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Numero do processo: 37166.000704/2007-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVErTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 28/02/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVErTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 6. 00 07 04 /2 00 7- 84 Fl. 1474DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2302 00.649 de 23/09/2010, assim ementada: Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 37166.000704/200784 Acórdão n.º 9202005.055 CSRFT2 Fl. 11 3 Fl. 1476DF CARF MF 4 Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, o Contribuinte apresentou Embargos que lhe foram negados e as Contrarrazões pugnando pela impossibilidade de imposição de multa de ofício à infração previdenciária no momento em que se perfez contra a recorrida, sendo a seu ver possível apenas para descumprimentos a partir de 2009. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 37166.000704/200784 Acórdão n.º 9202005.055 CSRFT2 Fl. 12 5 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 1478DF CARF MF 6 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 37166.000704/200784 Acórdão n.º 9202005.055 CSRFT2 Fl. 13 7 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1480DF CARF MF 8 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 37166.000704/200784 Acórdão n.º 9202005.055 CSRFT2 Fl. 14 9 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1482DF CARF MF 10 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1483DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.901623/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário quando comprovada a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário quando comprovada a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 23 /2 00 6- 52 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 187 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0528.814 (fls. 37 a 40), de 17 de maio de 2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, por meio de PER/Dcomp transmitida em 22 de maio de 2003. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase de Despacho Decisório, fl. 15, que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das caracteristicas do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada em 27/02/2008, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 26/03/2008, fls. 04/08, alegando, em síntese: a) a não homologação eletrônica impede o contribuinte de exercer o direito constitucional de ampla defesa, pois falta ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação. No caso em tela, seguramente, o fisco não trouxe aos autos do processo nenhum elemento que, por si, realmente desse suporte ao que alegou como fato motivador da não homologação da declaração de compensação, exceto a descrição dos valores apurados.Por isso é que, além da circunstância de em qualquer ramo do direito incumbir o ônus da prova àquele que alega determinado fato como constitutivo de seu direito (vale dizer, à Receita Federal quanto ao fato constitutivo de seu direito, isto é, do imposto a que se julga credor), em matéria de direito administrativo, seja ela de direito tributário ou não, o ato administrativo há de ser sempre e necessariamente motivado. Ora, a falta de apuração da matéria (demonstração de que os valores foram utilizados em outros pagamentos, por exemplo), por parte da autoridade fiscal, acarreta a total impossibilidade de o contribuinte exercer sua prerrogativa constitucional de ampla defesa. Portanto, o ato administrativo deve sempre atender às formalidades impostas, devendo permitir ao contribuinte apreender o motivo e o fato (sic) está sendo autuado, a fim de que possa se defender ou, caso concorde com a autoridade fiscal, recolher o tributo apurado. Entretanto, o auto de infração em tela, ao arrepio das normas mencionadas, não demonstrando o que alega, impede que o contribuinte apresente sua defesa corretamente, o que, por si só, já o torna nulo de pleno direito; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 188 3 b) foram cometidos erros na declaração de compensação, cujo valor do débito corresponde à totalidade do tributo do período, tributo esse que teve parte já paga e, portanto, não fora compensada. c) o valor de débito apresentado em DCTF (doc. 08) pelo peticionante, também contém erro que deve ser observado, especificamente, o campo pagamento com DARF, pois apresentou valor maior de débito; d) o peticionante requer que seja alterado de oficio as informações da DCTF, de acordo com os dados informados no demonstrativo (doc. 07) visando contemplar o crédito ora não homologado. A DRJ/Campinas considerou improcedente a manifestação de inconformidade proferindo o Acórdão nº 0528.814 com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxima quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante da decisão o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 48 a 53) apresentando em síntese os seguintes argumentos: a) após uma sucessão de diversos erros que relaciona, a contribuinte localizou trinta e cinco pequenos valores recolhidos a maior com os quais compôs o total a ser compensado com débitos de IOF no montante de R$13.931,23; b) a verdade material deve ser privilegiada acolhendose as provas trazidas aos autos, afastandose, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir valor que não Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 189 4 possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário; Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida e, se necessário, a alteração de ofício das Per/Dcomp e DCTF transmitidas, nos termos do art. 147, § 2° do CTN; o cancelamento da cobrança efetivada através do processo n° 16327.720021/200868 e, ainda, protesta pela juntada dos documentos em anexo. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 3ª Seção, por intermédio da Resolução nº 3301000.139, de 14 de fevereiro de 2012, decidiu por diligência nos seguintes termos (fls.117 e118): Conforme relatado, a interessada transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do Per/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$271.040,71, gerando uma insuficiência de R$13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$601,17, entendeu ser devedora de R$13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$271.040,71, além de multa e juros. De se ressaltar que os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação são intensamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos, bem assim, a extinção do crédito tributário pela compensação irregular. Nessa toada cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com o regramento. Por outro lado, no presente caso, sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 190 5 b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. Posteriormente, o fiscal diligente deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na seqüência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolver os autos para este Conselho, para julgamento. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras/SPO/Divisão de Orientação e Análise Tributária DEINF/SPO/DIORT , atendendo ao determinado pela Resolução nº 3301000.139, assim se pronunciou às fls. 126: O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme resolução nº 33301000.139 de fls. 114 a 118 para que a autoridade fiscal “analise os documentos acostados ao presente auto.......em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto a existência e disponibilidade do indébito.” Respondendo aos quesitos levantados pelo Conselho: a) de fato, a PER/DCOMP nº 26422.75637.220503.1.3.044556 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 1.116,76, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 893,86, informado no demonstrativo de fls. 32, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme telas de fls. fls. 121 a 123. À consideração superior. Diante da diligência, depois de devidamente cientificado, o Contribuinte apresentou manifestação às fls. 131 em que solicita: Após a análise de toda documentação anexada aos autos, a Autoridade Fiscal concluiu que: " de fato, a PER/DCOMP nº 26422.75637.220503.1.3.044556 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 1.116,76, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada". Notese que a conclusão da Autoridade Fiscal corrobora com os argumentos da Requerente, ou seja, de fato constatouse o equívoco no preenchimento do Per/Dcomp e a cobrança indevida do valor de R$ 271.040,71, conforme planilha abaixo: (...) É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 191 6 Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0528.814, de 17 de maio de 2010, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. É importante salientar que esta Turma proferiu o Acórdão nº 3301002.909, em 17 de março de 2016, em que se deu de forma unânime provimento parcial ao Recurso Voluntário, de situação com grande similitude, do mesmo contribuinte, no processo nº 16327.901632/200643. que assim ficou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovada a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Com a devida licença do Conselheiro relator Luiz Augusto do Couto Chagas, utilizarei o voto proferido no processo nº 16327.901632/200643 como base do meu voto, visto que os processos são praticamente iguais apenas com poucas alterações, que as farei no decorrer do voto pois são processos preparados distintamente. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PER/Dcomp em 22/05/2003 (fl. 15), cuja compensação não foi homologada em virtude de que, na data da transmissão da declaração de compensação, o crédito indicado encontravase totalmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, inexistindo disponibilidade do valor declarado na Dcomp. Por sua vez a contribuinte alega ter havido erro no preenchimento do PER/Dcomp e da DCTF relacionadas ao crédito controvertido. A interessada menciona que apurou e declarou o IOF devido em 12/02/2003 como sendo R$ 257.710,65 (257.109,48 + 601,17), quitado por meio de dois DARF. Posteriormente, constatou que o valor devido seria de R$ 271.040,71, gerando uma insuficiência de R$ 13.330,06. Entretanto, esquecendose do DARF de R$ 601,17, entendeu ser devedora de R$ 13.931,23, cujo valor tencionou quitar por meio de trinta e cinco Dcomp, dentre as quais vinte seis não foram homologadas. Devido a ausência de apresentação de declarações retificadoras e, ainda, preenchimentos equivocados das DCTF e PER/Dcomp transmitidas, tais equívocos acarretaram a cobrança, não do valor relacionado à compensação, e sim, do valor total relativo ao período de apuração, em cada um desses vinte seis processos, ou seja, está lhe sendo exigido o pagamento de vinte seis DARF de valor principal de R$ 271.040,71, além de multa e juros. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 192 7 A diligência realizada pela delegacia de origem analisou a questão sob duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda quanto a existência e disponibilidade de indébito. Assim, constatou: a) de fato, a PER/DCOMP nº 26422.75637.220503.1.3.044556 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria de R$ 1.116,76, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada. b) quanto ao alegado direito creditório de R$ 893,86, informado no demonstrativo de fls. 32, o contribuinte não apresentou nenhum documento ou explicação sobre a razão pela qual aquele valor teria sido recolhido a maior. Tal valor não se encontra disponível nos sistemas da Receita conforme telas de fls. fls. 121 a 123. (Grifou se). A Recorrente pede o direito à restituição, sob o argumento que ocorreu erro no preenchimento da PER/DCOMP e da DCTF, sendo que as correções destes equívocos demonstrariam a procedência do crédito alegado. Os erros demonstrados afetam o crédito pleiteado, bem como o débito compensado. Considerando que a utilização da compensação é de iniciativa do contribuinte, comprovada a existência do indébito tributário o procedimento de compensação poderá ser homologado, mesmo que com divergências no preenchimento da PER/DCOMP, desde que seja clara e inequívoca a intenção da compensação pelo interessado. O que cabe ao julgador é se manifestar quanto à procedência do crédito alegado pela Recorrente, determinando a sua procedência e homologando a compensação ate o limite do crédito confirmado. Entendo que a decisão se dá a partir da análise das provas apresentadas e do poder de convencimento quanto às circunstâncias e existência do crédito alegado. Mesmo que em diversas situações possa ocorrer a existência de procedimentos inadequados e erros no preenchimento de declarações, entendo que a verdade material deva prevalecer. Isto é, sendo comprovado por meio de documentação hábil a existência do indébito tributário, este deve ser homologado. Portanto, partindo desta premissa a análise da procedência do crédito, percorre o caminho da identificação dos recolhimentos existentes e do correto valor devido para cada imposto. Comprovandose o recolhimento em valor superior ao devido, resta configurado a existência do direito a repetição do indébito. Consultando os autos, foi identificado que a comprovação do recolhimento a maior do IOF é feita a partir de uma planilha de cálculo, sem nenhuma outra comprovação da ocorrência do pagamento indevido. A Recorrente informa que buscou pagamentos a maior de períodos anteriores com a finalidade de compensar o valor, conforme consta do Recurso Voluntário. O que ficou explicitado no processo é que ao necessitar de créditos para compensar o débito apurado, a recorrente valeuse de créditos anteriores, entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos contábeis ou fiscais, tampouco foi declarado o motivo que ensejou estes pagamentos indevidos ou a maior. Ressaltese que aqui não se discutiu a procedência da retificação das declarações apresentadas. Entretanto, a diligência realizada considerou que a PER/DCOMP em tela é equivocada, como aqui transcrevo: a) de fato, a PER/DCOMP nº 26422.75637.220503.1.3.044556 é equivocada, visto que informou um débito a compensar de R$ 271.040,71 quando o valor correto seria Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.901623/200652 Acórdão n.º 3301003.143 S3C3T1 Fl. 193 8 de R$ 1.116,76, conforme demonstrativo de fls. 32. Este é o valor a ser cobrado caso a compensação não seja homologada.(Grifouse). Considerando o que foi apurado na diligência, utilizouse a premissa de que todos os equívocos de preenchimento realmente ocorreram. Entretanto, considerando os novos valores informados pela recorrente para a DCTF e a PER/DCOMP, não foram identificadas as provas necessárias a justificar o crédito declarado, mesmo constatandose os erros no preenchimento das suas declarações. Conclusão: Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o débito seja cobrado de acordo com os valores apurados em diligência. Valcir Gassen Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928901/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 89 01 /2 00 9- 88 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.903, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.928901/200988 Acórdão n.º 3201000.493 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.000924/2005-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado, sendo necessário que ele, para formar sua convicção, também considere os fatos revelados por meio dos elementos de prova carreados aos autos e a legislação que rege a matéria.
Se os fatos narrados na peça preambular e a causa de pedir ajustam-se à natureza do provimento conferido à parte autora pela decisão, não cabe falar em julgamento extra petita.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. AUSÊNCIA DO DIREITO.
O deferimento de pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF pressupõe a inequívoca comprovação da ocorrência de desconto indevido ou a maior por ocasião da retenção.
Numero da decisão: 2402-005.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e João Victor Ribeiro Aldinucci. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado, sendo necessário que ele, para formar sua convicção, também considere os fatos revelados por meio dos elementos de prova carreados aos autos e a legislação que rege a matéria. Se os fatos narrados na peça preambular e a causa de pedir ajustamse à natureza do provimento conferido à parte autora pela decisão, não cabe falar em julgamento extra petita. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. AUSÊNCIA DO DIREITO. O deferimento de pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF pressupõe a inequívoca comprovação da ocorrência de desconto indevido ou a maior por ocasião da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 24 /2 00 5- 29 Fl. 476DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e João Victor Ribeiro Aldinucci. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 436/463) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SP2 (fls. 401/409), que considerou improcedente manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo direito creditório requerido. Conforme relatado no Parecer SAORT/DRF/ATA N° 10820/623/2011 (fls. 332/346): 1) Este processo trata de pedido de restituição, formalizado em 10/06/2005, do imposto de renda retido na fonte, código 0588 (IRRF Rendimentos do trabalho Trabalho sem vínculo empregatício), no valor de R$ 29.475.74, conforme DARF recolhido em 07/03/2005, cópia às fls. 31. 2) Em 13/05/2008, o pedido de restituição foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 109, com base no Parecer Saort n° 10820/313/2008, às fls. 107/108. O referido Despacho Decisório denegou o pedido da contribuinte sob o entendimento de que houve concomitância de objeto com a propositura de ação judicial, importando em renúncia à instância administrativa em relação à mesma matéria. 3) Em 15/05/2008, cientificada de tal negativa, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 111, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 113/187, contestando a decisão administrativa. 4) Em 17/06/2008, conforme despacho de fls. 189, tendo em vista a manifestação de inconformidade, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJRibeirão Preto para prosseguimento. 5) Em 17/06/2008, conforme despacho de fls. 189, tendo em vista a manifestação de inconformidade, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJRibeirão Preto para prosseguimento. 6) Em 15/09/2010, através do Acórdão 1744.4713 da 3ª Turma da DRJ/SP2, fls. 191 a 197, o Despacho Decisório da SAORT/ATA de fls. 109 foi ANULADO por que "não tomou conhecimento do mérito do pedido de restituição por considerá lo, equivocadamente, ser caso de concomitância com ação judicial". O processo foi devolvido à SAORT desta DRF para ciência à contribuinte e elaboração de nova decisão. [...] Fl. 478DF CARF MF 4 DO PEDIDO INICIAL 8) A interessada informa, em seu pedido original de fls. 01/03, que: 8.1) "É quotista da Sociedade de advogados Cacildo Baptista Palhares, CNPJ 02.649.967/000124, e que, conforme contrato social de fls. 07/24, "pertencem a essa sociedade os valores recebidos pelos serviços advocatícios prestados pelos seus sócios integrantes", como consta da cláusula sexta, parágrafo primeiro, do contrato social" (fl. 10); 8.2) "É a sociedade beneficiária dos rendimentos consistentes nos honorários da condenação do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, nos autos do processo n" 94.08035143, de ação de repetição de indébito da autoria de Agropecuária Hugo Arantes Ltda. e outros, que tramitou pela 2ª Vara da Justiça Federal de Araçatuba (SP). Esses honorários foram pagos pelo valor de R$ 108.722,99 em 07/03/2005."; 8.3) "Apesar do direito inconteste da sociedade aos honorários, o MM. Juiz do feito renitiu em deferirlhe o levantamento do dinheiro, sob o argumento, puramente de cunho processual, de que não havia procuração em seu favor nos autos do processo, conforme despacho de fl. 25. Tal entendimento contraria jurisprudência já firmada, inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme fls. 28/29"; 8.4) "Diante dessa negativa, os advogados integrantes da sociedade preferiram não recorrer, "para evitar que o dinheiro da sociedade permanecesse indisponível por longos anos, visto que na Justiça Federal há incontáveis processos a cargo do escritório com mais de 10 (dez) anos sem decisão."; 8.5) "Com a resignação dos advogados, ante a referida ação judicial, foi efetuado o pagamento dos honorários conforme alvará de levantamento de fls. 30, em favor da contribuinte, com a retenção do Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 29.475,74."; 8.6) "A Sociedade de Advogados, por sua vez, na condição de beneficiária dos rendimentos, incluiu em sua receita o total levantado, de R$ 108.722,99 e pagou todos os tributos incidentes, conforme documentos de fls. 32/35."; 8.7) Em tendo sido pagos pela pessoa jurídica, efetiva titular do rendimento, todos os tributos incidentes, e em face da retenção do imposto de renda na fonte, houve duas tributações sobre o mesmo valor, uma na pessoa jurídica e outra na pessoa física integrante da pessoa jurídica. Dado que o rendimento de R$ 108.722,99 pertencia à pessoa jurídica, foi indevida a retenção do Imposto sobre a pessoa física."; 8.8) "Que, Diante disso, VANESSA MENDES PALHARES respeitosamente requer de V. Exa, com fundamento no artigo 165 do Código Tributário Nacional, a restituição do valor retido indevidamente, atualizado pela taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao da retenção."; Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 4 5 9) A interessada protocolou, ainda, às fls. 36 a 39, um aditamento ao seu pedido de restituição, em razão de fatos supervenientes, acrescentados os seguintes argumentos: 9.1) "Conforme petição pessoalmente despachada com o MM. Juiz e documentos que a acompanharam, que estão sendo juntados por cópia, apresentada em processo em que figuram como patronos advogados membros da Sociedade de Advogados Cacildo Baptista Ralhares, em novo caso de levantamento de depósito judicial referente a honorários sucumbenciais decretados contra o Poder Público foi autorizado o levantamento em favor da sociedade". 9.2) "O referido pedido foi formulado com base em Acórdão recentemente proferido pela Corte Especial do E. Superior Tribunal de Justiça, que pacificou a questão, deixando definitivamente assentado o entendimento de que a sociedade de advogados tem o direito de levantar o valor dos honorários da sucumbência." 9.3) "O requerimento foi acatado de plano, sem maiores considerações: "Defiro a expedição do Alvará de Levantamento em favor da Sociedade de Advogados Baptista Palhares. Isso obviamente diante da pá de cal que o E. Superior Tribunal de Justiça jogou sobre o caso, dispensando fundamentos a favor ou contra a pretensão deduzida." 9.4) "O presente aditamento na verdade nem precisaria estar sendo efetuado, porque o deferimento ou indeferimento judicial do pedido de levantamento em nome da sociedade de advogados não interfere com o pedido administrativo de restituição do imposto indevidamente pago." 9.5) "A questão perante a Justiça Federal é se a sociedade de advogados, embora sendo a destinatária dos honorários da condenação judicial, tem ou não tem legitimidade processual para realizar o seu levantamento. O MM. Juiz da E. Segunda Vara da Justiça Federal de Araçatuba, nos autos do processo nº 94.08035143, entendeu que a sociedade não tinha essa legitimidade processual, por não existir nos autos instrumento de mandato em seu favor, e por isso não deferiu a ela o levantamento." 9.6) "A sociedade, para evitar a interposição de recurso de agravo de instrumento que poderia levar anos para ser julgado, preferiu aceitar o levantamento em nome da quotista, e dela receber em repasse o valor líquido, depois de descontado o Imposto de Renda na fonte, e posteriormente o valor da restituição a ser requerida pela sócia". 9.7) "O fato de o dinheiro haver sido levantado por advogado que integra a sociedade não faz dele o titular do rendimento, pois esse dinheiro pertence à sociedade, conforme disposto no instrumento do contrato social. No caso, tendo a advogada sócia repassado o valor que levantou à sociedade que integra, como estava obrigada sob pena de incorrer em crime de apropriação Fl. 480DF CARF MF 6 indébita, e tendo a sociedade oferecido o valor recebido à tributação, cabe à sócia o direito indiscutível de reaver o Imposto de Renda que lhe foi retido na fonte, quando do levantamento". 9.7) "O fato de o dinheiro haver sido levantado por advogado que integra a sociedade não faz dele o titular do rendimento, pois esse dinheiro pertence à sociedade, conforme disposto no instrumento do contrato social. No caso, tendo a advogada sócia repassado o valor que levantou à sociedade que integra, como estava obrigada sob pena de incorrer em crime de apropriação indébita, e tendo a sociedade oferecido o valor recebido à tributação, cabe à sócia o direito indiscutível de reaver o Imposto de Renda que lhe foi retido na?, fonte, quando do levantamento". 9.8) "Isto posto, a requerente pede que as razões que deduziu com sua anterior petição sejam consideradas em conjunto com as contidas nesta, instruída com os documentos que anexa por cópia, e reitera seu pedido de repetição do indébito". 10) Após ter sido indeferido o pedido de restituição pelo Parecer Saort n° 10820/313/2008 de fls. 107/108, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 113/124, onde repetiu os argumentos trazidos no seu pedido original e expôs adicionalmente o seguinte: 10.1) "A sociedade de advogados de que participa e que em petição de fls. 149/164 está se insurgindo contra a decisão, protocolizou em 23/04/2008 pedido de restituição dos tributos que pagou sobre os mesmos honorários de sucumbência que serviram de base ao imposto de renda que foi retido da interessada"; 10.2) "Sem atentar para os injustos e ilegais efeitos que resultariam de sua ilógica decisão sobre o pedido feito em ordem sucessiva pela sociedade, a autoridade da estação arrecadadora limitouse a afirmar, na própria decisão de interesse da recorrente, que a pessoa jurídica deveria ter formulado sua pretensão por meio de 'Pedido Eletrônico de Restituição (PER/DCOMP), pela internet, com apresentação da prova do pagamento indevido"; 10.3) "O procedimento, inusitado e inapropriado para o caso, que a decisão recomendou para a sociedade, seria para a interessada, porque a excluiria da ordem sucessiva em relação ao pedido da advogada que integra seu quadro social. A sociedade já pagou os tributos incidentes sobre a receita que auferiu e sua pretensão maior é a de que seja deferido o pedido de sua sócia integrante. Por outro lado, se para evitar essa situação a sociedade esperasse a decisão final no processo da advogada de seu quadro social, por certo seu direito seria alcançado pela decadência." "Para a recorrente, o procedimento recomendado na decisão seria igualmente prejudicial, pois, se a pessoa jurídica pedir a restituição pela internet e obtiver deferimento, fica o pedido principal formulado por ela recorrente, prejudicado. Também não deve ter passado pela cabeça da autoridade local que seria inadmissível e reputado Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 5 7 como atitude de máfé a apresentação simultânea dos dois pedidos de restituição, feitos por dois diferentes contribuintes que conhecem todos os fatos e a respeito não poderiam alegar ignorância, versando esses pedidos o mesmo objeto. E sendo assim, ela não poderia ter feito essa recomendação. De modo que a qualidade de sucessivo do pedido formulado pela sociedade de advogados não poderia ter sido ignorada, sendo imperioso admitir que a questão não foi objeto da merecida reflexão por parte da autoridade local."; 10.4) "Não é correta a afirmação feita no despacho decisório de fls. 107/109 de que houve no processo judicial sentença sobre a questão versada neste processo, pois o que ocorreu foi mera decisão interlocutória, que poderia ter sido objeto de recursos de agravo de instrumento e não de agravo retido, vez que as questões do processo estavam todas decididas, com trânsito em julgado, tanto que já estavam sendo levantados os honorários de sucumbência"; 10.5) "A argumentação copiada do art. 469 do Código de Processo Civil é impertinente e fora de foco em relação à questão versada nos presente autos"; 10.6) "Sobre a alegação de inaplicabilidade do art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, por se tratar de tributo devido em virtude de decisão judicial, não se concebe tal argumento, pois seria o mesmo que o contribuinte alegar que não poderia ter incidido o imposto de renda na fonte, pois a lei não fala em renda auferida em virtude de decisão judicial"; 10.7) "nessa parte, demonstrou que negou porque quis negar, certamente pelo fato de a requerente haver reclamado do retardamento da apreciação de seu pedido, pois para ensejar o direito de restituição, o art. 165 do CTN fala apenas em cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior do que o devido"; 10.8) "Por fim, relativamente à motivação reproduzida na alínea 'd', de que ignorar decisão judicial seria ofender preceitos da Constituição Federal, é outro caso de palmar impertinência, dado que não existiu a referida sentença a que se reporta a autoridade, e que a negativa do juiz em deferir o levantamento da quantia à sociedade de advogados, além de afrontar o entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, última instância na matéria, prendeuse a motivo de ordem meramente processual que não tem o poder de retirar o direito do contribuinte à restituição do que lhe foi indevido retido"; 10.9) "a autoridade recorrida se esquivou de apreciar os verdadeiros fundamentos nos quais está assentado o seu pleito;" Antes de emitir juízo sobre o pedido apresentado pela recorrente, a SAORT faz um resumo das alegações apresentadas e discorre ainda sobre procedimentos adotados pela sociedade de advogados a que pertence o sujeito passivo, com vistas a requerer, em ordem Fl. 482DF CARF MF 8 sucessiva, restituição de valores informados ao fisco em sua declaração, que sobre os quais teria sido também tributada. O pedido foi indeferido pela SAORT/ARAÇATUBA/SP, conforme Despacho Decisório de fls. 347/348: DESPACHO DECISÓRIO EMENTA: A interessada não comprova haver cumprido as condições exigidas pela Lei n.° 8.906/94 (Estatuto da OAB) para a expedição de alvará de levantamento de honorários advocatícios e sucumbenciais em nome da sociedade de advogados da qual é sócia. As condições necessárias à expedição de alvará pleiteado em nome da Sociedade de Advogados não ocorreram. Conforme disposto na Solução de Consulta n° 402 SRRF08/DISIT de 09/11/2009, para que a retenção de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre os honorários advocatícios (contratuais e sucumbenciais), recebidos em razão de decisão judicial, seja efetuada pela instituição financeira responsável em nome da pessoa jurídica da sociedade de advogados, devem ser observados os requisitos constantes do §3° do art.15 da Lei n° 8.906/94 (Estatuto da OAB) e haver contrato firmado entre o autor da ação e a sociedade de advogados, ou, ainda, constar dos autos do processo judicial o substabelecimento da causa para a pessoa jurídica (sociedade de advogados), pelo advogado da causa. Ainda, o Juízo da Segunda Vara Federal de AraçatubaSP indeferiu a expedição de alvará de levantamento dos honorários em nome da Sociedade de Advogados, por não ter sido constituída nos autos e determinou a expedição do alvará de levantamento em favor da interessada, conforme consta no Expediente N°. 889, publicado no Diário Oficial do Estado DOE, na edição de 23/11/2004. Tratase de decisão judicial interlocutória, definida pelo art. 162, § 2o , do Código de Processo Civil, em que o juiz decidiu sobre a questão. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. A sentença ou decisão interlocutória pesa tanto sobre o contribuinte como sobre a administração pública, sendo de observância obrigatória. O julgador administrativo não pode esquivarse de cumprir a determinação judicial citada. PEDIDO INDEFERIDO. Além disso, a decisão também determina o sobrestamento do pedido da pessoa jurídica, Sociedade Cacildo Baptista Palhares, até que haja decisão administrativa definitiva quanto ao pedido da sócia Vanessa Palhares, indeferido no item anterior A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade por meio do documento de fls. 352/393 na qual relata todas as fases anteriores do processo, bem como outras alegações acerca do despacho decisório que denegou seu pedido de restituição. Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte em referida manifestação, reproduzse o trecho correspondente do Acórdão nº 1258.419 da 5ª Turma da DRJ/SP2: 1 nulidade do despacho decisório, pois o Parecer SAORT e o Despacho Decisório emprestam um caráter sacrossanto à decisão interlocutória, pela qual o juiz simplesmente resolve Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 6 9 uma questão incidente surgida no processo, e se apóiam nela como sendo algo que afasta toda e qualquer possibilidade de questionamento a respeito do tema que versa, como se essa decisão tivesse o poder de excluir até mesmo o direito de o administrado discordar de exigência fiscal; 2 embora tenha se resignado com a retenção do imposto em seu nome, não aceita sofrer a tributação, pois sabe, como demonstrará nesta petição, que é juridicamente impossível que possa figurar no pólo passivo da relação tributária que deu azo à retenção na fonte. Mas uma coisa é sofrer retenção, e outra, bem diversa, é ser, ao final de regular procedimento tendente a constituir o crédito tributário, ser reconhecida como o sujeito passivo (contribuinte) da relação tributária que ensejou a retenção; 3 retenção na fonte não é ato constitutivo de crédito tributário. A retenção na fonte foi determinada pela autoridade judicial exclusivamente para efeito de a Justiça desobrigarse do valor que mantinha em depósito por força da lide. O juiz elege aquele que lhe parece ser o titular do direito ao valor depositado, e se a quantia representar renda, determina retenção na fonte. Essa retenção não constitui lançamento tributário, e muito menos lançamento definitivo; 4 equivocase o digno parecerista, visto que é verdade consabida que decisão interlocutória não faz coisa julgada. Esse tipo de decisão, tomada pelo juiz no curso do procedimento, serve para resolver questão incidente ocorrida no andamento do processo, a teor do § 2º do artigo 162 do Código de Processo Civil; 5 no item 27, página 11 de 15, insiste: 27) Vêse, portanto, que, nos documentos apresentados, a interessada não comprova que houve indicação da sociedade de advogados de que faz parte." Essa visão focalizada do ilustre parecerista está impedindo que ele veja a questão por um ponto de vista mais abrangente, equívoco em que incorreu igualmente a nobre autoridade que, acolhendo o Parecer, proferiu o Despacho Decisório; 6 a autoridade recorrida quer emprestar à decisão interlocutória força de coisa julgada, o que somente ocorre quando se trata de sentença, e sentença definitiva, a que julga o mérito do pedido; 7 o que o MM. Juiz fez foi presumir que a advogada Vanessa era a beneficiária da renda representada pelos honorários advocatícios da sucumbência; 8 não existe dúvida de que o fato gerador é de obrigação de pagar imposto de renda em razão de recebimento de honorários advocatícios; 9 em 16 de dezembro de 1994 foi protocolizada a petição inicial da ação em que houve a condenação do INSS ao pagamento dos honorários advocatícios a que se refere o levantamento do Fl. 484DF CARF MF 10 dinheiro. As procurações e os instrumentos de contratos de prestação serviços firmados entre as empresas litisconsortes na ação e o advogado Cacildo Baptista Palhares, OAB (SP) n° 102.258, são de setembro de 1994; 10 a ação judicial de repetição de indébito que gerou os honorários advocatícios da condenação do INSS transitou em julgado em 11 de outubro de 1996, como se vê de fls. 4 da petição de 22 de setembro de 1998, de execução da r. sentença, assinada pelo advogado Cacildo Baptista Palhares (doc. 1). Portanto, esse trânsito em julgado definiu aquele que poderia vir a ser o beneficiário da renda representada pelos honorários advocatícios da condenação, e nessa época a reclamante nem mesmo era advogada; 11 o advogado Cacildo cedeu esse e todos os outros seus direitos relacionados com honorários advocatícios à sociedade de advogados; 12 a sociedade foi constituída por instrumento datado de 4 de junho de 1998, e dentro do prazo de trinta dias apresentado à OAB/SP para registro, de modo que os efeitos desse registro retroagiram à data do instrumento do contrato, de conformidade com as disposições do artigo 1.151 do Código Civil. Tinha então como sócios os advogados Cacildo Baptista Palhares e a reclamante, Vanessa Mendes Palhares; 13 no ato da constituição, o sócio Cacildo Baptista Palhares, que desde 1998 vinha em intenso trabalho de advocacia, cedeu à sociedade todos os seus direitos e créditos, por isso ficando com a participação majoritária, passando a pessoa jurídica a arcar com as despesas e a fazer jus a todos as receitas da atividade; 14 todos os fatos que dão ensejo ao direito de receber os honorários da condenação na ação contra o INSS ocorreram muitos anos antes de a reclamante ser advogada. Ela inscreveu se na Ordem dos Advogados do Brasil somente em 17 de fevereiro de 1988, como já comprovado. E em 4 de junho de 1988 veio a integrar a sociedade de advogados. Assim, quando se inscreveu na OAB o direito aos honorários já estava incorporado pelo advogado Cacildo Baptista Palhares, que cedeu esse direito à sociedade, por isso ficando com participação majoritária no capital social; 15 a reclamante nunca fez jus a esses honorários, e, portanto, se se admitir que existe pessoa física que possa ser considerada titular desses rendimentos, não será ela, jamais. Mas não existe, visto que os honorários foram cedidos à sociedade por quem sobre eles tinha direito; 16 a lei não permite que a reclamante seja a contribuinte, conforme art. 129, da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005; 17 os doutos Julgadores da Delegacia de Julgamento têm nos autos todos os dados necessários a deferir o pedido quanto ao mérito. Por isso, a intenção da impugnante é que não declarem a nulidade do Despacho Decisório, se entenderem que podem julgar favoravelmente à impugnante. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 7 11 A DRJ/SP2 considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se extrai da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. No pagamento de honorários de sucumbência, o sujeito passivo da obrigação tributário é o advogado patrono da parte vencedora (art. 23, da Lei 8.906/94). Não cabe transferir essa obrigação para a sociedade de advogados, porquanto as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 436/464) no qual se ocupa em repisar todo o histórico de tramitação do processo administrativo, acrescentando o que segue: a) com a edição da Lei nº 11.196/2005 (art. 129), não poderia a autoridade lançadora ter dúvida de que contribuinte da renda em causa é a sociedade de advogados. Cita o art. 50 do Código Civil, referenciado no art. 129 da Lei nº 11.196/2005; b) o lançamento não pode ser efetuado contra a recorrente, mas, levandose em conta que o crédito tributário não foi efetuado ainda, e a Lei nº 11.196/2005 foi convertida da Medida Provisória n° 255, de 1º de julho de 2005, publicada em 4 de julho de 2005, desde então não poderia a autoridade lançadora ter dúvida de que contribuinte da renda em causa é a sociedade de advogados; c) como até o momento não foi efetuado lançamento contra ela, se a decisão final for de que é a contribuinte, não haverá tempo de o lançamento ser realizado, pois está prestes a operarse a decadência do direito de lançar. Então a Fazenda terá que deferir o pedido de restituição da pessoa jurídica e devolver à pessoa física o que lhe foi retido, por falta do lançamento tributário; d) Não houve lançamento contra ninguém, relativamente ao recebimento, em 7 de março de 2005, dos honorários da sucumbência, e, em relação a ele, está Fl. 486DF CARF MF 12 extinto o direito de a Fazenda em constituir crédito contra quem quer que seja; e) mas a Fazenda nada perdeu, graças ao procedimento correto de quem na verdade é o contribuinte: a sociedade de advogados, que reconheceu a receita e a ofereceu à tributação tempestivamente, mas do inusitado indeferimento do pedido de restituição da advogada que integra seu quadro social, pediu também a restituição, de modo subordinado ao indeferimento do pedido de restituição da recorrente; f) a DRJ/SP2 apreciou o mérito, expressamente reconheceu defeitos do Despacho Decisório da DRFB/SAORT, mas não o anulou. Transcreve os termos da decisão recorrida que diz justificar sua asserção: Nesse ponto, a autoridade fiscal responsável pelo Despacho Decisório se equivocou a dar tratamento de coisa julgada a mera decisão interlocutória no processo que gera apenas efeitos inter partes, não produzindo coisa julgada material perante terceiros. g) a decisão recorrida mereceria ser anulada, se não devesse ser julgada improcedente; h) omitiuse o julgador recorrido quanto à arguição do defeito no Despacho Decisório da DRFB/SAORT, nem mesmo se referindo ao pedido, que a recorrente lhe fez, para anular o ato do Chefe da SAORT/Araçatuba; i) aduz que: i) se o único fundamento contido no Despacho Decisório da SAORT para negar o pedido de restituição foi o de que a exigência fiscal havia sido efetuada pela autoridade judicial; ii) se o objeto do recurso foi exclusivamente esse entendimento da autoridade de Araçatuba, e iii) se a autoridade da Delegacia de Julgamento entendeu incorreto tal entendimento, a conclusão é que não tinha mais o que julgar; j) o recurso devolve à instância superior toda a matéria questionada, mas não mais do que toda a matéria, pois o julgador não observou o revelho princípio sintetizado no brocardo latino tantun devolutum quantum appellatum; l) A DRJ proferiu decisão extra petita. Afinal, o pedido da recorrente foi para anular a decisão de primeira instância, pelo motivo que invocou, e o julgador, que expressamente reconheceu esse motivo, ou teria que anular a decisão recorrida, ou decidir em favor da recorrente. Cita o § 2º do art. 249 do antigo CPC; m) reproduz argumentos que fundamentaram a decisão da DRJ/SP2 e terce comentários a seu respeito: Fundamento 1: · o Código Tribunal Nacional CTN exige dois requisitos para que se tenha direito à restituição do tributo pago. Primeiro, o caput do art. 165 define que é o sujeito passivo da obrigação tributário o titular desse direito, portanto, o único com legitimidade para requerêlo; e, segundo, é necessário que tenha havido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. · O art. 121, do Código Tributário Nacional, define o sujeito passivo da obrigação principal como a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e seu parágrafo único, I estabelece que o sujeito passivo é o contribuinte quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 8 13 Comentários da recorrente: · consoante a raciocínio desenvolvido no voto condutor do julgado, foi o advogado Cacildo Baptista Palhares quem realizou o fato gerador, o qual teria ocorrido com o recebimento da quantia em 7/3/2005, mas do sujeito passivo da relação tributária não seria a pessoa, física ou jurídica, que efetivamente recebeu a quantia a título de honorários. · anotese neste passo que a identificação do advogado Cacildo como contribuinte não foi cogitada nem pela autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araçatuba (SP), que denegou o pedido de restituição, e nem pela recorrente na petição dirigida ao órgão julgador recorrido. Fundamento 2: · o fato gerador foi o pagamento dos honorários de sucumbência no anocalendário de 2005. Definido o fato gerador do imposto, cabe identificar quem é o sujeito passivo dessa obrigação e, por consequência, o titular dos direitos sobre esses honorários advocatícios. Comentários da recorrente: · esse argumento somente teria alguma validade, alguma aplicação ao caso, se fosse para concluir que a recorrente é ou não é a contribuinte, porque, sendo, a hipótese justificaria o indeferimento do pedido de restituição; não sendo, não justificaria. Isso porque o ponto a ser resolvido nos autos deste processo é exatamente esse, de a recorrente ser ou não ser a contribuinte com relação ao valor do depósito judicial levantado. A conclusão, certa ou errada, a que chegou a turma julgadora, de que contribuinte não é a recorrente, exigiria o deferimento da restituição requerida. Fundamento 3: · com base nos arts. 121 e 165 do CTN e na Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), que estabelece que os honorários são do advogado, e tendo em vista que o advogado patrono da causa da qual se originou o direito à sucumbência foi Cacildo Baptista Palhares, é essa a pessoa física que tem direito à repetição do indébito. Comentários da recorrente: · segundo essa proposição, os honorários advocatícios da condenação não pertencem à sociedade de advogados, como defende a recorrente, e sim aos profissionais que integram o quadro social. Entretanto, uma sociedade de advogados, assim como toda e qualquer sociedade uniprofissional, tem receita advinda do trabalho de seus sócios integrantes. · se os honorários são dos advogados e não da sociedade, como é que a Receita Federal acolhe os pagamentos feitos mensalmente dos diversos tributos que essas sociedades entendem devidos? E por que razão de quando em vez as repartições fiscais intimam Fl. 488DF CARF MF 14 ou impõem restrições ante o mais singelo fato que lhe pareça ser infração a obrigação tributária a cargo dessas sociedades? E por que não se tem notícia de qualquer procedimento fiscal questionando a tributação da receita dessas sociedades? · o Estatuto da Ordem, ao dizer em seus arts. 22 e 23 que o advogado tem direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento e aos da sucumbência, não importa se ele recebe esse horários diretamente ou por meio da sociedade de que participa. Cita DecretoLei nº 406/1968, o qual, segundo defende, corroboraria tais assertivas; Fundamento 4: · o advogado Cacildo Baptista Palhares podia, como de fato pode, dispor livremente de seus direitos, inclusive com relação a esses seus honorários, os quais, segundo se alega, foram cedidos à pessoa jurídica. Entretanto, o art. 123, do Código Tributário Nacional determina que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. O contrato social da Sociedade de Advogados Cacildo Baptista Palhares que previu a cessão dos honorários de seus sócios não pode suplantar a definição legal de sujeito passivo. Comentários da recorrente: · por esse quarto fundamento, o julgador diz reconhecer o direito do advogado Cacildo em transferir seus créditos contingentes à sociedade, mas não aceita os efeitos que resultam dessa transferência. Logo, na verdade não reconhece esse direito. · na interpretação dos membros da Delegacia de Julgamento, o advogado pode transferir para a sociedade que ajudar a constituir todos os seus direitos de créditos por trabalhos profissionais que estiver prestando, direitos efetivos ou contingentes, mas terá que pagar os tributos que incidirem sobre as futuras receitas. · Entretanto, se a constituição de sociedade uniprofissional não é proibida, e é permitida, reconhecida, como elas iriam atender suas despesas operacionais se não tiverem receita? E como ficaria a situação dos demais integrantes da sociedade de advogados em relação ao sócio majoritário, em relação ao Fisco? · no caso do imposto de renda, a tributação, inclusive quanto às contribuições sociais e sobre o lucro líquido, é feita na sociedade uniprofissional, e o lucro que for por esta distribuído aos seus sócios integrantes não será tributado. Fundamento 5: · a interessada como não é o sujeito passivo da obrigação e como não sofreu a retenção indevida do imposto não é a titular do direito de restituição. Um erro no preenchimento do DARF não pode modificar a definição do sujeito passivo. Nesse ponto, a autoridade fiscal responsável pelo Despacho Decisório se equivocou a dar tratamento de coisa julgada a mera decisão interlocutória no processo que gera apenas efeitos inter partes, não produzindo coisa julgada material perante terceiros. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 9 15 Comentários da recorrente: · a questão submetida à apreciação da Delegacia de Julgamento foi se a recorrente, advogada que levantou o valor dos honorários da condenação, é ou não é o sujeito passivo da obrigação tributária principal seja, obrigação de pagar o imposto sobre a renda representada por esse valor liberado pela Caixa Econômica Federal em atendimento a ordem judicial. É ela que tem de ser dirimida. · quem recebeu o dinheiro, ou seja, a recorrente, não recebeu por engano, mas por ordem judicial, proferida em decisão interlocutória. E para receber, identificouse, pelo nome, número de seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil, número de inscrição no Cadastro da Pessoa Física do Ministério da Fazenda, e tudo o mais que diz respeito ao ato dessa envergadura, como a identificação do processo judicial, a ordem de levantamento, a identificação de quem irá receber e a conta em que estava depositada quantia. · impossível a ocorrência do erro cogitado, de troca de número de CPF, ou do dado que for, no documento de arrecadação. · o prolator do voto entendeu não somente que o mero erro no preenchimento do DARF não pode modificar a definição do sujeito passivo, mas foi além: extraiu desse erro, criado pela sua imaginação, um quimérico corolário, sobre ocorrência de outro fato, relacionado com outro contribuinte, fato e personagem que até então nem mesmo haviam sido objeto de cogitação nos autos do processo. Fundamento 6: · resta claro que o titular dos direitos sobre os honorários é Cacildo Baptista Palhares, sendo apenas ele o sujeito passivo da obrigação tributária correspondente. · o caso é de obrigação pelo pagamento do imposto sobre a renda representada pela receita efetivamente recebida pela sociedade de advogados. Esse efetivo recebimento resultou de um dos créditos virtuais, contingentes, que ela, por cessão, recebera de um dos sócios quando de sua constituição. Recebera os processos na situação em que se encontravam e arcou com as despesas de sua condução, ficando com a possibilidade de recebimento de receitas de honorários da condenação da parte contrária. · o montante formado pelos contingentes honorários de condenação que recebesse, e pelos demais honorários referentes aos serviços prestados pelos advogados do escritório, diminuído esse montante das despesas que suportasse, a sociedade distribuirá entre os sócios, na proporção das quotas de cada um. O advogado Cacildo, que era o dono do escritório antes da formação da sociedade e que entrou com as maiores contribuições para a formação desta, ficou com a participação Fl. 490DF CARF MF 16 majoritária. De modo que o dinheiro levantado em 7 de março de 2005 pertencia à sociedade, desde 1998, quando foi constituída. · mas para o julgador recorrido, contribuinte em relação ao levantamento do depósito judicial é o advogado Cacildo Baptista Palhares, que vinha atuando sozinho na ação, a qual transitara em julgado em 11 de outubro de 1996. · ante o que foi dito acima, “lei não permite que a recorrente seja a contribuinte", a decisão não poderia deixar de reconhecer que, no caso, contribuinte é a sociedade de advogados. · assim, deixando de lado o absurdo dessa tese e da indevida ingerência da autoridade julgadora administrativa nas deliberações sociais e nos seus efeitos com relação à sociedade e aos sócios, o que importa na questão em debate, quanto ao mérito, assim entendido o direito ao deferimento, ou não, do pedido de restituição do valor retido, é que a recorrente, pela decisão ora objurgada, foi expressamente reconhecida como não sendo a contribuinte com relação ao valor do depósito judicial levantado. · diante desse reconhecimento, a autoridade julgadora recorrida somente poderia ter julgado favoravelmente à contribuinte, deferindolhe a restituição. Por fim, solicita que i) seja decretada a nulidade da decisão, ou ii) deixe o Colegiado de se pronunciar sobre qualquer nulidade se, no mérito, entender que pode julgar o processo a seu favor; e iii) no mérito, julgue improcedente a decisão recorrida, pelos fundamentos deduzidos na parte do recurso voluntário atinente às questões meritórias. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 10 17 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminar de Nulidade Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que é absolutamente pacífico na jurisprudência deste Conselho que o julgador não está adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado, sendo necessário que ele, para formar sua convicção, também considere os fatos revelados por meio dos elementos de prova carreados aos autos e a legislação que rege a matéria. No mesmo sentido é o entendimento recentemente sedimentado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ, consubstanciado no Recurso Especial nº 1.537.996/DF, de 28/6/2016 ao estabelecer que “O juiz não está adstrito a nomes jurídicos nem a artigos de lei indicados pelas partes, devendo atribuir aos fatos apresentados o enquadramento jurídico adequado.” Vejamos o teor da ementa do julgado: EMENTA RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INTERPRETAÇÃO LÓGICOSISTEMÁTICA DOS PEDIDOS FORMULADOS NOS AUTOS. 1. Se os fatos narrados na peça preambular e a causa de pedir ajustamse à natureza do provimento conferido à parte autora pela sentença, não cabe falar em julgamento extra petita, tampouco em contrariedade ao art. 460 do CPC. 2. O juiz não está adstrito a nomes jurídicos nem a artigos de lei indicados pelas partes, devendo atribuir aos fatos apresentados o enquadramento jurídico adequado. Aplicação do brocardo da mihi factum, dabo tibi ius. 3. Recurso especial conhecido e provido. Da análise das questões acima relatadas, verificase que a decisão de primeira instância administrativa, embora sob fundamentos diversos daqueles aduzidos pela autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba / SAORT, detevese à solicitação de restituição elaborada pela parte requerente, julgando improcedente sua Manifestação de Inconformidade e mantendo o indeferimento do pedido. Assim, na mesma linha de raciocínio empreendida no REsp nº 1.537.996, entendo que, ao revés do que consta no recurso voluntário, “Se os fatos narrados na peça Fl. 492DF CARF MF 18 preambular e a causa de pedir ajustamse à natureza do provimento conferido à parte autora pela sentença, não cabe falar em julgamento extra petita, tampouco em contrariedade ao art. 460 do CPC”. Desta feita, afasto a preliminar de nulidade. Mérito Com base nos elementos que constam dos autos, o advogado Cacildo Baptista Palhares celebrou contrato de prestação de serviços com a empresa Agropecuária Hugo Arantes Ltda., em 29/9/1994 (vide procuração de fl. 285), com o fim de representála em ação repetição de indébito proposta contra o Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Conforme descrito nas peças recursais apresentadas, referida ação teria “transitado em julgado em 11 de outubro de 1996, dado que a decisão final foi publicada em 11 de setembro de 1996”. Em 4/6/1998, Cacildo Baptista Palhares e Vanessa Mendes Palhares constituíram uma sociedade de advogados denominada “Sociedade de Advogados Calcildo Batista Palhares”, levada a registro na Ordem dos Advogados do Brasil em 20/7/1998. Em 23/4/1999, Cacildo Baptista, por meio de termo de substabelecimento, conferiu à recorrente poderes para atuar, dentre outras, na ação movida por Agropecuária Hugo Arantes Ltda em face do INSS (vide doc. de fl. 291). Posteriormente, foi peticionado no processo judicial nº 94.08035143 que o levantamento dos honorários sucumbencias fosse expedido em nome da sociedade integrada por Cacildo e Vanessa. Entretanto, em decisão publicada em 23/11/2004 (doc. de fl. 44) o pedido foi indeferido nos seguintes termos: 94.08035143 . AGROPECUÁRIA HUGO ARANTES LTDA E OUTROS (ADV. SP102258 CACILDO BAPTISTA PALHARES) X INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS (PROC LUIS FERNANDO SANCHES) Fls. 1100/1102: indefiro. Este juízo não pode determinar a expedição de Alvará de Levantamento em favor de sociedade de advogados não constituída nos autos. Fls. 1115/1119: expeçase alvará de levantamento em favor do advogado devidamente constituído nos autos (procurações às fls. 22/26). Após, arquivemse os autos. Int. Em face dessa decisão, por certo, interlocutória, foi expedido o Alvará de Levantamento em nome da Recorrente em 7/3/2005 (fl. 49) com valores descritos da seguinte forma: alvará, R$ 96.930,31; correção, R$ 12.615,30; e IR retido à alíquota de 27,5%, R$ 29.475,74. Além disso, foi recolhido, também em 7/3/2005, o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, conforme Documento de Arrecadação – DARF de fl. 50. Em 15/3/2005, portanto, após o levantamento dos honorários, foi registrado na Ordem dos Advogados Instrumento de Alteração Contratual da Sociedade de Advogados Cacildo Baptista Palhares (fls. 24/40) do qual consta do Parágrafo único da Cláusula Décima quarta (fl. 38) que “A partir de sua constituição, pertencerão à sociedade as receitas e os custos referentes aos trabalhos executados pelos sócios, inclusive os referentes a trabalhos em andamento, ou já concluídos mas não recebidos”. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 11 19 A despeito de tudo isso, a sociedade de advogados, a pretexto de se tratar da titular dos direitos sobre referidas verbas de sucumbências, diz têlas informado como receitas na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ (fls. 311/321) do anocalendário 2005, e recolhido, em separado, os tributos correspondentes. Para corroborar as alegações acerca dos recolhimentos, apresentou os comprovantes de fls. 51/54. Em razão dos procedimentos adotados pela pessoa jurídica, a requerente aduz que teriam ocorrido duas tributações sobre idêntica verba, uma na sociedade de advogados, pelo regime de Lucro Presumido, e a outra na pessoa física, sócia da pessoa jurídica, com a retenção na fonte. Defende ainda que, com o contrato constitutivo da sociedade de advogados, Cacildo Baptista Palhares teria cedido esses créditos para a pessoa jurídica, tornandoa, por conseguinte, a contribuinte do imposto. O Pleito da recorrente foi indeferido, mediante Despacho Decisório da SAORT/DRF/Araçatuba em razão de entendimento segundo o qual: A interessada não comprova haver cumprido as condições exigidas pela Lei nº 8.906/94 (Estatuto da OAB) para a expedição de alvará de levantamento de honorários advocatícios e sucumbenciais em nome da sociedade de advogados da qual é sócia. As condições necessárias à expedição de alvará pleiteado em nome da Sociedade de Advogados não ocorreram. [...] Ainda, o Juízo da Segunda Vara Federal de AraçatubaSP indeferiu a expedição de alvará de levantamento dos honorários em nome da Sociedade de Advogados, por não ter sido constituída nos autos e determinou a expedição do alvará de levantamento em favor da interessada [...]. Tratase de decisão judicial interlocutória, definida pelo art. 162, § 2º , do Código de Processo Civil, em que o juiz decidiu sobre a questão. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. A sentença ou decisão interlocutória pesa tanto sobre o contribuinte como sobre a administração pública, sendo de observância obrigatória. O julgador administrativo não pode esquivarse de cumprir a determinação judicial citada. A DRJ/SP2, por seu turno, buscou subsídios nos elementos trazidos aos autos, nos arts. 165, I e 121 do CTN e nos arts. 21, 22, 23, 24, 25 e 26 do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil para concluir que os honorários de sucumbência pertencem ao advogado e que, no caso aqui analisado, o detentor desse direito foi patrono da causa Cacildo Baptista Palhares. Ainda de acordo com a Delegacia de Julgamento: Como os honorários de sucumbência são devidos ao advogado da causa e como na data do trânsito em julgado da decisão judicial nem ao menos havia sido constituída a sociedade, resta claro que o titular dos direitos sobre os honorários é Cacildo Fl. 494DF CARF MF 20 Baptista Palhares, sendo, apenas ele o sujeito passivo da obrigação tributária correspondente. Assim, ele deveria ter oferecido à tributação em sua Declaração de Ajuste do anocalendário 2004 esses rendimentos, cabendo compensar o correspondente imposto de renda retido na fonte que ora se pleiteia a restituição. A compensação do imposto de renda retido na fonte seria plenamente possível, pois bastaria um simples pedido de retificação de DARF para corrigir o CPF e o nome do beneficiário do rendimento. Nesse passo, o Colegiado a quo decidiu por manter o indeferimento do pedido por entender que, como a requerente não se revestia da condição de sujeito passivo da obrigação tributária e nem sofreu retenção indevida, não seria ela a titular do direito à restituição do tributo. Aponta ainda a DRJ/SPO2 que a “autoridade responsável pelo Despacho Decisório se equivocou por dar tratamento de coisa julgada a mera decisão interlocutória que somente produz efeito inter partes, não produzindo coisa julgada material perante terceiros”. Antes de adentrar a discussão sobre as questões afetas à decisão interlocutória que deu ensejo à discussão travada até aqui, convém apurar se, diante das situações retratadas nos autos, a sociedade de advogados pode ser alçada à condição de titular do direito aos honorários de sucumbência e, por via de consequência, de contribuinte do imposto. Entendo que não. Uma análise mais atenta da cronologia dos fatos exaustivamente narrados pela própria recorrente e das provas por ela trazidas ao processo administrativo demonstram a impossibilidade de ocorrência de tal hipótese. Senão vejamos: a) 29/9/1994 Cacildo Baptista Palhares celebrou contrato de prestação de serviços com a empresa Agropecuária Hugo Arantes Ltda; b) 11/10/1996 – a ação referida no item “a” transita em julgaldo; c) 4/06/1998 – Cacildo e Vanessa Palhares constituem sociedade de advogados; e) 23/04/1999 – Cacildo Baptista, por meio de termo de substabelecimento, conferiu à recorrente poderes para atuar na ação movida por Agropecuária Hugo Arantes Ltda em face do INSS; f) 23/11/2004 – o Poder Judiciário indefere pedido quanto a emissão de alvará de levantamento dos honorários sucumbenciais em nome da sociedade de advogados constituída por Cacildo Palhares e a recorrente; g) 7/3/2005 – os honorários foram levantados pela recorrente e houve o recolhimento do IRRF, com DARF preenchido em nome da recorrente; h) 15/03/2005 – levouse a registro, na OAB, instrumento de alteração contratual da sociedade integrada pela recorrente, com previsão de que “A partir de sua constituição, pertencerão à sociedade as receitas e os custos referentes aos trabalhos executados pelos sócios, inclusive os referentes a trabalhos em andamento, ou já concluídos mas não recebidos”. Ora, como Cacildo Baptista poderia ter doado para a pessoa jurídica um valor recebido antes da alteração da cláusula contratual que previu tal possibilidade se a própria cláusula é expressa no sentido de que essa hipótese somente alcançaria os valores ainda não recebidos? Esse fato, por si só, é suficiente para que se possa concluir que a Sociedade de Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 12 21 Advogados Calcildo Batista Palhares não era a detentora do direito aos honorários sucumbenciais, tampouco a contribuinte do imposto. Certamente, essa foi uma das razões que levou o Poder Judiciário a indeferir o levantamento de referidos valores em nome da sociedade. Nesse contexto, não vejo qualquer traço de lógica nas asserções feitas no recurso voluntário de que, com a edição da Lei nº 11.196/2005 (art. 129), não poderia a autoridade lançadora ter dúvida de que o contribuinte da renda em causa seria a sociedade de advogados. Referida lei foi publicada em 22/11/20051 e, assim sendo, não tem aplicabilidade com relação a fatos ocorridos antes dessa data (no caso, o levantamento dos honorários ocorreu em 7/3/2005). Ainda que fosse possível identificar aspectos processuais no art. 129 da Lei nº 11.196/2005 que permitissem a aplicação retroativa de referido dispositivo, este somente aproveita a prestação de serviços por sócios em nome de determinada sociedade. No caso, está mais do que comprovado que os serviços que redundaram no pagamento dos honorários foram prestados por pessoas físicas, e em nome próprio. Quanto à alusão feita ao art. 50 do Código Civil, não enxergo qualquer correlação com as questões aqui tratadas, visto não se ter identificado nos autos evidências quanto a abuso de personalidade jurídica. No que se refere às desnecessárias inferências contidas no recurso voluntário para desqualificar a decisão de primeira instância administrativa, como, por exemplo, de que é Difícil acreditar que um técnico pertencente aos quadros da Receita Federal do Brasil, como são todos os julgadores das Delegacias de Julgamento da Receita Federal, não saiba que uma sociedade de advogados, assim como toda e qualquer sociedade uniprofissional, tem receita advinda do trabalho de seus sócios integrantes. Talvez a recorrente ainda não tenha conseguido compreender, mas as decisões proferidas tanto pela Justiça Federal quanto pelos órgãos integrantes da estrutura da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SAORT / Araçatuba e DRJ/SP2) são no sentido de que não houve prestação de serviços pela sociedade e, dessa forma, toda essa perfunctória conceituação sobre o que vem a ser ou como funciona sociedade civil, sociedade uniprofissional etc, lugarcomum até entre os iniciantes nas práticas jurídicas, em nada agrega para a solução do litígio. Decerto, a decisão a quo não descuidou de tais conceito, tampouco deslembrou que, em se tratando de serviços efetivamente prestados em nome de sociedade de advogados, as obrigações tributárias recaem sobre a pessoa jurídica. Contudo, repitase, esse não é o caso retratado nos autos, não havendo que se falar em indevida ingerência da autoridade julgadora administrativa nas deliberações sociais ou nos seus efeitos com relação à sociedade ou aos sócios. Além disso, com relação à decisão interlocutória que indeferiu o levantamento dos honorários pela pessoa jurídica, discordo de posicionamentos tendentes a diminuir a 1 Há que se esclarecer que, embora a Lei nº 11.196/2005 tenha sido fruto da conversão da Medida Provisória nº 255, de 1º/7/2005, o art. 129 dessa Lei não constava da redação original dessa Medida Provisória. Assim, diferentemente do que aspira a recorrente, a vigência do art. 129 somente se deu em 22/11/2005, data de publicação da Lei. Fl. 496DF CARF MF 22 importância de tais sentenças que, à época dos fatos, encontravam previsão no art. 162, caput e § 2º do antigo Código de Processo Civil CPC: Art. 162. Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. [...] § 2º Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente. Por óbvio, esse tipo de julgado é adotado para resolução de questões incidentes surgidas no curso do processo. É certo que as decisões interlocutórias, como a que indeferiu o pedido da recorrente, podem ser desconstituídas, mas para isso existiam meios apropriados. In casu, a alteração dessa decisão deveria ter sido pleiteada perante o próprio juízo, por meio de agravo, conforme previa o art. 522 do CPC à época vigente. Entretanto, diante da negativa em relação ao seu pedido inicial, a reclamante preferiu não recorrer da decisão sob o argumento de “evitar que o dinheiro da sociedade permanecesse indisponível por longos anos, visto que na Justiça Federal há incontáveis processos a cargo do escritório com mais de 10 (dez) anos sem decisão”. Não restam dúvidas de que, diante da inércia da recorrente, a decisão interlocutória fez coisa julgada em relação ao seu pedido e não vejo como minimizar a conclusão nela suscitada de que o “juízo não pode determinar a expedição de Alvará de Levantamento em favor de sociedade de advogados não constituída nos autos. Aliás, mesmo sem estar entre aqueles que, nas palavras da recorrente, “emprestaram caráter sacrossanto à decisão interlocutória”, não vejo como, pela via administrativa, olvidar dessa sentença, ainda mais contra todas as evidências presentes nos autos de que não houve prestação de serviços por sociedade de advogados que pudesse dar azo ao recebimento, por essa, das verbas sucumbências objeto da retenção. Com efeito, tendo sido os serviços, dos quais sucederam os honorários sucumbência, prestados pelas pessoas físicas que atuaram na causa judicial, é dessas pessoas físicas, e somente delas, a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações tributárias decorrentes e, neste ponto, discordo do entendimento contido na decisão atacada de que Cacildo Baptista Palhares seria o único titular dos honorários, pois, mesmo tendo atuado somente após o trânsito em julgado do objeto principal da ação, a recorrente Vanessa Palhares também empreendeu esforços para o recebimento dessas verbas, tanto assim que elas foram depositados em conta bancária aberta em seu nome. Pois bem, como houve destaque e retenção de imposto de renda em relação aos honorários depositados na conta bancária da recorrente, deveria essa repassar a parte pertencente a seu sócio, se fosse o caso, e informar em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA o quantum que lhe cabia, assim como o valor correspondente à retenção do imposto na fonte. Do mesmo modo, Cacildo Baptista Palhares precisaria também informar em sua DAA a quantia por ele recebida e, como não foi alvo de retenção, recolher o imposto de renda incidente sobre referida parcela. Tivessem agido dessa forma, e feito prova disso nos autos, não pairariam dúvidas sobre o direito à restituição. Não obstante, preferiu a recorrente atribuir os rendimentos por ela recebidos à sociedade de advogados a que pertencia, com o exclusivo intuito de se valer indevidamente de Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10820.000924/200529 Acórdão n.º 2402005.775 S2C4T2 Fl. 13 23 tributação mais favorecida, não apresentando qualquer indício de prova de que teria repassado parte desses valores à pessoa física de Cacildo Palhares. Desse modo, não vejo como atribuir a mais ninguém, total ou parcialmente, esses rendimentos, ou seja, como os honorários de sucumbências pagos à requerente não pertencem à sociedade de advogados, tampouco houve por comprovado seu repasse total ou parcial a qualquer outra pessoa física que tenha atuado na causa judicial, entendo não haver como desconsiderar as informações contidas no DARF de fl. 50, o qual decorreu da decisão judicial que autorizou o levantamento da verba sucumbencial e indica que a requerente é o sujeito passivo da obrigação tributária. Consta ainda da peça recursal que “Não houve lançamento contra ninguém, relativamente ao recebimento, em 7 de março de 2005, dos honorários da sucumbência, e, em relação a ele, está extinto o direito de a Fazenda em constituir crédito contra quem quer que seja”. Mais uma vez equivocase a recorrente. Explico: O Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF é sabidamente um tributo sujeito a lançamento por homologação consoante preceitua o art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. [...] O art. 128 do CTN, por seu turno, estabelece a possibilidade de a lei atribuir a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador, a responsabilidade pelo crédito tributário, in verbis: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Em vista da disposição contida no art. 128 do CTN, o art. 46 da Lei nº 8.541/1992 definiu que o IRPF “incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário”. Confirase: Fl. 498DF CARF MF 24 Art. 46. O imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário. § 1° Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de: I juros e indenizações por lucros cessantes; II honorários advocatícios; III remuneração pela prestação de serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2° Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês de pagamento. Em vista das disposições legais reproduzidas acima, verificase não haver grandes dificuldades em se compreender (a despeito das enfáticas alegações, em contrário, contidas no recurso voluntário) que o crédito tributários foi regularmente constituído. Vejase que houve antecipação do pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, mediante a retenção do imposto de renda na fonte e, posteriormente, essa autoridade, ao indeferir o pedido de restituição por meio do Despacho Decisório de fls. 347/348, reconheceu a legitimidade do lançamento homologandoo de conformidade com o disposto no caput do art. 150 do CTN. Por todas essas razões, concluo pela impossibilidade de reconhecimento do direito à restituição. Conclusão Ante o exposto voto no sentido de CONHECER, afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910538/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.700
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 38 /2 01 2- 74 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.910538/201274 Acórdão n.º 3302003.700 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.566. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10480.910538/201274 Acórdão n.º 3302003.700 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10480.910538/201274 Acórdão n.º 3302003.700 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 216DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.002355/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO.
Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA.
A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004.
A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no §5º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, então vigente.
A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa.
A norma contida no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17, da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3402-003.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculado o direito creditório da contribuinte com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto deram provimento em maior extensão para reconhecer o direito ao crédito da atividade cerealista após a Lei nº 11.196/2005, às exclusões da base de cálculo e à correção pela taxa Selic. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Everdon Schlindwein, OAB/PR nº 80.356.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no §5º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 55 /2 00 9- 72 Fl. 463DF CARF MF 2 A norma contida no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17, da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculado o direito creditório da contribuinte com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto deram provimento em maior extensão para reconhecer o direito ao crédito da atividade cerealista após a Lei nº 11.196/2005, às exclusões da base de cálculo e à correção pela taxa Selic. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Everdon Schlindwein, OAB/PR nº 80.356. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre análise de PER/DCOMP's para ressarcimento de valores credores de PIS/Pasep não cumulativo vinculados à receita do mercado interno não tributada (isenção, alíquota zero e não incidência), relativamente aos períodos do 1º ao 4º trimestres de 2005, apurados com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 464 3 A autoridade administrativa emitiu Despacho Decisório, mediante o qual reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte no valor global de R$8.249,47 e indeferiu os pedidos de ressarcimento quanto à importância de R$ 734.544,56, glosada pela fiscalização. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. não tendo resultado base de cálculo tributável, o crédito apurado não pode ser rateado com a receita do mercado interno tributada, devendo, portanto, ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; a cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial; o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008, razão pela qual a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública; os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. Os argumentos da impugnante foram acolhidos parcialmente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: As receitas auferidas pela pessoa jurídica, em decorrência de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela incidência, com alíquota zero ou de bens do ativo permanente, por não integrarem a receita bruta mensal sujeita à incidência não cumulativa, base de cálculo para a aplicação e recolhimento das respectivas alíquotas não cumulativas, também não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa utilizado na definição do percentual para o método do rateio proporcional, porque, de fato, sobre referidas receitas não há incidência e recolhimento efetivo da contribuição. Essas receitas também não integram o montante da receita bruta total, auferidas em Fl. 465DF CARF MF 4 cada mês, para efeito de estabelecimento do percentual existente entre ambas as receitas, a ser aplicado na apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. O aproveitamento do crédito presumido na apuração do valor da contribuição pela sistemática da não cumulatividade se restringe às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, não sendo possível ampliar a definição do termo produzir trazido pela legislação para a atividade de beneficiamento, ou seja, atividade de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos, entendese correto o posicionamento da Fiscalização para o período alcançado pela auditoria fiscal. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido do estoque de abertura, verificada a legislação pertinente, entendese que tem razão a manifestante, devendo o Órgão de origem adotar os necessários procedimentos para efetivar o ressarcimento do direito creditório reconhecido (valores constantes dos demonstrativos anexados ao processo nº 11070.002350/200940 (fls. 171/182). Consoante as anotações feitas no Termo de Constatação Fiscal e planilhas anexas, foram procedidos ajustes que visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento por parte da cooperativa, estando de acordo com a legislação em vigor. Ademais, as exclusões foram admitidas proporcionalmente ao montante utilizado para formação da base de cálculo de cada espécie de receita (créditos vinculados a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e nãoincidência e exportação), donde correto entendimento do agente fiscal. Tratandose de ressarcimento de contribuição não cumulativa, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente determina que, nessa hipótese, não há que se falar em atualização monetária ou em incidência de juros sobre os respectivos valores. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 20/06/2013, por via postal, tendo apresentado o recurso voluntário em 08/07/2013, repisando os argumentos de primeira instância e acrescentando outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas 5) Previsão legal para incidência da Selic É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 465 5 Consta que a contribuinte é uma sociedade cooperativa agropecuária, sujeita ao regime da não cumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins, que atua no ramo de recebimento de produtos agrícolas dos associados e terceiros; de fornecimento de insumos agrícolas aos associados; de comercialização de produtos agropecuários e sementes, de fábrica de rações e de moinhos de milho e trigo; bem como no ramo de supermercados. 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Fl. 467DF CARF MF 6 Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 466 7 (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon Mensal Semestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa do PIS e da COFINS, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à Fl. 469DF CARF MF 8 incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos Entende a recorrente que a cooperativa teria direito aos créditos nesse período, em conformidade com o art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 467 9 da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) No entanto, a norma genérica, que permite a manutenção dos créditos nas vendas com suspensão, não derroga a norma específica que veda expressamente o crédito presumido para as pessoas especificadas, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 340101.255 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 28 de fevereiro de 2011, em votação unânime: (...) Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004), traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra específica. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, por essas cooperativas, em ralação a vendas com tributação suspensa, não tributadas ou isentas. (...) Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM Entendeu a fiscalização autuante que: "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos Fl. 471DF CARF MF 10 de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [redação original] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 468 11 natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) A partir de então, não mais há a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Alega a recorrente que teria direito a crédito presumido já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, sob a modalidade de beneficiamento. Ocorre, no entanto, que a fiscalização concedeu o crédito presumido para esse período nas atividades em que a contribuinte atuou efetivamente como agroindústria, somente excluindo as atividades de cerealista da empresa, na qual exerceu cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados no inciso I do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, conforme extrato abaixo do Termo de Constatação: (...)Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade de agroindústria. O crédito presumido apurado pela fiscalização na COTRISA se refere ao valor das transferências internas de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) para a industrialização na fábrica de ração e nos moinhos de milho e trigo. Das transferências realizadas para fábrica de ração excluímos a transferência de farelo de Fl. 473DF CARF MF 12 soja (produto industrializado), cujo crédito foi apurado quando da aquisição de pessoas jurídicas. As diferenças dos créditos presumidos residem no fato da contribuinte considerar as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos agrícolas in natura (soja, milho e trigo), como atividades de produção, apurando o correspondente crédito presumido com base no caput do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, quando para a fiscalização as atividades realizadas pela contribuinte, para deixar os produtos agrícolas recebidos dos associados e adquiridos de terceiros (não associados) em condições de comercialização, estão descritas literalmente no inciso I do § 1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004 e não no caput do mencionado artigo como pretende a contribuinte. Com relação ao alegado processo de industrialização por "beneficiamento" dos grãos, entendo que ele não se caracteriza como industrialização, como bem esclarecido pelo Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento em voto vencedor no Acórdão nº 3302 003.301– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 23 de agosto de 2016, abaixo transcrito: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: (...) ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. VOTO VENCEDOR (...) Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010) [também no RIPI/2002 vigente à época dos fatos deste processo], porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Mas, independentemente da abrangência do termo "pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias (...)", veiculado pelo caput do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, é certo que dentre essas pessoas não se incluem aquelas especificadas no §1º desse dispositivo, expressamente ressalvadas da dedução do crédito presumido pelo §4º do art. 8° da Lei nº 10.865/2004. De forma que não assiste razão à recorrente no pleito do crédito presumido sobre as atividades especificadas no §1º do dispositivo. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 469 13 No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, previstos nos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, por opção do legislador ordinário, o seu aproveitamento pode ser apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Fl. 475DF CARF MF 14 O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 470 15 Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3o. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Assim, no que concerne ao crédito presumido, nada há a reformar na decisão recorrida. 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas Alega a recorrente que teria direito às exclusões da base de cálculo tributável pleiteadas sem nenhuma condicionante, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e art. 11 da IN SRF nº 635/2006, que assim dispõem: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Ios valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; IIIas receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IVas receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Vas receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; IIserão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a Fl. 477DF CARF MF 16 identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; VI exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos, na hipótese de apuração das contribuições no regime cumulativo; e VII dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: I na comercialização de produtos agropecuários realizados a prazo, assim como aqueles produtos ainda não adquiridos do associado, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e, II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 4º O disposto no inciso VII do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso VII do caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 7º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 471 17 § 8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. § 9º A dedução de que trata o inciso VII do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subseqüentes. A fiscalização considerou indevidas algumas parcelas das exclusões da base de cálculo tributável das contribuições pela cooperativa, nesses termos: (...) 10.1 Repasse aos Associados Analisando o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, verificamos que tal dispositivo autorizou excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa. A interpretação que temos desse dispositivo é que nas operações em que foi excluída a integralidade da receita, por se tratar de venda sujeita a suspensão do PIS e da COFINS ou exportação, não há que se falar em excluir os valores repassados aos associados, proporcional a essas receitas, tendo em vista que a base de cálculo do PIS e da COFINS foi zerada pela exclusão da integralidade da receita. Considerando que na venda de produtos agrícolas com suspensão ou exportação a receita foi integralmente excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, os repasses aos associados, foram ajustados pela fiscalização, permitido a exclusão do repasse aos associados, proporcional, a receita de venda de produtos agrícolas, somada a receita de venda de bens de fabricação própria tributadas no mercado interno, pela soma da receita total da venda de produtos agrícolas com a venda de bens de fabricação própria. 10.2 Venda de Mercadorias aos Associados (...) Período: agosto/2004 a dezembro/2008 A partir do mês de agosto/2004 os insumos e sementes vendidos aos associados tiveram as alíquotas para o PIS e a COFINS reduzidas a zero, portanto, a receita foi excluída a título de venda de mercadorias alíquota zero, tendo anulado (zerado) as bases de cálculo da venda de mercadorias aos associados. (...) as bases de cálculo do PIS e da COFINS foram zeradas pela exclusão da receita sujeita a alíquota zero, não tendo como excluir outra vez, pois, irá afetar a base de cálculo da receita dos demais setores sujeitos a tributação. Com isto, estamos glosando o valor das mercadorias aos associados a partir do mês de agosto/2004, haja vista a contribuinte ter informado na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, tratarse de venda de insumos e sementes que tiveram as alíquotas para o PIS e COFINS reduzidas a zero. 10.3 Receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. (...) Em nenhum aspecto da legislação verificamos que a legislação autorizou a exclusão da receita de venda de produtos industrializados pela cooperativa, a título de receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. Fl. 479DF CARF MF 18 Na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, a contribuinte informa que os valores das receitas excluídas a título de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados é originária da comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, por sua conta e risco, adquiridos dos associados. 10.4 Custos Agregados (...) os mesmos somente podem ser considerados se existe base de cálculo tributável pelo PIS e COFINS, no mesmo sentido do valor dos repasses aos associados. O valor do custo agregado foi ajustado de forma proporcional à receita de venda de produtos agrícolas tributados pelo PIS e COFINS. (...) Como se observa no trecho acima, no caso do Repasse aos Associados, Vendas de produtos aos associados e Custos agregados, essas exclusões da base de cálculo das contribuições, específicas das cooperativas, somente são permitidas se a cooperativa apresentar base de cálculo positiva após as exclusões da receita bruta. Conforme já tinha esclarecido a fiscalização à contribuinte no Termo de Intimação nº 001, "Caso a receita bruta da cooperativa tenha sofrido exclusões com base no que determina a legislação que trata das isenções do PIS e da Cofins nas operações de venda no mercado externo (exportação); venda com suspensão, alíquota zero e substituição tributária das mencionadas contribuições, não há que se falar nas exclusões específicas aplicadas às cooperativas (art. da MP 2.15835/2001 e art. 17 da Lei nº 10.684/2003), pois, se a base de cálculo foi zerada não há mais o que ser excluído". No caso, a contribuinte efetuou as exclusões da base de cálculo específicas para as cooperativas sem levar em consideração que já tinha excluído da receita bruta as receitas de exportações e as receitas de venda de produtos com suspensão, alíquota zero ou substituição tributária; ocorrendo a exclusão em duplicidade das mesmas receitas, tanto na receita bruta total como na base de cálculo das contribuições. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização. Quanto à exclusão da receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados, ela não foi permitida, pois conforme informado pela própria contribuinte, na verdade, tratavamse de receitas obtidas na comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, o que não encontra amparo na legislação, nem no inciso IV (receitas de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado) ou no inciso II (receitas de vendas aos associados) do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, nem em outro dispositivo legal. De forma que não cabe reforma na decisão recorrida nesta parte, relativamente às exclusões das bases de cálculo das contribuições. 5) Previsão Legal para a incidência da Selic Por fim, alega a recorrente que os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei, que assim dispõem: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 472 19 Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, parcialmente transcrito abaixo, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há a vedação expressa de atualização monetária na lei, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do Fl. 481DF CARF MF 20 rateio proporcional adotado por ela para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 473 21 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia para divergir da Ilustre Relatora acerca de dois pontos de seu voto. I) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM A partir de Agosto/2004, entendeu a fiscalização autuante que "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 Fl. 483DF CARF MF 22 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (...) A partir de então, segundo a fiscalização, não haveria mais a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Ocorre, todavia, que um ponto específico não foi enfrentado pela fiscalização e que é normativamente relevante para a qualificação da Recorrente: a alteração do conceito de cerealista pela Lei nº 11.196/2005, cujo dispositivo do art. 63 entrou em vigor a partir de 22/12/2005. O dispositivo alterou o conceito de cerealista para excluir a atividade de secar como requisito cumulativo para esta qualificação jurídica, passando a ser necessário que a cooperativa exerça apenas as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar, cumulativamente. Desse modo, a empresa que realizar outras atividades além das quatro mencionadas no art. 63 da Lei nº 11.196/2005, se enquadraria não mais no conceito de cerealista, mas sim no de agroindústria, fazendo jus ao crédito pretendido pela Recorrente. Neste caso, a empresa realiza atividade de secagem, o que lhe garante, frente à Lei mencionada, a condição de empresa agroindustrial. Nesse sentido, menciono os acórdãos do TRF4 na Apelação nº 500780019.2013.404.7104/RS e Apelação nº 5005427 12.2013.404.7105/RS, neste último se afirmouse: As atividades desenvolvidas pela impetrante de limpeza, secagem, classificação e armazenagem de produtos in natura de origem vegetal enquadramse no conceito de empresa agroindustrial ao beneficiar os grãos que exporta, fazendo jus, por consequência, ao ressarcimento do crédito presumido, apurado na forma do artigo 8º da Lei 10.925/2004. Assim, a partir da data de 22/12/2005, a Recorrente passou a se enquadrar não mais na condição de cerealista, mas sim na de empresa agroindustrial, com fundamento no art. 63 da Lei nº 11.196/2005, fazendo jus, como reconhecido pela fiscalização, ao crédito presumido a partir desta data. Em razão disso, minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora cingese apenas quanto ao reconhecimento do direito do Recorrente aos créditos após 22/12/2005. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11070.002355/200972 Acórdão n.º 3402003.980 S3C4T2 Fl. 474 23 II) Previsão Legal para a incidência da Selic Alega a recorrente que os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. Por sua vez, a Ilustre Relatora negou tal pretensão afirmando a existência de obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. Data vênia, entendo que tal leitura dos dispositivos está equivocada. A restrição legal à atualização diz respeito ao período entre a apuração do crédito e o mês de seu aproveitamento, exclusivamente, não abrangendo o período posterior em que o ressarcimento fica obstado pela resistência ilegítima da fiscalização. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no EAg 1.220.942/SP, nos seguintes termos: “Desse modo, a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada “resistência ilegítima” exigida pela Súmula n. 411/STJ. Sendo assim, realinhei a minha opinião no sentido de reconhecer o direito à correção monetária dos créditos por ressarcimento desde o protocolo dos pedidos administrativos, devendo ser aplicados os índices que constam do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, inclusive a taxa Selic” De fato, não faria sentido o contribuinte ser penalizado em seu crédito em razão de discordância da fiscalização que, ao final do processo administrativo, se mostrou infundada. Sem a incidência da SELIC sobre este crédito, seu valor seria dilapidado ao longo do às vezes extenso período de duração do PAF. Portanto, parece que a interpretação mais consentânea com a sistemática de aproveitamento de créditos e com o respeito ao direito do contribuinte é aquela que estende a Fl. 485DF CARF MF 24 restrição do art. 13 da Lei nº 10.833/2003 apenas ao período entre a apuração do crédito e o pedido de ressarcimento. Uma vez solicitado o ressarcimento, o ônus econômico do tempo não pode recair sobre o contribuinte. Assim, voto pela incidência da SELIC sobre o valor do crédito a partir da data de apresentação do pedido de ressarcimento. (Assinatura Digital) Carlos Augusto Daniel Neto Conselheiro Fl. 486DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.008806/2003-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados.
CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada.
Numero da decisão: 2201-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 06 /2 00 3- 88 Fl. 452DF CARF MF 2 demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o auto de infração de fls. 10/12 acompanhado da planilha de fls. 09, dos demonstrativos de fls. 13 e 14 e do Termo de Constatação de fls. 04/08, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano calendário de 1998, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 94.078,24, sendo: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 2201003.461 S2C2T1 Fl. 3 3 Imposto R$ 36.726,36 Juros de Mora R$ 29.807,11 Multa proporcional R$ 27.544,77 Conforme descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, às fls. 11/12, a exigência decorreu de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Constatação que faz parte do auto de infração. No referido Termo de Constatação, às fls. 04/08, consta em resumo o seguinte: A presente ação fiscal foi decorrente de outra procedida no contribuinte Odécio Toratti, CPF n.º 045.335.07808, onde este informou que sua movimentação bancária teve origem na exploração agrícola em imóveis rurais em condomínio do qual a sra. Iracy faz parte; (...) Cabe salientar que esta Turma realizou o julgamento do processo n.º 10830.008804/200399 decorrente da mesma ação fiscal (contribuinte Odécio Toratti), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido No que concerne à impugnação, narra o relato da Delegacia de Julgamento a sustentação por parte do contribuinte das seguintes alegações: a) decadência; b) nulidade do lançamento; c) inexistência de omissão; e d) a necessidade de arbitramento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Fl. 454DF CARF MF 4 FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigida mensalmente, à medida que os rendimentos fosse sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, anual estabelecido pela Lei n° 8.134/90, qual o fato l gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de oficio, O prazo de cinco anos para Constituir crédito tributário é contado do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter si efetuado. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos causas apontadas no art. 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que posteriormente à ocorrência do fato gerador obrigação, tenha instituído novos critérios apuração ou processos de fiscalização, ampliando poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correpondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Lançamento Procedente. Posteriormente, dentro do lapso temporal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reitera, em síntese, os argumentos dispostos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 2201003.461 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta do Termo de Verificação, a presente ação fiscal foi decorrente de fiscalização referente ao contribuinte Odécio Toratti (MPF 08104002002 004853), nos termos abaixo transcritos: 2) Conforme veremos a seguir, os rendimentos declarados são provenientes da exploração imóveis rurais em forma de condomínio, sendo os condôminos os Srs. ODÉCIO TORATTI, CARLOS TURAT ACÁCIO TORATTI e LUIZ TORATTI, NETO, e suas respectivas esposas MARL HENRIQUE TORATTI, ROSANGELA TURGANTI TURATI, ROSIMAR PAN TORATTI e IRACY BORDIGNON TORATTI. Cabe destacar que esta Turma julgou o recurso voluntário do contribuinte Luiz Toratti, em caso similar, decorrente da situação descrita (condomínio para exploração de imóveis rurais) inclusive com mesmos valores da exigência, mas não conheceu do recurso do contribuinte Odécio Toratti, pois apresentado intempestivamente. Considerando que, naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Carlos Pierre, utilizome das razões de decidir proferidas na sessão do dia 15 de fevereiro de 2016. De início, verifico que a contribuinte não recorre da parte do acórdão da DRJ que manteve a omissão de rendimentos de atividade rural; restando em litígio apenas a omissão de rendimentos em razão dos depósitos bancários de origem não comprovada. O interessado argumenta, preliminarmente, decadência do direito de a Fazenda constituir créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos antes de 17/11/1998. Cumpre destacar que a ciência do lançamento se deu em 17/11/2003 (e os depósitos considerados no lançamento ocorreram de janeiro a dezembro de 1998. Ora, o entendimento deste Conselho acerca da contagem de prazo decadencial em se tratando de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada já se encontra pacificada na Súmula CARF nº 38, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do interessada que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Rejeito, dessa forma, a preliminar invocada. Fl. 456DF CARF MF 6 Quanto ao mérito, insurgese o interessado contra a presunção que embasa o lançamento. Entende que caberia ao Fisco comprovar a utilização dos valores dos depósitos tidos como não explicados como renda auferida. Insta frisar que a matéria em questão já vem sendo apreciada por este Conselho desde longa data e o entendimento pacificado encontrase, atualmente, sumulado. Assim, confiramse o disposto na Súmula CARF nº 26, que afasta a tese do recorrente: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Prossegue o contribuinte defendendo que os rendimentos declarados por ele e os demais condôminos justificam plenamente toda a movimentação financeira, não podendo ser alegado qualquer omissão de receita. Ainda aduz que, estando as pessoas físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justificar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência perfeita de datas e valores. Reitero que não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Entretanto, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, todos os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte, seja a título de rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e receitas da atividade rural, transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos em bloco da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, salvo se demonstrada a incompatibilidade da questionada omissão de rendimentos com a percepção dos valores declarados, o que não se verifica no presente caso. Na DIRPF sob exame (fls. 150 e seguintes), observase que os recursos declarados restringemse a receita bruta total da atividade rural de R$ 177.171,32, haja vista que o rendimento tributável informado de R$ 27.734,20 corresponde ao resultado da atividade rural apurado pela diferença entre receita bruta da atividade rural e despesas de custeio e investimento. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 2201003.461 S2C2T1 Fl. 5 7 Aliás, o referido resultado (R$ 27.734,20) não foi aceito pela autoridade fiscal, eis que não considerou válido o livrocaixa apresentado. Por esse motivo, o rendimento tributável da atividade rural foi arbitrado à razão de 20% da receita bruta declarada (R$ 177.171,32), conforme o disposto no parágrafo 22 do artigo 18 da Lei 9.250/95, que resultou no valor de R$ 35.434,26 (Rendimento Arbitrado da Atividade Rural). Neste sentido, tendo em vista que a fiscalização tomou por base a receita bruta da atividade rural declarada, no importe de R$ 177.171,32, para proceder ao arbitramento do resultado da atividade rural sujeito à tributação, entendo que tais recursos restaram confirmados. Assim, foi tido como depósito não justificado do condomínio rural o importe de R$ 1.006.802,72 (um milhão, seis mil, oitocentos e dois reais e setenta e dois centavos), conforme planilha 06, que dividido entre os condôminos (oito), daria um valor de RS 125.850,34 (cento e vinte e cinco mil oitocentos e cinqüenta reais e trinta e quatro centavos) para cada um. A recorrente admite que a parcela de R$ 64.020,87 (R$ 512.167,01 dividido por 8 condôminos) da referida receita da atividade rural já foi levada em conta pela fiscalização no que diz respeito aos depósitos bancários considerados justificados durante o procedimento fiscal. Dessa forma, devese proceder a exclusão da parcela restante da receita da atividade rural declarada (R$ 113.150,45) da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada (R$ 125.850,34). Sobre a parcela que restar de depósitos de origem desconhecida (R$ 12.699,89), pede o recorrente a aplicação da legislação prevista para a atividade rural (tributação de 20% do montante). No seu inconformismo o suplicante alega, entre outras, que a única atividade que exerce é a de produtor rural. É de se levar em conta, que o nosso ordenamento jurídico prevê para o produtor rural que não possuir escrituração regular, a tributação via arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Não tenho dúvidas, que muitos entendem, que somente é passível de tributação pelo regime especial (atividade rural) os valores omitidos que comprovadamente através da apresentação de documentação hábil e idônea, decorressem da atividade rural. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em princípio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Não se pode esquecer que o direito tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Fl. 458DF CARF MF 8 Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como à jurisprudência administrativa e judicial a respeito da questão se vê que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. No caso vertente, o levantamento fiscal demonstra que o suplicante inquestionavelmente exerce a atividade rural, e que as receitas/rendimentos declaradas decorrem desta. Da análise dos autos, principalmente da Declaração de Ajuste Anual do exercício questionado, se constata, que as origens de recursos do contribuinte são originários da atividade rural e que todos os negócios desenvolvidos pela suplicante tem relação direta com a atividade rural. Em assim sendo, não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, por mera presunção, quando o contribuinte, como é o caso em questão, tem rendimentos tributáveis originados exclusivamente da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao principio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. O mesmo entendimento foi adotado em julgamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dos quais são exemplos aqueles materializados nos Acórdãos CSRF/04.00801 e CSRF/04.00802. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10830.008806/200388 Acórdão n.º 2201003.461 S2C2T1 Fl. 6 9 Assim sendo e considerando as suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a principio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, não procede à pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir o valor de R$113.150,45 da base de cálculo da infração referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, e para reduzir a base de cálculo do imposto a 20% da omissão de rendimentos que sobejar. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001885/2004-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Anocalendário: 2004
DECISÃO JUDICIAL. EXTENSÃO.
Não é possível ampliar o conteúdo de decisão judicial para abranger questões administrativas específicas que não foram objeto da ação judicial.
SIMPLES. EXCLUSÃO. ENSINO MÉDIO.
A Lei n.° 10.034/2000 apenas excluiu da restrição de que trata o inciso XIII, do art. 9°, da Lei n.° 9.317/96, as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creche, préescola
e estabelecimento de ensino fundamental,
não incluindo o ensino médio. Apenas a partir da edição da Lei
Complementar n° 128/2008 os estabelecimentos de ensino médio podem optar pela tributação na forma do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1803-000.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DECISÃO JUDICIAL. EXTENSÃO. Não é possível ampliar o conteúdo de decisão judicial para abranger questões administrativas específicas que não foram objeto da ação judicial. SIMPLES. EXCLUSÃO. ENSINO MÉDIO. A Lei n.° 10.034/2000 apenas excluiu da restrição de que trata o inciso XIII, do art. 9°, da Lei n.° 9.317/96, as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, não incluindo o ensino médio. Apenas a partir da edição da Lei Complementar n° 128/2008 os estabelecimentos de ensino médio podem optar pela tributação na forma do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 105 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “DO PEDIDO O processo tem origem no PEDIDO DE INCLUSÃO no SIMPLES, formulado pela Interessada, em epígrafe, que o protocolizou no CACTIJUCA, em 30/06/2004 (fl.01),instruído com a documentação de fls.02/12, ao amparo de sentença proferida pela MM. Juíza da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro, nos autos do Mandado de Segurança n° 99.00094069, impetrado pelo SINDELIVRE — Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, sob a alegação de pertencer à 1ª listagem dos substituídos de 1999, fl. 48, tendo anexado documentos comprobatórios aos autos. DO DESPACHO DA DERAT/DICAT — REGULARIZAÇÃO de DÉBITOS Em despacho do Supervisor de equipe da DIVISÃO de CONTROLE e ACOMPANHAMENTO TRIBUTARIO da DERAT/RJO, datado de 09/08/2006 (fl.48), consta que a interessada não poderia fazer parte do SIMPLES consoante os incisos XV e XVI, do art. 9°, da Lei n° 9.317/1996, encaminhando, a posteriori ao CAC — Tijuca, com a ressalva de que a mesma regularizasse os débitos de fls.35/44, e caso isto não fosse efetivado, implicaria no indeferimento de fl.01. DO MANIFESTO Em protesto acerca da solicitação de regularização das pendências proferida pela DERAT/DICAT/RJO (148), a interessada, regularmente intimada em 26/09/2006 (cfr. AR de fl.49/verso), protocolizou em 29/09/2006, no CAC TIJUCA, a sua insatisfação, haja vista situação referida, nos seguintes termos: a Inicialmente ressalta que houve erro da Receita Federal quando da digitação do imposto de renda da sócia Mercedes Verdugo Barreto Barbosa (CPF —316.037.69749), no ano base de 1999, que em lugar do valor declarado, conforme cópia em anexo, foi de R$14.000,00, e não R$140.000,00; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 106 3 b — Que a dita sócia, em 1994, quando ainda residia na rua Uruguai declarava em conjunto com o seu esposo (CPF — 316.343.11787), e mesmo após sua mudança para a rua Jacegual, continuou procedendo da mesma forma, assim declarando conjuntamente com a mesma pessoa até o ano base de 1997; c — A sócia, diz ela, que não reconhece o débito inscrito na Dívida Ativa da PGFN tendo em vista haver efetuado a sua 1ª declaração, em separado, a partir de 1998, e mesmo assim, tudo foi feito corretamente, tanto valores como o endereço, e só tomou conhecimento da dívida mediante o pedido de inclusão no SIMPLES da empresa da qual é sócia, acrescentando não ter recebido qualquer comunicação de irregularidade da minha declaração; d — Assim, pede a correção e a exclusão do débito inscrito na PGFN, e quanto às dívidas de fls.35/44, do Colégio Ícaro LTDA, afirma estarem providenciando a solução deste problema; (grifo da interessada) e — Solicita, por fim, a inclusão da interessada no SIMPLES. DO PEDIDO DE RETORNO PARA ANÁLISE DO PEDIDO À fl. 51 encontrase despacho do CAC — TIJUCA, pedindo o retorno do presente processo à DICAT/DERAT/RJ, a fim de que aquela divisão aprecie o manifesto, supradito, de fl.50/50v. DO INDEFERIMENTO PELA DICAT/DERAT Em análise do pleito de fl.01, da interessada, o mesmo foi indeferido pelo Supervisor de Equipe daquela divisão (fl.58), hajavista, como narra, pelos motivos abaixo listados, vejamos: • Em exame do seu Contrato Social (fl.02/10), verificouse que a mesma exerce atividade incompatível ao SIMPLES — ensino médio de supletivo, que não se trata de curso livre, de acordo com o art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. • Acrescentase, ademais, que a interessada, segundo pesquisa de fls.35/44, possui mais um impedimento, qual seja, o de ter 04 (quatro) débitos inscritos na Dívida Ativa da PGFN (IRPJ, Cofins e Contribuição Social), até o momento, afirmam, não regularizados. Tal situação, igualmente, torna inviável a opção ao sistema tributário simplificado segundo reza o art. XV, do mesmo diploma legal em referência. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Uma vez ter tomado ciência do indeferimento do seu pedido de inclusão no SIMPLES (verso de fl.58), em 05/06/2008, e irresignada por não ter sido atendida a contento, a Interessada entrou com uma "SRS — SOLICITAÇÃO DE REVISÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES", como no meu entender seria mais, propriamente, uma MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 107 4 (fls.63/66) e, assim, a protocolizou no CAC — TIJUCA/RJ em 27/06/2008, instruindoa com a documentação de fls.67/75, na qual assim se manifesta, ora resumida, como abaixo se reproduz, vejamos: • Preliminarmente expõe, que como sendo curso preparatório, optou pelo SIMPLES por ser sindicalizado ao Sindelivre, tendo o dito sindicato conquistado decisão judicial já transitada em julgado, em favor de todos os seus filiados. • Fez seu pedido inicial em 27/12/2001, que se encontra nos autos do pocesso n° 13710.003468/200181, o qual foi indeferido sob o argumento de que não estava substituído e associado ao sindicato à época da propositura da ação; • Inconformada, é claro, entrou com novo pedido em outro processo, neste que ora se analisa, baseado em fato novo, "a da decisão do Mandado de Segurança do Sindelivre/Rio estava pendente de julgamento, e em 23/05/06, foi julgado no Agravo n° 2005.02.01.01.33993 que definiu a questão assentando o seguinte entendimento em favor de todos os associados do Sindelivre/Rio. In fine a Ementa deste Acórdão: PROCESSO CIVIL — AGRAVO DE INSTRUMENTO — MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO — LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA — EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO O entendimento do julgado, esclarece, é de que o Sindicato tem o direito líquido e certo ao que foi requerido, já que a natureza do Mandado de Segurança se aplica a todos os associados do sindicato mesmo aqueles inscritos após o ajuizamento da ação, não restando, assim dúvidas acerca do seu direito, assevera, em optar pelo SIMPLES; A DERAT/RJO, quando da análise do novo pedido, aceitou o fato de a interessada ser atingida pelo writ, porém, indeferiuo sob o argumento de que esta não desempenhava atividade de curso livre, e sim de ensino médio de supletivo; • Quanto a atividade, há um evidente equívoco, pois exercia reconhecidamente, de fato e de direito, aquela de curso livre preparatório; • A questão do indeferimento foi, assevera, superada, pelo agravo de instrumento, no que caberá a sua inclusão no SIMPLES. DO DIREITO Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 108 5 • Não merece respaldo a alegação de que possui débitos, elencados neste processo, na Dívida Ativa da União, já que os mesmos, como reforça a interessada, já estão quitados, como demonstram os documentos anexados aos autos, e foram devidamente comprovados nos órgãos competentes; • Exercia, como bem explicita, por ocasião do pedido, a atividade de curso livre preparatório, entretanto, reclama, a DERAT fundamentou o indeferimento sob a alegação de que a interessada exercia a atividade de ensino médio; • Com a nova regra, afirma a interessada, estabelecida nos arts. 570 e 581, § 2°, da CLT, a filiação sindical é feita de acordo com a atividade preponderante da empresa, assim o Sindelivre/Rio abrange todas as empresas que trabalhem com cursos livres, dentre os quais o curso preparatório. DO RESUMO a0 pedido está amparado por decisão judicial em Agravo já transitada em julgado; bEmbora exercesse a atividade de ensino médio, sua atividade preponderante sempre foi a de curso livre preparatório; c 0 Sindelivre abrange em seu estatuto, ensino livre preparatório, o que já dá direito de filiação e beneficio à opção ao SIMPLES. DO PEDIDO Pelo exposto, requer seja acolhida a Sentença Transitada em Julgado, bem como as razões de fato e direito desta manifestação de inconformidade com o fito de ter a opção ao SIMPLES, com efeitos retroativos.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 91/93): a) A questão dos efeitos da decisão judicial sobre a abrangência, daqueles filiados ao Sindelivre amparados pelo Mandado de Segurança Coletivo, não está em discussão. b) O que faz parte da lide, no caso que se nos apresenta, é, primeiramente, o tipo de atividade desenvolvida pela interessada, e em seguida, as suas pendências (quatro inscrições, IRPJ, Cofins e Contribuição Social), com a PGFN. c) Mediante informações subtraídas do "Sistema da PGFN" (fls.80/83), as citadas pendências já foram pagas, e portanto fora de questionamento. d) O indeferimento da EQCOJ/DERAT/DICAT/RJ se fundamentou, agora, depois de terem sido sanadas as dívidas junto à Dívida Ativa da União (fls.80/83), tão somente, pelo tipo de atividade por ela desenvolvida (vide cláusula SEGUNDA, da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 109 6 ALTERAÇÃO CONTRATUAL DA FIRMA COLÉGIO ÍCARO LTDA, de fls.05/10), o que até o presente não foi por ela contraposta, mediante documentação hábil e idônea, como a alteração de seu ContratoSocial supracitado. e) Seria ônus da contribuinte trazer à colação ocumentação comprobatória demonstrando que só exerce aquelas permitidas pela legislação norteadora do sistema simplificado de tributação, como isto não ocorreu, não se pode permitir que a mesma ingresse no referido regime. f) Entendo que caberá à interessada afastar a presunção de impedimento ao dito regime, através da juntada de notas ficais que demonstre, efetivamente, que tipos de atividades são praticadas em seu estabelecimento. Entretanto, verifiquei que tal providência não foi tomada pela interessada quando apresentou sua manifestação de inconformidade (fls.63/66), que nada trouxe de tangível em seu favor, se reservando, tão somente, o direito de negar a prática da atividade, pivô de empecilho à participação no sistema tributário simplificado. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) A DRJ/RJ1 provavelmente desconhecia ao decidir pelo indeferimento que ocorreu um fato novo, se já não bastasse o trânsito em julgado do referido Writ , o sindicato interpôs Agravo de Instrumento sobre a questão da extensão da decisão aos filiados após o ajuizamento da ação. b) Tentar negar à requerente o direito de se beneficiar da decisão judicial já transitada em julgado alcançada pelo seu Sindicato, decisão essa que produz efeitos erga omnes, como decido no acórdão de 23/05/2006 transitado em julgado, data venia, se traduz em desrespeito à determinacão judicial contida no comando judicial reiterado nelo Tribunal Regional Federal, o que pode, inclusive vir a caracterizar ilícito penal de desobediência à ordem judicial. c) Cabe ressaltar, que o requerente tem direito a retroatividade da opção, que deve retroagir a 2004, quando foi levado à Receita o direito conquistado pelo seu sindicato através de processo administrativo n° 13710.001885/200431. d) A permanência do administrado no regime do SIMPLES garantida mediante provimento jurisdicional, que concedeu a segurança vindicada naquele remédio heróico, data venia, não pode ser afastada por mero ato administrativo, mas apenas cumprida, sob pena de se estar desrespeitando o mandamento judicial. e) A decisão é aplicável a todos os cursos livres que preencherem a única condição exigida: a de ser filiado. É o relatório. Voto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 110 7 Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 23/10/2008 (AR de fls. 96). Não está legível nos autos a data em que recurso foi protocolado. Como a delegacia de origem encaminhou o recurso a este Conselho sem qualquer ressalva, ele deve ser conhecido. A questão a ser dirimida no presente recurso é se a decisão judicial proferida no mandado de segurança n° 99.00094069, impetrado pelo SINDELIVRE — Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, deve ser aplicada ao presente processo administrativo. Como não consta dos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança, nem da sentença transitada em julgado, foi necessário recorrer ao sítio do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Nele encontramos a seguinte decisão do Juiz da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro (http://procweb.jfrj.jus.br/consulta/resconsproc.asp): Concluso ao Juiz(a) FLAVIO OLIVEIRA LUCAS em 05/10/2009 para Decisão SEM LIMINAR por JRJSMT Tratase de Mandado de Segurança Coletivo, impetrado por SINDELIVRE SINDICATO DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO LIVRE NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, contra o ato do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO, ajuizado em 02/04/1999, objetivando a suspensão dos efeitos dos atos declaratórios de exclusão do regime tributário do SIMPLES das empresas de cursos livres filiadas ao sindicato impetrante, fundamentados exclusivamente na sua atividade econômica. Em 05/07/1999, foi prolatada sentença (fls. 94/100), julgando procedente o pedido e concedendo a segurança, para declarar o direito liquido e certo do impetrante de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, atendidos os demais requisitos previstos no artigo 2ª da Lei 9.317/96. Interpostos embargos de declaração, foi integrada a sentença, para esclarecer que a segurança concedida beneficia os filiados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro (fls. 113/114). A sentença foi confirmada por Acórdão do TRF 2ª Região (fls. 151 e 230), o qual transitou em julgado em 27/08/2004 (fl. 494), esclarecendo que os estabelecimentos de ensino de cursos livres não são sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentadas, profissionais liberais ou assemelhados com responsabilidade pessoal; mas de caráter empresarial, fazendo jus, portanto, ao recolhimento pelo SIMPLES. Vêse que a decisão judicial estabeleceu direito em tese, qual seja, reconheceu que os estabelecimentos comerciais de ensino Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 111 8 livre no estado do Rio de Janeiro podem ser incluídos no SIMPLES, desde que preenchidas as condições legais. Assim, não garantiu a inclusão/permanência dos mesmos neste regime de recolhimento tributário simplesmente por serem filiados ao referido sindicato. Ocorre que, desde o trânsito em julgado do Acórdão até o presente momento, várias micro e pequenas empresas de ensino livre peticionam nos autos, argüindo o descumprimento da decisão judicial pela RECEITA FEDERAL e requerendo a expedição de mandado ou ofício à autoridade impetrada determinando o cumprimento da decisão judicial ou certidão de objeto e pé. Ora, vem as empresas A & M ACADEMIA AGUA E MOVIMENTO LTDA, ACADEMIA NISSEI DE JUDÔ LTDA, AQUATOP ACADEMIA DE GINÁSTICA LTDA requererem a expedição de ofício a RECEITA FEDERAL DO BRASIL, para que proceda suas inscrições no SIMPLES (fls. 1499/1501; 1512/1515; 1524/1525, respectivamente). Tratandose de Mandado de segurança coletivo, o legitimado processual ativo é o SINDELIVRE e não as empresas individualmente. Eventuais requerimentos de filiados ao Sindicato tratam de situações concretas, referentes a questões legais ou administrativas específicas, não decididas neste writ. Tais petições devem ser objeto de ação individual, visto que a decisão em tese nestes autos não abarca situações específicas de cada filiado. Não há como o Juízo deferir medidas de intimação ou expedição de ofício cada vez que um dos associados ou filiados se deparar com vedações administrativas, que, repisese, não dizem respeito à presente lide, sob pena de ser criado um processo judicial eterno. O presente mandado de segurança tem data de ajuizamento em 1999 e, continuandose o processamento como vem sendo feito, tornarseá centenário. Isto posto, INDEFIRO os requerimentos de A & M ACADEMIA AGUA E MOVIMENTO LTDA, ACADEMIA NISSEI DE JUDÔ LTDA, AQUATOP ACADEMIA DE GINÁSTICA LTDA de expedição de ofício ao DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO. Transitada em julgado a presente decisão, dêse baixa e arquivemse os autos. Publicado no D.O.E. de 24/11/2009, pág. 35/37 (JRJKPP). De acordo com tal decisão, foi concedida segurança para declarar o direito líquido e certo dos filiados ao Sindilivre de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, atendidos os demais requisitos previstos no artigo 2ª da Lei 9.317/96. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 112 9 O acórdão do TRF 2ª Região, que transitou em julgado, esclareceu que os estabelecimentos de ensino de cursos livres não são sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentadas, profissionais liberais ou assemelhados com responsabilidade pessoal; mas de caráter empresarial, fazendo jus, portanto, ao recolhimento pelo SIMPLES. Ocorre porém, que o fundamento do indeferimento do presente pleito da contribuinte, não foi o oferecimento de cursos livres, mas sim, o exercício da atividade de ensino médio supletivo, in verbis: “Entretanto, através da Alteração Contratual de fis.02, verificamos que a interessada exerce a atividade de ensino médio de supletivo, que não se trata de curso livre, sendo vedada pelo artigo 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96.” Fica claro que o objeto da lide judicial não é o mesmo do processo administrativo. Aliás, merece destaque o trecho da decisão judicial acima reproduzida quando afirma que a lide não abarca situações concretas, referentes a questões administrativas específicas, que não foram decididas na ação judicial. É justamente a situação do presente processo. Não há que se falar em descumprimento de ordem judicial, quando os objetos do processo administrativo e judicial são distintos, quando, neste último não foram apreciadas questões administrativas específicas, no caso o exercício de uma outra atividade impeditiva, nos termos do inciso XIII, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996. Como a decisão judicial não pode ser estendida a questões administrativas específicas que não foram objeto da lide, passemos à análise do mérito do processo. Com o advento da Lei n° 10.034/2000 se confirmou o entendimento de que a regra geral contida no art. 9°, XIII, da Lei 9.317/96, veda a opção ao SIMPLES por parte de pessoa jurídica que exerça a atividade de ensino, assemelhada à atividade de professor, já que aquele diploma legal estabeleceu exceções específicas às quais se permite a opção apenas por parte de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental, dentre as empresas que exercem atividade de ensino. A autoridade administrativa apontou como atividade impeditiva o oferecimento de cursos supletivos de ensino médio. A recorrente não contestou o fato de que oferecia, além dos cursos livres, também cursos de ensino médio. A cláusula 2ª do contrato social da empresa afirma que o “objetivo social será ensino fundamental e médio de jovens e adultos, cursos preparatórios, cursos e informática e ensino fundamental e médio regular”. Apenas com a edição da Lei Complementar n° 128, em 19/12/2008, tornou se possível que os estabelecimentos de ensino médio fossem tributados pelo Simples: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13710.001885/200431 Acórdão n.º 180300.837 S1TE03 Fl. 113 10 “§ 5ºB. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: (...) I creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5ºD deste artigo;” Portanto, não merece reparos a decisão recorrida, cujos fundamentos utilizamos também como razões de decidir do presente voto. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11522.002617/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2102-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso, até que transite em julgado o Acórdão do RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte ao fisco, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF.
(assinado digitalmente)
José Raimundo Tosta Santos Presidente à época da formalização
(assinado digitalmente)
Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, ATÍLIO PITARELLI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso, até que transite em julgado o Acórdão do RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte ao fisco, nos termos do artigo 62 A do Anexo II do RICARF. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos – Presidente à época da formalização (assinado digitalmente) Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator “ad hoc” Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ACÁCIA SAYURI WAKASUGI, ATÍLIO PITARELLI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. Relatório O procedimento fiscal contra o contribuinte MANOEL JOSÉ NOGUEIRA LIMA, CPF nº 079.333.04249, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 22 .0 02 61 7/ 20 07 -7 1 Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.492 2 o intuito de instruir o Inquérito Policial n° 038/2003SR/DPF/AC, em trâmite na Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal no Acre. O contribuinte tomou conhecimento através do Mandado de Procedimento Fiscal/MPFF de fls. 02, o qual gerou o Termo de Início de da Ação Fiscal de fls. 3940, onde o mesmo foi intimado a relacionar todas as contascorrente, conta de poupança e investimentos, informando o nome do banco, o número da agência e o respectivo número da conta, mantida em seu nome e em nome de seus dependentes, no Brasil e no exterior, no período de 01/01/2002 a 31/12/2004. Assim como, Informar, por escrito, se tais contas são individuais ou em conjunto e apresentar os extratos bancários impressos e em meio magnético das referidas contas, referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004. Em resposta as fls. 42200, o contribuinte apresentou a relação de suas contas bancárias e de seus dependentes e cônjuges, assim juntou extratos. Posteriormente, as fls. 580, a Delegacia da Receita Federal de Rio Branco/AC solicitou à Assembléia Legislativa do Estado do Acre documentação referente ao contribuinte, tais como: A relação de todos os assessores do Deputado Manoel José Nogueira Lima, CPF n° 079.333.04249, nos anoscalendário .de 2002, 2003 e 2004. A relação de todos os valores pagos aos assessores durante este período, especificando de forma detalhada qual o motivo de cada pagamento com as suas respectivas datas e cópias de cheques. A ficha financeira e as cópias de cheques de todos os valores pagos ou creditados a qualquer título pela Assembléia Legislativa ao Deputado Manoel José Nogueira Lima nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, com indicação detalhada do motivo de cada pagamento com as suas respectivas datas. A resolução da Assembléia Legislativa que autoriza o recebimento, pelos Deputados, dos valores pagos aos assessores e também as resoluções que disciplinam o recebimento de todos os valores pagos, a qualquer título, aos Deputados. Em resposta, as fls. 584 e seguintes, a Assembléia Legislativa apresentou vasta documentação, tais como: Pagamentos efetuados nos anos de 2002 à 2004; pagamento de rescisão de seus assessores dos anos de 2002 à 2004; pagamentos de subsídios e ajuda de custo do período de 2002 à 2004; diárias pagas nos anos de 2002 à 2004; suprimento de fundos; pagamento de verba indenizatória e identificação dos assessores e declarações dos mesmos. O crédito tributário é relativo a Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2003, anocalendário 2002, e decorreu de infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em 11/11/2007, foi lavrado Auto de Infração de fls. 908915, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração do imposto devido de fls. 912914, o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 915, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.493 3 IMPOSTOR$ 227.041,65; JUROS DE MORA (calculados até 31/10/2007) R$ 116.518,81; MULTA PROPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 170.281,22; VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 513.841,68. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação às quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos, conforme descrito no termo de informação fiscal, fls. 09. Assim como também descrito no Relatório Fiscal de fls. 916919, do qual cabe transcrever alguns trechos: “De posse dos extratos, e em cumprimento ao que dispõe o art. 42, §§ 1º, 2° e 30, da Lei 9.430/96, convalidado pelo artigo 4°, da Lei 9.481/97, os extratos dos anos calendário de 2002, 2003 e 2004 foram submetidos à análise e constatado, em todos os anos, a existência de depósitos superiores a R$ 12.000,00, e de depósitos inferiores a esse valor, e que a soma desses últimos ultrapassara R$ 80.000.” Cabe ainda ressaltar do referido relatório: “Ao analisarmos toda a documentação entregue pelo contribuinte no dia 30 de julho, verificamos que alguns dos depósitos tratavamse dos subsídios do Contribuinte recebidos pelo exercício da função de Deputado Estadual, outros depósitos tratavamse dos proventos recebidos pelo contribuinte do Governo do Estado. Alguns depósitos foram provenientes de empréstimos contraídos. Alguns dos depósitos efetuados em cheque se subdividiam em mais de um cheque, motivo pelo qual procedemos à listagem de todos estes depósitos informados pelo contribuinte com a relação de todos os cheques que constituíam cada um desses depósitos, conforme o anexo I deste relatório. Alguns dos cheques se referiam aos pagamentos efetuados pela Assembléia Legislativa do Estado do Acre aos Assessores Parlamentares do contribuinte que eram depositados nas contas de sua titularidade, conforme anexo I. Diante de tais fatos, intimamos o contribuinte a comprovar o efetivo repasse de todos os valores creditados/depositados em suas contascorrente, valores estes referentes aos pagamentos de seus Assessores Parlamentares. (fls. 582). No dia 28 de agosto de 2007 a Assembléia Legislativa do Estado do Acre, através do ofício n° 444, nos encaminhou a documentação solicitada através do Ofício n° 297/2007/SAFIS/GAB/DRF/RBO/AC, de 02 de Agosto de 2007. No dia 27 de setembro de 2007 foram entregues pelo contribuinte, nesta delegacia, algumas declarações dos Assessores Parlamentares informando que os mesmos recebiam do contribuinte todos os vencimentos e vantagens a que faziam jus. No entanto, as declarações referente ao Assessor Gleydson Albuquerque de Lima, RG n° 348703 e Whendy Snank Praxedes Ponciano da Silva Lima, filho do contribuinte Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.494 4 eram imprestáveis a esta fiscalização, pois, a primeira não especificava o período em que o Assessor prestou serviços e a segunda especificava um período que não o fiscalizado.” Desta forma, o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 27/11/2007, conforme declaração assinada junto ao termo de encerramento do Auto de infração, as fls. 936, apresentando sua impugnação em 26/12/2007, constante as fls. 941966, aduzindo, em síntese, o que segue: Argumenta que os atos da ação fiscal são passíveis de nulidade de pleno direito, visto que ocorreu a quebra de sigilo, bancário pela via administrativa, ocorrendo assim erro material e formal, além de provar que não houve sonegação fiscal, visto que a quebra do sigilo bancário na via administrativa somente pode ocorrer quando houver autorização judicial, haja vista a inconstitucionalidade da Lei n° 105/2001 e o Decreto n° 3.724/2001 outorgam aos agentes fiscais da Receita Federal poderes para solicitar diretamente das instituições financeiras os extratos bancários do sujeito passivo; Aduz que no documento de na fl. 06 consta que o Ministério Público Federal requisitou em 22/03/2004 procedimento fiscal para apurar a prática de sonegação fiscal. Porém, ele deveria utilizar a palavra "possível" prática de sonegação fiscal, como deveria ser necessariamente específico em sua denúncia, afirmando em que ponto determinado existe a sonegação; Alega também que o procedimento fiscal é instaurado sem especificar os pontos necessários da fiscalização e que o mais agravante foi a instauração da fiscalização após três anos da solicitação do Ministério Público. Argumenta que o auditor solicitou mais extratos bancários sob novas ameaças caso não fosse devidamente atendido e o contribuinte foi obrigado a entregar toda documentação solicitada, sem qualquer narrativa detalhada e analítica dos fatos que estavam sendo apurados. Aduz que foi obrigado a provar cada movimentação financeira realizada, sem qualquer acusação concreta, detalhada e específica e como os Bancos não podem fornecer informações de terceiros. Sustentou ainda. Que toda documentação comprobatória consta do próprio procedimento fiscal, como se trata de recursos tributáveis na fonte, não é possível o contribuinte sonegálo. Que há ausência de fundamentação no procedimento administrativo prolatado pelo Ministério Público Federal e pela Delegada da Receita Federal em Rio Branco e também o ato realizado pelo auditor fiscal, visto que não foram especificados os motivos que levaram as autoridades supracitadas à apuração de possível sonegação fiscal pelo contribuinte e se trata de vício insanável, além de tal omissão caracterizar ofensa ao princípio da legalidade de todo e qualquer ato administrativo. Que há no caso, cerceamento de defesa visto que não existe qualquer acusação e, também, que bastaria tão somente acusações fiscais genéricas e aleatórias para caracterização de tal cerceamento, contumaz acusações inexistentes, vez que não há documentação lícita alguma acusando o contribuinte em questão. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.495 5 Que os agentes fiscais só poderão examinar documentos, livros e registros de instituição financeira quando houver processo administrativo instaurado e tais exames sejam indispensáveis pela autoridade administrativa competente, além disso, em se tratando de sigilo fiscal é necessário a quebra por meio judicial, nunca, por meio de coação na via administrativa. Requereu ao final a total improcedência e nulidade do lançamento. A 2ª Turma da DRJ/BEL, Belém/PA, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0115.191 de fls. 10441079, de 22 de setembro de 2009, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, mantendo em cobrança o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, conforme ementa que segue transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 11/11/2009, conforme intimação através do AR de fls. 1082, da qual interpôs recurso voluntário em 07/12/2009 (fls. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.496 6 10831108), argumentando, inicialmente que foi coagido a juntar documentação, extratos bancários, sob a ameaça de aplicação de multa pelo não cumprimento. Argumenta no sentido da nulidade do lançamento ofertado, pois o mesmo não há como existir no mundo jurídico, acerca de sua anomalias. Descreve como sendo suas fontes de renda, os proventos, subsídios, outras vantagens, créditos por meio de empréstimos bancários, movimentação de recursos financeiros de seus assessores, movimentação de recursos da própria Assembléia Legislativa (Suprimento de Fundos e Verbas Indenizatórias), ou seja, os recursos são tributáveis na própria fonte e, desta forma, não é possível o contribuinte sonegar tributo, por exemplo, o Imposto de Renda, pois, toda documentação comprobatória consta do próprio procedimento fiscal. Cita doutrina acerca de quebra de sigilo bancário e separação dos poderes. Ademais, repete os argumentos constantes em sua impugnação, juntando como documentos apenas as procurações e cópia do RG. Requer, ao cabo, o acolhimento do recurso voluntário, a fim de alcançar o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakaugi, Relatora. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrar às questões suscitadas na peça recursal, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 258, de 2010: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração, o lançamento tributário decorre da omissão de rendimentos tributáveis, recebidos acumuladamente, em virtude de processo judicial trabalhista. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.497 7 Sobre a matéria, há orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN nº 287/09 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN nº 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito da matéria. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 601.314. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2013. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 11522.002617/200771 Resolução nº 2102000.143 S2C1T2 Fl. 3.498 8 (assinado digitalmente) Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Redator “ad hoc” Fl. 1155DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.720696/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
LIMITES À DEDUÇÃO DOS ROYALTIES PAGOS PELO USO DE MARCA COMERCIAL E POR LICENÇA DE USO DE TECNOLOGIAS. ART. 335, §3º DO RIR/99. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO NO INPI. INDEDUTIBILIDADE DOS ROYALTIES QUANDO PAGOS A INTEGRANTE DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO.
Nos termos do art. 335, §3º do RIR/99, a dedução de royalties pagos em razão do uso de marca comercial e por licença de uso de tecnologias depende de registro e/ou averbação dos respectivos contratos no INPI. São indedutíveis os royalties pagos a empresa integrante do mesmo grupo societário, quando as circunstâncias evidenciarem o caráter de liberalidade do dispêndio.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA 2 CARF.
Eventual alegação de ilegalidade da multa isolada choca-se diretamente com lei inserida validamente no ordenamento jurídico, dentro dos ditâmes constitucionais.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, principal e multa de oficio, é acrescido de juros de mora à taxa Selic, por expressa determinação legal.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO EMPRESARIAL.
Configurado o grupo empresarial e que as demais empresas desse grupo
beneficiaram-se das operações realizadas pela contribuinte autuada, correta a inclusão dessas no polo passivo da obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL.
Comprovada a prática de ilícitos tributários por dirigentes de pessoas
jurídicas para evadir-se tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre esses.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ROYALTIES.
NORMAS APLICÁVEIS.
Quanto à dedução da base de cálculo dos valores de pagamentos de royalties,
são aplicáveis à CSLL as mesmas normas relativas ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO e JOSÉ ROBERTO ADELINO DA SILVA que davam parcial provimento para excluir a incidência da CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
(assinado digitalmente)
PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR - Redator Designado
EDITADO EM: 14/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ART. 335, §3º DO RIR/99. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO NO INPI. INDEDUTIBILIDADE DOS ROYALTIES QUANDO PAGOS A INTEGRANTE DO MESMO GRUPO SOCIETÁRIO. Nos termos do art. 335, §3º do RIR/99, a dedução de royalties pagos em razão do uso de marca comercial e por licença de uso de tecnologias depende de registro e/ou averbação dos respectivos contratos no INPI. São indedutíveis os royalties pagos a empresa integrante do mesmo grupo societário, quando as circunstâncias evidenciarem o caráter de liberalidade do dispêndio. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA 2 CARF. Eventual alegação de ilegalidade da multa isolada chocase diretamente com lei inserida validamente no ordenamento jurídico, dentro dos ditâmes constitucionais. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, principal e multa de oficio, é acrescido de juros de mora à taxa Selic, por expressa determinação legal. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO EMPRESARIAL. Configurado o grupo empresarial e que as demais empresas desse grupo beneficiaramse das operações realizadas pela contribuinte autuada, correta a inclusão dessas no polo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 06 96 /2 01 3- 21 Fl. 9490DF CARF MF 2 Comprovada a prática de ilícitos tributários por dirigentes de pessoas jurídicas para evadirse tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre esses. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ROYALTIES. NORMAS APLICÁVEIS. Quanto à dedução da base de cálculo dos valores de pagamentos de royalties, são aplicáveis à CSLL as mesmas normas relativas ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO e JOSÉ ROBERTO ADELINO DA SILVA que davam parcial provimento para excluir a incidência da CSLL. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (assinado digitalmente) PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR Redator Designado EDITADO EM: 14/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Relatório Fl. 9491DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 3 3 DEDINI S/A INDUSTRIAS DE BASE (contribuinte autuada), DOADO S/A PARTICIPAÇÕES, AD PARTICIPAÇÕES, NIDAR PARTICIPAÇÕES SC LTDA, DDP´PARTICIPAÇÕES S/A, CODISTIL DO NORDESTE LTDA, DAP DESENVOLVIMENTO E AUTOMAÇÃO DE PROCESSOS LTDA, DENEL DEDINI ENERGIA E EQUIPAMENTOS S/C LTDA, DEDINI S/A ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES, DEDINI S/A EQUIPAMENTOS E SISTEMAS, DEDINI CORRETORA DE SEGUROS LTDA., COMERCIAL PARAISOLANDIA, LTDA. ME, DEDINI REFRATÁRIOS LTDA, DEDINI SERVICE PROJETOS CONSTRUÇÕES E MONTAGENS LTDA. SERGIO LEMES DOS SANTOS (Responsabilizados Solidarios), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresentam impugnações às exigências tributárias consubstanciadas no presente processo. Tratase de autos de infração, fls. 69376965, relativos ao IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 67.121.094,20 (inclusos multa de oficio proporcional de 150%, multa de oficio isolada por falta de recolhimento de estimativas no percentual de 50% e juros de mora à taxa Selic, calculados até março/2013). Consoante Relatório de Fiscalização (TVF), às fls. 6891 a 6936, a Fiscalização relata que: “(...) 2 INFRAÇÕES APURADAS 2.1) Glosa de despesas com royalties no País Inobservância dos requisitos legais A interessada deduziu indevidamente na determinação do lucro real despesas a título de royalties pelo uso de marcas e transferência tecnológica junto à empresa vinculada Dedini S/A Equipamentos e Sistemas, CNPJ 67.541.961/000184, nos anos de 2008 e 2009, ao: a) deixar de averbar os respectivos contratos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), cuja dedutibilidade só é admitida a partir dessa providência; b) fazer creditamentos ou pagamentos à pessoa jurídica vinculada; c) deixar de comprovar, com apresentação de documentação hábil e idônea, que a despesa é necessária para que a empresa mantenha a posse, o uso ou a fruição do bem ou direito que produz o rendimento. 2.1.1) Falta de averbação dos contratos As importâncias pagas ou creditadas a título de royalties somente poderão ser computadas na determinação do lucro real após a averbação do contrato no Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Fl. 9492DF CARF MF 4 De acordo com a Decisão COSIT nº 9, de 28 de junho de 2000, são dedutíveis as despesas com royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes correspondentes ao período de tramitação do processo de averbação no INPI do contrato respectivo. Esse período, portanto, retroage somente até a data do protocolo do pedido de averbação, sendo vedada a dedução fiscal dessas despesas quando incorridas em período anterior a essa data. É vedada a dedutibilidade dessa classe de despesas quando incorridas em data anterior àquela registrada no protocolo do pedido de averbação no INPI, por caracterizarem falta de diligência do contratante em proceder o cumprimento dos trâmites legais atinentes ao usufruto dos benefícios que a lei lhe conferiu. A dedutibilidade de despesas com o pagamento de "royalties" e assistência técnica ou semelhante condicionam à prévia averbação dos atos e contratos no INPI, independentemente da situação do domicílio do beneficiário dos rendimentos ser ou não no País, consoante Parecer Normativo CST nº 102/75. O 1º C.C. também decidiu pelo Ac. Nº 10303.298/81 (DOU de 180581), que a dedutibilidade de royalties se condiciona à prévia averbação dos atos e contratos no INPI, independente da situação do domicílio do beneficiários dos rendimentos. O requisito legal exigido para que se faculte a dedutibilidade dessa espécie de dispêndio é ter anuência das autoridades do INPI, sem a qual sofre a dedução de ilegitimidade, consoante art. 355 § 3º do RIR/99, verbis: Art. 355. ... § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. (grifo nosso). Dessa forma, são ilegítimas as deduções de despesas com royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados, antes da averbação ou registro no INPI, devendo tais despesas serem glosadas na determinação do lucro real. Marcas Fl. 9493DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 4 5 O valor das despesas indedutíveis de royalties relativas a uso de marca, para o período de 29/09/2006 a 31/12/2008, representa 1% da receita de venda líquida mensal, nos termos do “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avenças”, DIB nº 521/2006, de 29 de setembro de 2006, verbis: 2.1 Pelas Licenças, nos termos aqui acordados e durante o prazo de vigência deste Contrato, a DEDINI pagará a DZ, a título de “Royalties”, o valor equivalente a 1% (hum por cento) da receita de venda líquida mensal advinda do uso das MARCAS, com efeito retroativo ao período de Janeiro de 1997, data de início do uso das MARCAS pela DEDINI, até dezembro de 2006. A partir de janeiro de 2007, enquanto vigorar o presente contrato o percentual acima poderá ser revisado por comum acordo das partes. 2.2 O pagamento dos “Royalties” será efetuado uma parte mediante compensação parcial dos valores devidos pela DZ para a DEDINI por mútuos; e o restante em dinheiro, até o dia 20 do mês imediatamente subsequente ao mês do faturamento. O mesmo percentual de 1% aplicado sobre a receita líquida de venda mensal para determinação dos royalties sobre marcas foi utilizado para o período de 01/01/2009 a 30/09/2009, conforme contrato de licença de uso de marcas DIB nº 060/2009, de 01 de janeiro de 2009, verbis, e memória de cálculo dos royalties. 2. Royalties 2.1 Pelas licenças, nos termos aqui acordados e durante o prazo de vigência deste Contrato, a DEDINI pagará a DES, a título de “Royalties”: o valor equivalente a 1% (um por cento) do faturamento líquido mensal da DEDINI, uma vez que toda a sua atividade comercial será realizada sob a Marca “DEDINI”. A partir de 30/09/2009, as despesas de royalties com marcas foram reduzidas para o percentual de 0,5% do faturamento líquido, conforme Termo de reratificação ao contrato de licença de uso de marcas DIB nº 060/2009, de 30/09/2009, verbis, e memória de cálculo dos royalties. (...) De acordo com o contrato de licença de uso de marcas DIB nº 60/2009, os royalties seriam devidos pelo uso de: • 45 marcas de titularidade da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas, registradas no INPI, conforme seu Anexo 1. • 59 marcas com processo de registro em tramitação no INPI, conforme seu Anexo 1. Fornecimento de tecnologia (know how) Fl. 9494DF CARF MF 6 O valor das despesas indedutíveis de royalties relativos a Know how, para o período de 01/01/2007 a 31/12/2008, representa 2,5% da receita de venda líquida mensal, nos termos do “Contrato de uso de Bens Intangíveis”, DZ nº 001/2007, de 01 de janeiro de 2007, verbis, encerrado em 31 de dezembro de 2008. (....) A Lei 9279/1996, que regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial, dispõe em seu art. 211 que o INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. A averbação, para os efeitos fiscais, tem o objetivo último de verificar se há uma efetiva transferência de tecnologia, em que medida, qualidade e quantidade, e se é real e verdadeira a transferência, em benefício do destinatário. Em outras palavras, a averbação tem a finalidade de averiguar e, em seguida, comprovar que se trata de fornecimento de tecnologia real e verdadeira, necessária, usual e normal no tipo de transações, operações ou atividades da empresa que faz os pagamentos e deseja deduzilos. A fiscalizada tendo sido intimada a demonstrar, com apresentação de documentação hábil e idônea, que a despesa é necessária para que a empresa mantenha a posse, uso fruição do bem ou direito que produz o rendimento, em resposta simplesmente alegou tratarse de dispêndios com pagamentos de parceria tecnológica. Esse dever de demonstrar que o know how foi, de fato, prestado pela parceira tanto mais se impõe, no presente caso, quando se verifica que se trata de fornecimento de tecnologia de pessoa jurídica vinculada. A comprovação das despesas iniciase com a prévia averbação do respectivo contrato no INPI, no entanto este ato deixou de ser feito. Assim sendo, cabe a glosa de despesas com royalties pela falta de averbação dos contratos no INPI relativos a marcas e fornecimento de tecnologia (vide Anexo I deste Relatório), bem como pelas razões a seguir expostas. 2.1.2) Glosa de despesas de royalties no País com pessoa ligada O contribuinte deduziu como despesa na determinação do lucro real royalties a título de marcas e fornecimento de tecnologia, com base em contratos, não averbados no INPI, celebrados com a empresa interdependente Dedini S/A Equipamentos e Sistemas, CNPJ 67.541.961/000184. O art. 353 do RIR/99 dispõe que não são dedutíveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, deixando claro a restrição da dedutibilidade da forma relatada. Fl. 9495DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 5 7 O procedimento adotado teve como efeito a diminuição do lucro da fiscalizada e, consequentemente, redução da carga tributária. Os contratos apontam que a empresa vinculada Dedini S/A Equipamentos e Sistemas é titular e proprietária das marcas – embora tenha informado que busca decisão judicial para consolidação da propriedade de algumas marcas e de Know how objetos do creditamento ou pagamento de royalties. Os acionistas da fiscalizada, quem paga royalties, e os acionistas da Dedini S/A Equipamentos e Sistemas, quem recebe royalties, são respectivamente as holdings DDP Participações SA e Dedini SA Administrações e Participações. Estas, por sua vez, pertencem simultaneamente às empresas Doado AS Participações, AD Participações LTDA e Nidar Participações LTDA, conforme diagrama abaixo. Portanto, verificase que tanto a fiscalizada como a Dedini S/A Equipamentos e Sistemas possuem controle societário e direção comum, conforme será melhor discorrido no tópico “3 SOLIDARIEDADE”, restando configurado o vínculo entre as empresas. (...) Além disso, é importante salientar que ficou demonstrado no tópico “3 SOLIDARIEDADE” deste relatório que se tratam de empresas do mesmo grupo econômico, caracterizado por unidade de controle por conglomerado familiar, unidade de direção, e relevante confusão patrimonial e econômica, contínua e indefinida. Nem sequer houve remessas de recursos pela fiscalizada às contas bancárias da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas, como se observa do exame das operações do ano de 2008, por exemplo, mas o que havia de fato eram pagamentos de encargos, custos e despesas da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas (vide tópico 3 SOLIDARIEDADE), eminentemente sustentados com recursos da fiscalizada, que era acobertados pelo artifício dos royalties. Não haverá direito a dedutibilidade dos royalties, especialmente porque os contratantes constituem, de fato, sob o aspecto econômico, uma só uma empresa, não tendo a transferência de tecnologia ou de marca. É perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico a restrição à dedutibilidade de custos e despesas das pessoas jurídicas, quando tais encargos operamse no campo restrito da liberalidade de seus dirigentes. Ou seja, a lei tributária não proíbe a prática de operações mercantis, como a celebrada com empresa vinculada, mas lhes atribui efeitos próprios no campo de apuração do IRPJ. Fl. 9496DF CARF MF 8 Diante do exposto, cabe a glosa das despesas com royalties (vide Anexo I deste Relatório) pela falta de averbação dos contratos de royalties no INPI, bem como pelo fato dos créditos ou pagamentos terem sido feitos à pessoa jurídica vinculada e pelos motivos a serem descritos a seguir, cabendo a constituição de ofício dos créditos tributários para a exigência das diferenças devidas. ATOS ADMINISTRATIVOS Parecer Normativo CST nº 102, de 12/09/1975: Dedutibilidade de despesas com o pagamento de "royalties" e assistência técnica ou semelhante: c) indedutíveis os "royalties" pagos a sócios, ainda que domiciliados no Pais. (...) 2.1.3) Despesas não necessárias A fiscalizada não tem direito a dedutibilidade dos royalties, pois os contratantes constituem, de fato, sob o aspecto econômico, uma só uma empresa (vide tópico 3 SOLIDARIEDADE), não tendo que se cogitar transferência de tecnologia ou de marca, isto é, não constitui despesa necessária. O art. 352 do RIR/99 assim dispõe: Art. 352. A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei nº 4.506, de 1964,art. 71). A fiscalizada foi intimada, por meio do TIF nº 21, a demonstrar, com apresentação de documentação hábil e idônea em meio digital, que a despesa com royalties é necessária para que a empresa mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. Em resposta, a fiscalizada alegou: ‘A fiscalizada é empresa que atua no mercado de produção de bens de capital sob encomenda. Em razão, necessita para participar de um concurso de venda,qualquer que seja a sua modalidade (concorrência, licitação, tomada de preço, etc.), comprovar ter capacidade e competência para a execução do pretendido contrato de fornecimento. Nesse sentido, podese afirma que sem qualificação e experiência de uma empresa de bens de capital não tem produto a oferecer para o mercado de equipamento pesados sob encomenda. Essa qualificação e experiência compreendem, de forma não exaustiva, o conhecimento necessário para a pré venda e venda; para projetar, fabricar, montar e colocar em operação; para o pós venda; e todos o mais que compõem o conhecimento de domínio restrito, o qual, ainda que não protegido por meio de propriedade intelectual, é protegido como seu segredo de indústira e comércio. Fl. 9497DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 6 9 Em resumo, é o saber como fazer (know how) conhecido e aceito pelo mercado, sobre o qual um cliente comprador tem condições de avaliar e decidir. No mercado de bens de capital sob encomenda, o know how de uma empresa brasileira geralmente tem origem em contratos de fornecimento de tecnologia com terceiros do exterior, reconhecidos como detentores de tecnologia de ponta. Esses contratos são apresentados e aceitos como de parceria tecnológica, inclusive para o fim de comprovação de experiência. Na execução desses contratos ocorre a absorção da tecnologia e, ao longo do tempo o seu desenvolvimento interno, resultando em uma tecnologia própria. A fiscalizada atua em diferentes setores de bens de capital sob encomenda como os de: açúcar e etanol; energia e co geração;cervejaria; alimentos, sucos e bebidas; celulose e papel; cimento; hidroelétricas; petróleo, gás e petroquímica; fertilizantes; siderurgia; mineração e metalurgia. Para todos esses setores detém conhecimento tecnológico obtido como acima colocado. E assim sendo, forçoso concluir a necessidade de manter contratos de parceria tecnológica de forma a absorver e também manter atualizados as tecnologias do produtos de sua atuação no mercado de bens de capital interno e externo.” Primeiramente, não há que se falar em despesas necessárias com royalties quando se trata de grupo econômico, caraterizado por confusão patrimonial e econômica e financeira, e unidade de direção e controle, que constitui de fato uma só empresa, pois a fiscalizada pode usar e usufruir as marcas e tecnologia, independentemente de remuneração. De acordo com o Ato Normativo INPI nº 135 de 15 de abril de 1997, o INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e os contratos de franquia. Os contratos deverão indicar claramente seu objeto, a remuneração ou os "royalties", os prazos de vigência e de execução do contrato, quando for o caso, e as demais cláusulas e condições da contratação. O pedido de averbação ou de registro deverá ser apresentado em formulário próprio, por qualquer das partes contratantes, instruído com documentos. Em segundo lugar, a fiscalizada não demonstrou a efetiva transferência de tecnologia, cujos contratos deixaram de ser averbados no INPI, limitandose a arguir em termos genéricos tratarse de fornecimento de tecnologia. Além disso, pagou remuneração pelo fornecimento de tecnologia em valores flagrantemente incompatíveis com a condição da Dedini S/A Equipamentos e Sistemas, que dispõe de reduzido quadro de funcionários e com salários modestos. Para o ano de 2009, por Fl. 9498DF CARF MF 10 exemplo, compõe o quadro de trabalhadores da beneficiária dos royalties, conforme a GFIP, apenas 1 engenheiro, o que evidencia a incapacidade de transferir tecnologia (know how) nos montantes que superam R$36.000.000,00 e R$22.000.000,00, respectivamente, nos anos de 2008 e 2009. (...) Reiterese que nenhuma demonstração pormenorizada relativa as despesas com royalties de fornecimento de tecnologia, com explicitação da natureza de cada serviço e respectivo montante, foi apresentado. Na apreciação da remuneração paga pela transferência de tecnologia deverão ser levados em conta os níveis de preços nacional e internacionalmente em contratações similares, conforme previsto na Resolução INPI nº 20/91, art. 12, ou seja, deveria ter sido submetida a análise dos técnicos do INPI o objeto do fornecimento de tecnologia e sua respectiva remuneração, quem arguiriam sua compatibilidade. Diante do exposto, cabe a exigência de ofício dos créditos tributários decorrentes das glosas de despesas com royalties em razão: a) da falta de averbação dos respectivos contratos no INPI; b) do fato dos créditos ou pagamentos terem sido feitos à pessoa jurídica vinculada; e c) da falta de comprovação, com apresentação de documentação hábil e idônea, da necessidade das despesas com royalties para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento e, inclusive, ausência de demonstração cabal da veracidade, usualidade e normalidade dos fatos, cuja avaliação caberia ao INPI; tudo conforme explanado nos itens 2.1.1, 2.1.2 e 2.1.3 acima e montantes especificados nos Anexos I e III deste Relatório. 3 – SOLIDARIEDADE Os débitos tributários devidos pela fiscalizada devem ser exigidos solidariamente do grupo DEDINI, tendo em vista a formação de grupo econômico, caracterizado por confusão patrimonial e econômica, com a transferência de vultosos ativos e passivos contínua e indefinidamente entre as empresas, bem como existência de direção, controle e administração comum, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, verbis, conforme será explanado a seguir. (...) Diante do exposto, fica demonstrado a formação do grupo econômico DEDINI, caracterizado por unidade de controle por conglomerado familiar, unidade de direção, e confusão patrimonial e econômica, contínua e por tempo indefinido, devendo, portanto, os créditos tributários apurados no presente Auto de Infração e os demais impostos e contribuições não pagos em fase de cobrança, referentes à fiscalizada ou outras empresas do grupo econômico, serem exigidos conjuntamente das empresas solidárias integrantes do conglomerado econômico, Fl. 9499DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 7 11 que estão listadas na tabela 3, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para os débitos fazendários, e art. 30, IX, da Lei 8.212/91, quanto aos débitos previdenciários. 4 – MULTA ISOLADA A fiscalizada optante pelo lucro real anual pagou a menor, mensalmente, nos anoscalendário de 2008 e 2009, o IRPJ e a CSLL devidos por antecipação calculados com base em balancetes mensais, por deduzir indevidamente na determinação do lucro real despesas de royalties, conforme relatado anteriormente, sujeitandoa à multa isolada lançada de ofício no percentual de 50% sobre o valor que deixou de ser recolhido antecipadamente (vide Anexo II deste Relatório), nos termos da Lei nº 9.430/1996, art 44, verbis. (...) 5 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre tributos exigidos de ofício em razão da fiscalizada ter praticado os atos previstos no art. 44, §1º, da Lei 9.430/1996, assim redigido: (...) O contribuinte suprimiu ou reduziu IRPJ e CSLL, isto é, ocultou, total ou parcialmente, fato gerador da obrigação tributária, impedindo que os tributos nos montantes efetivamente devidos aparecessem para a autoridade da Administração Tributária e esta tomasse conhecimento dos fatos tributáveis, pela vias normais, mediante as condutas de declarar em DIPJ e lançar na determinação do lucro real (vide contabilidade e LALUR) vultosos valores a título de despesas de royalties no País que não cumprem os requisitos legais para dedutibilidade (contratos não averbados no INPI);créditos ou pagamentos à pessoa jurídica vinculada; falta de comprovação, com apresentação de documentação hábil e idônea, da necessidade das despesas para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento) e, principalmente, por não demonstrar cabalmente que os fatos declarados correspondem efetivamente a “royalties”, cuja atribuição de avaliação é do INPI, concluindose que estes são inexistentes ou de natureza diversa da alegada. Os fatos declarados como sendo royalties no País não passaram pela obrigatória avaliação do INPI, que verificaria a efetiva transferência de tecnologia, em que medida, qualidade e quantidade, e se é real e verdadeira a transferência, em benefício do destinatário, ou seja, confirmaria os respectivos montantes e a natureza das despesas como sendo royalties. Assim também os royalties de marcas deixaram de ser submetidos à avaliação do INPI. Fl. 9500DF CARF MF 12 E importante salientar que os montantes de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL utilizados no parcelamento beneficiado pela Lei 11.941/2009 para a liquidação de multas e juros são inverídicos, considerandose as infrações aqui levantadas, devendo ser cancelada a liquidação realizada mediante a utilização de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL. (vide Anexo II deste Relatório) Tendo em vista o levantamento de infrações à lei (arts. 352, 353 e 355 do RIR/99; Lei 8.137/90, art. 1º, I e II), abuso de personalidade, fraude (não demonstrar que as despesas de royalties (fatos) efetivamente aconteceram (atribuição do INPI)) de confusão patrimonial e econômica (vide tópicos 3.1, 3.7 e 3.8), o Diretor Presidente da fiscalizada, Sérgio Leme dos Santos, também deverá responder solidariamente pelos débitos tributários apurados, nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis. (...) 6 – CONCLUSÃO A interessada foi submetida a procedimento fiscal do qual resultou na exigência de ofício do IRPJ e CSLL, bem como glosas de prejuízos fiscais de IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL, decorrente de glosas de despesas não dedutíveis a título de royalties no País na determinação do lucro real, com encerramento parcial da ação fiscal, devendo responder solidariamente pelos débitos tributários as empresas do grupo econômico e o Diretor Presidente da fiscalizada. O valor total do crédito tributário constituído, para o ano calendário de 2008 e 2009, é de R$ 67.121.094,20 (sessenta e sete milhões, cento e vinte e um mil, noventa e quatro reais e vinte centavos), já incluídos os valores devidos a título de principal, multa e juros. (...)” Impugnação A peça impugnatória da ContribuinteAutuada é concluída com os seguintes pleitos: “(...) III OS PEDIDOS (...) 142. Ex positis, é a presente para requerer dignemse Vossas Senhorias acolher a presente Impugnação, para que, julgandoa procedente, sejam cancelados os Autos de Infração de IRPJ e de Fl. 9501DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 8 13 CSLL. tendo em vista que: (i) com a revogação do artigo 74 da Lei n 9 3.470/58 pelos artigos 51 e 72 da Lei n 4.506/64, deixou de existir, em lei, qualquer condição ou limite específicos de dedutibilidade para royalties pagos entre empresas brasileiras, de tal maneira que não tendo a autoridade fiscal, sendo dele esse dever, provado a sua eventual desnecessidade, ou porque se faz notória a sua necessidade à atividade da Requerente e à manutenção de sua fonte produtora (RIR/99, art. 299), fazse indisputável a dedutibilidade dos royalties pagos à empresa Dedini S.A. Equipamentos e Sistemas; ou, subsidiariamente: (ii) estão preenchidas pela Requerente todas as condições juridicamente possíveis de ser e efetivamente previstas em lei, de sorte que, também. por esse motivo, há de ser aceita a dedutibilidade dos royalties pagos à Dedini S.A. Equipamentos e Sistemas. 143. Eventualmente assim não decidindo essa d. Delegacia de Julgamento, requerse, subsidiariamente, seja ao menos, cancelado o Auto de Infração de CSLL, uma vez que, nesse particular, e segundo precedente anteriormente visitado, "a glosa de despesas, motivada pelo limite de dedutibilidade estabelecido na legislação do Imposto sobre a Renda, relativamente a royalties, não afeta a base de cálculo do tributo, por falta de previsibilidade legal", sem prejuízo do fato de que, também aqui, devendo, a autoridade fiscal não provou a desnecessidade dos royalties pagos ou porque, novamente, é notória a necessidade dessa despesa na acepção do artigo 299 do RIR/99. 144. Na eventualidade de assim não decidir essa d. Delegacia de Julgamento, requerse, ainda subsidiariamente, sejam reduzidas as exigências fiscais formalizadas pelos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, mediante: (1.) o devido recalculo da base de cálculo dos tributos ora em cobrança, (1.1.) com a dedução da CSLL base de cálculo do IRPJ, (1.2.) do IRPJ da base da CSLL e (1.3.) do correto aproveitamento do benefício do PAT no tocante ao IRPJ, sem, portanto, as indevidas limitações impostas por atos normativos infralegais; (2.) a anulação (2.1.) da multa isolada de 50% e (2.2.) das multas de 150% e 75%, (2.3.) ou a sua redução, a critério de Vossas Senhorias, a patamar minimamente razoável e proporcional, que não devem superar 20%: e, na eventualidade de não serem anuladas as multas de ofício, (3.) o afastamento da incidência dos juros moratórios de todas as multas de ofício aplicadas. 145. Adicionalmente, e de forma independente dos pedidos acima formulados, requerse a anulação do Auto de Infração quanto à caracterização de grupo econômico, uma vez que a Autoridade Fiscal não conseguiu provar, à suficiência, a sua existência (quando muito se provou a existência de um grupo de Fl. 9502DF CARF MF 14 empresas), fato que, por si só, é incapaz de gerar a solidariedade pelas dívidas fiscais, de maneira que as empresas tidas como responsáveis não poderão responder por dívidas da Requerente, e viceversa. 146. Tendo em vista que o montante apurado por meio do presente Auto de Infração guarda relação direta de prejudicialidade com aquele do procedimento administrativo n° 13888.724397/201284 (aumento da base de cálculo do lucro real relativa às glosas do prejuízo fiscal e da base negativa de 2007), requerse o apensamento e julgamento conjunto desta Impugnação Administrativa com aquela; ali apresentada. (...)” Impugnação dos Coobrigados As peças impugnatórias das Empresas Coobrigadas trazem a seguinte conclusão e pedidos: “(...) 43. Ex positis, é a presente para requerer dignemse Vossas Senhorias acolher a presente Impugnação, para que, julgandoa procedente, anular o Auto de Infração em desfavor Requerente, assim sendo: (í) pelo simples fato de inexistir lei específica autorizando a responsabilidade solidária, por grupo econômico, em se tratando de IRPJ e de CSLL; (ii) na medida em que, sob qualquer prisma, não há o grupo econômico entre, na realidade, o grupo de empresas identificados pela arbitrariedade fiscal; (iii) pelo fato de a Autoridade Fiscal, ainda que porventura se..mite a existência de um grupo econômico, não ter logrado êxito em comprovar a existência do chamado "interesse comum" no fato gerador do IRPJ e da CSLL, tal como exigido pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional e reiterada jusirpduência do C. STJ; e (iv) porquanto, estando no artigo 30 da Lei 8.212/91 a previsão da responsabilidade pretendida, e se referindo esse artigo apenas às contribuições nela previstas, não estão contempladas, nessa regra, o IRPJ e a CSLL objeto dos Autos de Infração ora impugnados, sendo certo, em relação ao último, e em reforço, que seu regramento está na Lei nº 7.798/89 (e, não, na L. 8.212/91). 44. Na remotíssima hipótese de os fundamentos acima serem vencidos, o que se admite pelo princípio da eventualidade, ainda assim deve ser acolhida a presente impugnação, para que (v) eventual responsabilidade solidária se restrinja à CSLL, e isso somente se se entender que esse tributo tenha a sua disciplina também regida pela Lei n 9 8.212/91, e tendo em vista não há regra dessa natureza (responsabilidade de grupo econômico) atinente ao IRPJ. 45. Requerse, ainda, que seja essa Impugnação julgada em concomitância com eventuais outras apresentadas pelas empresas autuadas, a fim de evitar decisões conflitantes. Fl. 9503DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 9 15 (...)” Impugnação do Sr. Sergio Lemos Santos Na peça impugnatória do Sr. Sergio Lemos Santos temse as seguintes conclusões (fls. 7974 e 7975): “(...) 99. Ex positis, é a presente para requerer dignemse Vossas Senhorias acolher a presente Impugnação, para que, julgandoa procedente, anular o Auto de Infração quanto à responsabilidade constituída em desfavor do Requerente, tendo em vista que passou longe de comprovar a presença dos requisitos do artigo 135 do CTN. 100. Subsidiariamente, requerse sejam cancelados os Autos de Infração do IRPJ e de CSLL, tendo em vista que: (i) com a revogação do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 pelos artigo n° 51 e 72 da Lei n° 4.506/64, deixou de existir, em lei, qualquer condição ou limite específicos de dedutibilidade para royalties pagos entre empresas brasileiras. 101. Na eventualidade de assim não decidir essa d. Delegacia de Julgamento, requerse, subsidiariamente, seja, ao menos, cancelado o Auto de Infração de CSLL uma vez que, nesse particular, e segundo precedente anteriormente visitado, "a glosa de despesas, motivada pelo limite de dedutibilidade estabelecido na legislação do Imposto sobre a Renda, relativamente a royalties, não afeta a base de cálculo do tributo, por falta de previsibilidade legal". 102. Na eventualidade de assim não decidir essa d. Delegacia de Julgamento, requerse, ainda subsidiariamente, sejam reduzidas as exigências fiscais formalizadas pelos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, mediante: (1.) o devido recalculo da base de cálculo dos tributos ora em cobrança, (1.1.) com a dedução da CSLL base de cálculo do IRPJ, (1.2.) do IRPJ da base da CSLL e (1.3.) do correto aproveitamento do benefício do PAT no tocante ao IRPJ, sem, portanto, as indevidas limitações impostas por atos normativos infralegais; (2.) a anulação (2.1.) da multa isolada de 50% e (2.2.) das multas de 150% e 75%, (2.3.) ou a sua redução, a critério de Vossas Senhorias, a patamar minimamente razoável e proporcional, que não devem superar 20%: e, na eventualidade de não serem anuladas as multas de ofício, (3.) o afastamento da incidência dos juros moratórios de todas as multas de ofício aplicadas.(...)” Acórdão nº 1447.991 5ª Turma da DRJ/POR Fl. 9504DF CARF MF 16 De pronto ressaltouse que, conforme asseverado pela ora recorrente as matérias em litígio foram objeto de lançamento de oficio para o ano calendário de 2007 no processo 13888.724397/201284, cuja impugnação foi apreciada pela mesma DRJ/RPO no acórdão 1443.284 de 29/7/2013. Na decisão do mérito, então, restou a aplicação do principio da decorrência e adoção dos fundamentos do voto condutor daquele acordão, da lavra do ilustre Julgador AuditorFiscal Emerson Catureli, dos quais serão destacados alguns pontos a seguir: “(...) Não procede a alegação de que, os arts. 52 e 71 da Lei nº 4.506/1964 regularam inteiramente a matéria versada no art. 74 da Lei nº 3.470/1958, razão pela qual teria havido revogação tácita desse dispositivo. Essa matéria já foi objeto de apreciação pela mais alta corte judicial do país, que entendeu não ter havido revogação tácita do art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pois a Lei nº 4.506/1964 não regulou inteiramente a matéria, dispondo diversamente apenas em relação aos domiciliados no exterior, da mesma forma como dispôs o Decreto nº 85.450/190, em seus arts. 233 e seguintes.(...) (...) Destarte, as limitações à dedutibilidade de royalties pagos entre empresas brasileiras previstas no art. 74 da Lei nº 3.470/1958 permanecem vigentes, razão pela qual a base legal do art. 355, § 3º, do RIR, contrariamente ao que alega a impugnante, permanece em vigor. (...) Diante desse comando, deve o contribuinte comprovar que houve a averbação ou registro no INPI do ato ou contrato que deu causa ao pagamento dos royalties. A impugnante alega que não lhe pode ser exigida a comprovação da referida averbação ou registro, pois as marcas “Dedini” estiveram, por anos e anos, registradas no INPI em nome da M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e da NG METALÚRGICA LTDA, de modo que nunca foi juridicamente possível à DZ S/A averbar ou registrar no INPI os contratos de licenciamento firmados com a DEDINI. Aduz que o registro dessas marcas é objeto de discussão judicial entre essas empresas, de modo que a dedutibilidade dos royalties pagos deve ser admitida a partir da data em que a DZ S/A ajuizou ação com o fim de reaver a propriedade das marcas licenciadas e pelas quais a DEDINI pagou royalties, ação essa que foi proposta em 2000. Quanto a essas alegações, é preciso ressaltar, de início, que a glosa de despesas de royalties que deu causa aos lançamentos envolveu dois contratos distintos. O primeiro deles é o “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avencas” (DIB nº 521/2006), por meio do qual a DEDINI obrigouse a pagar à DZ S/A 1% da receita de venda líquida mensal pela licença de uso das marcas de propriedade desta. O segundo deles é o Fl. 9505DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 10 17 “Contrato de uso de Bens Intangíveis” (DIB nº 001/2007), mediante o qual a DEDINI obrigouse a pagar à DZ S/A 2,5% da receita de venda líquida mensal pela licença de uso das tecnologias patenteáveis ou não, know how e goodwill de titularidade da DZ S/A. As alegações da impugnante relativas à impossibilidade de averbação do contrato de licenciamento das marcas “Dedini” evidentemente não alcançam a glosa das despesas de royalties decorrentes do “Contrato de uso de Bens Intangíveis” (DIB nº 001/2007), pois nesse caso não havia qualquer óbice ao registro do contrato, nos termos do art. 211 da Lei nº 9.279/1996 (...) (...) (...) as operações societárias que transferiram a titularidade das marcas “Dedini” à DZ S/A ocorreram todas em 1996. Até o ano 2000 esta empresa, integrante do mesmo grupo societária que a DEDINI, permaneceu inerte, sem providenciar as devidas alterações de registros das marcas no INPI. Somente em 2000 foi ajuizada ação para que fosse declarado que a DZ S/A era, de fato, a titular das marcas. A ação ordinária 2000.51.01.005226 2, na qual foi discutida a titularidade das marcas, que tramitou perante a 27ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, foi julgada procedente em 2008, conforme a sentença de fls. 17471752, com declaração de que a DZ S/A é a titular das marcas “Dedini”. Também o TRF da 2ª Região prolatou acórdão (fls. 17551780) no mesmo sentido, acórdão esse que transitou em julgado em 25/01/2011 (...) (...) Diante disso, a impossibilidade de averbação no INPI do “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avencas” (DIB nº 521/2006) foi provocada pela própria inércia da DZ S/A em promover as alterações devidas no registro, empresa esta integrante do mesmo grupos societário da DEDINI. Mais que isso, a DEDINI tinha ciência, quando da celebração desse contrato, da existência de demanda judicial entre a DZ S/A e as empresas M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e NG METALÚRGICA LTDA acerca da titularidade das marcas “Dedini” (...) (...) Destarte, a DEDINI, quando da celebração do contrato, já tinha ciência de que estaria impossibilidade, enquanto não houvesse o deslinde da demanda judicial, de averbálo no INPI, de modo que o descumprimento do requisito legal para que fosse dedutível a despesa de royalties já era de seu conhecimento quando o acordo foi firmado. Por essas razões, seus argumentos são improcedentes. Fl. 9506DF CARF MF 18 (...) Nos termos do art. 353, I, do RIR/1999, cuja base legal é o art. 71, parágrafo único, “d”, da Lei nº 4.506/1964, prescreve que são indedutíveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes. O legislador, por meio dessa norma, pretendeu evitar que, sob o pretexto de pagamento de royalties, houvesse distribuição de recursos com outros fins a pessoas ligadas. Na situação versada nos autos, apurou a autoridade autuante que, além do controle societário comum, as duas empresas estavam sediadas no mesmo endereço (Rod. Rio Claro, Km 26,3, Piracicaba/SP). Ademais, constatou que há pagamentos de obrigações e de recebimentos de direitos da DZ S/A em montantes vultosos, consoante demonstrativos de controle e apuração de mútuos do ano de 2009. A própria contabilização dos lançamentos de royalties foi feita em conta contábil denominada “transações coligadas”. Além disso, o Sr. Sérgio Leme dos Santos, presidente do grupo Dedini, reconheceu, em declaração, a condição de grupo econômico. Todas essas circunstâncias revelam o caráter de liberalidade do dispêndio. Diante de todos esses fatos, a melhor interpretação é no sentido de que o art. 353, I, do RIR/1999 veda a dedutibilidade das despesas a título de royalties pagas pela DEDINI à DZ S/A. (...) (...) a partir da vigência do art. 28 da Lei nº 9.430/1996, aplicamse CSLL as mesmas vedações e limitações para dedução de custo e despesas do IRPJ, salvo disposição contrária expressa em Lei. (...) A dedutibilidade da CSLL na apuração do IRPJ é vedada expressamente pelo art. 1º da Lei nº 9.316/1996. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. (...) Pelas mesmas razões, é descabida a dedução do IRPJ na apuração da CSLL, já que o art. 2º da Lei nº 7.689/1988 é expresso ao estabelecer que base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. A impugnante sustenta que deve ser reconhecido o direito ao aproveitamento do benefício fiscal do PAT exclusivamente segundo as regras previstas na Lei nº 6.321/1976 e na Lei nº 9.532/1997, sem as limitações impostas ou valores máximos estabelecidos por qualquer ato normativo infralegal de natureza regulamentar, especialmente a Instrução Normativa nº 267/2002. Fl. 9507DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 11 19 No tocante a essas alegações, é preciso esclarecer que os autos de infração foram lavrados como consequência da glosa de despesas contabilizadas pelo contribuinte a título de royalties. A matéria versada nos autos, portanto, nada tem a ver com o benefício fiscal do PAT. (...)” Por todo o exposto entendeuse pela mantença integral das glosas. Impugnação dos Coobrigados Entendeuse que restou comprovada a formação de grupo econômico, caracterizado por confusão patrimonial e econômica, com a transferência de vultosos ativos e passivos contínua e indefinidamente entre as empresas, bem como existência de direção, controle e administração comum, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Quanto ao Diretor Presidente da fiscalizada, Sérgio Leme dos Santos, também firmouse o entendimento de que este deveria responder solidariamente pelos débitos tributários apurados, nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Foram então transcritas constatações do Relatório Fiscal, aproveitadas pela Autoridade Julgadora como razão de decidir: “(...) Confusão patrimonial e econômica conforme operações constantes dos demonstrativos de apuração e controle de mútuo Verificase, pelo exame dos demonstrativos de apuração e controle de mútuo, que a fiscalizada assume a função de pagar as obrigações e receber direitos das demais empresas do grupo econômico, sob alegação de tratarse de operações acobertadas por contratos de mútuos, que permanecem indefinidamente em aberto. É nesse contexto que se verifica a “confusão patrimonial” e de administração, com a fiscalizada realizando de forma contínua numerosas transações de valores expressivos, superando o montante de R$ 200 milhões no anocalendário de 2009, conforme especificado na tabela 2 abaixo, através de pagamentos de encargos, custos e despesas e recebimento de receitas das/pelas demais empresas do grupo econômico. Esta prática implica em notória transgressão da segregação absoluta do patrimônio ou da gestão da entidade, ou seja, inexistência da separação das operações entre as empresas, qualificando a confusão patrimonial e de negócios. (...) Ao examinar os dados cadastrais das empresas do conglomerado econômico, verificase que a maioria delas estão sediadas, Fl. 9508DF CARF MF 20 conforme especificado abaixo, no mesmo ou endereços próximos, a saber, Rodovia RioClaro Piracicaba, Km 26,3. Além disso, os telefones de contato são idênticos, bem como a Caixa Postal para recebimento de objetos de correspondências, conforme especificado abaixo. É importante registrar que as empresas controladoras do grupo Doado S/A Participações, Nidar Participações LTDA e A D Participações LTDA funcionam exatamente no mesmo prédio. (...) 3.3 Quadro societário Todas as empresas do grupo pertencem e são controladas pelas mesmas pessoas jurídicas, a saber, Doado S/A Participações, Nidar Participações LTDA e A D Participações LTDA, que são constituídas por sócios ou acionistas que são do mesmo grupo familiar (vide sobrenome DEDINI). (...) 3.4 Procuradores e mandatários A condução das pessoas jurídicas integrantes do agrupamento tem em comum os diretores administradores Sérgio Leme dos Santos e José Luiz Olivério, que atuam individualmente ou em conjunto (...) (...) 3.5 Prestadores de serviços. Setor contábil e fiscal, e assistência social, médica, hospitalar e odontológica em comum. As empresas integrantes do grupo econômico possui a mesma contadora contadora (empregada da fiscalizada), Sra. Lisiane Uesono, conforme informações do SPED contábil, DIPJ e DACON, que é responsável pela contabilidade de todas as empresas do grupo, ou seja, é remunerada pela fiscalizada, mas presta serviços para todas as empresas do grupo. Os empregados, conselheiros e diretores, bem como os dependentes, das empresas do grupo DEDINI compartilham da mesma empresa de assistência social, inclusive médica, hospitalar e odontológica, a Dedini Serviço Social, CNPJ 54.373.964/000104, cujos presidentes são os Srs. Sérgio Leme dos Santos e José Luiz Olivério, que são os próprios administradores do grupo econômico Dedini (vide eprocesso 13888.000427/201182). (...) 3.8 Exame das transações com/da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas Apreciando os pagamentos que a fiscalizada fez à DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas, CNPJ 67.541.961/000184, ano de 2008, que alegou terem sido feitos a título de royalties, verifica se que estes não se referem à remessas de recursos para as contas bancárias da beneficiária dos alegados royalties, mas sim representavam pagamentos de encargos, custos e despesas da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas feitos diretamente pela fiscalizada, conforme comprovantes, perfazendo o montante de Fl. 9509DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 12 21 R$ 41.143.474,56, valor próximo ao faturamento da beneficiária, ou seja, quase todas as operações da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas eram sustentadas financeiramente com recursos provenientes da fiscalizada. Ademais, verificase da análise da contabilidade da DEDINI S/A Equipamentos e Sistemas, CNPJ 67.541.961/000184, período 2007 a 2010, que esta continuamente e indefinidamente repassa suas despesas para pagamento pela fiscalizada, conforme já explanado, e também mantém operações de mútuo com as demais empresas, identificadas abreviadamente nos lançamentos contábeis por AD, DOADO, NIDAR, DDN, SERV, DRE, situação que demonstra, mais uma vez, a intercomunicação patrimonial. Por fim, é importante salientar que a fiscalizada faz arrendamento dos parques industriais completos pertencentes à Dedini S/A Equipamentos incluindo imóveis e todos seus móveis, máquinas, equipamentos, ferramentas e utensílios que os guarnecem.(...) (...) A partir do momento em que se estabelece a relação de grupo entre sociedades, especialmente um grupo de fato, com centralização e subordinação entre os entes agrupados, diversas empresas são reunidas para formar um ente de natureza econômica destinado ao atendimento dos objetivos determinados pela empresa controladora. As sociedades dominadas, portanto, servem como mero instrumento para consecução do fim determinado pela dominante, atuando como se fossem simples prepostas.6 Diante do exposto, fica demonstrado a formação do grupo econômico DEDINI, caracterizado por unidade de controle por conglomerado familiar, unidade de direção, e confusão patrimonial e econômica, contínua e por tempo indefinido, devendo, portanto, os créditos tributários apurados no presente Auto de Infração e os demais impostos e contribuições não pagos em fase de cobrança, referentes à fiscalizada ou outras empresas do grupo econômico, serem exigidos conjuntamente das empresas solidárias integrantes do conglomerado econômico, que estão listadas na tabela 3, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para os débitos fazendários, e art. 30, IX, da Lei 8.212/91, quanto aos débitos previdenciários. Tendo em vista o levantamento de infrações à lei (arts. 352, 353 e 355 do RIR/99; Lei 8.137/90, art. 1º, I e II), abuso de personalidade, fraude (não demonstrar que as despesas de royalties (fatos) efetivamente aconteceram (atribuição do INPI)) de confusão patrimonial e econômica (vide tópicos 3.1, 3.7 e 3.8), o Diretor Presidente da fiscalizada, Sérgio Leme dos Santos, também deverá responder solidariamente pelos débitos tributários apurados, nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis.” Fl. 9510DF CARF MF 22 Fora mantida, portanto, a responsabilização de todos os coobrigados. Multa de Ofício Qualificada – Multa Isolada – Taxa Selic Entendeuse que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. No tocante à taxa Selic, a utilização desta como juros de mora estaria fundamentada no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Quanto a multa de oficio, nos termos do art. 44, inciso I da Lei 9.430/1996, para a aplicação da multa no patamar de 75%, entendeuse que basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual resulte falta de recolhimento do tributo ou contribuição, por parte da contribuinte. Firmouse que é exatamente este o caso aqui tratado, no qual restou evidenciada a inobservância das normas para a regular segregação, na escrituração da pessoa jurídica fiscalizada, dos atos não cooperados, fato que resultou a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos. Quanto a multa qualificada, entendeuse que, segundo o que se depreende dos autos, a contribuinte estava perfeitamente consciente de que essas despesas de royalties não têm qualquer substância econômica e foram gerados artificialmente em operações realizadas intragrupo. Desta forma verificouse que foram criadas condições para impedir dolosamente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, situação enquadrada na hipótese prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, razão pela qual votouse por manter a qualificação da multa de ofício. Diante do disposto no art. art. 7º, inciso V, da Portaria MF n° 341/2011, fora mantida a multa de oficio isolada. A autoridade julgadora baseouse em entendimento já consolidado outrora, firmando a inobservância do pagamento estimado implica a aplicação de penalidade isolada, nos exatos termos do art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 1996. Concluindose com o raciocínio de que fato gerador da penalidade é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, qual seja, a falta do pagamento do imposto e da contribuição por estimativa, no prazo legal estabelecido, e ocorre exatamente no momento em que inadimplida referida prestação. Conclusão Diante do exposto, votouse no sentido de julgar improcedentes as impugnações interposta pela Contribuinte e todos os coobrigados, para manter integralmente as exigências consubstanciadas no presente processo. Recurso Voluntário A ora recorrente em suas razões ao recurso voluntário requer que sejam cancelados os autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados tendo em vista que: Fl. 9511DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 13 23 (i) quando realizados entre empresas nacionais, o registro dos contratos de licença no INPI não constitui condição limitante a direito, bem como; (ii) subsidiariamente, deve ser afastada, no caso concreto, a condição atinete ao registro do contrato no INPI, ou a sua aceitação como cumprida, devido a se configurar um dever impossível de cumprido pela Recorrente ou pela Dedini S.A. Equipamentos e Sistemas; (iii) restou comprovada a necessidade de pagamento dos royalties para o pleno exercício das atividades da Recorrente; (iv) inexiste sociedade entre a recorrente e a detentora dos direitos intangíveis; (v) não houve qualquer prejuízo ao erário público, porquanto a receita deduzida da base de cálculo da Recorrente se inclui na base de cálculo da recebedora dos royalties. Pleiteia que seja cancelado o auto de infração de CSLL, tendo em vista (vi) a inaplicabilidade dos limites/condições de dedutibilidade à CSLL por ausência de disposição legal; (vii) por fim, requer que seja afastada a multa de ofício aplicada, a impossibilidade de sua cumulação com a multa isolada, e a ausência de intuito de fraude da Recorrente que justifique a aplicação da multa qualificada de 150%, bem como a impossibilidade da incidência dos juros sobre a multa de ofício. As empresas responsabilizadas solidariamente em suas razões aos recursos voluntários requerem seja declarada a ilegitimidade passiva com consequente exclusão do polo passivo da obrigação tributária, porquanto: (i) inexiste responsabilidade solidaria por suposto grupo econômico de fato; (ii) inexiste norma ordinária positivadora da hipótese de responsabilidade por grupo econômico de fato; (iii) inexiste grupo econômico de fato (mas sim, tao somente, de um grupo de empresas) e não há de prova acerca da existência de uma unidade diretiva ou centro decisório comum; (iv) inexiste prova do interesse comum no fato gerador; (v) não tem responsabilidade pelas supostas infrações (multa cometidas por outra empresa; ] (vi) são inaplicáveis as normas invocadas pelos AIIM´s; (vii) por fim, repete as alegações contidas no recurso voluntário da autuada quanto ao mérito da presente causa, as multas aplicadas e incidência dos juros sobre a multa de ofício. O Sr. Sergio Lemos Santos, Diretor Presidente da fiscalizada, alegou em seu recurso voluntário sua ilegitimidade passiva com a consequente exclusão do polo passivo da presente obrigação tributária uma vez que não houve a comprovação da pratica das condutas previstas no art. 135, III, do CTN a justificar sua responsabilização. Fl. 9512DF CARF MF 24 Por fim, repete as alegações contidas no recurso voluntário da autuada quanto ao mérito da presente causa, as multas aplicadas e incidência dos juros sobre a multa de ofício. Contrarazões ao Recurso Voluntário Da análise dos autos e da jurisprudência que vem se moldando em relação a casos pontuais, foram concretizadas as seguintes conclusões: “II – Da validade da autuação fiscal quanto à autuada (...) (...) agregado ao judicioso acórdão da DRJ e a jurisprudência do CARF favorável à tese fazendária, devem ser rechaçados os argumentos da recorrente, e mantida a glosa das despesas com royalties em razão: a) da falta de averbação dos respectivos contratos no INPI; b) do fato dos créditos ou pagamentos terem sido feitos à pessoa jurídica vinculada; e c) da falta de comprovação, com apresentação de documentação hábil e idônea, da necessidade das despesas com royalties para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento e, inclusive, ausência de demonstração cabal da veracidade, usualidade e normalidade dos fatos, cuja avaliação caberia ao INPI; tudo conforme consta do robusto e judicioso Relatório de Fiscalização. (...) III – Da legalidade da multa isolada e da possibilidade de aplicação da multa isolada com a multa de ofício. (...) Em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem. Data maxima venia, a recorrente cometeu dois atos ilícitos, previstos em lei, e a lei dispõe uma pena para cada um deles. (...) Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do sujeito passivo ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. (...) Fl. 9513DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 14 25 IV – Da legalidade da multa qualificada. Configuração da fraude, na modalidade simulação. (...) Tudo considerado, concluise que a recorrente: (i) em suas condutas, conforme descrito os fatos e os elementos pelo Relatório Fiscal evidenciaram a intenção da recorrente de prejudicar terceiros, no caso, o Fisco, e não a de realizar sua efetiva atividade econômica. Restou cabalmente comprovado que houve fraude que arquitetouse mediante as condutas de declarar em DIPJ e lançar na determinação do lucro real (vide contabilidade e LALUR) vultosos valores a título de despesas de royalties no País que não cumprem os requisitos legais para dedutibilidade (contratos não averbados no INPI; créditos ou pagamentos à pessoa jurídica vinculada; falta de comprovação, com apresentação de documentação hábil e idônea, da necessidade das despesas para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento) e, principalmente por não demonstrar cabalmente que os fatos declarados correspondem efetivamente a “royalties”, cuja atribuição de avaliação é do INPI, concluindo se que estes são inexistentes ou de natureza diversa da alegada, a fim de deduzir de forma indevida despesas de royalties no País que não cumprem os requisitos legais para dedutibilidade, reduzindo de forma ilegal a base de cálculo dos tributos devidos (evasão de tributos) (ii) como resultado de sua conduta dolosa, pagaria menos impostos e contribuições, com evidente prejuízo ao Erário; (iii) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente; (iv) a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Destarte, resta caracterizado o intuito da fraude, na medida em que, conforme restou demonstrado, a recorrente expressou sua vontade livre e consciente ao enveredar pelo caminho da evasão fiscal, participando de negócios que afrontam o ordenamento pátrio, que dá ensejo à aplicação da multa de 150%. (...) V – Da legalidade da incidência dos Juros sobre a Multa de Ofício. (...) Pela sistemática dos recursos repetitivos, o eg. STJ decidiu que "a Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95" (RESP 1.073.846/SP). Portanto, por aplicação do art. 62A do Anexo do RICARF, devese manter a incidência da SELIC sobre os créditos Fl. 9514DF CARF MF 26 tributários lançados, tendo em vista a posição consolidada do eg. STJ, rejeitando a tese da recorrente. (...) VI – Dos recursos voluntários das empresas responsabilizadas solidariamente e do Sr. Sergio Lemos Santos, Diretor Presidente da autuadarecorrente. (...) No caso dos presentes autos, o lançamento em comento demonstrou de forma clara e suficiente o interesse comum (econômico e jurídico) dos responsáveis tributários solidários na situação que constituiu os fatos geradores dos tributos apurados. De forma inequívoca, expôs o auto de infração que as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico de fato e os administradores participaram ativamente da realização da situação que constituiu os fatos geradores (interesse comum jurídico), como participaram economicamente dos resultados advindos desses fatos (interesse comum econômico). Os responsáveis solidários identificados pelo lançamento tanto participavam da realização dos negócios que deram origem ao fato gerador dos tributos apurados. Ora, uma vez tendo sido configurada tal moldura fática, outra conclusão não poderia ter sido adotada senão a aplicação do art. 124, I, do CTN, o qual determina a responsabilidade solidária dos indivíduos interessados, ou seja, sem benefício de ordem (podendo a dívida ser cobrada de qualquer um e a qualquer tempo, respeitados, logicamente, os prazos decadenciais e prescricionais). Quanto ao Sr. Sergio Lemos Santos, Diretor Presidente da autuadarecorrente, também restou cabalmente demonstrado pela Fiscalização suas diversas praticas contrarias à lei (arts. 352, 353 e 355 do RIR/99; Lei 8.137/90, art. 1º, I e II), abuso de personalidade, fraude (não demonstrar que as despesas de royalties (fatos) efetivamente aconteceram (atribuição do INPI)) de confusão patrimonial e econômica (vide tópicos 3.1, 3.7 e 3.8 do Relatório de Fiscalização), ensejando a sua responsabilidade com base nos art. 1359, III, do CTN. (...) (...) mostrase que o lançamento em tela configurou de forma correta e suficiente a responsabilidade tributária solidária dos integrantes do grupo econômico envolvidos e com o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. O interesse comum (jurídico e econômico) aferido pela Fiscalização torna inquestionável o vínculo de responsabilidade atribuído. Por fim, informamos que quanto as alegações dos responsabilizados solidariamente sobre o mérito da presente causa, as multas aplicadas e os juros incidente sobre a multa de ofício, nos reportamos e reiteramos os argumentos contidos nos tópicos III, IV e V da presente peça. Fl. 9515DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 15 27 (...) VII – Da Conclusão. Face ao exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja negado provimento in totum aos recursos voluntários interpostos pela autuada e pelos responsáveis solidários, mantendose incólume o hígido lançamento fiscal questionado.” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Do Mérito Para melhor noção dos temas que serão abordados no decorrer da parte meritória deste voto, de forma prática e didática serão delineados a seguir os pontos a serem enfrentados: a) da suposta falta de averbação dos respectivos contratos no INPI; b) do fato dos créditos ou pagamentos terem sido feitos supostamente à pessoa jurídica vinculada; c) da suposta falta de comprovação, com apresentação de documentação hábil e idônea, da necessidade das despesas com royalties para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento e, inclusive, a suposta ausência de demonstração cabal da veracidade, usualidade e normalidade dos fatos; e d) a suposta validade da extensão do lançamento em relação à glosa do IRPJ, para a apuração da CSLL. Quanto ao primeiro ponto, essencial que se divida a análise em duas partes: incialmente deverá ser elucidado se há imposição legal para a averbação dos contratos no INPI como uma premissa para a dedutibilidade dos royalties pelo uso ou cessão da marca; e, assim, dependendo da conclusão atingida, se o recorrente de fato averbou a contratação perante o INPI. De modo direto e claro, a lei expressamente condiciona a possibilidade de dedução dos royalties pagos em relação ao uso ou cessão da marca e à transferência de tecnologia, ao prévio registro do contrato perante o INPI. A redação do art. 355, §3º do RIR/99 é inequívoca neste sentido, in verbis: Fl. 9516DF CARF MF 28 Art. 355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei n° 3.470, de 1958, art. 74, e Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 6º). (...) § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. (Grifo nosso) Reiterase que a dicção legal do supracitado normativo, em pleno vigor e validade, é veemente no sentido condicionar a dedutibilidade dos royalties pagos à obrigatoriedade de averbação do contrato referente ao uso ou cessão da marca ou transferência de tecnologia perante o INPI. Quanto a este ponto, instaurouse discussão calorosa quanto à criação da Lei nº 4506/64, especificamente diante do conteúdo normativo de seu art. 71, que teria colocado em xeque a aplicação fática do art. 74 da Lei nº 3740/58. Fosse verdadeira e legalmente possível tal assertiva, cairia por terra a manifestação válida do art. 355, §3º do RIR/99. No entanto, devese deixar claro que a Lei nº 4506/64, apesar de inovar e trazer modificações a sistemática de dedutibilidade dos “royalties”, em nada atingiu as disposições legais da Lei nº 3470/58. Enquanto a primeira traz específicas definições sobre a dedutibilidade de royalties referentes ao uso de marcas de indústrias e comércio pagos ou creditado a beneficiários domiciliados no exterior, a segunda, de modo abrangente, acaba por abarcar a garantia dos limites de dedutibilidade no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. Validase, assim, por consequência lógica, a aplicação do art. 355, §3º do RIR/99. A jurisprudência administrativa do CARF e judicial (STF) são dominantes no entendimento que ora se delineia: DCTF. DIPJ. DIVERGÊNCIAS. Constatado que os débitos confessados em DCTF são inferiores aos valores informados em DIPJ, dada a discriminação de bases de cálculos constantes nesta última, prevalecerão as informações Fl. 9517DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 16 29 contidas na DIPJ, salvo se o contribuinte demonstrar o contrário. DESPESAS. ROYALTIES. EXPLORAÇÃO DE MARCAS. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties decorrentes de exploração de marcas, somente será admitida a partir da averbação do respectivo contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de redução de ICMS, decorrentes da obtenção de créditos presumidos, que possuam vinculação, ainda que indireta, com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico, caracterizam como subvenção para investimento, podendo ser excluída na determinação do lucro real. DESPESA. DÉBITO PARCELADO. A despesa com tributos é dedutível na apuração do lucro real segundo o regime de competência. Compete ao contribuinte provar que não deduziu no tempo oportuno tal gasto, se intenta excluílo do lucro real de período ulterior. (Acórdão nº 1402002.243 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 18 de janeiro de 2016) PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO INDUSTRIAL (PDTI). INCENTIVOS FISCAIS. ROYALTIES. RESTITUIÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Devem incidir sobre os créditos tributários dos sujeitos passivos, decorrentes da devolução de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de pagamento de royalties e vinculados a contratos de transferência de tecnologia, averbados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, a partir de 01 de janeiro de 1996, os juros equivalentes à taxa SELIC, acumulados mensalmente, até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que a restituição for efetivada. (Acórdão nº 2201002.711 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – 8 de dezembro de 2015) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA. LIMITE DE DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE ROYALTIES PELO USO DE Fl. 9518DF CARF MF 30 MARCA COMERCIAL. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58: NÃO REVOGAÇÃO PELO ART. 71 DA LEI 4.506/64. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que embora haja estabelecido modificações na dedução de despesas com royalties, a Lei nº 4.506/1964 não revogou o art. 74 da Lei nº 3.470/1958, pelo que se conclui ser legítima a imposição de limite de dedutibilidade, fixada pela Lei nº 3.470/58 (artigo 74), no que tange aos pagamentos de royalties pelo uso de marca em favor de beneficiário residente no Brasil. (Acórdão nº 180301.287 – 3ª Turma Especial 11 de abril de 2012) Ademais, cabe ressaltar que as melhores práticas contábeis parecem seguir as determinações legais contidas no art. 355, §3º do RIR/99. Devese partir do pressuposto irretorquível de que a marca e/ou a transferência de tecnologia, para a contabilidade, perfazem ativos intangíveis dentro de uma entidade. O presente julgador já se posicionou quanto ao tema, mas cabe repisar que o tema ativo intangível gera enorme controversa e muitas incertezas, principalmente concernente a mensuração de valores determinados e/ou determináveis, capazes de representar fidedignamente uma realidade fática. Em suma, tratase de um ativo não monetário identificável sem substância física, ou incorpóreo. A contabilidade, de modo geral, não seguiu as evoluções da sociedade e o desenvolvimento econômico e financeiro mundial, em especial quanto ao reconhecimento recente do valor criado pelos ativos intangíveis, como ideias, marcas, maneiras de trabalhar, franquias, cujo valor em muitas empresas é superior aos ativos contabilizados. A dissociação de tais elementos afeta negativamente os mais diversos agentes, tanto externos quanto internos, como os investidores e gestores, de modo que estes não possuem dados sólidos e fidedignos para decidir. Alguns requisitos devem ser preenchidos para a devida classificação do ativo intangível: devem ser identificáveis, controlados e geradores de benefícios econômicos futuros. O alvo da presente discussão norteia exatamente o controle de um ativo intangível. Neste sentido tornase prérequisito para o devido reconhecimento e mensuração de uma ativo intangível, que este seja resultante de direitos contratuais ou outros direitos legais. As conclusões acima atingidas são consequentes a análise do CPC 04 (Comitê de Pronunciamento Contábil 04). Veja, à época das indevidas deduções (2008 e 2009), não havia uma normatização/unificação contábil significativa e contundente quanto a classificação, mensuração ou registro de ativos intangíveis. Engloba, este grupo contábil, elementos modernos e até então pouco explorados pela contabilidade, mas que foram lentamente sendo positivadas, apesar das calorosas discussões que ainda circundam o tema. Razão pela qual motivase o apoio nas disposições do CPC 04, aprovado em 05/11/2010. Através da análise dos itens 12(a) e 13 do referido CPC tornase patente que o controle é dos critérios de identificação de um ativo intangível: Fl. 9519DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 17 31 “(...) 12. Um ativo satisfaz o critério de identificação, em termos de definição de um ativo intangível, quando: (...) (b) resultar de direitos contratuais ou outros direitos legais, independentemente de tais direitos serem transferíveis ou separáveis da entidade ou de outros direitos e obrigações. 13. A entidade controla um ativo quando detém o poder de obter benefícios econômicos futuros gerados pelo recurso subjacente e de restringir o acesso de terceiros a esses benefícios. Normalmente, a capacidade da entidade de controlar os benefícios econômicos futuros de ativo intangível advém de direitos legais que possam ser exercidos num tribunal. A ausência de direitos legais dificulta a comprovação do controle.(...) Veja, quando está a se falar em controle e, assim, em direitos legais, devemos traçar de pronto, estando em voga a discussão acerca do uso ou cessão de marca ou de transferência de tecnologia, a necessidade de averbação do contrato perante o INPI, órgão competente para tal. Neste momento é possível determinar a total simetria informacional entre as normas contábeis e as disposições legais inseridas no pátrio ordenamento jurídico. A inserção, em ambos os contextos, pressupõe um direito adquirido, devidamente resguardado e reconhecido pelas autoridades competentes. Diante de todas as afirmativas aqui expostas, relembrando, a expressa previsão legal do art. 355, §3º do RIR/99, a jurisprudência dominante que aponta para uma verdade estritamente formal e a completa simetria informacional, validam de forma contundente a indedutibilidade dos royalties nos termos do supracitado dispositivo legal. O ora recorrente, quanto a este ponto específico, revela configurarse um dever impossível de cumprimento (ou pela Dedini S.A. Equipamentos e Sistemas), uma vez que “as marcas “Dedini” estiveram, por anos e anos, registradas no INPI em nome da M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e da NG METALÚRGICA LTDA, de modo que nunca foi juridicamente possível à DZ S/A averbar ou registrar no INPI os contratos de licenciamento firmados com a DEDINI. Aduz que o registro dessas marcas é objeto de discussão judicial entre essas empresas, de modo que a dedutibilidade dos royalties pagos deve ser admitida a partir da data em que a DZ S/A ajuizou ação com o fim de reaver a propriedade das marcas licenciadas e pelas quais a DEDINI pagou royalties, ação essa que foi proposta em 2000.” Para a devida análise de tal alegação, seguindo raciocínio muito semelhante ao imprimido pela fiscalização e reproduzido pelo v. acórdão recorrido, imprescindível que se segreguem os dois contratos que envolvem a autuação: o “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avencas” e o “Contrato de uso de Bens Intangíveis”. Fl. 9520DF CARF MF 32 Quanto ao primeiro reproduzemse aqui as convincentes constatações levantadas pela Fiscalização, que deveras desnaturam qualquer justificativa apresentada pelo ora recorrente: “(...)Diante disso, a impossibilidade de averbação no INPI do “Contrato de Licença de Uso de Marca e Outras Avencas” (DIB nº 521/2006) foi provocada pela própria inércia da DZ S/A em promover as alterações devidas no registro, empresa esta integrante do mesmo grupos societário da DEDINI.(...) (...) Mais que isso, a DEDINI tinha ciência, quando da celebração desse contrato, da existência de demanda judicial entre a DZ S/A e as empresas M. DEDINI METALÚRGICA LTDA e NG METALÚRGICA LTDA acerca da titularidade das marcas “Dedini”, conforme consta dos considerandos da avença(...) (...) a DEDINI, quando da celebração do contrato, já tinha ciência de que estaria impossibilidade, enquanto não houvesse o deslinde da demanda judicial, de averbálo no INPI, de modo que o descumprimento do requisito legal para que fosse dedutível a despesa de royalties já era de seu conhecimento quando o acordo foi firmado.(...)” Quanto ao segundo, não basta a alegação inicial apresentada pela Fiscalização de que não havia qualquer óbice ao registro do contrato, nos termos do art. 211 da Lei nº 9.279/1996. A questão é um pouco mais complexa e vai além da rasa interpretação literal do referido dispositivo legal. No contexto de existência e operacionalização da ora recorrente em um conglomerado, um grupo econômico, há que se destacar a aplicação inicial do art. 353, I, do RIR/99, in verbis: “Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; (...)” Restou patente que a transferência de tecnologia ocorreu intragrupo. Há comprovação robusta nos autos, levantada pela fiscalização e também por meio do v. acórdão recorrido, que denotam indícios veementes apontando para a identificação de uma operação dentro de um grupo econômico, “caraterizado por confusão patrimonial e econômica e financeira, e unidade de direção e controle, que constitui de fato uma só empresa, pois a fiscalizada pode usar e usufruir as marcas e tecnologia, independentemente de remuneração.”. A passagem do Termo de Verificação Fiscal evidencia tal assertiva: (...)Diante do exposto, fica demonstrado a formação do grupo econômico DEDINI, caracterizado por unidade de controle por Fl. 9521DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 18 33 conglomerado familiar, unidade de direção, e confusão patrimonial e econômica, contínua e por tempo indefinido(...) O quadro que se instala, perfaz direção e controle comum e a consequente transferência de ativos e passivos de forma contínua e indefinida entre as entidades de um mesmo grupo econômico. Não há que se falar, neste contexto, por interpretação lógica, em transferência real e genuína de tecnologia. Também diante de tais assertivas se torna automática a afronta direta ao art. 352 do RIR/99, ilidindo sua aplicação, por não perfazer a transferência, de modo algum, uma despesa manifestamente habitual e necessária. Eis a dicção legal do supracitado dispositivo legal: Art. 352. A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71). O caráter de necessidade e habitualidade dentro das atividades operacionais da empresa é completamente mitigado quando levase em consideração a relação subjetiva que se percebe em um segundo plano. São necessárias, as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Aqui está a se falar em transações exigidas pela atividade do Grupo Econômico. Não há como deixar de ressaltar a aplicação do art. 299 do RIR/99, aproveitando o ensejo, porém, para elucidar que a sistemática aplicada ao IRPJ não se aplica à CSLL. Neste sentido se posicionou recentemente esta 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão nº 1201001.407: “(...) É que, no caso, conforme ressaltado pelo relator, a indedutibilidade dos royalties está prevista no art. 353 do RIR/99, abaixo transcrito, cujo esteio legal remonta ao art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964, verbis: "Art.353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes;" A mencionada Lei nº 4.506/64, como é cediço, diz respeito apenas à apuração do lucro real, para fins de incidência do imposto de renda devido pela pessoa jurídica, não sendo aplicável, por si só, portanto, à apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro devida por esta mesma pessoa jurídica. Fl. 9522DF CARF MF 34 Outrossim, não acompanho o entendimento de diversos de meus pares, no sentido de que o superveniente artigo 57 da Lei nº 8.981/95 autorizaria aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas restrições à dedutibilidade das despesas que é prevista para o IRPJ. Isto porque o referido artigo apenas determina que se aplique à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ. Disto extraise, por exemplo, que, se a empresa apurar o IRPJ pelo lucro real trimestral, assim deverá também proceder com relação à apuração e pagamento da CSLL; ou, se optar pelo lucro presumido com relação ao IRPJ, deverá também considerar tal opção para fins de apuração e pagamento da CSLL. Por outro lado, o mesmo referido artigo é expresso em justamente preservar a base de cálculo e as alíquotas então em vigor para cada um desses tributos, o que apenas reforça a individualidade das respectivas bases de cálculo, e não a indiscriminada extensão de todas as indedutibilidades de despesas previstas no IRPJ para a CSLL. Confirase: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. Aliás, se o dispositivo em questão estendesse à apuração da CSLL todas as indedutibilidades de despesas previstas na legislação do IRPJ, desnecessária seria a remissão expressamente feita em diversos dispositivos — alguns deles contidos na própria Lei nº 8.981/95 (e.g., o art. 100 e 105) — de que estes são aplicáveis à "determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro". Digase, a propósito, que o entendimento de que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 estenderia à CSLL todas as regras relativas à indedutibilidade de despesas previstas para o IRPJ, a par de ser refutado pela majoritária jurisprudência do CARF, já foi também sepultado pela própria Receita Federal, consoante se depreende da Solução de Divergência COSIT nº 39, de 30.12.2013, in verbis: “O art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, que determina a aplicação à CSLL das ‘mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas’ é indicado para o contribuinte das duas espécies tributárias. No intuito de racionalizar procedimentos, o art. 57 estabelece critérios comuns de apuração do IRPJ e da CSLL. Isso é válido para critérios operacionais de apuração, mas não para definir regras de incidência. Embora espécies distintas, com fatos geradores distintos (o da CSLL é o lucro e o do IRPJ é a renda), o contribuinte do IRPJ é, em regra, contribuinte da CSLL. Porém, o inverso não acontece: as entidades a que se referem as alíneas b e c do inciso VI do art. 150 da Constituição são imunes do pagamento do IRPJ, mas não da CSLL.” (grifouse) É por este motivo que, quando a lei pretende estender à CSLL algo que antes estava previsto somente na legislação do imposto de renda, tem de fazêlo expressamente, a exemplo do que foi feito com o art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (no que toca à extensão para a CSLL das normas de lucros no exterior previstas para o Fl. 9523DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 19 35 IRPJ na Lei nº 9.249, de 1995, e outras), ou com o art. 22 da mesma Medida Provisória (no que toca ao disposto nos artigos 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987). Portanto, por ausência de base legal, devese ter por dedutíveis da base de cálculo da contribuição social as despesas decorrentes do pagamento de royalties, conforme configuradas no presente caso. No mesmo sentido, o seguinte precedente do CARF (Acórdão 1102001.182, sessão de 27 de agosto de 2014, relator José Evande Carvalho Araujo): "CSLL. ROYALTIES PAGOS A SÓCIO. DESPESA NECESSÁRIA E DEDUTÍVEL. A regra do art. 353, inciso I, do RIR/99 (art. 71 da Lei nº 4.506, de 1964), que veda a dedução de royalties pagos a sócios da base de cálculo do IRPJ, não se aplica à CSLL por falta de previsão legal. (...)” Aproveito as conclusões como razão para decidir pela impossibilidade de glosa dos valores referentes à CSLL. Todo o racional construído até então estava direcionado pela legislação que rege a sistemática de incidência do IRPJ. Diante do julgado exposto falece toda a construção estritamente positivista aplicada ao IRPJ, de modo que quanto à CSLL não há que se falar em indedutibilidade. Superado este ponto, cabe ressaltar, por fim, voltando à glosa dos valores referentes ao IRPJ (completamente devida digase de passagem), que além de todas as inconsistências relatadas, o ora recorrente não logrou êxito na comprovação, mediante documentação hábil e idônea, das despesas incorridas com os referidos royalties. Veja, os contratos não foram averbados perante o INPI e o recorrente não apresentou qualquer documentação subsidiária que comprovasse a natureza de cada serviço e o respectivo montante das despesas com royalties referentes ao fornecimento de tecnologia. Em análise conclusiva, o quadro fático e os respectivos enquadramentos e adaptações legais compõem um cenário que evidencia a total indedutibilidade dos royalties pagos pelo uso de marca comercial, bem como pelo uso de tecnologias, na base de cálculo do IRPJ. Multa de Ofício Qualificada A multa de ofício qualificada, conforme análise detida de todo o já exposto, é apenas a confirmação de uma conduta fraudulenta praticada pelo ora recorrente. De forma sucinta, os atos praticados, podem ser assim subsumidos, conforme passagem do TVF: Fl. 9524DF CARF MF 36 “(...) O contribuinte suprimiu ou reduziu IRPJ e CSLL, isto é, ocultou, total ou parcialmente, fato gerador da obrigação tributária, impedindo que os tributos nos montantes efetivamente devidos aparecessem para a autoridade da Administração Tributária e esta tomasse conhecimento dos fatos tributáveis, pela vias normais, mediante as condutas de declarar em DIPJ e lançar na determinação do lucro real (vide contabilidade e LALUR) vultosos valores a título de despesas de royalties no País que não cumprem os requisitos legais para dedutibilidade (contratos não averbados no INPI); créditos ou pagamentos à pessoa jurídica vinculada; falta de comprovação, com apresentação de documentação hábil e idônea, da necessidade das despesas para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento) e, principalmente, por não demonstrar cabalmente que os fatos declarados correspondem efetivamente a “royalties”, cuja atribuição de avaliação é do INPI, concluindose que estes são inexistentes ou de natureza diversa da alegada.(...)” Resta patente que o ora recorrente agiu com o claro intuito fraudulento, nos termos do art. 72 da Lei nº 4502/64, in verbis: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Tratase ação dolosa ação dolosa por parte do recorrente, no intuito cristalino de reduzir o montante do imposto devido a evitar o seu pagamento. O perfeito enquadramento legal infere na aplicação do art. 44, I, §1º da Lei nº 9430/96, que valida a qualificação da multa diante de ação fraudulenta por parte do contribuinte. Portanto, mantenho a qualificação da multa de ofício. Multa Isolada Os recorrentes, ao suscitarem a ilegalidade da cobrança da multa isolada, estão diretamente questionando a constitucionalidade da Lei nº 9430/96, que dispõe sobre a aplicação da referida multa no art. 44, inciso II. É cediço, no entanto, que não cabe ao CARF decidir sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Neste momento, necessário que se exponha o disposto na Sumula nº 2 do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), in verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 9525DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 20 37 Resta patente, através de entendimento sumulado e consolidado como dominante perante este órgão julgador, que não cabe ao presente discutir e/ou enfrentar a inconstitucionalidade de uma lei e, especificamente, a inconstitucionalidade de um ato. Responsabilidade Faço minhas as considerações elencadas pela fiscalização acerca da caracterização patente de um grupo econômico, que, por consequência lógica estendeu aos coobrigados e, especificamente, ao Sr. Sergio Lemos Santos, a responsabilidade pelo pagamento do tributo, respectivamente, em alinho aos art. 124, I e 135,III, do CTN: “(...) Tal como demonstrado, o lançamento corretamente caracterizou a formação do grupo econômico, em face da: (i) confusão patrimonial e econômica conforme operações constantes dos demonstrativos de apuração e controle de mútuo – exaustivamente demonstrado no Relatório de Fiscalização, inclusive através de diagramas; (ii) identidade de endereço, telefone, e caixa postal das empresas do conglomerado econômico; (iii) todas as empresas do grupo pertencem e são controladas pelas mesmas pessoas jurídicas (Doado S/A. PAriticpações, Nidar Participações Ltda., AD Participações Ltda.) as quais são constituídas por sócios ou acionistas que são do mesmo grupo familiar; (iv) identidade de procuradores e mandatários na condução das pessoas jurídicas integrantes do agrupamento – gerenciamento unitário do grupo econômico pelos Diretores Administradores Lergio Leme dos Santos e José Luiz Olivério; (v) as empresas do grupo econômico possuem os mesmos prestadores de serviços contábeis e fiscal, assistência social, medica, hospitalar e odontológica; (vi) as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico demonstram que as sociedades tem apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a autuação delas é complementar, como se fosse uma empresa una; (vii) a autuada agrupa registro contábeis das operações com as demais empresas do grupo numa única conta contábil, com um único saldo contábil, como se fosse uma única empresa que estivesse se relacionando; (viii) as operações com a Dedini S/A. Equipamentos e Sistemas eram sustentadas com recursos da autuada; (ix) a didática descrição do Grupo Dedini no livro “Dedini – a força de um ideal. (...) Nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, são definidos como devedores solidários aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Este instituto determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Neste Fl. 9526DF CARF MF 38 caso, deve ocorrer um interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador para, conseqüentemente, passarem à condição de devedores solidários. (...) Quanto ao Sr. Sergio Lemos Santos, Diretor Presidente da autuadarecorrente, também restou cabalmente demonstrado pela Fiscalização suas diversas praticas contrarias à lei (arts. 352, 353 e 355 do RIR/99; Lei 8.137/90, art. 1º, I e II), abuso de personalidade, fraude (não demonstrar que as despesas de royalties (fatos) efetivamente aconteceram (atribuição do INPI)) de confusão patrimonial e econômica (vide tópicos 3.1, 3.7 e 3.8 do Relatório de Fiscalização), ensejando a sua responsabilidade com base nos art. 1359, III, do CTN.(...)” Por todo o exposto voto no sentido de manter a responsabilização dos coobrigados e do Diretor Presidente, o Sr. Sergio Lemos Santos. Juros Selic sobre Multa de Ofício Com relação aos argumentos do ora recorrente em relação à ilegalidade da utilização da Taxa Selic, aplico o disposto na Súmula CARF n. 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A incidência dos juros alcança todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Este racional já vem se consolidando na CSRF deste Conselho: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada: Viviane Vidal Wagner) Fl. 9527DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 21 39 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192) Por fim, o STJ já possui posicionamento neste sentido: (Acórdão n.º 1201001.394) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, reputo acertada a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, CONCEDERLHE PARCIAL PROVIMENTO, validando a dedução dos valores referentes aos royalties da base de cálculo de CSLL. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 9528DF CARF MF 40 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do nobre relator com relação aos termos do seu voto, somente no que tange à dedução dos valores referentes aos royalties da base de cálculo da CSLL. Por elucidativo relativamente à matéria, transcrevo parte do voto condutor do Acórdão nº 1201001.462, desta Turma, proferido na sessão de 9 de agosto de 2016, relator o i. Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, cujos fundamentos adoto como razões de decidir: 5. Da aplicabilidade das regras sobre indedutibilidade de royalties ao cálculo da CSLL Conquanto existam no Conselho posições favoráveis à tese de falta de previsão legal acerca da indedutibilidade dos royalties pagos em relação à CSLL, tenho e já manifestei anteriormente opinião diversa. Existem vários fundamentos para essa posição. O primeiro diz respeito ao plano normativo. A CSLL é originalmente prevista pela Lei n. 7.689/88, que em seu artigo 2º estabelece que a base de cálculo da contribuição será o resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; O comando acima aproxima a estrutura da CSLL à do IRPJ, tema bastante discutido desde a criação da contribuição e que, de forma majoritária, tem receptividade na doutrina e na jurisprudência dos tribunais superiores. Na esteira de tais manifestações não podemos olvidar, ainda no plano normativo, o comando exarado pelo artigo 57 da Lei n. 8.891/95, com a redação dada pela Lei n. 9.065/95: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 9529DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 22 41 A leitura do dispositivo nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido diverso. Aliás, os demais parágrafos do artigo 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conforme dispõe artigo 58 do mesmo diploma legal: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (artigos 250 e 510 do Decreto n. 3.000/99). Não se trata, portanto, de integração por analogia, figura vedada pelo artigo 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de apuração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente configura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência, às regras do IRPJ. Além dos dispositivos já mencionados não podemos olvidar a regra veiculada pelo artigo 28 da Lei n. 9.430/96: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) A pertinência dos comandos normativos ao caso sob análise foi bem delineada pela Fazenda Nacional (grifado no original): Fl. 9530DF CARF MF 42 E cumpre ressaltar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, tal disposição importa vedação à dedutibilidade das despesas com pagamento de royalties, na medida em que determina aplicação do art. 1º da Lei n. 9.430/96 à CSLL, que dispõe sobre a apuração do IRPF, estabelecendo que “a partir do anocalendário de 1997”, o tributo será determinado com observância da “legislação vigente”, com as alterações introduzidas pela Lei . Não há dúvida de que o art. 71 da Lei n. 4.506/64 era norma vigente ao tempo da edição da Lei n. 9.430/96 e, pois, pela disposição dos artigos 28 e 1º da Lei n. 9.430/96, tornouse aplicável à CSLL. Ante o exposto, resta claro que as regras de dedutibilidade da legislação do IRPJ são integralmente aplicáveis na apuração da base de cálculo da CSLL. Igual posição também já foi objeto de manifestação da Receita Federal, especialmente quanto à dedutibilidade das despesas com royalties: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 316, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2014 DOU de 02/12/2014, seção 1, pág. 10 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EMENTA: DESPESAS COM ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. LIMITE APLICÁVEL. Para efeito da apuração do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a dedutibilidade das despesas com royalties está condicionada às regras estabelecidas pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99. Outro fundamento relevante é o anseio e a posição da própria doutrina, que a todo instante reafirma a quase identidade entre os tributos. Isso ocorre, por exemplo, quando se cogita da extensão dos efeitos dos tratados internacionais para evitar a bitributação à CSLL. Na esteira de entendimento doutrinário quase absoluto, sempre defendi a aplicabilidade das regras para evitar a bitributação também para a contribuição, posição igual à de autores de escol e que, recentemente, foi finalmente expressa pelo legislador, nos termos do artigo 11, da Lei n. 13.202/2015. Conquanto a Receita Federal negasse com veemência a possibilidade de extensão, toda a doutrina clamava em sentido oposto, forte no argumento de similitude entre os tributos, circunstância por fim pacificada pelo legislador e justamente numa norma que instituiu o Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELIT). E aqui temos uma questão importante. Em nome da coerência e de postulados lógicos fundamentais, ou um objeto guarda identidade com outro ou não guarda. Não existe espaço para manobras ou variações ao Fl. 9531DF CARF MF Processo nº 13888.720696/201321 Acórdão n.º 1201001.529 S1C2T1 Fl. 23 43 sabor do intérprete, vale dizer, a CSLL não pode ser suficientemente parecida com o IRPJ para que se aplique as regras dos tratados e, ao mesmo tempo, suficientemente diferente para que as regras de dedutibilidade sejam distintas. O valor do raciocínio está na pertinência e coerência com o sistema e não em modulações de acordo com o interesse em jogo e a vontade do intérprete. Ademais, não podemos olvidar que a interpretação autêntica veiculada pela Lei n. 13.202/2015, inclusive com efeitos retroativos no caso dos tratados celebrados pelo Brasil não pode simplesmente ser desconsiderada. Embora não exista tratado entre Brasil e Estados Unidos (simplesmente porque aquele país não os celebra com quase ninguém), é inegável que a Convenção Modelo da OCDE trata a remuneração em debate nos autos como royalties e, por decorrência lógica e jurídica, isso se aplica também à CSLL. Constatase que não faltam argumentos e fundamentos para a indedutibilidade dos royalties pagos também em relação à CSLL. Confirmamna dispositivos legais, o entendimento da doutrina, a recente manifestação do legislador e, por fim, a normativa internacional, de sorte que sua aplicação ao caso concreto não decorre de integração ou analogia, sendo de rigor, portanto, a manutenção do lançamento. Em face do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário quanto à dedução dos valores referentes aos royalties da base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar – Redator designado Fl. 9532DF CARF MF
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