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7618190 #
Numero do processo: 10280.001306/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-004.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES

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2202­004.873  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de janeiro de 2019  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  Recorrente  ELIEZER FRANCISCO DA SILVA CABRAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  MULTA  DE  OFÍCIO.  NÃO  CONFISCO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  JUROS À TAXA SELIC  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Marcelo de Sousa Sáteles ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andréa  de  Moraes  Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles  (Relator) Martin     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 13 06 /2 00 5- 51 Fl. 79DF CARF MF     2 da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente  o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  acórdão  nº  01­8.409,  proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém ­  PA (DRJ/BEL) que julgou procedente o lançamento do crédito tributário levantado.  Foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (efls.  46  a  55),  Exercício  2002, Ano­Calendário  2001,  em decorrência  de omissão  de  rendimentos  recebidos de pessoas físicas sujeitos à carnê­leão e multa isolada devido a falta de recolhimento  do IRPF devido a título de carnê­leão, no valor total de R$ 33.061,24, incluindo imposto, multa  de ofício de 75%, multa isolada e juros de mora.  O  contribuinte,  inconformado  com  a  autuação,  apresentou  impugnação  pedindo  a  improcedência  do Auto  de  Infração  alegando  a  inconstitucionalidade  da multa  de  ofício e da taxa Selic.  O  lançamento  foi  julgado  procedente  pela  DRJ/BEL.  A  decisão  teve  a  seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF  Exercício: 2002  TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na  taxa  Selic,  na  forma  da  legislação  vigente.  Eventual  inconstitucionalidade  e/ou  ilegalidade  da  norma  legal  deve  ser  apreciada pelo Poder Judiciário.  INCONSTITUCIONALIDADE.  PRESUNÇÃO  DE  LEGITIMIDADE.  A  autoridade  administrativa  não  possui  atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade de  dispositivos  legais.  As  leis  regularmente  editadas  segundo  o  processo  constitucional  gozam  de  presunção  de  constitucionalidade e de legalidade ate decisão em contrário do  Poder Judiciário.  O  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  em  06/09/2007  (efls.  74/76),  repisando os termos da impugnação.  É o relatório.    Voto             Marcelo de Sousa Sáteles ­ Conselheiro Relator  O  recurso  foi  apresentada  tempestivamente,  atendendo  também  aos  demais  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10280.001306/2005­51  Acórdão n.º 2202­004.873  S2­C2T2  Fl. 80          3 Em relação ao argumento do recorrente de que é inconstitucional a multa de  ofício,  lembro  que  a  este  Conselho  não  é  dado  se  pronunciar  sobre  ilegalidade  e  inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicá­la, nos termos do art. 26­A  do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Súmula  CARF  n°  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto,  correta  a  aplicação  da  multa  de  ofício,  no  percentual  de  75  %,  conforme preceitua o art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96.  Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada  neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4:  Súmula  CARF  n°  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Marcelo de Sousa Sáteles ­ Relator.                                  Fl. 81DF CARF MF

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7570041 #
Numero do processo: 10280.901604/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­005.593  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de novembro de 2018  Matéria  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ­ COFINS  Recorrente  BELEM DIESEL SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do Fato Gerador: 30/09/2000  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  BASE  DE  CÁLCULO  DECLARADA  INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.  É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que  pretende  ter  restituído.  É  sua  a  incumbência  demonstrar  liquidez  e  certeza  quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há  como deferir seu pleito.        Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.    (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  da  Silva  Esteves  (suplente  convocado),  Tiago Guerra Machado,  Lazaro Antônio  Souza  Soares,  André  Henrique  Lemos,  Carlos  Henrique  de  Seixas  Pantarolli,  Cássio  Schappo,  Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan  (Presidente). Ausente,  justificadamente,  a  conselheira Mara Cristina Sifuentes.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 04 /2 01 3- 52 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.901604/2013­52  Acórdão n.º 3401­005.593  S3­C4T1  Fl. 3          2 Relatório  Tratam  os  autos  de  Pedido  de Restituição  de  contribuição  para  o  COFINS  realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre  base de  cálculo definida pelo  art.  3º,  §1º da Lei nº 9.718,98, declarada  inconstitucional pelo  STF em sede de repercussão geral.   Inicialmente  cabe  esclarecer  que  houve  evolução  na  empresa  titular  do  crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominava­se SANDIESEL S/A, que foi  incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em  31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A.  A  DRF  São  José  do  Rio  Preto  proferiu  Despacho  Decisório  (eletrônico),  indeferindo o Pedido de Restituição por  inexistência de crédito. Tomando por base o DARF  discriminado  no  PER/DCOMP,  constatou  que  fora  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débito declarado para o mesmo período.   Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação  de  Inconformidade,  sob  as  seguintes  razões:  (i)  por  economia processual  pede  para  que  seja  reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho  Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi  o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98,  vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata  da  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS, matéria  já  superada  pelo  STF  com  repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a  maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26­A, incluído no Decreto nº 70.325  de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões  com  repercussão  geral  do  STF,  como  aliás,  já  prevalece  nas  decisões  das  CSRF  conforme  acórdãos  que menciona;  (v)  requer  ao  final,  provar  o  alegado  por  todos  os meios  de  prova  admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos.  Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou  inteiramente o Despacho Decisório  que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14­062.250.  O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a  decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá  ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe  o crédito pleiteado se  refere a  inclusão  indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de  receitas  estranhas  do  conceito  de  faturamento,  o  que  implicou  em pagamento  a maior  que o  devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centra­se  única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não  se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o  único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode  se  sobrepor  ao  direito  substantivo  e  destaca  jurisprudência  do  CARF  sobre  o  caso;  (v)  da  mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no  processo  administrativo  tributário,  realizando  uma  análise  ampla  de  todas  as  minúcias  da  situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz;  (vi)  entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a  juntada  de  balancete  devidamente  transcrito  no  Livro  Diário,  Livro  Razão  e  planilha  com  memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em  diligência,  conforme  previsto  no  art.  18  do  Decreto  nº  70.235,  em  atenção  ao  princípio  da  Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.901604/2013­52  Acórdão n.º 3401­005.593  S3­C4T1  Fl. 4          3 verdade  material;  (viii)  ao  final  reforça  seu  pedido  de  reforma  da  decisão  recorrida  e  a  restituição do crédito pleiteado.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3401­005.560,  de  26  de  novembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10280.901573/2013­30, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401­005.560):  "O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Destaca­se,  primeiramente,  que a Recorrente  fez  constar  do  pedido  de  sua  Manifestação  de  Inconformidade  que:  “Em  atendimento  ao  disposto  no  inciso V,  do  art.  16,  do Decreto  n.  70235,  de  6.3.1972,  a  requerente  informa  que  a matéria  objeto  desta  manifestação  de  inconformidade  não  foi  submetida  à  apreciação  judicial”,  caso  contrário  deveria  juntar  cópia  da  petição,  já  que  o  assunto  diz  respeito  à  declaração  de  inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98).  Quanto  a  inconstitucionalidade  do  dispositivo  legal  mencionado,  é  tema  já  superado  em  face  da  revogação  do  mesmo  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009.  Enquanto  não  alterado  a  redação  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  foi  expedido  Nota  Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando  o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos:  DELIMITAÇÃO  DA  MATÉRIA  DECIDIDA:  O  PIS/COFINS  deve  incidir  somente  sobre  as  receitas  operacionais  das  empresas,  escapando  da  incidência  do  PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideram­se  receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros  prestados  pelas  instituições  financeiras  (serviços  remunerados  por  tarifas  e  atividades  de  intermediação  financeira).  Repete­se aqui o que já firmado pela decisão de piso, em  que “chega­se à conclusão que a ampliação da base de cálculo do  PIS  e  da COFINS,  implementada  pelo  §1º  do  art.  3º  da Lei  nº  9.718/98,  é  inconstitucional  e  deve  ser  afastada  também  no  âmbito administrativo”.  Vê­se, portanto, que em termos teóricos convergem para o  mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado  fato  que  sustenta  a  tese  da  Recorrente,  de  que  não  cabe  Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.901604/2013­52  Acórdão n.º 3401­005.593  S3­C4T1  Fl. 5          4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão  fora do conceito de faturamento.   Com a declaração de  inconstitucionalidade pelo STF, do  §1º  do  art.3º  da  Lei  9.718/98,  sob  o  regime  previsto  pelo  art.  543­B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço  para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o  PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de  eventuais valores pagos a maior ou indevidamente.  Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a  Recorrente  deu  início  com  Pedido  de  Ressarcimento  de  contribuição  para  o  PIS,  do  período  de  apuração  30/06/1999,  alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor  a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de  valores  referentes  a  receitas  que  não  integram  o  conceito  de  faturamento,  compreendido  exclusivamente  pelo  produto  das  vendas de mercadorias e da prestação de serviços.   A  causa  do  pedido  de  ressarcimento  é  plausível,  a  controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que  existam  hipotéticos  pagamentos  da  contribuição  para  o  PIS  sobre  base  de  cálculo  fora  do  alcance  do  conceito  de  faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja  líquido o valor requerido.  A  repetição  de  indébito  funda­se  no  princípio  da  legalidade,  sob  a  premissa  da  existência  de  certeza  e  liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser  provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do  CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada  com créditos  líquidos  e  certos  do  sujeito passivo  contra a  Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido  de ressarcimento.   O  Despacho  Decisório  respondeu  ao  interessado  que  o  valor do  indébito  fiscal requerido não existe, pois o pagamento  que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar  débito declarado em DCTF.  A  requerente  em  sua  manifestação  de  inconformidade  esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado  por  pagamento  a  maior  que  o  devido  por  ter  sido  incluído  na  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS,  valores  que  estariam fora do alcance do conceito de  faturamento, conforme  declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da  Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a  retificação da DCTF  para  que  nos  sistemas  da  SRFB  fique  registrado  o  crédito  reivindicado.  As  provas  trazidas  aos  autos  com  a  manifestação  de  inconformidade,  são  o balancete  e  folhas  do Razão do  período  de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de  receitas  financeiras,  cujo  valor  atribuído  ao  PIS  S/  Receita  Financeira diverge do valor do crédito pleiteado.  Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901604/2013­52  Acórdão n.º 3401­005.593  S3­C4T1  Fl. 6          5   A  decisão  de  piso  confirma  a  posição  da  unidade  de  origem,  atestando  que  incumbe  a  requerente  demonstrar  com  provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega  possuir  junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua  liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o  voto proferido pela DRJ/POR:   Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário  que,  no  mínimo,  a  interessada  houvesse  retificado  sua  DCTF  até  a  transmissão  do  seu  PER/Dcomp,  fazendo  constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria  exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior.  (...)  Ocorre  que  para  se  aferir  qual  o  valor  exato  da  base  de  cálculo  do PIS  e  da Cofins  que  deve  ser  afastado,  é necessário  que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das  receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas.  Mesmo  diante  das  colocações  feitas  pela  decisão  de  primeiro  grau,  a  Recorrente  nada  de  novo  trouxe  em  seu  Recurso  Voluntário,  insiste  que  o  Fisco  não  se  aprofundou  na  investigação  dos  fatos  e  quanto  ao  conjunto  probatório  ser  insuficiente,  a  DRJ  deveria  ter  convertido  o  julgamento  em  diligência, em atenção ao princípio da verdade material.  Ora,  quem  alega  deve  provar  e  esse  compromisso  é  do  interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a  maior  que  o  devido.  As  provas  juntadas  com  o  Recurso,  praticamente  são  as  mesmas  que  foram  apresentadas  com  a  Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901604/2013­52  Acórdão n.º 3401­005.593  S3­C4T1  Fl. 7          6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e­ fls.340):     Insiste  a  Recorrente  em  inverter  o  ônus  da  prova,  querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita  que  deu  causa  ao  recolhimento  do  PIS  no  valor  do  DARF  apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de  ampliação indevida de sua base de cálculo.  Outro  ponto  que  depõe  contra  a  Recorrente  é  a  ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para  que  a  DCTF  seja  retificada,  inclusive  há  previsão  normativa para isso, vide IN­RFB nº 1.110/2010:  Art. 9º ­ A alteração das informações prestadas em DCTF,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  será  efetuada  mediante  apresentação  de  DCTF  retificadora,  elaborada  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  a  declaração retificada.   §  1º  ­  A  DCTF  retificadora  terá  a  mesma  natureza  da  declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos vinculados.  A  apresentação  de  DCTF  Retificadora  poderá  ser  acatada,  inclusive,  quando  apresentada  depois  do  despacho  decisório,  porém,  sendo  tempestiva  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade  contra  o  indeferimento  do  PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal  Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901604/2013­52  Acórdão n.º 3401­005.593  S3­C4T1  Fl. 8          7 do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  poderá  baixar  em  diligência  à  Delegacia da Receita Federal (DRF).   A administração  tributária orienta  sobre o  tema através  do  Parecer  Cosit  nº  02/2015,de  28  de  agosto  de  2015,  cuja  ementa se deu nos seguintes termos:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA  TRANSMISSÃO  DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF  PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO  INDEVIDO  OU A MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não  sejam  diferentes  das  informações  prestadas  à  RFB  em  outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do  disposto no§ 6º do art. 9º da  IN RFB nº 1.110, de 2010,  sem  prejuízo,  no  caso  concreto,  da  competência  da  autoridade  fiscal  para  analisar  outras  questões  ou  documentos  com  o  fim  de  decidir  sobre  o  indébito  tributário.  (...)  É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição  de  um  crédito  que  teoricamente  lhe  assiste  razão,  com  direito  assegurado, mas  que  de  fato  não  consegue  fazer  prova  de  sua  existência.  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan                              Fl. 329DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.720694/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências. AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116). TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após interposição de empresa veículo que dissimula o real adquirente, surge sem substância econômica no patrimônio da investida.
Numero da decisão: 1402-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/2010-34, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor neste tópico, o Conselheiro Marco Rogério Borges; por unanimidade de votos, AFASTAR a arguição de decadência; por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo as reduções de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes de glosa de amortização de ágio no período autuado, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE - Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora. (documento assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES - Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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1402­003.574  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de novembro de 2018  Matéria  IRPJ/CSLL ­ Amortização de ágio  Recorrente  BANCO CACIQUE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  PROCESSOS  DISTINTOS.  ÓRGÃOS  JULGADORES  COMPETENTES.  VINCULAÇÃO.  INEXISTÊNCIA.  DECISÕES  ADMINISTRATIVAS  DIVERGENTES.  POSSIBILIDADE.  Não  vinculam  as  decisões  administrativas  proferidas  por  órgãos  julgadores  distintos,  exaradas  no  exercício de suas respectivas competências.  AUDITORIA  FISCAL.  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  ATINGIDO  PELA  DECADÊNCIA  PARA  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS  PATRIMONIAIS  COM  REPERCUSSÃO  TRIBUTÁRIA  FUTURA.  Para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial  para  a  constituição  de  crédito  tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da  Lei nº 9.532, de 1997, deve­se levar em conta o período de sua repercussão  na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116).  TRANSFERÊNCIA  DE  CAPITAL  PARA  AQUISIÇÃO  DE  INVESTIMENTO  POR  EMPRESA  VEÍCULO,  SEGUIDA  DE  SUA  INCORPORAÇÃO  PELA  INVESTIDA.  SUBSISTÊNCIA  DO  INVESTIMENTO  NO  PATRIMÔNIO  DA  INVESTIDORA  ORIGINAL.  Para dedução  fiscal da amortização de ágio  fundamentado em  rentabilidade  futura  é  necessário  que  a  incorporação  se  verifique  entre  a  investida  e  a  pessoa  jurídica  que  adquiriu  a  participação  societária  com  ágio.  Não  é  possível  a  amortização  se  o  investimento  subsiste  no  patrimônio  da  investidora  original.  REFLEXO  NA  APURAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CSLL.  Deve  ser  anulada  contabilmente  a  amortização  de  ágio  que,  após  interposição  de  empresa  veículo  que  dissimula  o  real  adquirente, surge sem substância econômica no patrimônio da investida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 94 /2 01 6- 28 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 669          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  REJEITAR  a  conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº  16327.001743/2010­34, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa (Relatora). Designado para  redigir o voto vencedor neste  tópico, o Conselheiro Marco Rogério Borges; por unanimidade  de votos, AFASTAR a arguição de decadência; por voto de qualidade, NEGAR provimento ao  recurso  voluntário,  mantendo  as  reduções  de  prejuízo  fiscal  e  base  negativa  de  CSLL  decorrentes  de  glosa  de  amortização  de  ágio  no  período  autuado,  vencidos  os  Conselheiros  Caio  Cesar Nader  Quintella,  Leonardo  Luis  Pagano Gonçalves,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira  e  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  que  davam  provimento,  nos  termos  do  relatório  e  votos que integram o presente julgado.   (documento assinado digitalmente)  PAULO MATEUS CICCONE ­ Presidente Substituto.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora.    (documento assinado digitalmente)  MARCO ROGÉRIO BORGES ­ Redator designado.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros: Marco  Rogério  Borges,  Caio  Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio  e  Paulo  Mateus  Ciccone (Presidente Substituto).   Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 670          3   Relatório  BANCO  CACIQUE  S/A,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de  Julgamento de São Paulo  ­ SP  que, por unanimidade de votos,  julgou  IMPROCEDENTE a impugnação  interposta contra as  reduções de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL apurados no ano­calendário 2011, no  valor de R$ 77.864.117,41.   Consta da decisão recorrida o seguinte relato:  1. DAS AUTUAÇÕES   Este  processo  trata  de  autos  de  infração  (fls.  2  a  10),  lavrados  para  redução  de  prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL do ano­calendário de 2011.  Foram apuradas duas infrações, a saber:  a)  Falta  de  adição,  na  apuração  das  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL,  de  despesas de amortização de ágio, no total de R$57.384.280,56 (termo de verificação  fiscal de fls. 12 a 22);  b) Glosa  de  despesas  consideradas  desnecessárias,  relativas  a  comissões  pagas à  Cacique  Promotora  de  Vendas,  no  montante  de  R$20.479.836,85  (termo  de  verificação fiscal de fls. 24 a 31).  Sintetizam­se a seguir as alegações apresentadas pela fiscalização.  1.1. Amortização de ágio   No termo de verificação fiscal de fls. 12 a 22, a fiscalização alega que os autos de  infração foram lavrados “em razão da diminuição das bases de cálculo dos tributos  por  valor  de  amortização  de  ÁGIO  pago  em  operação  de  aquisição  do  Banco  Cacique S.A. pelo Banco Société Générale Brasil, na qual o referido ágio, por meio  de  engenharia  societária  e  procedimentos  contábeis,  findou por  ficar  registrado  na  contabilidade do Banco Cacique S.A., passando, então, a ser amortizado fiscalmente,  sem o atendimento de condição essencial imposta no artigo 7º da Lei 9.532/97, qual  seja,  a  legítima  incorporação  da  companhia  adquirida  pela  adquirente,  (ou  a  incorporação reversa, prevista no art. 8º)”.  A fiscalização transcreve reportagens de fevereiro de 2007 referentes à aquisição do  Banco Cacique pelo Société Générale. Ressalta que, embora as notícias veiculadas  na imprensa descrevam a compra do Banco Cacique pelo Société Générale, o fato  concreto foi a assinatura, em 25/02/2007, do Contrato de Compra/Venda das quotas  representativas  de  100%  do  capital  social  da  Cacipar  Comércio  e  Participações  Ltda. (Cacipar), holding que detinha 100% das ações do Banco Cacique.  Alega  que,  se  o  negócio  fosse  realizado  como  originalmente  acordado,  o  Banco  Société Générale Brasil  teria 100% do capital social da Cacipar que, por sua vez,  teria 100% do capital social do Banco Cacique.  Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 671          4 Informa  a  fiscalização  que  foi  pago  valor  superior  ao  patrimônio  líquido  da  Cacipar,  o  que  gerou  um  ágio  que  teve  por  fundamento  a  expectativa  de  rentabilidade futura (art. 20, §2º, “b”, do Decreto­Lei nº 1.598/77).  Alega que o valor do ágio pago por rentabilidade futura pode ter um dos seguintes  tratamentos tributários, conforme disciplinado pelos artigos 384 e 392 do RIR/99:  a)  ser  utilizado  no  momento  da  alienação  da  participação  societária  adquirida,  compondo  o  custo  de  aquisição  do  investimento  e,  assim,  reduzindo  o  ganho  de  capital; ou   b) ser amortizado à razão de 1/60 por mês a partir do momento em que ocorrer a  absorção  (em virtude de  incorporação,  fusão ou cisão) da participação  societária  adquirida.  A  fiscalização alega que, no caso, não ocorreu nenhuma das duas hipóteses, visto  que  subsistem  as  duas  empresas,  o  Banco  Société  Générale  Brasil  e  o  Banco  Cacique, sendo aquela controladora e detentora de 100% das ações desta.  Alega que, embora a legislação tributária tenha previsto apenas as duas hipóteses  acima  descritas,  foram  desenvolvidos  métodos  que  visam  a  antecipar  a  dedução  fiscal do ágio pago por expectativa de rentabilidade futura sem a efetiva extinção da  real companhia adquirida, ou da adquirente, nos casos de incorporação reversa.  Sustenta que, dentre esses métodos, proliferam aqueles que utilizam as denominadas  “empresas veículo”, que são pessoas jurídicas que não exercem qualquer atividade  empresarial,  criadas  e  utilizadas  exclusivamente  para,  em  planejamentos  fiscais,  “transportar” o ágio de uma empresa para outra.  Alega que a “empresa veículo” normalmente é constituída sob a forma de empresa  de  participações,  pois  não  exerce  atividade  empresarial  operacional.  Acrescenta  que,  via  de  regra,  são  “empresas  de  prateleira”,  ou  seja,  pessoas  jurídicas  formalmente  constituídas  perante  os  órgão  de  controle  (Receita  Federal,  Junta  Comercial,  etc),  mas  que  não  têm  o  propósito  de  exercer  atividade  empresarial,  sendo  oportunamente  transferidas  para  interessados,  mediante  a  alteração  no  quadro societário.  A fiscalização relata que, em 07/03/2007, dez dias depois da assinatura do contrato  de compra das quotas da Cacipar, o Banco Société Générale adquiriu e transferiu  para si as quotas da “empresa de prateleira” Marigane Participações Ltda, CNPJ  08.631.625/0001­631,  que  teve  sua  razão  social  alterada  para  Trancoso  Participações Ltda.  Informa que, na mesma data de aquisição da Trancoso, o Banco Société Générale  realizou  a  cessão  dos  seus  direitos  de  aquisição  da  Cacipar  para  a  sua  recém  adquirida  companhia,  que  não  dispunha  ainda  dos  recursos  necessários  para  efetuar o pagamento pela aquisição da Cacipar.  Relata a fiscalização que a operação foi efetivada em 30/11/2007, após a aprovação  pelo Banco Central, data em que o Banco Société Générale Brasil aportou capital  na  Trancoso,  possibilitando  o  pagamento  de  R$888.372.854,00  pela  aquisição  de  quotas representativas de 100% do capital social da Cacipar, que tinham valor de                                                              1 Essa pessoa jurídica foi constituída em 16/01/2007 pelos sócios S&A Serviços  Empresariais Ltda e Diva Maria  Batista Martins Ramalho, sendo que esta última  era sócia, em 2010, de mais de 20 pessoas jurídicas, todas elas  apresentando o termo "Participações" em sua razão social e sem receita declarada ou atividade informada.  Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 672          5 patrimônio  líquido  de  R$317.809.235,16,  resultando  em  um  ágio  de  R$570.563.618,89. A estrutura societária ficou assim configurada:    A  fiscalização  alega  que  a  inserção  de  uma  “empresa  veículo”  na  estrutura  organizacional  de  controle  do  Banco  Cacique  teve  o  propósito  exclusivo  de  aproveitar  um  benefício  fiscal  previsto  em  lei  para  as  hipóteses  específicas  que  promovem  novas  situações  econômico­societárias,  alcançadas  somente  quando  realmente efetivadas.  Relata  que  o  passo  seguinte  foi  a  incorporação,  em 31/10/2008, da Cacipar  e da  Trancoso pelo Banco Cacique (incorporação reversa), passando este a amortizar o  valor do ágio à razão de 1/120 mensais, sem adicionar esses valores na apuração  do lucro real e da base de cálculo da CSLL.  Sustenta  que  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  Carf  manifestou  diversas  vezes  o  entendimento  de  que  não  é  possível  a  amortização  do  ágio  se  o  investimento subsiste no patrimônio da investidora original.  Alega que, no presente caso, o investimento adquirido (Banco Cacique) subsiste no  patrimônio do investidor original (Banco Société Générale), não sendo permitida a  amortização fiscal do ágio.  Sustenta que não é possível qualificar a Trancoso (que serviu exclusivamente como  empresa  veículo  do  ágio)  como  investidora  original,  uma  vez  que  os  recursos  financeiros  para  aquisição  foram  aportados  pelo  Banco  Société  Générale  na  efêmera  companhia  com  o  propósito  exclusivo  de  realizar  o  pagamento  antes  acordado entre comprador e vendedores para em seguida extingui­la.  A  fiscalização  alega  que  a  regra  geral  quanto  ao  tratamento  de  ágios  pagos  na  aquisição de investimentos em participações societários encontra­se prevista no art.  25  do  Decreto­lei  nº  1.598/77,  que  tinha  a  seguinte  redação  em  2011  (posteriormente alterada pela Lei nº 12.973/2014):  Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 673          6  “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20  não  serão  computadas  na determinação  do  lucro  real,  ressalvado o disposto  no  artigo  33.“(Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, de 1979)  Acrescenta  que  o  citado  art.  33 do Decreto­lei  nº 1.598/77 permite a  dedução do  ágio  no  momento  em  que  a  sociedade  investidora  realiza  a  alienação  da  participação. Reproduz­se abaixo esse dispositivo com a redação vigente em 2011:  “Art.  33 O  valor  contábil,  para  efeito  de  determinar  o  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor  de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado  na  contabilidade do contribuinte;  II ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos  os  computados,  nos  exercícios  financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real.(Redação dada pelo Decreto­ lei nº 1.730, de 1979)  (...)”  A fiscalização relata que os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 trouxeram exceções à  regra geral prevista no art. 25 do Decreto­lei nº 1.598/77:  “Art.  7º  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 26  de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I  ­  deverá  registrar o valor do  ágio ou deságio  cujo  fundamento  seja  o de  que  trata a  alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta  que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do §  2º  do  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b”  do  §  2º  do  art.  20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  em  até  dez  anos­calendários  subsequentes  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada  mês do período de apuração;  IV ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "b" do § 2º do art. 20 do Decreto­ Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendários  subsequentes  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada  mês do período de apuração.  § 1º O valor  registrado na  forma do  inciso  I  integrará o  custo do bem ou direito para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital  e  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão.  § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese  de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar:  a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso  IV.  Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 674          7 § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a)  será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de  capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou  acionista, na hipótese de devolução de capital;  b)  poderá  ser  deduzido  como  perda,  no  encerramento  das  atividades  da  empresa,  se  comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe  deu causa.  § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará  a  pessoa  física  ou  jurídica  usuária  ao  pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros  de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente.  § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o  parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito.  Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica­se, inclusive, quando:  a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido;  b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da  participação societária.”  Alega  a  fiscalização  que  os  artigos  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97  estabelecem  a  confusão patrimonial (causada pela incorporação,  fusão ou cisão das companhias  investidora  e  investida)  como  requisito  essencial  ao  aproveitamento  do  benefício  fiscal  da  dedutibilidade  de  custo  de  aquisição  de  participação  societária,  quando  atribuível ao ágio por rentabilidade futura.  Argumenta que, no caso, não houve a confusão patrimonial entre a investidora e a  investida, visto que subsistem o Banco Société Générale Brasil e o Banco Cacique,  não sendo permitida a amortização do ágio para fins fiscais.  A  fiscalização  apurou  que,  no  ano  de  2011,  o Banco Cacique  não  adicionou  nas  bases  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSLL  os  valores  correspondentes  às  despesas  contábeis  registradas pela amortização de ágio na  conta 8.1.8.10.20.001 no valor  total de R$57.384.280,56, devendo ser lavrados autos de infração face às infrações  apuradas.  1.2. Glosa de despesas referentes a comissões   [...]  2. DA IMPUGNAÇÃO   Cientificada das autuações em 10/11/2016 (fls. 43 e 44), a contribuinte apresentou,  em 08/12/2016, a impugnação de fls. 99 a 159, acompanhada dos documentos de fls.  160 a 503, com as alegações a seguir sintetizadas.  2.1. Do objeto da impugnação   Preliminarmente, a impugnante afirma expressamente que deixa de recorrer quanto  à  glosa  de R$20.479.636,85  referente  a  despesas  com pagamento  de  comissões  à  Cacique Promotora de Vendas (fls. 103 e 104) e informa que realizará os devidos  ajustes nos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL.  Fl. 674DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 675          8 Por  outro  lado,  ressalta  que  contesta  integralmente  os  lançamentos  relativos  à  amortização do ágio, apresentando as alegações sintetizadas a seguir.  2.2. Da  preclusão/decadência  da  possibilidade  do Fisco  questionar  a  origem  do  ágio   A  impugnante  destaca  que  o  ágio  em  questão,  apurado  na  aquisição  da Cacipar  pela Trancoso, surgiu em novembro de 2007.  Alega  que  a  fiscalização  não  poderia,  em  2016,  questionar  os  fatos  contábeis­ societários  que  deram  origem  ao  referido  ágio,  face  ao  decurso  do  prazo  decadencial de cinco anos previsto no art. 150, §4º, do CTN.  Argumenta que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL correspondem à obtenção de  resultados  que  provocam  acréscimo  patrimonial.  Assim,  a  contagem  do  prazo  decadencial deve ter início no momento em que os fatos jurídicos formadores desse  acréscimo patrimonial  forem  reconhecidos,  ou  seja, no  presente  caso, a  partir  da  origem do ágio.  Ante  o  exposto,  sustenta  que  deve  ser  reconhecida  a  decadência  integral  dos  créditos tributários.  2.3. Da dedutibilidade das despesas de amortização do ágio na apuração do lucro  real e da base de cálculo da CSLL   A impugnante alega que a aquisição da Cacipar pela Trancoso gerou um ágio com  fundamento  em  expectativa  de  rentabilidade  futura,  fato  que  não  foi  questionado  pela fiscalização.  Ressalta que o fundamento econômico adotado encontra­se comprovado por estudo  realizado pelo Banco UBS Pactual em fevereiro de 2007, escrito originalmente em  inglês e traduzido para o português (docs. 04 e 05 – fls. 297 a 432). Acrescenta que,  posteriormente, em outubro de 2008, foi elaborado estudo a respeito da expectativa  de  rentabilidade  futura  da  Cacipar  pela  KPMG,  que  ratifica  o  estudo  elaborado  anteriormente  (doc.  07  ­  fls.  437  a  476).  Destaca  ainda  que  um  parecer  técnico  elaborado  pelo  Prof.  Eliseu  Martins  atesta  a  existência  de  demonstração  que  justifique a classificação do ágio como decorrente de expectativa de rentabilidade  futura (doc. 08 – fls. 477 a 503).  Assim,  alega  estar  devidamente  comprovado  que  o  ágio  teve  por  fundamento  a  expectativa de rentabilidade futura da investida (art. 385, §2º, II, e §3º, do RIR/99).  A impugnante alega que, caso haja incorporação entre a sociedade investidora e a  investida  que  tenha  sido  adquirida  com  ágio  fundamentado  em  expectativa  de  rentabilidade futura, tal ágio pode ser amortizado à razão de 1/60 ao mês, face ao  disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97.  Sustenta que a dedutibilidade fiscal do ágio teve por objetivo incentivar a prática de  fusões  e  aquisições.  Acrescenta  que  o  Projeto  de  Lei  nº  2.922/2000,  que  tentou  revogar o art. 7º, III, da Lei nº 9.532/97, foi rechaçado pela Comissão de Finanças e  Tributação sob o argumento de que os benefícios advindos do fomento de aquisição  de empresas superam as reduções fiscais geradas pela amortização do ágio.  Conclui assim que o aproveitamento do ágio decorrente de aquisição de sociedades  representa mera  fruição  de  um  benefício  fiscal  previsto  em  lei  e  incentivado  pelo  próprio Governo, e não um planejamento tributário.  Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 676          9 Feitas  essas  considerações,  a  impugnante  passa  a  contestar  a  alegação  da  fiscalização de que a Trancoso se caracteriza como empresa veículo.  A impugnante alega que a Trancoso era uma verdadeira empresa de participações  (holding),  concebida  antecipadamente  para,  dentre  outras  atividades  e  finalidade,  deter a participação do Société Générale na Cacipar,  dada a manifesta diferença  entre  os  objetos  sociais  do  Société  (mais  abrangente,  com  foco  em  banco  de  investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado em crédito consignado),  e de forma a melhor segregar as respectivas atividades.  Destaca que, entre a aquisição da Trancoso pelo Société e a posterior aquisição da  Cacipar  pela  Trancoso,  transcorreram­se  aproximadamente  nove  meses.  Além  disso, entre a aquisição da Trancoso pelo Société e sua extinção por incorporação  pelo Banco Cacique, passaram­se quase dois anos.  Sustenta  que  esse  longo  período  de  tempo  em  atividade  é  uma  diferença  fundamental entre a Trancoso e uma empresa veículo.  Alega que a aquisição da Cacipar pela Trancoso (holding) também se justifica em  razão de  a  aquisição de  uma  instituição  financeira por  outra  já  existente  é muito  mais complexa do ponto de vista de documentação necessária, certidões e registros  obrigatórios, do que a aquisição por meio de uma empresa criada para esse fim.  Ressalta que a estrutura societária desenhada à época, ao contemplar uma holding  para  deter  a  participação  societária  a  ser  adquirida,  não  só  era  plenamente  conveniente e justificada do ponto de vista empresarial, como seguia à risca prática  desde  muito  tempo  verificada  no  mundo  dos  negócios,  como  demonstram  as  estruturas societárias de diversos grupos empresarias, inclusive do setor financeiro.  A  impugnante  sustenta  que  a  criação  da  Trancoso  teve  finalidade  negocial  e não  exclusivamente  fiscal,  visto  que  a  dedutibilidade  fiscal  do  ágio  também  ocorreria  sem a sua participação no negócio.  Alega que, ainda que a Cacipar fosse adquirida diretamente pelo Société, a despesa  referente à amortização do ágio gerado nessa aquisição poderia ser deduzida pelo  Société, bastando que fosse realizada a incorporação da Cacipar pelo Société, o que  resultaria na mesma estrutura societária que foi alcançada no caso concreto.  Sustenta que a aquisição da Cacipar pela Trancoso não trouxe qualquer prejuízo ao  erário, uma vez que, ao final, o efeito fiscal da realização da operação por meio da  Trancoso foi o mero deslocamento do aproveitamento fiscal do ágio do Société para  o Banco Cacique (impugnante), sendo as duas empresas sediadas no Brasil.  A  impugnante  descreve  uma  hipótese  em  que  a  aquisição  da Cacipar  poderia  ter  sido feita diretamente pelo Société e o ágio amortizado pelo Banco Cacique. Alega  que  o  Société  poderia  adquirir  a  Cacipar,  registrando  o  ágio  em  seu  ativo.  Posteriormente  o  Société  poderia  realizar  uma  cisão  parcial,  com  versão  do  investimento  na  Cacipar  e  respectivo  ágio,  sendo  que  a  parcela  cindida  seria  incorporada pela Cacipar. Em seguida, o Banco Cacique  incorporaria a Cacipar,  registrando o ágio em seu ativo e passando a amortizá­lo. Destaca que o resultado  final seria o mesmo verificado no caso concreto, sem a criação da Trancoso.  Assim,  conclui  que  a  Trancoso  não  pode  ser  considerada  como  empresa  veículo,  visto que não era necessária ao surgimento e aproveitamento fiscal do ágio.  Sustenta  que  a  aquisição  da  Cacipar  pela  Trancoso  gerou  até  um  ganho  para  o  Fisco, na medida em que o aporte de capital feito pelo Société na Trancoso seguido  Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 677          10 do pagamento aos vendedores gerou duas incidências de CPMF, cada uma superior  a três milhões de reais.  Ressalta que a utilização da Trancoso não  trouxe nenhum prejuízo ao  erário,  vez  que não  foi um meio necessário ao aproveitamento  fiscal do ágio; pelo contrário,  gerou  um  ganho  para  o  Fisco  pela  segunda  incidência  de  CPMF,  sendo  improcedente a alegação de que teve por finalidade a economia tributária.  A  impugnante  alega  que  a  sociedade  holding  desempenha  funções  peculiares  previstas no ordenamento jurídico, atendendo plenamente ao seu objeto social com  a mera detenção de participação societária em outras companhias.  Sustenta que a  sociedade holding pura não é constituída para  ter empregados, na  medida  em  que  seu  objeto  social  corresponde  unicamente  a  deter  participações  societárias  em  outras  companhias.  Da  mesma  forma,  é  natural  que  não  possua  outra fonte de receitas que não os lucros e dividendos recebidos de suas investidas,  que só receberá após a efetivação de sua primeira aquisição.  Alega  que,  no  caso,  o  recebimento  de  recursos  do  controlador  (Société)  apenas  corrobora a personificação jurídica da Trancoso, que utilizou os recursos recebidos  na  estrita  consumação  de  seu  objeto  social.  Destaca  que  a  Trancoso  é  a  real  adquirente  da  Cacipar,  devendo  o  ágio  ser  registrado  em  seu  patrimônio.  Acrescenta que, tendo sido a Trancoso incorporada pelo Banco Cacique, ocorreu a  confusão patrimonial que justifica a amortização do ágio.  A impugnante sustenta que a existência de sociedade cujo objeto social seja a mera  detenção de outra sociedade está expressamente prevista no art. 2º, §3º, da Lei das  S.A. Destaca que esse dispositivo legal  indica que a participação é facultada para  beneficiar­se de  incentivos  fiscais. Acrescenta que a própria  legislação  tributária,  por  meio  do  art.  31  da  Lei  nº  11.727/2008,  reconhece  a  holding  pura  como  sociedade válida para todos os fins.  A impugnante contesta a alegação da fiscalização de que a Trancoso era desprovida  de propósito negocial. Alega que a criação da Trancoso teve por finalidade praticar  a aquisição desejada, de forma que se pudesse reduzir a complexidade da transação  e  evitar  custos  desnecessários,  além  de  manter  claramente  segregadas  duas  atividades  distintas:  a  do  Banco  Société  (banco  de  investimentos)  e  a  do  Banco  Cacique (empréstimo consignado).  Ad argumentandum, ainda que a criação da Trancoso não tivesse servido a nenhum  fim  empresarial,  alega  a  impugnante  que  o  ordenamento  jurídico  não  traz  em  nenhum de seus dispositivos o conceito de propósito negocial. Assim, ao estabelecer  a  falta de propósito negocial  como  fundamento para análise da dedutibilidade da  despesa com ágio, a fiscalização criou obrigação tributária não prevista na norma  legal.  Acrescenta  que  a  falta  de  propósito  negocial  não  se  subsume  a  nenhuma  hipótese de incidência tributária.  A  impugnante  alega  que  o  Fisco  não  pode  adentrar  na  liberdade  individual  dos  contribuintes  na  gestão  de  seus  negócios.  Destaca  que  a  liberdade  de  auto­ organização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos  princípios constitucionais. Acrescenta que, não havendo norma que proíba a pessoa  jurídica de realizar a operação de determinada maneira, não se pode impedi­la de  realizá­la,  partindo­se  de  premissas  baseadas  exclusivamente  em  fins  arrecadatórios,  sob  pena  de  se  afrontar  a  liberdade  contratual,  a  liberdade  de  exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes.  Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 678          11 Ad  argumentandum,  caso  se  considere  a  Trancoso  uma  empresa  veículo,  a  impugnante  alega  que  o  Carf  vem  reiteradamente  rejeitando  as  tentativas  da  fiscalização de atribuir às empresas veículo a característica de abuso, aceitando a  existência  de  tais  sociedades  nas  estruturações  societárias  que  envolvam  aproveitamento do ágio, desde que da utilização destas não resulte uma economia  tributária  que,  de  outra  forma  não  seria  obtida.  Cita  diversos  acórdãos  do  Carf  nesse sentido, inclusive o acórdão nº 1301­001505, proferido nos autos do processo  administrativo nº 16327.001743/2010­34, que trata do mesmo ágio ora debatido.  Alega  que  essa  decisão  deve  ser  aplicada  a  este  processo,  para  que  não  sejam  proferidas decisões distintas sobre a mesma matéria.  2.4. Ad argumentandum ­ Da inexistência de previsão legal para a adição, à base  de  cálculo  da  CSLL,  da  despesa  com  a  amortização  de  ágio  considerada  indedutível pela fiscalização   Caso se considere indedutível a despesa com amortização de ágio na apuração do  lucro real, o que admite apenas a título argumentativo, alega a impugnante que essa  despesa não poderia ser adicionada na apuração da base de cálculo da CSLL por  ausência de previsão legal.  Sustenta que a CSLL tem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao  lucro  líquido  para  fins  de  determinação  de  sua  base  de  cálculo,  as  quais  nem  sempre são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. Acrescenta que, apesar de possuírem as  mesmas regras de apuração e pagamento, os tributos em questão não observam as  mesmas regras de dedutibilidade de despesas.  No  caso,  alega  que  não  há  previsão  legal  que  permita  a  adição  de  despesa  de  amortização de ágio na base de cálculo da CSLL, não sendo aplicáveis as  regras  próprias do IRPJ.  Assim, ainda que seja mantida a autuação em relação ao IRPJ, conclui que deve ser  cancelado o auto de infração de CSLL.  2.5. Do pedido   Ante o exposto, a impugnante requer seja conhecida e provida a impugnação, com o  consequente  cancelamento dos autos de  infração de  IRPJ e de CSLL  lavrados em  decorrência da amortização do ágio pago na aquisição da Cacipar pela Trancoso,  bem  como  o  restabelecimento  dos  saldos  de  prejuízo  fiscal  e  de  base  de  cálculo  negativa de CSLL compensados de ofício pela fiscalização.  É o relatório.  A  Turma  julgadora,  além  de  declarar  a  definitividade  da  acusação  não  contestada,  rejeitou  os  argumentos  opostos  contra  a  glosa  de  amortização  de  ágio  aduzindo  que:  · O  prazo  decadencial  começa  a  fluir  apenas  no  momento  em  que  é  realizada a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível  cogitar inércia do Fisco.  · A Fiscalização restringiu sua contestação à inocorrência de confusão  patrimonial  entre  a  investidora  e a  investida,  visto que o  verdadeiro  investidor  é  o  Banco  Societé  Génerale  Brasil  e  não  a  Trancoso,  Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 679          12 circunstância na qual devem ser adotado o entendimento manifestado  pelo conselheiro André Mendes de Moura no acórdão 9101­002­312,  de 03/05/2016, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais  ­ CSRF.  · Sob as premissas expostas no referido julgado, e tendo em conta que o  real adquirente da Cacipar é o Banco Société Générale Brasil, pois  foi  ele  quem  encomendou  o  estudo  de  avaliação  do  investimento,  acreditou  em  sua mais­valia,  efetuou  as  negociações  com  os  sócios  da  Cacipar  e  desembolsou  os  recursos  financeiros  necessários  à  aquisição, conforme expresso no estudo efetuado pelo UBS Pactual,  no "Contrato de compra de quotas sob condições precedentes e outras  avenças".  · Ademais,  não procede a alegação da  impugnante de que Transcoso  fora  concebida  antecipadamente  para  deter  a  participação  da  Cacipar  porque  à  época  da  referida  contratação  ela  era  apenas  uma  "empresa  de  prateleira".  Somente  em  07/03/2007,  ou  seja,  após  a  assinatura  do  contrato  de  compra/venda  das  quotas  da  Cacipar,  a  Marigane  foi  transferida  para  o  Banco  Société  Générale  Brasil.  Nessa mesma data, seu nome empresarial foi alterado para Trancoso  e o Banco Société Générale Brasil  efetuou a  cessão dos direitos do  referido contrato de compra/venda das quotas da Cacipar.  · As alegações de que a Trancoso possuía outras finalidades, bem como  de que a aquisição de uma instituição financeira por outra seriam mais  complexa,  não  afetam  as  conclusões  adotadas,  até  porque  já  havia  uma  holding  na  estrutura  societária:  a  Cacipar,  controladora  do  Banco  Cacique,  a  evidenciar  que  a  Trancoso  teve  finalidade  tributária, qual seja transferir o ágio para que ele  fosse amortizado  pelo Banco Cacique.  · Quanto  às  cogitações  de  outros  operações  que  permitiriam  a  amortização da ágio, observou­se que o litígio ora em julgamento se  refere  aos  fatos  ocorridos,  não  cabendo  apreciar  efeitos  tributários  de  hipóteses  não  concretizadas  no  mundo  fenomênico,  consoante  entendimento expresso no Acórdão nº 1103­001.102. Até porque, ao  optar  por  realizar  a  operação  com  a  interposição  da  Trancoso,  o  grupo  empresarial  deve  se  submeter  aos  efeitos  jurídicos  dos  atos  efetivamente  praticados  que,  como  se  verá  adiante,  impediram  a  aplicação  da  norma  legal  permissiva  da  dedutibilidade  da  amortização do ágio.  · A  natureza  meramente  instrumental  da  Trancoso  fica  evidente  no  relatório  de  avaliação  econômico  financeira  elaborado pela KPMG  em outubro de 2008, e as notícias publicadas à época evidenciam que,  em essência,  a operação  realizada  foi a aquisição do Banco Cacique  pelo Banco Societé Générale.  Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 680          13 · Classificando a construção de artificial, destacando a inocorrência da  extinção  do  investimento  por  confusão  patrimonial  e  admitindo  o  propósito negocial como critério para dedutibilidade do ágio, concluiu  que  o  procedimento  adotado  pelo  investidor  de  interposição  de  empresa­veículo  na  operação  de  aquisição  de  investimentos  não  se  encontra  respaldado  pelos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97,  porque  descumpridos os requisitos legais ali previstos, e ainda que a função  dessas  normas  jurídicas  seja  o  estímulo  a  investimentos  e  reorganizações societárias, somente se observados os preceitos legais  em  vigor  é  que  poderá  ser  reconhecida  a  validade  jurídica  da  dedutibilidade da amortização  fiscal do ágio. Ademais, mesmo se a  interposição de empresas­veículo na aquisição de investimentos não  estivesse  vedada,  para  que  se  desse  regularmente  a  amortização  fiscal  do  ágio  necessária  a  extinção  do  investimento,  por  confusão  patrimonial, mediante incorporação, entre investidoras e investida, o  que não ocorreu no caso em análise.  · Rejeitou a alegação de que a norma aplicável ao IRPJ não se aplicaria  à CSLL,  citando os  art.  57 da Lei nº 8.981/95 e o  art.  28 da Lei nº  9.430/96, bem como os arts. 38, 44 e 75 da Instrução Normativa SRF  nº 390/2004, para concluir que a legislação relativa à CSLL adotou o  mesmo  disciplinamento  contido  na  legislação  do  IRPJ  quanto  ao  registro e ao  tratamento a  ser dispensado ao ágio,  inclusive no que  concerne à sua amortização.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  06/07/2017  (fl.  545),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  02/08/2017  (fls.  546/615),  no  qual deduz os argumentos a seguir sintetizados.   Afirma  que  todas  as  operações  societárias  que  acarretaram  no  aproveitamento  do  ágio  pelo  Recorrente  foram  praticadas  de  forma  legal  e  com  o  conhecimento  dos  órgãos  competentes,  até  porque  o  lançamento  não  foi  acrescido  de multa  qualificada.  Defende  que  os  atos  societários  não  sejam  considerados  isoladamente,  pois  as  operações  são  parte  de  um  contexto  maior  de  expansão  das  atividades  do  Grupo  francês  Société  Générale  no  Brasil.  Entende  que  se  a  Fiscalização  se  pautasse  sob  esta  ótica,  teria  constatado,  como  já  o  foi,  de  forma  definitiva,  por  este  E.  CARF  nos  autos  do  Processo  Administrativo nº 16327.001743/2010­34, que o aproveitamento do ágio pelo Recorrente não  representou  um  fim  em  si  mesmo,  mas  decorrência  da  efetiva  aquisição  de  importante  participação societária em operação realizada entre partes independentes.  Destaca as principais “fotografias”, que compõem o “filme” das operações  implementadas  para  a  aquisição  do  Recorrente  pelo  Grupo  Société  Générale,  nas  quais  se  perceberá a validade de cada passo adotado pelo Grupo, bem como o sentido econômico e o  propósito negocial de toda essa operação realizada nos exatos termos da legislação em vigor  à época dos fatos:  · Contrato de Compra de Quotas  sob Condições Precedentes e Outras  Avenças  (“Contrato  de  Compra”  –  doc.  03  juntado  à  Impugnação)  celebrado  entre  o  Banco  Société  Générale  Brasil  S/A.  (“Société”)  celebrou com a Sra. Maria Yolanda Cerqueira Coimbra, o Sr. Cesário  Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 681          14 Coimbra  Neto,  o  Sr.  Sérgio  Coimbra  e  a  Sra.  Daniela  Cerqueira  Coimbra  (“Vendedores”),  tendo  por  objeto  100%  das  quotas  representativas do capital da Cacique Comércio e Participações Ltda.  (“Cacipar”),  detidas  pelos  Vendedores,  destacando  que  a  Cacipar,  juntamente com Terceiros, detinha ações do Recorrente;  · Aquisição da empresa Marigane pelo "Société" em 07/03/2007, com  alteração de sua denominação para "Trancoso" e cessão de seu direito  de adquirir as quotas da "Cacipar" à "Trancoso";  · Aquisição  das  quotas  da  "Cacipar"  detidas  pelos  "Vendedores"  pela  "Trancoso" em 30/11/2007; e  · Deliberação  da  incorporação  da  "Cacipar"  e  da  "Trancoso"  pelo  Banco Cacique em 31/10/2008.  A  "Trancoso",  assim,  teria  recebido  o  direito  de  adquirir  as  quotas  da  Cacipar  detidas  pelos  Vendedores,  nos  termos  do  Contrato  de  Compra.  Solicitada  uma  avaliação da Cacipar, a Trancoso adquiriu as quotas dessa sociedade, tomando como base o  estudo de avaliação realizado, à época, pelo Banco UBS Pactual em inglês (doc. 04 juntado à  Impugnação),  posteriormente  traduzido  pelo  Recorrente  (doc.  05  juntado  à  Impugnação).  Nessa operação teria se verificado a geração de um ágio, uma vez que o valor de patrimônio  líquido da Cacipar era inferior ao que foi pago pela Trancoso, conforme reconhecido pelo Sr.  Agente Fiscal ao mencionar que o Banco Société Générale Brasil aportou capital na Trancoso,  no valor de R$ 930.523.599,00, possibilitando que fosse pago o valor de R$ 888.372.854,00  pela aquisição das quotas (100%) da CACIPAR, as quais tinham valor de patrimônio líquido  de  R$  317.809.235,16,  resultando  em  um  ágio  de  R$  570.53.618,89.  Referido  ágio  estaria  fundamentado  no  estudo  de  expectativa  de  rentabilidade  futura  realizado  (docs.  04  e  05  juntados à Impugnação).  Seguiu­se,  então,  a  incorporação  pelo  Banco  Cacique  da  "Cacipar"  e  da  "Trancoso", pelo que o ágio antes registrado na Trancoso passou aos registros contábeis do  Recorrente,  porque  a  Trancoso  era  uma  verdadeira  empresa  de  participações  (holding),  concebida antecipadamente para, dentre outras atividades e finalidades, deter a participação  do Société na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os objetos  sociais do Société  (mais  abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado  em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as atividades respectivas.  Argumenta que o Société, por questões administrativas e empresariais, não  pretendia, no primeiro momento, unir dois ramos distintos de atuação no mercado financeiro,  o  que  não  poderia  ter  sido  questionado  pelo  Sr.  Agente  Fiscal,  à  luz  do  princípio  da  livre  iniciativa. E conclui  serem plenamente  justificáveis as operações  societárias  realizadas pelo  Recorrente, sendo legítimo o seu direito à amortização fiscal do ágio, após à Incorporação da  Cacipar  e  da  Trancoso  pelo  Recorrente,  sendo  inadmissível  a  acusação  fiscal  de  que  a  "Trancoso" seria uma empresa veículo sem propósito negocial.  Argúi a preclusão/decadência da possibilidade do Fisco questionar a origem  de  parte  dos  ágios  no  presente  caso,  dado  que o  ágio,  como  elemento  contábil  e  societário  surgiu  em  novembro  de  2007,  e  já  estaria  alcançado  pela  decadência  em  10/11/2016.  Cita  Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 682          15 doutrina neste sentido e julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes que amparariam seu  entendimento.  Na  sequência,  discorre  sobre  os  requisitos  para  amortização  fiscal  do  ágio,  reportando­se  às  referências  da  Lei  nº  6.404/76  acerca  do  ágio  apurado  em  aquisição  de  participação societária e ao regramento da Instrução CVM nº 247/96, vigente à época dos fatos,  bem como às disposições dos arts. 20 e 25 do Decreto­Lei nº 1.598/77. Aborda os dispositivos  que  regem a  incorporação  de  sociedades  na Lei  nº  6.404/76,  destacando que  a  incorporação  reversa  sujeita­se  ao  mesmo  tratamento  tributário,  bem  como  a  relevância  das  razões  econômicas do ágio para fins tributário.   Defende  que  a  dedutibilidade  fiscal  do  ágio  gerado  na  aquisição  de  sociedades  teve  como  objetivo  incentivar  a  prática  de  fusões  e  aquisições,  tais  como  as  ocorridas  em  processos  de  privatização,  de  modo  que  o  aproveitamento  fiscal  do  ágio  representa um efeito positivo para o alienante, uma vez que a dedutibilidade do ágio refletida  no  fluxo de caixa  futuro do negócio adquirido  tem  impacto positivo no preço a  ser ofertado  pelo  adquirente. Mas  ressalta  que  a  referida  regra  fiscal  não  se  restringe  às  operações  de  fusão e aquisição decorrentes de processos de privatização, a evidenciar que a regra dos arts.  7º  e 8º da Lei nº 9.532/97  tem como objetivo beneficiar  situações  como a do presente caso,  pois torna mais atraente a realização dos vultosos investimentos necessários para a aquisição  de  sociedades. Acrescenta  que  a  tentativa  de  revogação  daquela  norma  foi  rechaçada  pela  Comissão de Finanças e Tributação, já que os benefícios advindos do fomento de aquisição de  empresas  superam  as  reduções  fiscais  geradas  pela  amortização  do  ágio,  transcrevendo  a  justificativa expressa no Projeto de Lei nº 2.922/2000 e o voto que suprimiu aquela pretensão.  Conclui, assim, que não resta dúvida que o aproveitamento do ágio decorrente da aquisição de  sociedades,  como  trata  o  presente  caso,  representa  a  mera  fruição  de  um  benefício  fiscal  previsto em lei, inclusive incentivado pelo próprio Governo, e não um planejamento tributário,  sendo desarrazoada a pretensão do Fisco de impor óbices inexistentes ao gozo desse direito.  Afirma  o  cumprimento  dos  requisitos  legais  acerca  da  vinculação  do  fundamento  econômico  do  ágio  a  rentabilidade  futura,  reportando­se  a  doutrina  e  aos  dispositivos  legais que regem a matéria, bem como aos estudos apresentados como prova do  fundamento,  destacando  sua  contemporaneidade  e  validade,  inclusive  conforme  parecer  apresentado  neste  sentido,  defendendo  que  prestados  esses  esclarecimentos,  em  que  pese  o  laudo de rentabilidade  futura não  tenha sido objeto da presente autuação  fiscal, não restam  dúvidas  acerca  do  cumprimento  do  artigo  385,  §3°  do  RIR/99  pelo  Recorrente,  como  reconheceu,  inclusive,  o  I.  Professor Eliseu Martins, motivo  pelo  qual  os  autos  de  infração  deverão ser cancelados por este E. CARF.  Opõe­se,  então,  à  equivocada  conclusão  do  Acórdão  Recorrido  quanto  à  suposta  utilização  da  Trancoso  como  empresa  “veículo”,  no  intuito  único  de  possibilitar  o  aproveitamento  fiscal  do  ágio  gerado  na  aquisição  da  Cacipar,  novamente  descrevendo  a  negociação  anterior  promovida  pelo  "Société",  mas  destacando  a  inclusão  de  autorização  excepcional  e  expressa  (cláusula  9.5)  para  que  o  Société  pudesse  ceder  o  contrato  e  seus  direitos e obrigações decorrentes do contrato a uma controlada (já que não havia tempo hábil  para constituir a holding antes da celebração do contrato, dado o cronograma da operação  imposto pelos vendedores, em meio a um processo competitivo de venda da Cacipar – fato não  questionado pela Fiscalização), bem como observando que a aquisição da "Trancoso" se deu  dias após a  celebração do contrato,  em março  de 2007, quando  sua consumação ainda era  incerta e se achava sujeita à verificação de uma série de condições suspensivas (cláusula 4.1),  Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 683          16 seguindo­se a cessão a ela de seus direitos e obrigações sob o contrato de compra e venda a  ela (fato não questionado pela Fiscalização).  Esclarece  que  oito  meses  depois,  verificadas  as  condições  suspensivas  previstas  no  contrato,  o  Société  aportou  capital  em  dinheiro  na  Trancoso,  e  a  Trancoso  adquiriu a Cacipar, mediante o pagamento do preço aos vendedores, bem como que depois de  mais onze meses, portanto quase 2 (dois) anos depois da aquisição pela Trancoso dos direitos  oriundos do contrato de compra e venda, a Trancoso foi incorporada pelo Recorrente, o que  evidenciaria  que  a  Trancoso  era  uma  verdadeira  empresa  de  participações  (holding),  concebida antecipadamente para, dentre outras atividades e finalidades, deter a participação  do Société na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os objetos  sociais do Société  (mais  abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado  em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as atividades respectivas.  Discorda, assim, da conclusão da decisão recorrida, porque a Trancoso não  foi  adquirida  pelo  Banco  Société  unicamente  para  propósitos  tributários,  até  porque  a  aquisição de uma  instituição  financeira por outra  já  existente,  assim como de uma empresa  por  outra  já  existente  (em  atividade  há  muito  tempo,  com  uma  série  de  obrigações  já  assumidas) é muito mais complexa do ponto de vista de documentação necessária, certidões e  registros obrigatórios, do que a aquisição por meio de uma empresa criada para esse fim.  Quanto  à  referência  do  acórdão  recorrido  à ausência  de  especificações  das  complexidades,  entende  que  elas  independem  de  maiores  divagações  para  o  seu  reconhecimento,  por  ser  notória  a  existência  de  um  regime  jurídico  específico  para  as  instituições  financeiras,  cabendo  ao  Banco Central  do  Brasil  a  competência  para  conceder  autorizações  para  que  alterações  societárias  sejam  realizadas.  Tal  regime  seria  rígido,  tornando qualquer alteração societária muito mais lenta e complexa, se comparadas ao regime  comum,  sendo  que  no  momento  da  aquisição  da  Recorrida,  o  engessamento  societário  não  coadunava com os propósitos mercantis pretendidos. A holding "Trancoso", assim, teria sido  utilizada  como  uma  alternativa  aos  inúmeros  limites  e  restrições  postos  às  alterações  societárias em instituições financeiras, como é o caso do Banco Société.  Acrescenta  que  a  estruturação  societária  contemplando  uma  holding  para  aquisição de participação societária, além de conveniente e justificada sob a ótica empresarial e  de mercado, constitui prática antiga, inclusive no setor financeiro. Mas observa que a criação  da "Trancoso" não era necessária para a amortização do ágio, vez que,  sendo a aquisição da  Cacipar realizada diretamente pelo Société, a despesa referente à amortização do ágio gerado  nessa aquisição poderia ser deduzida pelo Société, bastando para  isso que  fosse realizada a  incorporação da Cacipar pelo Société, o que não seria um problema para as partes, já que a  Cacipar foi, efetivamente, incorporada, de modo que a estrutura societária pós­incorporação  nessa hipótese seria a mesma que foi alcançada no caso concreto, no qual a incorporação da  Cacipar assim hipoteticamente tratada ocorreu, de fato, pela recorrente.  Logo,  não  seria  sequer  necessário  criar  uma  empresa  (Trancoso)  para  possibilitar o aproveitamento fiscal do ágio. Poderia o Société ter adquirido e incorporado a  Cacipar, diretamente, e a amortização do ágio, ainda assim, seria dedutível para apuração do  IRPJ e CSLL no Sociéte. Resta claro, assim, que a Trancoso não  foi condição necessária ao  aproveitamento  fiscal do ágio,  vez que  isso  se daria  também sem ela,  pelo que não  se pode  dizer  que  essa  empresa  seria  um  mero  “veículo".  Neste  sentido  também  é  o  parecer  do  Professor Eliseu Martins apresentado em impugnação.  Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 684          17 Acrescenta  que  o  efeito  fiscal  da  realização  da  operação  por  meio  da  Trancoso  foi  o  mero  deslocamento  do  aproveitamento  fiscal  do  ágio  do  Société  para  o  Recorrente,  e  ressalta  que,  tanto  o  Société  quanto  o  Recorrente  são  empresas  sediadas  no  Brasil, pelo que em uma ou outra essa despesa poderia ser considerada na apuração do lucro  real, reduzindo a base tributável do IRPJ e da CSLL. Isto é, caso a Trancoso não tivesse sido  criada,  as  condições  para  o  aproveitamento  fiscal  do  ágio  seriam  cumpridas  de  qualquer  forma, chegando­se ao final na mesma estrutura societária que acabou se verificando no caso  concreto.  Discorre  também  sobre  a  possibilidade  de  o  Société  adquirir  a  Cacipar  e,  como consequência, registrar o ágio verificado nessa aquisição em seu ativo, seguindo­se uma  cisão  parcial,  com versão  do  investimento  na Cacipar  e  respectivo  ágio,  para  que  a  parcela  cindida fosse incorporada pela Cacipar, e a recorrente, incorporando­a, passasse a registrar o  ágio verificado na aquisição da Cacipar em seu ativo, o que seria perfeitamente legítimo sob a  ótica da legislação brasileira, e viabilizaria a amortização fiscal do ágio.   Discorda  da  abordagem  acerca  da  questão  no  acórdão  recorrido  porque  ao  discorrer sobre a possibilidade de realizar essa mesma operação ­ ágio gerado na aquisição  do  Recorrente  ­  sem  a  presença  da  holding  Trancoso,  pretendeu­se  demonstrar  que  se  a  intenção era unicamente tributária a holding era absolutamente dispensável. O que não era o  caso,  como  dito,  a  Trancoso  serviu  precipuamente  a  propósitos  empresariais  que  o  Grupo  Société possuía à época da aquisição.  Registra  que  a  realização  da  aquisição  pela  empresa  de  participações  (holding) Trancoso gerou até um ganho para o Fisco, na medida em o aporte de capital feito  pelo  Société  na  Trancoso,  seguido  do  pagamento  do  preço  pela  Trancoso  aos  Vendedores  gerou  2  (duas)  incidências  de  Contribuição  Provisória  sobre  Movimentação  Financeira  –  CPMF, cada uma superior a R$3.000.000,00 (três milhões de reais), uma prova cabal de que a  Trancoso  seria  uma  verdadeira  holding,  concebida  com  antecedência,  para,  dentre  outras  atividades,  atender  ao  legítimo  propósito  negocial  de  deter  a  participação  do  Société  na  Cacipar,  de  forma a melhor  segregar  as  atividades  respectivas,  estrutura  que  somente  após  quase 2 (dois) anos foi reavaliada.  Discorre sobre as funções das sociedades holdings, com amparo em doutrina,  que deixaria claro que o objeto de uma empresa não se limita a uma atividade de produção ou  circulação de bens e prestação de serviços como indevidamente tentou fazer crer a Autoridade  Fiscal em seu TVF. Faz outras referências a doutrina acerca da desnecessidade de a sociedade  holdign pura ter empregados, bem como defende ser natural que a holding, não possua uma  fonte  própria  de  receitas  decorrentes  da  prática  de  seu  objeto  social,  como  afirmou  a  Autoridade Fiscal, e conclui que a única forma de uma holding cumprir seu objeto social é por  meio de aportes de capital ou obtenção de financiamentos para a aquisição de participações  societárias, assim justificando o fato de a "Trancoso" ter necessitado do aporte de recursos por  seu controlador (Société).  Assim,  tendo  os  recursos  internalizados  na  Trancoso,  via  aporte,  sido  devidamente utilizados para a aquisição da CACIPAR, o ágio correspondente a esta operação  foi nela registrado como resultado do desdobramento do custo de aquisição, a evidenciar que  ela  é a  real adquirente desse ativo devendo o ágio  ser  registrado em  seu patrimônio,  razão  pela  qual  a  incorporação  desta  sociedade  pelo  Recorrente  representa  evidente  “confusão  patrimonial” que justifica a amortização do ágio ora debatido.  Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 685          18 Cita, ainda, a possibilidade de existência de uma sociedade cujo objeto social  seja  a mera  detenção de  outra(s)  sociedade(s)  prevista no  artigo  2º,  §  3º,  da Lei  das S. A.,  inclusive  para  beneficiar­se  de  incentivos  fiscais.  Logo,  ainda  que  a  Trancoso  tivesse  sido  constituída  apenas  para  deter  participação  societária  em  outras  companhias  a  fim  de  beneficiar­se de incentivos fiscais, o que se nega, mas se alega para argumentar, estaria ela  em plena conformidade com a legislação societária vigente à época dos fatos, de forma que é  defeso ao Fisco invalidar as operações em razão da sua utilização.  Ademais, o art. 31 da Lei nº 11.727/2008 reconheceria a holding pura como  uma sociedade válida para todos os fins, ao dispor que a esta poderá diferir o reconhecimento  das despesas com juros de empréstimos contraídos para financiamentos de investimentos em  sociedades  controladas. Discorre,  também,  sobre  a  inviabilidade  de  a  participação  societária  em  empresas  ficar  restrita  às  pessoas  físicas,  e  reafirma  o  papel  fundamental  exercido  pelas  sociedades  holdings  puras  no  mercado  financeiro  e  na  economia,  concluindo  pela  impossibilidade de se descaracterizar a existência da "Trancoso" pelos motivos indicados pela  Fiscalização.   Arremata citando doutrina para demonstrar que o prazo de duração de uma  sociedade holding  também não pode ser utilizado como requisito de  sua validade, a  teor do  artigo  981,  parágrafo  único  do  Código  Civil,  e  observando  que  a  Trancoso  nem  sequer  poderia  ser  considerada  uma  sociedade  de  existência  efêmera,  tal  como  justificou  a  Autoridade  Fiscal,  porque  existiu,  portanto,  durante  mais  de  01  ano.  De  toda  a  sorte,  sua  existência estava integralmente relacionada e justificada pela necessidade de se preencher o  objetivo negocial da operação: a aquisição do controle do Recorrente e a segregação dessa  nova atividade adquirida das demais exercidas pelo Société, que somente foi possível com sua  participação.  Em  seu  entendimento,  portanto,  a  amortização  fiscal  do  ágio  reconhecido  pela  Trancoso  é  legítima  pelo  simples  fato  de  que:  (i)  representou  operação  de  compra  e  venda  de  participação  societária  que  teve  como  adquirente  e  vendedores  entidades  independentes e não relacionadas entre si; (ii) realizada a valores justos de mercado, com o  efetivo  desembolso  do  preço  pela  adquirente  (a  Trancoso);  (iii)  envolveu  o  pagamento  em  dinheiro  de  um  ágio  relevante,  que  teve  como  justificativa  a  expectativa  de  rentabilidade  futura do investimento (Cacipar), justificativa essa baseada em Laudo de Avaliação que nem  sequer foi questionado pela Autoridade Fiscal; e (iv) teve como passo final a incorporação da  Trancoso ao patrimônio do Recorrente, preenchendo os requisitos estabelecidos pelos artigos  7º e 8º da Lei 9.532/97 (ou artigos 385 e 386 do RIR/99) para possibilitar a amortização fiscal  do ágio.  A  recorrente  prossegue  destacando o propósito negocial  para  a  criação  da  Trancoso,  inicialmente  observando  que  a  Fiscalização  não  estabeleceu  qual  conceito  de  propósito negocial adotou para concluir que a "Trancoso" nele não se enquadraria, aspecto que  entende indispensável para a validade dos lançamentos efetuados.  Abordando  os  conceitos  doutrinários  acerca  do  tema,  observa  que  mesmo  admitindo­se  a  posição  adotada  por  Marco  Aurélio  Greco,  a  operação  em  questão  teria  atendido  a  todos  os  "limites  positivos"  exigidos,  dada  a  complexidade  da  aquisição  de  uma  instituição  financeira  por  outra  já  existente  quando  comparada  com  a  aquisição  por  uma  empresa criada para esse fim, e também considerando que inexistiria  intuito econômico/fiscal  como  antes  exposto.  Também  sob  a  ótica  de  Hugo  de Brito Machado,  as  operações  seriam  Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 686          19 válidas porque os atos praticados pelo contribuinte – para que sejam considerados válidos –  devem  estar  ligados  à  finalidade  e  à  autuação  desse  contribuinte  no  mercado,  vez  que  realizados  com  a  intenção  de manter  segregadas  duas  atividades  distintas  que  passariam  a  integrar  o  grupo  liderado  pelo  Société  conforme  já  demonstrado.  Por  fim,  na  linha  do  que  defende  Luís  Eduardo  Schoueri,  a  existência  de  propósito  negocial  seria  evidente,  dado  que  efetivamente  existiu  uma  conformidade  entre  a  intenção  do  Société  (redução  de  complexidades, diminuição de custos, clara segregação dos segmentos entre outros) e a causa  desse negócio jurídico (operações societárias como um todo).  Entende, assim, inconteste a existência de propósito negocial nas operações  efetivadas  pelo  Société,  qual  seja:  a  criação  de  uma  empresa  de  participação  para,  dentre  outras atividades e finalidades, praticar a aquisição desejada, de forma que se pudesse reduzir  complexidades e evitar custos desnecessários e manter claramente segregadas duas atividades  distintas (a do Société e outra a do Recorrente). De toda a sorte, como o ordenamento jurídivo  vigente  não  especifica  o  conceito  ou  definição  de  "propósito  negocial",  estabelecê­lo  como  fundamento para a análise da dedutibilidade da despesa com o ágio – como fez o Sr. Agente  Fiscal – significa considerá­lo fato gerador de obrigação tributária sem a respectiva previsão  em  norma  geral  e  abstrata  (hipótese  de  incidência),  em  clara  afronta  ao  Princípio  da  Legalidade Tributária.  Ressalta  que  a  única  norma  que  poderia  ter  sido  aventada  para  a  desconsideração de uma operação sem substância econômica  (o que,  repita­se,  sequer pode  ser  debatido  no  presente  caso),  seria  o  parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN. Porém,  os  procedimentos  necessários  para  a  aplicação  dessa  norma  dependem  de  elaboração  de  lei  ordinária, a qual, até o presente momento, não foi editada.  Aborda,  ainda,  a  coerência  com  o  planejamento  estratégico  do  empreendimento  econômico,  apesar  de  afirmar  a  inaplicabilidade  deste  limite  em  nosso  ordenamento  jurídico,  asseverando  que  as  operações  ocorridas  se  encontram  claramente  inseridas no planejamento estratégico do Grupo Société Générale, cujo objetivo era expandir  suas atividades no Brasil, inserindo­se no mercado de crédito consignado.  Afirma,  também, a  impossibilidade de  ingerência do Fisco na atividade do  contribuinte, adentrando à liberdade individual dos contribuintes. Aborda a liberdade de auto­ organização como resultante do princípio da legalidade, na forma de doutrina e do Acórdão nº  1301­001.505, que reconheceu a legalidade da amortização deste mesmo ágio pelo Recorrente.  Entende  que  não  havendo  norma  que  proíba  a  pessoa  jurídica  de  realizar  a  operação  de  determinada maneira, não se pode pretender impedir o contribuinte de realizá­la, partindo­se  de  premissas  baseadas  exclusivamente  em  fins  arrecadatórios,  sob  pena  de  se  afrontar  a  liberdade  contratual;  a  liberdade  de  exercício  da  atividade  econômica  e  a  autonomia  da  vontade  das  partes  contratantes,  que  são  verdadeiros  princípios  constitucionais.  Acrescenta  outras referências doutrinárias e citações de julgados administrativos deste CARF, nas quais se  admite que, se o contribuinte pode encontrar na legislação mais do que um caminho, sendo um  deles, inclusive, menos oneroso, mas perfeitamente legítimo, poderá escolhê­lo porquanto este  representa uma opção (legal) que lhe é mais conveniente.  Logo,  não  pode  o  Fisco  interferir  na  maneira  pela  qual  os  contribuintes  realizarão aquisições, por exemplo, vedando, sem qualquer respaldo em Lei, o aproveitamento  de  ágio  gerado  mesmo  em  operação  na  qual  se  utiliza  uma  sociedade  constituída  Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 687          20 especificamente  para  a  aquisição  de  outro  investimento  em  detrimento  de  uma  aquisição  “mais direta”, conforme pacífica jurisprudência do E. CARF citada na sequência.  Considerando  que  um  dos  pontos  fulcrais  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido seria a existência de uma suposta “empresa veículo”, e por isso, tratar­se­ia de uma  situação  artificial,  sem  qualquer  substância  econômica  a  justificá­la,  argumenta  que  a  existência das chamadas “empresas  veículo” ou “sociedades veículo” não é  suficiente para  que  se  infirme  a  validade  de  uma  operação  que  culmine  na  amortização  fiscal  do  ágio,  consoante manifestações reiteradas deste Conselho, desde que da utilização destas não resulte  uma economia tributária que, de outra forma, não seria devida.  Frisa  que  esse  posicionamento  se  coaduna  perfeitamente  com  a  já  mencionada Lei das S.A. (Lei nº 6.404/1976), que em seu art. 2º, §3º regulamenta a atividade  de  empresa,  inclusive  as  holdings,  permite  a  constituição  de  sociedade  empresarial  para  tomada  de  benefícios  fiscais,  no  caso  em  houver  a  constituição  de  uma  sociedade  para  utilização do benefício fiscal do ágio, não poderia a Fiscalização desconstituir esse ato, sob a  justificativa de que não haveria substância econômica. Mas recorda que no caso em concreto,  demonstrou­se  fartamente  que  a  utilização  da  Trancoso  possuía  todo  um  caráter  societário  relevante para o Recorrente,  não  sendo constituída apenas para  realizar a  transferência do  ágio, como supôs a Fiscalização.  Finaliza reiterando sua objeção à impossibilidade da amortização do ágio nas  hipóteses em que a Fiscalização alega a existência de suposta empresa veículo, uma vez que o  entendimento  consolidado  das  cortes  administrativas  é  no  sentido  de  que  a  reorganização  empresarial pode se dar por meio de companhias não operacionais e recorda que essa posição  já  foi  firmada  de  forma  definitiva  para  este  mesmo  ágio  ora  debatido,  contudo,  para  as  amortizações  ocorridas  nos  anos  de  2008  e  2009  (processo  administrativo  nº  16327.001743/2010­34), pleiteando que seja aplicada essa mesma decisão exarada por este E.  CARF em favor do Recorrente, sob pena de julgamentos distintos para uma mesma matéria, o  que não pode ser admitido por este Colegiado.  Subsidiariamente aduz a inexistência de previsão legal para a adição, à base  de  cálculo  da  CSLL,  da  despesa  com  a  amortização  de  ágio  considerada  indedutível  pela  Fiscalização. Argumenta que muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente  sobre o  lucro dos contribuintes,  certo é que para ela existem normas específicas que  tratam  das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as  quais, nem sempre,  são as mesmas aplicáveis ao  IRPJ. De outro  lado, o  legislador não  teria  elencado  no  art.  2º  e  §§,  da  Lei  nº  7.689/88,  como  adição  ao  lucro  líquido,  o  valor  correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da  equivalência patrimonial.   Expõe  a  evolução  legislativa  referente  à  possibilidade  de  amortização  do  ágio, bem como as respectivas normas aplicáveis à apuração do IRPJ e da CSLL e defende  que: (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii)  a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da  Lei nº 11.638/07, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível;  (iii) a base de  cálculo  do  IRPJ,  por  sua  vez,  é  o  lucro  real,  para  o  qual  existem  previsões  específicas  relativamente  aos  efeitos  da  amortização  do  ágio  que  não  se  aplicam  à  base  de  cálculo  da  CSLL (nem as regras previstas no Decreto­Lei nº 1.598/77 que tratam da adição do ágio no  Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 688          21 lucro  real,  nem  as  regras  previstas  na  Lei  nº  9.532/97,  que  permite  sua  amortização  em  algumas hipóteses). Cita julgados administrativos que amparariam seu entendimento.  Por fim, requer que seja revertidas as retificações de prejuízo fiscal e de base  negativa da CSLL, de modo que os valores compensados de ofício pelo Sr. Agente Fiscal, por  meio  dos  autos  de  infração  em  questão,  deverão  ser  restabelecidos,  ao  final  do  presente  processo administrativo, com o julgamento favorável ao Recorrente.  Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 689          22 Voto Vencido  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Inicialmente cumpre apreciar o requerimento da contribuinte de que seja aqui  aplicada a decisão proferida no Acórdão nº 1301­001.505, sob pena de julgamentos distintos  para uma mesma matéria, o que não pode ser admitido por este Colegiado.  No  referido  acórdão  foi  apreciado  lançamento  formalizado  no  processo  administrativo  nº  16327.001743/2010­34  e  decorrente,  dentre  outras  infrações,  da  glosa  de  amortizações do mesmo ágio aqui em discussão, mas promovidas nos anos­calendário 2008 e  2009. Naqueles autos, a autoridade lançadora fundamentou a indedutibilidade das amortizações  não só na conclusão de que o Banco Société Générale seria o investidor de fato, como também  na  extemporaneidade  do  laudo  elaborado  pela  KPMG,  contratada  depois  do  pagamento  do  ágio.  Depois  da  conversão  do  julgamento  em  diligência,  que  oportunizou  à  contribuinte  a  apresentação  de  tradução  juramentada  do  estudo  elaborado  por  UBS  Pactual  à  época  da  aquisição,  além  de  outros  esclarecimentos,  a  1ª  Turma Ordinária  da  3ª  Câmara  decidiu,  por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  em  relação  à  amortização  de  ágio,  vencidos  os  Conselheiros  Wilson  Fernandes  Guimarães  (Relator)  e  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas,  sendo  designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o Conselheiro Valmir  Sandri,  também  apresentando declaração  de  voto  o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O  acórdão  restou assim ementado neste ponto:  INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO  ARTIGOS  7º  E  8º  DA  LEI  Nº  9.532/97.  PLANEJAMENTO  FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA.  No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação  da  reorganização  de  que  tratam  os  artigos  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/97  mediante  utilização  de  empresa  veículo,  desde  que  dessa  utilização  não  tenha  resultado  aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria  obtida  sem  a  utilização  da  empresa  veículo  e,  por  conseguinte,  não  pode  ser  qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.  Importa registrar que além desta decisão, também foi proferido o Acórdão nº  1201­001.242,  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16327.720476/2011­89,  veiculando,  dentre outras infrações, a glosa das amortizações do correspondente ágio promovidas no ano­ calendário 2010. Naqueles  autos,  a  autoridade  lançadora  fundamentou a  indedutibilidade das  amortizações  não  só  na  conclusão  de  que  o  Banco  Société  Genérale  seria  o  verdadeiro  adquirente  do  controle  societário  da  autuada,  como  também  na  extemporaneidade  do  laudo  elaborado em julho de 2008, posteriormente ao pagamento do ágio em 30/11/2007. A 1ª Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara,  por maioria  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  para  a  afastar  a  glosa  das  despesas  com amortização  do  ágio  levadas  ao  resultado  no  ano  de  2010,  divergindo  a  Conselheira  Ester  Marques  Lins  de  Sousa  e  votando  pelas  conclusões  o  Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. O acórdão restou assim ementado neste ponto:  DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.  Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 690          23 Se  o  ágio  na  aquisição  do  investimento  efetivamente  ocorreu,  não  sendo  fruto  de  operações  entre  empresas  do mesmo  grupo  econômico  (ágio  interno),  incabível  a  glosa  da  despesa  com  sua  amortização  fundada  no  emprego  da  assim  chamada  "empresa veículo".  Aliás, no voto condutor do referido  julgado, o Conselheiro Relator Marcelo  Cuba Netto consignou que:  Como visto acima, o ágio foi registrado na contabilidade da contribuinte no ano de  2008 e passou a ser por ela amortizado a partir daquele mesmo ano.  No  âmbito  do  processo  nº  16327.001743/201034  a  fiscalização  lavrou  auto  de  infração  para  exigência  do  IRPJ  e  da  CSLL  relativamente  aos  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos  de  2008  e  2009,  pela  dedução  indevida  das  despesas  com  amortização do ágio.  No  presente  processo  foi  lavrado  auto  de  infração  para  exigência  do  IRPJ  e  da  CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos nos ano de 2010.  Conforme  já  assentado  no  relatório  e  no  item  3  do  presente  voto,  transitou  em  julgado  a  decisão  administrativa  exarada  no  processo  nº  16327.001743/201034,  havendo a 1ª Turma da 3ª Câmara decido ser cabível, no caso, a dedutibilidade das  despesas  com amortização do  ágio,  conforme  ementa  ao  acórdão 1301001.505,  a  seguir transcrita:  INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º  DA LEI Nº 9.532/97.  PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA.  No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da  reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de  empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo  ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da  empresa  veículo  e,  por  conseguinte,  não  pode  ser  qualificada  de  planejamento  fiscal  inoponível ao fisco.  Obviamente  que  a  coisa  julgada  objeto  do  acórdão  1301001.505  não  alcança  o  litígio ora em discussão. De fato, enquanto lá se decidiu sobre a dedutibilidade das  despesas com amortização do ágio nos anos de 2008 e 2009, aqui o objeto da lide é  o ano de 2010.  Não custa recordar que, de acordo com o abaixo transcrito art. 469, I, do Código de  Processo Civil,  não  fazem  coisa  julgada os motivos  que  levaram aquela Turma a  decidir pela  legalidade da despesa, daí porque  esta Turma poderia,  com base em  motivos diversos, entender o oposto.  Art. 469. Não fazem coisa julgada:  I ­ os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da  sentença;   (...)  Em outras palavras, os  fundamentos que alicerçaram a decisão da 1ª Turma da 3ª  Câmara, que afastou a exigência nos anos de 2008 e 2009, não vinculam a decisão  desta Turma quanto ao exame referente ao ano de 2010.  Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 691          24 Não  há  notícia  de  interposição  de  recurso  especial  nos  autos  do  processo  administrativo nº 16327.001743/2010­34 (anos­calendário 2008 e 2009). Já com referência ao  processo administrativo nº 16327.720476/2011­89 (ano­calendário 2010), no sítio do CARF há  registro de interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, bem  como de sua recente distribuição para relatoria na 1ª Turma da CSRF.  Em  circunstâncias  semelhantes  esta  Conselheira  já  manifestou  seu  entendimento em favor da reprodução em julgamento posterior do entendimento firmado por  outra  Turma  do CARF  que  apreciou  a  primeira  exigência  fiscal  decorrente  do  fato  jurídico­ tributário em debate.  Como relatado, o presente lançamento tem em conta as amortizações de ágio  apropriadas  no  ano­calendário  2011,  ágio  este  formado  na  aquisição  da  autuada  pelo Banco  Sociéte  Générale  Brasil  S/A,  mediante  Contrato  de  Compra  de  Quotas  sob  Condições  Precedentes e Outras Avenças, firmado entre a referida adquirente e os vendedores titulares das  quotas da "CACIPAR", holding que detinha 100% das ações do Banco Cacique S.A.   Objetivamente,  concluiu  a  autoridade  fiscal,  reproduzindo  jurisprudência  deste Conselho, que “Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio  da  investidora  original”.  Com  toda  engenharia  societária  realizada  pelo  Banco  Société  Générale  Brasil,  podemos  observar  que,  ao  fim,  o  investimento  adquirido  ­  Banco Cacique  S.A.  ­  subsiste  no  patrimônio  do  investidor  original,  o  Banco  Société  Générale.  Em  outras  palavras, as decisões proferidas pelo CARF destacam que a as normas legais não autorizam o  aproveitamento do ágio quando, ao final da operação, o verdadeiro adquirente e o adquirido  remanescem existindo, sem que haja união do patrimônio dessas sociedades.  Logo, o vício constatado pela Fiscalização está localizado no registro inicial  do  ágio,  fato  constituído,  originalmente,  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16327.001743/2010­34  e  até mais  amplamente  discutido  pela  1ª  Turma  da  3ª  Câmara  desta  Seção,  que  também  apreciou  as  objeções  fiscais  à  prova  do  fundamento  do  ágio  em  rentabilidade futura. Indiscutível, portanto, a conexão entre os lançamentos.   Diante  deste  contexto,  necessário  se  faz  traçar  os  limites  de  atuação  desta  Turma de Julgamento para apreciação do litígio presente nestes autos.  Dispõe  o  Regimento  Interno  do  CARF,  em  seu  Anexo  II,  aprovado  pela  Portaria MF nº 343/2015, o que segue:  Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando­se a  seguinte disciplina:  §1º Os processos podem ser vinculados por:  I  ­  conexão,  constatada  entre  processos  que  tratam  de  exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos;  II  ­  decorrência,  constatada  a  partir  de  processos  formalizados  em  razão  de  procedimento  fiscal  anterior  ou  de  atos  do  sujeito  passivo  acerca  de  direito  creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e   III ­ reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento  fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos.  Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 692          25 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao  conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para  esses já houver sido prolatada decisão.  §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro  que  entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da  Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo.  [...]  Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também  eletronicamente,  para  os  conselheiros,  organizados  em  lotes,  formados,  preferencialmente,  por  processos  conexos,  decorrentes  ou  reflexos,  de  mesma  matéria  ou  concentração  temática,  observando­  se  a  competência  e  a  tramitação  prevista no art.  Art.  47. Os processos  serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para  sorteio,  juntamente com os processos  conexos  e, preferencialmente,  organizados  em  lotes  por matéria ou concentração temática, observando­se a competência e a tramitação  prevista no art. 46.  [...]  Art.  49.  O  presidente  da  Câmara  participará  do  planejamento  da  quantidade  de  lotes  a  ser  sorteada  aos  conselheiros  dos  colegiados  vinculados  à  Câmara  e  dos  recursos repetitivos.  [...]  § 5º O processo conexo, decorrente ou reflexo e o que retornar de diligência ou em  razão de acórdão de recurso especial e de embargos de declaração será distribuído  ao mesmo relator ou redator, independentemente de sorteio, ressalvados o retorno  de processo com acórdão de recurso especial e os embargos de declaração em que  o relator ou redator não mais pertença à turma de origem, que serão apreciados por  essa, mediante sorteio entre seus conselheiros. (Redação dada pela Portaria MF nº  153, de 2018)  [...] (negrejou­se)  No presente momento, a distribuição por conexão não é mais possível porque  já concluído o julgamento e também porque nem o relator nem o redator designado integram  Colegiados desta 1ª Seção.   De  toda  sorte,  a  determinação  regimental  presta­se  a  atender  objetivos  maiores,  que  devem  ser  observados  ainda  que  a  distribuição  não  seja  feita  ao  mesmo  Conselheiro Relator ou Redator do processo original.  O  Decreto  nº  70.235/72  apenas  cogita  da  reunião  dos  lançamentos  no  momento  de  sua  formalização,  quando  lastreados  nos  mesmos  elementos  de  prova.  Esta  permissão assim constava de sua redação alterada pelas Leis nº 8.748/93 e 11.196/2005:  Art.  9º  A  exigência  de  crédito  tributário,  a  retificação  de  prejuízo  fiscal  e  a  aplicação  de  penalidade  isolada  serão  formalizadas  em  autos  de  infração  ou  notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 693          26 § 1o Os autos  de  infração  e  as notificações  de  lançamento  de  que  trata  o  caput  deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto  de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos  elementos de prova.   § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo  que  formalizados  por  servidor  competente  de  jurisdição  diversa  da  do  domicílio  tributário do sujeito passivo.   §  3º  A  formalização  da  exigência,  nos  termos  do  parágrafo  anterior,  previne  a  jurisdição  e  prorroga  a  competência  da  autoridade  que  dela  primeiro  conhecer.  (negrejou­se)  A  redação  atual  do  art.  9o  do  Decreto  nº  70.235/72  não  foi  alterada,  substancialmente, neste ponto:   Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão  formalizados  em  autos  de  infração  ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos,  depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do  ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste  artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um  único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos  de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo  que  formalizados  por  servidor  competente  de  jurisdição  diversa  da  do  domicílio  tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  §  3º  A  formalização  da  exigência,  nos  termos  do  parágrafo  anterior,  previne  a  jurisdição  e  prorroga  a  competência  da  autoridade  que  dela  primeiro  conhecer.  (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §  4o  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  nas  hipóteses  em  que,  constatada  infração  à  legislação  tributária,  dela  não  resulte  exigência  de  crédito  tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste  artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial  unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos  os tributos por eles abrangidos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o  art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de  2009)  No  mais,  o  Decreto  nº  70.235/72  nada  diz,  além  de  destacar  que  na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender  necessárias  (art.  29,  Seção VI  – Do  Julgamento  em  Primeira Instância), e dispor que o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  far­se­á  conforme  dispuser  o  regimento  interno  (art.  37,  Seção  VII  –  Do  Julgamento  em  Segunda Instância).   Necessário, portanto, o exame da Lei nº 9.784/99, que por força de seu art. 69  aplica­se  subsidiariamente  aos  processos  administrativos  específicos  regidos  por  lei  própria,  como é o caso do processo administrativo fiscal federal. E de seu texto destaca­se:  Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 694          27 Art.  2o  A  Administração  Pública  obedecerá,  dentre  outros,  aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.  Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os  critérios de:  I ­ atuação conforme a lei e o Direito;  [...]  VIII  –  observância  das  formalidades  essenciais  à  garantia  dos  direitos  dos  administrados;  [...] (negrejou­se)  Isto porque são os princípios da segurança jurídica e da economia processual,  este  refletido  administrativamente  no  princípio  da  eficiência,  que  informam  a  conexão,  a  continência e a litispendência do processo civil. Este tema é abordado nos seguintes artigos do  Novo Código de Processo Civil ­ CPC (Lei nº 13.105/2015):  Art.  55.  Reputam­se  conexas  2  (duas)  ou  mais  ações  quando  lhes  for  comum  o  pedido ou a causa de pedir.  § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se  um deles já houver sido sentenciado.  [...]  § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco  de  prolação  de  decisões  conflitantes  ou  contraditórias  caso  decididos  separadamente, mesmo sem conexão entre eles.  Art. 56. Dá­se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade  quanto  às  partes  e  à  causa  de  pedir, mas  o  pedido  de  uma,  por  ser mais  amplo,  abrange o das demais.  Art.  57.  Quando  houver  continência  e  a  ação  continente  tiver  sido  proposta  anteriormente,  no  processo  relativo  à  ação  contida  será  proferida  sentença  sem  resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.  Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far­se­á no juízo prevento, onde  serão decididas simultaneamente.  [...]  Art. 286. Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza:  I ­ quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada;  [...]  Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:  [...]  VI ­ litispendência;  VII ­ coisa julgada;  Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 695          28 VIII ­ conexão;  [...]  §  1o  Verifica­se  a  litispendência  ou  a  coisa  julgada  quando  se  reproduz  ação  anteriormente ajuizada.  § 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa  de pedir e o mesmo pedido.  § 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso.  §  4o  Há  coisa  julgada  quando  se  repete  ação  que  já  foi  decidida  por  decisão  transitada em julgado.  [...]  Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:  [...]  V ­ reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;  [...]  § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em  qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.  [...]   Nestes termos, havendo identidade de pedido ou causa de pedir entre duas ou  mais  ações,  apenas  uma  delas  pode  subsistir.  Tais  causas  devem  ser  distribuídas  ao mesmo  juiz, que pode ordenar a reunião das ações para sua decisão simultânea2, ou mesmo determinar  a extinção, sem julgamento do mérito, do processo que reproduz ação anteriormente ajuizada.  Observe­se  que,  embora  atribuído  ao  réu  o  dever  de  alegar  a  existência  de  conexão  ou  litispendência,  o  art.  267,  §4o  do  antigo CPC,  à  semelhança do  art.  485,  §3º  do Novo CPC,  autoriza o conhecimento de ofício, pelo juiz, de tais circunstâncias, como bem destaca Cândido  Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil, 4a ed. rev. atual. e com remissões  ao Código Civil de 2002. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 148­151):  Como se trata de matéria de ordem pública, referente ao exercício de uma função  estatal, que é a jurisdição, nega­se o próprio Estado, independentemente da vontade  dos litigantes, a exercê­la duas ou várias vezes com o mesmo objetivo. A proibição  de  duplicar  ou  multiplicar  o  exercício  da  jurisdição  em  casos  assim  constitui  legítima  e  racional  ressalva  à  promessa  constitucional  de  tutela  jurisdicional  (Const.,  art.  5°,  inc.  XXXV).  [...]  O  controle  oficial  deve  ser  feito  durante  toda  a  pendência do segundo processo, a saber, desde o momento em que o juiz despacha a  petição  inicial  e  enquanto  não  se  exaurirem  as  instâncias  ordinárias.  Tal  é  o  significado  da  locução  em  qualquer  tempo  e  grau  de  jurisdição,  contida  na  lei.  Mesmo  nada  alegando  o  réu  em  apelação,  ou  mesmo  que  a  demanda  haja  sido  julgada  improcedente  ou  inadmissível  por  outro  fundamento  e  o  autor  venha  a  apelar, é dever do tribunal fazer a verificação. Só se exclui que, sem ter o tema da  litispendência sido objeto de pronunciamento explícito pelo tribunal encarregado de                                                              2 No CPC anterior (Lei nº 5.869/73), ao juiz era permitido, incluisve, agir de ofício:  Art.105.Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar  a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.  Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 696          29 julgar a apelação (Tribunais Regionais Federais, Tribunais de Justiça), ele venha a  ser  examinado  em  sede  de  recurso  especial  (a  exigência  de  prequestionamento:  Súmula 282 e 356 STF). Dadas estreitíssimas limitações desse recurso, também não  poderia o Superior Tribunal de Justiça apreciar a  litispendência sem que  isso  lhe  houvesse sido pedido pelo recorrente.  A  litispendência  é  classificada  pela  doutrina  como  um  dos  pressupostos  processuais negativos, pois  sua ocorrência  impede a  eficácia  e a validade da  relação  jurídica  processual  formada  em  segundo  lugar.  Seu  fundamento  está  no  repúdio  da  ordem  jurídico­ processual ao bis  in  idem,  evitando­se que a mesma demanda seja  julgada mais de uma vez,  com o risco de decisões contraditórias e prejuízo à segurança jurídica.  Neste sentido são as lições de Teresa Arruda Alvim Wambier (Litispendência  em ações  coletivas.  In:  Processo Civil Coletivo. Coordenação  de Rodrigo Nolasco Mazzei  e  Rita Dias Nolasco, São Paulo: Quartier Latin,  2005, p.  280),  classificando de preventivas  as  preocupações  com  a  litispendência,  pois  por  trás  de  todas  as  discussões  que  envolvem  a  litispendência,  sempre  se  percebe  que  o  principal  cuidado  existente  se  liga  a  evitar  que,  futuramente, haja decisões conflitantes, não no plano lógico, mas no plano empírico sobre o  mesmo objeto. De forma semelhante manifesta­se Luiz Rodrigues Wambier (Curso Avançado  de Processo Civil, vol. 1: Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 5a ed. rev.,  atual.  e  ampl.  São  Paulo:  Editora  Revista  dos  Tribunais,  2002,  p.  203),  para  quem  o  fundamento  para  esse  pressuposto  processual  negativo  está  no  princípio  da  economia  processual e no perigo de julgamentos conflitantes.  A  reunião  dos  processos,  em  razão  da  conexão,  objetiva,  portanto,  evitar  decisões contraditórias e incompatibilidades lógicas, ou até operacionais, do ponto de vista da  execução do julgado, nos casos em que o cumprimento de uma das decisões poderia implicar o  descumprimento de outra decisão  judicial. Daí o poder conferido ao  juiz de  reunir processos  com  elementos  semelhantes,  evitando  conseqüências  danosas  aos  cidadãos  e  ao  Poder  Judiciário, premissas estas que permitem a Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito  Processual  Civil,  4a  ed.  rev.  atual.  e  com  remissões  ao  Código  Civil  de  2002.  São  Paulo:  Malheiros, 2004, p. 148­151) definir conexão nos seguintes termos:  A  conexidade  é  uma  categoria  jurídico­processual  de  tanta  amplitude,  que  conceitualmente  é  capaz  de  abranger  em  si  todas  as  demais  modalidades  de  relações  entre  demandas.  [...]  a  coincidência  entre  os  elementos  objetivos  das  demandas,  para  determinar  a  conexidade  juridicamente  relevante,  deve  ser  coincidência  quanto  aos  elementos  concretos  da  causa  de  pedir  ou  quanto  aos  elementos  concretos  do  pedido.  A  coincidência  de  elementos  abstratos  conduz  à  mera afinidade entre as demandas, que não chega a  ser conexidade e não  tem os  mesmos efeitos desta.  [...]  O  que  importa,  nos  institutos  regidos  pela  conexidade,  é  a  utilidade  desta  como  critério suficiente para  impor  certas  conseqüências  (prorrogação da competência,  reunião  de  processos)  ou  autorizar  outras  (litisconsórcio).  Essa  utilidade  está  presente  sempre  que  as  providências  a  tomar  sejam  aptas  a  proporcionar  a  harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais  demandas.  Daniel Amorim Assumpção Neves  (Manual de Direito Processual Civil,  v,  único,  4a  edição,  São  Paulo:  Editora  Método,  2012,  p.  168­169)  observa  que  a  economia  processual  é  um  aspecto  secundário  na  conexão,  a  ponto  de,  à  época,  no  Projeto  de  Lei  do  Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 697          30 Novo Código de Processo Civil,  ter  se cogitado de  restringir  a conexão às hipóteses em que  existisse risco de decisões contraditórias se os processos fossem julgados separadamente. Mas  destaca a importância desta causa modificadora de competência nos seguintes termos:  Fixados os limites da identidade exigida para que se verifique a conexão entre duas  demandas com a interpretação possível da redação constante no art. 103 do CPC, é  importante  analisar  as  razões  de  ser  da  conexão  e,  mais  especialmente,  da  sua  conseqüência:  a  reunião  dos  processos  perante  um  mesmo  juízo.  São  duas  as  principais razões: economia processual e harmonização dos julgados.  A primeira e  inegável vantagem aferida com o  fenômeno da conexão é evitar que  decisões  conflitantes  sejam  proferidas  por  dois  juízos  diferentes.  A  existência  de  decisões conflitantes proferidas em demandas que  tratem de situações similares é,  naturalmente, motivo  de  descrédito  ao  Poder  Judiciário,  podendo  inclusive  gerar  problemas práticos de difícil solução.  Por  outro  lado,  é  inegável  que  a  reunião  de  duas  ou  mais  demandas  perante  somente um juiz favoreça no mais das vezes a verificação do princípio da economia  processual, já que os atos processuais serão praticados somente uma vez [...]. Com  a  prática  de  atos  processuais  que  sirvam  a mais  de  um  processo,  é  evidente  que  haverá  otimização  de  tempo  e  em  razão  disso  respeito  ao  princípio  da  economia  processual.  [...]  Os  dois  fundamentos  que  ensejam  a  reunião  dos  processos  em  decorrência  de  conexão – embora em diferentes graus de importância – estão intimamente ligados  a razões de ordem pública, posto interessar ao próprio Estado que os julgados do  Poder  Judiciário  sejam  harmoniosos  e  que  se  gastem  o  menor  tempo  e  recursos  para  obtê­los.  Justamente  em  virtude  dos  interesse que  procura  preservar  (ordem  pública),  essa  causa  modificadora  de  competência  é  dotada  de  maior  força  que  todas as demais. (destaques do original)  Veja­se que, ao final, o Novo CPC acabou por ampliar o conceito de conexão  ao  dispor  que  também  serão  reunidos  para  julgamento  conjunto  os  processos  que  possam  gerar  risco  de  prolação  de  decisões  conflitantes  ou  contraditórias  caso  decididos  separadamente, mesmo sem conexão entre eles (art. 55, §3º). Patente, assim, o interesse em se  evitar decisões conflitantes.   Abordando a obrigatoriedade da reunião de processos em razão da conexão,  Daniel Amorim Assumpção Neves  (Op.  cit,  p.  169­170)  defende  que  uma  reunião  que  não  possa  alcançar  nenhum  dos  dois  objetivos  traçados  para  o  instituto  está  totalmente  fora  de  questão. E, nesta linha, acrescenta:  [...]  E  parece  concordar  com  tal  posição  a  jurisprudência,  sumulado  o  Superior  Tribunal  Justiça  o  entendimento  de  que  não  existe  reunião  de  processos  conexos  quando  um  deles  já  estiver  no  tribunal,  circunstância  esta  em  que  obviamente  a  reunião dos processos não geraria qualquer economia processual ou harmonia dos  julgados,  visto  que  em  um  deles  a  prova  já  foi  produzida  e  a  decisão  já  foi  prolatada.  De fato, firmou o Superior Tribunal de Justiça na Súmula 235 que a conexão  não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. Ocorre que a necessidade  de se produzir outra decisão, no âmbito administrativo, não implica a produção de provas, mas  apenas  a  apreciação  de  fatos  já  constituídos  pela  autoridade  competente.  Em  conseqüência,  Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 698          31 negar efeitos à conexão, em tais condições, significa permitir a reapreciação de fato já julgado  e eventual decisão em sentido diverso da anterior, desconsiderando o objetivo da norma.  No  caso  presente,  o  fato  jurídico  que  origina  a  presente  demanda  foi  apreciado em 1a e 2a  instâncias de julgamento, em razão de impugnação e recurso voluntário  interpostos nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/2010­34. Logo, não sendo  mais possível a reunião dos processos, na prática, para julgamento conjunto, os princípios da  economia processual, eficiência e segurança jurídica determinariam que a apreciação resultante  do  recurso  voluntário  interposto  naqueles  autos  fosse  reproduzida  na  resposta  ao  recurso  voluntário interposto nestes autos.  Diante  desta  análise  jurídica  e  pragmática,  a  solução  mais  adequada  aos  princípios que regem o processo civil e administrativo, seria a reprodução, no  julgamento do  recurso voluntário presente nestes autos, do entendimento firmado pela 1a Turma da 3ª Câmara  desta 1a Seção na  apreciação de  recurso voluntário que  teve por objeto  a primeira  exigência  fiscal decorrente do fato jurídico­tributário aqui em debate.   É patente a  identidade do  fato  jurídico­tributário  tratado nos dois processos  em referência, como evidenciado no relatório acima e no relatório e votos do Acórdão nº 1301­ 001.505, no qual  foram  analisados  todos os  contornos da operação aqui  expostos,  para  além  dos  questionamentos  também  dirigidos  à  prova  do  fundamento  do  ágio.  Em  ambos  os  lançamentos,  a  autoridade  lançadora  rejeitou  a  "Trancoso"  como  adquirente,  e  atribuiu  ao  Banco  Société  Générale  Brasil  S/A  esta  condição,  de  modo  a  negar  dedutibilidade  às  amortizações de ágio porque ausente a confusão patrimonial exigida pela legislação fiscal.   As conclusões do Conselheiro Valmir Sandri, expressas ao final de seu voto,  não deixam dúvidas de a admissibilidade do arranjo societário para aquisição da participação  societária foi determinante para o reconhecimento da dedutibilidade das amortizações glosadas:  [...]  Com  relação  a  alegação  do  Ilustre  Relator  de  que  o  processo  de  aquisição  de  empresa e incorporações sucessivas não tiveram propósito outro que não fosse o  de antecipar os benefícios fiscais trazidos pela amortização do ágio, inclusive com  a  utilização  da  chamada  “empresa  veículo”  constituída  para  esse  fim,  com  a  devida  “vênia”,  ouso  dele  novamente  discordar,  eis  que  a  criação  de  empresas,  bem  como  a  sua  extinção  por  incorporação,  envolvendo  uma  controlada  e  controladora,  independe  de  qualquer  motivação  econômica  ou  financeira,  pois  está na órbita exclusiva da decisão dos sócios.  Por estas razões não faz o menor sentido a motivação que levou o auto de infração  considerar  ter  ocorrido  um  planejamento  inoponível  ao  fisco,  por  não  ter  havido  razão econômica “na aproximação dos interessados” relativamente à incorporação  de modo a possibilitar a dedução do ágio.  A  razão  econômica  da  incorporação  está  exatamente  no  fato  de  que,  com  a  incorporação,  a  autuada passou a  ter  o  direito,  sponte  sua,  de  amortizar  o  ágio  pago  na  privatização,  tendo  sido  esta  a  conduta  abarcada  e  induzida  pelo  ordenamento,  por  intermédio  das  regras  estipuladas  no  artigo  7º  e  8º  da  Lei  nº  9.532/973,  sendo  bastante  comum  em  direito  societário  para  se  alcançar                                                              3 Ricardo Mariz de Oliveira, em trabalho  intitulado ”Os motivos e os  fundamentos econômicos dos ágios e dos  deságios  na  aquisição  de  investimentos,  na  perspectiva  da  legislação  tributária”,  publicado  no  livro    Direito  Tributário Atual nº 23” , editado em 2009 pela Dialética, destaca que o espirito da norma dos artigos 7º e 8º da Lei  Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 699          32 determinado  efeito,  não  prosperando,  portanto,  o  argumento  de  que  a  real  motivação da incorporação foi a utilização do benefício fiscal previsto na lei.  Ora,  a  motivação  não  há  que  ser,  necessariamente,  econômica,  podendo  ser  de  qualquer ordem, desde que verdadeira, sendo, portanto, repito, fora de propósito a  alegação  fiscal  de  que  não  se  denota  nenhuma  finalidade  econômica  na  aproximação dos interessados, mormente quando não há no ordenamento pátrio tal  figura.  Como  é  sabido,  a  alienação  ou  extinção  de  participação  societária  implica  resultado operacional  (ganho ou perda de capital), em cuja apuração influencia o  ágio que compôs o preço da respectiva aquisição.  Para  fins  fiscais,  nos  casos  de  extinção  de  participação  societária  decorrente  de  incorporação,  fusão ou cisão, o art. 34 do Decreto 1.598/77  (art.  430 do RIR/99)  somente  permitia  a  dedução  como  perda  de  capital  da  diferença  entre  o  valor  contábil  registrado  pelo  investidor  e  o  acervo  incorporado,  avaliado  a  preço  de  mercado,  pois  a  mesma  representava  perda  efetiva  do  custo  de  aquisição  do  investimento. Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda.  Por  sua  vez,  a  Lei  nº  9.532/97  alterou  essa  norma  em  relação  aos  casos  de  aquisição com ágio e posterior incorporação, fusão ou cisão. Nessa hipótese, em se  tratando de ágio com fundamento na rentabilidade futura, o legislador admitiu sua  amortização  à  razão  de  sessenta  avos,  no máximo,  para  cada mês  do  período  de  apuração (artigo 386, III, do RIR/99).  Essa  norma  tornou  irrelevante,  para  fins  fiscais,  a  avaliação  de  acervo  líquido  quando existente ágio ou deságio, e criou prazo mínimo para a amortização, como  forma  de  evitar  o  ganho  fiscal  imediato  que  anteriormente  se  obtinha,  pelo  reconhecimento  imediato  da  diferença  entre  o  valor  contábil  e  o  valor  do  acervo  líquido.  De se verificar também que independentemente do caminho trilhado pelas empresas  envolvidas, tanto a Incorporada como a Incorporadora, sem infringir a legislação  fiscal,  poderiam  beneficiar­se  da  dedutilibidade  do  ágio  pago  na  aquisição,  porquanto, os dois caminhos alternativos (incorporação direta ou mediante uso de  empresa veículo) não resultariam em carga tributária diferente,  sendo descabido  falar em falta de disposição expressa no ordenamento para a opção por um ou por  outro e/ou espaço de tempo utilizado nessas operações, não havendo, portanto, que  se falar em abuso de direito para se obter o benefício fiscal.  De  se  pontuar  que  a  inserção  da  figura  do  abuso  de direito no  campo  tributário,  como fator justificativo da ineficácia dos atos praticados perante o fisco,  liga­se a                                                                                                                                                                                           9.532/97 é que a dedução da amortização do ágio (fundamentado na rentabilidade futura) em razão da absorção da  pessoa jurídica a que se refira é que ele seja considerado juntamente com os lucros da atividade a que se refere. E  assenta:  “Em suma, no contexto dos art. 7º e 8º é essencial que haja absorção de patrimônio por via de incorporação, fusão  ou cisão, de maneira a  reunir ágio ou deságio e  lucro numa única pessoa  jurídica. É por  isso mesmo – por  ser  acontecimento inerente ao tratamento objetivado pela lei – que a reunião das  pessoas  jurídicas  é  coisa  natural  e  não  deve  ser  vista  com  a  desconfiança  que  tem  caracterizado  alguns  procedimentos fiscais, a qual é totalmente descabida quando efetivamente tenha ocorrido uma aquisição  om ágio,  eis  que  o  passo  subsequente  inevitável,  previsto  na  lei,  é  a  incorporação,  fusão  ou  cisão  das  pessoas  jurídicas  investidora e investida.  É ainda por isso que, nesses casos, se torna irrelevante como se processa a reunião das duas pessoas jurídicas, para  o que  a  lei  abre  inúmeras  alternativas,  e  nem mesmo  é  prejudicial  aos  efeitos  da  lei  que  essa  reunião  tenha  se  realizado em curto ou longo prazo, podendo mesmo efetivar­se no próprio dia da aquisição do investimento.”  Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 700          33 situação  em  que  há  uma  redução  da  carga  tributária  (compromete  a  eficácia  do  princípio da capacidade contributiva). Invocar o abuso de direito para considerar  ineficaz  a  conduta  frente  ao  fisco  só  se  justifica  se  essa  conduta  houver  sido  determinante  para  redução  da  carga  tributária  (compromisso  da  capacidade  contributiva).  E  isso  não  ocorreu  no  caso  concreto  pois,  como  visto,  a  carga  tributária seria mesma, quer a  incorporação fosse direta, quer se desse por meio  da empresa veículo, sendo impertinente também para justificar o lançamento, pois  pressupõe  que  o  exercício  do  direito  tenha  se  dado  em  prejuízo  do  direito  de  terceiros.  No caso, não se materializou excesso frente ao direito tributário, eis que não houve  prejuízo da Fazenda, pois o  resultado  tributário alcançado  seria o mesmo  se não  houvesse sido utilizada a empresa veículo.  [...] (negrejou­se)  Assim,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  reconhecer  a  conexão  da  presente  exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/2010­ 34, e reproduzir aqui o mesmo entendimento lá firmado acerca do fato jurídico tributário que  ensejou a presente exigência, no sentido de que a incorporação pela autuada da "Trancoso" e da  "Cacipar" autorizaria a dedução fiscal das amortizações do ágio pago.  Em conseqüência, torna­se desnecessário apreciar os demais questionamentos  veiculados  em  recurso  voluntário  quanto  às  exigências  decorrentes  do  principal  lançado  em  razão da glosa das amortizações do ágio.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  passa  a  ser  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário.  Prevalecendo o entendimento do Colegiado contrário à aplicação dos efeitos  da conexão na forma antes proposta, passa­se à apreciação dos demais argumentos deduzidos  pela interessada no recurso voluntário interposto nestes autos.  Preliminarmente cumpre afirmar a necessária aplicação da Súmula CARF nº  116: Para  fins  de  contagem  do  prazo  decadencial  para  a  constituição  de  crédito  tributário  relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997,  deve­se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança.  Considerando  que  o  lançamento  em  debate,  formalizado  em  10/11/2016,  prestou­se  a  glosar  amortizações  de  ágio  deduzidas  na  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo da CSLL no ano­calendário 2011, deve ser REJEITADA a arguição de decadência, vez  que não havia transcorrido nem mesmo o prazo decadencial mais estreito, previsto no art. 150,  §4º do CTN.  No mérito, cabe registrar inicialmente que a autoridade lançadora pautou­se,  em  sua  acusação,  no  entendimento  expresso  na  ementa  dos  Acórdãos  nº  1101­000.942  (processo  nº  10980.722071/2012­76),  1101­000.936  (processo  nº  16561.720040/2011­17),  1101­000.962 (16643.000144/2010­11), 1101­000.961 (processo nº 16643.000142/2010­21) e  1101­000.899  (processo  nº  19515.005924/2009­77),  todos  conduzidos  por  voto  desta  Conselheira:   TRANSFERÊNCIA  DE  CAPITAL  PARA  AQUISIÇÃO  DE  INVESTIMENTO  POR  EMPRESA VEÍCULO,  SEGUIDA DE SUA  INCORPORAÇÃO PELA  INVESTIDA.  Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 701          34 SUBSISTÊNCIA  DO  INVESTIMENTO  NO  PATRIMÔNIO  DA  INVESTIDORA  ORIGINAL.  Para  dedução  fiscal  da  amortização  de  ágio  fundamentado  em  rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e  a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a  amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original.  Os  arranjos  societários  analisados  nos  referidos  julgados  apresentam  peculiaridades que não permitem identificar nenhum deles com as operações aqui sob exame,  mas todos eles apresentam um traço característico representado pela amortização fiscal do ágio  sem que  a  real  adquirente  do  investimento  incorpore  ou  seja  incorporada pela  investida. Ou  seja,  sob  diferentes  estruturas  societárias,  o  real  adquirente  é  substituído  na  titularidade  das  ações  da  investida  por  outra  pessoa  jurídica  que,  ao  final,  é  extinta  por  incorporação,  permitindo que as disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 sejam invocadas, reduzindo­ se o lucro da investida mediante dedução o ágio pago e fundamentando em sua rentabilidade  futura.   No presente  caso,  está provado que no  contrato  firmado para aquisição  das  ações  da  autuada,  detidas  por  "Cacipar"  (Companhia  de  Participações  de  propriedade  da  "família Coimbra"),  figurou como comprador o Banco Société Générale Brasil S/A, que dez  dias depois da compra  transferiu para  si  as quotas de  "Marigane Participações Ltda",  pessoa  jurídica  constituída  há  poucos  meses  e  sem  nenhuma  atividade,  passando  a  denominá­la  "Trancoso Participações Ltda" e cedendo­lhe os direitos de aquisição da "Cacipar", para mais à  frente, com a aprovação concedida pelo Banco Central do Brasil para realização da operação,  aportar­lhe o  capital  necessário  à  realização do  negócio. Segundo a  autoridade  lançadora, os  recursos utilizados para aquisição pretendida pelo Banco Sociéte Générale  foram aportados  na  efêmera  companhia  com  o  propósito  exclusivo  de  realizar  o  pagamento  antes  acordado  entre comprador e vendedores para em seguida extingui­la.  A  recorrente  aduz que  a cessão do direito de compra das  ações detidas por  "Cacipar" já estava prevista no referido contrato, mas isto nos seguintes termos (fl. 289):  9.5 Cessão. A partir da data deste instrumento até a Data do Fechamento, nenhuma  das  Partes  contratantes  poderá  ceder  este  Contrato,  em  parte  ou  no  todo,  sem  a  anuência por escrito das outras Partes, ressalvado que o Comprador poderá ceder  este  Contrato  e  seus  direitos  e  obrigações  a  qualquer  Afiliada  do  Comprador,  incluindo, sem limitação, como resultado da venda ou incorporação ou qualquer  reorganização societária, a qualquer época antes ou após a Data do Fechamento,  caso em que Société Générale deverá permanecer como uma Parte Interveniente  deste Contrato a fim de garantir o cumprimento deste Contrato pelo cessionário,  em  conformidade  com  a  Cláusula  3.4  deste  instrumento,  e  o  Comprador  deverá  imediatamente notificar os Vendedores sobre a cessão, ressalvado, entretanto, que  qualquer  tal  cessão  pelo  Comprador  poderá  apenas  ocorrer  (i)  após  a  Data  do  Fechamento, ou (ii) após a presente data mas antes da data de protocolo do pedido  das Aprovações; (iii) se antes da Data do Fechamento mas depois da data em que o  protocolo do pedido das Aprovações tiver sido feito, com comprovação razoável do  Comprador,  que  essa  cessão  não  teria  probabilidade  de  causar  um  atraso  significativo na obtenção das Aprovações. (destacou­se)  Société Générale S/A, constituída de acordo com as leis da França, indicada  no  início  do  contrato  como  "comprador",  é  descrita,  na  sequência,  como  parte  interveniente  para, então, passar a  ser  referida como "Société Générale"  (juntamente com o Banco Société  Générale S.A. coletivamente referidas como "Comprador"), conforme fls. 248/250. Ou seja, a  Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 702          35 cessão em questão foi admitida pelos vendedores desde que não houvesse alteração substancial  nas  partes  designadas  como  "comprador".  Esta  circunstância,  somada  ao  fato  de  "Trancoso  Participações  Ltda"  receber  o  aporte  de  capital  de  Banco  Société  Générale  Brasil  somente  depois de a aquisição ter sido autorizada pelo Banco Central, de modo a assegurar o pagamento  em favor dos vendedores, são evidências suficientes para manutenção da conclusão fiscal, nos  seguintes termos:  Não  é  possível  qualificar  a  Companhia  Trancoso,  adquirida  exclusivamente  para  servir  como  empresa  veículo  do  ágio,  como  investidora  original,  uma  vez  que  se  verifica  que  os  recursos  utilizados  para  aquisição  pretendida  pelo  Banco  Sociéte  Générale  foram  aportados  na  efêmera  companhia  com  o  propósito  exclusivo  de  realizar  o  pagamento  antes  acordado  entre  comprador  e  vendedores  para  em  seguida extingui­la.  Irrelevante se  as operações, no  entender da  recorrente,  foram praticadas de  forma  legal  e  com  o  conhecimento  dos  órgãos  competentes,  pois  as  circunstâncias  antes  referidas, são suficientes para evidenciar que o real adquirente da autuada foi o Banco Sociéte  Générale, e  isto justamente em razão de tais operações serem parte de um contexto maior de  expansão das atividades do Grupo  francês Société Générale no Brasil, pois se não houvesse  esta interferência na aquisição em debate, possivelmente ela não seria implementada em face,  apenas,  de  "Trancoso  Participações  Ltda".  Aliás,  anote­se  que  a  ausência  de  imputação  de  multa qualificada no presente caso nada significa, na medida em que, não tendo sido apurado  crédito  tributário  devido,  mas  apenas  redução  de  prejuízo  fiscal  e  de  bases  negativas,  a  autoridade fiscal nada referiu sob aquela ótica.  Em  verdade,  quem  maior  valor  confere  as  “fotografias”,  que  compõem  o  “filme”  das  operações  implementadas  para  a  aquisição  do  Recorrente  pelo  Grupo  Société  Générale,  é  a  própria  recorrente,  que  pretende  firmar  a  dedutibilidade  das  amortizações  glosadas com base na validade de cada passo adotado pelo Grupo, desmerecendo a realidade  alcançada  a  partir  do  exame  do  conjunto  desses  passos  e  de  seu  resultado  final,  contrário  à  exigência expressa nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, qual seja, a subsistência do comprador e  do adquirido, cujas atividades justificaram a fundamentação do ágio em rentabilidade futura.   A  recorrente  argumenta  que  Trancoso  era  uma  verdadeira  empresa  de  participações  (holding),  concebida  antecipadamente  para,  dentre  outras  atividades  e  finalidades, deter a participação do Société na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os  objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco  Cacique  (mais  específico,  focado  em  crédito  consignado),  e de  forma a melhor  segregar  as  atividades respectivas, bem como aduz outras referências para se opor à acusação fiscal de que  a "Trancoso" seria uma empresa veículo sem propósito negocial.  Contudo,  frente  à  cessão  de  direito  de  compra  que  manteve  um  dos  compradores  originais  como  garantidor  da  operação,  associada  à  transferência  dos  recursos  financeiros  à  "Trancoso"  contemporânea  à  aquisição,  referida  "holding"  somente  pode  ser  compreendida como extensão do caixa dos adquirentes originais. De fato, a citada cláusula 9.5  deixa patente que, mesmo se o "Société" dispusesse de  tempo hábil para constituir a holding  antes da celebração do contrato, os vendedores com ela não contratariam, porque a capacidade  financeira para honrar o contrato era, claramente, detida pela instituição financeira no Brasil e  na França.   Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 703          36 A recorrente pretende atribuir substância à "Trancoso" acrescentando que ela  subsistiu por quase 2 (dois) anos depois da aquisição pela Trancoso dos direitos oriundos do  contrato  de  compra  e  venda,  mas  o  fato  é  que  apenas  o  transcurso  de  tempo  não  atribui  materialidade  neste  sentido,  até porque,  como bem observa  a  autoridade  lançadora,  o Banco  Cacique  já  era  controlado  por  uma  empresa  de  Participações  ­  a  CACIPAR,  o  que  já  se  prestaria  à  segregação  afirmada  como  necessária  em  razão  da manifesta  diferença  entre  os  objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco  Cacique  (mais  específico,  focado  em  crédito  consignado),  e de  forma a melhor  segregar  as  atividades respectivas. Também sob este ângulo, a interposição de "Trancoso" se mostra útil,  apenas, para dissimular o real adquirente do investimento e alcançar, no futuro, as vantagens  fiscais decorrentes da amortização antecipada do ágio pago.  Quanto  à  relevância  da  "Trancoso"  na  hipótese  de  aquisição  de  uma  instituição financeira, deve prevalecer o entendimento expresso no acórdão recorrido acerca da  ausência  de  especificações  das  complexidades  alegadas,  vez  que  não  demonstrada  qualquer  exigência específica do Banco Central do Brasil para tal autorização, mormente tendo em conta  que  desde  a  contratação  inicial  entre  os  compradores  e  vendedores  foram  contemplados  e  aceitos  os  efeitos  decorrentes  desta  complexidade  para  alteração  societária,  como  se  vê  nas  diversas  cláusulas  do  acordo  que  estabelecem  as  garantias  e  os  ônus  associados  àquela  condição. A  recorrente  permanece  sustentando  seu  entendimento  em  alegações  genéricas  de  que o engessamento societário não coadunava com os propósitos mercantis pretendidos, e de  que  a  holding  Trancoso  teria  sido  utilizada  como  uma  alternativa  aos  inúmeros  limites  e  restrições postos às alterações societárias em instituições financeiras, como é o caso do Banco  Société, o que, à evidência, não é suficiente para alterar as conclusões aqui adotadas. O mesmo  se diga em relação aos argumentos de que a estruturação societária contemplando uma holding  para  aquisição  de  participação  societária,  além  de  conveniente  e  justificada  sob  a  ótica  empresarial  e  de mercado,  constitui  prática  antiga,  inclusive  no  setor  financeiro,  dado  que  a  operação  já  contemplava  a  "Cacipar"  como  holding  e  o  fato  de  uma  prática  ser  antiga  não  significa que ela não possa ser questionada.  Quanto  aos  ajustes  societários  cogitados  pela  recorrente  para  justificar  a  dedutibilidade  das  amortizações  em  razão  da  alternatividade  entre  eles,  esclareça­se  que  a  justificativa  apresentada  pela  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  para  deixar  de  avaliar  os  efeitos destas alternativas é legítima, vez que, ao final, outro foi o caminho adotado pelo grupo  empresarial,  e  cabe  ao  julgador  administrativo  apreciar  o  caso  concreto  e  suas  repercussões  tributárias.   De toda a sorte, cumpre anotar que nenhum deles resultaria no cenário final  de redução dos resultados tributáveis da autuada e manutenção de seu controle pelo "Société".  Isto porque a alegada incorporação da "Cacipar" pelo "Société" está cogitada como meio para  que a despesa  referente  à  amortização do  ágio  gerado nessa  aquisição  fosse  deduzida  pelo  Société, e não pela autuada. Para o encontro da amortização fiscal do ágio com a rentabilidade  futura da autuada, necessário  seria que o "Société"  incorporasse a autuada, ou que a autuada  incorporasse  o  "Société",  operações  não  cogitadas  na  argumentação  da  recorrente  possivelmente  porque  não  contemplada  dentre  os  interesses  do  grupo,  a  evidenciar  que  a  Trancoso foi, sim, a condição necessária cogitada para aproveitamento fiscal do ágio.  A  recorrente  argumenta  que  o  efeito  fiscal  da  realização  da  operação  por  meio da Trancoso foi o mero deslocamento do aproveitamento fiscal do ágio do Société para o  Recorrente,  porém,  em  verdade,  os  arranjos  societários  foram  estruturados  para  evitar  este  Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 704          37 efeito não desejado,  como antes observado. Para  alcançar  a  redução das bases  tributáveis  da  autuada, e não do "Société",  a  "Trancoso"  foi  interposta,  localizando a amortização  fiscal do  ágio  na  empresa  que melhor  atendia  aos  interesses  do  grupo  empresarial,  sem  a  necessária  confusão patrimonial entre o adquirente ("Société") e a adquirida (autuada).  Quanto  à  possibilidade  de  o  Société  adquirir  a  Cacipar  e,  como  consequência, registrar o ágio verificado nessa aquisição em seu ativo, seguindo­se uma cisão  parcial, com versão do investimento na Cacipar e respectivo ágio, para que a parcela cindida  fosse  incorporada  pela  Cacipar,  e  a  recorrente,  incorporando­a,  passasse  a  registrar  o  ágio  verificado na aquisição da Cacipar em seu ativo, não se reconhece a legitimidade arguida pela  recorrente, vez que, à semelhança do verificado no presente caso, sob outro ajuste societário, o  resultado  final  seria  a  subsistência  do  adquirente  (que  pagou  o  ágio  a  ser  amortizado)  e  da  adquirida (que motivou o pagamento do ágio com fundamento em sua rentabilidade futura).   Com referência ao fato de o aporte de capital feito pelo Société na Trancoso,  seguido do pagamento do preço pela Trancoso aos Vendedores ter gerado 2 (duas) incidências  de Contribuição Provisória  sobre Movimentação Financeira – CPMF,  cada uma  superior a  R$3.000.000,00  (três milhões de reais), não é possível admiti­lo como prova cabal de que a  Trancoso  seria  uma  verdadeira  holding,  concebida  com  antecedência,  para,  dentre  outras  atividades,  atender  ao  legítimo  propósito  negocial  de  deter  a  participação  do  Société  na  Cacipar, mormente tendo em conta que, considerando o ágio total de R$ 570.563.619,00, e a  expectativa de sua repercussão na apuração do IRPJ e da CSLL, na ordem de cerca de R$ 170  milhões  (considerando  as  alíquotas  básicas  de  15%  para  cada  um  dos  tributos),  a  segunda  incidência  de  CPMF  na  forma  alegada  não  possui  a  relevância  que  a  recorrente  pretende  atribuir­lhe.  A  recorrente  prossegue  contrapondo­se  aos  argumentos  da  autoridade  para  atribuir ao "Société" a condição de real adquirente do  investimento, expondo doutrina acerca  das funções das sociedades holdings. Não se discute, porém, que o objeto de uma empresa não  se limita a uma atividade de produção ou circulação de bens e prestação de serviços, nem se  exige  que  uma  sociedade  holding  pura  tenha  empregados,  bem  como  se  admite  que  uma  holding aufira apenas receitas derivadas de seus investimentos, subsista com aportes de capital  ou  obtenção  de  financiamentos  para  a  aquisição  de  participações  societárias,  e  tenha  por  objeto social a mera detenção de outra(s) sociedade(s) prevista no artigo 2º, § 3º, da Lei das S.  A.,  inclusive  para beneficiar­se  de  incentivos  fiscais.  Tais  circunstâncias  hipotéticas,  porém,  não  são  suficientes  para  que  se  atribua  substância  à  "Trancoso"  que  passou  ao  controle  do  "Société" somente depois de firmado o contrato de compra da participação na autuada, e teve  por objeto, apenas, o  recebimento dos  recursos para  transferência aos  titulares das quotas da  "Cacipar", além da alegada cessão de direito de compra de tais quotas, acordada sob a condição  de que o "Société Générale S/A" permanecesse figurando como comprador/interveniente. Resta  evidente, analisando­se o "filme", e não "fotografias" isoladas da atuação da "Trancoso", que  não é possível admiti­la como adquirente das participações na autuada.  Irrelevantes, assim, estipulações legais posteriores, como o alegado art. 31 da  Lei nº 11.727/2008, que reconheceria a holding pura como uma sociedade válida para todos os  fins,  ao  dispor  que  a  esta  poderá  diferir  o  reconhecimento  das  despesas  com  juros  de  empréstimos contraídos para financiamentos de investimentos em sociedades controladas, até  porque  referido  diferimento  tem  em  conta,  justamente,  a  permanência  do  investimento  adquirido, convertendo em seu custo as despesas com aportes de recursos, nas investidas, por  meio  de  empréstimos. Observe­se,  inclusive,  que  o  aporte  de  novos  recursos  nas  investidas,  Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 705          38 dentre  outras  atuações  da  holding,  são  atividades  que  operam  em  favor  de  sua  efetiva  existência, e têm maior relevo que a sua mera permanência por mais de um ano, como destaca  a recorrente, ao afirmar como seu objetivo negocial a aquisição do controle do Recorrente e a  segregação dessa nova atividade adquirida das demais exercidas pelo Société, que somente foi  possível com sua participação, muito embora a "Cacipar" já se prestasse a esse fim, como resta  evidente na estrutura mantida até a incorporação, apresentada no recurso voluntário:    Repise­se:  não  se  nega,  aqui,  a  capacidade  jurídica  de  sociedades  holdings  puras, mas apenas a classificação da "Trancoso" como tal, dado o contexto de sua criação e de  sua atuação na aquisição, pelo "Société", das participações detidas pela "Cacipar" na autuada,  além  de  sua  permanência  interposta  entre  o  "Société"  e  a  "Cacipar",  duplicando  a  dita  necessidade  de  uma  holding  para  segregação  dessa  nova  atividade  adquirida  das  demais  exercidas pelo Société.   Frente a  tais circunstâncias, desnecessário se mostra abordar as objeções da  recorrente  acerca  da  referência  feita  pela Fiscalização  a  propósito  negocial, mormente  tendo  em  conta  que  esta  citação  apenas  se  verifica  nos  seguintes  trecho  do  Termo  de Verificação  Fiscal:  Esta fiscalização não afirma que as combinações societárias sejam inválidas, muito  pelo contrário, visto que servem para fortalecer grupos econômicos, proporcionam  a  melhor  administração  relacionada  aos  objetivos  de  cada  uma  delas  e  são  previstas  juridicamente.  Fatores  que  revelam  o  propósito  negocial  que  as  combinações societárias proporcionam.  A empresa veículo tratada no presente termo é aquela constituída ou adquirida sem  propósito negocial empresarial, utilizada única e exclusivamente para transportar o  Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 706          39 ágio relativo ao custo de aquisição de participação societária em operação que visa  aparentar o regular cumprimento de condição legal prevista para o aproveitamento  de beneficio fiscal. (negrejou­se)  Está cabalmente demonstrado que a "Trancoso" foi constituída, apenas, para  criar  a  aparência  de  que  seria  ela  a  adquirente  do  investimento,  mas  todas  as  evidências  contratuais e financeiras da operação afirmam a condição do "Société" como real adquirente,  consoante conclui a autoridade fiscal em trecho subsequente da acusação, depois de detalhadas  as ocorrências da aquisição da participação societária:  Em termos de controle acionário, a estrutura societária criada não causou qualquer  diferença para o Banco Société Générale Brasil , que tornou­se controlador de fato  do Banco Cacique S.A., houvesse ou não a existência da Trancoso.  Em  termos  econômicos,  também  não  há  qualquer  diferença,  uma  vez  que  os  recursos utilizados para o pagamento pela compra da CACIPAR foram providos, da  mesma forma, pelo Banco Société Générale.  Em termos tributários, a diferença pode ser a impressão de que quem pagou o ágio  na aquisição de investimento foi a Trancoso, e não o Banco Société Générale.  O  Banco  Cacique  já  era  controlado  por  uma  empresa  de  Participações  –  a  CACIPAR ­ a qual o Banco Société Générale Brasil possuía o direito de adquirir.  Assim, inserir uma “empresa veículo” de participações na estrutura organizacional  de controle do Banco Cacique trata­se de ato realizado com o propósito exclusivo  de  tentar  aproveitar­se  de  um  benefício  fiscal  previsto  em  lei  para  as  hipóteses  específicas  que  promovem  novas  situações  econômico­societárias,  alcançadas  somente quando realmente efetivadas.  De toda a sorte, no que se refere ao atendimento dos "limites positivos" em  face da complexidade da aquisição de uma  instituição financeira por outra  já existente, basta  observar que o Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças  foi  firmado sem a pré­existência da "Trancoso" e a cessão dos direitos de compra foi apenas  cogitado  em  uma  das  cláusulas  contratuais.  Quanto  à  intenção  de  manter  segregadas  duas  atividades distintas que passariam a integrar o grupo liderado pelo Société, importa destacar  que  ela  é  incompatível  com  a  confusão  patrimonial  exigida  pela  legislação  tributária,  cumprindo  ao  grupo  empresarial  optar  por  uma  das  estruturas  e,  inclusive,  considerar  na  negociação  esta  incompatibilidade.  Por  fim,  quanto  a  efetivamente  ter  existido  uma  conformidade entre a  intenção do Société  (redução de complexidades, diminuição de custos,  clara  segregação  dos  segmentos  entre  outros)  e  a  causa  desse  negócio  jurídico  (operações  societárias  como  um  todo),  e  as  operações  evidenciarem  a  coerência  com  o  planejamento  estratégico  do  empreendimento  econômico,  cujo  objetivo  era  expandir  suas  atividades  no  Brasil, inserindo­se no mercado de crédito consignado, tais aspectos guardam relação, apenas,  com  a  aquisição  do  investimento,  e  não  com  os  arranjos  societários  posteriores,  com  fins  tributários.  Acerca da alegada impossibilidade de desconsideração de uma operação sem  substância  econômica,  dada  a  inaplicabilidade  do  parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN,  adota­se  aqui  o  entendimento  expresso  pela  1ª  Turma  da  CSRF,  e  claramente  exposto  na  ementa do Acórdão nº 9101­003.447:  NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA.  Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 707          40 Perfeita a decisão recorrida, ao discorrer que o art. 116, parágrafo único, do CTN  requer,  com  vistas  a  sua  plena  eficácia,  que  lei  ordinária  estabeleça  os  procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes  da  federação  ao  desconsiderarem  atos  ou  negócios  jurídicos  abusivamente  praticados  pelos  sujeitos  passivos.  Na  esfera  federal,  há  na  doutrina  nacional  aqueles  que  afirmam  ser  ineficaz  a  referida  norma  geral  antielisiva,  sob  o  argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo  jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida  norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela  Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal.  Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que  afirma a  eficácia  imediata da norma geral antielisiva,  pois esta  interpretação é a  que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever  fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o  valor de repúdio a praticas abusivas. No mesmo sentido, precedente na 1ª Turma da  CSRF, Ac. 9101­002.953.  Referida  decisão  está  pautada  nas  razões  do  voto  da  Conselheira  Cristiane  Silva Costa, assim expressas no Acórdão nº 9101­002.953:  O Código Tributário Nacional, em sua redação original, previa a possibilidade de  revisão de ofício do lançamento tributário na hipótese de simulação:  Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos  seguintes casos: (...)  VII ­ quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu  com dolo, fraude ou simulação (...)  Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o  direito da Fazenda Pública.  A  Lei  Complementar  nº  104/2001  incluiu  o  parágrafo  único  ao  artigo  116,  para  assim dispor:  Art. 116. (...)  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.  Desde  sua  edição,  a  doutrina  se  divide  para  tratar  da  norma  do  artigo  116,  parágrafo único, como eficaz, ou não.  Paulo  Ayres  Barreto  entende  que  a  norma  ainda  seria  ineficaz:  "Enquanto  lei  ordinária não disciplinar o procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos  realizados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador,  será  inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN. Há ineficácia técnica, de natureza  sintática."  (Planejamento  Tributário  Limites  Normativos,  1ª  edição,  São  Paulo,  Noeses, 2016, p. 256)  De  outro  lado,  como  pondera  Regina  Helena  Costa,  atual  Ministra  do  Superior  Tribunal de Justiça, "o direito positivo já autorizava a desconsideração de negócios  jurídicos dissimulados, à vista do disposto no art. 149, VII, CTN, que estabelece que  o  lançamento  deva  ser  procedido  de  ofício  na  hipótese  de  o  sujeito  passivo,  ou  terceiro em benefício daquele, ter agido com dolo, fraude ou simulação" (Curso de  Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 708          41 Direito Tributário,  Saraiva,  2009,  p.  184). Em que  pese  interprete  desta  forma,  a  Ministra ainda leciona que "Além de parecer desnecessária, ante o disposto no art.  149,  VII,  CTN,  abriga  a  referida  norma  demasiada  generalidade  e  latitude,  demandando,  a  nosso  ver,  que  outra  lei  venha  a  estatuir  as  hipóteses  de  sua  aplicação, sob pena de conceder­se demasiada  liberdade ao administrador  fiscal na  desconsideração dos atos e negócios jurídicos" (obra citada, p. 185).  Entendo que a norma do artigo 116 é eficaz, legitimando a desconsideração de atos  simulados, reforçando a previsão contida no artigo 149, VII, do Código Tributário  Nacional.  A  doutrina  de  Paulo  de  Barros  Carvalho  também  merece  menção,  admitindo  a  desconsideração de atos pelo Fisco, quando demonstrada a simulação. Sua doutrina  enfrenta a simulação sob o ponto de vista da vontade:  "Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica  e  jurídica,  ocultando,  por  formas  artificiosas,  a  realidade,  configuram  'operações  simuladas'. Se os verdadeiros motivos dos atos praticados pelas partes não cumprirem  com  a  finalidade  imputada  a  eles  por  lei,  bem  como  neles  estiverem  presentes  cabalmente notas que indiquem verdadeira hipótese de omissão da real intenção do que  faz suporte ao negócio jurídico escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo  merecer tratamento tributário de ato dissimulado e seus consequentes efeitos jurídicos.  (...)  Para  que  haja  simulação  é  necessário,  portanto:  (i)  conluio  entre  as  partes,  (ii)  divergência entre a real vontade das partes e negócio por elas declarado; e (iii) intenção  de lograr o Fisco. Se tais características, porém, não se apresentarem no caso concreto,  será vedado à autoridade administrativa desconsiderar o ato" (Derivação e Positivação  no Direito Tributário, p. 82)  Esclareço que não comungo do entendimento do ilustre Professor Paulo de Barros  Carvalho sobre a necessidade de ilicitude, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº  4.502/64, para fins de desconsideração de operações pelo Fisco (na mesma obra, o  professor sustenta que "para que seja admissível a autuação fiscal, desconsiderando  o  negócio  jurídico  praticado,  não  basta  que  os  efeitos  econômicos  de  tal  prática  sejam  semelhantes  aos  de  ato  diverso,  mas  é  imprescindível  que  tenha  havido  ilicitude em tal realização, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64")".  Ora,  a  conformação  dos  fatos  jurídicos  à  figura  da  simulação  não  depende  da  identificação  destes  com  os  artigos  71  a  73  referidos,  basta  que  se  amoldem  às  prescrições  do  Código  Civil  (167)  e  Código  Tributário  Nacional  (art.  149,  VII  e  116,  parágrafo  único).  As  normas  de  Direito  Tributário,  no  que  concerne  à  simulação,  não  alteraram  o  conceito  de  simulação  tratado  pela  norma  de  direito  privado,  relacionada  à  vontade  do  agente,  manifestada  de  forma  distinta  no  ato  simulado daquela pretendida pelo ato dissimulado. (Grifos originais)  Sob  esta  ótica,  restam  infirmadas  as  alegações  de  impossibilidade  de  ingerência  do  Fisco  na  atividade  do  contribuinte,  por  adentrar  à  liberdade  individual  dos  contribuintes. Não se nega ao contribuinte o direito de encontrar na legislação mais do que um  caminho,  sendo  um  deles,  inclusive,  menos  oneroso,  mas  perfeitamente  legítimo,  e  por  ele  optar. O que se nega, aqui, é a legitimidade deste caminho que a contribuinte vislumbrou como  menos oneroso.   A amortização fiscal do ágio promovida mediante interposição da "Trancoso"  somente seria alcançada com a incorporação ou fusão promovida entre a autuada e o "Société",  possivelmente afastada por outras motivações empresariais, o que desqualifica a argumentação  Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 709          42 de que a utilização da "empresa veículo" teria resultado em uma economia tributária que, de  outra forma, seria devida.  Como visto, a lei autoriza o Fisco a desconsiderar operações sem substância.  Logo, reunidas evidências de que "Trancoso" não operou, no plano fático, como adquirente da  participação  societária,  na medida  em  que  a  aquisição  foi  contratada  e  paga  pelo  "Société",  resta  evidenciada  a  inocorrência  da  confusão  patrimonial  exigida  pela  legislação  para  aproveitamento fiscal do ágio.  Isto porque os efeitos das amortizações de ágio e deságio, à época em que as  operações foram realizadas, estavam assim disciplinados no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo  único  ­  Não  serão  computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  contrapartidas de ajuste do  valor do  investimento ou da amortização do ágio ou  deságio  na  aquisição,  nem  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  derivados  de  investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem no País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art. 33 ­ O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital  na alienação ou  liquidação do  investimento em coligada ou controlada avaliado  pelo  valor  de  patrimônio  líquido  (art.  20),  será  a  soma  algébrica  dos  seguintes  valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado  na  contabilidade do contribuinte;   II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição  do  investimento,  ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos  os  computados,  nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação  dada pelo Decreto­lei nº 1.730, 1979)   IV ­ provisão para perdas  (art. 32) que  tiver  sido computada na determinação do  lucro real.   § 1º ­ Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente.   §  2º  ­  Não  será  computado  na  determinação  do  lucro  real  o  acréscimo  ou  a  diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou  perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no  capital social da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decreto­lei nº 1.648,  de 1978). (negrejou­se)  Dessa forma, as amortizações de ágio e deságio deveriam ser adicionadas ou  excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro  Real – LALUR, para posteriormente compor a apuração do ganho de capital na alienação ou  liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76:   Art. 219. Extingue­se a companhia:   I ­ pelo encerramento da liquidação;   II ­ pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em  outras sociedades.  Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art.  219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do mesmo dispositivo, esta hábil  Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 710          43 a ensejar a aplicação do disposto no art. 33 do Decreto­lei nº 1.598/77, o legislador assim fixou  na seqüência deste dispositivo:  Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão  Art 34 ­ Na fusão,  incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou  quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das  ações  ou  quotas  extintas  e  o  valor  de  acervo  líquido  que  as  substituir  será  computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas:  I ­ somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e  o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá,  para  efeito  de  determinar  o  lucro  real,  optar  pelo  tratamento  da  diferença  como  ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;   II ­ será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o  acervo  líquido  que  exceder  o  valor  contábil  das  ações  ou  quotas  extintas, mas  o  contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre  a  parte  do  ganho  de  capital  em  bens  do  ativo  permanente,  até  que  esse  seja  realizado.   §  1º  O  contribuinte  somente  poderá  diferir  a  tributação  da  parte  do  ganho  de  capital correspondente a bens do ativo permanente se:   a) discriminar os bens do acervo  líquido recebido a que corresponder o ganho de  capital  diferido,  de  modo  a  permitir  a  determinação  do  valor  realizado  em  cada  período­base; e   b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho  de  capital  ainda  não  tributado,  cujo  saldo  ficará  sujeito  a  correção  monetária  anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do  ativo permanente.   § 2º ­ O contribuinte deve computar no lucro real de cada período­base a parte do  ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão  deduzidas  como  custo  ou  despesa  operacional.   Nos  casos  em  que  a  incorporação,  fusão  ou  cisão  ocorre  em  momento  próximo  à  aquisição  do  investimento  com  ágio,  o  valor  contábil  do  investimento  é  sempre  superior  ao  acervo  líquido  contábil  que  substitui  as  quotas/ações  extintas  em  razão  da  incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda fosse dedutível,  em  interpretação  literal  do  texto,  necessário  seria  que  o  acervo  líquido  vertido  em  razão  da  incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado.  De  outro  lado,  caso  atendido  este  requisito,  qualquer  ágio  apurado  na  aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação da investida, ensejaria  perda  dedutível.  A  exposição  de  motivos  da  Lei  nº  9.532/97  expressa  preocupação  com  circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito:  O  art.  8o  estabelece  o  tratamento  tributário  do  ágio  ou  deságio  decorrente  da  aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra,  avaliada pelo método da equivalência patrimonial.  Atualmente,  pela  inexistência  de  regulamentação  legal  relativa  a  esse  assunto,  diversas  empresas  utilizando  dos  já  referidos  “planejamentos  tributários”,  vêm  utilizando  o  expediente  de  adquirir  empresas  deficitárias,  pagando  ágio  pela  participação,  com  a  finalidade  única  de  gerar  ganhos  de  natureza  tributária  Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 711          44 mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela  deficitária.  Com  as  normas  previstas  no  Projeto,  esses  procedimentos  não  deixarão  de  acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em  visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a  sua adoção exclusivamente por esse motivo.   Neste  contexto,  as  disposições  da  Lei  nº  9.532/97  podem  ser  interpretadas  como um  instrumento para  evitar  a dedução do ágio  apurado  sem  fundamento  econômico, o  qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como  uma forma de parcelar os efeitos tributários do ágio pago sob outros fundamentos:  Art.  7º  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata  a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à  conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de  ativo permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "b"  do  §2°  do  art.  20  do  Decreto­lei  n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada  mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV  ­  deverá  amortizar  o  valor  do  deságio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata  a  alínea  "b"  do  §  2º  do  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­ calendários  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  1/60  (um  sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração.  § 1º O valor registrado na  forma do  inciso  I  integrará o  custo do bem ou direito  para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital  e  de  depreciação,  amortização ou exaustão.  § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver  sido  transferido, na  hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar:  a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso  III;  b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no  inciso IV.  § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda  de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para  sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital;  b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se  comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que  lhe deu causa.  Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 712          45 §  4º  Na  hipótese  da  alínea  "b"  do  parágrafo  anterior,  a  posterior  utilização  econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica  usuária  ao  pagamento  dos  tributos  e  contribuições  que  deixaram  de  ser  pagos,  acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação  vigente.  §  5º O  valor  que  servir  de  base  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  a  que  se  refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do  direito.   No  mesmo  sentido  manifesta­se  Luís  Eduardo  Schoueri,  na  obra  Ágio  em  Reorganizações  Societárias  (Aspectos  Tributários),  Dialética:  São  Paulo,  2012.  Depois  de  reportar­se à doutrina que se posiciona em sentido contrário, diz o referido autor (p. 67):  Tal  posicionamento  não  deixa  de  ser  curioso. Afinal,  se anteriormente o  ágio  era  deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um  incentivo.  A  exposição  de  motivos  da  Medida  Provisória  no  1.602/1997  deixou  hialino esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível,  mediante  a  instituição  de  óbices  à  amortização  de  qualquer  tipo  de  ágio  nas  operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio  às  hipóteses  em  que  forem  acarretados  efeitos  econômico­tributários  que  o  justificassem.  Realizada  a  incorporação,  na  escrituração  comercial,  o  acervo  líquido  recebido pelo valor contábil anula o  investimento correspondente, avaliado pela equivalência  patrimonial,  e  remanesce  no  patrimônio  da  sociedade  resultante  apenas  o  ágio/deságio,  classificado  em  Ativo  Diferido,  quando  fundamentado  em  rentabilidade  futura,  para  amortização  no  período  pelo  qual  ela  foi  projetada.  Com  a  edição  da  Lei  nº  9.532/97  a  amortização do ágio com este fundamento passa a ser dedutível, na apuração do lucro real, no  mesmo momento em que registrada contabilmente, desde que observado o prazo mínimo de 5  (cinco) anos para amortização.  Quanto ao ágio fundamentado em ativos ou em outras razões econômicas, a  doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da lei, pois no primeiro caso vincula seus  efeitos no resultado à realização do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa  imediata,  por  não  ser  possível  associar  seu  pagamento  a  algum  critério  que  permita  dimensionar sua amortização.  Esta  abordagem  não  autoriza  a  conclusão  de  que  a  Lei  nº  9.532/97  tenha  instituído  um  benefício  fiscal.  A  regra  expressa  em  seus  artigos  7o  e  8o,  nos  termos  de  sua  exposição  de  motivos,  prestou­se,  em  verdade,  a  evitar  planejamentos  tributários  que  viabilizassem a dedução de ágios, como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento, e  as  justificativas  apresentadas  pela  Comissão  de  Finanças  e  Tributação  para  negar  sua  revogação por meio do Projeto de Lei nº 2.922/2000 não alteram a motivação originalmente  apresentada  para  a  edição  dos  dispositivos  legais  em  referência.  Equivocada,  portanto,  a  argumentação  da  recorrente  no  sentido  de  que  a  dedutibilidade  fiscal  do  ágio  gerado  na  aquisição de  sociedades  teve  como objetivo  incentivar a prática de  fusões  e aquisições,  tais  como as ocorridas em processos de privatização. Se a extinção do "Société" ou da autuada não  integrava as pretensões futuras do grupo empresaria, a  impossibilidade de aproveitamento do  ágio era uma desvantagem que deveria ser considerada na decisão empresarial.   Neste  sentido,  inclusive,  é  o  entendimento  de  Ricardo  Mariz  de  Oliveira  (Fundamentos do Imposto de Renda, São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 766):  Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 713          46 Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível ­  haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão deve­se ter  presente  que,  a  despeito  da  largueza  de  opções  dadas  pela  Lei  n.  9532  para  a  consecução  do  seu  desiderato,  trata­se  de  condição  a  ser  cumprida  em  sua  substância,  e  não  apenas  formalmente,  até  tendo  em  vista  a  continuidade  da  vigência  da  norma  de  proibição  da  dedução  da  amortização  se  não  houver  um  desses atos, prevista no art. 25 do Decreto­lei n. 1598.  Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que  "a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra", segundo o "caput" do art. 7º, o  que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção  de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que  deve  ser  a  pessoa  jurídica  "na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio". E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que  ela deve ocorrer "em virtude de incorporação, fusão ou cisão".  Essa  disposição  legal  evidencia  acima  de  qualquer  dúvida  que  a  exigência  é  de  reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica  investidora e da pessoa jurídica investida.  O  art.  8º,  letra  "b",  dá  a  alternativa  de  se  inverter  a  ordem,  ou  seja,  trata  a  absorção da  investidora pela  investida  (a chamada "incorporação para baixo" ou  "down  stream  merger")  do  mesmo  modo  que  a  absorção  da  investida  pela  investidora (a "incorporação para cima" ou "up stream merger"), que está prevista  no art. 7o.  Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de  duas pessoas  jurídicas) pessoas  jurídicas,  por um dos atos  jurídicos previstos nos  dois artigos.  Portanto,  é  insuficiente  que  a  amortização  do  ágio  se  verifique  em  contrapartida  à  expectativa  de  lucros  a  serem  gerados,  sendo  fundamental  a  absorção  de  patrimônio envolvendo investidora e investida.  Na  sistemática  vigente  à  época,  a  amortização  do  ágio  realizada  pela  investidora  permanece  indedutível  na  apuração  do  lucro  real,  e  somente  gera  efeitos  na  alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do  investimento não precisa  ser adicionada ao  lucro  real, desde que o ágio  esteja  fundamentado  em  rentabilidade  futura  e  a  amortização observe o  limite  temporal mínimo estabelecido pela  legislação.  Contudo,  é  fundamental  que  a  incorporação  se  verifique  entre  investida  e  investidora,  com  conseqüente  confusão  patrimonial  e  extinção  do  investimento,  para  que  a  amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Aqui, porém, ao término das  operações, nada mudou, pois o "Société" permaneceu detendo as participações na autuada.  Esta  distorção,  aliás,  é  reconhecida  pela  própria  Comissão  de  Valores  Mobiliários (CVM) ao analisar a incorporação promovida por meio de uma sociedade veículo,  assim expondo na Nota Explicativa à  Instrução CVM n° 349/2001, que alterou a  redação da  Instrução CVM n° 319/99:  A  Instrução  CVM  n°  319/99,  ao  prever  que  a  contrapartida  do  ágio  pudesse  ser  registrada  integralmente  em  conta  de  reserva  especial  (art.  6o,  §  Io),  acabou  possibilitando,  nos  casos  de  ágio  com  fundamento  econômico  baseado  em  Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 714          47 intangíveis  ou  em  perspectiva  de  rentabilidade  futura,  o  reconhecimento  de  um  acréscimo  patrimonial  sem  a  efetiva  substância  econômica.  A  criação  de  uma  sociedade  com  a  única  finalidade  de  servir  de  veículo  para  transferir,  da  controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por  distorcer  a  figura  da  incorporação  em  sua  dimensão  econômica.  Esta  distorção  ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa  veículo,  o  investimento  e,  conseqüentemente,  o  ágio  permanecem  inalterados  na  controladora original.  Significa  dizer  que  embora  alocado  o  ágio  em  empresa  veículo,  e  na  seqüência  na  incorporadora  desta,  os  efeitos  econômicos  do  investimento  contabilizado  na  controladora por ocasião do aporte de caixa na empresa veículo subsistem. Em consequência, a  incorporação entre a investida e esta empresa que localizou temporariamente o ágio não atende  aos requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável.  Recorde­se o que diz a Lei nº 9.532/97:  Art.  7º  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão, na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003)  I ­ deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata  a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à  conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II ­ deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "c" do § 2º do art. 20 do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de  ativo permanente, não sujeita a amortização;  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea  "b"  do  §2°  do  art.  20  do  Decreto­lei  n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada  mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)  IV  ­  deverá  amortizar  o  valor  do  deságio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata  a  alínea  "b"  do  §  2º  do  art.  20  do  Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­ calendários  subseqüentes  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  1/60  (um  sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração.  [...]   Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica­se, inclusive, quando:  a)  o  investimento  não  for,  obrigatoriamente,  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio  líquido;  b)  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que  detinha  a  propriedade da participação societária. (negrejou­se)  Claro  está  que  as  empresas  envolvidas  na  incorporação  devem  ser,  necessariamente,  a adquirente da participação  societária  com ágio  e  a  investida adquirida. A  interposição  de  uma  empresa  veículo  não  extingue,  na  real  adquirente,  a  parcela  do  investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com  a  incorporação  da  empresa  veículo  pela  investida,  a  propriedade  da  participação  societária  adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora, diversamente do que cogita a lei.  Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 715          48 Em tais condições, a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio  da investida somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a  sua extinção, ou da  investidora  ("Société"), mediante  incorporação,  fusão ou cisão entre elas  promovida,  por meio da qual o  ágio  subsistisse  evidenciado apenas no patrimônio  resultante  desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97.   Na medida  em  que  tal  não  ocorreu,  a  dedutibilidade  do  ágio  submete­se  à  regra geral exposta, à época, no Decreto­lei nº 1.598/77:  Art. 23. [...]  Parágrafo  único  ­  Não  serão  computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  contrapartidas de ajuste do  valor do  investimento ou da amortização do ágio ou  deságio  na  aquisição,  nem  os  ganhos  ou  perdas  de  capital  derivados  de  investimentos  em  sociedades  estrangeiras  coligadas  ou  controladas  que  não  funcionem no País.(Incluído pelo Decreto­lei nº 1.648, de 1978).  [...]  Art 33 ­ O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na  alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo  valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  pelo  qual  o  investimento  estiver  registrado  na  contabilidade do contribuinte;   II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição  do  investimento,  ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos  os  computados,  nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação  dada pelo Decreto­lei nº 1.730, 1979)   IV ­ provisão para perdas  (art. 32) que  tiver  sido computada na determinação do  lucro real.   [...]  Pertinente  citar,  novamente,  abordagem  contida  na  obra  Ágio  em  Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela, o autor Luís Eduardo  Schoueri preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é custo que  deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados auferidos com este  investimento são reconhecidos, no patrimônio do investidor, como resultados da equivalência  patrimonial,  não  sujeitos  a  tributação  nesta  ótica.  Seguindo  a  mesma  lógica,  a  amortização  contábil  do  ágio por  rentabilidade  futura,  por parte do  investidor,  também não deve  afetar o  lucro tributável.   Diante deste contexto, o autor reputa incabível afirmar que o ágio, ainda que  fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado realizado antes da incorporação  de  uma  das  pessoas  jurídicas  envolvidas  (exceto  se  antes  disso  tiver  ocorrido  baixa  da  participação societária adquirida, quando, em regra o ágio será realizado) (Op. cit. p. 73). E  complementa  mais  à  frente:  com  a  incorporação,  alerte­se,  já  não  há  mais  que  falar  em  investimento nem em ágio. Ambas as figuras desaparecem (Op. cit. p. 74).  Entende o referido autor que a partir da incorporação, os lucros passam a ser  tributados  na  investidora,  pois  antes  disso  no  máximo  haverá  receita  de  equivalência  patrimonial, não tributável (Op. cit. p. 79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na  investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de investimento que subsiste  no patrimônio da investidora original.   Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 716          49 A  provisão  determinada  pela  Instrução  Normativa  CVM  no  349/2001  impediria que a equivalência patrimonial refletisse no patrimônio da investidora apenas o valor  líquido dos resultados, restabelecendo o reconhecimento bruto dos resultados da investida, sem  os efeitos da amortização do ágio na investida, dado que a amortização do ágio se repetiria na  investidora.  A  diferença  está  na  redução  da  carga  tributária  da  investida  que  esta  manobra  permite, em desrespeito ao previsto no art. 7o da Lei no 9.532/97.  Evidenciado,  portanto,  que  não  houve  a  extinção  do  investimento,  inadmissível a amortização fiscal do ágio, o que dispensa a avaliação dos demais argumentos  da  recorrente acerca da vinculação do  fundamento econômico do ágio a  rentabilidade  futura,  até porque a acusação fiscal também não se debruçou sobre este aspecto.   Ainda, no que se refere às alegações da recorrente acerca da  inexistência de  previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de  ágio considerada indedutível pela Fiscalização, cabe observar que, confirmada a condição do  "Société" com real adquirente do investimento na autuada, sua amortização resta inadmissível  no próprio lucro contábil, referência primeira para apuração do lucro real e da base de cálculo  da CSLL. Logo, é desnecessária norma específica que determine a adição destes valores à base  de cálculo daquela contribuição, como adiante se demonstrará.  A  Lei  nº  7.689/88,  ao  instituir  a  CSLL,  não  cogitou  especificamente  da  adição, à sua base de cálculo, de amortizações de ágio que tivessem reduzido o lucro contábil,  ou da exclusão de acréscimos decorrentes da amortização de deságio:  Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes  da provisão para o imposto de renda.  § 1º Para efeito do disposto neste artigo:  a) será considerado o resultado do período­base encerrado em 31 de dezembro de  cada ano;  b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de  cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço;  c ) o resultado do período­base, apurado com observância da legislação comercial,  será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990)  1  ­  adição  do  resultado  negativo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990)  2 ­ adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o período­base, cuja  contrapartida  não  tenha  sido  computada no  resultado  do  período­base;  (Redação  dada pela Lei nº 8.034, de 1990)  3  ­  adição  do  valor  das  provisões  não  dedutíveis  da  determinação  do  lucro  real,  exceto a provisão para o  Imposto de Renda;  (Redação dada pela Lei nº 8.034, de  1990)  4  ­  exclusão  do  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  de  patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990)  5  ­  exclusão  dos  lucros  e  dividendos  derivados  d.e  investimentos  avaliados  pelo  custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº  8.034, de 1990)  6  ­  exclusão  do  valor,  corrigido  monetariamente,  das  provisões  adicionadas  na  forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de período­base. (Incluído pela  Lei nº 8.034, de 1990)  Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 717          50 §  2º No  caso  de  pessoa  jurídica  desobrigada  de  escrituração  contábil,  a  base  de  cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no  período  de  1º  janeiro  a  31  de  dezembro  de  cada  ano,  ressalvado  o  disposto  na  alínea b do parágrafo anterior.  Já no âmbito da apuração do lucro real, o Decreto­lei nº 1.598/77 disciplinou  os efeitos das amortizações de ágio e deságio, mas em razão do disposto em seu art. 34, a Lei  nº 9.532/97  impôs  limites  à  amortização do ágio naqueles  casos,  alinhando os  efeitos  fiscais  aos contábeis, como aqui já demonstrado.   E,  também  como  já  visto,  ao  cuidar  da  qualidade  das  demonstrações  financeiras  das  companhias  abertas,  a  Comissão  de  Valores  Mobiliários  (CVM)  já  havia  identificado a distorção promovida por operações como as aqui verificadas, ao final das quais o  investimento  e,  conseqüentemente,  o  ágio  permanecem  inalterados  na  controladora  original.  Por sua vez, a solução encontrada para corrigir esta divergência foi, justamente, a constituição  de  uma  provisão  para  manutenção  da  integridade  do  patrimônio  líquido,  a  qual  se  presta  a  neutralizar  os  efeitos  do  ativo  contabilizado  em  razão  da  transferência  do  ágio,  exceto  em  relação  ao  benefício  fiscal  decorrente  da  sua  amortização,  consoante  expresso  no  texto  consolidado da Instrução Normativa CVM nº 319/99, alterada pela Instrução Normativa CVM  nº 349/2001:  Art.  6º  ­  O  montante  do  ágio  ou  do  deságio,  conforme  o  caso,  resultante  da  aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora  será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma:   I.  nas  contas  representativas  dos  bens  que  lhes  deram  origem  –  quando  o  fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o  seu valor contábil (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 1º);   II.  em  conta  específica  do  ativo  imobilizado  (ágio)  –  quando  o  fundamento  econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão  delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea b); e  III. em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado  de  exercício  futuro  (deságio)  –  quando  o  fundamento  econômico  tiver  sido  a  expectativa de resultado futuro (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea a).   §  1º O  registro  do  ágio  referido  no  inciso  I  deste  artigo  terá  como  contrapartida  reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo  a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos  incisos  II e  III, o  seguinte tratamento:   a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre  o  valor  do  ágio  e  do  benefício  fiscal  decorrente  da  sua  amortização,  que  será  apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado;   b.  registrar  o  valor  líquido  (ágio  menos  provisão)  em  contrapartida  da  conta  de  reserva referida neste parágrafo;   c.  reverter  a  provisão  referida  na  letra  "a"  acima  para  o  resultado  do  período,  proporcionalmente à amortização do ágio; e   d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido  referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a  expectativa da sua realização.   § 2º A reserva referida no parágrafo anterior  somente poderá ser  incorporada ao  capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito  de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7º desta Instrução.   Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 718          51 §  3º  Após  a  incorporação,  o  ágio  ou  o  deságio  continuará  sendo  amortizado  observando­se, no que couber, as disposições das Instruções CVM nº 247, de 27 de  março de 1996, e nº 285, de 31 de julho de 1998. (negrejou­se)  Não  se  trata,  aqui,  de  determinar  incidência  tributária  a  partir  de  ato  normativo da CVM, cuja competência, sabe­se, não afeta este campo interpretativo. Trata­se,  apenas, de argumento de reforço à conclusão, já antes expressa, de que a transferência do ágio  promovida mediante empresa veículo acaba por duplicar seu valor no patrimônio da investida e  da investidora, e exige procedimentos contábeis para neutralização deste efeito indesejado.  A escolha feita pela CVM confirma que o registro sem substância econômica  corresponde ao ágio que surge no patrimônio da empresa veículo e, depois, no patrimônio da  incorporadora  (investida),  entendimento  que  se  alinha  à  conclusão  antes  expressa  acerca  da  repercussão desta operação no âmbito da apuração do IRPJ, a qual concentra na investidora os  efeitos da amortização do ágio por ela originalmente pago.   Diante deste  contexto,  a neutralização dos  efeitos  contábeis da  amortização  do  ágio  na  investida,  mediante  realização  da  provisão  para  manutenção  da  integridade  do  patrimônio líquido, justifica a incidência da CSLL sobre os valores amortizados (ou, como no  presente caso, de redução da base negativa originalmente apurada). Em outras palavras, o lucro  líquido,  base  de  cálculo  daquela  contribuição,  deve  ser  aquele  apurado  contabilmente,  tendo  em conta não só a dedução da amortização, como também a neutralização de seus efeitos pela  realização  de  provisão  criada  em  razão  da  ausência  de  substância  econômica  do  ágio  transferido.   Veja­se  que  a  CVM  admite  o  reconhecimento,  no  resultado,  do  benefício  fiscal  que  decorreria  da  amortização  do  ágio  transferido,  mediante  constituição  de  uma  provisão inferior ao montante do ágio transferido. Mas, como dito, aquela instituição não tem  competência  para  fixar  critérios  interpretativos  de  incidência  tributária,  de  modo  que  evidenciada  a  indedutibilidade  da  amortização  do  ágio  transferido,  resta  sem  substância  econômica a totalidade deste valor, o que justifica a exigência da CSLL sobre as mesmas bases  de cálculo adotadas para o IRPJ.   Demais  disso,  embora  à  primeira  vista  a  Lei  nº  9.532/97  aparente  surtir  efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta  aproximou­se,  no  caso  de  ágio  pago  por  expectativa  de  rentabilidade  futura,  da  apuração  do  lucro  contábil  como  antes mencionado,  é possível  interpretar  que  a  lei,  ao  valer­se  daqueles  termos,  e  não meramente  firmar  a  dedutibilidade  da  amortização  na  apuração  do  lucro  real,  repercutiria,  também,  na  apuração  da  base  de  cálculo  da CSLL,  inclusive  como  expresso  na  Instrução Normativa SRF nº 390/2004:  Subseção III  Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de  Patrimônio Líquido  Da incorporação, fusão ou cisão  Art.  75.  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­lei  nº  1.598,  de  1977,  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  ou  deságio  cujo  fundamento  econômico seja:  Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 719          52 I  ­  valor  de  mercado  de  bens  ou  direitos  do  ativo  da  coligada  ou  controlada  superior ou  inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à  conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II  ­  valor  de  rentabilidade  da  coligada ou  controlada,  com  base  em previsão dos  resultados  nos  períodos  de  apuração  futuros,  em  contrapartida  a  conta  do  ativo  diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio;  III ­ fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a  conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio.  § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se  referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido.  § 2º A opção a que se refere o § 1º aplica­se, também, à pessoa jurídica que tiver  absorvido  patrimônio  de  empresa  cindida,  na  qual  tinha  participação  societária  adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput,  quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio.  § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata:  I ­ o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital  e  para  determinação  das  quotas  de  depreciação, amortização ou exaustão;  II ­ o inciso II do caput:  a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado  ajustado  levantados  posteriormente  à  incorporação,  fusão  ou  cisão,  à  razão  de  1/60  (um  sessenta  avos),  no  máximo,  para  cada  mês  do  período  a  que  corresponder o balanço, no caso de ágio;  b)  deverá  ser  amortizado  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  do  resultado  ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60  (um  sessenta  avos),  no mínimo,  para  cada mês  do  período  a  que  corresponder  o  balanço, no caso de deságio;  III ­ o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser:  a)  computado  na  determinação  do  custo  de  aquisição  na  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital,  no  caso  de  alienação  do  direito  que  lhe  deu  causa  ou  de  sua  transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital;  b) deduzido como perda,  se ágio,  no  encerramento das atividades da  empresa,  se  comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que  lhe deu causa;  c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa.  § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do §  3º  serão  determinadas  em  função  do  prazo  restante  de  vida  útil  do  bem  ou  de  utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver  sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora.  § 5º A amortização a que se refere a alínea "a" do  inciso II do § 3º, observado o  máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior  do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado,  ou  da  permissão  ou  concessão,  no  caso  de  empresa  permissionária  ou  concessionária de serviço público.  § 6º Na hipótese da alínea "b" do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará  a  pessoa  jurídica  usuária  ao  pagamento  da  CSLL  que  deixou  de  ser  recolhida,  acrescida  de  juros  de  mora  e  multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente.  Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 720          53 § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser  registrado em conta do ativo, como custo do direito.  § 8º O disposto neste artigo aplica­se, também, quando:  I  ­  o  investimento  não  for,  obrigatoriamente,  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio  líquido;  II  ­  a  empresa  incorporada,  fusionada  ou  cindida  for  aquela  que  detinha  a  propriedade da participação societária.  § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na  hipótese  deste  artigo,  serão  efetuados  exclusivamente  na  escrituração  contábil  da  pessoa jurídica. (negrejou­se)  Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF nº 390/2004,  quer por interpretação dos termos da Lei nº 9.532/97 no contexto em que foi editada, e mesmo  em  conseqüência  da  apuração  contábil,  a  base  de  cálculo  da CSLL  necessariamente  restaria  indevidamente  afetada  pela  amortização  do  ágio  aqui  em  comento,  caso  reconhecida  sua  existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos.   Não se vislumbra, dessa forma, qualquer especificidade que possa ensejar um  resultado  diferenciado  para  a  redução  da  base  negativa  de  CSLL  decorrente  da  glosa  de  amortização  do  ágio  que  passou  a  integrar  o  patrimônio  da  autuada  após  a  reorganização  societária em comento.  Constatado,  aqui,  que  a  interposição  da  "Trancoso"  não  desqualificou  o  "Société"  como  real  adquirente  do  investimento  na  autuada,  e  do  titular  do  correspondente  ágio, resta sem substância o ágio reconhecido contabilmente na autuada, de modo, inclusive, a  justificar a anulação de sua amortização por meio da realização da provisão exigida pela CVM.  Assim, é este lucro contábil, no qual os efeitos da amortização deveriam ter sido neutralizados  pela realização da referida provisão, que se presta como ponto de partida para a apuração da  base de cálculo da CSLL, mostrando­se correto o ajuste procedido pela autoridade lançadora e  a conseqüente redução da base negativa originalmente apurada.  Portanto, quanto ao mérito da exigência, deve ser NEGADO PROVIMENTO  ao recurso voluntário, mantendo integralmente as reduções de prejuízo fiscal e de base negativa  da CSLL,  e  assim  indeferindo o  requerimento  final da  recorrente de que  sejam  revertidas  as  retificações promovidas,  sem o consequente  restabelecimento dos ditos  valores compensados  de ofício.  O presente voto, portanto, é no sentido de:  · RECONHECER  a  conexão  da  presente  exigência  com  aquela  veiculada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16327.001743/2010­34,  e  reproduzir  aqui  o mesmo  entendimento  lá  firmado, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e  reverter  as reduções de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes de  glosa  de  amortização  de  ágio  no  período  autuado;  ou,  caso  vencida  nesta preliminar:  · REJEITAR a arguição de decadência; e  Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 721          54 · NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  mantendo  as  reduções de prejuízo  fiscal  e base negativa de CSLL decorrentes de  glosa de amortização de ágio no período autuado.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora    Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 722          55 Voto Vencedor  Conselheiro MARCO ROGÉRIO BORGES  Apesar da bem oportuna preliminar de conexão suscitada pela i. Relatora, e  como sempre, bem fundamentado o seu posicionamento, ouso divergir, o qual o colegiado me  acompanhou, o que passo a redigir o voto vencedor desta matéria.  Tal  matéria  já  foi  suscitada  pela  i.  Relatora  em  outros  julgados,  o  qual  aproveito  as  razões  para  rejeitar  a  preliminar  de  conexão  que  foram  bem  expostas  em  voto  vencedor  de  lavra  do Conselheiro Benedicto Celso Benício  Júnior,  integrado  ao Acórdão  nº  1101­000.889, exarado por esta Turma de Julgamento em sua antiga composição, em sessão de  07 de maio de 2013.   Mantendo­me  filiado  ao  entendimento  ali  exteriorizado,  reproduzo­o  como  razões de decidir do presente julgado:  Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo  contribuinte, evitando­se decisões divergentes versando sobre situações análogas, o  fato de existir outro processo, cujo julgamento foi concluído, não é fator impeditivo  de  julgamento  por  este  colegiado  do  presente  processo,  muito  menos  implica  a  replicação de julgado anterior.  Não se vinculam decisões proferidas por órgãos distintos, exaradas no exercício de  suas respectivas competências. Juízes distintos podem interpretar os mesmos fatos e  as  mesmas  normas  jurídicas  de  formas  diversas,  de  maneira  que  exigir  que  o  julgamento de um processo tenha que obedecer a decisão de outro julgado anterior  importa  afronta  à  ampla  defesa  e  o  contraditório,  na  medida  em  que  restaria  impossibilitada  uma  parte  de  argumentar  para  provar  seu  alegado  direito  e  as  razões de discordar de decisão de outro julgador.   Busca­se,  com  replicação  do  julgamento,  privilegiar  o  princípio  da  segurança  jurídica, porquanto as decisões seriam conformes. Impor, porém, que as sentenças  se  reproduzam  de  acordo  com  o  entendimento  daquele  primeiro  julgador  que  decidiu  a matéria  ensejaria  enorme  prejuízo  a  outros  caros  princípios  do  Estado  Democrático de Direito, como o da ampla defesa e do contraditório.   Se  tanto  não  bastasse,  o  princípio  do  livre  convencimento  do  juiz  restaria  seriamente  comprometido,  porque  os  julgadores  que  sobreviessem  ao  primeiro  estariam  condicionados  à  decisão  daquele.  Lembre­se  que  não  raras  vezes  julgadores distintos fundamentam decisões atinentes a situações análogas das mais  variadas formas.   Lembre­se  que  estão  previstas  no  Regimento  Interno  as  hipóteses  em  que  ficam  condicionadas  as  decisões  dos  julgadores  administrativos,  não  figurando  dentre  elas,  a  hipótese  de  existência  anterior  decisão,  nos  autos  de  outro  processo  que  verse sobre situações análogas para o mesmo contribuinte.   Este  tribunal  administrativo  está  vinculado  às  decisões  do  Supremo  Tribunal  Federal e do Supremo Tribunal de Justiça nas hipóteses prevista no artigo 62­A do  RICARF, verbis:  Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.720694/2016­28  Acórdão n.º 1402­003.574  S1­C4T2  Fl. 723          56  “Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF”   Os diversos colegiados do CARF também estão vinculados às súmulas editadas por  este Tribunal, conforme inteligência do artigo 72 do RICARF, verbis:   “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas  em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF”.  Com  todas as  vênias,  ainda que  se  verifique a  identidade das  razões de  fato e de  direito,  é  imperioso admitir que  efetivamente não deve haver qualquer  vinculação  entre os julgados. Isso prejudicaria, por um lado, os já alegados direitos individuais  da  ampla  defesa  e  do  contraditório;  e,  por  outro,  engessaria  a  jurisprudência  e  negaria o princípio do livre convencimento do juiz.  Além  disso,  como  é  pacífico,  tanto  na  esfera  judicial  como  na  administrativa,  a  coisa  julgada  não  alcança  os  motivos  e  fundamentos  da  decisão,  ou  seja,  a  apreciação da situação fática não produz efeitos extra processo e, desta forma, não  é suficiente para vincular outro órgão julgador, conforme se depreende do disposto  no art. 469 do CPC, verbis:    “Art. 469. Não fazem coisa julgada:  I  ­  os  motivos,  ainda  que  importantes  para  determinar  o  alcance  da  parte  dispositiva da sentença;   II ­ a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença;   III ­ a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo.”  (destacamos)  Por todo exposto, afasto a preliminar de conexão.  Considerando que os supracitados dispositivos legais foram contemplados na  normas  atualmente  vigentes,  em  redação  praticamente  idêntica  e  com  o  mesmo  conteúdo  normativo (Ricarf (Portaria MF nº 343/2015, anexo II ­ arts. 62, §2º e 72, e NCPC ­ art. 504), e  por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR SUSCITADA.    (documento assinado digitalmente)  MARCO ROGÉRIO BORGES ­ Redator designado                    Fl. 723DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.924692/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.967241/2012-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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1301­003.518  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de novembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Recorrente  ADVOCACIA VILELA E ASSOCIADOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2008  PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.  Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus  da prova do indébito é do contribuinte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10880.967241/2012­78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Giovana  Pereira  de  Paiva  Leite,  Amélia  Wakako  Morishita  Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 46 92 /2 01 2- 11 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.924692/2012­11  Acórdão n.º 1301­003.518  S1­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de Recurso Voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  de  primeira  instancia  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  da  contribuinte  para  manter na  íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em  razão  dos  créditos  da  contribuintes  já  terem  sido  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados na DCOMP.  A  autoridade  de  primeira  instancia  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade da contribuinte.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instancia,  o  contribuinte  apresentou,  recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.511,  de  22/11/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10880.967241/2012­ 78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.511):  "Configuram­se  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso Voluntário  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  visto  que  protocolizada no prazo legal.  Reafirma  a  Recorrente  que  a  DCTF  (retificadora)  apresentada ao Fisco Federal evidencia que o débito no importe  de  R$  56.740,18  (código  2089)  estava  em  aberto,  ou  seja,  denunciado e não pago, não havendo em DCTF nenhum DARF  vinculado a tal ocorrência.  Referido  débito,  faria,  ainda,  parte  de  um  parcelamento extraordinário junto à própria RFB, lei 11.941/09.  Ressalte­se que a retificação da DCTF, ou de qualquer  outra  declaração  pelo  próprio  contribuinte,  depois  de  ter  sido  intimado  do  despacho  decisório,  não  serve  como  prova  do  pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo  Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF.  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.924692/2012­11  Acórdão n.º 1301­003.518  S1­C3T1  Fl. 4          3 Na  situação  em  análise,  além  de  a  retificação  da  DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há  no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o  crédito pretendido.  A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele  que alega o fato tem o ônus de prová­lo. Portanto, se no auto de  infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de  restituição  e  nas  compensações  o  ônus  de  provar  o  indébito  é  daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito.  Por  último,  cabe  dizer  que,  no  caso  em  exame,  a  solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças  entre processo e procedimento.  Pelo  exposto,  voto por  conhecer do  recurso, para, no  mérito, negar­lhe provimento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos  §§  1º,  2º  e 3º  do  art.  47,  do Anexo  II,  do RICARF,  voto  por  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto.                              Fl. 68DF CARF MF

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Numero do processo: 14485.003257/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo cientifique o contribuinte da conclusão de diligência anterior. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizo-me de trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n.° 37.120.8424, lançada pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, correspondente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, incidentes sobre as comissões pagas a corretores autônomos de seguros. O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 19.307.110,55 (dezenove milhões, trezentos e sete mil e cento e dez reais), abrangendo o período de 01/1999 a 06/2005, e 08/2005 a 12/2006, consolidado em 26/12/2007. O Relatório Fiscal, às fls. 58 a 60, informa que: • A empresa Itaú Seguros S/A tem por objeto social as operações de seguros dos ramos pessoas e danos, tais como definidos em lei; O fato gerador das contribuições lançadas ocorreu com a prestação de serviços, sem vínculo empregatício, por pessoas físicas, na qualidade de corretores autônomos de seguros; • As contribuições incidentes sobre as comissões pagas aos mencionados corretores, com exceção da parte retida dos segurados (artigo 4° da Lei n° 10666/2003), não foram recolhidas em Guias da Previdência Social (GPS), pois a empresa está discutindo em juízo sua legalidade, conforme certidão de objeto e pé referente à Apelação Cível 2000.61.00.0105807, Tribunal Regional Federal (TRF) da 3 a Região; • O débito foi lançado para prevenir a decadência, tomando por base as relações de pagamento fornecidas pela empresa; • Na presente NFLD foi lançado o débito referente ao período de 01/1999 a 12/2006, no qual a empresa não declarou estas contribuições em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), motivo que deu causa à lavratura do Auto de Infração n° 37.121.0003, com fundamento no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o , da Lei n° 8212/91, com a redação da Lei n° 9528/97; • Como o fato configura, em tese, a prática do crime previsto no artigo 95, "c", da Lei n° 8212/91 (até 14/10/2000), e no artigo 337A, III, do Código Penal, DecretoLei n° 2848/40, na redação da Lei n° 9983/2000 (período a partir de 15/10/2000), será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente, para providências cabíveis; • As despesas com os pagamentos dos corretores autônomos foram contabilizadas no grupo 33 Despesas de Comercialização Comissões, juntamente com despesas relativas a comissões pagas a pessoas jurídicas, sem nenhuma distinção, em desacordo com o disposto no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Por este motivo foi lavrado o Auto de Infração n° 37.120.8416, com fundamento no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8212/91. • A fiscalização foi atendida pelo Senhor Leandro Lourenço Salerno, Analista de Controle Interno e Riscos. Complementam o Relatório Fiscal, e encontram-se anexos à NFLD: IPC Instruções para o Contribuinte, de fls. 02/03; DAD Discriminativo Analítico de Débito, de fls. 03A/l 8; DSD Discriminativo Sintético de Débito, de fls. 19/27; RL Relatório de Lançamentos, de fls. 28/36; FLD Fundamentos Legais do Débito, de fls. 37/39; REPLEG Relatório de Representantes Legais, de fls. 40/42; VÍNCULOS Relação de Vínculos, de fls. 43/45; Mandado de Procedimento Fiscal, de fl. 47; TIAF Termo de Início da Ação Fiscal, de fls. 48/49; TIAD's Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, de fls TEAF Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, de fls. 56/57; Recibos de Arquivos entregues ao Contribuinte, fls. 61/65; e Procuração, de fls. 66/69. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD em 27/12/2007, fl. 01, o Contribuinte, dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fl. 92, contestou o lançamento de crédito através do instrumento de fls. 74/84, com juntada de Procuração, Atas de Assembléia, e documento de identidade da procuradora, por cópias autenticadas, DOC. 01, às fls. 85/89; e cópia simples da capa da presente NFLD, DOC. 02, à fl. 90.(...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente em parte a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PROVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições devidas, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento, sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, que visa afastar a decadência. A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em judicial são idênticos, devendo o julgamento ater-se à matéria diferenciada. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. A Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual o lapso de tempo para a constituição dos créditos previdenciários será regido pelo Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve antecipação de pagamento pelo Contribuinte, deve-se decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo 173, inciso I, do CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual exceto se atender e demonstrar as hipóteses do art. 16, §§ 4 o e 5o , do Decreto n° 70.235/72. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte aduziu: a) a decadência parcial do lançamento questionado, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (janeiro de 1997 a novembro de 2002); b) considerando o entendimento constante da decisão recorrida de que não houve comprovação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a recorrente acosta aos autos os comprovantes de depósito do período autuado (doc. 02); c) o art. 151, inciso II, do CTN dispõe que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, portanto não é cabível a exigência dos juros de mora sobre tais valores, tendo em vista que o depósito judicial coíbe a incidência de juros de mora; c) também não há possibilidade de cobrança de multa sobre os valores depositados, em lançamento para prevenir a decadência. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Resolução - necessidade de intimação do sujeito passivo De logo, percebe-se que após a edição da Informação Fiscal de fls. 642/644, os autos retornaram para nova distribuição, em virtude da Conselheira Relatora originária ter deixado esse colegiado. Não foi aberto prazo para manifestação da recorrente acerca da referida Informação Fiscal de fls. 642/647, de sorte que, qualquer decisão proferida no presente momento processual estará fadada à nulidade por cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que deverá ter a oportunidade de se contrapor aos novos argumentos levantados pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, no sentido de que seja recorrente intimada a se manifestar acerca da Informação Fiscal que dormita às fls.642/644. (assinado digitalmente)
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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Nesta oportunidade, utilizo-me de trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n.° 37.120.8424, lançada pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, correspondente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, incidentes sobre as comissões pagas a corretores autônomos de seguros. O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 19.307.110,55 (dezenove milhões, trezentos e sete mil e cento e dez reais), abrangendo o período de 01/1999 a 06/2005, e 08/2005 a 12/2006, consolidado em 26/12/2007. O Relatório Fiscal, às fls. 58 a 60, informa que: • A empresa Itaú Seguros S/A tem por objeto social as operações de seguros dos ramos pessoas e danos, tais como definidos em lei; O fato gerador das contribuições lançadas ocorreu com a prestação de serviços, sem vínculo empregatício, por pessoas físicas, na qualidade de corretores autônomos de seguros; • As contribuições incidentes sobre as comissões pagas aos mencionados corretores, com exceção da parte retida dos segurados (artigo 4° da Lei n° 10666/2003), não foram recolhidas em Guias da Previdência Social (GPS), pois a empresa está discutindo em juízo sua legalidade, conforme certidão de objeto e pé referente à Apelação Cível 2000.61.00.0105807, Tribunal Regional Federal (TRF) da 3 a Região; • O débito foi lançado para prevenir a decadência, tomando por base as relações de pagamento fornecidas pela empresa; • Na presente NFLD foi lançado o débito referente ao período de 01/1999 a 12/2006, no qual a empresa não declarou estas contribuições em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), motivo que deu causa à lavratura do Auto de Infração n° 37.121.0003, com fundamento no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o , da Lei n° 8212/91, com a redação da Lei n° 9528/97; • Como o fato configura, em tese, a prática do crime previsto no artigo 95, "c", da Lei n° 8212/91 (até 14/10/2000), e no artigo 337A, III, do Código Penal, DecretoLei n° 2848/40, na redação da Lei n° 9983/2000 (período a partir de 15/10/2000), será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente, para providências cabíveis; • As despesas com os pagamentos dos corretores autônomos foram contabilizadas no grupo 33 Despesas de Comercialização Comissões, juntamente com despesas relativas a comissões pagas a pessoas jurídicas, sem nenhuma distinção, em desacordo com o disposto no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91. Por este motivo foi lavrado o Auto de Infração n° 37.120.8416, com fundamento no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8212/91. • A fiscalização foi atendida pelo Senhor Leandro Lourenço Salerno, Analista de Controle Interno e Riscos. Complementam o Relatório Fiscal, e encontram-se anexos à NFLD: IPC Instruções para o Contribuinte, de fls. 02/03; DAD Discriminativo Analítico de Débito, de fls. 03A/l 8; DSD Discriminativo Sintético de Débito, de fls. 19/27; RL Relatório de Lançamentos, de fls. 28/36; FLD Fundamentos Legais do Débito, de fls. 37/39; REPLEG Relatório de Representantes Legais, de fls. 40/42; VÍNCULOS Relação de Vínculos, de fls. 43/45; Mandado de Procedimento Fiscal, de fl. 47; TIAF Termo de Início da Ação Fiscal, de fls. 48/49; TIAD's Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, de fls TEAF Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, de fls. 56/57; Recibos de Arquivos entregues ao Contribuinte, fls. 61/65; e Procuração, de fls. 66/69. DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido cientificado da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD em 27/12/2007, fl. 01, o Contribuinte, dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fl. 92, contestou o lançamento de crédito através do instrumento de fls. 74/84, com juntada de Procuração, Atas de Assembléia, e documento de identidade da procuradora, por cópias autenticadas, DOC. 01, às fls. 85/89; e cópia simples da capa da presente NFLD, DOC. 02, à fl. 90.(...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente em parte a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PROVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições devidas, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento, sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, que visa afastar a decadência. A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em judicial são idênticos, devendo o julgamento ater-se à matéria diferenciada. DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. A Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual o lapso de tempo para a constituição dos créditos previdenciários será regido pelo Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve antecipação de pagamento pelo Contribuinte, deve-se decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo 173, inciso I, do CTN. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual exceto se atender e demonstrar as hipóteses do art. 16, §§ 4 o e 5o , do Decreto n° 70.235/72. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte aduziu: a) a decadência parcial do lançamento questionado, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (janeiro de 1997 a novembro de 2002); b) considerando o entendimento constante da decisão recorrida de que não houve comprovação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a recorrente acosta aos autos os comprovantes de depósito do período autuado (doc. 02); c) o art. 151, inciso II, do CTN dispõe que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, portanto não é cabível a exigência dos juros de mora sobre tais valores, tendo em vista que o depósito judicial coíbe a incidência de juros de mora; c) também não há possibilidade de cobrança de multa sobre os valores depositados, em lançamento para prevenir a decadência. É o Relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Resolução - necessidade de intimação do sujeito passivo De logo, percebe-se que após a edição da Informação Fiscal de fls. 642/644, os autos retornaram para nova distribuição, em virtude da Conselheira Relatora originária ter deixado esse colegiado. Não foi aberto prazo para manifestação da recorrente acerca da referida Informação Fiscal de fls. 642/647, de sorte que, qualquer decisão proferida no presente momento processual estará fadada à nulidade por cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, que deverá ter a oportunidade de se contrapor aos novos argumentos levantados pela autoridade fiscal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, no sentido de que seja recorrente intimada a se manifestar acerca da Informação Fiscal que dormita às fls.642/644. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 650          1 649  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14485.003257/2007­15  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2201­000.332  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  04 de dezembro de 2018  Assunto  Resolução  Recorrente  ITAU SEGUROS S/A   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do  tributo cientifique o contribuinte da conclusão de diligência anterior.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra,  Rodrigo Monteiro  Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora  Fofano,  Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  primeira  instância  que  julgou  procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo.  Nesta oportunidade, utilizo­me de  trechos do relatório produzido em assentada  anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos  seguintes:  Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  (NFLD)  DEBCAD n.° 37.120.8424, lançada pela fiscalização contra a empresa  em  epígrafe,  correspondente  às  contribuições  devidas  à  Seguridade     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 03 25 7/ 20 07 -1 5 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 14485.003257/2007­15  Resolução nº  2201­000.332  S2­C2T1  Fl. 651          2 Social,  da  parte  da  empresa,  incidentes  sobre  as  comissões pagas a  corretores autônomos de seguros.  O montante  lançado,  incluindo  juros  e multa,  é  de R$  19.307.110,55  (dezenove milhões, trezentos e sete mil e cento e dez reais), abrangendo  o período de 01/1999 a 06/2005, e 08/2005 a 12/2006, consolidado em  26/12/2007.  O Relatório Fiscal, às fls. 58 a 60, informa que:  • A  empresa  Itaú  Seguros  S/A  tem por  objeto  social as  operações  de  seguros dos ramos pessoas e danos, tais como definidos em lei; O fato  gerador  das  contribuições  lançadas  ocorreu  com  a  prestação  de  serviços,  sem vínculo  empregatício,  por pessoas  físicas,  na qualidade  de  corretores  autônomos  de  seguros;  •  As  contribuições  incidentes  sobre as comissões pagas aos mencionados corretores, com exceção da  parte retida dos segurados (artigo 4° da Lei n° 10666/2003), não foram  recolhidas em Guias da Previdência Social (GPS), pois a empresa está  discutindo em  juízo  sua  legalidade,  conforme certidão  de  objeto  e  pé  referente  à  Apelação  Cível  2000.61.00.0105807,  Tribunal  Regional  Federal  (TRF)  da  3  a Região;  • O débito  foi  lançado para  prevenir  a  decadência,  tomando  por  base  as  relações  de  pagamento  fornecidas  pela empresa;  • Na presente NFLD  foi  lançado o débito  referente ao  período de 01/1999 a 12/2006, no qual a empresa não declarou estas  contribuições  em  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência Social (GFIP), motivo que deu causa à lavratura do Auto  de  Infração n° 37.121.0003,  com fundamento no artigo 32,  inciso  IV,  parágrafo 5o  , da Lei n° 8212/91, com a redação da Lei n° 9528/97; •  Como o fato configura, em tese, a prática do crime previsto no artigo  95, "c", da Lei n° 8212/91 (até 14/10/2000), e no artigo 337A, III, do  Código Penal, DecretoLei n° 2848/40, na redação da Lei n° 9983/2000  (período  a  partir  de  15/10/2000),  será  lavrada  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  com  comunicação  à  autoridade  competente,  para  providências  cabíveis;  •  As  despesas  com  os  pagamentos  dos  corretores autônomos  foram contabilizadas no grupo 33 Despesas de  Comercialização  Comissões,  juntamente  com  despesas  relativas  a  comissões  pagas  a  pessoas  jurídicas,  sem  nenhuma  distinção,  em  desacordo com o disposto no artigo 32,  inciso II, da Lei n° 8.212/91.  Por  este motivo  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  n°  37.120.8416,  com  fundamento no artigo 32, inciso II, da Lei n° 8212/91.  • A  fiscalização  foi  atendida  pelo  Senhor Leandro Lourenço  Salerno,  Analista  de  Controle  Interno  e  Riscos.  Complementam  o  Relatório  Fiscal,  e  encontram­se  anexos  à  NFLD:  IPC  Instruções  para  o  Contribuinte,  de  fls.  02/03; DAD Discriminativo Analítico  de Débito,  de fls. 03A/l 8; DSD Discriminativo Sintético de Débito, de fls. 19/27;  RL Relatório de Lançamentos, de fls. 28/36; FLD Fundamentos Legais  do Débito, de fls. 37/39; REPLEG Relatório de Representantes Legais,  de fls. 40/42; VÍNCULOS Relação de Vínculos, de fls. 43/45; Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  de  fl.  47;  TIAF  Termo  de  Início  da  Ação  Fiscal, de fls. 48/49; TIAD's Termos de Intimação para Apresentação  de  Documentos,  de  fls  TEAF  Termo  de  Encerramento  da  Auditoria  Fiscal,  de  fls.  56/57; Recibos  de Arquivos  entregues  ao Contribuinte,  fls. 61/65; e Procuração, de fls. 66/69.  Fl. 651DF CARF MF Processo nº 14485.003257/2007­15  Resolução nº  2201­000.332  S2­C2T1  Fl. 652          3 DA  IMPUGNAÇÃO Tendo  sido  cientificado  da Notificação Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  NFLD  em  27/12/2007,  fl.  01,  o  Contribuinte,  dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fl. 92, contestou  o  lançamento  de  crédito  através  do  instrumento  de  fls.  74/84,  com  juntada de Procuração, Atas de Assembléia, e documento de identidade  da  procuradora,  por  cópias  autenticadas,  DOC.  01,  às  fls.  85/89;  e  cópia simples da capa da presente NFLD, DOC. 02, à fl. 90.(...).  A Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  São  Paulo  (SP)  julgou procedente em parte a impugnação, conforme a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PROVIDENCIARIAS Período  de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL.  LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. RENÚNCIA AO  CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.  JULGAMENTO.  É  obrigação  da  autoridade  fiscalizadora  efetuar  o  lançamento  das  contribuições  devidas,  nos  termos  do  artigo  142,  parágrafo  único  do  Código Tributário Nacional, caso inexista decisão judicial que proíba  tal procedimento, sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, que  visa afastar a decadência.  A propositura de ação  judicial antes do  lançamento  implica renúncia  ao  contencioso  administrativo  no  tocante  à  matéria  em  judicial  são  idênticos, devendo o julgamento ater­se à matéria diferenciada.  DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF.  A Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF)  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46,  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência, razão pela qual o  lapso de tempo  para  a  constituição  dos  créditos  previdenciários  será  regido  pelo  Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966).  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DE  ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.  No caso dos  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação,  se não  houve  antecipação  de  pagamento  pelo  Contribuinte,  deve­se  decadencial  de  cinco  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme  artigo 173, inciso I, do CTN.  ACRÉSCIMOS LEGAIS.  Sobre  as  contribuições  sociais  pagas  com  atraso  incidem  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia SELIC e multa de mora.  PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A  apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso  administrativo,  deve  ser  feita  juntamente  com  a  impugnação,  Fl. 652DF CARF MF Processo nº 14485.003257/2007­15  Resolução nº  2201­000.332  S2­C2T1  Fl. 653          4 precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento,  salvo  se  fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.  PEDIDO  DE  JUNTADA  DE  DOCUMENTOS.  PRECLUSÃO  TEMPORAL.  A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo  o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual exceto  se atender e demonstrar as hipóteses do art. 16, §§ 4  o e 5o , do Decreto  n° 70.235/72.  Posteriormente,  foi  interposto  recurso  voluntário,  dentro  do  lapso  temporal  legal, no qual o contribuinte aduziu:  a) a decadência parcial do lançamento questionado, com base no art.  150, § 4º, do Código Tributário Nacional (janeiro de 1997 a novembro  de 2002);  b) considerando o entendimento constante da decisão recorrida de que  não  houve  comprovação  da  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário, a recorrente acosta aos autos os comprovantes de depósito  do período autuado (doc. 02);  c)  o  art.  151,  inciso  II,  do  CTN  dispõe  que  o  depósito  do  montante  integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, portanto não é  cabível a exigência dos juros de mora sobre tais valores, tendo em vista  que o depósito judicial coíbe a incidência de juros de mora; c) também  não  há  possibilidade  de  cobrança  de  multa  sobre  os  valores  depositados, em lançamento para prevenir a decadência.  É o Relatório.  Voto   Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator   Admissibilidade   O  recurso  voluntário  apresentado  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  devendo, pois, ser conhecido.  Da Resolução ­ necessidade de intimação do sujeito passivo    De logo, percebe­se que após a edição da Informação Fiscal de fls. 642/644, os  autos  retornaram  para  nova  distribuição,  em  virtude  da  Conselheira  Relatora  originária  ter  deixado  esse  colegiado.  Não  foi  aberto  prazo  para  manifestação  da  recorrente  acerca  da  referida Informação Fiscal de fls. 642/647, de sorte que, qualquer decisão proferida no presente  momento  processual  estará  fadada  à  nulidade  por  cerceamento  ao  direito  de  defesa  da  contribuinte, que deverá  ter a oportunidade de se contrapor aos novos argumentos levantados  pela autoridade fiscal.      Fl. 653DF CARF MF Processo nº 14485.003257/2007­15  Resolução nº  2201­000.332  S2­C2T1  Fl. 654          5   Conclusão     Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  no  sentido  de  que  seja  recorrente  intimada  a  se  manifestar  acerca  da  Informação  Fiscal  que  dormita às fls.642/644.      (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator       Fl. 654DF CARF MF

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7570536 #
Numero do processo: 10855.720803/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1483; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.720803/2010­67  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3301­005.483  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2018  Matéria  RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  JCB DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008  CRÉDITOS  DA  CONTRIBUIÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.  Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais  tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero ou não  incidência,  nos  termos dos  artigos  16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liziane  Angelotti  Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior,  Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos  Roberto da Silva (Suplente Convocado).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 08 03 /2 01 0- 67 Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10855.720803/2010­67  Acórdão n.º 3301­005.483  S3­C3T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da  contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito  reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a  referida decisão de origem.  Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação  do  despacho  decisório,  em  virtude  de  violação  ao  princípio  da  motivação  e  à  garantia  constitucional  da  ampla  defesa,  ou,  subsidiariamente,  a  sua  reforma,  alegando  violação  ao  princípio da verdade material.  Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava  limitado  ao  crédito  apurado  no  mercado  externo,  tendo  a  própria  Administração  Pública  identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente  à homologação da compensação declarada.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ),  por  meio  do  acórdão  nº  12­073.497,  julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do  despacho decisório  e,  no mérito,  não  reconhecendo o  crédito  pleiteado  pelo  fato  de  que,  em  relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado  com  outros  tributos  o  saldo  credor  das  contribuições  acumulado  em  virtude  de  vendas  efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei  nº 11.116, de 2005.  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  alegando,  em  preliminar,  a  nulidade  do  acórdão  recorrido  por  violação  aos  princípios  do  contraditório,  da  ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção  à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e  9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv)  impossibilidade da aplicação  de juros e multa de mora.  É o relatório.  Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10855.720803/2010­67  Acórdão n.º 3301­005.483  S3­C3T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3301­005.475,  de  27/11/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 10855.720785/2010­13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Resolução nº 3301­005.475):  O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e  deve ser conhecido.  Preliminar  "Nulidade  do  acórdão  recorrido,  por  violação  aos  princípios  do  contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões"  A  recorrente  alega  que  o  Despacho  decisório  e  a  decisão  recorrida  seriam nulos,  pois desprovidos das  fundamentações  fáticas e  legais,  o que  feriria  os  princípios  constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99.  O Despacho Decisório  (fls.  526  a  529)  fundamentou­se  na  Informação  Fiscal  (fls.  448  a  465)  que  traz  relato  detalhado do  trabalho  de  auditoria  fiscal,  com  os  tipos  de  crédito  e  receitas  tributáveis  analisados  e  os  correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os  demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas  sujeitas à tributação.  E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a  preliminar  de  nulidade,  remetendo­se  à  devidamente  fundamentada  e  motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os  dispositivos legais em que se baseou.  Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar.  Mérito  "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo ­  do direito à compensação ­ posicionamento consolidado do E. STF"  "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 ­ da violação  ao princípio da hierarquia das leis"  "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96"  A  conclusão  da  auditoria  fiscal  (fl.  463)  foi  a  de  que,  ao  fim  do  2°  trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos  Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10855.720803/2010­67  Acórdão n.º 3301­005.483  S3­C3T1  Fl. 5          4 de  COFINS  ­  "Mercado  Interno"  (a  compensar  com  débitos  da  COFINS  futuros)  e  R$  313.715,  35  de  saldo  créditos  de  COFINS  ­  "Mercado  Externo"(créditos  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento),  após  a  glosa  de  R$  124.732,91.  A  glosa  motivou  a  homologação  parcial  das  compensações vinculadas.  Nos  tópicos  em  epígrafe,  a  recorrente  discorre  longamente  sobre  teses  jurídicas,  cujo  objetivo  é  o  de  obter  autorização  para  utilizar  o  saldo  de  créditos  de  COFINS  ­  "Mercado  Interno"  para  liquidar  os  débitos  que  restaram em aberto em razão da glosa de créditos.  Inicia,  informando  que  importa  e  produz  mercadorias  cuja  venda  é  tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art.  1°  da  Lei  n°  10.485/02).  Subentende­se  que  teria  acumulado  créditos  em  razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral  de créditos.  Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e  da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no  RE  n°  635.688/RS,  com  repercussão  geral.  E  destaca  que  esta  decisão  vincula o CARF, por força regimento interno.  Ao  fim,  consigna  que  mantém  integralmente  os  créditos  de  COFINS  sobre  as  compras,  apesar  de  gozar  de  redução  de  base  de  cálculo  nas  vendas,  com  base  no  art.  17  da  Lei  n°  11.033/04.  E  que  os  créditos  acumulados  em  razão  de  isenção  poderiam  ser  objetos  de  pedidos  de  ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05.  Neste ponto, vale  reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14,  os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96:  RE 635.688/RS  "Recurso  Extraordinário.  2.  Direito  Tributário.  ICMS.  3.  Não  cumulatividade.  Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de  base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às  operações  anteriores,  salvo  determinação  legal  em  contrário  na  legislação  estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência  de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação  proporcional  do  crédito  relativo  às  operações  anteriores.  5. Repercussão  geral.  6.Recurso extraordinário não provido."  Lei n° 11.033/04  "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações."  Lei n° 11.116/05  "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado  na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29  de dezembro de 2003,  e do  art.  15 da Lei  no  10.865,  de 30 de  abril  de  2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário  em  virtude  do  disposto  no  art.  17  da Lei  no  11.033,  de  21  de  dezembro de  2004,  poderá  ser  objeto de:  Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10855.720803/2010­67  Acórdão n.º 3301­005.483  S3­C3T1  Fl. 6          5 I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou  II  ­  pedido  de  ressarcimento  em  dinheiro,  observada  a  legislação  específica  aplicável à matéria.  Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação desta  Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da  promulgação desta Lei."  Lei n° 9.430/96  "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios  relativos a quaisquer  tributos e contribuições  administrados por aquele Órgão."  Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao  ressarcimento/compensação  dos  créditos  COFINS  ­  "Mercado  Interno"  o  previsto  no  art.  21  da  IN  SRF  n°  600/05:  a  uma,  porque  o  conceito  de  redução  de  base  de  cálculo  se  equipara  ao  de  isenção;  e,  a  duas,  pois  estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confronta­se com os  citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96.  Assim dispõe  o  art.  21  da  IN  SRF  n°  600/05,  em  vigor  no  período  em  análise:  "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na  forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  que  não  puderem  ser  utilizados  na  dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sê­lo na compensação  de débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos a  tributos e contribuições  de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de:  I ­ custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações  de  exportação  de  mercadorias  para  o  exterior,  prestação  de  serviços  a  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o  fim específico de exportação;  II ­ custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota zero ou não­incidência; ou  III ­ aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a  que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os  créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005.  (...)"  Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está  previsto no inciso II do art. 156 do CTN ­ modalidade de extinção do crédito  tributário.   Que  reconheceu  a  existência  de  saldo  credor  de  COFINS  "Mercado  Interno" o que já evidencia o direito a que  faz menção o art. 74 da Lei n°  9.430/96.  Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10855.720803/2010­67  Acórdão n.º 3301­005.483  S3­C3T1  Fl. 7          6 Que  a  compensação  é  o  restabelecimento  do  direito  à  propriedade  disposto no inciso XXII do art. 5° da CF.  Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos  débitos  que  por  meio  dela  haviam  sido  liquidados  atentaria  contra  os  princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF  e art. 2° da Lei n° 9.784/99.  Não assiste razão à recorrente.  De  pronto  consigno  que  o  tema  relacionado  à  possível  inconstitucionalidade  da  vedação  legal  ao  ressarcimento  de  créditos  da  COFINS ­ "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por  força da Súmula CARF n° 2.  Assim, nego provimento às alegações correlatas.  Prossigo  a  análise  do  recurso,  citando  o  art.  170  do CTN,  que  dispõe  que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei.  Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da  Lei  n°  11.116/05  e  17  da  Lei  n°  11.033/03,  que  dispõem  que  somente  créditos  acumulados  em  virtude  de  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  podem  ser  objetos  de  ressarcimento  e/ou  compensação  com  qualquer  tipo  de  débito  tributário  federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos  motivados por vendas com redução de base de cálculo.  E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal  interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou.  O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução  de  base  de  cálculo  à  isenção,  com  base  em  decisão  do  STF,  com  repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF.  Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se  insere. Os  institutos  foram equiparados para os  fins a que se prestava aquele julgamento, qual  seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam  do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de  preservação  do  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade  que  rege  este  tributo. Não entendo, portanto, que o STF  tenha  introduzido um novo  entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins  legais.  E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito  ou  à  sua  manutenção  ­  o  acúmulo,  ocasionado  por  redução  da  base  de  cálculo das vendas  correspondentes não  se  encontra  entre as hipóteses de  estorno  de  crédito  do  §13  do  art.  3°  da  Lei  n°  10.833/03  ­  porém  tão  somente  cumprindo  determinação  prevista  em  lei  ordinária,  cuja  competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN.  Isto  posto,  nego  provimento  aos  argumentos  contidos  nos  tópicos  do  recurso voluntário em epígrafe.  "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora ­ art. 100 do  CTN"  Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10855.720803/2010­67  Acórdão n.º 3301­005.483  S3­C3T1  Fl. 8          7 Protesta  contra  a  cobrança  de  juros  e  multa  de  mora,  que  foram  acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados.  Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta  lide  a  cobrança  dos  débitos  que  restaram  em  aberto  em  virtude  da  não  homologação da compensação.  Conclusão  Conheço  em  parte  do  recurso  voluntário  e,  na  parte  conhecida,  nego  provimento.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS.  Importa  registrar,  ainda,  que,  nos  presentes  autos,  as  situações  fática  e  jurídica  encontram  correspondência  com  as  verificadas  no  paradigma,  de  tal  sorte  que  o  entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negou­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                                  Fl. 1092DF CARF MF

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Numero do processo: 10920.000210/2007-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Com isso não restou caracterizada a essencialidade dos gastos com aluguel de máquinas e equipamentos e reparos e manutenção de equipamentos portuários.
Numero da decisão: 3001-000.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator Designado e Ad Hoc (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator Designado e Ad Hoc (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.

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3001­000.727  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  24 de janeiro de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Recorrente  WRC OPERADORES PORTUARIOS S/A   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005  COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE  INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL  Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo  na  sistemática  da  não­cumulatividade  das  Contribuições  para  o  PIS  e  da  COFINS,  imprescindível  a  sua  essencialidade  ao  processo  produtivo  ou  prestação  de  serviço,  direta  ou  indiretamente.  Com  isso  não  restou  caracterizada  a  essencialidade  dos  gastos  com  aluguel  de  máquinas  e  equipamentos e reparos e manutenção de equipamentos portuários.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu  provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da  Silva.      Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Marcos Roberto da Silva ­ Redator Designado e Ad Hoc  (assinado digitalmente)       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 02 10 /2 00 7- 54 Fl. 1023DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri  (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da  Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos  Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em  vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o  colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.  Relatório  (cf.  relatório  constante  na  pasta  da  sessão  de  julgamento,  repositório  oficial  do  CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros)    Pedido de Ressarcimento   Trata­se de Pedido de Ressarcimento, em dinheiro, do valor de R$ 13.407,38 (treze  mil,  quatrocentos  e  sete  reais  e  trinta  e  oito  centavos),  referente  a  créditos  da  contribuição  ao  PIS/PASEP, apurados sob o regime da não­cumulatividade, decorrentes das operações da interessada  com o mercado externo, que, ao final do 3° trimestre de 2005, remanesceram das deduções do valor da  contribuição a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno.   Despacho Decisório   O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação sob a  justificativa de que foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários que alteraram o valor a  ser ressarcido:   1.  Excluiu­se  da  base  de  cálculo  dos  créditos  (vide  tópico  4.3.1.3  do  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  de  Análise  Fiscal)  as  aquisições  que  devam  ser  incorporadas  ao  ativo  imobilizado,  materiais  de  uso  e  consumo  e/ou  despesas  administrativas [...];   2.  Excluiu­se  da  base  de  cálculo  dos  créditos  (vide  tópico  4.3.1.4  do  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  de  Análise  Fiscal)  as  despesas  de  aluguéis  de  equipamentos para movimentação de cargas (empilhadeiras e guindastes) [...].     No  tópico  “3.1.  Obrigatoriedade  das  Notas  Fiscais”,  a  autoridade  afirma  que  intimou a empresa a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e  de  aquisição  de  bens  do  ativo  imobilizado,  no  entanto  a  interessada  não  o  fez,  alegando  serem  operações dispensadas de emissão.   No tópico "4.3.1.4.3 Da vinculação entre as empresas" alegou que em relação aos  Contratos  de  Locação  de  Equipamentos  firmados  entre  a  interessada  e  as  empresas  Rocha  Top,  Cargolink e WR, a empresa WRC pertencia fundamentalmente a  todas as pessoas listadas, através de  participações  cruzadas  envolvendo  outras  empresas  como,  por  exemplo,  Cabral  Serviços Marítimos  Ltda.,  Douat  Cia.  de  Participações,  Litoral  Investimentos  Ltda.,  Litoral  Empreendimentos  Ltda.  e  Litoral Agência Marítima Ltda.   Também, quanto às Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de  pessoas jurídicas, a autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de  máquinas e equipamentos  locados de pessoas  jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e  Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 116          3 Operadores Portuários Ltda., Cargolink Armazéns de Carga Ltda. e WR Operadores Portuários Ltda.,  concluindo  que  "...todo  o  mecanismo  utilizado  foi  simulado,  visando  a  elisão  fiscal,  mascarando  a  operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...".   Além disso, destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal  Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC.     Manifestação de Inconformidade   Em sede de manifestação de inconformidade, a manifestante alega, em suma:   Quanto  à  obrigatoriedade  de  emissão  de  nota  fiscal,  rebate  os  argumentos  da  autoridade  no  sentido  de  que  na  legislação  a  obrigatoriedade  de  emissão  de  Nota  Fiscal  está  intimamente  vinculada  ao  controle  do  cálculo  do  ISS  sobre  o  preço  dos  serviços  de  contribuintes  sujeitos  ao  seu  pagamento  e  sendo  que  resta  consolidado  no  ordenamento  jurídico  brasileiro  a  não  incidência  do  ISS  sobre  as  atividades  de  locação  relacionadas  aos  bens  moveis,  não  se  mantem  a  obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal à empresa que a realiza. Ressaltou que o auditor fiscal não põe  em  dúvida  a  validade  dos  contratos  de  locação  dos  bens  e  nem  a  efetiva  realização  das  operações,  limitando­se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e  caracterização de distribuição disfarçada de lucros.   Nesse  ponto,  defende  a  regularidade  das  operações  de  locação  de  equipamentos  utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de  sua parte no intuito de beneficiar­se indevidamente de créditos da não­cumulatividade da contribuição  para o PIS e da Cofins.   Ademais, argumentou que em todos os documentos fiscais juntados evidencia­se que  a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades.  Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado.   Por derradeiro, quanto aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta  que,  ao  contrário  do  que  afirma  a  autoridade  fiscal,  forneceu  A.  fiscalização  todos  os  documentos  necessários,  como  comprovam  as  cópias  em  anexo  dos  protocolos  prestados  pelo  Auditor  Fiscal,  indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos  documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Pugna então pelo  afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se  manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações.    DRJ/FNS   A manifestação  de  inconformidade  foi  julgada  improcedente  e  recebeu  a  seguinte  ementa:   Acórdão  07­21.786  –  4ª  Turma  da  DRJ/FNS  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Ano­calendário:  2005  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO  DIREITO  CREDITóRIO.  ONUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE  No  âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus  Fl. 1025DF CARF MF     4 do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação  minudente  da  existência  do  direito  creditório.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Ano­calendário: 2005 REGIME  DA NÃO­CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.   Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não­cumulatividade, custos e despesas  com  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Pais,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda.   REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.   No regime da não­cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de  creditamento  de  valores:  aqueles  utilizados  na  fabricação  ou  produção  de  bens  destinados à venda; as matérias primas, os produtos  intermediários, o material de  embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  fisicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluidas  no  ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção  ou fabricação de bens ou produtos destinados A. venda.   Manifestação de Inconformidade Improcede   Inicialmente, a DRJ destaca que quanto aos valores glosados pela autoridade fiscal, a  interessada não se manifestou em relação aos gastos com materiais de consumo, com despesas indiretas  com  pessoal  e  com  as  despesas  administrativas  indiretas  como  projetos  de  produtos,  assessoria  empresarial  ou  comercial,  honorários  advocatícios,  serviços  de  telefonia  fixa  e móvel,  comissões  de  venda e vigilância de seus estabelecimentos.   Locação de Equipamentos   Aduz  que  é  exigida  a  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  crédito,  por  óbvio, é que os documentos atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. No caso  que  aqui  se  tem,  alega  que  a  fim  de  comprovar  as  despesas  com  locação  de  equipamentos,  a  contribuinte  junta  os  contratos  de  locação,  e os  respectivos  recibos  de  pagamento  e  copias  dos  cheques.   Quanto  ao  argumento  de  que  as  empresas  locadoras  não  são  obrigadas  a  emitir  as  notas fiscais referentes à locação dos equipamentos, argumenta de início, que o fato de haver dispensa  da emissão de notas fiscais por parte das administrações tributárias municipais e estaduais — e isto em  razão, especialmente, da não incidência do ISS e/ou do ICMS não induz, obrigatoriamente, à conclusão  de que em relação à tributação federal tal dispensa esteja automaticamente estendida. Por fim, concluiu  que a legislação tributária federal estabelece, em várias de suas disposições legais, a obrigatoriedade da  emissão de notas fiscais, e o faz em razão de que são estes documentos fiscais que contêm, de forma  padronizada  e  normatizada,  os  elementos  indispensáveis  à  elucidação  das  características  próprias  de  cada operação negocial.   Além disso, destacou o quadro apresentado pela autoridade, ressaltando o fato de os  documentos  apresentados  pela  contribuinte,  a  fim  de  comprovar  as  despesas  alegadas,  terem  sido  emitidos e assinados pelos representantes legais de empresas que possuem grandes e estreitos interesses  em  comum,  considerando  que  operam  no  mesmo  setor  empresarial,  desenvolvendo  atividades  semelhantes  e/ou  complementares,  e  que  estão  intimamente  interligadas,  pois  que  pertenciam  (e/ou  Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 117          5 pertencem)  fundamentalmente  às mesmas  pessoas  fisicas,  haja  vista  as participações  cruzadas  dessas  pessoas nas sociedades.   Conclui­se então que, à ausência de documentação hábil e suficiente para comprovar  o direito ao crédito informado como decorrente de locação de equipamentos, há que se manter a glosa  procedida pela autoridade fiscal, além de mencionar que os  fatos evidenciados por meio dos próprios  documentos  apresentados  pela  contribuinte  tornam  plausível  a  suspeição  levantada  pela  autoridade  fiscal.   Bens utilizados como insumos   Alega que entendeu a contribuinte que a glosa dos créditos de PIS/Cofins ocorreu, por  conta  da  invocação  ao  artigo  301  do  RIR199  pela  autoridade  fazendária,  pelo  fato  de  esta  ter  considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto  insumos.  Entretanto,  a  autoridade  fiscal  glosou  as  despesas  com  aquisição  de  bens  e  serviços  não  enquadráveis no conceito de insumo, conceito este imposto pela legislação da contribuição para PIS e  da Cofins não­cumulativa, sendo que, no que concerne aos bens incorporados ao ativo imobilizado da  empresa, remete­se ao art. 301 do Decreto n° 3.000/1999.   Não  obstante,  a  interessada  traz  uma  lista  de  bens  e  serviços  adquiridos,  indicando  as  respectivas  notas  fiscais  e  fornecedores  e  segue  argumentando  que  os  respectivos  documentos  fiscais  evidenciam  que  a  empresa  adquiriu  bens  ou  contratou  serviços  os  quais  foram  totalmente aplicados em suas atividades, porém entendeu a DRJ/FNS que somente a indicação na nota  fiscal do fornecedor dos bens não é suficiente para identificar se os bens listados serem passíveis, ou  não, de incorporação ao ativo imobilizado.   Outros valores/Operações com direito a crédito   Nesse ponto, concluiu que não houve qualquer glosa de valores desta natureza, haja  vista a interessada não ter incluído no Dacon do período em questão qualquer valor a esse titulo.   Conclusão do voto   Isso posto, votou pela manutenção do decidido pela DRF jurisdicionante.     Recurso Voluntário   Inicialmente,  alega  a  recorrente  que  o Acórdão  indica,  erroneamente,  que  a mesma  aceitou e se manteve inerte e revel à glosa de parte dos créditos de PIS/COFINS sobre os quais teria se  apropriado  indevidamente.  No  entanto,  frisou  que  se  manifestou  especificamente  sobre  todos  os  créditos glosados pela autoridade fazendária.   Crédito sobre as operações de aluguel   de máquinas e equipamentos   Quanto à falta de emissão de nota fiscal das operações de arrendamento de bens como  fundamento  para  glosa  dos  créditos,  rechaça  o  formalismo  exacerbado  que  desconsidera  os  demais  elementos de prova a favor do contribuinte que demonstram a efetiva operação econômica realizada.   Aduz  que  possui  escrita  contábil  regular  e  em  perfeita  ordem,  fato  este  não  impugnado pelo Auditor Fiscal, tendo contabilizado adequadamente todas as operações de locação de  Fl. 1027DF CARF MF     6 bens,  as  quais  possuem  todos  os  elementos  de  prova  quanto  a  sua  efetiva  ocorrência  e  quanto  aos  valores  efetivamente  pagos  pelo  contribuinte  a  titulo  de  aluguel  dos  bens.  Ademais,  assevera  que  a  simples falta de emissão de nota fiscal não impede que o contribuinte desfrute, por inteiro do seu direito  de  reconhecer  os  créditos,  nesse  ponto,  colaciona  certidão  da  Secretaria  Municipal  de  Finanças  do  Município de São Francisco do Sul, que reconheceu formalmente que a legislação municipal dispense a  emissão de nota fiscal nas operações de locação de bens móveis.   Não obstante,  traz a  transcrição da Súmula Vinculante n° 31 do STF, acerca da não  incidência  de  ISS  sobre  a  locação  de  bens  móveis,  o  que,  consequentemente,  alega  não  havr  obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal de Serviços para a atividade de locação de equipamento da  recorrente,  porquanto  não  há  serviço  prestado,  cabendo  à  ela  apenas  emitir  simples  recibo  ou  documento equivalente, nos termos do Decreto nº 3.000, de 26/03/99 e Lei Federal no 8.846/1994.   Ressaltou  que  nas  operações  de  locação  registradas  pela  Recorrente  há  contratos  firmados,  recibos  de  pagamento,  comprovantes  de pagamento  bancário  e  cheques  que demonstram  a  liquidação financeira dos aluguéis, e que comprovam a ocorrência da operação e a natureza dela.   Quanto  ao  argumento  de  elisão  fiscal  por  conta  do  contribuinte,  alega  a  recorrente  serem completamente insubsistentes, nos seguintes termos:   1. Os contratos de locação dos guindastes (março de 2002) são anteriores às leis que  instituíram  o  PIS  e  o  COFINS  não  cumulativo  (dezembro  de  2002  e  dezembro  de  2003).  Logo,  não  poderia  ter pretendido  com estas  operações  a  geração  de  créditos  das contribuições sociais;   2.  Não  há  qualquer  possibilidade  de  concluir­se  que  a  operação  supostamente  dissimulada  teria  sido  uma  operação  de  compra  de  guindastes,  porque  a  empresa  WRC  foi  constituída  em março  de  2002,  o  guindaste  locado  pela Cargolink  para  a  WRC foi adquirido anteriormente (julho de 2001) e também o guindaste locado pela  WR para a WRC, que foi adquirido em outubro de 2001;   3. O  fato  dos  locadores  dos  guindastes  serem  sócios  da  locatária  em  nada  altera  o  tratamento tributário dos créditos, porque descaracteriza a natureza de insumo do bem  locado  e  as  transações  entre  partes  relacionadas  não  são  vedadas  por  lei  e  são  reconhecidas pela jurisprudência;   4. Tendo em vista o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estrita, não há na  legislação  tributária  federal  nenhuma  norma  ou  regra  que  obrigue  o  contribuinte  a  possuir a propriedade dos bens que utiliza nas suas operações ou vede as  transações  entre partes relacionadas;   5. O tratamento tributário da distribuição disfarçada de lucros pressupõe a aquisição  do bem de parte relacionada por valor notoriamente superior ou inferior ao valor de  mercado,  no  entanto,  como  reconhece  o  próprio Auditor  Fiscal,  o  valor  da  locação  com opção de compra era exatamente o valor que vinha sendo pago pelas locadoras e,  por  conseguinte,  exatamente  o  valor  de  mercado  dos  bens.  Ademais,  alega  que  o  negócio  foi  totalmente  vantajoso  para  a mesma,  posto  que  tratou­se  de  repasse  dos  ônus financeiros que estavam sendo suportados pelas locadoras.   6. Passou despercebido pelo auditor “fato fundamental de que até o momento em que  fora constituída a WRC Operadores Portuários S/A as empresas Cargolink Armazéns  de  Cargas  Ltda.  e WR Operadores  Portuários  Ltda.  não  possuíam  qualquer  outro  tipo  de  sociedade  ou  associação,  da  mesma  forma  que  as  pessoas  físicas  controladoras  da  Cargolink  Armazéns  de  Cargas  Ltda.  não  possuíam  qualquer  vinculo,  sociedade  ou  associação  com  as  pessoas  físicas  controladoras  da  WR  Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 118          7 Operadores  Portuários  Ltda.,  sendo,  antes,  concorrentes  diretos  no  mercado  portuário  de São Francisco  do  Sul,  o  que afasta  por  completo  qualquer  indicio  de  simulação das operações”.   Destacou  que  não  houve  qualquer  tipo  de  omissão  ou  forjamento  de  qualquer  operação para a prática de negócio diverso daquele que foi  formalizado contratualmente, o que torna  impossível  a  configuração  da  simulação  no  caso  em  tela.  Bem  como,  que  todos  os  contratos  foram  firmados em datas anteriores às locações, e previamente ao recebimento de receitas provenientes destas  operações e/ou às despesas por esta ocasionadas e tendo em vista o aspecto temporal, pode­se inferir a  boa fé do contribuinte e licitude das operações.   Recorre  também  do  argumento  utilizado  pela  DRJ  no  sentido  que  “não  poderia  a  WRC tomar créditos pela locação de um bem que já lhe pertencia e não mais à locadora. No entanto,  aduz que a simples leitura do "Contrato de Concessão de Crédito para Financiamento de Importação  de Origem e Procedência da Alemanha com Seguro do Hermes Kreditversicherungs Ag.” (documento  já  constante  nos  autos)  revela  que  o  bem  locado  havia  sido  dado  em  alienação  fiduciária  pela  Cargolink ao Banco Bradesco S.A, o que quer dizer que a Cargolink não possuía titulo suficiente para  transferir  a  propriedade  do  bem  para  a  WRC  (vide  cláusula  18,  página  4  do  contrato).”  Pode­se  verificar também a existência de um contrato de opção de venda, o qual aduz que esta pudesse exercer a  Opção  de  Compra  "em  um  prazo  de  até  60  (sessenta)  dias  contados  a  partir  da  data  em  que  o  Equipamento estiver livre e desembaraçado dos ônus decorrentes do Contrato de Financiamento".   Do direito ao crédito dos insumos   aplicados em sua prestação de serviços   Alega  que  a  decisão  da  DRJ  colaciona  trechos  do  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  de  Análise  Fiscal,  omitindo  o  que  não  lhe  é  de  interesse.  No  aludido  termo,  foram  classificados  os  gastos  com  reparo  e  manutenção  dos  equipamentos  portuários  utilizados  pelo  contribuinte no ativo imobilizado, desconsiderando sua classificação como despesa operacional.   Entretanto,  aduz  que  os  produtos  adquiridos  pela  empresa  contribuinte  são  adquiridos/contratados com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais,  quando  incorporados às  respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil  inferior a um ano  e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo  imobilizado em prazo superior a um ano.  Logo,  não  se  justifica  a  sua  incorporação  ao  ativo  permanente,  para  que  seja  então  depreciado  ou  amortizado.   Do direito ao crédito sobre os serviços   tomados de outras pessoas jurídicas   A  recorrente  indaga  ser  razoável  que  se  considerem  as  despesas  com  a  venda  dos  serviços  do  contribuinte,  ou  seja,  comissionamento  a  serviços  de  intermediação  de  negócios  comerciais  seja  entendido  como  insumos  de  sua  atividade,  posto  que  enquadram­se  as  mesmas  perfeitamente no conceito da alínea "b", inciso II, 40 do art. 80 da IN SRF no 404/04.   Outros valores/operações com direito ao crédito   Assevera ainda que o julgamento proferido pela 4a Turma da DRJ de Florianópolis,  disse inexistir créditos das demais operações, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente  não incluiu na Dacon do período em questão qualquer valor à esse titulo.   Fl. 1029DF CARF MF     8 Entretanto, aduz que todos os documentos solicitados pela fiscalização com relação à  rubrica em epígrafe foram devidamente entregues ao Sr. Fábio Luiz Túlio. Fato este ainda ratificado no  Termo de Verificação e encerramento da Análise Fiscal (fls. 04).   Finalmente,  sustenta que o  julgador  teve dúvidas  se  realmente  tem direito ou não a  recorrente ao ressarcimento ao dizer: “NÃO HÁ COMO SE TER A CONVICÇÃO, OU POR OUTRA,  NÃO HÁ COMO SE REPUTAR COMPROVADO, PARA ALÉM DE QUAISQUER DÚVIDAS, que os  valores  das  despesas  informados  realmente  se  referem  a  despesas  decorrentes[...]”,  pugnando  pela  aplicação da tese in dubio pro contribuinte.   Requereu,  ao  final,  o  reconhecimento  de  seu  direito  integral  ao  ressarcimento  dos  créditos tributários pleiteados, bem como a juntada dos documentos anexos.     Resolução nº 3403000.325 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   O Relator Antonio Carlos Atulim  votou  no  sentido  de  “converter  o  julgamento  em  diligência  à  repartição  de  origem  apenas  para  que  a  autoridade  administrativa  informe  se  existe  procedimento  administrativo  instaurado  quanto  ao  IRPJ  e,  se  existir,  informar  a  fase  em  que  se  encontra e o número do processo administrativo.”, para esclarecer se a competência para o julgamento  deste processo é da Primeira ou da Terceira Seção do CARF.     Despacho de Encaminhamento   O AFRFB desginado,  Fábio Luis Tulio,  respondeu  à  solicitação  de  diligência:  “Em  consulta ao dossiê do contribuinte, no ação fiscal, não foram encontrados registros de realização de  procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período acima mencionado.”.   Tendo  em  vista  o  retorno  da  diligência,  estes  autos  foram  encaminhados  para  este  relator.     Requerimento   Em  petição  intermediária,  a  recorrente  destacou  que  seu  processo  n°  10920.000216/2007­21,  que  também  discute  a  origem  dos  créditos  de  PIS/Cofins,  foi  julgado  e  foi  provido parcialmente (fls. 987­998), sob o argumento de cerceamento de defesa, tendo em vista que o  fiscal não impugnou de forma específica os documentos apresentados pela recorrente, de forma a  dificultar a defesa da mesma.   Diante desse cenário, requereu que este processo seja julgado nos mesmos termos do  supracitado,  para  o  acolhimento  da  tese  de  cerceamento  de  defesa  e  a  consequente  declaração  de  nulidade o processo desde o despacho decisório,  ou  então, que seja determinada  a  redistribuição dos  autos ao julgador Corintho Oliveira Machado, que, entretanto, atualmente está na repartição da DRF de  Vitória/ES.     É o relatório.      Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 119          9   Voto Vencido  Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Ad Hoc    O voto  a  seguir  reproduzido  entre  aspas  é de  lavra do Conselheiro Renato Vieira  de  Ávila, relator original do processo, que, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019, teve o mandato  extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado  da  pasta  da  sessão  de  julgamento,  repositório  oficial  do  CARF,  onde  foi  disponibilizado  pelo  relator  original, ainda em janeiro de 2019, aos demais conselheiros.    “Admissibilidade do Recurso   A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 29.11.2010,  conforme AR, fl. 922, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972  (PAF),  iniciando­se  a  contagem  do  prazo  para  apresentação  de  recurso  no  dia  útil  subsequente,  conforme  artigo 5º, também do PAF.   Art.  5º  Os  prazos  serão  contínuos,  excluindo­se  na  sua  contagem  o  dia  do  início  e  incluindo­se o do vencimento.   Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no  órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.    Verifica­se,  pois,  que  a  recorrente  apresentou  o  competente  Recurso  Voluntário  em  29.12.2010, conforme comprova o carimbo da DRF Joinville ­ SC, logo, o recurso apresentado é tempestivo  ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF:   Art.  56.  Cabe  recurso  voluntário,  com  efeito  suspensivo,  de  decisão  de  primeira  instância, dentro de trinta dias contados da ciência.    Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23­B do Anexo II da Portaria MF n°  343  de  2015  (Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF),  este  colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite  estabelecido pelo dispositivo.    DOS FATOS  Fl. 1031DF CARF MF     10  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  créditos  no  valor  de  R$  13.407,38,  referente  a  créditos  da  contribuição  ao  PIS/PASEP,  apurados  sob  o  regime  da  não­ cumulatividade.   Da  análise  feita  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil,  proferiu  despacho  decisório que não homologou a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, por ter identificado  inconsistências e/ou ajustes necessários que alteraram o valor a ser ressarcido.   Com  isso,  a  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  a  qual  foi  julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/FNS.   Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  requer  que  seja  reformado  o  acórdão  de  primeira  instância administrava, pelos argumentos expostos.  MÉRITO  A discussão que se torna central neste PAF diz respeito ao direito de creditamento de  determinadas  rubricas  para  fins  de  cumprimento  do  comando  normativo  que  veicula  a  não  cumulatividade em relação ao Pis e Cofins.   Crédito sobre as operações de aluguel   de máquinas e equipamentos   Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de  incidência não  cumulativa, formalizado por PERDCOMP, , que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscreve­se  a  determinar  se,  conforme  a  linguagem  expressa  no  voto  condutor  da  decisão  examinada,  é  legal  o  entendimento da ocorrência de simulação para fins de planejamento tributário abusivo para comprovar a  legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Segue­se ao  trecho enxertado do recurso voluntário.   7. Os contratos de  locação dos guindastes  (março de 2002) são anteriores às  leis que  instituíram o PIS e o COFINS não cumulativo (dezembro de   2002  e  dezembro  de  2003).  Logo,  não  poderia  ter  pretendido  com  estas  operações  a  geração de créditos das contribuições sociais;   8.  Não  há  qualquer  possibilidade  de  concluir­se  que  a  operação  supostamente  dissimulada teria sido uma operação de compra de guindastes, porque a empresa WRC  foi constituída em março de 2002, o guindaste locado pela Cargolink para a WRC foi  adquirido anteriormente (julho de 2001) e também o guindaste locado pela WR para a  WRC, que foi adquirido em outubro de 2001;   9.  O  fato  dos  locadores  dos  guindastes  serem  sócios  da  locatária  em  nada  altera  o  tratamento tributário dos créditos, porque descaracteriza a natureza de insumo do bem  locado  e  as  transações  entre  partes  relacionadas  não  são  vedadas  por  lei  e  são  reconhecidas pela jurisprudência;   10. Tendo em vista o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estrita, não há na  legislação  tributária  federal  nenhuma  norma  ou  regra  que  obrigue  o  contribuinte  a  possuir  a  propriedade dos  bens  que  utiliza nas  suas  operações  ou  vede  as  transações  entre partes relacionadas;   11. O  tratamento  tributário da distribuição disfarçada de lucros pressupõe a aquisição  do  bem  de  parte  relacionada  por  valor  notoriamente  superior  ou  inferior  ao  valor  de  mercado, no entanto, como reconhece o próprio Auditor Fiscal, o valor da locação com  Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 120          11 opção de compra era exatamente o valor que vinha sendo pago pelas locadoras e, por  conseguinte, exatamente o valor de mercado dos bens. Ademais, alega que o negócio  foi  totalmente  vantajoso  para  a  mesma,  posto  que  tratou­se  de  repasse  dos  ônus  financeiros que estavam sendo suportados pelas locadoras.   Passou despercebido pelo auditor “fato fundamental de que até o momento em que fora  constituída a WRC Operadores Portuários S/A as empresas Cargolink Armazéns de Cargas Ltda. e WR  Operadores Portuários Ltda. não possuíam qualquer outro tipo de sociedade ou associação, da mesma  forma  que  as  pessoas  físicas  controladoras  da  Cargolink  Armazéns  de  Cargas  Ltda.  não  possuíam  qualquer  vinculo,  sociedade  ou  associação  com  as  pessoas  físicas  controladoras  da WR Operadores  Portuários Ltda., sendo, antes, concorrentes diretos no mercado portuário de São Francisco do Sul, o  que afasta por completo qualquer indicio de simulação das operações”.   O contrato acostados em fls. 82 a 89, com firma reconhecidas, é suficiente, nos termos  do  artigo  3.º  da  Lei  10.833/03,  para  comprovar  sua  aplicação  na  atividade  operacional  da  recorrente.  Conforme o texto descritivo do objeto do contrato de locação de equipamentos, cláusula primeira 1.1:   Equipamento, incluindo todas as instalações, projetos, especificações, licenças, notas,  relatórios e arquivos relacionados ao Equipamento e todos os elementos necessários A  operação  do  Equipamento,  sejam  estes  de  natureza  de  hardware  ou  de  software,  (a  "Locação do Equipamento"),  Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte  determinação:  a  locação  deve  ser  de  prédios,  com  o  requisito  de  ser  pago  unicamente  a  pessoa  jurídica,  e,  ainda,  necessariamente  deverão  ser  empregados  na  utilização  das  atividades  operacionais da empresa.   Portanto, conclui­se que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito  estão satisfeitos, determinando ser o contrato de  locação a Documentação hábil para comprovação da  existência do negócio.   Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, aponta­se decisão desta CARF  no  sentido  de  aceitar  os  contratos  de  locação  como  instrumentos  aptos  a  comprovação  do  negócio,  inclusive apontado­lhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas  condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme,  repita­se, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal.   Acórdão nº 3401004.021   ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO.   O  direito  de  crédito  relativo  aos  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos  utilizados  na  empresa,  previsto  no  art.  3º,  IV  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03,  compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos  de  locação, como regulado pelo art. 565 e  ss. do Código Civil  (Lei nº 10.406/2002),  não  englobando  as  despesas  condominiais  e  demais  taxas  sob  responsabilidade  dos  locatários,  bem  assim,  as  contraprestações  financeiras,  a  cargo  dos  parceiros  públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas.    Fundamento legal   Fl. 1033DF CARF MF     12  Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos calculados em relação a:   IV ­ aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados  nas atividades da empresa;  CONCEITO DE INSUMO  As teses adversárias, por um lado, o entendimento fazendário restritivo, vinculado à IN  404/04 e, por outro lado, a pretensão do contribuinte em ser­lhe aplicado o tratamento previsto para fins  de despesa do IRPJ, podendo gerar crédito para fins das contribuições, sob o mesmo entendimento dado  às despesas dedutíveis.  Neste  sentido,  sobreveio decisão  em sede de Recurso Repetitivo  sob n.º  1.221.170­R  Esp para  fixar o conceito de  insumo, sendo aplicado nas decisões deste CARF. O conceito adotado de  serviço, portanto, previsto na Lei 10.833/03, em seu artigo 3.º, segue a utilização no precedente abaixo:  Acórdão nº 9303005.623  CONCEITO DE INSUMO.  O  termo  “insumo”  utilizado  pelo  legislador  na  apuração  de  créditos  a  serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota  uma  abrangência  maior  do  que  MP,  PI  e  ME  relacionados  ao  IPI.  Por  outro  lado,  tal  abrangência  não  é  tão  elástica  como  no  caso  do  IRPJ,  a  ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à  atividade da empresa.  Sua justa medida caracteriza­se como o elemento diretamente responsável  pela  produção  dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  ainda  que  este  elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as  demais exigências legais.  No  caso  julgado,  são  exemplos  de  insumos:  a)  serviço  de  limpeza  e  passagem  (remoção  de  minério  para  permitir  a  passagem  de  veículos  extratores  de  caulim);  b)  serviço  de  locação  de  equipamentos  para  a  extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e  solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e, finalmente,  e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim).  Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.  Adiciona­se  excerto  do  voto  condutor,  no  sentido  de  compreender  o  conceito  de  essencialidade   Acórdão de nº 930101.741  Em minha opinião, o texto do artigo 3º da Lei 10.637/2002, bem assim da  Lei  10.833/2003,  não  poderia  ser  mais  específico  ao  regrar  os  créditos  suscetíveis de abatimento pelo contribuinte. É evidente que não se tem como  enumerar  todos  os  eventos  capazes  de  gerar  crédito,  mas  diante  do  que  dispõe a lei para identificar se o dispêndio é suscetível de abatimento, se o  mesmo  se  consubstancia  em  insumo,  basta  verificar  se  o  mesmo  corresponde  a  resposta  afirmativa  da  seguinte  indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de  receitas  tributáveis pelo  PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do  contribuinte, a meu ver, é inquestionável.  Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 121          13 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para  verificar  que  o  legislador  não  restringiu  a  apropriação  de  créditos  de  PIS/Pasep  aos  parâmetros  adotados  no  creditamento  de  IPI. No  inciso  II  desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no  conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica.  14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos  acima  e  das  decisões  da  RFB  acerca  da  matéria,  podese  asseverar,  em  termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos  da  não  cumulatividade  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  aquisição  de  insumos  utilizados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  que  sejam destinados à venda e de serviços prestados a  terceiros, e que, para  este fim, somente podem ser considerados insumo:  b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou  na prestação de serviços, o que geralmente ocorre:  b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados  pela prestação de serviço;   b.2)  pela  prestação  paralela  de  serviços  que  reunidos  formam  a  prestação de serviço  final disponibilizada ao público externo  (como  subcontratação de serviços, etc);  c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos  utilizados  diretamente  na  produção  de  bens  ou  na  prestação  de  serviços.  (g.n.)  A respeito do critério para verificação da essencialidade, conforme transcrito a seguir,  responda­a positivamente, haja vista, nas operações, como a da recorrente, que, dentre outras tantas como  industrialização  e  comercialização,  necessita,  contratar  serviços  especializados  para  lidar  com  a  complexa burocracia aduaneira, sob pena de inviabilizar sua operação, caso deva verticalizar a execução  de seus préstimos.   basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte  indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação  de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não  cumulativos?  Se  sim,  o  direito  de  crédito  do  contribuinte,  a  meu  ver,  é  inquestionável.  Acórdão nº 9303005.941  PIS  NÃO  CUMULATIVO.  CONCEITO  DE  INSUMO.  CRITÉRIO  DA  ESSENCIALIDADE.  DIREITO  A  CRÉDITO.  DESPESAS  COM  O  DESCARREGAMENTO  DE  MERCADORIAS  NO  PORTO  E  SEU  TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE  ARMAZENAGEM  E  FRETES  NA  OPERAÇÃO  DE  VENDA.  POSSIBILIDADE.  De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II,  do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de  modo  ampliativo,  desde  que  o  bem  ou  serviço  seja  essencial  a  atividade  empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS não cumulativo sobre  despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte  Fl. 1035DF CARF MF     14  até  a  unidade  fabril  por  tubovia,  despesas  de  armazenagem  e  fretes  na  operação de venda.      Insumos na prestação de serviços ­ Manutenção e reparos   Conforme notas fiscais acostadas em fls. 08 , verificadas por amostragem, demonstram  que  houve  a  efetiva  tomada  de  serviço  de manutenção,  como  roldanas  para  guindastes,  bombas,  etc.  Notas acostadas em fls. 05 a 15 e 69 a 80 do volume I.   3302006.140   CRÉDITOS  DE  INSUMOS.  CONTRIBUIÇÕES  NÃOCUMULATIVAS.  SERVIÇOS  E  PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO  PROCESSO PRODUTIVO.   Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no  processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS  não cumulativos.     Desta forma, entendo que a glosa sobre os valores pagos a título de manutenção de seu  maquinário  deve  ser  revertida,  por  caracterizar­se  como  serviço  tomado  que  se  demonstra  essencial  e  relevante.     Fundamento Legal Invocado   Art.  3o  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos calculados em relação a:   II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços     serviços tomados de pessoas jurídicas   Glosa de intermediação de negócios comerciais   A  recorrente  indaga  ser  razoável  que  se  considerem  as  despesas  com  a  venda  dos  serviços  do  contribuinte  como  insumos  de  sua  atividade,  posto  que  enquadram­se  as  mesmas  perfeitamente no conceito da alínea "b", inciso II, 40 do art. 80 da IN SRF no 404/04.   Não  considero  o  comissionamento  a  serviços  de  intermediação  de  negócios  comerciais essencial para o caso presente, de empresa cuja previsão de atividade social é a prestação de  serviços  de  operador  portuário,  conforme  página  33  do  volume  I,  comissionamento  a  serviços  de  intermediação  de  negócios  comerciais,  conforme notas  fiscais  acostadas  em  fls.  16  a  34  emitidas  pela empresa Cargotop.    Conclusão  Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10920.000210/2007­54  Acórdão n.º 3001­000.727  S3­C0T1  Fl. 122          15 Diante  do  exposto,  voto  por  conhecer  totalmente  do  recurso  para  dar  parcial  provimento no sentido de reverter as glosas: 1) sobre os  insumos aplicados na prestação de serviço de  manutenção e reparos; 2) sobre aluguel de máquinas e equipamentos, mantendo as demais glosas.”    (assinado digitalmente)  Marcos Roberto da Silva (Ad Hoc)    Voto Vencedor    Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado    Considerando  o  bem  redigido  voto  do  ilustre  Conselheiro  Relator  Renato  Vieira de Ávila, ouso divergir parcialmente do seu entendimento, como será visto a seguir.  Inicialmente,  conforme  exposto  pelo  nobre  relator,  é  entendimento  deste  Conselho que o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e  10.833/2003, deve ser  interpretado seguindo o critério da essencialidade. Este critério busca  uma  posição  "intermediária"  construída  pelo  CARF  na  definição  insumos,  com  vistas  a  alcançar uma  relação  existente entre o bem ou  serviço,  utilizado como  insumo e  a atividade  realizada pelo Contribuinte.  Reproduzo  a  seguir  um  conceito  de  insumo  consignado  no  Acórdão  nº  9303003.069, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF, e que vem servindo de  base para os julgamentos dos processos deste Conselho:  [...]  Portanto,  "insumo"  para  fins  de  creditamento  do  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das  próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003),  deve  ser  entendido  como  todo  custo,  despesa  ou  encargo  comprovadamente  incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto  que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas  (critério  relacional),  dependendo,  para  sua  identificação,  das  especificidades  de  cada processo produtivo. (grifos da reprodução)  Sintetizando,  para  que  determinado  bem  ou  prestação  de  serviço  seja  considerado  insumo na sistemática da não­cumulatividade das Contribuições para o PIS e da  COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço,  direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova.  Com  isso,  reputo  corretas  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  e  mantidas  pela decisão de piso referentes a aluguel de máquinas e equipamentos e reparos e manutenção  de  equipamentos  portuários  tendo  em  vista  que  não  foram  identificadas  correlações  que  demonstrassem  a  sua  essencialidade  entre  tais  gastos  e  o  processo  produtivo  e  pudesse  caracterizá­los como insumos na sistemática da não cumulatividade das COFINS.  Fl. 1037DF CARF MF     16 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Marcos Roberto da Silva                  Fl. 1038DF CARF MF

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Numero do processo: 14033.000308/2005-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindo-se apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84.
Numero da decisão: 1002-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e declarar a nulidade do acórdão recorrido, reconhecendo a possibilidade de análise pela DRJ/BSB da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP nº 35972.21870.300404.1.3.02-0751. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA

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1002­000.601  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  16 de janeiro de 2019  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  FARMA SERVICE DISTRIBUIDORA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL              ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE  DO ACÓRDÃO RECORRIDO.  É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  que  deixa  de  analisar  direito  creditório  fundada  em dispositivo normativo  revogado ao  tempo de  emissão do  despacho  decisório  de  não  homologação  da  compensação  e  em  argumento  já  superado  pelo Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  constante  de  precedentes  e  de  verbete  sumular.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ  Ano­calendário: 2003  HOMOLOGAÇÃO  DE  PER/DCOMP.  CRÉDITO  DECORRENTE DE  RECOLHIMENTO  INDEVIDO OU A  MAIOR  A  TÍTULO  DE  ESTIMATIVA  MENSAL.  POSSIBILIDADE.   O  crédito  informado no  PER/DCOMP a  título  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  pode  ser  objeto de compensação, não restringindo­se apenas à dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao  final do período de apuração ou para compor o saldo negativo  de IRPJ ou CSLL do período.   Exegese da Súmula CARF n.º 84.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 03 08 /2 00 5- 03 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 251          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  e  declarar  a  nulidade  do  acórdão  recorrido,  reconhecendo  a  possibilidade  de  análise  pela  DRJ/BSB  da  legitimidade  da  compensação  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativas  mensais  efetuada  por  meio  do  PER/DCOMP  nº  35972.21870.300404.1.3.02­0751.     (assinado digitalmente)  Aílton Neves da Silva ­ Presidente e Relator   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva  (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes  Nunes.   Relatório  Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e  adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB, complementando­o ao final:   "Cuidam  os  autos  de  Dcomp,  débitos  próprios,  de  março  a  agosto/2004,  com  crédito  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  ano­ calendário 2003.  Irresignada  com  a  homologação  parcial  da  compensação  pela  instância  'a  quo',  a  interessada  oferece  manifestação  de  inconformidade, alegando, em síntese, que:  Tem  direito  ao  reconhecimento  integral  do  saldo  negativo  pleiteado no valor de R$ 1.017.851,08 e não de R$ 964.279,75  concedido, visto que:  (a)  R$  15.747,40  relativo  aos  valores  retidos  de  imposto  de  renda pela Allpharma, conforme comprova a DIRF retificada em  anexo;  (b) R$ 21.171,55 –  relativo ao  saldo  remanescente apurado no  Processo  10166.004811/03­00,  devidamente  pago,  conforme  comprovante anexado;  (c)  R$  5.892,83  –  relativo  ao  pagamento  parcial  do  saldo  remanescente apurado no Processo 14033.0003336/05­12, pago,  conforme comprovante;  (d)  R$  1.353,07  –  relativo  ao  saldo  recolhido  para  ajustar  diferença  existente  no  processo  14033.000308/05­03,  conforme  demonstra o comprovante de pagamento em anexo;  Fl. 251DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 252          3 (e)  R$  3.968,04  –  relativo  ao  saldo  recolhido  para  ajustar  diferença  existente  no  processo  14033.000336/05­12,  conforme  comprovantes de pagamento anexados;  Assim,  diante  dos  fatos  e  fundamentos  demonstrados  acima,  conclui­se  que  resta  um  débito  remanescente  devido  de  R$  12.657,44,  cujo  pagamento  já  está  sendo  providenciado,  e  o  comprovante  de  quitação  será  oportunamente  juntado  ao  processo".    Aduzo que  a DRJ/BSB baixou  os  autos  em diligência  à DRF de  jurisdição  fiscal do contribuinte, para apreciação de fatos trazidos a colação pelo então manifestante às e­ fls. 139 (retenção na fonte glosados e pagamentos efetuados não examinados), a qual elaborou  relatório circunstanciado, donde foram extraídos os seguintes pontos principais (destaques do  original):   Trata­se  do  resultado  de  diligência  formulada  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Brasília/DF  (DRJ/BSA) ao apreciar a Manifestação de  Inconformidade  (fls.  103  a  108)  contra  o  despacho  decisório  de  fls.  96  a  98.  Este  homologou  parcialmente  as  declarações  de  compensação  constantes do processo n° 14033.000308/2005­03 (fls. 02 a 05 e  28  a  61),  reconhecendo  parcialmente  o  direito  creditório  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ,  ano­calendário  2003,  no  valor  de  R$  964.279,75,  após  a  glosa  de  R$  53.571,33  do  Saldo  Negativo  solicitado  pela  contribuinte  na  DCOMP  n°  35972.21870.30404.1.3.02­0751,  no  valor  de  R$  1.017.851,08.  Tal glosa é composta de três valores:  a.  R$ 15.351,42, referente à diferença entre o valor declarado para  IRPJ retido na fonte levado para o ajuste anual, de R$ 105.921,31, e o  valor validado com base em DIRF, de R$ 90.569,89;  b.  R$  21.171,55,  referente  à  homologação  parcial  da  estimativa  IRPJ  de  março/2003  compensada  no  processo  10166.0004811/2003­ 00.  Tal  estimativa  totalizava  o  valor  de  R$  129.251,98,  mas  esta  foi  parcialmente compensada no valor de R$ 108.080,41;  c.  R$ 17.048,36,  referente à homologação parcial  da  estimativa  de  IRPJ  de  setembro/2003  compensada  na  DCOMP  de  n°  15498.28587.301003.1.3.02­7370. Tal estimativa  totalizava o valor de  R$  82.986,29,  tendo  sido  paga  e  validada  parte  dela,  no  valor  de  R$  64.499,65,  e  compensada  na  citada  DCOMP,  no  valor  de  R$  18.486,64. Todavia,  esta última parcela  foi  parcialmente compensada  no valor de R$ 1.438,28;  (...)  4.  Conforme  já  relatado,  em  28/07/2005,  foi  proferido  o  despacho decisório de fls. 96 a 98, reconhecendo parcialmente o  direito  creditório  relativo  a  Saldo  Negativo  de  IRPJ,  ano­ calendário  2003,  no  valor  de  R$  964.279,75,  constante  da  DCOMP  n°  35972.21870.30404.1.3.02­0751  (fls.  156  a  163).  Nesta  data,  as DIRF's  contendo  as  retenções  na  fonte  de  IRPJ  (fls. 22 e 23) não continham a retenção de R$ 15.747,34, código  Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 253          4 3426,  feita  pelo  CNPJ:  04.116.574/0001­80  e  informada  no  demonstrativo  de  crédito  desta  DCOMP  (fl.  158).  No  entanto,  como  a  própria  manifestante  informa  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  houve  uma  retificação  nas  DIRF's  (fls.  164  e  165), a qual comprova a existência de tal retenção na fonte, no  valor de R$ 15.747,40. Portanto, a parcela composição do saldo  negativo  IRPJ,  ano­calendário  2003,  referente  à  retenção  na  fonte de R$ 15.747,34  (fl.  164),  código  3426,  feita  pelo CNPJ:  04.116.574/0001­80, deverá ser validada.  5. A manifestante  também  afirma  que  efetuou,  em  06/09/2005,  um  pagamento  de  R$  45.311,31,  por  meio  de  DARF  (fl.  145),  referente  à  parcela  da  estimativa  de  IRPJ  de  março/2003,  no  valor  de  R$  21.171,55,  que  não  foi  validada  no  despacho  decisorio  de  flsí96  a  98.  Conforme  extrato  do  sistema  SINCOR/TRATAPAGTO  (fl.  170),  tal  pagamento  está  alocado,  em  seu  valor  total, ao  débito  de  estimativa  de  IRPJ  (2362)  de  março/2003.  6. Também em  06/09/2005,  a manifestante  efetuou,  por DARF,  um  pagamento  de R$  8.877,54  (fl.  146)  referente  à  parcela  da  estimativa de IRPJ de setembro/2003, no valor de R$ 17.048,36,  que  não  foi  validada  no  despacho  decisório  de  fls.  96  a  98.  Conforme  extrato  do  sistema  SINCOR/TRATAPAGTO  (fl.  169),  tal  pagamento  está  alocado,  em  seu  valor  total,  ao  débito  de  estimativa de IRPJ (2362) de setembro/2003.  7. Por  fim, a manifestante  também afirma  ter efetuado outros 3  (três)  pagamentos  isolados  com  a  finalidade  de  extinguir  o  restante  das  estimativas  não  compensadas/pagas  e,  consequentemente,  validar  o  Saldo  Negativo  de  IRPJ,  ano­ calendário  2003,  no  valor  de  1.017.851,08.  O  primeiro  comprovante  de  pagamento  (fl.  143),  no  valor  principal  de  R$  1.353,07 e período de apuração de agosto de 2004, e o segundo  (fl.  144),  no  valor  principal  de  R$  3.968,04  e  período  de  apuração  de  agosto  de  2003,  referem­se  à  receita  2484  (estimativa mensal de CSLL). O  terceiro DARF  (fl.  147), no  valor  principal  de  R$  12.657,44  e  período  de  apuração  de  setembro  de  2004, refere­se à receita 2362 (estimativa mensal de IRPJ).  8.  A  IN/SRF  n°460/2004,  vigente  à  época  dos  fatos,  em  seu  artigo  10,  caput,  regulamenta  que  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento  indevido  ou  a  maior de  imposto de  renda ou de CSLL a  título de estimativa  mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ  ou  da CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou  para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.  Portanto,  os  pagamentos  discriminados  no  parágrafo  anterior  não poderiam ser usados para validar o Saldo Negativo de IRPJ,  ano­calendário 2003, no valor de 1.017.851,08. Tais pagamentos  somente poderiam ser utilizados nos seguintes casos:  Fl. 253DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 254          5 a.  No  caso  do  pagamento R$ 1.353,07,  na  dedução  da CSLL  devida  ao  final  o  período  de  apuração  de  agosto  de  2004,  ou  para compor o saldo negativo de CSLL, ano­ calendário 2004;  b.  No  caso  do  pagamento R$ 3.968,04,  na  dedução da CSLL  devida ao  final do período de apuração de agosto de 2003, ou  para compor o saldo negativo de CSLL, ano­ calendário 2003;  c.  No caso do pagamento R$ 12.657,44, na dedução do IRPJ  devido ao final do período de apuração de setembro de 2004, ou  para compor o saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2004;   (...)  9. Vale  ressaltar  que,  além  do  impedimento  regulamentado  no  art.  10  da  IN/SRF  n°460/2004,  o  extrato  do  sistema  SIEF/  Documentos de Arrecadação  (fl.  166) mostra que o pagamento  de R$ 3.968,04, período de apuração de agosto de 2003, já está  alocado  para  o  débito  de  CSLL  (código  2484),  período  de  apuração  de  agosto  de  2003.  Consequentemente,  não  está  disponível para a finalidade informada pela manifestante.    Cumprida  a  diligência  pela  DRF  de  Origem  e  após  análise  do  relatório  circunstanciado por ela elaborado (e­fls. 173), a DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação  de inconformidade, conforme acórdão n. 03047.054, de 09 de fevereiro de 2012 (e­fl. 216), que  recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2003  Compensação ­ Possibilidade até no Limite do Crédito do Sujeito  Passivo  Comprovada  nos  autos  a  existência  de  crédito  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, efetua­se a compensação  do  débito  tributário  até  no  limite  daquele  crédito,  dado  que  esta  pressupõe  existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos.    Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e­fls. 197), no qual,  oferece os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original).  Diz que "...a decisão [recorrida] foi fundamentada na Instrução Normativa n°  460/2004, que, em seu art. 10, autoriza a compensação de valores recolhidos a maior de IR ou  CSSL a título de estimativa mensal somente ao final do período de apuração em que houve a  retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do  período".  Entende  que  a  Instrução  Normativa  nº  460/2004  é  inaplicável  ao  presente  caso, sustentando que "...a empresa contribuinte não compensou valores recolhidos a maior  antes do término do período de apuração", que "Os recolhimentos feitos pela contribuinte no  Fl. 254DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 255          6 ano de 2005  foram complementos  de valores devidos pelo  regime de estimativa devidos no  ano de 2003", que "Por conseguinte, uma vez feito o recolhimento, o valor em questão deverá  compor  o  saldo  negativo  de  IRPJ do  período  em  questão,  ou  seja,  do  ano  de  2003",  e  que  "...não  faria sentido cogitar­se de que tais valores pudessem compor a estimativa mensal do  período em que foram efetivamente recolhidos, ou seja, do período de SET/2005 e OUT/2005".  Afirma  que  "A  diferença  [não  homologada],  no  valor  de  R$  38.219,91,  refere­se aos valores de antecipação dos meses de MAR/2003 (R$ 21.171,55) e de SET/2003  (R$  17.048,36)",  que  "O  valor  total  dos  recolhimentos  devidos  em  tais  meses  a  título  de  estimativa  havia  sido  compensado  com  saldo  devedor  de  IR  do  ano  anterior  sendo  que  a  Receita  Federal  não  reconheceu  a  totalidade  do  crédito"  e  que  "Com  isso,  a  empresa  contribuinte recolheu a diferença devida pelo regime de estimativa nos meses de SET/2005 e  OUT/2005".  Ressalta que "O valor de R$ 21.171,55 foi recolhido por meio de DARF na  data de 06/09/2005, com o código 2362, no valor principal de R$ 28.030,51, mais multa de R$  5.606,10  e  juros  de R$  11.674,70,  totalizando assim a  quantia  de R$ 45.311,31", que  "...tal  valor  de  R$  28.030,51  não  se  refere  à  estimativa  do mês  de  agosto  ou  setembro  de  2005,  principalmente porque recolhido com juros e multa", que "...a legislação previa a necessidade  de  recolhimento  do  imposto  apurado  no  regime  de  estimativa  ainda  que  não  seja  apurado  imposto ao final do período de apuração, ou seja, a empresa estava obrigada a complementar  o IR apurado no regime de estimativa no mês de MAR/2003, não podendo compensá­lo com os  valores  recolhidos  a  maior,  conforme  previsto  na  própria  IN  460/2004"  e  que  "Portanto,  o  recolhimento  feito  em  2005  apenas  complementou  o  valor  devido  no mês  de MAR/2003  no  regime de estimativa e, por conseguinte, tal valor deve ser computado para fins de apuração  do saldo negativo de IR ao final do período".  De outra parte, reconhece que "...os valores recolhidos a maior pela empresa  contribuinte decorreram de erro de interpretação da decisão, posto que houve uma diferença  de R$ 60.790,33 na compensação do crédito tributário do mês de SET/2004", que "Tal valor de  R$  60.790,33  corresponde  à  soma  dos  seguintes  valores  principais  recolhidos  nos  DARF's  apresentados: (i) R$ 21.171,55 (fls. 145 ­ valor total de R$ 45.311,31); (ii) R$ 5.892,33  (fls.  146  ­ valor total de R$ 8.877,54); (iii) R$ 12.657,44 (fls. 147 ­ valor total de R$ 17.344,48); (iv) R$  1.353,07  (fls. 143  ­ valor  total de R$ 1.850,18);  (v) R$ 3.968,04  (fls. 144  ­ valor  total  de R$  6.042,92)",  e  que  "...ao  computar  os  recolhimentos  mencionados  acima  (ou  seja,  de  R$  21.171,55  (recolhido: R$ 28.030,51) + R$ 17.048,36  (recolhido: R$ 18.550,27),  constata­se  que não haverá saldo de compensação no mês de SET/2004".  Ainda, em abono de sua argüição, colaciona aos autos escólio de doutrina.  Ao final, o Recorrente requer a reforma do Acórdão recorrido, para que seja  reconhecido o direito creditório a que entende fazer  jus, com a consequente homologação da  compensação realizada por meio do PER/DCOMP 35972.21870.300404.1.3.02­0751.  É o relatório do essencial.    Voto             Fl. 255DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 256          7   Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator    Admissibilidade  Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação  do Recurso Voluntário, na forma do art. 23­B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno  do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017.  Demais  disso,  observo  que  o  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço.    Mérito   Com  relação ao mérito,  em  suma, o Recorrente afirma que  a diferença não  homologada  refere­se  a  recolhimentos  feitos  a  título  de  estimativa  mensal  em  que  a  RFB,  fundada na IN SRF nº 460/2004, não reconheceu a totalidade do crédito.  Relativamente  a  esta  matéria,  constato  que  o  acórdão  de  Manifestação  de  Inconformidade  não  homologou  a  parcela  de  crédito  vindicado  pelo  Recorrente  a  título  de  recolhimento  de  estimativas  mensais  de  IRPJ,  considerando  como  fundamento  fático  e  normativo da decisão o constante no relatório de diligência exarado pela Diort da DRF/BSB,  do  qual  consigno  novamente  os  trechos  pertinentes  à  solução  desta  lide  administrativa  (destaques do original):  Por  fim,  a  manifestante  também  afirma  ter  efetuado  outros  3  (três)  pagamentos  isolados  com  a  finalidade  de  extinguir  o  restante  das  estimativas  não  compensadas/pagas  e,  consequentemente,  validar  o  Saldo  Negativo  de  IRPJ,  ano­ calendário  2003,  no  valor  de  1.017.851,08.  O  primeiro  comprovante  de  pagamento  (fl.  143),  no  valor  principal  de  R$  1.353,07 e período de apuração de agosto de 2004, e o segundo  (fl.  144),  no  valor  principal  de  R$  3.968,04  e  período  de  apuração  de  agosto  de  2003,  referem­se  à  receita  2484  (estimativa mensal de CSLL). O  terceiro DARF  (fl.  147), no  valor  principal  de  R$  12.657,44  e  período  de  apuração  de  setembro  de  2004, refere­se à receita 2362 (estimativa mensal de IRPJ).  A IN/SRF n°460/2004, vigente à época dos  fatos, em seu artigo  10,  caput,  regulamenta  que  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de  imposto  de  renda  ou  de  CSLL  a  título  de  estimativa  mensal,  somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do  IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em  que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o  saldo  negativo  de  IRPJ  ou  de CSLL  do  período. Portanto,  os  pagamentos discriminados no parágrafo anterior não poderiam  Fl. 256DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 257          8 ser  usados  para  validar  o  Saldo  Negativo  de  IRPJ,  ano­ calendário 2003, no valor de 1.017.851,08    De fato, a IN SRF nº 460/2004 vedava a restituição ou compensação do valor  pago a maior ou indevidamente a título de estimativa. Veja­se:  Art.  10. A pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  presumido  ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto  de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de  cálculo  do  imposto  ou  da  contribuição,  bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real anual que  efetuar pagamento  indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de  estimativa  mensal,  somente  poderá  utilizar  o  valor  pago  ou  retido  na  dedução  do  IRPJ  ou  da  CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL  do período.     Entretanto,  com  a  edição  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900/2008  o  dispositivo supra foi revogado e o pagamento indevido ou a maior de estimativa passou a ter  tratamento de indébito tributário, conforme se infere da redação de seu art. 11:  Art.  11. A pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  presumido  ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto  de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de  cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o  valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do  período de apuração em que houve a retenção ou para compor o  saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.    A  situação  do  ora  Recorrente  subsume­se  a  essa  alteração  normativa  por  aplicação  analógica  do  inciso  I  do  artigo  106  do  CTN1,  eis  que  o  PERD/COMP  nº  35972.21870.300404.1.3.02­0751 encontrava­se  pendente  de  análise na  data  do  início  de  sua  vigência em 31/12/2008.  Esta intelecção encontra amparo na Solução de Consulta  Interna nº 19/2011  da Coordenação­Geral de Tributação da RFB (COSIT), conforme se depreende da  leitura de  sua ementa (destaques deste relator) :                                                              1 Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos  dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b) quando deixe de  tratá­lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha sido  fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;   c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática    Fl. 257DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 258          9 ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ESTIMATIVAS.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.  O  art.  11  da  IN  RFB  nº  900,  de  2008,  que  admite  a  restituição  ou  a  compensação  de  valor  pago  a  maior  ou  indevidamente  de  estimativa,  é  preceito  de  caráter  interpretativo  das  normas  materiais  que  definem  a  formação  do  indébito  na  apuração  anual  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  aplicando­se,  portanto,  aos  PER/DCOMP  originais  transmitidos  anteriormente  a  1º  de  janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.  Caracteriza­se como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou  indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração,  seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de  vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a  qualquer  mês  do  período,  realizado  em  ano  posterior  ao  do  período  da  estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou  a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF  nº 600, de 2005.  A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplica­se  inclusive  aos  PER/DCOMP  retificadores  apresentados  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2009,  relativos  a  PER/DCOMP  originais  transmitidos  durante  o  período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005,  desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.    Ademais,  há  súmula  do  CARF  sobre  o  assunto  que  corrobora  com  o  entendimento aqui esposado:  Súmula CARF nº 84  É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição  ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.     Dispositivo  Por todo o exposto, e consoante jurisprudência desta 2ª TE já manifestada em  julgados  anteriores  sobre  esse  mesmo  tema,  voto  por  declarar  a  nulidade  do  acórdão  n.  03047.054  exarado  pela DRJ/BSB  e  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  reconhecendo  a  possibilidade de análise da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de  estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 35972.21870.300404.1.3.02­0751,  devendo a DRJ/BSB proceder a análise do direito creditório postulado na boa e devida forma,  inclusive  determinando  de  ofício,  se  necessário,  a  realização  de  diligências  para  aferir  a  autenticidade,  ou  não,  do  crédito  declarado  pelo  sujeito  passivo,  independentemente  de  requerimento expresso, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 258DF CARF MF Processo nº 14033.000308/2005­03  Acórdão n.º 1002­000.601  S1­C0T2  Fl. 259          10 Aílton Neves da Silva                              Fl. 259DF CARF MF

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Numero do processo: 10183.904957/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.018
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­006.018  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de dezembro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  LOJAS AVENIDA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2010  COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL  /  NÃO  HOMOLOGAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  ELEMENTO  MODIFICATIVO.  DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.  Incumbe  à  recorrente,  por  ocasião  do  recurso  voluntário,  apresentar  elementos  modificativos  ou  extintivos  da  decisão  recorrida,  nos  termos  do  art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.  Na  hipótese  de  apresentação  de  argumentações  genéricas,  desprovidas  de  fundamentos  de  fato  e  de  direito  relativamente  à  discordância  da  decisão  recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.  O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original  do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas  em compensações anteriores.  Recurso voluntário negado      Acordam  os membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Alan  Tavora  Nem  (Suplente  convocado),  Pedro  Sousa  Bispo  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de  Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída  pelo conselheiro Alan Tavora Nem.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 57 /2 01 2- 21 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.904957/2012­21  Acórdão n.º 3402­006.018  S3­C4T2  Fl. 0          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  em  face  da  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da  contribuinte.  Versam  os  autos  sobre  a  declaração  de  compensação  parcialmente  homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos  do  contribuinte,  restando  saldo  disponível  inferior  ao  crédito  pretendido,  insuficiente  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  Cientificada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor  do pagamento a maior no Darf mencionado.  A  Delegacia  de  Julgamento  julgou  improcedente  a  manifestação  do  contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02­050.655:  Cientificada  desta  decisão,  a  interessada  interpôs  o  recurso  voluntário  tempestivo,  alegando  o  direito  à  compensação,  eis  que  possuiria  crédito  oponível  à  Receita  Federal,  sendo­lhe  facultado  compensar  diretamente  o  suposto  indébito,  fazendo  apenas  a  exigida  "Declaração  de  Compensação",  sem  necessidade  de  qualquer  recurso  ao  Judiciário.  Requer  a  recorrente  que  as  publicações  e  intimações  do  feito  sejam  lançadas  em  nome  das  patronas.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­006.005,  de  11  de  dezembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10183.903448/2012­81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402­006.005):  "Atendidos  aos  requisitos  de  admissibilidade,  toma­se  conhecimento do recurso voluntário.  Indefere­se  o  pedido  da  recorrente  para  intimação  em  nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido.  No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as  intimações  de  atos  processuais  fiscal  dizem  respeito  somente  à  ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A  matéria  está  pacificada  nesse  sentido  neste  CARF,  conforme  Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904957/2012­21  Acórdão n.º 3402­006.018  S3­C4T2  Fl. 0          3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo  fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado  do sujeito passivo".  Não  se  discute  que  a  recorrente,  como  qualquer  outro  contribuinte,  tem  o  direito  de  efetuar  administrativamente  a  compensação  de  débitos  próprios  administrados  pela  Receita  Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos  termos  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  mesmo  porque  ela  pode  efetivamente fazê­lo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de  seu pleito.   Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de  que o DARF especificado como origem do crédito trata­se de um  efetivo pagamento indevido.   O fato que levou à homologação parcial da compensação  declarada  foi  que  a  requerente  já  havia  utilizado  parte  do  crédito apontado para a compensação de débitos declarados em  outras PER/DCOMP's,  como  já havida observado o  julgador a  quo:  O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido  ou  a maior  efetuado  por meio  do DARF  identificado  no  PER/DCOMP  em  questão.  A  razão  da  não  homologação  contestada  é  a  insuficiência  do  pagamento  a  maior,  considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores.  Nos  PER/DCOMP,  há  o  campo  intitulado  "Crédito  Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de  preenchimento  do  programa  gerador  do  PER/DCOMP,  o  valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento  indevido  ou  a maior  subtraído  das  parcelas  desse mesmo  pagamento  já  utilizadas  em  compensações  anteriores.  Quando  nenhuma  parcela  do  pagamento  indevido  ou  a  maior  tiver  sido  restituída  ou  utilizada  em  compensação  anterior,  ou  seja,  no  primeiro  PER/DCOMP  em  que  o  crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito  Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo  "Valor  Original  do  Crédito  Inicial".  A  cada  novo  PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do  campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser  menor  do  que  o  do  PER/DCOMP  anterior.  Portanto,  na  análise  da  compensação  em  litígio,  não  se  pode  desconsiderar  as  compensações  anteriores  que  utilizam  o  mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas.  (...)  Em que  pese  a  então manifestante  não  ter  contestado  a  parte  do  despacho  decisório  que  discriminou  as  parcelas  do  crédito  original  que  haviam  sido  utilizadas  em  compensações  anteriores,  a  Delegacia  de  Julgamento  explicou  em  detalhes  como  se  deu  o  consumo  do  crédito  nas  outras  PER/DCOMP's  especificadas.  Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904957/2012­21  Acórdão n.º 3402­006.018  S3­C4T2  Fl. 0          4 Como  se  sabe,  incumbiria  à  recorrente,  por  ocasião  do  recurso  voluntário,  apresentar  elementos  modificativos  ou  extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto  nº  70.235/72  e  do  art.  36  da  Lei  nº  9.784/99.  No  entanto,  a  recorrente  se  ateve  apenas  a  argumentações  genéricas,  sem  a  apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à  discordância  da  decisão  recorrida,  a  qual  deve,  então,  ser  mantida.  Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento  ao recurso voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  negar provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                             Fl. 73DF CARF MF

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Numero do processo: 13656.900453/2012-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 9101-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA

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Acórdão nº  9101­004.038  –  1ª Turma   Sessão de  14 de fevereiro de 2019  Matéria  IRPJ  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  EXPORTADORA DE CAFÉ GUAXUPÉ LTDA.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI  INTERPRETADA.  É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação  similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  está  condicionada  à  certeza  e  liquidez  do  crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo  negativo, diante da compensação de  estimativas com efeito de confissão de  dívida.  Além  disso,  tendo  o  recorrente mencionado  dispositivos  legais  que  entende  interpretado  de  forma  divergente,  resta  cumprido  requisito  regimental.  IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA.   A estimativa mensal de  IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de  confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  rejeitar  a  preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo,  vencidos  os  conselheiros  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Viviane Vidal Wagner  e  Adriana  Gomes  Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso Especial  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe  deram provimento.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 04 53 /2 01 2- 17 Fl. 225DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  André  Mendes  de  Moura,  Cristiane  Silva  Costa,  Rafael  Vidal  de  Araújo,  Demetrius  Nichele  Macei,  Viviane  Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo  (Presidente).   Relatório  Trata­se  de  processo  originado  pela  apresentação  de  PERDCOMP  em  10/08/2011, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de  2010.   A Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas homologou em parte as  compensações  (fls.  5).  Após  a  apresentação  de  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  8),  a  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora manteve a decisão da DRF (fls.  88):  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2010   PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.   Não  há  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo,  dentro  das  normas  reguladoras  do  Processo Administrativo Fiscal. A administração pública  tem o  dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio  da Oficialidade).  COMPENSAÇÃO   Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser  homologada.   O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual a 3ª Turma Especial da  Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento (acórdão  1803­002.193, fls. 110). O acórdão restou assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Exercício: 2011  COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM  DCOMP. DESCABIMENTO.   Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13656.900453/2012­17  Acórdão n.º 9101­004.038  CSRF­T1  Fl. 226          3 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão  cobrados  com base  em Dcomp,  e,  por  conseguinte,  não  cabe a  glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do  saldo negativo apurado na DIPJ.   Os  autos  foram  remetidos  à  Procuradoria  em  29/05/2014,  que  interpôs  recurso especial em 25/06/2014 (fls. 122). Neste recurso, alega divergência na interpretação da  lei tributária quanto à composição de saldo negativo por estimativas mensais compensadas,  com processo administrativo em trâmite, apontando como paradigma os acórdão nº 1801­ 00.108 e 3301­002.191.  O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara  da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura).  A interpretação estampada no acórdão seria dissonante daquela  que  fundamentou  os  acórdãos  nº  1801­00.108  (1ª  Turma  Especial)  e  3301­002.191  (3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária),  cujas ementas seguem, respectivamente, abaixo: (...)  Conforme  podemos  aferir,  as  três  decisões  dizem  respeito  à  mesma  questão:  o  aproveitamento  de  estimativas  para  a  apuração  do  saldo  negativo  pela  simples  declaração  em  DCOMP, posteriormente não homologada. No acórdão atacado,  entendeu­se  que  o  contribuinte  faria  jus  a  esse  aproveitamento  para  fins  de  apuração  do  saldo  negativo  apto  a  ser  restituído/compensado;  já,  nos  acórdãos  paradigmas,  o  entendimento foi oposto. (...).  Em  cumprimento  ao  disposto  no  art.  18,  III,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  e  com base  nas  razões  acima  expostas,  que  aprovo  e  adoto como  fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO  ao recurso especial interposto.  Em  12/11/2015  o  contribuinte  foi  intimado  quanto  ao  recurso  especial  e  despacho de admissibilidade (fls. 152), apresentando contrarrazões ao recurso em 26/11/2015.  Em síntese, pede não seja conhecido o recurso especial, no mérito pleiteando a manutenção do  acórdão recorrido. Subsidiariamente, pede o sobrestamento do processo.  É o relatório.    Voto             Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora   Preliminarmente, entendo por rejeitar a proposta de resolução suscitada pelo  conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Com efeito, o processo  encontra­se  apto ao  julgamento,  sendo desnecessária a baixa suscitada.   O  recurso  especial  da  Procuradoria  foi  fundado  na  divergência  da  interpretação com os paradigmas nº 1801­00.108 e 3301­002.191. O contribuinte questiona o  Fl. 227DF CARF MF     4 conhecimento do recurso, em síntese, porque “a Recorrente não demonstrou a divergência na  de entendimentos à legislação aplicada, sequer mencionando os dispositivos legais que foram  aplicados no v. acórdão recorrido.”   Assim, analiso o conhecimento do recurso especial da Procuradoria.  Primeiramente,  consigno  que  a  Procuradoria,  em  suas  razões  recursais,  menciona  dispositivos  legais  que  entende  relevantes  para  sustentar  a  reforma  do  acórdão  recorrido. Nesse  sentido,  observo  referência  aos  artigos  156,  II  e  170,  do Código Tributário  Nacional, além dos artigos 73 e 74, da Lei nº 9.430/1996.   Analiso, a seguir, os paradigmas que fundamentaram o recurso especial, para  avaliar  a  similitude  fática  e  divergência  na  interpretação  da  lei  tributária,  para  conclusão  a  respeito do conhecimento.  O acórdão 1801­00.108 foi analisado por este Colegiado no julgamento que  resultou no acórdão nº 9101­003­835, do qual se extrai a ementa:  Àquela  ocasião,  a  maioria  deste  Colegiado  entendeu  por  não  conhecer  o  recurso  especial  da  Procuradoria  quanto  ao  citado  acórdão  paradigma  1801­00.108.  Na  presente oportunidade, reafirmo o entendimento manifestado à ocasião, apresentando voto para  nova apreciação por esta Turma:  O  acórdão  paradigma  nº  1801­00.108  tem  o  seguinte  contexto  fático  conforme relatório:  A  empresa  em  epígrafe  interpôs,  eletronicamente,  Pedido  de  Restituição  e  Compensação  de  Tributos  Federais  —  Per  /  Dcomp, conforme se verifica às fls. 01 a 07.  O  crédito  em  questão  é  o  saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  na  DIPJ/03, relativa ao ano­calendário de 2002 (apuração anual).  A  autoridade  competente  a  apreciar  a  Per/Dcomp  exarou  o  Despacho Decisório de fis. 77 a 80, não homologando­a, porque  o referido saldo negativo espelhado na DIPJ/02, composto pelos  supostos  recolhimentos  das  estimativas  mensais  no  ano,  não  restou confirmado como existente.  Assim constatou aquela autoridade, da análise das DCTE — fls.  29/39: as estimativas mensais devidas à titulo de IRPJ, relativas  aos  meses  de  janeiro,  fevereiro,  março  e  abril­parcial  estão  vinculadas a outra Dcomp, relativa ao saldo negativo de 1RPJ,  ano  2001,  (processo  n"  11020.000426/2005­64),  cuja  compensação não foi homologada, não podendo compor o saldo  negativo  do  ano  de  2002;  o  valor  remanescente  da  estimativa  IRPJ relativa ao mês de abril está vinculado a processo judicial  (2000..04.01.081033­0) a estimativa 1RPJ de maio está paga; as  demais  (jun/jul/ago/set/out/nov/dez)  foram  vinculadas  a  outro  processo  judicial  (87.0000544  4);  estas  compensações  em  DCTF,  formalizadas  no  processo  administrativo  nu  11020.000037/2003­77,  não  podiam  ter  sido  realizadas,  pois  o  crédito  estava  sub  judies.;  os  débitos  (das  estimativas)  foram  objeto  de  autuação  fiscal  formalizada  no  processo  administrativo n° 11020.00307912003­60, estando suspenso por  Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13656.900453/2012­17  Acórdão n.º 9101­004.038  CSRF­T1  Fl. 227          5 medida judicial; os valores não podem compor o saldo negativo  do 1RPJ, 2002. (grifamos)  Diante  desse  contexto,  decidiu  a  Turma  prolatora  deste  acórdão  paradigma  (1801­00.108):  Falta  à  contribuinte,  no  caso  em  tela,  para  ver  seu  direito  atendido, condição sitie qua non para exercê­lo.  Necessariamente deveria ter aguardado a decisão definitiva dos  processos  administrativos  nºs  11020.000037/2003­77  e  11020.000426/2005­64  para  requerer  qualquer  medida  de  direito em relação aos créditos objetos destes processos. A meu  ver, muito menos poderia ter informado em DCTF que os valores  devidos  a  título  de  IRPJ  estimados  foram  quitados  com  compensações ainda não homologadas. (...)  E  quanto  à  sorte  dos  demais  processos  administrativos,  não  importa  para  se  dirimir  a  lide  aqui  proposta.  Tendo  resultado  favorável  à  contribuinte,  nas  Dcomp  não  homologadas  que  refletem  neste  processo,  poderá,  após  o  reconhecimento  administrativo,  requerer  a  restituição  dos  créditos  oportunamente ou compensá­los com débitos vincendos. Sendo­ lhe  desfavorável,  não  haverá  prejuízo  ao  fisco  no  sentido  de  'restituir'  o  que  não  foi  pago,  com  seqüencial  compensação  incabível.  Lembro  que  nos  presentes  autos  tratamos  de  apresentação  de PERDCOMP  em 10/08/2011, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano  de 2010. Diante disso, decidiu o Colegiado a quo, conforme voto condutor:  Constam das  instruções  para  preenchimento  da Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao  ano­calendário  de  2010,  exercício  de  2011  (DIPJ  2011),  devidamente aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 1.149,  de  28  de  abril  de  2011,  a  seguinte  orientação  (destaque  da  transcrição):   Linha  12A/16  ­  (­)  Imposto  de  Renda  Mensal  Pago  por  Estimativa   Esta  linha  deve  ser  preenchida  somente  pelas  pessoas  jurídicas que apuraram o lucro real anual.   Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os  valores  de  estimativa  efetivamente  pagos  relativos  ao  ano­ calendário objeto da declaração.   Considera­se  efetivamente  pago  por  estimativa  o  crédito  tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda  retido  ou  pago  sobre  as  receitas  que  integram  a  base  de  cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de  Compensação  (PER/DComp) ou de processo administrativo,  compensação autorizada por medida judicial e valores pagos  mediante Darf.   Fl. 229DF CARF MF     6 Referida orientação normativa foi reiterada por meio de Solução  de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006,  assim ementada:   Na  hipótese  de  compensação  não  homologada,  os  débitos  serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não  cabe  a  glosa  dessas  estimativas  na  apuração  do  imposto  a  pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.   (grifos originais)  Nota­se  que  não  há  similitude  fática  e  divergência  na  interpretação  da  lei  tributária entre acórdão paradigma e recorrido.  Com  efeito,  o  acórdão  paradigma  nº  1801­00.108  trata  de  pedido  de  compensação  apresentado  com  crédito  originado  por  saldo  negativo  de  2001,  tendo  o  contribuinte  apresentado  compensação  das  estimativas  mensais  de  IRPJ.  Nesse  sentido,  justifica­se  o  entendimento  da  Turma  pela  impossibilidade  de  reconhecimento  do  saldo  negativo sem a homologação destas compensações.  A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando  da  compensação  na  esfera  federal,  notadamente  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003,  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003.  Essa  distinção,  inclusive,  é  notada  na  fundamentação  do  acórdão recorrido, acima reproduzida  A Lei  nº  9.430/1996  rege  a  compensação  no  âmbito  da Receita Federal  do  Brasil,  destacando­se  a  previsão  do  artigo  74,  com  a  seguinte  redação  em  2001,  quando  apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (1801­00.108):  Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da  Receita  Federal,  atendendo  a  requerimento  do  contribuinte,  poderá  autorizar  a  utilização  de  créditos  a  serem  a  ele  restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos  e contribuições sob sua administração.  Posteriormente,  houve  substancial  alteração  deste  dispositivo  legal,  notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº  10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis:  Art.  74.  (...)  §  6º  A  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência dos débitos indevidamente compensados.   A distinção de  tratamento de compensações  (em 2001, para composição do  saldo negativo pelo paradigma, e 2010, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos  regramentos,  tratados  pela  legislação  federal.  O  acórdão  paradigma  desconsidera  compensações  em  2001  ­  quando  o  regramento  não  atribuía  efeitos  de  confissão  de  dívida  relativamente  às  estimativas  extintas  por  compensação  ­,  enquanto  o  acórdão  recorrido  manifesta­se pela confissão de dívida em 2010 e, assim, admite as estimativas no cômputo do  crédito  tributário  (saldo  negativo).  O  regramento  é  distinto  e  justifica  a  conclusão  jurídica  diversa adotada pelos Colegiados.  Assim,  concluo  por  não  conhecer  do  recurso  especial  da  Procuradoria  quando acórdão paradigma 1801­00.108.   Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13656.900453/2012­17  Acórdão n.º 9101­004.038  CSRF­T1  Fl. 228          7 Passo à análise do segundo acórdão identificado como paradigma (nº 3301­ 002.191), que tem a seguinte ementa:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 20/11/2008   DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  CRÉDITO  FINANCEIRO  INDEFERIDO  EM  OUTRO  PROCESSO.  HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO.   A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez  do  crédito  financeiro  declarado.  A  compensação  de  crédito  financeiro,  em  discussão  administrativa,  em  outro  processo,  somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e  liquidez do crédito financeiro naquele processo.   O relatório do segundo acórdão paradigma (3301­002.191) descreve os fatos  então julgados:  Trata­se de  recurso  voluntário  contra decisão da DRJ em Belo  Horizonte  (MG)  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade apresentada contra despacho decisório que não  homologou  a  compensação  do  débito  tributário  declarado  na  Declaração  de  Compensação  (Dcomp)  nº  25028.71510.121108.1.3.04­9526,  às  fls.  44/48,  transmitida  na  data  de  12/11/2008,  com  crédito  financeiro  decorrente  de  pagamento  indevido  e/  ou  a  maior  do  PIS  não  cumulativo,  efetuado em 15/07/2005.   A  não  homologação  decorreu  da  inexistência  do  crédito  financeiro  declarado,  tendo  em  vista  que  o  valor  constante  do  DARF  indicado  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  outros  débitos,  não  restando  saldo  disponível  para  a  compensação  declarada,  conforme  Despacho  Decisório  às  fls.  41, datado de 06/09/2010. (...)  Cientificada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (106/124),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  se  homologue  a  compensação  do  débito  declarado,  alegando,  em  síntese, que o crédito  financeiro declarado decorre da indevida  incidência  de  multa  de  mora,  por  parte  da  autoridade  administrativa,  na  homologação  parcial  da  compensação  declarada na Dcomp 08853.38461.031007.1.7.04­1718, uma vez  que  não  há  que  se  falar  em  multa  moratória  naquela  compensação,  tendo  em  vista  a  ocorrência  da  denúncia  espontânea,  nos  termos  do  art.  138  do  CTN,  pelo  fato  de  ter  retificado  a  respectiva DCTF  e  o  valor  da  diferença  apurada,  compensado,  mediante  a  transmissão  de  Dcomp,  antes  de  qualquer procedimento fiscalizatório.   Diante deste quadro  fático, decidiu a Turma prolatora do  segundo acórdão  paradigma (3301­002.191):  Fl. 231DF CARF MF     8 A  não  homologação  da  Dcomp  teve  como  fundamento  a  inexistência  do  crédito  financeiro  declarado.  Segundo  o  despacho decisório, o valor indicado no DARF foi integralmente  utilizado  para  quitar  débito  do  próprio  PIS  (6912)  referente  à  competência de junho de 2005 e débito declarado na Dcomp nº  08853.38461.031007.1.7.04­1718.   A recorrente alega que o crédito financeiro decorre da cobrança  indevida  de multa  de mora  sobre  os  débitos  cuja  compensação  foi homologada, em parte, naquela Dcomp, acrescidos de multa  de mora.   Ora, a referida Dcomp foi objeto do processo administrativo nº  10680.724380/2010­01  que  foi  analisada  e  homologada,  em  parte,  remanescendo  um  saldo  devedor,  no  valor  de  R$42.513,69.  Inconformada  com  o  despacho  decisório,  a  recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade  que  foi  julgada  improcedente  pela  DRJ.  Contra  a  decisão  da  DRJ,  interpôs  recurso  voluntário  que  já  foi  analisado  e  julgado  por  esta Primeira Turma Ordinária, cujos membros, por maioria de  votos,  lhe  negaram  provimento,  nos  termos  do  acórdão  nº  3301­002.002,  datado  de  21/08/2013.  Também,  contra  este  acórdão,  interpôs  recurso  especial  de  divergência  que  se  encontra pendente de julgamento neste CARF.   A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de  27/12/1996,  está  condicionada  à  certeza  e  liquidez  do  crédito  financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o  crédito financeiro declarado na Dcomp, em discussão, foi objeto  do  processo  administrativo  nº  10680.724380/2010­01,  com  decisão, em segunda instância, desfavorável à recorrente.   Embora,  em  outros  processos  deste  mesmo  contribuinte,  por  força  do  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  c/c  a  decisão  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  no  REsp  nº  1.149.022,  eu  tenha  reconhecido  a  ocorrência  da  denúncia  espontânea, em casos  semelhantes, para afastar a exigência da  multa  de  mora  sobre  débitos  compensados,  mediante  Dcomp  transmitida  em  data  anterior  à  da  transmissão  da  DCTF  retificadora, no presente caso, não há como aplicar tal decisão a  débitos,  objetos  de  outra Dcomp,  cujo  processo  já  foi  julgado,  em segunda instância, com decisão desfavorável à recorrente.   No caso, de a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais  (CSRF)  deste  Conselho,  a  quem  compete  o  julgamento  do  recurso  especial  de  divergência  interposto  pela  recorrente,  lhe  der  provimento, será complementada a homologação da Dcomp e, se  apurado  saldo  credor  disponível,  poderá  ser  repetido/compensado,  mediante  a  transmissão  de  novo  Per/Dcomp.   Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão  O acórdão paradigma  (3301­002.191),  portanto,  trata  de  compensação  que  foi  objeto  de  contencioso  administrativo,  no  processo  nº  10680.724380/2010­01.  Como  não  está  claro  no  acórdão  acima  se  a  compensação  foi  apresentada  após  a  vigência  da  Lei  nº  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13656.900453/2012­17  Acórdão n.º 9101­004.038  CSRF­T1  Fl. 229          9 10/833, consultei o acórdão no processo 10680.724380/2010­01 (3301­002.002), mencionado  pelo acórdão paradigma e disponível no site do CARF.   Extrai­se do acórdão 3301­002.002:  A  homologação  parcial  foi  motivada  pela  insuficiência  do  crédito  utilizado  para  compensar  integralmente  os  débitos  informados. O crédito utilizado se refere a pagamento  indevido  ou  a  maior  de  PIS,  código  de  receita  6912.  A  contribuinte  declarou  que  pretende  compensar  referido  crédito  com  débitos  de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos meses de  dezembro de 2005 a fevereiro de 2006  Percebe­se,  assim, que a  compensação  referida pelo  segundo paradigma  foi  efetuada  em  2006,  portanto,  quando  vigente  a  Lei  nº  10.833/2003,  fruto  da  conversão  da  Medida Provisória nº 135/2003.  Portanto, entendo similares acórdão recorrido e paradigma nº 3301­002.002,  eis  que  ambos  tratam  de  reconhecimento  de  crédito  em  decorrência  de  compensação  apresentada  sob  a  vigente  Lei  nº  10.833/2003,  concluindo  de  forma  distinta.  Enquanto  o  acórdão recorrido reconhece saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito  de confissão de dívida, o acórdão paradigma entende que “A homologação da Dcomp, segundo  o  art.  74  da Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  está  condicionada à  certeza  e  liquidez  do  crédito  financeiro  utilizado”  e,  portanto,  dependeria  do  resultado  no  processo  administrativo  que  analisasse tal declaração de compensação.  Neste  panorama,  entendo  pelo  conhecimento  do  recurso  especial  da  Procuradoria,  reconhecendo  a  existência  de  divergência  na  interpretação  da  lei  tributária  quanto ao segundo paradigma (3301­002.002).  Passo ao exame do mérito.  Ressalto  que  o  saldo  negativo  ­  de  2010  ­  pleiteado  pelo  contribuinte  é  discutido  no  Processo  Administrativo  nº  19991.000084/2011­55,  nos  quais  se  analisam  estimativas  compensadas  daquele  período.  Este  processo  encontra­se  pendente  de  sorteio  no  CARF,  segundo  informações  do  sítio  deste  Conselho  (https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/exibirProc esso.jsf), para julgamento de recurso voluntário. Assim, não há decisão definitiva favorável ao  contribuinte.   A  despeito  da  ausência  de  decisão  definitiva  favorável  ao  contribuinte  no  processo que discute a compensação de estimativa mensal que originou o saldo negativo, esta  compõe o  saldo,  notadamente  por  constituir  confissão  de  dívida. Nesse  sentido,  decidiu  esta  Turma em precedentes (v.g. acórdão 9101­002.489).  Recentemente, a maioria deste Colegiado reiterou o entendimento, conforme  acórdão 9101­003.891, do qual se transcreve a ementa:  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005   Fl. 233DF CARF MF     10 GLOSA  DE  CRÉDITO.  SALDO  NEGATIVO  DE  CSLL.  COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS.  IMPROCEDÊNCIA.   A  compensação  regularmente  declarada,  tem  o  efeito  de  extinguir  o  crédito  tributário,  equivalendo  ao  pagamento  para  todos  os  fins,  inclusive,  para  fins  de  composição  de  saldo  negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que  compõe  o  saldo  negativo,  a  Fazenda  poderá  exigir  o  débito  compensado pelas  vias ordinárias,  através de Execução Fiscal.  A  glosa  do  saldo  negativo  utilizado  pela Contribuinte  acarreta  cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que,  de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente  da  estimativa  de  IRPJ  não  homologada,  e,  de  outro,  haverá  a  redução do  saldo  negativo  gerando outro  débito  com  a mesma  origem.  Colaciona­se  trecho  do  preciso  voto  vencedor,  elaborado  pelo  Conselheiro  Luis Fabiano Alves Penteado, no acórdão 9101­003.891:  Ora,  temos  aqui  uma  situação  gravosa  sendo  imposta  à  Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, a não homologação  das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos  de  estimativa  que  passaram  a  compor  o  saldo  negativo  do  ano­base  e,  de  outro,  o  presente  processo,  por meio  do  qual  a  Fiscalização, DRJ e Turma Ordinária deste Conselho entendem  que  a  estimativas  em  discussão  não  devem  compor  o  saldo  negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado,  fazendo remanescer um débito em aberto.   Assim,  caso  entendêssemos  no  presente  processo  que  tais  estimativas,  extintas  por  compensações  (em  discussão  administrativa)  devem  ser  desconsideradas  para  fins  de  composição  do  saldo  negativo  do  respectivo  período  e,  nos  demais  processos,  a  Recorrente  venha  a  ter  uma  decisão  desfavorável,  teríamos  uma  cobrança  em  duplicidade  dos  respectivos valores.   Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas  indevidamente  compensadas,  com  os  devidos  acréscimos  legais  ao  mesmo  tempo  em  que  seria  obrigada  também,  a  pagar  os  débitos liquidados através do aproveitamento do saldo negativo  do  período.  A  não  homologação  das  compensações  vinculadas  às  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL  tem  determinado,  em  efeito  cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao  final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio  processual.   O § 2° do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei  10.637/02, assim dispõe:   “§  2°A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.”   O texto legal é claro no sentido de prever que a compensação é  forma de extinção do crédito tributário, como, aliás, não poderia  deixar de ser, em face do art. 156 do CTN.   Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13656.900453/2012­17  Acórdão n.º 9101­004.038  CSRF­T1  Fl. 230          11 Desta  forma,  assim  como  ocorre  no  caso  de  pagamento  antecipado  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  a  compensação  validamente  realizada  (aquela  que cumpre as formalidades legais) extingue o crédito tributário  para todos os fins, a despeito de o Fisco poder desconsiderá­la  no futuro. (...)  A própria RFB, através da Coordenadoria de Tributos  sobre a  Renda,  Patrimônio  e  Operações  Financeiras  (Cosit),  editou  a  Solução de Consulta  Interna nº 18/06, a qual determina que na  hipótese  de  não  homologação  de Declaração  de Compensação  (DCOMP) relacionada a débito de estimativa mensal, o fato de  tal compensação encontrar­se em discussão administrativa ainda  não  julgada  definitivamente  não  macula  o  crédito  relativo  ao  saldo  negativo  apurado ao  final  do  período  base  relativo  a  tal  estimativa, conforme assim trecho destacado da ementa:   “Os  débitos  de  estimativas  declaradas  em DCTF devem  ser  utilizados  para  fins  de  cálculo  e  cobrança  de multa  isolada  pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para  inscrição em Dívida Ativa da União;   Na  hipótese  de  falta  de  pagamento  ou  de  compensação  considerada  não  declarada,  os  valores  dessas  estimativas  devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar  ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida  eventual  diferença  do  IRPJ  ou  da  CSLL  a  pagar  mediante  lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa  isolada  pela falta de pagamento de estimativa.   Na  hipótese  de  compensação  não  homologada,  os  débitos  serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não  cabe  a  glosa  dessas  estimativas  na  apuração  do  imposto  a  pagar  ou  do  saldo  negativo  apurado  na  DIPJ.”  (grifos  nossos)   Essa  posição  adotada  pela  Receita  Federal  corrobora  o  entendimento do Poder Judiciário sobre a manutenção do status  de  "extinção"  dos  débitos  compensados  até  o  julgamento  definitivo  do  respectivo  processo  administrativo  fiscal,  nos  termos  dos  parágrafos  2º,  9º,  10º  e  11º  do  artigo  74  da Lei  nº  9.430, de 1996. (...)  Além disso, não podemos esquecer que, na hipótese de despacho  decisório  que  não  homologa  a  compensação  efetuada  pelo  contribuinte,  tem­se  a  possibilidade  de  impugnação  dessa  decisão,  o  que  dá  início  ao  contencioso  administrativo.  Neste  sentido, o art. 74 da Lei 9.430/96 prevê o direito do contribuinte  de  interpor,  no  prazo  de  30  dias,  manifestação  de  inconformidade  contra  o  despacho  decisório  que  deixou  de  homologar  a  compensação.  Caso  o  despacho  decisório  seja  mantido pelo órgão julgador de primeira instância, existe, ainda,  a possibilidade de interposição de Recurso Voluntário ao CARF  e,  posteriormente,  ao  CSRF  (quando  houver  cabimento).  E,  conforme disposto nos §§ 7º a 10º do art. 74 da Lei 9.430/96, os  recursos  apresentados  contra  despacho  decisório  que  não  Fl. 235DF CARF MF     12 homologa  a  compensação  têm  efeito  suspensivo  quanto  à  cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, III, do  CTN.   Assim,  uma  vez  quitadas  as  estimativas  em  decorrência  de  procedimentos  compensatórios,  não  há  outra  solução  senão  o  cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL,  sem  prejuízo  de  cobrança  com  acréscimos  legais  do  crédito  pleiteado  no  PER/DCOMP,  na  hipótese  de  ausência  de  homologação. (...)  É  certo,  portanto,  que  não  cabe  a  glosa  do  crédito  referente  à  saldo  negativo  de  CSLL  baseada  simplesmente  na  não  homologação  das  compensações  das  estimativas  do  período,  tendo  em  vista  que  eventual  ausência  de  homologação  de  tais  compensações em definitivo  tem o condão de gerar a cobrança  do  valor  indevidamente  compensado  em  processo  próprio,  sem  risco de dupla penalização do contribuinte.   Adoto  as  razões  dos  acórdãos  acima  referidos,  para  negar  provimento  ao  recurso especial da Procuradoria.    Conclusão:  Assim,  voto  por  conhecer  e  negar  provimento  ao  recurso  especial  da  Procuradoria.    (assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa                               Fl. 236DF CARF MF

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