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Numero do processo: 10830.009214/00-32
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. SAÍDAS DE PRODUTOS IMPORTADOS COM SUSPENSÃO DE IMPOSTO. REACONDICIONAMENTO. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CARACTERIZAÇÃO.
Considera-se industrialização inclusive a alteração na apresentação do produto, ou. seja, o seu reacondicionamento, excepcionando-se exclusivamente a hipótese de acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto (Lei n° 4.502/64, art. 3º, parágrafo único). Em sendo o estabelecimento considerado industrial, de se permitir a saídas dos produtos com suspensão de IPI, na forma do disposto no art. 5º, da Lei nº 9.826, de 1999.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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RAYMOND BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Cientificada, ainda que de forma indireta, quanto aos argumentos utilizados pela DRJ para a manutenção da reconstituição de oficio do saldo credor de IPI, afastase a prejudicial de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. SAÍDAS DE PRODUTOS IMPORTADOS COM SUSPENSÃO DE IMPOSTO. REACONDICIONAMENTO. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CARACTERIZAÇÃO. Considerase industrialização inclusive a alteração na apresentação do produto, ou. seja, o seu reacondicionamento, excepcionandose exclusivamente a hipótese de acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto (Lei n° 4.502/64, art. 3º, parágrafo único). Em sendo o estabelecimento considerado industrial, de se permitir a saídas dos produtos com suspensão de IPI, na forma do disposto no art. 5º, da Lei nº 9.826, de 1999. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 92 14 /0 0- 32 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Adriana Oliveira Ribeiro. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.009214/0032 Acórdão n.º 3401002.109 S3C4T1 Fl. 369 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI apurado pela interessada ao final do 3º trimestre de 2000, no valor de R$ 122.126,96, aos quais, posteriormente, foram vinculadas declarações de compensação de débitos. Na Informação Fiscal (fls. 117/120), a autoridade reporta a necessidade de uma reconstituição na escrita do contribuinte em face de ter detectado a utilização indevida do benefício contido no art.5º, e no seu § 2º, da Lei nº 9.826, de 1999, que tratam da suspensão do IPI, na saída do estabelecimento industrial, de peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem de produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI, e da possibilidade de manutenção e utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado a saída com suspensão. No caso, a interessada importara clipes metálicos e de plástico e dera a saída para montadoras de veículos estabelecidas no país, sem o destaque do IPI, e com o suposto amparo naqueles dispositivos legais. Para a fiscalização, a interessada não teria cumprido as exigências para que pudesse fruir do benefício, porquanto, a seu ver, não executara qualquer processo de industrialização em relação aos clipes importados, os quais teriam sido objeto de mera revenda para as montadoras de veículos, onde são utilizados como insumos. Nesse diapasão, a autoridade fiscal considerou que, na forma do § 4º, do art. 9º, do Decreto nº 4.544, de 2002, o contribuinte passou a ser considerado como apenas um equiparado a estabelecimento industrial e não como um estabelecimento industrial, condição fixada para a fruição do benefício ditado pelo citado art. 5º da Lei nº 9.826, de 2009. Nessa reconstituição da escrita fiscal, que envolveu o período de apuração, não só relacionado ao presente pedido de ressarcimento, mas, também, de outubro de 2000 a setembro de 2001, o Fisco promoveu, de ofício, ao destaque do IPI nas saídas dos clipes, o que provocou o esgotamento do saldo credor que fora apurado ao final do 3º trimestre de 2000, bem como, ainda, o exsurgimento de saldos devedores, o que, por sua vez, provocou o lançamento de ofício do IPI por meio de outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.008164/200155. O pedido de ressarcimento foi, portanto, indeferido e as compensações não foram homologadas pela DRF em Campinas, conforme despacho cientificado à interessada em 25/11/2005. Na Manifestação de Inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que a redação do referido art. 5º da Lei nº 9.826, de 1999, não limitaria a suspensão do imposto apenas às matériasprimas e material de embalagem destinados à fabricação de partes e peças, mas também às peças e partes, ainda que importados, destinados à montagem dos veículos automotores. Além disso, a seu ver, a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional não estabeleceriam distinções entre um estabelecimento industrial e um estabelecimento Fl. 370DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 equiparado a industrial, bastando apenas que se observe a situação fática prevista como fato gerador do imposto. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP manteve as razões de mérito do indeferimento, a elas acrescendo novas razões, retiradas dos argumentos lançados pela mesma Turma quando do julgamento, na mesma sessão, da impugnação interposta contra o lançamento constante do processo nº 10830.006348/200512, acima mencionado. Procedeu, porém, a um ajuste na recomposição dos saldos credores originalmente efetuada pela fiscalização (houve duplicidade na glosa), de modo que, ao final do 3º decêndio de setembro de 2000, passou a existir um crédito a ser ressarcido e, portanto, reconhecido à interessada, ainda que inferior ao pleiteado, no montante de R$ 49.820,72. Consequentemente, as compensações foram homologadas no limite desse do crédito reconhecido. Desta forma, a DRJ trouxe para este processo tema que não havia sido ventilado pela interessada na Manifestação de Inconformidade, ao menos neste processo, qual seja, a discussão envolvendo o conceito de industrialização a partir da forma com que foram embalados os produtos (clipes plásticos e metálicos) cuja saída se dera com a suspensão do IPI. Para a DRJ, as fotos juntadas pela interessada naquele processo que trata do auto de infração evidenciariam ainda mais que as embalagens em questão não têm acabamento ou rotulagem de função promocional e tampouco valorizariam o produto. Além disso, sua capacidade – das embalagens seria muito maior que as quantidades destinadas no varejo ao consumidor. Assim, considerou que a simples identificação da empresa, bem como a colocação de rótulos e etiquetas, não conferiria às caixas a condição de embalagens de apresentação, o que impediria fosse caracterizada a atividade de industrialização dos materiais importados e revendidos. No Recurso Voluntário a Recorrente, preliminarmente, suscitou a nulidade da decisão da DRJ por considerar sua defesa cerceada na medida em que a argumentação utilizada pela instância julgadora basearase nos mesmos argumentos constantes de decisão proferida no bojo de outro processo administrativo [10830.666348/200512], cuja ciência – daquela decisão – não lhe fora dada. Ad argumentandum, juntou aos autos cópia de seus argumentos lançados para impugnar o auto de infração constante daquele processo. No mérito, argumentou inicialmente que a Constituição Federal [art. 153, IV, § 3º, I, II, III e IV] o Código Tributário Nacional [art. 46, I, II e III; e art. 51, I, II, III e IV, e o Parágrafo único] não distinguem o estabelecimento equiparado a industrial do estabelecimento industrial, importando apenas as determinadas situações fáticas previstas como fato gerador do impostos. Nessa mesma linha, ressaltou o disposto no art. 4º da Lei nº 4.502, de 1964, segundo a qual, equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei, os estabelecimentos equiparados a industrial. Invocou ainda a aplicação da regra constante do inciso I, do art. 106 do Código Tributário Nacional, segundo a qual, em qualquer caso, quando a norma seja expressamente interpretativa, será aplicada a fato pretérito para que fosse reconhecido, para os fatos em que apurou os presentes créditos, o conteúdo do § 6º, incluído no art. 5º da referida Lei nº 9.826, de 2000, pela Lei nº 10.485, de 2002. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.009214/0032 Acórdão n.º 3401002.109 S3C4T1 Fl. 370 5 Por fim, entende a Recorrente que lhe exigir a diferença de imposto em operação onde ela aplicou a suspensão de imposto, significaria exigir parcela do IPI em duplicidade, já que o recolhimento desse imposto é concentrado nas operações de venda de veículos pelas montadoras. O processo foi incluído na pauta de julgamento da sessão de 7/04/2008 da então denominada Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ocasião em que foi proferida a Resolução nº 20400.549, no sentido de que se aguardasse o desfecho na via administrativa do julgamento envolvendo o auto de infração constante do processo nº 10830.006348/200512, o que se deu por meio do Acórdão nº 340300.805, de 03/02/2011, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Carf, vazada sua ementa, na parte que se relacionada com o presente caso, nos seguintes termos: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. REACONDICIONAMENTO. Para a incidência do IPI se considera como industrialização inclusive a alteração na apresentação do produto, ou .seja, o seu reacondicionamento, excepcionandose exclusivamente a hipótese de acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto (Lei n° 4.502/64, art. 3 o , p.u.). Por isso o Regulamento é estruturado de tal modo que a falta de atendimento de qualquer uma das condições para configurar acondicionamento para mero transporte implica na caracterização de acondicionamento de apresentação, fazendo incidir o IPI. Não é necessário que na embalagem haja apelo de propagando ou valorização do produto, bastando que ocorra a mudança de apresentação, com alteração do tamanho, rotulagem de identificação do produtor e a etiquetagem descrevendo o conteúdo. Recurso Voluntário Provido. Pesquisa que realizei junto ao Comprot no sitio do Ministério da Fazenda na internet em 13/12/2012, dá conta que o referido processo nº 10830.006348/200512, encontra se arquivado. No essencial, é o Relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cerceamento de defesa inexistência A Recorrente alegou ter havido cerceamento de sua defesa por conta de não ter sido, ao menos à época da apresentação do presente Recurso Voluntário, cientificada da decisão que fora proferida pela DRJ no bojo do processo nº 10830.006348/200512. A Recorrente não tem razão, pois, embora possa mesmo não ter recebido em tempo uma cópia daquela decisão proferida pela DRJ no processo nº 10830.006348/200512, o fato é que no voto proferido neste processo a instância julgadora repetiu, na sua íntegra, o referido voto, de modo que não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa. Mérito Inicialmente, é preciso que se registre a ocorrência do que reputo como um “incidente processual”. Ocorreu que, em dois momentos deste processo, quer pela DRJ, quer pela então denominada Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, houve a manifestação expressa no sentido de que o resultado deste julgamento estava na dependência do resultado do julgamento do processo nº 10830.006348/200512, que trata de auto de infração de IPI envolvendo a discussão sobre a mesma matéria e período de apuração aqui tratados. E, como visto acima, a reconstituição de oficio do saldo credor de IPI correspondente ao período de julho de 2000 a setembro de 2001 foi cancelada, tendo referida decisão já se tornado definitiva na esfera administrativa. Registrese que a matéria de mérito discutida nesses dois processos é idêntica, qual seja, a correta aplicação do artigo 5º e de seu parágrafo 2º, da Lei nº 9.826, de 1999, nas saídas de clipes metálicos e plásticos promovidas pela interessada. Vale dizer: já existe uma decisão definitiva do Carf na linha de que o procedimento da empresa durante o período de julho de 2000 a setembro de 2001 (saídas dos clipes metálicos e de plásticos com a suspensão de IPI) está correto. Estamos diante de processos ditos “decorrentes”, isto é, o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI não só não foi deferido como gerou a cobrança de débitos do imposto para períodos de apuração subsequentes. À rigor, portanto, esses dois processos deveriam ter sido anexados ou apensados para que sofressem um único crivo das instâncias julgadoras. Não o foram, porém, circunstância essa que não impede que este Colegiado adote uma posição independente daquela já adotada pelo Carf no Acórdão nº 340300.805, de 3/2/2011. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.009214/0032 Acórdão n.º 3401002.109 S3C4T1 Fl. 371 7 A então denominada Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, quando da Resolução nº 20400.549, de 7/4/2008, acima referida, assim se posicionara, nas palavras de seu Relator, o então Conselheiro Leonardo Siade Manzan: Consoante relato supra, tratam os presentes autos de pedido de ressarcimento de IPI em razão da contribuinte ter importado e revendido clipes metálicos e plásticos para empresas montadoras de veículos, tendo dado saída a estes produtos de seu estabelecimento com suspensão do IPI, com base no art. 5 o da Lei n° 9.826/99. A douta Primeira Instância de Julgamento alega que não houve industrialização por parte da Recorrente antes da revenda dos produtos importados para as montadoras de automóveis Transcrevese abaixo o art. 5o , da Lei n.° 9.826/99, o qual prevê o crédito em Art. 5º A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI. § 1º O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto a fim diverso do ali estabelecido. § 2º O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto. § 3º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput, deverá constar a expressão "Saído com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. O dispositivo legal é claro e possibilita a análise do pleito, não fosse um pequeno detalhe constatado nos presentes autos. Compulsandose os mesmos, constatei que há um auto de infração que influencia diretamente no resultado do presente litígio, o que inviabiliza o julgamento do feito nesta Sessão. Por conseguinte, é ponto crucial trazer ao Colegiado o resultado do lançamento de ofício supra declinado. CONSIDERANDO os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que seja juntado aos presentes autos o resultado do auto de infração em referência, ponto imprescindível para um perfeito deslinde da presente controvérsia. [...]. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Com a juntada aos autos da providência reclamada na referida Resolução, a questão, se essa operação – compra e venda dos clipes importados – colocaria a interessada na condição de um estabelecimento industrial, quesito reclamado pela fiscalização e pela DRJ para a fruição do benefício, restou definitivamente resolvida pelo Carf quando do Acórdão nº 340300.805, de 03/02/2011, acima referido, o que se deu nos termos do voto vencedor proferido pelo Conselheiro Ivan Allegreti, redator designado, cujos excertos reproduzo abaixo: [...] O contribuinte busca ver reconhecido o direito de manter e utilizar os créditos de IPI gerados na entrada de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados para a produção dos bens descritos no art. 5º da Lei n° 9.826/99. Este dispositivo de Lei ao mesmo tempo em que permite a saída dos produtos industrializados com suspensão do IPI, permite a manutenção dos créditos em relação às entradas dos insumos utilizados na industrialização. Neste caso se negou ao contribuinte o direito de manutenção dos créditos por se ter entendido, que a atividade por ele desenvolvida não configurava uma industrialização, nos termos do art. 6ºo do Regulamento do IPI, que tem a mesma redação nos RIPI/98 e RIPI/2002. Este dispositivo detalha os critério para fazer a distinção entre acondicionamento para transporte e acondicionamento de apresentação. A distinção é importante porque uma das hipótese.de incidência do IPI é o reacondicionamento de produtos industrializados, ou seja, a mudança na apresentação do produto. Tal distinção nasce no texto da Lei n° 4.502/64, que sendo a fonte de direito primária para fixar o campo de incidência, do imposto, dispõe em seu art. 3º , p.u. que "considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto". Está em jogo, portanto, a própria incidência do próprio IPI, se incidirá ou não, sendo então o Regulamento bastante restritivo para a configuração do acondicionamento para transporte — situação que implicaria deixar a operação fora do campo de incidência do imposto. O art. 6º do Regulamento é estruturado de tal maneira que a falta de atendimento de qualquer uma das condições para configurar acondicionamento para transporte implica sua configuração como acondicionamento de apresentação. Este.critério restritivo se consolidou de maneira ainda mais firme, e concreta, na solução das consultas fiscais, conforme se pode perceber, exemplificativamente, nas seguintes ementas: ROTULAGEM OU MARCAÇÃO. PRODUTOS IMPORTADOS. A obrigatoriedade de rotulagem ou marcação dos produtos, prevista no art. 273 do RIPI/2010, diz respeito aos produtos objeto de industrialização no País. O importador não está obrigado a rotular ou marcar os produtos importados, salvo aqueles expressamente excepcionados pelo Regulamento do IPI, ou quando efetuar o acondicionamento ou reacondicionamento dos produtos importados. (SOLUÇÃO DE CONSULTAN" 296, de 17 de Novembro de 2010) Fl. 375DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10830.009214/0032 Acórdão n.º 3401002.109 S3C4T1 Fl. 372 9 ENCARTELADOS. COLOCAÇÃO DE ' EMBALAGEM. ACONDICIONAMENTO: EMBALAGEM DE TRANSPORTE E DE APRESENTAÇÃO. A colocação de embalagem em produtos tributados adquiridos de terceiros, mesmo em substituição da original, salvo quando se destine ao simples transporte do produto, caracteriza industrialização acondicionamento ou . reacondicionamento. O não atendimento de qualquer uma das condições estabelecidas pelo art 6o do Ripi/02 para caracterizar acondicionamento" de transporte configura embalagem de apresentação. Caracterizase como industrialização a colocação de peca ou artigo em plástico transparente,. fixado por grampo, ou cola em uma carteia de papelão, na qual conste o nome da empresa e etiqueta com as características do produto, ou seja, a colocação de produto tributado em embalagem de apresentação.(SOLUÇÃO DE CONSULTA N"322 de 04 de Setembro de 2009) ROTULAGEM'OU MARCAÇÃO. PRODUTOS IMPORTADOS. A obrigatoriedade de rotulagem. ou marcação dos produtos,.prevista, no art. 213 do Ripi/02, diz respeito aos produtos objeto de industrialização no Pais. O importador não está obrigado a rotular ou marcar os produtos importados, salvo nos casos previstos no Regulamento do IPI (Ripi). No Ripi/02, em vigor, as exceções se referem a produtos que possuem regras especiais, tais como os cigarros, à obrigatoriedade de se puncionar ou gravar jóias e relógios dos códigos citados dos Capítulos 71 e 91, prevista no art. 217, ou quando ocorrer o acondicionamento ou reacondicionamento de produtos importados (art. 213, §7°), situação em que se configura industrialização e o estabelecimento que realizar a operação se define como industrial. As proibições relacionadas no art. 222 do Ripi/02 visam evitar que produto de procedência estrangeira seja confundido com produto nacional, isto é, com aquele produzido no mercado interno ou viceversa. (SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 229 de 18 de Julho de 2008) Como visto, em relação aos produtos importados, bastaria o seu reacondicionamento e rotulagem para que o estabelecimento fosse enquadrado como industrial, sujeitando a atividade à incidência do imposto. Tais manifestações sugerem que, se neste caso não houvesse a suspensão na saída com a manutenção dos créditos na entrada, ou seja, se estivesse em jogo decidir se o IPI incidia sobre o reacondicionamento promovido pela contribuinte, a solução poderia ser diferente. Neste caso as fotografias apresentadas às fls. 406/428 ilustram como a contribuinte processa o reacondicionamento, desde a chegada dos produtos importados em grandescaixas e depois o seu reacondicionamento em caixas com estampa da empresa e etiquetas de identificação do tipo de produto, ou também em sacos plásticos, igualmente rotulados por etiquetas de identificação e descrição dos produtos, inclusive com a montagem de kits, visto que não se trata de produto de uma única especificação, conforme revelam. Entendo, pois, que não se está proporcionando uma mero suporte para o transporte da mercadoria, mas se lhe está alterando a apresentação, inclusive com a combinação de produtos, dandolhe um novo acondicionamento com identificação e descrição próprias, que dão identidade ao fornecedor nacional, configurando assim um reacondicionamento de apresentação. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Não é necessário que na embalagem haja apelo de propagando ou valorização do produto, bastando que ocorra, a mudança de apresentação, com alteração do tamanho, rotulagem de identificação do produtor e a etiquetagem descrevendo o conteúdo como ocorre no caso para a configuração da industrialização. Voto, por isso, pelo provimento ao recurso. Ivan Allegretti . É esse também o meu entendimento, razão pela qual, voto pelo provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 377DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/201 3 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10660.901557/2009-96
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida.
Numero da decisão: 1801-001.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida em Aspectos Prejudiciais. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora a quo que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PREJUDICIAIS. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a autoridade julgadora da DRJ não analisa todas as razões de defesa expressas na manifestação de inconformidade, por ter se restringido a aspectos prejudiciais superados na análise do recurso voluntário. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada a questão prejudicial, depende da análise, pela autoridade julgadora “a quo” que jurisdiciona a contribuinte, da existência, suficiência e disponibilidade do crédito, além da possibilidade de sua utilização na compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª instância, para se pronunciar a respeito do mérito do litígio, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 15 57 /2 00 9- 96 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901557/200996 Acórdão n.º 1801001.325 S1TE01 Fl. 3 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0936.367, de 16/08/2011, da 2a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 50/52) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Varginha/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente em 28/06/2006 (fls. 14/23) que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao mês de junho de 2005 (recolhimento em julho/2005), no valor de R$ 3.152,90, para utilização na compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de junho de 2005, no mesmo valor do indébito informado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Varginha/MG, emitido em 25/03/2009 (fl. 11) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado pois o DARF indicado no PERDCOMP para comprovação do indébito já teria sido alocado a outro pagamento e, assim, não haveria a disponibilidade do crédito. Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 01/04) na qual alega, a interessada, que teria direito ao indébito pois procedera ao recolhimento, no curso do ano calendário 2005, de estimativas de CSLL nos seguintes valores: Meses Valores Janeiro 6.121,36 Fevereiro 3.247,07 Março 2.502,26 Abril 2.265,22 Maio 2.934,05 Junho 5.583,43 Julho 9.611,00 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901557/200996 Acórdão n.º 1801001.325 S1TE01 Fl. 4 3 Agosto 8.572,30 Setembro 100,00 Outubro 10.064,45 Novembro 8.334,68 Dezembro 0,00 Total 59.255,74 Alega que, de acordo com a Ficha 17 da DIPJ/2006 o valor apurado como devido da CSLL ao final do anocalendário 2005 montou em R$ 29.256,37 que, diminuído dos valores recolhidos a título de estimativa mensal, resultaria num saldo a compensar de R$ 29.999,37. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que, nos termos da IN SRF n º 660/2005, pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL não podem ser utilizados como indébito, em compensação, e somente podem ser aproveitados para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo (fls. 50/52). Notificada da decisão, em 25/11/2011, como demonstra a cópia do AR (fl. 61 processo digital) apresentou, a interessada, em 20/12/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz que instruções normativas poderiam estabelecer formas e procedimentos para realização de compensações mas jamais restringir o direito à compensação previsto em lei. Argumenta, ainda, ter ocorrido um mero erro formal no preenchimento da declaração eletrônica de compensação, no campo “tipo do crédito”, preenchido com a informação “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo de CSLL”. Pede, assim, em respeito ao princípio da verdade material, que seja reconhecido o direito creditório a título de saldo negativo de CSLL e homologada a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito ao único argumento de que, nos termos da IN/SRF n º 600, de 2005, seria vedada a utilização de estimativas mensais recolhidas no curso do anocalendário como direito creditório em compensações. A questão quanto a possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901557/200996 Acórdão n.º 1801001.325 S1TE01 Fl. 5 4 gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação, encontrase superada, inclusive no que diz respeito à legislação complementar. As justificativas encontram se pormenorizadas no Acórdão n º 18010000.486, desta 1a. Turma Especial da 3a. Câmara – 1a. Seção do CARF, de relatoria desta Conselheira. Entretanto, a interessada, na manifestação de inconformidade, já dera indícios de que pleiteava como indébito, em verdade, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2005, para fazer frente à desejada compensação. Vejamos suas alegações à fl. 03: Conforme consta da Ficha 17 da DIPJ/2006 a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido devida, relativa ao ano de 2005, importou em R$ 29.256,37 1 (vinte e nove mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e trinta e sete centavos), depois de compensados os valores retidos na fonte. Disso resulta um saldo a compensar de R$ 29.999,37 (Vinte e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e sete centavos), ou seja R$ 59.255,74 (cinqüenta e nove mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) menos R$ 29.256,37 (vinte e nove mil, duzentos e cinqüenta e seis reais e trinta e sete centavos). A Turma Julgadora de 1a. instância, contudo, não apreciou as alegações da defesa a respeito da ocorrência de erro no preenchimento da Declaração de Compensação Eletrônica, no tipo de crédito indicado. Desta feita, nas razões de defesa deduzidas no recurso voluntário, a interessada reprisa que teria errado no preenchimento da referida DCOMP e que o indébito pleiteado é o saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário 2005. Entretanto, esta Turma Julgadora do CARF não pode analisar as razões meritórias de defesa, não analisadas pela autoridade julgadora “a quo”. A autoridade julgadora “a quo”. centrou sua decisão em questão prejudicial e assim não analisou integralmente os argumentos da defesa, no que toca à ocorrência de erro no preenchimento da DCOMP, assim como também não analisou a efetiva existência e procedência do crédito. É necessária a apreciação do mérito pela autoridade julgadora competente, quanto aos demais aspectos das argüições de defesa, para homologação das compensações, além do que é imperiosa a análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado e da possibilidade de sua utilização na compensação de débitos de estimativa de IRPJ apuradas como devidas no curso do anocalendário 2005. Cumpre registrar inclusive que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova oportunidade de apresentar recurso voluntário, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na segunda instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, mas sem homologar as compensações, por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos àquela repartição, para verificação dos demais argumentos de defesa relativos ao erro no preenchimento da DCOMP, à existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, pronunciandose, no mérito, a respeito das compensações declaradas pela recorrente. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901557/200996 Acórdão n.º 1801001.325 S1TE01 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18471.003236/2008-82
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. O ônus da prova da ocorrência da infração incumbe à fiscalização. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Se a fiscalização não lograr demonstrar a ocorrência da infração, deve ser cancelada a exigência.
Numero da decisão: 1803-001.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. O ônus da prova da ocorrência da infração incumbe à fiscalização. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Se a fiscalização não lograr demonstrar a ocorrência da infração, deve ser cancelada a exigência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.003236/200882 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.284 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria IRPJ Recorrente CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO SHERATON BARRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. O ônus da prova da ocorrência da infração incumbe à fiscalização. GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Se a fiscalização não lograr demonstrar a ocorrência da infração, deve ser cancelada a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.003236/200882 Acórdão n.º 180301.284 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A DFI/Rio de JaneiroRJ lavrou Autos de Infração, fls. 197/224, para exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 320.769,55, a Contribuição para o PIS no valor de R$ 17.850,88, a COFINS no valor de R$ 82.222,25 e a CSLL, no valor de R$ 117.644,56, todos com a multa de ofício de 75% e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente, conforme Termo de constatação fiscal de fls. 192/196, que, em síntese, constatou: 1. Passivo Fictício: a interessada registrou como Passivo circulante Fornecedores da DIPJ/2005 o valor de R$ 991.520,04, enquanto contabilizou somente R$ 474.858,77. Intimado, não conseguiu informar de forma inequívoca a diferença de R$ 516.661,23. O registro de obrigações no Livro Razão e no Balancete final apresentado não confirmou o valor informado na DIPJ. 2. na mesma situação anterior, constatouse diferença na conta Salários a pagar no montante de R$ 565.210,50, lançados na linha 04 da DIPJ, sem documentação e que não estão contabilizados nos livros e Balancete Final apresentados; 3. Despesas operacionais prestação de serviços Pessoa Jurídica: A interessada forneceu a composição das contas com os saldos por trimestre com base nos livros e balancete contábil versus informação na DIPJ/2005. Por amostragem, foram analisadas algumas contas, e constatouse que no 1° trimestre e no 4° trimestre havia divergência de R$ 209,13 e R$ 225.081,00, respectivamente, na conta Prestação de serviços Pessoa Jurídica. Tais despesas foram consideradas não comprovadas com documentação hábil e idônea e nem se encontravam registradas nos Livros Razão e Diário, conforme descrição dos fatos de fí. 200, sendo glosadas. Enquadramento legal às fls. 199/200. A autuação no IRPJ resultou em reflexos no PIS, COFINS e na CSLL. Intimada em 21/10/2008, fls. 198, 205, 210 e 215, a interessada apresentou a impugnação de fls. 226/230, em 18/11/2008, onde alegou, em síntese, o seguinte: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.003236/200882 Acórdão n.º 180301.284 S1TE03 Fl. 3 3 o auto trata da existência ou não de comprovação de despesas, por conseguinte, a questão está vinculada especificamente ao resultado e não a determinação da receita (sic); a falta de comprovação de despesas afetará o lucro a ser oferecido à tributação no Lalur, revertendose as despesas lançadas e tidas como não comprovadas para a apuração do resultado tributável, porém, tanto o PIS quanto a Cofins tem por base de cálculo o faturamento, ou seja, o valor dos ingressos recebidos de qualquer natureza; a receita não foi objeto de glosa e seu valor continua íntegro após a revisão da fiscalização e as despesas não afetaram a base de cálculo do lucro real, por este motivo, liminarmente, devem ser excluídos do lançamento o PIS e a Cofins; elas só poderiam ser cogitadas se o valor da despesa comprovada fosse deduzido a maior do que a contabilizada, o que significaria a presunção de receita adicional não tributada, ou se houvesse prova indiciária de que a receita não foi contabilizada corretamente; o Pis e Cofins na forma do art. 195 da CF são calculados sobre os valores recebidos e não sobre os gastos; as glosas não procedem. Indica à fl. 228 a composição da conta Fornecedores integrada pelas contas: Condomínio do Edifício Sheraton Barra; Starwood Hotel Resort; RES/SPG/ROY, Fundação Rio Congressos e Eventos; Fornecedores Diversos, Eletricidade, Gás e Telefone, que totalizam em seu demonstrativo R$ 1.022.940,00. acresce que devem ser adicionados ao referido valor as Provisões e reservas que se referem a fatos incorridos do exercício social e que devem ser liquidados no exercício subsequente: Comissões de agências, Publicidade local, publicidade exterior, comissão cartão de crédito, pagamento a terceirizado, Fundação Rio Congresso, Lavanderia, Estacionamento, Depósitos para reservas e Depósito antecipado carnaval, Depósito antecipado reveillon e Adiantamento clientes, que elevariam o total para R$ 1.830.570,00; já o valor correspondente a conta Salários a pagar é representado pelos Bônus que têm direito empregados e administradores em função do seu desempenho, configurando o que se chama de "gratificações ajustadas", cujo valor está contabilizado como Bônus a Pagar R$ 470.014,00; o mérito repousa na comprovação de elementos de fato, protestando por perícia para proceder à revisão dos lançamentos contábeis em razão das despesas efetivamente comprovadas e comparálas com o mencionado como dedutível na DIPJ, apresentando os quesitos à fl. 229/230, resumidamente: 1. escritura regularmente livros, atendendo às normas; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.003236/200882 Acórdão n.º 180301.284 S1TE03 Fl. 4 4 2. possui comprovantes relativos a receitas/despesas, custos que afetam o resultado do exercício de 2004, e conservaos em boa ordem; 3. confrontar despesas e custos com os comprovantes, recompondo o resultado, especificamente nas contas de fornecedores e salários a pagar; 4. em razão das despesas comprovadas, indicar se existe resultado a tributar, diminuindo o que foi pago; 5. existe apenas diferença de classificação nominal entre os dados constantes da contabilidade e os trazidos para a DIPJ; 6. a prova destas diferenças faz parte do relatório analítico que se junta em anexo e que é parte dela integrante, juntandose em anexo os documentos que comprovam os lançamentos nas contas objeto de contestação; 7. considerandose os valores lançados em razão das despesas realizadas se verificam apenas diferenças de classificação contábil que na prática não alteram o resultado final, demonstrandose inexistência de valor a tributar. A interessada juntou aos autos às fls. 231/234 uma Planilha onde constam os Saldos do Balancete e da DIPJ, por conta, apontando algumas divergências, e à fl . 235, uma Planilha onde consta "Bônus a Pagar" conta 2151036 que totaliza R$ 470.014,00.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PASSIVO FICTÍCIO. Não havendo a subsunção do fato descrito pela fiscalização à hipótese de presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 281, III, do RIR/1999, o lançamento deve ser cancelado. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.Somente a apresentação de prova documental elide o lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.” Fl. 429DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.003236/200882 Acórdão n.º 180301.284 S1TE03 Fl. 5 5 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) Após a decisão de 1ª instância a controvérsia ficou limitada à comprovação dos valores lançados a título de despesas operacionais, com prestação de serviços pessoa jurídica, nos valores de R$ 209,13 e R$ 225.081,00, referente aos 1° e 4° trimestres de 2004. b) Na linha 30 da DIPJ, na rubrica outras despesas operacionais, foi declarado a menor um valor de R$ 229.652,82. c) Comparandose os dois valores, se verifica que a dedução poderia ser maior do que efetivamente foi. Tomando em conta as despesas não comprovadas na rubrica prestação de serviços de pessoas jurídicas e comparando este valor com a dedução a menor lançada a título de outras despesas operacionais, se verifica que não houve diferença na apuração do resultado. d) Anexa discriminação de todos os valores lançados como despesas a título de pagamentos a pessoas jurídicas e outras despesas operacionais no 4° trimestre, em valor igual ao que foi referido no diário e na declaração de imposto de renda, mostrando que a glosa se compensa por uma declaração a menor de despesa. e) Quanto à diferença relativa ao primeiro trimestre do mesmo ano, não conseguiu verificar a origem da diferença de R$ 209,13, mas está certa de que, considerando o valor envolvido, ela será relevada. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 14/04/2011 (AR de fls. 403 numeração digital). O recurso foi protocolado em 05/05/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Como já relatado apenas restou controvertido o lançamento relativo à glosa de despesas operacionais com prestação de serviços por pessoa jurídica, nos valores de R$ 209,13 no 1° trimestre de 2002, e R$ R$ 225.081,00 no 4° trimestre do mesmo ano. No recurso, a recorrente não contesta os valores das diferenças apuradas. Quanto à diferença de R$ 209,13, solicita que ela seja relevada em face de seu pequeno valor. Já, no caso da diferença de R$ 225.081,00, afirma que ela pode ser compensada por valores de despesas deduzidas a menor na linha 30 – Outras despesas operacionais, da DIPJ. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.003236/200882 Acórdão n.º 180301.284 S1TE03 Fl. 6 6 A fiscalização intimou a contribuinte a apresentar cópia do balancete analítico que serviu de base para o preenchimento da DIPJ/2003 (fls. 135). Em resposta, a recorrente apresentou o balancete de fls. 138/145, e demonstrativo da composição das linhas 04 – Prestação de Serviço por Pessoa Jurídica e 30 Outras despesas operacionais, da Ficha 05A da declaração (fls. 147 e 149/150). Apenas com base neste demonstrativo a fiscalização glosou despesas operacionais, in verbis: “AINDA EM ANALISE À COMPOSIÇÃO APRESENTADA PELA CONTROLADORIA CONSTATAMOS QUE NO 1º TRIMESTRE DE 2004 E NO 4º TRIMESTRE DE 2004, OS VALORES DEMONSTRADOS COMO SALDO CONTÁBIL DA CONTA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PESSOA JURÍDICA ENCONTRAMSE DIVERGENTES DAQUELES REGISTRADOS NA DIPJ NOs SEGUINTES MONTANTES: R$ 209,13 E R$ 225.081,00, RESPECTIVAMENTE PARA O 1º E 4º TRIMESTRES. ISTO É, OS MONTANTES INFORMADOS NA DIPJ DAQUELES TRIMESTRES SE ENCONTRAVAM A MAIOR DAQUELE DEMONSTRADO PELO CONTRIBUINTE PARA A MESMA RUBRICA E CONTABILIZADOS EM SEUS LIVROS. APÓS ANALISARMOS TODA A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO, PRINCIPALMENTE, NO QUE SE REFERE AO QUADRO 05, DESPESAS OPERACIONAIS SE PODE CONSTATAR QUE AS DIFERENÇAS TRATAVAMSE DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS, GLOSANDOSE OS REFERIDOS VALORES NO SEUS RESPECTIVOS TRIMESTRES” Ora, a simples diferença entre os valores de despesas escrituradas e declaradas, relativas a uma linha da DIPJ, não é suficiente para caracterizar a infração de dedução de despesa não comprovada. O procedimento fiscal que resulta em glosa de despesa tem de partir da contabilidade da empresa, e não da DIPJ. A fiscalização deve identificar a despesa escriturada, intimar o contribuinte a apresentar a documentação que deu suporte ao seu lançamento, e na hipótese de não apresentação de documentação hábil e idônea, efetuar a glosa. Perguntase: qual despesa contabilizada não foi comprovada? Se a diferença apurada fosse relativa à conta de receita, ou seja, receita escriturada e não declarada, o procedimento fiscal estaria correto. No entanto, no presente caso, foi constatada simplesmente uma diferença entre o valor total declarado em uma única linha da DIPJ linha 04, da Ficha 05A e os valores escriturados das contas que supostamente compuseram o valor declarado na linha. Pode ter ocorrido um simples equívoco na indicação das contas que compuseram o valor declarado naquela linha. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.003236/200882 Acórdão n.º 180301.284 S1TE03 Fl. 7 7 Como muito bem disse a recorrente, a diferença de despesa declarada a maior na linha 04 foi compensada pela diferença a menor declarada na linha 30 da Ficha 05A. Talvez a contribuinte não tenha conseguido demonstrar corretamente a composição de cada linha. Como se vê, a fiscalização não poderia ter concluído que a recorrente deduziu indevidamente despesas não comprovadas, tomando por base unicamente a existência de diferença entre o demonstrativo de composição apresentado pela contribuinte e a DIPJ. Os elementos trazidos aos autos pela fiscalização são insuficientes para justificar a glosa de despesas. O Código de Processo Civil estabelece em seu art. 333, incisos I e II, a quem incumbe o ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Arruda Alvim, em sua obra “Manual de Direito Processual Civil”, assim se manifesta sobre as conseqüências do descumprimento do ônus da prova: “De um modo geral, podemos dizer que, recaindo sobre uma das partes o ônus da prova relativamente a tais e quais fatos, não cumprindo esse ônus e inexistindo nos autos quaisquer outros elementos, pressuporseá um estado de fato contrário a essa parte. Assim, quem devia provar e não o fez perderá a demanda.” (ALVIM, Arruda. Manual de direito processual civil, volume 2: processo de conhecimento, 11. ed.rev., ampl. e atual. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007). No presente caso, a fiscalização não logrou justificar a glosa da despesa, ou seja, não demonstrou a ocorrência da infração. Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 432DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720181/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
INCENTIVO FISCAL NA IMPORTAÇÃO. REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA E PARA COM O FGTS. PROVA RETROATIVA.
Para descaracterizar o direito ao gozo de benefício fiscal, a fiscalização deve fazer prova de que o contribuinte se encontrava em situação irregular no momento da ocorrência do fato gerador. Não é exigível do contribuinte a apresentação de certidões para comprovar regularidade de forma retroativa.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termo do voto do relator.
Fez sustentação oral pela Interessada Hélio Barthem Neto OAB/SP 192.445.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 INCENTIVO FISCAL NA IMPORTAÇÃO. REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA E PARA COM O FGTS. PROVA RETROATIVA. Para descaracterizar o direito ao gozo de benefício fiscal, a fiscalização deve fazer prova de que o contribuinte se encontrava em situação irregular no momento da ocorrência do fato gerador. Não é exigível do contribuinte a apresentação de certidões para comprovar regularidade de forma retroativa. Recurso de Ofício Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termo do voto do relator. Fez sustentação oral pela Interessada Hélio Barthem Neto OAB/SP 192.445. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
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REGULARIDADE PREVIDENCIÁRIA E PARA COM O FGTS. PROVA RETROATIVA. Para descaracterizar o direito ao gozo de benefício fiscal, a fiscalização deve fazer prova de que o contribuinte se encontrava em situação irregular no momento da ocorrência do fato gerador. Não é exigível do contribuinte a apresentação de certidões para comprovar regularidade de forma retroativa. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termo do voto do relator. Fez sustentação oral pela Interessada Hélio Barthem Neto – OAB/SP 192.445. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 01 81 /2 01 1- 75 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão no 1640.391, de 18 de julho de 2012, da 24ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 876 a 906), cientificado em 15 de agosto de 2012, que, relativamente a auto de infração de II (IPI), PIS/Pasep e COFINS dos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2010, considerou a impugnação procedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/201 BENEFÍCIO FISCAL. NATUREZA. PROVA DE REGULARIDADE. Somente uma análise dos contornos da isenção em cada caso, levando em conta todos os normativos que tratam de sua regulamentação, é que poderá dizer se o benefício é objetivo, subjetivo ou misto. Demonstrado que a isenção é concedida tanto em função do fato gerador objetivamente considerado como em função de aspectos pessoais de seu destinatário, resta caracterizada sua natureza mista, sendo devida a comprovação de regularidade fiscal para fins de sua fruição (art. 60 da Lei nº 9.069/95). PROVA DE REGULARIDADE FISCAL. DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. São documentos necessários para comprovar a situação de regularidade fiscal do contribuinte para fins de gozo de benefício fiscal no âmbito da RFB, duas certidões (CND ou CPDEN), a saber: uma específica para as contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212, de 1991, e outra conjunta para os demais tributos administrados pela RFB e à Dívida Ativa da União administrada pela PGFN (Nota Técnica Cosit nº 02/2012). REGULARIDADE FISCAL. ÔNUS DA PROVA. EXIGÊNCIA DE CERTIDÕES. Para descaracterizar o direito ao gozo de benefício fiscal, a fiscalização deve fazer prova de que o contribuinte se encontrava em situação irregular no momento da ocorrência do fato gerador. Não é exigível do contribuinte a apresentação de certidões, quando as respectivas informações constarem de banco de dados da própria administração ou de outro órgão Fl. 963DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.720181/201175 Acórdão n.º 3302002.015 S3C3T2 Fl. 963 3 administrativo (art. 37 da Lei nº 9.784/99 e art. 10 da IN/SRF nº 734/2007). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O auto de infração foi lavrado em 17 de maio de 2011, de acordo com o termo de fls. 45 a 84. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente processo de lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 02/152, para exigência do Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/Pasep e COFINS incidentes na importação, acrescidos de juros e multa de mora. Como resultado do procedimento de revisão aduaneira, houve a constituição de crédito tributário no valor de R$ 48.618.732,05, em razão de a interessada não haver apresentado as certidões exigidas como prova de sua regularidade fiscal quando das importações realizadas com o gozo de benefício fiscal. Foram objeto de análise pela fiscalização as importações de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e, além disso, de ferramentais, insumos, fluidos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves e de seus motores pela empresa TAM, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2010. Da autuação Observa o fisco que a Lei n° 8.032/90, no artigo 2°, inciso II, alínea “j”, e no artigo 3°, inciso I, concede benefícios na importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo revisão e manutenção de aeronaves. A leitura do texto legal revela, inicialmente, que a condição a ser cumprida pelo importador para o reconhecimento do benefício fiscal é a de que os bens importados sejam destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves. Ou seja, este benefício é vinculado apenas à destinação dos bens e por isso é classificado como objetivo. Todavia, no período de 10/11/2004 a 04/02/2009, e de 22/12/2009 até o momento, as alterações procedidas na Lei nº 8.032/90 pelos Decretos 5.268/2004 e 7.044/2009, respectivamente, transformaram em mista a natureza do referido benefício, pois além de manterem a isenção do II condicionada à destinação dos bens, vincularamna também à qualidade do importador, uma vez que só algumas pessoas podem usufruir dessa benesse. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Tratandose de benefício fiscal subjetivo, entende a fiscalização que sua fruição está condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais e de regularidade perante o FGTS, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95 e art. 27 da Lei n° 8.036/90. Essa condição também se aplica no caso do IPI e do PIS e COFINSImportação, conforme análise minuciosa da legislação realizada no Auto de Infração. Especificamente em relação às contribuições sociais, esclarece o fisco que com a publicação da Lei n° 10.925, em 26 de julho de 2004, que alterou a Lei n° 10.865/2004, o benefício fiscal foi estendido, incluindo agora não apenas partes e peças da posição 88.03, mas também, ferramentais, insumos, fluidos hidráulicos, lubrificantes, tintas, anticorrosivos, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, reparo, revisão, conservação, modernização, conversão e montagem das aeronaves e de seus motores. E, a partir da publicação do Decreto n° 5.268, em 10 de novembro de 2004, os benefícios fiscais relacionados ao PIS/PASEPImportação e à COFINS Importação passaram a ser mistos (objetivo e subjetivo), ou seja, passaram a depender, também, de características pessoais do importador. Considerando que o ônus da prova relativamente ao preenchimento das condições e ao cumprimento dos requisitos previstos em lei para concessão do benefício é do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do art. 179 do CTN, a fiscalização intimou a contribuinte para apresentar as certidões competentes de modo a comprovar sua regularidade fiscal. Esclarece que a certidão é o documento adequado no caso, posto que expedido pelos órgãos/instituições que administram os tributos, a saber: no caso das contribuições previdenciárias, a antiga Secretaria da Receita Previdenciária; no caso dos demais tributos federais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil; e no caso do FGTS, a Caixa Econômica Federal. No entanto, com relação às certidões emitidas pela Receita Federal do Brasil, alerta para a necessidade de se observar a Instrução Normativa SRF n° 565/2005, bem como a Instrução Normativa SRF n°734/2007, pelas quais a RFB não pode exigir certidão conjunta PGFN/RFB para a concessão de benefícios fiscais no âmbito de sua administração. Por esse motivo, não foi utilizada como motivação da autuação sob análise indícios de não regularidade fiscal com base na não emissão de certidões expedidas pela própria RFB. Por outro lado, esclarece que a verificação da regularidade fiscal referente aos tributos administrados pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária só era possível de ser feita por meio da análise de certidões, já que não havia sistemas informatizados que permitissem tal aferição. Por isso, as certidões relativas a contribuições administradas pela antiga Secretaria da Receita Previdenciária foram exigidas para as operações realizadas até o dia 1° de maio de 2007, momento a partir do qual houve a extinção dessa Secretaria e as Fl. 965DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.720181/201175 Acórdão n.º 3302002.015 S3C3T2 Fl. 964 5 contribuições previdenciárias passaram à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com relação à regularidade do FGTS, a autoridade fiscal informa que, como esta contribuição é administrada por outro órgão (CEF), a única forma de verificar a regularidade é por meio do Certificado de Regularidade do FGTS emitido pela CEF. Sendo assim, este documento foi exigido para todo o período fiscalizado. Considerando que, apesar de intimada e reintimada em diversas ocasiões, não foi apresentada a totalidade das certidões requeridas, o fisco procedeu à identificação dos períodos em que a empresa não fez prova de regularidade, as respectivas importações realizadas nessas épocas e, assim, constituiu o crédito tributário devido, acrescido de juros e multa de mora no percentual de 20%, com base no artigo 155 c/c art. 179 do CTN e ADI SRF nº 13/2002. Em resumo, temos que apenas no período de 19 de fevereiro de 2007 até 17 de abril de 2007, a TAM não comprovou sua regularidade fiscal, em relação às contribuições previdenciárias. Com relação ao FGTS, não foi comprovada a regularidade fiscal em relação aos seguintes períodos: de 1º de junho de 2006 até 20 de junho de 2006; de 25 de fevereiro de 2009 até 26 de fevereiro de 2009; de 31 de maio de 2009 até 2 de junho de 2009; e de 10 de julho de 2010 até 28 de julho de 2010. A fiscalização ressalta, ainda, que isto não quer dizer que a TAM não fazia jus à certidão negativa nesses períodos, mas, tão somente, que ela não apresentou certidões ou quaisquer outros documentos que comprovassem a regularidade fiscal para todo o período fiscalizado. Da impugnação Cientificada do lançamento em 24/05/2011 (fl. 419), a interessada apresentou impugnação em 15/06/2011 (fls. 430/698), alegando em síntese que: (a) em preliminar, observa que a autuação fiscal contém erros de cálculo, atinentes à apuração dos tributos lançados, cuja correção é de rigor. São três os erros: (i) ao calcular o valor das contribuições em algumas operações, a fiscalização erroneamente deixou de considerar a redução da base de cálculo do ICMS, autorizada pelo Convênio ICMS 75, de 5.12.1991, cuja alíquota aplicável é de 4% e não de 18%; (ii) no período de 1°.6.2006 a 20.6.2006, a Impugnante estava quite com o FGTS, conforme comprova novo ofício emitido pela CEF (doc. 7); (iii) a redução dos tributos, ao menos no que tange às contribuições, é também necessária em face da inconstitucionalidade parcial do artigo 7o, inc. I, da Lei 10.865/04, que incluiu importâncias estranhas (o valor da própria contribuição e do ICMS) ao conceito de valor aduaneiro na base de cálculo do PIS/COFINS Importação, desatendendo ao acordo comercial internacional assinado pelo país, como também violando o texto Fl. 966DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 constitucional, que somente permite a incidência das contribuições em foco sobre o valor aduaneiro, sem acréscimos de qualquer ordem; (b) no mérito, a exigência fiscal deve ser cancelada em sua totalidade, haja vista que a Impugnante é beneficiária da isenção do Imposto de Importação e do IPI e da alíquota zero do PIS/COFINSImportação, tendo, ademais cumprido todos os requisitos necessários ao gozo destes benefícios fiscais; (c) os benefícios fiscais em foco possuem natureza objetiva, o que afasta a exigência da prova de regularidade fiscal, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit n. 7/98, posto que são direcionados a uma determinada categoria de bens provenientes do exterior; (d) a Lei n. 8.032/90, mantendo a isenção de natureza setorial já prevista no artigo 15, inciso XI, do DecretoLei n. 37, de 18.11.1966, confirmou a natureza desse benefício, o qual, desde 1966, sempre foi objetivo e setorial, na medida em que vinculado, não a essa ou àquela pessoa, mas, sim, a bens utilizados no setor aeronáutico, trazidos do exterior; (e) da mesma forma, a redação do artigo 8o, parágrafo 12, inc. VII, da Lei n. 10.865/04, revela a natureza objetiva do benefício fiscal, já que exonera da tributação pelo PIS/COFINS Importação os bens nela arrolados, e não tal ou qual pessoa, em função de suas qualidades pessoais; (f) não se diga, como fez a fiscalização, que as alterações introduzidas na legislação, em especial aquelas levadas a cabo a nível regulamentar, tiveram o condão de alterar a natureza deste benefício fiscal. Referido entendimento, além de diametralmente oposto à natureza objetiva dos incentivos fiscais revelada pela legislação de regência, implica verdadeira ilegalidade, porque se foram as normas regulamentares que modificaram a natureza do benefício fiscal em foco, elas o fizeram sem amparo na lei; (g) observa que as condições cominadas na legislação regulamentar para a fruição do benefício atinente tanto ao Imposto de Importação e IPI, como ao PIS/COFINSImportação, não têm nada a ver com as características da pessoa do importador. Sua finalidade não é restringir o benefício fiscal a uma determinada categoria de importadores; tratase, na verdade, de exigência no sentido de que o importador faça prova da destinação, a tal ou qual aeronave, dos componentes de reparo e manutenção por ele importados. Tais condições como, por exemplo, ser proprietário ou possuidor da aeronave a ser reparada, ou ainda, ser empresa homologada para a prestação de serviços de manutenção da aeronave a ser reparada, não transformam a natureza do benefício originalmente concedido, o qual continua sendo, além de objetivo, condicionado. Ao facilitarem a identificação e a qualificação do importador (até mesmo por questões de segurança pública) e o controle do Fisco quanto à destinação do bem importado com isenção (se será utilizado de imediato; se será estocado; etc), não desnaturam o cerne do favor fiscal, que é o de beneficiar os bens importados, e não a pessoa do importador; Fl. 967DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.720181/201175 Acórdão n.º 3302002.015 S3C3T2 Fl. 965 7 (h) cita a Solução de Consulta COSIT nº 10, de 04.06.2003, que amparada no ADN COSIT nº 07/98, pronunciouse no sentido de eximir o contribuinte de comprovar sua situação de regularidade fiscal no caso da importação de partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão ou manutenção de aeronaves, dada a natureza objetiva da isenção do Imposto de Importação incidente sobre tal operação; (i) não poderia a fiscalização, a essa altura, pôr em xeque a regularidade fiscal da Impugnante, já que nenhuma exigência desta natureza foi feita no momento do desembaraço aduaneiro, o que revela verdadeira mudança de critério jurídico, não admitido pelo ordenamento pátrio, nos termos do art. 146 do CTN e jurisprudência judicial que cita; (j) em razão da natureza extrafiscal do IPI e de sua seletividade constitucionalmente prevista, o fato de o Poder Executivo reduzir sua alíquota a zero não implica benefício fiscal algum, apenas a manipulação de determinados produtos para privilegiar a essencialidade do serviço público de transporte aéreo. Logo, a fiscalização não pode desqualificar um pretenso “benefício fiscal” em razão de suposta irregularidade fiscal do contribuinte, quando a norma de tributação examinada sequer contempla um autêntico benefício fiscal. Ademais, também não procede a alegação de que a alíquota zero do IPI é de natureza subjetiva, na medida em que tal natureza só pode ser objetiva, considerando que a TIPI relaciona coisas, produtos, bens, e não pessoas. O fato de as NCs exigirem que a aquisição se dê “por empresas industriais para emprego na fabricação dos produtos da posição 88.02, ou por estabelecimento homologado pelo Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, especializado em manutenção, revisão e reparo de produtos aeronáuticos” não desnatura o caráter objetivo da alíquota zero, posto tratarse de uma condição para que esta seja implementada em sua plenitude; (k) não cabe a exigência de comprovação da regularidade fiscal quanto às contribuições sociais, vez que sua instituição, em 2004, é posterior às leis que exigem a comprovação de regularidade perante o FGTS e em relação aos débitos previdenciários, e as normas que as disciplinam não preveem restrição em semelhante sentido; (l) sobre a alegação de que a Impugnante não estaria quite com seus débitos de FGTS num interregno de 2 dias (25.2.2009 a 26.2.2009), noutro de 3 dias (31.5.2009 a 2.6.2009) e, por fim, num de 19 dias (10.7.2010 a 28.7.2010), é evidente sua falta de razoabilidade, posto ser de sabença por todo e qualquer contribuinte as dificuldades existentes para a obtenção de certidões perante as entidades da Administração Pública. Daí ser plausível, razoável, compreensível, que a Impugnante, durante pouquíssimos dias, tenha estado sem certidão relativa a débitos de FGTS. Isto não significa dizer que a Impugnante estava em situação irregular, mas apenas que, por questões de Fl. 968DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 ordem burocrática, sua certidão foi emitida com um atraso de poucos dias; (m) em relação à regularidade da Impugnante perante a antiga Secretaria da Receita Previdenciária, depreendese que a Impugnante teria deixado de comprovar sua regularidade num período de 58 dias (19.2.2007 a 17.4.2007). Ora, a falta de apresentação da certidão relativa ao período não implica dizer que a Impugnante estava irregular à época. Uma rápida avaliação das certidões anterior e posterior ao período supostamente “a descoberto” revela que os débitos existentes nesses períodos são exatamente os mesmos e todos eles estavam com sua exigibilidade suspensa. É bastante claro, portanto, que a Impugnante não esteve irregular perante o Fisco no período. Além disso, é importante mencionar que o período “sem certidão” corresponde a 58 dias, o que é absolutamente desprezível se levarmos em conta o universo de 1.825 dias, correspondentes ao período fiscalizado (últimos 5 anos); (n) vale mencionar, outrossim, que mesmo que o contribuinte possuísse débitos em aberto por ocasião da concessão de um determinado benefício fiscal, a prova de quitação destes débitos, ainda que durante o trâmite processual respectivo, seria suficiente para ensejar a regularização de sua situação perante o Fisco, conforme evidenciam decisões do CARF que cita. Logo, mesmo se a Impugnante, porventura, possuísse débitos em aberto no período considerado “sem certidão”, esses débitos, até por não constarem dos registros posteriores, certamente já teriam sido regularizados, dando ensejo à aplicação da jurisprudência comentada e comprovando, portanto, a regularidade da empresa perante a antiga Secretaria da Receita Previdenciária; (o) não fosse assim, caberia à fiscalização demonstrar que a Impugnante possuía débitos em aberto naquele período; tanto porque é seu o ônus da prova, como também porque, se os próprios agentes fiscais é que controlam os débitos existentes em nome do contribuinte, como ocorre atualmente em relação aos débitos previdenciários, emitindo, se for o caso, a prova da regularidade fiscal, cabe a eles, em processo de fiscalização, buscar em seus cadastros a documentação que ateste que, à época, o contribuinte estava irregular. Exigir a apresentação de determinados documentos ou informações pelo contribuinte, quando em posse da Administração Tributária, além de absurdo, é prova de realização impossível; (p) logo, cabe ao fisco produzir a prova de que o contribuinte estava em situação irregular à época, a uma porque é seu o ônus da prova, e a duas porque entendimento em sentido contrário vincularia o contribuinte a produzir prova negativa, o que é rechaçado pela jurisprudência, na linha dos acórdãos citados; (q) em que pesem as claras demonstrações de que (i) a comprovação da regularidade fiscal é prescindível “in casu”; e também de que (ii) a situação fiscal da Impugnante era e é regular, há, ainda, outras razões pelas quais o cancelamento da exigência fiscal fazse de rigor. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.720181/201175 Acórdão n.º 3302002.015 S3C3T2 Fl. 966 9 (r) nos termos do art. 21 da Instrução Normativa SRF n. 680, de 2006, a DI é selecionada para um dos canais de conferência aduaneira (verde, amarelo, vermelho e cinza), por meio de “parametrização” que considera, entre outros elementos, a regularidade fiscal do importador. Considerando que a maior parte das DIs desembaraçadas pela Impugnante foi parametrizada ao canal verde (73,23%) ou ao canal amarelo (6,7%), é certo que o próprio sistema aduaneiro (SISCOMEX) cuidou de averiguar a regularidade fiscal da Impugnante à época dessas importações (doc. 9). E confirma esse aspecto o fato de que tais importações apenas foram parametrizadas ao canal amarelo, e mesmo ao vermelho, em razão da verificação de recolhimento ou apresentação da Guia de Exoneração do ICMS. Só isto. Diante desse contexto, não há que se falar que a Impugnante estaria em situação fiscal irregular, sob pena de se admitir que o Fisco faltou com a necessária diligência ao desembaraçar as mercadorias importadas pela Impugnante, ou então se franquear verdadeira mudança de critério jurídico por parte da fiscalização, não tolerada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional; (s) a Lei n. 8.032, mantendo a isenção, de natureza setorial, já prevista no artigo 15, inciso XI do DL 37/66, confirmou a validade e a eficácia desse benefício. Ora, se o artigo 15, inc. XI, do DL 37/66 continua em vigor, então, a única conclusão possível é a de que a interpretação literal emprestada pela fiscalização à Lei n. 8.032 não se sustenta, na medida em que o referido artigo 15 é muito claro no sentido de que a isenção em foco não se limita às partes e peças de reparo de aeronaves, aplicandose, também, aos “demais materiais de manutenção e reparo”. Referida isenção estendese ao IPI, nos termos do artigo 3o da Lei n. 8.032/90; (t) cita a Solução de Consulta SRRF/7ªRF nº 226/2001, pela qual a própria administração manifestouse no sentido de que a isenção do imposto de importação alcança não só partes, peças e componentes, mas também ferramentas e materiais importados com vistas ao reparo e à manutenção de aeronaves e de seus componentes. Acrescenta que referida interpretação encontrase em linha com o que prescreve o art. 111 do CTN; (u) há erro no enquadramento legal da multa de mora no percentual de 20%, tendo em vista a inaplicabilidade, ao caso dos autos, do artigo 179, combinado com o artigo 155, ambos do Código Tributário Nacional, e, de conseguinte, do artigo 61 da Lei n. 9.430; face ao caráter geral, e não individual, dos incentivos fiscais em apreço, bem como à natureza de alíquota zero, e não de isenção, do benefício atinente ao PIS/COFINS Importação; o que impõe o cancelamento da multa, dada a nulidade da autuação fiscal neste particular; (v) ainda que fosse cabível a aplicação dos mencionados dispositivos legais à hipótese vertente, o que admite apenas a título de argumentação, não seria adequada a aplicação da penalidade no percentual de 20%, na medida em que, segundo o Fl. 970DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 artigo 155, II, do Código Tributário Nacional, não havendo dolo ou simulação do contribuinte, o crédito tributário deve ser cobrado com acréscimo de juros de mora, porém “sem imposição de penalidade, nos demais casos”, ou seja, sem o lançamento de qualquer multa: nem a ofício, nem a de mora, haja vista que ambas ostentam caráter punitivo, consoante farta jurisprudência que cita; (x) contudo, se se entender pela manutenção da penalidade, o que também se admite apenas para fins de argumentação, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores das multas de ofício, posto que o artigo 61 da Lei n. 9.430/96 não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições; (y) protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, e informa que a matéria objeto desta impugnação não foi submetida à apreciação judicial; Requer, ao final, seja julgado improcedente o auto de infração, cancelandose as exigências fiscais ora combatidas. Por meio do Despacho nº 42, de 24/11/2011, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2, foi observado que a planilha de apuração de tributos elaborada pelo fisco não permitia identificar qual a alíquota do ICMS utilizada para fins de apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINSImportação; bem como que foi apresentado novo ofício emitido pela CEF, indicando a emissão de CRF regular para o contribuinte no período de 26/05/2006 a 24/06/2006. Diante desse contexto, os autos foram baixados em diligência para a adoção das seguintes providências por parte da fiscalização: a) elaborar planilha especificando, para cada DI objeto de lançamento, os valores de PIS e COFINS a recolher, conforme seja utilizada a alíquota de 18% ou de 4% para o ICMS; b) totalizar os valores que seriam devidos, a título de PIS e COFINSImportação, em relação às DI objeto de autuação, conforme seja utilizada a alíquota de 18% ou de 4% para o ICMS; c) esclarecer quais os critérios utilizados na adoção da alíquota do ICMS para apuração da base de cálculo das contribuições realizada no auto de infração; d) elaborar planilha totalizando, por tributo, quais os valores lançados referentes às importações realizadas no período de 1º/06/2006 a 20/06/2006. Em atendimento, a fiscalização apresentou o expediente de fls. 704/713, acompanhado das planilhas de fls. 714/870. A impugnante foi devidamente cientificada do resultado da diligência, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, não tendo se manifestado (fls. 872/874)." A DRJ baixou os autos em diligência (fls. 700 e 701), considerando que “A análise da planilha de apuração de tributos elaborada pelo fisco (fls. 153/222) não nos permite Fl. 971DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.720181/201175 Acórdão n.º 3302002.015 S3C3T2 Fl. 967 11 identificar qual a alíquota do ICMS utilizada para fins de apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS incidentes na importação. De outro lado, a análise do ofício n° 1.612/2011 (fls. 519/521) emitido pela CEF, indica a emissão de CRF regular para o contribuinte no período de 26/05/2006 a 24/06/2006.” A DRJ considerou o seguinte, ao cancelar, por maioria de votos, a autuação: Quanto às alegações da impugnante, importa considerar que: (i) a fiscalização efetivamente reconhece que não tem condições de dizer se a impugnante estava em situação irregular ou não, apenas afirma que não foi feita prova de regularidade fiscal, haja vista a não apresentação das certidões; (ii) é irrelevante, do ponto de vista normativo, a análise da proporção entre os períodos “com” e “sem” certidão. [...] Portanto, inexistindo norma legal que agasalhe a presunção de irregularidade fiscal em face da não apresentação pelo contribuinte das respectivas certidões (cuja exigência, repetimos, mostrase indevida em razão da legislação citada), era ônus da fiscalização apresentar todos os elementos de prova que suportem o lançamento, em respeito ao art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Senão vejamos: “Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)” (negritamos) Concluímos, assim, que a autuação não merece prosperar à mingua de elementos hábeis a demonstrar que a impugnante estava em situação fiscal irregular à época das importações autuadas. [...] O Presidente da Turma Julgadora, vencido no julgamento, apresentou declaração de voto, em que considerou o seguinte, após citar a legislação de regência: Destarte, para obtenção do benefício fiscal, além do cumprimento de requisitos específicos, deve ser comprovada a regularidade perante o Tesouro Nacional, bem como perante a Seguridade Social e o FGTS, no momento em que se pleiteia a isenção dos tributos incidentes sobre a importação, ou seja, no despacho aduaneiro. O presente entendimento é corroborado pelos Conselhos de Contribuintes: Primeiro Conselho de Contribuintes, acórdão 10808625, de 07/12/2005: Fl. 972DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 “INCENTIVOS FISCAIS A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal.” Segundo Conselho de Contribuintes, acórdão 20215571, de 12/05/2004: “IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. REGULARIDADE FISCAL. A falta de apresentação de certidão negativa de débito que comprove a regularidade fiscal da empresa junto à Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional de Seguridade Social veda a concessão, pelo Poder Público, de qualquer benefício fiscal. Recurso negado.” É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No presente recurso, temse a situação de que houve desembaraço dos produtos com o benefício fiscal e, em ação fiscal posterior, a Fiscalização apurou que, para um período no passado, a Interessada não teria comprovado a regularidade com o FGTS e com a antiga Secretaria da Receita Previdenciária. A questão que soluciona o litígio parece ser mais relativa ao ônus de a Interessada manter a comprovação constante da regularidade em questão do que ao ônus da prova em si. Vejase que, no caso dos autos, somente haveria prova da regularidade do período passado, se a Interessada mantivesse em seu poder uma certidão específica sobre aquele período. Portanto, para que a regularidade, segundo a interpretação constante do auto de infração, pudesse ser provada, a Interessada teria que, antes de vencer uma determinada certidão, requerer a emissão de outra para o período subsequente e manter em seu poder todas essas certidões. Tal situação não se confunde com as exigências citadas na declaração de voto, que dizem respeito à comprovação para efeito do “recebimento de benefícios ou incentivo fiscal” ou da “obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, [...]”, a serem satisfeitas no momento da requisição dos referidos incentivos e benefícios, conforme se concluiu ao final do seu voto. Portanto, não basta concluir que a regularidade deveria ter sido comprovada à época dos fatos, ainda por que não se sabia se tal exigência foi efetuada. Ainda que não tenha sido efetuada, não restou demonstrado que se exigia a manutenção da prova da regularidade pelo prazo de decadência e prescrição dos tributos. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.720181/201175 Acórdão n.º 3302002.015 S3C3T2 Fl. 968 13 Dessa forma, a conclusão da Fiscalização contida no relatório fiscal (fl. 79) de que não houve prova retroativa da regularidade e de que tal fato não significaria que não fizesse a Interessada jus às certidões negativas no referido período representa uma presunção sobre as irregularidades motivadoras da autuação. Caso se pudesse atribuir à Interessada o ônus de manter, pelo prazo decadencial e prescricional, prova constante e contínua da regularidade de suas obrigações, então se trataria de falta de prova. Por fim, devese considerar que a Interessada apresentou certidões durante a grande maioria dos períodos, o que sugere uma probabilidade muito baixa de se ter mantida em situação irregular durante os períodos em que não houve apresentação das certidões. Portanto, somente seria possível admitir a conclusão a que chegou a Fiscalização caso houvesse a inversão legal do ônus da prova. Embora tenham sido apresentados vários outros argumentos pela Interessada em sua impugnação, não se faz necessária sua análise para solução do litígio. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do voto condutor do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 974DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.003927/2005-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade.
INSURGÊNCIA DO CONTRIBUINTE - NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA RECORRIDA - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM APREÇO - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO.
Nos termos do § 3°, do artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, o prequestionamento é requisito indispensável para o seguimento de recurso especial interposto pelo contribuinte. No caso, o sujeito passivo pretende que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 também os valores isentos informados na declaração de ajuste anual do exercício 2004. Contudo, tal matéria não restou apreciada pelo acórdão recorrido e, dessa forma, não pode ser enfrentada pela CSRF.
Recurso especial do contribuinte não conhecido e da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: 9202-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso do contribuinte e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. INSURGÊNCIA DO CONTRIBUINTE NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA RECORRIDA SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM APREÇO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. Nos termos do § 3°, do artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, o prequestionamento é requisito indispensável para o seguimento de recurso especial interposto pelo contribuinte. No caso, o sujeito passivo pretende que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento fundamentado no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 também os valores isentos informados na declaração de ajuste anual do exercício 2004. Contudo, tal matéria não restou apreciada pelo acórdão recorrido e, dessa forma, não pode ser enfrentada pela CSRF. Recurso especial do contribuinte não conhecido e da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 27 /2 00 5- 01 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.083 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso do contribuinte e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Julinho Cavichioni foi lavrado o auto de infração de fls. 0516, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, sendo que as bases de cálculo apuradas pela fiscalização somam R$ 879.386,63, R$ 384.671,67, R$ 316.822,92, R$ 216.703,22 e R$ 217.625,53, respectivamente, com relação aos anoscalendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 (fls. 1014). A penalidade restou qualificada para o patamar de 150%. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) considerou o lançamento procedente em parte, reduzindo as bases de cálculo da exigência para os anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003 em R$ 109.420,63, em R$ 12.291,95, em R$ 1.857,22 e em R$ 792,00, respectivamente, bem como desqualificando a penalidade de ofício (fls. 395426). Por sua vez, a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 220200.422, que se encontra às fls. 974997, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.084 3 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITANTES/JUSTIFICATIVA DO DEPÓSITO – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS Incabível o lançamento tributário tendo por base de cálculo depósitos bancários, na pessoa física do titular de conta bancária, quando restar identificado e justificado, por meio de documentação anexada aos autos, o conjunto de pessoas físicas e jurídicas Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.085 4 depositantes dos valores questionados, bem como a sua motivação. Os valores assim apurados, quando for o caso, submeterseão as normas de tributação específica prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (art. 42, § 2°, da Lei n°9.430, de 1996). RENDIMENTOS TRIBUTADOS NA DECLARAÇÃO AJUSTE ANUAL JUSTIFICATIVA DE ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS É de se aceitar como origem de recursos, justificando a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, os valores dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 400.204,00, de R$ 131.944,00, de R$ 142.095,00, de R$ 98.420,00 e de R$ 117.973,89, correspondentes aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente, vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antonio Lopo Martinez quanto à exclusão da base de cálculo do lançamento dos rendimentos tributados informados nas declarações de ajuste anual (R$ 55.000,00, R$ 54.864,00, R$ 25.720,00, R$ 30.120,00 e R$ 56.150,00, respectivamente, com relação aos anoscalendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, conforme se verifica às fls. 995v). Intimada do acórdão em 21/05/2010 (fls. 998), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, recurso especial às fls. 1.0011.011, acompanhado dos documentos de fls. 1.0121.013, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela E. Câmara a quo que, ao dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, excluiu da exigência feita com base em depósitos bancários de origem não justificada os valores declarados na Declaração de Ajuste Anual — DAA; b) Para tanto, entenderam os Il. Conselheiros, por maioria de votos, que, embora não tenha se verificado a coincidência de datas e valores entre Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.086 5 os rendimentos declarados e os depósitos identificados, devese presumir que tais rendimentos tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte; c) Todavia, data maxima vênia à posição ora combatida, o acórdão ora recorrido não merece prosperar. Uma vez não justificada a origem dos depósitos bancários em nome do contribuinte por meio de provas inequívocas, a presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, não pode ser elidida; d) Os acórdãos paradigmas ora trazidos, ao analisar situação idêntica ao presente processo, perfilham interpretação da legislação tributária diversa; e) Primeiramente, segundo o acórdão n° 10422.510, para que a origem de depósitos bancários possa ser justificada com os rendimentos declarados pelo contribuinte, é imperioso que ele comprove efetivamente o vínculo entre esses dois eventos; f) Em segundo lugar, temse o acórdão n° 10422.954, segundo o qual, a presunção legal de omissão de rendimentos contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 somente pode ser elidida por provas inequívocas, onde, rendimentos do contribuinte somente devem ser considerados como comprovação de depósitos de bancários caso sejam demonstrados por documentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e data de sua ocorrência; g) Vêse, assim, a inegável divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas ora trazidos. Enquanto o acórdão recorrido entende que a presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 pode ser suprimida por uma outra presunção de que os rendimentos declarados pelo contribuinte transitaram em suas contas bancárias, uma vez que não fora constatada coincidência entre os valores e datas desses eventos distintos, os acórdãos paradigmas defendem que a referida presunção legal de omissão de rendimentos somente pode ser elidida por provas inequívocas (documentos hábeis e idôneos) que demonstrem tal coincidência; h) Por certo, tal como defendido pelos acórdãos paradigmas ora trazidos, a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 somente pode ser suprimida por prova inequívoca que comprove a origem dos depósitos bancários; no caso dos presentes autos, por prova que demonstre, ao menos, a coincidência de valores e datas entre os rendimentos declarados pelo contribuinte e os depósitos identificados pela Fiscalização; i) A necessidade da efetiva comprovação da origem dos depósitos para que seja afastada a presunção de omissão é claramente posta no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.087 6 j) Assim, o nexo causal exigido entre os depósitos identificados e os rendimentos trazidos pelo contribuinte deve ser caracterizado por meio de provas inequívocas; jamais por outra presunção. Como é sabido, contra presunções relativas, como a do art. 42, devem ser apresentados fatos!! k) No caso dos presentes autos, o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos declarados em sua DAA eram a origem dos depósitos identificados pelo Fisco. Pelo contrário, em face da não comprovação desse vínculo, o acórdão resolveu por bem supor que os valores declarados haviam transitado pelas contas do contribuinte, e, assim, comprovariam os depósitos. Não houve qualquer comprovação efetiva da origem dos valores depositados; l) Ora, para que a origem dos depósitos fosse justificada com os rendimentos declarados, ao menos o contribuinte deveria ter demonstrado a coincidência entre as suas datas e valores. Nem isso ocorreu. Sem qualquer esforço do sujeito passivo, o acórdão recorrido considerou que os depósitos haviam sido justificados. Houve uma inversão da presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 em face de uma outra presunção nãolegal; m) Desta feita, ante as razões aqui postas, mostrase que os rendimentos tributados declarados pelo contribuinte não podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento em tela, haja vista que nesse ponto o contribuinte não afastou a presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; n) Cumpre ressaltar que, consoante informa o dispositivo do acórdão recorrido, restaram “vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Antônio Lopo Martinez, que não acompanharam os demais conselheiros na questão da exclusão no valor dos depósitos bancários não justificados o valor dos rendimentos tributados declarados nas Declarações de Ajuste Anual.”; o) Requer o provimento do presente Recurso Especial, a fim de que os rendimentos tributados declarados pelo contribuinte não sejam excluídos da base de cálculo do lançamento em tela. Admitido o recurso através do despacho n° 220200.112 (fls. 1.0141.021), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões às fls. 1.0441.054, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida. Concomitantemente, interpôs recurso especial às fls. 1.0551.065, acompanhado dos documentos de fls. 1.0661.067, no qual, após historiar os fatos, argumentou, em síntese, que: 1. No julgamento do recurso voluntário, o atendimento do pleito do contribuinte foi apenas parcial, pois reivindicava fossem admitidos como fortes e suficientes para justificar depósitos bancários todos os rendimentos declarados, ou seja, além dos admitidos pelo Acórdão Recorrido, isto é, os rendimentos declarados e tributados, também os Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.088 7 rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte, declarados tempestivamente na sua Declaração de Ajuste Anual; 2. No acórdão n° 10614.912 (processo n° 10120.004221/200486), apontado como paradigma, foram aceitos como hábeis para justificar a origem de depósitos bancários incomprovados os rendimentos isentos informados na declaração de ajuste anual; 3. O nobre Relator deve ter suas razões para apenas aceitar, no caso em tela, a presumida comprovação de depósitos bancários por meio dos rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual e classificados na rubrica de “tributados”; 4. Entretanto, é entendimento deste Recorrente, que também caberia a permissão, nos termos do Acórdão Paradigma, aceitarse a presunção de comprovação da origem de depósitos bancários com base nos demais rendimentos declarados, mesmo que isentos ou tributados exclusivamente na fonte; 5. Requer sejam considerados como hábeis para justificar os depósitos autuados, além dos rendimentos declarados, situação já acolhida pelo Relator a quo, os rendimentos isentos, informados na Declaração de Ajuste Anual. Por intermédio do despacho n° 220200.367 (fls. 1.0691.072) o recurso restou admitido. Em sede de contrarrazões, fls. 1.0751.081, a Fazenda Nacional argüiu, a título de preliminar, a impossibilidade de conhecimento do recurso, em razão da ausência de prequestionamento da matéria, pois a decisão recorrida não teria se manifestado sobre a viabilidade ou não dos rendimentos isentos informados nas declarações de ajuste anual serem utilizados para comprovar a origem dos depósitos bancários. Quanto ao mérito, pugnou pelo não provimento do recurso do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Analisarei, inicialmente, o recurso especial da Fazenda Nacional, que cumpre os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, além de rejeitar as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 400.204,00, de R$ 131.944,00, de R$ 142.095,00, de R$ 98.420,00 e de R$ 117.973,89, correspondentes aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente, sendo que R$ 55.000,00, R$ 54.864,00, R$ 25.720,00, R$ 30.120,00 e R$ 56.150,00 referemse aos rendimentos tributados informados nas declarações de ajuste anual. A insurgência da Fazenda Nacional, que invocou como paradigmas os acórdãos nos 10422.510 e 10422.910, envolve a exclusão dos rendimentos informados pelo contribuinte em sua declarações de ajuste anual das bases de cálculo da presunção de omissão Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.089 8 de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Pois bem, o artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Esse dispositivo legal atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos. A legislação complementar autoriza a incidência do imposto de renda sobre base presumida, conforme artigo 44 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.” A presunção de omissão de rendimentos em apreço tem sido utilizada com muita freqüência pelas autoridades fiscais e, em vários desses casos, os recursos que chegam ao CARF geram acaloradas discussões sobre a correta interpretação da legislação que rege a matéria. Com todo o respeito àqueles que exigem a vinculação de datas e valores entre a documentação apresentada pelo contribuinte e as informações expressas em extratos bancários, para que reste ilidida a presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não posso concordar com este posicionamento. Tal requisito não está previsto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Segundo a norma legal, o contribuinte precisa comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias. É bastante razoável que não apenas os rendimentos omitidos, mas também aqueles declarados, tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Não aceitar tal situação significa presumir que os rendimentos declarados foram movimentados em espécie, o que é inaceitável. Sob minha ótica, não há fundamento legal que justifique a não aceitação, como origem de recursos, dos rendimentos informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, em relação aos quais não houve nenhum questionamento por parte da autoridade lançadora. Tal entendimento já foi adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda ao tempo da Egrégia Quarta Turma, conforme ilustra a ementa do seguinte acórdão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.090 9 Os recursos com origem comprovada, como, ilustrativamente, aqueles informados pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual, não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, a qual deve ser aplicada com temperamentos e com um mínimo de razoabilidade. Recurso provido. (CSRF, Quarta Turma, Processo n° 10865.000729/200582, Acórdão n° 930400.024, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 02/03/2009) Mais recentemente, já neste Colegiado, outros precedentes jurisprudenciais corroboram o posicionamento deste julgador. Passo a transcrever as ementas de duas destas decisões: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITO Comprovado o liame entre os rendimentos declarados e os depósitos bancários, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado. Comprovado a origem do depósito bancário, devese afastar a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 19515.002869/200378, Acórdão n° 920201.385, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire, julgado em 11/04/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os recursos com origem comprovada não podem compor a base de cálculo de lançamento lavrado com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Apenas na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira é que incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. (CSRF, Segunda Turma, Processo n° 10140.000455/200335, Relator Conselheiro Gustavo Lian Haddad, julgado em 10/05/2011) Nessa ordem de juízos, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.091 10 Voto, pois, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Passo, a partir de agora, a apreciar o recurso especial do contribuinte, que pretende a exclusão da base de cálculo da exigência dos rendimentos isentos informados nas declarações de ajuste anual. No caso, apenas na declaração do exercício 2004 foram informados rendimentos isentos, no total de R$ 80.000,00, conforme observou a autoridade lançadora às fls. 22. Em sede de contrarrazões a Fazenda Nacional defendeu que a matéria não fora prequestionada e que, portanto, o recurso não poderia ser conhecido. De fato, o acórdão recorrido não tratou da questão dos rendimentos isentos. Nesse sentido, cumpre trazer à colação os fundamentos utilizados pelo Relator da decisão de segunda instância, Conselheiro Nelson Mallmann, para excluir da base de cálculo do lançamento os rendimentos tributados informados pelo contribuinte em suas declarações de ajuste anual. Segundo ele (fls. 995v): Embora não abandone a idéia de que a comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, deva ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente, sou forçado a reconhecer que a jurisprudência neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de reconhecer a necessidade de excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, nos casos em que a autoridade lançadora deixou de considerar, os rendimentos tributados declarados. Assim, em especial, neste processo, entendo que por uma questão de justiça fiscal existe necessidade de se estabelecer uma relação harmoniosa entre o fisco e o contribuinte. Ou seja, parece ser possível concluir por uma questão de coerência, que o tratamento a ser dado nestas circunstâncias deva ser mesmo a exclusão do valor oferecido à tributação através da Declaração de Ajuste Anual apresentada, sob pena de se lhe dar tratamento tributário mais gravoso do que se o contribuinte estivesse ficado inerte (não apresentar a respectiva declaração). Por outro lado, tal aspecto não chega a se constituir em prova absoluta de que o valor declarado de fato tem origem nestes depósitos bancários não justificados. Consta às fls. 86/107, que o suplicante declarou os seguintes rendimentos tributados: R$ 55.000,00; R$ 54.864,00; R$ 25.720,00; R$ 30.120,00 e R$ 56.150,00, correspondentes aos anoscalendário de 2000 a 2004, respectivamente. Desta forma, estes valores devem ser somados aos valores anteriormente excluídos. Ou seja, é de se excluir R$ 400.204,00 (345.204,00 + Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.092 11 55.000,00); R$ 131.944,00 (77.080,00 + 54.864,00); R$ 142.095,00 (116.375,00 + 25.720,00); R$ 98.420,00 (68.300,00 + 30.120,00); R$ 117.973,89 (61.823,89 + 56.150,00), correspondente aos anoscalendário de 2000 a 2004, respectivamente. Nada foi dito, portanto, com relação aos rendimentos isentos e o contribuinte não opôs embargos de declaração. Embora o acórdão apontado como paradigma (10614.912) tenha tratado da matéria, isso não ocorreu com a decisão recorrida. Faltou o requisito do prequestionamento, previsto no § 3°, do artigo 67, do RICARF, nos seguintes termos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. No caso, é inquestionável a ausência de prequestionamento da matéria que representa o objeto do recurso especial interposto pelo contribuinte. Segundo penso, nessas circunstâncias inexiste a divergência de interpretação da legislação tributária, da forma prevista no artigo 67, do Anexo II, do RICARF, o que impede a apreciação da manifestação do contribuinte. A insurgência do sujeito passivo não pode ser conhecida. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e de não conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 11020.003927/200501 Acórdão n.º 9202002.573 CSRFT2 Fl. 1.093 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13971.900742/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/02/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrente PROAÇO INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/02/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que devem incidir os acréscimos moratórios sobre os débitos vencidos por ocasião da transmissão da DCOMP. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 1º trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório reconheceu o direito creditório apresentado, porém homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão dos acréscimos legais incidentes sobre os débitos já vencidos por ocasião da transmissão da DCOMP. Basicamente o interessado defende que o direito à compensação é exercido na entrega da DCTF que informa os débitos compensados com créditos líquidos e certos, conforme legislação, doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos é cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa exclusivamente sobre a aplicação da multa e dos juros de mora sobre os débitos já vencidos no momento da transmissão da DCOMP. Pois bem. Restou incontroverso nos autos que o débito que o contribuinte pretende compensar fora confessado por meio de DCTF, já se encontrando vencido no momento da transmissão da DCOMP. Sendo assim, completamente cabível a aplicação de multa e juros de mora. Afinal, com o vencimento do débito sem que haja sua extinção por qualquer modalidade, devem incidir os acréscimos moratórios. Assim, diferentemente do que alega a Recorrente, mesmo que tivesse optado pelo pagamento em dinheiro, os consectários Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.900742/201081 Acórdão n.º 3301001.532 S3C3T1 Fl. 93 3 legais seriam cabíveis em face da sua quitação fora do prazo legal, nos termos do art. 61da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por outro lado, não procede a alegação de que a multa de mora deveria ser afastada em face da denúncia espontânea do débito tributário. O art. 138 do Código Tributário Nacional é bastante claro ao prescrever que a regra de exclusão da responsabilidade por infrações somente se aplica quando a confissão é acompanhada do pagamento do tributo, o que não se verificou no caso concreto, haja vista que o pedido de compensação somente fora apresentado em momento posterior, quando já vencido o débito. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há dúvida que não assiste razão à Recorrente. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.006966/00-87
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 PROVAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. As presunções legais devem lastrear-se na certeza da ocorrência do fato indiciário, sobre o qual se constrói o raciocínio dedutivo que conduz o julgador à realização do fato probando. A incerteza que recai sobre o primeiro desmonta tal dedução, por mera lógica. COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO FATO INDICIÁRIO. Quando o trabalho fiscal não deixar comprovado, de forma cabal, quais notas fiscais de compras de mercadorias deixaram de ser escrituradas e que a empresa recebeu as mercadorias, não há como se admitir lançamento de omissão de receitas sob mero pretexto de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da escrituração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS E COFINS. Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica, de fato ou de direito, a ser apreciada.
Numero da decisão: 1802-001.207
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 PROVAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. As presunções legais devem lastrear-se na certeza da ocorrência do fato indiciário, sobre o qual se constrói o raciocínio dedutivo que conduz o julgador à realização do fato probando. A incerteza que recai sobre o primeiro desmonta tal dedução, por mera lógica. COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO FATO INDICIÁRIO. Quando o trabalho fiscal não deixar comprovado, de forma cabal, quais notas fiscais de compras de mercadorias deixaram de ser escrituradas e que a empresa recebeu as mercadorias, não há como se admitir lançamento de omissão de receitas sob mero pretexto de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da escrituração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS E COFINS. Aplica-se à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica, de fato ou de direito, a ser apreciada.
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PRESUNÇÕES LEGAIS. As presunções legais devem lastrearse na certeza da ocorrência do fato indiciário, sobre o qual se constrói o raciocínio dedutivo que conduz o julgador à realização do fato probando. A incerteza que recai sobre o primeiro desmonta tal dedução, por mera lógica. COMPRAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO FATO INDICIÁRIO. Quando o trabalho fiscal não deixar comprovado, de forma cabal, quais notas fiscais de compras de mercadorias deixaram de ser escrituradas e que a empresa recebeu as mercadorias, não há como se admitir lançamento de omissão de receitas sob mero pretexto de que os respectivos valores foram pagos com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da escrituração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS E COFINS. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica, de fato ou de direito, a ser apreciada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.137/144 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (fls.125/129) que julgou procedente, em parte, o lançamento fiscal do ano calendário 1997. Quanto aos fatos: em 28/06/2000, a fiscalização da DRF/Recife lavrou autos de infração do IRPJ e reflexos (PIS e Cofins) de fls. 03/20, do anocalendário 1997, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 207.342,23, assim discriminado: Auto de Infração Principal Juros de Mora, calculados até 31/05/2000 Multa de Ofício de 75% Total IRPJ 72.644,34 41.651,42 54.483,21 168.778,97 PIS 6.780,03 4.013,88 5.084,97 15.878,88 COFINS 9.685,86 5.734,18 7.264,34 22.684,38 TOTAL 207.342,23 infração imputada – auto de infração do IRPJ (fl. 06), in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE Omissão de Receita, caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas de Compras de Mercadorias (Cimento para revenda), conforme ficou constatado pelo cruzamento de informações entre Cliente/Fornecedores, através da DIPI, cujos valores foram confirmados pela fornecedora. Os valores apurados estão a seguir demonstrados, os quais estão a maior que os valores registrados a título de Compras e foram pagos com recursos estranhos à Contabilidade. (...) enquadramento legal: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 3 3 a) RIR/94, arts. 195, II, 197 e parágrafo único, 226, e 228, parágrafo único; Lei nº 9.249/95, art. 24 (auto de infração do IRPJ); b) LC nº 70/91, arts.1º e 2º; Lei nº 9.249, art. 24, §2º (auto de infração da Cofins); e, c) LC 07/70 com alterações e demais atos legais citados auto de infração da Contribuição para o PIS (fl. 13). Ciente desses autos de infração, a contribuinte apresentou impugnação na 1ª instância de julgamento (fls. 114/119), argumentando, em síntese: que, apesar de movimentar somas relativamente elevadas, na realidade é um pequeno comerciante operando praticamente sem auferir lucro; que a contabilidade da empresa é realizada, executada, normal e regularmente por profissional habilitado, não tendo constatado nada que pudesse desabonar a sua conduta; que a escrituração contábil/fiscal retratam fielmente todas as operações praticadas pela empresa, não concordando com a infração imputada “Omissão de Receitas” e com os lançamentos suplementares a título do IRPJ, PIS e Cofins. que, com base nessas razões, a exigência fiscal não pode prosperar. Por sua vez, a DRJ/Recife, apreciando o litígio na primeira instância de julgamento, julgou procedente, em parte, o lançamento fiscal, cuja ementa do acórdão, bem como a parte dispositiva, transcrevo (fl. 125/126), in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. A não contabilização de compras, detectada através de cruzamento de informações do fornecedor com livros contábeis da empresa, caracteriza omissão de receita. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação aos respectivos Autos de Infração acompanharem o do principal em virtude da íntima relação de causa e efeito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Os erros na autuação devem ser corrigidos de ofício para perfeita adequação da autuação à legalidade. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 4 4 Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor lançado de R$ 72.644,34 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 9.685,86, com a aplicação da multa de ofício e juros de mora, e procedente em parte o lançamento da Contribuição para o PIS mantendo o valor de R$ 3.147,86 com aplicação da multa de ofício e juros de mora e excluindo o valor de R$ 3.632.17. (..) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 13/05/2002 (fl. 132), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 12/06/2002 (fls.136/144), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que tem como objeto social o comércio de material de construção, dedicandose especifica e exclusivamente à revenda de Cimento Portland, adquirido das fábricas de cimento Poty instaladas em Paulista/PE e em Caaporã/PB; que as operações de compra e posterior revenda de cimento, sempre, foram devidamente documentadas pelas respectivas notas fiscais, registradas na escrituração contábil/fiscal; que, entretanto, com base em cruzamento de informações do fornecedor com os livros contábeis da ora recorrente, a fiscalização apurou divergências quanto às informações cliente/fornecedor, imputando a infração “Omissão de Receitas” pela falta de contabilização de pagamentos de despesas de compras de mercadorias (cimento para revenda); que o AuditorFiscal, reponsável pela fiscalização, lavrou os autos de infração do IRPJ e reflexos (PIS e Cofins) sobre essa suposta “Omissão de Receitas”; que a recorrente não sabe se essa diferença resultou de erro dos apontamentos do fornecedor, se de erro da fiscalização, ou se decorreram de compras efetivas em nome da recorrente realizadas por terceiros e sem seu conhecimento (utilização indevida do nome da empresa); que o AuditorFiscal não levou em consideração essas dúvidas aventadas ou apontadas pela recorrente; que meras diferenças constatadas, pelo confronto de informações, não dão guarida ao fisco para desconsiderar a escrituração da recorrente e adotar como correta as informações do fornecedor, sem oferecer a menor condição de defesa para a ora recorrente que, para se ter certeza da existência dessas diferenças apuradas, o fisco deveria ter instruído os autos com elementos probantes, tais como copias das notas fiscais desviadas, seus comprovantes de entrega (o chamado canhoto da nota fiscal devidamente assinado pela recorrente ou preposto), cópia de cheques emitidos e descontados na conta corrente bancária da recorrente, ou o seu endosso em cheques de terceiros; que, sem esses elementos, o contradiório e a ampla defesa estão prejudicados; Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 5 5 que sequer os Auditores viabilizaram uma lista demonstrativa para conferir o levantamento fiscal por eles realizado; que sequer foi revelado o critério de apuração dessa pretensa diferença apurada; que é inquestionável e cristalina a ausência de elementos probantes que serviram de alicerce para o cruzamento de informações; que sequer foi gerada, ao menos, uma simples listagem das discrepâncias supostamente encontradas; que, se existiu, não teve acesso a tal listagem; que não teve conhecimento dessa listagem, encontrandose, dessa forma, impedida de exercer a sua defesa, em toda sua plenitude; que o ônus da prova cabe a quem acusa; que, portanto, é da responsabilidade do fisco e não da recorrente fazer a prova das dúvidas suscitadas. Por fim, com base na alegada insubsistência de provas da omissão de receitas, a recorrente pediu provimento ao recurso, para que seja julgado improcedente o lançamento fiscal. Depósito prévio/Arrolamento de bens (matéria superada). Em 10/03/2003, foi negado seguimento ao recurso pela falta de arrolamento de bens (fl.184). A contribuinte, em juízo, mediante ação declaratória negativa de débito fiscal (execução fiscal), discutiu a questão do depósito prévio/arrolamento de bens. Finalmente, em 30/09/2009, no TRF/5ª Região, 1ª Turma, nos autos da apelação cível da Fazenda Nacional, foi negado provimento à apelação e à remessa oficial, dispensando o depósito prévio ou arrolamento de bens (fls. 341 e 250), cuja ementa do acórdão transcrevo, in verbis: (...) EMENTA: TRIBUTÁRIO. 1 CONSTITUCIONAL. DEPÓSITO PRÉVIO COMO REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO DO PLENO DO PRETÓRIO EXCELSO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS PARÁGRAFOS 1ºo E 2ºo , DO ART.126, DA LEI N° 8.213/1991, COM REDAÇÃO DADA PELA MEDIDA PROVISÓRIA N° 160814/1998. RECEBIMENTO DO RECURSO DO CONTRIBUINTE. ANULAÇÃO DA INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. 1. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários 388.359/PE, 389.383/SP e 390.513/SP, na Sessão do dia 28 de março de 2007, declarou a inconstitucionalidade da exigência de depósito prévio ou do arrolamento de bens como condição de admissibilidade de recurso administrativo, cujo entendimento foi ratificado, na mesma Sessão, no julgamento da ADI 1.976/DF. 2. À luz do pronunciamento: do Pretório Excelso, é imperioso determinar à autoridade administrativa o recebimento do recurso do contribuinte, ao qual foi negado seguimento ante a Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 6 6 ausência de depósito prévio, observandose que a fluência do prazo prescricional, nos termos do art. 151, III, do CTN, somente se iniciará após o término do processo administrativo. 3. Inscrição em dívida ativa anulada. 4. Apelação e remessa oficial improvidas. (...) Remessa dos autos deste processo ao CARF em 26/04/2011 para julgamento do litígio, conforme despacho da DRF/Recife (fl. 262). É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da infração imputada “Omissão de Receitas” pela falta de contabilização de compras de mercadorias (cimento para revenda) cujos pagamentos teriam sido efetuados com recursos estranhos à contabilidade, quanto ao ano calendário 1997 (RIR/94, art. 228, parágrafo único). Em face dessa infração, o fisco está exigindo, por intermédio dos autos de infração do IRPJ e reflexos (PIS e Cofins), o crédito tributário respectivo, nos termos da decisão a quo. A recorrente rebelase contra esse decisum, argumentando: que não sabe se essa diferença de notas fiscais não escrituradas, apurada pelo fisco, resultou de erro dos apontamentos do fornecedor, se de erro da fiscalização, ou se decorreu de compras efetivas em nome da recorrente realizadas por terceiros e sem seu conhecimento (utilização indevida do nome da empresa por terceiros); que meras diferenças constatadas, pelo confronto de informações (DIPI x fornecedor/cliente), não dão sustentação ao fisco para desconsiderar a escrituração comercial da recorrente e adoção, como correta, as informações do fornecedor, sem oferecer a menor condição de defesa à ora recorrente que, para se ter certeza da existência das supostas diferenças apuradas, o fisco deveria ter instruído os autos com elementos probantes; que sequer a fiscalização viabilizou uma lista demonstrativa das notas fiscais de compras não escrituradas para conferir, analisar, o levantamento fiscal; que sequer foi revelado o critério de apuração dessa pretensa diferença apurada; que é inquestionável e cristalina a ausência de elementos probantes que teriam servido, supostamente, de alicerce para o cruzamento de informação e imputação da Omissão de Receitas; que sequer foi gerada, ao menos, uma simples listagem da relação de notas fiscais que não teriam sido registradas na sua escrituração; que, se existiu tal relação de notas fiscais, não teve acesso, não teve conhecimento, encontrandose dessa forma impedida de exercer a sua defesa, em toda sua plenitude. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido nos presentes autos. No mérito, a recorrente tem razão em sua irresignação. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 8 8 Os autos de infração do IRPJ e reflexos (PIS e Cofins), objeto deste litígio, não podem prosperar. A infração imputada “Omissão de Receitas”, por compras de mercadorias não escrituradas e pagas com recursos estranhos à contabilidade, está fundamentada em presunção legal (RIR/94, art. 228, parágrafo único) cujo texto legal transcrevo, in verbis: Art. 228. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção (Decreto Lei n° 1.598/77, art. 12, § 2°). Parágrafo único. Caracterizase, também, como omissão de receitas: a) a falta de registro na escrituração comercial de aquisições de bens ou direitos, ou da utilização de serviços prestados por terceiros, já quitados; b) (...) (grifei) Pelo texto legal transcrito acima, para a imputação da infração “Omissão de Receitas”, é necessário, pelo menos, que o fisco comprove nos autos a existência do fato indiciário (fato conhecido) que, por ilação, por inferência, possa configurar a pretensa “Omissão de Receitas” (fato probando). A propósito, a infração imputada está assim descrita, narrada, no auto de infração do IRPJ, lançamento principal (fl. 06): (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE Omissão de Receita, caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas de Compras de Mercadorias (Cimento para revenda), conforme ficou constatado pelo cruzamento de informações entre Cliente/Fornecedores, através da DIPI, cujos valores foram confirmados pela fornecedora. Os valores apurados estão a seguir demonstrados, os quais estão a maior que os valores registrados a título de Compras e foram pagos com recursos estranhos à Contabilidade. (...) Ainda, os valores tributáveis da infração Receitas Omitidas (falta de contabilização de compras de mercadorias pagas com recursos estranhos à contabilidade) são os seguintes: • 28/02/1997 .......................................R$ 20.749,21; • 31/03/1997 .......................................R$ 7.505,76; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 9 9 • 30/04/1997........................................R$ 23.056,96; • 31/05/1997........................................R$ 28.372,83; • 30/06/1997........................................R$ 19.764,53; • 31/07/1997.........................................R$ 32.187,33; • 31/08/1997.........................................R$ 8.861,98; • 30/09/1997.........................................R$ 19.693,59; • 31/10/1997.........................................R$ 43.602,80; • 30/11/1997.........................................R$ 163.789,90; • 31/12/1997.........................................R$ 116.711,09. Compulsando os autos, constatase, de plano, que o fisco não comprovou sequer a existência do fato indiciário. Vale dizer, a fiscalização não comprovou, materialmente, a falta de registro na escrituração comercial de aquisições de mercadorias (Cimento Portland) pagas com recursos estranhos à contabilidade, para justificar a imputação da infração “Omissão de Receitas”. Nesse diapasão, inexistem demonstrativos, mensais, de nota fiscal por nota fiscal, com respectivo valor, de aquisição de mercadorias (cimento para revenda) sem escrituração contábil, cujas compras teriam sido pagas com recursos estranhos à contabilidade. Ainda, não há nos autos cópia das supostas notas fiscais de aquisição de Cimento Portland não escrituradas, do anocalendário objeto da autuação, que teriam sido pagas com recursos ao largo da contabilidade. Por isso, tem razão a recorrente quando argumenta que não recebera da fiscalização listagem alguma, nem demonstrativo algum, que pudesse conter relação de notas fiscais de compra não escrituradas e respectivos valores, com o propósito de demonstrar e comprovar o cálculo dos valores mensais apurados a título de Omissão de Receitas. Como dito, não se tem conhecimento, realmente, de quais notas fiscais e respectivos valores que estariam compondo cada valor mensal da infração imputada “Omissão de Receitas”. Não obstante, sabese que a fornecedora de cimento, a empresa CIMENTO POTY DA PARAÍBA S/A, teria disponibilizado à fiscalização, em dois disquetes, relação de todas as notas fiscais de operação de venda destinada à recorrente, quanto anocalendário 2007, conforme expediente de 07/06/2000 (fl. 63). Entretanto, as duas relações – demonstrativos de notas fiscais constantes dos autos (fls. 64/73 e fls. 74/103) não permitem inferência alguma, ou seja, não ajudam no entendimento, na apuração dos valores tributáveis, mensalmente, da infração imputada, pois respectivos valores, mensais, não coincidem com os valores mensais da Omissão de Receita imputada. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 10 10 Ainda, a fiscalização intimou, em 11/05/2000, a CIMENTO POTY DA PARAÍBA S/A para fornecimento de cópia de notas fiscais (fls. 105/1006); porém, inexistem nos autos cópias das notas fiscais. Inexiste, também, o termo de verificação fiscal que pudesse acompanhar, integrar, os autos de infração, para explicar, demonstrar com planilhas a composição dos valores tributáveis, mensalmente, e respectiva metodologia de cálculo dos valores da infração imputada. Quanto ao IRPJ, também, inexiste demonstrativo de cálculo de como foi apurado o imposto (não há demontrativo ou memória de cálculo, se foi pelo regime do lucro presumido, lucro real ou lucro arbitrado). Como demonstrado, o fisco não comprovou, nos autos, sequer a ocorrência do fato indiciário que, por presunção legal, pudesse levar à imputação da infração “Omissão de Receitas “(fato probando). Os predecentes deste CARF, também, são pela improcedência do lançamento quando o fisco não consegue comprovar o fato indiciário (compras não escrituradas pagas com recursos ao largo da contabilidade) para imputação, por presunção legal, da infração Omissão de Receitas (fato probando): PROVAS. PRESUNÇÕES. As presunções devem lastrearse na certeza da ocorrência do fato indiciário, sobre o qual se constrói o raciocínio dedutivo que conduz o julgador à realização do fato probando. A incerteza que recai sobre o primeiro desmonta tal dedução, por mera lógica. (Acórdão nº 10322.125, sessão de 19/10/2005, Relator Flávio Franco Corrêa). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2002. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrado que inexistiu a suposta falta de contabilização de compras, em face da correlação de datas e valores entre as notas fiscais de venda, emitidas pelos fornecedores, e as notas fiscais de entrada, escrituradas pela empresa autuada no livro Registro de Entradas, não procede o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Exercício: 2002. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. (Acórdão nº 180301.085, sessão de 22/11/2011, Relator Sergio Rodrigues Mendes). IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — COMPRAS NÃO ESCRITURADAS— FALTA DE COMPROVAÇÃO — Quando o trabalho fiscal não deixar comprovado que a empresa recebeu as mercadorias, que honrou os pagamentos das aquisições em nome de terceiros com valores mantidos à margem da escrituração, nem quando ocorreu a venda sem escrituração, não há como se admitir lançamento de omissão de receitas. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10480.006966/0087 Acórdão n.º 1802001.207 S1TE02 Fl. 11 11 (Acordão nº 10806.366, sessão de 23/01/2001, Relator José Henrique Longo). OMISSÃO DE RECEITAS — COMPRAS NÃO ESCRITURADAS A simples falta de escrituração de operação de compra, desacompanhada de outros elementos suficientes para caracterizar a omissão de receita, se constitui em mero indício, insuficiente para ensejar lançamento do imposto. (Acórdão nº 10193.815, Sessão de 18/04/2002, Relatora Sandra Maria Faroni). IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA — OMISSÃO DE RECEITAS COMPRAS NÃO ESCRITURADAS Incabível o lançamento apoiado apenas em indícios de omissão de receitas, sem suporte em procedimentos de auditoria que caracterizem o fato detectado como infração à legislação tributária. O percentual de aproveitamento no beneficiamento de arroz, tendo índice atestado pelo Ministério da Agricultura deverá prevalecer a qualquer outro fornecido por particulares. (Acórdão nº 108 07.146, sessão de 16/10/2002, Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, quando não há matéria específica, de fato ou de direito, a ser apreciada. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 11831.000535/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando presentes nos autos todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DE COBRANÇA. GLOSA.
Somente são dedutíveis as despesas dos rendimentos de aluguel, quando devidamente comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2802-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando presentes nos autos todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DE COBRANÇA. GLOSA. Somente são dedutíveis as despesas dos rendimentos de aluguel, quando devidamente comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 28/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 05 35 /2 00 9- 61 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2004, exercício 2005, de fl. 25, lavrado em decorrência da constatação de omissão de rendimentos decorrente de aluguéis recebidos de pessoas físicas. Apreciada a Impugnação (fl. 1) e superada a preliminar de nulidade do lançamento por falta de fundamentação e cerceamento de defesa, a ação fiscal foi julgada procedente, sob os seguintes fundamentos: “Por conseguinte, os aluguéis recebidos de pessoas físicas são considerados rendimentos sujeitos à tributação do Imposto de Renda, devendo ser declarados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, da mesma forma que os aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, conforme disciplinado pelos artigos 1º, 2º, 3º e parágrafos, e 8º da Lei n° 7.713/1988; artigos 1º, 2º, 3º e 4º da Lei n.° 8.134/1990 e artigos 49 a 53, 106 inciso IV, 109 e 111 do Decreto n.° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). A fiscalização, constatando a declaração a menor de valores recebidos pelo contribuinte a título de aluguéis pagos por pessoas físicas durante o anocalendário em questão, efetuou o lançamento de ofício do imposto devido, conforme demonstrativo de fls. 25/verso, obedecendo às normas legais e respectivos atos (sic) Secretaria da Receita Federal do Brasil que tratam da matéria. Em consulta realizada junto ao banco de dados eletrônico da Receita Federal do Brasil, verificase que, para o anocalendário em tela, há Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, emitida por Scano Piva Imóveis e Administração Ltda., referente a aluguel pago por locatários pessoas físicas, no montante de R$ 49.903,31, já descontada a comissão, e que registra o nome e CPF do contribuinte notificado, como beneficiário desses rendimentos, que foram parcialmente declarados na Declaração de Ajuste Anual ND: 08/34.044.900, no valor de R$ 31.324,56 (às fls. 90 e 93), resultando em omissão de rendimentos no valor de R$ 18.578,75. [...] Em sua defesa, o contribuinte alega que a diferença de valor apurado pela fiscalização, corresponde a taxa condominial, impostos, taxas e despesas com comissão, que são despesas legalmente autorizadas pela legislação de regência. [...] Analisandose os documentos anexados aos autos com a impugnação oposta, às fls. 44/75, verificase que os mesmos referemse a cópias de comprovantes anuais de rendimentos de aluguel e de relatórios administrativos emitidos pela pessoa jurídica intermediária, mas que não constituem prova hábil e robusta de que o contribuinte arcou com o ônus de taxas condominiais, impostos e taxas”. Nas razões de Voluntário (fl. 121/135), o Recorrente reitera o argumento de que o valor de R$ 18.578,68, apontado como omitido, é idêntico às deduções realizadas com suporte legal, sendo o relatório da imobiliária Scano Piva Imóveis e Administração Ltda. suficiente para comproválas; ademais reitera os pedidos de nulidade por cerceamento de defesa e anexa os documentos de fls. 136/139. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11831.000535/200961 Acórdão n.º 2802002.127 S2TE02 Fl. 148 3 Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Nas razões do recurso, aponta o Recorrente, nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, sustentado na ausência da indicação do correto dispositivo legal a suportar a acusação de “omissão de rendimentos”. Para o Recorrente, a indicação de “dispositivos genéricos”, que no seu entendimento não aludem à acusação de “omissão de receitas”, viciam o lançamento por deficiência na “motivação”, a ensejar a aplicação do artigo 59, II, do Decreto n. 70.235/72. Rejeito a preliminar de cerceamento de defesa apresentada pelo Recorrente. Não vislumbro qualquer violação ou preterimento ao direito de ampla defesa, da forma como alegado. Além do acerto quanto aos dispositivos legais indicados na acusação, é inequívoca que da narração dos fatos e do enquadramento legal apontado, plenas foram as condições para que o Recorrente pudesse se insurgir contra o lançamento. Logo, garantidas as condições ao contribuinte para que este compreendesse o real teor da acusação, nada há se falar quanto à alegada nulidade apontada. Nesse sentido, já decidiu este E. Sodalício: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando presentes nos autos todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram e a oportunidade de contestálos. CARF 2a. Seção 2a. Turma da 2a. Câmara. ACÓRDÃO 220200.616. Por idêntico motivo, devem ser rejeitadas as alegações de violação ao princípio da Verdade Material, fundadas nas mesmas razões que levaram o Recorrente a se insurgir contra o lançamento por cerceamento ao direito de ampla defesa. É legítima a constituição de crédito tributário realizado mediante cruzamento de dados entre a DIRF do Recorrente e a DIMOB entregue pela Administradora, cuja presunção de veracidade, entretanto, carece de presunção absoluta. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A inconsistência no cruzamento de dados que levou a fiscalização a lavrar o presente Auto por omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, poderia ser facilmente ilidida pelo Recorrente, se este comprovasse, mediante recibos, guias de recolhimento de tributos, boletos e demais documentos com equivalente força probante, as despesas cuja dedutibilidade são autorizadas por lei. Logo, não vislumbro “incoerência” da Administração ao lançar tributo com base nas declarações prestadas pelos sujeitos passivos responsáveis pelas respectivas obrigações acessórias e não admitir a força probante de relatórios elaborados pela Administradora de Imóveis. Com efeito, a Verdade Material não guarda qualquer relação com inversão do ônus da prova a favor do contribuinte, mormente quando somente este poderia apresentar a documentação exigida na defesa do seu direito de provar a assunção das despesas nas quais diz ter incorrido e cuja dedutibilidade é permitida pela legislação. Logo, acertada a decisão recorrida, quando ausente qualquer razão para a não apresentação pelo Recorrente das guias de recolhimento dos impostos e taxas incidentes sobre os imóveis locados, boletos de cobranças das taxas condominiais e demais documentos hábeis e idôneos comprobatórios de seu direito à dedução e cuja força probante poderia ser reconhecida mesmo se juntados apenas em grau recursal. Pelo contrário, a insistência em sustentar o seu direito em relatórios e demonstrativos, apenas indica a ausência das despesas indicadas como dedutíveis. Nesse sentido, já decidiu este E. Conselho: CARF 2a. Seção/ 1a. Turma Especial/ ACÓRDÃO 280101.438 em 16/03/2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DE COBRANÇA. GLOSA. Somente serão admitidas despesas dedutíveis dos rendimentos de aluguel, quando devidamente comprovadas. Publicado no DOU em: 21.10.2011 Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e lhe nego provimento. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 28/02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13971.901878/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. EMISSÃO DE NOTA FISCAL IRREGULAR. Ainda que o estabelecimento optante do Simples tenha emitido nota fiscal irregular, com destaque de IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários que geram direito de crédito são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, não abrangendo máquinas, equipamentos, suas partes e peças, e combustível empregado em máquinas e equipamentos. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.671
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que reconheciam o direito de crédito em relação aos lubrificantes.
Matéria: GLOSA CRÉDITO - SIMPLES E CUSTOS
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 OPTANTES PELO SIMPLES. CRÉDITO. EMISSÃO DE NOTA FISCAL IRREGULAR. Ainda que o estabelecimento optante do Simples tenha emitido nota fiscal irregular, com destaque de IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. Os produtos intermediários que geram direito de crédito são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, não abrangendo máquinas, equipamentos, suas partes e peças, e combustível empregado em máquinas e equipamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que reconheciam o direito de crédito em relação aos lubrificantes. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901878/201017 Acórdão n.º 330201.671 S3C3T2 Fl. 139 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 100 a 135) apresentado em 30 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 1434.909, de 16 de agosto de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 88 a 97), cientificado em 31 de agosto de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de IPI do 1° Trimestre de 2006, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos (insumos) de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. INSUMOS NÃO APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. De acordo com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, somente os créditos decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, podem ser objeto de ressarcimento. CRÉDITO GLOSADO. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. É correta a redução do valor de crédito de IPI, quando se constata créditos indevidos relativos a produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem no decorrer do processo de industrialização, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Manifestação De Inconformidade Improcedente Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901878/201017 Acórdão n.º 330201.671 S3C3T2 Fl. 140 3 O pedido foi apresentado em 11 de maio de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 10, segundo o qual o “valor do crédito reconhecido” teria sido “inferior ao solicitado”. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de fls. 10/11 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 38.125,40 referente ao 1º trimestre de 2006, pertencente à filial 0003, reconheceu a parcela de R$ 31.721,12, e, consequentemente, homologou as compensações vinculadas ao presente processo até o limite do crédito deferido. Conforme Informação Fiscal de fls. 12/15, o pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa, em razão de ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos, referentes a aquisições de matérias primas junto a fornecedores optantes pelo Simples e de mercadorias que não integram o produto final e nem se consomem no processo produtivo. Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 02/09, instruída com os documentos de fls. 10/40, alegando, em síntese, que: 1. Conforme consulta formulada através do site da SRF, a empresa fornecedora em questão não é optante pelo Simples Nacional, portanto, não pode proceder a glosa do crédito; 2. Apesar das empresas optantes do Simples não poderem destacar o imposto na nota fiscal, conforme cópias em anexo, nas notas fiscais indicadas pela fiscalização constou o valor do IPI, o qual foi incluído normalmente no custo das mercadorias. Quem arcou com o ônus financeiro do IPI destacado indevidamente foi a Teka, assim, nos termos da art. 166 do CTN, a ela compete a restituição de referidos valores. Além do mais, a empresa, não pode ser penalizada pelo imposto não repassado à Fazenda; 3. A partir do momento em que o IPI é um tributo sujeito ao princípio da nãocumulatividade, surge para o contribuinte o direito de pagar este imposto apenas sobre o valor acrescido em cada etapa da cadeia de industrialização, e não sobre o valor dos próprios insumos, bens, produtos e serviços por ele adquiridos e utilizados; 4. Notase que, ao contrário do ICMS, o legislador constitucional não estipulou as restrições ao crédito em se tratando de produto isento. Assim sendo, mesmo que, de fato, não incidisse qualquer IPI no presente caso, ainda assim o crédito seria possível; 5. O lubrificante e as peças de máquinas utilizados na industrialização estão abrangidos no conceito de produto intermediário, porque, embora não se integrem ao novo produto, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901878/201017 Acórdão n.º 330201.671 S3C3T2 Fl. 141 4 foram consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização destes, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, devendo ser incluídos no cômputo dos cálculos do crédito presumido; 6. Tais itens são utilizados de forma inconteste no processo produtivo como produto intermediário. O seu consumo está diretamente vinculado à movimentação das máquinas que originam o produto final. Sem eles não há condições de transformar a matéria prima e outros insumos na mercadoria destinada à comercialização. Por este fato, não podem ser excluídos no cálculo do crédito presumido. Neste aspecto, reiteradas decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes coadunam com a interpretação adotada pela empresa; 7. Com relação às peças de máquinas, a fiscalização não acatou o crédito mesmo tendo tais produtos contato direto com os insumos e produto final. Por exemplo, as esteiras servem para transportar o tecido na máquina de estamparia; 8. Inclusive, este posicionamento de glosa do fisco mostrase contrário à orientação do STF, na qual conclui que o IPI, por exigência do princípio da nãocumulatividade, é imposto que somente deve incidir sobre o valor agregado em cada nova operação industrial. Significa dizer, a condição à fruição do crédito é, não a utilização direta do insumo na industrialização do bem produzido pelo contribuinte, mas sim a agregação de valor aos insumos adquiridos pela empresa. Por fim, requer a reforma do despacho decisório proferido. No recurso, a Interessada iniciou sua defesa pela análise do conceito de produtos intermediários, alegando que os Pareceres Normativos CST n. 65, de 1979, e n. 181, de 1994, não estariam de acordo com o art. 11 da Lei n. 9.779, de 1999. Acrescentou que, nos termos dos arts. 164 e 519 do Ripi, gerariam créditos todos os insumos utilizados no processo produtivo, ainda que não se integrassem ao produto acabado. Em relação às aquisições de optantes pelo Simples, alegou que não haveria indício de que as empresas fornecedoras seriam optantes do Simples nem mesmo no sítio da RFB na Internet. Dessa forma, de acordo com os meios disponíveis a ela, teria tomado todas as providências possíveis em relação à questão, além de haver arcado com o ônus financeiro do referido tributo. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901878/201017 Acórdão n.º 330201.671 S3C3T2 Fl. 142 5 Em relação aos créditos de estabelecimentos optantes do Simples, muito embora o estabelecimento fornecedor tenha incorrido em irregularidade grave ao emitir nota fiscal que não poderia emitir e, ainda, destacar o IPI devido na saída como se não fosse optante pelo Simples, cabe razão à Primeira Instância. O montante pago pelo interessado aos seus fornecedores, a título de destaque de IPI nas notas fiscais de vendas de insumos, é, em última análise, a majoração do preço desses insumos, cobrada indevidamente do adquirente como se IPI fosse. Portanto, se cabível qualquer reparação ao contribuinte em razão do pagamento de valor indevidamente destacado como Imposto sobre Produtos Industrializados deve ser requerida ao fornecedor, não dirigida à Receita Federal do Brasil. Certamente, porque esta responde, apenas, pela administração do tributo, não se responsabilizando pelo resgate de quantias cobradas indevidamente ao adquirente por seu fornecedor, a menos que delas resulte tributo indevidamente pago e recolhido aos cofres públicos. Quanto às alegações relativas ao princípio da não cumulatividade, aplicase a Súmula Carf n. 2, nos termos da Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009 Súmula CARF n. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto aos outros insumos, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901878/201017 Acórdão n.º 330201.671 S3C3T2 Fl. 143 6 estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Ainda há precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. Ação de empresa fabricante de aço para creditarse do imposto relativo aos materiais refratários que revestem os fornos elétricos, onde é fabricado o produto final. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901878/201017 Acórdão n.º 330201.671 S3C3T2 Fl. 144 7 circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. Não cumulatividade. Tijolos refratários. Produção de aço. Art49 do CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Portanto, temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Dos produtos alegados pela Interessada, nenhum satisfaz a tais condições, especialmente os adquiridos para revenda. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 144DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10580.726612/2009-42
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM CONHECIMENTO.
Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais.
Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2802-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 01/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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INEXISTENTE OMISSÃO OU OBSCURIDADE A SER SANADA, OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO MERECEM CONHECIMENTO. Os embargos de declaração representam recurso atípico de natureza excepcional, cujo cabimento se encontra adstrito às hipóteses dos artigos 65 e 66 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ou seja, têm cabimento em casos de obscuridade, de omissão ou de contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou, ainda, quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, além dos casos de inexatidões materiais, não se prestando, contudo, a rediscutir matéria já julgada, a não ser em casos excepcionais. Inexistente omissão ou obscuridade a ser sanada, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 01/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 12 /2 00 9- 42 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração com vistas a suprir suposta omissão e obscuridade de decisão proferida por esta C. Turma “(...) ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie.” Na minuta apresentada, a Embargante sustenta que: a verba discussão nestes autos – URV – não foi paga em razão de sentença judicial, mas sim em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20, de 08 de setembro de 2003. O autuado recebeu os valores ao longo de 36 (trinta e seis) meses, durante os anos de 2004, 2005 e 2006, por força da referida norma. Portanto, a validade da incidência do IRPF deve levar em consideração que os valores foram espontaneamente pelo Estado da Bahia, não se tratando de verba decorrente de condenação judicial. É relevante também mencionar que a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese o Recurso Repetitivo/STJ n.º 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Em que pese o alegado pela Fazenda Nacional, não vislumbro qualquer omissão ou obscuridade na decisão embargada, de sorte a não conhecer dos embargos de declaração opostos. Isso porque a decisão embargada é clara e expressa quanto à indissociável vinculação das verbas recebidas às condenações decorrentes das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Tal conclusão deriva do seguinte trecho extraído do voto condutor: Quanto à aplicabilidade do precedente da Corte Federal, é de se ressaltar que o artigo 4º da 8.730, de 08 de setembro de 2003 é expressa quanto à origem dos rendimentos, qual seja: “(...) diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal,”. Portanto, inequívoca a submissão deste Colegiado ao decidido em repetitivo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 2802001.913 S2TE02 Fl. 130 3 Portanto, não há se falar que o decidido em repetitivo não seria aplicável ao presente caso, por se tratar de verba recebida em virtude de lei e não em decorrência de decisão judicial condenatória. Muito menos há que se tratar de eventual omissão a ser suprida, em virtude de novo julgado do STJ interpretativo da decisão proferida em sede de repetitivo, sequer publicado quando do julgamento do recurso voluntário. O artigo 4º da lei n. 8.730, de 8 de setembro de 2003 é expresso ao se referir à origem das verbas recebidas, qual seja, “(...) As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal (...)”. Ademais, nos termos do artigo 62A do RICARF, a vinculação deste colegiado às decisões do STJ se refere apenas a acórdãos submetidos ao rito do artigo 543C do CPC e não a eventuais decisões, mesmo proferidas pela C. Corte Federal, interpretativas da extensão dos efeitos e aplicabilidade do decidido em sede de repetitivo. Posto isso, ausente os pressupostos exigidos pelo artigo 65 do RICARF, rejeito os embargos declaratórios opostos. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 01/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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