, foi considerada indevidamente na competência 12/2000, retificando o valor apurado na competência 13/2000, abaixo demonstrado, e mantendo integralmente os valores lançados nas demais competências. Competência Valor original Valor excluído Valor mantido 13/2000 5.704,50 5.537,32 267,18 Da DN n° 21.434.4/0102/2.004 8. A autoridade julgadora decidiu, através da emissão da DN n° 21.434.4/102/2004, fls. 571/573, reformar parcialmente a DN n° 21.434.4/0046/2.004 com fundamento nas razões abaixo descritas: 8.1. no item 2 da DN n° 21.434/0102/2.004, a autoridade julgadora informou que, em face das GPS apresentadas pela Impugnante no recurso por ela interposto contra a Decisão Notificação contida no processo relativo à NFLD n° 35.612.587 4, devolveu o presente processo à fiscalização, que, às fls. 405/408 manifestouse pela exclusão, também do lançamento objeto da NFLD n° 35.512.58822, ora debatida, dos recolhimentos efetuados nas GPS de código 2909 (no processo NFLD n° 35.612.5874 às fls. 162/164, 165/167, 168/169 e 171), retificando os valores apurados no levantamento FP referentes às contribuições de parte da empresa, SAT e Terceiros nas competências 08/2002, 02/2003, 03/2003 e 04/2003, abaixo demonstrados, mantendo integralmente os valores lançados nas demais competências. Competência Valor original Valor excluído Valor mantido 08/2002 15.940,53 273,60 15.666,93 02/2003 18.284,17 187,48 18.096,69 03/2003 18.883,66 504,00 18.379,66 04/2003 16.385,45 420,48 15.964,97 8.2. Informou, ainda, a autoridade julgadora, no item 5 da DN n° 21.434.4/0102/2.004, que abateu do presente crédito somente os recolhimentos feitos nas GPS de código 2909, visto que as de Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10943.000059/200796 Acórdão n.º 2302003.642 S2C3T2 Fl. 4 5 código 2100 de fls. 327/331 foram integralmente abatidas do lançamento contido na NFLD n° 35.612.5874. DO RECURSO 9. Da Decisão acima recorreu a interessada ao Conselho de Recursos da Previdência Social, o qual, através do Acórdão n° 752/2005 da 4a Câmara de Julgamento, fls. 583/588, anulou a Decisão recorrida e determinou que o contribuinte fosse intimado de todas as manifestações do AFPS decorrentes de diligências anteriores ao julgamento anulado. DO CUMPRIMENTO DO ACÓRDÃO 10. Em atendimento ao determinado pela 4a CAJ, a Seção de Contencioso Administrativo emitiu o Despacho n° 21.434/0067/2005, fls. 589/591, através do qual cientificou a Interessada dos resultados das diligências fiscais efetuadas e lhe concedeu o prazo de 10 (dez) dias para que se manifestasse acerca dos mesmos. DA MANIFESTAÇÃO DA INTERESSADA 11. Decorrido o prazo citado no item anterior, a Interessada manifestouse através da peça de fls. 594/600, aduzindo, em síntese, que deverão ser mantidas todas as retificações efetuadas através das DN's n° 21.434.4/0046/2004 e n° 21.434.4/0102/2004, bem como deverá ser novamente apreciada a impugnação administrativa apresentada em 10/2003 e seus fundamentos do presente recurso para sanar a contradição acima exposta. A Delegacia da Receita Previdenciária julgou o lançamento procedente em parte para: a) Reformar a Decisão Notificação n°21.434.4/0102/2004; b) Rejeitar as preliminares suscitadas pela Impugnante; c) Indeferir o pedido de perícia; d) Declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário retificado para o montante de R$ 767.648,58 (setecentos e sessenta e sete mil, seiscentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e oito centavos), consolidado na mesma data do lançamento originário, conforme Discriminativo Sintético de Débito DSD, de fls. 604/607, cuja cópia segue em anexo. A referida decisão recebeu a seguinte ementa: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REFORMA DE DECISÃO NOTIFICAÇÃO. CRÉDITO. REVISÃO. SAT. SESI. SENAI. SEBRAE. INCRA. JUROS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VENCIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS. PERÍCIA. Fl. 1158DF CARF MF 6 O crédito constituído de acordo com as normas que regem a matéria, produz plenamente seus efeitos processuais. O ato que apresentar defeito sanável, no qual se evidencie não acarretar lesão ao interesse público, nem prejuízo a terceiros, poderá ser convalidado pela própria Administração. Constatado o recolhimento de contribuições não considerado por ocasião da lavratura da Notificação Fiscal, o lançamento será revisto pela autoridade fiscal , que procederá a devida retificação. As contribuições devidas ao SAT, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA e a sujeição das contribuições previdenciárias incluídas em notificação fiscal de lançamento aos juros equivalentes à taxa Selic encontramse previstas em legislação própria, cuja eficácia não foi contestada pelo Poder Judiciário, encontrando se, portanto, em plena vigência, cabendo à autoridade administrativa fazer cumprir o que nela está determinado face ao caráter obrigatório e vinculante da atividade de lançamento. O recolhimento das contribuições previdenciárias devidas efetuado no dia 2 (dois) do mês seguinte ao da competência, não é objeto de qualquer antecipação, uma vez que é exigido após a ocorrência do fato gerador das respectivas contribuições. É de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal STF, processar e julgar, originalmente, ação de inconstitucionalidade de lei ou ato federal ou estadual, conforme expresso no artigo 102, I, "a" da Constituição Federal. Não será deferido o pedido de perícia quando esta for considerada prescindível. Intimada do acórdão recorrido em 08/02/2007, a contribuinte, em 12/03/2007, apresentou recurso voluntário (efls. 1073 a 1089), alegando a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic no cálculo dos Juros moratórios, da cobrança de contribuições ao Sat, Sesi, Senai, Sebrae e Incra e da cobrança antecipada da contribuição previdenciária e solicitando perícia para que se possa descontar os valores cobrados com a utilização da taxa Selic. Requereu a reforma da decisãonotificação n°. 21.434/0323/2006, a fim de julgar improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, relator original, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, estou procedendo à formalização na condição de redator ad hoc. Esclareço que em virtude de não ter sido localizada a minuta de voto do conselheiro originário, utilizo como base o registro da ata e/ou votos do mesmo conselheiro em processos similares. Feito o registro Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10943.000059/200796 Acórdão n.º 2302003.642 S2C3T2 Fl. 5 7 O recurso voluntário não merece ser provido. A recorrente se limita a alegar a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic no cálculo dos Juros moratórios, da cobrança de contribuições ao Sat, Sesi, Senai, Sebrae e Incra e da cobrança antecipada da contribuição previdenciária. Porém, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2.) Quanto ao pedido de perícia para que se possa descontar os valores cobrados com a utilização da taxa Selic, não há qualquer sentido em seu deferimento, uma vez que é legítima a sua utilização, como restou consignado na Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Pelas razões retro, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Redator ad hoc Fl. 1160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001622/2007-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.069
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do inteiro teor do recurso especial da Fazenda Nacional, com abertura de prazo para apresentação de contrarrazões e posterior retorno ao relator para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do inteiro teor do recurso especial da Fazenda Nacional, com abertura de prazo para apresentação de contrarrazões e posterior retorno ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14485.001622/200749 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.069 – 2ª Turma Data 24 de janeiro de 2017 Assunto Diligência Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SYGENTA SEEDS LTDA. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta cientifique o sujeito passivo do inteiro teor do recurso especial da Fazenda Nacional, com abertura de prazo para apresentação de contrarrazões e posterior retorno ao relator para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 01 62 2/ 20 07 -4 9 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 14485.001622/200749 Resolução nº 9202000.069 CSRFT2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão em Recurso Voluntário nº 230102.013, de 15 de abril de 2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidas as ementa e decisum de cada um do referido acórdão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/1999 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. REGRA A SER APLICADA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELOS I, ART. 173 DO CTN OU PELO §4°, ART.150, DO CTN. Somente quando comprovada a ocorrência de pagamento parcial é que deve ser aplicada a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça(STJ),noRecursoEspecial973.733. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART.7º,XI DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. OBSERVÂNCIA DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS COMO CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES À AQUISIÇÃO DO DIREITO. O art.7º, XI da Carta Magna prescreve a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração dos empregados, remetendo à Lei a regulamentação da matéria. Sendo norma de eficácia limitada, a norma constitucional deve ser analisada com a condição das exigências contidas na Lei nº 10.101/2000 terem sido obrigatoriamente observadas, sob pena de os valores distribuídos aos empregados serem considerados Salário de Contribuição(SC). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade:a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial expressa no Inciso I,Art. 173 do CTN –as contribuições apuradas até 12/2001,anteriores a 01/2002, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao recurso, no mérito, no que tange às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados em 2004, devido ao não atingimento de metas pactuadas, nos Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 14485.001622/200749 Resolução nº 9202000.069 CSRFT2 Fl. 4 3 termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos demais anos contidos no lançamento, na forma do voto do Relator. O conselheiro Marcelo Oliveira acompanha a votação por suas conclusões. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. Nos termos da decisão acima, o colegiado, apreciando recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, decidiu dar provimento em parte ao recurso para reconhecer a decadência das contribuições relativas às competências anteriores a 01/2002, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”(Recurso Especial nº 973.733). Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, assim, que seja afastada a decadência do direito de lançar o crédito tributário referente à competência de 12/2001. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Foi dada ciência ao sujeito passivo do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos termos da intimação 402/2012 (fl. 932). Porém o sujeito passivo alega não ter tido ciência do inteiro teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 14485.001622/200749 Resolução nº 9202000.069 CSRFT2 Fl. 5 4 que lhe impossibilita apresentar contrarrazões. Assim, pede que seja intimado da peça, sob pena de nulidade. Adicionalmente, o sujeito passivo apresentou Recurso Especial, que não foi conhecido por intempestividade. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Verifico que os termos da intimação n° 402/2012 não são claros o suficiente para esclarecer quanto à intimação do sujeito passivo do inteiro teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Verifico, ainda, que há alegação expressa do sujeito passivo em peça específica quanto à falta de intimação para ciência do inteiro teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que, nessa peça, argumenta que isso lhe impossibilitaria apresentar suas contrarrazões. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do inteiro teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com abertura de prazo para apresentação de contrarrazões e posterior retorno ao Relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001326/2003-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ESTIMATIVAS PAGAS.
Não comprovado o pagamento integral das estimativas deduzidas no saldo negativo, não devem ser homologadas as compensações declaradas.
Numero da decisão: 1803-000.694
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ESTIMATIVAS PAGAS. Não comprovado o pagamento integral das estimativas deduzidas no saldo negativo, não devem ser homologadas as compensações declaradas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ESTIMATIVAS PAGAS. Não comprovado o pagamento integral das estimativas deduzidas no saldo negativo, não devem ser homologadas as compensações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 29/11/2010 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A pessoa jurídica acima identificada protocolizou, em 13/05/2003, Declaração de Compensação - DCOMP (fls.1/2) de débitos no total de R$ 836.150,34, relativos a fatos geradores de 2003 do Imposto de Renda-Pessoa Jurídica — IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, com créditos no total de R$ 683.273,46, sendo R$ 421.329,85 relativo a saldo negativo do IRPJ e R$ 261.943,61, a saldo negativo da CSLL, do ano-calendário de 2001. O órgão de origem(DERAT/SP), em 09/05/2008, apreciando a DCOMP (fls.154/162), homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido, de R$ 401.021,66 para o IRPJ e R$ 219.421,30, para a CSLL. O reconhecimento a menor dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL pela autoridade "a quo", comparado com os indicados na DCOMP e Declaração de Informações Econômico-Fiscais — DIPJ/2002 (fls.121 e 131),-deveu-se, segundo a mesma, aos seguintes erros cometidos pela interessada na apuração dos saldos negativos informados nas fichas 12A(IRPJ) e 17(CSLL) da DIPJ/2002: 1) FICHA 12A (cálculo do IR sobre o lucro real) • dedução a maior do IRRF, na importância de R$ 654,77, diferença entre o deduzido (R$ 1.746,88) e o valor correto(R$ 1.092,11); • dedução a maior do IR pago por estimativa, na importância de R$ 19.653,42, diferença entre o deduzido (R$ 1.408.407,79) e o correto (R$ 1.388.754,37), por insuficiência de pagamento da estimativa relativa a janeiro/2001 informada na DIPJ/2002. 2) FICHA 17 (cálculo da CSLL sobre o lucro líquido) • dedução a maior da CSLL mensal paga por estimativa, na importância de R$ 42.522,31, diferença entre o deduzido (R$ 512.786,80) e o valor correto (R$ 470.264,49), por insuficiência de pagamento das estimativas relativas a janeiro e fevereiro/2001 informadas na DIPJ/2002. Cientificada da decisão em 12/05/2008 (fls.180), a interessada apresentou em 05/06/2008 (fls.191/192) impugnação contra a carta-cobrança emitida para o saldo devedor dos débitos excedentes ao crédito reconhecido, alegando, em substância, que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13811.001326/2003-11 Acórdão n.º 1803-00.694 S1-TE03 Fl. 2 3 o não reconhecimento integral do crédito informado para compensação deveu-se a erro de preenchimento da DCTF relativa ao 1° trimestre de 2001, pois não foi informada parcela relativa a compensação da estimativa, bem como interpretação incorreta dos fatos por parte da Receita Federal. Alega,ainda que a cobrança seria indevida, pois os débitos do ano-calendário de 2001 estariam prescritos em face do disposto no art.174 do CTN. Em seguida, o processo foi encaminhado a esta DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls.): a) Quanto ao IRRF, ficou demonstrado pela autoridade "a quo", através dos valores em DIRF e regras de preenchimento da DIPJ que, efetivamente, houve dedução a maior do IRRF, na quantia de R$ 654,77, o que não foi refutado pela interessada. b) Quanto aos valores devidos por estimativa, no ano-calendário de 2001, do IRPJ de janeiro e CSLL de janeiro e fevereiro, a interessada, embora alegue que tenha pago mediante compensação a parte não reconhecida pelo órgão de origem, não apresentou a documentação comprobatória dessa compensação. As cópias juntadas pela interessada aos autos (fls.193/270) não demonstram a compensação das estimativas. c) A DIPJ e DCTF têm natureza apenas informativa quanto às compensações porventura realizadas, tais documentos não demonstram, apenas indicam eventual procedimento de compensação havida, o que não lhes confere o "status" de documentação hábil para comprovar as compensações alegadas, nos termos da lei. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A Recorrente informa que recolheu integralmente, com o acréscimo dos encargos legais, o débito de IRRF relativo ao valor de R$ 654,77 (seiscentos e cinqüenta e quatro reais e setenta e sete centavos) não homologado pela Secretaria da Receita Federal, conforme DARF anexado ao presente Recurso Voluntário (doc. 3). b) Não identificou a r. decisão recorrida, apesar de a Recorrente ter produzido esta prova de forma exauriente, que no mês de janeiro de 2001, a Recorrente realizou o pagamento de R$ 19.653,42 a título de IRPJ estimativa através de compensação, utilizando-se de saldo negativo de ano anterior. c) Também não identificou o D. órgão Julgador que nos meses de janeiro e fevereiro de 2001, a Recorrente também pagou parte da CSLL devida por estimativa no montante de R$ 42.522,31 via compensação, também utilizando o saldo negativo do ano anterior. d) No mês de janeiro de 2001 a recorrente apurou IRPJ por estimativa no valor de R$ 253.549,72, que foi pago da seguinte maneira: (a) R$ 233.896,30 por,meio de DARF (Doc. 05); (b) R$ 19.653,42 por meio de compensação do saldo negativo de IRPJ Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 decorrente do ano calendário de 2000, conforme se observa dos seguintes documentos: LALUR (Doc. 04) e DCTF retificadora (Doc. 06). e) E para que não se questione a origem do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ R$ 19.653,42 utilizado para pagamento via compensação no mês de janeiro de 2001, a Recorrente informa que o crédito em questão tem como origem o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) devido em decorrência dos rendimentos da Recorrente nas operações financeiras no Banco CITIBANK D.T.V.M S/A auferidos no ano de 2000, como se observa no extrato fornecido pela instituição financeira e novamente anexa ao ao presente Recurso Voluntário (Doc. 07). f) Como se verifica da DIPJ-2001, ano calendário 2000, em especial pelas informações contidas na Ficha 12A, esse Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$' 19.458,83, em razão do regime de estimativa adotado pela Recorrente para apuração do IRPJ, se mostrou indevido, passível de ser utilizado para compensação no ano calendário seguinte (2001). g) No mês de janeiro de 2001, a Recorrente apurou CSLL por estimativa no valor de R$ 92.305,67, conforme demonstra a parte A do LALUR e da DIPJ/2002 (Doc. 10), sendo que referido imposto foi pago da seguinte maneira: (a) R$ 50.109,96 por meio de DARF (Doc. 11); (b) R$ 42.195,71 por meio de compensação do saldo negativo de CSLL decorrente do ano calendário de 1997, conforme se observa dos seguintes documentos, LALUR (Doc. 10) e DCTF retificadora (Doc. 12). h) Já no mês de fevereiro de 2001, a Recorrente apurou CSLL por estimativa no valor de R$ 57.276,63, conforme demonstra a parte A do LALUR e da DIPJ/2002 (Doc. 10), sendo que referido imposto, foi pago da seguinte maneira: (a) R$ 56.950,63 por meio de DARF (Doc. 11); (b) R$ 326,00 por meio de compensação do saldo negativo de CSLL decorrente do ano calendário de 1997, conforme se observa dos seguintes documentos, LALUR (Doc. 10) e DCTF retificadora (Doc. 12). i) Para que não se questione a origem do saldo negativo de CSLL no valor de R$ 42.522,31, utilizado para pagamento via compensação no mês de janeiro e fevereiro de 2001, a Recorrente informa que o crédito em questão tem como origem o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1997. j) Destaca-se que quando da utilização desse saldo negativo para compensação no mês de janeiro e fevereiro de 2001, conforme prevê a legislação e expressamente autoriza a Receita Federal, este saldo foi atualizado monetariamente pela Taxa SELIC perfazendo o montante de R$ 42.522,31, que foi utilizado na compensação. O controle mantido pela Recorrente que demonstra essa atualização segue anexo (Doc. 14). É o relatório. Voto Conselheiro Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 24/11/2008 (AR de fls. 281). O recurso foi protocolado em 23/12/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13811.001326/2003-11 Acórdão n.º 1803-00.694 S1-TE03 Fl. 3 5 Constam nos autos os seguintes elementos de prova: • Recibos de entrega de DCTF`s – 1° ao 4° trimestres de 2002. (fls. 14/17). • DIPJ/2002 – entregue em 27/06/2002 (fls. 18/67, 78/82, 93/97, 109/121, 123/131, 354/358, 389/390, 402/412). • Darf`s (fls. 68/75, 83/90, 359, 413/414). • Demonstrativos de CSLL e IRPJ a compensar (fls. 76/77, 91/92, 267/268, 443). • Extratos Sief e Resumo DIPJ, DIRF e DCTF(fls. 101, 103/105, 108, 122, 132/152). • Dirf (fls. 153). • LALUR – Parte A – IRPJ e CSLL - janeiro a dezembro de 2001(fls. 209/252, 322/363, 393/400, 403/406). • DCTF retificadora – 1° trimestre – entregue em 30/05/2008 (fls. 256/257, 360/384). • Comprovante de retenção de IRRF (fls. 269 e 388). • Comprovante de pagamento (fls. 320) • Demonstrativo de IRRF (fls. 391/392) • DCTF retificadora – entregue em 22/12/2008 (fls. 415/424). • LALUR – dezembro de 1997 (fls. 426/427). • DIPJ/1998 (fls. 428/442). Passemos a analisar as alegações da recorrente à luz dos elementos de prova constantes dos autos. A autoridade administrativa, ao confrontar as informações da DCTF e da DIPJ, verificou que apenas foram confirmados pagamentos de estimativa de IRPJ no valor de R$ 233.896,30, ao passo que na DIPJ foi deduzido o montante de R$ 253.549,72, tendo sido apurada diferença de R$ 19.653,42. Também apurou diferenças dos valores de estimativas de CSLL pagas, nos meses de janeiro e fevereiro de 2001. A recorrente alega que compensou esta diferença com saldo negativo do ano de 2001, tendo anexado como elementos de prova, DCTF retificadora, entregue em 30/05/2008, ou seja após a ciência do despacho decisório, que ocorreu em 12/05/2008 (fls. 180), cópias do LALUR e demonstrativos. Depreende-se dos autos que a recorrente efetuou a retificação de sua DCTF em razão do despacho decisório. Em qualquer momento é possível a comprovação de eventual equívoco cometido pela contribuinte. No entanto, é necessário que fique cabalmente demonstrada a ocorrência do erro. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 Tal demonstração é efetuada a partir da escrituração contábil. É certo que a compensação alegada pela recorrente envolve tributos de mesma espécie – saldo negativo de IRPJ com estimativa de IRPJ - podendo, a princípio, ser efetuada sem autorização da autoridade administrativa. No entanto, a autorização prévia é dispensável porque o contribuinte lança em sua contabilidade os valores abrangidos no encontro de contas (débitos e créditos), o que permite à Fazenda Nacional exercer efetiva fiscalização. O LALUR é insuficiente para demonstrar a compensação, uma vez que tal livro destina-se ao registro dos ajustes do lucro líquido, à transcrição da demonstração do lucro real, e aos registros de controles de prejuízos a compensar em exercícios subsequentes, ou de outros valores que devam influenciar na determinação do lucro real de exercício futuro que não constem da escrituração comercial, nos termos do art. 8°, inciso I, do Decreto-lei n° 1.598/1977. Ora, se a falta de declaração da compensação efetuada foi um mero erro no preenchimento da DCTF, bastaria a juntada da escrituração contábil para demonstrar o equívoco. Se a compensação foi efetuada, deve estar registrada na contabilidade. Os documentos anexados pela recorrente são insuficientes para comprovar as alegadas compensações das diferenças apuradas. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (lei n° 556/1850, revogado pela Lei n° 10.406/2002): “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 10 - Todos os comerciantes são obrigados: 1 - a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 - a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 - a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título. XVII); 4 - a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer.” Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13811.001326/2003-11 Acórdão n.º 1803-00.694 S1-TE03 Fl. 4 7 É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra “Curso de Direito Comercial”: “A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, uma espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante”. O Código de Processo Civil estabelece em seu art. 333, incisos I e II, a quem incumbe o ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Arruda Alvim, em sua obra “Manual de Direito Processual Civil”, assim se manifesta sobre as conseqüências do descumprimento do ônus da prova: “De um modo geral, podemos dizer que, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressupor-se-á um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda.” (ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, volume 2: processo de conhecimento, 11. ed.rev., ampl. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007). No presente caso, o ônus da prova é da recorrente, que deve demonstrar cabalmente a existência do direito creditório pleiteado. Não restando demonstrada a efetividade das compensações alegadas, deve ser mantida a decisão de primeira instância. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13502.720701/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/08/2011
MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A multa isolada sobre o valor do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento indeferido ou indevido, instituída pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, nos termos dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, após sucessivas alterações foi revogada expressamente pelo artigo 27, II da Lei nº 13.137, de 2015, aplicando-se aos lançamentos a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN.
Numero da decisão: 3302-003.622
Decisão: Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Esteve presente a Dra.Fernanda R. Tabpada Fontes, OAB nº 16.340/BA.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado.
Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Auto de Infração.Multa Isolada Recorrente BRASKEM S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2011 MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa isolada sobre o valor do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento indeferido ou indevido, instituída pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 2010, nos termos dos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, após sucessivas alterações foi revogada expressamente pelo artigo 27, II da Lei nº 13.137, de 2015, aplicandose aos lançamentos a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "a", do CTN. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Esteve presente a Dra.Fernanda R. Tabpada Fontes, OAB nº 16.340/BA. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 07 01 /2 01 2- 00 Fl. 680DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá Reis e Lenisa Prado. Ausente justificadamente o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratam os autos de impugnação contra o lançamento de multa isolada no montante de R$ 7.471.812,17, decorrente de indeferimento (total ou parcial) de pedido(s) de ressarcimento efetuado(s) por meio de PER/DCOMP, conforme disciplinado pelo § 15 do art.74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249, de 2010: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) .............................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido (grifei) Regularmente cientificada da autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual trouxe os argumentos e razões que achou necessários para a sua contestação1. É a síntese do essencial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2011 MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13502.720701/201200 Acórdão n.º 3302003.622 S3C3T2 Fl. 680 3 A empresa autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 23/12/2014 19:13h, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 668. Em 25/08/2016, através do termo de Solicitação de Juntada fl. 672, apresenta a petição de fls.673/675 e documentos anexados, fls.676/678, com os seguintes argumentos: À época do julgamento de primeira instância, estava em vigor a aludida MP 656 de 07/10/2014, a qual, por meio do inciso I do art. 56 expressamente estabelecia a revogação do § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, assim, outro não poderia ter sido o entendimento da d. Turma da DRJ/POR que, em homenagem ao princípio da retroatividade benigna, cancelou a exigência fiscal objeto do presente PAF. Apesar da referida multa ter sido vetada quando da conversão da MP 656, de 2014 na Lei n° 13.097, de 2015, norma similar foi inserida na MP 668, de 2015, posteriormente convertida na Lei nº 13.137, de 2015. Assim, sobrevindo dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento, impõese que seja mantido o decisum alvo de Recurso de Ofício, cancelandose a sanção punitiva anteriormente aplicada, de modo que pugna a Requerente para que seja julgado inteiramente improcedente o Recurso de Ofício, mantendo se, em sua integralidade, o Acórdão nº 1455.264, exarado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado, a exigência que ora se examina, relativo ao fato gerador de 31/08/2011, decorre de lançamento de multa isolada, aplicada em decorrência dos valores indeferidos relativos aos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento n° 09841.54832.310811.1.5.091019, n° 36556.76308.310811.1.5.080390, n° 09732.84753.310811.1.5.090034 e n° 04205.14413.180311.1.5.093278, de acordo com § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pela Lei n° 12.249, de 2010. Impugnada a exigência, assim se manifesta a decisão de piso: Eximome de enfrentar com maiores minudências as razões de defesa opostas pela impugnante, visto que, por outras razões, que a seguir serão expostas, sua contestação merece provimento. O fato é que a multa a que se refere o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi revogada, conforme consta da Medida Provisória nº 656, de 2014 abaixo: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 656, DE 7 DE OUTUBRO DE 2014 Fl. 682DF CARF MF 4 Art. 56. Ficam revogados: I imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e (grifouse) Ou seja, a conduta infracionária descrita nos autos não encontra mais tipificação legal. Sendo assim, é de se aplicar a retroatividade benigna prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, a: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ............................ II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (grifouse) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(grifos do original). A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Desta forma, a par dos argumentos da impugnação, entendo que o lançamento da multa isolada deva ser cancelado, ressalvando à Fazenda Nacional o direito de exigir o montante que deixou de ser compensado em decorrência da redução do direito ao crédito pretendido. Pelo exposto, voto pela procedência da impugnação. Apenas para contextualizar os fatos, destaquese que após sucessivas alterações nos 1§§ 15, 16 do já referido artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme Medida Provisória nº 656, de 2014, Lei nº 13.097, de 2015, Medida Provisória nº 668, de 2015, atualmente vige Lei nº 13.137, de 2015, cuja artigo 27, II, revoga expressamente os §§ 15, 16 do artigo 74 do diploma legal em destaque. Nesse sentido, demonstrou a decisão de piso a superveniência da legislação que revogou o citado § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme art. 56, I, da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, aplicando o instituto da retroatividade benigna, por força do 2artigo 106, II, "a", do CTN. 1 § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)(Revogado pela Medida Provisória nº 656, de 2014)(Vide Lei nº 13.097, de 2015)(Revogado pela Medida Provisória nº 668, de 2015)(Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13502.720701/201200 Acórdão n.º 3302003.622 S3C3T2 Fl. 681 5 Com efeito, a matéria objeto da presente lide, diz respeito à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja a retroatividade benigna, nos termos da alínea “a” do inciso II do já referido dispositivo legal. Nesse diapasão, pontifica Aliomar Baleeiro, “desaparecida a infração no texto novo, apagase o passado” (Direito Tributário Brasileiro, Forense, Rio de Janeiro, 11ª ed., 1999, p.671. Assim, tratandose a espécie dos autos de ato não definitivamente julgado, em face do princípio da retroatividade benigna, com fundamento no art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada, para elidir os efeitos da penalidade prevista no § 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, eliminada do novo texto, após sucessivas alterações pelo artigo 27, II da Lei nº 13.137, de 2015, que, revoga expressamente os §§ 15, 16 do artigo 74 do diploma legal, não merecendo reparos a decisão de piso. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar (...). Fl. 684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720891/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 - um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, caracterizou-se pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal e o interessado, ciente infrações que lastrearam a presente ação fiscal, teve, tanto na fase de autuação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. Comprovado, ainda, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Preliminar rejeitada.
PRELIMINAR. NULIDADE. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INEXISTÊNCIA.
É prerrogativa da Autoridade Julgadora indeferir a realização de diligências ou perícias, quando considerá-las prescindíveis ou impraticáveis, é de se indeferir o pedido de produção de provas.
PROVAS ILÍCITAS.
O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Numero da decisão: 2202-003.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por força do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. 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Comprovado, ainda, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. NULIDADE. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INEXISTÊNCIA. É prerrogativa da Autoridade Julgadora indeferir a realização de diligências ou perícias, quando considerálas prescindíveis ou impraticáveis, é de se indeferir o pedido de produção de provas. PROVAS ILÍCITAS. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, por força do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 779 3 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado). Relatório Tratamse de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos nos autos do processo nº 15586.720891/201381, em face do acórdão nº 1661.450, julgado pela 20ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: O contribuinte acima identificado insurgese contra Auto de Infração de fls. 592/594 (numeração digital), acompanhado dos Demonstrativos de fls. 595/599 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 548/586, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, por meio do qual foi apurado crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): 1.1. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 594), a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: INFRAÇÃO 0001. Atividade Rural/Omissão de Resultado Tributável da Atividade Rural Enquadramento legal: Art. 59 da Lei nº 9.430/95; arts. 9º, 17 e 18 da Lei nº 9.250/95; arts. 1º a 8º, e 13 a 22, da Lei nº 8.023/90; arts. 57 a 62, 71 e 83, do RIR/99; art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482/07. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 780 4 INFRAÇÃO 0002. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada/Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada Enquadramento legal: art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei nº 11.482/07; Art. 42 da Lei nº 9.430/96; arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/99. 1.2. Durante realização do procedimento fiscalizatório, restou constatado, de acordo com o supracitado Termo de Verificação Fiscal, que: 1.2.1. No transcurso do procedimento fiscal, diante dos documentos obtidos e das informações prestadas pelo próprio fiscalizado, bem assim pelos diligenciados, constatamos omissão de rendimentos, que se fundamentou basicamente em depósitos bancários cuja origem foi atribuída pelo fiscalizado, como sendo da atividade rural, mas não comprovada pelo mesmo. A maior parte dos depósitos omitidos são provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, detalhada no item 3.1. Apenas um valor mínimo dos depósitos bancários foi apurado por esta fiscalização como sendo provenientes da atividade rural, resultando em omissão de resultado tributável da atividade rural conforme detalhado no item 3.2. Em função dos fatos levantados, aplicouse multa de ofício de 150% sobre o imposto de renda decorrente da omissão de rendimentos. 1.2.2.Do total de R$ 6.228.497,71 (coluna 1) de depósitos em conta corrente, apenas R$ 136.383,04 (coluna 2) foram identificados como de origem da atividade rural. Como não foram comprovadas as despesas de custeio informadas na DIRPF apresentada pelo fiscalizado, a diferença R$ 6.092.114,67, constitui o valor omitido a título de receitas oriundas de depósitos bancários de origem não comprovadas(coluna 4). Este valor será levado a tabela progressiva para apuração do novo valor de imposto de renda , item 4. Esta auditoria apurou nos depósitos bancários, receita da atividade rural no valor de R$ 136.383,04 . Como não foram comprovadas as despesas de custeio e investimentos informadas em DIRPF (fls.03/10), este valor passa a ser o resultado tributável da atividade rural apurado pela fiscalização. A diferença apurada entre o valor acima e o valor de R$ 20.540,00 informado em DIRPF pelo fiscalizado , resultou no valor de R$115.843,04 , a título de em omissão de resultado tributável da atividade rural (coluna 5 tabela 4). Este valor será Fl. 780DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 781 5 levado a tabela progressiva para apuração do novo valor de imposto de renda ,item 4. 1.3. Foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, consubstanciada no processo nº 15586.720892/201325, apenso ao presente, por supostos ilícitos cominados nos arts. 1º, inciso I, e 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. 2. Cientificado por via postal da exigência tributária, na data de 11/12/2013, conforme AR de fls. 604, o contribuinte apresenta sua impugnação de fls. 612/632, por intermédio de procuradores qualificados em fls. 633, onde, em resumo, informa o seguinte: 2.1. Preliminarmente, há vício no lançamento, que torna nulo o Auto de Infração, em razão das provas obtidas por meio ilícito que não podem ser utilizadas como comprovação das possíveis omissões de rendimentos do requerente, como vedado pelo inciso LVI do artigo 5º da Constituição Federal. Isso porque, conforme as informações fiscais, a constatação da omissão de rendimentos por parte da mesma baseouse exclusivamente por meio das informações bancárias obtidas ilegalmente junto ao Banco SICOOB COOPERATIVA EMPRESARIAL DE CRÉDITO NORTE LITORÂNEA, através da requisição de informações sobre movimentação financeira nº 07.2.01.002012001597. Sobre a legalidade/constitucionalidade do disposto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/01, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, do qual se ampara a Receita Federal do Brasil para ter acesso às informações bancárias dos contribuintes independentemente de autorização judicial, traz à baila jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceram a nulidade absoluta do processo administrativo fiscal e, por conseqüência, do crédito tributário dele resultante, lavrado com base em informações extraídas de dados bancários dos contribuintes sem a devida autorização judicial. Referese, ainda, ao entendimento do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento do Recurso Extraordinário RE 389.808/PR, assentou que a Receita Federal não tem o poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte. A partir da singela análise da presente ação fiscal, verificase que somente após a quebra do sigilo bancário do contribuinte é que foi possível ao Fisco proceder com as diligências espelhadas nos documentos de fls. 381/495 e, sendo inconstitucionais os fundamentos para obter acesso às informações bancárias do contribuinte, forçoso reconhecer pela nulidade das provas captadas, que fundamentaram as convicções do AuditorFiscal em efetuar o lançamento do crédito tributário, razão pelo qual requer a sua insubsistência e declararse extinto o crédito tributário. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 782 6 2.2. No mérito, por absoluta cautela, em respeito ao princípio da eventualidade, alega a insubsistência do lançamento pelos seguintes motivos: 2.2.1. Além de ter se utilizado de meios ilegais para a obtenção das informações bancárias sigilosas do requerente, o auditor fiscal arbitrou o imposto de renda somente através dos comprovantes de depósitos fornecidos ilegalmente pelo SICOOB, mas lançamento a crédito constante de extrato bancário atinente a pessoa física é indício de rendimento tributável, mas não se sustenta por si só, não configurando a existência de acréscimo patrimonial tributável, nos termos do art. 43 do CTN, sendo ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, conforme a Súmula 182 do extinto TFR. 2.2.2. A tributação do imposto de renda por omissão de receita ou de rendimento dos valores creditados em conta bancária somente deverá ser apurada pela fiscalização quando não for comprovada a sua origem e, conforme já anteriormente justificado pelo contribuinte às fls. 529, os valores depositados e creditados na conta corrente são provenientes da atividade rural desempenhada por ele, bem como da alienação de bens móveis e imóveis, empréstimos bancários e operações de “títulos descontados” (cheques) contratadas junto ao banco SICOOB em todo o ano de 2008, conforme segue: I Alienação de bens móveis e imóveis no montante de R$ 2.073.498,00 a) escritura pública de Compra e Venda de imóvel rural, alienado a Moizeis Boa, CPF 273.205.88587, pelo valor de R$ 204.337,00, em 19/11/2007; b) contrato particular de Promessa de Compra e Venda de imóvel rural, alienado a Walter Frigine Del Caro e José Frigine Del Caro, CPF’s 843.601.00787 e 526.756.70282, respectivamente, por R$ 1.013.106,00, em 25/09/2007; c) escritura pública de Compra e Venda de imóvel rural, alienado a Daniel Hernadez Dalla Favarato, CPF 054.074.367 44, em 19/12/2008; d) Certificado de Registro de Veículo – CRV, camionete Fiat Strada, alienada a Aloísio Valani, por R$ 40.000,00 em 07/03/2008. II Empréstimos bancários no montante de R$ 903.144,35 a) contrato nº 138652, datado de 06/05/2008, no valor de R$ 302.244,35; b) contrato nº 148723, datado de 11/08/2008, no valor de R$ 102.000,00; c) contrato nº 167103, datado de 25/11/2008, no valor de R$ 500.000,00. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 783 7 III Operações de Títulos Descontados no montante de R$ 1.478.266,98 2.2.3. Os valores apurados pelo Fisco identificados mensalmente na Tabela 4 merecem ser retificados, haja a vista a existência de duplicidade de inúmeros lançamentos de depósitos, sem a consideração da devolução do cheque. Realizando pequena amostragem, aponta o valor de R$ 32.833,50 de depósitos de cheques devolvidos e reapresentados que foram apurados em duplicidade e, portanto, indevidamente pelo Fisco. Por tais motivos se faz necessário e imprescindível, caso o Auto de Infração não venha a ser considerado nulo, a realização de perícia contábil nos extratos bancários e comprovantes de depósitos, objetivando identificar todos os valores de cheques depositados apurados em duplicidade para, ao final, serem os mesmos estornados. 2.2.4. Insurgese contra a multa qualificada, aplicada em desfavor do contribuinte sob a alegação de que este, de forma dolosa, agiu de forma fraudulenta quanto a omissão de rendimentos, apoiandose na doutrina e na farta jurisprudência administrativa que acosta, uma vez que a qualificação da multa de ofício condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude, o que não feito no presente caso, tendo a autoridade lançadora utilizado como lastro à sua empreitada a simples movimentação bancária do contribuinte a indicar possibilidade de omissão de rendimentos, o que, isoladamente, não se presta à aludida imputação. A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: 9. Ante o exposto e considerando tudo mais que consta nos autos, VOTO no sentido de: a) considerar procedente em parte a impugnação, mantendo o imposto suplementar como apurado no voto, mas desqualificando a multa aplicada de 150% para 75%; b) interpor recurso de ofício ao CARF, pelo valor exonerado, R$ 1.286.202,78, sendo R$ 9.029,76 referente ao imposto suplementar e R$ 1.277.173,02 referente à multa qualificada. Desta forma, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da impugnação, mantendo o imposto suplementar de R$ 1.693.867,59, sujeito á multa de ofício de 75%. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 734/768, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação quanto ao que foi vencido. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 784 8 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi apresentado haja vista que foi exonerado do lançamento fiscal o valor de R$ 1.286.202,78, consoante se verifica na parte dispositiva do acórdão da DRJ: "b) interpor recurso de ofício ao CARF, pelo valor exonerado, R$ 1.286.202,78, sendo R$ 9.029,76 referente ao imposto suplementar e R$ 1.277.173,02 referente à multa qualificada." No entanto, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos o texto da recente Portaria: Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 785 9 Por oportuno, salientase que a Súmula CARF nº 103 estabelece que o aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, na presente data (sessão realizada em 15/03/2017) o limite de alçada vigente é superior ao valor exonerado pela julgamento da DRJ de origem, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portando dele conheço. Delimitação da lide. Não é objeto do recurso voluntário a infração nº 01, quanto a "Atividade Rural/Omissão de Resultado Tributável da Atividade Rural". Logo, não encontrase na lide a referida matéria. Ainda, saliento que o recorrente sustenta em recurso voluntário a desqualificação da multa de ofício, porém a DRJ já realizou a desqualificação da multa. Portanto, não conheço da matéria. Preliminares 1. Sigilo bancário Alega a Recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 786 10 Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, destacase que o acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. 2. Alegações de inconstitucionalidade quanto a provas ilícitas Conforme acima mencionado, nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pela contribuinte. Feitas essas considerações, passarseá a apreciação das alegações do contribuinte relativamente às demais matérias constantes no recurso voluntário. Mérito 3. Depósitos bancários A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 786DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 787 11 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos anexados em impugnação não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados, a exceção dos já excluídos do lançamento pela DRJ. Assim, persistiu sem comprovação de origem parte dos depósitos. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Salientase que em relação a alienação de bens móveis e imóveis, no valor de R$ 2.073.498,00, embora o contribuinte tenha juntados documentos, temse que os valores são de outro anocalendário e, quanto que é do mesmo anocalendário, não há cruzamento destes com os depósitos bancários. Em relação aos empréstimos bancários, no valor de R$ 903.144,35, verifica se que estes não foram tributados, não sendo objeto do lançamento fiscal. Logo, não conheço dos argumentos da contribuinte em relação a estes. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 788 12 Quanto as operações de títulos descontados (R$ 1.478.266,98), o contribuinte somente faz a análise de um único depósito, vejamos: Portanto, das alegações do contribuinte quanto a operação de título, no valor de R$ 1.478.266,98, somente a quantia de R$ 32.833,50, já excluído pela DRJ, conforme decisão acima colacionada, restou devidamente comprovado, não tendo sido demonstrada, por meio de uma análise depósito a depósito, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. Igualmente não está comprovada a alegação de contabilização de duplicidade dos depósitos bancários. Novamente, o contribuinte deixou de fazer uma análise depósito por depósito, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. Portanto, não tendo o contribuinte apresentado prova hábil e idônea suficiente para demonstrar a origem dos seguintes rendimentos presumidos, deve ser mantido o lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, por força do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, voto por rejeitar as preliminares, e no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 788DF CARF MF Processo nº 15586.720891/201381 Acórdão n.º 2202003.734 S2C2T2 Fl. 789 13 Fl. 789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722532/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2008
MANIFESTO ELETRÔNICO PROVISÓRIO. CABIMENTO DA MULTA REGULAMENTAR
O controle das atividades aduaneiras foi conferido à RFB pelo art. 37 do Decreto-lei n° 37/66, que, dentre outras atribuições, estabelece a forma e os prazos em que as informações devem ser prestadas.
A RFB, por meio dos artigos 22 e 50 da IN n° 800/07, estabeleceu o prazo para a conclusão da desconsolidação da carga. - na data da ocorrência infração em questão, expirava no dia da atracação. Ainda que todas as informações tenham sido providas por meio do manifesto eletrônico provisório, não nos cabe dispensar o contribuinte de uma obrigação estabelecida pela Receita Federal do Brasil, por meio da IN n° 800/07.
ALTERAÇÃO DA DATA DA ATRACAÇÃO. CABIMENTO DA MULTA REGULAMENTAR
O agente de carga deve manter-se atualizado em relação à data prevista para a atração, por meio de consulta aos Sistemas Mercante e SISCOMEX Carga. Assim, a mudança na data prevista para a atracação não justifica o descumprimento do prazo para a prestação das informações previstas nos artigos 17 e 18 da IN n° 800/07.
Embargos Acolhidos em Parte
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-003.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a não-apreciação de alegações apresentadas no recurso voluntário, porém, no mérito, negar-lhe provimento.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/11/2008 MANIFESTO ELETRÔNICO PROVISÓRIO. CABIMENTO DA MULTA REGULAMENTAR O controle das atividades aduaneiras foi conferido à RFB pelo art. 37 do Decreto-lei n° 37/66, que, dentre outras atribuições, estabelece a forma e os prazos em que as informações devem ser prestadas. A RFB, por meio dos artigos 22 e 50 da IN n° 800/07, estabeleceu o prazo para a conclusão da desconsolidação da carga. - na data da ocorrência infração em questão, expirava no dia da atracação. Ainda que todas as informações tenham sido providas por meio do manifesto eletrônico provisório, não nos cabe dispensar o contribuinte de uma obrigação estabelecida pela Receita Federal do Brasil, por meio da IN n° 800/07. ALTERAÇÃO DA DATA DA ATRACAÇÃO. CABIMENTO DA MULTA REGULAMENTAR O agente de carga deve manter-se atualizado em relação à data prevista para a atração, por meio de consulta aos Sistemas Mercante e SISCOMEX Carga. Assim, a mudança na data prevista para a atracação não justifica o descumprimento do prazo para a prestação das informações previstas nos artigos 17 e 18 da IN n° 800/07. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a não-apreciação de alegações apresentadas no recurso voluntário, porém, no mérito, negar-lhe provimento. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 MANIFESTO ELETRÔNICO PROVISÓRIO. CABIMENTO DA MULTA REGULAMENTAR O controle das atividades aduaneiras foi conferido à RFB pelo art. 37 do Decretolei n° 37/66, que, dentre outras atribuições, estabelece a forma e os prazos em que as informações devem ser prestadas. A RFB, por meio dos artigos 22 e 50 da IN n° 800/07, estabeleceu o prazo para a conclusão da desconsolidação da carga. na data da ocorrência infração em questão, expirava no dia da atracação. Ainda que todas as informações tenham sido providas por meio do manifesto eletrônico provisório, não nos cabe dispensar o contribuinte de uma obrigação estabelecida pela Receita Federal do Brasil, por meio da IN n° 800/07. ALTERAÇÃO DA DATA DA ATRACAÇÃO. CABIMENTO DA MULTA REGULAMENTAR O agente de carga deve manterse atualizado em relação à data prevista para a atração, por meio de consulta aos Sistemas Mercante e SISCOMEX Carga. Assim, a mudança na data prevista para a atracação não justifica o descumprimento do prazo para a prestação das informações previstas nos artigos 17 e 18 da IN n° 800/07. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 25 32 /2 01 1- 08 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 11 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a nãoapreciação de alegações apresentadas no recurso voluntário, porém, no mérito, negarlhe provimento. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 166 a 168), fundado no art. 65 do Anexo II da Portaria n° 343/2015 (Regimento Interno do CARF RICARF), opostos em face do Acórdão de nº 3803005.555 (fls. 135 a 141), de 26 de fevereiro de 2014, da 3ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O processo versa sobre a lavratura de auto de infração (fls. 3 a 15) para cobrança de multa regulamentar de R$ 5.000,00, prevista na alínea "e" do art. 107 do Decreto lei n° 37/66, em razão de atraso no provimento de informações acerca da desconsolidação de carga, previsto no art. 17 da IN n° 800/07. O Acórdão embargado foi assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 AGENTE DE CARGA. TRANSPORTADOR. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. DESCUMPRIMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO. A agência de cargas desconsolidadora nacional da carga que a si estava consignada atua na categoria de transportador, devendo observar o prazo exigido deste para a prestação da informação da carga transportada, que compreende a desconsolidação. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso." A embargante alega que o acórdão embargado teria incorrido em omissão, o que justificaria a oposição dos embargos (art.65 do RICARF). As seguintes alegações apresentadas no recurso voluntário (fls 99 a 114) não teriam sido apreciadas:: "a) o efetivo cumprimento da obrigação acessória, em razão da inclusão provisória do Conhecimento Eletrônico agregado (HBL) n.º 130.805.218.696.863, bem como da antecipação da embarcação, debatido especificadamente nos itens 12 a 20 do Recurso Voluntário; b) a natureza jurídica da responsabilidade por infrações e sua aplicabilidade no caso em tela, debatidos especificadamente nos itens 25 a 31 do Recurso Voluntário; c) a possibilidade ou impossibilidade de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea no presente caso, em especial pela nova redação conferida ao artigo 102, Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 13 4 §2º, do DecretoLei 37/1966 pela Lei 12.350/2010, debatido especificadamente nos itens 37 a 41 do Recurso Voluntário, e; d) a possibilidade de redução da penalidade nestes autos e nos autos dos processos administrativos fiscais de n.ºs 10711.722532/201108, 10711.722534/201199, 10711.722536/201188 e 10711.722537/201122, de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para R$ 5.000,00 (cinco mil reais), em razão do princípio do non bis in idem, debatido especificadamente nos itens 61 a 66 do Recurso Voluntário." Nas fls. 200 a 202, encontrase o despacho, por meio do qual o Presidente 3ª TE/3ª Seção/CARF admitiu os embargos, reconhecendo, entretanto, tão somente a ocorrência da omissão indicada na letra "a" do excerto acima transcrito. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira De acordo com o despacho de admissibilidade (fls. 200 a 202), a 3ª TE/3ª Seção/CARF deixou de apreciar as alegações contidas nos itens 12 ao 20 do recurso voluntário (fls. 82 a 98) e assim sumarizadas na letra "a" do item 3 dos embargos de declaração (fl. 167): "a) o efetivo cumprimento da obrigação acessória, em razão da inclusão provisória do Conhecimento Eletrônico agregado (HBL) n.º 130.805.218.696.863, bem como da antecipação da embarcação, debatido especificadamente nos itens 12 a 20 do Recurso Voluntário;" Da leitura do recurso voluntário e do Acórdão nº 3803005.555, verificase que realmente ocorreu a omissão indicada no despacho. Assim sendo, nos termos do art. 65 do RICARF, tomo conhecimento dos presentes embargos de declaração, para que esta turma aprecie alegações contidas no excerto dos embargos de declaração acima reproduzido. Os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração encontramse nele detalhadamente narrados (fls. 12 e 13), como segue: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 15 6 A seguir, reproduzo as alegações da embargante, contidas nos itens 12 ao 20 do recurso voluntário (fls 99 a 114): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 16 7 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 17 8 Antes de adentrar na legislação de regência, fazse mister consignar que, da leitura do excerto do recurso voluntário acima transcrito, extraise que a embargante admite o descumprimento do prazo previsto no inc. III do art. 22 da IN n° 800/07 (até a data da atração do navio) para a inserção nos Sistemas Mercante e SISCOMEX Carga do Conhecimento Eletrônico Mercante Agregado (HBL) n° 130805218696863. A informação foi incluída no sistema às 10h4min do dia 24/11/08, apesar de a embarcação ter atracado às 23h52min do dia 23/11/08. De acordo com o art. 37 do Decretolei n° 37/66, o transportador e os agentes de cargas, consolidadores ou desconsolidadores de carga, devem prestar informações à Receita Federal do Brasil sobre a carga transportada, nos prazos por ela estabelecidos. E estabelece multas pelo descumprimento de prazos. Decretolei n° 37/66 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (. . .) Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (. . .) Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 18 9 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (. . .) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (. . .)" (g.n.) O art. 17 da IN n° 800/07 dispõe sobre o conteúdo da informação a ser prestada ao Fisco sobre a desconsolidação da carga. No § 1° do art. 18 da IN n° 800/07, admite que o agente de carga apresente um manifesto eletrônico provisório, antes da identificação do conhecimento Eletrônico (CE) genérico. E os artigos 22 e 50 tratam dos prazos na data da infração (24/11/08), o prazo para a apresentação da informação definitiva sobre a desconsolidação da carga expiravase na data e hora da atracação do navio: IN n° 800/07 Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1o O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. § 2o O CE agregado é composto de dados básicos e itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV. § 3o A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema. (. . .) Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (. . .) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 19 10 III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (. . .) Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País." (g.n.) No primeiro argumento de defesa não apreciado pelo CARF, a embargante aduziu que, no dia 21/11/08, às 17h21, incluiu no "Sistema Mercante" e no "SISCOMEX Carga" o manifesto eletrônico provisório, previsto no § 1° do art. 18 da IN n° 800/07. E que o mesmo não sofreu alteração posteriormente, quando da conclusão da desconsolidação da carga e provimento da informação em formato definitivo. Assim sendo, tendo sido fornecida a informação de que o Fisco precisava para exercer sua função fiscalizadora, não haveria que se aplicar a multa regulamentar. Divirjo da embargante. O inciso III do art. 22 c/c o inciso II do art. 50 da IN n° 800/07, acima reproduzidos, é claro ao estabelecer o prazo para a conclusão da desconsolidação da carga na data da ocorrência infração em questão, expirava no dia da atracação. Ainda que todas as informações tenham sido providas por meio do manifesto eletrônico provisório, não nos cabe dispensar o contribuinte de uma obrigação estabelecida pela Receita Federal do Brasil, por meio da IN n° 800/07. Com efeito, o poder de exercer o controle das atividades aduaneiras foi conferido à RFB pelo art. 37 do Decretolei n° 37/66, que, dentre outras atribuições, estabelece a forma e os prazos em que as informações devem ser prestadas. Assim sendo, nego provimento ao primeiro argumento. O segundo argumento é o de que a informação sobre as data e hora da atracação foi antecipada do dia 24, às 12h, para 23, às 23h52min, "por motivos desconhecidos até aquele momento pela Recorrente, gerando impossibilidade de cumprir o rigor formal estipulado pela IN n° 800/07" (recurso voluntário, item 15, fl. 103). Tal alegação também não a socorre. Prestar informação sobre a data e hora da atracação é responsabilidade do transportador (art. 8° da IN n° 800/07), que poderá alterála até a data da atracação. Estes dados Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10711.722532/201108 Acórdão n.º 3301003.243 S3C3T1 Fl. 20 11 são inseridos nos Sistemas Mercante e SISCOMEX Carga e estão disponíveis para todos os participantes do processo, incluindo o agente desconsolidador de carga. Cabe aos participantes manteremse atualizados em relação à viagem, de forma que possam tempestivamente cumprir com suas obrigações. Portanto, o desconhecimento da alteração do horário da atracação não justifica o atraso na prestação da informação ao Fisco. Por isto, também nego provimento à segunda alegação. De todo exposto, voto no sentido de acolher parcialmente os embargos, para sanar o vício de omissão concernente `a nãoapreciação das alegações apresentadas no recurso voluntário e indicadas na letra "a" do item 3 dos embargos de declaração (fl. 167), acima reproduzida, porém, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a cobrança da multa regulamentar de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37/66. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901418/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-003.305
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostra-se insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente AGROCAFE COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Confirmada a existência do direito creditório utilizado para compensação reputada não homologada por despacho decisório eletrônico, mediante diligência específica, e não havendo outros questionamentos a respeito da sua procedência, mostrase insubsistente o argumento apresentado na lavratura do ato administrativo denegatório. Recurso voluntário provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação declarada pelo contribuinte (PER/DCOMP), cujo fundamento indicado seria a integral vinculação do crédito informado em outro débito de titularidade do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 18 /2 00 9- 01 Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10675.901418/200901 Acórdão n.º 3401003.305 S3C4T1 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte informou que o crédito estaria em consonância com declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) apresentadas. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente ao argumento que a compensação pressuporia a certeza e liquidez do direito creditório, tal como evidenciado nas informações prestadas em DCTF anterior ou contemporânea à transmissão da DCOMP respectiva. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pelo julgamento em conjunto com o PA 10675.901421/200917. No mérito, salientou que o crédito originarase de tributação indevida das contribuições (Cofins e PIS) sobre produtos cujas alíquotas foram reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei nº 10.925/04; demonstrou a forma de apuração do indébito; juntou os documentos comprobatórios do crédito pleiteado; questionou o excesso de formalismo, citando jurisprudência administrativa; e, por fim, asseverou a procedência do direito de crédito e, por conseqüência, a regularidade da compensação aviada. Na sessão de 24/04/2013, mediante Resolução nº 3802000.110, o julgamento foi convertido em diligência para aferição da procedência do direito creditório invocado. Em 05/08/2014, a SAORT/DRF/UBL/MG confeccionou despacho relatando a diligência realizada e as conclusões extraídas. O contribuinte, devidamente cientificado, não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.296, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10675.901420/200972, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.296): "Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram verificados por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Por oportuno, trago à colação as razões de decidir que nortearam a extinta 2ª Turma Especial/3ª SEJUL a converter o julgamento em diligência: 'Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10675.901418/200901 Acórdão n.º 3401003.305 S3C4T1 Fl. 4 3 Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que 'procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)’. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim (defensivos, adubos, sementes, etc.)”. (...) Ora, o art. 1º da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9º, § 1º, e 15, § 3º), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1º. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10.925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuin te é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo.' Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10675.901418/200901 Acórdão n.º 3401003.305 S3C4T1 Fl. 5 4 Prestigiando a fundamentação do voto condutor, com a qual concordo, entendo que a questão de direito mostrase adequadamente enfrentada e superada, de modo que, sem maiores delongas, passase ao resultado da diligência determinada. Nesta senda, a informação fiscal coligida aos autos atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Por conseguinte, mostrase insubsistente o motivo apresentado como fundamento para não homologação da compensação, consoante despacho decisório eletrônico expedido. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso interposto." Retornando ao caso deste processo, importante ressaltar que a informação fiscal coligida nestes autos (fls. 1067/1068), da mesma forma que no caso do paradigma, também atesta quantia disponível de crédito no período de apuração informado na DCOMP respectiva, oriunda de recolhimento indevido, em montante suficiente para quitação do débito compensado. Também vale ressaltar que a decisão do paradigma, que tratou da Cofins, aplica se igualmente aos processos do PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 1080DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.922006/2009-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 20 06 /2 00 9- 50 Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 9303004.495 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.940, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 9303004.495 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 9303004.495 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 9303004.495 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11080.922006/200950 Acórdão n.º 9303004.495 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
