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Numero do processo: 15563.000408/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2007
Ementa:
RECOLHIMENTO. EXTINÇÃO DO DÉBITO.
Devem ser considerados no lançamento os recolhimentos efetuados antes de iniciado o procedimento de ofício
Numero da decisão: 2201-003.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) considerar integralmente extinto por pagamento o débito apurado para o estabelecimento 0003-93 na competência 01/2007 (R$ 320.345,16) e na competência 02/2007 (R$ 598.996,00); ii) considerar extinto por pagamento, para o estabelecimento 0003-93 na competência 03/2007, o valor de R$ 752.673,60, devendo- se manter em cobrança o débito de R$ 6.493,94
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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EXTINÇÃO DO DÉBITO. Devem ser considerados no lançamento os recolhimentos efetuados antes de iniciado o procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) considerar integralmente extinto por pagamento o débito apurado para o estabelecimento 0003-93 na competência 01/2007 (R$ 320.345,16) e na competência 02/2007 (R$ 598.996,00); ii) considerar extinto por pagamento, para o estabelecimento 0003-93 na competência 03/2007, o valor de R$ 752.673,60, devendo- se manter em cobrança o débito de R$ 6.493,94. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 30/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 55 63 .0 00 40 8/ 20 10 -6 3 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE SOCIALE NÚCLEO DE SAÚDE E AÇÃO SOCIAL - SALUTE SOCIALE FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 254DF CARF MF 2 O presente processo trata de lançamento de ofício de créditos tributários relativos a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte descontada das remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais, apuradas no período de 01 a 13/2007, a partir do cotejo das informações contidas na folha de pagamentos, com as informações prestadas em Guia do FGTS e Informações á Previdência Social - GFIP. Da auditoria, resultou o Auto de Infração de fl. 03 a 25, pelo qual a Autoridade Fiscal lançou crédito tributário, DEBCAD 37.280.944-8, no valor total de R$ 2.968.934,16. Ciente do lançamento em 27 de dezembro de 2010, conforme AR de fl. 144, inconformado, valendo-se da prorrogação dos prazos para prática de atos processuais objeto da Portaria MF nº 23/2011, fl. 150, o contribuinte formalizou, em 26 de julho de 2011, a impugnação de fl. 155 a 159, na qual restringiu-se a reconhecer como devido parte dos débitos lançados e a contestar outros sob alegação de que teriam sido objeto de recolhimentos via GPS, dos quais alguns ensejaram a formalização de pedido de pedido de ajuste de guias antes da conclusão do procedimento fiscal. Na análise da impugnação, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ, por unanimidade de votos, considerou-a improcedente, lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas (fl. 203): Dos recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal 8. Quanto aos valores incontestes, a empresa informa ter pago uma parte, comprometendo-se a recolher o restante até o final do prazo de impugnação. No entanto, tais recolhimentos hão de ser considerados para fins de quitação parcial do crédito tributário, não implicando revisão do lançamento, ante a perda de espontaneidade do pagamento. Dos ajustes de GPS após o início da ação fiscal 9. Quanto aos ajustes de recolhimentos em GPS efetuados após o início da ação fiscal e sem a comprovação de anuência do Auditor-Fiscal, incumbido da fiscalização, tem-se que os mesmos não podem servir de argumento para apontar erros materiais no lançamento, passíveis de retificação, mesmo porque todos os recolhimentos constantes no conta-corrente no momento do início da ação fiscal foram aproveitados nos lançamentos fiscais realizados, conforme informado no próprio Relatório Fiscal e comprovados mediante Relatórios RDA (Relatório de Documentos Apresentados) e RADA (Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados). Ciente do Acórdão da DRJ em 03 de outubro de 2013, conforme AR de fl. 206, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, em 04 de novembro de 2013, o Recurso Voluntário de fl. 207 a 2011, reiterando, em síntese, os mesmos argumentos já expressos em sede de impugnação, acrescentando apenas a ressalva de que os recolhimentos efetuados ocorreram em 2007, portanto, antes do início do procedimento fiscal. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da 2ª Seção, concluindo que o cerne do contencioso administrativo estaria na apropriação de pagamentos alegados pelo recorrente, resolveu converter o julgamento em diligência para esclarecimento se os ajustes de guia solicitados foram efetuados, bem assim para, caso julgado Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15563.000408/2010-63 Acórdão n.º 2201-003.481 S2-C2T1 Fl. 255 3 adequado, que a Autoridade lançadora apresentasse proposta de ajuste do lançamento, fl. 217/220. Após a análise das informações disponíveis nos autos e nos sistemas da RFB, exarou-se a Informação Fiscal de fl. 238/239, concluindo pela alteração do lançamento nos termos da planilha de fl. 240. Ciente das conclusões da diligência em 03 de julho de 2015, AR de fl. 241, o recorrente apresentou as considerações de fl. 247 a 249, com as quais manifestou sua concordância com parte dos débitos remanescentes indicados na Informação Fiscal citada no parágrafo precedente, bem assim apresentou, competência por competência, as razões de sua discordância de parte dos débitos considerados devidos, as quais serão abordadas no curso do Voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por apresentar as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Como bem observado pelo Colegiado de 2ª Instância quando da conversão do julgamento em diligência, não há nos autos qualquer discussão relacionada ao mérito dos fatos gerados identificados pela fiscalização, mas tão só aspectos relacionados a apropriações de recolhimentos efetuados. Como a Informação Fiscal decorrente da diligência levada a termo pela Autoridade lançadora, fl. 238/239, mediante considerações pertinentes e esclarecedoras, trouxe em seu bojo a confirmação de ajustes de guias nos termos apontados pelo contribuinte e a constatação da necessidade de alteração dos valores lançados, de plano nota-se que, pelo menos em parte, as alegações recursais são pertinentes e devem ser acatadas. Não obstante, entendo salutar tratar individualmente os itens apontados tanto no Recurso Voluntário, fl. 207 a 211, quanto nas considerações apresentadas após ciência do resultado da diligência, fl. 247 a 249. Competência 10/2007 - matriz (Item 6/8 do RV, fl. 208/209) O contribuinte alega que o valor apurado no período foi recolhido em três GPS( R$ 9.165,31, R$ 3.047,81 e R$ 600,00), cuja soma, incluindo o valor de deduções (R$ 704,60), alcança o montante de R$ 13.517,72, o que seria suficiente à extinção total do valor apurado pela fiscalização. Analisando o Relatório de Lançamento - RL, fl. 19, constata-se que, de fato, foi apurado no período débito de R$ 13.517,72. De tal montante foi deduzido o valor de R$ 704,60 (rateio de dedução) e apropriados os pagamentos de R$ 9.165,31 e R$ 1.735,90 (Relatório de Documentos Apresentados - RDA, fl 10 e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA, fl. 15), resultando em saldo a pagar de R$ 1.911,61(Discriminativo de Débitos de fl. 07). Fl. 256DF CARF MF 4 Além do pagamento já apropriado de R$ 9.165,61, o contribuinte aduz que teria efetuado recolhimento de outros duas GPS, no valor de R$ 600,00 e R$ 3.047,81. Contudo, conforme de verifica no RDA, em fl. 10, tais recolhimentos integraram o montante de R$ 17.950,32 considerados para o estabelecimento matriz na competência 11/2007, integralmente apropriado nos termos do RADA, em fl. 15. Assim, embora o contribuinte tenha, de fato, efetuado os recolhimentos que alega, os mesmos foram devidamente considerados no lançamento, evidenciando a correção do débito ainda pendente para a competência em comento, R$ 1.911,61. Assim, considerando devidamente explicada a utilização de parte dos valores recolhidos na competência 11/2007, neste item nego provimento ao Recurso Voluntário, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 1.911,61. Competência 01/2007 - filial (Item 7/8 do RV, fl. 209) O contribuinte alega recolhimento de GPS no valor de R$ 338.665,20, a qual teria sido objeto de pedido de ajuste de guia, fl. 190/191. Em sede de Diligência, a Autoridade lançadora constatou a procedência da alegação, conforme tela de fl. 234 e planilha de fl. 240, o que reduziu a zero o montante do débito no período em tela. Assim, neste item, dou provimento ao Recurso Voluntário para considerar integralmente extinto por pagamento o débito apurado para o estabelecimento 0003-93 na competência 01/2007, no valor total de R$ 320.345,16. Competência 02/2007 - filial (Item 9/12 do RV, fl. 209 e item 7 fl. 248) O contribuinte alega recolhimento de GPS no valor de R$ 598.995,98, a qual teria sido objeto de pedido de ajuste de guia, fl. 193/194. Em sede de Diligência, a Autoridade lançadora constatou a procedência da alegação, conforme tela de fl. 235 e planilha de fl. 240, o que reduziu o montante do débito no período em tela para R$ 63.754,10. Em suas considerações sobre as conclusões da diligência, fl. 248, o contribuinte afirma reconhecer como devido o valor apurado pela fiscalização desde a impugnação, o que se confirma com a análise da planilha de fl. 156. Assim, considerando que o débito apontado como devido pela fiscalização é compatível com a parte incontroversa da competência em comento, há de se prover o Recurso Voluntário neste item, para considerar extinto por pagamento o valor para o qual se instaurou o contencioso administrativo, para o estabelecimento 0003-93 na competência 02/2007, R$ 598.996,00. Competência 03/2007 - filial (Item 13 do RV, fl. 210 e item 8 fl. 248) O contribuinte alega recolhimento do débito apurado na competência, apontando para a GPS de fl. 195, no valor de R$ 759.137,58. Em sede de Diligência, a Autoridade lançadora constatou a procedência parcial da alegação, conforme tela de fl. 234/235 e planilha de fl. 240. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15563.000408/2010-63 Acórdão n.º 2201-003.481 S2-C2T1 Fl. 256 5 Nos termos do Relatório de Lançamento - RL, fl. 19/20, o valor do débito apurado no período para o estabelecimento 0003-93 foi de R$ 921.859,43 (DG + FP). De tal montante, deduzido o valor de R$ 96.837,68 (rateio de dedução - FP + DG), resultou em lançamento de R$ 825.021,75. Ocorre que o pagamento comprovado pelo contribuinte (R$ 759.137,58) já havia integrado o montante de recolhimentos efetuados para o estabelecimento 0001-21, na competência 03/2007, conforme RDA, fl. 10. Razão pela qual, o débito apurado para o estabelecimento matriz, no valor de R$ 6.463,94, foi integralmente extinto, não havendo saldo para a competência lançado no auto de infração em comento, e nem poderia, já que o pagamento alocado era muito maior que o débito apurado. Desta forma, do montante recolhido, apenas o valor de R$ 752.673,60 ainda estava disponível para alocação, o que resultou em um débito remanescente na competência, para o estabelecimento 0003/93, de R$ 72.348,11. Desse saldo remanescente, o contribuinte reconheceu como devido o valor de R$ 65.884,17, conforme planilha de fl. 156 e item 8 de fl. 248, contestando ainda o montante de R$ 6.493,94, sob alegação de que não teria sido apurado débito no auto de infração para o estabelecimento matriz na competência em questão. Portanto, considerando devidamente explicada a utilização pela matriz de parte do montante recolhido, neste item, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para considerar extinto por pagamento o valor de 752.673,60, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 72.348,11 (que é o somatório da parte incontroversa, R$ 65.884,17 e do valor R$ 6.493,94). Competência 10/2007 - filial (Item 14 do RV, fl. 210 e item 9 fl. 249) O contribuinte alega recolhimento do débito apurado na competência, apontando para a GPS de fl. 196, no valor de R$ 1.735,90. Nos termos do Relatório de Lançamento - RL, fl. 20/21, o valor do débito apurado no período para o estabelecimento 0003-93 foi de R$ 759.786,20 (DG + FP). De tal montante, deduzido o valor de R$ 78.573,26 (rateio de dedução DG) e apropriado o pagamento de R$ 679.474,04 (RDA, fl. 11 e RADA, fl. 17), resultou em saldo a pagar de R$ 1.735,90. Embora o contribuinte tenha efetuado o recolhimento do darf indicado, o fato é que, conforme de verifica no Relatório de Documentos Apresentados - RDA, em fl. 10, tal recolhimento integrou o montante de R$ 10.921,21 considerado no estabelecimento matriz para a competência 10/2007, integralmente apropriado nos termos do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA, fl. 15. Portanto, embora o contribuinte tenha, de fato, efetuado os recolhimentos que alega, o mesmo foi devidamente considerado no lançamento, evidenciando a correção do débito ainda pendente para a competência em comento, R$ 1.735,90. Assim, considerando devidamente explicada a utilização pela matriz do montante recolhido, neste item nego provimento ao Recurso Voluntário, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 1.735,90. Fl. 258DF CARF MF 6 Competência 11/2007 - filial (Item 15 do RV, fl. 210 e item 10 fl. 249) O contribuinte alega recolhimento do débito apurado na competência, apontando para a GPS de fl. 197, no valor de R$ 1.747,33. Nos termos do Relatório de Lançamento - RL, fl. 20, o valor do débito apurado no período para o estabelecimento 0003-93 foi de R$ 768.555,85. De tal montante, deduzido o valor de R$ 77.417,78 (rateio de dedução) e apropriado o pagamento de R$ 689.390,74 (RDA, fl. 11 e RADA, fl. 17), resultou em saldo a pagar de R$ 1.747,33. Embora o contribuinte tenha efetuado o recolhimento do darf indicado, o fato é que, conforme de verifica no Relatório de Documentos Apresentados - RDA, em fl. 10, tal recolhimento integrou o montante de R$ 17.950,32 considerado no estabelecimento matriz para a competência 11/2007, integralmente apropriado nos termos do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA, fl. 15. Portanto, embora o contribuinte tenha, de fato, efetuado o recolhimento que alega, o mesmo foi devidamente considerado no lançamento, evidenciando a correção do débito ainda pendente para a competência em comento, R$ 1.747,33. Assim, considerando devidamente a utilização pela matriz do montante recolhido, neste item nego provimento ao Recurso Voluntário, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 1.747,33. Competência 12/2007 - filial (Item 16/17 do RV, fl. 210 e item 10 fl. 249) O contribuinte alega recolhimento do débito apurado na competência, apontando para a GPS de fl. 198, no valor de R$ 1.852,51. Nos termos do Relatório de Lançamento - RL, fl. 20/21, o valor do débito apurado no período para o estabelecimento 0003-93 foi de R$ 866.128,25 (FP + DG). De tal montante, deduzido o valor de R$ 55.457,20 (rateio de dedução DG) e apropriado o pagamento de R$ 808.321,61 (RDA, fl. 11 e RADA, fl. 18), resultou em saldo a pagar de R$ 2.349,44. Embora o contribuinte tenha efetuado o recolhimento do darf indicado, o fato é que, conforme de verifica no Relatório de Documentos Apresentados - RDA, em fl. 11, tal recolhimento integrou o montante de R$ 39.920,34 considerado no estabelecimento matriz para a competência 12/2007, integralmente apropriado nos termos do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA, fl. 15. Portanto, embora o contribuinte tenha, de fato, efetuado o recolhimento que alega, o mesmo foi devidamente considerado no lançamento, evidenciando a correção do débito ainda pendente para a competência em comento, R$ 2.349,44. Assim, considerando devidamente a utilização pela matriz do montante recolhido, neste item nego provimento ao Recurso Voluntário, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 2.349,44 (que é o somatório da parte incontroversa expressa na planilha de fl. 156, R$ 496,83 e do valor R$ 1.852,51). Competência 13/2007 - filial (Item 18 do RV, fl. 210 e item 11 fl. 249) O contribuinte alega recolhimento do débito apurado na competência, apontando para a GPS de fl. 199, no valor de R$ 1.367,35. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15563.000408/2010-63 Acórdão n.º 2201-003.481 S2-C2T1 Fl. 257 7 Nos termos do Relatório de Lançamento - RL, fl. 20/21, o valor do débito apurado no período para o estabelecimento 0003-93 foi de R$ 640.841,26 (FP + DG). De tal montante, deduzido o valor de R$ 24.795,95 (rateio de dedução DG) e apropriado o pagamento de R$ 614.514,91 (RDA, fl. 12 e RADA, fl. 18), resultou em saldo a pagar de R$ 1.367,40. Embora o contribuinte tenha efetuado o recolhimento do darf indicado, o fato é que, conforme de verifica no Relatório de Documentos Apresentados - RDA, em fl. 11, tal recolhimento integrou o montante de R$ 8.824,01 considerado no estabelecimento matriz para a competência 13/2007, integralmente apropriado nos termos do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados - RADA, fl. 15. Portanto, embora o contribuinte tenha, de fato, efetuado o recolhimento que alega, o mesmo foi devidamente considerado no lançamento, evidenciando a correção do débito ainda pendente para a competência em comento, R$ 1.367,40. Assim, considerando devidamente a utilização pela matriz do montante recolhido, neste item nego provimento ao Recurso Voluntário, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 1.367,40. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou-lhe parcial provimento para: - considerar integralmente extinto por pagamento o débito apurado para o estabelecimento 0003-93 na competência 01/2007 (R$ 320.345,16); - considerar extinto por pagamento o valor para o qual se instaurou o contencioso administrativo, para o estabelecimento 0003-93 na competência 02/2007 (R$ 598.996,00). - considerar extinto por pagamento o valor de 752.673,60, devendo-se manter em cobrança o débito de R$ 6.493,94, para o estabelecimento 0003-93 na competência 03/2007. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907651/2009-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.919, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 51 /2 00 9- 90 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 9101002.633 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 9101002.633 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10675.907651/200990 Acórdão n.º 9101002.633 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721015/2015-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.418
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local a fim de que os coobrigados sejam formalmente intimados da decisão de primeira instância.
Nome do relator: Leonardo Luis Pagano Gonçalves
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local a fim de que os coobrigados sejam formalmente intimados da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 19515.721015/2015-28 Resolução nº 1402-000.418 S1-C4T2 Fl. 2.852 2 Relatório. Trata-se de Auto de Infração, fls. 2567 a 2616, lavrado contra o sujeito passivo, Import Express Comercial Importadora Ltda, e o responsáveis Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar. O citado auto combinado com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 263 a 282, exigem o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 26.055.876,32 , assim discriminados: No Termo de Verificação Fiscal, fls. 263 a 282, a autoridade fiscal apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraem-se as observações e argumentos resumidos adiante: Durante o procedimento fiscal, para o ano calendário de 2011, verificou-se que a empresa não apresentou DIPJ, Livro Diário e Razão ou Caixa, apresentou Dacon com receita bruta zerada e DCTF não informando débitos referentes aos impostos e contribuições, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Apesar dessas informações prestadas à Receita Federal, foram apuradas notas fiscais de venda de produtos que totalizam R$ 126.267.245,59. Em decorrência disso, o lucro da empresa foi arbitrado, com base no art. 530, inciso III, e art. 532 do Decreto nº. 3000/99 e a empresa autuada por omissão de receita conforme art. 537 do mesmo decreto. Houve representação fiscal para fins penais, nos termos do art. 1º, inciso I e II, e art. 2º, inciso I da Lei nº. 8137/90, anexada ao processo administrativo nº. 19515.721020/2015- 31. Diante da prática reiterada de omissão de receitas, 2008, 2009, 2010 e 2011, processos administrativos nº. 19515.721620/2013-37, 19515.722772/2012-76, 19515.720985/2015-14 e 19515.721015/2015-28, respectivamente, a Autoridade Fiscal qualificou a multa nos termos do art. 44 da Lei nº. 9430/96, enquadrando a negativa da empresa como dolosa, intencional e consciente para impedir o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. Com o agravamento citado e as reiteradas condutas da empresa fiscalizada, justificou-se a responsabilização direta e pessoal dos sócios-administradores nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, com arrolamento dos bens do sujeito passivo e dos responsáveis solidários, anexados aos processos administrativos nº. 19515.001519/2010-13, 19515.721636/2013-40, 19515.721638/2013-39, 19515.721637/2013-94 e 19515.721628/2013-01. Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, o sujeito passivo e os responsáveis solidários, apresentaram impugnações, fl. 2673 a 2784. O sujeito passivo, Import Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 19515.721015/2015-28 Resolução nº 1402-000.418 S1-C4T2 Fl. 2.853 3 Express Com e Imp Ltda, defende sua atuação com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído e, em decorrência disso, não poderia haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Já quanto ao embaraço à fiscalização, informa que não houve qualquer prejuízo ao trabalho fiscal desenvolvido, até porque o Auto de Infração foi lançado com base em documentos obtidos diretamente pelo Fiscal. Alega que o fiscal não esclareceu como foram extraídas as informações de cartão de crédito impossibilitando sua defesa quanto a esse item e que a obtenção unilateral dos extratos bancários é ilegal. No tópico seguinte, alega que a Autoridade Fiscal não levou em consideração as vendas canceladas e que cabe ao auditor provar, por meio de diligências para verificação dos livros, por exemplo, que o contribuinte de fato recebeu os aludidos créditos, conforme previsto no art. 333 do Código do Processo Civil e art. 9º do Decreto 70.235/72. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja reconhecida a decadência deste Auto de Infração; (ii) seja diminuída a multa aplicada em razão da inexistência de qualquer embaraço à fiscalização; (iii) seja declarada nulidade das provas utilizadas na autuação fiscal; e (iv) no mérito, seja declarada a improcedência da ação fiscal, em razão da ausência de provas. O responsável tributário, Gilberto Asmar, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. O responsável tributário, Marcelo Asmar, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. O responsável tributário, Eduardo Asmar, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 19515.721015/2015-28 Resolução nº 1402-000.418 S1-C4T2 Fl. 2.854 4 Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. O responsável tributário, Silvana de Araújo, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão, mantendo integralmente os AIs, confirmando a responsabilidade do Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECORRÊNCIAS. CSLL - PIS - COFINS. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a empresa Recorrente interpõe Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação e apresenta argumentos de defesa, requerendo a nulidade dos termos de sujeição passiva. Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 19515.721015/2015-28 Resolução nº 1402-000.418 S1-C4T2 Fl. 2.855 5 Entretanto, os responsáveis solidários não foram notificados do v. acórdão recorrido e não interpuseram recurso. É o relatório. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 19515.721015/2015-28 Resolução nº 1402-000.418 S1-C4T2 Fl. 2.856 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator Conforme acima relatado, os sócios responsáveis solidários apresentaram individualmente suas respectivas impugnações e não foram intimados do v. acórdão, motivo pelo qual, não interpuseram Recurso Voluntário. Apenas a empresa Recorrente, que foi devidamente intima, que interpôs Recurso Voluntário. Sendo assim, entendo que os responsáveis solidários foram cerceados em seu direito de defesa. Desta forma, converto o julgamento em diligência para que os responsáveis solidários sejam intimados do v. acórdão "a quo" e, se entenderem necessário, interponham seus respectivos recursos. Em seguida, retornem os autos para este E. CARF/MF para julgamento dos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Fl. 2856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910514/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.682
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 14 /2 01 2- 15 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.910514/201215 Acórdão n.º 3302003.682 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.556. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910514/201215 Acórdão n.º 3302003.682 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10480.910514/201215 Acórdão n.º 3302003.682 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912287/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.956
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 28 7/ 20 12 -4 5 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912287/201245 Resolução nº 3402000.956 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912287/201245 Resolução nº 3402000.956 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912287/201245 Resolução nº 3402000.956 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010796/2006-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral, o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OAB-DF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral, o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OABDF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 96 /2 00 6- 35 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19647.010796/200635 Acórdão n.º 9101002.680 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.528, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19647.010796/200635 Acórdão n.º 9101002.680 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 243DF CARF MF Processo nº 19647.010796/200635 Acórdão n.º 9101002.680 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.001206/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
Numero da decisão: 2402-005.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 12 06 /2 00 7- 40 Fl. 89DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13748.001206/200740 Acórdão n.º 2402005.733 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário 2002. Tratandose de retorno de processo, oportuno reproduzir o relatório da Resolução nº 2102000.158, prolatada quando do conhecimento do litígio pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF: A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos da Ampla Energia e Serviços Ltda, no valor de R$ 3.903,42. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, onde alega que o rendimento considerado omitido, corresponde à parcela isenta dos valores recebidos em ação trabalhista movida contra a Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (CERJ). A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão DRJ/RJ2 nº 1334.016, de 30/03/2011, fls. 65/66. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 26/05/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 69, o contribuinte apresentou, em 21/06/2011, recurso voluntário, fls. 70/72, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. Em 19/09/2013 aquela Turma do CARF resolveu, considerando que o Recurso Extraordinário 614.406/RS, o qual versa acerca da matéria, tivera sua repercussão geral reconhecida em 20/10/2010 e ainda se encontrava pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído a este Conselheiro, que verificou ter sido formulado no recurso pedido para que seja feito o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. Impende salientar que, conforme bem percebido quando exarada a Resolução nº 2102000.158, o lançamento versa sobre omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, conforme atestam os documentos de fls. 55/59, dos quais parte não foi declarada pelo notificado sob o entendimento de que se tratavam de verbas isentas. Nessa toada, para o exame do mérito do litígio cabe trazer o regramento da tributação desse tipo de rendimentos, dado à época dos fatos pelo art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13748.001206/200740 Acórdão n.º 2402005.733 S2C4T2 Fl. 43 5 Por força do § 2º do art. 62 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Fl. 93DF CARF MF 6 (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13748.001206/200740 Acórdão n.º 2402005.733 S2C4T2 Fl. 44 7 princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. Fl. 95DF CARF MF 8 No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em sua essência do entendimento sufragado pelo STF para situações do gênero, acarretando em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar alguns aspectos adicionais da situação, como fecho desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso versava justamente sobre a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, firmouse então entendimento quanto à inconstitucionalidade daquela norma. Lembrese que a ementa do acórdão sintetiza as conclusões do Colegiado, não podendo ser lida abstraindose das razões do julgamento. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13748.001206/200740 Acórdão n.º 2402005.733 S2C4T2 Fl. 45 9 Também merece ser registrado que não caberia ao STF tecer considerações, nas disposições conclusivas do julgamento, acerca dos efeitos da decisão então acordada sobre eventuais autuações do Fisco realizadas com base na malfadada norma, visto que o exame travado naquela seara deuse, reiterese, debruçado sobre declaração de inconstitucionalidade exarada no TRF da 4ª Região, direito em tese, e não, por exemplo, à luz de ação anulatória de débito fiscal ou lide similar. Além disso, cabe frisar que a eventual inexistência de prejuízo consequente à realização de recálculo do lançamento não serve de escusa para a sua manutenção, quando revelada sua desconformidade com o ordenamento constitucional. Tal conclusão persevera, ainda que tal conhecimento não fosse facultado à autoridade fiscal, quando da autuação. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722184/2011-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quanto restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente por diferentes colegiados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS.
Incabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte apresentar, nos prazos estipulados, esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
Numero da decisão: 9202-005.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que não conheceram do recurso. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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MULTA AGRAVADA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO ROBERTO SANDOVAL FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quanto restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente por diferentes colegiados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. Incabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte apresentar, nos prazos estipulados, esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que não conheceram do recurso. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 84 /2 01 1- 51 Fl. 4994DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o Contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e pessoas físicas, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício; omissão de valores recebidos à título de aluguéis e omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas bancárias mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do TVF que A programação da presente ação fiscal foi por nós solicitada a partir da Ação Fiscal que desenvolvemos em face do Dr. CARLOS JOSÉ DE OLIVEIRA TOFFOLI, CPF n° 066.269.678 60, cujos dados constam de praticamente todos os MANDADOS DE LEVANTAMENTOS JUDICIAIS, juntados ao presente procedimento na condição de "Procurador", sendo que no local em que é passado recibo, em muitos dos casos, constam carimbados os dados da Carteira da OAB/SP n° 89.826 do Dr. Carlos e o número da conta corrente 756.7864 do Dr. Antonio Roberto Sandoval, mantida no Banco Nossa Caixa S/A., sobre a qual a seguir teceremos novos comentários. Detectamos que o Dr. Carlos atua com o fiscalizado em ações trabalhistas de funcionários públicos do Estado de São Paulo, tendo em vista que em todos os documentos por ele apresentados em atendimento aos Termos de Fiscalização com o objetivo de demonstrar que mais de R$ 20.000.000,00 de movimentação financeira atribuída ao seu CPF, no ano de 2006, na realidade eram referentes a levantamentos judiciais em que figura o advogado ANTÔNIO ROBERTO SANDOVAL FILHO, CPF n° 874.847.90800, em Demonstrativos de Atualização elaborados pela Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, na condição de "CREDORSECUNDÁRIO", sendo os "CREDORES PRINCIPAIS" seus clientes, também tratados como "COAUTORES". O contribuinte, em mais de uma ocasião, foi intimado a apresentar esclarecimentos sobre os dados levantados pela fiscalização. Após pedidos de prorrogação, os Fl. 4995DF CARF MF Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 9202005.209 CSRFT2 Fl. 4.995 3 quais foram deferidos, foram juntados aos autos diversas explicações e documentos relacionados com os fatos geradores supostamente realizados. Entendendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar os valores transacionados em suas contas bancárias o fiscal lavrou o presente lançamento para cobrança do valor principal, acrescido de multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão, multa de ofício qualificada e agravada em razão da suposta ocorrência de fraude e ainda em razão da postura do autuado quando do cumprimento das intimações. A DRJ julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo pela decadência da multa isolada relativas aos meses de janeiro a outubro de 2008, pela necessidade de exclusão da autuação de valores duplicados, e ainda pela inexistência de fundamentos para o agravamento da multa de ofício nos termos do art. 44. I, §2º da Lei nº 9.430/96. Quanto a este ultimo ponto o auditor expôs: No caso em exame, compulsandose os autos, verificase que, em nenhum momento, o contribuinte se eximiu de responder às intimações contra ele expedidas, ainda que, em algumas ocasiões tenham solicitado dilação do prazo inicialmente concedido para cumprimento do requisitado. O fato de, por vezes, as respostas apresentadas terem sido genéricas e não esclarecerem todos os pontos suscitados não constitui motivação para o agravamento. De igual modo, o fato de não terem sido apresentados todos os documentos relacionados nos termos de intimação enviados ao contribuinte não pode ser tomado como falta de “esclarecimentos”, sendo, por si só, insuficiente para justificar a imputação da penalidade prevista no art. 44, § 2º, I, da Lei nº 9.430/1996. Se assim o fosse, qualquer infração lançada com base na falta de apresentação de documentos ou livros obrigatórios ensejaria agravamento da multa. Referida decisão motivou a apresentação de Recurso de Ofício. Antes do seu julgamento o Contribuinte apresentou petição de fls. 4820/4821 informando que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, destacando, porém, que apenas foram incluídos os débitos mantidos pela Delegacia de Julgamento, não tendo havido o parcelamento da parte que foi objeto do Recurso de Ofício. A 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, mantendo a decisão da DRJ. O acórdão 2201002.658 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 Ementa: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnêleão submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do Fl. 4996DF CARF MF 4 exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE. Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração que não foram conhecidos quando na sua análise pelo Colegiado a quo. Recurso Especial do Procurador juntado às fls. 4929/4933 argumentado divergência jurisprudencial em relação a interpretação do art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96 que trata do agravamento da multa de ofício. Afirma que: para o acórdão paradigma nº 20178.413, o agravamento deve ser mantido sob o entendimento de que o atendimento insuficiente da intimação corresponde a um “não atendimento” para efeito da majoração da multa de oficio. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática, e no mérito requer a manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos, haja vista que todas as intimações foram devidamente respondidas. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento do recurso: Diante dos argumentos apresentados em sede de contrarrazões, manifestome sobre o conhecimento do presente Recurso Especial. Defende o Contribuinte que não há similitude fática entre o acórdão recorrido e aquele citado como paradigma pela Fazenda Nacional, para tanto afirma: 23. Como foi ressaltado pelo acórdão de primeira instância e também pelo acórdão do CARF, o Recorrido nunca se escusou de atender à fiscalização, sempre apresentando as informações necessárias, ou requerendo prazo para tanto. O encadeamento dos fatos será mais bem detalhado adiante. Fl. 4997DF CARF MF Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 9202005.209 CSRFT2 Fl. 4.996 5 24. No entanto, como se verifica da leitura do acórdão paradigma (doc. 01), naquele caso o contribuinte efetivamente havia se negado a prestar esclarecimentos à fiscalização, alegando estarem tais informações protegidas por sigilo, mas, depois de novamente intimado, apresentou as informações requeridas, o que evidencia que ele estava se negando deliberadamente a contribuir com a fiscalização. 25. Além disso, no atendimento à primeira intimação ocorrido naquele processo paradigma, aquele contribuinte teria apresentado outras informações, que não as requeridas pela fiscalização. Analisando as razões de decidir do acórdão paradigma registrado sob o nº 20178.413 constatamos a similitude entre os julgados. Para a decisão paradigma, mesmo citando no relatório que em um primeiro momento o contribuinte apresentou informações relevantes para fiscalização, o Colegiado diante da conduta posterior do autuado , adotou como razão para manutenção da multa agravada dois motivos. O primeiro é o fato de o contribuinte ter apresentado dados que não se prestaram à verificação pretendida pela Fiscalização, e segundo o fato das outras informações relevantes somente terem sido apresentadas após uma nova intimação. Com base nesses argumentos, concluíram os julgadores que o atendimento insuficiente da intimação, com prestação de informações que não se prestam às verificações pretendidas, representa não atendimento da intimação para efeito da majoração da multa de oficio prevista na lei. Já o acórdão recorrido, ratificando a decisão da Delegacia de Julgamento, apresenta o entendimento de que o fato de as respostas apresentadas pelo contribuinte, em alguns casos terem sido genéricas, não esclarecendo todos os pontos suscitados e, de igual modo, o fato de não terem sido apresentados todos os documentos relacionados nos termos de intimação enviados ao contribuinte não pode ser tomado como falta de “esclarecimentos”, o que leva ao cancelamento do agravamento da multa. Assim, entendo pela caracterização da divergência nos moldes em que delimitado pelo despacho de admissibilidade. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Do mérito: No mérito, o recurso se resume em analisar se há nos autos elementos que permitem a aplicação do agravamento da multa de ofício com base no art. 44, §2º da Lei nº 9.430/96. Referido dispositivo legal prêve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 4998DF CARF MF 6 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ... Sobre este tema, oportunamente, acompanhei exatamente as razões de decidir do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior em voto cujo conteúdo originou o Acórdão nº 9202004.019. Embora, naquele caso, o lançamento tenha se utilizado da redação anterior da Lei nº 9.430/96, o entendimento é perfeitamente aplicável a este processo, razão pela qual peço vênia para transcrever: Como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo, com a devida vênia a posicionamentos diversos (que vinculam a caracterização do agravamento à existência ou não de possibilidade de obtenção pela Fiscalização dos elementos de interesse objeto de intimação e/ou à existência de prejuízo à referida Fiscalização), que a correta aplicação do dispositivo acima é no sentido de que sempre que restar comprovado o não atendimento de intimações por parte do contribuinte, uma vez realizadas as citadas intimações consoante o permissivo legal para tal, de se aplicar a multa agravada de 112,5%. Entendo que a intenção do legislador, ao editar o referido dispositivo, foi o de reforçar o poder da autoridade fiscalizadora, no sentido de evitar que intimações sejam Fl. 4999DF CARF MF Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 9202005.209 CSRFT2 Fl. 4.997 7 simplesmente "ignoradas", violandose, assim, o dever de colaboração do contribuinte para com o Fisco, sem que tal fato conduzisse a sanção. Em meu entendimento, independe a referida sanção do fato da Fiscalização, anteriormente ou posteriormente à prática da conduta expressamente descrita no dispositivo acima (no caso, em seu §2º, I, não prestar esclarecimentos no prazo marcado pela intimação), ter acesso aos elementos de interesse, seja por meios próprios, através de instrumentos alternativos instituídos pelo legislador tributário (tais como o RMF), seja por posterior entrega voluntária do contribuinte. Ou seja, entendo que uma vez caracterizada, no curso da ação fiscal, a conduta prevista pelo dispositivo, de não prestação de esclarecimentos no prazo hábil, de se aplicar a penalidade. Assim, portanto, alinhome à interpretação propugnada pela recorrente e pelos paradigmas colacionados aos autos. Enxergo mesmo, no dispositivo tributário em comento, semelhanças com a formulação comumente empregada pelo legislador penal para a definição de tipos omissivos próprios, onde a prática da conduta (por definição, necessariamente volitiva) leva imediatamente à cominação de sanção, de forma que também é de se admitir, in casu, o afastamento da aplicação da referida penalidade tributária, caso se vislumbre ocorrência de motivo de força maior (com o consequente afastamento da conduta), afastandose, nesta hipótese, a caracterização de omissão na prestação de esclarecimentos dentro do prazo. Percebese portanto, na linha do voto citado, que o agravamento da multa de ofício somente pode ocorre nos casos em que o Contribuinte deliberadamente deixa de cumprir as intimações recebidas, ignorando o comando da Administração Pública. A apresentação de informações parciais, imprestáveis ou mesmo manifestações expressas pela recusa em produzir as provas requeridas, não podem ser consideradas como não cumprimento de intimações para fins de aplicação do agravamento, que no presente caso, diante da qualificação da multa de ofício, levou a fixação da penalidade ao absurdo percentual de 225%. Analisando os documentos juntados aos autos e a descrição dos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 4307 e seguintes, temos como indiscutível que o contribuinte, após pedidos de prorrogação, cumprir dentro dos prazos fixados as intimações enviada pela autoridade fiscal. Por ser pertinente, citamos os seguintes trechos: "3.5 tendo em vista que em atendimento à intimação que lhe fora feita através do Termo de Intimação Fiscal n° 2007/608249735431028, de 23/06/2008, apresentou em: 03/10/2008 e 17/12/2008 documentos referentes a rendimentos recebidos a título de aluguéis, honorários advocatícios etc, para no anocalendário de 2006, a referida documentação será devidamente analisada e se necessário solicitados os documentos que possam esclarecer ou comprovar o que mais se apure;" Fl. 5000DF CARF MF 8 "4. em 14/02/2011, o fiscalizado, por seu procurador, devidamente qualificado e identificado, reportandose ao Termo de Início de Fiscalização, alegando não ter sido possível levantar todos os documentos solicitados, não apresentou documento algum e solicitou prazo suplementar de 30 (trinta) dias; concedemoslhe prazo suplementar até 08/03/2011;" "5. em 02/03/2011, o fiscalizado, por seu procurador, devidamente qualificado e identificado, reportandose ao Termo de Início de Fiscalização, novamente não apresentou documento algum e solicitou prazo suplementar de 30 (vinte) dias para cumprimento da intimação; concedemoslhe prazo suplementar de 20 (vinte) dias;" "6. em 21/03/2011, o contribuinte, após 55 (cinqüenta e cinco) dias da intimação: 6.1 quanto aos extratos bancários alegou que ainda não lhe teria sido possível levantálos, mas que estaria em contato com os gerentes das contas; 6.2 quanto aos comprovantes de rendimentos recebidos no ano de 2007 : 6.2.1 quanto aos honorários de sucumbência, o fiscalizado apresentou planilha de cálculo dos valores levantados em 2007, que por estarem relacionados a mais de 250 processos, não teria sido possível reunir as sentenças, os comprovantes de levantamento, as guias de levantamento e DARFs; ..." "8. em 24/05/2006, o contribuinte, através de seu procurador, alegando cumprimento ao item 4 do Termo de Reintimação Fiscal de 18/05/2011, mais uma vez valeuse de mais uma de suasmedidas para procrastinar o andamento da ação fiscal, e apresentou CD que deveria conter a planilha de cálculo dos valores levantados em 2007 a título de honorários de sucumbência e ainda informou: "Esclarece o Requerente que, tal como solicitado no referido termo, a cópia apresentada nesta oportunidade não permite regravação tampouco alteração do respectivo conteúdo." Tendo em vista a afirmativa do Dr. Victor, na presença de seu preposto Alexei de Albuquerque Weidebach (Estagiário), tentamos acessar a planilha solicitada contida na mídia fornecida sem sucesso, tentativa efetuada em mais de um computador. Evidentemente foi utilizado algum tipo de limitação de acesso para retardar o fornecimento de informações e o andamento da fiscalização, portanto, no próprio Requerimento do fiscalizado recepcionamos o CD que nos foi enviado e demos prazo de 02 (dois) dias para a apresentação de novo CDR contendo "Planilha Excel", em formato Excel" "9. em 26/05/2011, o contribuinte, através de seu procurador apresentou a Planilha de Cálculo dos valores levantados em 2007 a título de honorários de sucumbência, que não apresentou novos problemas;" Fl. 5001DF CARF MF Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 9202005.209 CSRFT2 Fl. 4.998 9 "10. em 30/05/2011, 125 (cento e vinte e cinco) dias após a ciência do Termo de Início de Fiscalização, voltou solicitar prazo para apresentação dos extratos bancários; concedemos lhe prazo suplementar de 10 (dez) dias;" "11. em 08/06/2011, o contribuinte, por seu procurador, além dos extratos bancários a seguir enumerados, mais uma vez, quanto à documentação que deve comprovar a situação dos honorários de sucumbência. mas que evidentemente guardam relação com os honorários advocatícios cobrados, descontados dos valores e posteriormente, repassados a seus clientes, tentou apresentar outra "parte da documentação relativa aos depósitos judiciais levantados no ano de 2007. Tendo em vista o grande volume de documentos, o Requerente informa que ainda está levantando o restante dessa documentação, requerendo, desde já, seiaIhe dada a possibilidade de apresentála à medida que for sendo levantada." e ao final: "Adicionalmente à documentação acima, o Requerente apresenta nesta oportunidade mais uma parte dos Informes de Rendimentos que embasaram os valores informados na DIRPF 2008, ano calendário 2007, como decorrentes de honorários de sucumbência (doc. 03)" (grifos e negritos nossos), pois se as fontes declaram quando do depósito o fiscalizado deve comprovar quanto e quando ocorreu o levantamento e não são os informes de rendimentos que elucidarão isso, assim sendo lavramos um Termo de Recebimento e de Recusa de Recebimento de Documentos, tendo em vista que o fiscalizado não estava atentando proposital e intencionalmente para o constante de todos os termos que foram lavrados até aquele momento, quanto a documentação a ser apresentada "Os esclarecimentos deverão ser feitos por escrito, devidamente assinados, e a respectiva documentação deverá ser relacionada e entregue na Av. Pacaembu, 715 2" andar/ala ímpar, no horário das 14:00 as 15:00 horas, por V. Sa. ou representante devidamente autorizado"; Assim, há farta comprovação nos autos do cumprimento das intimações feita pela autoridade fiscal, demonstrando ter o contribuinte colaborado para o correto processamento da ação fiscal, inexistindo assim fundamentos para manter a aplicação da multa agravada. Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 5002DF CARF MF 10 Fl. 5003DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913808/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.055
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 80 8/ 20 11 -1 8 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10480.913808/201118 Resolução nº 3401001.055 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.055. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10480.913808/201118 Resolução nº 3401001.055 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10480.913808/201118 Resolução nº 3401001.055 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000662/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-002.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Houve sustentação oral pela patrono da Recorrente.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Houve sustentação oral pela patrono da Recorrente. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
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APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NOVENTENA. A majoração da alíquota do IPI, passível de ocorrer mediante ato do Poder Executivo, submetese ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no artigo 150, inciso III, alínea c da Constituição Federal. Aplicase ao caso, até o período de 22/12/2006. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS INDIRETOS. REQUISITOS. Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006 No caso de restituição/compensação de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. Recurso ao qual se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Houve sustentação oral pela patrono da Recorrente. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 62 /2 01 0- 11 Fl. 992DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 993 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/42 por falta de recolhimento do IPI, tanto pela saída de produtos com erro de alíquota (item 1), como pelo indevido aproveitamento de créditos decorrentes de irregular compensação do IPI indevidamente destacado em nota fiscal de venda, sem autorização do adquirente que arcou com o ônus financeiro do tributo. Segundo a descrição dos fatos, lavrada a termo pela fiscalização (fls. 06/29), devidamente intimado a justificar as saídas sem destaque do IPI e o creditamento, mediante nota fiscal de entrada, do imposto que indevidamente destacou, a fiscalizada respondeu que não destacou o IPI, pois por ser este imposto sujeito à anterioridade nonagesimal, no período em questão, ainda não seria aplicável o aumento de 0% para 20% previsto no Decreto nº 5.905/2006. Quanto ao creditamento, argüiu entender desnecessária a autorização dos adquirentes para estornar débitos indevidos e recuperação de créditos sobre garantia. Diante disso, sob o fundamento da Nota Cosit nº 84/2006 e do Parecer PGFN/CAT nº 690/2006, que dispõe sobre a não aplicabilidade da anterioridade nonagesimal no caso de majoração de alíquotas do IPI mediante decreto, e pelo disposto no artigo 166 do CTN, que trata do repasse do ônus financeiro do IPI, para fins de restituição, foi constituído, mediante regular lançamento de ofício, o crédito tributário montante em R$ 49.245.059,63, nele inclusos os juros de mora e a multa de ofício. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 994 3 Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 895/914 defendendo, em síntese, que, tanto a Nota Cosit nº 84/2006, como o Parecer PGFN/CAT nº 690/2006, não poderiam ser interpretados literalmente, sob pena de inconstitucionalidade, sendo que, inclusive pelo entendimento do STF, admitirse que apenas a elevação de alíquota por lei sujeitase à noventena e não o aumento por decreto, acarretaria, na pra tica, não existir casos de aumento de alíquotas sujeitos à “anterioridade nonagesimal”, ademais, como o ato da majoração não teria sido motivado e/ou justificado, o mesmo seria inconstitucional, pois contrário ao art. 153, § 1º da Constituição Federal, sendo que a própria Nota Cosit nº 84/2006, vedaria o aumento de alíquota para fins meramente arrecadatórios. Com relação ao item 2 da autuação, reitera que não há necessidade de declaração ou autorização dos adquirentes, em razão destes não serem contribuintes do IPI, portanto sem condições de escriturar e aproveitar o crédito do imposto destacado nas notas fiscais. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RPO n° 1430.576, de 24/08/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006, 01/09/2006 a 31/12/2006 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. RESTITUIÇÃO. A restituição dos tributos que comportam transferência do respectivo encargo financeiro, somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Pelo visto, o julgamento de primeira instância considerou o lançamento procedente. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 995 4 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Sustenta: i)A Recorrente, ao tratar da aplicação do art. 150, III, "c", da Constituição ao caso concreto, não pleiteou a inconstitucionalidade do Decreto n. 5.906/06. O que contestou foi o fundamento aduzido pela Fiscalização para considerar que ele que teria aplicação desde o dia de sua publicação (22.09.06). Ao contrário do que entende a Fiscalização, para a Recorrente, tal diploma normativo passou a ser aplicável após 90 dias contados da sua publicação. A contestação foi feita ao lançamento de ofício e não ao ato normativo. Assim, não há se que falar em vedação para que as autoridades administrativas examinem o argumento exposto; ii)A "anterioridade nonagesimal" prevista no art. 150, III, "c", da Constituição Federal aplicase ao aumento da alíquota de IPI por decreto, uma vez que, nessa situação, o ato praticado pelo Poder Executivo por delegação constitucional serve aos mesmos fins que a lei, inovando a ordem jurídica; iii) O aumento da alíquota do IPI de zero para 20% feito pelo Decreto n. 5.905/06 para o produto classificado na posição fiscal NCM 8450.20.90 não tem fundamento em finalidade extrafiscal (política econômica governamental ou correção de distorções). Tratase de medida com o objetivo único de aumentar a arrecadação, o que a torna ilegítima, por não atender aos pressupostos do art. 4° do DecretoLei n. 1.199/71; e iv)exigência de declaração nos moldes do art. 166 do CTN é inaplicável no caso de recuperação de créditos lançados na escrita fiscal, tal como se tem na hipótese em análise. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração com a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com as seguintes infrações: i) deixado de recolher o imposto no período em discussão nas saídas de produtos classificados na posição fiscal NCM 84.50.2090 (máquinas de lavar roupa, mesmo com dispositivo de secagem, com capacidade superior a 10 Fl. 995DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 996 5 kg, em peso de roupa seca), pela saída dos produtos com erro de alíquota; e ii) indevido aproveitamento de créditos decorrentes de irregular creditamento e restituição do IPI indevidamente destacado em nota fiscal de venda, sem autorização do adquirente que arcou com o ônus financeiro do tributo. Registrese que segundo a descrição dos fatos do Termo de Fiscalização, devidamente intimado a justificar as saídas sem destaque do IPI e o creditamento, mediante nota fiscal de entrada, do imposto que indevidamente destacou, a empresa respondeu que não destacou o IPI, pois por ser este imposto sujeito à anterioridade nonagesimal, no período em questão, e que ainda não seria aplicável o aumento de 0% para 20% previsto no Decreto nº 5.905/2006 e quanto ao creditamento, arguiu entender desnecessária a autorização dos adquirentes para estornar débitos indevidos (NF emitidas para áreas destinadas para áreas incentivadas) e recuperação de créditos sobre garantia (recuperação de IPI sobre garantia). Então, duas questões estão em discussão. I) ELEVAÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI, MEDIANTE DECRETO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NOVENTENA Quanto ao primeiro item, diante do fundamento da Nota Cosit nº 84/2006 e do Parecer PGFN/CAT nº 690/2006, que dispõem sobre a não aplicabilidade da anterioridade nonagesimal no caso de majoração de alíquotas do IPI mediante decreto, a Recorrente foi autuada, tendo em vista restabelecimento de majoração de alíquota do IPI e portanto, ocasionando falta de recolhimento. A discussão girará em torno da vigência e eficácia da aplicação da norma. Cumpre ressaltar que o Principio da Anterioridade da Legislação Tributária, veiculado no art. 150, inciso III, “b” da Constituição FederalCF/88, significa dizer que nenhum tributo poderá ser cobrado no mesmo exercício financeiro que haja sido publicada a lei que o instituiu ou aumentou. O § 1° do artigo 150 da CF, entretanto, estabelece uma ressalva a esse princípio, estabelecendo que o Princípio da Anterioridade não se aplica ao IPI. Assim, o legislador pode estabelecer aumento do IPI no curso do mesmo exercício financeiro. Isso significa que tais aumentos tornamse exigíveis com a publicação da respectiva lei ou decreto, ou ato normativo equivalente. Logo, o IPI foi contemplado pela exceção ao princípio da Anterioridade. Destaquese a Emenda ConstitucionalEC n° 42/2003, que acrescentou a alínea c ao artigo 150, inciso III da CF/1988, estabelecendo que os tributos não poderão ser cobrados antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou . O legislador ao estender o princípio da Noventena para a maioria dos tributos, não excetuou o IPI, que passou a ser o único dos impostos ditos reguladores cujos efeitos das majorações porventura realizadas estão sujeitos a prazo (noventena). Então, a partir da EC n° 42/2003, em homenagem ao princípio da não surpresa, anterioridade (anual ou do exercício) e noventena (anterioridade nonagesimal) passaram a ser, em regra, cumulativamente exigíveis. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 997 6 Ao caso em discussão, o Decreto de n° 5.905/06, de 22/09/2006 (data de sua publicação), em seu art. 4°, estabelece o dia de sua publicação como data para que as modificações entrassem em vigor. Ou seja, a fiscalização entendeu que alteração de alíquota do IPI só deveria respeitar o prazo nonagesimal caso a mesma seja instituída por meio de Lei. Assim, concluiu, se a alíquota foi alterada por Decreto, sua aplicação deveria ser imediata, portanto, não deveria haver a limitação de 90 (noventa) dias, devendo a medida ter validade e eficácia imediata. No entanto, o entendimento do Supremo Tribunal FederalSTF, quando apreciou pedido liminar na Ação Direta de InconstitucionalidadeADI n° 4.661, ajuizada pelo Partido dos Democratas (DEM), (majoração do IPI para automóveis importados, através de Decreto), suspendendo a vigência imediata do Decreto que majorou o IPI e determinou que seus efeitos só fossem aplicados após 90 (noventa ) dias de sua publicação. É o que podemos constatar, nos termos abaixo: TributoIPIAlíquotaMajoraçãoExigibilidade A majoração da alíquota do IPI, passível de ocorrer mediante ato do Poder Executivoart. 153, § 1°submetese ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no artigo 150, inciso III, alínea c da Constituição Federal (Rel. Ministro Marco Aurélio) Então, chegase à conclusão, que para a vigência do Decreto de n° 5.905/06, para aplicar os efeitos da norma, conforme seu art. 4°, seria o mesmo que desrespeitar à anterioridade nonagesimal, contrariando a posição do STF (ADI 4.661), visto acima. Analisando os Princípios da Anterioridade e da Noventena, verificase que o IPI não se sujeita à Anterioridade, mas se sujeita à Noventena. Portanto, aplicando o Decreto n° 5.905/06 na data de sua publicação, seria o equivalente a desobedecer o texto constitucional, por conta do ADI 4.661. Enfim, a majoração do IPI, com efeitos imediatos, vai de encontro aos preceitos constitucionais, conforme o que dispõe o art. 150, inc. III, c da Constituição FederalCF. Ressaltese, por fim, que o Auto de Infração baseouse na orientação emanada pelo Parecer PGFN/CAT n° 690/06, no entanto, os Pareceres posteriores da própria PGFN/CAT, os de n°s 931/2012, 1824/2013 e 2075/2014, dispõem posição já alinhada ao novo posicionamento do STF, conforme trecho reproduzido abaixo, por exemplo o Parecer 690: ........ 6 No entanto, quanto à majoração de alíquotas por decreto do Executivo em relação às anteriormente fixadas também em decreto, muito embora essa PGFN entenda1 (faz referência ao Parecer PGFN/CAT n° 690/2006), e sempre tenha defendido que a majoração de alíquotas do IPI não está condicionada à limitação ao poder de tributar imposta pela anterioridade nonagesimal prevista no art. 150, III, c, da CF, visto que esse direito fundamental do contribuinte já é plenamente resguardado pela existência de lei prévia que contém os tais parâmetros mínimo e máximo de alíquotas, e também porque entendemos que a própria Constituição Federal, no § 1º do art. 150 e no § 1º do art. 153, excepciona a manipulação de alíquotas do IPI do Fl. 997DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 998 7 cumprimento do princípio da anterioridade, o fato novo é que essa tese fazendária restou recentemente vencida em julgamento da Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.661/DF pelo Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do Ministro Marco Aurélio, ocorrido em 20.10.2011. 7. Em conseqüência, para estar alinhada ao novo posicionamento do STF, qualquer majoração de alíquota do IPI, incidente sobre qualquer produto, pretendida pelo Poder Executivo (e,portanto, via decreto e comportada nos limites de manipulação de alíquotas previamente permitidos por lei ao Executivo com fulcro na Constituição) somente poderá produzir efeitos noventa dias após a publicação do decreto, sob pena de ser decretada a inconstitucionalidade desse ato ou sob pena de a sua aplicação ser postergada, a exemplo do que ocorreu com o Decreto nº 7.567, de 15 de setembro de 2011. Na prática, a função extrafiscal do tributo fica sobremaneira comprometida. ..... Em sendo assim, neste item 1, não há como sustentar o Auto de Infração, logo, dou provimento ao recurso voluntário, para que a majoração da alíquota do IPI, mediante Decreto n° 5.905/06, submetase, portanto, ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no art. 150, inc III, alínea ”c" da CF até o período de apuração de 22/12/2006. Portanto, começaria incidir a aplicação do decreto em comento, a partir de 23/12/2006. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, no seu item 001, à efl 8, o período abrangido do Auto de InfraçãoAI estaria todo excluído, conforme exposto já, segundo se observa abaixo: Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produto(s) tributado(s), com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de alíquota, em relação ao(s) produto(s) da classificação fiscal 8450.20.90, para o período compreendido entre 22/09/2006 a 22/12/2006, conforme relato contido no TERMO DE DESCRIÇÃO COMPLEMENTAR DETALHADA DOS FATOS em anexo.(grifei) Como se verifica, o período arrolado no AI abrange todo o período excluído (até 22/12/2006). A relação das notas fiscais encontrase às efls 571 a 606 e 610 a 643. CONCLUSÃO DO ITEM I Pelo exposto, neste item, dáse provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a descrição dos fatos e enquadramento legal do AI, quando expõe que o lançamento de imposto, por erro de alíquota, em relação ao(s) produto(s) da classificação fiscal 8450.20.90, engloba o período entre 22/09/2006 a 22/12/2006, período que deve ser respeitado, por conta do prazo nonagesimal, pela não aplicação do Decreto de n° 5.905/06. II) INDEVIDO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE IRREGULAR CREDITAMENTO E RESTITUIÇÃO DO IPI INDEVIDAMENTE DESTACADO EM NOTA Fl. 998DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 999 8 FISCAL DE VENDA, SEM AUTORIZAÇÃO DO ADQUIRENTE QUE ARCOU COM O ÔNUS FINANCEIRO DO TRIBUTO. Quanto ao item segundo, em relação ao creditamento, arguiu, apenas, a empresa entender desnecessária a autorização dos adquirentes para estornar débitos indevidos e recuperação de créditos sobre garantia, enfim, que não se aplica a exigência de declaração nos moldes do art. 166 do CTN. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, no seu item 002, à e fl 9, discorre: O estabelecimento industrial ou equiparado recolheu a menor o imposto, por se utilizar de créditos indevidos, e após a reconstituição de escrita permanece com saldo credor, conforme TERMO DE DESCRIÇÃO COMPLEMENTAR DETALHADA DOS FATOS, em anexo. A fiscalização observa que: ..... a legislação é clara no tocante ao IPI, que por se tratar de tributo indireto, encontrase acobertado pelo artigo 166 do Código Tributário Nacional: Art. 166 A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. ...... Foi solicitada à Recorrente a apresentar para os valores creditados de IPI (notas fiscais de entradas) mencionadas acima, as competentes cartas/declarações dos clientes/destinatários declarando/informando que não se creditaram do IPI destacado a maior nas notas fiscal de saídas encaminhadas aos mesmos, o que não foi atendido. Fl. 999DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 1000 9 Como se observa, quando da resposta ao Termo da fiscalização, a empresa responde (efl.18): com relação as notas fiscais 227.869 e 226.304 (fls.332e 337), não possuía cartas/declarações dos clientes/destinatários declarando/informando que não se creditaram do IPI destacado a maior nas notas fiscal de saídas encaminhadas aos mesmos, por entender que não se "afiguravam necessárias ou obrigatórias para creditamento do IPI (ESTORNO DEBITO NOTAS EMITIDAS P/AREAS INCENTIVDAS 2006 e RECUPERAÇÃO CRÉDITO IPI SOBRE GARANTIA de 2001 A 2006). Ainda, manifestou sobre a inaplicabilidade do artigo 166 do Código Tributário Nacional. Bem como conclui a fiscalização: E mais, o contribuinte sequer logrou comprovar que não houve creditamento pelo(s) clientes(s) da mercadoria, quanto mais a não cobrança em nota fiscal/fatura deste tributo. Em sede de recurso voluntário, a recorrente argumenta que: ..... Em impugnação, a Recorrente apontou que, após uma revisão do IPI constante de suas notas fiscais, verificou que em algumas operações houve o destaque do imposto quando, na realidade, tais transações não são seriam tributadas. Por esse motivo, a fim de aproveitar os valores indevidamente destacados, estornou tais débitos por meio do lançamento de créditos de IPI em sua escrita fiscal. Contudo, a Fiscalização considerou o procedimento ilegítimo, sob o argumento de que, para que houvesse o estorno do débito e lançamento do crédito, seria imprescindível que fossem obtidas declarações dos destinatários dos produtos atestando que não se creditaram do IPI destacado nas notas, por força do disposto no art. 166 do CTN. Como a Recorrente informou não ter tais declarações, a Fiscalização glosou os créditos de que ora se trata. Primeiramente devese esclarecer que o IPI é tributo indireto, em que existe a presunção do repasse, ao consumidor final, dos tributos pagos pelo contribuinte de direito. Então, faço as minhas palavras, os argumentos da decisão a quo, nesse sentido, quando menciona, nos termos abaixo: Com efeito, a impugnante emitiu uma nota fiscal em favor de pessoa jurídica com indevido destaque do IPI, sendo que não cancelou o documento erroneamente emitido. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 1001 10 O RIPI/2002, em vigor na ocasião, no artigo 178 (outros créditos) não admitia o creditamento efetuado pelo contribuinte e o art. 207 só permitia a compensação, independentemente de requerimento, nos casos de pagamento a maior previstos no artigo 165 do CTN, desde que o sujeito passivo comprovasse o pagamento indevido (parágrafo 2º do citado artigo). Não há dúvida nos autos de que a impugnante transferiu o encargo financeiro para o adquirente, ou seja, recebeu, por ocasião do pagamento de seus produtos, o valor relativo ao imposto indevido. Por conseguinte, indevido é o indigitado creditamento e a restituição só será possível mediante expressa autorização do terceiro para quem foi transferido o encargo, sendo que, tratandose de pessoa jurídica, esta condição independe do adquirente ser contribuinte do IPI Portanto, o Código Tributário NacionalCTN exige que, no caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, o requerente demonstre ter assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. No caso é incontroverso que houve a transferência do encargo, visto que o imposto fora destacado nas notas de vendas. Assim, resta a segunda opção qual seja, a demonstração de que a empresa estava expressamente autorizada pelos adquirentes dos produtos (terceiros a quem foi transferido o encargo do imposto) a repetir o indébito. Existem requisitos a serem observados, ou seja, condições estabelecidas no art. 166 do CTN para fazer jus à repetição do indébito. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Não atendidas as condições supra, não há como restituir/compensar o imposto, enfim, logo, não há como deferir a repetição pretendida pela Recorrente. Tanto o CARF quantos os nossos tribunais superiores têm jurisprudência de se exigir a comprovação do contribuinte de não ter transferido o encargo financeiro ao distribuidor. O STF editou súmula que fica clara a possibilidade de se analisar o fato de quem realmente suportou o encargo financeiro. Súmula 546 do STF: Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 18088.000662/201011 Acórdão n.º 3201002.447 S3C2T1 Fl. 1002 11 Na mesma linha de entendimento, destaco o acórdão da CSRF, conforme ementa a seguir transcrito, na parte que interessa ao caso: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1992 a 30/08/1995 Restituição de Tributos Indiretos Requisitos. No caso de restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, a lei exige do requerente a demonstração de ter ele assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a repetir o indébito. Recurso Especial do Procurador conhecido e provido em parte. (acórdão 9303002.141, de 17/10/2012) Em sendo assim, negase provimento ao recurso voluntário nesta matéria. CONCLUSÃO DO ITEM II Pelo exposto, neste item, nego provimento ao recurso voluntário, pois depreendese que da documentação em referência, a mesma não foi suficiente para comprovar o direito à restituição, da empresa ter haver assumido o encargo financeiro, inerente ao IPI, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, tenha, sequer apresentado a autorização dos adquirentes/distribuidores para estornar débitos indevidos e recuperação de créditos, nos termos do art. 166 do CTN, condição sine qua non para ter direito à restituição/compensação. CONCLUSÃO FINAL Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 1002DF CARF MF
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